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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

IGEO CCMN
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

DISCIPLINA DE CARTOGRAFIA
NOTAS DE AULA

Professor: Paulo Márcio L. de Menezes

1 - INTRODUÇÃO
1.1 DEFINIÇÕES E CONCEITO DE CARTOGRAFIA

Etimologicamente Cartografia é uma palavra derivada do grego “graphein”, significando


escrita ou descrita e do latim “charta”, com o significado de papel, mostra, portanto uma estreita
ligação com a apresentação gráfica da informação, através da sua descrição em papel. Foi criada em
1839 pelo historiador português Visconde de Santarém, em carta escrita em Paris e dirigida ao
historiador brasileiro Adolfo Varnhagen. Antes do termo ser divulgado e conseqüentemente
consagrado na literatura mundial, usava-se tradicionalmente como referência, o vocábulo
Cosmografia, que significa astronomia descritiva (OLIVEIRA, 1980).
Uma definição simplista pode ser estabelecida, apresentando-a como a “ciência que trata da
concepção, estudo, produção e utilização de mapas” (ONU, 1949). Outras definições, mais complexas
e mais atualizadas fornecem uma visão mais profunda dos elementos, funções e processos que a
compõem, tais como a estabelecida pela Associação Cartográfica Internacional (ICA), em 1973, que a
apresenta como: “A arte, ciência e tecnologia de construção de mapas, juntamente com seus estudos
como documentação científica e trabalhos de arte. Neste contexto mapa deve ser considerado como
incluindo todos os tipos de mapas, plantas, cartas, seções, modelos tridimensionais e globos,
representando a Terra ou qualquer outro corpo celeste”. A mesma ICA em 1991, apresentou uma
nova definição, nos termos seguintes: “ciência que trata da organização, apresentação, comunicação
e utilização da geoinformação, sob uma forma que pode ser visual, numérica ou tátil, incluindo todos
os processos de elaboração, após a preparação dos dados, bem como o estudo e utilização dos mapas
ou meios de representação em todas as suas formas”.
Esta é uma das definições mais atualizadas, incorporando conceitos que não eram citados
anteriormente, mas nos dias atuais praticamente já estão diretamente associados à Cartografia. Ela
extrapola o conceito da apresentação cartográfica, devido à evolução dos meios de apresentação, para
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todos os demais compatíveis com as modernas estruturas de representação da informação. Apresenta o
termo geoinformação, caracterizando um aspecto relativamente novo para a Cartografia em
concepção, mas não em utilização, pois é uma abordagem diretamente associada à representação e
armazenamento de informações. Trata-se, porém, de associar a Cartografia como uma ciência de
tratamento da informação, mais especificamente de informações gráficas, que estejam vinculadas à
superfície terrestre, sejam elas de natureza física, biológica ou humana. Dessa forma a informação
geográfica sempre será a principal informação contida nos documentos cartográficos.
Fica também evidenciado, de uma maneira geral, que a Cartografia tem por objetivo o estudo
de todas as formas de elaboração, produção e utilização da representação da informação geográfica.
Continua a caracterizar a importância do mapa, como uma das principais formas de representação da
informação geográfica, incluindo outras formas de representação e aspectos de armazenamento da
informação cartográfica, principalmente os definidos por meios computacionais.
A utilização de mapas e cartas é um aspecto bastante desconsiderado pelos usuários da
Cartografia. Uma grande maioria de usuários utiliza mapas e cartas, sem conhecimentos cartográficos
suficientes para obtenção de um rendimento aceitável que o documento poderia oferecer. Geralmente
um guia de utilização é desenvolvido, através de manuais distintos ou legendas específicas e
detalhadas, destinados a usuários que possuem uma formação cartográfica limitada. Ao usuário, no
entanto, cabe uma boa parcela do sucesso de um documento cartográfico, podendo a divulgação e a
utilização de um documento cartográfico ser equiparada a um livro. Um documento escrito sem
leitores, pode perder inteiramente a finalidade de sua existência e da mesma forma isto pode ser
estendido para um mapa, ou seja, um mapa mal lido ou mal interpretado pode induzir a informações
erradas sobre os temas apresentados.

1.2. CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA: UMA RELAÇÃO IMPORTANTE


Face à Geografia, a Cartografia apresenta-se funcionalmente, como uma ferramenta de apoio,
permitindo, por seu intermédio, a espacialização de toda e qualquer tipo de informação geográfica.
Desta forma, para o geógrafo, é imprescindível o conhecimento dos aspectos básicos da cartografia
bem como dos fundamentos de projeto de mapas. O cartógrafo geográfico deve ser distinto de outras
áreas de aplicação da Cartografia, pois a sua representação pode ser considerada ao mesmo tempo
como ferramenta e, ao mesmo tempo, produto do geógrafo (DENT, 1999).
O geógrafo, como cartógrafo, deve perceber a perspectiva espacial do ambiente geobiofísico,
tendo a habilidade de abstraí-lo e simbolizá-lo. Deve conhecer projeções e selecioná-las; ter a
compreensão das relações de áreas e também conhecimentos da importância da escala na
representação final de dados e informações.

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Por outro lado deve ter a capacidade, devido à intimidade com a abstração da realidade e sua
representação, de avaliar e revisar o processo, visando facilitar o entendimento por parte do usuário
final. É fundamental a sua participação no projeto e produção de mapas temáticos, associando também
a representação de outros tipos de informações, tais como sensores remotos.
SAUER (1956) sintetiza claramente a importância da Cartografia para o geógrafo, através da
seguinte citação:
Mostre-me um geógrafo que não necessite deles (mapas) constantemente e os queira ao seu
redor e eu terei minhas dúvidas se ele fez a correta escolha em sua vida. O mapa fala através
da barreira da linguagem. (SAUER, 1956).

1.3 - COMUNICAÇÃO CARTOGRÁFICA


A Cartografia é, em princípio, um meio de comunicação gráfica, exigindo, portanto, como
qualquer outro meio de comunicação (escrita ou oral), um mínimo de conhecimentos por parte
daqueles que a utilizam. A linguagem cartográfica é praticamente universal: um usuário com uma
boa base de conhecimentos será capaz de traduzir satisfatoriamente qualquer documento cartográfico,
seja sob qual forma esteja se apresentando.
Considerando-se a Cartografia como um sistema de comunicação, pode-se verificar que a fonte
de informações é o mundo real, codificado através do simbolismo do mapa, sendo que o vetor
entre a fonte e o mapa é caracterizado pelo padrão gráfico bidimensional estabelecido pelos
símbolos.

SISTEMA CARTOGRÁFICO

Mundo Concepção
Real Cartográfica MAPA USUÁRIO

Fonte Tratamento Apresentação Utilização

Sistema de Comunicação Cartográfica

Figura 1.1 - Sistema de Comunicação Cartográfica


Na realidade, de uma forma simplificada, o sistema de informação está restrito ao mundo real,
ao cartógrafo e ao usuário, gerando três realidades distintas, como se fossem conjuntos separados.
Quanto maior a interseção destas três realidades, mais se aproxima o mapa ideal para a representação
de um espaço geográfico em qualquer dos seus aspectos.

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REALIDADE

Realidade Realidade
do do
Cartógrafo Usuário

MUNDO REAL

Figura 1.2 - Mapa Ideal

O modelo de comunicação cartográfica envolve então, em uma forma simplista, quatro


elementos distintos: o cartógrafo ou o elemento de concepção, o mapa juntamente com o tema e o
usuário. Uma pergunta pode descrever todo este modelo como um todo: “Como eu posso descrever o
que para quem?”. Eu, refere-se ao cartógrafo (elaborador), como ao mapa, o que ao tema e para
quem ao usuário. O modelo pode ser apreciado pela figura 3.

COMUNICAÇÃO CARTOGRÁFICA

Tema do Usuário
Cartógrafo (O que) (Para que?)
MAPA
(Como)

Modelo Simples

Figura 1.3 - Modelo Simples de Comunicação Cartográfica

Por outro lado, podem ser descritos, segundo esses conceitos, os ciclos de comunicação da
informação cartográfica que podem ser alcançados no processo:
- Ciclo ideal da comunicação cartográfica
Leitura e
Interpretação
Mundo Real
Cartógrafo
Codifica

Decodifica

4 Leitura e
Interpretação
Mapa Usuário

Ciclo Ideal da Comunicação Cartográfica


Figura 1.4 - Esquema do ciclo ideal da comunicação cartográfica

Aqui o cartógrafo faz a leitura e interpretação do mundo real, codificando as informações para
o documento de comunicação, o mapa. O usuário por sua vez, sem contato com o mundo real, apenas
com o documento, vai fazer a leitura e interpretação das informações contidas no mapa para que, ao
decodificá-las, possa reconstituir o mundo real. Este tipo de ciclo não é alcançado na maioria das
vezes. Consegue-se uma aproximação através de fotomapas ou ortofotocartas, dependendo ainda do
tipo de informação que se vai veicular.
- Ciclo de Comunicação Cartográfica Real Cartógrafo-Usuário

Mundo Real

Leitura e
Interpretação

Criação
Cartógrafo Visão do Cartógrafo

ica
Decodifica
dif
Co

Leitura e
Interpretação
Mapa Usuário

Ciclo de Comunicação Cartográfica Ideal Cartógrafo-Usuário

Figura 1.5 - Esquema do ciclo real entre cartógrafo e usuário

Este modelo mostra que na leitura e interpretação pelo cartógrafo do mundo real, na realidade
ele criará um modelo segundo a sua visão, só passando a sua codificação para o mapa após a
elaboração dessa visão própria. Segundo o usuário agora, a leitura e interpretação dessa informação
vai permitir, no máximo, que se chegue até a visão do cartógrafo do mundo real. Não se consegue
chegar ao mundo real, porém alcança-se a comunicação, com o sucesso do usuário em decodificar o
mundo real na visão do cartógrafo.
- Ciclo de Comunicação Falho

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Mundo Real

Leitura e
Interpretação

Criação
Cartógrafo Visão do Cartógrafo

ifica
Cod

Leitura e
Interpretação
Mapa Usuário

ca
i fi
od
ec
D

Visão do Usuário

Ciclo Falho de Comunicação Cartográfica Cartógrafo-Usuário

Figura 1.6 - Esquema do ciclo falho de comunicação.

Neste esquema, o usuário não consegue, no processo leitura, interpretação e posterior


decodificação da informação transmitida pelo mapa, chegar à visão do mundo real definida pelo
cartógrafo. É criada uma outra visão, agora definida pelo usuário, segundo a qual ele vê o mundo real.
Neste processo, as distorções de visão tanto podem ser do cartógrafo, que não soube codificar a sua
visão do mundo real no mapa, como também do usuário, em não saber como decodificar essas
informações. De uma ou outra maneira, aqui a comunicação cartográfica não é alcançada.

1.4- HISTÓRICO DA CARTOGRAFIA

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O histórico da Cartografia é tão extenso quanto a própria história da humanidade. Não se sabe
quando o primeiro “cartógrafo” elaborou o primeiro mapa. Não há dúvidas, porém, que este seria uma
representação bastante bruta em argila, areia ou desenhada em uma rocha.

Figura 1.7 a Mapa de Ga-Sur 1.7 b Interpretação do Mapa de Ga-


Sur

Na Antiguidade, um dos mapas mais antigos conhecidos, data de aproximadamente 2500 AC,
mostrando montanhas, corpos d`água e outras feições geográficas da Mesopotâmia, gravadas em
tábuas de argila, como os mapas de Ga-Sur, mostrados na figura 1.7 a e b.
Datam desta época também mapas com a mesma estrutura, do vale do Rio Eufrates e do Rio
Nilo, conforme pode ser apreciado nas figuras 1.8 a e b.

Fig 1.8 a Mapa em papiro do Rio Eufrates e sua interpretação (b)

Aos fenícios são atribuídas as primeiras cartas náuticas, que serviam de apoio à navegação, bem
como as primeiras sondagens e levantamentos do litoral.

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Na Grécia, à época de Aristóteles (384-322 AC), a Terra já era reconhecida como esférica pelas
evidências da diferença da altura de estrelas em diferentes lugares, do fato das embarcações
aparecerem “subindo o horizonte” e até mesmo pela hipótese de ser a esfera a forma geométrica mais
perfeita.
Por volta de 200 AC, o sistema de latitude e longitude e a divisão do círculo em 360° já eram
bem conhecidos e utilizados na representação terrestre.
Estimativas do tamanho da Terra foram realizadas por Eratóstenes (276-195 AC) e repetido por
Posidonius (130-50 AC), através da observação angular do Sol e estrelas.

Polo Norte

5000 st

cal
Trópic Alexandria Verti o
7 12’
o de C
ancer

SOL
o
7 12’
Syene

Equad
o r

Figura 1.9 O processo de Eratóstenes

O processo de Eratóstenes consistiu em medir a diferença da vertical do Sol ao longo do


meridiano que unia Alexandria a Syene (atual Aswan). Sabendo-se que a distância entre as duas
cidades, aproximadamente 5000 estádias (onde 1st = 185m), verificou-se a diferença angular entre a
posição do Sol nas duas cidades, no mesmo horário, equivalia a 7°12’, aproximadamente 1/50 do
círculo completo. Assim tem-se como o valor da circunferência terrestre cerca de 46250 km, um valor
apenas 15% maior do que o real, o que para os métodos da época, é bastante razoável. Eratóstenes, no
entanto, também errou por duas razões: a distância entre as duas cidades não era exatamente de 5000
st, nem as duas cidades estavam situadas no mesmo meridiano. Caso isto tivesse ocorrido, o seu erro
estaria apenas em torno de 2% da medida real!
Pelas referências existentes, os mapas eram documentos de uso corrente para os gregos, como
pode ser verificado pela edição de 26 mapas, trabalhados por Claudius Ptolomeu (90-160 DC), em seu
tratado simplesmente intitulado GEOGRAFIA, reproduzido bem mais tarde.

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Os romanos interessavam-se pela Cartografia apenas com fins práticos: cartas administrativas
de regiões ocupadas e representações de vias de comunicação, como pode ser observado nas tábuas de
PEUTINGER.
Figura 1.10 - Tábua de Peutinger - Arábia

Na Idade Média, como praticamente ocorreu em toda a humanidade, há um retrocesso no


desenvolvimento da Cartografia. Existem poucas referências, e as que existem carecem de qualquer
base científica. São apenas esboços e croquis desprovidos de beleza e funcionalidade. Os de melhor
representação são devido aos árabes. Os europeus são pobres, sem nenhuma base científica.
Com o Renascimento inicia-se também o ciclo das grandes navegações. As descobertas
marítimas dos Escandinavos não acrescentam nenhum material novo ao conhecimento do mundo,
exceto a descoberta da bússola a partir do século XIII.
Ao fim da Idade Média e início da Moderna, surgem os PORTULANOS, cartas com a posição
dos portos de diferentes países, bem como indicação do Norte e Sul (Rosa dos Ventos), voltadas para a
navegação e comércio. As cartas passam a ser artisticamente desenhadas, surgindo a impressão das
primeiras cartas com Gutemberg, em 1472 (Etmologia de Isidoro de Sevilha / 1560 - 1632).
Desenvolve-se neste período um sistema de projeção cartográfica, para aplicações náuticas, até
hoje em uso, devido a Gerhardt Kremer dit Mercator. Deve-se a Abraham Oertel dit Ortelius (1527 -
1598) a edição do primeiro ATLAS em 1570 sob o nome de THEATRUM ORBIS TERRARUM,
compilando-se mapas antigos.
A Idade Moderna trás com a política de expansão territorial e colonial a necessidade de
conhecimentos mais precisos das regiões. Surgem as primeiras triangulações no século XVIII com os
franceses e italianos, estabelecendo-se um modelo matemático geométrico perfeito de representação
terrestre.
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Cassini desenvolve o primeiro mapa da França, com auxílio da astronomia de posição (escala
de 1/86 400), em 1670.
Os processos de cálculo, desenho e reprodução são aprimorados. Nomes como Clairout, Gauss,
Halley, Euler desenvolvem a base matemática e científica da representação terrestre.
Utiliza-se correntemente, a partir desta época, a Topografia, Geodésia e Astronomia de
precisão nos desenvolvimentos de mapas.
Os sistemas transversos de Mercator, aperfeiçoados por Gauss e Krüger são criados e aplicados
no mapeamento da Alemanha.
Os mapas militares passam a ter uma necessidade de precisão crescente, devido aos avanços da
artilharia.
No século XX, muitos fatores ajudam a promover uma aceleração acentuada no
desenvolvimento da Cartografia. Pode-se incluir o aperfeiçoamento da litografia, a invenção da
fotografia, da impressão a cores, o incremento das técnicas estatísticas, o aumento do transporte de
massas.
A invenção do avião foi significante para a Cartografia. A junção da fotografia com o avião
tornou possível o desenvolvimento da fotogrametria, ciência e técnica que permite o rápido
mapeamento de grandes áreas, através de fotografias aéreas, gerando mapas mais precisos de grandes
áreas, a custos menores que o mapeamento tradicional. Desenvolvem-se técnicas de apoio que
incrementam a sua utilização.
Surgem os equipamentos eletrônicos para determinação de distâncias, aumentando a precisão
das observações, assim como a rapidez na sua execução.
O emprego de técnicas de fotocartas, ortofotocartas e ortofotomapas geram documentos
confiáveis e de rápida confecção.
A utilização de outros tipos de plataformas imageadoras para a obtenção da informação
cartográfica, tais como radares (RADAM, SLAR), satélites artificiais imageadores (LANDSAT, TM,
SPOT e IKONOS), satélites RADAR (RADARSAT) vêm modernamente revolucionando as técnicas
de informação cartográfica para o mapeamento, abrindo novos e promissores horizontes, através de
documentos tanto confiáveis como de rápida execução.

1.5 - O CAMPO DE ATUAÇÃO DA CARTOGRAFIA


Pelo histórico apresentado, é fácil ver que a Cartografia é uma atividade bastante antiga, porém
pode-se perfeitamente delimitar aplicações específicas ao longo da sua história. Inicialmente como
apoio às explorações, especialmente os mapas de navegação e aplicação comercial. Poucas eram as
aplicações que fugiam a esses objetivos. Por outro lado eram poucos os que se dedicavam à elaboração
e construção de mapas, isto no decorrer de séculos, praticamente até o século XIX.

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No decorrer do século XIX e início do século XX, conforme o aumento da demanda de mapas
para fins mais específicos, foram criadas instituições que se dedicam exclusivamente à elaboração de
cartas e mapas, tanto com propósitos gerais, como com propósitos definidos.
Hoje em dia a maior parte dos países possuem organizações governamentais dedicadas à
construção de cartas, com as mais diversas finalidades. Existem outras organizações, públicas e
privadas, com finalidades semelhantes, para atuação cartográfica apenas nas suas áreas específicas.
Os avanços técnicos nos processos de construção de cartas, a necessidade crescente de
informação georreferenciada, tanto para a educação, pesquisa, como apoio para tomada de decisões,
a nível governamental ou não, caracteriza o mapa como uma ferramenta importante, tanto para análise
de informações, como para a sua divulgação, em quaisquer áreas que trabalhem com a informação
distribuída sobre a superfície terrestre.
Dividir a Cartografia em áreas de aplicação é tão difícil quanto classificar os tipos de cartas e
mapas. Normalmente usa-se caracterizar duas classes de operações para a Cartografia:
- preparação de mapas gerais, utilizados para referência básica e uso operacional. Esta
categoria inclui mapas topográficos em grande escala, cartas aeronáuticas hidrográficas.
- preparação de mapas usados para referência geral e propósitos educacionais e pesquisa. Esta
categoria inclui os mapas temáticos de pequena escala, Atlas, mapas rodoviários, mapas para uso em
livros, jornais e revistas e mapas de planejamento.
Dentro de cada categoria existe uma considerável especialização, podendo ocorrer nas fases de
levantamento, projeto, desenho e reprodução de um mapa topográfico.
A primeira categoria trabalha inicialmente a partir de dados obtidos por levantamentos de
campo ou hidrográficos, por métodos fotogramétricos ou de sensores remotos.
São fundamentais as considerações sobre a forma da Terra, nível do mar, cotas de elevações,
distâncias precisas e informações locais detalhadas.
Utilizam-se instrumentos eletrônicos e fotogramétricos complexos e o sensoriamento remoto
tem peso importante na elaboração dos mapas.
Este grupo inclui as organizações governamentais de levantamento.
No Brasil são as seguintes:
- Fundação IBGE
- Diretoria de Serviço Geográfico
- Diretoria de Hidrografia e Navegação
- Instituto de Cartografia Aeronáutica
A outra categoria, que inclui a Cartografia Temática, trabalha basicamente com os mapas
elaborados pelo primeiro grupo, porém está mais interessada com os aspectos de comunicação da

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informação geral e a delineação gráfica efetiva dos relacionamentos, generalizações e conceitos
geográficos.
O domínio específico do assunto pode ser extraído da História, Economia, Planejamento
Urbano e Rural, Sociologia, Engenharias e outras tantas áreas das ciências físicas e sociais,
bastando que exista um georeferenciamento, ou seja, uma referência espacial para a representação
do fenômeno.
Órgãos que no Brasil dedicam-se à elaboração de mapas temáticos:
- Fundação IBGE
- DNPM / CPRM - Mapas geológicos
- EMBRAPA - solos, uso de solos, pedologia
- Institutos de Terras - planejamento rural
- Governos Estaduais e Municipais (incipiente)
- DNER - mapas rodoviários

1.6 DEFINIÇÃO DE MAPA


1.6.1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES
O termo mapa é utilizado em diversas áreas do conhecimento humano como um sinônimo de
um modelo do que ele representa. Na realidade deve ser um modelo que permita conhecer a estrutura
do fenômeno que se está representando. Mapear então, pode ser considerado mais do que
simplesmente interpretar apenas o fenômeno, mas sim se ter o próprio conhecimento do fenômeno que
se está representando. A Cartografia vai fornecer um método ou processo que permitirá a
representação de um fenômeno, ou de um espaço geográfico, de tal forma que a sua estrutura espacial
será visualizada, permitindo que se infira conclusões ou experimentos sobre a representação (KRAAK
& ORMELING, 1996).
Os mapas podem ser considerados para a sociedade tão importantes quanto a linguagem escrita.
Caracterizam uma forma eficaz de armazenamento e comunicação de informações que possuem
características espaciais, abordando tanto aspectos naturais (físicos e biológicos), como sociais,
culturais e políticos.

1.6.1.1 Conceito de Mapa


A apresentação visual de um mapa pode variar de uma forma altamente precisa e estruturada,
até algo genérico e impressionista, como um esboço ou croquis.
Devido a esta variedade de representações, não é fácil definir o termo MAPA, muito embora o
seu significado seja claro em todos os contextos.

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Por outro lado, a palavra “mapa” possui algumas características significantes restritivas, seja
qual for a forma que se apresente:
- A representação é dimensionalmente sistemática, uma vez que existe um relacionamento
matemático entre os objetos representados. Este relacionamento, estabelecido entre a
realidade e a representação, é denominado escala.
- Um mapa é uma representação plana, ou seja, esta sobre uma superfície plana. Uma
exceção é a representação em um globo.
- Um mapa pode mostrar apenas uma seleção de fenômenos geográficos, que de alguma
forma foram generalizados, simplificados ou classificados. É diferente de uma fotografia
ou imagem, que exibe tudo que afetou a emulsão do filme ou foi captado pelo sensor.

O conceito de mapa é caracterizado como uma representação plana, dos fenômenos sócio-bio-
físicos, sobre a superfície terrestre, após a aplicação de transformações, a que são submetidas as
informações geográficas (MENEZES, 1996). Por outro lado um mapa pode ser definido também como
uma abstração da realidade geográfica e considerado como uma ferramenta poderosa para a
representação da informação geográfica de forma visual, digital ou tátil (BOARD, 1990).
Para a Geografia é também indiscutível a importância da forma de representação da informação
geográfica, em essência dos mapas e da Cartografia. Através deles o geógrafo pode representar todos
os tipos de informações geográficas, bem como da estrutura, função e relações que ocorram entre elas.
Pela caracterização de sua aplicação em quaisquer campos do conhecimento que permitam vincular a
informação à superfície terrestre. Dentro da divisão da Cartografia, um dos cartógrafos temáticos é o
geógrafo por excelência, tanto por ser a Geografia a ciência mais integrativa dentro do conhecimento
humano, como por ter a necessidade de visualizar os relacionamentos entre conjuntos de informações
que isoladamente não permitem quaisquer conclusões.

1.6.1.2 Definição de Mapa


As definições de mapas, com ligeiras diferenças, englobam um núcleo comum, que uma vez
caracterizado, não deixa nenhuma margem de dúvida sobre seus objetivos e abrangência. Este núcleo
envolve as informações que serão representadas, as transformações à que estarão sujeitas, para que
possam ser representadas por alguns dos possíveis meios gráficos de visualização.
De 1708, por exemplo, tem-se a definição devida a Harris (1708, apud ANDREWS, 1998),
definindo mapa como “uma descrição da Terra, ou uma parte de sua área, projetada sobre uma
superfície plana, descrevendo a forma dos países, rios, situação das cidades, colinas, florestas e
outras feições”.

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Outra definição, de 1736, estabelece que um mapa “é uma figura plana, representando
diversas partes da superfície terrestre, de acordo com as leis da perspectiva ou projeção da superfície
do globo ou parte dele em um plano, descrevendo os diversos países, ilhas, mares, rios, com a
situação das cidades, florestas, montanhas, etc. Mapas universais, são os que exibem toda a superfície
terrestre, ou os dois hemisférios; mapas particulares exibem uma porção definida da superfície
terrestre”, (BAILEY, 1736, apud ANDREWS, 1998)).
Em 1896, a Enciclopédia Concisa Cassel (1896, apud ANDREWS, 1998)), definiu mapa como
“a delineação de uma porção da superfície terrestre sobre papel ou outro material similar, mostrando
os tamanhos proporcionais, formas e posições de lugares”.
Para estabelecer um padrão comparativo entre as definições dos séculos XVIII e XIX, são
apresentadas as definições devido a dois cartógrafos e uma instituição cartográfica americana. A
primeira, estabelecida por Robinson (1995), diz que “mapa é a representação gráfica de conjuntos
geográficos”.
O USGS (United States Geological Survey) define mapa como “a representação da Terra ou
parte dela”, uma definição bastante simplista, mas de conteúdo bastante extenso.
Umas das mais modernas definições é devida à Thrower (1996), dizendo que um mapa “é uma
representação usualmente sobre uma superfície plana, de toda ou uma parte da superfície terrestre,
mostrando um grupo de feições, em termos de suas posições e tamanhos relativos” .
A definição formal de mapa, aceita e difundida pela Sociedade Brasileira de Cartografia,
estabelece como “a representação cartográfica plana dos fenômenos da sociedade e da natureza,
observados em uma área suficientemente extensa para que a curvatura terrestre não seja
desprezada e algum sistema de projeção tenha que ser adotado, para traduzir com fidelidade a
forma e dimensões da área levantada” (SBC, 77).

1.6.1.3 Classificação dos Mapas


Classificar os mapas em categorias distintas é uma tarefa quase impossível devido ao número
ilimitado de combinações de escalas, assuntos e objetivos. Existem tentativas de classificações, que
permitem agrupar mapas segundo algumas de suas características básicas, não existindo porém um
consenso com respeito à essas classificações. Nesse contexto serão apresentadas aqui as classificações
que melhor estão adaptadas para este trabalhos. Algumas destas classificações são conclusões oriundas
de aglutinações e combinações de diversos autores.
Inicialmente a própria divisão da Cartografia já fornece uma divisão formal, pela função
exercida pelos mapas. Encontram-se assim os mapas de referência ou de base e os mapas temáticos,
possuindo as características e funções já descritas na divisão da Cartografia.

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Quanto à escala de representação, os mapas podem ser classificados em: muito pequena,
pequena, média, grande e muito grande. Alguns autores (ROBINSON, 1995; BAKKER, 1965)
dividem apenas em três grandes grupos: pequena, média e grande. ë difícil porém estabelecer o limiar
de cada escala. O conceito de grande, médio e pequeno é bastante subjetivo e esta associação à um
valor numérico de escala é definida para estabelecer uma referência ao tamanho relativo dos objetos
representados. Também é possível classifica-los segundo características globais, regionais e locais,
mas também encontra-se outro conceito bastante subjetivo, gerando polêmicas quando de sua
associação à escalas numéricas (ROBINSON, 1995; MENEZES, 1996; BAKKER, 1965).
Para a primeira classificação citada, vincula-se a seguinte associação de escalas (tabela 3.1):

Tabela 3.1 Classificação dos Mapas segundo Escala de Representação


Escalas Classificação
< 1:5 000 000 muito Globais
pequena
1: 5 000 000 – 1:250 pequena Geográficas
000
1: 250 000 – 1: 50 000 média Topográficas
1: 50 000 – 1: 5 000 grande Cadastrais
> 1: 5000 muito grande Plantas
Define-se ainda como plantas, os mapas caracterizadas por escalas grandes e muito grandes.
São mapas locais e normalmente não exigem métodos geodésicos para sua elaboração, utilizando a
topografia para a sua elaboração, envolvendo apenas transformações de escala. Podem ser definidas
como: “a representação cartográfica plana, dos fenômenos da natureza e da sociedade, observados
em uma área tão pequena que os erros cometidos nessa representação, desprezada a curvatura da
Terra, são negligenciáveis” (SBC, 77).
É comum a referência ao termo carta para referenciar um mapa. Procurando fornecer um
conceito e não uma definição formal, os mapas são caracterizados por representar um todo geográfico,
podendo estar em qualquer escala, seja ela grande, média ou pequena. Por exemplo: mapa de Minas
Gerais na escala 1: 2 500 000; Mapa do Brasil em escala 1:5 000 000, mapa da Ilha do Fundão na
escala 1: 10 000, mapa do Maciço da Tijuca na escala 1: 5 000. A carta por sua vez é caracterizada por
representar um todo geográfico em diversas folhas, pois a escala de representação não permite a sua
representação em uma única folha. Como exemplos, podem ser citadas as escalas de mapeamento
sistemático do Brasil, caracterizando diversas cartas de representação: Carta do Brasil em 1:100 000,
1:250 000, carta do Município do Rio de Janeiro em escala 1: 10 000. O conjunto de todas as folhas
caracteriza a carta, ou seja, a representação do todo geográfico que se deseja mapear.

1.6.1.4 Meios e Mídias de Apresentação de Mapas

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Até o início da década de 80, os mapas em papel eram considerados um dos poucos meios
cartográficos de representação e armazenamento da informação geográfica, além de ser o produto final
de apresentação desta mesma informação. O desenvolvimento tecnológico ampliou a capacidade de
representação e armazenamento da informação, incorporando conceitos de exibição de mapas em telas
gráfica de monitores de vídeo, mapas voláteis, bem como caracterizando os meios magnéticos de
armazenamento da informação, tais como: CD-ROM, discos rígidos, fitas magnéticas, disquetes, etc,
como uma forma numérica de representação.
Os mapas em papel possuem uma característica analógica, sendo uma forma de representação
permanente da informação, definindo um modelo de dados e armazenamento, como também um
modelo de transferência da informação para os usuários (CLARKE, 1995).
Os mapas apresentados em telas gráficas correspondem àqueles que possuem uma capacidade
de visualização temporária da informação, sendo a transferência estabelecida segundo a vontade ou a
necessidade de ser visualizada. A sua visualização também pode se dar através de cópias em papel,
neste caso assumindo a característica de visualização dos mapas em papel. São muitas vezes
denominados como mapas ou cartas eletrônicas.
Sob esse enfoque, os mapas podem ser classificados segundo seus atributos de visibilidade e
tangibilidade, (MOELLERING, 1980; CROMLEY, 1992; KRAAK, 1996):
- Mapas analógicos ou reais, de características permanentes, diretamente visíveis e tangíveis, tais
como os mapas convencionais em papel, as cartas topográficas, atlas, ortofotomapas, mapas
tridimensionais, blocos-diagramas. Existe uma característica da informação ser permanente, não
podendo ser atualizada, a não ser por processos de construção de novo mapa.
- Mapas virtuais do tipo I, diretamente visíveis, porém não tangíveis e voláteis, ou seja, não
permanentes, como a representação em um monitor de vídeo e mapas cognitivos. Neste caso
apenas a visualização não é permanente. A informação porém possui os mesmos problemas de
atualização.
- Mapas virtuais do tipo II, aqueles que não são diretamente visíveis, porém possuem características
analógicas e permanentes como meio de armazenamento da informação. Como exemplos, pode-se
citar os modelos anaglifos de qualquer espécie, dados de campo, hologramas armazenados, CD-
ROM, laser-disc, discos e fitas magnéticas etc. A informação contida só poderá ser modificada
através de processos completos de atualização.
- Mapas virtuais do tipo III, têm características não visíveis e não permanentes, podendo-se incluir
nesta classe a memória, animação em vídeo, modelos digitais de elevação (inclusos aqui os
modelos digitais de terreno) e mapas cognitivos de dados relacionais geográficos.

16
Ainda pode-se incluir uma quinta categoria, descrevendo os mapas que podem ser considerados
dinâmicos. Nesta categoria algumas distinções poderão ser ainda serem tratadas (MENEZES, 1996;
PETERSON, 1998):
- Mapas que apresentam dinamismo das informações, mais precisamente representando fluxos,
movimentos ou desenvolvimentos temporais de um dado tipo de informação;
- Mapas animados, que apresentam as mesmas características dos mapas anteriores, porém
mostrando o dinamismo em seqüências animadas. São de características tipicamente
computacionais.
- Mapas dinâmicos em tempo real, que por serem associados à sensores que fornecem a informação
em tempo real, têm a capacidade de associa-la e representa-la praticamente ao mesmo tempo da
recepção.
Segundo essa abordagem, os mapas podem ser vistos como um modelo de apresentação gráfica da
realidade geográfica.
O Brasil está enquadrado na Carta do Mundo ao Milionésimo. A partir deste enquadramento
foram estabelecidas as cartas de mapeamento sistemático. O quadro abaixo fornece as escalas, o
número de folhas de cada escala
N° de Folhas
Escala N° Total de Folhas Executadas % Mapeada
1/ 1 000 000 46 46 100,00
1/ 500 000 154 68 44,00
1/ 250 000 556 529 95,1
1/ 100 000 3049 2087 68,4
1/ 50 000 11928 1641 13,7
1/ 25 000 47712 548 1,2

1.7- DIVISÃO DA CARTOGRAFIA


Modernamente a Cartografia pode ser dividida em dois grandes grupos de atividades (TYNER,
1992; DENT, 1999)
- de propósito geral ou de referência
- de propósito especial ou temática
O primeiro grupo trata da cartografia definida pela precisão das medições para confecção dos
mapas. Preocupa-se com a chamada cartografia de base. Procura representar com perfeição todas as
feições de interesse sobre a superfície terrestre, ressalvando apenas a escala de representação. Tem por
base um levantamento preciso e normalmente utilizam como apoio, a fotogrametria, a geodésia e
topografia. Seus produtos são denominados mapas gerais, de base ou de referência.
O segundo grupo de atividades de mapeamento depende do grupo anteriormente citado. Mapas
de ensino, pesquisa, atlas e mapas temáticos, bem como mapas de emprego especial, enquadram-se
nessa categoria. Estes mapas são denominados mapas de temáticos.

17
Os mapas temáticos podem representar também feições terrestres e lugares, mas não são
definidos diretamente dos trabalhos de levantamentos básicos. São compilados de mapas já existentes
(bases cartográficas), que servirão de apoio à todas as representações. Distinguem-se essencialmente
dos mapas de base, por representarem fenômenos quaisquer, que sejam geograficamente distribuídos,
discreta ou continuamente sobre a superfície terrestre. Estes fenômenos podem ser tanto de natureza
física, como por exemplo a média anual de temperatura ou precipitação sobre uma área, ou de
natureza abstrata, humana ou de outra característica qualquer, tal como a taxa de natalidade de um
país, condição social, distribuição de doenças, entre outros. Estes mapas dependem de dados reunidos
através de fontes diversas, tais como informações censitárias, publicações industriais, dados
governamentais, pesquisa local, etc.
A exigência principal para que um fenômeno qualquer possa ser representado em um mapa, é a
associação da distribuição espacial ou geográfica. Em outras palavras, deve ser conhecida e
perfeitamente definida a sua ocorrência sobre a superfície terrestre. Este é o elo de ligação entre o
fenômeno e o mapa. Assim, qualquer fenômeno que seja espacialmente distribuído, é passível de ter
representada a sua ocorrência sobre a superfície terrestre através de um mapa. Um fenômeno assim
caracterizado é dito como georreferenciado.
Quanto à natureza a Cartografia pode ser dividida em:
- Topográfica
- Temática
- Especial
A Topográfica se propõe a representar os aspectos físicos da superfície terrestre. Enquadram-se
todas as cartas topográficas. Normalmente serve de base à múltiplos usuários. ë incluído aqui todo o
mapeamento sistemático, identificando-se com os mapas de propósito geral ou de referência..
A Cartografia Temática, já explanado os seus objetivos, pode ser dividida três sub-classes
(GUÉNIN, 1972; BÉGUIN & PUMAIN, 1994):
- Inventário
- Estatística ou Analítica
- Síntese
A Cartografia Temática de Inventário é definida através de um mapeamento qualitativo. Possui
uma característica discreta, realizando apenas a representação posicional da informação no mapa.
Normalmente estabelecida pela superposição ou justaposição, exaustiva ou não, de temas, permite ao
usuário saber o que existe em uma área geográfica.
A Cartografia Analítica é eminentemente quantitativa, mostrando a distribuição de um ou mais
elementos de um fenômeno, utilizando para isso informações oriundas de dados primários, com as

18
modificações necessárias para a sua visualização. De uma forma geral ela classifica, ordena e
hierarquiza os fenômenos a representar.
A Cartografia de Síntese é a mais complexa e a mais elaborada de todas, exigindo um profundo
conhecimento técnico dos assuntos a serem mapeados. Integrativa por excelência, exige o concurso de
várias especialidades integradamente. Representa a integração de fenômenos, feições, fatos ou
acontecimentos que se interligam através da distribuição espacial. Permite que se desenvolva um
aspecto analítico, para estabelecer um estudo conclusivo-analítico sobre a integração e interligação dos
fenômenos que estejam sendo estudados.
A Cartografia Temática de caráter especial é destinada a objetivos específicos, servindo
praticamente a um único tipo de usuário. Por exemplo a definida por mapas e cartas náuticas,
aeronáuticas, sinóticas, de pesca entre outras.
O mapeamento temático trata muitas vezes de fenômenos que não necessitam de um
posicionamento preciso, pelo tipo de ocorrência do fenômeno, como por exemplo um mapa
pedológico. Deve haver porém a preocupação com uma correta apresentação da ocorrência da sua
distribuição, necessitando para isso de uma base cartográfica com precisão compatível às suas
necessidades. Não se pode confundir precisão da base cartográfica com a precisão do fenômeno a
representar.
A preparação de uma apresentação eficaz, requer uma visão crítica dos dados a serem
mapeados bem como o simbolismo ou convenções que serão utilizadas para representá-los. É
necessário ser considerado para o projetista do mapeamento temático os seguintes aspectos:
- conhecimento profundo dos princípios que fundamentam a apresentação da informação e o
projeto da composição gráfica efetiva;
- ter um forte sentido de lógica visual, e uma habilidade especial para escolher as palavras
corretas que descreverão o gráfico, o mapa ou o cartograma;
- conhecimento do assunto a ser mapeado, ou estar com uma equipe multidisciplinar.

1.8 INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA x INFORMAÇÃO CARTOGRÁFICA


Como já referenciado, a informação geográfica pode ser conceituada como toda aquela, de
natureza física, biológica ou social, que possua um relacionamento com um sistema de referência
sobre a superfície terrestre.
Define-se informação cartográfica como a informação contida em um mapa. Pode ser de
natureza estritamente cartográfica, como a rede de paralelos e meridianos, canevá geográfico, pontos
cotados, como também, principalmente, as representações das informações geográficas, inclusive as
legendas. Em outras palavras, a informação cartográfica representa a informação geográfica, após ter

19
sido submetida a um processo de transformação, o que permitirá que venha a ser representada em um
mapa, conforme pode ser observado na figura 3.7.

Mundo Real Mapa

Processo
Informação
Informação Geográfica de Cartográfica
Transformação

Figura 3.7 – Esquema representativo da transformação da informação geográfica em cartográfica

As transformações a que as informações geográficas são submetidas, possuem natureza


diferenciada, porém todas são inter-relacionadas. São elas:
- Transformações geométricas;
- Transformações projetivas;
- Transformações cognitivas.

As transformações geométricas são caracterizadas por um relacionamento de escala e


orientação entre sistemas de referência. As projetivas referem-se às transformações da superfície
tridimensional curva da Terra, para a superfície de representação de um mapa, bidimensional plana.
As transformações cognitivas, por fim referem-se às transformações do conhecimento da informação,
em relação ao que será efetivamente representado no mapa, generalização cartográfica e simbolização
cartográfica.

20
2 - O Geóide e o Problema da Representação Cartográfica

2.1 - Introdução

A Geodésia é uma ciência que se ocupa do estudo da forma e tamanho da Terra no aspecto
geométrico e com o estudo de certos fenômenos físicos tais como a gravidade e o campo gravitacional
terrestre, para encontrar explicações sobre as irregularidades menos aparentes da própria forma da
Terra. O assunto é intimamente ligado com mapeamento e Cartografia.
A maior parte das evidências sobre a forma e tamanho da Terra é baseada em levantamentos
geodésicos. Por outro lado é necessário se conhecer o tamanho da Terra e sua grandeza, para se poder
representá-la em mapas, em uma escala desejada.
Sabe-se que a Terra é um planeta de forma aproximadamente esférica e sobre o qual existem
irregularidades da superfície definida pelas terras, mares, montanhas, depressões etc. Estas
irregularidades topográficas não representam mais do que uma pequena aspereza da superfície,
comparadas ao tamanho da Terra. Considerando-se o raio da Terra com aproximadamente 6.371 Km,
a maior cota em torno de 9 Km (Monte Everest) e a maior depressão por volta dos 11 Km (Fossa das
Marianas), a representação da Terra como um globo de 6 cm de raio mostra que a variação entre as
duas cotas representará apenas 0,2 mm, ou seja, o limite de percepção do olho humano.
A idéia da Terra esférica data da época dos geômetras gregos, em torno de 600 AC. O primeiro
trabalho com embasamento científico foi a experiência clássica de Eratóstenes, definindo as primeiras
dimensões conhecidas para a Terra. Ainda durante o período grego, Aristóteles, através dos estudos
sobre os movimentos da Terra, concluiu que deveria haver um achatamento nos pólos.
Somente próximo ao fim do século XVII, ISAAC NEWTON demonstrou que a forma esférica
da Terra era realmente inadequada para explicar o equilíbrio da superfície dos oceanos. Foi
argumentado que sendo a Terra um planeta dotado de movimento de rotação, as forças criadas pelo
seu próprio movimento tenderiam a forçar quaisquer líquidos na superfície para o Equador. Newton
demonstrou através de um modelo teórico simples que o equilíbrio hidrostático seria atingido, se o
eixo equatorial da Terra fosse maior que o seu eixo polar. Isto é, equivalente a um corpo que seja
achatado nos pólos.

2.2 - O Geóide
A forma da Terra, na realidade, é única. É definida como um Geóide, que significa a forma
própria da Terra.

21
O geóide é definido pela superfície do nível médio dos mares supostamente prolongado sob os
continentes. Assim ele está ora acima, ora abaixo da superfície definida como a superfície topográfica
da Terra, ou seja, a superfície definida pela massa terrestre.
A superfície do Geóide (nível médio
dos mares) é propriamente definido como
Superfície Topográfica
sendo uma superfície equipotencial - igual
Superfície do potencial gravitacional -, onde a direção da
Elipsóide

gravidade é perpendicular a ela em todos os


Superfície do Geóide
lugares.

Superfícies Terrestres Devido á variações na densidade dos


elementos constituintes da Terra e também
por serem estes irregularmente distribuídos, o Geóide normalmente eleva-se sobre os continentes e
afunda nas áreas oceânicas. Isto mostra outras perturbações e depressões com uma variação de 60 m.
A significância do Geóide para o mapeamento e a Cartografia é efetiva, uma vez que todas as
observações na Terra são realizadas sobre o Geóide.
Como o Geóide é irregular, a direção da gravidade não é, em todos os lugares, direcionada para
o centro da Terra, e por outro lado, a sua forma não permite uma redução precisa das observações, por
não ser matematicamente definido.

2.3 - O Elipsóide ou Esferóide


Além das irregularidades causadas pelas variações da densidade terrestre, da distribuição dos
elementos componentes da Terra, o Geóide é ainda mais deformado da aproximação de uma esfera,
pela existência do movimento de rotação terrestre.
Devido à rotação em torno do seu eixo, a Terra incha na área equatorial, enquanto achata-se
nos pólos, efetuando o equilíbrio hidrostático da sua massa. A diferença real entre o raio equatorial e o
polar é de aproximadamente 23.0 km, sendo o raio equatorial maior que o polar.
Para o mapeamento preciso de grandes áreas, tais como o mapeamento geodésico, uma figura
regular geométrica deve ser considerada, matematicamente definida, para que os cálculos sejam
igualmente precisos.
As reduções ao Geóide são inconsistentes devido às diferenças na direção da gravidade. Esta
limitação pode ser contornada pela redução ou transferência dos dados para uma figura geométrica que
mais se aproxime do Geóide.
Esta figura é um elipsóide de revolução, gerada por uma elipse rotacionada em torno do seu
eixo menor.

22
A elipse possui dois eixos 2a (eixo maior) e 2b (eixo menor), a e b representam os semi-eixos
maior e menor, respectivamente.
A razão que exprime o
achatamento ou a elipticidade é dada pela
b
(a − b)
expressão: f=
a a
Para a Terra esse valor é definiido em
torno da razão de 1/300.
Sabe-se que a diferença entre os dois
semi-eixos terrestres é de aproximadamente
11,5 Km, ou seja, o eixo polar é cerca de 23
ELIPSÓIDE DE REVOLUÇÃO Km mais curto que o eixo equatorial.
Para uma redução de escala de 1/100.000.000, o que representa a Terra com um raio equatorial
de 6 cm, a diferença para o raio polar será da ordem de 0,2 mm, valor imperceptível, uma vez que é a
largura do traço de uma linha.
Equivale a dizer com o que foi explanado acima, que para pequenas escalas o achatamento é
menor do que a largura das linhas usadas para o desenho, portanto, negligenciável.
Tira-se uma importante conclusão sob o ponto de vista cartográfico, que permite estabelecer a
Terra como esférica para determinados propósitos.
Entretanto deve-se notar que qualquer
tentativa de representar o elipsóide terrestre por
meio de um elipsóide reconhecível, deve envolver
um considerável exagero, uma vez que é
imperceptível a diferença entre os dois semi-
eixos.
Isto pode conduzir por sua vez a uma má
interpretação de algumas ilustrações retratando a
geometria do elipsóide.
Como o elipsóide de revolução aproxima-se muito da esfera, é também tratado na literatura
como esferóide. Ambos os termos (elipsóide e esferóide) têm o mesmo significado.
As medições da figura da Terra são desenvolvidas de cinco diferentes formas, determinando
seu tamanho e sua forma:

23
- medição de arcos astro-geodésicos na superfície terrestre;
- medições da variação da gravidade na
superfície;
Superfície Física - medição de pequenas perturbações na órbita
Ondulação
Geoidal lunar;
Geóide - medição do movimento do eixo de rotação
Elipsóide
da Terra em relação às estrelas;
Desvio da - medição do campo gravitacional terrestre a
Vertical

partir de satélites artificiais.


Estas medições, além de definirem o Geóide
pela determinação da sua superfície
equipotencial, estabelece o elipsóide melhor
adaptado à superfície terrestre, seja ele de âmbito
global ou local.
O relacionamento entre o Geóide e o elipsóide indica o desvio da vertical da superfície do
Geóide, permitindo determinar as cartas geodésicas, estabelecendo o desnível geoidal (diferença
entre o Geóide e o elipsóide em uma dada região). São elaboradas por sua vez mapas geoidais, que
mostram esses desníveis entre o geóide e o elipsóide.
O elipsóide por sua vez pode ser determinado para adaptar-se a uma região, país ou continente,

ALTITUDE GEOIDAL - Elipsoide WGS 84

evitando a ocorrência de desníveis geoidais muito exagerados. A relação abaixo mostra alguns dos
mais de 50 elipsóides existentes no mundo:

Nome Data a b f Utilizaçã

24
o
Delambre 1810 6376428 6355598 1/311,5 Bélgica
Everest 1830 6377276 6356075 1/300,80 Índia,Burma
Bessel 1841 6377997 6356079 1/299,15 Europa
Central e
Chile
Airy 1849 6377563 6356257 1/299,32 Inglaterra
Clarke 1866 6378208 6356584 1/294,98 USA
Hayford 1924 6378388 6356912 1/297,0 Mundial
Krasovsky 1940 6378245 6356863 1/298,30 Rússia
Ref. 67 1967 6378160 6356715 1/298,25 Brasil e
América
do Sul
WGS 84 1984 6378185 6356??? 1/298,26 Mundial
levantam
ento de
satélites

2.4 - A escolha de uma Superfície Adequada de Referência para o Mapeamento


O conhecimento da forma e tamanho da Terra é necessário para descrevê-la momentaneamente,
visando as necessidades de mapeamento.
O aumento de complexidade do modelo matemático muitas vezes é desnecessário face à
magnitude dos valores expressos por um modelo mais simples. Assim, dependendo do objetivo e a
significância dessas variações, deve-se considerar a possibilidade da utilização de diferentes
superfícies de referência, que descrevam adequadamente a forma e o tamanho da Terra para o
propósito que se destina.
A superfície terrestre é geometricamente mais complicada que o elipsóide, porém as variações
do Geóide não ultrapassam algumas centenas de metros, variações essas que são praticamente
negligenciáveis para a maior parte dos levantamentos e para a Cartografia.
Pode-se simplificar o problema apresentado e considerar-se três diferentes formas de
representar a forma e tamanho da Terra para diferentes propósitos:
- Um plano tangente à superfície terrestre;
- Uma esfera perfeita de raio apropriado;
- Um elipsóide de revolução de dimensões e achatamento adequados.

25
Essas três hipóteses estão listadas em ordem ascendente de refinamento, assim um elipsóide
adequado representa melhor a forma da Terra do que uma esfera de raio equivalente.
Estão também ordenados em ordem crescente de dificuldade matemática. As formulações
necessárias para definir posições; para estabelecer as relações entre ângulos e distâncias sobre um
plano, são muito mais simples do que as definições para uma superfície curva de uma esfera, que por
sua vez são mais simples do que as formulações estabelecidas para um elipsóide.

2.4.1 - A Superfície Plana de Representação


Pode parecer um retrocesso assumir a Terra com uma representação plana. Esta representação é
no entanto, muito útil por assumir simplificações que facilitam o trabalho de mapeamento.
Supor a Terra plana evita o problema da existência de um sistema de projeção a elaboração de
um mapa ou levantamento.
Um plano tangente à superfície curva, tal como a figura mostra, tangente em A, está próximo à
superfície na vizinhança deste ponto.
Se deseja-se mapear ou levantar feições que estejam próximos a A, pode-se assumir que a Terra
é um plano, desde que os erros cometidos por esta hipótese
simplificadora, sejam suficientemente pequenos para que possam
influenciar no mapeamento executado.
Sendo a hipótese justificada, o levantamento pode ser calculado
com a utilização da geometria plana. A plotagem na planta pode ser
Plano Tangente executada pela simples redução das dimensões na superfície pelo fator
de escala considerado.
O problema central da argumentação é a definição da representação da “vizinhança do ponto
A”, ou seja, qual o limite de representação da Terra plana, de forma que os erros advindos desta
representação não tenham significância na área mapeada. Imediatamente isto implica, até
intuitivamente, que a hipótese plana deva ser confinada à elaboração de mapas de pequenas áreas.
De uma forma geral, utiliza-se a hipótese plana no desenvolvimento de Cartografia cadastral,
de áreas urbanas, plantas e outras formas de representação, em escalas variando de 1/500 até 1/10.000.
O limite de representação plana, sem outras considerações é definido por um círculo de 8 km
de raio em torno do ponto de tangência do plano.
Apesar de não ser necessário o seu emprego, existem tipos de projeções com utilização
específica na hipótese plana.

2.4.2 - A Hipótese Esférica

26
O fato de que em uma escala superior a 1/100.000.000 não existe praticamente diferença entre
o tamanho dos eixos do elipsóide, implica que o uso principal da hipótese esférica ocorrerá na
preparação de mapas de formato muito pequenos, mostrando grandes partes da superfície terrestre, isto
é, um hemisfério, continente ou mesmo um país. Tal como aparecem nos Atlas.
Neste aspecto, questiona-se qual a escala máxima aproximada que justifica a utilização da
hipótese esférica.
Estudos realizados, principalmente por Willian Tobler, através da comparação de erros
angulares e lineares, mostraram que a maior escala possível de representação para uma área de
aproximadamente 8.000.000 Km2 , estaria algo em torno de 1/500.000, porém os erros padrões
indicavam que este número era muito otimista.
Genericamente, pela consideração do erro gráfico de 0,2 mm representando de 7 a 8 km, estar-
se-ia limitado a uma representação em torno de 1/15.000.000 ou menor.
Em termos cartográficos práticos, assume-se a escala média de 1/5.000.000 como possível de
representar a Terra como uma esfera.
O raio de representação é normalmente definido pelo raio terrestre médio, estabelecido pela
formulação: R = M . N , onde M é o raio da seção meridiana e N o raio da seção normal ao
elipsóide, para o centro da latitude da região a representar.
Em termos gerais, valores de 6370 a 6372 km são utilizados normalmente para definir o raio
terrestre com uma razoável precisão, na assunção da Terra como uma esfera.

2.4.3 - A Hipótese Elipsóidica


Obviamente o elipsóide ou o esferóide adapta-se melhor ao Geóide do que a esfera. Em razão
disto, esta é a superfície de referência mais amplamente empregada em levantamentos e mapeamentos.
Por outro lado possui uma superfície matematicamente desenvolvida, que permite a execução de
cálculos diversos com uma precisão necessária para a cartografia de grandes áreas.
Para a execução do levantamento de um país, inicialmente é determinada uma rede de pontos
sobre a sua superfície, que servirão de apoio à determinações posteriores.
Essa rede de pontos são determinados de 1a ordem, ou de precisão, e estende-se por toda a
região a se levantar.
Possuem alta precisão (da ordem do milímetro), podendo ser desenvolvida pelos processos
clássicos planimétricos (Triangulações, Trilateração) ou modernamente com o auxílio de satélites de
posicionamento geodésicos (NNSS e GPS).
Para que os cálculos possam ser desenvolvidos, determina-se o elipsóide que melhor se adapte
à região (maior tangência e menores desníveis geodésicos).

27
Esta hipótese da figura elipsóidica gera menores erros na definição de uma superfície de
referência para a Terra, sendo, portanto a superfície ideal para o cálculo de precisão (cálculo
geodésico).
Esta superfície, portanto é apropriada à todas as escalas de mapeamento topográfico e de
navegação, assim como para todas as cartas temáticas e especiais que se apoiem nestes levantamentos.
Estima-se como o limite, a escala aproximada de 1/4.000.000 a 1/5.000.000.
A seleção de um elipsóide particular para uma região, é devido ao fato de parâmetros de um
adaptar-se melhor aos dados observados do que qualquer outro.
No Brasil, a rede primária inicialmente estava desenvolvida sobre o elipsóide Internacional de
Hayford, de 1924, sendo a origem de coordenadas estabelecidas no ponto Datum de Córrego Alegre.
A partir de nossas observações e cálculos, o sistema geodésico brasileiro foi mudado para o
SAD - 69 (South American Datum - 69) com elipsóide de referência de 67 e o ponto Datum
estabelecido no ponto CHUÁ Astro Datum (Minas Gerais).

UNIDADE 3: POSICIONAMENTO DE PONTOS SOBRE A SUPERFÍCIE


TERRESTRE

3.1 - SISTEMAS DE COORDENADAS PLANAS


Para se determinar a localização de um fenômeno ou de uma ocorrência qualquer sobre a
superfície da Terra, deve-se sempre conhecer alguns elementos básicos, que podem ser definidos por
duas perguntas simples: onde ocorre e como chegar até ele?
Em termos urbanos, um sistema de localização composto do nome do Estado, nome da cidade,
nome do bairro, nome da rua, número do prédio e número do apartamento, é o suficiente para localizar
um morador de uma cidade. Supondo-se agora que o morador em tela está localizado em um espaço,
surgirão obstáculos que impedem a materialização matemática de um sistema assim descrito, ou como
representá-lo em forma matemática.
A instituição de um sistema de coordenadas vem a tornar um método bastante conveniente de
registro de uma posição no espaço, qualquer que seja a dimensão que esteja sendo referenciada. Por
coordenada entende-se ser qualquer dos elementos de um conjunto, que determina univocamente a

28
posição de uma posição no espaço. O conjunto é formado por tantos elementos quantas forem as
dimensões do espaço considerado e o número de elementos constitui-se uma característica intrínseca
do espaço. A coordenada pode ser uma distância, um ângulo, uma velocidade, um momento, etc. Um
sistema de coordenadas é conceituado como o conjunto de coordenadas, referido à uma ou mais
origens, que definem uma posição no espaço.
A noção de dimensionalidade é essencial para a caracterização dos sistemas de coordenadas
associados à cada espaço. Assim, pode-se classificar os espaços segundo a sua dimensionalidade,
estabelecendo suas características básicas.
Um espaço 0-dimensional, não possui dimensão mensurável, podendo ser visualizado e
materializado através de um ponto.
Um espaço 1-dimensional ou unidimensional, só se percebe uma dimensão, por exemplo, um
comprimento ou uma distância entre dois pontos. Necessita-se de um ponto origem, e uma escala de
unidade que permita, através dessa origem e a quantidade de unidades medida na escala, estabelecer o
posicionamento linear de um ponto a outro. Neste caso, a coordenada é definida pela distância da
origem até o ponto, em unidades especificadas.

Origem
O P

Figura 3.1 Coordenadas unidimensionais

Define-se um sistema 2-dimensional ou bidimensional, caracterizado por um plano ou duas


dimensões, estabelecida uma origem única para cada dimensão. Utiliza-se um sistema de coordenadas,
que permita a locação conjunta dessas duas dimensões. Duas coordenadas são o suficiente para
posicionar um ponto no espaço. Duas retas que se interceptam definem um plano, que também é
definido por uma reta e um ponto ou por três pontos.
Um sistema 3-dimensional ou tridimensional é definido por três retas não coplanares que se
interceptam em um mesmo ponto, três planos que se cortam dois a dois ou quatro pontos. A definição
da posição de um ponto é estabelecida através de três coordenadas. Sistemas apropriados de
representação são desenvolvidos, para que se possa representar com precisão a posição de um ponto.
Espaços com dimensões maiores podem ser definidos, quando se associam outras variáveis. Por
exemplo, associando-se a variável tempo cria-se a condição de uma quarta dimensão. A associação de
um maior número de variáveis, permite o estabelecimento de varáveis de dimensões maiores,
definindo-se os sistemas multidimensionais ou n-dimensionais. Um exemplo relevante de um sistema

29
multidimensional é o meio-ambiente terrestre no qual as diversas variáveis componentes do meio
ambiente passam a funcionar como elementos do sistema multidimensional.
A utilização de Geometria plana e no espaço é fundamental para o desenvolvimento e
possibilidade de se estabelecer um sistema unívoco de posicionamento, no plano e no espaço.
Qualquer posição, seja em qual dimensão for, terá apenas uma única representação no sistema e vice-
versa. A cada representação de um ponto corresponderá a uma e apenas uma posição no espaço.

1 - Sistema de Coordenadas Planas


Existem diversas formas de se referenciar o posicionamento de pontos sobre um plano.
Algumas delas são mais apropriadas ou mais simples, adaptando-se melhor aos objetivos a que se
prestam.

1.1 Sistema de Coordenadas Retangulares


A definição de um sistema de um par fixo de eixos, que se interceptam, permitindo a medição
linear em duas direções, é considerado como sendo um sistema cartesiano, conforme pode ser visto na
figura 2.
Figura 2 – Um sistema cartesiano genérico

Origem

Eixos Coordenados

Um sistema de coordenadas genérico compreende conjuntos ou famílias de linhas que se


interceptam umas às outras, formando uma rede ou malha quando desenhada (figura 3).

Malha ou grade

Figura 3 – Malha de famílias de linhas

As condições necessárias que devem ser preenchidas pelo sistema são:


30
1 - as duas famílias sejam distintas entre si;
2 - que qualquer linha de uma família deva interceptar as linhas da outra família em apenas um
ponto;
3 - duas linhas de uma mesma família não podem se interceptar.
Desta forma, um sistema cartesiano pode abranger famílias de retas ou curvas que se
interceptem sob quaisquer ângulos, conforme pode ser visualizado na figura 4.

Famílias de Curvas e Retas


Sistema de Eixos
Figura 4 – Famílias de curvas ou retas

O X

Figura 5 – Sistema de eixos retos ortogonais

Entretanto existem vantagens significativas para o caso especial de se tomar ambas as famílias
de linhas retas e que se interceptem segundo direções ortogonais (perpendiculares entre si). A esse
sistema dá-se o nome de sistema plano retangular de coordenadas.
Na figura 5, a origem do sistema retangular é o ponto O, através do qual foram traçados os
eixos OX e OY, definindo a direção das duas famílias de linhas. A convenção matemática estabelece o
eixo horizontal OX como eixo X, definindo a família de coordenadas denominadas de abcissas e o
eixo vertical OY como eixo Y, definindo a família de coordenadas denominadas de ordenadas.
Sendo cada eixo uma linha reta e perpendicular um ao outro, segue-se que todas as linhas de
uma mesma família serão paralelas entre si e todos os pontos de interseção dentro da rede são obtidos
através de famílias de linhas retas perpendiculares (figura 6).
31
Y

N P
y

x
0 X
M

Figura 6 – Posição de um ponto no plano

A posição de um ponto P no plano, é definida pelas duas coordenadas lineares PN = x e PM =


y, tomadas da origem O, nos dois eixos, traçados de P como perpendiculares aos eixos X e Y.
A notação para designação da posição de um ponto P, através das coordenadas x = PN e y =
PM, é dado pelo par de coordenadas P (x,y).
As unidades definidas para as coordenadas são unidades de medidas lineares, podendo ser
milímetros, centímetros, metros, quilômetros, polegadas, pés, ou seja, unidades de qualquer sistema
métrico.
Figura 7 – Quadrantes e sinais das coordenadas
Y
o o xs
4 Q 1 Q S
xp P
x- x+ ys
yp
y+ y+
X
0 x+
O
x- yr yq
y- y-
o o R
3 Q 2 Q xr
xq
Q

Os eixos coordenados dividem o espaço em quatro regiões, denominados quadrantes e


numerados, de 1 a 4, a partir do quadrante superior direito, no sentido horário. A convenção de sinal
para as coordenadas x e y, estabelece que as coordenadas serão positivas e negativas à direita e à
esquerda do eixo Y e acima e abaixo do eixo X, respectivamente (figura 7).
Assim, o sinal convencional das coordenadas são:

10 quadrante + x e + y
20 quadrante + x e - y
30 quadrante - x e -y
32
40 quadrante - x e +y

Exercício Resolvido
1 – Marcar a posição dos seguintes pontos em um sistema de eixos cartesiano plano, especificando o
quadrante em que se encontram:
A( 3, 5); B(8, -3), C(-7; 4); D(-3,-6); E(0, 5); F(5, 0)
Solução:
a) Análise do sinal
A: x + e y + → 1o Quadrante
B: x + e y - → 2o Quadrante
C: x - e y + → 4o Quadrante
D: x - e y - → 3o Quadrante
E: x 0 e y + → não pertence a nenhum quadrante; pertence ao eixo X
A: x + e y 0 → não pertence a nenhum quadrante; pertence ao eixo Y
b) Plotagem nos eixos coordenados

3 A
C -7 5F

-4 5

X
E -3
5
-6 B
8

D -3

1.2 Posição Absoluta e Relativa


A posição absoluta de um ponto será sempre estabelecida através das suas coordenadas, em
relação à origem do sistema de coordenadas. O ponto A(3, 5), terá portanto, coordenadas absolutas 3 e
5 em relação à origem do sistema de coordenadas.
A diferença de coordenadas entre dois pontos estabelece uma quantidade linear, equivalente a
projeção da medida linear entre estes dois pontos em cada eixo coordenado, conforme a figura 8.
33
Tendo-se dois pontos genéricos 1 e 2, definidos por suas coordenadas, (x 1 , y1) e (x2 , y2), pode-
se determinar a diferença de coordenadas entre 1 e 2, genericamente, pelas grandezas
∆x12 = ( x2 - x1 ) e ∆y12 = ( y2 - y1 ) e
∆x21 = ( x1 - x2 ) e ∆y21 = ( y1 - y2 ),
verificando-se que o valor de cada diferença é idêntico, porém de sinal contrário, ou seja têm o mesmo
valor absoluto e sinal contrário.
∆x12 = -∆x21

Exercício resolvido:
Determinar a diferença de coordenadas entre os pontos A( 3, 5) e B(8, -3), em relação ao ponto A e ao
Ponto B.
Solução:
∆xAB = ( xB - xA ) e ∆yAB = ( yB - yA ) e ∆xBA = ( xA - xB ) e ∆yBA = ( yA - yB )
∆xAB = ( 8 - 3 ) = 5 e ∆yAB = ( -3 - 5 ) = -8
∆xBA = ( 3 - 8) = -5 e ∆yBA = ( 5 - (-3) ) = 8

Através destas igualdades, verifica-se que as coordenadas de um ponto podem ser


perfeitamente determinadas se forem conhecidas as coordenadas de um deles e suas diferenças de
coordenadas, através das formulações.
x2 = x1 + ∆x12 y2 = y1 + ∆y12
x1 = x2 - ∆x21 y1 = y2 - ∆y21
As relações trigonométricas que envolvem coordenadas e diferenças de coordenadas são as
seguintes:
Y
2 (x2,y2 )
β
∆y
α

1 (x1,y1) ∆x

0 X

Figura 8 – Diferença de coordenadas

O ângulo α, definido pelas diferenças de coordenadas, é calculado pelas funções


trigonométricas
∆y ∆y
tg α = ou α = arctg
∆x ∆x
34
( y 2 − y1 )
e ainda α = arctg .
( x 2 − x1 )

O ângulo β por sua vez é determinado pelas relações


∆x ( x 2 − x1 )
β = arctg ou β = arctg e
∆y ( y 2 − y1 )
∆x
tg β = , uma vez que são complementares.
∆y

A determinação do comprimento da linha entre 1 e 2, é estabelecida através da formulação de


cálculo da distância entre dois pontos da geometria plana:

[
d12 = 12 = ( x 2 − x1 ) − ( y 2 − y1 )
2
]
2 1/ 2
ou d12 = ∆x 2 + ∆y 2

Por sua vez, pode-se em função do comprimento d, medido entre 1 e 2 e do ângulo formado
por esta linha e o eixo X, que estabelece o ângulo α, pode-se também determinar as diferenças de
coordenadas:
∆x12 = (x2 - x1) = d cos α
∆y12 = (y2 - y1) = d sen α
Estabelecendo-se o cálculo em função do ângulo β, definido pelo eixo Y e a direção da linha
considerada, as relações são as seguintes:

∆x12 = ( x2 − x1 ) = d12 sen β = d12 sen( 900 − α )

∆y12 = ( y2 − y1 ) = d12 cos β = d12 cos( 900 − α )

Para a determinação de β
∆x ( x 2 − x1 )
tgβ = = e
∆y ( y 2 − y1 )

( x 2 − x1 )
β = arctg
( y 2 − y1 )

Y ∆x
p4 ∆x
4 p1 1
β p4
∆y β p1 ∆y
p4 p1
αp4 αp1

β p3 α
∆y αp3 P p2
p3 β p2 ∆y
p2
3 ∆x
O 2
p3 ∆x
p2
X

35
Figura 9 – Posição relativa de pontos segundo os quadrantes relativos
A posição relativa é estabelecida sempre entre dois pontos, ou seja, considerando-se um ponto
1 e um ponto 2, genéricos quaisquer, tem-se a posição relativa do ponto 2 em relação ao ponto 1 e
vice-versa. Este posicionamento relativo é definido através das diferenças de coordenadas de um ponto
em relação ao outro.
A figura 9 mostra este raciocínio para os pontos P e os pontos 1, 2, 3 e 4. Define-se um dos
pontos como uma suposta origem de um novo sistema de coordenadas, no qual, em lugar das
coordenadas absolutas de cada ponto, são consideradas as diferenças de coordenadas entre estes
mesmos pontos.
O cálculo das diferenças de coordenadas através dos ângulos α e β complica-se com a posição
relativa dos pontos em outra posição diferente de valores das diferenças de coordenadas
exclusivamente positivas (1o quadrante). Tem-se com isto que verificar continuamente a posição dos
pontos, para se determinar qual o ângulo que está sendo computado para o cálculo, sinal da diferença
de coordenadas, sinal do seno, coseno ou tangente, uma vez que os ângulos α e β são sempre menores
que 90°, portanto fornecendo valores referidos ao 1o Quadrante.
Facilita-se o problema, através da adoção de um ângulo, que tem como origem o ponto que se
deseja definir a diferença de coordenadas, tomando-se como origem angular uma paralela ao eixo Y
passando por este ponto e o valor angular contado no sentido horário até a direção do segundo ponto.
Pode ser facilmente verificado que a diferença entre os dois ângulos θ12 e θ21 será sempre de
Y

2
Θ12 Θ21
Θ34
3
1

4
Θ43

180° , ou seja:

θ12 = θ21 + 180o


Por outro lado, o cálculo das diferenças de coordenadas pode ser facilmente obtido a partir
desta direção base, fazendo-se
∆x12 = d12. senθ12 e ∆y12 = d12. cosθ12

1.3 Coordenadas Planas Polares

36
As coordenadas polares definem uma posição por meio de uma medição linear e uma medição
angular.
O par de eixos ortogonais é substituído por uma linha simples, OQ, passando pela origem O,
agora denominado origem ou polo do sistema.

Q O - polo
OQ - Eixo Polar
θ OP=r - Raio Vetor
O
θ - Ângulo Vetorial
r P
Figura 10 – Sistema polar
A posição de qualquer ponto P é definida por meio de uma medição linear da origem ou polo
ao ponto considerado e o ângulo formado entre o eixo polar OQ e a direção OP, respectivamente por
meio da distância OP = r e o ângulo QÔP = θ, definindo um par de coordenadas, caraterística de um
sistema plano de posicionamento.
A linha OP é denominada raio vetor e o ângulo θ ângulo vetorial, ângulo que o raio vetor faz
com o eixo polar.
Assim a posição de P é definida pelo par de coordenadas P (r, θ).
Exemplo:
Considerando-se o ponto O como polo de um sistema polar e a direção OQ como eixo polar, a posição
de um ponto P de coordenadas (10, 30°), será dada por um esquema definido pela figura abaixo:

O ângulo vetorial pode ser expresso em unidades sexagesimal (graus), centesimais (grados) ou

Q
Y P
N30° P
θ
lar
Po

y r
10
o
Eix

Polo
0 x M X
O

ainda, em radianos, observado no sentido horário.


Figura 11 – Relação sistema polar e sistema cartesiano
As coordenadas polares relacionam-se com as coordenadas planas retangulares, através de
relações trigonométricas simples. A figura 11 mostra a estrutura deste relacionamento.

37
Toma-se o ponto P, de coordenadas planas retangulares (x, y). Assumindo-se agora o sistema
polar onde a origem esteja em O, o eixo polar seja o eixo cartesiano OY, r = OP e θ = YOP e as
coordenadas x = PN e y = PM, pela triângulo PON tiram-se as relações:
x = r sen θ
y = r cos θ
Estabelece-se assim o relacionamento de transformação de coordenadas polares para planas.
O relacionamento inverso pode ser obtido segundo diversas formas de obtenção das
coordenadas polares em função das coordenadas planas cartesianas.
tg θ = x / y
r = y sec θ
r = x cosec θ
r 2 = x2 + y2
sen θ = x / r
cos θ = y / r
Este relacionamento é bastante simples, uma vez que as origens dos dois sistema estão
coincidentes. Havendo um deslocamento entre origens, deve ser considerada a diferença de
coordenadas entre os dois sistemas, conforme é visto na figura 12.
Y
P
N
θ r
∆y
x
0
O' ∆x
y
0

O X
M

Figura 12 – Sistemas relativos


Neste caso, todos os relacionamento anteriores são válidos, levando-se em consideração a
diferença de coordenadas entre as duas origens O e O’ (x 0 , y0). As coordenadas de P em relação à
origem O serão:

xp = ∆x + x0
yp = ∆y + y0

2 - Sistemas de Referência Tridimensionais

38
Os sistemas tridimensionais são sistemas espaciais, portanto necessitam de três coordenadas
para o posicionamento de um ponto no espaço. Alguns sistemas são extensões dos sistemas planos e
outros são trabalhados de forma a definirem um sistema de representação mais específico para
determinada aplicação.

2.1 - Sistema Cartesiano e PolarTridimensional


A extensão de um sistema cartesiano plano retangular para um espaço tridimensional é simples
e de fácil compreensão.
Um espaço tridimensional possui evidentemente 3 dimensões físicas: x, y, caracterizando um
plano e a 3a coordenada z, constituída por uma família de planos.
A definição agora, não mais refere-se a família de linhas ortogonais dois a dois. O sistema de
eixos coordenados será caracterizado pela interseção destes planos: OXZ, OYZ e OYX.

r z

β
O
X
α r1 y

Figura 13 – Sistema tridimensional cartesiano


A posição de qualquer ponto no espaço será definida pela interseção dos planos paralelos aos
planos origem considerados. Assim um ponto será determinado por um terno coordenado P (x, y, z).
Considerações semelhantes podem ser deduzidas para um sistema polar no espaço, que através
de uma distância ao ponto pela origem (r) e dois ângulos vetoriais, tem a sua posição determinada por
um conjunto de coordenadas do tipo P ( r, α, β ).

3.2 - Sistemas de Coordenadas na Esfera e no Elipsóide


Esfera e elipsóide (ou esferóide) são corpos sólidos e em conseqüência, um sistema de
posicionamento de pontos sobre ou sob a sua superfície, é necessariamente tridimensional, sendo
portanto exigidas três coordenadas para a sua materialização.
A idéia de latitude, longitude, paralelos ou meridianos, muitas vezes já é conhecida, porém sem
os fundamentos que levaram à sua caracterização.

39
É desejável portanto alguns comentários um pouco mais profundos sobre a geometria da Terra,
quando é assumida como uma esfera perfeita, para introduzir uma notação padronizada para esta
hipótese e mostrar algumas diferenças básicas para o esferóide.
Inicialmente deve ser entendido o que é precisamente representado por planos, arcos e ângulos
em um e em outro.
Sabe-se que:
- uma esfera é um corpo sólido cuja superfície é eqüidistante do centro;
- toda esfera tem raio constante;
- a normal a um plano tangente à superfície no ponto de tangência é um raio da esfera;
- a distância entre dois pontos na superfície pode ser medida como distância angular ou
distância arco.
Estas são as propriedades principais da esfera e que serão essenciais para o prosseguimento das
definições seguintes.
- Se um plano intercepta uma esfera, a seção resultante da superfície curva que é traçada no
plano é um círculo.
- Um círculo máximo ou grande círculo é o círculo de
uma seção que passa pelo centro da esfera. Em outras palavras, o
círculo PP’CD e ABCD são círculos máximos. Todos com
centros em O, centro da esfera.
Um e somente um círculo máximo pode ser traçado entre
dois pontos na superfície da esfera, que não sejam
diametralmente opostos.
O menor arco de um círculo máximo passante por dois
pontos, é a menor distância entre estes pontos na superfície
esférica.
- Se o plano de interseção com a esfera não passa pelo centro da esfera, determina também uma
seção circular, porém de raio menor que o raio da esfera. Esses círculos são denominados de
pequenos círculos.
Na figura, o círculo EFGH é um pequeno círculo, de centro O’.
- O eixo de qualquer círculo é uma linha reta passando pelo centro da esfera,
perpendicularmente ao plano do círculo.
Na figura a linha POP’ é o eixo do círculo máximo ABCD. Pela definição de que apenas um
círculo máximo pode ser traçado por 2 pontos que não sejam diametralmente opostos, o eixo de dois
ou mais círculos máximos não coincidem.

40
Por outro lado um círculo máximo e um número infinito de pequenos círculos podem ter o
mesmo eixo.
Neste caso especial, pela definição de eixo, o círculo máximo e os pequenos círculos serão
paralelos entre si. Além disso, se os planos são paralelos, as circunferências dos círculos também são
paralelas.
Os polos de qualquer círculo são os pontos de interseção do eixo do círculo com a superfície da
esfera.
Na figura P e P’ são os polos do círculo máximo ABCD.
Pela definição que uma esfera tem raio constante e que a seção de um grande círculo passa pelo
centro da esfera, os polos de um círculo máximo são eqüidistantes do seu plano: PO = P’O. Para um
pequeno círculo, pode-se notar claramente a desigualdade entre P’O’ e PO’.
- Se um círculo máximo é denominado círculo máximo primário, qualquer círculo máximo
que passe por seus pólos será denominado círculo máximo secundário.
Como os polos são diametralmente opostos, pode-se definir infinitos círculos secundários. Na
figura os círculos máximos PFAP’CH e PGBP’DE, são secundários ao círculo máximo ABCD.
Como o eixo do círculo primário coincide com o plano de cada círculo secundário, pode se
verificar que o plano, e portanto, a circunferência de cada círculo secundário, é perpendicular ao plano
e circunferência do círculo máximo primário.
Além disso quaisquer pequenos círculos que tenham um eixo comum a um círculo máximo
primário, terão também planos e circunferências perpendiculares aos círculos secundários desse
círculo máximo.

Coordenadas Geográficas
A construção da rede geográfica se inicia a partir do movimento de rotação da Terra em torno de
um eixo imaginário vertical. Os pontos da Terra por onde este eixo emerge, são conhecidos como
Pólo Sul e Pólo Norte (vide figura 2).

41
Figura 2: Eixo daTerra e Pólos Norte e Sul

Para melhor entender a construção desta rede geográfica, partimos de um plano horizontal
perpendicular a este eixo, que passa bem no centro da Terra. Ao cortar a superfície terrestre, este plano
horizontal forma a linha do equador, que divide o globo em dois hemisférios, o norte (HN) e o sul
(HS). Vide figura 3.

Figura 3: Equador e Hemisférios

Não é dado nenhum nome específico aos círculos máximos secundários, mas a palavra
meridiano define cada semicírculo de um par, que juntos formam um círculo secundário. A cada
meridiano, opõe-se o seu antimeridiano, ou seja, o meridiano diametralmente oposto. O círculo
máximo secundário completo compreende o meridiano e o seu antimeridiano.
Em seguida, são traçados uma série de outros planos horizontais, que cortam o globo terrestre
formando pequenos círculos, paralelos ao plano do equador. Estes círculos, denominados
paralelos, diminuem de tamanho a partir do equador (que é um círculo máximo) até os pólos,
devido à curvatura da Terra (vide figura 4). O raio de um paralelo, dessa forma variará desde o raio
terrestre, no equador até zero nos polos.

42
Figura 4: Paralelos e Meridianos

Pelo conceito da utilização de ângulos centrais (a partir do centro de uma esfera), para medir
distâncias sobre a superfície curva, pode-se inferir um sistema de coordenadas tridimensionais
polares como um método de locação de pontos sobre a superfície da esfera tendo o seu centro como
origem.
Como uma extensão do conceito de coordenadas polares visto anteriormente, um ponto pode
ser localizado no espaço através de dois ângulos vetoriais e um raio vetor. Isto define um sistema
polar esférico ou coordenadas esféricas polares.
Na esfera o raio vetor é constante, logo, qualquer ponto na superfície poderá ser então
localizado pela definição apenas, dos dois ângulos vetoriais. São escolhidos para isto dois planos
ortogonais que se interceptam no centro da esferas, considerados então como origem.
Figura 5 – Coordenadas terrestres

Um plano já foi definido e é o plano do Equador. O Equador é utilizado como origem para as
medições do ângulo vetorial conhecido como latitude. O outro plano é um plano arbitrário, definido
pelo meridiano que passa pelo centro ótico da luneta do Observatório de Greenwich, utilizado para as
medições do ângulo vetorial denominado de longitude.
Formalmente define-se a latitude de um lugar como o ângulo vetorial entre o Equador e o
lugar, medido sobre o meridiano que o contem, na figura 5, o ângulo AÔQ. É positiva se for medida
do Equador para o norte e negativa se medida em direção ao polo Sul. A latitude é expressa em
unidades sexagesimais, ou seja, graus, minutos e segundos. É notada pela letra grega ϕ (fi). Vide
figura 5.
Para qualquer valor de latitude ϕ, existirão uma infinidade de pontos na superfície terrestre, que
fazem este mesmo ângulo com o Equador. O lugar geométrico desses pontos é a circunferência de
círculo, cujo plano é paralelo ao Equador.

43
Assim os planos de todos os paralelos são paralelos ao Equador e compartilham o mesmo eixo.
Segue-se que qualquer paralelo será um pequeno círculo, porque o Equador é um círculo máximo.
Para obtermos a posição de qualquer ponto na direção norte-sul são dados valores a estes
círculos. Por se destacar nitidamente, a linha do equador recebe valor zero, ou seja possui latitude
igual a 0º, sendo portanto, considerada a origem da contagem destas coordenadas (latitude). Cada
círculo ou paralelo, vai recebendo um valor em graus, que cresce para norte ou sul a partir do equador
até os pólos. Essa variação de valores é medida em graus de latitude, e vai de 0º a 90º N (no hemisfério
norte)1, e igualmente de 0º a 90º S (no hemisfério sul)2. Vide figura 11.

Figura 5: Contagem das latitudes


Define-se a latitude de um ponto P - ϕ - como a distância angular, positiva ou negativa, dependendo do hemisfério
considerado, contada sobre o meridiano que passa por P, a partir do equador até o paralelo que também passa por
este ponto.

Nota: Além do equador existem quatro paralelos especiais. No hemisfério norte ficam o Trópico de Câncer (23º 27’N) e o
Círculo Polar Ártico (66º 33’N), e no hemisfério sul situam-se o Trópico de Capricórnio (23º 27’S) e o Círculo Polar Antártico
(66º 33’S).

A longitude é o ângulo vetorial definido pelo plano do meridiano origem e o plano do


meridiano passante pelo lugar, medido sobre qualquer paralelo ao Equador,uma vez que este ângulo é
esférico. A escolha de um meridiano origem é arbitrária. Porém é mundialmente aceita a definição do
meridiano que passa pelo eixo da luneta do Observatório de Greenwich, na Inglaterra, como meridiano
origem para as medições de longitude. Existem, no entanto, países que ainda adotam outros
meridianos como origem de suas coordenadas, exceto para navegação, devido a ser padronizado
internacionalmente. Vide figura 6.
Ao Primeiro Meridiano (Greenwich) é atribuído valor zero, ou longitude igual a 0º. Os demais
recebem valor variando de 0º a 180º E (leste) ou 0º a 180º W (oeste), conforme o hemisfério oriental ou
ocidental em relação ao meridiano de Greenwich. Igualmente as latitudes, as longitudes também foram

1
Que também são convencionadas como coordenadas positivas (0º a +90º)
2
Que, ao contrário, são convencionadas como negativas (0º a –90º)
44
convencionadas como positivas ou negativas, atribuindo-se a leste ou valores positivos e a oeste, os
negativos. O Brasil se encontra totalmente a oeste de Greenwich, possuindo assim, somente longitudes
negativas.

Figura 6: Meridiano de Greenwich (Melhoramentos, 1998)

Define-se a longitude de um ponto P - λ - como a distância angular, positiva ou negativa,


dependendo do hemisfério considerado, contada sobre o equador, a partir do meridiano de
Greenwich até o meridiano que passa por P.

Será positiva se estiver a este de Greenwich e negativa se estiver a oeste. É notada pela letra
grega λ (lâmbda), sendo também medida em unidades sexagesimais.

Meridiano Origem

φ+ φ+
λ− λ+

φ− Equador
φ−
λ− λ+

Figura 7 – Sinal da latitude e longitude


A definição de coordenadas de um ponto sobre a superfÍcie terrestre será dada então pela dupla
( ϕ , λ).
A diferença de coordenadas entre dois pontos 1 e 2, genéricos quaisquer, pode ser expressa
pelas relações:
δϕ = ϕ2 - ϕ1
δλ = λ2 - λ1
A malha resultante de paralelos e meridianos definem o sistema de coordenadas geográficas
conhecidas como gratícula, seja com referência a superfície terrestre, seja em relação à sua

45
representação em um plano através de uma projeção cartográfica. Uma interseção de gratícula define
um ponto na superfície de coordenadas geográficas (ϕ, λ). Esta convenção é internacionalmente aceita.
Vide figura 7.

Figura 7: Sistema de coordenadas terrestre – a gratícula (Tyner, 1992)

As coordenadas geográficas constituem a forma mais eficiente de prover uma referência de


posicionamento unívoco em Geografia, navegação e outras ciências afins.
A rede de paralelos e meridianos (gratícula) efetua o controle geométrico para o uso de um
mapa, reconhecida universalmente a diferentes níveis de utilização.
Existem outros sistemas, porém de uso mais restrito, podendo-se citar o sistema de coordenadas
de azimute e distância e o próprio sistema cartesiano tridimensional.
Estes sistemas, porém são interrelacionados e podem ser transformados de um para outro,
bastando que para isso se conheça parâmetros de translação, rotação e escala entre elas.
Fica faltando relembrar que, para ambos os casos, tanto para a latitude como para a longitude,
objetivando uma maior precisão na localização, a unidade grau é subdividida em minutos e segundos.
Como já é sabido 1grau (1º) possui 60 minutos (60’), enquanto um minuto possui 60 segundos (60”).

Exercício Resolvido:
1) Considere dois pontos, A e B, localizados sobre a superfície terrestre. Conhecendo-se suas
coordenadas geográficas, calcule as diferenças de coordenadas, latitudinal e longitudinal, e
identifique os hemisférios em que os pontos se encontram.

ϕA = -23o 24’ 30” λA = 05o 00’ 40”


ϕB = -47o 04’ 10” λB = -55o 54’ 07”
46
Solução:
As diferenças de coordenadas latitudinal e longitudinal são obtidas pelas fórmulas δϕ = ϕ2 - ϕ1 e δλ
= λ2 - λ1, tendo-se para o caso de A e B:
δϕAB = ϕB - ϕA ∴ δϕAB = 05o 00’ 40” – (-23o 24’ 30”) = 28o 25’10”
δλAB = λB - λA ∴ δλAB = -55o 54’ 07” – (-47o 04’ 10” ) = -8o 49’57”
Quanto a localização, tem-se que os pontos A e B se encontram no hemisfério Sul (latitudes negativas)
e, respectivamente, a Este (longitude positiva) e Oeste de Greenwich (longitude negativa).

3.3 – CONCEITO DE AZIMUTE E ARCOS NA SUPERFÍCIE TERRESTRE

1 - Ângulos e Distâncias na Terra – Conceito de Azimute


Um ângulo esférico é a medida angular no ponto de interseção, de dois arcos de círculo
máximo medidos na superfície curva da esfera. Ele é igual ao ângulo plano formado entre as duas
tangentes traçadas no ponto de interseção, a cada círculo máximo.
Considerando-se os círculos máximos PA e PB, o ângulo DPA é igual ao ângulo plano KPJ.
Figura 1 – Ângulo esférico

Por essa figura, pode-se verificar que a longitude λ pode ser medida em qualquer ponto do eixo
de rotação, uma vez que este ângulo pode ser medido em um plano paralelo ao Equador. Na figura 1,
o ângulo plano KPJ e o ângulo esférico APD são iguais.
Um segundo conceito angular importante é o conceito de azimute, entre dois pontos,
introduzindo a noção de ângulos e direções sobre a superfície terrestre.

47
Considerando-se 3 pontos N, A e B conforme a figura 2, onde N é o Pólo Norte e NA é um
arco de círculo máximo, representando o meridiano A, similarmente com B e NB. A linha AB
representa a menor distância entre A e B, portanto um arco de círculo máximo, definindo-se um
triângulo esférico, formado pela interseção dos 3 círculos máximos.
Figura 2 – Azimute

O azimute de um ponto a outro, é genericamente definido como “o ângulo formado entre a


direção norte e a direção ao outro ponto, contado no sentido horário”. Em termos da superfície
terrestre, pode ser visto como o ângulo esférico formado entre qualquer círculo máximo e um
meridiano, tendo como origem a orientação para o Norte. O ângulo NAB representa o azimute de A
para B e NBA o azimute de B para A.

2 - Comprimento de Arcos de Círculos e Esféricos


O comprimento C do arco de uma circunferência é dado pela relação:
C=2π R
Onde R é o raio do círculo considerado, 2 π a constante da relação e C corresponde ao
desenvolvimento de um ângulo central igual a 360°. O comprimento de um arco de círculo, será dado
de forma semelhante, pela formulação:
AB = R. z
onde R é o raio do círculo e z o ângulo central AOB, expresso em radianos, conforme pode ser visto
na figura 3.
Figura 3 – Comprimento de um arco de círculo

48
3 – Comprimento de um Arco de Meridiano
Sendo os meridianos arcos de círculo máximo, todos têm portanto o raio terrestre como raio
definidor. Na figura 4, considerando-se um meridiano qualquer, o arco de um meridiano irá
corresponder à diferença de latitudes entre dois pontos quaisquer, sobre este mesmo meridiano.

Desta relação, introduzindo as notações correspondentes, o comprimento de um arco de


meridiano, entre dois pontos A e C quaisquer, de coordenadas A = (ϕa, λa) e C(ϕC, λC), sobre um
mesmo meridiano será:
S m = RδϕAC onde δϕAC = (ϕC −ϕA )

D
C

δλΑΒ δϕΑC
B
A
O E

ϕΑ

E
F

Figura 4 – Arcos de meridianos e paralelos


Todos os ângulos expressos em radianos.

4 - Comprimento de um Arco de Paralelo


Sabe-se que um paralelo é um pequeno círculo, assim o raio do pequeno círculo definido pelo
paralelo será sempre menor que o raio da esfera r p < RT. Assim, para uma distância angular dada, a
distância arco no paralelo é menor que a distância correspondente ao longo do Equador.
Na figura, NCAF corresponde ao meridiano de longitude λa e NDBE é o meridiano de B, de
longitude λb, portanto o ângulo AOB = FO’G = δλ= λb -λa.

r
O'

90 - φ
R

φ
49
O
Figura 5 – Raio de um paralelo
Da formulação de arco de um círculo: EF = R δλ e
AB = r δλ

Do triângulo O’FO, retângulo em O’


Tira-se:
r = R sen (90° - ϕ) ou
r = R cos ϕ

Consequentemente a distância arco ao longo de um paralelo de latitude ϕ é determinado por:


Sp = R cosϕ δλ

5 - Comprimento de um Arco Qualquer de Círculo Máximo


Considerando-se dois pontos A e B, com as coordenadas (ϕa, λa) e (ϕb, λb) respectivamente
deve-se resolver o triângulo esférico NAB, na figura 2, para determinar o lado AB = z.
Expressando a formulação, sem dedução, em função da latitude e longitude de A e B, define-
se::
cos z = sen ϕa sen ϕb + cos ϕa cos ϕb cos(δλ ) ou
cos z = sen ϕa sen ϕb + cos ϕa cos ϕb cos (λa - λb)

E finalmente:
S=Rz

6 - Determinação do Azimute
O azimute entre dois pontos A e B qualquer, pode ser definido através da trigonometria esférica
NAB = Z.
A dedução de equação conduz à formulação
cot Z = cos ϕa .Tg ϕb .cosec δλ - sen ϕa cot δλ

7 - Convergência de Meridianos
O azimute de A para B e B para A não são recíprocos, ou seja, α ≠ α′ + 180°. Diferem de
uma quantidade γ mostrado na figura.

δλ γ

α'
α 50
B
A
Isto leva a uma conclusão importante que um azimute de qualquer círculo máximo que cruza
um meridiano obliquamente, somente pode ser definido no ponto que estiver sendo medido,
significando que o azimute muda continuamente, a razão para isto é existência da quantidade angular
denominada convergência meridiana.
No Equador o arco entre 2 meridianos é: Sa = R δλ.
Nos pólos a distância correspondente é nula.
No Equador, os meridianos λa e λb são perpendiculares a ele, interceptando-se nos polos para
definir a diferença de longitude δλ.
A convergência entre dois meridianos em qualquer latitude intermediária, é expressa pelo
ângulo γ , variando de 0 no Equador até δλ nos pólos.
Pode ser presumida que varie então de acordo com o seno da latitude ( 0 a 1 ), logo:
γ = δλ . sen ϕ
Para uma linha AB qualquer entre os paralelos ϕa e ϕb, é usual expressar a convergência em
termos de uma latitude média:

(ϕ + ϕ )
γ = δ s λe n a b
2

8 - Sistema de Coordenadas no Elipsóide


A utilização da figura do elipsóide de revolução como representativo da forma da Terra, tem
por objetivo a maior aproximação entre o geóide e o elipsóide, acarretando com isso erros menores no
desenvolvimento de cálculos geodésicos.
Isto acarreta a necessidade de um estudo profundo da geometria do elipsóide e sua adaptação à
superfície terrestre.
Não será desenvolvido isto aqui, tendo em vista que foge aos objetivos do curso, uma vez que
cálculos que requeiram a utilização do elipsóide não serão necessários para o dia a dia do geógrafo.
Deve-se, no entanto, observar que nos mapeamentos efetuados em escala média (de 1:
1.000.000, até alguns de 1: 2.000) são sempre efetuados com a utilização desta figura matemática
como base.
Os conceitos de latitude e longitude continuam como expressão do sistema de posicionamento
sobre a superfície terrestre.

N
P

ψ φ

51

S
O conceito de longitude é idêntico. O de latitude porém tem uma pequena modificação.
Existirão duas latitudes: a geocêntrica, tomada em relação ao centro do elipsóide e a geodésica,
tomada em relação à normal ao plano tangente e o plano do Equador. Para a definição do sistema de
posicionamento, utiliza-se a latitude geodésica como ângulo vetorial.

Exercício Resolvido
Determinar o comprimento dos arcos de meridianos paralelos entre esses pontos, sabendo-se que as
coordenadas de A e B são respectivamente: (-24° 13′ 22,82″ ; -72° 37′ 42,93″) e (-45° 37′ 45,32″;-
67° 43′ 17,79″). Raio terrestre = 6372 km.

Solução:

Esboço de posicionamento

A
-24° 13′ 22,82″

-45° 37′ 45,32″


B
-72° 37′ 42,93″ -67° 43′ 17,79″

a) Cálculo do arco de meridiano


Basta calcular um dos arcos, uma vez que os dois arcos de meridianos serão iguais.
δϕAB = (ϕB −ϕA ) = -45° 37′ 45,32″ - (-24° 13′ 22,82″) = -21° 24′ 22,5″
transformando em radianos

δϕAB = 0,369018628941

Sm = Rδϕ = 2351.38670361 km

b) Cálculo do arco de paralelo

52
Como não foi especificado qual o paralelo, deve ser realizado para os dois paralelos, de A e B
respectivamente. Isto mostrará a desigualdade entre os arcos de paralelo.

SpA = RcosϕA(δλAB) e SpB = RcosϕA(δλAB)

rA = RcosϕA rB = RcosϕB

rA = 6372 * 0,911955449251 = 5810,98012263 km


rB = 6372 * 0,699298435449 = 4455,92963068 km

3.4 Tempo e Fusos Horários

A medida do tempo no passado, quando mesmo os pequenos deslocamentos apresentavam-se


com a duração de vários dias, apenas os astrônomos podiam compreender que o tempo solar, no
mesmo momento, era variável, em diferentes lugares.

De fato, se em um determinado local o Sol encontra-se próximo à


posição do meio dia, a oeste dessa posição, o Sol ainda não alcançou esta
posição, enquanto que a leste, ela já foi ultrapassada.

Se dois lugares estiverem alinhados ao longo de um mesmo meridiano,


terão a mesma hora solar, pois estarão vendo o Sol sob o mesmo ângulo
horário com a posição do meio dia.

Figura 1

A figura 1 mostra um exemplo das situações apresentadas. A Terra (E), observada pelo polo
norte, é iluminada pelo Sol (S). Os raios solares atingem a superfície terrestre paralelamente, devido à
distância Terra-Sol. A seta curva mostra a direção contrária da rotação terrestre, uma vez que se está
considerando a Terra fixa. O Sol está alinhado com a direção do meridiano (MN) e o ponto M indica a
passagem do Sol pelo meridiano (meio dia). Em E, a este são 3 horas, havendo um ângulo horário de
+ 3 horas, definido pelas direções MN e NA, direção do meridiano local. Similarmente, existirá um
ângulo horário de – 3 horas, em relação ao meridiano BN, em W. No ponto L também serão meio dia,
pois está situado sobre o mesmo meridiano MN.

53
3.4.1 Medidas de Tempo
O tempo e sua medida é algo que é amplamente conhecido e vivido por cada ser humano.
Porém o que é tempo? Qual o seu significado real? Como é medido e sentido sobre a superfície
terrestre?
O dicionário Webster define tempo como: “O período medido ou mensurável, durante o qual
uma ação, processo ou condição exista ou continue a existir”.
Também é definida a duração desse período, como “o continuum não espacial, que é medido
em termos de eventos que se sucedem um ao outro, do passado, através do presente, para o futuro.
O conceito antigo de tempo definia o dia como a unidade básica, estabelecida como o período
de luz solar, seguido pela noite, consistindo de dois períodos de 12 horas, num total de 24 horas. Uma
hora é dividida em 60 minutos, que por sua vez subdivide-se em 60 segundos, estabelecendo assim um
sistema sexagesimal. Os segundos por sua vez são subdivididos no sistema decimal, em décimos,
centésimos, milésimos de segundo.

Modernamente o tempo é definido tendo por base o segundo. Um dia possui 86400 segundos e
um segundo é oficialmente definido como 9 192 631 770 oscilações do átomo do Césio-133 em um
relógio atômico.
Existem ainda outros sistemas de tempo, principalmente voltados para aplicações astronômicas
e satélites (GPS), como por exemplo:

- Tempo dinâmico, que considera o tempo definido pelo movimento orbital da Terra no Sistema Solar.

- Tempo Universal (UT), baseado na rotação terrestre em relação às estrelas (Tempo sideral). Sideral
Time : Tempo Sideral – A medida de tempo definida pelo movimento diurno aparente do ponto
vernal; portanto, uma medida da rotação da Terra com respeito a malha de referência relacionada com
as estrelas ao invés do sol. São usados dois tipos de tempo sideral em astronomia: tempo sideral médio
e tempo sideral aparente. Um dia sideral é igual a cerca de 23 horas, 56 minutos, e 4,090 segundos do
dia solar médio. Da mesma forma, 366,2422 dias médios siderais são iguais a 365,2422 dias solar
médio.

- Tempo Atômico Internacional (IAT), Uma escala de tempo atômico baseada em dados provenientes
de um conjunto mundial de relógios atômicos. Constitui por acordo internacionalmente aceito a
referência de tempo em conformidade com a definição do segundo, a unidade fundamental de tempo
atômico no Sistema Internacional de Unidades (SI). É definido como a duração de 9 192 631 770

54
períodos da radiação correspondente a transição entre dois níveis hiperfinos dos átomos de césio 133
em seu estado básico.

O TAI é mantido pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) na França. Embora o
TAI tenha sido oficialmente introduzido em Janeiro de 1972, ele está disponível desde Julho de 1955.
- Tempo Terrestre (TT) –A nova denominação do Tempo das Efemérides, definida pela União
Astronômica Internacional em 1991. Em Janeiro 01, 1997, TT = TAI + 32,184 segundos, e a duração
do segundo foi escolhida em concordância com o Sistema Internacional (SI) sobre o geóide. A escala
TT difere do antigo Tempo das Efemérides em sua definição conceitual. Todavia, na prática é
materializado pelo Tempo Atômico Internacional (TAI).

- Greenwich Mean Time (GMT): Hora Média de Greenwich - Um sistema de 24 Horas baseado na
hora Solar média mais 12 horas em Greenwich, Inglaterra. A Hora Média de Greenwich pode ser
considerada aproximadamente equivalente ao Tempo Universal Coordenado (UTC), o qual é
disseminado por todas rádio emissoras de tempo e freqüência. Entretanto, GMT é um termo obsoleto e
foi substituído por UTC.

- Tempo civil (Tc): é o tempo solar médio acrescido de 12 horas, isto é, usa como origem do dia o
instante em que o sol médio passa pelo meridiano inferior do lugar. A razão da instituição do tempo
civil é não mudar a data durante as horas de maior atividade da humanidade nos ramos financeiros,
comerciais e industriais, o que acarretaria inúmeros problemas de ordem prática.

- Hora legal: é o tempo determinado pela posição do meridiano do lugar

- Tempo universal (TU): é o tempo civil de Greenwich. Note que os tempos acima são locais,
dependendo do ângulo horário do Sol, verdadeiro ou médio. Se medirmos diretamente o tempo solar,
este vai provavelmente ser diferente daquele que o relógio marca, pois não se usa o tempo local na
vida diária, mas o tempo do fuso horário mais próximo.

Por acordos internacionais, a grande maioria das informações de tempo são relacionadas ao
Tempo Universal Coordenado (UTC), antiga denominação do Tempo Médio de Greenwich (GMT),
que por sua vez é uma aproximação do Tempo Universal (UT).

3.4.2 Fusos Horários


Considerando o movimento de rotação terrestre, é impossível o Sol estar cruzando o meridiano
de dois lugares exatamente ao meio dia, exceto se esses lugares estiverem sobre o mesmo meridiano.

55
Como a Terra gira 360° em 24h , é fácil verificar que à cada hora ela gira em 15°. Surge assim o
conceito de divisão da Terra em fusos horários, com a amplitude desses mesmos 15°, estabelecendo-se
assim 24 fusos de uma hora cada.
Todos os fusos foram definidos a partir do meridiano de Greenwich, por acordo internacional
estabelecido em 1884, por ser o mesmo meridiano já considerado origem para alguns dos sistemas de
posicionamento terrestre, passando pelo cruzamento dos fios da luneta do antigo Observatório Real.
Este meridiano é definido como o meridiano central do fuso, dessa forma cada fuso tem a longitude do
meridiano central divisível por 15. A hora em cada fuso é assumida pela hora do meridiano central.

MY X W V U T S R Q P O N Z A B C D E F G H I

Meridiano de Greenwich
Linha Internacional de Mudança de Data
Figura 2 – Fusos Horários – O Mundo em fusos de 15°

A linha Internacional de Mudança de Data é uma linha imaginária posicionada próximo ao


meridiano 180° , cortando o Oceano Pacífico. O cruzamento desta linha, para oeste faz com que a data
do calendário seja adiantada de um dia. Se cruzada em sentido contrário (para este), a data observada
será um dia atrasada em relação ao oeste da linha.
Esta divisão, bem caracterizada, define a hora civil em cada ponto da superfície terrestre. O
fuso de Greenwich recebe a denominação de Z ou ZULU, sendo a hora em Greenwich chamada de

56
hora Zulu. Aos demais fusos são também atribuídas letras. O fuso que abrange a Linha Internacional
de Mudança de Data possui duas designações: a oeste M e a este Y, correspondendo à data adiantada e
atrasada respectivamente.
Para acomodar divisões políticas a maior parte dos países têm modificado os fusos, criando
contornos que melhor enquadram as suas necessidades, conforme pode ser visto na figura 3.

Figura 3 – Fusos Horários adaptados

Fusos no Brasil: o Brasil abrange quatro fusos:


-2h: arquipélago de Fernando de Noronha
-3h: estados do litoral, Minas, Goiás, Tocantins, parte oriental do Pará
-4h: parte ocidental do Pará, parte oriental do Amazonas, Mato Grosso do Norte e Mato Grosso do
Sul.
-5h: parte ocidental do Amazonas e Acre.

A figura 4 mostra como os fusos horários estão distribuídos:

57
Figura 4 – Fusos Horários no Brasil

Em função das divisões apresentadas, algumas definições sobre tempo podem ser agora firmadas.
- Hora legal: é a hora civil do fuso para a área geográfica considerada
- Hora oficial: normalmente considerada em cada país, como a hora legal da sua Capital.
- Hora Universal local: hora determinada pelo meridiano passante pelo lugar em relação à Greenwich.

3.4.3 Linha Internacional de Mudança de Data


A linha que acompanha o antimeridiano de Greenwich (180º), atravessando o oceano Pacífico, por
convenção internacional, determina a mudança de data civil em todo o planeta. Ultrapassando-se essa
linha, a data tem que ser alterada para o dia anterior ou seguinte à partida, conforme esteja-se indo de
oeste para leste ou leste para oeste. A hora, no entanto, é a mesma nas duas zonas, defasadas de 24
horas. Por exemplo, no lado oeste da linha, seria h horas, do dia D, enquanto no lado leste seria
exatamente a mesma hora, h, do dia D-1. Isto ocorria em Kiribati, um pequeno país formado por
diversas ilhas no oceano Pacífico. Seu território era dividido pela Linha Internacional de Mudança de

58
Data. No leste do país, quando era domingo, na capital, Bairiki, já era segunda-feira. Isso foi alterado
em 1995, com a nova demarcação da Linha Internacional de Mudança de Data,

Figuras 5 e 6 – Linha Internacional de Mudança de Data

±12 11
-11 10
-10 9
-9 8

-8 7

-7 6

-6 5

-5 4

-4
3
-3 2
-2 1
-1 0

Figuras 6 e 7 – Gráficos de auxílio para a mudança de data

3.4.4 Determinação da Hora


Como se pode determinar a hora em cada local da superfície terrestre. Inicialmente, pelas
explicações dadas, este problema está intimamente ligado à determinação da longitude do lugar, uma
vez que, pelo seu conhecimento será possível estabelecer a diferença em relação à Greenwich.

Hora Legal
De posse de um mapa de fusos horários, verificar qual a diferença horária (UT ± f, onde f é o
fuso do lugar) em relação à Greenwich. Observar que este tipo de mapa, conforme pode ser visto na
59
figura 3, todas os horários estão reduzidos ao fuso origem. Assim serão também obtidos horários
relacionados à este fuso. Sabendo-se a hora de Greenwich, basta somar ou subtrair os valores.
Para a determinação de um horário em relação à outro ponto terrestre, deve-se reduzir um dos
pontos como origem estabelecendo-se o diferencial em relação aos dois pontos.

Exemplos:
1 – Qual a hora em Nova York, sabendo-se que são 14:00 em Greenwich
Pelo mapa, NY está no fuso Q, correspondendo a UT – 4, ou seja, quatro horas a menos que em
Greenwich, logo

HNY = HG (UT) –4 = 14:00 – 4 = 10:00

2 – Tendo-se 18:00 em Rio Branco, Acre, qual a hora em Greenwich


Fuso do Acre = UT –5
HAC = UT –5 18:00 = UT –5 ∴UT = 18:00 + 5 = 23:00

Deve-se ficar atento para o problema de mudança de data. Por exemplo se fossem 22:00 horas em Rio
Branco, a hora de Greenwich seriam 22: 00+ 5 = 27:00, porém já extrapolado para 24:00, a hora
correta é 03:00 do dia seguinte ao dia em Rio Branco.

3 – Determinar a hora em Moscou, quando forem 11:00 no Rio de Janeiro


Fuso do Rio de Janeiro UT –3
Fuso de Moscou UT + 3, logo

HRJ = UT –3 e HM = UT + 3
Considerando então que UT =
HM = (HRJ + 3) + 3, portanto HM = HRJ + 6, assim a hora em Moscou será 17:00, do mesmo dia.

4 – Considerando-se serem 21:00 horas em São Paulo, determinar a hora em Tóquio.


Fuso de São Paulo UT –3 (P)
Fuso de Tóquio UT + 9, logo pelas mesmas considerações do exercício anterior
HT = (HSP + 3) + 9, assim
HM = (21:00 + 3) + 9 = 33:00, ultrapassando as 24:00, que subtraídas fornecem o valor de 9:00.
Verificando-se então que houve transposição da linha de mudança de data, caracterizando a data do
dia D+1 em relação ao dia em São Paulo.

60
Hora Civil
A hora civill sempre será determinada pela diferença de longitude entre os dois lugares
considerados. Dividindo-se a diferença de longitude pelo valor unitário de 1h (15°), obtem-se a
diferença horária entre os dois meridianos. Este valor obtido deve ser somado ou subtraído, conforme
a posição do ponto desejado estar à este ou oeste do ponto origem.

O cálculo é semelhante a determinação da diferença de longitude netre dois pontos


∆λ 12 = λ2 - λ1 , ∆h12 = (∆λ12)/ 15°
∆h12 = h2 - h1
h2 = ∆h12 + h1 determinando-se então a hora civil no local desejado.

Exemplos
1 – Determinar a hora na cidade de Estocolmo, de longitude igual a 18° 17′ 22″, sabendo-se que são
17h 22m na cidade de Salvador, Brasil, cuja logitude é igual a -38° 18′ 42″.

∆λSE = λE - λS ∆λSE = 18° 17′ 22″ -(-38° 18′ 42″) = 56° 36′ 04″
∆λSE = 56,6011111 (graus decimais)

Determinação da diferença horária


∆h12 = (∆λ12)/ 15° = 56,6011111/ 15° = 3,773407407 (hora decimal) = 3h 46m 24s
Como Estocolmo está a leste de Salvador, esta diferença será positiva, logo a hora em Estocolmo será
dada por
HE = 17h 22m + 3h 46m 24s = 21h 08m 24s
Evidentemente esta hora não será a hora legal em Estocolmo, pois Salvador está no fuso P, UT –3 e
Estocolmo está no fuso A UT + 1, sendo portanto a diferença de fuso, dada por H S + 4, logo a hora
legal em Estocolmo será
HlE = 17h 22m + 4 = 21h 22m.
3.4.5 Horário de Verão
O horário de verão é adotado por um grande número de países, como medida de economia de
eletricidade, durante parte da primavera e verão, onde os dias são maiores que as noites. A idéia é
ajustar as horas de claridade o mais próximo possível das horas de atividade humana, havendo com
isso uma razoável economia. Normalmente é definida por decretos, com datas de início e término
variáveis, adiantando-se os relógios em uma hora, quando começa e atrasando-se ao seu final.

61
Para o Brasil, normalmente o horário de verão é decretado no início de outubro, com término
previsto em meados de fevereiro.

Exercícios

1-Unb-2003 Um avião que parte a zero hora da cidade de Los Angeles (a) estados Unidos da Ame´rica
(EUA) com destino a Londres (b) Inglaterra, pode escolher entre dois sentidos em linha reta de vôo.
Leste –Oeste ou Oeste-Leste. Desprezando o tempo gasto em escalas e considerando tempos de vôo de
26 horas e 13 horas, respectivamente, para os sentidos mencionados, julgue os itens:
1-Tomando o avião no sentido Oeste-Leste, o viajante terá de atrasar seu relógio ao chegar à cidade de
destino, Londres, para ajustá-lo ao horário local.
2-No sentido Oeste-Leste, o viajante chegará a seu destino no horário local de 21 horas do mesmo dia.
3-Em relação ao horário na cidade de destino, o viajante que se deslocasse no sentido Leste-Oeste
chegaria em um horário mais cedo do que se tivesse viajado no sentido contrário, porque o aumento na
duração do vôo é compensado pela diminuição do horário em relação a Greenwich.

2. São 15 horas em Cuiabá . Que horas serão em Brasília, Tóquio e Londres?


a) 13/12/22.
b) 16/04/19.
c) 15/16/22.
d) 17/02/12.
e) 11/12/15.

3. O Horário GMT, por acaso, corresponde, em determinado momento, ao número atômico do


Carbono. Determine o horário de Nova Déli, na Índia, situada 150? Leste de Manaus.

4. Um eclipse, ocorrido às 12 horas GMT sobre uma ilha, foi visto em Los Angeles e em Vladivostok,
na Rússia.
Sabendo-se que o eclipese ocorreu a 15? W de GMT, pergunta-se: onde está o erro do problema?

5-Observe o mapa : (UFLA-2001)


Sobre os fusos horários brasileiros, as alternativas abaixo estão corretas, EXCETO:
a) Quando o relógio no Acre marcar 20 horas, em Minas Gerais serão 22 horas.
b) A hora oficial do Brasil encontra-se 3 horas atrasadas em relação a Greenwich.
c) Palmas e Curitiba são cidades com o mesmo fuso horário.

62
d) O Acre encontra-se 1 hora atrasado em relação a São Paulo.
e) Quando em Porto Velho for 1 hora, em Vitória serão 2 horas

63
VER ANEXO

4 - ESCALA E ESCALAS
64
4.1- Conceito de escala
O conceito de escala em termos cartográficos é essencial para qualquer tipo de
representação espacial, uma vez que qualquer visualização gráfica é elaborada segundo uma
redução do mundo real. Genericamente pode ser definido de uma forma bem simples:
Escala é a relação entre a dimensão representada do objeto e a sua dimensão real. É
portanto uma razão entre as unidades da representação e do seu tamanho real.
Em termos lineares, planares ou volumétricos, dispõe-se então das relações adimensionais
de escala linear, de área e de volume:
EL = d/D Ep = a/A Ev = v/V
Sendo d = medida linear da representação; D medida linear real
a = medida de área (planar) da representação; A medida planar real.
v = medida de volume da representação; medida de volume real.
A razão é adimensional, por relacionar quantidades físicas idênticas, acarretando a
ausência de dimensão.
O inverso da relação de escala D/d , A/a e V/v , denomina-se número da escala (N),
podendo então a representação numérica da escala ser estabelecida pela relação
E = 1/N ou 1: N ou 1/N ( NL , Na , Nv )
Quando a dimensão do objeto representado é menor que o objeto real, tem-se uma escala
de redução. O contrário estabelece uma escala de ampliação.
E = 1/20000 - redução (uma unidade linear equivale a 20 000 unidades lineares no
terreno)
E = 20/1 - ampliação (20 unidades lineares na carta equivalem a uma unidade
linear no terreno)

4.2 Formas de Expressão de Escala


Uma escala pode ser expressa das seguintes formas:
- fração representativa ou numérica;
- em palavras e
- gráfica ou escala de barras.
A expressão numérica de escala é dada pelo relacionamento direto entre medidas
lineares,planares ou volumétricos na representação (mapa) e no superfície terrestre (da definição
de escala)
El = d / D Ea = a/A Ev = v/V

65
A apresentação da razão no entanto é feita normalmente mostrando o numerador unitário
e o denominador expressando um valor:
d /d
E=1/N =
D/d

A este valor N denomina-se número da escala e a E dá-se o nome de fração


representativa ou fator de escala, e tanto pode ser dada pela fração como pela razão
representativa: 1/100.000 ou 1:100.000, dizendo-se por exemplo, “um para cem mil”, neste caso.
Formalmente esta razão expressa que uma unidade no mapa, equivale ao número de
escala de unidades no terreno, ou seja
1 mm na carta = 100.000 mm no terreno
1 cm na carta = 100.000 cm no terreno
1 dm2 na carta = 100.000 dm2 no terreno
1 m3 na carta = 100.000 m3 no terreno

Esta forma de expressar uma escala estabelece a segunda maneira de mostrar a relação, a
forma escrita. Normalmente esta expressão é dada em termos de uma unidade coerente para as
observações no mapa (mm ou cm em termos lineares, cm 2 , cm3 ), para unidades também
coerentes em termos de terreno (quilômetros, quilometros quadrados ou cúbicos).
1:100.000 - 1 cm = 10 km = 10.000 m
1 mm = 1 km = 1.000 m
1:25.000 - 1 cm = 0,25 km
4 cm = 1 km
Área - 1/ 250 000 - 1 cm2 = 25 m2
Volume - 1/ 1 000 000 000 = 1cm3 = 1000 m3
A conversão de uma forma é simples, bastando efetuar uma transformação de unidades.
Deve-se estar atento para mapas ou cartas antigas, principalmente oriundos de países que
adotavam o sistema inglês. Por exemplo a expressão de
1 m = 1 milha fornece um fator de 1 / 63360.
1 / 2 = 1 milha = 1 / 253440
4′ ′ = 1 milha = 1 / 15840
Recordando: 1′ ′ = 2,54 cm
1 mi n = 1852 m
1 ft = 30, 48 cm
1 yd = 1, 093613 m
A tabela abaixo mostra as escalas mais comuns e equivalências:
66
Escala 1 cm 1 km 1 in (pol) 1 mi
1:2.000 20 m 50 cm
1:5.000 50 m 20 cm
1:10.000 0,1 km (100 m) 10 cm
1:20.000 0,2 km 5 cm
1:25 000 0,25 km 4 cm
1:31.680 0,317 km 3,16 cm 0,5 m 2
1:50.000 0,5 km 2,0 cm
1:63 360 0,634 km 1,58 cm 1,0 1
1:100.000 1.0 km 1 cm
1:250.000 2,5 km 4 mm
1:500.000 5,0 km 2 mm
1:1.000.000 10 km 1 mm

Pode-se verificar que quanto maior o número da escala, menor será a escala, e
inversamente; quanto menor o número da escala, maior a escala. Uma escala maior acarreta
portanto um maior grau de detalhamento dos objetos cartografados, sendo aplicada em áreas
menores e vice versa.

4.3 - Escala Gráfica


A escala gráfica ou de barra é forma de apresentação da escala linear, sendo apresentada
por uma linha, normalmente fazendo parte da legenda da carta, dividida em partes, mostrando os
comprimentos na carta, diretamente em termos de unidades do terreno.

1Km 0 1 2 3 4 5 Km a)

1Km 0 1 2 3 4 5 Km b)

1Km 0 1 2 3 4 5 Km

c)
1/2 mi 0 1 mi 2 mi

67
A figura mostra algumas formas de apresentação de escalas gráficas.
Este tipo de escala permite que as medidas lineares obtidas na carta sejam comparadas
diretamente na escala, já se estabelecendo o valor no terreno.
As escalas podem ser simples ou duplas (a) e (c), isto é, calibradas em mais de um
sistema de medida linear.
Normalmente a escala gráfica apresenta-se dividida em duas partes, a partir da origem: a
escala propriamente dita e o talão ( parte menor), sendo que o talão, é subdividido em
intervalos menores da maior graduação da escala, para permitir uma medição mais precisa.
A escala propriamente dita inicia do zero para a direita e o talão do zero para a esquerda.
O tamanho do talão corresponde a uma unidade da escala.
A escala gráfica, por razões de espaço e funcionalidade, não deve ter menos do que 6
divisões e no máximo 12 divisões (incluindo o talão), dependendo da escala que está
representando.
A divisão do talão deve seguir o sistema de unidades. Com o sistema métrico
normalmente divide-se em 10 partes. Para uma escala de milhas, tomam-se 8 divisões e para
uma escala horária tomam-se 6 divisões (10 min).

Construção de uma escala gráfica


A construção de uma escala gráfica é por vezes necessária, ou pela carta não o ter ou
para prover uma escala para uso em diversos mapas de mesma escala. Sua construção é simples,
não necessitando de muitos cálculos. O exemplo abaixo mostra toda a seqüencia de elaboração
de uma escala gráfica. Considerar uma escala numérica de 1/ 24 000.
1 - Calcular o comprimento total da escala gráfica a representar, na escala considerada. Levar em
consideração o comprimento da escala propriamente dita e do talão, número de divisões mínimo
e máximo, a unidade de cada divisão da escala e do talão, bem como o comprimento que a
escala gráfica terá ao final do traçado.
Neste exemplo, tomando-se 1 km como a unidade da escala, com a divisão do talão em 100 m, o
comprimento da unidade será dada por
1 d
= , d = 1/24 = 0,041667 m = 4,167 cm = 41,67 mm
24000 1000

Ponderando o comprimento da unidade com o comprimento total da escala gráfica, tomando-se a


escala com 3 divisões para a escala gráfica e mais um para o talão, o comprimento total; da
escala será definido pelo valor
4 (3 da escala + 1 do talão) x 41,67 mm = 166,7 mm
Marcar este comprimento total na folha de papel, sem se preocupar em dividir pelas unidades.
68
- traçar uma linha auxiliar por uma das extremidades da reta, e sem compromisso de
comprimento correto, dividi-la com o auxílio do compasso, no número de divisões que se divide
a escala ( 4 no exemplo):

- Unindo-se a extremidade da ultima divisão marcada com a extremidade da reta da escala,


traçam-se paralelas à esta reta, pelas marcações das demais divisões da reta auxiliar,
determinando-se então as divisões corretas da escala.

- O talão é dividido de forma semelhante, no número de divisões que o caracterizará. No


exemplo, em dez divisões, cada uma delas representando 100 m.

Talão

- Apagam-se as linhas auxiliares para evitar confusão com a escala.

Este processo gráfico tem por finalidade evitar a propagação de erros de medição, que
ocorrem se as divisões da escala forem marcadas diretamente pelo compasso.

69
O processo de obtenção de uma distância através da escala gráfica, é direto, não
necessitando de cálculo. Apenas é efetuada a medição da distância a determinar sobre o mapa,
com o auxílio de um compasso.
Transfere-se esta distância para a escala gráfica, a partir da origem da escala
propriamente dita, marcando-se o ponto que alcançou. Com isto tem-se a valorização em
unidades inteiras da escala, mais uma fração da unidade.
A partir da unidade inteira determinada, mede-se agora em direção ao talão, assim a
fração estará inteiramente sobre o talão, podendo então ser estimada o seu comprimento total.
Deve ser observado, que a precisão da escala gráfica é determinada pela divisão do talão,
sendo estimado os valores inferiores. Por exemplo: se a divisão é de 100 m, a estimativa fica em
torno de valores múltiplos de 10m (10, 20, 30, 40m ... etc).

4.4 - Escala Gráfica Decimal


A escala gráfica decimal é uma escala mais precisa que a escala gráfica comum, pois
permite que as medidas sejam efetuadas com uma precisão maior que a determinada pela escala
gráfica comum. Esta precisão é alcançada por um processo gráfico que permite subdividir as
divisões do talão em quantas partes sejam possíveis. No caso da escala gráfica decimal, divide-se
em 10 partes. Logo, se a precisão da escala gráfica for de 100 m, com estimativa de 10m, a
precisão da escala gráfica decimal será de 10m de leitura direta e estimativa de 1 m.

Construção de uma escala gráfica decimal:


- traçar a escala gráfica para a escala numérica com as divisões do talão ;
- levantar perpendiculares à escala, para cada uma das marcações e dividir em 10 partes
iguais de tamanho arbitrário;
- traçar paralelas à escala gráfica por estas divisões;
- unir transversalmente o talão, do 0 da primeira escala ao 1 da última escala (de baixo
para cima ou vice versa).

70
ESCALA GRÁFICA DECIMAL

100 m
900 m

600 m
500 m
300 m
200 m
800 m
700 m

400 m

1km 0 1 2 3 km

4.5 - Escalas Especiais

As fotografias aéreas e grande parte das projeções cartográficas não possuem escalas
constantes, elas são variáveis dependendo de uma sérei de fatores inerentes ao processo de
elaboração da projeção.
As fotografias aéreas, por serem uma projeção central. a escala é variável do centro da
foto para a periferia, sendo tanto menor quanto mais próximo das bordas.
Para determinadas projeções porém, a escala pode ser constante apenas segundo
condições que são ditadas pela própria projeção, valendo a escala nominal ou principal (Ep),
apenas para uma área do mapa, também ditada pela projeção.
Quando a escala for grande, não ocorrerão muitos problemas pois os erros serão
desprezíveis, o que já não ocorrerá em escalas pequenas, podendo ser constante ao longo dos
paralelos e variável ao longo dos meridianos, ou vice-versa. Depende do tipo de projeção e da
sua estrutura projetiva.
Na projeção de Mercator, por exemplo, a escala é variável, constante ao longo dos
paralelos e variável ao longo dos meridianos, variando com a latitude, quanto maior a latitude,
maior a escala. No equador tem-se a escala nominal, aumentando-se a medida caminha-se para
os pólos, onde a escala é infinita.
PROJ EÇÃO DE MERCATOR

Escala em Diferentes Latitudes


1/50 000 000 no Equador - 1/9 132 500 na Latitude de 24

71
É obrigatória nas pequenas escalas a citação da área de validade da escala principal,
complementando-se com gráficos variáveis ou ábacos de variação de escala.

4.6 - Erro e Precisão Gráfica


A escala de representação está ligada a um conceito de evolução espacial e precisão de
observação.
O olho humano permite distinguir uma medida linear de aproximadamente 0,1 mm. Um
ponto, porém, só será perceptível com valores em torno de 0,2 mm de diâmetro em termos
médios. Este valor de 0,2mm é adotado como a precisão gráfica percebida pela maioria dos
usuários e caracteriza o erro gráfico vinculado à escala de representação. Dessa forma, a
precisão gráfica de um mapa está diretamente ligada a este valor fixo de 0,2 mm, estabelecendo-
se assim, em função direta da escala a precisão das medidas da carta, por exemplo:

E = 1/20000 -------- 0.2mm = 4000 mm = 4 m


E = 1/10000 -------- 0,2mm = 2000 mm = 2 m
E = 1/40000 -------- 1,2mm = 8000 mm = 8 m
E = 1/100000 ------- 0,2mm = 20000 mm = 20 m

Em observações lineares, estas são as precisões alcançadas pelas escalas mostradas.


Quanto menor a observação, maior o erro relativo associado.
Em geral, quando se parte para a representação de uma parte da superfície terrestre,
entende-se que a escala a ser aplicada à área será uma escala de redução, ou seja, a superfície a
representar será reduzida de forma a estar contido na área do mapa.
Esta redução traz o erro gráfico aplicado a escala de representação. Tome-se que o erro
gráfico já é o componente final de todos os erros inerentes ao processo de construção do mapa.
Desta forma, todas as medições e observações estarão com uma precisão inerentes a propagação
de erros de todas as fases da construção de uma carta: campo, aerotriangulação, restituição,
gravação e impressão.
O processo automatizado de construção de cartas tem também algumas dessas fases
embutidas, também com prescrições de precisão bem definidas.
Já a aquisição de dados para SIG, Geoprocessamento e mesmo trabalhos de cartografia
temática de síntese, pode ser realizada através de documentos cartográficos já existentes. Do
momento que se adquire dados a partir de um documento já existente, verificam-se os seguintes
pontos:

72
- o documento já possui um erro gráfico inerente à sua escala de representação, e nada vai
fazer com que esse erro diminua;
- o documento está em uma escala pré-definida.
Surge então a questão de que esses dados só poderão servir à essa escala de aquisição,
não podendo ser trabalhados para outras representações em outras escalas, o que evidentemente é
um disperdício em um sistema de armazenamento de dados.
Em termos de utilização desses dados para uma redução, não existe nenhuma restrição de
utilização. Através do exemplo, pode-se facilmente verificar isso:
Suponha-se a aquisição de dados para uma região, através de folhas de carta na escala de
1/ 250 000. Deseja-se fazer a redução de representação para a escala de 1/ 1 000 000. O erro
gráfico da primeira escala corresponde a 50m e para a segunda escala, de 200m, ou seja quatro
vezes menor.
Em termos de uma ampliação, ocorrerá o problema inverso. Supondo-se aquisição na
escala de 1/ 1 000 000 e uma ampliação para a escala de 1/ 250 000, o erro de 200 m terá uma
ampliação de quatro vezes passando para 800m o que na realidade corresponde não a quatro
vezes, mas a dezesseis vezes maior que o erro gráfico permitido para aquela escala, que é de 50
m. Para uma ampliação de um mapa, da escala de 1/ 100 000 para 1/ 20 000, o erro gráfico
inerente à primeira escala é igual a 20 m e para a segunda, igual a 4 m. Ao se ampliar a
informação gráfica, o erro será também ampliado, passando para 100 m, uma vez que a
ampliação submentida foi de 5 vezes. Comparando-se esse valor com o erro gráfico da escala
final, verifica-se que é 25 vezes maior que o erro permitido para a escala de 1/ 20 000.
Podem ocorrer casos que os erros oriundos de uma ampliação não sejam relevantes para
uma determinada representação. Com todos a s restrições, é possível até aceitar-se, mas em
princípio, as ampliações não são consideradas em termos cartográficos.

4.7 - Escolha da Escala


As condicionantes básicas para a escolha de uma escala de representação são:
- dimensões da área do terreno que será mapeado;
- tamanho do papel que será traçado o mapa;
- a orientação da área;
- erro gráfico;
- precisão do levantamento e/ou das informações a serem plotadas no mapa.
Pelas dimensões do terreno e do tamanho do papel, pode-se fazer uma primeira
aproximação para a escolha da escala ideal de representação. Desta primeira aproximação deve-
se então se arredondar a escala para que fique a mais inteira possível.

73
Deve-se considerar em relação ao papel, locais para a colocação de margem e legendas
para o mapa. Isto fará com que a área do papel seja menor que as dimensões iniciais.
Supor que se deseje editar um mapa do Estado do Rio de Janeiro em tamanho A4. Para se
definir a escala ideal de representação, devem ser seguidos os seguintes passos:
a) Tamanho do papel
A4 - 21,03 x 29,71 cm

km
0 300 km
45

450 km

b) Dimensões do Estado

± 450 km na linha de maior comprimento


c) Tomando-se uma margem de 1 cm por borda, a área útil será diminuída para 19,03cm x
27,71cm ≈ 18cm x 26cm (margem de segurança)

área útil

d) Orientando de forma que a área fique com a base voltada para a margem inferior,
desenvolvem-se os seguintes cálculos para a determinação das escalas
26 cm 1

45.000 .000 cm 1730769

1:1.700.000 → 26,47 cm  450 km OK


300 km (1:1.700.000) ⇒ 17,64 cm OK
Escala determinada = 1:1.700.000

4.8 - Determinação de Escala de um Mapa

74
Quando por algum motivo não é fornecida a escala de um mapa pode-se, obter uma
escala aproximada, através da medição do comprimento de um arco de meridiano entre dois
paralelos.
O comprimento médio de um arco de meridiano é de 111, 111 km, bastando então dividir
a distância encontrada no mapa por este valor.

o
21 dist . mapa mm
E= =
111 ,111 111 .111 .000
22o

Desejando-se valores mais precisos, pode-se consultar uma tabela de valores de arco
meridiano para as diversas latitudes.

Latitude Comprimeneto Latitude Comprimento


0-1 110.567,3 km 50-51 111.239,0 km
10-11 110.604,5 km 60-61 111.423,1 km
20-21 110.705,1 km 70-71 111.572,2 km
30-31 110.857,0 km 80-81 111.668,2 km
40-41 111.042,4 km 89-90 111.699,3 km

4.9 - Transformação de Escala de Mapa


Frequentemente é necessário alterar o tamanho de um mapa, isto é, reduzi-lo ou ampliá-
lo. Uma ampliação acarretará também uma ampliação dos erros existentes. O problema é então,
passar de um fator de escala para outro. Uma vez determinado o novo fator, basta efetuar a
transformação de todas as medidas para a nova unidade.
Exemplo

E1 = 1 / 25.000 E2 = 1 / 125.000

E1 1 / 25.000 125.000
FR = = = =5
E 2 1 / 125.000 25.000

As transformações podem ser efetuadas também por processos mecânicos ou


instrumentos ótico-mecânicos, por exemplo, com a utilização de pantógrafos, ou de um
aerosketchmaster..

75
Um processo gráfico de uso bastante comum é o gradeamento do desenho original e o
desenho de uma grade com o fator de escala definido, passando-se o desenho de um para outro.

4.10 - Problemas de Escala


1) Tendo-se medido uma distância na carta igual a 2 mm, sabendo-se que a distância no
terreno é igual a 1.200 m, calcular a escala da carta.

2 1
E= =
1.200 .000 600 .000

2) Tendo-se uma carta na escala 1/40.000, e medido-se uma distância na carta igual a 4
mm, determinar a distância correspondente no terreno.

E = 1/40.000 d = 4 mm
4
E = d/D D = d/E D= = 160 .000 mm = 160 m.
1 / 40.000
3) Tendo-se a escala da carta igual a 1/50.000, e a distância no terreno de 5,5 km,
determinar a distância na carta.

d
E= d = E x D = 5,5 x 1/50.000 = 5.500.000/50.000 = 110 mm
D
4) Sendo dada a escala de uma carta igual a 1/80.000, e uma distância medida na carta
igual a 5 cm, pede-se verificar qual a escala de uma carta em que a mesma distância foi medida
por 2,6667 cm.
Existem dois caminhos:

a) E = d/D 1/80.000 = 5/D ∴ D = 5 x 80.000 = 400.000


D = 4.000 m = 4 km

76
2 ,6667 1
E′ = =
400 .000 150 .000

b) Pelo fator de redução

5
FR = = 1,8750
2 ,6667

1 1 1
E′ = x =
80 .000 FR 150 .000

UNIDADE 5 – SISTEMAS DE PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

5.1 – Conceito, Propriedades e Classificação das Projeções Cartográficas


Uma projeção cartográfica, ou um sistema de projeção cartográfica pode ser definido
como sendo “qualquer representação sistemática de paralelos e meridianos retratando a
superfície da Terra, ou parte dela, considerada como uma esfera ou elipsóide, sobre um plano de
referência”, ou seja, procura retratar a superfície terrestre, ou parte dela sobre uma superfície
plana.
Toda projeção é uma forma de representação de coordenadas sobre um plano; a rede de
coordenadas geográficas, definida por suas latitudes e longitudes, deve ser locada por
coordenadas cartesianas ou polares, ou qualquer outro meio, que as represente no plano de
projeção. Dessa forma, pode-se estabelecer que as projeções são transformações projetivas,
que permitem transformar a superfície curva tridimensional terrestre em uma representação
bidimensional plana.
Cada ponto da superfície terrestre de coordenadas geográficas ou geodésicas (ϕ, λ), deve
ser definido em um plano por um único ponto de coordenadas (x, y) cartesianas ou (r, θ )
Em uma forma funcional, o relacionamento deve ser expresso como:
x = f1 (ϕ, λ),
y = f2 (ϕ, λ),
r = f3 (ϕ, λ),
θ = f4 (ϕ, λ).

77
Em que fi são funções que determinam cada uma das coordenadas na representação do
mapa. Assim cada ponto da superfície terrestre terá um e apenas um ponto correspondente na
carta ou mapa, ou seja, existirá uma correspondência um-para-um, biunívoca, entre o mapa e a
superfície terrestre, ou seja, x e y (ou r e θ), como funções de (ϕ, λ).
Este relacionamento na realidade poderá ser até questionado mais tarde, uma vez que
algumas projeções mostram o mesmo meridiano duas vezes, ou os polos são representados por
linhas ou alguma parte da superfície terrestre não seja representada. Mas isso é devido à
características intrínsecas de determinados tipos de projeções, que exigem representações duplas
de mesmos meridianos ou paralelos, ou por relacionamentos matemáticos que não permitam a
visualização de uma determinada porção terrestre.
Estas particularidades geralmente ocorrem nas bordas das projeções e devem ser tratadas
como casos excepcionais ou pontos singulares. De qualquer forma, dentro do contexto das
projeções cada ponto da superfície terrestre é representado apenas uma vez, e portanto, a idéia de
pontos correspondentes pode ser aplicado.
A correspondência entre a superfície e o mapa não pode ser exata por dois motivos
básicos:
- Alguma transformação de escala deve ocorrer porque a correspondência 1/1 é fisicamente
impossível.
- A superfície curva da Terra não pode ajustar-se a um plano sem a introdução de alguma
espécie de deformação ou distorção, equivalente a esticar ou rasgar a superfície curva.
A transformação de escala será sempre aplicada à qualquer representação de mapa.
Quanto às deformações serão tanto maiores quanto maior for a área projetada, e quanto mais
afastada for do centro da projeção. O centro de projeção caracteriza o local onde a distorção é
nula, podendo ser caracterizada por um ponto ou uma linha, definidos pelo contato entre a
superfície terrestre e a superfície de projeção, seja por tangência ou secância entre as duas
superfícies.

Figura 5.1 Centro de projeção

O termo deformação implica no desconhecimento do comportamento do resultado final


da transformação aplicada, já o termo distorção estabelece que existe um conhecimento prévio
78
do comportamento da deformação, uma vez que toda transformação projetiva é uma função
matematicamente definida.

5.2 - Escala Principal e Fator de Escala


A definição de escala aplicada ao globo terrestre é caracterizada pela razão entre a
distância no mapa, globo ou seção vertical e a distância real que representa. De uma forma
genérica, se AB é o comprimento no terreno e ab o comprimento no mapa, a relação entre

AB
estas duas quantidades, E = representa a razão de escala para o mapa.
ab
Esta definição pode ser usada para caracterizar a escala de um globo que representa a
Terra. Neste caso, a comparação é efetuada pelo comprimento de dois arcos de círculo máximo
AB na Terra e ab no globo. O comprimento de um arco de círculo máximo é dado por:
AB = R α e ab = r α, sendo α o arco subentendido entre A e Be ae b.R e r
são o raio terrestre e da representação respectivamente. Relacionando:
ab rα r 1
= ou E = R = N , onde N é o número da escala.
AB Rα
Assume-se que o globo gerado dessa forma é uma réplica exata da Terra à escala
considerada e a escala principal é definida como sendo “a escala de redução para um globo,
representando a esfera ou esferóide, definida pela relação fracionária de seus respectivos
raios”.
Estabelece-se ainda que esta escala, por ser representativa da réplica perfeita da Terra à
escala do mapa, é isenta de variação. Assim, define-se a escala principal como tendo um fator
de escala µ0 = 1.0, e as distorções que venham a ocorrer serão avaliadas como frações de
unidade ou múltiplos da unidade.
A escala principal é equivalente à fração representativa impressa no mapa.
Fator de escala µ = 1.0 = µ0 , não há distorção. Se houver dilatação ou ampliação de
escala, o fator de escala µ >µ0 e se houver compressão ou diminuição de escala o fator de escala
µ < µ0.
O fator de escala µ pode ser então definido como o valor adimensional determinado pelo
relacionamento entre a escala no local considerado e a escala principal neste mesmo local.
El
µ=
Ep

Assim um fator de escala igual a 2, caracteriza uma ampliação de escala de duas vezes a
escala principal. Por exemplo, a escala principal igual a 1/ 20 000 e a escala local igual a 1/ 10

79
000. Da mesma forma um fator de escala igual a 0,5, caracteriza uma redução de escala também
de duas vezes, ou seja, se a escala principal é igual a 1/ 20 000, a escala local será de 1/40 000.

5.3 - O Conceito de Distorção


O exame de um globo representativo da superfície terrestre mostra que a sua superfície
não poderá ser transformada em um plano. É possível porém, para um globo de dimensões de
uma bola de futebol, ajustar-se um pedaço de papel, como por exemplo um selo, sem
aparentemente deformá-lo ou rasgá-lo. Se este mesmo selo for colocado sobre a superfície de
uma bola de ping-pong, dificilmente será conseguida a sua adaptação à superfície sem esticá-lo
ou rasgá-lo, ou seja, sem uma maior deformação ser aplicada.
As distorções são tanto maiores quanto maior a área representada, e terão características
próprias segundo a forma de relacionamento entre a superfície terrestre e a representação plana
correspondente, caracterizando a projeção adotada.
A figura abaixo apresenta uma representação plana da Terra pelo corte da superfície
esférica ao longo dos paralelos de ± 150 , ± 450 e ± 750 e ao longo do meridiano de Greenwich.
Aproxima-se do corte de uma laranja. É possível desta forma, realizar-se uma planificação
razoável.

Figura 5.1 - Representação Terrestre por cortes ao longo dos paralelos

Esta representação faz com que alguns paralelos sejam mostrados duas vezes, gerando
uma descontinuidade do mapa e deixando vazios entre os paralelos.

80
Desejando-se que o mapa mostre a superfície de forma contínua, devem-se fechar os
vazios esticando-se cada zona em uma direção ao longo dos meridianos até a coincidência dos
paralelos, conforme mostra a figura abaixo.

Figura 5.2 - Representação contínua da Terra

Comparando-se as figuras, pode-se verificar que a deformação cresce à medida que se


aproxima das bordas do mapa. A quantidade de distorção pode ser visualizada pela deformação
dos círculos na figura anterior, para as elipses da figura.
Uma notável ilustração de distorções e deformações pode ser vista nas figuras. Um rosto
foi desenhado sobre a projeção globular, sendo depois transportado para as projeções
ortográfica, estereográfica e de Mercator, conforme se pode ver nas figuras 5.3 a, b, c e d.

Figura 5.3a Desenho original Figura 5.3b Projeção ortográfica

Figuras 5.3c Projeção estereográfica Figura 5.3d – Projeção de Mercator

81
Isto não quer dizer que uma projeção esteja mais certa, ou melhor, que outra. Seu
significado é de mostrar as distorções que ocorrem entre cada uma das projeções. Toda projeção
sempre possuirá distorções, maiores ou menores, de acordo com a transformação projetiva que
esteja sendo aplicada.

5.4 - Distorção Linear


Nenhuma transformação projetiva pode manter a escala constante em toda a extensão do
mapa. Os ângulos, áreas, distâncias e direções serão de alguma forma alterados na representação
cartográfica.
Quando a escala de um mapa é conhecida, supõe-se que ela seja constante para toda a
área do mapa, em três aspectos:
- seja aplicada à todos os comprimentos e distâncias e linhas medidas no mapa;
- seja constante para todas as partes dos mapas;
- seja independente de direção de aplicação.
Isto parece ser axiomático em muitos tipos de mapas, mas a suposição de que a escala é
constante para todas as distâncias, em todos os lugares e em qualquer direção, não é
verdadeira.
Qualquer representação plana do globo envolve variação de escala em alguns ou em todos
os três aspectos.
A variação de escala caracteriza a distorção linear, que por sua vez irá influenciar a
representação de ângulos e áreas no mapa, conforme pode ser demonstrado da seguinte forma:
Na figura 5.4, seja o ponto P de coordenadas (10,10), o ângulo YOP é de 45 0 e a área de
100 unidades quadradas.
Y'
P'

Y
P

X'
O X O'

Figura 5.4 Distorção linear

82
Faz-se a escala ao longo do eixo dos Y dobrar, enquanto que no eixo dos X ela não varia.
Assim P’ = (10,20) Y’OP’ = 300 e a área do retângulo Y’OX’P’ = 200.
À diferença angular δ = Y’OP’ - YOP denomina-se deformação angular e à alteração na
área A = Y’OX’P’ - YOXP, denomina-se distorção de área.
Em um sistema de projeção estas deformações não podem ser facilmente definidas por
gráficos planos, mas a característica principal é perfeitamente definida: ambas as deformações
dependem da deformação linear e em conseqüência podem ser definidas através delas.

5.4.1 - Distorção Nula


É claramente impossível criar um mapa perfeito, onde a escala principal seja preservada
em todos os pontos. É fácil, porém, manter a escala principal ao longo de certas linhas ou pontos
no mapa, onde a escala é constante e igual à escala principal, ocasionando uma distorção é nula.
Linhas de distorção nula são linhas em uma projeção, ao longo das quais a escala
principal é preservada, normalmente caracterizadas pela secância da superfície terrestre e a
superfície de projeção. Pontos de distorção nula são os pontos onde a escala principal é
preservada. Os planos tangentes à superfície da Terra gerarão sempre um ponto de distorção
nula.
Qualquer plano secante à superfície terrestre irá gerar uma linha de distorção nula, que
será sempre identificada como um pequeno círculo.

Distorção

Baixa

Média

Alta

Figura 5.4 - Áreas de distorção mínima, média e alta no plano

83
Um cilindro ou cone tangente à superfície terrestre gerará uma linha de distorção nula,
definida por um círculo máximo ou um pequeno círculo.

Tangente

Secante

Figura 5.5 - áreas de distorção no cilindro


Um cilindro ou um cone, secante à superfície terrestre, gerará duas linhas de distorção
nula, também pequenos círculos.

Tangente

Secante

Figura 5.6 - Áreas de distorção mínima no cone

5.4.2 - Escalas Específicas


As escalas específicas de interesse para o estudo das projeções e em conseqüência das
deformações e distorções causadas pela variação de escala são as seguintes:
- escala ao longo de um meridiano (h);
- escala ao longo de um paralelo (k);
- escala máxima em um ponto (a);
- escala mínima em um ponto (b).
A escala ao longo de uma direção qualquer segundo um azimute determinado existe,
porém não será importante para o estudo da maior parte das projeções. As escalas ao longo dos
meridianos e paralelos, são funções da projeção que esteja sendo empregada, da latitude e da

84
longitude. As escalas máxima e mínima são funções das escalas ao longo dos paralelos e
meridianos, e representam a variação máxima e mínima de escala em um ponto.
Uma medida de distorção bem aceita cartograficamente é definida pelo conceito da
Teoria da Deformação de Tissot, definida pela deformação geométrica de seu indicador: a
Indicatriz de Tissot.
Um círculo infinitesimalmente pequeno na superfície terrestre, será transformado em uma
elipse infinitesimalmente pequena no plano de projeção. Esta elipse descreve as características
locais e próximas das distorções ocorridas na transformação projetiva. A área infinitesimal da
superfície terrestre relaciona-se com a área também infinitesimal da superfície da representação
através de uma transformação de afinidade. Os semi-eixos a e b da elipse de distorção, em
tamanho e direção, são determinados pela formulação e propriedades geométricas da superfície a
ser representada. Avalia-se pela idicatriz as propriedades locais de distorção em ângulo,
distância e áreas.
É traduzida pela figura geométrica, definida e descrita pela elipse de Tissot.
Na esfera, em qualquer ponto, pode ser representado pela igualdade das escalas máxima e
mínima a = b, criando-se um círculo de escala:

Figura 5.7 - Elipse de Tissot

Representando-se cada eixo do círculo como eixos da projetada pelo sistema de projeção,
dependendo da escala ao longo dos paralelos e dos meridianos, haverá uma relação de escala
máxima e mínima, de tal forma que h2 + k2 = a2 + b2.
A deformação será mostrada pela elipse traçada segundo a direção da deformação
máxima.

85
Figura 5.8 - Distorções mostradas pela elipse de Tissot

5.5 - Propriedades Especiais das Projeções


Apesar do fato da escala principal ser preservada em algumas linhas ou pontos em uma
projeção e as escalas específicas serem variáveis em posição e direção no mapa, é possível criar
combinações de escalas específicas que podem ser mantidas por todo o mapa, exceção feita
apenas nos pontos singulares, onde não se mantêm as características projetivas.
Estas combinações são denominadas propriedades das projeções são definidas como as
propriedades de uma projeção que surgem do relacionamento entre as escalas máxima e mínima
em qualquer ponto e são preservadas em todo o mapa, exceto em seus pontos singulares.
As mais importantes dessas propriedades são:
- Conformidade
- Equivalência
- Eqüidistância

5.5.1 - Conformidade
Uma projeção conforme é uma projeção em que a escala máxima é igual à mínima em
todas as partes do mapa (a = b).

86
Um pequeno círculo na superfície terrestre se projetará como um círculo na projeção,
caracterizando uma deformação angular nula.
Assim as pequenas formas são preservadas e os ângulos de lados muitos curtos também
são preservados. Isto é uma característica necessária aos mapas que servirão a propósitos de
medição de ângulos ou direções. Ou seja, os ângulos em torno de um ponto são mantidos.
Incorretamente esta propriedade é referenciada como uma projeção de formas verdadeiras. Na
realidade só a forma de pequenas áreas são preservadas. Grandes áreas, de características
regionais ou globais são distorcidas em sua configuração geral.
A variação de escala é constante em todas as direções em torno de um ponto qualquer.
Fora do centro de projeção podem existir grandes alterações.

ÂNGULOS E PEQUENAS FORMAS


PRESERVADOS

Figura 5.9 - Manutenção de áreas e formas


Não havendo deformação angular, as intercessões da gratícula (paralelos e meridianos)
são ortogonais, independendo da natureza dos paralelos e meridianos mapeados, mas não quer
dizer que todas as projeções que tenham esta característica sejam conformes.
Serve para todos os empregos relativos a direção dos ventos, rotas, cartas topográficas,
etc.

5.5.2 - Equivalência
As escalas máxima e mínima são recíprocas: a.b = 1, mantendo uma escala de área
uniforme. Deforma muito em torno de um ponto, porque a escala varia em todas as direções.
O princípio da equivalência é a manutenção das áreas de tamanho finito. Um aspecto
importante das projeções equivalentes é a sua habilidade de que todo ou parte do globo pode ser
mapeado em um quadrado, retângulo, círculo ou elipse, ou outra figura geométrica qualquer,
tendo a mesma área da parte do globo. A figura 5.10 mostra uma equivalência de área de
diversas figuras.

87
Figura 5.10 - Conservação de áreas
Devido às suas deformações não interessa à cartografia de base, porém é de muito
interesse para a cartografia temática.

5.5.3 - Eqüidistância
Uma escala específica é mantida igual à escala principal ao longo de todo o mapa. Por
exemplo:
a escala ao longo de um meridiano h = 1.0. Assim sob certas condições, as distâncias são
mostradas corretamente. A eqüidistância porém não mantida em todo o mapa, a escala linear é
correta apenas ao longo de determinadas linhas ou a partir de um ponto específico.
É menos empregada que as projeções conforme ou equivalentes, porque raramente é
desejável um mapa com distâncias corretas em apenas uma direção.
No entanto os mapas eqüidistantes são bastante usados em Atlas, mapas de planejamento
estratégico e representações de grandes porções da Terra onde não é necessário preservar as
outras propriedades, pelo fato do aumento da escala de área ser mais lento dos que nas projeções
conformes e equivalentes.

5.6 - Classificação das Projeções


As projeções cartográficas podem ser classificadas segundo diversos tipos de
características.
- Propriedades
- Superfície de projeção
- Método de traçado

5.6.1 - Quanto às Propriedades


Quanto às propriedades, é uma repetição do item anterior, podem ser dividsidas em:
- Conformes
- Equivalentes
- Eqüidistantes
- Afiláticas
Nenhuma dessas propriedades pode coexistir, por serem incompatíveis entre si. Uma
projeção terá uma e somente uma dessas propriedades.
As projeções afiláticas não conservam área, distância, forma ou ângulos, mas podem
apresentar alguma outra propriedade específica que justifique a sua construção.

88
5.6.2 - Quanto à Superfície de Projeção

A superfície de projeção é a figura geométrica que estabelecerá a projeção plana do


mapa.

Figura 5.11 - Superfícies de projeção - tangentes

Podem ser:
- Planas ou Azimutais: quando a superfície for um plano.
- Cilíndricas: quando a superfície for um cilindro.
- Cônicas: quando a superfície for um cone.

Conforme o contato da superfície de projeção com o globo, podem ainda ser classificadas
em:
- Tangentes, mostradas nas três figuras anteriores e
- Secantes, mostradas nas três figuras seguintes.

Figura 5.12 - Superfícies de projeção – secantes

Ainda em relação à superfície de projeção, quanto a posição relativa ao Equador e Pólos,


cada uma dessas superfícies de projeção tem uma outra classificação.
As projeções planas são classificadas em:
Figura 5.13 Figura 5.14 Figura 5.15

89
Plana normal ou polar Plana Trannsveras ou equatorial Plana obliqua

- Normais ou Polares: plano tangente ao pólo (paralelo ao Equador).


- Transversa ou Equatorial: plano tangente ao Equador.
- Oblíquas: plano tangente a um ponto qualquer.

As projeções cilíndricas são classificadas em:


- Equatoriais ou Normais: o eixo do cilindro é perpendicular ao Equador (paralelo ao eixo
terrestre).
- Transversa ou Meridianas: o eixo do cilindro é perpendicular ao eixo da Terra.
- Oblíquas: o eixo do cilindro é inclinado em relação ao eixo terrestre.
Figura 5.16 Figura 5.17

Figura 5.18
Cilindrica normal ou equatorial Cilíndrica transversa Cilíndrica obliqua

As projeções cônicas por sua vez também podem ser classificadas em:
- Normais: quando o eixo do cone é paralelo ao eixo da Terra (coincide).
- Transversais: quando o eixo do cone é perpendicular ao eixo terrestre.
- Oblíquas: quando o eixo do cone é inclinado em relação ao eixo da Terra.

Figura 5.19

Figura 5.20
Figura 5.21

Cônica
normal Cônica transversa Cônica obliqua

5.6.3 - Quanto ao Método de Traçado


Segundo a forma de traçar (desenhar ou criar as projeções) podem ser classificadas em:

90
- Geométricas: São as que podem ser traçadas diretamente utilizando as propriedades
geométricas da projeção.
- Analíticas: São as que podem ser traçadas com o auxílio de cálculo adicional, tabelas
ou ábacos e desenho geométrico próprio.
- Convencionais: São as que só podem ser traçadas com o auxílio de cálculo e tabelas.
As projeções geométricas possuem ainda uma subdivisão, caracterizando ou não a
existência de um ponto de vista ou centro de perspectiva:
- Perspectiva: possuem um ponto de vista.
- Pseudo-perspectivas ou Não-perspectivas: possuem um ponto de vista fictício ou não
possuem.

Conforme a posição do ponto de vista, podem ser ainda mais uma vez subdivididas em:
Ortográfica (infinito)

Gnomônica
Estereográfica

Fonte de Luz

Figura 5.22 - Posição do ponto de vista


- Ortográficas: o ponto de vista está no infinito.
- Estereográficas: o ponto de vista está no ponto diametralmente oposto à tangência do
plano de projeção, também denominado antípoda.
- Gnomônica: o ponto de vista está no centro da Terra.

5.7 - A Aparência e Reconhecimento de uma Projeção


Após a classificação das projeções, pode-se verificar que a quantidade de formas de
representação da Terra é muito grande e diversa.
Uma pergunta pode então ser feita. “Como reconhecer uma projeção?”
Visando a resposta a esta pergunta, serão colocados sete elementos diagnóstico, sob os
quais deverão ser examinadas as projeções.

1) - A Terra está mapeada como uma feição contínua ou existem descontinuidades no


mapa?

91
2) - Que tipo de figura geométrica é formada pelo limite do mapa, seja ele do mundo ou
do hemisfério?
Retângulo, círculo, elipse ou figuras mais complicadas.
3) - Como estão os continentes e oceanos dispostos em relação aos limites e eixos do
mapa?
Isto é uma verificação da convenção do Equador e meridiano de Greenwich e localização
dos pólos. Alguma coisa diferente do que se está acostumado a ver, Equador e Greenwich
como eixos centrais e os pólos acima e abaixo, possivelmente causarão estranheza a um leigo.
4) - Os meridianos e paralelos são retilíneos ou curvos?
5) - As interseções dos meridianos e paralelos em qualquer ponto do mapa são ortogonais
ou ocorrem interseções de gratícula oblíquas, em alguma parte do mapa?
6) - Os meridianos ou paralelos curvos são formados por círculos, arcos de círculos ou
arcos de curvas de ordem superior (elipses, hipérboles). Se os arcos forem circulares são
concêntricos?
7) - O espaçamento entre os meridianos sucessivos é uniforme ou variável? Se é variável,
o espaçamento dos paralelos aumenta ou diminui do Equador para os Pólos? Em relação aos
meridianos aumenta ou diminui do centro do mapa para as bordas?
Todas essas variáveis podem ajudar a identificar uma projeção e maior parte delas pode
ser usada de alguma forma para verificar a sua classificação.
A aparência de uma projeção é de valor menor para a definição de uma ou outra
propriedade, por exemplo, se uma projeção tem as gratículas oblíquas, pode-se inferir que não
seja conforme, porém a recíproca não é verdadeira.

Normal Transversa Obliqua

92
(polar) (equatorial) obliqua

(equatorial) transversa obliqua

(polar) Transversa(raramente usada) obliqua(raramente usada)

Três (normal, transversa e obliqua) aspectos aplicados as três projeções (azimuthal equivalente,
cilíndrica de Miller ecônica de Albers) com diferentes superfícies tangentes de projeção. Verificar
como as graticulas características de alguns grupos de projeção (radialemyte simétricas nas
azimutais e cônicas, garde retangular nas projeções cilíndricas) são apenas efetuadas nos
aspectos simples e nos aspectos normais. Um conjunto infinitamente grande de possibilidades
(sem contar translação da latitude) de mapas oblíquos podem ser apresentados.

6 - ESTUDO DAS PRINCIPAIS PROJEÇÕES

6.1 - PROJEÇÕES PLANAS OU AZIMUTAIS

93
As projeções planas ou azimutais constituem-se num importante grupo de projeções,
algumas das quais conhecidas há mais de dois mil anos. São caracterizadas pela projeção da
superfície terrestre sobre um plano tangente à superfície, conforme pode ser visto na figura 1.
São também chamadas de azimutais, pelo fato de que o azimute do centro da projeção a qualquer
direção é sempre mostrado corretamente na representação do mapa.

Figura 1 – Superfície plana de projeção

As principais projeções planas são as seguintes:


- Ortográficas
- Estereográficas
- Gnomônicas
- Equivalente Azimutal de Lambert
- Azimutal Eqüidistante
Como características gerais das projeções azimutais ou planas, pode-se citar:
- Na hipótese esférica, todos os grandes círculos que passam pelo centro de
projeção são apresentados como linhas retas. Portanto, o caminho mais curto do centro da
projeção a qualquer ponto serão sempre retas.
- Apresentam a Terra em uma representação circular, com exceção às projeções
gnomônicas;
- A forma mais simples de representação são as projeções polares, onde os
meridianos são representados por linhas retas, irradiadas do centro de projeção e o s
paraleos são círculos concêntricos com centro no mesmo centro de projeção.
- Possuem um único ponto de contato, se tangentes, e as distorções aumentam a
medida que afasta-se dele.

94
A figura 2 apresenta a posição do plano tangente, conforme os aspectos polar,
equatorial e obliquo da projeção azimutal.

Figura 2 - Aspectos da Projeção Azimutal


Em seguida serão apresentadas as características e propriedades mais importantes das
projeções azimutais descritas.

6.1.1 - Projeção Ortográfica


Características Gerais
O ponto de perspectiva para a projeção ortográfica está situado no infinito, sendo os
paralelos e meridianos projetados sobre o plano tangente através de linhas de projeção
paralelasconforme pode ser observado na figura 3.

Perspectiva Infinita

Plano Tangente

Figura 3 – Perspectiva da projeção ortográfica no aspecto polar

95
Figura 4 – Aspectos Polar e equatorial da projeção azimutal ortográfica
Todos os meridianos e paralelos são mostrados como elipses, círculos ou linhas retas.
No aspecto polar os meridianos aparecem como linhas retas irradiadas do polo, em
ângulos reais, com os paralelos representados como círculos concêntricos com centro no polo.
Os paralelos são mais espaçados próximo ao polo, diminuindo o espaçamento até zero no
Equador, que marca o paralelo limite do mapa no aspecto polar. A escala é maior próximo ao
polo diminuindo em direção ao Equador. As formas próximas ao polo parecem maiores por este
motivo, ficando comprimidas próximo ao Equador, sendo de difícil reconhecimento nesta área.
A escala ao longo de qualquer paralelo é constante, uma vez que varia ao longo dos
meridianos, do valor real no centro de projeção, até zero.
O aspecto equatorial tem o centro de projeção em qualquer ponto do Equador terrestre.
Os paralelos são representados por retas, que se estendem de limite a limite da projeção.
O meridiano central é uma reta. Os meridianos de ± 90° a partir do meridiano central formam
um círculo, marcando o limite da projeção. Os demais meridianos são elipses de excentricidade
0 (círculo limite) até 1 (meridiano central).
O aspecto oblíquo tem o centro de projeção em qualquer lugar situado entre o Equador e
os pólos. Fornece uma imagem parecida com um globo, sendo preferida para ilustrações no
lugar dos aspectos polar e equatorial.
O único meridiano representado como uma linha reta é o central. Todos os paralelos são
elipses de mesma excentricidade. Algumas das elipses são mostradas inteiramente, enquanto que
algumas só parcialmente. Todos os demais meridianos são elipses de excentricidade variável.
Nenhum meridiano aparece como círculo.
A escala e distorção mudam apenas em função da distância do centro de projeção.
O esquema de distorção será sempre o mesmo para os três casos. O esquema de distorção
da projeção em qualquer aspecto coincide com a projeção no caso polar.

96
Figura 5 – Aspecto oblíquo da projeção azimutal ortográfica

Utilização
- Foi popular durante a 2a Guerra Mundial.
- Com os vôos espaciais foi rebuscada, pois lembra a fotografia dos corpos celestes.

6.1.2 - Projeção Estereográfica


Características Gerais
Aa projeção estereográfica é uma perspectiva verdadeira na sua forma esférica. É a única
projeção perspectiva verdadeira conforme. Seu ponto de projeção está na superfície da esfera, no
lado diametralmente oposto ao ponto de tangência do plano ou do centro de projeção.
Figura 6 - Aspecto Projetivo Estereográfico
Polo Norte Plano de Projeção

Equador

Polo Sul

Se o pólo Sul é o centro do mapa, a o ponto de vista está no pólo Norte, e vice versa.
O ponto na esfera oposto ao centro de projeção é projetado no infinito no plano do mapa.

97
No aspecto polar é semelhante a todos os aspectos polares azimutais, meridianos
irradiados como retas pelo centro de projeção e os paralelos como círculos concêntricos. Este
aspecto coincide com o esquema de distorção da projeção.

Figura 7 – Aspecto polar da projeção esterográfica azimutal


O espaçamento dos paralelos aumenta à medida que se afasta do pólo (oposto à
ortográfica), significando um aumento da escala neste sentido. A escala é constante ao longo dos
paralelos e aumenta ao longo dos meridianos, afastando-se dos pólos.
O aspecto equatorial e oblíquo torna a aparência da projeção mais distinta: todos os
meridianos e paralelos, são mostrados como arcos de círculo, exceto o meridiano central e o
Equador.
No caso obliquo, o meridiano central é uma linha reta, assim como o paralelo de mesmo
valor numérico, mas de sinal contrário ao paralelo de contato. Por exemplo: se o paralelo de
contato for + 40° , o paralelo - 40° será mostrado como uma reta.

Figura 8a - Aspecto Equatorial b - Aspecto Obliquo


Os paralelos são centrados ao longo do meridiano central. Os círculos dos meridianos são
centrados ao longo do paralelo retilíneo. O meridiano de 90° a contar do meridiano central - no
caso equatorial - define o limite da projeção.

98
Como uma projeção azimutal, as direções a partir do centro da projeção são verdadeiras
na forma esférica. No caso elipsóidico, apenas o aspecto polar é realmente azimutal, mas não é
perspectiva, para manter a conformidade.
Devido à conformidade, muitas vezes é estabelecida não a tangência do plano, mas uma
secância, passando a existir um círculo padrão de distorção nula, balanceando os erros por todo o
mapa.

Utilização
O aspecto oblíquo tem sido usado para projeção planimétrica de corpos celestes: Lua,
Marte, Mercúrio, Vênus.
O aspecto polar elipsóidico tem sido usado para mapear as regiões polares (Ártico e
Antártico).
A projeção UTM é complementada pela projeção UPS (Universal polar estereográfica)
acima de 84° e abaixo de - 80°.
Em 1962 a porção polar da carta ao milionésimo do Mundo foi modificada da projeção
policônica para a polar estereográfica, nos mesmos moldes da UPS.

6.1.3 - Projeção Azimutal Equivalente de Lambert


Características Gerais
Não é perspectiva, podendo ser chamada de “sintética”, por ter sido desenvolvida para
apresentar a característica de equivalência.
O aspecto polar tem as mesmas características das demais azimutais. Círculos
concêntricos para os paralelos nos polos e meridianos irradiados. Mostra o esquema de distorção
da projeção, para a esfera, podendo este esquema ser colocado sobre os demais casos, para se
definir as regiões de deformação e distorção da escala.
O espaçamento dos paralelos diminui conforme aumenta a distância do polo.
Normalmente a projeção não é mostrada abaixo de um hemisfério (ou do Equador).

99
Figura 9 - Aspecto Polar

Figura 10 a - Aspecto Equatorial b - Aspecto Obliquo

O aspecto equatorial mostra o meridiano central como reta e o meridiano central +90° e o
meridiano central - 90°, como um círculo, limitando a projeção, a este e a oeste.
Os demais meridianos e paralelos são curvas complexas.
O aspecto oblíquo assemelha-se à projeção ortográfica, porém é mais compacta. O único
meridiano apresentado como uma reta é o meridiano central, todos os demais meridianos e
paralelos são curvas complexas (não são elipses), que só podem ser traçadas através de cálculo.

Utilização
É bastante utilizada em Atlas comerciais e mapas que necessitem de relações de
equivalência entre as formas. Serve de base para mapas geológicos, tectônicos e de energia;
mapas comerciais e mapas geográficos (físicos, políticos e econômicos).

6.1.4 - Projeção Azimutal Eqüidistante


Características Gerais
100
Não é uma projeção perspectiva, porém como eqüidistante tem a característica especial de
todas as distâncias estarem em uma escala real quando medidas do centro até qualquer outro
ponto do mapa.
O aspecto polar é idêntico às demais: paralelos como círculos concêntricos e meridianos
irradiados a partir do centro de projeção. Coincide também com o esquema de distorção da
projeção.

Figura 11 a - Aspectp Polar b – aspecto equatorial


Os paralelos são igualmente espaçados na forma esférica. Pode-se estender a
representação além do Equador, mas as distorções serão sempre muito grandes. No Equador a
escala é cerca de 60% maior do que no centro de projeção.
O aspecto equatorial é o menos usado dos três casos. É substituído com vantagens pela
projeção estereográfica. O Equador e o meridiano central são retas, sendo todos os demais
meridianos e paralelos curvas complexas. Os dois polos são mostrados.
O aspecto oblíquo lembra a projeção azimutal equivalente de Lambert. Com exceção do
meridiano central, todos os demais são curvas complexas, incluindo o Equador.
Quando é representado os dois hemisférios, as diferenças com a projeção de Lambert são
mais pronunciadas. Enquanto as distorções são extremas em outros aspectos, as distâncias e
direções do centro superam agora as distorções para muitas aplicações.

Figura 12 - Aspecto Obliquo, com dois centro diferentes (Chicago e Brasília)


101
Utilização
- Utilizada no aspecto polar para mapas mundiais e mapas de hemisférios polares;
- No aspecto oblíquo para Atlas de continentes e mapas de aviação e uso de rádio.
- Utilização regular em Atlas, mapas continentais e comerciais tomando-se o centro de
projeção em cidades importantes.
- Cartas polares;
- Navegação aérea e marítima;
- Rádio Comunicações (orientação de antenas) e rádio-engenharia;
- Cartas celestes tendo a Terra como ponto central.

6.1.5 - Projeção Gnomônica


Características Gerais
Estando o ponto de vista no centro da Terra, estará contido no plano de qualquer círculo
máximo e este plano, seja qual for o aspecto, intercepta o plano de projeção segundo uma reta,
que será a transformada de círculo máximo correspondente na projeção. Assim todo círculo
máximo sempre será representado por uma reta.

Figura 13 - Característica Projetiva da projeção gnomônica


A ortodrômica, rota mais curta que une dois pontos, é um arco de círculo máximo no
caso esférico, sendo portanto representada por uma reta.

Figura 14 - Representação da Loxodrômica

102
Em qualquer caso, os meridianos serão retas por serem arcos de círculos máximos. São
retas paralelas entre si e perpendiculares à transformada do Equador. O polo não terá
representação.

Figura 15 - Aspecto polar e equatorial da projeção gnomônica

Os paralelos nos casos oblíquo ou equatorial serão curvas que dependendo da situação do
plano de projeção, poderão ser elipses, parábolas ou hipérboles.
Devido às grandes deformações, quanto mais extensa a área mapeada, as diferenças de
escala também serão consideráveis.

Aplicações
- Cartas polares de navegação;
- Navegação marítima e aérea;
- Rádio e rádiogoniometria, rádio faróis;
- Geologia (alinhamento de componentes da crosta);
- Cartas de portos.

6.1.6 - Gráfico Comparativo das Projeções Azimutais


A figura 16 abaixo apresenta um gráfico comparativo para a esfera modelo, da aparência
dos paralelos para o caso polar, permitindo verificar o espaçamento existente entre eles, em cada
tipo de projeção.
Este mesmo gráfico pode ser visualizado como a variação da escala radial em todos os
aspectos das projeções plana, com o detalhe que agora, não está mostrando a representaçÃo dos
paralelos, e sim as radiais de variação de escala.

103
Figura 6.16 - Gráfico Comparativo das Projeções Azimutais Polares e Variação de Escala

6.2 - PROJEÇÕES CILÍNDRICAS


As projeções cilíndricas correspondem às projeções que têm um cilindro como superfície
de projeção. O desenvolvimento da superfície do cilindro em um plano, vai apresenta-la como
um retângulo em todos os casos considerados.
Figura 6.2.1 - Superfície de projeção cilíndrica

104
Características Gerais
Geometricamente são parcialmente desenvolvidas por um cilindro tangente ou secante
ao globo terrestre, em seus três aspectos: equatorial, transverso e oblíquo. São utilizadas para
representar mapas mundiais, em uma faixa estreita ao longo do equador, meridiano ou círculo
máximo.

Figura 6.2.2 - Aspectos equatorial, transverso e obliquo


Nas projeções equatoriais, com o cilindro tangente, os meridianos e paralelos são sempre
representados por retas ortogonais e o Equador será o centro de projeção.
Nos demais casos, geralmente nem os meridianos nem os paralelos são retas, ocorrendo
isto apenas em situações especiais.
As principais projeções cilíndricas que serão analisadas são as seguintes:
- Projeção de Mercator;
- Projeção Transversa de Mercator;
- Projeção Equivalente de Lambert;
- Projeção Oblíqua de Mercator.
6.2.1 Projeção de Mercator
Características e Utilização
Desenvolvida graficamente em 1569 por Gerardus dit Mercator, cartógrafo originário da
região de Flandes, devido às suas características é até hoje amplamente utilizada em navegação
marítima. Durante o século XVII e XVIII foi padrão para todo o mapeamento marítimo. Durante
o século XIX foi utilizada para o mapeamento das áreas equatoriais. No Brasil é utilizada pela

105
Diretoria de Hidrografia e Navegação para o mapeamento de cartas náuticas de auxílio à
navegação. Devido as distorções em altas latitudes tem sido bastante criticada hoje em dia, por
utilização em outras aplicações.

Figura 6.2.3 - Projeção de Mercator

Os meridianos da projeção de Mercator são representados por linhas retas verticais


paralelas, igualmente espaçadas, cortadas ortogonalmente por linhas também retas,
representando os paralelos, que por sua vez são espaçados a intervalos crescentes, à medida que
se aproxima dos polos. Este espaçamento é tal que permita a conformidade, e é inversamente
proporcional ao coseno da latitude.
A característica mais importante da projeção de Mercator, é a sua capacidade de mostrar
a loxodrômica entre dois pontos como uma linha reta. A loxodrômica é uma linha de azimute
constante sobre a superfície terrestre.

106
Figura 6.2.4 - Loxodrômica ou linha de rumo

A loxodrômica possui um comprimento sempre maior que a ortodrômica, só havendo


coincidência das duas no Equador ou sobre um meridiano, onde a loxodrômica também será um
arco de círculo máximo. É devido a esta capacidade de apresentar as loxodrômicas, a razão da
utilização da projeção de Mercartor em cartas de navegação.
As distorções de área da projeção, no entanto, pode levar a concepções erradas por leigos
em Cartografia. A comparação clássica do problema da distorção é estabelecida pela comparação
entre a América do Sul e a Groelândia. Esta aparece maior, apesar de realmente ser 1/8 do
tamanho da América do Sul.

Figura 6.2.5 - Comparação de distorção da projeção de Mercator


O polo Norte e o polo Sul não podem ser mostrados por serem pontos singulares, estão
no infinito, não tendo representação na projeção. Os limites da projeção são os paralelos + 78° e
-70° de latitude.
Apesar das desvantagens, é uma projeção conforme, em conseqüência as direções em
torno de um ponto são conservadas, logo as formas de pequenas áreas também o são.
Praticamente todas as cartas de navegação marítima são desenvolvidas na projeção de
Mercator.

Equador

Figura 6.2.6 - Escala varável de Mercator

107
Devido às distorções, a escala da projeção é uma escala variável. É constante ao longo
dos paralelos, variando porém em função da latitude, é inversamente proporcional ao coseno da
latitude.

Figura 6.2.7 – Esquema de distorção da projeção de Mercator


É ainda bastante empregada em Atlas e cartas que necessitem mostrar direções (cartas
magnéticas e geológicas).

Cículos Máximos e Linhas de Rumo


A linha mais curta entre dois pontos dados na superfície de uma esfera é o menor arco do
círculo máximo que os une. Na esfera define-se como a ortodrômica entre estes pontos. Se for
considerado o esferóide, a linha mais curta é definida pela linha geodésica entre os dois pontos,
que é a linha mais curta em uma superfície curva qualquer. Entretanto, é possível considerar a
superfície terrestre como uma esfera e esta aproximação ser suficientemente precisa para uma
grande quantidade de aplicações.
Uma linha de rumos ou uma loxodrômica é a linha que corta os meridianos segundo um
azimute constante. Assim, será sempre possível de qualquer ponto da superfície terrestre chegar
até o polo, apenas percorrendo esta linha. A navegação entre dois pontos utilizando a
loxodrômica não necessitaria de correção de direção.

108
Figura 6.2.8 Linha de rumo constante na superfície terrestre
A única projeção que apresenta uma loxodrômica como uma linha reta é a projeção de
Mercator, enquanto que a única que apresenta as ortodrômicas como retas é a projeção
gnomônica. Porém, o que é representado como reta em uma não o é na outra, colocando-se uma
opção para se determinar uma navegação entre dois pontos, se pela ortodrômica ou pela
loxodrômica. Evidente que cada uma delas possui suas vantagens características.

Máx imo
Círculo

Rumo
Linha de

Figura 6.2.9 - Linha de rumo e círculo máximo na projeção de Mercator

A solução do problema é estabelecida por uma seleção de pontos ao longo do curso de


navegação de uma ortodrômica, definindo-se a orientação pela loxodrômica entre este pontos
intermediários. Assim parte da navegação será desenvolvida pela ortodrômica e parte pela
loxodrômica.

Figura 6.2.10 - Solução para navegação em um círculo máximo

6.2.2 - Projeção de Mercator Transversa


Características Gerais
109
Os meridianos e paralelos são curvas complexas, exceção ao Equador, ao meridiano
central e cada meridiano afastado de 90°, que são representados como linhas retas,.
A consideração esférica é conforme e a variação da escala é função da distância angular
ao meridiano central.
A forma elipsóidica é também conforme mas a escala é afetada por outros fatores além da
distância angular ao meridiano central.
A escala ao longo do meridiano central é tomada como verdadeira, quando o cilindro é
tangente, ou ligeiramente menor, quando o cilindro é secante. No cilindro secante à Terra,
existem duas linhas de escala verdadeira.

Utilização
- Mapeamentos Topográficos;
- Base para a projeção UTM (Universal Transversa de Mercator).

Figura 6.2.11 Mercator transversa Figura 6.2.12 - Aparência da projeção

6.2.3 - Projeção Oblíqua de Mercator


Características Gerais
É uma projeção semelhante à projeção regular de Mercator, onde o cilindro é tangente a
um círculo máximo que não o Equador ou um meridiano.

110
Figura 6.2.13 - Aparência da projeção obliqua de Mercator
O mapa da projeção oblíqua de Mercator lembra a projeção regular com as massas
continentais rotacionadas para os polos. Duas linhas a 90° do grande círculo escolhido como
centro de projeção estão no infinito.
Normalmente é utilizada para mostrar a região próxima à linha central. Sob essas
condições parece similar aos mapas da mesma área em outras regiões, à exceção das medidas de
escala, que mostrarão diferenças.

Utilização
- Foi a projeção mais capaz de projetar imagens de satélite no sistema Landsat (HOM -
Hotime Oblique Mercator).
- Serviu de para a elaboração da projeção SOM (Space Oblique Mercator).
- Mapeamento de regiões que se estendem em uma direção oblíqua (Alaska,
Madagascar).
- Base para a projeção SOM (Space Oblique Mercator).

6.2.4 - Projeção Cilíndrica Equivalente de Lambert


Características Gerais
É uma projeção cilíndrica, equivalente e equatorial, portanto a escala sobre o Equador é
verdadeira, os paralelos são representados com o mesmo comprimento do Equador.
A escala sobre os meridianos é reduzida na proporção inversa do seu aumento sobre os
paralelos, para manter a razão de equivalência.

111
O espaçamento entre os paralelos diminui à medida que a latitude aumenta, indicando
uma redução de escala, dessa forma a escala sobre os paralelos vai sendo progressivamente
exagerada, ao mesmo tempo é reduzida sobre os meridianos na proporção inversa;
Apresenta uma grande distorção nas altas latitudes devido à esta desigualdade entre a
escala nos meridianos e nos paralelos.
A figura 6.2.15

Aplicações
- Apropriada para cartas equivalentes em baixas latitudes;
- Mapas mundiais de baixas latitudes.

Figura 6.2.14 - Projeção equivalente de Lambert

6.2.5 - Projeção Platte Carreé ou Equiretangular


Características Gerais
Esta projeção é desenvolvida sobre um cilindro tangente ao equador, assim a distorção
aumenta em função da latitude, enquanto a escala é verdadeira ao longo do equador e de todos
os meridianos, uma vez que é uma projeção equidistante. A escala é constante ao longo de cada
paralelo, sendo igual à do paralelo oposto em sinal.
Os meridianos são igualmente espaçados e representados por linhas retas ortogonais ao
equador. Os paralelos são também igualmente espaçados, representados por linhas retas
ortogonais aos meridianos. O espaçamento é idêntico ao dos meridianos. Os polos são linhas
retas idênticas em comprimento ao equador. Possui simetria em relação a qualquer meridiano ou
ao equador.
Esta projeção é creditada à Marinus de Tiros, tendo sido idealizada em cerca de 100AC,
podendo ter sido na realidade ter sido originada por Eratóstenes (275 – 195 AC).

112
Sua maior aplicação, devido a sua característica de igual espaçamento entre os paralelos
e meridianos, é o tratamento como um sistema de coordenadas plano cartesiano, sendo portanto
de fácil manipulação em sistemas de CAD (AutoCad, MicroStation e outros), que não
comportam sistemas de projeção cartográficos.

Figura 6.2.15 - Projeção cilíndrica equidistante

113
6.3 - PROJEÇÕES CÔNICAS

Nas projeções cônicas a superfície de projeção é definida pela superfície de um cone,


tangente ou secante à superfície terrestre, sendo então planificada, conforme pode ser observado
na figura 6.3.2.

Figura 6.3.1 - Desenvolvimento cônico

Apresenta-se igualmente em três aspectos: equatorial, transverso e obliquo, em relação à


posição do cone face à superfície terrestre.

Figura 6.3.2 - Aspectos das projeções cônicas


As projeções cônicas são utilizadas para mostrar uma região que se estenda de este para
oeste em zonas temperadas, ou em pequenos círculos, ortogonais ou inclinados em relação ao
Equador. Exemplos de países que utilizam projeções cônicas em sus mapeamentos são os
Estados Unidos, Rússia e Japão, sendo que este último utiliza uma projeção cônica obliqua.

114
Figura 6.3.3.- Aspecto geral da projeção cônica normal

As projeções cônicas normais distinguem-se pelo uso de arcos de círculos concêntricos


para a representação dos paralelos e os raios desses círculos, igualmente espaçados, para
representar os meridianos. Os ângulos entre os meridianos são menores que a diferença real em
longitude. Dependendo das características da distorção da projeção, o espaçamento entre os
paralelos será maior ou maior, definindo a escala ao longo de cada paralelo, que será sempre
constante.
O nome cônica origina-se do fato das projeções mais elementares serem derivadas de um
cone colocado no topo do globo. O eixo do cone coincidindo com o eixo terrestre e seu lado
tangente ao globo, descrevendo um paralelo padrão, onde a escala é real e sem distorções.
Os meridianos são traçados no cone do vértice para os pontos do meridiano
correspondente no globo, através do paralelo padrão. O paralelo padrão é o centro de projeção,
caracterizando a linha de distorção nula. No aspecto tangente só existirá um paralelo padrão e no
caso secante dois paralelos padrões.

Figura 6.3.4 - Características projetivas


Os demais paralelos são traçados como arcos centrados no vértice do cone, de forma
dependente da projeção, que irá definir o espaçamento.
115
a
xat
ae
s cal
E

ata
ex
la
s ca
E

Figura 6.3.5 - Projeção cônica com cone secante

As projeções cônicas analisadas são as seguintes, todas analisadas segundo o aspecto


normal, de interesse para o caso brasileiro:
- Projeção Equivalente de Albers;
- Projeção Cônica Conforme de Lambert;
- Projeção Policônica.

6.3.1 - Projeção Equivalente de Albers


Características Gerais e Utilização
Projeção equivalente, normal. Possuem a representação dos paralelos como arcos de
círculos concêntricos e raios desses arcos, igualmente espaçados para os meridianos.
Os paralelos não são igualmente espaçados, sendo o espaçamento maior próximo ao
paralelo padrão e menor próximo às bordas norte e sul.
O polo não é o centro dos círculos, mas também um arco de círculo.
Os paralelos padrões devem ser tomados de forma a minimizarem a distorção em uma
determinada região.

Figura 6.3.6 - Aparência da projeção cônica equivalente de Albers


116
No Brasil está sendo atualmente utilizada no Projeto SIVAM.

6.3.2 - Projeção Cônica Conforme de Lambert


Características Gerais
Alguns dos comentários feitos para a projeção de Albers em relação à aparência da
projeção, são idênticos, como por exemplo o espaçamento dos paralelos.
A seleção de paralelos padrões, é estabelecida pelas zonas de 4° de amplitude que se vai
mapear.
É uma projeção conforme, porém em altas latitudes, a propriedade não é válida, devido às
grandes deformações introduzidas.
As linhas retas entre pontos próximos aproximam-se de arcos de círculos máximos.
A escala, reduzida entre os paralelos padrões, é ampliada exteriormente a eles. Isto
aplica-se às escalas ao longo dos meridianos, paralelos ou qualquer outra direção, uma vez que é
igual em um ponto dado.

Figura 6.3.7 - Aparência da projeção cônica conforme de Lambert


Utilização

- Aplicação em regiões com pequena diferença de latitude (um paralelo padrão).


Manutenção das formas das áreas e precisão de escala satisfatória. Mapeamento de
utilização geral.

Com dois paralelos padrões tem ampla aplicação:


- pela Organização Internacional da Aviação Civil (OIAC): Cartas Aeronáuticas na
escala de1:1.000.000;
- estudo de fenômenos meteorológicos (Organização Mundial de Meteorologia);
- cartas sinóticas;

117
- Atlas;
- Carta Internacional do Mundo na escala 1:1.000.000.

6.3.3 - Projeção Policônica

Características Gerais
Não é nem conforme nem equivalente. Utiliza como superfície intermediária de projeção
diversos cones tangentes em vez de apenas um.
No caso normal os eixos dos cones são coincidentes com o eixo terrestre. Os cones
tangenciam a superfície terrestre em seus paralelos, de modo que a cada um corresponda à um
cone tangente. Em conseqüência, na projeção, cada paralelo será desenvolvido separadamente,
por meio do cone que lhe é tangente, e representado por um arco de círculo.

Figura 6.3.8 - Esquema de desenvolvimento

Os arcos de círculo que representam os paralelos, não são concêntricos, por que cada um
terá como centro o vértice do cone que lhe deu origem. Estes centros estão todos sobre o mesmo
segmento de reta, pois os eixos dos cones são coincidentes, no prolongamento do meridiano
central.
O meridiano central é representado por uma reta ortogonal ao Equador, que também é
uma reta.
Os demais meridianos são curvas complexas calculadas e plotadas para cada posição de
cone tangente, sendo o resultado da união desses pontos.

118
Figura 6.3.9 - Projeção policônica

Utilização
- Mapas topográficos de grandes áreas e pequena escala;
- Cartas gerais de regiões não muito extensas;
- Levantamentos hidrográficos;
- Mapa Internacional do Mundo através da projeção policônica modificada -
substituído usualmente pela cônica conforme de Lambert.
- No Brasil é utilizada nos mapas da série 1: 5 000 000 e 1: 2 500 000 do IBGE,
mapas estaduais e regionais.

6.4 - PROJEÇÕES ESPECIAIS


Características Gerais
As projeções chamadas convencionais e especiais compreendem todas as demais que não
possuem as superfícies regulares de projeção. Podem possuir alguma das propriedades de
conformidade, equivalência ou eqüidistância, ou serem afiláticas, realizando muitas vezes
minimizações das distorções para áreas específicas, colocando-se como um meio termo no
aspecto distorsivo. A grande maioria dessas projeções são de utilização em mapas globais e de
hemisférios. Procura-se nestes tipos de projeção, a obtenção de menores distorções para a
superfície terrestre como um todo ou uma parte considerável de sua superfície, tal como um
hemisfério inteiro.
As superfícies de projeção são as mais diversas, muitas vezes parecendo absurdas na
aparência, porém com algum tipo de propriedade que preencha alguma necessidade para uma
determinada área ou para a própria superfície terrestre como um todo.
Suas principais aplicações estão na representação da Terra em Atlas e representações em
pequena escala.
Podem ser contínuas ou interrompidas.

6.41 Projeções Contínuas Pseudo cilíndricas

119
Estas projeções são globais, que lembram as projeções cilíndricas ou são delas derivadas.
Os paralelos são representados como linhas retas e os meridianos são curvas igualmente
espaçados, à exceção do meridiano central ou de frente para o observador.
São muito utilizadas em Atlas e outras representações globais.

Projeção de Mollweide (homolográfica)


É uma projeção equivalente apropriada para a representação de toda a Terra.
O meridiano central, o Equador e os paralelos são representados por linhas retas. Os
meridianos de +- 90° ao eixo do meridiano central são arcos de círculo. Todos os demais são
elipses.
Não possui uma escala própria aplicável a toda a projeção. Cada paralelo e meridiano
possui uma escala particular, sendo que, no caso dos meridianos, varia com a latitude,
aumentando progressivamente a partir do meridiano central, tornando-se exagerada sobre as
elipses exteriores ao círculo. A escala é real apenas ao longo dos paralelos de latitude 40° 44′ N
e 40° 44′ S.
Empregada em mapas gerais (estudos geográficos), para mostrar a distribuição espacial
dos fenômenos geográficos (densidade, religião, roças, etc) ou para mostrar posição relativa de
diferentes partes do globo.

Figura 6.4.5 – Aparência da Projeção de Mollweide

Projeções de Eckert

120
121
122
123
As projeções de Eckert, cartógrafo alemão (1868-1938) são também projeções
empregadas para representações globais, quase todas equivalentes e apresentado variações ou
melhorias em relação à distorção da projeção. As mais usuais são as de Eckert IV e Eckert VI.

Figura 6.4.6 Projeção de Eckert IV (Peter Dana)


Na projeção de Eckert IV o meridiano central é representado por uma linha reta e os
meridianos à 180° são semicírculos, enquanto os demais ssão elípses. A escala é real ao longo
dos paralelos de ± 40° 30′ . Já na projeção de Eckert VI o meridiano central e todos os paralelos
são representados por linhas retas e todos os denais meridianos são curvas senoidais. A escala é
real nos paralelos de ± 49° 16′ .

Figura 6.4.7 – Projeção de Eckert VI (Peter Dana)

124
Projeção de Robinson
Esta projeção, baseada em tabelas de coordenadas e não em fórmulas apresenta uma
tentativa de balanceamento das distorções em área, forma, escala e distâncias. É empregada em
representações globais.
Figura 6.4.8 Projeção de Robinson

Projeção Sinusoidal
É uma projeção pseudo-cilíndrica, de construção simples.
É equivalente, as áreas são mostradas proporcionalmente, sem distorções ao longo do
Equador e meridiano central. As distorções tornam-se pronunciadas próximo a outros
meridianos e próximo às regiões polares.

Figura 6.4.9 Projeção Sinusoidal Contínua


Devido a estas distorções foi desenvolvida uma outra projeção interrompida por Goode
(Projeção de Goode), que pode ser traçada para mostrar os continentes ou os oceanos, apenas por
mudanças dos meridianos centrais.

125
É normalmente usada na forma esférica adequada para escalas pequenas, principalmente
América do Sul e África.
Os paralelos são retas e os meridianos são curvas senoidais.

Figura 6.4.10 - Projeção interrompida de Goode

6.4.1 Outras Projeções


Projeção de Aitoff
Derivada da projeção azimutal equivalente de um hemisfério. Tem um aspecto
semelhante à projeção de Mollweide. Em ambas a esfera é representada por uma elipse com o
eixo maior 2 vezes maior que o menor.
Na projeção de Aitoff os paralelos são curvas e em conseqüência a interseção com os
paralelos são menos oblíquos, assim, nas áreas mais afastadas do centro do mapa a forma é
melhor representada.
As distorções são ainda bastante acentuadas.
Tem as mesmas aplicações da projeção de Mollweide.

126
Figura 6.4.11 - Projeção de Aitoff

As projeções existentes podem ser listadas na ordem de centenas, cada uma delas
possuindo propriedades e características próprias ou apenas desenvolvidas para mostrar uma ou
outra característica da superfície da Terra.
A seguir, são mostradas nas figuras, algumas projeções que são facilmente encontradas,
segundo essas características descritas. Algumas são curiosas, mostrando ou apresentando uma
ou outra característica importante que justifica a sua elaboração ou emprego.

Figura 6.4.12 - Outras projeções contínuas

Figura 6.4.13 - Projeção Eckert IV e “Armadillo”

127
Figura 6.4.10 - Planificação da Terra em um cubo

Figura 6.4.11 - Projeções interrompidas

6.4.2 - Projeção SOM (Space Oblique Mercator)


Com o lançamento dos satélites de sensoriamento remoto pela NASA em 1972, surgiu
uma nova era de mapeamento. a partir de uma base contínua no espaço.
A série ERTS, rebatizada como Landsat, hoje já no número 7, levou ao estabelecimento
de um projeto que permitisse ema relação direta entre o imageamento e uma representação
cartográfica.
Um mapeamento contínuo requer uma nova projeção. Inicialmente tentou-se a projeção
oblíqua de Mercator, mas que revelou-se não satisfatória porque a Terra tem um movimento de
rotação simultâneo com o movimento do satélite, que é praticamente ortogonal ao Equador,
fazendo com que a órbita projetada na Terra, conjugando esses movimentos seja uma linha
curva.
Verifica-se também que as projeções oblíquas sobre o elipsóide são válidas apenas para
uma pequena área no entorno da parte central, e não para uma faixa contínua.
Características e Utilização

128
A projeção SOM visualmente difere da Oblíqua de Mercator no fato da linha central da
projeção, órbita do satélite projetada na Terra, de ser ligeiramente curva. Para o sistema Landsat,
esta órbita aparece como uma curva senóidica, cruzando o eixo dos x em um ângulo de
aproximadamente 8°.
As linhas de imageamento, perpendiculares à órbita no espaço estão ligeiramente
inclinadas em relação à órbita projetada, quando plotada na esfera ou elipsóide.
Devido à rotação da terrestre, as linhas de imageamento interceptam a órbita na Terra a
86° próximo ao Equador e 90° próximo aos pólos.
A órbita do Landsat intercepta o plano do Equador com uma inclinação de 99°. Assim a
órbita projetada alcança limites de ± 81° de latitude.
A cobertura de imageamento é de 185 Km, ± 0,83° em ambos os lados da linha projetada,
permitindo a cobertura terrestre nas latitudes ± 82°, no curso de 233 revoluções.
Com uma altitude nominal em torno de 700 Km, em 16 dias o satélite executa uma
cobertura total da Terra.
A SOM não é uma projeção perfeitamente conforme, porém os erros são negligenciáveis.
É uma projeção que apesar de ter sido desenvolvida para aplicação nos satélites da série
LANDSAT, é aplicada a qualquer satélite imageador, apenas com modificações dos parâmetros
de cálculo.

Figura 6.4.1 - Duas órbitas na SOM para o sitema Landsat

Linhas de varredura 129


Limite de varredura
Órbita terrestre
Figura 6.4.2 - Projeção SOM limites de aplicação

6.5 - PROJEÇÃO UTM - O SISTEMA UTM


6.5.1 - Introdução
Ao fim do século XVIII, tendo por fim o levantamento do território de Hannover e a
necessidade de se trabalhar com uma projeção com distorções menores que as existentes, Karl
Friedrich Gauss estabeleceu um sistema de projeção conforme para a representação do elipsóide,
o qual foi denominado de Gauss Hannovershe Projektion, (projeção de Hanover de Gauss).
Esta projeção tinha as seguintes características:
- cilindro tangente a Terra;
- utilização do conceito da projeção de Mercator;
- cilindro transverso, tangente ao meridiano de Hannover, conforme pode ser visto na

130

Meridiano de Hannover
Figura 6.5.1 - Projeção Transversa de Mercator com cilindro tangente ao meridiano de
Hannover
Aproveitando os estudos de Gauss, outro geodesista alemão, Krüger, definiu um sistema
projetivo, no qual o cilindro era rotacionada, aproveitando-se fusos independentes um do outro,
de 3° de amplitude, ficando este sistema conhecido pelo nome de Gauss-Kruger.

Polo

Fuso de 3° graus

Figura 6.5.2 - Modificação de Krüger: cilindros tangente e fusos de 3o


Após a 1a Grande Guerra Mundial (1914-1918), as exigências militares fizeram com que
as projeções conformes fossem largamente empregadas na construção de cartas topográficas.
Um outro geodesista, francês, cmte Tardi, introduz novas modificações ao sistema de
Gauss, ao realizar parte do mapeamento do continente africano, criando o sistema denomidao
Gauss-Tardi.
Este passa a ser aplicado a fusos de 6° de amplitude, idênticos à da carta do mundo ao
milionésimo, com os meridianos centrais de cada fuso múltiplos de 6° (36°, 42° ...). O cilindro
passa a ser secante, criando-se duas linhas de distorção nula e, conseqüentemente diminuindo a
distorção da projeção.

Figura 6.5.3 - Modificação de Tardi: cilindro secante e fusos de 6o


Este sistema foi proposto pela UGGI em 1935 como um sistema universal, numa
tentativa de unificação dos trabalhos cartográficos,
O antigo Serviço Geográfico do Exército (SGE), em 1932 adotou o sistema Gauss-
Krüger, em fusos de 3° (1,5° para cada lado do meridiano central) e em 1943, adotou o sistema
Gauss-Tardi. Em 1951 a UGGI (União Geodésica e Geofísica Internacional) recomendou o
131
emprego em sentido mais amplo para o mundo inteiro, o sistema UTM (Universal Transversa de
Mercator), o qual foi adotado a partir de 1955 pela Diretoria do Serviço Geográfico do Exército.

6.5.2 – Especificações dos Sistemas de Gauss


Serão apresentadas aqui as especificações de todos os sistemas baseados em Gauss (G.
Kruger, Tardi e UTM), devido ao fato de ainda existirem em circulação mapas e cartas que
foram gerados e impressos nesses sistemas. Isto pode confundir o leigo, uma vez que as
coordenadas desses sistemas não são idênticas, ou seja, mesmo tratando-se de sistemas
teoricamente semelhantes, suas coordenadas são diferentes em valor e conteúdo.

2.1 Sistema Gauss-Krüger - (Gauss 3)


-Projeção conforme de Gauss;
- Decomposição em fusos de 3° de amplitude;
- Meridiano central múltiplo de 1° 30’;
- Cilindro tangente no meridiano central;
- Ko coeficiente de escala (fator de escala) = 1 no meridiano central;
- Existe ampliação para as bordas do fuso;
- Constante do Equador - 0;
- Constante do meridiano central = 0;
- Coordenadas planas:
x - abcissa sobre o meridiano;
y - ordenada sobre o Equador; (Inversão do sistema matemático)
É um sistema de aplicação mais local. Inspirou a criação dos sistemas locais LTM e
RTM.

132
Central

+y

x- x+
y+ y+

-x +x
Equado
r

x- x+
-y y-
y-

3o

Figura 6.5.4 - Sistema Gauss 3

2.2 Sistema Gauss-Tardi - (Gauss 6)


- Projeção conforme de Gauss, cilíndrica, transversa e secante;
- Fusos de 6° de amplitude (3° para cada lado);
- Meridiano central múltiplo de 6°. Para o caso brasileiro, os MC são: 36°, 42°, 48°, 54°,
60°, 66° e 72°;
O fator de escala (coeficiente de redução de escala) ho = 0,999333...
Figura 6.5.5 - Cilindro secante e fusos de 6o

133
134
Existe portanto um miolo de redução, até a região de secância, aonde h = 1.0. Até as
bordas do fuso haverá ampliação;
- Origem dos sistemas parciais no cruzamento central, acrescidas as constantes:
5.000 km para o Equador,
500 km para o meridiano central;
- Estas constantes visam não existir coordenadas negativas o que aconteceria com o
sistema Gauss-Krüger;
- Existência de uma zona de superposição de 30' além do fuso. Os pontos situados até o
limite da zona de superposição são colocados nos dois fusos (próprio e subsequente), para
facilitar trabalhos de campo.

Meridiano
Central

500
km

x>0 x>0
y < 500 y > 500
km km Equado
r
5000
x > 5000 x > 5000 Kmkm
km
y < 500 km
y > 500
km km

6o

Sistema Gauss-Tardi
(Gauss 6)
Figura 6.5.6 - Sistema Gauss 6
2.3. - Sistema UTM
O sistema UTM foi adotado pelo Brasil, em 1955, passando a ser utilizado pela DSG e
IBGE para o mapeamneto sistemático do país.
Gradativamente foi o sistema adotado para o mapeamento topográfico de qualquer
região, sendo hoje utilizado ostensivamente em quaisquer tipo de levantamento.
- Utiliza a projeção conforme de Gauss como um sistema Tardi;
- O cilindro é secante, com fusos de 6°, 3° para cada lado;
- Os limites dos fusos coincidem com os limites da carta do mundo ao milionésimo;

135
- Os fusos de 6° são numerados a partir do antimeridiano de Greenwich, de 1 até 60, de
oeste para leste (esquerda para a direita, desta forma coincidindo com a carta do mundo; pela
figura 6.5.7 pode ser verificado a divisão do país em fusos.

Figura 6.5.7 - Divisão dos fusos do Brasil


A tabela abaixo, mostra o número de fusos, seu meridiano central e os meridianos
extremos dos fusos brasileiros
Fusos Meridiano Central Meridianos Limites
18 -75o -78o
-72o
19 -69o -72o
-66o
20 -63o -66o
-60o
21 -57o -60o
-54o
22 -51o -54o
-48o
23 -45o -48o
-42o
24 -39o -42o
-36o
25 -33o -36o
-30o

- Para evitar coordenadas negativas, são acrescidas as seguintes constantes:


- 10.000.000 m para o Equador, refere-se apenas ao hemisfério sul.
- 500.000 m para o meridiano central.
- O coeficiente de redução de escala (fator de escala) no meridiano central é h0 = 0,9996
O cilindro sofre uma redução, tornando-se secante ao globo terrestre, logo, o raio do
cilindro é menor do que a esfera modelo.

136
A vantagem da secância é o estabelecimento de duas linhas de distorção nula, nos pontos
de secância. Estas linhas estão situadas a aproximadamente 180 km a leste e a oeste do
meridiano central do fuso. Pelo valor arbitrado ao meridiano central, as coordenadas da linha de
distorção nula estão situadas em 320.000 m e 680.000 m aproximadamente.
A figura 6.5.8b mostra a representação esquemática da variação da distorção na projeção.
A partir do meridiano central, existe um núcleo de redução, que aumenta de 0,9996 até 10,
quando encontra a linha de secância. A partir da linha de secância, até a extremidade do fuso
existe uma aompliação, até o valor de h = 1,0010.

Figura 6.5.8 a - Região de secância b - áreas de ampliação e redução


A tabela 2 mostra o fator de escala ao longo das coordenadas este.

Deve ser observado, que o limite de fuso deve sempre ser preservado. A ampliação cresce
de tal forma após a transposição de fusos, que não respeitar o limite traz distorções
cartograficamente inadmissíveis.

137
A simbologia adotada para as coordenadas UTM é a seguinte:
N - coordenada ao longo do eixo N-S,
E - coordenada ao longo do eixo L-O.

Meridiano
Central

500 km

N> 0 N> 0
N<500km E>500 km
Equador
10 0000km
N>10000 km N >10000 km
km
E < 500 km E > 500 km

6o

Sistema UTM
Figura 6.5.9 - Sistema UTM
As coordenadas são dimensionadas em metros, sendo normalmente definidas até mm,
para coordenadas de precisão.
As coordenadas E variam de aproximadamente 120.000 m a 880.000 m, passando pelo
valor de 500.000 m, no meridiano central.
As coordenadas N, acima do Equador são caracterizadas por serem maiores do que zero e
crescem na direção norte.
Abaixo do Equador, que tem um valor de 10.000.000 m, são decrescentes na direção sul.
Um ponto qualquer P, será definido pelo par de coordenadas UTM E e N de forma P
(E;N). Exemplo: - P1 (640 831,33 m; 323, 285 m)
É um ponto situado à direita do meridiano central e no hemisfério norte.
- P2 (640 831,33 m; 9 999 676, 615 m)
É um ponto simétrico do ponto anterior em relação ao Equador.
- P3 (359 168,67 m; 9 999 676, 715 m)
É um ponto simétrico em relação ao anterior, em relação ao meridiano central.

138
N

A E'A
E'
EA = 500 000 - E'
A
B
B
E B = E'B +500 000
NA = N'A
N B = N'B

E
N'C N'D
E' ND =10 000 000 - N'D
NA =10 000 000 - N'A D

E'
E D= E'D +500 000
C
D
C
E C = 500 000 - E'C

Figura 6.5.10 - Esquema de representação das coordenadas UTM


É importante observar que cada fuso será responsável por um conjunto independente de
coordenadas, ou seja, o que irá diferenciar o posicionamento de um ponto, será a indicação do
meridiano central ou do fuso que contém o ponto ou conjunto de pontos.
Pelo esquema apresentado na figura 6.5.10 , pode-se verificar que as coordenadas, não
têm os valores das constantes do Equador e do meridiano central. Estas constantes são
adicionadas para se evitar coordenadas negativas.
- O sistema UTM é utilizado entre as latitudes de 84° e - 80°. As regiões polares são
complementadas pelo UPS (Universal Polar Estereographic).
3. Transformação de Coordenadas
A trasnformação de coordenadas da projeção UTM para o elipsóide e vice-versa, foge do
objetivo deste curso. No entanto, deve ser salientado algumas recomendações para não se cair
em erros que possam colocar a perder todo um trabalho que porventura esteja sendo realizado.
A latitude e longitude de cartas topográficas em projeção UTM, estarão sempre referidas
a um elipsóide de revolução. São portanto latitudes e longitudes geodésicas e não geográficas
(referidas à esfera).
Até 1977, o sistema cartográfico brasileiro utilizava o elipsóide de internaconal de
Hayford, sendo o datum (origem) do sistema Córrego Alegre. A partir de 1977 todo o sistema
foi modificado, passando-se a utilizar o SAD - 69 (South American Datum) composto do
elipsóide de Referência de 67 e o datum CHUÁ.
Os dados rekativos aos dois elipsóides são mostrados abaixo:

Hayford: a = 6 378 388 m


f = 1 / 297

139
Referência de 67 a = 6 378 160 m
f = 1 / 298,25

Cartas mais antigas podem mostrar não só sistemas de projeção diferentes (Gauss-Krüger,
Gauss-Tardi) como também estarem relacionando outros data e elipsóides.
Deve-se ter a atenção ao se retirar coordenadas de cartas antigas.
A transformação de coordenadas pode ser efetuada por cálculo manual, utilizando-se
tabelas e manuais de transformação desenvolvidos pela DSG e IBGE, ou através de rápido
cálculo em calculadora de bolso ou programas de computadores.
Tais programas são capazes de calcular também a convergência meridiana e coeficiente
de redução de escala para o ponto considerado.

7 - A CARTOGRAFIA BÁSICA
7.1 - SISTEMA CARTOGRÁFICO NACIONAL

O Sistema Cartográfico Nacional, não abrange apenas a questão do mapeamento do


território brasileiro. Existem diversos outros fatores que são considerados, definindo entidades
encarregadas, áreas de atuação, levantamentos específicos, normas e especificações técnicas para
cada tipo de trabalho a ser desenvolvido. As atividades cartográficas, em todo o tentório
nacional, serão levadas a efeito através de um sistema único - o SISTEMA CARTOGRÁFICO
NACIONAL - sujeito à disciplina de planos e instrumentos de caráter normativo, consoante os
preceitos deste decreto-lei. O SISTEMA CARTOGRAPICO NACIONAL (SCN) é constituído
pelas entidades nacionais, públicas e privadas, que tenham por atribuição principal executar
trabalhos cartográficos ou atividades correlatas.
Em 1981 é criado o Plano Cartográfico Nacional, constituído pelo conjunto dos Planos
Cartográficos Terrestre Básico, Náutico e Aeronáutico, destinados a orientar a execução das
atividades cartográficas em seus respectivos campos. O Plano Cartográfico Terrestre Básico é
integrado pelos Planos Geodésico Fundamental, Cartográfico Básico do Exército e Cartográfico
Básico do IBGE

140
Fundamentalmente, o Sistema Brasileiro deve ser cumprido através de metas que são
estabelecidas quinqüenalmente, e divididos por ano de trabalho. Dispõe o país dos seguintes
órgãos de base:
- FIBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística;
- DSG - Diretoria do Serviço Geográfico (Exército);
- DHN - Diretoria de Hidrografia e Navegação (Marinha);
- ICA - Instituto de Cartografia Aeronáutica (Aeronáutica).
O espaço territorial brasileiro, para os efeitos do decreto-lei, é representado através de
cartas, mapas e outras formas de expressão afins. As cartas, determinadas pela representação
plana, gráfica e convencional da superfície terrestre são classificadas quanto à representação
dimensional em planimétricas e plani-altimétricas; e quanto ao caráter informativo em Gerais,
quando proporcionam informações genéricas, de uso não particularizado; Especiais, quando
registram informações especificas, destinadas, em particular, a uma única classe de usuários; e
Temáticas, quando apresentam um ou mais fenômenos específicos, servindo a representação
dimensional apenas para situar um tema.
A Cartografia Sistemática tem por fim a representação do espaço territorial brasileiro por
meio de cartas, elaboradas seletiva e progressivamente, consoante prioridades conjunturais,
segundo padrões cartográficos terrestre, náutico e aeronáutico.
A Cartografia Sistemática Terrestre Básica tem por fim a representação da área terrestre
nacional, através de séries de cartas gerais continuas, homogêneas e articuladas, nas escalas-
padrão abaixo discriminadas:
Série de l: l 000 000 – Carta Internacional do Mundo - CIM
Série de 1:500 000
Série de 1:250 000
Série de 1:100 000
Série de 1:50 000
Série de 1:25 000
A Cartografia Sistemática Náutica tem por fim a representação hidrográfica da faixa
oceânica adjacente ao litoral brasileiro, assim como dos rios, canais e outras vias navegáveis de
seu território, mediante as informações necessárias à segurança da navegação.
A Cartografia Sistemática Aeronáutica tem por fim a representação da área nacional, por
meio de series de cartas aeronáuticas padronizadas, destinadas ao uso da navegação aérea.
A Cartografa Sistemática Especial, bem como a Temática, obedecem aos padrões
estabelecidos para as cartas gerais, com as simplificações que se fizerem necessárias à
consecução de seus objetivos precípuos, ressalvados os casos de inexistência de cartas gerais.

141
Os levantamentos cartográficos sistemáticos apoiam-se obrigatoriamente em sistema
plani-altimétrico único, de pontos geodésicos de controle, materializado no terreno por meio de
marcos, pilares e sinais, constituído pela rede geodésica fundamental interligada ao sistema
continental e pelas redes secundarias, apoiadas na fundamental, de precisão compatível com as
escalas das cartas a serem elaboradas.
São admitidos sistemas de apoio isolados, em caráter provisório, somente em caso de
inexistência ou impossibilidade imediata de conexão ao sistema plani-altimétrico previsto neste
artigo.
Compete, precipuamente, ao Conselho Nacional de Geografia promover o
estabelecimento da rede geodésica fundamental, do sistema plani-altimétrico único. O Conselho
Nacional de Geografia (CNG) era subordinado ao IBGE. Hoje em dia, as atividades deste
conselho são dirigidas pela Diretoria de Geodesia e Cartografia, subordinada ao IBGE

Os trabalhos de natureza cartográfica realizados no território brasileiro obedecem às


Normas Técnicas estabelecidas pelos órgãos federais competentes, discriminadas na forma
seguinte:
- ao Conselho Nacional de Geografia, do IBGE, no que concerne à rede geodésica
fundamental e as series de cartas gerais, das escalas menores de 1:250.000;"
- à Diretoria do Serviço Geográfico, do Ministério da Guerra, no que concerne às séries de
cartas gerais, das escalas de I :250.000 e maiores;
- à Diretoria de Hidrografia e Navegação, do Ministério da Marinha, no que concerne às cartas
náuticas de qualquer escala;
- à Diretoria de Rotas Aéreas, do Ministério da Aeronáutica, no que concerne às cartas
aeronáuticas de qualquer escala."
As Normas Técnicas de cartas temáticas e especiais são estabelecidas por órgãos públicos
interessados. Cabe ao IBGE difundir e fazer observar as Normas Técnicas de cartas gerais.
Diversos outros órgãos governamentais possuem núcleos mais ou menos desenvolvidos,
para seus trabalhos temáticos, como a CPRM, DNPM, EMBRAPA. Contam-se também os
órgãos estaduais e municipais, que atuam em suas unidades de governo.

7.1.1 - Mapeamento Sistemático


O mapeamento sistemático topográfico do Brasil compreende as seguintes escalas:
1/1.000.000, 1/500.000, 1/250.000, 1/100.000, 1/50.000 e 1/25.000.
Mapeamentos em escala maior são considerados cadastrais e as suas escalas normais
variam de 1/10.000 até 1/2.000.

142
O Brasil é, portanto, mapeado nas escalas das cartas do mapeamento sistemático. A
divisão em folhas e as projeções das cartas são as seguintes:
Tabela 1 – Situação do Mapeamento Analógico

Escala No de Folhas Folhas Impressas Total de % Mapeamento


País DSG IBGE Outras Org Folhas
1: 1 000 000 48 48 48 100
1: 250 000 550 237 152 5 394 71.6
1: 100 000 3036 1290 656 173 2119 69.9
1: 50 000 12144 854 718 68 1640 13.5
1: 25 000 48576 158 30 154 342 0.7

Tabela 2 – Situação do mapeamento Digital

Escala Folhas Impressas Total de %


DSG IBGE Outras Org Folhas Mapeamento
1: 250 000 183 79 0 262 47.6
1: 100 000 685 123 0 808 26.6
1: 50 000 274 40 0 314 2.6
1: 25 000 181 0 0 181 0.4

7.2.2 - Índices de Nomenclatura


O índice de nomenclatura é definido para auxiliar a localização de uma folha de carta no
conjunto do território mapeado.
Existem diversas formas de localização, tal como o GEOREF, que foi criado visando ser
um índice padronizado para o mundo todo. Tem vantagens de ser aplicado a qualquer tipo de
projeção adotada e é o índice mais simples de manuseio.

a - GEOREF (Sistema Geográfico de Referência Internacional)


Consiste na divisão inicial do globo terrestre em quadrângulos de 15° de latitude por 15°
de longitude. Esta divisão não é relacionada com nenhuma projeção específica.
-1 8 0

-1 6 5

-1 5 0

-1 3 5

-1 2 0

-1 0 5

105

120

135

150

165

180
-9 0

-7 5

-6 0

-4 5

-3 0

-1 5

15

30

45

60

75

90
0

9 0 9 0
M
7 5 7 5
L
6 0 6 0
K
4 5 4 5
J
3 0 3 0
H
1 5 1 5
G
0 0
F
- 1 5 - 1 5
E
- 3 0 - 3 0
D
- 4 5 143 - 4 5
C
- 6 0 - 6 0
B
- 7 5 - 7 5
A
- 9 0 - 9 0
-1 8 0

-1 6 5

-1 5 0

-1 3 5

-1 2 0

-1 0 5

-9 0

-7 5

-6 0

-4 5

-3 0

-1 5

15

30

45

60

75

90

105

120

135

150

165

180

A B C D E F G H J K L M N P Q R S T U V W X Y Z
Figura 7.1.1 - Enquadramento mundial do sistema GEOREF

A partir do antimeridiano de Greenwich os quadrângulos são notados pelas letras A até


Z, excluindo-se as letras I e O no sentido leste-oeste. A partir da latitude -90°, nota-se com as
letras A até M, excluindo-se a letra I, até a latitude +90°, conforme pode ser visto na figura 7.1.1.
A referência de enquadramento sempre será o canto inferior esquerdo do quadrângulo,
sendo a primeira letra a correspondente à longitude. Desta forma são dadas as duas primeiras
letras do índice, por exemplo na figura 7.1.1: KE.
Cada quadrângulo de 15° é agora enquadrada dentro de uma projeção qualquer, que
melhor caracterize o objetivo do mapeamento.
O quadrângulo é dividido em quadrículas, de 1° de latitude por 1° de longitude. Cada uma
delas é notada da mesma maneira, na direção Sul-Norte, pelas letras A à Q, e de Este-Oeste,
também pelas letras A à Q, excluídos as letras I e O, conforme a figura 7.1.2..

o
- 1 5 Q
P
N
M
L
K
J
H
G
F
E
D
C
B
o A
- 3 0 A B C D E F G H J K L M N P Q
o o
- 6 0 - 4 5
Figura 7.1.2 - Enquadramento de um quadrângulo de 15o

Soma-se ao índice inicial as duas letras que identificam o canto inferior esquerdo da
quadrícula, com a primeira letra relativa à longitude e a segunda a latitude.
Por exemplo, na figura 7.1.2 JE, caracterizando o índice KEJE

51 1' x 1'
1o
43

o
1
144
Figura 7.1.3 - Divisão do quadrângulo de 1o x 1o em quadrículas de 1’x 1’
Cada quadrícula de 1° por 1° é dividida em minutos, ou seja 60 x 60, tendo-se portanto
3.600 quadrículas, estabelecendo-se a numeração final do índice.
A contagem é realizada pelo número de minutos que do limite esquerdo e do limite
inferior, em qualquer hemisfério e em qualquer posição em relação à Greenwich. Exemplo:
KEJE4351

b - Identificação das Cartas Brasileiras


As cartas brasileiras podem ser identificadas por três elementos:
- nome;
- número do mapa índice;
- índice de nomenclatura.

Nome
O nome da folha é uma designação através de um indicativo claro, geográfico, de algum
aspecto físico ou humano que se desenvolva na região cartografada.
Não é a melhor forma de identificar uma folha, pois não fornece nenhum indicativo
posicional ou de localização de escala, podendo inclusive existir duplicação de nomes em
diferentes e até mesmo em escalas idênticas.

Número do Mapa Índice


O número do mapa índice, refere-se ao número indicativo da folha, correspondente à
divisão do Brasil nas folhas da carta 1/100.000, segundo a divisão do IBGE e DSG.
As cartas são numeradas de Oeste para Leste. e de Norte até o Sul, de 1 até 3036
inclusive, seqüencialmente, por exemplo, a folha MI número 2436 eqüivale a uma folha da carta
1/100.000.

1 2

3 4

Figura 7.1.4 - Divisão da folha 1/100 000 em 1: 50 000

145
A numeração MI é estendida para as folhas 1/50.000 e 1/25.000. A numeração das folhas
1/50.000 é dada pela divisão da carta 1/100.000 em 4, sendo numeradas da esquerda para a
direita, de cima para baixo, com os dígitos 1, 2, 3 e 4.
A numeração é então definida pelo número MI da folha 1/100.000, seguido pelo dígito
após um hífen, do número correspondente à posição da folha 1/50.000 na divisão da folha
1/100.000.
A numeração das folhas 1/25.000 é semelhante. A folha 1/50.000 é também dividida em
4. sendo notada as folhas em NO, NE, SO e SE, conforme a sua posição seja superior esquerda,
superior direita, inferior esquerda ou inferior direita.
Figura 7.1.5 - Divisão da folha 1/50 000

NO NE

SO SE

O número MI então, de uma folha 1/25.000 será dada pela composição do número MI da
folha 1/100.000, acrescida do dígito da folha 1/50.000 e acrescido das letras da folha 1/25.000.
Exemplo: Folha 1416-3-NE
Apesar de ser uma notação unívoca, o número de mapa índice não possui indicativo
posicional, uma vez que se tem que dispor do mapa índice para localizar a folha.
As folhas na escala 1: 250 000 possuem um número oriundo do Mapa Índice Reduzido
(MIR), que também as designam de forma semelhante ao Mapa Índice da Carta 1: 100 000.

Índice de Nomenclatura
O índice de nomenclatura supre todas as deficiências apresentadas nas formas
anteriormente citadas de identificar as folhas de cartas:
- é único para cada folha de carta em cada escala;
- atende todas as escalas do mapeamento sistemático, podendo ser estendido ao mapeamento
cadastral;
- possui características posicionais, ou seja, pelo próprio índice já se pode localizar a folha
dentro do território nacional.

146
O enquadramento de qualquer folha de carta, é desenvolvido pela definição dos seus
quatro cantos, que são estabelecidos em coordenadas geodésicas, latitude e longitude, logo os
limites de todas as folhas serão sempre paralelo e meridianos, respectivamente.
O canto 1 corresponde ao canto inferior esquerdo da folha; o canto 2 ao canto superior
esquerdo; o canto 3 ao canto superior e o canto 4 ao canto inferior direito. A figura 7.1. mostra
este esquema, que será sempre aplicado para quaisquer folhas do mapeamento sistemático, da
menor à maior escala.
canto 1 = CIE ( canto inferior esquerdo)
canto 2 = CSE ( canto superior esquerdo)
canto 3 = CSD ( canto superior direito)
canto 4 = CID ( canto inferior direito)
Figura 7.1.6 - Posicionamento dos cantos de folhas

φ2 λ2 φ3 λ3
2 3

1φ1 λ1 φ4 λ4 4
A base do índice de nomenclatura é a divisão da carta do Mundo ao Milionésimo, ficando
definido da seguinte forma:

Escala 1/1.000.000
Divisão do mundo nas folhas de 6° de longitude por 4° de latitude.
A numeração dos fusos de 6° é determinada a partir do antimeridiano de Greenwich para
Leste, de 1 até 60.
Os fusos de interesse para o Brasil são os de número: 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25.

Fusos Limite Esquerdo Limite Direito


18 - 78° - 72°
19 - 72° - 66°
20 - 66° - 60°
21 - 60° - 54°
22 - 54° - 48°
23 - 48° - 42°
24 - 42° - 36°
25 - 36° - 30°
Em relação aos paralelos, cada zona de 4° é notada acima e abaixo do Equador pelas
letras do alfabeto: A, B, C, D, E, F ...

147
Para a formação do índice, o hemisfério Norte é notado pela letra N e o hemisfério sul
pela letra S.
O índice é formado então pela união da letra que caracteriza o hemisfério, com a letra que
corresponde ao limite inferior da zona e o número do fuso, correspondente ao limite esquerdo do
fuso considerado. Exemplo:

o
6
o
A
0
o
A
N ou S +Alfa de φ +Nr Fuso -4
B
o o
4 -8
C
o
-12
D
o
-16 F 20 21 22 23 24 25
SB 23 o o
o o o o
-60 -54 -48 -42 -36 -30

Escala 1/ 1 000 000


Figura 7.1.7 - Estrutura das folhas 1/ 1 000 000

Escala 1/ 500 000


Na seqüência, a carta de 1/1.000.000 é dividida em 4 folhas da escala 1/500.000, ou seja,
cada folha agora terá 2° de latitude e 3° de longitude.
Cada folha é notada pelas letras V, X, Y e Z, da esquerda para a direita e de cima para
baixo.
O índice para a folha de 1/500.000 é formado pelo índice da folha de 1/1.000.000 que ela
pertence, seguido da letra da folha de 1/500.000. Exemplo: SB 23 X
o
6

V X
o
4

o
2 Y Z

o
3
Escala 1/ 500 000

Figura 7.1.8 - Enquadramento das folhas 1/ 500 000

Correspondente a folha de canto inferior esquerdo ϕ = -6° λ = -45°

Escala 1/250.000

148
Cada folha de 1/500.000 é agora dividida em quatro folhas de 1/250.000, cada uma com
1° de latitude por 1° 30' de longitude.
o
3

A B
o
2

o
1 C D

1o 30'

Escala 1/ 250 000

Figura 7.1.9 - Enquadramento das folhas 1/ 250 000


As quatro folhas advindas da divisão, são notadas pelas letras A, B, C e D, da esquerda
para a direita e de cima para baixo.
O índice da folha 1/250.000 é definido pelo índice da folha 1/500.000 a que pertence,
adicionada a letra da folha 1/250.000 correspondente. Exemplo: SB 23 XD
Para a folha de canto inferior esquerdo ϕ = -6° e λ = - 43° 30'

149
150
Escala 1/100.000
Figura 7.1.10 - Enquadramento 1/ 100 000
1 30'

I II III
o
1

30' IV V VI

30'

Escala 1/ 100 000

Na seqüência do mapeamento sistemático, cada folha é dividida em 6 folhas de


1/100.000, cada uma de 30' de latitude por 30' de longitude.
Cada folha de 1/100.000 é notada pelos algarismos romanos I, II, III, IV, V e VI, da
esquerda para a direita e de cima para baixo
O índice de nomenclatura de uma folha 1/100.000 é definido pelo índice da folha
1/250.000 que pertença a folha, seguido do algarismo romano da folha correspondente.
Exemplo:
SB 23 X-D-II
Para a folha de canto inferior esquerdo dado pelas coordenadas ϕ = -5° 30', λ = - 43°

Escala 1/50.000
Cada folha de 1/100.000 é dividida em quatro folhas de 1/50.000, cada uma de 15' de
latitude por 15' de longitude.

30'

1 2
30'

15' 3 4

15'
Escala 1/ 50 000

Figura 7.1.11 - Enquadramento 1/ 50 000


As quatro folhas são numeradas pelos números 1, 2, 3 e 4, da esquerda para a direita e de
cima para baixo.

151
O índice de nomenclatura de uma folha 1/50.000 é dado pelo índice da folha de
1/100.000 a qual ela pertença, acrescido do número da folha 1/50.000 em pauta. Exemplo:
SB 23 X-D-III-3
Para a folha de canto inferior esquerdo de coordenadas ϕ = -5° 30', λ = - 43

Escala 1/25.000
É a última escala de mapeamento sistemático. Cada folha de 1/50.000 é dividida em
quatro folhas de 7' 30" de latitude por 7' 30" de longitude.
15'

NO NE
15'

7'30" SO SE

7'30"
Escala 1/ 25 000

Figura 7.1.12 - Enquadramento das folhas 1/ 25 000


As folhas são notadas pelas siglas NO, NE, SO e SE, pela sua posição relativa na divisão.
O índice de nomenclatura das folhas 1/25.000 é dado pelo índice de nomencaltura da
folha 1/50.000 que ela faz parte, acrescida pela sigla da folha correspondente. Exemplo:
SB 23-X-D-II-3-SE
Para a folha de canto inferior esquerdo dado pelas coordenadas ϕ = -5° 30'; λ = - 42° 52'
30"
A figura 7.1.13 mostra o esquema de desdobramento de uma folha 1/ 1 000 000, até a
folha 1/ 25 000.

o
-43 30'
o
-8

o
-9

o
-10

o
-12
o o o
-48 -45 -42

152
Figura 7.1.13 - Desdobramento da folha 1/ 1 000 000 até 1/ 25 000

A figura 7.1.14 mostra o esquema de desdobramento do índice de nomenclatura do


mapeamento sistemático.

Figura 7.1.13 – Desdobramento do índice de nomenclatura do mapeamento sistemático.

c - Manuseio do Índice de Nomenclatura


Visto que uma das vantagens do índice de nomenclatura é a sua característica posicional,
diversas aplicações podem ser definidas, entre as quais, problemas do tipo:
- dado um índice de nomenclatura, definir a escala e o enquadramento da folha em
coordenadas geodésicas.
- dada uma coordenada qualquer, enquadrá-la em uma folha segundo uma escala qualquer;
- dada uma área, definida por suas coordenadas geodésicas, fazer o enquadramento das folhas
que compõem a área, segundo uma escala desejada;

Problema 1
Dado um índice de nomenclatura, definir a escala e o enquadramento dos cantos da folha
Neste problema deseja-se, em linhas gerais, que a partir de um índice de nomenclatura
conhecido, se estabeleça a escala e as coordenadas dos cantos da folha.

153
A solução do problema é dada pelas seguintes etapas:
- análise e definição de escala;
- enquadramento a partir da escala 1/1 000.000;
- decomposição da folha ao milionésimo até chegar ao índice conhecido.

Exemplo:
Enquadrar a folha cujo índice é SD 21-Y-B-IV
Escala: a análise do índice, contendo 4 elementos, permite concluir que a escala da folha é 1:
100 000.

Enquadramento dentro da folha ao milionésimo:


Pela letra S já pode-se inferir que a folha está no hemisfério sul.
Meridianos limites:
A fórmula padrão para determinar a longitude dos limites da folha 1/1.000.000 é:
λ le = (6.f - 186)
λld = (6.f - 180)
onde f é o fuso da folha, λ le é a longitude do meridiano limite esquerdo e λ ld a longitude
do meridiano limite direito da folha
Para o fuso 21
λle = - 60° e λld = - 54°

Paralelos limites:
A formulação que permite a definição dos paralelos limites, inferior e superior
ϕ inf = (Numeral da letra) x 4
ϕ sup = (Numeral da letra - 1) x 4
Para a letra D, o numeral correspondente é 4 (A,B,C,D...1,2,3,4)
ϕ inf = 4 x 4 = -16° ϕ sup = 3 x 4 = - 12°
Observe-se que esta formulação é invertida para o hemisfério Norte

Através de um gráfico de decomposição, é fácil agora chegar ao enquadramento dentro da escala


do índice considerado:

O canto inferior é: ϕCIE = - 15°; λCIE = -58° 30' (ϕ1 , λ1)


O enquadramento é dado pelos pares de coordenadas correspondentes aos quatro cantos
da folha:

154
ϕ λ
Canto 1 (inf esq) CIE - 15° - 58° 30'
Canto 2 (sup esq) CSE - 14° 30' - 58° 30'
Canto 3 (sup dir) CSD - 14° 30' - 58°
Canto 4 (inf dir) CID - 15° - 58°

Problema 2
Dado um ponto por suas coordenadas, enquadra-lo em uma folha de carta de uma escala
dada.
O problema dá uma coordenada de um ponto qualquer e a escala da carta, pedindo a
determinação do índice de nomenclatura da folha a qual o ponto pertença.
A solução é dada pelo enquadramento das coordenadas dentro da folha 1/1.000.000. A
partir daí defini-se o índice de nomenclatura, até chegar à escala da folha dada.
Exemplo
Estabelecer o índice de nomenclatura da folha, que contém o ponto A, de latitude ϕ = -13° 22'
14" e longitude λ = -43° 48' 42", na escala 1/50.000

Cálculo das longitudes limites em 1/1 000 000

λ le = int (λ/6) x 6 - 6 λ ld = in (λ/6) x 6


λ le = int ( - 43° / 6 ) x 6 - 6 = - 48°
λ ld = - 42°

Cálculo das latitudes limites

ϕ inf = int ( ϕ / 4 ) x 4 - 4 ϕ sup = int ( ϕ / 4 ) x 4


ϕ inf = int ( -13 / 4 ) x 4 - 4 = int ( - 3,25 ) x 4 - 4 = - 3 x 4 -4 = - 16°
ϕ sup = - 12°

Pode-se agora enquadrar pelas coordenadas ou fazer o cálculo inverso do problema


anterior.

λ le = 6 f - 186 ∴ f = (λ le + 186) / 6

155
f = - 48 + 186 / 6 = 23

Enquadramento semelhante pode ser feito com a latitude, bastando dividir o paralelo
limite inferior por 4 e procurar a letra do número obtido.

Nu = λ / 4 = 16 / 4 = 4 = A B C D

O enquadramento é de folha 1/1.000.000 SD 23


Partindo de folha, efetua a divisão sucessiva até chegar a folha na escala que contenha o
ponto desejado.

Problema 3
Dada uma área por suas coordenadas limites, determinar o índice de nomenclatura das
folhas que fazem a sua cobertura.
Dada a escala que se deseja enquadrar e as coordenadas limites (normalmente canto
inferior esquerdo e canto superior direito), pode-se definir quais, quantas são e a nomenclatura
das folhas que compõem a área.

Exemplo

Enquadrar a área definida pelas coordenadas: ( - 20° 38'; - 45° 40') - limite inferior esquerdo e
(-19° 23'; - 43° 42') - limite superior direito, na escala 1/50.000, definindo o número de folhas e
o índice de nomenclatura das folhas.

7.2 - A CARTA TOPOGRÁFICA


7.2.1 - Introdução

156
Pelos conceitos já definidos, as cartas das escalas de mapeamento sistemático são
divididas em folhas e cada folha representa a cobertura topográfica de uma área, sob a projeção
cartográfica escolhida para a representação terrestre.
No caso brasileiro, o mapeamento sistemático é constituído pelas escalas mostradas na
tabela 1, dividida em folhas, cuja área de cobertura é apresentada.
Tabela 1 – Cobertura do Mapeamento sistemático
Escala Projeção Dimensão Área Coberta
1/1.000.000 Cônica Conforme 6° x 4° 290400 km2
1/500.000 Cônica Conforme 3° x 2° 72600 km2
1/250.000 UTM 1° 30' x 1° 18150 km2
1/100.000 UTM 30' x 30' 3025 km2
1/50.000 UTM 15' x 15' 756 km2
1/25.000 UTM 7' 30" x 7' 30" 189 km2

As cartas são elaboradas para apresentar uma representação o mais precisa possível do
terreno, tanto planimétrica como altimetricamente, bem como a hidrografia e vegetação da
região.
A planimetria compreende:
- rodovias, caminhos e elementos afins;
- terrenos e elementos afins;
- elementos relacionados à comunicações;
- edifícios e lugares povoados;
- elementos de áreas e contornos;
- obras públicas e industriais;
- pontos de controle;
- limites e fronteiras;
- sinais convencionais diversos.

A hidrografia:
- hidrografia costeira (litoral e afastada da costa);
- elementos hidrográficos em geral.
A vegetação, apesar de ser um elemento planimétrico, é tratada separadamente, por ser
restituída separadamente dos demais.
A altimetria, ou hipsografia faz a representação dos elementos topográficos de relevo na
carta.

7.2.2 - Organização da Folha de Carta Topográfica

157
As folhas de cartas são padronizadas pelas folhas modelo, que definem a situação
relativa, área ocupada, inscrições marginais, tipos de letras da toponímia e legendas, bem como a
espessura de todos os tipo de linhas, limites, áreas etc.
A padronização das cartas ao milionésimo e 1/500.000 segue o “Manual de Normas,
Especificações e Procedimentos Técnicos para a carta Internacional do Mundo ao Milionésimo -
CIM”, editado pelo IBGE, seguindo as normas internacionais.
As escalas do mapeamento sistemático são padronizadas pelos Manual Técnico T34-700
Convenções Cartográficas, 1a Parte - Normas para o Emprego dos Símbolos e 2a Parte -
Catálogo de Símbolos do Estado Maior do Exército, normatizando a reambulação, restituição e
desenho final, para as escalas de 1/250.000 e 1/100.000. As escalas maiores seguem as normas
relativas à escala de 1/100.000.

7.2.2.1 - Descrição Geral da Folha


O tamanho da folha não está vinculado a série A da ABTN, e sim à área útil definida pela
folha.
Até 1/100.000, o tamanho está definido em 60 x 75 cm e para e 1/250.000 75 x 65 cm.

Figura 7.2.1 - Organização da folha


Basicamente a carta consta de 3 elementos:
- Quadro;
- Moldura;
- Legenda.
A figura 7.2.1 ilustra a organização da folha.

a) Descrição do Quadro

158
O quadro é a parte da carta onde está traçado o reticulado UTM e onde será traçado os
elementos cartográficos que constituirão a planimetria, hidrografia, vegetação e altimetria.

Meridiano Central

Equador

Figura 7.2.2 - Reticulado UTM


O reticulado UTM é definido pelo quadriculado formado pelas linhas paralelas ao
meridiano central (coordenadas E) e paralelos ao Equador (coordenadas N).
O reticulado possui um traço mais grosso, de 10 em 10 km até a escala de 1/100.000 e de
50 em 50 km na escala de 1/250.000. Este traço tem por finalidade auxiliar nas medições de
coordenadas. Por sua característica, sempre terão valores múltiplos de 10 ou de 50, conforme a
escala da carta.
A finalidade do reticulado UTM é servir de apoio à obtenção ou plotagem de
coordenadas na folha.
Uma quadrícula corresponde ao quadrado definido pela intercessão de duas linhas
ortogonais de coordenadas consecutivas.
A referência da quadrícula será sempre definida pela coordenada do canto inferior
esquerdo da quadrícula.

Quadrícula
750000; 6378000

6 378 000 m

750 000 m

Figura 7.2.3 - Quadricula UTM


O tamanho da quadrícula é padronizado para qualquer escala em 4cm x 4cm. A tabela 3
mostra as dimensões de terreno para cada quadrícula:
159
Tabela 3 – Tamanho de quadrículas das diversas escalas
1:25.000 1 km x 1 km 4cm x 4cm
1:50.000 2 km x 2 km 4cm x 4cm
1:100.000 4 km x 4 km 4cm x 4cm
1:250.000 10 km x 10 km 4cm x 4cm

b) Moldura
O reticulado UTM é circundado pela moldura da folha, constituído pelos 4 cantos da
folha, definidos pelas suas coordenadas geodésicas.

φ2 λ2 φ3 λ3
2 3

1φ1 λ1 φ4 λ4 4
Figura 7.2.4 - Definição dos cantos da folha
É obrigatória a colocação das coordenadas dos 4 cantos da folha (ϕ, λ), nos quatro cantos
de cada folha.

As anotações marginais na moldura referem-se aos valores das coordenadas UTM do


reticulado.

Figura 7.2.5 - Anotação das coordenadas UTM na folha


A partir do canto 1, marca-se por inteiro o valor das primeiras linhas de coordenadas que
encontram a moldura.
A partir daí todos os demais contatos das linhas E e N com a moldura, serão numerados
com apenas os 3 algarismos iniciais (coordenadas E) e os 4 algarismos iniciais para as
coordenadas N.

160
Ainda constam da moldura a numeração intermediária de latitude e longitude, sendo
definida por traços na moldura e no cruzamento por cruzetas. Servem para auxiliar na marcação
e plotagem de coordenadas geodésicas. O seu espaçamento em valores sexagesimal é definido
na tabela 4.
Tabela 4 – Espaçamento das marcações intermediárias de latitude e longitude
Escala Espaçamento
1/25.000 2' 30"
1/50.000 5'
1/10.000 10'
1/250.000 15'

c) Legenda
As legendas correspondem a todos as demais inscrições marginais existentes na folha da
carta.
Na parte superior da folha encontram-se as seguintes legendas:
Canto Superior Esquerdo
- Organização executora;
Convênios associados
- Região de localização da folha e escala
Figura 7.2.6 - Anotações da parte

superior da legenda
No centro é lançado o nome da folha e símbolos da organização executora.
No canto superior direito é lançado o Índice de Nomenclatura da folha, e se a escala for
maior ou igual a 1/100.000, é lançado também o seu número MI (mapa índice).
A parte inferior da folha pde ser dividida em três setores distintos.

Figura 7.2.7 - Setores da legenda inferior

161
No setor esquerdo encontram-se os dados referentes a edição e impressão e ano da
impressão.

Figura 7.2.8 - Sinais convencionais


Encontra-se também sinais convencionais mais frequentes, referentes a todos os
elementos cartográficos (planimetria, vegetação, hidrografia e altimetria).
No bloco direito são encontrados os dados de execução das fases de construção da folha.

Figura 7.2.9 - Tabela de fases de execução da folha

A articulação da folha, que mostra o posicionamento da folha em relação às folhas


adjacentes, sendo referenciadas pelo nome. Caso não exista nome, a referência deve ser feita
pelo número MI.
A folha é colocada no centro em verde e a articulação das 8 folhas adjacentes é mostrada
ao seu redor.

162
Figura 7.2.10 - Articulação da folha
Outra legenda é a situação da folha no Estado. Mostra-se a localização ou o
posicionamento da folha no Estado que pertence a folha.
Figura 7.2.11 - Situação da folha no Estado

O bloco central é composto dos seguintes elementos de legenda:


- Escala da carta;
- Escala gráfica
1:25.000 2.000 m talão de 100m (1.000 m)
1:50.000 4.000 m talão de 100 m (1.000 m)
1:100.000 10 km talão de 200 m (1.000 m)
1:250.000 20 km talão de 1 km (5 km)

Definição da eqüdistância da folha:


1:25.000 10 m
1:50.000 20 m
1:100.000 50 m
1:250.000 100 m

- Descrição da marcação de curvas mestras;


- Origens para Datum vertical e Datum horizontal;
- Origem das coordenadas UTM (Meridiano Central e Equador);

163
Figura 7.2.12 - Legenda central inferior
- Exemplo de obtenção de coordenadas UTM;
- Divisão Administrativa, mostrando os limites administrativos aproximados (minicípios)
da região abrangida pela folha;
- Dados de orientação
Definidos pelo posicionamento na data da impressão dos nortes de quadrícula, magnético
e geográfico, declinação magnética (valor e taxa de variação anual) e convergência meridana.
Deve ser observado que a posição é esquemática, devendo ser usados apenas os valores
numéricos para cálculo.
NV
NM NQ

o
δ 7= 25'

γ =
-32' 06"

A declinação magnética cresce 8,2' anualmente.


Figura 7.2.13 - Ângulos de orientação da folha
É ainda dado o ano da declinação magnética e a indicação de que a convergência meridiana é
relativa ao centro da folha.

164
7.3 - OBTENÇÃO E PLOTAGEM DE COORDENADAS EM CARTAS
TOPOGRÁFICAS

O posicionamento de um ponto em coordenadas UTM é dado pelo par coordenado E e N,


correspondentes ao afastamento do meridiano central (E) e do Equador (N).
Meridiano Central

N >0 m N >0 m

E<500 000m E >500 000m

Equador

N < 1 000 000 m N < 10 000 000 m

E < 500 000m E > 500 000m

Figura 7.3.1 - Valores das coordenadas UTM


Normalmente as coordenadas são referenciadas em metros, por exemplo:
P (E,N) = P (362.422,00 m; 7.389.901,38 m)
Q (713.901,38 m; 8.728.773,83 m)

O problema de se obter as coordenadas UTM em uma carta topográfica e a sua plotagem está
ligado à escala da carta e ao erro gráfico de percepção. O erro gráfico é a menor percepção
visual, para um ponto, que o olho humano pode ter. O valor é aceito como 0,2 mm, embora
alguns autores cheguem a aceitar 0,1 mm. Aqui será aceito 0,2 mm por razões de precisão
instrumental.

Este valor é único, seja qual for a escala de carta que esteja sendo considerado, pois é vinculado
ao menor elemento gráfico que o olho humano pode perceber, ou seja, um círculo de 0,1 mm de
raio ou 0,2 mm de diâmetro. Em termos práticos, é aceito como a área de indefinição relativa à
ponta de um lápis no papel ou à ponta seca do compasso.
Assim, para cada escala haverá um erro gráfico associado:
1:5.000 1 m (1.000 mm)
1:10.000 2 m (2.000 mm)
1:25.000 5m

165
1:50.000 10 m
1:100.000 20 m
1:250.000 50 m

Para entender o significado destes valores, para a obtenção de coordenadas em uma


carta,existem dois aspectos a considerar:

- em relação à escala da carta, não se poderá obter coordenadas com valores de


precisão menores do que o valor expresso pelo erro gráfico;

- não se poderá plotar coordenadas com uma precisão menor do que a expressa pelo
erro
gráfico.

Por exemplo:
Em uma carta de escala 1/50.000, medindo-se uma coordenada qualquer, o erro de sua
determinação estará em torno de 10 m.
14 mm x 50 000 = 700 m
13,9 mm x 50 000 = 695 m
13,8 mm x 50 000 = 690 m

13.9 mm

Figura 7.3.2 - Medida obtida para determinação da coordenada

Por outro lado, ao se plotar uma coordenada, por exemplo 635.843,32 m, na escala
1/25.000, seria necessário plotar (só a parte de centenas de metros) com 33,7328 mm, o que é
impossível. Pode-se plotar 33 mm e estimar 0,7 mm, sendo a certeza (à regua) em 0,5 mm,
ocasionando uma precisão em torno de 5 m definidos pelo erro gráfico.

166
7.3.1 - Obtenção de Coordenadas UTM na carta

167
168
O problema é prático, devendo-se inicialmente ser verificada a escala da carta de onde
serão obtidas as coordenadas. As coordenadas serão obtidas por interpolação linear, dentro da
quadrícula que contém o ponto de interesse, sendo portanto essencial a sua identificação, através
dos valores de coordenadas E e N que a limita.

∆E
7538

dE

∆N
dN

7536

672 674

Figura 7.3.3 - Obtenção de coordenadas na carta


Desta forma, serão utilizados os valores de ∆E e ∆N e dE e dN, na carta e no terreno,
respectivamente ∆EC , ∆NC , dEC , dNC e ∆ET , ∆NT , dET , dNT.
Uma simples regra de três, relacionando estes elementos resolverá o problema, tanto para
a obtenção como para a plotagem de coordenadas.

∆EC dE C ∆N C dN C
= e =
∆ET dE T ∆N T dN T
O que se deseja obter são os valores de dE e dN, seja da carta ou do terreno. Logo para a
obtenção de uma coordenada do terreno, a formulação associada será:

dE C x ∆ET dN C x ∆NT
dE T = e dN T =
∆EC ∆N C
dE T x ∆EC dN T x ∆N C
e dE C = e dN C =
∆ET ∆NT

Mas os valores de ∆EC , ∆NC , ∆ET e ∆NT serão fixos, e os seus relacionamentos serão
iguais à escala da carta e ao número da escala respectivamente:
∆E ou N C ∆E ou N T
E = e N (número da escala ) =
∆E ou NT ∆E ou N C
169
Assim, para a obtenção de coordenadas, basta multiplicar o valor de dEc ou dNc obtidos
na carta, pelo valor do número da escala do mapa em trabalho:

dE T = dE C x N e dN T = dN C x N

Exemplo para a escala 1/50.000.


A quadrícula é definida pelos limites de coordenadas inferior e à esquerda. No caso Q1
(672, 7536), lembrando que as quadrículas sempre serão referenciadas em quilômetros.
São medidos na carta, os afastamentos de
∆EC = 4 cm
7538 cada uma das linhas de coordenadas limite, que
dE = 2,84 cm corresponderão às diferenças de coordenadas, a

NC = 4cm
partir do início da quadrícula.

NT = 2 km
dN = 2,93 cm

Essas observações podem ser efetuadas à


7536
régua milimetrada de precisão (1/2 mm), ou com o
∆ET = 2 km
escalímetro.
672 674
Sendo medida à régua, os resultados devem
ser transformados para a escala. Aplicando-se a formulação desenvolvida

dE = 2,84 cm x 50.000 = 1.420 m


dN = 2,27 mm x 50.000 = 1.465 m

Estes dados obtidos devem ser somados às coordenadas da quadrícula: 672.000 para E e
7.536.000 para N, dando as coordenadas do ponto considerado:
EP = 672.000 + 1.420 = 673.420 m
NP = 7.536.000 + 1.465 = 7.537.465 m

A medição com o escalímetro fornece diretamente a coordenada, uma vez que ele
funciona como se fosse uma escala gráfica
7.3.2 - Plotagem de Coordenadas na Carta
É o problema inverso, ou seja, dado um ponto do terreno, através de suas coordenadas E
e N, fazer a sua localização na folha da carta correspondente. Os passos são os seguintes:
- identificar a escala da carta;
- identificar a quadrícula que conterá o ponto, verificando as suas coordenadas inteiras;
- decompor as coordenadas, retirando a parte quilométrica;

170
-transformasr o valor que sobrar para a escala, em cm ou mm;
- marcar na quadrícula o dEC e ∆NC respectivamente, pelos valores determinados ou
através do escalímetro.

Exemplo - Escala 1/25.000


P ( 649.385,3; 7.744.726,8 m)
Quadrícula (649, 7744) = 649.000 m; 7.744.000 m
dET = 649 385,3 – 649 000 = 385,3 m
dNT = 7 744 726,8 – 7 744 000 = 726,8 m

Para determinar os valores na escala da carta, utiliza-se a formulação desenvolvida:


dE C = dE T / N e dN C = dN T / N

dEC = 385,3 m / 25000 = 15,412 mm → 15,4 mm


dNc = 726,8 m / 25000 = 29,072 mm → 29,1 mm

7745

∆Ε P Figura 7.3.4 - Plotagem de coordenadas na carta

29,1 mm
Finalmente, traçar as perpendiculares e no cruzamento
marcar o ponto definido.
7744
15,4 mm
649 650

7.4 - AZIMUTES E RUMOS NA CARTA TOPOGRÁFICA


A definição de azimute entre dois pontos é estabelecida como sendo o ângulo formado
entre a direção do Norte passando pelo ponto estação e a direção considerada entre este e o outro
ponto, sempre contada em sentido horário.
Figura 7.4.1 - Ângulo azimutal
N

Θ
B

171
Considerando-se o norte magnético como direção base, o azimute será magnético. Com o
norte geográfico, o azimute pode ser o azimute geográfico ou geodésico ou verdadeiro.
Considerando-se o norte da carta, direção do eixo de coordenadas N, será definido o azimute da
quadrícula da carta. O norte da quadrícula é definido sempre pela direção das linha de
coordenadas paralelas ao meridiano central, ou seja, das linhas verticais que estabelecem as
coordenadas N. O norte geográfico ou verdadeiro é o ponto de convergência de todos os
meridianos. O norte magnético é a direção determinada pela agulha magnética, livre de
influência de massas metálicas.

7.4.1 - Declinação Magnética


O ângulo formado entre o plano do meridiano e o plano do meridiano magnético que
passa pelo lugar, define a declinação magnética. Assim, a declinação pode ser definida também
como a diferença entre o azimute magnético e verdadeiro.

NV NV
NM NM

δ < 0 ( − )
δ > 0 ( + )

Ocidental Oriental

Figura 7.4.2 - Declinação magnética


A declinação pode ser ocidental, caso o norte geográfico esteja a direita do norte
magnético, sendo então a declinação positiva. Az mg > Az v.
Estando o norte verdadeiro à esquerda do norte magnético, Az mg < Az v, a declinação
será oriental e negativa.
Se
δ = Az mg - Az v,
então
Az mg = Az v + δ (soma algébrica)
A declinação é determinada com rigor por meio de magnetômetros e com precisão
compatível com trabalhos topográficos, comparando-se valores lidos com bússolas de boas
qualidade e determinações astronômicas executadas a teodolitos. Em um mesmo local, a
declinação sofre variações periódicas e acidentais. As variações periódicas são de ocorrência
secular, anual e diurna. A secular é resultante da movimentação dos pólos magnéticos. A anual é

172
decorrente da secular. a diurna é resultante de um movimento oscilatório. Não é levado em conta
para a topografia.
As variações acidentais são divididas em climáticas (tempestades magnéticas) e espaciais
(presença de grandes massas magnéticas - jazidas de ferro, estruturas metálicas , etc)
O valor básico da declinação em um lugar e época, é extraído dos mapas isogônicos que
contém:
- graticulado de meridianos e paralelos;
- linhas isogônicas (igual declinação);
- linhas isopóricas (igual variação anual);
- linhas referentes à perturbações magnéticas.
Figura
Para calcular a declinação magnética do lugar, loca-se o ponto no mapa isogônico. O
mapa fornece as linhas isogônicas (igual declinação) para o 10 de janeiro do ano, bem como as
linhas isopóricas, linhas de igual variação anual.
Como normalmente a precisão da bússola é da ordem de 15', basta proceder a
determinação por simples interpolação, obtendo-se:
- a declinação entre as isogônicas que enquadram o lugar;
- a variação anual entre as isopóricas correspondentes.

Exemplo: Obter a declinação magnética e a respectiva variação anual, para a cidade de Belo
Horizonte, através do Mapa Isogônico do Observatório Nacional.

Descrição da solução

7.4.1.1 – Atualização da Declinação Magnética em uma Carta Topográfica


A carta topográfica apresenta a declinação magnética para o ano indicado para a sua
edição, bem como a sua variação anual, devendo-se portanto realizar-se a atualização da
declinação para o ano de utilização.
Considera-se a diferença entre o ano atual para o ano indicado pela carta, por exemplo, se
ano atual for 1998 e o ano da declinação 1991, faz-se 1998 – 1991= 7 anos. Para se corrigir o
numero de meses para o ano em curso, conta-se até o mês considerado menos um, por exemplo,
para o mês de setembro, conta-se até agôsto, no caso 8. Entra-se com os valores na fórmula:

va
δAT = δCARTA + va x N o anos + x N o meses
12

173
Exemplo: A folha Registro apresenta para o ano de 1993 a declinação de - 28° 18′ , com uma
variação anual de –8,3′ , para o mês de julho.
Número de anos para 1998 - 1998 – 1993 = 5 anos
Número de mêses – julho = 6

va
δ98 = δ93 + va x N o anos + x N o meses
12

( −8,3' )
δ98 = − 28 o 18 ' + ( −8,3' ) x 5 + x6
12
δ98 = -29° 03′ 39″

7.4.2 - Convergência Meridiana


É definida como o ângulo entre o norte da quadrícula e o norte geográfico ou verdadeiro.
É invariante para cada ponto, dentro da projeção UTM.
Entre um azimute verdadeiro e o contra-azimute existe uma relação definida por
θ 12 = θ 21 ± 180° ± γ , onde γ é a convergência meridiana elipsóidica.
γ = ∆λ sen ϕ, calculada com aproximação suficiente para fins topográficos.
A relação entre o azimute plano (quadrícula) e o azimute verdadeiro define a
convergência.

Θ
γ

θ 12 = α 12 +γ ou Azv = Azq + γ
Figura 7.4.3 - Relação entre azimute plano e verdadeiro

A convergência também será ocidental ou negativa se o azimute plano for maior que o
verdadeiro, e oriental ou positiva, se o azimute planofor menor que o verdadeiro
(respectivamente se o norte geográfico estiver à direita e à esquerda do norte da quadrícula).
NV
NV NQ
NQ

γ 174
− γ +
Ocidental Oriental
Figura 7.4.4 - Convergência meridiana-sinal
Regra prática para a determinação do azimute plano a partir de valores do 10 quadrante
trigonométrico.

IV I

III II

Figura 7.4.5 - Quadrantes topográficos

7.4.2.1 – Determinação de Azimute de Quadrícula


O azimute de quadrícula é resultado do relacionamento trigonométrico, determinado entre
as diferenças de coordenadas ∆E e ∆N.
Estabelecidas as diferenças de coordenadas entre os dois pontos, o azimute é calculado
através das relações trigonométricas definidas entre estes valores.

B (EB; NB)

Azq(AB)
∆N

A (EA; NA) ∆E

Figura 7.4.6 – Azimute de quadrícula de A para B

A tabela abaixo mostra as formulações para o cálculo do azimute de quadrícula, com


redução ao primeiro quadrante. As diferenças de coordenadas devem ser consideradas como
positivas, ou seja, sem consideração de sinal.

Relação entre coordenadas Quadrante Valor do Azimute


Eb>Ea 10 ∆E
α = arc tg
Nb>Na ∆N

175
Eb>Ea 20 ∆N
α = arc tg + 900
Nb<Na ∆E
Eb<Ea 30 ∆E
α = arc tg + 1800
Nb<Na ∆N
Eb<Ea 40 ∆N
α = arc tg + 2700
Nb>Na ∆E

7.4.3 - Rumos
Denomina-se rumo de um alinhamento o ângulo que ele forma com a ponta da agulha
magnética que lhe fique mais próxima.

Os rumos são contados para a direita ou para a esquerda, conforme se achem mais
próximos de E ou de W, variando sempre de 00 a 900.
Figura 7.4.6 - Rumo
N
R4 R1
D A

W E

B
R2
C R3
S
Ângulo NOA = 600 Rumo OA = 600 NE
Ângulo SOB = 700 Rumo OB = 700 SE
Ângulo SOC = 200 Rumo OC = 200 SW
Ângulo NOD = 680 Rumo OD = 68 NW

Para converter um rumo em azimute, são válidas as seguites relações:


- 10 Quadrante R = Az
- 20 Quadrante R = 1800 - Az
- 30 Quadrante R = Az - 1800
- 40 Quadrante R = 3600 - Az

Observar que o Rumo está ligado aos azimutes magnéticos.

176
7.5 - Representação do Relevo nas Cartas Topográficas

7.5.1 - Introdução

O relevo é um fenômeno quantititativo e contínuo, envolvendo uma terceira dimensão,


que tem que ser reduzida a duas dimensões, para que possa ser representada em uma carta
topográfica.
É expresso em termos de elevações sobre uma superfície de referência, ou profundidade
sob essa superfície.
A variação em relevo afeta as observações de quase todas as demais feições
cartografadas, pois todas têm que ser projetadas em um plano de referência, para que possam ser
representadas na carta.
Por outro lado, não é possível representar a 3a dimensão completamente em um mapa
bidimensional. Ela só pode ser indicada seletivamente, caso contrário, por ser contínua, ocuparia
toda a área do mapa.
Ocupando uma área então, é um fenômeno zonal ou de área, devendo portanto ter
também uma representação zonal. Existem, porém, pontos e linhas importantes do relevo que
devem ser representados, por exemplo: cumes, divisores de água, linhas de declividade ruptura
de declive etc, concluindo-se que a representação do relevo tem elementos isolados pontuais,
lineares e zonais, devendo-se combiná-los de forma que a representação como um todo seja
tanto precisa como visualmente fiel.
A precisão é absolutamente necessária para a utilização da carta como um instrumento de
trabalho, onde se necessita de valores coerentes com a escala de representação.
A visualização está de acordo com a precisão. A observação na carta tem que permitir
visualizar exatamente o que existe no terreno, com as limitações da carta.
Em conseqüência da represntação seletiva, o problema cartográfico de representação do
relevo deve fornecer informações suficientes, não interferindo em outros elementos
cartográficos.

177
O relevo compreende dois elementos principais:
- elevação
- declividade.
É difícil a representação de declividade sem a obtenção de informações de altitude, a não
ser de uma forma aproximada, por que a declividade é obtida pelo relacionamento da diferença
de altitude com a distância plana.
Enquanto a declividade só pode ser obtida a partir das elevações, o inverso não ocorre,
havendo então uma precedência na determinação das altitudes nas cartas topográficas.
As informações de algumas elevações podem ser representadas diretamente na carta, por
símbolos pontuais ou lineares. As feições de relevo devem ser interpretadas a partir das
informações de elevação ou representadas graficamente, sugerindo uma superfície contínua.

7.5.2 - Formas de Representação do Relevo

Existem duas formas de representação do relevo:


- qualitativa
Onde busca-se mais o aspecto artístico (representação visual), devendo ser legível o
bastante para ser reconhecida por qualquer usuário;
- quantitativa
Representação científica, dando preferência ao aspecto precisão, em detrimento muitas
vezes da representação visual.

1) - Processo Qualitativo
A representação qualitativa teve início com Leonardo da Vinci, que foi o primeiro a
tentar uma representação do relevo em mapas.
Sua representação era uma perspectiva simbólica, que mostrava algumas colinas em
plano. Não havia nenhuma precisão.

178
Figura 75.1 - Relevo de Leonardo da Vinci
No decorrer do século XIX houve alguma preocupação da representação qualitativa
(visual), com algumas características quantitativas.

a) - Hachúrias ou hachuras
Foi o primeiro processo de representação da altimetria na Cartografia de base. Hoje em
dia é pouco usado devido a imprecisão que gera. Surgiu nas cartas da França em 1889.
As hachúrias são pequenas linhas traçadas no sentido de maior declividade do terreno,
devendo obedecer as seguintes considerações:
- devem ser dispostas em filas e não serem desenhadas em toda a extensão das encostas;

Figura 7.5.2 - Representação de relêvo por hachuras

- O comprimento das hachúrias e o intervalo entre elas é tanto menos quanto maior for a
declividade.

Figura 7.5.3 - Apreciação do espaçamento, intervalo e comprimento das hachuras

- As hachúrias apoiam-se em curvas de nível e devem ser exatamente perpendiculares a


elas.
Os processos de traçado fazem com que haja um efeito plástico, dando uma gradação de
escurecimento, quanto mais forte for a declividade, por exemplo, variando a espessura, o
comprimento e a direção do traçado.
Deve ser ressaltado que todo o processo de hachúrias é desenhado a mão livre.
179
Figura 7.5.4 - Mapa de relêvo por hachuras

b) - Representação Sombreada
Dentro do mesmo tipo de representação qualitativa é definida a representação sombreada
do relevo.
Em princípio o sombreado não tem nenhum valor científico. Possue apenas um valor
estético e sua principal vantagem sobre as hachúrias é não sobrecarregar a carta, fornecendo
inclusive uma melhor efeito plástico.
Existem dois processos:
- manual;
- eletrônico.
O manual considera apenas a sombra do relevo e é artisticamente desenhado a aerógrafo.
É dependente do desenhista.

Figura 7.5 5 - Relêvo sombreado


O eletrônico necessita da geração de um modelo digital de terreno, que permita efetuar o
sombreamento. Exige técnicas avançadas de programação em computação gráfica, já existindo
porém, pacotes gráficos que executam esse tipo de trabalho.

180
Em ambos os processos, o trabalho exige a definição de uma fonte de luz sobre o modelo
que vai definir a área de sombra. No processo manual, o desenhista não tem o modelo e sim a
carta em desenho bidimensional, e a sua abstração é exatamente criar o modelo na imaginação,
para que o sombreado saia coerente, daí a subjetividade do sombreado.

c) - Cores Hipsométricas
As cores hipsométricas são usadas para a representação do relevo.
Em se tratando de relevo submarino, passam a chamar-se cores batimétricas.
O problema da representação do relevo através de cores é basicamente a definição
número de intervalos de altitude (intervalos de classe) entre as altitudes extremas, que serão
representadas pelas cores e a escolha das próprias cores que representarão cada intervalo de
classe.
A representação hipsométrica por cores, é uma das possibilidades de representação de
uma distribuição contínua de um fenômeno sobre a superfície terrestre. Pode-se de uma maneira
geral representar qualquer ocorrência de distribuição contínua por este processo.

c.1 - Escolha da Cor


A cor antes de mais nada é um fenômeno psicológico.
Luz é a sensação visual despertada pelo estímulo de receptores (bastonetes) no olho
humano, por uma porção de aspectos eletromagnéticos.
O aspecto eletromagnético contém desde os comprimentos de onda pequenos dos raios X
e gama, até os grandes comprimentos usados pelo radar.

Figura 7.5.6 - Espectro eletromagnético


Apenas uma pequena porção do espectro é visível, estando os comprimentos de onda
entre 400 e 700 mµ . (1 mµ = 10-9 m).
Nessa faixa, conforme pode-se verificar na figura, está todo o espectro visível da luz,
correspondendo a emissão da luz branca, que emite todos os comprimentos de onda do visível.
Decomposta por um prisma, fornece a gama de cores que a compõe.
181
A reprodução de qualquer documento a cores é diretamente proporcional ao número de
cores que deva ser representada, ou quanto mais cores mais onerosa será a sua reprodução.
Pela prática, não devem ser escolhidas mais de 10 cores para a representação de um
documento, ficando a escolha ideal entre 6 e 8 cores.
A cor azul, e os seus matizes, será sempre reservada para a representação batimétrica,
podendo-se chegar até violeta.
Para representação altimétrica ou hipsométrica, a evolução da representação, desde o
século XIX, estabeleceu que as cores seriam escolhidas do intervalo mais baixo para o mais alto,
seguindo o aspecto eletromagnético, a partir do verde até o vermelho e em seus diversos matizes,
conforme o universo de classes a representar.
Em geral o vermelho puro não é atingido, pois possui outra representação genérica,
substituido por matizes de marrom.
Para a representação de geleiras, foi decidido a utilização do branco.

c.2 - Escolha dos Intervalos


Pode-se verificar que 85% da superfície terrestre está abaixo da cota 1.000 m, chegando-
se a conclusão que deve-se enfatizar as cotas abaixo de 1.000 m, agrupando-se os intervalos e
espaçando-os acima de 1.000 m.
A carta ao milionésimo apresenta os seguintes intervalos:
Hipsométrico Batimétrico
0 - 100 0 - 200
100 - 200 200 - 500
200 - 500 500 - 1.000
500 - 1.000 1.000 - 3.000
1.000 - 1.500 3.000 - 6.000
1.500 - 2.000
2.000 - 2.500
2.500 - 3.000
3.000 - 4.000
4.000 - 5.000
5.000 - 6.000
Acima de 6.000

As cores são o azul para a batimetria e o verde, amarelo e vermelho para a hipsometria.
Os processos de escolha de intervalos são basicamente 3:
- progressão aritmética
Em geral não é uma boa escolha pois não traduz o agrupamento ou e espaçamento desejado.
- progressão geométrica
define-se os limites inferior e superior e o número de intervalos. Por exemplo:
(10 intervalos)
0.50 → 5.000
182
5.000
Calcula-se a razão geométrica: r= 9 = 1,668
50
Calcula-se os seguintes intervalos:
0 - 50 387,13 - 645,77
50 - 83,4 645,77 - 1.077,21
83,4 - 139,12 1.077,21 - 1.796,90
139,12 - 232,07 1.796,90 - 2.997,42
232,07 - 387,13 2.997,42 - 5.000,00

- Definição de intervalos pela soma dos dois limites imediatamente inferiores:


0 - 50 100 - 150 150 - 250 250 - 400...

2) - Processo Quantitativo
O processo quantitativo dee representação da altimetria é uma forma moderna e científica
de representação da altimetria.
Existem três formas básicas de representação, podendo uma ser decorrente da outra:
- curvas de nível, curvas hipsométricas ou isohipsas (curvas batimétricas);
- representação por perfis;
- representação por traçado perspectivo.

Quaisquer um dos processos permite que se faça medições sobre a representação,


obtendo-se valores de altitude ou profundidade, compatíveirs com a escala de representação, o
que não era possível com os métodos qualitativos.

a) - Representação por Curvas de Nível


Imagina-se o relevo sendo cortado por planos horizontais paralelos entre si.

183
Figura 7.5.7 - Curvas de nível
As curvas de nível correspondem as linhas de interseção do relevo com os planos
horizontais, projetados ortogonalmente no plano da carta topográfica.
Este é o sistema que permite a melhor tomada de medidas até hoje desenvolvido. Os
contornos são as isaritmas, ou linhas que são obtidas pela intercessão dos planos paralelos
cortando a superfície tridimensional da forma terrestre, projetadas ortogonalmente na carta.
Uma linha de contorno é portanto uma linha de igual altitude a partir de uma superfície
de referência, denominada “datum vertical”, que indica a cota origem das altitudes, na superfície
do geóide.
As observações não são efetuadas no elipsóide, são determinadas no geóide e podem ser
reduzidas ao elipsóide, desde que se conheça a diferença de nível entre o geóide e o elipsóide, o
desnível geoidal.
O problema está em estebelecer a posição horizontal sobre a superfície e a elevação
vertical acima da superfície, de um grande número de pontos na superfície física.
Quando dispõe-se de posições suficientes e a superfície curva do plano origem foi
transformado em uma superfície plana por meio de um sistema de projeção, o mapa pode ser
traçado. Em conseqüência o leitor vê a superfície da Terra ortogonalmente.

Visão do
Usuário

Mapa
Sistema de
Projeção
Superfície
terrestre
Geóide

Figura 7.5.8 - Visão do usuário para o mapa

A representação por curvas de nível é um sistema de representação artificial, que tem


pouca correspondência na natureza, ou seja os planos não são vistos cortando a superfície
terrestre, sendo, portanto, um exercício de visualização para a maior parte das pessoas.
As figuras abaixo representam o relevo em uma carta topográfica, e uma representação
em luz e sombra, que é o que normalmente se vê, e a comparação com a representação de
contornos.

184
185
186
As curvas de nível são os símbolos mais notáveis em uma carta topográfica, se eles forem
corretamente locados e o intervalo entre eles for constante e relativamente pequeno.

Figura 7.5.9 - Trecho de uma carta topográfica com curvas de nível


O intervalo entre duas curvas de nível consecutivas é denominado eqüdistância e
significa a diferença de nível constante entre as curvas de nível de uma mesma escala.
A eqüdistância padronizada para as escalas do mapeamento sistemático brasileiro são as
seguintes:
1:25.000 ----- 10 m
1:50.000 ----- 20 m

1:100.000 ----- 50 m
1:250.000 ----- 100 m

Sugere-se para escalas maiores:


1:1.000/2.000 ----- 1m
1:5.000 ----- 2/5 m
1:10.000 ----- 5/10 m

187
As curvas de nível são numeradas a intervalos regulares, para não prejudicar a clareza das
cartas. Por convenção, a cada 5 curvas será traçada mais grossa e numerada.

Figura 7.5.10 - Curvas mestres e espaçamento entre as curvas


Assim, as curvas numeradas sempre serão:
1:25.000 ----- múltiplo de 50 m
1:50.000 ----- múltiplo de 100 m
1:100.000 ----- múltiplo de 250 m
1:250.000 ----- múltiplo de 500 m.

Deve-se verificar sempre a eqüdistância definida nas cartas, pois existem cartas antigas
com eqüidistâncias de 40 m para a escala de 1/100.000.
O relevo acidentado apresenta intervalo entre as curvas de nível menor, indicando a
existência de uma maior declividade. Exige um maior número
de curvas que o relevo plano, para que se possa ter uma melhor
visualização da topografia.
Se o relevo for muito acidentado e íngreme, pode ocorrer o
fenômeno de coalescência, que não permite a representação
de
Figura 7.5.11 - Coalescência
todas as curvas de nível, sendo então simplificada a representação para as curvas mestras.
A combinação de processos quantitativos e qualitatitivos permite reunir os aspectos
científicos com os estéticos-plásticos. Pode-se citar as seguintes combinações:
- sombras e curvas;
- cores hipsométricas, sombras e curvas (denominado mise à l’effet)

Processos Especiais de Representação


- Curvas intermediárias

188
Utilizadas para representação de rupturas de declividade entre as curvas de níveis. Não há
necessidade de ser traçada por completo, apenas na região em que a ruptura ocorre.

Figura 7.5.12 - Curvas intermediárias

b) - Representação por Perfis


O segundo método de visualizar uma superfície contínua é definido através da utilização
de perfis.
Um perfil é o resultado da interseção de um plano perpendicular ao plano origem XY,
com a superfície contínua. No caso do terreno, com a superfície física do terreno.

1X

2,67X

PERFIL 5,33X
LINHA DO
PERFIL

PLANO
6 km

Figura 7.5.13 - Perfil de uma linha


Um perfil não se constitui num mapa, porém uma série de perfis em seqüência podem
fazer uma boa visualização do terreno.

189
Figura 7.5.14 - Série de perfis
A construção de um perfil começa sempre em um mapa de curvas de nível.
É traçada uma linha ao longo dos pontos que se deseja traçar o perfil. Os pontos inicial e
final são traçados em uma folha de papel, levantando-se paralelos, que serão divididos segundo
os valores das cotas das curvas de nível.
Traçam-se paralelos segundo a cota das curvas e transfere-se para essas linhas os pontos
de intercessão da reta do perfil com as curvas de nível.
Une-se os pontos, fazendo-se uma suavização.

Figura 7.5.15 - Perfil


Deve-se prestar atenção em relação a escala horizontal e a escala vertical. Normalmente
usa-se uma escala vertical maior, deforma a se visualizar melhor as diferenças de altitude, o que
pode não ocorrer na maioria das vezes em que as duas escalas sejam iguais.

c) - Representação por Traços Perspectivos


Um dos primeiros métodos cartográficos a serem programados para tirar vantagem da
abordagem computacional foi o cálculo de plotagem automática de traços perspectivos.
É a representação usual para visualizar modelos digitais de terreno.

190
O traçado automático permite normalmente a possibilidade de se alterar os seguintes
elementos:
- O ângulo de rotação entre o eixo vertical e a superfície;
- A alteração da distância de visada;
- Alteração na ângulo de elevação ϕ.
Figura 7.5.16 - Representação por traços perspectivos

Os traços podem ser efetuados ao longo de cada um dos eixos


X e Y ou em ambos, para devidamente suavizado, dar a impressão da forma da superfície.

7.5.3 - Nomenclatura do Terreno

Linha de Crista
Vertente
Contra-encosta Encosta
Contra-vertente

Ruptura de Declive

Talvegue

Interflúvio

Figura 7.5.17 - Nomenclatura do Terreno


Inicialmente são necessárias algumas definições sobre a configuração do relevo.
Considere-se a figura 7.5.14
- Linha de Crista: linha formada pela interseção de 2 planos das vertentes (vertente e
contravertente). É um divisor de águas natural.
- Vertentes ou Encostas: plano de declividade; são as superfícies com aclives, as
contraencostas ou contravertentes são as superfícies com declive em relação às encostas.
- Interflúvio: é um divisor de águas sem a forma de crista.
- Talvegue: é a linha de interseção de uma encosta e uma contraencosta no plano inferior.
Corresponde ao leito dos rios.
- Ruptura de declive: mudança brusca da direção de uma vertente.

191
Regra geral de representação das curvas de nível: Para uma eqüidistância constante, em
qualquer caso, vertente ou talvegue, o intervalo entre as curvas de nível é tanto maior quanto o
declive for menor e vice-versa. Para um declive constante, o intervalo é constante.

a) - Representação dos Talvegues


O declive cresce de jusante para montante, assim para um talvegue as curvas de nível
serão mais afastadas para jusante e mais próximas para montante.

Figura 7.5.18 - Estrutura de curvas em talvegue


O perfil de um rio, apresentando uma forma parabólica, indica que já atingiu o seu perfil
de equilíbrio.

Perfil

Figura 7.5.19 - Estrutura de curvas em talvegue em equilíbrio


Se houver irregularidades no perfil, também será aparente nas curvas de nível.

Figura 7.5.20 - Curvas em um talvegue em


desequi-
Perfil
líbrio
Se o rio tiver um traçado reto, as curvas que o acompanham serão também retas. Se o rio
for sinuoso, as curvas também o serão.

Figura 7.5.21 - Curvas em traçado reto e sinuoso


Em relação à confluência de rios, o rio afluente tem como nível de base, o nível do rio
principal, tendo uma declividade maior que o rio principal, ocorrendo então que as curvas de
nível são mais próximas no rio afluente que no principal.

192
Figura 7.5.22 - Confluência de rios
O declive no talvegue é sempre inferior ao declive das vertentes, assim o intervalo entre
as curvas de nível será sempre maior que em qualquer outro lugar.

b) - Representação de Vertentes

A vertente é o plano da superfície que liga a linha de crista ao talvegue, assim o talvegue
influencia o traçado no sopé da vertente e a linha de crista no topo. Haverá sempre uma
reentrância da curva de nível, indicando a existência de um talvegue.

Figura 7.5.23 - Curvas em vertentes

As vertentes podem ser:


- regulares
Apresentam intervalos iguais entre as curvas em todo o conjunto.
- convexas
As curvas são próximas na base e afastados no topo.
- côncavas
As curvas são afastadas na base e próximas no topo.

Convexas Côncavas

Figura 7.5.24 - Vertentes convexas e côncavas


c) - Informações sobre estratigrafia
Figura 7.5.25 - Possível informação de camada

Na estrutura horizontal ou monoclinal, o talvegue é paralelo à direção da camada. As


curvas são paralelas entre si. É típico de região sedimentar.

193
No caso do talvegue ser oblíquo ou perpendicular à direção da camada terão uma
aparência bastante sinuosa.

Figura 7.5.26 - Estrutura de camada em talvegue oblíquo

d) - Interpretação do fundo de vale


A tendência geral é a modelagem de um vale em forma de V.
- Vale Simétrico
Se o terreno for homogêneo, haverá simetria em relação a um eixo.

Figura 7.5.27 - Vale simétrico

- Vale Assimétrico
Caso o terreno não seja homogêneo.

Figura 7.5.28 - Vale de fundo assimétrico

- Vale de fundo chato

Figura 7.5.29 - Vale de fundo chato

- Vale de fundo convexo


Figura 7.5.30 - Vale de fundo convexo

- Vale de fundo côncavo


194
Figura 7.5.31 - Vale de fundo côncavo

- Vale transverso

Figura 7.5.32 - Vale transverso


- Vale meandrítico

Figura 7.5.33 - Vale meandrítico

e) - Representação dos Divisores d’Água

Figura 7.5.33 - Divisor de águas

A linha poderá ser deslocada se existir um rio com uma declividade maior que outro, para
o de maior declividade.

Figura 7.5.34 - Deslocamento de um divisor

7.6 - Trabalhos Sobre a Carta

7.6.1 - Medidas de Distância

a) - Medidas em linha reta

195
São obtidas pela medição direta por uma escala, uma régua ou compasso e por
coordenadas.
Pela escala são determinadas diretamente. Pela régua a distância é calculada
multiplicando-se o valor obtido pelo número da escala e efetuada as transformações de unidade
apropriadas. As medidas por compasso podem ser transportadas diretamente sobre a escala
gráfica, ou então, obtidas pelo processo anterior.

Figura 7.6.1 - Medição de distância em linha reta


A medição por coordenadas consiste em se aplicar a formulação de Pitágoras ao triângulo
formado pelas coordenadas dos dois pontos a considerar. Em termos de coordenadas UTM, tem-
se as coordenadas E e N, ficando genericamente, entre dois pontos 1 e 2, a distância determinada
por:
D= ( E2 − E1 ) 2 + ( N 2 − N1 ) 2

Figura 7.6.2 - Medição de distância por coordenadas


2 (E 2, N 2)

∆Ν

1 (E 1, N 1)

∆Ε

b) - Distâncias em curvas
Existem dois processos que se eqüivalem quanto à precisão:
- Uso de curvímetro - É obtida a distância percorrendo o papel com a roda do curvímetro.
A medida pode estar em metros ou quilômetros, definida pela escala específica da carta.

196
Figura 7.6.3 - Uso do curvímetro
- Processo da tira de papel - Com uma tira de papel com cerca de 5 mm de espessura,
acompanha-se toda a extensão da linha curva, rotacionando-se a tira em cada ponto de inflexão
da curva. Pode ser também feita com um fio (linha grossa). A vantagem da tira de papel sobre o
fio é a possibilidade de indicar a passagem por curvas de nível e pontos notáveis.

Figura 7.6.4 - Processo da tira de papel

7.6.2 - Medidas de Altitude


A medida de uma altitude na carta, é desenvolvida através da medição direta dos
espaçamento entre duas curvas de nível, que será a observação da distância horizontal entre as
duas curvas de nível. Através de uma regra de três, interpola-se linearmente os valores.
A observação deve ser tomada o mais perpendicular as duas curvas de nível que estão
sendo consideradas para a medida. Pode-se realizar uma interpolação e excepcionalmente uma
extrapolação.
A interpolaçãoleva em consideração o intervalo existente entre as curvas de nível, ou
seja, observações reais do mapa, enquanto que na extrapolação admite-se que no trecho exterior
as informações existentes, mantenham-se as características do terreno em termos de declividade.
Na figura 7.6.4, pode-se verificar os processos de interpolação e extrapolação para a
determinação de altitudes intermediárias às curvas de nível.

Figura 7.6.5
IN TE R - Determinação
P O LAÇ ÃO de altitudes por extrapolação e interpolação
EXTRAPOLAÇÃO
540 m
500 m

520 m

540 m
500 m

520 m

A B B
A

560 m
ia
nc ie 520 m 197 cia
istâ erfíc tân
Dis erfície 540 m
D p
Su Sup

E quidistância 520 m
Mapa
500 m
M apa
Formulação geral:

Compmapa Compdet
Equid
=
Hdet ∴ Hdet =
Comp det × Equid
Comp mapa

Onde Compmapa = comprimento entre as duas curvas de nível consideradas (unidades do mapa)
Comp det = comprimento da curva de cota mais baixa até o ponto a determinar (unidades
do mapa)
Equid = equidistância entre as curvas de nível (unidades do terreno)
Hdet = Altitude a determinar (unidades do terreno)
Esta formulação é válida tanto para interpolação como para extrapolação. O resultado já é
apresentado em unidades do tereno.
Exemplos:
a) Interpolação
Equidistância = 20 m Cota de A = 500 m Cota de B = 520 m
Comprimento no mapa entre A e B = 18,5 mm
Comprimento no mapa ao ponto a determinar ( a partir da curva mais baixa ) = 3,7 mm
Aplicando a formulação
Comp det × Equid 3,7 × 20
Hdet = Hdet = = 4m
Comp mapa 18 ,5

Cota = 500 + 4 = 524 m


b) Extrapolação
Equidistância = 20 m Cota de A = 520 m Cota de B = 540 m
Comprimento no mapa entre A e B = 20,7 mm
Comprimento no mapa ao ponto a determinar ( a partir da curva mais baixa ) = 28,0 mm
Aplicando a formulação
Comp det × Equid 28 ,0 × 20
Hdet = Hdet = = 27 ,05m
Comp mapa 20 ,7

Cota = 520 + 27,05 = 547,05 m

7.6.3 - Medida e escala de declividade


A escala de declividade é uma escala gráfica que permite obter diretamente, através da
distância horizontal entre dois pontos, a declividade existenete entre eles .
Ela é diretamente vinculada à escala horizontal da carta e ao desnível entre estes dois
pontos, considerado fixo, que é a equidistância. Considerando
o
então estes dois elementos fixos, a
en
terr
no
ada Distância Vertical
l i n
nc 198 ou
i ai
nc Equidistância
istâ
D α

Distância Horizontal
escala de declividade representa a distância horizontal para uma diferença de altitude, segundo
um ângulo determinado, ou seja, que representa a declividade ou a inclinação do terreno.
Figura 7.6.6 - Esquema da declividade
O cálculo da declividade naturalmente tem precisão compatível com a medida de
altitudes. É importante para aplicações de engenharia, construção de estradas, agricultura,
aproveitamento hidrelétrico, erosão de encostas etc.
A declividade pode ser definida como o ângulo de inclinação do terreno, segundo uma
direção determinada. Tem então uma relação direta entre a distância horizontal e a distância
vertical no terreno. Relacionando a distância vertical com a horizontal, chega-se a definição da
tangente do ângulo de declividade:
∆h
Tg α =
∆x
Onde ∆h = distância vertical ou a equidistância
∆x = distância horizontal
Para a determinação da declividade, utiliza-se a função arco inversa:
∆h
α = arc tg
∆x
A determinação da distância horizontal, determinada por uma declividade conhecida,
pode ser definida pela relação:
∆h
∆x = tg α

Considerando-se agora uma carta de escala conhecida, a distância vertical pode ser
definada pela relação:
∆h 1
∆x = × , onde N é o número da escala conhecida.
tg α N

Para a obtenção do valor da declividade em percentagem, que é a dimensão normalmente


empregada, apenas multiplica-se a tangente do ângulo por 100.
∆h
Tg α x 100 = = declividade em percentagem
∆x
Os elementos fíxos são o desnível e a escala. Sabendo-se que para cada escala tem-se a
eqüidistância fixa, o desnível entre duas curvas de nível, monta-se uma escala de declividade
para as quantidades fixas.
Para medir-se a declividade entre duas curvas de nível, basta levar o comprimento
medido entre as duas curvas (o mais perpendicular possível entre as duas curvas), até a escala de
declividade da carta.
Figura 7.6.7 - Escala de declividade

199
Ponto de Chegada

Abertura com declividade


constante
Ponto de Partida

Figura 7.6.8 - Determinação de caminho com declividade constante

Conforme pode ser visto na figura 7.6.7, pode-se facilmente determinar o caminho de
declividade constante em uma carta, bastando para isto marcar entre as curvas consecutivas, a
distância horizontal relativa à declividade que se deseja mostrar.

Elaboração de cartas de isodeclividade.


Cartas de isodeclividade são cartas formadas por base a carta de isohipsas (curvas de
nível), traçando-se todas as regiões de igual declividade, ou com declividade compreendida entre
determinados intervalos. Essas cartas são de interesse às aplicações urbanas, agricultura e outras
ciências afins. Mostram os locais de declividade crítica, a partir das quais existem restrições de
alguma forma.
A seguinte tabela é aceita para uma classificação da declividade:
Terreno Plano de 0,5° a 1°
Fraca de 1° a 5°
Moderada de 5° a 10°
Média de 10° a 20°
Forte de 20° a 35°
Muito Forte acima de 35°
A partir desses valores estabelece-se intervalos de classe de acordo com o emprego da
carta.
Por exemplo
0 - 2° 2 - 6° 6 - 11° 11 - 20° Acima de 20°
O homem não utiliza declividades acima de 35°. A elaboração manual de uma carta de
isodeclividade é extremamente trabalhosa. Verifica-se o intervalo na escala de declividade dos
espaçamento relativo ao intervalo. Percorre-se a carta seguindo perpendiculares às curvas de
nível. Este traçado é otimizado quando executado por computador.

7.6.4 - Perfis
Define-se perfil como o traço de um plano vertical na superfície topográfica terrestre.
200
Como já foi visto, é uma forma de se representar o terreno, por que é obtida a sua
configuração, porém restrita apenas a uma direção determinada.
O emprego de perfis do terreno se dá particularmente nas áreas de engenharia (vias de
transporte), telecomunicações, geografia, urbanismo etc.
A construção de um perfil permite apreciar com clareza a possibilidade de progressão no
terreno, montagem de postos de observação, determinação de áreas de visibilidade.

Figura 7.6.9 - Perfil topográfico


Ele pode ser definido ao longo de uma única direção, como também caracterizado ao
longo de uma poligonal ou linha curva, como por exemplo uma estrada ou linha curva.
a) - Construção de um perfil entre dois pontos
A análise da figura permite deduzir como se constrói o perfil. As fases serão ordenadas
para uma melhor assimilação do processo.
PERFIL TOPOGRÁFICO ENTRE LAGE E TERRAÇO
Escala Horizontal 1:50 000
Escala Vertical 1:10 000
Orientação NW-SE

400 m
350 m
300 m
250 m

200 m
150 m
100 m

500m 1000m 1500m 2000m 2500m 3000m 3500m 4000m 4500m 5000m 5500m
BR 364
Represa Timbau
Rio Carero
Torres
Rio Açu

Figura 7.6.10 - Perfil topográfico entre dois pontos


Inicialmente os seguintes elementos devem ser verificados:
201
- Utilizar para facilidade papel milimetrado;
- Marcar na carta o ponto inicial e final do perfil;
- Verificar a escala horizontal da carta
- Determinar o desnível existente no perfil, entre a maior e a menor cota
∆h = maior cota - menor cota
- Estabelecer a escala vertical a ser utilizada.
Se a escala vertical for igual a escala horizontal o perfil é dito normal. Se a escala vertical
for menor que a escala horizontal, o perfil é denominado rebaixado e se for maior, é dito
elevado. O que determina um perfil ser normal, rebaixado ou elevado é a visualização dos
desníveis na escala considerada.
Para escalas menores, deve-se adotar perfis elevados, em torno de 2 até no máximo 6x de
ampliação, dependendo do tipo de terreno:
- terreno plano ou para melhor observar e apreciar o terreno - elevado;
- terreno montanhoso - perfil rebaixado.

Figura 7.6.11 - Perfil normal e exagerado

O traçado do perfil será desenvolvido no papel milimetrado( ou em outro papel


qualquer).
A seguir são apresentados as fases de traçado de um perfil.
1) - Traça-se no papel milimetrado a linha que define a intercessão do terreno
2) - Levantar perpendiculares nos limites do perfil, marcando a eqüidistância da carta, a
partir de uma cota menor que a menor cota do perfil, até uma imediatamente maior.
3) - Verificar a intercessão das curvas de nível com o perfil e levantar perpendiculares até
a cota marcada na horizontal.
4) - Ligar os pontos de intercessão das horizontais com as verticais, por uma linha
suavizada, não deixou de haver passagens bruscas de um declive para outro.
5) - Marcar todos os pontos notáveis(rios, estradas etc)
6) - Identificação do perfil.

202
Título, escala vertical e horizontal, região, orientação do perfil. Colocar todas as
informações úteis.

b) - Perfil Contínuo
Este tipo de perfil é utilizado em levantamentos de estradas, linhas telegráficas,
microondas, levantamento de perfis de rios etc.
A diferença para o perfil anterior é o seu desenvolvimento ao longo de uma linha
contínua ou poligonal.
A construção é idêntica a um perfil individual devendo ser construído em trechos, sendo
que sempre que houver uma mudança de direção brusca, deve ser indicado no perfil.
Perfil Topográfico do Rio Curimataú
Escala Horizontal 1:50 000
Escala Vertical 1:10 000
450 m
350 m
300 m
250 m
200 m
150 m
100 m
50 m

1 km 2 km 3 km 4 km 5 km
Foz Rio

Ponte sobre
Represa Botelho

Itararé

Rv BR 364

Figura 7.6.12 - Perfil contínuo de um rio


c) - Determinação de Zonas Ocultas (Escondidas)
A construção de um perfil permite, além de conhecer o relevo do terreno de uma melhor
forma, resolver problemas de visibilidade de um ponto a outro.
Permite verificar de se um ponto pode se observar outro, quais as áreas que são visíveis e
não visíveis, o caminho a seguir de um ponto a outro sem ser visto de um terceiro ponto, etc.

Figura 7.6.13 - Perfil com linhas escondodas

203
Observando o perfil acima, tira-se tangentes a todos os pontos elevados B, C e D, cujo
prolongamento determina os pontos de intercessão com o perfil b, c e d. Conclui-se facilmente
que do ponto de observação A, são invisíveis, as partes da superfície do terreno compreendida
entre a tangente e a intercessão.
Essas regiões definem as regiões não vistas ou escondidas. As demais áreas são as zonas
vistas ou visíveis.
Através da elaboração de vários perfis, pode ser elaborada a carta de visibilidade. Os
perfis não devem ser em número regular, nem devem ser tanto mais quanto mais difícil for a
dedução da zona de visibilidade. Devem também passar pelo maior número de acidentes
importantes no terreno(colos, vales etc).

7.6.5 - Medidas de Área


A medição de áreas em princípio exige uma projeção equivalente. A medição de áreas na
projeção UTM, no entanto, não é muito alterada até a escala de 1:100 000, sendo compatíveis os
resultados obtidos.
Em princípio, qualquer medida de área em carta é muito expediente. O que realmente é
medido é a área projetada e não a área real. Por exemplo: um terreno medindo 1 km2, em uma
região com uma declividade de 10°, na realidade mede 1.015 km2.

Área real

Área distorcida

Figura 7.6.14 - Distorção na medição de área inclinada


Existem tabelas de conversão de área segundo a declividade, mas normalmente não se
leva em consideração, mantendo-se o cálculo sobre o plano.
Em princípio podem ser empregadas quaisquer processos de cálculo de área conhecido,
porém, para os casos mais gerais e práticos foram selecionados os seguintes processos:
- papel milimetrado;
- decomposição;
- Fórmula de Gauss;
- planímetro polar.

a) - Processo do Papel Milimetrado

204
Utilizado no caso de pequenas áreas. Dispondo-se de um papel milimetrado vegetal,
ajusta-se da melhor maneira possível à área a medir. A área é calculada pela fórmula:

S = ∑ int. + ∑nao int


2
onde ∑ int. = somatório dos quadrados inteiros
∑ não inteiros = somatório dos quadrados não inteiros.
O resultado é multiplicado pelo número da escala ao quadrado.

Figura 7.6.15 - Cálculo de área pelo papel milimetradao


Exemplo
Para a escala 1:25.000 foram encontrados em uma área os seguintes valores:
235 quadrados de 1 mm de lado inteiros,
138 quadrados não inteiros.
138
S = 235 + = 304 quadrados de 1 mm
2
Smm = 304 mm2 na carta
S = 304 x 25.0002 = 190.000..000.000 mm2 = 190.000 m2

b) - Processo de Decomposição
Este processo é utilizado no caso de áreas maiores, procurando-se dividir a região em
figuras geometricamente conhecidas, normalmente triângulos e retângulos.
A área residual pode ser calculada pelo processo anterior.
A área total será o somatório das áreas das figuras geométricas e das áreas residuais.
Se a área for calculada em termos de unidades reais (unidades da carta), a área deve ser
transformada para unidades do terreno pela utilização da relação de escala.

3 6
2054

5
Figura 7.6.16 - Medição de área por decomposição

c) - Processo da Fórmula de Gauss


O processo da fórmula de Gauss de medição de áreas, é um processo preciso, que pode
ser aplicado a quaisquer medição, desde que se conheça as coordenadas dos vértices limitantes
da área.
2 (E 2, N 2)

3 (E3, N 3 )

1 (E 1, N 1)

n (E n, N n) 4 (E 4, N 4)

7 (E 7, N 7)

5 (E 5 , N5)
6 (E6, N 6)

Figura 7.6.17 - Área a ser calculada


Devem ser conhecidas as coordenadas dos vértices 1 a n na figura:
1 (x1, y1)..........n (xn, y7)
ou
1 (E1, N1)..........n (En, Nn)

A formulação de Gauss é baseada em um processo geométrico conhecido como trapézio.


Dispondo-se então das coordenadas de n vértices que compõem o polígono, a área é dada pela
formulação:

2A = ∑ Xi * (Yi-1 - Yi + 1) ou
2A = ∑ Ni * (Ei - 1 - Ni + 1)
Quando i = n, entenda-se que o vértice é o primeiro e quando i = 1, o vértice 0 é o último.

7.6.6 - Medidas de Volume


O interesse no cálculo de volume extraído da carta prende-se à avaliação de bacia,
cálculos hidrológicos, agricultura etc.
É um processo bastante expedito, mas que fornece um elemento preliminar de avaliação.

S1
S2
S3 206
S4
Figura 7.6.19 - Cálculo de volume
- Corta-se a região a medir passando-se uma reta por todas as curvas que compõem o
volume;
- Mede-se a área sob cada curva pelo planímetro ou papel milimetrado;
- Soma-se cada duas áreas subsequentes, dividi-se por dois e multiplica-se pela
eqüidistância, obtendo-se os volumes parciais:
V1 = (S1 + S2 )/ 2 x Eq V2 = (S2 + S3 )/ 2 x Eq .....Vn = (Sn - 1 + Sn )/ 2 x Eq
- Pode-se verificar que o fundo da cava não é medido. acrescenta-se então, conforme a
declividade da cava, de 5 a 10% do total.
- Calcula-se então o volume total da figura
Vt = V1 + V2 +.....Vn + 10% (V1 + V2 + .....Vn)

8 - TOPONÍMIA - REAMBULAÇÃO
8.1 - Introdução
Pode-se definir a toponímia como o estudo lingüístico ou histórico dos topônimos, ou a
relação dos nomes de um lugar ou região. Portanto, a toponímia de uma carta corresponde aos
nomes que caracterizam os acidentes naturais ou não correspondentes de uma carta topográfica.
Uma carta sem nomes ou sem toponímia não é uma carta completa, por menos que se
necessite identificá-la. Existem cartas mudas, porém para fins bastante específicos ou didáticos.

207
A toponímia é portanto um elemento essencial para as cartas ou mapas, pois permitem
fazer a associação entre nomes e posição geográfica, ou seja, a identificação da área de
ocorrência do acidente e dele próprio pelo seu nome associado ao mapa.
Por essas razões, a toponímia correta apresentada em um mapa é de extrema importância,
pois ajuda não só na orientação, mediante referência aos elementos representados, como também
fornece informações essenciais que não podem ser representadas de forma adequada unicamente
por símbolos.
O processo de coleta de topônimos, dados e informações, relativos aos acidentes naturais
e artificiais (orográficos, hidrográficos, fito-geológicos, demográficos, obras de engenharia em
geral), além da materialização das linhas divisórias nacionais e internacionais e respectivos
marcos de fronteira, denomina-se reambulação.
Além destes objetivos, para a cartografia de base, pode-se enumerar ainda:
- esclarecimento de imagens fotográficas não reconhecíveis pela fotointerpretação;
- coleta de informações que não se possam obter através da interpretação por
estereoscopia;
- elucidação de nomes múltiplos de mesmos acidentes.
A fotografia aérea anexa mostra um trabalho de reambulação de campo para a cartografia
de base, onde a toponímia é anotada na fotografia, servindo de base aos trabalhos de escritório.
Para a cartografia temática, dependendo do tema a representar, a reambulação também
pode ser definida através de documentos existentes, em escala apropriada. Não se prescinde no
entanto, de trabalhos de campo para checagem e elucidação de dúvidas.

8.1 Letras
Assim como os nomes são elementos importantes no mapeamento em geral o desenho e
uso de letras são igualmente importantes no projeto do mapa.

O uso de letras envolve duas operações:


- especificação, que controla a aparência de cada nome;
- seleção e disposição dos nomes nos mapas que é parte do processo de compilação.

Deve-se ver na letra também uma parte estética da carta. O conjunto desenho e letras
devem ser esteticamente harmônicos e balanceados. Letras deslocadas, mal escolhidas ou
projetadas, seja por tamanho desproporcional ou forma, influem bastante no aspecto visual da
carta.

208
a) - Classificação das letras
Pela forma podem ser classificadas em:
- maiúsculas
- minúsculas

As maiúsculas são empregadas em títulos e nomes principais. As minúsculas, com a


exceção da primeira letra são empregadas em nomes secundários.
Para os nomes que ocupam grandes áreas, linhas ou regiões, que tem de ser bem
espaçados, usa-se sempre letras maiúsculas, qualquer que seja o acidente ou fenômeno.
A prática mostra que as letras minúsculas são mais perceptíveis que as maiúsculas, por se
aproximarem da escrita manuscrita. Tem uma melhor união e fornece um conjunto visual
agradável à vista.
Conforme o tipo, as letras podem ser classificadas em:
- Bloco
- Romano

Os caracteres em bloco são cheios, sem apoio:

M
Os caracteres romanos apresentam serifa ou apoio:

A d
Em relação a espessura podem ser classificados em:
-finas
-normais
-grossas

As simples são finas, enquanto as cheias, do mesmo tipo são dupla ou triplamente encorpadas

G G
Quanto a orientação, as letras podem ser:
-verticais B
209
-oblíquas (itálicas ou cursiva) B

As verticais são usadas para qualquer fenômeno que não seja hidrográfico. As itálicas só
são empregadas em acidentes e fenômenos ligados à hidrografia.
Em relação às dimensões, deve-se observar a largura e altura. Em termos de largura as
letras são classificadas em 4 grupos:
- M e W - Largas
- C O S D G Q - Meio Largas
- A B E F H K L N P R T U V X Y Z - Meio Estreitas
- I J - Estreitas
Em relação a altura, não existe variação para as letras maiúsculas. Quanto às
minúsculas, existe um problema, pois apesar da mesma linha de base, algumas vão para cima e
outras para baixo. Consideram-se os seguintes grupos:
- curtas - a e o i m n r s c u v x
- com perna - g p q y z
- com braço - b d h f l
-intermediária - t

Tipograficamente as letras são classificadas pelo número de pontos de sua caixa,


eqüivalente a 1/72 da polegada:
1 ponto = 0,353 mm US
= 0,351 mm GB

O problema desta classificação está no fato do ponto se referir não ao tamanho da letra,
mas ao tamanho da base tipográfica da letra. Sempre haverá portanto uma diferença para o
tamanho real da letra.
Quanto a largura, não existe uma unidade, porém existem três tipos que variam bastante
devido a não padronização:
- Condensada

Desenho
- Normal
Desenho
- Largas

Desenho
210
Quanto a definição de cores para as letras, este é um problema por não se ter muito o que
escolher. A cor deve ser escolhida de modo a provocar um contraste entre o fundo e a
nomenclatura. Como o fundo muitas vezes não é branco, não pode-se usar qualquer cor.
Exemplos:
- vermelho sobre a curva de nível
- o azul é reservado para a hidrografia.
- usa-se o preto para todo o resto, exceto curvas de nível (mesma cor da curva - sépia).

Como variantes, ainda tem-se alternativas de letras cheias, semivazias e vazias.

1 1 1

8.3 - Disposição da toponímia


Da forma como os nomes estarão dispostos no documento cartográfico, vai depender em
grande parte não só a estética, mas também a qualidade do mapa, pois a toponímia tem também
uma função de localização.
A disposição da toponímia obedece regras que se diferenciam uma vez que estejam
representando um fenômeno pontual, linear ou zonal.

a) - Nomes de posição (Elementos pontuais)


A noção de pontualidade está ligada diretamente a escala da carta. Em uma escala grande,
pode-se representar uma cidade por seu contorno; em uma escala pequena, poderá ser através de
um símbolo pontual. Evidentemente as regras de um não será aplicada ao outro, pois haverá
inclusive alteração da representação geométrica dos fenômenos (zonal para pontual).
Devem ser observadas sempre que possível as seguintes normas:
- Os nomes devem ser colocados paralelamente aos limites do mapa, diretamente à visão normal.

Limite Inferior

Figura 8.1 - Colocação dos nomes paralelamente à base do mapa

211
- Deve estar o mais próximo possível do local de ocorrência do fenômeno. Se existirem
limites com duas cores contrastantes, o nome não deve atravessar o limite.

Figura 8.2 - Nomes em limites

- Deve-se dar as seguintes prioridades para o posicionamento do nome:


1- um pouco acima e direita
2- um pouco abaixo e direta 5

3- um pouco abaixo e esquerda 4 1

4- um pouco acima e esquerda


3 2
5- no meio em cima
6- no meio embaixo 6

Figura 8.3 - Situação dos nomes


A prioridade à direita deve-se ao fato deste ser o sentido geral de leitura nomes. Os
nomes situados acima são melhores do que os embaixo, por existir um menor número de letras
com braços que com pernas.
- Existindo vários pontos próximos, pode haver necessidade e é permitido, colocar-se o
nome em curva, que é melhor que se houver uma troca de lugar.

Figura 8.4 - Situação de nomes de pontos muito juntos


A mudança para a esquerda não é uma boa opção e deve ser evitada.
- Nomes compostos, que não puderem ser escritos em uma só linha, podem ser escritos
em duas. Havendo preposição, colocar a preposição na segunda linha.

Rio Serra
de Janeiro do Mar
- Localizações próximas a margem de rios, o nome deve ficar todo na margem que situa o
fenômeno. Não se pode cortar o rio.
Se o rio for representado por uma linha simples, pode ser colocado na margem oposta,
mas também não pode cortá-lo.
Minas 212
do Sul
Minas
Figura 8.5 - Nomes de rios
- Em litoral mais ou menos paralelo aos limites da carta, a melhor opção é colocar os
nomes em curva, nunca em perpendicular.
Figura 8.6 - Nomes em litoral

b) - Nome de feições lineares


Estão representando feições lineares, tais como rios, linhas notáveis, canais etc.
- O nome deve acompanhar a direção da linha(do eixo da linha) e não deve ser separado
do fenômeno que ele representa, por outro tipo de linha

nho
obradi
S
Rio

Figura 8.7 - Orientação de nomes lineares


- A disposição geral das palavras deve permitir a leitura do mapa sem movimentá-lo ou
rotacioná-lo. Não deve mudar muito a orientação.

Figura 8.8 - Orientação geral dos nomes


- Os nomes devem ser dispostos ao longo de uma linha de base, afastada da ordem de
2mm da linha do fenômeno.

nho
Sobradi
Rio

Figura 8.9 - Disposição ao longo de linha base


Se o nome for composto ou espaçado entre outros, o espaçamento entre as partes deve ser
constante.
Se o nome estiver contido pelo fenômeno, a altura não deve exceder 2 terços do espaçamento
existente.

213
Figura 8.10 - Nomes em rios de margem dupla

Rio

Um nome deve ser repetido, principalmente se for cortado por outro elemento linear.

c) - Nomes de identificação de área (zonais)


- O nome deve ser escrito uma vez e não deve ser repetido no mesmo mapa ou folha.
- Deve ser lançado na horizontal ou em duas linhas se possível.
- Não podendo ser disposto horizontalmente, pode ser inclinado ou colocado em curva
única, acompanhando toda área, ou o eixo maior da área.

a
astr
Can
da
S erra

Figura 8.11 - Nome de área

8.4 - Processos de Desenho


- Mão livre
-Normógrafo
- Colada
- Decadry
- Letraset
- Zip-a-tone
- Letraform

214
9 - GENERALIZAÇÃO CARTOGRÁFICA
9.1 – Introdução – Transformações Cognitivas
As transformações cognitivas são as transformações sofridas pela informação geográfica,
para que possa tanto ser representada cartograficamente, como também ser reconhecida como a
informação existente no mundo real. É uma transformação do conhecimento, uma vez que suas
características podem ser alteradas durante o processo, justamente para poder representar a sua
ocorrência no mundo real.
Para o processo cartográfico, as transformações cognitivas mais importantes são a
generalização e a simbolização. Estas transformações realizam uma adaptação da informação
geográfica, selecionando, eliminando o que não é importante representar, classificando a
informação e representando-a por uma simbologia apropriada, adequadamente aos objetivos
propostos para o mapeamento, de acordo com o tema representado, pelas características da área
geográfica, pela natureza das informações disponíveis e de acordo com a escala do mapeamento.
Um mapa está sempre representa um fenômeno em uma escala reduzida, face a sua
ocorrência no mundo real. A informação que o mapa contem pode sofrer perdas, truncamentos e
até mesmo não poder ser representada, face às restrições que são impostas através da escala de
representação.
Segundo a Associação Cartográfica Internacional, a generalização é um processo de
representação selecionada e simplificada de detalhes apropriados à escala e/ou aos objetivos do
mapa. De uma maneira mais abrangente, pode ser vista como o processo que através da seleção,
classificação, esquematização e harmonização, reconstitui a realidade da distribuição espacial
que se deseja representar ROBINSON (1995). Então, o processo de transformação que permite,
através de uma redução da quantidade de detalhes, reconstituir em um mapa a realidade, seja do
terreno ou da distribuição espacial que se deseja representar, por seus traços essenciais,
denomina-se generalização cartográfica.

215
O processo de generalização é essencial tanto para a cartografia de base, como para a
cartografia temática, pois tem como objetivo principal a elaboração de mapas, cujas informações
possuam clareza gráfica suficiente para o estabelecimento da comunicação cartográfica desejada,
em outras palavras, a legibilidade do mapa.

A transformação de escala é a operação mais relevante para a imposição da


generalização. Como toda operação de mapeamento implica em transformação de escala, fica
também implícito o processo de generalização para todo e qualquer processo de mapeamento.
O processo manual da generalização é inteiramente subjetivo e dependente do
conhecimento cartográfico e geográfico do responsável pelo trabalho, enquanto que o processo
automático esbarra na especificação de tarefas e padrões de trabalho, que tornem objetiva a
subjetividade imposta pelo processo manual.
Cada documento cartográfico, dentro dos limites de escala, necessita ter definido o seu
próprio nível de detalhamento, para atingir os seus objetivos. O processo de generalização é de
grande importância na representação cartográfica de fenômenos, sejam eles na cartografia de
base ou na temática, pois a representação exagerada de elementos, forçosamente irá prejudicar a
clareza do documento.
A generalização é função dos seguintes fatores:
- escala (mais importante)
- finalidade da carta
- tema representado
- características da região mapeada
- natureza das informações disponíveis sobre a região
A escala é o fator mais importante, por que independente de todos os demais fatores, o
mapa será generalizado. Quanto menor a escala, ocorrerá uma maior generalização das
informações, sendo portanto a generalização inversamente proporcional à escala.
A finalidade diz respeito ao emprego do mapa, para o que ele vá servir, a que usuários
deverá atender. Assim são definidas quais informações que serão importantes estar contidas no
mapa, em função do seu emprego e dos usuários que o utilizarão. Por exemplo, uma mesma área
representada em um atlas de referência e um atlas escolar, não conterão a mesma quantidade e
mesmo qualidade de informação. O mapa de referência terá sempre muito mais informações,
enquanto que no escolar, são simplificadas para não prejudicar o atendimenmto ao público que
se destina.

216
O tema conduz a uma simplificação dos detalhes que não interessam exibir ou são
irrelevantes, por exemplo, o relevo numa carta básica é essencial, enquanto que em uma carta
náutica é apenas esquematizado.
As características regionais vão estabelecer o que é importante ser representado no mapa,
dependendo de sua importância relativa para a região considerada. Por exemplo localização de
um poço artesiano no Rio de Janeiro e um poço artesiano em uma região desértica ou
semidesértica. O poço da região desértica tem uma importância relativa muito maior, sendo
relevante a sua representação.
Em relação as informações disponíveis, deve-se documentar a região, de forma a se
conhecê-la, para se saber o que será possível generalizar. Por outro lado, é necessário conhecer
as características de como a feição é referenciada devido ao fato da informação primária ser de
posição, é a forma linear ou de área que o mapa mostra efetivamente dentro de seus limites. Por
exemplo, estradas podem ter retas e curvas acentuadas; as estradas de ferro terão sempre curvas
suaves; linhas de costa e contornos serão suaves ou irregulares dependendo da região; alguns
limites de cidades são completamente irregulares em forma de construção e layout, outros porém
são simétricos. Algumas formas de terreno são caracterizadas pela freqüência de outras formas
menores, dispersas ou nucleadas.
O problema da generalização torna-se bastante sério em um ambiente digital, uma vez
que a possibilidade de existir uma função de “zoom” ilimitada, pode resultar em mapas ilusórios,
na interpretação de seus conteúdos.

9.2 - Processos de Generalização


Os conceitos associados de generalização são bastante divergentes de autor para autor.
Alguns coincidem em conceito, porém não existe essencialmente um consenso para definir
quais são os que realmente caracterizam a generalização.
217
Quanto aos processos adotados, distinguem-se dois tipos de generalização, a
generalização gráfica e a conceitual. A diferença entre as duas é relacionada aos métodos do
processo de generalização. A generalização gráfica não afeta a simbologia, pontos permanecem
pontos, linhas continuam como linhas e áreas como áreas. Já a generalização conceitual por sua
vez pode afetar a simbologia do elemento generalizado.
Quanto ao conhecimento da informação geográfica, pode-se classifica-la em
generalização semântica e geométrica. A generalização semântica, aborda os aspectos da seleção
da informação que dependa essencialmente de conhecimento dos conceitos geográficos,
identificando estruturas de hierarquia das informações associadas. A generalização geométrica,
faz na verdade uma interface entre a generalização semântica e o processo de simbolização da
informação. Realiza transformações, através de operações dentro do nível da representação
gráfica, visando a clareza da informação cartográfica representada no mapa.
Pode-se verificar que nas duas classificações, alguns conceitos são coincidentes, mas
outros divergem bastante, o suficiente para causar alguma confusão. Deve-se deixar bem claro
qual a forma de generalização aplicada em uma representação cartográfica.

9.2.1 - Generalização Gráfica


Os processos gráficos são os seguintes:
- simplificação
- ampliação
- deslocamento
- aglutinação
- seleção
Simplificação

218
A simplificação aplica-se as feições lineares e o limite de feições planares. Tanto maior
for a sinuosidade de uma linha, maior será o efeito de simplificação.
Uma linha reta reduzida em escala, será ??? de uma linha reta, embora mais curta. Por
sua vez uma linha altamente irregular sofrerá além da redução em escala, uma redução em
tamanho, a medida que as sinuosidades são removidas.

Ampliação
É necessária, caso contrário alguns símbolos poderiam desaparecer. Para manter um
limite, um estrada ou caminho legíveis, haverá necessidade de se aumentar o seu tamanho. Uma
estrada na escala 1/10 000, pode ter 10m de largura, enquanto que a mesma estrada em um mapa
em 1/50 000, representado pelo mesmo símbolo, teria 50m de largura.

Deslocamento
Devido a ampliação e mesmo outros fatores, tais como uma série de símbolos colocados
juntos, haverá necessidade de se deslocar alguns para não afetar a legibilidade do documento.

Aglutinação
É necessária para o agrupamento de elementos ou feições de mesmas características, por
exemplo, um grupo de casas em uma mesma quadra.

Seleção
Também chamada de omissão seletiva, é um processo que estabelece o número total de
feições de uma classe que serão ou não representadas no mapa.
A seleção pode ser qualitativa ou quantitativa, porém deve ser estabelecida em ambas as
formas, pela priorização da omissão.
Uma seleção qualitativa pode ser exemplificada pela decisão de supressão da vegetação,
ou de todas as feições das rodovias de uma área.
No aspecto quantitativo, por exemplo, a supressão de riachos com menos de 1cm de
comprimento na carta, ou matas com menos de 16mm 2, ou ainda cidades com menos de 5000
habitantes.

9.2.2 - Generalização Conceitual

219
Os procedimentos envolvidos na generalização conceitual são os seguintes:
- Aglutinação
- Seleção
- Simbolização
- Exagêro

A figura
mostra esses
procedimentos e as
diferenças entre os
procedimentos
gráficos.
A
aglutinação não
pode ser efetuada
sem um
conhecimento
técnico, uma vez que terá influência na legenda do mapa, por que alguns símbolos irão
desaparecer, enquanto outros poderão aparecer.
A seleção neste contexto exige conhecimento sobre o fenômeno mapeado. Por exemplo,
se o solo da ilha fosse constituído de marga e basalto, em uma ilha vulcânica, o basalto é tão
característico que predomina sobre a própria característica da ilha.
A simbolização indica as mudanças que a relação entre o espaço e o símbolo representam.
Por exemplo, um grupo de torres de petróleo, poderão se tornar um símbolo de área simples,
indicando um campo petrolífero. Esta alteração depende da escala original e da escala após a
redução.
A generalização pode resultar em uma representação que atraia pouco ou não atraia a
atenção. Alguns desses símbolos terão com certeza de ser ampliados, no todo ou em parte, para
ter a sua importância relativa no documento cartográfica bem definida.

9.2.3 – Generalização Semântica

220
A generalização semântica procura estabelecer, dentro de uma estruturação hierárquica da
informação, tanto abordando o aspecto qualitativo como o quantitativo, o que deverá ser
representado, em termos de uma classificação e aglutinação da informação.
A classificação qualitativa, abordada através de uma hierarquização da informação em
domínios de ocorrência, define quais as informações geográficas importantes para atingir os
objetivos do mapa. Para a cartografia de base, esta é uma tarefa relativamente simples, uma vez
que esta hierarquização pode ser vista de forma bastante estruturada, pela composição dos
elementos de hipsografia, hidrografia, planimetria e vegetação, suas feições e subfeições,
ficando apenas por definir a exclusão ou inclusão dentro da elaboração do mapa. Para a
cartografia temática, cada objetivo de mapeamento poderá gerar diferentes hierarquias, devendo
naturalmente fazer parte do processo de construção do mapa.
A classificação quantitativa elabora uma forma de representação hierárquica, seja ordinal
ou pela definição de intervalos de classe. A apresentação de mapas coropléticos é um bom
exemplo desta classificação.
A aglutinação ou agregação compõe um fenômeno pôr suas partes constituintes.
Ocorrências em setores censitários, ou bairros, podem ser aglutinados para uma apresentação pôr
regiões administrativas pôr exemplo, em uma cidade.

9.2.4 – Generalização Geométrica


As operações que caracterizam a generalização geométrica, traduzem modificações na
estrutura gráfica da informação, visando a clareza da informação cartográfica, daí se afirmar que
é uma interface com a simbolização. Existe também evidentemente, uma estreita ligação com a
generalização semântica, por que, dependendo do tipo de operação estabelecida, poderá ocorrer
alteração dimensional da feição cartográfica representada, como por exemplo, uma área
edificada em uma escala, passando a ser representada por um ponto em outra menor.
O conjunto de operações apresentados a seguir, é o resultado de uma compilação de operação
de diversos estudos, apresentados por JONES (1997), segundo MACMASTER & SHEA (1992),
MONMONIER (1987) e ROBINSON (1995).

- eliminação de pontos, linhas e áreas;


- simplificação de detalhes de linhas, áreas e superfícies;
- realce de aparência de linhas, áreas e superfícies;
- aglutinação de linhas e áreas;
- redução de áreas à linhas e pontos;
- exagero de linhas e áreas e

221
- deslocamento de pontos, linhas e áreas.

9.2.4.1 - Eliminação
É a função mais simples da generalização, pois efetua simplesmente a remoção da
informação e em conseqüência, da representação gráfica da feição selecionada. Não realiza
nenhum tipo de transformação geométrica efetivamente.
É uma conseqüência direta do fator de escala da transformação, onde pequenas áreas,
linhas e feições pontuais, podem perder a significância, ou mesmo tornar menos legível a leitura
gráfica, sendo portanto eliminadas, para clarificar o conjunto.

Figura 37 – Eliminação

9.2.4.2 - Simplificação de detalhes


A simplificação é aplicada à linhas , contornos e superfícies, uma vez que a aplicação em
objetos pontuais, nada mais é do que uma eliminação simples do objeto. É uma operação que
tem por objetivo diminuir os detalhes de linhas, polígonos e mesmo superfícies.
A redução de linhas equivale a uma eliminação controlada de pontos que a compõe,
mantendo as suas características básicas, mas tornando-a por sua vez menos detalhada, o que em
escalas menores trará mais legibilidade. Pode-se aplicar a simplificação também em
representações em mesma escala, segundo diferentes objetivos para o mapeamento de uma
mesma área geográfica. Esta redução aplica-se também aos contornos de áreas.

A figura 38a mostra uma redução a escala constante e a figura 38b, com uma variação de
escala.
Figura 38 a – Simplificação à mesma escala

222
Figura 38 b – Simplificação em escala variável
A simplificação de
linhas é desenvolvida
segundo técnicas variadas,
desde uma seleção arbitrária
de pontos, até a utilização de
algoritmos de eliminação
global, local ou de banda. Um
dos algoritmos mais
utilizados é devido a
DOUGLAS & PEUCKER,
onde uma divisão sucessiva
da linha elimina os pontos
que mais se afastam,
conforme pode-se observar na figura 39.

Figura 39 – Algoritmo de Douglas Peucker JONES (1997)


9.2.4.3 - Realce
A informação linear digital é normalmente representada por uma seqüência de linhas
retas, formando um polígono quebrado, o que não representa a
realidade em termos reais. A aproximação com a realidade deveria
fazer com que os vértices estivessem muito mais próximos, para
apresentar um efeito suavizado. Quando não é possível estabelecer
uma representação dessa maneira, a solução é submeter as linhas e
contornos, bem como Figura 40 – Suavização superfícies à algoritmos que permitam uma
visualização suavizada, conforme pode ser observado na figura 40. Algoritmos como de splines,
cúbicas e B-splines, ajustamento parabólico e outros podem ser incorporados à seqüência das
linhas.

9.2.4.4 - Aglutinação ou Combinação


Esta operação faz com que elementos isolados sejam combinados ou reunidos, formando
novos objetos, com as mesmas características nominais dos objetos anteriores. Por exemplo,
podem ser combinados grupos de ilhas, lagos, mesmos tipos de solos, manchas de cobertura
vegetal, etc.

223
Estes elementos separadamente não teriam
significação em uma escala pequena, porém reunidos
passam a mostrar uma área ou um grupo significativo.

Figura 41 – Aglutinação

9.2.4.5 - Redução
A redução define a operação que efetua uma transformação de geometria entre o objeto
original e o objeto generalizado. Normalmente é uma transformação obrigatória com a redução
de escala muito acentuada, como por exemplo, transformar uma feição planar, como a área de
uma cidade para um objeto pontual, em uma escala em que a representação de área não tivesse
representatividade.

9.2.4.6 - Exagero
A operação consiste em exagerar propositalmente as dimensões do objeto representado,
uma vez que a redução de escala, na maioria das vezes apresenta o objeto sem as dimensões
reais. Por exemplo, uma estrada de 7 metros de
largura, tem essa dimensão em uma escala 1: 50
000, reduzida a 0,14 mm, porém a sua
especificação é de uma linha próxima a 1mm de largura
Figura 12 – Exagero

9.2.4.7 - Deslocamento
A necessidade do deslocamento está no fato de existir, devido inclusive a outras operação
de generalização, problemas de superposição entre objetos cartográficos. O tratamento do
deslocamento muitas vezes não é simples, devido à necessidade de estabelecer uma prioridade de
aplicação ou de hierarquia entre os objetos representados. Um exemplo bastante elucidativo na
cartografia de base, diz respeito ao deslocamento entre duas estradas que correm paralelamente,
uma rodovia e uma ferrovia, onde uma delas terá que ser deslocada em relação a outra, para não
prejudicar a clareza de leitura do mapa.

224
Figura 43 - Deslocamento

9.3 - Princípios de Generalização

225
226
Toda generalização a ser efetuada deve seguir princípios bem definidos, para que não se
perca qualidade, clareza e precisão do documento a representar.

O quadro acima apresenta o modelo conceitual de generalização, caracterizando o por

Conceito de
Generalização

Por que Quando Como


(Objetivos (Avaliação (transformações de
filosóficos) cartométrica) atributos e
geométricas)

. Elementos . Condições . Ações de


teóricos geométricas generalização
gráfica
. Elementos de . Medidas espaciais
Aplicação e holísticas . Ações de
específicos generalização
. Controle da conceitual
. Elementos transformação
computacionais
que, quando e como aplicar a generalização
A generalização de atributos, especialmente a simbolização e a classificação são geradas
através de aplicações de mapeamento estatístico.
Em relação aos princípios conceitual e gráficos, os seguintes princípios devem ser
aplicados sempre que possível:
1- Juntar o máximo de informações possíveis sobre a área a generalizar
2- Não se ater ao princípio de supressão do pequeno e manutenção do grande. Em determinados
locais, o pequeno pode ter prioridade sobre o grande. Por exemplo em dois trechos de um mapa,
a área A é mais seca que a área B. Suprimindo-se os pequenos lagos em B, haverá uma idéia
errada do terreno.

3- Princípio de simbolização

227
A alteração da classificação dos objetos e feições, por exemplo, passando-se de área à
ponto, a generalização tem que atingir todos os elementos envolvidos.
A supressão de classe, por outro lado, leva a um outro conceito de generalização. Existe a
possibilidade inclusive de perda do equilíbrio.

4- Visualização
Por este princípio, sé se pode agrupar elementos que sejam vizinhos. Se existir uma
separação por meio de outros objetos, não podem ser grupados.

5- Semelhança
Se possível, deve-se sempre seguir o princípio de preservação das formas. Existirá uma
degradação das formas, porém deve ser próxima à forma original.

6- Equilíbrio
O equilíbrio em um mapa é caracterizado por estabelecer prioridades sobre os elementos
a representar. Se todos tiverem o mesmo peso, não poderá haver uma prioridade visual sobre
nenhum dos elementos.
Em cartas temáticas porém, o equilíbrio será dado pela priorização da visualização sobre
o tema a representar.

10 - SÍMBOLOS E CONVENÇÕES CARTOGRÁFICAS

10.1 - Introdução

228
A simbolização ou a definição dos símbolos e convenções cartográficas que representarão
as informações geográficas em um mapa ou carta, é a última das transformações cognitivas que
serão submetidas a informação geográfica.
Uma das grandes vantagens de um documento cartográfico é a sua universalidade. Na
realidade ele não precisaria ter uma linguagem escrita padronizada, para que pudesse ser
interpretado, ou seja, a interpretação de um mapa poderia ser realizada, em princípio, sem que se
conheça totalmente a linguagem escrita, reconhecendo-se apenas a linguagem gráfica associada.
Por outro lado, o mapa fornece uma visão global de uma região, facilitando a sua
memorização, uma vez que é, com as limitações inerentes, uma imagem generalizada do terreno.
Caracteriza-se portanto um mapa, como uma linguagem peculiar de comunicação, que
permite a comunicação de informações por este meio. Como qualquer linguagem, (e
especificamente é uma linguagem gráfica), utiliza símbolos para poder traduzir uma idéia ou um
determinado fenômeno. Assim, pela associação de símbolos, chega-se perfeitamente a uma
analogia e mesmo a comparação de fenômenos.
Desta forma o mapa registra o fenômeno e em conseqüência a informação que o traduz,
logo pode ser considerado um inventário dos fenômenos representados. Por ser um documento
informativo tem que ser completo, ou seja, tem que ser fiel àquilo que se deseja representar. Isto
pode, de uma certa forma, prejudicar a legibilidade, o que deve ser o mais possível evitado, ou
seja, tem-se ao mesmo tempo registrar a informação e o menos possível prejudicar a
legibilidade.
Logo, a informação deve ser tratada para poder representar o fenômeno de acordo com
essas características. Não deve apenas registrá-lo, sob pena de não representar o fenômeno de
forma coerente, criando-se uma simbolização ou convenções, que traduzam com fidelidade a
informação cartográfica representada no mapa.
Ao nível do tratamento da informação, pode-se dar um tratamento qualitativo ou
quantitativo à informação, o que permitirá a sua sintetização, visando facilitar a comunicação.
A comunicação com o usuário deve ser clara, legível e nítida. Uma boa carta pode até ser
lida sem legendas, porém necessita da legenda para uma interpretação mais aprofundada.
Existem diversas formas de simbolizar ou codificar dados geográficos, seus conceitos e
relacionamentos, porém atribuir um significado específico aos vários tipos de símbolos, suas
variações e suas combinações, é apenas o primeiro dos dois passos de um projeto gráfico. O
segundo passo é dispor os símbolos e códigos de forma que o usuário os veja de forma que o
cartógrafo quer que sejam vistos, ou seja, pela atribuição de um significado próprio e pela
disposição e apresentação da simbologia adotada.

229
Pode-se então estabelecer, que símbolos e conveções cartográficas são os elementos que
se dispõe para representar cartograficamente a informação geográfica, dentro de uma linguagem
gráfica pré-estabelecida.
O objetivo de um mapa geral é exibir uma variedade de informações geográficas e pelo
menos em teoria, nenhuma classe deve ser mais importante que outra. Um mapa temático por
sua vez, tem interesse principal em apresentar a forma geral ou a estrutura de uma dada
distribuição espacial ou combinação delas. O relacionamento estrutural de dada parte com o
todo é que tem importância. É uma espécie de ensaio gráfico relacionado com as variações
espaciais e relacionamentos com algumas distribuição espacial. Os objetivos e problemas de
mapas gerais e temáticos são portanto bastante diferentes.

10. 2 - Informações Qualitativas e Quantitativas


As informações geográficas possuem características que podem ser assumidas como
qualitativas ou quantitativas.
Por informação qualitativa deve ser entendida como a informação que tem caráter
tipicamente de apresentar a tipificação da informação, ou seja, a sua qualificação. Por exemplo,
uma igreja, uma estrada, um rio, uma área de vegetação, uma ocorrência de determinado tipo de
solo, um tipo específico de cobertura vegetal. A simbologia adotada irá apenas qualificar o tipo
de ocorrência, juntamente com o seu posicionamento geográfico, sendo estes os seus princiapis
atributos. Não existe associação com nenhum tipo de hierarquização ou quantificação de valores.
Já as informações quantitativas são caracterizadas por representar um valor mensurável
para o fenômeno ou à sua ocorrência. Podem dar também, sem valorizar, uma idéia de
hierarquia ou de priorização de elementos, ou podem associar valores quantificáveis para a
representação do fenômeno. Por exemplo, a ocorrência de estradas, distintas por classes (auto-
estrada, 1a classe, federal, estadual, pista simples, pista dupla, etc), dando uma idéia de
hierarquia, ordenação ou prioridade. A associação às estradas de dados de fluxo de veículos,
capacidade de escoamento de carga, capacidade de suporte de veículos, são típicas de
quantificação por valores mensuráveis sobre o fenômeno.

10.3 - Escalas ou Classes de Observação


As escalas de observação ( neste caso, o termo escala representa a forma de associação às
informações qualitativas e quantitativas e não ao conceito clássico espacial de razão de escala),
são denominadas como: nominais, ordinais, intervalos e razão.

230
A classe nominal traduz as informações qualitativas, possuindo portanto todas as suas
características. A classe ordinal associa-se às distribuições quantitativas que não são
representadas por valores dimensionais, mas por uma hierarquização de importância ou
priorização apropriada. As classes de intervalo e razão associam-se às informações quantitativas
valoradas, sendo as de intervalo traduzidas por valores dentro de uma faixa contínua de
ocorrência e a de razão, representadas por valores obtidos de associações ou relacionamentos
entre dois ou mais elementos. Por exemplo a representação de altitudes por curvas de nível são
intervaladas e a densidade demográfica associa-se às representações por razão - habitantes/km2.

10.4 - Classes de Símbolos


Existe uma variedade ilimitada de dados espaciais que podem ser mapeados e todos
devem ser representados por símbolos.
De forma a considerar as maneiras pelas quais os sinais convencionais (ou convenções)
podem ser empregadas, é útil classificá-las, através de sua geometria. Define-se 3 tipos de
classes de símbolos, quanto às sua características gráficas: pontos, linhas e áreas.
Pode -se ainda estabelecer uma outra classe, definida por uma característica volumétrica.

a) - Símbolos Pontuais
São convenções individuais, tais como pontos, triângulos etc, usados para representar um
lugar ou dados de posição, tais como uma cidade, uma cota, o centróide de uma distribuição, ou
um volume conceitual, como a população de uma cidade.
Mesmo que a convenção possa cobrir uma pequena área do mapa, pode ser considerada
um símbolo pontual quando conceitualmente refere-se a uma posição geográfica de ocorrência.

b) - Símbolos Lineares
São convenções lineares, para representar elementos que têm características de linhas, tais
como cursos d’água, rodovias, fluxos, limites etc.
Não significa que representem porém só elementos lineares, por exemplo, a representação
de curvas de nível permite que se extraiam informações de volume.
c) - Símbolos Zonais, de Área ou Planares
São convenções que se estendem no mapa, caracterizando que a área de ocorrência tem
um atributo comum, por exemplo: água, jurisdição administrativa, tipo de solo ou vegetação.

231
232
Usado desta forma, uma convenção de área é graficamente uniforme e cobre toda área de
representação do fenômeno.
Figura 10.1 – Classificação por classes de observações e por características gráficas

Pontos Linhas Área


Cidade Pântano
Rio Terras
Mina
al

Estrada Áridas
min

Igreja Gratícula Floresta


No

Marca de Altitude Limites Setores


Censitários

M aior M enor
Grande Auto-estrada
inal

Federal
M édio
Estadual
Ord

Pequeno Vicinal
Fonte poluidora

Repetição Coropletas
Cada ponto vale Isaritmas
-

75 pessoas
alo
Ra Interv

Valorados Valorados
Unidimensional Hachuras
zão

Bidimensional
Fluxos
Círculos, quadrados
triângulos etc
Isopletas

10.5 - Elementos Gráficos Primários


Para a representação da informação cartográfica, dispõe-se dos símbolos, que são
traduzidos pela visualização e diferenciados portanto, por serem variáveis visuais.
Assim define-se como elementos gráficos primários, as variáveis visuais de diferenciação
dos símbolos:
- cor;
- valor;
- forma;
- tamanho;
- orientação;
- espaçamento;
- posicionamento.

233
Variáveis Gráficas

Ponto Linha Área

Cor

Valor

Tamanho

Forma

Espaçamento

Orientação

Posição

a) - Cor e Valor
São duas variáveis interligadas. Para uma escala monocromática o valor varia do branco
ao preto. Só é visível em símbolos robustos. Para símbolos pequenos, a variação de valor
(saturação) não é distinta.
Também é valido para as cores. Não deve-se escolher muitas cores para não confundir e
desequilibrae uma representação. Devem ser poucas e contrastantes.
A cor traduz fenômenos quantitativos quando é usada apenas uma cor em seus vários
matizes. Cores diferentes vão expressar fenômenos qualitativos.
A variável possui características controvertidas e complexas. Existem fatores para o
estudo da cor, que muitas vezes são divergentes entre si, fazendo com que tenham que ser
considerados inicialmente isolados, para depois serem observados em conjunto. São os seguintes
fatores ou aspectos a considerar:
- físico;
- fisiológico;
- subjetivo;
234
- simbólico;
- estético.

É possível através das cores: ordenar, distinguir contrastes,enfatizar efeitos ou mesmo


representar a evolução de um fenômeno, além de aumentar a legibilidade da carta.
A cor contribui para a estética e para a qualidade do documento, mas deve ser lembrado
que uma má escolha de cores gerará um documento com características invertidas.

Aspecto Físico da Cor


As cores vistas são as do aspecto eletromagnético, dentro da faixa do visível (0,3 a 0,7
mm).
As cores fundamentais são vermelha e azul a amarelo.

Estas são as cores que pode combinar. Em termos de sistemas de cores, os mais utilizados
são o RGB (red, green e blue) para computação, e o CMY (cian, magenta e yellow), aditivo e
subtrativo respectivamente.
O RGB tem um emprego maior junto com o HIV (hue, intensity, value) para emprego
computacional, enquanto que o CMY para emprego topográfico.
Deve ser levado em conta o efeito da luz branca (ou outra) sobre o documento que será
R C

G 0 M

B Y

gerado.

Hierarquia Cromática
É a ordem de percepção das cores. Por exemplo, o preto é logo notado, enquanto que o
amarelo é das últimas cores a serem percebidas. Reserva-se ao preto detalhes importantes,
enquanto ao amarelo os de pouca importância. Nota-se melhor:
- preto no branco;

235
- preto no amarelo;
- vermelho no branco;
- verde ou azul no branco;
- branco no vermelho;
- amarelo no preto;
- branco no azul ou verde.

O alaranjado tem uma boa percepção.

O olho humano distingue 25 variações de tonalidade da mesma cor. Limita-se porém a 5


variações, para haver um contraste suficiente para não criar confusão de percepção.

Aspecto Fisiológico da Cor


Em relação ao aspecto fisiológico da cor deve-se considerar três fatores:
- tom;
- valor;
- saturação.

Tom ou cor são sinônimos, caracteriza as diferentes cores dentro de cada sistema. É
estritamente qualitativa em termos de representação de fenômenos. Pode no entanto representar
quantificações desde que não dêm margem a dúvidas sobre que tipo de representação está sendo
apresentada.
Valor, também chamado de brilho, corresponde à luminosidade da cor, devido ao grau de
reflectância da cor, dependendo do seu comprimento de onda e da diluição do branco em
proporção variável.
azul - vermelho
verde - laranja
violeta - vermelho roxo

Por saturação entenda-se a relação entre a cor pura e a mesma cor diluída no branco. A
cor pura será 100% saturada.

236
A partir dessas características pode-se ordenar quantitativamente um fenômeno através da
definição de uma escala monocromática com variações de saturação de cor.
Ex.: vermelho puro - 100%; com 25% de branco; com 50%, com 75%.
O branco é normalmente usado para representar ausência do fenômeno.
A escala monocromática de cinza também pode ser utilizada em percentuais de diluição
que permitam uma boa definição da sua variação:
preto - 100%; 23% branco; 48%; 78%.
Pode-se também definir uma representação quantitativa utilizando-se de uma ou outra
banda do espectro, incluindo-se o amarelo em cada uma delas. Não é aconselhável misturar as
duas bandas ara uma representação única quantitativa.
Para esta consideração, deve-se levar em conta a intensidade da fonte luminosa: sob luz
normal a maior sensibilidade do olho humano é ao amarelo. Se a luz for fraca é deslocada para o
verde, resulta que a cor azul é vista mais clara que o vermelho, apesar de terem valores iguais.
Quando se quiser um bom contraste, deve-se usar uma próxima à escala da direita do espectro
eletromagnético.
Em relação às cores acopladas, o olho humano é mais apto a reconhecer 2 saturações
próximas que estejam vizinhas, do que quando estiverem em duas regiões afastadas. Todavia
todas as cores são notadas com maior ênfase se limitada por preto ou visualizadas sobre um
fundo claro. As cores de maior valor avivam as de menor valor.
Ex.: vermelho junto do verde, este é avivado;
azul → laranja

Aspecto Subjetivo da Cor


Cores frias e quentes
Violência, guerra, calor → vermelho
Frio → azul
Aspecto emocional da cor, liga a cor com estado de espirito, procurando-se dar aparência
de calma, tranquilidade etc. É o caso por exemplo, da utilização de tonalidades suaves, o verde
para hospitais, rupas de médicos, etc.

Aspecto Simbólico da Cor


Azul → água
verde → vegetação

237
Aspecto Estético
É uma preocupação secundária, mas também deve ser considerada. O usuário é sensível
ao aspecto estético e de beleza. O documento deve ter uma estética no mínimo funcional.

b) - Forma
É uma variável ilimitada. É uma característica gráfica definida pela aparência:
- regular - triângulo, círculo;
- limite de uma área irregular: ilha ou estado;
- contorno de uma feição linear.
Apesar de ser na teoria ilimitada, na prática deve ser limitada, com figuras de formas
conhecidas e fáceis de serem diferenciadas uma das outras.
Figuras de mesma área (círculos, triângulos, quadrados) darão relação de equivalência e
não de classificação.

c) -Tamanho
Fornece uma informação quantitativa sobre a ocorrência do fenômeno. Pode
excepcionalmente representar idéias qualitativas
.

Variam em tamanho quando têm dimensões aparentes diferentes: diâmetro, área,


comprimento, altura. Normalmente quanto maior o símbolo, maior a sua importância.

d) - Orientação
Refere-se à disposição direcional dada à variável. Deve haver uma referência (reticulado,
borda do mapa), para a modificação da disposição.

238
Não é permitido a todas as variáveis, como por exemplo o círculo.
As variáveis podem ainda ser combinadas entre si, criando-se novas formas de símbolos,
por exemplo:
- formas diferentes de mesma área;
- formas e dimensões;
- formas e cores diferentes;
- dimensões diferentes e cores diferentes;
- todas com orientações.

e) - Espaçamento
Quando um símbolo é definido por uma arranjo de outros componentes (pontos ou
linhas), o seu espaçamento pode ser variável, qualificando ou quantificando. Por exemplo:
Saturação (valor)
Idéia de saturação → quantificação para determinadas ocorrências
(vegetação)
Qualificação → sem quantificação áreas diferenciadas por
textura visível sem diferenciação de intensidade. Espaçamento
regular (linhas/pontos).

Pode-se ainda dar uma estrutura regular ou irregular.

f) - Posição
O posicionamento no campo visual, o plano do mapa, é geralmente aplicado apenas aos
componentes que podem ser movidos, tais como títulos, legendas e toponímia.

239
A posição da maior parte dos símbolos e convenções são prescritas pela ordenação
geográfica dos dados e são suscetíveis de alteração, apenas por mudanças de projeção ou
deslocamentos dentro da área do mapa, para melhorar a legibilidade.

10.6 - Símbolos Cartográficos


Símbolos cartográficos são convenções utilizadas na representação de feições
cartográficas, exibidas em um mapa ou carta.
Para a cartografia de base, mapeamento sistemático, são codificadas em manuais de
instruções, como por exemplo os Manuais T 34 - 700 - Convenções Cartográficas, do EME e
Normas para a Carta Internacional do Mundo - IBGE, incluindo além dos sinais convencionais,
tipos de letras e outra informações necessárias.
Por outro lado, todas as convenções utilizadas em um mapa ou uma folha isolada, devem,
em princípio, constar da legenda, como um dado marginal do mapa ou carta.
Em termos de Cartografia Temática, não existe uma padronização de convenções, devido
à diversidade de fenômenos que podem ser veiculados e mapeados. Assim , a criação de
símbolos, o seu planejamento, distribuição e visualização são de responsabilidade exclusiva do
elaborador do documento, devendo constar obrigatoriamente da legenda do mapa, bem como,
quando necessário, a elaboração de descritores que permitam a tradução do mapa ao leigo.
10.6.1 - Limites de Percepção, Diferenciação e Separação
Um dos problemas que logo se apresenta para a apresentação do que será representado no
mapa, está ligado ao tamanho da sua representação, ou seja, até que dimensões reais na carta, um
objeto será percebido, e como será essa interação com o usuário.
Em princípio, nada que possua menos que 0,2 mm na escala do mapa será representado,
mas se o for, devido a sua importância relativa, como fazê-lo de modo que a sua percepção seja
estabelecida através da sua ponderação em relação aos demais.
Pode-se estabelecer três limites em uma série de símbolos de tamanho variados:
- limite de percepção: o nível de presença que possa discernir o símbolo;
- limite de diferenciação: o reconhecimento claro da diferença de formas;
- limite de separação: a diferenciação por incremento de alguma dimensão do símbolo.
A aplicação desses limites no conjunto, permite estabelecer não só uma melhor diferenciação
para os símbolos, mas também impor uma estética e clareza, baseada em uma hierarquia de peso
e classificação qualitativa e quantitativa dos objeto.

10.6.2 - Escolha de Convenções

240
A escolha das convenções então deve ser guiada através de uma análise criteriosa dos
fatores apresentados, bem como sobre a escala do documento cartográfico.
Para os fenômenos pontuais, os símbolos devem sempre que possível conservar os limites
e as formas. Não sendo possível, deve pelo menos ter uma forma que lembre estes limites.
O aproveitamento de uma mesma forma para gerar símbolos deve ser estabelecida
levando em consideração os limites estabelecidos.
Para os fenômenos lineares, conserva-se sempre que possível o alinhamento original,
variando-se a largura da convenção e a espessura do traço.
Para os fenômenos zonais, a convenção irá recair em estrutura e textura, seja de cor ou de
padronagem gráfica, que represente a área que o fenômeno cobre.

10.7 - Formato do Papel


As normas técnicas sobre papel no Brasil, definidas pela ABNT, correspondem a
DIN476. O formato básico é o definido pela série A e tamanho 0, de 1 m2 de área.
A0 → 841 x 1.189 mm 1m2
A partição do papel é sempre feita pela divisão da maior dimensão por 2, mantendo-se
sempre a relação.
X 1 2
= ou X =Y
Y 2 2

XY = 1 M2
Partindo-se da base tem-se todos os tamanhos.

2AO 1.189 mm 1.682 mm 2 m2


AO 841mm 1.189 mm 1 m2
A1 549 mm 841 mm 0,5 m2
A2 420 mm 549 mm 0,25 m2

241
A3 297 mm 420 mm 0,125 m2
A4 210 mm 297 mm 0,0625 m2
A5 148 mm 210 mm 0,0313 m2

Qualquer projeto gráfico deve incluir a margem do desenho ou mapa.


Além do formato, ainda devem ser verificados os seguintes características do papel:
- peso do papel
Definido pela gramatura. Um papel grosso quebra com facilidade. A gramatura é dada
pelo peso de uma folha AO.
- deformação do papel
Considerações sobre o aspecto de deformação do papel pela ação do tempo, umidade etc.
Normalmente os papeis poliester são usados para desenhos, onde se deseja deformação mínima.
Não são usados para impressão, devido ao seu custo, sendo para isso utilizado papel canson.
- brilho
Dar preferência ao papel fosco. O brilho pelo reflexo atrapalha a visão.
- aspecto de absorção da tinta
Tipo do papel que pega melhor a tinta, dando uma melhor nitidez, sem borrar.

10.8 - Layout do Mapa


Um layout preliminar da disposição dos elementos do mapa deve sempre ser elaborado
antes do desenho definitivo. Isto evita perda de tempo e trabalho, prevendo-se alternativas
possíveis e correções a priori.
A figura abaixo mostra algumas alternativas possíveis de disposição de título, legendas e
inscrições marginais.
O título deve estar sempre em situação dominante, enquanto que os demais componentes
deverão se equilibrados em distribuição ao longo de toda a área do papel.
A figura 36 indica alguns erros bastante comuns:
a - uma borda grande tendo a fazer o mapa parecer menor do que é;
b - bordas irregulares são antiestéticas;
c - a área do mapa foi posicioando abaixo de centro visual do papel. Eles devem (centro
do mapa e centro da folha) estar mais próximo possível e acima;
d - a continuidade do mapa é perturbada por desenho de gratícula ou valores de grid;
e - área vazia não utilizada;
f - título arbitrariamente posicionado;
g - legendas e texto não alinhados pela borda;
h - espaços irregulares entre linhas do texto;

242
I - texto muito próximo da borda do mapa.

A figura 37 mostra um layout ordenado, tendo sido efetuados as seguintes melhorias:

a - a borda está próxima e suas


proporções são controladas;
b - geometria regular do mapa;
c - centro de gravidade do mapa
acima do centro da folha;
d - desenho de gratícula dentro
da área do mapa;
e - texto e legendas distribuídos
regularmente nos espaços vazios;
f - título em posição dominante;
g - disposição da legenda em blocos ordenados;
h - espaços entre letras sempre que possível o mesmo;
I - a borda não afeta o texto que foi posicionado próximo a ele.

243
11 - CARTOGRAFIA TEMÁTICA E ESPECIAL
11.1 – Introdução

Estas duas áreas da Cartografia podem ser estudados em conjunto, pois traduzem a
representação de fenômenos específicos.
Ambas têm a cartografia de base como suporte para as suas representações, porém o
objetivo não é apenas a representação do espaço fisico, mas a representação dentro de um
espaço físico delimitado, de temas específicos e determinados, que terão então, uma prioridade
dentro da imagem do mapa.
Quaisquer fenômenos, sejam físicos, sociais, biológicos, políticos, etc, que tenham uma
vinculação com o espaço terrestre, sendo georeferenciados, serão passíveis de serem
representados. Dessa forma, fica caracterizada a diversificação de temas que poderão ser
envolvidos.

11.2 - Cartografia Especial


As cartas especiais são cartas técnicas, servindo a um único fim ou usuário. Podem
eventualmente serem empregadas para outros fins.
As principais cartas especiais que são normalmente encontradas e de interesse para a
Geografia são as seguintes:
- Cartas meteorológicas
- Cartas náuticas
- Cartas Aeronáuticas

Cartas Meteorologicas

244
Um exemplo de cartas meteorológicas são as cartas sinóticas, pois apresentam um aspecto
resumido da dinâmica do tempo.
Em geral são cartas elaboradas em projeções conformes, por terem necessidade de
conservação das direções. Visualizam a direção dos ventos, movimentos de frentes frias, áreas
de alta e baixa pressão, com o objetivo de facilitar a previsão do tempo de uma área geográfica.
Consta de uma base cartográfica estática da área a ser visualizada e sobre ela são atualizadas as
informações meteorólogicas de tempos em tempos.

245
Atualmente as informações recebidas por satélites meteorológicos atualizam os
movimentos de nuvens,
diretamente em tempo real,
gerando mapas eletrônicos de
atualização constante.
As cartas sinóticas são de
âmbito continental. No caso
brasileiro, abrangem desde a
Argentina até a parte inferior da
América Central.
Os dados dos satélites são
complementados pelos dados das
estações meteorológicas terrestres,
sendo gerados com essas
informações, mapas com
informações de pressão,
temperatura, etc.
Não confundir as cartas
sinóticas com as cartas
climatológicas, que são apenas
cartas temáticas de informação climatológica.

Cartas Náuticas
São também elaboradas em projeções conforme (Mercator) ou Gnomônica.
O detalhamento da carta náutica é exclusivamente desenvolvido para a parte de batimetria
e detalhamento dos acidentes da hidrografia. O litoral é estabelecido com a maior precisão
possível. Além do detalhamento da linha de costa e acidentes como, rochedos, baixos canais de
navegação etc, as sondagens da área marítima, lacustre e fluvial, caracteriza o principal interesse
da carta náutica.
A posição de sondagem é definida pelo centro de mensuração, apesar de não ser
mostrada. Entre os pontos de sondagem são traçadas as linhas de mesma profundidade ou
ISÓBATAS. Não é definida uma eqüidistância entre elas, sendo traçadas apenas as que
realmente interessam próximas a portos, canais, litoral, em relação ao calado das embarcações.
São mapas e cartas que necessitam de constante atualização (3 a 4 anos), sendo que as
cartas náuticas de rios são ainda mais dinâmicas (1 a 2 anos).

246
O trabalho é orientado e gerenciado por convênios internacionais, sendo o Brasil
responsável pela Cartografia náutica de sua costa e de todo o Atlântico Sul.
Ainda como exemplo de outros tipos de cartas especiais, pode-se citar:
- cartas aeronáuticas nas suas diversas aplicações: pilotagem, aeroportos, obstáculos,
aproximações, aerovias etc;
- cartas de pesca;
- carta de encostas etc.

11.2 - Cartografia Temática


A Cartografia Temática é uma cartografia que realiza o inventário, a análise ou a síntese
dos fenômenos físicos ou humanos. Não tem limitação, pois pode representar qualquer
fenômeno que tenha uma distribuição espacial. Assim, tanto os fenômenos físicos como os
humanos, que seja distribuídos sobre a superfície terrestre, são passíveis de serem visualizados.

11.2.1 - Divisão da Cartografia Temática


Cartografia Temática é uma subdivisão da Cartografia. Ela pode por sua vez ser
subdividida, conforme a abordagem e a finalidade do mapeamento temático, apresentando-se
como cartografia de inventário, cartografia analítica e cartografia de síntese.

- Cartografia Temática de Inventário


Estabelece um levantamento qualitativo dos elementos representados nos mapas; é
mais simples, uma vez que se preocupa apenas em apresentar o posicionamento geográfico dos
fenômenos a mapear.
Exemplos: mapeamento geológico, mappas de distribuição de vegetação, mapas de
localização de estradas, mapas pedológicos etc.

- Cartografia Temática Analítica (Cartografia Estatística)


É uma cartografia quantitativa, classificando, ordenando e hierarquizando os fenômenos a
representar.
Pode-se analisar apenas um fenômeno, por exemplo, a produção agrícola de trigo no
Brasil, ou vários fenômenos em conjunto, bem como estabelecer a análise de fenômenos
compostos: balança comercial (importação e exportação) do país, ou mesmo vários fenômenos
interligados, por exemplo, a produção agrícola e extrativismo mineral do Estado do Rio de
Janeiro.

247
- Cartografia de Síntese
É a mais difícil e complexa, pois exige alto conhecimento técnico e pensamento
subjetivo. Representa a correlação, cruzamento, função ou interligação de fenômenos,
permitindo a partir de uma análise de inter-relacionamentos, conclusões sobre sua dinâmica, bem
como estabelecimento de novas informações que tenham por base esta mesma dinâmica.
Reúne a informação de vários documentos, fundindo-as em uma só, resultado de união,
cruzamentos, diferença e outras operações sobre as possíveis ligações entre as informações.
Essas operações, de forma genérica podem ser expressas por:
- dupla contabilidade, reduzida a uma diferença. Ex.: movimento de entrada e saída de
um porto;
- por simbologia própria estabelecida
- por construção matricial, interligando-se todas as possibilidades. Ex.: correspondência
de elementos de uma série temporal com os elementos de outra série temporal ;
- agrupamento e cruzamento de fatores de fatores em um quadro lógico. Ex.: temperatura,
precipitação, umidade relativa, vegetação, solos, declividade, etc.
Deve ser observado, que neste tipo de estudo, o que importa é a análise do inter-
relacionamento dos fatores, visando gerar uma informação pré-determinada, que só é possivel
obter através de um estudo integrado de todos os fatores em conjunto, ou seja, o objetivo tem
que ser definido antes, para depois serem definidos que fatores ou elementos que terão que ser
relacionados para permitir atingir os objetivos propostos.
Com o desenvolvimento da computação, a informação geográfica é manipulada de forma
racional através da tecnologia dos Sistemas de Informações Geográfica, (SIG/GIS), os quais
utilizam a cartografia como ferramenta para a visualização das informações.
Estes sistemas são baseados em computador, que permite a aquisição, tratamento,
gerenciamento, análise e exibição da informação geográfica.
As informações geográficas são definidas através do seu relacionamento à uma base
cartográfica, pelos seus dados de posição, atributos e variação temporal, conforme pode-se ver
na figura.
Para cada tipo de informação, estabelecem-se camadas que possuem a mesma posição
geográfica. Deste forma é possível efetuar-se o cruzamento destas informações e a sua análise
subsequente.
O assunto de Sistemas de Informação Geográfico é extenso, e por si só justifica um curso
específico.

11.2.2 - Cartografia Temática de Inventário

248
Qualquer mapeamento temático qualitativo poderá em princípio ser qualificado como um
mapeamento de inventário. O objetivo deste tipo de mapeamento é apresentar o posicionamento
geográfico do fenômeno a mapear, podendo assim caracterizar-se mapeamentos pontuais,
lineares e planares.
Os processos de representacão serão definidos principalmente pela simbolização ou
convenções que serão atribuídas aos elementos, visando principalmente apresentar a sua área de
ocorrência, através de símbolos e convenções que venham a expressar a sua característica
gráfica.
Abaixo estão listados alguns exemplos de mapas de inventário:
- Mapa Fitogeográfico: representa a associação de vegetação, mapeamento qualitativo de
área;
- Mapa Geológico: mostra afloramentos, falhas, mergulhos de camadas, direções, eixos
de anticlinal e sinclinal, uma mistura dos três elementos gráficos, com ocorrências pontuais,
lineares e planares;
- Mapas de Mineração: mostrando as ocorrências de minerais em uma região, planar;
- Mapas Pedológicas: apresentam a distribuição horizontal e composição dos solos.

11.2.3 - Cartografia Analítica

1) Processos de Representação
a) Mapas de pontos
Estabelece-se um valor para um ponto isolado, e a distribuição de pontos, com a sua
densidade mostrará como o fenômeno mapeado está caracterizado.
Em princípio o ponto não tem dimensão, mas faz-se a correlação para o fenômeno a
representar. Representar um único fenômeno (gado, produção, população, etc).
A locação dos pontos pode ser regular ou irregular conforme a sua ocorrência. A locação
regular só é aceita no desconhecimento da localização da ocorrência.
A dimensão do ponto tem que ser considerada em relação à quantificação do fenômeno.

249
Na figura, o mapa 1 representa um desenho que um ponto tem um valor muito pequeno e
cada ponto representa uma grande quantidade de informação caracterizando-se uma dispersão e
uma densidade irreal;

Mapa 2
Mapa 1
1 Ponto = 150 000 hab
1 Ponto = 1 500 000 hab
1 ponto = 0,3 mm
1 ponto = 0,3 mm

O mapa 2 já apresenta com o mesmo tamnho de ponto uma menor qunatificação para o valor de
um ponto, apresentando uma distribuição mais densificada.
No mapa 3 os pontos são pequenos em dimensão, atribuido um valor muito pequeno
gerando um padrão de preenchimento, que também pode não expressa a verdader, criando áreas
muito densas.
No mapa 4 a dimensão foi superdimensionada, atribuindo-se uma quantificação média
fornecendo uma impressão errada de densidade, apesar inclusive de haver surgido coalescência.

250
251
O mapa 5 apresenta a mesma situação de tamanho do ponto, associado à uma
quantificação baixa para o ponto.

Mapa 3
Mapa 4
1 Ponto = 10 000 hab
1 Ponto = 150 000 hab
1 ponto = 0,3 mm
1 ponto = 1 mm

A melhor distribuição de valor e tamanho, só é definida através de estudo comparativo


entre tamanho do ponto/valor em relação à densidade da distribuição.

Mapa 5
1 Ponto = 10 000 hab
1 ponto = 1 mm

O ábaco abaixo mostra uma forma de se estudar a distribuição e tamanho do ponto,


associada a uma quantificação ótima.

b) - Propriedades Essenciais da Cor para Mapas Temáticos


Existem algumas propriedades básicas que devem ser seguidas para a utilização de cores
em mapas temáticos:
252
- os símbolos de mesma forma, dimensões e orientações mas de cores diferentes são
analogamente semelhantes. São vistos como um conjunto equivalente, sem idéia da
quantificação;

Diâmetro dos pontos em cm


Área agreagada dos pontos em cm2

m
em c s
onto

A
tre p

ZON
DE
as en

COA
LES
CÊN
ânci

CIA
Dist

em cm
ontos
s entre p
ncia
Distâ

Pontos por cm quadrado

- todos os símbolos de mesma cor, quaisquer que sejam suas características. são vistos
como pertencentes a um mesmo fenômeno;
- diferenciação de cor ou tonalidade estabelece diferenciação qualitativa;
- mesma cor, com diferente saturação e mesma simbologia, define uma representação
quantitativa.

c) - Coropletas
De “choros”- lugar e “plethas” - valor, são mapas que representam dados coletados para
unidades administrativas ou áreas previamente definidas para representá-los. Usam-se cores ou
padrões determinados para representar as classes de ocorrência dos fenômenos.
Para a representação dos fenômenos, pode-se combinar propriedades quantitativas de cor
ou padrões e dimensões, com propriedades de ordem (valor visual), aplicando em cada unidade
uma estrutura de característica constante ou irregular, relacionando a área com a ocorrência do
fenômeno. Por exemplo a densidade demográfica, taxas de natalidade, produção de bens, etc.

253
Pode-se estabelecer também escala de cinza, com poucas classes (máximo 5), de escala
de cores ou de padrões diversificados.
As figuras mostram alguns tipos de mapas coropléticos,
c) - Representação de Fenômenos Quantitativos por Símbolos Proporcionais
A vantagem deste método é fornecer informações sobre a localização espacial do
fenômeno bem dar uma idéia com razoável precisão de sua quantificação.
Pode-se associar figuras de duas dimensões ou três dimensões, cujas áreas ou volumes
sejam proporcionais às quantidades representadas.
Os símbolos escolhidos devem ser sempre o de construção mais fácil (quadrados,
triângulos e círculos), em termos geométricos. O círculo é a figura de mais fácil
desenvolvimento, sendo uma boa escolha na maior parte dos casos.

1. Representação por Círculos


A área do círculo representa a informação, logo a proporção é dada em termos de área e
não do raio do círculo. A relação de proporcionalidade em relação ao raio é dada pela raiz
quadrada da área. Pode-se usar ábacos que fornecem diretamente o raio para uma dada
proporção.
A posição do círculo deve ser no centro geométrico da área, caso não se conheça nada
sobre ela. Havendo, porém, em uma mesma região vários círculos, a distribuição pode ser
irregular, correspondendo à ocorrência do fenômeno, ou igualmente distribuída (não é
recomendada).
A escolha do tamanho dos círculos tem que ser bastante criteriosa, para não acontecer que
uma ocorrência fique muito grande ou que alguma não possa ser representada por ter ficado
muito pequena.

254
Por outro lado o círculo tem um problema de visualização: a representação de círculos
maiores será facilmente diferenciada, pois o olho humano não faz boa comparação sem uma
referência linear. Assim, os círculos maiores deverão ser sempre aumentados, sem alterar o valor
dos círculos pequenos, criando-se uma representação quantitativa e matematicamente errada.
Nestes casos utiliza-se uma tabela de aumento logaritmo.

Representação por outras figuras


Também serão as mais simples (triângulos e quadrados).
São de desenho um pouco mais difícil, porém as relações quantitativas são mais fácil de
serem estabelecidas, pelo fato de haver uma referência linear.
Existe um aspecto puramente simbólico para as formas das figuras: o circulo evoca
dinamismo, evasão, fenômenos quantitativos evolutivos, reservando-se os fenômenos estáticos
para as demais figuras. Os triângulos são normalmente aplicados em produção e os quadrados,
por ser mais estável, em fenômenos que não evoluem no tempo.

255
Em relação às figuras de 3 dimensões, estas são de desenho mais difícil e também a sua
comparaçãol.

d) - Representação de Dados Quantitativos por Isaritmas


Isaritma ou isolinha, são linhas de igual valor, ou seja, o lugar geométrico dos pontos que
uma determinada variável ou fenômeno assume um único valor. Alguns exemplos são vistos nas
aplicações abaixo descriminadas:
- curvas de nível - isahipsas
- temperatura - isotermas
- pressão - isóbaras
- declinação magnética -isogônicas
- variação anual da declinação magnética - isóporas

Admite-se que para se representar um fenômeno por isaritma, este tenha que ter uma
progressão regular e contínua sobre a superfície terrestre, não podendo ter discrepâncias fortes
ou descontinuidades. Admitem sondagens isoladas, para uma determinação por amostragem do
fenômeno, deduzindo-se depois a sua continuidade sobre a supefície de desenvolvimento.
Este processo aplica-se melhor a fenômenos físicos do que para humanos, por serem mais
regulares. Por outro lado, o fenômeno deve ser contínuo, ou seja, ele deve ter uma distribuição
sobre a superfície terrestre, não podendo sofrer descontinuidades.
Os softwares cartográficos mais completos permitem a representação de fenômenos
contínuos por isaritmas.

7 . 0 0

6 . 0 0

5 . 0 0

4 . 0 0

3 . 0 0

2 . 0 0

1 . 0 0

0 . 0 0
0 . 0 0 1 . 0 0 2 . 0 0 3 . 0 0 4 . 0 0 5 . 0 0 6 . 0 0 7 . 0 0 8 . 0 0 9 . 0 0

e) - Isopletas

256
Os mapas de representação por isopletas, têm origem nos mapas de isolinhas ou isarítmas,
porém mostram distribuições de classes de ocorrências de valores. Um bom exemplo de um
mapa de isopletas, são os mapas de cores hipsométricas, onde não existem curvas de nível, mas
áreas de ocorrência de classes de altitudes.
Da mesma forma, para fenômenos contínuos, pode ser atribuída este tipo de
representação. A ocorrência do fenômeno é dividida em classes e cada classe será agrupada em
uma área, delimitada por curvas delimitantes. Deve-se ressaltar que estas curvas limitantes não
são isolinhas; apenas delimitam a área de ocorrência de uma determinada classe.
A diferença principal entre um mapa de isolinhas e um de isopletas, está no fato da
isolinha ser quantitativa por excelência, permitindo interpolar valores entre as curvas, o que não
ocorre com as isopletas. Nestas apenas se sabe que na área ocorre o valor, mas não se sabe onde
realmente ele ocorre. Desta forma fica-se impossibilitado de obtenção de valores precisos.
7 . 0 0 7 . 0 0

6 . 0 0 6 . 0 0

5 . 0 0 5 . 0 0

4 . 0 0 4 . 0 0

3 . 0 0 3 . 0 0

2 . 0 0 2 . 0 0

1 . 0 0
1 . 0 0

0 . 0 0
0 . 0 0 0 . 0 0 1 . 0 0 2 . 0 0 3 . 0 0 4 . 0 0 5 . 0 0 6 . 0 0 7 . 0 0 8 . 0 0 9 . 0 0
0 . 0 0 1 . 0 0 2 . 0 0 3 . 0 0 4 . 0 0 5 . 0 0 6 . 0 0 7 . 0 0 8 . 0 0 9 . 0 0

Mapa de Isolinhas Mapa de Isopletas

f) - Traçado de Isolinhas
O traçado sempre se fará por interpolação linear, ponderada ou não, seja por computador
ou manualmente.

- Por rede irregular ou triangulação

A partir da rede de pontos coletados faz-se o traçado do maior número de triângulos


possíveis, ligando-se os pontos mais próximos, definidos por algum critério de visualização.
Os triângulos não podem interceptar. Os lados são divididos em partes iguais, de acordo
com os valores de cada vértice e a dimensão e a unidade da isoritma.
Unem-se os pontos por linhas retas, a princípio, para serem depois suavizados.

257
Existe um processo aplicado tanto manual, como computacionalmente. O algoritmo
computacional é bem mais complicado, pois estabelece a ponderação para eleição dos pontos
vizinhos e determinação de triângulos.

- Por rede regular

É definida uma rede regular, com os seus pontos de interseção bem definidos. Os pontos
de amostragem, por critérios de vizinhança, distância, e ponderação estabelecem o valor para
cada um dos pontos de interseção.
Uma vez valorados os pontos, é feito o traçado de forma semelhante ao anterior. Quanto
menor a malha mais preciso o trabalho. Em oposição, será mais trabalhoso de ser executado
7 . 0 0

6 . 0 0

5 . 0 0

4 . 0 0

3 . 0 0

2 . 0 0

1 . 0 0

0 . 0 0
0 . 0 0 1 . 0 0 2 . 0 0 3 . 0 0 4 . 0 0 5 . 0 0 6 . 0 0 7 . 0 0 8 . 0 0 9 . 0 0

258
12 GRÁFICOS, DIAGRAMAS E CARTOGRAMAS

12.1 - Definições
Gráficos ou diagramas são representações gráficas ou geométricas de dados,
caracterizando a estrutura ou a evolução de um fenômeno. A estrutura mostra o esquema
comportamental do fenômeno, por exemplo, uma pirâmide de idade é um diagrama de estrutura
porque mostra o comportamento da idade de uma população. A evolução por sua vez é a
visualização quantitativa do fenômeno no tempo, por exemplo a precipitação anual, aumento de
população, produção em um espaço de tempo etc.
Um cartograma é a representação de dados estatísticos em mapas esquemáticos ou não,
incluindo as representações isarítmas, coropléticas, fluxos, pontos, tridimensionais prismáticas
etc.
Qualquer fenômeno pode ser representado em palavras, números e gráficos. A exposição
por palavras diz-se descritiva, a numérica é definida como tabelas, sendo apresentada por
tabelas, e os desenhos representam a apresentação gráfica.

12.2 - Constituição
Genericamente os gráficos podem ser construídos segundo o sistema de coordenadas
cartesianas, ou ainda segundo o sistema de coordenadas polares.
Y

α
P
O X O d

259
Figura 12.1 - Sistemas de Coordenadas usados em gráficos: cartesiano e polar
No sistema cartesiano é usado apenas o quadrante positivo.

12.3 - Tipos de Gráficos


Com os métodos descritivos, pode-se construir os seguintes tipos de gráficos:
- poligonal;
- em barras;
- em colunas;
- barras ou colunas compostas;
- circulares;
- pirâmide;
- pictográficos;
- polares;
-triangulares;
- climatogramas;
- histogramas;
- polígonos de freqüência.

12.3.1 Gráficos Poligonais


Normalmente representam uma série temporal ou a evolução em um período de tempo
determinado. Necessita normalmente de um número de informações maior que 5 para ter
significado.
A abscissa representa normalmente o intervalo de tempo. A divisão é regular,
representando o número de meses, anos, dias, semanas etc. A altura (ordenada) é a função
escolhida arbitrariamente.
A escala horizontal e vertical devem ser coerentes. Deve ser lembrado que a variação de
escala muda a aparência de um gráfico, podendo transmitir uma impressão errônea, mesmo com
dados corretos.

100

80

60 Leste
Oeste
40
Norte
20

0
1° Trim. 2° Trim. 3° Trim. 4° Trim.

260
Figura 12.2 - Exemplo de gráfico poligonal

Construção do Gráfico
Parte-se de dados tabelados, sendo que uma coluna é relativa à série temporal e a outra
relativa ao fenômeno que se deseja visualizar. Por exemplo, a tabela abaixo mostra o número de
imigrantes que entraram no Brasil, agrupados por décadas.

ANO NÚMERO DE
IMIGRANTES
1860 140.000
1870 120.000
1880 170.000
1890 450.000
1900 1.200.000
1910 700.000
1920 800.000
1930 850.000
1940 165.000
1950 110.000
Tabela 1 - Dados de Imigração

Tem-se 10 décadas, ou seja, 10 intervalos de tempo, com os valores relativos ao


intervalo.
O eixo X valorizará a série tempo, enquanto o eixo Y a variável dependente. Estabelecendo uma
escala de 1 cm para o intervalo de uma década e 0,5 cm para cada 1.000 imigrantes, pode-se
marcar os valores correspondentes da tabela no gráfico.

261
Número de Imigrantes no Brasil

Escala de Equivalência
(mil Hab) Escala Vertical
1 cm = 200 mil Hab
1200 Escala Horizontal
1100 1cm = 10 anos
1000
900
800
700
600
500
400
300
200
100

Anos
1860 1870 1880 1890 1900 1910 1920 1930 1940 1950

Figura 12.2 - Gráfico Poligonal


Pode ser feita uma moldura para realçar o gráfico.

12.3.2 - Gráfico em Barras e em Colunas


É o tipo mais simples de diagramas, sendo utilizados para comparação simples de
quantidades. As quantidades envolvidas podem ser representadas por linhas simples ou por
barras, de comprimento proporcional às quantidades envolvidas, em uma escala compatível e de
igual largura.
Podem ser usados vertical e horizontalmente, sendo então chamadas de gráfico em
colunas ou em barras respectivamente.
Este tipo de gráfico pode ser usado para representar praticamente qualquer série
estatística. É um gráfico cartesiano.
Os gráficos em barras são usados normalmente quando as legendas são longas e o tempo
é fixo ou referente a mesma época e para comparação entre diversos atributos.
Sugere-se a aplicação do gráfico em colunas quando existir uma cronologia ou seqüência
lógica entre os dados e exigir comparações entre alguns atributos.

GRANDES REGIÕES ÁREA ABSOLUTA (km2)


- Norte 3.581.180
- Nordeste 1.546.672
262
- Sudeste 924.935
- Sul 577.723
- Centro-Oeste 1.879.455
TOTAL 8.511.965
Tabela 2 - Dados de área das grandes Regiões Brasileiras

Construção
Para um gráfico em barras é construída uma barra variando apenas o comprimento
proporcional a área, que é o atributo de comparação (variável dependente).
As barras podem ser separadas ou juntas. Uma melhor visualização é dada pelas barras
separadas entre si, por intervalos regulares. A relação ideal largura/altura é de 5 ou 7/4. A figura
abaixo mostra a representação do gráfico.
O gráfico em colunas, oriundo da mesma tabela pode ser visualizado abaixo.

Figura 12.3 - Gráfico em barras


Regiões

Norte Escala de Equivalência


Escala Vertical
1 cm = Largura da barra
Centro- Escala Horizontal
Oeste 1cm = 500 km2

Nordeste

Sudeste

Sul Escala de Equivalência


km2 (mil)
Escala Vertical
1 cm = Largura da barra
Escala Horizontal
1000 2000 3000 4000 1cm = 500 kmkm2 2 (mil)
4000

3000

2000

1000

263

Sul Sudeste Nordeste Centro- Norte Regiões


Oeste
Figura 12.4 - Gráfico em colunas

12.3.3 - Gráfico em Colunas Compostos


Este tipo de gráfico, conhecido também por gráfico de barras divididas, tem por
finalidade a comparação de elementos constituintes como o todo.
A sua construção é definida pela divisão de uma barra ou coluna de comprimento
arbitrário, em partes proporcionais à ocorrência dos vários elementos a comparar.
A tabela 3 mostra uma série de dados e a figura 6 e 7, representações possíveis.
Fator de Comparação
Produção Industrial-1992 (1981=100) Percentagem
Geral 106.2 16,48
Bens de Capital 68.9 11,86
Bens Intermediários 118.9 31,62
Bens Duráveis 121.7 22,39
Bens Não Duráveis 102.4 17,85
Total 518.1 100.00
Capital

Não
Geral Intermediários Duráveis
Duráveis

Figura 12.6 - Gráfico Proporcional


Figura 12.7 - Gráfico Percentual
Intermediários
Duráveis
11,86%

31,62% 22,39% 17,85% 16,48% Não Duráveis


Geral
Capital

12.3.4 - Gráficos Circulares


Este tipo de gráfico é semelhante ao gráfico anterior. O todo agora (100%) é a área total
do círculo. Define-se para cada ocorrência um setor de círculo, correspondendo ao seu
percentual em relação ao todo.
É construído em um círculo de raio qualquer com ângulos centrais ou setores
proporcionais às ocorrências; a área do círculo é proporcional às parcelas que constituem a série.
Pode-se também manter o valor angular dos setores e modificar o tamanho dos raios, mas
esta não é uma boa representação, pois perde-se o efeito comparativo com o todo.

264
A construção é simples e rápida, porém os cálculos são demorados se feitos
manualmente. Sendo um gráfico de áreas, estas devem ser traduzidas em percentagens para uma
melhor legibilidade do gráfico.
Figura 12.8 - Gráfico de Círculo
Sudeste Sul
Nordeste 10,85%
6,77%
18,35%

Centro- Norte
Oeste 41,99%

Para produzir o traçado do gráfico recomenda-se:


- iniciar sempre às 12 horas no gráfico para a marcação dos setores;
- marcar sempre que possível de forma decrescente e no sentido horário;
- indicar o percentual no seu interior;
- evitar o uso de convenções para simplificar.

A tabela 4 mostra dados sobre a área das regiões que devem ser mostradas em um gráfico
circular.

(1) (2) (3) (4) (5) (6)


Grandes Área Área % Ângulo Ângulo
Regiões Absoluta (km )
2
Relativa (%) Acumulada Simples Acumulado
- Norte 3 581 180 42,0 42,0 151 151
- Centro-Oeste 1 879 455 22,1 64,1 80 231
- Nordeste 1 546 672 18,2 82,3 66 297
- Sudeste 924 935 10,9 93,2 39 336
- Sul 577 723 6,8 6,8 100,0 24 360
TOTAL 8 511 965 100% - 360 -
Tabela 4 - Área das Grandes Regiões Brasileiras

Para o cálculo das percentagens (área relativa) foi usada a seguinte regra de cálculo:
Areadaregi aox 100
%=
Areatotal

Para o cálculo dos ângulos:


265
Areadaregi ao
Ang = 360° x
Areatotal

O gráfico final é o gráfico apresentado da figura 12.8.

12.3.5 - Gráfico em Pirâmide


São barras construídas para representar dados quantitativos de população. São
empregados principalmente na análise do crescimento da população e de sua composição (Figura
9).

Figura 12.9 - Gráfico em pirâmide da população brasileira

As barras podem ser subdivididas para mostrar a composição da população (urbana, rural etc).

12.3.6 - Gráficos em Unidades


As barras são separadas em unidades contáveis (filas de círculos, retângulos, ou pequenas
gravuras). Cada figura representa um quantitativo do elemento representado. São chamados de
pictográficos.

Como desvantagem, é difícil representar 1/10 de uma vaca ou 1/5 de um telefone.


Figura 12.10 - Exemplo de gráfico em unidades

266
12.3.7 - Gráfico Polar
O gráfico polar é baseado no sistema de coordenadas polares; tem grande aplicação na
análise de séries mensais.
Sua construção é desenvolvida de forma contrária a do gráfico em setores. A coordenada
angular é constante, variando a coordenada linear, de acordo com a parcela.
As extremidades das coordenadas lineares são ligadas posteriormente para acentuar um
contorno, confrontando com um círculo traçado no próprio gráfico, que pode ter significados
diversos (média das ocorrências mínima, máxima ou qualquer outro valor de comparação).
A tabela 5 mostra dados de freqüência de alunos.
Meses Frequência
Março 79
Abril 74
Maio 80
Junho 77
Agosto 83
Setembro 73
Outubro 65
Novembro 59

Sendo 8 parcelas (meses), dividi-se o círculo em 8, estabelecendo-se valores


proporcionais para cada raio. Estabelece-se um valor também de comparação (média das
freqüências) e o gráfico terá a aparência abaixo.

Figura 12.11 - Gráfico polar referente a tabela 5


As figuras seguintes mostram outros tipos de diagramas polares, com índices de precisão
pluviométrica em localidades brasileiras.
Figura 12.12 - Gráficos pluviométricos polares

267
12.3.8 - Gráficos Triangulares
São gráficos específicos para representar três variáveis expressas em percentagem. Esses
gráficos são empregados para indicar composição de valores, solos, etc, mas podem ser
empregados em qualquer divisão tríplice.
A figura 12.13 mostra uma composição de agregados.
Em relação a uma outra divisão tríplice, um fenômeno com 3 características de
população, por exemplo, jovens, adultos e velhos, mostrando a distribuição de diferentes países.
Também podem caracterizar para um país, características de população em 3 diferentes
anos. Permite também a análise de tendências, pois visualiza um aspecto evolutivo do fenômeno.

Figura 12.13 - Gráfico triangular


12.3.9 - Climatogramas
Conhecidos também como climatográficos, climográficos ou climogramas, são gráficos
de disposição da temperatura em coordenadas vertical, nível pluviométrico ao longo da
coordenada horizontal e os pontos para cada mês estabelecidos. Ligados os pontos, tem-se um
gráfico característico para cada região.
Existem climatogramas mais complexos, com a locação de mais informações, tais como
produção de cereais, regiões etc, permitindo uma série de análises e prognósticos.
A figura 12.14 mostra um climatograma de uma região, com a temperatura e índice
pluviométrico.

268
Figura 12.14 - Gráfico pluviométrico

12.3.10 - Histograma
Qualquer distribuição de freqüência, seja relativa ou absoluta tem como representação
gráfica os histogramas.
Um histograma então é a representação gráfica de uma distribuição de freqüência,
definida por retângulos (barras) cujas áreas são proporcionais à freqüência absoluta ou à
freqüência relativa da distribuição. Se o gráfico for relativo à freqüência absoluta, o somatório
das áreas, ou seja, a área total, tem que ser proporcional também ao somatório das freqüências
absolutas. Se o gráfico for relativo à freqüência relativa, o somatório das áreas deve ser igual a
1, pois o somatório das freqüências relativas tem que ser igual a unidade também.
Observe-se que seja através de uma ou outra representação, a aparência do gráfico é a
mesma. Não existe alteração de aparência, pois representam a ocorrência do mesmo fenômeno.
Para a construção de um histograma pode-se seguir o esquema abaixo:
- traçar os dois eixos coordenados X e Y;
- marcar no eixo das abcissas X os intervalos de classe que pertencem à distribuição;
- construir, tendo por base cada intervalo de classe, retângulos justapostos, que tenham
para a altura (ordenada), as freqüências das classes, ou valores proporcionais, se os intervalos
forem todos iguais.
Se os intervalos forem diferentes, torna-se para a altura, as freqüências divididas pelo
valor do intervalo de classe.
Para a construção para a freqüência relativa, age-se de forma semelhante levando-se em
conta agora a freqüência relativa.
A tabela 6 mostra uma distribuição de freqüência e o gráfico correspondente está na
figura 12.15.
Notas No de Alunos
0-1 1
1-2 2
2-3 1
3-4 2
4-5 3
5-6 10
6-7 12
7-8 18
8-9 30
9 - 10 3
Total 83

269
Tabela 6 - Número de Alunos por Classe de Notas

Figura 12.15 - Histograma

12.3.11 - Polígono de Freqüência


A partir do histograma, ligando-se os pontos médios de cada lado menor dos retângulos,
forma-se um gráfico derivado denominado polígono de freqüência.
É um gráfico dito de análise, e se presta para conclusões sobre comportamento estatístico
de fenômenos, com possíveis aderências à distribuições estatísticas pré-determinadas.
A figura 12.16 mostra um polígono de freqüência obtido pelo histograma anterior.

Figura 12.16 - Polígono de frequência

270