Вы находитесь на странице: 1из 54

Projeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(in memoríam)
APRESEtvrTAQÁO
DA EDIpÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos
estar preparados para dar a razáo da
nossa esperanga a todo aquele que no-la
pedir (1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos


conta da nossa esperanca e da nossa fé
hoje é mais premente do que outrora,
■*•..-' visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrarias á fé católica. Somos
assim incitados a procurar consolidar
nossa crenca católica mediante um
aprofundamento do nosso estudo.
Eis o que neste site Pergunte e
Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questóes da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
|F_ vista cristáo a fim de que as dúvidas se
dissipem e a vivencia católica se fortalega
no Brasil e no mundo. Queira Deus
abengoar. este trabalho assim como a
equipe de Veritatis Splendor que se
encarrega do respectivo site.
Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.
Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicacáo.
A d. Esteváo Bettencourt agradecemos a confiaga
depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
responderemos
10

< SUMARIO

O Deus Feliz (1Tm 1,11)

^ Educacao Sexual

co O Material Didático para a Educacao Sexual


UJ

^> Católico e Macom?


a
^ As Revelacoes Particulares em nossos dias
<
S Coma Reversível e Irreversível
UJ

-1 " B RIDA" de Paulo Coel ho


m

o- "Eu vos escrevo do inferno da Albania"


a.

ANO XXXII ■ FEVEREIRO 1991


PERGUNTE E RESPONDEREMOS FEVEREIRO - 1991
Publ¡cacao mensal
N9 345

piretor- Responsével:
SUMARIO
Estévao Bettencourt OSB
Autor e Redator de toda a materia O Deus Feliz (TTm 1,11) 49
publicada neste periódico
A experiencia norte-americana:
Educacao Sexual 50
Diretor-Administrador:
D. Hildebrando P. Martins OSB Alerta:
O Material Didático para a
Administracao e distribuicao: Educacao Sexual 64
Edicóes Lumen Christi Falam os Bispos do Océano Indico:
Dom Gerardo, 40 - 5? andar. S/501 Católico e Macom? 68
Tel.: (021) 291-7122
Surto religioso atual:
Caixa Postal 2666
As Revelacoes Particulares em
20001 - Rio de Janeiro - RJ
nossosdias 73

Quando se dá a morte?
tmpressaoe Encadefna;áo
Coma Reversfvel e Irreversi'vel 80

Obra de grande sucesso:


"BRIDA" de Paulo Coelho 84

■•MARQUES-SARAIVA" Urna Carta Clandestina:


GRÁFICOS E EDITORES S.A. "Eu vos escrevo do inferno da Albania". 90
Tels.: (021)273-9498 -273-9147

NO PRÓXIMO NÚMERO:

A Festa Crista. - "Um Homem é um Homem" (Jéróme Lejeune).


Embnao e Pré-embriáo. — Sao Basilio (t379) e a Defesa da Vida.
"Liberte seu Poder Extra" (Pedro Grisa). — Leste Europeu e Segredo de
Fátima. - "O Dilema da Sexualidade" (J.M. Monteoliva).

COM APROVACAO ECLESIÁSTICA,

\SSINATURA ANUAL (12 números): Cr$ 2.000,00 - Número avulso ou atrasado: Cr$ 200,00

Pagamento (á ecDlha)
1. VALE POSTAL á agencia central dos Correios do Rio de Janeiro em nome de Edi-
coes "Lumen Christi" Caixa Postal 2666 - 20001 - Rio de Janeiro - RJ.

2. CHEQUE NOMINAL CRUZADO, a favor de Edicoes "Lumen Christi" (endereco


ácima).

3. ORDEM DE PAGAMENTO, no Banco do Brasil, conta N? 31.304-1 em nome do


Mosteiro de Sao Bento, pagável na agencia Praca Mauá/RJ N? 0435-9. (Nao enviar
através de DOC ou depósito instantáneo - A ¡dentificacao é difícil).
O Deus Feliz M

Nao é costume entre nos falar de "Deus feliz". Nem a S. Escritura en-
fatiza este atributo de Deus, pois só duas vezes o menciona (cf. 1Tm 1,11;
6,15: makários Theós).

Tal predicado era usual entre os escritores gregos Hornero, H es Codo e


também ñas obras do judeu helenista Filón de Alexandria (t44 d.C). Para
os gregos, os deuses eram felizes (mákares theoí). .. Também os Imperado
res divinizados se julgavam felizes pelo fato de obterem Vitorias sobre os
¡nimigos.

Ora Sao Paulo, em 1Tm, parece aludir a este fundo de cena helenísti
co. Sábese, alias, que as epístolas pastorais estáo cheias de alusoes á cultura
helenística pré-crista, tentando implantar o Cristianismo dentro da lingua-
gem e dos moldes dos homens anteriores a Cristo. Daf dizer Sao Paulo em
1Tm 6,15: "o bem-aventurado e único Soberano, o Reí dos reis, o Senhor
dos senhores". Deus é feliz, sim, mas nao como as divirtdades dos pagaos,
cuja bem-aventuranca consistía em suplantar os adversarios em guerras e
torneios. O Deus, revelado por Jesús Cristo, é feliz porque é santo e perfeito.
Nisto se encontra a fonte de toda bem-aventuranca.

E, esta bem-aventuranca, o Evangelho (que é Boa-Nova) quer comuni


ca-la aos homens. Por isto Jesús comeca sua pregacáo, conforme Mt 5,3-12,
proclamando as bem-aventurancas com eloqüéncia. . . Bem-aventurancas,
porém, paradoxais, porque passam através da pobreza do coracao, através
da fome e sede de justica, através da perseguipao por causa do Cristo...

O paradoxo entende-se bem: se a felicidade decorre da santidade e da


perfe ¡gao interior, é necessário que o homem se purifique de toda imperfei-
pao e escoria do pecado para consegui-la. É preciso morrer á velha criatura
para que a nova se forme no íntimo do homem e o configure plenamente ao
Cristo ressüscitado. Se nao fossem o pecado e a desordem interior, nao have-
ria que morrer; Deus fez o homem para a vida e nao se compraz com a mor-
te das suas criaturas (cf. Sb 1,14; 2,23s). Na medida em que a desordem
dentro de nos cede á harmonía dos sentimentos, na medida em que vivemos
o nosso Batismo, morrendo diariamente ao velho homem para permitir que
o Cristo tome vulto em nos, vamos gozando da verdadeira felicidade (que ne-
nhuma criatura pode arrebatar). Finalmente seremos plenamente bem-aven-
turados participando da bem-aventuranca do próprio Deus, quando, termi
nada a peregrinacáo terrestre, nos encontrarmos com Ele na visSo face-á-face
do Além.

Sao estas as grandes verdades que norteiam o programa cristao de


Quaresma e Páscoa: é preciso eliminar todo fator de desgraca (o pecado
e a desordem) para podermos usufruir da Bem-aventuranca do Único
Soberano! E.B.

49
"PERúUNTE E RESPONDEREMOS"

.ANO XXXII - NQ 345 - Fevereiro de 1991.

A experiencia norte-americana:

Educacáo Sexual

Em sin tese: A "EducacSo Sexual Compreensiva" ou desligada de qual-


quer transmissSo de valores éticos fot amplamenté ministrada nos Estados
Unidos das décadas de 1970 e 1980. Infelizmente, porém, comprovou-se
nociva: em vez de contribuir para diminuir o número de casos de gravidez
precoce e abortamentos (como se esperava), so cooperou para aumentaros
casos ¡nfelizes. Á vista disto, muitos educadores percebem a necessidade de
rever os programas de educacáo sexual norte-americanos, chegando a apre-
goar a educacáo para a continencia ou a abstinencia total de intercambio
genital até o matrimonio. A Dra. Diñan Richard colecionou dados estatis-
ticos, depoimentos e reflexdes de membros do Governo e professores
dos Estados Unidos e publicou-os no livro Has Sex Education failed our
Teenagers? A Research Report. Desta obra, muito interessante e valiosa,
sSo extraídos os tópicos mais significativos que publicamos ñas páginas
seguintes.

* * *

Em 1990 fo¡ publicado nos Estados Unidos um relatório sobre os efei-


tos da Educacáo Sexual ministrada a adolescentes ñas escolas dos últimos
decenios. 0 trabalho se deve á Ora. Dinah Richard, Ph. D., e tem por título:
"Has Sex Education failed our Teenagers? A Research Report",1 obra edi
tada por Focus on the Family Publishing, Pomona, CA 91799, 1990.

A autora tem seu Ph. D. em Comunicacao pela Louisiania State


University; foi professora desta Universidade e da do Texas em San Antonio.
É casada e tem quatro filhos. Em su a atividade académica interessou-se por
Educacáo Sexual e suas conseqüéncias, especialmente para os Teenagers

1 A Educacáo Sexual lludiu nossos Jovens? O Relatório de urna Pesquisa.

50
EDUCAQÁO SEXUAL

(jovens de 13 a 19 anos); respondendo a instantes solicitacoes, que Ihe fc-


ram feitas por professores e orientadores educacionais, a Dra. Richard pes-
quisou os efeitos do uso e da abstinencia da genitalidade naque la faixa
etária; donde resultou a obra citada, portadora de dados numéricos, gráfi
cos, estatísticas, depoimentos... num total de 93 páginas.

De tal livro extrairemos os tópicos que mais possam interessar ao pú


blico brasileiro.

1. As experiencias falam

1.1. Edu cacao Sexual: solucao para problemas da adolescencia?

O crescente número de casos de gravidez em adolescentes nao casadas


e de abortamentos praticados em conseqüéncia levou as autoridades ameri
canas a procurar conter a onda, que, além do mais, era causadora de moles
tias genitais e de problemas psicológicos derivados. É de notar que, de acor-
do com Planned Parenthood (Planejamento Familiar), mais de um milhlo
de meninas dos 13 aos 19 anos nos Estados Unidos ficam grávidas cada
ano - o que representa a mais elevada cota em todo o mundo ocidental.

A solugao aventada consistiu em ministrar programas de educacao


sexual no lar e na escola, inspirados pela esperanca de que o conhecimento
minucioso da Biologia levaria os adolescentes e jovens a evitar as conseqüén-
cias indesejadas de sua prática sexual. A ¡nstrucao, porém, nao foi acompa-
nhada de qualquer proposicao de valores moráis; apenas se transmitiram aos
educandos as informacoes necessárias para usarem da genitalidade, presumi
damente sem correrem os riscos de gravidez e molestias venéreas. - Os pro
gramas assim concebidos foram aplicados ñas escolas norte-americanas. . .,
verificando-se, porém, que em nada contribuíram para eliminar ou diminuir
os males indesejados por todos; ao contrario, estes s6 fizeram aumentar
em número.

A comprovacao destes resultados contra-producentes moveu as auto


ridades governamentais norte-americanas a repensar seus programas educa
cionais e a recomendar a própria abstinencia sexual ou a castidade:

"California, Washington. Illinois and Indiana nave passodlaws requiring


sex educatíon to be taught fromán abstinenceperspectiva. Other Statesare
currently considering the adoption ofsimilar legislation.

Abstínence educatíon has been shown to have a positive impact on


teen's atitudes toward chastíty and on their abilities to say no to sexual

51
•PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

activity. Moreover it has effectívely reduced the teenage pregnancy rate ¡n


many communities" (p. VIII da obra citada).'

Procuremos acompanhar os sucessivos aspectos da historia assim com


pendiada.

1J2. A aplicacao de verbas e seus resultados

1. Ñas últimas décadas, ou seja, a partir de 1971, o Governo Federal


norte-americano aplicou verbas sempre mais vultosas aos programas de Edu-
cacao Sexual.

Em 1968, as despesas eram de US$ 13,5 milhoes.

Em 1978, já eram de US$ 279 milhoes - o que significava aumento


de 2.000%.

De 1971 a 1981 os gastos do Governo Federal nessa área (nao se le


vando em conta as despesas de cada Estado da Federacao) foram de mais de
US$ 2 bilhoes de dólares — o que re presentou um aumento de 306%. Ape
nas em 1985 o Governo Federal gastou mais de US$ 22 milhóes em progra
mas de Educacao Sexual.

1.3. Quais os resultados obtidos?

O dinheiro tao amplamente assim aplicado permitia prever notável bai-


xa de gravidez e abortamento entre as adolescentes.

Ocorre, porém.que, de 1971 a 1981, a ap "cacao de verbas 306% maio-


res redundou em aumento de 48,3% de casos de gravidez e de 133% de ca
sos de abortamento a mais entre meninas de 13 a 19 anos. Os pesquisadores
Joseph Olsen e Stan Weed, impressionados por tais conseqüéncias, se dedi
ca ram a exame mais preciso do assunto e em 1986 publicaram um relatório
final, que declarava:

1 "California, Washington, Illinois e Indiana promulgaram leis que exlgiam


fosse a educacSó sexual enslnada em perspectiva de abstinencia. Outros Esta
dos estffo, de modo geral, considerando a adocfo de semelhanta legislacib.

A educacio para a abstinencia foi comprovada como tendo impacto posi


tivo sobre as atítudes dos/ovens em ralacio é castídade e ¿s suas disposicdes
para dizer NIo i atividada sexual. Mais do que tudo, ela nduziu realmente a
cota de casos de gravidez em Jovens de muitas comunidades".

52
EDUCAgÁO SEXUAL

"Em vez da esperada reducSo de gravidez de adolescentes, os progra


mas dé educacSo sexual levaram a significativo aumento do problema.

O mesmo se deu com os casos de aborto, que aumentaram surpreen-


dentemente.

A expectativa de reducSo de nascimentos realizou-se, nSo, porém, á


custa de contraceptivos, mas de abortamentos" (llvro citado, p. 6).

O pesquisador Philipps Cutright, comparando as verbas aplicadas e os


aumentos de casos de gravidez entre adolescentes, chegou á seguinte conclu-
sao, que confirma as anteriores:

"NSo temos evidencia de que os programas de educacSo sexual te-


nham reduzido a gravidez indese/'ada, pois as áreas em que tais progra
mas foram moderadamente aplicados ou de modo nenhum aplicados, de-
monstraram menor aumento ou maior declfnlo dos casos de gravidez do
que as áreas fortemente atingidas pelos programas de educacSo sexual"
(I. cit, p. 9).

0 incremento de casos ¡ndesejados de gravidez se deve, em grande


parte, ao fato de que as instrucoes referentes a contracepcao excitaram ñas
adolescentes a vontade de ter relacoes sexuais "isentas de risco" mediante o
uso da pílula. Ora o uso da pílula ñas adolescentes é muito menos eficaz do
que ñas mulheres plenamente desenvolvidas:

"Os inventores das pílalas contraceptivas nao tinham idéia de como


esse produto contribuiría para fomentar a atividade sexual dos adolescentes.
Em 1977 o Dr. Roben Kistner, da Harvard Medical School, reconheceu: 'Há
cerca de dez anos eu declare! que a pílula nSo provocarla a promiscuidade.
Bu me enganei". Em 1981 o Dr. Min Chueh Chang disse: Vessoalmente vejo
que a pílula ¡ludlu osjovens... Ela os tornou mais permissivos'"...

Nuni inquérito junto a quatrocen tas familias escolhidas fortuitamen


te, médicos e psicólogos verificaram que "a oferta de pílula suscitou um au
mento de promiscuidade entre os adolescentes" (I. cit. p. 11).

1.4. E que é a "EducacSo Sexual Compreentiva"?

Na década de 1950, a Suécia adotou urna forma de educacáo sexual


que serviu de modelo para o mundo ocidental. Este modelo, derivado das
concepcoes liberáis da cultura sueca no tocante ao sexo, partía da premissa
de que a genitalidade entre os 13 e 19 anos era inevitável; os educadores

53
6 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

deveriam manter-se em posicao moralmente neutra; as escolas deveriam en-


sinar aos estud antes os métodos contraceptivos.

Ora o mesmo modelo, embora nao explícitamente atribuido aos


suecos, foi adotado nos Estados Unidos quinze anos após implantado na
Suécía. A tal método deram-se varios nomes: "Educacao Sexual", "Progres-
siva Educacao Sexual", "Educacao Sexual Contemporánea", "Educacao
Sexual Moderna", "Educacao Sexual Contraceptiva", "Educacao Sexual
Moralmente Neutra" e "Educacao Sexual Compreensiva" (Comprehensíve
Sex Education). Mais recentemente adotou-se o nome "Educacao para a
Vida de Familia", poíseste soava mais suave do que "Educacao Sexual".

Essa Educacao Compreensiva abrangía seis pontos, dos quaís ao menos


quatro deviam ser obrigatoríamenté aplicados:

1} fatos biológicos relativos á reproducáo;

2) como o adolescente deve observar e acompanhar o seu desenvolví-


mentó sexual;

3) informacoes a respeito dos diversos processos de limitacao da nata-


lidade;

4) informacoes concernentes á prevencao de abusos sexuais;

5} informacoes relativas ao aborto;

6) informagoes sobre as Lojas que fornecem anticoncepcionais.

A Educacao Sexual Compreensiva assim entendida propagou-se pelas


escolas norte-americanas, todavía com resultados decepcionantes, como já
atrás registrado. Alias, isto nao surpreende, poís na própría Suécia, pá-
tria-mae da educacao sexual em larga escala, se verificou desde 1956 que os
casos de gravidez e abortamento aumentaram em funcao da aplicacao do
método.

1.5. Educacao Sexual e Problemas Emocionáis

O malogro da Educacao Sexual Compreensiva está, em parte, associa-


do á provocarlo de problemas emocionáis entre os adolescentes. Eis o de-
poimento do Dr. Melvin Anchell, autor de numerosos livros sobre a sexuali-
dade humana:

"Os cursos típicos da Educacao Sexual equivalen) a recoltas ef¡cazas

54
EDUCAgÁO SEXUAL

para produzir problemas de personalidade e até perversio de comportamen-


to. . . Os programas de educacSo sexual desde o Jardim da infancia até a
Escola Superior degradam, de maneira continua, a índole afetiva e mono-
gámica da sexualidade humana. A educacSo sexual, premeditadamente ou
nio, tira aos estudantes a sensibilidade para os valores espirituais da sexua
lidade humana.

Nos últimos vinte anos ou quase, o número de adolescentes hospitali


zadas por causa de depressSo psíquica triplicouse e o suicidio de adoles
centes subiu 200%. Urna parte da culpa do declínio da saúde mental dos
adolescentes se deve ás suas atitudes carnais para com o sexo, como também
a prematura atividade sexual, fomentada pela educacSo sexual contempo
ránea" (I. cit, p. 22).

A Comissao Norte-Americana relativa á Crianca, á Juventude e á Fa


milia publicou também um relatório intitulado: Teen Pregnancy: What is
Being Done? A State-by-State Look, onde se lé:

"Aos poucos, nos últimos vinte e cinco anos, nos, como nacao, deci
dimos que é mais fácil dar pílulas a enancas do que ensinar-lhes o respeito
pelo sexo e o casamento. Hoje estamos vendo os resultados dessa decisáo
nao somente no crescente número de casos de gravidez, mas também no uso
de drogas, ñas multiplicadas doencas venéreas, nos suicidios e em outras
formas de comportamen to autodestrutivo" (I. cit, p. 23).

1.6. A Pflula e o Preservativo Convencional

1. A pflula é considerada como o mais eficiente anticoncepcional do


mercado, a ponto que os educadores geralmente ensinam que somente 1%
dos casos falha, quando a pflula é usada regularmente. Esta afirmagao, po-
rém, é desmentida por estudos rigorosos.

Em 1986 o estudo Family Plannirtg Perspective revelou que, para as


mulheres casadas, a media de falhas da pflula era de 2,9%. sendo, porém,
que, para as mulheres casadas de menos de vinte anos de idade, a media de
falhas subía a 4,7%. O mesmo estudo mostrou que as mulheres de menos
de 18 anos que usam a pflula para "adiar" a gravidez estavam sujeitas a
4,5% de falhas; as mulheres de menos de 18 anos que a usam para "impe
dir" a gravidez, estavam sujeitas a 11% de falhas. A pflula é, sim, menos
eficaz ñas adolescentes e ñas jovens do que ñas pessoas mais maduras.

Ademáis as meninas entre 13 e 19 anos sao mais vulneráveis pelo uso


da pflula do que as menos jovens. Entre os efeitos negativos do produto,
estío: aumento de peso (22%), problemas menstruais (18%), náuseas (16%),

55
8 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

doces de cabeca (10%), males do abdomen (10%). Outros efeitos mais graves
podem ocorrer, principalmente se a usuaria é fumante.

2. A partir de 1980 propagou-se nos Estados Unidos a nocao de Safe


Sex (sexo seguro ou isento de riscos). A camisinha foi o meio mais preconi
zado para se evitarem as molestias decorrentes do uso do sexo livre. Verifi-
cou-se, porém, que a idéia de Safe Sex é um mito. O próprio médico General
Koop declarou: "O país está tomado pela manía do condom. Nao me sinto
ufano pelo papel que desempenhei na propagacao dessa idéia. O condom é o
último recurso a ser aplicado" (I. cit, p. 25).

Um dos fatos mais significativos para mostrar quanto é falho o uso da


camisinha (preservativo) foi divulgado pelo Journal of the American Medical
Association em 1987: os pesquisadores ¡nteressados em averiguar a transmis-
sao da AIDS acompanharam casáis, dos quais um dos cónjuges estava afeta-
do pelo virus; averiguaram que, nos casáis que usavam preservativo durante
suas relacoes sexuais, houve transmissao do virus na porcentagem de 17%
em dezoito meses; ao contrario, nos casáis que se abstiveram de relaciona-
mentó sexual, nao se pode averiguar contagio.

Os estudos posteriores levaram a concluir que o preservativo (camisi


nha) é falho em mais de 10% dos casos, quando é usado para impedir a
gravidez. Mais falho é aínda quando utilizado como meio para evitar a
AIDS, visto que o virus da AIDS é extremamente pequeño. Entre os jovens,
que nem sempre sao cautelosos na aplicapao de tal recurso, a porcentagem
de falhas do preservativo chega a 18%.

1.7. A Educacao para a Continencia Sexual

Ñas últimas décadas a invencao de anticoncepcionais físicos e quími


cos favoreceu enormemente a liberdade sexual, especialmente as relacoes
pré-matrimoniais: a pflula e o aborto eram apregoados como garantías de
"sexo seguro". Verifica-se, porém, que os resultados dessa concepcao de
vida sao desastrosos; em vez de propiciar felicidade e bem-estar a jovens e
adultos, tem sido fonte de graves desventuras. Daí o surto de urna tendencia
a retornar aos padrees de comportamento autocontrolado, particularmente
na faixa etária pré-marital (em que as conseqüdncias do sexo livre sao mais
daninhas). Sao palavras da Dra. Alexandra Mark, Ph. D., e do Dr. Vernon
H. Mark, M.D., no periódico Medical World News:

"A crescente evidencia dos fatos condena, de modo impresionante,


os mentores da nvolució sexual. PromeWram alegría, libertacSo e boa saú-
de. Mas proporcionaran! miseria, molestias e até a morte. . . A nsposta a
estes fatos ó a seguinte: temos de reconhecer que o apelo a urna mudanca

56
EDUCACÁO SEXUAL 9

de comportamento responsávet tem de comecar pelos mentores da sodada-


de. . . Os grupos que agora sio obrigados a sair da sua indifarenca, sao inter
pelados: compete-lhes esbocar uma imagem da ¡uventude do futuro mais
feliz e consolidada pelo sonso de responsabi/idade no tocante ao sexo"
(I. cit, p. 43).

É de notar que os próprios meios de común icacáo social comecaram a


alertar os jovens contra a promiscuidade sexual. Assim, por exemplo, o Or.
Art Ulene. médico comprometido com o programa To-Day Show da NBC.
declarou em junho de 1987:

"Creio que é tempo de deixar de falar a respeito de safe sex (sexo


seguro). . . Julgo que a total abstencao de atividades sexuais com outras
pessoas é uma opcSo que merece seria consideracSo nesta era da AIDS. . .
Pensó que a abstencao é uma escolha muito oportuna para os jovens do
nosso mundo" (I. cit, p. 4).

Ted Koppel, atuante no programa Nightline da ABC, assim se pronun-


ciou na Duke University em 1987:

"Nos nos convencemos de que os slogans nos salvam. 'fnfete, se vocé


precisa, mas use uma agulha limpaV, 'Goze do sexo quando e com quem
vocé queira, /ñas use um preservativo1.'. NSo\ A nossa resposta é Nao. Nao
porque nao seja arrojado ou inteligente ou porque vocé podería ir acabar
numa prisSo ou morrer num hospital de AIDS, mas porque é mau, porque
nos gastamos 5.000 anos como estirpe de seres racionáis, tentando arras-
tar-nos para fora da lama primitiva, á procura da Verdade e da Moralidade
absolutas. Na sua mais pura forma, a verdade nao é uma educada pancadinha
nos ombros. É uma censura gritante. 0 que Moisés trouxe do Monte Sinai
para a planicie, nao foram simplesmente dez sugestdes" fí. cit p. 46).

Em favor de uma educacao para a abstinencia sexual (abstirtence


education), na década de 1980 moveram-se varias personalidades e associa-
<poes nos Estados Unidos, a comepar pelo Presidente Ronald Reagan. Este
em 1981 assinou um dispositivo do Public Health Service Act (Title xx),
que recomendava, entre outras coisas, a promocao da continencia pré-mari-
tal. O mesmo Presidente declarou:

"O fato de que se ensina sexo como sendo apenas uma funcSo fisio
lógica, sem levar em consideracSo os preceítos éticos que Ihe dizem res
peito, creio que devena preocupar aqueles que tém o encargo da educacio"
(l.cit,p.43).

Em setembro de 1988, Reagan dirigiu-se á Secretaria de Saúde e Servi-

57
10 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

pos Humanos, recomendando que os programas educacionais emanados do


Governo Federal inclufssem temas aptos a promover e estimular a continen
cia sexual (I. cit, p. 43). Dispós outrossim que essa Secretaria elaborasse
urna lei segundo a qual as verbas federáis nao seriam utilizadas para distri
buir anticoncepcionais ou receitas de anticoncepcionais ñas escolas sem per-
missáo dos pais dos educandos.

Um alto funcionario do Governo, William Bennett, declarou:

"A educacSo sexual está relacionada com a maneira como rapazes e


mocas, homens e mulheres hSo de tratar uns aos outros e tratar a sí mesmos.
A educacSo sexual portanto está ligada ao caráter e é formacSo do caráter.
Um curso de educacSo sexual no qual nao naja as categorías de correto e
erróneo em lugar central, é urna evasao e urna falta de responsabilidade"
(I. cit, p. 44).

Outro membro do Departamento de Saúde e Servicos Humanos. Joann


Gasper, também sustenta a importancia daeducacao para a continencia, afir
mando que "a abstinencia sexual é a única via segura para evitar gravidez. A
mensagem a ser transmitida ensina a nao ter relacóes sexuais antes do casa
mento" {I. cit., p. 44).

É de observar aínda o seguinte: nos Estados Unidos alguns educadores


quiseram entender "educacao para a abstinencia" em sentido meramente re
lativo: excluiría apenas a penetracáo, mas admitiría sexo oral, sexo anal,
masturbacáo a dois e contatos genitais epidérmicos. — Na base desta definí-
cao, tais educadores concluíram que a abstinencia sexual nao é 100% eficaz,
pois o esperma ejaculado fora da vagina pode finalmente entrar dentro des
ta, provocando urna eventual gravidez; assim a abstinencia sexual nao deixa-
ria tranquilos os dois parceiros interessados; seria preciso substituir-lhe o
safe sex (sexo seguro, mediante preservativo ou camisinha)! Ora, diante
desta distorcao de conceitos, é mister que se entenda corretamente a absti
nencia sexual: implica a recusa de qualquer atividade sexual — seja a conven
cional e natural, seja a anormal (sexo anal, oral, masturbacao a dois, conta
tos sexuais excitantes...).

1.8. Educacao para a Continencia é Doutrinacao Religiosa?

1. Urna das objecóes que ñas escolas oficiáis se levantam contra a edu
cacao para a continencia, consiste em dizer que esta é urna forma de religio-
sidade e, por isto, viola a Constituicao norte-americana, que nao oficializa
religiSo alguma. Na verdade, os preceitos do Cristianismo e de outros Credos
ensinam a castidade. Mas esta nao é valorizada apenas pela ReligiSo. Instan
cias nao religiosas como a Medicina, a Psicología, a Sociología também a esti-

58
EDUCACÁOSEXUAL 11

mam e recomendam; e é em nome das instancias nao religiosas que ela hade
ser proposta ñas escolas.

Ademáis pondere-se que toda e qualquer escola — religiosa ou nao —


ensina que é mau comportamento roubar, trapacear, mentir, extorquir, ma
tar, embriagar-se e fazer outras coisas prejudiciais ao individuo e á socieda-
de. As escolas também ensinam que sao valiosos os atos de amar o próximo,
agradecer, perdoar. .. Embora estes ensinamentos se encontrem também em
todas as religioes, as escolas oficiáis julgam que se devem transmitir em
nome da própria dignidade humana, subjacente ao título de cidadao e inde
penden te de algum Credo religioso.

O confuto levantado nos Estados Unidos foi julgado pela Supre


ma Corte, que houve por bem legitimar a educacao para a abstinencia e
considerá-la disciplina escolar, que nao fere os principios da Constituipáo
norte-americana.

2. Pergunta-se ainda: Mas a Moral pode serensinada ñas escolas públi


cas? Nao seria isto um atentado contra a liberdade de consciéncia dos edu
candos? Os professores nao deveriam apenas apresentar teorías e opcoes de
vida, as vantagens e desvantagens de cada urna e, a seguir, deixar a decisao
ao criterio de cada aluno? — É assim, ao menos, que procede a educacao
sexual geralmente ministrada ñas escolas.

Em resposta, considera-se que as escolas ensinam tranquilamente a


abstinencia de drogas, a prudencia no tránsito, o respeito pela saúde própria
e alheia. . . o que implica sempre na transmissao de valores moráis. Na ver-
dade, os educandos da faixa dos 13 aos 19 anos precisam de orientacao éti
ca, pois ainda carecem de parámetros e de experiencia para tomar suas deci-
soes pessoais; a tendencia dos adolescentes e dos jovens ¡maturos é a de
optar pelos alvitres mais cómodos e facéis - o que, muitas vezes, Ihes é
prejudicial.1

3. Há quem diga que os jovens de 13 a 19 anos nao consideram como

1 é de notar outrossim que, abaixo das leis religiosas, ñas profundizas do


ser humano existe a lei natural. Esta é a mesma para todos os homens epor
todos deve ser observada, independentemente do respectivo Credo religioso.
A religiSo assume e corrobora os preceitos da lei natural, que é a lei do Cria
dor ou de Deus; entre estes preceitos, estSo o de nao matar, o de nSo roubar,
o de honrar pai e mié, o de respeitar o próprio corpo e sua dignidade... E
por ísto que, mesmo ñas escolas aconfessionais, se faz mister ensinar a Moral
natural, decorrente da lei natural, que existe em todo adolescente e adulto.

59
12 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

problema a prática de retacees pré-matrimoniais nem estSo interessados em


valores moráis. - A propósito pode-se responder:

a) ainda que tal alegacao fosse verídica, nao se deven a omitir a educa-
pao para a continencia, pois compete ás escolas elaborar a programacao dos
seus estudos, e nao aos alunos;

b) na verdade, verif ica-se que os jovens nao consideram tao displicen


temente a prática das relacoes pré-matrimoniais. Num inquérito realizado
nos Estados Unidos entre pessoas de 13 a 19 anos, averiguou-se que o reía-
cionamento sexual anterior ao matrimonio é o problema número 1 para os
entrevistados. A tabela abaixo revela os ¡tens que os adolescentes de 13 a 19
anos consideram problemas em escala descendente:

Problema . %

Relacoes pré-matrimoniais 99
Abuso de drogas 85
Alcoolismo 71
Suicidio 67

(Estatfstica publicada em McDowell's Research Digest e reproduzida pela


obra citada de Dinah Richard, p. 49).

4. Também se objeta que a transmissao de valores moráis na escola


poderia ofender os genitores de criancas nao casados; os filhos seriam leva
dos a julgar e condenar os pais na base das normas éticas que recebessem.

- A resposta é formulada pelo colunista William Raspberry:

"Argumentase contra o ensinamento de normas moráis na escola a


partir do fato de que urna turma em sala de aula pode incluir alunos cu/os
pais nunca se casaram. . . Conseqüentemente dizer que as relacSes pnS-mari-
tais ou ex tra-conjugáis sá~o ¡moráis implica em condenar os pais de tais alu
nos. Acontece, porám, que estamos apenas transmitindo informacdes de ín
dole moral, e nio proferíndo condenacdes. Ademáisposso testemunhar que
mesmo os genitores nSo casados preferem que seus filhos adiem a sua ativi-
dade sexual, ao menos até a idade em que este/am suficientemente maduros
para exercé-la. Com poucas paiavras: nSo considero a instrucio morai como
. ofensiva a quem quer que se/a" (I. tít, p. 50).

60
EDUCACÁOSEXUAL 13

1.9. Traeos de auténticos programas de Educacao Sexual

1. 0 Ex-Secretário da Educacao Or. William Bennettelaborou normas


para que os currículos de Educacao Sexual sejam fundamentados na Moral e
em sólida Filosofía. Dessas diretrizes destacam-se as seguintes:

a) O enfoque dado á materia da educacao sexual nao deve ser moral-


mente neutro ou alheio a urna escala de valores. Deve mostrar aos adolescen
tes que a disciplina sexual é um padrao a ser mantido com firmeza.

b) Deve-se ensinar que a prática do sexo nao é simplesmente um ato


f i'sico ou mecánico. Envolve emocóes e sentimentos; destes varios sao nobres
e enobrecedores, outros sao degradantes.

c) É preciso falar de sexo no contexto de casamento, fidelidade e


compromissp. As meninas deve-se dizer o que significa tornar-se mae, como
também o que é modestia e castidade. Aos rapazes também é preciso expli
car o que é tornar-se pa¡, como também o que é responsabilidade e dispo-
nibilidade.

d) Aos cursos sejam benvindos os genitores, outros adultos e cola


boradores.

e) A escola deve dar atencáo a quem ministra o Curso. O professor há


de servir como um bom modelo.

2. A Dra. Wanda Franz, Professora na West Virginia University, tracoii


as seguintes diretrizes de Currfculo:

a) Desenvolver temas que vao ao encontró das necessidades do audito


rio concreto do professor. Os programas e cada aula em particular nao de ser
adaptados ao grau de evolucao física e psíquica do educando, de modo a
nao excitar questionamentos e problemas prematuros. Tome-se consciéncia
de que demasiadas ¡nformacóes podem causar mais mal do que bem.

b) Provocar a maturidade dos alunos de modo que os adolescentes


compreendam quais as finalidades do seu crescimento e desenvolvimento
físico e psíquico. Os jovens de 13 a 19 anos precisam de comecar a valori
zar a recomendacao de saber esperar. Os adolescentes nao podem compreen-
der bem o valor da espera, mas podem ser ajudados a consegui-lo.'

c) Finalmente seja ministrada urna educacao sexual que ensine qual o


melhor comportamento e nao aprésente apenas urna lista de opcoes.

61
14 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

3. O Family Research Council of América também formulou certas li-


nhas básicas de sadia educacao sexual:

Papel dos genitores: Os genitores sao os primeiros e mais importantes


educadores. Os programas deveriam estimular a participacao dos genitores.
Devem aplicar um método lúcido para estimular o diálogo entre pais e filhos.

Abstinencia: Os programas devem estimular, de maneira clara e ine


quívoca, a continencia pré-matnmonial. Diga-se por que a continencia é a
mais sabia opcao.

Contracepcáo: Apregoar o uso de anticoncepcionais entre jovens sol-


teiros de 13 a 19 anos numa sala de aula enfraquece a educacao para a conti
nencia. As mensagens mistas, em que continencia e meios contraceptivos sao
postos lado a lado como opcoes equivalentes entre si so contribuem para
disseminar confusao entre os alunos.

Aborto: Os programas devem focalizar os problemas fi'sicos, emocio


náis e espirituais que o abortamento suscita, e enfatizar que a continencia
evita o aborto.

Associar sexo e casamento: Os programas nao devem simplesmente


sugerir o adiamento das relacoes sexuais, mas hao de associar relacionamen-
to sexual e matrimonio e ensinar que a vida sexual a dois é urna experiencia
bela e significativa, se compartíIhada dentro do contexto matrimonial.

Homossexualismo: Os programas nao devem apresentar o homosse-


xualismo como um estilo de vida alternativo e aceitável. Da mesma manei
ra como o comportamento heterossexual desregrado, o homossexualismo
tem conseqüéncias muito nocivas nos planos físico, emocional, espiritual e
psicológico.

O Professor: Deve ser pessoa de elevado caráter moral.

Normas registradas ás pp. 50s da obra de Diñan Richard.

Passemos agora a urna

2. Reflaxad final

O livro em foco ó muito rico em dados numéricos, ¡nformacoes e


consideracoes de alto valor educacional.

Quem o 16, pode surpreender-se por verificar que nos Estados Unidos a
própria experiencia de liberdade sem freios tenha levado a urna réplica assaz

62
EDUCAQÁO SEXUAL 15

severa, mas altamente sabia, como aquela que Dinah Richard documenta em
sua obra. A castidade e a continencia pré-matrimonial sao preconizadas
como valores de primeira grandeza nao em nome da Moral crista (que
certamen te as apregoa), mas em nome do bom senso, da lei natural e da
experiencia dos homens. O Brasil parece ainda estar na fase ascensional de
permissividade, registrando desastres nao raros, mas ainda vítima da "eufo
ria da revolucao sexual" proclamada por falsos educadores do momento. É
de se esperar que também o Brasil se canse da libertinagem sexual e recupere
as atitudes do bom senso que muitos pensadores e pedagogos norte-america
nos vém defendendo últimamente.

Apenas acrescentaríamos as observacoes comidas no livro de Dinah


Richard que a educacao sexual coletiva ou em sala de aula, ainda que recata
da e acompanhada de escala de valores, corre o risco de despertar problemas
ainda nao oportunos em mais de um educando. Daí a conclusao de que a
educagao sexual nao há de ser ministrada coletivamente, mas, sim, indivi
dualmente, de acordó com a evolupao do educando, na familia e no Servípo
de Orientacao Educacional do respectivo colegio.

Este artigo tem sua continuapáo na Declaracáo publicada as pp. 64-67


deste fascículo.

* * *

(continuacio da p. 83)

Os cuidados minuciosos objetivan) evitar qualquer tipo de equívoco


oo erro na identificacSo da morte cerebral. Na última década, surgiu o pro
blema dos transplantes (particularmente o cardíaco), nos quais a situacao
ideal para o orgia a ser transplantado ó sua plena funció. A adocSo do con-
coito de Morte ao ser constatada a morte cerebral permite, éticamente, a in-
terrupcio dos meios artificiáis de manutencio das funcdes. Observem que a
preocupacio com o diagnóstico da morte é antiga. As leis determinavam nao
deixar sepultar os corpos, dados como monos, antes de 24 horas, o que é
até hoje aceitával e recomendável onde nio naja disponibilidad^ para um
diagnóstico mais acurado da morte" (texto extraído do volume publicado
pela Academia Nacional de Medicina com o título "Ética Médica. Forum
Nacional 1985", pp. 29Ss).

Como se vé, o assunto é complexo e exige circunspeccao da parte tan


to dos estudiosos como dos cirurgioes. A ciencia se vé diante de um certo
enigma, que, em última análise, dá testemunho da insondável sabedoria do
Criador.

63
Alerta:

O Material Didático Para a


Educagáo Sexual

Comissao Arquidiocasana para a Ooutrina da Fé

Segue-se urna Nota da Comissao para a Doutrina da Fé, da Arquidio-


cese do Rio de Janeiro, motivada pela observacto do material empregado em
sala de aula para a Educacao Sexual em colegios do nosso país.

O texto tem caráter pastoral, procurando tocar o fundo da questao,


que é a dignidade da pessoa humana, e a grande missao que toca a pais e
educadores, especialmente na hora atual.

O AMOR HUMANO

"Deixahos, sSo cegos a conduzir outros


cegos. Ora, se um cegó guiar outro ce
gó, ambos cairáó na cova".

Mt 15,14

Fiel a Jesús, a Igreja sabe que Deus nada criou de impuro em si mesmo
e que o sexo é um bem, quando orientado segundo os verdadeiros ditames
da natureza humana (1Tm 4,4). Mas a Igreja também sabe que a térra, con
forme a palavra da Escritura, se tornou imunda pela imundície de seus habi
tantes (Éz 36,17-18; Esdr 9,11) e que a esfera sexual, como tudo mais, pode
ser objeto de gravísimas perversóes, precisamente por causa dos erras e pe
cados que se encontram no corapao e na mente dos homens, segundo disse o
Senhor: "Do coracao do homem provém os maus pensamentos, os assassf-
nios, os adulterios, as prostituicoes (...) Eis o que torna o homem impuro"
IMt 15,19).

Daí o zelo da Igreja pela exposicao integral da verdade em materia de


sexo, e sua normal vigilancia sobre o conteúdo doutrinal das orientapoes

64
MATERIAL DIDÁTICO... XT_

educativas a respeito do amor humano, adotadas em pubücacSes destinadas


á formacSo da juventude e da opiniáo pública em geral. Em decorréncia des-
se zelo, a germina doutrina crista sobre a sexualidade (que nada mais é, em
sua esséncia, que urna inequívoca formulagao dos ditamesda reta conscién-
cia, esclarecida pelas luzes superiores do Evangelho) é proposta numa serie
de pronunciamentos do magisterio pontificio. Estes devem ser conhecidos
por todos os pais e educadores, e nao podem deixar de ser lealmente segui
dos, pois aplicam ao dominio do comportamento, em materia de sexo, os
principios fundamentáis da lei moral, que decorrem da própria natureza
humana.1

Tendo em vista as gravíssimas palavras de Jesús sobre o escándalo


(Mt 18,6-10) e o daño espiritual que as mencionadas publicacóes podem
acarretar para suas vítimas, torna-se obvio que, para os colegios religiosos, a
observancia dessas diretrizes é ainda mais rigorosamente obrigatória.1

Segundo elas, cabe em primeiro lugar aos pais e, em harmonía com es


tes, aos mestres, cotejar com os preceitos da Moral crista todo o material di-
dático oferecido no terreno da educacao sexual, a fim de excluir rigorosa
mente do ensino tudo que possa causar grave daño aos alunos:

"Mantendo-se tudo o que foi dito sobre o deverprimario da familia, a


funcSo da escola é assisténcia e complementaridade á tarefa dos pais, ofere-
cendo ás crianzas e aos adolescentes urna apreciacSo da sexualidade como
valor e tarefa de toda pessoa criada, homem emulher, á imagemde Deus (...)

Alguns livros escolares sobre a sexualidade, por causa de seu caráter


naturalista, sao nocivos tanto para a enanca quanto para o adolescente. Ain-

1 Desde o Concilio do Vaticano II, devem-se ter presentes, sobretudo, osse-


guintes pronunciamentos: Declaracao sobre a Educacao Católica e Constituí-
cao "Qaudium et Spes", deste Concilio Ecuménico (1965); a Encíclica
"Humanae Vitae", do Papa Paulo VI (1968);a Declaracao da Congregado pa
ra a Doutrina da Fé sobre Alguns Pontos de Ética Sexual "Persona Humana"
(1975); a Exortacao Apostólica "Familiaris Consortio", do atual Pontífice
JoSo Paulo II (1981) e Orientacoes sobre o Amor Humano. Linhas gerais
para urna Educacao Sexual, da Congregacao para a Educacao Católica, 1983.

1 Os efeitos devastadores da pornografía — para citar apenas urna das face


tas do assunto - foram analisados num impressionante relatório do Departa
mento Federal de Jüstica do Governo dos Estados Unidos, intitulado:
Attorney Genera l's Commission on Pornography Final Report, julho de
1986. Ver Familiaris Consortio, n<?40.

65
18 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

da mais nocivo é o material gráfico e áudio-visual, quando aprésente crua-


mente realidades sexuais, para as quais o aluno nio está preparado e, desta
forma, provoca neleimpressdes traumáticas ou despena inconveniente curio-
sidade que o leva ao mal. Os educadores pensem seriamente sobre o daño
grave que pode causar aos alunos urna atítude irresponsável sobre assunto
tio delicado".3

Desse ponto de vista, infelizmente, nem todos os subsidios didáticos


- publicados quicá por esta ou aquela editora que outrora se orgulhava do
título de católica — satisfazem ao requisito básico da verdade, exigido pela
Igreja, no que se refere tanto i compreensSo da doutrina crista, quanto aos
fatos empíricos da sexualidade, em si mesmo considerados.

Para citar um caso extremo, que vale por certo como paradigma nega
tivo para outras obras desse género, a serem avaliadas pelos pais e educado
res, foi proposto ao exame desta Comissao o livro SEXO PARA ADOLES
CENTES, da autora Marta Suplicy, publicado pela editora F.T.D., S.A., Sao
Paulo, em 1988.

No que se refere á doutrina crista, o mínimo que se pode dizer desse


texto, é que o ensinamento da Igreja figura ai apenas como objeto de cari
catura e tema de escarnio. A virgindade é desvalorizada (pp. 9. 91). Ridicu-
larizam-se a confissao sacramental e o sexto mandamento; e do Santo Padre
se escreve, com tom superior: "Há de surgir um Papa que diga que fazer
amor, fazer sexo, nao é feio e nao deve ser feito apenas para a reprodupao"
(P. 12).

Efetivamente, a autora privilegia o prazer no decurso de todo o livro,


como se fora o significado essencial da sexualidade; e só se explicam a gravi
dez e a procriacao, para acrescentar, logo em seguida, todos os recursos ilí
citos para evitá-las, inclusive o aborto (pp. 108. 110-111). Até a sodomia,
rigorosamente condenada pela Sagrada Escritura e pela própria natureza, é
proposta sem rebucos (p. 122). De resto, a autora exclui simplesmente a
interferencia de normas moráis em sua proposta de educacao sexual, que se
reduz, em última análise, a um conjunto de conselhos (errados) sobre como
alcancar prazer na área sexual, fugindo a conseqüéncias indesejáveis. Causa
espanto - e é mais um motivo da presente Nota da Comissao — ler a acusa-
cao á Igreja e a elogiosa recomendacao que um Religioso escreveu na orelha
desse livro.

3 OrientacSo sobre o Amor Humano, nQs 69 e 76.


MATERIAL DIDÁTICO... 19

Afora táo graves defeitos no plano da doutrina, o texto mostra-se com


pletamente desinformado quanto a fatos ineludfveis, hoje comprovados, em
materia de éducacao sexual. Para citar apenas alguns, que contrariam fron-
talmente a ideología hedonista da escritora e tém sido observados num país
em que o tipo de éducacao sexual que ela preconiza vem sendo largamente
praticado, convém lembrar: diversos Estados norte-americanos adotaram
últimamente em suas escolas o ensino da abstinencia sexual; a participapáo
voluntaria dos país nos programas de éducacao para a castidade tem ajudado
a diminuir a incidencia de casos de gravidez na adolescencia, a abstinencia é
um comportamento normal, e, de fato, mais praticada entre os jovens do
que se pensa. Os programas de éducacao sexual do tipo preconizado pela
autora Marta Suplicy, pelo contrario, além de fomentarem a promiscuidade
e serem terrivelmente prejudicial para as criancas, só contribufram para
aumentar a problemática da prenhez e do aborto entre as adolescentes; tais
práticas cresceram, respectivamente, na ordem de 48,3% e 133%, no curto
período de 1971 a 1981; os preservativos, por outro lado, nao previnem a
AIDS; e a distribuicao de pflulas entre as ¡ovens só faz crescer o número de
casos de prenhez.4

Por fim, cabe ressaltar que o material visual que ilustra o livro induz
diretamente á experimentacao sexual e, conseqüentemente, deve ser consi
derado pornográfico.

Com a eventual ajuda desta Comissao, pais e mestres devem examinar


obras dessa natureza que contradizem a moral natural e o ensino explícito
da Igreja, para bani-las estrítamente de todos os estabelecimentos de ensino,
e proibi-las rigorosamente ñas escolas católicas, se porventura ai vierem a ser
oferecidas. Além da formacao moral e da saúde física e mental da juventude,
estao em jogo nao só a preservacao da Moral e da vida cristas, mas ainda
vidas humanas simplesmente pela ameaca muito próxima de doencas fatais e
de aborto, acarretada pelo desprezo da lei divina.

Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1990

+ Kart Josef Romer


Mons. Ney Affonso de Sá Earp
Pe. Estévao Tavares Bettencourt, O.S.B.

4 Ver a pesquisa de Dinah Richard, Ph.D., publicada com o título: Has Sex
Education Failed our Teenagers? (A Educacio Sexual lludiu nossos Jovens?)
A Research Report, Pomona, California, 1990.

67
Falam os Bispos do Océano Indico:

Católico e Magom?

Em sfntese: Os Bispos das comunidades católicas das i/has do Océano


índico, tendo em vista a propaganda macónica local, acobertada pela alega-
cSo de que nSo há oposícSo entre Maconaria e Catolicismo, pronunciaram-se
a respeito. Puseram em relevo os traeos da Maconaria que nio se coadunam
com a mensagem crista: o deísmo ou a profissio de fénum Deus reconheci-
do apenas pela razió natural, a concepcao antropológica que ignora o plano
de Deus a respeito da historia e da humanidade, e o segredo, que pretende
vincular o macom até a morte, mesmo que a sua consciéncia seja violentada
pela gradativa aprendizagem maednica. Apesar de ludo, os Bispos nSo recu-
sam colaborar com a Maconaria em prol do bem comum da sociedade, desde
que isto nio implique relativismo filosófico-religioso.

* * *

Nao é raro perguntar se um católico pode ser também macom, princi


palmente quando a Maconaria parece oferecer aos seus membros filiados
vantagens de ordem profissional e política, sem lesar os principios do Cris
tianismo. — A Igreja tem-se pronunciado a respeito, incutindo a inviabilida-
de de tal alianca. A última Declaracao é datada de 26 de novembro de 1983,
proveniente da Congregacao para a Doutrina da Fé por ocasiao da promulga-
cao do novo Código de Direito Canónico; ver PR 275/1984, pp. 304s.

A seguir, publicamos pronunciamentos de outras fontes, condizentes


com tal tomada de posicao. Ver PR 281/1985, pp. 300-307; 305/1987,
pp. 470s; 323/1989, pp. 166-175; 284/1986, pp. 20-24; 291/1986,
pp. 347-356.

Ora aos 02/05/1990 os Bispos da Conferencia Episcopal do Océano


Indico (lirias Mauricio, da Reuniao, das Seychelles e de Comores) houveram
por bem chamar a atencao dos seus fiéis para a incompatibilidade existente
entre Maconaria e Catolicismo. - Éo texto desse documento que passamos
a transmitir em traducao portuguesa.1

1 TraducSo do texto francés publicado em La Documentaron Catholique


n92013. 07/10/1990, pp. 871s.

68
CATÓLICO E MACOM? 21

1. A Declaracao

"1. Em nossa regiao, assistimos atualmente a tentativas de apresenta-


pio e divulgapao da Francc-Maponaria sob diversas formas. É de notar que as
diferenpas entre as diversas correntes magdnicas nao sao claramente expres-
sas; além do qué, as campanhas de propaganda apresentam a Franco-Mago-
naria como urna dinámica de ¡niciacao ao desenvolvimento do homem e á
harmonizacao da sociedade mediante espiritualidade e auxilio mutuo. Afir-
mam também que nao há ¡ncompatibilidade entre a Franco-Maco naria e as
re I ¡gi oes e que é possível ser mapom e católico sem problemas.

Incompatibilidade

2. Na verdade, há problemas. Há incompatibilidade. Com efeito, a


'perfeipao crista' e a 'perfeipao mapónica' sao diametralmente opostas, tanto
no modo de conceber a perfeipao quanto na escolha dos meios de a realizar.
Existe urna diferenpa fundamental entre a 'iniciacao crista' e a 'iniciacao
mapónica'.

3. A 'iniciapao crista' consiste em consagrar continuamente todo o ser


do cristáo na seqüela de Jesús Cristo mediante o Batismo, a Crisma e a Euca
ristía. O Batismo só se realiza plenamente por ocasiao da morte real, que é
passagem para a ressurreipao pessoal. ressurreipao que terá lugar quando to
dos os mortos ressuscitarem no fim dos tempos. Esta concepcao nao é inven
tada pelos homens. É transmitida e acolhida mediante a Revelapao de Deus
aos homens por Jesús Cristo. Ora a nocao de Revelapao é inaceitável a um
mapom, assim como Ihe é ¡naceitável a idéia de dogmas decorrentes da Reve
lapao de Deus. A Igreja tem o depósito dessa Revelapao e os sacramentos sao
os sacramentos da... Igreja!

4. Isto nao é apenas urna questao teológica. Os fundamentos do ser e


do agir cristáo estao em causa. Na iniciacao mapdnica, os atos rituais funcio-
nam na base daquilo que o macom Ihes atribuí. O homem se dá ao homem.
Na iniciapao crista, é o Cristo vivo que age como tal através do ser humano
que Lhe serve: Oeus vem ao homem para que o homem vá para Deus. Para
os mapons - quaisquer que sejam as suas correntes e mesmo para aquetas
que estao bem dispostas em re laclo á Igreja —. nao pode haver verdade obje
tiva vinda de Deus ao homem.

5. Ora Jesús Cristo é essa revelapao fundamental, que ilumina a nature-


za humana com urna luz particular e a abre ao diálogo real com Deus. É o
corapao da Revelapao crista, que é também o corapao da nossa fé. Se nao
fosse isto, nao haveria senáo um subjetivismo espiritual, que, como opiniáo,

69
22 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

poderá coexistir com outras opinioes. Mas a certeza da fé desaparecería,...


dessa fé que permite ao homem humanizar-se, tornando-se filho de Deus em
Jesús Cristo. Nao se pode fazer do homem um conceito qualquer subjetivo,
pois o homem tem urna natureza que Ihe é dada por Deus. Todo homem,
em seu misterio profundo, é criatura de Deus e tende a voltar para Deus.
Tal é a nossa fé.

A fonte da fraternidade

6. A Igreja Católica nao faz polémica contra a Maconaria nem contra


os macons. Ela apenas déseja preservar a identidade da sua fé para cumprir a
sua missao específica e colaborar para o futuro da humanidade. Ela quer aju-
dar todos os seus membros a permanecer fiéis á fé recebida dos Apostólos.
Ela se recorda constantemente de que a sua razáo de ser está num relaciona-
mentó vivo com Jesús Cristo vivo, Jesús Cristo que se torna o caminho de
iniciacao de todo homem para Deus 'nosso Pai'. Jesús mesmo disse: 'Eu sou
o Caminho, a Verdade e a Vida' (Jo 14,6). Esta revelacao que Ele nos fez de
Deus, nos revela a nos mesmos, mostrando-nos que somos irmaos no seio do
nosso género humano.

7. Como se pode falar corretamente de fraternidade, como nos pode


mos chamar 'irmaos' sem fazer referencia a um mesmo Pai, que é a fonte da
vida? Isto nao implica em cair no infantilismo ou no paternalismo. É, antes,
recusar simplesmente a pretensáo de ser Deus ou de confundir as Trevas e a
Luz. Em Deus, as relacoes humanas permanecem abertas: nunca terminarei
de descobrir o outro, porque nunca poderia compreender Deus. Hoje ainda
Ele faz que todas as coisas existam no sopro do seu Espirito por Jesús res-
suscitado, sua Palavra de vida. A fé da Igreja nao é urna crenca vagamente
deísta num Ser Superior, ao qual se daría um nome qualquer. O único Deus
Criador de todos os universos, nos o chamamos Pai, Filho e Espirito Santo,
um so Deus em tres Pessoas.

Juízo da Igreja e Interesse Pastoral

8. Compreende-se entelo por que, em conseqüéncia da publicacao do


Código de Direito Canónico em 1983, a Congregacao para a Doutrina da
Fé declarou:

'O jufzo negativo da Igreja sobre as associacoes masónicas permanece


inalterado, porque os princfpios da Maconaria sempre foram considerados
como incompatíveií com a doutrina da Igreja; por isto o inscrever-se nessas
associacoes continua sendo proibido pela Igreja. Os fiáis que pertencem ás
associacoes maconicas, ertao em pecado grave e nao podem ter acesso á
Santa Comunhao'.

70
CATÓLICO E MA.COM? 23

9. Exprimimos a nossa preocupacao pastoral a respe i to dos católicos


que, com toda a boa fé, pensam que é possível ser simultáneamente católi
co e macom. Segundo a lógica da fé, isto nao é viável. A principio, as duas
¡niciagoes parecem compatíveis. Mas vem um momento em que o compro-
mi sso com Cristo passa para um segundo plano por causa do caminhar e da
solidariedade macdnica. que. para o macom, sao de primeira importancia.
Ademáis o segredo mac&nico nao é apenas um segredo.de iniciacáo: é tam-
bém urna maneira de garantir solidariedade e pertenca a um grupo em que
os compromissos vao sendo tomados de maneira progressiva em vista de urna
adesao total até a mor te.

Diálogo e Formacao

10. Convidamos os católicos a viver plenamente os valores de genero-


sidade e fraternidade sem fronteiras com os homens de condicoes sociais,
políticas, filosóficas ou religiosas diversas. Pode existir urna perspectiva de
atividades comuns entre católicos e macons, como também com outros
membros de comunidades filosóficas ou religiosas. Mas, para dialogarmos
e levarmos nossa contribuicáo á construcao da nossa sociedade, é preciso
que sejamos nos mesmos. É indispensável que aprofundemos a nossa identi-
dade religiosa, a fim de fazer valer urna contribuicáo específicamente crista,
tanto no nivel da ref lexao como no da acao.

11. Por isto, exortamos os católicos a aplicar o seu tempo á sua for
macao crista e á busca de alimentar as suas atividades com seiva evangé
lica. Em nossas dioceses, há programas concebidos com este escopo. Po-
dem-se constituir grupos para encontros e partilha sobre os diversos as-
suntos. Nunca esgotaremos a riqueza da afirmacao segundo a qual no corpo
de Cristo habita a plenitude da Divindade. Nele tudo recebemos em pie-
nitude (cf. Cl 2,9).

Rodrigues, aos 2 de maio de 1990

Os Bispos da Conferencia Episcopal do Océano Indico (CEDOI)

Cardeal Jean Margeot, Bispo de Port-Louis, lina Mauricio

Mons. Gilbert Aubry, Bispo de Saint-Denis, llha da Reuniao,


Presidente da CEDOI

Mons. Félix Paúl, Bispo de Porto Victoria, Seychelles

P. Jean Peault, Administrador Apostólico, Comores".

2. Reflexao

Os Bispos da CEDOI mostram mais urna vez a incompatibilidade exis-

71
24 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

tente entre Maconaria e Catolicismo, chamando a atencao para os seguintes


pontos:

1) A fé crista ensina que Deus se revelou aos homens. Por conseguinte,


a fonte de conhecimentos sapienciais e religiosos que o homem tem, nao é
simplesmente a razao humana, mas é a Palavra de Deus transcendente; o
homem compartilha o modo de ver o universo e a historia (a cosmovisao)
que Deus possui. - Ora a Maconaria é deísta, ou seja, pretende conhecer
Deus através da razao apenas.

2) Conseqüentemente a Maconaria Regular chama Deus "O Grande


Arquiteto do Universo", ou seja, o Autor da Ordem do Universo, mas
nao atinge Deus no ámago da sua vida, que é a de Pai, Filho e Espirito
Santo (um só Deus em tres Pessoas). Existe também um ramo da Maconaria
dito "Irregular", que nega Deus e os valores religiosos, chegando a com-
bater a estes; é obvio que tal corrente é francamente incompatível com a
Igreja; é responsável por perseguicoes á Igreja Católica na América Latina do
sáculo XIX.

3) Quando Deus se revelou, revelou também o homem ao homem. Es


te nao é um mero ser biológico, jogado no universo e dependente das leis
da Física e da Química, mas é um ser que, por sua espiritualidade, traz a
dignidade de imagem e semelhanca de Deus. Por Ísto nao se pode compreen-
der plenamente o homem senao á luz da fé e da Revelacao.

4) O segredo mac&nico vincula o individuo de maneira rigorosa até


a morte. A pessoa perde assim a sua liberdade, e a perde por motivos mera
mente humanos, e nao propriamente para servir a Deus. Ora isto é aberran
te. Além do qué, o segredo macón ico é urna maneira de criar solidariedade
do individuo com a sua Loja,... solidariedade em terreno conhecido e des-
conhecido - o que sujeita o macom a surpresas talvez ajustadoras e de
cepcionantes.

5) Apesar das diferencas radicáis existentes entre Catolicismo e Ma


conaria, a Igreja julga que pode haver relacoes de amizade e fraternidade
entre católicos e macons, desde que se preservem sempre a identidade e a
integridade da fé e da Moral católicas.

A Declaracao dos Bispos da CEDOI é oportuna também no contexto


do Brasil. Em nosso país varios fiéis católicos sSo convidados a ingressar na
Maconaria e se sentem inseguros quanto á resposta que hao de dar. Na ver-
dade, nao pode haver dúvida sobre qual deva ser a posicao do fiel católico
no caso.

72
Surto religioso atual:

As Revelagóes Particulares em
Nossos Días

Em síntese: O Grupo "Pastorale et Sectas" filiado ao Episcopado


Francés pubücou um estudo sobre as revelacdes particulares apregoadas em
nossos días tanto dentro como fora da Igreja Católica. Esse documento, após
enunciar as modalidades de tais visoes e revelacdes, propoe criterios para dis
cernir a autenticidade das mesmas: 1) criterios subjetivos (saúde psíquica do
vidente, honestídade moral e, no caso de vidente católico, fídelidadeao ma
gisterio da Igreja); 2) criterios objetivos (mensagem consentSnea com a dou-
trina católica, mensagem sobria ou isenta de pormenores fantasiosos).

A respeito de Medjugorje em particular, a Igreja aínda nio sepronun-


ciou oficialmente: as opiniSes diferem entre si, enquanto urna Comissao de
teólogos nomeada pelos Bispos estuda o caso. Na verdade, os frutos espiri-
tuais colhidos palos devotos em Medjugorje sSo muito positivos, mas nao se
pode dizer que as mensagens respectivas sejam de importSncia indispensável
á fé católica, como nota o Cardeal Joseph Ratzinger.

* * *

Os novos Movimentos religiosos tém chamado continuamente a aten-


pao do público pelo seu caráter proselitista, apoiado, as vezes, em "revela-
cóes" e "milagres". O Brasil tem grande experiencia de tais fenómenos...

Existe na Franca um Grupo designado pelo Episcopado Francés para


estudar sistemáticamente as expressoes e as causas de tais correntes religio
sas. 0 Grupo ("Pastorale et Sectes") realizou seu primeiro encontró em
28/05/1990 na Secretaria Geral do Episcopado em Paris, estando presentes
os PP. Jean Vernette, Pierre Le Cabellec, Norbert Gauderon, Yvon Le Minee,
Damien Sicard, Claude Cesbron et a Sra. Yvonne Vitré. O Grupo elaborou
e publicou um re la torio sobre as Revelacoes particulares, ocurrentes tanto
dentro como fora do Catolicismo. Visto que o texto pode ser útil ao público
brasileiro, vai, a seguir, traduzido para o portugués a partir do Boletim
SNOP (órgao do Episcopado Francés) datado de 22/06/1990.

73
26 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

1. O TEXTO

"As revelacoes particulares mobilizam da novo a atenpao

Para comecar, falaremos indiferenciadamente de todas as revelacóes


atualmente ocorrentes dentro e fora da Igreja, reconhecidas oficialmente por
alguma instancia ou nao. Sao urna das formas de expressáo mais típicas da
nova religiosidade. Interessam ao público por diversos motivos: mensagens
tidas como provenientes do Alto; manifestacoes de contato com habitantes
do Além; descricao estupenda de fenómenos maravilhosos; levitacao; moví-
mentacao do sol; odores suaves; suor de óleo; insistencia dos mensageiros
sobre os perigos ¡minentes que o mundo corre se nao se converter; atracao
espiritual e aliciamento coletivo, em conseqüéncia dos quais há peregrina-
coes de devotos aos lugares ditos das aparicóes; fatos portentosos, em espe
cial curas, tidos como sinais que autenticam a revelacao; surto de grupos
religiosos férvidos em torno do personagem ou do lugar 'agraciado".

Ligadas a esses sinais portentosos, há manifestacoes populares de fé


ou de credulidade, de religiao ou de religiosidade. Com efeito; encontram-se
as mais diversas atitudes religiosas suscitadas pela crenca no portentoso.

Para permanecer apenas no quadro da Franca e dos países vizinhos e


da época atual, podem-se apontar os seguintes fenómenos maravilhosos:

Aparicóes da Virgem SS., devidamente reconhecidas pela Igreja;

Aparicóes de Jesús Cristo acompanhadas de revelacoes feitas, por


exemplo, a Michel Potay, o profeta da 'Revelacao de Ares' (atualmente em
grande voga);

Locucoes interiores, levando as mamáes a redigir, por escrita automá


tica, numerosas mensagens provenientes de seus filhos falecidos;

Contatos com individuos extra-terrestres ñas religioes dependentes de


OVNIs,1 tais como ocorrem com os grupos Appert e os Raelianos;

Relacionamento com entidades do Além por meio de cañáis próprios,


como os descreve a atriz Shirley Mac Laine em seu livro best-seller, publica
do em milhoes de exemplares;

Visoes de cenas do Evangelho relatadas em numerosas narracóes por


María Va I torta;

1 OVNIs = Objetos Voadores NSo Identificados.

74
REVELACÓES PARTICULARES 27

'Leitura no Astral' de episodios da Vida de Cristo em diversos grupos


esotéricos ;

Revelacoes nao reconhecidas, mas ligadas a lugares a os quais se diri-


gem peregrinajes constantes, como San Oamiano, Garabandal, Kerizineo,
Espis, Dozulé;

Grupos de New Age (Nova Era), como Vida Universal, oriunda da pro
fetisa Gabriela Witeck;

Comunicagoes com os habitantes do céu, tais como os Diálogos com


o Anjo de Gitta Mallasz, traduzidos para as principáis h'nguas.

Entre os numerosos grupos, organizados ou nao, que se formam em


torno do maravilhoso, alguns dizem derivar-se do catolicismo; seriam, entre
outros, o IVI, de Yvonne Trubert, e El de Joanna. Alguns desses grupos dáo
origem a igrejas paralelas, como Le Fréchou e Palmar de Troya. Hácristaos
que querem ambiguamente pertencer tanto á Igreja Católica quanto á co-
munidade paralela.

Algumas mensagens tém provocado conversoes, como as mensagens de


Marta Robin e de Medjugorje. Outras, porém, desencadeiam violentos ata
ques contra a Igreja, como as de Michel Potay em Ares, ou querem transmi
tir licoes á Igreja, como o Petit Caillou e Bayside.

Somos assim chamados a procurar discernir em cada nova 'revefacao' o


admirável e o ¡naceitável.

A multiplicacao desses casos corresponde a urna necessidade, existente


no público, de portentos e também de luz para guiar os passos dos homens.
Por conseguinte, importa sempre analisar caso por caso (impressos, ativida-
des, mensagem...).

Os elementos característicos das revelacoes particulares

Distinguem-se diversos parámetros ou traeos típicos ñas revelacoes


particulares:

- Os videntes sao de todas as idades, mas freqüentemente citam-se


enancas e mulheres ñas aparicoes em ambientes católicos. Sao discretos ou
tagarelas, simples ou reivindicativos.

- Nos mesmos ambientes, a pessoa que transmite a mensagem é geral-


mente a Virgem SS., ás vezes um anjo (de preferencia, Sao Miguel), ocasio-

75
28 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

nalmente Jesús. Esses traeos sao convencionais ou prendem-se ao contexto


sócio-cultural do vidente.

- Os ritmos e os lugares sao os mais variados. Acompanham-nos sím


bolos extraordinarios: um grande véu azul em Le Fréchou; uma ¡mensa cruz
em Dozulé.

As mensagens tém seus pontos constantes (embora em dosagens dife


rentes): apelo á conversao, pregacóes, pedido de fundacao de um santuario,
um templo, profecías de sabor milenarista,1 ameacas de castigo, pedidos de
práticas rituais precisas.

Por conseguinte, quando alguém com'eca a estudar uma revelapao par


ticular, encontra-se diante de elementos um tanto genéricos: manifestacoes
físicas, luzes e cores; manifestacoes psicológicas (éxtases, visoes, mensa
gens). . . Mas esses elementos sao dispostos em sfnteses bem diferentes urnas
das outras. Há, por exemplo, aparicóes que a Igreja reconhece porque as
tem como humanamente sadias e espiritualmente aceitáveis, além de coeren-
tes com a Grande Tradicao crista. Há também revelacoes duvidosas, se se
leva em conta a saúde psíquica e espiritual dos videntes e as suas incoerén-
cias com os Livros Sagrados.

Criterios de discernimento

As pessoas agraciadas realmente com revelacoes ou vozes sao ge ral-


mente sinceras e convictas. Alegam: Tendo visto o que vi e ouvido o que
ouvi, eu nao posso nao falar'. Elas se sentem investidas de uma missao. Mas
o sentimento subjetivo de certeza nao garante por si a autenticidade de uma
mensagem, assim como a sinceridade nao é o equivalente de verdade. É ne-
cessário que pratiquemos o discernimento dos espfritos. Distingamos, pois,
ulteriores criterios tanto no plano meramente humano e natural como no
plano da fé:

- No plano humano: o equilibrio e o bom senso do individuo, o apa-


gamento do mensageiro diante da mensagem, a estrutura do grupo criado: A
quem toca a autoridade? Como é esta exercida? Qual o funcionamento f¡-
nanceiro? Que margem de liberdade interior é deixada aos membros do
grupo?

- No plano cristáo: quais sao os frutos de tal revelapao particular? A

1 O Milenarismo é a doutrina que professa a vinda de Jesús Cristo para rei


nar visivelmente durante mil anos sobre a térra em bonanza e paz.

76
REVELACOES PARTICULARES 29

mensagem é coerente com a Tradicao crista? Que traz de novo ao mundo e á


Igreja? Qual o aspecto da Revelacao crista mais focalizado pela mensagem
do vidente?

- Que controle a comunidade é capaz de exercer sobre si mesma? Tal


carisma está voltado para servir ao bem comum?

Nesta época de florescimento de mensagens inspiradas, de novas reli-


gioes proselitistas e de fenómenos milagrosos, é importante fornecermos
aos cristaos esses criterios de discernimento".

2. Comentario

1. Vé-se que a multiplicidade de expressoes religiosas de nossos dias


atribuidas a ¡ntervencoes do Além exige, da parte do estudioso, cautela
para discernir, do fantasioso e talvez mórbido, o que possa ser auténti
camente inspirado por Deus. Em vista disto, apontam-se criterios subjetivos
e objetivos:

a) Criterios subjetivos:

- requer-se saúde psíquica da parte dos videntes ou mensageiros. Esta


implica equilibrio mental, capacidade de resistir a sugestionamentos e con-
dicionamentos superf iciais;

— honestidade ou retidao de vida, comportamento irrepreensível;

— fidelidade ou docilidade á Igreja e ao seu Magisterio (no caso de


visoes ocorrentes dentro do Catolicismo).

b) Criterios objetivos:

— a mensagem deve ter um conteúdo ortodoxo, isto é, consentáneo


com as verdades da fé católica;

- a mensagem seja sobria, isto é, isenta de pormenores fantasiosos,


mais aptos a satisfazer a curiosidade do que a edificar a fé. Tal é a diferenca
entre os Evangelhos canónicos e os apócrifos: enquanto aqueles sao geral-
mente sobrios e simples em seu estilo, os apócrifos sao exuberantes e dados
ao fantástico.

2. A respeito de Medjugorje em particular, a Igreja ainda nao se pro-


nunciou definitivamente. Em 1986, o episcopado iugoslavo constituiu urna
segunda Comissao destinada a averiguar os fatos; desde 24 de junhode 1981

77
30 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

cré-se que a Virgem SS. aparece a alguns jovens. O grande número de "apa-
ricoes" e e sua duraclo até 1990/1 sao dados insólitos, que deixam alguns
estudiosos um tanto perplexos. O Bispo de Mostar (Herzegovínia, lugos-
lávia), Mons. Pavao Zanic, é cético em relaca*o ás aparicoes de Medjugorje,
paróquia de sua diocese; ao contrario, Mons. Frane Franic, Arcebispo emé
rito de Split, é-lhes francamente favorável.

Na verdade, sao muito numerosos os frutos produzidos pela noticia


das "aparicoes" em Medjugorje: conversoes, grandes grapas de índole espiri
tual e física tém sido obtidas por multidoes de peregrinos que afluem a
Medjugorje. A ponderacao dos fatos ainda nao permite um jufzo seguro so
bre a autenticidade ou nao dos mesmos.

O Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregacáo para a Ooutrina


da Fé, em entrevista concedida a Vittorio Messori em 1985, pronunciou-se
sobre Medjugorje em termos que até hoje sao válidos:

"Neste terreno, mais do que em qualquer outro, a paciencia é um ele


mento fundamental da nossa Congregado. Nenhuma aparicSo éindispensá-
vel é fé; a RevelacSo chegou á sua plenitude em Jesús Cristo; Ele mesmo é a
Revelacio.- Mas á certo que nio podemos impedir que Deus fa/e ao nosso
tempo através de pessoas simples e valendose de sinais extraordinarios. . .
As aparicdes que a Igreja aprovou oficialmente — Lourdes, antes do mais, e,
posteriormente, Fátirna — ocupam um fugar preciso na historia da fgre/a
do último sáculo. Mostram, entre outras coisas, que a RevelacSo — mesmo
sendo única, plena e, por conseguinte, irreformável — nSo á algo de morto;é
viva a vial. Doutro lado, á margem do caso de Medjugorje, sobre o qual nio
posso exprimir ¡ufzo algum, pois está sujeito a exame na minha Congrega-
ció, um dos sinais dos nossos tempos é que as noticias de 'aparicdes' maña
nas se estSo multiplicando no mundo".

3. Conclusa»

A leitura do relatório do Grupo "Pastorale et Sectes" leva a crer que

1) no mundo atual pode, sem dúvida, haver auténticas manifestacSes

1 A aprovacSo oficial, no caso, quer dizer reconhecimento da legitimidade


do culto a Nossa Senhora em Lourdes, Fátima, com fasta própria no calen
dario litúrgico. Nio significa, porém, que a Igreja professe es aparicdes de
Nossa Senhora como artigo de fá. — De resto, a mensagem de tais revelacdes
coincide com a do Evangelho e sintetízale na fórmula: "Oracio e Peniten
cial" (Nota do Tradutor).

78
REVELACOES PARTICULARES 31

do Senhor Deus, especialmente através de María SS. Esta é a Estrela da


Manha e a Porta do Céu, pela qual Oeus se digna de consolar os homens.
Para averiguar a genuinidade das ditas aparicoes mañanas, apliquenvse os
criterios atrás recenseados.

2) Ao lado dessas possfveis manífestacóes auténticas, há também, e


sem dúvida, muitas ditas "revelacoes" que nao sao a expressáo senao do es
tado de animo ansioso e angustiado de parte da humanidade contemporá
nea; a procura emocional, quase irracional, de urna resposta para a proble
mática contemporánea leva muitos a imaginar seres extra-terrestres (corpó
reos, luminosos, belos, ou meramente espirituais) transmitindo aps homens
mensagens de reconforto, estímulo e oríentacao. O pulular de fenómenos
ditos "sobrenaturais" em nossos dias se reduz, em boa parte, ao mecanismo
da psique humana, que procura num falso Além a garantía e a seguranca que
o aquém (inclemente como é) nao Ihe fornece.

Na verdade, também o cristao senté a ingratídáo dos tempos presentes,


mas na fé (que o leva á oracao, á leítura das Escrituras e aos Sacramentos
dentro da Igreja) encontra paz e forca, cheia de esperanca, para atravessar os
tempos atuaís. A exuberancia do "extraordinario" de nossa época, oriunda
do psiquismo humano desorientado, deveria ceder a um fortalecimento da fé
crista, remedio para tanto desatino contemporáneo. "O justo vive da fé", diz
tres vezes o Apostólo (Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,38), parafraseando o Pro
feta Habacuc (2.4).

* * *

CURSOS POR CORRESPONDENCIA

A Escola "Mater Ecclesiae" oferece um novo Curso por Corresponden


cia, versando sobre "PARÁBOLAS E PÁGINAS DI FICÉIS DO EVANGE-
LHO". Compreende 42 Módulos, que procuran) ler o Evangelho confor
me as normas da exegese atual, desenvolvendo o conteúdo teológico e
ascético-mfstico do texto sagrado. Vem a ser assim um Curso de Espirítua-
lidade Bíblica.

Estao também á dtsposicao se te outros Cursos por Correspondencia:


Sagrada Escritura, Iniciacao Teológica, Teología Moral, Historia da Igreja,
Liturgia, Diálogo Ecuménico, sobre o Ocultismo.

Informacoes e pedidos á Escola "Mater Ecclesiae",


Rúa Benjamín Constant, 23,39 andar. 20241 Rio de Janeiro (RJ) ou
Caixa Postal 1362,20001 Rio de Janeiro (RJ).
Forte: (021) 242-4552.

79
Quando se dá a morte?

Coma Reversível e Irreversível

Em sfntese: A questSo do momento exato em que ocorre a morte de


um ser humano, é discutida até boje, embora sempre tenha preocupado os
dentistas. Distínguem-se diversas modalidades de coma;igualmente se distin-
guem tris degraus do processo de morte: a morte aparente, a morte clínica
e a morte real.

O artigo abaixo apresenta casos de coma mversfvel que chamaram a


atencSo do público recentemente: após meses ou anos de total inconscien
cia e insensibiiidade, há pacientes que recuperaram suas funcóes vitáis, de-
vidamente manifestadas. Tais casos deixam o estudioso multo circunspecto
quando se trata de declarar a morte de alguém. Distinguere hoje entre coma
reversfvel e coma irreversfvel. - Quanto aos síntomas que identificam a
morte real, vio elencados no final deste artigo por amiente médico do Con-
se/ho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

* * *

Até hoje é difícil dizer quando se dá a morte de um ser humano. A


Medicina distingue entre

morte aparente: é o estado de coma, que admite diversos graus... até


o coma profundo;

morte clínica: estado que o médico verifica mediante um atestado de


óbito;

morte real: termo definitivo da vida terrestre de urna pessoa, termo


este que se dá horas após a morte clínica, pois as funcSes vitáis do organis
mo, mesmo imperceptíveis, se vio extinguindo aos poucos. Se a morte é
devida a um choque brusco sofrido por pessoa no pleno gozo de sua vitali-
dade, é mais longo o intervalo entre morte clínica e morte real; nos casos de
enfermidade prolongada, que vai consumindo a vitalídade de um organismo,
tal intervalo é mais breve.

80
COMA REVERSI'VEL E IRREVERSIVEL 33

O estado de coma é reconhecidamente algo que tem desfecho imprevi-


sfvel; pode tanto ceder ao retorno da vida consciente quanto á morte clínica
e á morte real. Ñas páginas subseqüentes, registraremos alguns casos sur-
preendentes ocorridos recentemente na Italia e alhures.

1. Casos imprevisíveis

Em novembro de 1987, Marcello Manunza, com 23 anos de idade, foi


vítima de um acídente automobilfstico. Foi recolhido ao Hospital San Mar-
tino de Genova, onde passou um ano em observacao e tratamento, pois
caira em estado de coma. Quando os médicos verificaram que, apesar de to
das as diligencias, nao obtinham resultado algum, permitiram que o paciente
retornasse para casa, em Cicagna, regiao de Chiavari.

Giuseppina e Pasquale Manunza, os país de Marcello, resolvera m entáo


fazer o máximo possfvel para recuperar seu filho, tirando-o do coma.

Grapas a urna coleta de fundos promovida pela Cruz Vermelha de


Chiavari e pelo Grupo de Maes de Nargagli, o casal Manunza partiu para
Filadélfia nos Estados Unidos e freqüentou um curso na Clínica do Prof.
Glenn Doman, que ministrava técnicas de recuperacao das pesíoas grave-,
mente afetadas em seu cerebro. Havia anos que o Prof. Doman se dedicava
á reabilitacao dos meninos Down, mongolóides; para tanto servia-se de re
cursos de estimulacao visual, auditiva e muscular, que parecíam ter dado
bons resultados em casos semelhantes ao de Marcello.

Giuseppina e Pasquale voltaram a Cicagna cheios de esperanga e entu


siasmo. Marcello foi acomodado numa cama perto de um televisor, num
quarto pequeño. Nao somente os genitores, mas também os cinco irmaos e
um grupo de vinte amigos voluntarios se dispuseram a colaborar na terapia
de estimulacao. Esta ocorria mediante diapositivos coloridos, íogode Iuzes,
sons, música, palavras da máe assiduamenté presente ao filho, fisioterapia,
exercfcios de tracáo e extensao dos membros e... também o escorregamen-
to: Marcello foi posto sobre um plano inclinado, sobre o qual ele deslizava.
Tais exercícios eram repetidos com a cooperacao de familiares e amigos,
dispostos aos sacrificios mais abnegados.

Finalmente, aos 19 de julho de 1990, Marcello comecou a realizar


pequeños movimentos e parecia querer dizer alguma coisa. Afirmou entao
sua máe: "Marcello dá sinais de acordar do coma, reage, segué os nossos
movimentos com os olhos, ouve as nossas palavras e sobre o plano inclinado
movimentou-se a sos. Estou certa disto". — Tal noticia explodiu. Os jor*
nais e a televisao ¡nteressaram-se pelo caso, propagando a historia "de
um coma superado pela mae" e de "um caso extraordinario de retorno á

81
34 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

vida". Os médicos , porém, convidaram os familiares á prudencia e cautela;


nao deveriam enfatizar demais o significado das reacóes do paciente.

A propósito convém lembrar outros casos, que os meios de comuni-


cacao divulgaram amplamente: o de Leo David, campeao de esqui, que f¡-
cou seis anos em coma depois que levou um tombo durante a disputa da
Copa do Mundo em Lake Placid nos Estados Unidos. Há também o caso de
Karen Quinlan, que ficou entre a vida e a morte durante dez anos. Mais: em
Wisconsin (U.S.A.) um homem permaneceu em coma durante oito anos
após um acídente automobilfstico e voltou a si depois de tomar urna dose de
vaíium; o episodio foi relatado em marco de 1990 pelo médico Dr. André
Kamer, que assistiu ao enfermo. Mencione-se ainda o nome de Claudio B.,
homem de sessenta anos, atingido por trombose cerebral há dois anos; foi
persistentemente acompanhado pela esposa e pelos irrnaos no Setor de
Reanimacao num hospital de Brianza. Um ano após o incidente, comepou
a mover dois dedos de urna mao, abriu os olhos e parecía comecar a conv
preender o que se Ihe dizia.

Estes casos levam os observadores a aprofundar a nocao de coma.

2. Dois tipos de coma

Os médicos distinguem dois tipos de coma: o reversível e o irrever-


sfvel.

O coma irrevenfvel implica a cessacáo das funcoes do tronco encefáli


co e das suas estruturas. Quando isto acontece, o individuo nao é mais recu-
perável. Existem testes clínicos e experimentáis que podem dizer com certe
za se de fato ocorreu essa morte encefálica.

O coma reversível é também dito coma vegetativo ou vígil: em tal caso


mantfim-se as funcoes vitáis vegetativas, que nao dependem da vontade do
individuo: respiracao. batidas cardíacas, funcoes gástricas e intestinais; ape
nas desaparecem as funcoes conscientes e o relacionamento com o ambiente
exterior; o paciente nao ouve nem fala. Pode acontecer, porém, que em tais
condicdés ocorra algo que faca o paciente voltar á consciéncia. O caso de
Marcello Manunza foi de coma vegetativo ou reversfvel; as técnicas aplicadas
pela equipe do Prof. Doman despertaram funcoes adormecidas. Isto, porém,
só foi possível porque as lesSes cerebrais nao eram tais que comprometessem
irremediavelmente as estruturas profundas do cerebro, estruturas que garan-
tem as operacSes vitáis básicas: a cardíaca e a respiratoria.

82
COMA REVERSfVEL E IRREVERSÍVEL 35

3. Transplante...: quando?

Estas consideracoes tém incidencia sobre a legitimidade dos transplan


tes (especialmente do coraclo): para que estes possam efetuar-se sem lesar
as normas da Ética, requer-se que o doador esteja morto. Nao basta dizer:
". . . esteja em coma irreversfvel", pois nao é lícito extinguir o resto de vida
existente em alguém.mesmoque nao tenha esperanza de recuperacao. A tu al-
mente os criterios de morte real sao estudados pelos cientistas com muito
afinco, pois o assunto interessa decisivamente á técnica dos transplantes de
órgaos. Transcrevemos a seguir palavras do Conselheiro Dr. Gilson Maurity
Santos, do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
em palestra proferida no Forum Nacional sobre Ética Médica (Academia
Nacional de Medicina, aos 19/06/1985):

"A preocupado hoje é a iden tif¡cacao confiável da chamada morte


cerebral. Apesar de divergencias, há algum consenso em relacio ao assunto,
sendo o processo mais acurado para sua detectacSo a tomada de vacado de
eletroencefalograma capaz de informar sobre lesoes celulares, pela ausencia
de atividade ele trica das mesmas. Isto foi aceito explícitamente por quase
todo o mundo. Há documentos exarados pela Associacao de Neurofisiologla
da Holanda, Associacio de Cirurgia de Franca, Sociedade AlemSde Cirurgia,
a World Medical Association e multas outras entidades. Numerosos trabalhos
dio conta dos criterios para o reconhecimento da morte cerebral (Bichellem,
Alessandro, Collins, Symposium Ciba, Harvard Medical School, Comité de
Transplantes de Pittsburgh e outros)... Básicamente exígese para o diagnós
tico de morte cerebral:

01. perda de resposta a todos os estímulos externos e internos;

02. ausencia de movimentos respiratorios espontáneos (tres minutos


de apnéia);

03. f¡acidez muscular generalizada e midríase1 bilateral, paralítica;


04. ausencia de reflexos superficiais a profundos;

05. queda depressio arterial (zero);

06. EÉG isoelétrico;


07. permanencia dos dados supramencionados por duas horas con
secutivas;

08. certificacSo da morte cerebral por mais de um médico.


(continua na p. 63)

1 Midriase ó o aumento do diámetro ou a dilatacSb das pupilas.

83
Obra de grande sucesso:

"Brida"
de Paulo Coelho

Em sfntese: O livro Brida de Paulo Coelho relata as etapas de iniciacao


de urna jovem irlandesa nos segredos da magia. É obra altamente fantasiosa,
a ponto de carecer de nexo lógico e incidir em contradlcoes. O autor se vale
de concepcBes pan teístas, animistas, reencarnacionlstas. . . , dando-lhes por
vezes um rótulo crístSo e bíblico, que pode iludir muitos leitores.

O éxito desta e das outras obras de Pauto Coelho se deve, em grande


parte, ao fato de que toca urna fibra nevrálgica da sodedade contemporánea:
os homens-parecem estar cansados do materialismo e do tecnicismo; nao
véem solucao para graves problemas que afligem o mundo; por isto sSo
propensos a aceitar a proposta de solucdes maravilhosas ou mágicas, mesmo
que venham apresentadas em discurso ilógico e incoerente;o emocional pre
valece nSo raro sobre o racional em nossos días.

O cristSo é consciente dos males que afligem a sociedade, mas nSo se


desliga da razio e da fá. Sabe que existe a Providencia Divina e que esta
jamáis abandona "a obra de suas mSos"; Deus sabe tirar dos males que o
homem comete, bens aínda maiores (S. Agostinho). Por isto o cristiopede
a Deus as gracas necessárías para o mundo de hoja, cíente de que a oracao
associada a urna conduta de vida fiel e santa ó o tesouro maís valioso da que
o mundo precisa.

■k * *

Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Aos 25 anos de


idade, após certo período vivido ñas funcSes de atore diretor de teatro, re-
solveu dedicar-se inteiramente á música e ao jornalismo. Editou em 1972 a
revista 2001, que retratava o estilo de vida e o pensamento da década de
1970, A partir desta data, iniciou os estudos de Magia e Ocultismo, que o
levaram a ¡ngressar em diversas "Ordens Místicas" e participar de Seminarios
no mundo inteiro. Em 1986, depois de percorrer a pé a rota medieval de San-
tiago de Compostella, escreveu O Diario de um Mago; no ano seguinte, lan-
cou o livro O Alquimista, em 1990 Brida. Estas obras tém tido edicoes su-

8'
"BRIDA" 37

cessivas e enorme divulgacao, tornándose um fenómeno da literatura bra-


sileira contemporánea.

Deter-nos-emos sobre o volume BRIDA, que narra o caminho de ¡ni-


ciacao na magia percorrido ficticiamente por urna jovem irlandesa chamada
Brida. Trata-se, como dito, de fícelo, mas ficcao que vem chamando a aten-
cao do grande público, como se estivesse propondo verdades desconhecidas
e extraordinariamente gratificantes.

1. Alguns traeos do livro

A ¡niciacáo da bruxa Brida O' Fern na magia faz-se na escala de outra


bruxa, chamada Wicca, e na de um mago da montanha de Folk.

As etapas desse processo sao acidentadas; implicam visoes, regressao


no tempo, leitura de cartas do Taró, etc. A fantasía se esmera por descrever
cenas de clareira de floresta, de alto de montanha, de penetracáo em cate
dral, em biblioteca de subsolo, ritos de cristal de quartzo, de pequeña ame
tista, nudez. ..

As concepcoes filosóf ico-religiosas subyacentes ao enredo do livro sao


as do panteísmo revestido de alusoes esdrúxulas á Biblia, como se esta pu-
desse coadunar-se com aquele:

"Somos eternos" (p. 87).

"Deus se manifesta em tudo. mas a palavra é um dos seus meios favori


tos de agir" (p. 92).

"Aspalavras eram Deus" (p. 93).

Nao obstante, o autor fala de criacáo (p. 46), conceito que supSe Deus
distinto do mundo e nao identificado com o mundo.

As almas se dividem ou repartem, de modo a explicar o aumento da


populacao mundial. Por isto cada individuo tem urna Outra Parte ou Outras
Partes, que Ihe correspondem e que se derivaram da mesma alma iniciar*. As
almas ou as partes de alma se encarnam em sucessivas encamacSes (pp. 43s).

Há, porém, criaturas que descendem dos anjos (p. 69). "O resto da
humanídade só conseguirá a unilo com Deus se, em algum momento, em
algum instante de sua vida, conseguir comungar com a sua Outra Parte"
(p. 69).

85
38 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

As florestas sao regidas por espfritos, que "gostam de gentilezas ou do


pedido de licenca daqueles que desejam penetrar nos seus bosques" (p. 7).

Afinal de coritas, "tudo no Universo tem vida; procure estar sempre


em contato com esta vida. Ela entende a sua linguagem" (p. 68). - Isto
supóe o animismo ou a animacao das criaturas irracionais por espirites
•superiores.

Todo esse ecleticismo filosófico-religioso é acompanhado de lingua


gem e conceitos da Biblia e do Cristianismo. Assim o Evangelho (Le 15,8$) é
citado em folha de rosto; o salmo 90, á p. 31; o livro do Génesis, ás pp. 45 e
273. A "Noite Escura"" de Sao Joao da Cruz é constantemente citada para
indicar o processo de iniciacáo na Magia (cf. p. 26.63.279). O Anjo da Guar
da aparece ás pp. 30$.

A Magia é definida como "urna ponte. . . , urna ponte que permite a


vocé andar do mundo visível para o ¡nvisfvel. E aprender as licoes de ambos
os mundos" (p. 24). Ora é precisamente o contato com o mundo ¡nvisfvel
e seus segredos ou seus misterios que Brida quer conseguir e que os bruxos
Ihe ensinam. Quem é iniciado na Magia, "pode gozar de poderes extraordi
narios, como o de mudar a direcao do vento, abrir buracos em nuvens, uti
lizando apenas a forca do pensamento. Brida, como todo o mundo, era fas
cinada por prodigios dessa natureza" (p. 28).

Nao falta a referencia ao amor, vocábulo escrito com A maiúsculo,


mas em termos confusos:

"A essénaa da CriacSo 6 urna só... E esta essSncia se chama Amor. O


Amor é a forca que nos reúne de volta, para condensar a experiencia espa-
(hada em muitas vidas, em muitos lugares do mundo" (p. 46).

2. E que dizer?

Proponemos tres pontos de reflexao.

2.1. Ficcao ¡lógica

1. Paulo Coelho é um artista de teatro e conserva esta sua vocacáo


mesmo no exerefeio da sua obra literaria: gosta de escrever poéticamente,
recorrendo copiosamente á ficcao e á imaginacao.

2. Infelizmente, porém, faltam ao autor os principios da lógica e


nocSes fundamentáis de Filosofía, de modo que ele caí freqüentemente em

86
"BRIDA" 39

contradicóes e aberracóes. Pode ser que P. Coelho emenda ossa ¡ncoeréncia


de raciocinio como expressoes poéticas, que nao devem ser levadas a rigor.
O fato, porém, é que o livro, destinado copio é ao grande público, vem a
ser urna escola poderosa de confusao mental e obscurantismo filosófico-re
ligioso.

Veja-se, por exemplo, o seguinte: no tocante á origem dos homens,


está dito ora que sao eternos (como só Deus), ora que sao descendentes
de anjos (criaturas), ora que resultam de reencarnacáo de almas que se par-
tem para explicar o crescimentó demográfico! - Alias, a suposipáo de
que as almas humanas se dividem como células para permitir o aumento
da populacao é ilógica; o espirito nao tem partes e, por isto, nao se pode
repartir.

A teoría de que tudo no universo tem vida é chamada "animismo";


vem a ser urna das formas mais primitivas e ¡mperfeitas de Filosofía Reli
giosa. Prende-se á concepcao de que os bosques, os ríos, as montanhas, os
mares... tém seus espfritos tutores e governadores.

2.2. A Confusao religiosa

A mistura de concepcoes que Paulo Coelho apresenta, se torna mais


grave desde que se considere que ele envolve elevados valores do Cristianis
mo como se fossem condizentes com tais nocoes. Com efeito; é certo que a
Biblia é contraria ao panteísmo, á reencarnacao (cf. Hb 9,27; Jo 1,21), á
iniciacao em segredos reservados a poucos privilegiados, á supersticáo das
cartas ou do Taró.

A "noite escura" de que fala Sao Joao da Cruz, nada tem que ver com
as etapas de inicíacáo mágica. Mas é a fase de desprendimento das coisas
sensfveis e das consolacoes pela qual passa o cristao que vai progredindo na
vida de oracao.

Na verdade, embora P. Coelho pareca querer "combater o Bom Com


bate e manter a fe", como exorta Sao Paulo em 2Tm 4,7 (ver "Réplica"
em O GLOBO), ele nao o faz como cristao; nem pode ser tido pelos leitores
como arauto de urna determinada modalidade do Cristianismo. As concep
coes de suas obras nao sao cristas; deve-se mesmo dizer que nao se filiam a
nenhuma córrante de pensamento, porque implicam contradicóes e incoe-
réncias: o que é afirmado em alguma página do livro, é explícita ou implíci
tamente negado em outra página.

87
40 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

2.3. Magia

A definí pao de Magia como ponte entre o visfvel e o ¡nvisfvel nao é


específica da Magia. Ela se aplica propriamente á Mística (= ascensao do vi-
sível ao ¡nvisfvel). Tal processo de ascensao é altamente cristáo; a mensagem
do Evangelho consiste precisamente em dizer-nos que "Deus se fez visível
aos olhos humanos, para que, a partir da intuicao de Deus encarnado, os ho-
mens se deixassem levar ao amor dos bens invisfveis" (cf. Liturgia do Natal).

Magia, segundo o Dicionário de Aurelio, é "arte ou ciencia oculta com


que se pretende produzir, por meio de certos atos e palavras e por interfe
rencia de espfritos, genios e demonios, efeitos e fenómenos extraordinarios,
contrarios ás leis naturais". - Com outras palavras: Magia é a arte, conhecida
apenas pelos iniciados, de forcar ou dobrar a Divindade mediante a execucao
de rituais ou receitas secretas. Isto difere bem da Mística, que supoe sempre
humildade e devotamento da criatura a Detis, que é Pai providente.

A procura de magia ou de solupoes maravilhosas para os problemas


que a ciencia e a tecnología nao conseguem resolver, está muito em voga nos
nossos dias. A humanidade parece estar cansada do materialismo e decepcio
nada pelo cientificismo; vi-se a bracos com problemas de fome, doencas,
analfabetismo, miseria. . . , que os peritos e técnicos nao conseguem resol
ver. Há exigua confianca nos homens que regem os destinos dos povos (visto
que os problemas sao altamente complexos). Por isto surge espontáneamen
te no psiquismo dos homens contemporáneos a expectativa de solucóes má
gicas ou maravilhosas, descobertas em redutos a inda nao explorados, como
seriam as escolas de Ocultismo e Esoterismo.

É esta sede, muito emocional e pouco racional, que explica o sucesso


dos escritos de Paulo Coelho. O autor toca em ponto nevrálgico da socieda-
de contemporánea, pois apresenta o modelo de alguém que, com éxito, pro
cura os poderes de "mudar a direcao do vento, abrir buracos em nuvens, uti
lizando apenas a forca do pensamento. Brida, como todo o mundo, era fas
cinada por prodigios dessa natureza" (p. 28). Estas palavras do autor sao de
grande importancia para se entender a repercussao de sua obra: "Todo o
mundo" gostaria de mudar as realidades adversas pela simples forca do seu
pensamento! A proximidade do ano 2000 contribuí para agucar a expectati
va de urna ¡rrupcao do Divino e de um outro mundo no mundo presente.

É preciso, porém, que o raciocinio exerca urna crítica serena e sadia


sobre tal proposta de Paulo Coelho. A inteligencia deve preponderar sobre as
emocSes, penetrando-as, de modo que nao se tornem ilógicas ou infantis. -
O cristao, de modo especial, é interpelado pelo livro de Paulo Coelho: ele
reconhece a inclemencia dos tempos atuais, mas eré e confia na Providencia

88
"BRIDA" 41

Divina; sabe que o Senhor nao abandona as criaturas que Ele fez com tanto
carinho. As desgranas que atualmente afligem a humanidade, estáo engloba
das num plano sabio e santo de Deus. Este tira dos próprios males que os
homens cometem, bens ainda maiores, como diz S. Agostinho. Por conse-
guinte, é na fé e na fidelidade a Deus que o ser humano encontra reconforto
e esperanca neste momento.

Nao há segredos reservados a poucos privilegiados. Nao há receitas de


efeitos maravilhosos, detidas por chefes de grupos iniciáticos. Afirma o Se
nhor Jesús:

"Nada há de encoberto que nSo venha a ser descoberto, nem de oculto


que nSo venha a ser revelado. O que vos digo ás escuras, dizei-o á.luz do día;
o que vos edito aos ouvidos, proelamai-o sobre os telhados" (Mt 10,26b-27).

Os anjos existem, sim, mas nao há como os forcar a exercer acao bené
fica ou maléfica sobre os homens mediante procedimentos mágicos.

A Magia, portanto, corresponde a um sonho inspirado pela hybris


(arrogancia) do homem, que, no seu íntimo, gostaria de ser como Deus
(cf. Gn3,4s)!

SIMPOSIO INTERNACIONAL

A NOVA EMBRIOLOGÍA A LUZ DA FÉ E DA RAZAO

Data: 14 (quinta-feira) a 16 (sábado) de marco de 1991

Local: Rúa Benjamín Constant 23,29 andar. Rio de Janeiro (RJ)

Conferencistas e debatedores de Universidades estrangeiras e


nacionais

Promocao e organizacao a cargo da Arquidiocese do Rio de Ja


neiro em colaboracab com o CONJUN
TO DE PESQUISA FILOSÓFICA
(CONPEFIL) E A ASSOCIACAO CA
TÓLICA INTERAMERICANA DE FI
LOSOFÍA (ACIF)

Informacoes: sejam solicitadas a Secretaria do Simposio: Rúa


Benjamin Constant, 23,20241 Rio de Janeiro-RJ
(fone: 021 -242-9507)

89
Uma Carta Clandestina:

"Eu Vos Escrevo do Inferno da


Albania"

Em sfntese: Um Jovem estudanta da Albania (capital Tirana^ escreveu


uma carta clandestina a um periódico da Italia. Narra as bárbaras faganhas
cometidas pelo Governo comunista em represalia á populacSo, que no pri-
melro semestre de 1990 procurou democratizacSó e abordado:varios renta-
ram atravessar as frontairas ás ocultas e outros (5.000) foram pedir asilo ñas
Embaixadas dos países ocidentais. O Governo massacrou muitos ¡ovens. Para
evitar que ficassem vestigios de seus cadáveres, mandou dinamitar o estóma
go dos mesmos'. - Os intelectuais, que tentaram um diálogo de conci/iagao
com o Governo, foram autoritath/amente repelidos.

O autor da carta pede sos leitores ocidentais queiram solidarizarse


com os trffs milhdes de albaneses subtUetídos ao mais duro de todos os regi
mos comunistas.

* * *

A democratizacao do mais severo e ateu dos regí mes comunistas, que é


o da Albania, ainda nao ocorreu. Ao contrario, por ocasiao de manifestacóes
democráticas no Leste Europeu, o povo alban6s procurou também recon
quistar sua liberdade. Em vao, porém. No mes de julho de 1990. cinco mil
pessoas procuraram asilo ñas Embaixadas de países ocidentais situadas em
Tirana, capital do país. Em conseqüéncia, o Governo de Ramiz Alia desen-
cadeou a mais violenta repressao aos cidadaos que manifestavam desconten
tamente Isto criou um clima de terror mortal na Albania.

Ora um jovem, dito Dashir R. (pseudónimo?), conseguiu enviar clan


destinamente uma carta a um periódico da Italia, relatando algo da difícil
situacao do povo albanés subjugado e pedindo a solidariedade dos demais
povos. Dashir R. é estudante, filho de familia muito chegada ao regí me de
Tirana; já foi preso duas vezes por causa de suas atitudes destemidas; além
de ter assistido aos fatos de julho 1990 (fuga de 5.000 pessoas para as Em
baixadas e violenta réplica govemamental), conhece episodios que nao che-
garam aos ouvidos da opiniáo pública ocidental.

90
CARTA DA ALBANIA 43

A sua carta clandestina é um depoimento de ¡menso valor e um brado


de socorro aos irmfos que gozam de alguma liberdade para ajudar o povo
albanés. Publicamos o texto a seguir, em traducao portuguesa feita a partir
do publicado em Famiglia Cristiana, de 10/10/1990, pp. 70-72.

A CARTA

"Agradeco ao vosso jornal ter aceito o testemunho da terrfvel situacao


na qual hoje eu e todos os albaneses nos encontramos. Já nao nos é possfvel
viver sob o punho do horrendo sistema que, em quase meio-século, já des-
truiu com forca paranoica tanto o ser humano quanto a sua própria identi-
dade de individuo. Peco desculpas porque me dou conta de quanto esta car
ta pode perturbar a vida cotidiana de um cidadao da comunidade-européia;
com efeito, aquí vai o depoimento de urna tragedia que já nao tem sentido
nem mesmo no contexto do monstruoso comunismo do Leste Europeu. O
meu desespero é o de um homem que, enquanto se afoga, tenta agarrar-se a
um fio de erva na ilusao de ter encontrado um salva-vida.

Como quer que seja, na felicidade ou na desgraca, enquanto perdura a


vida, existe a esperanca. Possam estas linhas servir ao menos para alimentar a
nossa esperanca!

Nestes últimos tempos, o regime satánico que Oeus escolheu para


governar a Albania,1 está fazendo abertamente aquilo que durante qua-
renta anos ele realizou ás ocultas, isto é, vai matando gente inocente sem
se preocupar com a extinpao dos sinais desses crimes.

Antes da grande fuga para as Embaixadas Ocidentais em julho pp.,


quando 5.000 pessoas procuraram asilo, ao menos uns cinqüenta jovens
de Tirana (talvez mais, certamente nao menos), tendo entre 17 e 25 anos
de idade, foram morios ao longo das fronteiras, de maneira tal que só pode
honrar o mais obscurantista dos re gimes comunistas.

Após ter aprovado urna lei que reduzia as penas infligidas a quem ten
ta ilegalmente atravessar as fronteiras, o próprio Governo, violando essa
mesma lei, mandou encher de chumbo (de balas) os corpos desses infelizes
rapazes, alguns dos quais foram mortos depois de ter sido presos. A seguir.

1 Deus nSo quer (ou nSo escolhei o mal, mos Efe permite que os homens
escolham o que a sua liberdade de arbitrio prefere. Deus acompanha tais
desmandos com a sua Providencia. A última palavra da historia dos homens
será a Palavra de Deus e daqueles que Lhe forem fiéis até o fim. (Nota do
Tradutor).

91
44 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

carros desconhecidos descarregaram os seus cadáveres ante as portas das


respectivas residencias, aos pés dos genitores; muitos cadáveres estavam
atravessados por arames para se manterem inteiros, já que haviam sido hor
rendamente esquartejados.

Nenhum processo, nenhuma explicacao oficial se fez ouvir. Mas hou-


ve, sim, mil pessoas presentes aos funerais de um jovem assassinado pelo
Exército Popular. Em recompensa de urna facanha desse tipo, cada soldado
desse Exército poderoso e cheio de iniciativas recebia a licenca de passar dez
dias em casa com sua familia, levando no bolso 10.000 lek. Em Scutari, por
ocasiao dos funerais de um desses rapazes, cerca de 400 jovens tomaram so
bre os ombros o caixáo do amigo assassinado e durante todo o percurso em
direcáo ao cemitério gritaram slogans contra o Govemo, contra a viúva de
Hoxha e, pela primeira vez, contra Ramiz Alia, presidente da República e
Secretário-Geral do Partido Albanés do Trabalho.

A Polfcia acompanhou o longo desfile sem intervir, mas, com urna


cámara oculta á distancia, filmou muitos semblantes. . . Estes na mesma
noite foram exterminados aos socos ñas dependencias do Departamento de
Assuntos do Interior. A maior parte dos que entao foram presos, recupera-
ram a liberdade em tres dias nao para voltar á casa, mas para ir para o hos
pital. No hospital morreu um rapaz ao qual quebraram urna vértebra durante
a tortura que Ihe infligiu, com muito afinco, o Vice-Ministro do Interior,
Zylyftar Ramizi. Todos os outros que a filmagem caracterizou como indivi
duos indesejáveis, ainda estao presos ñas celas do Ministerio.

Pouco depois disto, houve a grande fuga para as Embaixadas, onde


para desgraca nossa, muitos destes fatos bárbaros nao eram conhecidos. Mui-
tas pessoas que tiveram que ser recolhidas num hospital ap6s o tiroteio da-
quela tremenda noite, desapareceram. Diz-se que nao há mais noticias de
400 pessoas e que sobre a "Montanha das Fossas" os camponeses encontra-
ram túmulos coletivos de cidadaos anónimos. Após esta casual descoberta de
túmulos, as fossas comuns nao sao mais utilizadas: para quem deve desapa
recer sem deixar vestigio, aplica-se agora a dinamite no estómago.

Sobreveio o grande terror para os jovens: cábelos cortados enquanto


viajavam pelas estradas, bracos quebrados, olhos arrancados segundo método
especial destinado a 'domesticar' os anticonformistas, meninas dilaceradas
como objetos gastos e, por último, foram arrancadas com violencia as pou-
cas cruzes que pendiam ao pescoco daquela gente em memoria dos dois
meses de democracia.

Depois disso tudo, houve a grande 'manifestacao da unidade entre Par


tido e povo'. Para preparé-la, a Policia limpou as estradas, retirando daí os

92
CARTA DA ALBANIA 45

presumidos desordeiros da rale que teriam ficado soltos. Este gesto teve
como conseqüéncia um duro protesto em Kavaja, durante o qual os soldados
mataram um jovem de 17 anos. O Ministro do Interior foi pessoalmente á
casa dos pais da vítima para convencerlos de que o filho fora assassinado
por alguns anticomunistas que queriam impedir a marcha do progresso da
Albania. 0 pai do jovem, porém, expulsoú de sua casa o Ministro. Dos
funerais do mesmo participaram 30.000 pessoas. Dois dias depois, sempre
em Kavaja, houve outro enterro, o de um Chefe de Polícia, assassinado, ao
qual compareceram vinte pessoas! Tal era o mais eloqüentef testemunho de
unidade entre Partido e povo!

Nos últimos tempos (fato excepcional) comecaram a mover-se os


intelectuais do Cinestudio 'Albania Nova'. No dia seguinte ao da fuga para
as Embaixadas, os cineastas exprimiram, por carta, ao presidente Alia o
desejo de ajudar o processo de democratizacáo do país; punham em dúvída,
porém, entre outras coisas, a eficacia do Politburó e criticavam os comenta
rios oficiáis feitos sobre a fuga para as Embaixadas Ocidentais; ácima de
tudo, os intelectuais se declaravam em desacordó com a intencáo de classifi-
car como bandidos e capangas violentos os 5.000 cidadaos que desesperada
mente procuraram a liberdade.

Há poucos dias, chegou a clamorosa resposta de Alia, lida na assem-


bléia do Cinestudio pelo Secretario ideológico do Comité Central: Foto
Canir. Alia dizia que nao estava, em absoluto, disposto a pensar como os
intelectuais, porque chegara o momento da unidade e porque a realidade
nao era aquela que os cineastas tinham descrito.

Entao os signatarios da carta se levantaram um por um e falaram du


rante quatro horas aproximadamente, formulando perguntas que muitas
vezes deixaram em apuros o enviado de Alia. Eis algumas das interrogacoes
e suas respostas:

— 'Quem matou os fovens ñas fronteiras?'

Resposta: 'NSo sepreocupem com dez bandidosV

'Estás corto de nSo ter esquecido um zero?'

Resposta: 'NSo tem importancia um zero. No mundo inteiro matamse


aqueles que querem atravessar as fronteiras ¡lega/mente1.'

'Aínda nSo compreendestes que perdestes todo líame conosco?

Silencio.

93
46 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

O ponto mais importante da conversa foi aquela pergunta de um jovem


regente de orquestra:

Vos que procuráis o diálogo com a Serbia a respeito do problema do


Kossovo, por que nSo procuráis o diálogo tambóm conosco?

Resposta: 'Nanhum da voces deve sonhar com o pluralismo na Albania.


Conquistamos o poder com sangue e com sangue o defenderemos]'

Detenho-me aquí, sobre as palavras de um homem que nao só nao


derramou urna gota de sangue, mas que ousa também declarar coisas que,
ainda há pouco tempo, seriam tidas como absurdas na boca de um dirigente
do Govemo da Albania.

Eis por que é preciso que alguém encontré os meios de revelar estes
fatos. O que acabo de contar, é apenas urna pequeña parte da angustia que
estamos vivendo. Para os albaneses, haveria a condenacao definitiva se o
Ocidente esquecesse que na Europa Central existem tres milhoes de seres
humanos que nao podem assinar urna carta para dizer a verda de, em virtude
do medo de que toda urna familia seja destruida a fim de defender o último
'caste lo do absurdo' que ficou na Europa. Oashir R."

2. Refletindo...

Realmente a carta é impressionante e sugere atgumas considerares:

1) Talvez os cidadaos ocidentais nao tenham plena consciéncia dos hor


rores que em nossos dias mesmos váo sendo infligidos a populacoes sujeitas
ao comunismo em países da Europa, da Asia e da África. Os próprios
cristaos libaneses tém sido vítimas de agressoes e massacres bárbaros em
nome de ideologías, e nao por comportamento desonesto.

2) Os irmaos perseguidos e angustiados pelos regimes ideológicos se


queixam, nao raro, de que os ocidentais nao osajudam devida mente. Poderiam
lembrar-nos a parábola de Le 16,19-31: Jesús apresenta um ricaco bem
vestido e bem nutrido no primeiro andar de urna casa; á porta desta, jazia
um pobre chamado Lázaro, recoberto de úlceras, que os caes lambiam; que
ría comer das migalhas que caissem da mesa do ricaco, mas nem isto Ihe
acontecia. Observemos que Jesús nfo diz que o pobre pedia esmola ao ricaco
e este, inclemente e duro, nao I ha dava. O Senhor quis apenas chamar a
atencfo para o contraste entre duas situacoes: a da fartura e a da miseria.
A fartura do ricaco era tanta que ele podía ignorar o que se dava á porta de
sua casa; nao precisava de pensar em coisa alguma fora do seu pequeño
mundo, táo aprazível era este. O quadro de vida "gostosa" o embotava e Ihe

94
CARTA DA ALBANIA 47

fechava os olhos para os outros. - Ora diz o Senhor Jesús que ambos morre-
ram e depois da morte, as sortes se inverteram. O ricaco morreu sem fome e
sem sede materiais - o que Ihe tirou a fome e a sede de bens espirituais (tinha
tudo tío "bom" na térra que nao aspirava a outra coisa). Por isto nada tinha
a receber no Além. Ao contrario, o pobre morreu com fome e sede mate
riais, que Ihe agucaram a fome e a sede de bens espirituais; por isto pode
receber a sua resposta no Além.

Nao seja a imagem do ricaco fartoe displicente ou despreocupado a ima-


gem dos cristáos do Ocidente! Ao contrario, aproveitem dos bens que o
Senhor Ihes concede para socorrer aos irmábs atribulados que Ihes dirigem
seu apelo.

Somos impelidos a procurar alguns meios de contribuir para amenizar


o clima de terror que afeta tres milhoes de irmíos nossos na Albania. Quem
sabe se, dentre os recursos viáveis, nao está a remessa de cartas de protesto
á representado diplomática da Albania em Brasilia?!

Estévao Bettencourt O.S.B.

* * *

LEMBRA-TE ...

Lembra-Te, Senhor, de que sou Tua criatura.


Lembra-Te de que Tu me fizeste nascer para a vida.
Eu nao existia e Tu me concebeste em Teu Verbo;
Tu me chamaste do nada e Tu me deste poder responder-Te: Existo!
Com a Tua discreta Providencia orientaste o roteiro da minha existencia.
Dispuseste as etapas do meu caminho.
De longe me chamaste para que de perto eu Te responda. .
Assim passei a existir, criatura de Tuas mábs, argila disforme e imagem do
Teu semblante.

Restaura-me á Tua semelhanca. 6 Senhor. sem me perguntar se a esqueci.


Sou frágil em Tuas maos poderosas,
Minha fragilidade 6 o sinal da Tua soberanía.
Mas tuas maos sao suaves, suaves mesmo quando provam.
Tuas míos reconfortam e sustentam, Tuas míos castigan e vivificam.
Eu Ihes entregarei a minha vida. O dom que me deste, eu o confiarei a Ti.
Ali onde nada se perde, eu perderei o meu ser,
Em Ti, 6 Senhor, meu Principio e meu Fim!
Paulo VI

95
48 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 345/1991

Oragáo do Catequista
Mons. PRIMO VIEIRA

Senhor, abencoai os vossos Catequistas!

Sao eles os precursosres de vossa vinda ao coracao dos pe-


queninos, sequiosos de vossa presenca; os arautos de vossa Pala-
vra, reveladora dos misterios de Deus e do vosso amor, que ul-
trapassa a todo conhecimento simplesmente humano.

Como educadores da fé, sao eles que vao plasmando ñas al


mas em flor a vossa imagem adorável.

Sao eles que, á semelhanca de Nossa Senhora, colocam nos


labios dos inocentes as primeiras oracoes, e procuram imprimir
na cera dócil das memorias infantis os rudimentos de vossa Dou-
trina, despertando em seus a lu nos o sentido da verdadeira piedade.

Sao eles que preparam os pequeños cristaos de hoje para as


lutas do amanha, em um mundo conturbado pela violencia, pelo
consumismo, pela dissolucáo dos costurnes, pela droga e pela
negagao dos valores eternos.

_ Infundí, Senhor, no coracao de vossos Catequistas urna fé


robusta, urna auténtica piedade, pois de nada adianta transmití-
rem eles verdades teóricas e frías, se Ihes falta a uncao sobrenatu
ral da palavra e o testemunho cristSo da própria vida.

Encorajai-os sempre ñas horas d¡ficéis e de aparentes fra-


cassos, para que nao desfalecam em meio do caminho como mis-
sionários do vosso Amor crucificado.

Fiéis até o fim, nunca Ihes falte a ajuda de vossa graca para
que, na alegría de servir á vossa Igreja, se conscientizem cada vez
mais de que, "acolhendo a um desses pequeninos da catequese,
é a Vos que acolhem.". — AMéM.

96
AOS NOSSOS ASSINANTES
NAO ATRASE TANTO A RENOVAQAO DE SUA ASSINATURA
COLABORE CONOSCO E A REVISTA LHr CHEGARÁ ÁS MÁOS
REGULARMENTE, E NOSSOS COMPROMISSOS PODERÁO SER
SALDADOS NO DEVIDO TEMPO.

Para 1991 :Cr$ 2.000,00

"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" Ano 1990:


Encadernado em perca I ¡na, 590 págs. com índice
(Número limitado de exemplares) CrS 3.500,00

COLETÁNEA (Tomo I) - publicacao da Escola Teológica da Congrega-


gao Beneditina do Brasil, organizada por D. Emanuel de Almeida e
D. Matias de Medeiros.
Este livro contém 16 estudos sobre os mais diversos ramos do saber
(Historia, Biblia, Teología Dogmática, Teología Ecuménica, Liturgia, Direito
Canónico, Pedagogía e Literatura). Os temas desta obra tém por autores
varios professores de Teología, entre ex-alunos e admiradores, publicados em
homenagem a D. Estévao Bettencourt por ocasiao de seus 70 anos de vida. A
obra apresenta também urna lista completa dos livros e artigos de D. Esté
vao. - 332 págs CrS 2.760,00
MAGISTERIO EPISCOPAL (Escritos Pastorais)
de D. Clemente José Carlos Isnard OSB, Bispo Diocesano de Nova
Friburgo.
Coletánea sobre os mais variados temas vividos durante os seus trínta
anos de vida episcopal.
Volume de 540 págs CrS 3.500,00
SUMA CONTRA OS GENTÍOS (Livros I e II), de Santo Tomás de Aquí-
no, traducao de D. Odilao Moura, OSB, edicáo bilingüe, Formato
30 x 21 - CrS 6.000,00
PARA ENTENDER O ANTIGO TESTAMENTO. D. Estévao Bettencourt,
4?ed. (Ed. Santuario). 286 págs CrS 1.100.00
RIQUEZAS DA MENSAGEM CRISTA
Por D. Cirilo Folch Gomes OSB
Reimpressáo da 2?edícjio (Jan. 1989)
Curso completo de Teología Dogmática, Comentario ao "Credo do
Povo de Deus" de Paulo VI. Especialmente para curso superior em
Seminarios e Faculdades, 690 págs Cr$ 2.650,00
O MISTERIO DO DEUS VIVO, Pe. Albert Patfoort, OP.. traducao e no
tas de D. Cirilo Folch Gomes, OSB. Tratado de "DEUS UNO E TRI
NO", de orientacao tomista e de mdole dídática,
230 págs CrS í.100,00
DIÁLOGO ECUMÉNICO, temas controvertidos. Dom Estévao Bettencourt,
OSB. 3?ed., ampliada e revista, 1989, 340 págs CrS 1.500.00
LITURGIA PARA O POVO DE DEUS. D. Cario Fiore. A Ccnstituicáb
Litúrgica, explicada ao povo. Traducao e notas de D. Hildebrando
P. Martins CrS 850,00
ASAIR BREVEMENTE:

VIVER A FÉ
em um mundo a construir
(Orientagoes Pastorais)

Vol. IX
(1987-1988)

pelo Cardeal D. Eugenio de Araujo Sales

Pronunciamentos semana is pela imprensa, radio e te lev i sao du


rante os anos de 1987 e 1988. Edicao coordenada por D. Karl
Josef ROMER, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro em homenagem
a Dom Eugenio, por ocasiao dos seus 70 anos de idade e 20 como
Pastor da Arquidiocese.

1 volume de 450 págs, enriquecido com um valioso índice


temát ico-analítico elaborado pelas monjas beneditnas do Mostei-
ro de N. Sa. das Grapas de Belo Horizonte.

Manual prático para consulta (em ordem alfabética) sobre


assuntos da atualidade na área pastoral. Orientacao objetiva e
universal segundo a linha do Concilio Vaticano II e os documen
tos mais recentes da Santa Sé.

"Em si imutável, a doutrina crista formula-se de modo


sempre novo, para responder as interrogacoes, aos desafios, aos
fracassos e ás novas esperancas do homem" {Do Prefacio de D.
Romer).

Pedidos a

Edifoes "Lumen Christi" "Marques-Saraiva"


Mosteiro de Sao Bento Gráficos e Editores S/A.
C.P. 2666- (021) 291-7122 1021) 2739498
20001 Rio de Janeiro RJ 20250 R. Santos Rodrigues 240 RJ