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SOCIOLOGIA: uma apresentação pouco convencional

Flávio Marcos Silva Sarandy

I – Um modo costumeiro de pensar; II – O mundo em nossa cabeça; III – Indivíduo e

sociedade como dois princípios explicativos da vida social; IV – A sociedade como

drama ou trama; V – A sociedade é feita de gente; VI – Indicações de leitura; VII –

Referências bibliográficas.

I – Um modo costumeiro de pensar

Dia desses um amigo propôs a sua secretária doméstica que voltasse a estudar, ela e o

marido.

Tudo

seria

arranjado:

caderno,

apostila,

passagem

e,

o

mais

importante,

a

mensalidade do supletivo. A proposta foi explicada direitinho e a intenção era dar uma força

para que o casal – gente pobre, de origem rural e sem grandes oportunidades na vida –

pudesse sonhar com um futuro melhor, ou ao menos expandir seus horizontes mentais. A

resposta veio no dia seguinte, negativa. O marido não via como voltar a estudar: sentiu muitas

dificuldades em tentativa anterior e trabalhava pesado na construção civil – “cansaço e fome

não são bons professores, doutor”; além disso, não permitiu que a mulher freqüentasse escola

sozinha – “sabe como é, ele tem ciúmes de mim”. Com essas respostas na cabeça, meu amigo

reclamou, atônito, que não conseguia compreender como duas pessoas sem recursos deixam

passar uma chance dessas.

O raciocínio feito por ele não é difícil de entender e freqüentemente passa pela idéia

de que “essa gente é preguiçosa, não quer muito da vida mesmo, e é por isso que não cresce”.

Na base dessa visão encontramos uma idéia muito geral, quase um dogma, que diz que as

pessoas são livres e autônomas para escolherem seu futuro, que podem fazer de suas vidas o

que bem entenderem e – essa é a parte mais incrível! – seguem unicamente seus interesses.

Ah, sim, os interesses! No centro da maioria de nossas explicações sobre a vida, sobre o

mundo no qual vivemos e as pessoas com as quais o partilhamos está a noção de “interesse”,

tornado princípio explicativo de tudo. Essa visão está tão difundida entre nós que ficou banal.

Mas antes de tentar demonstrar o equívoco que está por trás dela, vamos entendê-la melhor.

A idéia é simples. Para esse modelo de pensamento os indivíduos seriam distintos uns

dos outros, cada qual com sua personalidade, manias (quando não rabugices) e preferências

(que podem ser interesses, valores, fins, necessidades ou paixões). Ser um indivíduo, ou se

pensar como um indivíduo, é acreditar em sua autonomia frente aos outros, acreditar em sua

capacidade de escolha e em sua liberdade. Segundo esse modelo de pensamento, os

indivíduos agem racionalmente, isto é, calculam os prós e contras antes de fazerem suas

escolhas para “otimizar” seus ganhos com o menor custo. Numa relação racional entre os

meios e os fins, as pessoas pesariam todas as escolhas possíveis para optar por aquelas que

mais as beneficiariam. Tudo muito racional. Essa visão da natureza humana nos diz que

somos essencialmente egoístas e que só agimos conforme nossas preferências, nossos

interesses, mesmo os não confessados, ou segundo nossas necessidades materiais – orgânicas

mesmo.

A empregada doméstica e seu marido teriam feito suas escolhas (segundo essa forma

de pensar a vida): teriam optado por determinadas estratégias de sobrevivência e entre elas

certamente não constava fazer um supletivo; de acordo com os fins por eles visados, estudar

significaria um custo maior do que o que estavam dispostos a pagar, talvez porque não vissem

vantagens em curto prazo ou talvez porque se perguntassem como um certificado de

conclusão do ensino fundamental iria ajudar-lhes a conseguir outro emprego ou ganhar mais.

Essas idéias e valores incorporados pela empregada doméstica e seu marido não são

crenças só deles. São crenças predominantes nas sociedades ocidentais. Como num sistema de

idéias e valores, estão incorporadas ao nosso modo de ver o mundo, os seres humanos e a

vida, especialmente a partir da construção das sociedades capitalistas.

Tais crenças constituem um sistema de representação do mundo que não corresponde

necessariamente à realidade como ela é. E não corresponde mesmo, nesse caso: esse modelo

de pensamento oculta a hierarquia como um aspecto fundamental da vida social, mesmo nas

sociedades democráticas. Nós resistimos ao fato de que as sociedades que se organizam por

um princípio de igualdade, como as democráticas, são uma pequena minoria entre as

sociedades humanas e que, a despeito da ideologia individualista e do princípio político-

jurídico da igualdade, também são relativamente hierárquicas, seja por meio de divisões por

classes sociais, seja por outras divisões, com base em raça, gênero etc.

Segundo esse modo de pensar, a empregada de meu amigo e o marido dela teriam

escolhido não estudar e, portanto, seriam os únicos responsáveis por suas infelicidades e

apertos financeiros. Ninguém, nem Deus, nem o Estado poderiam ser responsabilizados pelas

agruras que o casal enfrentasse. Se todos seguem suas preferências, escolhidas sem nenhuma

interferência externa, então não podemos falar de injustiça social, exclusão ou alienação.

Ora, como o casal de nosso exemplo poderia avaliar – racionalmente – os efeitos da

conclusão dos estudos? Acaso eles acompanham as estatísticas sobre o mercado de trabalho?

E, cá entre nós, quais seriam mesmo esses efeitos? Quer dizer, concluir o ensino fundamental

por meio de um supletivo melhoraria realmente sua condição intelectual e profissional? Como

imaginar que esse mesmo casal optou por não aceitar a oferta sem nenhuma influência de sua

condição de vida (o cansaço do trabalho diário, filhos para cuidar, casa por limpar etc.)?

Obviamente eles não podem ser colocados em pé de igualdade com, digamos, os filhos

da classe média, que estudam em colégios mais atraentes, e se dedicam quase totalmente ao

estudo. Será mesmo que fizeram um cálculo ou simplesmente não encontraram motivação? E

qual é, realmente, o significado de estudo, escola, diploma, profissão e conhecimento para as

populações de baixa renda? Mas ainda assim, você pode argumentar, eles fizeram uma opção,

uma escolha!

Sei não, leitor, se você está me acompanhando até o momento deverá concordar que

há mais entre as coisas da terra que nossa vã sabedoria possa explicar. É aí que entra a

sociologia, para simplesmente propor que existe outra forma de pensar o caso da empregada

doméstica e de seu marido, um modo de ver que às vezes fala da sociedade mais do que do

indivíduo. Segundo essa forma de encararmos o problema da empregada de meu amigo

poderíamos começar justamente afirmando como ela, em boa medida, seria produto de seu

meio: a tendência de pessoas de sua classe social seria agir como ela agiu, não valorizando um

tipo de conhecimento (formação escolar, título, profissões liberais etc.) que nós, classe média

ou alta, valorizamos. Por aí começaríamos a discutir a situação das escolas de bairros de

periferia, sua organização familiar típica, os valores que pessoas das classes populares

introjetam e outras condições típicas de suas vidas (necessidade de trabalhar desde muito

cedo, falta de modelos paternos que incentivem a leitura etc.).

II – O mundo em nossa cabeça

Para tornar tudo mais claro para você, comecemos mostrando os equívocos do modo

de pensar que entende o indivíduo como “desconectado” do contexto social, para que não se

cometa uma injustiça com o casal de nosso exemplo – que já lida com injustiças demais.

Comecemos observando que é difícil pensarmos sociologicamente justamente por

estarmos por demais apegados a esse modo de pensar que coloca o indivíduo no centro do

mundo. Responda rápido: você considera que sua vida é unicamente de sua conta? Que você

pode escolher o que vai fazer dela? Você acredita que seus sentimentos “mais seus” são

únicos? Crê que pode dizer não a uma série de coisas que tentam lhe impor? Você acha

mesmo que seu esforço pessoal pode lhe garantir uma vida melhor? Por fim, diria que o modo

como você se veste não é determinado pela sociedade em que você vive, mas que é escolha

sua?

Se você respondeu afirmativamente a todas as perguntas anteriores, devo lhe informar

que você é normal, pois pensa de modo individualista. E, como eu sugeri antes,

pensar de

modo individualista é acreditar que os indivíduos são capazes de escolher autonomamente o

que farão de suas vidas. E a maioria de nós pensa assim. Daí que geralmente rejeitamos toda

forma de pensar que coloca a sociedade acima do indivíduo ou, em outros termos, que afirma

que o indivíduo não é tão livre, porém condicionado por forças sociais. Essa outra forma de

pensar é a que chamaremos de “perspectiva sociológica”.

Então, temos um problema aqui. É que nem sempre escolhemos algo “por nossa

própria cabeça”. Analise as perguntas a seguir:

1) Algum empresário escolheria não usar dinheiro ou usar tecnologias antigas em seus

negócios?

2) Alguém sairia à rua do modo como veio ao mundo?

3) Todos acordam um dia sem muita vontade de ir trabalhar, mas essa idéia só dura o

tempo de se lembrar que nesse dia vence aquela “continha”

natural?

Você considera isso

Ah, você diria: claro, o empresário não é idiota! Se usasse a máquina de escrever

(você lembra o que é isso?) ao invés do computador para emitir suas faturas, notas fiscais e

pedidos de compra, todas as suas operações levariam dias e ele perderia seus clientes. Quanto

a não usar dinheiro – ou a moeda corrente –, continuaria você, nem é preciso comentar: se um

empresário decidisse não mais seguir as regras estabelecidas para as atividades financeiras

(moeda, crédito etc.) ou decidisse, por exemplo, consumir seus produtos ao invés de trocá-los

no mercado, como manda nosso sistema capitalista, ele simplesmente iria à ruína.

Como nos lembra o sociólogo Marcel Mauss (1981), há um número enorme de

manifestações de nossa vida econômica (noções, leis, instituições, hábitos ou costumes,

valores e normas sociais) que simplesmente não foram inventadas por nós, mas que, ao

contrário, já encontramos prontas ao nascermos; e que estão presentes nos atos mais simples

de um trabalhador assalariado ou de um comerciante. Eles não inventaram o lucro, o salário, o

empréstimo bancário, a poupança, o preço ou o comércio internacional, mas têm que se

conformar a essas coisas para viverem dentro do sistema atual. Até mesmo os sentimentos

que

nos

parecem

totalmente

espontâneos,

como

o

amor

pelo

trabalho,

o

gosto

pelo

empreendimento e o lucro, a parcimônia ou o luxo, não são universais e naturais para todos os

seres humanos, pois que não estão presentes em todos os povos ou em todas as sociedades ao

longo da história. E, claro, sempre se pode pensar em mudar o sistema atual, mas vou deixar

essa discussão para outro momento, pois a única coisa que pretendo demonstrar a você, leitor,

é que existem regras sociais para quase todos os aspectos de nossa vida.

Um primeiro fato inegável, segundo Mauss, é que a sociedade existe, e existe

enquanto um agregado de seres humanos, não como um ente metafísico ou um ser sobre-

humano. Ora, tal qual todo agregado de seres humanos – classe social, tribo, grupo

profissional, partido político, sindicato, casta, comuna, igreja etc. – é constituído por uma

pluralidade de consciências individuais agindo e reagindo umas sobre as outras. Como no

exemplo do empresário, acima, vimos que nenhuma consciência individual sozinha pode

definir o que é a sociedade e quais serão suas normas e valores. O empresário que se negasse

a seguir as normas do mercado – instituídas, mas não naturais – iria à falência! Simplesmente

porque ele já as encontrou prontas. Isso demonstra o quanto há de coerção nessas normas. E,

no entanto, tais normas foram criadas pelos seres humanos – e podem ser modificadas por

nós.

Uma conseqüência do que foi dito anteriormente é que a primeira necessidade que

todos os seres humanos têm é a de definirem sua vida em conjunto, o que gera uma série de

questões que não estão diretamente relacionadas às necessidades de abrigo e alimento. Em

outros termos, é pela interação entre os indivíduos, pela inter-relação e interdependência de

suas funções na sociedade, que podemos compreender a vida coletiva. A “ordem oculta que

subjaz à aparente confusão da vida coletiva”, segundo Norbert Elias (1994), que liga qual

cimento cada um e todos os indivíduos, está justamente numa estrutura de funções, papéis e

posições – que incluem poder e posse – envolvendo as pessoas de uma dada coletividade.

Quanto à segunda pergunta, você nos diria que ninguém sairia sem roupas por aí, pois

isso, além de ser um baita mico, faria todo mundo pensar que o cara enlouqueceu! E o levaria

a passar uma temporada num hospício. O riso e o ridículo são indícios da existência de

normas sociais específicas tanto quanto o fato de termos modelos jurídicos funcionando – leis

que nos obrigam – é indício da existência de algo maior que as consciências individuais,

agindo sobre estas e as coagindo a determinados comportamentos e não a outros. Daí que não

há normalidade que não seja, em sentido amplo, puro hábito.

E não ir trabalhar? Bem, nesse caso talvez você pensasse, “até que não seria má idéia,

mas eu não sou preguiçoso e, afinal, quem iria por comida na mesa ou comprar aquele jeans

que eu tanto espero usar?” E é bem possível que a maioria das pessoas pensem assim. Aqui

temos o “pulo do gato”: o fato da maioria (dissemos a maioria, não todos) pensarem de um

certo modo, ou pelo menos agirem de modo semelhante, já nos indica uma forte presença da

sociedade em nossas vidas, e em nossas cabeças, não concorda?

De fato, ainda que você, leitor, diga que as respostas às questões propostas sejam

óbvias, não dá para negar que sejam muitas as idéias compartilhadas por uma ampla maioria

das pessoas de uma mesma sociedade. E isso não é pouca coisa. É difícil acreditar – caso

fôssemos tão autônomos como gostamos de afirmar – que pensamos de modo muito parecido

sobre algumas coisas por mero acaso

Mas podemos citar outros exemplos para mostrar como não agimos somente “pela

nossa cabeça”. Continuando com Marcel Mauss, vejamos o caso das relações familiares: pode

parecer à primeira vista que elas são fundadas na natureza humana, ou no instinto, porém se

olharmos a história veremos que nem sempre ciúme sexual ou amor materno e paterno

existiram, mesmo para as sociedades européias ocidentais; do mesmo modo os modelos de

família para tantas sociedades e culturas distintas da nossa são extremamente variados. Os

costumes matrimoniais, os modelos sexuais, as regras que definem o parentesco, o tipo de

relações intrafamiliares e a própria noção de família variam no tempo e no espaço porque são

coisas criadas pela sociedade em questão. E se existem vínculos jurídicos estabelecidos entre

pais e filhos, por exemplo, e que se constituíram sem nosso conhecimento e sem nosso

consentimento, é porque aquilo que inicialmente teríamos chamado de “sociedade” com um

sentimento um tanto vago é, na verdade, algo bem objetivo, que em grande medida configura

nossa vida bem antes de nascermos.

Mesmo em nossas sociedades, se tomarmos o caso das camadas médias urbanas,

segundo estudo de Gilberto Velho (1989), que caracterizam o amor e as relações conjugais

por meio de um forte discurso psicológico onde estão presentes “idéias-valor” como:

“autenticidade”,

“afinidade

entre

“amor”, “escolha

recíproca

de

pessoas”,

“química

sexual”

parceiros”,

etc.,

mesmo

“descoberta

para

esse

de

si mesmo”,

segmento

mais

intelectualizado e de visão individualista, é relativamente fácil perceber o quanto as relações e

opções referentes a casamento estão condicionadas por um universo social maior, como as

famílias dos dois cônjuges – o “fazer gosto” para os pais, que ainda existe em muitos casos.

Isso se deve ao fato do casamento, a despeito de representar uma escolha individual,

também significar uma aliança social entre grupos anteriormente distintos ou que nem mesmo

se conheciam, no caso, as respectivas famílias. Isso porque freqüentemente são as alianças – e

desavenças – com esses parentes que poderão determinar aquele novo emprego ou encontrar o

imóvel que se estava procurando, sem falarmos as trocas de presentes em datas de aniversário

ou durante as festas de natal. Quer dizer, o casamento tem sido, na prática, muito mais que a

união por um amor imponderável.

Por fim, vejamos o caso da língua, ainda seguindo as pistas de Marcel Mauss, mas

agora acompanhados por um outro sociólogo, Peter Berger (1976). Devemos observar que

nascemos em um mundo que já estava pronto, que existe desde antes de nosso nascimento e

que continuará a existir depois de nossa morte e, por isso, nossas vidas são dominadas não só

pelo que nossos contemporâneos fazem, mas também pelo que nossos antepassados fizeram.

Daí que o mundo que conhecemos ao nascer, mesmo o mundo social e humano, é um mundo

“natural”, ou ainda, o mundo, o único possível.

Ao nascer, nós não nos perguntamos sobre a existência de outros mundos, de outras

línguas, de outros comportamentos. O mundo se nos apresenta como nos ensinam. No

clássico exemplo de Berger, se dizem que tal objeto é uma “cadeira”, não ocorre a uma

criança que a palavra designa a coisa, pois ela não faz distinção entre símbolos e objetos

empíricos, de modo que o objeto é cadeira para a criança. A língua não é tida como abstração.

Ao contrário, essa língua, que tem um vocabulário e uma sintaxe secular, é aprendida pela

criança que não tem outro modo de se comunicar totalmente com os adultos. Em vão ela

poderia usar um idioma criado por ela mesma; aliás, ela não poderia criar um tal idioma, pois

uma língua se constrói na interação entre as pessoas. E não podemos desconhecer o fato de

que a língua não é apenas um sistema de códigos, mas carrega consigo os valores, as regras de

conduta e os modos de pensar da sociedade em que foi produzida e em que é utilizada.

III – Indivíduo e sociedade como dois princípios explicativos da vida social

A forma de pensar que chamei por “sociológica” pode parecer, para muitos, uma

grande desculpa para a indolência alheia. Não concordo com isso, mas devo admitir que por

essa outra visão (ou modelo de pensamento), o indivíduo, às vezes, é colocado como

executante passivo das normas e valores sociais vigentes. Mas não podemos exagerar. Se essa

aprendizagem fosse absoluta, não nos deixasse espaço para escolhas, então seríamos meros

robôs, controlados por uma entidade fantasma chamada sociedade.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Claro que sempre existirão alternativas aos

nossos comportamentos mais corriqueiros (mesmo que o repertório humano seja finito), mas

o fato é que normalmente não pensamos nessas alternativas; e não pensar nelas nos alivia de

uma enorme tensão! É assim que a sociedade já não nos aparece mais como pura coerção

social. Ela nos faz, nós a fazemos, pois ela somos nós. Tal o paradoxo estudado pelos

sociólogos.

Que não se entenda, também, que toda a discussão anterior visa negar a existência de

lutas (muitas vezes acirradas e sangrentas) em torno de interesses conflitantes, pois é inegável

o fato de que o interesse desempenha um papel importante na vida humana. Mas daí a afirmar

que somente o interesse ou a necessidade material determina a ação dos homens vai uma

grande distância. É evidente que permanecem as “necessidades concretas”, os “interesses

materiais” e as “condições objetivas da existência humana”, porém o que está em questão é

que tais necessidades e interesses não são definidos pelo nosso estômago, a não ser num

espaço muito reduzido. Os interesses, do mesmo modo que as necessidades materiais,

também podem ser tecidos por símbolos e definidos a partir de valores. Os interesses e

condições concretas estão sempre presentes como condicionantes sociais importantes do

mesmo modo que os valores, as crenças e as idéias que os homens constroem sobre a vida.

Também não podemos ser displicentes quanto ao fato de haver dominação de alguns

homens sobre outros. O fenômeno da dominação (econômica e política) existe e é dos mais

importantes para compreendermos as sociedades capitalistas modernas e ocidentais. O fato de

seguirmos as normas sociais e os valores que predominam em nossa sociedade e que regem as

relações sociais – e isso é um fenômeno geral da vida coletiva – não exclui um outro fato, que

é o dessas normas sociais e valores beneficiarem mais a uns do que outros indivíduos dentro

de uma mesma sociedade.

Em outros termos, sempre haverá quem leve vantagem sobre outro, como nos ensina

João Ubaldo Ribeiro (1998): por exemplo, apesar das mulheres enfrentarem uma condição

desvantajosa perante os homens (mesmo nas ditas sociedades livres, ocidentais), uma senhora

de classe média alta, profissional liberal que dirige seu próprio carro a caminho do trabalho

está em situação de vantagem sobre a empregada doméstica de nosso exemplo, pois ainda que

ambas sofram discriminação por sua condição feminina, uma pode pagar empregada para

cuidar dos filhos enquanto trabalha, já a outra

Mas ainda que normas sociais, valores,

costumes e leis possam estabelecer, de saída, desigualdade entre os indivíduos de uma mesma

sociedade, isso não quer dizer que a vida social não seja assim: uma teia de símbolos (essas

normas sociais, valores, costumes e leis) dentro da qual nos movemos e em relação a qual nos

referimos sempre em nossas ações.

No entanto, o primeiro modo de pensar apresentado nesse texto (o que responsabiliza

totalmente a secretária doméstica de nosso exemplo) não é adequado ou suficiente para se

pensar a ação humana. Apesar de parecer óbvio, na verdade não costuma corresponder à

realidade das decisões humanas, pois não se pronuncia quanto aos fins, isto é, não explica

como a pessoa escolhe seus objetivos de vida nem por que. Não leva em conta o fato de que

estratégias escolhidas para a solução de problemas cotidianos são definidas com base em

sentimentos e experiência anterior. Além disso, freqüentemente os meios para se conseguir

algo, eles próprios, se tornam fins, tanto quanto os objetivos a que nos propomos conquistar

são sempre, e necessariamente, uma escolha fundada em valores e não somente em interesses.

Ninguém pode dizer que seu maior objetivo deve ser a felicidade ou ganhar dinheiro

ou construir uma casa maior, se não por que, antes, você fez uma escolha que envolveu

valores e crenças. Essa visão nos diz que o homem age em função da perseguição de seus

interesses e da utilidade das coisas (e das pessoas), mas não explica como esses interesses

surgem, nem esclarece como se define a utilidade de algo. Mais que isso, esse modo de

entender a vida humana esconde que ele não é somente um ser de razão, mas é também um

ser de paixões. Por fim, não considera o contexto social da ação e seus condicionantes, isto é,

os fatores que condicionam os comportamentos a serem de um jeito e não de outro.

Então estamos assim: até o momento lhes apresentei as duas formas fundamentais de

ver as situações da vida humana. A primeira, individualista e fundada na idéia de liberdade e

de interesse como único motor da ação humana. A segunda, com ênfase na sociedade (vista

como uma totalidade superior em relação a suas partes que, no caso, são os indivíduos),

propõe que o autor desse texto, você, seu vizinho e qualquer outra pessoa agem em função de

normas sociais mais ou menos rígidas que agem como condicionantes. A primeira inverte essa

relação e quer que o todo (a sociedade) seja mera somatória de suas partes (as consciências

individuais). A segunda, ao contrário, quer afirmar o peso esmagador do topo sobre a base, do

todo sobre as partes. Veja o quadro a seguir para criamos uma imagem bem nítida do que

estamos discutindo.

As duas formas de vermos o mundo humano tratadas neste texto

O modelo que aprendemos ou nosso modo costumeiro de pensar as coisas humanas:

O indivíduo é capaz de escolhas autônomas e individuais sobre suas preferências

Essas preferências são decididas por ele, em foro íntimo

O ser humano é egoísta e segue unicamente seus interesses

as

O

que

move

a

ação

humana

são

necessidades e interesses materiais

Toda ação parte de um cálculo racional sobre benefícios e custos visando a otimização dos resultados

marcadas

As relações

sociais

são

principalmente pela liberdade

A contribuição da sociologia ou o que ela nos revela sobre a vida humana:

O indivíduo é fortemente condicionado pelo contexto no qual está inserido

Seus valores, suas crenças, seus sentimentos mais “autênticos” são, na verdade, aprendidos na socialização

O que move a ação humana são as regras, os valores, as normas sociais interiorizados pelas pessoas e o senso de dever

As relações sociais são marcadas pela coerção social, pelas pressões exteriores, pela hierarquia, por uma estrutura social de dominação

A questão fundamental é a dominação, a hierarquia e a ilusão de liberdade

IV – A sociedade como drama ou trama

Um dos poucos consensos existentes entre os sociólogos é justamente a tese de que o

social é irredutível ao psicológico, isto é, o mundo social é mais que simplesmente a

somatória do que pensam todos os indivíduos, mas como se dá a relação entre os dois –

indivíduo e sociedade – ainda se está por explicar. Foram apresentadas duas formas de

encararmos o problema: a primeira não é produto das pesquisas de sociólogos, mas existe

como fundamento do mundo moderno ocidental; a outra é a perspectiva sociológica, que

relativiza a idéia de indivíduo e propõe a existência de condicionantes sociais.

É claro que essa discussão não esgota – nem pretendia esgotar – todas as formas de

pensar a vida social encontradas em nossa sociedade, muito menos as diversas correntes

teóricas da sociologia. Na verdade, caro leitor, minha única intenção era contrapor uma visão

comum sobre os assuntos humanos à perspectiva sociológica, na esperança de que com isso

tudo ficasse mais didático e mais compreensível. O que deve ficar claro para você é que o que

foi exposto sobre a perspectiva sociológica não é toda a sociologia, mas tão somente alguns

de seus princípios básicos.

Toda essa conversa sobre relações entre indivíduo e sociedade nos leva a um ponto de

grande importância para a sociologia: ela está interessada em processos e movimentos que

envolvem os seres humanos. Não que somente os grandes processos históricos que perpassam

várias sociedades é que fazem um sociólogo dar pulos de excitação, pois até mesmo os fatos

cotidianos da vida miúda são objetos de interesse da sociologia; a vida pequena, dia-a-dia, as

relações diretas entre as pessoas, o cotidiano de uma vila perdida nos confins do interior, essa

é uma realidade tão digna quanto outras para o estudo sociológico.

Para quem está interessado em conhecer a sociologia algo importante a saber é que há

uma pluralidade de sociologias. Esse campo do saber difere em muito no que se refere a

teorias, terminologias, métodos de investigação e orientações de pesquisas. Não há um objeto,

mas todo um conjunto de eventos ou fenômenos que têm interessado os sociólogos desde a

fundação

dessa

disciplina.

Existem

algumas

áreas

mais

ou

menos

consensuais

entre

sociólogos, como estudos referentes ao mundo do trabalho, à estratificação social (que é a

estrutura desigualdade no interior de uma sociedade, levando-se em conta aspectos como

renda, ocupação ou acesso à bens de consumo), à educação, à política ou ao cotidiano e às

interações em pequena escala. Daí que se fala em “macro-sociologia” – aquela que procura

explicar os fenômenos de grande escala, tendências históricas ou as conformações de uma

sociedade na totalidade de sua abrangência; bem como se fala em “micro-sociologia”, voltada

para o cotidiano, as relações dia-a-dia, os pequenos grupos, enfim, os fenômenos mais

próximos.

Se tomarmos análises sobre o que os sociólogos têm estudado, de acordo com

informações fornecidas por associações e pelos próprios cientistas, podemos observar uma

gama imensa de temas, que vão desde os citados no parágrafo anterior até estudos sobre o

hospital e a saúde, passando por relações amorosas, casamento, família e relações de

parentesco, o universo jurídico, a literatura etc. Mas todas as classificações serão sempre

arbitrárias e já houve o absurdo de algum sociólogo propondo uma “sociologia da bicicleta”,

como nos informa Alex Inkeles (1980).

E se existem diversas teorias sociológicas, modelos explicativos ou paradigmas no

interior da disciplina, também é verdade que esses podem ser compreendidos dentro do

dilema apresentado no item anterior, ora pendendo para explicações que privilegiam o

indivíduo como ponto de partida – no caso das teorias sociológicas que querem explicar o que

ocorre na sociedade pela ação e motivação individuais –, ora para as explicações que, por sua

vez, querem explicar a sociedade por eventos ou agentes externos aos indivíduos, sejam esses:

representações coletivas, instituições sociais, estrutura social e econômica ou luta entre

classes sociais.

Mas ainda que a sociologia – ou algumas de suas teorias – considere o indivíduo e

esteja interessada em explicar seu comportamento no seio da sociedade, ela parte do princípio

de que esse indivíduo é, de algum modo e em maior ou menor grau, condicionado por sua

simples existência em meio a outros indivíduos – o que difere radicalmente da visão comum

que pensa o indivíduo totalmente livre, apresentada anteriormente.

V – A sociedade é feita de gente

Então, uma primeira lição da sociologia é que existem regularidades na vida coletiva.

Onde podemos observar essas regularidades? 1) nos comportamentos

semelhantes

em

situações semelhantes – ninguém, em nosso país, daria um sonoro arroto após o jantar sem

receber olhares furiosos dos presentes, especialmente se esse jantar for na casa dos pais da

namorada ou namorado; 2) nas crenças e valores comuns que partilhamos com outras pessoas

– por exemplo, ao acreditarmos que “homem não chora” ou que “Deus ajuda quem cedo

madruga” ou, ainda, ao cultivarmos a máxima “faça aos outros somente aquilo que gostaria

que os outros fizessem a você”; 3) nas leis que respeitamos – afinal, todos têm que respeitar

essas leis, certo? 4) enfim, em costumes, convenções sociais e práticas comuns à média dos

indivíduos de nossa sociedade. E são essas regularidades, na verdade, que permitem que

exista o que chamamos de sociedade. E isso resolve o falso dilema: sociedade versus

indivíduo, afinal, não se faz uma sociedade sem gente e, por outro lado, a pura existência de

gente não faz uma sociedade.

Talvez fique difícil para se imaginar como isso efetivamente se dá no dia-a-dia, no

cotidiano de nossas vidas. Por essa razão, lanço mão de um comentário de Norbert Elias

(1994), uma livre citação que me permito fazer de um dos mais brilhantes sociólogos do

século XX:

O que une os indivíduos não é cimento. Basta pensarmos no burburinho das ruas das

grandes cidades: a maioria das pessoas não se conhece. Umas quase nada têm a ver

com as outras. Elas se cruzam aos trancos, cada qual perseguindo suas próprias

metas e projetos. Vão e vêm como lhes apraz. Partes de um todo? Funcionando nesse

tumulto de gente apressada, apesar de toda a sua liberdade individual de movimento,

há também, claramente, uma ordem oculta e não diretamente perceptível pelos

sentidos. Cada pessoa nesse turbilhão faz parte de determinado lugar. Tem uma mesa

à qual come, uma cama em que dorme; até os famintos e sem teto são produtos e

componentes da ordem oculta que subjaz à confusão. Cada qual dos passantes, em

algum lugar, em algum momento, tem uma função, uma propriedade ou trabalho

específico, algum tipo de tarefa para os outros, ou uma função perdida, bens perdidos

e um emprego perdido. Há balconistas de lojas e bancários, faxineiros e damas de

sociedade sem profissão própria; há homens que vivem de renda, policiais, garis,

especuladores imobiliários falidos, batedores de carteiras e moças sem outra função

senão o prazer dos homens; há atacadistas e mecânicos, diretores de grandes

indústrias químicas e desempregados. Como resultado de sua função, cada uma

dessas pessoas tem ou teve uma renda, alta ou baixa, de que vive ou viveu; e, ao

passar pela rua, essa função e essa renda, mais evidentes ou mais ocultas, passam

com ela. Não lhe é possível pular fora disso conforme sua veneta. Não lhe é possível,

simplesmente, passar para outra função, mesmo que o deseje, despir-se de sua

condição social como se tira uma camisa.

E veja lá que não estou tentando te convencer que você não controla sua própria vida!

Apenas que você não tem o controle sempre ou totalmente. Você pode estar se perguntando: e

a liberdade? Então viver em sociedade é isso: uma prisão dentro da qual mal podemos respirar

já que não temos liberdade de escolher “com nossa própria cabeça”? Talvez você tenha razão

de ter ficado um pouco irritado com uma perspectiva que parece negar nossa liberdade (e que

provoca uma “claustrofobia sociológica”, segundo Peter Berger); e, afinal, nós sentimos que

temos liberdade e que decidimos nossas coisas, certo?

Segundo Peter Berger, é correto dizer que a sociedade pode ser tomada por um fato

objetivo que nos coage e nos condiciona em muitos aspectos. No entanto, também é correto

dizer que nossos próprios atos significativos ajudam a sustentar a sociedade e podem

oportunamente ajudar a modificá-la. Ora, quaisquer que sejam as pressões externas ao

indivíduo, na maioria dos casos nós próprios teremos de ser, pelo menos, co-definidores da

situação social em que vivemos. Ainda que a situação já venha pré-definida (como em vários

exemplos citados ao longo desse texto), temos que aceitá-la ou não. Isto significa que, ainda

que seja muito difícil resistirmos a certas pressões da sociedade nós podemos fazer escolhas.

Nas sociedades mais complexas, como as nossas, existe uma margem de escolha

perante as normas sociais, a possibilidade de construção de um projeto de vida pessoal, a

oportunidade de experimentarmos diversos papéis e alcançarmos outras posições na estrutura

social. Do mesmo modo, há sempre a possibilidade de reconstruirmos a sociedade em outras

bases, de alterarmos suas normas e rompermos os laços de dominação existentes. Mas o que

não há é a possibilidade de um indivíduo viver “suspenso no vazio”, como se nenhuma

ligação houvesse entre ele e o mundo que o cerca. Como bem nos lembra Peter Berger, as

duas afirmativas encerram o paradoxo da existência humana: a sociedade nos define, mas é

por sua vez definida por nós.

A sociologia, desbastada de alguns exageros, supera a visão que não deixa espaço para

percebermos

que

os

seres

humanos

fazem

escolhas,

ainda

que

dentro

de

contextos

previamente constituídos, mas que podem sempre ser alterados; e ao mesmo tempo nos faz

perceber claramente as regras sociais em ação, ainda que essas regras dependam de nossa

consciência e vontade. Com isso ela nos oferece um modelo de pensamento que tem a

vantagem de romper o isolamento do indivíduo para o recolocar no contexto de suas relações

sociais; para que o indivíduo de ontem torne-se social, não mais ele e os outros, mas ele em

meio aos outros, nas palavras do antropólogo Louis Dumont (1997). Desse modo, a

sociologia promove a descoberta sobre como nossa vida é perpassada por forças nem sempre

visíveis – por nossa simples pertença a um grupo social. E não a um grupo social qualquer,

mas a esse grupo, com sua identidade, posição na estrutura social, símbolos e recursos de

poder. A sociologia nos permite compreender que os cheiros, os gestos, as gírias, as tensões e

conflitos, as lágrimas e alegrias, enfim, o drama concreto de nossos pares, são em grande

medida resultante de uma configuração específica de nosso mundo.

Nesse sentido, ela atua contra a mentalidade individualista do homem moderno.

Somente com o devido distanciamento de nossa própria sociedade – problematizando a nossa

realidade próxima a partir de diferentes perspectivas –, bem como pelo confronto dela com

realidades culturalmente distantes por meio de um olhar comparativo, é que poderemos

perceber que nossa visão de mundo é mais uma entre tantas outras igualmente legítimas,

resultantes do fato de que outros homens, de distintos lugares e tempos, organizam-se e vivem

de maneiras diferentes da nossa. E assim chegamos à compreensão do quanto há de

dependência

onde

vemos

liberdade,

do

quanto

de

diferença

onde

pensamos

homogeneidade e do quanto há de hierarquia quando insistimos em ver igualdade. Tal a

proposta da sociologia: rasgar os véus das representações sociais e compreendê-las sob uma

nova ótica, elas próprias como produtos sociais. Uma aventura que em boa medida depende

de nossa disposição para sair dos estreitos limites dos preconceitos em que todos os homens

foram criados.

VI – Indicações de leitura

Se você me acompanhou até o momento, leitor, espero que ainda não tenha saciado

sua fome com esse texto, uma pequena entrada para o banquete sociológico que eu desejo lhe

oferecer. Como bom maître, apresento a sugestão da casa para o prato principal, uma

composição de escritos considerados clássicos que nos indicam de modo bastante sugestivo

como a sociologia compreende o mundo humano: comecemos com As formas elementares da

vida religiosa, de Émile Dürkheim, (que você pode encontrar em Dürkheim, da Coleção Os

Pensadores, Editora Abril Cultural, 1978, mas também na Coleção Tópicos, da Editora

Martins

Fontes),

acompanhado

dos

excelentes

textos

Algumas

formas

primitivas

de

classificação, de Émile Dürkheim e Marcel Mauss, e Dom, Contrato, Troca, de Marcel Mauss

(que estão publicados em Ensaios de Sociologia – Marcel Mauss, da Editora Perspectiva,

1981). Os três textos sugeridos acima nos informam sobre a dimensão simbólica da vida

social e as origens sociais desse simbolismo, tanto quanto expõem aquela ordem oculta que

subjaz à vida coletiva, conforme diz Norbert Elias; porém, o prato pode ser bem temperado se

forem adicionadas duas outras leituras, igualmente importantes: Contribuição à crítica da

economia política, de Karl Marx e A ética protestante e o espírito do capitalismo, de Max

Weber. Esses dois textos discutem os processos econômicos, políticos e culturais próprios da

formação e desenvolvimento do capitalismo, por uma visão “macro-sociológica”, apesar de se

colocarem em perspectivas distintas, mas complementares, sendo que o primeiro será

encontrado publicado pela Editora Martins Fontes (1977) e o segundo pela Biblioteca

Pioneira de Ciências Sociais (1989). Naturalmente meus comentários estão longe de fazerem

justiça a todos os sabores que você poderá encontrar em cada um dos textos sugeridos, o que

torna a descoberta ainda melhor. Como alternativa – talvez para quem deseje um prato mais

leve, o que não exclui experimentar os já citados, posso sugerir A sociedade dos indivíduos,

de Norbert Elias (Jorge Zahar Editor, 1994), Perspectivas sociológicas, de Peter Beger

(Editora Vozes, 1976) e O que é sociologia, de Alex Inkeles (Editora Biblioteca Pioneira de

Ciências Sociais, 1980); Norbert Elias nos permite pensar com clareza as relações entre o que

vagamente chamamos por “sociedade” e a nossa existência concreta e cotidiana como

indivíduos; e as últimas duas sugestões de leitura são excelentes introduções sobre o modo

próprio de pensar das ciências sociais, seus métodos de investigação, teorias mais importantes

e

os

resultados

das

pesquisas

desenvolvidas

da

segunda

metade

do

século

XX

até

recentemente. Para a sobremesa e o cafezinho, sugiro os excelentes sites da Revista Eletrônica

“Espaço Acadêmico”, http://www.espacoacademico.com.br , da Associação Nacional de Pós-

Graduação

e

Pesquisa

em

Ciências

Sociais,

,

da

Sociedade

Brasileira de Sociologia (SBS), http://www.sbsociologia.com.br , da Associação Brasileira de

Ciência Política (ABCP), http://www.cienciapolitica.org.br , da Associação Brasileira de

Antropologia (ABA), http://www.abant.org.br , da Revista Achegas, http://www.achegas.net ,

e da Revista Intellèctus, http://www2.uerj.br/~intellectus . Combine os pratos como quiser e

lembre-se: como todo bom cafezinho (e toda boa sobremesa), é para se apreciar a todo

momento, sempre que se quiser. Sirva-se à vontade, então.

VII – Referências bibliográficas

BERGER, Peter I. Perspectivas Sociológicas – uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 3ª

edição, 1976.

DUMONT, Louis. Homo Hierarchicus. O sistema das castas e suas implicações. São Paulo:

Edusp, 2ª edição, 1997.

DURKHEIM, Émile. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 9ª edição, 4ª

impressão, 2002.

DURKHEIM, Émile. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.

INKELES, Alex. 1980. O que é sociologia. São Paulo: Biblioteca Pioneira de Ciências

Sociais, 3ª edição, 1980.

LEVINE, Donald N. Visões da tradição sociológica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,

1997.

MARTINS, José de Souza (org.). Vergonha e decoro na vida cotidiana da metrópole. São

Paulo: Hucitec, 1999.

MARX, Karl. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, vol. 1, s/d.

MAUSS. Marcel. Estudos de Sociologia. São Paulo: Perspectiva, 1981.

RIBEIRO, João Ubaldo. Política – quem manda, porque manda, como manda. Rio de

Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998.

VELHO, Gilberto. Individualismo e cultura – notas para uma antropologia da sociedade

contemporânea. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 5ª eidção, 1999.

VELHO, Gilberto. Subjetividade e sociedade – uma experiência de geração. Rio de Janeiro:

Jorge Zahar Editor, 2ª eidção, 1989.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Biblioteca Pioneira

de Ciências Sociais, 6ª edição, 1989.

WEBER, Max. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 4ª edição, 1989.