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ESCOLA DR.

MANUEL RIBEIRO FERREIRA ALVAIZERE FICHA DE INFORMATIVA DE PORTUGUS 11 ANO

Corridas no hipdromo
Diante deles, o hipdromo elevava-se suavemente em colina, parecendo, depois da poeirada quente da calada e das cruas reverberaes da cal, mais fresco, mais vasto com a sua relva j um pouco crestada pelo sol de junho, e uma ou outra papoula vermelhejando aqui e alm. [...] Para alm, dos dois lados da tribuna real forrada de um baeto vermelho de mesa de Repartio, erguiam-se as duas tribunas pblicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial.
In Os Maias, 1888

As primeiras corridas de cavalos em Portugal ocorrem em vora e datam de 1868. Cinco anos depois, organizam-se corridas em Sintra (na Granja do Marqus) e na Goleg. No ano seguinte, em 1874, constri-se o Hipdromo de Belm e organizam-se corridas em Julho e Outubro. Em 1875, o Clube Equestre, fundado em 1873, muda o nome para Jockey Club. Em 1881, fazem-se as primeiras corridas nas Alamedas do Campo Grande, mas o entusiasmo popular fraco. Dois anos depois extingue-se o Jockey Club. A "Sociedade Promotora de Apuramento de Raas Cavalares", que arrematara os bens do Jockey Club, ainda realiza algumas corridas, mas o pblico revela-se desinteressado. As ltimas corridas de cavalos em Belm acontecem em 1893, acabando o Hipdromo em 1900. O episdio das "Corridas no Hipdromo", em Os Maias, de Ea de Queirs, uma verdadeira stira ao desejo de imitar o que se faz no estrangeiro, por um esforo de cosmopolitismo, e ao provincianismo do acontecimento. As corridas permitem, igualmente, apreciar de forma irnica e caricatural uma sociedade burguesa que vive de aparncias. No faziam parte das tradies portuguesas como, por exemplo, as touradas, mas surgiram por imitao do que sucedia noutros pases. Ea de Queirs constri este episdio para satirizar a mentalidade e o comportamento da alta burguesia lisboeta, onde se percebe um verdadeiro contraste entre o ser e o parecer. Toda a situao parece ridcula, pois o que se pretendia requintado no o era: falta entusiasmo pelo acontecimento, as pessoas apenas comparecem por

ser mais um local social; falta gosto assistncia feminina, que "nada fazia de til", e os homens surgem "numa pasmaceira tristonha", sem motivaes visveis.
In Infopdia, Porto Editora