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TOC Janeiro 2006 #70 41

Fiscalidade
A sujeição ou não a IVA dos valores considerados como desconto de pronto
pagamento, tem levantado questões que a doutrina não tem clarificado. Este
texto apresenta reflexões que podem ajudar a fundamentar as decisões que
os responsáveis por estes assuntos venham a tomar.

Da não aplicação de IVA


nos descontos
de pronto pagamento
Por António Nabo

F ace às actuais dificuldades de te-


souraria de algumas empresas, a
utilização de descontos de pronto
pagamento pode ajudar a realizar dinhei-
ro fresco, mesmo que para isso seja ne-
contas de compras e vendas na contabili-
dade dos intervenientes, no momento da
transferência de propriedade. Assim, a
base tributável para aplicação do IVA é a
que existe no momento da transferência
cessário aumentar os custos de financia- e que vem expressa na factura, originan-
mento. Neste sentido, os descontos de do o facto gerador do imposto.
pronto pagamento representam para o A contrapartida deste lançamento, na
fornecedor a antecipação de um recebi- contabilidade do adquirente, é o recon-
mento e, por essa razão, este está dis- hecimento da dívida numa conta de for-
posto a suportar um determinado custo: necedores. Até ao momento, a base tri-
o desconto, que concede ao adquirente butável de IVA e o imposto obrigatoria-
dos bens vendidos. A sujeição ou não a mente liquidado já estão definidos e re-
IVA dos valores considerados como des- gistados, tornando-se o montante de im-
conto de pronto pagamento, tem levanta- posto exigível por parte da Administração
do algumas questões que a doutrina não Fiscal. Do lado do adquirente, o direito à
tem clarificado, razão pela qual se apre- dedução do imposto também já se regis-
senta a presente exposição. tou, com base na factura apresentada pe-
Este tipo de desconto, porque apenas es- lo fornecedor, pelo que pode ser exerci-
tá definido como uma condição de paga- do tendo como suporte o que vem ex-
mento das facturas, não se apresenta co- presso na factura.
mo uma certeza quando é efectuada a A partir daqui, cabe ao adquirente deter- António Nabo
transacção das mercadorias, razão pela minar o momento em que irá efectuar o • Economista
• TOC n.º 9593
qual há que distinguir dois momentos na pagamento da factura em dívida, e no ca-
análise fiscal desta matéria: o primeiro, so de existirem várias condições, a liqui-
quando as mercadorias mudam de pro- dação pode estar dependente das dispo-
priedade entre quem vende e quem com- nibilidades de tesouraria. Deste modo, no
pra; e o segundo, quando o pagamento caso de se optar por realizar o pagamen-
dessa transacção é efectuado. to antes da data normal acordada, pode
Com base neste pressuposto, a contabili- ser exercida a opção de utilizar o des-
zação da transacção económica afecta as conto de pronto pagamento. Uma vez
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cálculo do imposto, devendo o mesmo


ser deduzido à base tributável.
Não estando expressos na factura, os des-
contos de pronto pagamento apenas de-
pendem do momento em que o cliente
exerce a opção de pagamento, pelo que
este não está dependente da acção ante-
rior de compra ou venda, por isso não
deverão ser tratados como descontos co-
merciais.
Deste modo, não deverá ser efectuada
qualquer correcção ao imposto liquida-
que o que está em causa é o pagamento do, porque as respectivas contabili-
total da factura, o desconto será assim zações do desconto, tanto do lado do
efectuado com base na totalidade da dí- comprador como do lado do vendedor,
vida existente para com o fornecedor, is- não vão corrigir o valor pelo qual a
to é, sobre o montante ilíquido, com im- mercadoria é transaccionada. Nesta
posto incluído e que se encontra regista- conformidade, a base tributável sobre a
do na respectiva conta de fornecedores, qual se aplicou o imposto, não sofreu
apresentada no balanço, e não apenas so- qualquer alteração pelo facto de se ter
bre o valor dos bens adquiridos. exercido uma opção de antecipação de
Neste caso, o que está em causa é, para pagamento de uma dívida, antes do seu
o fornecedor, o recebimento antecipado prazo de vencimento. Aliás, vai nesse
de um determinado montante, o que re- sentido o disposto na alínea a) do nú-
presenta uma operação diferente da ope- mero 1 do artigo 7.º do CIVA, ao referir
ração económica realizada anteriormen- que o imposto é exigível no “momento
te. Isto é, a concessão de um desconto de em que os bens são postos à disposição
pronto pagamento não vai afectar a com- do adquirente”, o que revela o carácter
pra e a venda anteriormente efectuada, económico do imposto e não o carácter
razão pela qual a sua contabilização é fei- financeiro do pagamento das facturas.
ta numa conta de resultados financeiros e No mesmo sentido, segue a referência
não numa conta de custos ou proveitos feita no Ofício Circulado, número 1353,
operacionais, levando em consideração a de 17 de Junho de 1985, onde se alega
efectiva natureza financeira da operação que a dedução dos descontos à base tri-
em causa. butável deve ser efectuada “desde que
Do ponto de vista do Código do IVA, a constantes da factura”, o que não é o
alínea b) do número 6 do artigo 16.º, não caso dos descontos de pronto paga-
distingue entre descontos financeiros e mento, consubstanciando a tese de que
comerciais, mas deve ser entendido que estes descontos não devem corrigir a
os descontos referidos neste artigo são os base tributável nem o imposto que lhe
de natureza comercial expressos na fac- está associado.
tura, uma vez que o IVA incide sobre as Com base nestes argumentos, não existe
transacções comerciais, pelo que, neste razão para a aplicação da rectificação de
caso, o valor do desconto tem impacto no imposto aquando da utilização dos des-
contos de pronto pagamento, uma vez
Não deverá ser efectuada qualquer correcção ao imposto que o número 2 do artigo 71.º do CIVA
liquidado, porque as respectivas contabilizações do des- apenas faz referência a rectificações de
imposto nos casos em que seja “anulada
conto, tanto do lado do comprador como do lado do ven- a operação” ou “reduzido o seu valor tri-
dedor, não vão corrigir o valor pelo qual a mercadoria é butável”. Mesmo no caso da referência
transaccionada aos descontos que é feita neste artigo, a
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mesma deve ser entendida como descon-


tos comerciais, na mesma linha do que
foi defendido acima para a aplicação da
alínea b) do número 6 do artigo 16.º, por-
que são estes que vão corrigir a base tri-
butável. Assim como não existe rectifi-
cação da base tributável, porque o regis-
to contabilístico da compra e da venda
não sofre alterações, nem o preço acor-
dado em termos contratuais sofre qual-
quer mudança, não deve haver lugar a
rectificações de imposto.
Embora a doutrina até ao momento tenha
dado ao fornecedor a faculdade, não a
obrigação, de emitir uma nota de crédito
para suportar o registo das operações de
descontos de pronto pagamento, onde
aqueles poderão tentar corrigir o IVA li-
quidado aquando da emissão da factura,
(como se refere no parecer técnico nú-
mero MT19845 da Câmara dos Técnicos
Oficiais de Contas) aquele documento
apenas poderá ser utilizado para corrigir mento a existência de um desconto de
o imposto, se o adquirente assinar e co- pronto pagamento, pode igualmente co-
locar a data na nota de crédito emitida locar naquelas condições a possibilidade
pelo fornecedor. Pretende-se, deste mo- de debitar juros de mora sobre a totali-
do, garantir perante a Administração Fis- dade dos valores a receber, sem que os
cal que a dedução de imposto que o for- mesmos constem da factura original,
necedor venha a fazer seja compensada quando o adquirente não liquida a dívida
pela liquidação a realizar pelo adquiren- dentro do prazo acordado. De igual for-
te dos bens. ma também, neste caso, não existe alte-
No entanto, caso o adquirente suporte a ração à base tributável de imposto, sen-
opinião expressa neste artigo, não deve- do o débito de juros de mora expurgado
rá assinar e datar a nota de crédito emiti- do valor tributável, ao abrigo da alínea a)
da pelo fornecedor, uma vez que, tal co- do número 6 do artigo 16.º.
mo referido acima, não há lugar à cor- Embora esta não seja uma matéria que
recção de imposto porque não existe cor- gere consenso, as reflexões acima podem
recção à base tributável. A faculdade aci- ajudar a fundamentar as decisões que os
ma referida não é mais do que isso mes- responsáveis por estes assuntos venham
mo, pelo que a sua emissão não obriga o a tomar. ★
adquirente dos bens a concordar com a
situação proposta pelo fornecedor. As- (Texto recebido pela CTOC
sim, no caso do adquirente não efectuar em Setembro de 2005)
qualquer correcção de imposto em sede
de IVA, o fornecedor não terá direito a
corrigir o imposto liquidado, uma vez
que não existe justificação para efectuar
a correcção, de acordo com a opinião
aqui expressa.
Aliás, da mesma forma que o fornecedor
pode colocar como condição de paga-