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ÍNDICE GERAL

Página

1 Termos gerais sobre energia 1


2 Economia. Métodos analíticos e de previsão 11
3 Balanços energéticos 25
4 Usos da energia 33
5 Gestão da energia 45
6 Medida. Comando. Controlo. Segurança 55
7 Ambiente 65
8 Combustíveis sólidos 81
9 Combustíveis líquidos e gasosos 97
10 Energia hidroeléctrica, energia hidráulica 115
11 Energia nuclear 123
12 Electricidade 139
13 Aquecimento a distância 147
14 Energia solar 151
15 Energia de biomassa 159
16 Energia eólica 165
17 Energia dos oceanos 171
18 Energia geotérmica 177
19 Fusão nuclear 185
20 Unidades 191

Índice Alfabético de Termos Definidos e de Palavras-Chave


Glossário Alfabético de Termos Técnicos Correspondentes
Índice Alfabético Multilingue
Bibliografia
Secção 1

TERMOS GERAIS SOBRE ENERGIA


___________________________________________________

1.1 Conceitos de Base

1.2 Recursos e Reservas

1.3 Técnica

1.4 Redes de Transporte e de Distribuição

1
1.1.1

TERMOS GERAIS produto, ver 1.1.19; como factor de


SOBRE ENERGIA produção, ver 2.1.8).

Nota 3: Num contexto técnico-económico


utilizaremos o termo trabalho para
A presente Secção – Termos Gerais sobre Energia designar a energia consumida num
– é, por natureza heterogénea, constando de processo, sendo a potência o
vocabulário variado cujos utilizadores são, entre trabalho realizado por unidade de
outros, físicos , economistas, engenheiros, tempo.
geólogos, etc., qualquer deles com os seus Quanto à força que é, no sentido
hábitos de linguagem que dão por vezes ao mesmo próprio, uma grandeza vectorial que
vocábulo sentidos diferentes. provoca quer alterações de direcção
Estas considerações são sobretudo aplicáveis à quer de velocidade de um corpo em
primeira subsecção, “Conceitos de base”, tendo-se movimento, ou ainda deformações
nela assinalado as diversas acepções sempre que num corpo mantido por outras forças,
tal foi possível. ela designa por vezes a energia ou a
Nas outras subsecções, mais técnicas, os potência (assim acontece, por
conceitos são geralmente considerados da mesma exemplo, com a força hidráulica que
forma. Embora se refiram à energia em geral ou a figura em certos textos oficiais)
diversas formas de energia, o seu grau de
precisão e o seu campo de aplicação são Nota 4: Unidade SI: joule (J).
influenciados pelos sectores em que mais se
desenvolveram. Assim, e por exemplo, os termos 1.1.2 Exergia
referentes às redes integram-se essencialmente no Energia máxima que, em determinadas
sector eléctrico, enquanto que a maior parte dos condições termodinâmicas (condições de
termos relativos às reservas provêm do sector ambiente), é convertível noutra forma de
petrolífero. De qualquer forma foi feito um esforço energia. É uma grandeza que permite avaliar
no sentido de restituir a esses conceitos o seu a convertibilidade da energia.
campo de aplicação geral.
Por outro lado, os termos mais importantes da 1.1.3 Anergia
subsecção “Recursos e Reservas” derivam das Energia que, em determinadas condições
nomenclaturas oficiais do CME. Os esforços de termodinâmicas, não é convertível noutra
harmonização têm por vezes os seus limites; daí forma de energia.
que os termos que se referem às reservas de
carvão e que correspondem a nomenclaturas 1.1.4 Entalpia
específicas tenham sido mantidos na Secção Grandeza termodinâmica utilizada para
“Combustíveis Sólidos”. calcular a energia de um sistema que
Estas diferenças na compreensão, na utilização permanece intacta durante um processo ou
ou no campo de aplicação de certos conceitos, uma reacção. É igual à soma da energia
correspondem a realidades que teria sido interna com o produto da pressão e do
prejudicial ignorar na tentativa de busca de uma volume.
coerência mais do âmbito da estética que do da
utilidade; procurou-se, pelo contrário, retirar H = U + pv
dessas diferenças uma riqueza suplementar para
que esta obra corresponda aos seus objectivos e 1.1.5 Entropia
seja um verdadeiro utensílio na comunicação entre Grandeza termodinâmica que permite apreciar
os diversos sectores, não apenas da energia mas a degradação de um processo. No caso da
da actividade económica no seu conjunto. energia, ela é utilizada para avaliar a
quantidade de energia recebida ou fornecida
por um meio. Um aumento da entropia
1.1 Conceitos de Base corresponde a uma diminuição da exergia.
Unidade: joule por Kelvin (J/K).
1.1.1 Energia
Capacidade de um sistema para originar Nota: O valor absoluto da entropia não é
efeitos externos (Max Plank). conhecido. Apenas a sua variação
pode ser definida como a relação
Nota 1: A energia pode apresentar-se sob as entre a variação da quantidade de
seguintes formas: calor recebida ou fornecida por um
- energias mecânicas corpo e a temperatura termodinâmica
- energias térmicas (energia deste último.
interna, entalpia);
- energia de ligação química; 1.1.6 Sistema Energético
- energia de ligação física; 1) No sentido físico: corpos ou dispositivos
- energia de radiação que contêm energia como característica
electromagnética; de origem ou em consequência de
- energia eléctrica. acções exteriores.
2) Em economia da energia: conjunto
Nota 2: Nesta obra a energia é considerada técnico-económico que permite
apenas no seu sentido físico ou no satisfazer as necessidades de energia
seu sentido económico (como dos agentes económicos.

3
1.1.7

consumo elevado pode resultar de


1.1.7 Política Energética uma má gestão (e vice-versa) e, por
Parte da política económica que trata do outro, sistema e métodos de
abastecimento, da transformação, da contabilização diferentes podem
distribuição e dos usos da energia. A política conduzir a diferenças importantes.
energética deve ter em consideração, entre
os outras, as possibilidades e recursos 1.1.12 Intensidade Energética
nacionais e globais, a conservação Relação entre o consumo interno bruto (ver
(sobretudo das fontes primárias não 3.5.7) ou o consumo final de energia (ver
renováveis) e a protecção do ambiente. 3.5.2) e o produto interno bruto (ver 2.1.3).
Nota: Um país ou uma região podem pois Nota 1: Este indicador é de uma grande
ser conduzidas a apoiar acções importância para apreciar a evolução
voluntárias que alterem as condições energética de um sistema económico
de abastecimento e o comportamento e a eficiência da utilização da energia
dos consumidores (por exemplo, de um país.
programas de electrificação rural,
campanhas de utilização de gás Nota 2: A nível microeconómico este
butano, incitações às economias de conceito encontra-se definido na
energia e à protecção do ambiente, Secção 4 (4.1.9).
etc.).
1.1.13 Taxa de Dependência Energética
1.1.8 Economia da Energia Quociente da quantidade líquida de energia
Parte da economia aplicada aos problemas importada pela quantidade total de energia
energéticos, tendo especialmente como fim a consumida numa determinada entidade
análise da oferta e da procura de energia e o geográfica ou económica, num período dado.
estudo, valorização e planificação dos meios Pode também calcular-se esta taxa para uma
que permitem assegurar a satisfação das forma de energia particular.
necessidades num contexto que é, na maioria Pode calcular-se igualmente a taxa de
dos casos, nacionais mas que pode também independência energética, quociente da
ser internacionais. produção primária de energia de uma
determinada entidade geográfica ou
1.1.9 Contabilidade da Energia, Balanços de económica pelo consumo total de energia;
Energia esta relação reflecte aproximadamente a
Ver Secção 3 e Secção 5. cobertura das necessidades pelos recursos
dessa entidade.
1.1.10 Diagnóstico Energético
Processo de descrição e de análise do Nota 1: As duas taxas não são
sistema energético de um país ou de uma complementares na medida em que,
região no seu funcionamento interno e nas pelo jogo das variações de stocks, a
suas relações com os outros sistemas. A adição das duas percentagens não é
fase analítica é seguida de uma fase de igual a 100 %.
síntese dos diferentes elementos recolhidos,
o que permite formular um juízo sobre a Nota 2: Quando um país tem um saldo
situação energética passada e presente. exportador a taxa de dependência
energética pode ser negativa.
Nota: Não se deve confundir este conceito
que abrange o nível macroeconómico 1.1.14 Técnica Energética
com o de auditoria energética (ou por Parte da técnica que tem por fim a
vezes simplesmente diagnóstico valorização dos recursos energéticos, a sua
térmico) que se aplica ao controlo de transformação, distribuição e utilização.
uma instalação.
Nota: Técnica e tecnologia são termos por
1.1.11 Indicador Energético vezes utilizados indiferentemente, o
Indicador utilizado quer para caracterizar a que não é correcto. Recomenda-se a
evolução da situação energética de uma sua utilização no seu sentido estrito
determinada entidade geográfica ou (ver 1.3.1 e 1.3.2).
económica ao longo do tempo quer para
comparar entre si as situações energéticas 1.1.15 Energia Primária
de diferentes entidades. Energia que não sofreu qualquer conversão.
Os indicadores energéticos podem também
servir como indicadores macroeconómicos ou 1.1.16 Energia Derivada
de nível de vida, dado o peso da energia na Energia que resulta da conversão de energia
economia de um país, por um lado, e nas primária (qualificada então como energia
despesas das famílias, por outro. secundária, em vez de derivada) ou de outras
energias derivadas.
Nota: O consumo de energia per capita,
frequentemente considerado como 1.1.17 Energia Final (Energia Entregue)
indicador de nível de vida, pode ser Energia fornecida ao consumidor para ser
utilizado naquele sentido com convertida em energia útil.
precaução pois, por um lado, um

4
1.1.17

sociológica do que técnica ou


Nota: Por vezes, também se usa a económica.
designação “energia disponível”; Assim, todas estas expressões
contudo, convém evitar essa genéricas não deverão ser utilizadas
designação pela confusão que pode a não ser de forma indicativa e
criar com “disponibilidades” (ver qualitativa.
3.3.1).
1.1.20 Transformação e Conversão de Energia
1.1.18 Energia Útil Transformação e conversão são termos
Energia de que dispõe o consumidor depois muitas vezes utilizados de forma
da última conversão feita nos seus próprios indiferenciada; no entanto, em sentido estrito,
equipamentos. a transformação deveria aplicar-se à
produção de energia com conservação do
1.1.19 Fontes de Energia estado físico do agente energético e a
Tudo o que permite produzir energia útil conversão deveria utilizar-se quando existe
directamente ou por transformação. Do ponto uma modificação desse estado físico.
de vista da economia da energia são
indiferentemente usadas as expressões:
“energia”, “fontes de energia”, “formas de 1.2 Recursos e Reservas
energia”, “agentes energéticos” e “vectores
energéticos”. 1.2.1 Potencial Energético
As principais fontes de energia são: Conjunto dos recursos energéticos
- Combustíveis sólidos (ver Secção 8) conhecidos, presentes na natureza, sem
- Combustíveis líquidos e gasosos (ver tomar em consideração as possibilidades
Secção 9) técnicas ou económicas da sua exploração.
- Energia hidráulica (ver Secção 10)
- Energia nuclear (ver Secção 11) 1.2.2 Recursos Energéticos
- Energia eléctrica (ver Secção 12) Conjunto das energias ou das fontes de
- Energia solar (ver Secção 14) energia presentes na natureza que podem ser
- Energia de biomassa (ver Secção 15) economicamente exploráveis.
- Energia eólica (ver Secção 16)
- Energia dos oceanos (ver Secção 17) 1.2.3 Recursos não Renováveis de Energia
- Energia geotérmica (ver Secção 18) Acumulações energéticas conhecidas e
- Energia de fusão nuclear (ver Secção 19). supostas não renováveis, que podem ser
economicamente exploráveis nas condições
Nota: Recomenda-se que cada fonte de actuais ou num futuro previsível.
energia seja designada pelo seu
nome específico, uma vez que todas 1.2.4 Fontes Renováveis de Energia
as nomenclaturas genéricas podem Energia disponível, a partir de processos de
ser ambíguas. Por exemplo, a conversão energética permanentes e
expressão energias novas pode naturais, economicamente exploráveis nas
aplicar-se a formas de energia condições actuais ou num futuro previsível.
utilizadas há longa data, mas agora
aproveitadas de forma mais 1.2.5 Matérias-Primas Energéticas de Origem
sistemática ou com a ajuda de Fóssil e Mineral
técnicas sofisticadas. Pelo contrário, Matérias fósseis obtidas ou aproveitáveis na
a expressão energia clássica (ou natureza, que contêm energia que se pode
impropriamente designada por energia libertar por via química ou por via física. As
convencional) – que se aplica matérias-primas energéticas de origem fóssil
frequentemente às energias fósseis e e mineral compreendem em particular, os
também à energia eléctrica – tem combustíveis fósseis sólidos, líquidos
apenas um sentido muito vago e gasosos e os minerais destinados a fabricar
evolutivo com o tempo. combustíveis nucleares (urânio e tório).
Quanto às energias renováveis, elas
podem ser continuamente renováveis 1.2.5.1 Ocorrências de Matérias-Primas
(fluxo permanente), renováveis por Energéticas de Origem Fóssil e Mineral
ciclos curtos (por exemplo, anuais), à Conjunto das matérias-primas energéticas de
escala de uma geração ou de várias origem fóssil e mineral consideradas do ponto
gerações; elas podem ainda ser de vista geológico, independentemente do
parcial ou totalmente renováveis. seu interesse económico.
Por vezes, usam-se as expressões
energia-fluxo e energia-stock para 1.2.5.2 Recursos de Matérias-Primas Energéticas
diferenciar as energias renováveis de Origem Fóssil e Mineral
das energias não renováveis; são Conjunto das matérias-primas energéticas de
termos que têm a mesma origem fóssil e mineral conhecidas e
ambiguidade. supostas, tendo ou podendo vir a ter
Por outro lado, expressões como ulteriormente um interesse económico.
energia doce e energia dura (que não
correspondem a qualquer realidade Nota: Distingue-se, em geral entre:
física) têm conotação que é mais - as reservas provadas recuperáveis
(ver 1.2.5.3)

5
1.2.5.3

1.2.14 Reservas não Provadas


- as reservas adicionais, consideradas Numa determinada data, quantidades
recuperáveis. estimadas que a análise dos dados
geológicos e técnicos indica como
1.2.5.3 Reservas de Matérias-Primas Energéticas susceptíveis de serem recuperáveis
de Origem Fóssil e Mineral economicamente a partir de jazigos já
Quantidades conhecidas de matérias-primas descobertos, com um grau suficiente de
energéticas de origem fóssil e mineral que probabilidade para sugerir a sua existência.
podem ser recuperadas in loco em condições Devido à impossibilidade de prever quando e
determinadas no momento da avaliação da em que medida a recuperação de tais
sua utilidade (ver 1.2.8). reservas será possível no futuro, as
avaliações devem corresponder a um
1.2.6 Bacia Sedimentar conjunto de valores, podendo contudo ser
Zona de subsidência, isto é, zona que sofreu dadas por um único valor intermédio que
um desgaste contínuo durante vários milhões considere todas as incertezas. As reservas
de anos, acompanhado de uma acumulação não provadas podem também ser
progressiva de depósitos possuindo um certo classificadas como reservas prováveis ou
volume de sedimentos (correspondente a uma reservas possíveis.
espessura no mínimo de um quilómetro no
interior e adelgaçando-se para a periferia). 1.2.15 Reservas Prováveis
Numa determinada data, quantidades
Nota: Designam-se por sedimentos estimadas que a análise dos dados
formações geológicas criadas pela geológicos e técnicos indicam como
decomposição e pela decantação das susceptíveis de serem recuperáveis
matérias orgânicas e que, sob certas economicamente a partir de jazigos já
condições e sob a influência de descobertos, com um grau de probabilidade
organismos que actuam durante suficientemente elevado que sugere a
períodos muito longos, contribuem, em verosimilhança da sua existência, mas não
particular, para a formação de produtos suficiente para as classificar como provadas.
combustíveis (carvão, petróleo e gás Devido à impossibilidade de prever quando e
natural). em que medida a recuperação de tais
reservas será possível no futuro, as
1.2.7 Jazigos de Matérias-Primas Energéticas de avaliações devem corresponder a um
Origem Fóssil e Mineral conjunto de valores, podendo contudo ser
Formações geológicas que contêm recursos dadas por um único valor intermédio que
em matérias-primas energéticas. considere todas as incertezas.
1.2.8 Jazigos Exploráveis 1.2.16 Reservas Possíveis
Jazigos que, avaliados num dado momento Numa determinada data, quantidades
segundo determinados critérios de avaliação, estimadas que a análise dos dados
são considerados como economicamente geológicos e técnicos indica como
exploráveis. susceptíveis de serem recuperadas a partir
de jazigos já descobertos, com um grau de
1.2.9 Jazigos Hipoteticamente Exploráveis probabilidade apenas moderado, que sugere a
Jazigos cuja exploração poderia tornar-se possibilidade da sua existência, mas que não
economicamente válida num futuro previsível. é suficiente para as classificar como
prováveis. Devido à impossibilidade de prever
1.2.10 Taxa de Recuperação quando e em que medida a recuperação de
Relação entre um recurso produzido e um tais reservas será possível no futuro, as
recurso in loco, expressa em percentagem; avaliações devem corresponder a um
para os hidrocarbonetos, vide 9.5.6. conjunto de valores, podendo contudo ser
dadas por um único valor intermédio que
1.2.11 Reservas considere todas as incertezas.
Quantidade de combustíveis fósseis, ou de
origem mineral, ou recursos de origem 1.2.17 Recursos Hipotéticos
geotérmica existentes no subsolo que já Recursos presumíveis avaliados no decurso
tenham sido objecto de uma avaliação. da fase inicial da pesquisa numa região,
segundo os primeiros dados conhecidos ou
1.2.12 Reservas Provadas as primeiras descobertas.
Numa determinada data, quantidades
estimadas com uma garantia razoável pela 1.2.18 Recursos Últimos
análise dos dados geológicos e do estudo de Quantidade de combustíveis fósseis ou de
jazigos susceptíveis de serem recuperadas origem mineral que se pensa existir e poder
no futuro a partir de jazigos conhecidos em vir a descobrir. Trata-se de uma noção
condições económicas e de exploração meramente geológica que não tem em conta
existentes nessa mesma data. as restrições técnicas ou económicas nem
qualquer prazo fixado.
1.2.13 Reservas Provadas Totais
Reservas totais calculadas ao cessar a
exploração de um jazigo.

6
1.2.19

1.2.19 Reservas Totais 1.2.22 Segurança do Abastecimento de Energia


Existem vários métodos de totalizar as Garantia de se dispor, quando necessário, de
reservas por categorias (provadas, prováveis, energia em quantidade e com a qualidade
possíveis). desejadas, em determinadas condições
O método determinista consiste em calcular económicas.
as reservas de uma mesma categoria como a
soma das reservas dos diferentes jazigos 1.2.23 Penúria
dessa categoria. Situação de oferta inferior à procura.
O método probabilístico deduz as categorias
de reservas aplicando à totalização 1.2.24 Excesso
probabilística da reservas os limiares de Situação de oferta superior à procura.
probabilidade correspondentes à
determinação de cada categoria. Esta
totalização pressupõe que se tenham
colocado certas hipóteses sobre o grau de 1.3 Técnica
ligação (no sentido probabilístico) entre as
incertezas quanto ás reservas dos diferentes 1.3.1 Técnica
jazigos. Estas hipóteses, que têm grande Conjunto de processos técnicos bem
influência no resultado final, devem ser definidos e bem transmissíveis, destinados a
claramente explicitadas. produzir resultados considerados úteis.

Nota: É usual resumir as reservas totais de Nota: Na prática, a técnica é o conjunto


um determinado jazigo pela das medidas, dispositivos e
esperança matemática (R) das processos, etc. que servem para
reservas, ou pela moda, ou o P50 valorizar os conhecimentos
(quando se dispõe de uma função de científicos e o conhecimento
repartição) ou por funções empírico resultante da experiência
simplificadas vizinhas como, por humana sobre a utilização das forças
exemplo: naturais e a exploração, a conversão
R = 100 % provadas + 50 % e a transformação das matérias-
prováveis + 25 % possíveis primas com vista à satisfação das
necessidades do homem.
R = 100 % provadas + 67 %
prováveis + 33 % possíveis. 1.3.2 Tecnologia
A esperança matemática de um Estudo dos processos técnicos no que
conjunto de jazigos é a soma das respeita aos respectivos aspectos gerais,
esperanças matemáticas de cada um bem como às suas relações com o
deles. desenvolvimento do conhecimento humano.

1.2.20 Reservas Anunciadas Nota: Os termos gerais “tecnologia” e


Para além dos números conhecidos da sua “técnica” não se devem empregar
produção, parâmetros geológicos, técnicos ou indiferentemente porque existe entre
económicos farão variar ao longo do tempo os eles uma diferença considerável.
valores das reservas de um jazigo. Tanto os O mesmo se aplica às expressões
trabalhos de desenvolvimento como um “transferência de técnicas” e
melhor conhecimento do jazigo ou a “transferência de tecnologias”, sejam
implementação de novos meios técnicos quais forem as condições em que as
fazem-nos geralmente aumentar. Uma mesmas se processem (assistência
mudança fiscal ou de ordem contratual, ou técnica, transferência de
ainda uma variação dos preços do mercado, conhecimentos, contrato de
podem fazê-los diminuir ou aumentar. Acresce assistência).
ainda que os valores anunciados por uma
empresa ou um Estado podem ser muito 1.3.3 Poder Calorífico Inferior (PCI)
conservadores ou, pelo contrário, muito Quantidade de calor que, em condições
optimistas consoante o objectivo visado normalizadas, se liberta na combustão
(económico, político ou financeiro). completa de uma unidade de combustível,
admitindo-se que não há recuperação de calor
1.2.21 Oferta de Energia por condensação dos produtos da
Conjunto das quantidades de energia combustão.
presentes na natureza que podem ser tidas
em consideração quanto à respectiva 1.3.4 Poder Calorífico Superior (PCS)
exploração económica; englobam os recursos Quantidade de calor que, em condições
e as fontes de energia. normalizadas, se liberta na combustão
completa de uma unidade de combustível,
Nota: Em economia da energia, a oferta admitindo-se a recuperação de calor dos
representa a quantidade de energia condensados produzidos na combustão, até
posta no mercado para ser às condições de temperatura do ensaio.
consumida.
1.3.5 Tempo de Funcionamento
Intervalo de tempo durante o qual uma
instalação, ou parte dela, fornece energia

7
1.3.6

utilizável na unidade de tempo para o


utilizável.
débito calorífico nominal.
1.3.6 Tempo de Disponibilidade Passiva
1.3.17 Energia Nominal
Intervalo de tempo durante o qual uma
Produto da potência nominal pela duração do
instalação, ou parte dela, poderia fornecer
período de referência.
energia utilizável após o tempo normal de
arranque.
1.3.18 Prazo de Entrega
Intervalo de tempo que decorre desde a data
1.3.7 Tempo de Indisponibilidade Programada
da encomenda (ou outra data apropriada ou
(Parte Planificada do Tempo de
especificada, por exemplo, a data do início
Indisponibilidade)
dos trabalhos no sítio da obra) de uma
Intervalo de tempo durante o qual uma
instalação ou de uma central, e a data na
instalação, ou parte dela, não se encontra em
qual, segundo o contrato, a primeira unidade
condições de funcionamento, devido a
dessa instalação ou dessa central pode
operações de manutenção programadas.
considerar-se como tendo sido entregue ou
entrado em serviço.
1.3.8 Tempo de Indisponibilidade por Avaria
(Parte não Planificada do Tempo de
1.3.19 Factor de Carga Anual de um Sistema
Indisponibilidade)
Relação entre a carga média anual de um
Intervalo de tempo durante o qual uma
sistema energético e a carga máxima do
instalação, ou parte dela, não se encontra em
sistema ao longo do ano. Exprime-se em
condições de funcionamento devido a avaria
percentagem e pode utilizar-se na previsão de
imprevista.
variações do consumo. A fim de se terem em
conta as variações climáticas, quando se
1.3.9 Tempo de Disponibilidade
compara um ano com outro, o factor de carga
Soma do tempo de funcionamento com o
real pode ser corrigido para ter em conta
tempo de disponibilidade passiva.
condições climáticas médias.
1.3.10 Tempo de Indisponibilidade
1.3.20 Factor de Carga
Soma do tempo de indisponibilidade
Relação entre o consumo num intervalo de
programada com o tempo de indisponibilidade
tempo determinado (ano, mês, dia, etc.) e o
por avaria.
consumo que resultaria da utilização contínua
da carga máxima verificada, ou outra
1.3.11 Período de Referência
especificada, durante o período considerado.
Intervalo de tempo a que se referem
determinados dados. Equivale à soma dos
1.3.21 Curva Cronológica (Diagrama de Cargas)
tempos de disponibilidade e de
Representação gráfica da evolução da carga
indisponibilidade, no contexto desta Secção.
em função do tempo.
1.3.12 Duração de Utilização
Nota: Quando se trata da potência eléctrica
Quociente da energia obtida, produzida,
designa-se por diagrama de cargas.
distribuída ou consumida num determinado
período de tempo pela potência máxima
1.3.22 Curva de Frequência (Curva de Distribuição)
alcançada pela instalação durante o mesmo
Classificação dos valores observados em
período.
função da sua importância.
1.3.13 Factor de Disponibilidade de uma Instalação
1.3.23 Curva Acumulada
ou de Parte de uma Instalação
Curva integral de uma curva cronológica.
Relação entre o tempo de disponibilidade total
e a duração do período de referência.
1.3.24 Carga de Base
Parte constante da carga de um aparelho
1.3.14 Factor de Utilização
consumidor ou de uma rede durante um
Relação entre o tempo de funcionamento e a
período determinado (por exemplo: dia, mês,
duração do período de referência.
ano).
1.3.15 Rendimento (Eficiência)
1.3.25 Carga de Ponta
Relação entre a quantidade de energia útil à
Potência máxima pedida por um aparelho
saída de um sistema e a quantidade de
consumidor ou à qual uma rede tem que fazer
energia fornecida à entrada.
face durante um determinado período (por
exemplo: dia, mês, ano).
1.3.16 Potência Nominal
Potência máxima em regime contínuo, para a
1.3.26 Coeficiente de Simultaneidade
qual a instalação foi projectada. Normalmente
Quociente entre a “ponta” da procura global
vem indicada nas especificações fornecidas
simultânea num determinado período e a
pelo fabricante e na chapa afixada nas
soma das “pontas” das procuras individuais
máquinas.
no mesmo período. O factor de diversidade é
o inverso do coeficiente de simultaneidade.
Nota: No caso do gás é também designada
por potência útil e corresponde à
quantidade de calor efectivamente

8
1.3.27

1.3.27 Crítico trocas inter-regionais ou internacionais de


A noção de “crítico” caracteriza certas grandes quantidades de energia, com vista à
condições particulares de funcionamento de melhoria da rentabilidade e da segurança do
um sistema, de configuração de um abastecimento (ver também 12.2.22).
componente ou do estado de um corpo.
1.4.3 Rede de Transporte
Rede que se destina a transportar a energia
Nota 1: A velocidade crítica de um motor ou (hidrocarbonetos, electricidade, calor, etc.)
de uma turbina é aquela que não para as redes de distribuição situadas a
deve ser ultrapassada por razões de jusante (ver 12.2.23).
segurança. É igualmente o caso da
temperatura, da pressão crítica, etc. 1.4.4 Rede de Distribuição
Rede destinada à distribuição de energia
Nota 2: Para a criticidade de uma reacção eléctrica, de gás natural, de aquecimento
nuclear ver 11.1.30 e 11.1.31. urbano ou de ar comprimido dentro dos limites
de uma região limitada ou de uma empresa
Nota 3: Um perfil crítico ou supercrítico das (ver 12.2.24).
asas de um avião permite voar sem
aumento importante da força de 1.4.5 Configuração das Redes
arrasto a velocidades próximas da A configuração das redes depende da
velocidade do som. disposição das respectivas ramificações. No
caso da rede radial ou em estrela, os ramos
Nota 4: O estado crítico de um corpo partem em antena de uma só fonte, fazendo-
caracteriza-se pelo facto de que, por se a alimentação a partir de uma extremidade.
exemplo, a partir dele não se podem Numa rede em anel ou em malha, os ramos
distinguir os estados líquido e estão ligados a um certo número de nós; a
gasoso. Os valores do estado crítico alimentação pode fazer-se a partir de vários
são valores constantes para cada pontos.
corpo; assim, a temperatura crítica é
aquela para a qual um gás, qualquer 1.4.6 Rede Particular, Rede Industrial
que seja a sua pressão, não pode Rede de entrega de energia (electricidade,
ser liquefeito, enquanto que a gás natural ou outros combustíveis, ar, etc.)
pressão crítica é aquela para a qual a um único consumidor.
uma liquefacção (à temperatura
crítica) é ainda possível. 1.4.7 Exploração Isolada
As centrais de vapor são Sistema de abastecimento autónomo, sem
exploráveis, por vezes, em estado ligação a uma rede vizinha.
crítico ou supercrítico para se obter
um melhor rendimento. Em tais 1.4.8 Exploração Interligada
centrais, para pressões superiores à Exploração em comum de dois ou mais
pressão crítica, não é possível sistemas de transporte e/ou de distribuição
observar uma evaporação com de energia. Este tipo de exploração implica a
presença das duas fases, líquida e existência de acordos de ordem técnica
gasosa, nem o fornecimento de calor (pressão, tensão, frequência, fase, etc.) e
a temperatura constante. económica, necessários para a gestão e a
exploração da rede. O mesmo se aplica à
exploração em paralelo de duas ou mais
1.4 Redes de Transporte e de redes.
Distribuição
1.4.9 Economias da Interligação
1.4.1 Rede Em economia energética, principalmente em
Conjunto de linhas, canalizações, estações e economia de electricidade, exige-se uma co-
outras instalações ligadas entre si -operação permanente e intensiva no domínio
(interligadas). Uma rede pode designar-se de da planificação, da construção e da
acordo com a sua função, o seu processo de exploração das redes. As empresas
exploração, a sua tensão, a sua pressão, a envolvidas devem respeitar as exigências
sua qualidade e o seu estatuto jurídico (ver técnicas e realizar em comum os
12.2.20). investimentos correspondentes às condições
de gestão das diferentes partes.
Nota: As energias ou bens
correspondentes são: a electricidade 1.4.10 Sistema Integrado de Fornecimento de
(rede eléctrica), o gás (gasoduto), o Energia
petróleo (oleoduto), o aquecimento Sistema de abastecimento no qual uma
urbano (rede de calor), assim como empresa de produção ou de distribuição
os abastecimentos de água e de ar oferece, na região servida, várias formas de
comprimido. energia, distribuídas por redes (electricidade,
gás, aquecimento urbano, etc.).
1.4.2 Rede de Interligação
Rede que permite ligar duas ou mais 1.4.11 Estabilidade da Rede
canalizações ou redes, designadamente para Faculdade de uma rede de voltar ao estado

9
1.4.12

de equilíbrio inicial após o desaparecimento


de uma perturbação.

1.4.12 Trânsito
Operação que consiste em fazer circular
energia entre duas redes não limítrofes, uma,
de origem, e outra, destinatária final, através
de uma ou várias redes intermédias.

Nota: No quadro dos trânsitos de energia


numa rede interligada (gás,
electricidade) evoca-se
frequentemente a noção de acesso
de terceiros à rede (“open acess” e
“common carrier”) para a
regulamentação dos direitos de
acesso, as obrigações de transporte
de energia e as retribuições a pagar
à rede de transporte.

10
Secção 2

ECONOMIA – MÉTODOS ANALÍTICOS E DE REVISÃO


___________________________________________________

2.1 Economia e Gestão

2.2 Preços e Tarifação

2.3 Termos Regulamentares, Jurídicos e Contratuais

2.4 Métodos Analíticos de Previsão

11
2.1.1

ECONOMIA – MÉTODOS 2.1.4 Produto Nacional Líquido


ANALÍTICOS E DE PREVISÃO Produto Nacional Bruto menos as
amortizações.

2.1.5 Produto Mundial Bruto


Somas dos produtos internos brutos de todos
A previsão é um instrumento de gestão e de os países do mundo num dado período,
planeamento económico, largamente utilizado em expressos numa unidade monetária comum
inúmeros sectores da actividade humana; a (p.e., o dólar americano).
previsão quantitativa é um assunto complexo,
tendo uma terminologia especializada; a 2.1.6 Rendimento Nacional
documentação sobre o assunto está Soma dos rendimentos dos nacionais durante
particularmente desenvolvida. É portanto um período dado (em geral um ano),
impossível pensar cobrir todas as noções considerando salários, juros do capital e
diferentes, razão pela qual este capítulo se limita outros rendimentos (rendimento nominal).
aos termos mais importantes, utilizados
correntemente em matéria de previsão energética e 2.1.7 Balança de Pagamentos
destinados ao utilizador não especificado. Os Registo sistemático de todas as transacções
termos de natureza económica e jurídica, económicas realizadas durante um período
escolhidos com o objectivo da sua utilidade, são dado (geralmente um ano) entre os agentes
tratados nos três primeiros capítulos desta económicos nacionais e estrangeiros. A
Secção. balança de pagamentos compreende, entre
outras, a balança comercial, a balança de
serviços, a balança de movimentos de
capitais, a balança de divisas e a balança de
2.1 Economia e Gestão transferências.
2.1.1 Agregado 2.1.8 Factores de Produção
Grandeza sintética que resulta da adição de Bens ou actividades que servem para a
grandezas elementares coerentes (porque produção de outros bens ou serviços
expressas em valor ou numa mesma unidade (entrada, input). Do ponto de vista da
física) e características de uma actividade economia nacional, são assim designadas as
num conjunto económico dado. grandezas agregadas, tais como o capital, o
trabalho, a energia e as matérias-primas. Do
2.1.2 Produto Nacional Bruto (PNB) ponto de vista da gestão económica, os
Produção final de bens e serviços realizada factores de produção são diferenciados
pelos nacionais, no interior do seu país ou no relativamente a um processo de produção
estrangeiro. No cálculo económico global, o concreto, como, por exemplo, os diferentes
PNB permite medir as realizações da consumos intermédios, o trabalho, os
economia num intervalo de tempo dado equipamentos, etc.
(geralmente um ano).
2.1.9 Função de Produção
Nota 1: Questiona-se cada vez mais acerca Relação que estabelece a ligação entre os
da pertinência deste indicador pois factores de produção e que determina a
que, como instrumento de avaliação quantidade de bens e de serviços produzidos.
em termos monetários, ele despreza
um grande número de processos 2.1.10 Função de Procura
importantes relacionados com Relação entre a quantidade de bens que um
actividades sociais (por exemplo, a consumidor quer comprar e as variáveis que
economia subterrânea, a troca de condicionam a sua procura: preço do bem,
bens ou serviços, o trabalho dos seus complementos ou substitutos,
doméstico, etc.). rendimento, condições de crédito, etc.
Considerando estas diferentes variáveis como
Nota 2: O PNB pode ser considerado sob constantes, com excepção de uma, pode
três pontos de vista diferentes: estudar-se a relação entre esta última
criação, repartição e utilização. variável e a procura. A curva da procura é um
exemplo de representação dessa pesquisa na
Nota 3: O PNB nominal (preços de mercado) qual todas as variáveis, exceptuando o
é diferente do PNB real (preços preço, são consideradas como constantes.
praticados durante um ano tomado Não são introduzidas como variáveis
como referência). Este último tem explícitas na função de procura as
como objectivo avaliar preferências, as necessidades e os hábitos
exclusivamente as variações da dos consumidores que contudo condicionam a
produção em volume. forma da função de procura.
2.1.3 Produto Interno Bruto (PIB) 2.1.11 Função de Oferta
Produção final dentro da fronteira de um país Para um determinado produto a função de
de todos os bens e serviços produzidos pelos oferta exprime a relação entre a quantidade
nacionais e pelos estrangeiros (ver também dos bens produzidos ou entregues e os
2.1.2 Notas 1, 2 e 3). preços de abastecimento e de venda, com um

13
2.1.12

2.1.18 Custo Marginal


ganho máximo. A função total é a soma das Custo adicional originado pela produção de
funções de oferta de cada um dos uma unidade suplementar, no caso de
produtores. aumento da produção.

2.1.12 Elasticidade Nota: Trata-se de um conceito fundamental


Relação entre as variações relativas de duas em economia, com grande aplicação
variáveis económicas durante o mesmo no domínio da energia (gestão,
intervalo de tempo, sendo uma considerada tarifação, escolha dos investimentos,
independente e a outra dependente. etc.).

2.1.12.1 Elasticidade da Procura Relativamente aos 2.1.19 Custo de Inovação


Preços (Elasticidade-Preço) Despesas envolvidas na investigação, no
Variação relativa do volume da procura desenvolvimento e na introdução de uma
relativamente à variação dos preços durante nova tecnologia ou de uma nova técnica até à
um período dado. sua exploração (maturidade comercial).

2.1.12.2 Elasticidade da Procura Relativamente ao 2.1.20 Preço Fictício (Preço Sombra)


Rendimento (Elasticidade-Rendimento) Sistema de preços derivados das
Variação relativa do volume da procura produtividades marginais dos diferentes
relativamente a uma variação dada do factores de produção que correspondem a um
rendimento nacional (ou do PNB), durante um plano de produção óptimo.
período dado.
2.1.21 Custo de Oportunidade
2.1.13 Cartel Conceito segundo o qual os custos de uma
Acordo entre empresas (jurídica e, em geral, actividade económica são iguais à da
economicamente independentes) susceptível utilidade não aproveitada por se ter preferido
de influenciar as condições de produção ou uma outra actividade. Esta actividade não
de mercado, com o objectivo de limitar ou aproveitada depende, pois, da existência de
suprimir a concorrência. Existem diversos uma possibilidade de utilização alternativa.
tipos: cartel de preços, cartel de limitação da
produção, etc. Nota: Os custos de oportunidade resultam
do desvio entre uma situação
2.1.14 Oligopólio correspondente ao plano de produção
Situação económica na qual existe um óptimo e a situação real.
pequeno número de vendedores para um
grande número de compradores. O oligopólio 2.1.22 Amortização e/ou Reintegração
é simétrico ou assimétrico conforme os pesos Método contabilístico adoptado nos balanços
económicos das partes do oligopólio são para compensar a diminuição do valor dos
equiparáveis ou desproporcionados. activos verificada legalmente ou nas contas
da empresa, como consequência da sua
2.1.15 Monopólio utilização na exploração, da evolução
Situação económica que exclui toda e conjuntural, da inovação tecnológica, etc.
qualquer concorrência, concentrando a
produção ou a venda de uma mercadoria Nota 1: A amortização pode ser linear,
numa única pessoa ou empresa. progressiva ou degressiva. A
duração de vida de uma instalação e
2.1.16 Função de Custos a duração da amortização podem não
Relação funcional entre os custos dos ser coincidentes. A amortização
factores utilizados durante o processo de obedece, geralmente, a
produção e o custo total dos bens ou dos regulamentações fiscais.
serviços produzidos.
Nota 2: Fala-se frequentemente em
2.1.17 Cálculo dos Custos amortizações de reposição ou de
Operação que consiste em apurar o renovação no caso de instalações
quantitativo monetário de todos os factores hidráulicas ou de redes. Não se
necessários à produção e/ou distribuição de consideram, neste caso, os valores
um determinado bem ou serviço. Nela são de aquisição mas os valores de
considerados o trabalho, os materiais e o renovação da instalação.
capital necessários, bem como outros bens
de consumo (alugueres, amortizações). 2.1.23 Valor Real (Valor Actual)
Podem adaptar-se diversos critérios de Valor de uma instalação avaliada para um
cálculo, por exemplo: o local (empresa), o dado momento, tendo em conta a sua idade e
vector (produto) ou o tipo de custo (fixo ou o seu estado, bem como o estado de
variável); o custo unitário indica os custos evolução técnica. O valor actual é o valor real
por unidade produzida. O cálculo dos custos num dado momento.
serve de base ao cálculo dos preços e ao
cálculo da rentabilidade. 2.1.24 Cálculo de Investimentos
Método que permite calcular a rentabilidade
de um investimento tendo em vista tomar

14
2.1.25

decisões sobre a oportunidade de o realizar. ao carácter não


reprodutivo de certos factores (terra,
Nota: Entre os métodos de cálculo de localização, etc.) ou a desadaptações de
investimentos, encontram-se curta duração da oferta
frequentemente o método de
actualização, o método de cálculo (falta de mão-de-obra qualificada em
das anuidades e o método dito da determinado sector). Designa-se também por
taxa interna da rentabilidade. renda (ou excedente) do consumidor ou do
vendedor: é a diferença entre o preço de
2.1.25 Margem Bruta de Autofinanciamento (Cash mercado e o preço mais elevado que o
Flow) (MBA) consumidor teria aceite pagar (ou o mais
Diferença entre as entradas e as saídas de baixo pelo qual o vendedor teria aceite
caixa (progressão líquida) de fundos vender) para o mesmo produto.
disponíveis provenientes das vendas e outras
operações correntes durante um intervalo de 2.2 Preços e Tarifação
tempo dado; a MBA constitui assim uma
grandeza que dá uma ideia da situação de 2.2.1 Formação dos Preços
tesouraria duma empresa (disposta a pagar e Definição de sistemas de preços para a
solvente). compra e venda de bens e serviços,
baseados em condições técnicas,
2.1.26 Tempo de Reembolso (Período de económicas e institucionais dadas.
Recuperação)
Critério de rentabilidade representado pelo Nota: Os preços podem ser fixados quer
tempo ao fim do qual as receitas totais pelas leis do mercado (preços de
ligadas ao funcionamento de uma instalação, mercado) quer pela administração
depois da dedução de todas as saídas dos países (preços regulamentados
(incluindo impostos) são iguais ao montante ou administrativos).
dos investimentos necessários à compra, à
construção e ao arranque da instalação. 2.2.2 Componentes dos Preços
O preço global dum produto ou dum serviço
2.1.27 Retorno do Investimento integra, em determinados sistemas de
Critério de rentabilidade que representa a tarifação ou de preços, várias componentes.
relação entre as entradas anuais (vendas Apresentam, frequentemente, duas partes,
menos despesas de exploração) e o capital uma fixa (por exemplo, em função da potência
amortizável; aplica-se, assim, antes dos eléctrica contratada ou de outras grandezas
impostos. Por extensão, utiliza-se igualmente de referência) e outra variável, proporcional
depois da aplicação dos impostos. É igual ao às quantidades consumidas. Além disso,
inverso do tempo de reembolso. condições especiais de utilização podem
influir sensivelmente nos custos do
2.1.28 Lei dos Rendimentos Degressivos fornecedor e ser consideradas como
Afirmar de uma forma geral que o acréscimo componentes dos preços (por exemplo,
de certas entradas num processo de fornecimentos em horas de ponta ou em
produção, relativamente a outras entradas horas de vazio).
fixas e para um nível técnico dado, aumenta
as saídas, nem sempre é correcto. A partir de 2.2.3 Tarifação pelo Custo Médio
um determinado nível, as saídas Sistema de estabelecimento dos preços de
suplementares podem ter tendência para fornecimento de energia, quando existe uma
diminuir relativamente às entradas grande disparidade dos custos de
suplementares. Esta redução das saídas abastecimento, por uma combinação dos
suplementares pode resultar do facto de a custos de produção de que resulta um preço
entrada suplementar de diversas matérias- médio.
primas funcionar numa proporção reduzida
com as matérias-primas fixas. Em casos 2.2.4 Tarifação pelo Custo Marginal
extremos, tal pode tornar-se Sistema de tarifação do preço da energia
contraproducente. igual ao custo marginal de fornecimento de
um serviço energético.
2.1.29 Gestão da Procura
Modificação do comportamento do 2.2.5 Sistemas Tarifários
consumidor. A publicidade ou as acções Estruturas unificadas de preços, aplicáveis a
governamentais – p. e., a favor das um mesmo grupo de consumidores em zonas
economias de energia – são exemplos de delimitadas (por exemplo, sectores
meios para actuar sobre a procura. doméstico, agrícola, terciário) ou nos mesmos
domínios de utilização (por exemplo,
2.1.30 Renda transportes , iluminação, cozinha,
Rendimento que se obtém da terra ou de bens aquecimento). A configuração das estruturas
de raiz. De uma maneira genérica, é o tarifárias é diferente de país para país, ou
rendimento obtido de um factor cuja oferta é consoante o produto ou o serviço. Para a
rígida ou imperfeitamente elástica electricidade, o gás e o aquecimento urbano
relativamente ao seu preço. Esta existem:
inelasticidade é devida, na maioria dos casos, - tarifas simples, tendo em conta apenas a

15
2.2.6

2.2.13 Valorização (Netback)


energia consumida (por exemplo, uma Método de cálculo do preço da energia a
tarifação para pequenas utilizações); montante, a partir do preço dessa mesma
- tarifas binómias, tendo em conta uma taxa energia a jusante, deduzindo os custos
fixa (ligada à potência, ao número de ocasionados entre o local de compra e o de
divisões, ao número de hectares venda, bem como a margem de benefício.
cultivados, etc.) e, ainda, a quantidade de
energia consumida, com diferenciação de 2.2.14 Diferencial
consumos em horas de ponta, em horas Mais-valia ou menos-valia que, por diferentes
de vazio e da sazonalidade. razões, podem afectar o preço de um
produto.
Nota: Quando se torna possível escolher
entre várias tarifas, a “tarifação Nota: No caso do petróleo, existe um
óptima” obtém-se pela aplicação diferencial de qualidade, conforme as
sistemática da tarifa mais favorável suas características: petróleo leve,
para o consumidor, em função das fraco teor de enxofre, etc.; e um
características do seu consumo diferencial de frete, que estabelece
durante o período de facturação. uma perequação entre petróleos
brutos de diferentes proveniências:
2.2.6 Tarifário que diminui o preço FOB (ver 2.2.21)
Documento comercial destinado aos clientes dos petróleos brutos mais distantes
eventuais que é constituído por uma lista dos e aumenta o dos que se encontram
preços dos produtos e/ou serviços oferecidos mais perto.
por uma empresa. O tarifário especifica em
geral as condições de venda e os casos em 2.2.15 Preço de Referência
que podem aplicar-se descontos (ou Preço do petróleo bruto de referência a partir
aumentos), implicando um compromisso entre do qual são calculados os diferenciais dos
as partes interessadas. outros petróleos brutos.
2.2.7 Cláusula de Revisão de Preços Nota: Um petróleo de referência é, por
Cláusula existente nos contratos que prevê o exemplo, o Arabian Light.
reajustamento dos preços de acordo com uma
fórmula de indexação. 2.2.16 Mercado Livre (Spot)
Mercado no qual são negociadas as vendas
2.2.8 Moeda Constante de produtos a curto prazo, ou seja,
Moeda corrente afectada por um coeficiente, quantidades marginais que não são cobertas
nomeadamente, a taxa de inflação, que por contratos.
corrige a sua evolução ao longo do tempo. A
moeda constante permite fazer comparações 2.2.17 Preço de Mercado Livre
válidas no tempo entre grandezas que se Preço com base no qual são negociados os
exprimem em moeda corrente (nomeadamente produtos do mercado livre (spot). Trata-se de
os investimentos e os preços). um preço extremamente flutuante que é um
indicador das tendências gerais das tensões
2.2.9 Moeda Corrente deste mercado.
Moeda cujo valor é considerado no dia da sua
utilização. 2.2.18 Taxa de Frete
Tarifa de curto prazo para o transporte
2.2.10 Preço Director marítimo do petróleo em que a lei da oferta e
Preço de bens ou serviços relativamente ao da procura se aplica plenamente por
qual os preços de venda de bens e serviços intermédio dos corretores da bolsa.
substituíveis devem ser estabelecidos a fim
de assegurar uma procura mínima. É a partir Nota: As cotações principais são as
deste preço que se podem estabelecer, seguintes:
mediante coeficientes apropriados, preços de - AFRA (Average Freight Rate
equivalência para os bens ou serviços Assessement) estabelecida pelo
concorrentes. London Tanker Brokers Panel.
- ATRS (American Tanker Rate
2.2.11 Preço Publicado Schedule) estabelecida por The
Preço de cotação resultante do sistema Tanker Committee of the
histórico de fixação dos preços de petróleo. Association of Ships Brokers and
Serve ainda de preço de referência fiscal em Agents (New York).
alguns países, para o cálculo dos impostos a - USMC (US Maritime Commision)
cobrar pelo Estado. estabelecida pelo Governo
americano.
2.2.12 Preço Oficial de Venda pelo Estado Produtor - WORDSCALE (Worldwide Tanker
Preço que substituiu a noção de preço oficial, Nominal Freight Scale)
à medida que os preços do petróleo deixaram estabelecida em conjunto pela
de ser fixados pelas companhias e passaram Association of Ships Brokers and
a sê-lo por parte dos Estados produtores. Agents e a International Tanker
Nominal Freight Association.

16
2.2.19

2.2.19 Custo – Seguro – Frete (CIF) Condições de venda que significam que o
Preço de uma mercadoria entregue no porto encargo da mercadoria se inicia a bordo do
de destino (inclui o custo do frete e do navio, no porto de descarga, indicando-se o
seguro). nome do lugar.

2.2.20 Custo de Frete (CF) 2.2.28 À saída da Mina, da Fábrica (Ex-Work), do


O mesmo que 2.2.19, mas sem seguro. Entreposto
Condições de venda que significam que o
2.2.21 Franco a Bordo (FOB) comprador toma os encargos da mercadoria a
Preço de uma mercadoria entregue no navio partir do local de produção ou de depósito.
(inclui todos os encargos, direitos, taxas e
riscos por conta do vendedor, até ao 2.2.29 Porte Pago
momento em que as mercadorias ultrapassam Preço que inclui o transporte da mercadoria
a amurada do navio, portanto com exclusão até ao local de destino.
do frete e do seguro marítimo).
Nota: Pode indicar-se o nome desse local:
Nota: Esta expressão é geralmente seguida “porte pago até…”
do nome do porto de embarque.

2.2.22 Franco Camião 2.3 Termos Regulamentares,


Preço de uma mercadoria colocada sobre Jurídicos e Contratuais
camião, sendo, a partir desse momento, o
comprador a suportar todos os encargos e 2.3.1 Autorização
riscos. Decisão administrativa que deve ser
concedida quando o requerente obedece às
Nota: Esta expressão é geralmente seguida condições preestabelecidas para a respectiva
do nome do ponto de partida da atribuição.
mercadoria.
Nota: Para a energia nuclear, distingue-se
2.2.23 Franco no Cais frequentemente entre a autorização
Condições de venda nos termos das quais a de sítio (aprovação do projecto da
transferência de propriedade se realiza central nuclear para um dado sítio), a
quando as mercadorias são entregues ao autorização de construção
longo do barco. Assim, os riscos de (aprovação dos equipamentos) e a
carregamento não são suportados pelo autorização de exploração
vendedor. (aprovação de entrada em serviço
após controlo e verificação das obras
2.2.24 Franco Vagão realizadas).
Preço que se aplica a uma mercadoria
colocada num vagão ou entregue aos 2.3.2 Concessão
caminhos-de-ferro (no caso de um Decisão administrativa que dá o direito de
carregamento interno, considera-se um vagão explorar ou utilizar um bem público. Esta
completo ou o peso necessário para decisão depende da vontade das autoridades
beneficiar das tarifas aplicáveis às cargas por que fixam unilateralmente as condições.
vagão). A partir desse momento, todos os
fretes e riscos são suportados pelo Nota: No sector mineiro, a concessão dá o
comprador. direito de exploração na sequência
da descoberta de um jazigo com
Nota: Esta expressão é seguida do nome interesse comercial. Em certos
do ponto de partida da mercadoria. países, a exclusividade dos direitos
de prospecção pode implicar a
2.2.25 No Cais, Desalfandegado exclusividade dos direitos de
Condições de venda que indicam (num exploração.
contrato de venda ou de transporte) que
todas as taxas, encargos ou direitos são 2.3.3 Licença de Prospecção
imputáveis ao vendedor e devem ser pagos A licença de prospecção ou exploração
no momento da importação das mercadorias. autoriza o seu titular a fazer todos os
trabalhos necessários para a descoberta de
2.2.26 No Cais, não Desalfandegado jazigos; estas licenças são, em geral,
O mesmo que em 2.2.25, mas com a exclusivas, isto é, apenas o seu titular está
imputação de todos os encargos ao autorizado a efectuar prospecções na área
comprador para quem a responsabilidade é, atribuída. Além disso, no caso da descoberta,
ipso facto, transferida. apenas ele pode beneficiar do direito de
exploração, com a condição de respeitar a
Nota: É costume complementar esta regulamentação em vigor para a sua
expressão com a designação do obtenção.
porto de entrada.
2.3.4 Provisão para Reconstituição do Jazigo
2.2.27 A Bordo Benefícios fiscais de que podem dispor as

17
2.3.5

sem qualquer transacção monetária.


empresas que fazem prospecção e
exploração de jazigos, com o objectivo de as 2.3.11 Acordo de Compensação
incitar a compensar o esgotamento dos Acordo de venda com um cliente estrangeiro
jazigos em solo nacional. mediante o qual o fornecedor deve importar
produtos locais por um valor proporcional às
2.3.5 Contingentação suas entregas.
Limitação quantitativa, geralmente fixada
pelos poderes públicos, do exercício de um 2.3.12 Contrato com Obrigação de Aquisição (Take
direito, do montante da participação num or Pay Contract)
encargo (quota), no quadro de uma afectação Contrato que prevê a obrigação de adquirir
governamental de recursos ou de repartição uma quantidade mínima de petróleo ou de gás
de encargos. natural (ou de qualquer outra forma de
energia) por um preço fixado ou de efectuar
Nota: Um exemplo desta limitação é a “pro um pagamento mesmo que certas
rata”: regulamentação da produção quantidades não tenham sido adquiridas.
que visa a sua limitação voluntária,
em função de critérios económicos 2.3.13 Contrato de Chave-na-Mão
ligados à preocupação quer de evitar Contrato de fornecimento de um conjunto
uma baixa de preços, quer de industrial que compreende a concepção, o
economizar as reservas para estudo, a construção e a entrega da
prolongar a sua duração. totalidade das obras e equipamentos prontos
a funcionar, mediante um preço global e
2.3.5.1 Quota de Produção detalhado por rubrica.
Quantidade de um produto, por exemplo de
petróleo bruto, que um país ou uma empresa Nota: O contrato pode também incluir a
está autorizada a produzir durante um período prestação de serviços tais como a
dado. formação do pessoal, o
comissionamento, etc.
Nota: O montante das quantidades a
produzir pode ser fixado, a nível 2.3.14 Contrato de Partilha da Produção
nacional, pelo próprio Estado ou, a Contrato onde o Estado, único detentor dos
nível internacional, por uma direitos e títulos mineiros, representado por
organização de que o Estado é uma empresa pública, recorre à assistência
membro. técnica e financeira de empresas privadas,
nacionais ou estrangeiras. A remuneração
2.3.5.2 Quota de Importação destes serviços é feita mediante a atribuição
Sistema, geralmente imposto pelo Estado, de uma parcela da produção, sendo a parte
que visa limitar as quantidades de um restante desta pertença do Estado depois de
determinado produto que podem ser deduzidos os custos de exploração.
importadas.
2.3.15 Taxa pela Licença de Exploração (Royalty)
2.3.6 Embargo Pagamento imposto ao titular de uma licença
Interdição legal de importar ou exportar certos de exploração que tem por objectivo a
equipamentos ou produtos, utilizada segundo produção. Pode ser paga em natureza ou em
diferentes formas como meio de pressão com espécie. Trata-se da contrapartida de um
objectivos políticos. direito de exploração que é exigível, não só
pela exploração do jazigo como pela
2.3.7 Associação de Riscos Comuns (Joint utilização de um processo ou de um serviço.
Venture)
Operação conjunta de dois ou mais 2.3.16 Trespasse
empresários para um objectivo limitado com Quantia paga pelo titular da licença de
partilha de riscos. exploração no momento da conclusão de um
contrato mineiro. Embora o respectivo
2.3.8 Arrendamento ou Cedência de Interesses montante esteja, por vezes, previsto na lei,
Contrato pelo qual o detentor de um título ele é, na maioria dos casos, objecto de
mineiro (aluguer ou concessão) entrega a negociações directas.
exploração, no todo ou em parte, a um
terceiro mediante o pagamento de uma renda. 2.3.17 Patente
Direito oficialmente reconhecido por um
2.3.9 Contrato de Sondagem Estado ou um grupo de Estados sobre uma
Acordo pelo qual uma empresa especializada invenção que dá ao seu autor o monopólio de
na execução de sondagens executa um exploração por um tempo limitado. Para ser
programa de prospecção por conta de uma objecto de uma patente, uma invenção deve
empresa de investigação ou de exploração obedecer a três condições: ser nova, ser
que opera sozinha ou como operador de uma susceptível de aplicação industrial e implicar
associação de empresas. uma actividade inventiva.

2.3.10 Acordo de Troca 2.3.18 Reivindicações


Acordo de permuta directa de mercadorias Renumeração, no final da patente, das

18
2.3.19

características técnicas da invenção, com - conservação e poluição.


indicação dos meios reivindicados pelo O comportamento dos Estados-
inventor para obter o resultado pretendido. -membros relativamente aos oceanos
Essas características definem a extensão é orientado pela Convenção que
jurídica da protecção. define as zonas marítimas, mediante
2.3.19 Anterioridade regras que estabelecem as
Todo e qualquer documento ou causa de fronteiras, conferindo direitos e
divulgação que possa arrastar a nulidade total responsabilidades e fornecendo um
ou parcial de um pedido de registo de uma mecanismo para a regulamentação
patente, de uma marca ou de um modelo, por dos diferendos.
falta de inovação.
2.3.25 Plataforma Continental
2.3.20 Licença Designa os fundos marinhos e os subsolos
Autorização dada pelo titular de uma patente das zonas submarinas adjacentes à costa;
de invenção para a exploração comercial da situam-se para além do limite das águas
sua descoberta em determinadas condições territoriais até uma profundidade de 200
e países. Esse titular tem geralmente direito a metros ou para além deste limite se a
receber uma taxa pela licença de exploração profundidade das águas permitir a extracção
(royalty) proporcional ao volume de negócio de recursos naturais do fundo das referidas
daí resultante. zonas. O Estado banhado por esse mar
exerce direitos de soberania na plataforma
2.3.21 “Know-How” continental com o objectivo de realizar a
Conjunto de conhecimentos técnicos, prospecção e a exploração dos recursos
necessários à boa utilização de um processo, naturais lá existentes.
de um dispositivo ou de uma máquina. Devido
à sua natureza, esses conhecimentos não 2.3.26 Zona Económica Exclusiva
dão lugar a qualquer título de propriedade Zona que se estende para lá do mar territorial,
industrial mas podem, conforme a legislação adjacente à zona sobre a qual o Estado
em vigor, ser protegidos. O “Know-How” é banhado tem direitos soberanos em matéria
transmitido ao concessionário ou ao de prospecção, exploração e conservação de
licenciado em regime de assistência técnica e recursos de qualquer natureza. A zona
é, geralmente, objecto de compromisso económica exclusiva pode estender-se até ao
secreto que liga o beneficiário e o seu limite de 370 km (200 milhas marítimas), a
pessoal. partir das costas do Estado em causa.
2.3.22 Normalização 2.3.27 Águas Interiores Marítimas
Conjunto das actividades que têm por fim Espaço marítimo que engloba o espaço aéreo
definir as gamas e as características a que que lhe fica por cima bem como os fundos
devem obedecer os produtos, bem como os marinhos subjacentes. O Estado banhado
métodos para as obter (qualidades, dispõe de soberania total sobre essas águas,
dimensões, características, métodos de que compreendem: os portos marítimos e
ensaio, regras de utilização) e, ainda, para seus aproveitamentos, as enseadas – sempre
permitir a racionalização dos processos de que constituírem abrigos – as águas
fabrico. compreendidas entre a beira-mar e a linha de
baixa-mar, algumas baías e certas águas
Nota: As normas são estabelecidas por históricas.
organismos que podem ser
internacionais, nacionais ou 2.3.28 Águas Territoriais
profissionais. Espaço marítimo que engloba o espaço aéreo
que lhe fica por cima e os fundos marinhos
2.3.23 Especificação subjacentes sujeitos à soberania do Estado
Definição das características a que deve banhado, mas com um direito de passagem
satisfazer um produto, um material, uma inofensiva concedido aos navios
instalação, uma fabricação, do ponto de vista estrangeiros. O limite interior do mar territorial
da sua composição, das suas qualidades, ou coincide com o limite exterior das águas
da sua estrutura. interiores. O limite exterior das águas
territoriais é geralmente fixado em 22,2 km
2.3.24 Direito Marítimo (12 milhas marítimas).
O direito marítimo constitui-se no quadro da
Conferência das Nações Unidas sobre o 2.3.29 Alto Mar
Direito do Mar, cujas convenções são sujeitas Parte do mar aberta a todos os Estados quer
a ratificação pelos Estados-membros. tenham litoral ou não e onde existe liberdade
para navegar, sobrevoar, colocar cabos e
Nota: A referida Convenção actualmente tubagens, pescar e realizar investigação
em vigor aplica-se às principais científica.
actividades humanas no domínio dos
oceanos: 2.3.30 Afretamento
- navegação e sobrevoo; Contrato pelo qual um armador (fretador) se
- prospecção e exploração de compromete a pôr à disposição de uma
recursos; terceira pessoa (o afretador) um navio

19
2.3.31

uma instalação nuclear (no sentido das


mediante o pagamento de uma certa quantia Convenções de Paris e de Bruxelas sobre a
(frete). Por extensão, aplica-se a qualquer responsabilidade civil em caso de acidente
meio de transporte não marítimo. nuclear).
Nota: Para transportar produtos, existem Nota 1: Pode procurar-se atingir os seguintes
diversos tipos de contratos de níveis de desclassificação:
afretamento: a) Pôr em redoma: Trata-se de uma
- Afretamento casco nu (ou vazio): medida temporária e de espera
o navio é entregue pronto a que permite uma diminuição da
navegar, mas sem tripulação, radioactividade antes de se
combustível nem mantimentos. empreender uma acção definitiva.
- Afretamento por viagem: o Consiste na desmontagem.
armador compromete-se a Tornam-se necessárias medidas
transportar uma carga de um de segurança muito severas, tais
porto para outro mediante o como trancar ou soldar as portas
pagamento de um certo preço por de entrada, para evitar o acesso
tonelada. a pessoas estranhas. Para além
- Afretamento por tempo: o armador deste processo, deve atingir-se
põe a disposição do afretador, um dos níveis mencionados em b)
por um período que pode ir até 20 e c).
anos, um navio pronto a ser b) Selagem Integral: Este nível é
utilizado, com a sua tripulação, atingido quando se tornam
mediante o pagamento de um permacontaminadas da
certo preço por tonelada e por instalação, utilizando técnicas
mês. especiais de desmontagem dos
diferentes elementos e
2.3.31 Sobrestadias recobrindo, por exemplo, com um
Indemnizações que os afretadores ou os invólucro de betão armado as
destinatários de um carregamento devem partes restantes.
pagar ao armador quando as operações de c) Desmantelamento: Este nível é
carga ou de descarga ultrapassam o número atingido depois de se retirarem
de dias (sobrestadia) previsto no contrato. todas as partes contaminadas,
por meios de equipamentos
2.3.32 Bandeira de Conveniência especiais telecomandados e de
Nacionalidade fictícia concedida a navios barreiras de protecção; o
comerciais que lhes permite funcionar em conjunto do sítio é limpo e
condições financeiramente mais vantajosas totalmente desactivado.
do que se eles tivessem sido registados no
seu próprio país. Nota 2: Teoricamente, pode tentar-se atingir
o nível c) sem passar pelos níveis a)
2.3.33 Desclassificação de uma Instalação e b). Praticamente, procura-se atingir
Energética os níveis b) e c) em função do
Acção que consiste em interromper destino final a dar ao sítio.
definitivamente a exploração de uma
instalação energética:
- no fim da sua duração de vida útil;
- como consequência de um acidente; 2.4 Métodos Analíticos de Previsão
- por razões técnicas e/ou económicas
(substituição da forma de energia utilizada 2.4.1 Métodos Analíticos
por outra mais competitiva, obsolescência
da técnica, etc.); 2.4.1.1 Econometria
- por razões de meio ambiente, de Ramo das ciências económicas que
segurança, de urbanização, etc. apresenta a síntese da teoria económica
(matemática) e dos métodos estatísticos. O
Nota: Após a saída de serviço definitiva, a seu objectivo consiste em validar os modelos
instalação energética pode ser teóricos e fornecer indicações quantitativas
substituída por outra no mesmo local relativas ao funcionamento dos agregados
ou desmantelada para libertar o sítio. económicos.

2.3.33.1 Desmantelamento de uma Instalação 2.4.1.2 Análise Custo-benefício


Marítima A análise custo-benefício consiste em
Obrigação que decorre da legislação valorizar, em termos monetários, todos os
internacional que consiste em desmontar efeitos previsíveis de uma decisão.
completamente qualquer instalação marítima
cuja utilização tenha sido abandonada. Nota: A avaliação da relação custo-
benefício para os projectos é
2.3.33.2 Desclassificação de uma Instalação Nuclear frequentemente utilizada na
Acção que consiste, no fim da vida útil ou apreciação das alternativas
como consequência de um acidente, em possíveis de um projecto de
interromper definitivamente a exploração de investimentos.

20
2.4.1.4

2.4.1.3 Análise de Correlação Método de análise que descreve os fluxos (de


A análise de correlação permite compreender energia) desde as fontes primárias de
a relação entre duas grandezas. Para as aprovisionamento até à procura final.
duas grandezas, as séries de valores podem
ser independentes ou, numa análise de Nota: Os processos podem cobrir a
regressão, podem ser dependentes, isto é, extracção dos recursos energéticos,
influenciar-se mutuamente. o tratamento, a conversão ou a
transformação, o transporte, a
armazenagem e a distribuição.

2.4.1.4 Análise dos Factores


É um método de análise da variância para Sendo os fluxos energéticos
estudar a estrutura de um conjunto de expressos em termos físicos, a
dados. A análise dos factores pode análise de processos é
desempenhar três funções: fundamentalmente uma forma de
- Procurar uma representação mais simples contabilidade energética.
dos processos para os quais se devem
analisar os dados, reduzindo a dimensão 2.4.1.10 Análise de Sistemas
da variável espaço na qual estão Trata-se de um dos instrumentos da análise
representados os elementos a examinar; sistémica (visão interdisciplinar global de um
- Examinar a interacção entre variáveis pela problema): consiste em reduzir um sistema às
representação de conjunto lineares de suas componentes e interacções elementares
variáveis; e em evidenciar, por exemplo, os diferentes
- Examinar as representações destes factores de influência (políticos, sociais,
conjuntos de variáveis que os ligam aos culturais, demográficos, tecnológicos,
elementos fornecendo os dados que ecológicos, etc.).
devem ser analisados.
Nota: Este método pode aplicar-se à
2.4.1.5 Análise Interindustrial análise de desenvolvimento
Ver Análise Entrada-Saída (2.4.1.6). energético sobre a economia e os
recursos naturais. O método WELMM
2.4.1.6 Análise Entrada-Saída (Input-Output) (W=água; E=energia; L=terra;
Método de investigação da interdependência M=matérias- -primas; M=mão-
dos diferentes ramos de actividade de uma de-obra) é disso um exemplo.
economia durante um período de tempo
determinado. A representação sobre a forma 2.4.1.11 Análise de Séries Temporais
matricial denomina-se “quadro de entrada- Processo que consiste em analisar uma série
-saída”. de observações classificadas relativamente à
variável tempo.
Nota 1: A análise entrada-saída permite
avaliar os efeitos da modificação da Nota: O objectivo da análise das séries
procura final sobre a actividade dos temporais é o estudo da dependência
sectores industriais interligados. entre as observações efectuadas em
diferentes períodos de tempo.
Nota 2: A análise interindustrial é um caso
particular de análise entrada-saída. 2.4.1.12 Análise de Tendência
Método de análise que consiste numa
2.4.1.7 Modelo de Penetração do Mercado extrapolação, a partir de tendências
Processo segundo o qual as técnicas, os passadas, da evolução da tendência no
bens e as formas de energia penetram no futuro.
mercado, por exemplo, segundo uma função
logística e, depois, se for caso disso, 2.4.1.13 Método das Variáveis Mudas
desaparecem do mercado por processos de Método simples e útil que consiste em
substituição. introduzir uma análise das informações
relativas às variáveis qualitativas ou por
Nota: O modelo Fisher-Pry é uma categorias, ou seja, das variáveis que não
representação formalizada deste são medidas segundo o método convencional
processo. em valores numéricos.

2.4.1.8 Análise da Trajectória 2.4.2 Métodos de Previsão


Método para a estimativa e o exame da
coerência interna de um modelo com uma 2.4.2.1 Previsão Energética
estrutura causal determinada. Actividade que consiste em descrever as
orientações e os acontecimentos futuros no
Nota: A estrutura causal postulada pode domínio da energia, tomando em
ser avaliada com o apoio de consideração os valores futuros previstos
diagramas de evolução. para os diferentes parâmetros com impacto
sobre a economia energética.
2.4.1.9 Análise de Processos

21
2.4.2.3

2.4.2.2 Prospectiva 2.4.2.8 Modelação por Agregação


Método de investigação destinado a evitar os Elaboração e/ou implementação de um modelo
inconvenientes de uma previsão parcelar que chega a conclusões macroeconómicas a
quantitativa e única por uma perspectiva partir de uma análise do impacto das
qualitativa e múltipla. alterações de parâmetros específicos dos
Para estudar a evolução da produção ou da diferentes subconjuntos de um sistema
procura energéticas, a perspectiva adopta global.
uma visão mais global, examina as variáveis
qualitativas quantificáveis ou não, bem como 2.4.2.9 Método (ou Inquérito) Delfi
as variáveis quantitativas, estabelece Método aplicado a um problema de previsão
relações dinâmicas entre variáveis, descreve bem definido com o fim de obter essa
múltiplos futuros a partir da explicação do previsão a partir da convergência de opiniões
presente mediante a análise dos efeitos de de um número seleccionado de participantes.
estrutura e de comportamento que afectam o Este método utiliza questionários de escolha
sector energético. múltipla. A análise das respostas a uma
primeira versão do questionário pode ser
Nota: A prospectiva impõe-se utilizada para estabelecer o questionário
particularmente no caso do seguinte com o fim de clarificar e de reduzir
planeamento de um futuro incerto. as divergências de opinião expressas nas
Inclui normalmente uma fase respostas analisadas.
exploratória (de previsão) depois de Além desta técnica Delfi, podem ser utilizados
uma fase normativa (de análise para a previsão energética outros métodos
retrospectiva). semelhantes de inquérito tais como o método
da matriz de impacto cruzado.
2.4.2.3 Curto Prazo
Futuro imediato, no decurso do qual a margem 2.4.2.10 Transposição
de manobra é limitada pelas capacidades e Extensão a um país de uma ou várias
técnicas existentes. características existentes noutro país com o
qual a comparação pode considerar-se válida.
2.4.2.4 Médio Prazo
Período no decurso do qual é possível Nota: Este método é também denominado
acrescentar as capacidades por meio de método de previsão por analogia.
novos investimentos nas instalações
(centrais, etc.), nos equipamentos ou noutros 2.4.2.11 Extrapolação
factores que permitam estimular a Extensão, no tempo, de uma grandeza de
produtividade com base em técnicas partida dada, por simples projecção ou
comprovadas. aplicação de fórmulas derivadas ou por
ponderação dos dados que se estima como
2.4.2.5 Longo Prazo sendo os melhores.
Período suficientemente longo para permitir
realizar aumentos de capacidade e alterações 2.4.2.12 Base de Dados
importantes, tanto no domínio da produção Conjunto de factos, números ou outros dados
como no do consumo. convenientemente estruturados, com o
objectivo de servir de base de referência, de
Nota: Não são indicados os números de previsão, etc.
anos correspondentes aos diferentes
prazos porque estes podem variar de 2.4.2.13 Cenário
sector para sector e de país para Conjunto coerente e plausível de hipóteses
país. sobre as variáveis exógenas da previsão,
elaborado de um modo sistémico.
2.4.2.6 Modelo de Previsão
Conjunto de hipóteses, de regras, de 2.4.2.14 Cenário Tendencial
algoritmos ou de equações que permitem um Cenário que visa descrever o futuro ao qual
tratamento sistémico das informações com o conduziria a reprodução idêntica das
fim de examinar as relações funcionais, principais tendências do passado.
estáticas ou dinâmicas, a partir das quais
uma avaliação objectiva pode fornecer 2.4.2.15 Cenário Contrastado (Cenário de
elementos de conjuntura susceptíveis de Enquadramento)
orientar as decisões. Um modelo que cobre a Cenário que se apoia em hipóteses extremas
totalidade da economia energética denomina- relativas à evolução das grandes tendências
se modelo global; um modelo sectorial não com o objectivo de delimitar o espaço dos
cobre senão um sector ou uma actividade futuros possíveis.
específica.
2.4.2.16 Variável Endógena
2.4.2.7 Modelação por Desagregação Variável determinada no interior do sistema
Elaboração e/ou implementação de um modelo considerado.
que parte de situações globais para chegar a
avaliações decompostas regional e/ou 2.4.2.17 Variável Exógena
funcionalmente. Variável determinada fora do sistema

22
2.4.2.21

considerado. Pode ser política, social, ligada 2.4.2.28 Modelo de Entrada-Saída (Modelo de
ao ambiente, etc. Leontiev)
Modelo baseado na análise entrada-saída (ver
2.4.2.18 Variável Explicada 2.4.1.6).
Variável cujo valor resulta do valor assumido
por outra ou outras variáveis. 2.4.2.29 Modelos de Séries Multitemporais
Modelos baseados na análise simultânea de
2.4.2.19 Variável Explicativa várias séries cronológicas.
Variável cujo valor determina, inteiramente ou
em parte, o valor de uma outra variável. 2.4.2.30 Modelo de Simulação
Modelo descritivo fundamentado numa
2.4.2.20 Análise de Sensibilidade representação lógica de relações que formam
Estudo da incidência relativa de uma variável a estrutura de um sistema e que visam
explicativa sobre o resultado de uma reproduzir, de um modo mais ou menos
previsão. simplificado, o funcionamento desse sistema.
Um modelo de simulação diz-se estático
quando representa apenas o funcionamento
2.4.2.21 Métodos Formais de Previsão do sistema num corte temporal; diz-se
Métodos baseados na recolha e análise dinâmico quando integra os processos de
sistémica de dados estatísticos e/ou de evolução e/ou de reprodução do sistema. A
opiniões de peritos. importância destes modelos decorre da
impossibilidade ou do custo excessivo de
2.4.2.22 Métodos Quantitativos experiências sobre o próprio sistema.
Métodos formais que utilizam as matemáticas
para tratar sistemicamente a informação do Nota: Algumas variações dentro do modelo
passado a fim de identificar e avaliar relações podem ser deterministas mas,
funcionais, estáticas ou dinâmicas com o noutros contextos de previsão, serão
objectivo de fornecer as previsões que podem geralmente estocásticos com
servir de base a uma decisão futura. repartições de probabilidade que
descreverão igualmente a resposta.
2.4.2.23 Métodos Qualitativos Um exemplo bem conhecido é a
Métodos formais que implicam a utilização do simulação que utiliza o método dito
julgamento humano para transformar uma de Monte Carlo.
informação qualitativa em estimativa
quantificada. 2.4.2.31 Modelo de Optimização
Modelo que descreve um sistema ou um
2.4.2.24 Métodos Autoprojectivos ( Métodos problema de tal forma que a aplicação de um
Univariantes) processo analítico rigoroso a sua
Métodos quantitativos que utilizam uma única representação permite fornecer a melhor
série cronológica na qual o modelo assenta solução para um objectivo dado, no interior de
na suposição de uma continuidade do um conjunto de restrições associadas a esse
esquema histórico. Trata-se de uma técnica objectivo.
de extrapolação, quer por simples projecção
das tendências históricas, quer por aplicação
de fórmulas derivadas ou de modelos
matemáticos ou de melhores dados de
estimativa.

2.4.2.25 Métodos Causais (Métodos Multivariantes)


Métodos quantitativos que utilizam várias
séries cronológicas e integram relações entre
a grandeza a prever e outras grandezas.

2.4.2.26 Análise de Regressão


Análise da relação matemática (muitas vezes
determinada de forma empírica entre duas ou
mais variáveis correlacionadas) e utilização
desta análise para prever os valores de uma
variável, uma vez fixados os valores de
outras variáveis.

2.4.2.27 Modelo Econométrico


Modelo no qual se aplicam métodos
matemáticos e estatísticos (por exemplo a
análise de regressão) a dados e problemas
económicos.

23
Secção 3

BALANÇOS ENERGÉTICOS
___________________________________________________

3.1 Termos Gerais

3.2 Metodologia

3.3 Abastecimento

3.4 Transformações e Perdas

3.5 Consumos

25
3.1.1

BALANÇOS ENERGÉTICOS até à energia útil, por exemplo por


uma série de balanços, quadros,
diagramas de fluxo).

A contabilidade da energia exprime-se, na maioria Nota 3: O quadro utilizado é apenas uma


dos casos, em unidades físicas e não em forma de representação cómoda,
unidades monetárias. Existem de facto dois tipos apresentando diferenças sensíveis
de contabilização bastante diferenciados nos seus consoante a fase da cadeia
objectivos: energética à qual se aplica. Verifica-
- Uma correspondente às quantidades de se actualmente uma tendência de
produtos energéticos cuja oferta e procura harmonização dos modos de
devem equilibrar-se a um nível apresentação e dos conceitos de
macroeconómico; base, designadamente por parte de
- A outra diz respeito ao seguimento dos fluxos certas organizações internacionais,
energéticos num processo ou numa em particular das Nações Unidas,
instalação. que têm adoptado geralmente o
No primeiro caso, a contabilização conduz a um formato de matrizes, representando
balanço; os termos convencionais utilizados para em colunas as formas de energia e
descrever quer o seu quadro, quer o seu em linhas os diversos agregados
conteúdo, estão incluídos nesta Secção. correspondentes aos
Na Secção 5 – “Gestão da Energia” – figuram os aprovisionamentos e utilizações. As
termos relativos à segunda acepção, onde a suas recomendações facilitam a
contabilização serve para seguir os fluxos de interpretação e a comparação dos
energia, sobretudo com o objectivo de os balanços (não são normas
optimizar. internacionais e não se pode falar
propriamente em utilizar o termo
balanços normalizados).
Na prática, e respeitando quadros
3.1 Termos Gerais harmonizados, cada país e cada
organização pode escolher as formas
3.1.1 Balanço Energético (Balanço da Energia) de balanços mais adaptados aos
Secção, o termo balanço energético tem um seus objectivos e necessidades
sentido contabilístico e não o de rendimento específicas.
que lhe dão por vezes os técnicos de calor.
Aqui, o balanço energético de uma zona 3.1.2 Balanço Energético Global
determinada, num determinado período é, por Balanço representando, num quadro de
definição, equilibrado (entre as entradas e as contabilidade coerente, todas as quantidades
saídas) e apresentado como um balanço de de energia produzidas, transformadas e
contabilidade. consumidas numa dada zona geográfica e
num dado período de tempo; estas
Nota 1: Os limites geográficos e temporais quantidades de energia são expressas e
dos balanços são variáveis e se, contabilizadas em unidades de conta única
para um dado país e uma dada (ver 3.2.2), para comparação e adição.
época, se estabelecem, na maioria
dos casos, balanços, nacionais e Nota 1: Um balanço global supõe um conjunto
anuais, a exemplo dos da de convenções e de regras de
contabilidade nacional, é possível elaboração que permitam, em
estabelecer balanços por períodos particular, evitar as duplas
mensais, trimestrais, etc. e/ou a contabilizações.
escalas infranacionais ou A expressão, em unidade comum
supranacionais (balanços regionais). convencional, de quantidades de
energia anteriormente contabilizadas
Nota 2: A energia contabilizada nos balanços em unidades específicas supõe o
pode ser referida às diferentes emprego de factores de conversão
etapas da cadeia energética: energia ou de equivalência (ver 3.2.1).
primária (ver 1.1.15), energia É indispensável conhecer estas
derivada (ver 1.1.16), energia final convenções para poder interpretar o
(ver 1.1.17), energia útil (ver 1.1.18); balanço.
nestas diferentes fases, a energia
tomada em conta pode ter sido ou Nota 2: O balanço global serve também para
não objecto de uma troca monetária avaliar a coerência dos dados de
(ver: energia comercial, energia não base com o sistema de contabilidade
comercial, recuperação). Designa-se escolhido.
por balanço integrado um balanço
representando todos os fluxos 3.1.3 Balanço Energético por Formas de Energia
(incluindo as variações de (por vezes denominado Balanço Energético
existências) desde o Parcial ou Balanço em Unidade Específica)
aprovisionamento primário ao Balanço relativo a uma única forma de energia
consumo final e, em certos casos, ou a formas muito próximas (por exemplo,

27
3.1.4

produtos petrolíferos, produtos carboníferos, aparecer as perdas verificadas nas diferentes


etc.) em que todas as quantidades fases de transformação e do consumo. Como
produzidas, transformadas e consumidas não existe medida efectivada energia útil,
numa dada zona geográfica e num dado este balanço é, de facto, um balanço
período de tempo são expressas em unidade derivado do balanço da energia final, com
específica (massa, volume, etc.) ou numa aplicação de rendimentos médios ou
unidade energética (por exemplo o joule e estimados para a transformação pelo último
seus múltiplos). Existem, assim, os balanços aparelho, o que pressupõe um bom
de gás, de petróleo, os balanços de carvão, conhecimento do parque e dos rendimentos,
os balanços eléctricos, etc. que podem variar em proporções importantes.

Nota 1: Os produtos contabilizados são Nota: Admite-se a possibilidade de


função dos recursos particulares ou determinar a energia útil em função
de hábitos de um dado país. dos processos técnicos, das
utilizações ou dos sectores
Nota 2: Designa-se por vezes por quadro económicos, mas estes aspectos
energético de base a justaposição do apresentam dificuldades teóricas e
conjunto dos balanços por formas de práticas tais que, actualmente, o
energia. Trata-se de um quadro de método acima indicado é geralmente
conjunto das quantidades de energia o aplicado.
produzidas, transformadas e
consumidas, numa dada zona 3.1.7 Energia Comercial (Energia Vendável)
geográfica e num dado período de Energia que é objecto de uma transacção
tempo, independente para cada forma comercial, o que facilita a sua quantificação.
de energia, quer se trate de energia
primária ou derivada. Estas 3.1.8 Energia não Comercial
quantidades são expressas em Formas de energia que não são objecto de
unidades específicas mas a sua uma troca comercial; são difíceis de
apresentação faz-se num quadro contabilizar nos balanços, se bem que estes
comum; para passar ao balanço sejam estabelecidos a partir de fluxos físicos
global é necessário definir o sistema e não monetários visto que os produtos
de contabilidade energética obtidos directamente não podem geralmente
adoptado, os princípios de ser quantificados senão por meio de
agregação, os coeficientes de inquéritos específicos junto do consumidor.
conversão e de equivalência, as
convenções de sinal para as Nota 1: Trata-se de uma definição literal que
variações de stocks, os retornos e não corresponde totalmente à
transferências e as entradas e prática, onde se utiliza, com
saídas de transformação. frequência, a expressão “energia não
comercial” em lugar de “energia
3.1.4 Balanço da Energia Primária (Balanço de tradicional”. Por exemplo, a madeira,
Equivalente Primário) o carvão de madeira e os resíduos
Balanço que exprime as quantidades das podem ser objecto de transacções.
diferentes formas de energia necessárias à
satisfação do consumo final em quantidades Nota 2: A energia dita não comercial provém
equivalentes de uma forma única de energia geralmente de produtos vegetais ou
primária escolhida como referência (na maioria animais, por vezes como
dos casos um combustível fóssil). A subprodutos de actividades
contabilização em todos os pontos do agrícolas, florestais ou mesmo
balanço é feita em função desta hipótese (ver industriais; o termo aplica-se também
3.2.1 factores de conversão e coeficientes de à energia solar ou eólica ou a
equivalência e 3.2.4 método de substituição pequenos aproveitamentos
parcial). hidráulicos em instalações individuais
ou semi-individuais.
3.1.5 Balanço de Energia Final
Balanço que exprime as quantidades das Nota 3: As dificuldades de contabilização e
diferentes formas de energia necessárias à de tomada em consideração destas
satisfação do consumo final, medidas ou fontes de energia nos balanços
estimadas. Num balanço da energia final decorrem, não só da incerteza sobre
todos os fluxos são contabilizados na base as quantidades que entram, mas
do poder calorífico (3.2.3: método do poder também da falta de precisão dos
calorífico). coeficientes de equivalência que
permitem integrá-las e ainda da
3.1.6 Balanço da Energia Útil dispersão dos rendimentos de
Balanço estabelecido na base de uma utilização.
contabilização dos diferentes fluxos
energéticos segundo o seu poder calorífico
real, desde o aprovisionamento primário à 3.2 Metodologia
energia útil recuperada pelo consumidor final
à saída dos seus aparelhos e fazendo assim 3.2.1 Factores de Conversão (Coeficientes de

28
3.2.2

Equivalência) convencionalmente em termos de


Coeficientes que permitem passar as unidades energéticas (joule e por
quantidades expressas numa unidade para vezes caloria ou termia).
quantidades expressas numa outra unidade
3.2.3 Método do Poder Calorífico (Método Franco
Nota 1: Estes termos, considerados muitas Consumidor, Método de Degradação
vezes como sinónimos e que são, na Calorífica, Método do Conteúdo Energético)
maior parte dos textos, utilizados Contabilização de todas as formas de energia
indiferentemente, envolvem, na na base do seu poder calorífico estrito.
realidade, noções diferentes:
Nota: O poder calorífico, definido pela
quantidade de calor desenvolvida
a) O factor de conversão (por vezes pela combustão completa de uma
chamado coeficiente de conversão) unidade de combustível, só se
designa a relação exacta de aplica, em princípio, aos
conversão de uma unidade de um combustíveis. Contudo, e por
sistema numa unidade de outro assimilação, a noção de poder
sistema: polegada em metro, galão (a calorífico pode ser extensiva, no
precisar) em metro cúbico, etc.; caso da electricidade, ao calor
b) O coeficiente de equivalência permite dissipado por efeito de Joule.
apreciar convencionalmente numa Para outras formas de energia, além
unidade única (ver unidade de conta dos combustíveis e da energia
energética 3.2.2) quantidades de eléctrica, as convenções não se
energia de naturezas diferentes ou, encontram ainda verdadeiramente
quando for o caso, associadas a uniformizadas. Porém, o facto de
usos diferentes. estas energias não terem
representado, até agora, senão uma
Nota 2: Uma medida única para todas as pequena parte dos balanços, justifica
formas de energia é, de certa que as diferenças de convenção
maneira, artificial porque não adoptadas não tenham tido uma
considera aspectos qualitativos de repercussão sensível.
todas as ordens que entram em jogo Para os produtos combustíveis
(aspectos económicos, exergéticos, considera-se: o poder calorífico
de substituição, etc.). Por outro lado, superior (PCS) (ver 1.3.4) e o poder
no caso de uma energia resultante de calorífico inferior (PCI) (ver 1.3.3).
transformações, o cálculo que
permite passar da unidade específica 3.2.4 Método da Substituição Parcial
à unidade comum pode utilizar Contabilização de todas as energias excepto
coeficientes diferentes consoante se a electricidade, na base do seu poder
situe a montante ou a jusante de calorífico estrito. A electricidade é, em
cada fase de transformação (ver princípio, contabilizada na base da energia
Secção 20). fóssil que seria necessária para a sua
produção. Este método nem sempre é
3.2.2 Unidade de Conta Energética (Unidade utilizado na prática se a electricidade for
Comum) produzida a partir de energia hidráulica,
Unidade na qual se convertem as unidades nuclear ou energias ditas novas ou
específicas utilizadas para as diferentes renováveis (ver 3.3.2).
formas de energia. No sistema SI, a unidade
regulamentar é o joule ou o quilowatt-hora; Nota : A consideração de diversos métodos
contudo, as unidades fora do sistema SI, e de diversos critérios de
unidades de apresentação ditas unidades contabilização leva a encontrar, na
convencionais, são ainda usadas prática, balanços onde, por exemplo,
correntemente; elas são associadas ao se podem aplicar os princípios do
emprego de coeficientes e permitem equivalente primário às
adicionar, nos balanços globais, quantidades disponibilidades e os do poder
de energias diferentes; entre as mais calorífico estrito aos usos. Estes
correntes encontram-se a tonelada balanços podem ser designados por
equivalente de carvão (tec) e a tonelada balanços mistos.
equivalente de petróleo (tep); se bem que não
sejam admitidos no sistema SI, a caloria e os
seus múltiplos são ainda utilizados, assim 3.3 Abastecimento
como algumas outras unidades físicas fora
desse sistema, tal como a British thermal unit 3.3.1 Energia Disponível para o Consumo Interno
(Btu). Bruto (Total das Necessidades em Energia
Primária, Abastecimento ou
Nota : A utilização das unidades de Disponibilidades)
apresentação reflecte a estrutura dos Ponto chave do balanço que deve equilibrar,
sistemas energéticos, baseados para o período de referência, o consumo
essencialmente na utilização do interno (ver 3.5.7) da entidade geográfica
carvão e do petróleo. São definidas considerada.

29
3.3.3

instalações.
3.3.2 Produção Primária de Energia
Extracção de energia obtida na natureza e, Nota 1: Se toda essa energia (por exemplo, a
por extensão, produção de certas energias electricidade ou o calor) não for
derivadas (electricidade dita primária). autoconsumida, pode, em certos
Distinguem-se assim: casos, ser vendida em condições
- a produção primária de combustíveis: contratuais a terceiros.
produção referida às quantidades de
combustíveis extraídos, produzidos ou Nota 2: A electricidade (ou o calor)
recolhidos para fins energéticos, autoproduzida é, por vezes, difícil de
avaliados após eliminação das matérias contabilizar nos balanços, ou porque
inertes neles contidas (para o gás se trata de pequenas instalações
natural é preciso excluir os “lâchers”, os sobre as quais ainda não existem
queimados, a reinjecção, etc.). Nesta dados, ou – e é este o caso mais
rubrica entram os produtos de importante – porque não se pode
recuperação utilizados para as centrais separar a utilização directa das
térmicas e os produtos animais ou formas de energia fornecidas da sua
vegetais combustíveis, na medida em utilização para a produção de
que eles não sofreram ainda qualquer electricidade ou de calor.
transformação energética;
- e a produção primária de electricidade: Nota 3: Este agregado diz respeito, tanto
por convenção, denomina-se geralmente quanto possível, à rubrica de
energia eléctrica primária aquela que transformação de energia.
provém de centrais hidráulicas e
nucleares bem como a energia eléctrica 3.3.5 Importações
de origem fotovoltaica, eólica ou Quantidades de energia primária ou derivada
geotérmica. que entram no território nacional (fronteiras
Contudo se estas formas de energia já estão políticas e não alfandegárias), com exclusão
contabilizadas como fontes primárias (por das energias em trânsito.
exemplo num ponto de energia renovável)
existe risco de dupla contabilização. No caso Nota 1: Os dados relativos às importações
do nuclear, existe o mesmo risco se se são em geral provenientes das
contabiliza como energia primária o calor declarações dos importadores;
nuclear produzido pelo reactor. podem pois diferir dos dados
As soluções adoptadas para evitar estas estabelecidos pelos serviços das
duplas contabilizações podem ser diferentes alfândegas que figuram nas
conforme os países. estatísticas do comércio externo.

Nota 1: A produção primária de combustíveis Nota 2: Em certos casos, algumas energias


pode referir-se, em certos países, às em trânsito são contabilizadas em
quantidades brutas; esta produção importações e exportações.
primária bruta poderia figurar numa
linha precedendo a produção primária 3.3.6 Exportações
de combustíveis tal como se define Quantidades de energia vendidas por um país
acima. fora do território nacional (fronteiras políticas
e não alfandegárias).
Nota 2: A energia solar e a energia eólica
utilizadas directamente (utilização Nota 1: Os dados relativos às exportações
térmica directa e utilização mecânica) são em geral provenientes das
podem ser assimiladas a uma declarações dos exportadores;
produção primária; a contabilização podem pois diferir dos dados
faz-se, em geral, à saída do primeiro estabelecidos pelos serviços das
aparelho de captação. O facto de alfândegas que figuram nas
estas energias terem, até ao estatísticas do comércio externo.
presente, representado uma pequena
parcela dos balanços explica que as 3.3.7 Bancas
diferenças de convenções adoptadas (ver 3.5.8)
para as tomar em conta não tenham
tido repercussão sensível. 3.3.8 Existências, Nível das Existências
Quantidades de energia armazenada para fins
3.3.3 Desagregação das Produções de gestão, segurança de aprovisionamento,
Pode ser apresentada por unidade geográfica, reservas estratégicas, obrigações legais, etc.
por forma de energia, por unidade de
produção, com um grau de pormenor mais ou 3.3.9 Variações das Existências (Movimentos das
menos fino segundo o grau de desagregação Existências)
do balanço. Diferença entre as quantidades de energia em
armazém nos produtores, importadores,
3.3.4 Autoprodução distribuidores, transformadores e nos grandes
Energia produzida ou transformada pelos consumidores, entre o início e o final do
utilizadores para o funcionamento das suas período de tempo considerado. Este agregado

30
3.4.1

é afectado de um sinal + ou -; + pode indicar


uma existência ou não existência conforme o 3.4.5 Saída de Transformação
método indicado pelo executor do balanço. Quantidade de energia transformada.
3.3.10 Recuperações 3.4.6 Perdas de Transformação
Schlam (lamas) de recuperação, xistos de Diferenças entre entrada para transformação
escórias combustíveis, lubrificantes e saída de transformação.
regenerados, produtos recuperados na
indústria ou resíduos agrícolas, etc. por Nota: Esta diferença pode por vezes ser
vezes contabilizados no aprovisionamento. positiva e traduzir-se num ganho de
transformação (por exemplo, em
Nota: É necessário, então, dar atenção aos volume, como na transformação do
riscos de dupla contabilização e, se petróleo bruto).
a recuperação dos resíduos (urbanos
ou agrícolas) for geralmente
contabilizada com a produção 3.4.7 Consumo Próprio do Sector Energético
primária, a recuperação a partir de (Consumo Interno do Sector Energético ou
energias já contabilizadas noutro lado Consumo do Ramo Energia)
(recuperação de calor, por exemplo) Quantidades de energia de todas as
deve ser considerada como um naturezas utilizadas pelos produtores e
saldo. transformadores de energia para o
É preferível fazer a contabilização no funcionamento das suas instalações (por
aprovisionamento para permitir uma exemplo, aquecimento, iluminação, etc.)
equação de balanço com “fecho”
convencional, por uma questão de Nota: No caso da bombagem hidráulica, o
generalidade (para evitar o saldo da bombagem (difernça entre a
aparecimento de saldos). electricidade produzida e a
consumida em bombagem) é atribuído
ao consumo próprio do sector
3.4 Transformações e perdas eléctrico, estando o consumo próprio
dos auxiliares incluído nesta rubrica.
3.4.1 Cadeia Energética
(ver 5.2.4) 3.4.8 Perdas de Transporte (Perdas de
Distribuição)
3.4.2 Transformação ou Conversão Perdas de transporte e de distribuição nas
(ver 1.1.15 e 1.1.16) redes (até ao ponto de entrega)
Nos balanços, estes termos são utilizados principalmente da electricidade, do gás e do
indiferentemente para designar qualquer calor.
modificação física ou química que permita
obter um produto derivado mais adaptado, Nota 1: As perdas nos transformadores
sem fazer a distinção entre as duas noções. eléctricos são contabilizadas nas
Contudo, o termo transformação é geralmente perdas de transporte e distribuição.
o mais utilizado.
Nota 2: Em alguns casos, as perdas de
3.4.3 Trocas, Transferências e Retornos distribuição do gás, nomeadamente
Fluxo de produtos energéticos fora das de gás natural, estão incluídas no
rubricas de transformação de energia e desvio estatístico (ver 3.5.9).
consumo final (por exemplo, mistura de
produtos petrolíferos, enriquecimento de gás Nota 3: Se bem que estas perdas sejam
natural, etc.) tradicionalmente contabilizadas para
as energias de rede, elas dizem
Nota 1: As trocas e transferências referentes respeito igualmente às entregas de
a misturas sem transformação podem combustíveis sólidos, líquidos ou
destinar-se a melhorar o produto gasosos em contentores.
final, a introduzir um produto no
circuito de distribuição (por exemplo,
gás de coqueria cedido a fábricas de 3.5 Consumos
gás para ser misturado), ou a utilizar
um produto cuja classificação foi 3.5.1 Consumo Final Total
alterada (por exemplo, Quantidades de energia disponíveis para o
reclassificação dos líquidos do gás utilizador final, compreendendo o consumo
natural em GPL, etc.). final energético (ver 3.5.2) e o consumo final
não- -energético (ver 3.5.3).
Nota 2: Os retornos cobrem essencialmente
os produtos petrolíferos devolvidos 3.5.2 Consumo Final Energético
às refinarias para serem reciclados. Quantidades consumidas para fins
energéticos pelos utilizadores finais (todos os
3.4.4 Entrada para Transformação (Energia sectores, com excepção do sector energético
Entrada) cujo consumo próprio foi definido em 3.4.7).
Quantidade de energia para transformar.

31
3.5.4

3.5.3 Consumo Final não-Energético 3.5.7 Consumo Interno Bruto


Consumo ao nível final de: Consumo bruto menos as bancas.
1) quantidades de produtos considerados
normalmente para uso energético, mas Nota: Este agregado, ponto chave do
consumidos como matérias-primas na balanço, pode igualmente ser
indústria química (por exemplo, gás calculado por adição dos consumos,
natural, nafta, carvão e derivados, etc.). das perdas nas redes e do desvio
2) quantidades de produtos para uso não- estatístico com a diferença entre a
-energético resultantes da energia submetida à transformação e
transformação de produtos para uso produção derivada.
energético (lubrificantes, “white spirit”,
betume, etc.). 3.5.8 Bancas (Bancas Marítimas Internacionais)
(ver 4.1.2) Quantidades de combustível fornecidas aos
navios de alto mar, qualquer que seja a sua
3.5.4 Desagregação dos Consumos nacionalidade e a sua categoria.
Repartição dos consumos por utilização, por
sector, por entidade geográfica, por forma de Nota: Não inclui nem as quantidades
energia, etc., com um nível de pormenor mais fornecidas aos transportes internos
ou menos fino conforme o grau de por água ou à cabotagem, nem as
desagregação do balanço. fornecidas ao tráfego aéreo, mesmo
internacional.
3.5.5 Sectores Consumidores
Categorias de utilizadores finais de energia, 3.5.9 Desvio Estatístico
desagregados geralmente da seguinte forma: Variável de fecho calculada de diferentes
indústria (fora da indústria energética) e maneiras conforme os balanços e que permite
muitas vezes desagregada em indústrias equilibrá-los.
grandes consumidoras, nomeadamente
metalurgia (siderurgia e metais não forrosos), Nota 1: O desvio estatístico pode
química, petroquímica e outras indústrias, compreender, por exemplo, variações
sector comercial ou terciário (comércio e de existências não registadas e, por
serviços), sector público ou administração, vezes, o consumo militar se não for
agricultura (incluindo pesca, caça e desagregado pelos diferentes
florestas), sector doméstico ou residencial e sectores de consumo e também
transportes. algumas perdas de distribuição (ver
3.4.8 Nota 2).
Nota 1: Faz-se notar que o sector
transportes cobre todos os Nota 2: As diferenças estatísticas podem
transportes, mesmo os que também traduzir anomalias
dependem da indústria, do comércio provenientes da atribuição de
e dos serviços, do sector público ou poderes caloríficos diferentes a um
administração, da agricultura ou mesmo produto segundo a
doméstico, quer dizer, todos os classificação na qual ele figura
transportes de pessoas ou (produção, comércio, transformação,
mercadorias por conta própria ou por indústria, etc.).
conta de outrem. As bancas
marítimas são, em princípio,
excluídas da alínea transportes.

Nota 2: A decomposição em sectores e


subsectores consumidores pode
variar de um balanço para outro.

3.5.6 Consumo Bruto


Quantidade de energia primária (incluindo o
saldo do comércio externo e o movimento das
existências) necessária a uma entidade
geográfica para cobrir a procura interna e a
das bancas.

32
Secção 4

USOS DA ENERGIA
___________________________________________________

4.1 Termos Gerais

4.2 Termos Relacionados com os Consumidores

4.3 Termos Relacionados com o Fornecimento de Energia

4.4 Termos Relacionados com os Usos

4.5 Alguns Processos e Equipamentos Consumidores


Industriais

33
4.1.1

USOS DA ENERGIA − termos relacionados com os usos finais


propriamente ditos, independentemente
dos equipamentos, materiais e aparelhos
consumidores.

Os termos energéticos foram sempre melhor Num último sub-capítulo, foram catalogados, a
classificados e definidos ao nível da produção, do título de exemplo, alguns dos processos mais
transporte e da distribuição da energia do que ao comuns de equipamentos industriais
nível da sua utilização. Isso foi, sobretudo, devido frequentemente grandes consumidores por se
às diferenças de organização e institucionalização afigurar útil dar-lhes uma definição neste
entre produtores e consumidores. A importância dicionário. A sua enumeração não invalida em
assumida pela gestão da procura e sobre a nada a enorme variedade de usos que é
economia energética torna contudo cada vez mais indispensável catalogar para apreciar
necessário um esforço de classificação também ao qualitativa e quantitati v a m e n t e as
nível dos usos e isto por várias razões: necessidades de energia útil, cujo nível de
pormenor depende do sector económico, da
1) O estabelecimento de balanços da energia zona geográfica, do grau de desenvolvimento,
útil não pode conceber-se senão a partir de etc.
um bom conhecimento dos usos e do parque
dos equipamentos utilizadores.
4.1 Termos Gerais
2) As políticas energéticas devem apoiar-se,
entre outras coisas, numa análise da procura 4.1.1 Utilização Energética
que se apoia também em inquéritos ao Utilização de energia, primária ou derivada,
consumo e em estudos sobre as condições para a produção de energia útil (ver 3.1.1, Nota
da sua evolução. 2 – Balanço e, num sentido mais amplo, 4.1.6 -
Consumo de Energia).
3) As nomenclaturas que servem de base às
estatísticas e a linguagem utilizada pelos Nota: Para fins de estatística, as utilizações
inquéritos devem ser coerentes, adaptadas energéticas são muitas vezes
aos tipos de inquéritos a efectuar, sem deixar decomp o s t a s em grupos de
subsistir qualquer ambiguidade na extracção consumidores (agricultura, indústria,
dos dados permitindo recolher informações doméstico, comércio e serviços,
significativas, tendo em conta os usos e os transportes, etc.). A avaliação é por
equipamentos, determinantes para a análise vezes também efectuada em função
dos consumos actuais e para o estudo das do modo de utilização da energia
possibilidades de substituição. (usos térmicos, mecânicos, químicos,
iluminação, etc).
4) A fiabilidade dos inquéritos sobre os
consumos e as suas determinantes, as 4.1.2 Utilização Não-Energética
possibilidades de comparação e de Utilização de produtos energéticos, primários
desagregação assentam essencialmente na ou derivados, para fins não-energéticos.
precisão das nomenclaturas utilizadas nos
questionários e nos quadros resultantes do 4.1.3 Utilização Substituível
seu escrutínio. Utilização de energia na qual a fonte ou o
produto energético em causa pode ser
A necessidade de definir sem ambiguidade os substituído por outro (ver 5.6.1 - Substituição).
termos usados ao nível das utilizações da energia
parece indiscutível. Resta saber como classificá-los, 4.1.4 Utilização Específica, Cativa ou Não
evitando as enumerações intermináveis e Substituível
forçosamente incompletas dos equipamentos, Utilização de energia em aplicações na qual a
materiais e aparelhos, tendo em conta porém os forma de energia utilizada não pode ser
aspectos q ualitativos (preferências dos substituída por outra, ou não poderia sê-lo
consumidores ou, muito simplesmente, modalidades senão em condições demasiadamente
de consumo) e quantitativos (parques de aparelhos, exigentes.
consumo de energia final, necessidades de energia
útil sob as suas diferentes formas). 4.1.5 Utilização Interruptível
É uma tarefa tipológica difícil, sem quadro Utilização de energia geralmente da rede
conceptual ideal. Por simplificação e para facilitar as (frequentemente gás ou electricidade) cujo
referências, a abordagem adoptada enquadra os fornecimento pode ser interrompido por acordo
termos nos seguintes grupos: com o consumidor, total ou parcialmente.
− termos gerais; Nota: Fala-se também de consumo
− termos relacionados com os modulável quando o fornecedor pode
consumidores e seu comportamento; fazê-lo contribuir para regularizar a
− termos relacionados com o fornecimento curva de carga (ver 1.3.21).
de energia;

35
4.1.7

Consumo de energia durante as horas de plena


4.1.6 Consumo de Energia
carga de uma rede, geralmente durante as
Utilização de energia com o objectivo da sua
horas do dia, nos dias úteis.
conversão em energia secundária ou da
produção de energia útil. Os níveis de
referência respectivos (energia primária,
4.1.15 Consumo em Horas de Vazio
energia secundária, energia final, energia útil)
Consumo de energia durante as horas de carga
devem ser indicados.
fraca de uma rede. Durante esse período
especial aplicam-se por vezes tarifas mais
4.1.7 Consumo Global
favoráveis.
Consumo de energia de qualquer fonte de um
conjunto, nacional ou regional, sectorial ou de
4.1.16 Consumo em Diagrama Rectangular
tipos de utilização.
Consumo que se mantém praticamente
constante durante um determinado período, um
Nota 1: O termo “global” pode referir-se tanto
dia por exemplo.
às fontes ou agentes energéticos em
causa como aos tipos de utilização
4.1.17 Consumo Próprio
(por exemplo, carvão) e aos grupos de
Consumo de energia gerado por autoprodução.
consumidores (por exemplo,
transportes). É obrigatório especificar
Nota: Não confundir com consumo próprio
o conjunto ao qual se refere o termo.
da indústria energética (ver 3.4.7.).
Nota 2: Não confundir com o consumo final
4.1.18 Determinantes do Consumo
total definido em 3.5.1.
Factores de natureza técnica, económica,
social ou política que contribuem para
4.1.8 Consumo Unitário
determinar o nível e a estrutura instantânea do
Consumo de energia por consumidor
consumo de energia (determinantes directas)
doméstico, por habitante, por equipamento ou
e/ou que influenciam a sua evolução no tempo
aparelho, etc.
(determinantes indirectas). Podem ser
objectivas (características do fornecimento - ver
4.1.9 Consumo Específico
4.1.19 -, rendimento dos aparelhos, etc.) ou
Indicador que dá o consumo de energia por
subjectivas (preferências ou hábitos do
unidade de produto ou por unidade monetária.
consumidor, seu comportamento face à
publicidade, aos incentivos, aos regulamentos,
Nota: A nível macroeconómico o consumo
às mudanças, etc.).
especifico por unidade monetária é
ger a l m e n t e designado por
4.1.19 Características do Fornecimento
“intensidade energética” (ver 1.1.12).
Constituem as qualidades do fornecimento da
energia e determinam os critérios da escolha
4.1.10 Consumo Final
do consumidor, isto é: a segurança de
Consumo de energia efectivamente medido
aprovisionamento de energia, a fiabilidade dos
para uma aplicação ou um conjunto de dados.
equipamentos, a qualidade dos serviços de
Representa a quantidade de energia
manutenção e de reparação, a maleabilidade e
efectivamente entregue ao consumidor (ver
a segurança da exploração, o espaço ocupado,
3.5.1 e 1.1.17).
o conforto, os investimentos necessários, o
preço da energia e as condições de
4.1.11 Consumo Real
pagamento, a não poluição, etc.
Consumo final acrescido das perdas de
conversão, de transporte e de distribuição.
Representa a energia primária pedida para
cobrir o consumo final (ver 4.1.10). 4.2 Termos Relacionados com os
Consumidores
4.1.12 Consumo Corrigido
Consumo de energia após a correcção dos 4.2.1 Consumidor de Energia (Utilizador Final)
efeitos devidos à actividade ou ao Pessoa física ou moral que utiliza energia para
desenvolvimento económico, ao clima, à época as suas próprias necessidades.
do ano ou à temperatura.
4.2.2 Utente
Nota: O consumo corrigido é calculado com Pessoa física ou moral a quem é fornecida
o fim de comparar os diferentes energia final.
períodos de uma série.
4.2.3 Cliente
4.1.13 Consumo em Horas de Ponta Utente com vínculo à empresa fornecedora de
Consumo máximo durante um curto período energia, definido em condições contratuais
determinado de tempo. específicas que dizem respeito à entrega e
utilização (tarifas e qualidade do serviço) e que
4.1.14 Consumo em Horas Cheias se mantêm constantes durante o período
fixado no contrato.

36
4.2.5

4.2.4 Grande Consumidor


Nota 3: A potência de facturação é a que se
Processo, indústria ou sector que pede
toma em consideração para o cálculo
quantidades de energia relativamente
do preço facturado.
importantes, quer em relação ao consumo
global, quer em relação à unidade do produto
acabado.
O seu consumo é muitas vezes qualificado
como energia-intensivo ou energívoro.
4.3 Termos Relacionados com o
4.2.5 Utilização Racional de Energia Fornecimento de Energia
Utilização da energia pelos consumidores com a
preocupação de racionalização tendo em conta 4.3.1 Energia Final (Energia Entregue)
os condicionamentos sociais, políticos, Energia fornecida ao consumidor para ser
económicos, de meio ambiente, etc. (ver 5.1.3). convertida em energia útil ( ver 1.1.17).

4.2.6. Economias de Energia 4.3.2 Energia Derivada (Energia Secundária)


Medidas ou efeitos das medidas tomadas por Energia que resulta da conversão da energia
produtores ou utilizadores da energia para primária (qualificada então como energia
evitar os desperdícios. Tais medidas podem ter secundária, em vez de derivada) ou de outras
um carácter passivo (p.ex., o isolamento), activo energias derivadas (ver 1.1.16 e 3.1.1 Nota 2).
(p.ex., a utilização de efluentes térmicos) ou
estrutural (p.ex. a modificação do sistema de 4.3.3 Energia Útil
transporte) (ver 5.1.2). Energia de que dispõe o consumidor depois da
última conversão feita nos seus próprios
4.2.7. Parque de Equipamento Utilizador equipamentos (ver 1.1.18.)
Conjunto dos aparelhos e materiais
consumidores de energia mantidos pelos 4.3.4 Energia da Rede
utilizadores. Energia entregue a partir de redes de
distribuição. Estas podem ser eléctricas, de gás,
Nota: A idade e o estado de conservação do de calor à distância ou de ar comprimido (ver
parque de equipamento, assim como a 1.4.1).
penetração no mercado dos novos
aparelhos, são elementos essenciais 4.3.5 Energia Autoproduzida
para apreciar o consumo e a sua Energia que o consumidor produz ou capta nas
evolução. suas próprias instalações e destinada, na
totalidade ou em parte, para seu uso próprio
4.2.8 Equipamento Multienergia (Equipamento (ver 3.3.4).
Policombustível)
Aparelho e material susceptível de ser 4.3.6 Energia de Complemento
alimentado, paralela ou alternativamente, com Energia, em geral comercial, que serve para
recurso a diversas formas de energia. completar, de maneira alternativa ou simultânea
ou a suprir a alimentação de um sistema
4.2.9 Instalação do Utente concebido para dar prioridade a uma outra
Instalação de utilização do utente que serve energia.
para lhe fornecer a energia da rede a partir do
dispositivo principal de corte. Nota: A energia de apoio (ver 5.5.8) é um
caso particular da energia de
4.2.10 Aparelho de Combustível Encastrado complemento.
Aparelho de queima de combustíveis fósseis
incorporado numa conduta de fumos (chaminé) 4.3.7 Rendimento dos Aparelhos Consumidores
que serve para evacuar para o ar livre os Relação entre energia útil fornecida pelo
produtos de combustão. aparelho consumidor e a energia final
consumida.
4.2.11 Potência Instalada num Consumidor
É a soma das potências de todos os aparelhos Nota: Calcula-se a diferença entre o
utilizadores ou susceptíveis de o serem que rendimento teórico de utilização em
podem consumir da rede de distribuição a que o determinadas condições e o
consumidor está ligado. rendimento real de utilização em
condições efectivas. O segundo
Nota 1: No caso do gás, essa potência rendimento é geralmente inferior ao
corresponde à quantidade de gás que primeiro.
tem de ser fornecida para se atingir o
débito calorífico nominal. 4.3.8 Perdas Evitáveis
Perdas que se podem evitar por meio de uma
Nota 2: A potência contratada é a potência utilização racional de energia.
acordada com o fornecedor, em geral
inferior à potência instalada.

37
4.3.10

Utilização energética grande consumidor em


Nota: Em contraposição, as perdas que não aplicações térmicas muito diversas, em
podem ser evitadas denominam-se particular na metalurgia, na química e na
perdas não evitáveis. indústria de materiais de pedra e terrosos.

4.3.9 Duração de Utilização 4.4.1.2 Preparação dos Alimentos


Quociente da energia obtida, produzida, Nesta aplicação energética, distinguem-se
distribuída ou consumida num determinado frequentemente, para as instalações
período de tempo, pela potência máxima importantes, além da cozedura propriamente
alcançada pela instalação durante o mesmo dita, o preaquecimento, a manutenção em
período (ver 1.3.12) estufa, o aquecimento e o reaquecimento.

4.4.1.3 Conservação, Tratamento e Preservação


Nota: A tarifa depende geralmente do modo pelo Calor
e da duração de utilização de uma Utilização de energia calorífica por razões de
rede. saúde com o fim de prolongar o período durante
o qual os alimentos permanecem próprios para
4.3.10 Existências no Utilizador o consumo.
Reserva de combustível sólido, líquido ou
gasoso ou de carburante que permite ao Nota: Nessa aplicação energética
consumidor espaçar e concentrar as entregas encontram-se nomeadamente a
do fornecedor. destilação e a esterilização, a alta ou a
baixa temperatura: uperização UHT
Nota: As reservas de combustível sólido são (tratamento a temperatura ultra-
guardadas em zonas de elevada) e pasteurização.
armazenamento ou em bancas, as de
combustíveis líquidos ou gasosos e 4.4.1.4 Conservação e Preservação pelo Frio
carburantes em cuvas, reservatórios Utilização de energia frigorífica por razões de
ou cisternas, para os quais devem ser saúde, principalmente com o fim de prolongar o
tomadas disposições particulares do período durante o qual os alimentos
ponto de vista da segurança ambiente. permanecem próprios para consumo.

4.3.11 Acumulação no Utilizador Nota: Nessa aplicação energética,


Processo que permite armazenar a energia útil distinguem-se a refrigeração, a
produzida seja num sólido, seja num líquido, congelação, a supercongelação e a
seja sob a forma físico-química. O aquecimento criodissecação (liofilização).
eléctrico por acumulação, as baterias eléctricas,
os tanques de água quente sanitária, etc. são 4.4.1.5 Secagem
exemplos correntes. Utilização de energia principalmente para retirar
a humidade dos produtos a conservar ou a
tratar, aplicada na indústria, artesanato,
4.4 Termos Relacionados com os Usos agricultura, consumidores domésticos e
serviços.
4.4.1 Usos Térmicos
Utilização de energia para a produção de calor Nota: Nas empresas energéticas, por
a alta e baixa temperatura ou de frio. Essa exemplo, a indústria do gás procede
utilização tem em vista a produção, o nomeadamente à eliminação da água
tratamento e o condicionamento de produtos ou condensada num gás natural
a melhoria do meio ambiente, directamente ou (separação da água) e à eliminação do
por intermédio de meios tais como a água, o ar vapor de água contido em gases
ou outros fluidos e materiais. combustí v e i s (secagem ou
desidratação).
Nota 1: Os limites entre alta e baixa
temperatura são relativos e geralmente 4.4.1.6 Aquecimento da Água
subjectivos, diferindo bastante entre a Utilização de energia para a produção de vapor,
maior parte das indústrias, dos de água quente industrial e doméstica como,
consumidores domésticos e dos por exemplo, água quente sanitária.
serviços.
4.4.1.7 Aquecimento dos Locais
Nota 2: Nos estudos analíticos dos usos Utilização de energia destinada, por razões de
térmicos estes são geralmente conforto, a elevar a temperatura do ar ambiente
avaliados segundo a qualidade do de um local.
calor fornecido.
Nota: No aquecimento dos locais distingue-
4.4.1.1 Usos de Fornos e Tratamento Térmico -se entre aquecimento individual
Directo e Alta Temperatura na Indústria e no (repartido por divisões ou central por
Artesanato apartamento, habitação doméstica,

38
4.4.1.9

armazém ou oficina) e aquecimento Nota: Nos estudos, distinguem-se os


colectivo (central geral ou por edifício, transportes de pessoas individuais e
por grupos de edifícios ou por bairros) colectivos, os transportes de
e em aquecimento a distância ou mercadorias a granel e condicionadas,
aquecimento urbano. etc.

4.4.1.8 Climatização 4.4.5 Usos Químicos


Aquecimento ou refrigeração dos locais que Utilização de agentes energéticos nos
comporta nomeadamente um condicionamento processos químicos ou físico-químicos (ver
do ar ambiente e que regula, não apenas a 4.5.15. a 4.5.19).
temperatura mas também, segundo as normas
do conforto climático, o grau de humidade, a Nota: Nesses usos não se inclui a energia
renovação e o despoeiramento do ar. térmica eventualmente indispensável
às operações.
Nota: O calor utilizado para o aquecimento
dos locais e para a climatização é 4.4.6 Usos em Iluminação
também designado por calor de Utilização de energia, geralmente eléctrica, para
condicionamento do ambiente ou calor a iluminação.
de conforto térmico.
Nota 1: Distingue-se principalmente entre a
4.4.1.9 Calor Industrial (Calor de Processo) iluminação por incandescência,
Utilização de energia destinada a obter a iluminação com tubos de descarga
temperatura necessária a um processo, na gasosa (por exemplo, fluorescentes) e
indústria e no artesanato. a iluminação por arco.

4.4.2 Usos nos Aparelhos Domésticos Nota 2: Existe ainda, por vezes, a iluminação a
Utilização de energia em aparelhos e gás, a petróleo, etc.
equipamentos domésticos do sector residencial
e terciário, destinados a usos essencialmente 4.4.7 Usos em Comunicações
mecânicos, térmicos ou mistos. Utilização de energia especificamente eléctrica
para as comunicações, as telecomunicações e
4.4.3 Usos Mecânicos a informática.
Utilização de energia para a produção de
trabalho mecânico, fixo ou móvel, destinado a 4.4.8 Usos em Escritórios e em Reprodução
reforçar ou a substituir o trabalho humano e a Utilização de energia pelas máquinas de
força animal. escritório, de reprodução e de impressão.

4.4.3.1 Usos Mecânicos para a Agricultura, Nota: Estas máquinas transformam a energia
Silvicultura e Pesca recebida em energia mecânica,
Utilização de energia em trabalhos agrícolas, luminosa ou em calor.
silvícolas e a pesca, tais como máquinas
agrícolas, bombagem, etc. 4.4.9 Usos Ionisantes
Utilização de energia especificamente eléctrica
4.4.3.2 Usos Mecânicos para a Indústria e o para a irradiação das pessoas e da matéria.
Artesanato
Utilização de energia em máquinas-ferramenta Nota: Estas utilizações encontram-se em
múltiplas para a execução, fabrico e medicina, no controlo não destrutivo da
condicionamento de produtos, etc. matéria, na indústria alimentar e das
matérias plásticas, etc.
4.4.3.3 Usos de Construção Civil
Utilização de e n e r g i a em máquinas de 4.4.10 Laser (Raios Laser)
construção civil, em trabalhos de escavação e O laser é um dispositivo que amplifica ou emite
aterro, de preparação de agregados de betão, a luz coerente produzida pela emissão de
de revestimento, etc. impulsos luminosos provenientes de átomos ou
de moléculas, levados previamente a um nível
4.4.3.4 Usos de Manutenção e de Levantamento energético instável e excitados por uma onda
Utilização da energia para deslocar cargas por luminosa cujas características determinam a
meio de mecanismos de manutenção e de frequência e a fase.
levantamento.
Nota: Devido às suas excepcionais
4.4.4 Usos em Transporte características para o transporte de
Utilização de energia nos meios de transporte energia e de informações, os raios
terrestres, tais como pelo caminho-de-ferro, por laser têm inúmeras aplicações:
estrada e por cabo, nos transportes por água − Trabalho dos metais (furação,
(marítimos, fluviais e lacustres) e nos corte, fresagem e aquecimento);
transportes aéreos, utilizados para a circulação − Micromecânica (moldagem,
de pessoas e de mercadorias. litografia, impressão);

39
4.5.1

gerado num corpo não condutor de electricidade


− Medicina (cirurgia, terapia,
por deslocamento de cargas eléctricas à escala
cosmética);
atómica ou molecular sob a acção de um campo
− Telecomunicações (orientação
eléctrico de alta frequência (1 MHz a 300
luminosa, transmissão de dados);
MHz).
− Técnicas de medida (geodesia,
bitola);
4.5.1.9 A q u e c i m e n t o por Hiperfrequências
− Óptica (holografia, interferometria).
(Aquecimento por Micro-Ondas)
Técnica de aquecimento especificamente
eléctrica na qual o material a tratar é submetido
à acção de ondas electromagnéticas de
4.5 Alguns Processos e Equipamentos frequência compreendida entre 300 MHz e 300
Consumidores Industriais GHz
(1 m a 1 mm de comprimento de onda).

A - USOS TÉRMICOS 4.5.1.10 Aquecimento por Laser


Técnica especificamente eléctrica na qual emite
4.5.1 Técnicas de Aquecimento luz produzida pela emissão de impulsos
Técnicas nas quais se produz ou transfere luminosos provenientes de átomos ou de
calor directa ou indirectamente num sólido, num moléculas, levados previamente a um nível
líquido ou num gás para modificar o seu estado energético instável e excitados por uma onda
físico ou químico. luminosa cujas características determinam a
frequência e a fase (ver 4.4.10).
4.5.1.1 Aquecimento Directo
Técnica de aquecimento na qual o material a 4.5.1.11 Aquecimento por Bombardeamento
tratar é aquecido por condução eléctrica ou por Electrónico (Canhão de Electrões)
contacto directo com os produtos de combustão Técnica de aquecimento especificamente
gerados pela fonte de calor. eléctrica na qual o material a tratar é submetido,
geralmente no vazio, a um bombardeamento
4.5.1.2 Aquecimento Indirecto electrónico.
Técnica de aquecimento na qual o calor é
transferido para o material a tratar por 4.5.1.12 Aquecimento por Plasmas
intermédio de um portador de calor (sólido, Técnica de aquecimento na qual se produzem
líquido ou gasoso) ou por irradiação. temperaturas extremamente elevadas utilizando
as propriedades de um gás ionisado (ver 19.1.3
4.5.1.3 Aquecimento por Radiação - Plasma e 19.1.6 - Confinamento).
Técnica de aquecimento na qual o calor é
transmitido principalmente (mais de 50 %) por Nota: É utilizada para a soldadura, corte e
irradiação do corpo quente. projecção de metais, bem como em
certos tipos de fornos.
4.5.1.4 Aquecimento Infravermelho
Técnica de aquecimento essencialmente 4.5.2 Caldeira
eléctrica na qual a substância a tratar é Equipamento que serve para produzir água
submetida a ondas electromagnéticas cujos quente ou vapor por aplicação de uma fonte de
comprimentos de onda são superiores aos da calor exterior.
radiação visível e inferiores a cerca de 1mm.
Nota: As fontes exteriores de calor podem
4.5.1.5 Aquecimento por Convecção resultar de combustíveis fósseis, da
Técnica de aquecimento na qual o aquecimento conversão de electricidade em calor,
se efectua por transferência do calor de um do calor nuclear ou de outras fontes
fluido para o outro por passagem do segundo tais como a geotermia ou a radiação
mais frio pelo primeiro mais quente. solar.

4.5.1.6 Aquecimento por Resistência 4.5.2.1 Caldeira de Grande Volume de Água


Técnica de aquecimento especificamente Caldeira que produz água quente ou vapor a
eléctrica baseada no efeito de Joule, isto é, na baixa pressão, na qual os gases de combustão
resistência de um corpo à passagem de uma passam por canais rodeados pela água a
corrente que o atravessa. aquecer ou a vaporizar.

4.5.1.7 Aquecimento por Indução 4.5.2.2 Caldeira Tubular


Técnica de aquecimento especificamente Caldeira que produz vapor a alta pressão, na
eléctrica na qual o calor é produzido no próprio qual a água e o vapor circulam num sistema
material a tratar por correntes criadas por enquanto que a fonte quente actua em volta dos
indução electromagnética. tubos.

4.5.1.8 Aquecimento Dieléctrico 4.5.2.3 Caldeira de Leito Fluidificado


Técnica de aquecimento especificamente
eléctrica na qual o calor é principalmente

40
4.5.3.1

Caldeira na qual o calor é produzido segundo a Forno no qual a abóbada é estudada para
técnica de combustão em leito fluidificado (ver reflectir o calor recebido sobre a soleira e os
5.6.5). metais a tratar.

4.5.2.4 Caldeira de Combustível Pulverizado 4.5.4.4 Forno Eléctrico


Caldeira na qual o calor é produzido segundo a Forno no qual o calor é fornecido pela
técnica de combustão por combustível electricidade, muito usado, principalmente em
pulverizado (ver 8.4.37 e 8.4.38). metalurgia.

4.5.3 Queimador Nota: Os principais modos de funcionamento


Elemento do equipamento destinado a queimar do forno eléctrico são o aquecimento
um combustível sólido determinado ou um por arco eléctrico directo ou submerso,
combustível líquido ou gasoso. o aquecimento por arco resistência,
4.5.3.1 Queimador de Combustível Pulverizado (incluindo a refusão por
Queimador utilizado para a combustão por electrocondutores), aquecimento por
meio de combustível pulverizado (ver 8.4.37 e resistência (ver 4.5.1.6), aquecimento
8.4.38). por indução (ver 4.5.1.7), aquecimento
dieléctrico (ver 4.5.1.8), aquecimento
4.5.3.2 Queimador Vaporizador por hiperfrequências (ver 4.5.1.9),
Queimador no qual o combustível destilado é aquecimento por plasma (ver 4.5.1.12),
vaporizado ao passar sobre uma superfície etc.
quente antes de arder.
4.5.4.5. Forno de Cal ou de Cimento
Nota: Estes queimadores são utilizados na Forno vertical ou horizontal, animado neste
prática para o petróleo de iluminação e caso de um movimento de rotação, para o
no mercado do fuelóleo doméstico. fabrico da cal e do cimento.

4.5.3.3 Queimador Atomizador 4.5.4.6 Forno Solar


Queimador no qual o combustível líquido é Forno a muito alta temperatura obtida por
reduzido a pequeníssimas gotas (20 µm–100 concentração dos raios solares sobre o
µm) antes da combustão. material submetido a tratamento térmico (ver
14.3.9).
Nota: Estes queimadores são muito usados
nas aplicações comerciais e industriais 4.5.4.7 Forno de Baixa Massa Térmica
quando se exijam temperaturas Forno geralmente usado com intermitência, no
elevadas de saída e se utilizem óleos qual o material refractário possui uma fraca
pesados como combustível. inércia térmica.

4.5.4 Fornos (Fornos Industriais) Nota: Os materiais refractários recém-


Geralmente com parede dupla de material -utilizados são destinados a reduzir o
refractário, destinados a aquecer materiais a calor perdido quando o forno for
temp e r a t u r a elevada para provocar inevitavelmente arrefecido durante a
transformações físicas ou químicas. fase de produção.

Nota: Os fornos industriais e outros são 4.5.4.8 Forno de Atmosfera Controlada


utilizados para fins muito variados, por Forno no qual a composição dos gases que
exemplo, na fusão de metais, envolvem a substância a tratar é
tratamentos térmicos dos metais cuidadosamente controlada de maneira a evitar
ferrosos e não ferrosos, fabrico de ou a provocar transformações físicas e químicas
vidro, cerâmicas, tijolos, cal e cimento nessa substância.
e algumas aplicações químicas.
Nota: O forno de vácuo pode ser considerado
4.5.4.1 Alto Forno como um caso particular.
Equipamento destinado a fundir e reduzir os
minérios de ferro com o fim de produzir o ferro 4.5.5 Permutador de Calor
fundido. Equipamento destinado à transferência do calor
de um fluido em movimento para um outro
4.5.4.2 Baixo Forno (Forno Convertidor) fluido, sem contacto directo entre as duas
Forno de cuva de pequena altura utilizado para substâncias. O permutador de calor pode ser
a produção de ferro fundido e de ligas de ferro, previsto para uma transferência contínua ou
a partir de minérios pobres. descontínua de calor (permutador, recuperador
ou regenerador).
Nota: O baixo forno é igualmente utilizado
para a preparação de outros metais e Nota: Podem citar-se como exemplos de
ligas tais como o chumbo, o cobre, etc. permutadores de calor: os
permutadores tubulares e o volante
4.5.4.3 Forno de Reverberação térmico.

41
4.5.7

Nota 1: As turbinas hidráulicas, a vapor ou


4.5.6 Bomba de calor eólicas, são geralmente mais utilizadas
Instalação que extrai uma quantidade de calor pelos produtores de energia do que
de uma fonte a baixa temperatura (fonte fria) - pelos consumidores.
por exemplo, a camada freática, a água de
superfície, o solo, o ar exterior, o ar extraído (ar
Nota 2: Os principais tipos de turbinas
rejeitado) - e que, mediante a utilização de uma hidráulicas são: as turbinas Pelton
energia nobre num sistema evaporador, restitui (turbina de acção) para altas quedas e
este calor a uma temperatura mais elevada débitos relativamente fracos, e a
(fonte quente) (ver 5.6.6). turbina Kaplan (turbina de reacção)
B - USOS MECÂNICOS para baixas quedas e débitos
relativamente elevados. A turbina
4.5.7 Motor Francis, também de reacção, é usada
Equipamento que transforma em energia
em quedas e débitos de valores
mecânica outras formas de energia. intermédios.
4.5.8 Motor de Combustão Interna Nota 3: Os principais tipos de turbinas de
Motor que trabalha com base no ciclo de vapor são a turbina de condensação,
combustão interna (ciclo termodinâmico no qual que permite maximizar a produção de
a combustão de um carburante se realiza no trab a l h o mecânico e, por
motor térmico, no interior do cilindro onde os consequência, de energia eléctrica, e a
produtos de combustão asseguram uma acção
turbina de contrapressão, adoptada
de arrastamento). São exemplos os motores a para a produção combinada de
gasolina e a gasóleo. A carga estratificada, a trabalho mecânico e de calor,
injecção com antecâmara, dita injecção designadamente no aquecimento
indirecta ou ainda a injecção directa, bem como urbano. Ambas podem apresentar,
as misturas pobres, figuram entre os com o mesmo objectivo, equipamentos
aperfeiçoamentos conducentes à melhoria da destinados a purgas ou derivação de
eficácia dos motores de combustão interna. vapor.
Nota: Na prática corrente, esta designação é
4.5.11.1 Turbina a Gás
limitada às máquinas que se Equipamento no qual os gases de combustão a
aproximam dos ciclos Otto e Diesel; alta temperatura e sob pressão accionam uma
mas também se podem classificar turbina arrastando um compressor que aumenta
nesta categoria as turbinas de gás de a pressão do ar de combustão.
combustão interna. Existem igualmente
motores rotativos de combustão interna Nota: A turbina a gás não é apenas utilizada
como, por exemplo, o motor Wankel. pelos produtores de energia, mas
também, por vezes, para valorizar
4.5.9 Motor de Combustão Externa directamente a energia mecânica
Motor que trabalha com base no ciclo de produzida, como em certos meios de
combustão externa (ciclo termodinâmico no qual transporte.
os produtos quentes da combustão resultantes
da utilização de carburantes passam através de 4.5.11.2 Motor de Reacção
uma caldeira). Esses produtos são separados Turbina de gás na qual a energia que sobra dos
do meio efectivo (geralmente vapor ou ar), gases de combustão exerce uma pressão
mantendo contudo um estreito contacto com
directa pela sua ejecção a grande velocidade
ele; daqui resulta o arrastamento do motor sob a forma de jacto, na parte de trás da
térmico. São exemplos as turbinas a vapor, as máquina.
máquinas de vapor com pistões, as turbinas de
gás de combustão externa e os motores Stirling. Nota: Os motores de reacção são
largamente utilizados em aeronáutica.
4.5.10 Motor de Pistões
Motor no qual o fluido de trabalho gera uma 4.5.12 Motor Turbo
deslocação alternada dos pistões em cilindros e
Motor de combustão em relação ao qual se
em que um sistema de biela, manivela e junta um compressor que aumenta a pressão do
volante transforma esse movimento alternativo ar de combustão em relação à do ar ambiente e
em movimento rotativo necessário para a que é arrastado por uma turbina accionada
transmissão à árvore. No caso do motor Wankel pelos gases de escape a alta temperatura.
o fluido arrasta directamente a árvore num
movimento rotativo. 4.5.13 Motor Eléctrico
Motor que converte a energia eléctrica em
4.5.11 Turbina energia mecânica.
Equipamento no qual o movimento rotativo
necessário para transmissão à árvore é gerado 4.5.14 Motor Iónico
pela passagem a grande velocidade do fluido de Motor que produz uma pressão por expulsão de
trabalho sobre as pás do rotor da turbina. iões acelerados ou de alta velocidade.

42
4.5.15.1

Nota. Motores iónicos arrastados por


reactores nucleares são propostos Nota: A filtração electrostática, a
para os engenhos especiais. electrosmose e a electroforese são
exemplos de aplicações
C - USOS QUÍMICOS

4.5.15 Electroquímica 4.5.16 Redução Carbónica


Uso de energia eléctrica para operações da Utilização de carvão sob a forma sólida ou
química industrial, com exclusão das aplicações gasosa para a redução de óxidos em metais.
térmicas.
4.5.17 Petroquímica
Uso geralmente considerado como não
4.5.15.1 Electrólise energético nas indústrias dos produtos químicos
Processo de decomposição, de redução, de derivados do petróleo.
oxidação ou transposição de substâncias
químicas por meio da passagem de uma 4.5.18 Carboquímica
corrente eléctrica entre dois eléctrodos Uso geralmente considerado como não-
mergulhados na substância em fusão ou em energético nas indústrias de produtos químicos
dissolução. derivados do carvão.

4.5.15.2 Separação Electrostática 4.5.19 Reacções Fotoquímicas


Modo de separação físico-química que utiliza a Reacções químicas que utilizam a energia
acção de um campo eléctrico sobre partículas luminosa.
carregadas electricamente, quer natural quer
artificialmente.

43
Secção 5

GESTÃO DA ENERGIA
___________________________________________________

5.1 Termos Gerais

5.2 Termos de Gestão

5.3 Economias de Energia Ditas “Passivas”

5.4 Economias de Energia Ditas “Activas” em Instalações


Existentes, Sistemas de Gestão de Energia

5.5 Economias de Energia Activa por Junção de Elementos a


Instalações Existentes, Reciclagem e Utilização de Resíduos e
Efluentes

45
5.1.1

GESTÃO DA ENERGIA ou à noção do serviço prestado.


Neste caso, a racionalização dos
mecanismos da utilização (e das
condições de utilização) é tão
importante como a racionalização dos
Esta Secção foi concebida numa óptica mecanismos da produção.
essencialmente operacional. Os termos relativos a
princípios e métodos, sobre os quais se apoia a 5.1.2 Economias de Energia
gestão, encontram-se nas Secções 1 e 2 enquanto Medidas ou efeitos das medidas tomadas por
que os balanços energéticos são tratados na produtores ou utilizadores de energia para
Secção 3. evitar os desperdícios. Tais medidas podem
Alguns termos gerais específicos da prática ter um carácter passivo (p. e., o isolamento),
gestionária foram incluídos na subsecção 5.1 activo (p. e., a utilização de efluentes
(Utilização Racional da Energia e sua térmicos) ou estrutural (p. e., a modificação
Armazenagem). A subsecção 5.2 está consagrada do sistema de transporte).
especialmente à contabilidade energética, no
sentido técnico e microeconómico do termo. As 5.1.3 Utilização Racional de Energia
técnicas e os equipamentos que permitem realizar Utilização da energia pelos consumidores com
economias de energia encontram-se tratados nas a preocupação da racionalização tendo em
quatro últimas subsecções. conta os condicionamentos sociais, políticos,
económicos, financeiros, de meio ambiente,
etc.
5.1 Termos Gerais A Utilização Racional de Energia (URE) tem o
mesmo significado de “utilização eficiente de
5.1.1 Gestão da Energia energia”. A URE visa garantir o mesmo
Conjunto das medidas institucionais e serviço de energia com o menor consumo
funcionais implementadas para garantir a possível (ver 2º parágrafo da nota 2 de
aplicação da política energética (ver 1.1.7) 5.2.1).
e/ou para assegurar ao nível microeconómico
(empresa ou instalação) o abastecimento, o
armazenamento, a transformação, a 5.2 Termos de Gestão
distribuição e a utilização de energia bem
como a gestão dos resíduos nas condições 5.2.1 Contabilidade da Energia (Contabilidade
prescritas. Energética)
Conjunto dos métodos e processos aplicáveis
Nota 1: A gestão da energia tem em à quantificação dos stocks e fluxos de
consideração, nomeadamente, energia.
directivas e recomendações no Ao nível macroeconómico, a contabilidade
domínio da gestão eficiente energética, expressa em unidades físicas
(“maîtrise”) da energia que (excepcionalmente em unidades monetárias),
contenham medidas favoráveis às permite elaborar balanços energéticos (ver
economias de energia, à utilização Secção 3). Ao nível de uma empresa ou de
racional de energia, à substituição de uma instalação, a contabilidade energética,
processos ou formas de energia por expressa em unidades físicas, permite
outros mais convenientes, etc. Estas acompanhar os fluxos energéticos num
medidas podem ser obrigatórias processo e, portanto, realizar a sua gestão
(regulamentação), incentivadoras eficiente, comparar com valores de referência
(subsídios), económicas (tarifação), e promover a sua optimização.
políticas, técnicas, etc.
Nota 1: Este conceito começou por se basear
Nota 2: O termo gestão eficiente da energia no princípio da termodinâmica da
que se aplica sobretudo – mas não conservação da energia; na análise
exclusivamente – ao nível de uma energética de um processo de fabrico
política nacional, corresponde de de um produto podem também tomar-
certo modo ao termo conservação da se em consideração as
energia, utilizado nomeadamente nos consequências do segundo princípio,
países anglo-saxónicos. Existe, isto é, pode calcular-se a energia
contudo, a tendência para ser mínima teórica necessária para obter
interpretado de uma forma mais lata esse produto. Este mínimo teórico
que conservação, podendo, pode servir de referência e de
consoante as pessoas e os países, comparação com os consumos
significar quase um sinónimo de industriais reais para definir
economias de energia ou de política objectivos com vista a melhorar os
energética, conforme é entendido processos.
desde a forma mais restrita à
acepção mais extensa. Nota 2: Um dos primeiros estudos com
interesse consistiu em calcular, por
Nota 3: A gestão apoia-se em regras exemplo, a diferença entre a energia
diferentes consoante se aplicam à eléctrica que pode produzir uma
optimização do sistema de produção

47
5.2.2

central nuclear durante a sua vida e fluxos em função do desenvolvimento


o somatório das perdas com a de um determinado programa.
energia que foi necessário consumir
para pô- -la em funcionamento 5.2.3 Auditoria Energética
desde a fabricação dos seus Análise do funcionamento de uma instalação
equipamentos até à produção do de uso final com o fim de determinar onde,
combustível nuclear (extracção, quando, como e quanta energia é utilizada em
purificação e eventual cada sector ou equipamento, permitindo
enriquecimento de urânio, fabricação estabelecer o balanço energético global e
dos elementos de combustível), isto vários balanços parciais, com o objectivo de
é, consistiu em calcular a energia detectar as oportunidades mais importantes
líquida produzida (ver 5.2.7). de racionalização do consumo de energia da
Actualmente, este critério é instalação.
também usado ao nível da utilização
da energia com o fim de comparar a 5.2.4 Conteúdo Energético
energia utilizada por uma actividade Quantidade de energia directa e/ou
com a quantidade teoricamente indirectamente consumida na fabricação de
necessária para essa mesma um produto, medida no local da produção, ou
actividade, tendo em vista fixar na prestação de um serviço, medida no local
objectivos de melhorias de onde foi realizada a prestação do serviço.
rendimentos.
Nota 1: Quando se prestam informações
Nota 3: A contabilidade da energia baseia-se sobre o conteúdo energético é
na aplicação da análise entrada- necessário indicar se foram
saída (input-output) ao estudo da incluídos:
energia num processo, partindo do - o conteúdo energético das
conteúdo energético total (ver 5.2.4) máquinas, materiais, etc. (energia
em cada fase do processo. indirecta);
- a energia utilizada para produzir
Nota 4: Um outro conceito fundamental é a ou fornecer a quantidade de
qualidade da energia da qual energia consumida;
depende o respectivo rendimento; - a energia associada ao trabalho
este conceito traduz a possibilidade (mão-de-obra);
de converter qualquer tipo de energia - a energia fisicamente contida no
em energia mecânica. produto (por exemplo, um produto
Aquele rendimento representa a petroquímico).
qualidade de uma forma de energia e
traduz a possibilidade de conversão Nota 2: Pode qualificar-se o conteúdo
em energia mecânica. Esta varia energético de um sistema, ou de um
conforme as características da forma processo, como energia investida ou
de energia concreta (formas diferente como investimento energético.
traduzem-se em possibilidades
diferentes de conversão apesar de Nota 3: Em certos países, designa-se por
as quantidades de energia poderem energia cinzenta o conteúdo
ser iguais). energético dos produtos (que não os
energéticos) importados ou
Nota 5: Designa-se por contabilidade exportados, ou seja, a energia que
energética de uma instalação foi consumida na sua elaboração.
energética o conjunto de métodos e
de processos de cálculo que visam a 5.2.5 Cadeia Energética
determinação da energia líquida Fluxo de energia desde a produção de energia
obtida a partir da referida instalação primária até à utilização final da energia; um
de produção de energia (ver 5.2.7). ou mais elos da cadeia energética contêm a
conversão de uma forma de energia numa
5.2.2 Análise Energética outra.
Método sistemático que permite seguir e
quantificar os fluxos energéticos. 5.2.6 Cascata Energética
Fluxo ou quantidade de energia utilizada em
Nota 1: Num sistema industrial ou numa dois ou mais processos em série, de tal
instalação, esta análise passa maneira que a energia que fica disponível no
normalmente por uma auditoria fim de cada processo seja utilizável no
energética que serve para verificar a processo seguinte, com o objectivo de se
conformidade dos resultados do obter um rendimento global máximo na
funcionamento com os dados de utilização da energia.
referência.
Nota: Para a energia térmica, em cada
Nota 2: Fala-se de análise estática quando etapa o aumento da entropia da
se refere um determinado período ou energia inicial corresponde à
instante e de análise dinâmica diminuição da entalpia, devido ao
quando se segue a evolução dos processo termodinâmico naquela

48
5.2.8

etapa. edifícios entram em funcionamento;


2) a temperatura interior, isto é, a
5.2.7 Energia Líquida de uma Instalação de temperatura que se deve manter no
Produção de Energia interior dos edifícios. A temperatura
Ganho energético de uma instalação ao longo de base tem um valor fixado à escala
da duração que se admite para a sua vida. nacional ou regional; pode variar
Representa o saldo positivo da energia que consoante os países.
fica disponível depois de se ter deduzido, da
energia produzida durante a sua vida, a Nota 2: O critério do grau-dia pode ser
energia necessária à construção, à aplicado de maneira análoga aos
exploração e ao desmantelamento da sistemas de ar condicionado.
instalação em causa. São usados correntemente na prática
e na literatura os termos “graus-dia
5.2.8 Factor de Ganho Energético de aquecimento” e “graus-dia de
Quociente entre a diferença da energia arrefecimento”.
produzida e da consumida, durante a vida de
uma instalação de produção, e a energia Nota 3: Adicionando os graus-dia referentes
consumida na sua construção. a um mês ou a uma temporada de
aquecimento, pode-se efectuar uma
5.2.9 Tempo de Retorno Energético comparação entre a temperatura
Duração de exploração da instalação de exterior verificada durante esse mês
produção de energia necessária para ou essa temporada de aquecimento e
recuperar toda a energia consumida na sua um valor médio de um certo número
construção e nos eu funcionamento durante a de anos para o mesmo período. Na
vida presumível da instalação (ver 5.2.4 e base de uma tal comparação, podem
Secção 2). fazer--se estatísticas de consumo de
combustíveis com correcção da
5.2.10 Relação do Custo da Energia Incorporada temperatura para o mês em causa, a
Quociente do custo da energia necessária temporada de aquecimento ou o ano,
para a fabricação de um produto pelo custo o que pode permitir apreciar
total da fabricação desse produto. separadamente outros factores, para
além da temperatura atmosférica
5.2.11 Custo Específico das Economias de Energia exterior, susceptíveis de ter
Custo necessário à implementação de influenciado o consumo de energia
medidas destinadas a economizar uma durante este período.
quantia unitária de energia por ano e por
unidade produzida, sem alteração quantitativa Nota 4: A unidade correcta a usar é o
ou qualitativa do produto (ou do serviço). kelvin-dia (K·d).

5.2.12 Custo do Ciclo de Vida


Valor total do custo de uma solução 5.3 Economias de Energia Ditas
construtiva, de uma substituição ou
reconversão de equipamento ou de um “Passivas”
equipamento novo, calculado com base no
custo inicial e no custo de operação ao longo 5.3.1 Isolamento Térmico
da respectiva vida útil esperada. A Utilização de materiais de fraca condutividade
comparação de custos de ciclo de vida é térmica nas paredes, nos telhados, nos
mais rigorosa do que a comparação de custos pavimentos e nas janelas dos edifícios, nos
iniciais visto que não há garantia de que uma fornos, nas caldeiras, nas canalizações de
solução de menor investimento corresponda a vapor ou de água quente, nos reservatórios
um custo global menor. de água quente, etc., para evitar as trocas e,
portanto, o desperdício de calor.
5.2.13 Grau-Dia
Unidade empírica que exprime a diferença Nota: O isolamento térmico pode
diária em graus Celsius (ou Fahrenheit) entre igualmente ser aplicado para evitar
uma temperatura de base e a temperatura as perdas num sistema de
média exterior num período de 24 horas refrigeração.
quando esta última desce abaixo da
temperatura de base (ou de uma temperatura 5.3.2 Condutividade Térmica (Coeficiente _)
de referência). Os registos dos graus-dia são Medida da capacidade de um material isolante
utilizados para avaliar as necessidades de para transmitir o calor (ou para resistir à
aquecimento dos edifícios. transmissão); designa-se essa capacidade
como a quantidade de calor que é transmitida
Nota 1: De acordo com as práticas dos através de uma superfície unitária de uma
diferentes países, a temperatura de amostra de material de espessura unitária por
base (ou a temperatura de referência) unidade de diferença de temperatura entre as
é definida como sendo: 1) a duas faces e por unidade de tempo.
temperatura exterior, fixada de
maneira empírica, abaixo da qual os Nota: Exprime-se em W/(m·K). Na
sistemas de aquecimento dos tecnologia do isolamento, esta
grandeza é por vezes denominada

49
5.3.4

coeficiente _; a condutividade ganho indirecto é proporcionado por


térmica é o termo científico dispositivos de acumulação de calor
correspondente mas não está que aquecem sob acção dos raios
limitado somente ao contexto do solares e dissipam o calor acumulado
isolamento. para o interior do espaço em que
estão instalados, por radiação e por
5.3.3 Coeficiente de Transmissão Térmica convecção (ver exemplo em 14.3.2).
(Coeficiente k) O ganho separado ocorre quando o
Medida da capacidade de um elemento dispositivo de acumulação não se
estrutural de um edifício (por exemplo, uma encontra sempre em contacto directo
parede de tijolo, o material de isolamento com o espaço a climatizar mas pode
térmico, as cavidades, as telhas de um ser posto em contacto quando é
telhado, a madeira, etc.), para transmitir o oportuno.
calor (e portanto resistir à sua transmissão);
é a quantidade de calor que circulará entre o 5.3.6 Ganho Interno
ar situado de um lado da estrutura e o ar Energia calorífica retida num edifício, com
situado do outro lado da estrutura por unidade origem nas fontes de calor internas
de superfície, para uma diferença de (equipamento e seres vivos).
temperatura unitária do ar e por unidade de
tempo: 5.3.7 Edifício de Baixo Perfil Energético
k = W/(m2·K) Edifício concebido de tal maneira que possa
satisfazer as suas necessidades de
Nota 1: O coeficiente k do telhado, paredes, aquecimento e de climatização utilizando um
etc., dá uma medida das mínimo de energia comercial.
propriedades térmicas de um edifício.
Nota: Em termos de conservação de
Nota 2: Em certos países, o coeficiente R energia economicamente realista, um
(resistência térmica da superfície) é tal edifício deve ter, relativamente à
preferido como unidade de medida de duração da sua utilização, um custo
isolamento térmico: total mínimo que englobe a
R = m2·K/W. É matematicamente construção, a manutenção e a
igual ao inverso do coeficiente k exploração.
mas, para a sua determinação, são Um edifício construído com
as temperaturas das superfícies incorporação de técnicas de
interiores exteriores dos materiais aproveitamento passivo de energia
que são medidas e não as solar (TAPES) pode ter um custo
temperaturas respectivas do ar, inicial só marginalmente superior a
como se faz para o coeficiente k. um edifício funcionalmente
equivalente sem TAPES.
5.3.4 Calor Gratuito
Calor total adquirido por um edifício a partir 5.3.8 Cozinha Aperfeiçoada (para a Confecção dos
dos raios solares ou de uma outra fonte de Alimentos)
calor externa ou interna (por exemplo, Equipamento destinado à confecção dos
iluminação, ocupantes) que não faz parte do alimentos e eventualmente utilizado também
sistema de aquecimento do edifício. para o aquecimento dos locais nos países em
O calor gratuito pode qualificar-se como vias de desenvolvimento. É concebido para
ganho externo e ganho interno, relativamente melhorar o rendimento da utilização dos
às fontes respectivas de calor. combustíveis tradicionais tais como a
madeira, o carvão de madeira, alguns
Nota: O calor gratuito só pode contribuir resíduos agrícolas (palha).
para as economias de energia se o
sistema de regulação de temperatura Nota: A sua forma é obtida a partir do
do edifício tiver sido previsto para estudo e do melhoramento de formas
aproveitar um tal ganho de calor. tradicionais utilizadas em certas
Se um edifício for projectado para regiões. Os materiais utilizados são
tirar partido do calor gratuito pode ser frequentemente aqueles que se
muito mais eficiente do que um encontram disponíveis no sítio, local
edifício convencional (ver 5.3.7). ou regionalmente; a sua fabricação é
em geral de origem do artesanato
5.3.5 Ganho Externo local.
Energia solar captada num edifício (ver 5.3.4)
sem dispositivos especiais de captação,
através dos vãos (aberturas) existentes na 5.4 Economias de Energia Ditas
envolvente exterior (fachadas e cobertura), “Activas” em Instalações
caso em que se denomina “ganho directo”. Existentes, Sistemas de Gestão
Nota: Quando há dispositivos especiais de
de Energia
aproveitamento passivo da energia
5.4.1 Aquecimento e Climatização Programados
solar, o ganho externo pode, além de
Sistema de aquecimento e de climatização de
directo, ser indirecto e separado. O
um edifício segundo um programa

50
5.4.3

preestabelecido, concebido de tal maneira temperaturas superiores a 100 ºC se


que os ocupantes gozem de condições de reduz subitamente).
conforto desejadas durante a sua ocupação,
enquanto que, nos outros períodos, se reduz 5.5.3.2 Recuperação de Energia Mecânica
o consumo em climatização e aquecimento. Recuperação sob a forma de energia
mecânica utilizável de uma energia que seria,
5.4.2 Controlo de Consumo de outra forma, perdida (por exemplo a
Método para ajustar o consumo do utilizador, travagem por recuperação, etc.).
principalmente nos períodos de ponta, usando
dispositivos especiais de contagem: do calor, 5.5.4 Reciclagem dos Materiais
do consumo às horas de ponta, com tarifas Recuperação de materiais a partir dos
especiais, dos contratos de fornecimento efluentes e resíduos provenientes de
interruptível, do armazenamento de calor diversos sectores de actividade e reutilização
durante as horas de vazio, etc. desses materiais em processos que têm em
vista economizar matérias-primas e energia,
5.4.3 Correcção do Factor de Potência reduzindo os encargos que seriam
Correcção efectuada por sistemas e necessários para os produzir a partir das
dispositivos destinados e melhorar o factor de matérias-primas.
potência de uma instalação ou de um
equipamento eléctrico (factor de potencia, ver 5.5.5 Resíduos
12.3.5). Material de rejeição que não tem valor
imediato ou que é deixado como resíduo de
5.5 Economias de Energia Activa por um processo ou de uma operação. Os
Junção de Elementos a referidos resíduos podem ser agrícolas (por
Instalações Existentes, exemplo, resíduos orgânicos), industriais (por
exemplo, contendo materiais ferrosos e não
Reciclagem e Utilização de ferrosos, vidro , plástico, etc.), comerciais ou
Resíduos e Efluentes domésticos (resíduos urbanos).

5.5.1 Ventilação Mecânica Nota: A valorização e a reciclagem dos


Utilização de ventiladores ou de outros resíduos auxiliam não apenas a
sistemas mecânicos para assegurar a efectuar economias de energia e de
circulação do ar nos locais, sempre que a matérias- -primas mas também a
circulação natural seja insuficiente. minimizar as quantidades a eliminar,
objectivo também visado pela
5.5.2 Retorno do Condensado redução dos resíduos.
Técnica que consiste em recuperar a água de
condensação do vapor, utilizada para a 5.5.6 Combustíveis Derivados dos Resíduos
produção de electricidade, nos sistemas de Combustíveis produzidos a partir de materiais
aquecimento, aquecimento nos locais, etc., rejeitados, por exemplo o metano a partir dos
para realimentar a caldeira, a fim de resíduos agrícolas, dos combustíveis sólidos
aproveitar o calor residual e economizar a partir dos resíduos orgânicos compactos,
energia para o pré-aquecimento da água de etc.
alimentação.
5.5.7 Incineração dos Resíduos
5.5.3 Recuperação de Energia Inflamação e combustão de resíduos sólidos,
Recuperação da energia que fica disponível semi-sólidos, líquidos ou gasosos num
após a finalização de um processo particular, equipamento de combustão especialmente
seja pela sua utilização no mesmo processo, concebido para o efeito.
seja para utilização num outro processo.
Nota: O principal objectivo da incineração é
5.5.3.1 Recuperação de Calor o de minimizar o volume dos resíduos
Captação e utilização de uma parte do calor produzidos antes da fase de depósito
produzido num processo particular, que não é das cinzas residuais e/ou de tornar
consumida no processo em causa mas que inofensivos os materiais tóxicos.
permanece como uma fonte de calor Geralmente a incineração permite
disponível. também uma valorização dos
resíduos:
Nota: Podem citar-se dois casos - utilizando o calor de combustão
particulares de recuperação de calor: para o aquecimento ou para a
a recuperação de calor de purga produção de vapor ou de
(recuperação de calor residual da electricidade; e,
água que se liberta regularmente na - transformando os resíduos da
parte inferior da caldeira quando esta incineração em materiais de
é esvaziada) e a recuperação (do construção, de revestimento de
calor) do vapor momentâneo estradas, etc.
(recuperação do vapor produzido num
processo utilizando água quente a 5.5.8 Energia de Apoio
alta temperatura quando a pressão Combustível comercial (petróleo, gás, carvão)
exigida para manter a água quente a com poder calorífico elevado que se junta aos

51
5.5.10
Central térmica na qual todo o vapor
combustíveis de fraco valor calorífico, tendo produzido nas caldeiras passa nos turbo-
em vista manter a combustão. O combustível geradores para a produção de electricidade,
de apoio pode ser também utilizado no início mas prevista de tal maneira que o calor pode
do processo, tendo a designação de energia ser extraído em certos pontos da turbina e/ou
de arranque. a partir do respectivo escape da turbina como
calor de baixa--pressão e utilizado para
5.5.9 Recompressão Mecânica do Vapor alimentar processos industriais, para o
Método de reutilização do calor latente, por aquecimento urbano, etc.
exemplo nos evaporadores, onde o vapor de
baixa-pressão ou o vapor de escape é levado Nota 1: A electricidade e o calor fornecidos
a uma pressão superior por compressão, por constituem produtos de base e as
exemplo, num turbocompressor. quantidades fornecidas podem ser
Designa-se por termo-compressão um complementares; a produção principal
processo análogo no qual o vapor de baixa- pode ser a do vapor ou a da
pressão ou o vapor rejeitado é levado a uma electricidade, segundo a procura.
pressão mais elevada por mistura com o
vapor de alta- -pressão num injector. Nota 2: A produção combinada calor-electri-
cidade pode ser obtida a partir de
5.5.10 Incinerador uma turbina a gás ou a partir de
Equipamento no qual são queimados e motores de combustão interna
calcinados resíduos combustíveis semi- destinados à produção de
sólidos, líquidos ou gasosos, que deixa electricidade. O calor é obtido por
resíduos sólidos contendo pouco ou nenhum recuperação no escape ou noutro
material combustível. ponto do ciclo. Neste caso, o calor
assim obtido considera-se como um
subproduto.
5.6 Economias de Energia Obtidas por
Mudanças de Estrutura e por Nota 3: A co-geração corresponde a um
Utilização de Novos Sistemas conceito que não é obrigatoriamente
associável a uma central, na
5.6.1 Substituição (1) acepção de um equipamento de
Utilização de uma instalação, de um potência elevada para abastecer
processo, de um produto ou de um serviço, consumos importantes. Na realidade,
necessitando menos energia ou menos há equipamentos de co-geração de
quantidade de um certo tipo de energia para o pequena e muito pequena potência
seu funcionamento ou para a sua realização (são já vulgares os de poucas
do que aquela que teria sido necessária na dezenas de kW).
prática corrente, sem redução da qualidade
do produto ou do serviço. 5.6.4 Central de Ciclo Combinado
Substituição (2) Central eléctrica compreendendo um gerador
Utilização de uma forma de energia diferente com turbina a gás cujos gases de escape
daquela que se emprega habitualmente num alimentam uma caldeira utilizando efluentes
processo ou num serviço particular nos casos térmicos (podendo esta última ser prevista ou
em que considerações técnicas, económicas não com queimadores suplementares) e onde
ou de abastecimento tornam esta substituição o vapor produzido na caldeira é utilizado para
vantajosa ou necessária. o funcionamento de um turbo-gerador com
turbina a vapor.
Nota: Os dois casos indicados podem
ocasionalmente comportar a Nota: Podem existir variantes do ciclo de
substituição de uma forma de energia base e o gás para a câmara de
por uma quantidade relativamente combustão da turbina a gás pode ser
mais elevada de uma outra forma de produzido numa instalação de
energia (menos cara, mais abundante gaseificação de carvão. Podem citar-
ou menos nobre). se outras combinações sinergéticas
do ciclo de
5.6.2 Sistema de Energia Total produção de electricidade: por
Um sistema de energia total é concebido para exemplo, a produção diesel-vapor,
alimentar com electricidade, com calor ou com mercúrio-vapor, metal líquido-vapor,
frio um edifício isolado, um complexo de gás- -fluido orgânico e vapor-
edifícios ou uma fábrica, pondo em jogo um fluido orgânico.
único combustível. Note-se que o combustível de um
ciclo de gás (simples ou em ciclo
Nota: A tecnologia actual é limitada combinado) pode também ser líquido.
principalmente a sistemas nos quais
o gás e o petróleo constituem o único 5.6.5 Combustão em Leito Fluidificado
combustível utilizado. Processo de combustão no qual o leito do
combustível associado às partículas não
5.6.3 Central de Produção Combinada (Co- combustíveis se mantém num estado de
-geração) suspensão por meio de um fluxo ascendente

52
5.6.7

do ar de combustão através do leito. As


partículas não combustíveis são geralmente a
cinza do carvão e um absorvente de enxofre,
tal como a argila.

Nota: Segundo a combustão utilizada, o


leito fluidificado pode ser estático ou
móvel e apresentar um ou vários
andares. Quanto à caldeira, ela pode
trabalhar quer à pressão atmosférica,
quer a sobrepressão.

5.6.6 Bomba de Calor


Instalação que extrai uma quantidade de calor
de uma fonte a baixa temperatura (fonte fria)
– por exemplo, a camada freática, a água de
superfície, o solo, o ar exterior, o ar extraído
(ar rejeitado) – e que, mediante a utilização
de uma energia nobre num sistema
evaporador ou absorsor, restitui este calor a
uma temperatura mais elevada (fonte quente). 5.6.7 Produção de Frio por Absorção
Processo através do qual um fluido
A bomba de calor caracteriza-se pelo seu refrigerante não é sujeito à tradicional fase de
coeficiente de eficácia, quociente do calor compressão mecânica de vapor da maioria
transferido e do conjunto da energia nobre dos ciclos termodinâmicos mas a um ciclo de
consumida. concentração/diluição com um composto
“absorvedor”, utilizando um efluente térmico
Nota 1: Em modo de aquecimento, a como fonte de energia.
instalação da bomba de calor pode As máquinas de produção de frio por
ser monoenergia quando apenas ela absorção são usadas no aproveitamento do
fornece o calor necessário, ou calor existente em exaustões de processos
bienergia quando é complementada que não podem ser aproveitados de outro
por uma fonte de calor de apoio. modo. O coeficiente de eficácia é inferior à
unidade (cerca de 0,6 a 0,7) nas máquinas de
Nota 2: A bomba de calor bienergia funciona um estágio e superior à unidade nas de dois
em paralelo quando a sua produção estágios.
de calor é completada pela da fonte
de apoio, ou em alternativa quando
interrompe a sua produção, para dar
lugar à produção da fonte de apoio.

Nota 3: Nas aplicações industriais recorre-se


também a bombas de calor com dois
andares, por exemplo para a
secagem (ver 4.4.1.5).

53
Secção 6

MEDIDAS – COMANDO – CONTROLO - SEGURANÇA

6.1 Instrumentação e Técnicas Usadas para Fornecer Dados


Fundamentais para Fins de Controlo

6.2 Instrumentação e Técnicas Usadas para Transmitir,


Registar e Explorar Dados Fundamentais

6.3 Termos Relativos à Segurança

55
6.1

MEDIDAS - COMANDO - CONTROLO ou um sólido, deve ser vaporizado no


momento da injecção.
- SEGURANÇA

6.1.2 Espectroscopia
Método de análise química que permite
Muitos termos referentes às técnicas de caracterizar espécies químicas diferentes por
instrumentação e de controlo são usados em meio do espectro - tipo e intensidade das
inúmeros e variados campos de actividade. Podem riscas espectrais - que lhes está associado
encontrar-se as definições destes termos em em determinadas condições de excitação
glossários, dicionários internacionais e livros energética. Na maioria dos casos, trata-se de
especializados. uma emissão electromagnética cuja
Os termos seleccionados neste capítulo são intensidade varia com a frequência,
considerados como mais específicos e importantes caracterizando-se o espectro por picos de
para os assuntos ligados à energia. intensidade cuja posição é característica da
Por outro lado, para os problemas de segurança é espécie química. Em função da banda de
necessário consultar as organizações que emissão, distingue-se a espectroscopia do
trabalham as normas internacionais que se ocupam infravermelho, do visível, do ultra violeta, de
de regulamentos, etc. (por exemplo, para raios X e de raios γ.
pormenores dos sistemas e das instalações, no Existem também, entre outras, a
que respeita a problemas de protecção contra espectrometria de massa que é um processo
descargas eléctricas, consultar as normas de separação e medida de fragmentos iónicos
internacionais apropriadas, tais como as de moléculas, classificados de acordo com a
publicações da Comissão Electrotécnica relação massa/carga e a espectroscopia de
Internacional, etc.) ressonância magnética nuclear que analisa as
Além disso, os termos de segurança relacionados variações de intensidade de um campo
com uma forma específica de energia podem magnético ao qual se submete uma molécula.
encontrar-se na Secção deste glossário que dela Se se tomar como critério as espécies
se ocupa. químicas a analisar, distinguem-se igualmente
a espectroscopia atómica que permite
caracterizar os átomos de um cristal ou de
6.1 Instrumentação e Técnicas Usadas uma molécula e a espectroscopia molecular
para Fornecer Dados que permite caracterizar moléculas ou grupos
Fundamentais para Fins de químicos.
Controlo
6.1.3 Análise Electroquímica
Conjunto dos métodos que utilizam as
A. TÉCNICAS propriedades electroquímicas de espécies em
solução com o fim de as dosear ou de as
6.1.1 Cromatografia caracterizar. Eles envolvem reacções de
Processo de separação que se baseia na oxidação-redução entre as espécies e um
distribuição dos componentes de uma mistura eléctrodo e tomam em conta as duas
por duas fases: uma fase estacionária sólida grandezas físicas que são o potencial e a
ou líquida e uma fase móvel que percorre a intensidade da corrente nesse eléctrodo, as
anterior e que pode ser líquida ou gasosa. Os quais estão relacionadas com a natureza e a
fenómenos fisico-químicos que se concentração da espécie química
estabelecem entre as duas fases, quando em electrolisada.
presença de uma mistura de substâncias, As principais técnicas são: a potenciometria,
podem ser, entre outros, de adsorção, a amperometria, a polarografia e a
partilha, permuta e exclusão molecular. coulometria.
A condutimetria, que mede a condutância de
6.1.1.1 Cromatografia em Fase Líquida uma solução, a qual está linearmente ligada à
Cromatografia em que a fase móvel é um concentração das espécies iónicas presentes
líquido que serve igualmente de solvente. A na solução, é também considerada como um
fase estacionária pode ser um sólido método de análise electroquímica.
(cromatografia de adsorção ou de permuta
iónica), um gel poroso no interior do qual, em 6.1.4 Análise por Activação
função da dimensão das suas moléculas, os Método sensível da análise química capaz de
constituintes da mistura penetram mais ou detectar a presença de vários elementos
menos (cromatografia de exclusão molecular) numa amostra, baseado na identificação e
ou um líquido não miscível com a fase móvel medição das radiações características
(cromatografia de separação ou de partição). emitidas pelos nuclídeos formados por
irradiação do material.
6.1.1.2 Cromatografia em Fase Gasosa
Cromatografia em que a fase móvel é um 6.1.5 Calorimetria
gás. A fase estacionária é ou um líquido Medição da quantidade de calor envolvida em
(cromatografia de partilha) ou um sólido vários processos tais como as reacções
(cromatografia de adsorção). A mistura deve químicas, a mudança de estado e a formação
estar sob a forma gasosa; se for um líquido

57
6.1.7
de soluções ou na determinação do poder princípio se baseia na variação de resistência
calorífico. de dois metais condutores ou semi-
condutores.
6.1.6 Granulometria
Operação de medição das dimensões e da 6.1.13 Dosímetro
distribuição das partículas de um corpo Aparelho de medição da dose ou da taxa da
granulado. dose de radiação.

Nota: Os métodos principais de análise 6.1.14 Detector de Fluxo Radiante (Detector de


granulométrica são os métodos por Radiação)
exame microscópico, por peneiração Dispositivo que permite detectar a presença
e por decantação. de uma radiação. Alguns exemplos:
contadores de ionização (por exemplo,
6.1.7 Olfatometria Geiger-Müller), contadores de cintilação (para
Medição da concentração ou da intensidade as radiações ionizantes), contadores de
do odor de uma mistura odorizada. radiação por termopilha (pilha termoeléctrica),
os Geiger-Müllerradiómetros para as
6.1.8 Teledetecção radiações electromagnéticas não ionizantes,
Técnica usada para determinar etc.
características físicas e biológicas de
sistemas materiais, por medição dessas 6.1.15 Debitómetro
características à distância, sem contacto Aparelho de medição do débito de um fluido
físico com eles. (líquido ou gás) em termos de volume por
unidade de tempo. Alguns exemplos: contador
6.1.9 Ensaio não Destrutivo de gás, debitómetro magnético, debitómetro
Método de ensaio ou de inspecção que não de diafragma, tubo de Pitot, debitómetro
envolve danos ou destruição do objecto a volumétrico, rotâmetro, debitómetro de
examinar. Alguns exemplos: ensaio por fluxo turbina, tubo Venturi, orifício calibrado,
magnético, radiografia, ensaio por ultra-sons, debitómetro de efeito de Doppler, de Vortex.
correntes de Foucault, infravermelhos, etc.
6.1.16 Areómetro (Densímetro)
6.1.10 Amostragem Instrumento para medir a densidade de um
Recolha de uma pequena fracção líquido. Os areómetros funcionam segundo o
representativa de uma mercadoria ou de um princípio de Arquimedes e são de dois tipos:
produto para análise ou verificação. areómetro de volume constante para o qual o
volume imerso é constante mas cujo peso
pode ser aumentado ou reduzido e areómetro
B. INSTRUMENTAÇÃO de peso constante cujo volume imerso varia
com a densidade do líquido. Este último
6.1.11 Manómetro modelo é utilizado, por exemplo, para medir a
Aparelho de medição da pressão dos líquidos densidade de soluções sódicas, permitindo
e dos gases. Alguns exemplos: barómetro, através de conversão adequada calcular a
manómetro de Bourdon (utilizado, por concentração da base.
exemplo, na medição da tensão de vapor das
gasolinas), manómetro de McLeod (utilizado 6.1.17 Viscosímetro
para medição de baixas pressões: 103 pascal Aparelho de medição da viscosidade de um
a 10-3 pascal), medidor de pressão produto. Distinguem-se:
piezoeléctrico, transdutor de pressão,
medidor de pressão ou manómetro de 6.1.17.1 Viscosímetro Absoluto
quartzo. Viscosímetro baseado nas leis do
escoamento laminar de Poiseuille num tubo
6.1.12 Termómetro capilar, que resulta ou da simples acção de
Aparelho de medição que utiliza a variação de uma diferença de pressão de montante para
uma propriedade física sensível à jusante ou apenas da gravidade. A aplicação
temperatura (expansão linear, por exemplo) da fórmula de Poiseuille permite calcular a
de uma substância, para a medição da viscosidade dinâmica.
temperatura.
Alguns exemplos: termómetro de líquido em Nota: Os principais viscosímetros capilares
vidro que depende da expansão do líquido, dinâmicos são: o viscosímetro
usualmente mercúrio ou álcool corado, Canon- -Fenske, o viscosímetro
termómetro bimetálico que depende da Ubbelhode, o viscosímetro Vogel-
expansão de dois metais, termómetro de gás, Ossag, o viscosímetro Houillon, etc.
mais rigoroso que o termómetro de líquido em
vidro e que funciona medindo a variação de 6.1.17.2 Viscosímetro Empírico
pressão de um gás mantido a volume Viscosímetro cujo princípio de funcionamento
constante, termómetro de Bourdon, se baseia numa medição puramente
termómetro eléctrico, termómetro líquido em cinemática e que se aplica a líquidos cujo
metal, pirómetro de radiação, pirómetro fluxo tem um comportamento newtoniano. A
termoeléctrico, termómetro de ressonância viscosidade é determinada medindo-se o
sónica, termómetro de resistência cujo tempo que um dado volume de líquido, por

58
6.1.18.2

acção da gravidade, demora a percorrer um (potência reactiva), voltamperímetros


capilar de vidro calibrado. Esse tempo (potência aparente), frequencímetros
multiplicado pela constante de calibração do (frequência), os ohmímetros (resistência),
capilar é igual à viscosidade cinemática. etc.

6.1.18 Magnetómetro 6.1.22 Captor


Aparelho que permite medir a intensidade de Elemento de um aparelho ou de uma cadeia
um campo magnético. Existem: de medição ao qual é directamente aplicada a
grandeza a medir (pressão, tensão,
6.1.18.1 Magnetómetros Absolutos temperatura, nível de água, etc.). Muitas
Aparelhos que permitem calcular directamente vezes é usado para produzir um sinal que é
o campo magnético a partir das grandezas função da grandeza que lhe é aplicada e que
fundamentais: comprimento, massa, tempo, pode ser facilmente medida (por exemplo,
intensidade da corrente eléctrica, etc. uma tensão, uma corrente eléctrica). Um
captor que efectua conversão é denominado
transdutor (ver 6.1.28).

6.1.23 Geofone
6.1.18.2 Magnetómetros Relativos Captor que é usado na prospecção sísmica
Aparelhos que têm de ser comparados com terrestre para receber as ondas reflectidas ou
os aparelhos absolutos de um observatório refractadas pelas camadas geológicas,
com o fim de determinar as respectivas convertê- -las em sinais eléctricos e transmiti-
constantes de calibração. las a dispositivos de filtração e de registo
(ver 9.2.26).
6.1.18.3 Variómetros
Concebidos para comparar valores 6.1.24 Hidrofone
simultâneos de campos magnéticos distintos. Captor usado na prospecção sísmica
marítima para receber as variações de
6.1.19 Gravímetro pressão induzidas e convertê-las em sinais
Aparelho utilizado para medir a intensidade do eléctricos.
campo gravitacional. Distinguem-se:
6.1.25 Escovilhão (“Pig”)
6.1.19.1 Gravímetros Absolutos Aparelho cilíndrico, esférico ou oblongo,
Que medem o tempo de queda livre de um propulsionado numa canalização por meio de
corpo. um fluido que circula e que pode ser ar, gás
ou líquido sob pressão. É usado para limpar a
6.1.19.2 Gravímetros Relativos superfície interna das canalizações, para
Utilizados para determinar as variações do separar lotes de produtos diferentes ou
campo gravitacional comparando os valores registar diferentes parâmetros sobre o estado
determinados em dois locais. da canalização. Os pigs são introduzidos e
recuperados em câmaras denominadas
6.1.20 Dinamómetro estações de pigs e propulsionados pela
Aparelho de medição de uma força em dois pressão de um fluido.
locais.
6.1.26 Amostrador de Grande Débito
Dispositivo de colheita de amostras utilizado
Nota: Os dinamómetros funcionam quer por para medir a concentração de partículas no
oposição de uma força conhecida à ar, recolhendo-as sobre um filtro.
força a medir (o dinamómetro deste
tipo mais conhecido é a balança) ou Nota: Um amostrador de fita é um
pela elongação de um dispositivo que dispositivo usado para a medida
pode gerar uma força variável óptica das partículas, recolhendo-as
directamente proporcional a uma num filtro de fita.
outra grandeza mensurável (os
principais dinamómetros deste tipo 6.1.27 Termitância
são os dinamómetros de pêndulo, de Resistência geralmente fabricada com um
corda, de corda vibrante, material semicondutor que tem um elevado
piezoeléctricos, etc.). coeficiente não linear de temperatura negativo
(coeficiente que varia inversamente com a
6.1.21 Aparelhos de Medição das Grandezas temperatura). Pode ser usada para medir as
Eléctricas variações de temperatura.
Além dos diversos contadores de energia
(contadores de tarifa simples ou múltipla, 6.1.28 Transdutor
contadores de energia activa, reactiva e Aparelho que transforma um determinado
aparente) existem em electrotecnia múltiplos parâmetro (por exemplo, a pressão) noutro
aparelhos de medição e de controlo das sinal, tal como a tensão ou a corrente
grandezas características da corrente eléctrica facilmente mensurável, cujo valor é
eléctrica, tais como os voltímetros (tensão), determinado pela amplitude do parâmetro.
os amperímetros (intensidade da corrente), os Pode tratar-se de um tipo especial de captor
wattímetros (potência activa), os varímetros (ver 6.1.22).

59
6.2.2

6.1.29 Repetibilidade 6.2.6 Redundância


Medida da fidelidade de um método de ensaio Princípio que consiste na existência de dois
de acordo com o desvio máximo entre os componentes de um sistema com as mesmas
resultados de dois ensaios idênticos funções. Cada componente funciona de forma
executados pelo mesmo operador com o autónoma, estando um a exercer o comando
mesmo aparelho. e o outro pronto a substituir o primeiro em
caso de falha deste.
6.1.30 Reprodutibilidade
Medida da fidelidade de um método de ensaio 6.2.7 Linearização
de acordo com o desvio máximo entre os Processo matemático onde um modelo não
resultados de dois ensaios idênticos linear é feito linear para objecto de análise.
comunicados por dois laboratórios diferentes
sendo idênticos os métodos, os aparelhos e 6.2.8 Sensor de Proximidade
as condições de experimentação. Dispositivo que detecta a presença de um
objecto sem contacto físico.

6.2 Instrumentação e Técnicas 6.2.9 Controlo Proporcional


Usadas para Transmitir, Registar e Acção de controlo cujo valor é proporcional
Explorar Dados Fundamentais. ao desvio entre a variável controlada e a
referência.
6.2.1 Comando Automático
1) Equipamento que permite a uma instalação 6.2.10 Controlo Integral
ou uma máquina executar uma parte ou a Acção de controlo cujo valor resulta da
totalidade das suas operações sem integração no tempo do desvio entre a
intervenção humana (não confundir com variável controlada e a referência, resultando
comando a distância que pode ele próprio na eliminação do erro estático subjacente ao
incluir ou não um sistema de comando controlo proporcional.
automático).
2) Processo de comparação entre os valores 6.2.11 Controlo Derivativo
medidos e um valor de referência e de Acção de controlo cujo valor é proporcional à
correcção destes desvios relativamente a taxa de variação do desvio entre a variável
esse mesmo valor de referência, utilizando controlada e a referência.
meios automáticos.
6.2.12 Controlador PID
Nota: A robótica é o termo utilizado para o Função de regulação que combina a acção
estudo e/ou utilização de robots, que proporcional, integral e derivativa.
são dispositivos electrónicos,
eléctricos ou mecânicos com 6.2.13 “Fielbus”
comando inteiramente automático Rede digital de comunicação utilizada em
(ver 6.2.38 e 6.2.39). aplicações de automação industrial.

6.2.2 Sistema de Comando 6.2.14 Protocolo


Conjunto de elementos (amplificadores, Sequência de bits, caracteres e códigos de
conversores, etc., incluindo operadores controlo usados para transferir dados entre
humanos) interligados e interactivos, computadores ou entre computadores e
permitindo manter ou afectar, segundo um periféricos através de um canal de
modo predeterminado, um dado estado a um comunicação.
corpo, a um processo ou a uma máquina que
faz parte do sistema. 6.2.15 Amostragem de um Sinal Analógico
Existem vários tipos de sistemas de Processo de obtenção de uma sequência de
comando, tais como comando em circuito valores instantâneos de um sinal analógico
fechado, automático ou manual e comando com intervalos regulares.
em circuito aberto.
6.2.16 Dispositivo de Manutenção e Ajustamento
6.2.3 Comando em Cascata O mesmo que sistema de regulação (6.2.5).
Sistema no qual o valor de saída de cada
elemento de comando é utilizado como valor 6.2.17 Regulador
de entrada da unidade seguinte. Dispositivo com um valor de saída que pode
ser ajustado para manter uma variável a
6.2.4 Comando a Distância (Telecomando) comandar num valor específico ou dentro de
Comando das operações de uma instalação limites específicos ou para alterar essa
ou de um processo a partir de um local variável de um modo determinado.
distante do objectivo a comandar.
6.2.18 Servocomando
6.2.5 Sistema de Regulação Mecanismo interposto entre um comando e o
Dispositivo de controlo cujo objectivo é órgão a comandar, com o fim de produzir a
manter constante o valor da condição força necessária à manobra recorrendo à
comandada ou de a fazer variar de um modo energia de uma fonte exterior.
predeterminado.

60
6.2.24

6.2.19 Monitor (modulação de amplitude ou modulação de


Aparelho para a detecção, a visualização frequência).
e/ou a medida de uma dada condição ou de
um dado estado. 6.2.30 Multiplex por Divisão de Frequência
Dispositivo ou processo de transmissão de
6.2.20 Retroacção dois ou vários sinais num canal comum,
Estrutura de regulação em que a variável utilizando uma banda de frequência diferente
controlada é comparada com a referência, para cada sinal.
sendo o erro resultante utilizado para corrigir
a referida variável. 6.2.31 Multiplex por Divisão de Tempo
Dispositivo ou processo de transmissão de
6.2.21 Estado Estável dois ou vários sinais num canal comum,
Diz-se que o estado de um sistema é estável utilizando intervalos de tempo sucessivos
quando a amplitude dos desvios produzidos para os diferentes sinais.
por uma perturbação, permanente ou
terminada, for limitada e relacionada com a 6.2.32 Modo Simplex
amplitude da perturbação. Exploração de um canal de comunicação
numa única direcção, em cada instante.
6.2.22 Estado Instável
Diz-se que o estado de um sistema é instável Nota: Um circuito simplex é um circuito que
quando a amplitude dos desvios produzidos permite a transmissão de sinais
por uma perturbação, constante ou terminada, numa ou noutra direcção mas nunca
for ilimitada ou, sendo limitada, se for simultaneamente nas duas
determinada pela natureza do sistema e não direcções.
pela amplitude da perturbação.
6.2.33 Transmissão em Duplex
6.2.23 Estado Permanente Transmissão simultânea de palavras ou de
Condição de um sistema que é dados em direcções opostas através de um
essencialmente constante desde que as sistema.
flutuações iniciais tenham sido amortecidas.
6.2.34 Computador (Calculador)
6.2.24 Telecomunicação Máquina que efectua operações aritméticas e
Toda e qualquer transmissão, emissão ou lógicas a partir de dados representados em
recepção de sinais, de documentos escritos sistema binário. O comando destas
ou de imagens, de informações ou de sons de operações efectua-se por meio de um
qualquer natureza, através de fios, de programa de instruções. Tem a possibilidade
radioelectricidade, de óptica ou de outro de armazenar dados.
sistema electromagnético.
6.2.35 Equipamento de Reserva (Equipamento de
6.2.25 Telemedida Socorro)
Transmissão a distância de grandezas, Equipamento que se destina a ser usado
medidas com modulação codificada quando a unidade principal (por exemplo, a
apropriada, por exemplo: de amplitude, de unidade de cálculo ou de tratamento) fica
frequência, de fase ou de impulso. parada devido a um mau funcionamento ou
quando tem de ser retirada de serviço.
6.2.26 Ligação por Fibra Óptica
Meio de transmissão da luz através de 6.2.36 Operação em Linha
filamentos finos de vidro ou de material Operação de uma unidade funcional quando é
plástico. A luz pode ser pulsada para colocada sob o comando directo da unidade
transmitir dados codificados, modulada ou central do computador.
não modulada para a transmissão.
6.2.37 Operação Fora da Linha (Exploração
6.2.27 Laser Autónoma ou em Diferido)
A transmissão é uma das inúmeras Operação de uma unidade funcional quando
utilizações do laser (ver 4.4.10). não está colocada sob o comando directo do
computador.
6.2.28 Ligação por Micro-Ondas
Sistema de comunicação entre dois pontos, 6.2.38 Cibernética
no qual se utiliza um feixe de rádio com um Teoria que se ocupa do comando e da
comprimento de onda muito curto (micro-onda) comunicação dos seres vivos e das
como portador do sinal. máquinas.
A cibernética estuda os mecanismos do
6.2.29 Modulação objectivo que comanda a evolução de um
Processo pelo qual as características sistema, procurando estabelecer uma teoria
essenciais de uma onda sinal afectam uma geral.
outra onda (onda portadora). Nas formas mais
comuns de modulação, a amplitude de uma
portadora ou a sua frequência são Nota: No estudo de um sistema deve
modificadas de acordo com o sinal considerar-se, entre outras
características, a gama de variação,
a estabilidade, a estrutura e o tempo

61
6.3.1

de resposta. Em cibernética, e, eventualmente, a sua


distinguem-se os sistemas de auto- quantificação;
regulação, de auto- - − cálculo das consequências
aprendizagem, de estrutura associadas à manifestação dos
adaptável, etc. riscos, em termos de:
. prejuízos causados à vida
6.2.39 Inteligência Artificial humana,
Conjunto das técnicas utilizadas para . danos relativos ao meio ambiente,
experimentar a realização dos autómatos . perdas económicas;
adoptando uma iniciativa próxima do − determinação do critério do risco
pensamento humano. aceitável, isto é, do nível de
segurança exigido;
− proposta de benefícios a
Nota: Apesar de um real ou aparente abuso introduzir:
de linguagem, a noção de inteligência . nos pontos críticos ou nos pontos
artificial deve ser actualmente postos em evidência,
compreendida através dos esforços . ou, se o critério do risco aceitável
feitos para realizar autómatos cada não é satisfatório, no sistema
vez mais criativos, mesmo que estes propriamente dito.
funcionem com modelos (de
algoritmos) que reagem segundo 6.3.2 Segurança Inerente
estratégias preestabelecidas. A segurança inerente de um componente (ou
de um sistema) define-se pelas
6.2.40 Sistema “Expert” características de segurança que garantem a
Conjunto de “software” e de dados que eliminação de um perigo ou de uma falha
permitem explorar conhecimentos explícitos inerente ao componente (ou ao sistema).
relativos a um domínio bem delimitado para A segurança inerente está associada à
estabelecer um comportamento comparável escolha dos materiais utilizados, ao
ao de um “expert” humano. coeficiente de segurança tido em conta no
dimensionamento e a todos os aspectos de
Nota: O sistema “expert” é uma aplicação concepção e construção que assegurem,
das técnicas ou processos de através das leis da Natureza que sejam
inteligência artificial. Além do seu evitados quaisquer perigos ou falhas
sistema de diálogo, ele comporta em potenciais.
geral: A segurança inerente é garantida pela
− uma base de conhecimentos, permanência e pela fiabilidade das
conjunto de regras e de meta- características de segurança.
-regras que contém o “know-how”
(saber-fazer) do “expert”; Nota: A segurança inerente pode avaliar-se
− uma base de factos que contém segundo critérios probabilísticos ou
os factos específicos do determinísticos.
problema considerado;
− um motor de inferência que
interpreta os dados de base de 6.3.3 Característica de Segurança Passiva
conhecimentos para exprimir as A característica de segurança passiva
estratégias e heurísticas de entende-se como a garantia da eliminação de
utilização destes conhecimentos. qualquer risco:
− pela simples presença de dispositivos
6.3 Termos Relativos à Segurança para o efeito, sem que haja necessidade
de qualquer intervenção humana, de
6.3.1 Análise de Risco activação de um componente ou de um
Investigação e análise probabilística dos sinal (actuando sobre valores
contributos das circunstâncias necessárias e preestabelecidos);
suficientes para a ocorrência de
− pelo não recurso a qualquer fonte de
acontecimentos indesejáveis, conjugadas
energia (externa ou interna
com o estudo das dimensões dos efeitos
independentes).
desses acontecimentos, caso eles venham a
acontecer.
6.3.4 Característica de Segurança Activa
A característica de segurança activa
Nota: Os objectivos de uma análise de entende-se como a garantia de eliminação ou
risco podem definir-se do seguinte o impedimento de qualquer risco e pode
modo: apresentar-se:
− identificação dos riscos − ao activar um componente através de um
susceptíveis de se produzirem sinal (actuando sobre um valor
durante o funcionamento do preestabelecido ou calibrado);
sistema; − pela intervenção humana;
− estudo das causas que estão na − se necessário, por uma fonte de energia
origem dos riscos considerados externa ou interna.

62
6.3.11

6.3.5 Segurança Intrínseca para reduzir os riscos de oxidação, de


Princípio de concepção segundo o qual, no explosão ou de incêndio.
caso de falhas de um sistema, este reagirá
de tal maneira que assegurará condições de 6.3.13 Bacia de Retenção
segurança reforçadas. Por exemplo: uma falta Parede sólida, geralmente de betão ou de
de fornecimento de energia a um sistema de terra, que envolve um equipamento ou um
controlo de um reactor deverá provocar recipiente contendo um líquido que deve ser
imediatamente a sua paragem. confinado.

6.3.6 Árvore de Falha (de Causa-efeito)


Diagrama que representa os acontecimentos Nota: Exemplo: a parede de betão ou de
e a sua sucessão numa perspectiva de terra que envolve um reservatório de
causa- -efeito, susceptíveis de provocar armazenamento de petróleo bruto ou
um incidente. de produtos refinados. É concebida
para conter o líquido do reservatório
6.3.7 Período de Graça no caso de ruptura ou de fuga.
Período durante o qual a segurança é
assegurada sem necessidade de uma 6.3.14 Detector de Chamas
intervenção humana em caso de incidente. Aparelho que detecta a presença de uma
chama. No caso de falha de ignição ou de
6.3.8 Tolerância de Erro uma avaria provocada pela chama, ele pára
Define o grau de aceitação de uma inacção momentaneamente o equipamento ou a
humana ou de uma acção humana errada. alimentação de combustível a fim de manter
as condições de segurança.
Nota: A tolerância de erro como grau de 6.3.15 Detector de Incêndio
tolerância à inacção humana está Aparelho de detecção concebido para fazer
geralmente associada à actuar um alarme e/ou um sistema automático
característica de um sistema (por de extinção de incêndios. São exemplos: o
exemplo, grande inércia térmica ou detector de chamas, de calor, de fumo e o
muito ampla margem de manobra sensor óptico.
relativa ao limite de segurança) .
6.3.16 Sistemas Automáticos de Extinção de
6.3.9 Material Homologado Incêndios
Equipamento que satisfaz aos ensaios e Equipamentos fixos actuados
recebeu a aprovação de uma autoridade automaticamente a partir de um sinal recebido
competente, quer seja um organismo dum sistema de detecção de incêndios, para
governamental ou uma sociedade de a protecção parcial ou total de uma área de
certificação. Esta autoridade deve certificar risco. Podem utilizar uma gama variada de
que o equipamento pode ser utilizado com agentes de extinção de fogos (a água, a
toda a segurança. espuma, o pó, o dióxido de carbono) .
6.3.10 Sistema de Alarme 6.3.17 Instalação de Água
Dispositivo que permite o desencadeamento Instalação que se apresenta sob a forma de
de um sinal de aviso quando ocorreu ou está uma rede de tubagens dotadas de
em vias de ocorrer um acontecimento dispositivos que permitem lançar a água sob
indesejável. pressão no local do incêndio.

Nota: O sinal pode ser visual (luzes


vermelhas ou verdes que apagam ou 6.3.18 Instalação de Espuma
acendem) ou sonoro (buzina, sirene). Instalação que se compõe de um sistema de
Funciona em sistema de tudo ou alimentação de água sob pressão, de
nada relativamente a um dado limiar reservatórios com um espumífero, de
cujo valor se recomenda que, sempre doseadores da mistura água/espumífero, de
que possível, venha indicado no dispositivos de admissão de ar (tipo Venturi)
equipamento. e de difusores de espuma (mistura de água,
espumífero e ar).
6.3.11 Blindagem Biológica
Camada de material absorvente que reduz o 6.3.19 Espumífero
nível de radiações ionizantes (por exemplo, Produto químico destinado a ser misturado
proveniente do núcleo de um reactor) para o com água e ar, de modo a produzir espuma
manter a um baixo nível biologicamente para combate a incêndios.
aceitável.
Em geral, utiliza-se o betão de forte 6.3.20 Instalação de Pó
densidade, o chumbo ou a água (ver 11.2.33). Instalação que se compõe de
armazenamento de pó e de dióxido de
6.3.12 Inertização carbono (CO2), constituindo este último o
Operação que consiste em substituir o ar no agente propulsor do pó que permite lançá-lo
interior do equipamento ou à volta dele, por sobre a zona em fogo.
um gás inerte, tal como o azoto ou o árgon,
6.3.21 Instalação de Dióxido de Carbono

63
6.3.28
Instalação que se compõe de reservatório ou 6.3.30 Amplificador de Paragem
garrafas de CO2, ligados a tubagens de Dispositivo, cujas entradas representam o
distribuição protegidas contra a corrosão e parâmetro a controlar, que produz um sinal de
calculadas para evitar a congelação na altura saída amplificado com um factor
da expansão, e de dispositivos de dispersão. predeterminado. Deste modo, este sinal de
O dióxido de carbono actua por “asfixia”, saída pode ser melhor utilizado para
substituindo o ar por um gás inerte. Aplica-se desencadear o procedimento de paragem da
em locais estanques. instalação se atingir um valor fixado
antecipadamente.
6.3.22 Dispositivo Resistente ao Fogo
Aparelho concebido de modo a não arder ou a
não ser danificado quando sujeito à acção
das chamas, durante um tempo e um limite de
temperatura predefinidos.

6.3.23 Aparelho Antideflagrante


Aparelho concebido e construído para impedir
o contacto entre atmosferas potencialmente
explosivas e fontes de ignição internas ao
próprio equipamento.

6.3.24 Encapsulamento Antideflagrante


Invólucro estanque para aparelhos e
sistemas eléctricos que não sejam
antideflagrantes, capaz de os isolar
relativamente ao meio exterior, de modo a
impedir a entrada de misturas potencialmente
explosivas.

6.3.25 Detector de Gás


Aparelho capaz de detectar a presença de um
determinado gás acima de determinada
concentração preestabelecida ou de indicar
os valores da sua concentração. Estes
instrumentos servem muitas vezes para
detectar as fugas e para garantir a segurança
quando se penetra ou se trabalha em
espaços confinados. São, por exemplo, o
metanómetro ou grisúmetro.

6.3.26 Sistema de Limitação de Pressão


Equipamento instalado para evitar que a
pressão numa tubagem ou num sistema de
distribuição ultrapasse a pressão de
exploração máxima admissível, controlando
ou reduzindo o fluxo de gás no caso de
condições anormais.

6.3.27 Dispositivo de Descompressão


Equipamento instalado numa tubagem ou num
sistema de distribuição ao qual está ligado,
para controlar a pressão do gás no sistema e
fazer sair com toda a segurança o gás para a
atmosfera, quando a pressão ultrapassar o
nível máximo previamente fixado.

6.3.28 Válvula de Descompressão


Também designada por válvula de segurança.
Dispositivo que garante automaticamente a
redução do excesso de pressão num sistema.
É calibrado para actuar a uma pressão
predeterminada, em função das condições de
operação do sistema que protege.

6.3.29 Bloco Obturador de Poço


Dispositivo de válvulas instaladas na cabeça
do poço para assegurar o encerramento em
caso de perigo (ver 9.4.7).

64
Secção 7

AMBIENTE
___________________________________________________

7.1 Termos Gerais

7.2 Termos Climáticos e Meteorológicos

7.3 Poluição Atmosférica

7.4 Poluição Radioactiva, Acústica e Térmica

7.5 Degradação dos Solos e Resíduos Sólidos

7.6 Poluição das Águas

65
65
7.1.1

AMBIENTE 7.1.6 Estudo de Impacte Ambiental


Estudo de impacte sobre o ambiente de uma
instalação planeada ou projectada, tendo em
A multiplicidade das interacções entre produção, vista avaliar os efeitos sobre a fauna, a flora,
transformação e utilização da energia e o ambiente os solos, a qualidade da água e do ar e sobre
adquiriu uma importância crescente ao longo da as populações locais no sentido de encontrar
última década. Cada desenvolvimento técnico soluções para minimizar ou suprimir os efeitos
deve, a partir de agora, ter em conta a fragilidade negativos que dai possam ocorrer.
dos equilíbrios biológicos e ainda o impacto que A avaliação dos efeitos sobre o ambiente
pode resultar de qualquer alteração. deve ainda proceder à comparação dos
É por isso que se salientam as diferentes formas impactes negativos e dos efeitos benéficos
de poluição e os seus principais constituintes. que se pretendem alcançar com a nova
A natureza dos produtos ligados ao ambiente instalação.
conduz ao confronto de numerosas disciplinas o
que implica uma reflexão terminológica comum para Nota: Um aproveitamento hidráulico, por
harmonizar a definição dos conceitos. Encontrar- exemplo, pode acarretar perturbações e
se- -ão, pois, nesta Secção, definições já modificações importantes, das quais
adoptadas por grandes organizações algumas ultrapassam muitíssimo a sua
internacionais. localização:
− modificações do regime das águas, dos
lençóis de água subterrâneos, da natureza
7.1 Termos Gerais da água (produtos em suspensão, flora,
etc.);
A. TÉCNICAS − interrupção do percurso e suas
consequências para a navegação de
7.1.1 Ambiente superfície, as migrações dos peixes, o
Conjunto dos agentes físicos, químicos e arrastamento de materiais de erosão;
biológicos e dos factores sociais − modificação do sítio (habitat, actividade
susceptíveis de um efeito directo ou económica, etc.) e da paisagem
indirecto, imediatamente ou a prazo, sobre os (instalação de linhas de alta tensão);
organismos vivos e as actividades humanas − modificação do clima e consequências nos
hábitos das populações, etc.
7.1.2 Protecção do Ambiente
Conjunto de todas as medidas que permitam Quer estas alterações sejam prejudiciais ou
manter ou restabelecer o mais completamente vantajosas (regularização dos cursos de
possível, o estado natural do ambiente dos água, irrigação, armazenamento de água com
homens, dos animais, das plantas, da fins múltiplos, etc.) são extremamente
paisagem, dos monumentos, etc. complexas e devem de qualquer forma ser
objecto de estudos profundos e
7.1.3 Compatibilidade com o Ambiente multidisciplinares.
Indicação do grau de impacto de uma medida O estudo deverá incluir os critérios
programada ou já implementada que poderia ambientais mais relevantes bem como os
ter um impacto no ambiente. A pontos de vista das várias partes
compatibilidade com o ambiente é um interessadas de modo a que os mesmos
objectivo importante no domínio da sua sejam considerados na tomada de decisão de
protecção. Um exame prévio desta implementar ou não um determinado plano ou
compatibilidade permite que, na fase de projecto.
planificação de um projecto, seja possível
impedir as repercussões nocivas do projecto 7.1.7 Critérios de Implantação
sobre o ambiente ou limitá-las a proporções Conjunto dos factores a ter em conta na
aceitáveis. escolha do local escolhido para a
implementação de uma instalação energética,
7.1.4 Ecossistema por exemplo: níveis de poluição, capacidade
Conjunto de uma comunidade viva e do de refrigeração, densidade populacional,
ambiente físico-químico no qual ela vive (por estrutura económica, topografia, geologia,
exemplo: uma floresta, um lago, um campo ordenamento do território (incluindo o
cultivado, etc.). Todos os ecossistemas da equipamento social existente ou necessário),
terra se inter-relacionam para formar a direcção dos ventos e riscos sísmicos.
biosfera.
7.1.8 Poluente
7.1.5 Impacto Ecológico Toda e qualquer substância ou característica
Efeito de modificações num ecossistema. física ou química resultante de uma qualquer
Estas modificações podem dever-se a actividade, natural (ou não), presente no
factores bióticos, isto é, provocados pela ambiente (ar, água, solo) e que afecta as
acção de organismos vivos (homens, animais, características deste.
plantas) ou a factores abióticos, ou seja,
devidos à influência de factores inanimados 7.1.9 Efluente
(climáticos, edáficos, isto é, relacionados Qualquer fluido líquido ou gasoso (podendo
com o solo). por vezes conter sólidos) descarregado no
ambiente.

67
7.1.10
ou industriais de que, em qualquer dos casos,
7.1.10 Emissão a produção diária não exceda 1100 litros, por
Descarga de qualquer substância no meio produtor.
ambiente. Designa-se por “fonte”, o ponto em
que a descarga se produz. 7.1.19 Resíduos Industriais
O termo pode ainda ser aplicado ao ruído, à Resíduos gerados em actividades ou
vibração, à radiação, ao calor, etc., sendo processos industriais, bem como os que
utilizado para descrever a rejeição e o resultam das actividades de produção e
respectivo débito. distribuição de electricidade, gás e água.

7.1.11 Imissão 7.1.20 Resíduos Hospitalares


Transferência de um ou vários poluentes para Resíduos produzidos em unidades de
um “receptor”; por exemplo, poluentes retidos prestação de cuidados e saúde, incluindo as
pelos pulmões. actividades médicas de diagnóstico,
Não significa o mesmo que concentração ao tratamento e prevenção da doença e ainda as
nível do solo. Tem um significado oposto ao actividades de investigação com elas
do termo “emissão”. relacionadas.

7.1.12 Contaminação 7.1.21 Resíduos Perigosos


Existência de substâncias ou de energia Resíduos que constituem um risco
(ruído, vibração, radioactividade, calor) num substancial, real ou potencial para a saúde
meio determinado, que provoca uma humana ou para os organismos vivos, devido
deterioração das condições ambientais para ao seu carácter tóxico, infeccioso,
os homens, as plantas ou os animais. radioactivo, inflamável, etc. Os resíduos
perigosos constituem uma ameaça para o
7.1.13 Limite de Emissão ambiente devendo por essa razão ser
Nível de emissão que, de acordo com a submetidos a um controlo. Podem ser uma
regulamentação, não deve ser excedido. fonte de riscos graves a curto prazo ou de
riscos a longo prazo para o ambiente. Os
Nota: O nível de emissão pode ser resíduos deste tipo podem ser subprodutos,
expresso em volume por unidade de resíduos das operações de transformação,
tempo, em massa por unidade de tempo, elementos reactivos residuais das instalações
em massa por unidade de volume, em ou dos materiais contaminados em
massa por unidade de energia ou noutra consequência de operações de fabricação ou
unidade escolhida “ad hoc”. de tratamento de substâncias tóxicas, ou
provir de produtos manufacturados que foram
7.1.14 Limite de Contaminação rejeitados.
Valor da concentração de um poluente que
não deve ser ultrapassado ou atingido. 7.1.22 Valor Limite (Concentração Máxima Admis-
sível - CMA)
7.1.15 Nível de Poluição Natural Maior concentração permitida de uma
Concentração dos poluentes provenientes substância nociva ao ambiente. As emissões
das fontes naturais existentes no ambiente. máximas são especificadas em relação a
intervalos de tempo (por exemplo: períodos
7.1.16 Exposição de 8 horas, dia, ano, etc.) para determinados
Submissão de uma pessoa, de um animal, de ambientes específicos (por exemplo: local de
um vegetal ou de um material a um poluente. trabalho, zona urbana, etc.) ou em termos de
medidas estatísticas (por exemplo: valores de
7.1.17 Resíduos ponta, valores médios, percentagens, etc.).
Produtos que nas condições económicas O valor das concentrações limites é fixado
correntes não se consideram materiais geralmente em função dos conhecimentos
básicos (isto é, fabricados com o intuito de disponíveis acerca dos efeitos nocivos das
virem a ser comercializados) e que não têm substâncias em questão sobre a saúde
mais nenhuma utilidade para o produtor quer humana ou sobre os diversos componentes
para fins de produção, quer de transformação do ambiente
ou de consumo e que se deseja eliminar. Os
resíduos provêm da extracção de matérias- 7.1.23 Estação de Medição
primas, da sua transformação em produtos Estação de controlo que mede os níveis
intermédios ou acabados, do consumo de básicos de concentração em todo o mundo,
produtos acabados e de quaisquer outras num determinado país ou numa região. As
actividades humanas. estações para controlo de poluentes do ar
com carácter mundial situam-se a uma
7.1.18 Resíduos Urbanos distância de 3000 km, no mínimo, das fontes
Resíduos domésticos (produzidos em continentais de poluição. O principal objectivo
qualquer espaço urbano que são gerados pela destas instalações é o de detectar alterações
actividade humana nas tarefas do seu dia a significativas nos componentes atmosféricos
dia), ou outros resíduos semelhantes, em que têm influência no clima.
razão da sua natureza ou composição,
nomeadamente os provenientes do sector de 7.1.24 Postos de Vigilância de Impacto
serviços ou de estabelecimentos comerciais

68
7.1.25

Têm como objectivo controlar os níveis de mesmo tipo de resíduos pode ser objecto de
concentração de substâncias poluentes nas mais do que uma operação de tratamento.
proximidades de importantes fontes de
poluição. Trata-se habitualmente de estações 7.1.33 Reciclagem e Reutilização
fixas situadas em zonas com várias fontes de Utilização dos materiais obtidos a partir dos
poluição. resíduos como matérias, num processo
económico. A reciclagem e a reutilização
podem também dizer respeito aos produtos
7.1.25 Concentração de Ponta acabados que tenham sido eventualmente
Valor máximo da concentração em poluentes, considerados como resíduos ou produtos
medido para um determinado período e para rejeitados pelo processo (ver 5.5.4 e 5.5.5).
um determinado local.
7.1.34 Substância Biodegradável
7.1.26 Efeitos Tóxicos dos Poluentes Substância que pode ser degradada por
Distinguem-se: acção de um processo biológico.
− os efeitos letais: que provocam a morte
por intoxicação directa; 7.1.35 Indicador Biológico de Poluição (Indicador
− os efeitos subletais: que não implicam Ecológico)
directamente a morte mas podem afectar o Organismo vivo ou uma sua parte utilizado
crescimento, a reprodução ou a para detectar ou medir um poluente. Os
actividade; organismos vivos que integram o ecossistema
fornecem, pela sua presença ou pela sua
− os efeitos agudos: que provocam um ausência ou ainda pelas modificações que
efeito (geralmente a morte) num período sofrem, uma boa medida da qualidade do meio
de tempo relativamente curto; e das suas variações.
− os efeitos crónicos: que provocam um
efeito (letal ou subletal) num período de 7.1.36 Ecologia
tempo prolongado. Ciência que estuda as relações entre os
organismos vivos e o seu ambiente.
7.1.27 Efeito Sinergético
Fortalecimento dos efeitos individuais, 7.1.37 Fauna
qualitativos ou quantitativos, de duas ou mais Todos os animais associados a um
substâncias após a sua associação, de tal determinado habitat, área ou período.
modo que os efeitos da associação são
superiores à soma dos efeitos individuais. 7.1.38 Flora
Todas as plantas associadas a um
7.1.28 Difusão e Dispersão dos Poluentes determinado habitat, área ou período. As
Ocorrência que se traduz na redução bactérias são consideradas como
progressiva da concentração dos poluentes. pertencentes à flora.
À difusão e dispersão (DD) dos poluentes no
ambiente, opõe-se um outro conceito que é o 7.1.39 Hidráulica
de os concentrar e de os conter (CC) quando Ramo da ciência que estuda as propriedades
isso é possível ou desejável. mecânicas da água e a sua aplicação à
engenharia.
7.1.29 Princípio do “Poluidor-Pagador”
Princípio segundo o qual o responsável pelos 7.1.40 Hidrologia
danos ou agressões ao ambiente deve Estudo científico da água na Natureza: suas
suportar os custos correspondentes às propriedades, distribuição e comportamento.
medidas para a sua correcção. Ciência que estuda a ocorrência, circulação e
distribuição da água e sua interligação com o
7.1.30 Depuração das Emissões ambiente.
Eliminação de todas as substâncias nocivas
provenientes dos processos industriais com o 7.1.41 Ciclo Hidrológico
objectivo de evitar ou reduzir a emissão de A água circula continuamente entre a
poluentes para o ambiente (ar, água, solo). superfície terrestre e a atmosfera num
processo designado por ciclo hidrológico.
7.1.31 Eliminação dos Resíduos Este ciclo, também conhecido por ciclo da
Evacuação dos resíduos que teoricamente água, é um dos processos básicos na
não se destinam a outras utilizações, ainda Natureza. Sob a influência do calor do Sol, a
que na prática possam vir a ser reutilizados água dos oceanos, rios, lagos, solos e
(por exemplo: extracção de biogás). vegetação evapora, tornando-se vapor de
água. Ao aumentar na atmosfera, o vapor de
7.1.32 Tratamento dos Resíduos água, arrefece, voltando ao estado líquido ou
Operações destinadas a modificar as mesmo sólido, formando as nuvens. Quando
características físicas, químicas ou as gotículas de água ou os cristais de gelo
biológicas ou a composição dos resíduos, no atingem uma determinada dimensão,
sentido de os neutralizar, os tornar precipitam para a superfície da terra sob a
inofensivos, melhorar a segurança do seu forma de chuva ou neve.
transporte, permitir a recuperação ou o Uma vez no solo, parte da água infiltra-se no
armazenamento e reduzir o seu volume. Um solo, sendo absorvida pelas plantas ou

69
7.1.43

percolando para reservatórios subterrâneos. de estratificação pode ocorrer falta de


Outra parte da água alimentará os oceanos, oxigénio nesta camada.
rios, lagos e albufeiras, para se tornar a
evaporar. 7.1.52 Epilimnion
Camada superior de um lago ou albufeira
7.1.42 Análise de Ciclo de Vida (ACV) sujeita a estratificação térmica, com
Método de avaliação dos impactes ambientais temperaturas mais elevadas.
de toda a vida de um produto, desde a
aquisição de matérias-primas, produção, 7.1.53 Plancton
distribuição, utilização, reutilização, Plantas (phytoplancton) e animais
manutenção, reciclagem e produção de um (zooplancton) de dimensões reduzidas, com
resíduo. capacidades de locomoção reduzidas que
vivem em suspensão na água.
7.1.43 Sistema de Gestão Ambiental
Sistema que faz parte do sistema global de 7.1.54 Poluição Difusa
gestão da empresa, que inclui a estrutura Alteração humana ou indu-zida pelo homem
funcional, a definição de responsabilidades e das propriedades físicas, químicas,
os procedimentos e os recursos para biológicas ou radiológicas de uma massa de
concretizar, desenvolver e melhorar água não originadas por fontes fixas.
continuamente o desempenho ambiental da
empresa. 7.1.55 Xenobiótico
Substância criada pelo homem que não existe
7.1.44 Auditoria Ambiental na Natureza. Estas substâncias constituem
Importante instrumento da gestão de uma problemas ambientais significativos, na
empresa que tem como objectivos imediatos a medida em que não existem mecanismos
verificação do cumprimento de todos os adequados de biodegradação, pelo que
requisitos legais referentes ao ambiente e um tendem a acumular-se na Natureza.
controlo mais facilitado da gestão dos
procedimentos com eventual impacte no
ambiente. 7.2 Termos Climáticos e Meteorológicos
7.1.45 Rótulo Ecológico 7.2.1 Ciclo do Carbono
Esquema europeu de rotulagem, que Processo de trocas de carbono entre a
recorrendo a um logótipo aprovado, pretende superfície terrestre e a atmosfera. O carbono
promover produtos com impactes ambientais encontra-se nos gases atmosféricos, sob a
reduzidos durante o seu ciclo de vida. forma de iões dissolvidos na hidrosfera e, no
estado sólido, como principal constituinte da
7.1.46 Advecção matéria orgânica e das rochas sedimentares.
Transporte na horizontal pela acção do vento As trocas realizam-se sobretudo entre a
de uma determinada propriedade atmosférica atmosfera e a hidrosfera mas também entre a
ou contaminante do ar. biosfera, a atmosfera e a hidrosfera pela
respiração e pela fotossíntese. As taxas das
7.1.47 Bentico trocas são diminutas mas ao longo do tempo
Relacionado com o fundo dos lagos e geológico o ciclo do carbono concentrou
oceanos; organismos que vivem nos fundos enormes quantidades de carbono na litosfera,
das massas de água. sobretudo sob a forma de rochas calcárias e
de combustíveis fósseis.
7.1.48 Bioacumulação
Processo pelo qual substâncias não 7.2.2 Alteração Climática
alimentares são assimiladas por um Uma mudança de clima define-se pelo
organismo vivo, entrando assim na cadeia aparecimento de uma diferença consistente,
trófica. entre os valores de longo prazo de um
parâmetro climático e o seu valor médio num
7.1.49 Coliformes intervalo de tempo determinado, geralmente
Microorganismos comuns ao tracto intestinal de várias décadas.
do homem; a presença de coliformes na água
é um indicador de contaminação biológica. 7.2.3 Biosfera (Ecosfera)
Parte do ambiente terrestre em que se
7.1.50 Estratificação Térmica encontram os organismos vivos (reinos
Estratificação da água em camadas em lagos vegetal e animal, incluindo os
e albufeiras com origem térmica. Geralmente, microrganismos). Compreende a parte inferior
distinguem-se três zonas de estratificação da atmosfera, a hidrosfera e uma parte da
com temperaturas diferentes: o epilimnion, o litosfera.
metalimnion ou termoclina e o hipolimnion.
7.2.4 Atmosfera
7.1.51 Hipolimnion Camada gasosa acompanhada de pequenas
Camada inferior de um lago ou albufeira quantidades de partículas líquidas ou sólidas
sujeita a estratificação térmica. Nestas zonas que envolve todo o planeta até a uma altitude
as temperaturas são tendencialmente indefinida. Consoante a temperatura e a
uniformes e frias. Em situações mais graves altitude, a atmosfera divide-se em várias

70
zonas: a troposfera, a estratosfera. a Estado de obscuridade atmosférica que se
mesosfera, a termosfera e a exosfera. deve à presença de finas partículas de
poeiras em suspensão. Estas partículas são
7.2.5 Hidrosfera tão pequenas que não podem sentir-se ou
Parte do globo terrestre que inclui tanto os ver-se individualmente, à vista desarmada.
oceanos, os mares, os lagos e os cursos de
água, como as águas subterrâneas. 7.2.13 “Scavenging”
Eliminação dos poluentes da atmosfera por
7.2.6 Litosfera um processo natural.
Zona que forma a camada superficial
envolvente do globo terrestre. A sua 7.2.14 Efeito de Chaminé
espessura não ultrapassa geralmente os 150 Fenómeno que consiste no movimento
km e é caracterizada pela sua rigidez. ascendente de uma massa localizada de ar
ou de outros gases devido a diferenças de
temperatura.

7.2.7 Inversão Meteorológica ou Inversão Térmica 7.2.15 Ozono


Inversão de temperatura na atmosfera Gás constituído por oxigénio molecular e
quando, numa camada quente a temperatura atómico. Em presença de poluentes do ar
que, normalmente decresce com a altitude, pode surgir uma forte concentração de ozono
aumenta de novo com o aumento da altitude. no caso de radiação solar intensa. Na
As inversões actuam como barreiras para a estratosfera, a camada de ozono reduz a
distribuição vertical das poeiras atmosféricas forte radiação ultravioleta sobre a superfície
e como desvio para a propagação do som. terrestre. A descoberta de um buraco na
Sob a camada de inversão (particularmente camada de ozono ao nível da Antárctida
nas zonas industriais) podem existir fortes ocasionou sérias preocupações devidas
concentrações de gases e um elevado nível principalmente aos poluentes de origem
sonoro. industrial. O ozono encontra-se na atmosfera
poluída, e pode ser nocivo para a saúde e
7.2.8 Fumigação para o mundo vegetal, e pode fazer parte de
Fenómeno atmosférico durante o qual a numerosos processos químicos atmosféricos
poluição que foi retida por uma camada de (por exemplo a oxidação do azoto).
inversão perto do seu nível de emissão é
rapidamente transportada para o nível do 7.2.16 Dióxido de Carbono CO2
solo, quando a inversão se dispersa. Gás incolor, inodoro, não tóxico e mais
Concentrações importantes de poluentes pesado que o ar do qual é um dos seus
podem assim verificar-se ao nível ou próximo componentes normais. Produz-se devido a
do solo. certos processos naturais (como o ciclo do
carbono) e pela combustão completa do
7.2.9 Efeito de Estufa Atmosférico carbono contido nos combustíveis fósseis.
Efeito provocado pelo dióxido de carbono e
por outros gases que são praticamente
transparentes à luz visível mas que absorvem 7.3 Poluição Atmosférica
a radiação infravermelha de comprimento de
onda compreendido entre 12 e 18 micrometros 7.3.1 Precipitação Ácida (Chuva Ácida)
(µm) comportando-se como um filtro Precipitação húmida ou seca cuja acidez é
unidireccional. Permite a entrada da luz acrescida pela emissão de sulfatos ou de
visível mas impede a saída da radiação nitratos na atmosfera. As chuvas ácidas e as
infravermelha na direcção oposta. precipitações de ácidos secos, com
frequentes deslocações transfronteiras e de
Nota: O efeito de estufa assim produzido longo curso, provocam efeitos nocivos
tem como consequência o aumento importantes tais como a acidificação dos
da temperatura da superfície lagos, dos rios e das águas subterrâneas.
terrestre (ver 14.1.20). Daí resultam malefícios para a pesca e para
os outros componentes do ecossistema
7.2.10 Episódio aquático. Provocam igualmente efeitos
Incidente de poluição numa dada zona da nocivos nas plantas e causam grandes
atmosfera provocado por uma concentração estragos nas florestas.
de poluentes que reagem a certas condições
meteorológicas, podendo ter consequências 7.3.2 Óxidos de Enxofre SOx
nocivas. Óxidos provenientes sobretudo da combustão
de combustíveis fósseis que contêm enxofre
7.2.11 Lavagem por Acção da Chuva (em particular carvão e produtos petrolíferos).
Redução da concentração dos gases e, por Os óxidos de enxofre (designados por SOx
vezes, das partículas existentes na nos estudos sobre poluição) - de entre os
atmosfera em consequência da sua quais sobressai o dióxido de enxofre ou
dissolução ou captura pelas gotas da chuva anidrido sulfuroso, gás incolor com odor acre
e forte - são, a partir de uma certa
7.2.12 Bruma concentração, tóxicos para o sistema
respiratório e têm efeitos nefastos sobre o

71
7.2.7

ambiente, em particular sobre os edifícios e onda), por exemplo na atmosfera. Os


na vegetação. Estes óxidos contribuem para principais componentes são o ozono e o
o problema das precipitações ácidas. peroxiacetilnitrato (PAN) que podem ter um
efeito nefasto sobre o mundo vegetal.
7.3.3 Monóxido de Carbono CO
Gás tóxico, incolor e inodoro. A maior parte 7.3.11 “Smog” Fotoquímico
do monóxido de carbono que se encontra na Resultado das reacções que se produzem na
atmosfera provém da combustão incompleta atmosfera entre os óxidos de azoto, os
de matérias orgânicas. componentes orgânicos e os oxidantes sob a
influência do sol e que conduzem à formação
7.3.4 Óxidos de Azoto NOx de compostos oxidantes ou são a causa
Óxidos formados e libertados em todos os possível de uma má visibilidade, de uma
tipos comuns de combustão a temperaturas irritação ocular ou de danos em materiais ou
elevadas. Resultam da oxidação do azoto na navegação quando a sua concentração é
contido na atmosfera com, eventualmente, suficiente.

7.3.5 7.3.12 Penacho


Efluente (frequentemente visível) de uma
uma menor contribuição do azoto contido no determinada saída tal como uma chaminé ou
combustível. Os efeitos directos nocivos dos um respiradouro.
óxidos de azoto (designados por NOx nos
estudos sobre poluição) são uma irritação do
aparelho respiratório humano e a deterioração
das plantas. Os efeitos indirectos provêm do 7.3.13 Elevação dos Penachos
seu papel primordial na reacção fotoquímica Diferença entre o nível do ponto de emissão e
do nevoeiro e da sua contribuição para o o nível ao qual se elevam os poluentes
problema das chuvas ácidas. devido ao gradiente térmico ou à sua energia
cinética.
Nota: O protóxido de azoto não é
contabilizado com os óxidos de azoto. 7.3.14 Nevoeiro Industrial
No entanto, ele pode recombinar-se na Massa de ar sobre-saturada com vapor de
atmosfera para formar um deles. água e, contendo frequentemente poluentes
sólidos, líquidos ou gasosos industriais.
7.3.5 Hidrocarbonetos Clorofluoretados (CFC)
Gases compostos. por carbono, flúor, cloro e 7.3.15 Gases de Combustão
hidrogénio. São utilizados como agentes Gases resultantes de processos de
propulsores e refrigeradores, solventes, etc. combustão: da própria combustão (por
Pensa-se que eles modificam a camada de exemplo: óxidos de enxofre e de carbono),
ozono na estratosfera, permitindo assim à gases residuais resultantes do ar da
radiação solar mais nociva atingir a superfície combustão (óxidos de azoto) e ainda matérias
terrestre. sólidas arrastadas.

7.3.6 Aerossol 7.3.16 Efluentes Gasosos (Gases de Escape)


Partículas em suspensão coloidal num meio Gases lançados na atmosfera por instalações
gasoso, que têm uma velocidade de queda domésticas ou industriais e pelos veículos
desprezável. equipados com motores de explosão e de
combustão interna.
7.3.7 Fumo
Descarga de produtos gasosos, resultantes 7.3.17 Partícula
normalmente de uma combustão, que se Pequena fracção de matéria sólida ou líquida.
tornam visíveis devido às partículas sólidas e
líquidas que arrastam. 7.3.18 Gotícula
Pequena partícula de líquido, de dimensão e
7.3.8 Smog de densidade tais que cairia numa atmosfera
Termo inglês derivado de “smoke” (fumo) e de imóvel, mas que pode permanecer em
“fog” (nevoeiro) e que define uma poluição suspensão em condições de turbulência,
extensa da atmosfera por aerossóis, devido sobretudo numa gama de dimensões
em parte a fenómenos naturais e em parte às inferiores a 200 µm.
actividades humanas (ver também: “smog”
fotoquímico - 7.3.11). 7.3.19 Matéria Depositada
Partículas provenientes da atmosfera que se
7.3.9 Reacção Fotoquímica depositam rapidamente sobre o solo.
Reacção que pode ocorrer quando certas
substâncias são expostas a uma radiação 7.3.20 Matéria em Suspensão
actínica. Qualquer matéria em forma de partícula que
permaneça na atmosfera ou numa corrente
7.3.10 Oxidantes Fotoquímicos gasosa durante longos períodos, pelo facto
Produtos provenientes de reacções de a dimensão das partículas ser demasiado
fotoquímicas do monóxido de carbono e do pequena para poder ter uma velocidade de
óxido de azoto por influência da radiação queda significativa.
solar (radiação de curto comprimento de

72
7.3.26

7.3.21 Cinzas e Resíduos de Combustão não- 7.3.28 Catalisador (Conversor Catalítico)


-Queimados Dispositivo de incineração catalítica utilizado
Resíduos sólidos de combustão provenientes para reduzir os níveis de hidrocarbonetos, de
das impurezas minerais contidas no óxidos de carbono e de azoto dos gases de
combustível. Podem igualmente conter escape dos veículos com motores a gasolina.
combustível não queimado.

7.3.22 Cinzas Volantes Nota 1: Os aditivos com chumbo na gasolina


Matérias sólidas contidas nos fumos, nos são venenos particularmente fortes para
gases residuais ou nos vapores. os catalisadores. Os veículos equipados
com a actual geração de catalisadores
7.3.23 Poeiras utilizam gasolina sem chumbo.
Partículas sólidas que podem ser arrastadas Nota 2: Para reduzir os óxidos de azoto dos
por um gás no qual se encontram dispersas. gases de combustão das centrais
eléctricas, injecta-se, antes da entrada
7.3.24 Fuligem do catalisador, um produto de redução,
Partículas finas de carbono formadas durante por exemplo, o amoníaco (redução
uma combustão incompleta e depositadas catalítica selectiva).
antes da sua emissão.
7.3.29 Dessulfuração dos Gases de Combustão
7.3.25 Aditivos de Chumbo Processo destinado a eliminar os óxidos de
Aditivos antidetonantes utilizados nos enxofre dos gases provenientes da
motores a gasolina. São considerados como combustão de combustíveis sulfurosos, antes
fontes de poluição atmosférica. que sejam emitidos para a atmosfera.
Existem processos de dessulfuração a seco
7.3.26 Incineração ou húmida (lavagem), que também isolam,
Método de tratamento final de resíduos, que consoante o processo utilizado, outras
são destruídos pela queima. É um processo substâncias nocivas tais como o flúor e o
de combustão controlada que permite a cloro.
redução em volume que pode atingir os 90 %
dos valores iniciais e uma redução em peso 7.3.30 Desnitrificação
de cerca de 30 %. Normalmente as Processo destinado a reduzir os óxidos de
instalações de incineração são grandes e azoto dos gases produzidos pela combustão
complexas. O processo de incineração é de combustíveis fósseis, antes que sejam
considerado uma valorização ( energética ) emitidos para a atmosfera (ver também:
dos resíduos quando é possível a produção 7.3.28 - Catalisador).
de energia através da recuperação do calor,
resultante da combustão dos resíduos. 7.3.31 Lavagem
Os produtos e gases de combustão devem Processo utilizado na atmosfera ou na
ser sujeitos a um processo de tratamento depuração de um gás, mediante o qual os
adequado de modo a minimizar os potenciais componentes da corrente gasosa são
efeitos do impacte sobre o ambiente dos eliminados por contacto com uma superfície
diferentes elementos poluentes contidos: líquida sobre um forro húmido, sobre gotas
- nas cinzas e escórias de fundo e nas pulverizadas ou em ebulição, etc.
poeiras retidas pelo equipamento de
controlo das emissões atmosféricas (Ex.: 7.3.32 Inventário das Emissões
metais pesados e complexos Recolha de informações pormenorizadas
arganometálicos) sobre as emissões de poluentes atmosféricos
- nas emissões atmosféricas (o que inclui numa determinada zona.
as cinzas volantes) nomeadamente macro-
poluentes (partículas suspensas totais, 7.3.33 Altura Eficaz de uma Chaminé
óxidos de enxofre, óxidos de carbono, Altura utilizada para as necessidades do
óxidos de azoto e por vezes, ácido cálculo da dispersão dos gases emitidos por
clorídrico e ácido fluorídrico) e micro- uma chaminé, que difere da sua altura real de
poluentes, em quantidades vestigiais, uma quantidade que depende de factores tais
(Ex.: dioxinas, furanos, bifenils como a velocidade de saída, a temperatura
policlorados PCB, clorofluorcarbonetos dos gases, a impulsão de Arquimedes e a
CFC e hidrocarbonetos aromáticos velocidade do vento; ela pode ser afectada
policlínicos PAH) pela topografia.

7.3.27 Incineração Catalítica 7.3.34 Redução da Poluição Atmosférica pela


Processo de eliminação aplicado a resíduos Eliminação das Partículas em Suspensão
gasosos com fraca concentração de materiais A separação das partículas poluentes em
combustíveis e de ar. Metais nobres, tais suspensão na atmosfera efectua-se por
como a platina, o ródio e o paládio, são captação do fluxo de poeiras e pela retenção
utilizados como catalisadores. destas, graças a dispositivos que utilizam as
diferentes forças gravitacional, centrífuga,
magnética, electrostática e a difusão térmica.
Nota: A redução selectiva é outro processo Existem vários tipos de separadores.
catalítico.

73
7.3.37
Relação entre a quantidade de partículas
retidas por um separador e as que penetram
7.3.35 Separador Electrostático (Despoeirador nele (expressa geralmente em percentagem).
Electroestático/ Electrofiltro)
Dispositivo utilizado para captar a poeira em 7.3.41 “Mercaptans” (Tiois)
suspensão. As partículas arrastadas pelo gás Família de compostos orgânicos do enxofre
recebem uma carga eléctrica, as partículas com um cheiro desagradável e forte que
carregadas são captadas por eléctrodos persiste mesmo com uma fraca concentração
colectores e a remoção das partículas é no ar. São emitidos quando se dá a
efectuada por vibração ou batimento. decomposição da matéria orgânica, pelos
esgotos, pelas indústrias alimentares, pelas
7.3.36 Separador Húmido (Despoeirador Húmido) fábricas de papel ou instalações petrolíferas,
Dispositivo no qual as pequenas partículas etc.
são separadas do gás que as arrasta por
contacto directo com gotículas líquidas ou 7.3.42 Luta Contra os Cheiros
por adesão às paredes do separador. Os cheiros são uma das manifestações mais
evidentes da poluição atmosférica. Diversas
Nota: Existem vários tipos de separadores técnicas são utilizadas para impedir as fontes
húmidos: com pratos, de pulverização, de emissão de se transformarem numa fonte
do tipo venturi, etc. A sua principal de poluição.
vantagem é a de captarem
simultaneamente poeiras e poluentes
gasosos e o facto de poderem funcionar Nota: As instalações devem ser
com gases corrosivos inflamáveis ou concebidas de modo a reduzir à partida
explosivos. O seu principal os materiais com um cheiro potencial a
inconveniente é o grande consumo de níveis praticamente não detectáveis à
água com o risco de que a eliminação excepção dos materiais tóxicos inodoros
das lamas produzidas transforme o que, pelo contrário, se tornam odorantes
problema da poluição do ar num para permitir detectar as fugas (ver
problema de contaminação da água. Odorização - 9.6.29).

7.3.37 Separador de Filtros de Mangas 7.3.43 Síndroma de "Edifício Doente"


(Despoeirador de Sacos de Tecido Filtrante / É uma expressão que descreve as
Bag Filters) instalações onde, devido a uma combinação
Dispositivo no qual as partículas arrastadas de factores ambientais adversos e
por um gás são separadas pelo efeito atmosferas poluentes é insalubre trabalhar.
combinado do impacto, da difusão, da
intersecção, da sedimentação e do Nota: A infiltração de ar exterior poluído
peneiramento sobre um elemento filtrante. (por diversos poluentes, desde poeiras a
gases e vapores mais ou menos tóxicos)
no interior dos edifícios, associado a
Nota: Os materiais utilizados nos atmosferas interiores "pesadas" (fumo de
elementos filtrantes, mangas ou painéis, tabaco, cheiros etc.) e à inexistência de
são de grande importância pois sistemas eficientes de renovação e
constituem a componente mais condicionamento de ar, poderá conduzir
dispendiosa do sistema. São dois os ao síndroma do "edifício doente". Os
tipos de materiais mais utilizados: as sistemas de ar condicionado têm um
fibras sintéticas ou as fibras de vidro e papel preponderante, pelo que se torna
as fibras naturais (lã e algodão) que não indispensável uma eficiente manutenção
resistem a temperaturas elevadas. de modo a evitar-se que a qualidade do
ar se degrade.
7.3.38 Despoeirador Mecânico
Dispositivo que recorre aos mecanismos da 7.3.44 Bioma
gravidade, da inércia e da força centrífuga É um agrupamento de fisionomia homogénea,
para separar partículas dos gases que as sendo a unidade de comunidade terrestre
arrastam. Estes dispositivos são, mais ampla que convém conhecer. Entende-
principalmente, câmaras de decantação, se por uma área geográfica bastante grande e
despoeiradores com deflectores (chicana) ou a sua existência é controlada pelo
de impacto ou, ainda, ciclones. macroclima. Um exemplo de bioma é fornecido
pelo que era a pradaria americana no século
Nota: A sua utilização é geralmente passado, com as suas zonas cobertas de
reservada às fontes que emitem ervas a perder de vista, sem árvores, com
partículas de grandes dimensões. rebanhos de bisontes e seus índios. A
savana africana de acácias percorrida pelos
7.3.39 Impactador grandes herbívoros (girafas, antílopes,
Instrumento de amostragem para colher as zebras) e pelos leões é um outro exemplo de
partículas e os gases, baseado nos efeitos bioma. Na comunidade terrestre, os biomas
do impacto e da retenção. correspondem às principais formações
vegetais naturais.
7.3.40 Rendimento de um Separador

74
7.4.2
7.3.45 Ecótomo 7.4.6 Dose Geneticamente Significativa
Ás zonas de transição entre duas Parte da dose total recebida por uma
comunidades distintas, como por exemplo, determinada população (a partir de uma fonte
entre a floresta e a savana ou entre determinada) que pode ser suficientemente
comunidades de fundo rochoso e vasoso, dá- importante para ter efeitos de ordem genética.
se o nome de ecótomo. As zonas pantanosas
situadas entre uma zona alagada a as 7.4.7 Dose Total para uma População
formações terrestres circundantes e as Produto do número de indivíduos expostos a
formações arbustivas que marcam o limite uma fonte de radiações pela dose média por
entre a floresta e os campos, são exemplos eles absorvida.
de ecótomos. Neles, a fauna é mais rica e
mais abundante que as zonas adjacentes 7.4.8 Depósito Geológico
pois as espécies quase se misturam. Local subterrâneo de depósito final numa
formação estável tal como o sal, o granito,
etc. Geralmente, estes depósitos podem
7.4 Poluição Radioactiva, Acústica e armazenar resíduos contendo radiações alfa
Térmica ou de elevada radioactividade.

7.4.1 Resíduos Radioactivos 7.4.9 Nível Sonoro


Toda e qualquer matéria que contenha ou Logaritmo da relação entra a pressão
esteja contaminada por radionuclídeos cuja acústica efectiva e a pressão acústica de
concentração ou nível de radioactividade seja referência (limiar de audibilidade). Exprime-se
superior ao das “quantidades isentas”, em decibel.
definidas pelas autoridades competentes, e
cuja utilização não se prevê. Os resíduos 7.4.10 Luta Contra o Ruído
radioactivos são provenientes de centrais Acções empreendidas para reduzir o ruído,
nucleares e das instalações associadas de simultaneamente por métodos activos, tais
reprocessamento do combustível nuclear, como a diminuição do ruído na fonte e a
bem como de outras utilizações do material acção sobre os comportamentos humanos, e
radioactivo, como a utilização de por métodos passivos, tais como o
radionuclídeos em hospitais, centros de desenvolvimento de dispositivos de protecção
investigação ou na indústria, incluindo a e de materiais de isolamento acústico.
alimentar. Na indústria nuclear os resíduos
provêm de diversas operações, 7.4.11 Ecrã Anti-Ruído
nomeadamente da purificação do agente de Dispositivo geralmente fixado ao longo das
arrefecimento, da manutenção, das auto-estradas e vias ruidosas que diminui o
reparações e desclassificação da instalação; ruído do tráfego rodoviário no meio urbano.
outros resíduos importantes resultam da
extracção e da concentração do urânio e do 7.4.12 Calor Perdido (Efluente Térmico)
reprocessamento do combustível irradiado. Energia térmica não utilizada num processo
Os resíduos são usualmente classificados industrial que é emitida para o meio ambiente
em: de fraca actividade, de actividade média sob a forma de calor.
e de alta actividade.
7.4.13 Carga Térmica
7.4.2 Descarga de Efluentes Radioactivos Quantidade de calor perdido que é absorvido
Emissão controlada de materiais radioactivos pelas águas, pelo solo ou pela atmosfera.
para a atmosfera ou águas, resultante do
funcionamento de instalações nucleares. 7.4.14 Plano de Protecção Contra a Poluição
Térmica
7.4.3 Deposição Radioactiva Política de controlo eficiente de cargas
Deposição de substâncias radioactivas sobre térmicas, actuais e futuras, nas águas, nos
a superfície terrestre, devido à explosão de solos ou na atmosfera, com o objectivo de
um engenho nuclear ou à sua libertação salvaguardar o equilíbrio ecológico.
acidental.

7.4.4 Irradiação 7.5 Degradação dos Solos e Resíduos


Incidência provocada, ou acidental, de Sólidos
radiações sobre um organismo vivo ou um
material. A irradiação é o resultado de uma 7.5.1 Solos Contaminados
exposição a radiações. Solos impregnados de substâncias biológicas
ou químicas que necessitam de tratamento
7.4.5 Factor de Qualidade (Protecção Contra as para que possam ser utilizados em condições
Radiações) normais.
No cálculo das doses equivalentes, é o
produto dos factores correctivos pelo qual 7.5.2 Lixiviação
deve ser multiplicada a dose de radiação para Operação que consiste em fazer passar
avaliar os riscos radioactivos dos diferentes lentamente um solvente através de um
tipos de radiações ionizantes em função das produto pulverizado e depositado em camada
condições de exposição. espessa, para lhe extrair os constituintes
solúveis. Na Natureza, é a infiltração nos

75
7.5.4.1
solos de produtos solúveis sob a acção das clorados, constituindo substâncias
águas que circulam de cima para baixo. inicialmente utilizadas em óleos isolantes,
muito persistentes no ambiente, com alto grau
7.5.3 Descarga de Óleos Usados de bioacumulação e efeitos tóxicos muito
Resíduos oleosos de actividades de ordem significativos.
industrial ou doméstica descarregados no
meio natural que poluem gravemente. 7.5.5 Dioxinas
São substâncias invisíveis, inodoras e
bioacumuláveis, com elevado potencial de
Nota: Os óleos residuais poluem os cursos agressividade para a saúde pública quando
de água devido à sua lentidão de em forte concentração.
oxidação pelos mecanismos biológicos, As dioxinas englobam cerca de 220 diferentes
pelos aditivos tóxicos que podem conter substâncias químicas que têm o cloro como
e pela película impermeável que constituinte base.
constituem à superfície da água que
lhes reduz ou suprime as possibilidades Nota 1: As dioxinas são formadas sobretudo
de reoxigenação. nos processos de combustão. Em
situações naturais, as dioxinas
7.5.4 Metais Pesados encontram-se apenas em doses
Elementos, tais como o mercúrio, o chumbo, vestigiais, originadas pelos incêndios e
o selénio e o crómio, com uma massa atómica queima de madeira. Com a produção de
elevada. Neles se incluem também certos produtos químicos, pesticidas, a
frequentemente o arsénio, o berílio, o queima de resíduos, bem como os
manganésio, o zinco, o cobre, o níquel, o processos de fundição de metais e de
cádmio, o tálio, o vanádio e o cobalto. Estes produção de papel, estes compostos
elementos cuja utilização é comum nos são libertados em maior quantidade.
processos industriais são frequentemente
descarregados no ambiente. Têm efeitos Nota 2: As produções absolutas destes
tóxicos cumulativos quando são ingeridos por compostos são muito pequenas. Se, por
organismos vivos e podem conduzir a exemplo, no caso dos metais pesados,
doenças profissionais se houver exposição as concentrações se medem em
aos mesmos para além dos limites de miligramas (10-3 gramas) ou microgramas
exposição máxima recomendáveis. (10-6 gramas) por metro cúbico, no caso
das dioxinas a unidade é o nanograma
(10-9 gramas) ou mesmo picograma (10-12
7.5.4.1 Chumbo gramas).
O chumbo tem uma larga utilização industrial
e comercial, estando presente, para além da Nota 3: A principal forma de fixação das
gasolina (como aditivo o tetraetil de chumbo), dioxinas é por via alimentar - cerca de
em diversas canalizações, em contentores de 90 por cento provém do leite, da carne e
gases e líquidos corrosivos, em tintas, em do peixe.
baterias e pilhas, cerâmicas, plásticos e
instrumentos de electrónica. 7.5.6 Lamas
Resíduos sólidos acumulados provenientes
7.5.4.2 Níquel de diversas categorias de água, quer
Metal usado sobretudo no fabrico de moedas, húmidos, quer misturados com um elemento
baterias e catalisadores, bastante inflamável líquido, em consequência de processos
e com enorme perigo de explosão e incêndio. naturais ou artificiais.
7.5.4.3 Crómio 7.5.7 Tratamento Prévio de Resíduos
Elemento com uma utilização muito Classificação ou separação dos resíduos
generalizada, desde as anodizações de antes do seu depósito definitivo ou do seu
alumínio, até à indústria têxtil (tinturarias) e tratamento em instalações especiais.
de curtumes, passando pelas gráficas, tintas
e fotografias, podendo aparecer sob a forma 7.5.8 Tratamento Físico dos Resíduos
trivalente (Cd III) ou hexavalente (Cd VI). Integra vários métodos de separação de
fases e solidificação, mediante os quais os
7.5.4.4 Manganês resíduos nocivos se fixam numa matriz inerte
Elemento usado, sobretudo, na fabricação de e impermeável. A separação de fases inclui
aço, e como novo aditivo das gasolinas. as técnicas muito utilizadas de inundação,
secagem de lodos em camadas e o
7.5.4.5 Mercúrio armazenamento em tanques, flutuação do ar
Elemento usado em termómetros, barómetros e várias técnicas de filtragem e
ou em equipamentos electrónicos, em centrifugação, adsorção, vazio, destilação
superfícies espelhadas e na produção de extractiva e azeotrópica. Os processos de
alguns produtos químicos e pesticidas. fixação ou de solidificação (que converte os
resíduos em material insolúvel e duro) são
7.5.4.6 PCB e PCT utilizados geralmente como tratamento
Abreviatura da família de compostos anterior à sua descarga em descarregadores.
orgânicos dos policloretos bifenílicos e Estas técnicas consistem em tratar os
policloretos trifenílicos. São hidrocarbonetos

76
7.5.12
resíduos com vários reagentes, reacções de classificação pode ser feita no mesmo local
polimerização, ou misturar os resíduos com em que se produziu o resíduo ou em
aglomerantes orgânicos. instalações especiais para o seu tratamento.

7.5.9 Tratamento Biológico 7.5.16 Deposição de Resíduos


Tratamento dos resíduos em instalações Deposição terrestre dos resíduos, controlada
especializadas que consiste no recurso à ou não, à superfície ou em profundidade, em
acção de organismos vivos para eliminar a conformidade com diversas prescrições de
matéria orgânica. segurança, sanitárias, de protecção do
ambiente e outros.
7.5.10 Tratamento Químico dos Resíduos
Utilizam-se métodos de tratamento químico 7.5.17 Depósito de Resíduos Controlados (Aterro
para completar a desagregação dos resíduos Sanitário)
nocivos em gases inócuos e, mais Depósito controlado de resíduos no solo, em
frequentemente, para alterar as propriedades conformidade com diversas normas
químicas dos resíduos (por exemplo: reduzir ambientais e devidamente licenciado para o
a solubilidade da água ou neutralizar a acidez efeito.
ou a alcalinidade).
7.5.18 Acondicionamento e Tratamento dos Resí-
7.5.11 Tratamento Térmico dos Resíduos duos
Oxidação a alta temperatura dos resíduos Operação que consiste em dar aos resíduos
perigosos, gasosos, líquidos ou sólidos, que uma forma adaptada ao seu transporte, e/ou
são transformados em gás e em resíduos armazenamento, e/ou colocação definitiva
sólidos incombustíveis. Os fumos são num depósito (ou reciclagem).
evacuados para a atmosfera (por vezes após
a recuperação do calor e por vezes depois de 7.5.19 Compostagem
uma purificação) e as escórias ou cinzas, É um processo de reciclagem dos resíduos
quando existem, são descarregadas. Os que envolve a separação e conversão
principais sistemas utilizados na incineração biológica dos resíduos sólidos orgânicos. O
dos resíduos perigosos são o forno rotativo, composto é o resultado da separação da
a injecção de líquidos, as grelhas de matéria orgânica de materiais não
incineração, os incineradores de câmaras biodegradáveis, ou dificilmente degradáveis,
múltiplas e os fornos de leito fluidificado. Os como plástico, metais, vidro e borracha
resíduos da incineração podem por vezes existentes nos resíduos urbanos e posterior
considerar-se como perigosos. A sua degradação por processos de fermentação
incineração pode ser feita em terra firme ou aeróbia.
no mar. A energia térmica por ela libertada
pode ser utilizada para a produção de vapor, Nota 1: Consiste essencialmente no
de água quente ou de energia eléctrica. tratamento bioquímico aeróbio dos
resíduos: os sistemas enzimáticos dos
7.5.12 Concentração de Resíduos microorganismos decompõem os
Retenção das substâncias perigosas de resíduos orgânicos com oxidação
forma a que seja evitada a sua dispersão no biológica, o que dá lugar à produção de
ambiente ou que tal dispersão se verifique matérias orgânicas estáveis e de
apenas a um nível aceitável. Esta matérias minerais inorgânicas. O produto
concentração deve apenas ser realizada em final é uma matéria húmida com 40 % a
locais especialmente construídos para esse 50 % de humidade (composto), e que,
efeito. devido ao seu teor de substâncias
húmidas e de nutrientes, pode ser
7.5.13 Barreira Natural ou Artificial utilizada para enriquecer os solos.
Obstáculo que atenua ou impede a migração
de materiais para os armazenamentos de Nota 2: As operações de compostagem
resíduos ou a partir destes. A instalação envolvem três processos principais:
pode constar de várias barreiras.
1º Preparação de Resíduos Urbanos
7.5.14 Material Amortecedor (RU): selecção; separação; redução
Substância, frequentemente argila natural, do tamanho; mistura; adição de
colocada em torno dos contentores de nutrientes;
resíduos num depósito. Habitualmente, a 2º Decomposição dos RU: fermentação
principal finalidade do material referido é a de aeróbica da matéria orgânica
servir como barreira adicional para evitar que biodegradável composta por 4 fases:
a água entre em contacto com o contentor e, (I) mesófila- aumento da temperatura
por adsorção, diminuir o risco de que os até 40 ºC permitindo a degradação
radionuclídeos passem dos resíduos para o dos compostos mais simples; (II)
depósito. termófila- aumento de temperatura
até 70 ºC permitindo a degradação de
7.5.15 Classificação dos Resíduos compostos mais complexos e a
Separação dos resíduos consoante os seus mortalidade dos organismos
componentes distintos de acordo com as patogénicos; (III) arrefecimento
suas propriedades físicas ou químicas. A diminuição da temperatura até 50 ºC

77
7.5.22
a 60 ºC havendo a degradação das
lenhinas e das celuloses e (IV) 7.5.26 Desflorestação
maturação - estabilização do É o processo de abate de árvores cujo
composto número não é reposto. A desflorestação, em
3º Preparação do produto e sua grandes extensões, tem um impacto
comercialização. profundo em problemas de ambiente global,
como poluição atmosférica e aquecimento
7.5.20 Subsidência global.
Modificação da superfície do solo (geralmente
aluimento ou afundamento) como 7.5.27 Desertificação
consequência de actividades mineiras ou da É o processo através do qual a terra fértil se
extracção de produtos energéticas tais como transforma em deserto e que ocorre quando
o carvão, o petróleo, o gás natural ou os se torna, pelo menos, 10 % menos produtiva
fluidos geotérmicos. do que era em termos de agricultura.
Normalmente ocorre em resultado de
7.5.21 Sismos Provocados pelo Homem modificações no padrão de chuvas. Mas a
Movimentos sísmicos resultantes da acção humana pode também ser responsável
intervenção humana na crusta terrestre - com o abate de árvores , por exemplo.
quando têm lugar actividades mineiras tais
como a extracção de carvão, de petróleo, de
gás natural ou o aproveitamento de energia 7.6 Poluição das Águas
geotérmica.
7.6.1 Tratamento das Águas Poluídas
Tratamento que permite eliminar os principais
Nota: Estes sismos antropogéneos são poluentes contidos nas águas poluídas
geralmente desencadeados pela (partículas sólidas em suspensão, óleos e
alteração das tensões numa parte da gorduras, matérias orgânicas, metais
crusta terrestre; o estado das tensões dissolvidos e produtos tóxicos). A colheita e
antes da intervenção tem um papel o tratamento dessas águas são efectuados
essencial. Numa zona de grande em redes e instalações que variam com o tipo
actividade sísmica natural, podem ser e o nível de poluição.
desencadeados sismos antropogéneos
mais violentos do que noutra em que não 7.6.2 Turvação
se tenha verificado qualquer actividade Redução da transparência de um líquido,
sísmica. Até agora, observaram-se devido à presença de matéria dissolvida ou
movimentos sísmicos devidos ao não.
emprego de explosivos para fracturação
de rochas, ao afundamento de galerias 7.6.3 Eliminação de Nutrientes
mineiras, na vizinhança de barragens e Processos biológicos, físicos e químicos
ainda por descarga sob pressão de utilizados nos tratamentos das águas e das
águas residuais em rochas fissuradas. águas residuais, sobretudo para eliminar
Julga-se também que a extracção de compostos azotados ou fosforados.
fluido geotérmico pode ter efeitos 7.6.4 Eutrofização
sísmicos, sem que haja uma certeza Enriquecimento da água, doce ou salgada,
acerca disso. por meio de nutrientes especialmente
compostos de azoto ou de fósforo, que
7.5.22 Revalorização de um Terreno aceleram o crescimento de algas e de formas
Reconversão dos terrenos (solo e água), mais desenvolvidas da vida vegetal.
após a sua utilização para fins energéticos,
com vista a uma exploração agrícola ou 7.6.5 Oligotrofia
florestal, ao aproveitamento das águas ou a Qualificação atribuída a massas de água
qualquer outra finalidade. Esta reconversão pobres em matérias nutritivas que contêm
inclui, nomeadamente, as operações de numerosas espécies de organismos aquáticos
regularização dos terrenos e posterior (cada uma delas em quantidade relativamente
transformação em terras de cultivo. pequena). Estas massas de água
caracterizam-se por uma grande
7.5.23 Regularização de um Terreno transparência, um importante teor de oxigénio
(Arroteamento) na sua camada superior e por sedimentos
Medidas tomadas com vista a tornar aptos geralmente de cor parda contendo poucas
para cultivo os terrenos (solo e água) matérias orgânicas.
previamente utilizados para fins energéticos.
7.6.6 Mesotrofia (Água Mesotrófica)
7.5.24 Recultivação de um Terreno Água num estado nutritivo intermédio que se
Conjunto de medidas tomadas no sentido se apresenta naturalmente ou é devida a um
assegurar uma produção agrícola duradoura enriquecimento nutritivo entre os estados
nos terrenos reconvertidos. oligotrófico ou eutrófico.
7.5.25 Aterro 7.6.7 Oxigénio Dissolvido (OD)
Operação de terraplenagem que consiste em Quantidade de oxigénio gasoso presente na
encher as partes vazias de uma formação água, expressa em proporção do volume da
com os resíduos que aí se colocam.

78
7.6.14
água (mg/l) ou quantidade de oxigénio na de petróleo bruto ou de produtos petrolíferos
água saturada (%). A diluição do oxigénio provenientes quer da descarga ou das
depende em grande parte da temperatura e da bancas de um navio, quer ainda de uma
salinidade da água. erupção de um poço submarino.

7.6.8 Carência Química de Oxigénio (CQO) 7.6.17 “Mousse” de Chocolate


Concentração em massa de oxigénio Espuma negra formada pela emulsão de água
equivalente à quantidade de dicromato do mar no petróleo bruto espalhado à
consumida pelas matérias dissolvidas ou em superfície do mar e que, quando se deposita
suspensão quando se trata uma amostra de na costa, é de difícil limpeza.
água com este oxidante em condições
definidas. 7.6.18 Lençol de Petróleo
Quando se produz uma descarga, o petróleo
7.6.9 Carência Bioquímica de Oxigénio (CBO) espalha-se à superfície da água formando um
Concentração em massa do oxigénio lençol que deriva sob a influência do vento,
dissolvido consumido em condições definidas das ondas e das correntes. Se não atingir a
pela oxidação biológica das matérias costa acabará por desaparecer naturalmente
orgânicas e/ou inorgânicas contidas na água. pela acção de processos de evaporação, de
dispersão e de biodegradação.
7.6.10 Depósito ou Sedimento Bêntico
Acumulação, no leito de um curso de água ou 7.6.19 Derramamento de Petróleo
no fundo de um lago ou do mar, de depósitos Fuga acidental de petróleo ou de um produto
que podem conter matérias orgânicas. Este petrolífero de um reservatório, de um
fenómeno tem a sua origem na erosão oleoduto, de um navio ou de um poço no mar.
natural, na actividade biológica ou na
descarga de águas residuais. 7.6.20 Afundamento de Lençóis
Absorção dos hidrocarbonetos espalhados à
7.6.11 Águas Residuais superfície do mar por substâncias sólidas tais
Águas descarregadas após uso doméstico, como a cal, o giz, a areia, as cinzas, o
comercial ou industrial e também águas cimento, etc., com o objectivo de os tornar
poluídas da chuva provenientes de zonas mais pesados e os precipitar no fundo.
habitadas.
7.6.21 Absorvente
7.6.12 Água Reciclada Produto destinado a absorver hidrocarbonetos
Água que, num processo, se reintroduz nele, espalhados à superfície da água e a facilitar
depois da sua utilização e de um eventual a sua recolha.
tratamento.
7.6.22 Dispersante
7.6.13 Redes Públicas de Saneamento Produto tensioactivo que, espalhado sobre
Redes de esgotos administrados pelas um lençol de hidrocarbonetos, provoca a
autoridades nacionais, federais ou locais, formação de gotículas de diferentes
pelas colectividades, pelos serviços de tamanhos, de forma a que uma parte dos
saneamento básico ou pelas associações hidrocarbonetos é dispersa e a outra
responsáveis pela recolha, pela evacuação e emulsionada; deve ser inofensivo para a
pela purificação das águas residuais fauna e para a flora marítima e litoral.
domésticas e industriais.
7.6.23 Eliminador da Emulsão
7.6.14 Descarga no Mar Produto utilizado contra a “mousse” de
As descargas podem ser intencionais ou chocolate que, quando é bombado à
acidentais. superfície do mar, se estabiliza nas cisternas
− Descargas intencionais ou operacionais: de armazenamento e não pode ser evacuado.
hidrocarbonetos provenientes da água de
deslastragem dos petroleiros, lamas de 7.6.24 Agente Repelente
perfuração após suas utilizações, Produto que, espalhado nas imediações de
resíduos de indústrias químicas, etc. um lençol de hidrocarbonetos, impede este
− Descargas acidentais: associadas a uma último de se propagar sobre as águas.
falsa manobra ou a um acidente durante o
transporte ou a exploração dos 7.6.25 Navio Despoluidor
hidrocarbonetos. Navio concebido e equipado para a luta
contra a poluição. Dispõe normalmente de um
7.6.15 Deslastragem dispositivo de recolha de macrodetritos, de
Descarga das águas de lavagem das instalações de recuperação de
cisternas de navios petroleiros. Quando é hidrocarbonetos com evacuação da água
efectuada no mar esta descarga está despoluída e de aparelhos para espalhar os
regulamentada para evitar toda e qualquer dispersantes.
poluição.
7.6.26 Coagulação Química
7.6.16 Maré Negra Processo que consiste em juntar um produto
Aproximação da costa, trazida pela maré e químico (o coagulante) destinado a
flutuando sobre a água, de um vasto lençol desestabilizar as matérias coloidais dispersas

79
7.6.34
e a favorecer a sua agregação sob a forma a protecção das zonas sensíveis e facilita a
de flocos. recuperação do lençol.

7.6.27 Lagunagem 7.6.37 Carregamento sobre Resíduos


Operação destinada a fornecer um Processo que consiste em guardar a bordo de
complemento de depuração às águas um navio petroleiro os resíduos de lavagem
residuais, retendo-as durante algumas horas das cisternas e a carregar por cima destes a
a alguma dias num tanque pouco profundo. A nova carga. Os resíduos são então
depuração efectua-se por decantação e misturados com o petróleo da carga e
acção do ar. descarregados com ele, em vez de serem
deitados para o mar.
7.6.28 Sólidos em Suspensão
Sólidos recuperados por filtração ou 7.6.38 MARPOL
centrifugação em condições definidas. Convenção internacional adoptada na
conferência de Londres em 1973, para a
7.6.29 Lama Activada prevenção e a redução da poluição do mar
Massa biológica acumulada (floco) produzida causada pelos navios.
no decurso do tratamento das águas Esta convenção é a sucessora da convenção
residuais, devido ao crescimento de bactérias do ano de 1945 (OILPOL 45), sobre a
e de outros microrganismos em presença de prevenção da poluição marítima devida aos
oxigénio dissolvido. hidrocarbonetos. Cobre todos os aspectos da
poluição acidental, não apenas a que se deve
7.6.30 Lamas de Drenagem aos hidrocarbonetos, mas também aquela
Lamas provenientes da dragagem dos rios, da cuja origem se encontra em substâncias
foz, das zonas portuárias ou costeiras. líquidas nocivas (cerca de 250) transportadas
em contentores (barris ou cisternas), ou nas
7.6.31 Recuperador Mecânico águas residuais e nos fixos.
Aparelho destinado a recuperar
hidrocarbonetos espalhados à superfície da 7.6.39 Seguro de Poluição Marítima
água. Existem diversos tipos de O seguro contra o risco de poluição marítima
recuperadores. é feito pelas companhias petrolíferas e pelos
próprios armadores, no quadro das diversas
7.6.32 Recuperador de Discos estruturas existentes.
Recuperador constituído por discos verticais,
em metal ou plástico que rodam em torno de 7.6.40 CRISTAL (Contract Regarding an Interim
um eixo à superfície da água. Os Supplement to Tanker Liability for Oil
hidrocarbonetos aderem ao disco, que é limpo Pollution)
por uma escova fixa, e são recuperados por Fundo mútuo de indemnização destinado ao
bombagem. financiamento complementar das
indemnizações que as vítimas da poluição
7.6.33 Recuperador com Descarregadores possam receber do armador responsável.
Recuperador equipado com um descarregador
de imersão regulável que limpa a camada de 7.6.41 TOVALOP (Tanker Owners Voluntary
hidrocarbonetos que de seguida é bombada Agreement concerning Liability for Oil
com uma certa quantidade de água. Pollution)
Contratos entre armadores mediante os quais
7.6.34 Recuperador de Fitas estes se comprometem, no caso de derrame
Existem dois tipos de recuperadores de fitas: acidental de petróleo transportado ou de uma
1) o recuperador de fita transportadora ameaça desse fenómeno, a tomar todas as
destinado a dirigir os hidrocarbonetos para medidas para impedir ou limitar a poluição das
uma unidade de armazenamento; e 2) o costas e a reembolsar os Estados atingidos
recuperador de fita absorvente que realiza a das despesas ocasionais por operações de
mesma função retendo uma quantidade prevenção ou de limpeza, por eles
superior de hidrocarbonetos que liberta empreendidas.
quando passa por um dispositivo de
secagem. 7.6.42 OPOL (Offshore Pollution Liability
Agreement)
7.6.35 Recuperador de Vórtice Plano que garante, nos países do Mar do
Recuperador que cria um vórtice que lhe Norte, uma responsabilidade financeira global
permite acumular num só ponto o volume de do operador em cada acidente que provoque
hidrocarbonetos inicialmente disperso numa poluição marítima.
fina camada, de modo a recolhê-la facilmente
por bombagem.

7.6.36 Barragem Flutuante


Barragem geralmente constituída por uma
saia em plástico flexível e por flutuadores,
destinada a impedir o alastramento do lençol
de hidrocarbonetos. Permite simultaneamente

80
Secção 8

COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS
___________________________________________________

8.1 Classificação dos Combustíveis

8.2 Jazigos

8.3 Exploração

8.4 Preparação e Valorização

8.5 Características

8.6 Armazenagem

COMBUSTÍVEIS
SÓLIDOS

81
8.1.1

Diversos sistemas de classificação dos


carvões foram concebidos por diferentes
Os combustíveis sólidos, líquidos e gasosos são organizações, quer com uma finalidade
obtidos principalmente a partir de energias fósseis científica quer comercial. A maioria dos
brutas. As noções relativas à geologia, à investigação sistemas é baseada sobre dois ou mais
ou pesquisa e à prospecção, assim como a descrição parâmetros definindo o grau de
das reservas, são muito semelhantes para todos incarbonização. Os sistemas utilizados
estes tipos de combustíveis. Por esta razão, elas diferenciam-se entre si pela escolha dos
são, tal como outros conceitos fundamentais, parâmetros e dos valores limite que
minerais, físicos e químicos, tratadas na Secção 1 – estabelecem a distinção dos tipos de carvão.
Termos Gerais sobre Energia. A classificação mais tradicional é a que divide
Por outro lado, um certo número de outros conceitos, os carvões em turfa, lenhite, carvões
tratados nas secções relativas aos combustíveis betuminosos (hulhas) e antracite.
sólidos, líquidos e gasosos, podem ser aplicados a
outros tipos de combustíveis. Nota: Para o conhecimento pormenorizado dos
Para outros conceitos ligados à utilização dos diferentes sistemas deve recorrer-se a
combustíveis sólidos, sempre que possível, as obras especializadas.
respectivas referências foram feitas nos capítulos
relativos aos usos da energia, à utilização racional da 8.1.4 Combustível Bruto
energia ou ao ambiente. Assim, para os diferentes Combustível considerado imediatamente a
tipos de combustíveis, os conceitos correspondentes seguir à sua extracção, antes de qualquer
são enunciados ou reagrupados na secção apropriada. tratamento ulterior.
Para a exploração de jazigos de combustíveis sólidos,
distingue-se a diferença entre exploração a céu aberto 8.1.5 Carvão
e exploração subterrânea. Para cada um destes Sedimento fóssil orgânico, sólido,
métodos de exploração foram desenvolvidos combustível, negro, formado de restos de
processos e equipamentos especiais. Por isso, na vegetais e solidificado por baixo de camadas
apresentação do capítulo 8.3 - Exploração, da geológicas.
presente Secção, foi desenvolvida uma terminologia
específica, muitas vezes ligada à tradição e à 8.1.6 Tipos de Carvão
experiência. Subdivisão do carvão em diferentes tipos de
acordo com o grau de incarbonização (ver
8.1 Classificação dos Combustíveis 8.1.2).
8.1.1 Carbonização 8.1.7 Carvão de Pedra (Hard coal)
Processo segundo o qual a matéria vegetal Designação, segundo a Classificação
inicialmente depositada e estratificada é Internacional, atribuída ao conjunto dos
transformada, a partir da turfa de lignite, em carvões de grau superior (Antracites) e de
carvão de grau inferior (brown coal) até grau médio (Carvões Betuminosos), com
carvão de grau superior (hard coal). poder calorífico superior, calculado na base
“húmido, sem cinzas” igual ou superior a 24
Nota: O processo caracteriza-se por um MJ/kg.
aumento relativo do conteúdo de
carbono e uma redução de conteúdo de 8.1.8 Antracite
água e de oxigénio. Com o aumento da Carvão de grau superior, com máximo grau de
carbonização, diminui o conteúdo de incarbonização, cujos constituintes não
voláteis. fundem quando aquecidos, caracterizado por
elevado teor de carbono (entre 92 % a 96 %
8.1.2 Grau de Incarbonização de carbono fixo, calculado na base “seca sem
Estágio atingido pelo carvão no decurso da matéria mineral”) e baixo teor de voláteis (<10
incarbornização, alcançado por um % de matéria volátil, calculado na base “seca”
determinado material carbonífero, resultante sem matéria mineral), possuindo brilho semi-
da metamorfose dos restos das plantas metálico e apresentando um valor médio do
originais, desde a sua deposição. Os poder reflector da vitrinite > 2 % sob imersão
materiais que sofreram a evolução menos de óleo (8.5.10).
acentuada são qualificados como
combustíveis sólidos de baixo grau de 8.1.9 Carvão Betuminoso (Hulha)
incarbonização; os que sofreram uma Sedimento fóssil, orgânico, sólido,
evolução mais acentuada são qualificados combustível, negro, com um poder calorífico
como combustíveis sólidos de alto grau de superior acima de 24 MJ/kg, considerando a
incarbonização. A maior parte das substância sem cinzas e com um teor de
propriedades do carvão é função do seu grau água que é o estabelecido a uma
de incarbonização. Existe uma graduação temperatura de 30 ºC e uma humidade relativa
contínua entre o grau menor (turfa) e o mais do ar de 96 % e teor de matérias voláteis
elevado (antracite). A nomenclatura e os variável numa banda entre 10 % e 50 %
parâmetros utilizados para expressar as calculado na base “seca sem matéria mineral”
diferenças no grau de incarbonização variam e com um valor médio do poder reflector da
internacionalmente. vitrinite > a 0,6 % sob imersão de óleo
(8.5.7).
8.1.3 Classificação do Carvão

83
Usualmente os carvões betuminosos são
classificados em três grupos, quanto ao teor 8.1.16 Carvão Bruto
de voláteis: Baixo teor de voláteis (entre 9 Carvão não triado ou seleccionado.
%e
20 %), Médio (entre 20 % e 32 %) e Alto teor 8.1.17 Produto Tratado
de voláteis (entre 32 % e 49 %). Produto obtido a partir do combustível bruto,
por meio de processos de tratamento .
Nota: Considerando as dificuldades existentes na
delimitação entre carvões betuminosos e 8.1.18 Carvão Preparado
lignites, definidos em 8.1.10, podem ser Produto obtido a partir do carvão bruto que,
aplicadas as seguintes reacções de por processos de preparação tais como
identificação: classificação por calibragem, escolha,
Traço sobre uma folha de papel: preto. selecção, limpeza, tratamentos mecânicos,
Reacção ao ácido húmido com KOH: incolor, britagem, secagem e mistura, foi convertido
amarelo vinoso ou esverdeado, não em carvão apropriado para uma aplicação
avermelhado. específica.
Reacção à lignina com HNO3: nenhuma
coloração. 8.1.19 Carvão Classificado (Carvão Calibrado)
Carvão pertencente a uma determinada
8.1.10 Lignite classe granulométrica (ver 8.4.12).
Sedimento fóssil orgânico, combustível,
castanho a preto, com um poder calorífico 8.1.20 Carvão Seleccionado (Carvão Purificado)
superior abaixo de 24 MJ/kg, considerando a Carvão preparado contendo quantidades
substância sem cinzas, e com um conteúdo mínimas de impurezas (cinzas, enxofre) (ver
de água referido a uma temperatura de 30 ºC 8.4.9).
e uma humidade relativa do ar de 96 %, e
contendo alto teor de matéria volátil > 40 %, 8.1.21 Carvão Lavado
calculado na base “seca sem matéria mineral” Produto final enriquecido em carvão puro,
e com um valor médio do poder reflector da resultante de limpeza mecânica por via seca
vitrinite < 0,6 % sob imersão de óleo (8.5.7.). ou húmida.

8.1.22 Mistos
Nota: Considerando as dificuldades existentes na Produto da preparação do carvão, que devido
delimitação entre carvões e lignites, podem ao seu conteúdo em cinzas é de pobre
ser aplicadas as seguintes reacções de qualidade para ser comercializado, mas que
identificação: ainda contém demasiada matéria combustível
Traço sobre uma folha de papel: de castanho para ser depositado.
claro a castanho escuro.
Reacção ao ácido húmido com KHO: 8.1.23 Carvão de Qualidade Superior
coloração castanha. Carvão com um baixo teor de produtos de má
Reacção à lignina com HNO3: coloração de qualidade (estes são a soma do teor de água
laranja a avermelhada. e do teor de cinzas do carvão húmido).
8.1.11 Turfa 8.1.24 Carvão de Má Qualidade
Sedimento fóssil de origem vegetal, poroso ou Carvão com um teor mais elevado de
compacto, combustível, com um elevado teor produtos de má qualidade do que o carvão de
de água (até cerca de 90 % no estado bruto), qualidade.
facilmente riscável, de cor castanha claro a
castanho escuro. 8.1.25 Aglomerados (Briquetes, Bolas)
Combustível moído obtido por compressão,
8.1.12 Madeira após preparação preliminar de um
(ver 15.3.11). combustível de fina granulometria,
eventualmente misturado com um
8.1.13 Carvão de Madeira aglomerante. A dimensão dos aglomerados
(ver 15.3.10). assim como a sua granulometria podem ser
variáveis em função da sua utilização.
8.1.14 Resíduos Sólidos
Todos os resíduos sólidos provenientes dos 8.1.26 Coque
sectores doméstico e terciário, das Combustível sólido obtido a partir do carvão
instalações públicas, da indústria, etc. por pirólise, na ausência de ar.

Nota: Os resíduos da produção que podem ser 8.1.27 Coque de Alta Temperatura
reutilizados ou utilizados com finalidades Resíduo sólido obtido a partir da
térmicas são considerados como produtos coquefacção de carvões a temperaturas
residuais. superiores a 1000 ºC ou de lignites a
temperaturas superiores a 900 ºC.
8.1.15 Carvão Bruto Extraído 8.1.28 Coque de Baixa Temperatura (Semi-Coque)
Carvão bruto extraído do jazigo incluindo as Coque obtido por coquefacção de carvões a
diferentes impurezas e resíduos presentes temperaturas de 400 ºC a 600 ºC ou de turfa a
durante a extracção. temperaturas de 350 ºC a 550 ºC.

84
8.1.29

O nível do leito é a particularidade do terreno,


8.1.29 Coque Moldado encontrando-se a granulometria fina da
Coque obtido a partir de aglomerados de camada entre duas camadas pedregosas de
carvão. grão grosso.

8.1.30 Coque de Petróleo Nota: Um dado leito pode ser representado


Resíduo sólido, com elevado conteúdo em localmente por um nível do leito.
carbono, resultante da decomposição térmica
dos resíduos da refinação do petróleo. 8.2.3 Inclinação
Ângulo de inclinação de uma superfície, por
8.1.31 Lignite Pulverizada exemplo, a superfície de um leito, medido em
Combustível sob a forma pulverizada utilizado relação ao plano horizontal.
em sistemas fechados. Obtém-se por
secagem e trituração fina da lignite. 8.2.4 Direcção
Eixo de delimitação de uma superfície natural,
8.1.32 Aglomerado de Lignite por exemplo a superfície de uma camada, em
Combustível em pedaços obtido a partir da relação ao plano horizontal.
lignite parcialmente seca, sem produto
aglomerante. 8.2.5 Tecto
Camada geológica situada imediatamente
8.1.33 Lignite para Leite Fluidificado acima do leito.
Combustível granulado para utilização nas
fornalhas de leito fluidificado, obtido em 8.2.6 Muro
sistemas fechados de tratamento e secagem Camada geológica situada imediatamente
da lignite. abaixo do leito.
8.1.34 Combustível sem Fumo 8.2.7 Ângulo de Talude
Combustível cujas propriedades naturais ou Terreno de uma camada rochosa (em
resultantes de tratamento apenas emite, nos particular num jazigo) de tal forma que as
produtos de combustão (fumos), quantidades superfícies de delimitação se aproximam ou
diminutas de matérias visíveis sólidas ou se confundem.
líquidas (por exemplo: cinza, fuligem,
alcatrão). 8.2.8 Superfície de Separação
Zona da superfície terrestre vizinha de um
8.1.35 Carvão para Produção de Vapor (Steam Coal jazigo ou de uma parte de jazigo.
– Carvão Térmico)
Carvão adequado para ser utilizado em 8.2.9 Afloramento
centrais termoeléctricas e, de um modo geral, Superfície de intersecção de um jazigo ou de
em processos de produção de calor. uma parte de um jazigo com a superfície
terrestre ou com uma camada sobreposta.
8.1.36 Carvão de Coque (Carvão Metalúrgico)
Carvão utilizável nas coquerias, para a 8.2.10 Jazigo
produção de coque. Um jazigo é o conjunto de camadas de carvão
com um teor variável e sem delimitação
8.1.37 Carvão Utilizável precisa, que frequentemente faz aparecer um
Reserva de carvão bruto à qual se retira a elevado teor de carvão relativamente às suas
quantidade de resíduos bem como as perdas dimensões.
que ocorrem durante a extracção, o
transporte e o tratamento. 8.2.11 Bancada
Camada com a mesma natureza, a mesma
8.1.38 Extracção Utilizável consistência geomecânica ou a mesma
Conceito utilizado para exprimir a quantidade estrutura num corpo de um jazigo. Por
de carvão de alta qualidade e de carvão de exemplo, bancada de carvão ou de areia.
má qualidade, considerando o teor de cinzas
e de água. 8.2.12 Intercalação de Estéril
Camada ou incorporação rochosa de volume
Nota: Utilizam-se diferentes processos de cálculo reduzido que aparece no leito ou entre os
consoante os países e as zonas de leitos.
extracção.
8.2.13 Intercalação
8.2 Jazigos Placa de associação de minerais diferentes
com a substância carbonífera,
8.2.1 Leito (Camada) independentemente da sua relação volúmica.
8.2.16 Formação geológica
rica em carvão. 8.2.14 Terreno Encaixante
Encontra- -se geralmente compreendida entre Formações não carbonosas que limitam as
superfícies de terreno encaixante camadas de carvão ou os complexos de
sensivelmente paralelas. camadas.
8.2.2 Nível do Leito 8.2.15 Xistos de Lavaria (Estéreis)

85
Materiais pedregosos existentes ou extraídos A classificação dos jazigos exploráveis,
de uma parte de um jazigo. condicionalmente exploráveis e dos jazigos
8.2.16 Terrenos de Cobertura (Terrenos Mortos) não exploráveis orienta-se segundo as
Conjunto de terrenos de materiais brutos condições de avaliação do momento. Devem
economicamente exploráveis situados acima ser indicados os critérios de classificação.
do jazigo.
8.3 Exploração
8.2.17 Espessura Explorável
Espessura de um corpo de jazigo que pode 8.3.1 Termos Gerais
ser, que foi explorada ou cuja exploração é
possível. 8.3.1.1 Mina
Conjunto das instalações utilizadas para a
8.2.18 Relação entre os Terrenos de Cobertura e o exploração subterrânea ou a céu aberto de
Carvão numa Exploração de Lignite um jazigo.
Relação entre a espessura vertical das terras
de cobertura e das camadas intermédias e a 8.3.1.2 Exploração de Desmonte
espessura vertical do leito ou dos leitos. A Instalação e disposição para a exploração de
espessura explorável do carvão é igual a um. um leito num maciço.

8.2.19 Relação entre os Terrenos de Cobertura e o 8.3.1.3 Desmonte


Carvão Arranque do conteúdo dos leitos em relação
Relação de uma quantidade de terrenos de ao maciço.
cobertura (em metros cúbicos) e a quantidade
de carvão explorável ou a explorar (em 8.3.1.4 Transporte (Extracção)
metros cúbicos) para uma exploração a céu Termo genérico que designa a deslocação
aberto. dos produtos abatidos na mina. Os dados
estatísticos devem ser acompanhados da
8.2.20 Reserva Geológica Total (Reserva indicação dos limites correspondentes da
Geológica) operação.
Volume (em metros cúbicos) ou massa (em
toneladas) de materiais úteis ou de rocha de 8.3.1.5 Dias de Extracção
um jazigo ou numa parte de um jazigo. Dias de trabalho em que a extracção funciona
Critério: devem ser indicados o período de efectivamente.
tempo e a zona das reservas. As reservas
dividem-se segundo o seu grau de exploração 8.3.1.6 Maciço de Protecção
em: reservas provadas, reservas prováveis, Nome dado a toda a parte do jazigo que não é
reservas possíveis e reservas estimadas. explorada por razões de segurança na mina
ou nas suas instalações de superfície. Os
8.2.21 Reservas Provadas maciços de protecção podem ser temporários
Reservas cujo volume ou massa estão ou permanentes.
provados dentro de uma margem de erro de
mais ou menos 10 %, segundo um grau de 8.3.1.7 Direcção de Exploração
exploração com uma segurança de previsão Direcção segundo a qual progridem os
de 90 %. trabalhos de exploração de um jazigo.

8.2.22 Reservas Prováveis 8.3.1.8 Direcção do Avanço


Reservas cujo volume ou massa estão Direcção segundo a qual a frente de
provados dentro de uma margem de erro de desmonte é atacada pelas máquinas
mais ou menos 20 %, segundo um grau de escavadoras.
exploração com uma segurança de previsão
de 90 %. 8.3.2 Exploração a Céu Aberto

8.2.23 Reservas Possíveis 8.3.2.1 Exploração a Céu Aberto (Exploração a


Reservas cujo volume ou massa são Descoberto)
indicados dentro de uma margem de erro Exploração ao ar livre de um jazigo aflorante
compreendida entre mais ou menos 30 %, e ou após remoção dos terrenos de cobertura.
mais ou menos 50 %, segundo um grau de
exploração com uma segurança de previsão 8.3.2.2 Abertura de uma Mina a Céu Aberto
de 90 %. Deve ser indicado o limite superior Conjunto das medidas tomadas com vista a
do erro. preparar a extracção de uma mina a céu
aberto, com exclusão dos trabalhos de
8.2.24 Reservas Estimadas reconhecimento do jazigo. São incluídas
Reservas cujo volume ou massa são neste conjunto tanto as operações iniciais
classificáveis de acordo com o grau de como as destinadas a aumentar a extensão
investigação realizada para o efeito. ou a profundidade da exploração.
8.3.2.3 Exploração a Céu Aberto de Grande
8.2.25 Interesse de uma Exploração Carbonífera Profundidade
Grau de valor relativo para a economia da Exploração a céu aberto cuja profundidade é
exploração de um jazigo ou de uma parte de superior a 200 m.
um jazigo.

86
8.3.2.5

8.3.2.4 Drenagem
Conjunto das medidas que são tomadas para 8.3.2.15 Exploração em Paralelo
escoamento das águas que afluem ou que Método segundo o qual as bancadas sobre as
escorrem dos terrenos de cobertura e das quais circulam as máquinas de escavação
frentes de desmonte e, também, das zonas progridem paralelamente entre si no sentido
que circundam a exploração, a fim de impedir da exploração.
o afluxo de águas que possam comprometer a As bancadas de deposição dos produtos
estabilidade dos terrenos na mina e aumentar desmontados progridem geralmente da mesma
o teor de humidade da camada de forma.
combustível em exploração.
8.3.2.16 Exploração Rotativa
8.3.2.5 Rebaixamento do Nível Freático Método de exploração em que as bancadas
(Abaixamento do Nível das Águas) circundam os seus pontos de rotação ou
Evacuação, captação, bombagem e derivação rodeiam a zona de rotação.
das águas para baixar o nível da toalha
freática. São operações destinadas a garantir 8.3.2.17 Avanço Frontal
a segurança da mina a céu aberto, bem como Método em que a máquina escavadora
a condução da sua exploração. progride à medida que extrai o material ao
longo da frente de desmonte.
8.3.2.6 Coberturas (Decapagem, Escombros)
Conjunto de camadas de terrenos a deslocar 8.3.2.18 Avanço por Bloco
ou deslocados para a extracção de carvão Método em que a máquina escavadora extrai
numa exploração a céu aberto, dos estéreis o material a partir do seu local de
intercalares e da fracção do combustível que estacionamento, por simples rotação do seu
constitui as perdas de exploração. órgão extractor.

8.3.2.7 Decapagem Nota: Pode fazer-se uma distinção entre extracção


Extracção inteiramente mecanizada dos frontal por bloco e extracção lateral por bloco.
terrenos amovíveis que se encontram à flor
da terra numa exploração a céu aberto, assim 8.3.2.19 Largura do Bloco
como das partes rochosas, incluindo o Largura determinada pela máquina de
transporte das massas extraídas até aos desmonte e pela técnica de exploração,
meios de transporte. sendo resultante de uma passagem de
desmonte da máquina.
8.3.2.8 Deposição É a diferença entre as arestas
Colocação a monte no solo dos produtos correspondentes dos taludes sobre o nível de
extraídos e transportados. exploração. A largura de bloco em avanço
frontal é igual à largura precedente.
8.3.2.9 Talude
Superfície inclinada resultante da exploração, 8.3.2.20 Escavadora
entre a superfície e um plano de separação Máquina de exploração utilizada a céu aberto
ou entre dois planos de separação. para desmonte e carga (matérias-primas
minerais sólidas, terrenos de cobertura ou
8.3.2.10 Ângulo de Inclinação do Talude outros materiais).
8.3.2.10 Ângulo formado pela linha de maior Estas máquinas podem ser de diferentes
declive da superfície do talude e a sua tipos, designadamente: pá rotativa, cadeia
projecção sobre um plano horizontal. É com baldes, pá mecânica e pá de arrasto.
medido em graus. A inclinação do talude é a
tangente deste ângulo. 8.3.2.21 Máquina de Retoma em Escavação
Máquina utilizada em exploração a céu aberto
8.3.2.11 Plano de Separação ou em áreas de armazenamento para a
Superfície horizontal ou ligeiramente inclinada retoma de terras de recobrimento, de minérios
que separa o terreno por razões de sólidos ou de outros materiais a granel,
exploração mineira. O plano de separação depositados numa escavação ou numa
pode ser o nível de exploração, o plano tremonha.
intermédio ou a berma. A máquina desloca-se paralelamente à aresta
da escavação ou do armazém de material a
8.3.2.12 Berma granel, apanha este material com uma cadeia
Plano de separação, geralmente de largura com baldes ou uma pá rotativa e despeja-o
reduzida, limitado pela aresta superior de um sobre uma máquina transportadora.
talude situado imediatamente mais abaixo.
8.3.2.22 Máquina de Retoma em Escombreira
8.3.2.13 Rampa Máquina utilizada em áreas de
Plano inclinado destinado a vencer uma armazenamento para a deposição em
diferença de nível numa exploração mineira. escombreiras ou retoma de rochas (minerais
sólidos, terras de recobrimento) ou outros
8.3.2.14 Bancada materiais a granel. Trata-se de uma
Parte do nível de exploração sobre a qual escavadora de pá rotativa, móvel sobre
circulam as máquinas de escavação, carga, carris, deslocando-se sobre uma correia
transporte e deposição.

87
8.3.2.24

transportadora de sentido reversível e 8.3.3.3 Trabalhos Preparatórios no Leito


instalada em posição fixa. Realização de todas as escavações minerais
que subdividem sistematicamente os gitos, ou
8.3.2.23 Pórtico Despejador parte destes, que foram reconhecidos graças
Máquina utilizada em exploração a céu aberto aos trabalhos de preparação na rocha, a fim
para despejar terras de recobrimento ou de os preparar com vista à exploração.
outros materiais a granel, assim como
minérios sólidos. 8.3.3.4 Entivação
Faz-se distinção entre pórtico de uma ou de Termo genérico que designa todos os
duas partes; o pórtico em duas partes é dispositivos que permitem manter abertas as
constituído por uma máquina de recolha e escavações mineiras em condições de
uma de despejo, as quais são apoiadas em segurança quanto à estabilidade dos terrenos
chassis de rodagem distintos. que as rodeiam.

8.3.2.24 Transportadora de Estéreis 8.3.3.5 Ventilação


Aparelho móvel por meio do qual o escombro Conjunto de processos e dispositivos
extraído pela escavadora, curto-circuitando o destinados a proporcionar ar fresco aos
sistema de serventia da bancada, é trabalhadores mineiros e eliminar ou reduzir
transportado directamente por cima da até níveis aceitáveis as concentrações de
exploração a céu aberto e depositado na poeiras nocivas ou de gases tóxicos ou
escombreira. explosivos (grisu) e ainda a melhorar o
ambiente da mina (temperatura e grau de
8.3.2.25 Correias Transportadoras (Telas) humidade).
São utilizadas para o transporte contínuo
horizontal e/ou inclinado dos escombros, 8.3.3.6 Grisu
minerais sólidos ou materiais a granel. Estas Gás explosivo mais leve que o ar,
transportadoras são instaladas em local fixo, essencialmente constituído por metano, que
deslocáveis por arrastamento ou móveis. As pode libertar-se das camadas de carvão e
correias transportadoras incorporadas em dos contactos carvão/rocha encaixante, quer
escavadoras, pórticos despejadores ou contínua quer episodicamente.
pontes transportadoras de escombro, fazem
parte das transportadoras fixas. Designa-se Nota: Dado que este gás é perigoso, torna--se
por linha de transportadoras o conjunto de necessário tomar precauções relativamente
duas ou mais transportadoras colocadas em ao equipamento e à sua evacuação por meio
série. de ventilação ou instalações especiais de
Há designações relativas à localização das aspiração.
correias transportadoras, tais como
transportadora de bancada ou transportadora 8.3.3.7 Esgoto
estacionária. Todos os processos ou instalações e
dispositivos utilizados, tanto no fundo como
8.3.2.26 Alimentação (Alimentador de Materiais) na superfície, para extrair a água das
Instalação de carga móvel por cima de uma escavações mineiras e assegurar a recolha, a
correia transportadora. Este carro pode ser decantação e a derivação das chegadas de
equipado com uma tremonha, uma goteira ou água.
uma mesa sobre rolos e/ou uma correia
transportadora reversível. 8.3.3.8 Poço
Via de acesso geralmente vertical, que dá
8.3.2.27 Carro com Banda Transportadora acesso aos diferentes pisos de uma mina. Os
Correia transportadora móvel sobre cavilhas. poços de extracção asseguram geralmente as
É geralmente utilizado como órgão de ligação funções seguintes:
entre a escavadora e a correia
− extracção, transporte de materiais,
transportadora.
circulação de pessoal (por intermédio de
jaulas movidas pela máquina de
8.3.2.28 Passadiço com Correia Transportadora
extracção);
Construção em forma de ponte para alojar
uma correia transportadora passando por − ventilação primária (entrada de ar fresco)
cima de outros percursos de transporte. da ossatura da mina; no mínimo, é
necessário outro poço (poço de
8.3.3 Exploração Subterrânea ventilação) para a evacuação do ar
viciado;
8.3.3.1 Exploração Subterrânea − evacuação da água, proveniente dos
Exploração de jazigos minerais em que o aquíferos subterrâneos (esgoto);
acesso é feito por galerias ou poços, a partir − eventualmente descida dos aterros.
de escavações subterrâneas.
8.3.3.9 Poços de Comunicação
8.3.3.2 Trabalhos Preparatórios na Rocha Instalação vertical ligando dois ou mais
Realização de todas as escavações minerais andares ou permitindo o acesso a um andar.
que têm por objectivo a pesquisa e a Estes poços não comunicam com a
descoberta dos jazigos. superfície.

88
8.3.3.11

8.3.3.10 Estaleiro Mineiro Conjunto de painéis homólogos de uma


Espaço no qual se agrupam as instalações de mesma série de camadas.
superfície necessárias à actividade de
exploração, nomeadamente: 8.3.3.21 Exploração por Frente Longa ou Contínua
− a máquina de extracção, que assegura a Método de exploração no qual o carvão é
subida e descida das jaulas; extraído de uma camada, de modo tal que a
− cavalete (ou torre de extracção) onde se frente de desmonte que pode atingir centenas
encontram as andorinhas de guiamento de metros, se desloca segundo uma linha
dos cabos de extracção que asseguram contínua; o vazio criado pela extracção do
a ligação entre a máquina de extracção carvão pode ser cheio com escombros e
e as jaulas; resíduos de lavaria sendo contudo mais
corrente permitir o desabamento do tecto.
− as torvas ou parques para
armazenamento ou deposição dos 8.3.3.22 Exploração por Câmaras e Pilares
produtos extraídos da mina; Método de exploração no qual o carvão é
− os equipamentos eléctricos extraído a partir de uma rede de galerias de
(transformadores, motores, etc.), grande secção, geralmente de malha
compressores e ventiladores; rectangular, com o objectivo de dividir a
− os vestiários, duches e depósito de camada num grande número de câmaras e
lanternas (“lampisteria”); pilares.
− os armazéns e oficinas de manutenção.
Nota: Este sistema é preferido em certos países
8.3.3.11 Galeria quando se trata de camadas espessas e
Instalação mineira que se dirige para o jazigo pouco profundas. Se não são de temer
numa direcção horizontal, vertical ou fenómenos de subsidência à superfície, os
inclinada, a partir da entrada. pilares podem ser extraídos posteriormente,
numa operação separada designada por
8.3.3.12 Galeria na Rocha (Túnel) recuperação de pilares.
Via traçada na rocha por meio de escavação
para atingir os leitos. 8.3.3.23 Exploração por Acesso em Flanco de
Encosta
8.3.3.13 Galeria no Carvão Processo de exploração subterrânea no
Galeria aberta na camada de carvão e com a decurso da qual o acesso, a partir da
mesma direcção. superfície até ao leito de carvão, é realizado
por meio de uma galeria horizontal ou
8.3.3.14 Galeria em Direcção ligeiramente inclinada.
Galeria em direcção de maciços rochosos
onde se encontram os jazigos a explorar. 8.3.3.24 Exploração com Trado
Método de exploração mineira no qual são
8.3.3.15 Travessas feitos furos de grande diâmetro na camada de
Galerias geralmente horizontais recortando as carvão, geralmente horizontais e numa
diferentes camadas de terrenos estéreis e de extensão que pode ir até 60 metros. Estes
carvão. furos são realizados por um equipamento de
perfuração cuja cabeça de corte consiste
8.3.3.16 Plano Inclinado num trado. À medida que o trado roda, a
Comunicação inclinada entre duas cabeça de corte arranca o carvão e o sem-fim
explorações acessíveis ou comunicação faz o seu transporte ao longo do furo. Esta
destinada a ligar duas zonas de exploração. técnica é também adequada a explorações a
céu aberto de camadas de carvão aflorantes,
8.3.3.17 Frente Longa ou sobretudo quando o terreno de cobertura
Volume de exploração estreito e comprido no atinge uma espessura que inviabiliza
interior de um leito entre duas zonas de economicamente a sua retirada.
exploração.
8.3.3.25 Exploração por Mineiro Contínuo
Nota: Uma frente longa é limitada na sua face Método de exploração no qual uma máquina
longitudinal por dois painéis que se deslocam em trabalho contínuo retira o carvão da frente
na direcção da exploração. de desmonte e o carrega no equipamento de
transporte.
8.3.3.18 Painel
Delimitação lateral duma exploração. Cada Nota: Em certos países, a exploração por mineiro
superfície de ataque para uma exploração contínuo utiliza-se no método de câmaras e
avança em permanência no quadro da pilares, no decurso do qual uma máquina
exploração de um leito.
8.3.3.29
autopropulsionada arranca o carvão e
carrega-o de modo contínuo sobre o
8.3.3.19 Zona de Exploração equipamento de transporte; este pode ser
Delimitação natural ou artificial de zona de constituído por camiões de transporte ou
exploração determinada onde se realiza a correia transportadora.
exploração ou onde ela está prevista.
8.3.3.26 Desmonte Hidráulico
8.3.3.20 Bloco

89
Método de exploração no qual o carvão é Máquina utilizada de preferência na
arrancado por um jacto de água de alta exploração por frente longa e na qual um ou
pressão. Do mesmo modo a água é utilizada dois tambores rotativos munidos de lâminas
para a remoção do carvão arrancado até aos cortantes arrancam um troço do leito de
locais de recepção, podendo ainda ser carvão e carregam-no em seguida sobre o
transportado por meios hidromecânicos até à transportador, debaixo ou ao lado da
superfície. máquina.

8.3.3.27 Abatimento (Desabamento) 8.3.3.36 Plaina Mecânica


Operação que consiste em provocar o Máquina equipada com dentes de corte que
colapso do tecto da escavação que, deste se deslocam ao longo da camada de carvão,
modo, vem preencher o vazio de exploração arrancando-o numa profundidade de cerca de
devido ao empolamento do material desabado. 10 cm.
O desabamento é provocado pela retirada do
sustimento ou pelo emprego de explosivos.
8.4 Preparação e Valorização
8.3.3.28 Sustimento
Dispositivos de suporte das paredes e tecto 8.4.1 Lote
das escavações, quer pelo seu apoio Quantidade de carvão expedida de uma só
(quadros ou esteios de madeira ou metálicos), vez e para a qual se pretende avaliar a
quer por suspensão (tirantes ou parafusos), qualidade. O lote pode ser composto de uma
quer por qualquer outro meio que garanta a ou mais unidades de amostragem.
estabilidade das cavidades pelo tempo
necessário à exploração. 8.4.2 Amostragem
Colheita de uma porção representativa de
8.3.3.29 Esteio carvão para análise.
Elemento de sustimento vertical entre a
soleira e o tecto. A sua natureza varia de 8.4.3 Amostra
acordo com as características necessárias. Porção de carvão extraído de um lote ou
O seu tipo vai do esteio de madeira ao esteio unidade de amostragem, representativo deste
hidráulico regulável. no que respeita às características a serem
determinadas
Nota: Os esteios metálicos são recuperados no fim
do desmonte. 8.4.4 Preparação da Amostra
Processo de preparação da amostra para
8.3.3.30 Ancoragem análise, compreendendo a homogeneização,
Fixação de tirantes ou parafusos em furos mistura, divisão e redução do tamanho das
praticados através das camadas adjacentes a partículas, podendo ser executado em várias
escavações para efeito de sustimento etapas.
destas. Os tirantes podem ser de tecto,
soleira ou hasteal consoante a sua 8.4.5 Incremento
localização. Porção de amostra colhida através de uma
única operação do equipamento de
8.3.3.31 Enchimento amostragem.
Operação de enchimento total ou parcial dos
vazios criados pelo exploração. 8.4.6 Preparação
Processos e procedimentos usados para a
8.3.3.32 Entulho obtenção de produtos comercialmente
Material para o reenchimento de uma parte já valorizados, a partir de combustíveis brutos
explorada do jazigo. por meio de tratamentos físicos ou físico-
químicos.
8.3.3.33 Roçadoura
Máquina mecânica que se desloca ao longo 8.4.7 Instalação de Preparação
da frente e que, por intermédio de picos de Equipamentos e edifícios destinados à
corte, inseridos numa corrente sem-fim, separação do carvão.
accionada por um motor, executa um roço na
camada (geralmente, mas não sempre, na sua 8.4.8 Conversão do Carvão
parte inferior) o que facilita o seu arranque. Processo para transformar o carvão em
coque, gás ou produto líquido através de
8.3.3.34 Demolidora-Carregadora processos de coquefacção, gaseificação ou
Máquina derivada da roçadoura, realizando de liquefacção.
uma demolição completa de uma parte da
camada graças a um ou mais tambores 8.4.9 Triagem (Lavagem)
demolidores de lâminas cortantes. Ela carrega Separação de um produto a tratar segundo a
o carvão sobre um transportador que sua composição, em diversos materiais,
atravessa a frente à medida das utilizando as sua diferentes características
necessidades. físico-

8.3.3.35 Roçadoura-Carregadora

90
Secção 9

COMBUSTÍVEIS LÍQUIDOS E GASOSOS


___________________________________________________

9.1 Fontes e Tipos

9.2 Prospecção e Pesquisa

9.3 Sondagem e Acabamento dos Poços

9.4 Equipamento e Acessórios

9.5 Produção

9.6 Processos de Refinação e de Tratamento

9.7 Características dos Produtos

9.8 Produtos Petrolíferos e Gasosos

9.9 Armazenagem

9.10 Transporte e Distribuição

97
9.1.1

COMBUSTÍVEIS Nota: Num outro modo de classificação,


distinguem-se duas grandes famílias:
LÍQUIDOS E GASOSOS - hidrocarbonetos alifáticos
- hidrocarbonetos aromáticos
Os hidrocarbonetos alifáticos, podem
subdividir-se em cíclicos e não cícli-
cos, conforme sejam de cadeia aber-
As técnicas relativas à pesquisa e à produção de ta ou fechada. Tanto uns como ou-
hidrocarbonetos são as mesmas, quer se trate de tros, podem ser saturados ou insatu-
hidrocarbonetos líquidos (petróleo bruto) ou gaso- rados.
sos (gás natural), que se encontram aliás, na mai-
oria dos casos, associados em quantidades variá- 9.1.2 Petróleo Bruto
veis num mesmo jazigo ou num mesmo campo. Mistura, em proporções variáveis, de hidro-
Assim, é lógico tratar na mesma secção os concei- carbonetos e que nas condições normais é
tos que lhes dizem respeito. um líquido negro, em geral menos denso que
A consideração de duas Secções - "Combustíveis a água. É mais ou menos fluido, de acordo
Líquidos" e "Combustíveis Gasosos" - justificava- com a sua origem. O seu odor é geralmente
se numa época em que o gás manufacturado ainda intenso e característico. Apresenta-se no es-
não tinha sido substituído pelo gás natural. Uma tado natural, em jazigos, sob pressão e tem-
tal dicotomia já não se justifica actualmente. peratura relativamente elevadas. Pode conter
O problema das reservas constituiu sempre uma pequenas quantidades de enxofre no estado
preocupação dominante na indústria petrolífera, de combinações orgânicas e traços de com-
tendo os conceitos que desse facto resultam me- postos oxigenados e azotados.
recido a atenção de numerosos organismos. Con-
tudo, as definições elaboradas no domínio do pe- Nota 1: Os petróleos brutos são classifica-
tróleo e do gás também são válidas para os com- dos de acordo com a sua massa vo-
bustíveis fósseis sólidos ou de origem mineral. lúmica ou a sua densidade API em:
Assim, os termos relativos às reservas encontram-
se na Secção 1, com excepção dos que são es- 1 leves: inferior a 870 kg/m3
pecíficos do petróleo ou do gás natural. superior a 31,1 °API

2 médios: 920 kg/m3 - 870 kg/m3


9.1 Fontes e Tipos 22,3 °API - 31, 1 °API
9.1.1 Hidrocarboneto 3 pesados: 1000 kg/m3 - 920
Composto químico formado unicamente por kg/m3
carbono e hidrogénio. 10 °API - 22, 3 °API
Distinguem-se três grandes famílias de com-
postos: 4 extra-pesados: superior a
1) hidrocarbonetos saturados que apresen- 1000 kg/m3
tam ligações carbono-carbono do tipo inferior a 10 °API
simples. Dividem-se em duas categorias:
 hidrocarbonetos parafínicos ou alca- Nota 2: O petróleo bruto tem uma viscosida-
nos, de cadeias carbonadas abertas. de inferior ou igual a 10 000 milipas-
As cadeias abertas podem ser linea- cal segundo (mPa·s). É a massa vo-
res (parafinas normais) ou ramifica- lúmica que serve de critério para dis-
das (isoparafinas). São os principais tinguir se um petróleo é pesado ou
constituintes dos petróleos brutos; extra-pesado mas é a viscosidade
 hidrocarbonetos nafténicos ou ciclo- que deve servir de critério para dis-
alcanos nos quais as cadeias se fe- tinguir petróleos pesados e betumes.
cham sobre si mesmas para forma-
rem ciclos ou anéis. Nota 3: As características químicas e as va-
2) hidrocarbonetos insaturados que se re- riações dos diferentes componentes
partem em dois grupos distintos: nos petróleos brutos permitem classi-
 hidrocarbonetos olefínicos com uma ficá-los de acordo com a repartição
ou várias ligações duplas, denomina- de hidrocarbonetos que eles contêm
dos por alcenos ou cicloalcenos con- (ver items seguintes).
soante se apresentem sob a forma
de cadeias ou de ciclos (anéis); 9.1.3 Petróleos Brutos Parafínicos
 hidrocarbonetos acetilénicos ou alci- Constituídos por mais de 50 % de hidrocarbo-
nos caracterizados pela existência netos saturados e mais de 40 % de parafíni-
de pelo menos uma tripla ligação. cos (iso e n-parafinas), são petróleos leves
Nesta família os compostos cíclicos de densidade relativa próxima de 0,85, por
que se denominam cicloalcinos são vezes com grande viscosidade, contendo
muito raros. menos de 10 % de resinas e de asfaltenas .
3) hidrocarbonetos aromáticos que contêm
um ou vários ciclos ou anéis insaturados
com seis átomos de carbono do mesmo
tipo do que constitui o benzeno (anel
benzénico).

99
9.1.4

9.1.4 Petróleos Brutos Nafteno-Parafínicos sulfídrico (H2S) e outros gases como o dióxi-
Contêm mais de 50 % de hidrocarbonetos sa- do de carbono, o azoto ou o hélio.
turados, menos de 40 % de parafínicos (iso e
n-parafinas) e nafténicos. São geralmente po- 9.1.12 Gás Húmido (Rico)
bres em enxofre, podendo apresentar de 5 % Gás natural que contém hidrocarbonetos mais
a 15 % de resinas e asfaltenas e de 25 % a pesados que o metano em quantidades tais
40 % de aromáticos. que podem ser extraídos comercialmente ou
devem ser eliminados para tornar o gás apro-
9.1.5 Petróleos Brutos Nafténicos priado à sua utilização como combustível ou
Apresentam menos de 50 % de saturados e para o seu transporte por gasoduto.
mais de 40 % de hidrocarbonetos nafténicos;
esta proporção é por vezes consequência de 9.1.13 Gás Seco
uma supressão dos hidrocarbonetos parafíni- Gás natural que contém quantidades insufici-
cos por biodegradação de petróleos parafíni- entes de hidrocarbonetos mais pesados que o
cos ou nafteno-parafínicos. metano para permitir a sua extracção comer-
cial ou para justificar a sua eliminação com o
9.1.6 Petróleos Brutos Aromáticos objectivo de o tornar utilizável como combus-
Contêm menos de 50 % de hidrocarbonetos tível.
saturados e mais de 50 % de aromáticos, re-
sinas e asfaltenas; apresentam uma percen- 9.1.14 Gases Associados ao Petróleo
tagem de enxofre frequentemente superior Gases combustíveis ricos em metano que
a 1 %. São petróleos pesados e viscosos provêm de jazigos naturais cuja fracção mais
que contêm muitas vezes mais de 25 % de importante pode ser constituída por hidrocar-
resinas e de asfaltenas. bonetos de peso molecular mais elevado.
Conforme o conteúdo em cicloalcanos, podem
distinguir-se: 9.1.15 Gás Ácido
- petróleos brutos aromático-asfálticos, se Gás natural que contém ácido sulfídrico e
têm menos de 25 % de nafténicos. São dióxido de carbono ou outros compostos cor-
geralmente bastante ricos em enxofre. rosivos e que deve ser tratado antes de utili-
- petróleos brutos aromático-nafténicos, se zado.
o conteúdo destes últimos ultrapassa 25
%. São mais pobres em enxofre (< 1 %). 9.1.16 Gás não Corrosivo
Gás natural isento de compostos sulfurados
9.1.7 Asfaltenas ou outras substâncias corrosivas e que pode
Compostos de elevado peso molecular, es- utilizar-se sem purificação prévia.
sencialmente constituídos por anéis aromáti-
cos, altamente condensados. A sua precipi- 9.1.17 Líquidos do Gás Natural (LGN)
tação pode ser induzida a partir do fuel-óleo Componentes existentes no gás natural que
ou de betumes, por acção de solventes não são retirados no estado líquido em separado-
aromáticos, por exemplo, o n-heptano. res e instalações de tratamento de gás. Os
líquidos do gás natural incluem, entre outros:
9.1.8 Betume Natural etano, propano, butano, pentano, gasolina na-
O betume natural é a parte do petróleo que tural e condensados; podem também conter,
existe em fase semi-sólida ou sólida nos jazi- em pequenas quantidades, produtos que não
gos naturais. No seu estado natural, contém são hidrocarbonetos.
habitualmente enxofre, metais e outros mate-
riais não hidrocarbonados. O betume natural 9.1.18 Condensados
tem uma viscosidade superior a 10 000 mPa·s Hidrocarbonetos que, no jazigo, se encontram
medida à temperatura reinante nos jazigos e no estado gasoso, mas que à superfície se
à pressão atmosférica. tornam líquidos em condições normais de
pressão e temperatura. Trata-se essencial-
9.1.9 Xistos Betuminosos (Oil Shale) mente de pentano e produtos mais pesados.
Rochas sedimentares, normalmente argilosas, São frequentemente usados como sinónimos:
muito ricas em matéria orgânica (querogénio) líquidos do gás natural e condensados (LGN
e que podem fornecer hidrocarbonetos por pi- ou NGL).
rólise a temperaturas da ordem dos 500 ºC.
9.1.19 Condensado de Concessão
9.1.10 Areias Asfálticas (Tar Sands) Líquidos de gás natural recuperados a partir
Rochas sedimentares que contêm betume ou dos poços de gás (associado ou não) sepa-
outros produtos petrolíferos de viscosidade radores gás-líquido.
muito elevada e que não podem ser recupera-
dos pelos métodos clássicos. 9.1.20 Condensado de Unidade
Líquidos de gás natural recuperados nas uni-
9.1.11 Gás Natural dades de obtenção de gás natural, na com-
Gás combustível rico em metano que provém pressão e no sistema de tratamento de gás
de jazigos naturais. Nele existem, em quanti- associado.
dades variáveis, hidrocarbonetos mais pesa-
dos que se liquefazem à pressão atmosférica,
bem como vapor de água; pode também con-
ter compostos de enxofre, tais como o ácido

100
9.1.21

9.1.21 Gás Dissolvido 9.2.4 Reservatório Petrolífero


Gás natural que, no reservatório de petróleo Volume contínuo de rochas que apresentam
bruto, e à pressão e temperatura ambientes, vazios, poros ou fissuras, ligadas entre si e
se encontra dissolvido na fase líquida. nas quais podem circular fluidos (hidrocarbo-
netos e fluidos que os acompanham: água in-
9.1.22 Hidratos de Gás tersticial, gases inertes, gases ácidos). O
Cristais formados sob pressão a partir do gás mesmo reservatório pode ser constituído por
natural e da água no estado líquido. Existem rochas de diferentes litologias desde que a
a temperaturas abaixo de 0 °C mas podem continuidade de circulação dos fluidos seja
ser encontradas a temperaturas superiores. garantida. É caracterizado por um único sis-
Podem bloquear as condutas e os acessórios tema natural de pressão, de modo que a pro-
de tubagem. dução de uma das suas partes afecta a pres-
são do conjunto.
9.1.23 Gás Clássico
Gás natural que se encontra numa rocha- 9.2.5 Porosidade
-reservatório, quer em fase gasosa, quer dis- Característica de uma rocha que apresenta
solvido em petróleo bruto e que pode ser ex- vazios (poros e fissuras). Exprime-se quanti-
plorado tecnicamente por meios de produção tativamente pela percentagem do volume po-
clássicos. roso relativamente ao volume total da rocha.

9.1.24 Gás "Novo" 9.2.6 Permeabilidade


Gás natural que se encontra em condições Medida da facilidade com que uma formação
subterrâneas pouco usuais e que necessita permite o seu atravessamento por um fluido.
uma estimulação (ver 9.5.9) maciça para ser No sistema SI a unidade de permeabilidade é
explorado; gás sob a forma de hidratos; gás o m2 (ou µm2). Na prática exprime-se em dar-
dissolvido nas águas de formações ou gás cy (D).
proveniente da gaseificação "in situ" do car- 1 D ≅ 1 µm2.
vão.
9.2.7 Rocha-Reservatório ou Rocha-Armazém
9.1.25 Petróleo "Novo” Rocha porosa na qual o petróleo está arma-
Petróleo extraído de fundos marinhos com zenado. Estas rochas dividem-se em duas
profundidade superior a 200 m; petróleo das grandes famílias: as rochas detríticas (em
zonas árcticas, da recuperação assistida (ver grande parte siliciosas - areia ou grés) e as
9.5.8.) dos petróleos ultra-pesados, das rochas carbonatadas (calcárias ou dolomíti-
areias cas).
asfálticas, dos xistos betuminosos e dos car-
burantes de síntese. 9.2.8 Rocha de Cobertura
Rocha impermeável sobreposta à rocha-
-reservatório, que impede a migração dos hi-
9.2 Prospecção e Pesquisa drocarbonetos para a superfície.

9.2.1 Rocha-Mãe 9.2.9 Aquífero


Sedimento que contém uma certa quantidade Formação geológica porosa impregnada de
de matéria orgânica e é susceptível de gerar água que se encontra na base de um jazigo
quantidades apreciáveis de petróleo ou de de petróleo ou de gás. As águas de jazigo
gás. têm uma salinidade que aumenta com a pro-
fundidade.
9.2.2 Migração
Deslocação do petróleo através das rochas. 9.2.10 Capa de Gás
A migração primária é a deslocação do petró- Camada de gás separada do petróleo, situada
leo de uma rocha-mãe em direcção a uma ro- no topo da estrutura ou do reservatório.
cha- -reservatório. A migração secundária é
a deslocação do petróleo na rocha- 9.2.11 Reservatório de Gás com Condensados
reservatório até uma armadilha onde se acu- Reservatório no qual alguns hidrocarbonetos
mula. A desmigração é a fuga do petróleo pa- presentes na fase gasosa estão sujeitos a
ra a superfície do solo onde será destruído uma condensação retrógrada, por efeito de
ou alterado pelos agentes atmosféricos. um aumento de pressão, sendo recuperáveis
em fase líquida à superfície. A produção prin-
9.2.3 Armadilha cipal é o gás.
Estrutura geológica que permite a acumulação
de hidrocarbonetos. Podem distinguir-se ar- 9.2.12 Zona Produtiva
madilhas estruturais ligadas a deformações Parte do jazigo que efectivamente contém o
tectónicas (anticlinal, falha, domo salífero), petróleo ou o gás natural.
armadilhas estratigráficas devidas a varia-
ções de facies (corpos gresosos, recife car- 9.2.13 Indícios de Superfície
bonatado, biseis de permeabilidade), discor- Hidrocarbonetos sólidos, líquidos ou gasosos
dâncias (biseis de fecho, paleorelevos) e, que migraram até à superfície e que aí deixa-
ainda, armadilhas mistas em que intervêm ram vestígios. A sua presença pode indicar
factores associados aos tipos anteriores. uma acumulação de hidrocarbonetos num re-
servatório em profundidade.

101
9.2.14

9.2.14 Habitat do Petróleo e do Gás Método de prospecção que utiliza as proprie-


Repartição espacial dos jazigos numa bacia dades dos campos e correntes eléctricas; o
ou província. Pode caracterizar-se: método baseia-se na observação das varia-
- pelo número de jazigos repartidos sobre ções ocorridas num campo electromagnético,
uma determinada superfície, por exemplo como resultado das faltas de homogeneidade
10 000 km2; do subsolo.
- pela percentagem de reservas no ou nos
campos mais importantes. 9.2.24 Prospecção Gravimétrica
Método de prospecção que utiliza as varia-
9.2.15 Jazigo ções do campo gravitacional. O objectivo
Acumulação comercial de petróleo ou gás que deste método é associar as variações do
ocupa um reservatório independente e que se campo magnético com as densidades das di-
encontra sob um único sistema natural de ferentes rochas.
pressões.
9.2.25 Prospecção Magnética
9.2.16 Campo de Petróleo Método de prospecção que utiliza as varia-
Jazigo ou conjunto de jazigos relacionados ções do campo magnético terrestre. É geral-
com o mesmo tipo de estrutura geológica, mente utilizada para localizar concentrações
com a mesma génese e com contiguidade ge- de materiais rochosos magnéticos ou para de-
ográfica. terminação da profundidade do solo.

9.2.17 Petróleo "in situ" 9.2.26 Prospecção Sísmica de Reflexão


Quantidade total de petróleo existente nos Método que permite obter mapas cotados das
reservatórios naturais . estruturas geológicas, baseado na criação de
ondas sísmicas e na observação dos tempos
9.2.18 Reservas Provadas, Sondadas ou Desenvol- de chegada das ondas reflectidas em con-
vidas trastes de impedância acústica. O método
Reservas calculadas no decorrer da explora- envolve a emissão de um sinal de superfície
ção de um campo petrolífero e referidas à (a partir de, por exemplo, uma pequena carga
área de drenagem de cada sondagem. explosiva ou o impacto da queda de um peso)
que cria uma onda de choque que se propaga
Nota : Para os outros tipos de reservas ver através dos estratos do subsolo, é parcial-
1.2.11 a 1.2.20. mente reflectida em cada um deles e é final-
mente registada ao atingir a superfície. É o
9.2.19 Reservas Provadas não Desenvolvidas método de prospecção mais utilizado na in-
Reservas cuja existência é certa, tendo em dústria petrolífera.
consideração as condições geológicas do re-
servatório, mas que ainda não foram confir- 9.2.27 Prospecção Sísmica de Refracção
madas por sondagem. Utiliza os mesmos princípios dos de reflexão,
com a excepção de serem medidos os tem-
9.2.20 Pesquisa pos das primeiras ondas refractadas que se
Procura de depósitos minerais ou de combus- deslocam segundo a interface das camadas
tíveis fósseis, incluindo o reconhecimento geológicas.
tanto de superfícies como de subsolo, em-
pregando técnicas tais como teledetecção, 9.2.28 Prospecção Geológica
fotogeologia, prospecção geofísica e geoquí- Aplicação de métodos e procedimentos utili-
mica. A pesquisa também envolve a determi- zados nos diversos domínios das Ciências
nação da natureza do depósito e a prepara- Geológicas, tendo como finalidade a localiza-
ção do trabalho do seu desenvolvimento. A ção e quantificação de recursos geológicos.
pesquisa continua para além da descoberta e
o termo tem um significado mais amplo que 9.2.29 Prospecção Geoquímica
prospecção. Aplicação de princípios químicos ao estudo
da origem, geração, migração, acumulação e
9.2.21 Prospecção alteração dos hidrocarbonetos, tendo como
Investigação, numa região determinada, do objectivo a pesquisa e produção dos petró-
solo e subsolo, através da aplicação de téc- leos.
nicas apropriadas (cartográficas, geológicas,
geofísicas, etc. ), com o objectivo de desco-
brir petróleo ou gás. 9.3 Sondagem e Acabamento dos Po-
ços
9.2.22 Prospecção Geofísica
Métodos de prospecção baseados na aplica- 9.3.1 Sondagem
ção das ciências físicas ao estudo geológico Operação de penetração do subsolo usando
do subsolo. As diversas técnicas usadas são equipamento apropriado e segundo esquema
classificadas de acordo com o fenómeno físi- de perfuração adaptado para estudar condi-
co em que se baseiam (eléctrico, gravimétri- ções geológicas e/ou extrair os fluidos conti-
co, magnético ou sísmico). dos nas formações perfuradas.

9.2.23 Prospecção Eléctrica

102
9.3.2

9.3.2 Sondagem por Cabo 9.3.9 Obtenção de Testemunho


Método de sondagem por percussão pelo qual Operação que consiste na recolha, durante
a coluna de sondagem (trépano, vara e junta as sondagens, de amostras (testemunhos)
de queda livre) está ligada à parte inferior de das rochas perfuradas com o objectivo de
um cabo, cuja parte superior enrola num ba- analisar as suas características. Os teste-
lanceiro que promove alternadamente a ele- munhos são recolhidos com o auxílio de uma
vação e queda da coluna de sondagem. Os ferramenta especial composta por um tubo
detritos de perfuração são removidos, retiran- cuja extremidade é uma coroa dentada desti-
do a coluna de sondagem do furo e descendo nada a cortar a rocha.
uma limpadeira ligada à extremidade de um
cabo de serviço. 9.3.10 Perda de Circulação
Desaparecimento parcial ou total da lama de
9.3.3 Sondagem por Rotação sondagem numa formação devido à permeabi-
Método de sondagem pelo qual a broca roda, lidade das rochas porosas. Para restabelecer
sendo a rotação transmitida à superfície por a circulação carrega-se a lama de material
um sistema mecânico que, por sua vez, faz espesso, como a fibra de madeira ou cascas
rodar a mesa de rotação. A rotação é trans- de noz, que colmatarão as zonas de perda.
mitida à coluna desde a superfície. A coluna
é composta de tubos enroscados uns nos ou- 9.3.11 Diagrafia
tros, através dos quais passa um fluido de Registo numa sondagem, de um ou mais pa-
circulação (geralmente lama), que serve para râmetros de natureza diversa medidos em
remover os detritos da perfuração. função da profundidade.
Este método é o mais utilizado a nível mundi- As diagrafias podem ser instantâneas (esta-
al. belecidas no decorrer da sondagem) ou diferi-
dos (estabelecidas durante uma interrupção
9.3.4 Sondagem por Turbina da sondagem).
Método de rotação pelo qual a broca é movi-
mentada por uma turbina colocada imediata- Nota 1: Existem numerosos tipos de diagra-
mente acima da mesma, sendo a potência da fias: medida da polarização espontâ-
turbina obtida através da pressão do fluido de nea, diagrafias focalizadas, diagra-
circulação. Neste caso a coluna de sondagem fias de neutrões, diagrafias acústi-
normalmente não roda. cas, etc.

9.3.5 Sondagem Direccional Nota 2: Efectuam-se também diagrafias em


Sondagem dirigida para um objectivo situado sondagens geotérmicas, bem como
fora da vertical. Em certas ocasiões a sonda- para avaliar camadas de carvão ou
gem direccional torna-se necessária, por para localizar urânio.
exemplo, quando as condições de superfície
não permitem a instalação da sonda na verti- 9.3.12 Medições de Fundo durante as Perfurações
cal do objectivo; quando se deseja efectuar Medições com o objectivo de conhecer em
várias sondagens e a instalação da sonda em tempo real, durante a perfuração, os seguin-
cada uma se revela demasiado dispendiosa; tes parâmetros:
quando se pretende controlar um poço em - parâmetros mecânicos: peso sobre a bro-
erupção, seja por desvio da produção, seja ca rotação, binário, pressão, etc.;
por execução de operações de selagem do - parâmetros associados à formação geoló-
poço; ou quando é necessário corrigir a di- gica: temperatura, teor em hidrocarbone-
recção da sondagem. tos, resistividade, radioactividade, condu-
tividade, litologia, etc.
9.3.6 Sondagem Horizontal
Técnica por meio da qual se fura horizontal- 9.3.13 "Pesca"
mente uma secção do poço graças a um con- Operação pela qual se tenta extrair de um
trolo preciso da trajectória. O objectivo deste poço de sondagem os utensílios que aí se
método consiste em aumentar a produtividade encontram partidos ou presos.
do reservatório permitindo a drenagem da ca- Uma gama variada de equipamentos especiais
mada atravessada. Os poços horizontais ou utensílios de pesca é utilizável consoante
classificam-se de acordo com o ângulo de in- se trate de cortar, escorregar, agarrar, levan-
clinação a partir da vertical (curto, médio ou tar ou desintegrar a peça a recuperar à qual
longo). se dá o nome de "peixe".

9.3.7 Sondagem com Ar 9.3.14 Ensaio de Poços de Produção


Método de sondagem no qual o fluido de son- Ensaios que permitem saber qual será a ca-
dagem é ar comprimido em vez de lama. pacidade de produção de um poço e determi-
nar o seu débito óptimo de produção. Têm lu-
9.3.8 Sondagem no Mar gar após a sondagem e durante a produção.
Sondagem de pesquisa ou de produção de
estruturas geológicas, realizada nas platafor- 9.3.15 Ensaio de Formação
mas marítimas. Ensaio que permite avaliar a capacidade de
produção e a natureza dos líquidos de uma
formação produtiva deixando-os subir até à
superfície através da tubagem de sondagem

103
9.3.16

em condições rigorosamente controladas.


Têm lugar durante a sondagem, com o objec- 9.4.5 Broca de Diamantes
tivo de testar se a exploração é ou não eco- Broca cuja matriz é incrustada com diamantes
nómica. pequenos. É usada para estratos duros
(grandes profundidades).
9.3.16 Acabamento de um Poço
Conjunto das operações que, após a sonda- 9.4.6 Lama (Fluido) de Sondagem
gem, possibilitam a colocação dos equipa- Mistura de argila, água e certos produtos
mentos permanentes de produção e a sua químicos, que é injectada continuamente du-
exploração. rante as operações de sondagem. O fluido
serve para remover os detritos, lubrificar e ar-
9.3.17 Erupção de um Poço refecer a broca, suster as paredes do poço e
Produção descontrolada de hidrocarbonetos equilibrar a pressão dos fluidos contidos nas
líquidos ou gasosos em consequência da formações (prevenção de erupções), estabe-
perda de domínio de um poço no decurso de lecendo-se um circuito fechado (fun-
operações de sondagem, de manutenção ou do/superfície).
de produção.
9.4.7 Cabeça de Poço
9.3.18 Queima Conjunto do equipamento que se monta no
Operação que consiste em queimar num fa- topo do poço, e através do qual se verifica a
cho (“flare”) por medida de segurança, um gás produção.
combustível para o qual não existe saída ou
utilização local. Este processo é utilizado em Nota: Dado que a configuração do conjunto
operações de produção de petróleo, para de válvulas da cabeça do poço se
queimar o gás natural que a ele está associa- assemelha a uma árvore de Natal,
do e para o qual não existe utilização rentável este equipamento também é conheci-
devido à situação do jazigo e ao custo que do por “Árvore de Natal” (“Christmas
representaria qualquer tentativa de valoriza- Tree”)
ção. Esta operação deve ser minimizada, pois
representa um grande desperdício de energia 9.4.8 Plataforma de Sondagem Marinha
fóssil. É, também, utilizada nas refinarias e Estrutura projectada para operações de son-
nas operações de tratamento de gás. dagem no mar. As plataformas podem ser fi-
xas, móveis ou flutuantes.

9.4 Equipamento e Acessórios 9.4.9 Plataforma Auto-Elevadora


Plataforma de sondagem para águas pouco
9.4.1 Trépano ou Broca de Sondagem profundas, compreendendo um casco em for-
Ferramenta utilizada na desagregação mecâ- ma de barcaça. Quando em operação, apoia-
nica das rochas com a finalidade de penetrar -se num certo número de pernas retrácteis;
progressivamente no subsolo construindo um as pernas são recolhidas quando a plataforma
furo de secção circular. é rebocada para o seu local de sondagem; as
pernas são baixadas para o fundo do mar
Nota: Na indústria do petróleo, o uso da através de rodas cremalheiras logo que a pla-
palavra trépano reporta-se ao tempo taforma é posicionada para operação.
em que a sondagem por percussão
era prática geral e, desde então, tem- 9.4.10 Plataforma Semi-Submersível
se tornado extensiva quando se utili- Plataforma flutuante de sondagem para águas
za o método de rotação. Existe uma pouco profundas, compreendendo uma ponte
grande variedade de trépanos de que dispõe de equipamentos de sondagem,
sondagem. suportada por caixões ou flutuadores que são
submersos para dar estabilidade à plataforma.
9.4.2 Broca de Roletas (Tricone)
Broca de sondagem que desagrega a rocha 9.4.11 Navio de Sondagem
por acção de corte e esmagamento, constitu- Navio equipado com instalações de sondagem
ída por 3 roletes dentados devidamente im- e que pode ser utilizado em águas muito pro-
plantados em que os dentes de um trabalham fundas.
nas reentrâncias dos outros.
Nota: Os navios de sondagem têm maior
9.4.3 Broca de Lâmina mobilidade que as plataformas, sen-
Broca na qual é montado um certo número de do, contudo, menos estáveis. Man-
lâminas que partem a rocha por corte e arran- têm-se em posição, através de sis-
que. As lâminas podem ser montadas num só temas de posicionamento dinâmico
plano ou em andares. ou mesmo ancoragem.

9.4.4 Broca de Jacto


Broca de roletes ou lâminas através das
quais a lama é injectada a alta velocidade
através de orifícios calibrados, ajudando a
partir a rocha e a limpar o fundo da sonda-
gem.

104
9.5.1
9.5 Produção
9.5.8 Recuperação Assistida
9.5.1 Drenagem Recuperação de hidrocarbonetos para além
Fenómeno espontâneo que deriva das sonda- da que se consegue através dos métodos
gens e se traduz pela deslocação do petróleo convencionais de recuperação primária e se-
ou do gás natural através dos poros das for- cundária. O desenvolvimento destes métodos
mações geológicas. Resulta principalmente da permite a recuperação de uma gama de jazi-
pressão associada ao gás dissolvido no pe- gos de dimensão progressivamente maior.
tróleo. Estas técnicas de recuperação compreen-
dem:
9.5.2 Drenagem por Influxo de Água - Técnicas envolvendo a injecção no reser-
Drenagem que ocorre num reservatório em vatório de solventes miscíveis, hidrocar-
que o aumento de pressão causado pelo in- bonetos, gasosos e dióxido de carbono;
fluxo de água proveniente de um aquífero - Técnicas envolvendo a injecção de vapor
subjacente à zona de petróleo compensa a ou a combustão parcial dos hidrocarbone-
perda de pressão causada pela extracção do tos "in situ";
petróleo, reduzindo o volume do reservatório - Técnicas químicas envolvendo a melhoria
oferecido aos hidrocarbonetos. O influxo de do rendimento da injecção de água, atra-
água pode provir de uma camada aquífera lo- vés da adição de produtos químicos à
calizada por baixo ou na periferia da zona de água injectada, por exemplo, agentes ten-
petróleo. sioactivos ou polímeros solúveis em água.

9.5.3 Drenagem por Expansão de Gás Dissolvido Nota: O termo recuperação assistida tende
Drenagem que ocorre num reservatório devido a substituir os termos recuperação
à expansão do gás gradualmente libertado do secundária e recuperação terciária,
petróleo saturado, à medida que a pressão sendo tais técnicas de recuperação
baixa durante a produção. Ao atingir o poço, frequentemente aplicadas desde o
o gás expande, ajudando a subida do petróleo início da produção de um poço.
à superfície.
9.5.9 Estimulação de Poços
9.5.4 Drenagem por Expansão de Gás Livre Técnicas para a obtenção de mais produção a
Drenagem devida à expansão de uma bolsa partir de uma formação, envolvendo a criação
de gás livre na parte mais elevada do reser- artificial, na vizinhança dos poços, de uma
vatório. Este mecanismo de produção é con- zona na qual o movimento dos fluidos é facili-
siderado mais eficiente que a drenagem por tado, seja através do aumento da permeabili-
expansão de gás dissolvido. dade da formação ou da redução da viscosi-
dade dos fluidos.
9.5.5 Recuperação Primária
Produção de petróleo em consequência da Nota: Entre os muitos métodos de estimu-
drenagem natural do reservatório, devida à di- lação podem ser citados, como
ferença entre as pressões no seio do reser- exemplo, a fracturação da rocha do
vatório e no fundo do poço de produção. O reservatório na vizinhança dos poços
fluxo de petróleo para a superfície pode ocor- (fracturação hidráulica, explosão sub-
rer naturalmente (poço eruptivo) ou pode ser terrânea) e os tratamentos ácidos,
conseguido através de bombagem (poço que aumentam a permeabilidade da
bombado). formação (acidificação).

9.5.6 Taxa de Recuperação 9.5.10 Injecção de Água


Relação entre as quantidades de hidrocarbo- Método de recuperação secundária que en-
netos existentes no reservatório e as quanti- volve a injecção de água no reservatório de
dades recuperadas no momento da produção. modo a forçar a saída de petróleo adicional
As taxas de recuperação para cada tipo de da rocha- -reservatório.
jazigo variam com as qualidades dos fluidos,
as condições termodinâmicas, as qualidades 9.5.11 Reinjecção de Gás
petrofísicas, as variações devidas à arquitec- Operação que consiste em reinjectar no re-
tura e às heterogeneidades do jazigo, bem servatório, para manter a pressão, gás que
como ao ritmo de produção. Actualmente provém directamente do jazigo ou de instala-
consegue-se recuperar em média 30 % do pe- ções de campo. O gás reinjectado não é em
tróleo existente no jazigo, daí a importância geral contabilizado na produção.
das técnicas adoptadas para aumentar a taxa
de recuperação. 9.5.12 Reservatório Esgotado
Reservatório de hidrocarbonetos líquidos ou
9.5.7 Relação Gás-Petróleo gasosos cujas reservas exploráveis se esgo-
Relação entre os volumes de gás e de petró- taram.
leo produzidos simultaneamente por um mes-
mo poço e medidos nas condições de refe- 9.5.13 Poço
rência. Termo geralmente aplicado ao furo executado
por perfuração no subsolo, normalmente em-
paredado com tubagem de aço, para a produ-
ção de gás ou petróleo.

105
9.5.14

Os processos de refinação incluem três sé-


Nota: Há muitos tipos de poços, sendo os ries de operações:
seus nomes descritivos das suas - Processos físicos de que é exemplo o
funções, por exemplo: poço de pes- fraccionamento do petróleo bruto por des-
quisa, poço de produção, poço de tilação.
desenvolvimento, poço de avaliação. - Processos físico-químicos de conversão
destinados a aumentar o rendimento de
9.5.14 Poço Seco um determinado petróleo bruto em certos
Poço não produtivo em hidrocarbonetos. Os produtos.
poços secos podem conter água subterrânea. - A refinação propriamente dita, associando
operações de carácter físico e químico,
9.5.15 Poço Esgotado destinadas purificar e rectificar os diver-
Poço cujas as reservas exploráveis estão sos produtos para os adaptar de uma for-
esgotadas. ma rigorosa às normas e especificações
comerciais.
9.5.16 Poço Fechado
Poço em que a produção é temporariamente Nota: Os principais processos de refinação
suspensa, para operações complementares, são: destilação (à pressão atmosféri-
para inspecção ou por razões de segurança ca e no vácuo), cracking catalítico,
ou de estratégia económica. cracking por vapor, reformação, iso-
merização, alquilação, hidrorefinação,
9.5.17 Poço Marginal dessulfuração e viscoredução.
Poço para o qual o preço de extracção dos
hidrocarbonetos se situa no limite económico 9.6.2 Tratamentos Preliminares
de exploração. Purificação do petróleo bruto por desgasifica-
ção, desidratação, dessalinização, etc. antes
9.5.18 Poço de Injecção do seu envio para a destilação primária.
Poço não produtivo através do qual a água ou
o gás são injectados no reservatório, de 9.6.3 Separação
acordo com um programa preestabelecido pa- Decomposição de misturas de hidrocarbone-
ra manter ou repor a pressão no reservatório. tos por processos físicos e químicos.

9.5.19 Poço de Intervenção 9.6.4 Destilação


Poço desviado, dirigido para uma estrutura, Separação de um líquido, de um sólido ou de
com o objectivo de baixar pressão num poço outro líquido por vaporização seguida de con-
adjacente que sofreu uma erupção, sendo es- densação. A destilação pode ser efectuada à
te último então fechado com injecção de lama pressão atmosférica ou no vácuo, consoante
pesada ou cimento. os produtos finais requeridos.

9.5.20 Poço de Observação 9.6.5 Destilação Fraccionada


Poço usado para estudar as características Processo de destilação em que uma mistura é
de um reservatório (ou parte de um reservató- separada numa série de fracções com dife-
rio) e o seu comportamento durante a produ- rentes pontos de ebulição. O aquecimento re-
ção. aliza-se geralmente em fornos tubulares e o
fraccionamento em colunas. É fundamental
9.5.21 Poço de Recalcamento num esquema de fabrico de uma refinaria.
Poço utilizado para evacuar a água salgada
que provém do jazigo. A água é tratada antes 9.6.6 Destilação Atmosférica
de ser reinjectada na formação subterrânea. Destilação do petróleo bruto efectuada à
pressão atmosférica da qual resultam frac-
9.5.22 Manutenção (Recondicionamento) de um Po- ções petrolíferas (gasolina leve, gasolina
ço pesada, petróleo, gasóleos e produtos pesa-
Conjunto de operações que durante a explo- dos). Estas fracções, após adequado trata-
ração de um poço, se destinam a manter o mento constituem os componentes dos produ-
seu potencial de produção. tos acabados.

9.6.7 Destilação no Vácuo


9.6 Processos de Refinação e de Tra- Destilação que se realiza numa coluna de
tamento fraccionamento a uma pressão inferior à
pressão atmosférica. É o resíduo (fracção
9.6.1 Refinação mais pesada) obtido por destilação atmosféri-
Conjunto dos processos industriais destina- ca que é submetido à destilação no vácuo. A
dos a transformar o petróleo bruto em produ- redução da pressão provoca o abaixamento
tos adaptados às necessidades dos consu- do ponto de ebulição das fracções pesadas e
midores (carburantes, combustíveis, solven- permite separá-las dos resíduos a uma tem-
tes, lubrificantes, betumes, etc.) ou em maté- peratura que não corre o risco de os decom-
rias-primas para outras indústrias, ditas de por. Aplica-se, por exemplo, no início da ca-
“segunda geração” (por exemplo indústria pe- deia de fabrico dos óleos base.
troquímica).

106
9.6.8

9.6.13 Isomerização
9.6.8 Craqueamento Transformação de hidrocarbonetos parafíni-
Transformação por ruptura das moléculas de cos de cadeia linear ou pouco ramificada em
hidrocarbonetos de cadeias longas com o hidrocarbonetos parafínicos de cadeia muito
objectivo de se obterem moléculas de ca- ramificada. Esta reacção dá-se na presença
deias mais curtas, aumentando desta maneira de um catalisador e de hidrogénio. Tem a sua
a proporção dos produtos mais leves e volá- principal aplicação na obtenção de uma frac-
teis. Origina grande quantidade de olefinas. ção leve e de bom índice de octano (85 a 90),
Distinguem-se o "cracking" térmico e o muito importante na composição das actuais
"cracking" catalítico. O "cracking" térmico é gasolinas para motor.
realizado apenas pela acção do calor e da
pressão. O "cracking" catalítico utiliza catali- 9.6.14 Alquilação
sadores que permitem, a igual temperatura, a Processo de síntese em que por recombina-
transformação mais profunda e mais selectiva ção de uma olefina e de uma isoparafina, sob
de fracções que podem ser mais pesadas. a acção de um catalisador se forma, a partir
de hidrocarbonetos em C3 e C4, um “alquilado”
9.6.9 Craqueamento a Vapor (IC7 a IC9) com um índice de octano próximo
Processo de "cracking" destinado a produzir de 100, o que lhe confere um grande valor
hidrocarbonetos etilénicos que a petroquímica como componente das gasolinas para moto-
utiliza como matérias-primas, nomeadamente res.
o etileno, o propileno, os butilenos e o buta-
dieno. A gasolina obtida simultaneamente é 9.6.15 Desaromatização pelo Hidrogénio
considerada, neste caso, como subproduto. Processo de saturação dos hidrocarbonetos
O "cracking" a vapor é assim designado por aromáticos (sobretudo os poliaromáticos) con-
se efectuar na presença de vapor de água. tidos num gasóleo, por acção de um catalisa-
dor e hidrogénio, de modo a reduzir o conteú-
9.6.10 Hidrocraqueamento do daquele tipo de hidrocarbonetos e a melho-
Processo de “cracking” na presença de hidro- rar o índice de cetano do gasóleo. Neste pro-
génio e sob a acção de catalisadores e que cesso o conteúdo em aromáticos pode atingir
permite converter fracções petrolíferas de valores inferiores a 10 % o que permite satis-
elevado ponto de ebulição e pouco valoriza- fazer condições mais exigentes para os car-
das em fracções leves muito mais valoriza- burantes diesel. A desaromatização que se
das. O hidrogénio permite operar a temperatu- dá sob condições bastante severas de pres-
ras inferiores e com maior selectividade e, são e temperatura exige um pré-tratamento da
portanto, com melhores rendimentos. Os pro- carga, o que implica uma dessulfuração pro-
dutos da reacção são compostos saturados, funda do gasóleo, de modo a reduzir o nível
o que lhes confere características de estabi- de enxofre para valores suficientemente bai-
lidade importantes. xos, da ordem dos 50 ppm.

9.6.11 Viscorredução 9.6.16 Separação por meio de Crivo Molecular


Processo que consiste num “cracking” pouco Separação de moléculas que têm temperatu-
severo do resíduo ou eventualmente de ga- ras de ebulição semelhantes, de acordo com
sóleos pesados provenientes da destilação as suas características geométricas.
de petróleos brutos parafínicos, com o objec-
tivo de lhes reduzir a viscosidade através da 9.6.17 Processos de Conversão
destruição das moléculas mais pesadas e Conjunto de vários tratamentos (catalíticos ou
baixar o ponto de fluxão. Processa-se na au- térmicos) cuja reacção principal se efectua
sência de catalisadores. sobre as ligações de carbono. A conversão
poderá ser mais ou menos profunda, de acor-
9.6.12 Reformação Catalítica do com as condições operatórias impostas.
Transformação de uma fracção leve de pe- Estão associados ao que usualmente se de-
tróleo bruto (por exemplo gasolina pesada), signa como “branqueamento do fundo do bar-
obtida por destilação primária, numa fracção ril”, isto é, conversão do fuelóleo em fracções
mais pesada à base de hidrocarbonetos aro- mais leves (gasóleos, gasolinas e gases) e
máticos (reformado) caracterizada por um que são mais nobres do ponto de vista da
elevado índice de octano e que constitui um sua utilização. Numa refinaria moderna estes
dos principais componentes das gasolinas pa- processos têm vindo a ter uma importância
ra motores. As reacções (desidrogenação crescente.
dos naftenos em aromáticos, desidrocicliza-
ção e “hydrocracking” das parafinas e isome- 9.6.18 Processos de Purificação
rização das parafinas e naftenos), dão-se na Conjunto dos vários tratamentos em que as
presença de um catalisador à base de platina reacções afectam as substâncias que não
e no seu conjunto libertam hidrogénio. O re- são hidrocarbonetos, mas que estão contidas
formado constitui, também, a principal matéria nas várias fracções do petróleo bruto (com-
prima da petroquímica de base (produção de postos de enxofre, oxigénio, mercaptanos,
benzeno, tolueno e xilenos). etc.). São exemplos destes processos: ado-
çamento (“sweetning”), lavagem cáustica e
dessulfuração.

107
9.6.19

9.6.19 Dessulfuração exemplo, uma mistura de oxigénio e vapor de


Processo de purificação que consiste em eli- água), realizada a alta pressão.
minar o enxofre e simultaneamente o azoto, o
oxigénio e os metais presentes nos produtos 9.6.28 Regaseificação do Gás Natural Liquefeito
semi-acabados obtidos a partir do petróleo Passagem do gás natural liquefeito ao estado
bruto. A dessulfuração pode fazer-se por pro- gasoso por permuta térmica (com água quen-
cessos catalíticos ou químicos. No processo te ou pelo ar atmosférico).
catalítico as reacções dão-se por acção do
H2 na presença de um catalisador do tipo co- 9.6.29 Odorização
balto- -molibdénio. Neste processo também Operação que consiste em misturar aos ga-
ocorre a saturação de olefinas, o que confere ses inodoros produtos de odor desagradável
ao produto melhores características de esta- tais como os mercaptanos para que a sua
bilidade. presença possa ser detectada.
O processo químico é aplicado na dessulfu-
ração de gases (C1 a C4) e consiste numa la-
vagem com absorção através de uma solução 9.7 Características dos Produtos
aquosa de aminas que extrai o ácido sulfídri-
co e os mercaptanos de menor número de 9.7.1 Densidade API
átomos de carbono e depois é regenerada. Densidade expressa em graus API, definida
pelo “American Petroleum Institute”, pela fór-
9.6.20 Adoçamento mula:
Processo que converte os mercaptanos (for-
ma corrosiva de enxofre) em dissulfuretos APIº = (141,5/g) – 131,5
(forma não corrosiva de enxofre) por acção
de um catalisador, em fase líquida ou leito fi- em que g é a densidade do petróleo a 60 ºF.
xo. Neste processo o enxofre não é retirado, É utilizada internacionalmente para referir a
mas convertido numa forma não corrosiva. densidade dum petróleo bruto (ver 20.2.3.1).
Aplica-se a Gases de Petróleo Liquefeitos
(GPL), gasolinas e petróleo. 9.7.2 Temperatura Inicial de Destilação
Temperatura registada no momento em que a
9.6.21 Lavagem Cáustica primeira gota de condensado cai da extremi-
Processo normalmente associado ao adoça- dade do condensador durante a destilação
mento (“sweetning”) e que consiste numa ex- efectuada em condições normalizadas.
tracção de mercaptanos por acção de uma
solução de soda cáustica. Os mercaptanos 9.7.3 Temperatura Final de Destilação
mais “difíceis” e que não são extraídos são, Temperatura máxima registada no decorrer do
depois, convertidos em dissulfuretos por um ensaio de destilação efectuada em condições
tratamento de “adoçamento”. normalizadas.
9.6.22 Extracção de Gasolina 9.7.4 Intervalo de Destilação
Aproveitamento das fracções de gasolina, Intervalo de temperatura que caracteriza uma
seja em fase líquida ou gasosa, contidas no mistura de hidrocarbonetos e que é definido
gás natural. pelas suas temperaturas inicial e final de des-
tilação realizada em condições normalizadas.
9.6.23 Carbonização
Processamento térmico de um combustível 9.7.5 Índice de Octano
sólido na ausência de ar para a produção de Escala convencional utilizada para caracteri-
um combustível sólido, líquido ou gasoso. zar, em valor numérico, as propriedades anti-
detonantes de uma gasolina para motor de
9.6.24 Enriquecimento combustão do ciclo Otto; o índice representa
Processo que consiste em elevar o poder a percentagem de isoctano numa mistura de
calorífico de um gás, eliminando as fracções heptano normal e isoctano com o mesmo
inertes ou incorporando um gás com poder comportamento que a gasolina estudada.
calorífico mais elevado. Está associado à existência de hidrocarbone-
tos aromáticos e isoparafínicos. A sua deter-
9.6.25 Liquefacção do Gás Natural minação é feita num motor experimental nor-
Operação destinada a liquefazer o gás natural malizado.
de modo a possibilitar o seu transporte marí-
timo.
Nota: As propriedades antidetonantes de
9.6.26 Gaseificação cada carburante são expressas por
Processo de produção de gás combustível dois números, o IOR (índice de octa-
pela reacção de um combustível sólido ou lí- no "Research" que traduz a capaci-
quido com um agente de gaseificação, tal dade do carburante para evitar os
como ar, oxigénio ou vapor de água. ruídos a baixo regime), o IOM (índice
de octano "Motor" que traduz a capa-
9.6.27 Gaseificação sob Pressão cidade do carburante para evitar os
Processo de produção de gás combustível ruídos a alto regime). Quanto mais
pela reacção de um combustível sólido ou lí- elevados são estes números, melho-
quido com um agente de gaseificação (por

108
9.7.6
res são as características antideto- 9.7.14 Indice de Viscosidade
nantes do com-bustível. Índice que traduz a influência das variações
de temperatura na viscosidade de um óleo de
9.7.6 Índice de Cetano lubrificação. Um índice elevado significa que
Escala convencional que indica a qualidade a viscosidade é pouco alterada pelas varia-
de ignição de um combustível para motores ções de temperatura. Um óleo cujo índice de
diesel. O índice representa a percentagem em viscosidade é baixo torna-se demasiado es-
volume de cetano contida numa mistura de al- pesso a frio e demasiado fluido a quente.
fametilnaftaleno e de cetano com o mesmo
comportamento que o combustível para moto- 9.7.15 Temperatura Limite de Filtrabilidade (CFPP)
res diesel submetidos à prova comparativa Temperatura mais elevada à qual um dado
num motor experimental. Quanto mais elevado volume de combustível deixa de atravessar
for o índice cetano mais rápida é a ignição. É num intervalo de tempo definido um aparelho
tanto mais alto quanto mais alto for o teor em de filtragem quando é submetido a um arrefe-
hidrocarbonetos parafínicos e mais baixo o de cimento em condições normalizadas. É uma
hidrocarbonetos aromáticos. característica muito importante nos gasóleos
para motores diesel relacionada com a utiliza-
9.7.7 Ponto de Inflamação ção em condições de baixa temperatura.
Temperatura mínima à qual um produto petro-
lífero tem de ser aquecido para que os vapo- 9.7.16 Tensão de Vapor Reid (TVR)
res emitidos se inflamem, em presença duma Pressão absoluta atingida por uma fracção
chama e sob condições normalizadas. É uma petrolífera quando contida num recipiente
característica importante ligada à segurança normalizado à temperatura de 37,8 ºC (100
no manuseamento e armazenagem do produ- ºF). O valor da TVR está directamente ligado
to. à quantidade de componentes mais voláteis
contidos no produto e caracteriza a sua ca-
9.7.8 Ponto de Fumo pacidade para vaporizar. No caso de uma ga-
Altura máxima de chama que é possível al- solina, a TVR está intimamente ligada à quan-
cançar, sem formação de fumo, quando se tidade de butano que ela contém.
queima um petróleo ou Jet (combustível de
aviação) sob condições normalizadas. Está 9.7.17 Poder Calorífico
relacionado com o conteúdo de hidrocarbone- Quantidade de calor libertada pela combustão
tos aromáticos, de petróleo ou do jet. completa de uma unidade de combustível. O
conhecimento desta característica é bastante
9.7.9 Ponto de Fluxão importante no caso do fuel industrial. Ver
É a temperatura mais baixa à qual um produto 1.3.3 e 1.3.4 (Poder Calorífico Inferior e Po-
petrolífero é suficientemente fluido para se der Calorífico Superior).
escoar em condições normalizadas.
9.7.18 Índice de Wobbe
9.7.10 Ponto de Turvação Relação entre o poder calorífico de um gás
Temperatura, que num processo de arrefeci- combustível e a raiz quadrada da sua densi-
mento do produto sob condições normaliza- dade em relação ao ar.
das, se manifesta pelo aparecimento duma
“névoa” de pequenos cristais de parafinas. O Nota 1: As qualificações “superior” e “inferior”
seu valor é superior ao ponto de fluxão (por encontram-se associadas ao poder
exemplo, um óleo base parafínico tem um calorífico considerado.
ponto de fluxão de – 12 ºC e um ponto de tur-
vação de – 10 ºC). Nota 2: O índice de Wobbe deve também ser
explicitado pelas condições de pres-
9.7.11 Ponto de Congelação de Combustíveis Tem- são e de temperatura em que são
peratura à qual os cristais de hidrocarbone- considerados os produtos da com-
tos, formados após arrefecimento e conse- bustão.
quente solidificação, desaparecem quando se
provoca a subida de temperatura do combus- 9.7.19 Penetração
tível. Profundidade em décimos de milímetro a que
uma agulha normalizada atinge quando pene-
9.7.12 Ponto de Congelação de Ceras do Petróleo tra num betume mantido a uma temperatura
Temperatura à qual a cera liquefeita, quando especificada durante 5 segundos e sob a ac-
sujeita a arrefecimento em condições norma- ção de uma massa de 100 g.
lizadas, deixa de fluir.
9.7.20 Ponto de Amolecimento
9.7.13 Viscosidade Temperatura à qual um betume colocado num
Propriedade de um produto caracterizada pela anel se torna suficientemente “mole” para, por
resistência que ele opõe ao escorregamento acção de uma “bola” e depois de aquecido,
relativo das suas moléculas quando se encon- descer até um nível especificado quando
tra em movimento. É uma das principais ca- submetido a um ensaio em aparelho normali-
racterísticas dos óleos lubrificantes. zado. Quanto mais elevado for o ponto de
amolecimento de um betume maior é a sua
resistência ao calor, em termos de consistên-
cia.

109
9.7.21

Gasolina para automóveis equipados com mo-


9.7.21 Ponto de Condensação do Vapor de Água tores que utilizam o “ciclo Otto”. Deve satis-
Temperatura à qual condensa, a uma dada fazer a especificações precisas relativas às
pressão, o vapor de água contido num gás. características físicas (massa volúmica, ten-
são de vapor, intervalo de destilação) e às
9.7.22 Ponto de Condensação dos Hidrocarbonetos características químicas das quais a mais
Temperatura à qual condensam, a uma dada importante é a resistência à auto-inflamação
pressão, os vapores dos hidrocarbonetos (ver 9.7.5 - Índice de octano).
contidos num gás.
9.8.5 Carburante com Chumbo
9.7.23 Velocidade de Combustão, Velocidade de Gasolina que contém aditivos com chumbo
Deflagração para melhorar o seu índice de octano, isto é,
Velocidade de propagação da combustão no as suas características anti-detonantes.
seio de uma mistura ar/gás ou oxigénio/gás
em condições de escoamento laminar. 9.8.6 Carburante sem Chumbo
Gasolina que satisfaz às normas antipoluição.
9.7.24 Limites de lnflamabilidade Os veículos equipados com um dispositivo
Limites superior e inferior das concentrações catalítico devem imperativamente utilizar um
de um gás combustível no ar ou no oxigénio, carburante sem chumbo.
entre as quais a mistura é inflamável; tais li-
mites podem variar com a temperatura e a 9.8.7 Carburante Aditivado
pressão. Gasolina que não contém chumbo, mas ou-
tros aditivos não poluentes (por exemplo,
9.8 Produtos Petrolíferos e Gasosos compostos à base de potássio) e que desem-
penham a função lubrificadora anteriormente
9.8.1 Produtos Petrolíferos desempenhada pelo chumbo.
Os produtos petrolíferos são os que se obtêm
a partir do processamento do petróleo bruto. 9.8.8 Carburantes Oxigenados e Alcoóis Carbu-
Uma refinaria fabrica três tipos de produtos: rantes
os produtos acabados que estão prontos a Compostos ou conjuntos de compostos oxi-
ser consumidos, os produtos semi-acabados genados orgânicos como, por exemplo, os
que servirão de base a outros após alteração éteres e alcoóis, utilizados em mistura com
das suas características por incorporação de os carburantes de origem petrolífera.
aditivos e os produtos intermédios, tais como
as naftas que servem de matéria-prima para a 9.8.9 Gasolina de Aviação
petroquímica. As propriedades e a composi- Gasolina preparada especialmente para os
ção dos produtos acabados dependem de es- aviões equipados com motores de combustão
pecificações comerciais e regulamentações e cujo índice de octano varia entre 80 e 145,
nacionais ou internacionais. conforme as características do motor. O pon-
to de congelação destas gasolinas atinge –
9.8.2 Reformado 60 ºC.
Principal produto da transformação, através
de um processo de reformação catalítica, da 9.8.10 Petróleo Iluminante
gasolina pesada obtida por destilação primária Destilado do petróleo bruto cujo intervalo de
depois de convenientemente tratada (redução destilação se situa entre a gasolina e o ga-
dos teores de enxofre, azoto e olefinas). O sóleo. A sua densidade é aproximadamente
reformado, cujo intervalo de destilação se si- de 0,80 e o seu ponto de inflamação igual ou
tua entre 45 ºC e 200 ºC, é constituído es- superior a 40 ºC. O petróleo de iluminação é
sencialmente por hidrocarbonetos aromáticos utilizado de modo limitado para aquecimento e
e caracteriza-se pelo seu elevado índice de iluminação e também como carburante para
octano. Representa uma parcela importante certos tipos de motores de combustão. Uma
na composição da gasolina para motor e é característica importante é o “ponto de fumo”,
também a matéria-prima principal para a in- que traduz a percentagem de aromáticos pre-
dústria petroquímica de base (produção de sente no produto, os quais são responsáveis
benzeno, tolueno e xilenos). pela produção de fumos na combustão.

9.8.3 Carburante 9.8.11 Carburantes para Reactores (Jet)


Produto químico cuja combustão permite ob- Carburante com a mesma composição dum
ter energia mecânica em motores térmicos. petróleo, caracterizando-se por um mesmo in-
Inicialmente, a denominação carburante era tervalo de destilação, embora as suas especi-
reservada a produtos utilizados nos motores ficações sejam bastante mais exigentes. Des-
clássicos de ignição comandada, munidos de tina-se à alimentação de motores de reacção,
carburador e de um sistema de ignição por quer na aviação civil, quer na militar. Contém
vela. O termo carburante aplica-se actualmen- aditivos (inibidor de corrosão, anti-gelo, anti-
te ao conjunto dos produtos que alimentam os estático, etc.) que lhe conferem característi-
diferentes tipos de motores (motor clássico a cas ligadas à segurança na sua utilização.
gasolina, motor diesel, reactor de avião).
9.8.12 Gasóleo, Carburante Diesel
9.8.4 Gasolina para Motor Mistura de hidrocarbonetos líquidos destinada
à alimentação dos motores de ignição por

110
9.8.12

compressão (ciclo Diesel). A sua densidade,


o seu intervalo de destilação, assim como o 9.8.18 Lubrificantes
seu comportamento a baixas temperaturas Produtos obtidos por mistura de um ou mais
dependem muito dos países ou regiões onde óleos-base e aditivos, de acordo com formu-
são utilizados. lações específicas, conforme a sua utiliza-
ção. A percentagem de aditivos nos óleos lu-
9.8.13 Fuelóleo brificantes chega a atingir 40 %. Os óleos lu-
Mistura de hidrocarbonetos destinada à pro- brificantes têm três grandes utilizações: au-
dução de calor em instalações térmicas. Há tomóveis, indústria e marinha. As massas lu-
vários tipos de fuelóleo que se caracterizam brificantes, que são uma dispersão de um sa-
por viscosidades diferentes que condicionam bão num óleo-base, apresentam três grandes
a sua utilização. variedades, dependendo da sua composição:
base lítio, cálcio e sódio.
9.8.14 Gasolinas Especiais e "White Spirit" A distribuição relativa dos compostos parafí-
Destilados intermédios entre a gasolina e o nicos, aromáticos ou nafténicos tem grande
petróleo de iluminação. As gasolinas espe- importância nas propriedades dos óleos lubri-
ciais são principalmente usadas como solven- ficantes: os parafínicos possuem um melhor
tes. A sua rapidez de evaporação condiciona índice de viscosidade, os aromáticos resis-
o seu emprego e a sua classificação depende tem melhor à oxidação e os nafténicos têm
do seu intervalo de destilação (de 30 ºC a 200 um baixo ponto de fluxão.
ºC). O "white spirit" é um solvente pesado
cujo intervalo de destilação se situa entre 9.8.19 Parafinas e Ceras de Petróleo
135 ºC e 200 ºC. Materiais sólidos que se obtêm, durante o
processo de fabrico de óleos-base, por cris-
9.8.15 Nafta talização e desparafinação dos óleos refina-
Fracção petrolífera que se situa entre os ga- dos (isto é, que já foram submetidos à opera-
ses e o petróleo e que tem um intervalo de ção de redução do seu teor em aromáticos).
destilação que pode ir dos 30 ºC até cerca A designação de parafinas ou ceras está as-
dos 100 ºC (nafta leve) ou 200 ºC (nafta sociada ao tipo de cristais obtidos durante as
pesada). Para além de ser uma das matérias- fases de cristalização e desparafinação –
primas da indústria petroquímica, cujo macrocristais, no caso das parafinas; micro-
“cracking” fornece uma grande variedade de cristais, no caso das ceras. São caracteriza-
produtos, pode ainda entrar na composição das pelo ponto de fusão, no caso das macro-
das gasolinas para motor (nafta leve) ou ser, cristalinas e pelo ponto de congelação, no
no caso da nafta pesada, matéria-prima para caso das microcristalinas.
a produção de reformado (ver 9.6.12 – Refor-
mação Catalítica). 9.8.20 Coque de Petróleo
Produto sólido, negro e brilhante, obtido por
9.8.16 Betume "cracking" dos resíduos pesados, essencial-
Mistura de hidrocarbonetos sólidos, semi- mente constituído por carbono (90 % a 95 %)
sólidos ou viscosos com uma estrutura coloi- e que queima sem deixar cinzas. É um bom
dal. O betume pode ser obtido, quer através combustível para a metalurgia e indústria da
da destilação primária de petróleos brutos es- cerâmica. É também utilizado no fabrico de
pecíficos, quer pela destilação no vácuo do eléctrodos de carvão para dínamos, nos
resíduo da destilação atmosférica. Também abrasivos da grafite e nos pigmentos para tin-
pode ser obtido por mistura de componentes tas.
apropriados produzidos em unidades incorpo-
radas no processo de fabrico de óleos-base. 9.8.21 Gases Combustíveis
É solúvel no sulfureto de carbono, não volátil, Gases ou misturas de gases que são com-
termoplástico entre 100 ºC e 200 ºC, com bustíveis quando misturados com o ar ou com
propriedades adesivas e isolantes. O betume o oxigénio, sendo utilizados principalmente
é sobretudo utilizado na pavimentação de es- para a produção de calor em fornos ou caldei-
tradas, embora também possa servir para fins ras.
industriais. Os betumes podem ser oxidados,
de modo a conferir-lhes as características de 9.8.22 Famílias de Gases
penetração e amolecimento pretendidas. Conjunto dos gases combustíveis com carac-
terísticas de combustão semelhantes e que,
9.8.17 Óleos Base por esse facto, são intermutáveis, apresen-
Produtos obtidos a partir de destilados, de- tando índices de Wobbe semelhantes. A pri-
pois de submetidos a várias operações (ex- meira família de gases compreende o gás de
tracção de aromáticos para lhe conferirem um cidade e o gás de coqueria (gases combustí-
bom índice de viscosidade; desparafinação veis ricos em monóxido de carbono e hidro-
para obter boas características de frio, por génio).
remoção das parafinas; tratamento pelo hi- A segunda família compreende os gases na-
drogénio para lhe melhorarem a cor e a resis- turais e os gases associados ao petróleo bru-
tência à oxidação e ao calor). to (gases combustíveis geralmente muito ri-
Os destilados são obtidos por destilação no cos em metano).
vácuo do resíduo atmosférico obtido, por sua A terceira família, compreende gases de pe-
vez, por destilação atmosférica dum petróleo tróleo liquefeitos (propano e butano).
bruto apropriado.

111
9.8.23

Nota: As famílias de gases podem definir- para o fabrico do gás de cidade ou de um


se por intervalos do índice de Wo- gás natural de substituição.
bbe (ou do poder calorífico superior
ou inferior). Os limites desses inter- 9.8.34 Gás Natural de Substituição (GNS)
valos estão definidos na norma eu- Gás de combustão intermutável com os ga-
ropeia EN 30. ses de segunda família.

9.8.23 Gases de Petróleo Liquefeitos (GPL)


Hidrocarbonetos em C3 e C4 e suas misturas. 9.9 Armazenagem
São gasosos, nas condições normais de
temperatura e de pressão e líquidos por ele- 9.9.1 Parque de Armazenagem
vação da pressão ou por redução da tempera- Instalação, compreendendo um ou mais re-
tura. Os mais comuns são o propano e o bu- servatórios, destinada à armazenagem de
tano. combustíveis líquidos ou gasosos.
9.8.24 Gás Natural Liquefeito (GNL) 9.9.2 Reservatório de Armazenagem
Gás natural constituído principalmente por Recipiente destinado a receber produtos lí-
metano e etano e que, geralmente para facili- quidos ou gasosos. A cada classe, classifi-
tar o seu transporte, foi liquefeito por redução cada segundo a respectiva volatilidade, cor-
da sua temperatura para valores geralmente respondem tipos particulares de reservatórios
inferiores a – 160 ºC à pressão atmosférica. que se diferenciam essencialmente pela sua
pressão de serviço.
9.8.25 Gás Natural Comprimido (GNC)
Gás natural armazenado sob pressão em bo- 9.9.3 Armazenagem de Hidrocarbonetos Líquidos
tija e utilizado para alimentar motores de A armazenagem dos hidrocarbonetos líquidos
combustão interna do ciclo “otto”. efectua-se em reservatórios cilíndricos, ge-
ralmente em aço, cuja capacidade por vezes
9.8.26 Gás de Refinaria ultrapassa 100 000 m3. Em termos funcionais
Qualquer tipo de gás produzido numa refinaria podem distinguir-se três tipos de reservatóri-
por destilação, "cracking" ou outros proces- os: aqueles que se destinam à armazenagem
sos. Os seus principais constituintes são o do petróleo bruto, os que estão reservados à
hidrogénio e hidrocarbonetos de C1 a C4. armazenagem dos produtos acabados e os
reservatórios intermédios utilizados entre
9.8.27 Gases de Coqueria duas etapas de fabrico.
Gases combustíveis produzidos durante a fa-
bricação do coque. Nota: Em função da técnica de construção,
são vários os tipos de armazenagem
9.8.28 Gases de Gaseificação sob Pressão a considerar. Assim: de tecto fixo ou
Gases combustíveis produzidos a partir de de tecto flutuante, auto portantes ou
combustíveis sólidos, líquidos por gaseifica- “de membrana”, atmosféricos ou “de
ção com uma mistura de oxigénio/vapor de pressão”, de “parede simples” ou “de
água a alta pressão. parede dupla”, esféricos, cilíndricos,
verticais cilíndricos ou horizontais ci-
9.8.29 Gás de Cidade líndricos, enterrados, semi-
Gases manufacturados e gases combustíveis enterrados ou à superfície. Estas
da primeira família de gases (Índice de Wobbe classificações podem ser combina-
entre 24,8 MJ/m3 e 28,3 MJ/m3 nas condições das, consoante os casos.
normais de pressão e temperatura).
9.9.4 Reservatório com Tecto Flutuante
9.8.30 Gases de Gasogénio O tecto móvel deste reservatório assenta di-
Gases combustíveis produzidos principalmen- rectamente sobre o produto armazenado. É
te a partir de combustíveis sólidos por gasei- utilizado para armazenagem de produtos volá-
ficação realizada por meio de ar ou de ar sa- teis, de petróleo bruto e de gasolina, acom-
turado com vapor de água. panhando as variações de nível com o objec-
tivo de limitar as perdas por evaporação,
9.8.31 Gases de Alto Forno bombagem e respiração.
Gases de horno alto
Gases combustíveis produzidos em alto forno 9.9.5 Armazenagem Subterrânea
durante a produção de ferro fundido. Formações geológicas porosas ou cavidades
naturais ou artificiais, convenientemente pre-
9.8.32 Gás de Água paradas para a armazenagem de produtos.
Gás combustível produzido pela gaseificação
do coque por meio de vapor de água. 9.9.6 Armazenagem em Rocha Porosa
Formação de rocha porosa utilizada para a
9.8.33 Gás de Síntese armazenagem de gás. Pode tratar-se de uma
Mistura de monóxido de carbono e de hidro- camada aquífera ou de um jazigo esgotado.
génio que contém pequenas quantidades de
azoto, dióxido de carbono e vestígios de di- 9.9.7 Armazenagem em Cavidades Subterrâneas
versas impurezas. É preparado por processos Armazenagem subterrânea em cavidades na-
de síntese petroquímica e também utilizado turais ou artificiais cujas paredes apresentam

112
9.9.6

suficiente resistência e impermeabilidade. 9.10.2 Tubagem Imersa


Exemplos: cavidades salinas, cavernas natu- Tubagem utilizada para transportar petróleo
rais, galerias mineiras fora de uso. ou gás através do mar ou de um rio.

9.9.8 Armazenagem em Cavidades Salinas 9.10.3 Balsa de Colocação


Armazenagem em cavidades criadas artifici- Embarcação equipada com material de solda-
almente por lavagem de camadas rochosas dura e material de colocação que permite
solúveis na água (por exemplo: sal gema). colocar a tubagem dentro de água, à medida
que esta é construída.
9.9.9 Armazenagem em Fissuras
Armazenagem em cavidades subterrâneas 9.10.4 Estação de Bombagem de Oleoduto
adequadas para o efeito, nas quais a rocha- Instalação situada ao longo de um oleoduto,
-reservatório está muito fendida devido a es- destinada a elevar a pressão de transporte,
forços tectónicos. de modo a permitir que o produto atinja a es-
tação seguinte ou o ponto de destino. O seu
9.9.10 Gás Útil número varia consoante a viscosidade do
Quantidade de gás disponível no interior do produto transportado, o caudal, o traçado da
espaço útil de uma armazenagem subterrânea tubagem (em planta e alçado), assim como o
e que pode ser utilizada para consumo. Cor- seu diâmetro e a distância a vencer.
responde à quantidade de gás existente no
espaço útil entre a pressão reinante num 9.10.5 Gasoduto
dado momento ou a pressão máxima e a Tubagem destinada a transportar um gás
pressão mínima do mesmo. combustível a alta pressão e a grande dis-
tância.
9.9.11 Volume de Gás não Recuperável
Quantidade de gás depositado em armazena- 9.10.6 Estação de Compressão
gem subterrânea que não pode recuperar-se Instalação destinada a elevar a pressão de
completamente depois de ter sido injectado. um gás, de modo a possibilitar o seu envio
Corresponde à quantidade de gás existente até um ponto geralmente distante.
no espaço útil, à pressão mínima do reserva-
tório. 9.10.7 Emissão de Gás
Quantidade de gás lançada num ponto de
9.9.12 Reservatório de Gás uma rede de abastecimento.
Recipiente em que o gás é armazenado à su-
perfície, em fase gasosa. 9.10.8 Navio-Tanque, Petroleiro
Navio destinado ao transporte de hidrocarbo-
9.9.13 Reservatório de Gás de Baixa Pressão netos líquidos.
Expressão genérica que designa os gasóme-
tros hidráulicos e os gasómetros secos. 9.10.9 Navio Transportador de Gases Liquefeitos
Navio destinado ao transporte de gases no
9.9.14 Gasómetro Hidráulico, de Campânula estado líquido.
Cilindro oco fechado no extremo superior e
vedado no extremo inferior por um líquido, ge- 9.10.10 Metaneiro
ralmente água, contido numa cuva (o gás é Navio destinado ao transporte de Gás Natu-
armazenado a baixa pressão dentro do cilin- ral Liquefeito.
dro acima do nível da água; esta, subindo ou
descendo no cilindro, permite armazenar um 9.10.11 Butaneiro
volume variável de gás). Navio destinado ao transporte de Gases de
Petróleo Liquefeitos ou de outros hidrocarbo-
9.9.15 Gasómetro Seco netos liquefeitos.
Reservatório côncavo fixo, de base circular
ou poligonal, fechado na parte superior por 9.10.12 Terminal Petrolífero
um êmbolo móvel e destinado à armazenagem Instalação de carga ou descarga de produtos
de gás em baixa pressão. petrolíferos, independentemente do tipo de
transporte utilizado. Os terminais podem ser
9.9.16 Reservatório de Gás sob Pressão de expedição ou de recepção e geralmente
Reservatório, fixo ou móvel, subterrâneo ou à incluem importantes parques de armazena-
superfície, de volume constante, no qual o gem.
gás é armazenado sob pressão.
9.10.13 Terminal de Gás Natural
Instalação de expedição ou de recepção de
9.10 Transporte e Distribuição gás natural ou de gás natural liquefeito. Os
terminais de gás natural liquefeito podem si-
9.10.1 Oleoduto tuar-se na costa, no interior de um porto ou
Tubagem geralmente subterrânea, destinada em águas profundas ao largo da costa.
ao transporte de hidrocarbonetos líquidos,
dispondo frequentemente de estações de 9.10.14 Terminal Oceânico
bombagem situadas ao longo do seu percur- Instalação constituída por uma bóia de carga
so. e descarga, situada em águas profundas e
que permite o acesso a petroleiros de gran-

113
9.10.14

des dimensões. Está ligada às instalações de O mesmo que “sistema de transporte” (se em
armazenagem de terra por tubagens imersas. alta pressão) ou que “sistema de distribuição”
(se em baixa pressão).
9.10.15 Descarga no Mar
Operação que consiste em transferir parte ou 9.10.24 Estação Reguladora da Pressão do Gás
a totalidade da carga, de um navio para outro. Instalação de funcionamento automático, que
tem por finalidade reduzir a pressão do gás
9.10.16 Trasfega para um valor mais baixo e constante.
Operação de transferência de um produto.
9.10.25 Regulador de Pressão do Gás
9.10.17 Terminal Metaneiro Aparelho que reduz automaticamente a pres-
Conjunto de instalações destinadas à trans- são do gás para um valor mais baixo e cons-
formação de um fornecimento intermitente de tante.
gás natural ou de gás natural liquefeito num
fornecimento contínuo de gás para gasodu- 9.10.26 Estação de Medição
tos. Os terminais de gás natural liquefeito po- Instalação onde se procede à contagem do
dem situar-se na costa, no interior dum porto gás natural que a atravessa e que pode ou
ou em águas profundas ao largo da costa. não estar equipado com analisadores para de-
terminar a sua composição.
9.10.18 Vagão Cisterna
Vagão destinado ao transporte de cargas lí- 9.10.27 Estação, Serviço ou Posto de Abastecimen-
quidas, por via férrea. to
Posto de venda dos carburantes situado ao
9.10.19 Camião Cisterna longo dos eixos rodoviários. Para além da
Veículo rodoviário destinado ao transporte de venda de carburantes, pode oferecer à clien-
cargas líquidas. tela serviços e acessórios.

9.10.20 Recipiente de Transporte


Recipiente com a forma cilíndrica ou esférica,
para o transporte e distribuição de produtos
petrolíferos líquidos e de gases liquefeitos.

9.10.21 Sistema de Transporte


Conjunto de condutas e respectivos acessó-
rios, destinados a veicular um gás combustí-
vel e que operam em alta pressão.

9.10.22 Sistema de Distribuição


Conjunto de condutas e respectivos acessó-
rios destinados a veicular um gás.

9.10.23 Rede

114
Secção 10

ENERGIA HIDROELÉCTRICA, ENERGIA HIDRÁULICA


___________________________________________________

10.1 Termos Gerais

10.2 Termos Relativos a Localização e Desníveis

10.3 Armazenamento

10.4 Termos Relativos ao Tempo

10.5 Caudais

10.6 Termos Relativos à Energia

10.7 Termos Técnicos

115
10.1.1

ENERGIA HIDROELÉCTRICA,
10.1.7 Central em Derivação
ENERGIA HIDRÁULICA Central hidroeléctrica a fio de água (ver
10.1.4) que utiliza caudais derivados das
suas afluências, restituídos a jusante da
central.

A utilização da energia cinética e potencial das 10.1.8 Aproveitamento de Fins Múltiplos


águas pela Humanidade remonta a tempos Aproveitamento hidráulico com diversos
imemoriais, já que desde sempre se instalaram objectivos associados, entre os quais se
variados dispositivos nas margens e nos leitos dos contam a produção de energia eléctrica, a
rios. regularização das cheias, a protecção contra
Foi, porém, no século XIX que o aproveitamento as inundações, o abastecimento de água para
dessa forma de energia se tornou mais atraente do as populações e para a rega, a navegação
ponto de vista económico pois, com a invenção fluvial, os fins recreativos, etc.
dos grupos turbinas-geradores de energia eléctrica
e a possibilidade do transporte de electricidade a 10.1.9 Pequena Central Hidroeléctrica
grandes distâncias, se conseguiu obter um Instalação de potência reduzida para
elevado rendimento económico desse transformação das energias potencial e
aproveitamento. cinética da água em energia mecânica e
A energia hidroeléctrica é, assim, na actualidade, a eléctrica. Tal como nas grandes centrais,
mais importante forma de energia renovável; o podem dividir-se em :
armazenamento da água em albufeiras permite a - centrais a fio de água (ver 10.1.4)
sua utilização com adequada regularidade, - centrais de regularização diária ou
podendo esse armazenamento ser melhorado com semanal (ver 10.1.6)
a instalação de bombagem. - centrais hidroeléctricas de albufeira (ver
O impacte ecológico desta forma de energia é 10.1.5)
quase exclusivamente limitado à ocupação de - centrais hidroeléctricas de acumulação
terrenos resultantes da existência de albufeiras. por bombagem (ver 10.1.10).
As centrais a fio-de-água não originam impactes
ecológicos significativos. Nota 1: Geralmente a denominação de
pequenas centrais hidroeléctricas
aplica-se às de poucos MW:
minicentrais as que atingem algumas
10.1 Termos Gerais centenas de kW e microcentrais as
que têm apenas uma potência
10.1.1 Energia Hidráulica instalada de poucos kW. Estes
Energia potencial e cinética das águas. limites variam de país para país.
10.1.2 Albufeira Nota 2: Para a classificação técnica e
Grande depósito formado artificialmente económica destas pequenas
fechando um vale mediante diques ou instalações deve tomar-se em
barragens e no qual se armazenam as águas consideração o seguinte :
de um rio com o objectivo de as utilizar na
regularização de caudais, na irrigação, no 2.1 A disponibilidade da água é
abastecimento de água, na produção de irregular ao longo do dia ou da
energia eléctrica, etc. estação do ano ; trata-se de
energia não permanente e não
10.1.3 Central Hidroeléctrica de energia adaptada às
Instalação na qual a energia potencial e necessidades do consumo, o
cinética da água é transformada em energia que tem uma importância
eléctrica. primordial na determinação do
valor da energia assim obtida.
10.1.4 Central Hidroeléctrica a Fio de Água
Central hidroeléctrica alimentada por um curso 2.2 Os custos específicos de
de água, sem albufeira reguladora de volume exploração aumentam
significativo. consideravelmente à medida
que a potência das instalações
Nota: Podem encontrar-se instaladas no diminui.
mesmo rio ou utilizar caudais
desviados do seu curso para atingir a 2.3 Para que as pequenas centrais
altura de queda desejada. sejam rentáveis torna-se
necessária uma grande
10.1.5 Central Hidroeléctrica de Albufeira automatização e um cuidado
Central hidroeléctrica cuja alimentação pode especial com a sua
ser regulada graças a uma albufeira. manutenção. O grau de
automatização é um importante
10.1.6 Central de Regulação Diária ou Semanal critério de decisão relativamente
Central a fio de água com albufeiras de à rentabilidade final do
pequena capacidade que permitem o seu aproveitamento.
funcionamento intermitente (ver 10.1.4).

117
10.1.10

10.1.10 Aproveitamento Hidroeléctrico de derivações procedentes de outras bacias.


Acumulação por Bombagem ; Instalação 10.2.3 Localização da Barragem
para Bombagem e Turbinagem Lugar de implantação da obra.
Central hidroeléctrica que possui duas
albufeiras, uma a montante e outra a jusante, 10.2.4 Extremidade da Albufeira
bem como as respectivas instalações de Limite de montante da albufeira.
bombagem e de turbinagem, que permitem
devolver à albufeira de montante a água 10.2.5 Comprimento da Albufeira
armazenada na albufeira de jusante, após a Distância medida ao longo do eixo do curso
sua utilização na produção de energia. de água entre o local da barragem e a
extremidade da albufeira.
Nota 1: Uma central hidroeléctrica de albufeira (ver
10.1.5) pode estar também equipada com 10.2.6 Curva de Regolfo
instalações de bombagem. Curva que representa o nível da superfície da
água na albufeira, desde a barragem até à
Nota 2: A água bombada não deve ser considerada sua extremidade.
como energia primária para evitar a dupla
contabilização. 10.2.7 Água a Montante
Água que se encontra a montante da
10.1.11 Central Maremotriz barragem.
Central hidroeléctrica que utiliza o desnível
entre o mar e uma bacia do qual está 10.2.8 Água a Jusante
separado, criado pelo efeito das marés (ver Água que se encontra a jusante da barragem.
17.2).
10.2.9 Tomada de Água
10.1.12 Zona de Ocupação Estrutura destinada a captar a água da
Superfície de terreno necessária à albufeira.
construção e exploração de uma central,
incluindo todas as instalações auxiliares 10.2.10 Ponto de Restituição
(parque de transformação, estradas, Ponto no qual a água depois de turbinada é
caminhos de ferro, etc.). restituída ao curso de água.

Nota : Para as centrais hidroeléctricas trata-se do 10.2.11 Troço Derivado


conjunto do circuito hidráulico desde a Troço de um leito a jusante da tomada de
albufeira até à restituição. água no qual o caudal fica sensivelmente
diminuído devido à sua utilização para a
10.1.13 Derivação produção de energia.
Instalação para conduzir água de uma bacia
para outra. 10.2.12 Zona de Erosão, Zona de Subescavações
Zona a jusante da barragem afectada por
10.1.14 Cavitação subescavações ou erosão.
Implosão de bolhas de vapor de água,
geralmente de dimensões muito reduzidas e 10.2.13 Escalão, Troço Ocupado
contidas na veia líquida. Estas bolhas Zona do curso de água entre a extremidade
formam-se quando a pressão local se torna de montante da albufeira e o ponto de
inferior à do vapor saturado e passam do restituição.
estado gasoso ao líquido sempre que a
pressão torna a ultrapassar a pressão do 10.2.14 Nível de Água a Montante
vapor saturado. Nível do plano de água a montante, indicando
o ponto onde se mede.
Nota: A cavitação pode provocar estragos
importantes no material, o que obriga a 10.2.15 Nível de Água a Jusante
reparações como o enchimento com Nível do plano de água a jusante, indicando o
soldadura, razão pela qual, na altura da ponto onde se mede.
construção da turbina, se devem tomar
precauções a fim de a reduzir a um valor 10.2.16 Nível Máximo de Exploração
aceitável. É o nível mais alto permitido normalmente
numa albufeira (sem ter em conta as
sobreelevações devidas a cheias).
10.2 Termos Relativos a Localização e Corresponde ao nível de pleno
Desníveis armazenamento da albufeira.

10.2.1 Bacia Hidrográfica Nota: O nível máximo da albufeira


Superfície do terreno, medida em projecção corresponde ao maior nível
horizontal, da qual provém efectivamente a admissível em caso de cheias.
água de um curso de água até ao ponto
considerado. 10.2.17 Nível Mínimo de Exploração
É o nível mínimo admitido para a exploração
10.2.2 Bacia Efectiva de uma albufeira, medido num local
Bacia modificada na sua dimensão por determinado.

118
10.2.18

10.3.3 Armazenamento Sazonal


Nota: Abaixo do nível mínimo de Armazenamento em que a albufeira tem um
exploração pode fazer-se o ciclo de enchimento e esvaziamento sazonal.
esvaziamento da albufeira até ao
nível da descarga de fundo. 10.3.4 Armazenamento Anual
Armazenamento em que a albufeira tem um
10.2.18 Folga ciclo de enchimento e esvaziamento anual.
Distância vertical entre o coroamento da
barragem e a cota máxima que atinge a água 10.3.5 Armazenamento Interanual
na albufeira. Armazenamento em que a albufeira permite
uma compensação das variações de
10.2.19 Confrontação hidraulicidade em ciclos de mais de um ano
Comprovação oficial das cotas de todas as de duração.
partes essenciais de um aproveitamento
hidroeléctrico, especialmente das da 10.3.6 Capacidade Útil
albufeira. Volume de água disponível numa albufeira
entre o nível de pleno armazenamento e o
10.2.20 Queda Bruta nível mínimo de exploração normal.
Diferença entre o nível do plano de água na
extremidade da albufeira e o nível do plano de 10.3.7 Zona Inundável
água na secção transversal da corrente em Zona de uma albufeira compreendida entre o
que tem lugar a restituição. mais alto nível admitido pela sua exploração
normal e o nível de água máximo possível
10.2.21 Queda Útil (nível de máxima cheia).
Altura de queda efectivamente utilizada pelas
turbinas, isto é, a diferença entre o nível 10.3.8 Armazenamento Inactivo (Volume Morto)
correspondente à altura manométrica à Volume retido na albufeira abaixo do nível
entrada das turbinas, tendo em conta o mínimo de exploração.
equivalente, em altura de água, da velocidade
da água nesse ponto e :
- quando se trata de turbinas de reacção, 10.4 Termos Relativos ao Tempo
o nível de restituição acrescido do
equivalente, em altura de água, da 10.4.1 Ano Hidrológico
velocidade da água nesse ponto ; Período de um ano (doze meses) baseado em
- quando se trata de turbinas de injecção, critérios de hidraulicidade.
o nível médio dos injectores.
10.4.2 Ano Médio
10.2.22 Altura Geodésica (Instalação de Bombagem) Ano (fictício) cujas características hidráulicas
Diferença de níveis entre a albufeira superior correspondem à média de uma série coerente
e a albufeira inferior. do maior número de anos possível. A série
em que se baseia o ano médio ou normal
10.2.23 Altura Manométrica de uma Bomba deve ser especificada em cada caso.
Altura geodésica acrescida da altura
equivalente às perdas de carga. 10.4.3 Ano Húmido
Ano baseado em critérios estatísticos, em
10.2.24 Altura Média de Esvaziamento que o curso de água tem afluências
Diferença de nível entre os centros de superiores à média.
gravidade dos volumes úteis das albufeiras
superior e inferior. 10.4.4 Ano Seco
Ano baseado em critérios estatísticos, em
10.2.25 Perda de Carga que o curso de água tem afluências inferiores
Redução da energia útil provocada pelo atrito à média.
inerente ao escoamento da água num circuito
hidráulico. 10.4.5 Tempo de Esvaziamento de uma Albufeira
Tempo mínimo necessário para esvaziar a
albufeira desde o nível de pleno
10.3 Armazenamento armazenamento, na ausência de quaisquer
afluxos naturais.
10.3.1 Armazenamento Diário
Armazenamento para o qual a albufeira tem 10.4.6 Tempo de Enchimento de uma Albufeira
um ciclo diário de enchimento e Tempo necessário para encher a albufeira
esvaziamento. desde o nível mínimo de exploração até ao
nível de pleno armazenamento supondo a
10.3.2 Armazenamento Semanal afluência a caudal constante e de valor igual
Armazenamento para o qual a albufeira tem ao caudal médio característico corrigido.
um ciclo de enchimento e esvaziamento
semanal.

119
10.4.7

10.4.7 Tempo de Enchimento de uma Albufeira de 10.5.6 Caudal Máximo Turbinável


Acumulação por Bombagem Caudal máximo que a turbina pode turbinar em
Tempo necessário para encher a albufeira funcionamento contínuo.
superior de um aproveitamento hidroeléctrico
de bombagem de acumulação, desde o nível 10.5.7 Caudal Nominal (Bombas)
mínimo de exploração ao nível de pleno Caudal para o qual a bomba é dimensionada.
armazenamento, com a instalação de
bombagem a trabalhar a plena carga. 10.5.8 Caudal Sobrante
Caudal (ver 10.5.1) que, numa corrente de
10.4.8 Tempo de Propagação água, se escoa numa determinada secção do
Tempo que demoram a manifestar-se, entre leito situada a jusante de um ponto de uma
duas secções do curso de água, situações tomada de água e a montante de um ponto de
ou caudais devidos a um determinado restituição subsequente.
acontecimento.
10.5.9 Caudal Ecológico
Nota : Pode referir-se o tempo de Caudal que, numa tomada ou derivação de
propagação, por exemplo, pela água, deve deixar-se escoar obrigatoriamente
passagem de uma onda de cheia ou pelo leito primitivo sem ter em conta perdas
das flutuações não estacionárias ou afluxos posteriores.
causadas por uma onda de transição
proveniente de uma central a Nota : Os caudais sobrantes e o ecológico
montante até à sua chegada à formam o mínimo prescrito, pela
central a jusante. administração, no leito primitivo que
se inicia a jusante de uma derivação
10.4.9 Tempo de Exploração ou de uma tomada de água.
Número de dias, num ano médio, durante os
quais o caudal é superior ao caudal de 10.5.10 Afluências
exploração. Volumes de água que passam numa dada
secção durante um período de tempo
10.4.10 Tempo de Esvaziamento de Urgência determinado.
Tempo necessário para esvaziar uma
albufeira recorrendo a todos os meios 10.5.11 Hidraulicidade
disponíveis, incluindo as turbinas. Relação entre as afluências no período
observado e as afluências correspondentes a
um mesmo período no ano médio.
10.5 Caudais
10.5.12 Caudal de Exploração
10.5.1 Caudal Caudal efectivamente utilizado pelas
Volume de água escoado através de uma finalidades do aproveitamento,
secção, na unidade de tempo. correspondente ao volume de água escoado,
na unidade de tempo, através da secção
10.5.2 Débito Natural transversal do respectivo equipamento
O débito natural de um curso de água, num hidráulico (turbina ou bomba).
dado instante e numa secção transversal
determinada do seu percurso, é o débito que
ele teria nesse instante, na ausência de 10.6 Termos Relativos à Energia
qualquer instalação hidroeléctrica ou outra
que lhe modifique, directa ou indirectamente, 10.6.1 Potencial Teórico Hidráulico Bruto
a sua bacia hidrográfica ou o respectivo Quantidade máxima de energia eléctrica que
regime de escoamento. pode obter-se numa região determinada ou
numa bacia hidrográfica durante um ano
10.5.3 Caudal Utilizável médio, tendo em conta os desníveis
Parte do caudal total que, após as deduções correspondentes referidos a um dado ponto
de água obrigatórias previstas no caderno de dessa região ou bacia.
encargos e das perdas inevitáveis, fica
disponível para as finalidades do 10.6.2 Potencial Tecnicamente Explorável
aproveitamento. Quantidade máxima de energia eléctrica que
pode ser produzida ao longo de um ano médio
10.5.4 Caudal Corrigido (ver 10.4.2) proveniente de um ou vários
Caudal (ver 10.5.1) fictício de uma corrente cursos de água em condições tecnicamente
de água que se produziria num determinado realizáveis.
momento e numa determinada secção se nas
albufeiras de uma bacia efectiva (ver 10.2.2) 10.6.3 Potencial Economicamente Explorável
não se produzisse uma variação de volume. Energia hidráulica que pode aproveitar-se em
condições económicas.
10.5.5 Caudal Nominal (Turbina)
Caudal para o qual a turbina é dimensionada.

120
10.6.4

10.6.4 Potencial Efectivamente Utilizado (num ano móveis.


determinado)
Energia produzida num país ou região pelo 10.7.2 Indicador de Nível (Limnígrafo)
parque hidroeléctrico durante um período de Dispositivo para medir o nível da água
tempo (geralmente um ano) excluindo a (medida e regulação automática de nível a
energia produzida com água de bombagem. distância, comando regular e seu registo).

10.6.5 Energia Produtível de um Aproveitamento 10.7.3 Evacuador de Cheias


Hidroeléctrico Estrutura com múltiplas funções nas
Quantidade máxima de energia que pode barragens, centrais ou canais artificiais, que
produzir-se num aproveitamento durante um serve para impedir o aumento do nível da
determinado período de tempo. água para além de uma altura
preestabelecida.
10.6.6 Capacidade em Energia Eléctrica de uma
Albufeira 10.7.3.1 Descarregador
Quantidade de energia eléctrica que poderia Estrutura natural ou artificial destinada a
ser produzida na sua própria central e em evacuar o caudal excedente.
toda a cascata a jusante pelo completo
esvaziamento da sua “capacidade útil" sem 10.7.3.2 Descarga de Fundo
contar com outras afluências possíveis. - Nas albufeiras : Dispositivo que serve
para esvaziamento total da capacidade
10.6.7 Coeficiente de Utilização de retenção, que se encontra na maioria
O coeficiente de utilização de uma região, dos casos num lugar profundo da
num determinado intervalo de tempo, é o albufeira.
quociente da sua produtibilidade pela sua - Nos açudes : Dispositivo de abertura do
produtibilidade média, ambas relativas a esse açude a um nível profundo que serve
período e a um mesmo equipamento hidráulico para esvaziar a albufeira. Pode servir
da região. também para a descarga de cheias.

10.6.8 Capacidade em Energia de um 10.7.4 Desarenador (Bacia de Decantação)


Aproveitamento de Acumulação por Obra situada próximo das instalações
Bombagem na Fase de Turbinagem hidráulicas para retirar da água de exploração
Energia eléctrica que pode ser produzida a areia transportada pelas águas naturais,
partindo da albufeira superior inicialmente com o objectivo de evitar danos nas obras
cheia. hidráulicas e nas máquinas motrizes.

10.6.9 Energia Absorvida pela Bombagem numa 10.7.5 Obras de Adução


Central de Acumulação durante o Obras realizadas para a condução da água
Funcionamento das Bombas desde a tomada de água até às turbinas,
Energia eléctrica consumida pelos grupos consoante as condições locais, constituídas
para a elevação da água para a albufeira com ou por um canal aberto ou fechado, ou por
vista à produção de energia, incluída a galerias ou canalizações (conduta forçada).
energia gasta nos serviços auxiliares e as
perdas. 10.7.6 Chaminé de Equilíbrio
Instalação destinada a amortecer as
10.6.10 Rendimento do Ciclo de Bombagem de uma oscilações transitórias da pressão no circuito
Central de Acumulação por Bombagem hidráulico.
Relação entre a energia eléctrica produzida a
partir da bombagem e a energia eléctrica 10.7.7 Válvula de Admissão (Órgão de Segurança)
consumida na bombagem para repor o mesmo Dispositivo manual ou telecomandado para
volume de água turbinada na albufeira abrir ou fechar a admissão de água (válvula
superior, durante um único ciclo. esférica, cilíndrica, de clapeta, plana, etc.).

10.7.8 Válvula de Segurança


10.7 Termos Técnicos Dispositivo instalado no local onde se situa a
comporta de exploração permanente, para
10.7.1 Barragem funcionar em caso de avaria desta última.
Estrutura destinada a criar a acumulação de
água, armazenando-a. 10.7.9 Canal de Restituição (de Descarga ou de
Saída)
10.7.1.1 Barragem com Evacuador de Cheias de Canal que restitui a água utilizada ao leito
Lâmina Livre natural do curso de água.
Barragem cujo descarregador não tem
comportas.

10.7.1.2 Barragem Móvel


Barragem constituída por dispositivos de
fecho móveis que permitem manter o nível de
retenção e deixar passar livremente a água
através da abertura adequada das partes

121
Secção 11

ENERGIA NUCLEAR
___________________________________________________

11.1 Noções Fundamentais

11.2 Reactores de Potência, Componentes Principais e


Instalações Auxiliares

11.3 Segurança Nuclear

11.4 Comportamento em Serviço dos Reactores de Potência

11.5 Ciclo do Combustível Nuclear

11.6 Gestão dos Resíduos Radioactivos

11.7 Radioprotecção e Impacte Radiológico

123
11.1.1

ENERGIA NUCLEAR 11.1.4 Reactor de Potência


Reactor cujo fim primordial é produzir energia.
São reactores deste tipo os de produção de
electricidade, produção de calor e propulsão.

11.1.5 Reactor a Neutrões Térmicos


Desde o início do seu desenvolvimento para aplica- Reactor em que as cisões nucleares são
ções pacíficas, no princípio da década de 50, a ener- provocadas predominantemente por neutrões
gia nuclear transformou-se numa importante fonte de térmicos.
energia eléctrica que representou, em 1998, cerca de
16 % da produção mundial de electricidade. 11.1.6 Reactor Homogéneo
Reactor em que os materiais do respectivo
Contudo, os programas nucleares foram reduzidos núcleo estão distribuídos de tal modo que as
ou suspensos em muitos países devido às preocu- características neutrónicas podem ser con-
pações do público referentes ao risco nuclear, assim venientemente descritas com uma hipótese
como às incertezas relativas aos custos de cons- de distribuição homogénea destes materiais
trução das centrais, às técnicas e custos do seu no núcleo do reactor.
desmantelamento, e ao armazenamento final dos re-
síduos. A evolução verificada nos projectos dos re- 11.1.7 Reactor Heterogéneo
actores, com melhoria da normalização, dos tempos Reactor em que os materiais do respectivo
de construção e da segurança, poderão contribuir núcleo não se encontram misturados intima-
para minorar as preocupações quanto a segurança e mente, de tal forma que as características
ao risco económico da energia nuclear e conduzir ao neutrónicas são influenciadas pela estrutura
seu reaparecimento como uma opção maior na pro- da mistura.
dução de energia. Tal facto seria da maior importân-
cia, pois a energia nuclear constitui uma opção ca- 11.1.8 Reactor a Neutrões Rápidos
paz de contribuir, em larga escala, para a resolução Reactor em que as cisões nucleares são pro-
do problema do abastecimento de energia, assim vocadas predominantemente por neutrões rá-
como para a estabilização e redução das emissões pidos .
de poluentes resultantes da produção de electricida-
de a partir de combustíveis fósseis. 11.1.9 Reactor Regenerador
Reactor que, a partir dum material fértil, pro-
Esta secção contém termos que se crê serem úteis duz um material cindível idêntico ao que con-
à maioria dos utilizadores. A inclusão de todos os some.
conceitos usados pelos especialistas nucleares ul-
trapassaria largamente os objectivos deste dicioná- 11.1.10 Reactor Conversor
rio, já que a ciência e a tecnologia nucleares cobrem Reactor que, a partir dum material fértil, pro-
vastos campos especializados, dando lugar a uma duz um material cindível diferente do que
terminologia muito extensa e especializada. consome.

11.1.11 Cindível
Nuclídeo susceptível de sofrer cisão nuclear
11.1 Noções Fundamentais por interacção com neutrões, ou material con-
tendo um ou mais destes nuclídeos.
11.1.1 Energia Nuclear Nos documentos internacionais, consideram-
Energia libertada em consequência de trans- se como cindíveis os materiais seguintes:
formações de núcleos atómicos. As transfor- urânio enriquecido nos isótopos U-235 ou U-
mações nucleares podem ser espontâneas, 233, plutónio-239, urânio-233 e qualquer ma-
como nas desintegrações nucleares, ou pro- terial que contenha um ou mais destes nuclí-
vocadas, como nas reacções nucleares (ci- deos.
são nuclear ou fusão nuclear, por exemplo).
11.1.12 Fértil
11.1.2 Central Nuclear Nuclídeo susceptível de ser transformado di-
Central eléctrica que utiliza um ou mais reac- recta ou indirectamente num nuclídeo cindível
tores para produzir energia eléctrica ou térmi- por captura de neutrões, ou material contendo
ca. um ou mais destes nuclídeos. O tório-232 e o
urânio-238 são nuclídeos férteis.
11.1.3 Reactor Nuclear
Dispositivo em que se pode manter e contro- 11.1.13 Radioactividade
lar uma reacção de cisão nuclear em cadeia Propriedade que certos nuclídeos possuem
(reactor de cisão). de emitirem espontaneamente partículas ou
radiação gama a partir do seu núcleo, de se
Nota: Aplica-se algumas vezes este termo cindirem espontaneamente ou de emitirem ra-
para designar um dispositivo em que diação X depois da captura de um electrão
se pode produzir e controlar uma re- orbital.
acção de fusão nuclear (reactor de
fusão.)

125
11.1.15

11.1.14 Nuclídeo Neutrões que acompanham o processo de ci-


Espécie atómica caracterizada pelo número são nuclear sem atraso mensurável.
atómico (número de protões), pelo número de
massa (número de protões e de neutrões) e
pelo conteúdo energético do respectivo nú-
cleo. 11.1.29 Neutrões Retardados
Neutrões que não são libertados imediatamen-
11.1.15 Neutrão te no processo de cisão nuclear mas com um
Partícula elementar electricamente neutra certo atraso, no decurso da desintegração
constituinte dos núcleos atómicos. radioactiva de produtos de cisão.

11.1.16 Protão 11.1.30 Criticidade


Partícula elementar constituinte dos núcleos Estado de aquilo que é crítico.
atómicos que tem uma carga eléctrica ele-
mentar positiva. 11.1.31 Crítico
Um meio, onde se desenvolve uma reacção
11.1.17 Carga Eléctrica Elementar de cisão nuclear em cadeia, diz-se crítico
Carga eléctrica mínima existente na natureza. quando o seu factor de multiplicação efectivo
é igual à unidade.
11.1.18 Cisão Nuclear
Divisão dum núcleo atómico geralmente em Nota: Um reactor nuclear é crítico quando a
duas (ou raramente mais) partes, cujas mas- taxa de produção de neutrões, ex-
sas são da mesma ordem de grandeza, nor- cluindo as fontes de neutrões cujas
malmente acompanhada da emissão de radia- intensidades são independentes da
ção gama e da libertação de energia. taxa de cisão, é exactamente igual à
taxa de desaparecimento dos neu-
11.1.19 Elemento (ou Elemento Químico) trões.
Substância química constituída por átomos
com o mesmo número atómico. 11.1.32 Supercrítico
Um meio diz-se supercrítico quando o seu
11.1.20 Átomo factor de multiplicação efectivo é maior do
Menor porção de um elemento susceptível de que a unidade.
entrar em combinações químicas, constituída
por um núcleo rodeado de electrões distribuí- 11.1.33 Subcrítico
dos por uma ou mais órbitas ou camadas. Um meio diz-se subcrítico quando o seu fac-
tor de multiplicação efectivo é menor do que a
11.1.21 Núcleo Atómico unidade.
Parte central do átomo - constituída por pro-
tões e neutrões - com carga eléctrica positi- 11.1.34 Massa Crítica
va, que contém praticamente toda a massa Massa mínima de material cindível que pode
do átomo e ocupa uma fracção muito pequena ser tornada crítica, para uma disposição ge-
do seu volume. ométrica e uma composição material determi-
nadas.
11.1.22 Número Atómico Unidade SI: kg.
Número de protões de um núcleo atómico.
11.1.35 Reacção Nuclear em Cadeia
11.1.23 Número de Massa Sucessão de reacções nucleares nas quais
Número de protões e de neutrões de um nú- um dos reagentes é, ele próprio, produto da
cleo atómico. reacção.

11.1.24 Energia de Cisão 11.1.36 Reacção Nuclear


Energia libertada pela cisão de um núcleo Processo de que resulta a modificação da es-
atómico. trutura ou do estado energético de um núcleo
Unidade SI: J. atómico.

11.1.25 Neutrões Térmicos 11.1.37 Secção Eficaz


Neutrões em equilíbrio térmico com o meio em Modo de expressão particular da probabilida-
que se encontram. de de uma interacção de um determinado tipo
entre uma radiação incidente e uma partícula
11.1.26 Neutrões Rápidos ou um sistema de partículas constituindo um
Neutrões com energia cinética superior a um alvo. Para um processo determinado, é o
certo valor especificado. Na física dos reac- quociente entre o número de interacções pro-
tores nucleares, este valor é normalmente fi- duzidas por unidade de tempo e a densidade
xado em 0,1 MeV. de fluxo da radiação incidente.
Unidades SI: m2.
11.1.27 Neutrões de Cisão Outra unidade: barn (b), 1 b = 10-28 m2.
Neutrões produzidos, imediatamente ou com
atraso, em consequência da cisão nuclear. 11.1.38 Densidade de Fluxo (de Partículas)
Número de partículas que penetram, por uni-
11.1.28 Neutrões Instantâneos dade de tempo, através da superfície de uma

126
11.1.39

esfera centrada num dado ponto do espaço, por "factor de multiplicação infinito";
dividido pela área do círculo máximo da esfe- no caso real (núcleo do reactor com
ra. É possível exprimi-la igualmente como o dimensões finitas), designa-se por
produto do número de partículas por unidade "factor de multiplicação efectivo".
de volume pela média do módulo da sua velo-
cidade. 11.1.49 Tempo de Duplicação
1. No que se refere ao inventário de combus-
11.1.39 Regeneração tível nuclear de um ciclo completo do
Transformação nuclear de uma substância combustível de um reactor nuclear con-
fértil numa substância cindível idêntica à que versor ou regenerador (ou de um grupo
é consumida numa reacção de cisão nuclear destes reactores), é o tempo necessário
em cadeia (por exemplo transformação de para que o número de nuclídeos cindíveis
urânio-238 em plutónio-239 num reactor nu- seja duplicado, por conversão ou regene-
clear cujo combustível é à base de plutónio). ração
2. No que se refere à carga de combustível
11.1.40 Conversão nuclear de um reactor conversor ou rege-
Transformação nuclear de uma substância nerador, é o tempo necessário para que o
fértil numa substância cindível diferente da número inicial de nuclídeos cindíveis seja
que é consumida numa reacção de cisão nu- duplicado, por conversão ou regeneração.
clear em cadeia (por exemplo, transformação
de urânio-238 em plutónio-239 num reactor 11.1.50 Reactividade
nuclear cujo combustível é à base de urânio). A reactividade de um reactor nuclear designa
o desvio que o separa da criticidade. Define-
11.1.41 Factor de Conversão se pela expressão:
Razão entre o número de núcleos cindíveis ρ = (k-1)/k
produzidos a partir de um material fértil, num em que:
dado intervalo de tempo, e o número de nú-
ρ = reactividade
cleos cindíveis de natureza diferente destruí-
dos, durante o mesmo intervalo de tempo. k = factor de multiplicação efectivo.

11.1.42 Factor de Regeneração 11.1.51 Salvaguarda


Razão entre o número de núcleos cindíveis Sistema internacional de verificação tendo em
produzidos a partir de um material fértil, num vista assegurar que um material cindível ou
dado intervalo de tempo, e o número de nú- quaisquer outros materiais, serviços, equipa-
cleos cindíveis da mesma natureza destruí- mentos, dispositivos e informações não sejam
dos, durante o mesmo intervalo de tempo. desviados para a produção de armas nuclea-
res ou de qualquer outro dispositivo nuclear
11.1.43 Moderação explosivo. Este sistema aplica-se no quadro
Processo pelo qual a energia cinética dos internacional de uma política de não prolifera-
neutrões é reduzida por colisões de disper- ção de armas nucleares, sob a égide da
são. Agência Internacional de Energia Atómica.

11.1.44 Dispersão 11.1.52 Protecção Física


Mudança de direcção de um fotão ou de uma Medidas de protecção de materiais ou dispo-
partícula em movimento, em consequência da sitivos nucleares com o objectivo de evitar
sua interacção com outra partícula. sabotagens ou desvios não autorizados. A
protecção física pode ainda ser considerada
11.1.45 Fotão como uma das medidas destinadas a reduzir
Quantum de radiação electromagnética. o risco de proliferação de armas nucleares,
podendo ser conjugada com outras medidas
11.1.46 Quantum de salvaguarda, tais como o confinamento ou
Quantidade unitária de energia postulada pela a vigilância.
teoria quântica.

11.1.47 Fusão Nuclear (Reacção de) 11.2 Reactores de Potência, Compo-


Reacção nuclear entre dois núcleos leves de nentes Principais e Instalações
que resultam a produção de, pelo menos, uma Auxiliares
espécie nuclear mais pesada e a libertação
de energia. A classificação dos diferentes tipos de reac-
tores pode efectuar-se de acordo com a natu-
11.1.48 Factor de Multiplicação reza do fluido de arrefecimento ou segundo o
Razão entre o número total de neutrões pro- componente que incorpora os elementos de
duzidos num reactor, durante um dado inter- combustível. Apenas se citam os principais
valo de tempo, e o número total de neutrões tipos de reactores.
perdidos, por absorção e fuga, durante o
mesmo intervalo. 11.2.1 Reactor com Cuba sob Pressão
Reactor no qual os elementos de combustível
Nota: No caso teórico em que o núcleo do e o fluido de arrefecimento estão contidos
reactor tem dimensões muito grandes numa cuba que suporta a pressão do fluido
(infinitas), este parâmetro designa-se de arrefecimento.

127
11.2.2

11.2.2 Reactor a Água Natural (LWR) utilizada como moderador em certos tipos de
Reactor em que se utiliza água ou uma mistu- reactores nucleares.
ra de água e vapor como fluido de arrefeci-
mento e moderador. 11.2.14 Elemento de Combustível
O menor elemento, com estrutura própria,
11.2.3 Reactor a Água Pressurizada (PWR) num reactor nuclear, que contém combustível
Reactor no qual a água que serve de fluido de nuclear destinado a ser queimado num reac-
arrefecimento e moderador é mantida a uma tor. O elemento de combustível apresenta-se
pressão suficiente para evitar a sua ebulição. principalmente sob a forma de varas, placas
Este tipo de reactor necessita de urânio enri- ou esferas.
quecido.
11.2.15 Bainha
11.2.4 Reactor a Água Ebuliente (BWR) Cobertura colocada directamente sobre o
Reactor no qual a água usada como fluido de combustível nuclear, a fim de garantir a sua
arrefecimento e moderador pode estar em protecção contra um meio quimicamente acti-
ebulição. O vapor produzido directamente na vo, reter os produtos radioactivos formados
cuba do reactor pode ser conduzido à turbina, durante a irradiação do combustível ou pro-
embora seja ligeiramente radioactivo. Este ti- porcionar um elemento de estrutura.
po de reactor necessita de urânio enriqueci-
do. 11.2.16 Conjunto Combustível
Grupo de elementos de combustível que per-
11.2.5 Reactor com Tubos sob Pressão manecem solidários durante a carga e des-
Reactor cujos elementos de combustível e carga do núcleo de um reactor nuclear.
fluido de arrefecimento estão contidos em tu-
bos que resistem à pressão daquele fluido. 11.2.17 Sistema de Arrefecimento de Emergência
Sistema que, em caso de falha no sistema de
11.2.6 Reactor a Água Pesada (HWR) arrefecimento normal do reactor (por exemplo,
Reactor que utiliza água pesada como mode- perda do fluido primário de arrefecimento),
rador. assegura a remoção do calor residual do nú-
cleo do reactor.
11.2.7 Reactor Arrefecido a Gás (GCR)
Reactor no qual o fluido de arrefecimento é 11.2.18 Piscina de Desactivação
um gás. Grande reservatório ou célula, geralmente
cheio de água (ou de sódio), no qual se de-
11.2.8 Reactor de Alta Temperatura (HTR, HTGR) posita o combustível nuclear irradiado, até
Reactor que utiliza gases nobres como refri- que a sua radioactividade diminua atingindo
gerante e materiais cerâmicos no núcleo e um nível desejado.
que funciona num regime tal que o fluido de
arrefecimento se encontra a temperaturas 11.2.19 Sistema de Aspersão do Contentor
elevadas. Sistema destinado a reduzir o conteúdo em
produtos de cisão no contentor de segurança,
11.2.9 Reactor Arrefecido a Sódio em caso de perdas importantes do fluido de
Reactor que utiliza sódio líquido como fluido refrigeração, contribuindo assim para baixar a
de arrefecimento. pressão e a temperatura no contentor.

11.2.10 Cuba de Pressão do Reactor, Cuba do Reac- 11.2.20 Inundação do Núcleo


tor Sistema de arrefecimento de emergência que,
Recipiente que contém o núcleo do reactor e em caso de avaria do sistema de arrefecimen-
o fluido de arrefecimento. to normal do reactor (por exemplo no caso de
perda do fluido de arrefecimento), assegura a
11.2.11 Núcleo do Reactor remoção do calor residual mediante a inunda-
Região do reactor que contém o material cin- ção do núcleo do reactor.
dível e na qual pode produzir-se uma reacção
de cisão nuclear em cadeia. 11.2.21 Aspersão do Núcleo
Sistema de arrefecimento de emergência que,
11.2.12 Reflector em caso de avaria do sistema de arrefecimen-
1. Parte do reactor adjacente ao núcleo ou a to normal do reactor (por exemplo, no caso de
outro meio susceptível de produzir uma perda de fluido primário de arrefecimento),
reacção de cisão nuclear em cadeia, a remove o calor residual mediante aspersão do
qual se destina a devolver neutrões que núcleo.
tendem a escapar-se.
2. Material ou objecto que reflecte radiação 11.2.22 Máquina de Carregamento do Combustível
incidente de neutrões. Dispositivo destinado a introduzir no núcleo
do reactor ou a tirar do núcleo do reactor
11.2.13 Água Pesada (Óxido de Deutério, D2O) elementos de combustível e outros compo-
Água na qual os átomos de hidrogénio exis- nentes, podendo assegurar o seu transporte.
tem sob a forma do isótopo de hidrogénio
chamado deutério, o qual está presente na
água natural numa proporção de cerca de 1
para 6000. No estado puro a água pesada é

128
11.2.23

11.2.34 Elemento Fértil


11.2.23 Dispositivo de Injecção de Acido Bórico O menor elemento, com estrutura própria,
Sistema destinado à distribuição, injecção e contendo o material fértil destinado a ser
recuperação de ácido bórico utilizado no co- queimado num reactor (ver 11.1.11).
mando de reactores a água pressurizada.
11.2.35 Camada Fértil
11.2.24 Contentor de Segurança Região de matéria fértil colocado à volta ou
Edifício resistente à pressão, que contém o no interior do núcleo de um reactor.
reactor nuclear e se destina a impedir, ou a
limitar a um nível admissível, a dispersão de 11.2.36 Veneno Consumível
substâncias radioactivas na atmosfera, em Absorvente de neutrões introduzido intencio-
caso de acidente. nalmente num reactor e destinado a contribuir
para a compensação das variações a longo
11.2.25 Moderador prazo da reactividade, através do seu con-
Material utilizado para reduzir a energia dos sumo progressivo.
neutrões, por meio de colisões de dispersão e
sem captura apreciável. 11.2.37 Sistema de Controlo Automático
Conjunto de dispositivos que permitem alcan-
11.2.26 Fluido de Arrefecimento (Refrigeração) do çar ou manter, de forma automática, um de-
Reactor terminado regime de funcionamento.
Fluido que circula no reactor para extrair o
calor do núcleo ou de uma camada fértil (ver 11.2.38 Absorvente de Neutrões
11.2.35). Substância cuja interacção com os neutrões
dá lugar a reacções que provocam o seu
11.2.27 Fluido Primário de Arrefecimento desaparecimento como partículas livres, sem
Fluido utilizado para extrair calor de uma fonte produção de outros neutrões.
primária, tal como o núcleo do reactor ou uma
camada fértil. 11.2.39 Elemento de Comando
Parte móvel de um reactor que, por si mesma,
11.2.28 Fluido Secundário de Arrefecimento afecta a reactividade e que se utiliza para o
Fluido utilizado para extrair calor do circuito comando do reactor.
primário de arrefecimento.
11.2.40 Comando de um Reactor Nuclear
11.2.29 Circuito Primário de Arrefecimento Modificação intencional da taxa de cisão num
Sistema de circulação do fluido primário de ar- reactor nuclear, ou ajuste da reactividade,
refecimento que serve para extrair o calor de com vista a garantir o estado de funciona-
uma fonte primária de calor, por exemplo do mento desejado.
núcleo de um reactor ou de uma camada fér-
til. 11.2.41 Controlo de um Reactor Nuclear
Conjunto das operações que têm por finalida-
11.2.30 Circuito Secundário de Arrefecimento de vigiar o funcionamento de um reactor nu-
Sistema de circulação do fluido secundário de clear tendo em vista garantir o seu comando
arrefecimento que serve para extrair calor do e a sua segurança.
circuito primário de arrefecimento. A transfe-
rência de calor do circuito primário para o se- 11.2.42 Condução de um Reactor Nuclear
cundário efectua-se por meio de um permuta- Conjunto de operações de comando e de con-
dor de calor (em certos casos, gerador de trolo de um reactor nuclear.
vapor).
11.2.43 Barra de Comando
11.2.31 Protecção do Reactor (Sistema de) Elemento de comando em forma de barra.
Sistema que recebe informações de vários
instrumentos de medição ou de controlo (que Nota: Entre as barras de comando distin-
verificam os níveis dos parâmetros de funcio- guem-se as de regulação (destinadas
namento essenciais à segurança do reactor) a ajustar a reactividade do reactor) e
e que é capaz de pôr em marcha, automati- as de segurança (destinadas a pro-
camente, uma ou mais medidas de salvaguar- vocar a paragem de urgência do re-
da para manter o regime do reactor dentro de actor).
limites compatíveis com a segurança.

11.2.32 Sistema de Purificação do Ar 11.3 Segurança Nuclear


Dispositivo destinado a remover as impurezas
radioactivas do ar, na zona controlada do re- 11.3.1 Segurança Nuclear
actor. Medidas tomadas, nas fases de concepção e
exploração de uma instalação nuclear, por
11.2.33 Blindagem forma a evitar a ocorrência de acidentes nu-
Material interposto entre uma fonte de radia- cleares ou a reduzir as suas consequências,
ção e uma determinada região, com o objecti- procurando garantir a protecção do pessoal
vo de reduzir a intensidade das radiações io- no sítio, assim como a protecção do público e
nizantes que atingem essa região. do ambiente, contra os efeitos nocivos das
radiações.

129
11.3.2

acidente grave, e a prevenir uma eventual cri-


11.3.2 Acidente Nuclear ticidade.
Acontecimento não intencional que reduz a in-
tegridade de uma (ou mais) barreiras interpos-
tas entre materiais radioactivos e o ambiente, 11.4 Comportamento em Serviço dos
para além do nível previsto no projecto ou Reactores de Potência
consentido pela licença de exploração de uma
instalação nuclear. 11.4.1 Combustão Nuclear
Transformações nucleares produzidas durante
Nota: Os acidentes nucleares são classifi- o funcionamento de um reactor nuclear.
cados de acordo com uma Escala In-
ternacional de Ocorrências Nucleares Nota: Esta expressão pode ser aplicada ao
(com sete níveis), proposta pela combustível nuclear ou a venenos
Agência Internacional de Energia nucleares consumíveis.
Atómica.
11.4.2 Combustão Mássica
11.3.3 Entrada em Exploração de Instalações Nu- Energia total libertada pela combustão nucle-
cleares ar, por unidade de massa de um combustível
Processo pelo qual os componentes da ins- nuclear. Exprime-se, geralmente, em mega-
talação nuclear entram em serviço e são veri- watt-dia por tonelada.
ficados relativamente à sua conformidade
com as especificações de construção e fun- 11.4.3 Reactividade Residual
cionamento. Reactividade de um reactor que se encontra
num estado subcrítico por processos normais
11.3.4 Segurança de Não Criticidade de funcionamento. A reactividade residual é
Prevenção de condições que poderiam dar sempre negativa.
início a uma reacção nuclear em cadeia du-
rante a manipulação ou o armazenamento de 11.4.4 Equivalente de Reactividade
materiais cindíveis. Variação de reactividade resultante da altera-
ção da posição de um elemento de combustí-
11.3.5 Acidentes de Base Considerados no Dimen- vel, de um objecto ou de um material introdu-
sionamento zido no reactor, ou da modificação de um pa-
Condições de acidente em relação às quais râmetro de exploração.
se prevê que uma central nuclear se encontre
protegida, em conformidade com os critérios 11.4.5 Balanço de Reactividade
estabelecidos. Comparação entre o excesso de reactividade,
relativo a um determinado estado de referên-
11.3.6 Acidente de Perda de Refrigeração (LOCA) cia do reactor, e o somatório dos equivalen-
Acidente que implica a perda de refrigeração tes de reactividade resultantes de uma modi-
do núcleo do reactor. ficação do estado referência.
11.3.7 Veneno Nuclear Nota: O estado de referência escolhido po-
Substância que, graças à sua grande secção de ser o de reactor frio com um nú-
eficaz de absorção de neutrões, pode diminuir cleo definido no início da primeira en-
a reactividade. trada em serviço (preferencialmente,
se se trata de considerações de se-
Nota 1: Um veneno pode ser utilizado para o gurança) ou qualquer outro estado de
comando do reactor. Exemplo: ácido funcionamento.
bórico no circuito primário de refrige-
ração, gadolínio no combustível nu- 11.4.6 Excesso de Reactividade
clear ainda não irradiado. Reactividade máxima disponível em qualquer
momento, por ajustamento dos elementos de
Nota 2: Há produtos de cisão que se compor- comando.
tam como venenos. Exemplo: xénon.
11.4.7 Coeficiente de Reactividade
11.3.8 Calor Residual Variação da reactividade correspondente à
Calor produzido por desintegração radioactiva variação unitária de um dado parâmetro que
ou por cisão nuclear após a paragem do reac- a influencia (por exemplo, a temperatura ou a
tor e, ainda, calor armazenado nas estruturas pressão).
do reactor e no circuito de arrefecimento.
11.4.8 Constante de Tempo de um Reactor (Período
11.3.9 Descarga Final de Calor de um Reactor)
Transferência do calor residual para a atmos- Tempo necessário para que a densidade de
fera, para uma massa de água ou para uma fluxo de neutrões num reactor varie de um
combinação de ambas. factor e=2,718…, quando a respectiva varia-
ção for exponencial.
11.3.10 Cinzeiro Unidade SI : s.
Dispositivo destinado a receber, reter e arre-
fecer o combustível nuclear fundido, após um

130
11.4.9

11.4.9 Potência Volúmica do Reactor 11.5 Ciclo do Combustível Nuclear


Potência produzida por unidade de volume do
núcleo do reactor.
11.5.1 Termos Gerais e Tecnologia a Montante do
Ciclo de Combustível Nuclear
11.4.10 Envenenamento pelo Xénon (Efeito Xénon)
Redução da reactividade provocada pela cap- 11.5.1.1 Combustível Nuclear
tura de neutrões pelo produto de cisão xénon- Matéria contendo nuclídeos cindíveis que,
135, que é um veneno nuclear. colocada num reactor nuclear, permite que aí
se desenvolva uma reacção de cisão nuclear
em cadeia.
11.4.11 Potência Específica do Combustível
Quociente entre a potência térmica total de- 11.5.1.2 Ciclo do Combustível Nuclear
senvolvida no núcleo de um reactor e a mas- Conjunto de etapas percorridas pelo combus-
sa inicial de nuclídeos cindíveis e férteis. tível nuclear desde a sua elaboração até ao
tratamento final, passando pela utilização
11.4.12 Potência Linear de uma Barra de Combustí- num reactor nuclear.
vel O ciclo do combustível nuclear é dito “fecha-
Potência térmica produzida por unidade de do” quando engloba o reprocessamento dos
comprimento de uma barra de combustível. elementos de combustível irradiados e a reci-
Unidade SI : W/m. clagem dos materiais cindíveis recuperados.
O ciclo do combustível nuclear é dito “aberto”
11.4.13 Crise de Ebulição ou de uma única passagem quando termina
Na transferência de calor entre uma parede no armazenamento definitivo do combustível,
aquecida e um fluido, modificação do regime após a sua utilização no reactor.
de vaporização da qual resulta uma redução
rápida e importante da permuta térmica na pa- 11.5.1.3 Duração do Ciclo de Exploração
rede, pela passagem da ebulição à calefac- Intervalo de tempo entre recargas do reactor
ção. que se iniciam com a criticidade inicial do ci-
Unidade SI: W/m2. clo considerado e terminam com a criticidade
inicial do ciclo seguinte.
Nota 1: Num reactor nuclear com fluido Unidade SI: s; outras unidades: mês, ano.
transportador de calor no estado lí-
quido, este fenómeno traduz-se: 11.5.1.4 Inventário de Combustível
− No núcleo, por uma elevação de Quantidade total de combustível nuclear con-
temperatura que pode danificar as tido num reactor, num dado conjunto de reac-
bainhas dos elementos de com- tores ou num ciclo de combustível completo.
bustível;
− No gerador de vapor, por uma de- 11.5.1.5 Inventário de Material Cindível
gradação das suas característi- Quantidade de material cindível colocado num
cas e na possibilidade de se reactor, num dado conjunto de reactores ou
formarem depósitos nas partes num ciclo de combustível completo.
secas, com corrosão.
11.5.1.6 Urânio
Nota 2: O equivalente desta expressão, em Elemento de número atómico Z=92 que existe
inglês, é "departure from nucleate na natureza sob a forma de uma mistura de
boiling". Por extensão, o termo "bur- três isótopos:
nout" é por vezes utilizado no mesmo − Urânio-238 fértil (99,274 %)
sentido. − Urânio-235 cindível (0,720 %)
− Urânio-234 (0,006 %)
11.4.14 Potência Térmica Total do Reactor Estes três isótopos do urânio são emissores
Energia total dissipada no núcleo dum reactor
nuclear, por unidade de tempo. α.
Unidade SI: W.
11.5.1.7 Unidade de Trabalho de Separação (UTS)
Nota: Para a energia total, concorrem a Medida do esforço necessário para separar o
energia dissipada quer instantanea- urânio em duas componentes, uma enriqueci-
mente (energia cinética dos fragmen- da e outra empobrecida.
tos de cisão) quer diferidamente (ra-
dioactividade dos produtos de cisão). Nota: A UTS é independente do processo
de separação utilizado. A unidade SI
da UTS é o quilograma. Os custos de
enriquecimento e o consumo de
energia são calculados por quilogra-
11.4.15 Paragem de Emergência ma de UTS realizado.
Acção de paragem brusca de um reactor para
evitar uma situação perigosa ou minimizar as 11.5.1.8 Enriquecimento
consequências da sua ocorrência. Teor isotópico de um determinado isótopo
presente numa mistura de isótopos de um

131
11.5.1.9

elemento químico, quando o seu valor é supe-


rior ao que tem no estado natural. 11.5.1.15 Plutónio
Elemento transuraniano (actinídeo artificial)
11.5.1.9 Processos de Enriquecimento com número atómico Z=94. A sua utilização
Processos que permitem aumentar o teor de exige precauções rigorosas.
um determinado isótopo de um elemento quí-
mico natural. São processos de enriquecimen- 11.5.1.16 Produtos de Cisão
to de urânio, entre outros, a difusão gasosa, Nuclídeos produzidos directamente por cisão
a ultracentrifugação, a separação isotópica nuclear ou posteriormente por desintegração
por "nozzle", por "laser" e por permuta quími- radioactiva de fragmentos de cisão.
ca.
11.5.1.17 Fragmentos de Cisão
11.5.1.10 Urânio Enriquecido Núcleos provenientes directamente da cisão
Urânio cujo teor em urânio-235 é superior ao nuclear
existente no urânio natural.

11.5.1.11 Urânio Empobrecido 11.5.2 Tecnologia a Jusante do Ciclo d e


Urânio cujo teor em urânio-235 é inferior ao Combustível Nuclear
existente no urânio natural.
11.5.2.1 Tecnologia a Jusante do Ciclo de Combus-
11.5.1.12 Tório tível Nuclear
Elemento de número atómico Z=90. Pode ser Conjunto de operações relativas ao combus-
utilizado nos reactores nucleares como ele- tível nuclear irradiado. Compreende o arma-
mento fértil. A irradiação do tório-232 com zenamento numa piscina de desactivação ou
neutrões permite obter urânio-233, matéria em dispositivos de armazenamento a seco,
cindível artificial tal como o plutónio-239, por e/ou o armazenamento definitivo, o reproces-
exemplo. samento e a fabricação de combustível nu-
clear à base de óxidos mistos de urânio e plu-
11.5.1.13 Isótopos tónio.
Nuclídeos com o mesmo número de protões
e, portanto, número atómico, mas de massas 11.5.2.2 Instalação de Armazenamento e Arrefeci-
diferentes, ou seja, diferente número de neu- mento do Combustível Irradiado
trões. Instalação utilizada para o armazenamento de
elementos de combustível nuclear irradiados,
11.5.1.14 Isótopos do Urânio após a sua saída do reactor.
Distinguem-se: Nas instalações de armazenamento húmido, o
combustível é armazenado em piscinas de
− Urânio-233: emissor α, que não existe desactivação.
no estado natural. É um material cindível Nas instalações de armazenamento a seco, o
obtido por irradiação do tório-232. O seu combustível é armazenado em embalagens,
período é de 1,62 x 105 anos. estruturas de betão, cavernas ou outros lo-
− Urânio-234: um dos isótopos naturais do cais secos e arrefecidos pelo ar ou por um
urânio. Existe no estado natural numa gás.
proporção muito baixa (0,006 %). É um A instalação de armazenamento reúne, por
emissor α com um período de 2,48 x 105 vezes, as funções de protecção do ambiente
anos. e de arrefecimento do combustível irradiado.
− Urânio-235: a sua proporção no urânio 11.5.2.3 Embalagem de Transporte
natural é de 0,720 %. É um material cin- Contentor blindado utilizado para o armaze-
dível que constitui o combustível nuclear namento temporário de materiais radioactivos.
mais corrente. O aumento da proporção
do urânio-235 (enriquecimento) faz-se 11.5.2.4 Reprocessamento do Combustível
por diversos métodos ditos de separa- Recuperação do material cindível ou fértil do
ção isótopica. O seu período é de 7,1 x combustível nuclear irradiado, por meio da
108 anos. separação química dos produtos de cisão e
− Urânio-238: trata-se do isótopo de urânio de outros radionuclídeos (por exemplo: acti-
natural mais abundante (99,27 %). É um nídeos).
material fértil que permite produzir plutó-
nio (cindível) por captura de neutrões de 11.5.2.5 Armazenamento Junto do Reactor
cisão. O seu período é de 4,51 x 109 Armazenamento do combustível irradiado no
anos. interior do edifício do reactor ou dentro dos
limites do respectivo sítio.
Nota: Devem ser mencionados, também,
três outros isótopos do urânio, o 232, 11.5.2.6 Armazenamento Afastado do Reactor
o 236 e o 237, que aparecem no Armazenamento do combustível irradiado no
combustível nuclear durante a irradi- exterior do sítio do reactor, o que implica, em
ação. geral, um armazenamento intermédio do com-
bustível irradiado proveniente de várias cen-
trais nucleares.

132
11.5.2.7

11.5.2.7 Acondicionamento do Combustível Nota: Um centro de armazenamento centra-


Tratamento especial do combustível irradiado lizado situa-se, por exemplo, junto de
com o objectivo de um armazenamento; por uma instalação de reprocessamento
exemplo, armazenamento compacto, seca- de combustível nuclear irradiado.
gem, estabilização, embalagem.
11.5.2.16 Instalação de Tratamento do Combustível
11.5.2.8 Transporte do Combustível Irradiado
Movimento do combustível de um local para Instalação onde se procede ao tratamento do
outro, utilizando embalagens capazes de ga- combustível nuclear após a sua utilização
rantir a segurança radiológica e a protecção num reactor nuclear, tendo em vista recuperar
do ambiente e de evitar a criticidade, quer em os materiais cindíveis e férteis e separá-los
condições normais, quer em caso de aciden- dos produtos de cisão.
te. O tratamento inclui o desmantelamento dos
elementos de combustível, a separação das
11.5.2.9 Exame Pós-Irradiação respectivas bainhas de protecção e proces-
Processo de observação dos elementos de sos químicos de extracção por via húmida ou
combustível e das respectivas varas, após ir- seca.
radiação. A instalação permite, em geral, um armaze-
namento temporário de elementos de combus-
11.5.2.10 Consolidação das Varas tível no próprio local, um armazenamento a
Desmontagem das varas dos seus quadros e longo prazo dos resíduos e dos líquidos alta-
suportes com vista ao seu armazenamento mente radioactivos, assim como uma reten-
sob uma forma mais compacta do que durante ção dos gases de cisão que se libertam dos
a utilização dos elementos de combustível elementos em tratamento (ver 11.6.14).
dentro do reactor.
11.5.2.17 Actinídeos
11.5.2.11 Gestão do Combustível Irradiado Série de elementos com um número atómico
Conjunto das actividades administrativas e igual ou superior a 89, tendo todos proprieda-
operacionais que incluem a descarga, o ma- des químicas análogas.
nuseamento, o processamento, o acondicio- Compreende elementos naturais tais como o
namento, o transporte, o armazenamento e o actínio, o tório, o protactínio e o urânio, as-
reprocessamento do combustível irradiado, a sim como os elementos artificiais (transurani-
reciclagem de material cindível e/ou fértil, anos) seguintes: o neptúnio, o plutónio, o
excluindo o armazenamento definitivo dos re- amerício, o cúrio, o berquerélio, o califórnio, o
síduos. einstéinio, o férmio, o mendelévio, o nobélio e
o laurêncio.
11.5.2.12 Armazenamento do Combustível Irradiado
Acção que consiste em conservar os ele- 11.5.2.18 Urânio Reprocessado
mentos de combustível, de uma forma recu- Urânio obtido pelo processo de reprocessa-
perável, numa instalação que faz apelo a um mento de um combustível irradiado.
isolamento e a uma protecção relativamente
às condições térmicas, químicas e físicas 11.5.2.19 Recuperação do Plutónio
envolventes, assim como à adopção das dis- Extracção do plutónio contido no combustível
posições necessárias para garantir a respec- irradiado, mediante o reprocessamento deste
tiva vigilância. último.

11.5.2.13 Armazenamento a Curto Prazo 11.5.2.20 Reciclagem do Plutónio


Armazenamento por um período durante o Reutilização, em reactores nucleares, do plu-
qual os elementos de combustível nuclear ir- tónio recuperado mediante o reprocessamento
radiados não necessitam de uma preparação de combustível irradiado.
especial, por exemplo, a sua colocação numa
embalagem.
11.6 Gestão de Resíduos Radioactivos
11.5.2.14 Armazenamento a Longo Prazo
Armazenamento dos elementos de combustí- 11.6.1 Resíduos Radioactivos
vel nuclear irradiados por um longo período, o Quaisquer materiais contendo, ou contamina-
que exige embalagem e/ou instalações espe- dos por, radionuclídeos em concentrações
ciais de armazenamento. superiores aos valores que as autoridades
competentes considerem como admissíveis
11.5.2.15 Armazenamento Centralizado nesses materiais, para uma utilização sem
Armazenamento de combustível nuclear irra- controlo, e relativamente aos quais não se
diado, num centro de grande capacidade, si- prevê qualquer uso futuro.
tuado num local afastado dos reactores. O
combustível irradiado proveniente de diversas 11.6.2 Gestão de Resíduos Radioactivos
zonas do país (ou mesmo de outras partes do Todas as operações, administrativas e opera-
mundo) é enviado para esse centro, após ter cionais, que envolvem o manuseamento, o
sido temporariamente armazenado numa pis- tratamento, o acondicionamento, o transporte,
cina de desactivação, junto ao reactor. o armazenamento transitório e o armazena-
mento final (ou definitivo) dos resíduos radio-
activos.

133
11.6.3

11.6.3 Resíduo Alfa 11.6.13 Embalagem dos Resíduos


Resíduo que contém radionuclídeos emisso- Contentor usado para o transporte, armaze-
res alfa, em quantidades superiores aos ní- namento transitório e armazenamento final
veis de isenção. dos resíduos. A operação de acondiciona-
mento dos resíduos conduz, por norma, à in-
11.6.4 Categorias de Resíduos clusão dos produtos do acondicionamento
Agrupamentos de resíduos segundo as suas num contentor.
características a fim de que cada grupo pos-
sa ser submetido às mesmas operações de 11.6.14 Célula Quente
gestão (tratamento, acondicionamento, trans- Célula fortemente blindada equipada para o
porte, etc.). A divisão dos resíduos em cate- manuseamento de substâncias fortemente ra-
gorias é efectuada tendo em atenção as for- dioactivas, com a ajuda de telemanipuladores.
mas físicas e químicas (resíduos sólidos e lí- A observação é possível através de janelas
quidos, soluções orgânicas e soluções aquo- de vidro de chumbo destinadas a proteger o
sas), a radioactividade dos resíduos (resídu- operador contra os efeitos das radiações. Es-
os de baixa, média e alta actividades) e a tas células são ventiladas e a radioactividade
semi-vida dos radionuclídeos presentes (resí- ambiente, no seu interior, é permanentemente
duos de vida curta ou vida longa). controlada.

11.6.5 Acondicionamento dos Resíduos 11.6.15 Factor de Descontaminação


Operação que consiste na conversão dos re- Relação entre a concentração inicial de maté-
síduos numa forma sólida estável resistente ria radioactiva contaminante e o seu conteúdo
aos agentes naturais durante os períodos de final após um processo de descontaminação.
tempo previstos para os armazenamentos
transitório e final. Nota: O termo pode referir-se a um radio-
Nuclídeo específico ou à radioactivi-
11.6.6 Descontaminação dade global.
Eliminação ou redução da contaminação radi-
oactiva de materiais, pessoas ou ambiente. 11.6.16 Grau de Descontaminação
Quociente, expresso em percentagem, da di-
11.6.7 Armazenamento Transitório ferença entre a concentração total dos radio-
Armazenamento dos materiais radioactivos nuclídeos antes da descontaminação e a
sob guarda e controlo permanentes, antes do concentração dos radionuclídeos depois da
seu armazenamento final ou da sua elimina- descontaminação, pela concentração total
ção. dos radionuclídeos antes da descontamina-
ção:
11.6.8 Armazenamento Final
Armazenamento definitivo dos resíduos radio-
A(antes) – A(depois)
activos, garantindo o respectivo isolamento X 100
A(antes)
da biosfera, sem necessidade de guarda ou
controlo permanentes. Este armazenamento
final poderá prever ou não a recuperação ulte- em que A é a concentração total de radionu-
rior dos resíduos radioactivos armazenados. clídeos.

11.6.9 Resíduo Misto 11.6.17 Betumização


Resíduo radioactivo que contém diversos Processo que consiste na incorporação dos
produtos químicos que podem ter efeitos no- resíduos numa matriz de betume com o objec-
civos sobre o ambiente. tivo da sua imobilização.

11.6.10 Barreiras Múltiplas 11.6.18 Betonagem


Sistema que utiliza duas ou mais barreiras in- Processo que consiste na incorporação dos
dependentes para isolar os resíduos do ambi- resíduos numa matriz de betão com o objecti-
ente. Essas barreiras podem compreender a vo da sua imobilização.
incorporação dos resíduos em certos mate-
riais, as embalagens ou as barreiras técnicas 11.6.19 Vitrificação
bem como o meio de armazenamento e o seu Processo que consiste na incorporação dos
ambiente. resíduos numa matriz de vidro com o objecti-
vo da sua imobilização.
11.6.11 Termo-fonte
Expressão empregue na informação sobre a 11.6.20 Floculação
emissão real ou potencial de um material radi- Processo destinado a separar as partículas
oactivo a partir de uma determinada fonte. sólidas (frequentemente coloides) de lamas
Pode incluir a especificação sobre a compo- radioactivas, neutralizando a sua carga eléc-
sição, a extensão, o valor e o modo de emis- trica e permitindo que as partículas neutrali-
são. zadas se aglomerem e decantem. A neutrali-
zação é geralmente efectuada por meios elec-
11.6.12 Resíduo Transuraniano troquímicos, introduzindo cargas de sinal
Resíduo que contém nuclídeos com um núme- oposto por adição ou de um electrólito ou de
ro atómico superior a 92. um outro coloide.

134
11.6.21

ionizantes ou para evitar a disseminação da


11.6.21 Incineração contaminação radioactiva e cujo acesso é
Processo que consiste em queimar os resí- controlado.
duos radioactivos combustíveis, com o objec-
tivo de reduzir o seu volume, até à obtenção 11.7.5 Área Vigiada
de um resíduo sob a forma de cinzas. Área devidamente supervisionada para efeitos
de protecção contra radiações ionizantes.
11.6.22 Evaporação
Processo de concentração dos resíduos radi- 11.7.6 Becquerel (Bq)
oactivos líquidos, por evaporação forçada. Designação da unidade de actividade. Um
becquerel equivale a uma transição por se-
11.6.23 Período Radioactivo gundo.
Intervalo de tempo ao fim do qual a actividade 1 Bq = 1 s-1.
de uma fonte radioactiva simples (contendo
um único radioaNuclídeo) diminui para meta- 11.7.7 Contaminação Radioactiva
de, em consequência de desintegrações nu- Presença indesejada de uma substância ra-
cleares. dioactiva num local, num material ou num or-
Unidade SI: s; outras unidades: dia, ano. ganismo, onde pode ser prejudicial.

Nota: O período é uma característica física 11.7.8 Débito de Dose (Taxa de Dose)
de cada radioNuclídeo, podendo vari- Quociente entre a dose absorvida num inter-
ar desde menos de um milionésimo valo de tempo, suficientemente pequeno, e a
de segundo até milhões de anos. duração desse intervalo.

11.6.24 Período Biológico 11.7.9 Declaração


Tempo necessário para reduzir a metade, por Obrigação de apresentar documentação à au-
eliminação biológica, determinada quantidade toridade competente, destinada a comunicar a
de uma substância existente num organismo. intenção de levar a efeito uma prática ou
qualquer outra acção envolvendo substâncias
11.6.25 Período Efectivo radioactivas ou radiações ionizantes.
Tempo necessário para reduzir a metade o
valor da actividade inicial de uma substância 11.7.10 Descarga de Efluentes Radioactivos
radioactiva existente num organismo, por Emissão controlada de materiais radioactivos,
eliminação biológica e por desintegração radi- para a atmosfera ou para o meio aquático, por
oactiva. instalações nucleares ou radioactivas.

11.7.11 Detrimento da Saúde


11.7 Radioprotecção e Impacte Radioló- Estimativa do risco de redução da esperança
gico e qualidade de vida de uma população após a
exposição a radiações ionizantes, incluindo
perdas por efeitos tanto estocásticos como
11.7.1 Acelerador determinísticos.
Aparelho ou instalação onde são aceleradas
partículas e que emite radiações ionizantes 11.7.12 Dose Absorvida (D)
com energia superior a 1 mega-electrão-volt Energia recebida, por unidade de massa, por
(1 MeV). uma substância exposta a radiações ionizan-
tes, num dado ponto:
11.7.2 Activação dε
D =
Processo pelo qual um Nuclídeo estável é dm
transformado num radioNuclídeo, através da
irradiação, com partículas ou com radiações em que dε é a energia média cedida pelas
gama de alta energia.
radiações ionizantes à matéria num elemento
de volume com a massa dm.
11.7.3 Actividade (A)
Unidade SI: gray (Gy).
A actividade, A, de uma certa quantidade de
um radioNuclídeo, num determinado estado
11.7.13 Dose Efectiva (E)
energético e num dado momento, é o quocien-
Soma das doses equivalentes, H T, pondera-
te de dN por dt, sendo dN o valor esperado
das para todos os tecidos e órgãos do corpo
do número de transições nucleares espontâ-
através de factores de ponderação tecidular
neas desse estado energético no intervalo de
w T, resultantes de exposição interna ou ex-
tempo dt:
terna a radiações ionizantes:
A = dN/dt E = ∑ w T HT
Unidade SI: becquerel (Bq) T

em que HT é a dose equivalente no tecido T.


Unidade SI: sievert (Sv).
11.7.4 Área Controlada
Área submetida a regulamentação especial,
para efeitos de protecção contra radiações

135
11.7.14
te-se a inexistência de um limiar de dose,
11.7.14 Dose Equivalente (HT) abaixo do qual estes efeitos não possam
Dose absorvida num órgão ou tecido, ponde- ocorrer.
rada em função do tipo e da qualidade da ra-
diação através do factor de ponderação da 11.7.20 Eliminação
radiação, wR: Colocação de resíduos num depósito ou num
HT = ∑ w RDT ,R determinado local, sem intenção de reaprovei-
R tamento. A eliminação abrange igualmente a
descarga directa autorizada de resíduos no
em que DT,R é a dose média devida à radiação ambiente e a sua subsequente dispersão.
R, absorvida no tecido T.
Unidade SI: sievert (Sv). 11.7.21 Emergência Radiológica
Situação que requer uma acção urgente, a fim
11.7.15 Dose Efectiva Comprometida [E(τ)] de proteger os trabalhadores, membros do
público ou uma parte ou a totalidade da po-
Soma das doses equivalentes absorvidas nos
pulação.
tecidos ou órgãos, HT(τ), em resultado de
uma incorporação, cada uma delas multiplica- 11.7.22 Exposição
da pelo factor de ponderação tecidular, wT, Processo, acto ou condição de ser exposto a
adequado: radiações ionizantes.
E(τ ) = ∑ w T HT (τ )
T
11.7.23 Exposição Acidental
Ao especificar E(τ), τ representa o número de Exposição de indivíduos em consequência de
anos em que se faz a integração. um acidente, com exclusão da exposição de
Unidade SI: sievert (Sv). emergência.

11.7.24 Exposição de Emergência


11.7.16 Dose Equivalente Comprometida HT(τ) Exposição de indivíduos que executem uma
Dose equivalente total resultante para o teci- acção rápida, que seja necessária para pres-
do ou órgão T, na sequência de uma incorpo- tar assistência a indivíduos em perigo, evitar
ração de radionuclídeos ocorrida no instante a exposição de um grande número de pes-
t0 : soas ou salvar uma instalação ou bens de
t o +τ valor, e que implique a possibilidade de ser
HT (τ )= ∫ H&T (t )d t excedido um dos limites de dose individual fi-
to xados para os trabalhadores expostos. A ex-
&
posição de emergência só se aplica a volun-
em que HT (t ) é o débito de dose equivalente tários.
no órgão ou tecido T, num instante t, e τ é o
11.7.25 Exposição Potencial
período, em anos, durante o qual se realiza a
Exposição de cuja ocorrência não pode haver
integração da dose. Quando o período de in-
a certeza, mas cuja probabilidade pode ser
tegração não é especificado, pressupõe-se
previamente estimada (ex.: acidente base de
que seja igual a 50 anos para adultos e a 70
projecto).
anos para crianças.
Unidade SI: sievert (Sv).
11.7.26 Factor de Ponderação da Radiação (wR) Fac-
tor adoptado para tomar em conta a diferente
11.7.17 Dosimetria
eficácia de vários tipos de radiações na indu-
Medição ou avaliação da dose absorvida, da
ção de efeitos biológicos.
exposição, da dose equivalente ou das cor-
respondentes unidades operacionais.
11.7.27 Factor de Ponderação Tecidular (wT)
Factor adoptado para tomar em conta a dife-
11.7.18 Efeitos Determinísticos
rente sensibilidade dos vários tecidos do or-
Efeitos biológicos relacionados com o mau
ganismo aos efeitos das radiações ionizan-
funcionamento ou perda de função de tecidos
tes.
ou órgãos, essencialmente devidos à morte
de um número significativo de células. Estes
11.7.28 Fonte (de Radiação Ionizante)
efeitos apenas ocorrem após a exposição a
Aparelho ou substância que emite ou pode
elevadas doses de radiação e surgem pouco
emitir radiação ionizante.
tempo após a exposição.
11.7.29 Fonte Selada
11.7.19 Efeitos Estocásticos
Fonte cuja estrutura impede, em circunstânci-
Efeitos biológicos cuja probabilidade de ocor-
as normais de utilização, qualquer dispersão
rência é proporcional à exposição às radia-
de substâncias radioactivas no ambiente.
ções. Estes efeitos resultam das modifica-
ções provocadas a nível celular, nomeada-
11.7.30 Fonte Artificial
mente nas cadeias do ADN, e consequentes
Fonte de radiação ionizante produzida pelo
alterações cromossómicas. Podem surgir mui-
Homem.
to tempo após a exposição (período de latên-
cia) e incluem o aumento de risco de cancro e
de mutações genéticas hereditárias. Para
efeitos de protecção contra radiações, admi-

136
11.7.31
medidas de intervenção. A dose evitável ou
11.7.31 Fonte Natural valor derivado é apenas aquele que se relaci-
Fonte de radiação ionizante de origem natural, ona directamente com a via de exposição à
cósmica ou terrestre. qual deverá ser aplicada a medida de inter-
venção.
11.7.32 Gray (Gy)
Designação da unidade de dose absorvida. 11.7.42 Prática
Um gray é igual a um joule por quilograma. Actividade humana de que pode resultar au-
1 Gy = 1 J kg-1 mento da exposição dos indivíduos às radia-
ções provenientes de uma fonte artificial ou
11.7.33 Grupo de Referência da População de uma fonte natural. Neste caso, apenas se
Grupo de indivíduos cuja exposição a uma considera prática a actividade em que se pro-
fonte de radiação é razoavelmente homogé- cessam os materiais. As situações de expo-
nea e representativa daqueles que, de entre a sição de emergência não são consideradas
população, estão mais expostos à referida práticas
fonte.
11.7.43 Precipitação Radioactiva
11.7.34 Ião Deposição, ao nível do solo, de substâncias
Átomo ou molécula com uma carga eléctrica radioactivas provenientes da atmosfera.
total não nula.
11.7.44 Radiação
11.7.35 Incorporação Transmissão de energia sob a forma de partí-
Absorção de radionuclídeos por um organis- culas ou de ondas electromagnéticas.
mo, por ingestão, inalação ou outro processo.
11.7.45 Radiação Electromagnética
11.7.36 Intervenção Radiação associada a variações mais ou me-
Actividade humana destinada a impedir ou a nos rápidas dos campos eléctrico e magnéti-
diminuir a exposição dos indivíduos a radia- co no meio em que se propaga, e caracteri-
ções provenientes de fontes que não façam zada pelo seu comprimento de onda.
parte de uma determinada prática ou sobre as
quais se tenha perdido o controlo, através da 11.7.46 Radiação Ionizante
actuação sobre tais fontes, sobre as vias de Radiação capaz de produzir iões, directa ou
transferência dos radionuclídeos ou sobre os indirectamente, por interacção com a matéria
próprios indivíduos expostos. onde se propaga.

11.7.37 Ionização 11.7.47 Radioprotecção (ou Protecção Contra Radia-


Formação de iões pela adição ou subtracção ções ou Protecção Radiológica)
de electrões a átomos, ou pelo fraccionamen- Adopção das medidas adequadas para a pro-
to de moléculas, por acção de radiações ioni- tecção de pessoas, bens e ambiente contra
zantes. os riscos derivados das radiações ionizantes.

11.7.38 Limite de Dose 11.7.48 Radiotoxicidade


Valor máximo para a dose resultante da ex- Toxicidade atribuível a determinada substân-
posição a radiações ionizantes, recebida por cia radioactiva, quando incorporada pelo or-
trabalhadores, aprendizes, estudantes ou ganismo humano, em virtude das suas propri-
membros do público. Este limite aplica-se à edades metabólicas e radioactivas.
soma das doses resultantes da exposição ex-
terna e da incorporação de radionuclídeos. 11.7.49 Restrição de Dose
Limitação das doses prospectivas recebidas
11.7.39 Médico Aprovado pelos indivíduos que possam ser provenien-
Médico responsável pelo controlo médico dos tes de uma determinada fonte, destinada a
trabalhadores e cuja qualificação é reconhe- ser utilizada na fase de planeamento da pro-
cida pelas autoridades competentes. tecção contra radiações, sempre que se pre-
tenda proceder à respectiva optimização.
11.7.40 Nível de Isenção
Valor máximo, estabelecido pelas autoridades 11.7.50 Serviço de Dosimetria Aprovado
competentes, que as substâncias radioacti- Entidade responsável pela calibração, leitura
vas (ou os materiais que contenham substân- ou interpretação de dispositivos de monitori-
cias radioactivas) resultantes de qualquer zação individual, pela medição da radioactivi-
prática sujeita à exigência de declaração ou dade no organismo humano ou em amostras
autorização não deverão exceder para pode- biológicas, ou pela avaliação de doses, cuja
rem ficar isentas de tais exigências. Estes qualificação para o exercício de tais funções
níveis são expressos em termos de concen- é reconhecida pelas autoridades competen-
trações de actividade e/ou de actividade to- tes.
tal.
11.7.51 Sievert (Sv)
11.7.41 Nível de Intervenção Designação da unidade de dose equivalente
Valor de dose (de dose equivalente ou de e de dose efectiva. Um sievert equivale a um
dose efectiva) evitável, ou valor derivado, a joule por quilograma.
partir do qual se torna necessário adoptar 1 Sv = 1 J kg-1

137
11.7.52

11.7.52 Substância Radioactiva 11.7.53 Trabalhador Exposto


Qualquer substância que contenha um ou Pessoa submetida, durante o trabalho por
mais radionuclídeos cuja actividade ou con- conta própria ou por conta de outrém, a uma
centração não possa ser desprezada do pon- exposição decorrente de práticas susceptí-
to de vista da protecção contra radiações. veis de provocar doses superiores ao limite
de dose para membros do público.

138
Secção 12

ELECTRICIDADE
___________________________________________________

12.1 Produção

12.2 Transporte e Distribuição

12.3 Potência e Energia

12.4 Exploração

139
12.1.1

ELECTRICIDADE parte da energia seja utilizada para accionar


os grupos e produzir energia eléctrica e a ou-
tra parte para fornecer calor para vários fins:
indústria, distribuição de calor, etc.

A electricidade é uma energia derivada que pode ser 12.1.6 Central Nuclear
produzida a partir da maioria das formas energéti- Central térmica na qual a energia libertada a
cas. O mais importante processo da sua produção partir de combustível nuclear é convertida em
consiste em recorrer a um gerador ou alternador que energia eléctrica.
converte energia mecânica fornecida por um proces-
so térmico ou por uma turbina hidráulica. 12.1.7 Central Hidráulica ou Hidroeléctrica
Na maior parte das suas aplicações, a electricidade Central na qual a energia mecânica da água é
é uma energia de rede que deve ser produzida no convertida em energia eléctrica.
momento do seu consumo. Com efeito, o seu arma-
zenamento só é possível indirectamente e em apli- 12.1.8 Central de Bombagem
cações muito restritas. É uma central na qual a água pode ser eleva-
Por razões de natureza económica e de qualidade da para um ou vários reservatórios superiores
do fornecimento é aconselhável projectar as redes por intermédio de bombas e armazenada para
de transporte e de distribuição em larga escala e ser utilizada mais tarde na produção de ener-
explorá--las de modo interligado. gia eléctrica.
Apenas quinze por cento das necessidades mun-
diais de energia final são cobertas pela electricida- 12.1.9 Central Eólica
de. Contudo, a sua importância é, por diversas ra- Instalação de produção de energia eléctrica a
zões, muito superior. Existem muito poucas utiliza- partir da energia cinética do vento.
ções relativamente às quais se não recorre à elec-
tricidade. Acresce que toda uma série de aplicações 12.1.10 Central Geotérmica
indispensáveis a uma sociedade moderna dependem Instalação de produção de energia eléctrica a
da electricidade. Na prática, a iluminação, por exem- partir da energia térmica do solo, proveniente
plo, depende essencialmente dela. de zonas favoráveis da crusta terrestre.
O fornecimento da electricidade não implica o trans-
porte de massas inertes para os locais de consumo 12.1.11 Central Solar
e os resíduos, se existirem, concentram-se nos lo- Instalação de produção de energia eléctrica a
cais de produção, podendo assim ser mais facilmen- partir da radiação solar, quer seja directamen-
te controlados e tratados do que se fossem descen- te por efeito fotovoltaico, quer seja indirecta-
tralizados e dispersos por diversos consumidores. mente por transformação térmica.

12.1.12 Central Térmica a Biomassa


Instalação de produção de energia eléctrica a
12.1 Produção partir da energia térmica resultante da com-
bustão da biomassa.
12.1.1 Central
Instalação que converte em energia eléctrica 12.1.13 Central de Base
outra forma de energia. Central utilizada principalmente para cobrir a
base do diagrama de cargas.
12.1.2 Central Térmica
Central na qual a energia primária é converti- 12.1.14 Central de Ponta
da em energia eléctrica utilizando um proces- Central utilizada principalmente para cobrir as
so termodinâmico. pontas do diagrama de cargas.
12.1.3 Central Térmica Clássica 12.1.15 Refrigeração em Circuito Aberto
Central na qual a energia química, contida em Procedimento que consiste em tomar a água
combustíveis fósseis, sólidos, líquidos ou de uma albufeira, lago, mar ou de um curso
gasosos, é convertida em energia eléctrica de água e devolvê-la quente, depois de ter
por meio de uma turbina a vapor. passado pelos condensadores da central, à
mesma albufeira ou curso de água.
12.1.4 Central de Ciclo Combinado
Instalação de produção de energia eléctrica 12.1.16 Refrigeração em Torre de Refrigeração Hú-
compreendendo uma ou mais turbinas a gás mida
cujos gases de energia são dirigidos para Procedimento que consiste em fazer passar a
uma caldeira que pode ser ou não aquecida água de refrigeração que foi aquecida nos
por um combustível complementar. O vapor condensadores por torres de refrigeração si-
fornecido pela caldeira é utilizado para accio- tuadas a jusante onde cede o calor à atmos-
nar a turbina a vapor acoplada a um gerador. fera, principalmente por evaporação, com re-
ciclagem posterior nos condensadores.
12.1.5 Central de Co-geração
É uma instalação térmica na qual a energia
obtida a partir do combustível é transmitida a
um fluído intermédio. Este fluido intermédio é
dirigido normalmente na totalidade para os
grupos de produção de energia eléctrica,
concebidos e equipados de modo a que uma

141
12.1.17

12.1.17 Refrigeração com Torres de Refrigeração


Seca 12.2.4 Cabo Subterrâneo
Sistema de refrigeração por meio do qual o Linha cujos condutores se situam debaixo do
calor originado por condensadores se dissipa solo ou debaixo de água. Inclui os acessóri-
na atmosfera, exclusivamente por convexão, os.
em torres de refrigeração.
12.2.5 Linha Simples
12.1.18 Pilha de Combustível Linha com um único circuito eléctrico.
Dispositivo electroquímico que permite con-
verter directamente energia química em ener- 12.2.6 Linha Múltipla
gia eléctrica sem intervenção do ciclo termo- Linha com vários circuitos eléctricos.
dinâmico e no qual a sua energia eléctrica é
produzida a partir de uma reacção de oxida- 12.2.7 Supracondutor
ção controlada, que põe em jogo um combus- Condutor eléctrico cuja resistência eléctrica
tível, geralmente o hidrogénio, o metanol ou é, em determinadas condições, praticamente
um hidrocarboneto. nula.

Nota: As pilhas de combustível podem ter Nota 1: Em física, a resistência eléctrica de


várias aplicações, como pequenas um metal ou de uma liga decresce
fontes de energia em locais isolados. quando a temperatura diminui. A uma
temperatura muito baixa característi-
12.1.19 Consumo Próprio da Central ca do material, denominada tempera-
Energia eléctrica consumida por uma central tura de ruptura, a resistência eléctri-
nos seus serviços auxiliares, incluindo o con- ca tende bruscamente para zero: o
sumo quando está fora de serviço, bem como corpo torna-se supracondutor. Para
as perdas dos transformadores principais. certos materiais, a supracondutivida-
de desaparece contudo sob o efeito
12.1.20 Consumo Especifico Médio de Calor de um campo magnético.
O consumo específico de calor num dado in- Nota 2: Na construção eléctrica a aplicação
tervalo de tempo é o quociente entre o equi- de técnicas criogénicas poderia criar
valente calorífico do combustível consumido condições que favorecem a supra-
e a quantidade de energia eléctrica produzida condutividade. Tais condições permi-
no intervalo de tempo considerado. Tal como tiriam reduzir substancialmente as
a energia produzida este consumo pode ser dimensões dos equipamentos. Para o
bruto ou líquido. poder realizar com economia são ne-
cessários grandes progressos na in-
12.1.21 Rendimento da Central vestigação fundamental e na tecno-
Quociente entre o equivalente calorífico de logia dos materiais.
1 kWh e o consumo médio de calor por kWh
num determinado intervalo de tempo, normal- Nota 3: Os desenvolvimentos tecnológicos
mente expresso em percentagem, podendo relativos aos materiais compostos, li-
ser bruto ou líquido. gas de itrio, de bário, de óxido de
enxofre, visam obter uma supracon-
dutividade à temperatura mais eleva-
12.2 Transporte e Distribuição da, tendo em vista substituir o hélio
liquido (1 K a 4 K) por um gás muito
12.2.1 Instalação Eléctrica mais económico, por exemplo o azoto
Conjunto de obras de engenharia civil, edifí- líquido ( 63 K a 77 K). Existem con-
cios, máquinas, aparelhos, linhas e acessóri- tudo dificuldades momentâneas rela-
os que servem para a produção, conversão, tivas a problemas de segurança me-
transformação, transporte, distribuição e utili- cânica e as soluções só são aplicá-
zação de energia eléctrica. Esta expressão veis em electrónica
aplica-se igualmente a um único conjunto de
máquinas, de material ou de circuitos eléctri- 12.2.8 Circuito Eléctrico
cos. Conjunto de meios formando um sistema elec-
tricamente isolado e que transportam a ener-
12.2.2 Linha gia eléctrica.
Conjunto de condutores, isoladores e acessó-
rios, usado para transportar energia eléctrica 12.2.9 Circuito de Linha
entre dois pontos da rede. É um elemento de uma linha eléctrica consti-
tuído por um conjunto de condutores forman-
12.2.3 Linha Aérea do um sistema (trifásico ou não), indissociá-
Linha que se situa acima do solo, geralmente vel electricamente, e que transporta energia
com condutores apoiados em isoladores e de um ponto para outro.
suportes apropriados (torres, maciços). O
termo inclui igualmente os acessórios neces-
sários (linha de terra).

Nota: Uma linha aérea pode ser também


formada por cabos.

142
12.2.10

12.2.10 Comprimento do Circuito Eléctrico Esta expressão designa uma rede, de propri-
Medida dos comprimentos reais dos conduto- edade pública ou privada, explorada princi-
res de um circuito eléctrico (tendo em conta palmente com o objectivo de fornecer energia
as diferenças de nível e de flechas). eléctrica de serviço público.

12.2.11 Traçado 12.2.22 Rede de Interligação


Faixa de terreno necessária para o estabele- Rede que, a nível nacional ou internacional,
cimento de uma linha aérea ou subterrânea. realiza a ligação que permite os movimentos
de energia entre redes, entre centrais ou en-
12.2.12 Comprimento do Traçado tre redes e centrais, possibilitando o aumento
Distância entre os extremos de uma linha aé- da rentabilidade e da fiabilidade da alimenta-
rea ou subterrânea, projectada horizontalmen- ção de energia eléctrica.
te, medida ao longo do eixo do traçado.
12.2.23 Rede de Transporte
12.2.13 Posto de Corte ou Posto de Seccionamento Rede utilizada para o transporte de energia
(Instalação de Alta Tensão) eléctrica, em geral e na maior parte dos ca-
Instalação eléctrica na qual, por meio de dis- sos, dos locais de produção para as zonas
juntores, se realiza a ligação ou corte selecti- de distribuição e de consumo.
vo das linhas de uma rede ou sistema ou dos
pontos de entrega. 12.2.24 Rede de Distribuição
Rede destinada à distribuição de energia eléc-
12.2.14 Subestação Eléctrica trica no interior de uma zona de consumo de-
Instalação da rede concentrada num lugar limitada.
geográfico determinado com função essencial
de repartição de energia e também de transfe- 12.2.25 Rede Radial
rência de energia eléctrica entre redes a ten- Rede, ou parte de uma rede, total ou parcial-
sões diferentes. Essa instalação destina-se à mente constituída por linhas que partem de
transformação da corrente eléctrica por um ou um centro.
mais transformadores estáticos, (quando o
secundário de um ou mais desses transfor- 12.2.26 Rede em Anel
madores se destina a alimentar postos de Rede, ou parte de uma rede, total ou parcial-
transformação ou outras subestações) à mente constituída por anéis que na maior par-
transformação da corrente por rectificadores, te ou na totalidade estão ligados individual-
onduladores, conversores ou máquinas con- mente, pelos extremos, à mesma fonte de
jugadas e à compensação do factor de po- alimentação.
tência por compensadores síncronos ou con-
densadores. 12.2.27 Rede em Malha
Rede, ou parte de uma rede, total ou parcial-
12.2.15 Posto de Transformação mente formada por anéis, ligados nas suas
Instalação eléctrica na qual, por meio de extremidades a fontes de alimentação diferen-
transformadores, se realiza a transferência de tes, ou qualquer conjunto mais complexo
energia eléctrica entre redes a tensões dife- constituído por anéis múltiplos e várias fontes
rentes. de alimentação.

12.2.16 Posto de Transformação AT/BT 12.2.28 Alta Tensão


Posto de transformação entre redes de alta e Tensão cujo valor entre fases é igual ou su-
baixa tensão. perior a uma tensão dada, variável de país
para país.
12.2.17 Conversor
Instalação eléctrica que serve para transfor- 12.2.29 Baixa Tensão
mar um tipo de corrente noutro ou uma fre- Tensão cujo valor entre fases é inferior a uma
quência noutra. tensão dada, variável de país para país (ge-
ralmente 1000 volts).
12.2.18 Rectificador
Instalação eléctrica que efectua a conversão 12.2.30 Tensão Nominal
da corrente alternada (monofásica ou polifási- Tensão que figura nas especificações de uma
ca) em corrente contínua. máquina ou de um aparelho, a partir da qual
se
12.2.19 Ondulador determinam as condições de ensaio e os limi-
Instalação destinada a converter corrente tes da tensão de utilização.
contínua em corrente alternada.
12.2.31 Tensão de Exploração
12.2.20 Rede Eléctrica Tensão sob a qual se encontram em serviço
Conjunto de subestações, linhas, cabos e ou- as instalações eléctricas (produção, transpor-
tros equipamentos eléctricos ligados entre si te, etc.). A tensão de exploração de um cir-
com vista a conduzir a energia eléctrica pro- cuito de linha é a tensão normal entre fases à
duzida pelas centrais até aos consumidores. qual funciona geralmente o circuito.

12.2.21 Rede Pública

143
12.2.32

12.2.32 Interligação corrosão e do gelo ou causadas pelo homem


Ligação entre duas ou mais redes, por uma e por outros agentes exteriores.
ou mais linhas.
Nota 1: A escolha dos equipamentos de pro-
12.2.33 Transporte em Alta Tensão em Corrente tecção está parcialmente ligada ao
Contínua regime do neutro da rede (ver
Instalação eléctrica necessária ao transporte 12.2.42).
de corrente contínua (rectificada) e às liga-
ções com a rede interligada. Distingue-se o Nota 2: As protecções automáticas que me-
transporte em alta tensão em corrente contí- lhoram a qualidade de serviço da re-
nua a longas distâncias do acoplamento em de (ver 12.2.43) compreendem os
corrente contínua em alta tensão. dispositivos de religação rápida após
um corte e uma religação diferida.
12.2.34 Transporte em Alta Tensão em Corrente
Contínua a Longas Distâncias Nota 3: A protecção das redes pode ainda
Instalação eléctrica que rectifica a corrente ser assegurada por protecções ditas
eléctrica produzida numa central ou proveni- “de distância”, que permitem o desli-
ente de uma rede interligada, a transporta a gar de uma rede em malha ou o iso-
longas distâncias por intermédio de linhas ou lamento de uma parte avariada.
de cabos (cabos submarinos) e a reinjecta
numa rede interligada após a conversão. 12.2.42 Regime do Neutro de uma Rede
Disposição tomada para a ligação do neutro
12.2.35 Acoplamento em Corrente Contínua em Alta do secundário dos transformadores que ali-
Tensão mentam uma rede polifásica.
Instalação eléctrica que serve para o acopla-
mento de duas redes assíncronas interliga- Nota: O neutro pode ser posto à terra me-
das, em que os rectificadores e os ondulado- diante:
res se situam num edifício comum. − uma resistência que limite a cor-
rente ou
12.2.36 Capacidade de Transporte − uma bobina de compensação (bo-
Carga máxima admissível em permanência de bina de Peterson) para limitar a
um circuito eléctrico ou uma linha tendo em corrente no caso de avaria numa
conta o aquecimento, a estabilidade e a que- só fase do circuito (avaria mono-
da de tensão. fásica)
O neutro pode, contudo, ficar isolado.
12.2.37 Ponto de Entrega
Ponto de uma rede no qual se entrega energia 12.2.43 Qualidade de Serviço de uma Rede Eléctri-
eléctrica a outra rede ou directamente a um ca Grau de conformidade com cláusulas con-
consumidor. tratuais entre distribuidor e consumidor, de
uma entrega de energia eléctrica num período
12.2.38 Consumo Próprio de uma Rede de tempo determinado, ou, mais geralmente,
Consumo de energia eléctrica nas instalações grau de perturbação de uma alimentação de
eléctricas auxiliares ou anexas, necessárias electricidade.
ao bom funcionamento da rede.
Nota: Os elementos a tomar em conta para
12.2.39 Perdas de uma Rede determinar a qualidade de serviço re-
Perdas de energia que ocorrem no transporte ferem-se:
e/ou distribuição de energia eléctrica, na rede
considerada. − ao tempo de não fornecimento
programado ou ocasional;
12.2.40 Aparelhagem de Exploração de uma Rede − ao respeito de condições de ali-
Eléctrica mentação admissíveis relativas à
Conjunto dos equipamentos que serve para queda de tensão máxima aceitá-
explorar a rede, isto é, para realizar as mano- vel, ao vazio de tensão e ao ní-
bras de seccionamento e de ligação. Engloba vel das harmónicas de uma rede
os elementos de corte, tais como os disjunto- de corrente alternada.
res, os interruptores em carga e os seccio-
nadores, e os elementos de sinalização e de As cláusulas contratuais de um fornecimento
vigilância, bem como os que permitem um de electricidade e, consequentemente, a qua-
eventual comando à distância. lidade de serviço requerida, podem variar
consoante a natureza dos aparelhos eléctri-
12.2.41 Aparelhagem de Protecção de uma Rede cos alimentados.
Eléctrica
Conjunto dos equipamentos que servem para
proteger a rede contra todas as anomalias e
perturbações internas ou externas, entre as
quais podem citar-se as sobretensões atmos-
féricas, as sobretensões ou avarias internas
devidas aos curto-circuitos ou às manobras,
as possíveis deteriorações resultantes da

144
12.3.1

12.3 Potência e Energia Nota: O factor de potência indica o rendi-


mento de utilização de um equipa-
12.3.1 Tipo de Corrente mento eléctrico, podendo os contra-
Distingue-se entre corrente contínua e corren- tos de natureza tarifária conter ter-
te alternada. mos relativos à facturação dos dife-
rentes níveis do factor de potência
12.3.1.1 Corrente Contínua de uma instalação. Vários sistemas
Corrente cuja polaridade e intensidade são ou aparelhos podem ser utilizados
constantes. para corrigir o factor de potência de
uma instalação.
12.3.1.2 Corrente Alternada
Corrente cuja polaridade e intensidade variam 12.3.6 Potência Bruta
periodicamente no tempo. Potência eléctrica nos terminais do gerador.

Nota 1: Distingue-se entre corrente monofá- 12.3.7 Potência Útil


sica e corrente trifásica. Potência eléctrica à saída da central.

Nota 2: As frequências usuais são: 16 2/3 12.3.8 Potência dos Serviços Auxiliares
Hz, 50 Hz e 60 Hz. Potência eléctrica utilizada pelos serviços
auxiliares de uma central, acrescida das per-
12.3.2 Potência Activa das nos transformadores da central (nos
Potência média num circuito de corrente al- transformadores principais).
ternada. Em regime sinusoidal, é igual ao pro-
duto da tensão pela corrente activa em valo- 12.3.9 Potência Eléctrica Máxima Possível
res eficazes. É a maior potência eléctrica, considerada
apenas potência activa, que pode ser produ-
Nota 1: A corrente activa é a componente da zida numa central ou num grupo durante um
corrente alternada que está em fase tempo de funcionamento prolongado, supondo
com a tensão. em estado de bom funcionamento a totalidade
das suas instalações e em condições óptimas
Nota 2: É a potência utilizável na conversão de alimentação (combustível ou água).
em energia mecânica, térmica, quími-
ca, luminosa ou sonora. 12.3.10 Potência Eléctrica Disponível
Potência eléctrica máxima que, em cada mo-
12.3.3 Potência Reactiva mento e num determinado período, poderá ser
Produto da tensão ou da força electromotriz obtida na central ou no grupo, na situação re-
pela corrente reactiva em valores eficazes. al em que se encontra nesse momento, sem
considerar as possibilidades de colocação da
Nota 1: A corrente reactiva é a componente energia eléctrica que seria produzida.
de uma corrente desfasada de 90°
em relação à tensão e não contribui 12.3.11 Potência Eléctrica Produzida
para fornecer energia, mas aumenta Potência activa efectivamente produzida. Em
as perdas do sistema. princípio, mede-se como se tratasse de um
valor momentâneo, devendo indicar-se o mo-
Nota 2: A corrente reactiva serve para exci- mento a que se refere; contudo, por conven-
tar os campos magnéticos (nos moto- ção, pode ser expressa a partir da energia
res ou os transformadores) ou os produzida durante um curto intervalo de tem-
campos eléctricos (nos condensado- po (relação entre a energia produzida e o
res). tempo de funcionamento).

12.3.4 Potência Aparente 12.3.12 Carga


Produto (em valores eficazes) da corrente É o valor, num dado instante, da potência
pela força electromotriz ou pela tensão, inde- eléctrica fornecida ou absorvida, em qualquer
pendentemente da relação de fase entre a ponto de um sistema, determinada por uma
tensão e a corrente. medida instantânea ou por integração da po-
tência durante um determinado intervalo de
Nota: É uma característica importante no tempo. A carga pode referir-se a um consumi-
projecto de um equipamento eléctri- dor, um aparelho, um conjunto de consumido-
co. res ou de aparelhos, ou uma rede.

12.3.13 Potência de Reserva


12.3.5 Factor de Potência (cos ϕ)
Potência que pode servir para cobrir os des-
Em corrente alternada, o factor de potência é vios entre a carga prevista e a real.
igual à relação entre a potência activa (ex-
pressa em W) e a potência aparente (expres- 12.3.14 Diagrama de Carga
sa em VA). Exprime-se por um número deci- É a representação gráfica da evolução da
mal (sem dimensões). Permite calcular a po- carga em função do tempo. Ao valor mais
tência reactiva (expressa em var) a partir da elevado da carga num dado intervalo de tem-
potência activa (expressa em W). po designa-se por “carga máxima” ou “ponta

145
12.3.5

de carga”. 12.4 Exploração


12.3.15 Energia de Reserva 12.4.1 Exploração da Rede
Energia eléctrica que serve para cobrir as flu- Conjunto de acções que visam a concretiza-
tuações do consumo ou da produção. Distin- ção dos objectivos de gestão e funcionamen-
guem-se: to da rede eléctrica.

− Disponibilidade: reserva de curta ou lon- 12.4.2 Sala de Comando


ga duração. Sala na qual estão instalados os quadros de
− Tempo de intervenção: segundos, minu- comando de uma instalação.
tos, horas ou dias. Nas centrais térmi-
cas, o tipo de funcionamento determina, 12.4.3 Centro de Comando
designadamente, tempo de intervenção. Órgão cuja função é conduzir a exploração
− No caso da reserva gigante, o grupo li- das instalações de uma rede.
gado à rede pode tomar carga imediata-
mente. 12.4.4 Repartidor de Cargas (Despacho)
Órgão cuja função é comandar a entrada em
− No caso da reserva parada, é necessá- serviço e a saída dos grupos e das centrais,
rio fazer arrancar um grupo para que ele repartindo as cargas. Em geral comanda
possa tomar carga. igualmente a interligação das redes directa-
mente interessadas.
12.3.16 Potência de Mínimo Técnico
A mais baixa potência com que uma central 12.4.5 Telecomando Centralizado
pode funcionar em condições técnicas correc- Método de ligar e desligar à distância grupos
tas. de consumidores da rede de distribuição utili-
zando técnicas de telecomunicações.
12.3.17 Potência Óptima
A potência de um sistema ou de uma central 12.4.6 Regulação Primária
que corresponde ao rendimento mais elevado. Modificação da potência da turbina pelo seu
regulador, em função da velocidade de rota-
12.3.18 Potência Máxima Produzida ção (frequência).
Máximo verificado na potência eléctrica pro-
duzida por uma instalação, durante um inter- 12.4.7 Regulação Secundária
valo de tempo determinado. Comando do regulador da turbina por uma ou-
tra grandeza diferente da velocidade de rota-
12.3.19 Potência Mínima ção (por exemplo, o regulador da rede).
A potência mais baixa num dado período de
tempo. 12.4.8 Regulador da Rede
Regulador centralizado (regulador secundário)
12.3.20 Potência Garantida que actua sobre o regulador das turbinas de
Potência que pode ser posta à disposição algumas centrais para regular a frequência da
com uma fiabilidade previamente determinada. rede ou uma combinação entre a frequência
da rede e a potência (de interligação) de mo-
12.3.21 Energia Bruta Produzida do a satisfazer os seus valores programados.
Energia eléctrica nos terminais dos geradores
produzida pela instalação, durante um deter- 12.4.9 Regulação Terciária
minado período. Regulação que se sobrepõe à regulação se-
cundária e que permite compensar, até ao fim
12.3.22 Energia Útil Produzida de um período de facturação, os desvios en-
Energia eléctrica à saída da central. Corres- tre a energia fornecida e o valor programado.
ponde à energia bruta deduzida dos consu-
mos auxiliares e das perdas dos transforma- 12.4.10 Estabilidade da Rede
dores. Faculdade de uma rede de voltar ao estado
de equilíbrio inicial após o desaparecimento
12.3.23 Factor de Carga de uma perturbação.
O factor de carga de uma central, no decurso Numa rede de transporte de energia podem
de um determinado período, é o quociente da surgir problemas de estabilidade devidos às
energia eléctrica produzida pela central, nes- características da própria rede e à presença
se período, pela energia produtível à sua po- de diversas fontes de injecção (ou de produ-
tência eléctrica máxima na totalidade do perí- ção) de energia separadas (por exemplo das
odo. centrais eléctricas). Em caso de interligação
de grandes redes eléctricas, os problemas
12.3.24 Energia Entregue à Rede podem ser resolvidos por meios de acopla-
Soma da energia produzida pela própria cen- mentos adequados.
tral com a que é recebida de outras fontes e
que também é fornecida à rede.

146
Secção 13

AQUECIMENTO A DISTÂNCIA
___________________________________________________

13.1 Termos Gerais

13.2 Instalações

13.3 Potência Calorífica e Duração de Utilização

13.4 Quantidades de Calor e Temperaturas

13.5 Grandezas Características da Produção,


Distribuição e Abastecimento

147
13.1.1

AQUECIMENTO A DISTÂNCIA 13.2.3 Central de Ciclo Combinado com Motor de


Combustão Interna
Instalação equipada com um motor de com-
bustão que acciona um alternador para pro-
dução de electricidade, dispondo, ainda, de
Em quase todos os domínios da actividade humana, um sistema de recuperação de calor (ver
o consumo de energia resulta, em grande parte, de 5.6.4).
aplicações térmicas, caloríficas e frigoríficas. Os
processos correspondentes, as instalações e os 13.2.4 Acumulador de Calor
equipamentos dos utilizadores são tratados na Sec- Instalação que serve para compensar os
ção 4 - Usos da Energia, compreendendo os seguin- desvios entre a produção e o consumo de
tes aspectos: aquecimento dos locais, climatização, calor.
calor industrial, confecção dos alimentos, aqueci-
mento de águas, refrigeração, congelação, etc. 13.2.5 Transformador de Calor
Por outro lado, outras secções dedicadas às formas Instalação que serve para realizar as condi-
de energia primária contêm termos relativos à produ- ções de temperatura, de pressão e de quali-
ção e ao consumo de calor e de frio e ainda à dade do agente portador de calor, necessári-
transformação em energia derivada. as à exploração da rede (ver 4.5.5 - Permuta-
O interesse crescente - sobretudo nos países cuja dor de Calor).
temperatura média anual é baixa - por um abasteci-
mento de calor a partir de uma rede tanto para os 13.2.6 Conduta de Aquecimento a Distância
consumidores domésticos como para os serviços Conduta isolada termicamente e seus acessó-
públicos e para a indústria, e ainda o desenvolvi- rios, que serve para o transporte de calor por
mento do recurso ao calor a distância que entretanto intermédio de um fluido portador de calor ten-
surgiu, levaram à introdução da presente Secção. do em vista o abastecimento de calor a dis-
Em muitos casos, os termos relativos ao aquecimen- tância.
to urbano no que toca às redes, às características
do abastecimento, aos consumidores e às tarifas 13.2.7 Rede de Calor a Distância
(ver Secção 1) não diferem daqueles que são utili- Sistema de condutas para a distribuição de
zados para outras energias de rede, como a electri- calor por intermédio de um fluido portador de
cidade e o gás. Assim, esta Secção apenas contém calor. Tal como para as outras energias de
termos muito específicos referentes ao abasteci- rede, existem diversas configurações de re-
mento de calor a distância. des: em malha, em estrela e em anel (ver
1.4.5 e 12.2.25, 12.2.26 e 12.2.27).

13.2.8 Rede Primária, Canalização Principal


13.1 Termos Gerais Rede de calor a distância com origem numa
fonte de calor que alimenta por vezes uma
13.1.1 Calor a Distância rede secundaria com parâmetros físicos
Energia calorífica de rede para o abasteci- eventualmente diferentes.
mento de calor a consumidores domésticos,
dos serviços ou industriais, sob a forma de 13.2.9 Rede de Água de Aquecimento
água quente ou de vapor. O calor é produzido Rede na qual o fluido portador de calor é a
centralizadamente numa central de produção água. Existem redes de águas quente e redes
combinada calor-electricidade ou numa central de água sobreaquecida (temperaturas supe-
de aquecimento. Também pode provir de uma riores a 110 ºC - 120 ºC).
outra fonte de calor, por exemplo da recupe-
ração de calor. É utilizado para o aquecimen- 13.2.10 Rede de Vapor
to de locais, para o aquecimento de água pa- Rede na qual o fluido portador de calor é o
ra os processos de produção, etc. vapor.
13.1.2 Agente Portador de Calor