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YA TVOTLA) AO PROJETO BANCO de meios téenteos. (de desenho. ou maleméticas: desde ax quatro operacies e da régua de eee ‘passando pela. ae mecdnica €.0 co Hee “Esta.al me de Ludovico ‘Quitoni resume tum dos abjetivos deste texto, “gue trata de um tema praticamente = - ignorado pela literatura da arquitetura: a teorig do projeto arquitetdnico. ‘OquaCueu ~.chama de “eduseiencia * gat Gaptendizado do projetar, vineula-s¢ vlaramente com o dominio da tearia.. do projeto arquiteténics: sta Por sua vez, prende-se fortemente a aspectos essenciais da identidade profissional na arquitetura, Na atualidade, 9 arquiteto é dofinido. como o profissional que, como regra, ata no ainibito, da élaborapao do projeto_ das edificardes ¢ de suas obras a. cai ge seu emptego hes colegas oles Fa caldales Dow Peclro TI, com meu recon hegmprty Jenhs 200% ‘SPN, Vice-Reltor ‘ton Rodrigues Paim ro-Reitor de Extensio liz Fernando Coelho de Souza Vice-ProReitora de Exensio Resa Blanco EDITORA DA UNIVERSIDADE Diretor Geraldo F. Hust Son arn kage Cinta Berger Serge Bor Bop orga ‘et anton cnt ars ese raul oping aes orld fit escort Editora da Universidade/UFRGS * Ay. Jotio Pessoa, 415 - 9040-000 - Porto Alegre, RS - Fone/fax (051) 224-8821 - E-mail: editora@ orion.ufrgs.be- Pagina na Web: www.utrgs.br/editora « Direglo: Geraldo Francisco Huff * Editoragio: Paulo Antonio da Silveira (coordenados), Carla M. Luzzatto, Cléudia Bittencourt, Maria 4a Gléria Almeida dos Santos, Rubens Renato Abreu Administragdo: Julio Cesar de Souza Dias (coordenador), Laerte Balbinot Dias + Apoio: Jara Lombardo, Idalina Louzada, Lastcio Fontoura. | by Sea ic ll roman we UL EZ Fae.D.PEDRO tt @ deinen Sis weet soit I edigao: 1984 ee Ss vA ree Direitos reservados desta edigo: gees Universidade Federal do Rio Grand do Sulf YALOR ES (O82 Capa: Andrea Paiva Nunes ustragGes da capa: Edificio Grosvenor Place, Sidnei, Austritia, Harry Seidler & Asociados; Casa da Parede Poriante, Japio, Ushida & Findlay, Museu Judaico ‘anexo ao Museu de Berlin, Alesanha, Daniel Libeskind, Matthias Resse, Stefan Blac, Jan Dinnebier, Taria MacGabhana, Bric J. Schall Revisio: Maria da Gléria Almeida dos Santos Cléudie Bittencourt Exditoregfo eletr6nica: Cléudia Bittencourt Elvan Silva. Arquiteto, mestre em Arquitetura, doutor em Sociologia, professor titu- Jar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor visitante na Faculdade de Anquitetura e Urbanismo Ritter dos Reis 8586u Silva, Elvan ‘Umma introdugio as projeto arquitet6nico -2.ed.rev. amp. - Porto Alogre, Ed. da Universidade/UFRGS, 1998, 1, Arquitetura - Pojetos. I. Titulo, cpu 72.011 Catalogagio na publicagio: MGnica Ballejo Canto - CRB 10/1023 eet: | | SUMARIO Introdugao a primeira edicao Introdugio 4 segunda edigo DEFINICAO DE PROJETO ARQUITETONICO A necessidade do projet0 ncn Aproximagées ao ambito antropoldgico. Primeiro tipo: a sociedade primitiv: Segundo tipo: a sociedade intermediaria. Tetceiro tipo: a sociedade organizada Quarto tipo: a sociedade complexa Ampliagtes.... Conclusio: a projetualidade no oficio do arquitet0 svmsve Btimologia e conceito .. Teoria e metodologia... Etimologia e sinonimia Definindo o projeto arquiteténico . Avaliagio do projeto. Interpretagio do projeto Questées lerminolégicas subsidiarias.. Substancia e forma do projeto Introdugio: as categorias de avaliagio do projeto. Nevessidade .... Viabitidade Grau de definigao ...- Comunicagao .. Um modelo tesrico do processo projetual na anquitetura. © enquadramento episteroldgico do projeto... Reformulando 0 conceito do processo de projetagao As entidades envolvidas no processo projetual 0 problema biisico do projet0 snr Configuragdes ¢ dificuldades no processo projetual (Os estégios principais do proceso de projetagii .... Critétios de projetacéo. ‘A projetacdo como seqiiéncia temporal ‘A avaliagio da proposta Os critérios de projetagio e a nogio de racionali Hicrarquizagao € Sacrifici0 wn. Categorias de avaliagao na arquitetura .. Subcategorias de avaliagio MORFOLOGIA DO PROJETO ARQUITETONICO As etapas do processo projetual a O processo de projeto como progressio temporal .nw.nrw Exigéncias comunicacionais no projeto As etapas da progressio : ‘Variagdes na seqiiéncia projetual O programa Conceito de programa Elementos do programa Natureza do programa 0s requisitos programéticos Apresentagao dos elementos programéticos. © partido arquitet6nico Tnfeio do processo projetual... Definigio de partido arquitet6nico ‘Acexpressio do partido arquiter6nico, Estudos prefiminares ¢ anteprojeto Estudos preliminates «rn ‘Anteprojeto Contetido do anteprojeto .. 0 projeto executivo . Conceito e propésito : © processo comunicacional do projeto... Descrigdio da forma ou do espago? {AS informagées do projeto executive REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS... INDICE REMISSIVO... INTRODUCGAO A PRIMEIRA EDICAO (1984) ‘Somente 0 aprendizado do projetar poderdlevar oarquiteto a compreender ‘goais sio a5 operages que se devem levar a cabo com o pleno auxilio da Conseiéncia raciocinantee, eventualmente, com a ajuda de meios técnicos (Ge desenho ou matemiticos: desde as quatro operacées e da régua de di- plo deoimetro até erégua de odleuo, passando pelacaleuladora mecinica ¢ ‘© computador). (Quaroni, 1980, p. 25) ‘A arquitetura é um fendmeno complexo ¢ contradit6rio. 1 complexo por- que envolve uma verdadeira infinidade de fatores intervenientes: fatores cul- turais, psicolégicos, econdmicos, técnicos, ambientais, etc. & contraditério porque um mesmo fator pode significar coisas diametralmente opostas, de- pondendo do contextoem que se verifique. O que é verdade em uma determi- nada situago poderd nfo ser em outra, O conceito do valido edo verdadeiro, cin termos de arquitetura, 6 uma varidvel que depende da época, do cenario © dos protagonistas. ‘Como qualquer fendmeno complex, a arquitetura admite ser estudada segundo indmeros 4ngulos ¢, portanto, oferece diversas faces ao observador. Sendo assim, a especulagao te6rica no campo da arquitetura pode enveredar por virias diregdes diferentes, e conduzir a diferentes significagdes do mes- smo. objeto. © conceito de arquitetuza, em si mesmo, € uma nogio abstrata, genérica, exprimivel numa definigéo verbal, em termnos préprios do plano das idéias © das imagens mentais; mas, antes de tudo, a arquitetura é um fenémeno do nuyndo concreto, ¢ apresenta uma exteriorizacdo visivel, material e tangivel, ue Ga colegio de edificios que o género humano erigiu através dos tempos. isles —0s ediffcios — constituemn ou deveriam constituir 0 objeto de estudo mais imediato, precisamente por representarem a manifestagio substancial do processo cultural identificado como “arquitetura”. ° Os ediffcios podem ser estudados segundo suas caracteristicas morfol6gicas, de acardo com os termos do clissico trinémio vitruviano: urilitas, irmitas © snitstas. Podem ainda ser analisados sob o prism hist6rico, ou sob o enfoque comparativo, de conformidade com suas relagdes com 0 ambiente natural ¢ corti © meio sociocultural onde se inserem. Enfim, pode-se estudar a expres~ vel da arquitetura sob as mais variadas formas de abordagem. No entanto, tais andlises niio exaurem as possibilidades especulativas do tema. |Além da manifestagio concreta, a arquitetura apresenta uma expresso abs- trata, que se refere nfo ao produto em si, mas a0 proceso que conduz & materializagao da obra arquitet6nica, e também ao reflexo produzido pelo bindmio processo + prodato no plano dos valores socioculturais. Processo, produto e reflexiio constituem a matéria-prima da disciplina cientifica deno- minada Teoria da Arquitetura. ‘Acs estudiosos do assuntondo deve ter ficado despercebido oimteresse que os teéticos da arquitetura tém devotado ac estudo de novos e palpitantes temas como, por exemplo, interpretago lingistca do fenémeno arquitet6nico (semiologia da ‘rquitetura) e a problemtica do processo criativo na arquitetura, ‘A tradicional subdivisfo da Teoria da Arquitetura em Teoria dos Edificios "Teoria da Composigio pode ser considerada como em vias de superagio. A Teoria dos Edificios, que estudava as diversas tipologias arquiteténicas, se- undo suas morfologias e caracteristicas programiticas, tornou-se uma disci- plina quase impraticavel, em razdo do explosive aumento no nimero de tipologias e aos processos de acelerada obsolescéncia a que todas estéo sub- metidas. Com efeito, as mutagdes socioculturais, econémicas e teenolégicas determinam substanciais alteragées tanto na estrutura programitica quanto nna interpretacdo formal dos diversos tipos de edificagéo que o género huma- tno constr6i ¢ utiliza. Tome-se, por exemplo, a tipologia dos prédios escola- res: aquilo que era valido ha poucos anos pode estar superado pelas novas concepedes pedagogicas, administrativas e econémicas. Assim sendo, nfo faz sentido tomar o tempo de estudantes e professores com demorado e exaus- tivo estudo de programas tipicos e morfografia de uma intermindvel colegio de tipos arquite ténicos, se tal estudo ndo se vincular a um imediato exereicio projetual. Em vez de tentar remeter para a meméria uma abundancia de infor- magées de utilizaco improvavel e remota, & preferivel desenvolver no proje- tista habilidades que o capacitema interpretar, no momento oportuno, os as- peclos progransiticos de qualquer tipologia arquiteténica. Como o catélogo tipolégico s6 ¢ capaz de registrar dados de significagio provisoria, justifica- se sua remogiio para um plano secundétio, compensada pela Gnfase concedi- da ao estudo do processo criativa, ‘Quanto a Teoria da Composigio, se nao foi superada, foi certamente trans- formada por um compreenstvel proceso da evolugao. Na época do ensino académico, o termo composi¢do identificava uma modalidade de trabalho precisamente caracterizada, que consistia na obediéncia a normas ¢ formulas canénicas e no emprego de padroes formais pertencentes a colecbes finitas de modelos devidamente homologados pela tratadistica oficial, personifica- do em alfarrabios como 0 Tratado das cinco ordens, de Vinhola, ou Os qua- to livros da arquitetura, de Palladio. Em tais circunstncias, nfo havia pro- priamente invengao de novas formas, mas apenas combinagio de clementos previamente retirados de um catélogo, que deviam ser associados em confor- midade com a sintaxe preestabelecida. Dada a extrema simplicidade programética, decorrente, talvez, da inexisténcia de sofisticagao tecnol6gica ¢ do abundante emprego da energia humana, € razoavel admitir-se que tal procedimento projetual nao redundasse em prejuizo do objetivo funcional das edificagdes, que poderia ficar subordinado aos esquemas esteticistas que regiam a atividade projetual. De fato, embora a nogao da importancia do aspecto funcional da arqui- tetura seja tio antiga quanto o préprio conceito de arquitetura, como 0 atesia a ufilitas de Vitvivio, foi somente com o advento da Revolugdo Industrial que se materializou, de forma explicita, a necessidade de se conceber um procedimento projetual verdadeiramente despojado de arbi- trariedade academicista. O surgimento de novas tipologias arquitetOnicas, derivadas das novas necessidades e das novas possibilidades surgidas no seio do progresso material, colocou diante dos arquitetos ¢ engenheiros uma temética arquitetGnica inédita, no codificada pelos tratadistas dos séculos anteriores. Se, para um arquiteto académico, 0 projeto de um pa- vilhdo industrial ou de uma estagdo ferrovistia constitufa um sério pro- blema, pois no havia modelos classicos a copiar, para 0 engenheiro, tal- vez catente de formagao artistica mais aprimorada, mas certamente descomprometide com 0 dpriorismo estético, a problema apresentava-se mais simplificado: projefar e construir um edificio para uma determinada finalidade especifica; ndo importando saber como Palladio o teria feito, se tivesse tido ensejo. Paradoxalmente, constata-se que a contribuigao dos nio-arquitetos foi relevante na definigdio de um novo modo de se encarar 2 arquitetura © movimento racionalista na arquitetura, com todas as suas imémeras subtendéncias, pretendia, pelo menos no plano doutrinsrio, sepultar o enfoque académivy uv provers de projetago arquitetnica. Tal propésito foi larga- mente apregoado, como o comprovam, por exemplo, os incontaveis escritos, de Le Corbusier. Todavia, nio se abandonou completamente 0 conceito de composicio, pois o academicismo, de certo modo, sobreviveu no espitito anticléssico, j4 que o denominado “racionalismo” substitui os canones do passado por um novo catdlogo e por uma nova sintaxe, sem despojar-se de fato do esteticismo arbitrério que caracterizava as épocas precedentes. O pré- prio termo composigdo demonstra uma vigorosa persisténcia, pois continua sendo empregado, tanto na acepedo correta como na de sin6nimo de projetacao arquitetSnica, 0 que no € perfeitamente correto. Contudo, a partir dos anos 60, vérios estudiosos se dedicaram a investigar © fendmeno do processo criativo na arquitetura, o que deu ao assunto novas, imens6es ¢ uma perspectiva ainda inexplorada. Dois eventos so importan- ssna historia desta expansZo: o primeiro deles foi 2 publicago, em 1964, da bra Notes on the synthesis of form, de Christopher Alexander; e o segundo >i a realizagio, em 1967, do simpésio sobre Metodologia ¢ 10 mquiteténico, Jevado a cabo na cidadé"de Portsmouth, na Inglaterra. Este artame contou com a participagio de mais de quatrocentas estudiosos ¢ inte- sssados na matéria, provenientes no s6 do Reino Unido mas também da suropa Continental e dos Estados Unidos. A partir dai, a popularidade do sma cresceu e novas contribuigGes tém surgido com regularidade. O préprio \lexander trouxe novas concepgées & nomes, como Geoffrey Broadbent, ‘hristopher Jones e outros que passaram a adquirir crescente importancia. Deploravelmente, entrenés, a defasagem é gritante.' O arquiteto brasileiro {nda esta profundamente preocupado com a grave problemitica do exerei- io profissional, repleto de contradicSes, e quando se retine com seus pares, io costuma tratar de cutro tema. Ao mesino tempo, niio é inconcebivel que, ‘uto-sugestionado pela imodesta e ufanista convicgio de que os brasileiros o os maiores arquitetos do mundo (como se todos fossem co-responsiveis ‘elo éxito do festejado compatriota Oscar Niemeyer), 0 arquiteto brasileiro io se sinta atraido pela pesquisa tedrica, pois a mesma nfio oferece as opor unidades de realizacio e renome que so obteniveis na atividade prética. Por hutro lado, ha quem acredite que as discussdes em torno de questdes netodolégicas podem significar uma forma de alienagio, adequada a fazer ente a contextos de esvaziamento ideolégico ¢ doutrinério, proprios de nomentos de repressio intelectual, e isto explicaria o diminuto interesse que ais temas despertam entre o$ arquitetos nacionais. Tal pensamento no é compartilhado pelo autor deste estudo, que prefere acreditar que a falta de liseussio das questdes metodolégicas deva ser tributada 3 tradigio empirista jue domina amplas reas do conhecimento profissional brasileiro. F, tam- ém, a decantada auséncia de est{inulo ao labor especulativo que caracteriza 1s sociedades subdesenvolvidas e dependentes, cativas que sto do colonialismo ecnolégico, cientifico e cultural ‘Noeentanto, é importante a tomada de consciéncia de que a arquitetura, como jnalquer campo do conhecimento aplicado, é uma dea onde podem ocorrer rnovagées tecnolgicas significativas nao apenas no plano dos processos mate ‘ais, mas também na esfera abstrata dos métodos de concepgio. © fendmeno Ja criatividade constitui um fecunéo campo para a exploragao psicoldgica, ehé Svidéncias de que se pode aperfeigoar o potencial propositivo de uma pessoa através do desenvolvimento de técnicas de resolugio de problemas. Pretender axcluir a arquitetura do rol das atividades nas quais cabe a abordagem "sta observagio foi feita em 1984 (nota do autor). metodolégica, por mera fidelidade a conceituagGes anacrénicas © desgastadas, uma atitude retrograda e indesculpavel. A relevincia de tal matéria niio pode ficar despercebida, por suposto, no Ambito do ensino da arquitetura; pois a preoeupaco com o aprimoramento do ensino deve ser um estado permanente € deve estar sempre em primeiro plano, Alis, 0 que € 0 ensino da arquitetura | senio, basicamente, o ensino da teoria e pritica da projetacdo arquitet6nica? 0 objetivo deste trabatho, de ambicbes relativamente modestas, & concor- rer para 0 preenchimento de uma lacuna, manifesta na quase absoluta inexisténcia de bibliografia de Teoria da Arquitetura no nosso idioma. Espe- cificamente, pretende-se fornecer ao estudante de arquitetura um roteiro ‘um apoio para obtengio do embasamento tedrico necessério ao posterior de- senvolvimento das habilidades criticas e instrumentais necessarias a0 desem- penho da atividade do arquiteto. Na condiglio de embasamento, o texto que aqui figura pressupde ampliagGes subsequentes. ‘Como se esclarecers mais adiante, o presente estudo nao é um tratado metodolégico. i, antes de tudo, uma abordagem tedrica, ou seja, explicativa ce codificadora, que visa tornar organizado ¢ cognoscivel seu campo especifi- co de estudo. De certa maneira, pode-se dizer que a teoria esta para a metodologia assim como a botinica esté para a agronomia ou a geometzia esta para a topografia. A teoria é um procedimento explicativo, descritivo e sistematizador. Em tais condigdes e na medida do possfvel, nfo é a defesa de principios doutrindrios, mas essencialmente uma abordagem de esclarecimento e-codificagio, conforme ja se afirmou acima, Por nao se enquadrarem dentro dos objetivos do presente estudo, deixam de ser examinados certos aspectos filoséficos conexos 2 temitica de produ- ‘iodo edificio, mormente aquele que interpreta 0 projeto arquitetOnico como uma espécie de discurso despético, veiculo de uma mensagem unidirecional, ‘que monopoliza o poder decis6rio ¢ marginaliza os demais elementos encar- regados da execuso da obra no canteito, Efetivamente, como se discutiré mats adiante, 0 projeto arquiteiOnico completo pretende resolver a priori a totalidade cu quase totalidade dos pormenores da edificagio, o que impede a contribuigao dos construtores para a concepgao da obra. Todavia, na pritica isto impossivel, pois os problemas de construgio sao inémeros e muitas vezes virtualmente imprevisiveis, o que transforma o projeto completo numa ‘utopia. De qualquer modo, o cardter despstico, se existir, ndo altera a essén- cia I6gica do mesmo. Da mesma forma, nio se analisam neste estudo temas relativos & participacio do usudrio nas decisées projetuais, ja que este assun- to é de natureza eminentemente doutrinéria, Cuja exclusio nio prejudica o teor da matéria aqui exposta Finalmente, eabe dizer que se verificaram certas questées de nomenclatu- ra, que niio puderam ser negligenciadas, em vista dos propésitos didaticos laste trabalho. Em tais circunst€ncias, adotou-se a premissa de perfilhar & zexminologia de uso corrente entre os profissionais, sem contudo esquecer os spectos etimolégicos e seminticos. Tomou-se como base, especificamente, \ Diciondrio da arquitetura brasileira, de Corona ¢ Lemos (1972) ¢ 0 Peque- 10 diciondrio brasileiro da lingua portuguesa, de Aurélio Buarque de Hoollanda Jerreira (Rio de Janeiro: Civilizagio Brasileira, 1974). Substdios adicionais ‘oram obtidos pela utilizagio de outras fontes lexicogréficas, inclusive dicio- \érios em outros idiomas, circunstincia esta que ficara perfeitamente sclarecida no texto. Porto Alegre, 1984 ES. INTRODUCAO A SEGUNDA EDICAO A generosa acolhida que este trabalho recebeu, nas duas impressdes ante- riores (1984 ¢ 1991) — ambas totalmente esgotadas —, levou a Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a produzir esta terceira, revista e ampliada. Na realidade, mais ampliada do que revista, j4 que a revisio se restringiu 20 aperfeigoamento do enunciado de-algumas proposigbes ¢ & subs- tituicdo de alguns vocdbulos por equivalentes mais precisos. Nenhuma das Proposicées do texto de 1984 foi suprimida ou contraditada. A ampliagio, Por sua vez, teve por escopo acrescentar alguns conceitos que, na opinido do autor, enriquecem 0 texto sem desfiguri-lo, mantendo fidelidade 20 texto original de 1984. De fato, uma ampliacdo significativa redundaria, na pritica, ‘num outro trabalho, diferente do primeiro — empreendimento que est nos plants do autor, para ser levado a cabo quando posstvel. De qualquer forma, o decurso desses treze anos entre a primeira ediga0 © a presente permitiu verificar que as condigées nas quais este trabalho foi gestado nao se alteraram substancialmente no que constitui 0 nticleo tematico do livro. A problemética da teoria do projeto arquitetdnico teria continuado na mesma situagdo das décadas de 70 ¢ 80, nio fosse a série de encontros nacionais sobre o ensino do projeto arquiteténico, realizada na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Algumas das comunicagées apresentadas no primeiro daqueles en- contros (1985) foram reunidas numa publicagio conjunta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico ¢ Tecnolégico (CNPq) e a Edi- tora Projeto, intitulada Projeto arquitetOnico, disciplina em erise, disei- lina em renovacdo (1986). Este evento teve como organizador Carlos Eduardo Comas, como autores contribuintes Jorge Czajkowski, Rogério de Castro Oliveira, Edson da Cunha Mahfuz, Alfonso Corona Martinez e © autor. Alguns conceitos apresentados por Comas, Oliveira ¢ Mahfuz foram incorporados a presente edigfo, ilustrando alguns argumentos. Além daquela série de encontros acima referida, nfo se tem registro de outras, iniciativas congéneres realizadas no Brasil. No primeiro capitulo, foi adicionado um trecho com pouco mais de mil pa- lavras, caracterizando a condigio daprojetualidade, que 0 autor considera como trago essencial da profissio de arquitetura nos tempos atuais. Tal insergo se deve ao fato de que a projetualidade 60 substrato cultural e ideol6gico sobre 0 qual de assenta a maioria dos prine‘pios da teoria do projeto arquitetinico.

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