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Apostila de

Eletrônica

Analógica/Potência
Sumário

1. Dispositivos semicondutores: diodos, tiristores e transistores. Diodos de junção, circuitos


com diodos e diodos especiais. ....................................................................................................... 4
1.1 Materiais extrínsecos tipo n e tipo p (Boylestad) ............................................................ 4
1.2 Diodos semicondutores (Boylestad) ................................................................................. 4
1.3 Tiristores (Apostila)................................................................................................................. 6
1.4 Transistores (Boylestad) ........................................................................................................ 7
2 Características e princípios de operação de dispositivos semicondutores. .................. 10
2.1 Diodos de potência ........................................................................................................... 10
2.2 Tiristores................................................................................................................................. 11
2.3 GTO – Gate turn off thyristor ............................................................................................. 12
2.4 Transistor bipolar de potência - TBP ............................................................................... 13
2.5 Transistor de efeito de campo – MOSFET ....................................................................... 14
2.6 Insulated Gate Bipolar Transistor – IGBT .......................................................................... 14
3 Transistores. Transistores bipolares. Análise para pequenos sinais. Operação como
amplificador. ...................................................................................................................................... 16
3.1 O transistor como amplificador ....................................................................................... 17
3.2 A análise para pequenos sinais ....................................................................................... 18
4 Transistores de efeito de campo (FET). Transistores MOS. Polarização, amplificadores e
características de ganho e freqüência. Amplificadores de sinais de potência................... 21
4.1 Estrutura e operação do MOSFET tipo enriquecimento.............................................. 21
4.2 O MOSFET tipo depleção.................................................................................................. 22
4.3 O MOSFET como amplificador ......................................................................................... 22
4.4 Polarização de circuitos amplificadores MOSFET......................................................... 24
4.5 Amplificadores MOS de estágio simples ........................................................................ 26
4.6 Resposta em freqüência do amplificador FC............................................................... 28
5 Tipos de comutação. Conversores CC/CC. Conversores CC/CA. Conversores CA/CC.
Comutação não dissipativa. Considerações de projetos: proteção de dispositivos e
circuitos de comando. Proteção e comutação de tiristores. .................................................. 30
5.1 Conversores CC/CC .......................................................................................................... 30
5.2 Conversores CC/CA – Inversores..................................................................................... 31
5.3 Conversores CA/CC – Retificadores............................................................................... 31
5.4 Comutação não dissipativa............................................................................................. 32
5.5 Proteção de dispositivos e circuitos de comando....................................................... 33
6 Retificadores, chaveadores e inversores. Operação em onda quadrada e PWM...... 35
6.1 Conversores CA/CC - Retificadores ............................................................................... 35
6.2 Conversores CC/CA - Inversores ..................................................................................... 36
6.3 Modulação em onda quadrada .................................................................................... 38
6.4 Modulação por largura de pulso – PWM ....................................................................... 38
6.5 Conversores CC/CC .......................................................................................................... 39
7 Harmônicos e filtros. Filtros ativos e aspectos frequenciais, filtros butterworth, filtros
chebyshev. Implementação de filtros e resposta em freqüência........................................... 41
7.1 Características dos filtros ativos e seus aspectos relevantes. .................................... 41
7.2 Filtros Butterworth e Chebyshev....................................................................................... 43
7.3 Implementação de Filtros ................................................................................................. 44
8 Características de amplificadores: ganho, eficiência, distorção, ruído, resposta em
freqüência, impedância de entrada e saída, configurações e estabilidade. ..................... 48
8.1 Resposta em freqüência, estabilidade, distorção (boylestad 440) .......................... 48
8.2 Saturação ............................................................................................................................ 50

2
8.3 Eficiência (boylestad – 445).............................................................................................. 50
8.4 Ruídos.................................................................................................................................... 50
8.5 Modos de configuração do amp-op ............................................................................. 51
8.6 Impedância de entrada e saída..................................................................................... 51
8.7 Ganho .................................................................................................................................. 52
8.8 Circuitos amp-ops práticos............................................................................................... 53
9 Amplificadores operacionais. Configurações básicas. Circuitos com amplificadores
operacionais. Amplificadores realimentados e circuitos osciladores. Amplificações não
lineares. ............................................................................................................................................... 55
9.1 Configurações básicas...................................................................................................... 55
9.2 Circuitos amp-ops práticos............................................................................................... 56
9.3 Amplificadores realimentados e circuitos osciladores ................................................ 58
9.4 Aplicações não lineares.................................................................................................... 62
10 Conceitos básicos de circuitos digitais. Blocos lógicos. Álgebra booleana,
realização e minimização de funções booleanas. Portas lógicas. Circuitos
combinacionais. Circuitos seqüenciais. Flip-flops e Memória................................................... 66
10.1 Álgebra Booleana .............................................................................................................. 66
10.2 Portas lógicas ...................................................................................................................... 66
10.3 Tabela da verdade ............................................................................................................ 67
10.4 Circuitos lógicos .................................................................................................................. 67
10.5 Leis Fundamentais e Propriedades da Álgebra Booleana......................................... 68
10.6 Derivação de expressões booleanas ............................................................................. 69
10.7 Mapas de Karnaugh.......................................................................................................... 70
10.8 Circuitos combinacionais.................................................................................................. 72
11 Comparadores, conversores AD/DA, temporizadores, circuitos PLL............................ 77
11.1 Comparadores ................................................................................................................... 77
11.2 Conversores Analógicos/Digitais ..................................................................................... 78
11.3 Temporizadores................................................................................................................... 81
11.4 Malha amarrada por fase – PLL....................................................................................... 83
12 FPGA, Dispositivos lógicos programáveis. Arquitetura de dispositivos FPGA.
Linguagem descritiva de hardware. ............................................................................................. 85
12.1 Arquitetura de dispositivos FPGAs ................................................................................... 85
12.2 Tecnologias de programação......................................................................................... 86
12.3 Arquitetura de blocos lógicos .......................................................................................... 86
12.4 Arquitetura de roteamento .............................................................................................. 86
12.5 Linguagem descritiva de hardware ............................................................................... 87
12.6 Comparação entre VHDL e Verilog................................................................................ 89

3
1. Dispositivos semicondutores: diodos, tiristores e transistores. Diodos de junção,
circuitos com diodos e diodos especiais.

Os semicondutores são sólidos cristalinos de condutividade elétrica intermediária entre


condutores e isolantes. Este tipo de elemento pode ser tratado quimicamente para transmitir e
controlar uma corrente elétrica.
Os materiais semicondutores são essenciais na fabricação de dispositivos eletrônicos tais
como diodos, tiristores, transistores entre outros.
Este texto tem como objetivo apresentar algumas informações a respeito dos dispositivos
semicondutores. Para um melhor entendimento, o texto foi dividido em seções. Na primeira seção
apresenta-se uma breve descrição dos materiais extrínsecos. Em seguida, inicia-se a
apresentação de alguns dos dispositivos semicondutores mais comuns, bem como sua operação
física e características mais relevantes.

1.1 Materiais extrínsecos tipo n e tipo p (Boylestad)

As características dos materiais semicondutores podem ser alteradas significativamente pela


adição de certos átomos de impureza no material. Este processo é chamado de dopagem, e
após essa modificação o material semicondutor passa a ser chamado de material extrínseco.
Existem dois materiais extrínsecos de importância fundamental para a fabricação de um
dispositivo semicondutor: tipo p e tipo n. Ambos são formados pela adição de um número pré
determinado de impurezas em uma base de germânio ou silício.
- Material tipo n: criado através da introdução de impurezas com cinco elétrons de valência
como antimônio, arsênio e fósforo. Após as ligações covalentes, um átomo permanecerá
desassociado de qualquer ligação covalente e estará livre para mover-se dentro do material tipo
n formado.
- Material tipo p: formado através da dopagem do silício ou germânio puro com átomos de
impureza com 3 elétrons de valência (boro, gálio e índio). Após a dopagem existirá um número
insuficiente de elétrons para completar as ligações covalentes da rede recém formada. A lacuna
resultante é chamada de buraco e poderá aceitar rapidamente um elétron livre.
Ambos os materiais p e n são eletricamente neutros.

1.2 Diodos semicondutores (Boylestad)


O diodo é um dos dispositivos mais simples e é formado juntando-se um material tipo n a um
material tipo p, conforme apresentado na Fig. 1.

4
No momento em que os materiais são unidos, os elétrons e buracos na região de junção se
combinam resultando em uma ausência de portadores nessa região próxima a junção.
Essa região de íons positivos e negativos não combinados é chamada de região de
depleção.
A aplicação de uma tensão nos terminais do diodo conduz a 3 possibilidades: nenhuma
polarização (Vd=0), polarização direta (Vd>0) e polarização reversa (Vd<0).

Sem polarização Reversamente polarizado Diretamente polarizado


Fig. 2

Na ausência da tensão de polarização, o fluxo resultante de carga em qualquer direção


para um diodo semicondutor é zero.
Quando um potencial externo Vd é conectado ao diodo de forma que o terminal positivo é
ligado ao material n e o terminal negativo, ao material p, o efeito será um alongamento na região
de depleção.
Em um diodo ideal reversamente polarizado, não há fluxo de corrente e a tensão aplicada
aos terminais irá aparecer como uma queda de tensão. Na prática porém o comportamento do
dispositivo é diferente. A partir da aplicação de uma tensão reversa Vzk (chamada de tensão de
ruptura) o diodo irá conduzir uma corrente Is chamada de corrente de saturação reversa.
Finalmente, a polarização direta é estabelecida quando a tensão no anodo é maior que a
tensão no catodo. Idealmente, nessa condição, passará pelo diodo uma corrente qualquer, e a
queda de tensão é zero. No componente real existirá uma queda de tensão de
aproximadamente 0,7 V, que é o potencial necessário para estabelecer um fluxo de corrente no
dispositivo.
As curvas i-v para um diodo de junção ideal e real são apresentadas na Fig. 3.

Fig. 3

Os diodos são utilizados nas mais diversas aplicações e para cada uma delas é necessário
escolher o dispositivo adequado dentre os diferentes tipos existentes chamados de diodos
especiais.
Diodo zener: Este tipo de diodo tem as polaridades invertidas em ralação ao diodo
convencional, bem como o fluxo de corrente.
Varactores: Junções pn reversamente polarizadas exibem um efeito de armazenamento de

5
cargas que é modelado pela capacitância da camada de depleção Cj (que é função da
tensão reversa Vr). Os varcatores são usados em uma série de aplicações, como na sintonia
automática de receptores de rádios.
Fotodiodos: utilizados para converter sinais luminosos em elétricos. A junção pn reversamente
polarizada quando iluminada, sofre uma quebra de ligações covalentes e, portanto, gera pares
de eletrons-lacunas na camada de depleção. O campo elétrico resultante leva a uma corrente
reversa através da junção. Essa corrente conhecida como fotocorrente é proporcional à luz
incidente.
LEDs: O diodo emissor de luz realiza a função inversa do fotodiodo, ele converte corrente
direta em luz.
Os diodos são utilizados em diversas aplicações, entre as principais pode-se citar a
retificação de tensão (retificador de meia onda, de onda completa e retificador em ponte) e
circuitos limitadores e grampeadores. Abaixo são apresentados dois circuitos, na Fig. 4 o
retificador em ponte para onda completa e na Fig. 5 um limitador.

Fig. 4 Fig. 5

1.3 Tiristores (Apostila)


Tiristor é o nome genérico dado a família dos componentes compostos por 4 camadas
semicondutoras pnpn. O tiristor SCR (Silicon Controled Rectifier) é o mais conhecido e aplicado
dos tiristores e funciona analogamente a um diodo, porém possui um terceiro terminal conhecido
como gatilho (gate ou porta). Esse terminal é responsável pelo controle da condução (disparo).
Em condições normais de operação, para um SCR conduzir, além de polarizado
adequadamente, deve receber um sinal de corrente no gatilho, geralmente um pulso.
Na Fig. 6 são mostradas a simbologia e as camadas e junções de um SCR.

Fig. 6

6
O SCR ideal se comportaria como uma chave ideal, ou seja, enquanto não recebe um sinal
de corrente no gatilho, seria capaz de bloquear tensões de valor infinito, tanto em polarização
direta ou reversa. Bloqueado, o SCR não conduziria. Já quando disparado o SCR se comportaria
como um diodo ideal.
Assim como os diodos, tais características seriam ideais e não se obtém na prática. Os SCRs
têm portanto, limitações de bloqueio de tensão direta e reversa e apresentam fuga de corrente
quando bloqueados. Quando habilitados tem limitações de condução de corrente e queda de
tensão na barreira de potencial das junções causando aquecimento do componente.

Fig. 7

Princípio de funcionamento
Se entre anodo e catodo tivermos uma
tensão positiva, as junções J1 e J3 estarão
diretamente polarizadas, enquanto j2 estará
inversamente polarizada. Não haverá condução
de corrente até que Vak se eleve a um valor
de ruptura que provoque a ruptura da barreira de
potencial em j2.
Se Vgk for positiva, circulará uma corrente
através de J3, desta forma, a junção
reversamente polarizada tem sua diferença de
potencial diminuída e estabelece-se uma corrente
entre anodo e catodo, que poderá persistir
mesmo sem a corrente de porta.
Se Vak for negativa, J1 e J3 estarão
reversamente polarizadas, enquanto J2 estará diretamente polarizada e o bloqueio do
componente é mantido.

Disparo
Existem várias maneiras de disparar o SCR, sendo que a mais usual é o disparo da corrente
de porta. Após entrar em condução, mesmo com a retirada da corrente de porta, o tiristor
permanecerá conduzindo (desde que se mantenha a corrente mínima necessária para isso –
corrente de manutenção).
A comutação ou desligamento do SCR pode ser natural (redução da corrente de anodo a
um valor abaixo da corrente de manutenção) ou forçada (utilizada em circuitos CC por
exemplo).

Aplicações
A principal aplicação dos SCRs é na conversão e controle de grandes quantidades de
potencia em circuitos CC e CA, utilizando uma pequena potência de controle.

1.4 Transistores (Boylestad)

1.4.1 Transistor bipolar de junção – TBJ


O TBJ é um dispositivo semicondutor no qual existe uma camada tipo p entre duas camadas

7
tipo n, ou uma camada tipo n entre duas p. Ambos são mostrados na Fig. 9, sendo que o primeiro
é denominado npn e o segundo pnp.

Fig. 9

Um terminal é conectado a casa uma das três regiões do transistor, sendo denominadas de
emissor (E), base (B) e coletor (C). O transistor consiste em duas junções pn, a junção emissor-base
JEM e a junção coletor-base (JCB). Dependendo do tipo de polarização (direta ou reversa) de
cada uma das junções, são obtidos diferentes modos de operação do TBJ.

Modo JEB JCB


Corte Reversa Reversa
Ativo Direta Direta
Saturação Direta Direta

A polarização do transistor para que este funcione no


modo de operação desejado pode se dar através de três
configurações diferentes: a configuração base-comum,
emissor-comum e coletor-comum.
Para melhor entender o princípio de operação dos
transistores, tomemos como exemplo um tbj pnp na
configuração base-comum.

Avaliando o circuito percebe-se que a junção JEB está reversamente polarizada, enquanto
JCB está diretamente polarizada. Nessa situação a região de depleção JEB é reduzida em largura
devido à tensão aplicada, resultando em um fluxo de denso de corrente do material p para o n.
Já a região de depleção em JBC é aumentada resultando em uma redução do fluxo de corrente.
De acordo com a tabela anterior, pode-se afirmar que o transistor encontra-se na região ativa e
existe no circuito um fluxo de corrente conforme indicado na Fig. 10a.

Fig. 11

Na Fig. 11 apresenta-se o símbolo gráfico para os transistores pnp e npn.


A seta do símbolo gráfico define o sentido da corrente de emissor (fluxo convencional)

8
através do dispositivo. Todos os sentidos de corrente apresentados na Fig. 11 são os sentidos reais,
definidos pelo fluxo convencional.

1.4.2 Transistor de efeito de campo (Field Effect Transistor) – FET

Assim como para o TBJ, no FET a tensão entre dois


terminais controla a corrente que circula no terceiro
terminal.
A família dos dispositivos FET é construída de
vários tipos diferentes de transistores, porém o MOSFET
(transistor de efeito de campo metal oxido condutor)
tornou-se o mais popular.
A Fig. 12 mostra a estrutura física de um MOSFET
tipo enriquecimento canal n.
O transistor é fabricado sobre um substrato do tipo p, onde são criadas duas regiões
fortemente dopadas tipo n (fonte S, e dreno D). Uma fina camada de dióxido de silício (isolante) é
crescida sobre a superfície do substrato, cobrindo a área entre as regiões de fonte e dreno. São
feitos contatos de metal para as regiões de fonte, dreno, porta e corpo.
A principal característica do mosfet é que uma tensão na porta controla o fluxo de corrente
entre fonte e dreno.

Operação sem tensão de porta


Sem uma tensão de polarização aplicada à porta, há dois diodos face a face em série
entre o dreno e a fonte que impedem a circulação de corrente do dreno para a fonte quando
aplicada uma tensão vds.
Para permitir a circulação de corrente, é necessário aplicar uma tensão positiva na porta.
Essa tensão irá atrair os elétrons da região n+ para a região do canal, criando uma região n entre
fonte e dreno. Agora se uma tensão vds for aplicada entre dreno e fonte, haverá um caminho
para a circulação de corrente.
O valor de vgs mínimo para a formação de cana é chamado de tensão de limiar.
A porta o corpo do MOSFET formam um capacitor de placas paralelas. A tensão positiva na
porta cria um campo elétrico que atua na vertical e controla a quantidade de cargas no canal e
conseqüentemente, a corrente que circulará por ele quando aplicada uma tensão vds.

Fig. 13 Fig. 14

9
2 Características e princípios de operação de dispositivos semicondutores.

Os semicondutores são sólidos cristalinos de condutividade elétrica intermediária entre


condutores e isolantes. Este tipo de elemento pode ser tratado quimicamente para transmitir e
controlar uma corrente elétrica.
Os materiais semicondutores são essenciais na fabricação de dispositivos eletrônicos tais
como diodos, tiristores, transistores entre outros.
Este texto tem como objetivo apresentar as características e princípios de operação de
alguns dispositivos semicondutores de potencia. Para um melhor entendimento, o texto foi dividido
em Seções.

2.1 Diodos de potência


Um diodo semicondutor é uma estrutura pn que dentro de seus limites de tensão e de
corrente, permite a passagem de corrente em um único sentido.
A Fig. 1 mostra simplificadamente, a estrutura interna de um diodo.

Fig. 1

Um diodo de potencia, no entanto, tem sua estrutura interna um pouco diferente da


apresentada na Fig. 1. Nestes componentes, existe uma região n intermediaria, com baixa
dopagem. O papel dessa região é permitir ao componente suportar tensões mais elevadas.
Essa região de pequena densidade de dopante dará ao diodo uma significativa
característica resistiva quando em condução. Já no estado bloqueado, pode-se analisar a região
de transição como um capacitor cuja carga é aquela presente na própria região de transição.

Na condução não existe tal carga, no entanto, à


medida que cresce a corrente cria-se uma carga espacial no
catodo, a qual terá que ser removida para permitir a
passagem para o estado bloqueado do diodo.
O comportamento dinâmico do diodo de potencia é
na verdade muito diferente de uma chave ideal.
Na Fig. 3 é ilustrada a característica dinâmica de um
diodo de potencia.
Na entrada em condução (1), o diodo pode ser
considerado um interruptor ideal, pois ele comuta
rapidamente. No bloqueio (2), a corrente do diodo torna-se
negativa por um tempo, chamado de tempo de
recuperação reversa. Durante esse período, são removidos os
portadores de carga armazenados na junção durante a
condução direta.

Tipos de diodos de potencia


- Diodos convencionais – trr não especificado, 50 ou 60Hz.
- Diodos rápidos e ultra rápidos: trr e carga armazenada na capacitância de junção
especificados pelo fabricante. Operação em médias e altas freqüências.
- Diodos Schottky – praticamente não existe tempo de recuperação (carga armazenada
praticamente nula).

10
Fig. 3

2.2 Tiristores
Tiristor é o nome genérico dado a família dos componentes compostos por 4 camadas
semicondutoras pnpn. O tiristor SCR (Silicon Controled Rectifier) é o mais conhecido e aplicado
dos tiristores e funciona analogamente a um diodo, porém possui um terceiro terminal conhecido
como gatilho (gate ou porta). Esse terminal é responsável pelo controle da condução (disparo).
Em condições normais de operação, para um SCR conduzir, além de polarizado
adequadamente, deve receber um sinal de corrente no gatilho, geralmente um pulso.
Na Fig. 4 são mostradas a simbologia e as camadas e junções de um SCR.

Fig. 4

O SCR ideal se comportaria como uma chave ideal, ou seja, enquanto não recebe um sinal
de corrente no gatilho, seria capaz de bloquear tensões de valor infinito, tanto em polarização
direta ou reversa. Bloqueado, o SCR não conduziria. Já quando disparado o SCR se comportaria
como um diodo ideal.
Assim como os diodos, tais características seriam ideais e não se obtém na prática. Os SCRs
têm portanto, limitações de bloqueio de tensão direta e reversa e apresentam fuga de corrente
quando bloqueados. Quando habilitados tem limitações de condução de corrente e queda de
tensão na barreira de potencial das junções causando aquecimento do componente.

Fig. 5

11
Princípio de funcionamento
Se entre anodo e catodo tivermos uma
tensão positiva, as junções J1 e J3 estarão
diretamente polarizadas, enquanto j2 estará
inversamente polarizada. Não haverá condução
de corrente até que Vak se eleve a um valor de
ruptura que provoque a ruptura da barreira de
potencial em j2.
Se Vgk for positiva, circulará uma corrente
através de J3, desta forma, a junção
reversamente polarizada tem sua diferença de
potencial diminuída e estabelece-se uma corrente
entre anodo e catodo, que poderá persistir
mesmo sem a corrente de porta.
Se Vak for negativa, J1 e J3 estarão reversamente polarizadas, enquanto J2 estará
diretamente polarizada e o bloqueio do componente é mantido.

Disparo
Existem várias maneiras de disparar o SCR, sendo que a mais usual é o disparo da corrente
de porta. Após entrar em condução, mesmo com a retirada da corrente de porta, o tiristor
permanecerá conduzindo (desde que se mantenha a corrente mínima necessária para isso –
corrente de manutenção).
A comutação ou desligamento do SCR pode ser natural (redução da corrente de anodo a
um valor abaixo da corrente de manutenção) ou forçada (utilizada em circuitos CC por
exemplo).

Aplicações
A principal aplicação dos SCRs é na conversão e controle de grandes quantidades de
potencia em circuitos CC e CA, utilizando uma pequena potência de controle.

2.3 GTO – Gate turn off thyristor

O GTO possui uma estrutura de 4 camadas


típica dos componentes da família dos tiristores . Sua
característica principal é sua capacidade de entrar
em condução e bloquear através de comandos
adequados no terminal do gate.
O mecanismo de disparo é semelhante ao
SCR: supondo-o diretamente polarizado, quando a
corrente do gate é injetada, é iniciada a circulação
da corrente anódica. Se esta corrente se manter
acima da corrente de manutenção, o dispositivos
não necessita de sinal de gate para manter-se
conduzindo.
A Fig. 7 mostra o símbolo do GTO e uma
representação simplificada dos processos de
entrada e saída de condução do componente.

A aplicação de uma polarização reversa na junção gate-catodo pode levar ao


desligamento do GTO. Aparentemente seria possível tal comportamento também nos SCRs, as
diferenças no entanto, estão no nível da construção do componente.
A curva característica i-v para um GTO é apresentada na Fig. 8.

12
Fig. 8

2.4 Transistor bipolar de potência - TBP

Embora seja um dispositivo tecnologicamente ultrapassado, os TBPs representaram um


importante passo no desenvolvimento de componentes de média potência atingindo tensões de
bloqueio da ordem de 1000 V, conduzindo correntes de 500 A.
A Fig. 9 mostra a estrutura básica de um transistor bipolar de junção.

Fig. 9

A operação normal de um transistor npn é feita com a junção J1 (BE) diretamente


polarizada, e com J2 (BC) reversamente polarizada. O controle da tensão vbe determina a
corrente de base que por sua vez se relaciona com Ic pelo ganho de corrente do dispositivo.
A estrutura dos TBPs é diferente, para suportar tensões elevadas, existe uma camada
intermediária do coletor, com baixa dopagem , a qual define a tensão de bloqueio do
componente.
A Fig. 10 mostra uma estrutura típica de um transistor bipolar de potencia.

Fig. 10

É recomendável que o TBP trabalhe sempre na área de operação segura (AOS) para que
ele não se danifique . O uso preferencial de TBP tipo NPN se deve às menores perdas em relação

13
aos PNP, o que ocorre por causa da maior mobilidade dos elétrons em relação às lacunas,
reduzindo, principalmente, os tempos de comutação do componente.

2.5 Transistor de efeito de campo – MOSFET


O MOSFET (metal-oxide-semiconductor field effect transistor) é um semiconductor
totalmente controlado, através de uma tensão aplicada entre gate e fonte.
Atualmente não existem transistores MOSFET para aplicações em potências mais elevadas.
Os componentes disponíveis tem características típicas na faixa de: 1000V/20A ou 100V/200A. Sua
principal vantagem é a facilidade de acionamento, feita em tensão, e a elevada velocidade de
chaveamento, tornando-o indicado para as aplicações de freqüência elevada (centenas de
kHz).
Para permitir a circulação de corrente no MOSFET é necessário aplicar uma tensão positiva
na porta. Essa tensão irá atrair os elétrons da região n+ para a região do canal criando uma
região n entre fonte e dreno. Agora, se uma tensão vds for aplicada entre o dreno e a fonte
haverá um caminho para a circulação de corrente.

O valor de vgs mínimo para a formação do canal é chamado de tensão de limiar. A


característica estática do MODFET é ilustrada na Fig. 12. A largura do canal depende da tensão
vgs-vds. A medida que aumenta-se vds, o canal se torna mais estreito e sua resistência aumenta
correspondentemente.

Estes transistores, em geral, são de canal N por apresentarem menores perdas e maior
velocidade de comutação, devido à maior mobilidade dos elétrons em relação às lacunas.
A máxima tensão Vds é determinada pela ruptura do diodo reverso. Os MOSFETs não
apresentam segunda ruptura uma vez que a resistência do canal aumenta com o crescimento de
Id. Este fato facilita a associação em paralelo destes componentes.
A tensão Vgs é limitada a algumas dezenas de volts, por causa da capacidade de isolação
da camada de SiO2.

2.6 Insulated Gate Bipolar Transistor – IGBT


O IGBT alia a facilidade de acionamento dos MOSFET com as pequenas perdas em
condução dos TBP. Sua velocidade de chaveamento é superior à dos transistores bipolares. Os
limites atuais de tensão e corrente em dispositivos únicos estão em torno de 2kV e 1000A, o que
indica que tal componente pode ser utilizado (quando associado em série ou em paralelo) em
aplicações de média potência.

14
A estrutura do IGBT é similar à do MOSFET, mas com a inclusão de uma camada P+ que
forma o coletor do IGBT, como se vê na Fig. 13.

Fig. 13

O controle de componente é análogo ao do MOSFET, ou seja, pela aplicação de uma


polarização entre gate e emissor. Também para o IGBT o acionamento é feito por tensão. A
máxima tensão suportável é determinada pela junção J2 (polarização direta) e por J1
(polarização reversa). Como J1 divide 2 regiões muito dopadas, conclui-se que um IGBT não
suporta tensões elevadas quando polarizado reversamente.
Os IGBTs apresentam um tiristor parasita. A construção do dispositivo deve ser tal que evite o
acionamento deste tiristor, especialmente devido às capacitâncias associadas à região P, a qual
relaciona-se à região do gate do tiristor parasita. Os modernos componentes não apresentam
problemas relativos a este elemento indesejado.
A entrada em condução é similar ao MOSFET, sendo um pouco mais lenta a queda da
tensão Vce, uma vez que isto depende da chegada dos portadores vindos da região P+.
A curva característica i-v é apresentada na Fig. 14.

Fig. 14

Conclusão
Neste texto buscou-se fazer um breve relato a respeito dos dispositivos semicondutores de
potencia, suas características e princípios de operação.
Estes componentes são de fundamental importância em aplicações de eletrônica de
potencia, uma ciência que aborda a conversão e controle de fluxo de energia elétrica entre dois
ou mais sistemas distintos.

15
3 Transistores. Transistores bipolares. Análise para pequenos sinais. Operação
como amplificador.

O transistor bipolar de junção TBJ é um dispositivo semicondutor de três terminais : a base, o


coletor e o emissor. Em suma, a tensão de base controla o fluxo de corrente entre o coletor e o
emissor.
Ao longo deste texto será apresentada a estrutura básica do dispositivo, o princípio de
funcionamento, além da análise para pequenos sinais e a operação como amplificador. Para um
melhor entendimento o texto foi dividido em tópicos como segue.
Estrutura do transistor e suas características
O transistor é um dispositivo semicondutor no qual existe uma camada tipo p entre duas tipo
n ou uma camada tipo n entre duas tipo p. O primeiro tipo é o npn e o ultimo o pnp. Os dois tipos
de transistores bipolares são mostrados na Fig. 1

Fig. 1

A polarização DC adequada se faz necessária para estabelecer a região ideal de


operação para a amplificação AC como será mostrado mais a frente. Os terminais são
normalmente indicados pelas letras maiúsculas E – emissor, C – coletor e B – base.
O fluxo de corrente nesses dispositivos ocorre do emissor para o coletor nos transistores pnp e
do coletor para o emissor nos npn.
Em função dessa característica, tem-se o símbolo usado para representar os transistores
vistos na Fig.1, onde a seta no desenho indica o sentido do fluxo da corrente.

Para os dois transistores, a corrente que circula no emissor é a soma da corrente na base
mais a corrente no coletor.
Ie=Ic+Ib

Polarização
As formas como são polarizadas as junções emissor-base e coletor-base, direta ou reversa,
são utilizadas para obter o modo de operação dos transistores.

Modo JEB JCB


Corte Reversa Reversa
Ativo Direta Direta
Saturação Direta Direta

O modo ativo é aquele em que o transistor é usado para operar como amplificador. As
aplicações de chaveamento utilizam os modos de corte e saturação.
As conexões entre os terminais do transistor podem ser feitas em 3 configurações: base
comum, coletor comum e emissor comum, sendo que a ultima é a mais freqüentemente utilizada.

16
3.1 O transistor como amplificador
Para operar como amplificador, um transistor deve ser polarizado na região ativa. O objetivo
da polarização é estabelecer uma corrente CC constante no emissor (ou no coletor). Essa
corrente deve ser previsível e insensível a variações na temperatura.
A necessidade de manter uma corrente constante no coletor provem do fato de que a
operação do transistor como amplificador é altamente influenciada pelo valor de polarização da
corrente.
Para entender o funcionamento do transistor como amplificador, considere o circuito
idealizado na Fig. 3.

No circuito, a junção emissor-base está diretamente polarizada


pela bateria VBE. A polarização reversa da junção coletor-base é
estabelecida pela conexão da fonte DC de alimentação VCC através do
resistor RC. O sinal de entrada a ser amplificado está representado pela
fonte de tensão vbe.
Para que o circuito opere no modo ativo, a tensão no coletor (VC)
deve ser maior que a tensão na base (VB) por um valor que permita
oscilações com amplitude razoáveis no sinal de coletor e ainda
mantenha o transistor na região ativa o tempo todo.

Corrente de coletor e transcondutância


Quando o sinal vbe é aplicado conforme indicado na Fig. 3, a tensão emissor-base
instantânea total vBE torna-se:

Se vbe << Vt é feita a aproximação para pequenos sinais e a corrente no coletor (ic) pode
ser escrita como:

Ic=corrente de polarização
Vt =tensão de limiar
vbe=sinal aplicado
Ic/Vt=Gm=transcondutância

Nos TBJs a transcondutância é diretamente proporcional a corrente de polarização do


coletor Ic. Logo, para obter um valor previsível e constante para Gm, necessita-se um valor
previsível e constante de Ic.
Uma interpretação gráfica de Gm é apresentada na Fig. 4.

Fig. 4

17
Na Fig. 4 ilustra-se a operação linear do transistor na condição de pequenos sinais: um sinal
pequeno vbe com forma de onda triangular é sobreposto q tensão CC VBE. Ela dá origem ao sinal
de corrente de coletor ic com forma de onda também triangular, sobreposta a corrente CC
Ic.ic=Gm.vbe.
A aproximação para pequenos sinais implica manter a amplitude do sinal suficientemente
pequena de modo que a operação fique restrita ao seguimento linear da curva exponencial da
Fig.4. Aumentar a amplitude do sinal resultará em uma corrente de coletor com componentes
não-lineares.
Conclui-se que para vbe<<Vt, o transistor se comporta como uma fonte de corrente
controlada por tensão.

Corrente de base e resistência de entrada


A resistência de entrada para pequenos sinais entre base e emissor e a corrente de base,
olhando para o terminal da base é dado por:

Corrente de emissor e resistência de entrada no emissor

A relação entre rπ e re é dada por:

Ganho de tensão
A excitação de um transistor por um sinal vbe na base-emissor faz com que uma corrente
proporcional a gm .vbe circule pelo terminal de coletor em uma alta impedância. Desse modo o
transistor age como uma fonte de corrente controlada por tensão. Para obter um sinal de tensão
na saída, deve-se forçar a corrente a circular por um resistor, conforme ilustra a Fig. 3.
O ganho de tensão desse amplificador é:

Onde: vc=-ic.Rc=-gm.vbe.Rc

3.2 A análise para pequenos sinais


Enquanto o transistor permanecer em operação para pequenos sinais é possível fazer a sua
analise através de modelos equivalentes para pequenos sinais.
Esses modelos são obtidos pelo teorema da superposição considerando apenas os efeitos
das pequenas variações de tensão e corrente.
Na análise em pequenos sinais, as fontes de tensão CC serão distribuídas por curtos-circuitos,
enquanto as fontes de corrente por circuitos abertos.
São apresentados a seguir os modelos equivalentes para pequenos sinais, o modelo π e o
modelo T (são deduzidos para o transistor npn mas os conceitos valem para o pnp também).

Modelo π híbrido
Esse modelo representa o TBJ como uma fonte de corrente controlada por tensão. Este é o
modelo mais utilizado para o TBJ.
Um modelo equivalente ligeiramente diferente pode ser obtido expressando –se a corrente
da fonte controlada em termos da corrente de base.

18
Modelo T
Embora o modelo π seja satisfatório para a maior parte das análises, há algumas situações
em que o modelo T é mais apropriado. Assim como para o modelo π, no modelo T, o TBJ pode ser
representado por uma fonte de corrente controlada por tensão ou por uma fonte de corrente
controlada por corrente.

Diferente do modelo π-hibrido, o modelo T mostra explicitamente a resistência de emissor re,


enquanto o π-hibrido mostra a resistência de base rπ.
Tanto o modelo π-hibrido, quanto o modelo T rendem bons resultados, porém se maior
precisão for requerida é aconselhável o uso do modelo π-hibrido expandido.
Nesse modelo considera-se a presença do Efeito Early. Este efeito faz com que a corrente de
coletor dependa não apenas de vBE, mas também de vCE. A dependência de vCE pode ser
modelada atribuindo-se uma resistência finita na saída da fonte de corrente controlada do
modelo π-hibrido.

Modelo π-hibrido expandido (sedra antigo)

Va – tensão Early
Ic – corrente de polarização CC

O modelo π-hibrido para altas freqüências


Quando o transistor trabalha em altas freqüências é necessário considerar os efeitos
capacitivos do modelo. Especificamente, há duas capacitâncias: a de emissor-base (cπ) e a de
coletor-base (Cµ).
O circuito do modelo π-hibrido para altas freqüências é apresentado na Fig. 8.

19
Fig. 8

Conhecidos os modelos equivalentes para pequenos sinais, sua aplicação para a análise do
TBJ em operação com pequenos sinais faz da analise de circuitos amplificadores com transistores
um processo sistemático.
O processo consiste nos seguintes passos.
1 – Determinar o ponto de operação CC do TBJ e em particular o valor de Ic.
2 – Calcular os parâmetros gm, rπ e re.
3 – Eliminar as fontes CC substituindo: a fonte de tensão CC por curto e a fonte de corrente
CC por circuito aberto.
4 – Substituir o TBJ pelo modelo equivalente mais adequado.
5 – Análise do circuito resultante para determinar as grandezas de interesse.

20
4 Transistores de efeito de campo (FET). Transistores MOS. Polarização,
amplificadores e características de ganho e freqüência. Amplificadores de sinais
de potência.

O transistor de efeito de campo – FET (Field Effect Transistor), é um dispositivo de três


terminais. Assim como o TBJ (transistor bipolar de junção) a tensão entre dois terminais do FET
controla a corrente que circula no terceiro terminal. Correspondentemente, o FET pode ser usado
tanto como amplificador quanto como chave.
Um tipo particular de FET, o transistor de Efeito de campo tipo metal oxido
semicondutor(MOSFET) tornou-se extremamente popular. Comparado aos TBJs os transistores MOS
podem ser feitos com dimensões muito pequenas e seu processo de fabricação é relativamente
simples. Devido a esses fatores entre outros, atualmente a tecnologia MOS tem sido aplicada
extensivamente ao projeto de circuitos integrados analógicos e digitais.

4.1 Estrutura e operação do MOSFET tipo enriquecimento


A Fig. 1 mostra a estrutura física de um MOSFET tipo
enriquecimento canal n. O transistor é fabricado sobre um
substrato tipo p, onde são criadas duas regiões fortemente
dopadas tipo n (fonte – S e dreno – D). Uma fina camada de
dióxido de silício (isolante) é crescida sobre a superfície do
substrato, cobrindo a área entre as regiões de fonte e dreno.
São feitos contatos de metal para as regiões de fonte, dreno,
porta e corpo.
A principal característica do MOSFET é que uma tensão
na porta controla o fluxo de corrente entre a fonte e o dreno.
Na ausência de uma tensão de porta, há dois diodos face a face em série entre fonte e
dreno que impedem a circulação de corrente do dreno para a fonte quando aplicada uma
tensão vds.
Para permitir a circulação de corrente, é necessário aplicar uma tensão positiva na porta.
Essa tensão irá atrair os elétrons da região n+ para a região do canal, criando uma região n entre
fonte e dreno. Agora, se uma tensão vds for aplicada entre dreno e fonte, haverá um caminho
para a circulação de corrente (Fig. 2).

Fig. 2

O valor de vgs mínimo para a formação de canal é chamado de tensão de limiar


(Threshold) e é representado por Vt. Para um FET canal n, Vt é positivo e tipicamente está dentro
de uma faixa de 1 a 3 V.
A porta e o corpo do MOSFET formam um capacitor de placas paralelas com a camada de
óxido agindo como dielétrico do capacitor. A tensão positiva na porta faz com que cargas
positivas se acumulem na parte de cima da placa do capacitor. A carga negativa corresponde à
placa de baixo e é formada pelos elétrons do canal induzido. Portanto, um campo elétrico está
atuando na direção vertical. É esse campo que controla a quantidade de carga no canal. Logo,
ele determina a condutividade e, por sua vez a corrente que circulará pelo canal quando vgs for
aplicada.

21
Aumento de vds
Mantendo-se vgs constante, com um valor maior que Vt e aumentando-se vds observa-se
que o canal induzido sofre um estreitamento e sua resistência aumente correspondentemente. Se
vds continuar aumentando a profundidade do canal no final do dreno diminui até próximo de
zero e dizemos que o canal está estrangulado (Fig. 3).

Fig. 3

O gráfico da Fig. 3 apresenta o comportamento de iD versus vds. Na curva são identificadas


duas regiões: triodo e saturação.Se não houver a formação de canal, diz-se que o transistor está
em corte.

4.2 O MOSFET tipo depleção


Sua estrutura é similar a do MOSFET tipo enriquecimento, com uma diferença importante,:
ele possui um canal implantado fisicamente. Portanto, se a tensão vds for aplicada entre dreno e
fonte, circulará corrente iD com vgs=0. Em outras palavras, não há necessidade de induzir um
canal.
A profundidade do canal e portanto sua condutividade podem ser controladas por vgs,
exatamente do mesmo modo para o dispositivo tipo enriquecimento.

4.3 O MOSFET como amplificador


Para entender o funcionamento do MOSFET como amplificador consideramos o circuito
amplificador conceitual da Fig. 4. Ele utiliza um MOSFET tipo enriquecimento polarizado por uma
tensão VGS, com o sinal de entrada a ser amplificado vgs, superposto à VGS. A tensão de saída é
tomada no dreno.

Fig. 4

Para que o MOSFET possa operar como amplificador, inicialmente ele deve ser polarizado
em um ponto dentro da região de saturação.

Ponto de polarização CC
Fazendo vgs=0 encontra-se a corrente de dreno através de:

22
A tensão CC no dreno, VDS ou simplesmente VD (já que S é aterrado), será:

Para garantir a operação na região de saturação devemos ter:

Sinal de corrente no terminal do dreno


Considerando o sinal vgs aplicado, a tensão instantânea porta-fonte será:

Na condição de pequenos sinais, a corrente de dreno instantânea total iD pode ser expressa
por:

Onde id é dado por:

O parâmetro que relaciona id com vgs é a transcondutância gm dada por:

A Fig. 6 apresenta uma representação gráfica da operação em pequenos sinais para o


amplificador MOSFET tipo enriquecimento.

Fig. 6

23
Ganho de tensão
O ganho de tensão no amplificador é dado por:

Para o amplificador da Fig. 4 apresenta-se as tensões instantâneas vgs e VD.

A fim de garantir a operação linear, é necessário que o sinal de entrada vgs tenha
amplitude menor que 2(VGS-Vt) que é a condição para pequenos sinais.
Para operar na região de saturação o tempo todo, o valor mínimo de Vd não deve ser
menor do que o valor correspondente de vG acima de Vt. Além disso, o valor máximo de vD deve
ser menor que VDD.

Fig. 7

Quando o MOSFET opera na região de saturação, também atua como fonte de corrente
controlada por tensão: mudanças na tensão porta-fonte vGS dão lugar a correspondentes
mudanças na corrente de dreno iD. Conseqüentemente, o MOSFET saturado pode ser utilizado
para implementar um amplificador de transcondutância.
Para obter uma amplificação linear a partir de um dispositivo não linear que é o transistor,
utiliza-se a polarização em CC do MOSFET. Para operar em certo vGS apropriado e um
correspondente ID , e então superpor o sinal de tensão a ser amplificado vgs sobre a tensão de
polarização CC VGS.

4.4 Polarização de circuitos amplificadores MOSFET


A polarização consiste no estabelecimento de um ponto de operação CC apropriado. Este
ponto é caracterizado por uma corrente de dreno ID previsível e estável e uma tensão de CC de
dreno-fonte que determine a operação no modo de saturação quaisquer que sejam os níveis de
sinal de entrada esperados.

Polarização de amplificadores discretos


A Fig. 8 mostra um arranjo de polarização muito empregado quando o circuito é

24
alimentado com uma única fonte de alimentação. O divisor de tensão (RG1 e RG2) estabelece
uma tensão fixa na porta e o resistor de antipolarização RS está conectado à fonte. RD deve ser o
menor possível para se obter elevado ganho, mas pequeno suficiente para permitir uma larga
excursão do sinal de dreno mantendo o MOSFET na saturação.

Fig. 8 Fig. 9

Quando duas fontes de alimentação são disponíveis a montagem de polarização


apresentadas na Fig. 9 pode ser empregada. O circuito tem o mesmo princípio de funcionamento
do circuito da Fig. 8. RG estabelece um terra CC na porta e ao mesmo tempo é resistência de
entrada para uma possível fonte de sinal capacitivamente acoplado a porta.
Na Fig. 10 são apresentadas outras duas configurações. Em Fig. 10a uma fonte de corrente
constante I é conectada ao terminal de fonte e estabelece I=ID. Já o circuito da Fig. 10b emprega
um circuito de realimentação RG que força a tensão CC na porta a ser igual a do dreno.

Fig. 10a Fig. 10b

Polarização de amplificadores em CIs


Os circuitos mostrados anteriormente não são adequados para a polarização de
amplificadores MOS em CIs, devido ao fato de fazerem extensivo uso de resistores.
Diante desses fatores, o circuito conhecido como espelho de corrente é amplamente
utilizado para a polarização de amplificadores MOS em CIs.
Quando dois transistores do circuito são idênticos, a corrente de referencia é replicada no
terminal de saída (Iref=Io). O ganho de corrente ou razão de transferência é descrito pela equação
abaixo (I=ID2).

25
4.5 Amplificadores MOS de estágio simples

Amplificador Fonte –comum


É a mais amplamente utilizada de todos os circuitos amplificadores de MOSFET.
Para fixar a fonte um terra para sinal ou um terra CA, é utilizado um capacitor de alto valor
Cs, entre fonte e terra. Esse capacitor é necessário para prover uma impedância muito baixa em
todas as freqüências de interesse.
O amplificador FC também pode vir acompanhado de uma resistência de fonte Rs. Essa
resistência pode ser utilizada para controlar a amplitude do sinal vgs.
Ambas as configurações são apresentadas a seguir:

Fonte comum Fonte comum com resistência


Rin=RG
Av=-gm.(ro||RD||RL)
Rout=ro||RD Rout=RD

Modelo π para pequenos sinais.


Característica inversora

Amplificador porta –comum


Se estabelecermos um terra para sinal no terminal de porta do MOSFET é obtida a
configuração porta-comum.

26
Rin=1/gm
Av=gm.(RD||RL)
Rout=RD

Não é inversor.
Rin baixa.
Atua como amplificador de corrente com ganho unitário.
Modelo T. Desconsiderar ro.

Amplificador dreno –comum


O terra para sinal é estabelecido no dreno. Conhecido popularmente como seguidor de
fonte. Conhecido popularmente como seguidor de fonte.
O amplificador seguidor de fonte apresenta uma resistência de entrada muito alta,
resistência de saída baixa e ganho de tensão menor, mas muito próximo da unidade.
Utilizado normalmente como um amplificador casador de tensão com ganho unitário.

Rout=RO||1/gm≈1/gm

Tabela resumo:

27
4.6 Resposta em freqüência do amplificador FC
O ganho do amplificado FC é dependente da freqüência do sinal de entrada. Um esboço
da resposta em freqüência para o amplificador é mostrado na Fig. 15.
Para o amplificador FC, o ganho é praticamente constante na faixa de freqüências médias.
A queda do ganho na faixa de baixas freqüências é decorrente do fato que, embora Cc1, Cc2 e
Cs sejam capacitores elevador, à medida que a freqüência do sinal é reduzida, as impedâncias
dos capacitores aumentam e eles deixam de funcionar como curtos-circuitos.
Por outro lado, a queda no ganho na faixa de altas freqüências deve-se ao fato de que,
embora Cgs e Cgd (capacitâncias internas do MOSFET) sejam pequenas, suas impedâncias
diminuem substancialmente em altas freqüências e não podem mais ser considerados circuitos
abertos.
Obviamente, a faixa de freqüências médias é a faixa útil de operação do amplificador. fL e
fH são as freqüências em que o ganho cai 3dB abaixo de seu valor na faixa de freqüências
médias. A faixa de passagem é definida por:
BW=fH-fL

28
29
5 Tipos de comutação. Conversores CC/CC. Conversores CC/CA. Conversores
CA/CC. Comutação não dissipativa. Considerações de projetos: proteção de
dispositivos e circuitos de comando. Proteção e comutação de tiristores.

A Eletrônica de potencia é a ciência que se ocupa do processamento da energia elétrica


visando obter maior eficiência e qualidade.
Os métodos empregados na eletrônica de potencia baseiam-se na utilização de
dispositivos semicondutores operados em regime de chaveamento para realizar o controle de
fluxo de energia e a conversão de formas de onda de tensões e correntes entre fontes e cargas.
O condicionamento de energia elétrica é feito por meio de circuitos eletrônicos chamados
de conversores estáticos que permitem converter a energia elétrica em corrente alternada para
corrente continua e vice-versa.
O presente texto tem como objetivo fazer um breve relato à respeito dos conversores
estáticos de potencia, bem como algumas considerações de projeto como a proteção e circuitos
de comando de dispositivos semicondutores.
A Fig. 1 mostra um esquema onde são identificados os principais tipos de conversores
estáticos.

Fig. 1

5.1 Conversores CC/CC


Este tipo de conversor é aplicado em situações onde a fonte de alimentação disponível é
em corrente continua e a carga necessita de uma tensão CC variável.
A tensão fixa é convertida em uma tensão CC variável através de técnicas de modulação
por freqüência ou por largura de pulso (mais utilizada).
Os conversores CC-CC podem ser comparados a um transformador CA com relação de
espiras continuamente variável, permitindo assim, elevar ou abaixar a tensão que é aplicada na
carga.

Os conversores CC-CC podem ser classificados em abaixadores e/ou elevadores de tensão.


Entre as várias topologias de conversores CC-CC (Buck, Boost, Buck-boost, Forward, Flyback,
etc.) apresenta-se como exemplo o conversor Buck ilustrado na Fig. 2

Fig. 2

O conversor Buck é um abaixador de tensão muito utilizado devido as boas características


obtidas. Seu funcionamento baseia-se, no armazenamento de energia em um indutor sob forma

30
de corrente (a mesma corrente que circula pela carga) e com tensão de saída dependente da
largura dos pulsos da chave S.

5.2 Conversores CC/CA – Inversores


O conversor CC/CA tem como objetivo converter a tensão continua (CC) em uma tensão
alternada (CA) com freqüência e amplitude desejada.
Os inversores tem ampla aplicação no controle de motores de corrente alternada,
aquecimento indutivo, sistemas no-break e sistemas de potencia.
Podem aparecer em duas topologias, meia ponte e ponte completa. A Fig. 3 mostra o
circuito simplificado de um conversor CC/CA monofásico de ponte completa.

Fig.2

O funcionamento do conversor CC/CA baseia-se no chaveamento dos IGBTs várias vezes


por ciclo gerando um trem de pulsos.
Imagine que o circuito de lógica de controle que aciona os IGBTs, ligue-os de 2 a 2 na
seguinte ordem:
- Primeiro tempo: T1 e T4 ligados, T3 e T2 desligados . Nessa situação, T1 e T4 conduzem, e a
tensão VCC é aplicada à carga. A corrente circula do ponto B para o ponto A.
O resultado dos chaveamentos é uma onda quadrada de
magnitude VCC na carga.
VAB=VAO-VBO

Caso aumente-se a freqüência de chaveamento dos IGBTs,


também aumenta a freqüência da tensão alternada na carga.
Como os transistores operam como chaves (corte ou
saturação) a forma de saída do inversor é senoidal e contem
certas harmônicas. Na prática, o uso da modulação por largura
de pulso (PWM) torna a tensão de saída mais próxima da
senoidal.
A estrutura para um conversor CC/CA trifásico pode ser
obtida pelo acréscimo de mais uma perna no inversor da Fig. 3.

5.3 Conversores CA/CC – Retificadores


O fornecimento de energia elétrica é feito essencialmente a partir de uma rede de
distribuição em corrente alternada, no entanto, em algumas aplicações, a carga exige uma
tensão continua. A conversão CA/CC é realizada por conversores chamados retificadores.

Os retificadores são classificados segundo a sua capacidade de ajustar o valor da tensão

31
de saída (controlado X não controlado); de acordo com o número de fases da tensão alternada
de entrada; e em função do tipo de conexão dos elementos retificadores (meia ponte X ponte
completa).
Os retificadores não controlados são aqueles que utilizam diodos como elemento de
retificação, enquanto os controlados usam tiristores ou transistores.
A titulo de exemplo, apresenta-se na Fig. 5, uma ponte retificadora tiristorizada monofásica
alimentando uma carga resistiva.
No primeiro semi-ciclo da tensão Vin, os tiristores T1 e T4 estarão diretamente polarizados
aguardando que o sinal de disparo seja aplicado no gate. Após o ângulo de disparo α, os tiristores
entram em corte e a corrente para de fluir pelos dispositivos. Nesse instante, T2 e T3 são polarizados
diretamente possibilitando a entrada em condução.
Na Fig. 5(b) são apresentadas as formas de onda Vin e Vo.

5.4 Comutação não dissipativa


Os conversores apresentados as seções anteriores tem o principio de funcionamento
baseado na utilização de dispositivos semicondutores operando em regime de chaveamento.
Nas topologias em que as chaves semicondutoras comutam a corrente total da carga a
cada ciclo, elas ficam sujeitas a picos de potencia que colaboram para o stress do componente,
reduzindo a vida útil do mesmo.
Quando se aumenta a freqüência de chaveamento buscando reduzir o tamanho dos
elementos de filtragem e dos transformadores, as perdas de comutação se tornam mais
significativas, sendo em ultima análise , as responsáveis pela freqüência máxima de operação dos
conversores.
Por outro lado, caso a mudança de estado das chaves ocorra quando tensão e/ou
corrente por elas for nula, o chaveamento se faz sem dissipação de potencia. Algumas topologias
básicas possibilitam a comutação não dissipativa.
Nos conversores ressonantes a carga vista pelo conversor é formada por um circuito
ressonante e uma fonte de tensão e corrente. O dimensionamento adequado do par L/C faz com
que a corrente e/ou a tensão se invertam, permitindo o chaveamento dos interruptores em
situação de corrente e/ou tensão nulas, eliminando as perdas de comutação.
Um exemplo de conversor ressonante com carga em série (SRL) é apresentado na Fig.6.

Fig. 6

Nos conversores quase ressonantes procura-se associar as técnicas de comutação suave


presentes nos conversores ressonantes às topologias usualmente empregadas em fontes (Buck,
boost, cuk, etc).
Os conversores quase ressonantes associam as chaves semicondutoras a um circuito
ressonante (composto por um indutor e um capacitor) de modo que as mudanças de estado das
chaves ocorram sempre sem dissipação de potência, seja pela anulação da corrente (ZCS: zero
current switch), seja pela anulação da tensão (ZVS: zero voltage switch).
A Fig. 6 mostra estruturas das chaves ressonantes, as quais, substituindo os interruptores nas
topologias básicas, permitem operá-los sempre em comutação suave.

32
Fig. 7

Se os interruptores são implementos de forma que seja possível a passagem da corrente


apenas num sentido, ele é dito de meia onda. Se a corrente poder circular com ambas as
polaridades, tem-se o interruptor de onda completa.
Na Fig. 7 apresenta-se os circuitos do conversor Buck convertido para operar com ZCS e ZVS.
Note que a única alteração é a substituição do interruptor simples pelos interruptores descritos
anteriormente.

Fig.8

5.5 Proteção de dispositivos e circuitos de comando


Os circuitos de comando devem proporcionar aos semicondutores o sinal adequados e no
instante desejado para que esses componentes entrem em condução corretamente.
Para os tiristores entrem, por exemplo, existem requisitos fundamentais para o projeto do
circuito de comando e disparo.
- O sinal do gatilho deve ter amplitude adequada e tempo de subida curto.
- A largura do pulso de gatilho deve ser maior que o tempo necessário para a corrente
anodo-catodo passar o valor da corrente de retenção.
- O sinal de gatilho deve ser removido após o disparo (evitar perdas).
- Quando reversamente polarizado é desaconselhável haver sinal de gatilho.
- Em circuitos 3φ garantir a defasagem de 120º nos sinais.

Basicamente, existem 3 tipos de sinais de disparo: sinais AC, sinais CC e sinais pulsados. A
partir de uma avaliação do tipo de circuito decide por um dos 3 métodos.
Proteção
Em circuitos tiristorizados existem diferentes tensões em diversos pontos. O circuito de
potencia que o tiristor controla é submetido a tensões elevadas, já o circuito do controle do
disparo é alimentado com baixas tensões.
Portanto, é necessário um circuito que isole eletricamente o tiristor e seu circuito de controle
e os mantenha acoplados.
A isolação e o acoplamento podem ser feitos por:
Acopladores magnéticos: transformadores de pulso
Acopladores ópticos: opto acopladores

33
Os circuitos de disparo e os acopladores devem ser conectados aos gatilhos dos tiristores
através de um ou mais componentes de proteção. A fig. 8 apresenta um circuito com os
componentes de proteção do gatilho do SCR.

Fig. 8

Rgk: reduz tempo de desligamento e aumenta correntes de retenção e manutenção.


Dgk: proteger o gatilho contra tensões negativas.
Cgk: remove componentes de ruídos de alta freqüência
R1: limita a corrente de gatilho
D1: garante a unidirecionalidade da corrente de disparo.

34
6 Retificadores, chaveadores e inversores. Operação em onda quadrada e
PWM

A Eletrônica de potencia é a ciência que se ocupa do processamento da energia elétrica


visando obter maior eficiência e qualidade.
Os métodos empregados na eletrônica de potencia baseiam-se na utilização de
dispositivos semicondutores operados em regime de chaveamento para realizar o controle de
fluxo de energia e a conversão de formas de onda de tensões e correntes entre fontes e cargas.
O condicionamento de energia elétrica é feito por meio de circuitos eletrônicos chamados
de conversores estáticos que permitem converter a energia elétrica em corrente alternada para
corrente continua e vice-versa.
Este texto tem como objetivo fazer um breve relato a respeito dos conversores estáticos de
potencia e sua operação em onda quadrada e pwm.
A Fig. 1 mostra um esquema onde são identificados os principais tipos de conversores
estáticos.

Fig. 1

6.1 Conversores CA/CC - Retificadores


O fornecimento de energia elétrica é feito essencialmente a partir de uma rede de
distribuição em corrente alternada, no entanto, em algumas aplicações, a carga exige uma
tensão continua. A conversão CA/CC é realizada por conversores chamados retificadores.
Os retificadores são classificados segundo a sua capacidade de ajustar o valor da tensão
de saída (controlado X não controlado); de acordo com o número de fases da tensão alternada
de entrada (monofásico, trifásico, hexafásico, etc); e em função do tipo de conexão dos
elementos retificadores (meia ponte X ponte completa).
Os retificadores não controlados são aqueles que utilizam diodos como elemento de
retificação, enquanto os controlados usam tiristores ou transistores.
Usualmente topologias em meia ponte não são aplicadas. A principal razão é que, nesta
conexão, a corrente média da entrada apresenta um nível média diferente de zero. Topologias
de ponte completa absorvem uma corrente média nula da rede, não afetando assim elementos
eletromagnéticos.
A Fig. 2 mostra um retificador monofásico não controlado de ponte completa.

Fig. 2

35
Durante os semi-ciclos positivos da tensão de entrada, Vsin é positivo e a corrente é
conduzida por D1, o resistor R e diodo D4. Enquanto isso D2 e D3 estão em estarão reversamente
polarizados. No semi-ciclo negativo, ocorrerá a situação inversa, D2 e D3 conduzirão enquanto D1
e D4 estarão em corte.
No retificador não controlado a amplitude da tensão de saída CC é determinada pela
amplitude da tensão de alimentação CA. Como pode observar-se na Fig. 2, a saída CC não é
pura e contém componentes CA significativas, as quais recebem o nome de ondulação. Para
eliminá-la costuma-se inserir um filtro depois do retificador.
Quando é necessária a obtenção de uma tensão de saída CC variável é preciso substituir os
diodos por SCRs. Com essa substituição obtém-se o retificador controlado ou retificador
controlado por fase.
Este circuito produz uma tensão CC variável cuja amplitude é obtida por meio de controle
de fase, isto é, com o domínio do período de condução, variando o ponto no qual um sinal na
porta é aplicado ao SCR.
Ao contrário do diodo, o SCR não conduz automaticamente quando diretamente
polarizado, para tanto, um pulso deverá ser aplicado à porta. Se o tempo de retardo do pulso na
porta for ajustado, e esse processo for executado repetidamente, então, a saída do retificador
poderá ser controlada.
Um retificador de onda completa em ponte é apresentado na Fig. 3.

Fig. 3

Os SCRs disparam aos pares, com um ângulo de retardo igual a α. A estrutura para um
retificador trifásico pode ser obtido pelo acréscimo de mais uma perna no retificador.
Os retificadores controlados fornecem potencia CC para várias aplicações, como controle
de velocidade para motores CC, carregadores de bateria e transmissão CC em alta tensão.

6.2 Conversores CC/CA - Inversores


Os inversores são circuitos estáticos (isto é, não tem partes móveis) que convertem potencia
CC em potencia CA com freqüência e tensão ou corrente de saída desejada. A tensão de saída
tem uma forma de onda periódica que, embora não senoidal, pode, com uma boa aproximação
chegar a tal.
Há vários tipos de inversores, classificados de acordo com o numero de fases, com a
utilização de semicondutores de potencia, com os princípios de comutação e com as formas de
onda da saída.
Esses dispositivos são usados em muitas aplicações industriais, incluindo controles de
velocidade para motores síncronos e de indução, aquecimento por indução, fontes de
alimentação de funcionamento continuo (UPS) e transmissão em alta tensão.
O funcionamento de um inversor básico pode ser entendido através do circuito em meia
ponte mostrado na Fig. 4.

36
Fig. 4

As chaves S1 e S2 ligam e desligam a fonte CC à carga de modo alternado, o que produz


uma forma de onda retangular CA.

Tensão de
Estado S1 S2
saída
1 + - +E
2 - - 0
3 - + -E
4 + + 0

Os inversores de fonte de tensão VSI são os mais usados. Neles, a tensão da fonte de
entrada CC é essencialmente constante e independente da corrente puxada pela carga. A
tensão de entrada CC pode vir de uma fonte independente, como uma bateria, ou pode ser a
saída de um retificador controlado. Um capacitor de valor grande é colado em paralelo com a
entrada da linha CC para o inversor. O capacitor garante que os eventos de chaveamento não
alterem de modo significativo a tensão CC. Ele carrega e descarrega, de acordo com a
necessidade de fornecimento de uma saída estável. O inversor converte a tensão de entrada CC
em uma onda quadrada CA na saída da fonte.
Um VSI em ponte completa é apresentado na Fig. 5. As chaves são passadas para os
estados ligado e desligado por pares em diagonal. Assim, ou as chaves S1 e S4 ou S2 e S3 vão
para o estado ligado em um semi-ciclo (T/2). Portanto, a fonte CC fica ligada de maneira
alternada à carga, em direções opostas. A freqüência de saída é controlada pelo abrir e fechar
das chaves.

37
Estado S1 S2 S3 S4 Tensão de saída
1 On Off Off On +E
2 Off On On Off -E
3 On Off Off On +E
4 Off On On Off -E

6.3 Modulação em onda quadrada


As leis de modulação são numerosas, a mais simples talvez seja a que produz uma onda
retangular, numa freqüência constante (eventualmente até zero – sinal CC), porém ajustável.
Uma tensão positiva é aplicada à carga quando S1 e S4 conduzirem. A tensão negativa é
obtida complementarmente. O papel dos diodos associados às chaves é garantir um caminho
para a corrente caso a carga apresente característica indutiva.
Este tipo de modulação não permite o controle da amplitude nem o valor eficaz da tensão
de saída, a qual poderia ser variada apenas se a tensão de entrada E fosse ajustável.
Uma alternativa para ajustar o valor eficaz da tensão de saída e eliminar algumas
harmônicas é a chamada onda quase quadrada, na qual se mantém um nível de tensão nulo
sobre a carga durante certo período (Fig. 5b).

6.4 Modulação por largura de pulso – PWM


Outra forma de obter sinal alternado em baixa freqüência é através de uma modulação em
alta freqüência.
De maneira análoga, é possível obter esse tipo de modulação ao se comparar uma tensão
de referencia (que seja imagem da tensão de saída buscada), com um sinal triangular simétrico,
cuja freqüência determine a freqüência de chaveamento.
A freqüência da onda triangular (chamada portadora) deve ser, no mínimo 10 vezes
superior à máxima freqüência da onda de referencia, para que se obtenha uma reprodução
aceitável do sinal de referencia, agora modulado, na forma de onda sobre a carga, após
efetuada a adequada filtragem.
A largura do pulso de saída do modulador varia de acordo com a amplitude relativa da
referencia em relação com a portadora (triangular). Tem-se, assim, uma modulação por largura
de pulso , denominada, em inglês como Pulse Width Modulation (PWM).
A tensão de saída que é aplicada a carga é formada por uma sucessão de ondas
retangulares de amplitude igual a tensão de alimentação CC e duração variável (Fig. 6).

Fig. 6
É possível ainda, obter uma modulação a 3 níveis (positivo, negativo e zero). Este tipo de
modulação apresenta menor conteúdo harmônico.
A geração de um sinal de 3 níveis é feita de acordo com a seguinte seqüência.
- Durante o semi-ciclo positivo, S1 permanece sempre ligado;
- O sinal PWM é enviado a S4 e o mesmo sinal barrado é enviado a S2.
- No semi-ciclo negativo, que permanece conduzindo é S3.
- O sinal PWM é enviado a S2 e o sinal barrado vai para S4.

38
Fig. 7
6.5 Conversores CC/CC
Este tipo de conversor é aplicado em situações onde a fonte de alimentação disponível é
em corrente continua e a carga necessita de uma tensão CC variável.
A tensão fixa é convertida em uma tensão CC variável através de técnicas de modulação
por freqüência ou por largura de pulso (mais utilizada).
Os conversores CC-CC podem ser comparados a um transformador CA com relação de
espiras continuamente variável, permitindo assim, elevar ou abaixar a tensão que é aplicada na
carga.
O valor médio da tensão de saída varia quando se altera a proporção do tempo no qual a
saída fica ligada à entrada. Essa conversão pode ser obtida pela combinação de um indutor
e/ou capacitor e um dispositivo de estado sólido que opere no modo de chaveamento em alta
freqüência.
Há duas espécies fundamentais de conversores CC/CC: step-down ou Buck e step-up ou
boost. O Buck fornece uma tensão de saída menos ou igual a tensão de entrada; o boost fornece
tensão de saída maior ou igual a entrada.
As aplicações típicas para os conversores CC/CC incluem controle de motores CC para
tração elétrica., chaveamento de alimentadores de potencia elétrica e equipamentos operados
por bateria.

Conversor Buck

Fig. 8
Com a chave conduzindo (diodo cortado), transfere-se energia da fonte para o indutor e
para o capacitor. Quando S desliga, o diodo conduz, dando continuidade à corrente no indutor.
A energia armazenada em L é entregue ao capacitor e a carga.
Enquanto o valor instantâneo da corrente pelo indutor for maior que a corrente na carga, a
diferença carrega o capacitor. Quando a corrente for menor, o capacitor se descarrega suprindo
a diferença a fim de manter constante a corrente na carga.
Se a corrente pelo indutor não vai a zero durante a condução do diodo diz-se que o circuito
opera no modo de condução contínuo. Caso contrário tem-se o modo descontínuo.
O conversor Buck é um abaixador de tensão muito utilizado devido as boas características
obtidas.

Conversor Boost
Quando S é ligada, a tensão E é aplicada ao indutor. O diodo fica reversamente polarizado
(pois Vo>E). Acumula-se energia em L, a qual será enviada ao capacitor e à carga quando S
desligar. Também neste caso, tem-se a operação no modo continuo e descontinuo.

39
Fig. 9

Tanto o conversor Buck quanto o boost, tem a tensão de saída dependente da largura dos
pulsos na chave S. A técnica de chaveamento mais utilizada é a PWM e é feita de forma similar à
apresentada para o conversor CC/CA.
A diferença é que para os conversores CC/CC a onda de referencia é uma onda CC. Um
circuito simplificado para o controle da tensão de saída de um conversor Buck através da
modulação por largura de pulso é apresentado na Fig. 10

Fig. 10

40
7 Harmônicos e filtros. Filtros ativos e aspectos frequenciais, filtros butterworth,
filtros chebyshev. Implementação de filtros e resposta em freqüência.

Os filtros separam sinais desejados de sinais indesejados, bloqueiam sinais de interferência,


fortalecem sinais de voz e vídeo e alteram sinais para outras evoluções. Um filtro deixa passar uma
banda de freqüências e rejeita outra.

7.1 Características dos filtros ativos e seus aspectos relevantes.


A tecnologia mais antiga para a execução de filtros, faz uso de indutores e capacitores e os
circuitos resultantes são chamados de filtros passivos LC. Esses filtros funcionam bem em altas
freqüências, porém, em aplicações de baixas freqüências (até 100 kHz), os indutores necessários
são volumosos e suas características não são ideais.
Além disso, esses indutores não podem ser produzidos na forma monolítica (em CIs) e são
incompatíveis com quaisquer técnicas modernas de montagem de sistemas eletrônicos. Portanto,
o interesse em obter filtros que não necessitam de indutores é considerável. Dos vários tipos
possíveis de filtros sem indutores, iremos ver com detalhes os filtros ativos RC e os filtros com
capacitores chaveados.
Os filtros ativos RC utilizam amp ops junto com resistores e capacitores e são fabricados
usando a tecnologia discreta, a tecnologia híbrida de filmes espessos ou a tecnologia híbrida de
filmes finos. Contudo, para a produção em alta escala, essas tecnologias não são tão
econômicas quanto as obtidas pela fabricação monolítica.
Em contrapartida, uma excelente alternativa para as aplicações que necessitam de um
baixo custo, é o método de capacitores chaveados. Essa topologia utiliza apenas capacitores, de
forma a reproduzir o comportamento de resistores, tornando a partilha de circuito integrado
menor.
Os filtros, de uma forma geral, são utilizados com o intuito de selecionar certas freqüências,
que são as freqüências de interesse para uma determinada aplicação, e estão dentro da faixa
especificada do espectro de freqüências.

7.1.1 Transmissão e função de transferência de filtros


A função de transferência do filtro é dada por:

A transmissão do filtro é representada em termos de seu módulo e fase por:

O módulo da amplitude é sempre expresso em dB em termos da função de ganho:

Ou alternativamente pela função de atenuação:

7.1.2 Tipos de filtros e características ideais


Cada filtro tem idealmente uma faixa de freqüência (ou faixas) na qual o módulo da
amplitude é unitário (faixa de passagem) e a faixa de freqüências (ou faixas) na qual o módulo
da transmissão é zero (faixa de bloqueio).
Na Fig. 1, temos uma representação dos quatro tipos principais de filtros: passa-baixas (PB),
passa-altas (PA), passa-faixa (PF) e rejeita-faixas (RF).

41
Essas características idealizadas, em virtude de suas bordas verticais, são conhecidas como
respostas tipo barreira.

7.1.3 Especificação de um filtro


As respostas ideais apresentadas anteriormente são impossíveis de realizar em circuits
práticos. A especificação de um filtro deve ser feita com base em parâmetros que determinam
uma transmissão aceitável para o filtro, que pode aproximar-se mais ou menos do caso ideal. No
entanto, quanto mais se pretender um filtro próximo do ideal, mais complexo será o circuito
eletrônico respectivo.

A transmissão de um filtro passa-baixo por exemplo é especificada com 4 parametros:


1 – borda da faixa de passagem, wp
2 – variação máxima permitida na transmissão da faixa de passagem, Amax
3 – borda da faixa de bloqueio, ws
4 – atenuação mínima necessária para a faixa de bloqueio.

As especificações para os outros tipos de filtros são feitas com base em parâmetros

42
análogos.
Como na prática, um circuito físico não pode mudar abruptamente na faixa de
passagem, as especificações da Fig. anterior apresentam uma faixa de freqüências na qual a
atenuação aumenta de cerca de 0dB a Amin. Essa faixa de transição se estende de wp a ws.
A razão de ws/wp é usada como medida da nitidez do filtro passa-baixas e é chamada de
fator de seletividade.
Quanto mais rigorosa for a especificação de um filtro, mais próxima será a resposta desse
filtro da ideal. Porém, o circuito do filtro resultante, deverá ser de ordem mais alta e, portanto, mais
complexo e de maior custo.

7.2 Filtros Butterworth e Chebyshev


Duas funções são normalmente usadas na aproximação das características de transmissão
dos filtros, são elas a aproximação de Butterworth e a aproximação de Chebyshev. A seguir serão
apresentadas as aproximações Butterworth e Chebyshev para um filtro passa-baixas mas as
funções de aproximação podem ser utilizadas para o projeto de outros filtros pelo uso das
transformações de freqüência.

7.2.1 Filtro Butterworth


A Fig. 3 mostra um esboço da resposta em freqüência de um filtro butterworth . Esse filtro,
que é um passa-baixas, exibe uma diminuição monotônica na transmissão com todos os zeros de
transmissão em w=∞, tornando-o um filtro somente de pólos.
A função de módulo para um filtro Butterworth de n-ésima ordem, com a borda da faixa de
passagem (wp), é dada por:

O parâmetro ɛ determina a variação máxima


da transmissão na faixa de passagem (AMAX), de
acordo com:

Observe que, na resposta do filtro Butterworth,


o desvio máximo da transmissão na faixa de
passagem ocorre apenas na borda dessa faixa de
passagem. Quanto maior for a ordem N do filtro,
mais plana será a sua resposta e mais próximo do
ideal a resposta se aproximará.

7.2.2 Filtro Chebyshev


A Fig. 11.12 mostra funções de transmissão representativas para os filtros Chebyshev
de ordens par e ímpar.

43
O filtro Chebyshev exibe uma resposta de equiondulação na faixa de passagem e
uma diminuição monotônica da transmissão na faixa de bloqueio. Enquanto o filtro de
ordem ímpar possuir |T(0)|=1, o filtro de ordem par exibirá seu desvio máximo de módulo
em w=0. Em ambos os casos, o número total de valores máximos e mínimos da faixa de
passagem é igual à ordem N do filtro. Todos os zeros de transmissão dos filtros Chebyshev
são em w=∞, fazendo com que ele se torne um filtro somente de pólos.
O módulo da amplitude da função de transferência de um filtro Chebyshev de n-
ésima ordem com uma borda da faixa de passagem wp é dado por:

O parâmetro ɛ determina a variação máxima da transmissão na faixa de passagem (AMAX),


de acordo com:

O filtro Chebyshev proporciona uma aproximação mais eficiente do que o filtro Butterworth.
Logo, para a mesma ordem e para o mesmo Amáx, o filtro Chebyshev proporciona uma maior
atenuação para a faixa de bloqueio do que o filtro Butterworth.

7.3 Implementação de Filtros


Os filtros de primeira e segunda ordem podem ser ligados em cascata para obter
filtros de ordens mais altas. O projeto em cascata é realmente, um dos métodos mais
populares para o projeto de filtros ativos que utilizam circuitos RC e amp-ops
Abaixo apresenta-se alguns tipos de filtros e sua implementação através de circuitos
RC – amp op

44
Tipo de filtro Curva de bode Implementação
Passa-baixas

Passa-altas

Genérico

O filtro passa-todas é mostrado abaixo. Embora sua transmissão seja idealmente constante
em todas as freqüências, sua fase mostra uma seletividade em freqüência. Este tipo de filtro é
usado como deslocadores de fases.

45
Passa todas

Um dos problemas existentes para a produção na forma de CIs dos filtros ativos RC, é a
necessidade de capacitores de altos valores (o que é difícil de obter nos circuitos integrados) e de
constantes de tempo RC precisas (já que devido ao processo de fabricação dos CIs, nem sempre
consegue-se controlar totalmente os processos.
A saída natural a esses problemas foi procurar uma alternativa que não dependesse desses
fatores, foi então que surgiu a técnica de filtro ativos com capacitores chaveados.
A técnica de filtros com capacitores chaveados está baseada na hipótese de que um
capacitor chaveado entre dois nós de um circuito, operando a uma taxa suficientemente alta, é
equivalente à conexão de um resistor entre esses dois nós. Ou seja, o chaveamento do capacitor
no circuito “simula” o comportamento de um resistor.
Para permitir uma melhor compreensão do seu funcionamento, considere o integrador RC
ativo mostrado na Fig. 5, que é o integrador Miller. Na mesma figura temos esse integrador
implementado apenas com capacitores e dois transistores MOS funcionando como chaves.

As duas chaves MOS são acionadas por um clock de duas fases não-superpostas. Na
primeira fase o capacitor C1 está conectado à entrada, fazendo com que ele se carregue. Já na
segunda etapa, o segundo transistor irá conectar o capacitor ao amp op, fazendo com que a
carga armazenada apareça na saída.
A constante que relaciona o capacitor com uma resistência equivalente (Req) é dada pela
seguinte relação.

Onde Tc é o período de chaveamento.

46
A precisão das razões dos capacitores na tecnologia MOS pode ser controlada até em uma
faixa de 0,1%. Como os capacitores ocupam tipicamente áreas relativamente grandes de
pastilha do CI, é importante observar que essas precisões são obtidas com capacitores de valores
tão baixos quanto 0,2pF.

47
8 Características de amplificadores: ganho, eficiência, distorção, ruído, resposta
em freqüência, impedância de entrada e saída, configurações e estabilidade.

Os amplificadores operacionais são circuitos que realizam operações matemáticas como


soma, subtração, integração e derivação do ponto de vista do sinal. O amplificador operacional
é um dispositivo de 3 terminais sendo duas entradas (inversora e não inversora) e uma saída.
Além destes 3 terminais, existem ainda dois terminais que são conectados à fonte de
alimentação (geralmente simétrica).
O símbolo do componente e a forma como se conecta à fonte é vista na Fig. 1.

Fig. 1

O ponto de referencia aterrado nos circuitos dos amp-ops é justamente o terminal comum
da fonte simétrica, isto é, não há nenhum terminal do encapsulamento do amp-op fisicamente
acoplado ao terra.
O amp-op é projetado para operar com um sensor da diferença entre os sinais de tensão
aplicados em seus terminais de entrada, multiplicando-se ente vetor por um número A (que é o
ganho diferencial do amplificador), que resulta na tensão de saída: vo=A(v2-v1).
Em um amp-op ideal é suposto que nenhuma corrente de entrada é drenada, isto é, a
corrente do sinal no terminal 1 e 2 são ambas iguais a zero. Ou seja, a impedância de entrada do
amp-op é supostamente infinita.
O terminal 3 é suposto como se fosse o terminal de uma fonte de tensão ideal. Isto é, a
tensão entre o terminal 3 e o terra é sempre igual a A(v2-v1) e será independente da corrente que
possa ser drenada do terminal 3 por uma impedância da carga. Ou seja, a impedância de saída
do amp-op ideal é supostamente igual a zero.

8.1 Resposta em freqüência, estabilidade, distorção (boylestad 440)


Um amp-op ideal é projetado para ser um amplificador de alto ganho, com ampla banda-
passante. Esta operação tende a ser instável (oscilar) devido aos efeitos de realimentação
positiva. Para que seja assegurada uma operação estável, os amp-ops são construídos com
circuitos de compensação interna que podem reduzir o ganho em malha aberta com o aumento
da freqüência. Essa redução no ganho é chamada de roll-off. Em muitos amp-ops o roll-off ocorre
numa taxa de -20dB por década.
Embora as especificações do amp-op listem o ganho de tensão em malha aberta, o usuário
conecta, normalmente utiliza resistores de realimentação para reduzir o ganho do circuito a um
valor muito menor.
Vários benefícios são obtidos com a redução do ganho:
ƒ O ganho de tensão do amplificador é mais estável e preciso quando estabelecido por
resistores externos.
ƒ A impedância de entrada do circuito assume um valor maior que do amp-op isolado.
ƒ A impedância de saída do circuito assume um valor menor do que do amp-op isolado.
ƒ A resposta em freqüência do circuito ocupa uma faixa maior que do amp-op isolado.

8.1.1 Ganho – Banda passante


Devido aos circuitos de compensação interna existentes em um amp-op, o ganho de
tensão cai com o aumento da freqüência.
A Fig. 2 mostra uma curva do ganho versus freqüência para um amp-op típico.

48
Em baixas freqüências, próximo a operação dc, o ganho é dado por AVD (ganho de tensão
diferencial) e é tipicamente um valor muito grande.
Quando a freqüência do sinal de entrada aumenta, o ganho de malha aberta cai, até
finalmente atingir o valor unitário. A freqüência neste valor de ganho é especificada pelo
fabricante como banda passante de ganho unitário, B1.
Embora esse valor seja associado a uma freqüência na qual o ganho torna-se 1, pode ser
considerada também uma largura de faixa, pois representa a banda de freqüências de 0Hz até a
freqüência que proporciona o ganho unitário (f1).

Fig. 2

Outra freqüência de interesse esta representada na Fig. 3 é a freqüência em que o ganho


cai 3 dB (ou para 0,707 do ganho AVD), sendo esta a freqüência de corte do amp-op, fc.
A freqüência de ganho unitário e a freqüência de corte estão relacionadas por:

8.1.2 Taxa de subida


Parâmetro que reflete a capacidade do amp-op de operar com sinais variantes.

Se ao amp-op for aplicado um sinal com taxa de variação de tensão maior que a taxa de
subida, a saída não será capaz de variar suficientemente rápido, e não cobrirá a faixa completa
esperada, resultando em um sinal ceifado ou distorcido. A saída não será uma versão amplificada
do sinal de entrada se a taxa de subida não for respeitada.

8.1.3 Máxima freqüência do sinal


A máxima freqüência de sinal em que um amp-op pode operar depende da banda
passante(B) e da taxa de subida (TS).
Para um sinal senoidal da forma:

Para evitar distorção na saída, a taxa de variação deve ser menor que a taxa de subida, isto é:
2πfK≤TS
wK≤TS
Tal que:

49
8.2 Saturação
Dizemos que o amp-op está saturado quando o sinal de saída não pode mais variar
sua amplitude. Na prática o nível de saturação é da ordem de 90¢ do valor de ±Vcc.
Assim, por exemplo, se o amp-op é alimentado com ±15V, a saída alcançará uma
saturação positiva de aproximadamente 13,5 V, e uma saturação negativa de
aproximadamente -13,5 V. As Figs. abaixo representam graficamente este efeito.

8.3 Eficiência (boylestad – 445)


Os fabricantes fornecem um grande número de gráficos para descrever o desempenho do
amp-op. A Fig. 2 inclui algumas curvas de desempenho típicas comparando várias características
em função da fonte de tensão. O ganho de tensão em malha aberta aumenta a medida que
aumenta o valor da fonte de tensão.

Fig. 4

Uma outra curva de desempenho mostra como o consumo de potencia varia em função
da fonte de tensão. O consumo de potencia aumenta com valores maiores de fontes de tensão.
Por exemplo, enquanto a dissipação de potencia é cerca de 50mW com Vcc=±15V, ela cai para
5mV com Vcc=±5V. As duas outras curvas mostram como as resistências de entrada e saída são
afetadas pela freqüência.

8.4 Ruídos
Chama-se de ruído os sinais elétricos
indesejáveis que podem aparecer nos
terminais de qualquer dispositivo eletro-

50
eletrônico. Motores elétricos, linhas de transmissão, descargas atmosféricas, radiações
eletromagnéticas, etc, são as principais fontes de ruídos.
Um método prático para diminuir (paliar) os efeitos dos ruídos consiste em melhorar
o terra do circuito e dos equipamentos envolvidos.
Utilizando circuitos integrados se obtem uma boa proteção contra os ruídos conectando um
capacitor de ordem de 0,1µF entre o + Vcc e o - Vcc do Amp-op e a terra. O capacitor deriva as
correntes parasitas, normalmente de alta freqüência, que se produzem nos condutores que
alimentam o circuito.
Quando os amp-ops utilizam a realimentação negativa, a possibilidade de penetração de
ruído pelas entradas de sinal, assim como os que podem aparecer na saída é bastante reduzida.

8.5 Modos de configuração do amp-op


8.5.1 Sem alimentação
Ou configuração em malha aberta. O ganho do amp-op vem determinado pelo
fabricante, por tanto não se tem controle sobre ele. Este tipo de configuração é muito útil
em circuitos comparadores.

8.5.2 Com realimentação positiva (configuração não-inversora)


Configuração em malha fechada. Tem o incoveniente de desestabilizar o circuito.
Uma aplicação prática se dá nos circuitos osciladores.

8.5.3 Com realimentação negativa (configuração inversora)


Modo de configuração mais importante em circuitos com amplificadores
operacionais. Suas aplicações são numerosas: somador, diferenciador, integrador, etc.

8.6 Impedância de entrada e saída

8.6.1 Impedância de entrada


A impedância de entrada aumenta consideravelmente com a configuração
inversora conforme indica a equação:

Onde: Zif é a impedância de entrada do circuito;


B é o ganho de realimentação

51
A é o ganho em malha aberta (definido pelo fabricante)

8.6.2 Impedância de entrada


A impedância de saída diminui consideravelmente conforme indica a equação:

8.7 Ganho

8.7.1 Configuração Inversora


Os sinais a serem aplicados às entradas do amplificador operacional podem ser conectados
de duas formas: na entrada inversora e não-inversora.
Um circuito onde o sinal de entrada é conectado a entrada inversora é mostrado na Fig. 2.

Fig. 2

Para analisar este circuito é preciso lembrar que devido ao ganho A ser muito alto, a tensão
que aparece no terminal positivo será praticamente igual ao que aparece no terminal negativo
(v2≈v1). Dizemos então que existe um curto-circuito virtual entre os terminais de entrada. Isso nos
permite que para o circuito analisado a tensão zero presente no terminal positivo aparecerá no
terminal negativo.
A partir dessa consideração e lembrando que a impedância de entrada do amp-op é
infinita, garantindo que nenhuma corrente entre no dispositivo, poderemos calcular o valor do
ganho em malha fechada.
v1 v1
v+ = 0 i1 = i2 i1 = v0 = 0 − i2 .R2 = − .R2
R1 R1
Sendo assim, podemos calcular o ganho vo/vi que será:

R2 v R
v 0 = − vi . ⇒ 0 =− 2
R1 vi R1

O ganho em malha fechada é simplesmente a razão das duas resistências R2 e R1.


O sinal menos significa que o ganho em malha fechada provoca uma inversão no sinal
de saída com relação ao sinal de entrada.
A dependência dos componentes passivos externos R1 e R2 significa que podemos
fazer o ganho em malha fechada tão preciso quanto a precisão dos componentes
passivos selecionados. Isso significa também que o ganho em malha fechada é
idealmente independente do ganho do amp-op.
O amplificador tem um ganho A muito elevado, e pela aplicação de uma
realimentação negativa obtivemos um ganho em malha fechada R2/R1 que é menor
que A, porém estável e preciso. Isto é, negociamos o ganho pela precisão.
Na prática porém para que a dependência entre o ganho em malha fechada G, e
o ganho em malha aberta seja reduzido é necessário fazer:

52
8.7.2 Configuração não -inversora
Se o sinal de entrada for aplicado no terminal da entrada não inversora como mostra a Fig.
3, pode-se utilizar as mesmas condições da análise anterior.
O sinal vi irá aparecer no terminal de entrada inversora, onde iniciaremos nossa análise.
vi
i1 = v0 = vi + i2 .R2 i1 = i2
R1
v1
Sendo assim: v0 = vi + .R2
R1
⎛ R ⎞ v R
v0 = vi ⎜⎜1 + 2 ⎟⎟ ⇒ o = 1 + 2
⎝ R1 ⎠ vi R1

Ou seja, o valor do ganho em malha fechada é igual a 1 mas a razão R2/R1 que é o ganho
positivo.

Fig. 3

8.8 Circuitos amp-ops práticos


O amp-op pode ser conectado a uma grande variedade de circuitos estabelecendo várias
possibilidades operacionais.

Circuito seguidor de tensão


O circuito seguidor de tensão mostrado na Fig. 4 fornece um ganho unitário sem inversão de
polaridade ou fase.

Fig. 4

A propriedade de alta impedância de entrada na configuração não inversora é uma


característica muito desejável. Ela permite a utilização do circuito como um amplificador isolador
(Buffer) para conectar um estágio com uma alta impedância de saída a uma baixa impedância.

Circuito somador

53
No circuito somador, a tensão de saída é a soma ponderada dos sinais de entrada v1, v2,
v3, ..., vn.

Fig. 5

Circuito integrador inversor


O circuito de um integrador inversor é apresentado na Fig. 6. Nesse circuito coloca-se um
capacitor no caminho de realimentação.

Fig. 6

O circuito da Fig. 6 realiza a operação matemática de integração. Este circuito é inversor e


também conhecido como integrado Miller. Os integradores podem ser empregados para gerar
ondas triangulares em resposta a ondas quadradas aplicadas na entrada.

O circuito diferenciador inversor


Intercambiar a posição do capacitor com a do resistor no circuito integrador, resulta no
circuito da Fig. 7, que realiza a função matemática de diferenciação.

Fig. 7

A resposta em freqüência do circuito diferenciador pode ser entendida como um filtro


passa-altas com constante de tempo simples e freqüência de corte infinita.
O circuito diferenciador, por sua própria característica de funcionamento, faz com que ele
seja um diferenciador de ruídos, o que o torna pouco utilizado.

54
9 Amplificadores operacionais. Configurações básicas. Circuitos com
amplificadores operacionais. Amplificadores realimentados e circuitos
osciladores. Amplificações não lineares.

Os amplificadores operacionais são circuitos que realizam operações matemáticas como


soma, subtração, integração e derivação do ponto de vista do sinal. O amplificador operacional
é um dispositivo de 3 terminais sendo duas entradas (inversora e não inversora) e uma saída.
Além destes 3 terminais, existem ainda dois terminais que são conectados à fonte de
alimentação (geralmente simétrica).
O símbolo do componente e a forma como se conecta à fonte é vista na Fig. 1.

Fig. 1

O ponto de referencia aterrado nos circuitos dos amp-ops é justamente o terminal comum
da fonte simétrica, isto é, não há nenhum terminal do encapsulamento do amp-op fisicamente
acoplado ao terra.
O amp-op é projetado para operar com um sensor da diferença entre os sinais de tensão
aplicados em seus terminais de entrada, multiplicando-se ente vetor por um número A (que é o
ganho diferencial do amplificador), que resulta na tensão de saída: vo=A(v2-v1).
Em um amp-op ideal é suposto que nenhuma corrente de entrada é drenada, isto é, a
corrente do sinal no terminal 1 e 2 são ambas iguais a zero. Ou seja, a impedância de entrada do
amp-op é supostamente infinita.
O terminal 3 é suposto como se fosse o terminal de uma fonte de tensão ideal. Isto é, a
tensão entre o terminal 3 e o terra é sempre igual a A(v2-v1) e será independente da corrente que
possa ser drenada do terminal 3 por uma impedância da carga. Ou seja, a impedância de saída
do amp-op é idealmente igual a zero.

9.1 Configurações básicas


Os sinais a serem aplicados às entradas do amplificador operacional podem ser conectados
de duas formas: na entrada inversora e não-inversora.
Um circuito onde o sinal de entrada é conectado a entrada inversora é mostrado na Fig. 2.

Fig. 2

Para analisar este circuito é preciso lembrar que devido ao ganho A ser muito alto, a tensão
que aparece no terminal positivo será praticamente igual ao que aparece no terminal negativo
(v2≈v1). Dizemos então que existe um curto-circuito virtual entre os terminais de entrada. Isso nos
permite que para o circuito analisado a tensão zero presente no terminal positivo aparecerá no
terminal negativo.
A partir dessa consideração e lembrando que a impedância de entrada do amp-op é

55
infinita, garantindo que nenhuma corrente entre no dispositivo, poderemos calcular o valor do
ganho em malha fechada.
v1 v1
v+ = 0 i1 = i2 i1 = v0 = 0 − i2 .R2 = − .R2
R1 R1
Sendo assim, podemos calcular o ganho vo/vi que será:

R2 v R
v 0 = − vi . ⇒ 0 =− 2
R1 vi R1
Ou seja, o ganho em malha fechada para uma configuração inversora é a razão entre as
resistências R1 e R2.

Se o sinal de entrada for aplicado no terminal da entrada não inversora como mostra a Fig.
3, pode-se utilizar as mesmas condições da análise anterior.

Fig. 3

O sinal vi irá aparecer no terminal de entrada inversora, onde iniciaremos nossa análise.
vi
i1 = v0 = vi + i2 .R2 i1 = i2
R1
v1
Sendo assim: v0 = vi + .R2
R1
⎛ R ⎞ v R
v0 = vi ⎜⎜1 + 2 ⎟⎟ ⇒ o = 1 + 2
⎝ R1 ⎠ vi R1
Ou seja, o valor do ganho em malha fechada é igual a 1 mas a razão R2/R1 que é o ganho
positivo.

9.2 Circuitos amp-ops práticos


O amp-op pode ser conectado a uma grande variedade de circuitos estabelecendo várias
possibilidades operacionais.

Circuito seguidor de tensão


O circuito seguidor de tensão mostrado na Fig. 4 fornece um ganho unitário sem inversão de
polaridade ou fase.

Fig. 4

56
A propriedade de alta impedância de entrada na configuração não inversora é uma
característica muito desejável. Ela permite a utilização do circuito como um amplificador isolador
(Buffer) para conectar um estágio com uma alta impedância de saída a uma baixa impedância.

Circuito somador
No circuito somador, a tensão de saída é a soma ponderada dos sinais de entrada v1, v2,
v3, ..., vn.

Fig. 5

Circuito integrador inversor


O circuito de um integrador inversor é apresentado na Fig. 6. Nesse circuito coloca-se um
capacitor no caminho de realimentação.

Fig. 6

O circuito da Fig. 6 realiza a operação matemática de integração. Este circuito é inversor e


também conhecido como integrado Miller. Os integradores podem ser empregados para gerar
ondas triangulares em resposta a ondas quadradas aplicadas na entrada.

O circuito diferenciador inversor


Intercambiar a posição do capacitor com a do resistor no circuito integrador, resulta no
circuito da Fig. 7, que realiza a função matemática de diferenciação.

Fig. 7

A resposta em freqüência do circuito diferenciador pode ser entendida como um filtro


passa-altas com constante de tempo simples e freqüência de corte infinita.
O circuito diferenciador, por sua própria característica de funcionamento, faz com que ele
seja um diferenciador de ruídos, o que o torna pouco utilizado.

57
9.3 Amplificadores realimentados e circuitos osciladores
A técnica de realimentação é bastante utilizada em circuitos com amplificadores
operacionais. Dependendo da polaridade relativa do sinal que é realimentado no circuito,
podemos ter realimentação positiva ou negativa.
A realimentação negativa produz uma redução no ganho de tensão, trazendo várias
vantagens à alguns circuitos. Realimentação positiva leva o circuito a oscilar, produzindo vários
tipos de circuitos osciladores.
Uma conexão típica de realimentação está exposta na Fig. 8.

Fig. 8

Se o sinal de realimentação tiver polaridade oposta ao sinal de entrada, conforme a Fig. 8, a


realimentação é negativa. Há redução do ganho de tensão total, mas várias melhorias são
obtidas, entre as quais pode-se citar.
1 – Impedância de entrada mais alta;
2 – Ganho de tensão mais estável;
3 – Resposta em freqüência melhorada;
4 – Impedância de saída mais baixa;
5 – Ruído reduzido;
6 – Operação mais linear.

Tipos de conexão de realimentação


Há quatro maneiras básicas de se realizar a realimentação. Tanto a tensão como a corrente
podem ser realimentadas para a entrada em série ou em paralelo.
O ganho sem realimentação, A, corresponde ao estágio amplificador. Com realimentação,
β, o ganho total do circuito é reduzido por um fator de (1+βA).
- Realimentação de tensão em série

Uma parte da tensão de saída é realimentada em


série com o sinal de entrada, resultando em redução do
ganho total.
Se Vf=0 (não houver realimentação)

Se um sinal de realimentação Vf for conectado em


série com uma tensão de saída, então: Vi=Vs-Vf
Assim:

58
- Realimentação de tensão em paralelo
De forma análoga ao anterior chega-se a:

59
- Realimentação de corrente em série - Realimentação de corrente em paralelo

Osciladores
A realimentação positiva resulta em um amplificador com realimentação apresentando um
ganho de malha fechada |Af| maior que 1, e satisfaz as condições de fase para que o circuito
atue como um oscilador. O circuito fornece então um sinal de saída variante no tempo. Se o sinal
variar de forma senoidal, o circuito é chamado de oscilador senoidal. Se o sinal se alterna
abruptamente entre dois níveis de tensão o circuito é chamado de oscilador de onda quadrada
ou de pulso.
Na Fig. 11 apresenta-se um circuito de realimentação empregado como oscilador.

Fig.11

Se existe uma tensão fictícia Vi na entrada do amplificador, a tensão de saída do


amplificador será Vo=A.Vi e depois da realimentação Vf=β.A.Vi.
Se o circuito fornece β.A com amplitude ee fase corretas Vf=Vi. Então, quando a chave é
fechada e a tensão fictícia Vi é removida, o circuito continuará operando uma vez que a tensão
de realimentação é suficiente para ativar o amplificador e os circuitos de realimentação.
A forma de onda na saída continuará após o fechamento da chave se a condição

β.A=1 critério de Barkhausen

for atendida.

Não é necessário um sinal de entrada para oscilação. Uma vez satisfeita a condição β.A=1,
a oscilação se auto-sustenta. Na prática β.A é feito pouco maior que 1, e o sistema começa a
oscilar pela amplificação da tensão de ruído sempre presente.
Esse fato pode ser comprovado através da análise da equação de realimentação:

Quando β.A=-1 (1 de amplitude e fase de 180), o denominador se anula e o ganho torna-se


infinito.

60
Fig. 12

Oscilador de deslocamento de fase


Condições: β.A maior que a unidade e desvio de fase no circuito de realimentação de 180º.
Devemos dispor de apenas um amp-op para obermos um circuito amplificador com ganho
estabilizado, e além disso promover algum meio de realimentar o sinal para produzir um circuito
oscilador.
Um oscilador com deslocamento de fase é mostrado abaixo:

Fig. 13

A saída do amp-op alimenta um circuito RC de 3 estágios, que realiza o deslocamento de


180º necessário na fase do sinal (com alto fator de atenuação 1/29). Se o amp-op produz um
ganho (dado por Ri e Rf) maior que 29, o ganho de malha resultante é maior que 1 e o circuito
atua como um oscilador de freqüência:
1
f0 = v
2π L.Ceq
Os osciladores com amp-ops podem ser configurados de diferentes maneiras. Como
exemplo pode-se citar os osciladores com entrada e saída sintonizada: o Colpitts e o oscilador a
cristal.

Colpitts

Fig.14

61
Oscilador a cristal
Ooscilador a cristal é basicamente um oscilador sintonizado utilizando um cristal
piezoelétrico como circuito tanque ressonante. Esses osciladores são usados sempre que é
necessária uma grande estabilidade de freqüência.
Abaixo, um oscilador a cristal com amplificador. O circuito proporciona um alto ganho, tal
que o sinal resultante é uma onda quadrada. Conecta-se um par zener na saída de forma que a
amplitude do sinal seja exatamente a tensão zener.

Fig. 15

9.4 Aplicações não lineares


Em malha aberta, a saída do amplificador varia linearmente com a entrada (para valores
entre -0,1mV e 0,1 mV). Fora deste intervalo o amplificador satura.

Comparador de zero não-inversor


O circuito da Fig. 16 muitas vezes é chamado de comparador de zero ou detector de zero
não inversor porque quando a tensão de entrada passar por zero a saída muda de +VSat para -
VSat ou vice–versa.

Fig. 16

Comparador de zero inversor


Ë semelhante ao não inversor, porém o sinal é aplicado na entrada inversora.

62
Fig. 17

Comparador de zero inversor com histerese


Por causa do alto ganho, os circuitos comparadores anteriores são sensíveis à ruídos.
Quando a entrada está passando por zero, se aparecer um ruído na entrada a saída oscilará
entre +VSat e –Vsat até que o sinal supere o ruído. O circuito ligado na saída entenderá que o
sinal na entrada do comparador passou varias vezes por zero, quando na realidade foi o ruído
que provocou as mudanças na saída. Para evitar isso deve ser colocada uma imunidade contra
ruído chamada de histerese.

Fig. 18
A realimentação positiva faz com que a mudança de +VSat para -VSat ou vice versa seja
mais rápida (só é limitada pelo slew rate do AO). Os valores das tensões que provocam a
mudança da saída são calculados por:

Para mudar de +VSat para -VSat a amplitude do sinal deve ser maior do que V1 e para
mudar de – Vsat para + VSat a amplitude do sinal deve ser menor do que - VSat.

Comparador de nível inversor

63
Num comparador de nível a tensão de entrada é comparada com uma tensão de
referencia VR, ao invés do terra.

Fig. 19

Monoestável
Um monoestável é um circuito que tem um estado estável e um estado instável . Na Fig. 20
se a chave estiver aberta a tensão na entrada não inversora será uma parcela da tensão de
saída, que vamos admitir que é + VCC, como o capacitor C se carregou através de R o diodo
estará conduzindo limitando a tensão em C em aproximadamente 0,7V. Se a tensão
realimentada para a entrada não inversora for maior do que 0,7V esta será uma condição
estável, isto é, a saída permanece em + VCC indefinidamente.

Fig. 20

Se a chave CH for pressionada momentaneamente, na entrada + é aplicada uma tensão


negativa forçando a saída para - VCC, o que faz com que seja realimentado agora para a
entrada + uma tensão negativa o que mantém a saída em - VCC. O capacitor C começa a se
carregar com polaridade contrária, o que corta o diodo D. Quando a tensão em C for mais
negativa que a tensão na entrada + a saída voltará para + VCC. O capacitor C voltará a se
carregar com valor positivo fazendo o diodo conduzir grampeando a tensão em C em 0,7V, e o
circuito voltará para a condição estável novamente.

Astável
A saída VS oscilará entre +VCC e - VCC em função da comparação entre V+ e V- . Se V+ >
V- a saída será igual a + VCC caso contrario será - VCC. Se a saída for +VCC, o capacitor se
carregará através de R, tendendo para + VCC, quando:

Nesse instante a saída mudará para - VCC e o capacitor começará a se carregar através
de R tendendo a tensão agora para - VCC. Quando a tensão no capacitor for mais negativa que
a tensão na entrada V+ a saída voltará para +VCC e assim sucessivamente.

64
Fig. 21

65
10 Conceitos básicos de circuitos digitais. Blocos lógicos. Álgebra booleana,
realização e minimização de funções booleanas. Portas lógicas. Circuitos
combinacionais. Circuitos seqüenciais. Flip-flops e Memória.

No início da era eletrônica, todos os problemas eram resolvidos por sistemas analógicos,
também conhecidos por sistemas lineares, onde uma quantidade é representada por um sinal
elétrico proporcional ao valor da grandeza medida.
Com o avanço da tecnologia, esses mesmos problemas começaram a ser solucionados
através da eletrônica digital, onde uma quantidade é representada por um arranjo de símbolos
chamados dígitos.
Um circuito digital emprega um conjunto de funções lógicas, onde função é a relação
existente entre as variáveis independentes e as variáveis dependentes.
Nos sistemas lógicos as variáveis independentes são conhecidas como variáveis lógicas e as
funções, como funções lógicas. Uma variável lógica A pode assumir um valor verdadeiro (A=V) ou
o valor falso (A=F). Em geral, usa-se uma faixa de tensão em volts compatível com os circuitos
digitais utilizados para representar o valor falso ou verdadeiro de uma variável lógica.

Lógica Positiva: A tensão mais positiva representa o valor V (1) e a mais negativa o valor F(0).
Lógica Negativa: O valor V é representado pela tensão mais negativa (1) e F pela tensão
mais positiva (0).
Lógica Mista: No mesmo sistema, usam-se as lógicas positiva e negativa.

10.1 Álgebra Booleana


Álgebra Booleana pode ser definida com um conjunto de operadores e um conjunto de
axiomas, que são assumidos verdadeiros sem necessidade de prova.
Diferentemente da álgebra ordinária dos reais, onde as variáveis podem assumir valores no
intervalo (-∞;+∞), as variáveis Booleanas só podem assumir um número finito de valores. Em
particular, na álgebra Booleana cada variável pode assumir um dentre dois valores possíveis, os
quais podem ser denotados por [F,V] (falso ou verdadeiro), [H,L] (high and low) ou ainda [0,1].

10.1.1 Operações básicas


Na álgebra Booleana, existem três operações ou funções básicas. São elas, operação OU,
operação E e complementação. Todas as funções Booleanas podem ser representadas em
termos destas operações básicas.

Operação OU – adição lógica


A operação OU resulta 1 se pelo menos uma das variáveis de entrada vale 1.
O símbolo usado para representar a operação OU é “+”. Porém, como estamos trabalhando
com variáveis Booleanas, sabemos que não se trata da adição algébrica, mas sim da adição
lógica.

Operação E – multiplicação lógica


A operação E resulta 0 se pelo menos uma das variáveis de entrada vale 0.
O símbolo usualmente utilizado na operação E é “×”.

Operação complementação (ou negação, ou inversão)


A operação complementação dispensa uma definição. É a operação cujo resultado é
simplesmente o valor complementar ao que a variável apresenta.
Os símbolos utilizados para representar a operação complementação sobre uma variável
Booleana A são A , ~A e A' (lê-se A negado).

10.2 Portas lógicas


Uma função Booleana pode ser representada por uma equação ou de forma gráfica, onde
cada operador está associado a um símbolo específico, permitindo o imediato reconhecimento
visual. Tais símbolos são conhecidos por portas lógicas. Na realidade, mais do que símbolos de

66
operadores lógicos, as portas lógicas representam recursos físicos, isto é, circuitos eletrônicos,
capazes de realizar as operações lógicas. Ao conjunto de portas lógicas e respectivas conexões
que simbolizam uma equação Booleana, denominaremos circuito lógico.

Porta OU
O símbolo da porta OU pode ser visto na figura 3. As entradas são colocadas à esquerda e a
saída, à direita. Deve haver no mínimo duas entradas, mas há somente uma saída. O
funcionamento da porta E segue a definição da operação E, dada anteriormente.

Fig. 3
Porta E
O símbolo da porta E é mostrado na figura 4. À esquerda estão dispostas as entradas (no
mínimo duas, obviamente) e à direita, a saída (única). As linhas que conduzem as variáveis de
entrada e saída podem ser interpretadas como fios que transportam os sinais elétricos associados
às variáveis. O comportamento da porta E segue extritamente a definição apresentada
anteriormente.

Fig. 4
Inversor
A porta que simboliza a operação complementação é conhecida como inversor. Como a
operação complementação só pode ser realizada sobre uma variável por vez (ou sobre o
resultado de uma subexpressão), o inversor só possui uma entrada e, obviamente, uma saída. O
símbolo do inversor é mostrado na figura 5.

10.3 Tabela da verdade


Uma forma de representar o comportamento das funções booleanas ou portas lógicas é a
construção de tabelas da verdade. Nela são listadas todas as combinações de valores que as
variáveis de entrada podem assumir e os correspondentes valores da função (saídas). Abaixo, são
listados exemplos de tabelas verdade para as portas E e OU de duas variáveis e para a função de
negação.

OU E NÃO

10.4 Circuitos lógicos


Dada uma equação Booleana qualquer, é possível desenhar-se o circuito lógico que a
implementa. O circuito lógico é composto das portas lógicas relacionadas às operações que

67
são realizadas sobre as variáveis de entrada. Os resultados das operações são conduzidos por fios,
os quais, no desenho, são representados por linhas simples.

A construção dos circuitos lógicos a partir das equações booleanas é feita seguindo a
seqüência:
1- parêntesis (dos mais internos para os mais externos);
2- operações E;
3- operações OU.

( z .Y) + X

Para obter a expressão booleana para um dado circuito lógico, comece pelas entradas
mais à esquerda, e percorrendo o circuito até o final, escreva a expressão para cada porta
lógica.

( z .Y) + X

10.5 Leis Fundamentais e Propriedades da Álgebra Booleana


As leis da álgebra Booleana dizem respeito ao espaço Booleano (isto é., valores que uma
variável pode assumir) e operações elementares deste espaço. Já as propriedades podem ser
deduzidas a partir das definições das operações.
Sejam A e B duas variáveis Booleanas. Então, o espaço Booleano é definido:
se x≠0, então x=1;
se x≠1, então x=0.

10.5.1 Teoremas da álgebra booleana


Os teoremas booleanos podem ser utilizados para simplificar expressões e circuitos lógicos. O
primeiro grupo de teoremas é mostrado abaixo:
Multiplicação lógica
x.0=0
x.1=x
x.x=x
x. x =0

Adição lógica
x+0=x
x+x=x
x+1=1
x+ x =1

Negação
x =x

Teoremas com mais de uma variável

68
Comutatividade: a ordem das operações OR e AND não é importante
x+y=y+x (9)
x.y=y.x (10)

Associatividade: pode-se agrupar as variáveis de expressões AND e OR do modo que


desejarmos
x+(y+z)=(x+y)+z=x+y+z (11)
x.(y.z)=(x.y).z=x.y.z (12)

Distributividade: uma expressão pode ser expandida multiplicando-se a termo Pode-se


também fatorar as variáveis.
x(y+z)=xy+xz (13)
(w+x).(y+z)=w.y+x.y+w.z+x.z (14)

x.y.z + w.y = y.(x.z + w)

Abaixo, os teoremas que não possuem correspondentes na algebra comum. Podem ser
demonstrados substituindo x e y na expressão por todos os diferentes casos possíveis.
x+x.y=x (15)
x y =x+y (16)

Teoremas de Morgan

Quando uma soma OR está invertida, esta é igual ao produto AND das variáveis invertidas.
Quando o produto AND de duas variáveis está invertido, este é igual ao uma soma OR das
variáveis invertidas.

10.5.2 Simplificação usando a álgebra booleana.


Uma expressão booleana simplificada usa a menor quantidade de portas possível para
implementar uma dada expressão.

Ex: simplifique a expressão:


AB+A(B+C)+B(B+C)
1 – lei distributiva: AB+AB+AC+BB+BC
2 – (3, x.x=x): AB+AB+AC+B+BC
3 – (7, x+x=x): AB+AC+B+BC
4 – (15, x+xy=x): AB+AC+B
5 – (15, x+xy=x): B+AC
Os circuitos abaixo representam a simplificação e são equivalentes.
2
1
A 3

1
B 3
2

2
1
2
3 1
B+AC
3 4

AB+A(B+C)+B(B+C)
B 1 A 2
3 1
2 3

C 2
C
=>
1
3

Circuitos equivalentes

10.6 Derivação de expressões booleanas


Há basicamente duas maneiras de se definir (ou descrever) uma função Booleana:
descrevendo-se todas as situações das variáveis de entrada para as quais a função

69
vale 1 ou, alternativamente, todas as situações em que a função vale 0. O primeiro método é
conhecido por soma de produtos (SdP), enquanto que o segundo é chamado produto de somas
(PdS).

10.6.1 Derivação de Expressões usando Soma de Produtos (SdP)


Dada uma função Booleana de n variáveis (ou seja, n entradas),
haverá 2n combinações possíveis de valores. A cada combinação de
entradas podemos associar um termo produto, no qual todas as variáveis
da função estão presentes, e que é construído da seguinte forma: se a
variável correspondente vale 0, ela deve aparecer negada; se a variável
vale 1, ela deve aparecer não negada. A tabela a seguir lista os termos
produto associados a cada combinação de entradas para uma função
Booleana de três variáveis (A, B e C, por exemplo).

Cada termo produto construído conforme a regra anteriormente


descrita é denominado mintermo (ou minitermo). Para um dado mintermo,
se substituirmos os valores das variáveis associadas, obteremos 1. Porém, se substituirmos nesse
mesmo mintermo quaisquer outras combinações de valores, obteremos 0. Dessa forma, se
quisermos encontrar a equação para uma função a partir de sua tabela verdade, basta
montarmos um OU entre os mintermos associados aos uns (1) da função (também chamados
mintermos 1 ).

10.6.2 Derivação de Expressões usando Produto de Somas


O método de derivação usando produto de somas é o dual
(isto é, o oposto) do método de derivação em soma de produtos. A
cada combinação das variáveis de entrada de uma função
podemos associar um termo soma, no qual todas as variáveis da
função estão presentes, e que é construído da seguinte forma: se a
variável correspondente vale 1, ela deve aparecer negada; se a
variável vale 0, ela deve aparecer não negada. A tabela a seguir
lista os termos soma associados a cada combinação de entradas
para uma função Booleana de três variáveis (A, B e C, por
exemplo).
Cada termo soma construído conforme a regra anteriormente
descrita é denominado maxtermo (ou maxitermo). Para um dado
maxtermo, se substituirmos os valores das variáveis associadas,
obteremos 0. Porém, se substituirmos nesse mesmo maxtermo
quaisquer outras combinações de valores, obteremos 1. Dessa
forma, se quisermos encontrar a equação para uma função a partir
de sua tabela verdade, basta montarmos um E entre os maxtermos associados aos 0s da função
(também chamados maxtermos 0).

10.7 Mapas de Karnaugh


O mapa de Karnaugh é similar a uma tabela da verdade porque todos os valores possíveis
das variáveis de entrada e saída resultante para cada valor estão presentes no mapa.

70
O método utiliza a tabela verdade de uma função booleana como base para as
simplificações. Um mapa de Karnaugh é uma ajuda excelente para simplificação de funções de
até 6 variáveis. Para funções de mais de 6 variáveis a simplificação é mais complexa pois torna-se
uma tarefa árdua identificar as células adjacentes no mapa. Para funções de mais de 6 variáveis
devem ser utilizadas soluções algorítmicas computacionais.

Exemplo:
Considere a seguinte função:
f(A, B, C, D) = E(6, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14)
Esta função tem a tabela verdade:

Os valores dentro de E nos dizem quais linhas possuem saída


igual a 1(mintermos).
As variáveis de entrada podem ser combinadas em 16
diferentes formas, então o mapa de Karnaugh terá 16 posições. O
arranjo mais conveniente é
em uma matriz 4x4.

Os bits no mapa representam a saída da função para uma dada combinação de entradas.
Após o mapa de Karnaugh ter sido construído a próxima tarefa é encontrar os termos mínimos a
usar na expressão final. Estes termos são encontrados agrupando conjuntos de 1´s adjacentes no
mapa. O agrupamento deve ser retangular e deve ter uma área igual a uma potência de 2 (i.e. 2,
4, 8, …). Os retângulos devem ser os maiores possíveis, sem conter nenhum 0. O agrupamento
ótimo na figura está marcado com linhas coloridas (verde, vermelha e azul).
Para cada um dos grupos encontramos as variáveis que não mudam de valor dentro do
agrupamento.
Note que neste nosso exemplo as posições (1,4) e (2,4) (o grupo marrom) da matriz faz parte
do grupo verde e faz parte do grupo vermelho, lembre-se que temos que montar os maiores
blocos possíveis de 1´s com áreas iguais a potências de 2 (1,2,4,8,16,...).
Para o grupo vermelho encontramos que:
• A variável A mantém o mesmo valor (1) em todo o agrupamento, então ela deve ser
incluída no termo correspondente ao grupo vermelho.

71
• A variável B não mantém o mesmo estado (alterna entre 1 e 0), então deve ser excluída.
• C não muda, mas tem o valor (0), portanto deve ser incluido na forma negada.
• D muda.
Então o primeiro termo da expressão booleana é AC′.
No grupo verde, A eB mantêm o mesmo estado, mas C e D mudam. B é 0 e deve ser
incluída na forma negada. Então o segundo termo é AB'.
Da mesma forma, o retângulo azul dá o termo BCD′ e a expressão completa é: AC′ + AB′+
BCD′.
A matriz é conectada como um toróide, o que significa que a borda da direita é
considerada adjacente à borda da esquerda, bem como a borda inferior é considerada
adjacente à borda superior. Por exemplo, AD′ é um termo válido, embora não tenha sido incluído
no conjunto mínimo. Note que, se movermos a primeira linha para baixo da última linha ou a
primeira coluna para a direita da ultima coluna, a propriedade de mudar o estado de apenas
uma variável se mantém.
A função inversa pode ser resolvida da mesma forma, agrupando os zeros em vez de 1´s.
Quando há uma profusão de 1´s na matriz (isto é, a matriz é densa - a função f é verdadeira pra
maior parte dos valores de entrada) pode ser mais rápido desenvolver f′ no mapa e então
encontrar f = f′′ analiticamente.

10.8 Circuitos combinacionais


Os circuitos lógicos dos sistemas digitais podem ser de dois tipos: circuitos combinacionais ou
circuitos seqüenciais. Um circuito combinacional é constituído por um conjunto de portas lógicas
as quais determinam os valores das saídas diretamente a partir dos valores atuais das entradas.
Pode-se dizer que um circuito combinacional realiza uma operação de processamento de
informação a qual pode ser especificada por meio de um conjunto de equações Booleanas. No
caso, cada combinação de valores de entrada pode ser vista como uma informação diferente e
cada conjunto de valores de saída representa o resultado da operação. A figura abaixo mostra o
diagrama de blocos genérico de um circuito combinacional.

Como exemplo de circuitos combinacionais pode-se citar os somadores, subtratores,


multiplexadores e demultiplexadores, etc.

10.8.1 Circuito meio somador


O meio somador realiza a soma de dois bits. O circuito possui duas entradas e duas saídas,
sendo que uma delas é o carry out (bit do vai um).

10.8.2 Circuito somador


O circuito somador completo realiza a soma de três bits. Normalmente são somados dois bits
mais o bit veio um (carry in) de uma soma anterior.
Possui três entradas (A e B que são os bits a serem somados) e Ci - veio um (carry in) e duas
saídas S - resultado da soma e Co - bit do vai um (carry out).

72
10.8.3 Associação de somadores
Associando-se os blocos do meio somador e do somador completo em série podemos obter
somadores de vários bits. Para obtermos um somador de 3 bits, devemos utilizar um meio-somador
para os bits menos significativos e dois somadores completos para os demais bits.

10.8.4 Circuito meio subtrator


Do mesmo modo como é feita a soma, podemos fazer a subtração, porém, na subtração,
não é usado um bit de vai-um, e sim um bit de vem-um (borrow out). O bit do vem-um é o "tomar
emprestado" que utilizamos na hora de subtrair, do mesmo modo que na subtração decimal.

10.8.5 Circuito subtrator


O circuito subtrator completo realiza a subtração de três bits. Normalmente são subtraídos
dois bits e o bit foi um (borrow in) de uma subtração anterior.

10.8.6 Associação de subtratores


Associando-se os blocos do meio subtrator e do subtrator completo em série podemos obter

73
subtratores de vários bits.

10.8.7 Multiplexador
O multiplexador ou MUX é um circuito combinacional que tem a finalidade de selecionar,
através das variáveis de seleção, uma de suas entradas, conectando-a eletronicamente à sua
única saída.
Esta operação é denominada multiplex ou multiplexação que significa seleção e, tanto suas
entradas como sua saída, são denominadas também, canais de entrada e saída. Para facilitar a
compreensão deste circuito, pode-se fazer, ainda, uma analogia com uma chave de seleção de
várias entradas e uma saída.

Como trata-se de um circuito digital, o número de entradas está logicamente relacionado


com o número de variáveis de seleção, ou seja:
n = 2m
onde:
n – número de canais de entrada
m – número de variáveis de seleção
Por exemplo, um MUX com três variáveis de seleção (m=3) pode ser codificado de oito
modos diferentes (000- 001-010-011-100-101-110-111) e, portanto, ele possui oito canais de entrada
(n=23=8).
Assim como para os circuitos somadores e subtratores, os multiplexadores podem ser
associados. A associação série de multiplexadores serve para ampliar a capacidade de canais
de entrada. Para isto, basta multiplexar os MUX de entrada através de um MUX de saída.

10.8.8 Demultiplexador
O demultiplexador ou DEMUX é um circuito combinacional que tem a finalidade de
selecionar, através das variáveis de seleção, qual de suas saídas deve receber a informação
presente em sua única entrada.
Ele faz, portanto, a operação inversa da realizada pelo MUX.

74
10.8.9 Circuitos sequenciais
Vimos anteriormente o funcionamento de uma lógica combinacional, ou ainda, uma lógica
para a qual a saída é pré-determinada de forma unívoca pelas entradas. Estes circuitos
apresentam um grave problema, que é a ausência de memória sobre os estados anteriores.
Existem distintos tipos de memória, porém, a lógica de todas elas está associada a circuitos
oscilantes, chamados de flip-flop, que podem alternar sua saída em função dos parâmetros de
entrada e do tempo decorrido.
O conceito de tempo está associado a pulsos de um relógio (clock), que vai alternar
estados entre 0 e 1, com uma freqüência pré-determinada, e será utilizado na propagação
temporal da informação.
Uma memória de um bit é o elemento fundamental para desenvolver qualquer outra
memória. Estas memórias de um bit podem "guardar" estados "1" (Q=1) ou estados "0" (Q=0).

Flip-flop RS básico
No arranjo da Figura abaixo, duas portas NÃO E são interligadas por uma realimentação.
Essa realimentação faz a saída depender dos valores das entradas e do valor ela que tinha antes
da aplicação desses valores nas entradas.
A tabela da verdade de um flip-flop RS básico é apresentada abaixo:
S R Q
0 0 Qa
0 1 0
1 0 1
1 1 *

A entrada S é denominada Set, pois quando acionada (nível 1), passa a saída para 1, e a
entrada R é denominada Reset, pois quando acionada passa a saída para zero. Este circuito irá
mudar de estado apenas no instante em que mudam as variáveis de entrada.

Flip-flop RS com entrada Clock


Circuitos seqüenciais recebem em geral informações que mudam com o tempo. Portanto, é
conveniente uma forma de controlar o recebimento desses dados.
Na Figura 01, duas portas E foram inseridas nas entradas do flip-flop do circuito anterior,
formando uma entrada de clock.

Se a entrada de clock for 0, ocorre sempre g=0 e h=0, independente dos valores de S e R. Se
a entrada de clock for 1, ocorre g=S e h=R e o circuito se comporta como o do tópico anterior,
com a mesma tabela de verdade e o mesmo estado impossível. Assim, a entrada de clock
comanda a operação do bloco.
Na Figura 02 foram adicionadas as entradas preset (PR) e clear (CL). Se ambas forem iguais
a 1, o flip-flop opera sem qualquer alteração. Estando a entrada clock em zero, a saída Q

75
assume valor 1 se preset for 0 e 0 se clear for 0. Ou seja, essas entradas permitem definir um valor
da saída de forma independente das demais, o que pode ser útil em muitos circuitos. Os valores
de PR e CL não podem ser simultaneamente nulos, pois seria uma condição inválida (Q só pode
ter um valor).

76
11 Comparadores, conversores AD/DA, temporizadores, circuitos PLL.

Embora haja uma grande quantidade de CIs que contem somente circuitos digitais, e
muitos outros que contem apenas circuitos lineares, há uma variedade de unidades que contem
ambos (circuitos lineares e digitais). Dentre os CIs lineares/digitais, podemos destacar os circuitos
comparadores, osconversores digital /analógicos, circuitos de interface, circuitos temporizadores,
osciladores e malhas armadas por fase (Phase locked loops - PLL).

11.1 Comparadores
Um circuito comparador é aquele no qual a tensão linear de entrada é comparada a uma
outra tensão de referencia, e a saida é um estado digital representando se a tensão de entrada
excedeu ou não a referencia de tensão.
Um circuito comparador básico pode ser representado na Fig. 1.

Fig.1

Enquanto Vi é menor que zero,


a saída permanece em nível baixo
de tensão (perto de -10V). Quando
a entrada vai acima de zero, a
saida rapidamente chaveia para
um nível alto de tensão (perto de
+10V).
A Fig. 2 mostra um circuito
comparador com amp-op. Nesse
circuito, uma tensão de referencia
positiva é conectada a entrada
menos, e a saída é conectada a um
LED indicador.
Se o sinal Vi for conectado na
entrada inversora, o LED ligará
quando o sinal de entrada for
menor que +6V.

77
11.1.1 Unidades de CI comparadoras
Embora os amp-ops possam ser utilizados como circuitos comparadores, algumas unidades
especialmente projetadas para esse fim se mostram mais adequadas para algumas aplicações.
Dentre as possíveis melhorias que podem ser incluídas em um CI comparador, destacam-se:
chaveamento mais rápido entre os níveis de saída, imunidade ao ruído e saídas capazes de
acionar diretamente uma variedade de cargas. Alguns CIs comparadores são apresentados a
seguir.

Comparador 311: pode operar com duas


fontes de referencia ±15V ou com uma única
fonte de +5V. A saída pode fornecer uma tensão
em qualquer um de dois níveis distintos ou pode
ser usada para acionar uma lâmpada ou relé. A
saída é tomada de um transistor bipolar para
permitir acionar uma variedade de cargas.

Comparador 339: é um comparador quádruplo


contendo quatro circuitos comparadores de tensão
independentes, conectados a pinos externos. A fonte de
tensão aplicada a um par de pinos alimenta todos os
quatro comparadores.

11.2 Conversores Analógicos/Digitais

Muitas tensões e correntes em eletrônica variam continuamente ao longo de uma faixa de


valores. Em circuitos digitais, os sinais estão em 1 de dois níveis, representando os valores binários
de 1 ou zero. Um conversor analógico-digital (CAD) produz uma tensão digital a partir de uma
tensão analógica de entrada, enquanto um conversor digital-analógico (CDA) converte uma
tensão digital em analógica.

11.2.1 Conversão Digital-analógica


A conversão digital-analógica pode ser conseguida usando vários métodos diferentes. Um
esquema popular usa um circuito de resistores chamado de circuito em escada. Um circuito em
escada aceita como entrada de valores binários em, tipicamente, 0 V ou Vref, e fornece uma
tensão de saída proporcional ao valor binário de entrada. A Fig. 5 apresenta um circuito em
escada, onde a tensão de saída é proporcional ao valor de entrada digital dada pela relação:

78
Fig. 5

Exemplo:

A função do circuito é converter os 16 valores binários possíveis de 0000 a 1111 para um nível
de tensão correspondente, múltiplos de Vref/16. Utilizando-se mais seções no circuito, torna-se
possível aceitar mais entradas binárias e diminuir a diferença entre os níveis de tensão.
Quanto maior o numero de estágios, maior a resolução de tensão. Em geral, a resolução de
tensão para n estágios em escada é:

A Fig. 6 mostra o diagrama de blocos de um CDA típico usando um circuito em escada. O


circuito em escada, referenciado no diagrama como um escada R-2R, é intercalado entre a fonte
de corrente de referencia e as chaves de corrente, conectadas a cada entrada binária. A
corrente de saída resultante é proporcional ao valor binário de entrada. A entrada binária
seleciona alguns ramos do circuito em escada, produzindo uma corrente de saída que é resultado
de uma soma ponderada da corrente de referencia. Conectando a corrente através de um
resistor, será produzida uma tensão analógica, se desejado.

Fig. 6

11.2.2 Conversão Analógica- Digital


Existem várias configurações de circuitos para realizar a conversão analógica-digital
(conversor A/D comparador paralelo,circuito em escada, rampa tipo contador, aproximação
sucessiva, etc.)

Conversão de circuito em escada


Um método popular de conversão analógica-digital usa um circuito em escada junto com
circuitos contadores e comparadores.

79
Um contador digital avança zero enquanto um circuito de escada fornece, através das
saídas do contador, uma tensão em escada, a qual aumenta por um incremento de tensão em
cada passo de contagem. Um comparador, recebendo tensões em escada e a tensão de
entrada analógica, fornece um sinal para parar a contagem quando a tensão da escada se
eleva acima da tensão de entrada. O valor do contador nesse instante é a saída digital desejada.

O incremento de tensão no sinal de escada depende do numero de bits de contagem


utilizado. Um contador de 12 estágios operando um circuito em escada de 12 estágios usando
uma referencia de 10 V, apresenta um incremento de tensão igual a:

O que resulta em uma resolução de conversão de 2,4 mV.

Conversor A/D rampa tipo contador


Na figura abaixo é apresentado o diagrama de blocos de um conversor rampa tipo
contador. A linha "clear" é utilizada para inicializar o contador com 0 (zero). O contador grava na
forma binária o número de pulsos provenientes do "clock".

80
Visto que o número destes pulsos contados aumentam linearmente com o tempo, a palavra
binária representando a contagem, é utilizada como entrada do conversor D/A cuja saída
analógica é mostrada no gráfico abaixo.
Enquanto a relação Ve > Vd for verdadeira, a saída do comparador é alta, habilitando a
entrada dos pulsos de relógio (clock) até o contador. Quando Vd > Ve a saída do comparador se
torna baixa, e a porta E é desabilitada. Assim a contagem é interrompida no exato instante que
Ve = Vd. Neste instante pode ser lida saída do contador, uma palavra digital representando a
voltagem recebida na entrada do conversor.
Para um sistema de N bits o tempo de conversão é, no pior caso, de 2N pulsos.

11.3 Temporizadores
O circuito integrado analógico-digital 555 é um temporizador muito popular. O CI é feito
basicamente de uma combinação de comparadores lineares e flip-flops digitais. A Fig. 11
apresenta detalhes da estrutura interna do CI que possui 8 pinos. Existe no CI uma conexão série
de 3 resistores que determina os níveis da tensão de referencia para os dois comparadores em
2Vcc/3 e Vcc/3. A saída do flip-flop é aplicada a um estágio amplificador de saída e também
opera um transistor cujo coletor tem a função de descarregar o capacitor de temporização.

Fig. 11

11.3.1 Operação Astável


Uma utilização popular do 555 é como um multivibrador astável ou circuito de clock. A Fig.
12 apresenta um circuito astável com um resistor externo e um capacitor para fixar o intervalo de
temporização do sinal de saída.
O capacitor C carrega-se até Vcc através dos resistores externos RA e RB. A tensão do
capacitor aumenta até ultrapassar 2Vcc/3. Esta é a tensão de limiar no pino 6, na qual o
comparador 1 altera o estado do flip-flop, produzindo uma saída de nível baixo (pino 3). Por sua
vez, o transistor de descarga é forçado a ligar, provocando o descarregamento do capacitor no
pino 7 através de RB. A tensão do capacitor diminui, até cair abaixo do nível de disparo (Vcc/3).
O flip-flop é disparado, colocando novamente a saída em nível alto, o transistor de descarga é
cortado e o capacitor é novamente carregado.

81
Fig. 12

11.3.2 Operação Monoestável


O temporizador 555 também pode ser utilizado com um circuito multivibrador monoestável
ou de um único disparo como mostrado na Fig. 13.

Quando o sinal de entrada de disparo torna-se negativo, a saída no pino 3 vai para o nível
alto e aí permanece durante o período de tempo:

A borda negativa de entrada faz o comparador 2 disparar o flip-flop, produzindo uma


tensão de saída em nível alto. O capacitor C carrega-se até Vcc através de RA. Durante o
intervalo de carga, a saída permanece alta. Quando a tensão através de C atinge o nível de
limiar de 2Vcc/3, o comparador 1 dispara o flip-flop produzindo uma tensão em nível baixo. O
transistor de descarga também vai para baixo, fazendo o capacitor permanece próximo de 0 até
ser novamente disparado.

82
11.4 Malha amarrada por fase – PLL
A malha amarrada por fase (phase locked loop, PLL) é um circuito eletrônico que contem
um detector de fase, um filtro passa-baixa, e um oscilador controlado por tensão conectados da
forma mostrada na Fig. 14.

Fig. 14

83
Um sinal de entrada Vi e o de um VCO (oscilador controlado por tensão) são comparados
por um comparador de fase fornecendo uma tensão de saída Ve, que representa a diferença de
fase entre os dois sinais. Esta tensão é então aplicada a um filtro passa-baixa que fornece uma
tensão de saída amplificada (se necessário), que pode ser tomada como a tensão de saída de
um PLL. Essa tensão é realimentada para modular a freqüência do VCO. A operação de malha
fechada do circuito mantém a freqüência do VCO amarrada à freqüência do sinal de entrada.

As aplicações do PLL incluem:


ƒ Sintetizadores de freqüência que fornecem múltiplos da freqüência de um sinal de
referencia [por exemplo, na geração da freqüência de portadora para os múltiplos
canais de um transmissor operando na faixa do cidadão, ou transmissores de rádio
múltiplos]
ƒ Circuitos de demodulação de FM para operação em FM com excelente linearidade
entre a freqüência do sinal de entrada e a tensão de saída do PLL.
ƒ Demodulação de transmissões de dados digitais modulados em FSK
ƒ Aplicações incluindo modems, receptores de telemetria e transmissores, decodificadores
de tom, detetores AM e filtros de rastreio.

11.4.1 Operação PLL básica


Operação em malha amarrada ( a freqüência do sinal de entrada e a freqüência do VCO
são iguais).
Quando a freqüência do sinal de entrada é igual à do VCO, a tensão Vd mantém o VCO
amarrado com o sinal de entrada. O VCO gera então, um sinal de onda quadrada com
amplitude fixa. Uma diferença de fase fixa entre os dois sinais, para o comparador, resulta numa
tensão DC fixa para o VCO. Mudanças na freqüência de entrada do sinal resultam em mudanças
na tensão DC do VCO. Dentro da faixa de captura e amarração de freqüência, a tensão DC
forçará a freqüência do VCO a casar com a entrada.
Durante a amarração, o comprador de fase produz um sinal de saída que tem
componentes de freqüência relativas à soma e diferença dos sinais comparados. O filtro PB deixa
passar somente as componentes de freqüência inferiores do sinal, possibilitando a amarração
entre o sinal de entrada e do VCO.
Há duas faixas de freqüência importantes para os circuitos PLL. A faixa de captura (faixa
sobre a qual a malha pode adquirir a amarração com o sinal de entrada) e a faixa de amarração
(faixa em que se mantém amarrado ao sinal).

84
12 FPGA, Dispositivos lógicos programáveis. Arquitetura de dispositivos FPGA.
Linguagem descritiva de hardware.

FPGA (Field Programable Gate Array) são circuitos integrados que contem um grande
numero (na ordem de milhares) de unidades lógicas idênticas. Estas unidades lógicas podem ser
vistas como componentes padrões que podem ser configurados independentemente e
interconectados a partir de uma matriz de trilhas condutoras e chaves programáveis. Um arquivo
binário é gerado para a configuração da FPGA a partir de ferramentas de software seguindo um
determinado fluxo de projeto. Esse arquivo binário contém as informações necessárias para
especificar a função de cada unidade lógica e para seletivamente fechar as chaves da matriz de
interconexões, que podem ser programados pelo usuário, formam a estrutura básica da FPGA
para a especificação de circuitos integrados complexos.
A tecnologia FPGA tem evoluído em direção aos mais altos índices de desempenho,
elevados níveis de densidade e menores custos de fabricação. Este fato, tendem a se acentuar
nos próximos anos, tornando cada vez menor a distancia entre os FPGAs e os chips diretamente
implementados no silício. Isto tem possibilitado o emprego desta tecnologia na implementação
de arquiteturas cada vez mas complexas. Além desses avanços, os fabricantes de FPGA tem
introduzido no decorrer dos anos cada vez mais recursos de reconfigurabilidade em tais
dispositivos.
Reconfigurabilidade é a capacidade que alguns FPGAs tem de serem configurados e
reconfigurados várias vezes. Alguns FPGAs podem ser reconfigurados parcialmente, ou seja,
setores do dispositivossão reconfigurados enquanto outros mantem sua configuração.

12.1 Arquitetura de dispositivos FPGAs


O FPGA é um dispositivo lógico programável que suporta a implementação de circuitos
lógicos relativamente grandes. A estrutura do FPGA é formada por um grande arranjo de células
configuráveis ou blocos lógicos conforme ilustra a Fig. 1.

Fig. 1

Um FPGA possui 3 tipos principais de recursos: blocos lógicos, blocos de entrada e saída
(I/O), e chaves de interconexão. Os blocos lógicos formam um arranjo bi-direcional, e as chaves
de interconexão são organizadas como canais de roteamento horizontal e vertical entre linhas e
colunas de blocos lógicos. Estes canais de roteamento possuem chaves programáveis que
permitem conectar os blocos lógicos de maneira conveniente, em função das necessidades de
cada projeto.

85
O bloco lógico mais comumente utilizado é o Lookup table (LUT). Este tipo de bloco lógico
contem células de armazenamento que são utilizadas para implementar pequenas funções
lógicas.
A Fig. 2 mostra a estrutura de um LUT com duas entradas e uma saída. As variáveis de
entrada são usadas como chaves seletoras para 3 multiplexadores 2x1 que em conjunto
selecionarão uma das 4 células de armazenamento como saída do LUT.

Fig. 2

As células de armazenamento dos LUTS de um FPGA são voláteis, o que implica na perda do
conteúdo armazenado no caso de falta de alimentação elétrica. Desta forma o FPGA deve ser
programado toda vez que for energizado.
Geralmente um pequeno chip de memória PROM é incluído nas placas de circuito impresso
que contem FPGAs. As células de armazenamento são automaticamente carregadas a partir dos
PROMs toda vez que uma tensão elétrica aplicada a estes chips.

12.2 Tecnologias de programação


Basicamente existem 3 tipos de tecnologias de programação para um FPGA, são elas:
- SRAM (Static Randon Acess Memory), onde o comutador é um transistor de passagem
controlado por um bit de SRAM.
- Antifuse é originalmente um circuito aberto que quando programado, forma um caminho
de baixa resistência.
- Gate flutuante: o comutador é um transistor com gate flutuante.
A escolha da tecnologia de programação juntamente com algumas propriedades dos
comutadores dos FPGAs afetam diretamente o desempenho e definem características como a
volaticidade e a capacidade de programação.

12.3 Arquitetura de blocos lógicos


Os blocos lógicos dos FPGAs variam muito de tamanho e capacidade de implementação
lógica. Os blocos lógicos dos FPGAs comerciais são baseados em um ou mais dos seguintes
componentes:
- Pares de transistores
- Portas lógicas tipo E ou OU EXCLUSIVO de duas entradas
- Look-up tables (LUT)
- Estruturas E-OU de múltiplas entradas
A fim de classificar os FPGAs quanto ao tipo de blocos lógicos que empregam, foram
criadas duas categorias. Estas categorias foram denominadas de granulosidade fina e
granulosidade grossa, sendo a primeira a designante para blocos simples e pequenos e a
segunda para os blocos maiores e mais complexos.
Um exemplo de bloco de granulosidade fina, por exemplo é um bloco contendo alguns
transistores interconectáveis ou portas lógicas básicas.
Os blocos de granulosidade grossa são geralmente baseados em multiplexadores e look-up
tables (LUTS).

12.4 Arquitetura de roteamento


A arquitetura de roteamento é a maneira pela qual os comutadores programáveis e
segmentos de trilha são posicionados para permitir a interconexão entre as células lógicas.

86
A arquitetura geral de roteamento de um FPGA é apresentada na Fig. 3.

Fig. 3

Quanto maior o número de comutadores, mais fácil alcançar o roteamento completo e


maior densidade lógica.

12.5 Linguagem descritiva de hardware


Uma etapa importante do projeto de circuitos FPGA consiste na especificação ou geração
do Netlist, que é uma descrição compacta, ou mesmo textual, do circuito para as ferramentas de
verificação e de implementação de circuitos.
O Netlist é basicamente uma listagem de componentes do circuito e de como eles estão
conectados, incluindo ainda os nomes dos pinos I/O do chip FPGA utilizado.
A geração do Netlist pode ser feita através da captura de esquemático ou de síntese de
código HDL. O esquemático pode ser visto com uma representação gráfica de um Netlist, deste
modo, a geração do Netlist a partir da captura do esquemático é imediata. A desvantagem em
se trabalhar com esquemáticos é a portabilidade, uma vez concebido para uma família de
dispositivos, para um fabricante, a migração para outro dispositivo pode significar o reinicio de
todo o projeto a partir do zero.
Por causa da dificuldade de migração, a especificação do projeto evoluiu para uma
representação comportamental e funcional do circuito através de uma linguagem de
programação HDL (Hardware description language), como o VHDL e o Verilog.

VHDL
Very Hight Speed Integrated Circuit
Hardware
Description
Language

Linguagem de descrição de hardwares com enfase em circuitos integrados de altíssima


velocidade.
A linguagem VHDL tem uma sintaxe similar as linguagens Pascal e ADA.
A estrutura de um programa VHDL, baseia-se em alguns blocos:
Package: Usado quando precisa-se usar um comando que não está nas bibliotecas padrão.
Para usa a Package é necessário usar duas declarações: LYBRARY USE. O package mais

87
conhecido é o STD_LOGIC_1164 da IEEE por conter a maioria dos comandos adicionais utilizados
na linguagem.
Exemplo: LYBRARY IEEE;
USE IEEE _LOGIC_1164.ALL;
Entity: É a parte principal do projeto. É a interface do sistema que descreve entradas e
saídas.
Architecture: É o corpo do sistema, onde são feitas as atribuições, operações, etc. Podem
existir várias ARCHITECTURE na mesma ENTITY.
Process: diretiva usada quando se quer fazer uma lista de operações a serem executadas. É
implementada dentro de ARCHITECTURE.

A titulo de exemplo apresenta-se abaixo a estrutura de um programa escrito em VHDL.


Porta AND de 3 entradas:

Lybrary IEEE; Package


Use IEEE.STD_LOGIC_1164.ALL; (biblioteca)

Entity portaand_3 is
Port (a, b, c: in bit;
Entity
Y: out bit);
(Pinos de I/O)
End portaand_3

Architecture logica of
portaand_3 is
Architecture
Begin
(Arquitetura)
Y<=a and b and c;
End logica;

A descrição de um sistema em VHDL apresenta inúmeras vantagens, tais como:


- Intercambio de projetos entre grupos de pesquisa sem a necessidade de alteração.
- Permite ao projetista considerar no seu projeto os delays comuns aos circuitos digitais.
- A linguagem independe da tecnologia atual, ou seja, você pode desenvolver um sistema
hoje e implementa-lo depois.
- Os projetos são fáceis de serem modificados.
- O custo de produção de um circuito dedicado é elevado, enquanto que usando o VHDL e
dispositivos lógicos programáveis, o custo é bem menor.
- Reduz consideravelmente o tempo de projeto e implementação.

Verilog
O Verilog é uma linguagem, como VHDL, largamente usada para descrever sistemas digitais,
utilizada universalmente.
A linguagem Verilog descreve um sistema digital como um conjunto dos módulos. Cada um
destes módulos tem uma relação com outros módulos que descreve como estão ligados.
Normalmente coloca-se um módulo por ficheiro mas é apenas convenção e não é obrigatório. Os
módulos podem funcionar simultaneamente, mas normalmente especifica-se um módulo do nível
superior que especifica um sistema fechado contendo dados de teste bom como modelos de
hardware. A este módulo chamaremos módulo de topo. O módulo de topo invoca instâncias de
outros módulos.
Os módulos podem representar as partes de hardware que podem ir desde portas simples
até sistemas complexos como microprocessadores. Os módulos podem ser especificados por
comportamento ou estruturalmente (ou uma combinação dos dois). Uma especificação por
comportamento define o comportamento de um sistema digital (módulo) que usa as construções
tradicionais duma linguagem de programação, e. g., ifs, instruções de atribuição. Uma
especificação estrutural expressa o comportamento de um sistema digital (módulo) como uma
interconexão hierárquica dos módulos secundários. No fundo da hierarquia os componentes
devem ser primitivas ou especificados por comportamento. As primitivas de Verilog incluem portas,
e.g., nand, bem como transístores de passagem (switches).

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A estrutura de um módulo é a seguinte:

module <nome_módulo> (<lista_portas>);


<declarações>
<elementos_módulo>
Endmodule

nome_módulo: é um identificador que descreve univocamente o módulo.


lista_portas: é uma lista das portas de input, de inout e de output que são usados na ligação
a outros módulos.
declarações: especifica estruturas de dados como registros ou memórias bem outras
construções executáveis como funções.
elementos_módulo: podem ser blocos initial, blocos always ,atribuições contínuas ou
instâncias de módulos.

A título de exemplo, apresenta-se abaixo a descrição de uma porta AND de 3 entradas em


Verilog.

module AND(in1, in2,in3, out);


input in1, in2,in3;
output out;
assign out = (in1 & in2 & in3);
endmodule

12.6 Comparação entre VHDL e Verilog


Capacidade de modelação
Semelhante para modelos estruturais
VHDL oferece melhor suporte para modelos abstratos e modelos de atrasos
Verilog te melhores construções para modelar ao nível lógico e primitivas de bibliotecas
ASICS e FPGAs.

Tipos de dados
VHDL suporta tipos de dados abstratos criados pelo utilizador
Em Verilog os tipos são muito simples e mais próximos do hardware

Aprendizagem
VHDL é fortemente tipada, menos intuitiva, mais verbosa (baseada em ADA)
Verilog é mais simples e menos verbosa (baseada em C)

Parametrização
VHDL tem construções para parametrizar números de bits, replicar estruturas e configurar
modelos.
Verilog suporta apenas modelos com parâmetros, instanciação com definição de
parâmetros.

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