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ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 24 DE MAIO DE 2002 P Á G I N

ESTADO DE MINAS - SEXTA-FEIRA, 24 DE MAIO DE 2002

PÁGINA 23

GERAIS

Sinalização precária e lentidão das obras fazem com que acidentes fatais se repitam nas curvas

Sinalização precária e lentidão das obras fazem com que acidentes fatais se repitam nas curvas da 381

Rotina de histórias trágicas

PLÍNIO TEODORO

A rodovia Fernão Dias, que

responde por quase um terço dos acidentes em Minas, Estado com maior malha viária no País, cole- ciona histórias de dor e de pessoas mortas precocemente, em desas- tres muitas vezes relacionados com a precária sinalização e o atraso na obras de duplicação. El- ton César de Toledo, de 18 anos, foi vítima dessa situação. Na noite de 25 de janeiro deste ano, ele saiu para dar uma volta com a na- morada na cidade de Camandu-

caia. Ao entrar na pista para fazer o contorno de acesso à cidade, um caminhão que trafegava na rodo- via bateu na lateral do veículo, causando a morte do rapaz.

A irmã, Lucimara de Toledo

Silva, afirma que a falta de sinali-

zação na pista foi o principal mo- tivo da morte de Elton. “No co- meço, estava recente o desvio pa- ra as obras e não havia nenhuma sinalização no trecho.” Ela diz que a morte do irmão abalou a família. “Ele era o caçula. Minha mãe ficou chocada e toda a famí- lia ficou revoltada, porque essa morte poderia ter sido evitada se houvesse sinalização no local.” Sônia Maria Cavalcanti de Sá Araújo, de 42, ainda se emociona ao lembrar do acidente que ma- tou o marido, Carlos Lúcio Araú- jo, de 43, há pouco mais de três meses, também no trevo do mu- nicípio de Camanducaia. “Faz 92 dias que ele saiu para jogar fute- bol com os amigos e morreu em um acidente de moto no trevo. A Fernão Dias está matando muita gente e é preciso que alguém to- me uma providência. Assim co- mo matou meu marido, já matou

outros três no mesmo local.” Carlos era proprietário de

uma funerária em Camandu- caia, que hoje está sendo admi- nistrada pelo filho mais velho, Escobar Lúcio Diogo. No mo- mento da entrevista, ele havia saído para buscar o corpo de mais uma vítima da rodovia, um caminhoneiro que se acidentou

perto da cidade de Itapeva. “Nós não agüentamos mais, estamos sofrendo muito com a perda do Carlos, mas mesmo assim meu filho tem que ser forte para re- colher quase todo dia os corpos na rodovia.” Camanducaia está localizada na serra do Cangua- va, local com muitas curvas, on- de acontecem acidentes cons- tantemente.

O aposentado João Sete de

Abril, de 78, de Varginha, ainda lembra com detalhes do acidente ocorrido no dia 11 de maio de 2001, que matou sua esposa, Va- ni das Dores Pimenta, no trevo de Três Corações, um dos tre-

chos onde são registrados os aci- dentes mais graves na rodovia. “Era de manhãzinha e o tempo estava meio fosco. Estávamos eu, a mulher e dois filhos em um Gol, rumo a Três Corações. Quando passamos a ponte, eu pensei que estava em mão dupla e fui fazer uma ultrapassagem. Estava enganado: era pista sim- ples e batemos de frente em ou- tro carro que vinha em direção contrária”, relembra.

A esposa morreu na hora. “A

rodovia está matando cada vez mais gente, mas para mim, antes do acidente, eram só números que o jornal e a televisão mostra- vam., Agora, eu sinto o que essas obras estão fazendo.”

vam., Agora, eu sinto o que essas obras estão fazendo.” BETO NOVAES COTIDIANO Caminhoneiros como Cláudio

BETO NOVAES

COTIDIANO

Caminhoneiros como Cláudio Rodrigues, que tombou sua carreta em Itapeva, não se conformam com a sucessão de acidentes na BR-381

Pedido de providências beira o desespero

O trecho da rodovia localiza- do próximo ao município de Car- mo da Cachoeira é conhecido co- mo “tombador” de caminhões pelos caminhoneiros que trafe- gam pela Fernão Dias. “Aconte- cem dois, três tombamentos de caminhões naquele local, toda se- mana”, afirma José Natan Emí- dio Neto, presidente do Sindicato da União Brasileira dos Cami- nhoneiros (SUBC). O sindicato chegou a enviar uma carta ao

presidente Fernando Henrique Cardoso pedindo que o sentido das pistas no trecho fossem in- vertidos para minimizar o efeito das curvas. “É até uma loucura pedir a inversão das pistas, mas achamos que é uma solução pa-

ra as coisas erradas que fizeram ali”, diz, referindo-se a erros de engenharia. José Natan afirma que o sin- dicato propôs também uma me- dida paliativa para o trevo de Três Corações, considerado o pior tre- cho da rodovia. “Pedimos que fos- sem aterradas as cabeceiras da ponte, para proporcionar trânsito normal na rodovia.” Há quatro anos foi construída uma ponte so- bre a pista para que fosse feito o trevo de acesso aos municípios de Varginha e Três Corações. Desde então, todo o trânsito da rodovia é desviado para dentro de um pos- to de gasolina localizado às mar- gens da rodovia. José Natan lamenta a perda

de muitos companheiros que morreram em acidentes na rodo- via e diz que a duplicação é “uma obra criminosa dos burocratas do DNER”. “Ninguém tem res- ponsabilidade com a vida de nin- guém. Para eles, as pessoas que morrem são apenas números nas estatísticas.” O caminhoneiro Elinaldo Ro- gério, de 26 anos, de Itajubá, Sul do Estado, trafega pela Fernão Dias há três anos e afirma que pre- senciou muitos acidentes na rodo- via. “Em toda viagem eu vejo aci- dente, principalmente nos trevos, que estão bastante ruins e não têm sinalização. É um perigo trafegar com carga pesada nessa estrada. É preciso toda atenção e, mesmo

assim, às vezes não é o bastante.” Hamilton Vieira, de 58, afirma que nunca presenciou tantos aci- dentes em 40 anos na boléia do seu caminhão. “Até 1975, a rodo- via era calma, mas desde então está sempre piorando. É preciso terminar logo essa obra, mas pa- rece que isso não termina nunca.” Eurípedes Benedito da Silva, 50 anos, transporta combustível há 32 anos pela rodovia e afirma que já perdeu muitos amigos. “É tudo politicagem. No estado de São Paulo, está tudo pronto. Aqui, é essa enrolação, porque primeiro é preciso encher o bol- so dos políticos. Com isso, já mor- reu muita gente e vai continuar morrendo.” (PT)

CORRIDA MAIS CARA

Táxis sobem até 21% no dia 1º

LUIZ FERNANDO CAMPOS

As corridas de táxi em Belo Horizonte estarão até 21% mais caras a partir de 1º de junho. O reajuste, transmitido ao presi- dente do Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais (Sincavir), Izaías Pereira, por uma comissão da BHTrans, atinge o valor do quilô- metro rodado, que passa de R$ 0,91 para R$ 1,10. A bandeirada, de R$ 2,90, não teve alteração de preço. O percurso médio realiza- do por 70% dos usuários do transporte na capital, de cinco quilômetros, passa de R$ 7,45 para R$ 8,40, um aumento de 13%. “Com base na planilha de custos, o reajuste mínimo é de 13%, podendo chegar a 21%, de- pendendo do percurso da via-

gem”, explicou Pereira. A BH- Trans ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Sem aumento desde dezem- bro de 2000, a categoria pediu o reajuste no quilômetro rodado em 1º de abril. “A maioria dos ta- xistas pede para que não altere o preço da bandeirada, pois assus- ta os passageiros. Nos últimos cinco anos, os aumentos que ob- tivemos não incluíram a bandei- rada”, disse o presidente do sin- dicato. Para o pedido de reajuste, foi considerado o aumento dos insumos, como combustível, pe- ças e manutenção mecânica, re- passado ao preço final da corri- da. “Em um ano e meio, a gasoli- na e o gás subiram muito. Dos 6.014 táxis de Belo Horizonte, metade é movida a gás, e a ins-

peção anual de cada veículo cus- ta R$ 80”, salientou. Pereira diz que a categoria não teme perder passageiros com as viagens mais caras. “A gente entende a situação econômica do Brasil, que não é boa, mas não tem como segurar, pois estamos trabalhando no vermelho.” De acordo com o sindicalista, o servi- ço de táxi tem clientela cativa, for- mada por pessoas que não têm automóvel e necessitam usá-lo so- bretudo para compromissos de urgência. O reajuste também atin- ge os táxis conveniados com a BHTrans que circulam em Conta- gem, Ibirité e Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capi- tal. Atualmente, são cerca de 11 mil taxistas em Belo Horizonte, entre proprietários e auxiliares.

SILICÓTICOS

Relatório de CPI é contestado

FRANCIS ROSE

O encerramento da CPI da

Mineração Morro Velho gerou polêmica ontem na Assembléia Legislativa. Pessoas defensoras dos direitos de ex-funcionários que desenvolveram a silicose, doença que afeta trabalhadores que inalaram o pó de sílica nas minas, não gostaram do relatório final. O resultado das apurações provocou divergências até mes- mo entre os deputados. O sub-re- lator da CPI, Edson Rezende (PT), abandonou a sala durante a lei-

da CPI, Edson Rezende (PT), abandonou a sala durante a lei- tura do documento. Hoje, o

tura do documento. Hoje, o resul- tado será analisado pelo Conse-

lho Estadual de Saúde.

“O relatório faz pequenas con-

siderações à empresa e trata a si- licose como problema do passado, mas sabemos que os casos da doença continuam aparecendo”, afirmou Maria Auxiliadora Barbo- sa, da Associação Brasileira das Vítimas da Mineração. Ela afirma que o relatório não faz qualquer referência à necessidade de revi- são do acordo feito pela empresa com os trabalhadores, que prevê indenizações de até R$ 20 mil.

Rezende considerou estranha a decisão de apresentar e apro- var o relatório no mesmo dia. “A aprovação poderia ser feita na próxima terça-feira. Meu relató- rio tinha informações que com- pletariam o documento final”, disse. O relator da CPI, deputado Doutor Viana (PMDB), não co- mentou o relatório. Entre outros pontos, o documento recomenda que a mineração monitore as condições de trabalho e que seja criado um Centro de Saúde do Trabalhador em Nova Lima, on- de existe uma mina.

METRÔ

do Trabalhador em Nova Lima, on- de existe uma mina. METRÔ SIDNEY LOPES Passageiros do metrô

SIDNEY LOPES

Passageiros do metrô não serão mais prejudicados com paralisações dos metroviários. Au- diência, ontem, na Procuradoria Regional do Trabalho, com representantes da Companhia Brasileira de Trens Urbanos e dos metroviários, acertou que toda paralisação será comuni- cada com 72 horas da antecedência. Hoje o metrô volta a operar normalmente, mas haverá assembléia às 18h na Praça da Estação, no Centro. A categoria quer piso salarial de R$ 600 (hoje é de R$ 306).

Greve na educação completa 16 dias

LUIZ FERNANDO CAMPOS

A greve dos funcionários da rede de ensino estadual completa 16 dias hoje com força total e pro- move quatro grandes manifesta- ções, às 10h, nas principais re- giões de Minas Gerais. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o evento será na Praça Milton Campos, em Betim, onde são es- peradas mais de 600 pessoas; No Triângulo Mineiro e no Alto Para- naíba, professores protestam em Uberlândia. Já Juiz de Fora será o centro das manifestações na Zona da Mata, enquanto educadores do Rio Doce, Mucuri, Jequitinhonha

e Vale do Aço fazem ato público em Governador Valadares. Ontem, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) estadual realizou panfletagem em frente ao Palá- cio da Liberdade, na capital, in- formando a população sobre o quadro atual da educação no Es- tado. De acordo com a assesso- ria de imprensa do Sind-UTE, 77% da rede aderiram ao movi- mento, porém, segundo a Secre- taria do Estado da Educação, 17% das escolas não funciona- ram ontem. A categoria reivindi- ca reajuste salarial, implantação do plano de cargos e salários e

melhores condições de trabalho. Na Secretaria de Coordena- ção de Administração e Recur- sos Humanos da Prefeitura de Belo Horizonte, o fórum das en- tidades representativas dos ser- vidores municipais se reuniram com o secretário-adjunto Jafete Abrão ontem à tarde, para dis- cutir a pauta de reivindicações. Conforme a presidente da asso- ciação dos fiscais municipais (Asfim), Neyde Brum, o secretá- rio disse que, a princípio, o rea- juste para este ano é zero. Po- rém, ele se comprometeu a dar uma resposta concreta sobre o assunto em 20 dias.

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