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FACULDADE DE ENGENHARIA DE SOROCABA

ELETRÔNICA II

Prof. Sidney José Montebeller


Referências Bibliográficas e Internet

Referências Bibliográficas
1- TOCCI, R. J.; WIDMER, N.S.; Sistemas Digitais: Princípios e
Aplicações. Rio de Janeiro: LTC, 2000.

2- MALVINO, A. P.; LEACH, D. P.; Eletrônica Digital: Princípios e


Aplicações. São Paulo: McGraw-Hill, 1987.

3- TAUB, H.; Circuitos Digitais e Microprocessadores. São Paulo:


McGraw-Hill, 1984.

4- LOURENÇO, A. C.; Circuitos Digitais. São Paulo: Érica.

5- CAPUANO, F. G.; IDOETA, I. V.; Elementos de Eletrônica Digital. São


Paulo: Érica.

6- MELO, M.; Eletrônica Digital. São Paulo: Makron Books.

7- TOKHEIM, R. L.; Princípios Digitais. São Paulo: McGraw-Hill.

Internet
1- ALTERA – http://www.altera.com/ - Dispositivos de Lógica Programável

2- XILINX – http://www.xilinx.com/ - Dispositivos de Lógica Programável

3- ATMEL – http://www.atmel.com/ - Microcontroladores (AVR) e


Componentes Discretos

4- MICROCHIP – http://www.microchip.com/ - Microcontroladores (PIC) e


Componentes Discretos

5- NATIONAL – http://www.national.com/ - Microcontroladores (COP8) e


Componentes Discretos

6- TEXAS INSTRUMENTS – http://www.ti.com/ - Microcontroladores


(MSP430) e Componentes Discretos

7- BURR-BROWN – http://www.burrbrown.com/ - Conversores A/D e D/A e


Amplificadores Operacionais

8- INTEL – http://www.intel.com/ - Microcontroladores (8051) e


Componentes Discretos

9- ANALOG DEVICES – http://www.analog.com/ - Conversores A/D e D/A


e Componentes Discretos

10- MOTOROLA – http://e-www.motorola.com/ - Microcontroladores


(M68HC) e Componentes Discretos

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller I


Sumário

1. Revisão de Circuitos Combinatórios ............................................... 1


1.1- Conceitos Introdutórios ........................................................................... 1
1.2- Representação de Quantidades Binárias................................................ 2
1.3- Circuitos Digitais/Circuitos Lógicos ......................................................... 3
1.4- Sistemas de Numeração e Códigos........................................................ 3
1.5- Portas Lógicas e Álgebra Booleana ........................................................ 5
1.6- Teoremas da Álgebra de Boole............................................................... 8
1.7- Universalidade das Portas NAND e NOR ............................................... 9
1.8- Simplificação de Circuitos Lógicos.......................................................... 9
1.9- Projetando Circuitos Lógicos ................................................................ 10
1.10- Método do Mapa de Karnaugh para Simplificação Circuitos Lógicos ... 11
1.11- Outras Portas Lógicas........................................................................... 11
1.12- Circuitos Integrados Lógicos ................................................................. 12

2. Famílias Lógicas de Circuitos Integrados.................................... 14


2.1- Introdução ............................................................................................. 14
2.2- Terminologia de Circuitos Integrados Digitais ....................................... 14
2.3- Família Lógica TTL ............................................................................... 18
2.4- Características da Série TTL Padrão .................................................... 19
2.5- Séries TTL Aperfeiçoadas..................................................................... 20
2.6- Fan-Out e Carregamento para TTL....................................................... 22
2.7- Outras Características TTL ................................................................... 23
2.8- Conectando Saídas TTL Juntas............................................................ 24
2.9- Tristate (Terceiro Estado) para o TTL .................................................. 26
2.10- Circuitos Integrados Digitais MOS ........................................................ 27
2.11- O MOSFET ........................................................................................... 27
2.12- Circuitos Digitais com MOSFETs .......................................................... 27
2.13- Características da Lógica MOS............................................................. 29
2.14- Lógica MOS Complementar .................................................................. 30
2.15- Características da Série CMOS ............................................................ 31
2.16- Tecnologia de Baixa Tensão................................................................. 35
2.17- Saídas CMOS de Dreno Aberto e Tristate ............................................ 36
2.18- Interfaceamento de Circuitos Integrados .............................................. 37
2.19- TTL Acionando CMOS .......................................................................... 37
2.20- CMOS Acionando TTL .......................................................................... 38

3. Dispositivos de Lógica Programável (PLDs) .............................. 40


3.1- Introdução ............................................................................................. 40
3.2- Conceito Básico .................................................................................... 41
3.3- Simbologia ............................................................................................ 42
3.4- Arquitetura de um PLD.......................................................................... 42
3.5- Outros Recursos Disponíveis................................................................ 44
3.6- Outros Tipos de PLDs ........................................................................... 44
3.7- Programação......................................................................................... 45
3.8- PLDs Programáveis .............................................................................. 45

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller II


Sumário

4. Flip-Flops ................................................................................................. 46
4.1- Introdução ............................................................................................. 46
4.2- Flip-Flop R-S (Reset – Set) ................................................................... 46
4.3- Flip-Flops com Clock............................................................................. 47
4.4- Flip-Flop R-S com Clock ....................................................................... 48
4.5- Flip-Flop J-K.......................................................................................... 49
4.6- Flip-Flop D ............................................................................................ 50
4.7- Latch D.................................................................................................. 50
4.8- Entradas Assíncronas ........................................................................... 51
4.9- Características de Temporizações dos Flip-Flops ................................ 51
4.10- Circuitos Integrados de Flip-Flops......................................................... 53
4.11- Problemas de Temporização em Flip-Flops.......................................... 53
4.12- Flip-Flops Mestre/Escravo .................................................................... 54
4.13- Dispositivos Schmitt-Trigger.................................................................. 54
4.14- Circuitos Geradores de Clock ............................................................... 55

5. Contadores.............................................................................................. 57
5.1- Introdução ............................................................................................. 57
5.2- Contadores Assíncronos ....................................................................... 57
5.3- Contadores de Módulo < 2N .................................................................. 59
5.4- Diagrama de Transição de Estados ...................................................... 60
5.5- Contadores de Década ......................................................................... 60
5.6- Circuitos Integrados de Contadores Assíncronos ................................. 60
5.7- Contador Assíncrono Decrescente ....................................................... 61
5.8- Atrasos de Propagação de Contadores Assíncronos............................ 62
5.9- Contadores Síncronos .......................................................................... 63
5.10- Circuitos Integrados de Contadores Síncronos..................................... 64
5.11- Contadores Síncronos Decrescentes.................................................... 64
5.12- Contadores com Carga Paralela ........................................................... 64
5.13- Utilizando Contadores BCD .................................................................. 65
5.14- Projeto de Contadores Síncronos ......................................................... 66
5.15- O Flip-Flop J-K ...................................................................................... 66
5.16- Procedimento para Construção de Contadores Síncronos ................... 67

6. Registradores......................................................................................... 70
6.1- Introdução ............................................................................................. 70
6.2- Registradores de Deslocamento ........................................................... 70
6.3- Transferência Paralela de Dados entre Registradores ......................... 71
6.4- Transferência Serial de Dados entre Registradores ............................. 71
6.5- Comparação entre a Transferência Paralela e a Transferência Serial.. 72
6.6- Contadores com Registradores de Deslocamento................................ 72
6.7- Circuitos Integrados de Registradores .................................................. 74

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller III


Sumário

7. Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e


Demultiplexadores................................................................................. 75
7.1- Decodificadores .................................................................................... 75
7.2- Codificadores ........................................................................................ 77
7.3- Multiplexadores ..................................................................................... 78
7.4- Demultiplexadores ................................................................................ 81

8. Aritmética Digital................................................................................... 83
8.1- Introdução ............................................................................................. 83
8.2- Adição Binária ....................................................................................... 83
8.3- Representação de Números com Sinal................................................. 83
8.4- Representação de Números com Sinal Usando Complemento a 2 ...... 85
8.5- Multiplicação de Números Binários ....................................................... 88
8.6- Divisão de Números Binários ................................................................ 88
8.7- Adição de Números BCD ...................................................................... 89
8.8- Aritmética Hexadecimal ........................................................................ 89
8.9- Circuitos Aritméticos ............................................................................. 90
8.10- Somador Paralelo Integrado ................................................................. 95
8.11- Ligação em Cascata de Somadores Paralelos ..................................... 95
8.12- Circuito Integrados de ULAs ................................................................. 95

9. Conversão Digital-Analógica ............................................................ 97


9.1- Interface com o Mundo Analógico ........................................................... 97
9.2- Sistema Digital Interfaceando com Grandezas Analógicas ..................... 97
9.3- Conversão Digital Analógica (D/A) .......................................................... 98
9.4- Código de Entrada BCD ........................................................................ 100
9.5- Conversor D/A com Amplificador Operacional ...................................... 100
9.6- Fatores Importantes na Precisão da Conversão ................................... 102
9.7- Conversores D/A com Saída em Corrente ............................................ 103
9.8- Rede R/2R............................................................................................. 104
9.9- Especificações de Conversores D/A ..................................................... 104
9.10- Circuito Integrado de Conversão D/A – AD7524 ................................... 105
9.11- Aplicações de Conversores D/A ............................................................ 105

10. Conversão Analógico-Digital........................................................ 107


10.1- Introdução ......................................................................................... 107
10.2- Conversor A/D de Rampa Digital ...................................................... 108
10.3- Precisão e Resolução de Conversores A/D ...................................... 108
10.4- Aquisição de Dados .......................................................................... 109
10.5- Reconstrução de Sinais Digitalizados ............................................... 110
10.6- Conversor A/D de Aproximações Sucessivas ................................... 111
10.7- ADC0804 – Conversor A/D de Aproximações Sucessivas ............... 112

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller IV


Sumário

10.8- Conversor A/D Flash ......................................................................... 114


10.9- Outros Métodos de Conversão A/D .................................................. 115

11. Memórias ............................................................................................. 117


11.1- Introdução ......................................................................................... 117
11.2- Definição de Termos Básicos............................................................ 117
11.3- Princípios de Operação das Memórias ............................................. 119
11.4- Conexões da Memória com a CPU................................................... 120

12. Memórias Somente de Leitura (ROM)........................................ 122


12.1- Introdução ......................................................................................... 122
12.2- Diagrama em Blocos de uma ROM................................................... 122
12.3- Arquitetura de uma ROM .................................................................. 123
12.4- Temporização de uma ROM ............................................................. 124
12.5- Tipos de ROM ................................................................................... 124
12.6- Aplicações de ROMs......................................................................... 125

13. Memórias de Acesso Aleatório (RAM) ...................................... 126


13.1- Introdução ......................................................................................... 126
13.2- Arquitetura de uma RAM................................................................... 126
13.3- RAM Estática (SRAM)....................................................................... 128
13.4- RAM Dinâmica (DRAM) .................................................................... 130

14. Expansão do Tamanho da Palavra e da Capacidade ........... 133


14.1- Introdução ......................................................................................... 133
14.2- Expansão do Tamanho da Palavra ................................................... 133
14.3- Expansão da Capacidade ................................................................. 134

15. Microcontrolador AT90S8515 ....................................................... 136


15.1- Introdução ......................................................................................... 136
15.2- Características do Microcontrolador AT90S8515.............................. 137
15.3- Encapsulamento ............................................................................... 137
15.4- Descrição Geral ................................................................................ 138
15.5- Diagrama em Blocos ......................................................................... 139
15.6- Descrição dos Pinos ......................................................................... 140
15.7- Oscilador ........................................................................................... 141
15.8- Arquitetura ........................................................................................ 141
15.9- Temporizadores/Contadores............................................................. 157
15.10- Watchdog Timer.............................................................................. 166

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller V


SUMÁRIO

15.11- Acesso para Leitura/Escrita na EEPROM ....................................... 168


15.12- UART .............................................................................................. 171
15.13- Comparador Analógico ................................................................... 176
15.14- Interface com SRAM Externa.......................................................... 178
15.15- Portas de Entrada/Saída ................................................................. 179

16. Guia para Uso do Assembler AVR.............................................. 188


16.1- Introdução ......................................................................................... 188
16.2- Código Fonte do Assembler.............................................................. 188
16.3- Registradores da Memória de I/O do AT90S8515 ............................ 189
16.4- Tabela de Instruções......................................................................... 190
16.5- Diretivas no Assembler ..................................................................... 196
16.6- Expressões ....................................................................................... 204

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller VI


Revisão de Circuitos Combinatórios

1. Revisão de Circuitos Combinatórios

1.1- Conceitos Introdutórios


Grandezas Analógicas e Digitais

Grandezas analógicas são aquelas que podem variar em um intervalo


contínuo de valores. Por exemplo, a velocidade de um veículo pode assumir
qualquer valor de 0 a 200 Km/h.
Grandezas digitais são aquelas que variam em passos discretos. Por
exemplo, o tempo varia continuamente mas a sua medição através de um
relógio digital é feita a cada minuto.

Sistemas Analógicos e Digitais

Um sistema analógico contém dispositivos que podem manipular


quantidades físicas analógicas. Por exemplo, a saída de um amplificador pode
variar continuamente dentro de um certo intervalo.
Um sistema digital contém dispositivos capazes de manipular
informações lógicas (representadas na forma digital). Um exemplo seria um
computador.
As vantagens das técnicas digitais são várias:
- Sistemas digitais são mais fáceis de projetar;
- Fácil armazenamento de informação;
- Maior exatidão e precisão;
- A operação do sistema pode ser programada;
- Circuitos digitais são menos afetados pelo ruído;
- Um maior número de circuitos digitais pode ser colocado em um circuito
integrado.

Sistemas de Numeração Digital

- Sistema decimal – contém 10 algarismos (0 a 9).


Representação:
273,4110 = (2 x 102) + (7 x 101) + (3 x 100) + (4 x 10-1) + (1 x 10-2)
Pesos 102 101 100 10-1 10-2
2 7 3 4 1

- Sistema binário – contém 2 algarismos (0 e 1).


Representação:
101,012 = (1 x 22) + (0 x 21) + (1 x 20) + (0 x 2-1) + (1 x 2-2) = 5,2510

Pesos 22 21 20 2-1 2-2


1 0 1 0 1

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Revisão de Circuitos Combinatórios

- Sistema octal – contém 8 algarismos (0 a 7).


Representação:
157,28 = (1 x 8 2) + (5 x 81) + (7 x 80) + (2 x 8-1) = 111,2510

Pesos 82 81 80 8-1
1 5 7 2

- Sistema hexadecimal – contém 16 algarismos (0 a F).


Representação:
15A,216 = (1 x 162) + (5 x 161) + (10 x 160) + (2 x 16-1) = 346,12510

Pesos 162 161 160 16-1


1 5 10 2

1.2- Representação de Quantidades Binárias


Em sistemas digitais, a informação geralmente apresenta a forma
binária. Essas quantidades binárias podem ser representadas por qualquer
dispositivo que apresente dois estados de operação.
Uma chave, por exemplo, pode estar aberta ou fechada. Podemos dizer
que a chave aberta corresponde ao dígito binário “0” e a chave fechada
corresponde ao dígito binário “1”. Outros exemplos: uma lâmpada (acesa ou
apagada), um diodo (conduzindo ou não), um transistor (conduzindo ou não)
etc.
Em sistemas digitais eletrônicos, a informação binária é representada
por níveis de tensão (ou correntes). Por exemplo, zero volts poderia
representar o valor binário “0” e +5 volts poderia representar o valor binário
“1”. Mas, devido a variações nos circuitos, os valores binários são
representados por intervalos de tensões: o “0” digital corresponde a uma
tensão entre 0 e 0,8 volts enquanto o “1” digital corresponde a uma tensão
entre 2 e 5 volts.
Com isso percebemos uma diferença significativa entre um sistema
analógico e um sistema digital. Nos sistemas digitais, o valor exato da tensão
não é importante.

Fig. 1-1: Intervalos típicos de tensão para os binários 0 e 1.

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Revisão de Circuitos Combinatórios

1.3- Circuitos Digitais/Circuitos Lógicos


Circuitos digitais são projetados para produzir tensões de saída e
responder a tensões de entrada que estejam dentro do intervalo determinado
para os binários 0 e 1. A fig. 1-2 mostra isso:

Fig. 1-2: Resposta de um circuito digital

Praticamente todos os circuitos digitais existentes são circuitos


integrados (CIs), o que tornou possível a construção de sistemas digitais
complexos menores e mais confiáveis do que aqueles construídos com
circuitos lógicos discretos.

1.4- Sistemas de Numeração e Códigos


O sistema binário de numeração é o mais importante em sistemas
digitais. O sistema decimal também é importante porque é usado por todos nós
para representar quantidades. Já os sistemas octal e hexadecimal são usados
para representar números binários grandes de maneira eficiente.

- Conversões Binário-Decimal – Cada dígito tem um peso correspondente


à sua posição.
110112 = (1 x 24) + (1 x 23) + (0 x 22) + (1 x 21) + (1 x 20) = 2710

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Revisão de Circuitos Combinatórios

- Conversões Decimal-Binário – O método usado é o das divisões


sucessivas:

- Conversão Octal-Decimal – Cada dígito tem um peso correspondente à


sua posição.
3728 = (3 x 82) + (7 x 81) + (2 x 80) = 25010

- Conversão Decimal-Octal – O método usado é o das divisões sucessivas:

- Conversão Octal-Binário – Cada dígito octal é convertido para o seu


correspondente em binário.

Dígito Octal 0 1 2 3 4 5 6 7
Equivalente Binário 000 001 010 011 100 101 110 111

4728 = (100) (111) (010) = 1001110102

- Conversão Binário-Octal – O número binário é dividido em grupos de 3


dígitos iniciando-se a partir do dígito de menor peso. Cada grupo é
convertido no seu correspondente octal.
1001110102 = (100) (111) (010) = 4728

- Conversão Hexadecimal-Decimal – Cada dígito tem um peso


correspondente à sua posição.
2AF16 = (2 x 162) + (10 x 161) + (15 x 160) = 68710

- Conversão Decimal-Hexadecimal – O método usado é o das divisões


sucessivas:

- Conversão Hexadecimal-Binário – Cada dígito hexadecimal é convertido


para o seu correspondente em binário.
9F216 = (1001) (1111) (0010) = 1001111100102

- Conversão Binário-Hexadecimal – O número binário é dividido em grupos


de 4 dígitos iniciando-se a partir do dígito de menor peso. Cada grupo é
convertido no seu correspondente hexadecimal.
11101001102 = (0011) (1010) (0110) = 3A616

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Revisão de Circuitos Combinatórios

- Código BCD – O código BCD não constitui um sistema de numeração. Ele


apenas relaciona cada dígito do sistema decimal com um grupo de 4 dígitos
do sistema binário.

87410 = (1000) (0111) (0100) = 100001110100 (BCD)

Relacionando as Representações

Tabela 1-1
Decimal Binário Octal Hexadecimal BCD
0 0 0 0 0000
1 1 1 1 0001
2 10 2 2 0010
3 11 3 3 0011
4 100 4 4 0100
5 101 5 5 0101
6 110 6 6 0110
7 111 7 7 0111
8 1000 10 8 1000
9 1001 11 9 1001
10 1010 12 A 0001 0000
11 1011 13 B 0001 0001
12 1100 14 C 0001 0010
13 1101 15 D 0001 0011
14 1110 16 E 0001 0100
15 1111 17 F 0001 0101

1.5- Portas Lógicas e Álgebra Booleana


A álgebra booleana é a ferramenta fundamental para descrever a
relação entre as saídas de um circuito lógico e suas entradas através de uma
equação (expressão booleana). Existem três operações básicas: OR (OU),
AND (E) e NOT (NÃO).

Operação Lógica OR (OU)

Fig. 1-3: Porta OR (OU)

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Revisão de Circuitos Combinatórios

Operação Lógica AND (E)

Fig. 1-4: Porta AND (E)

Operação Lógica NOT (INVERSORA)

Fig. 1-5: Porta NOT (INVERSORA)

Descrevendo Circuitos Lógicos Algebricamente

Qualquer circuito lógico pode ser descrito usando as portas AND, OR e


NOT. Essas três portas são os blocos básicos na construção de qualquer
sistema digital.

Fig. 1-6: Circuito Lógico e sua Expressão Lógica

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Revisão de Circuitos Combinatórios

Implementando Circuitos Lógicos a partir de Expressões Booleanas

Podemos usar a expressão booleana para gerar o circuito lógico. Por


exemplo:

Fig. 1-7: Expressão Lógica e seu Circuito Lógico

Portas NOR e NAND

Outros tipos de portas lógicas existentes são as portas NOR e NAND,


que na verdade são combinações das portas OR, AND e NOT.

Fig. 1-8: Portas NOR e NAND

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Revisão de Circuitos Combinatórios

1.6- Teoremas da Álgebra de Boole


Esses teoremas, aplicados na prática, visam simplificar as expressões
booleanas e consequentemente os circuitos gerados por estas expressões.

Teoremas Booleanos

Teoremas de DeMorgan

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Revisão de Circuitos Combinatórios

1.7- Universalidade das Portas NAND e NOR


Qualquer expressão lógica pode ser implementada usando apenas
portas NAND ou portas NOR. Isso porque podemos representar portas OR,
AND ou NOT usando apenas portas NAND ou NOR.

Fig. 1-9: Uso de PORTAS NAND para implementar outras funções booleanas.

1.8- Simplificação de Circuitos Lógicos


Depois de encontrada a expressão de um circuito lógico, podemos
reduzi-la para uma forma mais simples. A intenção é diminuir o número de
variáveis nessa expressão, o que significa diminuir o número de portas lógicas
e conexões em um circuito lógico.

Simplificação Algébrica

A simplificação algébrica é feita com o uso dos teoremas da álgebra


booleana e de DeMorgan. Exemplo:

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Revisão de Circuitos Combinatórios

1.9- Projetando Circuitos Lógicos


Passos para o projeto completo de um circuito lógico:

a) Montar a tabela-verdade:

A B C x
0 0 0 0
0 0 1 0
0 1 0 0
0 1 1 1
1 0 0 0
1 0 1 1
1 1 0 1
1 1 1 1

b) Analisar a saída:

Quando qualquer entrada de uma porta OR for “1” então a saída será “1”.
Então podemos deduzir que a saída x é uma operação OR de todos os casos
em que a saída x é “1”. Cada caso corresponde a uma operação lógica AND
com todas as variáveis de entrada.

c) Simplificar a expressão lógica obtida:

A expressão pode ser reduzida a um número menor de termos se


aplicarmos os teoremas booleanos e de DeMorgan.

d) Implementar o circuito através da expressão lógico:

Fig. 1-10: Circuito lógico final

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Revisão de Circuitos Combinatórios

1.10- Método do Mapa de Karnaugh para Simplificação


Circuitos Lógicos

Vamos usar a tabela anterior como exemplo.

1.11- Outras Portas Lógicas


Circuito XOR

Fig. 1-11: Porta XOR (OU-Exclusivo)

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Revisão de Circuitos Combinatórios

Circuito XNOR

Fig. 1-12: Porta XNOR (NOU-Exclusivo)

1.12- Circuitos Integrados Lógicos


Exemplos de circuitos integrados lógicos:

Fig. 1-13: Circuito integrado 74LS08 (4 portas AND de 2 entradas)

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Revisão de Circuitos Combinatórios

Fig. 1-14: Circuito integrado 74LS04 (6 portas inversoras)

Fig. 1-15: Circuito integrado 74LS32 (4 portas OR de 2 entradas)

Outros:
- 7400 – Quatro portas NAND
- 7402 – Quatro portas NOR
- 7486 – Quatro portas XOR
- 74266 – Quatro portas XNOR

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2. Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.1- Introdução
Circuitos integrados são amplamente usados na construção de sistemas
digitais. Isso porque eles têm muito mais circuitos em um pequeno
encapsulamento e são mais confiáveis.

2.2- Terminologia de Circuitos Integrados Digitais


Os fabricantes de circuitos integrados digitais seguem praticamente o
mesmo padrão de nomenclatura e terminologia:

a) Tensão e Corrente:

- VIH(min) – Mínima Tensão de Entrada em Nível Alto.


- VIL(max) – Máxima Tensão de Entrada em Nível Baixo.
- VOH(min) – Mínima Tensão de Saída em Nível Alto.
- VOL(max) – Máxima Tensão de Saída em Nível Baixo.

- IIH – Corrente de Entrada em Nível Alto.


- IIL – Corrente de Entrada em Nível Baixo.
- IOH – Corrente de Saída em Nível Alto.
- IOL – Corrente de Saída em Nível Baixo.

Fig. 2-1: Tensões e correntes em nível lógico 1 e 0

b) Fan-Out

O Fan-Out corresponde ao número máximo de entradas lógicas que


uma saída de um circuito lógico pode acionar. Se esse número for excedido, os
níveis de tensão e corrente não serão garantidos.

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c) Atrasos de Propagação

Um sinal lógico, ao atravessar um circuito, sofre um atraso. Existem dois


tipos de atraso:

- tPLH – Tempo de atraso do estado lógico “0” para o “1”.


- tPHL – Tempo de atraso do estado lógico “1” para o “0”.

Fig. 2-2: Atrasos de propagação

Os valores dos tempos de atrasos de propagação são usados para


medição de velocidade em circuitos lógicos.

d) Potência

Como todo circuito elétrico, um circuito lógico consome uma certa


quantidade de potência. Essa potência é fornecida por fontes de alimentação e
esse consumo deve ser levado em consideração em um sistema digital.
Se um circuito integrado consome menos potência poderemos ter uma
fonte de menor capacidade e com isso reduziremos os custos do projeto.

e) Velocidade x Potência

Um circuito digital ideal é aquele que possui o menor consumo de


potência e o menor atraso de propagação. Em outras palavras, o produto de
velocidade e potência deve ser o menor possível.

f) Imunidade ao Ruído

Ruídos são sinais indesejáveis gerados por campos eletromagnéticos


podem afetar o funcionamento de um circuito lógico. Esses sinais podem fazer
com que a tensão de entrada de um circuito lógico caia abaixo de VIH(min) ou
aumente além de VIL(max), gerando falsos sinais.
A imunidade ao ruído se refere à capacidade de um circuito lógico de
rejeitar esse ruído.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

Fig. 2-3: Margens de ruído

g) Níveis de Tensão Inválidos

Circuitos lógicos só trabalharão confiavelmente com níveis de tensão


especificados pelos fabricantes, ou seja, as tensões devem ser menores que
VIL(max) e maiores que VIH(min) – fora da faixa de indeterminação – e com
alimentação adequada.

h) Fornecimento de Corrente e de Absorção de Corrente

O fornecimento de corrente é mostrado na fig. 2-4. Quando a saída da


porta lógica 1 está em ALTO, ela fornece uma corrente IIH para a entrada da
porta lógica 2.

Fig. 2-4: Porta de acionamento fornecendo corrente para a porta de carga

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

A absorção de corrente é mostrada na fig. 2-5. Quando a saída da porta


lógica 1 está em BAIXO, ela absorve uma corrente IIL para a entrada da porta
lógica 2.

Fig. 2-5: Porta de acionamento absorvendo corrente da porta de carga

i) Encapsulamentos de Circuitos Integrados

Alguns tipos de encapsulamentos de circuitos integrados são mostrados na


fig. 2-6.

Fig. 2-6: Encapsulamentos mais comuns de circuitos integrados

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.3- Família Lógica TTL


Um circuito básico utilizado na lógica-transistor-transistor é mostrado na
fig. 2-7:

Fig. 2-7: Porta NAND básica TTL e equivalente a diodo para Q1

Esse circuito representa uma porta NAND TTL. Uma das principais
características desse circuito são os dois emissores do transistor Q1. Na
mesma figura está o circuito equivalente a diodo de Q1.
Outra característica construtiva importante desse circuito é sua saída
totem-pole, que impede que os dois transistores (Q3 e Q4) conduzam ao
mesmo tempo.

- Operação do Circuito – Saída em Nível Baixo

A saída em nível baixo é conseqüência de entradas A e B em nível alto


(+ 5 V). Nesse caso, Q1 ficará cortado e Q2 conduzirá (ver circuito
equivalente). A corrente fluirá do emissor de Q2 para a base de Q4 e o faz
conduzir.
A tensão no coletor de Q2 é insuficiente para Q3 conduzir. Essa tensão
está em torno de 0,8 V (0,7 V da junção B-E de Q4 + 0,1 V de Vce (sat) de Q2).
Para o transistor Q3 conduzir é necessário que sua junção B-E e o diodo D1
esteja diretamente polarizado.
Com Q4 conduzindo, a tensão de saída é muito baixa (< 0,4 V), ou nível
baixo (“0”).

- Operação do Circuito – Saída em Nível Alto

Para que a saída de uma porta NAND fique em alto, pelo menos uma
das entradas A ou B deverá ser zero. Nessa condição haverá condução de Q1
por um de seus emissores, ou pelos dois (ver circuito equivalente ), fazendo
com que Q2 fique cortado.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

Com Q2 cortado não haverá corrente na base de Q4 e ele ficará cortado


também. Sem corrente no coletor de Q2, a tensão na base de Q3 é suficiente
para que ele entre em condução.
Com Q3 conduzindo, a tensão na saída ficará em torno de 3,4 V a 3,8 V
(sem carga), devido às quedas na junção B-E de Q3 e ao diodo D1. Com carga
essa tensão deverá diminuir.

- Absorção de Corrente

Uma saída TTL em nível baixo age como um absorvedor de corrente


pois ela recebe a corrente da entrada da porta que está acionando.

- Fornecimento de Corrente

Uma saída TTL em nível alto age como fornecedora de corrente. Na


verdade essa corrente tem um valor muito baixo, causada pela fuga de
polarização reversa do “diodo” (junção B-E) de Q1.

- Outras Portas TTL

Praticamente todas as outras portas lógicas possuem o mesmo circuito


básico da porta NAND TTL. Outros circuitos internos são colocados apenas
para implementar a lógica desejada.

2.4- Características da Série TTL Padrão


- Faixas de Tensão de Alimentação e de Temperatura

Existem duas séries de TTL padrão diferenciadas pela faixa de tensão


de alimentação e temperatura: a série 74 e a série 54.
A série 74 utiliza alimentação entre 4,75 V e 5,25 V e opera entre 0º a
70º C. A série 54 utiliza alimentação entre 4,5 V e 5,5 V e opera entre -55º a
125º C.

- Níveis de Tensão
VIL(max) – 0,8 V
VOL(max) – 0,4 V

Existe uma margem de segurança de uma saída para a entrada,


chamada de margem de ruído, de 0,4 V (0,8 V – 0,4 V).

VIH(min) – 2,0 V
VOH(min) – 2,4 V

A margem de ruído também é de 0,4 V (2,4 V – 2,0 V).

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- Faixas Máximas de Tensão

As tensões máximas de trabalho de um TTL padrão não devem


ultrapassar 5,5 V. Uma tensão maior de 5,5 V aplicada a um emissor de
entrada pode causar dano na junção B-E de Q1. Tensões menores que –0,5 V
também podem danificar o componente.

- Dissipação de Potência

Uma porta NAND TTL padrão consome, em média, 10 mW.

- Atrasos de Propagação

A porta AND TTL padrão tem atrasos de propagação típicos de


tPLH = 11 ns e tPHL = 7 ns, resultando num atraso de propagação médio tPD(med)
de 9 ns.

- Fan-Out

Uma saída TTL padrão pode acionar 10 entradas TTL padrão.

2.5- Séries TTL Aperfeiçoadas


- Séries 74L e 74H

Estas séries são versões TTL para baixa potência (74L) e alta
velocidade (74H). A primeira consumia 1 mW e tinha um tempo de atraso de
propagação de 33 ns e a segunda consumia 23 mW, com um tempo de atraso
de propagação de 6 ns.
Não são mais fabricadas atualmente.

- TTL Schottky, Série 74S

Esta série utiliza diodos Schottky entre a base e o coletor dos seus
transistores, evitando que eles trabalhem saturados. Com isso o tempo de
resposta do circuito é mais rápido. Por exemplo, a porta NAND 74S00 tem um
atraso médio de 3 ns, mas um consumo de potência de 20 mW.

- TTL Schottky de Baixa Potência, Série 74LS (LS-TTL)

A série 74LS é uma versão de menor potência e menor velocidade da


série 74S. Ela utiliza a combinação transistor/diodo Schottky, mas com valores
maiores de resistores de polarização, o que diminui o consumo.
Uma porta NAND 74LS tem um atraso típico de propagação de 9,5 ns e
dissipação média de potência de 2 mW.

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- TTL Schottky Avançada, Série 74AS (AS-TTL)

A série 74AS surgiu como uma melhoria da série 74S. Possui velocidade
e fan-out maiores e um menor consumo se comparado com a série 74S.

- TTL Schottky Avançada de Baixa Potência, Série 74ALS

Esta série surgiu como uma melhoria da série 74SL.

- TTL Fast – 74F

Esta é a série TTL mais nova. Ela utiliza uma técnica de fabricação de
circuitos integrados que reduz as capacitâncias entre os dispositivos internos
visando reduzir os atrasos de propagação.

- Comparação das Características das Séries TTL

Tabela 2-1:
Índices de performance 74 74S 74LS 74AS 74ALS 74F
Atraso de propagação (ns) 9 3 9,5 1,7 4 3
Dissipação de potência (mW) 10 20 2 8 1,2 6
Produto velocidade-potência (pJ) 90 60 19 13,6 4,8 18
Taxa máxima de clock (MHz) 35 125 45 200 70 100
Fan-out (mesma série) 10 20 20 40 20 33

Tabela 2-2:
Parâmetros de tensão 74 74S 74LS 74AS 74ALS 74F
VOH (min) 2,4 2,7 2,7 2,5 2,5 2,5
VOL (max) 0,4 0,5 0,5 0,5 0,4 0,5
VIH (min) 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0
VIL (max) 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8

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2.6- Fan-Out e Carregamento para TTL


O fan-Out corresponde ao número máximo de entradas lógicas que uma
saída de um circuito lógico pode acionar. Esse número máximo está
diretamente ligado à capacidade do circuito integrado de absorver ou fornecer
corrente.

Fig. 2-8: Saída TTL padrão no estado BAIXO acionando várias entradas

Do circuito vemos que IOL é a soma das correntes IIL de cada entrada.
Essa corrente causa uma queda de tensão VOL, que não deve ser maior que
VOL(max). Isso limita a corrente IOL e o número de cargas que podem ser
acionadas.

Fig. 2-9: Saída TTL padrão no estado ALTO acionando várias entradas

Nas fig. 2-8 e fig. 2-9, vemos que IOH é a soma das correntes IIH de cada
entrada. Se cargas em excesso estiverem sendo acionadas, a corrente IOL
aumentará de tal forma que o nível VOH caia para valores menores que
VOH(min). Esse fato também limita o número de cargas acionadas e a corrente
IOH.

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- Determinando o Fan-Out

Por exemplo, a série 74 possui:


IIL (max) = 1,6 mA
IOL (max) = 16 mA

OL
16 mA
IIL 1,6 mA = 10

IIH (max) = 40 ∝A
IOH (max) = 400 ∝A

OH
400 A
Fan-out (ALTO) = I 40 A = 10
=
IIH

O fan-out é 10 para ambos os casos. Se os valores de fan-out forem


diferentes, o fan-out será o menor deles.

Importante:
- A soma das correntes IIH de todas as entradas conectadas em uma saída
deve ser menor do que a especificação do IOH da saída;
- A soma das correntes IIL de todas as entradas conectadas em uma saída
deve ser menor do que a especificação do IOL da saída;

2.7- Outras Características TTL


- Entradas Desconectadas (Flutuando)

Entradas desconectadas (abertas) em circuitos TTL se comportam como


se o nível lógico “1” fosse aplicado à essa entrada. Embora a lógica esteja
correta, entradas desconectadas se comportam como captadoras de ruídos,
fazendo com que o circuito lógico não trabalhe corretamente.

- Entradas Não-Usadas

Fig. 2-10: Três maneiras de tratar entradas lógicas não usadas

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- Transientes de Corrente

A configuração totem-pole usada nas saídas dos circuitos TTL tem um


inconveniente: durante a transição da saída de BAIXO para ALTO ocorre um
pico de corrente porque ambos os transistores de saída estão conduzindo.
Esse pico pode chegar a 50 mA, corrente que é drenada da fonte que alimenta
o circuito.
Em um sistema digital existem vários saídas TTL trocando de estado ao
mesmo tempo e drenando da fonte picos de corrente. Esse efeito causa uma
variação na tensão da fonte e se não for devidamente filtrado pode causar
sérios problemas ao sistema.
É usual a colocação de capacitores cerâmicos de 10 nF a 100 nF entre
os terminais Vcc e GND – alimentação e terra – dos circuitos integrados.

2.8- Conectando Saídas TTL Juntas


Existem situações nas quais é vantajoso conectar as saídas de dois ou
mais portas lógicas ou circuitos. Entretanto, configuração totem-pole não nos
permite conectar saídas TTL juntas. Para fazermos isso existem outros tipos de
estrutura de saída.

- Saídas Coletor Aberto

Os circuitos TTL com saídas em coletor aberto só possuem um transistor


de saída. Quando esse transistor estiver acionado, a saída terá nível BAIXO.
Caso contrário, a saída estará flutuando. Para se obter o nível ALTO na saída
um resistor externo de pull-up é conectado.

Fig. 2-11: Circuito TTL coletor aberto com resistor de pull-up externo

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- Conexão Wired-AND

Dispositivos com saídas em coletor aberto podem ter suas saídas


conectadas juntas de maneira segura. Uma situação onde esse tipo de
conexão é usada é mostrada na fig. 2-12:

Fig. 2-12: Conexão wired-AND utilizando portas com coletor aberto

Esse tipo de conexão é chamado de conexão wired-AND porque é


equivalente à operação lógica AND. Esta configuração elimina a necessidade
de uma porta AND real.

- Buffers/Drivers de Coletor Aberto

Todo circuito lógico que é chamado buffer, driver ou buffer/driver é


projetado para suportar uma corrente e/ou uma capacidade de tensão maior do
que um circuito lógico comum.
Por exemplo, o 7406 com saída em coletor aberto pode acionar cargas
de 24 V a 25 mA.

- Simbologia para Saídas em Coletor Aberto

Fig. 2-13: Simbologia de portas lógicas com coletor aberto

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.9- Tristate (Terceiro Estado) para o TTL


O terceiro estado, ou tristate, ocorre quando a saída de um dispositivo
TTL apresenta alta impedância. Nessa condição, os dois transistores de saída
do dispositivo estarão cortados e o terminal de saída não terá nível alto nem
baixo (saída fica praticamente aberta). Para que o dispositivo lógico entre nesta
condição, uma entrada chamada Habilitação (Enable) é acionada.

Fig. 2-14: Simbologia de um inversor TTL tristate

- CIs Tristate

Existem vários circuitos integrados lógicos tristate. Por exemplo, o


74LS125 e o 74LS126, que são buffers tristate. Os circuitos lógicos tristate são
bastante usados em sistemas que utilizam barramento de dados.

Fig. 2-15: Buffers tristates usados para conectar diversos sinais em um


barramento comum

- Simbologia para as Saídas Tristate

Fig. 2-16: Simbologia de um buffer com saída tristate

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.10- Circuitos Integrados Digitais MOS


A maioria dos circuitos digitais MOS (metal oxide semiconductor –
semicondutor com óxido metálico) é constituída de transistores de efeito de
campo (MOSFET). Eles são menores, consomem pouco e são mais fáceis de
fabricar.
Dispositivos MOS podem conter um número maior de elementos de
circuitos em um único encapsulamento do que os circuitos integrados
bipolares. A grande desvantagem dessa tecnologia é sua susceptibilidade a
danos provocados por eletricidade estática.

2.11- O MOSFET

Fig. 2-17: Estados de comutação do MOSFET canal-N

2.12- Circuitos Digitais com MOSFETs


Os circuitos digitais que utilizam MOSFETs podem ser divididos em três
categorias: P-MOS, que utiliza MOSFETs com canal-P; N-MOS, que utiliza
MOSFETs com canal-N; e CMOS (MOS Complementar) que utiliza ambos. Os
circuitos P-MOS não são mais encontrados.

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- Inversor N-MOS

A fig. 2-18 mostra um circuito básico de um INVERSOR N-MOS:

Fig. 2-18: Inversor N-MOS

O circuito acima mostra dois MOSFETs canal-N. O transistor Q1 é


chamado MOSFET de carga e Q2 é chamado de MOSFET de comutação. O
transistor Q1 está sempre conduzindo e funciona como se fosse um resistor de
carga.

- NAND N-MOS e NOR N-MOS

A fig. 2-19 mostra os circuitos básicos das portas NAND N-MOS e NOR
N-MOS:

Fig. 2-19: Portas NAND N-MOS e NOR N-MOS

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.13- Características da Lógica MOS


Se comparadas com famílias lógicas bipolares, as famílias lógicas N-
MOS e P-MOS têm velocidade de operação menor, necessitam de menor
potência, têm uma margem de ruído melhor, possuem uma faixa maior para a
tensão de alimentação, um fan-out maior e menos espaço de área no chip.

- Velocidade de Operação

O atraso de propagação típico de uma porta NAND N-MOS é de 50 ns.


A resistência de saída alta no estado ALTO e capacitâncias parasitas de
entrada contribuem para aumentar esse atraso.

- Margem de Ruído

Para VDD = 5 V, as margens de ruído para a família N-MOS é de


aproximadamente 1,5 V. A margem de ruído aumenta proporcionalmente para
valores maiores de VDD.

- Fan-Out

Devido à alta resistência de entrada do MOSFET, o fan-out da família


MOS é muito alto. O fan-out é limitado apenas pelas capacitâncias de entrada
da porta que, em altas freqüências, pode deteriorar o sinal digital. Mesmo
assim, o fan-out chega a 50 para a família MOS.

- Consumo de Potência

Por usar altas resistências, os circuitos lógicos MOS consomem


pequenas quantidades de potência.

- Complexidade do Processo de Fabricação

A família lógica MOS possui um processo de fabricação bem mais


simples do que a família TTL porque utiliza apenas MOSFETs.

- Sensibilidade à Eletricidade Estática

A família lógica MOS é bastante susceptíveis a danos causados por


eletricidade estática. Uma descarga eletrostática supera a capacidade de
isolamento elétrico da camada de óxido danificando permanentemente o
dispositivo.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

Recomendações:
- Conecte todos os equipamentos que for manusear no terra da rede;
- Conecte-se ao terra com o uso de uma pulseira especial;
- Evite tocar os pinos dos circuitos integrados. Coloque-os imediatamente no
circuito;
- Mantenha os circuitos integrados em suas embalagens protetoras (espumas
condutoras). Não deixe-os fora de suas embalagens.

Todas essas recomendações também valem para placas de circuito


impresso (computadores, equipamentos etc).

2.14- Lógica MOS Complementar


A família lógica MOS Complementar (CMOS) utiliza MOSFETs tanto de
canal-P quanto de canal-N. Isso torna o CMOS mais rápido e com menor
consumo de potência em comparação com as outras famílias MOS. Em
contrapartida, os circuitos integrados CMOS têm maior grau de complexidade
para a fabricação e menor densidade de integração (ocupam maior área de
chip).

- Inversor CMOS

O circuito básico do INVERSOR CMOS é mostrado na fig. 2-20:

Fig. 2-20: Inversor C-MOS

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

- NAND CMOS e NOR CMOS

A fig. 2-21 mostra o circuito básico das portas NAND CMOS e NOR
CMOS:

Fig. 2-21: Portas NAND CMOS e NOR CMOS

2.15- Características da Série CMOS

- Série 4000/14000

A série 4000 e a série 14000 são equivalentes. Os circuitos integrados


dessas duas séries têm um consumo muito baixo e podem operar de 3 a 15 V.
São muito lentos quando comparados com TTL e possuem corrente de saída
muito baixa.

- Série 74C

Série CMOS compatível pino a pino e funcionalmente equivalente a


componentes TTL. Quanto à performance, a série 74C possui quase todas as
características da série 4000.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

- 74HC/HCT (High Speed CMOS – CMOS de Alta Velocidade)

Versão aperfeiçoada da série 74C. Possui maior velocidade e maior


capacidade de corrente. Componentes das séries 74HC e 74HCT são
compatíveis pino a pino com componentes da série TTL. A série 74HC não é
eletricamente compatível com TTL.

- 74AC/ACT (CMOS Avançado)

Esta série apresenta uma melhoria no que se refere a imunidade a ruído,


atraso de propagação e máxima freqüência de clock. Não são compatíveis pino
a pino com TTL. A série 74AC não é compatível eletricamente com TTL.

- 74AHC (Advanced High-Speed CMOS – CMOS Avançado de Alta


Velocidade)

Esta é a mais recente série utilizada em aplicações de alta velocidade,


baixo consumo e baixa capacidade de acionamento.

- Tensão de Alimentação

As séries 4000/14000 e 74C podem operar com VDD de 3 a 15 V. As


séries 74HC/HCT e 74AC/ACT podem operar com VDD de 2 a 6 V.

- Níveis de Tensão Lógicos

Tabela 2-3:
Parâmetro
VIH(min) VIL(max) VOH(min) VOL(max) VNH VNL
4000B 3,5 1,5 4,95 0,05 1,45 1,45
74HC 3,5 1,0 4,9 0,1 1,4 0,9
74HCT 2,0 0,8 4,9 0,1 2,9 0,7
CMOS 74AC 3,5 1,5 4,9 0,1 1,4 1,4
74ACT 2,0 0,8 4,9 0,1 2,9 0,7
74AHC 3,85 1,65 4,4 0,44 0,55 1,21
74AHCT 2,0 0,8 3,15 0,1 1,15 0,7
74 2,0 0,8 2,4 0,4 0,4 0,4
74LS 2,0 0,8 2,7 0,5 0,7 0,3
TTL
74AS 2,0 0,8 2,7 0,5 0,7 0,3
74ALS 2,0 0,8 2,7 0,4 0,7 0,4

Níveis de tensão (em volts) de entrada/saída com VDD = VCC = +5 V.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

- Margens de Ruído

De um modo geral, os dispositivos CMOS têm margens de ruído maior


que os TTL (tabela anterior). As margens de ruído são calculadas a partir da
fórmula:

VNH = VOH(min) - VIH(min)


VNL = VOL(max) - VIL(max)

- Dissipação de Potência

Quando o circuito lógico CMOS está estático (não está comutando), sua
dissipação de potência é muito baixa. Para VDD = +5 V, a dissipação típica de
potência DC é de 2,5 nW. Para VDD = +10 V, este valor aumenta para apenas
10 nW.

- Dissipação de Potência Aumenta com a Freqüência

A dissipação de potência em um circuito lógico CMOS aumenta com a


freqüência de comutação de sua saída.
Quando uma saída CMOS comuta de BAIXO para ALTO, uma corrente
transiente deve ser fornecida para a capacitância de carga. Essa capacitância
corresponde a todas as capacitâncias parasitas das entradas das portas
lógicas que são acionadas por esta saída.

Fig. 2-22: Pulsos de corrente devido à capacitância parasita

A fig. 2-22 mostra o efeito da capacitância de carga no momento da


transição da saída de um circuito CMOS.
Um outro fator é que durante as transições, por um curto período de
tempo os dois transistores de saída estarão conduzindo juntos. Esse efeito
também contribui para o aumento da dissipação de potência.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

- Fan-Out

O número de entradas CMOS que uma saída CMOS pode acionar é


limitado pela capacitância de entrada. Quanto maior for o número de entradas
CMOS, maior é a capacitância de carga vista pela saída CMOS e maior será o
seu tempo de comutação. Para freqüências menores que 1 MHz, o fan-out está
limitado a 50.

- Velocidade de Comutação

Os dispositivos CMOS têm maior velocidade de comutação em relação


aos circuitos N-MOS e P-MOS. Isso porque a saída CMOS têm resistência
menor que as saídas N-MOS e P-MOS.
Uma porta NAND da série 4000 terá tipicamente um tpd de 50 ns com
VDD = 5 V, e 25 ns com VDD = 10 V.
Uma porta NAND da série 74HC/HCT tem um tpd médio em torno de 8 ns
quando VDD = 5 V. Uma porta NAND 74AC/ACT tem um tpd médio em torno de
4,7 ns. Uma porta NAND 74AHC tem um tpd médio em torno de 4,3 ns.

- Entradas Não-Utilizadas

Entrada CMOS nunca devem ficar desconectadas. Elas devem ser


conectadas a um nível lógico ou alguma outra entrada.
Uma entrada CMOS não conectada é susceptível a ruído e a eletricidade
estática, que poderiam polarizar os MOSFETs para um estado de condução,
resultando no aumento de dissipação de potência e em possível
superaquecimento.

- Sensibilidade à Eletricidade Estática

A grande resistência das entradas CMOS as torna especialmente


sensíveis ao acúmulo de cargas estáticas, que podem produzir tensões
suficientemente grandes para danificar os MOSFETs internos. A maioria dos
circuitos integrados CMOS possui diodos de proteção, que limitam a tensão de
entrada.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

- Comparação entre as Séries CMOS e TTL

Tabela 2-4:
Dissipação de Velocidade- Margem
Atraso de Freqüência
potência por porta potência (a de ruído
propagação máxima de
(mW) 100 kHz) no pior
(ns) clock (MHz)
Estática A 100 kHz (pJ) caso (V)
4000B 1 x 10-3 0,1 50 5 12 1,5
74HC/HCT 2,5 x 10-3 0,17 8 1,4 40 0,9
74AC/ACT 5,0 x 10-3 0,08 4,7 0,37 100 0,7
74AHC/T 9,0 x 10-5 6,0 x 10
-3
3,7 0,02 130 0,55
74 10 10 9 90 35 0,4
74LS 2 2 9,5 19 45 0,3
74AS 8 8 1,7 13,6 200 0,3
74ALS 1,2 1,2 4 4,8 70 0,4

Todos os valores são para VDD = 5 V.

2.16- Tecnologia de Baixa Tensão


O aumento do número de componentes dentro dos circuitos integrados
acarreta em um aumento de sua potência consumida e em problemas no
material isolante entre os seus componentes internos.
Para solucionar estes problemas surgiram os circuitos integrados que
utilizam a tecnologia de baixa tensão, ou seja, a tensão é menor que os 5 V:

Série 74LVC (Low-Voltage CMOS – CMOS de Baixa Tensão) – Utiliza


lógica de 3,3 V mas pode aceitar níveis lógicos de 5 V em suas entradas.
Série 74ALVC(Advanced Low-Voltage CMOS – CMOS de Baixa Tensão
Avançado) – Oferece melhor performance e trabalha apenas com lógica de
3,3 V.
Série 74LV (Low-Voltage – Baixa Tensão) – Utiliza tecnologia CMOS mas
opera somente com dispositivos de 3,3 V.
Série 74LVT(Low-Voltage BiCMOS Technology – Tecnologia BiCMOS
de Baixa Tensão) – Oferece as mesmas características da série 74LVC (as
entradas aceitam níveis lógicos de 5 V) e são eletricamente compatíveis
com TTL.

Tabela 2-5:
LVC ALVC LV LVT
Vcc (recomendado) 2,0 a 3,6 2,3 a 3,6 2,7 a 3,6 2,7 a 3,6
tPD (ns) 6,5 3 18 4
Intervalo para VIH (V) 2,0 a 6,5 2,0 a 4,6 2,0 a Vcc + 0,5 2,0 a 7
VIL (max) (V) 0,8 0,8 0,8 0,8
IOH (mA) 24 12 6 32
IOL (mA) 24 12 6 64

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.17- Saídas CMOS de Dreno Aberto e Tristate


Saídas CMOS convencionais nunca devem ser conectadas juntas.
Quando as saídas CMOS convencionais são colocadas em curto, o valor da
tensão no terminal de saída comum será de aproximadamente Vcc / 2 se as
saídas estiverem em níveis diferentes.

- Saídas em Dreno Aberto

Dispositivos com dreno aberto são os correspondentes CMOS às saídas


em coletor aberto TTL.

- Saídas Tristate

Dispositivos com saídas tristate têm operação similar à das saídas


tristate TTL.

Fig. 2-23: Portas CMOS com dreno aberto em conexão wire-AND e saídas
CMOS tristate conectadas em um barramento

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

2.18- Interfaceamento de Circuitos Integrados


Quando utilizamos circuitos integrados de diferentes tecnologias quase
sempre necessitamos de um circuito de interface. O circuito de interface está
conectado entre a saída do circuito acionador e a entrada do circuito de carga.
Sua função é condicionar o sinal vindo do acionador e condicioná-lo de modo a
torná-lo compatível com os requisitos da carga.

Tabela 2-6:
Parâmetros
V IH V IL V OH VOL IIH IIL IOH IOL
(min) (max) (min) (max) (max) (max) (max) (max)
4000B 3,5 V 1,5 V 4,95 V 0,05 V 1 ∝A 1 ∝A 0,4 mA 0,4 mA
74HC 3,5 V 1,0 V 4,9 V 0,1 V 1 ∝A 1 ∝A 4 mA 4 mA
74HCT 2,0 V 0,8 V 4,9 V 0,1 V 1 ∝A 1 ∝A 4 mA 4 mA
CMOS 74AC 3,5 V 1,5 V 4,9 V 0,1 V 1 ∝A 1 ∝A 24 mA 24 mA
74ACT 2,0 V 0,8 V 4,9 V 0,1 V 1 ∝A 1 ∝A 24 mA 24 mA
74AHC 3,85 V 1,65 V 4,4 V 0,44 V 1 ∝A 1 ∝A 8 mA 8 mA
74AHCT 2,0 V 0,8 V 3,15 V 0,1 V 1 ∝A 1 ∝A 8 mA 8 mA
74 2,0 V 0,8 V 2,4 V 0,4 V 40 ∝A 1,6 mA 0,4 mA 16 mA
74LS 2,0 V 0,8 V 2,7 V 0,5 V 20 ∝A 0,4 mA 0,4 mA 8 mA
TTL 74AS 2,0 V 0,8 V 2,7 V 0,5 V 20 ∝A 0,5 mA 2 mA 20 mA
74ALS 2,0 V 0,8 V 2,7 V 0,4 V 20 ∝A 0,1 mA 0,4 mA 8 mA
74F 2,0 V 0,8 V 2,5 V 0,5 V 20 ∝A 0,6 mA 1 mA 20 mA

Níveis de tensão e corrente de entrada/saída com VDD = VCC = +5 V.

2.19- TTL Acionando CMOS


Quando interfaceamos diferentes tipos de circuitos integrados, devemos
verificar se o dispositivo acionador pode satisfazer os parâmetros de corrente e
tensão do dispositivo de carga.
No caso de um TTL acionar uma carga CMOS, a corrente de saída TTL
é capaz de satisfazer o requisito de entrada da entrada CMOS. Com relação à
tensão, os parâmetros VOH(min) de todas as séries TTL são muito baixos
quando comparados com VIH(min) das séries 4000B, 74HC, 74AC e 74AHC.
A solução é aumentar a tensão VOH(min) do acionador TTL. Isso é feito
através de um resistor de pull-up.

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

Fig. 2-24: O resistor de pull-up externo aumenta a tensão de saída para


aproximadamente 5 V no estado ALTO.

- TTL Acionando CMOS com Tensão de Alimentação Alta

Os circuitos integrados TTL não podem operar com tensões maiores do


que 5 V. Quando o dispositivo CMOS estiver operando com alimentação maior
de 5 V, o resistor de pull-up não poderá ser utilizado.
A solução é utilizar um buffer coletor aberto (7407) conforme a fig. 2-25:

Fig. 2-25: O buffer 7407 é usado para interfacear dispositivos TTL que acionam
cargas CMOS com alimentação maior do que 5 V.

2.20- CMOS Acionando TTL


- CMOS Acionando TTL no Estado ALTO

As saídas CMOS podem fornecer tensão suficiente (VOH) para satisfazer


os requisitos de uma entrada TTL no estado ALTO (VIH). As saídas CMOS
também podem fornecer corrente suficiente para satisfazer os requisitos de
corrente de entrada (IIH).

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Famílias Lógicas de Circuitos Integrados

- CMOS Acionando TTL no Estado BAIXO

Nesta situação, as séries 74HC e 74HCT podem acionar apenas uma


carga TTL. A série 4000B não consegue acionar nenhuma carga TTL.
A solução é utilizar um buffer tristate (74LS125). Este circuito de
interface possui corrente de entrada baixa e corrente alta de saída.

Fig. 2-26: Um buffer é usado para interfacear componentes CMOS de baixa


capacidade de corrente com entradas 74LS

- CMOS com Tensão de Alimentação Alta Acionando TTL

Neste caso é necessário utilizar um circuito de interface que possa


converter uma entrada de alta tensão para uma saída de 5 V. Um buffer
(4050B) é utilizado para essa interface.

Fig. 2-27: Um buffer 4050 pode ser usado como um conversor de nível entre
um componente TTL e um outro CMOS com fonte de alimentação de valor
mais alto

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Dispositivos de Lógica Programável

3. Dispositivos de Lógica Programável (PLDs)

3.1- Introdução

A maioria dos circuitos lógicos utilizados são padronizados e possuem


diversas funções. Além disso, são fabricados por várias indústrias com um
custo muito baixo. Por essas razões esses circuitos integrados são usados em
uma grande quantidade de circuitos e sistemas.
Entretanto, existem problemas com circuitos que utilizam circuitos
integrados padronizados. Alguns sistemas podem necessitar de centenas ou
milhares de circuitos integrados. Essa quantidade enorme de componentes
necessita de um espaço considerável em uma placa e uma grande quantidade
de tempo para soldar ou testar esses circuitos integrados.
Reduzindo o número de circuitos integrados na placa podemos ter:
- menor espaço em placa: com placa menores os gabinetes seriam menores
também;
- menor consumo de potência;
- processos de fabricação mais rápidos e baratos;
- maior confiabilidade: existem menos circuitos integrados e menos
conexões sujeitas a falhas;
- facilidade de manutenção.

Os dispositivos de lógica programável (PLDs) tem todas estas


características permitindo assim substituir um grande número de circuitos
integrados padronizados por um único componente.
Um PLD é um circuito integrado que contém um grande número de
portas lógicas, flip-flops e registradores que são interconectados no chip. A
“programação” do componente pode ser feita queimando-se ou não fusíveis
que constituem as ligações internas entre os blocos lógicos de acordo com a
necessidade do usuário.

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Dispositivos de Lógica Programável

3.2- Conceito Básico


A fig. 3-1 mostra a idéia básica utilizada pelos PLDs.

Fig. 3-1: Exemplo de um dispositivo de lógica programável

Cada entrada (A e B) é aplicada em um buffer inversor e um não


inversor que seguem para as portas AND. As saídas das portas AND são
levadas às entradas de portas OR por meio de fusíveis, que podem gerar
qualquer combinação com as entradas. Para se obter, por exemplo:

O1 = + AB
B
A

é só queimarmos os fusíveis 1 e 4 da porta OR 1.

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Dispositivos de Lógica Programável

3.3- Simbologia
A simbologia de um PLD é mostrada na fig. 3-2:

Fig. 3-2: Simbologia usada em PLDs

3.4- Arquitetura de um PLD


- PROM – A PROM é constituída conforme a fig. 3-3:

Fig. 3-3: Arquitetura de uma PROM

A PROM pode gerar qualquer função lógica possível das variáveis de


entrada.

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Dispositivos de Lógica Programável

- Arranjo de Lógica Programável (PAL) – A PAL pode ser vista conforme


a fig. 3-4:

Fig. 3-4: Arquitetura típica de uma PAL

A PAL é utilizada em aplicações onde não se necessita que todas as


combinações sejam programadas. No caso da figura acima, cada saída está
conectada a apenas quatro saídas das portas AND.

Fusível de Polaridade

O fusível de polaridade é um recurso usado em muitos PLDs para


inverter qualquer saída do dispositivo. Isso é mostrado na figura a seguir:

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Dispositivos de Lógica Programável

Fig. 3-5: Uso do fusível de polaridade para inversão da saída

3.5- Outros Recursos Disponíveis


Em circuitos de PLDs ainda podemos encontrar diversos recursos.
Esses recursos seriam: flip-flops, latches, registradores de entrada e
registradores de saída.

3.6- Outros Tipos de PLDs


FPLA (Field Programmable Logic Array) – O arranjo de lógica programável
usava uma matriz AND e uma matriz OR, ambas programáveis. Embora a
FPLA seja mais flexível do que a PAL, ela não foi bem aceita pelos projetistas.

CPLDs (PLDs Complexos) – são dispositivos que combinam vários circuitos


PAL em um mesmo chip.

FPGAs (Field Programmable Gate Arrays) – Os arranjos de portas


programáveis em campo oferecem um número de blocos lógicos configuráveis
que contém lógica combinacional programável e registradores para circuitos
seqüenciais. Possuem blocos de entrada/saída que podem ser configurados
como entradas, saídas e bidirecionais.

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Dispositivos de Lógica Programável

3.7- Programação
Quando os PLDs apareceram, a programação deles era feita
queimando-se ou não os fusíveis para se gerar o circuito lógico. Atualmente,
existem softwares que geram o mapa das conexões internas dos PLDs e ainda
testam a lógica do circuito. Existem também programadores universais onde o
PLD é colocado e pode ser programado a partir de um software.

3.8- PLDs Programáveis


A programação de um PLD é feita queimando-se um fusível. Uma vez
queimado o fusível, ele não pode ser recuperado. Tendo em vista esta
dificuldade, desenvolveu-se, então, um tipo de PLD apagável e reprogramável
(usando a mesma tecnologia das EEPROMs), que são bastante utilizados em
desenvolvimento de protótipos de circuitos digitais.

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Flip-Flops

4. Flip-Flops

4.1- Introdução

Os circuitos combinacionais são aqueles onde as saídas dependem


apenas dos níveis lógicos colocados nas entradas. A mesma combinação de
entrada sempre produzirá o mesmo resultado na saída, porque circuitos
combinacionais não possuem memória.
A maioria dos sistemas digitais é composta tanto por circuitos
combinacionais como de elementos de memória. O elemento de memória mais
importante é o flip-flop.

4.2- Flip-Flop R-S (Reset – Set)


O circuito básico do flip-flop R-S é mostrado na fig. 4-1:

Fig. 4-1: Circuito lógico do flip-flop R-S

O circuito acima mostra que o estado futuro das saídas Q e Q


dependem R e S e também do estado atual dessas saídas. Isso é mostrado na
tabela 4-1.

Tabela 4-1:
Caso S R Qatual Qfuturo Q
futuro

0 0 0 0 0 1
1 0 0 1 1 0
2 0 1 0 0 1
3 0 1 1 0 1
4 1 0 0 1 0
5 1 0 1 1 0
6 1 1 0 1 1
7 1 1 1 1 1

Nos casos 0 e 1, com S = 0 e R = 0, as saídas Q e Q permaneceram


inalteradas (memória). Nos casos 2 e 3, com S = 0 e R = 1, a saída Q foi para
0 e Q foi para 1. Nos casos 4 e 5, com S = 1 e R = 0, a saída Q foi para 1 e Q

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Flip-Flops

foi para 0. Nos casos 6 e 7, com S = 1 e R = 1, as saídas Q e Q foram para 1,


ocasionando um problema, já que as saídas Q e Q devem ser
complementares.
Uma tabela simplificada e o símbolo do flip-flop R-S são mostrados na
fig. 4-2:

Fig. 4-2: Tabela verdade e simbologia do flip-flop R-S

O circuito do flip-flop R-S também pode ser implementado usando portas


NOR.

4.3- Flip-Flops com Clock


Circuitos que utilizam clock são chamados de circuitos síncronos. Muitos
flip-flops utilizam um sinal de clock para determinar o momento em que suas
saídas mudarão de estado. O sinal de clock é comum para todas as partes do
circuito.
Normalmente, o sinal de clock é uma onda quadrada e durante uma
transição positiva (nível 0 para nível 1) ou transição negativa (nível 1 para nível
0) a saída poderá mudar de estado.

Fig. 4-3: Simbologia de flip-flops com clock na transição de subida e descida

Tempos de Setup e Hold

Os tempos de setup e hold são parâmetros que devem ser observados


para que o flip-flop possa trabalhar de modo confiável. O tempo de setup, tS,
corresponde ao intervalo no qual as entradas devem permanecer estáveis
antes da transição do clock. O tempo de hold, tH, corresponde ao intervalo no
qual as entradas devem permanecer estáveis depois da transição do clock.
Os tempos de setup e hold mínimos devem ser respeitados para o
funcionamento confiável do flip-flop.

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Flip-Flops

Fig. 4-4: Tempos de setup e hold

4.4- Flip-Flop R-S com Clock


O símbolo do flip-flop R-S com clock é mostrado na fig. 4-5:

Fig. 4-5: Flip-flop R-S com clock

O circuito interno é mostrado na fig. 4-6:

Fig. 4-6: Circuito lógico interno do flip-flop R-S com clock

O detector de transição é um circuito que habilitará, por alguns instantes,


as entradas SET e RESET, durante a transição de CLOCK. O circuito típico de
um detector de transição é mostrado na fig. 4-7:

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Flip-Flops

Fig. 4-7: Circuitos detectores de transição positiva e negativa

Os tempos dos pulsos de CLK* correspondem aos tempos de atraso da


porta NOT, em torno de 5 ns.

4.5- Flip-Flop J-K


O símbolo do flip-flop J-K é mostrado na fig. 4-8:

Fig. 4-8: Flip-flop J-K

A operação do flip-flop J-K é semelhante à do flip-flop R-S. A diferença é


que o flip-flop J-K não possui a condição proibida, ou seja, J = K = 1. Nessa
situação, a saída será complementada (valor anterior será invertido).
O circuito interno do flip-flop J-K é mostrado na fig. 4-9:

Fig. 4-9: Circuito lógico interno do flip-flop J-K

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Flip-Flops

4.6- Flip-Flop D
O símbolo do flip-flop D é mostrado na fig. 4-10:

Fig. 4-10: Flip-flop D

O circuito interno do flip-flop D é mostrado na fig. 4-11:

Fig. 4-11: Circuito lógico interno do flip-flop D

4.7- Latch D
O símbolo lógico do latch D é mostrado na fig. 4-12. Diferentemente do
flip-flop D, o latch D possui uma entrada EN. Quando esta entrada estiver
habilitada, a saída é a cópia da entrada. Se ela estiver desabilitada, a saída
não mudará.

Fig. 4-12: Latch D

O circuito interno é mostrado na fig. 4-13:

Fig. 4-13: Circuito interno do latch D

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Flip-Flops

4.8- Entradas Assíncronas


Todas as entradas dos flip-flops até agora vistos dependem do sinal de
clock. Estas entradas são chamadas entradas síncronas. Em muitos flip-flops
existem outras entradas que são chamadas entradas assíncronas, ou seja, não
dependem do sinal de clock para atuarem.
Essas entradas são usadas para colocar o flip-flop no estado “0” ou “1”,
a qualquer instante. A tabela 4-2 mostra as entradas assíncronas:

Tabela 4-2:
PRESET CLEAR Resposta do Flip-Flop
1 1 Operação normal
0 1 Q=1
1 0 Q=0
0 0 Não usada

Para a operação normal do flip-flop, as entradas PRESET e CLEAR


devem estar em “1”. A qualquer momento podemos forçar a saída Q a ser “0”
ou “1”. A última combinação não pode ser usada, já que é contraditória.
A fig. 4-14 mostra as entradas assíncronas de um flip-flop J-K:

Fig. 4-14: Simbologia do flip-flop J-K com as entradas assíncronas

4.9- Características de Temporizações dos Flip-Flops


As seguintes características de tempo devem ser respeitadas para o
funcionamento correto dos flip-flops.

- Tempos de Setup e Hold – Correspondem aos intervalos de tempo que a


entrada deve permanecer estável antes e depois da transição do clock.

- Atrasos de Propagação – Na mudança de estado da saída, sempre


haverá um atraso entre a aplicação de um sinal na entrada e o momento
que a saída muda.

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Flip-Flops

Fig. 4-15: Atrasos de propagação

- Freqüência Máxima de Clock, fMAX – Esta é a freqüência mais alta que


pode ser aplicada no flip-flop de modo a dispará-lo confiavelmente.

- Tempos de Duração do Clock em ALTO e BAIXO – O tempo de duração


do clock em nível ALTO, tw(H) e o tempo de duração em nível BAIXO, tw(L)
são mostrados na figura abaixo.

Fig. 4-16: Tempos de duração de clock em ALTO e BAIXO

- Largura dos Pulsos Assíncronos – Assim como foram definidos larguras


mínimas de pulsos para o clock, as entradas assíncronas PRESET e
CLEAR também possuem larguras mínimas de pulsos para uma operação
correta.

Fig. 4-17: Larguras mínimas de pulsos assíncronos

- Tempos de Transição do Clock – Para garantir o funcionamento correto


do flip-flop, o tempo transição do clock deve ser o menor possível. Para
dispositivos TTL esse tempo é δ 50 ns e para dispositivos CMOS, δ 200 ns.

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Flip-Flops

4.10- Circuitos Integrados de Flip-Flops


Alguns circuitos integrados de flip-flops são mostrados abaixo:
- 7474 – Duplo flip-flop D disparado por borda (TTL);
- 74LS112 – Duplo flip-flop J-K disparado pela borda (TTL);
- 74C74 – Duplo flip-flop D disparado pela borda (CMOS);
- 74HC112 – Duplo flip-flop J-K disparado pela borda (CMOS).

Tabela 4-3:
TTL CMOS
Parâmetro de Temporização
7474 74LS112 74C74 74HC112
tS (ns) 20 20 60 25
tH (ns) 5 0 0 0
tPHL (ns) de CLK para Q 40 24 200 31
tPLH (ns) de CLK para Q 25 16 200 31
tPHL (ns) de CLR para Q 40 24 225 41
tPLH (ns) de PRE para Q 25 16 255 41
tW(L) (ns) tempo em BAIXO para CLK 37 15 100 25
tW(H) (ns) tempo em ALTO para CLK 30 20 100 25
tW(L) (ns) para CLR ou PRE 30 15 60 25
fMAX (MHz) 15 30 5 20

4.11- Problemas de Temporização em Flip-Flops


Um problema de temporização que poderá ocorrer em sistemas que
utilizam flip-flops é mostrado na fig. 4-18:

Fig. 4-18: Problemas de temporização em flip-flops

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Flip-Flops

Como o clock é o mesmo para os dois flip-flops, para que o circuito


funcione adequadamente, o tempo de hold de Q2, tH, deve ser menor que o
atraso de propagação de Q1.

4.12- Flip-Flops Mestre/Escravo


Antes do desenvolvimento de flip-flops com tempo de hold muito
pequeno, os problemas de temporização vistos anteriormente eram
solucionados utilizando-se flip-flops mestre/escravo.
Os flip-flops mestre/escravo são constituídos de dois flip-flops, um
disparado na transição de subida do clock (mestre) e o outro na descida do
clock (escravo). Na borda de subida do clock, os níveis presentes nas entradas
do flip-flop determinam a saída do mestre. Na borda de descida do clock os
níveis das saídas do mestre são passados para o escravo, ou para a saída do
flip-flop.

4.13- Dispositivos Schmitt-Trigger

A principal característica de um circuito Schmitt-Trigger é mostrada na


fig. 4-19:

Fig. 4-19: Comparação entre um inversor comum e um inversor Schmitt-


Trigger

A fig. 4-19 mostra um inversor comum sendo acionado por um sinal com
tempo de transição longo. Em circuitos comuns, a saída pode oscilar à medida
que o sinal de entrada passa pela faixa de transição.
Ainda na fig. 4-19, vemos que em um circuito com entrada Schmitt-
Trigger a saída não produzirá oscilações. Esse circuito funciona da seguinte
forma: a entrada está em nível BAIXO resultando nível ALTO na saída. A saída
só irá para nível BAIXO quando a entrada ultrapassar o valor VT+ (tensão de
limiar superior). Nessas condições, se quisermos que a saída volte a ser ALTO,
devemos aplicar uma tensão de entrada menor do que VT- (tensão de limiar
inferior).

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Flip-Flops

Dispositivos Schmitt-Trigger são especialmente usados em circuitos


onde os sinais de entrada variam lentamente (ondas senoidais, sinais de
sensores, etc). As especificações de VT+ e VT- dependem do tipo de
componente, mas VT- é sempre menor do que VT+.

4.14- Circuitos Geradores de Clock


A maioria dos sistemas digitais utiliza algum circuito gerador de clock.
Dentre essas aplicações podemos ter algumas que utilizam um sinal de clock
sem a exigência de precisão. Outras, porém, a precisão é fundamental.
Existem vários tipos de osciladores que podem gerar pulsos de clock
para sistemas digitais. Os menos precisos e menos estáveis (dependendo da
aplicação) utilizam resistores e capacitores. Os mais precisos e estáveis
utilizam cristais de quartzo e com freqüências muito maiores do que os circuitos
que utilizam resistores e capacitores como geradores de clock.

Oscilador Schmitt-Trigger

Um típico gerador de clock usando dispositivos Schmitt-Trigger é


mostrado na figura abaixo:

Fig. 4-20: Circuito de um oscilador utilizando inversor Schmitt-Trigger

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Flip-Flops

Temporizador 555 como Oscilador

O circuito integrado 555 também pode ser usado como gerador de clock.
A figura abaixo mostra isso:

Fig. 4-21: Circuito de um oscilador utilizando o temporizador 555

Osciladores a Cristal de Quartzo

A principal característica dos osciladores a cristal de quartzo é sua


estabilidade e precisão quanto à freqüência de oscilação. A figura seguinte
mostra circuitos osciladores que utilizam cristais de quartzo.

Fig. 4-22: Circuitos de osciladores a cristal

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Contadores

5. Contadores

5.1- Introdução
Os flip-flops têm funções ilimitadas em sistemas digitais. Podemos
associá-los e utilizá-los como contadores, registradores e muitos outros
circuitos.
Os contadores podem ser assíncronos ou síncronos. Basicamente, a
principal diferença entre eles é que o síncrono utiliza um sinal de clock comum
a todos os flip-flops e o assíncrono possui um sinal de clock que é dividido até
o último flip-flop.
Os registradores também são arranjos de flip-flops, mas com o objetivo
de armazenar, manipular e transferir dados entre outros registradores ou
circuitos.

5.2- Contadores Assíncronos


Os contadores assíncronos também são chamados de contadores por
pulsação (ripple counter). Um circuito típico de um contador assíncrono é
mostrado na fig. 5-1:

Fig. 5-1: Contador assíncrono utilizando flip-flops J-K

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Contadores

Tabela 5-1:
Estado D C B A Decimal
0 0 0 0 0 0
1 0 0 0 1 1
2 0 0 1 0 2
3 0 0 1 1 3
4 0 1 0 0 4
5 0 1 0 1 5
6 0 1 1 0 6
7 0 1 1 1 7
8 1 0 0 0 8
9 1 0 0 1 9
10 1 0 1 0 10
11 1 0 1 1 11
12 1 1 0 0 12
13 1 1 0 1 13
14 1 1 1 0 14
15 1 1 1 1 15
Reinicia a contagem 16 0 0 0 0 0
17 0 0 0 1 1
18 0 0 1 0 2

A tabela 5-1 mostra os estados de contagem deste contador assíncrono


de quatro bits.
Podemos perceber que a cada 16 estados esse contador reinicia sua
contagem. Então ele é um contador assíncrono módulo 16, ou seja, tem 16
estados (0000 até 1111) distintos. Equacionando:

Módulo = 2N

onde N é o número de flip-flops conectados (número de bits).

Nos contadores assíncronos, a freqüência do clock é dividida por 2 em


cada flip-flop, ou seja: na saída A teremos Clock / 2, na saída B teremos Clock /
4, na saída C teremos Clock / 8 e na saída D teremos Clock / 16. Concluindo,
os contadores assíncronos são divisores de freqüência e no último flip-flop
teremos a freqüência de clock dividida pelo módulo desse contador.

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Contadores

5.3- Contadores de Módulo < 2N

Um contador assíncrono com N flip-flops terá, no máximo, módulo 2N. Se


precisarmos de um contador com módulo menor do que 2N será necessário
utilizar um circuito adicional, conforme mostrado na fig. 5-2:

Fig. 5-2: Contador assíncrono com módulo < 2N

A fig. 5-2 mostra um contador módulo 6. Se não houvesse a porta NAND


ligada nas entradas CLEAR dos flip-flops, o módulo seria 8. A seqüência de
contagem é mostrada na tabela 5-2:

Tabela 5-2:
Estado C B A Decimal
0 0 0 0 0
1 0 0 1 1
2 0 1 0 2
3 0 1 1 3
4 1 0 0 4
5 1 0 1 5
Estado temporário 6 1 1 0 6
necessário apenas para 7 0 0 0 0
reiniciar a contagem 8 0 0 1 1

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Contadores

5.4- Diagrama de Transição de Estados


O diagrama de transição de estados é mostrado na fig. 5-3:

Fig. 5-3: Diagrama de transição de estados de um contador módulo 6

Neste diagrama, as linhas contínuas correspondem aos estados estáveis


e as linhas tracejadas indicam o estado temporário.
O procedimento para a construção de um contador módulo X é:
- Determinar o menor número de flip-flops tal que 2N δ X. Se 2N = X, não é
necessário conectar a porta NAND na entrada assíncrona CLEAR;
- Conectar a porta NAND nas entradas assíncronas CLEAR de todos os flip-
flops;
- Determinar quais saídas estarão em ALTO na contagem X. Então é só
conectar essas saídas nas entradas da porta NAND.

5.5- Contadores de Década


Contadores de década ou decádicos são contadores que possuem 10
estados distintos, não importando a seqüência. Quando um contador decádico
conta em seqüência de 0000 a 1001 (0 a 9), ele é chamado de contador BCD.

5.6- Circuitos Integrados de Contadores Assíncronos


Existem vários circuitos integrados de contadores assíncronos, tanto
TTL como CMOS.
O circuito integrado TTL 74LS293 é um contador com quatro flip-flops J-
K. Vários circuitos TTL têm suas versões CMOS. O circuito integrado CMOS
74HC4024 é um contador com sete flip-flops que não possui correspondente
TTL.

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Contadores

5.7- Contador Assíncrono Decrescente


Os contadores que contam progressivamente a partir do zero são
denominados contadores crescentes. Já os contadores decrescentes contam
do valor máximo até zero.
Um contador decrescente pode ser construído conforme mostrado na fig.
5-4:

Fig. 5-4: Contador assíncrono decrescente

Nesse circuito vemos que o clock de cada flip-flop é acionado com a


saída invertida do flip-flop anterior. Com isso a saída é invertida, ou seja,
conforme a tabela abaixo:

Tabela 5-3:
Estado C B A Decimal
0 0 0 0 0
1 1 1 1 7
2 1 1 0 6
3 1 0 1 5
4 1 0 0 4
5 0 1 1 3
6 0 1 0 2
7 0 0 1 1
8 0 0 0 0
9 1 1 1 7

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Contadores

O diagrama de transição de estados do contador decrescente módulo 8


é mostrado na fig. 5-5:

Fig. 5-5: Diagrama de transição de estados do contador decrescente módulo 8

5.8- Atrasos de Propagação de Contadores Assíncronos


Cada flip-flop de um contador assíncrono é disparado pela saída de um
flip-flop anterior. Essa característica traz uma desvantagem: o tempo de atraso
de propagação. Isso pode ser visto na fig. 5-6:

Fig. 5-6: Atrasos de propagação em contadores assíncronos

Ao passar por um flip-flop, o sinal de clock sofre um atraso de


propagação tPD e esse efeito é somado até o último flip-flop, gerando um atraso
total de N x tPD, onde N é o número de flip-flops.

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Contadores

Para que um contador assíncrono funcione de modo confiável é


necessário que o atraso total de propagação seja menor que o período de clock
usado, ou seja:
T ε xN t
clock PD

ou ainda, em termos de freqüência máxima:


1
f=max xN t
PD

5.9- Contadores Síncronos


Como vimos, o atraso de propagação dos flip-flops dos contadores
assíncronos limitam a freqüência máxima de trabalho destes componentes.
Esse problema pode ser resolvido se os flip-flops mudassem de estado
suas saídas no momento em que houvesse a transição de clock. Essa
configuração pode ser vista na fig. 5-7:

Fig. 5-7: Contador síncrono módulo 16

Tabela 5-4:
Estado D C B A Decimal
0 0 0 0 0 0
1 0 0 0 1 1
2 0 0 1 0 2
3 0 0 1 1 3
4 0 1 0 0 4
5 0 1 0 1 5
6 0 1 1 0 6
7 0 1 1 1 7
8 1 0 0 0 8
9 1 0 0 1 9
10 1 0 1 0 10
11 1 0 1 1 11
12 1 1 0 0 12
13 1 1 0 1 13
14 1 1 1 0 14
15 1 1 1 1 15
Reinicia a contagem 16 0 0 0 0 0

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Contadores

Na fig. 5-7, o sinal de clock é comum a todos os flip-flops. Com isso, o


atraso de propagação será o atraso de um flip-flop somado com o atraso da
porta NAND:
atraso total = t (flip flop) + t ( )NAND
PD PD
Ainda analisando a fig. 5-7 vemos que o contador síncrono é mais
complexo do que o contador assíncrono. Entretanto, com um atraso de
propagação menor, ele pode trabalhar com freqüências maiores.

5.10- Circuitos Integrados de Contadores Síncronos


Podemos encontrar diversos circuitos integrados no mercado, tanto da
família TTL como CMOS. Dentre eles estão:
- 74LS160 / 162, 74HC160 / 162 – contadores síncronos decádicos.
- 74LS161 / 163, 74HC161 / 163 – contadores síncronos módulo 16.

5.11- Contadores Síncronos Decrescentes


Do mesmo modo que os contadores assíncronos, os contadores
síncronos podem contar decrescentemente. Para isso devemos conectar as
saídas A , B e C em vez das saídas A, B e C.

5.12- Contadores com Carga Paralela


Contadores síncronos podem contar a partir de um valor pré-
determinado pelo usuário. Isso é conhecido como carga paralela. A fig. 5-8
mostra um flip-flop com circuito carga de inicialização:

Fig. 5-8: Contador com carga paralela

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Contadores

Quando LOAD é BAIXO, o flip-flop funcionará normalmente. Quando


LOAD é ALTO, o valor de D é colocado na saída do flip-flop usando as
entradas assíncronas (não depende do clock).
Se fizermos isso para cada flip-flop do contador poderemos pré-
determinar o valor inicial a ser incrementado. Um exemplo prático de um
contador síncrono crescente/decrescente de módulo 16 com carga paralela é o
74LS193/74HC193.

5.13- Utilizando Contadores BCD


Contadores BCD são bastante usados em circuitos onde pulsos devem
ser contados e mostrados num display, por exemplo. A fig. 5-9 mostra um
arranjo de contadores BCD com contagem de 000 a 999:

Fig. 5-9: Contador BCD com contagem de 000 a 999

Inicialmente todos os contadores estão em 0 e, no display, é mostrado


000. A cada borda de descida do sinal de clock, o contador de unidades é
incrementado e o valor é mostrado no display. Quando o valor é 009 (1001), o
próximo pulso fará com que o contador BCD de unidades vá a 0.
Nesse momento também ocorrerá uma transição de 1 para 0 (borda de
descida) da saída D que está ligada ao clock do contador BCD de dezenas. E
agora o display mostrará o valor 010.
Isso continua até 999 quando, no próximo pulso, os contadores irão para
000, iniciando novamente a contagem.

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Contadores

5.14- Projeto de Contadores Síncronos


A fig. 5-10 mostra um diagrama genérico de um contador síncrono:

Fig. 5-10: Diagrama genérico de um contador síncrono

O circuito lógico de estado futuro define qual o próximo estado do


contador através do estado atual. Dessa maneira podemos implementar
contadores com qualquer seqüência de contagem.
Apesar usarmos flip-flops J-K em nossos projetos de contadores
síncronos, nada nos impede de usarmos flip-flops D, como na fig. 5-10.

5.15- O Flip-Flop J-K


A tabela 5-5 mostra o funcionamento do flip-flop J-K:

Tabela 5-5:
J K Qatual Qfuturo
0 0 0 0
0 0 1 1
0 1 0 0
0 1 1 0
1 0 0 1
1 0 1 1
1 1 0 1
1 1 1 0

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Contadores

A tabela 5-5 relaciona as entradas J e K e a saída Qatual de modo a gerar


um Qfuturo. Na verdade, na construção de contadores síncronos, nós já
sabemos Qatual e Qfuturo (valores da contagem), mas precisamos saber quais
são os valores das entradas J e K que gerarão Qfuturo. Desse modo nossa
tabela deverá ser:

Tabela 5-6:
Qatual Qfuturo J K
0 0 0 x
0 1 1 x
1 0 x 1
1 1 x 0

Onde x = irrelevante.

A tabela 5-6 relaciona os estados atual e futuro da saída Q com relação


às entradas J e K.

5.16- Procedimento para Construção de Contadores Síncronos


Projetaremos um contador síncrono usando a seqüência de contagem
da tabela 5-7:

Tabela 5-7:
C B A
0 0 0
0 0 1
0 1 0
0 1 1
1 0 0
0 0 0

Os passos são os seguintes:

- Definir o número de flip-flops (bits) do contador e a seqüência de contagem;

- Mostrar o diagrama de transição de estados indicando todos os estados


possíveis, incluindo os estados que não fazem parte da seqüência. O
diagrama é mostrado na fig. 5-11:

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Contadores

Fig. 5-11: Diagrama de transição de estados

A fig. 5-12 mostra o circuito de geração do estado futuro a ser projetado.


Podemos notar que as saídas A, B e C, na verdade, são as entradas desse
circuito e que as entradas J e K são as saídas.

Fig. 5-12: Diagrama do contador a ser projetado

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Contadores

- Gerar a tabela de transição de estados (estados atual e futuro):

Tabela 5-8:
Atual Futuro
JC KC JB KB JA KA
C B A C B A
0 0 0 0 0 1 0 x 0 X 1 x
0 0 1 0 1 0 0 x 1 X x 1
0 1 0 0 1 1 0 x x 0 1 x
0 1 1 1 0 0 1 x x 1 x 1
1 0 0 0 0 0 x 1 0 X 0 x
1 0 1 0 0 0 x 1 0 X x 1
1 1 0 0 0 0 x 1 x 1 0 x
1 1 1 0 0 0 x 1 x 1 x 1

Onde x = irrelevante.

- Encontrar as expressões lógicas que relacionam as saídas J e K com as


entradas A, B e C, usando o mapa de Karnaugh. Depois da simplificação
chegamos às seguintes expressões:

JA = C JB = A C
. JC = A.B
KA = 1 KB = A + C KC = 1

O circuito final é mostrado na fig. 5-13.

Fig. 5-13: Circuito lógico final do contador

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Registradores

6. Registradores

6.1- Introdução
A utilização mais comum dos flip-flops é no armazenamento e
transferência de informações. Essas informações são armazenadas em grupos
de flip-flops chamados registradores.
Além de armazenar informações, os registradores têm a capacidade de
transferir essas informações para outros registradores. Isso é bastante
interessante, já que o armazenamento e a transferência de dados são as
principais características dos sistemas digitais.

6.2- Registradores de Deslocamento


A fig. 6-1 mostra um registrador de deslocamento de 4 bits e suas
formas de onda.

Fig. 6-1: Registrador de deslocamento de 4 bits e formas de onda

A cada pulso de clock, o valor contido nas entradas J e K dos flip-flops é


transferido para a saída. Essa saída está conectada na entrada do próximo flip-
flop e no final de 4 pulsos de clock, o valor da entrada DADOS, que foi
transferido serialmente, estará armazenado no registrador.

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Registradores

6.3- Transferência Paralela de Dados entre Registradores


A fig. 6-2 mostra a transferência paralela de dados entre dois
registradores:

Fig. 6-2: Transferência paralela de dados entre registradores

As saídas dos flip-flops que constituem o registrador X estão conectadas


nas entradas dos flip-flops que constituem o registrador Y. Depois do pulso
TRANFER, o conteúdo armazenado no registrador X é transferido para o
registrador Y.

6.4- Transferência Serial de Dados entre Registradores


A fig. 6-3 mostra a transferência serial de dados entre dois registradores.

Fig. 6-3: Transferência serial de dados entre registradores

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Registradores

6.5- Comparação entre a Transferência Paralela e a


Transferência Serial
Na transferência paralela, os dados são transmitidos simultaneamente
na ocorrência de um único pulso de transferência. Na transferência serial, cada
bit é transmitido a cada pulso de transferência.
Com relação à velocidade de transmissão, a transferência paralela é
mais rápida do que a serial. Em compensação, a transferência paralela
necessita de um número maior de conexões entre os registradores.

6.6- Contadores com Registradores de Deslocamento


Registradores de deslocamento também podem ser usados como
contadores:

- Contador em Anel – O contador em anel é mostrado na fig. 6-4:

Fig. 6-4: Contador em anel

No contador em anel, um das saídas dos flip-flops está em 1 e as outras


está em 0. Por ser um registrador de deslocamento, esse 1 é transferido para o
próximo flip-flop e assim sucessivamente. A tabela 5-1 mostra a seqüência da
contagem.

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Registradores

Tabela 5-1:
Pulso de Clock Q3 Q2 Q1 Q0
0 1 0 0 0
1 0 1 0 0
2 0 0 1 0
3 0 0 0 1
4 1 0 0 0
5 0 1 0 0
6 0 0 1 0
7 0 0 0 1

Para o perfeito funcionamento deste tipo de contador, um dos flip-flops


deve ter inicialmente o valor 1 e os outros 0. Isso pode ser feito através das
entradas assíncronas PRESET e CLEAR.

- Contador Johnson – O contador Johnson é mostrado na fig. 6-5:

Fig. 6-5: Contador Johnson

A tabela 5-2 mostra a seqüência de contagem do contador Johnson:

Tabela 5-2:
Pulso de Clock Q2 Q1 Q0
0 0 0 0
1 1 0 0
2 1 1 0
3 1 1 1
4 0 1 1
5 0 0 1
6 0 0 0
7 1 0 0

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Registradores

6.7- Circuitos Integrados de Registradores


Os registradores podem ser classificados da forma com a qual seus
dados são transferidos:
- Entrada paralela / saída paralela – 74174, 74LS174, 74HC174;
- Entrada serial / saída serial – 4731B;
- Entrada paralela / saída serial – 74165, 74LS165, 74HC165;
- Entrada serial / saída paralela – 74164, 74LS164, 74HC164.

Existem outras versões de registradores como, por exemplo:


- 74194, 74LS194, 74HC194 – registrador de deslocamento bidirecional
universal de quatro bits com entrada paralela e saída paralela.
- 74373, 74LS373, 74HC373, 74HCT373 – registrador de oito bits de entrada
paralela e saída paralela que contém oito latches tipo D com saídas em
tristate.
- 74374, 74LS374, 74HC374, 74HCT374 – registrador de oito bits de entrada
paralela e saída paralela que contém oito flip-flops tipo D com saídas em
tristate.

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

7. Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e


Demultiplexadores

7.1- Decodificadores

Decodificador é um circuito lógico que recebe em suas entradas um


código que representa um número binário e ativa a saída correspondente a
esse número binário. Os decodificadores são circuitos combinacionais sem
memória mas são bastante usados em sistemas digitais.
A fig. 7-1 mostra o diagrama de um decodificador de 3 linhas para 8
linhas:

Fig. 7-1: Decodificador 3 para 8

A tabela 7-1 mostra a tabela verdade para o decodificador 3 para 8.

Tabela 7-1:
C B A O0 O1 O2 O3 O4 O5 O6 O7
0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0
0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0
0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0
0 1 1 0 0 0 1 0 0 0 0
1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0
1 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0
1 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0
1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 1

Através da tabela verdade vemos que apenas uma saída é acionada,


dependendo apenas do código de entrada. As entradas E1 e E2 são as
entradas de habilitação do componente. Quando elas estiverem acionadas, ou
seja, E1 = 0 e E2 = 1, o componente responderá às entradas A, B e C.
Um exemplo de decodificador é o circuito integrado 74LS138/HC138. Ele
é um decodificador de 3 linhas para 8 linhas.

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

Decodificadores BCD para Decimal

Um exemplo de decodificador BCD para decimal é o circuito integrado


7442/LS42/HC42. Esses decodificadores também são denominados de
decodificadores 4 para 10.

Decodificadores/Driver BCD para Decimal

O circuito integrado 7445 é um decodificador/driver BCD para decimal. O


termo driver é usado porque este componente possui saídas com coletor
aberto que podem operar com tensões e correntes maiores que uma saída TTL
normal.

Decodificadores/Driver BCD para 7 Segmentos

Muitas aplicações que envolvem medições é necessário que o valor


binário em um registrador ou contador seja mostrado em um display. Os
circuitos integrados 7446 e 7447 são decodificadores BCD para 7 segmentos.
O diagrama de um decodificador BCD para 7 segmentos é mostrado na
fig. 7-2:

Fig. 7-2: Decodificador BCD para 7 segmentos

Como os displays usados são formados com LEDs, cada segmento do


display necessita de uma corrente alta para acender. Circuitos TTL e CMOS
não tem capacidade de fornecer corrente suficiente e por isso não são usados
para acionar diretamente os displays. Os decodificadores/driver BCD para 7
segmentos podem acionar diretamente displays de LEDs.

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

7.2- Codificadores

Os codificadores executam a função contrária dos decodificadores. Nos


codificadores apenas uma linha da entrada é acionada por vez e a saída terá o
código da linha acionada.

Fig. 7-3: Codificador 8 para 3

Note que não existe a entrada A0, já que se nenhuma entrada estiver
acionada o código de saída é 000.

A tabela 7-2 mostra a tabela verdade:

Tabela 7-2:
A0 A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 C B A
x 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
x 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1
x 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0
x 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1
x 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0
x 0 0 0 0 1 0 0 1 0 1
x 0 0 0 0 0 1 0 1 1 0
x 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1

O circuito integrado 74147 é um codificador de prioridade decimal para


BCD. O codificador de prioridade inclui uma lógica para garantir que, quando
duas ou mais entradas estiverem acionadas, o código de saída corresponderá
à entrada com número mais alto. Por exemplo, se as entradas A3 e A5
estiverem acionadas, o código na saída será 101 (5).
O símbolo lógico do 74147 e sua tabela verdade são mostrados na fig.
7-4.

Fig. 7-4: Codificador decimal para BCD

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

A tabela 7-3 mostra a tabela verdade.

Tabela 7-3:
A A A A A A A O O O O
5
4 6 7 8 9 3 2 1 0
2
1 3
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0
x 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 1
x x 0 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0
x x X 0 1 1 1 1 1 1 0 1 1
x x X x 0 1 1 1 1 1 0 1 0
x x X x x 0 1 1 1 1 0 0 1
x x X x x x 0 1 1 1 0 0 0
x x X x x x x 0 1 0 1 1 1
x x X x x x x x 0 0 1 1 0

x = irrelevante

A tabela 7-3 mostra o código BCD invertido. Os valores x indicam a


prioridade do maior valor.

7.3- Multiplexadores
Multiplexador ou seletor de dados (MUX) é um circuito lógico que recebe
vários dados digitais de entrada e, por um determinado instante, envia esse
dado para uma saída. As entradas de seleção determinam qual sinal de
entrada deve ser enviado para a saída.

Fig. 7-5: Multiplexador de 2 entradas

A fig. 7-5 mostra um multiplexador de duas entradas. A entrada Seleção


controla qual dado de entrada (I0 ou I1) será enviado para a Saída.

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

A fig. 7-6 mostra o diagrama de um multiplexador com 8 entradas, o


74151 (74LS151, 74HC151):

Fig. 7-6: Multiplexador de 8 entradas

A tabela 7-4 mostra a tabela verdade.

Tabela 7-4:

E S2 S1 S0 Z Z
H X X X H L
L L L L I0 I
0

L L L H I1 I1
L L H L I2 I
2

L L H H I3 I3
L H L L I4 I
4

L H L H I5 I
5

L H H L I6 I
6

L H H H I7 I
7

Já o circuito integrado 74157 (74LS157, 74HC157) contém quatro


multiplexadores de duas entradas.

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

Aplicações de Multiplexadores

As aplicações que utilizam multiplexadores são várias: seleção de dados


de entrada, roteamento de dados, seqüenciamento de operações etc. A fig. 7-7
mostra um exemplo de uso de multiplexadores.

Fig. 7-7: Exemplo de aplicação de multiplexador: o contador selecionado pela


entrada Seleciona é mostrado no display

A entrada Seleciona Contador do MUX (74LS157) determina qual dos


contadores será mostrado no display.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 80


Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

7.4- Demultiplexadores
Demultiplexadores ou distribuidores de dados (DEMUX) executam a
função inversa dos multiplexadores, ou seja, o DEMUX recebe uma única
entrada e a distribui para a saída determinada pelas entradas de seleção.
A fig. 7-8 mostra um demultiplexador de duas saídas:

Fig. 7-8: Demultiplexador de 2 saídas

Quando a entrada Seleção estiver em “0”, os dados da entrada I serão


levados à saída O0. Se a entrada Seleção estiver em “1”, os dados da entrada I
serão levados à saída O1.
O circuito integrados 74LS138 (decodificador 3 para 8) também pode ser
utilizado como demultiplexador, conforme a figura e a tabela abaixo:

Fig.7-9: Demultiplexador de 8 saídas utilizando o 74LS138

A tabela 7-5 mostra a tabela verdade.

Tabela 7-5:
O O O O O O O
A2 A1 A0 7 6 5
3
4 2 1 0
0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 I
0 0 1 1 1 1 1 1 1 I 1
0 1 0 1 1 1 1 1 I 1 1
0 1 1 1 1 1 1 I 1 1 1
1 0 0 1 1 1 I 1 1 1 1
1 0 1 1 1 I 1 1 1 1 1
1 1 0 1 I 1 1 1 1 1 1
1 1 1 I 1 1 1 1 1 1 1

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Decodificadores, Codificadores, Multiplexadores e Demultiplexadores

Aplicações de Demultiplexadores

Um exemplo simples de aplicação de demultiplexadores pode ser visto


na fig. 7-10.

Fig. 7-10: Exemplo de uso de demultiplexador

Um sinal de clock é usado por contador, registrador e outros


dispositivos. O dispositivo que irá receber o sinal de clock é selecionado
através das entradas de seleção A2, A1 e A0.
Além de aplicações de distribuição de dados podemos usar
demultiplexadores em sistemas de monitoração, transmissão de dados, etc.

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Aritmética Digital

8. Aritmética Digital

8.1- Introdução
Uma máquina digital (computadores e calculadoras) manipula e
armazena dados na forma binária. Dessa forma, as operações aritméticas
também serão realizadas sobre os números na forma binária.
A aritmética digital não é muito diferente da aritmética tradicional (base
10). As operações de adição, subtração, multiplicação e divisão são
praticamente as mesmas, a não ser pelo número de algarismos usados nessas
operações: 2.

8.2- Adição Binária


A adição decimal é mostrada a seguir:

3 7 6
+
4 6 1
8 3 7

A adição é feita a partir do algarismo menos significativo. Quando a


adição resulta em um valor maior que 9 ocorre um carry (vai um) para a
próxima posição.
Na adição binária podemos encontrar apenas quatro possibilidades:

0+0=0
0+1=1
1+0=1
1 + 1 = 10 (0 + carry 1 para a próxima posição)

Por exemplo:

011
+ 110 11,011
+ 10,110
1001 110,001

8.3- Representação de Números com Sinal


Em sistemas digitais, os números binários são armazenados e
manipulados em conjuntos de flip-flops, os registradores. Um registrador com 6
flip-flops pode armazenar números binários de 000000 a 111111 (0 a 6310),
representando a magnitude do número.
Como os computadores e calculadoras podem operar com números
positivos e negativos, uma maneira de representar números positivos e
negativos é mostrada na fig. 8-1.

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Aritmética Digital

A6 A5 A4 A3 A2 A1 A0
0 1 1 0 1 0 0 = +5210
Bit de Sinal (+) Magnitude = 5210

A6 A5 A4 A3 A2 A1 A0
1 1 1 0 1 0 0 = -5210
Bit de Sinal (-) Magnitude = 5210

Fig. 8-1: Representação de números positivos e negativos

O bit A6 é chamado bit de sinal, ou seja, ele determina qual o sinal do


número. Esse número possui magnitude de 6 bits mais um bit de sinal.
Embora esse sistema seja direto, computadores e calculadoras não o
utilizam normalmente porque a implementação do circuito é mais complexa. O
sistema de representação de números binários com sinal mais utilizado é o
sistema de complemento a 2.

Forma do Complemento a 1

O complemento a 1 de um número binário é obtido substituindo-se cada


0 por 1 e cada 1 por 0. Isso pode ser visto a seguir:

1 0 1 1 0 1

0 1 0 0 1 0

Forma do Complemento a 2

O complemento a 2 de um número binário é obtido tomando-se o


complemento a 1 do número e adicionando-se 1 na posição do bit menos
significativo. Por exemplo:

1 0 1 1 0 1 Equivalente binário de 4510


0 1 0 0 1 0 Complemento a 1
+ 1 Adiciona-se 1
0 1 0 0 1 1 Complemento a 2 do número binário original

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Aritmética Digital

8.4- Representação de Números com Sinal Usando


Complemento a 2
O sistema de complemento a 2 para representar números com sinal
funciona do seguinte modo:
- Se o número é positivo, a magnitude é mostrada na sua forma binária direta
e um bit de sinal 0 é colocado na frente do bit mais significativo (MSB).
- Se o número é negativo, a magnitude é representada na sua forma de
complemento a 2 e um bit de sinal 1 é colocado na frente do bit mais
significativo (MSB).

A6 A5 A4 A3 A2 A1 A0
0 1 0 1 1 0 1 = +4510
Bit de Sinal (+) Binário direto

A6 A5 A4 A3 A2 A1 A0
1 0 1 0 0 1 1 = -4510
Bit de Sinal (-) Complemento a 2

Fig. 8-2: Representação de números positivos e negativos usando


complemento a 2

Negação

A negação é a operação que converte um número positivo no seu


negativo equivalente ou um número negativo no seu positivo equivalente. Por
exemplo:

0 1 0 0 1 = +9 (número binário original)


1 0 1 1 1 = -9 (complemento a 2, negar)
0 1 0 0 1 = +9 (negar novamente)

Faixa de Representação do Complemento a 2

A faixa completa de valores que pode ser representada no sistema de


complemento a 2 que tem N bits de magnitude é:

-2N a +(2N-1)

Por exemplo, com N = 3 bits, a faixa de números sinalizados é mostrada


na tabela 8-1.

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Tabela 8-1:
Valor Decimal Complemento a 2
+7 = 23 – 1 0111
+6 0110
+5 0101
+4 0100
+3 0011
+2 0010
+1 0001
0 0000
-1 1111
-2 1110
-3 1101
-4 1100
-5 1011
-6 1010
-7 1001
-8 = -23 1000

Por exemplo, com N = 7 bits, mais um bit de sinal, a faixa de valores


fica:

100000002 = -27 = -12810


011111112 = 28 = +12710

Adição no Sistema de Complemento a 2

Vamos analisar vários casos de adição:

I) Dois números positivos: A adição de dois números positivos é direta.

+9 0 1001
+4 0 0100
+13 0 1101

II) Um número positivo e um outro menor e negativo: O número negativo


deve estar na forma de complemento a 2.

+9 0 1001
-4 1 1100
+5 1 0 0101

A soma é feita sobre todos os bits, inclusive os bits de sinal. O carry (vai
um) gerado na última posição (MSB) é sempre descartado.

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III) Um número positivo e um outro maior e negativo:

-9 1 0111
+4 0 0100
-5 1 1011

IV) Dois números negativos:

-9 1 0111
-4 1 1100
-13 1 1 0011

V) Dois números iguais em magnitude mas de sinais contrários:

+9 0 1001
-9 1 0111
0 1 0 0000

Subtração no Sistema de Complemento a 2

A operação de subtração no sistema de complemento a 2, na verdade,


envolve uma operação de adição. Quando subtraímos um número binário (o
subtraendo) de outro número binário (minuendo), usamos o seguinte
procedimento:
- Negar o subtraendo.
- Adicionar o número obtido ao minuendo.

Por exemplo, +9 – (+4) = +5

+9 0 1001
+4 0 0100

+9 0 1001
-4 1 1100
+5 1 0 0101

Overflow Aritmético

O overflow aritmético ocorre quando temos, por exemplo, a adição de +9


e +8:
+9 0 1001
+8 0 1000
1 0001

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Aritmética Digital

O resultado esperado seria +17 mas a resposta tem um sinal negativo e


uma magnitude incorreta. A representação do 17 precisa de mais de quatro
bits, ocasionando um erro de overflow.
O overflow pode ocorrer sempre que dois números positivos ou dois
números negativos estão sendo somados.

8.5- Multiplicação de Números Binários


A multiplicação de números binários é mostrada abaixo:

1001 = 910
1011 = 1110
1001
1001
0000
1001
1100011 = 9910

Na multiplicação acima os bits de sinais não foram usados. Observe que


o primeiro multiplicando (1001) é deslocado para a esquerda com relação ao
segundo multiplicando (1011). Depois disso, os resultados parciais são
somados para obter o produto final.

Multiplicação no Complemento a Dois

A multiplicação no complemento a dois é feita do mesmo modo descrito


anteriormente, desde que os dois multiplicandos estejam na forma binária
verdadeira.
Se os números a serem multiplicados forem positivos a multiplicação é
feita conforme mostrado anteriormente e o bit de sinal é 0. Se os números
forem negativos, eles devem ser convertidos para a forma binária verdadeira e
o resultado será positivo (bit de sinal igual a 0).
Quando os números a serem multiplicados tiverem sinais opostos, o
número negativo deve ser convertido para a forma binário verdadeira através
do complemento a dois. Como resultado esperado é negativo, deve ser
aplicado o complemento a dois e o bit de sinal será 1.

8.6- Divisão de Números Binários


A divisão binária é mostrada a seguir:

1001 11
011 11
0011
11
0

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Aritmética Digital

A divisão binária é igual à divisão decimal. A divisão de números com


sinal é feita de maneira idêntica à multiplicação, onde os números negativos
são transformados em positivos através do complemento a dois.

8.7- Adição de Números BCD


Muitos computadores e calculadoras usam o código BCD para
representar números decimais. Na operação de adição usando números
representados pelo código BCD devem ser levadas em consideração duas
possibilidades:

- Soma menor ou igual a 9 – Por exemplo, 5 + 4:

5 0101
+4 +0100
9 1001

Outro exemplo, 45 + 33:

45 0100 0101
+33 +0011 +0011
78 0111 1000

A soma de cada dígito não gerou nenhum vai-um (carry).


- Soma maior do que 9 – Por exemplo, 6 + 7:

6 0110
+7 +0111
13 1101

O resultado da soma não é um código BCD, já que o resultado é um


número maior do que 9. O resultado esperado seria 0001 0011 (13 BCD) e
para corrigir isso devemos somar ao resultado o código 0110 (6 BCD), ou seja:

0110 6 (BCD)
+0111 7 (BCD)
1101 soma > 9
0110 soma 6
0001 0011 13 (BCD)

8.8- Aritmética Hexadecimal


Números hexadecimais são amplamente utilizados na programação de
computadores em linguagem de máquina e na especificação de endereços de
memória de computadores.

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Aritmética Digital

Adição em Hexadecimal

O procedimento para a adição em hexadecimal é o seguinte:


- Some os dois dígitos hexadecimais em decimal, inserindo mentalmente o
decimal equivalente para os dígitos maiores do que 9;
- Se a soma é menor ou igual a 15, ele pode ser expresso por um dígito
hexadecimal;
- Se a soma é maior ou igual a 16, subtraia 16 e coloque um carry na próxima
posição.

Por exemplo:
58
+4B
A3

Subtração em Hexadecimal

Um modo eficiente de representar números binários é através dos


números hexadecimais. A subtração hexadecimal utiliza o mesmo método dos
números binários: o complemento a dois do subtraendo é somado ao minuendo
e qualquer carry da posição MSD deverá ser descartado.
O complemento a dois de um número hexadecimal é mostrado a seguir:

73A Número hexadecimal


0111 0011 1010 Converte para binário
1000 1100 0110 Complemento a 2
8C6 Converte para hexadecimal

Um outro método é mostrado a seguir:

F F F
–7 –3 –A
8 C 5
+1
8 C 6

8.9- Circuitos Aritméticos


A função essencial de computadores e calculadoras é a realização de
operações aritméticas. Um bloco chamado Unidade Lógica e Aritmética (ULA)
é responsável pelas operações aritméticas em um computador.

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Aritmética Digital

Unidade Lógica e Aritmética

O principal objetivo de uma ULA é aceitar dados binários armazenados


na memória e executar as operações lógicas e aritméticas sobre estes dados
de acordo com as instruções da unidade de controle.
A fig. 8-3 mostra os principais blocos funcionais de uma ULA:

Fig. 8-3: Blocos funcionais de uma ULA

A ULA é constituída de, pelo menos, dois registradores: o registrador B e


o registrador acumulador. Ela também possui lógica combinacional que realiza
as operações lógicas e aritméticas sobre os números binários armazenados nos
registradores B e acumulador.
Por exemplo, os passos para a execução de uma operação de adição
são mostrados a seguir:
- A unidade de controle recebe uma instrução da unidade de memória
especificando que um número armazenado em uma posição particular de
memória deve ser adicionado ao número que está armazenado na
acumulador;
- O número a ser adicionado é transferido da memória para o registrador B;
- O número no registrador B e o número no acumulador são somados nos
circuitos lógicos (ao comando da unidade de controle). O resultado é
enviado para o acumulador para ser armazenado.

Somador Binário Paralelo

Vamos analisar a seguinte operação de adição de dois números


binários:
1 1 1
Carry
1 0 1 0 1 Acumulador
+ 0 0 1 1 1 Registrador B
1 1 1 0 0 Soma

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Aritmética Digital

Podemos ver que cada bit das parcelas é somado para gerar um bit no
resultado da adição. No caso de um carry (vai-um), esse também é somado,
ou seja:

C4 C3 C2 C1 C0 Carry
A4 A3 A2 A1 A0 Registrador A
+ B4 B3 B2 B1 B0 Registrador B
S4 S3 S2 S1 S0 Soma

O diagrama de blocos de um somador binário paralelo é mostrado na fig.


8-4.

Fig. 8-3: Diagrama em blocos de um somador binário paralelo

O bloco SC #0 é chamado somador completo porque soma bits A0 e B0


das parcelas e ainda um possível bit C0 de carry.

Projeto de um Somador Completo

O bloco do somador completo possui três entradas (A, B e CIN) e duas


saídas (S e COUT). As entradas A e B são os bits a serem adicionados e CIN é o
carry do bit anterior. A saída S é o resultado da adição e COUT é a saída de
carry, indicando um vai-um.
A tabela 8-2 relaciona todos os possíveis casos de uma adição.

Fig. 8-4: Bloco lógico do somador completo de 1 bit

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Aritmética Digital

Tabela 8-2:
Bit de Bit de Bit de Bit de Bit de
entrada da entrada da entrada do saída da saída do
1ª parcela 2ª parcela carry soma carry
A B CIN S COUT
0 0 0 0 0
0 0 1 1 0
0 1 0 1 0
0 1 1 0 1
1 0 0 1 0
1 0 1 0 1
1 1 0 0 1
1 1 1 1 1

Pelo método do Mapa de Karnaugh podemos encontrar a expressão


para S e COUT:

=
S A
. IN + C
IN + BA.IN + .C IN = A
A.B.C [ CIN
.C
B . ]
B
B.A

COUT IN + B.CIN +
A.B
=
A.C

A fig. 8-5 mostra o circuito de um somador completo (SC).

Fig. 8-5: Circuito lógico do somador completo de 1 bit


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A fig. 8-6 mostra um circuito de um somador paralelo completo de 4 bits


com registrador.

Fig. 8-6: Circuito lógico do somador paralelo completo de 4 bits

O procedimento para um operação de adição é o seguinte:

- Pulsar CLEAR para fazer registrador A = 0000;


- Colocar a primeira parcela a ser somada nas entradas D3D2D1D0 (esse
dado pode estar vindo de uma memória). Pulsar LOAD para que as
entradas sejam transferidas para o registrador B;
- Pulsar TRANSFER para a realização da operação de adição do conteúdo
do registrador A com o conteúdo do registrador B. Nesse caso, o valor de B
é transferido para A, resultando A = B;
- Colocar a segunda parcela a ser somada nas entradas D3D2D1D0. Pulsar
LOAD para que as entradas sejam transferidas para o registrador B;
- Pulsar TRANSFER para a realização da operação de adição do conteúdo
do registrador A com o conteúdo do registrador B. O resultado da adição
está no registrador A (saídas).

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Aritmética Digital

8.10- Somador Paralelo Integrado


Os circuitos integrados 7483A, 74LS83A, 74283 e 74LS283 são
somadores paralelos de quatro bits.

8.11- Ligação em Cascata de Somadores Paralelos


Blocos de somadores podem ser associados em cascata de forma a
efetuar adições de números binários maiores. Por exemplo, se dois somadores
de quatro bits forem associados em cascata podemos efetuar adições de
números com oito bits.

8.12- Circuito Integrados de ULAs


As ULAs são circuitos capazes de realizar diversas operações lógicas e
aritméticas sobre os dados binários de entrada. Dentre essas operações
podemos citar:
- Operação Clear;
- Operação Soma;
- Operação Subtração;
- Operação EX-OR;
- Operação OR;
- Operação AND;
- Operação PRESET.

Os circuitos integrados 74LS382 e 74HC382 são ULAs que possuem as


características acima citadas.
O 74LS181/HC181 é uma ULA de quatro bits e tem até 16 operações
diferentes. O 74LS881/HC881 é similar ao circuito integrado 181, mas tem a
capacidade de realizar algumas operações lógicas adicionais.

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Aritmética Digital

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Conversão Digital-Analógica

9. Conversão Digital-Analógica

9.1- Interface com o Mundo Analógico


- Quantidade Digital – Valor especificado entre duas possibilidades (0 ou 1),
alto ou baixo, verdadeiro ou falso. Para a lógica TTL:
0 V a 0,8 V = 0 Lógico
2 V a 5 V = 1 Lógico

- Quantidade Analógica – Assume qualquer valor dentro de uma faixa


contínua de valores e, mais importante, seu valor exato é significativo.

9.2- Sistema Digital Interfaceando com Grandezas Analógicas

Fig. 9-1: Sistema digital interfaceando com grandezas analógicas

Elementos:
1- Transdutor
2- Conversor A/D
3- Sistema Digital (Controlador/Computador, etc...)
4- Conversor D/A
5- Atuador

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Conversão Digital-Analógica

9.3- Conversão Digital Analógica (D/A)


Processo pelo qual um valor representado digitalmente é convertido para
uma tensão ou corrente, que é proporcional ao valor digital.

Fig. 9-2: Conversor digital-analógico de 4 bits

Tabela 9-1:
D C B A VOUT (V)
0 0 0 0 0
0 0 0 1 1
0 0 1 0 2
0 0 1 1 3
0 1 0 0 4
0 1 0 1 5
0 1 1 0 6
0 1 1 1 7
1 0 0 0 8
1 0 0 1 9
Pesos da Entrada 1 0 1 0 10
D C B A VOUT (V) 1 0 1 1 11
0 0 0 1 1 1 1 0 0 12
0 0 1 0 2 1 1 0 1 13
0 1 0 0 4 1 1 1 0 14
1 0 0 0 8 1 1 1 1 15

VREF é utilizada para determinar a “saída de fundo de escala” ou o


máximo valor que o conversor D/A pode produzir. Equacionando temos:

Saída Analógica = K * Entrada Digital

onde K = fator de proporcionalidade, normalmente é constante para um


conversor D/A em particular conectado a uma tensão de referência fixa. Para o
exemplo acima:
AnalógicaSaída V
15
K = Entrada Digital 15 = = 1
V

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Conversão Digital-Analógica

Resolução (Tamanho do Degrau)

É a menor alteração que pode ocorrer na saída analógica como


resultado de uma mudança na entrada digital. Para o exemplo anterior, a
resolução é igual a 1V.

Fig. 9-3: Resolução do conversor digital-analógico de 4 bits

A FS
Resolução = K = N
2 1

onde:
AFS = Saída de fundo de escala
N = número de bits

Resolução Percentual

A resolução percentual é a porcentagem da saída de fundo de escala:

Tamanho do degrau
Resolução(%) = * 100
Fundo de escala

V
1
Resolução(%) = * 100 = 6,67 %
1
V5

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Conversão Digital-Analógica

9.4- Código de Entrada BCD

Fig. 9-4: Conversor digital-analógico BCD de 8 bits

Tabela 9-2:
MSD LSD
D1 C1 B1 A1 D0 C0 B0 A0
8,0 4,0 2,0 1,0 0,8 0,4 0,2 0,1

Cada grupo de código de quatro bits pode variar de 0000 a 1001,


representando de 00 até 99.

9.5- Conversor D/A com Amplificador Operacional

Fig. 9-5: Amplificador inversor com operacional

R
Ganho G = OUT
= 0
-V R

VIN
1
R
V = 0 *V
OUT R1 IN

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Conversão Digital-Analógica

Somador

Fig. 9-6: Somador com amplificador operacional

   R   R    

R
0  0  0 ... 
R
0 *V 
V *V + *V + *V + +  n
=       
OUT 
 R 1 
1

R
2 
2

R
3 
3 R
 n 

Na fig. 9-7 temos um conversor D/A de quatro bits. As entradas A, B, C,


D possuem valores de 0 ou 5 V.

Fig. 9-7: Conversor digital-analógico de 4 bits usando amplificador operacional

Equação :

V V VA 
=  + C + B + 
V V
 
OUT D 2 4
8 

Por exemplo, VD = VB = 5 V e VC = VA = 0 V.


VOUT = 5 + + +  = 6,25V
0 5 0

2 4 8
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Conversão Digital-Analógica

- Resolução = peso do LSB = 5 / 8 = 0,625V


ou Afs / (2N –1) = 9,375 / 15 = 0,625V

- Peso de cada bit:


A = 0,625 V
B = 1,25 V
C = 2,5 V
D = 5,0 V

Para Rf = 500 &, a saída do fundo de escala é reduzida por um fator 2 e


cada peso de entrada será 2 vezes menor que os valores originais. Sendo
assim, a saída de fundo de escala = -9,375 / 2 = -4,688 V.

9.6- Fatores Importantes na Precisão da Conversão


1) Precisão dos resistores de entrada e de realimentação (podem ser
facilmente encontrados);
2) Precisão dos níveis de tensão das entradas (consegue-se com circuitos
auxiliares).

Fig. 9-8: Conversor D/A com fonte de referência de precisão

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Conversão Digital-Analógica

9.7- Conversores D/A com Saída em Corrente

Fig. 9-9: Conversor D/A com saída em corrente

Admitindo-se Vref = 10V, R = 10 K& e RL muito menor do que R, temos:


IOUT = VREF / R = 1 mA -> peso do MSB (comandado pelo bit B3). Logo:
B2 -> I = 0,5 mA
B1 -> I = 0,25 mA
B0 -> I = 0,125 mA -> resolução do D/A

Saída de fundo de escala => Iout = 1 + 0,5 + 0,25 + 0,125 = 1,875 mA.

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Conversão Digital-Analógica

9.8- Rede R/2R


Os conversores D/A que utilizam resistores ponderados tem algumas
limitações na prática: os resistores dos bits mais e menos significativos tem
grande diferença de valores e muitas vezes não existem resistores de precisão
nas razões escolhidas.
A rede R/2R é arranjada utilizando apenas 2 valores de resistores.

Fig. 9-10: Conversor D/A com rede R/2R

Se analisarmos o circuito veremos que o valor Vout de saída será:

Vout = -(Vref / 8) * B

onde B é o valor binário (0 a 15 decimal).

9.9- Especificações de Conversores D/A


- Resolução - Depende apenas do número de bits (10 bits tem maior
resolução do que 8 bits).

- Precisão - Definida a partir dos erros de fundo de escala e linearidade. O


erro de fundo de escala é máximo desvio da saída do conversor D/A em
relação ao valor esperado. O erro de linearidade é máximo desvio em
tamanho do degrau do tamanho de degrau ideal. Para um conversor D/A
com degrau 0,625 V e erro de linearidade de 0,01% F.S. o tamanho do
degrau real poderia estar até 0,9375 mV do esperado.

- Erro de Offset - Em condições ideais, a saída do conversor D/A será zero


volts quando a entrada binária for zero. Na prática, pode existir uma tensão
muito pequena que será somada à tensão de saída, ocasionando o erro de
offset. Muitos conversores D/A possuem um ajuste externo de offset que
nos permite zerar o offset.

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Conversão Digital-Analógica

- Tempo de Estabilização - Tempo necessário para a saída do conversor


D/A ir de zero até o fundo de escala quando a entrada binária muda todos
os bits de 0 para 1. Tempos de estabilização variam de 50 ns a 10 ∝s.
Saídas em corrente são mais rápidas do que em tensão.

- Monotonicidade - Um conversor D/A é monotônico se sua saída aumenta


conforme a entrada binária é incrementada de um valor para o próximo.

9.10- Circuito Integrado de Conversão D/A – AD7524

Fig. 9-11: Conversor D/A AD7524

Características:
- 8 bits
- rede R/2R
- saída em corrente/tensão
- tempo de estabilização de 100 ns
- precisão de fundo de escala de ±0,2% F.S.
- Vref varia de 0 a +25V ou 0 a -25V

9.11- Aplicações de Conversores D/A


- Controle - A saída digital de um computador pode ser convertida em um
sinal de controle analógico para ajustar a velocidade de um motor ou a
temperatura de um forno, ou controlar quase qualquer variável física.

- Teste Automático - Sinais analógicos podem ser gerados por


computadores para testes de circuitos analógicos, cuja resposta será
convertida para um valor digital e será levada a um computador onde será
armazenada e analisada.

- Reconstrução de Sinais - Em várias aplicações um sinal analógico é


digitalizado (conversão A/D) e armazenado. Um conversor D/A pode ser
usado para converter dados digitalizados em sinais analógicos novamente.

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Conversão Digital-Analógica

- Conversão A/D - Muitos conversores A/D utilizam conversores D/A em


seus circuitos.

- Conversores D/A Seriais - Muitas destas aplicações envolvem


microprocessadores, que enviam serialmente um conjunto de bits que
define qual dos conversores D/A serão usados e qual o sinal a ser
convertido.

Fig. 9-12: Conversor D/A serial com várias saídas

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Conversão Analógico-Digital

10. Conversão Analógico-Digital

10.1- Introdução
Um conversor A/D recebe uma tensão analógica de entrada e depois de
um certo tempo produz um código digital de saída que representa a entrada
analógica. Muitos tipos importantes de conversores A/D possuem um conversor
D/A como parte de seus circuitos. A fig. 10-1 mostra o esquema básico de um
tipo de conversor A/D.

Fig. 10-1: Diagrama em blocos de um conversor analógico-digital

Funcionamento:

1) Um pulso START inicia a operação;


2) Numa taxa determinada pelo CLOCK, a unidade de controle modifica o
valor armazenado no registrador;
3) O valor binário armazenado no registrador é convertido para uma tensão
analógica, Vax, pelo conversor D/A;
4) O amplificador operacional compara Vax com a entrada analógica Va. Se
Vax < Va, a saída do comparador fica em ALTO. Quando Vax > Va (por, no
mínimo, uma tensão limiar Vt), a saída do comparador vai para BAIXO e
pára o processo de modificar o número no registrador. Neste ponto Vax Ε
Va, dentro da resolução e precisão do sistema;
5) A lógica de controle sinaliza o fim da conversão (EOC).

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Conversão Analógico-Digital

10.2- Conversor A/D de Rampa Digital


O conversor A/D de rampa digital utiliza um contador como registrador e
um sinal de clock incrementa esse contador até que Vax ε Va. A figura seguinte
mostra o funcionamento desse tipo de conversor A/D:

Fig. 10-2: Conversor analógico-digital tipo rampa digital

10.3- Precisão e Resolução de Conversores A/D


Uma fonte de erro no método da rampa digital é que o tamanho do
degrau ou resolução do conversor D/A interno é a menor unidade de medida.
Mesmo tornando o tamanho do degrau menor sempre haverá uma diferença
entre a quantidade analógica (real) e o valor digital associado a ela. Isto é
chamado erro de quantização.
Esse erro pode ser minimizado aumentando-se o número de bits do
contador e do conversor D/A.

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Conversão Analógico-Digital

Tempo de Conversão tc

O tempo de conversão corresponde ao intervalo de tempo entre o fim do


pulso START e a ativação da saída EOC . O tempo máximo de conversão é:

tc (max) = (2N-1) * Período de Clock

A desvantagem do método de rampa digital é que o tempo de conversão


aumenta com o número de bits.

10.4- Aquisição de Dados


Em muitas aplicações, dados analógicos devem ser digitalizados e
transferidos para o microcomputador. Este processo é chamado aquisição de
dados.
Numa aplicação de armazenamento (por exemplo, áudio) os dados são
transferidos para a memória do computador e depois podem ser convertidos
novamente em sinais analógicos. Em aplicações de controle, esses dados
constituem informações e, através delas, o computador irá acionar ou não suas
saídas de controle.

Fig. 10-3: Sistema digital utilizando um conversor A/D para aquisição de dados

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Conversão Analógico-Digital

10.5- Reconstrução de Sinais Digitalizados


Sinais digitalizados podem ser “recuperados” usando-se conversores
D/A e filtros RC passa-baixa. Para sinais em baixa freqüência isso é suficiente.

Fig. 10-4: Sinal analógico amostrado por um conversor A/D e sinal


reconstruído por um conversor D/A e filtros passa-baixa

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Conversão Analógico-Digital

10.6- Conversor A/D de Aproximações Sucessivas


Este conversor é um dos tipos mais usados, principalmente porque o
tempo de conversão é muito menor que o tempo do conversor A/D de rampa.
Além disso, esse tempo é fixo e não depende da entrada analógica.

Fig. 10-5: Conversor analógico-digital de aproximações sucessivas

A principal diferença desse conversor para o conversor A/D de rampa é


que o conversor de aproximação sucessiva não usa contador e sim um
registrador onde cada bit é modificado até que o dado contido no registrador
seja o equivalente digital da entrada analógica.
Como exemplo podemos considerar um conversor A/D de aproximações
sucessivas de 4 bits com resolução de 1V e Va = 10,4V.

Seqüência

A lógica de controle limpa todos os bits no registrador (0000). Com isso,


Vax = 0 e então a saída do comparador está em ALTO. O bit mais significativo
é colocado em 1 pela lógica de controle (1000). Esse código produz Vax = 8V.
Como Vax < Va, então a saída do comparador continua em ALTO. Este
nível alto informa para a lógica de controle que o ajuste desse bit (MSB) não
fez Vax exceder Va e portanto esse bit deve ser mantido em 1.
Agora o próximo bit é colocado em 1 (1100). Isso gera Vax = 12V e torna
Vax > Va. A saída do comparador vai para BAIXO e esso sinaliza para a lógica
de controle que o valor Vax é muito grande e então a lógica de controle coloca
esse bit em 0. Assim o conteúdo do registrador volta a 1000 e Vax = 8V.
O próximo bit é colocado em 1 (1010) e Vax vai para 10V. Então Vax <
Va, resultando nível ALTO na saída do comparador, sinalizando para a lógica
de controle para manter esse bit em 1.
O último bit é colocado em 1 (1011) gerando Vax = 11V. Como Vax >
Va, a lógica de controle coloca esse bit em 0. Nesse instante, todos os bits

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Conversão Analógico-Digital

foram testados e o resultado está no registrador. Esse conversor gera um


equivalente digital igual a 10V, menor que a tensão analógica de entrada.

Fig. 10-6: A tensão Vax em função do tempo

Tempo de Conversão

Como a operação de conversão é executada bit a bit e o processamento


de cada bit corresponde a um ciclo de clock, o tempo total de conversão é:

tc = N * (Período de clock)

Esse tempo é constante, não importando o valor de Va.

10.7- ADC0804 – Conversor A/D de Aproximações Sucessivas

Fig. 10-7: Conversor A/D ADC0804

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Conversão Analógico-Digital

Características:

- Tem duas entradas analógicas, Vin(+) e Vin(-), para permitir entradas


diferenciais. A entrada analógica real, Vin, é a diferença das tensões
aplicadas nestes pinos (Vin = Vin(+) - Vin(-)). Para medições comuns, Vin(-)
é conectada ao terra e a entrada analógica é Vin(+). Esse conversor utiliza
Vcc = +5V como referência e entrada analógica de 0 a 5V.
- A tensão analógica é convertida em uma saída digital de 8 bits. A saída
digital tem um buffer tristate. A resolução é 19,6 mV.
1
- Possui gerador de clock interno onde f = , onde R e C são
1,1.R.C
componentes externos.
- Com uma freqüência de 606 kHz, o tempo de conversão é de
aproximadamente 100 ∝s.
- Possui conexões de terra separadas para tensões digitais e analógicas. O
terra digital é muito ruidoso devido às rápidas mudanças de estado do
circuito.
- CS (Chip Select - Seleção do Chip) - esta entrada deve estar em nível
BAIXO para que as entradas RD e WR tenham efeito. Com CS em ALTO,
as saídas digitais ficarão em alta impedância.
- RD (Read - Leitura) - Sinal usado para habilitar os buffers da saída digital.
Com CS = RD = 0, as saídas digitais conterão o resultado da última
conversão.
- WR (Write - Escrita) - Um pulso para BAIXO neste pino inicia nova
conversão.
- INTR (Interrupt - Interrupção) - Este sinal de saída vai para ALTO no início
da conversão e para BAIXO no fim da conversão.
- Vref/2 - Usado para mudar a tensão de referência.

Tabela 10-1:
Vref / 2 Faixa Analógica de Entrada (V) Resolução (mV)
Em aberto 0-5 19,6
2,25 0-4,5 17,6
2,0 0-4 15,7
1,5 0-3 11,8

- Clock Out - Um resistor é conectado neste pino para utilização do clock


interno.
- Clock In - Usado como entrada de clock externo ou conexão com capacitor
quando se utiliza clock interno.

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Conversão Analógico-Digital

10.8- Conversor A/D Flash


É o conversor A/D de maior velocidade mas requer um número muito
maior de circuitos. Por exemplo, um conversor A/D flash de 6 bits necessita de
63 comparadores analógicos enquanto uma unidade com 8 bits necessita de
255.

Fig. 10-8: Conversor A/D Flash

Os resistores formam um divisor de tensão que serão utilizadas como


referência para os comparadores analógicos. Se a tensão analógica Va for
maior que a tensão de referência dos comparadores, estes irão para nível
BAIXO e a lógica de prioridade gerará o código correspondente.
Para aumentar a resolução teríamos que aumentar o número de
resistores e consequentemente dos comparadores e o tamnaho do codificador
de prioridade. De um modo geral, o conversor flash é o mais rápido porque a
conversão é direta mas necessita de 2N-1 comparadores e 2N resistores, além
da lógica do codificador de prioridade aumentar.

Tempo de Conversão

O conversor flash não usa clock e por isso seu tempo de conversão só
depende do atraso do circuitos (comparadores e codificador). Esse tempo é
menor que 20 ns.

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Conversão Analógico-Digital

10.9- Outros Métodos de Conversão A/D

- Conversor A/D de rampa digital crescente/decrescente (conversor A/D


rastreador)

Esse conversor utiliza um contador projetado para contar


crescentemente sempre que Vax < Va e contar decrescentemente se Vax > Va.
Assim a saída do D/A (Vax) sempre irá convergir para Va. Quando houver um
cruzamento das tensões o comparador muda de estado e a lógica de controle
indica fim da conversão e o valor digital está no contador. Esse tipo de
conversor é mais rápido que o conversor A/D de rampa mas o tempo de
conversão ainda depende de Va.

- Conversor A/D de rampa dupla

O conversor A/D de rampa dupla possui um dos tempos de conversão


mais longos. A operação básica desse conversor envolve a carga e a descarga
linear de um capacitor por meio de correntes constantes.

Fig. 10-9: Carga e descarga do capacitor em um conversor A/D de rampa


dupla

Inicialmente, o capacitor é carregado num intervalo de tempo fixo T1 por


uma corrente constante derivada da tensão analógica de entrada, Va. No final
desse tempo, a tensão do capacitor será proporcional a Va.
Agora o capacitor é descarregado linearmente por uma corrente
constante derivada de uma tensão de referência precisa, VREF. O tempo de
descarga T2 é medido por um contador e quando a descarga termina o
contador pára. O valor no contador é proporcional à tensão inicial do capacitor,
ou Va.
As principais vantagens desse conversor A/D são: baixo custo e baixa
sensibilidade ao ruído e às variações dos componentes decorrentes às
mudanças de temperatura. Por ter um tempo de conversão relativamente alto,
não são usados em aplicações de aquisição de dados. Esses conversores
podem ser encontrados em voltímetros ou multímetros digitais.

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Conversão Analógico-Digital

- Conversor A/D de tensão-freqüência

O conversor A/D de tensão-freqüência é mais simples do que os outros


conversores A/D porque não utiliza um conversor D/A. Em vez disso, ele usa
um oscilador controlado à tensão linear (VCO – voltage-controlled oscillator)
que produz um freqüência de saída proporcional à sua tensão de entrada.
A tensão analógica a ser convertida é aplicada à entrada do VCO para
gerar uma freqüência de saída. Essa freqüência é levada para um contador
para ser contada por um intervalo de tempo fixo. O valor da contagem final é
proporcional ao valor da tensão analógica.
A principal aplicação desse tipo de conversor A/D está em ambientes
industriais ruidosos onde pequenos sinais analógicos devem ser transmitidos
de circuitos transdutores para um computador de controle.

- Conversor A/D sigma-delta (- )

A fig. 10-10 mostra o circuito básico de um conversor A/D sigma-delta.

Fig. 10-10: Diagrama em blocos de um conversor A/D sigma-delta

A entrada analógica é comparada com uma amostra anterior e a


diferença é integrada. A seqüência de valores digitais obtidos é processada por
um filtro digital complexo e depois de várias amostragens o valor digital é
colocado na saída.
Para se ter um valor na saída filtro digital, a freqüência de amostragem
desse conversor A/D deve ser bastante alta, normalmente centenas de vezes a
freqüência máxima de entrada (oversampling). Tipicamente, uma amostra
digital pode ter 24 bits de resolução.
Esse tipo de conversor A/D é bastante utilizado em instrumentação,
aplicações de áudio e vídeo, aquisição de dados, processamento digital de
sinais (DSP), etc.

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Memórias

11. Memórias

11.1- Introdução

A principal vantagem dos sistemas digitais sobre os analógicos é a


capacidade de armazenar grandes quantidades de informações. Esta
capacidade é que torna os sistemas digitais tão versáteis e adaptáveis às
diversas situações.
Um dispositivo de memória conhecido é o flip-flop. Grupos de flip-flops,
chamados registradores, são elementos de memória de alto desempenho que
são muito usados nas operações internas de um computador. Um outro
dispositivo de memória pode ser um capacitor onde os dados são
armazenados como cargas.
Estes dois dispositivos são os principais elementos que formadores das
memórias dos sistemas digitais atuais.

11.2- Definição de Termos Básicos


- Célula de memória – dispositivo ou circuito capaz de armazenar um bit.
Por exemplo, um flip-flop, um capacitor, etc.

- Palavra de memória – grupo de bits (células) em uma memória que


representa instruções ou dados.

- Byte – conjunto de 8 bits.

- Capacidade – número de bits que podem ser armazenados em um


dispositivo de memória.

a) Um certo chip de memória semicondutora é especificado como 2K x 8.


Quantas palavras podem ser armazenadas neste chip? Qual é o tamanho
da palavra? Quantos bits esse chip pode armazenar no total?

R: A memória possui capacidade de 2K = 2 x 1024 = 2048 palavras. Cada


palavra tem 8 bits (um byte). O número total de bits é 2048 x 8 = 16384 bits.

b) Qual das memórias armazena mais bits: uma memória de 5M x 8 ou uma


memória que armazena 1M palavras com um tamanho de palavra de 16 bits?

R:
5M x 8 = 5 x 1048576 x 8 = 41943040 bits
1M x 16 = 1048576 x 16 = 16777216 bits

A memória de 5M x 8 armazena mais bits.

- Densidade – termo relativo à capacidade. Se um dispositivo é mais denso


que outro ele tem capacidade de armazenar mais bits no mesmo espaço.

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Memórias

- Endereço – número que localiza a posição de uma palavra na memória.

Tabela 11-1:
Endereço Conteúdo
000 Palavra 0
001 Palavra 1
010 Palavra 2
011 Palavra 3
100 Palavra 4
101 Palavra 5
110 Palavra 6
111 Palavra 7
Cada palavra tem um endereço binário específico

- Leitura ou busca – operação na qual uma palavra binária localizada numa


determinada posição (endereço) de memória é detectada e transferida para
outro dispositivo.

- Escrita ou armazenamento – operação na qual uma nova palavra é


colocada numa determinada posição de memória.

- Tempo de acesso – tempo necessário entre a memória receber uma nova


entrada de endereço e os dados se tornarem disponíveis na saída da
memória. Este parâmetro é usado para medição de desempenho da
memória.

- Ciclo de Memória – intervalo mínimo entre dois acessos sucessivos à


memória.

- Memória volátil – tipo de memória que necessita de aplicação de energia


para poder armazenar a informação.

- Memória de acesso aleatório (RAM) – memória onde o tempo de acesso


é o mesmo para qualquer posição.

- Memória de acesso seqüencial (SAM) – memória onde, para se localizar


uma determinada posição, é preciso passar por todos os endereços. Por
exemplo, fitas magnéticas.

- Memória de leitura e escrita (RWM) – memória que pode ser tanto lida
como escrita.

- Memória somente de leitura (ROM) – Memória onde as informações


armazenadas só podem ser lidas.

- Memória estática – tipo de memória onde os dados permanecem


armazenados enquanto existir energia, sem a necessidade de atualização
periódica da informação.

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Memórias

- Memória dinâmica – tipo de memória onde os dados permanecem


armazenados enquanto existir energia, mas com periódica atualização da
informação (Refresh).

11.3- Princípios de Operação das Memórias


Independente dos tipos de memórias existentes, o princípio básico de
operação é o mesmo:
- Selecionar o endereço a ser acessado (leitura ou escrita);
- Selecionar o tipo de operação: leitura ou escrita;
- Se a operação for escrita, fornecer os dados de entrada;
- Se a operação for leitura, os dados estarão disponíveis na saída;
- Habilitar a memória para que a operação seja concluída e desabilitar a
memória para que ela não responda às entradas de endereço e ao
comando de leitura/escrita.

Fig. 11-1: Diagrama de uma memória de 32 x 4

Entradas de Endereços

Usando a memória mostrada na fig. 11-1, podemos notar que ela possui
5 entradas de endereço (A0 a A4). Logo existem 32 posições (2N, onde N é o
nº de bits) de armazenamento que podem ser ocupadas por palavras de 4 bits
(D0 a D3).

A Entrada R / W

Esta entrada controla a operação que deve ser realizada na memória:


leitura (R – Read) ou escrita (W – Write). Quando esta entrada estiver em “1”
ocorre a operação de leitura, quando em “0” ocorre a operação de escrita.
Algumas memória usam os símbolos W (escrita) ou WE (habilitação de
escrita) para identificar esta entrada.

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Memórias

Habilitação de Memória (ME)

A todo momento a memória possui níveis lógicos em suas entradas e o


pino de habilitação de memória impede que ela responda a estes níveis
lógicos, evitando assim um acesso errôneo nesta memória.
Esta entrada pode ser identificada como CE (chip enable) ou CS (chip
select).

Exemplo: Uma determinada memória tem uma capacidade de 4K x 8.


Quantas linhas de entrada/saída de dados ela tem?
R: Oito, pois o tamanho da palavra é oito bits.

Quantas linhas de endereço ela tem?


R: A memória armazena 4K = 4 x 1024 = 4096 palavras. Tendo em vista que
4096 = 212, logo a memória tem 12 bits (linhas) de endereço.

Qual é a sua capacidade em bytes?


R: Um byte tem oito bits, então esta memória tem uma capacidade de 4096
bytes.

11.4- Conexões da Memória com a CPU


As memórias RAM e ROM são interfaceadas com a CPU através de três
grupos de linhas de sinais ou barramentos: barramentos de endereço,
barramento de dados e barramento de controle.

Fig. 11-2: Conexões entre a CPU e as memórias

- Barramento de endereços – barramento unidirecional que leva o endereço


proveniente da CPU para a memória para selecionar uma posição de
memória.

- Barramento de dados – barramento bidirecional que transfere dados entre


a CPU e a memória.

- Barramento de controle – barramento que leva sinais de controle da CPU


para a memória.

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Memórias

Exemplo:

Operação de escrita:
- A CPU coloca o endereço binário da posição de memória onde o dado deve
ser armazenado no barramento de endereços.
- A CPU coloca o dado a ser armazenado no barramento de dados.
- A CPU ativa as linhas de controle para a operação de escrita.
- A memória decodifica o endereço e localiza a posição onde o dado deve ser
armazenado.
- O barramento de dados é transferido para a posição de memória.

Operação de leitura:
- A CPU coloca o endereço binário da posição a ser lida da memória no
barramento de endereços.
- A CPU ativa as linhas de controle para operação de leitura.
- A memória decodifica o endereço e localiza a posição a ser lida.
- A memória transfere o dado armazenado nesta posição para o barramento
de dados, onde a CPU vai buscá-los.

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Memória Somente de Leitura (ROM)

12. Memória Somente de Leitura (ROM)

12.1- Introdução
A memória somente de leitura (ROM) é um tipo de memória onde os
dados nela armazenados não são alterados ou não mudam com freqüência.

12.2- Diagrama em Blocos de uma ROM


O diagrama típico de uma ROM é mostrado na fig. 12-1.

Fig. 12-1: Diagrama de uma ROM

O sinal de controle CS (seleção do chip) habilita a operação de leitura


da posição indicada no barramento de endereços. O dado é transferido para o
barramento de dados. Quando CS está em ALTO, as saídas da ROM ficam
desabilitadas (alta impedância).

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Memória Somente de Leitura (ROM)

12.3- Arquitetura de uma ROM


Uma ROM é constituída conforme a fig. 12-2.

Fig. 12-2: Arquitetura interna de uma ROM (16 x 8)

- Matriz de registradores – onde os dados serão armazenados. Cada


registrador contém um número de células de memória igual ao tamanho da
palavra utilizada. Cada registrador tem duas entradas de habilitação (E):
ambas devem estar em ALTO para que os dados do registrador sejam
colocados no barramento de dados.

- Decodificadores de endereços – o barramento de endereço é separado


em duas vias: a primeira seleciona a linha e a segunda seleciona a coluna
onde o registrador se localiza.

Exemplo: Qual o registrador que será habilitado pelo endereço 1101? Que
endereço irá habilitar o registrador 7?

- Buffers de saída – o registrador que está habilitado pelas entradas de


endereço coloca seu conteúdo no barramento de dados. Estes dados vão
para os buffers de saída, que colocarão os dados na saída de dados externa,
desde que CS esteja em BAIXO. Se CS estiver em alto, os buffers de saída
ficarão em alta impedância.

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Memória Somente de Leitura (ROM)

12.4- Temporização de uma ROM


O atraso de propagação entre a aplicação dos sinais de entrada e o
aparecimento dos dados na saída, durante a operação de leitura, é chamado
tempo de acesso (tACC). Existe um outro parâmetro de temporização chamado
tempo de habilitação da saída (tOE), que representa o atraso entre a entrada
CS e a saída de dados válidos.

Fig. 12-3: Temporização de uma ROM

12.5- Tipos de ROM


- ROM Programada por Máscara – este tipo de ROM tem suas posições
escritas (programadas) pelo fabricante de acordo com as especificações do
cliente. Uma máscara (tipo de negativo fotográfico) é usada para informar
as conexões elétricas do chip. Este tipo de ROM é usado para armazenar
tabelas ou informações pré-programadas como códigos geradores de
caracteres de terminais de vídeo.

- ROM Programável (PROM) – tipo de memória ROM onde a programação é


feita apenas uma única vez pelo usuário. Esta programação consiste na
queima ou não de um fusível que corresponde a um bit de informação por
um equipamento chamado programador.

- ROM Programável e Apagável (EPROM) – tipo de memória ROM que


pode ser programada e apagada pelo usuário várias vezes. O processo de
programação consiste em aplicar certos níveis de tensões que provocam a
condução permanente ou não condução de transistores MOS. O
apagamento da memória é feito pela exposição dos circuitos internos à luz
ultravioleta através de uma “janela”.

- PROM Apagável Eletricamente (EEPROM) – é uma melhoria em relação


às EPROMs pois pode ser tanto programada como apagada eletricamente.
Assim, elas podem ser programadas e apagadas no próprio circuito, sem a
necessidade de luz ultravioleta ou um programador especial.

- CD ROM – tipo de armazenamento somente para leitura que utiliza


tecnologia laser. Os bits são definidos pela reflexão ou não de um feixe
laser apontado para um ponto do disco.

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Memória Somente de Leitura (ROM)

- Memória Flash – tipo de memória não-volátil, apagável eletricamente como


a EEPROM, mas com densidades e custos semelhantes aos da EPROM,
com o mesmo tempo de acesso de ambas.

Fig. 12-4: Comparação entre tipos de ROM

12.6- Aplicações de ROMs


- Firmware – armazenamento de programas ou dados que devem estar
disponíveis no processo de inicialização de sistemas microprocessados. Por
exemplo, produtos como videocassetes, CD players, fornos microondas etc.

- Memória de Bootstrap – tipo de programa armazenado em uma ROM que


trata da inicialização do hardware de um computador. Após a inicialização,
o programa de bootstrap chama o sistema operacional e o computador
começa a executar o sistema operacional.

- Tabela de Dados – as ROMs são bastante utilizadas para armazenar


tabelas de dados que não variam. Por exemplo, tabela trigonométricas,
códigos ASCII, etc.

- Conversor de Códigos – este tipo de aplicação toma valores expressos


em um determinado tipo de código e produz uma saída expressa em outro
código. Por exemplo, o código BCD pode ser convertido para 7 segmentos
por uma ROM.

- Gerador de Funções – basicamente, um gerador de funções é um circuito


que produz formas de onda senóides, triangulares e quadradas. Uma ROM
com tabelas de valores armazenados e um conversor D/A podem ser
usados para gerar essas formas de onda.

- Armazenamento Auxiliar – dados podem ser armazenados em memórias


ROM apagáveis (EPROM, EEPROM, FLASH), tornando essas memórias
como alternativa aos discos magnéticos de armazenamento.

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

13. Memória de Acesso Aleatório (RAM)

13.1- Introdução
A memória de acesso aleatório (RAM) semicondutora é um tipo de
memória onde podemos tanto ler como escrever dados.
A principal vantagem de uma RAM é o fato de ela poder ser escrita e lida
rapidamente com a mesma facilidade. Uma desvantagem seria o fato da RAM
ser volátil, isto é, se a alimentação for desligada ela perde a informação.

13.2- Arquitetura de uma RAM


A arquitetura típica de uma RAM é mostrada na fig. 13-1.

Fig. 13-1: Organização Interna de uma RAM de 64 x 4

A fig. 13-1 mostra uma RAM que armazena 64 palavras de quatro bits
(memória 64 x 4). Estas palavras têm endereços que vão de 0 a 63. Para
selecionar uma das 64 posições para escrita ou leitura, um endereço binário é
fornecido ao circuito decodificador. Cada endereço ativa uma saída do
decodificador, habilitando o seu registrador correspondente.

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

Operação de Leitura

A operação de leitura do conteúdo de um registrador é feita da seguinte


maneira:
- Coloca-se o endereço da posição de memória a ser lida no barramento de
endereços;
- Indica-se a operação de leitura através da entrada W , colocando essa
R
/
entrada em ALTO;
- Habilita-se o chip de memória para concluir a operação colocando a entrada
CS em BAIXO.

Quando a memória está habilitada para leitura, os buffers de entrada


são desabilitados e os buffers de saída são habilitados e o conteúdo da
posição de memória selecionada é colocada nas quatro saídas de dados.

Operação de Escrita

A operação de escrita de um dado novo em um registrador selecionado


é feita do seguinte modo:
- Coloca-se o endereço da posição de memória a ser escrita no barramento
de endereços;
- Coloca-se o dado a ser escrito no barramento de dados;
- Indica-se a operação de escrita através da entrada W , colocando essa
R
/
entrada em BAIXO;
- Habilita-se o chip de memória para concluir a operação colocando a entrada
CS em BAIXO.

Quando a memória está habilitada para escrita, os buffers de entrada


são habilitados e os buffers de saída são desabilitados e o conteúdo da
posição de memória selecionada é perdida com a escrita do novo dado.
Quando a entrada CS (chip select – seleção de chip) está em ALTO
(memória desabilitada), tanto suas entradas como suas saídas estão em tri-
state (alta impedância), evitando assim escrita ou leitura errônea neste chip.

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

13.3- RAM Estática (SRAM)


Este tipo de memória armazena os dados enquanto for mantida a
alimentação. Suas células são compostas de flip-flops, e por isso seu conteúdo
não é perdido enquanto houver alimentação.

Temporização de uma RAM Estática

Um computador utiliza RAMs como memórias principais e essas


memórias devem ser rápidas o suficiente para responderem aos comandos de
leitura e escrita que a CPU está constatemente realizando.

Ciclo de Leitura

O ciclo de leitura é mostrado na fig. 13-2.

Fig. 13-2: Ciclo de leitura de uma RAM estática

Onde:
trc = intervalo de duração do ciclo de leitura;
tacc = tempo de acesso à RAM;
tco = tempo que a saída da RAM leva para sair de alta impedância e ter um
dado válido;
tod = tempo decorrido entre a desabilitação da RAM e o instante que as saídas
da RAM vão para alta impedância.

Durante o ciclo de leitura, a CPU coloca um endereço no barramento de


endereços ligado à RAM. Este endereço corresponde à posição de memória
que deve ser lida.
A CPU sinaliza a operação de leitura através de um nível ALTO na
entrada W . A CPU habilita a memória colocando a entrada CS em nível
R
/
BAIXO. A RAM responde a isso colocando o conteúdo da posição endereçada
nas saídas de dados. Depois disso a memória é desabilitada ( CS é ALTO) e
suas saídas ficam em tri-state (alta impedância).

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

Ciclo de Escrita

O ciclo de escrita é mostrado na fig. 13-3.

Fig. 13-3: Ciclo de escrita de uma RAM estática

Onde:
twc = intervalo de duração do ciclo de escrita;
tas = tempo para estabilização do barramento de endereços, antes de habilitar
a RAM;
tah = intervalo necessário para que o barramento de endereços permaneça
estável;
tw = tempo de escrita, onde CS e W ficam em BAIXO;
R
/
tds = tempo que os dados devem ser mantidos na entrada antes da
desabilitação de CS e / W R ;
tdh = tempo que os dados devem ser mantidos na entrada depois da
desabilitação de CS e / W R .

No ciclo de escrita, a CPU coloca um endereço estável no barramento


de endereços. Nesse endereço o dado deve ser escrito. Ela coloca o dado a
ser armazenado no barramento de dados.
A CPU sinaliza a operação de escrita, colocando nível BAIXO na entrada
/R W . A CPU habilita a memória colocando a entrada CS em nível BAIXO. O
dado é transferido para a posição de memória indicada pelo endereço. A
memória é, então, desabilitada ( CS é ALTO) e suas saídas ficam em tri-state.

Exemplos de Memórias Estáticas

- 6264 – 8K x 8
- 62256 – 32K x 8

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

13.4- RAM Dinâmica (DRAM)


Nesse tipo de memória a informação é armazenada em pequenos
capacitores. Como existe uma tendência normal dos capacitores se
descarregarem, há a necessidade de uma recarga (refresh – refrescamento)
desses capacitores. De tempos em tempos (tipicamente de 2 a 8 ms) o bit
armazenado no capacitor é atualizado.
Esse tipo de memória constitui a memória principal de um computador
por causa de sua alta capacidade e baixo consumo. Em relação à velocidade,
as RAM estáticas são mais rápidas.
A principal vantagem deste tipo de memória é a simplicidade na sua
construção, alcançando, assim, alto grau de integração.

Estrutura e Operação da RAM Dinâmica

Simbolicamente uma célula de memória dinâmica é constituída conforme


a fig. 13-4.

Fig. 13-4: Representação simbólica de uma célula de memória dinâmica

Para escrever em uma célula, os sinais provenientes da decodificação


de endereços e da lógica de leitura/escrita fecham as chaves SW1e SW2,
mantendo SW3 e SW4 abertas. Isto conecta a entrada de dados a C. Um nível
lógico 1 carrega C e um nível lógico 0 o descarrega. Depois disso todas as
chaves são abertas, de modo que C fica desconectado do resto do circuito.
Mesmo desconectado, existe uma corrente de fuga que causa a descarga
gradual do capacitor e por isso o capacitor deve ser “refrescado”.
Para ler uma célula, as chaves SW2, SW3 e SW4 são fechadas, e SW1
permanece aberta. Isso conecta a tensão armazenada no capacitor ao
amplificador sensor. Assim, na saída do amplificador teremos o valor
armazenado no capacitor, que é atualizado via SW4 no momento da leitura.

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

Multiplexação de Endereços

A multiplexação de endereços é uma técnica que visa diminuir a


quantidade de entradas de endereços em uma DRAM. Isso permite que
DRAMs com altas capacidades ocupem espaços menores em placas de
computadores.
Essa multiplexação consiste em colocar no barramento de endereços a
metade superior do endereço (que localiza a linha) e colocar em BAIXO um
sinal chamado RAS (strobe do endereço da linha). Depois é colocado no
barramento de endereços a metade inferior do endereço (que localiza a coluna)
e colocar em BAIXO um sinal chamado CAS (strobe do endereço da coluna).
Após esse procedimento, a posição de memória é localizada e as operações
de leitura ou escrita podem ser realizadas.

Fig. 13-5: Multiplexação de endereços em uma DRAM com 16 linhas de


endereço.

Refrescamento da DRAM

O refrescamento de uma DRAM é feito por circuitos externos ou no


próprio chip de memória. Existem dois métodos:

Refresh em rajada – a operação normal da memória é suspensa e cada linha


da DRAM é refrescada em seqüencia até que todas tenham sido refrescadas;

Refresh distribuído – o refrescamento é intercalado com as operações


normais da DRAM.

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Memória de Acesso Aleatório (RAM)

Tecnologia de RAM Dinâmica Usada em Computadores

Os tipos de DRAM existentes variam em função da capacidade,


velocidade, consumo, custo e versatilidade:

- SIMM (single-in-line memory module) e DIMM (dual-in-line memory


module) – são módulos de memória que permitem uma instalação rápida e
são padrões de diversos tipos de DRAMs. Os módulos SIMM e DIMM
definem apenas como a DRAM é “empacotada”.

- DRAM FPM (fast page module) – permite acesso mais rápido a qualquer
posição de memória dentro da “página” corrente. Normalmente, a maioria
dos dados gravados na memória são seqüenciais. Nesse tipo de DRAM o
endereço da linha (RAS) é enviado uma vez e o endereço da coluna (CAS)
é incrementado.

- DRAM EDO (extended data output) – é uma melhoria em relação às FPM.


Os dados são colocados na saída e a DRAM EDO já pode decodificar o
próximo endereço sem que esses dados tenham sido lidos;

- DRAM BEDO (burst EDO) – Possui uma arquitetura que permite alcançar
alta velocidade ao se acessar dados seqüenciais;

- SDRAM (synchronous DRAM) – são organizadas em dois bancos que são


acessados alternadamente utilizando um sinal de clock sincronizado com a
CPU. Desse modo essas memórias alcançam altas taxas de transferências.

Memórias com Funções Especiais

- Armazenamento de Dados com o Sistema Desligado – muitos


equipamentos armazenam seus dados em memórias RAM alimentadas com
baterias de reserva (NVRAM – RAM não-volátil);

- Memória Cache – tipo de memória de alta velocidade e baixa capacidade


de armazenamento que interage diretamente com a CPU. Na cache estão
contidos os dados mais requisitados pelo processador e isso evita um
acesso desnecessário na RAM.

- Memória First-In, First-Out (FIFO) – também conhecidas como buffers


para armazenamento temporário. Por exemplo, os dados são transferidos
em altas taxas do PC para a impressora. Como a impressão é mais lenta
que a transferência, esses dados devem ser armazenados em FIFOs e daí
podem ser impressos.

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Expansão do Tamanho da Palavra e da Capacidade

14. Expansão do Tamanho da Palavra e da Capacidade

14.1- Introdução
Em aplicações com memórias muitas vezes não dispomos de um chip
que nos forneça o tamanho da palavra ou a capacidade necessária. Para
conseguir isso devemos associar os chips de memória a fim de fornecer o
tamanho da palavra ou a capacidade desejada.

14.2- Expansão do Tamanho da Palavra


Neste tipo de arranjo, as memórias são combinadas de forma a fornecer
o tamanho da palavra desejada. Por exemplo, se determinado projeto
necessita de uma memória de 16 x 8 (16 palavras de 8 bits) e só possuímos
chips de memória de 16 x 4 (16 palavras de 4 bits) podemos associar duas
dessas memórias para obter a memória desejada, conforme a fig. 14-1.

Fig. 14-1: Arranjo com duas RAM de 16 x 4 para fornecer um módulo de 16 x 8.

Cada memória da figura acima pode armazenar 16 palavras de 4 bits.


Como queremos armazenar 16 palavras de 8 bits, cada chip armazena metade
de cada palavra. Assim, a RAM0 armazena os 4 bits mais significativos de cada
uma das 16 palavras e a RAM1 armazena os 4 bits menos significativos de
cada uma das 16 palavras.
Podemos selecionar qualquer uma das 16 palavras aplicando-se o
endereço da palavra no barramento de endereços. As duas memórias
localizarão ao mesmo tempo a mesma posição de memória.
Se a operação for leitura, a entrada W deve estar em ALTO e CS em
R
/
BAIXO. A RAM0 coloca sua palavra de 4 bits na parte alta do barramento de
dados e a RAM1 coloca sua palavra de 4 bits na parte baixa do barramento de
dados. Desse modo o barramento de dados contém a palavra completa de 8
bits.

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Expansão do Tamanho da Palavra e da Capacidade

Se a operação for escrita, a entrada W deve estar em BAIXO e CS


R
/
em BAIXO. Os 4 bits mais significativos do dado serão escritos na RAM0 e os 4
menos significativos serão escritos na RAM1.

14.3- Expansão da Capacidade


Neste tipo de arranjo, as memórias são combinadas de forma que
possam armazenar mais palavras. Por exemplo, se precisamos de uma
memória que possa armazenar 32 palavras de 4 bits e temos chips de 16
palavras de 4 bits, podemos associá-las conforme a fig. 14-2.

Fig. 14-2: Arranjo de duas memórias de 16 x 4 para formar uma memória de 32


x 4.

Cada chip de memória armazena 16 palavras de 4 bits, resultando em


32 palavras de 4 bits. O barramento de dados é compartilhado entre as duas
memórias e por isso somente um chip de memória poderá ser habilitado de
cada vez.
Como a capacidade total é 32 x 4, devem existir 32 endereços
diferentes. Isso requer 5 linhas de barramento de endereços. A linha de
endereços mais significativa (A4) é usada para selecionar qual memória deve
ser acionada.

Tabela 14-1:
A4 A3 A2 A1 A0 Memória selecionada Capacidade
0 0 0 0
... ... ... ...
0 1 1 RAM0 16 palavras
1 1
0 0 0 0
... ... ... ...
1 1 1 RAM1 16 palavras
1 1
Total = 32
palavras
Mapa de memória e faixa de endereços usados por cada chip.

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Expansão do Tamanho da Palavra e da Capacidade

Se desejarmos associar mais chips de memórias devemos tomar o


cuidado de selecionar apenas uma das memórias, já que o barramento de
dados é compartilhado. Para isso é usado um decodificador de endereços (por
exemplo, 74LS138) que, através de uma combinação em suas entradas,
seleciona apenas uma saída.
Por exemplo, se desejarmos associar 4 PROMs de 16 x 4 para gerar
uma capacidade de 64 x 4 devemos fazer conforme a fig. 14-3.

Fig. 14-3: Uso de 4 PROMs de 16 x 4 para obter uma capacidade de 64 x 4

Tabela 14-2:
A5 A4 A3 A2 A1 A0 Memória selecionada
0 0 0 0
0 0 ... ... ... ... PROM-0
1 1 1 1
0 0 0 0
0 1 ... ... ... ... PROM-1
1 1 1 1
0 0 0 0
1 0 ... ... ... ... PROM-1
1 1 1 1
0 0 0 0
1 1 ... ... ... ... PROM-2
1 1 1 1
Faixa de endereços utilizada por cada PROM.

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Microcontrolador AT90S8515

15. Microcontrolador AT90S8515

15.1- Introdução
Computadores, Microprocessadores e Microcontroladores

O computador é qualquer sistema que contém CPU (Unidade Central de


Processamento), memória e unidades de entrada/saída.
O microprocessador é um circuito integrado que contém uma CPU de
um computador genérico.
O microcontrolador é um circuito integrado que contém CPU, memória,
unidades de entrada/saída e periféricos (conversores A/D, timers, portas de
comunicação etc), com a finalidade de executar uma tarefa específica.

Fig. 15-1: Diagrama em Blocos de um Sistema Genérico com Microprocessador

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Microcontrolador AT90S8515

15.2- Características do Microcontrolador AT90S8515


a) Arquitetura AVR RISC:
- Possui 118 instruções sendo que a maioria é executada em um ciclo de
clock;
- Possui 32 registradores de uso geral de 8 bits;
- Até 8 MIPS (milhões de instruções por segundo) a 8 MHz.

b) Memória de Programa e de Dados:


- Possui 8 KBytes de Flash (memória de programa) que pode ser
programada no próprio circuito. Possui vida útil de 1000 ciclos de
escrita/apagamento;
- Possui 512 Bytes de SRAM (memória de dados);
- Possui 512 Bytes de EEPROM (memória de dados) que pode ser
programada no próprio circuito. Possui vida útil de 100000 ciclos de
escrita/apagamento;
- Possui Lock Bits, que impedem que o programa da Flash e os dados
armazenados na EEPROM possam ser acessados.

c) Periféricos:
- Possui 1 Temporizador/Contador de 8 bits com prescaler (divisor de clock);
- Possui 1 Temporizador/Contador de 16 bits com prescaler (divisor de clock),
com modos de comparação, captura e duplo PWM (modulação por largura
de pulso) de 8, 9 ou 10 bits;
- Possui comparador analógico interno;
- Possui Wathdog Timer programável com oscilador interno separado;
- Possui serial UART (transceptor assíncrono universal) programável;
- Possui interface serial Master/Slave SPI.

d) Características Especiais do Microcontrolador:


- Modos Low-power Idle e Power Down;
- Fontes de interrupções externas e internas.

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Microcontrolador AT90S8515

15.3- Encapsulamento

Fig. 15-2: Disposição dos pinos nos encapsulamentos DIP e PLCC

15.4- Descrição Geral


O AT90S8515 é um microcontrolador CMOS de 8 bits de baixo consumo
baseado na arquitetura AVR RISC. A execução de instruções simples em um
ciclo de clock (1 MIPS por MHz) permite que o projeto possa ser otimizado
quanto à velocidade ou quanto ao consumo (quanto maior a velocidade, maior
é o consumo).

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Microcontrolador AT90S8515

15.5- Diagrama em Blocos

Fig. 15-3: Diagrama em blocos do AT90S8515

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Microcontrolador AT90S8515

15.6- Descrição dos Pinos


- VCC – Alimentação;

- GND – Terra;

- Port A (PA7..PA0) – Porta de entrada/saída (bidirecional) de 8 bits. Possui


resistores de pull-up internos (programável para cada bit). Podem fornecer
até 20 mA de corrente. Na condição de reset, o Port A ficará em tri-state
(alta impedância). Uma segunda função do Port A é como entrada/saída do
barramento multiplexado de endereços/dados usado no acesso à SRAM
externa;

- Port B (PB7..PB0) – Porta de entrada/saída (bidirecional) de 8 bits. Possui


resistores de pull-up internos (programável para cada bit). Podem fornecer
até 20 mA de corrente. Na condição de reset, o Port B ficará em tri-state
(alta impedância). Esse port possui várias funções especiais que serão
vistas posteriormente;

- Port C (PC7..PC0) – Porta de entrada/saída (bidirecional) de 8 bits. Possui


resistores de pull-up internos (programável para cada bit). Podem fornecer
até 20 mA de corrente. Na condição de reset, o Port C ficará em tri-state
(alta impedância). Uma segunda função do Port C é como saída do
barramento de endereços usado no acesso à SRAM externa;

- Port D (PD7..PD0) – Porta de entrada/saída (bidirecional) de 8 bits. Possui


resistores de pull-up internos (programável para cada bit). Podem fornecer
até 20 mA de corrente. Na condição de reset, o Port D ficará em tri-state
(alta impedância). Esse port possui várias funções especiais que serão
vistas posteriormente;

- RESET - Entrada de reset. Um nível baixo nesse pino reiniciará o


microcontrolador;

- XTAL1 - Entrada para o amplificador inversor do oscilador e entrada de


clock para o circuito;

- XTAL2 - Saída do amplificador inversor do oscilador;

- ICP - Entrada para a função Timer/Counter1 Input Capture;

- OC1B - Saída para a função de Timer/Counter1 Output CompareB;

- ALE - Adress Latch Enable - Saída usada quando uma memória externa
está conectada. Ao acessar externamente a memória, se ALE for alto, no
barramento AD0-7 teremos a parte baixa do endereço e isso habilita o latch
para o barramento de endereços. Quando ALE for baixo isso desabilitará o
latch e o barramento AD0-7 será usado como barramento de dados;

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Microcontrolador AT90S8515

15.7- Oscilador
A entrada XTAL1 e a saída XTAL2 estão conectadas diretamente em um
amplificador inversor usado como oscilador interno. Nesse caso, externamente
deve ser conectado um cristal de quartzo na freqüência de operação.
Um outro modo de gerar um sinal de clock é desconectar a saída XTAL2
e injetar um sinal de clock na entrada XTAL1.

15.8- Arquitetura
O AT90S8515 contém, internamente, 32 registradores uso geral de 8
bits cada, que podem ser acessados em um único ciclo de clock.
Seis desses 32 registradores podem formar três registradores de 16 bits,
que são usados como ponteiros para endereçamento indireto da memória de
dados. Um destes ponteiros de endereços também é usado como ponteiro de
endereço de tabelas de constantes na memória de programa. Estes registros
de 16 bits são chamados registro-X, registro-Y e registro-Z.
A ULA suporta funções aritméticas e lógicas entre registradores e entre
constantes e registradores.
Os 64 primeiros bytes de endereço da RAM interna são usados como
espaço de memória de entrada/saída (I/O Memory). É neste espaço de
memória que estão localizados os registradores de controle, os
temporizadores/contadores e outros periféricos.

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Microcontrolador AT90S8515

Fig. 15-3: Arquitetura interna do AT90S8515

A família AVR utiliza o conceito de arquitetura Harvard, que separa a


memória e os barramentos de programa e dados. A memória de programa é
executada em um "pipeline" com dois estágios. Enquanto uma instrução está
sendo executada, a próxima está sendo trazida da memória de programa. Isso
possibilita a execução de instruções em cada ciclo de clock. A memória de
programa é uma memória Flash programável no sistema. A SRAM interna
possui 512 bytes.
Todas as interrupções possuem um vetor de interrupção separado e a
tabela de vetores de interrupção começa no início da memória de programa.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 142


Microcontrolador AT90S8515

Fig. 15-4: Memória Flash e memória RAM do AT90S8515

Registradores de Uso Geral

Os 32 registradores de uso geral (R0-R31) estão localizados nos


endereços 00H a 1FH da SRAM interna. Praticamente todas as instruções que
acessam esses registradores são executadas em um ciclo de clock.

Os Registradores X, Y e Z

Os registradores R26...R31 tem outras funções especiais. Esses


registradores são usados como ponteiros de endereços na memória de dados.
(R27:R26 = X; R29:R28 = Y; R31:R30 = Z).

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Microcontrolador AT90S8515

ULA – Unidade Lógica e Aritmética

A ULA tem conexão direta com os 32 registradores de uso geral. Isso


permite que instruções entre registradores sejam executadas em um ciclo de
clock. As operações da ULA podem ser divididas em três categorias:
operações aritméticas, operações lógicas e operações de manipulação de bits.

Memória de Programa Flash Programável no Sistema

O AT90S8515 possui 8 Kbytes de memória de programa Flash interna


programável no próprio sistema. A Flash é organizada como uma memória de 4
K x 16, já que todas as instruções são de 16 ou 32 bits. A Flash possui mais de
1000 ciclos de leitura/apagamento.

Memória de Dados SRAM Interna e Externa

Fig. 15-5: Organização da memória RAM interna e externa

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Microcontrolador AT90S8515

A SRAM interna compreende os endereços 00H até 25FH. Do endereço


00H até 1FH estão localizados os registradores de uso geral (R0-R31). Do
endereço 20H até 5FH estão os endereços de periféricos de entrada e saída.
Do endereço 60H até 25FH está a memória de dados SRAM interna. A partir
do endereço 260H a SRAM externa é acessada, até o endereço FFFFH.
Se o endereço a ser acessado é maior que a SRAM interna, a SRAM
externa é acessada. Quando isso ocorre os sinais de RD e RW são ativados
para o acesso
à SRAM.

Memória de Dados EEPROM

O AT90S8515 possui 512 bytes de memória de dados EEPROM. Cada byte


pode ser lido ou escrito individualmente. Possui mais de 100000 ciclos de
escrita/apagamento.

Tempos de Acesso à Memória e Execução de Instruções

A CPU dos microcontroladores AVR utiliza o Clock do Sistema Ø,


diretamente gerado do cristal externo para o chip. Não é feita nenhuma divisão
interna desse Clock.
A fig. 15-6 mostra os ciclos de busca e execução de instrução
habilitadas pela arquitetura Harvard e o conceito de registro de acesso rápido.
Este é o conceito básico utilizado para se obter até 1 MIPS por MHz.

Fig. 15-6: Ciclos de busca e execução de instruções

A fig. 15-7 mostra a temporização interna para os registros. Em um único


ciclo de Clock uma operação da ALU que usa dois registros como operandos é
executada e o resultado é armazenado no registro de destino.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 145


Microcontrolador AT90S8515

Fig. 15-7: Temporização interna nos registros do AT90S8515

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Microcontrolador AT90S8515

Memória de Entrada/Saída (I/O)

Tabela 15-1:

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Microcontrolador AT90S8515

Todos os I/Os e periféricos do AT90S8515 estão localizados no espaço


de I/O. Os endereços de I/O são acessados pelas instruções IN e OUT, que
podem transferir dados entre os 32 registros de uso geral e o espaço de I/O.
Os endereços dos registros de I/O que vão de $00 até $1F são
diretamente acessíveis bit a bit usando instruções SBI e CBI. Nestes registros,
o valor de um único bit pode ser testado usando as instruções SBIS e SBIC. Se
as instruções IN e OUT forem usadas, os endereços dos I/Os vão de $00 até
$3F. Se os registros de I/O forem acessados como uma SRAM, os endereços
anteriores devem ser somados a $20 ($20 - $5F).
Alguns flags (indicadores) de estado são ZERADOS escrevendo UM
lógico neles.

Registrador de Status – SREG

Bit 7 – I: Global Interrupt Enable – O bit de habilitação global de


interrupções deve ser setado (UM) para que as interrupções sejam
habilitadas. Se o bit de habilitação global é ZERADO, nenhuma das
interrupções serão habilitadas.

Bit 6 – T: Bit Copy Storage – As instruções de cópia de bit BLD (Bit Load)
e BST (Bit Store) usam o bit T como fonte e destino para o bit manipulado.
Um bit de um registro pode ser copiado para T pela instrução de BST, e um
bit em T pode ser copiado para um bit em um registro pela instrução BLD.

Bit 5 – H: Half Carry Flag – O flag half carry H indica que um "half carry"
ocorreu em alguma operação aritmética na ALU.

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Microcontrolador AT90S8515

Bit 4 – S: Sign Bit, S = N V – O bit S sempre é um OU-EXCLUSIVO


entre o flag de negativo N e o flag de overflow do complemento a dois V.

Bit 3 – V: Two’s Complement Overflow Flag – O flag de overflow no


complemento a dois V é utilizado em operações aritméticas que manipulam
números na representação complemento a dois.

Bit 2 – N: Negative Flag – O flag de negativo N indica que ocorreu um


resultado negativo após a execução de uma subtração aritmética ou de uma
operação lógica.

Bit 1 – Z: Zero Flag – O flag de zero Z indica que o resultado ZERO


ocorreu depois de uma subtração aritmética ou de uma operação lógica.

Bit 0 – C: Carry Flag – O flag de carry C indica que um carry (vai-um)


ocorreu em uma operação aritmética ou operação lógica.

Ponteiro de Pilha - SP

O Ponteiro de Pilha de 16-bits é constituído de dois registros de 8-bits


localizados no espaço de I/O, nos endereços $3E ($5E) e $3D ($5D). Como o
AT90S8515 suporta até 64 kB de SRAM externa, todos os 16-bits são usados.

Tratamento de Reset e Interrupções

O AT90S8515 possui 12 fontes de interrupção diferentes. Estas


interrupções e o RESET possuem um vetor reservado na memória de
programa. Todas as interrupções são individualmente habilitadas pelos bits de
controle juntamente com o bit I no registrador de status SREG.
Os vetores de RESET e Interrupções estão localizados no início da
memória de programa e podem ser vistos conforme a tabela 15-2. Esta lista
também determina os níveis de prioridade dos diferentes tipos de interrupções.
O menor endereço possui o maior nível de prioridade: o RESET tem maior
prioridade, depois vem INT0 - Interrupção Externa 0, e assim por diante.

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Microcontrolador AT90S8515

Tabela 15-2:

Fontes de Reset

O AT90S8515 tem três fontes de reset:

- Power-On Reset: A MCU é reiniciada quando a tensão de alimentação está


abaixo da tensão limiar de alimentação (VPOT);

- RESET Externo: A MCU é reiniciada quando um nível baixo é colocado no


pino RESET por mais de 50 ns;

- Watchdog Reset: A MCU é reiniciada quando ocorre o overflow do


temporizador Watchdog (Cão de Guarda) e o Watchdog esta habilitado.

Durante o reset, todos os registros de I/O são forçados para seus


valores iniciais e o programa começa sua execução a partir do endereço $000.
A instrução colocada no endereço $000 deve ser um RJMP – salto relativo –
instrução para a rotina de reset.

Power-On Reset

Um circuito de Power-On Reset (POR) assegura que o dispositivo seja


resetado quando a alimentação for ligada. Um sinal vindo do oscilador interno
do Watchdog Timer impede que a MCU comece durante um certo período
depois de VCC alcançou a tensão limiar de Power-On – VPOT.

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Microcontrolador AT90S8515

Reset Externo

Um reset externo é gerado por um nível baixo pino RESET. Pulsos de


reset maiores do que 50 ns gerarão um reset, até mesmo se o Clock estiver
parado. Pulsos com duração menor não garantirão o reset.
Quando o pulso de reset ultrapassar a tensão limiar de reset – VRST – na
borda de subida, um temporizador contará um período tTOUT e ao fim desse
tempo, a MCU irá iniciar a operação.

Reset por Watchdog

Quando o Watchdog expira, um pequeno pulso de reset com a duração


de 1 ciclo de XTAL é gerado. Na transição de descida deste pulso, um
temporizador contará um período tTOUT e ao fim desse tempo, a MCU irá iniciar
a operação.

Tratamento de Interrupções

O AT90S8515 tem dois Registradores de Controle de Máscaras de


Interrupções de 8-bits:

- GIMSK – (General Interrupt Mask register) – registrador de máscaras de


interrupções gerais.
- TIMSK – (Timer/Counter Interrupt Mask register) – registrador de
máscaras de interrupções dos temporizadores/contadores.

Quando uma interrupção ocorre o bit I (Global Interruption Enable) é


ZERADO e todas as interrupções são desabilitadas. O bit I é setado quando
uma instrução de Retorno de Interrupção – RETI – é executado.
Quando o Contador de Programa (PC) é carregado com o endereço do
vetor de interrupção atual para executar a rotina de tratamento de interrupção,
o hardware zera o flag correspondente que gerou essa interrupção.
Se uma ou mais interrupções ocorrerem enquanto o bit de habilitação
global de interrupções (I) estiver zerado, os flags de interrupções
correspondentes serão setados e assim permanecerão até que o bit de
habilitação global de interrupções (I) seja setado e as interrupções serão
executadas por ordem de prioridade.

Registrador de Máscaras de Interrupções Gerais – GIMSK

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Microcontrolador AT90S8515

Bit 7 – INT1: External Interrupt Request 1 Enable –


O bit INT1 habilita interrupção externa 1 quando setado.

Bit 6 – INT0: External Interrupt Request 0 Enable –


O bit INT0 habilita interrupção externa 0 quando setado.

Bits 5..0 – Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e são sempre lidos como zero.

Registrador de Flags de Interrupções Gerais – GIFR

Bit 7 – INTF1: External Interrupt Flag1 –


Quando um evento ocorre no pino INT1, um pedido de interrupção é
requisitado e o bit INTF1 é setado.

Bit 6 – INTF0: External Interrupt Flag0 –


Quando um evento ocorre no pino INT0, um pedido de interrupção é
requisitado e o bit INTF0 é setado.

Bits 5..0 – Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e são sempre lidos como zero.
Registrador de Máscaras de Interrupções dos
Temporizadores/Contadores – TIMSK

Bit 7 – TOIE1: Timer/Counter1 Overflow Interrupt Enable –


O bit TOIE1 habilita interrupção por Overflow do Timer/Counter1 quando
setado.

Bit 6 - OCE1A: Timer/Counter1 Output CompareA Match Interrupt


Enable –
O bit OCE1A habilita interrupção por comparação do valor A com o valor do
Timer/Counter1 quando setado

Bit 5 – OCIE1B: Timer/Counter1 Output CompareB Match Interrupt


Enable –

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Microcontrolador AT90S8515

O bit OCIE1B habilita interrupção por comparação do valor B com o valor do


Timer/Counter1 quando setado.

Bit 4 – Res: Reserved bit –


Bit reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Bit 3 - TICIE1: Timer/Counter1 Input Capture Interrupt Enable –


O bit TICIE1 habilita interrupção por evento na entrada de captura do
Timer/Counter1 quando setado.

Bit 2 – Res: Reserved bit –


Bit reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Bit 1 - TOIE0: Timer/Counter0 Overflow Interrupt Enable –


O bit TOIE0 habilita interrupção por Overflow do Timer/Counter0 quando
setado.

Bit 0 – Res: Reserved bit –


Bit reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Registrador de Flags de Interrupções dos Temporizadores/Contadores –


TIFR

Bit 7 - TOV1: Timer/Counter1 Overflow Flag –


O flag TOV1 é setado quando um overflow ocorre no Timer/Counter1.

Bit 6 - OCF1A: Output Compare Flag 1A –


O bit OCF1A é setado quando o valor do Timer/Counter1 e valor contido no
OCR1A – Registrador de Comparação de Saída 1A.

Bit 5 - OCF1B: Output Compare Flag 1B –


O bit OCF1B é setado quando o valor do Timer/Counter1 e valor contido no
OCR1B – Registrador de Comparação de Saída 1B.

Bit 4 – Res: Reserved bit –


Bit reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Bit 3 – ICF1: Input Capture Flag 1 –


O bit ICF1 é setado para sinalizar que um evento de captura ocorreu no
pino ICP e que o valor do Timer/Counter1 foi transferido para o registrador
de captura – ICR1.

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Microcontrolador AT90S8515

Bit 2 – Res: Reserved bit –


Bit reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Bit 1 – TOV: Timer/Counter0 Overflow Flag –


O bit TOV0 é setado quando ocorre um overflow do Timer/Counter0.

Bit 0 – Res: Reserved bit –


Bit reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Interrupções Externas

As interrupções externas são ativadas pelos pinos INT1 e INT0. As


interrupções externas podem ser reconhecidas por uma borda de descida ou
subida ou um nível baixo. Isso é configurado no Registrador de Controle da
MCU – MCUCR.

Tempo de Resposta de Interrupções

O intervalo de execução para qualquer uma das interrupções do


AT90S8515 habilitadas é de, no mínimo, 4 ciclos de clock. Quatro ciclos de
clock depois que o flag de interrupção foi setado, o endereço do vetor de
interrupção é executado.
Durante estes 4 ciclos de clock, o Contador de Programa – PC (2 bytes)
é colocado na Pilha (Stack), e o Ponteiro de Pilha (SP) é decrementado de 2. O
vetor normalmente é um salto relativo à rotina de interrupção e este salto leva 2
ciclos de clock. Se uma interrupção acontece durante execução de uma
instrução de multi-ciclo, a instrução é completada antes da interrupção ser
atendida.
O retorno de uma rotina de tratamento de interrupção (ou mesmo uma
sub-rotina) leva 4 ciclos de clock. Durante estes 4 ciclos de relógio, o Contador
de Programa – PC (2 bytes) é trazido da Pilha (Stack), o Ponteiro de Pilha (SP)
é incrementado de 2, e o bit I no SREG é setado. Quando o microcontrolador
sai de uma interrupção, ele sempre voltará ao programa principal e executará
uma ou mais instruções antes que qualquer interrupção pendente ser atendida.

Registrador de Controle da Unidade Central Microprocessadora – MCUCR

O registrador de controle da MCU contém os bits de controle para


funções gerais da MCU.

Bit 7 – SRE: External SRAM Enable –

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Microcontrolador AT90S8515

Quando o bit SRE é setado, o acesso à memória de dados externa (SRAM)


é habilitado e os pinos AD0-7 (Port A), A8-15 (Port C), RW e RD (Port D)
são ativados.

Bit 6 – SRW: External SRAM Wait State –


Quando o bit SRW é setado, um estado de espera é inserido no ciclo de
acesso à SRAM externa.

Bit 5 – SE: Sleep Enable –


O bit SE deve ser setado para fazer a MCU entrar no modo Sleep quando a
instrução SLEEP for executada.

Bit 4 – SM: Sleep Mode –


O bit SM seleciona os dois modos de Sleep disponíveis. Quando SM é
zerado, o Modo Idle é selecionado como modo Sleep. Quando SM é setado,
o Modo Power Down é selecionado como modo Sleep.

Bit 3, 2 – ISC11, ISC10: Interrupt Sense Control 1 bit 1 and bit 0 –


Os bits ISC11 e ISC10 definem de que maneira a interrupção externa 1
deverá ser reconhecida:

Tabela 15-3:

Bit 1, 0 – ISC01, ISC00: Interrupt Sense Control 0 bit 1 and bit 0 –


Os bits ISC01 e ISC00 definem de que maneira a interrupção externa 0
deverá ser reconhecida:

Tabela 15-4:

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Microcontrolador AT90S8515

Modos de Sleep

Para entrar nos modos Sleep, o bit SE no MCUCR deve ser setado e
uma instrução de SLEEP deve ser executada. Se uma interrupção ocorre
enquanto a MCU está em um modo Sleep, o MCU acorda, executa a rotina de
interrupção, e retoma a execução da instrução depois de SLEEP. Os
conteúdos dos registros, da SRAM e da memória de I/O permanecem
inalteradas. Se um Reset ocorre durante modo Sleep, a MCU acorda e executa
do vetor RESET.

Modo Idle

Se o bit de SM é zerado, a instrução SLEEP força a MCU para o Modo


Idle, que pára a CPU mas permite que Timer/Counters, Watchdog e
Interrupções continuem operando. Isto permite que a MCU possa acordar com
uma interrupção externa ou overflow dos timers ou reset do Watchdog. Quando
o MCU acorda no modo Idle, a CPU inicia a execução do programa
imediatamente.

Modo Power Down

Quando o bit SM é setado, a instrução de SLEEP força a MCU no modo


Power Down. Neste modo, oscilador externo é desligado, enquanto as
interrupções externas e o Watchdog (se habilitado) continuam operando. Só
um Reset externo ou um Reset por Watchdog (se habilitado) ou uma
interrupção externa por nível INT0 ou INT1 podem acordar a MCU. Se uma
interrupção externa por nível é usada para acordar a MCU do modo Power
Down, o nível baixo deve ser mantido durante um tempo maior do que o
período de timeout do reset (tOUT). Caso contrário, a MCU não acordará.

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Microcontrolador AT90S8515

15.9- Temporizadores/Contadores
O AT90S8515 possui dois Timer/Counters – um temporizador/contador
de 8 bits e um temporizador/contador de 16 bits. Os temporizadores/contadores
possuem seleção individual de clock, que vem de um mesmo contador de 10
bits (Prescaler). Ambos os Timer/Counters podem ser usados como
temporizadores com um clock interno como base de tempo ou como contador
utilizando o pino externo (T0 ou T1) como entrada de contagem.

Fig. 15-8: Circuito lógico dos temporizadores/contadores

Prescaler (Divisor) dos Temporizadores/Contadores

As quatro seleções de razões de clock (vindos do prescaler) são: CK/8,


CK/64, CK/256 e CK/1024 onde CK é o clock do oscilador. As razões de clock,
como CK ou uma fonte externa ou parado podem ser as fontes de clock para
os dois Timer/Counters.

Temporizador/Contador0 de 8 bits

As fontes de clock para o Timer/Counter0 (8 bits) podem ser o clock CK,


o clock CK dividido (através do prescaler) ou pino externo. Além disso, o
Timer/Counter0 pode ser parado. Isto pode ser configurado através do
registrador de Controle do Timer/Counter0 – TCCR0. O flag de overflow
encontra-se no registrador de Flags de Interrupção do Timer/Counter – TIFR.

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Microcontrolador AT90S8515

Os bits de controle encontram-se no registro de Controle do


Timer/Counter0 – TCCR0. O bit de habilitação da interrupção por overflow do
Timer/Counter0 encontra-se no registro de Máscaras de Interrupções dos
Timer/Counters – TIMSK.

Registrador de Controle do Temporizador/Contador0 - TCCR0

Bits 7..3 – Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e são sempre lidos como zero.

Bits 2,1,0 - CS02, CS01, CS00: Clock Select0, bit 2,1 and 0 –
Os bits 2, 1 e 0 da Seleção de Clock definem a fonte de clock do
Timer/Counter0, conforme a tabela 15-5.

Tabela 15-5:

A condição de Stop desabilita o Timer/Counter0. As razões de CK são


obtidas diretamente do clock do oscilador. Se o pino externo é usado com
entrada de clock do Timer/Counter0, transições em PB0/(T0) irão ser contadas
mesmo que o pino seja configurado como saída.

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Microcontrolador AT90S8515

Temporizador/Contador0 – TCNT0

O Timer/Counter0 é um registrador com acesso para leitura e escrita. Se


o Timer/Counter0 é escrito e uma fonte de clock está presente, o
Timer/Counter0 continua contando a partir do ciclo de clock seguinte à
operação de escrita.

Temporizador/Contador1 de 16 bits

As fontes de clock para o Timer/Counter1 (16 bits) podem ser o clock CK,
o clock CK dividido (através do prescaler) ou pino externo. Além disso, o
Timer/Counter1 pode ser parado. Isto pode ser configurado através do
registrador de Controle do Timer/Counter1 – TCCR1A e TCCR1B. Os
diferentes flags de status (overflow, comparação e captura de evento)
encontram-se no registrador de Flags de Interrupção do Timer/Counter – TIFR.
Os bits de controle encontram-se no registro de Controle do Timer/Counter1 –
TCCR1A e TCCR1B. Os bits de habilitações de interrupções Timer/Counter1
encontra-se no registro de Máscaras de Interrupções dos Timer/Counters –
TIMSK.
O Timer/Counter1 possui dois funções de comparação que utilizam os
registradores de Saída de Comparação 1 A e B – OCR1A e OCR1B como
fontes de dados para serem comparados com o valor do Timer/Counter1. As
funções de Comparação incluem um opcional reinício do contador quando o
valor de comparação A for atingido e ações nos pinos de Saída de
Comparação para ambos os valores de comparação A e B.
O Timer/Counter1 também pode ser usado como um Modulador por
Largura de Pulso (PWM) de 8, 9 ou 10 bits. Neste modo, o contador e os
registradores OCR1A/OCR1B são utilizados para formarem um duplo PWM. A
função de Captura de Eventos do Timer/Counter1 realiza a
transferência do conteúdo do Timer/Counter1 para o registrador de Captura –
ICR1, ocasionado por um evento externo no pino de Entrada de Captura de
Evento – ICP. Os bits que controlam esta funções estão localizados no
registrador de Controle do Timer/Counter1 – TCCR1B. Além disso, o
Comparador Analógico também pode ser usado para gerar um evento de
captura do Timer/Counter1.

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Microcontrolador AT90S8515

Registrador A de Controle do Temporizador/Contador1 – TCCR1A

Bits 7,6 – COM1A1, COM1A0: Compare Output Mode1A, bits 1 and 0 –


Os bits de controle COM1A1 e COM1A0 determinam qual a ação no pino de
saída quando o valor do Timer/Counter1 for igual ao valor de comparação no
registrador de Saída de Comparação – OCR1A. Essa ação afetará o
pino OC1A – Saída de Comparação A.

Bits 5,4 - COM1B1, COM1B0: Compare Output Mode1B, bits 1 and 0 –


Os bits de controle COM1B1 e COM1B0 determinam qual a ação no pino de
saída quando o valor do Timer/Counter1 for igual ao valor de comparação no
registrador de Saída de Comparação – OCR1B. Essa ação afetará o
pino OC1B – Saída de Comparação B.

A tabela 15-6 mostra as configurações desses bits para o modo de


comparação:

Tabela 15-6:

No modo PWM, estes bits tem funções diferentes.

Bits 3..2 – Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e são sempre lidos como zero.

Bits 1..0 – PWM11,PWM10: Pulse Width Modulator Select Bits 1 and 0 –


Esses bits selecionam o modo PWM, conforme a tabela 15-7.

Tabela 15-7:

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Microcontrolador AT90S8515

Registrador B de Controle do Temporizador/Contador1 – TCCR1B

Bit 7 – ICNC1: Input Capture1 Noise Canceler (4 CKs) –


Quando o bit ICNC1 for ZERO, o eliminador de ruído da entrada de captura
é desabilitado. Uma transição de subida/descida no pino ICP causará a
captura do Timer/Counter1. Quando o bit ICNC1 for UM, quatro amostras
sucessivas serão amostradas no ICP – pino de entrada de captura, e todas
as amostras devem ser iguais conforme a configuração do bit ICES1.

Bit 6 – ICES1: Input Capture1 Edge Select –


Se o bit ICES1 for zerado, o conteúdo do Timer/Counter1 é transferido para
o registrador de Captura – ICR1 – na transição de descida no pino de
Captura – ICP.
Se o bit ICES1 for setado, o conteúdo do Timer/Counter1 é transferido para
o registrador de Captura – ICR1 – na transição de subida no pino de
Captura – ICP.

Bits 5, 4 – Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e são sempre lidos como zero.

Bit 3 – CTC1: Clear Timer/Counter1 on Compare Match –


Se o bit CTC1 for setado, o Timer/Counter1 é forçado a $0000 no ciclo de
clock após o Timer/Counter1 ser igual ao valor de comparação A. Se o bit
CTC1 for zerado, o Timer/Counter1 continua contando e seu valor não é
alterado. Dependendo do divisor de clock utilizado, a função de comparação
do valor do Timer/Counter1 pode se comportar de maneira diferente. Se o
divisor de clock for 1, e o registrador de comparação A for carregado com o
valor C, a contagem com CTC1 setado fica:

... | C-2 | C-1 | C | 0 | 1 | ...

Se o divisor for configurado para 8, a contagem será:

... | C-1, C-1, C-1, C-1, C-1, C-1, C-1, C-1 | C, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0 | ...

No modo PWM, este bit não tem função.

Bits 2,1,0 – CS12, CS11, CS10: Clock Select1, bit 2,1 and 0 –
Os bits 2, 1 e 0 da Seleção de Clock definem a fonte de clock do
Timer/Counter0, conforme a tabela 15-8.

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Microcontrolador AT90S8515

Tabela 15-8:

A condição de Stop desabilita o Timer/Counter1. As razões de CK são


obtidas diretamente do clock do oscilador. Se o pino externo é usado com
entrada de clock do Timer/Counter1, transições em PB1/(T1) irão ser contadas
mesmo que o pino seja configurado como saída.

Temporizador/Contador1 – TCNT1H e TCNT1L

Este registrador de 16 bits é o Timer/Counter1. Para assegurar que


ambos os bytes alto e baixo sejam lidos ou escritos simultaneamente pela
CPU, o acesso a esses registradores é feito através de um registrador
temporário de 8 bits (TEMP).

Escrita no TCNT1 Timer/Counter1 – Quando a CPU escreve no byte alto


TCNT1H, o dado a ser escrito é colocado no registrador TEMP. Depois,
quando a CPU escreve o byte baixo TCNT1L, este byte é combinado com o
byte do registrador TEMP e todos os 16 bits são escritos simultaneamente
no registrador TCNT1 Timer/Counter1. Dessa forma, o byte alto TCNT1H
deve ser acessado primeiro para uma escrita completa de 16 bits.

Leitura do TCNT1 Timer/Counter1 – Quando a CPU lê o byte baixo


TCNT1L, o dado do byte baixo TCNT1L é enviado para a CPU e o dado do
byte alto TCNT1H é colocado no registrador TEMP. Quando a CPU lê os
dados do byte alto TCNT1H, a CPU recebe os dados do registrador TEMP.
Dessa forma, o byte baixo TCNT1L deve ser acessado primeiro para uma
leitura completa de 16 bits.

O Timer/Counter1 é um contador ascendente/descendente (no modo


PWM) com acesso para leitura e escrita. Se o Timer/Counter1 é escrito e uma

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Microcontrolador AT90S8515

fonte de clock é selecionada, o Timer/Counter1 continua contando no ciclo de


clock posterior à escrita do valor.

Registrador de Saída de Comparação do Temporizador/Contador1 –


OCR1AH e OCR1AL

Registrador de Saída de Comparação do Temporizador/Contador1 –


OCR1BH e OCR1BL

Os registradores de comparação são todos de 16 bits com acessos para


leitura ou escrita. Os registradores de comparação do Timer/Counter1 contêm
os valores a serem comparados continuamente com o valor do Timer/Counter1.
As ações que serão executadas quando o valor de comparação for igual ao
valor do Timer/Counter1 estão especificadas no registrador de controle e status
do Timer/Counter1.
O evento de igualdade irá setar o flag de interrupção de comparação no
ciclo de clock seguinte ao evento da comparação.
Os registradores de comparação – OCR1A e OCR1B – são
registradores de 16 bits. Para assegurar que ambos os bytes alto e baixo sejam
lidos ou escritos simultaneamente pela CPU, o acesso a esses registradores é
feito através de um registrador temporário de 8 bits (TEMP).

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Microcontrolador AT90S8515

Registrador de Captura de Entrada do Temporizador/Contador1 – ICR1H e


ICR1L

O registrador de captura de entrada é um registrador de 16 bits com


acesso somente de leitura.
Quando uma transição de subida ou descida (de acordo com a
configuração de transição para captura – ICES1) ocorre no pino de captura
(ICP), o valor do Timer/Counter1 é transferido para o registrador de captura –
ICR1. Ao mesmo tempo, o flag de captura – ICF1 – é setado
O registrador de captura – ICR1 – é registrador de 16 bits. Para
assegurar que ambos os bytes alto e baixo sejam lidos simultaneamente pela
CPU, o acesso a esse registrador é feito através de um registrador temporário
de 8 bits (TEMP).

Temporizador/Contador1 no modo PWM

Quando o modo PWM é selecionado, o Timer/Counter1, o registrador de


comparação 1A – OCR1A e o registrador de comparação 1B – OCR1B formam
um duplo PWM de 8, 9 ou 10 bits com saídas nos pinos PD5 (OC1A) e OC1B.
O Timer/Counter1 atua com um contador ascendente/descendente que conta
de $0000 até TOP e retorna de TOP até $0000, repetindo o ciclo.
Quando o valor do Timer/Counter1 for igual ao conteúdo de 10 bits do
registrador OCR1A ou OCR1B, os pinos PD5 (OC1A) / OC1B serão setados ou
zerados de acordo com as configurações dos bits COM1A1/COM1A0 ou
COM1B1/COM1B0 no registrador de Controle do Timer/Counter1 TCCR1A.
A tabela 15-9 mostra os valores de TOP (valores máximos) do timer e da
freqüência do PWM.

Tabela 15-9:

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Microcontrolador AT90S8515

A tabela 15-10 mostra os bits de controle usados no modo de


comparação1 e no modo PWM.

Tabela 15-10:

Quando OCR1 contêm $0000 ou TOP, as saídas OCR1A/OCR1B são


atualizadas para BAIXO ou ALTO na comparação seguinte, de acordo com as
configurações dos bits COM1A1/COM1A0 ou COM1B1/COM1B0.
A tabela 15-11 mostra a qual a saída PWM para OCR1X = $0000 or
TOP.

Tabela 15-11:

No modo PWM, o flag de overflow do Timer/Counter1, TOV1, é setado


quando o contador chega a $0000. A interrupção por overflow do
Timer/Counter1 é executada quando o bit de overflow do Timer/Counter1
(TOV1) é setado e os bits de habilitação de interrupção por overflow do
Timer/Counter1 e de interrupção global estejam setados. Isso também se
aplica para os flags e interrupções de comparação do Timer/Counter1.

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Microcontrolador AT90S8515

15.10- Watchdog Timer


O Watchdog Timer utiliza um sinal de clock vindo de um oscilador
interno separado de 1 MHz. Essa é a freqüência típica para uma tensão de
alimentação (VCC) de 5 V. O tempo de reset do Watchdog Timer é configurado
por um prescaler. A instrução WDR – Watchdog Reset – reinicia o Watchdog
Timer. Até oito períodos diferentes de clock podem ser selecionados para
determinar o período de reset do Watchdog Timer. Se esse período expira sem
que haja um reset do Watchdog, o AT90S8515 é resetado e o vetor de reset é
executado.

Registrador de Controle do Watchdog Timer – WDTCR

• Bits 7..5 - Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e sempre serão lidos como zero.

• Bit 4 - WDTOE: Watch Dog Turn-Off Enable –


Esse bit deve ser setado quando o bit WDE for zerado. Caso contrário, o
watchdog não será desabilitado. Uma vez setado, o hardware irá zerar esse bit
depois de quatro ciclos de clock. Esse bit é usado para se evitar a desabilitação
acidental do Watchdog Timer.

• Bit 3 - WDE: Watch Dog Enable –


Quando o bit WDE for setado, o Watchdog Timer é habilitado, e se o bit WDE
for zerado, o Watchdog Timer é desabilitado. O bit WDE só pode ser zerado se
o bit WDTOE for setado. O procedimento para desabilitar o Watchdog Timer é
mostrado a seguir:

1. Na mesma operação, escrever um UM lógico em WDTOE e WDE. O UM


lógico deve ser escrito em WDE mesmo que o bit esteja setado para iniciar
a operação de desabilitação do Watchdog Timer.
2. Durante os próximos quatro ciclos de clock, escrever um ZERO lógico em
WDE. Isso desabilita o Watchdog Timer.

Bits 2..0 - WDP2, WDP1, WDP0: Watch Dog Timer Prescaler 2, 1 and 0 –
Os bits WDP2, WDP1 e WDP0 determinam qual a divisão de clock que será
usada quando o Watchdog Timer estiver habilitado. Os diferentes valores de
prescaler e os períodos de tempo são mostrados na tabela 15-12:

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Microcontrolador AT90S8515

Tabela 15-12:

A instrução WDR – Watchdog Reset – sempre deve ser executada antes


que o Watchdog Timer seja habilitado. Isso assegura que o período de reset
esteja de acordo com o período que foi configurado. Se o Watchdog Timer for
habilitado sem um reset, ele pode não começar a contar do valor zero.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 167


Microcontrolador AT90S8515

15.11- Acesso para Leitura/Escrita na EEPROM


Os registradores de acesso à EEPROM estão disponíveis na memória
de I/O. O tempo de acesso para escrita é de 2,5 a 4 ms, dependendo da tensão
de alimentação (VCC). Se o programa contém dados que serão escrita na
EEPROM, algumas precauções devem ser tomadas.
Em fontes de alimentação filtradas, a tensão de alimentação (VCC)
demora um certo tempo para estabilizar. Isso pode fazer com que o dispositivo
permaneça funcionando com tensão menores do que a tensão especificada
como mínima para o clock usado. Nessas condições, a CPU pode executar
saltos (jumps) no programa e eventualmente executar uma rotina de escrita na
EEPROM.
Para garantir a integridade da EEPROM, um circuito externo de reset
(detector de sub-tensão) deve ser usado. Um procedimento específico de
escrita na EEPROM deve ser seguido para prevenir escritas errôneas. Quando
a EEPROM é acessada para leitura ou escrita, a CPU é parada por dois ciclos
de clock antes da próxima instrução ser executada.

Registrador de Endereços da EEPROM – EEARH e EEARL

Os registradores de endereços da EEPROM – EEARH e EEARL


especificam qual o endereço a ser acessado na EEPROM (o AT90S8515
possui 512 bytes de EEPROM). Os 512 bytes são acessados de maneira
linear.

Registrador de Dados da EEPROM – EEDR

• Bits 7..0 - EEDR7..0: EEPROM Data –


Para operações de escrita na EEPROM, o registrador EEDR contém o dado a
ser escrito na EEPROM no endereço dado pelo registrador EEAR. Para
operações de leitura, o registrador EEDR contém o dado lido da EEPROM no
endereço dado pelo registrador EEAR.

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Microcontrolador AT90S8515

Registrador de Controle da EEPROM – EECR –

• Bit 7..3 - Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e sempre serão lidos como zero.

• Bit 2 - EEMWE: EEPROM Master Write Enable –


Se bit EEMWE estiver setado, setando o bit EEWE uma escrita é executada na
EEPROM no endereço selecionado. Se o bit EEMWE estiver zerado, setar o bit
EEWE não terá nenhum efeito. Quando o bit EEMWE for setado por software, o
hardware zera o bit depois de quatro ciclos de clock.

• Bit 1 - EEWE: EEPROM Write Enable –


O bit EEWE é um sinal de habilitação da escrita na EEPROM. Quando um
endereço e um dado estão corretamente colocados, o bit EEWE deve ser
setado para que o valor seja escrito na EEPROM. O bit EEMWE deve estar
setado quando o UM lógico for escrito em EEWE, caso contrário, a escrita na
EEPROM não ocorrerá. O seguinte procedimento deve ser seguindo para a
execução de uma escrita na EEPROM:
1. Esperar até que EEWE seja zero.
2. Escrever o novo endereço da EEPROM nos registradores EEARL e
EEARH.
3. Escrever o dado a ser escrito no registrador EEDR.
4. Escrever UM lógico no bit EEMWE no registrador EECR.
5. Durante os próximos quatro ciclos de clock depois de setar o bit EEMWE,
escrever UM lógico no bit EECR.

Passado o tempo de acesso à escrita (tipicamente 2,5 ms com VCC = 5V e 4


ms com VCC = 2,7V), o bit EEWE é zerado pelo hardware. O software pode
esperar este bit se tornar zero antes de escrever o próximo byte. Quando o bit
EEWE for setado, a CPU é parada por dois ciclos antes da próxima instrução
ser executada.

Importante: Uma interrupção dos passos 4 e 5 gerará uma falha no ciclo de


escrita. Se uma rotina de interrupção que acessa a EEPROM é interrompida
por outro acesso à EEPROM, os registradores EEAR e EEDR serão
modificados, causando uma falha no acesso que foi interrompido. É
recomendado zerar o bit I (Global Interrupt Flag – SREG) durante os quatro
últimos passos para evitar problemas no acesso.

• Bit 0 - EERE: EEPROM Read Enable –


O bit EERE é um sinal de habilitação para leitura da EEPROM. Quando o
endereço correto foi colocado no registrador EEAR, o bit EERE deve ser
setado. Quando o bit EERE for zerado pelo hardware, o dado lido está
disponível no registrador EERE. O acesso para leitura da EEPROM é de
apenas uma instrução e não é necessário verificar o bit EERE. Quando o bit

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Microcontrolador AT90S8515

EERE estiver setado, a CPU é parada por dois ciclos antes da execução da
próxima instrução. O software poderia verificar o bit EEWE antes de iniciar uma
operação de leitura. Se a operação de escrita estiver sendo executada quando
um novo dado ou endereço é escrito nos registradores de I/O da EEPROM, a
operação de escrita será interrompida e o resultado é imprevisível.

Prevenção de Perdas de Dados na EEPROM

Em condições de baixa tensão de alimentação (VCC), dados na


EEPROM podem ser perdidos porque a tensão de alimentação é muito baixa
para a CPU e para a EEPROM operarem de maneira correta.
A perda de dados da EEPROM pode ocorrer de duas maneiras quando a
tensão está muito baixa.
Primeiro, a seqüência de escrita na EEPROM requer uma tensão
mínima para trabalhar corretamente. Segundo, a CPU pode executar
instruções de maneira incorreta se a tensão de alimentação for muito baixa.
Algumas recomendações para se evitar a perda de dados da EEPROM:
1. Manter o RESET do AVR ativo (nível baixo) quando a tensão de
alimentação estiver muito baixa. Isso pode ser feito com um circuito externo
de reset (Brown-Out Detector – BOD).
2. Manter o AVR em Power Down Mode quando a tensão de alimentação
estiver muito baixa. Isso evita que a CPU decodifique e execute instruções,
protegendo efetivamente os registradores da EEPROM contra escritas.
3. Armazenar constantes na memória Flash se o software não precisar alterar
esse dado. A memória Flash não pode ser modificada pela CPU e, por isso,
o dado nunca será perdido.

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15.12- UART
O AT90S8515 possui um Receptor e Transmissor Assíncrono Universal
(UART) full duplex (com registradores de transmissão e recepção separados).
As principais características são:
Gerador de baud rate (taxa de transmissão/recepção) pode gerar várias
taxas (bps).
Altas taxas de baud com cristais de baixa freqüência.
8 ou 9 bits de dados.
Filtro contra ruído.
Detecção de Overrun (perda de dado).
Detecção de Framing Error (falha na detecção do STOP bit).
Detecção de Falso START bit.
Três interrupções separadas: TX Complete (transmissão completada), TX
Data Register Empty (registrador de dados vazio) e RX Complete (recepção
completada).

Transmissão de Dados

A transmissão de dados é iniciada pela escrita do dado a ser transmitido


no registrador de dados da UART – UDR.
Se o bit 10 (11) do registrador de deslocamento do transmissor tiver sido
transmitido, um novo dado é transferido do UDR para o registrador de
deslocamento. Nesse momento, o bit UDRE (registrador de dados da UART
vazio) no registrador de status da UART – USR, é setado.
Quando esse bit for UM, o UDR da UART está pronto para receber o
próximo caracter. No momento que um dado é transferido do UDR para o
registrador de deslocamento de 10 (11) bits, o bit 0 do registrador de
deslocamento é zerado (bit START) e o bit 9 ou 10 é setado (bit STOP). Se o
dado possui 9 bits (o bit CHR9 no registrador de controle da UART, UCR, é
setado), o bit TXB8 no UCR é transferido para o bit 9 do registrador de
deslocamento do transmissor.
Depois da transferência do UDR para o registrador de deslocamento, o
bit START é transmitido na freqüência de clock do Baud Rate (taxa de
transmissão) pelo pino TXD. Em seguida, o dado é transmitido bit a bit,
começando pelo menos significativo (LSB). Depois do bit de STOP ser
transmitido, o registrador de deslocamento é carregado se qualquer dado tenha
sido escrito no UDR durante a transmissão. Durante a carga, o bit UDRE é
setado. Se não existir nenhum dado no UDR a ser enviado, o UDRE
permanecerá em UM até que UDR contenha um novo dado. Se nenhum dado
foi escrito, e o bit de STOP está presente no pino TXD por um bit de largura, o
flag TX Complete, TXC, no USR é setado.
O bit TXEN no UCR habilita o transmissor da UART quando estiver
setado. Se esse bit for zerado, o pino PD1 pode ser usado com um pino de I/O.
Quando o bit TXEN é setado, o transmissor da UART será conectada a PD1,
que será forçada a ser saída independente da configuração do bit 1 do
registrador DDRD (registrador de direção do PORT D).

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Microcontrolador AT90S8515

Recepção de Dados

O circuito lógico do receptor amostra o pino RXD numa freqüência 16


vezes maior do que a taxa de transmissão. Enquanto a linha é inativa, uma
única amostra em nível ZERO é interpretada como sendo uma transição de
descida do bit START e a seqüência de detecção do bit START é iniciada.
Depois da transição de descida, o receptor amostra o pino RXD nas amostras
8, 9 e 10. Se duas ou mais amostras tiverem nível lógico UM, o bit START é
considerado um ruído e o receptor volta a esperar uma nova transição de
descida.
Entretanto, se um bit de START válido é detectado, a amostragem dos
bits seguintes é feita também nas amostras 8, 9 e 10. O valor lógico encontrado
em pelo menos duas das três amostras é considerado como o valor do bit.
Todos os bits são deslocados para o registrador de deslocamento da maneira
como eles são amostrados.

Fig. 15-9: Amostragem dos dados recebidos pela UART

Quando o bit STOP entra no receptor, a maioria de três amostras deve


ser UM para que o bit de STOP seja aceito. Se dois ou mais amostras são
ZERO, o flag Framing Error (FE) no registrador de Status da UART (USR) é
setado. Antes da leitura de UDR, o usuário deve verificar sempre o bit FE para
detectar o Framing Error.
Mesmo que o bit de STOP não tenha sido detectado no fim da recepção
de um dado, esse dado é transferido para o UDR e o flag RXC no USR é
setado. Na realidade, UDR corresponde fisicamente a dois registradores, um
para transmissão e outro para recepção de dados. Quando UDR é lido, o
registrador de recepção de dados é acessado e quando é escrito, o registrador
de transmissão de dados é acessado.
Se a palavra de dados possui 9 bits (o bit CHR9 no registrador de
Controle da UART, UCR, é setado), o bit RXB8 no UCR é atualizado com o bit
9 do registrador de deslocamento quando o dado é transferido para UDR.
Se UDR não foi lido e um novo dado foi recebido, o flag Overrun (OR) é
setado. Isso significa que o último dado deslocado para o registrador de
deslocamento não pôde ser transferido para UDR e será perdido. O bit OR é
mantido até que um dado válido no UDR seja lido
Quando o bit RXEN no registrador UCR é zerado, o receptor é
desabilitado. Isso significa que o pino PD0 pode ser usado como um pino de
I/O. Quando o bit RXEN é setado, o receptor da UART é conectado a PD0, que
é forçado a ser uma entrada, independente da configuração do bit 0 do
registrador DDRD (registrador de direção do PORT D). Se PD0 é forçado como
entrada pela UART, o bit 0 de PORTD pode ainda ser usado para controlar o
resistor de pull-up no pino.

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Microcontrolador AT90S8515

Se o bit CHR9 no registrador UCR é setado, os caracteres transmitidos e


recebidos tem 9 bits mais os bits de START e STOP. O 9º bit a ser transmitido
é o bit TXB8 no registrador UCR. O 9º bit recebido é o bit RXB8 no registrador
UCR.

Controle da UART

Registrador de Dados da UART – UDR

O registrador UDR fisicamente corresponde a dois registradores


separados que compartilham o mesmo endereço de I/O. Ao escrever no
registrador, o registrador de transmissão da UART é escrito. Ao ler do
registrador, o registrador de recepção da UART é lida.

Registrador de Status da UART – USR

O USR é um registrador que contém informações de status da UART.

Bit 7 – RXC: UART Receive Complete –


Esse bit é setado quando o dado recebido é transferido do registrador de
deslocamento para UDR. Esse bit é setado mesmo que ocorra um framing
error. Se o bit RXCIE no UCR estiver setado, a interrupção de recepção
completa da UART será executada se o bit RXC estiver setado. RXC é
zerado com a leitura de UDR.

Bit 6 – TXC: UART Transmit Complete –


Esse bit é setado quando um dado (incluindo o bit STOP) no registrador de
deslocamento foi transmitido e nenhum novo dado foi escrito no UDR.
Quando o bit TXCIE no UCR é setado, se o bit TXC é setado, uma
interrupção por transmissão completa na UART é executada. TXC é zerado
por hardware pela execução da rotina de tratamento da interrupção.

Bit 5 – UDRE: UART Data Register Empty –


Esse bit é setado quando um dado escrito no UDR é transferido para o
registrador de deslocamento do transmissor. Isso indica que o transmissor
está pronto para receber um novo caracter para transmissão. Quando o bit
UDRIE no UCR é setado, e o bit UDRE é setado, a interrupção por registro
de dados da UART vazio será executada. Quando uma interrupção ocorre,
a rotina de interrupção por registrador de dados da UART vazio deve
escrever no UDR para zerar o bit UDRE, caso contrário, uma nova

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Microcontrolador AT90S8515

interrupção irá ocorrer quando a rotina de interrupção terminar. UDRE é


setado durante o reset para indicar que o transmissor está pronto.

Bit 4 – FE: Framing Error –


Esse bit é setado quando um Framing Error é detectado, ou seja, um bit de
STOP foi amostrado como ZERO. O bit FE é zerado quando o bit de STOP
de um dado é recebido como UM.

Bit 3 – OR: Overrun –


Esse bit é setado quando um Overrun é detectado, ou seja, quando o dado
no UDR não foi lido antes do próximo dado ter sido recebido no registrador
de deslocamento.
O bit OR é mantido até que um dado válido no UDR seja lido. O bit OR é
zerado quando um dado é recebido e transferido para UDR.

Bits 2..0 – Res: Reserved bits –


Esses bits são reservados no AT90S8515 e são sempre lidos como zero.

Registrador de Controle da UART – UCR

Bit 7 – RXCIE: RX Complete Interrupt Enable –


Quando esse bit é setado, se o bit RXC no USR é setado, a rotina de
interrupção por recepção completa será executada se as interrupções
estiverem habilitadas (bit I em SREG).

Bit 6 – TXCIE: TX Complete Interrupt Enable –


Quando esse bit é setado, se o bit TXC no USR é setado, a rotina de
interrupção por transmissão completa será executada se as interrupções
estiverem habilitadas (bit I em SREG).

Bit 5 – UDRIE: UART Data Register Empty Interrupt Enable –


Quando esse bit é setado, se o bit UDRE no USR é setado, a rotina de
interrupção por registrador de dados da UART vazio será executada se as
interrupções estiverem habilitadas (bit I em SREG).

Bit 4 – RXEN: Receiver Enable –


Quando setado, esse bit habilita o receptor da UART. Se o receptor estiver
desabilitado, os flags de status TXC, OR e FE não serão setados. Se esses
flags estiverem setados, desabilitar o RXEN não irá zerar esses bits.

Bit 3 – TXEN: Transmitter Enable –


Quando setado, esse bit habilita o transmissor da UART. Se o transmissor é
desabilitado durante a transmissão de um dado, a transmissão não é

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Microcontrolador AT90S8515

desabilitada até que os dados no registrador de deslocamento e no UDR


tenham sido completamente transmitidos.

Bit 2 – CHR9: 9-bit Characters –


Quando CHR9 é setado, os dados transmitidos e recebidos possuem 9 bits
mais o bit de START e STOP. O 9º bit é lido e escrito nos bits RXB8 e TXB8
no UCR, respectivamente. O 9º bit de dado pode ser usado como um bit de
STOP extra ou um bit de Paridade.

Bit 1 – RXB8: Receive Data Bit 8 –


Quando o bit CHR9 está setado, RXB8 é o 9º bit do dado recebido.

Bit 0 – TXB8: Transmit Data Bit 8 –


Quando o bit CHR9 está setado, TXB8 é o 9º bit do dado a ser transmitido.

Gerador de BAUD Rate

O gerador de baud rate é um divisor de freqüência que gera taxas de


transmissão de acordo com a seguinte equação:

Fig. 15-10: Equação que relaciona a freqüência do oscilador com o baud rate

Registrador de BAUD Rate da UART - UBRR

O registrador UBRR é um registrador de leitura/escrita que especifica o


baud rate de acordo com a equação anterior.

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15.13- Comparador Analógico


O comparador analógico compara tensões da entrada positiva PB2
(AIN0) e da entrada negativa PB3 (AIN1). Quando a tensão na entrada positiva
PB2 (AIN0) é maior do que a tensão na entrada negativa PB3 (AIN1), a saída
do comparador analógico, ACO, é setado. A saída do comparador pode ser
usada para disparar a função de entrada de captura do Timer/Counter1. O
comparador também pode disparar uma interrupção separada, exclusiva para o
comparador analógico. O usuário pode selecionar a ocorrência da interrupção
na borda de subida, descida ou inversão da saída do comparador.

Registrador de Controle e Status do Comparador Analógico – ACSR

Bit 7 – ACD: Analog Comparator Disable –


Quando esse bit é setado, o comparador analógico é desligado. Caso
contrário, o comparador analógico ficará ligado.

Bit 6 – Res: Reserved bit –


Esse bit é reservado no AT90S8515 e é sempre lido como zero.

Bit 5 – ACO: Analog Comparator Output –


O bit ACO está diretamente conectado à saída do comparador analógico.

Bit 4 – ACI: Analog Comparator Interrupt Flag –


Esse bit é setado quando um evento definido por ACIS1 e ACIS0 ocorre na
saída do comparador. A rotina de interrupção do comparador analógico é
executada se o bit ACIE está setado e o bit I no SREG está setado.

Bit 3 – ACIE: Analog Comparator Interrupt Enable –


Quando o bit ACIE é setado e o bit I no registrador de Status (SREG) está
setado, a interrupção do comparador analógico está ativada. Se for zerado,
a interrupção será desabilitada.

Bit 2 – ACIC: Analog Comparator Input Capture Enable –


Se esse bit for setado, isso habilita a função de captura do Timer/Counter1
a ser disparada pelo comparador analógico. Neste caso, a saída do
comparador é conectada diretamente na lógica da entrada de captura,
fazendo com que o comparador utilize o redutor de ruído e as
características de seleção de transição da interrupção de captura do
Timer/Counter1. Se esse bit for zerado, a conexão entre o comparador
analógico e a função de entrada de captura não será feita.

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Microcontrolador AT90S8515

Bits 1,0 – ACIS1, ACIS0: Analog Comparator Interrupt Mode Select –


Esses bits determinam qual evento no comparador irá disparar a
interrupção do comparador analógico. As configurações de ACIS1/ACIS0
são mostradas na tabela 15-12.

Tabela 15-12:

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15.14- Interface com SRAM Externa


A interface com uma SRAM consiste:
Port A: Barramento multiplexado entre a parte baixa do barramento de
endereço e o barramento de dados
Port C: Parte alta do barramento de endereços
Pino ALE: Address latch enable – Habilitação do Latch de Endereços
Pinos RD e WR : Sinais de controle de Leitura e Escrita

A SRAM de dados externa é habilitada quando o bit SRE – bit de


habilitação da SRAM externa no registrador de controle da MCU, o MCUCR – é
setado e as definições de direção do registrador DDRA serão anuladas.
Quando o bit SRE é zerado, a SRAM externa é desabilitada e as configurações
de direção dos pinos podem ser usadas.
Quando ALE vai de ALTO para BAIXO, um endereço válido está no Port
A. ALE se mantém em BAIXO durante a transferência de dados. RD e WR são
ativados apenas durante o acesso à SRAM externa. A figura abaixo mostra
como conectar uma SRAM externa usando um AVR e 8 latches que são
habilitados com G em ALTO. Tipicamente, a SRAM externa é acessada em
três ciclos. Se um estado de espera (WAIT STATE) for necessário, o bit SRW
no registrador MCUCR deve ser setado.
Note que o PORTA só é um barramento de dados em um ciclo. Assim
que o acesso aos dados termina, PORTA volta a ser o barramento baixo de
endereços.

Fig. 15-11: Conexão de uma SRAM Externa com um AVR

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15.15- Portas de Entrada/Saída


Todos os ports tem a funcionalidade de Ler-Modificar-Escrever como um
port digital I/O. Isso significa que a direção de um pino do port pode ser trocada
sem que a direção de outro pino seja trocada com as instruções SBI e CBI. O
mesmo se aplica para a troca do valor do drive (se configurado como saída) ou
habilitando/desabilitando o resistor de pull-up (se configurado como entrada).

Port A

O port A é um port bidirecional de 8 bits. Três endereços na memória de


I/O são usados para alocar o Port A, um para o registrador de dados – PORTA,
$1B($3B), registrador de direção dos dados – DDRA, $1A($3A) e os pinos de
entrada do port A – PINA, $19($39). O endereço dos pinos de entrada do port
A é apenas de leitura, enquanto o registrador de dados e de direção de dados
são de leitura/escrita.
Todos os pinos do port possuem resistores de pull-up individualmente
selecionáveis. Os buffers de saída do port A podem fornecer 20 mA e assim
acionar diretamente display de LED. Quando os pinos PA0 até PA7 são usados
como entradas e são externamente colocadas em ZERO, elas se tornarão
fontes de corrente se o resistor de pull-up interno está ativado.
Os pinos do port A podem ser usados para o acesso à uma SRAM de
dados externa. O port A pode ser configurado para ser um barramento
multiplexado entre a parte baixa dos endereços e dados durante o acesso à
memória de dados externa. Nesse modo, o port A possui resistores de pull-up
internos.
Quando o port A é usado para a acessar a SRAM externa pelo bit SRE –
External SRAM Enable – no registrador MCUCR – registrador de controle da
MCU, a configuração dos bits no registrador de direção de dados – DDRA – é
anulada.

Registrador de Dados do Port A – PORTA

Registrador de Direção de Dados do Port A – DDRA

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Endereço dos Pinos de Entrada do Port A – PINA

O endereço dos pinos do port A – PINA – não é um registrador e esse


endereço habilita o acesso ao valor físico em cada pino do port A. Ao ler o
PORTA, o latch de dados do port A é lido e ao ler PINA, o valor lógico nos
pinos é lido.

Port A como Entrada/Saída Digital

PAn, pino de I/O: o bit DDAn no registrador DDRA seleciona a direção


desse pino. Se DDAn for UM, PAn é configurado como um pino de saída. Se
DDAn for ZERO, PAn é configurado como um pino de entrada. Se PORTAn for
UM quando o pino foi configurado como uma entrada, o resistor de pull-up
MOS é ativado. Para desligar o resistor de pull-up, o PORTAn deve ser zerado
ou o pino deve ser configurado como uma saída. Os pinos do port A estarão
em tri-state quando um reset ocorre, sempre se o clock não está ativo.
A tabela 15-13 mostra a configuração de DDAn e PORTAn.

Tabela 15-13:

Port B

O port B é um port bidirecional de 8 bits. Três endereços na memória de


I/O são usados para alocar o Port B, um para o registrador de dados – PORTB,
$18($38), registrador de direção dos dados – DDRB, $17($37) e os pinos de
entrada do port B – PINB, $16($36). O endereço dos pinos de entrada do port
B é apenas de leitura, enquanto o registrador de dados e de direção de dados
são de leitura/escrita.
Todos os pinos do port possuem resistores de pull-up individualmente
selecionáveis. Os buffers de saída do port B podem fornecer 20 mA e assim
acionar diretamente display de LED. Quando os pinos PB0 até PB7 são usados
como entradas e são externamente colocadas em ZERO, elas se tornarão
fontes de corrente se o resistor de pull-up interno está ativado.
A tabela 15-14 mostra as funções alternativas dos pinos do port B.

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Microcontrolador AT90S8515

Tabela 15-14:

Quando os pinos são usados com outra função, os registradores DDRB


e PORTB deverão ser configurados conforme a descrição da função.

Registrador de Dados do Port B – PORTB

Registrador de Direção de Dados do Port B – DDRB

Endereço dos Pinos de Entrada do Port B – PINB

O endereço dos pinos do port B – PINB – não é um registrador e esse


endereço habilita o acesso ao valor físico em cada pino do port B. Ao ler o
PORTB, o latch de dados do port B é lido e ao ler PINB, o valor lógico nos
pinos é lido.

Port B como Entrada/Saída Digital

PBn, pino de I/O: o bit DDBn no registrador DDRB seleciona a direção


desse pino. Se DDBn for UM, PBn é configurado como um pino de saída. Se
DDBn for ZERO, PBn é configurado como um pino de entrada. Se PORTBn for

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Microcontrolador AT90S8515

UM quando o pino foi configurado como uma entrada, o resistor de pull-up


MOS é ativado. Para desligar o resistor de pull-up, o PORTBn deve ser zerado
ou o pino deve ser configurado como uma saída. Os pinos do port B estarão
em tri-state quando um reset ocorre, sempre se o clock não está ativo.
A tabela 15-15 mostra a configuração de DDBn e PORTBn.

Tabela 15-15:

Outras Funções do Port B

As funções alternativas dos pinos do port B são as seguintes:

SCK – Port B, Bit 7 –


SCK: pino de saída de clock no modo master, pino de entrada de clock no
modo slave da SPI. Quando a SPI é habilitada como slave, esse pino é
configurado como uma entrada, anulando as definições de DDB7. Quando a
SPI é habilitada como master, a direção dos dados desse pino é controlada
por DDB7. Quando o pino é forçado a ser uma entrada, o resistor de pull-up
é controlado pelo bit PORTB7.

MISO – Port B, Bit 6 –


MISO: pino de entrada de dados no modo master, pino de saída de dados
no modo slave da SPI. Quando a SPI é habilitada como master, esse pino é
configurado como entrada, anulando as definições de DDB6. Quando a SPI
é habilitada como slave, a direção dos dados desse pino é controlada por
DDB6. Quando o pino é forçado a ser uma entrada, o resistor de pull-up é
controlado pelo bit PORTB6.

MOSI – Port B, Bit 5 –]


MOSI: pino de saída de dados no modo master, pino de entrada de dados
no modo slave da SPI. Quando a SPI é habilitada como slave, esse pino é
configurado como uma entrada, anulando as definições de DDB5. Quando a
SPI é habilitada com o master, a direção dos dados desse pino é controlada
por DDB5. Quando o pino é forçado a ser uma entrada, o resistor de pull-up
é controlado pelo bit PORTB5.

SS – Port B, Bit 4 –
SS : pino de entrada de seleção do slave. Quando a SPI é habilitada como
slave, esse pino é configurado como uma entrada, anulando as definições
de DDB4. Como slave, a SPI é habilitada quando esse pino é colocado em
BAIXO. Quando a SPI for habilitada como master, a direção dos dados

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desse pino é controlada por DDB4. Quando o pino é forçado a ser uma
entrada, o resistor de pull-up é controlado pelo bit PORTB4.

AIN1 – Port B, Bit 3 –


AIN1: entrada negativa do comparador analógico. Quando esse pino é
configurado como uma entrada (DDR3 é zerado) e com o resistor MOS de
pull-up desligado (PB3 é zerado), esse pino também é usado como a
entrada negativa do comparador analógico.

AIN0 – Port B, Bit 2 –


AIN0: entrada positiva do comparador analógico. Quando esse pino é
configurado como uma entrada (DDR2 é zerado) e com o resistor MOS de
pull-up desligado (PB2 é zerado), esse pino também é usado como a
entrada posiva do comparador analógico.

T1 – Port B, Bit 1 –
T1: entrada da fonte de clock do Timer/Counter1.

T0 – Port B, Bit 0 –
T0: entrada da fonte de clock do Timer/Counter0.

Port C

O port C é um port bidirecional de 8 bits. Três endereços na memória de


I/O são usados para alocar o Port C, um para o registrador de dados – PORTC,
$15($35), registrador de direção dos dados – DDRC, $14($34) e os pinos de
entrada do port C – PINC, $13($33). O endereço dos pinos de entrada do port
C é apenas de leitura, enquanto o registrador de dados e de direção de dados
são de leitura/escrita.
Todos os pinos do port possuem resistores de pull-up individualmente
selecionáveis. Os buffers de saída do port C podem fornecer 20 mA e assim
acionar diretamente display de LED. Quando os pinos PC0 até PC7 são
usados como entradas e são externamente colocadas em ZERO, elas se
tornarão fontes de corrente se o resistor de pull-up interno está ativado.
Os pinos do port C podem ser usados para o acesso à uma SRAM de
dados externa. O port C pode ser configurado para ser o barramento da parte
alta dos endereços durante o acesso à memória de dados externa.
Quando o port C é usado para a acessar a SRAM externa pelo bit SRE –
External SRAM Enable – no registrador MCUCR – registrador de controle da
MCU, a configuração dos bits no registrador de direção de dados – DDRC – é
anulada.

Registrador de Dados do Port C – PORTC

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 183


Microcontrolador AT90S8515

Registrador de Direção de Dados do Port C – DDRC

Endereço dos Pinos de Entrada do Port C – PINC

O endereço dos pinos do port C – PINC – não é um registrador e esse


endereço habilita o acesso ao valor físico em cada pino do port C. Ao ler o
PORTC, o latch de dados do port C é lido e ao ler PINC, o valor lógico nos
pinos é lido.

Port C como Entrada/Saída Digital

PCn, pino de I/O: o bit DDCn no registrador DDRC seleciona a direção


desse pino. Se DDCn for UM, PCn é configurado como um pino de saída. Se
DDCn for ZERO, PCn é configurado como um pino de entrada. Se PORTCn for
UM quando o pino foi configurado como uma entrada, o resistor de pull-up
MOS é ativado. Para desligar o resistor de pull-up, o PORTCn deve ser zerado
ou o pino deve ser configurado como uma saída. Os pinos do port C estarão
em tri-state quando um reset ocorre, sempre se o clock não está ativo.
A tabela 15-16 mostra a configuração de DDCn e PORTCn.

Tabela 15-16:

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Microcontrolador AT90S8515

Port D

O port D é um port bidirecional de 8 bits. Três endereços na memória de


I/O são usados para alocar o Port D, um para o registrador de dados – PORTD,
$12($32), registrador de direção dos dados – DDRD, $11($31) e os pinos de
entrada do port D – PIND, $10($30). O endereço dos pinos de entrada do port
D é apenas de leitura, enquanto o registrador de dados e de direção de dados
são de leitura/escrita.
Todos os pinos do port possuem resistores de pull-up individualmente
selecionáveis. Os buffers de saída do port D podem fornecer 20 mA e assim
acionar diretamente display de LED. Quando os pinos PD0 até PD7 são
usados como entradas e são externamente colocadas em ZERO, elas se
tornarão fontes de corrente se o resistor de pull-up interno está ativado.
A tabela 15-17 mostra as funções alternativas dos pinos do port D.

Tabela 15-17:

Registrador de Dados do Port D – PORTD

Registrador de Direção de Dados do Port D – DDRD

Endereço dos Pinos de Entrada do Port D – PIND

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Microcontrolador AT90S8515

O endereço dos pinos do port D – PIND – não é um registrador e esse


endereço habilita o acesso ao valor físico em cada pino do port D. Ao ler o
PORTD, o latch de dados do port D é lido e ao ler PIND, o valor lógico nos
pinos é lido.

Port D como Entrada/Saída Digital

PDn, pino de I/O: o bit DDDn no registrador DDRD seleciona a direção


desse pino. Se DDDn for UM, PDn é configurado como um pino de saída. Se
DDDn for ZERO, PDn é configurado como um pino de entrada. Se PORTDn for
UM quando o pino foi configurado como uma entrada, o resistor de pull-up
MOS é ativado. Para desligar o resistor de pull-up, o PORTDn deve ser zerado
ou o pino deve ser configurado como uma saída. Os pinos do port D estarão
em tri-state quando um reset ocorre, sempre se o clock não está ativo.
A tabela 15-18 mostra a configuração de DDDn e PORTDn.

Tabela 15-18:

Outras Funções do Port D

RD – Port D, Bit 7 –
RD é o sinal de controle para leitura da memória de dados externa.

WR – Port D, Bit 6 –
WR é o sinal de controle para escrita da memória de dados externa.

OC1A – Port D, Bit 5 –


OC1A, saída de comparação do Timer/Counter1: o pino PD5 pode ser
usado como uma saída externa quando o valor de comparação é igual ao
Timer/Counter1. O pino PD5 deve ser configurado como uma saída (DDD5
deve ser setado).

INT1 – Port D, Bit 3 –


INT1, entrada de interrupção externa 1: o pino PD3 serve como entrada
para a interrupção externa 1 para a MCU.

INT0 – Port D, Bit 2 –


INT0, entrada de interrupção externa 0: o pino PD2 serve como entrada
para a interrupção externa 0 para a MCU.

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Microcontrolador AT90S8515

TXD – Port D, Bit 1 –


Transmissão de dados (pino de saída de dados da UART). Quando o
transmissor da UART está habilitado, esse pino é configurado como saída.

RXD – Port D, Bit 0 –


Recepção de dados (pino de entrada de dados da UART). Quando o
receptor da UART está habilitado, esse pino é configurado como entrada.
Quando a UART força esse pino ser uma entrada, um nível lógico UM em
PORTD0 irá acionar o resistor de pull-up interno.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 187


Guia para Uso do Assembler AVR

16. Guia para Uso do Assembler AVR

16.1- Introdução

O Assembler AVR converte um código fonte feito em assembly para um


código objeto que será utilizado em microcontroladores da família AT90S Atmel.
Esse código objeto gerado pode ser usado em um simulador ou emulador (In-
Circuit Emulator). O Assembler também gera um código objeto de programação
da memória de programa (FLASH) dos microcontroladores AVR.

16.2- Código Fonte do Assembler


O Assembler utiliza arquivos fonte que contém mnemônicos de
instruções, labels e diretivas. Os mnemônicos de instruções e as diretivas
necessitam de operados.
Cada linha de código é limitada em 120 caracteres. Cada linha pode ter
um label, que é uma seqûência de letras ou números terminada com “:”. Esses
labels são usados como “alvos” para instruções de pulo ou desvio ou como
nome de variáveis na memória de Programa ou na RAM.

Uma linha do código fonte pode ter as seguintes formas:

1. [label:] diretiva [operandos] [Comentários]


2. [label:] instruções [operandos] [Comentários]
3. Comentários
4. Linha em branco

Um comentário é feito da seguinte maneira:


; [texto]

Os itens colocados em colchetes [] são opcionais. O texto colocado entre


o delimitador de comentários (;) e o caracter fim de linha (EOL) é ignorado pelo
Assembler.

Exemplos:

label: .EQU var1=100 ; Faz var1 igual 100 (Diretiva)


.EQU var2=200 ; Faz var2 igual 200

test: rjmp test ; Loop Infinito (Instrução)


; Linha comentada
; Outra linha comentada

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Guia para Uso do Assembler AVR

16.3- Registradores da Memória de I/O do AT90S8515


Tabela 16-1:
Endereço Nome Bit 7 Bit 6 Bit 5 Bit 4 Bit 3 Bit 2 Bit 1 Bit 0
$3F ($5F) SREG I T H S V N Z C
$3E ($5E) SPH SP15 SP14 SP13 SP12 SP11 SP10 SP9 SP8
$3D ($5D) SPL SP7 SP6 SP5 SP4 SP3 SP2 SP1 SP0
$3C ($5C) Reserved
$3B ($5B) GIMSK INT1 INT0 - - - - - -
$3A ($5A) GSER INTF1 INTF0 - - - - - -
$39 ($59) TIMSK TOIE1 OCIE1A OCIE1B - TICIE1 - TOIE0 -
$38 ($58) TSER TOV1 OCF1A OCF1B - ICF1 - TOV0 -
$37 ($57) Reserved
$36 ($56) Reserved
$35 ($55) MCUCR SRE SRW SE SM ISC11 ISC10 ISC01 ISC00
$34 ($54) Reserved
$33 ($53) TCCR0 - - - - - CS02 CS01 CS00
$32 ($52) TCNT0 Timer/Counter0 (8 Bit)
... Reserved
$2F ($4F) TCCR1A COM1A1 COM1A0 COM1B1 COM1B0 - - PWM11 PWM10
$2E ($4E) TCCR1B ICNC1 ICES1 - - CTC1 CS12 CS11 CS10
$2D ($4D) TCNT1H Timer/Counter1 - Counter Register High Byte
$2C ($4C) TCNT1L Timer/Counter1 - Counter Register Low Byte
$2B ($4B) OCR1AH Timer/Counter1 - Output Compare Register A High Byte
$2A ($4A) OCR1AL Timer/Counter1 - Output Compare Register A Low Byte
$29 ($49) OCR1BH Timer/Counter1 - Output Compare Register B High Byte
$28 ($48) OCR1BL Timer/Counter1 - Output Compare Register B Low Byte
... Reserved
$25 ($45) ICR1H Timer/Counter1 - Input Capture Register High Byte
$24 ($44) ICR1L Timer/Counter1 - Input Capture Register Low Byte
... Reserved
$21 ($41) WDTCR - - - WDTOE WDE WDP2 WDP1 WDP0
$20 ($40) Reserved
$1F ($3F) EEARH - - - - - - - EEAR8
$1E ($3E) EEARL EEPROM Address Register Low Byte
$1D ($3D) EEDR EEPROM Data Register
$1C ($3C) EECR - - - - - EEMWE EEWE EERE
$1B ($3B) PORTA PORTA7 PORTA6 PORTA5 PORTA4 PORTA3 PORTA2 PORTA1 PORTA0
$1A ($3A) DDRA DDA7 DDA6 DDA5 DDA4 DDA3 DDA2 DDA1 DDA0
$19 ($39) PINA PINA7 PINA6 PINA5 PINA4 PINA3 PINA2 PINA1 PINA0
$18 ($38) PORTB PORTB7 PORTB6 PORTB5 PORTB4 PORTB3 PORTB2 PORTB1 PORTB0
$17 ($37) DDRB DDB7 DDB6 DDB5 DDB4 DDB3 DDB2 DDB1 DDB0
$16 ($36) PINB PINB7 PINB6 PINB5 PINB4 PINB3 PINB2 PINB1 PINB0
$15 ($35) PORTC PORTC7 PORTC6 PORTC5 PORTC4 PORTC3 PORTC2 PORTC1 PORTC0
$14 ($34) DDRC DDC7 DDC6 DDC5 DDC4 DDC3 DDC2 DDC1 DDC0
$13 ($33) PINC PINC7 PINC6 PINC5 PINC4 PINC3 PINC2 PINC1 PINC0
$12 ($32) PORTD PORTD7 PORTD6 PORTD5 PORTD4 PORTD3 PORTD2 PORTD1 PORTD0
$11 ($31) DDRD DDD7 DDD6 DDD5 DDD4 DDD3 DDD2 DDD1 DDD0
$10 ($30) PIND PIND7 PIND6 PIND5 PIND4 PIND3 PIND2 PIND1 PIND0
$0F ($2F) SPDR SPI Data Register
$0E ($2E) SPSR SPSE WCOL - - - - - -
$0D ($2D) SPCR SPIE SPE DORD MSTR CPOL CPHA SPR1 SPR0

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Guia para Uso do Assembler AVR

$0C ($2C) UDR UART I/O Data Register


$0B ($2B) USR RXC TXC UDRE FE OR - - -
$0A ($2A) UCR RXCIE TXCIE UDRIE RXEN TXEN CHR9 RXB8 TXB8
$09 ($29) UBRR UART Baud Rate Register
$08 ($28) ACSR ACD - ACO ACI ACIE ACIC ACIS1 ACIS0
… Reserved
$00 ($20) Reserved

Bits reservados devem ser escritos com zero, se forem acessados.


Endereços de memória de I/O reservados nunca devem ser escritos. Alguns
flags de status são zerados com a escrita do valor lógico UM neles.
As instruções CBI e SBI operarão em todos os bits dos registradores de
I/O, escrevendo um UM lógico no flag lido como UM lógico e assim zerando o
flag. As instruções CBI e SBI operam com os registradores de $00 a $1F
apenas.

16.4- Tabela de Instruções

Rd: Registrador de destino (e origem)


Rr: Registrador de origem
b: Constante (0-7), pode ser uma expressão constante
s: Constante (0-7), pode ser uma expressão constante
P: Constante (0-31/63), pode ser uma expressão constante
k: Constante, faixa de valores depende da instrução. Pode ser uma expressão
constante
q: Constante (0-63), pode ser uma expressão constante
Rdl: R24, R26, R28, R30. Usados nas instruções ADIW e SBIW
X,Y,Z: Registradores para endereçamento indireto (X=R27:R26, Y=R29:R28,
Z=R31:R30)

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Guia para Uso do Assembler AVR

Tabela 16-2:
INSTRUÇÕES ARITMÉTICAS E LÓGICAS
Nº de
Mnemônicos Operandos Descrição Operação Flags
Clock
ADD Rd, Rr Soma dois registradores Rd Å Rd + Rr Z,C,N,V,H 1

Soma com Carry dois


ADC Rd, Rr Rd Å Rd + Rr + C Z,C,N,V,H 1
registradores
ADIW Rdl,K Soma valor imediato a uma
palavra Rdh:Rdl Å Rdh:Rdl + K Z,C,N,V,S 2
SUB Rd, Rr Subtrai dois registradores Rd Å Rd – Rr Z,C,N,V,H 1

Subtrai uma constante de um


SUBI Rd, K Rd Å Rd – K Z,C,N,V,H 1
registrador
Subtrai com Carry dois
SBC Rd, Rr Rd Å Rd – Rr – C Z,C,N,V,H 1
registradores
Subtrai com Carry constante de
SBCI Rd, K Rd Å Rd – K – C Z,C,N,V,H 1
registrador
SBIW Rdl,K Subtrai valor imediato de uma
Rdh:Rdl Å Rdh:Rdl – K Z,C,N,V,S 2
palavra
AND Rd, Rr E lógico entre registradores Rd Å Rd · Rr Z,N,V 1

E lógico entre registrador e


ANDI Rd, K Rd Å Rd · K Z,N,V 1
constante
OR Rd, Rr OU lógico entre registradores Rd Å Rd v Rr Z,N,V 1

OU lógico entre registrador e


ORI Rd, K Rd Å Rd v K Z,N,V 1
constante
OU Exclusivo entre
EOR Rd, Rr Rd Å Rd Å Rr Z,N,V 1
registradores
COM Rd Complemento de um Rd Å $FF – Rd Z,C,N,V 1

NEG Rd Complemento de dois Rd Å $00 – Rd Z,C,N,V,H 1

SBR Rd,K Faz bit(s) no registrador = 1 Rd Å Rd v K Z,N,V 1

CBR Rd,K Faz bit(s) no registrador = 0 Rd Å Rd · ($FF – K) Z,N,V 1

INC Rd Incrementa Rd Å Rd + 1 Z,N,V 1

DEC Rd Decrementa Rd Å Rd – 1 Z,N,V 1

Testa registrador por zero ou


TST Rd Rd Å Rd · Rd Z,N,V 1
negativo
CLR Rd Faz registrador = $00 Rd Å Rd Å Rd Z,N,V 1

SER Rd Faz registrador = $FF Rd Å $FF None 1

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Guia para Uso do Assembler AVR

Tabela 16-3:
INSTRUÇÕES DE DESVIO
Nº de
Mnemônicos Operandos Descrição Operação Flags
Clock
RJMP k Salto relativo PC Å PC + k + 1 None 2

IJMP Salto indireto a (Z) PC Å Z None 2

RCALL k Chamada relativa a sub-rotina PC Å PC + k + 1 None 3

ICALL Chamada indireta a (Z) PC Å Z None 3

RET Retorno de sub-rotina PC Å STACK None 4

RETI Retorno de interrupção PC Å STACK I 4

Compara, salta instrução se for se (Rd = Rr) PC Å PC + 2 1/2/


CPSE Rd,Rr
None 3
igual ou 3

CP Rd,Rr Compara Rd – Rr Z, N,V,C,H 1

CPC Rd,Rr Compara com Carry Rd – Rr – C Z, N,V,C,H 1

Compara registrador com valor


CPI Rd,K Rd – K Z, N,V,C,H 1
imediato
Salta instrução se bit no se (Rr(b)=0) PC Å PC + 2 1/2/
SBRC Rr, b
None 3
registrador é zero ou 3
se (Rr(b)=1) PC Å PC + 2 1/2/
Salta instrução se bit no None 3
SBRS Rr, b ou 3
registrador é um se (P(b)=0) PC Å PC + 2 1/2/
ou 3 None 3
Salta instrução se bit no reg. de
SBIC P, b I/O é zero se (P(b)=1) PC Å PC + 2 1/2/
None 3
Salta instrução se bit no reg. de ou 3
SBIS P, b I/O é um
se (SREG(s)=1) então PC
BRBS s, k Desvia se flag de status é um None 1/2
Å PC+ k + 1
se (SREG(s)=0) então PC
BRBC s, k Desvia se flag de status é zero None 1/2
Å PC+ k + 1
se (Z = 1) então PC Å PC
BREQ k Desvia se igual None 1/2
+k+1
se (Z = 0) então PC Å PC
BRNE k Desvia se não igual
None 1/2
+k+1
se (C = 1) então PC Å PC
BRCS k Desvia se Carry é um
None 1/2
+k+1
BRCC k Desvia se Carry é zero se (C = 0) então PC Å PC
None 1/2
+k+1
se (C = 0) então PC Å PC
BRSH k Desvia se maior ou igual
None 1/2
+k+1
BRLO k Desvia se menor se (C = 1) então PC Å PC
+k+1 None 1/2
se (N = 1) então PC Å PC
BRMI k Desvia se negativo None 1/2
+k+1
se (N = 0) então PC Å PC
BRPL k Desvia se positivo None 1/2
+k+1

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Guia para Uso do Assembler AVR

Desvia se maior ou igual, se (N Å V = 0) então PC Å


BRGE k None 1/2
PC + k + 1
sinalizado
se (N Å V = 1) então PC Å
Desvia se menor do que zero, None 1/2
BRLT k PC + k + 1
sinalizado
BRHS k Desvia se Half Carry é um se (H = 1) então PC Å PC
+k+1 None 1/2
se (H = 0) então PC Å PC
BRHC k Desvia se Half Carry é zero
None 1/2
+k+1
se (T = 1) então PC Å PC
BRTS k Desvia se flag T é um
None 1/2
+k+1
BRTC k Desvia se flag T é zero se (T = 0) então PC Å PC
None 1/2
+k+1
se (V = 1) então PC Å PC
BRVS k Desvia se flag de Overflow é um
None 1/2
+k+1
Desvia se flag de Overflow é se (V = 0) então PC Å PC
BRVC k
None 1/2
zero +k+1
se ( I = 1) então PC Å PC
BRIE k Desvia se interrupções estão None 1/2
+k+1
habilitadas se ( I = 0) então PC Å PC
Desvia se interrupções estão None 1/2
BRID k +k+1
desabilitadas

Tabela 16-4:
INSTRUÇÕES DE TRANSFERÊNCIA DE DADOS
Nº de
Mnemônicos Operandos Descrição Operação Flags
Clock
Move conteúdo de registrador
MOV Rd, Rr Rd Å Rr None 1
para outro
LDI Rd, K Carrega valor imediato Rd Å K None 1

LD Rd, X Carrega valor indireto Rd Å (X) None 2

Carrega valor indireto com pós


LD Rd, X+ Rd Å (X), X Å X + 1 None 2
incremento
Carrega valor indireto com pré
LD Rd, - X X Å X – 1, Rd Å (X) None 2
decremento
LD Rd, Y Carrega valor indireto Rd Å (Y) None 2

Carrega valor indireto com pós


LD Rd, Y+ Rd Å (Y), Y Å Y + 1 None 2
incremento
Carrega valor indireto com pré
LD Rd, - Y Y Å Y – 1, Rd Å (Y) None 2
incremento
Carrega valor indireto com
LDD Rd,Y + q Rd Å (Y + q) None 2
deslocamento
LD Rd, Z Carrega valor indireto Rd Å (Z) None 2

LD Rd, Z+ Carrega valor indireto com pós


incremento Rd Å (Z), Z Å Z+1 None 2
Carrega valor indireto com pré
LD Rd, -Z Z Å Z – 1, Rd Å (Z) None 2
decremento
Carrega valor indireto com
LDD Rd, Z+q Rd Å (Z + q) None 2
deslocamento
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Guia para Uso do Assembler AVR

LDS Rd, k Carrega valor direto da SRAM Rd Å (k) None 2

ST X, Rr Armazena valor indireto (X) Å Rr None 2

Armazena valor indireto com


ST X+, Rr (X) Å Rr, X Å X + 1 None 2
pós inc.
Armazena valor indireto com pré
ST -X, Rr X Å X – 1, (X) Å Rr None 2
dec.
ST Y, Rr Armazena valor indireto (Y) Å Rr None 2

ST Y+, Rr Armazena valor indireto com


pós inc. (Y) Å Rr, Y Å Y + 1 None 2
Armazena valor indireto com pré
ST -Y, Rr Y Å Y – 1, (Y) Å Rr None 2
dec.
Armazena valor indireto com
STD Y + q, Rr (Y + q) Å Rr None 2
deslocamento
ST Z, Rr Armazena valor indireto (Z) Å Rr None 2

Armazena valor indireto com


ST Z+, Rr (Z) Å Rr, Z Å Z + 1 None 2
pós inc.
Armazena valor indireto com pré
ST -Z, Rr Z Å Z – 1, (Z) Å Rr None 2
dec.
Armazena valor indireto com
STD Z+q, Rr (Z + q) Å Rr None 2
deslocamento
STS k, Rr Armazena direto na SRAM (k) Å Rr None 2

LPM Carrega valor da memória de


R0 Å (Z) None 3
programa
IN Rd, P Port de entrada Rd Å P None 1

OUT P, Rr Port de saída P Å Rr None 1

PUSH Rr Guarda valor na pilha STACK Å Rr None 2

Busca valor da pilha para o


POP Rd Rd Å STACK None 2
registrador

Tabela 16-5:
INSTRUÇÕES DE TESTE BIT A BIT

SBI P,b Faz bit no registrador de I/O = 1 I/O(P,b) Å 1 None 2

CBI P,b Faz bit no registrador de I/O = 0 I/O(P,b) Å 0 None 2

Deslocamento lógico para a Rd(n+1) Å Rd(n), Rd(0) Å


LSL Rd
Z,C,N,V 1
esquerda 0
Rd(n) Å Rd(n+1), Rd(7) Å
LSR Rd Deslocamento lógico para da Z,C,N,V 1
0
direita Rd(0)Å C,Rd(n+1)Å
Rd(n),CÅRd(7) Z,C,N,V 1
ROL Rd Rotação para a esquerda com
Carry Rd(7)ÅC,Rd(n)Å
Z,C,N,V 1
Rd(n+1),CÅRd(0)
Rotação para a direita com
ROR Rd Carry
Deslocamento aritmético para a
ASR Rd Rd(n) Å Rd(n+1), n=0..6 Z,C,N,V 1
direita

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 194


Guia para Uso do Assembler AVR

SWAP Rd Troca nibbles Rd(3..0)Å


None 1
Rd(7..4),Rd(7..4)ÅRd(3..0)
BSET s Faz flag = 1 SREG(s) Å 1 SREG(s) 1

BCLR s Faz flag = 0 SREG(s) Å 0 SREG(s) 1

BST Rr, b Armazena bit do reg. no flag T T Å Rr(b) T 1

BLD Rd, b Carrega bit no reg. com o flag T Rd(b) Å T None 1

SEC Faz Carry = 1 CÅ1 C 1

CLC Faz Carry = 0 CÅ0 C 1

SEN Faz flag Negative = 1 NÅ1 N 1

CLN Faz flag Negative = 0 NÅ0 N 1

SEZ Faz flag Zero = 1 Z Å1 Z 1

CLZ Faz flag Zero = 0 ZÅ0 Z 1

SEI Habilita interrupções IÅ1 I 1

CLI Desabilita interrupções IÅ0 I 1

SES Faz flag Signed Test = 1 SÅ1 S 1

CLS Faz flag Signed Test = 0 SÅ0 S 1

Faz flag Two’s Complement VÅ1 V 1


SEV Overflow = 1

CLV Faz flag Two’s Complement VÅ0 V 1


Overflow = 0
SET Faz flag T no SREG = 1 TÅ1 T 1

CLT Faz flag T no SREG = 0 TÅ0 T 1

SEH Faz flag Half Carry no SREG = 1 H Å 1 H 1

CLH Faz flag Half Carry no SREG = 0 H Å 0 H 1

NOP Nenhuma operação None 1

SLEEP Sleep None 3

WDR Reinicia Watchdog None 1

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 195


Guia para Uso do Assembler AVR

16.5- Diretivas no Assembler


As diretivas não são convertidas diretamente em opcodes (códigos de
operação). Elas são usadas para corrigir endereços do programa na memória,
definir macros, inicializar memória, dentre outras funções. A tabela 16-6 mostra
a lista de diretivas suportadas pelo Assembler.

Tabela 16-6:
Diretiva Descrição
BYTE Reserva bytes para uma variável
CSEG Segmento de código
DB Define constantes de um byte
DEF Define um nome simbólico para um registrador
DEVICE Define o componente para o Assembler
DSEG Segmento de dados
DW Define constantes de dois bytes (word)
ENDMACRO Finaliza de uma macro
EQU Substitui uma expressão por um nome simbólico
ESEG Segmento da EEPROM
EXIT Sai do arquivo
INCLUDE Le o fonte de outro arquivo
LIST Habilita a criação de um arquivo de descrição (list file)
LISTMAC Habilita a expansão de macro
MACRO Inicia uma macro
NOLIST Desabilita a criação de um arquivo de descrição (list file)
ORG Posiciona o programa no endereço dado
SET Substitui uma expressão por um nome simbólico

Todas as diretivas devem ser precedidas por um ponto (.).

BYTE – Reserva bytes para uma variável


A diretiva BYTE reserva posições de memória na SRAM. A diretiva BYTE deve
ser precedida por um label (nome da variável). A diretiva recebe como
parâmetro o número de bytes a serem reservados para a variável na SRAM.
Por isso, essa diretiva deve ser usada apenas dentro das definições do
segmento de dados (DSEG). Os bytes reservados não serão inicializados.

Sintaxe:
LABEL: .BYTE expressão

Exemplo:
.DSEG
var1: .BYTE 1 ; reserva 1 byte para var1
table: .BYTE tab_size ; reserva tab_size bytes para table
.CSEG
ldi r30,low(var1) ; Carrega o registrador BAIXO de Z
ldi r31,high(var1) ; Carrega o registrador ALTO de Z ld
r1,Z ; Carrega VAR1 para o registrador 1

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 196


Guia para Uso do Assembler AVR

CSEG – Segmento de código


A diretiva CSEG define o início do Segmento de Código. Um arquivo pode
conter vários segmentos de código, que serão concatenados em um único
segmento de código quando o Assembler for executado. A diretiva BYTE não
pode ser usada dentro de um segmento de código. A diretiva ORG pode ser
usada para especificar endereços de códigos ou constantes na memória de
programa. Esta diretiva não requer nenhum parâmetro.

Sintaxe:
.CSEG

Exemplo:
.DSEG ; Início do segmento de dados
vartab: .BYTE 4 ; Reserva 4 bytes na SRAM para vartab

.CSEG ; Início do segmento de código


const: .DW 2 ; Escreve o valor 0x0002 (16 bits) na memória de
; programa
mov r1,r0 ; Faz qualquer coisa

DB – Define constantes de um byte na memória de programa ou na


EEPROM
A diretiva DB armazena bytes na memória de programa ou na EEPROM. A
diretiva DB deve ser precedida por um label (nome de uma constante). A
diretiva recebe como parâmetro um byte ou uma seqüência de bytes.
A diretiva DB deve ser usada dentro do segmento de código ou segmento de
EEPROM. Os bytes da lista devem ser separados por vírgulas (,). Cada valor
deve ser um número entre –128 e 255. Se o valor for negativo, a representação
complemento a dois de 8 bits do valor será armazenada na memória de
programa ou na EEPROM.
Se a diretiva DB é usada no segmento de código e o número de valores é
maior do que um, os dados são armazenados a cada dois bytes em cada
endereço da memória de programa.

Sintaxe:
LABEL: .DB listadevalores

Exemplo:
.CSEG
consts: .DB 0, 255, 0b01010101, -128, 0xaa
.ESEG
eeconst: .DB 0xff

DEF – Define um nome simbólico para um registrador


A diretiva DEF permite que os registradores possam ser chamados por nomes
simbólicos. Um nome definido é usado pelo programa para chamar um
registrador. Um registrador pode ter vários nomes associados a ele. Um nome
pode ser redefinido mais tarde dentro do programa.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 197


Guia para Uso do Assembler AVR

Sintaxe:
.DEF Nome=Registrador

Exemplo:
.DEF temp=R16
.DEF ior=R0
.CSEG
ldi temp,0xf0 ; Carrega o valor 0xf0 no registrador temp
in ior,0x3f ; Le SREG e o armazena no registrador ior
eor temp,ior ; Ou Exclusivo entre temp e ior

DEVICE – Define qual componente será usado pelo programa


A diretiva DEVICE indica para o Assembler qual componente que o código será
executado. Se esta diretiva é usada e o código possui uma instrução não
suportada pelo componente, uma mensagem de aviso é mostrada de
Assembler. Se o tamanho do segmento de código ou do segmento da
EEPROM é maior do que o suportado pelo componente especificado, um aviso
também ocorrerá. Se a diretiva DEVICE não for usada, o Assembler assume
que todas as instruções são suportadas e não há restrições de tamanho de
memória.

Sintaxe:
.DEVICE AT90S1200 | AT90S2313 | AT90S4414 | AT90S8515

Exemplo:
.DEVICE AT90S1200 ; Especifica que o componente a ser usado é o
AT90S1200
.CSEG
push r30 ; Essa instrução irá gerar um mensagem de aviso, já que o
; componente especificado não suporta esta instrução

DSEG – Segmento de dados


A diretiva DSEG define o início do segmento de dados. Um arquivo pode conter
vários segmentos de dados, que serão concatenados em um único segmento
de dados quando o Assembler for executado. Um segmento de dados consistirá,
basicamente, de diretivas BYTE (e labels). A diretiva ORG pode ser usada para
endereçar variáveis na SRAM. A diretiva não requer nenhum parâmetro.

Sintaxe:
.DSEG

Exemplo:
.DSEG ; Início do segmento de dados
var1: .BYTE 1 ; reserva 1 byte para var1
table: .BYTE tab_size ; reserva tab_size bytes

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Guia para Uso do Assembler AVR

.CSEG
ldi r30,low(var1) ; Carrega o registrador baixo de Z
ldi r31,high(var1) ; Carrega o registrador alto de Z
ld r1,Z ; Carrega var1 para registrador 1

DW – Define constantes de dois bytes (word) na memória de programa ou


na EEPROM
A diretiva DW reserva words memória de programa ou na EEPROM. A diretiva
DW deve ser precedida por um label (nome de uma constante). A diretiva
recebe como parâmetro uma word ou uma seqüência de words.
A diretiva DW deve ser usada dentro do segmento de código ou segmento de
EEPROM. As words da lista devem ser separadas por vírgulas (,). Cada valor
deve ser um número entre –32768 e 65535. Se o valor for negativo, a
representação complemento a dois de 16 bits do valor será armazenada na
memória de programa ou na EEPROM.

Sintaxe:
LABEL: .DW listadevalores

Exemplo:
.CSEG
varlist: .DW 0,0xffff,0b1001110001010101,-32768,65535
.ESEG
eevar: .DW 0xffff

ENDMACRO – Finaliza uma macro


A diretiva ENDMACRO indica o fim de uma definição de macro. Esta diretiva
não requer parâmetros.

Sintaxe:
.ENDMACRO

Exemplo:
.MACRO SUBI16 ; Inicia uma definição de macro
subi r16,low(@0) ; Subtrai o byte baixo
sbci r17,high(@0) ; Subtrai o byte alto
.ENDMACRO ; Fim da definição de macro

EQU – Substitui uma expressão por um nome simbólico


A diretiva EQU associa um nome (label) a um valor. Esse nome pode ser
usado em expressões posteriores. Um nome associado a um valor pela diretiva
EQU é uma constante e não pode ser mudado ou redefinido.

Sintaxe:
.EQU label = expressão

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Guia para Uso do Assembler AVR

Exemplo:
.EQU io_offset = 0x23
.EQU porta = io_offset + 2
.CSEG ; Início do segmento de código
clr r2 ; Zera o registrador 2
out porta,r2 ; Escreve o valor do registrador 2 no Port A

ESEG – Segmento de EEPROM


A diretiva ESEG define o início do segmento de EEPROM. Um arquivo pode
conter vários segmentos de EEPROM, que serão concatenados para um único
segmento de EEPROM quando o Assembler for executado. A diretiva BYTE
não pode ser usada em um segmento de EEPROM. A diretiva ORG pode ser
usada para localizar constantes na EEPROM. Esta diretiva não requer
parâmetros.

Sintaxe:
.ESEG

Exemplo:
.DSEG ; Inicia o segmento de dados
vartab: .BYTE 4 ; Reserva 4 bytes na SRAM
.ESEG
eevar: .DW 0xff0f ; Inicializa uma word na EEPROM
.CSEG ; Inicia o segmento de código
const: .DW 2 ; Escreve o valor 0x0002 na memória de programa
mov r1,r0 ; Faz qualquer coisa

EXIT – Sai deste arquivo


A diretiva EXIT para a execução do Assembler. Normalmente, o Assembler é
executado até encontrar o fim de arquivo (EOF). Se a diretiva EXIT aparece em
um arquivo que foi incluído, o Assembler continua da linha seguinte da diretiva
INCLUDE.

Sintaxe:
.EXIT

Exemplo:
.EXIT ; Sai deste arquivo

INCLUDE – Inclui outro arquivo


A diretiva INCLUDE indica para o Assembler começar a leitura do arquivo
especificado. O Assembler então é executado até encontrar o fim de arquivo
(EOF) ou uma diretiva EXIT. Um arquivo incluído pode conter também outras
diretivas INCLUDE.

Sintaxe:
.INCLUDE “nomedoarquivo”

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Guia para Uso do Assembler AVR

Exemplo:
; iodefs.asm:
.EQU sreg=0x3f ; Registrador de Status
.EQU sphigh=0x3e ; Registrador Alto do Ponteiro de Pilha (Stack pointer)
.EQU splow=0x3d ; Registrador Baixo do Ponteiro de Pilha (Stack pointer)

; incdemo.asm
.INCLUDE “iodefs.asm” ; Inclui definições de I/O
in r0,sreg ; Le registrador de status

LIST – Habilita a criação do arquivo de descrição (listfile)


A diretiva LIST indica para o Assembler criar um arquivo de descrição (listfile).
Esse arquivo é uma combinação do código fonte, endereços e opcodes
(códigos de instruções). A criação deste arquivo, por default, está habilitada.
Esta diretiva pode ser usada junto com a diretiva NOLIST para gerar um listfile
de partes do programa fonte.
Sintaxe:
.LIST

Exemplo:
.NOLIST ; Desabilita a criação do listfile
.INCLUDE “macro.inc” ; Os arquivos incluídos não serão mostrados o listfile
.INCLUDE “const.def”
.LIST ; Habilita novamente a criação do listfile

LISTMAC – Habilita expansão de macro


A diretiva LISTMAC informa para o Assembler que, quando uma macro é
chamada, a expansão da macro deve ser mostrada no listfile gerado pelo
Assembler. Por default, apenas as chamadas de macros com parâmetros são
mostradas no listfile.

Sintaxe:
.LISTMAC

Exemplo:
.MACRO MACX ; Define um exemplo de macro
add r0,@0 ; Faz qualquer coisa
eor r1,@1 ; Faz qualquer coisa
.ENDMACRO ; Fim da definição da macro
.LISTMAC ; Habilita expansão da macro
MACX r2,r1 ; Chama a macro, mostra a expansão

MACRO – Inicia uma macro


A diretiva MACRO informa para o Assembler o início de uma macro. A diretiva
MACRO usa o nome da macro como parâmetro. Quando o nome da macro é
escrito posteriormente no programa, a definição da macro é expandida no local

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 201


Guia para Uso do Assembler AVR

onde ela foi usada. Uma macro suporta até 10 parâmetros. Esses parâmetros
são chamados como @0-@9 dentro da definição da macro. Na chamada de
uma macro, os parâmetros são passados em forma de lista, separados por
vírgulas (,). Uma definição de macro é finalizada por uma diretiva ENDMACRO.
Por default, apenas as chamadas a uma macro são mostradas no listfile gerado
pelo Assembler. Para incluir uma expansão de macro no listfile, a diretiva
LISTMAC deve ser usada. Uma macro é marcada com um + no campo do
opcode no listfile.

Sintaxe:
.MACRO nomedamacro

Exemplo:
.MACRO SUBI16 ; Inicia uma definição de macro
subi @1,low(@0) ; Subtrai o byte baixo
sbci @2,high(@0) ; Subtrai o byte alto
.ENDMACRO ; Fim da definição da macro
.CSEG ; Início do segmento de código
SUBI16 0x1234,r16,r17 ; Subtrai 0x1234 de r17:r16

NOLIST – Desabilita a criação do arquivo de descrição (listfile)


A diretiva NOLIST informa que o Assembler não deve criar o arquivo de
descrição listfile. Normalmente, o Assembler gera um listfile que é uma
combinação de código fonte, endereços e opcodes. Por default, a criação do
listfile é habilitada, mas pode ser desabilitada usando a diretiva NOLIST. Esta
diretiva pode ser usada junto com a diretiva LIST para gerar um listfile de
partes do programa fonte.

Sintaxe:
.NOLIST ; Habilita a geração de listfile

Exemplo:
.NOLIST ; Desabilita a geração de listfile
.INCLUDE “macro.inc” ; Os arquivos incluídos não serão mostrados no
; listfile
.INCLUDE “const.def” ;
.LIST ; Habilita novamente a geração de listfile

ORG – Posiciona o programa no endereço dado


A diretiva ORG posiciona o programa no endereço dado. Se a diretiva ORG for
usada no segmento de dados, um valor será armazenado a partir do endereço
especificado. Se a diretiva ORG for usada no segmento de código, um valor
será armazenado a partir do endereço especificado. Se a diretiva OR for usada
no segmento de EEPROM, um valor será armazenado a partir do endereço
especificado. Se a diretiva for precedida por um label (na mesma linha do
código fonte), o label será tomado como parâmetro. O valor default inicial dos
endereços de memória de código e EEPROM é zero, enquanto para a SRAM é
32 (a partir dos registradores R0-R31). O endereço da EEPROM e a SRAM é

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Guia para Uso do Assembler AVR

dado em bytes enquanto o endereço da memória de programa é dado em


words.

Sintaxe:
.ORG expressão

Exemplo:
.DSEG ; Inicia a memória de dados
.ORG 0x67 ; Aponta para o endereço 0x67 da SRAM
variable:.BYTE 1 ; Reserva um byte no endereço 0x67 da SRAM
.ESEG ; Inicia do segmento da EEPROM
.ORG 0x20 ; Aponta para o endereço 0x20 da EEPROM
eevar: .DW 0xfeff ; Inicializa uma word
.CSEG
.ORG 0x10 ; Aponta para o endereço 0x10 da memória de
; programa
mov r0,r1 ; Faz qualquer coisa

EQU – Substitui uma expressão por um nome simbólico


A diretiva EQU associa um nome (label) a um valor. Esse nome pode ser
usado em expressões posteriores. Um nome associado a um valor pela diretiva
EQU é uma constante e não pode ser mudado ou redefinido.

SET – Substitui uma expressão por um nome simbólico


A diretiva SET associa um nome (label) a um valor. Esse nome poder ser usado
em expressões posteriores. Um nome associado a um valor pela diretiva SET
pode ser alterado no programa.

Sintaxe:
.SET label = expressão

Exemplo:
.SET io_offset = 0x23
.SET porta = io_offset + 2
.CSEG ; Inicia o segmento de código
clr r2 ; Zera o registrador 2
out porta,r2 ; Escreve o conteúdo do registrador 2 no Port A

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Guia para Uso do Assembler AVR

16.6- Expressões
O Assembler pode manipular expressões. Expressões consistem de
operandos, operadores e funções. Todas as expressões, internamente, são de
32 bits.

Operandos

Os seguintes operandos podem ser usados:


- Labels definidos pelo usuário para um endereço da memória
- Variáveis definidas pela diretiva SET
- Variáveis definidas pela diretiva QUE
- Constantes inteiras: constantes de vários tipos:
a) Decimal (default): 10, 255
b) Hexadecimal (duas notações): 0x0a, $0a, 0xff, $ff
c) Binário: 0b00001010, 0b11111111
- PC – o valor atual do contador de endereços da memória de programa

Funções

As seguintes funções são definidas:


- LOW(expressão) retorna o primeiro byte de uma expressão
- HIGH(expressão) retorna o segundo byte de uma expressão
- BYTE2(expressão) tem a mesma função de HIGH
- BYTE3(expressão) retorna o terceiro byte de uma expressão
- BYTE4(expressão) retorna o quarto byte de uma expressão
- LWRD(expressão) retorna os bits de 0 a 15 (low word) de uma expressão
- HWRD(expressão) retorna os bits de 16 a 31 (high word) de uma expressão
- PAGE(expressão) retorna os bits de 16 a 21 de uma expressão
- EXP2(expressão) retorna 2^expressão
- LOG2(expressão) retorna a parte inteira de log2(expressão)

Operadores

O Assembler suporta vários operadores, onde o de maior precedência


possui a maior prioridade.

Não Lógico
Símbolo: !
Descrição: Operador unário que retorna 1 se a expressão for zero e retorna 0
se a expressão for diferente de zero.
Precedência: 14
Exemplo: ldi r16,!0xf0 ; Carrega r16 com 0x00

Não bit a bit


Símbolo: ~

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Descrição: Operador unário que retorna todos os bits invertidos de uma


expressão.
Precedência: 14
Exemplo: ldi r16,~0xf0 ; Carrega r16 com 0x0f

Negação
Símbolo: -
Descrição: Operador unário que retorna a negação aritmética de uma
expressão.
Precedência: 14
Exemplo: ldi r16,-2 ; Carrega -2(0xfe) em r16

Multiplicação
Símbolo: *
Descrição: Operador binário que retorna o produto de duas expressões.
Precedência: 13
Exemplo: ldi r30,label*2 ; Carrega r30 com label*2

Divisão
Símbolo: /
Descrição: Operador binário que retorna o quociente inteiro da expressão da
esquerda dividida pelo expressão da direita.
Precedência: 13
Exemplo: ldi r30,label/2 ; Carrega r30 com label/2

Adição
Símbolo: +
Descrição: Operador binário que retorna a soma de duas expressões
Precedência: 12
Exemplo: ldi r30,c1+c2 ; Carrega r30 com c1+c2

Subtração
Símbolo: -
Descrição: Operador binário que retorna a expressão da esquerda menos a
expressão da direita.
Precedência: 12
Exemplo: ldi r17,c1-c2 ; Carrega r17 com c1-c2

Deslocamento para a esquerda


Símbolo: <<
Descrição: Operador binário que retorna a expressão da esquerda deslocada
para a esquerda um número de vezes igual à expressão da direita.
Precedência: 11
Exemplo: ldi r17,1<<bitmask ;Carrega r17 com 1 deslocado para a esquerda
bitmask vezes

Deslocamento para a direita


Símbolo: >>
Descrição: Operador binário que retorna a expressão da esquerda deslocada
para a direita um número de vezes igual à expressão da direita.

FACENS ELETRÔNICA II Prof. Sidney José Montebeller 205


Guia para Uso do Assembler AVR

Precedência: 11
Exemplo: ldi r17,c1>>c2 ;Carrega r17 com c1 deslocado para a direita c2
vezes

Menor do que
Símbolo: <
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a expressão sinalizada da
esquerda for menor do que a expressão sinalizada da direita, caso contrário,
retorna 0.
Precedência: 10
Exemplo: ori r18,bitmask*(c1<c2)+1 ; Ou entre r18 e uma expressão

Menor ou igual
Símbolo: <=
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a expressão sinalizada da
esquerda for menor ou igual à expressão da direita, caso contrário, retorna 0.
Precedência: 10
Exemplo: ori r18,bitmask*(c1<=c2)+1 ; Ou entre r18 e uma expressão

Maior do que
Símbolo: >
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a expressão sinalizada da
esquerda for maior do que a expressão da direita, caso contrário, retorna 0.
Precedência: 10
Exemplo: ori r18,bitmask*(c1>c2)+1 ; Ou entre r18 e uma expressão

Maior ou igual
Símbolo: >=
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a expressão sinalizada da
esquerda for maior ou igual à expressão da direita, caso contrário, retorna 0.
Precedência: 10
Exemplo: ori r18,bitmask*(c1>=c2)+1 ; Ou entre r18 e uma expressão

Igual
Símbolo: ==
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a expressão sinalizada da
esquerda for igual à expressão da direita, caso contrário, retorna 0.
Precedência: 9
Exemplo: andi r19,bitmask*(c1==c2)+1 ; E entre r19 e uma expressão

Diferente
Símbolo: !=
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a expressão sinalizada da
esquerda for diferente da expressão sinalizada da direita, caso contrário,
retorna 0.
Precedência: 9
Exemplo: .SET flag=(c1!=c2) ; Faz flag igual a 1 ou 0

E bit a bit
Símbolo: &

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Guia para Uso do Assembler AVR

Descrição: Operador binário que retorna a operação E bit a bit entre duas
expressões.
Precedência: 8
Exemplo: ldi r18,High(c1&c2) ; Carrega r18 com uma expressão

Ou Exclusivo bit a bit


Símbolo: ^
Descrição: Operador binário que retorna a operação de Ou Exclusivo bit a bit
entre duas expressões.
Precedência: 7
Exemplo: ldi r18,Low(c1^c2) ; Carrega r18 com uma expressão

Ou bit a bit
Símbolo: |
Descrição: Operador binário que retorna a operação Ou bit a bit entre duas
expressões.
Precedência: 6
Exemplo: ldi r18,Low(c1|c2) ; Carrega r18 com uma expressão

E lógico
Símbolo: &&
Descrição: Operador binário que retorna 1 se a ambas expressões forem
diferentes de zero, caso contrário, retorna 0.
Precedência: 5
Exemplo: ldi r18,Low(c1&&c2) ; Carrega r18 com uma expressão

Ou lógico
Símbolo: ||
Descrição: Operador binário que retorna 1 se uma ou ambas expressões forem
diferentes de zero, caso contrário, retorna 0.
Precedência: 4
Exemplo: ldi r18,Low(c1||c2) ; Carrega r18 com uma expressão

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