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COMO VENCER A POBREZA E A DESIGUALDADE

Nilo Gonçalves dos Santos Filho1

Certamente uma das maiores tragédias que circundam a humanidade, desde sua
gênese, é o “fantasma da privação material”.
Passaram-se anos, séculos, milênios, e o homem permanece no mesmo ponto:
quando possui “meios” se tranca em uma torre, com vitrais “fumês”, nos moldes do panóptico
foucaltniano, da qual, de longe, sem ser visto, monitora outrem, sem jamais descer à “cela”,
que a este priva, a fim de prestar-lhe o amparo almejado; doutro lado, quando habita as
“celas”, idealiza soluções para si e para os “companheiros de agonia”, sem, no entanto, ter
meios de trazê-las, satisfatoriamente, à existência.
Partindo deste, ponto, visualizamos claramente as mazelas que colocam a
humanidade no caos hodierno, sendo a primeira, e a pior delas, a indiferença dos que detêm o
“Poder”. Estes, ocupantes da “torre”, têm, via de regra, a praxis da usura e do
“ensimesmamento” exacerbados. No mesmo ínterim, temos outra mazela, que exsurge da
incidência do idealismo e do altruísmo somente nos momentos de “cárcere”, no qual o ser se
vê submetido à privação e ao desconforto; advinda a ascensão à torre, se esvaem a ideologia e
a compaixão e abraça o ascendente a mesma postura de indiferença dos demais que lá estão.
Temos “n” outras mazelas que lançam a humanidade no “poço da desigualdade”.
Contudo, essas duas chagas são notórias e incontestes. Daí, habita no combate a elas a solução
para muitos dos males hodiernos, mormente a pobreza e a desigualdade, que aprisionam e
vilipendiam a raça humana.
Seria utópico de nossa parte afirmar que, na atual conjuntura, é possível promover
um nivelamento das castas que predominam em todas as nações. Fora isso realizável, não
existiria a “miséria”.
Contudo, é preciso reportar à parábola que da conta de um homem que, de manhã,
visitava a praia, onde ao se deparar com centenas de estrelas do mar, lançadas fora pelas
ondas, devolvia ao oceano o máximo que conseguia.
Deste conto, temos algumas lições: a mais importante delas é que, aquela atitude
não resolvia o problema de todas, entretanto, era a diferença entre a vida e a morte para as que
o benfeitor conseguia acudir; outra lição é que, apesar dos poucos recursos, o homem não
permaneceu inerte, provendo “vida” a muitas “desesperançadas” estrelas-do-mar.
A exemplo daquele homem, temos ONG’s, entidades filantrópicas e símiles, com
benfeitores que têm abdicado de parcela de si mesmo em prol da dignificação do próximo e,
aliados às ações afirmativas estatais (bolsa família, sistema de cotas...), têm buscando a
integração dos excluídos (pobres em decorrência da desigualdade), através projetos de
repercussão local, regional, nacional e internacional, que visam dar oportunidades
(desenvolvimento cultural, social e profissional).
Contudo, frente à extensão da pobreza e da desigualdade mundiais, os atuais
benfeitores não conseguem suprir as necessidades dos “encarcerados” pelas privações.
Por isso, a “solução” está na conscientização de todos nós de que, para dar
dignidade a estes, cada um de nós deve se imbuir do espírito daquele homem, devolvendo, ao
“oceano”, onde habita a oportunidade, os que de lá foram lançados fora pelo descaso humano.

1
Acadêmico do 10° Período da Faculdade Atenas de Paracatu-MG – Rua Romualdo Silva Neiva, 201 – bairro
Paracatuzinho – Paracatu-MG, 38 3671 6285; 9952 5605; 3672 1462 – nilosantosfilho@hotmail.com;
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