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Síndrome de Burnout

O que é Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout é uma resposta ao estresse ocupacional crônico e caracterizada pela


desmotivação, ou desinteresse, mal estar interno ou insatisfação ocupacional que parece afetar,
em maior ou menor grau, alguma categoria ou grupo profissional.
Trata-se de um conjunto de condutas negativas, como por exemplo a deterioração do
rendimento, a perda de responsabilidade, atitudes passivo-agressivas com os outros e perda da
motivação, onde se relacionariam tanto fatores internos, na forma de valores individuais e traços
de personalidade, como fatores externos, na forma das estruturas organizacionais, ocupacionais
e grupais.
A Síndrome de Burnout traz conseqüências não só do ponto de vista pessoal, senão também do
ponto de vista institucional, com é o caso do absenteísmo, da diminuição do nível de satisfação
profissional, aumento das condutas de risco, inconstância de empregos e repercussões na esfera
familiar.

SÍNDROME DE BURNOUT
EVOLUÇÃO

Em geral o curso da Síndrome de Burnout se caracteriza pelo seguinte:


1 - É insidioso. A evolução do quadro é paulatina e pouco a pouco os sintomas vão surgindo,
oscilando com intensidade variável.
2 - Há uma tendência em negá-la. O próprio paciente se nega a aceitar as diferenças que os
outros observam nele, portanto, a síndrome é notada primeiro pelos companheiros.
3 - Existe uma fase irreversível. Entre 5% e 10 % dos pacientes com essa síndrome adquire
gravidade tal que resulta irreversível se não deixar o trabalho. Esse grau mais grave predomina
em profissionais médicos.

O quadro evolutivo tem 4 níveis de manifestação:

1o. nível - Falta de vontade, ânimo ou prazer de ir a trabalhar. Dores nas costas, pescoço e
coluna. Diante da pergunta o que você tem? normalmente a resposta é "não sei, não me sinto
bem"

2o. nível - Começa a deteriorar o relacionamento com outros. Pode haver uma sensação de
perseguição ("todos estão contra mim"), aumenta o absenteísmo e a rotatividade de empregos.

3o. nível - Diminuição notável da capacidade ocupacional. Podem começar a aparecer doenças
psicossomáticas, tais como alergias, psoríase, picos de hipertensão, etc. Nesta etapa se começa
a automedicação, que no princípio tem efeito placebo mas, logo em seguida, requer doses
maiores. Neste nível tem se verificado também um aumento da ingestão alcoólica.

4o. nível - Esta etapa se caracteriza por alcoolismo, drogadicção, idéias ou tentativas de
suicídio, podem surgir doenças mais graves, tais como câncer, acidentes cardiovasculares, etc.
Durante esta etapa ou antes dela, nos períodos prévios, o ideal e afastar-se do trabalho.
A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das
conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão
emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a
quase tudo e todos (até como defesa emocional).
O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim
que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente,
passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.
Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com
predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras
pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos,
enfermeiros, professores).
Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente do estresse
genérico. Para nós, de modo geral, vamos considerar esse quadro de apatia extrema e
desinteresse, não como sinônimo de algum tipo de estresse, mas como uma de suas
conseqüências bastante sérias.
De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões
predominantemente relacionadas a um contacto interpessoal mais exigente, tais como
médicos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores,
atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal,
telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações já se estendem a todos
profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam
problemas de outras pessoas, que obedecem técnicas e métodos mais exigentes,
fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à avaliações.
Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato
direto, excessivo e estressante com o trabalho, essa doença faz com que a pessoa
perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as
coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil.
Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de
Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de
relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes,
conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação
da equipe.
Os autores que defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse,
alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos
usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como
um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente
na sua relação com o trabalho. Entretanto, pessoalmente, julgamos que essa Síndrome
de Burnout seria a conseqüência mais depressiva do estresse desencadeado pelo
trabalho.
Os sintomas básicos dessa síndrome seriam, inicialmente, uma exaustão emocional
onde a pessoa sente que não pode mais dar nada de si mesma. Em seguida
desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como por exemplo, um certo
cinismo na relação com as pessoas do seu trabalho e aparente insensibilidade afetiva.
Finalmente o paciente manifesta sentimentos de falta de realização pessoal no
trabalho, afetando sobremaneira a eficiência e habilidade para realização de tarefas e
de adequar-se à organização.
Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado na interação com
outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de Burnout
geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são:
cansaço emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.
Quadro Clínico
O quadro clínico da Síndrome de Burnout costuma obedecer a seguinte sintomatologia:
1. Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais
2. Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de
atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas
no trabalho ou no serviço prestado.
3. Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar geral.
4. Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a
avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência
profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa
autoestima.
5. É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa
tolerância à frustração, comportamento paranóides e/ou agressivos para com
os clientes, companheiros e para com a própria família.
6. Manifestações físicas: Como qualquer tipo de estresse, a Síndrome de Burnout
pode resultar em Transtornos Psicossomáticos. Estes, normalmente se referem
à fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras
digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, e outras desordens
gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc.
7. Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas aditivas e
evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais,
absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e
companheiros como forma de proteção do ego, aborrecimento constante,
atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência,
desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos,
freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria
família.
Apesar de não ser possível estabelecer uma fórmula mágica ou regra para análise do
estresse no trabalho devido a grande diversidade entre as empresas, vejamos agora
algumas situações mais comumente relacionadas ao estresse no trabalho, de um modo
geral.
Considera-se a Síndrome Burnout como provável responsável pela desmotivação que
sofrem os profissionais da saúde atualmente. Isso sugere a possibilidade de que esta
síndrome esteja implicada nas elevadas taxas de absenteísmo ocupacional que
apresentam esses profissionais.
Segundo pesquisas (Martínez), a epidemiologia da Síndrome de Burnout tem aspectos
bastante curiosos. Seu detalhado trabalho mostrou que os primeiros anos da carreira
profissional profissional seriam mais vulneráveis ao desenvolvimento da síndrome.
Há uma preponderância do transtorno nas mulheres, possivelmente devido à dupla
carga de trabalho que concilia a prática profissional e a tarefa familiar. Com relação ao
estado civil, tem-se associado a síndrome mais com as pessoas sem parceiro estável.
Fases do Estresse
O estresse se manfesta em três fases:
1- Reação de Alarme. O sistema visceral simpático (SVS) é ativado.
2 - Adaptação. Quando essa estimulação é repetitiva o organismo se equilibra dentro do próprio
estresse e;
3 - Esgotamento. Quando o estressor é constante, e a ativação do SVS torna-se prejudicial ao
organismo, uma vez que não permite o relaxamento e o retorno ao equilíbrio das vísceras. Isso
leva à uma exaustão emocional e física, que pode até ser lenta e quase imperceptível.
Estrese e Imunidade
No estresse, os hormônios hipofisários também atuam sobre o sistema imunológico, através de
receptores específicos nas células linfóides.
Por isso é importante saber sobre Imunidade e Estresse.

Fisiologia do Estresse

Quando nosso cérebro, independente de nossa vontade, interpreta alguma


situação como ameaçadora (estressante), todo nosso organismo passa a
desenvolver uma série de alterações denominadas, em seu conjunto, de Síndrome
Geral da Adaptação ao Estresse. Na primeira etapa dessa situação ocorre uma
Reação de Alarme, onde todas as respostas corporais entram em estado de
prontidão geral ou seja, todo organismo é mobilizado sem envolvimento específico
ou exclusivo de algum órgão em particular. É um estado de alerta geral, tal como se
fosse um susto.
Se esse Estresse continua por um perío-do mais longo sobrevém a Segunda
fase, chamada de Fase de Adaptação ou Resistência, a qual acontece quando a
tensão se acumula. Nesta fase o corpo começa a acostumar-se aos estímulos
causadores do Estresse e entra num estado de resistência ou de adaptação.
Durante este estágio, o organismo adapta suas reações e seu metabolismo para
suportar o Estresse por um período de tempo. Neste estado a reação de Estresse
pode ser canalizada para um órgão específico ou para um determinado sistema,
seja o sistema cardiológico, por exemplo, ou a pele, sistema muscular, aparelho
digestivo, etc.
Entretanto, a energia dirigida para adaptação da pessoa à solicitação
estressante não é ilimitada e se o Estresse ainda continuar, o corpo todo pode
entrar na terceira fase, o Estado de Esgotamento, onde haverá queda acentuada de
nossa capacidade adaptativa.
A Síndrome Geral de Adaptação descrita por Selye consiste, como vimos, em
três fases sucessivas: Reação de Alarme, Fase de adaptação ou Resistência e Fase
de Exaustão. Sendo que a última, Fase de Exaustão, é atingida apenas nas
situações mais graves e, normalmente, persistentes. Vejamos uma a uma.
1- Reação de Alarme
A Reação de Alarme subdivide-se em dois estados, a fase de choque e a fase
de contra-choque. As alterações fisiológicas na fase de choque, momento onde o
indivíduo experimenta o estímulo estressor, são muito exuberantes (Quadro 1,
abaixo).
Durante a Reação de Alarme, participa ativamente do conjunto das alterações
fisiológicas o chamado Sistema Nervos Autônomo (SNA). Trata-se, este SNA, de um
complexo conjunto neurológico que controla, autonomamente, todo o meio interno
do organismo, através da ativação e inibição dos diversos sistemas, vísceras e
glândulas.
Ainda durante o momento em que está havendo estimulação estressante aguda
(Fase de Choque da Reação de Alarme), uma parte do Sistema Nervoso Central
denominado Hipotálamo promove a liberação de um hormônio, o qual, por sua vez,
estimula a hipófise (glândula vizinha ao Hipotálamo) a liberar um outro hormônio, o
ACTH, este ganhando a corrente sanguínea e estimulando as glândulas Supra-
renais para a secreção de corticóides. Vejamos com detalhes.
Inicialmente há envolvimento do Hipotálamo, que ativa todo o Sistema
Nervoso Autônomo, em sua porção Simpática, assim ativando as respostas físicas,
mentais e psicológicas ao estresse.
É também no Hipotálamo que se localia a Hipófise (também chamada de
Pituitária), a glândula mestre do sistema endócrino. Para que a Hipófise comece sua
respostas ao estresse, o próprio Hipotálamo secreta algumas substâncias
conhecidas por neuro-hormônios, como é o caso, entre outros, da Dopamina, da
Norepinefrina e do Fator Liberador da Corticotrofina (CRF).
Além do Hipotálamo, aumentar a produção de Dopamina, Norepinefrina e do
Fator Liberador da Corticotrofina no estresse, a Hipófise também faz sua parte,
aumentando a produção de outros hormônios, tais como a Vasopressina, a
Prolactina, o Hormônio Somatotrófico (do Crescimento ou GH), o Hormônio
Estimulador da Tireóide (TSH). Em relação ao GnRH ou Hormônio Liberador de
Gonadotrofinas, que também é produzido no Hipotálamo e estimula a Hipófise na
liberação dos hormônios gonadotróficos pode ocorrer, no estresse tanto uma
inibição quanto um aumento desmedido.
Por causa de tudo isso, o Hipotálamo é considerado o principal sítio cerebral
responsável pela constelação das respostas orgânicas aos agentes estressores. A
Hipófise, por sua vez, tem como uma das principais ações estimular as glândulas
supra-renais.
A partir da produção do Fator Liberador da Corticotrofina, o Hipotálamo
estimula a Hipófise para aumentar a produção da própria corticotrofina, chamada
também de Hormônio Adreno-Córticotrófico (ACTH), o qual, por sua vez, agirá em
outra glândula bem distante do Sistema Nervoso Central, as Suprarrenais. Ali, nas
Glândulas Suprarenais, ocorre um aumento na liberação de seus hormônios; os
corticóides e as catecolaminas. Esses últimos são de fundamental importância na
resposta fisiológica ao estresse.
O aumento na produção destes hormônios pelas Suprarrenais são os principais
indicadores biológicos da resposta ao estresse. Alguns trabalhos confirmam o
aumento da secreção de catecolaminas suprarrenais (adrenalina e noradrenalina)
durante o estresse, através presença de metabólitos dessas substâncias na urina de
estudantes nas universidades no período de exames.
Quadro 1 - ALTERAÇÕES NA FASE DE CHOQUE DA REAÇÃO DE ALARME
ALTERAÇÕES OBJETIVOS
a) aumento da frequência cardíaca e o sangue circulando mais rápido melhora a atividade muscular
pressão arterial esquelética e cerebral, facilitando a ação e o movimento
b) contração do baço levar mais glóbulos vermelhos à corrente sanguínea e melhora a
oxigenação do organismo e de áreas estratégicas
c) o fígado libera glicose para ser utilizado como alimento e energia para os músculos e
cérebro
d) redistribuição sanguínea diminui o sangue dirigido à pele e vísceras, aumentando para
músculos e cérebro
e) aumento da frequência respiratória favorece a captação de mais oxigênio
e dilatação dos brônquios
f) dilatação das pupilas para aumentar a eficiência visual
g) aumento do número de linfócitos na preparar os tecidos para possíveis danos por agentes externos
corrente sanguínea agressores

As glândulas suprarrenais secretam, além das catecolaminas, o cortisol (uma


espécie de corticóide). A fisiopatologia sabe, há tempos, que os níveis aumentados
de corticóides influenciam o sistema imunológico inibindo a resposta inflamatória,
afetando essencialmente a função das células T. Temporariamente esta inibição
imunológia parece ser benéfica, tendo em vista diminuir a intensidade das reações
inflamatórias aos agentes de estresse.
No estresse, além da secreção do hormônio corticotrófico (ACTH) a Hipófise
aumenta também a produção de outros hormônios, tais como a Vasopressina, a
Prolactina, o Hormônio Somatotrófico (do Crescimento ou GH), o Hormônio
Estimulador da Tireóide (TSH). Como se vê, o estresse acaba por envolver todo o
organismo no esforço de adaptação.
Resumindo, durante a Fase de Choque predomina a atuação de uma parte do
Sistema Nervos Autônomo chamado de Sistema Simpático, o qual proporciona
descargas de adrenalina da medula da glândula supra-renal e de noradrenalina das
fibras pós-ganglionares para a corrente sanguínea.
Alguns estudos mais recentes sugerem que a emoção da raiva, quando dirigida
para fora, estava associada mais à secreção de noradrenalina. Entretanto, na
depressão e a na ansiedade, onde os sentimentos estão dirigidos mais para si
próprio, a secreção de adrenalina predomina.

Como percebemos, toda a seqüência dos


acontecimentos orgânicos tem origem no
cérebro, e o Hipotálamo é que inicia
disparando a sucessão de eventos. Ao mesmo
tempo em que esse Hipotálamo está
providenciando a estimulação da Hipófise para
secreção do ACTH, também proporciona a
secreção outros neuro-hormônios (hormônios
produzidos no cérebro), tais como os
chamados peptídeos cerebrais, como é o caso
das endorfinas (que modificam o limiar para
dor), STH (que acelera o metabolismo),
prolactina e outros.
Desaparecendo os agentes estressores,
todas essas alterações tendem a se
interromper e regredir. Se, no entanto, por
alguma razão o organismo continuadamente
submetido à estimulação estressante,
portanto, é obrigado a manter seu esforço de
adaptação, uma nova fase acontecerá. Trata-
se da Fase de Resistência.
2 - Fase de Adaptação ou Resistência
A Fase de Resistência se caracteriza, basicamente, pela hiperatividade da
glândula supra-renal sob influência do Hipotálamo, particularmente da Hipófise.
Nesta fase, mais crônica, há um aumento no volume da supra-renal, concomitante
a uma atrofia do baço e das estruturas linfáticas, assim como um continuado
aumento dos glóbulos brancos do sangue (leucocitose).
Dessa forma, a ação da Hipófise ao ativar todo o Sistema Endócrino ocorre
porque o organismo necessita concentrar maior quantidade de energia para se
defender. As descargas simpáticas na camada medular da Glândula Suprarrenal,
provocando liberação de catecolaminas nas situações emergenciais do estresse,
ativando a glicogenólise no líquido extra-celular, e glicogênese no fígado, inibindo a
insulina e estimulando o glucagon, estes dois últimos hormônios pancreáticos.
Durante essa fase de adaptação prossegue o aumento de atividade do Sistema
Simpático e a conseqüente liberação de catecolaminas. Esse mecanismo hormonal
permite maior aporte de glicose às células em geral, seguido pela liberação de
glicocorticóides, os quais são fundamentais para a excitação de atividades cerebrais
durante a Síndrome Geral de Adaptação ou Estresse.
Os glicocorticóides (GC) regulam também as catecolaminas, pois a síntese das
catecolaminas necessita de glicose. Os GC são corticosteróides capazes de estimular
a síntese de RNA, formadora de proteína e de glicogênio e suprime a síntese de
DNA.
A taxa de glicose precisa ser elevada no sangue para que haja energia
disponível ao longo do estresse. Mas, se o estresse continua por muito tempo, os
glicocorticóides são destrutivos para os tecidos, inibindo o crescimento somático e
ósseo.
Assim, se os estímulos estressores continuam e se tornam crônicos, a resposta
começa a diminuir de intensidade, podendo haver uma antecipação das respostas. É
como se a pessoa começasse a se acostumar com os estressores mas, não
obstante, pudesse também desenvolver a reação de estresse apenas diante da
perspectiva ou expectativa do estímulo.
Vamos imaginar, hipoteticamente, uma pessoa que se deparasse com uma
cobra no meio de sua sala, quase todas as vezes que entrasse em casa. Com o
tempo sua reação ao ver a (mesma) cobra tende a diminuir, embora ainda continue
tomando muito cuidado. Vai chegar um momento em que, ainda que não veja
cobra ao chegar em casa, mesmo assim ficará estressado.
Talvez tenha grande ansiedade ao imaginar onde poderia estar hoje a tal cobra.
Diz um ditado que a diferença entre medo e ansiedade é exatamente essa; medo é
ver uma cobra dentro do quarto, e ansiedade é saber que tem uma cobra dentro do
quarto mas não vermos ela.
Se o agente ou estímulo estressor continua, o organismo vai à terceira fase da
SGA, a Fase de Exaustão.

3 - Fase de Exaustão ou Esgotamento


É quando começam a falhar os mecanismos de adaptação e déficit das reservas
de energia. Essa fase é grave, levando à morte de alguns organismos. A maioria
dos sintomas somáticos e psicossomáticos ficam mais exuberantes nessa fase.
Como se supõe, a resistência do organismo não é ilimitada. O estado de
Resistência é a soma das reações gerais não específicas que se desenvolvem como
resultado da exposição prolongada aos agentes estressores, frente aos quais
desenvolveu-se adaptação e que, posteriormente, o organismo não pode mantê-la.
As modificações biológicas que aparecem nessa fase se assemelham aquelas da
Reação de Alarme, mais precisamente às da fase de choque. Mas, nesta fase o
organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só e sobrevém a falência
adaptativa.
Considerando as alterações fisiológicas observadas durante a Reação de Alarme
(Choque e Contra-Choque), soubemos que o ser humano e os animais superiores
foram dotados de um complexo mecanismo fisiológico à disposição da adaptação,
mecanismo esse capaz de promover transformações diante de circunstâncias novas
e para as quais o indivíduo deve adaptar-se.
Na realidade, toda essa revolução fisiológica produzida pelo Estresse visa
colocar todo o organismo à disposição da adaptação, e não apenas através da
adequação do desempenho físico e visceral do organismo mas, sobretudo,
fornecendo uma quantidade suficiente de ansiedade como requisito psicológico para
a manutenção do estado de alerta. Dessa forma fica melhor viabilizadas as
possibilidades de ataque ou de fuga.
Enfim, a Síndrome Geral de Adaptação viabiliza as atitudes adaptativas
necessárias para a manutenção da vida diante de um mundo dinâmico e altamente
solicitante. Curiosamente, diante desta maravilhosa característica adaptativa que
proporciona a Síndrome Geral de Adaptação, intriga-nos o fato de tão brilhante
mecanismo defensivo se relacionar com o desenvolvimento de transtornos
emocionais, físicos e psicossomáticos?
Talvez o ser humano, dito civilizado, tenha começado a padecer com a
Síndrome Geral de Adaptação quando seus objetivos, inicialmente colocados à
disposição de sua sobrevivência física, foram deslocados para a sua
sobrevivência social e afetiva. Os agentes estressores, que continuamente
estimulam a pessoa, não representam mais apenas ameaças ao seu bem estar
físico e imediato, são, antes disso, também estressores que estimulam uma tomada
de atitude diante de ameaças subjetivas e abstratas.
Talvez, em algum momento de nossa pré-história, o ser humano não
necessitasse mais apenas sobreviver, como talvez tenha sido a preocupação
absoluta de nossos ancestrais da caverna mas, necessitava sobreviver socialmente,
profissionalmente, familiarmente e economicamente. Não era mais necessário
adaptar-se apenas ao aqui e agora, como exigência momentânea de sua trajetória
existencial mas, sobretudo, devia adaptar-se ao seu passado, ao seu presente e ao
seu futuro.
O aqui-e-agora é apenas uma parte do esforço adaptativo do ser humano e,
mesmo assim, não se trata de uma atitude voltada exclusivamente para a
manutenção prática de sua existência. Psicologicamente a adaptação é convocada
para que o indivíduo exista desta ou daquela forma e não simplesmente para que
exista. Além disso, o ser humano tem que adaptar-se emocionalmente às suas
cicatrizes do passado e às suas perspectivas do futuro.
O ser humano tem que se adaptar aos problemas da infância, às perdas e
abandonos sofridos, às agressões, ao medo e frustrações. Tem que adaptar-se às
expectativas que seu grupo social lhe dirige, à uma identidade conveniente mas
nem sempre sincera, adaptar-se à competição e à manutenção de seu espaço
social, às angústias do amor, à conquista da segurança para seus entes queridos,
enfim, tem que adaptar-se às ameaças impalpáveis e abstratas, ameaças essas
encontradas mais em seu próprio interior, como um inimigo sempre presente, do
que fora dele. Tudo isso, ou seja, todos estes estímulos estressores, são capazes de
convocar a Síndrome Geral de Adaptação por tempo indeterminado.
As reações de Estresse resultam, exatamente, do esforço adaptativo. As
doenças, como por exemplo o estado bem conhecido leigamente como o
"esgotamento", surgem quando o estímulo estressor for muito intenso ou muito
persistente. É o custo (mental e biológico) do esforço adaptativo.
Os efeitos da Síndrome Geral de Adaptação sobre o indivíduo cronicamente ao
longo do tempo compõem o substrato fisiopatológico das doenças psicossomáticas.
Cada órgão ou sistema são envolvidos e apenados pelas alterações fisiológicas
continuadas do Estresse, de início apenas com alterações funcionais e depois, com
lesões também anatômicas.
Por causa disso, podemos dizer que as Doenças Psicossomáticas são aquelas
determinadas ou agravadas por motivos emocionais, já que é sempre a emoção
quem detecta a ameaça e o perigo, sejam eles reais, imaginários ou fantasiosos.

O Estresse pode ser positivo


O Estresse pode ter um efeito muito negativo quando ocorre em excesso ou durante muito
tempo. Se não há um período de recuperação depois de alguma fase de tensão, algumas
doenças podem a ocorrer levando o organismo ao esgotamento, quando a pessoa esgota sua
capacidade de adaptação e a qualidade de vida fica seriamente comprometida.
Mas o Estresse pode também, e felizmente é o que mais ocorre, ser um evento positivo.
Acontece quando o organismo produz a adrenalina necessária para uma postura de alerta, de
ânimo, vigor e energia, melhorando a adaptação, produtividade, motivação e criatividade. No
entretanto, fisiologicamente não é possível ficar em alerta por tempo indefinido, necessitando
sempre de períodos de repouso e recuperação.
Sintomas do Estresse

Quando as modificações fisiológicas necessárias à adaptação são


eficientemente produzidas pela Ansiedade estamos diante da Ansiedade Normal.
É o caso, por exemplo, das respostas diante de uma situação nova; o bebê que
chora diante da fome deixando clara a vontade de comer, o adolescente em estado
de alerta diante da prova do vestibular, o adulto muito atento ao trânsito.
Por outro lado, falamos da Ansiedade Patológica, como uma forma de resposta
inadequada, em intensidade e duração, à solicitações de adaptação; o bebê que
chora ao ponto de perder o fôlego diante da fome, o adolescente em estado de
esquecimento total diante da prova do vestibular, o adulto hipertenso e com
arritmia cardíaca no trânsito.
Biologicamente a Ansiedade está relacionada à alguns sitemas neuroquímicos,
chamados de sistema noradrenérgico, gabaérgico e serotoninérgico, situados no
lombo frontal e no sistema límbico no Sistema Nervoso Central.
As pessoas naturalmente ansiosas tendem a ter um tônus simpático
aumentado, respondem emocionalmente de forma excessiva aos estímulos
ambientais e demoram a adaptar-se às alterações do sistema nervoso autônomo.
Segundo Kaplan, a Ansiedade tem uma ocorrência duas vezes maior no sexo
feminino e se estima que até 5% da população geral tenha algum tipo de
Transtorno de Ansiedade. Sendo a Ansiedade uma grande mobilizadora do Sistema
Nervoso Autônomo, nestes tipos de transtornos encontramos, sobretudo, uma rica
sintomatologia física.
Esta é uma razão mais que suficiente para que tais pacientes freqüentemente
percorram um exaustivo itinerário médico. Sobre a sintomatologia geral da
Ansiedade, comumente se observa pelo menos SEIS dos 18 sintomas seguintes:

01 - tremores ou sensação de fraqueza


02 - tensão ou dor muscular
03 - inquietação
04 - fadiga fácil
05 - falta de ar ou sensação de fôlego curto
06 - palpitações
07 - sudorese, mãos frias e úmidas
08 - boca seca
09 - vertigens e tonturas
10 - náuseas e diarréia
11 - rubor ou calafrios
12 - polaciuria
13 - bolo na garganta
14 - impaciência
15 - resposta exagerada à surpresa
16 - pouca concentração ou memória prejudicada
17 - dificuldade em conciliar e manter o sono
18 - irritabilidade

Esses sintomas supra-listados são de natureza geral e inexpecífica, sujeitos a


surgirem em todas as pessoas indistintamente. Trata-se de manifestações
basicamente neuro-biológicas e consoantes ao desequilíbrio do Sistema Nervoso
Autônomo, quase emancipados do componente emocional individual de cada um.
Tal quadro costuma estar relacionados ao Estresse crônico, tem um curso flutuante
(vão e vêem) e tendência à cronificação.
Por outro lado, além das manifestações gerais e inexpecíficas da Ansiedade,
podemos ter uma repercussão individual, pessoal e de acordo com as
predisposições de personalidade. Aí surgem então os quadros e sintomas psíquicos
da Ansiedade Patológica.

Sintomas Psíquicos do Estresse


(Ansiedade Patológica)
É ampla a classificação dos transtornos emocionais decorrentes da Ansiedade
Patológica, entretanto, reportaremos aqui apenas os quadros emocionais mais
freqüentes e de maior importância clínica. Na Classificação Internacional de
Doenças (CID.10) esses problemas aparecem no capítulo intitulado Transtornos
Relacionados ao Estresse e Somatoformes. Aí estão incluídos a Síndrome do Pânico,
os Transtornos Fóbicos, sendo atualmente o mais importante deles a Fobia Social e
os Transtornos Somatoformes, ou seja, aqueles quadros onde há um componente
físico principal decorrente de fatores emocionais.
Tendo em vista o propósito absolutamente sintético desse trabalho,
descreveremos resumidamente apenas alguns quadros do vasto capítulo dos
Transtornos Relacionados ao Estresse e Somatoformes.

Síndrome do Pânico
Uma das manifestações psico-emocionais do Estresse pode ser a Doença ou
Síndrome do Pânico, que é um quadro de Ansiedade Patológica caracterizado por
crises ou ataques recorrentes de pânico e normalmente indicam a existência de
motivos intrapsíquicos importantes geradores de grande Ansiedade. Os ataques de
pânico se caracterizam por crises de medo agudo e intenso, extremo desconforto,
sintomas vegetativos associados e grande preocupação sobre a possibilidade de
morte iminente e/ou de passar mal, e/ou de perder o controle.
Essas crises de ansiedade da Síndrome do Pânico duram minutos e costumam
ser inesperadas, ou seja, não seguem situações especiais, podendo surpreender o
paciente em ocasiões variadas. Não obstante, existem alguns pacientes que
desenvolvem o episódio de pânico diante de determinadas situações pré-
conhecidas, como por exemplo, dirigindo automóveis, diante de grande multidão,
dentro de bancos, etc. Neste caso dizemos que o quadro é de Agorafobia com
Transtorno do Pânico.
As classificações internacionais enfatizam que, muito freqüentemente, um
Transtorno Depressivo coexiste com o Transtorno do Pânico. Nós, particularmente,
achamos que a Síndrome do Pânico é, literalmente, uma forma atípica de doença
depressiva. O sentimento de pânico é, em essência, uma grave sensação de
insegurança e temor. Ora, quem mais, além dos deprimidos, podem sentir-se tão
inseguros ao ponto de sentir a morte (ou o passar mal) iminente?
Depois do primeiro Ataque de Pânico, normalmente a pessoa experimenta
importante ansiedade e medo de vir a apresentar um segundo episódio. É como se
ficasse ansiosa diante da possibilidade de ficar ansiosa. Por causa disso os pacientes
passam a evitar situações facilitadoras da crise, prejudicando-se socialmente e/ou
ocupacionalmente em graus variados. São pessoas que deixam de dirigir, não
entram em supermercados cheios, evitam aventurar-se pelas ruas
desacompanhadas, não conseguem dormir, não entram em avião, não freqüentam
shows, evitam edifícios altos, não utilizam elevadores e assim por diante.
A Síndrome do Pânico habitualmente se inicia depois dos 20 anos de idade, é
igualmente prevalente entre homens e mulheres quando desacompanhado da
Agorafobia, mas é duplamente mais freqüente em mulheres quando associado à
este estado fóbico.
Segundo as principais classificações psiquiátricas, a característica essencial de
um Ataque de Pânico é um período de intenso medo ou desconforto acompanhado
por pelo menos 4 dos 13 sintomas somáticos ou cognitivos expostos na lista abaixo.

1- palpitações ou ritmo cardíaco acelerado


2- sudorese
3- tremores ou abalos
4- sensações de falta de ar ou sufocamento
5- sensações de asfixia
6- dor ou desconforto torácico
7- náusea ou desconforto abdominal
8- sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio
9 -desrealização ou despersonalização (sentir-se outro)
10- medo de perder o controle ou enlouquecer
11- medo de morrer
12- parestesias (formigamentos) ou anestesia
13- calafrios ou ondas de calor

Os pacientes com Transtorno do Pânico podem necessitar estarem sempre


acompanhados quando saem de casa e, posteriormente, podem até se recusar a
sair de casa devido ao tamanho medo de passar mal na rua, de morrer subitamente
ou enlouquecer de repente. Normalmente esses pacientes têm dificuldade em
dormir desacompanhados, procuram insistentemente o cardiologista e recorrem ao
auxílio religioso com entusiasmo exagerado.
Os Ataques de Pânico não ocorrem somente no chamado Transtorno do Pânico
típico. Eles podem ocorrer em uma variedade de Transtornos de Ansiedade, como
por exemplo, na Fobia Social, na Fobia Específica, no Transtorno de Estresse Pós-
Traumático e no Transtorno de Estresse Agudo. É por causa dessa não-
especificidade dos sintomas de pânico que somos inclinados a julgá-lo mais como
um sintoma (de depressão atípica) que como uma doença independente.

Fobias Sociais
O Estresse pode ter como sintoma psicológico um quadro grave de ansiedade
chamado Fobia Social. As Fobias Sociais estão centradas em torno de um medo
anormal e absurdo de expor-se a outras pessoas e tem, como conseqüência, o
afastamento e evitamento sociais. Podem ser específicas às situações de comer ou
falar em público mas podem ser mais difusas, envolvendo quase todas as
circunstâncias sociais fora do ambiente familiar.
Neste caso, entre as situações fóbicas que invariavelmente resultam na
evitação do objeto, atividade ou situação socialmente temidos, destaca-se o medo
de humilhação e embaraço em lugares públicos, o medo de comer em público, falar
em público, urinar em banheiro público e, muito freqüentemente, de assinar
cheques à vista de pessoas estranhas.
A exposição à situação social ou de desempenho provoca, quase que
invariavelmente, uma resposta imediata de ansiedade, a qual pode assumir a forma
de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela situação.

DIRETRIZES E CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO PARA TRANSTORNO FÓBICO


SOCIAL
1- os sintomas psicológicos, comportamentais e autossômicos devem provir
da ansiedade e não de outros quadros mentais;
2- a ansiedade deve ser restrita e/ou predominar à situações sociais;
3- a evitação das situações fóbicas deve ser proeminente;
4- o comportamento de evitação interfere nas atividades sociais ou no
relacionamento interpessoal;
5- a pessoa reconhece que seu medo é irracional e excessivo.

O prejuízo na atividade social de pessoas portadoras da Fobia Social pode


chegar ao extremo do isolamento. Nas situações sociais ou de desempenho
temidas, os indivíduos com Fobia Social experimentam preocupações acerca de
embaraço e temem que outros os considerem ansiosos, débeis, "malucos" ou
estúpidos.
O medo de falar em público pode ser em virtude da preocupação de que os
outros percebam o tremor em suas mãos ou voz. Podem ainda experimentar
extrema ansiedade ao conversar com outras pessoas pelo medo não saberem se
expressar. Os sintomas de ansiedade que surgem nessas situações costumam ser
palpitações, tremores, sudorese, desconforto gastrintestinal, diarréia, tensão
muscular, rubor facial, etc.
Em crianças a Fobia Social pode se apresentar sob a forma de crises de choro,
ataques de raiva, imobilidade, comportamento aderente ou permanência junto à
mãe ou à uma pessoa familiar. Essa apatia social pode chegar ao ponto do mutismo
total em certos casos de contacto com pessoas estranhas. Crianças pequenas
podem mostrar-se excessivamente tímidas em contextos sociais, retraindo-se do
contato, recusando-se a participar em brincadeiras de grupo, permanecendo
tipicamente na periferia das atividades sociais e tentando permanecer próximas a
adultos conhecidos.

Sintomas do Estresse - 2

Transtorno Somatoforme
O Transtorno Somatoforme pode ser mais uma das muitas manifestações clínicas
emocionais do Estresse. Os pacientes com Transtorno Somatoforme em geral são
poliqueixosos, com sintomas sugestivos de problemas funcionais de algum órgão ou
sistema ou de alterações nas sensações corpóreas sobre a funcionalidade do
organismo como um todo.
Estas síndromes funcionais podem aparecer como quadros dolorosos
incaracterísticos, transtornos cardiocirculatórios, ou qualquer outro órgão ou sistema,
que não se confirmam por exames especializados. Nota-se sempre, inclusive com
reconhecimento pelo próprio paciente, variação na intensidade das queixas conforme
alterações emocionais, embora a maioria deles insista em discordar do ponto de vista
médico que aponta para a possibilidade psíquica dos sintomas.
O principal aspecto do Transtorno Somatoforme é a queixa repetida de sintomas
físicos, juntamente com uma tendência persistente para investigações médicas, apesar
dos seguidos resultados negativos nos exames de diagnóstico. Caso haja algum
componente físico associado às queixas somáticas, aquele não explica as proporções
destas. Na maioria das vezes estes pacientes manifestam um comportamento
histriônico (teatral e histérico), o que motivava a antiga classificação ter incluído tais
transtornos no capítulo das histerias.
Normalmente esses pacientes somatoformes estão recebendo atenção médica
de mais de um profissional, envolvem mais de uma especialidade simultaneamente
e a sintomatologia se apresenta de maneira dramática, vaga e exagerada.
Os pacientes com queixas somáticas normalmente relatam uma história médica
bastante extensa, têm facilidade para memorizar nomes de medicamentos e de
doenças complicadas, conhecem quase tudo acerca de exames subsidiários e seus
relatos costumam ser um tanto dramáticos. São quase incapazes de referir uma dor
simplesmente como, por exemplo, uma pontada. Normalmente eles dizem que dói
como se um ferro em brasa estivesse entrando, como uma punhalada, como se
arrancassem seus órgãos, etc.

SINTOMAS DO TRANSTORNO DE SOMATIZAÇÃO


1 - vômitos 12 - dor durante o ato sexual
2 - palpitações 13 - dor nas extremidades
3 - dor abdominal 14 - impotência
4 - dor torácica 15 - dor lombar
5 - náuseas 16 - dismenorréia
6 - tonturas 17 - dor articular
7 - flatulência 18 - outras queixas menstruais
8 - ardência nos órgãos genitais 19 - dor miccional
9 - diarréia 20 - vômitos durante a gravidez
10 - indiferença sexual 21 - dor inespecífica
11 - intolerância alimentar 22 - falta de ar

Para o diagnóstico do Transtorno Somatoforme é importante que os sintomas


causem sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou
ocupacional ou em outras áreas importantes. A representação subjetiva dos
sintomas somatizados reflete sempre um aspecto sócio-cultural do paciente.
Em camadas menos diferenciadas da população notamos empobrecimento na
representação dos sintomas, como por exemplo, a menstruação que sobe para a
cabeça, o sangue sujo, uma dieta puerperal mal conduzida, a conseqüência
desastrosa de olhar no espelho depois da refeição, uma mistura fatal de manga com
leite, sustos capazes de provocar paralisias e assim por diante. Nos níveis mais
diferenciados a representação da doença é melhor elaborada, como por exemplo,
uma polineurite conseqüente à hipersensibilidade à algum medicamento.
De qualquer modo, a manifestação emocional somatizada não respeita posição
sócio-cultural, como podem suspeitar alguns, não guarda também relação com o
nível intelectual, pois, como já vimos, a emoção é senhora e não serva da razão.
O único fator capaz de atenuar as queixas é a capacidade da pessoa expressar
melhor seus sentimentos verbalmente. Quanto maior a capacidade do indivíduo
referir seu mal-estar através de discurso sobre suas emoções, como por exemplo,
relatando sua angústia, sua frustração, depressão, falta de perspectiva,
insegurança, negativismo, pessimismo e coisas assim, menor será a chance de
representar tudo isso através de palpitações, pontadas, dores, falta de ar, etc.

Sintomas do Esgotamento
O resultado do agravamento e da falta de tratamento para a situação de
Estresse pode resultar no "Esgotamento", um termo leigo mas de grande valor
descritivo. Diante do Esgotamento o organismo todo pode entrar em sofrimento. É
como se esgotasse não apenas nossa capacidade de adaptação às mais diversas
circustâncias de vida mas, sobretudo, a capacidade de nos adaptarmos à nós
mesmos.
Nesses casos de Esgotamento há acentuada perda no limiar de tolerância aos
estímulos externos e acentuada inadequação ambiental. O quadro clínico emocional
apresentado por uma pessoa com Esgotamento é o mesmo observado nos episódios
depressivos.
Entretanto, a Depressão pode aparecer sob duas formas; uma forma clássica,
melhor conhecida por todos e que podemos chamar de Depressão Típica, com
ansiedade, crises de choro imotivadas, angústia, tristeza e desânimo geral ou, de
outra forma, de maneira mascarada, a qual, didaticamente podemos chamar de
Depressão Atípica. Nesse caso a tristeza pode ser bem menor ou mesmo nem
aparecer e o estado de ânimo pode estar até normal.
Existem, como veremos, formas de Depressão com muitos sintomas físicos
misteriosos e dificilmente esclarecidos por exames médicos. Comecemos com os
sintomas vagos e atípicos que devem sugerir início de Depressão conseqüente ao
Esgotamento (Lista 1):

Dores sem causa cabeça, abdominais, pernas, costas, peito e


física: outras incaracterísticas
Alterações do sono: insônia ou sonolência excessiva
Perda de energia: desânimo, desinteresse, apatia, fadiga fácil
Irritabilidade: perda de paciência, explosividade, inquietação
apreensão contínua, inquietação, às vezes
Ansiedade:
medo inespecífico
Baixo alterações sexuais, memória, concentração,
desemprenho: tomada de decisões
tonturas, zumbidos, palpitações, falta de ar,
Queixas vagas:
bolo na garganta

Evidentemente não há necessidade da pessoa apresentar todos os sintomas


listados acima para suspeitar-se de Esgotamento com Depressão. Este mesmo
quadro numa determinada pessoa pode não ser igual à outra, baseado naquilo que
cada um sente ou mesmo, baseado nos traços de personalidade de cada um.
Os sintomas acima refletem uma espécie de esgotamento da capacidade de
adaptação às circunstâncias de vida, Esgotamento este, como dissemos, ocasionado
ou por excesso de fatores estressantes do dia-a-dia, ou por tendências depressivas
e ansiosas da própria pessoa.
Por outro lado, o quadro depressivo que acompanha o Esgotamento pode se
manifestar de forma típica. Vejamos, então, a lista dos 9 sintomas clássicos e
sugestivos de um quadro de franca Depressão Típica (Lista 2):

Humor deprimido quase


tristeza, angústia, pessimismo
diariamente:
Redução importante do perda do prazer com as coisas,
interesse: desinteresse
Alterações do peso: para mais ou para menos
Alterações do sono: insônia ou dormir demais (hipersonia)
Alterações psicomotoras: agitação, inquietação ou lentificação
apatia, preguiça, fadiga, perda de
Redução da energia:
força, cansaço
Redução da performance raciocínio, concentração e/ou
psíquica: memória diminuídos
pensar sobre, desejar ou não se
Idéias sobre a morte:
importar em morrer
auto-desvalorização, sentimentos de
Alterações da auto-estima:
culpa

Na realidade, os pacientes com quadro de esgotamento e franca Depressão


conseqüente, poderão sentir alguns (ou todos) dos sintomas da primeira lista (Lista
1) mais alguns (ou todos) sintomas dessa segunda lista (Lista 2).
SINTOMAS VARIADOS

Os sintomas do Estresse dependerão do tipo de personalidade em questão. Isso porque é muito


variável o impacto das situações estressoras sobre as diferentes pessoas. Um assalto, por
exemplo, pode desempenhar um grau de estresse diferente entre diferentes vítimas.
Outra questão que merece atenção é o aspecto cumulativo dos estímulos estressores; nem
sempre a reação de estresse que se vê no momento é decorrente exclusiva do estressor atual.
Às vezes pode se tratar de um efeito cumulativo de vários outros estressores anteriores.
Via de regra o organismo humano vai reagindo fisiologicamente na tentativa de adaptar-se às
circunstâncias.
Quando o Estresse evolui para a fase de Esgotamento surgem diversos e variados sintomas e
sinais que alertam a pessoa e o médico.
Alguns sintomas variados:
* Perda de concentração mental, esquecimento
* Fadiga fácil, fraqueza, mal-estar, esgotamento físico, apatia, falta de motivação
* Instabilidade, falta de controle, agressividade, tendência a discussões
* Depressão, angústia
* Palpitações cardíacas
* Suores frios, tonturas, vertigens
* Dores generalizadas
* Queixas físicas sem constatação médica
* Respiração alterada, ofegante e curta
* Extremidades (mãos e pés) frias e suadas
* Musculatura tensa e dolorida
* Indigestão, Gastrite, mudança de apetite
* Indigestão
* Dermatoses, alergias, queda de cabelo
* Tiques nervosos
* Isolamento, vontade de ficar sozinho, introspecção
* Alterações do sono, insônia
* Abuso de substâncias.
ESTRESSE INFANTIL

Até tempos atrás, o Estresse era tido como exclusividade dos adultos, sendo as crianças imunes
porque "elas não tinham problemas". Entretanto, recentes pesquisas mostram que, hoje em dia,
elas também têm sido acometidas ou, como se suspeita, hoje em dia elas passaram a merecer
também atenção quanto ao seu conforto emocional.
Entre as principais situações relacionadas ao Estresse Infantil considera-se importante: as
perdas familiares, mudança de cidade ou escola, separação dos pais, brigas entre os pais,
violência doméstica, quando um dos pais bebe e fica violento, exigência exagerada de
desempenho escolar, social ou no esporte, nascimento de irmãos, doenças e hospitalização.
O Estresse Infantil tem físicos e psicológicos. Entre eles podemos encontrar:
- Pesadelos
- Ansiedade
- Impaciência
- Medo excessivo
- Choro excessivo
- Introversão súbita
- Agressividade
- Desobediência
- Hipersensibilidade
Sintomas Físicos
- Diarréia crônica
- Tique nervoso
- Dor de cabeça
- Gagueira
- Tensão muscular
- Ranger de dentes
- Falta de apetite
- Dor de barriga
- Náusea
- Xixi na cama à noite
Geralmente o Estresse Infantil acomete crianças a partir dos 6 anos de idade e, com freqüência,
é primeiramente suspeitado quando começam os problemas de adaptação na escola. Pode ainda
se manifestar como agravamento de quadros pré-existentes, como por exemplo, asma,
obesidade, problemas de pele, alergias, recaídas de gripes e resfriados. Uma criança estressada
pode ser preditiva de futuro quadro depressivo na adolescência, de futuras dificuldade de
adaptação e auto-estima rebaixada.

Alterações no Estresse
Para ter uma noção geral das alterações orgânicas do Estresse, devemos ter em mente que tudo se
faz objetivando aumentar a performance do organismo; mais sangue sirculando na periferia, para
nutrir os músculos; pupilas dilatadas, para ver melhor, brônquis dilatados para oxigenar melhor o
sangue; aumento da freqüência cardíaca, dos níveis de glicose no sangue, etc.
Enfim tudo se faz no sentido de tornar a pessoa apta para uma mudança de atitude.
Com o tempo, não havendo interrupção do estresse, todo o organismo pode entrar em falência
O primeiro é o cérebro
O Hipotálamo é uma área cerebral nobre e intimamente relacionada ao Estresse. Ele ativa todo o
Sistema Nervoso Autônomo, em sua porção Simpática, para gerar respostas físicas, mentais e
psicológicas ao Estresse.
O Sistema Endócrino é mobilizado a partir da Hipófise (também chamada de Pituitária), que também
está no Hipotálamo, comandando várias glândulas por meio de hormônios.
Ansiedade, Esgotamento e Estresse

O MEDO E A ANSIEDADE
O medo pode matar, e isso não é nenhuma novidade na medicina.
A ansiedade, que é a versão civilizada do medo, também mata.
Os atos de violência, em qualquer de suas formas, desde violência coletiva, como é o caso da
guerra, dos atentados, das violações de direitos, etc, até a violência individualizada, como são
os assaltos, os estupros, a tortura, etc. podem ser comparados à uma espécie de câncer da
alma.
As vítimas diretas ou indiretas (familiares, testemunhas, etc) da violência correm um risco de
desenvolverem algum transtorno emocional em torno de 60%, enquanto a porcentagem da
população geral tem este mesmo risco reduzido a 20%.
Ações violentas sobre o psiquismo humano são aquelas que afetam profundamente a vida
psíquica do ser humano, isto é, que prejudicam o conforto psíquico.
Submetida a essas ações violentas sobre o psiquismo humano, a pessoa deixa de ser dona e
senhora de seu eu, deixa de governar-se e determinar-se a si mesma, perdendo,
conseqüentemente, o domínio de seu ser e de sua liberdade.

Ansiedade, Estresse e Esgotamento são termos de uso corrente entre as


pessoas participantes daquilo que se chama vida moderna.
Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na
Depressão como sendo formas de algum transtorno mental, é claro. Isso pode
parecer muito próximo do descontrole, da piração ou da loucura e, diante da
possibilidade de sermos afetados, pelo menos alguma vez na vida, pelo Estresse,
pelo Esgotamento ou pela Depressão, então será melhor não considerá-los como
formas de algum transtorno emocional.
Devemos considerar o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino
animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo
à uma nova situação.
Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global,
tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras
pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações
orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.
Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova
situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista
psicoemocional, quando há uma situação percebida como de ameaça.
De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova
(física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, conseqüentemente,
terá de superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a
manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.
Do ponto de vista psíquico o Estresse se traduz na Ansiedade. A Ansiedade é,
assim, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às
situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa
performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de
um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e
assim por diante.
De frente para o perigo nossa performance física faz coisas extraordinárias,
coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas.
Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme,
talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos
nossos ancestrais.Embora a Ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o
faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de
eficiência.
À partir de um ponto excedente a Ansiedade, ao invés de contribuir para a
adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da
capacidade adaptativa.

Nesse ponto crítico, onde a Ansiedade


foi tanta que já não favorece a adaptação,
ocorre o esgotamento da capacidade
adaptativa. Vejamos ao lado, a ilustração
de um gráfico hipotético, onde teríamos um
aumento da adaptação proporcional ao
aumento da Ansiedade até um ponto
máximo, com plena capacidade adaptativa.
A partir desse ponto o desempenho ou
adaptação cai vertiginosamente. Aí se
caracteriza o Esgotamento.

Em nossos ancestrais esse mecanismo foi destinado à sobrevivência diante dos


perigos concretos e próprios da luta pela vida, como foi o caso das ameaças de
animais ferozes, das guerras tribais, das intempéries climáticas, da busca pelo
alimento, da luta pelo espaço geográfico, etc.
No ser humano moderno, apesar dessas ameaças concretas não mais existirem
em sua plenitude tal como existiram outrora, esse equipamento biológico continuou
existindo. Apesar dos perigos primitivos e concretos não existirem mais com a
mesma freqüência, persistiu em nossa natureza a capacidade de reagirmos
ansiosamente diante das ameaças.
Com a civilidade do ser humano outros perigos apareceram e ocuparam o lugar
daqueles que estressavam nossos ancestrais arqueológicos. Hoje em dia tememos a
competitividade social, a segurança social, a competência profissional, a
sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças
abstratas e reais, enfim, tudo isso passou a ter o mesmo significado de ameaça e de
perigo que as questões de pura sobrevivência à vida animal ameaçavam nossos
ancestrais. Se na antigüidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha um
determinado objeto real à combater (fugir ou atacar), localizável no tempo e no
espaço, hoje em dia esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças vivem,
dormem e acordam conosco.
Se, em épocas primitivas o coração palpitava, a respiração ofegava e a pele
transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos estressados diante
da invasão de uma tribo inimiga, hoje em dia nosso coração bate mais forte diante
do desemprego, dos preços altos, das dificuldades para educação dos filhos, das
perspectivas de um futuro sombrio, dos muitos compromissos econômicos cotidianos
e assim por diante. Como se vê, hoje nossa Ansiedade é continuada e crônica. Se a
adrenalina antes aumentava só de vez em quando, hoje ela está aumentada quase
diariamente.
A Ansiedade aparece em nossa vida como um sentimento de apreensão, uma
sensação de que algo está para acontecer, ela representa um contínuo estado de
alerta e uma constante pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos.
Desse jeito nosso domingo têm uma apreensão de segunda-feira e a pessoa antes
de dormir já pensa em tudo que terá de fazer quando o dia amanhecer. É a corrida
para não deixar nada para trás, além de nossos concorrentes. É um estado de
alarme contínuo e uma prontidão para o que der e vier.
As férias são tranqüilas e festivas apenas nos primeiros dias mas, logo em
seguida, começamos a nos agitar: ou porque sentimos que não estamos fazendo
alguma coisa que deveríamos fazer, embora não saibamos bem o que, ou porque
pensamos em tudo aquilo que teremos de fazer quando as férias terminarem.
A natureza foi generosa oferecendo-nos a atitude da Ansiedade ou Estresse, no
sentido de favorecer sempre a adaptação. Porém, não havendo período suficiente
para a recuperação desse esforço psíquico, o qual restabeleceria a saúde, ou
persistindo continuadamente os estímulos de ameaça que desencadeiam a reação de
Estresse, nossos recursos para a adaptação acabam por esgotar-se. O Esgotamento
é, como diz o próprio nome, um estado onde nossas reservas de recursos para a
adaptação se acabam.
Organicamente, no Esgotamento, há alterações significativas nas glândulas
supra-renais (produtoras de de adrenalina e cortisona), há dificuldades no controle
da pressão arterial, há alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema
imunológico, no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras.
Psiquicamente a Ansiedade crônica ou Esgotamento leva à um estado de apatia,
desinteresse, desânimo e de pessimismo em relação à vida.
Os sintomas mais comuns da ansiedade podem ser listados como abaixo e,
normalmente costumam estar relacionados à estresse ambiental crônico, têm um
curso flutuante, variável e tendência à cronificação.

SINTOMAS ASSOCIADOS À ANSIEDADE CRÔNICA


01 - tremores ou sensação de fraqueza
02 - tensão ou dor muscular
03 - inquietação
04 - fadiga fácil
05 - falta de ar ou sensação de fôlego curto
06 - palpitações
07 - sudorese, mãos frias e úmidas
08 - boca seca
09 - vertigens e tonturas
10 - náuseas e diarréia
11 - rubor ou calafrios
12 - polaciuria (aumento de número de urinadas)
13 - bolo na garganta
14 - impaciência
15 - resposta exagerada à surpresa
16 - dificuldade de concentração ou memória prejudicada
17 - dificuldade em conciliar e manter o sono
18 - irritabilidade

O Esgotamento tem origem em duas ocasiões:


1. - Primeiro, quando a situação à qual o indivíduo terá que adaptar-se
(estímulo externo ou interno) exigir intensa participação emocional e persistir
continuadamente. Nesse caso há um esgotamento por falência adaptativa devido aos
esforços (emocionais) para superar uma situação persistente. Isso quer dizer que o
estímulo para o estresse seria ameaçador tanto para a pessoa que à ele reage,
quanto para outras pessoas submetidas ao mesmo estímulo.
2. - Em segundo lugar, quando a pessoa não dispõe de uma estabilidade
emocional suficientemente adequada para adaptar-se à estímulos não tão
traumáticos, objetivamente falando. Isso quer dizer que a pessoa sucumbiria
emocionalmente à situações não tão agressivas à outras pessoas colocados na
mesma situação mas, não obstante, agressivas particularmente à ela.
Digamos, então, que o esgotamento ou a ansiedade crônica e patológica poderia
surgir diante de duas circunstâncias: decorrente daquilo que o mundo traz à pessoa
(Agentes Ocasionais) ou, por outro lado, decorrente daquilo que a pessoa traz ao
mundo (Disposições Pessoais). A primeira representada pelo destino da pessoa e a
segunda pelo seu perfil afetivo. Não obstante, o destino poderá modelar
determinadas formas de valorizar a realidade em grande número de pessoas
Estímulos que Produzem Ansiedade e, conseqüentemente,
Estresse
Se hoje sabemos muito sobre o Estresse e a Ansiedade, tanto do ponto de vista
comportamental quanto neuroquímico, pouco sabemos ainda sobre seu aspecto
principal ou primordial. Pouco sabemos sobre esse tal estímulo desencadeador ou
estressor. É por aí onde tudo começa, ou seja, todas as reações orgânicas, as
atitudes, emoções, comportamentos, alterações químicas fisiológicas, etc e tal,
começam sempre à partir do tal estímulo.
Conforme já comentamos, a Ansiedade e o Estresse não são monopólio do ser
humano. Se colocarmos um gato junto de um cão num espaço fechado, depois de
algum tempo esse gato estará Esgotado; primeiro ele terá muita Ansiedade, entrará
em Estresse e, pela continuidade do estímulo agressivo (presença do cão) se
esgotará.
Tendo em vista o fato do gato representar para o cão uma ameaça menos
agressiva que o cão representa para o gato, o cão ficará esgotado depois do gato.
Nesse caso o cão representa para o gato um estímulo agressivo: externo, por estar
fora do gato e, inato, por fazer parte da natureza biológica de todos os gatos.

Nos ANIMAIS No SER HUMANO


Origem Natureza Origem Natureza
EXTERNOS Condicionados EXTERNOS Adversidades
Conflitos
INTERNOS Inatos INTERNOS Transtornos Afetivos
Traços de Personalidade

Assim sendo, nos animais os estímulos para desencadear-se a Ansiedade


também podem ter duas origens: quanto à natureza eles podem ser inatos, como
vimos, do tipo gato tem medo de cachorro ou, de outra forma, condicionados por
treinamento e experiência. Quanto à origem serão internos, caso se trate de
instintos e externos, quando for o caso do treinamento ou condicionamento (veja
Quadro).
No ser humano dito civilizado, esses estímulos também costumam ter duas
origens; podem ser externos e internos. Os estímulos internos são oriundos dos
conflitos íntimos. Os estímulos externos, por sua vez, representam as ameaças
concretas do cotidiano de cada um.
Nossa capacidade de conhecer o mundo proporciona uma percepção pessoal da
realidade. Essa percepção pessoal da realidade, diferente em cada um de nós, é
chamada de procepção da realidade. A principal idéia que devemos ter disso é que a
realidade será sempre representada intimamente e de acordo com a personalidade
de cada um.
Essa percepção pessoal da realidade engloba toda nossa maneira de ver e sentir
o mundo. Engloba não apenas a concepção que temos das coisas que estão fora da
gente, como é o mundo objectual, como também os conceitos que temos dentro de
nós. Isso inclui a imagem que temos de nós mesmos, ou seja, inclui nossa própria
auto-estima.
Nossa auto-estima pode ser representada favoravelmente ou não, de acordo
com a tonalidade afetiva de cada um. Algumas pessoas se vêem ótimos, outras se
vêem péssimos. Assim sendo, a idéia que nós temos de nós mesmos pode ser um
estímulo agressivo e causador de Ansiedade, caso seja uma idéia a nos perturbar
constantemente.
É por causa desses estímulos internos que a Ansiedade humana tem sido
constante e às vezes patológica. As ameaças externas não costumam ser tão
constantes quanto as internas. Vejamos o caso das ameaças concretas acerca de
nossa segurança pessoal, por exemplo: a ameaça de ser assaltados, agredidos,
morto, etc. Possibilidades até existem, nos grandes centros, mas normalmente não é
continuada. Há situações onde podemos nos sentir seguros, racionalmente falando.
Por outro lado, o estímulo interno não é racional, é emocional. Isso quer dizer que
podemos estar ansiosos devido ao medo de sermos assaltados, agredidos,
humilhados, demitidos, etc., embora tais possibilidades sejam mínimas na prática.
Da mesma forma, podemos dizer que ficar doente seja uma ameaça séria, um
estímulo ameaçador importante. É claro que é. Entretanto, podemos experimentar
uma grande Ansiedade devido ao fato de pensarmos que podemos ficar doentes.
Esse estímulo já é interno e não externo. Seria externo caso houvesse, de fato,
sinais de que nossa saúde foi abalada. Enquanto houver apenas o medo de passar
mal, de poder ficar doente, isso será uma ameaça interna.
Ora, enquanto nos animais os estímulos agressivos externos aparecem
periodicamente, no ser humano a presença dos estímulos internos pode ser
continuada. Havendo uma afetividade problemática, insegurança e pessimismo,
vamos sentir ameaças internas continuadamente. Vamos dormir com essas ameaças
e acordar com elas. Portanto, nessas circunstâncias podemos ter o Esgotamento.
Psicologicamente, para o ser humano a agressão depende mais do agente
agredido que do agente agressor. Isso quer dizer que o estímulo para desencadear a
Ansiedade depende, no mais das vezes, mais da sensibilidade da pessoa do que do
estímulo propriamente dito. Para uma pessoa claustrofóbica, estar num elevador não
significa simplesmente estar objetivamente num elevador.
Será a Personalidade de cada um quem, de fato, atribuirá valores e significados
aos acontecimentos, tomando-os ou não por estressantes, angustiantes, temerosos,
ameaçadores e assim por diante. Um Ego funcionando adequadamente é capaz de
prover a adaptação necessária entre o mundo externo e interno, ou entre o indivíduo
e seu ambiente, ou, finalmente, entre o ser e seu destino. Sempre que houver
fragilidade desse Ego, haverá comprometimento na adaptação e desequilíbrio entre
o ser e o mundo ou, resumindo, haverá uma Ansiedade crônica.
Como vimos acima, os estímulos capazes de proporcionar a Ansiedade podem
ser externos, denominados geralmente de circunstanciais e interpessoais,
representados pelo embate entre as forças opressoras do ambiente e as condições
da pessoa. Mesmo em se tratando de estímulos externos, provenientes do mundo
objetivo, sua natureza agressiva poderá ser mais traumática ou menos traumática,
dependendo da conotação à ele atribuída por nossa pessoa. Os estímulos podem
ainda ser internos, denominados intrapsíquicos, onde se situam os Conflitos pessoais
da pessoa normal ou os transtornos afetivos e traços ansiosos de personalidade nas
pessoas mais problemáticas.
A existência dos conflitos pode ser considerada fisiológica na espécie humana,
ou seja, eles existem em todos nós e parecem ser essenciais ao desenvolvimento da
Ansiedade. Em nosso cotidiano, sem termos plena consciência, experimentamos um
sem-número de pequenos Conflitos, interpessoais ou intrapsíquicos; as tensões
entre ir e não ir, fazer e não fazer, querer e não poder, dever e não querer, querer,
poder e não dever, a assim por diante.
Finalmente, devemos entender que os estímulos necessários para determinar a
Ansiedade são proveniente de duas origens: são externos, quando se devem à
sucessão de acontecimentos de nossa vida aos quais temos que nos adaptar e
internos, quando se originam dentro de nós mesmos, de nossos medos, nossos
pensamentos negativos, nossas inseguranças. No ser humano os estímulos
produtores de Ansiedade costumam ser, predominantemente, de origem interna e
pessoal, decorrentes da valoração individual que a pessoa atribui à sua realidade e
aos fatos com os quais se depara

Estresse e Trabalho

Estresse no Trabalho Inicialmente devemos ter solidamente em mente, que o estresse não é
uma doença limitada a por si própria. Ele proporciona o desenvolvimento de outros males. O
estresse pode ser entendido como um estado de desequilíbrio da pessoa (veja que não é usado
o termo mental nem físico) que se instala quando esta é submetida a uma série de tensões
suficientemente fortes ou suficientemente persistentes.
Supondo que o ser humano moderno divide sua vida entre sua casa, seu trabalho e sua
sociedade cultural, não há como procurar tratar do estresse determinado por causas exteriores,
sem comentar sobre os estressores possivelmente oriundos desses 3 ambientes.

Talvez o ambiente do trabalho tenha se modificado e acompanhado o avanço das


tecnologias com mais velocidade do que a capacidade de adaptação dos trabalhadores.
Os profissionais vivem hoje sob contínua tensão, não só no ambiente de trabalho,
como também na vida em geral.
Há, portanto, uma ampla área da vida moderna onde se misturam os estressores
do trabalho e da vida cotidiana. A pessoa, além das habituais responsabilidades
ocupacionais, além da alta competitividade exigida pelas empresas, além das
necessidades de aprendizado constante, tem que lidar com os estressores normais da
vida em sociedade, tais como a segurança social, a manutenção da família, as
exigências culturais, etc. É bem possível que todos esses novos desafios supere os
limites adaptativos levando ao estresse.
O tipo de desgaste à que as pessoas estão submetidas permanentemente nos
ambientes e as relações com o trabalho são fatores determinantes de doenças. Os
agentes estressores psicossociais são tão potentes quanto os microorganismos e a
insalubridade no desencadeamento de doenças. Tanto o operário, como o executivo,
podem apresentar alterações diante dos agentes estressores psicossociais.
O desgaste emocional a que pessoas são submetidas nas relações com o trabalho
é fator muito significativos na determinação de transtornos relacionados ao estresse,
como é o caso das depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, doenças
psicossomáticas, etc. Em suma, a pessoa com esse tipo de estresse ocupacional não
responde à demanda do trabalho e geralmente se encontra irritável e deprimida.
Um dos agravantes do Estresse no Trabalho é a limitação que a sociedade
submete as pessoas quanto às manifestações de suas angústias, frustrações e
emoções. Por causa das normas e regras sociais as pessoas acabam ficando
prisioneiras do politicamente correto, obrigadas a aparentar um comportamento
emocional ou motor incongruente com seus reais sentimentos de agressão ou medo.
No ambiente de trabalho os estímulos estressores são muitos. Podemos
experimentar ansiedade significativa (reação de alarme) diante de desentendimentos
com colegas, diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo, diante da insatisfação
salarial e, dependendo da pessoa, até com o tocar do telefone. A desorganização no
ambiente ocupacional põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do
trabalhador. Geralmente as condições pioram quando não há clareza nas regras,
normas e nas tarefas que deve desempenhar cada um dos trabalhadores, assim como
os ambientes insalubres, a falta de ferramentas adequadas.
Fatores intrapsíquicos (interiores) relacionados ao serviço também contribuem
para a pessoa manter-se estressada, como é o caso da sensação de insegurança no
emprego, sensação de insuficiência profissional, pressão para comprovação de
eficiência ou, até mesmo, a impressão continuada de estar cometendo erros
profissionais. Isso tudo sem contar os fatores internos que a pessoa traz consigo
para o emprego, tais como, seus conflitos, suas frustrações, suas desavenças
conjugais, etc.
O extremo oposto, ou seja, ter uma vida sem motivações, sem projetos, sem
mudanças na ocupação ao longo de muitos anos, sem perspectivas de crescimento
profissional, assim como passar por período de desocupação no emprego também
pode provocar o mesmo desenlace de Síndrome de Burnout. Mesmos sintomas
podem surgir em ambos casos, ou seja, falta de autoestima, irritabilidade,
nervosismo, insônia e crise de ansiedade, entre outros.
Sobrecarga
A sobrecarga de agentes estressores também pode ser considerada um fator
importante para eclosão do estresse patológico no trabalho. A sobrecarga de
estímulos estressores é um estado no qual as exigências do ambiente excedem
nossa capacidade de adaptação. Os quatro fatores principais que contribuem para a
demanda excessiva de agentes estressores no trabalho são:
1. urgência de tempo;
2. responsabilidade excessiva;
3. falta de apoio;
4. expectativas excessivas de nós mesmos e daqueles que nos cercam.
Falta de Estímulos
A falta de estímulos também pode resultar em estresse patológico e doença. O
risco de ataques cardíacos, por exemplo, são significativamente maiores nos dois
primeiros anos após a aposentadoria. Nesses casos a condição associada ao
estresse costuma ser o tédio, a sensação de nulidade e/ou a solidão, portanto, a
falta ou escassez de solicitações também proporciona situações estressoras.
Às vezes, no final do dia, sentimos nosso corpo exausto mas, apesar disso,
experimentamos uma agradável sensação de bem estar. Em geral uma atividade
pode se tornar muito gratificante quando possui um significado especial ou quando
desperta grande interesse em nós.
No trabalho, as atividades medíocres, destituídas de significação ou aquelas
onde não temos noção do porquê estamos fazendo isso ou aquilo, podem ser
extremamente estressantes. As tarefas alta-mente repetitivas ou desinteressantes
também podem produzir estresse. Essas situações de carência de solicitações ou a
sensação de falta de significado para as coisas que fazemos costumam também
causar estresse em crianças e idosos.
Ruído
O ruído excessivo pode causar estresse pela estimulação do Sistema Nervoso
Simpático, provocando irritabilidade e diminuindo o poder de concentração. Dessa
forma, o ruído pode ter um efeito físico e/ou psicológico, ambos capazes de
desencadear a reação de estresse. Este fator estressante pode produzir alterações
em funções fisiológicas essenciais, como é o caso do sistema cardiovascular.
O ruído também pode influenciar outros hormônios, como a testosterona, por
exemplo, e dessa forma, pode ter efeitos prolongados sobre o organismo,
considerando que as alterações hormonais são sempre de efeito mais longo.
Experiências com pilotos de aeronaves na Argentina demonstraram que, ao ficarem
expostos aos ruídos de alta intensidade das turbinas aéreas, sua produção de
testosterona reduziu-se pela metade. Além disso, foi relatada uma forte correlação
entre a perda de audição devida a ruídos e a concentração plasmática de magnésio.
Alterações do Sono
O contínuo atraso do sono pelos horários de trabalho, viagens e variações do
rítmo das atividades sociais, facilitadas pelo uso da luz elétrica e atrações noturnas,
pode levar à insônia e, conseqüentemente ao estresse. Na síndrome de fusos
horários das viagens internacionais, recomenda-se não tomar decisão importante ou
não competir antes da readaptação fisiológica.
Os operários que fazem turnos ou têm trabalho noturno, geralmente possuem
um sono de má qualidade no período diurno. Isso se dá em decorrência dos
conflitos sociais (coisas que fazemos de dia e coisas que fazemos de noite) e do
excesso de ruído diurno. Essa má qualidade do sono acabará provocando aumento
da sonolência no período de trabalho (seja noturno ou diurno), muitas vêzes
responsável por acidentes, desinteresse, ansiedade, irritabilidade, perda da
eficiência e estresse.
Falta de Perspectivas
A esperança, perspectiva ou expectativa otimista é uma das motivações que mais
aliviam as tensões do cotidiano. Saber (ou achar) que amanhã será melhor que
hoje, ou o mês que vem melhor que este, ou ano que vem será bem melhor, etc,
são sentimentos que aliviam e minimizam a ansiedade e a frustração do cotidiano.
Está claro que na falta das boas perspectivas ou, o que é pior, na presença de
perspectivas pessimistas a pessoa ficará totalmente à mercê dos efeitos ansiosos do
cotidiano, sem esperanças de recompensas agradáveis. Há ambientes de trabalho
onde o futuro se mostra continuamente sombrio. É completamente falso acreditar
que funcionários temerosos produzem mais. O medo motiva para a ação durante
um breve período de tempo (veja a fisiologia do estresse), mas logo sobrevêm o
estado de esgotamento com efeitos imprevisíveis.
Mudanças Constantes
Esse assunto merece considerações mais amplas. As necessidades de
mudanças podem ser comparadas a um ciclo vicioso; o momento presente está
quase sempre exigindo mudanças, essas mudanças acabam trazendo novos
problemas. Esses problemas despertam novas soluções, as quais passam a exigir
novas mudanças e assim por diante.
Mudanças determinadas pela empresa
Esse tipo de mudanças pode ser determinada por uma nova chefia ou devido à
nova orientação geral da empresa, seja por causa de alguma fusão ou aquisição da
empresa. Normalmente esse tipo de mudança pode gerar muita insegurança,
inicialmente.
Até agora associamos sempre o estresse à adaptação e, diante das mudanças,
o que mais se solicita das pessoas é a adaptação, portanto, é o momento onde o
estresse está acontecendo. Evidentemente as pessoas naturalmente possuidoras de
dificuldades adaptativas sofrerão mais. Abrir mão de métodos usuais para aprender
ou aceitar novos métodos sempre exige uma participação emocional importante.
A pessoa que passa por momentos de ansiedade e estresse por causa de
mudanças deve ter em mente que, mesmo que o departamento esteja sendo
"desmontado" ou algum colega estimado esteja perdendo sua posição, ela
continuará sendo o mesmo profissional que é, seus conhecimentos continuarão
intactos e a empresa poderá utilizá-los até de forma melhor na nova situação.
Nessa situação o mais importante é não deixar que considerações emocionais
(mágoa, orgulho, inveja, rancor, etc) dominem o lado racional.
Mudanças devidas à novas tecnologias
A tecnologia normalmente está em contínua substituição por sistemas mais
modernos. Nessa situação também as pessoas são emocionalmente solicitadas à se
adaptar ao novo. Nesse caso o estresse será variável, de acordo com as Disposições
Pessoais e de acordo com o tipo dessa nova tecnologia a ser implantada.
Pela Disposição Pessoal sofrerão mais as pessoas com instabilidade afetiva,
com traços marcantes de ansiedade ou já previamente estressadas. Em relação às
próprias mudanças, sofrerão mais as pessoas confrontadas com novas tecnologias
ideologicamente diferentes das anteriores.
Na Inglaterra, há anos, foi feita uma pesquisa entre trabalhadores de uma
refinaria de petróleo e de uma central telefônica, ambas submetidas à mudanças
tecnológicas radicais. Na refinaria, apesar das mudanças para automação terem
sido profundas, como o sistema de craqueamento do petróleo é sempre o mesmo, a
incidência de estresse foi mínima entre os funcionários, inclusive entre os mais
antigos.
Entretanto, na telefônica a situação foi muito diferente. O novo sistema não
tinha nenhuma analogia com o anterior e os funcionários mais antigos tiveram que
ser transferidos ou demitidos. Isso mostra que as exigências para adaptação ao
novo exercem profundo impacto sobre a ansiedade (e estresse, conseqüentemente)
das pessoas.
Mudanças devidas ao mercado
As constantes exigências do mercado sempre são levadas a sério pelas
empresas e, freqüentemente, determinam mudanças de procedimentos no trabalho.
Os ansiosos tende mais para o estresse devido, principalmente, à ansiedade
antecipatória, ou seja, a ansiedade que aparece muito antes de quaisquer
resultados das mudanças.
Embora o bom senso recomende que as pessoas devam estar continuamente
atentas aos resultados dessas mudanças, sofrer antecipadamente não resolve
problemas, não facilita a adaptação e podem determinar atitudes precipitadas
danosas.
Mudanças auto-impostas
São as exigências que fazemos de nós mesmos. Em psiquiatria, o mais sadio é
que estejamos sempre inconformados e sempre adaptados. Isso significa que,
através do inconformismo estamos sempre buscando fazer com que o amanhã seja
melhor que o hoje. Entretanto, é indispensável que a pessoa se mantenha adaptada
às circunstâncias atuais, mesmo que sejam circunstâncias adversas.
Sadio seria reclamar do trânsito, quando este está ruim, para podermos buscar
opções que melhorem nossa vida em relação à esse trânsito (mudar itinerários,
horários, etc), outra coisa é estarmos padecendo de hipertensão, úlcera, ansiedade
ou enxaqueca por causa desse trânsito ruim. Essa é a diferença.
O próprio inconformismo humano exige uma reciclagem constante, ou seja,
exige mudanças continuadas e necessidades de adaptação à essas mudanças.
Encarar a mudança sob uma perspectiva de crescimento e adequação pode ajudar
nossa adaptação, considerá-la uma tarefa tediosa, inútil e humilhante "para quem
já sabe tanto", favorece o descontentamento, a ansiedade e, conseqüentemente, o
estresse.
Ergonomia
O conforto humano em seu trabalho deve ser sempre considerado, em se
tratando de estresse. Como enfatizamos sempre, não devemos privilegiar apenas as
razões emocionais em relação ao estresse, por ser este uma alteração global do
organismo (não apenas emocional).
Aqui deve ser considerado o conforto térmico, acústico, as horas trabalhadas
ininterruptamente, a exigência física, postural ou sensoperceptiva e outros
elementos associados ao desempenho profissional. Ambientes hostis, em termos de
temperatura, unidade do ar e contacto com agentes agressivos à saúde fazem parte
da exigência física a que alguns trabalhadores estão submetidos. Daí a enorme
importância do acessoramento técnico da Medicina do Trabalho para prevenir
estados de esgotamento.
Atividades que exigem posições anti-fisiológicas, repetitividade de exercícios
danosos, e permanência exagerada em atitudes cansativas fazem parte das
exigências posturais a que são submetidas as pessoas durante o trabalho.
ESTÍMULOS DO ESTRESSE
Alguns estímulos estressores são classificados segundo o tempo necessário para produzirem
estresse. Entre os estressores classificados de curto prazo temos a sensação de fracasso, a
carga de trabalho, a pressão de tempo, as ameaças, o medo etc. Entre os estressores
classificados de longo prazo, as situações de competição, ambientes de perigo e o trabalho
monótono.
As conseqüências desse estresse do trabalho é um fator significativo na determinação de certas
doenças.

Alterações Hormonais no Estresse

HORMÔNIOS
Os hormônios produzidos pelas glândulas e os neuro-hromônios originados no cérebro, são os
responsáveis pelo funcionamento harmônico de todo organismo.
Quando há desequilíbrio na produção ou distribuição dos hormônios podem ocorrer interferências em
quase todas atividades orgânicas.
Os principais hormônios do corpo são aqueles produzidos pela Hipófise. São eles: TSH (hormônio
estimulante da tireóide), ACTH (hormônio estimulante da supra-renal), PRL (prolactina, hormônio
responsável pela lactação), GH (hormônio do crescimento), FSH e LH (hormônios estimulantes das
gonadotrofinas).
Ainda as endorfinas,
produzidas pelo córtex cerebral. Trata-se de um analgésico natural, responsável pela sensação de
bem-estar, tranqüilidade e pode inibir o estresse.
Durante atividade física, por exemplo, o corpo libera adrenalina, hormônio que dilata os vasos
sangüíneos para nos deixar em estado de alerta e aumentar a força e a disposição. No repouso a
endorfina ajuda a relaxar.
Pessoas que fabricam maior quantidade dessa substância podem ser mais tolerantes à dor.
No estresse todos esses hormônios hipofisários e mesmo as endorfinas podem sofrer alterações, logo,
todas as glândulas sobre as quais esses hormônios agirão, igualmente podem sofrer alterações.
Outros hormônios produzidos por diversas glândulas:
Testosterona
Nos homens a testosterona é produzida principalmente pelos testículos; nas mulher pela supra-renal e
em pequena proporção pelos ovários.
Na mulher, quando a testosterona tem níveis muito baixos, ocorrerá uma diminuição da libido (desejo
sexual). Por outro lado, quando há aumento de testosterona pode aparecer acne, aumento dos pêlos,
alteração na voz, irregularidades menstruais, aumento da oleosidade da pele e da massa muscular.
Cortisona
A cortisona é liberada pelas Suprarrenais. Ela age sobre todo o metabolismo e sua falta pode afetar
todos os órgãos.
Geralmente provoca perda de peso, hipotensão arterial, hipoglicemia, vontade de comer sal e fadiga
muscular.
Insulina
A insulina é elaborada pelo pâncreas. A secreção aumentada de insulina pode levar à diminuição do
açúcar no sangue (hipoglicemia), resultando em frqueza e desmaios. Quando falta a insulina mantém
o açúcar mais no sangue que dentro das céliulas, causando o diabetes.
Adrenalina
É o hormônio liberado em situações de estresse, A adrenalina é produzida pelas suprarrenais e tem
sua função ao contrário da endorfina. A adrenalina acelera o funcionamento de todo organismo.
A falta de adrenalina, que acontece depois de instalada a Fase de Esgotamento do estresse, pode
causar a baixa aa pressão arterial, desanimo e disatenção.
Quando em excesso, que acontece na Fase de Alarme do estresse, faz o coração bater mais rápido,
provoca irritação, agitação e produção de suor.
Na reação simpática da Fase de Alarme do Estresse é onde ocorre maior secreção
de hormônios anti-inflamatórios, como por exemplo, um dos corticosteroides, a
desoxicorticosterona, conhecida DOC.
Este corticóide produz um aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial ,
bem como um aumento da freqüência respiratória e dilatação dos brônquios. Tudo isso
permitirá maior circulação de sangue, maior oxigenação dos tecidos.
Também se verifica, contração do baço, com propósito de enviar mais glóbulos
vermelhos ao sangue circulante; há maior liberação de glicose pelo fígado na corrente
sangüínea, para fornecer mais energia aos músculos e ao cérebro; maior dilatação
pupilar, aumentando o campo de visão; aumento de linfócitos no sangue, para reparar
possíveis danos físicos e defender contra eventuais agentes agressores.
Porém, nas situações de ação exagerada do Sistema Simpático haverá não mais
uma melhora da performance, mas uma queda em todas funções orgânicas, desde a
perda da resistência imunológica, tornando-se mais vulnerável às doenças, perda de
tecidos estruturais, até crises hipertensivas ou hipotensoras, diabetes, lesões de pele,
cardíacas, etc.
De modo geral, podemos dizer que, num primeiro momento, as suprarrenais
aumentam a secreção de Noradrenalina, objetivando preparar o organismo para a
ação, em seguida passa a liberar a adrenalina e, por fim o cortisol. E nessa fase do
cortisol que já podemos antever uma possível exaustão geral.
Na reação simpática da Fase de Alarme do Estresse é onde ocorre maior secreção
de hormônios anti-inflamatórios, como por exemplo, um dos corticosteroides, a
desoxicorticosterona, conhecida DOC.
Este corticóide produz um aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial ,
bem como um aumento da freqüência respiratória e dilatação dos brônquios. Tudo isso
permitirá maior circulação de sangue, maior oxigenação dos tecidos.
Também se verifica, contração do baço, com propósito de enviar mais glóbulos
vermelhos ao sangue circulante; há maior liberação de glicose pelo fígado na corrente
sangüínea, para fornecer mais energia aos músculos e ao cérebro; maior dilatação
pupilar, aumentando o campo de visão; aumento de linfócitos no sangue, para reparar
possíveis danos físicos e defender contra eventuais agentes agressores.
Porém, nas situações de ação exagerada do Sistema Simpático haverá não mais
uma melhora da performance, mas uma queda em todas funções orgânicas, desde a
perda da resistência imunológica, tornando-se mais vulnerável às doenças, perda de
tecidos estruturais, até crises hipertensivas ou hipotensoras, diabetes, lesões de pele,
cardíacas, etc.
De modo geral, podemos dizer que, num primeiro momento, as suprarrenais
aumentam a secreção de Noradrenalina, objetivando preparar o organismo para a
ação, em seguida passa a liberar a adrenalina e, por fim o cortisol. E nessa fase do
cortisol que já podemos antever uma possível exaustão geral

Resumindo o que já vimos na fisiologia do Estresse, toda revolução orgânica


começa com ativação do eixo que vai de uma região cerebral, o Hipotálamo, até as
Glândulas Suprarrenais, o chamado eixo hipotalâmico-hipófise-suprarrenal. Essa série
de respostas hormonais tem, entãoi, início na Reação de Alarme. O estímulo
estressor determina a secreção de hormônio corticotropina (ACTH) ao nível do
Hipotálamo, este ACTH produzirá uma ação à distância, ou seja, causando liberação
dos hormônios das Glândulas Suprarrenais.
Esse estímulo Hipófise-Suprarrenal se interrompe pelo mecanismo de feed-back,
ou seja, os hormônios suprarrenais agem de volta no Hipotálamo inibindo-o. A isso
damos o nome de mecanismo feedback negativo, necessário para restabelecer o
equilíbrio, tão logo desapareça a necessidade estressora de adaptação.
Nos casos de Estresse crônico e estimulação continuada, o organismo mantém seu
esforço de adaptação continuadamente. Trata-se da Fase de Resistência, visto ao
estudarmos a Fisiologia.
De qualquer forma, durante os estados de tensão, as Glândulas Suprarrenais
produzem catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) em excesso. Essas
catecolaminas podem causar uma excitação inicial, indispensável para desencadear a
Síndrome Geral de Adaptação, seguida depois, como vimos, por uma Fase de
Resistência ou Adaptação, na qual o equilíbrio corporal, mais ou menos precário, é
mantido.
Assim sendo, essa Fase de Resistência ou Adaptação se caracteriza pela
hiperatividade das Suprarrenais por ação continuada da Hipófise e, evidentemente, do
Hipotálamo. Essa atividade continuada e aumentada das Suprarrenais, apesar de
facilitarem a adaptação do organismo durante a Reação de Alarme, com a continuidade
do Estresse pode causar atrofia do baço, do tecido linfóide e de estruturas linfáticas,
com conseqüente queda da defesa imunológica, ulceras e aumento de alergias.
Se os estímulos estressores continuarem por mais tempo, embora a resposta
hipotalâmica-suprarrenal se mantenha, ocorrerá uma diminuição da intensidade das
respostas. É a fadiga orgânica ou a terceira fase de todo o processo, a Fase de
Esgotamento ou Exaustão, com severa dificuldade na manutenção dos mecanismos
adaptativos, perda de reservas, enfraquecimento geral, imunidade deprimida e, não
raras vêzes, podendo levar à morte.
A medula suprarrenal secreta regularmente duas catecolaminas na seguinte
proporção: 80% de adrenalina e 20% de noradrenalina. O cortisol, a aldosterona e
hormônio masculino, o andrógeno, são secretadas pelo córtex suprarrenal. Na Fase de
Esgotamento ou Exaustão do estresse é quando as Glândulas Suprarrenais liberam os
corticóides. Os efeitos conseqüentes ao excesso da secreção de corticóides para o
organismo devem ser detectados para se adotar rapidamente medidas de tratamento.
No metabolismo geral os corticóides estimulam a gliconeogênese (mobilização da
glicose a partir do glicogênio armazenado no fígado) ao mesmo tempo em que
diminuem a utilização da glicose celular. Isso aumenta muito a concentração de glicose
no sangue (hiperglicemia) e pode agravar, sobremaneira, os quadros de diabetes.
Além disso, ainda como agravante da diabetes, os corticóides mobilizam os
aminoácidos e ácidos graxos e inibem os efeitos da insulina. É por isso que muitos
autores atribuem grande peso psicossomático à diabetes.
No sangue, os corticóides em excesso aumentam o número de leucócitos
circulantes (leucocitose) além de elevarem o número de plaquetas, favorecendo a
formação de coágulos, logo, de embolias e tromboses. Também no sistema
cardiocirculatório o excesso de corticóides pode produzir hipertensão arterial por
estimular a liberação de substâncias de vasoativas.
Insuficiência Suprarenal
Depois do excesso de liberação de corticóides, persistindo o estado de Estresse as
Suprarrenais podem entrar em falência, ou Insuficiência Suprarenal, quando então,
a ausência de catecolaminas e de cortizona têm efeitos mais devastadores ainda. Disso
deduzimos que, tanto as catecolaminas quanto a cortizona, devem manter-se em
perfeito equilíbrio no organismo.
Em geral, a falta de cortizona decorrente da Insuficiência Suprarenal produz
cefaléia, fraqueza, astenia, perda de peso, febre, desidratação, emagrecimento,
anorexia, hiperpigmentação de pele e mucosas, hipopigmentação dos mamilos,
cianose, dores musculares e das juntas (artralgia). No sistema gastrointestinal
ocasiona náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia ou constipação. Pode haver ainda
alterações neuropsiquiátricas, tais como alteração da personalidade, confusão, torpor e
até sintomas psicóticos. Na ausência de corticosteroides ocorre hipotensão grave,
choque e até a morte.
Tendo em vista a amplitude de ação das catecolaminas (principalmente da
adrenalina) e da cortizona, tanto nas reações muito prolongadas aos estressores,
quando nas reações breves mas de severa intensidade, há maior probabilidade para o
desenvolvimento das doenças chamadas psicossomáticas. Essas doenças, relacionadas
à Fase de Esgotamento, são conseqüências do excesso de reações de estresse, reações
desproporcionais que vão além de uma simples atitude de adaptação. Aliás, pelo
contrário, nessa fase o que ocorre é a desadaptação.
Na gravidez as alterações hormonais suprarrenais devem ser adequadamente
valorizadas. Na grávida, o quadro de estresse grave pode levar ao trabalho de parto
prematuro e prejuízo do crescimento fetal. Se houver concomitante hipertensão ou
diabétes o quadro será mais grave ainda.
No estresse, a reação hormonal que se dá em cadeia através do eixo hipotálamo-
hipófise-suprarrenal pode produzir uma diminuição do calibre dos vasos sanguíneos
placentários (vasoconstrição), resultando também em uma redução na da oxigenação
e aporte de nutrientes ao bebê. Isso pode resultar em sofrimento fetal e, nos casos
muito graves, até na morte intra-uterina.
Alterações da Tireóide
A secreção dos hormônios tireodianos é regulada à distância pelo Hipotálamo, a
mesma região cerebral que é mobilizada desde o início do estresse. O Hipotálamo
produz o neuro-hormônio chamado Hormônio de Liberação de Tireotropina (TRH), o
qual, chegando na Hipófise, estimula a produção de outro hormônio, o Hormônio
Estimulador da Tireóide (TSH).
O TSH hipofisário, por sua vez, irá agir na Tireóide estimulando a produção de
Tiroxina (T4), hormônio tiroideano. A Tiroxina é muito importante na regulação do
metabolismo, principalmente dos carboidratos, proteínas e lipídios. Além disso a
tiroxina potencializa a ação de outros hormônios, como por exemplo as catecolaminas
e o hormônio do crescimento.
A Tiroxina, caindo na circulação, acaba por estimular retroativamente a própria
Hipófise, para que esta interrompa a secreção de TSH. Este mecanismo de
retroalimentação é chamado de feed-back e permite um controle do nível do hormônio
tireodiano.
As alterações do Hipotálamo durante o estresse, conseqüentemente as alterações
da Hipófise, podem resultar em desordem na produção da Tiroxina, o hormônio da
tireóide. Tanto pode ocorrer um excesso como uma deficiência de Tiroxina,
provocando respectivamente o hiper e o hipotireoidismo. Na Fase de Alarme do
estresse é comum o hipertiroidismo e no Esgotamento o hipotiroidismo, embora essas
alterações possam acontecer inversamente.
O mais curioso em relação à tireóide, é a reciprocidade entre essa glândula e as
emoções; o estresse leva a alterações da tireóide, estas levam à alterações emocionais
e, fechando o círculo vicioso, as emoções podem alterar mais ainda o funcionamento
da tireóide.
No Hipertiroidismo, por exemplo, seja ele devido à qualquer causa, ocorre
produção excessiva de hormônios pela tireóide, gerando um quadro de irritação e
ansiedade, além de suor excessivo, taquicardia, emagrecimento, pele quente,
tremores e insônia, podendo ainda ocorrer aumento de volume do pescoço e dos olhos.
Por outro lado, também a ansiedade pode resultar em hipertiroidismo, pelos
mecanismos hipofisários que já vimos acima.
O Hipertiroidismo causado pela Doença de Graves é uma doença bastante grave,
capaz de afetar substancialmente a qualidade de vida. Ela incide em aproximadamente
2% das mulheres e 0,25% dos homens. Apesar de ser considerada uma doença
autoimune, associada à imunoglobulina G, uma proteína que se liga e estimula o
receptor do Hormônio Estimulador da Tireóide (TSH), pode ser desencadeada por
fatores ambientais e, principalmente pelo estresse (Romaldini, 2001).
Também o Hipotiroidismo, onde a tireóide passa a produzir pouco hormônio,
pode gerar sintomas tais como, desânimo, apatia e depressão, além de fraqueza,
diminuição da memória, aumento de peso, pele seca, queda de cabelos, intestino
preso, etc. A depressão, por sua vez, também pode levar ao hipotiroidismo.
Como, exatamente, se desenvolve um quadro depressivo no Hipotireoidismo ainda
não está bem esclarecido. Em ratos, o Hipotireoidismo associado à extirpação cirúrgica
da tireóide (tireoidectomia) afeta o sistema noradrenérgico, sendo aventada possível
ligação entre esta ocorrência e alteração em funções neuropsíquicas.
Outra possibilidade é a de que o hipotireoidismo se associa com uma redução na
atividade da serotonina. Com a reposição de medicamentosa de Tiroxina a 7 pacientes
hipotireóideos, Cleare e cols. observaram melhora dos sintomas depressivos e melhora
da atividade serotonérgica, em todos eles. Esses achados sugerem que a
neurotransmissão serotonérgica é afetada pelo hipotireoidismo e revertida com
reposição de T4.
Miriam Oliveira destaca achados de alto número de pacientes hipotireóideos com
sintomas sugestivos de transtornos depressivos, sugerindo que muitos desses
pacientes poderiam ser beneficiados com avaliação e atendimento psiquiátrico
adequados concomitante ao tratamento endócrino (Miriam C. Oliveira et al, 2001).
O quadro psicológico classicamente associado ao hipotireoidismo é um quadro de
ansiedade severa e agitação, manifestado por alucinações, comportamento paranóide
e até demência, quadro este conhecido por "loucura mixedematosa". Esse tipo de
demência associada ao hipotireoidismo é, felizmente, reversível com a reposição
hormonal (Clarnette, 1994).
Alterações Hormonais no Estresse - 2

Estresse e Vitaminas
O estresse, quando forte, produz em nosso organismo um desequilíbrio. Diversas funções se
aceleram, chegando ao ponto, até, do consumo interno de vitaminas estar exageradamente
aumentado.
Quando esta demanda não é atendida, o organismo apresenta sinais de carência como, p. ex.,
fraqueza dos tecidos, baixa imunidade, fadiga, etc.
Veja resumo das Glândulas
As glândulas endócrinas, também chamadas de glândulas de secreção interna produzem
hormônios, que são distribuídos por todo o organismo através da corrente sanguínea. Os
hormônios têm a responsabilidade de controlar a ordem e a harmonia do organismo. Eles
regulam a química corporal, o preparo do corpo para a atividade física e sua reação à fome,
estresse e enfermidades.
As principais glândulas endócrinas que produzem (segregam é o termo mais correto) hormônios
são: a hipófise, a tireóide, as paratireóides, o pâncreas, as supra-renais e as genitais (ou
gônadas).
Veja

Alterações Ovarianas

A função ovariana é regulada pelo eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano, a partir da


secreção das gonadotrofinas hipofisárias LH e FSH, que por sua vez estão sob controle
da secreção pulsátil de um potente neuro-hormônio elaborado no Hipotálamo; o
Hormônio Liberador de Gonadotrofinas abreviado com a sigla GnRH. Uma série de
fatores hormonais e neuroendócrinos modulam positiva ou negativamente a secreção
pulsátil do GnRH, em especial o retrocontrole exercido pelos esteróides gonadais e
pelas gonadotrofinas.

Talvez uma das mais importantes alterações ovarianas produzidas pelo estresse é a
infertilidade, ocasionada por anovulação (falta de ovulação).

A anovulação psicogênica é desencadeada por estresse psicológico e na ausência de


doença orgânica. Ocorre, provavelmente, por aumento da atividade dos neurônios
dopaminérgicos e dos opiáceos endógenos (prostraglandinas) que levam a uma
redução na freqüência e na amplitude dos pulsos do GnRH ou Hormônio Liberador de
Gonadotrofinas.

Por falta de GnRH deixam de ser secretados os hormônios ovarianos (Estrogênios,


Progesterona e Hormônio Luteinizante) em quantidade suficiente para promover a
ovulação.

Algumas vezes, por razões de estresse, a mulher pode deixar também de menstruar. A
falta de menstruação se chama amenorréia. Quando for por razões emocionais,
incluindo o estresse, chama-se Amenorréia Psicogênica. Essa é a mais comum em
mulheres solteiras, magras e com profissões consideradas empresariais, geralmente
com história anterior de problemas psico-sexuais e traumas sócio-ambientais.

.A função ovariana é regulada pelo eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano, a partir da


secreção das gonadotrofinas hipofisárias LH e FSH, que por sua vez estão sob controle
da secreção pulsátil de um potente neuro-hormônio elaborado no Hipotálamo; o
Hormônio Liberador de Gonadotrofinas abreviado com a sigla GnRH. Uma série de
fatores hormonais e neuroendócrinos modulam positiva ou negativamente a secreção
pulsátil do GnRH, em especial o retrocontrole exercido pelos esteróides gonadais e
pelas gonadotrofinas.

Talvez uma das mais importantes alterações ovarianas produzidas pelo estresse é a
infertilidade, ocasionada por anovulação (falta de ovulação).

A anovulação psicogênica é desencadeada por estresse psicológico e na


ausência de doença orgânica. Ocorre, provavelmente, por aumento da atividade dos
neurônios dopaminérgicos e dos opiáceos endógenos (prostraglandinas) que levam
a uma redução na freqüência e na amplitude dos pulsos do GnRH ou Hormônio
Liberador de Gonadotrofinas.
Por falta de GnRH deixam de ser secretados os hormônios ovarianos
(Estrogênios, Progesterona e Hormônio Luteinizante) em quantidade suficiente para
promover a ovulação.
Algumas vezes, por razões de estresse, a mulher pode deixar também de
menstruar. A falta de menstruação se chama amenorréia. Quando for por razões
emocionais, incluindo o estresse, chama-se Amenorréia Ppsicogênica. Essa é a mais
comum em mulheres solteiras, magras e com profissões consideradas empresariais,
geralmente com história anterior de problemas psico-sexuais e traumas sócio-
ambientais.
Outra freqüente alteração ovariana ou, mais precisamente, ginecológica, que
acomete mulheres e pode ter forte origem no estresse é a Dismenorréia, ou Cólicas
Menstruais.
Dismenorréia (Cólicas Menstruais)
A Dismenorréia é caracterizada por dor em cólica no baixo ventre (hipogástrio)
acompanhada ou não de outras manifestações do tipo náuseas, vômitos, cefaléia,
lombalgia, etc., que surgem no período menstrual.
A Dismenorréia acomete grande parte das mulheres e, em cerca de 10% a
15%, chega a interferir nas ocupações e atividades diárias. A Amenorréia é
considerada Primária quando não existe nenhuma patologia orgânica, neste caso,
fortemente relacionada à tensão e ao estresse. Será chamada de Amenorréia
Secundária quando for determinada por patologia orgânica, tais como
endometriose, adenomiose, doença inflamatória pélvica, malformações uterinas,
mioma uterino ou pólipos.
Os fatores determinantes da dismenorréia primária não são totalmente
conhecidos, mas há evidências de que a mais provável ocorrência conseqüente ao
fator emocional, seria o aumento acentuado das
prostaglandinas, que normalmente acontece no estresse. Apesar do efeito relaxante
e analgésico dessas substâncias, elas estão, de fato, também associadas ao
aumento da contratilidade uterina, com vasoespasmo arteriolar, isquemia e dor.

Galactorréia (secreção de leite)


Galactorréia é a secreção de leite na ausência de gravidez ou período de
lactação. Trata-se de um distúrbio hormonal chamado, classificado dentro daquilo
que chamamos, mais tecnicamente, de hiperprolactinemia, ou seja, níveis
aumentados do hormônio Prolactina (PRL).
Em humanos, sua principal função da PRL é a estimulação da lactogênese
durante o período de gestação e no puerpério. Ela é também um hormônio
secretado, basicamente, pela Hipófise. Mas, como sempre, é o Hipotálamo quem
controla a secreção de PRL pela Hipófise, através de ação predominantemente
inibitória do neurotransmissor dopamina.
A dopamina é sintetizada nos neurônios tuberoinfundibulares do Hipotálamo,
atingindo a Hipófise e que sintetiza a PRL, assim como outros hormônios associados
ao aparelho reprodutor feminino; o TRH (hormônio liberador de tireotrofina), GnRH
(hormônio liberador de gonadotrofina), além da secreção do VIP (peptídeo
vasoativo intestinal), e GABA (ácido gama-amino-butírico).
A secreção de PRL é chamada pulsátil, por apresentar variações de seus níveis
no transcorrer do dia. Os valores circulantes da PRL aumentam durante o sono e
diminuem de maneira gradual no período da manhã. Entretanto, níveis
fisiologicamente mais elevados de PRL são encontrados durante a gravidez,
lactação, no recém-nascido, durante o coito, nas primeiras duas horas pós-prandiais
e no exercício físico. Durante a gravidez, a secreção hipofisária de PRL é estimulada
pelos estrogênios placentários.
O que nos interessa aqui, é que no estresse tem-se observado altos níveis de
PRL. Isso se deve, como sempre, às alterações ocorridas no Hipotálamo e,
conseqüentemente, na Hipófise.
Quando estiver elevada a PRL, além de estimular a secreção de leite
(Galactorréia), pode provocar também distúrbios menstruais. Os mecanismos
responsáveis por estas alterações menstruais relacionam-se, principalmente, aos
distúrbios da secreção hipotalâmica de GnRH, do LH e do FSH que,
concomitantemente, acompanha alterações da PRL.
Entre as causa de Galactorréia, a mais comum é aquela relacionada ao uso de
determinados medicamentos. Normalmente as drogas que estimulam a secreção de
PRL são antagonistas da dopamina, como por exemplo, os antipsicóticos e alguns
antidepressivos. Também pode ter uma causa tumoral da hipófise, normalmente
benignos.
O hipotireoidismo pode ser outra causa orgânica de Galactorréia por causa do
aumento dos níveis de TRH e, portanto, do estímulo da síntese de PRL. Na
insuficiência da supra-renal a Galactorréia pode surgir por desaparece o efeito
inibidor dos glicocorticóides sobre a liberação de PRL.
Entretanto, em grande parte dos casos não se detecta nenhuma causa de
elevação de PRL, sendo rotulados como idiopáticos. Postula-se, nesta situação, uma
disfunção hipotalâmica por razões emocionais.

Pâncreas e Diabetes
A deficiência de produção e/ou da ação da insulina provoca uma doença
chamada Diabetes Mellitus. Esse distúrbio envolve o metabolismo da glicose, das
gorduras e das proteínas e tem graves conseqüências, tanto quando surge
rapidamente, como quando se instala lentamente.
A Diabetes Mellitus (DM) apresenta duas formas clínicas:
1 - Diabetes Mellitus tipo I - Ocasionado pela destruição da célula beta do
pâncreas, produtoras de insulina, em geral por decorrência de doença auto-imune,
levando a deficiência absoluta de insulina e geralmente aparece na infância e
adolescência.
2 - Diabetes Mellitus tipo II - Provocado predominantemente por um estado
de resistência à ação da insulina, associado a uma relativa deficiência de sua
secreção. É mais freqüente surgir depois dos 40 anos de idade.
Infelizmente nada se sabe ainda sobre a causa da DM do tipo II, que
representa 90% dos casos da doença. Entretanto, parece que as pessoas com
predisposição genética, os obesos e aquelas que levam vida sedentária e
estressadas são as mais suscetíveis.
A incidência de diabetes no mundo todo vem aumentando; estima-se que o
número de pessoas atingidas passe de 90 milhões, constatados em 1994, para 210
milhões até 2.010. Evidentemente um dos motivos para esse aumento é o próprio
aumento da expectativa de vida. Mas, outra causa que tem merecido destaque
entre os pesquisadores é a mudança no estilo de vida. Se a pessoa faz poucos
exercícios físicos, leva uma vida sedentária, mais estressante, e consome
alimentação gordurosa, refrigerantes, aumentando assim a obesidade, apresenta
maior risco de incidência de diabetes.
Embora as causas da DM sejam obscuras, o que se sabe, com certeza, é
existirem alguns "gatilhos" que desencadeiam as crises. O principal desses gatilhos
é o Estresse contínuo, estado em que as Glândulas Supra-renais liberam superdoses
de adrenalina. Este hormônio, além de acelerar o coração, tem a capacidade de
liberar no sangue a glicose estocada no fígado e nos músculos. Esse processo se
chama gliconeogênese.
Para compensar a liberação aumentada de glicose produzida pela
gliconeogênese, o pâncreas se esforça em produzir quantidades extras de insulina.
Se esse esforço pancreático não for suficiente para reduzir ao normal os níveis
aumentados de glicose pelo Estresse ou, pior, se o pâncreas chegar a se esgotar, o
resultado é o surgimento ou agravamento da Diabetes.
É também algo mais ou menos semelhante o que ocorre na obesidade. Quanto
mais obeso e pesado, maior é a quantidade de insulina necessária, levando o
pâncreas à fadiga. Certas infecções também funcionam como gatilho para a
Diabetes, assim como os casos de algumas mulheres grávidas.
Alterações Imunológicas no Estresse

Imunidade e Emoções
As investigações sobre as contribuições do bom humor para a saúde são mais recentes e menos
numerosas que os estudos sobre os efeitos danosos da tristeza, da angústia e da raiva.
Mas um recente estudo sobre a atividade das células tipo Natural Killer (NK), importantes na
imunidade contra tumores, mostrou os efeitos de programas que estimulam o riso e o bom
humor no aumento da atividade desses componentes imunológicos, ao mesmo tempo em que os
estados depressivos enfraqueciam esse aspecto da defesa orgânica (Takahashi, 2001).
Em pacientes com doenças malignas e submetidos à provas de função cerebral (PET) houve
significativa correlação entre as atividades dessas células da defesa imunológica, ansiedade e
estresse, e atividade do córtex pré-frontal ínfero-lateral, córtex órbito-frontal e córtex temporal
anterior. Esses resultados ofereceram dados que servem de suporte para uma hipótese de que a
interação psico-imune possa ser mediada também pelo córtex cerebral e pelo Sistema Límbico.

Alergia
Alergia é a intolerância para com determinados produtos físicos, químicos ou biológicos, aos
quais o organismo reage de forma exagerada.
Portanto, trata-se de uma reação anormal a um ou mais elementos aparentemente inócuos que,
quando apreendidos pelo organismo (inalados, ingeridos, ou por contato com a pele) causam
uma reação aversiva.
Os produtos capazes de desencadear a alergia são chamados de alérgenos.
Quando alérgenos são apreendidos pelo organismo, células brancas do sangue que produzem
anticorpos (IgE) são ativadas. Estes anticorpos determinam a liberação de produtos químicos
(mediadores) potentes como, por exemplo, a mais importante que é a histamina.
A manifestação clínica visível da reação alérgica simples é resultado da "batalha" entre a
histamina e o alérgeno e não do alérgeno em si.
Dessa luta pode resultar a coceira, a secreção, a vermelhidão. Trata-se a alergia, na realidade,
de uma intolerância a alguma circunstância. Isso pode perfeitamente servir de analogia, em
psiquiatria, com nossas Reações Vivenciais Anormais, diante das vivências consideradas
traumáticas.
Alguns alérgenos mais comuns são o pólen, a poeira, pelos de animais, penas, comidas,
medicamentos, picadas de inseto, cosméticos.
Em sentido figurado, mas não menos verdadeiro, algumas pessoas costumam dizer que têm
alergia a outras.

É no Sistema Límbico que tem início a função psíquica de avaliação da situação,


dos fatos e eventos de vida. Essa avaliação depende sempre de vários elementos,
tais como, a personalidade prévia, a experiência vivida, as circunstâncias atuais e as
normas culturais.
Acontecem também a partir do Sistema Límbico, as diversas interações entre os
sistemas nervoso, endócrino e imunológico, promovendo as interações das
percepções córticocerebrais com o hipotálamo.
O Estresse, como dissemos, seja ele de natureza física, psicológica ou social, é
um termo que compreende um conjunto de reações fisiológicas, as quais, quando
exageradas em intensidade e duração, acabam por causar desequilíbrio no
organismo, freqüentemente com efeitos danosos.
As primeiras constatações do Estresse emocional foram relatadas em 1943, ao
se comprovar um aumento da excreção urinária dos hormônios da Glândula
Suprarrenal em pilotos e instrutores aeronáuticos em vôos simulados e, alguns anos
antes essas alterações já haviam sido suspeitadas em competidores de natação,
momentos antes das provas.
O conceito original de Estresse foi apresentado antes (1936) pelo pesquisador
canadense de origem francesa Hans Selye a partir de experimentos, onde animais
eram submetidos a situações agressivas diversas (estímulos estressores), e cujos
organismos respondiam sempre de forma regular e específica.
Selye descreveu toda ocorrência do Estresse sob o nome de Síndrome Geral de
Adaptação, a qual comportava três fases sucessivas: alarme, resistência e
esgotamento. Após a fase de esgotamento, observava o surgimento de algumas
doenças, tais como a úlcera péptica, a hipertensão arterial, artrites e lesões
miocárdicas.
Existe uma sensibilidade (afetiva) pessoal e particular em cada um de nós,
constituindo um conjunto de mecanismos dos quais o organismo lança mão quando
reage aos agentes particularmente tidos como estressores, caracterizando a forma
como cada pessoa avalia e lida com estas situações. Essa sensibilidade pessoal à
realidade explica por que avaliamos desta ou daquela forma as situações tidas como
desafiadoras, en-frentando-as ou não, e reagindo a elas de maneiras particulares e
pessoais, "permitin-do" assim que elas exerçam maior ou menor repercussão sobre o
organismo.
Entre 1970 e 1990 foram muito expressivos os experimentos de laboratório que
tentavam comprovar a relação entre Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Imuno-
lógico. Nessas duas décadas, chegou-se constatar o despovoamento celular do timo
em ratos, através da indução de lesões no hipotálamo. Também se demonstrou que
lesões destrutivas no Hipotálamo dorsal levavam à supressão da resposta de
anticorpos. Isso tudo sugeria que o hipotálamo seria uma espécie de base de
integração entre os sistemas nervoso e imunológico na resposta ao Estresse (Moreira,
Melo Filho, 1992, Khansari, 1990).

A partir de 1990 constata-se também que alterações ocorridas na hipófise


(pituitária) também poderiam determinar modificações imunológicas, visto que a
extirpação dessa glândula ou mesmo seu bloqueio farmacológico impedia a resposta
imunológico no animal de laboratório (Khansari D N, Effects of stress on the immune system -
Immunol. Today, v.11, no. 5, p.170, 1990).

Como vimos ao estudar Estresse e Alterações Hormonais, uma alteração


precoce que se observa durante o Estresse é o aumento nos níveis dos hormônios
corticoesteróides (cortisona) secretados pelas Glândulas Suprarrenais. Parece que
estes níveis se acham em proporção inversa à eficácia dos mecanismos de
adaptação, ou seja, nos casos com capacidade adaptativa adequada os níveis de
cortisona não são muitos elevados mas, no caso de pessoas deprimidas, portanto,
com severas dificuldades adaptativas, esses níveis são maiores.
A Glândula Suprarrenal parece ter um desempenho mais ou menos seletivo no
Estresse. Em estados de agressão, enquanto a córtex secreta cortisona, a medula
da glândula também participa, liberando noradrenalina (norepinefrina). Nas
situações estressoras de tensão e ansiedade a liberação medular privilegia a
adrenalina (epinefrina).
Mello Filho reviu esse experimento de 1976, em macacos submetidos a
Estresse que apresentavam um aumento dos níveis de 17 hidroxicorticóides,
catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), Hormônio Estimulador da Tireóide
(TSH) e Hormônio do Crescimento (GH), enquanto se observava um decréscimo dos
hormônios sexuais, invertendo-se essa situação à medida que o animal se
recuperava.
As catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) afetam as reações imunológicas,
seja por reação fisiológica, como por exemplo a contração do baço, seja por
estímulo celular através de receptores específicos (adrenérgicos) na membrana
celular. O certo é que o aumento das catecolaminas inibe as respostas de
anticorpos.
As catecolaminas também podem ter sua liberação condicionada a fatores
neuropsicológicos. Num estudo clássico, conseguiu-se experimentalmente a
supressão da função imunológica pelo uso de uma substância imunosupressora
(ciclofosfamida). Mas essa substância era sempre administrada associada a uma
bebida de gosto muito particular e forte, a sacarina.
Depois de algum tempo conseguia-se a supressão imunológica administrando
apenas a bebida com sacarina. O organismo associava, assim, o gosto da sacarina
com a imunosupressão, caracterizando portanto uma alteração imunológica
importante e desencadeada por condicionamento, já que a sacarina não é
imunosupressora.
Portanto, como vimos até agora, as células do sistema imunológico encontram-se
sob uma complexa rede de influência dos sistemas nervoso e endócrino. Seus
mediadores (neurotransmissores e hormônios diversos) atuam sinergicamente com
outros produtos linfocitários, de macrófagos e moléculas de produtos inflamatórios
na regulação de suas ações.
Experiências dessa natureza sugerem grande variedade de hipóteses sobre a
influência das emoções na imunidade. Será a crença no remédio tão importante
quanto o próprio remédio? Será que isso ajuda a explicar o efeito dos placebos e da
medicina alternativa? Seriam, essas hipóteses, capazes de estabelecer relações
entre os estados de ânimo positivos e o aumento da sobrevida de pacientes
portadores de AIDS, ou de câncer?
Alguns estudos, elaborados a partir de experiências com primatas, mostram
que o apoio social pode ser um importantíssimo modificador dos efeitos deletérios
do estresse. Isso sugere a importância do apoio ambiental na saúde da pessoa
estressada. Quando o tipo de resposta do indivíduo ao estresse se caracteriza por
uma postura de derrota e pessimismo, que são valores culturais, o Sistema
Imunológico corre sérios riscos.
Todos os hormônios hipofisários mobilizados no Estresse atuam sobre o sistema
imunológico, através de receptores específicos situados nas células linfóides. Mas
para compreender melhor os mecanismos hormonais do Estresse, é importante
saber que esses hormônios são também produzidos, em pequenas quantidades, por
linfócitos.
Outras substâncias produzidas por linfócitos e que participam ativamente das
reações de Estresse são as linfocinas e monocinas. Estas substâncias são secretadas
por células linfóides e macrófagos, e são dotadas da capacidade de amplificar a
inflamação produzida pelas reações imunológicas. Algumas destas linfocinas e
monocinas podem influenciar glândulas na liberação de alguns hormônios, como é o
caso da Interleucina 1, que volta a estimular a hipófise na liberação de ACTH.
Diversos outros produtos inflamatórios, tais como prostaglandinas,
leucotrienos, tromboxanes, etc., produzidos nas mais variadas células, sejam elas
linfóides ou não, desempenham alguma influência sobre o sistema imunológico. Na
reação ao Estresse eles atuam sobre os Linfócitos T e Macrófagos, estimulando-os
ou inibindo-os.
O estresse agudo em humanos, cuja fisiologia é semelhante às reações de luta
que se vê no reino animal, geralmente aumenta o numero e a atividade das Células
NK. Porém isso só ocorre numa primeira fase dessa atitude de defesa (Coe, 1987 e
Nallibof, 1991).

O estresse da vida cotidiana, principalmente nas situações mais exaustivas,


tensas e crônicas, pode afetar uma série elementos imunológicos. Entre essas
alterações estão as funções de Células T, a atividade de Células NK, a resposta de
anticorpos, a função dos macrófagos, a reativação de vírus latentes (como o Herpes
Simples), entre outras, com severas implicações na saúde global da pessoa (Glaser).
As relações entre o estresse e infecções são bastante antigas e, inúmeras vezes,
constatados por trabalhos experimentais, alguns bastante rigorosos (Friedmam).
Segundo Cohem (1991), existe uma grande variedade de vírus intranasais
capazes de desenvolver alterações imunológicas, tanto através da produção de
anticorpos, quanto de infecções, como uma forma de resposta aos aumentos no
grau de tensão psicológica. Cada vez mais trabalhos científicos confirmam efeitos
danosos do estresse sobre infecções virais e bacterianas.
Também os hormônios respondem ao estresse, incluindo a adrenalina, os
corticoesteróides e as catecolaminas. Esses hormônios têm variadíssimos efeitos na
regulação da resposta imune (Buckingham). Em níveis anormais, altos ou baixos, os
hormônios afetam a imunidade.
A atividade intergrada entre o Hipotálamo, a Hipófise e as glândulas
Suprarenais, conhecido por Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarenal, é ativado por
eventos psicológicos, regulando assim a secreção de hormônios produzidos na
Hipófise e destinados às Suprarenais, como é o caso da corticotrofina (CRF) e do
hormônio adrenocorticotrofico (ACTH). Esses, por sua vez, terão efeitos diretos na
imunidade.
O hormônio do crescimento, também estimulado por eventos psíquicos, pode
aumentar as funções dos Linfócitos T e NK em animais de experiência. Os
hormônios sexuais também afetam a imunidade. A atividade da Célula NK é mais
alta na fase lútea de ciclo menstrual e é também estimulada pelos hormônios da
tireóide.
A Psiconeuroimunologia está, assim, se desenvolvendo a passos largos,
colaborando fortemente para apagar o incômodo dualismo ainda presente na
medicina, o qual separa hermeticamente a mente do corpo.
A Psiconeuroimunologia contribui para que os pacientes possam compreender
que seu corpo é uma somatória integrada e indissolúvel do mental com o orgânico,
influenciado significativamente pela experiência de vida e por sua própria
sensibilidade. Finalmente, a Psiconeuroimunologia não só deve contribuir
solidamente para a compreensão da fisiopatologia médica como da visão holística
da medicina.
Estresse; algumas considerações
O processo do estresse envolve o organismo todo, o qual assume uma certa
postura diante dos estímulos proporcionados pela vida. Esta postura diante dos
estímulos (ou diante da vida) dependerá da natureza desses estímulos. Podemos
reagir diferentemente diante do fato de recebermos um presente ou uma má notícia
mas, é bom saber, todas as vezes em que nos deparamos com algum estímulo será
nossa própria pessoa quem julgará a natureza desses estímulos. Como dizia
Shakespeare, "as coisas raramente são boas ou más, nosso pensamento é que as faz
assim.
Assim sendo, a ordem para desencadearmos o estresse é sempre determinada por
razões subjetivas e pessoais. O estresse começa quando nós percebe-mos ou
entendemos uma situação, pessoa, acontecimento ou objeto como sendo um Fator
Estressante, de acordo com nossa interpretação subjetiva.
Para que ocorra qualquer tipo ou forma de estresse são necessárias duas
condições; as disposições pessoais do portador do estresse e as circunstâncias
favorecedoras ou agentes ocasionais. Sobre a disposição pessoal, podemos dizer
que sem ela os agentes (estressores) ocasionais não seriam capazes, por si só, de
produzir a reação de estresse.
Mas, além das disposições pessoais e dos agentes ocasionais há que ser considerado
também a qualidade psíquica atual da pessoa que se estressa, falaremos também das
circunstâncias emocionais atuais. Vamos ver cada uma dessas causas, começando
pelos dois tipos de causas internas; as Disposições Pessoais e as Condições Psíquicas
Atuais.
Disposição Pessoal
A forma como percebemos os fatos depende grandemente de nosso psiquismo, de
nosso ego, do sistema de valores que cada um tem em si e, até mesmo, da nossa
hereditariedade. Acontecimentos felizes, tais como casar, ganhar na loteria ou
encontrar um ente querido após uma longa ausência, também produzem estresse,
embora, com maior freqüência, este ocorra diante de eventos mais negativos,
dolorosos e desa-gradáveis.
Uma mesma situação pode ser percebida de modo totalmente diferente entre dois
indivíduos e significar Fator Estressante para um e não para outro. Um deles pode
perce-ber uma determinada situação como um desafio excitante, enquanto o outro
pode percebê-la como ameaça à vida.
Um farol vermelho pode ser interpretado por uma pessoa como um objeto útil
para disciplinar o tráfego, enquanto para outra pessoa pode significar uma fonte de
irritação. Além do mais, a mesma pessoa pode perceber e reagir de forma diferente
diante das mesmas situações em momentos diferentes, dependendo do estado
emocional geral.
Nosso pensamento às vezes caminha de rédeas soltas e, em termos
emocionais, nem sempre distinguimos um acontecimento real de outro ima-ginário.
Muitas vezes estamos manifestando emoções desencadeadas por coisas que só
existem em nossa imaginação. A maneira como pensamos sobre nosso passado e
imaginamos nosso futuro é também uma forma pela qual podemos desencadear a
reação de estresse. A formidável força imaginativa da mente controla sempre a
resposta do corpo. Reviver lembranças desagra-dáveis imaginar situações
ameaçadoras ou visualizar o presente ou o futuro com apreensão, angústia ou
medo, conduz à reação de estresse.
Felizmente, o inverso também é verdadeiro, uma vez que temos a possibilidade
de fazer um bom uso da nossa imaginação. Enquanto os pensamentos negativos e
produtores de ansiedade induzem ao estresse, a imaginação de situações
agradáveis e pensamentos positivos têm um efeito benéfico sobre o corpo
produzindo uma sensação de bem-estar.
O termo Disposição Pessoal se refere ao tipo de disposição com que a pessoa
irá contactar a realidade. Não é possível falar disso sem comentar alguma coisa
sobre a Personalidade, já que essa Disposição Pessoal está intimamente atrelada à
características da personalidade.
Entre outras definições sobre personalidade, podemos dizer, sinteticamente,
que personalidade é a organização dinâmica dos traços no interior do eu, formados
a partir dos genes particulares que herdamos, das existências singulares que
suportamos e das percepções individuais que temos do mundo, capazes de tornar
cada indivíduo único em sua maneira de ser e de desempenhar o seu papel social.
De importante aí temos a idéia de Traços, a idéia de que esses traços, tanto
podem ser herdados como adquiridos pela experiência, a idéia de que acabamos por
nos transformar em indivíduos únicos e exclusivos e, finalmente, que a
personalidade caracteriza uma maneira da pessoa ser (não de estar).
Há pessoas que reagem aos estímulos (internos e externos) com mais
ansiedade que os outros. Podemos observar essa característica até em berçários;
entre os recém nascidos há aqueles mais ansiosos, que choram mais diante do
estímulo da fome, que reagem mais agitadamente que outros ao frio, aos
estranhos, etc. Esse traço que exalta a ansiedade pode ser herdado (vem nos gens)
ou pode ser adquiridos com a experiência, como por exemplo, de acordo com o
ditado que diz: "cachorro mordido de cobra tem medo de linguíça". E, como
sabemos, a ansiedade é a mola mestra para o desencadeamento do estresse.
Na vida prática, vemos algumas pessoas naturalmente ansiosas, ou seja, com
traço marcante de ansiedade em sua personalidade, agindo mais ansiosamente
diante de estímulos que, normalmente, outras pessoas diante dos mesmos
estímulos. Essas pessoas reconhecem como estressores alguns estímulos que não
são tão extressores para outros.
Vejamos por exemplo, a tarefa de ter que falar em público. Há pessoas cujo
psiquismo identifica esse compromisso como sendo altamente estressante,
enquanto outras não. Essas pessoas ansiosas reagem desse jeito devido alguns
estímulos internos para ansiedade, estímulos estes mais importantes que o próprio
compromisso de ter que falar em público. Podem estar ansiosas devido à
insegurança, o temor, à auto-estima um tanto baixa, falta de auto-confiança, etc.
Condições Emocionais Atuais
Outra motivação interna para o estresse são as Condições Emocionais Atuais.
Essas, ao contrário dos traços de personalidade, não caracterizam uma maneira da
pessoa ser, mas sim, dela estar (agora, ou nessa fase da vida).
As Condições Emocionais Atuais refletem a tonalidade afetiva atual do
momento (ou desta fase da vida), enquanto as Disposições Pessoais refletem o
perfil afetivo da personalidade. É evidente que uma pessoa, ainda que não tenha
traços tão marcantes de ansiedade, terá mais facilidade de estressar-se caso esteja
passando por uma fase, por exemplo, de doença grave, depois de ter perdido um
ente querido, durante uma grande crise conjugal, econômica ou profissional e assim
por diante.
Pelas mesma razão, nos períodos depressivos de nossa vida a probabilidade do
estresse é enormemente maior que em outras épocas e, se pensarmos que a
Organização Mundial de Saúde calcula que 4 em cada 10 pessoas podem estar
passando por momentos depressivos, imagine a incidência do estresse.
Devido às Condições Emocionais Atuais percebemos que alguns estímulos
podem ser estressores em algumas ocasiões e não estressores em outras. Essa
dinâmica pode servir para muitas situações em psiquiatria e no contacto da pessoa
com a realidade.
Como exemplo sugestivo dessa questão, podemos imaginar uma pessoa que
tenha uma séria queimadura nas costas, ocultada pela camisa. Ao nos despedirmos
damos-lhe uma fraterno tapinha nas costas, causando extrema dor ao nosso amigo
machucado. Embora a intensão tenha sido boa, doeu, e doeu porque a pessoa
estava em condições atuais de machucado previamente. Isso quer dizer que os
estímulos são recebidos de acordo com as condições pessoais atuais de cada um.
Conseqüência pessoal
Em tese, qualquer tipo de doença psicossomática pode se manifestar no
paciente ansioso e estressado. Além disso, do ponto de vista emocional o estresse
está intimamente relacionado à Depressão, à Síndrome do Pânico, aos Transtornos
da Ansiedade e às Fobias. Isso tudo sem contar uma vasta lista de sintomas (não
doenças) que acompanham o paciente estressado.
Na lista abaixo vemos uma série de sintomas possíveis no paciente estressado,
quando este tem tendência a manifestar, como conseqüência do estresse, um
transtorno depressivo.

SINTOMAS POSSÍVEIS NA DEPRESSÃO


Lista 1

Dores sem causa cabeça, abdominais, pernas, costas, peito e


física: outras incaracterísticas
Alterações do sono: insônia ou sonolência excessiva
Perda de energia: desânimo, desinteresse, apatia, fadiga fácil
Irritabilidade: perda de paciência, explosividade, inquietação
Ansiedade: apreensão contínua, inquietação, às vezes
medo inespecífico
Baixo alterações sexuais, memória, concentração,
desemprenho: tomada de decisões
Queixas vagas: tonturas, zumbidos, palpitações, falta de ar,
bolo na garganta

Em relação aos sintomas genéricos, agravados ou desencadeados pelo


estresse, podem ser acometidos diversos órgãos ou sistemas, conforme se vê na
lista abaixo.

Lista 2 SINTOMAS AGRAVADOS OU


DETERMINADOS PELAS EMOÇÕES
Cardiologia: Palpitações, arritmias,
taquicardias, dor no peito
Gastroenterologia: Cólicas abdominais,
epigastralgia, constipação e
diarréia
Neurologia: Parestesias, anestesias,
formigamentos, cefaléia,
alterações sensoriais
Otorrino: Vertigens, tonturas, zumbidos
Clínica Geral: Falta de ar, bolo na garganta,
sensação de desmaio, fraqueza
dos membros, falta de apetite ou
apetite demais
Ginecologia: Cólicas pélvicas, dor na relação,
alterações menstruais
Ortopedia: Lombalgias, artralgias,
cervicalgias, dor na nuca
Psiquiatria: Irritabilidade, alterações do sono
(demais ou de menos), angústia,
tristeza, medo, insegurança,
tendência a ficar em casa,
pensamentos ruins

Há, ainda, a ocorrência das chamadas doenças psicossomáticas. Estas, também


desencadeadas ou agravadas pelas emoções, notadamente pelos estados
estressantes à longo prazo, podem atingir qualquer órgão ou sistema. Vejamos a
lista abaixo.

Lista 3 DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS


Cardiologia: Hipertensão arterial, insuficiência
cardíaca, arritmias...
Gastroenterologia: Doença de Crown, polipose,
diverticulose, insuficiência
hepática...
Neurologia: Enxaqueca, seqüelas de AVC,
hidrocefalias, epilepsia...
Otorrino: Labirintopatias, síndromes
vertiginosas, zumbidos...
Endócrinologia: Diabetes, insuficiência
suprarenal, Cushing não
iatrogênica, tireóide...
Clínica Geral: Reumatismos, Lupus, doença de
Reynauld, imunopatias...
Ginecologia: Endometriose, esterilidade,
insuficiência ovariana...
Ortopedia: Lombalgias, ostofitose,
osteoartrose..

Conseqüências
Conseqüência aos demais
As conseqüências do estresse, porém, não se limitam ao próprio indivíduo
estressado. Numa comunidade relativamente fechada, como é o trabalho ou o lar,
pode ocorrer o fenômeno da "contaminação" emocional. Isso acontece com um
pouco de maior freqüência no lar que no trabalho. Através da contaminação
emocional os circundantes passam a sentir-se ansiosos devido a ansiedade do
paciente. Isso acontece também em relação à irritabilidade, depressão e mau
humor.
O estressado muitas vezes se comporta como o ditado, segundo o qual, "o
condenado se consola na dor do semelhante". Isso significa que muitas vezes ele
quer cúmplices para seu mau estar. Assim sendo ele passa a ser mais exigente com
as pessoas mais próximas. O excesso de tensão também pode comprometer a
comunicação, quando as mensagens não são transmitidas integralmente por falta
de paciência ou tolerância. Parece que o estressado cobra ser compreendido por
seus próximos além da capacidade deles entendê-lo.
Há ainda, e sobretudo, a perda da qualidade no ambiente de trabalho por parte
de quem está estressado. O bom senso e a tolerância são profundamente
comprometidos e provocar demissões (seja pedindo ou facilitando para recebê-la)
indevidas.
A convivência com o estressado fica, assim, seriamente comprometida; tanto
no lar quanto no emprego. Essa é a conseqüência de quem esgotou sua capacidade
de adaptação e, conseqüentemente sua tolerância, paciência, interesse, bom senso,
determinação, persistência e a maioria dos atributos conquistados através de árduo
aprendizado.

Ballone GJ - Síndrome de Burnout - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, última


revisão, 2002 - disponível em http://www.psiqweb.med.br/cursos/stress4.html