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Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

P118c

Pacheco, Cláudia S.

Bibliografia.

 

2ª ed.

A cura pela consciência : teomania e stress / Claudia Bernhardt S. Pacheco. - 2ª ed. - São

Paulo: Proton, 1987.

ISBN 85-7072-014-9

1.

Conscientização 2. Medicina psicossomática

3.

Psicologia patológica 4. Psicoterapia I. Título. II.

Título : Teomania e stress.

 
 

CDD-616.8914

-153

-157

-616.08

87-0528

NLM-WM420

Índices para catálogo sistemático:

1. Conscientização : Psicologia 153

2. Medicina psicossomática 616.08

3. Psicologia patológica 157

4. Trilogia analítica : Psicoterapia : Medicina 616.8914

CLAUDIA BERNHARDT S. PACHECO

A

cura pela

Consciência

Teomania e Stress

Proton Editora, Ltda. Avenida Rebouças, 3115 São Paulo

DA MESMA AUTORA

Psicoterapias Alienantes From Sigmund Freud to Viktor E. Frank!: Integral Psychoanalysis The Technique of Interiorization Healing Through Consciousness - Theomania: The Cause of Stress The Liberation of the People - The Pathology of Power - co-autora The Decay of the American People (And the United States) - co-autora A Libertação dos Povos - co-autora A Decadência do Povo Americano (e dos Estados Unidos) - co-autora Oppna Ditt fönster (Abra sua Janela) - co-autora

Capa Carlos Gomes de Freitas II

Revisão Luiz Carlos Netto Chamadoira

Produção Denise Maria Miraglia Hiss

Composição Editora MM Ltda.

Foto da Capa Marco T. Szankowski

Todos os direitos reservados para

PROTON EDITORA LTDA. Avenida Rebouças, 3115 - CEP 05401 - São Paulo - SP Fones: 210-3616. 853-5551

1987.

ÍNDICE

APRESENTAÇÃO

8

PREFÁCIO DA 2.ª EDIÇÃO

9

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO

11

INTRODUÇÃO

12

PRIMEIRA PARTE

14

A PSICOSSOMÁTICA E A TRILOGIA ANALÍTICA

14

1 - O Stress e a Síndrome de Adaptação Geral (SAG)

15

2 - O Stress Psicológico

16

3 - As Emoções e a Fisiologia Humana

19

4 - A Importância da Relação entre as Emoções e a Hipófise

21

5 - A Teomania como Causa do Stress

24

6 - Como se Processa a Cura

27

7 - Como se Opera o Tratamento

27

8 - 0 Medo e a Raiva

29

9 - Libido e Doença

30

10 - A Linguagem do nosso Corpo

33

11 - Hipertensão

34

12 - Cancer

35

13 - Alergias

38

14 - Alterações Metabólicas e Hematológicas

38

15 - Hemorróidas

39

16 - Amenorréia

40

17 - Hemorragias Uterinas

40

18 - Excesso de Peso

41

19 - Úlceras

41

20 - Dores de Cabeça

43

21 - Bronquite Asmática

43

22 - Epilepsia

44

23 - Gripes e Resfriados

45

24 - Glaucoma

45

25 - Tosse

46

26 - Náuseas e Vômitos

46

27 - Frieza Sexual

47

29

- Extra-sístole

49

30 – Endometriose

49

31 - Lupus Eritematoso

50

32 - Hipotensão

51

33 - A Doença Hereditária e os Fatores Psicológicos Implicados

52

34 - A Esquizofrenia e as Doenças Mentais

53

35 - Tratamento das Psicoses pela Trilogia Analítica

55

36 - As Crianças também Somatizam?

56

37 - Índice de Curas pela Trilogia Analítica

57

38 - A Doença e o Pacto Familiar

59

39 - A Somatização no Processo Analítico

62

40 - Podemos Adoecer com a Agressão dos Outros?

62

41 - Doença Psicossocial

63

42 - O Perigo das Operações e dos Tratamentos Medicamentosos

64

43 - Quem é o Verdadeiro Médico de Almas?

65

44 - A Medicina do Terceiro Milênio

66

DEPOIMENTOS

68

1º Depoimento: Dr. José Casseb

68

2º Depoimento: S. L.

69

3º Depoimento: Sra. T.

71

4º Depoimento: V. B. M. J

71

5º Depoimento: C. G. M

72

SEGUNDA PARTE

73

A METODOLOGIA DA TRILOGIA ANALÍTICA: TÉCNICA DE INTERIORIZAÇÃO

73

1 - A Técnica Dialética da Trilogia Analítica - Como Trabalhar com a Teomania

73

2 - Pela Inveja do Criador, Fazemos a Inversão: Vemos a Realidade (Criação Divina)como Ruim e Nossas

Fantasias como Boas (Criação Nossa)

74

3 - A Doença é a Dialética Errônea que Elaboramos pelo Uso Errôneo da Vontade

74

4 - A Psicoterapia Trabalha com a Consciência das Fantasias para Usufruirmos da Sanidade

75

5 - A Interiorização é o Caminho da Cura

75

- A Técnica Comparativa Solucionou muitos Problemas na Prática da Psicanálise e Favoreceu o Restabelecimento Rápido do Paciente

6

76

7

- Inconscientização é Luta Contra a Consciência

77

- O Homem faz uma Inversão: Vê a Consciência como Agressão e não vê a si Mesmo Agredindo sua Conscientização e Ferindo-se com essa Atitude

8

78

(Realidade)

79

10 - Por Causa da sua Arrogância, o Homem Rejeita a Consciência de suas Más Intenções, Dificultando seu

Processo de Cura

79

11 - O Ser Humano pensa que sua Doença Prejudica os Outros, não a si Mesmo

80

12 - Quando o Homem nega a sua Sanidade, Imagina ser mais Forte do que Deus

80

13 - O Homem Atribui à Fantasia e à Alienação a Satisfação que obtém da Realidade, pois assim Acredita ser Ele

Próprio o Doador da sua Felicidade

81

14 - O Homem Alimenta a sua Conduta Patológica, Imaginando que se Beneficiará com isso

81

15 - O Ser Humano Pensa que tem de ser Fiel à sua Patologia, Submetendo-se Passivamente a Ela

82

16 - Com Freqüência, o Erotismo é mais uma Atitude de Agressão do que de Afeto

83

17 - O Sexo pode ser Usado como um Fator de Alienação ou de Conscientização

83

18 - Homossexualismo é a Manifestação Social de um Erro na Conduta com o Interior

84

19 - A Angústia é um Bem para o Indivíduo e não deve ser Abafada, mas Trabalhada

85

20 - A Análise dos Delírios e Alucinações

85

21 - O Sonho Revela nossas Atitudes de Negação ou Aceitação da Realidade

86

22 - O Corpo Humano Mostra Claramente o que se Passa em seu Íntimo

87

23 - A Verdadeira Conscientização é da Nossa Semelhança com a Natureza Divina

88

24 - Conclusão

88

BIBLIOGRAFIA

90

CONTRACAPA

92

APRESENTAÇÃO

Após onze anos de pesquisa e estudo no campo da psicossomática, atrevo-me a lançar algumas conclusões às quais cheguei, relacionando a Trilogia Analítica (Psicanálise Integral) aos campos da Fisiologia e Medicina. Com a percepção do elo que existe entre a teomania e as doenças orgânicas, espero estar contri- buindo para aumentar os recursos para o tratamento e entendimento das doenças que flagelam toda

a humanidade.

Ofereço este meu trabalho ao meu mestre e orientador, Dr. Norberto R. Keppe, criador da Trilogia Analítica, a quem devo praticamente tudo o que sei, e que sempre me incentivou a continuar nestas pesquisas, dado o seu grande amor à ciência e à Verdade. Agradeço também a meu pai, Ruy de Souza Pacheco que, na condição de médico honesto e idealista, me transmitiu o interesse pelas descobertas fascinantes da Medicina e da Fisiologia, a respeito do funcionamento do nosso organismo. E, quando toda a estrutura sócio-econômica for corrigida, 75% das doenças serão automaticamente eliminadas. Restarão, entretanto, os problemas psicológicos, individuais, que sempre necessitarão ser conscientizados, para a erradicação praticamente total de todas essas enfermidades. Enquanto a reforma econômica social se processa, já poderemos corrigir muitas de nossas doenças, através do método de conscientização e interiorização aqui exposto, o qual também nos

permite trabalhar de uma maneira mais saudável e construtiva com os problemas sociais. E por isso que a maioria dos indivíduos que leram este livro, e somente com sua leitura, tiveram a recuperação de uma série enorme de problemas tanto físicos como psíquicos. Espero em breve lançar a segunda parte desta pesquisa da aplicação da Trilogia Analítica nas doenças psicossomáticas. Nela eu exponho melhor como a estrutura patologizante de poder adoece

a humanidade.

Será um livro destinado aos interessados na área de saúde e qualquer indivíduo leigo poderá se beneficiar com sua leitura.

Claudia Bernhardt S. Pacheco

PREFÁCIO DA 2.ª EDIÇÃO

Quando escrevi este livro em 1982, a Trilogia Analítica ainda não contava com as descobertas a respeito da psicossociopatologia do poder; ou seja, ainda não havíamos aplicado as descobertas da Teomania, Inveja, Inversão, Alienação, na estrutura socio-econômica. De lá para cá nosso grupo de estudos de medicina psicossomática trilógica muito pesquisou e descobriu a respeito das doenças psicossomáticas, descobertas essas que vieram a confirmar e completar as hipóteses deste meu trabalho.

A

mensagem fundamental que proponho neste livro é que a alienação que o ser humano mantém

de

seus problemas, e dos problemas em geral, é a causa básica de suas doenças. O medo, a raiva, a

inveja, emoções que quando descontroladas levam à morte, precisam ser conscientizadas, bem

como as suas causas, para serem corrigidas.

Atualmente, devido à estrutura patológica das sociedades humanas, existem duas posições básicas

do indivíduo diante da vida: primeiro, a atitude mais perigosa, característica dos indivíduos mais

doentes, é a de desejar o poder social, político ou econômico, para dar vazão à sua teomania (megalomania) que é maior do que a maioria dos seres humanos; segundo, a atitude mais comum

e mais saudável da maioria do povo, que é a de querer trabalhar, progredir e usufruir da própria vida, sem desejar o poder; mas ele é impedido pelo grupo mais doente que está no poder. Essa escravidão imposta, até agora, sem muita esperança de solução, leva fatalmente a um grande stress, gerando muitas doenças. Os grupos de poder formaram uma estrutura de leis sociais, econômicas e políticas para servir ao interesse da minoria e massacram o povo impiedosamente. Condições absolutamente subumanas

de existência lhe são impostas desde as mais básicas necessidades (comida, habitação, transporte,

educação) como as necessidades mais elevadas de liberdade e felicidade e realização pessoal, que

certamente não são de menor importância.

O povo, mesmo nos países tidos como mais desenvolvidos, é tratado como uma manada de

animais, privados da liberdade e expansão a que teriam direito.

Pesquisas da Psicologia Experimental provaram que animais obrigados a viver em gaiolas, sem liberdade, retirados de suas condições naturais de existência, acabam apresentando deformações de comportamento tais como: homossexualismo, canibalismo, tumores e doenças orgânicas, atitudes suicidas, sodomia, e comportamentos neuróticos das mais diversas espécies.

O mesmo acontece com a maioria da humanidade, obrigada a se submeter a organizações sócio-

econômicas totalmente avessas à sua essência. Essa organização foi elaborada justamente pelos

indivíduos mais doentes, os mais invejosos, avarentos e megalômanos: são os que detêm todo o poder (poder até de vida e de morte) da humanidade em suas mãos. Esses indivíduos, geralmente vistos como os mais bem sucedidos socialmente, não raro são muito respeitados e admirados, o que indica a existência de uma séria inversão social de valores. Chamados de tipos A de personalidade, os desejosos de poder (power-seekers), apresentam uma alteração específica do hormônio chamado serotonina, alteração essa também encontrada em doentes mentais graves e em várias doenças orgânicas.

A maioria das doenças cardíacas está associada a este quadro; enxaquecas, atitudes autistas,

euforia, palpitações, alterações na pressão sanguínea, inchaço no corpo e muitos outros sintomas são resultados do aumento no grau de serotonina no sangue destes indivíduos. Um estudo bem mais completo a esse respeito foi feito pelo médico Juhed Abuchehin no livro A

Libertação do Povo - Patologia do Poder, cujo autor principal é Norberto R. Keppe (Proton

Editora Ltda., 1986, São Paulo). Nesse livro, Dr. Abuchehin mostra claramente a correlação entre

os quadros de esquizofrenia e dos tipos A de personalidade (power-seekers), evidenciando a alteração hormonal idêntica em ambos os grupos.

O segundo grande grupo de indivíduos muitas vezes chamados tipo B de personalidade,

praticamente a grande maioria da humanidade, sofre duas espécies de pressões: uma é a interna, de seus próprios problemas psicológicos, bem descritos aqui neste livro; a outra é a externa, advinda

da estrutura sócio-econômica doentia. Portanto, suas pressões são duplicadas. Na verdade, ser humano nenhum é livre; desde que nasce, ele tem que sofrer as mais diversas formas de pressões e explorações. Escravizado, o homem vive ameaçado de morrer de fome, caso não trabalhe para o enriquecimento de seus opressores. Quem poderia então viver normalmente, com a saúde que merece se está constantemente ameaçado de ver-lhe retirados o teto, a comida, o sustento seu e de seus filhos? Qual o indivíduo que não está sujeito a situações de raiva, pavor e inveja na sociedade onde os mais loucos são os que têm mais poder? E isto tudo é o que nos leva ao stress. Para isto estamos trabalhando energicamente no sentido de desinverter essa situação, colocando o povo nas condições que realmente merece - a de poder sobre a própria vida. Para isso um novo modelo sócio-econômico foi formulado, através das empresas e sociedades trilógicas, onde toda forma de poder e exploração é controlada. Várias unidades já estão em experimentação no Brasil e U.S.A., com resultados excelentes. Esta obra visa principalmente a explicar como a Trilogia Analítica vem tratando e curando as doenças orgânicas, relatar alguns casos clínicos, depoimentos de clientes e, na última parte, demonstrar como se trabalha com a Técnica Dialética ou a Interiorização.

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO

É muito confortador o lançamento deste livro de Medicina Psicossomática, baseado na Trilogia

Analítica; Dra. Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco está dando uma contribuição fundamental, para a compreensão das doenças físicas, através de dados filosóficos, teológicos e experimentais

desta (nova) ciência trilógica. Há dezessete anos foi lançado o livro A Medicina da Alma, fundamentado no meu trabalho com

os doentes do Hospital das Clínicas (Faculdade de Medicina de São Paulo), onde atendia pessoas

encaminhadas pelos professores : Edmundo Vasconcelos (moléstias do aparelho digestivo), Luís

Vènere Decourt (doenças cardio-vasculares), Sebastião Sampaio (dermatologista), José Medina (obstetrícia) ; de modo geral, atendi enfermos de todas as clínicas, desde a psiquiatria, até a ortopedia, colhendo durante vinte e três anos um enorme material científico. Dra. Cláudia B. S. Pacheco dedicou-se ao estudo da etiologia psicológica das moléstias, fazendo jus ao seu pai médico, Dr. Ruy de Souza Pacheco (ex-Conselheiro Federal de Medicina e ex- Secretário Geral da Associação Paulista de Medicina), que lhe deu grande apoio em seu trabalho.

O leitor encontrará aqui explicações sobre os males orgânicos que grassam na humanidade e que

só poderão ser evitados, quando forem suficientemente conscientizados ; os medicamentos geralmente causam mais danos que auxílio ; os próprios hospitais são focos de infecções e o tratamento só pelo orgânico redundou em fracasso. Assim sendo, está sendo necessária a divulgação destes elementos científicos trilógicos para que o ser humano não sofra de tantos males, desnecessariamente.

Norberto R. Keppe São Paulo, 12 de janeiro de 1983

INTRODUÇÃO

Como o próprio Prof. Dr. Keppe diz em seu livro Medicina da Alma, foi Sigmund Freud o pri-

meiro a demonstrar que é possível curar um doente sem o uso de um só medicamento, mas foi ele

o primeiro a sistematizar e formular a metodologia única para o tratamento psicanalítico das

doenças psicossomáticas. Desde 1961, ocasião em que voltou de Viena, dedicou-se ao cuidado, através da psicoterapia, de pacientes desenganados no Hospital das Clínicas da USP e em seu consultório particular. Recebia pacientes das clínicas do Prof. José Medina (ginecologia e obstetrícia), Prof. Sebastião Sampaio (dermatologia), Prof. Euríclides Zerbini (cardiologia), Prof. Edmundo Vasconcelos (gas- troenterologia), Prof. Ernesto Mendes (doenças alérgicas), e tratava de todos somente com a psica- nálise. Embora, na ocasião, não tivesse ainda formulado totalmente o método de trabalho do qual atualmente nós, psicanalistas trilógicos, dispomos para trabalhar, já atuava de maneira intuitivamente correta para conduzir seus clientes a curas admiráveis.( 1 ) Por isso, atualmente no Brasil, Europa, e nos Estados Unidos, Dr. Keppe (e quem se utiliza da metodologia trilógica) surpreende a todos - cientistas e pacientes - por conseguir com sua meto- dologia científica curar as mais diversas doenças em apenas algumas sessões de análise.

A Trilogia Analítica é considerada a única metodologia psicoterapêutica verdadeiramente cientí-

fica capaz de curar doenças orgânicas. É também chamada de "short therapy" (psicoterapia breve),

pois consegue resultados altamente expressivos em pouco tempo Desde a década de 30, mais especificamente a partir dos estudos do Prof. Franz Alexander, médico austríaco, radicado em Nova York, criador da Medicina Psicossomática, muito se tem pesquisado a respeito da influência que a mente pode ter sobre o corpo, tanto na elaboração das doenças como na conservação da saúde. Talvez os Estados Unidos tenham sido, como geralmente ocorre, o país que mais desenvolveu as pesquisas nesse campo. Mas, mesmo assim, a psicossomática tem-se reservado mais aos grupos

chamados de "menos científicos", de filosofia oriental, parapsicológica e "ciências marginais". Na realidade, os médicos pouco têm aceitado as descobertas desta nova ciência, porque, inclusive, teriam que abandonar, em grande parte, a metodologia que aprenderam para tratar as doenças. Se se consideram os problemas psíquicos como causadores das moléstias, é através da vida psíquica que se deve curá-las. No entanto, muitos chamados psicossomaticistas recorrem a calmantes e psicotrópicos para o tratamento da sintomatologia somática. Alguns chegam até a desaconselhar a psicoterapia, como é o caso do Dr. Julio de Mello Filho, presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática. Na Revista Veja, n.° 689, pág. 60, disse o seguinte : "Quanto ao auxílio

psiquiátrico em doentes cancerosos, nem sempre se recomenda

o doente pode piorar, por sentir-

se duplamente afetado".

No caso de combinação de alopatia com psicoterapia geralmente só os sintomas são eliminados, temporariamente, para depois retornar com mais violência. Ou ainda pode ocorrer um deslocamento de sintomas, vindo a doença a aparecer sob outra roupagem. Por isso é comum um mesmo indivíduo ter várias moléstias durante a sua vida. Terminada uma, logo se inicia outra : o

1 Eu mesma, atualmente psicanalista integral, fui encaminhada pelo Prof. José Medina para tratamento com o Dr. Keppe, com quem consegui recuperar-me de uma doença quase crônica em apenas um mês de análise.

mesmo ulceroso pode apresentar sintomas de colite, de rinites alérgicas, dores de cabeça, problemas hepáticos, renais, de coluna, etc

Aliás, é freqüente um indivíduo, que vai ao médico para tratar de uma doença, apresentar no his- tórico de caso muitas doenças anteriores. São pessoas que somatizam todos os seus problemas psíquicos - numa tentativa de materializar seus sentimentos para fugir à consciência deles.

O primeiro gênio médico, que pode ser chamado de um grande psicossomaticista, foi Sigmund

Freud, o pioneiro em conseguir tratar de sintomas característicos da histeria.

Porém, atualmente, já temos recursos para estender esses benefícios a um número bem maior de tipos de doenças - muitas delas tidas como tipicamente orgânicas como resfriados, gripes, doenças infecciosas, hemorróidas e até miomas uterinos que têm excelente recuperação através da Trilogia Analítica (Psicanálise Integral). Em 1980, Norman Cousins lançou um livro denominado A Anatomia de uma Doença - Do Ponto

de Vista do Paciente (Anatomy o f an Illness - As Perceived by the Patien) que foi best-seller nos

Lá ele faz um relato muito interessante de suas experiências como ex-paciente da

Medicina tradicional, e que acabou por se curar de uma doença reumática muito grave através da sua força psíquica. Norman Cousins é atualmente conferencista. na Escola de Medicina da

Universidade da California, de Los Angeles, e consulting editor de Homem e Medicina, publicado

na Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia.

Cousins diz o seguinte : "Eu creio que nós estamos começando a ter um respeito maior pela singu- laridade do ser humano e um melhor entendimento de que o espírito não é uma abstração, mas

provavelmente um dos mais incríveis fenômenos no universo inteiro. Mas. quem melhor desenvolveu a psicoterapia de doenças psicossomáticas foi o Dr. Norberto R. Keppe, psicanalista, que desde que voltou da Áustria em 1960, onde passou três anos estudando

com o Prof. Viktor E. Frankl, neuropsiquiatra da Universidade de Viena, dedica-se às pesquisas e ao tratamento das doenças mentais e psicossomáticas. Trabalhou, em sua clínica particular, na Sociedade Internacional de Trilogia Analítica e no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, organizando a Medicina Psicossomática das Clínicas Dermatológicas, Psiquiátrica, Cardiológica, Médica, Cirúrgica, Obstétrica. Dr. Keppe conseguiu resultados surpreendentes na cura das mais diversas moléstias, sem o uso de qualquer medicamento, e relatou algumas hipóteses resultantes de seus trabalhos no seu livro Medicina da Alma - Medicina Psicossomática, editado em 19ó7 (Hemus Editora). De lá para cá, muito conseguiu desenvolver e aperfeiçoar suas metodologia para o tratamento psicoterápico das doenças psicossomáticas, dentro da Trilogia Analítica. E são essas pesquisas, das quais tenho tomado parte diretamente, e algumas hipóteses pessoais, que pretendo relatar aqui. Antigamente viam-se como milagrosas as curas das doenças mais graves e muitos casos eram considerados puramente histéricos. Uma comissão de médicos não católicos, que pesquisaram os milagres de Londres, constataram que muitas curas eram autênticas. Hoje, através da Trilogia Analítica, que considera o ser humano como fundamentalmente espiri- tual, já se pode dizer que as curas verdadeiramente científicas são as mesmas dos milagres religiosos, pois sua fundamentação é a mesma.

A ciência, pela primeira vez, está unificada à religião, pois a verdadeira cura de um mal deve ser a

mesma dentro de cada uma delas. Não pode haver uma verdade para os médicos outra para os religiosos e para o povo. Simplesmente, até o aparecimento da Trilogia Analítica, não se havia percebido a unidade que está por detrás destas curas.

E.U.A

PRIMEIRA PARTE

A PSICOSSOMÁTICA E A TRILOGIA ANALÍTICA

Acho interessante explicar aos leitores, leigos em medicina e fisiologia, como se processam nossas mudanças a nível fisiológico, para que possam compreender melhor porque e como a vida psíquica atua no nosso corpo. Embora essas informações sejam mais técnicas, elas se tornam indispensáveis na medida em que a Trilogia Analítica trabalha com dados científicos experimentais.

1 - O Stress e a Síndrome de Adaptação Geral (SAG)

Desde a metade do século XIX, Claude Bernard ( 2 ) e ( 3 ) - fisiologista francês - já percebera que, para manter a vida, a constância do "ambiente interno" ("milieu interieur") precisa ser preservada, apesar das mudanças do ambiente externo. Em 1922, Walter Cannon ( 4 ) introduziu o termo "homeostasis" para designar a manutenção desta estabilidade, e dirigiu sua atenção ao papel da adrenalina e do sistema nervoso autônomo como os responsáveis pelos ajustamentos internos dos quais depende a homeostasis. Também nos Estados Unidos, Frank Hartman (4) e seus assistentes fizeram experimentos com extratos purificados adreno-corticais, que os levaram a formular a teoria dos corticóides ou "hormônio geral dos tecidos" ("general tissue hormone"). Eles concluíram que o hormônio corticóide é necessário para as funções de todas as células porque ele eleva a resistência dos tecidos à infecção, combate a fadiga muscular e nervosa, e mantém a temperatura e a hidratação dos tecidos. Muitos investigadores descreveram importantes mudanças morfológicas, funcionais ou

bioquímicas, seguidas de estímulos nervosos, traumas etc

médicos, nós encontramos suspeitas do valor curativo da dor, jejum e muitos outros agentes não específicos. Wagner-Jauregg ( 5 ) - famoso psiquiatra austríaco - foi o primeiro a tentar tratar de doenças mentais, especialmente a paralisia geral histérica, através da estimulação artificial da febre ("terapia da malária", ou "terapia não específica"). Foi o austríaco Hans Selye, naturalizado canadense, que usou primeiramente o termo "stress" para designar essa síndrome de exaustão física acompanhada dos mais diversos sintomas e doenças. Selye já publicou 1600 artigos sobre o assunto, além do famoso livro Stress, que é base de estudos para todas as especialidades médicas. De acordo Com Selye, toda situação de stress é acompanhada por uma descarga muito elevada de hormônios corticóides, adrenalina, e, simultâneamente, a resistência a numerosos agentes nocivos é aumentada. ( 6 ) A hipófise é que controla a secreção adreno-cortical. Em 1927 observou-se que, se a hipófise era removida, os animais não podiam mais responder a situações de stress letal. Simultâneamente, a resistência destes primeiros hipofisectomizados caía a níveis muito baixos. ( 7 ) Concluiu-se então que no stress ocorre o seguinte fenômeno : se há qualquer prejuízo (choque), há uma reação simultânea de defesa do organismo (contrachoque). Coin a abstração da hipófise de animais, as manifestações de prejuízo (úlceras gástricas, hipotermia, hipoglicemia, hipotensão) pioravam, enquanto que as presumíveis mudanças de defesa eram eliminadas (febre, hiperglicemia, hipertensão, dissolução do tecido linfático, etc.). Estas observações mostram que a natureza por si mesma buscou um mecanismo de defesa geral, no qual a produção da corticotrofina desempenha um papel importante. Tentou-se tratar muitas

Mesmo nos mais antigos textos

2 Bernard. C. L. - Rapport sur les Progrès et la Marche de la Physiologie Génerale, Baillière, Paris (1867).

3 Leçons de Pathologie Experimentale (Au College de France) (J. B. Baillière et fils, Paris (1880). Cannon, W. B. - Studies in Experimental Traumatic Shack. Evidence of a Toxic Factor in Wound Shock, Arch. Surg. 4:1 (1922). "Bodily Changes in Pain, Hunger Fear and Range", 2 nd Ed. D. Appleton, New York London (1929).

4 Hartman, F.A., K. A. Brownwell & J.E. Lockwood - Cortin as a General Tissue Hormone, Am. J. Physiol. 101:50 (1932).

5 Wagner-Jauregg, J. - Ueber die Einswirkung Giberhafter Erkrankrungen auf Psychosen, jahrb. F. Psychiat. u. Neorol. 7:94 (1887); The History of the Malaria Treatment of General Paralysin, Am. J. Psychiat. 102:577 (1946).

6 Selye, H. - A Syndrome Produzed by Diverse Nocivous Agents, Nature 138:32 (1936).

7 Selye, H. - Studies on Adaptation, Endocrinology, 21:169 (1937).

doenças imitando o fenômeno de contrachoque fisiológico através da administração artificial de ACTH ou corticóides.

Através da administração artificial destes hormônios, procuraram aumentar a resistência natural do organismo, tornando-o indiferente aos seus agentes nocivos. Mas não foi possível, pois a ingestão artificial de hormônios provocava uma série de outras doenças (ex.: hipertensão, arteriosclerose, diabete, gota, miocardite, reações alérgicas e reumáticas e várias outras). Desta forma, Hans Selye formulou a teoria "Da Síndrome de Adaptação Geral" e "Doenças de Adaptação" - se a pessoa tiver reações de adaptação excessivas ou diminuídas, poderá surgir uma série de doenças como conseqüência. ( 8 )

A síndrome de adaptação geral ocorre cada vez que o indivíduo sente-se numa situação de perigo

(ou de emergência, como descreveu Cannon). Nestas circunstâncias, para se defender do "ataque" iminente, o indivíduo recorre à chamada reação de alarma, acionando o sistema nervoso

simpático, e a medula supra-renal secreta os hormônios denominados adrenalina e noradrenalina (na Inglaterra) e "epinefrina" e "norapinefrina" (na América).

A função da adrenalina é mobilizar as reservas orgânicas para a ação rápida - luta ou fuga - que

possa ser necessária. Mudanças no corpo podem ser observadas : aumento dos batimentos

cardíacos, contração do baço para soltar glóbulos vermelhos na corrente sangüínea, o fígado solta

o açúcar armazenado para ser utilizado nos músculos, a respiração intensifica-se, o sangue

concentra-se mais nos músculos e no cérebro, as pupilas dilatam-se para facilitar a visão, aumentam os glóbulos vermelhos ou linfócitos, cuja função é reparar danos nos tecidos. Numa segunda etapa, se o perigo permanece, o organismo começa a se preparar para a fase de re- sistência, que já implica num comprometimento orgânico muito mais complexo. Na primeira fase, o indivíduo restabelece-se rapidamente e logo volta ao normal. Na segunda, o centro de atenção transfere-se da medula supra-renal para o córtex supra-renal e para a hipófise, que estimula o anterior. Isto é o stress. Nessa etapa, o hormônio mais envolvido é o ACTH ou adrenocorticotrófico (da hipófise), que controla os glicorticóides (que incluem a hidro-cortisona, a corticosterona e a cortisona). Estes últimos diminuem a resistência do organismo às infecções, provocam desordens hormonais com implicações sérias para a tiróide, hormônios sexuais, hormônios do crescimento, levando ao

aparecimento de úlceras no estômago e regiões intestinais, etc Se a situação de stress se prolongar, o indivíduo entrará numa terceira fase, que é a de exaustão, na qual se torna suscetível a todas as espécies de doenças, infecções, inflamações, desequilíbrios me- tabólicos, hormonais e homeostáticos.

A síndrome de adaptação pode se dar em intensidade maior ou menor do que o normal. O termo

adaptação no sentido fisiológico corresponde ao do sentido psicológico - o indivíduo são é aquele que aceita adaptar-se à realidade. É o que tentarei expor no capítulo a seguir.

Síndrome de Adaptação Geral (SAG)

reação de alarme

fase de resistência

fase de exaustão

normal

Surgem algumas doenças

2 - O Stress Psicológico

Surgem muitas doenças

8 Role of the Hypophysis in the Pathogenesis of the Diseases of Adaptation, Canadá M. A. J. (1944).

Como vimos no capítulo anterior, o stress é ocasionado por um esforço que o organismo despende no sentido de se proteger de agressões do meio-ambiente. As supostas causas do stress poderiam ser: queimaduras, lesões, estados pós-operatórios, variação de temperatura ambiental, esforços musculares intensos, traumas e irritações nervosas. Mas a quase totalidade dos stress verificados em pacientes é causada por fatores psicológicos. Pelo menos dez vítimas de tensão emocional excessiva procuram diariamente auxílio médico no Sindicato de Classe dos Comerciantes do Rio de Janeiro.

Somente em São Paulo houve um acréscimo de 100% de pacientes queixosos de retocolite ulcera- tiva nos últimos quarenta anos. Essa moléstia é tipicamente psicossomática - é caracterizada por inflamação e ulcerações no intestino, com diarréias freqüentes e sangramento. E uma esmagadora maioria de pacientes, que procuram auxílio médico no INAMPS, apresenta crises nervosas, pressão alta, ataques cardíacos, dores de coluna - todas doenças evidentemente psicossomáticas. Mas, embora os médicos conheçam a origem dessas doenças - fundo psicológico - não descobriram ainda a causa psíquica e menos ainda o método de tratamento e cura desses males - haja vista o aumento assustador das mesmas. A tendência das explicações médicas e psicológicas tem sido colocar a culpa em questões ambientais : trabalho em excesso, tipo de trabalho,

casamentos fracassados, trânsito intenso, cidades grandes etc. etc

que os executivos mexicanos queixam-se mais do stress nas férias do que em período de trabalho. ( 9 ) E habitantes de cidades pequenas apresentam um grande número (ou maior) de sintomas psicossomáticos e de desequilíbrio nervoso. ( 10 ) Os pacientes tratados pela Trilogia Analítica têm um índice altíssimo de recuperação de suas doenças, sem necessitarem de qualquer mudança em sua vida, profissão ou família. Se a causa dessa enorme incidência de stress fosse outra que não do interior do homem, não haveria essa possibilidade de cura. E o que não dizer das crianças que somatizam demais os seus problemas e contraem moléstias com muita freqüência ( 11 ). Nas crianças, amigdalites, asmas, gripes, inflamações de ouvido, alergias são facilmente curáveis pela Trilogia Analítica, o que mostra a etiologia psicológica das doenças. Como disse anteriormente, a reação de adaptação da pessoa, em relação à vida, pode se dar em intensidade maior ou menor do que o normal. Os doentes podem ter dois tipos básicos de reação : uma "subnormal", que seria uma atitude de isolamento, fuga, alienação, reação mais defensiva (omissão) ; e outra "supranormal". que seria a reação de ataque, agressividade, tentando modificar a realidade (deturpação, negação).

Mas pesquisas também provam

9 "El Mercurio", Santiago (Chile), 25 de outubro de 1981. 10 Resultado de pesquisa realizada nos E.U.A. 11 Ver Capítulo 36

Desta forma, o indivíduo são é o que se adapta e reage em harmonia com

Desta forma, o indivíduo são é o que se adapta e reage em harmonia com o real, e essa adaptação é duradoura, da mesma maneira que ocorre com o seu organismo. Quem é mais são psiquicamente, tem mecanismos de defesa mais eficazes contra a agressão dos outros, ao passo que o mais doente é vítima fácil de má intenção de terceiros, bem como cria uma série de dificuldades e destruição para si próprio. Da mesma forma, o indivíduo com SAG - prolongado não só fica sujeito a infecções e agressões do meio-ambiente em muito maior escala, como ele próprio cria doenças para si : (toda a série de doenças tradicionalmente psicossomáticas e doenças comumente fatais como : hipertensão, doenças reumáticas, degenerativas, ou doenças "wear-and-tear" (de muita idade, etc.).

Porém, o mais importante é o leitor notar que é muito raro o indivíduo estar realmente sob perigo

e em situação de emergência.

Noventa e nove por cento do tempo, estamos numa atitude persecutória da luta contra a vida, contra a realidade e, principalmente, contra a consciências dos nossos erros. Este é o estado de iminente perigo a que estamos sujeitos: o perigo de termos de desistir da posição de deuses em que nos colocamos.

Devido à nossa teomania, também criamos situações absurdas para viver, nas quais adotamos um comportamento artificial como se criássemos a nossa própria câmara de tortura.

E é dessa situação absurda, irreal, forjada contra nós mesmos, que precisamos nos defender.

Essa é a atitude de luta e fuga à qual se referia Wilfred Bion (famoso psicanalista inglês) e que os

paranóicos adotam contra a vida, contra o afeto, contra a realidade.

O homem luta contra si mesmo, contra sua saúde, mata-se, e ainda acha que está interessado pela

realidade, pelo trabalho, pelo ambiente, pela família Existe uma identidade total do que se passa a nível fisiológico e psicológico. Quero dizer : nosso organismo é um espelho ideal que faz uma dialética com a vida psíquica. Dr. Keppe, em suas hipóteses, disse que a doença mental é uma atitude que o indivíduo adota contra a consciência. Isto é : o indivíduo vê a verdade, e por causa de sua teomania não a aceita, criando a doença. Quer isto dizer que não existe um inconsciente patológico, mas uma atitude de inconscientização que gera a doença.

O ser humano, por sua atitude de inversão, vê a verdade como uma agressão, uma destruição de si

mesmo, e, pela fantasia da perfeição que quer manter de si, faz uma contra-reação a qualquer centelha de consciência que possa vir a contrariar essa fantasia. Essa contra-reação de ataque (agressão) ou de defesa (alienação) à consciência é que gera a doença mental. O indivíduo

equilibrado adapta-se à consciência, aceitando-a, e assim restabelece e mantém o equilíbrio interno (psíquico e físico).

3 - As Emoções e a Fisiologia Humana

O funcionamento do nosso corpo dá-se através da obediência de ordens emitidas por nosso

cérebro.

O cérebro, por sua vez, não pode ser considerado como uma massa cinzenta, bem organizada, que

funcione por si somente, enviando ordens para o corpo e para a mente. Tudo o que nosso cérebro registra e tudo o que dele sai é emanado de nossa vida psíquica (o espírito ou alma 12 ).

Por exemplo : não são os nossos hormônios que nos fazem sentir raiva ou medo, mas sim as emo- ções de raiva e medo, diante de algum fato, é que eliciam em certas regiões do cérebro reações que vão comandar a secreção de hormônios específicos. Da mesma forma, o amor: quando aceitamos nosso sentimento genuíno, que é o afeto, todo o nosso corpo funciona em harmonia, permitindo que o sangue corra normalmente pelas veias, que o coração bata à vontade, que nossos órgãos funcionem bem, que nossos músculos se movimentem com toda a sua potência e flexibilidade e que nossa inteligência, percepção, memória, etc. atuem com toda sua capacidade. Nosso cérebro é uma pequena máquina, incrivelmente perfeita, que comanda todas as nossas ativi- dades e que funciona em perfeita harmonia com nossa vida psíquica. Nós não somos a soma de alma e corpo. Nós somos corpo e alma numa substância única e originalmente imortal. Foi uma atitude psíquica voluntariosa - de ir contra a verdade, a realidade (Deus) - que provocou uma queda em nossa natureza, tornando-nos seres mortais (mesmo que provisoriamente) e doentes física e psiquicamente.

É por esse motivo que a pessoa que mais nega a verdade, mais adoece e mais cedo morre.

Até hoje, a Medicina só descobriu o funcionamento de talvez 3% de nosso cérebro. E quanto mais avançam os conhecimentos da filosofia, da neurologia e da neuropsiquiatria, mais e mais se comprova a estreita correlação entre nossa vida emocional e nosso corpo.

A

tendência médica, contudo, é de fazer uma abordagem "somato-psíquica" e não psicossomática

de

nossa saúde e doença.

O

Dr. Norberto Keppe veio comprovar, com a metodologia científica da Trilogia Analítica, que a

mente não só tem o control e absoluto sobre os processos orgânicos saudáveis como também sobre os patológicos. Tudo isto foi possível graças aos excelentes resultados obtidos, em índice espantosamente alto, nos tratamentos de males físicos sem o uso de qualquer medicamento. Durante muito tempo acreditou-se que a regulação do comportamento e, em especial, a do comportamento emocional estaria na dependência de todo o cérebro. Atualmente já se sabe que isso não é verdade. Sabe-se, entretanto, da existência de "centros" relacionados ao comportamento, que ocupam terri- tórios bastante grandes não só do córtex cerebral como também de vários centros subcorticais, como tronco encefálico, hipotálamo, tálamo, área pré-frontal (isocórtex ou neocórtex) e sistema límbico. Assim sendo, as áreas cerebrais mais implicadas são o telencéfalo e o diencéfalo, embora não se possa considerar o funcionamento cerebral em áreas isoladas ou estanques, mas circuitos que

12 Muitos autores distinguem alma de espírito e de atividades psíquicas. Na realidade, a ciência psicopatológica atualmente considera tudo isso como uma unidade.

podem envolver áreas muito distantes. Importantes relações ocorrem na regulação das atividades da hipófise (glândula mestra), do sistenia nervoso autônomo e, através deste, das atividades viscerais: manifestações diversas como salivação, sudorese, dilatação pupilar, modificações do ritmo cardíaco, do respiratório, choro, eriçar dos pêlos, alteração da pressão arterial, e mais tipicamente os exemplos clássicos de úlceras gástricas e duodenais. (Ver ilustração na página 35). Uni método, que permite estimular especificamente determinados circuitos, consiste em introduzir no cérebro, através de uma cânula, pequenas quantidades de mediadores químicos corno a acetilcolina, a noradrenalina, dopamina ou serotonina, e as reações são instantâneas. É interessante notar que esses são os mesmos hormônios produzidos quando se "sente" raiva, inveja, ciúmes e medo. Aliás, essas áreas encefálicas relacionadas com o comportamento emocional e com a regulação do sistema nervoso autônomo são ricas em substâncias químicas especialmente as monoaminas (noradrenalina, serotonina, adrenalina e dopamina). Este fato é significativo, pois sabe-se que grande parte das drogas utilizadas em psiquiatria para tratamento dos distúrbios de comportamento e da afetividade agem modificando o teor das monoaminas cerebrais, processando-se a tentativa em sentido contrário, ou seja, a raiva, a ira, a inveja e o medo permanecem inconscientizados, e eliciam a secreção destes hormônios - e não vice-versa. Assim sendo, se forem ingeridas drogas que agem diretamente, modificando a química cerebral, haverá uma série enorme de efeitos colaterais e de contra-reações, que vão, ao invés de melhorar, piorar sobremaneira o equilíbrio químico cerebral. Este equilíbrio dá-se como qualquer outro equilíbrio hormonal, em nosso corpo - cada substância

equilíbrio hormonal, em nosso corpo - cada substância A hipófise (glândula pituitária) e o hipotálamo. O

A hipófise (glândula pituitária) e o hipotálamo. O hipotálamo exerce controle neural direto sobre a glândula pituitária anterior através dos hormônios lançados na corrente sangüínea. Aí se percebe como as emoções atuando sobre o hipotálamo vão desencadear o mecanismo do stress. LH - hormônio luteinizante FSH - hormônio estimulador do folículo TSH - hormônio estimulante da tiróide ACTH - hormônio adrenocorticotrófico funciona num "feed-back" automático, diretamente nas glândulas, eliciando e/ou inibindo a

produção de mais hormônios. O mesmo ocorre com o hormônio diurético, que, quando ingerido artificialmente, vai provocar a produção em mais e mais quantidade de hormônio antidiurético e, ao mesmo tempo, inibir a produção de hormônio diurético, numa cadeia sem fim. Assim sendo, quando se interrompe a ingestão do hormônio diurético, a contra-reação hormonal levará a pessoa a uma colossal retenção de líquidos. Os psicotrópicos provocam a mesma reação. Eles apenas eliminam temporariamente o sintoma mas o organismo reage e provoca a necessidade de ingerir doses cada vez mais fortes, até que nada mais faça efeito. Assim sendo, após ingerir psicotrópicos, o doente está muito pior do que antes - e se interromper o uso de drogas, terá a chamada "síndrome de abstinência", muitas vezes insuportável, a ponto de levar o doente ao suicídio, por descontrole total.

4 - A Importância da Relação entre as Emoções e a Hipófise

Como disse anteriormente, nossa vida psíquica "estabelece uma ligação" com nosso corpo através de nosso cérebro, mais especificamente o diencéfalo e telencéfalo. Considerando-se que o hipotálamo funciona como um centro coletor de informações que chegam de várias partes do organismo, através do sistema nervoso, o controle das secreções da hipófise anterior é feito, indiretamente, pelo sistema nervoso. Assim, emoções agradáveis ou desagradáveis são transmitidas ao hipotálamo, o qual usa essas informações para exercer seu controle sobre o funcionamento da hipófise. Quase todas as secreções hipofisárias são controladas pelo hipotálamo, através de estímulos que chegam pelo trato hipofisário. O hipotálamo, no entanto, produz neuro-secreções que, chegando à

hipófise através dos vasos sangüíneos do trato hipofisário, vão controlar a secreção dos diversos hormônios hipofisários. Vemos, portanto, que se trata de um controle via hipotálamo, e as neuro- secreções denominam-se fatores liberadores. Sabe-se que esses extratos provocam aumento da pressão arterial e contração de grande parte da musculatura lisa, e a vasopressina e o oxitocima, substâncias isoladas desses extratos, são responsáveis pelo mecanismo da diurese, contrações uterina, produção do leite, etc A hipófise, na realidade, é chamada "a glândula mestra", pois de seus hormônios dependem o fun- cionamento das outras glândulas que regulam nosso organismo, entre elas a tiróide, o córtex adrenal e as glândulas sexuais. Os hormônios da hipófise são :

a) neuro-hipófise (ou hipófise posterior) 1) hormônio antidiurético ou vasopressina 2) oxitocina

b) adeno-hipófise (ou hipófise anterior) 1) hormônio do crescimento 2) tirotrofina ou hormônio tirotrófico (TSH), que estimula a glândula tiróide.

3) cor t i c o t r o f in a ou adrenocorticotrofina (ACTH), que age sobre o córtex das glân- dulas supra-renais (o hormônio do stress) 4) hormônios gonadotrópicos ou gonadotropinas, que contribuem para o desenvolvimento das glândulas e órgãos sexuais, intervêm também na menstruação, ovulação, gravidez e lactação. Esses hormônios são :

• FSH folículo estimulante, que age sobre a maturação dos folículos ovarianos e dos

espermatozóides.

• LH (luteinizante), ou ICSH - estimulante das células intersticiais do ovário e do tes- tículo ; provoca a ovulação e formação do corpo amarelo;

• LTH (leteotrofina ou prolactina) que mantém o corpo amarelo e estimula a

contínua produção de seus hormônios ; tem ação no desenvolvimento das mamas e interfere na produção do leite. É considerado um agente anabolizante, cuja ação mimetiza os efeitos do hormônio de crescimento, no homem. Os leitores podem notar que todo o funcionamento do nosso corpo depende desta cadeia aqui explicada. É lógico então se perceber a relação entre as emoções (medo, raiva, ciúme, inveja, excitação) e nosso organismo e como elas podem agir negativamente sobre ele. E, interessante notar, é que o amor é o sentimento da natureza, que se identifica com a aceitação da realidade e, conseqüentemente, não interfere de maneira a bloquear ou a super-estimular as funções de nosso corpo. Mas, ao contrário, ao tentarmos bloqueá-lo, ou negá-lo, então estamos introduzindo modificações hormonais que poderão nos causar enormes danos.

5 - A Teomania como Causa do Stress

Através da Trilogia Analítica, penso que consegui explicar a causa da alteração neuro-hormonal, mais especificamente o mecanismo psicológico do stress - mal que assola praticamente toda a humanidade. Se tomarmos como ponto de partida o psicológico, chegaremos ao mesmo resultado que chegaríamos se partíssemos do orgânico. Existem, basicamente, duas reações patológicas que o indivíduo pode adotar diante da consciência: a de medo, a de raiva, e/ou ambas, o que acaba por originar os quadros neuróticos e doenças orgânicas, através do stress psicóticos pela tensão constante. Diante da visão de um erro, ou quando sentem inveja, os chamados indivíduos mais depressivos reagem com medo, tendem para a fuga das mais diversas maneiras. Geralmente são mais omissos, inativos. Outro grupo é o dos paranóides que, diante da consciência de uma frustração, ou quando

têm inveja, reagem com raiva, agredindo, odiando, lutando. Um terceiro grupo seriam os que mesclam os dois tipos de reação : luta e fuga. sabido que tanto a reação de medo, como a reação de raiva, ódio, são atitudes que a pessoa pode, ou não, adotar diante da consciência. É claro que o humilde, o receptivo, acata a verdade sem reagir, beneficiando-se psicologicamente e poupando seu físico de doenças desnecessárias, prolongando sua vida e vivendo melhor. Tanto a raiva, como o medo desencadeiam automaticamente uma reação hormonal no organismo,

o que se processa num nível freqüentemente fora da percepção da pessoa.

A raiva é responsável pela liberação da norepinefrina ou noradrenalina e adrenalina na corrente

sangüínea. O medo, por sua vez, provoca a secreção de acetilcolina e adrenalina. Sabe-se que nosso organismo está apto a absorver cargas periódicas desses hormônios, bem como as glândulas, que trabalham sob sua estimulação, secretam novos hormônios numa cadeia

harmoniosa.

Porém, se injetarmos constantemente tais hormônios no nosso sangue, em pouco tempo nosso or- ganismo entrará em colapso (stress). E é o que acontece com as pessoas que estão sempre com medo, ou raiva e inveja sem, muitas vezes, terem percepção disso.

O leitor poderá imaginar a quantidade enorme de desarranjos hormonais, metabólicos, funcionais,

disfunções do sistema imunológico, e de doenças que poderão resultar disso ? ( 13 ) Outra atitude desencadeante de secreções hormonais é a busca da fantasia: seja ela sexual ou não,

mas excitante de qualquer forma. Pessoas muito vorazes por "viver a vida intensamente", isto é, na teomania, tem um ritmo vital

muito acelerado, esforçando-se para realizar a imaginação. Suas mentes são verdadeiras fábricas de fantasia e, não raro, encontramos indivíduos que estão o dia todo pensando em sexo, numa verdadeira auto-estimulação mental. Isso também causa a secreção de hormônios.

A humanidade já se habituou a fugir à percepção de si mesmo através das mais diversas distrações

- literaturas, passeios, vícios, sexo, dinheiro, desejo de status. Os mecanismos de fuga são usados para inconscientizar as emoções, e com tal sucesso, que muitos nem sequer imaginam o quanto estão doentes psiquicamente. Muita excitação e euforia também podem causar stress. Exigem um desgaste tremendo de energias, pois a megalomania leva a pessoa a viver "intensamente".

Tanto Walther B. Cannon, como Hans Selye, fisiólogo e endocrinologista, estudaram minuciosamente esses processos e sistemas, mostrando em seus notáveis trabalhos as maneiras

13 As últimas descobertas da Medicina comprovam a relação direta entre o câncer e o desequilíbrio do sistema imunológico.

como os sistemas emocional, nervoso e endócrino interagem com as emoções de ira e medo. Cannon concentrou-se na descrição das respostas imediatas do organismo a tais estímulos e Hans Selye, na "síndrome de adaptação geral", incluiu, além das reações de emergência imediata de

Cannon, os ajustamentos de longa duração provocados por stress prolongado. Nos processos psicopatológicos encontramos com freqüência os dois casos, mas o mais freqüente nos doentes psicossomáticos é a chamada "síndrome de adaptação geral". São mecanismos constantes, não raro de muitos anos, quando o indivíduo permanece numa atitude inconscientizada

de raiva ou medo. A luta que empreendemos contra a consciência é tão forte que gastamos toda a

nossa energia no sentido de tentar inutilmente destruí-la. A tensão gerada pela luta leva ao stress, que, por sua vez, comprovadamente, causa doenças, as mais variadas. Nas pesquisas, que venho realizando, pude observar que todas as doenças, direta ou indiretamente, têm relação com essas síndromes.

Notem os senhores que, quando me refiro a um desequilíbrio hormonal, quero dizer que ele atua, inclusive, a nível da química cerebral. O mesmo, que se passa no corpo, dá-se no cérebro: a epilepsia, por exemplo, é uma espécie de "úlcera" nas células nervosas, que podem cicatrizar-se espontaneamente. A esquizofrenia é acompanhada por uma alteração na química cerebral, o que provoca os delírios e alucinações.

O maior neuropsiquiatra que a humanidade já teve, Hans Hoff, professor da Universidade de

Viena, dizia que à alteração emocional do paciente esquizofrênico seguia-se um desprendimento

de ácido lisérgico (LSD) e proliferação de enzimas específicas.

Nos estados de depressão endógena, rebaixamento de consciência, amnésias, ausências, etc., a reação química e nervosa é conseqüente de um estímulo anterior, emocional.

6

- Como se Processa a Cura

O próprio organismo adquire condições de estancar a moléstia. O paciente, que se submete a análi-

se, percebe que a inversão que está fazendo - em ver na consciência um mal, uma agressão, ou um perigo a ser evitado - é que gera essa reação de luta e fuga. Ao notar que não é a consciência que o

destrói, mas ela apenas mostra a destruição que está se causando, relaxa-se, parando

imediatamente de secretar os hormônios responsáveis pela sua tensão e stress. Daí para a cura o caminho é rápido e direto - e o próprio corpo se encarrega, com seu sistema imunológico e equilíbrio homeostático, de acabar com todas as doenças.

A humildade é fundamental, pois só através dela podemos aceitar nossos erros com tranqüilidade.

Não adianta querermos nos tapear, disfarçar o que sentimos. Muito pelo contrário, quanto mais disfarçamos, fingindo aceitar o que nos dizem, e o que nossa consciência mostra, mais inconscientizamos nossa arrogância. Aí será pior, pois o medo e raiva inconscientizados estão desencadeando as mais diversas reações orgânicas, levando a doenças muitas vezes fatais. Portanto, o primeiro passo para a cura é a conscientização das emoções de inveja, raiva e medo. O segundo passo, perceber o porquê dessas atitudes, que pertencem ao campo da vontade. Isto é, a inveja, a raiva e o medo são atitudes, são reações, que podemos ou não adotar diante de uma consciência. Quanto mais hipócritas, mais teomânicos formos mais veremos na verdade um mal, reagindo contra ela (mecanismo de Inversão) ( 14 ). Quanto mais humildes quisermos ser, desistindo dessa pretensão de sermos "deuses" e aceitando nossas falhas e nossa enorme inveja à beleza, ao bem, e à realidade, mais acataremos a consciência que temos no nosso interior as vinte e quatro horas do dia. Dessa forma, podemos nos relaxar e mergulhar nesse universo de paz e saúde no qual estamos inseridos e que temos principalmente no nosso interior. Fomos criados para viver usufruindo da saúde psicológica e orgânica. Por nossa excessiva inveja ao Criador, não aceitamos isso, o que nos leva a deturpar, omitir ou negar essa realidade, cometendo as mais diversas agressões, desatinos e erros - o que constantemente é registrado por nossa conseiencia. Então podemos reagir com medo ou raiva contra ela, caindo em doenças mentais e orgânicas, ou com aceitação, o que nos garantirá paz e saúde. Acredito estar aí a explicação das mais diversas curas obtidas por processos tidos como milagrosos, que Cristo, Ele mesmo, explicava dizendo : "Vai, a tua fé te salvou". Isto quer dizer:

quem aceita a verdade é curado dos mais diversos males. Desta maneira podemos concluir que quanto mais inveja, ódio e medo o indivíduo tiver, mais doente será mental e organicamente.

7 - Como se Opera o Tratamento

Essa conscientização poderá ser conseguida através de leituras, de reflexão e interiorização, mas será mais difícil, pois a tendência é de raciocinar neuroticamente, e os mecanismos de defesa são muito eficazes na pessoa somatizada. Nesses casos, se aconselha uma análise profunda pois o psicanalista não permitirá que a pessoa conserve suas fugas, e a cura das moléstias orgânicas poderá se dar nas primeiras sessões.

14 Ver A Glorificação, pág. 16, Norberto R. Keppe.

Isto naturalmente só irá ocorrer se o terapeuta utilizar um método que leve o indivíduo a aceitar a verdade, a consciência de seus erros, de sua megalomania, inveja, ódio, medo. Se ele próprio estiver na mesma atitude do cliente, só irá reforçar a doença, estabelecendo um pacto de censura. Por essa razão, existem casos de indivíduos que se submeteram anos a fio a psicanálise freudiana ortodoxa e não só agravaram suas doenças (dores de cabeça, prisão de ventre, enxaqueca), como também adquiriram outras. Isto porque o freudismo ajuda a pessoa a desviar-se ainda mais do que deveria ver em si, para questões secundárias como a libido, e culpando os outros por sua infelicidade e frustrações. Certa vez, conheci um homem de quarenta e cinco anos aproximadamente que nos procurou dizendo estar num processo cancerígeno grave, muito adiantado. Ao perguntar-lhe por que não procurara um tratamento antes, ele me respondeu : "Há dez anos faço análise freudiana clássica, diária; acabei com minha saúde e meu dinheiro". De fato, apresentava um quadro depressivo gravíssimo, estava numa total decadência social e econômica e, infelizmente, sequer voltou para tentar sua cura. Estava totalmente cético, sem esperanças. Conheci também psicoterapeutas que somatizavam muito e, não raro, eram viciados em álcool, fumo, etc Normalmente os médicos e psicoterapeutas explicam a causa do stress como resultado de tensões ambientais, ritmo de vida, preocupações com o trabalho, pressões econômicas, etc. e isso só faz aumentar a persecutoriedade do doente, agravando sua tensão e, conseqüentemente, seu stress. Portanto, como essas emoções estão diretamente 'vinculadas à nossa VONTADE (a arrogância e a humildade pertencem a este campo), podemos afirmar que a doença é fruto da nossa vontade ! Basta o doente perceber esse mecanismo e conscientizar a sua causa para que possa se curar de qualquer doença, pois se seu organismo estiver em condições naturais, sem stress, com seu equilíbrio homeostático e imunológico normais, ele próprio terá condições de se defender das mais diversas doenças. De acordo com a Trilogia Analítica, jamais tratamos das doenças orgânicas em si mesmas. Procuramos fazer com que o paciente não dê importância. Se ele próprio quiser fazer menção de algum mal físico, procuramos interpretar e analisar o que representa aquela doença no sentido psicológico. Somente quando se trata da doença, através da vicia psíquica do paciente, é que se consegue erradicar o mal pela raiz. Daí o sintoma físico desaparece como uma conseqüência de um processo anterior a nível psicológico. É também freqüente acontecer de o cliente iniciar a análise por um motivo qualquer relacionado a problemas sociais, afetivos, profissionais, ou mesmo espirituais e, após algum tempo de análise, diz: eu costumava ter esta ou aquela doença e, depois de algumas semanas de análise, curiosamente curei-me de tudo. Posso citar corno exemplo a senhora D. N., de 32 anos, filha de imigrantes japoneses, que só após alguns meses de tratamento comentou que seus ciclos menstruais eram totalmente irregulares (de 55 a 60 dias), e que, após algumas semanas de análise, suas regras se normalizaram sem necessitar de medicação (hormônios, no caso), tendo agora ciclos regulares de 30 a 33 dias. Isso nos mostra que, se o ser humano acata a verdade, se se dispõe honestamente a lidar coin suas "doenças" psíquicas, então seu corpo todo, gradual e naturalmente, voltará ao normal. Fiz a seguinte constatação baseada nos testes Zondi de psicodiagnóstico:

os clientes que apresentavam muitas chaves nos resultados dos testes (áreas de conflito inconscientes) eram :

psicóticos

alcoolizados ou viciados em drogas

doentes orgânicos.

Todo fator problemático que é reprimido pela pessoa, isto é, que ela inconscientiza, é acusado no teste, sob a forma de repetição daquele factor. Por exemplo — o indivíduo, que tem uma atitude caínica de ódio e inveja fortemente inconscientizada, apresentará no teste o seguinte:

inconscientizada, apresentará no teste o seguinte: A 1ª linha indica como o indivíduo actua, sua co

A 1ª linha indica como o indivíduo actua, sua conduta. As duas de baixo mostram que o factor repetido é muito forte na sua personalidade. Exemplo de resultado de um teste de uma pessoa com Lupus Eritematoso com seis chaves :

teste de uma pessoa com Lupus Eritematoso com seis chaves : 8 - 0 Medo e

8 - 0 Medo e a Raiva

Existem três emoções elementares que podem ocasionar doenças orgânicas: é a inveja (ciúme), a raiva e o medo, todos relacionados à teomania. Em qualquer destas emoções, existe a consequente resposta hormonal, e observou-se ultimamente, em várias experiências, com doentes mentais mais graves,( 15 ) que se encontra uma dose mais elevada de adrenalina nos pacientes depressivos, medrosos e passivos e de noradrenalina nos pacientes mais agressivos (esquizo-paranóides). Pesquisas do Dr. Dan Ely, da Universidade de Akron, em Ohio, mostraram que os indivíduos agressivos são mais susceptíveis às doenças do coração e pressões sangüíneas elevadas. Dr. Ely mostrou numa experiência com ratos que os mais dominadores apresentavam uma pressão sangüínea mais elevada, alta concentração de testosterona, hormônio sexual masculina sintetizado nos testículos, cuja presença, em quantidades anormais é relacionada à tendências agressivas. Dr. Ely verificou ainda que os machos dominadores apresentavam maior número de arterioscleroses. Existe um alto índice de probabilidade de que o mesmo ocorra com os seres humanos. D. H. Funkestein (1955) sugeriu uma analogia entre as espécies animais e os seres humanos - o leão tem concentrações relativamente altas de noradrenalina na medula supra-renal, enquanto que as espécies menos agressivas, como o coelho, o babuíno, tendem a ter mais adrenalina do que noradrenalina na corrente sangüínea. De fato, pude notar que o mesmo fenômeno que ocorre numa cadeira do dentista, quando a pessoa

15 A.F.A. (1953) Psychosomatic Medicine, 15, 43342.

se apavora diante de um "motorzinho" ou boticão, e nas situações de exames de fim de ano, acontecia com os pacientes durante o grupo de psicoterapia, quando um companheiro dizia-lhe a verdade sobre seus defeitos ou problemas. Quanto mais depressivo o indivíduo, mais se encolhia na cadeira, suando, apavorado com quedas de pressão. E quanto mais agressivo - ou ficava empalidecido (vaso constrição periférica), ou muito vermelho, ofegante, coração batendo muito forte a ponto de saltar-lhe as veias do pescoço, explodindo, logo em seguida, em acessos de ira contra o grupo. Após algum contratempo, os pacientes mais depressivos vinham ao consultório queixando-se de fortes tonturas, enquanto que os mais agressivos ficavam vermelhos e, algumas vezes, chegavam a somatizar instantaneamente, com aumento de pressão arterial, dores de cabeça, crises hepáticas, etc Porém, à medida que descobriam e aceitavam a causa destas manifestações, ou seja, quando os primeiros percebiam que estavam apavorados em ver a verdade sobre si mesmo, e os segundos, com ódio por verem contrariadas as suas fantasias, imediatamente se acalmavam e voltavam ao normal. Notem que, em ambos os casos, a raiz desta reação é a mesma : a teomania, ou seja, o indivíduo não aceita conscientizar-se de sua realidade, sua patologia, mas prefere viver num constante fantasiar-se perfeito e grande. Essa reação em cadeia : verdade - ódio ou medo desequilíbrio somático - repetia-se sempre na vida de todos, a cada momento em que sua consciência lhe indicava algum erro ou problema. Esse mecanismo, constantemente acionado, ocasiona o stress, e, além de distúrbios funcionais muito sérios, uma queda considerável de resistência do organismo. Pode-se então dizer que a pessoa que aceita bem a verdade, que é humilde, esse tem a verdadeira saúde física e mental.

9 - Libido e Doença

O uso excessivo da libido pode prejudicar muito o funcionamento do organismo - as descargas

freqüentes de adrenalina no sangue, que ocorrem durante a relação sexual, ocasionam stress e ao

mesmo tempo interferem no sistema nervoso central provocando uma espécie de "adormecimento mental", além de grande desgaste de energia. Nos Estados Unidos, as últimas pesquisas efetuadas por médicos e psicólogos, demonstram que o

excesso de atividade sexual faz decair a capacidade intelectual, o desempenho verbal, manual, e o potencial geral do ser humano. Alguns médicos e psicólogos fizeram o seguinte teste:

• reuniram um grupo de indivíduos voluntários e lhes aplicaram um teste de quociente de

inteligência, e de habilidades psicomotoras ;

• depois disso os casais mantiveram relacionamento sexual ;

• após esse relacionamento, foram reaplicados os mesmos testes e, pelos resultados obtidos,

verificou-se um considerável decréscimo em todas as áreas. Não é coincidência o fato de os maiores guerreiros, pensadores, filósofos terem se abstido do sexo.

A libido, se mal usada, pode ser fonte de muitas doenças para o indivíduo. Ao contrário do que se

apregoa, nota-se que o libidinoso é aquele que envelhece mais depressa. Não é sem razão que os atletas e jogadores de futebol são proibidos de manterem relações sexuais nos dias anteriores às competições.

Os melhores guerreiros alemães, na guerra de 1914, eram justamente os seminaristas que se abstinham de sexo. Os espartanos igualmente desenvolviam uma belíssima "performance" física e psicológica devido ao estoicismo a que se dedicavam. Isto se deve ao fato evidente de que cada relação sexual produz uma enorme descarga de adrenalina no sangue do indivíduo, e um desgaste considerável de energias. Conseqüentemente, há uma influência direta em todo o sistema

hormonal. A atividade sexual age diretamente no sistema nervoso central, estimulando a secreção

de hormônios que interagem no sistema homeostático e, se ativado em excesso, ocasionam stress,

que, por sua vez, pode gerar até doenças orgânicas graves.

O que verificamos então é que quem se dedica à produção de fantasias sofre não somente um

prejuízo psicológico mas também fisiológico.

A estimulação sexual é feita através dos nervos aferentes e somáticos, do sistema nervoso

simpático e parassimpático, que vão estimular a produção de hormônios que agem sobre os tecidos.

A pessoa, que se dedica ativamente às práticas e/ou fantasias sexuais, gera o stress (cansaço fi-

siológico) e, devido ao alto grau de energia despendida, reduzem, com o tempo, a produção, pela

glândula pituitária anterior, dos hormônios gonadotrópicos; estes, por sua vez, estimulam os testículos a segregarem o androgênio, e o ovário a segregar os hormônios estrogênio e progesterona. Isto significa:

Nos homens :

• queda na produção de espermatozóides ;

• uma redução na segregação, pelos testículos,

de testosterona : hormônio sexual masculino ou "androgênio";

• atraso ou supressão total da puberdade. Nas mulheres :

• alterações, rupturas ou supressão do ciclo menstrual ;

• queda no peso do útero ;

• falha na ovulação;

• falha no óvulo fertilizado ao dirigir-se para o útero ;

• um aumento no número de abortos espontâneos;

• falha na lactação.

Quanto mais atividade sexual o indivíduo mantiver, menos viril se tornará (no caso do homem) e menos feminina (no caso da mulher).

Por isso é freqüente observar-se que os "machões" têm muitos traços de feminilidade e homos-

sexualismo. Não somente adotam uma atitude narcisista, vaidosa, mas também vão sofrer, fisicamente, uma alteração de seus caracteres sexuais primários e secundários : tecidos adiposos

na região da cintura, nas mamas, nos quadris, etc

No caso das mulheres, o grande interesse pelo sexo acaba por masculinizá-las, ocorrendo uma mo-

dificação em seus traços faciais e corporais: estreitamento de quadris e coxas, flacidez nos seios, engrossamento da voz, crescimento excessivo dos pêlos do corpo e rosto, perda de cabelo, tudo isto acompanhado de um comportamento masculinizado - muita agressividade, competição, posse, etc., o que numa mulher se torna muito desagradável. Desta forma, é preciso reformular os conceitos totalmente errados de que é necessário haver uma grande atividade sexual para que nos tornemos sexualmente maturos. Só a preocupação com isso

já é altamente negativa e estressante, o que vai acarretar uma alteração no mecanismo hormonal

sexual e sem falar nos demais, que são responsáveis pelo bom funcionamento de todo o

organismo.

Em simples palavras :

• Quanto mais sexo a pessoa tem (mesmo as fantasias, o interesse e preocupações com isso,

são o suficiente para eliciar o estado de excitação), menos masculina (no caso do homem) e feminina (no caso da mulher) se torna.

• Quanto mais tranqüila a pessoa é, em relação ao sexo, mais feminina a mulher se torna e mais másculo o homem.

Como disse anteriormente, o stress provocado pelas fantasias sexuais pode gerar também muitas doenças. Procurou-se, nos Estados Unidos e Inglaterra, dar maior atenção ao fato de os homosse- xuais, que mantêm um alto grau de atividades sexuais com parceiros de ambos os sexos, apresen- tarem :

• Um maior número de "doenças oportunistas" : como pneumonia pneumocística, herpes

simples e o citomegalovirótico (C.M.U.) e infecções específicas das mais variadas.

• Bactérias, fungos, vírus.

• Pneumocista, sarcoma de Kaposi e cânceres em geral.

• Doenças venéreas e rupturas intestinais.

Dr. Henry Masur, clínico do New York Hospital - Centro Médico de Cornell, o Centro de Controle de Doenças em Atlanta (C.D.C.) e Dr. Michael Gottlieb, do U.C.L.A., Dr. Robert Bolan do Hospital de San Francisco, vêm pesquisando mais detalhadamente essas interrelações, constatando uma grande diminuição do sistema imunológico do paciente. Só que eles dizem desconhecer a causa desse decréscimo. Pude chegar a essas conclusões, explicando-as através do sistema de stress psico-orgânico, quando o indivíduo muito teomânico, que está em constante luta-fuga em relação à consciência, esforçando-se de unia forma hercúlea para realizar sua fantasia, cai em profundo estado de exaustão. A exaustão causa o rebaixamento do sistema imunológico, o que torna a pessoa frágil às infecções e às mais diversas moléstias.

O homossexual e o libidinoso têm sempre uma idéia muito megalômana em relação a sua

sexualidade — através dela, imaginam-se grandes, onipotentes, poderosos, influentes. As "deusas" do sexo também comungam desse pensamento. Para elas o seu corpo é algo "divino", capaz de dar enorme felicidade aos homens, que por sua vez assim pensam sobre o seu pênis. Os homossexuais se imaginam novos seres, portadores de " outro " sexo, o que os obriga a permanecerem mentindo para os outros e para si mesmo todo o tempo. Isso não é profundamente desgastante, cansativo? A consciência, no ser humano, tem existência constante, eterna. Está a todo momento mostrando a verdade. Imaginem o esforço que um indivíduo tem que despender :

• no caso do homossexual constantemente representando o que não é ; • no caso do heterosexual, querendo encobrir sua condição humana, limitada e falha, com uma atuação super-erotizada. Isto é algo tão óbvio que não sei como até hoje a humanidade não acordou para tal fato. Ser humano, ser humilde, é algo que a pessoa é obrigada a ser, sob pena de destruir não somente a sua vida psicológica, social, afetiva, nias o próprio corpo. Para os materialistas que não crêem na Verdade, as evidências que se manifestam em seus corpos, as doenças, mostram que estão realizando algo de muito errado.

Chegamos ao ponto de constatar, pela ciência, que temos que ser verdadeiros, bondosos, para gozar de saúde física e não morrer precocemente.

O materialista, que tanto dá valor ao físico, é o que mais se destrói através de doenças. Quem

aceita o mais, terá o menos — quem aceita o espiritual, o psíquico, a consciência, também terá um corpo mais saudável e unia vida mais prolongada. É por isso que muitos homossexuais, ou erotomaníacos que aceitaram a Trilogia Analítica, conseguiram sarar das mais diversas espécies de doenças físicas — desde pressão alta, a problemas cardio-vasculares, infecciosos, gastro- intestinais, hormonais, de obesidade, e muitos outros.

10 - A Linguagem do nosso Corpo

Nosso organismo fala tudo o que tentamos esconder. Muitas vezes, "pensamos" de uma forma racional. Temos uma idéia sobre algo e, na realidade, sentimos ao contrário.

A inversão mostra-se através do nosso corpo, quando nos recusamos a conscientizá-la. Uma paciente de 34 anos, solteira, que veio de família pobre e pais muito doentes, após algum tempo de análise, conseguiu evoluir a ponto de reunir recursos para comprar seu próprio apartamento. No dia em que foi visitar sua nova casa, com o corretor, percebeu que o negócio estava totalmente ao seu alcance. Saiu exultante de alegria mas, após algumas horas, teve uma forte diarréia. Ao analisar o fato, associou o novo apartamento a desenvolvimento, bem-estar e segurança. Racionalmente, ela queria muito realizar, finalmente, seu sonho, mas, pelo processo de inversão, ela sentia pavor de tudo o que associou ao apartamento (progresso), revelando uma fiel obediência à patologia (ao mal-estar, ao atraso, à insegurança). Tendo percebido isso, sua diarréia passou em seguida. Outro paciente, o rapaz L. A., de 17 anos, contou, numa sessão, que, depois de um mês de análise, não tinha mais aftas constantemente como antes, nem sonolência, pigarro e caspas. Pedi que fizesse associações de idéias com esses sintomas e ele respondeu o seguinte:

• às caspas, ele associou sujeira;

• às aftas, dor;

• à sonolência, preguiça ;

• finalmente o pigarro (catarro), ele associou à chatice.

Na realidade, o processo analítico levou o jovem L. A., a conscientizar todos esses aspectos em sua vida psicológica, o que ocasionou sua melhora. A sujeira das caspas - revelava a sujeira

interior que não queria perceber (seus maus pensamentos, intenções e atitudes). A dor era resultado de uma atitude autodestrutiva, de ataque a si mesmo. A sonolência mostrava o quanto era preguiçoso e não queria admitir. Finalmente, confessou que retirava muito prazer em chatear e agredir os outros. Outro caso interessante, foi o da cliente S. E. que se dizia sexualmente frígida em relação a seu marido. Inicialmente disse que gostaria muito de ter um entrosamento sexual. Com o tempo, foi admitindo que imaginava que seu marido retirava muito prazer da relação, e que ela sentia ódio. Após as relações sexuais, sequer permitia que ele a tocasse, e evitava ao máximo qualquer

Na realidade a S.E. sentia muito inveja de qualquer

aproximação dele, dizendo sentir dores, etc

satisfação que seu marido retirasse da vida, inclusive do sexo. Ela preferia privar-se de satisfação, mas se com isso conseguisse sabotar seu marido, dava-se por satisfeita. Aliás, isso é muito comum ocorrer em pessoas que estão sempre doentes - são invejosos que preferem se sacrificar, mas tentar estragar a vida de quem está a sua volta. E se notam que não estão conseguindo, sua inveja fica mais exacerbada, o que desperta profundo ódio. Daí surgem afirmações rancorosas como : "eu estou doente, sofrendo, e você nem se importa", "enquanto eu estava presa a uma cama, doente e sofrendo, meu marido vivia saindo e se divertia com os amigos". A pessoa não nota que ela própria está se causando aquele terrível sofrimento, privando-

se da alegria e da vida, por causa de uma inveja muito forte. Culpa o marido e os filhos por não se submeterem a sua intenção de estragar a vida de todos.

O doente não tem a percepção clara do que está fazendo e, quando se conscientiza da armadilha,

que armou para si mesmo, consegue uma espantosa recuperação em pouco tempo.

11 - Hipertensão

Chamada pelos americanos de "Silent Killer" (assassina silenciosa), a hipertensão é a doença mais freqüente atualmente. Pelo menos essas são as últimas notícias que chegam às nossas mãos, de pesquisadores de hospitais dos principais centros do mundo.

A hipertensão é tida, fundamentalmente, como uma doença incurável. É classificada em hiperten-

são primária e secundária. Esse último grupo é o menor (menos de 10%) e nele os médicos

incluem as hipertensões causadas por tumores da supra-renal, problemas renais ou cardíacos.

O grande contingente de pacientes hipertensos está incluído no grupo que sofre de hipertensão

primária ou essencial, que dizem os médicos, é de "causa desconhecida". Como eles desconhecem

a maneira de curar a moléstia, então dizem que a causa é desconhecida.

Mas a etiologia de toda hipertensão é psicológica. A tensão causadora do stress acaba por descontrolar o funcionamento das supra-renais. Já se verificou a relação entre os hormônios como aldosterona, noradrenalina, renina e angiotensina, a hipertensão, e a tensão nervosa. As pesquisas dizem que a hipertensão é a doença própria da civilização e que se relaciona com os fatores ambientais e modelos sociais. Eu diria que, atualmente, a nossa civilização está mais consciente, tem maior cuidado com a saúde e, conseqüentemente, percebe mais os problemas de pressão. Isto é, as estatísticas são mais freqüentes e mais eficazes. Somente, em São Paulo, vivem 2,5 milhões de hipertensos. Existe atualmente o índice assustador de 20% da população masculina adulta sofrendo de hipertensão. Outras pesquisas acusam 11 milhões de hipertensos no país. O INAMPS acusa a hipertensão como uma das três maiores causas

de invalidez para o trabalho no Brasil.

Nos E.U.A., os dados apontam 33 milhões de hipertensos. Ou seja, 1 em cada 7 pessoas do país sofre de hipertensão, o que significaria que 20% da população tem pressão alta. Os tratamentos geralmente recomendados pelos médicos alopáticos, na esmagadora maioria, trazem uma série de efeitos colaterais, o que pode aumentar o mal estar do paciente. Além de distúrbios gerais de digestão, a medicação causa depressão, sedação, cansaço físico, impotência sexual ("perda de libido"), retardo na ejaculação, sonolência, taquicardia, dificuldade de concentração mental. Isto porque os remédios atuam diretamente a nível do sistema nervoso central. Mas o que é muito grave é que certas drogas anti-hipertensivas podem acarretar o aumento dos níveis de colesterol, e que se traduz em maior risco coronariano, um problema já existente em função da moléstia. Curioso é o fato de que alterações de pressão, tanto para alta como para baixa, são facilmente contornadas através da Trilogia Analítica. Os pacientes portadores de hipertensão, que se submeteram à Trilogia Analítica, sem o uso de qualquer medicamento, apresentavam uma melhora rápida e dentro de três semanas, ou menos, sua pressão estava normalizada. Uma paciente de 48 anos de idade, hipertensa há 28 anos, na segunda semana de análise passou do índice 18/24 de pressão a 12/8. Um diretor de importante indústria japonesa, de aparelhos de telecomunicações no Brasil, além de

problemas de pressão, apresentava uma elevação no índice de colesterol, que foi corrigido só com o tratamento psicanálitico. Seus índices eram ao iniciar o tratamento : 327 mg%. Após 3 meses de análise o resultado dos exames de laboratório já foram os seguintes : 290 mg%. Outro caso de pressão alta foi o de uma paciente de 56 anos que tinha hipertensão crônica, há 18 anos. Seu filho mais velho, de 28 anos, também era portador do mesmo mal. Mas a pressão de ambos, com a análise, atingiu níveis normais. Assim como esses casos, muitos outros estão registrados nos nossos arquivos. Embora a cura dos sintomas seja rápida e sem a utilização de qualquer medicamento, às vezes, pode ocorrer de o indivíduo, deixando a análise, voltar a uma atitude muito neurótica e a hipertensão voltar. Mas muitos foram os casos do indivíduo continuar se mantendo em um equilíbrio ideal. As razões da cura de hipertensão (ou hipo) já foram explicadas pelo quadro geral de psicossoma- tização no capítulo sobre o stress. No caso da hipertensão, percebe-se uma incidência maior de indivíduos agressivos, que, devido a uma constante atitude de ira, muitas vezes inconscientizada, que leva a uma descompensação no equilíbrio hormonal devido a freqüentes descargas de noradrenalina e adrenalina no sangue. Se o paciente se conscientiza de sua raiva, e sua causa, conseqüentemente, deixa de estimular, através do sistema nervoso central, os mecanismos hormonais que acabam por desencadear uma alteração da pressão sangüínea, sem que seja necessário o uso de qualquer medicamento.

12 - Cancer

Muitas vezes me questionei sobre a influência da vida psíquica nos processos cancerígenos do homem. Por que eram possíveis remissões da moléstia quando a pessoa se submetia a um tratamento psicanalítico, ou quando ocorria uma mudança fundamental em sua atitude diante da vida?

Certos doentes conseguem "controlar" a evolução de um câncer e conviver com ele durante longos anos de sua vida, vindo muitas vezes a morrer por outras causas. Existem células cancerígenas circulando nas veias de todos os seres humanos. Por que alguns conseguem conviver perfeitamente bem com isso a vida toda sem nunca ter um tumor maligno e outros não ? Mais e mais se correlaciona o câncer e uma disfunção no sistema de defesa do canceroso.

O Interferon, que foi descoberto em 1957 no Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Londres

por Alick Isaacs e Heen Lindermann, é uma proteína produzida pelas células, para defender o organismo de infecções virais e tem sido utilizada, dentro do possível, para conseguir combater a moléstia. Porém, o Interferon é muito difícil de se conseguir para administração artificial - e uma droga altamente dispendiosa e de preparo problemático. Portanto, deveríamos tentar nos concentrar nos meios de que dispomos para atuar preventivamente e curativamente contra o câncer, estimulando

as defesas naturais do organismo. Só de casos de câncer de pulmão, por exemplo, 100.000 pessoas

morrem, por ano, nos Estados Unidos e 600.000 no Brasil. Verificou-se, em pesquisas, que vêm sendo realizadas nos E.U.A., Europa e outros centros médicos, que existe uma forte correlação entre o câncer e o estado de espírito do paciente antes de contrair a moléstia. É frequente o indivíduo se queixar de f o r t e s depressões, ou contrariedades, causadas pela perda de pessoas que amava ou das quais dependia, antes de iniciar a

doença.

E muitos hospitais do Japão e dos Estados Unidos, têm conseguido resultados significativos

tratando de seus pacientes com meditação e orientações espiritualistas, pois notaram que uma atitude mística optimista e positiva não só auxilia, mas pode curar certos cancerosos. Uma jovem de 22 anos, após perder a irmã mais nova (por c â n c e r no cérebro) e o pai (por ataque cardíaco) no espaço de um ano, iniciou um câncer de pele ( m e l a n o m a ) na perda direita. É curioso notar que a irmã morreu no dia 20 de Outubro de 1 9 7 2 , o pai, na mesma data de 1973, e seu câncer foi diagnosticado em Outubro de 1974. Levada a fazer análise, percebeu a enorme carga d e sentimentos de culpa que tinha inconscientizado em relação à irmã e ao pai. Era uma pessoa muito invejosa e jamais tinha consciência de que seus sofrimentos vinham dessa atitude muito patológica. Ela havia sido desenganada; os exames anátomo-patológicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos confirmaram o diagnóstico : câncer maligno sem viabilidade de cura. Dois meses era o prazo de vida estimado pelos médicos.

Essa jovem submeteu-se somente a duas semanas de análise integral com o Dr. Keppe, em seu consultório particular. Está viva até hoje (23 de dezembro de 1982), e, ao que parece, seu mal foi totalmente extirpado. A medicina tradicional não teve explicações para tal fato. Outra paciente, uma médica anestesista, veio procurar a análise por estar com câncer ósseo, à beira da morte. Enquanto aceitou submeter-se ao tratamento, teve unia enorme melhora, voltando a andar. Dos vinte dias de vida, prazo inicialmente (lado por seu médico, conseguiu viver mais dois anos aproximadamente, vindo a falecer de enfizema pulmonar após ter abandonado a análise. Era uma mulher também muito invejosa e cheia de raiva, embora se julgasse boa e caridosa. Se não tivesse abandonado a análise, provavelmente estaria viva até hoje, pois nunca ocorreu, até esta data, um caso de paciente que tenha vindo a falecer de qualquer moléstia, por mais grave que fosse, durante o tratamento analítico. Isso nos leva a pensar que o indivíduo, que esteja aceitando hem a análise, está decidido a viver. O que abandona e tratamento é porque já desistiu definitivamente da vida. Assim sendo, nesses casos, como em vários outros, o que podíamos observar era que os pacientes cancerosos tinham fortes crises de depressão ou de agressividade, causadas por muita inveja ou raiva (inconscientizadas).

O que é muito interessante é que a fissão psicológica acompanha a fissão celular que ocorre

nos tumores malignos, onde as células se dividem e se multiplicam desordenadamente, como uma bomba atômica. Dr. Keppe fala em seu livro A Libertação que a dialética real psicológica (ou a sanidade) é idên- tica à dialética do sol — a fusão atômica — onde dois elementos reais se unem para formarem u m terceiro, e assim por diante, sem parar. A falsa dialética, ou a platônica, é quando há a divisão ou a fissão da realidade com a negação da mesma, ocasionando tanto as neuroses, as psicoses, as doenças orgânicas, como todos os males sociais. Segundo esse raciocínio, existe uma analogia perfeita entre a vida psicológica e a orgânica que tento esclarecer no quadro abaixo.

Dialética Real

No Organismo 02 células (masculina e feminina) formam o ovo e continuam se multiplicando formando o corpo humano. Renovação constante das células saudáveis. Atividade radioativa ainda desconhecida que pode até dissolver tumores no próprio corpo (remissão de tumores malignos e benignos sem explicação médica). Auras radioativas fotografáveis pelo método Kirlian.

Na Vida Psíquica União entre o pensamento e sentimento:

sanidade.

Amor.

União afetiva entre os homens.

Consciência: aquisição progressiva de entendimentos através da dialética com a realidade. Raciocínio lógico que leva a percepções cada vez maiores e mais claras. A paz, cooperação, progresso científico, cultural, social e econômico.

Dialética Falsa

No Organismo

Na Vida Psíquica

Esterilidade.

Divisão entre pensamento e sentimento:

Rejeição do óvulo ao espermatozóide. Abortos.

Mau

indiferenciado - fissão celular e genética.

desenvolvimento

celular

No Organismo Cânceres, tumores Doenças em geral. Ausência de aura e diminuição da mesma.

esquizofrenia. Inveja e ódio. Rejeição a Deus. Pacto com o Demônio.

Rompimento com o mundo espiritual.

Na Vida Psíquica Materialismo e intelectualismo. ódio e inveja entre seres humanos. Separação – isolamento Enfraquecimento psíquico. Alienação, negação ao sentido da vida. Infelicidade, tristeza. Guerras, rivalidades, atraso científico, cultural, social e econômico.

É por isso que a pessoa que opta por uma atitude de amor (fusão) consegue uma sanidade orgânica equivalente. Dr. Eduardo Domingues, do Hospital de Oncologia de Buenos Aires, fez a seguinte pesquisa que comprovou a relação entre o stress e o câncer : em 200 ratos foram injetadas células tumorais. Dos 100 que foram submetidos a situações de stress, todos tiveram câncer. Entre outros 100 que ficaram tranqüilos, só 45 tiveram a doença. Porém é triste perceber que todas as pesquisas, que levam à conclusão de que a verdadeira causa

do câncer é psicológica, são sabotadas pela máfia médica e pelos laboratórios.

13 - Alergias

As alergias são doenças reconhecidamente psicossomáticas. Mas, como tratam delas muitos médicos? Com calmantes - o que não cura o mal, buscando somente o alívio dos sintomas, e criando uma série de efeitos colaterais. Existe uma variedade enorme de manifestações alérgicas : desde bronquites asmáticas a renites, colites, urticárias, eczemas, etc

Uma paciente do Dr. Keppe, portadora de rinite alérgica, havia se tratado por vários meios : com vacinas, calmantes, eliminando todos os móveis, cortinas e tapetes de seu quarto, evitando todo e qualquer contato com poeira (o que é impossível, naturalmente). Nunca obtivera melhora, pelo contrário, com as vacinas chegou a espirrar tanto (50 a 60 vezes seguidas, com intervalos de 10 a 15 minutos entre cada acesso), que ficou prostrada na cama, sem forças. Dr. Keppe analisou-a da seguinte forma :

- A que a senhora associa a sua rinite?

- A rejeição - respondeu.

- E o pó?

- A impureza.

- A senhora está dizendo, através disso, que rejeita toda a consciência de suas impurezas. Faz uma idéia de muita santidade e perfeição sobre si mesma - o que tem pavor de perder.

A partir daí a paciente desencadeou um processo de conscientização do quanto valorizava sua

máscara e hipocrisia, o que permitiu que se curasse totalmente da doença. Outro caso interessante foi o de uma menina de oito anos, que tinha forte alergia ao chocolate. Ela conseguiu perceber, através de associações de idéias, que rejeitava o chocolate - coisa de que tanto gostava - assim como rejeitava tantas outras coisas boas da vida. Depois disso, F. A. pôde comer qualquer quantidade de chocolate, à vontade, sem que lhe causasse qualquer dano.

14 - Alterações Metabólicas e Hematológicas

O Sr. T. K., japonês imigrante, trabalhava como diretor de uma grande firma multinacional japo-

nesa no Brasil.

Procurou a análise por causa de uma úlcera bulbar, o que conseguiu curar em poucos meses de tra- tamento.

Mas, fato curioso, é que, através de check-ups constantes, que fazia, notou uma melhora nos índi- ces alterados que tinha de Colesterol, lípides, albumina, eritrócitos (glóbulos vermelhos no sangue). Após três meses de análise, o resultado foi o seguinte :

 

01/09/1970

12/12/1980

TAXAS NORMAIS

Colesterol

327

mg%

290

mg%

150

a 250 mg%

Lipídios

900

mg/dl

681

mg/dl

400

a 800 mg/dl

Albumina

5,38 g/100 ml

5,16 g/100 ml

4,0 a 5,0g/100 ml

Eritrócitos

4.730.000 p/mm3

4.580.000 p/mm3

5,4 ± 0.8 p/mm3

J. Lopes de Faria, em seu livro Anatomia Patológica diz que a observação clínica apóia a hipótese de que a tensão emocional (stress) predispõe à arterioclerose. "As pessoas mais sujeitas às emoções apresentam muito maior incidência de arteriosclerose", diz na página 43.

A emoção age liberando a adrenalina e a noradrenalina que por sua vez causam a isquemia da

média através de espasmos dos vasos vasorum ou vasoconstrição da própria musculatura arterial. Uma religiosa de meia idade procurou a análise por estar numa crise depressiva profunda. Não conseguia mais trabalhar, chorava muito, tinha insônia e dependia de calmantes. Já tinha praticamente desistido da vida, quando decidiu aceitar o conselho de seu diretor espiritual e se analisar.

Estava anêmica e isto lhe conferia muita palidez e provocava-lhe cansaço, além de apresentar uma leucocitose, neutrofilia e linfopenia.

Em um mês de análise, sem medicamentos, conseguiu o seguinte resultado no exame de sangue :

 

Fevereiro/1982

Março/1982

TAXAS NORMAIS

Hemácias

3.770.000 p/mm3

4.760.000 p/mm3

4,0 - 5,0 m

Hemoglobina

10,9 g%

13,3 g%

12 - 16 g

Leucócitos

13:000 p/mm3

5.400 p/mm3

5.000-10.000 p/mm3

Neutrófilos

10.140 p/mm3

5.828 p/mm3

2.900 - 6.500 p/mm3

Linfócitos

1.690 p/mm3

2.538 p/mm3

1.000- 3.000 p/mm'3

E a melhora orgânica acompanhou a psíquica, pois em pouco tempo ela voltou às atividades, dei- xou os calmantes, passou a assumir novas responsabilidades. Sua alegria e equilíbrio, então evidentes, fizeram dela a mais nova "conselheira" da comunidade onde vivia.

15 - Hemorróidas

C. B., uma jovem de 26 anos, sofria de hemorróidas há quatro anos, com crises periódicas, durante

as quais sentia muitas dores. Por esse motivo seu médico já havia marcado. a operação, o que obviamente iria exigir muito repouso e cuidado.

Como ela não fazia análise, acho interessante relatar o nosso curto diálogo, pois foi através dele

que ela se curou das hemorróidas, dispensando a cirurgia. Isso mostra que a consciência é algo tão poderoso, que podemos obter a cura de moléstias crônicas com alguns segundos de sua percepção.

E todos os que tiverem essa compreensão poderão ajudar a muitas pessoas, num simples diálogo

com amor. Quando C. B. se queixou das dores terríveis que sentia ao evacuar, o que acabava por provocar-lhe prisão de ventre, num círculo vicioso sem fim, perguntei-lhe :

- A que você associa as suas fezes ? Procure dar uma idéia espontânea, sem raciocinar.

- À sujeira, a uma coisa inútil, malcheirosa - disse, após alguns segundos de reflexão.

- Então, você percebe que toda a consciência de coisas erradas que você faz, a percepção de

sua inutilidade na vida, os seus problemas, enfim, você sente como muito dolorido para você ? Então você procura esconder de si e dos outros tudo o que pensa, sente, num extremo perfeccionismo e intransigência, com pavor de que possa surgir algo de impuro. Você não quer se ver como um ser humano falho, com problemas, erros, fraquezas, preguiça, quer se ver como uma deusa de perfeição - essa arrogância é que lhe está causando muita dor. Depois de dois dias, ao encontrar-me com essa moça, ela me disse que já estava praticamente curada, e que percebera o quanto tinha de perfeccionismo e intransigência consigo mesma, o que lhe dera enorme alívio. Disse também que havia percebido a inutilidade da vida que vinha levando, sem se dedicar a algo de mais profundo e valor. Que sempre soube disso, mas que lutava contra aquela consciência, criando para si muito aflição.

16 - Amenorréia

A senhora R. P. procurou o Dr. Keppe para análise porque tinha amenorréia (ausência de mens-

truação) havia dez anos - três meses após o nascimento de sua primeira filha, ocasião em que começou a tomar pílulas anticoncepcionais. Além disso, estava se tornando diabética, e freqüentemente tinha fortes crises de enxaqueca, ausências, desmaios, sendo necessário ser dispensada do trabalho. Antes de fazer análise, tratou-se com vários médicos, inclusive catedráticos, os quais administra- vam-lhe fortes hormônios. O diagnóstico era : bloqueio com atrofia gradual da hipófise, sem causa conhecida. Em seis meses de análise, R. P. recomeçou a menstruar normalmente, curou-se da diabete e depois conseguiu engravidar mais duas vezes em total normalidade, vindo a gozar de perfeita saúde.

17 - Hemorragias Uterinas

A senhora P. C., de 21 anos, tinha constantes sangramentos uterinos - oito meses seguidos após o

parto (cesariana) do segundo filho, já estava com uma histerectomia marcada, quando procurou Dr. Keppe para uma última tentativa, pois todos os recursos médicos haviam sido utilizados, sem resultado. Dr. Keppe, ao atendê-la, perguntou-lhe a que associava o seu útero, ao que ela respondeu : "femi- nilidade". Ele então levou-a a perceber que negava sua feminilidade, agredindo sua vida sexual. De fato, ela reconheceu que sempre vira na mulher um ser inferior e fraco - do que se envergonhava.

Em uma semana (duas sessões), seu sangramento desapareceu e, no mês seguinte, sua

menstruação tornou-se regular.

18 - Excesso de Peso

A cliente B. L. tinha excesso de peso ha muitos anos e nenhum regime era eficaz. Os remédios não

faziam efeito ; pelo contrário, parecia que engordava sempre mais. "Não consigo me controlar", dizia ela, "sei que não posso comer doces, mas não resisto e acabo me excedendo". B. L. associou o doce a algo muito bom, mas que ao mesmo tempo a prejudicava. Ou seja, B. L. sentia que o que é bom na vida é algo prejudicial. Tinha uma filosofia invertida acreditando que tudo o que lhe trouxesse felicidade lhe era proibido - no máximo poderia ter um pouco, mas nunca abusar. Assim sendo, negava todo o bem que a vida lhe oferecia, buscando o sacrifício para sentir-se mais valorizada. Lembrou-se de que muitas vezes recusava passear com o marido durante os fins de semana ou à noite, alegando que não queria dar trabalho a sua mãe, ou ainda, que iria sacrificar os filhos. Quando convidada a viajar com os amigos, arranjava uma série de empecilhos, bloqueando todas as possibilidades de fazer o que lhe dava satisfação. Assim sendo, sentia necessidade de comer doces e comprar roupas novas para tentar compensar a negação que fazia dentro de si a tudo o que recebia de bom na vida, principalmente o afeto. Conscientizando-se dessa inversão que fazia, sem perceber, B. L. deixou de pôr tantas barreiras diante da felicidade e, com isso, sua ansiedade diminuiu e seu desejo de comer doces também, podendo voltar ao peso normal.

19 - Úlceras

Pude notar em meus pacientes uma grande relação entre o medo e as úlceras gastrointestinais. Na realidade isto é de fácil compreensão. O indivíduo muito perfeccionista está constantemente com muito medo de perceber sua patologia, seus erros, e de ter de admitir que não é um deus. Em situações de pânico, como nos bombardeios da Segunda Grande Guerra, era freqüente soldados adquirirem uma úlcera em poucas horas. Parece incrível, mas existem indivíduos tão teomânicos que, diante de situações em que são colocados à prova, ficam tão apavorados que chegam a ter suores frios, taquicardia, desmaios. Se

esse estado de medo e tensão se prolonga muito (e não raro ele é constante), a pessoa pode contrair moléstias graves, como úlceras gastrointestinais, diarréias, pressão excessivamente baixa, incontinência e muitas outras mais sérias.

O mecanismo fisiológico inicia-se com a emoção do medo, estimulando, através do diencéfalo, o

sistema nervoso parassimpático. O principal medidor químico liberado pelo sistema parassimpático, tanto pelas fibras pré-ganglionares como pós-ganglionares, é a acetilcolina. As suas principais ações são :

1) Estimulação da motilidade e secreção gastrointestinal (o que causa as úlceras) 2) Diminuição dos batimentos cardíacos:

3) Vasodilatação, queda da pressão arterial ; 4) Constrição dos bronquíolos pulmonares :

5) Relaxamento do esfíncter anal e contração do reto ; 6) Relaxamento do esfíncter interno da bexiga ; 7) Vasodilatação nos órgãos genitais eréteis e nas glândulas salivares e lacrimais ; 8) Estimulação da secreção das glândulas lacrimais e salivares ; 9) Constrição da pupila e contração do músculo ciliar. Como o que causa a úlcera é o excesso de produção das secreções responsáveis pela digestão, a ponto de corroer a própria parede do estômago, podemos concluir que quem está sempre com medo da verdade, da consciência, é um sujeito mais predisposto a esta moléstia. Tive oportunidade de atender certa vez a um senhor de 54 anos, casado, pai de três filhos, que, poucas horas após ter assistido a urn filme no cinema, precisou ser internado com forte hemorragia causada por m n úlcera gástrica. Contou-me que, durante o filme, passou por verdadeiros pavores,

pois se identificou com o personagem principal, que havia sido perseguido pela polícia e preso, num clima de muita violência. Isso fez com que ele se lembrasse de seu passado : quando ainda moço, era militante político e fora preso em condições semelhantes. Quando pedi que ele fizesse uma associação de idéias com os policiais, ele disse : repressão, deso- nestidade, burrice. Na realidade, ele realiza dentro de si o mesmo fenômeno no campo psicológico

: reprime com violência a consciência de sua desonestidade e de seus erros, sufocando ao mesmo tempo a sua sanidade, sua liberdade, seu afeto, encarcerando-se dentro de si mesmo. Se, pela inversão, pela teomania, temos medo da verdade, não podemos usufruir de toda a maravilha que a acompanha. Cada vez que terminava uma sessão de análise individual, este

cliente estava coberto de suor, pois a censura que fazia à consciência de seus problemas era muito mais violenta do que qualquer repressão policial. Aliás, no início costumava associar-me a um padre, e meu consultório a um confessionário, revelando a idéia de censura que reveste as instituições religiosas.

A conscientização dessa forte censura permitiu que o senhor S. P. curasse sua úlcera em poucas

semanas, e, por outro lado, que sua vida interior florescesse, adquirindo um grande amor pela vida

e rejuvenescimento.

A úlcera também pode ser relacionada à raiva.

A cliente M. V. iniciou a formação de uma úlcera quando foi transferida de unia seção do seu

trabalho para outra, onde havia uma colega que freqüentemente apontava seus defeitos : "Ela fazia questão de dizer tudo o que eu fazia de errado bem alto, diante de todos, e parecia que tinha prazer em me espezinhar". Iniciada a análise, começou a se conscientizar do enorme grau de inveja e ódio que possuía. Muito megalômana, sempre se via como uma "deusa", que deveria ser servida e adorada por todos - como então aceitar o trabalho, sendo que a realização consiste em servir ao próximo ? Seu grande anseio era conseguir um noivo rico e bonito para poder se casar, abandonar o trabalho e realizar todos os seus caprichos. Seu namorado estava muito distante desse ideal - um simples assalariado, de aparência comum, não parecia ter ambição de evoluir quer no sentido profissional, quer cultural, quer social. Por esse motivo, tinha violentas crises de ódio contra ele. À medida em que foi interiorizando seu namorado, isto é, percebendo que ele era muito preguiçosa, que nada fazia pelo seu progresso, então foi se acalmando pouco a pouco e sua úlcera cicatrizou-se.

20

- Dores de Cabeça

Segundo as estatísticas efetuadas pelos ingleses, um mínimo de 20% da humanidade sofre de dores de cabeça, isto é, pessoas que têm constantemente esse mal - sem ser levado em conta um grande contingente que tem dores de cabeça periódicas. Entretanto, somente nos Estados Unidos são gastos 1,2 bilhão de dólares com analgésicos anualmente, sendo que grande parte desses medicamentos é destinada às cefaléias. A enxaqueca apresenta uma predominância sobre os outros tipos de cefaléia, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cafaléia e Enxaqueca. E - dizem eles - a enfermidade é mais constante na mulher (na proporção de 2 por 1) e não tem cura pela medicina tradicional.

A enxaqueca pode vir acompanhada por distúrbios neurológicos (visão desfocada, alterações na fala) e provocar dores intensas de cabeça, que duram de duas a 48 horas. Sabe-se que somente dois por cento das dores de cabeça são causadas por fatores orgânicos (tumores, etc.).

Todas as demais são de origem psicossomática. Uma das doenças de cura mais rápida, através da Trilogia Analítica, é justamente a cefaléia ou enxaqueca. Há um enorme número de clientes submetidos ao tratamento que, tendo cefaléia ou enxaqueca, curaram-se completamente. A cefaléia é resultado da vasoconstrição (ou vasodilatação) cerebral, e esse fenômeno é diretamente causado pela atitude da pessoa diante da vida. Dr. Keppe observou que a maioria das pessoas que se queixavam de dor de cabeça tinha uma forte raiva inconscientizada. Percebendo os motivos deste padecimento, a dor desaparecia. Certa ocasião, uma menina que costumava ter dores de cabeça quase diárias travou o seguinte diálogo durante sua sessão:

Estou com muita dor de cabeça hoje, disse ela.

A que você associa a cabeça? perguntei.

A pensamento.

E a dor?

A breque, respondeu espontaneamente.

Você está tentando brecar seus pensamentos, então fica com dor de cabeça, interpretei.

É

verdade. Fiquei com muita raiva do meu irmão hoje, pois ele não quis me deixar brincar

com o jogo novo dele, mas ao mesmo tempo me sinto culpada, pois sei que não devo ter inveja dele, porque é feio.

A censura que fazemos para não vermos nossas reais emoções e pensamentos é que causa

as dores de cabeça. Essa análise foi feita por uma menina de 11 anos, mas para os adultos o fenômeno é exatamente o mesmo, embora tenham mais resistência em admiti-lo.

21 - Bronquite Asmática

O Sr. F. M. sofria de bronquite durante vários anos. Seu filho — médico — justificava sua

bronquite atribuindo-a ao seu tabagismo de muitos anos, e que mesmo depois de haver deixado esse vício, ele continuava com uma inflamação crônica nos brônquios, provocando

tosse e catarro. Certo dia, ao ler um artigo da Revista de Psicanálise Integral, percebeu que sua doença poderia ter uma causa psíquica.

Contou que, recebendo um amigo em sua casa e, dialogando com ele, os problemas de ambos vieram à tona. Entre outras coisas, seu amigo disse-lhe que achava sua atitude (do Sr. F. M.) muito exibicionista, e que notava também sua preocupação em sempre saber mais que todos, incluindo seus filhos. O Sr. F. M. tinha uma filha psicóloga, e quando assistia a suas conferências, fazia vários apartes, corrigindo-a ou completando-a. Sua idéia era a de que queria ajudar a filha, mas todos notavam que não era bem assim — sua conduta mostrava uma forte inveja (inconscientizada, é claro). E foi justamente isso que seu amigo lhe dissera, o que obviamente ele não aceitou e ainda se sentiu agredido. Naquela noite, teve uma crise de bronquite asmática, devido à contração que fazia para esconder de si mesmo a consciência.

A

análise se processou deste modo :

T

- A que o senhor associa a sua bronquite ? - perguntei

P

- Eu tusso muito, quero expelir catarro.

T

- A que associa o catarro, no sentido psicológico?

P

- A sujeira.

T

- E o que é sujeira em seu interior? Dê algumas idéias espontâneas.

P

- Inveja, preguiça, arrogância etc

T

- E a tosse?

P

- A querer que a sujeira saia - rejeição.

Interpretação:

O

senhor rejeitou fortemente a consciência de sua inveja e tossiu a noite toda, como conseqüência.

O

ser humano não quer ser humilde e conviver com a consciência de sua sujeira interior e tentar

melhorar no que puder. O doente é arrogante e intransigente, querendo "se limpar" de toda e

qualquer visão de erro e má intenção.

O santo (o são) não é um indivíduo perfeito, sem pecados, como um "deusinho". É aquele que

admite suas fraquezas, volta-se para Deus e procura firmar-se na Sua perfeição, fazendo o melhor

dentro de suas possibilidades.

22 - Epilepsia

Atendi a uma paciente epiléptica e através dela pude perceber algo muito interessante sobre essa doença. Ela era jovem, vinte e poucos anos, estudava química e fazia um estágio para completar seu mestrado na faculdade. Tinha uma atitude muito parada, calada. Falava pouco nas sessões e resistia muito a qualquer relacionamento. Percebia com clareza que ela se opunha a tudo : à família, à escola, ao trabalho - enfim, se opunha à própria vida. Embora viesse regularmente a suas sessões individuais e a um grupo de psicoterapia por semana, quase não falava e, no grupo, jamais falou com alguém. Quando o fazia, queixava-se da escola, do trabalho. Dizia que tinha ódio de estudar e trabalhar e que preferia viver em férias. Quando lhe perguntei o motivo desse seu desejo, disse que era porque tudo o que fazia no trabalho não dava certo. Imitava a mãe, mulher muito preguiçosa e agressiva com o Marido (único trabalhador e afetivo da casa) e que se julgava. muito importante e perfeita. Certo dia, no seu estágio, teve uma crise de ausência e ficou desmaiada por duas horas e meia. Ao

voltar a si, a primeira coisa que disse era que queria "tirar férias". Na realidade, a sua atitude era tão fortemente contra a vida, o trabalho e a consciência, que acabou por fabricar uma doença em seu cérebro. E o que ela queria realmente era tirar férias da consciência que tinha através do seu curso de mestrado. Os remédios, nestes casos, só servem para deixar a pessoa mais dopada e insconsciente ainda, tirando-lhe qualquer chance que possa ter de se curar. Outro caso semelhante foi o de uma psicóloga que tinha comprovadamente um foco cerebral e que sofria de desmaios, ausência e sonambulismo há muitos anos. Sua atitude diante do trabalho era a mesma: muito irresponsável, mimada, faltava constantemente no emprego e, depois de meses de análise, com a remissão total dos sintomas, teve uma enorme transformação, tornou-se responsável e hoje é psicanalista, trabalhando e tratando de muitos clientes.

23 - Gripes e Resfriados

Certo dia um paciente estudante de Medicina, que fazia análise comigo, chegou a sua sessão com uma forte gripe, justificando a doença como o resultado de um "ataque de bactérias". Quando

solicitado por mim a dizer, através de associações livres, qual o motivo psicológico que o levou a ficar tenso, ele respondeu que tivera muita raiva da irmã no dia anterior. Relatou o seguinte : "na noite anterior, minha irmã e o namorado estavam no banco de trás do meu carro e vinham fazendo carícias imorais as quais ela sabe que eu desaprovo. Fiquei com muita raiva e, ao chegar em casa, chamei sua atenção severamente e pedi a ela para, pelo menos, cuidar de sua moral". Perguntei a ele a que associava a irmã, ao que ele respondeu: "isolamento do mundo, falta de responsabilidade - ela usa isso para fugir de tudo. E é ingênua, pois não percebe o quanto está se prejudicando". Interpretação : Ele tinha muita raiva de perceber através da irmã o quanto ele foge do mundo e da responsabilidade, através das fantasias sexuais e é muito ingênuo pois não percebe o quanto está

se prejudicando.

Em outra ocasião uma paciente, que trabalhava como secretária, apareceu com uma forte gripe. Seu marido sugeria que se resfriara por excesso de trabalho. Mas, durante sua análise, admitiu que ficara sob estado de forte tensão durante três dias e três noites, devido à enorme raiva que tivera da tarefa que tinha que empreender. Nele apareciam erros flagrantes de seus auxiliares, que sabotaram largamente o trabalho, o que dificultou muito a consecução do mesmo. Interpretação : Na realidade a Sra. M. S. tem ódio da consciência da sabotagem que ela própria faz ao trabalho e à realização, o que podia perceber através de seus auxiliares.

24 - Glaucoma

A paciente L. K., de 54 anos, imigrante russa no Brasil, era secretária bilíngüe em atividade numa

das melhores firmas multinacionais. Certa ocasião procurou a análise, pois queixava-se de fortes perturbações emocionais. Dizia ser portadora de fenômenos de paranormalidade em grau elevado.

Filha de pai normal, porém de mãe esquizofrênica, casou-se, teve uma filha que lhe dera duas netinhas, às quais era muito ligada.

Em suas sessões, relatou que seu genro lhe fizera uma "macumba" e que, após isso, as coisas em sua volta pegavam fogo espontaneamente (combustão espontânea), que as máquinas elétricas das

firmas

onde trabalhava sistematicamente quebravam à sua aproximação, mesmo sem tocar nelas;

objetos

mudavam de lugar e metais se contorciam sem que lhes tocasse de leve.

Essa senhora tinha glaucoma há muitos anos, desde o dia em que fora internada em uma clínica psiquiátrica. Tinha que fazer visitas periódicas ao oculista, que lhe receitava colírios controladores da pressão interna dos olhos, mas com o diagnóstico confirmado de ter um mal incurável. Após seis meses de análise, procurou seu médico oftalmologista, o qual, atônito, constatou a total remissão da doença !

Os fenômenos de paranormalidade também desapareceram.

25 - Tosse

Certa ocasião uma cliente ficou com uma forte crise de tosse. Tossia dia e noite sem parar e já es- tava se enfraquecendo pois mal dormia à noite. Como alimentava-se muito bem e tomava os cuidados necessários com a saúde, ficava ainda mais evidente a causa psicológica de sua tosse. Quando lhe perguntei a que associava a tosse, ela respondeu:

P

- A expelir algo. T - Expelir o quê?

P

- Doença. O que é ruim.

T

- A senhora quer expelir a consciência de tudo o que tem de ruim. O seu corpo mostra a vio-

lência com que quer expelir toda a consciência de seus erros. Está numa atitude de forte

intransigência com a visão de seus problemas.

P - Exatamente. Neste último mês eu pude perceber muita coisa : que eu não sei trabalhar,

que sou preguiçosa, e outras coisas mais. E eu tenho muito ódio quando alguém me fala isso. Fico

chorando ou querendo subir nas paredes de raiva, cada vez que alguém me mostra que sou preguiçosa, que sou arrogante. Eu precisaria arranjar um jeito de ser mais humilde para aceitar ver tudo isso

T - Não. A senhora deveria aceitar a consciência de que é arrogante e não procurar uma "máscara"

de humilde, o que justamente a está levando a somatizar.

26 - Náuseas e Vômitos

Atendi

a uma paciente casada, mãe de unia menina de três anos, que transformava toda a cons-

ciência

de seus problemas em doenças orgânicas. Iniciou a análise no período em que se separou

do marido. Nesta ocasião quebrou também o pé, e foi morar com sua mãe. Depois de curto tempo de análise, voltou para sua casa e referia-se em suas sessões aos atritos constantes que lá mantinha. Seu marido era um homem produtivo, trabalhador, grande amigo da filha - o que despertava enorme inveja em sua mulher.

Algum tempo após a volta à sua casa, fez-me o seguinte relato : "Quando me casei, costumava

sentir fortes náuseas quando me aproximava de meu marido. Sentia ajuntar uma porção de água na minha boca e, de repente, como se nada fosse, tudo passava ( 16 ). Tinha constantes dores de cabeça

16 Nestes casos é freqüente pensar-se ern problemas hepáticos.

muito fortes, que acabaram no início da análise. Quando fui morar com minha mãe, neste período em que estive separada de meu marido, não tive náuseas nenhuma vez. Agora que voltei a viver com ele, de vez em quando sinto novamente a boca encher de água e uma forte vontade de vomitar".

Fazendo uma associação livre de idéias, ela ligou o marido a segurança, paz, efeto, realização, res- ponsabilidade. E o enjôo, à rejeição. Percebeu então que na realidade rejeitava a responsabilidade,

a paz, o afeto e a realização.

Por que ela sentia enjôo justamente perto dele ? Porque ela era obrigada a perceber a diferença en- tre as duas condutas, e não gostava do resultado dessa comparação. Animava-lhe a fantasia que tinha de que era superior ao marido - mais capaz, mais inteligente, etc.

- mas, na prática, sua consciência lhe mostrava o contrário, o que rejeitava fortemente, querendo "vomitar aquela consciência". Inclusive a filha aceitava bem mais ao pai, preferindo constantemente a sua presença à da mãe, que, por ser muito invejosa, tornava-se companhia desagradável. Outra cliente, uma moça de 23 anos, vomitava diariamente durante três meses, logo ao acordar. Tratada por vários médicos, não obteve qualquer melhora. Encaminhada à análise por seu irmão, nas primeiras sessões, já conseguiu a cura completa.

A análise deste caso deu-se da seguinte forma: nos seus relatos, pude verificar que levava uma

vida muito alienada e retirada da sociedade. Praticamente vivia só com sua mãe dentro de casa e

de lá saía só para ir à escola.

A mãe, de personalidade "forte" e muito doente, dominava totalmente a filha, criando-a cheia de

preconceitos. Colocava-a contra o pai falando muito mal dos homens.

A aparência desta moça era de 13 anos - isto é, sua conduta era extremamente infantil.

Na primeira sessão, queixou-se muito da vida que levava, da atitude de sua mãe, embora sempre a obedecesse. E contou-me que, diariamente, logo ao acordar, vomitava. Perguntei-lhe : A que a senhora associa "acordar ?" Ao que ela respondeu : - "À vida, à manhã, ao sol. O sol me lembra a vida". Notem os leitores que essa cliente estava na total inversão, recusando a vida, vendo nela muitos perigos e coisas desagradáveis, tal qual sua mãe pensava. Após essa associação de idéias e a conscientização de que não queria despertar para a vida, por colocar nela o sofrimento e na alienação (sono) a felicidade, nunca mais vomitou.

27 - Frieza Sexual

A cliente D. M., de 27 anos, desde o início de seu casamento, teve uma diminuição de sua

menstruação, a ponto de vê-la reduzida a somente um dia por mês, ou mês e meio. Durante três anos e meio, pensou que a causa deste distúrbio fosse a ingestão de pílulas anticoncepcionais e, por isso, há dois anos deixou de tomá-las, sem melhora. Confessou em suas sessões que sempre rejeitou fortemente sua condição de mulher, vendo nisso a causa de todos os seus problemas. Desejava, conscientemente, ser homem. Quando lhe perguntei a que associava ser mulher, ela respondeu : "a sensibilidade, a fraqueza. Sinto-me muito dependente e incapaz".

Interpretação: a senhora D. M. confunde sensibilidade com fraqueza. Assim sendo, acredita que sendo dura, fria, insensível ela teria mais sucesso na vida. Por isso D. M. tinha uma conduta condizente com sua inversão : era fria afetiva e sexualmente,

insensível e arrogante, com sérios problemas de relacionamento.

através da conscientização dessa inversão é que a mulher pôde chegar a uma melhor aceitação

de

sua realidade e permitir que seu corpo funcionasse normalmente. A rejeição que sempre fez a

sua condição de mulher, ao afeto, ao relacionamento, criava um estado constante de tensão, o que

acabava por alterar seu funcionamento endócrino. Mas o que está por detrás da inversão é sempre a inveja. Certa senhora, desde criança, tinha grande inveja dos homens - seus primos, amigos e, atualmente, tinha muita inveja de seu marido.

Imaginava que, durante a relação sexual, concedia enormes prazeres a ele, que era muito mais afe- tivo e carinhoso do que ela. Assim sendo, negando-se às relações sexuais, imaginava privá-lo também do prazer. Canalizava todo seu erotismo na forma de fantasias sexuais, as quais produzia

em grande quantidade, mas, com seu marido, preferia ser totalmente fria e rejeitiva.

Sua filha de três anos já imitava sua mãe, querendo sempre ser menino, usar roupas de menino, brincar só com brinquedos masculinos, etc Nesse caso, não se trata da inveja do pênis, como diria Freud, mas a inveja no sentido mais amplo, quando se quer destruir tudo o que se vê de bom nos outros e em nós mesmos. A mulher invejosa freqüentemente fantasia uma situação maravilhosa de vida para os homens o que não corresponde

à realidade. Dá uma enorme importância à vida libidinosa, a qual gostaria de ter em grande escala. Ao mesmo tempo, inveja as outras mulheres e, freqüentemente, a ligação afetiva entre os casais tentando sutilmente separá-los através de intrigas e de "flerts" com os maridos. Por isso é tão comum as mulheres do tipo mais erótico, as mulheres do gênero "fatal", serem as mais frias sexualmente.

28 - Artrite Reumatóide

A artrite reumatóide é uma das formas crônicas mais comuns de inflamação das juntas,

freqüentemente afetando várias juntas simultaneamente, tais como os dedos, e caracterizada pela dor e limitação nos movimentos. Sua causa é tida como desconhecida pela Medicina - embora seja freqüentemente vista como de origem infecciosa. Uma paciente portadora de artrite reumatóide esteve de repouso durante meses, tinha fortes dores, andava com muita dificuldade, arrastando as pernas, não conseguia subir escadas, as juntas estavam endurecidas. Associou suas pernas a realização, movimento, trabalho, o que rejeitava fortemente. Disse que pouco antes de adoecer, diariamente tinha muita raiva de ter que ir trabalhar e que se opunha fortemente ao seu emprego. Só que culpava sua firma e o ambiente de trabalho por seus problemas, e não sua atitude de recusa à realização. Dizia que aos fins de semana sempre passava muito mal (vomitava, tinha dores de cabeça, etc.). Quando saía com suas amigas, ia passear, divertir-se, atormentava-se o tempo todo achando que estava fugindo, alienando-se e que o certo seria estar com sua família, em outra cidade, ou trabalhando. Quando perguntei a que associava aqueles passeios e amigas, ela respondeu: "Ah, a

afeto, amizade". E a família e trabalho, associou problemas e esforço. Notem que ela via no afeto um erro : isso é o que chamamos de inversão - o indivíduo recusa o que mais gosta, pensando que

o certo na vida é o sacrifício, a doença. A beleza, o amor é um erro que deve ser evitado.

Essa cliente curou-se de seu reumatismo nos dois primeiros meses de análise. Deixou de arrastar a perna, já conseguia subir escadas, passaram-se as dores e voltou às atividades normais.

29

- Extra-sístole

A senhora M. A., quarenta anos, queixava-se de extra-sístole ( 17 ) paroxística - o que lhe causava

Disse que não

saberia o motivo da mesma, visto que não estava com nenhum problema muito grave na sua vida

(pelo menos no seu campo de consciência).

Ao pedir que fizesse uma associação de idéias. com o seu coração, ela me respondeu : "o que é mais importante no corpo - o afeto".

E a extra-sístole associou a um sopro que solta o ar comprimido. Percebeu então que estava

reprimindo o afeto, causando um descontrole emocional e orgânico. Lembrou-se imediatamente do que estava acontecendo em sua vida.

Era desquitada e jamais amara ou se entendera com seu ex-marido ; agora estava muito envolvida com outro homem que lhe despertava muito afeto. E, simultaneamente, pensava que iria sofrer por sua causa, tentando não reprimir seus sentimentos, o que lhe causava muita dor psicológica, e a Extra-sístole no coração.

O ser humano, pela inversão, vê sofrimento no Amor em si, isto é, na base, nega a Deus que é

puro Amor. Assim sendo, cria um inferno para si, buscando viver só das idéias, negando todo o

sentimento.

muito mal estar e até a atrapalhava em sua vida diária, no trabalho, no esporte, etc

30 – Endometriose

Tive urna paciente que sofria de endometriose ( 18 ) e que iniciou a análise pouco antes da operação que retirou seus ovários. Embora nós a desaconselhássemos de operar-se assim tão rapidamente, antes de poder perceber melhor o motivo psicológico que a levara a adoecer seus ovários, estava terminantemente decidida a "cortar" a sua doença - (submeteu-se à cirurgia em 1977). Na época da operação, abandonou a análise, vindo a retornar depois de dois anos, cheia de angústia e mal-estar. Tinha piorado muito no sentido psicológico e orgânico ( 19 ). Reiniciada a análise, pedi que associasse a endometriose. Após alguns segundos, respondeu :

"podridão". Respondi-lhe que queria dizer que com a cirurgia queria eliminar toda a consciência de seus "podres", isto é, de seus erros, pecados, más-intenções, numa tentativa de inconscientizar toda a patologia, numa pseudo-purificação, sentindo-se, a partir daí, santa e pura. Na realidade, não queria conviver com a consciência de seus erros, mas somatizá-la para poder retirá-la com um bisturi. Na verdade, a manifestação de sua problemática já havia se iniciado há muitos anos. Filha de doente mental e mãe muito neurótica, não tinha bom relacionamento com a família. Aos dezesseis anos já iniciara um processo de desequilíbrio emocional muito grande, o que já a levara a procurar um psiquiatra. Identificada e extremamente dependente da mãe, nutria muito ódio ao pai, numa atitude acentuadamente lesbiana. Ficou menstruada somente aos dezessete anos e sempre teve muitas cólicas. Esse quadro foi se agravando até chegar ao ponto de, aos 36 anos, numa verdadeira castração, retirar os ovários.

17 Extra-sístole: uma batida cardíaca que ocorre antes do seu tempo normal. Cria um ritmo cardíaco anormal.

18 Endometriose: a presença de células, que ordinariamente se situam no útero, em locais inusitados, como nos ovários, na bexiga, ou na Parede intestinal. Neste caso, as células cresceram nos ovários. 19 A endometriose se reiniciava em alguns tecidos e a paciente dizia ter dificuldades enormes de relacionamento afetivo, social, foi despedida do emprego e falava de muitos sentimentos de culpa.

Mas este não foi o único problema de S. E. Desde menina, tinha excesso de dor de cabeça, dores no peito, colite, muita obesidade, apendicite (operada), bronquite, otite, infecções várias, acidentes. E, ao lado disso, sempre se tratou com psiquiatras, tomando psicotrópicos (comital, lorax, librium, valium, vesalium). Foi submetida a sonoterapia, sem qualquer resultado. Piorava dia a dia de suas complicações psíquicas e orgânicas. Ao reiniciar a análise, conseguiu sarar de todas as doenças, abandonou todos os remédios por não ter mais necessidade deles. No momento, a única medicação que mantém são doses mínimas diárias de hormônio ovariano para substituir a carência do natural. Abandonou o lesbianismo, melhorou muito no seu desempenho profissional e no relacionamento social, manifestando grande interesse pelo sexo oposto.

31 - Lupus Eritematoso

O lupus eritematoso é uma forma de doença aguda ou crônica tubercular da pele, evidenciada

principalmente no rosto e nas mãos. Há uma erupção de pele avermelhada, escamosa, purulenta e freqüentemente se estende através do nariz em direção às faces numa formação semelhante à borboleta. E, com o tempo, as mãos adquirem formato de garras, como num lobo. Pode levar à morte.( 20 ) Sua causa, de acordo com a Medicina, é "desconhecida", embora os melhores especialistas reco- nheçam seu caráter psicossomático. Não existe nenhuma forma de tratamento médico que cure ou Melhore os sintomas. Dr. Norberto R. Keppe atendeu em psicanálise a vários casos de lupus eritematoso, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Muitos desses casos tiveram cura.

A relação entre a vida psíquica e essa moléstia é surpreendentemente clara. Atendi certa ocasião uma paciente que nos procurou para tratar-se, pois sabia que seu caso não teria solução pela medicina tradicional.

A doença já estava em grau relativamente avançado - seu nariz trazia sinais já evidentes da mo-

léstia e uma certa escamação nas mãos. Era ainda jovem, com pouco mais de trinta anos. Casada, mãe de três filhos, levava uma vida com- pletamente desligada da realidade. Vivia praticamente separada do marido, sob o cuidado de seus pais, como uma adolescente solteira. Negava-se a assumir responsabilidades e só veio se tratar pois sentia muitas dores no corpo à noite. Desde o início, mostrou que nutria um intenso ódio ao marido, o que era muito alimentado por sua mãe. Tinha freqüentes ausências - sentia afastar-se do local onde se encontrava e, às vezes, quando deitada, sentia-se afastar do próprio corpo, olhando para si mesma, à distância, numa voluntária fuga da realidade. Na terceira sessão de análise, relatou que sentia muito ódio pelas pessoas, desde pequena. No colégio, vivia afastada das amiguinhas. Casou sabendo que não gostava do marido e, já no dia do casamento, brigou com a sogra, sogro e cunhada. Dizia que o único sentimento que conhecia era o ódio. E que odiava, intensamente, dia e noite sem parar. E que dificilmente sentia amor por alguém, por alguns instantes - mas logo voltava ao ódio. Preferia agredir através do silêncio e o desprezo, pois acreditava que seria mais eficaz nos

20 Ver explicação na pág. 96.

resultados. Certamente uma pessoa, que odeia sem parar, está, constantemente segregando adrenalina e noradrenalina e descarregando na corrente sangüínea unia quantidade tão grande desses hormônios, que jamais seu organismo poderia absorver sem causar sérias alterações hormonais. Provavelmente o mecanismo de stress que se instalou, nesta paciente, provocou essas consequências desastrosas. Avisada por mim do perigo enorme que estava correndo, permitindo que o ódio dominasse sua vida e, conseqüentemente, o seu organismo, ficou muito assustada e disse que jamais imaginara que ela própria estava se matando. A maneira de tratar uma paciente dessas é conscientizá-la de que não tinha ódio pelo marido, ou pela sogra, mas pela consciência que eles lhe traziam. Por exemplo, tendo pedido a ela para fazer uma associação de idéias com o marido, disse: "desumanidade, grosseria, estagnação". Interpretação : a cliente não queria se conscientizar de que tratava da sua vida de uma forma de- sumana, alheando-se totalmente de seus problemas, estando numa total estagnação e destruição de sua saúde psíquica e orgânica. Após dois meses de análise, dizia estar se sentindo praticamente curada, sem dores nem qualquer manifestação da moléstia. Havia suspendido totalmente a medicação. Ao lado disso, dizia em suas sessões : "sinto-me como se tivesse voltado à minha adolescência, com muita alegria de viver. Hoje gosto de dançar, brincar e cantar e fico surpreendida de como posso enfrentar tantos problemas em minha casa e minha família sem sucumbir e ainda ajudar. A alegria e a felicidade são como um remédio que vou tomando e que está fazendo efeito sobre minha doença. Estou me curando com pílulas de alegria e nenhum médico acreditava nisso ! Minha família está atônita sem entender o que se passa comigo". (1) Definição :

Lupus - Doença crônica tubercular da pele e mucosas, caracterizada pela formação de nódulos de tecido granuloso. Lupus vulgar - Lupóide, lupiforme, adj. L. eritematoso discóide : doença da pele, geralmente crônica, afetando as áreas expostas, como face, couro cabeludo e mãos, caracterizada por áreas escamosas de diversos tamanhos, e formas, que resultam em atrofia e escarificação superficial, causando foliculite. Lupus folicular disseminado - variedade de lupus confinado à face, especialmente em localizações usuais do acne. As papilas variam do tamanho de cabeça de alfinete ao de ervilha tendo forma cônica e cor vermelho escura. Lupus eritematoso disseminado - doença de causa desconhecida, caracterizada por febre, dores musculares e articulares, anemia, leucopenia e, freqüentemente, erupções cutâneas semelhantes à do Lupus eritematoso discóide. Lupus disseminado miliar - forma aguda, geralmente encontrada em crianças, às vezes após o sa- rampo. Muitas lesões pequenas aparecem rapidamente. Pode ser fatal. Lupus vulgar - tuberculose cutânea. Doença diversificada e variável. Observam-se geralmente nódulos de tipo de geléia de maçã. É doença de evolução lenta, escarificante e deformante, muitas vezes assintomática, e freqüentemente envolvendo a face. (Tuberculose luposa).

32 - Hipotensão

Assim como a úlcera pode muitas vezes ser causada pelo medo, a hipotensão também.

Notei que existe uma correlação muito freqüente entre indivíduos depressivos e a hipotensão. Pessoas autodestrutivas, inibidas, tímidas, que têm muito medo de perceberem seus erros e problemas, (devido à sua teomania, é claro), apresentam freqüentemente quedas de pressão arterial.

O senhor R. N., de cinqüenta anos, era casado com uma mulher esquizofrênica, extremamente

agressiva. Era constantemente atacado por ela, e o raro, por seus filhos, que imitavam a conduta patológica da mãe. Estava constantemente amedrontado, pois sua mulher o ameaçava com gritos e

até agressões físicas. Como era muito responsável, temia deixá-la, pois ela ameaçava suicidar-se, caso isso ocorresse. Portador de uma atitude muito controlada, era extremamente paciente com os outros e procurava suportar calado seus problemas. Na realidade, estava freqüentemente em pânico, e, quando não, adotava uma atitude de contração

e autodefesa.

Como conseqüência, sofria constantemente de quedas de pressão, acompanhadas de prostração, dores de cabeça, e suores frios.

Quando percebeu, através da análise, que ele próprio tinha com ele uma atitude de muita agressão

e intransigência, e que já escolhera uma mulher assim para atacar sua vida e felicidade através dela, nunca mais sentiu-se mal por causa de hipotensão.

33 - A Doença Hereditária e os Fatores Psicológicos Implicados

Muitos perguntarão: mas, e as doenças hereditárias? E que implicação tem com o mecanismo psi- cossomático doenças congênitas das mais diversas espécies? Certamente a conduta neurótica e/ou psicótica dos pais vai afetar o desenvolvimento do feto.

Existem doenças e vícios tradicionalmente tidos como perigosos para a gravidez, como a sífilis, o

alcoolismo, o tabagismo etc

desenvolvimento do embrião. Isso se deve à alteração do sistema hipofisário e adrenal. Anomalias na córnea são as mais freqüentes, embora já se tenha comprovado que edemas generalizados, necrose do fígado, gastroschises com ectopia da víscera e até micromélio podem ocorrer no feto cuja mãe esteja em estado de stress. Além dessas, muitas outras doenças e malformações

congênitas já têm sido constatadas. Fato muito interessante é que a carga elétrica positiva de nosso corpo, que se concentra em certos órgãos perde-se sob condições de stress, deixando atuantes somente as negativas. A atitude psíquica acompanha a fisiológica, e pode-se sentira distância as pessoas que desprendem "energias negativas". A parapsicologia já possui aparelhos que medem a "aura" das pessoas. A energia (eletricidade) po- sitiva do corpo se irradia de tal forma que aparelhos sensíveis podem detectá-la. Desta forma, o indivíduo que tem uma atitude mais sã, mais positiva, também terá sua energia elétrica positiva em intensidade maior.

A queda da eletricidade positiva nas células pode causar alterações sérias na permeabilidade de

Porém, o stress igualmente pode provocar prejuízo no

sua membrana. Demonstrou-se que o estradiol e a progesterona atuam, modificando a expressão genética nuclear (transição) e a síntese das proteínas. ( 21 ) É de se concluir, pela lógica, que alterações na secreção destes hormônios causadas pelo stress da mãe poderão ter uma atuação determinante no desenvolvimento do feto.

21 Catt, K. J. - Endocrinologia Fundamental.

Doll (1934) calculou que aproximadamente 40% das causas das deficiências mentais da "Vineland Training School" eram desconhecidas (possivelmente psicológicas), além de 30% delas serem atribuídas à hereditariedade.

É também sabido que a maconha e as drogas são responsáveis por mudanças significativas nos cromossomos das células. Por que seres humanos ingerem drogas que fatalmente irão deteriorar a própria espécie? Por que poluímos nossos alimentos, a água que bebemos, e envenenamos com gases letais o ar que

respiramos?

Todas as doenças do homem são causadas direta ou indiretamente por fatores psicológicos.

34 - A Esquizofrenia e as Doenças Mentais

"Chamam-se psicoses os distúrbios que refletem um maior desvio, gravidade e desorganização da personalidade. Quando o indivíduo deixa de cuidar de si ou está a ponto de prejudicar a si mesmo

e aos outros, a sociedade coloca-o no hospital ou põe-no sob chave. Daí, constituir também o fato

da institucionalização uma definição da condição psicótica" ( 22 ).

A 18.ª Classificação Internacional de Doenças (ICD-18) reconhece o "status" atual das psicoses

como distúrbios sem nenhuma etiologia orgânica conhecida.

Portanto, sabe-se que toda e qualquer tentativa de se atribuir as causas das doenças mentais, a fatores orgânicos ou hereditários, tem sido frustrada. Nenhuma lesão no sistema nervoso central

ou nenhuma mudança no seu funcionamento foi até hoje detectada.

Assim sendo, não existe nenhum indício de que as psicoses sejam doenças físicas.

Existem várias teorias bioquímicas a respeito de agentes causais, porém, não se pôde comprovar que haja essa relação.

A Trilogia Analítica acredita mais que as mudanças químicas cerebrais observadas em certos

pacientes psicóticos sejam uma sintomatologia conseqüente de emoções especialmente fortes e inconscientizadas, idênticas à ocorrida em outros órgãos do nosso corpo. Incluo nesse caso as psicoses chamadas endógenas, que alguns psiquiatras tentam classificar como psicoses de "causas internas ou orgânicas". Certos estudos publicados em 1981, no "Jornal de Doenças Nervosas e Mentais" ( 23 ), levam-nos a confirmar a estreita relação que existe entre a atitude mental de inveja, ódio e medo, e as diferenças na química cerebral, o que já havia sido dito pelo famoso neuropsiquiatra Hans Hoff. O único problema é que estes pesquisadores vêem a causa onde está o efeito - isto é, acreditam que exista uma mudança inicial na química cerebral, o que provocaria o comportamento psicótico. (E. D. M.) Mas, através da Trilogia Analítica, pudemos constatar que nas psicoses existe o fator psicológico sempre desencadeando todos os outros problemas, eventuais mudanças na química cerebral, delírios e alucinações. Se isso não fosse verdade, não seria possível o tratamento das referidas psicoses com tão bons resultados, sem nenhuma espécie de medicamento. Pacientes esquizofrênicos podem sair dos delírios em algumas sessões de Trilogia Analítica, sem

22 Dicionário de Psicologia - W. Arnold, H. J. Eysenck, R. Meili, Edições Loyola, Brasil. 1981;

23 Berger P.A. - Biochemistry and the Schizophrenia - Old Concepts and New hypotheses. The Journal of Nervous and Mental Desease 169(2); 90-99, 1981.

psicotrópicos.

Dr. Keppe atendeu a muitos casos, os quais pode acompanhar de perto e constatar que a doença mental é, como ele mesmo diz, um problema psíquico-espiritual.

O psicótico tem atitude semelhante à dos demônios, os quais negam, omitem e deturpam a

verdade, a realidade, negando a própria consciência, devido a um excessivo problema de inveja. Essa atitude de teomania (desejo de ser um deus) é comum nos psicóticos e é a mesma dos

demônios espirituais. Portanto, não adianta a pessoa tomar remédios se a raiz de seu mal está em fatores psíquicos, não orgânicos. Graças à Trilogia Analítica pude estabelecer a relação entre a teomania, o stress (e outras mudan- ças hormonais) e as doenças mentais.

As pesquisas mais recentes estabelecem relação entre as doenças de Parkinson e a dopomina. Já há

fortes indícios de que a noradrenalina (norepinefrina) é um fator muito importante nas esquizofrenias ( 24 ), em resultado da disfunção do sistema límbico e de uma actividade exacerbada dos neurônios noradrenérgicos - o que mostra a existência de grande quantidade de ódio nos

esquizofrênicos. Outro elemento interessante encontrado em excesso nos esquizofrênicos é a acetilcolina - "o hormônio do medo" - isto é, pessoas que estão sempre com medo da verdade, da consciência,

secretam grandes quantidades de acetilcolina. Elas têm a idéia de que tudo podem fazer sem que nenhum mal lhes aconteça. Porém, assim que as conseqüências aparecem, entram em estado de pânico, que se prolonga, às vezes, pela vida inteira.

Já havia percebido, pelos pacientes esquizofrenicos da clínica do Dr. Keppe e pelos meus próprios,

que o doente consegue, voluntariamente, fabricar um clima fantástico para viver e que, após algum

tempo insistindo em uma fantasia (sempre de grandeza), negando as evidências, entravam nos surtos psicóticos acompanhados de delírios e alucinações. Akil, em 1972 ; Goldstein, em 1973 ; R. Hughs, descobriram a existência no cérebro de substâncias opiáceas como a morfina, dinorfina, endorfinas que são fabricadas na hipófise e no

cérebro, no trato gastrointestinal, na placenta e na medula adrenal, além de serem encontradas no sangue, urina e fluído cérebro-espinhal. Mains comprovou que estas substâncias são fabricadas nos neurônios hipotalâmicos e nas estruturas límbicas (central captadora das emoções). Notou-se que as endorfinas são liberadas concomitantemente ao ACTH (hormônio do stress). É fácil notar que, para uma adaptação do organismo, seria útil a reação com agentes opiáceos e analgégicos, mas, se o stress foi prolongado (como é o caso dos neuróticos e psicóticos), então é evidente que a secreção destes hormônios dar-se-á em escalas muito elevadas, podendo levar as pessoas a sofrerem efeitos psicológicos idênticos aos dos indivíduos drogados. Quando se injeta em ratos a endorfina, produzem-se efeitos idênticos aos da catatonia.

E tanto o excesso, como a escassez destes hormônios podem levar à esquizofrenia - no primeiro

caso, à esquizofrenia aguda e no segundo, esquizofrenia crônica. Nota-se que as pesquisas efetuadas pelos cientistas na área da bioquímica cerebral têm-nos levado

a resultados surpreendentes. Infelizmente, eles buscam o tratamento destas perturbações, através de drogas que irão, na realidade, desequilibrar em médio e longo prazo, toda a harmonia bioquímica cerebral, pois sabe-se que todas estas substâncias funcionam concomitantemente e num mecanismo de feed-back espontâneo - umas inibindo e/ou estimulando a produção das outras.

24 Esquizofrenia é um tipo de psicose onde há uma dissociação entre as idéias e a ação e um forte comprometimento da afetividade. O esquizofrênico vive geralmente no seu mundo fantástico sem ligação com o real.

A única solução, que existe, é levar o doente a conscientizar o alto grau de ódio, inveja e medo

que tem da Verdade, fatores diretamente relacionados à Teomania, para que, através dessa conscientização, deixe de estimular tanto o seu sistema nervoso e, conseqüentemente, permita que

a bioquímica de seu cérebro volte ao normal.

35 - Tratamento das Psicoses pela Trilogia Analítica

Dr. Keppe tratou de catatônicos, de esquizofrênicos paranóicos, de maníacos-depressivos e conse- guiu retirá-los da psicose, mostrando seu alto grau de Teomania (inveja à Deus). Aliás, foi inspirada na análise que ele fez de um esquizofrênico, num grupo de psicoterapia em de- zembro de 1979, que pude perceber o fenômeno de Inveja Universal; que descrevi melhor na Revista de Psicanálise Integral n.° 5.

O paciente estava relatando suas idéias delirantes, suas fantasias, seus medos. Ele havia tentado

suicídio atirando-se do 3.° andar de sua casa. Ao cair, bateu nos varais do quintal, o que amorteceu

a queda, apenas quebrando seus braços, pulsos, ossos das mãos. Após algum tempo de total

mutismo e desligamento, começou a contar que seu suicídio havia sido motivado por forte ódio aos pais, que julgava ser a única causa de seus problemas.

Devido ao fenômeno da Inversão descoberto por Dr. Keppe, o doente via nos pais, que mais lhe davam afeto e consciência, a intenção de destruir sua vida, o que ele próprio estava concretizando. Ele chegou a confessar, posteriormente, quando já mais lúcido, que ao tentar se matar tinha a intenção de agredir ao mundo - como se ele estivesse matando os pais, irmãos, sociedade, universo e ao próprio Deus, numa atitude de profunda arrogância e megalomania. Percebeu com clareza a influência do demônio, e em seus períodos mais difíceis chegava a conversar com ele em seu quarto. Nesta tarde, em que fazia psicoterapia de grupo, falou que não via em nada razão para existir e nem graça nenhuma na vida; disse ainda: - "Por exemplo, olho pela janela, vejo o céu, as árvores, mas nada disso para mim tem sentido". Dr. Keppe perguntou : "A que o senhor associa o céu?"

- "A nuvens" - respondeu ele.

- "Por que o senhor inveja tanto a Deus? Perguntei sobre o céu e o senhor associou o céu à

nuvens"

disse Dr. Keppe - "Pois qualquer pessoa que olha o céu, imediatamente associa o céu a

Deus". "O senhor coloca nuvens entre o senhor e a Verdade, que é imensa e maravilhosa", completou. Aí então pude perceber o que leva todos os seres humanos à Inversão, e à Inveja Universal. Isto é, tudo o que existe na criação, no universo externo e interno é maravilhoso - é a realidade, e nós, movidos por uma enorme inveja, por não termos sido criadores disto tudo, negamos o seu valor, alegando internamente, que nada do que existe, nada do que Deus fez é suficientemente bom para nossa grandeza

O psicótico tem essa teomania em tal grau, que "vive" num mundo próprio as suas fantasias, que

são a sua única criação. No seu mundo delirante, ele é o único deus.

E a inversão, descoberta pelo Dr. Keppe, elemento fundamental a ser tratado na Trilogia Analítica, está presente em todos os seres humanos, que negam, omitem e deturpam a realidade, taxando-a invejosamente de má e adorando suas próprias criações - as fantasias - que é o que não existe e jamais irá existir. Esse cliente conseguiu sair da crise sem internação e sem medicação. Voltou a estudar retomando

a Faculdade de Psicologia. Posteriormente, devido à fortes influências da própria Faculdade,

através das teorias psicológicas alienantes ensinadas durante o próprio curso, começou a ingerir drogas e fumar maconha, chegando a tal intoxicação que entrou em novo surto psicótico - desta vez, na catatonia. Por vezes, imitava cachorros, lambia o cão, uivava, despia-se na rua e conversava novamente com demônios. Foi necessária uma enorme luta para mantê-lo sem internação, contra a vontade da fa- mília, tratando-o com a Trilogia Analítica, até que a desintoxicação passasse e pudesse recuperar a consciência. O que o levou à segunda crise foi o pacto de alienação e megalomania que havia feito, desta vez com seus colegas e professores de Faculdade, pois, até pouco antes de entrar em crise, era tido entre eles como um gênio de incrível capacidade, permitindo que ele atendesse, em psicoterapia, pacientes na Clínica da Universidade. Isso alimentou de tal forma a sua megalomania que acabou por entrar em surto gravíssimo. muito perigosa a idéia de que a maconha não causa danos e existem "psicoterapias" que sugerem até o uso de LSD. Conheço pacientes psicóticos que, após ingerirem essas drogas, receitadas por seus psiquiatras, jamais conseguiram sair do estado delirante.

36 - As Crianças também Somatizam?

O que é mais comum numa criança é a somatização - ela transforma, com mais facilidade que o

adulto, os seus problemas em doenças orgânicas. Por isso é que estão sempre resfriadas, com amigdalite, asma, bronquite, alergias, febre, etc Parte da responsabilidade, nestes casos, recai sobre a influência dos pais - ,mas a maior parte é devida à atitude da própria criança. Por isso, a Trilogia Analítica consegue curar muitas doenças infantis - tornando a criança mais forte e mais resistente. Um exemplo é o menino R. L., de quatro anos e que, desde o seu nascimento, necessitava tomar vitaminas e cálcio por causa de sua transpiração excessiva e conseqüente perda de sais minerais em seu organismo. A partir dos quatro meses de idade, apresentou problemas nas vias respiratórias, concomitantemente com febre, surgindo em espaço de três ou quatro meses. Necessitava tomar antibióticos, autovacinas ininterruptamente e bronco-dilatadores. O problema foi agravando-se até surgir uma bronquite asmática. Além disso, possuía vários tipos de micose e

dormia poucas horas diariamente por causa de sua agitação demasiada. Aos quatro anos de idade, a febre foi ficando cada vez mais alta, chegando a atingir 40°C e sua freqüência aumentou (espaço menor que um mês entre uma e outra). Os antibióticos foram perdendo seu efeito e cada vez era mais difícil cortar a febre. Por causa desses problemas, foi perdendo o apetite, além da constante dificuldade de respirar, principalmente no inverno. Antes de completar cinco anos, iniciou o tratamento com a Dra. Suely Keppe.( 25