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CURSO DE PERÍCIA JUDICIAL AMBIENTAL

APOSTILA DE PERÍCIA AMBIENTAL

Dr. Georges Kaskantzis Neto Engenheiro Químico

3 a versão – Junho de 2005

PREFÁCIO

Nas últimas décadas compreendi que cada vez mais o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental devem se apoiar em objetivos compartilhados. A degradação do meio ambiente e dos recursos naturais são fatos que devem evitados e minimizados quando buscamos o desenvolvimento econômico e a riqueza que todos desejamos.

Os fatos em nosso país indicam que a pobreza e o crescimento populacional se combinam para causar impactos negativos sobre os ecossistemas e a população. A urbanização desordenda e os acidentes ambientais, cada vez mais frequentes e intensos, dão lugar ao aumento da contaminação do ar, da água e do solo, causando o aumento da incidência das enfermidades, degradação dos materiais e das perdas financeiras.

O Poder Público, consciente da responsabilidade de proteger os cidadãos e os recursos naturais, têm exigido que os impactos ambientais negativos sejam minimizados e controlados, através da criação e aplicação de severa legislação ambiental. Cada vez mais, os Procuradores da Justiça têm instaurado Ações Civis Públicas visando punir os infratores e reparar os danos ambientais. Neste sentido, o Perito Ambiental têm um papel fundamental a cumprir, auxiliando a justiça na elucidação da lide e na valoração dos danos ambientais. A reparação dos danos causados ao meio ambiente somente é possível quando se determina o seu valor.

Cada vez mais os profissionais de nível superior das diversas áreas do conhecimento são requeridos pela justiça e pelas empresas para atuarem como peritos e assistentes técnicos em processos judiciais. Na maioria dos casos, a interdisciplinaridade de conhecimentos necessários para avaliação do dano ambiental, requer a constituição de uma equipe multidisciplinar de profissionais especialistas.

Neste sentido, para suprir a demanda de mercado e treinar profissionais que desejam atuar como Assistentes Técnicos e Peritos Judiciais na área de meio ambiente, foi desenvolvido este Curso de Perícia.

Nos últimos anos este Curso foi ministrado em diversas regiões do país tendo formado centenas de profissionais com conhecimentos específicos para atuarem com peritos na área de meio ambiente. Os conhecimentos e as técnicas apresentadas neste Curso são a base para a prática da perícia ambiental, mas o contínuo aperfeiçoamento e exercício profissional são fundamentais para o desenvolvimento da atividade do perito, considerando a complexidade do assunto em questão.

A terceira versão desta apostila apresenta uma síntese dos conhecimentos e as ferramentas necessárias para a realização da perícia ambiental. Os principais temas abordados englobam conhecimentos sobre ecologia, direito ambiental, técnicas de avaliação de impactos, valoração de danos e passivos ambientais e análise de riscos. Nesta nova versão da apostila, foram incluídos novos métodos de valoração de danos ambientais pesquisados em literatura e, alguns utilizados pelos órgãos de fiscalização e controle de meio ambiente do país e do exterior.

Dr. Georges Kaskantzis Neto Curitiba, 15 de junho de 2005

SUMÁRIO

1.

ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS

1.1

Definições

1.2

Meio Físico

1.3

Energia e Meio Ambiente

1.4

Recursos Renováveis e Esgotáveis

1.5

Análise do Ciclo de Vida de Produtos

2.

DIREITO AMBIENTAL

2.1

Legislação Nacional

2.2

Órgão e Competências Legais

2.3

Leis e Normas Ambientais

2.4

Ação Civil Pública

2.5

Perícia Ambiental

3.

AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL

3.1

Definições e Conceitos

3.2

Elementos e Etapas do Processo de EIA

3.3

Tipologia dos Impactos

3.4

Diagnóstico do Meio Físico, Biológico e Antrôpico

3.5

Metodologias de Avaliação de Impactos Ambientais

3.6

Métodos e Técnicas de Laboratório

4.

INTRODUÇÃO A ECONOMIA AMBIENTAL

4.1

Base Conceitual

4.2

Valoração Econômica do Meio Ambiente

4.3

Métodos de Avaliação de Danos Ambientais

4.4

Conclusões sobre os Métodos de Valoração

5.

MERCADO EXTRA JUDICIAL

5.1

Passivos Ambientais

5.2

Origens dos Passivos Ambientais

5.3

Mensuração de Passivos

5.4

Casos Reais

5.5

Passivos Ambientais Evidentes e Difusos

5.6

Matriz de Passivos Ambientais

5.7

Avaliação de Riscos e Acidentes Ambientais

5.8

Auditoria Ambiental

5.9

Diagnóstico Básico Ambiental

5.10 EIA – RIMA e Licenciamento Ambiental

5.11 Plano Básico Ambiental

5.12 Relatório, Laudo e TAC Ambiental

6. ESTUDOS DE CASO

- REFERÊNCIAS

- ANEXOS

1. ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS

Atualmente ecologia não significa somente uma área de conhecimento da Biologia, mas toda uma forma de pensar a relação do homem com a natureza e com si próprio. No atual estágio do desenvolvimento humano, de economia e problemas ambientais globalizados, ecologia significa propor novas formas de desenvolvimento voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos homens e preservação do meio ambiente.

A tecnologia avançou tanto que nos dias atuais parece que não precisamos mais da natureza para suprir nossas necessidades. Esta mentalidade resultou no desequilíbrio ambiental que atualmente se manifesta através da poluição hídrica, poluição atmosférica, erosão e contaminação do solo e outros problemas ambientais que comprometem a nossa qualidade de vida.

Pretende-se nesta seção apresentar os principais conceitos sobre ecologia, os meios físicos que constituem o nosso universo de estudo e sua relação com a produção, assim como o uso de energia e impactos ambientais associados. A questão da utilização de recursos naturais renováveis e esgotáveis também é discutida nesta seção e associada a com a análise do ciclo de vida de produtos.

1.1 DEFINIÇÕES E PRINCIPAIS CONCEITOS

Ecologia é a ciência que estuda os seres vivos e as suas relações com outros seres vivos e com o meio ambiente. A palavra é derivada do grego é significa literalmente o estudo da “casa” onde se vive. Para sobreviver na sociedade todos os indivíduos precisam conhecer os seus ambientes, as forças da natureza, os vegetais e os animais que os cercavam. Basicamente, os níveis de organização dos seres vivos, do mais simples para o mais complexo, são mostrados no esquema abaixo.

ÁTOMOS

MOLÉCULAS

ORGANÓIDES

CÉLULAS

TECIDOS

ÓRGÃOS

SISTEMAS

INDIVÍDUOS

POPULAÇÃO

COMUNIDADE

BIOSFERA

ECOSSISTEMA

Figura 1 – Esquema de organização dos seres vivos

População

É o conjunto de indivíduos da mesma espécie, vivendo juntos no espaço e tempo.

Comunidade ou Biocenose

É o conjunto de populações interdependentes no tempo e no espaço.

Ecossistema

Ecossistema é o conjunto formado por uma ambiente físico (solo, ar, água) e os seres vivos que nele habitam. Como exemplos de ecossistemas podemos citar os lagos, os rios, os mares, os campos, as florestas, etc. É a unidade fundamental da Ecologia. No ecossistema distinguem-se dois componentes, a biocenose e biótopo. A biocenose, ou comunidade biótica é o componente vivo, ou biótico de um ecossistema. O biótopo refere-se ao meio físico ou abiótico de um ecossistema, sobre o qual se desdobram a vida vegetal e animal.

Equilíbrio Ecológico

Os ecossistemas são sistemas equilibrados. O ecossistema consome certa quantidade de gás carbônico e água enquanto produz determinado volume de oxigênio e matéria orgânica. Qualquer mudança na entrada ou saída destes elementos desequilibra o sistema, alterando a produção de alimento e oxigênio. Cada espécie viva tem seu papel no funcionamento do ecossistema a que pertence. Por exemplo, quase todo vegetal que se reproduz por meio de flores necessita de alguma espécie de inseto para polinização. O extermínio do inseto também provoca a extinção do vegetal.

Biosfera

As regiões habitadas da Terra, desde as profundezas do mar até os picos das mais altas montanhas, constituem a esfera viva deste planeta, ou a biosfera. Ela é uma camada quase contínua ao redor da Terra, interrompendo-se apenas nos desertos extremamente áridos e nas regiões cobertas de gelo. Apesar de abrigar um imenso número de seres vivos, a biosfera, cuja espessura máxima não chega a 20 km, é relativamente fina se comparada ao raio de Terra que é de cerca de 6000 km.

Habitat e Nicho Ecológico

O

habitat é o local específico onde o organismo vive e, nicho ecológico é o papel que

o

organismo exerce nesse local. Costuma-se dizer que habitat é o endereço de uma

espécie, enquanto que nicho ecológico é a sua profissão.

Fatores Ecológicos

Todo ser vivo sofre ação de vários fatores do meio ambiente em que vivem. Assim, fator ecológico é todo elemento do meio capaz de agir diretamente sobre os seres vivos, pelo menos em uma fase de seu ciclo vital.

Classificação dos Fatores Ecológicos

Os fatores ecológicos são divididos em fatores abióticos e bióticos. Os fatores abióticos incluem os fatores físicos do ambiente, como clima, luz, temperatura, água, salinidade e condições do solo. Os fatores bióticos compreendem os fatores relacionados aos seres vivos, como a ação do predatismo, parasitismo e competição.

Ação da Luz

A luz é o fator ecológico que permite a existência da vida na Terra. A luz atua pela

intensidade, tipo de radiação, direção e duração. Seu papel ecológico essencial é a

fotossíntese, bem como a indução de ritmos biológicos.

Fotossíntese

É a energia luminosa fornecida pelo Sol às plantas possibilita a fixação do gás

carbônico da atmosfera e a realização da fotossíntese, que significa síntese em presença de luz. Trata-se do processo responsável pela produtividade alimentar dos

ecossistemas.

Temperatura

A temperatura, com exceção da luz é o mais importante dos fatores ecológicos. A

temperatura afeta as reações químicas. É evidente que as reações bioquímicas que

ocorrem nas células são dependentes da temperatura. Muitas reações celulares são catalisadas por enzimas, ajustadas para operarem em temperaturas que variam de 28 a 30ºC. Além disso, a temperatura define o clima de uma determinada região.

Limites de Tolerância

De maneira geral, os organismos só podem viver na faixa de temperatura entre 0ºC e

50ºC que é compatível com uma atividade metabólica normal. Há exceções, como bactérias que vivem em águas termais que atingem 90ºC e, nematóides que já foram

submetidos a -272ºC sem nada sofrerem.

Ação da Água

A água é muito importante como fator ecológico. A água é um componente

fundamental do protoplasma. Na composição química da célula, a proporção de água varia de 70 a 90%. O elevado calor específico da água funciona como regulador térmico dos organismos. A tensão superficial permite o deslocamento de insetos e aracnídeos sobre a superfície da água como se estivessem em terra firme. A agitação das águas provoca a queda da temperatura e o aumento do teor de oxigênio dissolvido. A turbidez da água, devido à presença de partículas em suspensão, reduz a intensidade luminosa e, por conseguinte, diminui a atividade fotossintética, reduzindo a

produtividade alimentar e o teor de oxigênio.

Ação da Salinidade

A salinidade exerce importante papel na distribuição dos seres vivos aquáticos,

especialmente os marinhos. A salinidade relaciona-se com a pressão osmótica, fator responsável pela entrada e saída de água nas células. As espécies capazes de suportar grandes variações de salinidade são chamadas de euri-halinas e habitam, por exemplo, as águas salobras. As esteno-halinas são as espécies adaptadas a uma

concentração salina mais ou menos constante.

Fatores Edáficos

O solo é um meio bastante complexo onde existem seres vivos e numerosos fatores

abióticos influenciando tais como água, granulometria, porosidade, ar, seres vivos e

propriedades físico-químicas, principalmente, pH e salinidade. Os fatores edáficos relacionados ao solo são húmus, lixiviação, erosão e laterização. O húmus é o resultado da decomposição de detritos vegetais, rico em nutrientes, quem mantém a textura e umidade do solo. A lixiviação é a lavagem do solo pela chuva, que por ser

rica em íons hidrogênio substitui os íons cálcio e potássio do solo, tornando-o ácido.

A erosão é a conseqüência da ação do intemperismo nas rochas. A laterização é a

remoção da sílica e enriquecimento do solo em óxidos de ferro e alumínio o que

impede a prática agrícola.

Alimento

Dependendo da quantidade e da qualidade do alimento disponível ocorrem alterações na fecundidade, longevidade, desenvolvimento e mortalidade das espécies. As espécies que suportam regime alimentar variado são chamadas de eurífagas, enquanto que as de hábito alimentar restrito são as estenófagas.

1.2 MEIO FÍSICO

Considerando que o objeto de uma perícia ambiental busca determinar as alterações ocorridas no meio físico, biológico e antrôpico, é de extrema importância o

conhecimento e a características destes meios. O meio físico engloba o solo, a água e

o ar. O meio biológico incluiu os animais e as plantas do ecossistema em análise

enquanto o meio antrôpico está relacionado ao homem e ao patrimônio físico e cultural de uma determinada população. Nesta seção trataremos apenas do meio físico.

- Meio Físico (Litosfera, Hidrosfera, Atmosfera)

A parte sólida da Crosta Terrestre, ou Litosfera, é constituída pelas rochas. A parte

hídrica, constituída pelos mares, lagos e rios, é chamada de Hidrosfera. A parte gasosa é chamada de Atmosfera. Naturalmente sobre este sistema se encontra vida e

os impactos ambientais alteram a estrutura e qualidade.

- LITOSFERA

As rochas que constituem a litosfera são classificadas em três tipos. As ígneas ou magmáticas (solidificação de materiais vulcânicos, granito e basalto), as sedimentares ou estratificadas (material particulado erosivo estratificado, argilas, calcáreo, arenito, folhelhos), e as metamórficas (rochas sedimentares modificadas pelo meio, pressão, temperatura, agentes químicos, mica, mármore).

O intemperismo sofrido pelas rochas da superfície da Terra formam várias camadas.

A camada mais superficial é a que chamamos de solo. É no solo que as plantas fixam

suas raízes. Os solos são compostos por diferentes tipos de rochas, além de uma infinidade de materiais e de seres vivos. Além disso, os componentes do solo podem

variar de região para região.

A areia é um tipo de rocha sedimentar formada por grãos de quartzo e por outros

minerais. Pode ter diversas cores, dependendo do mineral predominante. As cores mais comuns são cinza, amarela e vermelha. A areia é muito permeável à água, deixando-a passar com muita facilidade. Quando um solo possui mais de 70% de areia

é chamado de solo arenoso.

A argila é um tipo de rocha sedimentar. Normalmente apresenta-se nas cores cinza,

preta, amarela ou avermelhada. É muito impermeável não deixando a água passar com

facilidade. Um solo com mais de 30% de argila é chamado de solo argiloso. O solo argiloso é aquele que quando molhado forma uma pasta.

O húmus é formado por restos de animais e de vegetais decompostos. Normalmente é

muito escuro quase preto. O solo que apresenta mais de 10% de húmus é chamado de solo humífero. Para que o húmus se forme é necessária a ação de microorganismos,

como fungos, bactérias e protozoários, sobre os seres mortos.

O calcário é um tipo de rocha sedimentar que também pode constituir os solos. O

calcário é normalmente formado por carbonato de cálcio e apresenta-se nas cores cinza, amarela e até preta. Se a constituição do solo apresentar mais de 30% de

calcário é chamado de solo calcário.

Os solos contêm um pouco de cada um desses materiais. Se forem nas proporções adequadas constituem o solo agrícola. Essa proporções, em geral, são: de 60 a 70%

de

areia, de 20 a 30% de argila, de 10 a 30% de húmus e de 5 a 6% de calcário, além

de

elementos, como potássio, nitratos em pequenas quantidades e outros minerais em

micro quantidades.

Há locais, na desembocadura de rios para o mar, em que o solo sofre a ação das marés, ficando sob a água, durante a maré cheia e exposta, durante a maré baixa. São

os chamados manguezais. Nestes sistemas a vida é intensa. Eles são tão importantes que são chamados de berço da vida dos oceanos.

A formação geológica do subsolo e a composição das rochas influenciam tanto o

movimento da água de infiltração e subterrânea (direção e velocidade de escoamento) quanto na sua configuração. A resistência ao escoamento de fluxos de água ou de outros compostos no solo está associada ao seu coeficiente de permeabilidade, que

descreve a maior ou menor facilidade de passagem de fluído através dos vazios.

A permeabilidade em rocha de igual formação pode ser diferente de um ponto para o outro. Ela pode variar também de acordo com a direção. A Tabela 1 mostra alguns valores típicos do coeficiente de permeabilidade, kf.

Tabela 1 – Valor de kf em função do tipo de solo

Solo

kf (m/s)

Saibro

10 - 1 a 10 - 2

Areia

10 - 3 a 10 - 5

Areia fina (Siltosa, argilosa)

10 - 6 a 10 - 9

Argila

< 10 - 9

Esses valores de coeficiente kf são classificados conforme se segue:

- fortemente permeáveis: > 10 - 4 (m/s);

- permeáveis: 10 - 4 até 10 - 6 (m/s);

- fracamente permeáveis: 10 - 6 até 10 - 9 (m/s) e;

- muito pouco permeáveis: < 10 - 9 (m/s);

- CONTAMINAÇÃO DO LENÇOL FREÁTICO

O

subsolo e a água freática contaminada é um sério risco para a saúde humana,

o

que normalmente não é diretamente reconhecido pelas pessoas atingidas. O

tratamento da água de um sistema aqüífero pode levar centenas de anos e consome grandes quantidades de dinheiro. As principais fontes de contaminação

do solo e do lençol freático são geralmente:

1) Percolação de substâncias concentradas em um local (fonte pontual) de:

- deposições antigas e problemáticas (lixões, lixões não-controlados);

- aterros sanitários impermeáveis;

- poços de drenagem, lagoas de infiltração;

- áreas industriais (depósitos e manuseio indevidos de substâncias tóxicas);

- locais de acidentes ocorridos no transporte de substâncias químicas.

2) Infiltração em forma de linhas de substâncias por:

- infiltração a partir de riachos e rios;

- infiltração de efluentes de tubulações de água danificadas e;

- infiltração da água pluvial nas estradas.

3) Infiltração difusa de substâncias em áreas com a água pluvial por:

- utilização exagerada de agrotóxicos na agricultura;

- utilização indevida de herbicidas e pesticidas e;

- infiltração de substâncias da atmosfera com água pluvial.

4) Infiltração a partir de lagos e lagoas de contenção

- HIDROSFERA

Toda água livre que existe no nosso planeta compõe hidrosfera. Dessa água cerca de 0,001% está na atmosfera, 0,009% está nos lagos, rios e riachos, 0,625% está nas águas de superfície e solo, 2,15% está nas calotas de gelo e geleiras e 97,209% nos mares. Há um outro tanto de água em composição química com minerais, como é o

caso da sílica. Assim, a água disponível para uso é apenas uma pequena parcela de toda água existente no planeta.

A água é tão importante para a vida humana quanto os alimentos. Um indivíduo

precisa de um ou dois litros de água diários para sobreviver. O problema básico não é

a falta de água potável, poucas pessoas morrem de sede. O problema é obter um

fornecimento suficiente de água potável e serviços de saneamento adequados.

Ao contrário do combustível fóssil e do solo, as águas doces são uma fonte renovável. Se forem usadas de forma adequada e cuidadosamente conservadas, o ciclo hidrológico global pode satisfazer as necessidades, atuais e projetadas, em uma base sustentável. Contudo, problemas como o fornecimento de água doce e com a qualidade da água são de importância imediata e fundamental para todos.

O crescimento populacional e as exigências crescentes por energia e alimentos estão

impondo grandes demandas tanto pela quantidade quanto pela qualidade dos suprimentos de água doce. Nos países em desenvolvimento, os problemas com a

poluição e esgotamento da água potável são uma realidade.

- DIMENSÃO QUÍMICA

A água pura é um composto líquido formado por moléculas de oxigênio e hidrogênio.

A água nunca se encontra no estado puro na natureza. Diversos gases, oxigênio,

dióxido de carbono e nitrogênio estão dissolvidos na água. Os sais, como nitratos, cloretos e carbonatos também se encontram em solução. Diversos sólidos, tais como:

pequenos pedaços de matéria animal, poeira e areia encontrados em suspensão na água. Outras substâncias químicas dão cor e gosto à água. Os íons presentes na água conferem o caráter alcalino ou ácido à solução. A temperatura da água varia de acordo

com profundidade e local, influenciando o comportamento químico.

- DIMENSÃO BIOLÓGICA

Dentro dessa complexa mistura existe uma coleção extraordinariamente variada de vida vegetal e animal. Desde o fitoplâncton (vegetais) e zooplâncton (animais) unicelulares até a baleia azul, pode ser encontrado na água. Para quase todas as

espécies de vida fora da água encontram seu correspondente dentro dela. Algumas, particularmente os insetos, podem viver diferentes estágios de vida tanto dentro como fora da água. Cada categoria de biota tem um nicho particular, ou conjunto de condições aquáticas, que lhe é mais adequado para o desenvolvimento.

- USOS DA ÁGUA

Os usos de água podem ser divididos em quatro grandes categorias:

1. Uso físico direto pelo homem e seus animais domésticos. Usamos água para beber, tomar banho, lavar e diversos usos domésticos. Para este caso os padrões são severos. A água deve ser aspecto limpo, pureza de gosto e acima de tudo, estar isenta dos perigosos e debilitantes microorganismos que flagelam as populações urbanas dos séculos precedentes.

2. Uso direto na indústria e agricultura como fator de produção. As indústrias são os maiores consumidores. Elas consomem quase 40% nos processos industriais. Outros 17% estão no item "indústrias e miscelânea" e incluem manufatura, mineração e construção. A irrigação utiliza 33%.

3. Uso psicológico como parte de nosso ambiente estético e cultural. Um belo lago ou rio talvez não tenha serventia especial, mas se houver uma contabilidade econômica, a água tem um valor definido porque o apreciador sente-se tão satisfeito pela visão com acontece com o gosto da comida ou a cor da roupa. O valor não pode ser medido simplesmente em dinheiro.

4. Uso ecológico como componente virtual no sistema de sustentação da vida na Terra. Apesar do vasto volume de água na Terra, que inundaria o solo até uma altura de uns 250 metros se fosse distribuída por igual, o ambiente aquático é biologicamente fraco. Apenas 3% cabem à água doce. No resto, a produção biológica limita-se em primeiro lugar à camada da superfície, especialmente nos estuários. Contudo, todo o volume oceânico funciona como um termostato do calor e dos minérios para o resto do mundo.

- RECURSOS MARINHOS E BIODIVERSIDADE

A atividade humana é responsável por um grande numero de ameaças à rica

diversidade da vida marinha. As causas dos danos ao meio ambientes marinho e costeiro são variadas e complexas, no entanto, todas estão relacionadas à alta concentração humana nas regiões litorâneas. Aproximadamente dois terços da população mundial vivem ao longo dos litorais e dos rios que deságuam nas áreas costeiras. Essa alta concentração de pessoas é responsável por mais da metade dos

prejuízos causados aos recursos marinhos e costeiros.

As causas principais dos danos aos recursos marinhos são a poluição costeira vinda do

continente através do esgoto municipal, lixo industrial, escoamento urbano e rural,

desflorestamento continental, construção e crescimento em áreas litorâneas, lançamento em grande quantidade de resíduos nos oceanos, sedimentos dos esgotos e substâncias nocivas, derramamento de petróleo, plásticos descartáveis e a pesca excessiva pelo uso de métodos agressivos.

Quando comparados com o mar aberto, os ecossistemas costeiros possuem uma fecundidade biológica muito maior. Os estuários e recifes de corais são de 14 a 16 vezes mais férteis do que o mar aberto, os mangues são mais de 20 vezes mais fecundos. A Tabela 2 mostra a fertilidade biológica das áreas marinhas.

Tabela 2 - Fertilidade Biológica de Áreas Marinhas

Tipo de Ecossistema

Média da Fertilidade Líquida *

Mar aberto

57

Regiões de Plataforma Continental

162

Áreas de Nascentes Elevadas

225

Pântanos Salgados

300

Estuários

810

Recifes de Corais e Bancos de Areia

900

Mangues

1.215

* em gramas de carbono por metro cúbico por ano

- ATMOSFERA

Toda a Terra está envolta em ar. Esse espaço nós chamamos de atmosfera. Muitos seres vivos necessitam do ar para respirar. Além disso, o ar é o próprio ambiente em que vivem algumas espécies de seres vivos. A camada de ar que envolve a Terra é como uma casca de maçã, pois metade do seu volume está até 5,5 km de altura da superfície, enquanto que 75% estão até 8,8 km e 99% até 30 km.

A atmosfera (do grego atmós, gás; sphaîra, esfera) da Terra tem espessura estimada

em 800 km. Ela é formada por gases, principalmente, o nitrogênio (78%), o oxigênio (21%) e o argônio (0,9%), e por gases menores, entre eles o vapor de água e o dióxido de enxofre, que totalizam apenas 0,1% do volume do ar atmosférico. Ela também

contém microrganismos e partículas sólidas, como cinzas vulcânicas e poeira.

A atmosfera pode ser dividida conforme a variação da temperatura, da composição

química do ar ou da estrutura eletromagnética (campos elétricos e de atração magnética). Essas camadas são denominadas de troposfera, estratosfera, ionosfera,

ou mesosfera e exosfera ou termosfera.

A emissão de gases na atmosfera existe desde os primórdios da vida na Terra. Os

fenômenos naturais como o vulcanismo, decomposição anaeróbica da matéria orgânica e descargas elétricas de raios, têm a sua contribuição na liberação e na formação dos poluentes atmosféricos. Porém, a evolução da qualidade de vida e o crescimento populacional induziram o aumento da produção industrial e o consumo

energético, acarretando dessa forma no aumento da poluição atmosférica.

A poluição do ar consiste na alteração da composição natural da atmosfera que é

causada pelos poluentes nas formas sólida, líquida ou gasosa e energia. As fontes de poluição do ar podem ser do tipo naturais (atividades vulcânicas, queimadas, maresia)

ou antropogênicas (aquelas que resultam da atividade humana).

Segundo a resolução do CONAMA 03/90, o ar torna-se poluído quando as concentrações de certos compostos ultrapassam valores limite de referência e podem afetar a saúde, a segurança e o bem-estar da população, bem como ocasionar danos à flora e à fauna, aos materiais e ao meio ambiente em geral.

Os principais poluentes atmosféricos são o monóxido de carbono (CO), gás carbônico

(CO 2 ), dióxido de enxofre (SO 2 ), dióxido de nitrogênio (NO 2 ), material particulado

(MP), hidrocarbonetos (HC), sulfeto de hidrogênio (H 2 S), ozônio (O 3 ), dioxinas e furanos, entre outros. Sabe-se ainda que esses poluentes podem ter maior ou menor impacto sobre a qualidade do ar, de acordo com sua concentração na atmosfera e condições metereológicas locais.

A poluição do ar provoca doenças respiratórias (asma, bronquite e enfisema

pulmonar) e desconforto físico (irritação dos olhos, nariz e garganta, dor de cabeça, sensação de cansaço, tosse), agrava doenças as cardiorespiratórias e contribui para o desenvolvimento de câncer pulmonar. Estes problemas apresentam um alto custo social, uma vez que, eles provocam desgastes físicos e emocionais, gastos financeiros

com o tratamento da saúde, perda de horas de trabalho e redução da produtividade.

Os principais problemas causados pela contaminação atmosférica são a degradação da

qualidade do ar; a exposição humana e dos ecossistemas a substâncias tóxicas; os danos à saúde humana, aos ecossistemas e ao patrimônio público; a acidificação das águas e solos; a depleção do ozônio estratosférico e o aquecimento global e alterações

climáticas.

Considerando que o homem é diretamente afetado por tudo que acontece no meio ambiente por fazer parte dele, podemos concluir que se o meio ambiente perece todos perecem. Cada pessoa é produto do meio e a sua vida depende da qualidade da água que bebe, dos alimentos que ingere, do espaço em que vive e do ar que respira. Surge então a necessidade de se preservar e cuidar do meio ambiente. Observa-se que essa responsabilidade do “cuidado” vai além do bairro, da cidade e mesmo do país em que se vive, ele deve ser a conjugação de esforços a nível internacional para se viver o presente e o futuro.

1.3 ENERGIA E MEIO AMBIENTE

A energia constitui o substrato básico do universo e de todos os processos de

transformação, propagação e interação que nele ocorrem. Há uma diversidade de fontes de energia, inferidas da análise desses variados processos. Do ponto de vista

cultural podemos falar em fontes naturais e fontes artificiais de energia.

As fontes naturais são aquelas em que a natureza é o agente produtor de energia. As fontes artificiais de energia são as que incluem a ação do homem, incluindo geradores, turbinas, reatores nucleares e baterias solares. Sob o ponto de vista do referencial humano podemos identificar dois estados básicos da energia: potencial e cinético. O primeiro significa energia armazenada disponível a qualquer instante, como a energia gravitacional das águas represadas. O aspecto cinético ou dinâmico está associada a massa em movimento.

- O HOMEM E A ENERGIA

Os estágios de desenvolvimento do homem desde o homem primitivo até o homem tecnológico de hoje em dia pode ser correlacionado estreitamente com a energia consumida, conforme mostrado a seguir.

O homem primitivo sem o uso do fogo tinha apenas a energia dos alimentos que ele comia (2.000 kcal / dia);

O homem caçador (100.000 anos atrás) tinha mais comida e também queimava madeira para obter calor e para cozinhar;

O homem agrícola primitivo (Mesopotâmia, 5.000 a.C.) semeava e utilizava a energia animal;

O homem agrícola avançado (Noroeste da Europa, em 1.400 d.C.) usava carvão para aquecimento, a força da água, a força do vento e o transporte animal;

O homem industrial (Inglaterra, 1875) tinha a máquina a vapor e;

O homem tecnológico (nos EUA, em 2000) consumia 250.000 kcal / dia.

Começando com o consumo de energia muito baixo de 2.000 kcal por dia, que caracterizava o homem primitivo, o consumo de energia cresceu, em um milhão de anos, para quase 250.000 kcal por dia. Este enorme crescimento da energia per capita consumida só foi possível devido:

Ao aumento do uso do carvão como fonte de calor e potência no século 19;

Ao uso de motores de explosão interna com petróleo e derivados e;

Ao uso de eletricidade gerada em usinas hidrelétricas e termelétricas.

Por outro lado, existe ainda uma enorme diferença entre o consumo per capita dos países industrializados, onde moram 25% da população mundial, e dos países em desenvolvimento, onde vivem os restantes 75%. Os EUA, por exemplo, com 6% da população mundial, consomem 35% da energia mundial.

O consumo médio anual per capita no século XX foi de 75.000 kcal/dia nos países

industrializados e de apenas 9.450 kcal/dia nos países em desenvolvimento. Dentro de alguns países há diferenças enormes no consumo de energia entre os ricos e os pobres.

A Figura 2 ilustra a evolução do homem no uso da energia.

- FONTES DE ENERGIA

A principal causa dos problemas ambientais relacionados ao uso da energia para

alimentação, moradia e comércio, indústria e agricultura, e transporte, é o emprego de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), ou mesmo a lenha. O uso da hidroeletricidade e a energia nuclear também criam problemas. A Tabela 3 mostra as principais fontes de energia utilizada atualmente pelo homem.

Hom em

tecn ológico

Hom em in dustrial

Hom em agrícola avançado

Hom em agrícola prim itivo

Hom em caçado r

Hom em prim itivo

Transporte Ind ústria e agricultu ra M orad ia e co mércio Alim entação 0
Transporte
Ind ústria e agricultu ra
M orad ia e co mércio
Alim entação
0
50
100
150
200
250

Figura 2 – Consumo de energia do homem ao longo da história

Tabela 3 – Fontes de energia, vantagens e desvantagens

FONTE

OBTENÇÃO

 

USOS

VANTAGENS

DESVANTAGENS

ESGOTÁVEL

       
 

Resulta de reações químicas de fósseis, depositados no fundo do mar e no continente.

Produção de

Domínio da tecnologia para sua exploração e refino;

Polui a atmosfera (gás carbônico, enxofre, particulados, óxidos de nitrogênio); colabora para o aumento da temperatura.

Petróleo

energia elétrica; matéria-prima da gasolina, do diesel

e

de produtos,

facilidade de transporte e distribuição.

como plástico, borracha sintética, ceras, tintas, gás e asfalto.

Nuclear

Reatores nucleares produzem energia térmica por fissão de átomos de urânio. Esta energia aciona um gerador elétrico.

Produção de energia elétrica; fabricação de bombas nucleares.

Não emite poluentes que contribuam para o efeito estufa.

Não há tecnologia para tratar lixo nuclear; a construção das usinas é demorada e cara; há riscos de contaminação radioativa.

 

Resulta das transformações químicas de grandes florestas soterradas. Extraído de minas localizadas em bacias sedimentares.

Produção de

Domínio da

Polui a atmosfera (gás carbônico, enxofre, particulados, óxidos de nitrogênio); colabora para o aumento da temperatura.

energia elétrica;

tecnologia para

aquecimento;

seu

Carvão

matéria-prima de

aproveitamento;

Mineral

fertilizantes.

facilidade de

transporte e

distribuição.

 

Ocorre na natureza associado, ou não, ao petróleo. A pressão nas reservas impulsiona o gás para a superfície, onde é coletado em tubulações.

Aquecimento;

Emissão baixa de poluentes; pode ser utilizado nas formas gasosa e

Altos investimentos para o armazenamento e distribuição (gasodutos, navios metaneiros).

combustível para

geração de

Gás Natural

eletricidade,

veículos, caldeiras

e

fornos; matéria-

líquida; existe um grande número de reservas

prima de derivados

 

de petróleo.

RENOVÁVEL

       
 

A energia liberada pela queda de água represada move uma turbina que aciona um gerador elétrico.

Produção de

Não emite

Inundação de grandes áreas e deslocamento da população residente; a construção das usinas é demorada e cara; altos custos de transmissão.

energia elétrica.

poluentes, não

interfere no

Hidrelétrica

efeito estufa.

FONTE

 

OBTENÇÃO

USOS

VANTAGENS

DESVANTAGENS

Eólica

O

movimento dos

Produção de

Grande potencial para geração de energia elétrica; não interfere no efeito estufa; não ocupa áreas de produção de alimentos.

Exige investimentos para transmissão da energia; produz poluição sonora; interfere em transmissões de rádios e TV.

ventos é captado por hélices gigantes ligadas a uma turbina que acionam um gerador elétrico

energia elétrica;

movimentação de

máquinas e

motores.

Solar

Lâminas

Produção de

Não é poluente; não interfere no efeito estufa; não precisa de turbinas ou geradores para a produção de energia elétrica.

Exige altos investimentos para seu aproveitamento.

recobertas com

energia elétrica;

material

aquecimento.

semicondutor,

 

como o silício, são expostas ao sol. A luz excita os elétrons do silício, que geram uma corrente elétrica

Biomassa

A

matéria

Aquecimento; produção de energia elétrica e

Não interfere no efeito estufa (o gás carbônico liberado durante a queima é absorvido depois no ciclo de produção).

Exige altos investimentos para seu aproveitamento.

decomposta em

caldeiras ou

biodigestores, O

   

processo gera gás e vapor, que acionam uma turbina e movem um gerador

de biogás (metano).

elétrico

 

1.4 RECURSOS RENOVÁVEIS E ESGOTÁVEIS

As principais fontes de recursos, utilizadas para satisfazerem às necessidades humanas, dividem-se em recursos esgotáveis e recursos renováveis.

Os recursos esgotáveis são aqueles que, uma vez consumidos, não há como serem repostos, uma vez que levaram milhões de anos para se formarem, como é o caso dos combustíveis fósseis - petróleo e carvão mineral. Outros recursos esgotáveis, usados para geração de energia, são os minerais físseis, usados em usinas nucleares. Os recursos renováveis são aqueles que constantemente a natureza está repondo, como é o caso de madeiras, carvão vegetal, extratos vegetais - óleos, açúcar, álcoois, entre outros. Outros recursos, chamados renováveis, são aqueles disponíveis na natureza, como a luz solar, a força das marés, a força dos ventos e a geotermia.

- RECURSOS ESGOTÁVEIS

PETRÓLEO

Em períodos geológicos distantes, restos de animais e vegetais depositaram-se no fundo de mares e lagos que sob ação de intensa sedimentação, calor e pressão transformaram-se me petróleo, encontrado no estado líquido (óleo), gasoso (gás natural) e sólido (betume). A importância do petróleo é tão inquestionável em nosso tempo que alguns mais exagerados o denominam ouro negro dos tempos modernos. Sem dúvida percorrer 400, 500 e até 600 km sem necessidade de reabastecer o automóvel, ou percorrer milhares de quilômetros sem necessidade de reabastecer a aeronave é uma grande conquista da humanidade. A grande portabilidade dessa forma líquida de energia é que permitiu o enorme progresso industrial que tivemos e estamos tendo nestas últimas décadas. Por outro lado, em todas as fases do uso do petróleo e de seus derivados existem pontos de contaminação do meio ambiente.

- OUTRAS FONTES ESGOTÁVEIS

As outras fontes de energia esgotável, como carvão e usinas termonucleares, gerando cerca de 10% do total de energia elétrica do país, são de pequena monta. Tanto a queima do carvão, seja para uso siderúrgico, como em termelétricas, sempre geram poluição atmosférica. O carvão mineral é um combustível fóssil originado do soterramento de antigas florestas em ambientes aquático ou subaquático, com pouco oxigênio, durante o período Paleozóico. As reservas brasileiras, além de pequenas, são de baixa qualidade, com pouco poder calorífico e alto teor de cinzas, o que historicamente dificultou seu aproveitamento como fonte de energia no país. Já o combustível nuclear tem pontos de poluição desde a sua mineração, assim como no seu transporte, processamento e refino, no seu uso em usinas nucleares e na sua disposição final, como lixo radiativo.

- RECURSOS RENOVÁVEIS

A geração de energia elétrica no Brasil está associada às Usinas Hidrelétricas, porque cerca de 90% dela é gerada dessa maneira. Nosso país é rico em rios e possui um clima caracterizado por altos índices pluviométrico. Os principais desníveis e quedas

têm um potencial hidráulico estimado em 209 milhões de KW, sem considerar as pequenas quedas que, incorporadas, poderiam produzir muito mais. A bacia do Paraná possui a maior potência instalada, pois cerca de 70% de seu potencial já é aproveitado hoje. Nela está instalada a maior Usina Hidrelétrica do mundo, ITAIPU, que significa “a pedra que canta”. ITAIPU foi projetada para gerar 12,6 milhões de KW em 18 turbinas de 700 mil KW cada.

- PROBLEMAS NA GERAÇÃO HIDRELÉTRICA

As Usinas Hidrelétricas não poluem e a energia elétrica é uma forma “limpa” de energia. Do ponto de vista financeiro, usar água como fonte de energia é, aparentemente, um bom negócio. Um dos principais problemas nesta forma de geração de energia é que os locais onde se pode instalar uma usina geradora, normalmente ficam longe de um grande centro consumidor. Nestes casos a energia tem que ser gerada em um local e transportada por linhas até os centros de consumo. Essa distribuição desperdiça muita energia, ou seja, de todo potencial de geração, parte significativa é consumida em perdas no transporte. Um problema mais sério, do ponto de vista ecológico, é a inundação de grandes áreas, com o desaparecimento de terras férteis e de florestas com todos os seus componentes.

ÁLCOOL ETÍLICO

Uma fonte alternativa de combustível líquido é o álcool etílico obtido da fermentação da cana-de-açúcar. Outros vegetais também podem fornecer o açúcar necessário para a fermentação, como é o caso da mandioca e da batata. As imensas áreas passíveis de produção influíram logicamente para a escolha desta alternativa energética. O álcool é um combustível melhor do ponto de vista ecológico por gerar menos poluentes quando queimado no motor à explosão, uma vez que, o gás carbônico gerado do álcool já está computado no ciclo biogeoquímico, enquanto que o da gasolina não.

- OUTRAS FONTES RENOVÁVEIS

Outras fontes de energia renováveis, como eólica, solar, geotérmica, de biomassa e de marés, são muito pouco expressivas, principalmente devido ao alto custo de geração, ou de aproveitamento Uma das mais difundidas é a energia solar que pode ser usada

como fonte de calor e para geração de energia fotovoltáica. O aproveitamento da energia solar como fonte energética tem suas aplicações em aquecimento de água, de residências, de estufas, ou refrigeração.

A energia eólica é aproveitada em pequena escala tanto como força motriz para

bombas (normalmente de água de poço ou nas salinas) como para geração de energia elétrica, quando o cata-vento é acoplado a um gerador. Os problemas de ruído podem ser contornados, com a implantação em áreas afastadas, mas os custos de implantação

ainda não foram devidamente equacionados.

O calor da região abaixo da Crosta Terrestre (manto) pode ser aproveitado tanto para aquecimento direto, como para aquecimento de água com geração de vapor, com o qual se pode movimentar turbo-geradores para produzir energia elétrica. Para ser eficiente o sistema necessita operar com altas temperaturas, presentes somente em grandes profundidades. O custo de perfurar e manter esses sistemas profundos ainda está inviabilizando o uso dessa forma de energia.

O movimento das ondas, provocado pelos ventos, e o movimento das marés,

provocado pela posição da Lua, pode ser aproveitado transformando o sobe e desce de uma bóia, acoplada a um braço, em energia motora, com a qual se pode movimentar equipamentos, diretamente, ou geradores de energia elétrica. O custo das instalações, somado ao custo dos equipamentos especiais, para suportar a agressividade do ambiente marinho, e aliados à baixa amplitude das ondas e o grande período entre as marés, são fatores que ainda limitam a aplicabilidade do aproveitamento desta forma

de energia renovável.

Uma outra fonte de energia renovável está associada à biomassa. A biomassa é constituída de restos, de vegetais, de animais, de estrume, etc. O processamento da biomassa gera um gás combustível e a biomassa processada é um excelente adubo. É uma fonte de energia que tem crescido ultimamente, com a instalação de biodigestores nas cidades, para tratamento do lixo doméstico.

Nas pequenas comunidades, ou fazendas, onde há dificuldade na instalação de rede elétrica, é uma alternativa bastante viável. Sob a ação de microorganismos, a biomassa fermenta, gerando gás rico em metano, gás carbônico e água. Se o teor de

gás carbônico for alto, o gás tem baixo poder calorífico, o que ocorre normalmente. Por isso não tem sido uma alternativa energética muito interessante.

1.5 ANÁLISE DO CICLO DE VIDA DE PRODUTOS

As novas técnicas de industrialização desenvolvidas nos últimos anos, juntamente com o aumento populacional e de consumo, têm provocado a elevação da demanda mundial dos recursos naturais com conseqüente aumento na quantidade de descarte de resíduos pós-consumo, dificultando sua destinação final.

Neste contexto, a Análise do Ciclo de Vida (ACV) dos produtos surge como uma opção real para a indústria e para a sociedade. A Análise do Ciclo de Vida de um produto estuda a complexa interação entre um produto e o meio ambiente, e permite a avaliação dos aspectos e impactos ambientais potenciais associados a fabricação de um produto.

ACV compreende o estudo das etapas que vão desde a retirada das matérias-primas elementares da natureza, que entram no sistema produtivo (berço), passando por todas as etapas produtivas industriais e de consumo até a disposição do produto final quando se encerra sua vida útil (túmulo). Esta análise é conhecida como from graddle to grave ou do berço à sepultura.

Para se descrever o processo se faz necessário a realização de balanços de massa e energia, calculando-se automaticamente a geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e as emissões atmosféricas. Com esta técnica é possível também avaliar e tomar decisões gerenciais de forma a contribuir para a melhoria e conservação do meio-ambiente.

A análise do ciclo de vida de um produto apresenta inúmeras vantagens, entre as quais podemos citar a otimização dos produtos do ponto de vista ambiental, aquisição de informações do processo de produção e o melhor entendimento dos aspectos ambientais ligados ao processo produtivo. Além disso, a ACV é útil para a tomada de decisões e para a seleção de indicadores ambientais relevantes na avaliação de projetos e processos, servindo como suporte em decisões de fabricação na indústria.

ACV contribui para a diminuição dos resíduos devido à redução do uso de energia e de materiais, sendo também útil como ferramenta de marketing para a obtenção de declarações e rótulos ambientais de produtos “amigos” do meio ambiente. Por esses motivos, os fabricantes têm dado cada vez mais atenção às propriedades ambientais de seus produtos como um meio de diferenciá-los e aumentar a fatia de mercado das empresas.

As principais fases da Análise do Ciclo de Vida de um produto são a definição de objetivo e escopo, análise do inventário, avaliação de impacto, interpretação e revisão crítica. Uma descrição mais detalhada da técnica é apresentada em um artigo técnico em anexo.

2. DIREITO AMBIENTAL

Nesta seção serão abordados os temas relacionados a doutrina do Direito Ambiental englobando a Legislação Brasileira, os Órgão e suas Competências Legais na questão ambientais, os princípios, leis e normas que norteiam a legislação ambiental, a lei da ação civil pública e questões relativas a perícia ambiental propriamente dita.

Considerando o objetivo deste curso, não se pretende nesta seção detalhar e esgotar por completo este tema. Pretende-se apresentar de forma resumida as principais fontes

e informações básicas necessárias para a condução de uma perícia ambiental. Nos

anexos desta apostila encontram-se as principais leis, resoluções e normas abordadas

neste trabalho.

2.1 LEGISLAÇÃO NACIONAL

Didaticamente podemos dividir o estudo do Direito em duas grandes áreas: o público

e o privado. Naquele tratamos de uma gama de direitos comuns aos cidadãos

enquanto este trata dos direitos particulares do cidadão. No direito privado a

propriedade é o principal instituto. No direito público o bem estar comum.

O Direito Ambiental por sua vez caracteriza-se por pertencer a uma pluralidade de

sujeitos não identificáveis, mas que pode ser exercido a qualquer tempo. Acima de

qualquer interesse está o da sociedade. É o que chamamos de Direito Difuso.

O Direito existe pelo homem e para o homem. Desta forma, todo o disciplinamento

intentado pelo legislador no âmbito de resguardar recursos naturais, vivos ou não, deve ser feito, através da lente da equidade social. Enfim, é preciso que saibamos os diversos aspectos, ou os vários sentidos, em que se fala de Direito Ambiental. Um dos aspectos é o do meio ambiente propriamente dito, isto é, dos recursos naturais

existentes (ar, água, flora, fauna, etc.).

Outro aspecto é o do ambiente criado pelo homem, isto é, o ambiente eminentemente humano tais como praças, ruas, edifícios, obras, etc. Por último o ambiente do trabalho, onde aspectos relacionados como iluminação, ventilação, ruídos,

temperatura,

Ambiental como:

dentre

outros

são

importantes.

Assim,

pode-se

conceituar

Direito

Conjunto de princípios, institutos e normas sistematizadas para disciplinar o comportamento humano, objetivando proteger o meio ambiente”.

- PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Admitir-se que existe um Direito Ambiental exige, no mínimo, que se conceitue os princípios norteadores da aplicação da legislação ambiental.

a) Princípio da Prevenção ou Precaução: Este é o maior e mais importante

ordenamento jurídico ambiental, considerando que a prevenção é o grande objetivo de todas as normas ambientais, uma vez que, desequilibrado o meio ambiente a reparação é na maior parte das vezes uma tarefa difícil e dispendiosa. Os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (Licenciamento, EIA, zoneamento) estão

fundados nesse princípio.

b) Princípio da Cooperação: Significa dizer que todos, o Estado e a Sociedade,

através de seus organismos, devem colaborar para a implementação da legislação ambiental, pois não é só papel do governo ou das autoridades, mas de cada um e de

todos nós.

c) Princípio da Publicidade e da Participação Popular: Importa afirmar que não se admite segredos em questões ambientais, pois afetam a vida de todos. Tudo deve ser feito, principalmente pelo Poder Público, com a maior transparência possível, e de modo a permitir a participação na discussão dos projetos e problemas dos cidadãos de um modo geral.

d) Princípio do Poluidor-pagador: Apesar de um princípio lógico, pois quem

estraga deve consertar, infelizmente ainda não é bem aceito na prática, ficando para o

Estado esta obrigação de recuperar e para a sociedade o prejuízo, e para o mal empreendedor somente o lucro.

e) Princípio In dúbio pro natura: É uma regra fundamental da legislação ambiental, que leva para a preponderância do interesse maior da sociedade em detrimento do interesse individual e menor do empreendedor ou de um dado projeto.

- MEIO AMBIENTE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A Constituição de um país á a sua Lei Maior. O Direito Ambiental que integra o

Sistema Jurídico Nacional se apóia na Carta Magna. O Legislador Constituinte de 1988 dedicou especial atenção ao tema, reservando um capítulo da constituição, para tratar do meio ambiente. O Capítulo VI do Título VIII, no art. 225, cuja transcrição

é obrigatória diz:

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”

O termo Todos significa que qualquer pessoa é sujeito de direitos relacionados ao

meio ambiente. Na linguagem jurídica o bem de uso comum abrange todos os bens

(tudo que possa ser valorado) que não pertencem a ninguém especificamente, entretanto, que possam ser utilizados por qualquer um, a qualquer tempo, sem qualquer ônus (como por exemplo: água, ar, luz solar, etc).

O sentido da qualidade de vida é amplo e abrange todos os aspectos da vida humana,

tais como transporte coletivo, segurança pública, comunicações, hospitalais, lazer, habitação, enfim, tudo o que possa conduzir a um nível de bem estar do cidadão. A responsabilidade pelo meio ambiente ecologicamente equilibrado não está restrita ao Poder Público constituído (seja Federal, Estadual ou Municipal). O termo preservar

para gerações futuras está associado ao desenvolvimento sustentável.

Tabela 4 – Análise comentada dos parágrafos e incisos do art. 225 da Magna Carta

Parágrafo / Inciso

Comentário

 

1º / 1º (preservar e restaurar processos ecológicos)

Trata do manejo ecológico, que está regulado no Decreto n o 1.282/94. Procedimento para conservar os recursos naturais, conservar a estrutura da floresta e suas funções, manutenção da diversidade biológica e desenvolvimento sócio – ecológico.

1º / 2º

Trata da preservação. 1) a preservação realizada por qualquer uma das três maneiras possíveis: in situ, preservando-se o ecossistema

(preservar patrimônio genético)

qual se encontra seu meio natural; ex situ, preservando-se parte do organismo, como sementes, sêmen, outros, e; ex situ preservando-se o organismo inteiro em ambientes artificiais em zoológicos, jardim botânico, aquário, outros. 2) É permitida a manipulação de material genético, desde que desta manipulação resulte um aprimoramento na qualidade de vida. A lei que trata deste assunto é a de n o 8.974/95.

no

1º / 3º (Unidades de Conservação)

No inciso terceiro encontramos referência as unidades de conservação tais como: APA, ARIE, AIET, reserva, parques, dentre outras. Cada uma destas unidades tem um regime próprio com limitações de uso, zoneamento, objetivo e características próprias.

 

No

inciso quarto, a necessidade de elaboração do EIA/RIMA. A

lei

que disciplina este inciso é a de n o 6.803/80, modificada pela

1º / 4º (Elaborar EIA/RIMA)

Lei n o 6.938/81 e Resolução 001/86 do CONAMA que lhe fixou suas diretrizes gerais. O Estudo é realizado por equipe multidisciplinar e, apresentado em audiência pública para aprovação popular via RIMA.

 

O

inciso quinto abrange tanto a poluição do ar (pelas suas mais

1º / 5º (Poluição do Meio Físico)

diversas formas), quanto a da água (rios e mar principalmente) e

do

solo (através dos agrotóxicos e biocidas por exemplo). Existe

farta legislação para controlar emissões, bem como multas, penas, etc.

 

A

educação ambiental está prevista no inciso sexto, deve ter

1º / 6º (Educação Ambiental)

como principais características interdisciplinaridade, tratamento sistêmico, mudança filosófica de comportamento (atitude), pesquisa e a discussão do desenvolvimento sustentável em termos econômicos.

 

A

proteção à fauna e à flora, do inciso sétimo, é realizada através

1º / 7º (Proteção a Fauna e Flora)

de

legislação tais como: Código de Pesca, da Caça e Florestal.

Além de muitos dispositivos dispersos nos Códigos Civil e Penal, além da Lei das Contravenções Penais e em Resoluções e Portarias Administrativas com cunho federal. Em 1998 foi sancionada a Lei

 

n o 9.605 que trata dos Crimes Ambientais.

 

O

Código

de

Minas

regulamenta

o

disposto

no

parágrafo

(Recursos Minerais)

segundo que versa sobre os recursos minerais.

 
 

As

pessoas físicas e jurídicas têm responsabilidades civil, penal e

administrativa nas ações lesivas ao meio ambiente, conforme disciplina o parágrafo terceiro. Cabe ressaltar que estamos nos referindo à responsabilidade objetiva, isto é, não é necessária a prova de dolo ou culpa. Basta que se prove o dano. A responsabilidade pode ser cumulativa, isto é, o causador do dano

(Responsabilidade

Objetiva)

 

pode receber sanções penal, civil e administrativa.

O parágrafo quarto trata da Floresta Amazônica Brasileira, da Mata Atlântica, da Serra do Mar, do Pantanal Mato–grossense e da Zona Costeira.

(Florestas)

Trata da indisponibilidade das terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados para a proteção dos ecossistemas.

(Terra Devolutas)

Localização definida em lei federal para a sua instalação.

(Usinas Nucleares)

- POLÍTICA NACIONAL DE MEIO AMBIENTE (PNMA)

O mais importante diploma legal brasileiro na área ambiental é sem dúvida a Lei n o 6.938/81 com regulamentação no Decreto n o 99.274/90. Essa lei materializa a tradução jurídica da Política Nacional do Meio Ambiente.

Esta Lei traz como objetivo principal à preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental, e dá como parâmetros o desenvolvimento sócio – econômico, a segurança nacional e a dignidade da vida humana. Os princípios adotados são o equilíbrio ecológico, racionalização de uso dos recursos, a proteção dos ecossistemas, zoneamento, incentivos, educação, etc. A responsabilidade civil objetiva no campo do dano ambiental é estabelecida por essa Lei, que prevê as sanções administrativas aplicáveis pelos órgãos de controle e fiscalização ambiental locais.

A organização do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) foi traçada nesta Lei com os órgãos superiores (Conselho de Governo); órgãos consultivo e deliberativo (CONAMA); órgão central (Ministério do Meio Ambiente); órgão executor (IBAMA); órgãos setoriais (federais); órgãos seccionais (estaduais) e locais (municipais).

Os instrumentos de proteção ambiental também têm sua origem nesta Lei. Os principais são o Licenciamento Ambiental, o Zoneamento e o Estudo de Avaliação de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Outros instrumentos são o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental por Câmara Técnica do CONAMA e fiscalizada pelo IBAMA, o estabelecimento de unidades de conservação (APA, parques, etc.), o cadastro técnico de atividades de defesa e potencialmente poluidores e as sanções tais

como multa, perda ou restrição de incentivos ou benefícios, a suspensão de atividades, entre outras.

2.2 ÓRGÃOS E COMPETÊNCIAS LEGAIS

A Constituição Federal de 1988 alterou a competências ambientais, descentralizando a

competência para legislar sobre o meio ambiente, que antes era concentrada na União. Conforme consta no Art. 22 da Constituição, a competência privativa da União fica restrita às matérias que tratam das águas, energia, navegação fluvial, lacustre e

marítima, aérea e aeroespacial, trânsito e transporte, recursos minerais e metalurgia, populações indígenas e atividades nucleares.

Atualmente, tem-se a competência concorrente em matéria ambiental conforme consta no Art. 24 da Constituição Federal. Portanto, cada Estado da Federação tem competência legislativa concorrente com a União para fazer leis em matéria Ambiental. Cabe salientar que o princípio da hierarquia das leis deve ser respeitado.

O município também é um ente da Federação e pode legislar em matérias ambientais

de interesse local, podendo ser mais restritiva, e suplementando a legislação federal e

estadual. O Art. 30 da Constituição trata da competência municipal para legislar as matérias ambientais de interesse local. A Tabela 5 mostra a competência e atribuição dos órgãos ambientais no país. A Tabela 6 mostra a competência legislativa, político administrativa de cada ente da União em relação às matérias ambientais.

Tabela 5 – Competência dos órgãos que tratam das questões ambientais

ENTE DA

ÓRGÃO ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL

ÓRGÃO DO PODER JUDICIÁRIO, DE POLÍCIA CIVIL, MILITAR E AMBIENTAL

 

FEDERAÇÃO

MINISTÉRIO

PÚBLICO

     

Ministério Público

Ministério do Meio Ambiente (MMA)

Justiça Federal

Federal

Polícia Federal

(Procuradores. Matérias: índios, águas federais e subterrâneas, energia nuclear, praias, parques nacionais e fauna

UNIÃO

SISNAMA

CONAMA

IBAMA

 

Conselho Estadual de Meio Ambiente

Justiça Estadual

Ministério Público

Polícia Judiciária

dos Estados

ESTADO

Secretarias de M.A.

Polícia Militar

(Promotores de

Órgãos Ambientais (CETESB, FEMA)

Polícia Florestal

Justiça). Matérias:

Todas que não é interesse da União

 

Conselho Municipal de Meio Ambiente

Guarda

 

MUNICÍPIOS

Municipal

Secretaria Municipal de Meio Ambiente

Tabela 6 – Competência Legislativa e Político Administrativa

ENTE DA

COMPETÊNCIA

COMPETÊNCIA

DIVISÃO DA

FEDERAÇÃO

LEGISLATIVA

ADMINISTRATIVA

ATRIBUIÇÃO

(ATUAÇÃO

POR MATÉRIA

AMBIENTAL)

DEFINIDA

 

PRIMITIVA (União)

COMUM

Caça (animais)

Monopólio: Águas, energia, crimes, recursos minerais, questões indígenas (Congresso Nacional), Art. 22 da Constituição

- Poder de Polícia

Energia nuclear

- Multar

Agrotóxicos

- Licenciar

Águas

- Fiscalizar

UNIÃO

- Embargar

- Interditar

Mineração

Garimpo

Lixo

 

Unidade de

CONCORRENTE

Art. 23 Constituição Federal. Incisos III, IV, VI, VII, XI

(União + Estados) Estabelece normas gerais. (Congresso Nacional),

Conservação

Florestas

   

COMUM

Águas Internas

CONCORRENTE

- Poder de Polícia

Solo Agrícola

Assembléia Legislativa Art. 24 da Constituição

- Multar

Erosão

- Licencias

Lixo

ESTADO

 

- Fiscalizar

Floresta

- Embargar

- Interditar

Art. 23 Constituição

   

COMUM

Zoneamento

SUPLEMENTAR

- Poder de Polícia

Urbano

Interesse Local, Plano Diretor, (Câmara Municipal), Art. 30, II da Constituição

- Multar

Plano Diretor

- Licencias

Distrito Industrial

MUNICÍPIO

- Fiscalizar

Parcelamento do

- Embargar

Solo Urbano

- Interditar

Poluição Sonora

 

Edificação

Art. 23 Constituição

Trânsito

Lixo

- ESFERAS DE RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

São três esferas independentes de responsabilidade ou responsabilização ambiental:

Administrativa, Civil e Penal.

Via de regra, a primeira sanção que o infrator da legislação ambiental recebe é a administrativa, aplicada pelos agentes dos órgão ambientais no exercício do poder de polícia, variando desde uma simples multa até a suspensão parcial ou total da atividade lesiva ou demolição da obra. Nesta esfera de responsabilidade ambiental o Poder Público age por iniciativa própria ou mediante denúncia da sociedade.

O poder de polícia visa garantir a segurança e a integridade ambiental, e pode ser exercida pelas três esferas do governo: federal, estadual e municipal, através dos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA).

O Decreto N o 3.179 de 21/09/1999 especificou e sistematizou a infração

administrativa ambiental classificando-as pelo bem ambiental atingido, além de unificar o referencial de valor das multas em Real, que pode ir de R$ 50,00 (cinqüenta reais) a R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais). Cabe lembrar que os valores arrecadados pelos órgãos ambientais da União em pagamento às multas

por infração ambiental são revertidos ao Fundo Nacional de Meio Ambiente.

A segunda sanção que o infrator da legislação ambiental recebe é a de

responsabilidade civil. Neste campo a Lei N o 6938/81 representou uma grande novidade, até hoje de suma importância para a eficácia da aplicação da legislação ambiental: a responsabilidade objetiva ou, em outras palavras, a dispensa da culpa

para caracterizar a obrigação de indenizar. Outra lei que se aplicam nesta esfera é a

Lei da Ação Civil Pública, Lei N o 7347/85, e o seu art. 8º que trata do Inquérito Civil

Público, que será apresentada em maiores detalhes adiante.

Finalmente, a responsabilização penal e administrativa das pessoas física e jurídica que agridem o meio ambiente pode ser atribuída pela nova Lei de Crimes Ambientais, Lei N o 9.605 de 12 de fevereiro de 1998. A Lei nova, além de definir crimes ambientais, apresenta alternativas à pena privativa de liberdade e prevê a não

aplicação da pena, desde que o infrator recupere o dano, ou de outra forma, pague seu débito para com a sociedade.

Quanto à responsabilidade penal da pessoa jurídica, a Lei de Crimes Ambientais não exclui a responsabilidade penal das pessoas físicas associadas que sejam autoras, co- autoras ou participem do mesmo fato. O art. 7º da nova Lei permite ainda substituir penas de prisão até 04 (quatro) anos por penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade. Observa-se que os produtos e instrumentos apreendidos com o infrator podem ser doados, destruídos ou vendidos.

2.3 LEIS E NORMAS AMBIENTAIS

As principais leis sobre questões ambientais decorrentes da Política Nacional de Meio Ambiente são apresentadas abaixo de forma resumida.

- FLORA

A Lei n o 4.771/65, ou o Código Florestal define dois tipos de florestas de preservação permanente: a) por força de lei e, b) por disposição do Poder Público. Neste sentido o Decreto n o 1.282/94 também traz regras claras com respeito a exploração de florestas, manejo florestal sustentável, princípios e fundamentos técnicos para o manejo, confere ao IBAMA competência para definir áreas de exploração de madeiras, o corte raso na Amazônia para projetos sociais e de desenvolvimento, a reserva legal (50%) e a reposição florestal.

- FAUNA

Em relação à fauna, a Lei n o 5.197/67, trata deste assunto. Os animais são patrimônio nacional, proíbe a caça profissional e veda o comércio de animais. O Código de Pesca, Decreto – Lei n o 221/67, pretende disciplinar cuidados acerca dos animais aquáticos, pesca, suas modalidades, sanções, cuidados, entre outros.

- AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Em 1985 surge, com a Lei n o 7.347/85, um dos instrumentos de proteção ambiental mais eficazes, a Ação Civil Pública, instrumento jurisdicional importante do qual

pode o cidadão fazer uso quando se sentir prejudicado. Esta Lei será tratada com maiores detalhes na seqüência.

- REGRAS RELATIVAS À BIODIVERSIDADE

Em relação a biossegurança e às regras para manipulação genética segura, surge em 1995, para disciplinar o dispositivo constitucional a Lei n o 8.974/95, regulada pelo Decreto n o 1.752/95. Todas as regras e técnicas de engenharia genética para instituições no tocante à manipulação genética e liberação no ambiente de organismos geneticamente modificados estão aqui apresentadas. Atualmente, transita no Congresso o Projeto de Lei 2401/03 (Lei da Biossegurança) que trata do plantio e comercialização de sementes trangênicas.

- LEI DE PATENTES

Uma lei polêmica foi a de n o 9.279/96 que trata da propriedade intelectual, ou lei de patentes. Ela se aplica tanto para produtos quanto para processos ou modelos de utilidade. Proíbe o patenteamento de animais ou vegetais, autorizando apenas aos microorganismos transgênicos se cumpridos os requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Internacionalmente os EUA, Japão, México, Austrália, Canadá, Coréia do Sul, Panamá, Chile, Tailândia e Indonésia concedem direitos de propriedade intelectual por patenteamento para plantas, animais e microorganismos transgênicos e seqüências específicas de DNA. Na esteia da lei de patentes veio a Lei n o 9.456/97, a lei de cultivares (plantas advindas de melhoramento genético) e propriedade industrial.

- CRIMES AMBIENTAIS

Finalmente, a Lei n o 9.605/98 – a lei de crimes ambientais ressaltou alguns aspectos importantes: a) o crime ocorre por ação ou omissão; b) a responsabilidade é pessoal (física) e também jurídica; c) sanções alternativas; d) o funcionário público responde na medida do dano (co-responsabilidade por omissão). Além de reafirmar outras: a) sanções; b) agravantes e atenuantes; c) os crimes em espécie; d) o cálculo das multas.

- OUTRAS LEIS E NORMAS TÉCNICAS

Na realização de perícias ambientais é necessário observar o cumprimento da legislação básica aplicável e das normas técnicas ao caso concreto em análise. As principais usualmente empregadas são:

a) Água: Decreto n o 23.777/34 – indústria açucareira Lei n o 7.661/88 – gerenciamento costeiro Lei n o 7.754/98 – florestas em nascentes de rios Lei n o 9.433/97 – Política Nacional de Recursos Hídricos Resolução n o 357/05 – CONAMA

b) Ar:

Decreto – Lei n o 1.413/75 – poluição por atividades industriais Lei n o 6.803/80 – zoneamento industrial Portaria n o 231/76 Resolução n o 03/90 – CONAMA Resolução n o 06/93 – CONAMA Resolução n o 18/86 – CONAMA

c) Camada de Ozônio: Decreto n o 2.679/98 Decreto n o 2.699/98

d) Solo: Lei n o 5.318/67 Lei n o 6.766/79

Internacionalmente as regras para o gerenciamento ambiental no setor produtivo estão organizadas pela ISO série 14.000. Um sistema de normatização ou padronização de produção tendo em vista a proteção ambiental. As principais regras compreendidas por este sistema são:

14.001

– Gerenciamento Ambiental – Orientação de Uso

14.004

– Gerenciamento Ambiental – Princípios, sistemas e técnicas de apoio

14.010

– Auditoria Ambiental – Princípios

14.011/1 – Auditoria Sistemática Ambiental no SGA

14.012

– Auditoria Ambiental – Qualificação para auditores ambientais

14.013

– Gerenciamento de Programas para AA

14.015

– Avaliação Ambiental das Instalações

14.021

– Rotulagem Ambiental definições

14.022

– Rotulagem Ambiental – Símbolos

14.023

– Rotulagem Ambiental – Testes e Verificação (métodos)

14.024

- Rotulagem Ambiental – Princípios de orientação e procedimentos

14.025

– Metas e princípios de rotulagem

14.031

– Avaliação de desempenho ambiental do SGA – relação ambiental

14.040

– Avaliação do Ciclo de Vida – Princípios e Orientação

14.041

– Avaliação do Ciclo de Vida – Análise do inventário

14.042

– Avaliação do Ciclo de Vida – Impactos

14.050

– Termos e definições

14.060

– Inclusão de aspectos ambientais em normas de produtos

2.4 AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Um grande avanço, sem dúvida, foi o advento da chamada Lei de Ação Civil Pública – Lei N o 7.347 de 1985, que atribui legitimidade ao Ministério Público e as Entidades Civis (ONG’s) para ajuizar ações contra os infratores da legislação ambiental e de outros direitos e interesses chamados difusos e coletivos.

Antes da Lei 7347/85 se uma empresa estivesse, por exemplo, poluindo o ar, somente os vizinhos - confrontantes poderiam pensar em promover uma ação. Hoje a sociedade tem o poder de ação, através do Ministério Público ou de alguma associação criada para o fim de proteger o meio ambiente.

Esta lei tem como objetivo principal disciplinar a Ação Civil Pública de Responsabilidade por Danos Causados ao Meio Ambiente, ao Consumidor, a Bens de Direito de Valor Artístico, Estético, Histórico, Turístico e Paisagístico. Inovação que também merece destaque é a instituição do Inquérito Civil Público, previsto no art. 8º, da Lei 7347/85, que pode ser instaurado pelo Ministério Público para apuração e investigação de qualquer denúncia relativa a ofensa à direitos e interesses difusos e coletivos, como é o caso da lesão ambiental.

O Inquérito Civil Público é sempre presidido por um promotor de justiça, e para tanto

pode requisitar informações e documentos de qualquer entidade pública e privada, assim como notificar pessoas físicas ou jurídicas para prestarem declarações sobre fatos de que tenham conhecimento. O referido instrumento, de natureza inquisitória, serve como base para o ajuizamento da Ação Civil Pública ou de outras medidas

judiciais cabíveis para a prevenção ou reparação do dano ambiental.

2.5 PERÍCIA AMBIENTAL

Desde a instituição dos diplomas legais acima citados e com o advento da Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), os tribunais dão conta de inúmeros processos movidos pela coletividade, pelo Ministério Público, pelo Estado ou pelo particular no exercício da proteção aos direitos individuais e coletivos na esfera do meio ambiente.

O dano ou a ameaça ao meio ambiente é o objeto principal destas lides.

Nas ações judiciais sobre o meio ambiente que se destaca a Perícia Ambiental. Prevista no Código de Processo Civil (artigos 420 a 439 da Seção VII, Cap. VI – Das Provas), a prova pericial é solicitada sempre que, na averiguação da verdade dos fatos, faz-se necessária a atuação de profissionais com conhecimentos técnico-científicos especializados. Na área ambiental as informações e documentos não bastam para elucidar a lide, muitas vezes a averiguação da existência do fato danoso e dos efeitos prejudiciais depende de prova eminentemente técnica que somente pode ser produzida por profissionais especializados na área, é neste momento que se faz necessário a perícia ambiental.

A atividade pericial em meio ambiente é regida pelo Código de Processo Civil, bem

como as demais modalidades de perícias. E, em razão da especificidade das questões ambientais, esta atividade deve ser amparada na Legislação Ambiental vigente no

âmbito Federal, Estadual e Municipal.

- PERITO E ASSISTENTE TÉCNICO

A Perícia Ambiental tornou-se, assim, uma área técnica específica de atuação profissional. O objetivo da perícia é esclarecer tecnicamente a existência ou não de ameaça ou dano ambiental. Ela é realizada por profissional especializado na área.

Logo, além dos requisitos morais e éticos inerentes a esta função, o Perito deve ser capacitado tecnicamente no tema de meio ambiente a ele designado. Deve estar apto a dirimir as dúvidas apresentadas através dos quesitos em fase processual específica e preencher os requisitos legais exigidos no Código de Processo Civil (art. 145 e §s seguintes).

Designado pelo Juiz, o Perito do Juízo atua como Auxiliar da Justiça assessorando o juiz na formação de seu convencimento. Trata-se da pessoa de confiança do Magistrado e produz ao final dos trabalhos o Laudo Pericial. A fundamentação do Laudo Pericial e responsabilidade do perito sobre as informações prestadas por ele são tratadas, respectivamente, no art. 429 e 147 do Código Processual Civil (CPC).

Observe-se que é direito das partes nomearem Assistentes Técnicos dentre os profissionais especializados e que forem de sua confiança. Estes profissionais irão orientá-los e assisti-los nos trabalhos periciais em todas as fases da perícia e, quando necessário, emitirão um Parecer Técnico. Diferentemente dos Peritos do Juiz, os Assistentes Técnicos não estão sujeitos a impedimento ou suspeição (art. 422 do CPC). Importante atuação dos Assistentes Técnicos é a de, durante os trabalhos de perícia, deixar transparecer os mesmos padrões exigidos pela legislação aos Peritos do Juízo, quais sejam, a capacidade técnica comprovada e os compromissos morais e éticos.

No laudo ou parecer técnico o que importa é a fundamentação técnica, que deve ser calcada em elementos objetivos, analisados e interpretados por métodos adequados, que conduzam a conclusões técnicas irrefutáveis. Inúteis, também, são as considerações de ordem jurídica, que alguns peritos e assistentes técnicos se permitem enxertar no laudo e parecer técnico, esquecidos de sua missão que é meramente técnica, sendo esta tarefa exclusiva dos advogados.

O que se requer do laudo ou parecer técnico é o aclaramento das questões técnicas,

submetidas à apreciação pericial. Por isso, há de ser objetivo e conclusivo, afirmando

ou negando o que foi indagado nos quesitos, sem omissões ou evasivas e, obviamente, sem desvios ou falsidades nas suas informações e conclusões. Laudos omissos, facciosos, confusos ou não conclusivos são imprestáveis.

Sendo a prova pericial, a rainha das provas, tomamos a direção desta seara para suprir as necessidades e expectativas de nossos clientes, buscando sempre mostrar e defender seus interesses nas discussões técnicas jurídicas, o que se faz necessário tomar algumas medidas de ordem prática na condução desta fase técnica do processo.

O Perito Judicial, a priori, é o profissional de confiança do Juízo, e muitas vezes, o que os fatos nos tem demonstrado, esta confiança esta baseada somente, em atitudes dentro dos padrões morais e éticos, deixando de lado o terceiro fator que equilibra esta árdua tarefa, a capacitação técnica.

Como consideramos que moral e ética são condições inerentes ao exercício da função do Perito Judicial, e dispensam qualquer tipo de questionamento, deparamos sim na capacitação técnica e preparo dos profissionais, o que nos leva sempre a tomar vários cuidados na condução dos casos, principalmente atuando como Assistentes Técnicos em defesa de nossos clientes.

Então, como deve atuar um Assistente Técnico?

Deve estar tecnicamente preparado e habilitado na matéria que irá discutir; Deve estudar e conhecer o problema, para que tenha suas próprias convicções; Deve participar em conjunto com o advogado, no que lhe compete tecnicamente, na elaboração da inicial, contestação e quesitos; Deve estar junto ao Perito Judicial para ajudá-lo e convencê-lo de suas convicções; Deve participar, se assim for aceito pelo Perito Judicial, na elaboração do Laudo; Deve sempre estar a disposição dos advogados, perito e interessados, para dirimir duvidas e participar intensamente da produção da prova pericial e; Deve administrar tecnicamente o que lhe compete, com clareza e objetividade, para sempre que solicitado prestar esclarecimentos aos advogados e interessados.

Sabemos, que a Prova pericial, como sendo a "Rainha da Provas", deve ser produzida com muita atenção, zelo e competência, sob pena, depois de encaminhada ao juízo, ver todo o trabalho perdido e interesses comprometidos, amargando assim, prejuízo material e insatisfação do cliente final.

Assistência Técnica Judiciária é uma atividade que envolve, competência técnica, interesse, trabalho, ética, comprometimento com as causas do interessado, e o mais importante, vontade de sempre vencer. Sempre dizemos, antes da discussão de qualquer matéria técnica, consulte sempre um perito da área.

- ATRIBUIÇÃO PROFISSIONAL E LEGISLAÇÃO

As perícias ambientais envolvendo áreas da engenharia devem ser conduzidas por profissionais de nível superior, com registro profissional em órgão competente e conforme regem as atribuições profissionais segundo as leis federais, resoluções do CONFEA e normas técnicas mostradas abaixo.

Lei Federal n o 5194 de 21/12/1966 - Exercício da profissão de Engenheiro;

Resolução n o 205 de 30/10/1973 - Código de ética profissional;

Resolução n o 218 de 27/06/1973 – Atribuições profissionais;

Resolução n o 345 de 27/07/1990 – Exercício de atividades de Avaliações;

Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT);

Constituição, Leis Ambientais Federais, Estaduais e Municipais, Código e Defesa do Consumidor; CONAMA; Código Florestal, entre outros.

- QUESITOS

Os quesitos de uma perícia ambiental são as questões formuladas pelas partes envolvidas no processo e que devem ser respondidas de forma técnica e imparcial, buscando esclarecer os interessados a respeito da matéria em análise. Para se responder os quesitos de uma perícia ambiental utilizam-se dados técnicos das normas, fotografias, referências bibliográficas especializadas, modelos matemáticos, questionários de respostas, visitas ao local em análise, resultados de análises de laboratório, entre outros.

- LAUDO PERICIAL

O laudo pericial é o documento que apresenta os resultados da perícia ambiental. Não existe um formato padrão para este tipo de documento, mas recomenda-se que contenha, no mínimo, as seguintes informações:

Identificação do processo e solicitante da perícia;

Identificação das partes envolvidas;

Descrição do objeto da perícia;

Apresentação da equipe de trabalho (perito e assistente técnico);

Relação dos documentos e informações utilizados (fornecidos, leis e normas);

Metodologia de trabalho adotada;

Descrição do local da perícia;

Data, hora e período de tempo das diligências;

Descrição dos dados e informações disponíveis para fundamentar a análise e

as respostas dos quesitos da perícia em execução e as conclusões.

Resultados e discussões

Conclusões

Identificação do perito ou assistente técnico, registro profissional, registro

geral, assinatura do profissional, data.

Considerando que a perícia ambiental está, geralmente, relacionada com impactos e

danos causados ao meio ambiente, não se pode deixar de considerar no trabalho a

análise dos fatores abióticos (clima, atmosfera, hidrologia, geologia, etc.), fatores

bióticos (microorganismos, flora e fauna) e dos fatores sócio-econômicos (cultura,

religião, nível social, raça, etc.). De um modo geral, o Perito Ambiental atua mais nos

fatores abióticos e bióticos, entretanto, em alguns casos, os fatores sócio-econômicos

podem desempenhar papel preponderante.

- SEQÜÊNCIA PARA CONFECÇÃO DE LAUDO DE PERÍCIA AMBIENTAL

A seqüência apresentada trata de uma sugestão que na maioria dos casos não se tem

ou não são necessários todos os elementos abaixo listados. Para cada caso específico

são importantes os itens mais relacionados com o problema ambiental em estudo.

1. EXAME DO LOCAL

1.1. Localização da Área: Apresentar mapas da área em análise em escala compatível indicando o local e vizinhança. Utilizar preferencialmente as coordenadas geográficas em unidades técnicas métricas.

1.2.

Situação Legal da Área: Verificar se a área é pública ou privada, a qual unidade da federação pertence e se é considerada uma área de proteção ambiental. Descrever sucintamente a que se destina e qual o seu uso atual.

1.3. Clima: Realizar o levantamento climatológico regional (índice pluviométrico, freqüência, direção e intensidade do vento, umidade e temperatura ambientes médias).

1.4. Recursos Hídricos: Inventariar os recursos hídricos superficiais e subterrâneos e mapear os corpos d’água e mananciais.

1.5. Geologia e Morfologia do Solo: Descrever o perfil geológico do terreno e relevo local, relacionar os recursos minerais e indicar a direção de fluxo do lençol freático.

1.6. Solo: Mapear os solos, com considerações sobre a pedologia e a edafologia.

1.7. Vegetação: Descrever a mapear as principais formas de vegetação. Listar as plantas, principalmente, aquelas de interesse econômico. Constatar a ocorrência de espécies raras ou endêmicas.

1.8. Fauna e Ictiofáuna: Identificar principalmente os vertebrados e peixes, dando ênfase às espécies endêmicas, raras, migratórias e cinergéticas.

1.9. Ecossistema: Identificar e descrever os principais ecossistemas da área, nos seus componentes abióticos e bióticos.

1.10. Áreas de interesse histórico ou cultural: Listar e descrever locais de interesse histórico, culturais e jazidas fossilíferas num raio de 50 km.

1.11. Área de Preservação: Constatar se o local descrito está inserido em área protegida por lei (Parques, Estação Ecológica, Reserva Biológica, etc).

1.12. Infra-estrutura: Descrever as infra-estruturas existentes no local (núcleo habitacional, telefonia, estrada, cooperativas, etc).

1.13. Atividades previstas, ocorridas ou existentes na área: Relatar as tecnologias utilizadas nas fases de implementação e operação do empreendimento.

1.14. Listar insumos e equipamentos, usualmente, empregados nas atividades.

2. DISCUSSÃO

2.1. Diagnóstico Ambiental da Área

2.1.1. Uso atual da terra: Constatar o uso atual da terra, dar o percentual utilizado pela agropecuária.

2.1.2.

Uso atual da água: Constatar o uso da água, bem como obras de engenharia (canal, dique, barragem, drenagem). Verificar se ocorrem fontes poluidoras.

2.1.3. Avaliação da situação ecológica atual: Realizar o levantamento das ações antrópicas anteriores e atuais, bem como relatar a situação da vegetação e fauna nativas. Com os dados obtidos inferir sobre a estabilidade ecológica dos ecossistemas da área.

2.1.4. Avaliação sócio-econômica: Analisar a situação sócio-econômica da área, através de uma metodologia compatível com a realidade regional.

2.2. Impactos Ambientais Esperados na Área

2.2.1. Impactos ecológicos: Listar e analisar os impactos ecológicos, levando em consideração a saúde pública e a estabilidade dos ecossistemas naturais, principalmente, aquelas localizadas em áreas protegidas por lei.

2.2.2. Impactos sócio-econômicos: Avaliar os impactos sócio-econômicos da área, levando em consideração os aspectos médicos e sanitários.

2.2.3. Perspectivas da evolução ambiental da área: Inferir sobre qual seria a evolução da área com ou sem o empreendimento.

2.3. Considerações Complementares (quando for o caso)

2.3.1. Alternativas tecnológicas e locacionais: Optar por alternativas menos impactantes para o meio ambiente, em termos tecnológicos e locacionais.

2.3.2. Recomendações para minimizar os impactos adversos e incrementar os benéficos: Listar as recomendações específicas para minimizar os impactos negativos e incrementar os benéficos.

2.3.3. Recomendações para o monitoramento dos impactos ambientais adversos:

Desenvolver e implantar programas de biomonitoramento, de controle de qualidade da água, de controle de erosão, etc.

2.3.4. Apreciação dos quesitos: Como geralmente há quesitos formulados pelo Promotor, Juiz ou Delegado, neste subitem eles deverão ser claramente discutidos e esclarecidos.

3. CONCLUSÃO

Ela deve ser elaborada de forma sucinta, mas sempre que possível, conclusiva,

abrangendo os aspectos ambientais anteriormente discutidos.

3. AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL

Considerando que a perícia ambiental busca avaliar os impactos ambientais causados no meio ambiente decorrentes de um acidente, nesta seção serão apresentados os conceitos do Estudo de Avaliação de Impactos ambientais (EIA). Os elementos e etapas de EIA e tipologia dos impactos também é discutida. Finalmente são apresentados as técnicas usuais de avaliação e os métodos analíticos empregados para se determinar o nível de contaminação e a mudança da qualidade ambiental.

3.1 DEFINIÇÃO E CONCEITOS

Conforme consta no art. 255 da Constituição Federal de 05/10/1988, o Estudo de Avaliação de Impactos Ambientais (EIA) é exigido na forma da Lei para instalação de obra ou atividade potencialmente perigosas de causar dano ao meio ambiente. A sua publicidade também é exigida na forma da Lei. Considerando que uma perícia ambienta, geralmente, avalia um dano ambiental ocorrido em uma obra ou atividade já em operação, o EIA-RIMA também é uma ferramenta útil para avaliar o dano ocorrido e desenvolver o laudo pericial.

- IMPACTO AMBIENTAL

Defini-se Impacto Ambiental como sendo uma perturbação no ecossistema proveniente de uma ação ou omissão humana (efeito ambiental), qualificada de positiva ou negativa por um certo grupo social, no contexto de sua realidade espacial e temporal. Nota-se que o efeito ambiental inclui a noção de julgamento, valor positivo (benéfico) ou negativo (prejudicial). Portanto, o conceito de Impacto Ambiental é relativo porque o julgamento que lhe é intrínseco varia no espaço e no tempo. A Figura 3 mostra o impacto ambiental como função do índice de qualidade no meio ambiente.

QA

Evolução

do Meio Ambiente sem Impacto

QA Evolução do Meio Ambiente sem Impacto Evolução do Meio Ambiente com Impacto ta to ti

Evolução do Meio Ambiente com Impacto

ta

to

ti

tf

tc

Figura 3 – Impacto Ambiental, QA = Índice de qualidade do meio ambiente, ta = momento atual, to = momento do início da ação, ti = momento do início do impacto,

tf = momento de finalização da ação e tc = momento de interesse considerado.

- ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL (EIA)

É o conjunto de atividades técnicas e científicas que incluem o diagnóstico ambiental,

identificação, previsão, medição, interpretação e a valorização de impactos ambientais,

o estabelecimento das medidas mitigadoras e os programas de monitoramento de

impactos ambientais (necessários para a contínua avaliação e controle de impactos

ambientais).

- RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL (RIMA)

É o documento do processo de avaliação de impacto ambiental e deve esclarecer em

linguagem corrente (popular), todos os elementos da proposta em estudo, de modo, que estas informações possam ser utilizadas na tomada de decisão e divulgados para o público em geral (em especial para a comunidade afetada). O RIMA consubstancia as conclusões do EIA devendo apresentar a discussão dos impactos positivos e negativos

considerados relevantes no estudo.

- AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS (AIA)

É um instrumento de Política Ambiental, formado por um conjunto de procedimentos capaz de assegurar desde o início do processo, que se faça um exame sistemático dos impactos ambientais de uma ação proposta (ou já ocorrida com danos, no caso da perícia ambiental) e de suas alternativas e que os resultados sejam apresentados, de forma adequada, ao público (ou poder público, no caso do laudo pericial) e aos responsáveis pela tomada de decisão.

3.2 ELEMENTOS E ETAPAS DO PROCESSO DE EIA

- ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE AIA

Devem ser estabelecidos com clareza, quais os “atores” envolvidos no processo de AIA, as responsabilidades das instituições governamentais, dos indivíduos e dos grupos sociais que participam no processo. Geralmente, os envolvidos são:

Órgão Ambiental Licenciador: Federal, Estadual, Municipal;

Ministério Público: Promotoria e Procuradoria Pública;

Empreendedor: É o interessado, do Poder Público ou privado;

Equipe Interdisciplinar: São os consultores independentes ou representando por uma empresa;

Órgão Não Governamentais (ONG’s): Grupos sociais organizados, com a finalidade de proteger os ecossistemas, espécies da flora ou fauna, sítios ou outros elementos de riqueza cultural;

População Afetada: Direta ou Indiretamente;

Instituições Governamentais: Outros órgãos do governo que devem ser consultados e;

Consultores Autônomos: Especialistas que podem ser contratados para auxiliarem na análise do EIA e do RIMA.

- ETAPAS DO PROCESSO DE EIA

A fim de homogeneizar a preparação, elaboração e apresentação do Estudo de Avaliação de Impactos Ambientais (EIA) e do RIMA, as etapas recomendadas são:

ELABORAÇÃO DO EIA

a) Cadastramento de pessoas físicas e jurídicas capacitadas para elaboração do

estudo, montagem da equipe multidisciplinar.

b) Atendimento à Legislação, em especial aos princípios expressos na Lei de

Política Nacional do Meio Ambiente, obedecendo às seguintes diretrizes:

b1) contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do

projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto;

b2) identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados fases de implantação, operação e desativação do projeto;

nas

b3) considerar os efeitos acumulativos e/ou sinérgicos com outras obras de grande porte situadas na mesma bacia hidrográfica;

b4) considerar planos e programas governamentais, propostos ou em implementação na área de influência do projeto.

c) Caracterização do Empreendimento. O empreendimento proposto deve ser

analisado com precisão e objetividade nas suas finalidades e justificativas. A

descrição pode comportar duas etapas distintas: a de implantação do projeto,

quando são analisados o lay-out, equipamentos, mão de obra, matérias-primas,

e a etapa de operação quando o empreendimento irá interagir com o meio

ambiente.

d) Definição da Área de Influência. A correta delimitação da área de influência

é fundamental no EIA. Segundo a Resolução CONAMA 001/86, determinou

definir os limites da área geográfica direta ou indiretamente afetada pelos

impactos, considerando em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se

localiza.

e) Diagnóstico Ambiental da Área de Influencia do Projeto. Através da

obtenção de dados necessários para a completa descrição e análise dos

recursos ambientais e as suas interações, tal como existem, de modo a

caracterizar a situação ambiental da área em estudo, considerando:

e1) o meio físico: o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico, as correntes marinhas; as correntes atmosféricas;

e2) o meio biológico: tanto terrestre quanto aquático, os ecossistemas naturais, fauna, a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico, econômico,raras e gerais, ameaçadas de extinção, e as áreas de preservação permanente;

e3) o meio sócio-econômico: o uso e ocupação do solo, o uso da água, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e aturais, as relações de dependência entre a socied