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A PAISAGEM DOS CAMPOS GERAIS NO RELATO DE VIAGEM DE AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE: ENTRE A

A PAISAGEM DOS CAMPOS GERAIS NO RELATO DE VIAGEM DE AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE: ENTRE A UTILIDADE E A BELEZA Darcio Rundvalt (UEPG) e-mail: darcio_rundvalt@hotmail.com

Resumo. Pretende-se neste artigo analisar a construção e a representação da paisagem dos Campos Gerais, estado do Paraná, no relato Viagem pela Comarca de Curitiba, do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire. Este relato, resultante da expedição realizada pelo cientista no ano de 1820, mas publicado somente em 1851, é tido como uma das principais fontes da historiografia paranaense. A partir das discussões contemporâneas sobre o conceito de paisagem na Geografia e, principalmente, na História busca-se tomar as referências do viajante francês à paisagem dos Campos Gerais em dimensões problemáticas, que, expressas no seu relato de viagem ganham dimensões, por vezes, contraditórias. Essas contrariedades são tratadas em duas categorias: utilidade e beleza. Tendo em vista que o cientista-viajante, em seu contexto de expansão científica e capitalista, buscava o registro sistemático dos recursos naturais e a possível exploração destes pelas potências europeias, em suas narrativas os momentos de apreciação eram raros ou tratados como secundários e de não interesse ao escritor e ao publico à que se destinava: universidades, museus de história natural, etc.

Palavras -chave: Saint-Hilaire, Relato de viagem, Paisagem dos Campos Gerais.

Introdução

Outrora apenas panorama De campos ermos e florestas (Hino do Estado do Paraná)

Em 1947, com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, o Hino do Estado do Paraná foi restabelecido como um dos símbolos oficiais desse estado, através do Decreto 2457, vigente até os dias de hoje.

Composto em 1903, foi um dos atrativos para as comemorações do cinquentenário de emancipação política do Paraná. Com letra do poeta simbolista Virgílio Nascimento e música do maestro Bento Mossurunga, este, entre outros tantos símbolos regionais, foram por quase duas décadas suprimidos pelos projetos nacionalistas do então presidente Getúlio Vargas, que chegou a situações extremas:

queima de bandeiras estaduais e supressão de todos os símbolos dos estados brasileiros. (BAHLS, 2007)

de todos os símbolos dos estados brasileiros. (BAHLS, 2007) PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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A epígrafe selecionada (primeiro e segundo versos da segunda estrofe) expressa de forma muito sintética

A epígrafe selecionada (primeiro e segundo versos da segunda estrofe) expressa

de forma muito sintética os princípios que norteariam a entrada do novo século e as

políticas de ocupação desse velho-novo território paranaense.

A Curitiba, capital da província, que em 1857 quatro anos depois da emancipação tinha uma população estimada de três mil habitantes, projetaria uma década depois das comemoração do cinquentenário, uma população de aproximadamente 40 a 50 mil habitantes. As ruas poeirentas e lamacentas começavam a ser calçadas. Os flaneurs, personagens típicos dos romances do período, começavam a ocupar os espaços; a exemplo de Paris e Rio de Janeiro, a cidade passava por uma reforma urbana, não tão radical, mas, assim mesmo, impactante. (DENIPOTI, 1999)

O Paraná deveria superar a condição de “panorama”: os campos quase inabitados receberiam intensas levas de imigrantes europeus, as florestas do norte dariam espaço aos cafezais; o Pinheiro se tornou livro (slogan famoso da editora Melhoramentos).

Assim, a epopeia tragicômica do progresso ocidental no século XX assentava suas representações e perspectivas no espaço paranaense: não foi erigida nenhuma Torre Effeil às margens do Iguaçu, a exposição de produtos paranaenses não se compararia em luxo e luminosidade à Exposição Universal de Paris de 1889, mas o princípio que norteou tanto um como outro evento era o mesmo: a afirmação do projeto progressista e do domínio humano sobre os meios naturais.

Certamente que o alicerce desse projeto foi montado a partir da Revolução Industrial europeia: surgimento das indústrias manufatureiras, a invenção da máquina a vapor e uma série de inovações técnicas possibilitaram o aumento da capacidade produtiva de maneira jamais vista. Essa realidade gerou “um fluxo intenso de mudanças, atingindo todos os níveis da experiência social”. (SEVCENKO, 1999, p. 7)

A sensação inédita de uma mudança intensa e acelerada parece ter sido sentida

de forma geral. “De fato, nunca em nenhum período anterior, tantas pessoas foram envolvidos de modo completo e tão rápido num processo dramático de transformação de seus hábitos cotidianos, suas convicções, seus modos de percepção e até seus

reflexos instintivos.” (SEVCENKO, 1999. p. 7-8)

Como bem sintetizou o historiador Eric Hobsbawm:

[A economia capitalista] consolidou suas características de forma mais intensa durante o século XIX à medida que foi estendendo suas operações para regiões cada vez mais remotas do planeta, transformando assim essas áreas de modo profundo. (HOBSBAWN apud SEVCENKO, 1999. p. 8)

de modo profundo. (HOBSBAWN apud SEVCENKO, 1999. p. 8) PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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Os reflexos desse momento, como descritos por Hobsbawm, alteraram de maneira irreversível – ou quase

Os reflexos desse momento, como descritos por Hobsbawm, alteraram de maneira irreversível ou quase irreversível em alguns casos as paisagens mundo afora.

Nesse contexto de “expansão das operações capitalistas” uma figura ganha destaque: o cientista viajante. As expedições exploratórias se multiplicavam por todos os continentes: Alexander von Humboldt, Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius visitantes alemães no Brasil; Piotr Alexeyevich Kropotkin em suas expedições pelo círculo polar ártico na Rússia e na Finlândia; Meriwether Lewis e William Clark na famosa expedição “Lewis e Clark” que cruzou de leste a oeste o atual território dos Estados Unidos da América. Enfim, de modo algum é possível afirmar que expedições audaciosas são exclusivas do século XIX (lembremos as bandeiras e entradas que expandiram o território português na América, a audaciosa incursão de Álvar Núñez Cabeza de Vaca no atual território paranaense, a narrativa mitológica de Odisseu e tantos outros relatos desse gênero); mas a característica principal dos viajantes cientistas modernos era a busca e o registro sistemático dos recursos naturais e a possível exploração desses recursos pelas potências europeias em pleno processo de industrialização.

São conhecidas as mudanças ocorridas nas viagens-científicas desde fins do século XVIII, quando as ciências tendem a se tornar indispensáveis à administração dos Estados europeus, além de contribuírem simbolicamente para sua legitimação. [ ] Os viajantes naturalistas muitas vezes financiados pelo Estado constituem elos úteis na cadeia que liga as colônias e os lugares ditos “exóticos” aos museus e jardins botânicos europeus. A ciência é vista então como um dos principais sinais distintivos dos povos do estado de civilização. (KURY, 2003. p.

1)

As expedições ao Novo Mundo se multiplicaram de forma vertiginosa e, ante a ausência de uma civilização de hábitos morigerados, dos quais esses viajantes europeus certamente se consideravam portadores, seu olhar se volta a uma “paisagem-só- natureza” e a uma representação do habitante local figurado como “eterno-Adão”. Sujeitado aos domínios e intempéries da natureza, este nativo ou estava trabalhando violentamente ou numa inércia completa. (PEREIRA, 1990; SÜSSEKIND, 2008)

Paisagem: um conceito estético, geográfico e histórico

Buscar uma definição para um conceito com frequência nos aparenta um reducionismo ou, no mínimo, um empobrecimento deste. Mas para que seja aplicável é necessário delimitar, dimensionar, historicizar tal conceito. Assim, uma definição de paisagem pode ser encontrada, ou ao menos esclarecida, em sua etimologia.

ser encontrada, ou ao menos esclarecida, em sua etimologia. PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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Sanderville Jr. argumenta que “a palavra portuguesa paisagem deriva de país, que se refere não

Sanderville Jr. argumenta que “a palavra portuguesa paisagem deriva de país, que se refere não apenas ao espaço físico, mas a uma apropriação peculiar do espaço, à construção de um território e de um povo, para então se tornar, talvez, a imagem desse território.” Palavra vinda do francês Paysage, tem sua primeira aparição em dicionário dessa língua atestada no século XVI. Seu uso na língua portuguesa é referido como paizagem no ano de 1656. O sufixo agem, do latim imago, “remete à ideia de forma, semelhança, aspecto, aparência. Há aqui a ideia tanto de imitação (correspondência, similitude) quanto de representação (criação, imaginação).” Ainda segundo o autor, palavras como país, paisagem e imagem remetem “à um forte conteúdo cultural, associando espaço e representação.” (SANDEVILLE JR., 2005, p. 3-4) Paisagem, então, apresenta três elementos fundamentais: espaço, tempo e representação, tudo isso formando uma imagem coerente, ou contendo certa homogeneidade em sua aparência. A paisagem seria, pois, a fisionomia de uma dada espacialidade, reunindo em si elementos morfológicos, biológicos e culturais de forma específica, o que dá a esse espaço uma feição particular, uma singularidade. Podemos conceber a paisagem como um grande quadro, um depósito de temporalidades, em que estão inscritos o tempo da Geomorfologia (das erupções vulcânicas, das rochas, das estratificações, da formação de relevos, etc.); o tempo da Biologia (da adaptação da vida, das formas de vida, etc.); e o tempo da História e da Geografia Humana (da ação humana, das modificações, representações, usos e costumes). A propósito deste último sentido, diz Marc Bloch que “a obra de uma sociedade que remodela, segundo suas necessidades, o solo em que vive é, todos intuem isso, um fato eminentemente ‘histórico’”. (BLOCH, 2001, p. 53). E insiste:

Por trás dos grandes vestígios sensíveis da paisagem [os artefatos ou as máquinas], por trás dos escritos aparentemente mais insípidos e as instituições aparentemente mais desligadas daqueles que as criaram, são os homens que a história quer capturar. Quem não conseguir isso será apenas, no máximo, um serviçal da erudição. Já o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está a sua caça. (BLOCH, 2001, p. 53)

Ora, é possível farejar carne humana também nas paisagens. Para o geógrafo Milton Santos, a paisagem é “o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o homem e a natureza.” (SANTOS apud SANDERVILLE JR, p. 8). Essa concepção histórico- geográfica de paisagem supera, assim, a dualidade clássica entre paisagens naturais e paisagens culturais, dando lugar a uma visão “cuja ênfase recaia nos resultados da ação do homem sobre o meio ambiente.” (SILVA, 1997, p. 204) Em seu Paisagem e Memória, o historiador Simon Schama afirma que “a paisagem é obra da mente. Compõe-se tanto de camadas de lembranças quanto estratos de rochas.” (SCHAMA, 2009, p. 17). E, ainda mais enfaticamente, considera que “a nossa tradição da paisagem é produto de uma cultura comum, trata-se, ademais, de uma tradição construída a partir de um rico depósito de mitos, lembranças e obsessões.” (p. 24)

depósito de mitos, lembranças e obsessões.” (p. 24) PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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Nessa mesma linha de pensamento, Augustin Berque sintetiza, de forma clara, as interações entre a

Nessa mesma linha de pensamento, Augustin Berque sintetiza, de forma clara, as interações entre a subjetividade do observador e os objetos reais que compõem a paisagem, pois, como afirma,

] [

sujeito, mas na interação complexa desses dois termos. Essa relação, que põe em jogo diversas escalas de tempo e espaço, não implica em uma maior valoração da instituição mental da realidade que da constituição material das coisas. E é na complexidade dessa interação que se constitui o estudo da paisagem. 1 (BERQUE, 1994, p. 5)

a paisagem não reside somente no objeto, nem somente no

Para este geógrafo francês, a paisagem não se reduz aos domínios visuais do mundo, nem à subjetividade do observador. Assim como remete a objetos concretos que estão a nossa volta, também é especificada pela subjetividade do observador, é mais do que um simples ponto de vista óptico. É possível afirmar, então, que o estudo da paisagem leva em consideração a complexa interação entre o sujeito que observa (sujeito este vinculado a propósitos, sensibilidades e projetos individuais e/ou coletivos de uma dada sociedade) e os objetos reais que se apresentam (representados, significados e valorizados de formas distintas). Sobre a historicidade do conceito, Sanderville Jr. propõe a hipótese de que “a origem da palavra no francês e no português, situa-se em torno aos séculos 16 e 17, isto é, no período designado habitualmente por Renascença e Barroco, de afirmação dos Estados Nacionais e sua expansão colonial.” (SANDEVILLE JR., p. 4). Assim, a incorporação da palavra no vocabulário latino (paisagem e paysage) e anglo-saxão (Landscap e Landschaft) 2 e a ascensão da representação de paisagem nas artes visuais no mesmo período, 3 são reveladoras de uma nova concepção das relações homem/natureza e das representações do “Novo” e do “Velho Mundo”. A hipótese da relação entre o conceito de paisagem e a descoberta das terras do Novo Mundo ganha ainda mais força se pensarmos na construção de um conceito

le paysage ne réside ni seulement dans l’objet, ni seulement dans le sujet, mais dans l’interaction

complexe de ces deux termes. Ce rapport, qui met en jeu diverses échelles de temps et d’espace,

n’implique pas moins l’institution mentale de la réalité que la constitution matérielle des choses. Et c’est à la complexité même de ce croisement que s’attache l’étude paysagère.” Tradução livre.

landschaft é de

origem alemã, medieval, e se refere a uma associação entre o sítio e seus habitantes, ou seja, morfológica

e cultural. Provavelmente tem origem em land schaffen, que é ‘criar a terra, produzir a terra’. Landschaft originou o landschap holandês, que, por sua vez, originou o landscape em inglês. O termo holandês, apesar de seu significado ser igual ao correlato alemão, se associou às pinturas de paisagens realistas do início do século XVII, relacionando-se então às novas técnicas de representação renascentistas. Já o termo em inglês, originado do holandês, comumente é definido como view of the land ou representation.(NAME, 2010, p. 164)

2 Leo Name, ao tratar da etimologia dessas duas palavras traz a seguinte referência: “[

1

“[

]

]

3 “O registro da paisagem ocorreu primeiro na pintura, sob o olhar mais atento e minucioso de pintores tanto ocidentais como orientais. No século XV, em pinturas de Fra Angelico, de Toscana, Jérôme Bosch, da Holanda, e, ainda antes, nas aquarelas de Dürer, depois nos esboços de Da Vinci, a paisagem daria lugar às figurações simbólicas, alegóricas, ou às paisagens decorativas, apenas servindo de pano de fundo ao tema cultural antropomórfico.” (MAXIMIANO, 2004, p. 85)

tema cultural antropom órfico.” (MAXIMIANO, 2004, p. 85) PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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científico de paisagem em fins do século XVIII e início do XIX, com as expedições

científico de paisagem em fins do século XVIII e início do XIX, com as expedições científicas do geografo alemão Von Humboldt pela América. Esse momento é denominado por Sérgio Buarque de Holanda como um “novo descobrimento do

Brasil”, 4 iniciado em 1808 com a vinda da corte portuguesa ao Brasil, a abertura dos

portos às nações amigas e com a intensificação de expedições científicas pelo território

do império. Segundo Pozzo e Vidal, é possível atribuir o primeiro uso científico do conceito de paisagem ao cientista e viajante Alexander von Humboldt, “cuja a viagem à América Latina, realizada entre 1799 e 1804 constitui, ela mesma, uma espécie de ato fundador da Geografia moderna.” (POZZO; VIDAL, 2010, p. 111-112). A partir deste momento, “o conceito ocupa lugar proeminente na Geografia por herança da estética naturalista e do romantismo, e por representar os aspectos visíveis do espaço geográfico.” (POZZO;

VIDAL, p. 113) É a partir dessa dupla adjetivação de “cientista e viajante” que tomará corpo a publicação científica dos relatos de viagem.

O relato de viagem: ciência e apreciação, utilidade e beleza; a experiência científica do século XIX

Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. (Gonçalves Dias, Canção do Exílio)

Não sem motivos os escritores românticos brasileiros das primeiras décadas do

século XIX buscaram em elementos da natureza sua principal fonte de inspiração. A

quase obsessão por descrições de paisagens, o levantamento de espécimes da fauna e da flora local e o estilo de escrita muitas vezes similar ao de um naturalista evidenciam a

principal referência estilística destes primeiros narradores da prosa de ficção brasileira:

os relatos de viagem. Flora Süssekind, ao analisar a construção dos primeiros romances de ficção na literatura brasileira, datados por ela nas décadas de 1830 e 1840, se pergunta com qual

gênero literário os primeiros narradores dialogam. A autora, então, propõe a tese de que

a principal referência para a construção dos primeiros narradores de ficção na literatura brasileira, datados no movimento romântico, é a figura do viajante, mais especificamente os cientistas que passaram pelo território brasileiro entre fins do século

XVIII e início do XIX, e que deixaram suas impressões em seus copiosos relatos de

4 “Aí está um dos fatores do vivo interesse que, ainda em nossos dias podem suscitar os escritos e quadros de viajantes chegados do velho mundo entre o ano da vinda da corte e pelo menos, o do advento da Independência. De tão visto e sofrido por brasileiros, o país se tornara quase incapaz de excitá-los. Hão de ser homens de outras terras, emboabas de olho azul e língua travada, falando francês, inglês e principalmente alemão, os que vão se incumbir do novo descobrimento do Brasil.” (HOLANDA, 1997, p.

13)

do novo descobrimento do Brasil.” (HOLANDA, 1997, p. 13) PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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viagem. Tal influência foi possível, segundo a autora, pela “rápida e po derosa repercussão nos

viagem. Tal influência foi possível, segundo a autora, pela “rápida e poderosa repercussão nos meios intelectuais brasileiros” que esses relatos tiveram. (SUSSEKIND, p. 75). Outro fator fundamental para essa influência seria também “o fato de o viajante ensinar a ver, organizar para os olhos nativos a própria paisagem e definir maneiras de descrever.” (p. 39) Francisco Moraes Paz tematiza dois sentimentos bastante recorrentes nos relatos de viagem do século XIX: êxtase e desilusão. Esses sentimentos, acima de outros, são “mutuamente compartilhados pela imensa maioria dos viajantes. Êxtase diante da natureza; desilusão diante da sociedade. Entretanto, tais sentimentos, quando transferidos para os relatos, crônicas ou diários de viagem, revelam certas variações sutis.” (PAZ, 1996, p. 277). Essa apreciação da natureza, da paisagem brasileira, que se reflete nos relatos é um dos motivos mais recorrentes na literatura romântica brasileira e da produção histórica do período. Pois é nesse elemento a natureza exuberante e única que se potencializa o que a Europa não é. E se pretende conciliar “a natureza com a história, através de um singular homem americano.” (Idem, p. 247) É claro que a produção de relatos de viagem é parte essencial da História humana, o mundo ocidental escreveu parte de sua História neste gênero literário. “Da Antiguidade ao século XX, de Heródoto a Butor, esta forma narrativa é constante.” (BENACHOUR, 2008, p. 202) Mas é com a experiência das viagens científicas que os relatos de viagem tomaram uma dimensão bastante diferenciada. Como diz Paz, é “a expedição científica de Alexander von Humboldt à América espanhola (1799-1804) que define o moderno modelo de explicação científica” (PAZ, p. 204), um modelo associado à expansão do conhecimento e divulgado, prioritariamente, através dos relatos de viagem. Os relatos que os cientistas produzem a partir desse momento são marcados pela busca de uma escrita imparcial, objetiva, científica; afastando-se de uma aura de mistério e extravagância, busca-se na paisagem um “objeto de estudo a ser cuidadosamente classificado”. Os relatos, a partir de então, não mais serão escritos por “viajantes-aventureiros, mas por naturalistas, zoólogos, paisagistas.” (SÜSSEKIND, p. 45) Outro fator essencial para essa diferenciação que se pretende criar entre “relatos maravilhosos” e relatos imparciais é a associação entre ficção e mentira, “um topos da época [que] parece ter sido uma das molas propulsoras a que se buscasse em outras formas de discurso, tidas como mais confiáveis o que era o caso dos relatos científicos.” (Idem, p. 146) Em essência, essa tentativa de ocultar os elementos “literários” no texto científico se mostrou bastante complexa. Em uma metáfora bastante interessante, Vuillemin comparou esse ocultamento das estratégias literárias a “nós”, como em uma linha de costura, “os quais se ligam e se influenciam mutuamente os diferentes imaginários da natureza.” 5 (VUILLEMIN, 2004, p. 132). Seria possível, então, a partir de uma análise de discurso, desenlear a trama de nós que oculta os artifícios literários no texto científico, encontrando aí então momentos de apreciação, de êxtase, adjetivações e

5 “dans lesquels s’enchaînent e s’inspirent mutuellement les différentes imaginaires de la nature.” Tradução livre

différentes imaginaires de la nature.” Tradução livre PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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experiências subjetivas contidas em um texto que se propõe a ser uma narrativa predominantemente impessoal.

experiências subjetivas contidas em um texto que se propõe a ser uma narrativa predominantemente impessoal. Tanto Paz como Süssekind concordam em dizer que em certos momentos o narrador/cientista deixa entrever na narrativa momentos de apreciação ou de considerações bastante subjetivas. Para Paz, esses momentos não são muito raros, e

apesar de se tratar de um texto científico “vemos que o discurso do viajante aproxima-se mais do texto literário, pois comporta exercícios de reflexão, crítica ou ironia. Isso apesar do viajante estar tomado pelo desejo de produzir um texto, um relato científico.” Muitas vezes o narrador “desce ao detalhe e até deixa-se conduzir pelas sensações, pela subjetividade.” (PAZ, p. 207) Para Süssekind, esses momentos são mais breves, ocasiões de observação um tanto desarmada em que “a captura de espécimes animais e

fosse substituída por certa depuração do olhar que, sem a rede das Ciências

Naturais e da obsessão pela paisagem útil, parece capaz de associar a sensação do tempo à contemplação da natureza.” (SÜSSEKIND, p. 121) Um diálogo possível de ser feito entre esses dois autores é quanto ao reconhecimento dessa face subjetiva do relato de viagem produzido no século XIX, essa “face oculta” como tratada por Vuillemin; em maior ou menor expressão, o foco na subjetividade abre a análise do texto para as dimensões mais sensíveis do relato, nas quais se encontra certamente a descrição e a produção da paisagem.

plantas, [

]

Saint-Hilaire nos Campos Gerais O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire empreendeu sua viagem às províncias de São Paulo e Santa Catarina no ano de 1820, integrando a missão diplomática do Duque de Luxemburgo, cujo objetivo era restabelecer as relações diplomáticas da França com a coroa de Portugal. (CARNEIRO, 1972) Em verdade, seus objetivos iam além de melhorar relações diplomáticas entre as duas metrópoles europeias, tratava-se de ser “útil à pátria e à ciência” (KURY, p. 7), promovendo o conhecimento científico: catalogando plantas e animais; mapeando locais para futuras colônias de imigrantes europeus; enviando amostras de vegetais, animais e minerais ao Museu de Paris; e, por fim, criando em seus relatos um “inventário físico e humano das terras percorridas.” (PAZ, 1987, p. 13) No ano da viagem, a província de São Paulo compreendia o que hoje é o território atual do estado do Paraná e partes de Santa Catarina. A obra Viagem às províncias de São Paulo e Santa Catarina (mais tarde desmembrada e publicada separadamente como Viagem pela comarca de Curitiba) tem seu itinerário iniciado na cidade paulista de Itararé, de onde o viajante segue “o caminho das tropas até Curitiba, descendo para Paranaguá e Guaratuba para alcançar o litoral norte de Santa Catarina”. (CARNEIRO, p. 72) O naturalista visita Jaguariaíva, Castro, Ponta Grossa, Morretes e as várias localidades intermediárias, percorrendo cerca de setecentos quilômetros entre janeiro e abril do referido ano. Ao iniciar seu relato, Saint-Hilaire passa a impressão de ser um viajante atento às mudanças da paisagem. Na verdade, sua definição do que seria a região dos Campos Gerais se estrutura em critérios essencialmente paisagísticos:

se estrutura em critérios essencialmente paisagísticos: PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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Os Campos Gerais, assim chamados devido à sua vasta extensão, não constituem uma comarca nem

Os Campos Gerais, assim chamados devido à sua vasta extensão, não constituem uma comarca nem um distrito; trata-se de um desses territórios que, independentemente das divisões políticas, se distinguem em qualquer região pelo seu aspecto e pela natureza de seus produtos e de seu solo; onde deixam de existir as características que deram à região um nome particular - aí ficam os limites desses territórios. Na margem esquerda do Itararé começam os Campos Gerais, região bem diferente das terras que a precedem do lado nordeste, e ele termina a pouca distância do Registro de Curitiba, onde o solo se torna desigual e às verdejantes pastagens se sucedem sombrias e imponentes matas. (SAINT-HILAIRE, 1995, p. 11-12)

Na sequência, ressalta que

Até onde a vista alcança, descortinam-se extensas pastagens; pequenos capões, onde sobressai a valiosa e imponente Araucaria, surgem aqui e ali nas baixadas, o matiz carregado de sua folhagem contrastando com o verde claro e viçoso do capinzal. De vez em quando apontam rochas à flor da terra nas encostas dos morros, de onde se despeja uma cortina de água que se precipita nos vales; inúmeras éguas e bois pastam pelos campos e dão vida à paisagem; vêem-se poucas casas, mas todas bem cuidadas, com pequenos pomares de macieiras e pessegueiros. O céu ali não é tão luminoso quanto na zona dos trópicos, mas talvez convenha mais à fragilidade da nossa vista. (SAINT-HILAIRE, p.12).

O que está posto, e tem grande destaque na narrativa, é a complexidade do olhar de cientista: que se propõe capaz de compreender (e descrever) “vasta extensão” e “até onde a vista alcança”; e, a partir de dada necessidade, focar-se em uma macieira, pessegueiro ou capim-mimoso. É a partir desse jogo de perspectivas que Saint-Hilaire irá classificar a Araucaria Brasiliensis como “utile et majesteux” 6 , afirmando que esta arvore não apenas enfeita os Campos Gerais, como é também extremamente útil aos seus habitantes”; e que, “ embora seja mais dura, mais compacta e mais pesada do que o pinho da Rússia ou da Noruega, ela poderá ser utilizada vantajosamente no fabrico de mastros e vergas”.

6 A tradução de Cassiana Lacerda Carollo, na qual este trabalho se referencia, coloca os adjetivos como “valiosa e imponente”; porém a adjetivação de “útil e majestosa” (tradução literal a partir de fac-símile da 1ª edição de 1851), parece corresponder melhor às intenções do autor. (SAINT-HILAIRE, 1851, p. 2).

às intenções do autor. (SAINT-HILAIRE, 1851, p. 2). PPGH-UNICENTRO, PPGH-UEPG. Anais do I CONGRESSO

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Outro fator de grande relevância para o relato são as relações que o viajante busca

Outro fator de grande relevância para o relato são as relações que o viajante busca estabelecer entre a paisagem e seus elementos potencialmente úteis (clima, relevo, plantas, animais, etc.) para a Europa e para a adaptação de possíveis colonos europeus à região. Isso aparece claramente em passagens tais como: “suas terras [Campos Gerais] são menos planas, não tendo pois a monotonia das nossas planícies de

Beauce” (p. 12); “o céu ali não é tão luminoso quanto na zona dos trópicos, mas talvez convenha mais à fragilidade da nossa vista.” (p. 12); “como teria sido vantajoso para essa região, por exemplo, se, em vez de ter sido mandada para Cantagalo [Rio de

cujo

aspecto lhes teria lembrado, em certos pontos, a sua terra natal”. (p. 33); “seria

extremamente proveitoso que fossem trazidas da Europa novas sementes” (p. 29).

Estas relações que Saint-Hilaire estabelece entre os Campos Gerais e paisagens europeias, específicas ou de cunho geral, evidenciam duas preocupações. A primeira esclarece, de certa forma, a quem se destina o relato: a sociedade europeia letrada e que tinha intenções em conhecer e fazer uso dos recursos do Novo Mundo. A segunda, como descrita por Paz, evidencia que, principalmente, as províncias meridionais do império, “simbolizam a possibilidade de recriar um modelo de Europa que tende a desaparecer. A Europa rural.” (Paz, 1996, p. 279).

Essa segunda preocupação nos possibilita entender a dimensão mais sensível e menos utilitarista do relato. Adjetivações como “uma das mais belas regiões que já percorri desde que cheguei à América” (p. 12), ou a bastante citada “não foi sem razão que apelidei os Campos Gerais de paraíso terrestre do Brasil” (p. 32), ajudam a desvendar a sensibilidade de um jovem parisiense que aportou no Brasil com 19 anos de idade, percorreu os caminhos dos Campos Gerais com 21, e que publicou seu relato somente 31 anos depois da viagem; relato que, talvez influenciado pela paisagem, que o remete a terra natal, o possibilita dizer:

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu supliquei a essa senhora que não prosseguisse a falar [de minha mãe]. Então, [ ] depois de terminar o meu trabalho sai passear pelo campo, para

O céu estava estrelado, não se ouvia o mais leve

rumor, mergulhei num vago devaneio que não deixou de ter um

Janeiro], a colônia suíça se tivesse estabelecido na parte dos Campos Gerais [

]

espairecer. [

]

certo encanto, e voltei mais calmo para a casa. (p. 89)

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