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ANALISE DO TEXTO :

O Século XVIII ( a invenção do conceito de homem)


Autor:Francois Laplatine em Aprender Antropologia, Ed. Brasiliense.

 A expansão geográfica e a solidificação do iluminismo na Renascimento fizeram com que o


conceito do homem ficasse restrito ao pensamento (cogito), do qual se excluem os
“diferente” ( loucos, crianças, selvagens, metrosexuais...)
 Mas só no sec. XVIII que se chega a uma ciência do homem ( conhecer o homem de modo
cientifico mesmo). E isso é o inicio da Modernidade, como diz o filosofo frances M.
Foucault, porque “se pode apreender as condições históricas, culturais e epistemologicas de
possibilidades daquilo que vai se tornar a antropologia.”
 O projeto antropologico supõe
◦ a construção de alguns conceitos (homem, por exemplo, deve ser visto como sujeito e
como objeto);
◦ a construção de uma saber, que seja produto da reflexão mas também observação (o
homem é visto na sua dimensão concreta, ou seja, na sua vida social, na sua organização
economica, no seu modo de falar, nas instituições que criou, na cultura que usa, na forma
de ser … Isso tudo significa que esse Saber é empírico (feito por meio da realidade e não
puramente especulativo)
◦ com uma problemática: a diferença – ou seja , a convicção de certeza de tudo da
racionalidade passa a se deparar com o impensado, (com alternativas). Inicia-se a uma
ruptura com o pensamento do mesmo (seja lá o que isso for), com a ideia (muito boba
aliás) que a linguagem precede o homem. Isso tudo anuncia o fim da metafísica, com
uma crise de identidade do humanismo (seja lá o que isso for) e da consciência europeia
(seja lá o que isso for).
◦ Um metodo de observação e analise : o metodo indutivo – os grupos sociais são
analisados como sistemas naturais que devem ser estudados empiricamente, a partir de
observação de fatos reais, a fim de extrair principios gerais, que hoje se chamaria de leis.
Desse naturalismo, surgirá uma “moral natural”, “um direito natural”, e uma “religiao
natural”.
 Esse projeto de conhecimento “positivo” do homem, como se viu acima, foi um evento
considerável na historia da humanidade, pois, embora não tenha sido abrupto, significou a
ruptura com o humanismo do renascimento e do racionalismo da seculo clássico.
 Nos sec XVI e XVII os relatos eram mais uma busca cosmográfica, falando da paisagem e
das riquezas, mas pouco do homem e seus costumes. Só no sec XVII inicia-se a
antropologia social e cultural, propriamente dita.
 Simultaneamente, se antes os viajante colecionavam “curiosidades” que lhes iria garantir
prestigio na corte, no sec. XVIII a questão se torna mais séria: o que coletar? E como tratar
(estudar ) o coletado? É preciso processar a informação. É desse desdobramento, desse
discurso sobre a interpretação dos fatos observados que se iniciará uma nova atividade: a
etnologia.
 No sec. XVIII surgem, portanto, o par: o viajante e o filósofo. O primeiro fazendo viagens
filosoficas, precursoras das missões de estudo contemporâneas, e o segundo, o filosofo, que,
mesmo sem viajar, se debruça sobre o material coletado pelos viajantes.
 Mas há divergência nessa parelha: que pena – diz Rouseau, que os viajantes não sejam
filósofos. É ai que surge a Sociedade dos Observadores do Homem (1799-1805), formada
pelos chamados ideólogos (moralistas, filósofos, naturalistas e medicos), que definem o
objeto do estudo: o homem nos seus aspectos físicos, psíquicos, sociais e culturais.
 O autor enumera dois motivos que dificultaram o advento da antropologia propriamente
cientifica:
◦ A distinção entre saber científico e o saber filosófico não se realizou na pratica: o estudo
biológico precisou esperar Curier; o estudo da repartição da riqueza precisou esperar
Ricardo...é que o conceito de homem no século das luzes permanece ainda muito
abstrato...
◦ O discurso antropológico do sec XVIII está impregnado ainda da concepção de uma
historia natural, liberada da teologia e animado a marcha no cominho de um progresso
universal. O passo adiante só se dará com o advento do evolucionismo.