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Direito Fiscal - IRS

FDUCP

Aulas Práticas Prof. Leonardo Marques dos Santos

Hipóteses Práticas de Direito Fiscal - IRS

CASO PRÁTICO IRS 1

No final do ano de 2010, na sequência de um derrame na Central nuclear de

Springfield, (que ocorreu em resultado da incúria de Homer Simpson) todos os

habitantes daquela cidade foram obrigados a sair do país.

Tendo em consideração a hospitalidade revelada pelo povo Português, a população

de Springfield decidiu fixar a sua residência em Portugal.

Nos termos acima descritos, a família Simpson comprou uma casa na bela

localidade de Vale da Porca em Janeiro de 2011.

A família Simpson é composta por:

- Homer, 40 anos, desempregado;

- Marge, 38 anos, cozinheira;

- Bart, 26 anos, assistente de reparação de skates;

- Lisa, 18 anos, estudante do ensino superior;

- Maggie, 1 ano, brincalhona profissional.

Estando a decorrer um processo de inquérito nos Estados Unidos da América

(“EUA”) em virtude do derrame nuclear, Homer Simpson teve que se deslocar

por diversas vezes aos EUA, pelo que apenas permaneceu em Portugal durante

100 dias durante o ano de 2011.

(i) Pode Homer Simpson ser considerado residente em Portugal?

A condição de residentes supõe a presença física, real ou presumida, no território de um determinado Estado, a implicar uma ligação económica (mesmo que só ao nível do consumo) e um certo grau de integração social (participação na vida da comunidade e, portanto o desfrute dos bens e serviços proporcionados por esse

e, portanto o desfrute dos bens e serviços proporcionados por esse Maria Luísa Lobo – 2011/2012
e, portanto o desfrute dos bens e serviços proporcionados por esse Maria Luísa Lobo – 2011/2012

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Estado). Normalmente, o residente terá bens nesse território e obterá aí, pelo menos, uma parcela dos seus rendimentos.

A Residência: elemento de conexão que expressa a mais íntima ligação económica entre uma pessoa e um Estado. Tal legitima a tributação dos rendimentos dos residentes numa base mundial, de todos os rendimentos independentemente do local onde os mesmos sejam obtidos (worldwide income principle) Ser residente de um determinado Estado implica, normalmente, ser aí sujeito a um imposto sobre a globalidade do rendimento (incluído o obtido fora das fronteiras desse Estado), imposto esse que, por regra, será pessoal (com taxas progressivas, deduções que procuram atender às despesas socialmente relevantes efectuadas por essa pessoa e pelo seu agregado familiar).

Nos termos do art. 16º/1 al. a) e b)) do CIRS consideram-se residentes em Portugal as pessoas físicas que, em cada ano, permaneçam mais de 183 dias seguidos ou interpolados, em território nacional, bem como aqueles que, tendo permanecido menos tempo, aqui disponham de habitação em condições que façam supor a intenção de a manter e a ocupar como residência habitual critério assenta na presença física no território nacional durante a maior parte do período em causa.

Deste modo, embora Homer Simpson não se pudesse considerar residente nos

termos da al. a) do art. 16º/1 do CIRS, uma vez que havia permanecido em

Portugal apenas 100dias durante o ano de 2011, pela al. b) do mesmo preceito

seria considerado residente.

Mesmo que não o fosse pela al. b) ainda poderia ser pelo nº2 do art. 16º CIRS que

consagra o Princípio da Atracção da Unidade Familiar em que basta a residência

em Portugal de um dos conjugues para se presumirem residentes no nosso país

todos os membros do agregado familiar. A lei veio recentemente transformar tal

princípio em mera presunção ilidível: se um dos conjugues, num ano, permanecido

no nosso pais menos de 183 dias e não estando a maior parte das suas actividades

económicas conexionada com o território português, poderá apresentar uma

declaração relativa apenas aos seus rendimentos (rendimentos próprios e sua

parte nos rendimentos comuns do casal) e à correspondente ‘’parte’’ dos

rendimentos dos dependentes a seu cargo, sendo o imposto calculado segundo as

regras aplicáveis aos separados de facto.

(ii) E Marge Simpson?

segundo as regras aplicáveis aos separados de facto. (ii) E Marge Simpson? Maria Luísa Lobo –
segundo as regras aplicáveis aos separados de facto. (ii) E Marge Simpson? Maria Luísa Lobo –

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A condição de residentes supõe a presença física, real ou presumida, no território de um determinado Estado, a implicar uma ligação económica (mesmo que só ao nível do consumo) e um certo grau de integração social (participação na vida da comunidade e, portanto o desfrute dos bens e serviços proporcionados por esse Estado). Normalmente, o residente terá bens nesse território e obterá aí, pelo menos, uma parcela dos seus rendimentos.

A Residência: elemento de conexão que expressa a mais íntima ligação económica entre uma pessoa e um Estado. Tal legitima a tributação dos rendimentos dos residentes numa base mundial, de todos os rendimentos independentemente do local onde os mesmos sejam obtidos (worldwide income principle) Ser residente de um determinado Estado implica, normalmente, ser aí sujeito a um imposto sobre a globalidade do rendimento (incluído o obtido fora das fronteiras desse Estado), imposto esse que, por regra, será pessoal (com taxas progressivas, deduções que procuram atender às despesas socialmente relevantes efectuadas por essa pessoa e pelo seu agregado familiar).

Nos termos do art. 16º/1 al. a) e b)) do CIRS consideram-se residentes em Portugal as pessoas físicas que, em cada ano, permaneçam mais de 183 dias seguidos ou interpolados, em território nacional, bem como aqueles que, tendo permanecido menos tempo, aqui disponham de habitação em condições que façam supor a intenção de a manter e a ocupar como residência habitual critério assenta na presença física no território nacional durante a maior parte do período em causa.

Deste modo, Marge Simpson será considerada residente em Portugal nos termos

do art. 16º/1 al. a).

Será ainda importante salientar que o art. 16º/6 consagra um regime especial, uma

norma que beneficia sendo especial para determinados tipos de residentes!

(iii) Quem compõe o agregado familiar da família Simpson?

O Agregado Familiar, para efeitos fiscais pode se referir a:

Famílias Monoparentais (solteiros, viúvos, divorciados, separados judicialmente de pessoas e bens, etc.): sujeito passivo e dependentes a seu cargo (art. 13º/3)

Famílias Biparentais: conjugues (sujeitos passivos) e seus dependentes

Consideram-se dependente os filhos, adoptados e enteados, os sujeitos à tutela de um ou de ambos os sujeitos passivos, não bastando uma situação de mera dependência económica relativamente ao(s) sujeito(s) passivo(s), e consequentemente não podendo ser havidos como dependentes, para efeitos fiscais, aqueles cuja situação não for enquadrável numa das hipóteses da definição

cuja situação não for enquadrável numa das hipóteses da definição Maria Luísa Lobo – 2011/2012 Página
cuja situação não for enquadrável numa das hipóteses da definição Maria Luísa Lobo – 2011/2012 Página

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legal. A noção fiscal de dependente assenta na incapacidade de exercício de direitos resultante da menoridade e em alguns casos de mera dependência económica. A situação de dependente, para efeitos fiscais, termina em princípio com a maioridade ou emancipação (salvo quando o dependente em causa seja inapto para angariar meios de subsistência e não tenham rendimentos superiores ao salário mínimo mais elevado).

Segundo o art. 13º/4 al. a) um dependente que haja atingido a maioridade pode continuar a ser havido como dependente, para efeitos de IRS, até à idade de 25anos caso não tenha rendimentos superiores ao salário mínimo nacional e no ano a que respeita o imposto tenha frequentado o 11º ou 12ºanode escolaridade ou o ensino médio ou superior. Tal visa permitir aos sujeitos passivos (pais) continuarem a usufruir, no cálculo do seu imposto, das deduções à colecta motivadas pela consideração da existência e despesas realizadas com esse dependente.

Deste modo, o agregado da família Simpsons é composto por Margie e Homer, que nos termos do art. 13º/3 al. a) são os sujeitos passivos do imposto; Lisa (dependente) nos termos do art. 13º/3 al. b); Maggie (dependente) nos termos do art. 13º/4 al. a). Presumindo que Bart não se enquadra em nenhuma das excepções previstas, ou seja não é inapto para angariar meios de subsistência e tendo rendimentos superiores ao salário mínimo mais elevado, não é considerado como dependente para efeitos fiscais, e consequentemente não se insere no agregado familiar.

(iv) Marge será tributada pelos rendimentos que vier a obter de fontes

localizadas nos EUA?

Nos termos do art.15º/1 CIRS pretendendo o IRS ser relativamente aos residentes em Portugal um imposto pessoal, encontram-se sujeitos a tributação todos os rendimentos, incluindo os de fonte estrangeira.

Só que os rendimentos obtidos no estrangeiro terão igualmente sido sujeitos a uma tributação no pais da fonte originando o fenómeno de dupla tributação internacional do mesmo rendimento.

Posição Tradicional: o Estado de Residência não tinha qualquer dever de eliminar ou atenuar a dupla tributação, salvo no caso de existir uma convenção nesse sentido com o país da fonte.

Posição dos países mais desenvolvidos tem sofrido uma evolução:

enquanto pais de residência, deve proceder unilateralmente à eliminação da dupla tributação internacional.

A Razão de ser desta evolução deriva do facto de a ‘’internacionalização das empresas’’ é encarada como um passo indispensável a seu crescimento num mercado que é cada vez mais global e concorrencial, a não permitir mais que a sua

que é cada vez mais global e concorrencial, a não permitir mais que a sua Maria
que é cada vez mais global e concorrencial, a não permitir mais que a sua Maria

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actividade se restrinja aos limites das fronteiras nacionais. A facilidade de investimentos no estrangeiro e de deslocação dos indivíduos gera um elevado numero de situações de dupla tributação, cujas consequências importa eliminar. O facto de um residente obter rendimentos no estrangeiro (mesmo que não profissionais ou empresariais) tem que ser encarado como uma circunstância normal do mundo globalizante dos nossos dias. Coloca-se de forma cada vez mas permanente, para o país de residência, uma questão de justiça fiscal (aquele que obteve determinado rendimento no estrangeiro e sobre ele pagou imposto esta em situação diferente; a sua capacidade contributiva é menor) e também de politica económica (desejo de eliminar o obstáculo que a dupla tributação cria à legitima actividade dos seus residentes no estrangeiro). Assume-se como objectivo a neutralidade fiscal da exportação ou seja que o rendimento de um dado sujeito passivo ficara sujeito ao imposto do seu pais de residência ou sede, independentemente de ter sido obtido total ou parcialmente noutros países.

O art. 81º CIRS consagra o método da imputação limitada ou ordinária do imposto estrangeiro, aplicável mesmo na ausência de Convenção: o rendimento obtido no

exterior é englobado pelo seu valor total (ou seja, ilíquido do imposto pago no pais

da fonte art. 22º/6). Apurada a colecta por aplicação da taxa ao rendimento total

englobado, deduz-se àquela o imposto pago no estrangeiro relativo a esse rendimento. Essa dedução não excederá o valor da colecta do IRS proporcional a esses rendimentos. Sendo aplicável uma Convenção sobre Dupla Tributação cessa a aplicação do disposto das normas internas, em razão da prioridade de aplicação das regras constantes do direito internacional convencional. É face ao texto convencional que

se deverá apreciar a legitimidade de cada um dos Estados para tributar um

determinado rendimento, o método a ser utilizado pelo Estado de residência para

a eliminação da dupla tributação internacional será consagrado nessa convenção.

Ou seja, caso seja previsto o método da isenção (rendimentos obtidos no outro país

contratante estarão isentos de tributação em Portugal) ou da imputação integral (o imposto pago no estrangeiro será deduzido à colecta do IRS, sem limites) não haverá lugar à aplicação do art. 81º.

Será ainda necessário tomar em consideração o disposto no art. 81º/3 (remete-se para o art. 16º/6) que consagra um regime especial face aos residentes não habituais, sendo que não serão considerados os rendimentos obtidos fora de Portugal, ou seja de fonte não portuguesa, por aplicação do método da isenção.

Legislação: Código do IRS, arts. 13.º a 21.º; Doutrina:

Rui Duarte Morais, Sobre o IRS, pag. 11 a 47;

J. L. Saldanha Sanches, Manual de Direito Fiscal, 3.ª edição, pags. 283 a 298

CASO PRÁTICO IRS 2

O Senhor Job Abraham, Indiano, consultor fiscal, é proprietário de uma

simpática moradia em Kerala onde passa cerca de 250 dias por ano. Os

uma simpática moradia em Kerala onde passa cerca de 250 dias por ano . Os Maria
uma simpática moradia em Kerala onde passa cerca de 250 dias por ano . Os Maria

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restantes dias são tradicionalmente passados em São Paulo, onde reside a sua

mulher Mariana Ribeiro, Brasileira.

Job trabalha para uma consultora internacional - a Tax & Tax - com presença

em diversos países do mundo, incluindo Portugal. Ao abrigo do contrato de

trabalho que tem com a Tax & Tax, Job foi enviado a Portugal, onde permaneceu

durante 2 meses, para prestar serviços de consultoria a sociedades Portuguesas

relacionados com a possível implementação de sociedades na Índia. Durante o

período em que esteve em Portugal, Job foi pago pela sucursal Portuguesa da

Tax & Tax €10.000,00.

Mari,

sua

mulher,

é

a

administradora

delegada

da

sociedade

portuguesa

Guaraná é que está

a

dá,

SA,

auferindo anualmente, por esses serviços

€60.000,00.

No ano de 2011, Mari vendeu ainda uma casa que tinha em Cascais, realizando

uma mais-valia de €500.000,00.

(i) Os rendimentos descritos são sujeitos a tributação em Portugal?

A condição de residentes supõe a presença física, real ou presumida, no território de um determinado Estado, a implicar uma ligação económica (mesmo que só ao nível do consumo) e um certo grau de integração social (participação na vida da comunidade e, portanto o desfrute dos bens e serviços proporcionados por esse Estado). Normalmente, o residente terá bens nesse território e obterá aí, pelo menos, uma parcela dos seus rendimentos.

A Residência: elemento de conexão que expressa a mais íntima ligação económica entre uma pessoa e um Estado. Tal legitima a tributação dos rendimentos dos residentes numa base mundial, de todos os rendimentos independentemente do local onde os mesmos sejam obtidos (worldwide income principle) Ser residente de um determinado Estado implica, normalmente, ser aí sujeito a um imposto sobre a globalidade do rendimento (incluído o obtido fora das fronteiras desse Estado), imposto esse que, por regra, será pessoal (com taxas progressivas, deduções que procuram atender às despesas socialmente relevantes efectuadas por essa pessoa e pelo seu agregado familiar).

Nos termos do art. 16º/1 al. a) e b)) do CIRS consideram-se residentes em Portugal as pessoas físicas que, em cada ano, permaneçam mais de 183 dias

Portugal as pessoas físicas que, em cada ano, permaneçam mais de 183 dias Maria Luísa Lobo
Portugal as pessoas físicas que, em cada ano, permaneçam mais de 183 dias Maria Luísa Lobo

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seguidos ou interpolados, em território nacional, bem como aqueles que, tendo permanecido menos tempo, aqui disponham de habitação em condições que façam supor a intenção de a manter e a ocupar como residência habitual critério assenta na presença física no território nacional durante a maior parte do período em causa.

Daqui se conclui que Job não é residente em Portugal, pelo que teremos de analisar em que medida ocorre a tributação em sede de IRS de não residentes.

É afirmação corrente o reconhecimento ao país da fonte do direito primário à

tributação, na medida em que tal exprime melhor a ligação entre um rendimento e um espaço. Na concepção clássica do princípio da territorialidade, as leis fiscais

nacionais aplicavam-se só aos factos ocorridos no respectivo território, apurando-

se

tal ligação apenas a partir de elementos de conexão reais ou objectivos.

O

critério físico ou da fonte económica nem sempre pode ser utilizado, uma vez

que, frequentemente, não é fácil ou mesmo possível determinar onde foi exercida a

actividade ou onde se deve ter por situado o bem gerador do rendimento. Deste modo, apura-se o local da fonte do rendimento muitas vezes através do critério da fonte financeira, ficcionando-se que o rendimento foi produzido no local onde se situa a sede ou estabelecimento da entidade remuneradora.

O art. 18º CIRS procede a uma enumeração dos rendimentos que, por considerados obtidos em território português, estão sujeitos a imposto, sendo o respectivo titular um não residente no nosso pais (art. 15º/2). Contudo, as Convenções de Dupla Tributação visam proceder à partilha do direito ao imposto entre os Estados Contratantes esta partilha, normalmente, não resulta na atribuição de tal direito a apenas um desses Estados, mas a ambos (cumulo de pretensões), com limitações ao imposto a ser cobrado pelo Estado da fonte e a obrigação do Estado da residência eliminar ou, pelo menos, atenuar a dupla tributação dai resultante.

Tributação de um rendimento obtido por uma não residente em Portugal Verificar se entre Portugal e o País de Residência existe um ADT

Existe ADT: verificar se a pretensão tributária portuguesa (art. 18º) é ou não legítima face ao texto convencional.

Não é legítima: não poderá haver lugar à tributação pela prioridade que têm as normas jurídicas de fonte internacional.

A noção de Estabelecimento Estável nas situações de tributação de rendimentos

empresariais (inc. profissionais independentes) é importante, sendo um princípio

aceite no Direito Fiscal Internacional que os lucros (rendimentos de uma actividade empresarial ou profissional) obtidos por um não residentes apenas podem ser tributados pelo pais da fonte quando ali se situar um estabelecimento estável ao qual devam ser imputados.

ali se situar um estabelecimento estável ao qual devam ser imputados. Maria Luísa Lobo – 2011/2012
ali se situar um estabelecimento estável ao qual devam ser imputados. Maria Luísa Lobo – 2011/2012

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Estabelecimento Estável assenta numa estrutura, realidade física capaz de indiciar uma actividade com um grau mínimo de permanência no país em causa (exemplo:

exploração agrícola, fabrica, loja ou escritório). Razão de ser: razoes de praticabilidade o comércio mundial ficaria bloqueado se todo aquele que teve negócios num determinado pais ainda que forma meramente acidental ficasse ai sujeito a pagamento de impostos e ao cumprimento das inerentes formalidades declarativas. Alem de tal, os requisitos definidores do que constitui um estabelecimento estável são mínimos muitas vezes torna-se difícil detectar a sua existência.

Na presença de um estabelecimento estável temos que existe nesse país uma unidade económica (empresa), mas não existe um sujeito passivo residente (titular da empresa é um não residente): a realidade económica prevalece sobre a realidade jurídica, na medida em que o estabelecimento estável ainda que só quanto aos rendimentos imputáveis à sua actividade será tratado no pais onde se localiza como um residente, sendo o calculo dos lucros que lhe devam ser imputados é feito por aplicação das regras a que estão sujeitas os residentes, ficando sujeitos à mesma tributação.

Deste modo, Job será tributado de acordo com o art. 18º/1 al. a). Por sua vez, Mari, residente em São Paulo e embora seja administradora delegada tal não levanta grandes questões, uma vez que esta pode residir em local diferente face à sociedade (capital de risco art. 2º/3 al. a)) será tributada nos termos do art. 18º/1 al. b). Quanto aos 500. 000 gerados por Mari na venda da sua habitação, se estes forem pagos pela sociedade portuguesa mas pela sociedade brasileira serão tributados nos termos do art. 18º/1 al. h)).

(ii) Em caso positivo qual a taxa aplicável?

A tributação dos rendimentos obtidos por não residentes é feita por aplicação das taxas liberatórias (art. 71º CIRS).

Estas taxas liberam (libertam) das obrigações de declaração, de englobamento e pagamento pelo contribuinte (a obrigação de imposto considera-se cumprida com a retenção na fonte efectuada pela entidade empregadora) situação de substituição fiscal total. Aplicam-se aos rendimentos brutos!

Problema: coerência do sistema uma vez que nestes casos estamos perante uma tributação de tipo real (a tributação pessoal é apanágio do país de residência).

art. 71º: a aplicação das taxas de retenção na fonte pode resultar afastada por disposição de ADT que exista entre Portugal e o País de Residência beneficiário dos rendimentos. As disposições convencionais podem ilegitimar a tributação por Portugal de alguns rendimentos ou

podem ilegitimar a tributação por Portugal de alguns rendimentos ou Maria Luísa Lobo – 2011/2012 Página
podem ilegitimar a tributação por Portugal de alguns rendimentos ou Maria Luísa Lobo – 2011/2012 Página

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determinar que a taxa de retenção na fonte não exceda determinado valor.

Em suma, aos rendimentos auferidos em Portugal por não residentes é aplicada uma taxa liberatória uma vez que para eles o IRS não pretende ser um imposto pessoal antes se limitando a efectuar uma tributação de tipo real dos rendimentos cuja fonte se considere situada no nosso país. É preciso ter sempre pressente a possibilidade de existência de uma Convenção entre Portugal e o país da residência da pessoa em causa, caso em que só haverá lugar a imposto em Portugal se a Convenção o permitir e tendo lugar devera ser prática uma retenção na fonte ate aos limites ai fixados.

Nos termos do art. 71º/4 al. a) do CIRS será aplicada uma Taxa Liberatória de 21.5% ao Job e a Mari na medida em que os rendimentos de ambos se inserem na Categoria A (art. 2º/1 e art. 2º/3 al. a) Mari).

Quanto à mais-valia, a tal será aplicada uma taxa de 25% nos termos do art. 72º/1

do CIRS

(iii)

Será necessário apresentar uma declaração de IRS em Portugal?

A questão das declarações de rendimentos encontra-se consagrada no art. 57º

CIRS.

Em relação aos rendimentos em que se irá aplicar uma taxa liberatória (art. 71º/4) não é necessário apresentar uma declaração de IRS em Portugal, na medida em que sendo a taxa liberatória uma taxa final e não sendo uma retenção por conta libera o contribuinte não só do pagamento adicional do imposto como da declaração de IRS. Contudo, já em relação à mais-valia gerada é necessário.

CASO PRÁTICO IRS 3

Parte I

Chico Vidinha, português de gema e que se orgulha de nunca ter passado uma noite fora do seu país, vive na Arruda dos Vinhos com a sua mulher, Maria Vidinha e os seus três filhos:

a) Chico Zé Vidinha de 12 anos

b) Gestrudes Vidinha, de 22, que tendo finalmente terminado o 12.º ano de escolaridade irá agora ingressar no ensino superior, na reputadíssima universidade “Toma lá Canudo”;

c) Quim Vidinha, filho adoptado, de 36 anos, o qual, revoltado com as injustiças do mundo, não trabalha e ainda depende dos pais.

Parte II

as injustiças do mundo, não trabalha e ainda depende dos pais. Parte II Maria Luísa Lobo
as injustiças do mundo, não trabalha e ainda depende dos pais. Parte II Maria Luísa Lobo

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No ano de 2011, a família auferiu os seguintes rendimentos: art 1.

a) Chico, no âmbito do contrato de trabalho:

(i)

€30.100 de remuneração base (correspondente a uma remuneração bruta mensal de €2.150);

(ii)

€10.000 de bónus, no final do ano

(iii)

Subsidio de refeição, no montante de €2.420 correspondentes a 10,00 por dia de trabalho;

De notar ainda que a entidade patronal pagava €1.000 de renda mensal pela casa em que a família vivia.

b) Maria, encontrava-se numa situação precária, trabalhando numa empresa de limpezas, sob autoridade e direcção da gerente da empresa, a Sra. Cornélia, da qual recebeu €15.000, de remuneração anual.

Parte III

Em 2010 a família incorreu nos seguintes encargos

a) €2.500 em despesas de saúde isentas de IVA;

b) €100 em despesas de saúde sujeitas a IVA à taxa normal, das quais €75 se encontram justificadas por receita médica;

c) €7.000 em despesas de educação, relativas ao pagamento das propinas de Gertrudes;

QUESTÕES:

1. Na perspectiva da lei interna, estarão estes rendimentos sujeitos a tributação em Portugal? E em que categorias se inserem os diversos rendimentos?

Sim, todos os rendimentos de acordo com a incidência objectiva do Imposto enquadramento dos rendimentos com as varias categorias: neste caso, categoria A

art.2º/2 CIRS (muito amplo) relação de trabalho (contrato individual de trabalho ou sem

este numa situação equiparável, funcionários públicos dependentes

+ rendimentos de trabalho

)

2. Quem é/ são os sujeitos passivos?

Em Portugal, no caso dos residentes, optou-se pela tributação ao agregado familiar existindo imposto tal é devido pelo conjunto dos rendimentos das pessoas que o constituem, considerando-se sujeitos passivos aqueles a quem incumbe a sua direcção (art. 13º/2), existindo uma titularidade plural das obrigações fiscais e uma

13º/2), existindo uma titularidade plural das obrigações fiscais e uma Maria Luísa Lobo – 2011/2012 Página
13º/2), existindo uma titularidade plural das obrigações fiscais e uma Maria Luísa Lobo – 2011/2012 Página

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responsabilidade solidária de ambos os conjugues pelas dívidas de imposto. Neste caso, e nos termos do art. 13º/1 os sujeitos passivos são Chico e Maria.

3. Qual o rendimento líquido de cada categoria e qual o valor do final de IRS devido?

Chico Vidinha

Maria

Renumeração Base (2/1 al.

a)

30.100

Retençao na Fonte:

30100/14:2150

15mil

Bónus (2/2)

10000

Refeição (2/3 b/1)

2420:10: 242e/dias

10-6.41=3.59

3.59 X 242= 868.78 retenção na fonte

Habitação 2/3 b 4

12mil não sujeito a retenção por inserção numa das excepções do 99

TOTAL DO RENDIMENTO SUJEITO A TRIBUTAÇAO

52986.78

15

18375x0.195990 = 3601, 131

29880.39 18375 = 11505.39

11505.39 x 0.3530 =4084.4

4. Este agregado familiar ainda tem imposto a pagar ou tem imposto a receber?

Este agregado familiar ainda tem imposto a pagar ou tem imposto a receber? Maria Luísa Lobo
Este agregado familiar ainda tem imposto a pagar ou tem imposto a receber? Maria Luísa Lobo

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A retenção na fonte é o sistema que proporciona maior comodidade, segurança e simplicidade na cobrança de impostos. Esta implicando a pratica, por terceiros, de tarefas de verdadeira ‘’administração fiscal’’ só pode ser exigida quando a entidade pagadora tenha condições para tal.

O substituto para alem de poder ter que dar cumprimento a algumas obrigações acessórias, tem o dever de proceder à retenção na fonte, entregando tal importância ao Estado, a qual passa a constituir um crédito relativo ao imposto devido por esse contribuinte. Caso as retenções não tenham tido lugar ou tenham sido de montante inferior ao que resultaria da correcta aplicação da lei, cabe ao substituído a responsabilidade originária pelo montante não retido e aos substituto a responsabilidade subsidiária. Uma vez que a infracção fiscal foi cometida pelo substituto este ser ao responsável pelos juros compensatórios e sanções a que deve haver lugar.

Tabela nº2517-A/ 2011, de 3 de Fevereiro Trabalho Dependente, casado, dois titulares.

Chico Vidinhas

Renumeração Base: 2150

aplica-se a taxa de 18.5 (2150 X 0. 185 = 397, 714) duas tributações de 397, 714 X 2 = 794 sujeitas de forma isolada o valor é inferior;

se se juntasse os dois subsídios a taxa seria de 26.5% e seria retido na fonte 1118 (montante superior à retenção autónoma), devido as taxas progressivas

11 meses em que recebe o salario base + subsídio de refeição = 2228 aplica-

se a taxa de 20. 5% (2228.98 X 0.205 = 476, 94 (retenção na fonte X 11 (meses em que ocorre a retenção) = 5026,35

1 mês em que recebe salario base + bónus (caso omisso em relação ao mês em que se verifica) = 2150 + 10 000 = 12150 taxa aplicável 34% (12150 X 0.34 = 4131 valor da retenção)

1 mês em que recebe o salario base + o subsidio de natal + subsidio de ferias =2

X 2150 (0. 185 X 2150 = 397, 75 X 2 = 795, 5 retenção na fonte)

subsídios objecto de uma retenção autónoma

Retenção na fonte total = 9950, 69

Mari

15mil €/ 14meses = 1071, 41 aplica-se a taxa de 9% (1071, 41 X 0.09 = 96.43/mês X 14mes = 1349, 88

Retenção na Fonte no Agregado Familiar = 1349, 88 + 9950, 69 = 11300, 69

na Fonte no Agregado Familiar = 1349, 88 + 9950, 69 = 11300, 69 Maria Luísa
na Fonte no Agregado Familiar = 1349, 88 + 9950, 69 = 11300, 69 Maria Luísa

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Deduções à Colecta = 12936, 44 11300, 69 (retenção na fonte) = 1635, 8 valor do imposto (ainda) a pagar!

CASO PRÁTICO IRS 4

Maria José e José Maria estão casados há dez anos e tiveram agora a sua primeira filha, Maria Josélia [agregado familiar casados há 10anos e filha (‘’agora’’ – menor e consequentemente é dependente havendo um regime especial art. 79º/3)] Para acomodarem a pequenota, o casal vendeu o T2 em que vivia e comprou uma nova casa, um T3 na Av. de Roma, em Lisboa. [vendeu rendimento de mais-valia resultante da venda de um imóvel; viver habitação periódica, e regime de reinvestimento depende do facto de a habitação ser utilizada; Av. Roma regime do reinvestimento, o mesmo não aconteceria se tivesse ocorrido nos EUA] O casal ficou muito satisfeito com o negócio, pois conseguiu vender por €200.000 o T2 que tinha comprado por €100.000 há 10 anos [venda por mais 100mil euros do que compraram mais valia; mas como a compra foi realizada há 10anos haverá a necessidade de fazer uma actualização do imóvel] Com este rendimento, conseguiram comprar a casa nova, que, graças à crise no sector imobiliário, apenas custou €220.000 [aplicação de todo o rendimento] Para além disso, no ano de 2011, a Maria J ganhou €30.000 de remuneração bruta nos termos previstos no seu contrato de trabalho, tendo sido retidos na fonte €5.000 [contrato de trabalho Categoria A; 30 mil euros renumeração bruta & retenção na fonte] José M., por sua vez, tem uma oficina, onde trabalha por conta própria e este ano facturou €50.000, tendo gasto €1000 em despesas correntes (agua, electricidade), €10.000 em rendas e €20.000 em peças. José realizou pagamentos por conta no montante de €10.000 [Trabalha pro conta própria Categoria B; regime da contabilidade organizada como é um valor abaixo dos 150 mil euros pode-se também optar pelo regime simplificado] Para além disso, José e Maria receberam €200 em dividendos pagos pela sociedade portuguesa “Lucro e Lucro, Lda.” e €100 de juros de depósitos a prazo [Categoria E juros de um deposito a prazo] Maria auferiu ainda €11.000 de rendas de um imóvel que recebeu em herança. Contudo, dado que a casa estava em mau estado de conservação, viu-se obrigada a gastar €5.000 em obras de restauro [Categoria F rendimento bruto; despesas de conservação podem ser deduzidas ] Sabendo que Maria e José suportaram €3.000 de despesas médicas isentas de IVA (com o nascimento do bebé e os cuidados de saúde do mesmo) [Deduções à Colecta] Calcule o imposto devido

Nota: aquisição da casa há dez anos flutuações no valor através de um quociente de

actualização do imóvel. Nova casa 220 000 euros valor investido

do imóvel. Nova casa – 220 000 euros – valor investido Maria Luísa Lobo – 2011/2012
do imóvel. Nova casa – 220 000 euros – valor investido Maria Luísa Lobo – 2011/2012

Direito Fiscal - IRS

FDUCP

Maria Categoria A (trabalho dependente), José (Categoria B trabalho por conta

própria)

Categoria B montante de 50 mil euros aplicação do regime simplificado ou da

contabilidade organizada

Incidência Subjectiva (art. 13º/1 CIRS): casal enquanto sujeitos passivos; dependentes (filha). Residência: art. 15º/1 CIRS e 16º/1 CIRS e art. 18º CIRS.

Incidência Objectiva

Mais-Valia (categoria G): art. 9º/1 al. a) e art. 10º/1 al a) CIRS. Ganho sujeito a Imposto (art. 10º/4 al. a) diferença entre o valor de realização (art. 44º/1 al. f) CIRS 200mil euros) e o valor de aquisição (art. 46º do CIRS). Qual o rendimento líquido da categoria? Deduções Específicas (art. 42º e ss. CIRS).

Casa adquirida há dez anos por 100 mil euros: art. 50º CIRS. 100 mil X 1,21 (coeficiente de 2011) = 121 mil art. 51º CIRS: obras de restauro Valor de Realização Valor de Aquisição = Valor da Mais Valia (=) 200 mil 121 mil = 79 mil art. 43º/2 CIRS: só 50% da mais valia será tributada, ou seja 0.50 X 79 = 39 mil Será sujeita a taxas normas, depois do englobamento. Uma vez que existe um reinvestimento não será tributado.

do englobamento. Uma vez que existe um reinvestimento não será tributado. Maria Luísa Lobo – 2011/2012
do englobamento. Uma vez que existe um reinvestimento não será tributado. Maria Luísa Lobo – 2011/2012