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Conto, canto e encanto com a minha história Centro de Guarulhos em 1940. Guarulhos Espaço
Conto, canto e encanto com a minha história
Centro de Guarulhos em 1940.
Guarulhos
Espaço de Muitos Povos
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– Antigo campo do Paulista Esporte Clube, atual Praça GetúlioVargas ;2–Atual Rua Capitão Gabriel;
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– Atual Rua 7 de Setembro ;4–Atual Rua D. Pedro II;5–Atual Rua FelícioMarcondes ; 6 – IgrejaMatriz;
7
– EE Capistrano de Abreu ;8–Atual Rua João Gonçalves; 9 – Cemitério São João Batista.
ISBN 978-85-7673-122-1
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788576 731221

D:\CIDADES\GUARULHOS\Capa final 2008\Capa Guarulhos elton2009.cdr terça-feira, 28 de abril de 2009 14:53:13

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Copyright © 2008 by Noovha América

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Editor Responsável

Nelson de Aquino Azevedo

Coordenador Editorial

Jefferson Pereira Galdino

Organizadores do Livro

Elton Soares de Oliveira, Maria Cláudia Vieira Fernandes, Gláucia Garcia de

Carvalho, Elmi El Hage Omar, Benedito Antônio Genofre Prézia, Sandra Emi

Sato, William de Queiroz, Márcio Roberto Magalhães de Andrade, Antônio

Manoel dos Santos Oliveira, Lúcia de Jesus Cardoso Oliveira Juliani, Edson

José de Barros, José Elmano de Medeiros Pinheiro, Caetano Juliani e Vagner

Carvalheiro Porto.

Diagramação, Tratamento de Imagens e Capa

Jefferson Pereira Galdino

Mapas

William de Queiroz – Laboratório de Geoprocessamento – UnG

Cesar Cunha Ferreira

Fotografias

Maria Cláudia Vieira Fernandes, Márcia Pinto, Alexandre de Paula,

Elton Soares de Oliveira, João Machado, Aparício Reis (Índio), José Maria Muniz

Ventura, Levi da Silva, acervo de Isabel Borazanian, Gláucia Garcia de Carvalho,

acervo da Casa de Cultura Paulo Pontes, Massami Kishi, acervo do Grupo

Literário Letra Viva, acervo da Prefeitura Municipal de Guarulhos e Arquivo

Histórico de Guarulhos.

Revisão

Arte da Palavra

Sirlene Francisco Barbosa

Agradecimentos

A todos que colaboraram com a cessão de dados e fotos para esta publicação,

especialmente a Maria Genaina de Almeida Reder, Terezinha Missawa

Camurça e Marco Raczka.

www.guarulhostemhistoria.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Guarulhos: espaço de muitos povos. – 2 a ed. – São Paulo:

Noovha América, 2008. – (Série conto, canto e encanto com

a minha história

)

Vários organizadores Vários fotógrafos Bibliografia ISBN 978-85-7673-122-1 1. Guarulhos (SP) – História – Literatura infanto-juvenil I. Série.

08-11628

CDD-028.5

 

Índices para catálogo sistemático:

1.

Guarulhos: São Paulo: Estado: História:

Literatura infanto-juvenil 028.5

2.

Guarulhos: São Paulo: Estado: História:

Literatura juvenil 028.5

2 a Edição – 2008

Todos os direitos desta edição reservados à Noovha América Editora Distribuidora de Livros Ltda. Rua Monte Alegre, 351 – Perdizes São Paulo/SP – CEP 05014-000 Telefax: (0xx11) 3675-5488 Site: www.noovhaamerica.com.br

2

– CEP 05014-000 Telefax: (0xx11) 3675-5488 Site: www.noovhaamerica.com.br 2 E-mail: nova.america@cyberspace.com.br

E-mail: nova.america@cyberspace.com.br

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Este livro chega no momento em que os mora-

dores de Guarulhos anseiam por conhecer a histó- ria local, preservar suas tradições culturais e cuidar do meio ambiente. Período ímpar na história, quando surgem falas que reivindicam ações de fortalecimento da autoestima das populações locais, em face ao fenô- meno massificado da globalização. Certamente, a divulgação da história, a promo- ção da cultura e da educação, por exemplo, são fato- res que fortalecem o reconhecimento das pessoas. Ao resgatar o papel da história como elemento identitário, esta publicação se reveste de grande valor humanitário, prestando enormes serviços para

a educação e o aprendizado de nossas crianças, jo-

vens, adultos e para o município como um todo. Lembramos que em 2010 Guarulhos fará 450 anos de sua fundação e os conteúdos desta publica- ção, nas áreas de história natural, história social, aspectos geográficos e culturais, serão de grande valia para as reflexões no aniversário da cidade. Com frequência, ouvimos dizer que o brasileiro não tem memória e não valoriza a história. Contrariando o senso comum, assumimos o compromisso de resgatar e divulgar os fatos que nos dizem respeito, oferecendo, especialmente às nos- sas crianças e jovens, a oportunidade de se apropria- rem do conhecimento histórico local. Certamente, as ações que desenvolvemos hoje serão o legado que deixaremos para as gerações vin-

douras. Este trabalho traz consigo a mensagem de que cada pessoa é responsável pela história e que está em nossas mãos compreender o presente e o passado

e construir um mundo melhor. Dedicamos este trabalho à memória de bravos

homens e mulheres que por aqui passaram, viveram

e ajudaram a construir o município de Guarulhos e

também para os que hoje dão continuidade a esse trabalho e transformam Guarulhos em uma cidade mais humana, lembrando que nosso cenário urbano guarda o que temos de melhor: nossa gente, sua cultura e sua história.

Prefeitura Municipal de Guarulhos Secretaria Municipal de Educação

melhor: nossa gente, sua cultura e sua história. Prefeitura Municipal de Guarulhos Secretaria Municipal de Educação

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Vista parcial do centro antigo e da Praça Getúlio Vargas, na

Vista parcial do centro antigo e da Praça Getúlio Vargas, na década de 1950.

centro antigo e da Praça Getúlio Vargas, na década de 1950. Praça Getúlio Vargas, Rua Felício

Praça Getúlio Vargas, Rua Felício Marcondes, em 2008.

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centro antigo e da Praça Getúlio Vargas, na década de 1950. Praça Getúlio Vargas, Rua Felício

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Antiga Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos – Rua D. Pedro II, igreja demolida no final da década de 1920.

Sumário

 

Introdução

 

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Capítulo 1

– Aspectos Físicos e Naturais

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Capítulo 2

Formação

Socioeconômica

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Capítulo 3

– Mudanças Políticas e Administrativas

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Capítulo 4

– Circuitos Turísticos – Patrimônios Culturais e Ambientais

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Capítulo 5

– Guarulhos – Diversidade Cultural e Religiosa

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Capítulo 6

– Retrospectiva Histórica

97

Capítulo 7

– Sistema de Transportes e Rodovias

111

Capítulo 8

– Esporte e Lazer

 

115

Capítulo

9

Educação

117

Capítulo 10 – Símbolos Municipais

119

Capítulo 11 – Os Três Poderes

 

121

Referências Bibliográficas

127

Símbolos Municipais 119 Capítulo 11 – Os Três Poderes   121 Referências Bibliográficas 127 5

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

MINERAÇÃO DE OURO – INÍCIO DA EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE GUARULHOS

OURO – INÍCIO DA EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE GUARULHOS Fonte: Instituto Geográfico e Geológico –

Fonte: Instituto Geográfico e Geológico – IGG/Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, 1950.

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DE GUARULHOS Fonte: Instituto Geográfico e Geológico – IGG/Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo,

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Aldeia de tapuias. Johann Moritz Rugendas.

Introdução

G uarulhos constituiu-se como aldeia indígena por volta de 1560, mas seu nome, sua

data de fundação e até mesmo o nome do padre fundador são alvos de polêmica. Pesquisas iniciais apontavam os nomes dos padres João Álvares, Manuel de Paiva e Manuel Viegas como possíveis fundadores. Em 1983, a Câmara Municipal votou a Lei n o 2.789/83, oficializando o nome do padre Manuel de Paiva como o fundador de Guarulhos. A criação da aldeia de Nossa Senhora da Conceição, atual cidade de Guarulhos, esteve vincu- lada, desde o início, à Vila de São Paulo de Piratininga. A iniciativa dos colonizadores portugue- ses ao fundarem várias aldeias indígenas em São Paulo visava controlar o espaço para impedir a passagem dos espanhóis que rumavam, por terra, em direção às minas de ouro e prata de Potosí, na Bolívia, e também para a proteção contra os ataques dos indígenas Tamoio. Em 1675, nas terras de São Paulo, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à condição de distrito; dez anos depois, em 8 de maio de 1685, passou à categoria de freguesia. Apenas em 24 de março de 1880 foi elevada à condição de vila, emancipando-se de São Paulo, ocasião na qual teve seu nome abreviado para Conceição de Guarulhos. A atual denominação, por sua vez, foi assumida em 6 de novembro de 1906, quando ganhou o estatuto de cidade.

em 6 de novembro de 1906, quando ganhou o estatuto de cidade. Fundação de São Vicente

Fundação de São Vicente. Obra de Benedito Calixto.

em 6 de novembro de 1906, quando ganhou o estatuto de cidade. Fundação de São Vicente

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Indígena Puri, aparentando aos Maromomi . Ilustração de Rugendas. GUARULHOS Espaço de Muitos Povos A

Indígena Puri, aparentando aos Maromomi. Ilustração de Rugendas.

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

A origem do topônimo Guarulhos está intimamente relacionada aos primitivos habitantes do território. Os Maromomi foram os pri- meiros povoadores do lugar; expulsos do litoral paulista pelos Tupi, chegaram à região por volta de 1400 da era cristã; eram nômades e viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos. Os Maromomi perten- cem à família dos indígenas Puri e ao tronco linguístico Macro- -Jê. Em contato com os colonizadores, foram escravizados e, a partir de 1640, passaram a ser chamados de Guarulhos. Entre 1560 e 1623, Guarulhos era chamada de Nossa Senhora da Con- ceição dos Maromomi.

No ano em que Guarulhos completou 448 anos de funda- ção, foram observados pelo menos cinco aspectos para com- preender sua história: seu passado geológico; os primeiros ha- bitantes; os colonizadores portugueses; os imigrantes europeus, árabes e asiáticos e o êxodo rural brasileiro. Tudo isso somado nos fará entender a história da cidade, que muito tem a revelar. Além disso, tam- bém cruzaremos infor- mações sobre economia e globalização com os acontecimentos locais. Este livro descorti- nará o véu sobre nosso passado e nos fará enten- der o nosso presente. Apresentará nossa cultu- ra e os costumes de nos- so povo, que muito se orgulha de ser o 13 o mu- nicípio do País em núme- ro de habitantes e a pri- meira não capital no ranking das 100 maiores cidades do Brasil.

capital no ranking das 100 maiores cidades do Brasil. Mapa com divisão do território brasileiro em

Mapa com divisão do território brasileiro em Capitanias Hereditárias.

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ranking das 100 maiores cidades do Brasil. Mapa com divisão do território brasileiro em Capitanias Hereditárias.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

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Serra do Itaberaba – Pico do Gil, com 1.438 metros de altitude.

Aspectos Físicos e Naturais

RECURSOS NATURAIS

Da economia natural à exploração econômica comercial, a existência de recursos naturais é essencial para a fixação de grupos humanos e para o estabelecimento de atividades produtivas e comerciais. Guarulhos apresenta grandes faixas de terras de baixa qualidade para agricultura, porém possui muitas riquezas minerais em seu subsolo. Um estudo mineralógico da Secretaria Estadual de Agricultura de São Paulo indica a existência de ouro, pedras, areia, argila (ocre, amarela e vermelha), caolim, quartzito, granito, ardósia e argila refratária. Em sua parte de baixadas encontram-se as terras mais férteis para atividades agropastoris. A história da cidade seria diferente se os recursos naturais fossem outros. Os seres humanos, em sua relação com o meio ambiente, constroem riquezas e desenvolvem habilidades a partir da disponibilidade da natureza. Nesse sentido, Guarulhos é um espaço territorial privilegiado em recursos naturais, fato que possibilitou a existência de quatro ciclos econômicos correspondentes ao processo de povoamento e expansão territorial urbana.

ao processo de povoamento e expansão territorial urbana. Palacete Vila Borghese, localizado na Serra da Cantareira,

Palacete Vila Borghese, localizado na Serra da Cantareira, bairro Cabuçu, construído pelo banqueiro paulista Aquiles Lima em data ainda desconhecida, certamente antes de 1960.

bairro Cabuçu, construído pelo banqueiro paulista Aquiles Lima em data ainda desconhecida, certamente antes de 1960.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

Guarulhos está situada ao nordeste da Re- gião Metropolitana de São Paulo (RMSP) e fica

a 17,7 quilômetros do centro da Capital. Den-

tre os 39 municípios dessa região, é apontada

pelo IBGE como uma cidade industrial. Com 320 quilômetros quadrados, é um município re- lativamente pequeno. Guarulhos tem como li- mites Mairiporã e Nazaré Paulista (N), Santa Isabel (NE), Arujá (E), Itaquaquecetuba (SE)

e São Paulo (S, SW, W e NW). No município, o Sol e a Lua nascem no lado dos bairros de Morro Grande, Bonsu- cesso e Aracília, na zona leste, e põem-se no lado dos bairros de Vila Galvão, Jardim Vila Galvão e Itapegica, na zona oeste. Os bair- ros de Cabuçu de Cima, Tanque Grande e Capelinha estão na zona norte e os bairros de Jardim Nova Cumbica, Pimentas e Itaim na zona sul.

de Jardim Nova Cumbica, Pimentas e Itaim na zona sul. Parque Estadual da Cantareira – Cachoeira

Parque Estadual da Cantareira – Cachoeira Cabuçu, Guarulhos, 2008.

Guarulhos localiza-se sobre a área de transi- ção entre as zonas tropical e temperada. O Tró- pico de Capricórnio corta o município em duas partes, de oeste a leste (WE), sentido Vila Galvão – Morro Grande. O município situa-se entre os paralelos 23º16’23" e 23º30’33" de latitude sul, e entre os meridianos 46º20’06" e 46º34’39" de lon- gitude oeste, ou seja, o município encontra-se na

CIDADES CIRCUNVIZINHAS AO MUNICÍPIO DE GUARULHOS Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
CIDADES CIRCUNVIZINHAS AO MUNICÍPIO DE GUARULHOS
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

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município encontra-se na CIDADES CIRCUNVIZINHAS AO MUNICÍPIO DE GUARULHOS Laboratório de Geoprocessamento – UnG. 10

latitude do Trópico de Capricórnio (23º27’S), que o cruza na altura do quilômetro 215 da Via Dutra. Estrategicamente posicionada no centro do principal eixo econômico do Brasil (São Paulo,

centro do principal eixo econômico do Brasil (São Paulo, Represa Tanque Grande, construída em 1958. Foto

Represa Tanque Grande, construída em 1958. Foto de 2007.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Rio de Janeiro e Minas Gerais), Guarulhos atraiu para seu território empreendimentos de alto im- pacto, o que possibilitou o desenvolvimento re- gional e sua inserção no modo de produção ca- pitalista no período colonial e contemporâneo.

foto de Plínio Thomaz, de 1969.
foto de Plínio Thomaz, de 1969.

Represa Tanque Grande,

reservatório afetado pela seca de

1969.

REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
reservatório afetado pela seca de 1969. REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

HIDROGRAFIA

Guarulhos, assim como os outros municí- pios da RMSP, depende de recursos hídricos li- mitados, considerando a grande demanda relati- va à região, que possui a economia mais ativa do

País, e sua localização na região das nascentes que formam a Bacia do Rio Tietê. Desta forma, Guarulhos possui quantidades de água superfi- cial e subterrânea que não alcançam 10% das ne- cessidades locais, dependendo do fornecimento dos sistemas produtores Cantareira e Alto Tietê, que captam a água em regiões distantes. Os prin- cipais rios são o Tietê, o Baquirivu-Guaçu e o Cabuçu de Cima, sendo este último o único com

a nascente em Guarulhos. As águas nas regiões

de nascentes e mananciais são de boa e ótima qualidade, como no caso das represas do Cabuçu

e do Tanque Grande. Estudos hidrogeológicos revelam a existência de significativos reservatórios de água no subsolo, especialmente na região sul do território, onde a geologia é sedimentar e reconhece-se o Aquífero Cumbica, como é o caso dos bairros ao longo da Rodovia Dutra, próximos ao centro, ao aeropor- to, ao Jardim Presidente Dutra e a Cumbica.

Os corpos d’água passam a ter péssima qua- lidade quando atravessam áreas urbanizadas, principalmente devido ao lançamento de efluentes poluidores. Em 2007, a Prefeitura anunciou que seriam iniciadas obras para trata- mento de parte do esgoto. Na paisagem da cidade destacam-se os cur- sos d’água Piracema, Pedrinhas, Canal de Circunvalação, Itapegica, São João, Queroma- no, Cavalos, Cubas, Japoneses, Cocaia, Taboão, Invernada (ou Cachoeirinha), Capão da Som- bra, Água Suja, Tanque Grande, Lavras, Gua- raçau, Taboão (Aracília), Água Chata, Moinho Velho, Baquirivu-Mirim, Cocho Velho, Parati- -Mirim, Popuca e Botinha. Alguns deles desá- guam nos rios Baquirivu-Guaçu e Cabuçu de Cima, outros diretamente no Rio Tietê, que é o destino final das águas drenadas das áreas urba- nas de Guarulhos. Parte do município, em zona rural, ainda apresenta relação com a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, como é o caso dos ribeirões Tomé Gonçalves e Itaberaba e dos córregos Jaguari e Morro Grande, ambos no bairro do Morro Grande.

Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

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e dos córregos Jaguari e Morro Grande, ambos no bairro do Morro Grande. Laboratório de Geoprocessamento

Rio Tietê: interface com Guarulhos

O Rio Tietê percorre o Estado de São Paulo de leste a oeste. Nasce em Salesópolis, na Serra do Mar, a 840 metros de altitude e 22 quilôme- tros distante do Oceano Atlântico. Como não con- segue vencer os picos rochosos rumo ao litoral, ao contrário da maioria dos rios, que correm para o mar, o Tietê segue para o interior, atravessa a Região Metropolitana de São Paulo e percorre 1.100 quilômetros até o município de Itapura, em sua foz no Rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Nessa jornada sinuosa, banha 62 municípios ribeirinhos e seis sub-bacias hidrográficas (Alto Tietê, Sorocaba/Médio Tietê, Piracicaba/Capivari, Jundiaí, Tietê/Batalha, Tietê/Jacaré e Baixo Tietê), uma das regiões economicamente mais ricas do hemisfério sul. Embora seja apenas um filete de água em Salesópolis, recebe a vazão de quase 30 pequenos afluentes e vai se tornando um rio volu- moso, com uma longa série de corredeiras e ca- choeiras. Com grande importância histórica como via de penetração do povoamento, foi, durante muito tem- po, a única estrada para o interior do Brasil, servindo de caminho para os bandeirantes, que o percorriam em busca de ouro, índios e novas terras. Nesse contexto socioeconômico, o Rio Tietê desde os primórdios da colonização interagiu com o processo histórico e com a expansão ter- ritorial urbana de Guarulhos. No cenário da co- lonização portuguesa é muito provável que te- nha sido a via de acesso para as descobertas das minas de ouro no Ribeirão das Lavras. No início do ciclo do tijolo, foi o mais importante corredor de transporte das olarias e dos portos de areia para atender a demanda da constru- ção civil de São Paulo. Funcionava como

CLIMA

O município de Guarulhos apresenta um clima subtropical úmido, com temperatura mé- dia anual entre 17 ºC e 19 ºC; umidade relativa do ar média anual de 81,1%; precipitação plu- viométrica anual média de 1.470 mm e ventos dominantes SE-NO-E-O. (Dados cedidos pelo Ministério da Aeronáutica – Divisão de Meteorologia.)

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

hidrovia. Em uma das citações historiográficas sobre Guarulhos, consta que o padre Manuel de Paiva navegou, em 1560, sobre o Rio Anhem- bi, antigo nome do Rio Tietê. Atualmente, é utilizado, em algumas regiões, como rio de navegação, já que as construções de várias barragens e eclusas regularizaram seu cur- so. As barragens também foram aproveitadas para a construção de usinas hidrelétricas, que forne- cem energia ao Estado de São Paulo.

Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

RELEVO

A topografia da cidade está expressa na sua paisagem. O município de Guarulhos está lo- calizado no Planalto Atlântico, possui grandes baixadas e picos elevados com mais de 1.000 metros de altura, onde as altitudes variam en- tre: máxima de 1.438 metros, ao norte, na Ser- ra do Itaberaba (Pico do Gil); média de 850 metros; e mínima de 660 metros, na foz do

1.438 metros, ao norte, na Ser- ra do Itaberaba (Pico do Gil); média de 850 metros;

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Córrego Jaguari, divisa com Arujá e Santa Isabel. A parte mais acidentada fica no norte, junto aos limites com Mairiporã e Nazaré Paulista. Podemos observar na região nor- te do município que os morros e mon- tanhas são formados por rochas de ori- gem pré-cambriana (grupos São Ro- que e Serra do Itaberaba), tendo como destaques as serras da Cantareira e do

Itaberaba. Já ao sul, onde encontramos o centro e os bairros mais ocupados da cidade, percebemos que o relevo é formado por colinas, cujas elevações não passam de 40 metros de altitude, e planícies, que são áreas muito baixas sujeitas às inundações dos rios Tietê, Cabuçu de Cima e Baquirivu-Guaçu. As colinas são formadas por sedimentos terciários e as planícies por aluviões quaternários.

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Centro de Guarulhos em 1959. 1 – Atual Rua João Gonçalves; 2 – Cemitério São João Batista, antes da construção da biblioteca.

Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

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2 – Cemitério São João Batista, antes da construção da biblioteca. Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Guarulhos – Bairros Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Guarulhos – Bairros
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Espaço de Muitos Povos GUARULHOS Guarulhos – Bairros Laboratório de Geoprocessamento – UnG. 15

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

VEGETAÇÃO

A paisagem antiga de Guarulhos era total-

mente coberta por vegetação arbórea, arbustiva

e herbácea. Era formada por vegetação flores-

tal, compreendendo a Mata Atlântica; arbustiva

ou cerrados e cerradinho; herbácea de campos e várzea, junto aos rios.

O uso rural, a mineração e a crescente urba-

nização da cidade mudaram quase totalmente a situação inicial, restando em maior quantidade

a floresta tropical na região serrana, onde pre-

dominam a mata secundária, havendo apenas no Núcleo Cabuçu do Parque Estadual da Can- tareira a presença de mata primária, e extensas áreas de campos antrópicos. Com o crescimento da cidade, restou ape- nas a vegetação da Serra da Cantareira, a maior

mata nativa que sobrevive dentro do municí- pio. A Reserva Estadual da Cantareira possui uma área de 5.674 hectares, dividida entre a zona norte da Capital, parte de Guarulhos, Mairiporã e Franco da Rocha. É formada por florestas latifoliadas tropicais, onde vivem

É formada por florestas latifoliadas tropicais, onde vivem Araucária, proximidades da Represa Cabuçu. serelepes,

Araucária, proximidades da Represa Cabuçu.

serelepes, nhambus, tucanos e outros animais. Quase um terço da extensão do município é composto por áreas de proteção aos manan- ciais, fontes ou nascentes e reservatórios de água que são protegidos por lei.

e reservatórios de água que são protegidos por lei. Casa da Candinha – Serra do Bananal,

Casa da Candinha – Serra do Bananal, futuro Centro de Preservação da Memória e Cultura Negra.

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protegidos por lei. Casa da Candinha – Serra do Bananal, futuro Centro de Preservação da Memória

RESERVAS ECOLÓGICAS

O município de Guarulhos participa da Re- serva da Biosfera do Cinturão Verde de São Pau- lo (RBCV), outorgada pela Unesco como patri- mônio mundial. A RBCV fornece serviços

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

ambientais importantes para o controle das ilhas de calor, redução de enchentes, poluição atmos- férica e produção de água para Guarulhos por meio dos seus mananciais da Represa Cabuçu e Tanque Grande.

Foto de Cícero Felipe Guarnieri Ribeiro.
Foto de Cícero Felipe Guarnieri Ribeiro.

Represa Cabuçu.

Foto de Cícero Felipe Guarnieri Ribeiro. Represa Cabuçu. Trilha do Tapiti – Parque Estadual da Cantareira,

Trilha do Tapiti – Parque Estadual da Cantareira, Guarulhos, 2008.

Cícero Felipe Guarnieri Ribeiro. Represa Cabuçu. Trilha do Tapiti – Parque Estadual da Cantareira, Guarulhos, 2008.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Dados Gerais do Município

Aniversário da cidade (fundação): 8 de dezembro.

Distrito: 1675.

Criação da freguesia: 1685 – Denominação da época: Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos.

Criação da vila: Lei n o 34, de 24 de março de 1880 – Denominação da época: Conceição de Guarulhos.

Alteração do nome: a Lei n o 1.021, de 6 de novem- bro de 1906, altera o nome para a denominação atual, Guarulhos.

Santa Padroeira: Nossa Senhora da Conceição.

Distrito Jardim Presidente Dutra: foi criado pela Lei

n o 3.198, de 23 de dezembro de 1981, com sede no bairro do mesmo nome, em território desmembrado do distrito sede do município de Guarulhos.

Prefeito atual: Elói Alfredo Pietá (PT).

Área: 320 km 2 (Seade).

População: 1.236.192 (Fonte: IBGE, 2007).

Densidade demográfica: 3.857,08 hab/km².

Latitude do distrito sede do município: 23º16’23”

e 23º30’33” sul.

Longitude do distrito sede do município: 46º20’06”

e 46º34’39” oeste.

Limites: ao norte com Mairiporã e Nazaré Paulista; nor- deste com Santa Isabel; ao leste com Arujá; ao sudeste com Itaquaquecetuba; a sul, sudeste, oeste e noroeste com São Paulo.

Altitudes: máxima – 1.438 metros, no Espigão da Serra

do Itaberaba (Pico do Gil); média – 759 metros; míni- ma – 660 metros, localizada na foz do Ribeirão Jaguari

e com o Rio Jaguari, nas divisas de Guarulhos, Santa Isabel e Arujá; sede – 773,14 metros.

de Guarulhos, Santa Isabel e Arujá; sede – 773,14 metros. 18 Marco Zero: Praça Tereza Cristina.

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Guarulhos, Santa Isabel e Arujá; sede – 773,14 metros. 18 Marco Zero: Praça Tereza Cristina. Distâncias:

Marco Zero: Praça Tereza Cristina.

Distâncias: São Paulo – 17,7 quilômetros; Atibaia – 67 quilômetros; São José dos Campos – 75 quilômetros; Rio de Janeiro – 411 quilômetros; Belo Horizonte – 570 qui- lômetros; Brasília – 1.050 quilômetros; Santos (Porto) – 90 quilômetros; São Sebastião (Porto) – 183 quilômetros.

Rodovias: Presidente Dutra (BR-116); Fernão Dias (BR- 381); Ayrton Senna (SP-70); Hélio Smidt (SP-19/BR-610); Vereador Francisco de Almeida (SP-36).

Avenidas: Guarulhos; Dr. Timóteo Penteado; Brigadeiro Faria Lima; Tiradentes; Presidente Juscelino Kubitschek; Papa João Paulo I; Santos Dumont; Monteiro Lobato; Emílio Ribas; Salgado Filho; Octávio Braga de Mesquita; Jamil João Zarif; Presidente Tancredo Neves; Antônio de Souza; Júlio Prestes; Benjamim Harris Hunnicult; Anel Viário, que liga a Vila Galvão ao Parque Cecap e engloba a Av. Pres. Humberto de Alencar Castelo Branco e parte da Av. Gua- rulhos. Esta via foi construída no local onde passava a E.F. Sorocabana (ramal Guarulhos), conhecida como “Trenzinho da Cantareira”; Av. Pedro de Sousa Lopes, Marginal Baquirivu e Av. Silvestre Pires de Freitas.

Lopes, Marginal Baquirivu e Av. Silvestre Pires de Freitas. Estrada Bonsucesso, em Itaquaquecetuba. Estradas: do

Estrada Bonsucesso, em Itaquaquecetuba.

Estradas: do Cabuçu, David Corrêa, do Recreio, Ana Diniz, Tanque Grande ou Saboó, do Sacramento, dos Veigas, do Morro Grande, Albino Martello, do Capuava, Ary Jorge Zeitune, das Lavras, Água Chata, Guarulhos-Nazaré, Es- trada Velha de Bonsucesso (no bairro Cumbica, Lavras e Parque Piratininga e nos municípios de Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes), Estrada Velha do Cabuçu, no bairro da Ponte Grande, Estrada da Parteira, Estrada da Conceição, na Vila Sabrina, município de São Paulo.

Adjetivo pátrio: guarulhense.

DDD: 11.

Estação Guarulhos em meados de 1930.

PASSADO GEOLÓGICO DE GUARULHOS VULCÕES, TERREMOTOS E MAR

Quando andamos pela cidade raramente prestamos atenção nas formas topográficas do local que nos cerca e, geralmente, não vemos mais os rios e suas encostas. Quase tudo se tor- nou urbano.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

A Terra se formou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, quando nem os continentes nem os oceanos hoje conhecidos existiam. A superfície do planeta era tão quente, devido às atividades vulcânicas e aos impactos de meteo- ritos, que a água não podia nem se condensar na superfície para formar rios, lagos e oceanos.

aos impactos de meteo- ritos, que a água não podia nem se condensar na superfície para
aos impactos de meteo- ritos, que a água não podia nem se condensar na superfície para

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Durante a evolução geológica da Terra, conti- nentes inteiros surgiram e foram destruídos por vá- rias vezes e, assim, as for- mas dos continentes que hoje conhecemos são geo- logicamente recentes. Na região de Guaru- lhos o evento geológico reconhecido mais antigo corresponde ao desen- volvimento de muitos vulcões, que resultou na formação de derrames de lavas há pouco mais de

1,5 bilhão de anos. Mas essas lavas formaram-se no fundo de um ocea- no profundo, ou seja, para passar naquela épo- ca por onde hoje é Guarulhos, somente com um barco. A formação deste oceano deveu-se à quebra e à separação de um grande conti- nente que hoje não mais existe, e as partes re- sultantes afastaram-se uma da outra, como hoje

ocorre com a América do Sul e a África, sepa- radas pelo Oceano Atlântico. Nesse antigo oce- ano, onde hoje está Guarulhos, havia muitos vulcões. As rochas formadas nesses vulcões es- tão hoje distribuídas principalmente no sopé da Serra do Itaberaba (ou do Gil), em Guaru- lhos, mas podem também ser observadas mais para nordeste e para sudoeste, até a re- gião de Araçariguama, perto do município de São Roque. Entretanto, com as mudanças que ocorreram no interior da Terra, esses conti- nentes inverteram seu movimento de distan- ciamento e passaram a deslocar-se um em direção ao outro. Isso ocorreu há cerca de 1,2 bilhão de anos, gerando zonas de sub- dução, processo geológico no qual o fundo do oceano penetra a Terra, quando se formou um arco de ilhas (como o Japão dos dias de hoje), com grandes vulcões na superfície e no fundo do mar, e com grandes terremotos.

na superfície e no fundo do mar, e com grandes terremotos. Fumarola vulcânica de fundo oceânico.

Fumarola vulcânica de fundo oceânico.

É interessante obser- var que as rochas, quan- do submetidas a condi- ções de pressão e tempe- ratura como estas, são dobradas como um pa- pel, sem que se quebrem; muitos registros desse metamorfismo, suas do- bras e seus minerais po- dem ser vistos nos arre- dores de Guarulhos. Assim, Guarulhos, nesta época, era como os Andes são hoje, uma grande cadeia de

montanhas, com mui- tos vulcões e terremotos. Acalmados esses eventos ao longo de milhões de anos, a ero- são causada pelas chuvas, ventos, geleiras e rios por milhares de anos foi desgastando as montanhas, levando os materiais erodidos pe- los rios até lagos e mares. As chuvas torrenciais levavam grande quan- tidade de pedras, lama e areia das partes mais altas, acima das escarpas das falhas, para a parte afundada, chamada de bacia sedimentar, geran- do, inicialmente, grandes escorregamentos, cujos depósitos foram retrabalhados por rios, com lagos, pântanos, florestas e matas entre eles. Hoje, nas partes mais altas, esses materiais, sedimentos do período Terciário, já foram remo- vidos pela erosão, estando preservados quase que exclusivamente nas baixadas. Como o tempo geológico não para, hoje podemos ver os rios erodindo as encostas e

espraiando-se, e as lagoas – aquelas que ainda não foram preenchidas com entulhos – entre eles, na região de Guarulhos. O maior exemplo é o Rio Tietê, que originalmente tinha um tra- çado cheio de curvas e hoje está muito alterado pelas obras de engenharia, com uma planície for- mada por sedimentos recentes, conhecidos como aluviões.

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alterado pelas obras de engenharia, com uma planície for- mada por sedimentos recentes, conhecidos como aluviões.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

O contorno do relevo atual da cidade remonta a aproximadamente 60 milhões de anos atrás. Nesta época, a região do Aeroporto de Cumbica sofreu um grande afunda- mento, configurando o formato atual do município.

época, a região do Aeroporto de Cumbica sofreu um grande afunda- mento, configurando o formato atual
época, a região do Aeroporto de Cumbica sofreu um grande afunda- mento, configurando o formato atual

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

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Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

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Soldados com índios. Jean Baptiste Debret.

Formação Socioeconômica

D e uma aldeia indígena coletora a uma cidade industrial. O que ocorreu para que houvesse tamanha transformação? A mudança principal ocorreu no modo de organização social, que passou de uma sociedade nômade para a sedentária. Os primeiros habitantes, os Maromomi, eram nômades, viviam da pesca, da caça e da coleta de frutos; o tempo de permanência em um local era determinado pela colheita. Uma cidade industrial caracteriza-se por um tipo de organização social sedentarizada, que possui habitações e atividades econômicas fixas. Guarulhos atualmente possui características essencialmente urbanas: concentração densa de população e farta infraestrutura – rede de forne- cimento de água, coleta de esgoto, gás, eletricidade, telefonia, transporte, escolas, postos de saúde, áreas de lazer, vias de acesso, praças, moradias etc. Qual o caminho percorrido?

EVOLUÇÃO DO VALOR ADICIONADO FISCAL 2000 – 2005, SETORES ECONÔMICOS (EM BILHÕES DE REAIS)

Divulgação: Prefeitura de Guarulhos.
Divulgação: Prefeitura de Guarulhos.

Fonte: Secretaria Estadual de Negócios da Fazenda (2006).

BILHÕES DE REAIS) Divulgação: Prefeitura de Guarulhos. Fonte: Secretaria Estadual de Negócios da Fazenda (2006). 23

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

O processo de urbanização e expansão terri- torial da cidade começou com o ciclo do ouro. A mineração concentrou a força de trabalho na re- gião da Serra do Itaberaba, de Bananal, Tanque

na re- gião da Serra do Itaberaba, de Bananal, Tanque Um dos canais de garimpo de

Um dos canais de garimpo de ouro do Ribeirão das Lavras.

Grande e Lavras. Passado o ciclo do ouro, acon- teceu a ocupação das várzeas da cidade para pro- dução de tijolos cozidos, atividade situada próxi- ma aos rios Tietê, Baquirivu-Guaçu e Cabuçu de Cima. A grande expansão da cidade veio com a consolidação do processo industrial. Quanto ao povoamento do município, pode-se verificar a presença indígena, dos co- lonizadores portugueses, de etnias africanas, de imigrantes europeus, árabes, asiáticos e dos pró- prios trabalhadores rurais brasileiros. Atualmen- te, mais de 40 etnias habitam o município de Guarulhos.

INDÍGENAS MAROMOMI OS PRIMEIROS HABITANTES DE GUARULHOS

Os primeiros habitantes do território foram os indígenas Maromomi, um povo pertencente à família Puri, do tronco linguístico Macro-Jê, que eram nômades. A família Puri ocupava o imenso território entre a Serra do Mar, o Vale do Rio Paraíba do Sul e a Serra da Mantiqueira. Os Maromomi passaram a frequentar a re- gião de Guarulhos por volta do ano 1400 da era cristã, após serem expulsos do litoral paulista pelos indígenas de língua tupi-guarani. Segundo os registros, esses indígenas eram há- beis andarilhos, troncudos, muito fortes e de pe- quena estatura, o que lhes dava uma aparência um tanto distinta dos Tupi.

o que lhes dava uma aparência um tanto distinta dos Tupi. Uma família de indígenas Puri

Uma família de indígenas Puri em viagem às margens do Paraíba, outubro de 1815. Gravura de Maximilian Alexander Philipp.

outubro de 1815. Gravura de Maximilian Alexander Philipp. Trecho da certidão de aldeamento de índios –

Trecho da certidão de aldeamento de índios – 1721-1810. Arquivo Público do Estado de São Paulo.

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Philipp. Trecho da certidão de aldeamento de índios – 1721-1810. Arquivo Público do Estado de São

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS Os Maromomi são citados por todos os pesquisadores da História de

Os Maromomi são citados por todos os pesquisadores da História de Guarulhos, po- rém são ilustres desconhecidos. Estudo recen- te feito por Benedito Prézia, linguista douto- rado pela Universidade de São Paulo, traz con- tribuições das mais importantes para se conhe- cer a nação Maromomi. Os Maromomi eram nômades e viviam da caça, da pesca e coleta de frutos. A partir de 1640, aproximadamente, os colonizadores portugueses passaram a chamá-los de Guarulhos, possivelmente devido à semelhança física e cultural com os parentes que habitavam o litoral norte do Rio de Janeiro, na fre- guesia de Santo Antônio de Guarulhos. O terri- tório dos Guarulhos

compreendia toda a

área situada entre a margem do Rio Paraíba do Sul, os municípios de São João da Barra, Itaperuna, Cambuci, São Fidélis e o Estado do Espírito Santo. Outra hipótese possível é que, com o advento da mineração de ouro

em Guarulhos, em 1602, o governador-geral do Brasil, d. Francisco de Sousa, trouxe para as minas de ouro paulistas 200 índios do Es- pírito Santo. Das minas de ouro paulistas fa- ziam parte as de Guarulhos, descoberta feita por Afonso Sardi- nha, em 1597. Os Maromomi não praticavam a agricul- tura, pois eram coletores. Mantinham-se com a coleta do pinhão, da castanha da sapucaia

e Fruto da sapucaia. e
e
Fruto da sapucaia.
e

do mel silvestre, além da caça

da pesca.

com a coleta do pinhão, da castanha da sapucaia e Fruto da sapucaia. e do mel

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Viviam em peque- nos grupos, deslocando- -se de acordo com a ex- tração das frutas e mo- rando em abrigos provi- sórios (tapuísas). Por isso, esses grupos cole- tores e, posteriormente, os que não falavam a lín- gua tupi, foram chama-

dos de Tapuia. Não usa- vam redes, preferindo dormir no chão, sobre folhas. Há registros de um contingente de apro- ximadamente 3 mil Maromomi nas imediações de São Paulo. Os missionários tentaram aldeá-los, mas houve muita resistência. Os poucos que foram levados para as missões fugiram, pois não se acostumaram com uma vida sedentária. Mesmo assim, os paulistas tentaram escra- vizá-los. Com o abandono das missões, o que

escra- vizá-los. Com o abandono das missões, o que Pinhões, frutos da araucária. hoje é a

Pinhões, frutos da araucária.

hoje é a cidade de Guaru- lhos se transformou em uma vila portuguesa. Fren- te à escravização, os Ma- romomi tiveram três atitu- des: aceitar como um mal inevitável, reagir de forma violenta ou fugir para o sertão. Muitos reagiram de forma violenta e várias re-

voltas ocorreram: em 1652, atearam fogo na fazenda de João Sutil de Oliveira; oito anos depois, em 1660, a Câmara de São Paulo registrou uma nova rebelião en- volvendo Guarulhos. Do idioma falado pelos Maromomi foram conservadas apenas duas palavras: arê, que sig- nifica padre, e Nhamã nhaxê muna, que signifi- ca Deus. “Foi o padre Manuel Viegas quem melhor conheceu o idioma, chegou a traduzir para essa língua o catecismo Tupi, usado nos al- deamentos, e concluiu a gramática ini- ciada por Anchieta. Confrontando outros idiomas de povos da região, como os Puri e os Coroado, chega- mos à conclusão, pela semelhança que existe entre eles, que os Maromomi pertenciam à família linguística Puri.” (Benedito Prézia.)

Foto Eduardo Cesar – Pesquisa Fapesp 112, junho de 2005.
Foto Eduardo Cesar – Pesquisa Fapesp 112, junho de 2005.

Homem de Capelinha: crânio encon- trado em sambaqui de rio, no Vale do Ribeira, revela a cultura mais antiga de São Paulo – meio homem do mar, meio homem do mato, membro de um povo singular, com traços não mongoloides, semelhante a Luzia.

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meio homem do mar, meio homem do mato, membro de um povo singular, com traços não

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS Rio Paraíba do Sul – território dos indígenas Guarulhos em Campos

Rio Paraíba do Sul – território dos indígenas Guarulhos em Campos dos Goytacazes, RJ.

Os Primeiros Brasileiros. Como chegaram a Guarulhos?

No tempo em que o Brasil ainda não era Brasil, quem eram seus habitantes? Quando chegaram? De onde vieram? Como chegaram a Guarulhos? Com certeza, essas quatro indagações são difíceis de responder. Mesmo não tendo respostas conclusivas, de forma resumida abordaremos a temática a partir dos estudos realizados. Motivo a mais, que com certeza servirá de estimulo à nossa curiosidade e ajudará o aprofundamento de nossas pesquisas. Se você pensou que foram os portu- gueses, ou mesmo os atuais indígenas, errou. De acordo com o pesquisador Eduardo Bueno, “a complexa e fascinante questão sobre quem foram os ‘primeiros brasileiros’ passa, evidentemente, pela indagação primordial:

quem foram os primeiros seres humanos a colonizar a América?” Sabendo-se que jamais existiram, no continente, grandes primatas que pudessem evoluir para a forma humana,

arqueólogos e antropólogos cedo partiram da premissa de que os primeiros povoadores haviam chegado ao novo mundo vindos de outro (ou outros) continentes. Mas de onde e quando? Em 1974, no Sítio da Lapa Vermelha IV, município de Pedro Leopoldo, MG, a equipe da arqueóloga Annette Laming-Emperaire encontrou várias ossadas, inclusive o crânio de uma mulher, mais tarde batizada de Luzia. Luzia teria morrido há cerca de 11.500 anos. O que mais surpreendeu o mundo acadêmico foi quando o arqueólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo, demonstrou que o crânio encontrado tratava-se de uma pessoa com traços negroides, o que foi confirmado pela reconstituição facial feita pelo dr. Richard Neave, da Universidade de Manchester, na Inglaterra, em 1999. Segundo Neves (1999) e Pucciarelli (2004) a hipótese melhor documentada na literatura postula que a América foi povoada a partir de duas ondas migratórias. A mais recente foi constituída por populações asiáticas, cujo DNA é o mesmo das populações indígenas atuais. Anterior a esta, houve uma migração de povos não mongoloides, cujas características nos remetem aos atuais africanos e aborígines australianos. Esse grupo an- cestral, que também povoara a Austrália, teria chegado ao Brasil possivelmente através do Estreito de Bering em uma época de grandes modificações na paisagem terrestre por consequência da última glaciação. Esse grupo viveu “tranquilamente” até a chegada da migração asiática, que ocorreu a partir de oito mil anos atrás. Com o tempo, esses primeiros povoadores, em menor número, foram sendo assimilados ou mortos, o que levou à sua total extinção. Os primeiros brasileiros – a maior parte de hábito coletor – percorreram muitas regiões do Brasil em busca de alimentos e melhores climas. É provável que parte desse grupo tenha se deslocado para o litoral, onde havia mais fartura, tornando-se os homens do sambaqui. Ocuparam todo o litoral sul, sudeste e leste vivendo, sobre- tudo, de coleta de mariscos, peixes e pequena caça. Muitos dos registros das populações litorâneas podem estar submersos, pois ocorreram transgressões e regressões do nível relativo do mar durante o Holoceno, episódio que tem a duração de aproximadamente 12.000 anos (Suguio, 1985). As variações do nível do mar começaram por volta de 7.000 anos atrás e vêm até os dias atuais. Como os Maromomi são supostamente descendentes dessas populações dos sambaquis, podemos fazer uma ligação entre a história desses primeiros ocupantes de Guarulhos com os primeiros povoadores do Brasil.

desses primeiros ocupantes de Guarulhos com os primeiros povoadores do Brasil. Reprodução do crânio de Luzia.

Reprodução do crânio de Luzia.

desses primeiros ocupantes de Guarulhos com os primeiros povoadores do Brasil. Reprodução do crânio de Luzia.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Ouro em grãos, encontra-se na terra em depósito de areia ou

Ouro em grãos, encontra-se na terra em depósito de areia ou cascalho. A explo- ração é feita com a bateia ou por dragagem.

A explo- ração é feita com a bateia ou por dragagem. Benguela . CICLO DO OURO

Benguela.

CICLO DO OURO COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO TERRITÓRIO GUARULHENSE

Comprovadamente, a primeira atividade econômica/comercial da cidade foi a extração

de ouro. A descoberta ocorreu no final do sé- culo XVI na Serra do Jaguamimbaba, em 1597,

e

lho, estendendo-se até 1812. No início do sé- culo XVII, Geraldo Corrêa também descobriu

o feito é atribuído a Afonso Sardinha, o ve-

ouro no Rio Baquirivu-Guaçu e recebeu carta de sesmaria em 1611. Do início ao fim da mi- neração foram mais de 200 anos de atividade. Toda atividade econômica produtiva induz outras; a ativida- de principal só se realiza satisfa- toriamente se existir comércio, prestação de serviços, agricultu- ra, força de trabalho, meios de transporte, estradas etc., por isso

a produção econômica é um ato

eminentemente social. Quando os colonizadores por- tugueses chegaram à antiga Aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Maromomi, vindos da Vila de São Paulo, e inicia- ram a extração de ouro, nada do que existe hoje, em ter- mos de infraestrutura urba- na, havia. Guarulhos, nesta época, era mata fechada. Os lugares onde atualmente an- damos, moramos, trabalha- mos e nos divertimos são obras humanas. A caça ao ouro foi o início do processo de expansão urbana da lo- calidade e das atividades comerciais. Os locais onde antes só existiam ma- tas passaram a sofrer interferência humana com fins comerciais. Para iniciar a extração de ouro, o

com fins comerciais. Para iniciar a extração de ouro, o Congo . 28 Veios de ouro

Congo.

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comerciais. Para iniciar a extração de ouro, o Congo . 28 Veios de ouro em meio

Veios de ouro em meio a rocha de quartzo. São extraídos por trituração. No sítio arqueológico do Ribeirão das Lavras verifica- -se ouro nas duas formas, quartzo e cascalho.

minerador precisava dispor de recursos financeiros para ga- rantir o sucesso do empreen- dimento. Escravos, ferramen- tas de trabalho, abertura de estradas, mercúrio, transporte de carga, alimento, vestiário, senzala, armas de fogo, mu- nição e impostos contabili- zavam custos e benefícios. Muito do que se comprava era pago em ouro. O garimpo de ouro de Nossa Senhora da Conceição estava loca- lizado no centro da Vila de

São Paulo de Piratininga, ou seja, entre a Vila de São Paulo e as saídas para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os mineradores precisaram abrir caminhos para integrar-se à Ca- pitania de São Vicente. Guarulhos

interligava-se às atividades da Ca- pitania por três estradas: um

Escravo. Jean
Escravo. Jean

Baptiste Debret.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

caminho pela região leste, Bonsucesso-Itaqua- quecetuba-São Miguel Paulista; outro pelo lado sul, Ponte Grande-Penha; e pelo lado norte, Cabuçu-Santana. Guarulhos, através desses acessos, ligava-se à Vila de São Paulo, ao litoral paulista e carioca, bem como às minas velhas do sertão de Taubaté. Ouro, caminhos, tropeiros e pousos, Guaru- lhos começou assim em seu processo econômico. Um dos pousos de tropeiros mais conhecidos da região leste guarulhense fica na pequena Vila de Bon- sucesso, pouso onde se arranchavam os tropeiros em local que era dotado de água (Rio Baquirivu- -Guaçu) e vegetação para alimentar animais etc. No local confluem a Estrada das Lavras, Estrada Ve- lha de Bonsucesso e a do Caminho Velho. Os tropeiros costumavam descansar após marchar de 15 a 20 quilômetros, a 18 quilômetros do pouso de Bonsucesso, onde fica o sítio arqueológico do garim- po de ouro do Ribeirão das Lavras. De modo geral, em torno dos pousos de tropeiros formaram-se pequenos povoados dotados com pequeno mercado co- berto com folhas de pin- doba, uma igreja, uma praça e poucas casas. Algo muito seme- lhante a Bonsucesso, onde no pequeno largo da praça existem a Igreja de Nossa Senhora de Bonsuces-

pilão; e a Capela de São Benedito, onde há mais de 250 anos é realizada a romaria e a Festa da Carpição. O lugar compõe parte do cenário do ciclo do ouro na cidade.

O mais importante sítio arqueológico, para

compreender os métodos de mineração de ouro no Brasil, encontra-se em Guarulhos. Trata-se do Sítio Arqueológico do Garimpo de Ouro do Ribeirão das Lavras. Para o geólogo da Uni- versidade de São Paulo, Caetano Juliani, “ o local pode ser considerado um laboratório por

tudo que oferece em termos de conhecimento mineralógico, histórico, geológico e ambiental”.

A mineração de ouro, entre outros fatores,

trouxe a Guarulhos duas novas etnias: os colo- nizadores portugueses e os negros africanos.

os colo- nizadores portugueses e os negros africanos. Nesse período, índios, brancos e negros, uns como

Nesse período, índios, brancos e negros, uns como escravos e outros como senhores, foram os principais atores da Histó- ria da cidade. Cacos de cerâmica com estilo e gravura de influência africana, o cemitério de escravos no adro da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Rua D. Pedro II, bem como os topônimos Estrada das La- vras, Campo do Ouro, Catas Velhas, Córrego dos Entu- lhos etc., existentes na pai- sagem da cidade, dimen- sionam a importância da

so, construída em taipa de

Escravo trabalhando com a bateia.

mineração em Guarulhos.

Quilombolas da Conceição dos Guarulhos

“Martim Lobo Sardinha em 1776 mandava que o sargento-mor Teotônio José Zuzarte sem perda de tempo convocasse os auxiliares necessários para dar combate aos quilombolas que se encontravam na ”

saída da cidade, na aldeia Pinheiros e Sítio da Ponte

providenciasse ‘Capitães-do-mato e Sertanejos’ para desinfestar os caminhos.” “Mas, ao que parece, as coisas não iam muito bem. Os quilombolas continuavam desafiando as autori- dades. Daí ter sido organizado um plano de proporções bem maiores para combatê-los. O governador Cunha Meneses enviou ofício aos capitães-mores dos bairros da Penha, Cotia, Santo Amaro, Conceição dos Guarulhos, Cangussu e São Bernardo. No documento dava instruções para que fosse executado um plano de vasta envergadura contra os escravos fugidos.”(Clovis Moura, 228)

“Mandava aquela autoridade que o capitão-mor

vasta envergadura contra os escravos fugidos.”(Clovis Moura, 228) “Mandava aquela autoridade que o capitão-mor 29

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Transcrição de trecho da Carta de sesmarias – Livro I do Arquivo Público do Estado.
Transcrição de trecho da Carta de sesmarias –
Livro I do Arquivo Público do Estado.
“Carta de data de terras de sesmaria de Geraldo Corrêa dada pelo capitão Gaspar Conqueiro, aos 19
dias do mês de setembro de 1611.”

Em Guarulhos chegaram a existir pelo me- nos seis garimpos de ouro: bairro das Lavras, Catas Velhas, Monjolo de Ferro ou Lavras Ve- lhas do Geraldo, Campo dos Ouros, Bananal e Tanque Grande. O ouro tornou-se base monetária internacio- nal em 1445 e, justamente por isso, possuía signifi- cado especial para o império português. Neste con- texto colonial, Guarulhos foi um dos locais a com- por o mercantilismo português durante a Idade Moderna. As minas de São Paulo, entre elas as de Guarulhos, foram o laboratório para os bandei- rantes paulistas acumularem experiência para as

Filho de escrava, não escravo. Joaquim do Espírito Santo ou Joaquim Antônio dos Santos, apelidado Nhô Quim de Ferro, era filho da escrava Josepha, que foi vendida pelo dr. João Álvares de Siqueira Bueno para sua irmã, Ana Maria de Castro. Teria sido o último remanescente da escravidão da Fazenda Bananal. Fonte: Guarulhos Século XX imagens e histórias, autor: Massami Kishi.

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da escravidão da Fazenda Bananal. Fonte: Guarulhos Século XX imagens e histórias , autor: Massami Kishi.
da escravidão da Fazenda Bananal. Fonte: Guarulhos Século XX imagens e histórias , autor: Massami Kishi.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

descobertas e mineração em Minas Gerais. A mi- neração em Guarulhos e São Paulo antecede em 100 anos as descobertas em Minas Gerais. Durante os três primeiros séculos de presen- ça colonial portuguesa no planalto paulista, as construções de casas, igrejas, câmaras, cadeias etc., eram feitas em taipa de pilão. A taipa repre- sentava um modo construtivo barato, seguro e duradouro, por isso utilizado pela comunidade lusa, sendo a terra a principal matéria-prima. Da época das construções em taipa de pilão restou pouco em Guarulhos. Em 1685, foi erguida a Igreja de Nossa Senhora da Con- ceição, atual Igreja Matriz, que mantém paredes de taipa revestidas com tijolos e todas as paredes do altar em taipa de pi- lão. No bairro de Bonsucesso, a Igreja de Nossa Senhora de Bon- sucesso foi construída, com essa técnica. No bairro das Lavras, no meio da mata, resta um pedaço de

parede que os moradores afirmam ser de uma anti- ga senzala, haja vista que há pouco tempo foram retiradas argolas de ferro da referida parede. Ao esgotamento das atividades de minera- ção de ouro em Guarulhos sucedeu o ciclo do tijolo cozido. Entre essas duas fases, no início do século XIX, teve destaque a plantação de cana-de-açúcar, direcionada para a produção e comercialização de cachaça e rapadura, contan- do inclusive com a força de trabalho escravo.

contan- do inclusive com a força de trabalho escravo. Parte da parede de taipa da Casa

Parte da parede de taipa da Casa Grande do bairro das Lavras.

Ideia Metalista

O que se convencionou como Idade Moderna ocorreu na Europa, a partir de 1453, com a Tomada de

Constantinopla pelos turcos otomanos; no Brasil, a partir da chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral

a Porto Seguro, no dia 19 de abril de 1500; e em Guarulhos, com a fundação da aldeia, o ciclo do ouro, o trabalho escravo indígena e africano.

O mercantilismo caracterizou-se como uma política de intervenção do Estado na economia. A riqueza de

um país era medida pela quantidade de metais preciosos, portanto, a riqueza era entendida como a acumu- lação de ouro e prata. A fim de colocar em prática a ideia metalista, uma das medidas mais comuns adotadas pelos Estados europeus foi a de estimular a exportação e desestimular a importação. Desse modo, procurava- -se favorecer a entrada de metais preciosos e impedir a sua saída.

(Fonte: Luiz Koshiba e Denise Manzi Frayze Pereira in: História do Brasil.)

Provavelmente aventureiro inglês esteve em Guarulhos, em 1597

“Em muitos desses córregos encontramos pequenas pepitas de ouro do tamanho de uma noz, e muito ouro em pó feito areia. Depois disso, chegamos a uma região bonita onde avistamos uma enorme monta- nha brilhante à nossa frente.” 7 ( p. 116).

7 A montanha brilhante, segundo Teodoro Sampaio, seria a Serra de Itaberaba, um prolongamento da Mantiqueira, entre os

municípios de Nazaré Paulista e Santa Isabel. Itaberaba, em Tupi, quer dizer “montanha reluzente”. Gabriel Soares de Sousa, em

seu tratado descritivo do Brasil, 1587, dá testemunho semelhante,

desta terra há serras de cristal finíssimo, que enxerga o resplendor delas de muito longe.” Fonte: As incríveis aventuras e

estranhos infortúnios de Anthony Knivet, Sheila Moura Hue, organização, introdução e notas. Jorge Zahar Editor.

“E não há dúvida senão que entrando bem pelo sertão

organização, introdução e notas. Jorge Zahar Editor. “E não há dúvida senão que entrando bem pelo

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Prefeitura de Guarulhos – Secretaria do Meio Ambiente.

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Arqueologia em Guarulhos A Arqueologia tem uma função social bastante importante, pois interage com a
Arqueologia em Guarulhos
A Arqueologia tem uma função social bastante importante, pois interage
com a comunidade desde o momento de localização de um sítio arqueológico
até o momento em que se integra a ela para o trabalho de Educação Patrimonial.
No caso de Guarulhos, mais propriamente no sítio arqueológico do Ribeirão
das Lavras, propomo-nos a mostrar como a Arqueologia se faz imprescin-
dível para a reconstrução do passado guarulhense. Além de que o trabalho
arqueológico também nos permite ajudar na preservação, não só dos vestí-
gios materiais removíveis, mas das estruturas maciças.
O trabalho arqueológico permitirá, tomando como exemplo o caso do Ri-
beirão das Lavras, uma reconstituição do contexto da mineração, do trabalho
nas lavras de ouro pelos trabalhadores indígenas e africanos, conjugando de
forma interdisciplinar a pesquisa arqueológica com a Geologia, Geografia
Física, Biologia e com a Educação Patrimonial, um dos principais expoentes do
trabalho do arqueólogo no Brasil e no mundo.
Por fim, o intuito final da Arqueologia para a região de Guarulhos
deve passar pela criação de um espaço educativo que possa se cons-
tituir em uma referência para pesquisadores, universitários e estudan-
tes da rede estadual e municipal de Guarulhos. A reconstrução da
História de Guarulhos não somente passa pela importante documen-
tação textual deixada por jesuítas, viajantes ou historiadores do passa-
do, como também pelos veios de ouro do Ribeirão das Lavras, e é aí
que a Arqueologia se apresenta como fundamental para se recontar
essa história. Arqueólogos – Vagner Carvalheiro Porto e Lúcia Juliani.
Caco de cerâmica
encontrado no sítio
arqueológico do
Ribeirão das Lavras.
bairro das Lavras –
Guarulhos.

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Caco de cerâmica encontrado no sítio arqueológico do Ribeirão das Lavras. bairro das Lavras – Guarulhos.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Entradas e bandeiras – busca do ouro e a interface com Guarulhos As entradas e
Entradas e bandeiras – busca do ouro e a interface com Guarulhos
As entradas e bandeiras eram expedições colonizadoras feitas pelo interior do Brasil nos séculos XVI, XVII e
XVIII. As entradas eram expedições de caráter oficial, visando à conquista da terra e à consolidação do
domínio português, combatendo as tribos indígenas rebeldes.
As bandeiras, por sua vez, de caráter particular, tinham objetivos nitidamente econômicos. Foram empre-
endidas, sobretudo por paulistas, para capturar índios para utilizá-los no trabalho escravo e descobrir jazidas
de pedras e metais preciosos. Os bandeirantes, al-
guns deles nascidos ou donos de terras em Santana
de Parnaíba, e suas ações levaram à expansão do
território brasileiro, ao povoamento do interior e ao
levantamento dos recursos naturais. Mas eles tam-
bém dizimaram muitas populações indígenas e ata-
caram missões jesuíticas para aprisionar nativos.
Entre os bandeirantes paulistas constatam-se em
Guarulhos as presenças do bandeirante Afonso Sardi-
nha e de Geraldo Corrêa, ambos envolvidos diretamente
com a mineração de ouro e a escravidão indígena.
Bandeirantes. Obra de Jean Baptiste Debret.

AGRICULTURA E PECUÁRIA EM GUARULHOS

A atividade em meio rural na cidade passa basicamente por três momentos. De coletora à agricultura de subsistência e posteriormente à comercialização do excedente produzido. Em seu último período, com base em dados dispo- níveis, não chegou a constituir um ciclo econô-

mico nos moldes da pujante agricultura no Es- tado de São Paulo, onde se pode observar o predomínio do plantio de café, cana-de-açúcar, soja e laranja, por exemplo. Na época da ocupação indígena, os Maro- momi se restringiam à coleta do fruto da sapucaia, do pião da araucária, mel, raízes etc. Como descrito em capítulo anterior, os Maromomi

etc. Como descrito em capítulo anterior, os Maromomi Produção de hortaliças – margens do Rio

Produção de hortaliças – margens do Rio Baquirivu-Guaçu.

etc. Como descrito em capítulo anterior, os Maromomi Produção de hortaliças – margens do Rio Baquirivu-Guaçu.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Matadouro Municipal inaugurado em 13 de maio de 1929 – local

Matadouro Municipal inaugurado em 13 de maio de 1929 – local atual do Tiro de Guerra.

são de uma comunidade indígena nômade, que não chegou a desenvolver técnicas produtivas no tocante a agricultura e muito menos quanto a domesticação de animais. Segundo pesquisas, houve uma transição gra- dual na qual a economia de caça e coleta coexis- tiu com a economia agrícola: algumas culturas eram deliberadamente plantadas e outros alimen- tos eram obtidos da natureza. Sobre a agricultura de subsistência em Gua- rulhos, não existe data precisa de seu início. Sa- bemos que desde o começo da colonização em São Paulo as famílias portuguesas viviam da agri- cultura de subsistência. Em Guarulhos, a pri- meira atividade econômica dos colonizadores foi a mineração de ouro. É provável que nas proximidades dos garimpos do município, a exemplo do que aconteceu em Minas Gerais durante o ciclo do ouro, tenham existido plan- tações voltadas para o abastecimento dos tra- balhadores envolvidos na mineração e das res- pectivas famílias proprietárias. De modo geral, a agricultura comercial ga- nha força com a evolução das técnicas agríco- las, fator essencial, que possibilitou a produção de excedente de mercadorias no meio rural. Com isso, foi possível a formação de merca- dos de consumo de produtos agropecuários. A existência de muitas olarias e o aumento populacional em Guarulhos e São Paulo favo- receu a diversificação da economia local, inclu- sive a ampliação da atividade agrícola: logo após

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sive a ampliação da atividade agrícola: logo após 34 a mineração de ouro, o produto de

a mineração de ouro, o produto de maior des-

taque da agricultura no município era a cana- -de-açúcar. No final do século XIX chegaram a existir na cidade 30 engenhos situados nas re- giões de Ituverava, Tapera Grande, Pirapora e

Bonsucesso. A diversificação aconteceu com a criação de gado, aves, equinos, suínos e caprinos. Em 1901, com uma população de 4 mil pes- soas residentes em Guarulhos, constata-se a quan- tidade de 300 cabeças de gado, 20 caprinos, 100 porcos, pouca produção de feijão e arroz e boa safra de milho. Em 1942, com mais de 10 mil ha- bitantes, relatórios apontavam apenas a existência de 800 cabeças de gado e cultivo de cereais. Após 1950, com o avanço da industrializa- ção e o crescimento urbano da cidade, ganha im- portância a produção hortifrutigranjeira, tendo

à

frente do processo famílias imigrantes asiáticas

e

europeias, principalmente. Ao longo das vár-

zeas se percebe a ocupação dos leitos dos rios e córregos com pequenas glebas para produção de hortaliças. No sopé da Cantareira se obser- vam muitas plantações de chuchu, uva, tomate, entre outras culturas. Entre as várzeas e a Serra

da Cantareira, muitas famílias se dedicam à cria- ção de porcos e aves. Os produtos hortifru- tigranjeiros de Guarulhos, além do mercado lo- cal, eram e continuam sendo vendidos no mer- cado da Capital paulista. Segundo dados da declaração para o índice de participação dos municípios (Dipam, 2006), atualmente em Gua- rulhos existem apenas 54 unidades produtivas em meio rural.

rulhos existem apenas 54 unidades produtivas em meio rural. Matadouro e Frigorífico Mercantoni, inaugurado em 1954

Matadouro e Frigorífico Mercantoni, inaugurado em 1954 – localizado na Av. Monteiro Lobato.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS Reunião na Fazenda Bananal. Da direita para esquerda: Nicola Rinaldi,

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Reunião na Fazenda Bananal. Da direita para esquerda: Nicola Rinaldi, Arnaldo Santoni, Olegário Barbosa (dono da fazenda), Juvenal Ramos Barbosa, José Luis Prata e Ulisses Tavares. Seis fazendeiros, donos da metade das terras do município. Foto de 1924.

CICLO DO TIJOLO CHEGAM OS IMIGRANTES ITALIANOS, ALEMÃES, LIBANESES E JAPONESES

Ao conversarmos com as pessoas mais idosas sobre a História da cidade, muitas se lembram das olarias. A ativi- dade oleira foi tão significati- va que marcou a memória dos mais antigos e a paisagem da cidade. Placas de ruas e tijo- los timbrados com iniciais de famílias proprietárias de ola- rias podem ser um dos cami- nhos para compreender a im- portância da produção de ti- jolos cozidos na história e na economia locais. O que talvez alguns moradores e mesmo pesquisadores não expliquem é como começou, quais as al- terações ocorridas e as mudan- ças que a produção de tijolos trouxe para o desenho arqui- tetônico, a vida cultural e po- lítica da cidade.

arqui- tetônico, a vida cultural e po- lítica da cidade. Uma das muitas olarias existentes ao

Uma das muitas olarias existentes ao longo da várzea do Rio Tietê, exploradas na sua maioria por imigrantes europeus.

do Rio Tietê, exploradas na sua maioria por imigrantes europeus. Remanescente de olaria no bairro das

Remanescente de olaria no bairro das Lavras, em 2008.

do Rio Tietê, exploradas na sua maioria por imigrantes europeus. Remanescente de olaria no bairro das

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Argila das margens do Rio Baquirivu-Guaçu. A introdução do tijolo como

Argila das margens do Rio Baquirivu-Guaçu.

A introdução do tijolo como material cons-

trutivo, em substituição à taipa de pilão, alterou a função das olarias e fez com que Guarulhos reencontrasse seu espaço na economia paulista.

O uso do tijolo impôs alterações na forma tra-

dicional de funcionamento das olarias, que além de telhas, passaram a produzir tijolos cozidos.

De poucas unidades artesanais nos bairros da Pon-

te Grande, Vila Augusta e Gopouva, o fenôme-

no se espalhou por todos os cantos do municí- pio, coexistindo duas formas produtivas: a arte-

sanal, através das olarias, e a industrializada.

A atividade, além de todos os significados

históricos, aconteceu no período de transição da escravidão para a forma de trabalho assala- riado. A expansão do mercado consumidor, aliada ao conhecimento técnico dos imigrantes europeus na área da construção civil e à revolu- ção tecnológica no mundo do trabalho fizeram

e à revolu- ção tecnológica no mundo do trabalho fizeram Famílias alemãs – bairro Torres Tibagy.

Famílias alemãs – bairro Torres Tibagy.

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fizeram Famílias alemãs – bairro Torres Tibagy. 36 com que o sistema produtivo artesanal das ola-

com que o sistema produtivo artesanal das ola- rias sofresse alterações, tanto na forma de pro- dução de tijolos como no sistema de transpor- te. Em 1911, foi implantada em Guarulhos a primeira indústria voltada à produção de telhas e tijolos (Cerâmica Paulista) e logo em seguida foi inaugurada a estação do Trenzinho da Can- tareira, ambos em Vila Galvão. Sobre a origem das olarias em território paulista, uma pesquisadora diz: “A primeira no- tícia que se tem a respeito da instalação de uma olaria em São Paulo data de 1575, ano em que o oleiro Cristóvão Gonçalves requereu à Câmara Municipal terreno para a implantação de um for- no destinado ao cozimento de telhas de barro ;

não pode haver dúvida de que em

fins do século XVI – em torno de 1590 – já ha- via muitas casas cobertas de telha, pois, em 1593, os oleiros tinham até a sua organização e o seu juiz de ofício na povoação”. (D’Alambert, p. 74.) Antes de começar a falar do ciclo do tijolo em Guarulhos, devemos pensar que sem argila não é possível produzi-lo. A argila, pelas quali- dades maleáveis e plásticas que possui, desde o

início da Antiguidade era utilizada na Mesopo- tâmia e no Egito como material construtivo. Argilas são sedimentos minerais normalmente encontrados próximos aos rios e córregos. A existência de grandes jazidas de argila em Guaru- lhos explica-se pelo relevo da cidade. Guarulhos está localizada no fundo do Vale do Planalto Paulista e da Serra da Cantareira, planície por onde correm os rios Tietê, Cabuçu de Cima, Baquirivu-Guaçu, além de inúmeros córregos e ribeirões; e, da lavagem do solo, resultou a for- mação argilosa na camada sedimentar. Quanto à importância do tijolo cozido no Estado de São Paulo, veja o que diz a pesquisa- dora Clara Correia D’Alambert: “A expansão ferroviária na década de 1860 e a imigração es- trangeira trazem, principalmente, alemães e ita- lianos – colaboraram muito para a difusão do uso da alvenaria de tijolos no Estado de São Paulo. As fazendas de café do interior paulista

entretanto

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

foram pioneiras na utilização do tijolo em suas instalações,

na primeira metade do século

XIX. Os cafeicultores impor- taram para as cidades a novi-

dade tecnológica do tijolo, que tão bem solucionou pro- blemas técnicos e construti- vos nas suas fazendas”. Ao esgotamento das ativi- dades de mineração de ouro em Guarulhos sucedeu outro mo- delo de ocupação do espaço.

O povoamento e as atividades econômicas deslo-

caram-se dos morros, nas regiões norte e leste da cidade, para as áreas próximas aos rios Tietê, Cabuçu de Cima e Baquirivu-Guaçu. A partir de 1870, a imigração subvencionada trouxe milhares de imigrantes europeus para o território paulista; muitos italianos, alemães, espanhóis e portugue- ses vieram para Guarulhos. As condições naturais existentes em Guarulhos (água, argila, madeira, areia e pedra) e a proximidade com a Capital pau- lista possibilitaram o desenvolvimento de um novo

ciclo econômico, baseado no tijolo cozido.

Outro fator importantíssimo para o ciclo do tijo-

lo foi a extração da cal no território paulista,

mineral responsável pela feitura da massa. O consumo de tijolos cozidos na região me- tropolitana, utilizados em galpões industriais, vi-

las operárias, pontes, igrejas, prédios, moradias etc.,

fez aumentar a demanda, concorrendo para a ampliação do número de olarias, fábricas e, consequentemente, para a diversificação econô- mica constatada na cidade. No bairro da Ponte Grande existiu o Porto da Igreja de Nossa Senho-

ra da Conceição. Local de escoamento da produ-

ção de tijolos e areia, via Rio Tietê, para a cidade de São Paulo, propiciou a abertura de novas es- tradas, ampliação do comércio, incremento do re-

banho bovino e grande número de engenhos vol- tados para a produção de cachaça.

de engenhos vol- tados para a produção de cachaça. Tijolo feito em olarias guarulhenses, de 1884,

Tijolo feito em olarias guarulhenses, de 1884, acervo do Museu Histórico de Guarulhos, 2008.

Correspondendo ao momento econômico, além da chegada dos imigrantes europeus, inicia- -se a imigração de turcos, libaneses e japoneses. O ciclo do tijolo, entre outras coisas, trouxe três ele- mentos novos para o cenário político da cidade, a saber: implantação das primeiras indústrias, o mo- delo assalariado para a remuneração do trabalho

e o aparecimento dos primeiros operários urba-

nos. Na Inglaterra, as oficinas artesãs precederam

a indústria; em Guarulhos, o processo industrial

foi antecedido pelas olarias, também chamadas de proto-indústrias. O ciclo industrial guarulhense começou a se formar paralelamente ao ciclo do tijolo. Em 1911, a primeira fábrica instalada em Guarulhos foi a indústria Cerâmica Paulista, no bairro de Vila Galvão, que produzia tijolos cozidos e te- lhas. A presença dos povos que chegaram no se- gundo momento da imigração externa – turcos, libaneses e japoneses – contribuiu para a Histó- ria local, fato que pode ser constatado nas áreas

para a Histó- ria local, fato que pode ser constatado nas áreas Barco no Rio Tietê

Barco no Rio Tietê transportando tijolos, em 1945.

para a Histó- ria local, fato que pode ser constatado nas áreas Barco no Rio Tietê

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

do comércio, da agricultura e do setor hortifru- tigranjeiro. Em 1950, o ciclo econômico da ci-

dade já era considerado industrial, conforme ve- remos a seguir.

A produção de tijolos guarulhense foi fun-

damental para a nova configuração arquitetônica da cidade de São Paulo, expressa em monumen- tos como Museu do Ipiranga, Pinacoteca do Estado, Palácio das Indústrias e Teatro Municipal. Os tijolos cozidos substituíram a tradicional técnica construtiva da taipa de pilão.

CICLO INDUSTRIAL PROCESSO DE METROPOLIZAÇÃO

Guarulhos faz parte do seleto grupo das dez cidades brasileiras responsáveis por 25% do Produto Interno Bruto (PIB).

A cidade conta com mais de 2.890 indús-

trias, 11.835 estabelecimentos comerciais, 6.662 empresas prestadoras de serviços e 54 unida- des produtivas em meio rural (Dipam, 2006).

Em 2006, atingiu o 9 o maior PIB do País, sendo os dez maiores: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Campos de Goytacazes, Curitiba, Macaé, Guarulhos e Du- que de Caxias. Como se deu o processo?

Guarulhos e Du- que de Caxias. Como se deu o processo? Pedras utilizadas para calçamento de

Pedras utilizadas para calçamento de ruas.

A expansão econômica e urbana no perío- do industrial da cidade pode ser compreen- dida a partir do estudo que envolve a combi- nação de fatores políticos e sociais, e de re- cursos naturais do município, aspectos que possibilitaram a inserção da cidade no con- texto do desenvolvimento produtivo local, regional, nacional e mundial, tendo como base a indústria estabelecida. Nossa reflexão destaca os efeitos comerciais da Primeira e da Segunda Guerra Mundial no Brasil e em Guarulhos. Concomitante à indus- trialização, ocorreu a implantação da estrada de ferro e a ocupação do espaço aéreo para fins

EMPREGOS FORMAIS – SETORES ECONÔMICOS

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Divulgação: Prefeitura de Guarulhos.
Divulgação: Prefeitura de Guarulhos.

estratégicos militares, e o embrionário modal de transporte de carga aérea, a partir da base aérea de Cumbica. Nos dias atuais, analisamos os impactos da política neoliberal. Para o estudo da evolução da indústria na ci- dade, bem como a formação do proletariado ur- bano, entre outros aspectos, é importante periodizar a análise, e para isso definimos três momentos. Primeiro momento, de 1911 a 1945; segun- do momento, de 1946 a 1989; terceiro momen- to, de 1990 aos dias atuais.

INDUSTRIALIZAÇÃO:

PRIMEIRO MOMENTO – PROCESSO ECONÔMICO ENTRE AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS

No primeiro momento, de 1911 a 1945, a ci- dade começa seu processo de industrialização em 1911, com a implantação da Cerâmica Paulista em Vila Galvão. Entre 1915 e 1945, o município avan- ça em seu processo fabril, contabilizando 58 uni- dades produtivas, empregando 624 operários. Im- portante destacar que as primeiras indústrias fo- ram instaladas na região do centro antigo, no eixo que vai da Vila Galvão ao bairro do Macedo. Em termos de Brasil, no primeiro censo econômico posterior à Primeira Guerra, realizado em 1920, o levantamento aponta a existência de 13.336 estabelecimentos industriais. Do total, 5.936 foram implantados no quinquênio 1915-1919. Ao avanço da industrialização em Guaru- lhos corresponde, também, a implantação do Ramal da Tramway Cantareira, trecho ferro- viário que trouxe o trem de ferro ao centro de Guarulhos, bem como a implantação das pri- meiras fábricas ao longo das imediações da li- nha da rede ferroviária na cidade. A primeira indústria a se instalar em Guarulhos foi a Ce- râmica Paulista, em 1911, implantada no bair- ro de Vila Galvão, e as indústrias produtoras de bens de consumo na região do centro ex- pandido, por onde passava o trem da Canta- reira, posteriormente chamada de Rede Fer- roviária Sorocabana.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

roviária Sorocabana. Espaço de Muitos Povos GUARULHOS Foto da primeira cerâmica mecânica, instalada em 1911. O

Foto da primeira cerâmica mecânica, instalada em 1911.

O trem da Cantareira foi tão importante para a industrialização do município quanto a Estra- da da Conceição no ciclo do ouro, a Hidrovia Tietê no início do ciclo do tijolo cozido, ou mes- mo as rodovias Dutra e Fernão Dias, a partir da década de 1950. O ramal do trem da Cantareira em Guarulhos foi um dos principais facilitado- res da indústria nascente. Nos primeiros anos do século XX, Guarulhos se insere no contex- to paulista como fornecedora de produtos para construção civil, produtos agrícolas, alimentí- cios e bens de consumo. As barreiras naturais (Rio Tietê e a Serra da Cantareira) representavam um impedimento ao deslocamento da produção guarulhense, que tinha caminhos de ligação com a Capital por Bonsucesso, Penha e Jaçanã. O Rio Tietê, até 1915, era o principal corredor de transporte de mercadorias.

1915, era o principal corredor de transporte de mercadorias. Parte da parede da primeira fábrica de

Parte da parede da primeira fábrica de Guarulhos – Vila Galvão.

o principal corredor de transporte de mercadorias. Parte da parede da primeira fábrica de Guarulhos –

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

A região da Ponte Grande, localizada

estrategicamente na via de ligação com o mercado paulista, em 1912 abrigava 45 das 137 casas do município e as 12 olarias exis- tentes. Do Porto da Igreja de Nossa Senho-

ra da Conceição saíam os materiais para o porto da Capital, localizado na atual Ponte das Bandeiras.

A construção do Ramal da Tramway

até o centro de Guarulhos possibilitou a di- versificação da economia local e o desloca- mento do eixo produtivo para outros bairros da cidade, principalmente para as regiões aten- didas pelo trem. Integrando Guarulhos pela Zona Norte da Capital, o trem tornou-se a prin- cipal via de transporte de passageiros e de mer- cadorias do município. Nessa fase aconteceu a implantação de fá- bricas de bens de consumo para o atendimento da demanda criada com a rápida urbanização da cidade de São Paulo e para substituição das importações, interrompidas pela Primeira Guerra Mundial. A inauguração da Estação de Trem Cabuçu, posteriormente denominada de

Vila Galvão, favoreceu a expansão industrial do município.

A Cerâmica Paulista, localizada ao lado da

estação de trem da Vila Galvão, segunda maior empresa do ramo do Estado de São Paulo, e olarias tradicionais transportavam sua produ- ção de tijolos e materiais cerâmicos para aten- dimento da demanda da urbanização da cidade

para aten- dimento da demanda da urbanização da cidade Fábrica de Tecidos Carbonel, edificada em 1917.

Fábrica de Tecidos Carbonel, edificada em 1917.

da cidade Fábrica de Tecidos Carbonel, edificada em 1917. Porto da Igreja, em 1930 – bairro

Porto da Igreja, em 1930 – bairro Ponte Grande.

de São Paulo, através do trem da Cantareira. A Primeira Guerra Mundial desorganizou o siste- ma de abastecimento dos mercados dependen- tes de produtos da economia europeia. Guarulhos, nesse contexto histórico, rece- be investimentos em indústrias, que foram im- plantadas ao longo do ramal do trem da Canta- reira, surgindo assim as primeiras fábricas na região do centro expandido. Por volta de 1920, sua economia contava com as seguintes empre- sas: Empresa Carbonel de Henrique Carbonel, inaugurada em 1923, tecelagem situada próxi- mo a Estação Guarulhos; mais duas empresas dos srs. Gíacomo Candenuto e Evaristo Bi- sognini; duas fábricas de polainas, sandálias e artigos de couro; uma de propriedade de José Saraceni, situada nas proximidades da Estação de Vila Augusto; uma Fábrica de alpargatas do sr. Cerdam Galvez, também na Vila Augusta;

Moinhos Reisa, de moagem de grãos e fabrica- ção de farinha dos irmãos Fiúza, na Vila Augusta;

e um matadouro municipal, de propriedade de

Gino Montagnani, inaugurado em 1929 no lo- cal onde hoje é o Tiro de Guerra. Nas palavras do então prefeito José Maurí-

cio de Oliveira, a Estrada de Ferro foi funda- mental para a expansão urbana do município. “Apesar da falta de comodidade que se verifica na Estrada de Ferro do Tramway da Cantareira, que diariamente nos dá 14 trens,

é extraordinário o progresso que esta estra-

da trouxe ao município não só à sede e seus arredores como também às estações vizinhas.

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que esta estra- da trouxe ao município não só à sede e seus arredores como também

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Assim é que por ocasião da inauguração do Ramal da Estrada de Ferro da Cantareira, a 4 de fevereiro de 1915, eram completamente desabitados os lugares onde hoje florescem e prosperam as estações de Vila Galvão e Vila Augusta, cheias de habitações, desde casas operárias até os palacetes luxuosos.” (Oliveira Sobrinho, 1920 in: Santos, 2006.) Sem corresponder ao desenvolvimento de uma tecnologia nacional, os investimentos in- dustriais foram principalmente de empreen- dedores imigrantes europeus e grandes pro- prietários agrícolas. Os investimentos de ca- pital estrangeiro, principalmente inglês, con- centraram-se nos setores de serviços públi- cos, como transporte ferroviário, energia elé- trica, telefonia etc. A imigração europeia foi o principal fa- tor de crescimento populacional do período, constituindo um contingente de força de tra- balho envolvida nesse primeiro momento da industrialização. Em Guarulhos, tanto nas olarias como nas indústrias, eram os italianos, portugueses, espanhóis, alemães, japoneses, turcos e libaneses que exerciam funções pro- dutivas e comerciais, transformando matéria- -prima e mercadorias para venda no crescen- te mercado paulista. Os efeitos da Primeira Guerra Mundial, além de induzir à ampliação do parque industrial, acar- retaram também em São Paulo a eclosão de três gre- ves gerais, em que os traba- lhadores buscavam solução para o problema da cares- tia, denunciavam a especu- lação com gêneros alimen- tícios e as condições precá- rias de trabalho, gerando greves em 1917.

Abrasivos Norton Meyer S.A.

Chegam as primeiras multinacionais No início da década de 1930, o estímulo à industrialização da
Chegam as primeiras multinacionais
No início da década de 1930, o estímulo à
industrialização da cidade passou pela edição da
primeira lei, isentando empresários do pagamento
de impostos ao governo municipal, Lei n o 20, de
24/3/1937. No ano seguinte, em 11 de março de
1938, chegam ao município as primeiras multina-
cionais. Tratava-se das fábricas Norton Meyer S.A.
e a Harlo do Brasil Indústria e Comércio S.A., si-
tuadas no bairro do Macedo, nas proximidades
da Estação Ferroviária Guarulhos e futuras insta-
lações da Rodovia Presidente Dutra. No início da
década de 1940 Guarulhos contabilizava apro-
ximadamente 58 fábricas, que empregavam 624
trabalhadores em atividades industriais.

O movimento grevista foi duramente re- primido pela polícia. Não temos informações se houve a participação de trabalhadores de Guarulhos nas greves gerais de 1917. Nesse contexto de formação e crescimento do pro- letariado urbano, aparece o primeiro movi- mento social de Guarulhos, em 1928, e surge a comissão popular pela regularização e au- mento do número de auto-ônibus no trans- porte coletivo. A necessidade de força de trabalho para construção da base aérea de Cumbica e a Via Dutra, entre os anos de 1944 e 1950, foi atendi- da pela migração nacional, principalmente nor- destina. A liberação da população rural e consti-

Foto Massami.
Foto Massami.
da pela migração nacional, principalmente nor- destina. A liberação da população rural e consti- Foto Massami.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Estação Vila Galvão, em 1950. tuição de um mercado de

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Estação Vila Galvão, em 1950.

tuição de um mercado de reserva de trabalha- dores nos centros urbanos foi condição impres- cindível para concretização da política de desen- volvimento capitalista brasileira, a partir dos anos de 1930. Além disso, foi necessária também a integração do País através de uma rede de rodo- vias que possibilitasse o deslocamento popula- cional para os principais centros urbanos e de investimentos governamentais para favorecer a migração interna. As transformações econômicas e sociais ocorridas nas décadas seguintes alteraram a configuração populacional, com a chegada maciça de imigrantes nacionais, vindos prin- cipalmente do interior de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e outros Estados, am- pliando a zona urbana e configurando novos espaços de convivência, que causaram estra- nhamento aos moradores estabelecidos, gran- de parte imigrantes estrangeiros, e aos guaru- lhenses natos. As experiências culturais preservadas na memória de antigos moradores e materializa- das na geografia da cidade demonstram uma apropriação do espaço pelos moradores ante- riores ao processo de imigração interna, mani- festações e expressões culturais ainda hoje pre- sentes na cidade. Experiências de sociabilidade que possibilitaram a formação de um sentimen- to de pertencimento à vida local.

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de um sentimen- to de pertencimento à vida local. 42 A partir da década de 1950,

A partir da década de 1950, quando a popu- lação ultrapassou 35 mil habitantes, o fato co- meçou a causar estranhamento às famílias mais antigas do município. A nova composição social gerou uma situação conflituosa entre as famílias de imigração europeia, asiática, libanesa, guarulhenses natos e os imigrantes nacionais. A presença dos imigrantes nacionais implicou em novas práticas culturais e hábitos sociais. O período em análise abre com a implanta- ção da primeira indústria, a Primeira Guerra Mun- dial e a implantação do trem da Cantareira e fecha com a construção da base aérea de Cumbica. Dois modais de transportes, o sistema Cantareira e a Base Aérea de Cumbica, modificaram o cenário da cidade. O primeiro com grande influência na expansão da economia local. O segundo, que além da ocupação do vasto espaço na Fazenda Cumbi- ca significou também a ocupação do espaço aéreo do município, para finalidades militares e início do transporte de carga aérea, processo que se ampliará com a construção do Aeroporto Internacional de Cumbica. Os efeitos da Segunda Guerra Mundial (1939- 1945) impulsionaram a industrialização do Brasil e de Guarulhos. Além da produção para o mer- cado interno, muitos grupos empresariais brasi- leiros passaram a vender seus produtos para os países em guerra; com isso, a indústria cresceu. Isso é o que veremos nas páginas seguintes.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Estrada de Ferro – Em 1896, Vereadores Discutem a Implantação do Trem

“A partir do final da década de 1860, com a im-

plantação da primeira ferrovia em São Paulo – a ‘São Paulo Railway’, em 1868 – surge um novo e importante elemento articulador do desenvolvimento econômico da província, responsável pelo progresso que marcou pro- fundamente a sociedade paulista e a sua civilização ma- terial.” (D’ Alambert, p. 7.) No final do século XIX, em 1896, já se discutia na Câmara Municipal de Guarulhos a necessidade de a re- gião ser servida por uma estrada de ferro, ligando Gua- rulhos à estação do bairro da Penha. A justificativa recaía sobre a farta quantidade de recursos naturais da região, mais especificamente à produção de madeira e pedra,

além da produção de tijolos. Toda a produção estava direcionada às crescentes edificações da Capital, justificando a implantação do ramal ferroviário que se efetivou somente em 1915, com a inauguração do Ramal Guapira – Guarulhos, o trem da Cantareira. Existiram seis estações e uma parada de trem em Guarulhos: Vila Galvão, Torres Tibagy, Gopouva, Vila Augusta, Parada Sorocabanos, Estação Guarulhos e Estação Cumbica, na Base Aérea.

O ramal de Guarulhos começou como uma extensão da Estrada de Ferro da Cantareira, que, aberto em

15 de novembro de 1910, saía da Estação do Areal e atingia o Asilo dos Inválidos, no Guapira (depois

Jaçanã). Somente em 1913 foi aberta a primeira estação intermediária, Tucuruvi, e aos poucos outras estações passaram a ser abertas na linha que atingiu Guarulhos, em 1915. Em 1947, a linha teve a bitola ampliada de

60 cm para 1 metro, quando esta já atingia o Aeroporto Militar de Cumbica. Em 31 de maio de 1965, o

tráfego do ramal foi suprimido, um ano depois de o trecho Areal - Cantareira ter sido extinto. Os trilhos foram

retirados e logo depois diversas estações foram demolidas.

A Estação Guarulhos foi inaugurada em 1915, como terminal do ramal de Guarulhos. A partir da

primeira metade dos anos 1940, passou a sair de lá um ramal – na verdade, a continuação da linha – para

a Base Aérea de Cumbica. Esse ramal foi extinto aparentemente junto com o ramal de Guarulhos, em 1965.

A Estação Guarulhos foi desativada em 1965, com o ramal. A Estação Guarulhos, atualmente, serve de sede para a Guarda Civil Metropolitana, na Praça IV Cen-

tenário, situada no Jardim Santa Francisca. A praça é um dos logradouros mais antigas do município e

abrigava a antiga estação de trem Guarulhos. Hoje, a estação não existe, mas as instalações que ela possuía foram restauradas e colocada na praça uma locomotiva antiga, da Usina Tamoio, em Araraquara que, segundo consta, foi resgatada pela Prefeitura, que a deixou exposta em frente à plataforma da antiga estação. Junto a ela, de um lado, fica a casa que abrigava o chefe da antiga estação de trem e foi restaurada, apresentando-se em perfeitas condições.

É conhecida como “Casa Amarela”, que hoje é a sede do arquivo municipal.

“Casa Amarela”, que hoje é a sede do arquivo municipal. Parada Sorocabanos, atual Praça Luiz Matheus

Parada Sorocabanos, atual Praça Luiz Matheus Maylaski.

municipal. Parada Sorocabanos, atual Praça Luiz Matheus Maylaski. Estação Ferroviária de Cumbica – Base Aérea. 43

Estação Ferroviária de Cumbica – Base Aérea.

municipal. Parada Sorocabanos, atual Praça Luiz Matheus Maylaski. Estação Ferroviária de Cumbica – Base Aérea. 43

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

INDUSTRIALIZAÇÃO:

SEGUNDO MOMENTO – OFERTA DE EMPREGO, EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA E CRESCIMENTO DESORDENADO

No segundo momento, de 1946 a 1989, cabe destacar que as indústrias passaram a se ins- talar na região de Cumbica. Entre muitos fato- res, cinco foram essenciais para o avanço da in- dustrialização guarulhense nesse período: con- clusão das obras da Base Aérea de Cumbica; implantação da Estrada de Rodagem Rio - São Paulo; força de trabalho disponível com a maci-

ça migração interna; implantação do loteamento

Cidade Satélite Industrial de Cumbica, em 1946, pela família Guinle; e a disponibilidade de água do Aquífero Cumbica. Esses fatores foram es- senciais para a próxima fase da industrialização

da cidade, sem desconsiderar os demais. “As obras federais da Base Aérea de Cum- bica e da Estrada de Rodagem Rio - São Pau- lo, cujo traçado atinge a parte mais baixa da cidade, têm concorrido também para o pro-

gresso crescente que se verifica, principalmen-

te pela grande valorização de propriedades.” (Oliveira, 1943 in: Santos, 2006).

A transferência da Base Aérea do Campo

de Marte, em São Paulo, para Guarulhos, como

parte do Plano Quinquenal de Desenvolvimen-

to do governo Getúlio Vargas, modificou radi-

calmente a vida da cidade. Até aquele momen-

to as atividades econômicas se davam em terra.

A chegada do equipamento militar significou

davam em terra. A chegada do equipamento militar significou Antigo caminhão Chevrolet. 44 também o início

Antigo caminhão Chevrolet.

44

militar significou Antigo caminhão Chevrolet. 44 também o início da ocupação do espaço aéreo para fins

também o início da ocupação do espaço aéreo para fins militares e comerciais; parte dos pousos e decolagens na pista da base aérea era voltada para o transporte de carga. A implantação do loteamento Cidade Saté- lite Industrial de Cumbica e a respectiva infra- estrutura vinda com a Base Aérea mudaram o eixo de implantação de indústrias e a logística na cidade. O eixo produtivo da cidade, que era lo- calizado na Região Central, definido pela Estrada

era lo- calizado na Região Central, definido pela Estrada Foto da Base Aérea de Cumbica, trecho

Foto da Base Aérea de Cumbica, trecho da antiga rodovia Rio - São Paulo e do loteamento da cidade Industrial Satélite de Cumbica, em 1948.

trecho da antiga rodovia Rio - São Paulo e do loteamento da cidade Industrial Satélite de

Via Dutra.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

de Ferro Sorocabana, trans- fere-se para Cumbica, zo- nas sul e leste, nas proximi- dades da Rodovia Presi- dente Dutra. A partir da Segunda Guerra Mundial, investi- mentos do capital estrangei- ro, principalmente norte- -americano, impulsionaram

o desenvolvimento do se-

tor industrial de bens de consumo duráveis e capital, caracterizando uma nova fase do processo industrial brasileiro. A predominância do modelo de desenvolvi- mento dependente sobre o desenvolvimento naciona- lista se configurou com o Plano de Metas de Jusceli- no Kubitschek (1956 - 1961). Com o lema “50 anos em 5”, acelera o desen- volvimento com a entrada maciça de capital estrangei-

ro na implantação da cha- mada indústria pesada. Guarulhos, nesse contexto histórico, é favorecida por sua localização geográfica na Re- gião Metropolitana de São Paulo e por estar no prin-

cipal eixo industrializado, entre Belo Horizonte, Rio

de Janeiro e São Paulo. O ciclo industrial, diferente-

mente dos ciclos do ouro e do tijolo, que dispu- nham de sua matéria-prima no próprio município, passou a contar com matérias-primas vindas de outras regiões. Para isso, as duas principais artérias rodoviárias, a Rodovia Presidente Dutra e a Fernão Dias, foram também importantes fatores de estí- mulo à industrialização do município. Além da localização no triângulo entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o Aquífero Cumbica foi essencial para o pleno desenvolvi- mento do ciclo industrial na cidade. Nas palavras

Laboratório de Geoprocessamento – UnG.
Laboratório de Geoprocessamento – UnG.

Mapa do loteamento da cidade Industrial Satélite de Cumbica, de 5 de novembro de 1945 – Implantado pelo Decreto Municipal n o 14.

a região

de Guarulhos e de Arujá é industrializada e neces-

sita de grande quantidade de água para suas ativi- dades e processos. A ausência de um sistema mu- nicipal efetivo de abastecimento de água fez com que as perfurações de poços aumentassem bas- tante durante a década de 1960. Os aquíferos nun- ca antes explorados favoreciam boas vazões”. O sucesso do desenvolvimentismo associa- do pode ser observado na quantidade e veloci- dade da instalação do parque industrial na ci- dade. Em 1953, eram 27 grandes indústrias; em 1956, eram 90 grandes fábricas e 80 pequenas. Ao processo de implantação das indústrias de grande porte nas décadas de 1950, 1960 e 1970 correspondeu uma aceleração do processo

do geólogo dr. Hélio Nóbile Diniz: “

nas décadas de 1950, 1960 e 1970 correspondeu uma aceleração do processo do geólogo dr. Hélio

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

migratório para a cidade de Guarulhos, provo- cando profundas mudanças na sua estrutura ur- bana e social. A cidade vê multiplicada sua po- pulação, como podemos verificar na tabela demográfica:

ano

população

migrantes %

1940

13.439

1950

35.523

1960

101.273

1970

235.865

57,5

1980

532.724

71,3

1990

787.866

2000

1.071.299

2007

1.236.192

Fontes: IBGE/Prefeitura de Guarulhos.

Conforme observa o economista Paul

desenvolvimento capitalista da eco-

nomia brasileira foi profundamente marcado por esta ampla mobilização do exército indus- trial de reserva, que deu lugar a um abundante suprimento de força de trabalho pouco qualifi- cada, mas dócil e de aspirações modestas”. A concentração de indústrias foi acompa- nhada pela aglomeração de força de trabalho em loteamentos populares e ocupações de ter- ras públicas e particulares, criando uma deman- da por serviços públicos de abastecimento de água, transporte, pavimentação, educação, saú-

Singer: “

o

Foto Massami.
Foto Massami.

Fábrica de Casimiras Adamastor S/A.

46

“ o Foto Massami. Fábrica de Casimiras Adamastor S/A. 46 de, entre outras. Para criação da

de, entre outras. Para criação da infraestrutura necessária à indústria houve a socialização dos gastos e até financiamento pelo Estado; porém, para a satisfação da demanda surgida pela ocu- pação desordenada, decorrente do processo in- dustrial, os gastos foram assumidos priorita- riamente pelo poder público. Com o intuito de ordenar o crescimento e ocu- pação do solo, a Lei municipal n o 1.503, de 1969, define as zonas de expansão urbana da cidade, in- cluindo nela vários bairros, tais como: Jardim Rosa de França, Cocaia, Taboão, Cidade Serôdio, San- tos Dumont, Jardim Maria Dirce, Jardim Presiden- te Dutra, Vila Nova Bonsucesso, Jardim Leblon, Parque São Miguel, entre outros. Em 1950, havia em Guarulhos 35.523 mo- radores; em 1990, a cidade contava 787.866 ha- bitantes. Em 40 anos vieram para Guarulhos 752.343 novos moradores. A maioria absoluta dos novos moradores da cidade foi morar nos loteamentos populares da periferia, áreas de ocu- pação e favelas, nas proximidades dos locais de trabalho. Os baixos salários pagos aos trabalha- dores e as precárias condições dos bairros leva- ram à formação de movimentos reivindicatórios de bairros e sindicatos.

INDUSTRIALIZAÇÃO:

TERCEIRO MOMENTO – DAS MEDIDAS NEOLIBERAIS AOS DIAS ATUAIS

Período que vai de 1990 aos dias atuais; mo- mento em que tratamos como a economia da cidade foi impactada pela política neoliberal e o quadro atual. Em 1990, algumas grandes em- presas faliram e outras se mudaram do municí- pio. Nesse período falava-se que a cidade havia deixado de ser industrial e se tornava uma cida- de de serviços. O que aconteceu em Guarulhos reflete uma tendência mundial das economias periféricas frente à política neoliberal nos mar- cos da globalização. Em 1989, na cidade de Washington, repre- sentantes das oito maiores economias do mun- do se reuniram e elaboraram um plano para os

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

demais países capitalistas. A es- tratégia visava resolver a crise de superprodução de mercadorias e excedentes de capitais constata- dos entre eles. De forma resumida, a políti- ca neoliberal consiste em abertu- ra comercial, estado mínimo e garantia de contratos por parte do Estado nacional. A economia guarulhense, nesse contexto, foi afetada com a política de abertu- ra econômica. A falência de em- presas e a redução da participa- ção das exportações do Brasil no mercado internacional trouxe-

ram consequências para a vida da cidade. Amplos setores passaram a apostar na pers- pectiva de abertura da economia brasileira com a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e na otimização das atividades aeroportuárias, como elemento privilegiado

das atividades aeroportuárias, como elemento privilegiado Família Saraceni, em 1951 – imigrantes italianos. para

Família Saraceni, em 1951 – imigrantes italianos.

para amplo desenvolvimento dos setores de serviços e comércio. Esperando a grande mu- dança de rota econômica, o município passou

a receber muitos hotéis na região central e o incentivo ao turismo de negócio.

A repercussão das falências de algumas

empresas no início da década de 1990 (gover- no Collor), e a instalação de vários hotéis no centro da cidade levou à construção do mito da mudança de perfil econômico do município. Para o censo comum, a economia da cidade havia deixado de ser industrial e se tornara de serviços.

A confusão sobre o destino da economia

brasileira e a vocação econômica do município durou, aproximadamente, dez anos. A vitória dos movimentos sociais no plebiscito em 2002, onde 10 milhões de pessoas votaram contra a Alca, e a publicação de um estudo do IBGE, em 2005, favoreceram a compreensão sobre a situação e os rumos da economia da cidade. Segundo estudo: “Onde se instalam indús- trias concentra serviços e população. Tal con- centração é reflexo direto do nível de industri- alização. Além do próprio peso da atividade, a indústria agrega uma série de serviços em tor- no de si, o que faz crescer a economia local”.

de serviços em tor- no de si, o que faz crescer a economia local”. Vista panorâmica

Vista panorâmica do centro expandido da cidade.

de serviços em tor- no de si, o que faz crescer a economia local”. Vista panorâmica

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Shopping Internacional de Guarulhos – antiga Fábrica Olivetti. Antiga Fábrica

Shopping Internacional de Guarulhos – antiga Fábrica Olivetti.

Internacional de Guarulhos – antiga Fábrica Olivetti. Antiga Fábrica Olivetti, 1958. É a indústria, e não

Antiga Fábrica Olivetti, 1958.

É a indústria, e não diretamente o Aero- porto Internacional, a grande responsável pelo Produto Interno Bruto de Guarulhos. A produção se reflete na receita do municí- pio: cerca de 60% da arrecadação vêm, se- gundo a Prefeitura, das atividades industriais. (Estudo IBGE/Ipea-2005.) Atualmente, o município ocupa a 9 a posi- ção no cenário econômico, sendo responsável por 1,03% do PIB Brasileiro (IBGE-2006). Com um parque industrial diversificado, conta com 91.847 trabalhadores e mais de 2.890 indústrias. A pro-

Era industrial – modelo automobilístico transporte rodoviário de cargas.

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modelo automobilístico transporte rodoviário de cargas. 48 dução chega a R$ 12,06 bilhões anuais no setor

dução chega a R$ 12,06 bilhões anuais no setor industrial, e a cidade figura no cenário nacional com um PIB de R$ 18.194.924 bilhões. O em- prego no setor formal contabiliza 227.914 tra- balhadores. Os setores de comércio e serviços completam os números do PIB local. Segundo informações da Prefeitura, o se- tor de serviços é o que cresce em ritmo mais intenso. “Seja em função das indústrias, que cada vez mais terceirizam serviços, como entregas, contratação de pessoal, manutenção, ou da pre- sença do aeroporto, que impulsiona a implan- tação de uma série de serviços de transporte e logística, hotelaria, turismo e eventos. Atualmen- te, são mais de mil empresas dos setores de transporte e logística atuando em Guarulhos.

turismo e eventos. Atualmen- te, são mais de mil empresas dos setores de transporte e logística
Foto extraída do livro: Philips 80 Anos à Frente.
Foto extraída do livro: Philips 80 Anos à Frente.

Vista aérea da Philips, 1960. No local atual abriga o Campus da Universidade de Guarulhos.

Além disso, a privilegiada localização atraiu, nos últimos anos, importantes centros de distribui- ção e logística.” Para atender às exigências da produção lo- cal e de outros polos econômicos regionais, estão em andamento a modernização do ter- minal de cargas do Aeroporto de Cumbica, a construção do terceiro terminal, obras para interligação do Porto de Santos ao Aeroporto de Cumbica, através da extensão da Av. Jacu- Pêssego, São Paulo a Guarulhos e a revitalização da Cidade Satélite Industrial de Cumbica. A industrialização na região metropolita- na, e especialmente em Guarulhos, gerou enor- me contraste social, criou riquezas e, também, muita pobreza, inclusive um grande passivo socioambiental. Junto com a industrialização

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

se deram a formação do operariado urbano e a organização dos seus membros em sindica- tos, partidos políticos, associações etc. No mu- nicípio registram-se inúmeras greves e protes- tos, conduzidos por trabalhadores nas fábri- cas e nos bairros. Que se têm registros, a fun- dação do primeiro sindicato na cidade ocor- reu em 1958 (Sindicato dos Condutores). A primeira greve operária ocorreu em 1963, por 100% de aumento salarial.

operária ocorreu em 1963, por 100% de aumento salarial. Trabalhadores em frente ao Fórum. Do processo

Trabalhadores em frente ao Fórum.

Do processo de desenvolvimento e da for- ma como se deu a expansão territorial urbana decorre a quantidade de problemas ambientais e sociais: de acordo com o IBGE, 10% da popula- ção habitam em favelas – o IBGE considera nú- cleos de favelas aqueles com menos de 50 unida- des habitacionais. Quanto às questões ambientais, as mais graves são o desmatamento, a água e o

ambientais, as mais graves são o desmatamento, a água e o Mulheres metalúrgicas, início de 1970.

Mulheres metalúrgicas, início de 1970. Foto extraída do livro: Philips 80 Anos à Frente.

a água e o Mulheres metalúrgicas, início de 1970. Foto extraída do livro: Philips 80 Anos

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

solo contaminados e a poluição atmosférica. O local onde está o município é farto em água sub- terrânea e escasso em corrente de ar, o que agra- va ainda mais a dispersão dos poluentes. A cida- de aproveita apenas 8% da água utilizada, e quan- do considerados os indicadores de desenvolvi-

mento humano, renda, longevidade e educação, apenas a educação se mantém em níveis satisfatórios, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,0798, o que coloca a cida- de na 191 a posição entre os municípios paulistas e 607 a entre os municípios da federação.

Lutas Sociais e Resistência Cultural em Guarulhos

Com o processo de ocupação territorial e a expansão urbana de Guarulhos, os trabalhadores, vistos como força de trabalho, empregaram a energia essencial para a concretização da produção da riqueza, parte

na condição de escravos, parte como agregados, meeiros, trabalhadores e operários assalariados. Para além do processo produtivo, percebe-se nas diversas formas de manifestações da cultura religiosa, gastronômica, na oralidade e na toponímia como se deu, de forma ativa, a assimilação dos diferentes sujeitos.

resistência das populações indígenas, negras e dos operários imigrantes estrangeiros e nacionais aconteceu, pelo menos, em dois níveis: na preservação de suas culturas como fatores essenciais de resistência e nas lutas diretas contra o sistema. A primeira resistência veio dos indígenas, que não acei- taram docilmente a tentativa de aldeamento feita pelos coloniza- dores. Diante da insistência em aldeá-los e escravizá-los, em 1640, os indígenas Maromomi reagiram de forma violenta, ateando fogo em duas fazendas e expulsando seus proprietários. Com o advento da es-

cravidão da população negra, po- demos constatar, no mapa da mi-

A

da população negra, po- demos constatar, no mapa da mi- A Oposição sindical metalúrgica de Guarulhos,

Oposição sindical metalúrgica de Guarulhos, em 1982.

neração do município, a existência do Ribeirão dos Quilombos; é provável que no local tenha existido um quilombo. A presença da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no centro anti- go, revela uma expressiva organização dos afro-brasi- leiros em Guarulhos. Em 1750, a referida igreja foi ben-

ta oficialmente.

Em 1750, a referida igreja foi ben- ta oficialmente. Jornal O Repórter de Guarulhos , de

Jornal O Repórter de Guarulhos, de novembro de 1979.

A implantação da indústria na cidade trouxe con-

sigo a formação da classe operária e a expansão urba-

na de forma desordenada. Ao período corresponde o

surgimento das primeiras lutas de bairros e nos locais de trabalho. Contrariando o mito de um operariado dócil, os trabalhadores rapidamente amadureceram como clas- se e se organizaram em comissões de bairro, associa- ções, partidos políticos, sindicatos e outras formas.

A partir da década de 1970, aparecem novas es-

tratégias de organização entre os trabalhadores, com movimentos sociais voltados para a defesa dos direitos das mulheres, negros, homossexuais, crianças e ado- lescentes, idosos, meio ambiente, saúde, educação etc., todos com grande representatividade em Guarulhos.

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e ado- lescentes, idosos, meio ambiente, saúde, educação etc., todos com grande representatividade em Guarulhos. 50

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

3
3

Igreja Matriz e Praça Tereza Cristina, em 1958.

Mudanças Políticas e Administrativas

D a fundação aos dias atuais, Guarulhos passou por cinco momentos em sua história

política e administrativa: foi aldeia indígena, distrito, freguesia, município e cidade. Em 8 de dezembro de 1560, ocorre a fundação da aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Guarus, pelo padre jesuíta Manuel de Paiva, de acordo com pesquisa do memorialista João Ranali. Para o pesquisador Benedito Prézia, a aldeia de Nossa Senhora da Conceição dos Maromomi foi fundada, provavelmente, em 1606, tendo como superior o padre Manuel Viegas. Ainda segundo ele, em 1604 os jesuítas de São Paulo pediram ao superior-geral em Roma autorização para implan- tar o aldeamento para os Maromomi, no Planalto Paulista. No início do século XVII, é feita a

concessão de datas de terras na região das minas descobertas por Geraldo Corrêa, próximas ao Rio Baquirivu- -Guaçu, localidade conhecida por La- goas Velhas do Geraldo, através de carta de sesmaria. A carta de sesmaria cons- titui um importante documento que ates- ta a antiguidade da mineração de ouro em Guarulhos. Sesmaria é um lote de terras inculto ou abandonado, que os reis portugueses cediam a sesmeiros que se dispusessem a explorá-la. Por volta de 1640, havia na missão Maromomi cerca de 800 famílias e uma população com mais de 3 mil pessoas. Nessa época, os Maromomi passaram a ser chamados de Guarulhos. Nesse

os Maromomi passaram a ser chamados de Guarulhos. Nesse Câmara e Prefeitura Municipal, em prédio construído

Câmara e Prefeitura Municipal, em prédio construído entre 1921 e 1923.

passaram a ser chamados de Guarulhos. Nesse Câmara e Prefeitura Municipal, em prédio construído entre 1921

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Paço Municipal, em 1976. mesmo ano, os jesuítas são expulsos de

Paço Municipal, em 1976.

mesmo ano, os jesuítas são expulsos de São Pau- lo, por sua posição intransigente contra a escravi- zação indígena na região. Sem os padres, os Ma- romomi passaram a ser usados em trabalhos nas fazendas, realizando transporte de carga. Quando os jesuítas retornaram a São Paulo, em 1653, não reassumiram a missão dos Maromomi. Em 1652, houve um levante dos índios que trabalhavam na fazenda de João Sutil de Oliveira, ocasião em que foram mortos os moradores e a propriedade incendiada. Mais três fazendas foram incendiadas no final da mesma década, em rebeliões com participa- ção dos Guarulhos. De acordo com Noronha (p. 116), em 1675 deu- -se a criação do distri- to. “Por sinal, foi nes- sa época que se consti- tuíram as principais circunscrições distri- tais da capitania, geral- mente denominadas bairros nos documen- tos oficiais.” No dia 8 de maio de 1685, ocor- re a mudança de distri- to para freguesia de Nossa Senhora da Con- ceição dos Guarulhos.

A

Para o historiador Carlos José, “O território do futuro muni- cípio de Guarulhos, por pos- suir lavras de ouro, atraiu os colonizadores para a região. É provável que estes minerado- res tenham atuado para a cria- ção da freguesia, tendo em vis- ta que eles apropriaram-se de terras pertencentes antes aos índios aldeados e para melhor atender a seus interesses como proprietários, algo bem carac- terístico do processo de ex- ploração colonial”. No mes- mo dia e ano, ocorre a fundação da paróquia de Nossa Senhora da Conceição dos Guaru-

lhos, atual Igreja Matriz, localizada na Praça Tereza Cristina.

A terceira mudança, de freguesia para vila,

ocorreu em 1880, de acordo com a Lei Provin-

cial n o 34, de 24 de março de 1880. Foi aprovada pela Assembleia Legislativa Provincial e sancio- nada pelo então presidente Laurindo Abelardo de Brito, constando do texto publicado o nome de Francisco Ignácio de Toledo Barbosa, como redator, e de José Joaquim Cardoso de Melo, como secretário do Governo Provincial.

presença de grandes latifundiários rurais da época influenciou, pes- soalmente, que ocorresse a transformação, pois vila é uma povoação superior às duas categorias anteriores e inferior à cidade. A vila ca- racteriza-se pela existência de um conjunto de casas, construídas em volta de uma praça e com poucas ruas de acesso, dotada com Câma-

de uma praça e com poucas ruas de acesso, dotada com Câma- Vista interna da Igreja

Vista interna da Igreja Matriz – Nossa Senhora da Conceição.

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praça e com poucas ruas de acesso, dotada com Câma- Vista interna da Igreja Matriz –

ra de Vereadores, intendente municipal e outros equipamentos públicos.

É muito provável que dois homens públi-

cos da cidade nesta época – o padre João Vi- cente Valadão e João Álvares de Siqueira Bueno,

guarulhenses que foram, durante muitos anos, o vigário desta paróquia e deputado –, tenham influenciado a tomada de decisão. No entanto, apenas João Bueno fora eleito para a legislatura de 1880/1881, em cujo início apareceu o pro- jeto de lei criando o município. Levando-se em conta o espírito dinâmico e hábil de João Bueno, dada a sua condição de filho da terra e residen- te, deve-se presumir que foi dele a providencial iniciativa.

O projeto de lei foi apresentado à mesa

da Assembleia na sessão de 14 de fevereiro de 1880, sob o n o 21, tendo como signatá- rios Reis França; Oliveira Braga; Campos Toledo; C. Gavião; Antônio Carlos, o ba- rão de Pinhal; Luiz Carlos; João Clímaco de Camargo; Tito Correia de Mello e Ferreira Braga. João Bueno não assinou o projeto e não estava presente à sessão em que foi apre-

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

sentado o documento, talvez por conve- niência política. A lei não fixou as divisas do município, posto que as mesmas devessem coincidir com os limites das paróquias que o integra- vam. A instalação do município deu-se com a presença dos vereadores de São Paulo. A ata lavrada na ocasião é a seguinte: “Aos vinte e quatro dias do mês de janeiro de mil oitocentos e oitenta e um, nesta Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guaru- lhos, Comarca da Imperial Cidade de São Paulo, na Casa destinada para sessões da Câmara Municipal da mesma, ao meio-dia, compareceram os srs. presidente e verea- dores da Câmara Municipal da Capital, drs. João Mendes de Almeida Júnior, Américo Brasiliense Almada Mello, Antônio Francis- co Aguiar Castro, Augusto de Souza Queirós, tenente-coronel Antônio José Fernandes Braga, para instalação da Câma- ra Municipal da Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, e dar juramen- to e posse aos vereadores eleitos da Câma-

e dar juramen- to e posse aos vereadores eleitos da Câma- Esquina onde foi instalada a

Esquina onde foi instalada a primeira sede da Câmara Municipal e também a Intendência, em imóvel construído em taipa de pilão. Na Rua D. Pedro II, postando-se de frente, a casa legislativa ficava na esquina do lado direito da Rua Felício Marcondes (antiga Estrada do Cabuçu), local da primeira sede da Casa Poli (1916) e onde passou a funcionar o armazém Mesquita Marques, em 1944.

do Cabuçu), local da primeira sede da Casa Poli (1916) e onde passou a funcionar o

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

ra Municipal, capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello, Francisco Soares da Cunha, Joaquim Rodrigues de Miranda, José de Sant’Anna, Marciano Ortiz de Camargo e José Alves de Almeida Pinho”. A ata foi lavrada por Antô- nio Joaquim da Costa Guimarães, secretário da Câmara paulistana. Em ata seguinte, lavrada no mes- mo dia, consta a eleição do capi- tão Joaquim Francisco de Paula Rabello para presidente da Câma- ra local. O prédio da Câmara, nes- sa ocasião, ficava na Rua D. Pedro II, na esquina da Rua Felício Mar-

condes, no lado direito de quem

sobe por esta. Em 3 de maio de 1886, pela Lei Provincial n o 71, Guarulhos perdeu a Paróquia da Penha, que se reintegrou ao município da Capital. Em

27 de março de 1889, pela Lei Provincial n o 66, perdeu Juqueri (atual Mairiporã), que se consti- tuiu município independente. Antigamente era comum dizer-se Conceição dos Guarulhos ou, simplesmente, Conceição. Mas, no Governo Tibiriçá, pela Lei n o 1.021, de 6 de novembro de 1906, passou a denominar-se, oficialmente, Guarulhos. Logo a seguir, em 19 de de- zembro de 1906, pela Lei Estadual n o 1.038, a Vila de Guarulhos foi elevada à categoria de cidade, quando possuía população de qua- se 5 mil habitantes. Finalmente, a

Lei Estadual n o 2.456, de 30 de de-

zembro de 1953, criou a Comarca (Poder Judiciário local), com jurisdição no terri- tório municipal, cuja instalação se deu, solenemen- te, a 18 de fevereiro de 1956.

se deu, solenemen- te, a 18 de fevereiro de 1956. Capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello.

Capitão Joaquim Francisco

de Paula Rabello.

solenemen- te, a 18 de fevereiro de 1956. Capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello. Lago de

Lago de Vila Galvão em 1950.

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solenemen- te, a 18 de fevereiro de 1956. Capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello. Lago de

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

De capela a município – interfaces com Guarulhos

Da formação de uma capela ao estabelecimento de um município, existe um percurso de denominações. Entendam melhor quais são e o que significam:

Capela: pequeno templo erigido ou fundado pelos nobres ou senhores nas terras de sua propriedade, geralmente ao lado de sua casa; convertia-se muitas vezes em paróquia, cuja povoação originava a vila. De acordo com o historiador John Manuel Monteiro, Guarulhos teve uma Capela em 1666, edificada na Fazenda Bonsucesso, em terras de Francisco Cubas. Distrito: divisão territorial e administrativa em que certa autoridade administrativa, judicial ou fiscal exerce sua jurisdição. Em 1675 Guarulhos foi distrito de São Paulo. Em 23 de dezembro de 1981, foi criado o distrito do Jardim Presidente Dutra, já no município de Guarulhos. Freguesia: sede de uma igreja paroquial, que servia também para a administração civil; categoria oficial, institucionalmente reconhecida, a que era elevado um povoado quando nele houvesse uma capela curada (ministrada em caráter permanente por um pároco) ou paróquia, na qual pudesse manter um padre à custa desses paroquianos, pagando a ele a côngrua anual. Em 1685 Guarulhos foi declarado freguesia. Vila: unidade político-administrativa autônoma equivalente a município, trazida de Portugal para o Brasil no início da colonização, tendo perdurado até fins do século XIX; toda vila deveria possuir Câmara e cadeia, além de um pelourinho – símbolo da autonomia. Termo empregado em substituição a município, pois este não podia ser usado na colônia, ou seja, em terras não emancipadas. Guarulhos foi elevado a Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos em 1880. Termo: território da vila, cujos limites são imprecisos; tinha a sua sede nas vilas ou cidades respectivas; era dividido em freguesias, limite, raia ou marco divisório que extrema uma área circunscrita. De acordo com a definição, os bairros da Penha e Juquery se enquadram na descrição. Cidade: título honorífico concedido até a Proclamação da República, pela Casa Imperial, às vilas e municípios, sem nada acrescentar à sua autonomia; a partir da Constituição de 1891, este poder é delegado aos Estados, que podem tornar cidade toda e qualquer sede de município; nome reconhecido legalmente para as povoações de determinada importância. Município: divisão administrativa de origem romana, levada pelos romanos para a Península Ibérica, e de Portugal trazida para o Brasil; equivalente à vila; menor unidade territorial político-administrativa autôno- ma; entre os romanos, cidade que possuía o direito de se administrar e governar por suas próprias leis; no Brasil substitui definitivamente o termo “vila” a partir da República, tendo aparecido pela primeira vez na legislação através da Carta Régia de 29 de outubro de 1700.

através da Carta Régia de 29 de outubro de 1700. Rua D. Pedro II, 1930 –

Rua D. Pedro II, 1930 – Praça Conselheiro Crispiniano. Prédio à direita: Clube Recreativo de Guarulhos; primeiro sobrado à esquerda: Cine e Teatro D. Pedro II, posteriormente Cine República.

Clube Recreativo de Guarulhos; primeiro sobrado à esquerda: Cine e Teatro D. Pedro II, posteriormente Cine

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

A ORIGEM DO NOME

Há muito tempo vem sendo considerada a informação definida por Teodoro Sampaio em O Tupi na Geografia Nacional: guaru significa o indi- víduo que come – o comedor, em alusão ao for- mato do peixe desse nome, cuja parte ventral é saliente. Consideramos que os colonizadores eu- ropeus, na tentativa de resolver as dificuldades de comunicação e compreensão da diversidade linguística dos povos indígenas, criaram uma tupinologia amadora, sistematizada na língua ge- ral e expressa na toponímia nacional e local. Ainda sobre a origem do nome Guarulhos, são consideradas significativas as considerações do historiador John Manuel Monteiro: “A par- tir da Independência do Brasil, o tupi começou a ser um instrumento importante da nacionali- dade, tudo era chamado de nomes tupis, e mes- mo em lugares em que não existiam populações tupis, como no caso de Guarulhos, quase todos os nomes são de língua geral, são tupis. Isso sugere evidentemente que são nomes que foram atribuídos posteriormente, e às vezes é um exer- cício enganoso, porque muitas vezes a gente acha que tem um nome indígena porque os ín- dios deram esse nome, a maior parte dos luga- res no Brasil tem nomes indígenas que foram dados por não índios, e muito posteriormente. No caso dos Guarulhos é muito curioso por- que Guarulhos é o nome que ficou de fato, a

curioso por- que Guarulhos é o nome que ficou de fato, a Antigo coreto da Igreja

Antigo coreto da Igreja Matriz e, ao fundo, Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em 1926.

56

de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em 1926. 56 Trecho da Estrada da Conceição.
de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em 1926. 56 Trecho da Estrada da Conceição.

Trecho da Estrada da Conceição. Livro: IV Centenário – Guarulhos. Autor: Adolfo de Vasconcelos Noronha.

partir do século XVII (não se sabe exatamente quando), mas que pegou e substituiu o nome anterior para designar um certo grupo indíge- na, esses que eram chamados Maromomi e que mais tarde foi corrompido para guaru-mirim, que em tupi guaru significa pequeno, ou seja, uma corruptela para marumirim. É algo bas- tante revelador desses processos de mudança e a gente tem que ter bastante atenção”. (Montei- ro, 2006.) A atribuição do nome Guarulhos reflete o processo de colonização portuguesa na tentati- va de generalização da cultura Tupi através da língua geral.

generalização da cultura Tupi através da língua geral. Av. Conceição, antiga Estrada da Conceição, via de

Av. Conceição, antiga Estrada da Conceição, via de ligação entre o bairro de Santana, em São Paulo, e Guarulhos. Nome em referência à Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, atual Igreja Matriz.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

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4

Nascente do Ribeirão das Lavras.

Circuitos Turísticos – Patrimônios Culturais e Ambientais

CIRCUITO 1 – CENTRO HISTÓRICO – COLINA

Sob a colina do centro, no triângulo formado pelas r uas Capitão Gabriel, D. Pedro II, Luiz Gama e João Gonçalves, reconhecido pela Lei n o 6.253, de 24 de maio de 2007, como Zona Central Histórica, encontra-se grande parte da História da cidade com seus patrimônios: Cate- dral da Cidade – Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Marco Zero, Rua D. Pedro II, Cemitério dos Homens Pretos, antigo prédio do Colégio Claretiano e o Shopping Poli.

Rua D. Pedro II – Antiga Rua Direita

Seu atual nome, atribuído em 1932, deve-se à possível passagem e pernoite de d. Pedro II e sua esposa Tereza Cristina, em uma casa nesta rua.

Praça Conselheiro Crispiniano, calçadão da Rua D. Pedro II – marca escura no piso demarca
Praça Conselheiro
Crispiniano, calçadão da
Rua D. Pedro II – marca
escura no piso demarca o
antigo local da Igreja e do
cemitério da Irmandade
de Nossa Senhora do
Rosário dos Homens
Pretos. Calçadão
inaugurado em 8 de
dezembro de 2008.
Praça Conselheiro Crispiniano no final da
década de 1950. Ao fundo, a Igreja Matriz,
a Rua D. Pedro II, e a segunda sede da Casa
Poli, hoje Shopping Poli.
da década de 1950. Ao fundo, a Igreja Matriz, a Rua D. Pedro II, e a

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Praça Tereza Cristina, Igreja Nossa Senhora da Conceição e Colégio Claretiano

Igreja Nossa Senhora da Conceição e Colégio Claretiano Em homenagem a Imperatriz do Brasil, Tereza Cristina,

Em homenagem a Imperatriz do Brasil, Tereza Cristina, nela localiza-se a Catedral de Guarulhos, a Igreja Nossa Senhora da Concei- ção, mais conhecida como Igreja Matriz. Cons- truída no século XVII, a data provável da cons- trução da Catedral é 1685. Sua construção ori- ginal é de taipa de pilão, porém passou por vá- rias reformas que a descaracterizaram. Foi ele- vada a Catedral em 1981, com a criação da Cúria Diocesana de Guarulhos, quando as paredes de taipa foram revestidas de tijolos. Ao fundo da Matriz localiza-se o prédio do antigo Colégio Claretiano e uma das primeiras faculdade da cidade, a Farias Brito.

e uma das primeiras faculdade da cidade, a Farias Brito. O brasão do Império encontra-se sob

O brasão do Império encontra-se sob a cruz da Igreja Matriz.

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do Império encontra-se sob a cruz da Igreja Matriz. 58 Igreja da Irmandade de Nossa Senhora

Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Cemitério dos Pretos e Rua Luiz Gama

Localizada na Praça Conselheiro Crispinia- no, atual calçadão da Rua D. Pedro II, a Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e o Cemitério dos Homens Pretos abrigavam as manifestações religiosas e de tradição popular dos negros e pobres. Um projeto de revitalização do centro, executado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, propõe a construção de um monumento em memória das vítimas da escravidão, relembrando a igreja, demolida por volta de 1928. “Luiz Gama (1830-1882), nasceu em Salva- dor, filho de um fidalgo português com a negra Luiza Mahin. Apesar de livre, seu pai o vendeu como escravo em São Paulo. Foi escrivão, poeta,

o vendeu como escravo em São Paulo. Foi escrivão, poeta, “Aos primeiro de outubro de mil
“Aos primeiro de outubro de mil oitocentos e dezoito faleceo de idropizia de idade de
“Aos primeiro de outubro de mil oitocentos e
dezoito faleceo de idropizia de idade de mais de
secenta annos, com os sacramentos da Penitencia
e Extrema Unção Narcizo cazado com Gertrudes
escravos de Francisco Mariano de Oliveira freguez
desta, seo corpo involto em pano branco jaz no
Rozario de onde he Irmão sendo encomendado
O Vigr o José Branco Teix a ”
Certidão de Óbito de escravo enterrado no
cemitério da Igreja do Rosário – Livro n o 5 – Cúria
Diocesana de Guarulhos, em grafia da época.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

jornalista e ‘advogado’ de escravos, sem diplo- ma – tinha apenas uma provisão do governo. Em 1881, criou a Caixa Emancipadora Luiz Gama para a compra de alforrias”. Fonte: Re- vista Nossa História, n o 19, maio de 2005, Edito- ra Vera Cruz.

cada de 1970. Entre 1973 e 2001 abrigou o Fórum, Secretaria de Obras Particulares, Junta de Alistamento Militar e Museu Histórico Mu- nicipal. Foi tombado pelo Decreto n o 21.143, de 28 de dezembro de 2000.

Rua Sete de Setembro

Data comemorativa da Independência do Brasil. Até a década de 1970 era uma rua residencial.

Marco Zero

Localizado na Rua D. Pedro II, em frente à Igreja Matriz, o marco zero orienta geogra- ficamente a localização e distâncias dos bair- ros e principais estradas. A nova placa foi inau- gurada em 8 de dezembro de 2008.

A nova placa foi inau- gurada em 8 de dezembro de 2008. Casa do Ex-prefeito José

Casa do Ex-prefeito José Maurício de Oliveira

Localizada na esquina da Rua Sete de Se- tembro com a Rua Felício Marcondes, foi cons- truída em 1935 e utilizada como moradia da família Maurício de Oliveira até o início da dé-

Antigo Paço Municipal

Construído no início da década de 1920, abrigou, simultaneamente, a Câmara Munici- pal e a Biblioteca Municipal até 1958. Foi sede da Delegacia de Polícia, Conservatório de Mú- sica, Secretaria de Administração e, atualmen- te, da Guarda Civil Metropolitana. Foi tom- bado pelo Decreto n o 21.143, de 28 de dezem- bro de 2000.

pelo Decreto n o 21.143, de 28 de dezem- bro de 2000. Antigo Paço Municipal. Casa

Antigo Paço Municipal.

n o 21.143, de 28 de dezem- bro de 2000. Antigo Paço Municipal. Casa do ex-prefeito

Casa do ex-prefeito José Maurício de Oliveira.

n o 21.143, de 28 de dezem- bro de 2000. Antigo Paço Municipal. Casa do ex-prefeito

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Escola Estadual Capistrano de Abreu

Espaço de Muitos Povos Escola Estadual Capistrano de Abreu Inaugurada em 1935, abrigou o primeiro Grupo

Inaugurada em 1935, abrigou o primeiro Grupo Escolar de Guarulhos, que funcionava na Rua Luiz Faccini desde 1926. Em 1948, re- cebeu o nome de Capistrano de Abreu em ho- menagem ao historiador cearense. Foi tomba- da pelo Decreto n o 21.143, de 28 de dezem- bro de 2000.

Rua Capitão Gabriel

Gabriel José Antônio foi vereador e prefei- to indicado pela Câmara Municipal de 1908 a

1915. Em 15 de abril de 1913, a Câmara Muni-

cipal autorizou a abertura de algumas ruas no

centro e deu o nome do prefeito e presidente da Câmara a uma delas.

Rua Felício Marcondes

Comerciante na região de Bonsucesso, foi intendente de 1891 a 1894 e vereador de 1911 a

1919. Em 15 de abril de 1913, a Câmara, ten-

do-o como presidente, aprovou a abertura de algumas ruas e uma delas recebeu seu nome, mes- mo estando vivo – antiga Estrada do Cabuçu.

Praça Getúlio Vargas e Prédio Antigo da Câmara Municipal

Tombada pelo Decreto n o 21.143, de 28 de dezembro de 2001, a praça foi construída na dé- cada de 1950. No local do antigo campo do Es- porte Clube Paulista, ainda nos anos 1950, rece- beu o prédio do Paço Municipal que, em 1976, foi transferido para o Bom Clima, passando a funcionar ali a Câmara Municipal.

o Bom Clima, passando a funcionar ali a Câmara Municipal. Prédio antigo da Câmara Municipal –

Prédio antigo da Câmara Municipal – Praça Getúlio Vargas.

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Clima, passando a funcionar ali a Câmara Municipal. Prédio antigo da Câmara Municipal – Praça Getúlio

Cemitério São João Batista

Cemitério São João Batista Espaço de Muitos Povos GUARULHOS te de seus jazigos removidos e transferidos

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

te de seus jazigos removidos e transferidos para o

Cemitério São Judas Tadeu para a construção da Biblioteca Municipal. Relatos orais afirmam que apenas o local onde eram enterrados os negros e pobres foi removido; as famílias tradicionais or-

ganizaram-se e impediram a violação dos túmulos

de seus familiares, permanecendo no cemitério

que possui o nome de São João Batista.

Prédio da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato

Construída em 1968, em terreno do Cemi-

tério São João Batista, para abrigar o acervo da Biblioteca Municipal criada em 1940, recebeu

Tombado pela Lei n o 3.642, de 1990, pelo processo de Tombamento n o 10.763/90. Rece- beu esse nome pela Lei n o 370, de 28 de agosto de 1956. Os primeiros registros são do final do sécu- lo XIX. Em 1924, Francisco Antunes doou uma área de terreno para ampliação e, em troca, rece- beu jazigo perpétuo. Na década de 1960 teve par-

o

nome do escritor Monteiro Lobato em 1978.

O

Auditório Pedro Dias Gonçalves foi palco

de

importantes acontecimentos culturais da ci-

dade nas décadas de 1970 e 1980, como o Gru-

po Literário Letra Viva, Cine Clube Popular Paulo Pontes, Festival de Teatro e Temporada

de

Arte e Cultura (TAC).

Primeira Biblioteca Pública Municipal, criada em 20 de junho de 1939 pelo ato n o
Primeira Biblioteca Pública Municipal, criada em 20 de
junho de 1939 pelo ato n o 232, funcionou inicialmente
no antigo espaço da Câmara Municipal e Prefeitura,
situada na esquina da Rua Felício Marcondes com a
Rua Sete de Setembro, inaugurada em 26 de novembro
de 1940.

Biblioteca Pública Municipal, construída em 1968, sobre as ruínas do antigo cemitério, parte destinada ao sepultamento dos brancos pobres, índios e negros. Em 1978 recebeu o nome de Monteiro Lobato.

parte destinada ao sepultamento dos brancos pobres, índios e negros. Em 1978 recebeu o nome de

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Rua João Gonçalves

Foi vereador de 1908 a 1916. Em 15 de abril de 1913, a Câmara Municipal, tendo-o como vice-presidente, aprovou a abertura de algumas ruas e uma delas recebeu seu nome.

Largo e Igreja do Rosário

Construção da década de 1930 para substi- tuir a Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, demolida por volta de 1928, para alargar a Rua D. Pedro II. Foi construída em terreno da chácara de Túlio Brancaleone, doado para este fim.

II. Foi construída em terreno da chácara de Túlio Brancaleone, doado para este fim. Largo e

Largo e Igreja do Rosário.

II. Foi construída em terreno da chácara de Túlio Brancaleone, doado para este fim. Largo e

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II. Foi construída em terreno da chácara de Túlio Brancaleone, doado para este fim. Largo e

CIRCUITO 2 – CENTRO HISTÓRICO EXPANDIDO – SOPÉ DA COLINA

Patrimônios situados no sopé da colina cen- tral, exceto a Praça dos Estudantes: Bosque Maia, Teatro Adamastor, Córrego dos Cavalos, Praça

IV Centenário, Arquivo Histórico, Rua da Esta-

ção, Praça dos Estudantes, EE Conselheiro Crispiniano, Rua Nossa Senhora Mãe dos Ho- mens Pretos (de acordo com a tradição oral).

Local da fundação de Guarulhos

Conforme apontamento do memorialista Adolfo de Vasconcelos Noronha, em 1560, neste local, situado entre a Av. Guarulhos, a Rua Silvestre Calmon e a Rua Barão de Mauá, teriam sido erguidas uma capela, bem como um cemitério indígena, aldeia que veio origi- nar a cidade de Guarulhos. Os relatos, tanto

sobre este local quanto de outra aldeia, situa-

da entre Bonsucesso e Pimentas e até mesmo

aldeia, situa- da entre Bonsucesso e Pimentas e até mesmo Av. Guarulhos com a Rua Silvestre

Av. Guarulhos com a Rua Silvestre Calmon.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

os índios aldeados são objeto de grande polê- mica historiográfica.

Rua da Estação

Atual Rua Cerqueira César, aberta em 1914

para ligar a estação à Rua D. Pedro II. João Álva- res de Cerqueira César nasceu em Guarulhos, no bairro de Tapera Grande, em 1835, filho de Ben-

to Alves de Cerqueira Bueno, descendente de

Amador Bueno, grandes proprietários agrícolas.

Córrego dos Cavalos

O nome do córrego vem da época dos tropeiros e era um dos pontos onde paravam

para alimentar os animais e descansar. A partir

da implantação do trem de ferro, passou a ser-

vir de fonte de abastecimento da linha férrea.

O Córrego dos Cavalos está canalizado embai-

xo da Praça IV Centenário.

Praça IV Centenário, Estação Guarulhos e Casa Amarela

A praça recebeu esse nome em 1960, nas comemorações dos 400 anos da fundação da cidade. Abriga a Estação Guarulhos e a casa do chefe da estação, transformada em arquivo histórico do município. Existe também no lo- cal uma locomotiva semelhante às utilizadas na Estrada de Ferro Tramway Cantareira, inaugu- rada em 1915 e, após 1941, Estrada de Ferro Sorocabana.

Parque Estrela, atual Praça IV Centenário, antigo Córrego dos Cavalos ou Lava-pés.
Parque Estrela, atual
Praça IV Centenário, antigo
Córrego dos Cavalos
ou Lava-pés.

Praça IV Centenário, em 2008.

Estrela, atual Praça IV Centenário, antigo Córrego dos Cavalos ou Lava-pés. Praça IV Centenário, em 2008.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Centro Municipal de Educação Adamastor

Localizado na Av. Monteiro Lobato, no antigo prédio da Fábrica de Casimiras Adamas- tor, inaugurada em 1946. No passado havia sido chácara – até 1941 – e olaria, a Cerâmica Brasil, de 1941 a 1946. Hoje, é importante monumen- to de preservação da memória dos ciclos do tijolo e industrial, funcionando como um cen- tro cultural, que abriga biblioteca, teatro e cen- tro de memória.

que abriga biblioteca, teatro e cen- tro de memória. Centro Municipal de Educação Adamastor. Bosque Maia

Centro Municipal de Educação Adamastor.

Bosque Maia

Situado na Av. Paulo Faccini, possui trechos da Mata Atlântica. Com mais de 100 mil metros quadrados, reúne vários equipamentos de cultu- ra, lazer e educação ambiental. O bosque é mui-

to utilizado pela população nos fins de semana e conta com brinquedos, pistas de caminhada, tri- lhas, pistas de skate, espaços de shows, quadras poliesportivas e tradicional praça ambulante de alimentação.

Capela do Bom Jesus de Pirapora

Localizada no bairro do Macedo, ao lado do Centro Educacional Adamastor, foi cons- truída com tijolos em data indefinida, substitu- indo a antiga edificação em taipa de pilão.

substitu- indo a antiga edificação em taipa de pilão. Praça dos Estudantes e Escola Estadual Conselheiro

Praça dos Estudantes e Escola Estadual Conselheiro Crispiniano

João Crispiniano Soares nasceu em Gua- rulhos, em 24 de julho de 1809. Foi conselhei- ro do Império e presidente das províncias de Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O primeiro Ginásio Estadual de Guarulhos, criado em 1961, ganhou instalações

de Janeiro e São Paulo. O primeiro Ginásio Estadual de Guarulhos, criado em 1961, ganhou instalações

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de Janeiro e São Paulo. O primeiro Ginásio Estadual de Guarulhos, criado em 1961, ganhou instalações

Bosque Maia.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

projetadas pelos arquitetos João Batista Vila Nova Artigas e Carlos Cascaldi. Considerado patrimônio cultural e arquitetônico, também recebeu um mural do artista Mário Gruber.

também recebeu um mural do artista Mário Gruber. EE Conselheiro Crispiniano. No roteiro pode ser visitado

EE Conselheiro Crispiniano.

No roteiro pode ser visitado também o pri- meiro cemitério islâmico da América Latina, construído por volta de 1965, localizado na Av. Timóteo Penteado.

América Latina, construído por volta de 1965, localizado na Av. Timóteo Penteado. Cemitério Islâmico – Picanço.

Cemitério Islâmico – Picanço.

América Latina, construído por volta de 1965, localizado na Av. Timóteo Penteado. Cemitério Islâmico – Picanço.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

CIRCUITO 3 – SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DO OURO – ESTRADAS E CAMINHOS

Área de aproximadamente 45 quilômetros quadrados que comporta o Sítio Arqueológico do Garimpo de Ouro do Ribeirão das Lavras e cons- titui um dos raros exemplares conhecidos de sítios arqueológicos associados à mineração de ouro no período colonial preservado no planalto paulistano. Inscrito no Cadastro Nacional de Sí- tios Arqueo- lógicos, localiza-se no bairro da Capelinha, a cerca de 18 quilômetros do centro de Guarulhos. Local rico, tanto em história geológica como em inédi- tas estruturas do processo de mineração no pe- ríodo Colonial. Acesso pela Estrada de Nazaré Paulista. No bairro das Lavras também é possí- vel observar remanescentes de olarias.

também é possí- vel observar remanescentes de olarias. Sítio arqueológico do Ribeirão das Lavras, ouro no

Sítio arqueológico do Ribeirão das Lavras, ouro no veio de quartzo.

Capela de Nosso Senhor do Bom Jesus

Localizada no bairro da Capelinha, na Estrada de Nazaré, quilômetro 36. Fechada à visitação pú- blica, pois a mesma é construída em terreno parti- cular. Data provável de fundação: 1919.

em terreno parti- cular. Data provável de fundação: 1919. 66 Pico do Itaberaba É o mais

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terreno parti- cular. Data provável de fundação: 1919. 66 Pico do Itaberaba É o mais alto

Pico do Itaberaba

É o mais alto da cidade, com 1.438 metros

de altura em relação ao nível do mar. A vegeta-

ção é exuberante, contando com inúmeras es- pécies de animais, além da Bacia Hidrográfica do Córrego Jaguari. Seu acesso se dá pela Es- trada de Nazaré Paulista.

Casa da Candinha

Trata-se da casa da família de d. Cândida Rodri- gues Barbosa. O casarão está localizado na Fazenda Bananal, no atual bairro Bananal. Compõe o cenário do ciclo do ouro de Guarulhos, situado nas proxi- midades do Campo dos Ouros, Estrada do Saboo. Construída em taipa de pilão, é provável que seja uma das mais antigas casas da cidade. Por muitos anos funcionou na Serra do Bananal um garimpo de ouro e conta-se que no porão da casa existia uma senzala de escravos. Segundo o pesquisador dr. Eudes Campos, do Arquivo Histórico Washington Luís, São Paulo, certamente houve uso de mão-de-obra escra- va na Fazenda Bananal. Sobre a utilização do porão da Casa Sede como senzala, carece de esclarecimen- to e comprovação. A Casa da Candinha foi desa- propriada para abrigar o Centro de Preservação da Memória e Cultura Negra.

o Centro de Preservação da Memória e Cultura Negra. Estrada das Lavras e Garimpo de Ouro

Estrada das Lavras e Garimpo de Ouro do Tanque Grande

O topônimo diz tudo. A Estrada das Lavras,

como é conhecida atualmente, é uma bifurcação da Estrada de Nazaré Paulista para acesso do bairro das Lavras à Vila de Nossa Senhora de Bonsucesso. Ao longo da Estrada das Lavras existem alguns sítios arqueológicos da época da

mineração de ouro; sítios situados no seminário dos padres e no Jardim Hanna e, inclusive, uma parede de taipa de pilão de uma antiga casa co- lonial chamada de Casa Grande, do bairro das Lavras, com vários pés de jabuticabeiras, como era o costume das famílias na época; além da Estrada Velha de Bonsucesso, entrando pelo Jar- dim Hanna e Jardim Santa Paula.

entrando pelo Jar- dim Hanna e Jardim Santa Paula. Garimpo de ouro do Tanque Grande –

Garimpo de ouro do Tanque Grande – vala talhada em trecho de montanha.

Cachoeira Tanque Grande

O local foi desapropriado pela Prefeitura para servir de espaço aos adeptos das religiões de ori- gem africana, em suas práticas e devoções religio- sas. O local é muito frequentado por pessoas de- votas do candomblé. A Cachoeira da “Macum- ba”, como é chamada pelos seus frequentadores, compõe o circuito do ouro, local em que possivel-

compõe o circuito do ouro, local em que possivel- Cachoeira da Macumba ou Maiomba. Espaço de

Cachoeira da Macumba ou Maiomba.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

mente tenha existido trabalho escravo. No mesmo cenário pode ser visto um terreiro de candomblé, remanescente do ciclo do ouro, e a raridade am- biental expressa na Represa do Tanque Grande.

Sítio Arqueológico do Tanque Grande

No local se deu escavação de ouro; o tra- balho de garimpo perfurou uma rocha ao meio, abrindo um canal de aproximadamente 30 metros de extensão. Além do canal, existiu la- vagem de ouro em canais construídos com pe- dras ao longo do Córrego Tanque Grande. O acesso ao local se dá pela Estrada do Saboo.

Horto Florestal Municipal Burle Marx

Criado em 1977, somente em 1981 passou a se chamar Burle Marx, em homenagem ao pai- sagista considerado dos mais importantes do nosso século. É um centro de educação ambiental com 60% de mata nativa e 40% de viveiro de plantas. O horto fica situado na Es- trada do Morro Grande – Mato das Cobras. Aberto à visitação com agendamento monito- rado pela Secretaria do Meio Ambiente.

agendamento monito- rado pela Secretaria do Meio Ambiente. Vista aérea do Horto Florestal Municipal Burle Marx.

Vista aérea do Horto Florestal Municipal Burle Marx.

monito- rado pela Secretaria do Meio Ambiente. Vista aérea do Horto Florestal Municipal Burle Marx. Lago

Lago Azul em 2008.

monito- rado pela Secretaria do Meio Ambiente. Vista aérea do Horto Florestal Municipal Burle Marx. Lago

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Represa do Tanque Grande

Local aberto à visitação pública, a referida represa foi construída em 1958 em um convê- nio da Prefeitura com o Governo do Estado de São Paulo. Inicialmente, o sistema Tanque Grande serviu como fonte de abastecimento das

indústrias da Cidade Satélite Industrial de Cum- bica. Atualmente, através do Saae, o Tanque Grande abastece a população do Jardim São João. O local é um bonito cenário para visitar- -se, pois além dos recursos hídricos, a vegeta- ção é exuberante.

O local é um bonito cenário para visitar- -se, pois além dos recursos hídricos, a vegeta-

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O local é um bonito cenário para visitar- -se, pois além dos recursos hídricos, a vegeta-

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

CIRCUITO 4 – SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE BONSUCESSO

CIRCUITO 4 – SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE BONSUCESSO Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, construída

Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, construída em 1800.

Na região dos bairros Pimentas e Bonsucesso podemos encontrar espaços contemporâneos que testemunham e preservam o passado histórico. O Santuário Nossa Senhora de Bonsucesso compreende a Igreja de Nossa Senhora de Bon- sucesso, a Capela de São Benedito e a praça da igreja, com um casario que abriga as famílias atuais e os romeiros que participam das tradicio- nais festas da Carpição e de Nossa Senhora de Bon- sucesso, eventos que acontecem no mês de agos- to. Localizada em uma das rotas de tropeiros que

se deslocava para a Capital paulista e para o Rio de Janeiro, onde se formou um povoado que, mes- mo após modificações, pode ser reconhecido nas estruturas de taipa de pilão, que foram preserva- das. Segundo depoimentos, o lugar contava, tam- bém, com uma cadeia que foi demolida para cons- truir a casa paroquial e o cemitério. A Capela de São Benedito era frequentada pelos escravos, que eram proibidos de entrar na Igreja de Nossa Se- nhora de Bonsucesso.

Estrada do Caminho Velho e Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp)

O topônimo Estrada do Caminho Velho permaneceu, preservando o antigo caminho de acesso entre São Paulo, passando por Itaqua- quecetuba, sentido Litoral Norte, onde recen- temente foi instalado o Teatro Adamastor Pi- mentas e a Unifesp.

foi instalado o Teatro Adamastor Pi- mentas e a Unifesp. Teatro Adamastor Pimentas. Unifesp – Trecho

Teatro Adamastor Pimentas.

Pi- mentas e a Unifesp. Teatro Adamastor Pimentas. Unifesp – Trecho da Estrada do Caminho Velho.
Pi- mentas e a Unifesp. Teatro Adamastor Pimentas. Unifesp – Trecho da Estrada do Caminho Velho.

Unifesp – Trecho da Estrada do Caminho Velho.

Fábrica de pólvora – Guarulhos no contexto da Segunda Guerra Mundial: localizada no bairro dos Pimentas, na divisa com São Miguel Paulista. De acordo com fontes orais, construída em 1945, com nome de Produtos Químicos e Rayon ou Fábrica de Baixo, de propriedade da Companhia Nitro – Química Brasileira. Em 1946, um dos departamentos da fábrica explodiu, matando 46 operários e ferindo gravemente muitos outros. Pela importância histórica que possui, cerca de mil moradores ingressaram com um abaixo-assinado reivindicando o tombamento das ruínas da fábrica junto à Prefeitura de Guarulhos.

ingressaram com um abaixo-assinado reivindicando o tombamento das ruínas da fábrica junto à Prefeitura de Guarulhos.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Cemitério de Bonsucesso

Na Vila de Bonsucesso, o cemitério é im- portante fonte histórica sobre as famílias que ha- bitaram a região.

Shopping Bonsucesso

Além de um centro comercial é um espaço de lazer e cultura. No local existe cinema, praça para shows e outros atrativos.

é um espaço de lazer e cultura. No local existe cinema, praça para shows e outros

Shopping Bonsucesso.

é um espaço de lazer e cultura. No local existe cinema, praça para shows e outros

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é um espaço de lazer e cultura. No local existe cinema, praça para shows e outros

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

CIRCUITO 5 – CUMBICA

Na região de Cumbica estão localizados im- portantes patrimônios culturais e ambientais, entre os quais se destaca o Marco do Trópico de Capricórnio, latitude 23º 27’ Sul, colocando Gua- rulhos em destaque na geografia internacional.

Gua- rulhos em destaque na geografia internacional. Monumento ao Trópico de Capricórnio localizado na Via

Monumento ao Trópico de Capricórnio localizado na Via Dutra, quilômetro 215,4, sentido Rio - São Paulo.

Rio Baquirivu-Guaçu e Aquífero Cumbica

Rio - São Paulo. Rio Baquirivu-Guaçu e Aquífero Cumbica to do aeroporto e de mais de

to do aeroporto e de mais de 500 empresas. O relevo que podemos observar ao longo do Rio Baquirivu-Guaçu é resultado do afundamento da terra que ocorreu há 60 milhões de anos, aproximadamente.

Base Aérea de Cumbica

60 milhões de anos, aproximadamente. Base Aérea de Cumbica Base Aérea de Cumbica, inaugurada em 1945.

Base Aérea de Cumbica, inaugurada em 1945.

Em 1934, neste espaço existia o Clube Paulista de Planadores. A Base Aérea foi inaugurada em 1945, em terreno da Fazen- da Cumbica doado pela família Guinle, pas- sou a funcionar como importante estrutura do Ministério da Aeronáutica Brasileira. A partir de 1946, o ramal Cumbica da Estrada de Ferro Sorocabana passou a transportar exclusivamente os militares. As instalações da Estação de Cumbica são as únicas pre- servadas até hoje.

Aeroporto

Inaugurado em 1985 com instalações moder- nas, comércio diversificado e salões de exposi- ção, além de sua função principal, que é o em-

Rio Baquirivu-Guaçu.

O Rio Baquirivu-Guaçu nasce na cidade de Arujá e corre para Guarulhos. Desde o início da colonização, no ciclo do ouro, o rio passou a figurar nos escritos portugueses em carta de sesmaria que doou terras a Geraldo Corrêa, onde o mesmo explorou ouro. Sob terras pro- fundas encontra-se o Aquífero Cumbica, ma- nancial de águas, responsável pelo abastecimen- Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A e r o p o r t o I n t e r n a
A e r o p o r t o I n t e r n a

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

barque de mais de 12 milhões de pessoas por ano, para mais de 60 cidades em todo o mundo, é importante espaço de convivência e visitação.

Parque Cecap – Praça Mamonas Assassinas

Projeto do arquiteto João Batista Vila Nova Artigas para abrigar mais de 10 mil fa- mílias de operários que migraram para Gua- rulhos no processo de industrialização, na década de 1960. Projetado com uma concep- ção arquitetônica que buscava proporcionar maior convivência coletiva e previa um im-

portante centro de convivência com praça de comércio, clube etc. Cecap significa Caixa Es- tadual de Casas para o Povo.

clube etc. Cecap significa Caixa Es- tadual de Casas para o Povo. Praça Mamonas Assassinas –

Praça Mamonas Assassinas – Parque Cecap, 2008.

clube etc. Cecap significa Caixa Es- tadual de Casas para o Povo. Praça Mamonas Assassinas –

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clube etc. Cecap significa Caixa Es- tadual de Casas para o Povo. Praça Mamonas Assassinas –

CIRCUITO 6 – ESTAÇÕES DO TREM DA CANTAREIRA

CIRCUITO 6 – ESTAÇÕES DO TREM DA CANTAREIRA Praça Santos Dumont, fragmentos da antiga Estação Vila

Praça Santos Dumont, fragmentos da antiga Estação Vila Galvão. No entorno da estação, casas da primeira vila operária de Guarulhos.

Em 1911, em frente à estação existia a pri- meira indústria da cidade, a fábrica de tijolos e telhas Cerâmica Paulista que, posteriormen- te, trocou de nome, passando a chamar-se Companhia Agrícola e Industrial de Guaru- lhos, formando no local a primeira vila de ope- rários da cidade.

formando no local a primeira vila de ope- rários da cidade. Placa informativa sobre a história

Placa informativa sobre a história da Vila Galvão.

cidade. Placa informativa sobre a história da Vila Galvão. Estação de Vila Galvão na década de

Estação de Vila Galvão na década de 1930.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

A Estação Cabuçu foi inaugurada em 1915, situada na Praça Santos Dumont; posteriormen- te passou a chamar-se Estação Vila Galvão.

Estação Torres Tibagy

O nome da estação foi dado em homena-

gem ao pai do engenheiro responsável pela im- plantação das estações da Tramway da Canta- reira, dr. José Carlos de Almeida Torres Tibagy. Inaugurada em 24 de maio de 1931, ela era uma pequena estação.

O grande fluxo de pessoas ocorria apenas

nos fins de semana, quando os funcionários da Bolsa de Valores de São Paulo e seus familiares

se deslocavam para o Clube da Bolsa, atualmen- te chamado de Clube Vila Galvão.

Estação de Gopouva

Localizada na esquina das atuais avenidas Emílio Ribas e Anel Viário (Av. Marechal Hum- berto de Alencar Castelo Branco), na Praça de Gopouva, havia uma estação de grande porte. De suas edificações resta apenas uma pequena construção que servia de moradia para o chefe da estação. A estação foi um dos fatores que muito contribuíram para o crescimento da re- gião. Após o seu funcionamento vieram muitas casas de comércio, o complexo do Sanatório

o seu funcionamento vieram muitas casas de comércio, o complexo do Sanatório Local da antiga Estação

Local da antiga Estação de Gopouva.

o seu funcionamento vieram muitas casas de comércio, o complexo do Sanatório Local da antiga Estação

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Teatro Padre Bento em 2008. Padre Bento, o prédio da

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Teatro Padre Bento em 2008.

Padre Bento, o prédio da Sociedade Amigos de Gopouva etc.

Sanatório Padre Bento

da Sociedade Amigos de Gopouva etc. Sanatório Padre Bento Complexo hospitalar situado na região entre o

Complexo hospitalar situado na região entre o bairro de Gopouva e o Jardim Tran- quilidade. É dotado de hospital, campo de futebol, pequeno povoado, igreja, teatro, pis- cina, escola etc. No início, era uma institui- ção particular para tratamento de saúde men- tal. Em maio de 1931, foi adquirida pelo Governo paulista e destinada ao tratamento de portadores de hanseníase (lepra), sendo inaugurada no dia 5 de junho de 1931. Seu nome é uma homenagem ao padre Bento Dias Pacheco, por sua dedicação assistencial aos hansenianos.

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por sua dedicação assistencial aos hansenianos. 74 Cine-Teatro Padre Bento Por sua importância histórica, foi

Cine-Teatro Padre Bento

Por sua importância histórica, foi tomba- do como patrimônio cultural da cidade, em 7 de março de 1990, conforme a Lei n o 3.587/90, que também tombou o prédio da igreja católi- ca, ambos no interior do hospital. Localiza-se na Av. Emílio Ribas, n o 1.573, no bairro Jardim Tranquilidade.

Estação Vila Augusta

Foi a terceira estação do ramal, inaugurada em 1 o de fevereiro de 1916. Apesar de bastante modificado, ainda existe no local o prédio da antiga estação. A estrutura fica situada na es- quina do Anel Viário com a Rua Augusta, de frente para a Praça Carlos Dengler. No entor- no da estação estabeleceram-se moradias, fábri- cas, cinema e uma agência do Correio. Entre os empreendimentos, destacamos a fábrica da fa- mília do imigrante italiano Giuseppe Saraceni.

os empreendimentos, destacamos a fábrica da fa- mília do imigrante italiano Giuseppe Saraceni. Estação Vila Augusta.

Estação Vila Augusta.

Casa José Saraceni

Casa José Saraceni Giuseppe Saraceni, italiano de Castiglio- ne, chegou ao Brasil em 1895. Em 1919,

Giuseppe Saraceni, italiano de Castiglio- ne, chegou ao Brasil em 1895. Em 1919, ad- quiriu um terreno entre a Penha e Guarulhos, onde construiu sua residência e no porão da casa instalou uma fábrica de perneiras e cal- çados, que se transferiu de São Paulo para Guarulhos. Em 1973, a Chácara Saraceni foi vendida para a Indústria de Máquinas de Es- crever Olivetti. Tombado pelo Decreto n o 21.143, atualmente o imóvel pertence ao In- ternacional Shopping Guarulhos, localizado na Rua José Saraceni, n o 162, no bairro Itapegica.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Parada Sorocabanos

Não chegava a ser uma estação e começou

a existir depois que o sistema de trens passou para a propriedade do complexo Sorocabana,

a partir de 1942. A companhia construiu 140

casas para os funcionários, complexo que rece- beu o nome de Núcleo Ferroviário Vila dos Sorocabanos, implantado em 12 de junho de 1954. Ao passar pelo local, o trem parava para embarque e desembarque dos funcionários da Sorocabana, onde hoje fica a Praça Luiz Matheus Maylaski.

Estação Guarulhos

Localizada na atual Praça IV Centenário, no Jardim Santa Francisca, teve sua construção ini- ciada em 1914, sendo inaugurada em 4 de feve- reiro de 1915. A inauguração oficial aconteceu com a viagem que transportou o arcebispo de São Paulo, d. Duarte Leopoldo da Silva. Após a desativação do sistema de trens de ferro da So- rocabana, no local passou a funcionar uma Es- cola Municipal de Educação Infantil, que atual- mente é a sede do Arquivo Histórico de Guaru- lhos. Todas as estações de Guarulhos foram projetadas pelo engenheiro Torres Tibagy.

lhos. Todas as estações de Guarulhos foram projetadas pelo engenheiro Torres Tibagy. Réplica da Estação Guarulhos.

Réplica da Estação Guarulhos.

lhos. Todas as estações de Guarulhos foram projetadas pelo engenheiro Torres Tibagy. Réplica da Estação Guarulhos.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Estação Cumbica

Situada dentro da Base Aérea de Cumbi- ca, foi inaugurada em 1942, antes mesmo do funcionamento da base. O fato explica-se pela necessidade de transportar materiais para a construção da base. Para atender os militares da Aeronáutica eram realizadas duas viagens por dia: uma às 6h45 da manhã, que partia da Estação Tamanduateí, em São Paulo, e outra à tarde, às 16h30, saindo da base. O trem da So- rocabana foi desativado em 31 de maio de

1965, deixando mágoas e saudades na memó- ria da cidade.

base. O trem da So- rocabana foi desativado em 31 de maio de 1965, deixando mágoas
base. O trem da So- rocabana foi desativado em 31 de maio de 1965, deixando mágoas

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base. O trem da So- rocabana foi desativado em 31 de maio de 1965, deixando mágoas

CIRCUITO 7 – VILA GALVÃO

Na região da Vila Galvão são encontrados importantes equipamentos públicos de lazer e cultura.

Lago de Vila Galvão

No local ficam os prédios do Teatro Nelson Rodrigues, Museu Histórico e Biblioteca Muni- cipal, projetados por Ramos de Azevedo, que foi sede da Fazenda Cabuçu, de propriedade de Francisco Galvão Vasconcelos até 1918, e, pos- teriormente, restaurante e instalações do Parque Balneário Vila Galvão. Na década de 1980, a Pre- feitura passou a utilizar esses equipamentos para a função atual. Com pista de caminhada, quios- ques de alimentação, restaurantes e equipamen- tos de cultura, o Lago dos Patos recebe aproxi- madamente 3 mil visitantes nos fins de semana.

aproxi- madamente 3 mil visitantes nos fins de semana. Estádio Cícero Miranda em 2008. Espaço de

Estádio Cícero Miranda em 2008.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Completam o Complexo Cultural da Vila Galvão o Centro Permanente de Exposição José Ismael, a Academia Guarulhense de Letras e o Estádio Cícero Miranda.

Zoológico Municipal e Museu de Ciências Naturais

Criado em 1981, em área de 70.000 metros quadrados, no Jardim Rosa de França, o espa- ço mantém aproximadamente 300 animais de 80 espécies. Em 2005, recebeu o Museu de Ci- ências Naturais Sylvio Ourique Frajoso e o Cen- tro de Educação Ambiental.

Sylvio Ourique Frajoso e o Cen- tro de Educação Ambiental. Animal do Zoológico Municipal. Lago de

Animal do Zoológico Municipal.

Sylvio Ourique Frajoso e o Cen- tro de Educação Ambiental. Animal do Zoológico Municipal. Lago de

Lago de Vila Galvão.

Sylvio Ourique Frajoso e o Cen- tro de Educação Ambiental. Animal do Zoológico Municipal. Lago de

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Entrada do Zoológico Municipal. Av. Timóteo Penteado na década de 1940,
GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Entrada do Zoológico Municipal. Av. Timóteo Penteado na década de 1940,

Entrada do Zoológico Municipal.

Av. Timóteo Penteado na década de 1940, altura da caixa-d’água.

de Muitos Povos Entrada do Zoológico Municipal. Av. Timóteo Penteado na década de 1940, altura da

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de Muitos Povos Entrada do Zoológico Municipal. Av. Timóteo Penteado na década de 1940, altura da

CIRCUITO 8 – CABUÇU – TABOÃO

Capela do Senhor Bom Jesus da Cabeça

CABUÇU – TABOÃO Capela do Senhor Bom Jesus da Cabeça Situada no Cabuçu, às margens da

Situada no Cabuçu, às margens da estrada, foi construída em 1850 pelo negro Raymundo Fortes, conhecido por mestre Raymundo, em terras de Joaquina Fortes Rendon de Toledo, na fazenda onde Raymundo era escravo. A origem da cabeça do Bom Jesus foi e con- tinua sendo motivo de polêmicas. Há dúvidas

foi e con- tinua sendo motivo de polêmicas. Há dúvidas Praça 8 de dezembro – Taboão,

Praça 8 de dezembro – Taboão, 2008.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

sobre a sua origem e como veio parar na Igreja do Cabuçu. No mês de agosto acontece a festa em devoção ao Bom Jesus da Cabeça.

Estrada do Cabuçu

Observa-se um diferencial quando se fala em estrada: todas elas são estreitas e com mui- tas curvas, o trajeto obedece a topografia do terreno e, normalmente, quando possui o nome de estrada é porque é muito antiga. A Estrada do Cabuçu localiza-se no meio da Serra da Can- tareira, ligando os bairros de Vila Galvão e Taboão; ao longo dela localizam-se vários pa- trimônios culturais e ambientais.

Parque Estadual da Cantareira

O parque possui 7.916 hectares, sendo a maior floresta tropical em meio urbano do mundo. Abrange os municípios de Guaru- lhos, Caieiras e Mairiporã, com vegetação de Mata Atlântica, importantes nascentes de água e variadas espécies de animais. É a maior riqueza ecológica que o município possui. Den- tro do Parque, em 1907, foi construída a

que o município possui. Den- tro do Parque, em 1907, foi construída a Parque Estadual da

Parque Estadual da Cantareira em Guarulhos.

que o município possui. Den- tro do Parque, em 1907, foi construída a Parque Estadual da

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Represa do Cabuçu e, segundo consta, foi a primeira obra no estilo edificada com cimen- to e ferro, importados da Inglaterra. Outros pontos da região considerados relevantes são: Cachoeira da Macumba, Estrada dos Veigas, Casa da Vila Burguese, Portão e a Estrada dos Veigas.

Casa da Vila Burguese, Portão e a Estrada dos Veigas. Arqueduto de 1,2 metros de diâmetro

Arqueduto de 1,2 metros de diâmetro e 16,6 quilômetros de comprimento, para transporte de água da Represa Cabuçu.

16,6 quilômetros de comprimento, para transporte de água da Represa Cabuçu. Cachoeira da Macumba – bairro

Cachoeira da Macumba – bairro Taboão.

16,6 quilômetros de comprimento, para transporte de água da Represa Cabuçu. Cachoeira da Macumba – bairro

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16,6 quilômetros de comprimento, para transporte de água da Represa Cabuçu. Cachoeira da Macumba – bairro

CIRCUITO 9 – BOM CLIMA – COCAIA

Cúria Diocesana

CIRCUITO 9 – BOM CLIMA – COCAIA Cúria Diocesana Desde sua construção, no início da déca-

Desde sua construção, no início da déca- da de 1980, guarda em seus arquivos livros de tombo, certidões de óbito e de batismo de co- lonizadores portugueses, escravos índios e ne- gros, bem como inventários e demais docu- mentos que formam importante acervo para a reconstituição da história local. A Cúria Di- ocesana localiza-se na Av. Gilberto Dini, no bairro Bom Clima.

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

Paço Municipal

Local de onde pode ser vista uma bela paisagem, aliada a um clima maravilhoso, daí veio seu topônimo, Bom Clima. Em 1975, a fazenda foi desapropriada para receber a sede da Prefeitura. Depois da transferência da Pre- feitura da Praça Getúlio Vargas para o Bom Clima, o bairro passou a crescer. O gabinete do prefeito ocupa a antiga sede da fazenda.

Parque Jornalista J. B. Maciel

Um bom motivo para conferir a paisagem do Bom Clima é conhecer o Parque J. B. Maciel,

J. B. Maciel Um bom motivo para conferir a paisagem do Bom Clima é conhecer o
J. B. Maciel Um bom motivo para conferir a paisagem do Bom Clima é conhecer o

Paço Municipal.

J. B. Maciel Um bom motivo para conferir a paisagem do Bom Clima é conhecer o

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

inaugurado no dia 12 de outubro de 2005 e que, ao lado da sede da Prefeitura, ocupa 33 mil metros quadrados de área, com pista para caminhadas, parque infantil, mesa de jogos, área de eventos e mirante.

parque infantil, mesa de jogos, área de eventos e mirante. Parque Jornalista J. B. Maciel. Igreja

Parque Jornalista J. B. Maciel.

Igreja São João Batista dos Morros

Construída na década de 1940, fica localiza-

da na Praça Nello Poli, bairro Cocaia, no final da Av. Faria Lima. Seu prédio foi tombado pelo De- creto Municipal n o 21.143, de dezembro de 2000.

Está aberta aos cultos e

visitação.

de dezembro de 2000. Está aberta aos cultos e v i s i t a ç

Igreja São João Batista dos Morros.

de dezembro de 2000. Está aberta aos cultos e v i s i t a ç

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de dezembro de 2000. Está aberta aos cultos e v i s i t a ç

CIRCUITO 10 – PONTE GRANDE

Traçado da antiga Estrada da Conceição, via Penha, trecho da Estrada do Cabuçu, bairro do Porto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a sede do Clube Tietê e o Shopping Internacional de Guarulhos.

Estrada da Conceição

Nome de uma das primeiras estradas de li- gação entre a aldeia de Nossa Senhora da Con- ceição e a Vila de São Paulo de Piratininga; vin- do pelo bairro da Penha, alguns trechos correspondem ao traçado da Av. Guarulhos. Existe, também, a Estrada da Conceição, que vem de Santana para Guarulhos.

Ponte Grande / Rio Tietê

que vem de Santana para Guarulhos. Ponte Grande / Rio Tietê A travessia por terra de

A travessia por terra de Guarulhos à Penha demandou, historicamente, a construção de gran- des pontes. Do tamanho da ponte, que já teve várias versões, surgiu o nome do bairro. Hoje se chama Viaduto dos Imigrantes Nordestinos, inau- gurado após a retificação do Rio Tietê, em 1982.

Porto da Igreja

Durante o ciclo do tijolo, antes da implan- tação da linha férrea em Guarulhos, o Rio Tietê era utilizado como hidrovia para transporte de cargas e pessoas. Daí surgiu a necessidade de um local para carregamento dos barcos que transportavam tijolos, areia, pedra e madeira para a Ponte das Bandeiras, em São Paulo. Por isso, o bairro foi batizado com o nome de bair- ro do Porto da Igreja de Nossa Senhora da Con-

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

ceição. No local existiu, entre outras coisas, uma pequena indústria de fabricação de barcos.

Estrada Velha do Cabuçu

de fabricação de barcos. Estrada Velha do Cabuçu No Rio Tietê, no bairro da Ponte Grande,

No Rio Tietê, no bairro da Ponte Grande, deságua o Rio Cabuçu de Cima. Entrando no Jar- dim Munhoz, consta em uma placa, num pequeno trecho de rua, o nome da Estrada Velha do Cabuçu, provável caminho de ligação que se for- mou através dos rios.

Clube Tietê

No tempo em que o Rio Tietê não era po- luído, a população usava-o também para suas atividades de lazer. Piqueniques, banho, pesca- ria e caça eram algumas das formas de diversão dos moradores. Nesse espírito, organizou-se, no bairro da Ponte Grande, o Clube do Tietê, que mantém atividades com o mesmo intuito. Pró- ximo ao Clube Tietê, a Prefeitura mantém ati- vidades esportivas e de lazer, no Estádio Arnal- do José Celeste.

Tietê, a Prefeitura mantém ati- vidades esportivas e de lazer, no Estádio Arnal- do José Celeste.

Clube Tietê.

Tietê, a Prefeitura mantém ati- vidades esportivas e de lazer, no Estádio Arnal- do José Celeste.

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

Parque Ecológico do Tietê

Localizado entre a Rodovia Ayrton Senna e a Av. Assis Ribeiro, proporciona espaços de edu- cação ambiental e de lazer que podem ser apre-

ciados pela população de São Paulo e Guaru- lhos. Dentro da área do Parque Ecológico foi inaugurado, em 27 de fevereiro de 2005, o campus da Universidade de São Paulo (USP Leste).

em 27 de fevereiro de 2005, o campus da Universidade de São Paulo (USP Leste). 84

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em 27 de fevereiro de 2005, o campus da Universidade de São Paulo (USP Leste). 84

Parque Ecológico do Tietê.

em 27 de fevereiro de 2005, o campus da Universidade de São Paulo (USP Leste). 84

Espaço de Muitos Povos GUARULHOS

5
5

Grupo Os favoritos da catira, durante a Festa de Nossa Senhora de Bonsucesso.

Guarulhos – Diversidade Cultural e Religiosa

F alar da cultura e da religiosidade guarulhenses é identi-

ficar os fios de um rico tecido social que durante todo o processo de ocupação humana do território foi sendo urdido com muitas cores e texturas. Através do mapeamento cultural e religioso podemos verifi- car as contribuições dos diferentes grupos étnicos que, no processo de evolução urbana, instalaram-se na cidade. As diferentes formas de organizar a vida social, de conceber e expressar a realidade dos Maromomi, dos portugueses, dos italia- nos, japoneses, árabes, dos paulistas do interior, dos mineiros, baianos, pernambucanos, paraibanos, entre outros, ganham forma nas mani-

festações culturais e religiosas existentes na cidade.

A multiplicidade religiosa no município expressa-se através do

Cristianismo, que além da Igreja Católica se faz presente através de

muitas outras igrejas oriundas do Protestantismo. O universo reli- gioso amplia-se com outros segmentos religiosos de origem africa- na e asiática.

São inúmeras igrejas protestantes e ramificações religiosas: Presbiteriana, Batista, Metodista, Luterana, Brasil para Cristo, Congregação Cristã do Brasil, Pentecostal e ramificações religiosas como Seicho-No-Iê, Perfecty Liberty, Igreja Messiânica, Budista, Umbanda, Candomblé, Espiritismo etc.

Messiânica, Budista, Umbanda, Candomblé, Espiritismo etc. Igreja Assembleia de Deus, fundada em 1947 – foto de

Igreja Assembleia de Deus, fundada em 1947 – foto de 1953.

A pluralidade cultural e religiosa abre um leque de

atividades que têm origem nos diferentes momentos da história da cidade e demonstram como os sujeitos so- ciais vivenciam seus costumes e experiências culturais. Para uma melhor sistematização, dividiremos a questão cultural em cinco tópicos: manifestações de tradição re- ligiosa, de tradição caipira, de tradição estrangeira, mo- vimentos culturais, casas de cultura e instituições públi- cas de cultura.

Evento de hip-hop realizado pelo Espaço Cultural Florestan Fernandes.

e instituições públi- cas de cultura. Evento de hip-hop realizado pelo Espaço Cultural Florestan Fernandes. 85
e instituições públi- cas de cultura. Evento de hip-hop realizado pelo Espaço Cultural Florestan Fernandes. 85

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

MANIFESTAÇÕES DA CULTURA TRADICIONAL DE INFLUÊNCIA CATÓLICA

A presença da Igreja Católica como princi- pal instituição orientadora e reguladora da vida social durante todo o processo de evolução do município possibilitou a reelaboração de mani- festações da cultura popular com forte influên- cia religiosa. Desse processo podemos destacar as festas de Bonsucesso, da Carpição e do Santu- ário de Bom Jesus da Cabeça, a Procissão do Cristo Morto (Corpus Christi) e a Folia de Reis.

Festas de Bonsucesso e Carpição

Acontecem anualmente entre a Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, uma das mais antigas do município, construída em taipa de pilão, e a Capela de São Benedito. Segundo data oficial da igreja, em 2008 a festa completou sua 268 a edição. A festa tem dois momentos: o pri- meiro é a Festa da Carpição, que acontece na primeira segunda-feira do mês de agosto. Inicial- mente, ocorre a carpição do terreiro da igreja como preparação para a Festa de Nossa Senho- ra de Bonsucesso, que acontece no último fim de semana do mesmo mês. Com o passar dos anos, ganhou outros significados e importân- cia. A crença no poder milagroso da terra do

e importân- cia. A crença no poder milagroso da terra do Capela de São Benedito, erguida

Capela de São Benedito, erguida em 1800.

Santuário leva milhares de devotos, todos os anos, a buscar um punhado de terra que é joga- da a poucos metros de distância ou levada como amuleto pelos devotos. Com o calçamento do terreiro, permaneceu apenas um tanque para co-

Foto João Machado.
Foto João Machado.

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Com o calçamento do terreiro, permaneceu apenas um tanque para co- Foto João Machado. 86 Festa

Festa da Carpição, 2007.

locação da terra utilizada no ritual. O segundo momento é a Festa de Nossa Senhora de Bon- sucesso, que termina no último fim de semana do mês de agosto com romarias, cavalgadas, fo- lia de reis, cantorias, procissões, missas e feiras. As novenas e preparações acontecem durante todo o mês de agosto. Além das atividades re- ligiosas, a Prefeitura promove eventos culturais para atendimento ao grande público e o forta- lecimento da cultura tradicional, com apresen- tações de folias de reis, catira e cantores popu- lares como Inezita Barroso, Renato Teixeira, Almir Sater, Pena Branca, entre outros.

Festa do Santuário Senhor Bom Jesus da Cabeça

outros. Festa do Santuário Senhor Bom Jesus da Cabeça Capela do Senhor Bom Jesus da Cabeça

Capela do Senhor Bom Jesus da Cabeça – Região Cabuçu.

Localizada na Estrada do Cabuçu, é consi- derada a terceira mais antiga capela do municí- pio. A festa acontece no início de agosto, com a realização de missa caipira, procissão e outras manifestações culturais que contam com a par- ticipação de romeiros de várias cidades. A ori- gem da cabeça está cercada por lendas: “ a primitiva cabeça do Bom Jesus de Pirapora foi separada do corpo e recolhida à sacristia do Santuário, onde permaneceu até que a respeitá- vel senhora paulista, d. Joaquina Fortes Rendon

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de Toledo, (

Cabuçu, consegue posse da sagrada relíquia, removendo-a para sua fazenda, onde a venerou em oratório particular. Por morte de d. Joaquina Fortes, passou a imagem para o poder do pre-

to crioulo Raymundo Fortes, ex-escravo e pa- jem da fazendeira, e daquele para o de outro Raymundo Fortes, neto do primeiro e continuador da devoção por d. Joaquina, insti- tuída, tornada pública e difundida com a cons- trução da ‘capelinha’, por volta de 1850”. (Freitas, 1934 in: Santos, 2006.) Atualmente, a festa é organizada pelas ir- mãs servas do Sagrado Coração de Jesus Ago- nizante, que assumiram o Santuário localizado em área da Serra da Cantareira, em 1985.

proprietária do latifúndio do

)

Procissão do Cristo Morto

A celebração é realizada pela Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, fundada em 1685. A principal atividade da comemoração é a pro- cissão da imagem do Cristo Morto pelas ruas do centro histórico. Conforme os depoimentos do sr. Álvaro Mesquita e de d. Celina, a procis- são percorria as ruas D. Pedro II e Sete de Se- tembro. No passado recente, as famílias enfeita- vam as janelas com toalhas de renda, colocavam imagens de santos, enfeitando a passagem do cor- dão religioso com altares e contavam com o

imagens de santos, enfeitando a passagem do cor- dão religioso com altares e contavam com o

Igreja Matriz, em 1906.

imagens de santos, enfeitando a passagem do cor- dão religioso com altares e contavam com o

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GUARULHOS Espaço de Muitos Povos

GUARULHOS Espaço de Muitos Povos Corporação Musical Banda Lyra de Guarulhos, fundada em 1908. acompanhamento da

Corporação Musical Banda Lyra de Guarulhos, fundada em 1908.

acompanhamento da Corporação Musical Lyra de Guarulhos. A procissão continua sendo reali- zada, anualmente, no Corpus Christi, mas as resi- dências cederam lugar às casas comerciais, e a tradição de enfeitar as janelas desapareceu. Por falar em Banda Lyra, grupo musical criado em 1908, completou 100 anos em 2008 e atualmen- te anima todos os meses o Baile da Melhor Ida- de e outras atividades culturais do município.

MANIFESTAÇÕES DA CULTURA TRADICIONAL DE INFLUÊNCIA SERTANEJA

Com o processo de urbanização e desloca- mento das populações rurais para os centros ur- banos, as vivências culturais sertanejas manifes- tam-se na recriação de espaços de convivência e atividades coletivas. A presença sertaneja expres- sa-se em Guarulhos na música de raiz, catira, ca- sas do norte, casa de danças regionais, festas nor- destinas e grupos de repentistas.

Música de Raiz

Muitas iniciativas possibilitaram a produ- ção e a difusão da moda de viola, música de raiz do sudoeste. As principais foram a cria- ção da Associação Guarulhense de Artistas Sertanejos (Agas), por Manuel Resende, que originou a Orquestra de Viola da Agas e di-

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Resende, que originou a Orquestra de Viola da Agas e di- 88 Festa da Nossa Senhora
Resende, que originou a Orquestra de Viola da Agas e di- 88 Festa da Nossa Senhora

Festa da Nossa Senhora de Bonsucesso – apresentação de Áurea Fontes e o grupo Viola Viva.

vulgou artistas como Pena Branca e Xavan- tinho, Oliveira e Olivaldo, entre outros; a As- sociação Uma Viola na Cidade, por Orlando Ramos, que continua reunindo os amantes da música de raiz; e o Viola Viva, coordenado por Áurea Fontes, que reúne violeiros e can- tores, todo último domingo do mês. Os prin- cipais representantes desse gênero foram Alei- xinho, da dupla Aleixo e Aleixinho, Pena Branca e Xavantinho e Índio Vago, composi- tor da música Mágoa de Boiadeiro.

Os Favoritos da Catira

O grupo de dança criado em 1983, co- ordenado por Edson Fontes e formado por

homens e mulheres de várias idades, reafir- ma a tradição cultural das famílias que vie- ram do campo; atualmente é um dos mais conhecidos grupos do Brasil, participando, inclusive, do filme “Tapete Vermelho”. Os Favoritos da Catira, ao som da moda de vio- la de Oliveira e Olivaldo, divulgam a tradi- cional dança, um sapateado marcado com batidas de palmas e pé, no ritmo da viola.

As Casas do Norte

de palmas e pé, no ritmo da viola. As Casas do Norte Uma das casas do

Uma das casas do norte da cidade – bairro Bela Vista.

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Símbolo da presença nordestina na cidade, estão em todo o município, principalmente nos bairros que surgiram a partir da década de 1960, nas zonas norte e oeste da cidade. Ven- dem produtos alimentícios e oferecem comi- das típicas como favada, buchada, carne-seca, sarapatel, baião-de-dois e outros produtos nor- destinos.

Casas de Danças Regionais

Também é forte a presença de casas de

forró na cidade. As mais conhecidas atualmen-

te

são a Mansão Danças, na Av. Tiradentes; e

o

Canecão, na confluência da Av. Monteiro

Lobato com Ot