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Aproximações e D i s t a n c i a m e n t o s: notas sobre os


conceitos de sexo e de gênero no debate feminista contemporâneo

Trabalho apresentado à disciplina HS-611: SeminárioTeórico


Metodológico do Doutorado em Ciências Sociais-Unicamp/1º
semestre de 2008, ministrada pelas docentes Ângela Araújo e
Bibia Gregori.
Discente: Carolina Branco de Castro Ferreira/RA: 079442

CAMPINAS
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Introdução
Neste texto exploro o debate em torno do conceito de gênero para algumas teóricas
do campo feminista contemporâneo. As sociedades ocidentais, desde o final dos anos 1960, têm
testemunhado a ascensão de movimentos feministas com um cunho mais radical em relação aos
pró-sufrágio universal surgidos no começo do século XX. Esses movimentos mais recentes,
conhecidos como a “segunda onda do feminismo” ou o “novo feminismo”, propunham uma
mudança política revolucionária da sociedade e afirmavam que a opressão das mulheres está
enraizada em processos psíquicos e culturais profundos. Os objetivos feministas, a partir daí,
exigiam uma mudança fundamental da sociedade.
É nesse contexto que surge o conceito de gênero para desconstruir as noções
naturalizadoras e biologizantes das relações entre homens e mulheres. O debate em torno do
conceito de gênero é relativamente recente e apresenta um avanço teórico significativo em relação
aos “estudos de mulheres”. Bem como, tem contribuído para a teoria social como um todo, pois é
possível perceber na produção feminista atual reflexões que possibilitam desconstruir a
naturalização de outras formas de desigualdades, tais como relações étnico/raciais, nacionalidade,
classe e geração.(PISCITELLI, 1997)
Inicio o texto no âmbito da antropologia feminista com Marilyn Strathern e o
potencial teórico-metodológico da autora para problematizar categorias e dicotomias universais e
“antropologizar” o próprio pensamento ocidental. Nesse sentido, espero mostrar como seu
pensamento contribui para o debate no campo feminista sobre o conceito de gênero, de identidade
feminina, de poder e de dominação.
Sem dúvida, a contribuição da antropologia feminista nesse campo é fundamental.
No entanto, não é possível conceber o discurso feminista como um campo unitário, por que a
discussão que envolve o conceito de gênero extrapola fronteiras disciplinares. Desta forma, trago
autores (as) como Foucault, Butler e Scott que problematizam a dicotomia sexo/gênero e exploro de
modo mais detalhado as duas últimas. No final desta parte, mostro como ao trabalhar com o
conceito de gênero Strathern, Butler e Scott acabam questionando-o a partir de maneiras e posições
que se aproximam e se distanciam.
Finalizo com a discussão sobre alguns contenciosos do sujeito no feminismo. No
conjunto deste trabalho, essa pode ser considerada uma discussão “menor” no sentido Deleuziano1.
Isso porque, exploro este debate, no entanto, não o aprofundo a partir da variedade de autores e

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Para este autor “maior” e “menor” não são características “objetivas” de textos e autores, mas sim operações. Uma vez
que, não há divisão rígida e nem maniqueísta, na qual o termo “maior” qualifica aquilo que é “bom” e “menor” aquilo
que é “mau”. Qualquer autor ou texto é simultaneamente “maior” e “menor”, ou ainda, pode ser explorado naquilo que
tem de “maior” ou de “menor”. (DELEUZE e BENE, 1979 apud GOLDMAN, 1999)
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discussões que estão presentes desde o início dos anos 90. No entanto, este será meu próximo
projeto.
1. (Re) pensando categorias universais, antropologia e feminismo
Em O gênero da dádiva, Marilyn Strathern aborda as relações de dádiva e
reciprocidade em grupos melanésios e afirma que estas não são neutras, mas sim marcadas pelo
gênero. Isto quer dizer que a capacidade de homens e mulheres trocarem determinados artefatos tem
como conseqüência relações de poder que o gênero confere a alguns sujeitos e não a outros. No
entendimento da autora, gênero é um meio de reunir, numa determinada sociedade, a maneira como
se arranjam as práticas e as idéias em torno dos sexos e dos objetos sexuados. No entanto, é o
exame de uma cultura específica que revela quais são os fatos reunidos como gênero, sendo que tal
reunião pode não ser o elemento unificador da noção de pessoa, como no ocidente. Para ela a
identidade sexual individual como um atributo da pessoa é uma questão cultural no Ocidente, que
transforma o sexo em um papel.
Assim, para a autora a categoria de gênero não é de ordem analítica e sim empírica,
que gera diferenciações categóricas que assumem conteúdos específicos em contextos particulares,
no caso, entre os Hagen na Melanésia. Na definição da autora, gênero seria aquelas categorizações
de pessoas, de artefatos, eventos, seqüências e demais que se baseiam em imagens sexuais – ou nas
maneiras como a distinção das características femininas e masculinas constrói as idéias concretas
das pessoas a respeito da natureza das relações sociais. Nesse sentido, Strathern entende gênero
como uma categoria de diferenciação que não se reduz à diferenciação sexual/corporal de pessoas.
Ao adotar a perspectiva antropológica na qual as culturas diferentes da ocidental
também produzem teorias sobre o social, Strathern problematiza universalismos dicotômicos como
natureza/cultura, público/ privado, políticio-jurídico e doméstico, mercado/dádiva e o próprio
conceito de sociedade. O questionamento destas categorias universais coloca sob perspectiva (ou
“antropologiza”) o próprio pensamento ocidental. Ao fazer isso, a autora cria recursos teórico-
metodológicos potencialmente questionadores de categorias/noções fundamentais para o
feminismo, tais como, gênero, identidade global feminina, poder e dominação.
Desta maneira, a autora trata tanto de grupos melanésios como da produção de
conhecimento nas sociedades ocidentais. Ao explorar os interesses simbólicos presentes na cultura
científica ocidental, seria possível conceber de forma equivalente os interesses de outras culturas. A
autora adverte para que na análise de outras culturas não seja transposto os nossos interesses
simbólicos, por isso ela opta por “mostrar a natureza contextualizada dos construtos nativos através
da exposição contextualizada dos construtos analíticos” (STRATHERN, 2006, p.33).
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A seguir apresento a discussão sobre o conceito de sociedade feita pela autora
como fio condutor para o debate a propósito do par natureza /cultura e suas implicações para o
feminismo.
1.2 A ficção organicista como metáfora holística e analítica – A Sociedade
Segundo Strathern a idéia de sociedade é um bom ponto de partida para expor a
contextualização das construções analíticas das ciências humanas porque ela é uma metáfora para a
organização do pensamento ocidental. A autora chama de “ficção organicista”2 o tratamento da
noção de sociedade como uma coisa individual na qual qualquer sociedade em particular aparece
como a manifestação individual da sociedade em sentido geral/abstrato. Bem como, a idéia de
população é considerada como uma coletividade de seres humanos individuais que aparecem como
membros da sociedade, ou seja, como parte de uma totalidade. Nesse sentido, a sociedade é
imaginada como a soma das interações entre os indivíduos ou ainda, como entidade reguladora das
condutas individuais.
Deste modo, a relação individuo-sociedade é uma relação hierárquica, além disso,
há nessa concepção a idéia de que os indivíduos representam para si mesmos uma sociedade.
Segundo ela:

Finally, the idea of society as a whole beyond the (individual) humans who
make it up has lured us to another concretization, to elaborate on the idea of
individuals as somehow members of it. This led, for instance, to a fatal
equation of ´society´ with ´group´. Group solidarity was interpreted as
societal solidarity. It was fatal because it produced an internal canker of
problems, such as ´women´ who, because they did not belong to groups,
seemed not to belong to society. Or it led to the bizarre idea that people
everywhere represented society to themselves as an external object,
enshrined in ritual cohesion or legal orders. The one abstraction proliferated
others – religion represented society, law represented society – alike in
being set against the individual who had to be ´socialized` into appreciating
the power of this external entity. In short, what the anthropologist made into
an abstract object of though in the ordering of material had to be made
visible as the object of other people’s representations. (STRATHERN,
1996, p. 62)

2
Para Strathern a ficção organicista do século XIX operava como uma metáfora holista/analítica por isso permitia
explorar as totalidades e seus elementos sem dar primazia a nenhum deles. Para ela atualmente existem outras metáforas
a inspirar os antropólogos - campos de comunicação, estrutura, formação social, ecossistema – as quais constroem
contextos globais para a interconexão de eventos e relações.
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1.3 O Método Comparativo e o Debate da Antropologia Feminista

As construções analíticas problematizadas pela autora implicam num


determinado procedimento comparativo na antropologia. Para ela normalmente há uma
descontextualização dos construtos locais em favor dos construtos contextualizados analiticamente 3.
Desta maneira, o principio no qual se apóia o método comparativo em antropologia permite
comparar instituições sociais, papéis e sociabilidades entre sociedades diferentes. Para Strathern
esse processo comparativo está próximo do pressuposto na pesquisa feminista de que seria possível,
perguntar se as mulheres, seja onde for, são “dominadas” pelos homens ou, no caso, pela
“sociedade”.
Aqui, cabe situar este debate. A “antropologia da mulher” nasce no inicio dos
anos 70 com o objetivo de explicar como as mulheres eram representadas na literatura
antropológica. Apesar de ser um debate heterogêneo, há nele um ponto aglutinador que se baseia
nas criticas a diversas tradições do pensamento antropológico. Porque durante muito tempo, elas
não incluíram as mulheres adequadamente nas análises (MOORE, 1991). Embora estas sempre
estivessem presentes nas descrições antropológicas, a partir dos estudos de família e parentesco,
esta presença não implicava um questionamento político e uma denúncia do antrocentrismo
presente nas pesquisas. De fato, os estudos feministas na antropologia introduziram uma dimensão
política nas investigações ao apontar que homens e mulheres estavam situados de maneira diferente
nas relações de poder.4.
No entanto, esta maneira de abordar as relações de gênero implicou em perceber
as diferenças biológicas como assentadas na natureza e esta como um dado a – priori, passivo,
inquestionável e objetivo. Sendo assim, enquanto o sexo estaria para a natureza o gênero estaria
para a cultura como um conjunto de arranjos sociais a partir dos quais uma sociedade transforma
a sexualidade biológica em produtos da atividade humana, e na qual estas necessidades sexuais

3
Um autor que, em certa medida, compartilha das criticas de Strathern ao método comparativo na antropologia é Barth
(2000). Em seu entendimento, a comparação cultural deve ser feita a partir dos contrastes de significados êmicos dentro
dos grupos pesquisados, pois só ao entender a pluralidade destes é possível destacar o sentido empregado pelos atores
sociais. A centralidade de sua análise cultural está nas variações antropológicas, por isso ele parte de métodos indutivos
para elaborar uma teoria que esteja mais próxima da experiência social e consiga dar conta da ação, sem reduzi-la a
categorias analíticas previamente elaboradas pelo pesquisador. Nesse sentido, a pesquisa de campo torna-se
fundamental, porque é a partir dela que se torna possível observar os sujeitos na sua práxis. Os dados etnográficos
coletados devem ser sempre abordados dentro de uma visão diacrônica, e servem para (re)construir permanentemente as
categorias analíticas teóricas, uma vez que é a teoria que deve se adaptar ao real, e não o inverso.
4
Sobre este debate, dentre outros, ver: Reiter, 1975; Harris e Young,1979; Moore, 1991, Moore (sem data) Piscitelli,
2002; Piscitelli ,1997
7
transformadas são satisfeitas a partir de uma moralidade que necessariamente não está
relacionada com a biologia. 5
É nesse debate que a reflexão de Strathern abre caminho para o questionamento de
categorias universais. Pois, para ela a relação hierárquica entre natureza e cultura/sociedade é uma
metáfora ocidental que implica compreender homens e mulheres como irredutivelmente diferentes.
Sendo assim, a biologia é tida como determinante e ao mesmo tempo como superada pela
diversidade da experiência cultural que adapta , aperfeiçoa e modifica os dados naturais. Por isso o
que é visto como capaz de aperfeiçoamento é a cultura ou a própria sociedade, e não os corpos de
homens e mulheres, mas sim, os arranjos consagrados das relações entre eles.6
A autora argumenta que considerar as sociedades a serviço da biologia, ou seja, tal
como nós a concebemos é reforçar nossos próprios construtos. Ela mostra como a “teoria social
melanésia” não opera a partir de uma visão de sociedade e não se baseia numa visão hierárquica de
um mundo de objetos criados por um processo natural sobre o qual são construídas as relações
sociais:
Por conseguinte, procurei romper com o extenso legado das percepções de
Simone de Beauvoir a respeito das relações de gênero no Ocidente – a
suposição de que a feminilidade deve de algum modo, ser sempre
compreendida como um derivativo ou como produzida pelo que está
estabelecido como a forma socialmente dominante, ou seja, a
masculinidade. O material melanésio, pelo menos, não nos proporciona uma
imagem dos homens promovendo valores masculinos que se tornam
também valores da sociedade como um todo e, em conseqüência, usando os
valores femininos em contraponto a seus esforços (...) Sugeri que as formas
de vida coletiva melanésia não são adequadamente descritas através do
modelo ocidental de sociedade e que, qualquer que seja a representação que
se faça sobre os homens, estes não podem ser descritos como autores de
uma tal entidade. Antes, as ações coletivas deveriam ser vistas como um
tipo de socialidade que, como tal, coexiste com outro, a saber, a socialidade
manifesta nas relações domésticas, particulares. A relação entre as duas é de
alternância, não de hierarquia. Os valores de uma estão sempre em
contraposição aos da outra. (STRATHERN, 2006, p. 458 e 459)

5
A definição é de Rubin em “O tráfico de mulheres: notas sobre a economia política do sexo”. Neste texto a autora
ainda trabalha sobre o marco do sistema sexo/gênero, no entanto, ele é um “clássico” porque aponta para questões que
mais tarde foram desenvolvidas. Por exemplo, quando Rubin critica Levi-Strauss sobre a troca de mulheres ela afirma
que antes do tabu do incesto, há um tabu anterior que o autor não menciona – o tabu da homossexualidade. Esta idéia
vai subsidiar toda a discussão de Butler sobre a heterossexualidade compulsória.
6
Independente da postura teórica adotada, o debate na antropologia feminista coloca as seguintes polêmicas: a
assimetria sexual é um fenômeno universal ou não? As mulheres são subordinadas universalmente pelos homens?
(MOORE, 1991). Uma autora que afirmou que a subordinação feminina seria universal foi Serry Ortner (1980).
Resumindo muito seus argumentos, de acordo com ela, todas as culturas reconhecem e estabelecem uma diferença
hierárquica entre sociedade humana e o mundo natural. A cultura hierarquicamente seria superior ao mundo natural,
assim a autora sugere que há uma associação simbólica das mulheres a natureza e dos homens a cultura. Nesse sentido,
como a cultura pretende dominar/controlar a natureza é “natural” que as mulheres pela proximidade dela (seus corpos,
gestação, menstruação) experimentem o controle e domínio dos homens. Ainda sobre essa discussão e posicionamentos
críticos a ela cf. MacCormack e Strathern, 1980; Overing, 1986; Rapport e Overing, 2005
8
Sendo assim, a autora realiza uma reviravolta nos paradigmas da teoria
antropológica a partir do conceito de gênero. Aqui optei por mostrar como a autora faz isso a partir
do questionamento do conceito de sociedade e sua relação com o individuo e da relação
natureza/cultura. A proposta de Strathern rejeita as explicações de uma única perspectiva e as
observações a partir de um único ponto de vista que colocam as pluralidades culturais numa relação
parte-todo. Deste modo, a perspectiva da autora é radicalmente pluralista. (PISCITELLI, 1997)

2. Está o sexo para a natureza assim como o gênero para a cultura?

Como mencionei anteriormente a discussão sobre o conceito de gênero, não se


restringe a antropologia feminista porque este campo é interdisciplinar. Assim, tratarei agora desta
discussão em outros autores (as). Começo com Foucault, que apesar de não ter uma teoria de
gênero, sua reflexão de modo geral inspirou muitas feministas no Brasil e no exterior (RAGO,
2002), ora como “marido” ora como “amante” (FERNANDEZ, 2000) 7.
Para Foucault as práticas de poder não existem apenas a partir do exercício da
repressão e da negação. Ao contrário, o poder é exercido pela sua positividade, ele gera relações.
Bem como, ele está em todo o tecido social e é praticado a partir de pontos e em meio a relações
desiguais e móveis. As relações de poder não se encontram em posição de exterioridade em relação
aos sujeitos (elas o constituem) e a outros tipos de relação (econômica, política, sexual, demográfica
e etc.)
Com relação à sexualidade o autor mostra como a burguesia utilizou-a como um
dispositivo para se distinguir como classe, pois seu “sexo” tinha de ser diferente da plebe, do
primitivo e da decadente aristocracia feudal. Neste sentido, a busca da “verdade” e do que é
“natural”, “original” no sexo e na sexualidade, tornou-se uma obsessão. Assim, a relação entre
reprodução e ordem social imprimiu durante muito tempo a ordem imutável dos sexos.
O autor considera que a idéia do “sexo” como algo natural no qual a sexualidade
distribui seus efeitos é uma criação do dispositivo da sexualidade. Assim, é pelo sexo, como ponto
imaginário fixado por este dispositivo que os sujeitos devem passar para ter acesso à inteligibilidade
da materialidade de seus corpos. (FOUCAULT, 2001).
À maneira de Foucault, a filósofa Butler propõe problematizar a categoria sexo.
Ela afirma que esta tal como gênero deve ser submetida a um processo de desconstrução. O sexo,
entendido como um dado natural e passivo, sobre qual se constroe o gênero, deve ser um objeto
7
Nas palavras da autora: “Utilizo esta metáfora para abrir um horizonte de comprensión para la tesis que quiero
animarme a sostener em este trabajo. La investigación foucaltiana y el aparato analítico que ella há ido generando es,
em cierta medida, el producto de um riguroso esfuerzo por reflexionar sobre lãs razones que explican el desencanto que
acompaña, y que muchas veces corona, gran parte de las luchas y movimientos emancipatórios. La pregunta sobre por
qué y como estos movimientos y luchas pueden u suelen reproducir, bajo formas diferentes, las prácticas de dominación
contra lãs cuales se levantaron, se encontra presente y atraviesa toda la obra de Foucault”. (FERNANDEZ, 2000, p.
128)
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historicizado, pois ele também é socialmente marcado. Se o sexo aparece como binário em sua
morfologia e constituição não há motivos para considerar que o gênero também se apresente desta
forma, a não ser que, haja uma relação mimética/de espelho entre as duas categorias. Mesmo que o
gênero apareça como culturalmente construído não sendo o resultado causal do sexo, nem fixo
como ele, essa relação precisa ser investigada.
Para a autora o gênero engendra uma operação de poder mais ampla, pois ele não
está para a cultura como o sexo está para a natureza. O gênero é o meio discursivo-cultural/aparato
pelo qual a “natureza sexuada” ou o “sexo natural” é produzido e estabelecido como pré-discursivo,
“anterior a cultura, uma superfície politicamente neutra sobre a qual age a cultura”. (BUTLER,
2003,p. 25).
Assim, para Butler o gênero é o aparato a partir do qual tem lugar não só a
produção e a normatização do masculino e do feminino, mas também das formas cromossômicas,
psíquicas e performativas que o gênero assume. Para ela gênero é a estilização repetida do corpo,
como um conjunto de atos reiterados dentro de um marco regulador heteronormativo/reprodutivo
rígido, e seu efeito substantivo é performaticamente produzido e imposto pelas práticas da coerência
entre sexo/corpo/gênero e desejo.
A discussão da autora, no marco do debate feminista, enfrenta as relações binárias
sexo/gênero, sujeito/outro, homem/mulher que tornam fixas as identidades. Para Butler é preciso
perguntar pelo sujeito do feminismo, pois a coerência e a unidade produzida pela categoria
mulheres rejeitou a multiplicidade das intersecções culturais, sociais, sexuais e políticas em que é
construída a dimensão concreta das mulheres. Por isso, ela argumenta que gênero se cruza com
outras categorias identitárias constituídas discursivamente como raça/etnia, classe, nacionalidade e
etc. Além disso, o gênero nem sempre é constituído de modo coerente e consistente em diversos
momentos históricos, podendo assumir um caráter contingente.
Para a historiadora Joan Scott gênero é o discurso da diferença entre os sexos, este
não se refere apenas às idéias, mas às instituições, às estruturas, às práticas quotidianas e também
aos rituais e tudo aquilo que constitui as relações sociais:
O discurso é um instrumento de ordenação do mundo, e mesmo não sendo
anterior à organização social, ele é inseparável desta. Portanto, o gênero é a
organização social da diferença sexual. Ele não reflete a realidade biológica
primeira, mas ele constrói o sentido desta realidade. A diferença sexual não
é a causa originária da qual a organização social poderia derivar. Ela é antes
uma estrutura social movente, que deve ser analisada nos seus diferentes
contextos históricos. (SCOTT, 1998, p. 115)

A autora considera gênero como uma categoria de análise, que deve ser abordada como
um conceito relacional, pois segundo ela, a questão central está em historicizar à idéia de
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homem/mulher e encontrar uma forma de escrever a história das relações entre os sexos e as idéias
sobre a sexualidade. De acordo com ela, um problema teórico se coloca, quando alguns
pesquisadores (as) cristalizam as noções de homem e de mulher, pois eles (as) pressupõem de
antemão posições fixas nas relações de poder (os homens em “cima” e a mulheres em “baixo” ou o
espaço público está para os homens e o privado para as mulheres).
A definição de gênero de Scott (1990) é constituída de duas partes e 4 sub-partes. O
núcleo central de sua proposição repousa sobre a afirmativa de que o gênero é constituído de
relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos. Para Scott o gênero seria
um primeiro modo de dar significado às relações de poder. A mudança na organização das relações
sociais de gênero corresponde a mudanças nas representações de poder, e esta mudança não implica
num único sentido.
Como elemento constitutivo das relações sociais, o gênero implica em quatro elementos.
O primeiro são os símbolos culturalmente disponíveis que evocam representações simbólicas, o
segundo a norma que põe em evidência os sentidos dos símbolos quando se esforça em conter e
limitar as possibilidades metafóricas destes. Estes conceitos normativos estão expressos nas
doutrinas religiosas, jurídicas, educativas, políticas e etc., e tomam a forma típica de oposição
binária informando de forma categórica o que é masculino e o que é feminino.
O terceiro aspecto das relações de gênero é o de desafiar a fixidez do sentido simbólico,
tornando possível “descobrir a natureza do debate ou da repressão que produzem a aparência de
uma permanência eterna na representação binária do gênero” (SCOTT, 1990, p. 15). Finalmente, o
quarto aspecto diz respeito à identidade subjetiva. Deste modo, é uma tarefa dos pesquisadores (as)
nesta área examinarem as maneiras pelas quais as identidades de gênero são realmente construídas e
relacioná-las com toda uma série de atividades, de organizações e representações sociais
historicamente situadas. (SCOTT, 1990, p. 15).
No entender da autora o gênero é a “primeira maneira de dar significado às relações de
poder”, ou seja, o gênero é um primeiro campo, no seio do qual, o poder se articula. Ele não é único
campo, mas parece ter constituído um meio persistente e recorrente de dar eficácia à significação do
poder no Ocidente, por isso deve ser compreendido em relação a outras categorias como classe,
raça, etnia, nacionalidade.
De modo geral, independente da maneira como gênero é considerado- categoria empírica,
um aparato/dispositivo ou categoria analítica – ele parece sempre mapear um campo especifico de
relações com referência sexual (PISCITELLI, 1997), quer onde estejam sujeitos concretos,
substantivos, homens e mulheres, quer onde não encontramos nenhum destes sujeitos. (KOFES,
1993). Estou de acordo com Piscitelli (1997) quando comenta sobre o trabalho de Strathern, que ao
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trabalhar com gênero como categoria empírica, as diferenças raciais, de nacionalidade, de classe e
etc., aparecem no lugar que lhes cabem em cada contexto.
Além disso, penso que existem concomitantemente, aproximações e distanciamentos em
relação aos entendimentos da categoria de gênero para Strathern, Butler e Scott. Na argumentação
das autoras há um fio condutor, a partir de campos teóricos diferentes, que chama a atenção para as
“armadilhas” que se pode incorrer ao não problematizar os pares natureza/cultura ou sexo/gênero.
Bem como, na minha leitura, Strathern e Scott se aproximam quando a primeira pretende
compreender gênero no contexto/ na localidade e a segunda de acordo com uma especificidade
histórica.
No entanto, se distanciam profundamente quando Scott afirma que gênero é uma “maneira
primeira” de dar sentido as relações de poder e dá centralidade a este na sua proposta analítica. Já
Strathern afirma que tanto no Ocidente quanto na Melanésia, gênero tem um particular valor
metafórico, mas isso deve ser pensado contextualmente. Talvez ai esteja à diferença entre
compreender gênero, por um lado como categoria empírica, e por outro, como categoria de análise.
No meu entender, Scott instala “tensões” no texto Gênero: uma categoria útil de análise
histórica. Porque ao mesmo tempo em que ela empreende foucaultianamente um exame critico
sobre as correntes teóricas do feminismo, e afirma que a maioria delas apresenta o antagonismo
sexual como uma dimensão eterna, a-histórica e essencialista, ela dá centralidade ao gênero como
proposta analítica/política e como primeiro organizador sócio-cultural das relações de poder. Nesse
sentido, a referida autora se afasta da proposta de Butler, pois esta afirma que nem sempre o gênero
é constituído historicamente de forma coerente8.

3. (In) Conclusões – os contenciosos sobre o sujeito

Este breve panorama sobre o conceito de gênero para algumas autoras no debate
contemporâneo feminista mostra que, independente das divergências teóricas e políticas, trabalhar
com este fundamento teórico implica em redefinir os paradigmas epistemológicos das ciências em
geral. Bem como, há um consenso na bibliografia sobre o assunto em trabalhar gênero e as
interseccionalidades de outras categorias de classificação e hierarquia9. No entanto, há um
desacordo quando a questão é considerar se gênero é uma forma “primeira” de organizar as relações
8
Aqui, para estabelecer um diálogo crítico com Butler seria necessário um olhar do conjunto da obra da autora, e nesse
momento, eu ainda não possuo tais recursos teóricos/analíticos. Mas, agradeço a Adriana Piscitelli em conversa
informal, que atentou para o fato que até Undoing Gender, a proposta de Butler se apóia na psicanálise, na Lei, e nesse
sentido, incorre no risco de propor um lugar estrutural-atemporal-central para a heteronormatividade. No caso de
Foucault, apesar de sua proposta ser contextual e histórica, há críticas das feministas negras e do “terceiro mundo”, um
exemplo, é a crítica, numa comunicação de Paola Baquetta no VIII Congresso Internacional Fazendo Gênero ao autor.
Para ela o dispositivo da sexualidade não é igualmente centrar para todos os setores sociais, bem como não dá conta de
explicar os contextos pós-coloniais.
9
Sobre este debate ver ainda: Amos e Parmar, 1984; Anthias e Yuval-Davis, 1993; Hooks, 1990; Crenshaw, 2002;
Brah, 2006; MacClintock, 1995, 1997, 2003.
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de poder ou se ele deveria ser tratado como a “diferença” que “pesa” mais sobre todas as outras
(MOORE, 1993, MOORE, 1994; PISCITELLI, 1997). Essa discussão implica no modo como as
relações entre sujeito, experiência e agência têm sido tratadas no feminismo. Esse é um debate em
aberto e atravessado por vários contenciosos. Eu não pretendo dar conta de todo esse debate, bem
como esgotá-lo. No entanto, tangencio algumas discussões, por exemplo, a discussão de Butler com
Benhabib.
Para Butler (2003) o debate sobre o sujeito do feminismo implica em questionar a
categoria mulher, pois a autora é crítica as teorias que tomam o sujeito político sem interrogá-lo.
Segundo ela exigir a noção do sujeito desde o inicio não é negá-lo ou dispensar essa noção
totalmente, pelo contrário, é perguntar sobre seu processo de construção, seu significado político e
pelas conseqüências de tomar o sujeito como um requisito ou pressuposto da teoria.
A autora é critica em tomar a categoria mulher a partir de uma especificidade ontológica
(por exemplo, enquanto mães ou pautada numa diferença sexual) na qual se forme uma base de
interesses específicos, sejam eles legais ou políticos. Para Butler, as categorias de identidade nunca
são somente descritivas porque elas são normativas e exclusivistas. Isso porque o sujeito político se
constitui mediante exclusões, ou seja, a partir da criação de um domínio de sujeitos não autorizados,
de pré-sujeitos, de representações de degradação e de populações apagadas do horizonte político.
Para ela as “brigas” internas sobre a categoria mulher dentro do movimento feminista
devem ser preservadas e encaradas como “fundamentos infundados” da teoria feminista. Deste
modo, desconstruir o sujeito do feminismo não é negar sua utilização- mas ao contrário- é liberá-lo
de múltiplas significações, emancipá-lo das ontologias maternais, racistas, heterossexuais e etc.
Contudo, para Benhabib (1995) a posição de Butler desaloja a agência e sua discussão
sobre a constituição do sujeito sugere uma abordagem muito determinista. Para ela não basta
descrever o processo histórico de constituição dos significados, mas é preciso apontar como a
agência/transformação histórica é possível. Bem como, ela afirma ser necessário explicitar o
desenvolvimento ontológico do sujeito, no qual é possível buscar as explicações dos processos
estruturais e a socialização individual.
Para Benhabib quando Butler afirma que não há uma identidade de gênero, além das
expressões de gênero, e que esta identidade é performativamente construída por muitas expressões
que podem ser ditas como os seus resultados, a autora questiona Butler: Se esta visão é apropriada,
não há nenhuma possibilidade de mudança destas “expressões” que nos constituem?
De acordo com a autora, uma certa versão das teorias pós-modernas além de serem
incompatíveis com o feminismo, minam as possibilidades deste como articulação teórica com
aspiração emancipatória das mulheres, com a re-apropriação da história destas em nome de uma
emancipação futura e o exercício radical da critica social na qual se descobre as questões de gênero.
13
Benhabib considera Butler uma autora alinhada às vertentes pós-modernas e considera que estas
teses podem ser articuladas nas suas versões mais “fracas” e mais “fortes” da “morte do sujeito”,
“morte da história” e morte da “filosofia/metafísica”.
Para ela o pós-modernismo tem produzido um afastamento da utopia no feminismo. E por
utopia, a autora não considera o sentido empregado pela modernidade, ou seja, o da reestruturação
indiscriminada do nosso universo social e político de acordo com um plano racional. Mas, parece
que seu entendimento do recuo da utopia na teoria feminista nas ultimas décadas é a dificuldade de
formular uma ética feminista, uma política feminista, um conceito feminista de autonomia e uma
estética feminista.
Para Fraser (2006) polarizar o debate como fez Benhabib e Butler é criar uma falsa
antítese entre a Teoria Crítica e o pós-estruturalismo/teorias desconstrutivistas. A autora argumenta
que ao imprimir termos tão dicotômicos a este debate, o movimento feminista perde a oportunidade
de explorar outros caminhos mais promissores:
Por lo tanto, em lugar de aferrarnos a uma serie de falsas antíteses que se
refuerzan mutuamente, podríamos concebir la subjetividad como dotada de
capacidades críticas, y a la vez, culturalmente construída. Analogament,
podríamos entender la crítica, simultáneamente, como situada y capaz de
autorreflexión, como potencialmente radical y sujeta a garantias.
Igualmente, podríamos postular uma relación com la historia que sea a la
vez antifundacionalista y políticamente comprometida, promoviendo al
mismo tiempo um âmbito de historiografias múltiples, contextualizado y
provisionalmente totalizante. Finalmente, podríamos desarrollar uma
concepcion de las identidades colectivas como construídas discursivamente
y a la vez complejas, viables para la acción colectiva y susceptibles de
perplejidade, necesitadas de deconstrucción y recosntrucción. Em síntesis,
podríamos tratar de desarrolllar nuevos paradigmas de teoria feminista que
integrne lãs ideas de la Teoria Crítica com las del postestructuralismo. Tales
paradigmas tendrían importantes benefícios intelectuales y políticos, y
abandonarían finalmente las flasas antíteses de nuestros debates actuales
(FRASER, 2006) 10

No meu entendimento, a discussão de Strathern também contribui para pensar a


problemática do sujeito. Por exemplo, com relação ao entendimento de sociedade, a autora afirma
que na pluralidade da critica radical do feminismo o sistema social é tomado como um dado, não
tendo o objetivo de formular uma teoria independente (holística) da sociedade com a finalidade de
representação. No entanto, no debate feminista, ora o conceito de sociedade é tomado como um
dado que está para além dos interesses da pesquisa feminista, ora é criticado como o lugar no qual
opera uma ideologia masculina que não reconhece o caráter plural do mundo real.

10
Para mim esta passagem resume a posição de Fraser nesta discussão. No texto a autora discute detalhadamente ponto
por ponto suas discordâncias com as autoras. De modo geral, me parece que Fraser pontua uma posição e/e ao invés de
ou/ou, porque para ela esta última cria exclusões que faz com que o debate feminista não avance. Ver também
Nicholson (1995).
14
Para a autora as diferentes posições feministas tomam o debate como proveniente da
experiência vivida, sua base está nas questões relacionadas à reforma e mudanças políticas/sociais.
Portanto, a posição reflexiva e a premissa de aplicação prática são parte da tensão entre uma
posição teórica (o pensamento feminista como atividade intelectual) e um objetivo concreto –
“exorcizar o problema das mulheres”.
Ainda, as acadêmicas feministas aplicam seu saber a conceitos e idéias que operam num
mundo de conflito, no qual as pessoas agem a partir de categorias como “mulheres” ou relações
“homem-mulher”. Nessa concepção, qualquer análise de ideologia é uma análise das próprias
relações sociais. Strathern faz criticas a estas concepções feministas, pois é tomar de antemão, uma
dimensão empírica da análise e conferir um status ontológico a categorias conceituais, à medida que
elas não precisam ser pensadas, tendo em vista que são somente objeto de ação11. Nesse sentido, a
percepção feminista sobre as outras mulheres toma a categoria “mulheres” como um dado e o ponto
de partida da teoria feminista faz com que a teoria se precipite na experiência.
Ao explorar as metáforas ocidentais sobre o discurso social e a dominação, Strathern
mostra como essas categorias pressupõem sempre uma interlocução entre seres pensantes e agentes.
Deste modo, uma pessoa só é sujeito porque não é objeto, assim quando uma pessoa é objetificada
ela se torna automaticamente submetida a um processo de dominação. O debate sobre gênero,
sexualidade, prostituição e pornografia no feminismo está repleto destes exemplos sobre relação
sujeito-objeto-dominação. A mulher tornar-se um objeto, portanto dominada, quando é representada
na pornografia ou quando trabalha no mercado/indústria do sexo. (cf. MACKKINNON, 2000;
BARRY, 1997 e também cf. as críticas a esta concepção e os textos que dão um panorama deste
debate: MACCLINTOCK 1993; RUBIN, 2002; KEMPADOO, 2004 e 1998; CHAPKIS, 1997;
SHRAGE, 2007)
Esse contraste é obtido quando ao analisar a economia de dádivas na Melanésia, a autora
considera a pessoa como uma objetificação de relações. Para ela, na medida em que as pessoas
transformam um conjunto de relações em outro, elas se objetificam, e neste momento, é que de fato,
elas se tornam agentes ativos.
Deste modo, explicito meu acordo com Fernandez e Fraser sobre a necessidade do
feminismo elaborar metáforas diferentes das que tem informado o saber histórico e filosófico, bem
como de pensar o corpo como campo plural, múltiplo, espaço descontinuo, não homogêneo e que
não funcione como delegado ou representante dos outros. Finalizo com o comentário de Strathern
quando situa a produção de seu conhecimento e do sujeito que conhece:

11
Para escapar dessa armadilha a autora opera com o conceito de socialidade, pois ela entende que o interesse
antropológico pela compreensão de sistemas simbólicos contextualizados deve operar com a idéia de uma
indissolubilidade na ação social entre pensamento e ação
15
“(...) não apresentei as idéias melanésias, mas uma análise, do ponto de
vista das preocupações antropológicas e feministas ocidentais, do que
poderiam parecer as idéias melanésias se fosse o caso delas aparecerem na
forma dessas preocupações (...) Procurei mais propriamente expandir as
possibilidades metafóricas de nossa própria linguagem de análise. Isso
significou analisar as metáforas elas mesmas, nesse caso derivadas da
ciência social ocidental, como se elas pudessem ser decomposta,
desmontando-as para reutilizar seus componentes”. (STRATHERN, 2006,
p. 445)

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