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2016

INDÚSTRIA DO BEM CRITICAR

Jáder José Oliveira Vieira


NOSSA PESQUISA
12/11/2016
Vieira, J.J.O:.
RESUMO: Uma desconhecida Casa foi demolida na década de 80.
Nos rastros dos debates sobre a História e Arquitetura, a pós-
modernidade aparece, portanto, como um de seus críticos mais radicais,
subsidiada pelos estudos literários e culturais. A pós-modernidade
trouxe para a História questionamentos sobre a validade do método
histórico, sobre os limites entre a verdade e a ficção e reconduziu para
o centro dos debates a questão da escrita da História. Por isso, este
ensaio concentra uma coletânea de ideias que objetiva concatenar os
principais aspectos delineados pelo urbanismo entre o século XVI e XX
que estão nos inquietando até os dias de hoje, e são provas culturais
contundentes de que o passado queria mandar algumas impressões ao
futuro através da arquitetura e outros signos:. Essa pesquisa tem a
intenção de resgatar a memória de uma fração do lote urbano do antigo
centro de Fortaleza além de desenvolver a sua respectiva maquete em
3d e seus desdobramentos estéticos de várias escalas em nível eclético.
SUMÁRIO
Prólogo ...................................................................................................................................6

Introdução .............................................................................................................................6

A cidade e a casa pagã ........................................................................................................13

Atenas e Esparta .................................................................................................................17

A praça..................................................................................................................................25

Sócrates ................................................................................................................................28

A filosofia nas praças ..........................................................................................................30

O julgamento de Sócrates ..................................................................................................33

A contribuição clássica para Arquitetura ........................................................................37

A questão da alteridade no Humanismo Cristão ............................................................46

O Gótico e a urbanidade medieval....................................................................................57

América e África refém de uma Europa que volta a escravizar ....................................73

O despertar da América .....................................................................................................81

O Neoclássico ....................................................................................................................113

A Efetiva apropriação da América ..................................................................................126

O ecletismo ........................................................................................................................136

O modernismo...................................................................................................................168

TFG .....................................................................................................................................188

O legado pos modernista .............................................................................................188

Obras Citadas ............................................................................................................198

ÍNDICE DE FOTOS ...............................................................................................................205

ACONTECIMENTOS CRONOLÓGICOS ...................................................................................209


PRÓLOGO
Historiograficamente pretendemos revisar os pontos principais
evocados pelos pesquisadores e documentos no que concerne a
invenção da América. Desta maneira foi analisado a estrutura das
sociedades antigas, das sociedades ameríndias, a estrutura das
sociedades medievais para conseguir mais especificamente relatar o
comportamento de Colombo, Montezuma II e Cortez. Fizemos algumas
problematizações acerca do que Torodov, Levinas e Dussel entenderam
sobre o fato histórico de 1492 e sobre como realmente se deu o processo
de invenção da América através da urbanização imposta pela família
patriarcal e mais especificamente no nordeste brasileiro, pois
apontaremos como os fatos religiosos, políticos, econômicos e sociais
são extremamente polissêmicos, eivando do passado a questão da
cultura, das mentalidades, da alteridade, da arquitetura e suas
implicações intelectuais bem como a sua direta relação com a doutrina
católica erigida em Constança, Trento e Latrão.[1]

INTRODUÇÃO
A História é contada pelos vitoriosos, comumente é dito isso nos
colégios e nos livros de História direcionado para secundaristas,
contudo, [igualmente óbvias (pelo menos para nós) deve ser as
desvantagens de aplaudirmos as obras dos reprovados e de
engrandecermos figuras apáticas e parasitas que de nada servem para
sociedade. É, para alguns eruditos, a História deve tratar de imortalizar
as virtudes dos vitoriosos assim como os poetas e oradores difamavam
com falsos testemunhos pessoas de santa vida para assim persuadir
seus interlocutores de que não acarretaria perigosa implicação ao
público reproduzir seus discursos como se fossem seus próprios, dada
a falta de meios para fazer diligência e contraditar os seus pressupostos
teóricos, o grande público aceita como verdade razoável algo incutido
pela sugestão, ou seja, é uma artimanha para polarizar uma narrativa e
assim manter a verdade secreta, ou no mínimo eximir a autoridade de
admitir vasta ignorância sobre o assunto que está tratando.] Do mesmo
modo muitos historiadores sociais ficam murmurando notadamente em
suas teses movidos pelo vicio da inveja sobre os ministros da religião
oficial, detraindo as ações dos monarcas que venceram em batalhas
justas ou retirando os louvores que temos pelas Repúblicas que lutaram
honradamente pela sua própria liberdade. Vejo isso como um enorme
delito intelectual, pois além de imortalizar vícios é uma maneira de
consumar uma malicia através do encaminhamento de uma verdade
sabendo que é artificiosa, sendo assim contra a caridade e o pior,
defendendo a causa dos culpados ao invés de defender a causa dos
inocentes. [Já 'A História', analisada a partir dos preceitos pós-moderno,
seria uma construção discursiva que teria relação apenas com as metas
do historiador, em última instância, um literato(coisa que o próprio
pessoal das Letras não admite) para quem o método e a empiria seriam
elementos ritualísticos a ficção seria incompatível assim como outros
gêneros. Tais interpretações da História acarretaram colocações como
a a fundamentação religiosa na História(tradição epistemológica
católica)e de outro lado a inexistência de verdade na História, a
irrelevância dos métodos de pesquisa e a impossibilidade de apreensão
da realidade; em suma, a História seria um texto ficcional como
qualquer outro, chegando ao extremo da "invenção histórica", uma vez
que o passado não pode ser alcançado, esse discurso histórico seria
produzido de uma maneira deslocada em relação à realidade passada,
uma vez que, para os defensores dessa tese, o passado não poderia ser
apreendido plenamente, não só pelas limitações dos métodos
historiográficos (recortes, triagem, inteligibilidade do presente), mas,
principalmente, devido ao lugar de onde fala o historiador. ]
Para Michel De Certeau, a produção do historiador, portanto,
deveria ser considerada “(...) como a relação entre um lugar (um
recrutamento, um meio, um ofício, etc.), procedimentos de análise (uma
disciplina) e a construção de um texto (uma literatura). É admitir que
ela faz parte da “realidade” de que trata, e essa realidade pode ser
compreendida “como atividade humana”, “como prática”. Nessa
perspectiva, (...) a operação histórica se refere à combinação de um
lugar social, de práticas “científicas” e de uma escrita.” (DE CERTEAU,
1982).
Nesta perspectiva, deve-se concentrar a análise em dois pontos:
primeiramente, os instrumentos metodológicos dos quais o historiador
se utiliza foram desconsiderados pelos autores pós-modernos. Hayden
White afirmou que o trabalho historiográfico faria parte de uma
encenação, um teatro acadêmico que visaria dar objetividade e caráter
científico à produção histórica (WHITE, 1995, p. 65)[vi]. Contudo, De
Certeau, mesmo alertando para as limitações do trabalho
historiográfico, não o desabilitou. O trabalho do historiador seria
compreender, e nessa busca pela compreensão os limites metodológicos
seriam constantes, mas trazendo em si a continuidade da produção
historiográfica, naquilo que estaria ausente ou no que foi observado
apenas de uma maneira.
O segundo ponto refere-se ao lugar do historiador, os
pressupostos que fazem parte da produção do historiador. De Certeau
salientou que o historiador produz seu trabalho a partir do presente,
das preocupações de sua realidade, fazendo de seu discurso um
"discurso particularizado", que tem um emissor, o historiador, e um
destinatário, seja ele qual for, a academia, a sociedade de forma geral ou
um grupo específico (DE CERTEAU, 1995, p. 224). Essa discussão impliu
numa constatação vital para De Certeau: não se pode falar de uma
verdade, mas de verdades (no plural).
Para De Certeau, essa problemática teria outro patamar e outro
caminho. A ideia de uma verdade universal foi igualmente refutada,
porém, para o autor, o que a História poderia produzir eram verdades,
subjugadas aos limites das pesquisas históricas e influenciadas pelo
presente do historiador: "A historiografia mexe constantemente com a
história que estuda e com o lugar onde se elabora" (DE CERTEAU, 1982,
p. 126). O que se apreende é a preocupação de De Certeau em não negar
a possibilidade de alcançar alguma verdade. A objetividade do discurso
do historiador não estaria, portanto, mais relacionada com visões
acabadas, definitivas ou fechadas; o trabalho do historiador residiria na
busca de possibilidades, hipóteses de abordagem ligadas as suas
preocupações específicas, daí a existência de verdades. Essa mudança de
perspectiva introduziria a utilização da imaginação (não-ficcional)
frente ao discurso homogêneo e seu uso mais profundo na construção da
linguagem histórica (DE CERTEAU, 1995, pp.225-226).
Não parece, porém, possível aceitar ideias ligadas a pós-
modernidade que são levadas a extremos, como o fim da História, da
impossibilidade de conhecer o passado e a validade de se utilizar fatos
fictícios na construção histórica. Na França, a obra coletiva de Michel de
Certeau, L’invention du quotidien (1980), [tradução brasileira: A
invenção do cotidiano, 1. Artes de fazer (Petrópolis, Vozes, 1994)],
exerceu papel fundamental na questão do estudo dos usos.
Historiador e psicanalista, Michel de Certeau reconhece de
imediato a capacidade dos indivíduos para a autonomia e a liberdade.
Sua abordagem consiste em assenhorear-se dos mecanismos pelos
quais os indivíduos transformam-se em sujeitos, manifestando formas
de autonomia em um conjunto muito grande de práticas da vida
cotidiana, de consumo, de leitura ou de forma de habitar. Com suas
descrições refinadas das “artes de fazer” e das “maneiras de fazer” dos
usuários, Michel de Certeau mostra como as práticas dos usuários
marcam um fosso, uma diferença, com o programa que busca lhes impor
as tecnocracias e as indústrias culturais. As pessoas comuns, afirma ele,
demonstram capacidades criativas que os industriais nem ao menos
suspeitam: pelo viés das engenhosidades, do faça você mesmo ou da
apropriação indébita - que Michel de Certeau reunirá sob o termo
“braconnage” ou seja, «caça furtiva» - elas encontram-se em posição de
imaginar uma maneira própria de caminhar nos universos construídos
pelas indústrias da cultura ou das tecnologias da comunicação.
Colocando em ação um jogo sutil de táticas (assegurando-lhes o controle
pelo tempo) que se opõem às estratégias das grandes tecnocracias
(tendo a principal colocação no espaço), os usuários manifestam uma
forma de resistência moral e política.
De Certeau afirma que estes usos são “táticos” através de
“apropriações furtivas” e descreve este processo de consumo “...um
conjunto de táticas pelas quais o fraco faz uso do forte. Ele caracterizou
o usuário (um termo que ele preferiu a consumidor) rebelde como tático
e o presumido produtor (no qual ele inclui autores, educadores,
curadores e revolucionários) como estratégico. Estabelecer esta
dicotomia permitiu a ele produzir um vocabulário de táticas rico e
complexo o bastante para equivaler a uma estética reconhecível e
distinta. Uma estética existencial. Uma estética da apropriação, do
engano, da leitura, da fala, do passeio, da compra, do desejo. Truques
engenhosos, a astúcia do caçador, manobras, situações polimórficas,
descobertas prazerosas, tão poéticas quanto guerreiras” .
Os termos Tática e Estratégia remetem ao vocabulário militar e se
referem ao manejo de recursos para o desenvolvimento de uma ação;
diferenciam–se em sua definição segundo os momentos e
circunstâncias. Se o Estratégico responde a uma lógica de ordem vertical
e se refere aos traçados prévios – de acordo com hipóteses e suposições,
que permitiriam chegar posicionado à ação - , o Tático responde a uma
lógica de ordem horizontal e se refere ao manejo de todos os elementos
durante o desenvolvimento da própria ação, o que implica ir variando
os traçados de acordo com as circunstâncias que vão se apresentando
no momento. A Estratégia se orienta na direção de uma perspectiva de
ciência; a Tática, na direção de uma arte.
Mídia tática pode ser definida como a apropriação dos meios de
comunicação com a finalidade de se opor ou criticar um alvo que
frequentemente ocupa determinada posição de poder. Esta forma
pósmoderna de ativismo pode ser reconhecida pelo uso da tecnologia
ultramoderna e suas campanhas de mídia no estilo "bater e correr", as
quais são geralmente de curta duração. O propósito da mídia tática jaz
no tipo de informação que ela distribui e nos alertas que pode às vezes
produzir. Ao gerar essa informação e criar essa reação, a mídia tática
tenta reverter o fluxo de mão-única da comunicação e poder, e retornar
algum grau de controle ao público.
Discute-se que a mídia tática lembra mais uma estratégia do que
uma tática. Logo, é importante observar que enquanto a estratégia usa
o espaço para se desdobrar, a tática usa o tempo. A mídia tática não é
disputada em um espaço, visto que ocupa o espaço ao qual se opõe. Em
vez disso, é disputada no tempo, aproveitando a oportunidade quando
brechas ou fraquezas são detectadas dentro do espaço ocupado.
A mídia alternativa não visa se infiltrar no meio dominante por
uma ação rápida, mas tenta se opor à mesma propondo o que seu nome
sugere: uma alternativa à mídia dominante.
Embora tão bem sucedida quanto uma campanha ou grupo em
particular possa ser, seu objetivo final não é substituir um determinado
canal de mídia pois a mídia tática desencoraja a difamação por conta de
que isto provavelmente resultaria num novo ciclo, com a recriação do
alvo dos ataques. Logo, deve ser entendido que a mídia tática nunca
alcança um estágio de perfeição; ela está constantemente mudando
porque precisa questionar constantemente o sistema sob o qual opera.
Embora seja possível para a mídia tática ser representativa do
ponto de vista local de uma região específica, ela geralmente está
presente num nível global. Existem muitos projetos de mídia tática que
funcionam num espaço físico, mas ela usa mais frequentemente espaço
em rede e na internet, fazendo com que sua extensão cubra todo o
planeta. A natureza virtual do espaço que ocupa também lhe permite
criar novos canais quanto às hierarquias de poder contra as quais luta.
Uma determinada tática não necessita atacar pessoalmente ou num
nível físico, mas pode atacar no espaço livre e virtual sobre o qual o
dominante possui pouco controle. Este importante elemento faz de um
projeto de mídia tática não a obra de determinados indivíduos
identificáveis, mas uma entidade em si, a qual ajuda a transmitir com
maior credibilidade a mensagem que tenta comunicar.
Projetos de mídia tática são frequentemente uma mistura entre
arte e ativismo, o que explica que muitas de suas raízes possam ser
traçadas até vários movimentos artísticos. Tem sido sugerido pelo
teórico da mídia tática Geert Lovink, que o "discurso mais arte igual
espetáculo", refletindo sua natureza impactante e memorável. Embora
não existam meios estritos através do qual ela opere, a mídia tática pode
frequentemente ter valores altamente estéticos, acrescentando a isto
espetáculo e reforçando algumas de suas raízes artísticas.
Interessante, a própria utilização de um vocabulário militar na
questão do estudo dos usos por Michel De Certeau, o estratégico
referindo-se a previsibilidade, a verticalidade, de acordo com um sem
numero de hipóteses, é decidida a ação, o tático refere-se a uma
horizontalização, uma encabeçada pela ciência, por recursos técnicos,
pelo "cascalho", outros mais direcionados a arte, a inventividade, tenho
dois exemplos, que podem descrever melhor, esses conceitos:
Lendo Michel De Certeau, associei-o a uma entrevista do Raul
Seixas, no Jornal O PASQUIM (Novembro de 1973 - RJ), quando
perguntado a respeito de que publico ele atingia com musica "Ouro de
Tolo", lucidamente Raul Seixas entendia que a compreensão musical
perpassava diversos níveis sociais, Raul chega a contar que na
construção de um edifício atrás da casa dele, os operários cantavam a
musica adaptando a realidade deles, os versos transmutam-se em:
"Eu devia estar feliz por que eu ganho vinte cruzeiros por dia e o
engenheiro desgraçado aí..."
Raul Seixas já tinha tomado ciência do fato, de que a transrelação
idealizador-idealizado, não era na vertical, ele jamais conseguiria
prever o que o idealizado, faria com a idealização dele.
A utilização da musica, nesse caso passou por um protesto social,
uma consciência política até muito refinada, onde é olhado o outro
exercício, e reconhecido o quanto o pedreiro trabalha, o quanto o
engenheiro trabalha, e não vê motivo algum pra o engenheiro ganhar
mais por ter escolhido essa profissão, quer dizer o reemprego da função
musical, o que pra muitos é um prazer, um lazer, uma raiva, repetir a
musica por repetir.
Acompanhando a levada e vertendo o conteúdo em idiosincracia,
até porque não podem conversar, abre uma margem pra inventividade,
a musica se torna um meio de comunicação, de ridicularização, de
expressão da indignação.
A relação não é somente de absorção, também de fabricação, e
diversos modos de fabricar, no caso, foi uma fabricação política.
Admitindo que os homens só podem conhecer aquilo que eles
próprios fizeram, podemos dizer que nem os físicos nem os biólogos são
capazes de criar o mundo físico como Deus criou, não dispõem de
qualquer meio para confirmar de forma definitiva as suas
reivindicações com respeito ao conhecimento de suas estruturas e
teorias mais fundamentais. Quer dizer o conhecimento das ciências
físicas é sempre incompleto e duvidoso. Já em principio, o mundo social
é criado pelos fatos, então ele pode ser documentado e conhecido. Em
Ciência Nova Vico dispõe o Axioma § 238 "a ordem das idéias deve seguir
a ordem das instituições". Esse aforismo traz a tona a relação entre a
estrutura[2] e a praxis social da cultura vigente[3]. Vico assim como os
positivistas e marxistas não admitem que a cultura se desenrole em
função das condições biológicas e climáticas, mas muitos irão cair nessa
cilada, como Skinner e seus seguidores. Para eles o tempo histórico dos
homens fala mais alto que as restrições ambientais. Pitágoras e
Descartes diziam que o único intermediário que existia entre a
realidade e a verdade era a matemática, insistentemente Vico dizia que
para analisar os fenômenos sociais e culturais, o método aritmético era
inconsistente, pois lógica social não se auto-evidencia como acontece
com os conjuntos numéricos. Os nativos aqui em América somavam 80
milhões ou a metade, formaram urbs imensas, outros se reuniam em
pequenos clãs e não conheciam propriedade, porém cento e cinquenta
anos depois do século XVI foram reduzidos a apenas 10% dessa quantia
ou o dobro, quer dizer foram dois séculos e meio de extermínio
deliberado[4] pelos principados europeus. E esse genocídio sendo
exposto como um “bem”, ao bárbaro que se civiliza, saí do neolítico para
a era moderna. É bem sabido que os europeus passam a se considerar
como os mais civilizados e se sentem orgulhosos de sua força e seus
costumes.
[1] A pretensão da doutrina consistia em legislar sobre muitas
pessoas como se fossem poucas. As leis universais em Moisés são
ortodoxas, já os cânones católicos são casos particulares, portanto
sendo heterodoxas. Contudo, os padres confessores laboram com
valorações de circunstância e identidade. Por várias vezes deixando
transparecer ao historiador muitas verdades sobre a sua época, sobre a
organização que eles admitiam natural, sem muitas vezes nem se dar
conta de que estariam revelando despretensiosamente muitos traços de
sua sociedade. Muitas contradições surgiam da idéia isonômica da lei,
proposta por Aristóteles, eles consideravam que esse axioma fosse além
de despótico, rudimentar e vicioso como também insuficiente para
coordenar toda a república Cristiana. Diante disso eles arrojavam levar
a cabo tratar de todos os casos, pois o silogismo variava se fosse infiel,
leigo, Papa ou Rei, ainda que fosse tradicionalmente estabelecido
biblicamente que todos são iguais diante dos olhos de Deus.( At
10.34,Rm 2.11, Pv 22,2.)

[2] As formas publicamente deliberadas de consciência expostas


na urbanidade, arquitetura, arte, religião, jurisprudência, filosofia e na
literatura de uma época.

[3] Segundo Marx, essa por sua vez determinada pelos modos de
produção e interesses do grupo que os controla.

[4] Segundo os dados demográficos a América só voltara a ter 30


milhões de habitantes em 1850.
A
CIDADE E
A CASA
PAGÃ
Na mitologia grega,
segundo Hesíodo, certa vez
Cronos, o titã caçula do céu e
da terra, engoliu um penedo
enrolado em lençóis
pensando que estava
devorando seu filho recém-
nascido Zeus. Na cosmogonia
romana a mesma narrativa é
muito conhecida, pois no seu
Templo na entrada do
Fórum, no Capitólio era
exibido a escultura de
Saturno engolindo um Bétilo.
No quadro a óleo sobre
reboco de Goya de 1819, o pintor interpretou que a sua esposa Reia
esculpiu em uma pedra falante do oráculo uma criança. Cronos apesar
de sentir muita fome, não tinha nada de burro, contudo a sua esposa
sendo muito mais inteligente conseguiu enganá-lo. Esse mito nada tem
haver com o que ele sugere à primeira vista, da natureza maléfica de um
pai infanticida, essa alegoria vem a confirmar o espírito pratico da
justiça dos antigos e era aplicado aos previsíveis e biltres que sempre
contornam um problema da mesma maneira. Então, a máxima latina
dizia: “Poena par esto noxiae”. Seja o castigo equivalente ao mal.
Todavia, Cronos perdeu seu trono e vomitou todos os seus filhos e assim
deu origem as divindades do Olimpo.

A História é sempre uma narração verdadeira, é algo que se pode


contar. Como Deus incutiu no homem o amor pela verdade, então a
História serve a Verdade, assim como diz o ditado que qualquer cabelo
por mais fino que seja faz sombra, se assim podermos dizer a História
por mais insignificante que seja, se verdadeira for, ele é digna de nota
pois dela podemos tirar algum proveito, assim como a mentira por

Capitulo I
menor que seja, faz nojo, o mal que faz o lobo apraz o corvo, ou como se
diz é melhor uma gota de verdade que um barril de mentiras.
A Bíblia nos ensina através de seu profeta Isaías no capitulo
quarenta e cinco, que o próprio Deus arrombava as portas de bronze e
quebrava os ferrolhos diante de seu ungido Ciro para abater as nações e
desarmar os Reis. Ciro, filho de Cambises, Rei da Pérsia, descendentes
de Perseu, fora educado da maneira persa, pela lei era prerrogativa dos
pais oferecerem a educação que quisessem, e os filhos a partir de certa
idade, são independentes, pela lei é proibido roubo, invasão a
propriedade privada, adultério, desobediência aos magistrados e o
furto. As crianças eram educadas por homens que já não estavam mais
em idade militar, os jovens vivem para a caça, pois a caça é a preparação
para guerra, os anciões não vivem fora da pátria, ocupam-se de coisas
públicas e particulares. Seus contemporâneos viram que ele era em tudo
superior e o olhavam com grande admiração. Paciente, respeitador dos
idosos, submisso aos magistrados também o descreveram como grande
general, loquaz, circunspecto, amante da honra, bom servidor de seus
superiores, bom cavaleiro, frugal, o melhor na seta e no arco,
respeitador de seus compatriotas, religioso, fazedor de sacrifícios,
aprendeu com seu pai a arte de governar, que é melhor vigiar que punir
que é melhor prevenir que remediar, que na guerra o general deve
sofrer mais de que seus soldados, que a única coisa que compensa desse
sofrimento é a gloria que dela provem, e pela convicção que seu nome
não ficará no esquecimento, que é melhor a obediência voluntária que a
obrigada. Povos que nunca viram o grande Rei o obedeciam de
prontidão, Ciro dominou os Medos e Hircanos, venceu a Síria, Assíria,
Arábia, Capadócia, Ligia, Fenícia, Babilônia, Índia, Chipre, Egito,
conquistou os mais altos montes do Líbano e que seria até prolixo
continuar mencionando, apesar de numerosos súditos na Ásia ainda
havia nações autônomas, mas especificamente na Trácia, na
Lacedemônia e na Ilíria, onde os persas nunca puderam alargar seus
domínios e podemos assim afirmar, que é justamente nessa resistência
que se encontra o nascimento da civilização Ocidental. O próprio
Ocidente passa a ser entendido aqui como um acontecimento especifico
da Antiguidade Clássica, ou seja, um fenômeno surpreendente derivado
de uma reação a expansão imperialista territorial pérsica nos Bálcãs,
mas por algum terrível erro postal, foi entregue aos cristãos.

Capitulo I
O estrutural da construção greco-romana é uma variante do
trílitico produzido na forma de Dólmen na pré-história[1]. Dois pilares
verticais e um na horizontal de pedra. Os romanos vão desenvolver a
técnica da abóbada nervurada em semicírculo para escapar do trílitico
herdado dos gregos e na América os Maias vão encontrar na arquitetura
uma solução através do falso arco e da falsa abóbada, assim como na
Europa o gótico vai encontrar a solução do arcobotante para a coluna
ogival assim também fugindo da concepção estrutural trílitica.
Para nós ocidentais cristãos é difícil situar os valores greco-
romanos sem nos considerarmos herdeiros de sua liberdade, de suas
tradições, de suas instituições e suas leis. Geralmente nos orgulhamos
de pertencer a essa identidade histórica apesar de admitirmos também
que na parte cultural predomina crendices, ocultismos, supersticiosos e
infantis ritos iniciáticos, porém é justamente essa religião primitiva que
vai fixar os elos de parentesco, os limites da ciência (como, o que, para
que e porque), a organização da cidade, vai estabelecer o casamento e a
autoridade paterna e esses valores são mais antigos que os Dóricos e os
Etruscos, remete a uma antiguidade sem data que vaga pelos 7 mares
em busca de um solo para chamar de seu. Como diria Fustel de
Coulanges "Felizmente, o passado nunca morre por completo para o
homem...", apesar de os hinos mais antigos serem os orientais, todavia
as construções de pedra mais antigas são as stonehenges europeias[2]
datando de 6 a 4 milênios antes de Cristo. As representações de
divindades mais antigas catalogadas são as ocidentais como a Vênus de
Capitulo I
Willendorf datando de 23.000 antes de Cristo. A caverna de Pech
Merle[3] é o abrigo decorado artisticamente mais antigo do mundo e é
situada na França. A disposição da caverna, cujas paredes estão pintadas
com bovídeos, cavalos, cervos, cabras selvagens, felinos, entre outros
animais, permite ao historiador desconfiar que se trata de um santuário
onde era oferecido o alimento e o clã era absolvido pela prática da caça.
As investigações levadas a cabo durante os últimos decênios permitem
situar a cronologia das pinturas no final do Solutrense e princípio do
Madalenense, ou seja, 17.000 anos antes de Cristo. Todavia, certos
indícios, tanto temáticos como gráficos levam a pensar que algumas das
figuras podem ser mais recentes, sendo tal hipótese, confirmada por
datações com Carbono 14, em cerca de 15.500 anos antes de Cristo.
Mesmo sabendo que essas datações são suspeitas é bem verdade que os
átomos têm uma vida útil e é possível estabelecer uma proporção em
relação a meia vida da substância usadas como tinta nas paredes das
pinturas rupestres. Quanto a idade das Stonehenges e das esculturas em
pedra acreditamos que seja mais enigmático ainda para acusar uma
proporção de tempo verossímil pelo método do carbono-14. O material
é suspeito porque a pedra pode ter uma data e só mil ou dez mil anos
depois que pode ter sido organizada como construção ou esculpida,
porém os materiais orgânico e inorgânicos soterrados nas suas
proximidades podem levantar suspeitas das datas, sobretudo ao fato de
ser um arquitetura megalítica forçosamente remete a um tempo
histórico onde o homem manipulava apenas as pedras, ou seja a Idade
da Pedra Lascada e as pequenas esculturas de deidades de um passado
mais recente chamado de Pedra Polida, onde o homem já manipulava o
material para a produção de instrumentos que facilitavam seus hábitos
de caça, espiritualidade e defesa.
[1] Termo vago que suscita debate pois tem uma origem
positivista que exalta o papel da escrita na produção do saber e da
verdade na História, todavia realmente dá a entender que eles não
tinham História. O termo pré termina sendo pejorativo se entendido no
sentido de ausente.

[2] http://www.english-
heritage.org.uk/daysout/properties/stonehenge/

[3] www.pechmerle.com

Capitulo I
ATENAS E ESPARTA
Tem um ditado grego que diz, "[...]na última gota, a parcimônia é
tardia" por isso sempre alerta, era o modus operandi do esparciata,
conquistadores das populações vizinhas, dominadores dos messênios, e
dos aqueus, entretanto, a eugenia lacedemônia nunca permitiu uma
mescla genética com os hilotas, talvez tenha existido, mas nunca
sistemático, devido a constante convivência masculina, fortaleceu e era
estimulada as relações homossexuais, que um conceito vigente na época
a respeito do amor, era que o amor verdadeiro só existia entre dois
iguais, e essa supervalorização da amizade, convergia num ponto de
distanciamento familiar, os casais de Esparta praticavam o adultério de
forma legalizada para combater o ciúme exagerado, esse paradigma
aqui delineado justificava o vigor e a robustez do soldado espartano. A
não existência de relatos a respeito de pequenas rebeliões que deveriam
existir dentro desse aparelho repressor, não elimina a hipótese da
existência delas, afinal era uma educação repudiada, inaceitável, ou
então não era tão opressora como os registros falam, mas será se existia
o sentimento de indignação que extrapolasse na forma de recalque
justamente nessa área sexual?
A concentração de terras refletia diretamente na grande parte da
população, que não desfrutava de uma saudável dieta alimentar, a
hiponutrição, tinha como prato predileto: cereais, uma alimentação
pouco variada, essa má alimentação certamente deveria refletir no
peso, em uma baixa estatura, descalcificação dos ossos.
A espada e a enxada faz alegoria ao regime econômico, social e
político, de Esparta, a produção pouco variada, trigo, vinho e azeite,
cereais, a principal fonte de energia era a humana, certa imobilidade
local; ausência de um efetivo comercio, a religião politeísta, uma
desvalorização das relações familiares, menosprezo ao luxo, a cidade-
estado sempre guarnecida de soldados, sempre alerta, vigiar e punir,
vigiar os hilotas, vigiar as crianças, suas imensas capas vermelhas,
refletiam o seu poder.

Capitulo I
O longo contato com o "estado de guerra", deixou idealizado a
figura do soldado impassível, um tipo de guerreiro que nunca recuava,
do combate, mesmo diante de qualquer número de adversários.
A relação de Esparta com os povos conquistados era chamada
"hilotismo", em virtude do escravo e a terra, serem propriedade do
estado, tanto os afazeres domésticos quanto o pagamento de tributo ao
senhor em azeite, trigo, vinho, cereais, eram função dos hilotas.
O aumento populacional, a escassez de comida, a ausência de
contato com o mar, levaram Esparta a declarar a primeira guerra
messênica, com intuito de expandir e escravizar, pelos mesmos motivos
houve a segunda guerra espartana, que dividiu a terra em lotes "iguais"
e escravos igualmente a todos os cidadãos, entretanto costuma-se dizer
que os espartanos eram liberados de preocupações econômicas, nem
tanto, pois se ele administrasse mau a sua propriedade, ele perdia seus
direitos de cidadão, era muito perigoso ter uma numerosa família, até
porque apenas a educação dos dois primeiros filhos eram obrigações do
estado, e se no início eles imaginaram dividir a terra igualmente,
esqueceram que as mulheres "desdividiriam", a herança concentrou
terra na mão das grandes famílias.
As maiores famílias de Esparta eram a dos Ágidas e a dos
Euripôntidas, que era a família dos Reis que cuidavam dos assuntos

Capitulo I
religiosos e militares, composto por famílias rivais e aristocráticas, em
efeito disso é o bom funcionamento da Diarquia.
A outra instituição espartana era a Gerúsia composta por 28
membros acima de 60 anos, concerniam tarefas administrativas,
judiciárias, legislativas
Apela, era composta por cidadãos maiores de 30 anos, tinham
papel consultivo, elegia os Gerontes e os Éforos
O Conselho dos Éforos, composto por 05 membros anualmente
eleitos, podiam vetar todos os projetos, e até destituir reis, permitindo
reeleição infinita.
Os espartanos reduziam os povos conquistados, a servos, e nunca
reservavam meio para que os conquistados, saíssem dessa condição,
evitava-se adoção de costumes, casamentos, leis e associações, apesar
de hilotas em momentos de necessidade lutarem ao lado dos hoplitas, e
as vezes chegarem até a mudança de classe social, poderiam até chegar
ao demos, ou ao corpo dos cidadãos, e os periecos também evitava-se
associações, o casamento era extremamente proibido, mas eles eram
homens livres que tinham que servir obrigatoriamente ao exército
temporariamente.
Os Espartanos transformavam abusos em leis. Uma vez por ano
era declarada guerra aos Hilotas, para diminuírem sua população.
A proibição dos espartanos de possuírem moedas, era reflexo do
medo que os governantes teriam dos cidadãos se envolverem com essa
atividade, afinal os únicos que desfrutavam de um certo conforto em
Esparta eram alguns periecos ligados as atividades comerciais, e mesmo
a proibição do comercio, não impedia o fluxo rápido de arrabaldes, seu
exercício acontecia de maneira hodierna, a proibição visava eliminar o
desejo pela riqueza dos membros da sociedade.
A procura da guerra com frequência levou Esparta a decadência, o
contato com outros povos, asfixiou as leis Licúrgicas, o questionamento,
o próprio olhar de uma condição de vida péssima, porque agora tinham
um referencial, tinham um comparativo, provocou questionamento nos
hábitos e nas instituições.
"Esparta não tem muros; tem soldados.", esse era um popular
ditado espartano, fica fácil repetir esse dizer quando se está numa
planície cerceada de montanhas que formam uma verdadeira muralha
natural. Esparta foi fundada no século nove, e foi ocupada pelos dórios,
na região da lacônia, e servida pelo rio Aurotas, sem saída pro mar,
obviamente sem comercio e sem despesas com navegação.
Falar de Esparta é muito difícil devido à baixa fecundidade, a
repressão a produção cultural, fica difícil analisar os vestígios que essa

Capitulo I
sociedade deixou, fato é que se procurar nos livros, você achara uma
certa sincronia na história espartana, claro foram todas vistas sob o
olhar dos escritores atenienses, até mesmo Licurgo o grande legislador
espartano é colocado em xeque, até que ponto ele é verdade e até que
ponto é mito, ninguém sabe.
Atribui-se a Licurgo, a criação da gerúsia, os kleroi, a divisão de
terras em lotes, o banimento das moedas de ouro e prata, e a proibição
da escrita das leis, a syssitias, a instituição das refeições públicas,
explica como deve ser educada as crianças os jovens e os adultos e ainda
como deveriam ser tratados hilotas e estrangeiros, através das leis de
Licurgo, Esparta foi a primeira cidade da Hélade, por mais de 500 anos
Esparta tirou proveito das leis Licúrgicas, e nenhum dos 14 reis
posteriores alteraram seus preceitos, depois de 130 anos, fora
acrescentada a instituição dos éforos.
Podemos iniciar pensando na limpeza genética, esse costume
espartano, no início do nascimento o menino era totalmente analisado,
se tivesse alguma imperfeição, era eliminado da sociedade, claro, que
ele ser deformado não era o único motivo que não lhe dava o direito de
viver, nem precisava ser deformado qualquer criança indesejada era
atirada as montanhas, pelo fato da maioria dos cidadãos serem pobres,
tinham que pagar impostos, tinha que fazer contribuições a syssitia,
criar um deficiente seria extremamente perigoso, numa sociedade
pragmática, utilitarista como a espartana.
Depois dessa seleção não tão natural, podemos imaginar, as
experiências que as crianças espartanas passavam, nessa ruptura, de
sair da tutela da mãe, para a tutela do estado aos sete anos, entretanto
uma mãe que sempre queria ver seu filho com seu escudo, talvez no
berço os brinquedos já eram mini escudos e a mini lanças.
A divisão entre os fortes e fracos, a formação de acordo com o
desempenho(corrida, lançamento de disco, dardo), que era tão
valorizado, muitas são as estratégias utilizadas com o intuito de
disciplinar, despojá-los dos objetos, com o intuito que despojassem de
de si mesmos, um indivíduo sem identidade é mais fácil de dominar.
Piaget nos fala sobre o estágio operacional-concreto que se inicia
por volta dos sete anos, que começa as noções de vontade e autonomia
e reversibilidade( fazer com os outros o que quero que façam comigo),
é nessa fase que inicia os seus conceitos de justiça, regras, mentira,
moralidade, cooperação, quer dizer, o intervalo temporal perfeito pra
uma lavagem cerebral do Estado total e 'absoluta'(fé cega).
O controle da dor, os indivíduos vivendo ao lado da sua mais fiel
companheira a fome, e o seu mais sincero amigo o cansaço, para mostrar
que o processo de "resistencialismo" é uma virtude.

Capitulo I
Figura I.
Foto atual da antiga Ágora[1]
As fontes mais antigas relatam que no oráculo de Delfos tinha
escrito assim no pátio da entrada "Conhece-te a ti mesmo", ou seja, a
coisa que o oráculo mais estimava era o conhecimento próprio, pois,
desse, viria o pensar sensatamente. Todos conhecem Xenofonte. Era
amigo de Sócrates desde jovem, e também amigo do partido
democrático ateniense, e participou do exílio de Sócrates com ele e
depois repatriou-se também com ele. E certa vez em certo ocasião, de
fato, indo a Delfos, ousou interrogar o oráculo a respeito disso e
perguntou-lhe, pois, se havia alguém mais sábio que Sócrates. Ora, a
pitonisa respondeu que não havia ninguém mais sábio. E a testemunha

Capitulo I
disso era o irmão de Xenofonte, que estava presente na Ágora no dia de
seu julgamento.
"Só sei que nada sei". É a máxima preferida do filosofo abordado
em nosso estudo, foi a sentença que mais repercutiu na sua vida e na
construção do seu saber e da sua dialética como também na civilização
ocidental. Todos os filósofos antes de Sócrates são denominados pré-
socráticos, todavia alguns naturalistas irão morrer até depois de
Sócrates, contudo ele é o primeiro filósofo que nasce e morre em Atenas.
Anaxágoras um de seus professores morou um tempo em Atenas porém
foi expulso na mesma Ágora que Sócrates foi julgado por explicar aos
seus alunos a teoria de que o sol era esfera inanimada de fogo, ou seja
os antecessores de Sócrates estavam ligados a explicação do mundo
físico, as coisas exteriores enquanto o Sócrates se preocupou com as
coisas interiores dos humanos e a mostrar os pontos fracos dos nossos
principais conceitos de saber, justiça, conhecimento, poder e liberdade.
Ao longo da Idade Média os filósofos cristãos fizeram todo um esforço
para unificar a dialética socrática e a filosofia platônica com as
escrituras sagradas.

Atenas está localizada na parte continental do território grego, na


planície da Ática. Esta é limitada pelo monte Aegaleo a oeste, monte
Parnita ao norte, monte Pentélico a nordeste, monte Hímetus a leste, e o
Golfo Sarónico a sudoeste. É percorrida por dois rios, o Cefísio e o Iliso,
e é ladeada por montanhas, entre as quais se destaca o monte Parnaso.

Capitulo I
É submetida a um clima temperado mediterrânico, registrando
temperaturas médias que variam entre 6º e 13ºC em fevereiro e entre
23º e 33ºC em julho.
A terra é rochosa e de baixa fertilidade. O antigo local da cidade
era centrado na colina da Acrópole. Em tempos antigos, o porto de
Pireus era uma cidade à parte, sendo, hoje, parte da grande Atenas.
Por volta de 450 a.C Atenas torna-se a cidade mais importante do
mundo, é como se fosse a Nova Iorque nos dias de hoje. Muitas pessoas
vinham de todas as colônias gregas de todo Mediterrâneo, existiam
grupos de professores itinerantes que se chamavam-se sofistas. A
palavra "sofista" designa uma pessoa sábia ou erudita. Eles iam para
Atenas, para ganhar o seu sustento ensinando os cidadãos retórica.
A cidade atualmente concentra uma população total de cerca de
762 100 habitantes e a área metropolitana reúne mais de 3 milhões
mais precisamente 3 271 100 (2004); quase um terço da população total
da Grécia. Expandiu-se de modo a cobrir toda a planície, sendo,
portanto, pouco provável que a cidade cresça em área de forma
significativa no futuro devido às fronteiras naturais.
O clima da Grécia é dividido dentro de três classes: Um clima
mediterrânico retrata invernos suaves, úmidos e verões quentes, secos.
Temperaturas raramente atingem extremos, embora quedas de neve
ocorram ocasionalmente em Atenas, Cíclades e Creta durante o inverno.
Um clima alpino é encontrado na Grécia do leste (Épiro, Grécia central,
Tessália e oeste da Macedônia) e no Peloponeso central (Acadia, Arcádia
e Lacônia).
Um clima temperado é encontrado no leste da Macedônia, na
Macedônia central e na Trácia, em lugares comoKomotini, Xanthi e
norte de Euros; com invernos frios, úmidos e verões quentes, secos.Os
subúrbios do sul de Atenas estão na zona mediterrânea, enquanto os
subúrbios do norte possuem um clima temperado e úmido devido as
chuvas torrenciais.
Na Grécia a flora e fauna são dominadas por ciprestes dirigido,
álamo branco, abeto, de castanheiro, pinheiro, abeto e oliveiras. 50% da
Grécia é coberta por florestas com uma vegetação variada rica que
transpõe de vegetação conífera alpina ao tipo mediterrâneo. Cultivo e
flores silvestres na Grécia são: anêmona, violetas, tulipas, narcisos e
orquídeas primavera gigantes, todas as espécies típicas da região do
Mediterrâneo, se você ama a natureza aqui estão.
As espécies de aves são 358 em todo o país dois terços dos quais
são migratórias. Os animais selvagens são ursos, gatos selvagens, javalis,
esquilos marrom, raposas, veados , chacais e lobos, um muito raro cabra
de montanha branca é na área de Samaria Gorge .

Capitulo I
Entre as aves de rapina são águia dourada e imperial e várias
espécies de gaviões. Outras aves nativas são a coruja, pelicano, faisão,
Woodcock e o rouxinol.
A vida marinha é composta por lagosta, lula, polvo, camarão,
caranguejo, ostras, mexilhões, berbigões e também golfinhos.
Em uma viagem eco-turistica é possível fotografar todas as
variedades de flora e fauna em Creta com espécies selvagens incontáveis
em seus campos e inverno com espécies que estação. E além das espécies
de aves nativas também tem as que passam pela Grécia quando viajam
da África para a Europa e vice-versa .
[1] https://www.flickr.com/photos/jonezes/143440670

Capitulo I
A PRAÇA

MAPA ESQUEMÁTICO DAS PRINCIPAIS CONSTRUÇÕES DA PRAÇA NO SÉCULO IV A.C

1 Peristyle Court
2 Mint
3 Enneacrounos
4 Stoa Sul
5 Heliaea
6 Strategeion
7 Colonos Agoraios
8 Tholos
9 Agora
10 Monumento aos heróis

Capitulo II
epônimos
11 Velho Bouleteyon
12 Novo Bouleteyon
13 Templo de Hefestos (Hephaestion)
14 Templo de Apolo
15 Stoa de Zeus
16 Altar dos 12 heróis
17 Royal stoa
18 Templo de Afrodite
19 Stoa de Hermes
20 Pórtico Pintado
"Em Atenas desenvolvia-se progressivamente uma democracia
com assembléias populares e tribunais. Uma das condições para a
instauração da democracia exigia que os homens recebessem instrução
suficiente para poderem participar na vida política. Também nos dias
de hoje vemos que uma jovem democracia precisa do esclarecimento
popular. Entre os atenienses isso significava, sobretudo dominar a
retórica." (GAARDNER)

Capitulo II
Figura IV.Ruínas da cidade antiga.

Figura V.. Reconstrução volumetrica da praça antiga

Capitulo II
SÓCRATES
Nietzsche diz que todo o filosofar é restringido
a uma aparência de erudição, politicamente e
policialmente corretos, por governos, por Igrejas,
por academias, por costumes, por modas e pelas
covardias dos homens: fica-se pelo suspiro "se" ou
pela constatação "era uma vez". Assim, ele mesmo diz
: "A filosofia grega parece começar com uma idéia
absurda, com a proposição: a água é a origem e a
matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário
deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro
lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas;
em segundo lugar, porque faz sem imagem e fabulação; e enfim, em
terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está
contido o pensamento: "Tudo é um". A razão citada em primeiro lugar
deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a
segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da
natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo
grego- Se tivesse dito: "Da água provém a terra", teríamos apenas uma
hipótese científica, falsa, mas dificilmente refutável. Mas ele foi além do
científico. Ao expor essa representação de unidade através da hipótese
da água, Tales não superou o estágio inferior das noções físicas da época,
mas, no máximo, saltou por sobre ele. As parcas e desordenadas
observações da natureza empírica que Tales havia feito sobre a
presença e as transformações da água ou, mais exatamente, do úmido,
seriam o que menos permitiria ou mesmo aconselharia tão monstruosa
generalização; o que o impeliu a esta foi um postulado metafísico, uma
crença que tem sua origem em uma intuição mística e que encontramos
em todos os filósofos, ao lado dos esforços sempre renovados para
exprimi-Ia melhor - a proposição: "Tudo é um"."( NIETZSCHE,2006)
Heráclito interpreta assim o que se chama frio apenas como um
grau do quente; e pôde justificar esta interpretação sem dificuldade
alguma. Mas muito mais importante do que este afastamento da
doutrina de Anaximandro é uma outra coincidência: ele acredita, como
este último, num colapso do mundo, que se repete periodicamente, e no
surgimento sempre novo de um outro mundo, nascido da conflagração
cósmica que tudo aniquila ou seja, que tudo é dinâmico ele costumava
dizer que é impossível um homem se banhar duas vezes no mesmo rio.
Já o filosofo Parmênides de Eleia divulgava em suas aulas que nada de
novo havia sob sol, que todos os dias eram a mesma coisa. Ele apontava

Capitulo III
para um imobilismo da Natureza, pois todos os dias o Sol nasce e se põe
e os rios deságuam no mar. Ele achava tudo estático. Sócrates foi aluno
dele e concordava com essa visão estática da realidade.
É provável que tenhamos perdido a parte mais grandiosa do
pensamento socrático e da sua expressão em palavras e, no entanto, é
dos acasos mais miseráveis, de obscurecimentos repentinos das
cabeças, de convulsões supersticiosas e de antipatias, e, em' última
análise, também dos dedos de escribas preguiçosos ou até dos insetos e
da chuva, que depende se qualquer livro vai viver mais um século ou se
ele vai perecer e cair no esquecimento absoluto.

Capitulo III
A FILOSOFIA NAS PRAÇAS
Sócrates (470-399 a.C.) é uma personagem bem enigmático,
nasceu em Atenas e lá exerceu toda sua atividade filosófica, nunca
escreveu nada e muitos cogitam que ele seja apenas uma figura retórica
inventada por Platão, ou seja afirmam que ele nunca tenha existido
historicamente e que Platão coloca palavras na boca de Sócrates, porém
diversas orientações filosóficas reivindicam não só sua existência como
também se consideram seus sucessores. É óbvio que é bem suspeito que
só dois de seus contemporâneos façam alusão a sua pessoa, todavia é a
maneira relatada por Platão e Xenofonte que fez Sócrates ser quem ele
é para nós. Aristófanes também faz alusão a um certo Sócrates na sua
dramaturgia, ele apresenta o filosofo como uma figura cômica que
andava sobre as nuvens com um cesto e usava da retórica para enrolar
seus credores.

Sócrates era filho do escultor Sofroniscos, do demo de Alopece, e


de Fenereta que trabalhava como parteira em Atenas e ele tinha o
costume de comparar a tarefa do filósofo a da sua mãe, só que ao invés
de parir uma criança o que era parido era o conhecimento interior, ele
julgava que todos homens eram dotados de razão e que se eles não
escutassem essa voz interior eles se distanciariam da essência das
coisas, a verdade, a justiça, a sabedoria. Dessa maneira ele forçava as
pessoas a refletirem sobre suas ações, sobre seus costumes e sobre as
crenças gerais. Porém esse saber é associado a uma dor porque em
termos gerais ninguém gosta de estudar, nem de conhecer a si mesmo,
nem de aprender nada, elas fazem tudo isso a força. Porém por não
saber de nada, e ainda causar dor nas pessoas, Sócrates considerava

Capitulo IV
impossível ser remunerado para ensinar essa instrução a alguém, de
modo que seus adversários políticos o acusavam de não cobrar pelos
seus ensinamentos para assim atrair mais alunos.
Há uma necessidade férrea que acorrenta as praças publicas a
uma democracia autêntica: mas o que acontece quando nesta civilização
não existe praças? Então, a democracia é como um cometa imprevisível
e assustador, ao passo que, numa boa ocorrência, brilha como o astro-
rei no sistema solar da civilização. Os Gregos justificam a praça, porque
esta, junto deles, não é nenhum cometa, ela tem função judiciária,
legislativa, executiva, comercial, pedagógica, ela é um espaço aberto
onde tudo acontece. Os gregos muitas e muitas lutaram pela sua própria
liberdade tramando planos contra o inimigo nas praças. Sócrates lutou
contra os persas, lutou no Peloponeso e sempre demonstrou bravura
diante dos problemas políticos contemporâneos a ele. Mas, desde
Platão, o filósofo se encontra no exílio, solitário e conspira contra sua
própria pátria, vendido e reduzido a condição de escravo e longe das
multidões e do diálogo com seus compatriotas na praça pública.
Friedrich Nietzsche[1] é o filósofo do século XIX que mais se
inquietou pela imagem intelectual de Sócrates, desse modo ele afirma
que os grandes sábios são tipos decadentes, ele reconhece em Sócrates
e Platão um sintomas de declínio da cultura, como se a moral grega
estivesse dando sinais de decomposição, ele encara Sócrates como um
falso grego, ou como antigrego, porque é incondizente com a imagem do
herói homérico, que é desnutrido de qualquer dimensão ética ou valor
moral que perturbe sua consciência. Em crepúsculo do Ídolos ele
disserta como Sócrates penetrou no pensamento da nobreza ateniense:
"Segundo sua origem, Sócrates pertence à camada mais baixa do
povo. Sócrates era plebe. Sabe-se, ainda se pode até mesmo ver, quão
feio ele era. Mas a feiura, em si uma objeção, é entre os gregos quase uma
refutação. Sócrates era afinal de contas um grego? Muito
frequentemente, a feiura é a expressão de um desenvolvimento cruzado,
emperrado pelo cruzamento. Em outros casos, ela aparece como
desenvolvimento decadente. Os antropólogos dentre os criminalistas
dizem-nos que o criminoso típico é feio: monstrum infronte, monstrum
in animo. Mas o criminoso é um décadent. Sócrates era um típico
criminoso? Ao menos não o contradiz aquele famoso juízo-fisionômico
que soava tão escandaloso aos amigos de Sócrates. Um estrangeiro, que
entendia de rostos, disse certa vez na cara de Sócrates, ao passar por
Atenas, que ele era um monstro e escondia todos os vícios e desejos
ruins em si. E Sócrates respondeu simplesmente: "Vós me conheceis,
meu Senhor!"
"Foi a mim mesmo que eu procurei e investiguei", dizia ele de si
próprio, com uma palavra com que se designa a decifração de um

Capitulo IV
oráculo: como se ele, e mais ninguém, fosse o verdadeiro realizador e
cumpridor do preceito de Delfos: "Conhece-te a ti
mesmo".(NIETZSCHE,1944). O racionalismo desenvolvido na Grécia
para o Niesztche faz parte de uma decadência da moral. Segundo ele,
Sócrates se utiliza do tribunal para seduzir, para enganar, para arrasar
a nobreza ateniense e levar a Grécia ao desespero. O forte do nobre é o
sentimento, nunca a razão. Não é mais possível comparar a moral grega
das epopeias homéricas com a moral que vem a substituir a Grécia e atá-
la a preceitos morais comuns, de homens comuns. Para Nietzsche está é
uma situação tirânica de indigência do coletivo para supervalorização
do pensamento próprio, que para ele é uma forma de pensar fraca,
doentia e degenerescente. Nietzsche condena a noção que se encontra
na cultura grega clássica, que explica tudo sob a luz racional. Assim, para
esse filósofo a razão é considerada uma patologia a ser tratada, pois seu
estatuto de verdade leva a um falso bem estar. A verdade, para
Nietzsche, está além das concepções humanas de virtude e de
entendimento da razão. Para Nietzsche, a verdade e a falsidade não mais
existem, o que existe é a vontade de potência do homem ser alguma
coisa a mais que um simples homem, ou como ele chama supra-humano.
[1] Friedrich Wilhelm Nietzsche ( 1844-1900 ) nasceu em Rocken,
localidade próxima de Leipzig, Prússia, no dia 15 de outubro. Seu pai e
seus avôs eram pastores protestantes. Nietzsche teve muito desse
espírito religioso durante a infância, e cogitava continuar a linhagem.
Sua mãe era piedosa e puritana. Em 1849 perdeu o pai e o irmão. Mudou-
se então para Naumburg, cidade às margens do rio Saale, onde cresceu,
em companhia feminina: a mãe, a irmã, duas tias e a avó.

Capitulo IV
O JULGAMENTO DE
SÓCRATES
Outros povos têm santos, os Gregos têm sábios. Disse-se, com
razão, que um povo não é só caracterizado pelos seus grandes homens,
mas sobretudo pela maneira de os condenar e de os julgar. A acusação
de Sócrates nasce de uma calúnia proferida por Meleto, Anito e Licon:
Meleto pelos poetas, Anito pelos artífices, Licon pelo oradores. Era
costume da democracia grega pregar acusações escritas contra as
pessoas no fórum grego e o caso era julgado em praça pública, onde
compareciam o cidadãos em número não inferior a mil vestindo túnicas
purpúreas e lá eles decidiriam o futuro da acusação. Democraticamente
eles decidiam pela absolvição ou pela acusação. Certa vez, na praça da
cidade de Éfesio "eles que a Hermodoro, o melhor homem deles e o de
mais valor, expulsaram dizendo: que entre nós ninguém seja o mais
valoroso, senão que vá alhures e com os outros."( XIV, 25, p. 642;
DIÓGENES LAÉRCIO, IX, 2) Ou seja a democracia abria muita margem
para acusações inescrupulosas e vis.
"Sócrates comete crime e perde a sua obra, investigando as coisas
terrenas e celestes, e tornando mais forte a razão mais débil, e
ensinando isso aos outros. Pena: a morte" (XENOFONTE)
Em sua defesa Sócrates diz:
"Na realidade, nada disso é verdadeiro, e , se tendes ouvido de
alguém que instruo e ganho dinheiro com isso, não é verdade. Embora,
em realidade, isso me pareça bela coisa: que alguém seja capaz de
instruir os homens, como Górgias Leontino, Pródico de Coo, e Hípias de
Élide. Porquanto, cada um desses, ó cidadãos, passando de cidade em
cidade, é capaz de persuadir os jovens, os quais poderiam conversar
gratuitamente com todos os cidadãos que quisessem; Mas aqui há outro
erudito de Paros, o qual eu soube que veio para junto de nós, porque
encontrei por acaso um que despendeu com os sofistas mais dinheiro
que todos os outros juntos, Cálias de Hipônico.tem dois filhos e eu o
interroguei: - Cálias, se os teus filhinhos fossem poldrinhos ou bezerros,
deveríamos escolher e pagar para eles um guardião, o qual os deveria
aperfeiçoar nas suas qualidades inerentes:seria uma pessoa que
entendesse de cavalos e de agricultura. Mas,como são homens, qual é o
mestre que deves tomar para eles? Qual é o que sabe ensinar tais
virtudes, a humana e a civil? Creio bem que tens pensador nisso uma vez
que tem dois filhos. Haverá alguém ou não ? -Certamente! - responde. E
eu pergunto: - Quem é, de onde e porquanto ensina? Eveno, respondeu,
de Paros, por cinco minas. - E eu acreditaria Eveno muito feliz, se
verdadeiramente possui essa arte e a ensina com tal garbo. Mas o que é

Capitulo V
certo é que também eu me sentiria altivo e orgulhoso, se soubesse tais
coisas; entretanto, o fato é,cidadãos atenienses, que não sei.
Ouvi-me. Talvez possa parecer a algum de vós que eu esteja
gracejando; entretanto, sabei-o bem, eu vos direi toda a verdade.Porque
eu, cidadãos atenienses, se conquistei esse nome, foi por alguma
sabedoria. Que sabedoria é essa? Aquela que é, talvez propriamente, a
sabedoria humana."
[..]
Sei bem que não sou sábio, nem muito nem pouco: o que quer
dizer, pois, afirmando que sou o mais sábio? Certo não mente, não é
possível. E fiquei por muito tempo em dúvida sobre o que pudesse dizer;
depois de grande fadiga resolvi buscar a significação do seguinte modo:
Fui a um daqueles detentores da sabedoria, com a intenção de refutar,
por meio dele, sem dúvida, o oráculo, e, com tais provas, opor-lhe a
minha resposta: Este é mais sábio que eu, enquanto tu dizias que eu sou
o mais sábio. Examinando esse tal: - não importa o nome, mas era,
cidadãos atenienses, um dos políticos, este de quem eu experimentava
essa impressão. - e falando com ele, afigurou-se-me que esse homem
parecia sábio a muitos outros e principalmente a si mesmo, mas não era
sábio. Procurei demonstrar-lhe que ele parecia sábio sem o ser. Daí me
veio o ódio dele e de muitos dos presentes. Então, pus-me a considerar,
de mim para mim, que eu sou mais sábio do que esse homem, pois que,
ao contrário, nenhum de nós sabe nada de belo e bom, mas aquele
homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como
não si nada, também estou certo de não saber.
Parece, pois, que eu seja mais sábio do que ele, nisso - ainda que
seja pouca coisa: não acredito saber aquilo que não sei.
[..]
Depois desse, fui a outro daqueles que possuem ainda mais
sabedoria que esse, e me pareceu que todos são a mesma coisa. Daí veio
o ódio também deste e de muitos outros.
Depois dos políticos, fui aos poetas trágicos, e, dos ditirâmbicos fui
aos outros, convencido de que, entre esses, eu seria de fato apanhado
como mais ignorante do que eles. Tomando, pois, os seus poemas,
dentre os que me pareciam os mais bem feitos, eu lhes perguntava o que
queriam dizer, para aprender também alguma coisa com eles.
Em poucas palavras direi ainda, em relação aos trágicos, que não
faziam por sabedoria aquilo que faziam, mas por certa natural
inclinação, e intuição, assim como os adivinhos e os vates; e em verdade,
embora digam muitas e belas coisas, não sabem nada daquilo que dizem.
[...]

Capitulo V
E, ocupado em tal investigação, não tenho tido tempo de fazer
nada de nada de apreciável, nem nos negócios públicos, nem nos
privados, mas encontro-me em extrema pobreza, por causa do serviço
do deus.
Além disso, os jovens ociosos, os filhos dos ricos, seguindo-me
espontaneamente, gostam de ouvir-me examinar os homens, e muitas
vezes me imitam, por sua própria conta, e empreendem examinar os
outros; e então, encontram grande quantidade daqueles que acreditam
saber alguma coisa, mas, pouco ou nada sabem. Daí, aqueles que são
examinados por eles encolerizam-se comigo assim como com eles, e
dizem que há um tal Sócrates, perfidíssimo, que corrompe os jovens. E
quando alguém os pergunta o que é que ele faz e ensina, não tem nada o
que dizer, pois ignoram. Para não parecerem embaraçados, dizem
aquela acusação comum, a qual é movida a todos os filósofos: que ensina
as coisas celestes e terrenas, a não acreditar nos deuses, e a tornar mais
forte a razão mais débil. Sim, porque não querem, ao meu ver, dizer a
verdade, isto é, que descobriram a presunção de seu saber, quando não
sabem nada. Assim, penso, sendo eles ambiciosos e resolutos e em
grande número, e falando de mim concordemente e persuasivamente,
vos encheram os ouvidos caluniando-me de há muito tempo e com
persistência.
[...]
Sabei-o bem: se me condenais a morrer, a mim que sou tal como
eu digo, não causareis maior dano a mim que vós mesmos. E, de fato,
nem Meleto, nem Anito me poderiam fazer mal em coisa em alguma: isso
jamais seria possível, pois que não pode acontecer que um homem
melhor receba dano de um pior.
É possível que me mandem matar, ou me exilem, ou me tolham os
direitos civis; mas provavelmente, eles ou quaisquer outros reputam
tais coisas como grandes males, ao passo que eu não considero assim, e,
ao contrário considero muito maior mal fazer o que agora eles estão
fazendo, procurando matar injustamente um homem.
[...]
Mas também vós, ó juízes, deveis ter boa esperança em relação à
morte, e considerar esta única verdade: que não é possível haver algum
mal para um homem de bem, nem durante sua vida, nem depois da
morte, que os deuses não se interessam do que a ele concerne; e que, por
isso mesmo, o que hoje aconteceu, no que a mim concerne, não é devido
ao acaso, mas é a prova de que para mim era melhor morrer agora e ser
libertado das coisas deste mundo. Eis também a razão por que a divina
voz não me dissuadiu, e por que, de minha parte, não estou zangado com
aqueles cujos votos me condenaram, nem contra meus acusadores.

Capitulo V
Não foi com esse pensamento, entretanto, que eles votaram contra
mim, que me acusaram, pois acreditavam causar-me um mal. Por isto é
justo que sejam censurados. Mas tudo o que lhes peço é o seguinte:
Quando os meus filhinhos ficarem adultos, puni-os, é cidadãos,
atormentai-os do mesmo modo que eu os vos atormentei, quando vos
parecer que eles cuidam mais das riquezas ou de outras coisas do que
da virtude. E ,se acreditarem ser qualquer coisa não sendo nada,
reprovai-os, como eu a vós: não vos preocupeis com aquilo que não lhes
é devido.
E, se fizerdes isso, terei de vós o que é justo, eu e os meus filhos.
Mas, já é hora de irmos: eu para a morte, e vós para viverdes. Mas, quem
vai para melhor sorte, isso é segredo, exceto para deus. (PLATÃO)
Aqui nos fichamos os três momentos do julgamento. A acusação, a
defesa e a penalidade. Na defesa Sócrates refuta a dupla injuria de
maneira áspera pois a sua conduta já demonstra por si só que o
acusador é leviano, pois nunca adorou nenhum Deus novo e nem
corrompeu ninguém da juventude. Quanto a penalidade ele também dá
pouca importância por saber que já é velho mesmo e todos vão ter que
morrer um dia, então para ele isso não faz diferença alguma, ele até
mesmo diz que se ele ainda estivesse na política seguramente ele estaria
morto, pois ele desobedeceu ordens expressas dos 30 tiranos que
consistia em obriga-lo a se afastar da docência sob pena de morte. Se o
governo não tivesse sido derrubado naquela mesma noite por Trasibulo
realmente ele teria sido morto antes, pois ele já estava sofrendo
perseguições. E na sua defesa ele também relata outro escândalo
político que se sucedeu quando ele era senador ele aprovou que alguns
capitães arremessassem os corpos de soldados mortos no mar para
volver para a luta contar os espartanos. O que também feriu bastante
sua reputação atraindo muita antipatia dos demos que ele prejudicou,
porém eles venceram a batalha justamente por essa enérgica medida.

Capitulo V
A CONTRIBUIÇÃO
CLÁSSICA PARA
ARQUITETURA
Na América também temos cavernas decoradas com pinturas
rupestres que datam de 50.000[1] anos antes de Cristo. O que coloca
uma dúvida sobre a teoria de Clóvis que sugere uma rota de imigração
pelo estreito de Bering onde é afirmado que se deu há 11.500 anos a.C,
ou seja no último episódio glacial da Terra que unificou o atual oeste da
Sibéria com o atual leste do Alasca e assim o continente teria sido
ocupado pioneiramente do Norte para o Sul.
A maior pista sobre a origem da ocupação da América é em relação
a semelhança físicas e culturais entre os nativos americanos que
realmente são muito próxima dos aborígenes da Oceania e do cita-
mongóis, olhos puxados, cabelo preto, pele avermelhada, sem barba,
dominavam o uso da cerâmica, o uso do trílitico na habitação, politeístas
com ritual de sacrifícios humanos. Monte Verde é um sítio arqueológico
na área sul-central do Chile que data de 14.800 anos[2]. Mario Pino
geólogo chileno propõe uma rota marítima em pequenas canoas com
grupos aventureiros que vieram formar populações de ilhas em ilhas e
chegaram na costa chilena pelo Pacífico vindos da Oceania.
O estudo sobre a ocupação da América depende de achados
arqueológicos e de incentivo aos pesquisadores. Desconfiamos que
houve ao menos três grande ondas imigratórias com fluxos separados:
as mais recentes saíram três grandes levas a força da Ásia e foram pelo
Pacífico composta por alguns povos tártaros sedentários que conheciam
o modo de produção escravista, a arquitetura do zigurate, o estado, o
calendário, fundição de metais preciosos para ornamentação,
conheciam a monocultura mas não haviam ainda domesticado os
cavalos, nem conheciam a pólvora, nem usavam metais como moeda de
troca mas produtos agrícolas e alguns sabiam a escrita quipu, outros a
pictográfica e outros a hieroglífica e foram se estabelecendo na América
do Sul, Central e no Norte do atual México entre o 2000 e 5000 a.C[3], a
gradação de representatividade da escrita também pode revelar a
respectiva ordem de chegada, desconfiamos que a tradição de enviar
barcos com mulheres e homens para sacrifícios em templos de ilhas
Aleutas e Curilas distantes que por ventura algumas dezenas de
embarcações tenham sido desviadas pelos ventos e trazidas para
América e assim estabeleceram uma nova vida mas mantendo seus
antigos costumes e tradições e sem o desejo de retorno, nem de
vingança.

Capitulo VI
A outra bem mais antiga fora feita centenas ou milhares de vezes
seguindo o voo dos pássaros por grupos nômades da polinésia
compostos por caçadores coletores não-ceramistas e depois por
ceramistas que atravessaram os Andes no Paleolítico Médio entre
100.000 e 20.000 a.C e deram origem aos povos sambaquis[4] e
guaranys que ocuparam o atual litoral brasileiro até o Nordeste e não
domesticavam animais,mas faziam amplo uso da cestaria, do sistema
estrutural trilitico em madeira (tapera,taba,opy e maloca[5]) além da
agricultura de subsistência, rituais funerários, tatuagens e pinturas
corporais. Suspeitamos que com a subida dos mares e o sumiço de
algumas ilhas e com a curiosidade de povos nômades em adentrarem
território tão vasto, os elos com suas ilhas de origem foram perdidos ou
tornaram-se desinteressantes.
E outra intermediária de dezenas de povos seminômades
transiberianos que foram empurrados a pé pelo gelo das estepes e
acabaram atravessando o estreito de Bering entre 18.000 e 10.000 a.C e
formaram os povos esquimós que dominavam o uso do ferro, a caça, a
arquitetura do iglu, domesticavam animais e se estabeleceram na
América do Norte do Canadá até a Groelândia e não há indícios de que
houve contato entre esses três fluxos, mas para todos as três correntes
de ocupação não haveria mais interesse em retorno a terra natal. Como
também os esquimós não podem ter ido colonizando a América do norte
e central e do sul pois em tese eles não tinham a tecnologia da escrita,
nem conheciam o modo de produção escravista e muito menos
poderiam desenvolver essas necessidades no seu ambiente para poder
levar para outros cantos.
O problema teórico que está posto é que existem três civilizações
que obtiveram sucesso na colonização em três partes diferentes do
continente com diferentes tecnologias e uma aparência física comum e
hábitos culturais comuns e que se desenvolveram isoladamente sem
haver contato entre elas.
As similaridades quanto aos rituais pós morte e a crença no
politeísmo entre os Grécia arcaica e os nativos ameríndios denunciam
que existe um elo comum que seria o ancestral indo-europeu. O hábito
do uso da cerâmica em rituais funerários bem como a necessidade de
enterrar os instrumentos, roupas, comida junto ao proprietário
confirmam para ambos a suspeita de a alma tem uma moradia
subterrânea como também estavam persuadidos de que sem seus
pertences em seu túmulo o finado tornar-se-ia infeliz e perverso
passando a perturbar o mundo dos vivos.
Óbvio que existe uma distância de milhares de anos entre esses
ancestrais e um desenvolvimento tecnológico totalmente particular. O
clima tropical da Oceania e da América permitia alguns privilégios no

Capitulo VI
que tange a disposição de comida bem diferente do Mediterrâneo. A
própria sedentarização do homem no Ganges, no Amarelo e no Eufrates
nasce[6] da inquietude de uma organização que garanta a produção de
grãos para alimentar grandes populações que não podem ficar se
deslocando o tempo inteiro. Devemos considerar que é muito difícil
estabelecer vínculos sociais onde garanta mais privilégios para uns e
menos para os outros se não houvesse interesses de defesa comum que
vão fazer algumas pessoas abrirem mão de sua liberdade para conceder
parte dos recursos de seus campos e de sua energia para alimentar as
guardas regulares ou mesmo exércitos de mercenários para fazer
cumprir suas regras comuns e suas tarifas. Alguns mecanismos vão
surgir para interpretar até onde vai a razão individual e a razão
confederativa tendo a família patriarcal como principal subsidiaria
dessa identidade fraterna e a religião como principal mecanismo para
relativizar as contradições sociais.
Pelas ruínas que sobraram podemos dizer que a natureza da
arquitetura antiga nas cidades pagã vão da estrutura trilitica de
madeira e pedra a estrutura piramidal radial ou polida. Onde essa torre
central tinha função domicilio santuário, comercial e de celeiro para
regular as tarifas exigidas em cima da produção de grãos e de reuniões
militares e políticas dos lideres das fratrias ou tribos que faziam parte
da unidade social que tinha idealizado e deliberado anteriormente em
comum acordo para se unirem e construírem seus templos, seus fóruns,
seus circos, suas termas,suas praças e suas residências palacianas em
específicos locais. Não é admissível que a cidade antiga fosse se
desenvolvendo lentamente em torno da Igreja como acontecia na idade
Média nem que as cidades fossem crescendo irregularmente como
acontece nos dias de hoje. O homem antigo é vinculado ao seus
antepassados e ao solo onde eles foram enterrados portando sendo uma
maldição abandonar sua terra patruum. A história da fundação de Roma
a título de exemplo foi construída de uma vez em 753 a.C no monte
Palatino por Rômulo e inaugurada com grande cerimônia[7] religiosa
enquanto na planície já era zoneada para receber os feirantes, os
viajantes, os imigrantes e quem quisesse se instalar ao acaso nos
arrabaldes de Roma.

Capitulo VI
Heródoto qualifica como loucura o fato dos lacedemônios terem
fundado Esparta sem consultar o Oráculo de Delfos, é tanto que existem
vários calendários gregos: o das leis licurgicas válido em Esparta e o
calendário da data da primeira Olimpíada em 776 a.C e cada cidade
contava da data da sua fundação. Era um sacrilégio os moradores de
uma cidade não saberem seu mito de fundação mesmo as cidades que
eram invadidas ou colonizadas era exigido que ela fosse santificada em
algum ritual, não podemos imaginar cidades dessacralizadas na
antiguidade.
"Todos sabem que Rômulo era adorado, que tinha templo e
sacerdotes. Os senadores puderam matá-lo mas não puderam privá-lo
de um culto ao qual tinha direito como fundador. Cada cidade adorava
do mesmo modo aquele que a havia fundado: Cécrops e Teseu,
considerados como sucessivos fundadores de Atenas, tinham seus
templos na cidade. Abdera oferecia sacrifícios a seu fundador Timésios,
Tera a Teras, Delos a Ânios, Cirene a Batos, Mileto a Neléia, Anfípolis a
Hagnon. Nos tempos de Pisístrato, Milcíades fundou uma colônia no
Quersoneso da Trácia; essa colônia instituiu-lhe um culto depois de sua
morte, “de acordo com o costume”. Hierão de Siracusa, fundador da
cidade de Etna, recebeu ali depois “o culto dos fundadores.”
(COULANGES, 1961 )
Por isso podemos dizer que era costume de todas as cidades
cultuar a memória da sua fundação, seus deuses protetores, comemorar
seu natalício, saber sua genealogia, conhecer seus hinos, seus heróis,
relatar os principais fatos que aconteceram no decorrer de sua história.
Capitulo VI
A ligação dos habitantes com a cidade era muito íntima. A casa romana
ou grega funcionava como uma extensão da cidade.

Reconstruction of an Ancient Roman Library, Roma, Italy

"Assim, de Hipócrates a Vitrúvio, passando por Aristóteles,


considera-se que a orientação correta das construções constitui um
fator decisivo da salubridade da cidade e da boa saúde dos habitantes.
Tal aspecto das relações entre o público e o privado intervém, assim,
desde o primeiro instante da história da cidade, no momento em que se
concebe a planta do conjunto. Também é interessante ressaltar que as
necessidades individuais pesam cada vez mais sobre as considerações
dos que se preocupam com urbanismo: Aristóteles se interessa ainda
essencialmente pelas construções coletivas; Vitrúvio engloba em sua
reflexão todos os elementos que compõem a cidade e se debruça sobre
os problemas próprios da arquitetura doméstica."(ARIES)
A articulação que existe entre a parte pública e a privada é da
medida que uma penetra na outra sem haver muitas distâncias. Pelo
viés da arquitetura doméstica chama-se a casa da família patrícia de

Capitulo VI
domus ou seja é um domínio particular e sagrado composto por um
peristilo, que é um pátio rodeado de colunas que se interligam através
do atrium composto por triclinium, tabernae, as termas, área de
serviços e as cubiculas do domicilio.
O triclinium é a sala de refeições, usada para festividades e
banquetes, a tabernae é a parte dianteira aporticada onde funcionam as
lojas e oficinas. No átrio dava acesso ao tablinium que era onde o
dominus recepcionava diariamente seus clientes e também decorava
com as imagens dos seus antepassados. De um modo geral o ingresso a
todos os cômodos era feito pelo átrio central e seus corredores que
contava com um compluvium ou seja, uma cisterna com uma fonte que
captava a água da chuva e luz azimutal para beber e preparar as
refeições. Nos fundos das residências contava com herbolários(hortus)
com ervas e arvores frutíferas, as termas eram interligadas ao átrio
assim como o vestíbulo

As paredes e o teto da parte pública por vezes eram decorados


com afrescos. O cubiculo do domus era os aposentos onde os nobres
dormiam e descansavam, onde eles alojavam seus filhos e hospedes, por
isso era um dos itens que mais se repetia no programa de necessidades,
eles não tinham abertura para rua para não entrar barulho, as vezes não
continha janelas para não esfriar o cubículo O chão normalmente era
pavimentado com tijolos de terracota, mosaicos ou mármore,
dependendo da utilidade de cada ambiente. A área de serviço era onde
estava a cozinha e as senzalas que funcionavam como o espaço de
descanso reservado aos escravos domésticos e das oficinas. Algumas

Capitulo VI
casas vão contar com bibliotecas,e diaetas um espaço destinado a
divertir os convidados e até coisas mais suntuosas e extravagantes.

A principal fonte que temos de arquitetura antiga são os dez livros


de Vitruvio sobre arquitetura que ele postula três princípios para a
construção da edificação Utilitas,Firmitas,Venustas[8]. Ele vai dissertar
sobre os conhecimentos necessários à formação do arquiteto, dos
materiais e da arte da construção, separa os edifícios em públicos,
religiosos e privados. Fala sobre o acabamento, hidráulica, calculo
gnomônico e mecânica. O conceito de beleza como associado a estética,
Capitulo VI
as justas medidas, a simetria, proporcionalidade, harmonia das formas.
Firmitas se relaciona a parte estrutural da obra que ele toma como
referência o trilítero e os métodos para construção de equipamentos
que dinamizem o trabalho de construção e o transporte de materiais.
Utilitas trata-se das conveniências profissionais do dono, e da função, se
é para dormir, para trabalhar, para fazer comida, para lazer ou para
eventos sociais.
[1] Segundo a pesquisadora Niede Guidon a América teria sido
ocupada a 100 mil anos atrás por africanos que vinha pelo Atlântico de
ilha em ilha pois o mar estava 120 metros mais baixo e haviam muitas
ilhas entre os continentes.VIde:. www.fumdham.org.br- Site do Parque
Nacional Serra da Capivara

[2] http://whc.unesco.org/en/tentativelists/1873/

[3] O calendário Maia inicia em 3114 a.C.

[4] A teoria de ocupação da professora Niede Guidon diz que o mar


estava mais baixo na altura de 120 metros, então no Pacífico deveria
haver mais ilhas ainda entre Oceania e América. Porém os traços físicos
e culturais encontrados aqui na América não favorece a sua teoria de
que houve uma onda migratório da África para América pelo Atlântico.

[5] Tanto a oca do tupi guarani de planta semicircular quanto o


iglu do esquimó vão ser concepções arquitetônicas que fogem da lógica
do trílitico imposta pela tradição construtiva pré histórica. Ou seja,os
colonizadores da América forçosamente vão ter um ancestral comum
que produzia habitações em um formato semi esférico se utilizando dos
materiais disponíveis na região. Os mongóis constroem habitações nas
quais dormem sobre uma armação circular de varas entrelaçadas
convergindo para arcos que vão se estreitando até formar uma meia
lua(yurte). No topo do iglu ele fazem uma chaminé para manutenção do
ar quente dentro da residência, na oca também tem um protótipo de
chaminé para saída da fumaça da fogueira que fica dentro da tenda. Ou
seja nos últimos 100 mil anos os povos nômades indo-europeus que
conheciam o trílitico de madeira foram colonizando da Polinésia ao sul
da América até depois dos Andes, depois foram para a Indochina e
depois o leste chinês até imigrar para Mongólia e se aclimatarem pela
Sibéria, desenvolveram o iglu e entre 50 a 80 mil anos atravessaram
para o Norte da América pelo Alasca trazendo o sistema trilitico bem

Capitulo VI
como sua variante oval. Essa sendo a marca autêntica e vestígio
indubitável de ancestralidade de milênios mais remotos.

[6] Há indícios pela presença das stonehenges que as primeiras


cidades datam de 40 mil anos, na Europa e havia imensos clãs do Cro-
magnon desconfiasse que perto dos dolmens e menires tenham se
erguido grandes cidades de pedra que atualmente estão soterradas.

[7] Disso Dionísio de Halicarnasso, Plutarco, Ovídio, Vírgilio,


Tácito, em Catão, o Antigo, Tito Livio dão testemunhos escritos da
cerimônia.

[8] Função, solidez, beleza

Capitulo VI
A QUESTÃO DA
ALTERIDADE NO
HUMANISMO CRISTÃO
O Cristianismo sofreu na pele o que é ser perseguido pelo Império
Romano por séculos. Santo Agostinho relata pelo menos dez grandes
perseguições generalizadas a cristandade promovida por Roma.1°.
Nero, 70 d.C. Vespasiano. 2°. Domiciano em 98. 3°. Trajano. 4°. Marco
Aurélio, Lucio Aurélio Cômodo, 5°. Lucio Sétimo, Marco Opelio Macrino
e Marco Aurélio Severo. 6°. Caio Julio Maximo. Marco Antonio Gordiano.
7°, Decio. 8°. Valeriano em 261. 9°. Aureliano. 10°. Diocleciano em 287.
Depois foi perseguida pelos judeus, persas e maometanos por mais 5
séculos (341 - Sapor II ordenou o massacre de todos os cristãos na
Pérsia. 523 - Dhu Nuwas persegue cristão em Najaran. 639-42 - Abu Bakr
persegue cristão no Egito. 661 - Em Damasco. 698 - Em Damasco. 711 -
Em Espanha. 827 - Em Sicilia.). Talvez essas querelas ficaram marcadas
profundamente no inconsciente da Igreja e quando algumas ordens
católicas chegaram ao poder, viram que seus inimigos estavam fracos,
tiveram a chance de oprimir e não perderam a oportunidade. As
cruzadas, mais especificamente contra os albigenses e a noite de São
Bartolomeu são os eventos mais dignos de nota em que o clero delibera
a favor do massacre. As questões de identidade cristã impostas pelo
direito canônico da Igreja medieval, se faz dividindo-las;
universalmente por grupos ou setores (leigos e ordenados, fieis e
infiéis). A minha principal suspeita é de que o fanatismo da Igreja no
século XVI[1] no trato com os seus discípulos, os seus aspirantes a
discípulos e os não discípulos é oriundo de um delírio de onipotência da
fé, onde a razão ou a lógica aristotélica perdem espaço tanto na teoria
quanto na prática em detrimento do irracionalismo e de silogismos que
não decorrem.
O problema do conhecimento foi um desafio que a Idade Média
teve de enfrentar porque só é possível conhecer as partes se
conhecermos o todo em que se situam, e só podemos conhecer o todo se
conhecermos as partes que o compõem. Como nada ocorre na natureza
de forma isolada. Confundia-se o mágico com o material.
"A ideia de que não havia oposição entre o natural e o
sobrenatural pertencia ao mesmo tempo às crenças populares herdadas
do paganismo, e a uma ciência um tanto física quanto teológica. Eu diria
que essa concepção rigorosa da unidade da natureza deve ser
considerada responsável pelo atraso do desenvolvimento científico,
muito mais do que a autoridade da Tradição, dos Antigos, ou da

Capitulo VII
Escritura. Nós só agimos sobre um elemento da natureza quando
admitimos que ele é suficientemente isolável." (ARIÈS, 2006: 5).
Jacques Le Goff famoso historiador francês da História Nova.
Considera o Espírito Santo um palpite até o século XIII, ou melhor nos
termos dele um “Deus da máquina”: sendo alguma entidade paranormal
que aparece sem nenhum nexo de causalidade que resolve um problema
aparentemente sem solução de maneira mágica. A expressão é grega e
fora latinizada, ao pé dá letra como “Deus ex machina”; fazendo alusão a
um instrumento mecânico utilizado na tragédia clássica, permitindo
que um ser sobrenatural desça sobre o palco, oferecendo uma resolução
fácil para uma questão embaraçosa.
"Os homens e as mulheres da Idade Média estavam persuadidos
de que se Deus deixava às vezes Satã ou simplesmente a natureza
depravada dos homens semear a desordem sobre a terra, também
introduzia nesse momento medidas de ordem." (LE GOFF ,2007: 75).
Recorrendo a Bíblia, Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote. Ele é o único
mediador entre Deus e os seres humanos (1 Tm 2.5) e o Espírito Santo é
seu representante na terra, ou seja, todos os crentes tem o privilégio de
participar desse sacerdócio. As questões tornam-se instigantes a
medida que descobrimos que os verdadeiros cristãos são os praticam a
fé, ou seja, os que têm as atitudes de cristãos no tempo histórico humano
e não os fazem sinal da cruz e carregam insígnias. Ora, se Espírito Santo
de Deus é o responsável por resolver os problemas terrenos
inexplicáveis de uma maneira milagrosa e sobrenatural, mas então a
casta que costumávamos qualificar como religiosa é uma definição de
autoria de quem? Afinal, no século I ou mesmo no XVI quem sabia se a
Igreja Católica era uma instituição em dissolução ou em formação?
Habet é um termo que era designado antigamente pelos latinos
para dizer quando alguém teve o que mereceu ou quando o peixe entra
na rede dos pescadores ou quando a presa pisa na armadilha. Talvez
seja a contração da linha de pensamento onde ninguém pode dar o que
não possui[2]. O que podemos esperar dos parasitas[3]? dos caçadores?
das pessoas interesseiras e traiçoeiras?
Apesar dos espanhóis terem chegado tarde em América, isso eles
não puderam admitir por influência da Igreja Católica. Ora, pelo que era
professado pelo Cristianismo[4] nos quinze primeiros séculos, nós não
esperávamos isso da Igreja. Se desobedeceram, então, "Há algo". Essa é
a minha primeira indicação histórica de suspeita de hipocrisia por parte
do clero, afinal a forma de averiguação dos delitos dos outros foi
disposta pelos manuais de confessores de forma metódica no mesmo
século do descobrimento e nós iremos criticá-los pelos seus próprios
estatutos. A visão unificadora do comportamento das pessoas através
dos sacramentos, seja do batismo, da ordem ou da penitência significa

Capitulo VII
que todos devem ser escutados em uníssono de maneira que não caíam
novamente na desordem. Essas questões se tornam ainda mais
relevantes quando envolveram fama, honra e patrimônio. O
probabilismo dos confessores coloca o desejável a uma certa distância
do exigível, quando a questão é muito polêmica, evita-se desacordo
entre teóricos consagrados da Igreja, constituindo o domínio da
adaptação da regra através do bom senso. Ora, o desacordo mostra que
a Igreja não é um só corpo, existem assuntos escarpados do qual existem
múltiplas conclusões perfeitamente aceitáveis. Existem casos que deve
se aplicar o que foi estabelecido em Levíticos e outros que não se deve
aplicar a lei do levita no capitulo 20, por exemplo, no caso da cônjuge
soçobrar ao padre que o filho dela é de outro pai, a questão pode ser
resolvida com uma indenização que o pai biológico vai ter que restituir
para o pai ilegítimo, referente ao gasto que o pai teve criando o filho dos
outros, essa é uma das situações em que o confessores não abrem mão,
pois o filho pode muito bem dizer que é mentira da mãe, em
conseqüência essa é uma das maneiras de deserdar um filho, na prática
isso pode lograr um processo esgotante para todos. É a força da situação
que faz com que o recomendado seja ignorar esse assunto em terra, e
expiar os pecados no purgatório. Portanto, as considerações são
minimamente inteligíveis, sempre incluem analisar objetivamente,
para que seja fácil manobrar o beneficio e o prejuízo principalmente
quando envolve patrimônio, o conceito que se usa é o do mal menor.
Quando pronunciam palavra altissonantes e se ataca ostensivamente
como no caso da homossexualidade e canibalismo, soma-se o repúdio e
a indignação que são sinais de verem nesse comportamento o germe da
desordem social. Convém reprimir estas atemorizantes eventualidades.
Outorgam-se numerosos castigos, ordenam demasiadas cobranças.
Outorgam-se constantes recompensas por delações. Os padres olham
paternalmente para os fiéis, vale lembrar o que é o pai no século XVI é o
pai patrão, pai pater, pai proprietário. Patriarca em latim quer dizer
primus patrum. É o primeiro de todos os pais de uma numerosa
descendência de outros grandes pais de numerosa descendência
também, a qual eram conhecidos pelo repasse do respectivo
patronímico.
As pessoas mais entusiastas da fé tem uma vivência da
religiosidade através da confissão, da missa, do catecismo, enfim, era
crido pelos penitentes que algumas pessoas caem em sincero espírito de
contrição, se arrependem e se confessam para livrar sua consciência do
pecado, pelo menos é o que indica certas advertências dos manuais,
como de não haver necessidade de se confessar logo após ao pecado.
Ainda que seja clérigo não é obrigado a se confessar na mesma hora,
mesmo que peque mortalmente. Apesar dos religiosos da ordem de São
Bento[5] que são obrigados a se confessar doze vezes por ano. Também
existe a necessidade de se confessar quando vai se viajar de navio, se

Capitulo VII
colocar nas tormentas do mar, o mesmo se aplica antes e entrar em
batalha, ou em períodos de peste aguda, e ainda antes de parir,
principalmente se a experiência do parto for trabalhosa e difícil. O bom
confessor deve ter sabedoria, bondade e poder. Poder significa que ele
tem que ser clérigo, só que ser apenas sacerdote não é suficiente, ele
precisar ter o poder instituído por jurisdição para absolvição. Essa
afirmação indica que nem todos os padres podem praticar o sacramento
da penitencia. Quem pode dar as essas concessões é o papa, o bispo, o
sacerdote paroquial, ou bullas. A regulamentação impunha que não se
poderia utilizar confessores sem sagacidade e sem conhecimento; pois
de nada podem servir a comunidade se não tem bondade, justiça e
doutrina. Justamente aqui nessa justificativa da doutrina coadjuva
intersubjetivamente o silogismo da alteridade suprassumida[6] que se
define pelo dicionário de termos literários on line[7] como:
filosoficamente é situação, estado ou qualidade que se constitui através
de relações de contraste, distinção, diferença [Relegada ao plano de
realidade não essencial pela metafísica antiga, a alteridade adquire
centralidade e relevância ontológica na filosofia moderna (
hegelianismo ) e especialmente na contemporânea ( pós-estruturalismo
)]. Segundo a enciclopédia (GRANDE ENCICLOPÉDIA, 1998), alteridade é
um “Estado, qualidade daquilo que é outro, distinto (antônimo de
Identidade). Conceito da filosofia e psicologia: relação de oposição entre
o sujeito pensante (o eu) e o objeto pensado (o não eu). Significa para
Hegel que, em primeira instância o homem existe efetivamente pois
encontra serventia para comunidade através si mesmo na negação do
outro, e só posteriormente vai ter lógica nessa justificativa de utilidade
para ser ele mesmo. Ou seja, a antipatia nem mesmo é recíproca pois
antes de negar o outro ele não é nada em si mesmo e nem mesmo sabe
para que serve, enquanto o outro já é algo em si mesmo, mesmo que
ilogicamente e mesmo que não sirva para nada. Assim é a natureza
trágica e desigual da postura do cristão ante o homem judeu , ele não é
nada a priori. Assim é o cristão ante o homem pagão, ante o silvícola.
Sem eles não seria possível se reconhecer como cristão. Isso também é
chamado de subjetivismo ou auto afirmação da consciência de si para si,
pois confere dignidade ímpar a si mesmo quando se projeta negando a
extraordinariedade dos outros. Quando o outro não é o que foi
projetado ele é constrangido pela Igreja ou tratado com má fé porque os
prosélitos partem do pressuposto de que o outro é infiel já para não ter
que ajudar a comunidade em nada.[8] Cabe destacar o mito do Preste
João, o qual os portugueses terminaram identificando com os cristãos
coptas em Abissínia por encontrar imagens da cruz cristã e que
praticavam uma forma de cristianismo "deturpado" aos olhos da cúria
romana que os portugueses se sentiam na obrigação de ajudá-los
espiritualmente e militarmente.

Capitulo VII
"Como um homem errante na noite vai atrás de um fogo-fátuo", o
Preste do João, uma miragem do século XII tinha se empalidecido mais
o mito ainda continuava vivo na memória, o indicio de fumaça para
Afonso de Albuquerque as vezes iria para as montanhas na pérsia, as
vezes na índia,nas estepes mongólicas, na china.
A dúvida quanto a existência do Preste João era meramente
geográfica, mas que existiam Reinos católicos num continente gentílico
os viajantes asseguravam que sim. Ainda seria incutido no mito a
bondade do Rei como Preste João, "os seus vestidos eram lavados no
fogo e tecidos pela salamandra". Servido por reis, duques,condes,
cavaleiros e fidalgos, arcebispos sentavam-se ao seu lado, bispos a sua
esquerda, um Rei bispo por copeiro, e um arquimandrita por
comandante da cavalaria, e um arcebispo por mordomo.
A coroa era nutrida de tantas necessidades que se inventava mitos
que atendessem as expectativas da coroa, através de descrições que
carregam aspirações, o mito não era oriundo da ancestralidade mas de
historias de viajantes que impunham a necessidade e alargar o mundo,
afinal o desconhecido envolvia a cristandade medieval. Surgiam
historias de fontes da mocidade, rios subterrâneos de pedras preciosas.
Pedras mágicas que dão visão aos cegos,não havia avarentos, nem
ladrões, nem assassinos, nem lisonjeiros. Todos diziam a verdade e o
vicio não existia. Era um paraíso.
Aos objetos era concernido poderes sobrenaturais como o da
cura, não existia avareza porem existiam pedras preciosas, no
imaginário do português a necessidade se dava em descobrir um
tesouro que os libertassem do pensamento econômico, a Inglaterra
adota um comportamento muito cauteloso na busca por criar riquezas,
porque um sonho ainda muito extrativista, enquanto o psicológico do
protestante valoriza o juros, sendo um negocio com mais segurança
econômica.
D.Henrique nasceu em 1394, terceiro filho do rei D.João I, quando
na infância revelava a sua sede pelo saber através da sua coleção de
livros.
O conceito de modernidade para Afonso estaria justamente
quando ele remete a um estribilho "guerra para acabar a guerra",
salientando que era uma frase ATUAL.
Para procurar confusão Portugal nem precisava de muito, a
heranças da longa duração em períodos intercalados de guerra santa
que havia durante seiscentos anos.
A economia moderna passa a ser descrita principalmente como
um lugar e um objeto, perfumes da Síria, sedas do Egito, perolas da
Pérsia, rubis de Ceilão, uma visão que tendia a subsistência que tinha

Capitulo VII
como conjunto de produção o feudo e a unidade o servo era
incompatível com a visão mercantilista de localizar as regiões por
objetos, só que limitações mentais eram impostas por saberes
tradicionais "quem passar o cabo não voltará não!" E quantas historias
para confirmar essa afirmação não existiriam de curiosos fanáticos que
sumiam prestando-se a esse papel, não é pelo fato de a terra ser redonda
que não existiriam riscos, e principalmente riscos inesperados como
doenças, conflitos, brigas, tensões
Dom Henrique homem do típico do renascimento reúne na escola
de sagres, matemáticos, astrônomos,marinheiros,pilotos, vaguenates
estrangeiros, jovens fidalgos que buscavam fortuna. Henrique passou
dias e noites coordenando os indícios, meditando, organizando e
examinando velhas cartas, estudando as estrelas, produzindo uma
CIENCIA NOVA, descobrir o extremo da África. Uma empreitada desse
calibre causaria espanto ate mesmo para os oráculos que afirmavam
não haver habitantes em regiões tórridas.
Um enigmático documento é descoberto na chancelaria de Afonso
V, onde aparece um embaixador de Preste João em Portugal em 1452,o
que aceleraria mais as buscas para abrir novas rotas comerciais. O que
motiva o desprezo em relação as profudenzas da noite pagã, é a busca
por reinos católicos, a moral nesse sentido só estaria de portas abertas
para o igual, a interação com o outro só se dava mediante a
prerrogativas de igualdade.
Quer dizer, o próprio tema "descobrimento da América" que já é
bem cativo da história vem a delatar a ausência de alteridade revelada
e renegada pelos próprios historiadores que assim abordam a
temática,ou seja há um choque cultural na descoberta da América, onde
o “eu” descobre o “outro” na tentativa de dominação, onde o “eu”
sozinho, enxerga o “outro” na terceira pessoa, a negação do indivíduo,
para se concentrar no geral, no anônimo. Não houve capacidade dos
principais sujeitos se colocarem no lugar dos outros. Porque?[9]
Ora, o comportamento egocêntrico(Eu frente aos Outros), e
individualista advindo da sociedade poética-filosófica greco-platônica-
romana e perpetuada pela moral judaico-cristã ocidental vem a colocar
no seu panteão mais alto os gênios militares, os grandes estrategistas
diplomáticos como Odisseu, Salomão, Publios Cornelius Scipião, Carlos
Martel, Barbarossa. Enfim, Salientando com Todorov, o comparativo:
“[...]Homens para mulheres, ricos para os pobres, os loucos para
os “normais”, onde a violência o preconceito embutido nesses conceitos,
nessa segregação é reconhecido com uma certa naturalidade.[..]”
(TODOROV, 1998)

Capitulo VII
É na América onde os comparativos vão ser mais exteriores, as
divergências na atmosfera cultural, cuja a língua , os costumes parecem
de inicio incompreensíveis, de uma estranheza tamanha que chega a se
desconfiar se são realmente humanos. Ou seja, o pensamento do homem
branco se caracteriza por não colocar nem minimamente a
responsabilidade para com o outro, nem que minimamente o respeito
para com outro, onde a expansão da fé, os obsessivos interesses
mercantis legitimavam qualquer postura contra o “outro”. Ou seja, a
noção de tensão sobrepuja o aspecto humano, isso sendo paradigma até
na história recente, pois a visão do outro "ser gente" só ganha corpo
quando se alinha como objeto de consumo.
"No Rio de Janeiro, o processo de mercantilização da cultura negra
tem girado principalmente em torno de dois elementos bem conhecidos
e inter-relacionados: samba e carnaval.[...]Há, contudo, objetos menos
conhecidos que também passaram a representar a cultura material
negra tradicional da Bahia; ou ainda, comportamentos que passaram a
ser vistos como "típicos" da cultura negra. As mulheres do acarajé, ou
simplesmente baianas (mulheres, geralmente de compleição bastante
negra, que vendem nas ruas doces e comidas afro-baia nas típicas), têm
sido, há séculos, o ícone mais visível do "africanismo" na vida pública.
(SANSONE, Livio)[10]
Para os teólogos os outros deuses bem como outras
interpretações do cristianismo são folclore, superstição, falsos deuses.
"Quando os cristãos se recusavam a rezar aos deuses dos diversos
paganismos, geralmente, não era por lhe negarem a existência; eles
consideravam-nos como demônios, perigosos, sim, mas no entanto mais
fracos do que o único Criador." (BLOCH, 1979). Ou seja, o proselitismo
do cristianismo coloca os conquistadores na situação de abençoados
metafisicamente e no corpo a corpo com
zooantroporformismo[11]típico das crenças dos povos ameríndios e
africanos, eles irão situá-los, bem como sua religião como: fraca e
diabólica.
"A imagem de Deus numa sociedade depende sem dúvida da
natureza e do lugar de quem imagina Deus." (LE GOFF, 2007). O lugar e
a natureza dos que dominavam o saber teológico era bem reservado
socialmente, pertencia apenas aos que conseguiam entender a Bíblia, os
letrados em latim. “Entretanto, igualmente óbvias (pelos menos para
nós) são as desvantagens de se tentar comunicar com toda a população
da cristandade em uma língua entendida apenas por uma minoria dessa
população. Alguns leigos acreditavam que o uso do latim era uma
artimanha do clero para manter a fé secreta, "e em seguida vendê-la de
volta para nós no varejo". Deve-se enfatizar, no entanto, que a minoria
que entendia latim excluía muitos membros do clero medieval. Não é de
surpreender que muitos do clero paroquial fossem ignorantes em latim,

Capitulo VII
dada a falta de meios para educá-los: mas mesmo no caso dos monges,
segundo um medievalista bastante conhecido, "descobrimos as
autoridades admitindo vasta ignorância em latim e fazendo traduções
especiais para uso dos irmãos incultos" (BURKE, 1995), As traduções
começam a se intensificar com o advento da imprensa no século XIV,
porém as primeiras casas tipográficas só chegam em Portugal no século
XVI. As primeiras traduções do latim para o português vêm desse
período. Como pode ser observável no site da Biblioteca Nacional de
Portugal. Vários livros do século XVI com uma página em latim e logo em
seguida outra em português arcaico. O que me leva a crer que esse
material era usado para recopilações nos seminários e mosteiros que
formavam os jesuítas que vinham para a America pregar. Portanto
sendo de conhecimento do grande público os principais cânones da
doutrinas.
[1] Aqui nesse livro. Eu não escrevi para falar mal de Igreja
Católica, nem dos protestantes, nem de papa algum, nem de Cortez
muito menos de Montezuma ou de historiador algum, nem de
arquitetura nenhuma, nem criticar nenhuma ideologia. Eu
simplesmente analisei os dados oferecidos pela Igreja como as fontes
produzidas pelos cardeais, bispos, padres comparei com as cartas
escritas por Cortez, e tracei o paralelo com os fatos das concessões de
terras em América e com a visão historiográfica dos autores modernos
e pós modernos sobre a temática. Não me parece possível que se trate
de panfletarismo marxista ou debate historiográfico modernista nem de
um discurso narrativo da pós-modernidade, pois é admitida a
possibilidade de conhecer o passado mesmo sem estar lá, através de
operações históricas como recortes, triagem, inteligibilidade do
presente, comparação de vestígios documentais para averiguação da
veracidade dos fatos com resíduos que aparecem na urbs, arquitetura,
na oralidade,arte e na cultura em geral.

[2] Nemo dat quod non habet.

[3] Aqui o termo parasita se refere ao cargo dos subalternos dos


sacerdotes que cobravam impostos na forma de trigo muito comum nas
comedias de Aristófanes. Plutarco se refere a Sólon como o alcunhador
do termo parasita se referindo aos bufões que vão de casa em casa atrás
de se alimentar das melhores comidas ou em dias festivos e de banquete.

[4] "De acordo com a definição do Concílio de Nicéia (325), é a


crença num Deus único manifestado em três pessoas — o Pai, o Filho e o
Espírito Santo — e na redenção do mundo pela Encarnação, Paixão e

Capitulo VII
Ressurreição de Jesus Cristo. Concílios subseqüentes em Éfeso (431) e
Calcedônia (451) adicionaram novas definições no campo da
Cristologia, declarando que o Filho, que é o Verbo Divino, foi
verdadeiramente encarnado pelo Espírito Santo na carne da Virgem
Maria, e que ele combina em si próprio, sem distinção de pessoas, as
naturezas perfeitas e completas de Deus e do homem. O código de
comportamento que deve vincular todos os crentes tinha sido prescrito
pelo próprio Cristo na Regra de Ouro (Mateus XXII, v. 37-
40)."(LOYN,Henry, 1997)

[5] A ordem de São bento proporcionava educação monaquista


beneditina. "As abadias tinham um claro papel social como corporações
fundiárias, como centros de cultura e de estudo, de produção de livros,
de mecenato das artes e da arquitetura, e como guardiães de famosos
relicários e túmulos de santos, focos de peregrinação e da religião
popular. A propriedade de latifúndios também envolvia muitos monges
em tarefas gerenciais"(LOYN,Henry, 1997) de obrigação pública
associadas a soberania da terra. Fundada em Monte Cassino no século V
em uma gruta por um eremita solitário chamado Bento de Núrsia(c. 480-
c. 550) compilou algumas regras de teor estoicista que gradualmente ao
longo VI passou a ser obedecida pelos mosteiros de Itália, Gália, Espanha
e Irlanda e Germânia que careciam de doutrina própria, a qual regulava
de maneira prática sobre como o abade deveria disciplinar o cotidiano
dos monges no que tange as preces vocais, trabalho manual combinado
com leitura espiritual. Posteriormente na Era Carolíngia fora
beneficiada por generosas doações de Carlos Magno e Luís, O piedoso.
Esses mosteiros converteram-se em centro de erudição clássica e
patrística. As suas riquezas atraíram a cobiça dos vikings nos últimos
anos do século IX.

[6] Paul Ricoeur vai sugerir três tipos de alteridade: a corporal, a


do diverso e a do si com si mesmo. Ele critica a abordagem polarizada de
Hegel pois ele vê que antropologicamente essa dissensão não é sadia em
virtude do desprezo vir a constituir o principal vínculo de
reconhecimento mútuo sobretudo porque a busca de auto afirmação
não deve acontecer humilhando o próximo. Ou seja, se eu sou cristão é
porque meus pais me botaram para estudar a vida inteira em colégios
católicos e freqüentei igrejas com meus amigos e passei pelos rituais
sagrados enfim, também tenho que imaginar que o mulçumano é
mulçumano porque seus pais ensinaram ele a ser daquele jeito. Nós
temos que partir em linhas gerais de que a educação vem de casa.
Quando Aristóteles, Cícero e Plutarco discorrem sobre amizade, eles se
referem a fidelidade,a bondade,ao carinho e a harmonia mútua mesmo

Capitulo VII
que entre seja estrangeiros. Não é necessário que seja cidadão da
mesma nação, nem parente, nem sócio para haver benevolência e amor.
Já na filosofia moderna Immanuel Kant vai postular em cima do que
Sócrates falou sobre não existir amigos e que essa harmonia mútua está
em um grau bem inferior ao da amizade suportável pelos antigos, pois
para Kant o único agente moral da amizade é o amor próprio. O
imperativo categórico estabelece a situação hipotética de que por
ventura a moral humana repousa sobre valores que são universais. A
qual as coisas são impertinentes e inconvenientes de modo
absolutamente geral. O que vai existir em Kant é a amizade por
solicitude, por interesse e a por nobreza.

[7] http://www.edtl.com.pt/

[8] Todas as religiões pregam o ódio e amedrontam seus adeptos


que não acreditam nos postulados dos seus sacerdotes com ameaça do
sofrimento pós morte, principalmente quando os dogmas são negados
por aqueles que sentem fastio em contribuir com o bem estar da
sociedade. Perseguições desse tipo vão abrir margem para todo tipo de
hipocrisia, pois normalmente as pessoas comuns não desejam ser
aborrecidas. Houve a tentativa cristã de impor em América uma
ideologia dominante e por ardil muitos professaram a fé. Não me parece
confortante advogar por sujeitos hipócritas muito menos por radicais
que estão preocupados em explorar a credulidade das pessoas para
desse modo prevalecer seus interesses particulares até porque Deus
deu o livre arbítrio para as pessoas escolherem entre justificar suas
práticas más ou se corrigirem.

[9] "A coincidência dos relatos dos viajantes revela também o


grande debate que estava se travando na Europa a respeito da natureza
dos selvagens ou, melhor, do "estado de natureza" deles: tratava-se, de
fato, do processo de releitura da identidade ocidental ante as novas
humanidades que a descoberta apresentava, através da construção de
sua alteridade. O código religioso era, obviamente, o privilegiado na
definição da alteridade pela concepção teológica dos missionários. Mas
aqui a construção dos outros esbarrava numa dificuldade: os selvagens
da terra de Santa Cruz não apresentavam aqueles elementos que
encontramos na longa lista de d’Abbeville e que definem o que é a
Religião: ídolos, templos, sacerdotes." (POMPA, Cristina em Profetas e
santidades selvagens. Missionários e caraíbas no Brasil colonial)

Capitulo VII
[10] Os objetos da identidade negra: consumo, mercantilização,
globalização e a criação de culturas negras no Brasil*Livio
Sansone.Mana v.6 n.1 Rio de Janeiro abr. 2000

[11] “(...) de qualquer maneira esse Outro não foi descoberto como
Outro, mas foi” “em-coberto”. O si-mesmo que a Europa já era desde
sempre. De maneira que em 1492 será o momento do “nascimento” da
Modernidade como conceito, o momento concreto de “origem” de um
“mito” de violência sacrificial muito particular, e ao mesmo tempo, um
processo de “em-cobrimento” do não –europeu 3 (Dussel, 1492 O
encobrimento do outro p.08.1993.)

Capitulo VII
O GÓTICO E A
URBANIDADE MEDIEVAL
Edward Gibbon em seu famoso livro "A história da ascensão e
queda do Império Romano" considera que as invasões oriundas da
Germânia fora um período em que o império caí numa verdadeira
selvageria, o continente fora “engolfado por um dilúvio de
bárbaros”(1989: 442). Outros historiadores já colocam o extremo
oposto, de que a cristianização dos povos germânicos é justamente o que
mantêm o ideal de virtude da antiguidade clássica, os cargos eram
romanos, até o latim a elite germânica dominante cultivou como língua
diplomática.
A ruptura com o mundo antigo vem dos árabes islamizados que
em pouco mais de cinquenta anos se estendem do mar da China ao
oceano Atlântico. Aí sim estagna-se o comércio, pois as rotas comerciais
de longa distância ficam sob a custódia do islame.
"O mar íntimo e quase familiar que reunia todas as partes do
Império vai formar uma barreira entre elas. Em todas as suas margens,
desde já séculos a existência social, nos seus caracteres fundamentais,
era a mesma, a religião a mesma, os costumes e as idéias os mesmos ou
muito próximos de o serem. A invasão dos bárbaros do norte não
modificará nada de essencial nesta situação." (PIRRENE, 1964)
A expansão árabe interrompe o comércio de longa distância que a
Europa Ocidental mantinha com o Oriente, rompeu-se um laço que
ainda ligava o Império Bizantino aos reinos germânicos do Oeste. A
Europa nesse momento se encontrava isolada dos grandes centros
comerciais.
Claro que não foram tão somente as invasões árabes que
romperam com a antiguidade “Uma vez em terra, os bandos sarracenos
ou normandos, como as hordas húngaras, eram especialmente difíceis
de suster.“ (BLOCH, 1979). "Da tormenta das últimas invasões, o
Ocidente saiu coberto de feridas. As próprias cidades não haviam sido
poupadas, pelo menos pelos Escandinavos e, se muitas delas, após a
pilhagem ou o abandono, se recompuseram mais ou menos das suas
ruínas, esta cisão no curso normal das suas vidas deixou-as
enfraquecidas durante muito tempo." (BLOCH, 1979)
É irônica a constatação da diversidade de juízos perante o tema da
Idade Media. Como é de se esperar, se escolhermos os dados de modo
tendencioso o pesquisador vai fustigar para a pesquisa defeitos e
atitudes viciosas. Poderá ser construída uma interpretação que lhe
agrada mas não condiz com a verdade. Poderá ser destacado como

Capitulo VIII
crítica a falta de objetividade para apreender a realidade, causada pela
interferência de elementos puramente subjetivos, como os
preconceitos, por exemplo.
Essa alcunha latina Aetas Obscura[1] ou mesmo inglesa de Dark
Age, se difundiu bastante e foi construída pelos renascentistas,
inspirados por novos ideais estéticos. É realmente muito corrente a
marca de uma Idade Média imóvel, sem atividades bancárias, estagnada,
estacionária economicamente em virtude da condenação da usura e do
lucro. afirmavam “frequentemente que o mercador medieval teria sido
incomodado na sua actividade profissional e rebaixado no seu meio
social devido à atitude da Igreja para com ele. Condenado por ela,
mesmo no exercício da sua actividade, teria sido uma espécie de pária
da sociedade medieval dominada pela influência cristã.” (LE GOFF,
1991)
Ou seja, na teoria demoniza-se o labor do mercador, na prática “a
Igreja depressa acolheu o mercador, rapidamente admitiu o essencial
das suas práticas. Longe de ter sido um obstáculo ao desenvolvimento
do capitalismo, devemos perguntar-nos mesmo se ela o terá servido
involuntariamente, até pela sua hostilidade." (LE GOFF, 1991: 74).
Existem milhares de maneiras de se questionar a ordem vigente.
Evidentemente, os mercadores não estavam inclusos no modelo
ideológico estabilizador planejado pela Igreja: “Uns rezam, outros
combatem, e outros trabalham.” Os trabalhadores estavam na mais
baixa camada social entretanto é difícil imaginar um trabalhador
medieval , pois “apresentavam uma grande diversidade de condições,
desde camponeses livres até escravos." (FRANCO JUNIOR, 1983) e até
comerciantes.
Como visto anteriormente, pela paciência a Igreja dobrou-se para
o trabalho dos mercadores, parte do mesmo “fenômeno urbano na Idade
Média Central” que está “associada ao desenvolvimento das atividades
artesanais e comerciais.” Está também “a função militar e, sobretudo, a
presença de uma autoridade episcopal, condal ou principesa, que
suscita a manutenção de uma corte numerosa cria um efeito de atração,
são igualmente decisivas. (BASCHET, 2006: 145). Esses enxergam o
trabalho manual como aviltante, apenas os servos devem trabalhar, pois
o trabalho tem uma forte carga negativa. "Seguindo o modelo das cortes
terrestres, as cortes celestes se enriqueceram para se debruçar mais
sobre os cristãos cá de baixo: os valores do Céu desceram sobre a Terra."
(LE GOFF, 2008). "Entretanto, a cidade é, incontestavelmente, a partir do
século XII, um mundo novo. Nela, desenvolvem-se atividades novas e
esboçam-se mentalidades singulares, ao passo que a Igreja demoniza a
cidade, moderna Babilônia, lugar de pecados e tentações." (BASCHET,
2006).

Capitulo VIII
O horror ao corpo culmina nos seus aspectos sexuais. O pecado
original, pecado de orgulho intelectual, de desafio intelectual a Deus, foi
transformado pelo cristianismo medieval em pecado sexual. A
abominação do corpo e do sexo atinge o cúmulo no corpo feminino (LE
GOFF, 1985). Os sacerdotes seguem a risca os doutores da Igreja, pois
como advertiu Jesus Cristo o que seria se um cego guiasse outros cedo,
ambos cairiam.
"Durante os sermões fazia-se grande uso de exempla, nos quais
apareciam bastante frequentemente prostitutas, quer como
personagens principais, quer como figuras de segundo plano, mas
sempre com um certo destaque no fim da história." (PILOSU, 1995). O
destaque no fim da história é sempre atribuir uma maior parcela de
culpa para as mulheres. "Enfim, os "exemplos" (exempla) ilustram, sob
a forma de relatos breves e concretos, fábulas ou historietas, as
vantagens, para o cristão, de uma justa conduta." (SCHIMTT, 1999)
"É preciso evocar, igualmente, a praça pública, onde se erguem a
administração municipal e a torre do sino, as numerosas tavernas, os
"Banhos públicos" e outros lugares onde as autoridades municipais do
fim da Idade Média procuram organizar a prostituição, tida como um
"serviço coletivo" útil à paz pública." (BASCHET, 2006: 153). "O controle
eclesiástico sobre os valores culturais e mentais era exercido através de
vários canais. O sistema de ensino, monopolizado pela Igreja até o
século XIII, permitia a reprodução do corpo de idéias que ia sendo
selecionado e formulado por ela." (FRANCO JUNIOR, 1983:58) Ergueu-se
mesmo uma doutrina corporal que penetrava em diversos segmentos
do comportamento humano."Os polemistas cristãos, em virtude da
natureza da crença que professavam, não reconheceram qualquer grau
de sacralidade, nem reconheceram qualquer vinculação do riso com a
divindade, tal qual ocorria na tradição pagã que o tanto procuraram
combater. Nos sistemas de valores do cristianismo, este foi
dessacralizado e reduzido à categoria de gesto profano." (MACEDO,
1997: 53).
"A expressão "bela Idade Média" também corresponde à ideia de
que houve uma clareira entre duas fases sombrias, nesse longo período
de mais de mil anos entre a queda do Império Romano(fim do século V)
e o descobrimento da América(fim do século XV). (LE GOFF ,2008: 54). A
clareira do Ocidente encontra-se mais particularmente entre o século XI
e o século XIV. Momento de crescimento urbano, populacional, intenso
comércio, desenvolvimento da arquitetura. De modo que para a história
dos europeus essa conquista seria análoga a invasão dos bárbaros na
época da queda do império romano. Ou seja a conquista da América é a
ruptura com o mundo medieval.

Capitulo VIII
"O sistema feudal repousa economicamente na posse da terra e no
direito de cobrar um certo número de taxas. Isso gera uma hierarquia
social e uma hierarquia de poderes." ( LE GOFF ,2007: 66). O
paternalismo deste sistema envolve um intercâmbio de poder e auxílio,
obrigações mútuas entre suserano e vassalo, protetor e protegido,
senhor e dependentes. Cada indivíduo estava ligado a um senhor por
laços de parentesco, obrigações ou interesse. "Institucionalmente,
diante da fraqueza do Estado e da necessidade de segurança,
desenvolviam-se as relações pessoais, diretas, sem intermediação do
Estado. Estreitaram-se assim os laços de sangue, as relações dentro das
famílias, das linhagens, grupos cuja solidariedade interior podia melhor
proteger os indivíduos em relação ao exterior." (FRANCO JUNIOR,
1983:43). No topo dessa hierarquia vêm o Rei. "Duas funções
fundamentais são reconhecidas ao rei: ele deve garantir a paz e a justiça.
O cuidado de manter a paz, essencial ao bem público e assegurada pela
Igreja durante certo tempo, retorna, pouco a pouco, para os soberanos.
Disso decorre, sobretudo, o direito de levar a cabo guerras
justas"(BASCHET, 2006: 161). Essa função revela um "traço psicológico:
a contratualidade. Presente na verdade em muitas religiões pré-cristãs,
esse dado foi reforçado pelo cristianismo e contribuiu para o próprio
contratualismo social, político e econômico e militar dos séculos X-XIII,
sendo por sua vez influenciado por este. Assim, não é de se estranhar
que Deus fosse visto como Senhor e o homem como vassalo" (FRANCO
JUNIOR, 1983:60)
"Clericalmente, havia no Feudalismo um papel de primeira ordem
desempenhado pelo grupo eclesiástico. Papel que extravasa, em muito,
sua atividade sacerdotal. Sendo a Igreja a única instituição organizada
da época, de atuação realmente católica, que dizer universal, a ela cabia
a função de cimentadora, unificadora, naquela Europa fragmentada em
milhares de células." (FRANCO JUNIOR, 1983:55).
É tanto que esse discurso desvenda muito do imaginário feudal
que se fundamenta em parte na ideologia de harmonia social fundada
na trifuncionalidade de serviços mútuos. Uns trabalham, outros rezam
e outros batalham. Tudo passa pelo plano celeste, o regime feudal e a
Igreja eram de tal forma ligados que os membros do clero exerciam um
papel de primeira ordem.
"Por volta do ano mil (1023-1025) a literatura ocidental articula
a teoria das três ordens do corpo feudal. Postula-se uma explicação
naturalista que justifica a desigualdade entre as classes. O autor é o
bispo Gerardo de Cambrai, em virtude do seu ofício julga dever
demonstrar, perante o mundo, “que, desde a origem, o género ,humano
se dividiu em três: as gentes da oração, os cultivadores e as gentes de
guerra; forneceu a prova evidente de que cada um é o objecto, por um e
outro lado, de certo cuidado recíproco” (DUBY, 1994: 54)

Capitulo VIII
Capitulo VIII
O próprio poder régio é oriundo de Deus. Sendo a Igreja a única
instituição organizada em uma Europa pulverizada de células feudais e
segundo Braudel sempre assolada pela fome, pela peste, doença e pela
guerra.
“De passagem, o discurso evoca-a, com o único fim de justificar
que os oratores não trabalhem com as mãos e que os pugnatores
recebam rendas. De mostrar como a ociosidade e a exploração fazem
parte da ordem das coisas. Quer dizer, a expressão mais evidente do
modo de produção senhorial.” (DUBY, 1994: 57)
Nem a própria Santa Sé questionava os atos heroicos de seus
discípulos, pelo contrário até intermediava arranjando patrocinadores
e os absolvendo por antecedência para livrar suas consciências de
qualquer mácula. A crítica ficando restrita a solitários padres seculares
e outros que nem sequer eram da cúria romana. Os grandes escritores
da Inquisição estavam muito mais preocupados em apontar seu dedo
sujo para os atores(que a posteridade nem sequer sabe quem são se não
fossem por eles) e/ou simplesmente escrever livros muito ruins sobre
peças de teatro cômicas muito boas. O conflito moral não está no ofício
do comediante porque a arte de representar é lícita. O erro se encontra
no mortal perigo de que quando o ator deixa de ser ele mesmo para
representar no momento em que ele faça de conta que está pecando ele
venha a pecar de verdade como escandalizando com os ouvintes com
palavras de baixo de calão. Ou mesmo atrair para os ouvintes os perigos
da ruína espiritual. Tertuliano se refere a comédia como "el negocio del
Diablo"[Negotium Diaboli. Tertull.de Spectati.C.i8.]. Os incentivos a
lascívia, a interferência na quaresma e o consentimento do público
chamam a atenção das autoridades eclesiásticas concluindo que além de
ilícito, peca mortalmente os espectadores de tais profanações. Com
efeito, o padre Ignácio de Camargo lastima pelas pessoas inocentes e
temerosas de Deus que cometem o pecado mortal sem se dar conta o que
leva a crer que a comédia se difundia tanto que não apenas os amantes
da estética usufruíam do teatro cômico.

Capitulo VIII
Capitulo VIII
A maneira abominável como a comedia vinha ganhando espaço no
teatro em Espanha surpreendia os clericais que admoestavam não
somente os atores das peças mas também o público ouvinte que se
aproveitava da controversa de estar somente assistindo e que não havia
nenhum perigo em escutar as apresentações. Os defensores do Teatro
Cômico (Thomas de Hurtado em Resoluciones
Morales,Bonacina,Sanchez,Diana)
Camargo justifica citando Navarro(Suma Latina) que deve-se
levar em conta mais a deliberação formal de seis doutores sobre uma
questão do que de cinqüenta que discutiram ligeiramente. A
controvérsia é que muitos autores vão considerar que se a comédia não
contém torpeza, luxuria ou nenhuma desonestidade é totalmente
virtuoso e honesto assisti-lá.
O próprio São Tomás autoriza divertimentos em momentos
festivos como também explica na sua Suma que só peca as pessoas que
atuam ou cooperam com peças que possuem abominações. Diana
defende que por causa dos ataques a comedia muitos atores vivem em
estado de pecado mortal.
Tudo é feito por anjos e demônios, bem e mal, luz e trevas, no
mundo medieval as figuras se completam, tendo valores metafísicos. A
medida em que se unificam os conceitos: anjos e demônios, a tendência
é eliminar as distinções entre os elementos. ficando clara a mensagem
gnostico-dualista[2].

Gil Vicente um dos escritores mais intrigantes do seculo XV(1485)


através da sua literatura adapta varias representações metafísicas de
seu tempo para o teatro, para ele a arte tem uma função social de
doutrinar a população iletrada, idéias sobre o inferno, o purgatório, o
dia do juízo foram homogeneizadas e difundidas através do teatro por
toda idade média, nos autos Vicentinos( O auto da barca do inferno, do
purgatório e da Glória ) que escreveu no fim do século XV. A Idade média
que é um conceito criado pelos modernos, devido a compreensão que
teria a necessidade de existir algum tempo intermediário entre o
mundo clássico e os renascentistas. A questão da salvação também é
ressaltada pelo livro "auto da compadecida" de Ariano Suassuna na
década de 60, no contexto do movimento Armorial em Pernambuco que
busca resgatar os valores medievais e a comedia da arte italiana, tanto
a salvação pela graça(Severino de Aracaju) quanto por expiação das
purgas(Eurico,Dora,Bispo,Padre). Há cristãos que entendem a salvação
como responsabilidade única do ser humano, o que pode resultar na
perca na mundanalidade, o que é o dinheiro na frente da salvação
eterna? O que é qualquer coisa em comparação com a salvação eterna?

Capitulo VIII
O dinheiro não compra a salvação, embora muitas autoridades
eclesiásticas vendam indulgencias, na forma de cargos, na farsa Eurico
era presidente da Irmandade das Almas, cargo esse que lhe
comprometiam algumas obrigações como dar pão e leite a igreja, motivo
ate de chantagens para realização de sincretismo dentro da religião,
como enterrar cachorro em latim como se fosse cristão. Outros
entendem a salvação como obra exclusiva de Deus, Ariano atentou para
as duas, que são as mais aceitas socialmente.
O repudio pelas normas éticas e morais que Ariano nutre pelo
Clero, exibe cinicamente as contradições. Enquanto a Igreja assegura a
passagem para o Céu através de orações, confissões, das indulgencias,
da permissividade para com os poderosos e do desprezo para com os
pequenos.

Os desdobramentos da soterologia(Ciência que estuda a


salvação.È uma ciência que trata da aplicação das bênçãos salvificas ao
pecador, redimindo-o de seu estado inato de corrupção, e como
intermediário, colocando-o em comunhão com os dons de Deus. Ariano
quando escreveu o Auto certamente estava imbuído desses conceitos,
no Auto a salvação significa salvar-se do inferno[3].Como pode se ver no
Antigo testamento uma vez no inferno não tem como ir pro céu, e uma
vez no céu não tem como ir pro inferno, ir para o Purgatório é
denominável de salvação, pois se salvar é do inferno. Sim, onde eu quero
chegar: Com a oração da Ave Maria, a Santa sobe a um patamar divino
que pode ate ser considerada quarta divindade da trindade, uma vez
que Deus Pai(Se relaciona a Javé do antigo testamento), Deus
Filho(Jesus Cristo), e o Espírito Santo é a parte de Deus que emana em
todos os cantos do universo e na Idade média era representada pela
figura de uma Pomba. Na hora da morte os homens pedem na oração que
a virgem advogue por eles, o que significa um ganho e tanto na defesa,
como é difundido no teatro, e podemos pluralizar essa singularidade, a
igreja nunca hesitou em se apropriar da arte para a difusão de
ideologias, se Dimas(Bandido que fora crucificado ao lado de Cristo,
perdoado no momento da morte) não precisou de advogado para ser
salvo. Só que a Igreja oficializou a Virgem como santa por cobrança dos
fieis, eram visões, comunicados, segredos, que mexem com a
credulidade católica, e a Igreja faz o dever de intervir nessas
interpolações que chegam historicamente. As transformações ocorridas
a partir dos séculos doze e treze na Europa ocidental, intensificam-se as
discussões teológicas sobre as capacidades e características dos diabos
e de seus auxiliares, não precisa dizer que as características associadas
ao demônio convergiam diretamente com os inimigos da igreja, É
justamente deste período a Divina Comedia de Dante Alighieri, onde o
inferno é retratado como um lugar onde as pessoas serão punidas,

Capitulo VIII
principalmente os gulosos, que serão devorado pelo Cão
Cérbero(Guardião do inferno de Hades), serão condenados também os
avarentos(Eurico), muito embora na Idade média já fosse ganhando
força os mercadores e os banqueiros, existe a falsa idéia que o comercio
acabou durante mil anos, porem sabemos que as rotas comerciais nunca
foram desativadas completamente. De figura teológica Abstrata, sem
representação o Diabo passou por um lento processo de materialização,
vislumbrada por demais pela literatura, reverberada pelo teatro, pela
arte, e o arquétipo do mal sempre visto e utilizado sob pena de anular o
arquétipo do bem,o desejo ardente de fazer seus interesses sob a
prerrogativa do bem,de justiça e de um mundo melhor era apenas uma
fachada para ocultar a decadência e o fracasso que residem dentro das
próprias instituições eclesiásticas que carecem de erudição para
argumentar de outro modo, não podemos esquecer que a Religião existe
em função do povo, quando o inverso acontece é exploração do homem
pelo homem. Nas mais diversas religiões, os homens praticaram
sacrifícios, desse modo se invocava a ajuda das entidades celestiais. Tais
rituais também revelam como e em que medida os homens projetaram
suas angustias e fantasias sobre os animais sacrificados.
Na longa convivência com o paganismo, o cristianismo se
modelou. O sucesso do maniqueísmo na Idade Média reservou às forças
maléficas um lugar especial no seu panteão. O próprio Diabo com
frequência tomava as formas do deuses pagãos. Os diabos na arte
românica aparecem com chifres, barbudos, meio homem e meio bode. É
o bode dionisíaco que é dotado como encarnação do Mal, do vicio, da
luxúria e sacrificado no ritual. Assim se dá o nascimento da tragédia
grega através desse rito primitivo.
Para alguns o bode indubitavelmente é um animal muito querido,
como por exemplo para os povos primitivos pastoris, mas ele com o
tempo passou a representar o oposto, ele recebeu o papel de Diabo
porque representa aspectos sexuais dos deuses, eles gostavam de usá-
lo para alegorizar a fecundidade, a morte, o raio, a alguma deidade sem
que em tal ato fosse movido por qualquer sentimento demoníaco,
entretanto alguns aspectos como sexo olhados por uma casta reprimida
sexualmente tende a demonizar logo no pretexto. Os povos pastores da
região do Mar Adriático sabiam do culto a Pã e ainda guardavam essa
ancestralidade. Jesus também se associa a uma forma animal que é a do
cordeiro, em oposição ao bode, nas pinturas e nas orações encontramos
referências, o Espírito Santo também podia ser representado pelos
católicos por uma pomba.
No corpo a corpo com o zooantropoformismo não é supérfluo o
Diabo ser metaforizado em diversos animais: o porco, o morcego,a
mosca, aqui me deterei a explicar historicamente a relação entre o

Capitulo VIII
Diabo e o Bode, uma vez que o porco, o morcego são animais proibidos
no cardápio cristão, o bode não é, pelo contrário sendo até apreciado.
A figura do bode se for examinada dentro da memória sob o signo
do Diabo, não é possível ater-se a um quadro geográfico definido. O
Diabo sendo a representação do mal no imaginário cristão "os poderes
e hábitos demoníacos no Brasil são idênticos aos europeus"(Cascudo,
Dicionário do Folclore Brasileiro).
O Diabo no Brasil acrescentando a definição - é idêntica as
técnicas de demonização ocorridas aos deuses pagãos. Não existe no
simbolismo da Igreja peculiaridades regionais, mas sim uma técnica de
difusão da palavra através da conversão. Concentrando meus esforços
em várias regiões no tempo, será possível captar esse princípio de
recrutamento e expansão da fé em detrimento do politeísmo. Evidente
que o Diabo é um assunto evitado por muitos pesquisadores e
considerado por muitos um estudo irrelevante, trata-se de uma teoria
de recrutamento elaborado onde a matéria prima é a memória e os
dilapidadores são os integrantes da Igreja que atribuem as suas
motivações ao mundo transcendental.
Isso é por mim considerado um movimentação histórico religiosa,
recolher na memória conhecimentos prévios articulá-los em sintonia
com a doutrina, passando por cima de toda uma referência ancestral.
Pessoas são convertidas por um método e não por revelação da verdade
pura. E as pessoas convertidas são sujeitas ativas da sua própria
lavagem cerebral[4]?
Em situação coercitiva o prudente a fazer é recuar diante da
ancestralidade mesmo sem saber por que, temendo apenas as punições,
os africanos no Brasil eram considerados pagãos, não era possível
converte-los apenas colocando um crucifixo em suas mãos, Exu como
entidade atrevida e agressiva foi polarizado em Satanás, é assimilado ao
bode e o ao galo, gosta das cores vermelho e preto e cachaça.
Deuses(bem como os signos dos deuses) são descritos como bons ou
maus, dependendo da sua relação com a memória do convertido.
Posteriormente adotam uma visão simplista onde tudo que é
relacionado ao mau tem que ser evitado porque gera impureza. As
colheitas cresciam por causa das orgias e os pagãos acreditavam nisso,
do mesmo jeito que a oração pode interferir no acontecimento natural
dos fatos para os católicos, a orgia se mantinha além do prazer
individual, não fazê-la certamente enfureceria os deuses. Aí quando
acontece o pós conversão fazer orgias é que desperta a abominação do
Senhor. Como os índios não conheciam o bode, não houve nenhum
isolamento nesse molde europeu no seu panteão divino.
Verifica-se no bode historicamente diversos paradoxos, na busca
por parodiar visuais divinos pagãos, esse paralelismo se torna mais

Capitulo VIII
evidente no Bode, originalidade desse animal, aspectos sexuais inclusos,
os testículos de bode também podem ser deglutidos, aparecendo em
muitas culturas como iguaria afrodisíaca, na culinária o bode é um prato
que abre outros apetites, quer seja a buchada, quer seja o bode seco com
farinha.
O mais tradicional entretanto é a representação do Diabo com o
bode, semi-animal, aparência de bode, barba, chifrudo, rabo. Na
literatura oral, onde as fontes são riquíssimas em descrições, o Diabo é
um personagem inevitavelmente derrotado, ele sempre perde, quer seja
para os violeiros, quer seja biblicamente nas tentações à Jesus, quer seja
no livro do Apocalipse.
No judaísmo faz parte da cultura hebraica a lenda do "bode
expiatório". Dois bodes eram levados ao lugar do sacrifício. No templo
os sacerdotes sorteavam ao azar um dos bodes. Um era queimado em
Holocausto no altar, o segundo era o "bode expiatório" pois o sacerdote
punha as mãos sobre a cabeça do animal e confessava, baixinho, aos seus
ouvidos, os pecados do povo de Israel. O bode era deixado ao relento na
natureza selvática para Azazel,para que Satã não acusasse Israel e, ao
contrário, falasse em sua defesa. Azazel é também o nome de um anjo
caído, e também pode ser considerada um lugar geográfico.
O bode funciona como um confidente da comunidade, tendo como
intermediário o sacerdote. A Igreja introduz no século XIII , entre os seus
rituais o confessionário individual, juntamente com o voto de silêncio.
Historicamente antes da confissão ser algo individual, ela era coletiva, e
antes de ser coletiva ela era animalística, ao bode não era possível
reproduzir os pecados ouvidos por isso também fica a imagem do bode
para as pessoas que se recusam a delatar mesmo diante de torturas,
assim parece conveniente associar essa característica de saber guardar
segredos aos maçons, pela sua própria organização de ordem mística
secreta que os seus integrantes por muitas vezes se valem desse apelido.
Interessa aqui notar algo que escapa o ritual, como na História é
permitida várias interpretações o outro bode também pode ser o Diabo,
mesmo paradoxo existente também no conflito atual entre a cultura
cristã do Ocidente com os muçulmanos, entre dois livros sagrados o
Corão e a Bíblia, no Corão aceita-se Jesus como profeta, mas é
considerada blasfêmia dizer que é possível bater em Deus, que no caso
é Ala, que nunca se humilhou à condição humana, e Maomé é o seu
profeta, enquanto a parte da Paixão de Cristo é o sustentáculo da
doutrina que foi se erguendo dogmaticamente, o movimento estático
conceitual da Igreja é incompatível com as mudanças que chegam
historicamente, quando aparece o fenômeno do Islamismo, parece que
a Igreja perde boa parte da sua capacidade conversora. Como a Igreja

Capitulo VIII
pode negar a paixão de Cristão? e como os muçulmanos vão negar
Maomé?[5]
Se por um lado o cristianismo é mais antigo que o islamismo, o
conceito de Deus para os muçulmanos é outro, a originalidade dessa
concepção é ser iconoclasta, Deus não pode ser simbolizado, se Deus não
pode ser simbolizado, ele também não pode ser demonizado, contra os
pagãos e os politeístas em geral é mais fácil a assimilação da pedagogia
de comparação cristã, como aconteceu com as divindades africanas no
Brasil, Ogum era associado a São Jorge, Exu era satanizado por suas
características, de brincalhão, maroto, de ser o Deus mais próximo dos
homens.

Se a concepção divina que Maomé propôs era tão abstrata, com


Deus Pã era mais fácil, tudo que fosse associado a divindade era
localmente satanizada, como aconteceu com o bode, formando
simbolismos paradoxais de lugar para lugar e posteriormente eram
buscadas referências no passado para reafirmar perseguições
presentes, foi o que aconteceu com os maçons e o bode, que até mesmo
era utilizado como referências para marcar os locais de reunião.
Certamente, a figura do bode se transformando em entidade diabólica
tem uma finalidade catequética, Deus se fez homem através de Jesus
Cristo e todos os santos eram homens, deuses zooantropomorficos tão
comuns na antiguidade eram localmente tratados de serem
demonizados como arma pedagógica de comparação conversória.

Capitulo VIII
Somente no Concilio de Toledo(447) que oficialmente é feita a primeira
descrição do Diabo. Aparecem os chifres, porque quase todos os deuses
pagãos tinham características animalescas, a própria Mitra tinha chifres
de Touro, e o Touro habitualmente era cedido em sacrifícios. E o
mitraismo fora a principal linha de credulidade na Era Bizantina.
"Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados". Era
assim na Antiguidade clássica. Diógenes, o filosofo cínico(termo grego
que significa canino[6], avesso ao supérfluo e a avareza parodiou essa
crença quando se aproximou do altar com reverencia e esmagou um
piolho sobre o altar, assim considerando o sacrifício uma exterioridade
desnecessária. A fusão da filosofia estóica que bebe nos cínicos com o
cristianismo coloca em xeque para sempre a utilidade dos rituais de
sacrifício para comunidade.
No Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. O autor atribuí a cada
personagem que atravessa o além , insígnias materiais. O Judeu chega
com um bode nas costas; tal modo de segurar o animal pode revelar uma
prática medieval, segundo a Professora Doutora Angélica Varandas do
Departamento de Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa em seu artigo na revista de Estudos Antigos e
medievais Brathair, intitulado "A cabra e o bode nos bestiários
medievais ingleses" mostra que na Idade Média "era costume castigar
os judeus de praticas heterodoxas, fazendo-os circular montando num
bode ou numa cabra de costas para a cabeça do animal uma posição
reservada aos criminosos"(pag 07). De fato na Idade Media o bode podia
representar o judaísmo e o Deus dos judeus. A negação do Diabo no Auto
em embarcar o bode significa que o próprio Deus judeu é entendido
como um ser demoníaco pelo próprio Diabo.

Capitulo VIII
O Bode também é um animal contemplado pela imaginação na
Europa do Norte, onde o bode é um dos animais que puxam a carruagem
de Thor o Deus do relâmpago e do trovão. Na arte, o bode aparece no
quadro de Goya, o Sabbath das bruxas - o bode é um animal
emblematizado diabolicamente, é ao redor dele que as bruxas se
localizam. O bode também é relacionado com as artes da feitiçaria, o
próprio Deus Baphomet aparece com cara de bode no livro de magia de
Eliphas Levi.
Na Idade Média a iconografia nos mostra que o bode no bestiário
medieval personificava a luxuria. É como a figuração desde vicio que o
bode se manifesta na iconografia, certamente o bode é um dos varios
animais do bestiário, cuja ambivalência de significados fica evidente
desde de Moisés em Levticos. Já o carneiro é o símbolo divino e o bode o
símbolo demoníaco, o cordeiro é o símbolo dos justos e dos cristãos fiéis
que serão salvos no dia do julgamento como mostra a parábola do bom
pastor. O carneiro como referência pode ate mesmo corporizar a cristo.
Já o bode encarna características de uma licenciosidade fantásticas, uma
libido desenfreada. O Diabo além desses atributos sexuais também
partilha de semelhanças a níveis fisionômicos por possuir chifres, barba
pontiaguda, cascos de animais e cauda bifurcada.

Capitulo VIII
Na Idade Média simboliza o pecado da concupiscência e se associa
a invocação do Diabo e às artes da feitiçaria.[7] A associação a este
animal leva em 1267, o Concilio de Viena obriga os judeus ao uso de um
chapéu pontiagudo como um corno - o "pileum cornutum"
[1] Aetas Tenebrae, Aeon Noctis

[2] Gnose significa conhecimento, mas não um conhecimento


qualquer e sim o pretenso conhecimento do incognoscível, isto é, o
Inferno, o Céu, o Purgatório, Deus, Diabo

[3] (Lucas Cap 16 Ver 19-31).

[4] Lavagem Cerebral é um conceito usado para definir tais


extremas mudanças de interpretações.É um esvaziamento do
patrimônio adquirido ancestralmente, de toda uma cultura riquíssima
e assimilar outra, completamente estranha e diferente

[5] Um problema que nos chega historicamente é como


monoteístas convertem monoteístas?

[6] Na realidade os motivos pelos quais nos chamam de cães são


apenas as qualidades que nos tornam superiores na única coisa que
conta: a auto-suficiencia natural e, por consiguinte, a autêntica virtude"
(Finley, Aspectos da Antiguidade, p.109)

[7] O Bode de bruxa era também um instrumento de tortura


largamente utilizado pela Inquisição.

Capitulo VIII
AMÉRICA E ÁFRICA
REFÉM DE UMA EUROPA
QUE VOLTA A ESCRAVIZAR
A conquista da América separou o continente em dois pedaços.
Uma pequena fatia ao sul para Portugal e a mais extensa a oeste para a
Espanha. Ou seja, inaugurou o padrão de moralidade foi a lei de Gerson,
que é o de sempre se dar bem, passando por cima de tudo e de todos, a
sociedade que deve premiar a animalidade, onde uma pessoa que
cometa qualquer atrocidade em nome de um sonho, de um amor, é
aplaudido de pé, lembro agora do filme “cidade de deus”, quem vai dizer
para Dadinho, e Bené que matar é errado? Que traficar é errado? Quem
vai dizer para Cortez que era errado ele enforcar Cuauhtémoc em nome
da coroa espanhola e da Igreja Católica? quem vai dizer pra ele que
sequestrar Montezuma II é errado? quem vai proteger homens
altamente violentos e dissimulados de si mesmos? Quem vai dizer que é
anti ético escravizar pagãos?

A questão levantada por Todorov é excelente, em um mundo que


se encontra na porta de saída do feudalismo, se dispõe a caminhar como
uma locomotiva para o capitalismo, como compreender porque uma
civilização egoísta vai abrir mão de ficar podre de rica em função do
outro que é um bárbaro? que é um canibal? que nem mesmo pode se
defender da bestialidade de seus ataques?
É bem sabido que Roma, Egito,Persas e Grécia usavam mão de
obra escrava na sua lavoura e mineração e tarefas domésticas, contudo
as mercadorias produzidas por escravos devem conquistar mercado. Ou
Capitulo IX
seja, alguém tem que comprar, pelo fato do comércio ter sido
interrompida a Europa se isolou em si mesma na tentativa de consumir
somente o que ela própria produz.
A escolástica se apropria das teorias de Aristóteles sobre a
servidão natural e a consciência de liberdade para admitir a escravidão
de povos não cristãos.O elo de junção Brasil, África Ocidental durante
300 e tantos anos,formaram um fortíssimo laço econômico.
Coincidentemente os povos da cidade de Ketu de língua yoruba
perderam a guerra contra os povos de língua Efom da cidade santa de
Ifé, portanto foram reduzidos a condição de escravos, na língua Efom
eles chamavam esses povos de anagô, ou seja piolhentos . Justamente
quando a coroa portuguesa conseguiu forjar aliança diplomática com
reino de Daomê para comprar esses cativos de guerra.
Especulou-se inicialmente que os portugueses teriam sido bem
recebidos no Congo, não devido ao espírito hospitaleiro do povo, mas
sim porque eram vistos como espíritos das águas. Os congueses foram
também receptivos principalmente no que diz respeito à nova religião
que seria ensinada pelos padres que partiram em missonadas pelo
Congo. O próprio manicongo deu ordem de se construir uma Igreja de
pedra e cal para ele mesmo se batizar. Os autores vão sugerir que a
conversão dos congueses tenha sido tão repentina que pode até ser
entendida como um grande mau entendido, a implantação do
cristianismo no Congo era apenas uma fachada, que a fé cristã fora
recebida em virtude de conveniências e semelhanças religiosas, pois no
Congo acreditava-se em Deuses, na vida após a morte, e que o divino
pudesse tomar forma humana, e que mortos ressuscitassem. O batismo
seria equivalente a uma cerimônia iniciática que de certo modo os
congueses já sabiam como relacionar.
Houve também rejeição, os devotos das crenças tradicionais, pois
a nova religião também continha elementos que alteravam a lógica de
funcionamento social, incluindo a própria sucessão do manicongo, ao
defender a monogamia, a doutrina criava uma desarmonia com a
tradição, e a circulação de linhagens, pois os congueses desconheciam a
primogenitura, e como sucessor do manicongo poderia ser escolhido
qualquer filho do rei por mulher muissiconga.
O Alberto da Costa Silva vai desconfiar da sugestão de que os
portugueses seriam percebidos como entidades sobrenaturais por
parte dos nativos. Aqueles homens que desembarcaram das caravelas
no Congo, mais precisamente na margem sul do Zaire, denominado
Mpinda, é que se imaginavam deuses pelo próprio espírito
megalomaníaco deles. Pois sempre se imaginavam deuses onde quer
que chegassem naquele momento. Seja na América, na África ou na
Oceania.

Capitulo IX
É bem destacado por Silva que o próprio mar é o espaço que
separa o mundo dos vivos e o mundo dos mortos na cultura africana.
Assim, o albinismo equiparava-se espiritualmente a outras anomalias,
como aos anões, aos gêmeos, aos aleijados de nascença, todos sendo
interpretados como espíritos das águas. O próprio autor supõe como o
mais provável que essa idéia auto-divindade tenha partido do grande
sucesso obtido com as empreitadas européias no além mar.
Após a sua chegada a Mpinda, Diogo Cão levou para Portugal
quatro congueses como reféns para aprenderem a língua e os costumes
ibéricos por aproximadamente 15 luas. Isso porque o monarca
português desejava abrir uma rota comercial com o Oriente, e também
uma frente de batalha da que partisse da África para enfrentar
militarmente o Islã.
O governo preferiu desde do inicio se alinhar a Portugal como
vassalo, por isso o Congo passou a conhecer a o arado, o carro de roda,
os moinhos de água, o barco com varias velas, o serrote, tecnologias até
então eram desconhecidas..
"Desde a época da formação e consolidação do reino, os
prisioneiros de guerra eram escravizados e postos para a trabalhar nas
roças..." (SILVA, 2002). Quer dizer, o escravismo no Congo era
interdependente da guerra. O escravo um bem de consumo e a guerra o
meio de reduzir o inimigo aquela sub condição. O que estimulou ainda
mais aos conguenses resolver os seus problemas com os vizinhos
mediante a guerra. Produzindo estragos de uma natureza que
comprometia as relações de Portugal com o Congo, pois os nobres
declaravam guerra uns aos outros para escravizar seus vassalos,
vendiam-se pessoas endividadas, escravizava-se por pequenos delitos.
Pessoas eram seqüestradas e embarcadas escondidamente. Criando no
seio da nobreza da terra um sentimento de vingança, agressividade,
descontentamento e insubordinação.
Os portugueses tanto fizeram, que desfrutavam de exclusivismo
comercial em relação ao reino do Congo. O monopólio comercial não só
colidia com os interesses da nobreza conguense, como também não era
respeitado pela mesma, o manicongo proibia que os navios particulares
tomassem cargas, assim eles tentaram restringir a atividade comercial
no litoral.
O manicongo presenteou em 1530 o soberano português com
algumas manilhas de prata, o que despertou a ambição do regente em
tomar as jazidas de onde aquele metal deveria ter saído. Mandaram
Baltazar de Castro para bisbilhotar onde se encontravam essas minas de
prata, mas os nativos pressentiram nele um informante, e conseguiram
convencer o português de que não havia minas de prata por aquelas
regiões. O interesse de Portugal pelo Congo se reduzia ao comércio de

Capitulo IX
mão de obra cativa. O que terminou gerando conflitos armados
avassaladores, angicos, teques, vassalos do manicongo, questionavam
uma melhor divisão dos lucros e maior participação nas fases do
negócio. De modo que o Congo estava totalmente fragmentado por
disputas políticas e religiosas, perca de mão de obra, descontentamento
por parte da plebe e dos mussicongos e demais candas, fatores esses que
determinaram o sucesso do ataque dos jagas ao Reino do Congo. Os jagas
que eram descritos por sua imagem "feroz, nômade, antropófaga e
destruidora que vivia da guerra e do saque." O relato dessa invasão em
1568, é citada pelo autor através da leitura do documento escrito por
Filippo Pigafetta, redigido do que lhe fora narrado por Duarte ou
Eduardo Lopes, um comerciante português que estivera no Congo, de
1578 a 1582, e fora enviado a Roma como Embaixador pelo Rei D. Álvaro
I. O rei de Portugal enviou-lhe uma força tática para combater os
invasores. Assim Álvaro I conseguiu retomar o controle do reino. O
tráfico voltou a prosperar em virtude dos prisioneiros obtidos em
guerras no lago Malebo, reino tio de Okango, no baixo Guango,
fornecendo escravos a São Salvador e ao porto de Luanda.
O advento da indústria fabril no século XVIII protagonizou a
extinção do trabalho compulsório, passo significativo para a
fomentação da mão de obra assalariada, entretanto convirá esclarecer
que no ultramar, a escravidão negra era primeira opção, até por ser um
mercado extremamente lucrativo, muito embora Ciro Flamarion indica-
nos a existência de comercio italiano no mediterrâneo de mão de obra
escrava negra já na Idade Média, a chegada portuguesa na África
funciona como catalisador dessa prática. No entanto fato destacado por
Laura de Mello e Souza no seu trabalho a respeito da escravidão, é que
mesmo que houvesse escravos em Portugal eles não tiveram
importância, pois não existia codificação especifica."A primeira grande
remessa de escravos africanos chegou a Lisboa em 1441;durante o
século XV, Portugal recebia por ano uns 800 ou 900 escravos, que
trabalhavam na sua crescente indústria açucareira do Algarves, além de
desempenharem os papéis tradicionais de servos domésticos ou
artesãos."(LOCKHART & SCHWARTZ, 2002: 47)A escravidão é um
recurso que foi muito utilizado por economias rudimentares como a
Grega clássica, o Egito antigo, normalmente os povos vencidos em
guerra tornavam-se escravos. É uma maneira de acumular riquezas e
obter a menor despesa possível. E a violência sendo o instrumento que
mantêm a eficiência da produção. É bem sabido que a mão de obra em
Roma era escrava, na Idade Média era serva, porém em algumas
regiões(Leste Europeu) predominava a escravidão de eslavos por
exemplo que me parece que a palavra escravo é uma desinência de
eslavo. Vários povos já foram submetidos a condição de escravo. Os
hebreus foram por mais de trezentos anos cativos no Egito.Os aspectos
observado pelo Professor Fernando Novais no que diz respeito a Europa

Capitulo IX
e a América assemelha-se a visão do Caio Prado(e diga-se de passagem
declarado seguidor), onde a colonização não é um fato isolado mas parte
de um todo, onde os anseios econômicos metropolitanos eram a mola
propulsora dessa colonização, e todas as políticas conquistadoras tinha
caráter mercantil, é sempre desejando o trafico de mercadorias que os
europeus agem, não excluindo nem mesmo o clero desse paradigma
mercantil de vida, é sabido a participação eclesiástica no contrabando
de ouro, diamantes e tabaco.Embebido por Karl Marx, Ciro Flamarion,
analisa os tipos de modos de produção aqui instalados, a tentativa de
fundamentação da tipologia desses modos de produção americana,
dando inicio a discussão de um suposto modo de produção colonial,
salienta as variantes desse modelo como o caso da Guiana Francesa
como limite desse modelo.Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala,
inaugura a idéia de democracia racial, que o negro era agente ativo da
historia, penetrando nos costumes,na cultura, no idioma, abandonando
a antiga perspectiva de passividade,apatia negra, através de uma leitura
persuasiva ele tenta nos convencer de certa doçura na escravidão, uma
escravidão branda, benevolente, e contrário a essa idéia recentemente
surgiu uma revisão teórica escravista,a chamada "new economic
history´´que preocupa-se em exibir as formas de resistência negra.
Influenciado por essa "new economic history",Gorender em suas
reflexões metodológicas a respeito da escravidão vai em Marx no que
diz respeito a conquista entre povos e quando fala da importância do
caráter histórico da economia política. Gorender também advoga contra
essa historiografia que defende a escravidão como algo normal,
aceitável e ate mesmo não violenta por parte dos escravos. Ele
posiciona-se claramente contra essa hipótese, segundo ele infundada
historiograficamente,pois uma relação tão dicotômica, tão tensa como
entre escravo e senhor não poderia ser conciliável.No Brasil, com a
industrialização foi possível absorver o negro como operário e na
guerra do Paraguai como militares. E claro que a abolição da
escravatura foi só o inicio de uma grande luta pela própria liberdade em
terreno estrangeiro, por melhores condições que se arrasta até os dias
de hoje.
Existe a idéia que o genocídio gera respeito e poder, diz se também
que quem faz façanhas militares está acima dos preceitos morais
comuns, estando livres para formular suas próprias leis. Genocídio
segundo eles só põem a prova a natureza do homem destinado a ser
grande. Cortez aproveita sua liberdade e seu direito nato para
conquistar o novo continente e a literatura historiográfica vai ressaltar
esse aspecto grandioso da sua imagem. A prática política e social do
século XVI reflete a visão mais ameaçadora da Igreja Católica, onde o
infiel pode ser exterminado caso não queira aceitar os seus dogmas.
Para mim o problema histórico importante é pensar que tipo de pessoa

Capitulo IX
Cortez realmente é? Como ele pode reagir assim diante das
complexidades?
Eu acho que ninguém realmente se identifica com Cortez, ele é
fruto da educação medieval, talvez ele tivesse sentimentos bons que o
impulsionavam a ser bom, porém a razão forçava-o a ser mal. Ele era
tentado a se guiar pelo mal devido ao racionalismo imposto pela Igreja,
ou seja ele estava dividido entre depositar sua confiança no
racionalismo ou nos seus sentimentos. Ele tinha dois caminhos e foi
colocado a prova para realizar uma expedição que extrapolava e muito
o código militar e os seus juramentos para com a Igreja.
O seu trabalho em América fez dele um genocida terrivelmente
brutal que só tinha o motivo pessoal do ouro para massacrar os gentios.
Admitindo que a educação medieval tinha poder para infectar as
pessoas com idéias sombrias e megalomaníacas de que para perseguir
os objetivos da Igreja, o militar pode passar por cima de tudo e todos e
não vai danificar seu espírito porque ele será absolvido pelos homens e
terá a redenção de Deus. Então, ele já sabe que tem culpa, porém essa
culpa não gera nenhuma compaixão pelo próximo, suas decisões são
irreversíveis. É como se ele sentisse que estava condenado a liderar essa
expedição para massacrar os nativos desde sempre. Ele era bastante
inteligente e já era prá lá de adulto[1] quando aceitou investir nessa
campanha. Ou seja, ele cede ao apelo da Igreja de ser uma pessoa
perversa, violenta e imoral.
Adam Smith, em A Riqueza das Nações fala "A descoberta da
América, e que da passagem para as Índias Orientais pelo Cabo da Boa
Esperança, são os dois maiores eventos registrados na história da
espécie [humana]"
Para os economistas o trabalho é a fonte da riqueza, o trabalho é
a condição básica e fundamental de toda a vida humana. Já para os
teólogos: o trabalho na Idade Média, hora tinha peso de penitência
redentora, hora tinha peso de entusiasmo. "A Bíblia mostra, como se
sabe, o homem condenado, por sua própria culpa, a ganhar o pão com o
suor de seu rosto. O trabalho é uma maldição. Antes da queda,
entretanto, o homem - a Bíblia também o diz - participava com alegria
do trabalho do Criador." (LE GOFF, 2008:77 ). A expulsão do paraíso é
um divisor de águas na significação do trabalho.
Smith escreve isso em 1776 que a exploração da América
assegurou a riqueza da balança comercial para Inglaterra, Holanda,
França e Alemanha; até mesmo na Suécia, Dinamarca e Rússia na forma
de acumulação primitiva de capital o que possibilitou o
desenvolvimento da manufatura.

Capitulo IX
Marx também se refere que no século XIX que a industrialização
permitiu ao imperialismo inglês dominar gradualmente Índia e Pérsia.
Evento militar esse só visto no tempo de Alexandre, O grande.
Ou seja, é bem verdade que no começo do século XVI as economias
européias estavam em uma miséria tão terrível quanto a do começo do
século II e III a.c. Ora, nesse contexto, a igreja impunha uma moral
senhorial que depreciava a atividade do comerciante e ainda detinha o
domínio da produção agropecuária na cifra de 1/3, além disso as rotas
para o oeste mais uma vez foram obstruídas pela aliança da Hungria e
da Boêmia com os muçulmanos como também a queda de
Constantinopla pela turco otomano obstruía mais ainda a tentativa de
comercializar amigavelmente com o oriente que produzia muito mais
matéria prima que podia consumir por si só porém com as subseqüentes
desvalorizações do comércio da companhia das índias orientais de
especiarias e bugigangas com a Índia e China no século XVII, trouxe para
a América toda atenção da companhia das índias ocidentais em virtude
da pretensão de desenvolver um sistema de produção nas Américas
através do braço escravo negro. O feudalismo vai perseguir o imaginário
colonial na busca por uma sistematização política semelhante às antigas
monarquias medievais, Cortez foi declarado Marques do Vale Oaxaca.
Até pouco antes das grandes navegações, os valores e o comportamento
estavam ligados aos títulos de nobreza agrícolas, característica de quase
todas as sociedades pré-industriais. "Sem dúvida, porém, o principal
tipo de trabalhador no Feudalismo eram os servos. Contudo, não é fácil
acompanhar a passagem da escravidão para a servidão. Ela se deu
lentamente, com variações regionais, mas sempre acompanhando o
caráter cada vez mais agrário da sociedade ocidental." (FRANCO JUNIOR,
1983:39). Ou seja, a mão de obra era escrava, porém é bem fácil
acompanhar a mudança da passagem da mão de obra serva para a volta
da escravidão aqui em América. Cada forma de produção gera as suas
próprias relações sociais e as suas próprias formas de organização. Para
Braudel a evolução do homem é bem lenta cabendo ao historiador
esmiuçar esses progressões para que a História seja uma coisa viva e
útil, que possa tanto nos acalmar de nossas neuroses pessoais ,da nossa
obsessão pelo alienante, o fanatismo pela heresia , pela política ou
mesmo o fetiche pelo poder e pelo saber.
Epistemologicamente o pós estruturalismo permite que qualquer
resposta tenha base analítica e científica se perturbar a política
burguesa. O pós modernismo também relativiza a ciência em autômatos
onde por incrível que possa parecer todos os pontos de vistas estão
corretos. Assim fica difícil convencer a comunidade científica de que o
problema pessoal de um pesquisador seja um problema geral. Como
também é difícil convencê-los de que um problema geral , é seu
individual. O governo vê nas universidades uma solução imediata para

Capitulo IX
o problema do analfabetismo, que deveria ter sido resolvido no ensino
fundamental I. A ideia é que como também muitos professores
universitários tiveram um péssimo ensino fundamental I eles optam por
favorecer os bajuladores. O que reduz os programas de incentivo a
pesquisa a um curral de aduladores. Também vale ressaltar a falta de
incentivo que a editoras tem em publicar qualquer material que não seja
de um escritor que já tenha grande nome. Enfim, são muitas dificuldades
mas serão resolvidas, espero. Alguma hora algum professor vai ensinar
as pessoas a entenderem que os problemas filosóficos do século V antes
de Cristo ainda estão em voga e deveriam fazer parte de toda e qualquer
pesquisa que tenha alguma seriedade. As vezes o sujeito tem a
presunção de saber alguma coisa porque lhe concederam alguns títulos
de mestre ou doutor ou pós doutor e ele começa a criar dogmas, fazer
arengas e perder a capacidade crítica de que na verdade o papel do
professor é incentivar as pessoas a amarem a virtude e odiarem os
vícios e isso não tem nada haver com nota, nem com passar de ano, nem
com publicar nada, muito menos com regência de sala de aula, pasmem
os licenciados. O próprio cristianismo nasceu com essa proposta de
sobrepujar moralmente o judaísmo, seu principal adversário, como
também convencer os romanos de que a moral romana que via no
sucesso da republica a mais alta virtude também era um fracasso,
consistia em nada mais que cegos guiando cegos.
[1] Hernán Cortez nasceu em Medellín, em 11 de novembro de
1485, filho do nobre Martins Cortez de Monroy, que era capitão da
infantaria ,sua mãe se chamava Catarina Pizarro Altamurano, portanto
família tradicional e religiosa. Ainda pequeno aprende as atividades da
equitação e da caça esportiva, passando os primeiros saindo de Medellín
para Salamarca somente em 1499 e ao que tudo indica foi estudar
direito, tendo assim aprendido o latim, mas permaneceu apenas 2 anos,
deixando seus estudos por falta de dinheiro, e em 1504 embarca na
expedição para Caribe. Genealogia confirmada pelo site:
http://www.geni.com/people/Martín-Cortés-de-Monroy/
6000000003493243566

Capitulo IX
O DESPERTAR DA
AMÉRICA
Não resta dúvida que para Colombo tudo passa por Deus,
principalmente a História passa por Deus, como é possível averiguar em
Manuel dos Anjos no século XVI, autor que se propõe a escrever um livro
de História Universal. A América já estava "descoberta", porém é preciso
se utilizar das autoridades, os sábios, a Bíblia é a principal fonte de
conhecimento e apreensão da realidade. Motivo pelo qual o autor não se
arrisca a fazer uma história do continente americano. Ora, o livro de
História era escrito por mandato do reverendo Padre Frei Fernando de
Câmara, Ministro provincial da sagrada Ordem de penitência.
Certamente, se a História do homem não estivesse em sintonia com a
redação do Gênesis, não seria aprovada pelo santo Ofício. Na pior das
hipóteses poderia até ser considerado um herege.

A história do Homem começa com a divisão feita por Noé após o


dilúvio, que partilha os três continentes entre seus três filhos,
Iaphet(Jafé) o filho mais novo e que Noé mais amava ficou com a Europa,
Sé o mais velho ficou com toda Ásia e Cam(Cão) ficou com o continente
maldito: a África. "O ponto de partida da narrativa nos eventos mítico-
religiosos retratados no Gênesis, reproduzindo visão providencialista
típica da literatura histórica produzida na cronística medieval."
(MACEDO, 2001: 02)

Capitulo X
Ora, Colombo presta atenção a narrativa bíblica e não quer se
indispor de maneira alguma com a Igreja, de modo que se aqui em
América outro continente fosse, então para qual filho Noé teria dado?
Será se o Genêsis se esqueceu de mencionar a América? Ou se Noé não
deu para ninguém e agora caberia a Igreja dar para algum filho seu?
Cristóvão Colombo(Cristobal Colon), cujo nome significa
"colonizador portadores de Cristo", nasceu perto de Gênova, em 1451.
Marinheiro, navegador, capitão, e cartógrafo, e depois de 1480 ele
dedicou sua vida ao empreendimento audacioso de liderar a expedição
para explorar o leste da Ásia navegando para oeste. Sua proposta foi
rejeitada pela Comissão Real de rei Português João II (1481-1495 r.)
Porque os portugueses preferiam explorar a rota em torno de África;
também eles acreditavam que sua estimativa da distância para o Japão
por oeste indo era demasiado curto. Seu irmão Bartolomé Colon apelou
aos da Inglaterra Henrique VII, sem sucesso. Finalmente, em 1492,
depois que o espanhol tinha derrotado os mouros em Granada e
expulsou-os e os judeus da Espanha, o rei Fernando (Fernando) e Rainha
Isabel concordou em financiar o empreendimento ousado. O primeiro
gesto do Colombo em contato com terras recentemente "descobertas" é
o ato da nominação, mesmo sabendo que aqui já tinha nome, é uma
forma declarada de ver a descoberta como expansão territorial
espanhola, e também não reconhece a diversidade das línguas mesmo
sendo poliglota, e quando ele se depara com a língua nativa ele recusa a
admitir que seja uma língua, e ate nos seus devaneios ele distorce a fala
indígena adaptando para o que ele queria escutar.
Acompanhado do olhar de Colombo sob os nativos, estava a
“Invenção” do “ser-asiático”, uma imagem que só existia na cabeça do
europeu renascentista, que não descobre, identifica. Porque Colombo
esperava encontrar o Grande Cã, asiáticos, encontrar a cidade de Quisay,
agora descobrir um novo continente nunca passou pela sua cabeça, e
logo de inicio o índio é negado como outro, e apresentado como um
selvagem, um bárbaro, desprovido de identidade diante do europeu
“civilizado”, essa idéia sendo o carro chefe da dominação imposta a
esses povos, até mesmo no âmbito religioso, onde inicia-se uma briga
por um monopólio espiritual.
Nas cartas Colombo fala que os índios são generosos e covardes,
que um pequeno contingente de soldados europeus colocaria para
correr volumosos exércitos nativos, que os ameríndios eram muito
afeiçoados a cacarecos, trocavam perolas por pedaços de tigela. Um
claro sentimento de superioridade castelhana-genovesa, gera um
comportamento protecionista, Colombo ate proíbe os marinheiros de
efetuarem trocas escandalosas.

Capitulo X
Subitamente o discurso muda, justamente onde os covardes nunca
vão para o confronto direto, mas quando encontram homens isolados
eles matam: na verdade Colombo estava falando de si mesmo nessas
cartas. Colombo quando chega à América não vê exatamente a descrição
de Marco Pólo nem dos medievalista aqui , o habitantes de índia bem
apessoados, educados,e a existência de muito ouro. Na realidade o
Todorov deixa bem claro que Colombo ver o que ele quer ver, ele leu
Imago Mundo de Pierre d’Ailly que o paraíso estaria localizado numa
região temperada alem do equador, o tema vira obsessão para Colombo
onde ele chega a afirmar uma certa irregularidade na forma redonda da
terra, notório que as crenças de Colombo influenciavam por demais suas
interpretações, ele chega a ver sereias.
Colombo não tinha prometido a Rainha Isabel buscar o paraíso ,
diante da coroa ele tinha o pretexto de encontrar as Índias, mas ele viaja
com isso na cabeça sem contar a ninguém pois ao afirmar no seu diário
que encontrou vários sinais da presença do paraíso, isso vem a revelar
que o "paraíso" para Colombo não é uma realidade metafísica, ou seja,
ele constrói uma realidade que bem quer ,de modo que ele empreendeu
uma viagem de navegação simplesmente para identificar aquilo que já
conhecia através de livros, contudo quando o almirante chega as Ilhas
do Caribe a realidade é bem outra, então a partir daí ele passa a
ficcionalizar seus registros de viagem,ele passa a encobrir e deformar
de modo a se ajustar com o que ele esperava encontrar, pois para
Colombo não é tão fácil abrir mão de suas predisposições. Colombo fica
maravilhado com a diversidade da fauna e da flora caribenha , é tanto
que suas anotações sobre os habitantes ficam em algum lugar entre as
arvores e os pássaros.
Os Astecas tinham uma mentalidade mística, onde a vida era
regida pelo destino, conhecidamente pela data de nascimento, e há
outra forma de adivinhação que é por um acontecimento que saia do
comum, como por exemplo determinado sonho. Os presságios eram
como avisos.
É tanto que aconteceu algo aterrorizante, na hora de comer, a
refeição virou partes humanas, intestinos, fígados e etc... diante de coisa
tão horrível os habitantes de Xochimilco identificaram que aquele era
um péssimo presságio, que significa a destruição da cidade.
Esta fraqueza da comunicação é vista principalmente nas atitudes
de Montezuma II, o governante asteca. Ele foi alvo da dissimulação de
Cortez, que também procurava confundi-lo. Montezuma II buscava
informações sobre Cortez e suas intenções, mas não sabia o que fazer,
ou seja, paralisava-se diante das informações. Este não opõe resistência
à Cortez e deixa-se prender quando os espanhóis atingem a capital
Tenochtitlán. E mesmo preso, só preocupa-se com o derramamento de

Capitulo X
sangue, e não em livrar-se de Cortez. Mas Cortez só é favorecido com as
atitudes de Montezuma II numa primeira fase da guerra, pois o
governante é morto na “Noche Triste”, e depois disso os indígenas vão
partir para o ataque contra os invasores.
O que Cortez quer, inicialmente não é tomar, mas compreender,
os signos são os atalhos que interessam-o, em primeiro lugar, não os
referentes. Sua expedição começa com a busca de informações e não de
ouro, o que a principio gera a antipatia dos seus companheiros que
queriam riquezas rápidas, mas ele não, ele antes de procurar ouro,
procura uma interprete, através da afetividade que la Malincha
demonstra por Cortez ele capta a divergência entre os índios, diferente
dos astecas o Cortez só escuta presságios divinos que o interessem.
Cortez tem sempre uma preocupação constante com a
interpretação dos outros, o que os índios irão pensar dos seus gestos,
punindo severamente saqueadores do seu próprio exercito, pois dão
uma péssima reputação para Cortez, ele ate anuncia que sob pena de
morte ninguém deveria tocar outra coisa senão comida, para aumentar
sua reputação de benevolente, ele ate deixa que os índios pensem que a
bússola e o mapa tudo revelavam para ele se tratando de geografia.
A primeira preocupação de Cortez quando está fraco, é fazer com
que os outros pensem que ele está forte(Sua tática militar preferida),
não permitindo o descobrimento da verdade, ele é extremamente
sensível as aparências , quando é nomeado para liderar a expedição
compra de imediato uma roupa imponente, demonstra seu gosto por
ações espetaculares bem consciente do valor simbólico delas.
O segredo de Cortez foi o de em todas as suas ações pegar os índios
de surpresa, como se fossem eles que conduzissem uma guerra regular
e os espanhóis atormentassem com um movimento de guerra.
O modo particular que Cortez maneja a guerra, a pratica da
comunicação que é responsável pela imagem deformada que os índios
têm dos espanhóis que seus cavalos são imortais, e o melhor exemplo
que é fazer parte da elaboração do mito de Quetzalcoatl, interpretando
o mito em seu beneficio.
Cortez coloca em primeiro lugar a comunicação entre os homens,
inter-humano, já Montezuma II coloca o mundo místico em primeiro
lugar, porque é nessa esfera que os adivinho interpreta o divino, o
natural e o social.
Obvio que a visão mística não cega a visão dos fatos, nesse caso é
ação sob o outro que se mantêm em estado embrionário por intermédio
dos signos, mas em compensação sempre se informam sob o estado das
coisas, inertes ou vivas, por exemplo, na guerra sempre é utilizado os
espiões, e depois de um reconhecimento minucioso prestam contas aos

Capitulo X
dirigentes, quando Cortez embarca na costa mexicana, Montezuma II é
informado rapidamente por seus velozes vigilantes.
Montezuma II sabia colher informações quando era sobre seus
clássicos inimigos, traxcaltecas, huastecas mas quando os informantes
falam a respeito dos imprevisíveis espanhóis se quebra todo esse
intercambio de informações, encontramos uma confirmação da postura
espanhola nas previsões indígenas que todas apontavam que os
estranhos tomariam o reino.
O mais interessante é que Montezuma II pune seus informantes, e
também os mágicos que tinham sonhos proféticos nada favoráveis eram
arremessados em calabouços para de fome morrer.
A associação que os indígenas faziam entre poder e a língua é
marcante na sua cultura. A ausência de escrita é um elemento
importante, talvez ate o mais importante, porque os pictogramas usados
pelo asteca, não são um grau inferior da escrita: registram a experiência
e não a linguagem, funcionando como revelador do comportamento
simbólico em geral e ao mesmo tempo da capacidade de perceber o
outro.
No primeiro contato com a tropa de Cortez e os índios, os
espanhóis declaram que não buscam a guerra, e sim a paz e amizade.
“As mulheres as palavras, aos homens as armas”, nessa filosofia os
astecas entendem a guerra, mal sabiam eles que as “mulheres” no
sentido figurado ganhariam a guerra, porque com a assimilação da
cultura astecas, Cortez impõe aos astecas seu próprio tipo de guerra.
O comportamento dos espanhóis é sempre estranho, o asteca não
entende para que eles querem tanto ouro. Nas investidas astecas em que
eles se apoderavam das armas de fogo, elas eram oferecidas aos deuses
nos templos, quer dizer os espanhóis nem se dão ao trabalho de lutar,
preferem ao chegar, convocar os dirigentes locais e fazer um espetáculo
com tiros de canhão para o ar, onde os índios caem de pavor, onde o uso
simbólico das armas é extremamente eficaz.
Nos escritos dos conquistadores, sim, em alguns aspectos os
astecas provocavam até admiração dos espanhóis[1], quando Cortez
emitia juízo a respeito dos astecas eram sempre paralelizando com os
espanhóis, até em nível de civilização, as vestimentas muito bem
trabalhadas, as casas de alvenaria e madeira muito bem construídas,
ouro e prata finamente trabalhada. Realmente existia um choque
cultural mas também o encanto, muito parecido com a reação de um
turista latino quando vai a áfrica, ou a Ásia, quer dizer, mantendo-se
estrangeiro a ela.

Capitulo X
Os interesses dos espanhóis sempre foram metais preciosos, o
genocídio não foi um fim, mas um meio para esse objetivo maior, o ouro,
no seu objetivo eles falharam porque a maioria dos metais aqui
encontrados foi para mão da Inglaterra através de acordos comerciais
(Tratado de Ultretch).
Obviamente o que possibilitou a conquista foi a maneira que os
espanhóis manejaram os signos, a imagem que eles queriam que fosse
passada, de guerreiros que nunca se cansavam, de oniscientes,
onipotentes, possuidores de cavalos imortais, porque os astecas nunca
domesticaram animais desse porte, e foi uma grande reviravolta na
cabeça deles quando viram os cavalos, o mito de Quetzalcoatl, que fora
interpretado em beneficio estrangeiro Ate a segunda fase da guerra pois
esse mito vai acabar, porque os indígenas enxergam a intenção maligna
dos invasores. Além disso, acontece a morte de seu governante
Montezuma II, que também representava os valores religiosos, pois era
um sacerdote.
Vale salientar o uso simbólico que Cortez fazia de suas armas, que
só faziam realmente barulho, num show pirotécnico, que assombrava os
índios, o desconhecido sempre causa assombro tanto faz ser hoje ou a
quinhentos anos atrás
Quando a civilização asteca choca-se militarmente com os
espanhóis, entra em choque também com o mundo europeu, que
conhece a metalurgia, que possui armas de fogo e cavalos contra índios
que desconhecem o ferro, aço e com armas menos eficazes como as
lanças, arcos e flechas, e que não contavam com a mobilidade do cavalo.
Ao mesmo tempo os astecas desconheciam aqueles instrumentos de
ferro, e principalmente o cavalo, e isto causa um efeito psicológico muito
grande, assim como um forte temor. Outro fator importantíssimo na
“vitória” espanhola fora as alianças feitas com algumas tribos indígenas.
E para Todorov ocupa o centro da discussão em torno das razões da
vitória espanhola.
A farta distribuição de gordos lotes de terra as chamadas
capitanias hereditárias, desde cedo não incumbidos da obrigação do
cultivo da terra, e a desataviada economia monocultivadora agrícola
voltada à exportação na ditas capitanias de Bahia e São Vicente que
"davam lucro". A agricultura é a base de quase todas as sociedades pré
industriais, na América principalmente; isso quase sempre significava o
cultivo de milho, embora o complexo andino de batatas e cereais
robustos de grande altitude. A agricultura permanente significava que a
unidade sociopolítica local chamada muitas vezes de calpulli na região
central do México e de ayllu nos Andes, existia um sistema primitivo de
trabalho rotativo chamado nos Andes de mita, termo baseado na
palavra que significa "volta" ou "rodada", e no centro do México, de

Capitulo X
coatequitl mais uma vez "rodada de trabalho", e os ameríndios da
América portuguesa também praticavam a agricultura, e tinham um
sistema rotativo de trabalho bem menos rigoroso que a mita, pois a sua
economia também tinha como base o extrativismo como a pesca, caça,
frutas e raízes, e o plantio de mandioca.
"O paternalismo deste sistema, com suas ligações e obrigações
mútuas entre patrono e protegido, chefe de família e dependentes,
senhor e agregado, perpassava as camadas dos grupamentos funcionais
ou categoria econômica. Cada indivíduo ou grupo familiar estava ligado
a um patrono por laços de parentesco, obrigações ou interesse. O
sistema envolvia afeição e ódio e tinha lugar para pessoas de
características muito diferentes. Transferido para o Novo Mundo,
mostrou-se particularmente adaptado à situação de uma sociedade em
formação, com sua descentralização típica e sua necessidade de
incorpora origens étnica divergentes." (LOCKHART & SCHWARTZ, 2002:
26-27)
O território brasileiro foi desde logo fatiado como uma pizza em
grandes domínios rurais, cujos proprietários exerciam toda sua
onipotência. A instituição usada neste processo era a capitania
hereditária, que datava também data de precedentes medievais.
Bem como na América espanhola a elite criolla passou a controlar
os interesses da metrópole através do monopólio territorial, inclusive
depois da independência com o apoio "cimentador" da Igreja Católica
para preservação do seu poderes. O trabalho dos jesuítas extravasou e
muito o seu compromisso em Trento que era o de difundir a fé na
América portuguesa.
Pelos conceitos da Igreja teriam os desbravadores furtado a
América?
O furto é uma atividade muito sorrateira, exige do infrator
destreza e cautela. Imaginemos a facilidade que um gatuno pode
desfrutar para roubar uma ilha ou terras que ninguém conhece?
A falta de documentação e a dificuldade de vigilância existente na
Idade Média e Moderna, leva os salteadores a escaparem da acusação de
ladrões pois não podem ser surpreendidos pelo atestado de
documentação contrária. É principalmente essa maliciosidade que
repercute mal. Ir-nos-emos ver, que o conceito de furto para os doutores
é bem amplo. Muito amplo mesmo, passando até pela metafísica. “Um
ladrão pode furtar a fama, a honra e a fazenda.”
Criticamos muito, e exigimos uma sociedade laica, apartada de
concepções religiosas para o plano civil, porém o contato direto com as
fontes nos mostra que o esforço dos intelectuais dos séculos XVI, XVII e
XVIII em focalizar as implicâncias de variados tipo de furtos não foi em

Capitulo X
vão. Pelo próprio regimento do direito canônico Cortez furtou a fama, a
honra e as terras de Montezuma II.
Temos que sublinhar ainda que essa história seja cheia
progressos e regressos, Cuauhtémoc "o descendente das águias"
conseguiu sustar o avanço da falsa influência espanhola em América,
Tupac Shakur também, por isso devemos entender mais
adequadamente que o poder legislativo canônico e o judiciário são os
mediadores entre diversos domínios sociais e simbolicamente
construídos, tais como passado e presente, nacionais e estrangeiros,
infratores e honestos.
"Os indivíduos reduzem-se aí a portadores de formas que os
comandam sem eles saberem. Os indivíduos vão buscar a essa
totalidade o seu sentido (invisível de fora dela). A unicidade de cada
presente sacrifica-se incessantemente a um futuro chamado a
desvendar o seu sentido objetivo. Porque só o sentido último é que
conta, só o último ato transforma os seres neles próprios. Eles serão o
que aparecerem nas formas, já plásticas, da epopéia." (LEVINAS : 10.); é
justamente esse ato último a posição cabível ao infratores, ou seja, ser
ladrão é ser eternamente a favor da desordem. Mostrarei que quando
falamos de "furtum", com freqüência falamos sobre "patrimônio", para
os teólogos parece não haver limite para o processo de qualificação
deste gesto. Quase tudo é compreendido como furtum.
Os doutores nos sugerem a possibilidade de pensar o infrator de
outra maneira. O que precisamos colocar em foco nessa discussão é a
possibilidade analítica de se transitar por uma longa idade média. Em
outras palavras: a evolução do homem é muito lenta, nos séculos XVI,
XVII e XVIII o furto tem a mesma compreensão metafísica.
Não sabe-se distinguir pecado de delito, o estado é teocrático, o
próprio peculato que é um crime contra o estado é julgado por forças
religiosas, pois poderes importantíssimos como o legislativo se
concentra na mão de autoridades religiosas. Em que medida isso pode
nos ser útil para entender as concepções atuais de direito? Ora, a noção
de furto hoje está estreitamente ligada com a de inviolabilidade da
propriedade privada.
Inequivocadamente, para os doutores o furto é considerado uma
culpa digna de castigo.
Deve ser respeitado como o sétimo mandamento da lei Mosaica.
Perpetuado no novo testamento por (P)Saulo: "Nem os ladrões, nem os
avarentos. Nem os injuriosos herdarão o Reino de Deus" (1Cor 6,10).
Verdade aceita inquestionavelmente até hoje.
Os conceitos de propriedade têm uma sobrecarga religiosa muito
forte.

Capitulo X
A doutrina que os doutores professavam, emite vários juízos
econômicos, a partir do momento em que valorizam e reforçam a
inviolabilidade da propriedade privada, existe um princípio econômico.
É competência do poder legislativo desenvolver leis para prever as
infrações e do judiciário punir e restituir as vítimas.
"A raiz, onde todos os males tem principio, é a cobiça, a qual
seguindo alguns se apartão da fé e se envolverão em muitos tormentos
e dores."(ANJOS: 208) . Os motivos que levam as pessoas a furtarem
voluntariamente, são os mais diversos possíveis. Como também os que
levam a não furtarem. Para os teólogos essas divergências implicam
diretamente na venialidade ou mortalidade do pecado. O apetite por
bens materiais nem sempre é o motor da velhacaria. Como veremos
adiante.
Azpicuelta quando começa a discutir sobre o furto, ele vai fazer
uma primeira distinção bem chave, o furto mental do furto real:
"O mental é a vontade de furtar, porque basta querer ganhar
alguma coisa disto para que seja furto. e nas suas próprias palavras "os
pecados da vontade, boca, & obra, sam de húa mesma especia, & casta,
ainda que só os da vontade, não obrigam a restituição, como os da obra,
& boca." (AZPICUELTA: 171)
Algumas pessoas tem vontade de roubar porém deixam de
subtrair algo secretamente por temor ou vergonha. Ora,o furto mental,
desobriga a o infrato de qualquer tipo de restituição, isso porque, a
restituição é comutativa. Na lógica comutativa: pague o equivalente ao
que se deve. Se nada deve, nada paga-se. Ou seja, o Cortez estava pelo
próprio código canônico em débito com os Astecas, inclusive sendo
obrigado a restituir tudo que lesionou.
Nenhum dos teólogos gosta de ficar se estendendo nessas
questões do furto mental, porque poucas pessoas tem a mentalidade
mórbida a ponto de ficar se imaginando furtando as coisas alheias, e
nesse caso ainda mais particular trata-se do sétimo mandamento
erigido por Moisés.
Então sempre a parte menos breve e mais complicada é quando
eles tratam da restituição em furtos reais. Pecados que não exigem
restituição, não(ou pouco) ameaçam a ordem estabelecida por Deus.
No Capítulo XIX de um Manual Moral traduzido do castelhano e
editado em Coimbra(1668) nos sugere que esses aspectos foram
expressos por algumas categorias específicas:
"Quando se quita algo sagrado, ou de lugar sagrado, se chama
sacrilegium; quando persona libre para hazerla esclava, plageatus; si
ganado, bigeatus, si de parte publica, peculatus, se a persona particular,

Capitulo X
alguma cosa fuera de las dichas; furtum: y quando se añade de violencia;
es rapina."(APOLINAR: 64)
A legislação é construída "em porções", pela simples razão de que
a universalidade não está acessível a uma única regra, em princípio
podia até estar, mas os teólogos em nenhum momento vão rejeitam a
ideia de que casos particulares devem ser tratados com certa
exclusividade, pois se tratam de bens metafísicos, uma regra geral
poderia gerar até um dano espiritual maior.
Ora, mesmo para um crime de furto; existem muitas gradações.
Penso que as noções de “regras gerais” e de “regras particulares” devem
coexistir e harmonizar-se, devemos extrair de cada uma, as melhores
noções, assim podemos ter outro ponto de vista em relação ao
tratamento com infrator.
Uma vez que a Igreja é o poder legislativo e o judiciário, é
perfeitamente normal que aconteça essa bandalheira. É tanto que
quando é o patrimônio da Igreja que está em jogo, é muito cômodo ao
legislador clerical que dê um mimo bem destacado ao “sagrado”.
Voltando ao Apolinar, nos é possível contar pelo menos seis qualidades
de roubo.
Sacrilégio consiste em roubar qualquer coisa de locais sagrados,
isso tem uma implicância imediata. Os ladrões que roubam da Igreja tem
uma condenação mais energética, porque tanto faz o ladrão ser
eclesiástico ou leigo, “ainda que seja imperador ou Rei, está sujeito a
Anátema” (IGREJA CATOLICA: 150), que é a excomunhão com execração,
ou até ser inteiramente restituído as ditas jurisdições, bens, direitos,
frutos e rendas que tiver se apossado. Para os clérigos, mesmo que seja
absolvido, depois da sua inteira satisfação ele continuara suspenso do
seu exercício, em quanto for a vontade do ordinário. Ou seja,
Montezuma II era sacerdote, porém a lei católica não se aplica a não
católicos se tratando de sacrilégio. De modo que seus crimes contra
Montezuma II pairavam sobre a esfera civil.
Essa advertência particular é o medo que os administradores da
Igreja tem de clérigos delinqüentes, que deveria ser por onde
começavam e terminavam os roubos dentro da própria Igreja. Porque
uma pessoa de fora, eu acredito que seja bem difícil, vai exigir um nível
de sorrateiro muito alto, pra ele roubar de dentro da Igreja sem ser
identificado. Porque as Igrejas tem uma organização bem particular, as
coisas não ficam bolando pelos cantos. Tudo tem um lugar fixo, apesar
de cemitério católicos e tumbas dentro das igrejas serem relativamente
fáceis de serem furtadas.
Hora o furto se comporta como pecado mortal, hora como venial.
A venialidade garante a possibilidade de restituição, entretanto se

Capitulo X
roubar uma relíquia mesmo que seja mínima, é mortal. Se comprar ou
receber alguma coisa de um ladrão, sem saber, não é pecado mortal. Ou
seja, os donatários que compravam ou recebiam por doação seus lotes
de terra, se não tivessem conhecimento que foram furtadas estavam
totalmente desobrigados de qualquer tipo de restituição.
A parte propriamente metafísica do furto é no que tange aos bens
da alma e do corpo, como persuadir um religioso a deixar a religião, peca
mortalmente e obrigatoriamente deve restituir a sua religião. Pode-se
furtar espiritualmente uma pessoa através de indução, maus conselhos
e péssimos exemplos que o induzam a ser excomungado. A restituição
nesse caso é de outra ordem, vai ser através da caridade e da oração. Ou
seja, a conversão forçadas dos povos ameríndios e africanos obriga a
restituição através da caridade e da oração.
O plagiato consiste no furto da liberdade de um homem livre para
fazer-lo escravo(o que fizeram com os índios aqui na América), o bigeato
é o delito que contempla animais, o peculato é o roubo de coisas
públicas, por isso podemos entender que o público, é o poder executivo,
o Rei e seus administradores.
Se objetos de particulares: furto, que caracteriza-se como a
usurpação de determinada coisa que não é de sua propriedade pessoal.
Ao furto se inclui também alugar uma mula para ir de Coimbra a
Santiago, e ela perece, o alugante terá obrigação de restituir ao
alugador.
Aqui incluí também velho ditado popular: "Achado não é
roubado", se por acaso encontrar algum tesouro sem saber quem é o
dono, mas deve-se procurar o dono, se não é de quem acha. Qual foi o
esforço que os conquistadores tiveram em procurar os donos da terras
em América para devolver? Nenhum.
Segundo Aguirre. Já quando a apropriação indébita se dá através
de violência, então ela se denomina: rapinagem, dá-se comumente "per
violentiam", e é pecado muito mais grave que o furto. Cabe neste
momento esclarecer quantas maneiras existem de violência? Aguirre
ressalta pelo menos duas maneiras a "Conditionata" e a "Absoluta". A
condicional é quando houve consenso do proprietário. Por exemplo, o
dono vê, e por medo de vingança deixa de repudiar o ato imediatamente.
A absoluta é quando não houve consenso do proprietário. Essa é a parte
que os teólogos mostraram muita inteligência em distinguir, essa é a
parte que perdura em outros termos até hoje nos códigos penais
modernos. Então, pela legislação vigente da sua época Cortez,
Pizarro,Balboa, Cook,Ponce de Leon,Soto, Córdoba , Velasques
cometeram "furtum per violentiam absoluta".

Capitulo X
O furto é mortal ou venial?. Depende do que haver sido furtado, se
for algo insignificante(evidentemente que não seja sagrada), é venial.
Tem sempre que se levar em conta o dolo, se o bandido tinha plena
convicção da gravidade da atividade que realizou mesmo que seja "o
pouco, que por nada se tem". É mortal.
Francisco Apolinar considera que todo furto é pecado mortal, há
um consenso entre os teólogos nesse sentido. A não ser, quando é uma
quantidade muito irrisória. Apolinar, entretanto afirma que o pouco pra
um, pode ser muito pra outro. Já o Cardeal Cristóbal de Aguirre, autor de
vários tratados de teologia chega a uma aritmética para estabelecer
claramente o valor do que é suficiente pra ser pecado mortal, ele
estipula por volta de 4 reales. Agora pro Rei, o ladrão poder até ser mais
ambicioso, porque só é pecado se for de um escudo pra cima.
Agora mesmo que seja um furto de baixo valor ou mesmo que se
furte de pequenas em pequenas quantidades, só a malicia de estar
furtando conscientemente já retira a venialidade da coisa. Ressaltar
esse ponto significa considerar que nem sempre a consciência está
alerta e atenta, um sujeito assim: anestesiado pelo álcool, pode roubar
por ter perdido parcialmente a consciência. Dependendo da intensidade
do consumo, pode se até perder a consciência completamente. A igreja
geralmente é muito dócil para com o beberrões. Também assim em
grandes aglomerações as pessoas ficam desnorteadas.
Obviamente o ladrão está sempre obrigado a restituir as suas
iniqüidades, principalmente se lesou o patrimônio de outrem, “mesmo
que sejam vários ladrões, todos estão obrigados a restituir.”(AGUIRRE:
275). O tratamento pessoal que a Igreja destina a justiça é interessante
porque foge bem da perspectiva positiva que tem o direito atual, porque
se várias pessoas cometem um crime, o direito atual vai tentar achar o
autor intelectual da infração, vai procurar alguma liderança, por
exemplo, em caso de saques em massa, para os teólogos todos são
obrigados a restituir. Afinal, é a terceira parte do sacramento da
penitência. Negar a restituição seria de certa forma ficar incompatível
com a doutrina erguida pós-Trento.
Ora, concepção também que foge bastante o Antigo Testamento:
"Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha,
pagará ele o dobro" . No velho testamento é muito mais abominável o
crime que lesa propriedade. Apesar da mulher de Abraão, a Raquel
haver furtado todos os ídolos de Labão e nada ter restituído.
"Se o furto for praticado por muitos, todos devem restituir sua
parte, a restituição há de ser feita ao verdadeiro dono. Se o dono haver
morrido, dê aos seus herdeiros, na falta deles dê a Igreja, ou aos pobres,
caso não haja lei municipal que contrarie a regra". (TAVARES: 215)

Capitulo X
O furto, podemos entender que ele pode ser voluntário ou não.
Porque quando os teólogos não se referem somente ao furto de objetos
concretos. Por exemplo um notário apostólico, isto é: o tabelião
eclesiástico. Ele tem sua atividade especialmente criticada pelas suas
"imperícias", quando ele não toma as notas corretamente, ele furta a
verdade da documentação, que pode ou não ser voluntário, isso vai ficar
a critério do Delegado da Sé Apostólica julgar, podendo até suspender o
exercício de seu ofício.
Sobre a justiça dos bispos nos séculos XVI, XVII e XVIII, podemos
afirmar que existe uma certa docilidade com os falsificadores. “A justiça
nunca há de se executar tão exatamente que não se possa ter lugar a
misericórdia.” (ANJOS: 52). A exemplo da mansidão de Cristo não
devemos indignar logo, nem condenar nossos irmãos, quando são
imperfeitos ou nos fazem algum agravo, mas procurar de os ajudar com
amor, & rogar lhes que tornem sobre si, & se emendem de sua
culpa.(BRUNO: 94)
Esses notários que redigiam as escrituras públicas de
arrendamento, prazos, testamentos, doações, cartas de venda,
procurações, requerimentos e outras escrituras. Nas fontes há indicação
de vários erros involuntários dos notários, o que coloca em descrédito a
própria visão positivista de que no documento está contida a verdade,
essas considerações por parte dos teólogos podem até invalidar
parcialmente a credibilidade dessas respectivas fontes.
É sempre muito latente para os teólogos essa questão do homem
pecar conscientemente, porque evidencia a displicência que as pessoas
destinam a sua própria salvação. O intento maior do ser humano em
vida é trilhar o caminho para o céu e só quem pode garantir isso é a
divina providencia por meio da sagrada escritura.
Essas questões relacionadas ao patrimônio são muito
interessantes, porque na tradição do direito consuetudinário a
propriedade é inerente ao dono. Por exemplo a terra ela pode ser
roubada, e mesmo que passe 50 anos o antigo dono ainda vai poder dar
cabo a uma guerra justa. Porque é muito justo que ele possa reaver "as
suas terras". O acesso a terra na Idade Média é uma coisa bem peculiar.
Porque nunca é mediante a compra. Dá-se através de uma cerimônia
onde o suserano cede ao vassalo parte de sua propriedade em troca de
auxilio militar. No topo dessa pirâmide vem o Rei. Conseguintemente
todas as terras pertencem ao Rei. Roubar terra não é uma coisa
insignificante, é por aí que começam e terminam todas as belicosas
contendas da maioria das sociedades pré industriais. Toda organização
feudal baseia-se justamente na posse da terra que abre precedente pro
dono cobrar certo número de taxas pelo uso dela.

Capitulo X
Se alguém recepta ou compra um produto oriundo de roubo?
Segundo Apolinar se o sujeito comprou sabendo que era roubado, ele
deve devolver ao verdadeiro dono. Só que o receptador pode cobrar do
dono os gastos que teve para poder restituí-lo, e deve o dono pagar. Mas
se o comprador efetivamente não sabia que o produto era roubado, ele
não tem obrigação de restituir ninguém, pois não houve nenhum pecado
aí. Ora, vejamos como os doutores interpretam a lei suavemente, é o
contrário do universal. A lei é diferente para todos, em virtude de
detalhes simplórios.
Concluindo, interessante notar que nesse período em questão, a
propriedade não se modernizou, passaram-se 300 anos, e o furto não
perdeu a maior parte das suas conceituações. A própria mulher pode ser
objeto de furto.
“Determina o Santo Concílio que entre o raptor e a mulher
roubada, não possa haver matrimonio algum, além disso, o que rouba a
mulher é obrigado a dota-la decentemente, a arbítrio do juiz. Se a
mulher estando separada do roubador, e posta em lugar livre e seguro,
consentir em o ter por marido, que o roubador a tenha por
mulher.”(IGREJA CATOLICA: 256)
Só em 1788 com a Revolução francesa é que o furto vai mudar a
substancialmente a sua compreensão, e o progresso dos ideais liberais
é que vão abalar essa dinâmica erguida no feudalismo pela Igreja. Vai
haver evoluções normativas, as mulheres não vão mais ser tratadas
juridicamente como propriedades, a questão do foro interno e externo
vai ser excluída do código penal, pelo menos em relação ao furto, o
peculato vai ocupar o lugar do sacrilégio.
Podemos notar através de uma perspectiva total que há muitas
rupturas e muitas continuidades mesmo se tratando de uma questão
que parece pequena como o furto. Temo classificar como um avanço, a
defesa da Igreja pela restituição obrigatória, eu acredito pessoalmente
que isso seja muito interessante, o sujeito roubou, se arrepende e
devolve e a vítima fica satisfeita.
O direito positivo não entende as coisas assim, se houve o roubo,
deve haver uma punição. Eu teria que encontrar alguma documentação
concreta de casos criminais, em que ladrões são pegues e devolvem,
porém muito dessa documentação ficou ocultada pelo sacramento da
confissão auricular. Há uma contrapartida muito boa da Igreja em
relação aos ladrões.
A virtude da penitencia que nos ensina a querer castigar nossas
culpas, querer castigar os nossos atos, valoriza o arrependimento e a
vontade de não querer haver mais cometido e aceitar sofrer a pena por

Capitulo X
isso. O arrependimento se caracteriza por querer não haver pecado. E
jamais se arrepender dos pecados alheios.
Porém, Azpicuelta adverte: "a absolvição do padre não é total"... e
desfecha "muitos dos pecados ficam obrigados a pagar por eles no
purgatório do outro mundo."
O Purgatório é um entre-lugar inventado no século XII. É um lugar
da geografia celeste que nasce da hesitação dos confessores em
continuar reprimindo ideologicamente o avanço de um novo sistema
econômico que se erguia lentamente.
"O artifício foi o Purgatório. O Purgatório nasce no final dessa
grande transformação imaginada pela Igreja como uma modificação de
toda a sociedade: a Reforma Gregoriana." (LE GOFF: 67)
Peca mortalmente quem descontenta a Deus, se alguém tem um
pecado mortal sempre estará nele até que se confesse, quanto maior o
pecado maior deve ser maior o arrependimento, de modo que podemos
suspeitar que os conquistadores pecaram venialmente no furto da
América pois me parece que eles não tinham compreensão que estavam
danificando gravemente o próprio espírito, pois não se tratava de
reaver terras, nem estavam bêbados, nem de complexo de inferioridade
diante dos astecas e incas porém a Igreja não os dissuadiu em nenhum
momento a dar meia volta do caminho andado, pois haviam padres e
jesuítas nas embarcações e nas feitorias que conheciam a doutrina
bíblica e católica(concílios de constança(1417) florentino(1439)-
lateranense(1512)-tridentino(1545)) e a lei mosaica, porém se houve o
desleixamento e os jesuítas foram negligente, por desgosto ou fastio que
uma pessoa tem pra edificar alguma boa obra. Caietanus se referem
essas pessoas que tem má vontade para jejuar, restituir o que é alheio,
pregar o evangelho como pecado mortal. Os padres não podem induzir
licitamente as pessoas a pecar mas podem negligenciar em avisar que
alguém está pecando por temor. Agora se eles não falavam por astucia
por artimanhas por ardil, por vias fingidas e por vias dissimuladas para
alcançar algum fim que fosse já peca mortalmente.
Pelos conceitos da Igreja teriam os desbravadores furtado a
América?
O furto é uma atividade muito sorrateira, exige do infrator
destreza e cautela. Imaginemos a facilidade que um gatuno pode
desfrutar para roubar uma ilha ou terras que ninguém conhece?
A falta de documentação e a dificuldade de vigilância existente na
Idade Média e Moderna, leva os salteadores a escaparem da acusação de
ladrões pois não podem ser surpreendidos pelo atestado de
documentação contrária. É principalmente essa maliciosidade que
repercute mal. Ir-nos-emos ver, que o conceito de furto para os doutores

Capitulo X
é bem amplo. Muito amplo mesmo, passando até pela metafísica. “Um
ladrão pode furtar a fama, a honra e a fazenda.”
Criticamos muito, e exigimos uma sociedade laica, apartada de
concepções religiosas para o plano civil, porém o contato direto com as
fontes nos mostra que o esforço dos intelectuais dos séculos XVI, XVII e
XVIII em focalizar as implicâncias de variados tipo de furtos não foi em
vão. Pelo próprio regimento do direito canônico Cortez furtou a fama, a
honra e as terras de Montezuma II.
Temos que sublinhar ainda que essa história seja cheia
progressos e regressos, Cuauhtémoc "o descendente das águias"
conseguiu sustar o avanço da falsa influência espanhola em América,
Tupac Shakur também, por isso devemos entender mais
adequadamente que o poder legislativo canônico e o judiciário são os
mediadores entre diversos domínios sociais e simbolicamente
construídos, tais como passado e presente, nacionais e estrangeiros,
infratores e honestos.
"Os indivíduos reduzem-se aí a portadores de formas que os
comandam sem eles saberem. Os indivíduos vão buscar a essa
totalidade o seu sentido (invisível de fora dela). A unicidade de cada
presente sacrifica-se incessantemente a um futuro chamado a
desvendar o seu sentido objetivo. Porque só o sentido último é que
conta, só o último ato transforma os seres neles próprios. Eles serão o
que aparecerem nas formas, já plásticas, da epopéia." (LEVINAS : 10.); é
justamente esse ato último a posição cabível ao infratores, ou seja, ser
ladrão é ser eternamente a favor da desordem. Mostrarei que quando
falamos de "furtum", com freqüência falamos sobre "patrimônio", para
os teólogos parece não haver limite para o processo de qualificação
deste gesto. Quase tudo é compreendido como furtum.
Os doutores nos sugerem a possibilidade de pensar o infrator de
outra maneira. O que precisamos colocar em foco nessa discussão é a
possibilidade analítica de se transitar por uma longa idade média. Em
outras palavras: a evolução do homem é muito lenta, nos séculos XVI,
XVII e XVIII o furto tem a mesma compreensão metafísica.
Não sabe-se distinguir pecado de delito, o estado é teocrático, o
próprio peculato que é um crime contra o estado é julgado por forças
religiosas, pois poderes importantíssimos como o legislativo se
concentra na mão de autoridades religiosas. Em que medida isso pode
nos ser útil para entender as concepções atuais de direito? Ora, a noção
de furto hoje está estreitamente ligada com a de inviolabilidade da
propriedade privada.
Inequivocadamente, para os doutores o furto é considerado uma
culpa digna de castigo.

Capitulo X
Deve ser respeitado como o sétimo mandamento da lei Mosaica.
Perpetuado no novo testamento por (P)Saulo: "Nem os ladrões, nem os
avarentos. Nem os injuriosos herdarão o Reino de Deus" (1Cor 6,10).
Verdade aceita inquestionavelmente até hoje.
Os conceitos de propriedade têm uma sobrecarga religiosa muito
forte.
A doutrina que os doutores professavam, emite vários juízos
econômicos, a partir do momento em que valorizam e reforçam a
inviolabilidade da propriedade privada, existe um princípio econômico.
É competência do poder legislativo desenvolver leis para prever as
infrações e do judiciário punir e restituir as vítimas.
"A raiz, onde todos os males tem principio, é a cobiça, a qual
seguindo alguns se apartão da fé e se envolverão em muitos tormentos
e dores."(ANJOS: 208) . Os motivos que levam as pessoas a furtarem
voluntariamente, são os mais diversos possíveis. Como também os que
levam a não furtarem. Para os teólogos essas divergências implicam
diretamente na venialidade ou mortalidade do pecado. O apetite por
bens materiais nem sempre é o motor da velhacaria. Como veremos
adiante.
Azpicuelta quando começa a discutir sobre o furto, ele vai fazer
uma primeira distinção bem chave, o furto mental do furto real:
"O mental é a vontade de furtar, porque basta querer ganhar
alguma coisa disto para que seja furto. e nas suas próprias palavras "os
pecados da vontade, boca, & obra, sam de húa mesma especia, & casta,
ainda que só os da vontade, não obrigam a restituição, como os da obra,
& boca." (AZPICUELTA: 171)
Algumas pessoas tem vontade de roubar porém deixam de
subtrair algo secretamente por temor ou vergonha. Ora,o furto mental,
desobriga a o infrato de qualquer tipo de restituição, isso porque, a
restituição é comutativa. Na lógica comutativa: pague o equivalente ao
que se deve. Se nada deve, nada paga-se. Ou seja, o Cortez estava pelo
próprio código canônico em débito com os Astecas, inclusive sendo
obrigado a restituir tudo que lesionou.
Nenhum dos teólogos gosta de ficar se estendendo nessas
questões do furto mental, porque poucas pessoas tem a mentalidade
mórbida a ponto de ficar se imaginando furtando as coisas alheias, e
nesse caso ainda mais particular trata-se do sétimo mandamento
erigido por Moisés.
Então sempre a parte menos breve e mais complicada é quando
eles tratam da restituição em furtos reais. Pecados que não exigem
restituição, não(ou pouco) ameaçam a ordem estabelecida por Deus.

Capitulo X
No Capítulo XIX de um Manual Moral traduzido do castelhano e
editado em Coimbra(1668) nos sugere que esses aspectos foram
expressos por algumas categorias específicas:
"Quando se quita algo sagrado, ou de lugar sagrado, se chama
sacrilegium; quando persona libre para hazerla esclava, plageatus; si
ganado, bigeatus, si de parte publica, peculatus, se a persona particular,
alguma cosa fuera de las dichas; furtum: y quando se añade de violencia;
es rapina."(APOLINAR: 64)
A legislação é construída "em porções", pela simples razão de que
a universalidade não está acessível a uma única regra, em princípio
podia até estar, mas os teólogos em nenhum momento vão rejeitam a
ideia de que casos particulares devem ser tratados com certa
exclusividade, pois se tratam de bens metafísicos, uma regra geral
poderia gerar até um dano espiritual maior.
Ora, mesmo para um crime de furto; existem muitas gradações.
Penso que as noções de “regras gerais” e de “regras particulares” devem
coexistir e harmonizar-se, devemos extrair de cada uma, as melhores
noções, assim podemos ter outro ponto de vista em relação ao
tratamento com infrator.
Uma vez que a Igreja é o poder legislativo e o judiciário, é
perfeitamente normal que aconteça essa bandalheira. É tanto que
quando é o patrimônio da Igreja que está em jogo, é muito cômodo ao
legislador clerical que dê um mimo bem destacado ao “sagrado”.
Voltando ao Apolinar, nos é possível contar pelo menos seis qualidades
de roubo.
Sacrilégio consiste em roubar qualquer coisa de locais sagrados,
isso tem uma implicância imediata. Os ladrões que roubam da Igreja tem
uma condenação mais energética, porque tanto faz o ladrão ser
eclesiástico ou leigo, “ainda que seja imperador ou Rei, está sujeito a
Anátema” (IGREJA CATOLICA: 150), que é a excomunhão com execração,
ou até ser inteiramente restituído as ditas jurisdições, bens, direitos,
frutos e rendas que tiver se apossado. Para os clérigos, mesmo que seja
absolvido, depois da sua inteira satisfação ele continuara suspenso do
seu exercício, em quanto for a vontade do ordinário. Ou seja,
Montezuma II era sacerdote, porém a lei católica não se aplica a não
católicos se tratando de sacrilégio. De modo que seus crimes contra
Montezuma II pairavam sobre a esfera civil.
Essa advertência particular é o medo que os administradores da
Igreja tem de clérigos delinqüentes, que deveria ser por onde
começavam e terminavam os roubos dentro da própria Igreja. Porque
uma pessoa de fora, eu acredito que seja bem difícil, vai exigir um nível
de sorrateiro muito alto, pra ele roubar de dentro da Igreja sem ser

Capitulo X
identificado. Porque as Igrejas tem uma organização bem particular, as
coisas não ficam bolando pelos cantos. Tudo tem um lugar fixo, apesar
de cemitério católicos e tumbas dentro das igrejas serem relativamente
fáceis de serem furtadas.
Hora o furto se comporta como pecado mortal, hora como venial.
A venialidade garante a possibilidade de restituição, entretanto se
roubar uma relíquia mesmo que seja mínima, é mortal. Se comprar ou
receber alguma coisa de um ladrão, sem saber, não é pecado mortal. Ou
seja, os donatários que compravam ou recebiam por doação seus lotes
de terra, se não tivessem conhecimento que foram furtadas estavam
totalmente desobrigados de qualquer tipo de restituição.
A parte propriamente metafísica do furto é no que tange aos bens
da alma e do corpo, como persuadir um religioso a deixar a religião, peca
mortalmente e obrigatoriamente deve restituir a sua religião. Pode-se
furtar espiritualmente uma pessoa através de indução, maus conselhos
e péssimos exemplos que o induzam a ser excomungado. A restituição
nesse caso é de outra ordem, vai ser através da caridade e da oração. Ou
seja, a conversão forçadas dos povos ameríndios e africanos obriga a
restituição através da caridade e da oração.
O plagiato consiste no furto da liberdade de um homem livre para
fazer-lo escravo(o que fizeram com os índios aqui na América), o bigeato
é o delito que contempla animais, o peculato é o roubo de coisas
públicas, por isso podemos entender que o público, é o poder executivo,
o Rei e seus administradores.
Se objetos de particulares: furto, que caracteriza-se como a
usurpação de determinada coisa que não é de sua propriedade pessoal.
Ao furto se inclui também alugar uma mula para ir de Coimbra a
Santiago, e ela perece, o alugante terá obrigação de restituir ao
alugador.
Aqui incluí também velho ditado popular: "Achado não é
roubado", se por acaso encontrar algum tesouro sem saber quem é o
dono, mas deve-se procurar o dono, se não é de quem acha. Qual foi o
esforço que os conquistadores tiveram em procurar os donos da terras
em América para devolver? Nenhum.
Segundo Aguirre. Já quando a apropriação indébita se dá através
de violência, então ela se denomina: rapinagem, dá-se comumente "per
violentiam", e é pecado muito mais grave que o furto. Cabe neste
momento esclarecer quantas maneiras existem de violência? Aguirre
ressalta pelo menos duas maneiras a "Conditionata" e a "Absoluta". A
condicional é quando houve consenso do proprietário. Por exemplo, o
dono vê, e por medo de vingança deixa de repudiar o ato imediatamente.
A absoluta é quando não houve consenso do proprietário. Essa é a parte

Capitulo X
que os teólogos mostraram muita inteligência em distinguir, essa é a
parte que perdura em outros termos até hoje nos códigos penais
modernos. Então, pela legislação vigente da sua época Cortez,
Pizarro,Balboa, Cook,Ponce de Leon,Soto, Córdoba , Velasques
cometeram "furtum per violentiam absoluta".
O furto é mortal ou venial?. Depende do que haver sido furtado, se
for algo insignificante(evidentemente que não seja sagrada), é venial.
Tem sempre que se levar em conta o dolo, se o bandido tinha plena
convicção da gravidade da atividade que realizou mesmo que seja "o
pouco, que por nada se tem". É mortal.
Francisco Apolinar considera que todo furto é pecado mortal, há
um consenso entre os teólogos nesse sentido. A não ser, quando é uma
quantidade muito irrisória. Apolinar, entretanto afirma que o pouco pra
um, pode ser muito pra outro. Já o Cardeal Cristóbal de Aguirre, autor de
vários tratados de teologia chega a uma aritmética para estabelecer
claramente o valor do que é suficiente pra ser pecado mortal, ele
estipula por volta de 4 reales. Agora pro Rei, o ladrão poder até ser mais
ambicioso, porque só é pecado se for de um escudo pra cima.
Agora mesmo que seja um furto de baixo valor ou mesmo que se
furte de pequenas em pequenas quantidades, só a malicia de estar
furtando conscientemente já retira a venialidade da coisa. Ressaltar
esse ponto significa considerar que nem sempre a consciência está
alerta e atenta, um sujeito assim: anestesiado pelo álcool, pode roubar
por ter perdido parcialmente a consciência. Dependendo da intensidade
do consumo, pode se até perder a consciência completamente. A igreja
geralmente é muito dócil para com o beberrões. Também assim em
grandes aglomerações as pessoas ficam desnorteadas.
Obviamente o ladrão está sempre obrigado a restituir as suas
iniqüidades, principalmente se lesou o patrimônio de outrem, “mesmo
que sejam vários ladrões, todos estão obrigados a restituir.”(AGUIRRE:
275). O tratamento pessoal que a Igreja destina a justiça é interessante
porque foge bem da perspectiva positiva que tem o direito atual, porque
se várias pessoas cometem um crime, o direito atual vai tentar achar o
autor intelectual da infração, vai procurar alguma liderança, por
exemplo, em caso de saques em massa, para os teólogos todos são
obrigados a restituir. Afinal, é a terceira parte do sacramento da
penitência. Negar a restituição seria de certa forma ficar incompatível
com a doutrina erguida pós-Trento.
Ora, concepção também que foge bastante o Antigo Testamento:
"Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha,
pagará ele o dobro" . No velho testamento é muito mais abominável o
crime que lesa propriedade. Apesar da mulher de Abraão, a Raquel
haver furtado todos os ídolos de Labão e nada ter restituído.

Capitulo X
"Se o furto for praticado por muitos, todos devem restituir sua
parte, a restituição há de ser feita ao verdadeiro dono. Se o dono haver
morrido, dê aos seus herdeiros, na falta deles dê a Igreja, ou aos pobres,
caso não haja lei municipal que contrarie a regra". (TAVARES: 215)
O furto, podemos entender que ele pode ser voluntário ou não.
Porque quando os teólogos não se referem somente ao furto de objetos
concretos. Por exemplo um notário apostólico, isto é: o tabelião
eclesiástico. Ele tem sua atividade especialmente criticada pelas suas
"imperícias", quando ele não toma as notas corretamente, ele furta a
verdade da documentação, que pode ou não ser voluntário, isso vai ficar
a critério do Delegado da Sé Apostólica julgar, podendo até suspender o
exercício de seu ofício.
Sobre a justiça dos bispos nos séculos XVI, XVII e XVIII, podemos
afirmar que existe uma certa docilidade com os falsificadores. “A justiça
nunca há de se executar tão exatamente que não se possa ter lugar a
misericórdia.” (ANJOS: 52). A exemplo da mansidão de Cristo não
devemos indignar logo, nem condenar nossos irmãos, quando são
imperfeitos ou nos fazem algum agravo, mas procurar de os ajudar com
amor, & rogar lhes que tornem sobre si, & se emendem de sua
culpa.(BRUNO: 94)
Esses notários que redigiam as escrituras públicas de
arrendamento, prazos, testamentos, doações, cartas de venda,
procurações, requerimentos e outras escrituras. Nas fontes há indicação
de vários erros involuntários dos notários, o que coloca em descrédito a
própria visão positivista de que no documento está contida a verdade,
essas considerações por parte dos teólogos podem até invalidar
parcialmente a credibilidade dessas respectivas fontes.
É sempre muito latente para os teólogos essa questão do homem
pecar conscientemente, porque evidencia a displicência que as pessoas
destinam a sua própria salvação. O intento maior do ser humano em
vida é trilhar o caminho para o céu e só quem pode garantir isso é a
divina providencia por meio da sagrada escritura.
Essas questões relacionadas ao patrimônio são muito
interessantes, porque na tradição do direito consuetudinário a
propriedade é inerente ao dono. Por exemplo a terra ela pode ser
roubada, e mesmo que passe 50 anos o antigo dono ainda vai poder dar
cabo a uma guerra justa. Porque é muito justo que ele possa reaver "as
suas terras". O acesso a terra na Idade Média é uma coisa bem peculiar.
Porque nunca é mediante a compra. Dá-se através de uma cerimônia
onde o suserano cede ao vassalo parte de sua propriedade em troca de
auxilio militar. No topo dessa pirâmide vem o Rei. Conseguintemente
todas as terras pertencem ao Rei. Roubar terra não é uma coisa
insignificante, é por aí que começam e terminam todas as belicosas

Capitulo X
contendas da maioria das sociedades pré industriais. Toda organização
feudal baseia-se justamente na posse da terra que abre precedente pro
dono cobrar certo número de taxas pelo uso dela.
Se alguém recepta ou compra um produto oriundo de roubo?
Segundo Apolinar se o sujeito comprou sabendo que era roubado, ele
deve devolver ao verdadeiro dono. Só que o receptador pode cobrar do
dono os gastos que teve para poder restituí-lo, e deve o dono pagar. Mas
se o comprador efetivamente não sabia que o produto era roubado, ele
não tem obrigação de restituir ninguém, pois não houve nenhum pecado
aí. Ora, vejamos como os doutores interpretam a lei suavemente, é o
contrário do universal. A lei é diferente para todos, em virtude de
detalhes simplórios.
Concluindo, interessante notar que nesse período em questão, a
propriedade não se modernizou, passaram-se 300 anos, e o furto não
perdeu a maior parte das suas conceituações. A própria mulher pode ser
objeto de furto.
“Determina o Santo Concílio que entre o raptor e a mulher
roubada, não possa haver matrimonio algum, além disso, o que rouba a
mulher é obrigado a dota-la decentemente, a arbítrio do juiz. Se a
mulher estando separada do roubador, e posta em lugar livre e seguro,
consentir em o ter por marido, que o roubador a tenha por
mulher.”(IGREJA CATOLICA: 256)
Só em 1788 com a Revolução francesa é que o furto vai mudar a
substancialmente a sua compreensão, e o progresso dos ideais liberais
é que vão abalar essa dinâmica erguida no feudalismo pela Igreja. Vai
haver evoluções normativas, as mulheres não vão mais ser tratadas
juridicamente como propriedades, a questão do foro interno e externo
vai ser excluída do código penal, pelo menos em relação ao furto, o
peculato vai ocupar o lugar do sacrilégio.
Podemos notar através de uma perspectiva total que há muitas
rupturas e muitas continuidades mesmo se tratando de uma questão
que parece pequena como o furto. Temo classificar como um avanço, a
defesa da Igreja pela restituição obrigatória, eu acredito pessoalmente
que isso seja muito interessante, o sujeito roubou, se arrepende e
devolve e a vítima fica satisfeita.
O direito positivo não entende as coisas assim, se houve o roubo,
deve haver uma punição. Eu teria que encontrar alguma documentação
concreta de casos criminais, em que ladrões são pegues e devolvem,
porém muito dessa documentação ficou ocultada pelo sacramento da
confissão auricular. Há uma contrapartida muito boa da Igreja em
relação aos ladrões.

Capitulo X
A virtude da penitencia que nos ensina a querer castigar nossas
culpas, querer castigar os nossos atos, valoriza o arrependimento e a
vontade de não querer haver mais cometido e aceitar sofrer a pena por
isso. O arrependimento se caracteriza por querer não haver pecado. E
jamais se arrepender dos pecados alheios.
Porém, Azpicuelta adverte: "a absolvição do padre não é total"... e
desfecha "muitos dos pecados ficam obrigados a pagar por eles no
purgatório do outro mundo."
O Purgatório é um entre-lugar inventado no século XII. É um lugar
da geografia celeste que nasce da hesitação dos confessores em
continuar reprimindo ideologicamente o avanço de um novo sistema
econômico que se erguia lentamente.
"O artifício foi o Purgatório. O Purgatório nasce no final dessa
grande transformação imaginada pela Igreja como uma modificação de
toda a sociedade: a Reforma Gregoriana." (LE GOFF: 67)
Peca mortalmente quem descontenta a Deus, se alguém tem um
pecado mortal sempre estará nele até que se confesse, quanto maior o
pecado maior deve ser maior o arrependimento, de modo que podemos
suspeitar que os conquistadores pecaram venialmente no furto da
América pois me parece que eles não tinham compreensão que estavam
danificando gravemente o próprio espírito, pois não se tratava de
reaver terras, nem estavam bêbados, nem de complexo de inferioridade
diante dos astecas e incas porém a Igreja não os dissuadiu em nenhum
momento a dar meia volta do caminho andado, pois haviam padres e
jesuítas nas embarcações e nas feitorias que conheciam a doutrina
bíblica e católica(concílios de constança(1417) florentino(1439)-
lateranense(1512)-tridentino(1545)) e a lei mosaica, porém se houve o
desleixamento e os jesuítas foram negligente, por desgosto ou fastio que
uma pessoa tem pra edificar alguma boa obra. Caietanus se referem
essas pessoas que tem má vontade para jejuar, restituir o que é alheio,
pregar o evangelho como pecado mortal. Os padres não podem induzir
licitamente as pessoas a pecar mas podem negligenciar em avisar que
alguém está pecando por temor. Agora se eles não falavam por astucia
por artimanhas por ardil, por vias fingidas e por vias dissimuladas para
alcançar algum fim que fosse já peca mortalmente.
[1] Ao dar a Carlos V em cartas a descrição do México, ele disse
entre outras coisas que a cidade contava com vários herbolários aonde
se vendia plantas e ervas medicinais com finalidade farmacêutica e que
os pobres mexicanos eram cuidado com mais zelo que no velho
continente. Os médicos também tinham registros dos efeitos dos
remédios todos devidamente catalogados.

Capitulo X
O mercantilismo como
modelo condicionante
Ângela Almeida concorda com Freire na quesito que toca a
influencia jesuítica nas famílias patriarcais do século XVI e XVII, os
capelães da família patriarcal não tinham nenhuma interposição no
Brasil como os jansenistas em Portugal. Ou seja, a fundação da família
brasileira foi competência dos jesuítas, Pombal é um jansenista e um
calvinista por promover as reformas , pombal queria secularizar o
estado em Portugal. A reforma foi calvinista com aparência de austero
catolicismo . acusando juntamente de divulgar pascal e as teorias
cartesianas, como também é de Freire que vem o mito da mulher
submissa e o marido dominador, o elevado numero de filhos bastardos,
caminha no sentido antagônico da família nuclear burguesa. O fato de
pessoas no Brasil aceitarem se divorciar por leito em caso de traição
masculina, pois muitas mulheres queriam exercer a prerrogativa de
virar cabeça de casal por ser um procedimento de toda nobreza
européia quando o marido falecesse. É difícil pensar um principio de
igualdade entre homens e mulheres mas esse dispositivo patrimonial
indica um lugar social importante da mulher de arras na história agrária
do Brasil e da América pois esse costume começa no século XVI no
contexto da Reforma promovida por Lutero que despertou o lado mais
conservador e autoritário da Igreja Católica no ecumênico Concílio de
Trento, tendo a confissão auricular como principal instrumento da auto
delação para Santa Inquisição perseguir os seus inimigos sociais,
inclusive nas colônias.
Pelo pouco se conhece o muito. A história do longo século
dezesseis é um momento que o humanismo cristão traça rumos
importantíssimos, pois quer pensar principalmente o sacerdócio. Em
toda história da Igreja apenas três concílios vão pensar de forma
pontual e abrangente a questão do homem eclesial. Nicéia, Trento e
Vaticano. A criação de centros de formação sacerdotal foi um dos
decretos do concílio Tridentino,a imprensa faz proliferar uma literatura
que instrui acerca dos dez mandamentos, os sete pecados capitais, os
sete sacramentos todos em sintonia com as novas resoluções da contra
reforma. A língua vernácula e as minúcias em que são descritos os
procedimentos, indica que sua finalidade é pedagógica bem como
política. A casuística[1] é a pura lógica de analogia detalhista que leva
em consideração recorte de particularidades como condição social,
gênero, etnia, estado de consciência. Na ação de categorizar; o tom
metódico dá ares de neutralidade, entretanto: repulsa , tolerância , nojo,
fascínio, indignação, desejo e a indiferença indicam descontroles sociais
Capitulo XI
até não-ditos. O probabilismo busca nos teólogos de reputação as
ambigüidades canônicas.Estes manuais são freqüentemente elaborados
apoiando-se sobre os dez mandamentos, os sete pecados capitais e os
sete sacramentos, os manuais conseguem trazer à tona diversas
ambigüidades do direito canônico. O detalhismo que os confessores
apresentam as situações parecem escandalosas quando visto pelos
olhar puritano burguês do século XIX e XX.
Só haveria necessidade de estudar todos bem detalhadamente
caso a proposta do trabalho fosse pensar a base da Igreja. Por hora nos
limitaremos a pintar uma introdução dos principais aspectos que
circundam a influência deles na nossa formação agrária. Na sessão XXIV
do capitulo I na página 266 da ata do Concílio Tridentino nos esclarece
acerca do procedimento para convocar funcionários da hierarquia
como bispos e cardeais. O que é necessário para fazer parte do alto
clero? Madureza e Prudência. O processo eletivo deve garantir
promoções para espíritos grandes, para os mais dignos e úteis a Igreja.
Na teoria todas as pessoas idôneas têm direito de concorrer a qualquer
promoção concernente as diligencias da Sé Apostólica. Os concorrentes
devem ter nascidos de um matrimonio legitimo, e dotados de vida,
idade, doutrina, e todas as mais qualidades exigidas pelos sagrados
Cânones, e Decretos do Concilio. A profissão da Fé é autorizada pelo
Santíssimo Pontífice Romano. Quem verifica a idoneidade do
concorrente a Cardeal? Um consistório. Três Cardeais examinam com
diligencia, dentre mais um deles sendo o Cardeal Relator do Consistório,
se os quatro afirmarem que o promovendo é dotado de qualidade para
a profissão, ele é ordenado, sob pena da salvação eterna dos membros
do consistório. A hierarquia da Igreja dá autorização de ordenação aos
Bispos. Pode-se celebrar o sacramento da Ordem. Uma vez padre, pode-
se retornar a condição de leigo. Não é necessário consentimento do
povo, os que ministram alegando que a instrução vem do povo são tidos
pelo Concílio Tridentino como salteadores e ladrões. Para Padre a
rigorosidade é diminuta, afinal a obrigação dele é ministrar a missa
corretamente no mesmo horário, o controle da casa de oração que em
partes pode ser difícil, pois a conduta de todos passa por uma
codificação, devem-se evitar conversações vãs, coisas impuras e
lascivas, passeios, estrépitos, clamores.
Podemos dizer que por mais de cinqüenta anos houve um impasse
se as terras aqui do nordeste agrário português, permaneceram no
controle dos espanhóis e dos flamengos e em 1654 o comandante
português Álvaro de Azevedo Barreto toma o forte Forte Nossa Senhora
da Assunção do domínio holandês na costa cearense. Aqui, os dois
acontecimentos não fazem parte da história militar, mas da história
social. Pedro Airton Queiroz Lima com sua tese "A sombra das
ingazeiras" advertia no Rio de Janeiro da dificuldade que é pensar a

Capitulo XI
história das estruturas sociais, do agrário e da consciência das várias
classes em relação aos cuidados com solo, das suas intercambialidades,
suas mobilidades, suas continuidades, sua totalidade na contradição
dos interesses do campo e da cidade, da colônia e da metrópole, do
proprietário e do agricultor, do liberal e do conservador, do homem e
do animal. Mas vamos dizer que por mais difícil que seja imaginar o
mundo rural e escrever sobre a estrutura fundiária antes da insurreição
Pernambucana por ser um tema muitíssimo indagado e estudado
também é (ainda) desafiador.
É bem verdade que até recentemente os estudos fundiários se
focavam em teorias cíclicas e em teorias de dependência para esclarecer
aos brasileiros sobre a persistência da desigualdade e da injustiça social
nas terras do tupi. João Fragoso se valeu da definição "marxistas xiitas"
para se referir aos teóricos que dão excessiva importância a
independência econômica. Apesar de todos nos sabermos que a
estrutura da sociedade colonial é estática. Não há alterações de situação
jurídica excetuando se; o liberto, que avança um nível na escala social.
Para não cairmos em anacronismos é preciso lembrar a situação do
negro no Brasil e em África como opostas, pois o Mani Congo era uma
força que representava os interesses dos negros em relação ao Rei de
Portugal.
Como podemos dizer que a luta pela independência política no
Brasil não significou o fim da exploração em Angola muito menos em
Moçambique. Claro que nesses casos devemos reconhecer a estrutura
como fator determinante no comportamento dos sujeitos. Os monarcas
exigem obediência cega de seus súditos, vide as pompas das cerimônias
patrícias. A sabedoria romana em relação a escravidão tinha uma
máxima que dizia: "Est boni pastoris tondere — no glubere pecus." que
significa: - Do bom pastor é tosquiar e não esfolar.
As transformações ocorridas no Brasil no Século XIX, está
fortemente ligado ao contexto da época, a crise do antigo regime, o
capitalismo europeu desenvolve-se e consolida-se as custas de um modo
de exploração brutal, Maria Odila e Joao Fragoso fogem a perspectiva,
proposta por Caio Prado Junior, que tende ao marxismo, que vê as
Americas como extensão da Europa, tese apoiada por Fernando Novais,
que vê a independência nesse cenário.
Maria Odila lança uma perspectiva inovadora, que vários
historiadores estão patrocinando, que desenvolveu seus estudos na
USP, sendo orientada por Sergio Buarque de Holanda, é evidente a
influencia de Sergio nos trabalhos de Maria Odila, a noção das
sobrevivências arcaicas, que insistem em confrontar com as forças
renovadoras.

Capitulo XI
Maria Odila propõe um corte radical com os modos, e perspectivas
vigentes ao afirmar que em 1808 é o ponto de ruptura fundamental do
Brasil com Portugal, é o ponto chave de iniciação da ruptura dos
vínculos políticos, prova disso são as tensões do Porto, o enraizamento
do próprio Estado Português na América, interiorizando a metrópole,
pouco a pouco, justamente nesse ponto de formação das elites luso
brasileiras, é dado maior enfoque inserindo na dinâmica político-
econômica do Império Ultramarino.
Maria Odila entrecruza fatores econômicos derivados do processo
de gestação das redes de abastecimento, mais amplas, que pouco a
pouco iam surgindo no Rio de Janeiro, em face a presença física da Corte
portuguesa, a adoção de políticas especificas como a abertura de
estradas, pra maior comunicação das províncias, o estimulo ao
povoamento, o incentivo a imigração.
A vinda da familia real acabou por se tornar a realizacao do
projeto portugues, o imperio luso-brasileiro, que via sua sede aqui no
Brasil, com uma chance de progresso, ja que o continente americano era
uma terra de "oportunidades".
A abertura dos portos, foi a saída do Brasil do estatuto de colônia,
abrir os portos eram propostas convergentes tanto para os aristocratas
como para os omerciantes, que teriam vantagens em negociar com
nações amigas diretamente, fazendo com que ampliasse o apoio a
permanencia da metropole no Brasil.
O apoio a monarquia, se dava até pelo temor hatiano, quando a
população pobre e negra, se rebelaram contra as elites, e trombaram
uma revolução violenta, e aqui no Brasil o unico poder capaz de reprimir
essas projeções, eram o poder monárquico.
Os pesados investimentos da família real em infra estrutura, no
centro sul do Brasil, através da cobrança de impostos do Norte, na
justificativa de reestruturar Portugal, a corte, já deixava vestígios, de
realmente querer ficar no Brasil, e os portugueses, entenderam a
mensagem, é tanto que no Porto, eclodiu um movimento revolucionário,
exigindo o retorno do Rei, com a volta de Dom Joao para Portugal, o
Brasil, aproveitou a infra estrutura elaborada pela familia real, e
tambem as proprias ideias de liberalidades, que não permitiam mais
subordinar-se a Portugal.
De acordo com "o arcaísmo como projeto”, elaborado por João
Fragoso em conjunto com Manolo Florentino destaca a importância do
trafico, e a sua influencia no que a escravidão tinha uma função
estrutural tanto na América quanto na África, e que o baixo nível de
capitalização brasileiro estava ligado a importação da mão de obra,
comida, utilização de técnicas rudimentares na agricultura.

Capitulo XI
No Brasil o comercio era pouquíssimo difundido, nas “casas
grandes” tinha que ter pescadores, caçadores, criação de aves, porque
por exemplo se chegasse uma visita não era possível mandar alguém ao
mercado, pra comprar comida.
A próprio reexportação de matéria prima oriunda do Brasil, e de
suas colônias e que seus aspectos não-econônomicos, também
influenciaram na econômica como o ideal aristocrático de reproduzir o
antigo regime português em suas regiões fronteiriças, utilizando os
filhos não morgados, pra não gerar tensões dos nobres, como ocorridas
em quase toda Europa, ‘os nobres parasitas’.
A revolução francesa era o próprio diabo, a aristocracia fugiu de
todo modo, das revoluções burguesas, essa inversão de poder não
existiu em Portugal, claro que Portugal, e a aristocracia portuguesa se
encontrava numa situação totalmente diferente da francesa, mas o
medo pairava, e as medidas que foram tomadas, hoje são interpretadas
como arcaizante, ninguém vê futuro.
Quer dizer um projeto arcaizante, enquanto na Europa a
burguesia desafiava a nobreza, Portugal reproduzia o modelo
incentivando o latifúndio, a monocultura, a exportação, utilizando o
braço negro no escravismo, que pra eles essa sistemática deu certo por
tanto tempo, porque ia deixar de dar certo?
A vinda da família real para o Brasil, desencadeou um processo de
emancipação política, e economia que durante o dezenove, uniu a
industrialização com a formação da modernidade brasileira.
Na chegada da família real no Rio de Janeiro, de cara, houve uma
explosão populacional, que junto com a familia, veio a corte portuguesa,
quer dizer todo aquele aparelho burocrático-aristocrata, o que
dinamizou a economia, com aumento do trafico negreiro, aumento de
consumo de manufaturas, roupas, arquitetura, engenharia,
transformou o Rio no centro do Império.
A independência política nos trouxe um enfraquecimento do
poder provincial, e estimulando o poder dos coronéis, o próprio sistema
de votação favorecia esses senhores, que denominavam os agregados de
"curral eleitoral".
A revolução Industrial acelerou o comercio entre as colônias, pelo
fato da criação do barco a vapor, que dinamizou as rotas, uma grande
evolução nos transportes, que aumentava por demais a comunicação
entre metrópole e colônia, e colônia e nações amigas.
O Rio de Janeiro acabou sendo o ponto de entrada da
modernidade no Brasil, exemplo foi a grande importação de pianos, pra
simples ornamentação da casa, como símbolo de status.

Capitulo XI
O Brasil era o único pais independente que ainda tolerava a
escravidão, as tensões se agravavam, as contradições internas eram
justificadas como se o trabalho compulsorio gerasse fundos para o
Brasil entrar na modernidade, e muitas propostas surgiram, para o
problema do negro no brasil, uma das propostas fora a de
embraquencer a população com a imigração europeia
A literatura espanhola vai se modernizar em paralelo a
reestruturação das forças táticas navais. Dom Quixote representa a
crítica mais mordaz de seu tempo ao descaso da monarquia e da nobreza
castelhana em relação ao poder de fogo dos turcos. As muralhas que
protegem os castelos oferecem baixíssima resistência aos canhões dos
turcos. Se render foi quase sempre a melhor opção no leste europeu. Foi
o que aconteceu com a Hungria e com a Boêmia. Apesar de mesmo
traindo o catolicismo ainda podiam comungar do sagrado cálice, assim
determinou o Concílio de Trento.
A taça representa também o aspecto cultural que a Igreja imprime
a esse período, sendo recorrente a figura da taça nas mãos do clero nas
miniaturas dos livros da época. Representa poder mas também
representa servilismo, bajulação, parasitismo social, desinteresse com
as coisas públicas, a imprudência da embriaguez constante[2]. Assim
como no século primeiro, é um momento que Marte apresenta sua face
mais maligna na história romana; - a cavalaria fenece na covardia,
cavaleiros decadentes viciados no jogo e na bebida.
O liberalismo ibérico é da ordem de que os homens valem o tanto
de dinheiro que tem. Pouca ou quase nenhuma preocupação se tem com
a riqueza futura da nação. Podemos até inventar um neologismo para
essa situação de Pecunialidade. A particularidade econômica da
metrópole ibérica é tão evidente que para não contradizer outras
premissas do liberalismo mercantil chamaremos esse paradigma de
Pecunialismo. Apesar de nem todo pensarem identicamente. Em 1571
Tomás de Mercado, teólogo de Sevilha, declarava desumana e ilícita a
traficância de escravos, tanto mais que instaurava uma luta fratricida
entre os próprios africanos.
Pecúnia é o termo em latim para se referir à moeda. Então o
triângulo formado entre Pecúnia[3], Paterae e Patibulum pode refletir a
singularidade da percepção de riqueza que as lideranças políticas e
militares da metrópole almejam é bem diferente do que Adam Smith
vinha sintetizando no pensamento liberal burguês da gentry de
Westmister que já se organizava para um aceleramento econômico em
termos nunca dantes vistos. Ou quem diria que de uma pequena ilha que
só tem lã e uma pequena frota marítima sairia a maior potência
econômica do século XVIII e XIX?

Capitulo XI
O triangulo formado entre a Taça, a Moeda e a Forca explicam em
parte como a economia se liga a sexualidade e ao sistema judiciário. As
três principais forças da estrutura que submergem o homem em um
magma de objetivos comuns e forças contraditórias buscando espaço e
poder, que isso pode chamar de cultura. A força do inconsciente também
perpassa a sexualidade e a economia em coisas praticamente instintivas
que fazemos por força dos ajustes sociais e da aprovação dos entes
queridos.
Os três pontos levantados são admitidos como importante na
minha análise porque nessa compreensão de cultura basta três gotas da
água do mar para saber que ele é salgado.
As fontes analisadas, como Manuais de confessores, Dicionários
latinos, Gramáticas, livros de geometria, história indicam que a hipótese
do triangulo que existe entre a Taça, a Forca e a Moeda. Isto é, a Igreja, a
Nobreza e a Burguesia não entram em choque, eles se complementam
no sentido de que o Estado é gestado dessas três forças que se importam
mais com os problemas pessoais, visto a casuística ser a principal
inspiração para a literatura no século XVI. Há uma preocupação maior
com a consciência individual das pessoas de que com os efeitos
pragmáticos reais das transgressões, tanto que culmina com a invenção
da tradição da confissão auricular e a sua conseqüente aprovação no
concílio de Trento.
Na História romana conta a lenda que uma gota de mel foi capaz
de curar Glauco enfermo, quase morto. O confessionário é essa gota mel
que salvou a Igreja Católica do fim iminente. A delação vai imprimir ao
período uma política de desaparecimento e terror onde qualquer
opositor da monarquia ou da Igreja é severamente punido.
Aparentemente uma aliança sólida de não agressão existe entre
Monarquia,burguesia e Igreja, mas podemos dizer que é apenas
estratégica do ponto de vista histórico, pois quando os interesses do Rei
se chocam com os interesses dos burgueses eles derrubam as
monarquias estabelecidas em detrimento do fim do feudalismo e a
aliança da burguesia com a Igreja ainda permanece até a revolução
francesa em França e nas Américas até hoje no Brasil e na América
Latina pois o estado nunca foi divorciado da religião nem de seus
preceitos.
Fracis Bacon, referia-se ao costume, como a conduta inercial do
ser humano, habitual, passível de indução, então Bacon deduziu que
quanto mais cedo desenvolve-se os bons hábitos, mais enraizados eles
seriam, entretanto o pensamento de Bacon foi interpretado por
Mandeville, na visão do trabalhador, que desde de cedo a honra pelo
trabalho seria interiorizada, e internalizada essencialmente para o
prazer, conforto e lazer dos mais afortunados.

Capitulo XI
A alfabetização, a educação formal, proposta por Bacon, vem a
suplantar, a educação oral ao invés de desafiá-las, praticas e normas,
que se perpetuaram durante varias gerações, talvez até lentamente,
com todo o seu repertorio anedotário, narrativas, exemplares, muito do
que se imagina é que essa tendência deu certo, que foi fácil a educação
formal sobrepujar a oral, junto com os rituais de magia, feitiçaria e
superstições, entretanto Peter Burke em Estudos sobre cultura popular
na Idade Moderna, nos diz que as resistências foram teimosas, as
defesas dos costumes no século XVIII, vale salientar que alguns desses
costumes, essa defesa a tradição, poderia ser inventada recentemente,
com o intuito de exigir novos direitos. Afinal, os processos de mudança
verticais, vindo de cima pra baixo, são quase sempre entendidos pela
plebe, como uma exploração, e geralmente o é, uma destruição violenta
aos padrões vigentes desde da ancestralidade, por isso a cultura popular
é essencialmente rebelde, porque defende a tradição, os costumes,
contudo quando procuram a legitimação de seus protestos quase
sempre retornam as regras do jogo paternalista, de uma sociedade
autoritária, selecionando os “melhores” representantes,o que
Thompson configura uma grande ambigüidade dentro desse sistema.
A oralidade é uma dimensão cultural, que dentro dela,
desenvolve-se seu próprio código de conduta, com suas sanções, de
formas não-racionalizadas, os populares exercem suas forças, pela
intimidação, distante dos procedimentos mecanicistas de intimidação
estatal, sem imagens, sem lideres carismáticos, não fazem
peregrinações, ao invés disso lêem volantes, e conversam nos bares, e
algumas vitimas dessa cultura não são vistas com horror, a sanção é um
meio de retornar a sociedade, de expiar seus "pecados".
No sentido marxista tradicional, a historia do homem, era a
historia da luta de classes[4], uma visão estática e até anti-histórica da
categoria de classe social ,se buscava no passado focos dessa
consciência, buscavam-se regularidades, quer dizer, eles adaptavam a
teoria clássica marxista numa dimensão planetária, aos eventos
estudados, entretanto diversos empecilhos existiam diante de um
caixão menor que o defunto, muitas vezes a teoria não cabia no evento,
e vice e versa, e era preciso forçar, manipular, transfigurar, para
Thompson, a consciência de classes, só existe na ação coletiva dos
trabalhadores, independente da ideologia que está lhe alavancando, se
a defesa das tradições, se é a religiosidade, e etc, pra Thompson a classe
não é uma coisa, que você vê andando na rua e identifica, ela é uma
relação, a classe operaria não surgiu como o Sol numa hora
determinada, ela se desenvolveu, no seu próprio fazer-se, é uma
categoria histórica que se faz no tempo, é um processo, os sociólogos
gostam de analisar as classes como uma pedra, que pode ser mensurada,
medida, avaliada, classificada, rotulada, que define quem é burguês,

Capitulo XI
quem é proletário por referenciais esquemáticos, é julgado quem
condiz, quem não condiz, dizem de que lado cada um samba.
Para Marx a classe operaria era formada pela própria burguesia,
que é a classe que antagoniza com o proletário intrinsecamente, já para
Thompson a classe operaria nem sempre aprende com a burguesia,na
Formação da Classe Operaria Inglesa, Thompson recorta
geograficamente e temporalmente, um período que abrange as praticas
como a do Luddismo por exemplo, nesse conflito de transição, os
artesãos, oficiais sentem-se lesados, e elegem Ned Ludd como o grande
justiceiro no imaginário coletivo, um justiceiro das tradições, que nada
tinham haver com os posicionamentos marxistas diante da exploração
industrial, muitas distinções são enfatizadas por Thompson entre
interesses e valores que davam sentido à ação coletiva.
[1] A Casuística é um sistema de análise que leva em consideração
um conjunto de elementos que agravam ou atenuam os prováveis
pecados. O probabilismo coloca o desejável a uma certa distância do
exigível. A proliferação desses manuais foi característica principal do
renascimento tomista que ocorreu na península ibérica durante todo
século XVI, influenciados sobretudo pelas decisões do Concílio de
Trento.

[2] Mercúrios é o Deus Romano do comércio, venda, lucro.


Mercato é como também se chamam as feiras. A pecúnia é o elemento
moral que busca aumentar os estoques de metais nos cofres de uma
minoria.

[3] Sinônimo de dinheiro, valores financeiros, cambiais, moeda.

[4] Na realidade, Marx nunca se propôs realmente a definir classe,


esses conceitos foram os que ganharam maiores repercussões, e foram
atribuídos a Marx.

Capitulo XI
O NEOCLÁSSICO

Frontão, elemento de coroamento superior da composição clássica

O Neoclássico é um movimento que vai do final do século XVII do


final do século XIX. O Contexto em que ele surge é bastante conturbado
e a Europa passa por transições políticas irreversíveis com o surgimento
dos movimentos trabalhistas e do anarquismo.
Quando Tocqueville se refere a revolução francesa, é com uma
arrogância desmedida, "nunca houve acontecimento maior", em suas
palavras, nem mesmo um gênio como Frederico seria capaz de prevê. O
futuro seria um elemento temporal passível de previsões?
- A verdade é "eterna e intemporal", e onde a verdade se encontra?

Capitulo XII
Em documentos secretos que relevam o intento das multidões de
ameaçar o poder da realeza. A fonte que Tocqueville privilegiada é
adjetivada de secreta, alguns temiam o poder do antigo regime
aumentar, outros deduziam que as faculdades de uma França aguerrida
ficariam só na memória, e a França, é mamãe desde os gauleses que
brilharam outrora por armas.
As fontes documentais que Tocqueville estuda são tradicionais, a
perspectiva de historia é linearizada. Onde Tocqueville encontra sinais
de uma gradual decadência das instituições medievais?

Nos arquivos, os “terriers” indicavam os limites de terras


enfeudadas, o foro, os serviços, e a impressão de progressividade das

Capitulo XII
luzes oriunda da sociedade civil, e as trevas da barbaria política. Os que
os homens medievais ignoravam ou reproduziam é que uma realeza
senil possui algumas prerrogativas que inspiram apatia, conforme os
funcionalismo publico iria se hierarquizar, substituindo uma
aristocracia decadente. Isso também acontece na Inglaterra, igualdade
perante a lei, publicidade de debates, igualdade de encargos, principio
desconhecido dos medievais. Porque Tocqueville considera tão
importante a decadência da aristocracia, porque discernir entre
privado e publico, é uma característica típica dos modernos.
"O curso da revolução é sentido na língua, nos costumes, nos usos,
no governo, na estrutura, existem acontecimentos tanto perto, quanto
longe que já dava pra ver essa a revolução como uma verdade, mas
ninguém consegue-os julgar com discernimento o que está para
acontecer, a revolução nasce em meio as mais incertas expectativas,
alguns atribuem as causas a ação maligna, outros a renovação benigna
do senhor deus." (TOCQUEVILLE)
Dialogando com Tocqueville sobre a contradição do nascimento
da revolução, a contradição é justamente no fato de nenhum gênio
conseguir enxergar o seu curso, nenhum contemporâneo conseguiu ter
um insight sobre o que estava por vir, mesmo que estivesse tão claro o
seu curso, um curso que por horas adquiriu fisionomias monstruosas.
Será que dava pra evita-la? Tocqueville deixa subentendido que sim.

Capitulo XII
Capitulo XII
Colunata, elemento central da composição clássica

Para Tocqueville a causa principal do incidente foi a filosofia do


século dezoito, quer dizer, uma minoria, letrada, tornaria outros fatores
da revolução meras particularidades.
A bisegmentação dessa filosofia se dá em questões fundamentais,
de natureza durável como a igualdade natural dos homens, abolição do
privilegio de castas, classes ou profissões, soberania ao povo, e em outra
parte da doutrina, eles atacavam a igreja, por serem ricos proprietários
de terra, detentores do poder, note que dizimadores vem logo antes de
administradores.
Tocqueville ressalta o perigo em equacionar revolução com
hostilidades a Igreja Cristã, e que era uma questão de tempo o ódio que
inspirava esses ataques empalidecerem. Rapidamente a Igreja passaria
pro lado do revolucionários.
Ele afirma que em certo momento, é possível ver a revolução
derrubando ao mesmo tempo todo todas as instituições, e todos os
costumes, destruindo toda a ordem, assemelhando-se até com o
anarquismo, porem não era nada disso.
Ninguém tinha visto desde a queda de Roma um poder
semelhante, apagou tradições, renovou hábitos, atacou os poderes
estabelecidos, e criou um poder cem vezes mais forte daquele que o
derrubou. A aristocracia é substituída por funcionários, os privilégios
locais por uma uniformidade nas regras, a diversidade de poderes pela
unidade do governo.
Para Tocqueville a história política extrapola todas as suas
significações, primeiro como um historiador tradicional, não consegue
pensar em uma história que não cultue esse aspecto, ele chega a desafiar
algum "revistador" mais curioso a achar uma revolução que se
comparasse a francesa. Schiller também cultuador da política, sabe que
a guerra dos trinta anos reformaram os século XVI, mas não é possível
incluir a revolução francesa dentro das guerra religiosas que
antecederam o 1789, o cidadão é considerado de maneira abstrata, fora
de qualquer sociedade particular, da mesma maneira como as religiões
consideram o homem em geral, independente do país e da época.
"Tudo que antecede teve a finalidade de focalizar o assunto".
Traduzindo em miúdos, olhemos as coisas as avessas, encadeando
linearmente antecedências com finalidades: Quais foram as razoes
exatas pelas quais a fizeram? Indaga o curioso Tocqueville, e a resposta
vem logo depois:

Capitulo XII
“ - Aumentar o poder e os direitos da autoridade pública, que tinha
por base a igualdade de condições, fazendo ruir uma aristocracia
parasita, que dominava a séculos a maioria dos povos.”
”Dez gerações trabalharam renitentemente para esse
acontecimento, que nada tinha de fortuito, ia acontecer cedo ou tarde”,
engraçado essa concepção de história, escuta Tocqueville, revolução soa
muito romântico, você tem que aprender que essas coisas aconteceram
no mundo inteiro, as vezes a convulsão é grande, mas na maioria das
vezes nada acontece.
Na Alemanha ate o fim do século XVIII a servidão ainda era
utilizada, os soldados de Frederico II eram servos, os servos têm de
obedecer a justiça dominical que vigia sua vida privada, para punir sua
preguiça ou intemperança. Não se pode mudar de posição social, nem
profissão, nem casar-se na ausência do senhor, a corvéia continua sendo
uma constante pode ate ter terras, mas não pode hipotecá-las, nas
heranças uma parte é retida pela senhoria.
Dividir as terras, foi um dos efeitos da revolução, só que medidas
como essas já tinham sido obtidas em revoltas que antecederam o 1789,
pelo menos vinte anos antes. Para a revolução ser compreensível desse
ponto até 1860 onde também é considerado um marco referencial de
ruptura das antigas tradições que foram eclipsadas, o anarquismo é
afastado as margens do movimento internacional. Os partidos agora
tinham como ideal se organizar nacionalmente, concentrados na arena
parlamentar. As liberalizações de 1867-71 permitiam agitações legais
em escala maior que a local. Tendo como Marx e Engels os principais
consultores dos movimentos socialistas europeus.
Os movimentos na Alemanha, Grã Bretanha, império czarista, na
península Ibérica, nos Bálcãs representaram para esquerda européia
novos rumos. Foram os primeiros partidos nacionalmente organizados.
Havia também entidades de importância local, mas a repressão do
estado e a precariedade da comunicação levou-os a efemeridade.
A nova geografia do socialismo abriria novos partidos, na
Escandinávia o partido era forte bem como nos países de língua alemã,
os mais fracos se encontravam no mediterrâneo e nos Bálcãs.
O socialismo contaminava as eleições na Bulgária em 1913,
avançava para Finlândia, Noruega e Suécia, que ganhavam apoio rural.
Legalidade, a constituição parlamentar em paralelo com a
industrialização garantia direitos democráticos.
Na nova geografia existia alguns empecilhos como o anarquismo
embaçando o movimento socialista, como um meio antiparlamentar,
anticentraizador e a ação direta geralmente chamada de sindicalismo
revolucionário. Isso se aplica a Espanha e aos seguidores de Bakunin,

Capitulo XII
que substituiu Marx no final da década de 1860, onde o atraso
econômico e a fragilidade do liberalismo tolheram os socialistas
espanhóis. Mesmo na Itália que já tinha uma herança anarquista o
partido conseguiu avançar, a França que foi um caso anômalo por volta
de 1914 o republicanismo francês havia legado à esquerda francesa a
experiência democrática parlamentar numa economia forte, ainda que
desigual, no processo de industrialização. Assim os votos socialistas
continuavam surpreendemente baixos mesmo que na historia dos
trabalhadores franceses eles são a vanguarda do radicalismo europeu
em 30-48 e 1871.
O centro dos trabalhadores na Espanha, as camere del lavoro
italianas ou a bourse du travail francesa. Tratava-se de centros ativos da
cultura socialista que misturavam-se a funções de bolsa de emprego,
sindicato, recurso educacional, instalação recreativa, local de reunião,
centro de informação aos cidadãos, nucleio de agitação e fonte de
moralidade socialista, originada das antigas tradições de auto ajuda,
ajuda mutua e cooperação, mas essas câmaras também era novas e
improvisadas pelos assalariados proletariados urbanos ou rurais.

Capitulo XII
Conjunto de composições c/ elementos superiores e centrais

Na Grã Bretanha bem como na Itália e na França, o paradoxo era


que as nações de capitalismo mais avançado e sociedade mais proletária
tinha os menores eleitorados socialistas. Porque era o partido liberal
que canalizava essas forças, mantendo na marginalidade as políticas

Capitulo XII
socialistas. O lugar do trabalhismo se ajustou muito bem a estrutura
liberal antiga, tendo duas fases: a primeira ocupa uma lacuna entre a
segunda internacional, e a outra começa com as fundações balcânicas e
polonesas do inicio dos anos de 1890, terminando em 1905 com a
revolução na Rússia. Claro que as outras fundações que surgiram
posteriormente tinham sua política socialista retartadada porque os
povo era analfabeto, não existia cultura publica, desigualdade na
industrialização, encontra-se muitos exemplos do aqui exposto no leste
Europeu, no Império Habsburgo, na periferia meridional da Espanha,
Portugal e grande parte da Itália.
Os socialista foram mais bem sucedidos onde os regimes locais
eram menos repressivos e hostil, para que a atividade socialista pudesse
deslanchar, necessitava-se ou do desenvolvimento capitalista ou de
tradições de politicas liberais, por mais ilimitadas que fossem.
O progresso da social democracia antes de 1914, vemos o partido
finlandes(SDP) fundado em 1903 com maior performance socialista do
eleitorado em 1906, justamente porque era onde a repressão era mais
frouxa, bem como a Suécia em 1907, arrastando cento e trinta e três mil
votos, a titulo de comparação a Alemanha tinha invejáveis 34,8% de
eleitorado socialista, que era justamente nos países de língua alemã
onde a mentalidade socialista era mais forte, tendo como guia de ações
as internacionais lideradas por Marx e Engels. A Grã Bretanha(LP) na
tabela tem uma porcentagem ridícula de inexpressivos 7% em um mais
que encabeçava a industrialização, entretanto o Partido Liberal que
concentrava as forças do proletariado e a repressão era maior.
O neoclássico adquire muita importância para as belas artes do
século XVII até o fim da utilização da mão de obra escrava nas
construção civis. No Brasil, um dos últimos países do mundo a abolir a
escravidão por força da tradição optava pelo Neoclássico pois era o
gosto pessoal predileto do imperador e a sua corte tratava de
reproduzir como forma de simbolicamente mostrar que tem os mesmas
afinidades arquitetônicas da casa real[1].

Capitulo XII
Terceiro elemento da composição clássica é a escadaria

Capitulo XII
A construção da casa do Dr. Leite Maranhão marca o inicio da
influência do arquiteto Emilio Hinko que trazia tecnologias da Europa
no modo de pensar a residência familiar trazendo os banheiros para
dentro da casa, dando recuo para jardim, construindo dois pavimentos
ao invés de um porão que era a característica do Neoclassico, sem
frontão, sem colunata.
Podemos dizer que o Neoclassico passa a ser um maneirismo a
partir do momento que já não há mais influencia da missão francesa ou
de Vauchier, ainda que a influência fosse bastante restrita a elite
dominante escravocrata tanto do açúcar,charque quanto do café, que
também já tinha sido uma arquitetura de contestação ao barroco e ao
rococó.italiano e a casa que a gente escolheu coincidentemente tem um
ecletismo que recupera o barroco espanhol.

Capitulo XII
Capitulo XII
mobiliário neoclássico

[1] Desde o século XV até o presente, a arquitetura se manteve sob


a influencia de tres ficcoes. A despeito da aparente sucessao dos estilos
arquitetonicos, cada um com sua designação propria - classicismo,
neoclassicismo, romantismo, modernismo, pos modernismo e assim por
diante - , essas tres ficcoes persistiram de uma forma ou de outra
durante cinco seculos. Sao elas: a representacao, a razao e a historia.
Cada uma destas ficcoes era dotada de um proposito subjacente: a
representacao devia materializar a ideia de significado; a razao devia
codificar a ideia de verde; a historia devia resgatar a ideia de eternidade
a partir da ideia de mudança. A persistencia dessas categorias no tempo
obriga a considerar esse longo periodo como uma manifestacao de uma
continuidade no pensamento arquitetonico. refiro-me a essa forma
persistente de pensamento como o clássico [the classical]( PETER
EISENMAN . O FIM DO CLÁSSICO p.223)

Capitulo XII
A EFETIVA APROPRIAÇÃO
DA AMÉRICA
O procedimento para o efetivo apossamento das terras se deu de
muitas maneiras no Nordeste fora através do mecanismo da sesmaria.
Em Ceará, o sistema de produção agrícola adotado tinha como principal
característica as baixas produtividades, fruto de instrumentos agrícolas
rudimentares. Isto fazia com que ocorresse uma grande redução na
oferta de produtos e quando havia estiagem faltavam reservas de
alimento e pasto para as criações, desse modo dizimando pessoas e
animais por inanição. O problema da pecuária no Nordeste estava de tal
forma em situação de desequilíbrio que para o historiador é muito
interessante poder esmiuçar tal assunto. A pecuária foi o aríete da
colonização no sertão ao longo do século XVII e XVIII. A boiada escorreu
pelo agreste tendo o rio Acaraú, Jaguaribe, Poti e São Francisco como
estrada. O gado de corte fora considerado outrora a “vocação” do
sertão[1]; falsa crença decisiva para catalisar uma profunda crise na
estrutura[2] econômica erigida pelo árduo trabalho dos imigrantes
devido a insustentabilidade socioambiental dessa produção no
território rural do sertão. O enfoque que a administração
pernambucana destinou ao Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte
privilegiava uma orientação mercantil interna. Desse modo
desenvolveu-se nas ribeiras dos rios um sistema de produção agressivo.
Aspecto muitas vezes exaltado pelos cronistas cearenses e
pernambucanos devido sua lucratividade porém terminou culminando
na completa desestruturação do ciclo[3] econômico do gado. O
desfalque do rebanho fora tão significativo que frustrou as atividades
das oficinas e açougues, somente sendo revitalizado pelo trabalho e
competência de José Martiniano de Alencar por volta de 1836.
Para essas afirmações sobre a colonização no nordeste brasileiro
realizamos a análise das principais características da estrutura agrária
ao norte da província cearense no período de onze anos antes da
ruptura com Pernambuco. Tal parte da pesquisa é desenvolvida para
auxiliar os historiadores que desejam compreender a estrutura
fundiária dos criatórios cearenses. Nela é indicada a presença de
extensos latifúndios pecuaristas, manejados por homens livres e
laboriado por mão de obra escrava.
Quanto ao rebanho de gado vacum na região, podemos estimar em
até 80 mil unidades(ou o dobro). A pecuária era uma atividade exercida
por grandes e pequenos. Uma média de 200 cabeças por fazendas. A
realidade que o banco de dados aponta é que a agricultura de
subsistência era estabelecida conjuntamente com a pecuária, visto que
as fazendas "mistas" possuíam cercas.
Capitulo XIII
A existência de uma agricultura de subsistência principalmente
de milho, mandioca, feijão e arroz. A partir do último quartel do século
XVIII podemos destacar a produção de algodão. Um grande exemplo
disso é o sítio de de propriedade do Tenente Inácio da Silva de Araújo
denominado “Almas”. Ele é morador e proprietário. Ele criava 100
cabras. 60 ovelhas. 77 cavalos e 750 cabeças de gado. Possui 09
escravos. 18 Machados. Senhor Inácio é Tenente e podemos admitir
através dessas informações que existia a organização de uma hierarquia
dentro do patriarcalismo cearense. Tenente Inácio tem um grande
rebanho de gado vacum, é residente no sítio e possuí um bom número
de escravos pelo menos mais que os seus vizinhos.
Governador Manoel Ignácio de Sampaio em 1818 ordenou ao seu
ajudante Antonio Jozé da Silva Paulete que fizesse um mapa do Ceará.
Silva Paulete arrogou à Sobral, o litoral de Camocim, baixo e médio
Acaraú, Uruburetama e sertões de Canindé. Equivalente a toda bacia
hidrográfica do Acaraú que conhecemos atualmente, reputada em
14.500Km², sendo portanto, considerada a segunda maior bacia do
Ceará com o maio rebanho de gado.
Nesse momento tem importância citar Sobral, Aracati e Icó pois
para os historiadores e economistas além de sua dimensão territorial
bem grande fora justamente o de representar grande nicho da economia
colonial portuguesa como subsidiária da atividade exportadora de
açúcar,[46] pois quando em 1701 em carta régia fora proibido a criação
de gado no litoral não excluiu a necessidade de carne para alimentação
e muito menos fora deixado de utilizar a energia animal como força
motriz das engenhocas. Quer dizer, é o mercado do mercado, pois
Pernambuco já era subordinado economicamente aos interesses da
metrópole lusitana. Daí pode-se entender que o compromisso social da
pecuária em Sobral no ano de 1788 fora de 3740 cabeças de gado
destinadas a navegar diretamente para os portos de Recife. Todas as
entregas devidamente catalogadas nos bilhetes de venda dos portos de
Camocim, barra do Acaraú e Itapajé.
A delimitação do período de extrema crise é de 1789 até 1799. As
datas são estabelecimento de uma ordem documental. Esses 10 anos
revelam a decadência das unidades produtoras de gado e o
desenvolvimento da cotonicultura ao passo que na historiografia
cearense vai ser interpretado à barganha de negociar diretamente com
Lisboa como sendo uma autonomia política maior.
"Com o advento da produção algodoeira, aumenta a necessidade
de uma comercialização direta com Portugal, intensificando-se as
solicitações, neste sentido, pelas autoridades representativas da
Capitania à Coroa”(GIRÃO: 1996)[4]

Capitulo XIII
A ruptura é de uma ordem econômica, mas a própria
historiografia portuguesa registra em suas efemérides a desvinculação
do Ceará em relação a Pernambuco como sendo um grande marco
político, como se o criar alfândegas, casas de arrecadação e conceder
títulos de nobreza fosse desfrutar de autonomia, pelo contrário essas
disposições só vinham a reforçar ainda mais os laços coloniais. O
primeiro Governador do Ceará era cavaleiro da ordem de Cristo,
denominado Bernardo Manoel de Vasconcellos que tomou posse de seu
importante posto em 1799. Segundo Almeida é anunciado que
Vasconcellos já possuía representatividade na colônia: “LISBOA 10 de
Novembro: Por Decreto de 18 d'Outubro de 1797. Governador da
Capitania do Ceará, o Chefe de Esquadra Bernardo Manoel de
Vasconcellos.” [5].
"No Ceará contavam-se 972 fazendas..."(VARNHAGEN: 255)[49]. O
autor na estípula traz em números a quantidade de fazendas de gado no
ano de 1775. Como podemos ver, há pouca possibilidade de
considerarmos a quantidade como irrisória.
Em cumprimento da ordem do Capitão-General e Governador de
Pernambuco D. Tomás de José de Melo[6] tomaram a rol
obrigatoriamente todos os nomes de fazendas dos senhores, além de
declarar as terras e gados[7], também foram obrigados a fornecer
informações quantitativas sobre a colheita de legumes e a venda de tais
produtos. Sob pena de detenção e multa. Desconheço a situação de
alguém ter sido preso ou multado em virtude de não haver declarado as
posses.
Na região eram cultivados algodão, cana, fumo, arroz e feijão.
Tudo normalmente em pequena escala. As espécies nativas como a
carnaúba, a bananeira e os coqueiros não eram tão abundantes, o que
tornava o extrativismo pouco atrativo do ponto de vista econômico.
Como muito bem vai esclarecer Prado Júnior:
"A mediocridade desta mesquinha agricultura de subsistência que
praticam, e que nas condições econômicas da colônia não podia ter
senão este papel secundário e de nível extremamente baixo, leva para
elas, por efeito de uma espontânea seleção social, econômica e moral, as
categorias inferiores da colonização."(PRADO JÚNIOR: 2006, p.161)[8]
Imbuído de um ânimo renovador, vamos sobrepor a leitura que se
tem da pecuária como categoria inferior da colonização, como também
inferior do ponto de vista ambiental, desse modo incorporando a visão
de que a degradação do meio ambiente foi precisamente o elemento de
maior relevância histórica, pois acarretou os piores danos. Discussão
que escapuliu Caio Prado, Novais, Furtado, Capistrano de Abreu, João
Brígido e Girão[9], justamente por ser um debate levantado na
atualidade[10]. Simonsen também é um dos que vai deter-se apenas nas

Capitulo XIII
questões relativas ao alargamento das fronteiras e fornecimento de
subsídios para expansão de outras atividades econômicas.
“Alargadas as fronteiras econômicas, ocupadas as vastas regiões
dos sertões brasileiros, as economias e os capitais nacionais estavam
representados, em fins do período colonial, nos engenhos, na escravaria
e na pecuária. Foi a acumulação destes dois elementos, pela mineração,
que facilitou a rápida expansão da cultura cafeeira, cultura esta que,
pela sua natureza especial, exigiria fartos braços e amplos meios de
transportes. Não se houvessem acumulado no centro-sul brasileiro
essas massas da gente e de gado e não teríamos os elementos suficientes
ao desenvolvimento de outras atividades, à expansão da cultura
cafeeira e ao reerguimento econômico do país...” (SIMONSEN,1937)[11]
Com toda certeza temos de incluir na pesquisa o desastre
ambiental da estiagem de 1790-1794[12] além de ter sido a pá de cal na
economia pastoril, custou milhares de vidas:
"A grande seca de 1790-94 foi um destes momentos. Ao atingir
fortemente os criatórios cearenses, em especial o Jaguaribe e Icó,
deixam as charqueadas de Aracati sem fornecimento de carne,
paralisando inteiramente suas atividades. Ocorre, que neste momento
as charqueadas gaúchas estão plenamente organizadas e ocupam
rapidamente os mercados de Salvador e do Recife. Mesmo Parnaíba,
aproveitando-se da crise no Ceará, ampliará, em direção a São Luís e
Belém, seu raio de ação."(TEXEIRA DA SILVA)
Na conjuntura temos a crise da mineração, a revolução industrial,
o crescimento da indústria têxtil inglesa, as revoluções burguesas. A
própria Guerra de Independência nos Estados Unidos vai inverter mais
ainda a lógica de produção agrícola no Ceará e superar o açúcar como
monocultura exportadora.
"Por volta de 1790, o Brasil já exportava mais de 10% de todo o
algodão comprado pela Inglaterra nos mercados internacionais, e na
Paraíba e Maranhão o produto desbancava o açúcar como principal
fonte de riqueza, penetrando, inclusive, em grandes áreas, antes
ocupadas pelos domínios pastoris, sobretudo a partir da abertura dos
portos brasileiros ao comércio estrangeiro, em 1808.” (SERRA)[13]
A produção pecuarista escravista do Rio Grande do Sul vai
abastecer e conquistar o nicho econômico que antes pertencia aos
pecuaristas escravistas cearenses[14].
No sentido religioso a região de Sobral era disputada também pelo
Maranhão: "A diocese do Maranhão alcançava até a Fortaleza do Ceará;
a de Pernambuco até o rio de S.Francisco..." (VANRHAGEN: 1857 ,81) A
diocese foi fundada em 1677 por ordem da bula Super universas orbis
Ecclesias.

Capitulo XIII
"É notório, portanto, que inicialmente o território do Ceará não
ocupava um lugar de destaque no processo de colonização da América
portuguesa, ora fazendo parte do Estado do Maranhão, ora da capitania
de Pernambuco. O Ceará tornou-se uma capitania autônoma somente
em 1799."(SANTANA)[15]
A Série Cartográfica utilizada na pesquisa é uma “Carta / Marítima
e Geográfica / da / Capitania do Ceará. / Levantada por ordem / do / Gov.
Manoel Ignácio de Sampayo / por seu ajudante d’ordens / Antonio Joze
da Silva Paulet, 1817. Fonte: Gabinete de Estudo Arqueológicos de
Engenharia Militar (GEAEM). Lisboa. Desenho Nº 4578.”
O Banco de dados pertence ao “Estudo do remanejamento da
pecuária na zona norte do Estado do Ceará, departamento de recursos
socioeconômicos”. Elaborado pela divisão de estudos econômicos,
SUDEC(Superintendência do Desenvolvimento do Estado do Ceará) &
UVA (Universidade Vale do Acaraú) – 1º volume. 1970 C.D.U.
636/639(813.1-17). Biblioteca Dr. José Guimarães Duque. N de Tombo:
010305. Data 26/09/07), organizado pela professora Luciara Silveira de
Aragão e Frota.
O relatório das expedições científicas do botânico Manuel de
Arruda Câmara[16] nos ajuda a compreender em que nível de estudo se
encontra a ecologia e a botânica nesse momento. Também objeto de
destaque para Arruda é o que a geografia cearense tem de singular;
condições favoráveis para a produção do algodão, devido a boa
adaptação da planta ao clima. A preocupação com o clima, remonta ao
início do ciclo do algodão que começa antes do esgotamento total do
sistema de produção pecuarista.
Os empreendimentos até então da experiência agrícola no Brasil
foram marcados pelas tentativas de aclimatar os cultivos naturais de
Portugal, transferência notadamente fixada pelo preconceito, pois o
homem vai alterar a paisagem de acordo com sua bagagem cultural, no
caso, latina e cristã, estabelecida em Portugal ao longo da idade média.
Também mostra que o pesado trabalho de Câmara não estava
sendo em vão. A botânica ao longo do século XVIII vai trazer enormes
contribuições na orientação dos cultivos para as zonas rurais:
“...distingue tres qualidades de terreno, para plantar algodoeiros,
entre elas a catinga. Catinga em todo o rigor do termo, entende-se por
hum terreno cheio, ou cuberto de huma especie de cassia, nao descrita
ainda por Lineo, e que eu tenho dado o nome de moscata. mas lato modo
tambem se chama catinga hum terreno cuberto de outro qualquer
arbusto baixo, como eh o marmeleiro, valema, broterea velame, e tem
se generalisado tanto este nome, que ate chamam hoje de catinga em
algumas parte tudo o que nao é vargem, inda que seja cuberto de mata

Capitulo XIII
virgem” (CAMARA: 1799, p.44) "..do mesmo modo, do Ciará, para o
norte, e ainda no interior dos certões, onde o cordao da serra, chamada
bruburema, multiplica e encapella os seus innumeraveis cabeos, como
o Ybuapaba, Cariri-novo e todo Piauyg.Porque tal serra da bruburema,
que considero como o espinhaco da terra de toda a capitania de
paranabuc, forma hum cordao de muitos centos de lingua, sem
interruppção alguma. Este clima, que ate aqui tenho descrito, chamão
agreste." (Ibid, p.47)
Segundo o dicionário de António de Morais Silva, natural do Rio
de Janeiro. Espinhaço significa:
Espinháço. s.m .fig. Serie, ou continuação de montes. Barreiros,
"huma continuação de montes, a que alguns chamão espinhaço do
mundo" Barros, 4. D. "aquelle grande espinhaço, e corda de serranias" :
"pelo meyo della (Ilha de Socotorá) ao modo de espinhaço, "corre huma
corda de serranias de huns picos altos, e fragosos" Id, 2. 1. 3. "montes e
serranias como espinhaço da terra para estabelecimento, e incoporação
de umas partes com outras(SILVA: 1831)[17]
O sucesso dos colonizadores[18] nesse momento vai ser definido
pela sua capacidade de implantar as suas tecnologias agrárias, a
reprodução de suas plantas e animais vai garantir a eficácia da
exploração do agente colonizador, para isso será desenvolvido saberes
científicos auxiliares ao plano imperialista português.
É utilizado o “Projeto Resgate de Documentação Histórica.
Documentos manuscritos avulsos da Capitania do Ceará (1618-1832).”
Fora selecionada a Carta do ouvidor do Ceará, Manuel Magalhães Pinto
e Avelar, à rainha D. Maria I sobre a situação da referida capitania, em 3
de fevereiro de 1787.(CT: AHU ACL CU 017, caixa 11, documento 644 &
APEC. Livro 16:Portarias, editais, bandos e ordens régias)
É utilizada também as “Datas de Sesmarias do Ceará e índices das
datas de sesmarias: digitalização dos volumes editados no anos de 1920
e 1928 / Organização Arquivo Público do Estado do Ceará. Fortaleza:
Expressão Gráfica / Wave Media, 2006. 2 CD-Room (Coleção
Manuscritos/ Arquivo Público do Ceará, v.03)” como fontes
suplementares, pois não abrangem o recorte, porém são importantes
para compreender a dinâmica do apossamento de terras. Bem como,
utilizamos como fonte suplementar as “Ordenações e Leis do Reino de
Portugal. Duodécima ed. Coimbra, 1824. Tomo I. Imprensa da
Universidade, 1858.” e e o “Repertorio Geral ou Indice Alphabetico das
leis extravagantes do Reino de Portugal. Publicado depois das
Ordenações, comprehendendo tambem algumas anteriores, que se
achão em observancia." ordenado pelo desembargador Manoel
Fernandes Thomaz, o provedor de Coimbra. Tomo I. Coimbra, real
imprensa da Universidade, 1815. Para compreender o que a legislação

Capitulo XIII
informava sobre a atividade pecuarista na colônia. As ordenações vão
notificar aos canavieiros que afastem 10 léguas o gado da lavoura, pois
os mesmos ocupam muito espaço e causam muitos danos.
O gado trouxe muitas riquezas para os fazendeiros, podemos
enxergar isso através dos testamentos, que tenho total interesse em
poder entrar em contato com esse tipo de fonte:
"Declaro que possuymos em dinheyro de ouro cento e oito mil reis
e em obras de ouro e prata o seguinte: um breve de ouro com tres voltas
de cordám, hum sambento esmaltado com tres voltas de cordám, uma
cruz com seu cordám, hum afogardo de contar de pescosso, dous pares
de cadeados hum grande e hum pequeno, dous pare de argollas
pequenas, huma imagem de N. Senhora da Conceyçam pequena e doze
pares de botoens pequenos e tres voltas de corais machos engrampados
em outro, dous pentes de rigor de tartarugas cuberto de ouro, e assim
mays seys oitavas de ouro em pó..."( testamento de Dona Maria
Madalena de Sá e Oliveira extraído de "Cronologia Sobralense"[19])
O grande problema dos genealogistas é que a sua pesquisa é
largada, eles citam documentos importantes, porém não informam a
localização exata para consulta, dificultando um pouco o
desenvolvimento de possíveis trabalhos posteriores.
[1] "Em uma correspondência de 1788 dizia d. Tomás José de
Melo, capitão general de Pernambuco, que todo o gado dos sertões era
para matar, salgar e navegar, expressão que retrata perfeitamente o
centripetismo das oficinas." (BRAGA)

[2] Aqui o termo estrutura economica se relaciona com a: "


produção social de suas vidas, os seres humanos ingressam em relações
determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de
produção essas que correspondem a um determinado nível de
desenvolvimento de suas forças produtivas materiais.
O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura
econômica da sociedade, a base real, sobre a qual se ergue uma
superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas
formas sociais de consciência.
O modo de produção da vida material condiciona, em geral, o
processo de vida social, político e espiritual.
Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas sim,
inversamente, é o seu ser social que determina a sua consciência."
(Prefácio à Crítica da Economia Política)

Capitulo XIII
[3] Aqui o termo ciclo não representa de modo algum uma
concepção histórica minha que o tempo seja cíclico como o calendário
mas sim da nomenclatura que a historiografia antecessora pensava a
economia.

[4] É bem sabido entre os historiadores que o cultivo de cana entre


os primeiros donatários da colônia restringiu-se a uma pequena parcela
da terra litorânea. Girão, Valdelice. Revista do Instituto Histórico do
Ceará. "As charqueadas", 1996.

[5] Manuel Lopes de Almeida. "Noticias Históricas de Portugal e


Brasil (1751-1800)". Coimbra, 1964.

[6] Segundo Cardinal Francisco de São Luiz Saraiva e Manuel


Pinheiro Chagas “ D. Thomaz José de Mello, Governador e Capitão
General nomeado para Pernambuco, tomou posse do governo desta
Capitanía em Janeiro d'este ano, e conservou-o até Dezembro de 1798,
em que embarcou para Lisboa. Este Governador fez muitos
melhoramentos em Pernambuco, cuja Capital ainda hoje attesta os seus
benefícios. Mandou construir a Casa dos Expostos, e creou o hospital dos
Lazaros; fez o aterro dos Affogados por onde não se podia passar nas
marés cheias sem perigo. desterrou das janellas e portas o antigo uso
dos peneiros, ou urupemas, mandando substituí-las co rótulas de
madeira: regulou as calçadas das ruas, e fizeram-se por sua direcção
alguns arcos de pedra na ponte do Recife." P.254. “Os portuguezes, em
Africa, Asia, America, E Oceania." Volume VII. Lisboa: Typ. de Borges,
Rua da Oliveira n°. 65. 1850.
[51] Estudo do remanejamento da pecuária na zona norte do
estado do ceará, departamento de recursos sócio econômicos - divisão
de estudos econômicos, SUDEC - superintendência do desenvolvimento
do estado do ceará superintendência do Estudo 1 volume. 1970 C.D.U.
636/639(813.1-17). Biblioteca Dr. José Guimarães Duque. N de Tombo:
010305. Data 26/09/07.

[7] VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. "Historia geral do Brazil".


Tomo II. Rio de Janeiro, em caza de E. e H. Laemmert, R. da Quitanda.
1857.

[8] PRADO JÚNIOR, Caio. História Econômica do Brasil. 47º Edição.


São Paulo: Brasiliense. 2006. Prado vai analisar o sentido da

Capitulo XIII
colonização, um periodo de trezentos anos das instalações portuguesas
através de vasta bibliografia e relatos de viajantes como Saint Hilaire,
Von Martius, Luccock. Prado vai analisar a decomposição das principais
estruturas erguidas pelos portugueses. O livro se divide em três partes
“Povoamento” neste capítulo vemos a variedade com que foi formada a
população do Brasil colônia,"Vida Material”, nessa parte é dada uma
ênfase maior à economia colonial, que tem na agricultura seu carro
chefe, seguida da mineração e em escala menor a pecuária, e “Vida
Social”, neste capitulo Prado vai traçar um paralelo entre a escravidão
erigida no Brasil Colônia e a escravidão clássica. Centra as suas
observações na família patriarcal como também aponta Buarque em
"Raízes do Brasil."

[9] A pecuária teve sua evolução histórica estudada além desse


por Manuel Correia de Andrade, Alice P. Canabrava, Octavio Ianni, F. H.
Cardoso e J. Alipio Goulart.

[10] LÖWY, Michael. Ecologia e Socialismo. São Paulo: Cortez,


2006.

[11] SIMONSEN, R. História Econômica Brasil, Vol. 1, 1500-1820.


Editora Nacional, 1937.

[12] “No tempo do seu governo sentiu esta Capitanía, por trez
anos, a maior das sêccas, que occasionou a morte de milhares de
pessoas, principalmente no sertão, pela esterilidade, e falta de
mantimentos; cujo auxilio foi preciso procurar nas outras Capitanías, e
muito mais a farinha de mandioca, com que então se proveu por muitos
mezes.” Cardinal Francisco de São Luiz Saraiva e Manuel Pinheiro
Chagas. “Os portuguezes, em Africa, Asia, America, E Oceania." Volume
VII. Lisboa: Typ. de Borges, Rua da Oliveira n°. 65. 1850.

[13] SERRA, Carlos Alberto Teixeira. "Considerações acerca da


evolução da propriedade da terra rural no Brasil. ALCEU - v.4 - n.7 - p.
231 a 248 - jul./dez. 2003 p.231- 247

[14] MAESTRI, Mario. O escravo no Rio Grande do Sul. A


charqueada e a gênese do escravismo gaúcho. Porto Alegre: EST, 1984.

Capitulo XIII
[15] Profa. Dra. Marilda Santana da Silva. “A “reinvenção” do ceará
em fins do século xviii e as negociações políticas com a coroa
portuguesa. Anais do ii encontro internacional de história colonial.”
Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out.
2008. ISSN 1518-3394. Disponível em
www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais1

[16] Manuel Arruda de Camara nasceu em 1752 e faleceu 1810,


botânico esforçado e discípulo do taxonomista sueco Carlos Lineu.
Escreveu: “Memoria sobre a cultura dos algodoeiros, e sobre o methodo
de o escolher, e ensacar etc : em que se propoem alguns planos novos,
para o seu melhoramento. - Lisboa : na Officina da Casa Litteraria do
Arco do Cego, 1799

[17] SILVA ,Francisco Carlos Teixeira Da. A Pecuária e formação


do mercado interno no Brasil-colônia. Estudos Sociedade e Agricultura,
8, abril 1997: 119-156

[18] Em 1727 sobre o comando do Coronel de Cavalaria João de


Barros Braga no vale do Jaguaribe, expulsou várias aldeias até ao
Piauí.Os cronistas da época relataram a ação não só militar, mas
ocupacional de três afamados varões: Domingos Jorge Velho, Domingos
Afonso Mafrense e o Capitão-mor Francisco Dias de Avila.
Para ilustrar esses sobrenomes vão formar a nobreza da terra no
Ceará através da posse real da terra. Ana Gonçalves Vieira,( volume 9 N
761.) Antonio Vieira Pita (volume 4 e 6, n361 e 447). Domingos Alves
Góis,( volume 8 e n 678.) Domingos Pires .(vol 5 .n 347.) Domingos
Sanches de Carvalho( vol. 8 n657). João de Almeida Vieira.( vol 5 e 6 e
10,pag 355 e 444 e 55). Cap. Domingos da Costa Araujo e sua
companheiro recebem seis léguas de terras no riacho da passagem e do
mocambo, na serra da Ibiapaba, concedida pelo o Capitão-mor Salvador
Alves da Silva, em 23 de junho de 1721 (485 - vol. 6 p. 195). Manoel
Pinheiro Landim é agraciado com as terras do riacho verde, concedida
pelo o Capitão-mor João Baptista de Azevedo Coutinho de Montaury, em
4 de junho de 1789(619 - vol 8 - pag 48)

[19] Araújo, Francisco Sadoc de, Pe. "Cronologia Sobralense" V.I,


Fortaleza: Grecel, 1974. p 243.

Capitulo XIII
O ECLETISMO
O capitulo procura incitar e ampliar o debate sobre vários temas
importantes com relação a arquitetura residencial e ao crescimento dos
grandes centros urbanos do Nordeste[1] e do Brasil, do passado,da
atualidade e a sua relação com a estética. Trazemos a tona a construção
da casa do Dr. Leite Maranhão construída em 1932 na esquina da Duque
de Caxias com 24 de Maio, que é uma das marcas da grande influência
do arquiteto Emilio Hinko no Ceará que exportava tecnologias da
Europa e do modo de pensar o conforto da residência familiar burguesa
inaugurando a organização sanitarista onde os banheiros ficam dentro
da casa, dando recuo frontal para permeabilidade e se aproveitando do
neocolonialismo para dar um tom eclético a edificação.
1982 - março - 14 - Morre em Fortaleza, aos 89 anos de idade, o
médico José Leite Maranhão, ex-prefeito de Fortaleza, cujo
sepultamento ocorre no Parque da Paz. Era nascido no distrito de Coité,
no Município de Milagres, no dia 10/08/1894.Marido de Ercila Botelho
Maranhão e pai de José Maranhão Filho; Túlio Maranhão. Ercilia(1871 e
1927) era filha de Antonio Botelho e Maria de Pontes Fernandes Vieira
Botelho e tinha como irmãos Antônio Botelho de Souza Filho; Jacinto
Botelho de Souza; Samuel Botelho de Souza; Didier Botelho Câmara;
Branca Botelho.
A casa foi construída pelo arquiteto Emílio Hinko um austríaco
radicado em Fortaleza. Na década de 80 a estrutura já apresentava
perigo potencial de demolição por falta de tombamento. Na década de
90 residência tornou-se em um armazém comercial com quatro lotes se
adaptando ao novo contexto urbano do Centro. Podemos afirmar com
absoluta certeza que ela foi construída em um contexto de disputa
arquitetônica residencial em que se disputava para quem tinha a casa
mais bonita do quarteirão ou do bairro. No imaginário do Dr. Leite o
movimento moderno não seria uma proposta tão eficiente para atender
a demanda de uma futura casa tombada como o ecletismo. É tanto que
ele ornamentou toda a casa e muitas partes dos azulejos, dos vitrais
foram reutilizados na reforma.
O Senhor José Leite Maranhão era médico e político. Diretor do
Clube Iracema fundado em 1884. Paraninfo da Escola normal. Ele
imaginava que o neobarroco do Clube atendia aos interesses da elite
conservadora católica que via nas fachadas trabalhadas o sinônimo de
um ideal estético de vanguarda. Ele também assumia
inconscientemente quando optou pelo colonial português que a nossa
herança européia significava um avanço histórico que deveria ser
refletido dentro da sua casa, nos azulejos da sala de jantar porque ele
preferia a influência histórica ibérica que francesa dentro da sua

Capitulo XIV
residência. Ele possuía um consultório na rua Floriano Peixoto, 690. A
casa dele era na Av. Duque de Caxias , n. 353. Também atendia na praça
do Ferreira 538. O endereço dele segundo a academia cearense de letras
era Duque de Caxias 991 telefone 17-11. Ele ocupava a cadeira numero
31. Foi também diretor do pronto socorro de Fortaleza o que lhe
garantiu bastante popularidade entre os pacientes é tanto que entre
1947 - 1948 o doutor José Leite Maranhão ocupou o cargo de prefeito de
Fortaleza. Seu governo ficou marcado por entregar à Prefeitura
Municipal de Fortaleza, o Palacete Iracema, recém adquirido ao Clube
Iracema. A Prefeitura Municipal de Fortaleza instala-se no Palacete
Iracema, prédio que pertenceu ao Clube Iracema, na Rua General
Bezerril nº 751, com lado para a Rua Monsenhor Luís Rocha, Praça dos
Voluntários, desapropriado pelo decreto municipal nº 816, de 29 de
outubro de 1947, autorizada pelo decreto-lei municipal nº 212, de
01/08/1947. Também houve o fato polêmico de que durante o seu
afastamento político fora substituído pelo Procurador Fiscal Dr. Jorge
Moreira da Rocha e durante sua ausencia a empresa Light de origem
inglesa que fazia o serviço público dos bondinhos na cidade de Fortaleza
foi retirado e encerrado de uma vez por todas o que serviu de
argumento para seus inimigos políticos o atacarem. Sendo que na data
de 18/05/1954 em entrevista a Gazeta Noticias na p. 07 e 08 o próprio
ex-prefeito faz um relato bem minuncioso de como se passaram os
acontecimentos e afirma: " - Nunca concordei nem autorizei a retirada
dos bondes."
Jose Leite Maranhão inaugura em 25 de Agosto o busto de Duque
de Caxias na praça Benjamin Constant atual praça da Bandeira. Luis
Alves de Lima e Solva, militar fluminense que chefiou as forças
brasileiras na guerra do Paraguai e recebeu do Imperador D. Pedro 2 o
maior titulo de nobreza dado a um brasileiro. Sendo o patrono do
Exercito Brasileiro. José Leite também era professor da Escola Normal
Pedro II que funcionava em prédio próprio, na Praça Figueira de Melo,
no centro de Fortaleza. Seu diretor era o doutor Luís Costa, nomeado
pelo interventor Roberto Carneiro de Mendonça, substituído, em 1933,
pelo dr. João Hipólito de Azevedo e Sá, e tinha em seu corpo docente
figuras da envergadura dda profa. Edith Braga, dr.Djacir Menezes, dr.
Mozart Pinto e dr. Luiz Mendes, todos eles nomes de ruas e praças da
Fortaleza atual
O dr. Leite Maranhão ficou conhecido pelas suas palestras na
escola normal sobre “A Hygiene infantil”. Também por suas
conferências apresentadas juntos com Dr. Aurélio Lavor pois
contemplavam o debate da higiene escolar como responsabilidade da
inspeção médico-escolar. Nesse sentido, eles e destacavam os
atendimentos médicos necessários às crianças, como também a
importância da atuação dos profissionais da saúde junto aos

Capitulo XIV
estabelecimentos de ensino. Nessas falas, os médicos argumentaram
que o esclarecimento sobre a higiene apresentado pelas professoras em
sala de aula não era suficiente para suprir os cuidados que as crianças
precisavam.
Possuía também terras no Banabuíu o qual experimentou
semente de gado holandês para engorda dos animais. Ele acreditava que
por não haver barragens e poços não era possivel fertilizar o capim para
forragem dos bichos de grande porte. Talvez a sua família tivesse
origem de Banabuiu e pelo que vimos ele se mostrava um médico rígido,
conservador e muito apegado aos valores históricos da sua época.
“O espetáculo de São Paulo em armas entusiasmaria mesmo os
céticos. Há uma estranha beleza nesta metamorfose marcial. Um povo
de trabalhadores despe a blusa e veste a farda. Tudo aqui deslumbra a
imaginação mais ardente. O movimento que esta hora se espraia por
cinco frentes de batalha tem tais características de ordem e disciplina
que diríamos assistir apenas a uma parada patriótica. O delírio do poder
já juncou de cadáveres este solo fecundo[...] E pensar a gente que
testemunha uma luta civil, ingrata pugna de irmãos criada apenas pelas
vaidades de mando, pela mediocridade de artifícios subalternos,
prolongando o exercício do poder discricionário além dos limites
naturais, na displicência de quem se quisesse eternizar na comodidade
da casa alheia. Como se iludem os escassos defensores do Catete quando,
arrogantes e impermeáveis ao senso comum, acreditam poder dominar
os insurrectos pelas armas. Os caporais da ditadura esforçam-se a
apregoar: “isto aqui é um motim de políticos ambiciosos”.
Decididamente Júpiter enlouquece primeiro os indivíduos que deseja
perder. [...] Mas, reparai brasileiros na insensatez da afirmativa oficial.
Confrontai-a com a evidência dos fatos e tirai as conclusões devidas.
Paulistas, o Rio Grande do Sul desperta do choque inibitório e se levanta.
Esperai, resisti, confiai!”
Trecho do enérgico discurso pronunciado por João Neves da
Fontoura, na Rádio Sociedade Record, em Agosto de 1932 em apologia a
resistência. O regionalismo paulista dá ares de superioridade, é uma
corrente separatista e discriminatória que se sustentava no desprezo
pelos outros nacionalistas, e se orgulhavam da sua ascendência
européia e branca e se davam glorias por ser o estado bandeirante
,desse modo despertavam o regionalismo paulista, através de discursos
em símbolos o que deu muita margem para as imprensa opositoras
interpretar e ressignificar essas exacerbadas valorizações com
animosidade, até foram usadas pelos jornais locais de fortaleza por
exemplo as opiniões da comissão que Epitácio Pessoa organizou
percorrendo o nordeste, onde o nordeste aparece como uma despesa
para o país e que os povo nordestino não valia os gastos que o governo
central investia contra a seca.

Capitulo XIV
Figura IX.Logotipo do Instituto Histórico de São Paulo.
Em São Paulo, o lugar social onde a história se produzia era o
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo desde sua fundação 1894.
Ali, cultivava-se uma noção épica da história associada à incorporação
de alguns dos procedimentos metodológicos da historiografia da época.
Nesse caso o mito fundador de São Paulo e da nacionalidade confundia-
se com o estudo do bandeirismo.
Foram três historiadores ligados ao Instituto Histórico quem mais
contribuíram para isso: Afonso de Taunay, dando ênfase aos aspectos de
conquista territorial, Alfredo Ellis Junior à “raça paulista” e Alcântara
Machado às condições sócio-econômicas do fenômeno bandeirante.
Membros das elites imbuídos do “orgulho paulista”, ao estudar sua
própria ascendência, procuraram reforçar sua legitimidade
estabelecendo laços entre essas elites e os heróis do passado
bandeirante, legitimando-as. A partir da idéia de supremacia do Estado,
naquele momento responsável por bem mais da metade da receita de
exportação do país, foi sendo construído e difundiu-se o mito do
bandeirante herói da nação, o bandeirismo paulista fundara a
nacionalidade ao delinear o território e o tipo racial tipicamente
brasileiro, o mameluco. Tudo isso despertava um regionalismo
sobretudo xenofóbico em relação a outras descendências presentes no
Brasil.
Na apreciação que podemos fazer da guerra civil paulistana
através das fontes que podemos analisar foi que a memória desse
acontecimento transformou-se a em uma guerra literária, gastaram
mais palavras para descrevê-la do que munição de metralhadora para
sustentá-la. Um esforço intelectual, sobretudo dos constitucionalistas,
para fixar a memória desse evento político e militar. A quantidade de
material de época é bastante relevante, publicaram 114 títulos somente
entre 32 e 38 sobre o evento. A maior parte dessa produção editorial
sobre a revolução constitucionalista foi editada em São Paulo.
Conseguimos ter acesso a alguns livros de época como "Capacetes
de aço" de Samuel Baccarat, advogado santista que participou da
revolução constitucionalista de 1932, na linha de frente e na retaguarda,

Capitulo XIV
lutando pelo lado rebelde. O livro conta os episódios vividos por ele
durante o movimento.
"Estilhaços de granada", foi um livro escrito por Euclides Andrade
(Pseudonimo Epandro), narrando episódios engraçados e piadas da
época da revolução de 32. Escrito em 1933. “A epopea” Livro escrito pelo
ex-combatente da revolução de 1932 Aureo de Almeida Camargo
narrando episódios vividos por ele quando era voluntário no Batalhão
“14 de julho” Esse Btl., inicialmente chamado Batalhão Universitário,
reuniu alunos de diversas faculdades.Também lemos "Verdades da
Revolução paulista", livro escrito pelo então Capitão Gastão Goulart da
LEGIÃO NEGRA. Onde o autor narra episódios vividos por ele na
Revolução Constitucionalista. Portanto, tratando-se de referências
importantes pois eles viveram aquela situação na pele.
A tese do Raimundo Helio Lopes[2] mostra que na política a razão
e paixão não se opõem, a persuasão política se apóia muitíssimo naquilo
que é divulgado pela imprensa com a finalidade de despertar emoções e
sentimentos do que propriamente em argumentações racionais. Através
da imprensa ele encontra a legitimação a mobilização e o alistamento de
cearenses para as tropas provisórias que lutaram contra os
constitucionalistas.
Tudo indica que a análise da guerra na cidade de fortaleza feita
por Raimundo Helio tenha suas raízes mergulhadas no estudo de Roney
Cytrynowics(Guerra sem guerra: mobilização e o cotidiano em São
Paulo durante a segunda Guerra) onde ele estuda a mobilização e o
cotidiano na cidade de São Paulo durante a segunda guerra Mundial,
pois nesses dois estudos os autores argumentam sobre a importância da
participação popular no momento da guerra, e como o Estado atua para
conseguir esse objetivo. Durante períodos de guerra, o cotidiano das
cidades envolvidas no conflito se alteram a partir da atuação de diversos
setores sociais que dialogam com essas ações.
Para as pessoas que viviam o momento, aquele era claramente um
instante de grandes transformações e de muitas potencialidades que
ecoaria quando o Brasil voltasse a ser uma democracia, os políticos
paulistas ficaram sem benefícios, sem emprego, sem posições, sem
imunidade, era uma conjuntura de grande instabilidade política tendo
em mente também a conjuntura internacional depois do crack de 1929
que faz o preço do café despencar de uma maneira que poderia até
nunca mais voltar a ser uma mercadoria de exportação lucrativa. É
preciso compreender que no período mistura-se pessoas mal
intencionadas, oportunistas, paixões, preconceitos, ideais, decepções,
medos e inseguranças, e esses sentimentos podem ser recuperados
através dessa vasta literatura que foi desprezada pela historiografia da
década de 60 que desconsiderou boa parte da literatura memorialística

Capitulo XIV
produzida desde 1932, acredito que pelo fato dessa narrativa dos
constitucionalistas sempre aparecer o sacrifício de São Paulo pela
democracia e autonomia estadual feridas com a política dos
interventores militares,os "tenentes" em detrimento das antigas
oligarquias cafeeiras.
A própria Vavy Pacheco historiadora graduada na década de 50
que estuda o período em um artigo intitulado “1932: São Paulo e o
Brasil”. Afirma “Minha avó e suas três filhas se orgulhavam de ter
tricotado para os combatentes, seus “afilhados”. Minha mãe recordava-
se sempre sorrindo que, nos seus 16 anos, ao distribuir provisões para
os soldados, favorecia seus “flirts” na dose de cigarros; ela e uma de suas
irmãs tinham carregado a bandeira paulista pelo centro da cidade para
captar donativos”
Os ímpetos ditatoriais de Getúlio provocam a reação dos paulistas
na Revolução Constitucionalista de 1932, cujos símbolos são o trem
blindado e a matraca(matraca além de um aparelho que imita o som de
uma metralhadora era uma arma psicológica, vide que aos paulistas
faltavam armamento e munição. E o Trem blindado é fruto da
criatividade dos engenheiros e da industria paulista em fabricar armas
de cerco)
João de Barros aproveita esse mote e utiliza com humor no
carnaval de 1933:
“Meu bem, pra me livrar da matraca
Da língua de uma sogra infernal
Eu comprei um trem blindado
Pra poder sair no carnaval
Mulata, por teu encanto
Muito eu levei na cabeça
Porém agora eu duvido
Que isto outra vez aconteça
Do teu falado feitiço
Eu pouco caso lhe faço
Mandei fazer em São Paulo, mulata
Um capacete de aço
Meu bem, pra me livrar da matraca
Da língua de uma sogra infernal

Capitulo XIV
Eu comprei um trem blindado
Pra poder sair no carnaval
Mulata, quando eu te vi
Logo pedi anistia
Pois os teus olhos lançavam
Terrível fuzilaria
E pra ninguém aderir
Ao nosso acordo amoroso
Botei na porta da casa, mulata
Um canhão misterioso “
Em 1932 ecoou a revolução constitucionalista de São Paulo,
enfrentado as forças federais de Getúlio. O sucesso de "o teu cabelo não
nega" deu lugar a parodias para estimular os combatentes contra o
usurpador.
“o teu governo não nega, getulio
que foi uma tapiação
a ditadura não pega, Getulio
Faz dela bucha de chanhão.
Só tens o apoio dos derrotistas
dos tenentes outubristas
Getúlio, Getulinho, por favor
Desista logo de bancar o ditador
Quem te encrencou, ó maganão
Merece consagração
Paulista não tem medo de careta
Apronta a trouxa
E segue pra outro planeta”
O tom de brincadeira das marchinhas do carnaval de 1933 garante
uma distância crítica mas eles falam com humor coisas que realmente
machucaram muito a sociedade paulistana.
A modernidade nos anos 30 em Fortaleza está em alguma sintonia
com os movimentos de vanguarda belas artes e arquitetura urbana que

Capitulo XIV
ocorrem no eixo Sul-Sudeste apesar de toda diferença sócio econômica
entre as elites nordestinas e as elites mineira,carioca e paulista.
Fortaleza já conta com pista de pouso que daria origem ao aeroporto,
Fortaleza recebe cinemas, praças são reformadas, ruas são asfaltadas e
recebem acesso ao esgoto e a água tratada. No campo da cultura
Fortaleza vem dinamizando por receber também um Museu
antropológico. Não podemos dizer que isso fosse para todas as pessoas,
infelizmente, porém se trataria de uma semente para futuras gerações
realmente pudessem comercializar de avião, pudessem comercializar
por terra, pudessem se locomover de maneira mais rápida. Contudo o
sonho da modernidade acabou com as constantes crises políticas nos
países exportadores de petróleo, pois é a principal matéria prima para
garantir a dinamização da economia nos Estados Unidos e também nos
países latinos que adotaram o capitalismo como preceito político e
conseqüentemente gerando procura maior pelas mesmas matérias
primas que sustentam o dólar americano.
Benévolo utiliza do mesmo argumento de Bertrand Russel[3] nas
suas dúvidas filosóficas para modernizar a autoridade e o individuo,
considera os avanços do racionalismo no nível individual uma maneira
de diminuir o poder exercido pelas grandes instituições e pelo Estado
na cultura e no ser.
"Afim de avaliar corretamente a situação dos primeiros dois
decênios do século XX [...] , desde 1890, a teoria e a prática da
arquitetura, porém no ínterim, as condições técnicas, econômicas e
sociais das quais depende o trabalho dos arquiteturas, [...], e os modelos
culturais utilizados para controlá-las." (BENEVOLO, Leo).: As condições
de Partida.Página .: 371. cap. 12.
"A segunda revolução industrial é tornada possível por algumas
inovações técnicas: a difusão do procedimento Bessemeter (inventado
em 1856) na industria siderúrgica, que leva à substituição gradual da
gusa pelo aço em quase todas as aplicações." (BENEVOLO, Leo).: As
condições de Partida.Página .: 371. cap. 12.
Os problemas gerados pela urbanística medieval trouxeram para
os burgos que desenvolviam o comércio como profissão uma outra
utilidade para os espaços das cidades, das ruas, dos boulevares. Mas não
exatamente que na Idade Média não houvesse vanguardas. Claro que
elas existiam, porém os problemas metafísicos que influenciavam
diretamente na arquitetura. As instalações funerárias[4] por exemplo
era sempre parte integrante da Igreja e principal fonte de sua renda. Os
próprios mortos eram pensados na morada urbanística como entes que
deveriam continuar fazendo parte lógica urbana da cidade
perpetuamente. No gótico aparece a exaltação do luto e da morte e como
relação inscrita no espaço e na sociedade. Quando não. Costume

Capitulo XIV
bastante singular dos clérigos de disporem dentro de alcovas espaços
tumulares na vertical dentro de mosteiros e confrarias contendo os
restos mortais de santos e autoridades eclesiais. Obvio que suas crenças
justificam a preocupação excessiva dos vivos com seus defuntos e a
influencia dessas crenças nos leigos. Talvez essa fosse a maneira mesmo
que contraditória que eles tinham para guardar a memória sem sentir
remorsos. É assim também que o cristianismo sempre renova suas
crenças.
Considera-se que a derrota militar de São Paulo foi acompanhada
por uma vitória política: Com a derrota da Revolução Constitucionalista,
em 1932, seus principais líderes foram presos. Entre eles se encontrava
Júlio de Mesquita Filho, enviado com seus companheiros para a Sala da
Capela – nome dado um pequeno recinto na Casa de Correção, do Rio,
reservado para os prisioneiros políticos provenientes de São Paulo.
Pouco tempo depois, na noite de 30 de novembro de 1932, ele e outros
75 companheiros foram colocado a bordo do navio Pedro I e deportados
para Portugal. a organização de eleições e a formação de uma
Assembléia Constituinte, que porá fim ao governo provisório. No
entanto, a legislação eleitoral havia sido elaborada em fevereiro de
1932, e um decreto de 15 de março do mesmo ano, portanto antes da
revolução, marcou para 3 de maio de 1933 a eleição dos deputados. A
Assembléia iniciou seus trabalhos em 15 de novembro de 1933, sendo
que a maioria dos deputados eram varguistas.
A vitoria do governo provisório não foi uma mera casualidade,
Vargas se encontrava situado previamente em posição de poder ganhar
com seguridade.
Vargas foi capaz de ver o sutil, hora São Paulo já estava em clara
desvantagem por ter de lutar no seu próprio território. Com astúcia ele
pode antecipar alguns movimentos e convenceu os paulistas como
proceder e como se moverem. A perspectiva do triunfo, só serviu pra
caírem na emboscada do Vargas que visavam levar a nação a guerra
fratricida. O movimento constitucionalista que data de 1932 estava a
cargo dos paulistas que queriam algumas reformas.
Partido Democrático e Partido Republicano Paulista se uniram
pela causa de um interventor civil e paulista, exigindo também uma
nova constituição. O governo central cedeu as reivindicações, foi
nomeado Pedro Toledo, civil e paulista como interventor.
Getúlio mandou publicar um anteprojeto de uma nova
constituição no novo código eleitoral. O que fazia as manifestações a
favor da revolução totalmente injustificada, chegando a tal ponto que
morreram alguns estudantes: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo.
Virando o nome do movimento paulista MMDC.

Capitulo XIV
9 de julho de 1932 ocorre uma luta armada, acusados de realizar
um movimento separatista Sp se rendem depois de tres meses de guerra
civil.
Do ponto de vista militar a revolução foi um fracasso, entretanto
politicamente houveram mudanças nos anos posteriores, em 1933
Vargas promove as eleição para a Assembléia constituinte que foi
promulgada em 1934.
Em um manifesto era estimulado táticas de ação como o de não
pagamento dos impostos, não comprar produtos que não fossem
produzidos em São Paulo e declarando o Norte como pior inimigo dos
paulistas.
A imprensa cearense respondia com acidez a idéia de
incivilizados, nesse contexto a valorização do Norte se materializava no
envio de batalhões para o fogo cruzado.
Os jornais convocavam a população para a luta. Exploraram
através de noticias atitudes xenófobas e bairristas de alguns paulistas e
como isso foi utilizado como um elemento político valioso para
glorificar o povo nordestino, como sua valentia, resistência e coragem,
um espírito guerreiro e bravio, ela também encontra esses elementos na
poesia de Napoleão Menezes que exalta os nacionalistas nordestinos.
Era exaltado o comportamento dos aliados nordestino na frente
de batalha, procurando sensibilizar para a guerra através de
identidades regionais e nacionais, mais do que lutar contra são Paulo, a
guerra era a favor do Brasil. O Apoio efetivo dos estados do norte nesse
guerra era materializado no envio de tropas provisórias. A busca por
legitimidade do governo central contra os revoltosos foi intensa, era
necessário o apoio da população a causa governista.
Durante os períodos de guerra o cotidiano das cidades se alteram,
não foi apenas na capital fortalezense que múltiplas ações de
mobilização foram organizadas mas também o interior como confirma
telegramas assinados pelos prefeitos de Icó, Sobral, Santana, Iguatu,
Crato. No interior foram distribuídos panfletos conclamando os
voluntários para luta.
Na capital, na praça do ferreira por três dias foi palco de comícios
a favor do Governo Provisório. A igreja Católica também atuou nesse
processo de mobilização, foram organizadas procissões só de homens,
convocando associações operarias, ordem terceira, congregações
marianas masculinas, União de Moços Católicos, Irmandade do Senhor
Bom Jesus da Catedral, Conferencias vicentinas. A guerra era assunto de
todos. No dia do embarque a população foi de trem saudar os batalhões
que desfilavam antes de tomar o caminho de São Paulo. O papel da
imprensa parece ter sido eficiente em torno da mobilização para a

Capitulo XIV
guerra, em alguns momentos foi necessário até aumentar a tiragem ou
repetir publicações.
São Paulo era a região que dominava a política desde a
proclamação da república, a constituição de 1891 deveria ser
representativa e federativa, o que na prática não foi colocado nenhuma
vez pelos governantes paulistas. Pelo as oligarquias rurais garantiam
seu poder através da política dos governadores muitas vezes utilizando
de violência e corrupção.
Vargas tinha plena certeza que a oligarquia paulista agora
dividida em PD e PRP não tinha o mesmo poder de antes, porém com
certeza eles se reuniriam para lutar por uma causa comum como por
exemplo se fosse nomeado um interventor militar e não paulista. Desse
modo os partidos não estariam em harmonia com seu interventor.
Mediante esse fator os paulistas se uniram em prol de um interventor
civil, paulista e a elaboração de uma nova constituição. Getúlio Vargas
seguiu as orientações, nomeou Pedro Toledo, paulista e civil, e tramitou
a reunião de uma assembléia para uma nova constituição.
A luta de São Paulo agora estava totalmente injustificada, Vargas
conseguiu colocar iscas para atrair o inimigo. As estimações realizadas
pelo governo provisório antes da batalha já indicavam a vitória, visto
que as condições de São Paulo eram bem menos favoráveis.
Não seria benéfico para o Brasil deixar que essa operação militar
se prolongasse por muito tempo, portanto os meios militares deveriam
ser utilizados com perícia para não existir necessidade de se ativar as
tropas duas vezes com o mesmo objetivo.Em três meses os paulistas
perderam o fôlego e a direção, de maneira que a guerra acabou com
poucas baixas, Vargas conseguiu vencer sem muita violência. Os
paulistas se renderam impotentes.
Concluindo, desde a proclamação da república, as elites paulistas
cafeeiras defendiam seus interesses sobretudo pela mascara do
"interesse brasileiro", nada mais normal que as “classes conservadores”
se sentissem contrariadas naquele momento,e a partir de ameaças
manipuladas cotidianamente como um temor do levante das massas
como ocorrido na revolução francesa, ou como sempre presente desde
de 1917 a ameaça comunista, vários debates nesse sentido facilitariam
a tarefa de envolver a população sobretudo em cima do ideal
constitucionalista, bem como o desejo de autonomia estadual.
O Ecletismo na cidade rizoma[5]. A porta de entrada desse termo
rizoma se refere ao pensamento Deleuze-Guattariano no que se refere a
platô[6], pois trataremos de visualizar uma residência de maneira
qualitativa através de fotos e análise comparativa com o crescimento da
urbs que nos levantam suspeitas da opção do ecletismo arquitetônico

Capitulo XIV
no Ceará por causa da antipatia com o movimento moderno. As
mudanças econômicas globais vão despertar na elite fortalezense seu
lado ultraconservador.
(...) é feito de direções móveis, sem início nem fim, mas apenas um
meio, por onde ele cresce e transborda, sem remeter a uma unidade ou
dela derivar ". (PELBART, 2003: 216) O rizoma não é um sistema
hierárquico, é “(...)uma rede maquínica de autômatos finitos-centrados”
Fortaleza é um rizoma porque está inserida geograficamente na
lógica de rotas comerciais para escoamento de matéria prima, caso não
fosse isso a cidade nem existiria. Assim as tributações e os impostos
desse cambio gerou capital para descendentes dos antigos colonos
portugueses e espanhóis que fora convertida em representação política
nas câmaras municipais, estruturação de um sistema viário, definição
de leis de uso e ocupação de solo, código de posturas. Como também
gerou atritos e conflitos políticos das mais diversas ordens entre
partido liberal e conservador. Estes últimos sendo as classes mais ligada
aos valores do campo e os liberais como os modernizantes.
Outro exemplo de cidade rizoma é Brasília pois o centro oeste
passa a ser um ponto estratégico já por ser distante do litoral e do
contato com as massas populares, onde o próprio plano piloto não visa
abrigar os trabalhadores que tiveram que formar aglomerações na
circunvizinhança da capital aleatoriamente gerando as cidades satélites
que nem é mais possível prever onde e quando irá terminará Brasília.
Ou as grandes remoções de bairros para assentar trilhos alocando o
povo em outro lugar totalmente diferente, também chama-se bairros
rizomas. Mesmo principio para as comunidades que habitam em locais
de risco, que também são removidos por imposição urbana para
qualquer outro lugar se aplica o termo rizoma. A esquizofrenia do
sistema político vigente dá lugar a uma disputa arquitetônica que beira
a bestialidade por subordinação aos interesses do capital. Deleuze vai
enxergar nessa contradição uma certa esquizofrenia do sistema
capitalista. Como resposta ao descaso das autoridades surge a Estética
da ginga ou A arte de se virar que é a reação espontânea pela liberdade
recusada(ou contra a opressão deliberada) pelo espaço quando é
projetado. Isso se refere: os comércios informais, biscates, reciclagem,
jogos e tudo que seja ambulante ; sendo inclusive alvo de marginalização
e ate criminalização, que é justamente o papel que o centro vai
desempenhar depois dos anos 60. Óbvio que o Oscar Niemeyer não iria
projetar o local para os trabalhadores, porque na imaginação dele os
trabalhadores iriam construir outras cidades iguais a Brasília para eles
morarem. Entretanto depois de Brasília o governo federal nunca apoiou
a construção de nenhuma cidade para o povo que se iguale em conforto
e qualidade estética de Brasília.

Capitulo XIV
A zona central de Fortaleza

Figura X.Mapa de Fortaleza


O argumento que Sebatião Rogerio explica a situação do centro de
Fortaleza no final do século XIX para o começo do XX. Comumente se diz
que houve nesse periodo um mundanismo chique, pois a elite se
afrancesava e incorporava os valores europeus como um padrão aceito
internacionalmente sem afetar os valores nacionalistas. Nós fichamos
algumas partes de livros no quais eles relacionam a função do centro da
cidade de fortaleza e a difusão dos seus valores através da arquitetura.
O objeto descritivo de estudo do trabalho é da General Sampaio até a rua
24 de Maio, José de Alencar e Castro e Silva. O estudo concluiu que o
centro representa a evolução urbana[7] da cidade no sentido que uma
zona residencial cerceada por industriais com o passar dos anos e das
intervenções políticas(ou ausência delas) tornaram região
predominantemente comercial de baixa densidade.

Capitulo XIV
Na tabela 5 extraída da tese de doutorado da professora Clélia [8]
Figura XI.Tabela da densidade de Fortaleza 1890-2001
Com a industrialização a população rural do interior foi
empurrada para Fortaleza, assim os números de habitante foram
crescendo geometricamente ao invés de aritmeticamente como até
então, criando uma mão de obra pouco especializada, carente de leitura
e ensino. A cidade de Fortaleza possuiu varias formas de governo,
quando o Brasil era colônia(1726 a 1822), a capital era Aquiraz e quem
estabelecia os críterios para lei de uso e ocupação do solo era a camara
municipal constituida pelos "Homens bons da colônia" que eram Juízes
Ordinários, na época do império(1822 a 1890), a cidade passa a ter
prefeito nomeado pelo presidente da Câmara Municipal. Depois na
época da República surgem os primeiros intendentes eleitos em uma
democracia onde só votavam homens de alta posição e donos de terra.
Depois da Revolução de trinta fortaleza passa a ter interventores
nomeados por Vargas.
Nessas décadas(10-2030) as construções eram erguidas com
alvenaria de tijolos colada por argamassa e madeira para travjear piso,
coberta e forros. De modo que é possível ver na foto aréa que a
volumetria da cidade apresentava um padrão, onde poucos edificios
dissonavam do contexto. Desse modo a ornamentação da fachada para
a rua adquire grande importância pois era o que numa escala menor era
justamente o distinguia uma residência de um comercio ou de um
predio publico. Todavia os métodos rusticos e tradicionais de
construção permitia que os construtores fossem caprichosos na fase de
acabamento.

Figura XII.Vista Aérea do Centro de Fortaleza em 1938


A casa no passado estava recuada, precedida de área verde com
jardim com chafariz clássico, na época a residência tinha dois pavimento
sendo o inferior nitidamente colonial português e o superior com
barroco religioso espanhol. Tinha platibanda somente na parte central
A casa caracterizava-se pelo estilo de arquitetura eclética sem
muita interferência nas técnicas e materiais que muito embora no
Capitulo XIV
mesmo tempo acontecesse em todo pais não aparecia no ceará devido
ao atraso sócio econômico.

Figura XIII.foto da Residência do Dr. Leite Maranhão[9]

Capitulo XIV
Figura XIV.Planta de locação[10]

Capitulo XIV
Figura XV.Planta baixa dos dois pavimentos

Capitulo XIV
Figura XVI.Fachada
A casa tem friso, platibanda, arquitrave com detalhes simétricos.
O pavimento superior continha um banheiro coletivo bem grande,
inovação trazida da Europa, com 04 quartos com 04 varandas. O
pavimento térreo coloca quarto de empregada sem banheiro entre o
serviço e a cozinha precedido de copa. pavimento inferior tem uma
varanda imensa com três portas em arco romano com bandeirola e
maior bem larga que dava acesso ao um carro por exemplo(tecnologia
que estava prestes a se popularizar com as indústrias Ford), a sala de
jantar é na vertical entre um estar e uma sala de visita que tem por trás
um conjugado com banheiro pequeno.

Capitulo XIV
Figura XVII.Santuário no quarto do casal

Figura XIX.A casa em 2015


Na visita de campo nos vimos que a casa do Dr. leite Maranhão foi
vendida para esse virar um posto de combustiveis. [11]

Capitulo XIV
Figura XVIII.Jardim

O piso tem detalhes do português colonial que já é uma influência


do árabe no tempo da invasão da península pelo norte da áfrica. O que
em suposição pertenceria ao pavimento térreo mesmo, pois o superior
remetia ao mosaico barroco espanhol na varanda na forma de carimbo.
Figura XX.Piso reutilizado

Capitulo XIV
Figura XXII.Pavimento Superior
Mosaico da varanda do pavimento superior de influência
espanhola.

Capitulo XIV
Figura XXIII.Mosaico

Figura XXIV.Afresco da coluna

A rua 24 de Maio é muito importante para compreender a


evolução espacial e arquitetônica do bairro do centro de fortaleza.

Capitulo XIV
Sofreu influência do Neoclássico, sofreu influência do eclético na
arquitetura, quanto ao uso do solo a identidade cultural ainda é mais
múltipla, dos grandes aristocratas exportadores de charque do interior
e do proletário industrial até tornar-se quase que inteiramente
comercial de baixa densidade com alta taxa de flamabilidade,
criminalidade e grande gerador de poluição e lixo em menos de 130
anos.[13] O que supostamente seria um espaço de disputa arquitetônica
para as vanguardas tornou-se em um objeto de especulação sem muita
forma, sem muito uso, gerando lucro e renda para uma minoria. Apesar
do local hoje funcionar uma loja de venda de carrinhos para vendedores
ambulantes montarem quiosques nas esquinas de churrasquinho,
pipoca, algodão doce o espaço pode ser considerado subaproveitado do
ponto de vista arquitetônico pela degradação do espaço porém no
campo estrutural se modernizou com colunas e vergas de concreto
armado porém poderia funcionar um curso no pavimento superior de
línguas, ou de desenho, mas enfim, agora funciona como o estoque do
dono e sabe-se lá Deus o que se guarda lá. A parte esquizofrênica do
capitalismo consiste no fato de comercializar materiais para
ambulantes e em todos os anos o que vem acontecendo no município é
a redução do espaço dos feirantes e dos pequenos vendedores em
detrimento de franquias que vendem os mesmos produtos que os
ambulantes porém com mais marketing.

Reconstrução volumetrica 3d

Figura XXVI.Reconstrução volumétrica 3d da casa


A polemica dessa casa cujo titulo eu poderia até fazer uma
homenagem ao famoso manifesto de Le Corbusier, pois o armazém tem

Capitulo XIV
janelas em fitas, planta livre, fachada livre, pilotis. Para comentar os
influência da arquitetura moderna podemos dizer que sofreu uma
grande mudança na forma e na função, esse confronto com a sua antiga
natureza eclética e residencial se faz com a sua nova finalidade
comercial e para nós arquitetos teve a função de provocar reflexão
sobre a memória e a estética, porque a sua geometria é tão adaptável
que pode tranquilamente voltar a ser uma residência ou virar um
restaurante e etc.
A modernização desse espaço valorizou o solo, entretanto eu
suspeito que não tenha sido uma opção estética mas sim uma opção
financeira-econômica pois com a popularização dos métodos modernos
da construção civil é mais em conta construir um prédio de dois
pavimentos de concreto armado que de alvenaria estrutural ou blocos
estruturais.

Capitulo XIV
reconstrução c/ sugestão de paisagismo ecletico

Capitulo XIV
Sugestão de desenvolvimento urbano eclético

MasterPlan

Capitulo XIV
sugestão eclética p/ desenvolvimento rural p/ cidades c/ 20 mil habitantes

Capitulo XIV
Detalhamento de Residencia Ecletica

Capitulo XIV
Detalhamento de Residencia Ecletica c/ bike food

Capitulo XIV
Detalhamento de Residencia Ecletica

[1] A discussão sobre a modernização das grandes capitais, admite


que cada uma tenha suas particularidades, porém genericamente ela
acontece quando um grande fluxo de imigrantes chegam aos litorais
trazendo os conhecimentos da Europa, Ásia e África e junto também com
um grande êxodo rural que busca formar mão de obra para a indústria
que começa a se instalar em pontos estratégicos como próximo a portos
e estações ferroviárias ao longo da costa Atlântica e Pacífica.

[2] Os Batalhões Provisórios: legitimação, mobilização e


alistamento para uma guerra nacional (Ceará, 1932) - UFC - NUDOC

[3] Influente matemático do Século XX. Filosofo ateu e ganhador


de Prêmio Nobel de Literatura. Autor de Autoridade e Individuo, a. O
poder nu, Dúvidas filosóficas e a Filosofia entre a religião e a ciência. O
seu avô foi arquiteto da Grande Reforma Bill de 1832 e duas vezes
Primeiro Ministro. Ficou orfão de mãe aos 4 anos. Desenvolveu seus
estudos no Trinity College.

[4] "Simultaneamente, importantes transformações das


estruturas sociais levaram a redefinir o lugar dos indivíduos em grupos
e em comunidades que permaneciam solidárias depois do
desaparecimento de cada um de seus membros: os grupos de
parentesco, carnal ou espiritual, do mosteiro, da linhagem nobre, da
paróquia, da confraria eram o quadro dessas novas relações entre os
vivos, mas também entre os vivos e os mortos."( SCHMITT, Jean-Claude.)

Capitulo XIV
[5] O termo que pode se contrapor a cidade-rizoma seria a
"[...]tese da "cidade-colagem" de Rowe, que Schumacher apresenta com
intenções normativas. Uma das idéias mais importantes dessa teoria é a
de que os espaços urbanos sólidos ( os volumes dos edifícios) e os
espaços urbanos vazios (da rua e da praça) podem ser figurativos. O
emprego de diagramas analíticos de figura fundo evidencia a
importância da forma dos espaços públicos para criação do caráter da
cidade. As cidade européias se caracterizam por espaços públicos
figurativos bem delimitados, inclusive ruas e praças, enquanto as
cidades norte americanas tendem a ter planos abertos, ilimitados com
jardins, calçadas arborizadas e parques." (THOMAS L.. SCHUMACHER .
CONTEXTUALISMO: IDEIAIS URBANOS E DEFORMAÇÕES)

[6] Platô deve ser compreendido não como um relevo ou planalto


mas como uma "idéia" no sentido filosofico que tem intencionalidade e
expressividade e é gestada no mundo sensível.

[7] Peter Eisenman se refere "O modernismo tem o objetivo de


romper com o passado histórico,é o clima do pré guerra. E a polêmica do
passado persiste até o pós guerra. O autor relata que com advento da
industrialização e o atendimento a uma clientela de massa a justificativa
estética para as composições formais foram de obediência a função. Com
certo alivio, o autor justifica citando a Trienal de Milão 73 e a Exposição
de 75 do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque como dois momentos
significativos que mostram o fim dessa transição no campo da
arquitetura crítica. "

[8] Tabela retirada de Vulnerabilidades socio ambientais de


fortaleza tese de Maria Clelia Lustosa Costa. Disponivel em:
https://books.google.com.br/books?isbn=8572823530

[9] Podemos dizer que o ecletismo é uma tentativa burguesa de


suprimir os valores aristocráticos implícitos na arquitetura Neoclássica.
ou arquitetura paladiana que se refere a um arquiteto que se inspirava
na estética grega e romana pois naquele momento representava o ideal
político napoleônico de suprahomem ou de grande homem no sentido
histórico como Alexandre, Péricles ou Cipião.

Capitulo XIV
[10] Fotos extraídas da monografia.: ANÁLISE de uma residência
da Fortaleza de 1932::. Casa do Dr. Leite Maranhão situada à rua Duque
de Caxias, esquina com 24 de Maio. Fortaleza, CE, 1978. 13f. : Número de
chamada: Trabalho de disciplina 030 (BCA)

[11] "Nos últimos anos pensadores como Michel Foucault,


Derrida, Deleuze, Fish e Rorty desfraldaram a bandeira do
individualismo nietzschiano; na arquitetura, Peter Eisenman e
Bernanrd Tschumi fizeram o mesmo. A visão individualista de Nietzsche
questiona vigorosamente os pressupostos aristotélicos acerca do bem
estar do homem, da cidade, da natureza, da vida, da mora, do papel da
razão e a definição de Aristóteles sobre autoridade. não é no contexto da
vida comunitária mas no da sua progressiva emancipação e seu
desligamento interior de uma diversidade de papeis e compromissos
comunais que o individuo alcança uma condicao de bem estar. A cidade
é, em essência, um empreendimento economia que propicia aos
indivíduos os bens materiais e o anonimato necessário a realização dos
seus planos pessoais. A vida moral é entendida sobre em termos de
regras que devem ser seguidas quando conveniente, invocadas quando
necessárias a proteção da pessoa e descartada quando entra em conflito
com a busca de realização dos projetos particulares individuais." ( O
individualismo Nietzchiano. p .407)

[12] O local que está a escada hoje era onde estava o recuo, pois
até então estava em voga construir casas emparelhadas com as calçadas
o que possibilitou na hora de reconstruir seguir a mesma lógica da
disposição espacial dos quartos superiores.

[13] A função das ideologias conforme o marxismo, tem a função


de mascarar o funcionamento do capitalismo ter uma importância
fundamental na visão de Tafuri sobre a história da arquitetura. Ele
atribuiu a crise porque passou a arquitetura no final da década de 60 a
incapacidade da ideologia modernista de fazer frente aos fatos da
economia.( MANFREDO TAFURI. PROBLEMAS À GUISA DE
CONCLUSÃO.p.388)

Capitulo XIV
O MODERNISMO
Ernest Gellner foi o líder fundador do centro para o estudo do
nacionalismo, em Praga. Foi colega de Karl Popper, essa sendo sua
maior influência. Ele permanece mais próximo dos problemas
intelectuais centrais de Weber. Eric John Ernest Hobsbawm foi um
historiador marxista britânico reconhecido como um importante nome
da intelectualidade do século XX. Ao longo de toda a sua vida, Hobsbawm
foi membro do Partido Comunista Britânico. Ou seja, ambos tem uma
formação intelectual bastante distinta e posições divergentes em
inúmeros pontos de vistas, porém quando o assunto é nacionalismo
ambos vão concordar que o nacionalismo nasce antes da nação e que é
competência do Estado engendrar a nação nos seus moldes étnicos e
raciais. Vivemos hoje novas formas de vida, novos regimes precisam
criar identidades que se adaptem a eles. Daí que é comum hoje governos
e meios de comunicação inventarem um passado. Como dizia George
Orwell, estamos em uma idade em que o presente controla o passado.
Altera-se a História para servir aos interesses de alguns poucos grupos.
Cito o exemplo da Índia e da Itália, cujas histórias estão sendo adaptadas
aos sistemas de governos atuais. É vital o historiador lutar contra a
mentira. O historiador não pode inventar nada para Estado algum,
todavia a obrigação de qualquer investigador sério é procurar a verdade
e considerar as provas que estão disponíveis. Para os não-Judeus, o
Holocausto é um evento histórico e não um assunto religioso. Como tal,
está sujeito ao mesmo tipo de pesquisa e exame de qualquer outro
acontecimento do passado, e por isso a concepção do Holocausto deve
estar sujeita à investigação crítica, para o historiador poder dizer para
as pessoas o que é propaganda sionista e o que foi fruto do ódio
antisemita do partido nazista, que este traço é inegável.
Marc Ferro explica o século vinte aos seus filhos, como um
consenso entre os historiadores: Século de guerras e genocídios,
tragédias e massacres, este também foi o momento da libertação das
mulheres, de avanços tecnológicos e do desenvolvimento da medicina.
O paradoxo dos acontecimentos forja, então, sua identidade: sombria,
movendo se incessantemente entre as luzes e as trevas. Revolução Russa
e a Primeira Guerra Mundial. Além disso, foi pioneiro na busca de uma
relação mais estreita entre a história e o cinema, a arte, por excelência,
do século passado. Como se não bastasse, integrou a importante
corrente historiográfica francesa, a chamada Escola dos Anais, que
revolucionou a forma de se fazer e pensar a história no século XX. Ele
afirma que personalidades como Gandhi, Martin Luther King, Nelson
Mandela desfrutam de uma simpatia universal enquanto outros como
Mussolini, Stalin, Hitler são praticamente nomes execredos, que
imprimem uma péssima imagem na memória das pessoas. Ele diz "Mais

Capitulo XV
do que nunca, os historiadores precisam repensar a famosa frase de
Sartre: “Que Valéry é um poeta pequeno-burguês, não há dúvida. Mas
nem todo pequeno-burguês é Valéry”."
Na década de 30 e 40, todos os países organizaram-se ou
cresceram correntes políticas que defendem a substituição do regime
democrático por sistemas autoritários("que imponham a ordem",
justificam eles), se necessário por meio da violência. Porém no fim do
século a própria França com uma tradição de dois séculos de respeito
aos direitos humanos, um terço da população dizia concordar com as
idéias do líder extremista Jean Marie Le Pen, o paladino da expulsão dos
imigrantes.
O comunismo soviético trata-se de uma engenharia social, de
extermínio de uma parcela da sociedade que são os donos do poder, pois
todos os melhores intelectuais acreditam na luta de classes como tensão
geradora, fabricador da nova sociedade. Em 1917 quando Lênin tem a
possibilidade real de instaurar o marxismo, houve a morte de
milhares(alguns acreditam na cifra de 10 milhões) de trabalhadores
rurais que resistiam. extermínio dos ucranianos de 32/33, no inverno
todos os suprimentos alimentícios na Ucrânia foram confiscados. Um
grande cordão foi criado para ninguém pudesse ir embora.
Sobreviventes como Nikolai Melnik de 32/33 afirmou que batatas,
beterrabas, couves, todos os bens comestíveis foram confiscados. as
pessoas foram orientadas a se deslocarem, os trens que faziam a
travessia, tornava das estações verdadeiros necrotérios. E as ordens
para qualquer um que tentasse roubar os celeiros guardados pela NKVD
era o sumario fuzilamento.Um destacamento da NKVD passava nas
casas recolhendo os corpos "onde estão seus mortos?" relatam
emocionados os sobreviventes acerca da indagação de recepção.
Os grãos confiscados foram exportados para o ocidente. A
exportação de grãos da Ucrânia foi aumentada para o nível máximo.
segundo as estatísticas não oficiais 7 milhões de pessoas morreram de
fome em um ano. Um programa de extermínio altamente eficiente
ocorreu na Ucrânia de 32/33.
Na visão dos arquitetos do comunismo, a sociedade tinha cinco
graus de evolução de sociedade primitivas ate sociedades comunistas,
só que na Europa do começo do século XX teriam ainda sociedades
extremamente atrasadas que ainda não tinham a consciência histórica
da evolução. Por a eles não cabiam entrar com autores da sua própria
historia.
O nascimento do novo homem era o objetivo do Marxismo, que
seria produzida por uma sociedade onde os governantes eram o
proletário.

Capitulo XV
O nacional socialismo de Hitler também pretendia criar um "novo
homem". O nazismo é ideologicamente baseado numa falsa biologia. e o
comunismo é baseado numa falsa sociologia. Mas ambos os sistemas
tem a ambição de serem alicerçados em bases cientificas.
Em 1849 no jornal de Marx, Nova Gazeta Renana, Engels escreveu
sobre a guerra de classes nos termos marxistas. Quando a revolução
socialista acontecer, a guerra de classes acontece. Os bascos, os bretões,
os escoceses, os sérvios eram um lixo racial porque ainda nem tinham
estavam dois estágios atrás no nível de evolução,sendo impossível
chegar ao nível dos revolucionários, ele falava mal do hungarianismo e
dos povos eslavos, e pensava que a polônia não tinha razão de existir.
No auge da guerra parte dos franceses de esquerda apoiou o
Hitler, partes dos socialistas tornaram-se defensores de Hitler, Bernard
Shaw defendeu Hitler na mídia.defendeu o extermínio em massa por
categoria , não por categoria social ou racial mas os desocupados, os
inadequados. Matar os parasitas da sociedade.Ele acreditava que
existiam pessoas que não tem utilidade neste mundo, a existência devia
ser justificada, através do esforço de produzir mais do que consome, a
sociedade não tem interesse em manter essa pessoa viva porque a vida
dela não beneficia em nada a sociedade.
Zyklon B, era o gás que Adolf Eichmann afirmou que matava sem
dor. seria um "gas humano'. Mandar as pessoas para a câmara de gás
ultrapassava os limites do desculpável, a doutrina que o Hitler
desenvolveu se afastou bastante da de Marx, por isso a maioria dos
socialistas se opôs ao nazismo.
Para Marx os exterminados deveriam ser os inimigos da classe, se
inimigo não desistir deve ser exterminado. As pessoas na US eram
exterminadas levando um tiro na nuca. Em uma floresta de Kiev onde os
caminhões que despejavam os mortos para serem enterrados pingavam
a estrada de sangue. hoje em dia tem um memorial no lugar em memória
das vitimas inocentes que foram brutalmente assassinadas.
Milhões de órfãos, Stalin autorizou na década de trinta que
crianças a partir de doze anos poderiam ser fuziladas aleatoriamente.
Existiam cotas de extermínio.. Motolov, Voroshilov, Kaganovich,
Zhdanov, entre 37 a 41, 11 milhoes de pessoas foram executadas. Uma
escala repressiva contra o próprio povo inimaginável.
Hitler anexou a Áustria, a Chequeslovaquia, Hitler iria destruir
toda a ordem da Europa, é tanto que Stalin não quis faz parte da
coalizacao anti Hitler, não haveria sindicato, nem exercito, e nem
governos e Stalin surgiria como libertador das milhões de pessoas que
estariam em campos de concentração esperando a libertação, esse era
seu plano.

Capitulo XV
Em trinta e nove Hitler invade a polônia de um lado, e Stalin
invade pelo leste, o pacto de não agressão entre US e Alemanha estava
quebrado. Os transmissores de radio soviéticos indicaram os alvos para
os pilotos da Lutwaffe, exercito vermelho e SS lutaram lado a lado no
inicio da segunda guerra. A polônia é dividida entre alemães e
soviéticos, e a mídia se encarregava de dizer que a luta era para libertá-
los do fascismo polonês.
A Noruega foi invadida com ajuda direta da US, Stalin forneceu ao
nazis uma base naval. A Finlândia foi atacada pela união soviética. A
pequenina Finlândia resistiu ao maior exército do mundo. A retórica de
lutar contra o fascismo finlandês não teve base, então a URSS foi expulsa
da liga das nações. Judeus que buscaram refugio na URSS, Stalin
devolveu para Gestapo. NKVP a policia de segurança de Stalin cooperou
com a SS ate com treinamento, ensinando a construir campos de
concentração, oficias do exercito vermelho foram a Cracóvia preparar a
SS.
O sistema prisional sovietico era chamado de
Gulag.Riga(latvia),Tartu(estonia), Minsk Katyn (russia),
Leviev(ucrania). Foram campos de extermínio em massa. 1 milhão de
russos mudaram de lado e passaram a defender a causa nazista. Os
soviéticos não destruíram os campos de concentração nazistas eles
limpararam para continuarem utilizando. A URSS transferiu muitas
pessoas etnicamente russas para territórios bálticos ocupados onde
evidentemente foi violada a convenção de Genebra que proibia a
transferência de civis para regiões desocupadas. O Kremlin orquestrou
uma limpeza étnica nos bálticos, os colonos russos tornaram-se maioria
na Estônia, na Letônia, enquanto o povo era báltico era mandado para
Sibéria. A KGB fez experimentos científicos com humanos nos campos.
ate no cérebro com as pessoas vivas. Marco Ferro até considera que uma
das maiores ironias desse século é que: o resultado mais duradouro da
Revolução de Outubro, cujo objetivo era a derrubada global do
capitalismo, foi salvar seu antagonista, tanto na guerra quanto na paz,
fornecendo-lhe o incentivo — o medo — para reformar-se após a
Segunda Guerra Mundial e, ao estabelecer a popularidade do
planejamento econômico, oferecendo-lhe alguns procedimentos para
sua reforma e tratou de assinalar seu próprio colapso com a queda do
muro de Berlim em 1988.
Justamente por isso a experiência do movimento moderno não
possui uma linearidade política nem muitos menos cultural. Uma série
de movimentos estéticos na Europa passam a influenciar a Arte e
Arquitetura até eclodir a guerra. Além disso, por mais que se vivesse na
cidade, a ligação com o interior (ou sobre outro ponto de vista, a negação
da urbanidade e a resistência à modernidade) era mantida e no período
das férias escolares a ida (ou volta) ao interior, ao sertão, era um

Capitulo XV
momento aguardado por muitos. Milton Dias observa que “depois da
leitura de notas, vinha a etapa, seguinte, a espera do caminhão que nos
conduziria à doce paz do interior” (Dias, 1998, p. 73).[1]
Na citação acima que foi extraída de uma revista que cita um
memorialista chamado Milton Dias o qual afirma que apesar do suposto
turbulento crescimento da urbanidade fortalezense as ligações com a o
sertão ou a serra ainda eram muitos fortes, o que denota a dificuldade
em aderir a uma cidade pensada de forma capsular que visa ser uma
força maior e independente das outras cidades do interior.
"[...] Os modelos formais utilizados nessas operações são os da
tradição clássica e do grand doût sobre os quais esse encaixam, nas
últimas décadas do século, os traçados curvilíneos e irregulares
derivados da tradição paisagística inglesa." (BENEVOLO, Leo).: As
condições de Partida.Página .: 372. cap. 12.
O autor atribui o fato da nacionalização recente da industria e a
efervescência cultural e arquitetônica disponibilizava novos
instrumentos para crítica em arquitetura na Alemanha. A priori em
todos os locais que não se usa ferro nas construções podem ser então
um bom palco para criatividade dentro de qualquer vanguarda estética.
" Walter Gropius (1883-1969), filho de um abastado arquiteto e
funcionário berlinense, trabalha no estúdio de Behrens, porém logo
começa a projetar por sua conta: em 1906, um grupo de casa agrícolas
em Janikov; em 1913, [..] em 1911 um esplendido edifício industrial, a
fabrica de formas para sapatos Fagus ad Alfed an der Leine."
(BENEVOLO, Leo).: As condições de Partida.Página .: 378. cap. 12.
O dialogo que se forma entre escultura, música, pintura e
industria junto com os movimentos estéticos como cubismo,
abstracionismo formam toda uma literatura de idéias sobre a arte e
sobre a técnica, sobre as teorias, sobre nossas próprias crenças, sobre a
utilidade implícita da forma e da função na geografia e na história da
arquitetura.
"Picasso: "Um quadro não é pensado e estabelecido desde o
momento inicial; enquanto se trabalha ele se transforma na mesma
medida em que muda o pensamento;." (BENEVOLO, Leo).: As condições
de Partida.Página .: 386.
"A guerra de 1914-1918 não apenas detém a atividade dos
arquitetos e limita gravemente a dos pintores, mas também interfere de
varias maneiras em seu pensamento e imprime a pesquisa um curso
totalmente diverso." (BENEVOLO, Leo).: As condições de Partida.Página
.: 390

Capitulo XV
Historicamente o que está posto é que nos tempos antigos, ou seja,
antes da Revolução Industrial, o desenvolvimento dos ofícios aumentou
o número dos trabalhadores que eram seus próprios patrões, e que
podiam, portanto, desfrutar algum orgulho do que produziam.
Subjetivamente havia um propósito comum o qual era dada alguma
dignidade ao oficio do trabalhador e orgulhar-se da qualidade do
produto feito inteiramente de sua responsabilidade. Hoje a gente
compra uma coisa e num instante se quebra. Nada presta. Não tem como
culpar ninguém. Não se sabe quem fez, o nome a pessoa, é tudo muito
anônimo escondido por detrás de grandes marcas. O consumidor parece
que tem apenas o direito de deixarem roubar o seu dinheiro sem poder
reclamar nada, apenas se restringir a atitude de nunca mais comprar
aquele marca e aquele modelo. Isso quando não somos dependentes de
apenas uma marca do mercado. Porque aí mesmo quando não presta a
gente tem que comprar de novo da mesma marca como é o caso da
gasolina, telefonia e energia elétrica, esgoto e abastecimento de água.
Na década de 50, o momento do país era propício a novas técnicas
e Ferraz elegeu a protensão como alvo de pesquisa. O resultado foi a
idealização de um sistema patenteado, inovador para a época. O
processo consiste basicamente em obter aderência ao concreto por
meio da calda de injeção. O exemplo mais significativo da adoção desse
processo foi o prédio do MASP - Museu de Arte de São Paulo, na avenida
Paulista, obra iniciada em 1960.
O peso das vigas e a ação de cargas que ocorrem de maneiras
variadas ao longo do tempo, além de pesos extras, como de pessoas,
obras, etc, esses cabos continuam executando suas forças de tração na
parte inferior da viga.
O presente capítulo visa analisar as forças e tensões que agem nos
elementos estruturais do Museu de Arte de São Paulo que foi construído
de 1956 à 68 em estilo modernista brutalista na Avenida Paulista.
Projetado arquitetonicamente pela Lina Bo Bardi[2] e os cálculos
estruturais do engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz[3].

Capitulo XV
Figura XXVII.Crôqui com o esboço em cavalera e corte lateral. É
necessário comentar a grandeza que é imaginado os pórticos, bem como
o grande vão que é vencido pela laje de concreto aparente. O desenho
faz jus ao grande interesse que desperta entre o público que se
A construção do MASP nos chamou atenção por possuir um vão
livre de 74 metros, vigas protendidas de cobertura, laje nervurada e
pilares ocos para evitar introdução de momentos fletores nos pilares.
A história da sua construção também chama atenção por ser
exigência do doador da terra que não fosse suprimido o belvedere da
paisagem. O projeto a principio é utópico pois é uma distancia muito
grande que a laje precisa para deformar sem fissurar.
Em discurso direto o calculista comenta:
"Meu projeto só poderia ser realizado em concreto protendido.
Lembrei-me do ex-secretário de Obras, professor na Politécnica e na
F.A.U., que tinha elogiado o projeto estrutural. Fui procurá-lo".[..] [4]
E sobre as dificuldades tecnológicas:
[..]”Não havia na época materiais modernos, como o Teflon, para
articulação ou apoio provisório da viga na hora de sustentá-la para fazer
a protensão, conta o ex-aluno, amigo e sócio de Ferraz, José Lourenço
Braga de Almeida Castanho, vice presidente e superintendente da
Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto.”
Mais tarde em um depoimento de próprio punho sobre o MASP a
arquiteta diz como foi gestado o partido da edificação:
"Nada de colunas, setenta metros de luz, oito metros de pé
direito".
O uso do concreto com armaduras tensionadas paralelamente em
aço se dá em 1824, a partir da criação do cimento Portland na

Capitulo XV
Inglaterra.Depois franceses e alemães vão explorar os benefícios da
dureza do cimento. Em 1912 Koenen e Morsch desenvolvem uma teoria
para dimensionar empiricamente o concreto armado.Em 1919 K.
Wettstein fabricou, na Alemanha, painéis de concreto com cordas de
piano. Em varios países começaram a surgir comissões regularizando
normas. Aqui no Brasil é a NBR 7197.

Figura XXVIII.A protensão é pela figura um estiramento dos fios


da armadura por uma prensa para evitar que o ferro entorte livremente
por dentro da concretagem.( extraída:
http://pitoresco.com/espelho/destaques/masp/masp )
Entender como a força de tração e compressão se anula com a
normal ao aderir o aço estirado ao concreto na laje do MASP pelo
sistema Ferraz de protensão.
A escolha da protensão na construção do MASP foi feita com base
na funcionalidade e nas condições que a natureza impõe. Como em São
Paulo não ocorrem terremotos, nem tem atividade vulcânica, e a
umidade relativa é pouco agressiva tornam a solução viável pois os
prognósticos para a peça colapsar é situações de emergência mesmo, ou
até que os paulistas se cansem de ter um museu e utilizarem a
propriedade para outro fim que seja colocar um peso superior ao que
foi imaginado no cálculo de carga variável.
As obras a serem executadas em concreto protendido devem
obedecer ao projeto elaborado pelo profissional legalmente licenciado
e que esteja em acordo com a Norma NBR 7197 e 6118 e as demais
normais referentes aos projetos de estrutura, no que compreende
cálculos, desenhos, planos de execução e memorial justificativo. Para o
aço da armadura de protensão deve obecer a especificação NBR 7482 e
7483, deve se tomar cuidados especiais de modo a evitar-se oxidação. É
expressamente proibido o uso de água do mar pois prejudicará a
armadura.

Capitulo XV
O desenho deve constar armaduras e formas, designando o aço da
armadura a ser protendida, bem como sua relaxação, as bainhas, as
lubrificações, a categoria de aço, valor mínimo da resistência do
concreto necessário para a aplicação da protensão. Deve dispor sobre o
número e a posição das juntas na concretagem.
As ações que agem na estrutura são empuxo, retração, fluência,
deslocamento de apolos, cargas acidentais correspondentes a utilização
da construção, inclusive cargas móveis, forças centrífugas e de impacto,
ações vibratórias, vento, variações de temperatura.
No caso do concreto protendido ele pode ser deformado por
fluência do concreto na própria cura, sendo essa irreversível, e também
por fluência do uso, que pode ser reversível ou irreversível.
A aplicação de carga horizontal somada a vertical pode ser
combinada com uma força de protensão na laje, harmonizando o
conjunto de vetores dos elementos estruturas, no caso do MASP, o
objetivo é criar uma tensão prévia contrária aquela que poderia flambar
a laje. Ou seja a tendência do concreto de tracionar é reduzida pois é
introduzida uma força que anula essa inércia. Estima-se as forças de
protensão pelo parâmetro da ação da gravidade na cura e no pós cura,
resistências dos materiais, esforço de cargas permanente e variável,
perda de tensão da armadura decorrente do atrito, da compressão, da
fluência do concreito, e da relaxação do aço de protensão.

Capitulo XV
Figura XXIX.Analisando a figura de cima é possível ver uma força
normal com as vigas cinzas em paralelo empurrando o pórtico vermelho
nas duas horizontais fincadas em uma base preta que empurra a
edificação no sentido contrário do movimento horizontal .
“O Museu de Arte de São Paulo (Masp) foi concebido e implantado
como um museu transparente, visualmente aberto para a cidade através
das faces de vidro de seu prisma suspenso. Tanto a museografia, os
suportes de vidro temperado, quanto o bloco superior do edifício,
vedado com fachadas de vidro inteiramente transparente, foram
criados pela mesma autora, a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi
dentro de uma concepção de dessacralização da obra de arte. “[5]
Lina imaginou uma estética moderna para o prédio com a
utilização de diversos materiais na fachada, inclusive aderindo ao vidro,
o que gerou um desconforto pois usa-se cortinas para diminuir a
insolação.
“A segunda metade dos anos 80 foi o período mais crítico ao MASP.
Surgiram rachaduras e manchas no concreto, ferrugem nos caixilhos e
infiltrações na laje do belvedere. O edifício deteriorou-se a tal ponto que
não apenas o acervo corria grande risco de danos, como as próprias
condições de uso se tornaram precárias. A imagem da instituição sólida,
reforçada pela arquitetura, estava comprometida pela aparência de
ruína precoce. A imponente estrutura do edifício se viu pela primeira
vez frágil e ameaçada.”[6]
O problema das goteiras perturbaram o prédio e a estrutura
desde a reinauguração. Os pórticos foram imaginados no projeto com
impermeabilizante incolor porém com os problemas de infiltração de
água, foi solucionada com uso da tinta impermeabilizante vermelha, por
ser uma cor subversiva aos olhos dos militares que ocupavam o governo
naquele momento.
A solução bastante complexa em virtude da enorme extensão dos
vãos e dos efeitos de deformação decorrentes do uso de protensão. Uma
estrutura composta por vigas simples e apoiada que repousam sobre
pilares ocos que abrigam pêndulos estruturais em seu interior. A força
de compressão e tração se opondo nas fibras inferiores, chega-se ao
resultado das forças zero.

Capitulo XV
Figura XXX.O MASP foi fluxogramado para acervo e exposições
temporárias. Uma entrada com patamar um pouco acima da calçada
permitindo acesso direto ao subsolo com lojas e praça de alimentação.

Figura XXXI.Para que não haja problemas com rachaduras


transversais a força de tração deve se anular com a força de compressão.
Os pilares grossos da estrutura com as lajes finas são contrabalanceados
com vigas de cobertura pré moldadas. Sem protender o aço da laje

Capitulo XV
Figura XXXII.MASP em construção.

Figura XXXIII.MASP (noite)


Os parâmetros ergonômicos visuais estão propostos no corpo da
norma NBR-8995 e NBR-5413, sendo elaborado pelo comitê brasileiro
de eletricidade e a comissão de estudos de aplicações luminotécnicas e
medições fotométricas. Estes conjuntos de normas estabelecem os
valores de iluminâncias médias mínimas em serviço para iluminação
artificial e de interiores, onde se realizem atividades de comércio,
industria, ensino, esportes entre outras. As normas são obrigatórias
para construções no Brasil e a norma foi baseada nas convenções
internacionais do padrão ISO.

Capitulo XV
Sendo responsabilidade do INMETRO a inspeção dos valores
emanados pelos distribuidores em suas embalagens.
A qualidade do usufruto do espaço pode ser medida pela relação
entre temperatura, iluminação e som. Caso tudo esteja dentro do
conformes em aliar o conceito de conforto térmico ao luminoso e ao
visual e ao acústico podemos dizer que o ambiente está harmonia com
as características físicas da luz e das cores e que a acuidade visual está
boa além da sensação térmica agradável.
A harmonia entre a luz e as cores não é assim tão objetiva. Nem
mesmo a sua geração. Hoje sabe-se bem que a cor é um fenômeno
subjetivo e natural, pois ela é constituída de ondas eletromagnéticas
que podem ser emitidas por alguns animais na natureza.[7]
As cores primarias são o azul, amarelo e vermelho, elas podem dar
sensação de fome, sonolência, cansaço conforme são distribuidas. A
incidência de luz interfere diretamente na captação da cor pelo olho
humano.
o presente estudo pretende discorrer como é a aplicação na
prática do uso e da definição desses conceitos em projetos
arquitetônicos.
A luz é um enigma em todos os sentidos, bem como um projeto
urbanístico proposto por esse cientista, em primeira instancia
prejudicaria os fornecedores públicos de energia que justificam
cobrança de taxa mensal na conta residencial.
A problemática do conforto e da eficiência energética está
submetida principalmente as variações climáticas que ocorrem em
decorrência do tempo. A arquitetura vernácula é a responsável por
passar as futuras gerações os conhecimentos que garantem o conforto
térmico no geral. Nos climas polares foi inventado o iglu que usa o
material mais abundante do local que é o gelo, tem por característica
principal o formato semi esférico. Nos climas temperados que também
são de grande amplitude térmica na maior parte do calendário por
causa da radiação solar que não incide diretamente. Eles optam por
agrupar as casas, aumentar o desnível em relação ao solo para suportar
metros de camadas de gelo e as esquadrias menores para trocas de
volume térmico em velocidade mais lenta e também utilizam paredes
espessas e telhado bem íngreme para funcionar com isolante térmico.
No clima temperado quente e úmido se utiliza marquise para
sombreamento, sem aglomerados, pé direito alto e uso de vegetação e
cores claras. No clima quente e seco se utiliza de espelhos d’água para
umidificação do ar, grandes vãos paras trocas térmicas rápidas e
paredes finas para que não seja retido o calor e uso de tinta clara para
pintura.

Capitulo XV
Tradicionalmente as pessoas fazem suas casas em conformidade
com seus usos e costumes. Os esquimós são povos nômades que vivem
da caça e da pesca, o gelo permite estocar carne de modo que sua
economia e eficiência energética são 100% compatível com a vida deles.
Os modernos no século XX optaram por suas casas girar em torno dos
carros, o combustível barato podia fazer milagres no deslocamento da
mão da obra diária. Com o advento da pós modernidade o bairro passou
a girar em torno da casa e aumentou a necessidade de serviços públicos
nas proximidades além de uma lógica urbana mais eficiente de
transporte publico e privado, além de comércio, porém a dependência
do bairro também gera a escassez de produtos e inflação.
Cor-pigmento é a substância material que, conforme sua natureza
absorve, refrata e reflete os raios luminosos da luz que se difunde sobre
ela. O pigmento é o que dá cor a tudo o que é material. O que faz com que
identifiquemos um corpo de uma determinada cor é sua capacidade de
absorver os demais raios da luz branca incidente, refletindo para nossos
olhos apenas a cor percebida. O branco do MESP é a presença de todas
as cores, não absorve, mas reflete todas as cores, o preto, ao contrário, e
a ausência de cores, ou seja, todas são absorvidas A cor-pigmento é a cor
observada no reflexo da luz em algum objeto. No caso dos azulejos
coloridos trabalhados magistralmente pelo artista Paulo Rossi-Osir –,
atuam como fundo neutro às fachadas de vidro demarcadas nas linhas
de granito das colunas e das cornijas.
Arquitetos: Lucio Costa
Localização: Gustavo Capanema Palace - Centro, Rio de Janeiro,
Brazil
Equipe de arquitetos: Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge
Moreira, Oscar Niemeyer e Ernani Vasconcellos
Arquiteto consultor: Le Corbusier
Paisagismo: Roberto Burle Marx
Murais: Cândido Portinari
Esculturas: Celso Antônio, Bruno Giorgi, e Jacques Lipchitz
Ano do projeto: 1936-1945
Fotografias: Marina de Holanda

Capitulo XV
Figura XXXIV.Ministério de Educação e Saúde / Lucio Costa e
equipe

Figura XXXV.Os pilares do térreo.

Capitulo XV
Figura XXXVI.As fachadas norte e sul são idênticas, inteiramente
em vidro com brises em linha horizontal.
Na cobertura do edifício vertical, alguns volumes recuados
abrigam os salões de refeições, a cozinha, e a administração do edifício,
rodeados por terraços e jardins.

Figura XXXVII.Planta Baixa do MESP e corte longitudinal.


Cor-luz é a estreita faixa de freqüência do espectro luminoso
visível dentro da qual o olho humano identifica determinada tonalidade
de cor da luz. Baseia-se na luz solar ou em fontes luminosas artificiais
de incidência direta.[8]

Capitulo XV
Figura XXXVIII.A cor luz é observada essencialmente nos raios
luminosos do sol ao decompor as cores do vidro em outras tonalidades.
A cor luz é observada essencialmente nos raios luminosos do sol ao
decompor as cores do vidro em outras tonalidades.
Todas as cores-luz podem ser obtidas pela mistura de apenas três
cores: o vermelho, o verde e o azul. Estas três cores puras chamam-se de
cores primárias.

Figura XXXIX.A luz solar gera uma convergência harmônica de


cores pelo reflexo do vidro.

Capitulo XV
Para a sua fabricação é usado um esmalte cerâmico ou tinta
vitrificada na aplicação direta na lâmina, depois disso esta pintura passa
por uma têmpera que incorpora os pigmentos a massa e depois o vidro
é primeiramente aquecido e então resfriado, tornando-se um vidro com
uma bonita cor e muito resistente.
As cores são definidas por quentes e frias. As quentes são as que
tendem para o verão e as frias são as que tendem para o inverno.

Figura XL.O gráfico de relação psicológica e fisiológica das cores

Figura XLI.Paleta de cores com suas classificação.


A luz é a mais emotiva das características das superfícies. A cor
tranqüiliza, agride, enleva ou entristece.

Capitulo XV
Cor é luz, tanto a luz vinda de uma fonte luminosa quanto a luz que
é refletida pelas superfícies dos objetos. No primeiro caso, a cor
resultante é chamada de cor-luz. No segundo caso, é denominada de cor-
pigmento.

[1] Rev. Espacialidades [online ]. 2009, vol. 2, no. 1.

[2] “Achilina di Enrico Bo, conhecida como Lina Bo, é uma das
figuras mais importantes da arquitetura Latino-americana. Nascida do
dia 5 de dezembro de 1914 em Prati di Castello, Roma de uma família
genovesa de poucos recursos financeiros, Lina se mostra uma criança
difícil e solitária, com um trajeto escolar tumultuoso que achava limitar
o papel da mulher na sociedade. Sua família era composta da mãe
Giovanna Adriana Grazia e pai Enrico Bo, e que se completou com a irmã
mais nova Graziela. Depois de cursar o Liceo Artistico de Roma, Lina se
forma em arquiteta com o trabalho de graduação “Núcleo Assistencial
da Maternidade e da Infância.”(fragmento extraído do link:
http://institutobardi.com.br/?page_id=87)

[3] "O engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz (1918-1994)


fundou, em 1941 o escritório de projetos de estruturas, que deu origem
à atual Empresa, que vem atuando nas áreas de consultoria, projeto e
gerenciamento, nos setores de transportes, energia, saneamento,
indústrias e meio ambiente entre outros." (fragmento extraído do link:
http://www.figueiredoferraz.com.br/br/empresa/fundador )

[4] Extraído do texto da Silvana Assunção e material da revista


"Construção" de dezembro de 1991) RPG - 26/06/1997 (rev. 0)

[5] ANELLI. Luiz, Renato. O museu de arte de São Paulo: o museu


transparente e a dessacralização da arte. Extraído:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.112/22

[6] MIYOISHI. Alex. Edifício do MASP como sujeito de estudo.


Extraído:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.084/245/

Capitulo XV
[7] As pesquisas em Bioluminescência vem abrindo novos
horizontes no campo do estudo da luz. ou seja, o processo biológico pelo
qual animais, como o vaga-lume e a água-viva, emitem luz a partir de
suas células, já provocou revoluções importantes na ciência,
especialmente na área da saúde. Em 2010, uma outra equipe de
pesquisadores israelenses e americanos publicaram um estudo em que
dizem ter demonstrado que tais métodos podem ser usados para criar
plantas que emitem luz sem a necessidade de suplementos químicos.

[8] http://dirty-mag.com/v2/?p=7920

Capitulo XV
TFG
O legado pos modernista
Nas humanas nos precisamos de documentos, de investigação, de
suposições e de interpretações para emitir nossos juízos e o que vimos
é que tragicamente durante os séculos seguintes a descoberta da
América, os intelectuais europeus sonharam com o bom selvagem, mas
o bom selvagem já estava morto, ou assimilado, e o sonho do homem em
seu estado natural estaria condenado a esterilidade, pois a expansão
cultural cristã trazia em si o germe da derrota para a própria civilização
europeia, entretanto ninguém poderia saber que seria aqui nas colônias
americanas que o absolutismo senhorial deleitar-se-ia no mais pujante
imperialismo aristocrático travestido de democracia, portanto sendo
aqui onde a desigualdade social intencionalmente gestada pelas
metrópoles seria interiorizado na sua forma mais fecunda como
dispositivo de poder geopolítico e social.Gerando a situação onde o
aluno supera o mestre, todavia eu repito, ninguém poderia saber que
uma colônia daqui se tornaria a maior potência do mundo sobretudo
tecnologicamente. .Quintus Curtius Rufus foi um historiador romano
que viveu na época do imperador Cláudio, na primeira metade do século
ele dizia que a sorte não tem pés; ela tem apenas mãos e asas. Adaptando
o que o Quintos dizia para o século XVI podemos dizer que a sorte não
tem mãos e asas; ela tem velas e canhões. Porque o sucesso da
empreitada nas colônias é parecido com o sucesso do Imperium Romano
em Britania na época de Claudio, ou não se assemelham as conquistas
do império de Portugal, Holanda e Espanha em África, em Ásia, em
América e em Oceania?
A Memória é de vital importância para o individuo, é
conhecimento do passado, do seu passado, de maneira mais atomizada,
é o caminho para a sobrevivência, a chave para o sucesso, ou a ante sala
da loucura, é preciso saber manejar o seu passado muito bem para não
cair em cadeias, também para não sofrer de complexo de inferioridade
achando que a história do outro é melhor.Reduzir o passado a fatos
intrusivos é não refletir sobre tudo que lhe concerne, ou seja, é dar um
atestado formal de indiferença no que lhe diz mais respeito que é a
conservação da sua identidade. A sua maneira de lidar com o mundo, e

Capitulo XVI
estar no mundo. Óbvio que nosso desenvolvimento histórico como
nação e nacionalidade passa por esse tema e é mais óbvio ainda que
muito pouco se sabe sobre o que de fato aconteceu entre 1492 e 1799.
Os pesquisadores trabalham na metodologia das compilações muito
pouco ousam interpretar e não oferecem outros signos para os leitores
sobre os fatos que pra eles são imutáveis. A questão que mais pesou na
minha análise foi o atrevimento da Igreja nesses momentos, que foi
decisiva em proteger seus discípulos e seu patrimônio mesmo que para
isso tivesse que desacatar a doutrina que estava em voga. A América não
foi conquistada de um dia para outro, nem muito menos em um único
ataque. Só no fim do século foi descoberto o Havaí e até em 1774 Capitão
Cook descobria as ilhas perniciosas em Austrália. Até o começo do
século XIX a geografia permanecia uma incógnita mesmo para grandes
lordes do almirantado. Havia dúvida se existia passagem pelo Norte do
Atlântico para o Pacífico. E casa que representa melhor o legado da pós
modernidade é a casa dos simpsons:

Figura XLII. Casa do seriado "os simpsons" do criador matt


groening
Esse projeto de residência exposto no seriado simpsons é
simplesmente a representação do modo de pensar o conforto da
residência familiar burguesa tipicamente norteamericana média por
causa que se aproveita desse neocolonialismo inglês, o tom estético da
residência eu classifico como ECLÉTICO INDUSTRIAL, isso porque
discussão sobre a estética urbana das grandes cidades, admite que cada
uma tenha suas particularidades, porém genericamente essa estética
acontece quando a urbanização é feita sem que haja disputa
arquitetônica. É tanto que a casas é limpa de qualquer ornamentação.

Capitulo XVI
A parte propriamente pós moderna se encontra naquele detalhe
da antena metalica em cima da casa, que remete a presença da televisão,
tipico companheiro de ocio do burgues médio americano.
É uma urbanização que nasce da consciência da fartura de terras
da colônia, note a dimensão do recuo frontal, a proposta de mais de 75
porcento do sítio destinado a vegetação para permeabilidade, ´projeto
sanitarista onde os banheiros ficam dentro da casa e com as aberturas
escondidas das fachadas externas, os cômodos são separados por idade
e sexo das crianças. Só pelas janelas é possível perceber que as
baywindows são as iluminações da sala de estar que tem a famosa
chaminé para o rigoroso inverno do trópico norte. A cozinha é acoplada
a sala de jantar onde a família faz todas as refeições. A janela mais
horizontal é a cozinha. E as janelas verticais são os quartos. O telhado
tem um sessenta graus e todo tangido de calha.
Essa arquitetura aqui é a popularização do woodframe americano,
atende os interesses higienicos dos trabalhadores protestantes, atende
o conforto, não polui a visão urbana, a presença das arvores anula a
emissão de radiação direta solar que incide na pista de asfalto. É
praticamente aquela urbanização modernista proposta por Le
Corbusier mas usando uma arquitetura residencial colonial.
Historicamente a reforma calvinista uma vez fora da Europa,
assunto que em particular nunca me interessei, porém trouxe para os
Estados Unidos a sua mesmíssima a aparência de austero catolicismo, é
tanto que Weber funda toda sua sociologia relacionando a moral
protestante ao sucesso dos valores liberais, pra quem não acha ela
neocolonial note que a aparência volumétrica é muito próxima da
volumetria das mansões vitorianas inglesas que também se
popularizaram no sul dos USA . Também é dessa moral vitoriana e dessa
sociologia que nasce o arquetípico da mãe mulher submissa e do pai
marido dominador, mas também vem a realidade tão antagônica dos
Estados Unidos e do Brasil que até hoje caminha no sentido antagônico
da família nuclear burguesa,que o é quantidade da prole, lá a
industrialização reduziu o numero de filhos, e despachou grande parte
de entes que antes faziam parte do circulo aceito como familiar, muitos
eram os agregados, primos e etc...a família brasileira é muito parecida
com aquela daquele filme a família grega. Aí essa arquitetura e esse
urbanismo não tem como chegar aqui nunca por causa dessa nossa
cultura que vem da Grécia pré socrática e que vai persistir enquanto
durar a raça da Helade. Porque o nosso quinhão de honra e o nosso
orgulho é: receber coxa de cabrito do município e pagar de imposto
gordo pernil de boi cevado!!!! e vai ser assim enquanto durar a cultura
do aedos helenos! Que é aquela de que as terras tão se acabando, tá tudo
se acabado, e vamos destruir as arvores, vamos chumbar, vamos
concretar,vamos roubar a calçada, vamos jogar lixo no meio da rua,

Capitulo XVI
vamos aprovar uma lei de uso de solo que proíba os arquitetos de
projetarem e que Deus nos colocou aqui no mundo para desafia -lo sem
proposito de nada, e que Deus também não tá contando com a gente pra
NAAAAAAAAAAAADA! O seu estilo assim, inimigo direto, se podemos
dizer é o neobarroco, que gosta de ornamentar a fachada e faz jardim
com mezinhas e esculturas pré moldadas, e que tem santuário em casa,
enfim.

Figura XLIII. proposta clandestina de tfg: tema: Eclético Industrial


pós moderno(2020).
TERRENO: SÍTIO DA CASA DOS SIMPSONS (Springfield c/ 5
milhões de habitantes).

Capitulo XVI
Figura XLIV. PAISAGISMO proposta clandestina

Capitulo XVI
Capitulo XVI
Capitulo XVI
Capitulo XVI
Capitulo XVI
Capitulo XVI
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ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. São Paulo: M. Fontes, 1996.

ÍNDICE DE FOTOS
Figura I. Foto atual da antiga Ágora. 11
Figura II. Foto atual da Ágora. 11
Figura III.Mapa esquemático das principais construções da praça
no século IV a.C 11
Figura IV.Ruínas da cidade antiga. 11
Figura V.. Reconstrução volumetrica da praça arniga. 11
Figura VI.Busto de Sócrates conservado pelo Museu do Vaticano.
11
Figura VII.Projeto de reconstrução de uma casa Romana antiga
disponivel em: ipat2015joseantonioortegacalvo.blogspot.com.br de
Jose Antonio Ortega Calvo da Escola Técnica Superior de Arquitetura de
Granada. 11
Figura VIII.Fachada Vitruviana extraída do sexto livro onde ele
trata das edificações privadas. 11
Figura IX.Logotipo do Instituto Histórico de São Paulo. 11

Jáder José Oliveira Vieira


Figura X.Mapa de Fortaleza. 11
Figura XI.Tabela da densidade de Fortaleza 1890-2001. 11
Figura XII.Vista Aérea do Centro de Fortaleza em 1938. 11
Figura XIII.foto da Residência do Dr. Leite Maranhão. 11
Figura XIV.Planta de locação. 11
Figura XV.Planta baixa dos dois pavimentos. 11
Figura XVI.Fachada. 11
Figura XVII.Santuário no quarto do casal 11
Figura XVIII.Jardim.. 11
Figura XIX.A casa em 2015. 11
Figura XX.Piso reutilizado. 11
Figura XXI.Vitral reutilizado. 11
Figura XXII.Pavimento Superior 11
Figura XXIII.Mosaico. 11
Figura XXIV.Afresco da coluna. 11
Figura XXV.Local atual da escada. 11
Figura XXVI.Reconstrução volumétrica 3d da casa. 11
Figura XXVII.Crôqui com o esboço em cavalera e corte lateral. É
necessário comentar a grandeza que é imaginado os pórticos, bem como
o grande vão que é vencido pela laje de concreto aparente. O desenho
faz jus ao grande interesse que desperta entre o público que se. 11
Figura XXVIII.A protensão é pela figura um estiramento dos fios
da armadura por uma prensa para evitar que o ferro entorte livremente
por dentro da concretagem.( extraída:
http://pitoresco.com/espelho/destaques/masp/masp ) 11
Figura XXIX.Analisando a figura de cima é possível ver uma força
normal com as vigas cinzas em paralelo empurrando o pórtico vermelho
nas duas horizontais fincadas em uma base preta que empurra a
edificação no sentido contrário do movimento horizontal . 11
Figura XXX.O MASP foi fluxogramado para acervo e exposições
temporárias. Uma entrada com patamar um pouco acima da calçada
permitindo acesso direto ao subsolo com lojas e praça de alimentação.
11

Jáder José Oliveira Vieira


Figura XXXI.Para que não haja problemas com rachaduras
transversais a força de tração deve se anular com a força de compressão.
Os pilares grossos da estrutura com as lajes finas são contrabalanceados
com vigas de cobertura pré moldadas. Sem protender o aço da laje. 11
Figura XXXII.MASP em construção. 11
Figura XXXIII.MASP (noite) 11
Figura XXXIV.Ministério de Educação e Saúde / Lucio Costa e
equipe 11
Figura XXXV.Os pilares do térreo. 11
Figura XXXVI.As fachadas norte e sul são idênticas, inteiramente
em vidro com brises em linha horizontal. 11
Figura XXXVII.Planta Baixa do MESP e corte longitudinal. 11
Figura XXXVIII.A cor luz é observada essencialmente nos raios
luminosos do sol ao decompor as cores do vidro em outras tonalidades.
A cor luz é observada essencialmente nos raios luminosos do sol ao
decompor as cores do vidro em outras tonalidades. 11
Figura XXXIX.A luz solar gera uma convergência harmônica de
cores pelo reflexo do vidro. 11
Figura XL.O gráfico de relação psicológica e fisiológica das cores
11
Figura XLI.Paleta de cores com suas classificação. 11
Figura XLII. Casa do seriado "os simpsons" do criador matt
groening 11
Figura XLIII. proposta clandestina de tfg: tema: Eclético Industrial
pós moderno(2020). 11

Jáder José Oliveira Vieira


Jáder José Oliveira Vieira
2613 AC - Quéope, Quéfren e
ACONTECIMENTOS
Micerino mandam edificar as grandes
CRONOLÓGICOS Pirâmides
800.000 a.C - Fogo, usado desde o
1850 a.C:Nasce Abraão
paleolítico, possivelmente pelo homo erectus.
1792 AC- Inicio do reinado de
Hamurabi
100.000 a.C - Uso de instrumentos de
1792 AC - Código de Hamurabi
madeira e pedra
1650 a.C: Nasce José
32000 a.C - Surgem na Europa as
primeiras pinturas nas paredes de cavernas, 1.500 a.C. - Fundição do Ferro na
como as de Altamira, na Espanha, e Lascaux, Nigéria pelos Noks.
na França.
1570 Ac- Apologia da civilização
24000 a.C. - Surgem as estatuas de Minóica
terracota
1320 AC - Ramsés funda a XIX
10000 a.C .A invenção da casa dinastia
residencial. Na atual região do Iraque, são
1265-1225 a.C:Nasce Moisés,Guerra
construídas habitações de palha, madeira e
de Tróia, Começo da instalação dos Judeus
barro cozido.
em Canaã
9.000 a.C - Tribos caçadoras
1200-1035 a.C:Nasce David
inventam o Arco e Flecha. Aparecem a
representação dos primeiros números. 1160 AC - Elamnitas apoderam-se de
Babilónia
8.000 a.C. - Desenvolvimento da
Agricultura e da Pecuária. Fundição do Cobre. 1000 AC - Início da Idade do Ferro

4.000 a.C. - Invenção da Roda. 1000 AC - Primeiro vestígio de


Alfabeto Fenício
4200 a.C. Nascem as primeiras
cidades. Entre os rios Tigre e Eufrates, na 931 AC - Cisão dos reinos de Israel e
Mesopotâmia (atual Iraque), os sumérios Juda
erguem grandes vilas. A cidade de Ur,Uruk,
814 AC - Fundação de Cartago
chegam a ter 45 mil habitantes.
800 AC - Composição do poemas
3.500 a.C. - Invenção do Alfabeto e
homéricos
Escrita
776 AC - Fundação dos Jogos
3.300 a.C. - Fundição do Bronze
Olímpicos
3100 AC - Menes-Namer Unifica o
753 AC - Adopção do alfabeto fenício
Egipto e funda a I dinastia tinita
pelos Gregos

721 a.C:Queda de Samaria:

Jáder José Oliveira Vieira


600 a.C:Queda de Jerusálem 478-476: Reconstrução das muralhas
de Atenas.
663 AC - Zaleuco primeiro dos
"legisladores" Gregos 470- Nasce SÓCRATES. Morre
HERÁCLITO DE ÉFESO.
660 AC - Fundação de Bizâncio
469-468: Derrota dos persas pela
660 AC - Invenção da moeda na Ásia
frota da Simaquia de Delos, liderada por
Menor
Címon. Os Persas deixam de ser uma ameaça
621 AC - Legislação de Drácon em no Mar Egeu.
Atenas
460-445: Primeira Guerra do
605 AC - Inicio do reinado de Peloponeso. Nasce DEMÓCRITO. Atomismo.
Nabucodonosor na Babilónia Materialismo. Morre Parmênides de Eléia

561 AC - Pisístrato tirano em Atenas 459 AC - Começo da prmeira Guerra


do Poloponeso
551 AC -Inicio da vida de Confúcio
454 AC - O tesouro da Liga de Delos é
509 AC - Queda da monarquia em
transferido para a Acrópole
Roma
451 AC - Lei sobre o direito de cidade
515 a.C:Segunda dedicação ao
em Atenas
Templo
448 AC - Segunda Guerra Sagrada
496 a.C.: Morte de PITÁGORAS.
em Delfos
488 -Nascimento do historiador
437 AC - Início do friso das Pan-
HERÓDOTO.
Ateneias
481- Formação de uma aliança pan-
437 AC - Trabalho dos frontões do
helénica, liderada por Esparta, para resistir
Pártenon
ao ataque persa.
430- Nasce PLATÃO. Realismo
479: Fim das Guerras Médicas com a
ontológico. Teoria das Idéias.
vitória grega na Batalha de Plateias e na
Batalha de Mícale.Inverno: Atenas toma 428- Morre ANAXÁGORAS.
Sestos.
421 AC - Paz de Niceias
490 AC - Batalha da Maratona
413 AC - Desastre da expedição à
483 AC - Lei naval de Temístocles Sicilia

480 AC - Combate das Termópilas 411 AC - Revolução dos Quatrocentos


e dos Cinco Mil
480 AC - Batalha de Salamina
408 AC - Encontro de Sócrates e de
478 Formação da Liga de Delos, sob
Platão
liderança de Atenas.

Jáder José Oliveira Vieira


403 AC - Restabelecimentoda 237 AC - Inicio da Campanha da
democracia em Atenas Peninsula Ibérica por Cartago

300 a.C. - Invenção da Ferradura 226 AC - Acordo entre Roma e


Cartago sobre as fronteiras Ibéricas
398 a.C:Esdras organiza as escrituras
e conclama o povo a seguir a Lei 221 AC - Aníbal comandante chefe
da Ibéria
399- SÓCRATES é condenado à morte
em Atenas. 219 AC - Tomada de Sagunto por
Anibal
387- PLATÃO funda a Academia em
Atenas, a primeira universidade do planeta. 218 AC - Passagem dos Alpes por
Anibal
384- Nasce ARISTÓTELES. Realismo
moderado. Teoria do conceito. 211 AC - Investida de Anibal sobre
Roma
378 AC - Guerra entre Atenas e
Esparta 207 AC - Conquista da Andaluzia por
Cipião
376 AC - Batalha de Naxos
200 a.C: Judas Macabeu, Escreve-se
367 AC - Leis Licineas em Roma
o livro eclesiástico (Sirácides)
359 AC - Subida ao trono de Filipe da
191 AC - Batalha das Termópilas
Macedónia
180 AC - Lei Villia annalis
338 AC - Leis Publilie em Roma
167 AC - Decadência de Rodes
335 AC - Destruição de Tebas
158 AC - Reabertura das minas da
329 AC - Início das campanhas de
Macedónia
Alexandra na Ásia Menor
154 AC - Revolta dos Celtiberos
324 AC - Alexandre faz-se reconhecer
como Deus das cidades gregas 149 AC - Começo da Terceira Guerra
Púnica
320 AC - Fundação da escola estóica
147 AC - Revolta dos Lusitanos :
290 AC - Fundação do Museu de
Viriato
Alexandria
123 AC - Primeiro tribunado de Caio
281 AC - Guerra entre Roma e
Graco
Tarento
90 AC- Lei Julia sobre o direito de
264 AC - Começo da Primeira Guerra
cidade romana
Púnica
87 AC -Guerra civil em Roma
238 AC - Roma obriga Cartago a
ceder-lhe a Córsega e a Sardenha 82 AC- Tomada de Roma por Sila

73 AC- Início da revolta de Espartaco

Jáder José Oliveira Vieira


67 AC- Introdução do culto de Mitra 81- Domiciano imperador
em Roma
96- Nerva imperador
+-63 a.C:Cleópatra conhece Júlio
98 -Trajano imperador
César
138 -Antonino imperador
60 AC- Formação do Primeiro
Triunvirato 184- Insurreição dos Turbantes-
Amarelos na China
55 AC- Campanha de César na
Germânia e na Bretanha 202- Proibição das conversões ao
cristianismo
49 AC- Cesar transpõe o Rubicão
211- Caracala imperador
49 AC -Agitação social em Roma
238- Invasão dos Godos nas regiões
45 AC -Divinização de César
danubianas
43 AC -Formação do Segundo
250- Perseguição de Décio contra os
Triunvirato
cristãos
41 AC -Encontro de Marco António e
284- Subida ao trono de Diocleciano
Cleopatra
293- Formação da Tetrarquia
32 AC- Declaração de guerra a
Cleopatra 306- Constantino imperador

30 AC -Anexação do Egipto 325 -Concílio de Niceia

18 AC- Leis sobre o casamento e o 378- Batalha de Andrinopola


adultério
379 Teodósio imperador do Oriente
12 AC-Augusto grande pontífice
381- Edictos de Contantinopla
001 - Nascimento de Jesus
395 -Morte de Teodósio
6- Revolta na Ilíria
395- Separação definitiva do império
41- Assassínio de Calígula do Oriente e do império do Ocidente

47- Início da primeira missão de São 407 -Invasão geral da Gália pelos
Paulo Germanos

49- Expulsão dos Judeus de Roma 409- Vândalos, Alanos e Suevos


penetram na Península Ibérica
64 -Incêndio de Roma
410 -Tomada de Roma por Alarico
64- Perseguição aos primeiros
cristãos 412- Visigodos na Gália

66 -Revolta dos Judeus 414- Visigodos na Península Ibérica

69- Assassío de Galba 425- Os Vândalos no Norte de África

Jáder José Oliveira Vieira


425- Vândalos senhores da Península 633- Inicio da conquista da Pérsia e
Ibérica da Síria pelos Árabes

434- Subida ao poder de Átila 638- Tomada de Jerusalém e de


Antioquia pelos Árabes
441- Início da conquista da Bretanha
pelos Anglos e palos Saxões 673- Início do cerco muçulmano a
Constatinopla
448- Átila invade os Balcãs
680- Formação do partido Xiita
453- Morte de Átila.
Desmembramento do seu império 709- Tomada de Ceuta.Fimda
conquista árabe do Norte de África
455- Tomada e saque de Roma por
Gengerico 711-Início da conquista da Península
Ibéria pelos Muçulmanos
465- Saque de Conimbriga pelos
Suevos 714- Morte de Pepino de Héristal.
Carlos Martel
468- Conquista da Península Ibérica
pelo rei visigodo Eurico 721- Batalha de Navas de Tolosa

476- Desaparecimento dos 750 -Os Abássidas substituem os


imperadores romanos do Ocidente Omíadas

481- Subida ao trono de Clóvis 754 Subida ao poder de Almançor

493- Teodorico senhor da Itália 755- O omíada Abderramão na


Península Ibérica
487- Os Ostrogodos atacam
Constantinopla 773 -Aparecimento da numeração
árabe
501- Lei Gombeta
785- Começo da edificação grande
526- Morte de Teodorico
Mesquita de Córdova
527- Subida ao trono de Justiniano
786- Primeiro ataque dos
554- Introduçâo do bicho da seda no Normandos contra a Grã-Bretanha
império Bizantino
791- Início do reinado de Afonso II,
565- Morte de Justiniano rei de Leão

568- Início da conquista da Itália 799- Primeiro ataque dos


pelos Lombardos Normandos na Gália

622- Fuga ( Hégira ) de Maomet 801- Tomada de Barcelona por


Carlos Magno
629- Início do reinado de Dagoberto
803- Ruptura entre Carlos Magno e
630- Maomet senhor de Meca
Bizâncio

Jáder José Oliveira Vieira


803- Paz de Salz 882 -É feita a unificação dos dois
principados de Kiev e Novgorod
803 -Ruptura entre Carlos Magno e
Bizâncio 888 -Eudes rei da França

811- Batalha de Virbitza 908 -Extinção da dinastia Tang e


desmembramento da China
812- Paz entre Carlos Magno e
Bizâncio 910- Fundação da Abadia de Cluny

814 -Morte de Carlos Magno, 920- Estabalecimento dos Toltecas


sucede-lhe Luís o Piedoso no México

824- Luís o Piedoso, impõe a sua 928 -Tomada de Teodosiópolis pelos


autoridade aos Estados do papa Bizantinos

825 -Batalha de Ellendun 929- Criação do Califado de Córdova

827- Início da conquista da Sicília 938 -Surge pela primeira vez num
pelos Sarracenos documento a designação da palavra
Portucale
829- Revolta de Lotário
988 -Vladimiro I converteu-se ao
833 -Luís o Piedoso , julgado,
Cristianismo, tornando-o religião oficial
condenado e deposto pelos filhos
doPovo Russo
839-Criação de um reino normando
1086 -Almorávidas na Península
na Irlanda
Ibérica
840- Morte de Luís o piedoso
1096 -Afonso VI entrega o governo
843 -Tratado de Verdun de Portucale e Coimbra ao seu genro
D.Henrique
844 -Incursão Normanda na
Península Ibérica 1112- D.Teresa fica a governar o
Condado Portucalense por morte do seu
846- Investida sarracena contra
marido D.Henrique
Roma
1118 -Fundação da ordem do Templo
859- Incursão normanda na Itália
1128- Batalha de S. Mamede. Afonso
870- Batalha de Thetford
Henriques passa a chefiar o Condado
875- Coroação imperial de Carlos O Portucalense
Calvo
1139 - Alfonso I é proclamado Rei de
878- Batalha de Ethandun Portugal. Fundação da dinastia Afonsina.

878- Reconquista de Coimbra pelos 1147 - Rei Afonso I de Portugal ocupa


cristãos Lisboa.

879- Cisma de Fócio

Jáder José Oliveira Vieira


1325 - Os astecas se estabelecem em 1453 - Os otomanos conquistam
Tenochtitlán. Constantinopla.

1383-1385 - Crise em Portugal: 1456: Descoberta de Cabo Verde por


Guerra civil e desordem por causa da morte Diogo Alves.
do Rei Fernando que morreu sem deixar
1473: O astrônomo Nicolau
herdeiros.
Copérnico apresenta sua Teoria
1385 - João I, "O de Boa Memória", Heliocêntrica.
funda a dinastia Avis.
1475 - Nascimento de Michelangelo
1386 - O Tratado de Windsor em Arezzo
estabelecido entre Portugal e a Inglaterra,
1479 - O Tratado das Alcáçovas-
sendo a mais antiga aliança diplomática do
Toledo. (também conhecido como Paz de
mundo ainda em vigor. Foi assinado em Maio
Alcáçovas) foi um diploma assinado pelos
de 1386 após os ingleses lutarem ao lado da
representantes dos Reis Católicos, Isabel de
Casa de Avis na batalha de Aljubarrota e com
Castela e Fernando de Castela e Aragão, por
o sentido de renovar a Aliança Anglo-
um lado, e o rei Afonso V de Portugal e seu
Portuguesa estabelecida pelos dois países em
filho João pelo outro, colocando fim à Guerra
1373.
de sucessão de Castela (1475-1479).
1390 - Estabelecimento da nação
1487 - O banco de Fuggers é fundado
Iroque na América do Norte.
em Augsburg
1397 - O banco dos Medici se
1487 - Os Astecas invadem a América
estabelece em Florença.
Central
1417 - Concílio de Constança.
1494 - Judeus voltam para Inglaterra
1420: Início das expedições de D. desde a expulsão em 1290. Charles VIII o Rei
Henrique no Atlântico, chegando à Ilha da da França invade a Itália. Tratado de
Madeira. Tordesilhas. Espanha e Portugal dividem o
Novo Mundo entre si (4 de junho)
1434: Ultrapassagem do Cabo
Bojador, ao sul das Ilhas Canárias, abrindo 1492 - Colombo atravessa o
caminho para a colonização de parte da Atlântico. Granada, o último forte
África, e a busca de ouro e escravos. muçulmano é conquistado por Castela e
Aragão.
1438 - Os Incas começam a expandir
territórios no Peru. 1495 - Os judeus são expulsos da
Lituânia.
1439 - Concílio Florentino.
1496 - D. Manuel I expulsa os judeus
1441 - Portugueses exportam
de Portugal
africanos como escravos para Europa
1497 - Criação das Misericórdias, em
1450 - Gutemberg cria a Imprensa. A
Portugal. O navegador português Vasco da
familia Sforza chega ao poder em Milan.

Jáder José Oliveira Vieira


Gama parte para a Índia, atingindo-a em 1517- A Reforma religiosa começou
1498 / O escultor Michelangelo esculpe a na Alemanha com Martinho Lutero criticando
obra-prima Pietá. a venda de Indulgências.

1498: - Execução de Savonarola, 1519- 1521 - Cortés submete os


dominicano que atacara a corrupção na astecas e inicia 300 anos de dominação
Igreja colonial. Lutero é excomungado pelo papa
Leão X.
1499 - Portugueses explorar a costa
Africana em busca de uma nova rota par 1519-1522: Primeira circunavegação
Índia. da Terra. Tendo sido iniciada por Fernão de
Magalhães, morto em 1521 por indígenas
1500 - A Europa desenvolve
filipinos e sucedido por Sebastião Elcano
literatura de massa. Comediantes e clérigos
disputam atenção dos leitores. O navegador 1526- Baber, um governante
português, Pedro Álvares Cabral, descobre muçulmano, conquistou a Índia e estabeleceu
oficialmente o Brasil (22 de abril). o Império Mongol.

1501: Ismail I funda o império persa. 1530 – É instituído o regime de


Américo Vespúcio faz uma expedição capitanias hereditárias por Dom João III. A
exploratória na costa brasileira. expedição colonizadora de Martim Afonso
chega ao Brasil.
1502:. - Ismail I, xá da Pérsia, derrota
os mongóis. • Montezuma II, soberano dos 1532- Francisco Pizarro invadiu o
astecas. Leonardo Da Vinci inicia a Gioconda. Peru, iniciando a conquista espanhola do
império inca.. Fundada a Vila de São Vicente,
1504 – Chegam ao Brasil
primeira vila do Brasil por Martim Afonso.
navegadores franceses para exploração do
território. 1534 - O Brasil é dividido em
capitanias hereditárias. Início da escravização
1506 - Em Lisboa, motim anti-semita
do índio no Brasil. O parlamento inglês
com a morte de três mil pessoas.
confirma a independência da Igreja
1508: O humanista Erasmo de Anglicana.
Roterdã escreve o livro Elogio da Loucura.
1536 - O reformador religioso João
1512 - Concílio Lateranense. Calvino publica a obra Instituição da Religião
Cristã.
1513: Vasco Nunes de Balboa
atravessa o istmo do Panamá e descobre o 1540 - O papa aprova a criação da
Mar del Sur, atual Oceano Pacífico. O Ordem dos Jesuítas.
florentino Maquiavel escreve O Príncipe.
1541 - João Calvino consolida seu
1516: O inglês Thomas Morus poder em Genebra.
escreve Utopia.
1542 - O papa autoriza a
reorganização dos tribunais da Inquisição.

Jáder José Oliveira Vieira


1543 - A primeira Santa Casa do 1580 - Portugal e seus domínios são
Brasil é fundada por Braz Cubas. anexados à Espanha. A chamada União
Ibérica estende-se até 1640.
1545 - Início do Concílio de Trento. A
Igreja Católica reage ao avanço do 1581 - D.Filipe I, "O Prudente" funda
protestantismo / Os conquistadores a Dinastia Filipina.
espanhóis descobrem minas de prata em
1582 - O calendário gregoriano é
Potosí (Bolívia).
promulgado pelo Papa Gregório XIII para
1548 – Criado o governo-geral com substituir o calendário juliano (24 de
o objetivo de centralizar a administração da fevereiro).
Colônia.
1584 - Os portugueses dão inicio a
1549 – A cidade de Salvador é conquista da Paraíba. Fundação de Virgínia,
fundada. é constituído o primeiro governo na América do Norte, pelos colonos ingleses.
geral do Brasil com Tomé de Souza.
1585 - O forte em torno do qual
1550 - Inicia a criação de gado no cresceu a atual cidade de João Pessoa é
Brasil, com chegada de espécies. Em Salvador construído por Martim Leitão.
chega a primeira leva de escravos vindos da
1586 – Espanhóis e portugueses
África.
tentam, sem sucesso, expulsar os franceses
1555 - Os franceses fundam a França da Paraíba.
Antártica, no Rio de Janeiro.
1587 - Barcos estrangeiros são
1562 - João Ramalho torna-se proibidos de ancorar no Brasil. O capitão
capitão-mor de São Paulo de Piratininga. inglês Thomas Cavendish pratica atos de
pirataria em São Vicente.
1563 – A cidade de São Sebastião
(Rio de Janeiro) é fundada por Estácio de Sá. 1588- A esquadra inglesa vence a
Invencível Armada espanhola e consolidou a
1567 - Os franceses são expulsos do
posição da Inglaterra como grande potência
Rio de Janeiro.
naval.
1570 – A liberdade dos índios é
1595 - Lei de Filipe II proíbe a
garantida pela Carta régia.
escravização dos índios. Ataque do corsário
1571 – Decreto de Dom Sebastião inglês James Lancaster no Recife.
determina que somente navios portugueses
1596 - Ingleses fundam feitorias no
transportem mercadorias para o Brasil.
delta do Rio Amazonas. William Shakespeare
1572 - O escritor português Luís Vaz escreve o grande clássico da literatura
de Camões escreve Os Lusíadas. romântica, Romeu e Julieta.

1578 - Francis Drake e outros 1599 - Jerônimo de Albuquerque


corsários ingleses exploram pau-brasil no pacifica os portugueses na Paraíba e funda
Maranhão. Natal.

Jáder José Oliveira Vieira


1605 - Governo espanhol proíbe que 1638 - Inicia a expedição de João
estrangeiros desembarquem no Brasil e nas Dias em direção ao sul do país.
demais partes do além-mar português. O
1640 - Procuradores da Capitania de
espanhol Miguel de Cervantes escreve D.
São Vicente expulsam os jesuítas. Chega ao
Quixote.
fim da União Ibérica com D. João IV "O
1612 - Os franceses invadem o Restaurador" estabelecendo a dinastia de
Maranhão e fundam a França Equinocial. Bragança na casa real,

1615 - Jerônimo de Albuquerque, 1642 - Inicia a Guerra Civil Inglesa


Alexandre Moura e Francisco Caldeira (22 de agosto).
apoderam-se do forte de São Luiz do
1643 - O cientista italiano Torricelli
Maranhão, derrotando a França Equinocial.
inventa o Barómetro de mercúrio.
1616 – A cidade de Santa Maria do
1644 – Ao desentender-se com a
Belém, no Paraná, é fundada por Francisco
Companhia das Índias Ocidentais, Maurício
Caldeira.
de Nassau deixa o cargo de governador.
1619 - Índios Tupinambás se
1645 - Insurreição dos luso-
revoltam, porém são derrotados no Pará.
brasileiros de Pernambuco contra os
1621 - O Estado do Maranhão holandeses.
(Maranhão, Ceará e Pará), é criado pela
1648 - Na primeira Batalha dos
Coroa Espanhola. Fundação da Companhia
Guararapes os holandeses são derrotados
Holandesa das Índias Ocidentais (3 de junho).
por Francisco Barreto.
1624 – Os holandeses invadem a
1651 - O inglês Oliver Cromwell
Bahia; os portugueses estabelecem a
promulga o Ato de Navegação, com o
resistência.
objetivo de desenvolver a marinha mercante
1625 – Os holandeses são expulsos inglesa.
da Bahia com o apoio da esquadra
1654 - Expulsão definitiva dos
espanhola.
holandeses do Brasil.
1630 - Os holandeses atacam
1661 – Através de tratado de paz os
Pernambuco e se estabelecem.
holandeses reconhecem a perda da colônia
1633 - Processado pela Inquisição, do Brasil. Aliança com Portugal autoriza o
Galileu Galilei é obrigado a negar suas teses comércio dos ingleses no Brasil e nas Índias.
sobre o movimento da Terra. Na França, tem início o reinado de Luís XIV, o
Rei Sol, que se estende até 1715.
1637 – Mauricio de Nassau,
governador holandês de Pernambuco, 1669 - Francisco de Mota Falcão
expulsa as tropas luso-brasileiras em direção ergue o Forte de São José do Rio Negro.
à Bahia.

Jáder José Oliveira Vieira


1671 – Através de decreto é liberada 1715 – Pelo Tratado de Utrecht; a
a entrada de navios estrangeiros em portos Espanha concorda em devolver a Colônia do
brasileiros. Sacramento a Portugal.

1674 - Bandeira de Fernão Dias Pais 1720 – São criadas as Casas de


Leme parte em direção ao sertão de Minas Fundição. Nesse ano, inicia a Revolta de Vila
Gerais. Rica, em protesto contra a criação das Casas
de Fundição.
1684 - Explode, no Maranhão, a
Revolta de Beckman. 1722 - Expedição de Bartolomeu
Bueno da Silva, o Anhanguera, que
1685 - Construídos quatro fortes na
descobriria ouro no sertão goiano.
região amazônica, ameaçada pelos franceses
de Caiena. A Coroa Portuguesa proíbe a 1727 - Cuiabá é fundada pelo
produção de manufaturas no Brasil. governador Rodrigo César.

1687 - O físico Newton formula a Lei 1728 - Descobertas as primeiras


da gravidade. jazidas de diamantes em Serro Frio (atual
Diamantina).
1688- A Revolução Gloriosa depôs
Jaime II da Inglaterra. Guilherme de Orange 1729 - Inicia a produção de
assina a Declaração de Direitos. diamantes no arraial do Tijuco, atual cidade
de Diamantina, em Minas Gerais.
1694 - É montada na Bahia a
primeira Casa da Moeda. Primeiras notícias 1737 – Início da ocupação
de descoberta de ouro em Minas Gerais. portuguesa do Rio Grande do Sul, voltada
para a criação de gado.
1702 - É criada a Intendência das
Minas, tendo como função principal distribuir 1747 – Por alvará régio são
terras para a exploração do ouro e cobrança confiscados os tipos de imprensa existentes
de tributos para a Fazenda Real. no Brasil.

1708 – Inicia a Guerra dos 1748 - O jurista Montesquieu escreve


Emboabas. O Espírito das Leis defendendo a separação
funcional dos poderes do Estado em
1710 - Deflagrada a Guerra dos
legislativo, executivo e judiciário.
Mascates, conflito entre os senhores de
engenho de Olinda e os comerciantes de 1750 - Pelo Tratado de Madri, é
Recife. reconhecido o domínio de Portugal sobre os
territórios a oeste do meridiano de
1711 – Através de Carta Régia São
Tordesilhas.
Paulo é elevada à categoria de cidade.
1752 - Colonos açorianos chegam ao
1713- Através do Tratado de Utrecht;
Rio Grande do Sul; algumas famílias se
a França aceita o rio Oiapoque como limite
estabelecem em Porto dos Casais (Porto
entre a Guiana e o Brasil.
Alegre).

Jáder José Oliveira Vieira


1759 - Os jesuítas são expulsos do 1780 - O cientista Lavoisier formula a
Brasil. teoria da Combustão química.

1761 – Através do Acordo do Pardo 1787 - Proclamação da Constituição


Espanha e Portugal anulam o Tratado de dos Estados Unidos da América (17 de
Madri. setembro).

1762 - O filósofo suíço Rousseau 1789- A Revolução Francesa


escreve O Contrato Social. começou tomando a Bastilha. Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão é aprovada
1763 – Transferida de Salvador para
pela Assemmbléia Nacional Constituinte da
o Rio de Janeiro a capital do Estado do Brasil.
França (26 de agosto). George Washington é
Tratado de Paris pôs fim à Guerra dos Sete
eleito primeiro presidente dos Estados Unidos
Anos na Europa e à guerra entre franceses e
da América. Inconfidência Mineira, primeiro
índios na América do Norte.
dos movimentos emancipacionistas que
1765 - Decretada a derrama, pela caracterizam a crise do Sistema Colonial.
qual se obrigava a população mineradora a
1790: Revolução Francesa: (maio)
completar a soma acumulada do imposto
extinção dos direitos feudais; (julho)
devido.
promulgada a Constituição Civil do Clero / A
1769 - James Watt aperfeiçoa a Bélgica declara-se independente. / Leopoldo
máquina a vapor, iniciando a Revolução II da Áustria sobe ao trono do Sacro Império
Industrial na Inglaterra. Romano-Germânico e reprime a revolução
dos Países Baixos austríacos. / Vancouver
1776 - As 13 colônias inglesas da
explora a costa noroeste da América. /
América do Norte assinaram a Declaração de
Inglaterra: primeiro moinho movido a vapor.
Independência. Inicia o plantio de arroz no
/ Os navios começam a ser construídos com
Maranhão
cascos de ferro. / Música: "A Flauta Mágica",
1771 - Começa a funcionar a de Mozart. / Filosofia: "Crítica do Juízo", de
Intendência dos Diamantes. Kant.

1775 – Reunificação dos Estados do 1791: Início da Revolução Haitiana /


Brasil e do Grão-Pará e Maranhão. Revolução Francesa: (abril) Morre o Conde de
Mirabeau (Honoré Gabriel Riqueti); (agosto)
1777 – Tratado de Santo Ildefonso
destituição e prisão do rei Luis XVI. / Morre
entre Portugal e Espanha. A Colônia do
Mozart (Wolfgang Amadeus Mozart),
Sacramento passa definitivamente para o
compositor erudito clássico, em Viena-
domínio espanhol. Morte de D. José I e
Áustria.
ascensão de D. Maria I ao trono português.
Pombal é afastado do governo e os rumos da 1792 – Execução de
política e administração lusas sofrem uma Tiradentes(Joaquim José da Silva Xavier).
mudança radical (fase conhecida como
1796 - Primeira vitória de Napoleão
“Viradeira”).
Bonaparte como comandante do exército
francês.

Jáder José Oliveira Vieira


1798 – Conjuração dos Alfaiates ou 1804-Eleito Primeiro grão-mestre da
Inconfidência Baiana: movimento maçonaria portuguesa
emancipacionista com participação
1804-Reconhecimento da
predominante de elementos populares.
neutralidade por parte de Napoleão
Possuía projetos de caráter social, como a
abolição da escravatura. 1804-Beethoven escreve a Sinfonia -
Heróica
1799: Termina a Revolução Francesa
(9 de novembro). 1804-Coroação imperial de Napoleão

1800-Batalha de Hohenlinden 1805-Beethoven - Fidélio

1800-A população de Londres 1805-Batalha de Trafalgar - Nelson


ultrapassa 1 milhão de habitantes desbarata a frota francesa

1800-Volta inventa a pilha eléctrica 1805-Terceira coligação contra a


França
1800-Napoleão derrota os Austríacos
na batalha de Merengo 1805-Nasce António de Oliveira
Marreca
1801-Shilller - A Donzela de Orleães
1805-Napoleão esmaga os Austro-
1801-Tomada de Olivença pelos
Russos em Austerlitz
espanhóis
1805-Alvará ordena a criação de
1801-Jefferson presidente dos EUA
cemitérios públicos
1802-Napoleão Consul Vitalício por
1806-Quarta coligação contra a
plebiscito
França
1802-Inicia-se a construção do
1807-Governo de Junot
palácio da Ajuda
1807-Fuga da Corte para o Rio de
1802-Instalação da fábrica de papel
Janeiro
de Vizela
1807-Abolição da escravatura no
1802-Anexação do Piemonte pela
império britânico
França
1807-Robert Fulton inventa o navio a
1802-Paz de Amiens
vapor
1803-É fundado o colégio da Luz,
1807-População portuguesa - 3 199
antecessor do Colégio Militar.
000 Habitantes
1803-Os USA compram a Luisiana à
1807-Hegel - Fenomologia do
França
Espírito
1804-Morte de Kant
1807-Tratado de Fontainebleau -
1804-Richard Trevithick inventa a Primeira invasão francesa de Portugal
locomotiva a vapor

Jáder José Oliveira Vieira


1807-Hegel - Fenomenologia do 1810-Terceira invasão franceas de
Espírito Portugal - Batalha do Buçaco

1808-Batalhas de Roliça e Vimeiro 1810-Girard inventa a máquina de


fiar linho
1808-Napoleão derrota os Austíacos
em Wagram 1810-Independência de Buenos Aires

1808-As tropas de Napoleão fuzilam 1810-Decreto de Fontainebleau


patriotas em Madrid
1810-Linhas de Torres Vedras
1808-Carta Régia que abre os portos
1810-Napoleão casa com Maria
brasileiros ao comércio
Luisa
1808-Insurreições no Porto contra os
1810-Nasce Alexandre Herculano
Franceses
1810-Terceira Invasão Francesa
1808-Convenção de Sintra
comandada pos Massena
1808-Fundação do Banco do Brasil
1811-Independênca do Paraguai
1808-Goete - Fauto
1811-Retirada das tropas francesas
1808-Beethoven Quinta Sinfonia,
1812-Promulgação da Constituição
Sexta Sinfonia ( Pastoral)
de Cádiz
1808-Desembarque das tropas
1812-Campanhas napoleónicas-
inglesas em Portugal
Invasão e retirada da Rússia
1809-Papa Pio VII prisioneiro
1812-Lisboa 13 Lojas maçónicas
1809-Batalha de Wagram
1813-Batalha das Nações -Derrota
1809-Napoleão conquista Viena de Napoleão em Leipzig

1809-Retirada de Soult 1813-Sexta coligação contra a


França
1809-Desastre da Ponte da Barcas no
rio Douro 1814-Abertura do Congresso de
Viena
1809-Ocupação do Porto pelas
tropas fancesas 1814-Napoleão abdica

1809-Segunda Invasão Francesa 1815-Fundada a Biblioteca pública


comandada por Soult de Évora

1809-Quinta coligação contra a 1815-Batalha de Waterloo - Exilio de


França Napoleão

1809-Berthollet - Tratado de Química 1815-Luís XVIII rei de França

1810-Batalha do Buçaco

Jáder José Oliveira Vieira


1815-Áustria, Rússia e Prússia 1820-População Portuguesa 3 013
formam a Santa Aliança 000 habitantes

1815-Inglaterra , primeiras estradas 1820-Independência do Uruguai


de McAdam
1821-Fundação do Banco de Lisboa
1815-Independência da Argentina
1821-Motins no Pará, Baía e Rio de
1815-Brasil elevado a Reino Janeiro

1816-Rossini - O Barbeiro de Sevilha 1821-Extinto o tribunal do Santo


Ofício
1816-Independência da Argentina
1821-Independência do Peru
1816-Inicio do reinado de D. Joõa VI,
que permanece no Brasil 1821-Independência do México

1816-Beresford controla o governo 1821-Morte de Napoleão Bonaparte


de Portugal
1821-Michael Faraday inventa o
1817-Primeira tentativa de motor eléctrico
introdução de uma máquina a vapor em
1821-Hegel - Princípios da Filosofia
Portugal
do Direito
1817-Conspiração contra Beresford -
1821-Revolta grega contra o império
executados 12 indivíduos
turco
1818-Forma-se no Porto o Sinédrio
1821-Abolição parcial dos direitos
1818-Independência do Chile banais

1818-Espanha assina tratado de 1821-D João VI regressa do Brasil


Viena (1815) - devolver Olivença
1821-Máquina a vapor utilizada no
1819-Bolivar derrota os espanhóis Tejo
em Boyacá
1821-Abolida a censura prévia
1819-EUA compram a Flórida à
1821-Cortes põem fim à Junta
Espanha
Provisional
1819-Independência da Colômbia
1822-O Brasil proclama a
1820-Revolução Liberal portuguesa independência

1820-Revolta Militar no Porto 1822-Morre Manuel Fernandes


Tomás
1820-Levantamento militar em
Lisboa - Governo interino 1822-Champollion decifra a escrita
hieroglífica
1820-Convocação de Cortes
1822-Aprovação da Constituição
1820-Primeiras eleições

Jáder José Oliveira Vieira


1822-Entra em vigor a primeira lei 1825-Nasce Camilo Castelo Branco
eleitoral portuguesa
1826-Conspiração da polícia de
1822-D João VI jura a Constituição, a Lisboa
rainha não o faz
1826-D. Maria II casa por procuração
1822-Surgem os jornais para com o seu tio ( D. Miguel)
senhoras - O Periódico das Damas
1826-Juramento da Carta
1822-Independência da Grécia Constitucional

1822-Constituição Liberal portuguesa 1826-Movimento absolutista no


Norte do país
1822-Independência do Brasil
1826-Regência da Infanta D.Isabel
1823-Beethoven - Nona Sinfonia
Maria em nome de D Pedro IV
1823-Sublevação em Trás-os-
1826-Morre D.João VI
Montes contra o liberalismo
1826-Inicio da guerra civil a partir de
1823-Vilafrancada proclama o
Trás-os-Montes
absolutismo
1826-D Pedro IV abdica da coroa de
1823-Tratado de paz entre Portugal
Portugal
e o Brasil
1827-Archotada - Motins populares
1823-Carreiras de vapor regulares
em Lisboa
entre Lisboa e o Porto
1827-Morte de Beethoven
1824-Inglaterra - direito à greve
1827-Crise Financeira
1824-Fundação da fábrica Vista
Alegre 1827-Exércitos absolutistas
derrotados fogem para Espanha
1824-Abrilada. O rei D. João VI
refugia-se num navio inglês 1827-Convenção entre Portugal e a
Inglaterra
1824-O duque de Loulé é assassinado
1828-Morte de Goya
1824-D. Miguel é desterrado para
Viena de Áustria 1828-Revolta liberal no Algarve

1825-Independência da Bolívia 1828-D. Miguel jura fidelidade à


Carta
1825-Nasce Latino Coelho
1828-Golpe de estado absolutista
1825-Reconhecida a independência
do Brasil 1828-As tropas inglesas abandonam
o país
1825-Almeida Garrett publica em
Paris - Camões 1828-D Miguel convoca os 3 estados

Jáder José Oliveira Vieira


1828-D Miguel rei absoluto 1832-O exército liberal entra no
Porto
1828-Revolta liberal no Porto
fracassada 1832-Cerco do Porto

1828-Saída de liberais do país devido 1832-Batalha de Souto Redondo


a perseguições miguelistas
1832-Legislação de Mouzinho da
1828-Regresso de D. Miguel a Silveira
Portugal
1832-Expedição liberal desembarca
1828-Belfastada em Pampelido - Mindelo

1829-Batalha entre miguelistas e 1832-D Pedro assume a regência de


liberais em Vila da Praia - Açores Portugal

1830-Luís Filipe rei de França 1833-Tropas do Duque da Terceira


ocupam Lisboa
1830-Regência liberal na ilha
Terceira - presidida por Palmela 1833-Código Comercial de José da
Silva Carvalho
1831-O exército russo esmaga a
Polónia 1833-Fim do cerco miguelista à
cidade do Porto
1831-Nova vaga repressiva
antiliberal 1833-Balzac publica Eugenet
Grandet
1831-Revolta dos tecelões de seda
lioneses em França 1833-D. Pedro desembarca em
Lisboa
1831-D. Pedro abdica do trono
brasileiro e parte para a Europa 1834-D. Miguel abandona o país

1831-O regime de Cavalaria 4 1834-Instituição da liberdade de


revolta-se contra o miguelismo imprensa

1831-Alexandre Herculano foge do 1834-Cortadas relações com a Santa


país Sé

1832-Mouzinho da Silveira ministro 1834-Alemanha entra no Zolverin


da Fazenda e da Justiça
1834-África do Sul - os Boers
1832-D. Miguel reconhece os jesuítas empreendem o Grande Trek

1832-A frota de D.Pedro parte de 1834-D Pedro é excomungado pelo


Belle Isle para os Açores Papa Gregório XVI

1832-D Pedro chega à Terceira nos 1834-Batalha de Almoster


Açores
1834-Convenção de Évora Monte
1832-Extinção do dízimos religiosos
1834-Batalha de Asseiceira

Jáder José Oliveira Vieira


1834-Nacionalizados bens dos 1836-Dissolução do Parlamento
conventos
1836-Casamento de D. Maria II
1834-Abolidos privilégios da
1836 - Abolição parcial da
Companhia do Douro
escravatura
1834-Inicio do reinado de D Maria II
1836-Novo Código Administrativo de
1835-Principio da obrigatoriedade José da Silva Passos
escolar
1836-Belenzada - golpe de estado
1835-Destruição de máquinas palaciano contra o Setembrismo
industriais por trabalhadores
1837-Revolta dos Marechais -
1835-Introdução da máquina a vapor movimento militar cartista
na indústria
1837-Publicação dos decretos contra
1835-Coração de D.Pedro IV a mendicidade
entregue à Câmara do Porto
1837-Crise bancária
1835-Novo código Administrativo
1837-Conspiração das Marnotas
1835-Cai o governo Palmela.
1837-Inicio dos Trabalhos das Cortes
Saldanha ocupa o poder
Gerais Constituintes
1835-Publicado um decreto contra a
1837-Victória - Rainha da Inglaterra
mendicidade
1837-Primeira anestesia com
1835-As obras de Galileu são
clorofórmio
retiradas do Index
1839-Descoberta da fotografia
1835-População Portuguesa 3 061
684 Habitantes 1839-Dickens publica Oliver Twist

1836-Alexandre Herculano - A Voz do 1839-Macmillan - inventa a bicicleta


Profeta a pedais

1836-Novo decreto contra a 1840-Morte de Paganini


mendicidade
1840-Proudhon - Que é a
1836-Depressão Propriedade ?

1836-Restabelecida a Constituição de 1841-Wagner - O Navio Fantasma


1822
1857-Flaubert publica Madame
1836-Revolução Setembrista. Passos Bovary
Manuel forma governo
1858-Aparições de Lourdes
1836-Criados os Liceus
1859-Guerra Franco-Austrica,
1836-Reforma da legislação eleitoral Batalhas de Magenta e Solferino

Jáder José Oliveira Vieira


1859-Primeira perfuração de 1866-Fundação do Klu-Klux-Klan nos
petróleo na Pensilvânia EUA

1859-Darwin - Sobre a Origem das 1866-Nobel inventa a dinamite


Espécies
1866-Dostoievky publica Crime e
1860-Lincoln - presidente dos EUA Castigo

1860-Garibalidi realiza a expedição à 1867-Os EUA compram o Alasca à


Sicília e Calábria Rússia

1860-Lenoir inventa o motor a Gás 1867-Batalha de Mentana - O


exército Francês derrota Garibaldi
1860-Morte de Shopenhour
1867-África do sul descobre jazigos
1861-Eclosão de Guerra da Sucessão
de diamantes
nos EUA
1867-Código Civil
1861-Morte de Cavour
1867-Karl Marx publica O Capital
1862-Júlio Verne publica Cinco
Semanas em Balão 1867-Morte de Baudelaire

1862-Victor Hugo publica Os 1868-Criação da Federação das


Miseráveis Trade-Unions

1863-Abolição da Escravatura nos 1869-Inauguração do canal do Suez


EUA
1870-A Prússia derrota a França na
1863-Criação da Associação Geral Batalha de Sedan
dos Trabalhadores Alemães
1870-A França possui 28 000
1863-Morte de Delacroix máquinas a vapor

1863-Rénam - A vida de Jesus 1870-A Ópera Aida de Verdi é


apresentada no Cairo
1864-Primeira Internacional em
Londres 1871-Tratado de Frankfort - frança
perde Alsácia e Lorena para a Alemanha
1864-Fundação da Cruz Vermelha
Internacional 1871-Conferências do Casino
Lisbonense
1864-Fustel de Colanges publca A
Cidade Antiga 1871-Comuna de Paris

1865-Morte de Proudhon 1871-Extinção do feudalismo no


Japão
1865-Tolstoi- inicia publicação de
Guerra e Paz 1872-Bakunine é expulso da Primeira
Internacional
1866-A Prússia derrota a Áustria na
batalha de Sadowa

Jáder José Oliveira Vieira


1873-Espanha - intauração da 1885-Karl Benz inventa primeiro
República veículo de motor a gasolina

1874-Disraeli primeiro ministro da 1886-Greve geral de Chicago no


Inglaterra1875-Constituição 3 ª República Primeiro de Maio
Francesa
1886-Hertz descobre as ondas
1875-Afonso XII rei de Espanha electro-magnéticas

1875-Marx publica Critica do 1886-Daimler fabrica o motor de


Programa de Gotha explosão

1876-Renoir - Le Moulin de la Galete 1886-Pemberton produz a Coca-Cola

1876-Bell descobre o telefone 1887-Construção do primeiro


arranha-céus em Chicago
1882-Rockefeller funda a Standat Oil
Company 1888-Abolição da escravatura no
Brasil
1882-Wagner escreve Persifal
1888-Guilherme II Imperador da
1882-Morte de Garibaldi
Alemanha
1882-Morte de Darwin
1889-Exposição Universal de Paris,
1883-Transporte da electricidade a Proclamação da República. Banimento da
longa distância Família Imperial e formação de um Governo
Provisório chefiado por Deodoro. Primeiras
1883-Nietzche publica Assim falou
medidas do novo governo: modificação da
Zaratustra
Bandeira Nacional, liberdade de cultos,
1883-Morte de Marx separação entre Igreja e Estado, criação do
Registro Civil e secularização dos cemitérios.
1883-Morte de Wagner
1890 – Encilhamento: crise financeira
1883-Morte de Manet
provocada pelo ministro da Fazenda, Rui
1884-Waterman inventa a caneta de Barbosa.
tinta permanente
1891 - Promulgada a primeira
1884-Abertura da Conferência de Constituição da República. Deodoro é eleito
Berlim presidente da República pelo Congresso
nacional e Floriano Peixoto vice. Golpe de
1884-África do Sul - descoberta das
Estado. Renúncia de Deodoro, após uma série
minas de ouro do Transval
de atritos com o Congresso e uma tentativa
1885-Morte de Victor Hugo frustrada de golpe de Estado. Floriano (o
“Marechal de Ferro”) assume a chefia do
1885-Zola publica Germinal
Estado.
1885-Encerramento da Conferência
de Berlim

Jáder José Oliveira Vieira


1893 - Tem início a Revolução 1908 - Criação da Confederação
Federalista, no Rio Grande do Sul, Operária Brasileira.
estendendo-se a Santa Catarina e Paraná.
1909 - Morte de Afonso Pena. O vice
Revolta da Armada no Rio de Janeiro, com
Nilo Peçanha assume a Presidência. –
participação de monarquistas. Ao se
Candidatura presidencial do marechal
retirarem da Baía da Guanabara, os rebeldes
Hermes da Fonseca e quebra da “Política do
da Armada unem-se aos federalistas no Sul.
Café-com-Leite”.
1894 –Fim da República da Espada
1910 - Hermes da Fonseca é eleito
(1889/94) e início da República das
presidente e Venceslau Brás vice. Revolta da
Oligarquias (1894/1930). Eleição do civil
Chibata.Criação do Serviço de Proteção ao
Prudente de Morais para a Presidência da
Índio (atual FUNAI), chefiado pelo então
República.
major Cândido Rondon.
1896 - O engenheiro João Felipe
1912 – Campanha do Contestado:
Pereira faz um estudo sobre o abastecimento
destruição, pelo Exército, dos núcleos
de água em Fortaleza.Dr. Nogueira Accioly
messiânicos instalados na região da divisa
chega a presidência do Estado do Ceará.
entre Paraná e Santa Catarina.
1897 - Prudente de Moraes sofre um
1914 - Conflito no Ceará contra o
atentado. O arraial de Canudos é destruído
governo de Franco Rabelo. Jagunços
por tropas federais.
comandados pelo Padre Cícero e Floro
1898 – É eleito presidente da Bartolomeu ocupam Vale do Cariri.
República Campos Sales, idealizador da Inaugurado o Palacete Ceará, ponto de
“Política do Café-com-Leite” e da “Política encontro da sociedade cearense. Abrigou
dos Governadores”. entre das décadas de 1920 a 1940, o Clube
Iracema. A arquitetura eclética predomina e
A construção da Ponte Metálica
o estilo neobarroco. Atualmente, pertence à
aconteceu entre 1902 e 1906
Caixa Econômica Federal e está localizada na
Inicia por força de interesse praça do Ferreira, no Centro.
Acciolyna a primeira rede de esgoto e água
Fundado o teatro São José
tratada no centro de fortaleza - 1908
pela Igreja Católica. Surgiu como uma forma
1903 - Incorporação do Acre ao de aproximação das classes operárias.
território brasileiro; 01/03 - Instalação da
1915 - Anarquistas organizam o
Faculdade Livre de Direito do Ceará
Congresso Nacional da Paz em Protesto
1907 - Congresso aprova a Lei de contra a I Guerra Mundial.- Grande seca que
Repressão ao Anarquismo, autorizando a inspirou o romance "O quinze" de Rachel de
deportação de estrangeiros ligados ao Queiroz
movimento operário. 1º cinema de Fortaleza,
1916 - Fundada a Liga de Defesa
empresa de Oliveira & Coelho
Nacional. Fim da Guerra do Contestado.

Jáder José Oliveira Vieira


1917 - Greve Geral paralisa a cidade 1927 - Instituído o voto feminino no
de São Paulo, Navios alemães torpedeiam Rio Grande do Norte.
navios brasileiros. Em represália, o Brasil
1930. Nesta década, tem início o
entra na guerra.
funcionamento da pista de vôo do Alto da
1918 - Eleições presidenciais. Balança, que originaria mais tarde ao
Rodrigues Alves é eleito presidente e Delfim aeroporto de Fortaleza. Construída durante a
Moura, vice. Gripe espanhola se alastra por II Guerra Mundial, serviu de base de apoio às
São Paulo e outras regiões do país.Fundação forças aliadas.
da Escola de Agronomia do Ceará
1931. Inaugurado o Mercado
1920. A partir desta década, bairros Central para a venda de hortifrutigranjeiros.
como Jacarecanga, Praia de Iracema e Hoje, no local, funciona o Centro de
Aldeota passam a ser habitados pelas elites Referência do Professor. Cria-se o Ministério
que começam a valorizar a proximidade com do Trabalho, Indústria e Comércio. Tem início
o mar. a promulgação de leis sociais.

1920 - Conflito na Bahia. É 1932. Fundado o colégio Santa


decretada intervenção federal. Cecília. Na época, era a escola primária Santa
Cecília, também chamada de Casarão
1921. Luís Severiano Ribeiro abre as
Amarelo.Instala-se a Liga Eleitoral Católica-
porta do Cine Moderno.
LEC e O Código de Posturas do Município de
A famosa Ponte dos Ingleses foi Fortaleza, Novo Código Eleitoral estabelece o
construída em 1921. voto secreto e o direito das mulheres votarem
e serem votadas.- Tem início a Revolução
1922 - Revolta do Forte de
Constitucionalista de São Paulo.
Copacabana (Os 18 do Forte), sendo a
primeira revolta do movimento tenentista. - Novo Código Eleitoral, institui o voto
Realiza-se, em São Paulo, a Semana de Arte secreto e estende o direito ao voto para as
Moderna. – Fundação do Partido Comunista mulheres;
do Brasil (PCB), impropriamente conhecido
1935 - Intentona Comunista;
como “Partido Comunista Brasileiro”
(denominação oficializada somente no final 1936 - 11/09 - Sítio Caldeirão
dos anos 50). (Região do Crato) destruído a mando do
Governo do Estado do Ceará
1923 - Crise no Estado do Rio de
Janeiro. Intervenção federal. 1942 - Brasil entra na Segunda
Guerra Mundial, contra Alemanha e Itália;
1924 - Eclode em São Paulo outra
revolta tenentista contra o governo federal. 1945 - IOCS transformado em
Tem início a Coluna Prestes. Departamento Nacional de Obras Contra a
Seca - DNOCS
1926 - Criação do Partido
Democrático, em São Paulo.

Jáder José Oliveira Vieira


1946 - Posse do general Eurico Dezembro - O Congresso é fechado e
Gaspar Dutra, eleito em 1945, após a é decretado o AI-5;
renúncia de Vargas;
1969 - Assume a presidência o
1950 - Getúlio Vargas é eleito General Emílio Garrastazu Médici;
presidente;
1974 - Assume a presidência o
1954 - Suicídio de Vargas. Assume a General Ernesto Geisel;
Presidência da República o seu vice, Café
1975 - Inauguração da Universidade
Filho; 16/12 - Criação da Universidade do
Estadual do Ceará,Cabo Verde declara a
Ceará
independência,Indonésia invade Timor-
1955 - 25/06 - Instalação da Leste,Moçambique declara independência,S.
Universidade do Ceará, futura Universidade Tomé e Principe declaração de
Federal do Ceará. Juscelino Kubitschek é independência,Independência de
eleito presidente; Angola,Morte de Franco

1956 - Autorização para a Restauração da monarquia em


construção de Brasília Espanha:João Carlos proclamado rei

1959 - Criação da SUDENE 1978 - Geisel envia emenda ao


Congresso que acaba com o AI-5;
1960 - Inauguração de Brasília, a
nova capital do Brasil; 1979 - Assume a presidência o
General João Baptista de Oliveira
1961 - Janeiro - Jânio Quadros
Figueiredo;Fim da Guerra do Vietnam,Morte
assume a presidência da República;
de Mao Tsé Tung,China,Morte de Agata
Agosto - Jânio Quadros renuncia; Christie,Morte de Charles Chaplin,-Kadhafi -
assume o vice, João Goulart; Livro Verde,Argentina - Queda de Isabel
Perón,Jimmy Carter - Presidente dos EUA
1964
1978-Suicidio colectivo da Seita do
31 de Março - Golpe Militar, ou
Templo do Povo
Revolução de 1964 - destituição de João
Goulart; 1978-Convulsões politicas no Irão

Assume a presidência o general 1978-Desvalorização do dólar


Humberto de Alencar Castello Branco;
1978-João Paulo II Papa
1965 - Abolido o pluripartidarismo e
1978-Segundo Governo
instituído o bipartidarismo - Arena e MDB;
Constitucional - PS coligado com CDS
1967
1979-AD e Sá Carneiro obtêm
Aprovada pelo Congresso a sexta maioria absoluta
Constituição Brasileira;
1979-Revolução Islâmica no Irão
Assume a presidência o General
Artur da Costa e Silva;

Jáder José Oliveira Vieira


1979 Nascimento do Primeiro Bebé- 1985 - Morre Orson Welles
proveta na Inglaterra
1985-12 de Junho assinado tratado
1979 Morte de Agostinho Neto de adesão de Portugal à CEE

1979 João Figueiredo - Presidente do 1985-M. Gorbatchev eleito secretário


Brasil geral do PCUS

1979 O "yatollah" Khomeiny regressa 1986-Morre Jorge Luis Borge


ao Irão
1986-Desastre de Chernobyl
1979 Primeiras eleições para o
1988 - Promulgada a Constituição de
Parlamento Europeu: Socialistas o maior
1988;
grupo com 112 lugares
1990-Nelson Mandela é libertado na
1979 URSS invade o Afeganistão
África do Sul
1979 O Vietnam ocupa o Cambodja
1990-Unificação das Alemanhas
1980 - Independência do
1990-Entrada em órbita do
Zimbabwe,Polónia - Criação do
telescópio espacial Hubble
Solidariedade,Morte de Alfred
Hitchcock,Morte do Marechal Tito 1991-Eleições presidenciais: Mário
Soares reeleito co 70,4% dos votos
1981-Entrada de Portugal na CEE -
Europa dos doze 1991-Guerra do Golfo - Início da
operação " Tempestade no Deserto"
1981-Ronald Reagan - Presidente dos
Estados Unidos 1991-Guerrra do Golfo - Iraque
aceita as resoluções da ONU
1982-Guerra Irão-Iraque
1991-Acordos de Bicese
1982-Guerra da Malvinas/ Falklands
1991-Boris Ieltsin eleito presidente
1982-Revisão Constitucional
da Rússia
1983-Tropas dos EUA invadem
1992-Morre em Paris a pintora
Granada
Maria Helena Vieira da Silva
1983-Euromísseis
1992-Checoslováquia acordo para a
1984 - 25 de abril - Emenda Dante divisão da federação
de Oliveira é rejeitada no congresso por não
1995-Morte de François Mitterrand
atingir número mínimo de votos a
favor;Guerra Irão-Iraque 1995-Ataque com gás sarin no metro
de Tóquio
1984-Reagan conquista o 2º
mandato presidencial 1997-Morte de Madre Teresa de
Calcuta
1984-Acordos N'Komati - Entre a
África do Sul e Moçambique

Jáder José Oliveira Vieira


1999-A Guerra do Fim do Século - 1999-Resolução da ONU de 10 de
Guerra do Kosovo Junho sobre a Guerra do Kosovo

Jáder José Oliveira Vieira


O despertar da América

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