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EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE

FAMILIA DA COMARCA DE GUARATUBA

Autos: 000000xxyz
Natureza: AÇÃO DE SEPARAÇÃO LITIGIOSA c/c
PEDIDO DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS PROVISIONAIS
Requerente: Eugênia Ribeiro Santos
Requerido: Noel Silva Santos

NOEL SILVA SANTOS, já devidamente qualificado nos autos


da Ação em epígrafe, vem respeitosamente, perante Vossa Excelência, por
seus bastantes procuradores firmatários (doc1), oferecer a presente:

CONTESTAÇÃO

, em consideração aos fatos, aos fundamentos jurídicos, às provas e


aos pedidos que se seguem:

Avenida Beira-Mar Norte, 35, Cobertura. Florianópolis – SC. (47) 3452-3456


Eugênia Ribeiro Santos ajuizou a presente AÇÃO DE SEPARAÇÃO
LITIGIOSA c/c PEDIDO DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS PROVISIONAIS contra
o ora contestante, aduzindo em síntese, que convoloram núpcias em data
de 10/09/1990, pelo regime de comunhão universal de bens, advindo desta
união a filha Luana Santos, hoje com 16 anos de idade.
Aduz que nos últimos três anos o contestante vem ingerindo bebidas
alcoólicas e consumindo substâncias entorpecentes, o que resultou na
impossibilidade da continuação do convívio comum, além de prática de
conduta desonrosa perante a filha Luana.
Requer liminarmente a guarda da filha, e alegando que necessita de
alimentos provisionais para si e para filha, pleiteia a concessão da liminar
de alimentos provisionais no valor equivalente 50% dos rendimentos do
requerido.
Alegando que o contestante tem uma renda mensal em torno de
R$3.600,00 (três mil e seiscentos reais).
Requer, também, a separação de corpos.
Em rápida e apertada síntese este é um breve relatório da inicial.
Passemos à análise dos fatos.

1. DOS FATOS
É fato que as partes celebraram matrimônio em 10 de setembro de
1990, pelo regime de comunhão universal de bens. Advindo desta união a
filha Luana Santos, hoje com 16 (dezesseis) anos de idade.
Os bens descritos na inicial guardam correspondência com o que
efetivamente possuem. As verdades, porém, param aí.
É absolutamente inverídica a afirmação de que o requerido e ora
contestante é dado ao vício do uso de substâncias entorpecentes ou
qualquer outra droga ilícita. Tal afirmação tem por único escopo induzir
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esse douto Juízo a erro e obter, por tal artifício, o agasalho de suas
pretensões.
Diante das alegações de conduta desonrosa em frente de sua única
filha, repudiamos tais afirmações grotescas. Primeiramente, não há sequer
uma única prova apresentada, haja vista a impossibilidade de fabricação de
provas para algo tão imoral quanto o apresentado.
É de conhecimento da comunidade escolar, familiar e civil da família
que a menor, Luana Santos, tem profunda admiração por seu pai.
Conforme documentos em anexo, a menor envia diversas cartas e bilhetes
de amor, carinho, fazendo referências ao seu pai como “paizão”, “papai” e
“super-pai”, apenas para elencarmos alguns. (doc. 3, 4, 5, 6).
Testemunhas ouvidas alegam que a ora contestada manifesta ciúmes
obsessivos pela relação do genitor com sua filha. Relatam que em diversas
situações, a genitora ofendeu com palavras de baixo calão sua filha, diante
de situações em que a menor manifestava preferência pela companhia do
pai, ao invés da mãe.
A contestada não apresenta condições dignas e morais de alegar
quaisquer ações que possam ter desonrado sua filha, pois é conhecida por
sua vida boêmia e desregrada, falhando constantemente com seus
compromissos familiares e profissionais, como prova a ata de reunião de
pais, na escola da menor, nos últimos 4 anos, em que, das 16 reuniões
realizadas, a mãe esteve presente em somente 03, estando o pai em todas
as outras.
Quanto ao que se trata do “laudo técnico”, única prova juntada pela
Autora, para provar a personalidade violenta do Requerido, não passa de
uma mera tentativa frustrada, tanto que o mesmo jamais esteve em uma
situação de flagrante delito, não tendo nenhuma passagem criminal em
qualquer que seja o órgão ou tribunal, como deslumbra certidões (doc.7),
sendo que o fato que ocasionou este documento foi simplesmente uma
discussão, comum na vida de qualquer casal. Ressaltamos ainda que esse
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laudo foi elaborada “sob encomenda”, conforme relata a Srta. Vanessa
Souza, então secretária da clínica que foi lavrado o laudo.
Sobre a alegação de grave enfermidade legal, levamos ao
conhecimento do M.M Julgador que o documento em que se baseia a autora
é absurdamente fraudado, inválido, pois o requerido jamais esteve na
referida clínica, tornando impossível a análise assinada pelo Doutor em
Medicina. Situação esta agravada pela estreita relação do Médico com a
Requerente, que também pode ser comprovada por fotos em anexo (doc.
8), os quais posam lado a lado, Autora e Réu, Médico e Irmã da Autora, na
festa de casamento destes.

2. DO DIREITO
2.1. DO USO DO NOME
Como é notório, é faculdade da mulher, na dissolução da sociedade
conjugal, manter ou não o nome de casada, exceto, porém, nas hipóteses
dos artigos 17 da Lei Federal n. 6.515, de 26.12.77.
A primeira hipótese, que o caput e o § 1º do artigo 17 prevêem a
perda do eventual nome do marido, apenas quando, decretada a separação
com fundamento no artigo 5º, caput, fique vencida a mulher, ou quando,
decretada com apoio no § 1º ou no § 2º do artigo 5º, tenha sido dela a
iniciativa do processo.
Trata-se de claríssima limitação legal dos casos de perda do direito,
como conseqüência automática de sentença dissolutória da sociedade
conjugal, os quais podem resumidos, para fim de simplificação didática, sob
a rubrica de perda por condenação, uma vez que, embora vencedora em
ação fundada no artigo 5º, § 1º ou § 2º, tem a mulher de suportar, como
efeito secundário da decisão, uma como que sanção jurídica.
De fato, o nome, como símbolo de identidade, não é apenas exigência
objetiva de convívio humano, ou síntese documental dos elementos que

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atribuem a cada pessoa organização singular e permanente, capaz de
distingui-la das outras.
No registro subjetivo, constitui predicado que, aderindo à
personalidade, integra a auto-imagem pela qual a pessoa se percebe e
identifica perante si mesma e, neste sentido, é parte do projeto histórico
em que consiste a realização fluente de cada vida humana.
Porém, claro se verifica o uso norma legal supra, pois é aceitável que a
Autora continue com o nome de casada, tanto por ter tomando a iniciativa
da demanda, quanto por ter atribuído o adjetivo de insanidade ao marido,
pois se analisarmos Caro Julgador, é inaceitável que uma pessoa queira
manter o sobrenome de uma pessoa "supostamente" violenta e
mentalmente doente.
Confirmando assim, a imposição legal de retirada do nome de casado
ao cônjuge que toma a iniciativa da separação judicial, assim consagra o
autorizado NELSON NERY JUNIOR (in: Código de Processo Civil Comentado,
4º Ed. 1999, Editora RT, p. 2041)
"Uso do nome de casada. A LDi 17 estabelece expressamente a perda
do uso do nome do marido quando é da mulher a iniciativa de separação
fundada na LDi 5.º §§ 1.º e 2.º (RT 580/92)(...)"
Do mesmo modo, se posiciona o eminente YUSSEF SAID CAHALI (in:
Separação e Divórcio, pág. 661; nosso Direito de Família, vol. II/38),
vejamos:
"Concernentemente ao uso do nome do marido, é cabível sua
supressão se a mulher é sucumbente na separação ou divórcio ou se toma
a iniciativa da ação. Todavia, proposta pelo marido a ação fundada apenas
no fato objetivo da separação de fato, tem-se ressalvado à mulher a
faculdade de opção quanto a conservar ou não o nome de casada; proposta
a ação pela mulher, esta será condenada à perda dos apelidos do marido. "

Da mesma maneira, se coloca o correto saber de jurisprudência pátria:


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DIVÓRCIO - Consensual - Direito ao uso do nome de
casada - Admissibilidade, não ocorrendo nenhuma das
hipóteses legais de perda - Artigos 17 e 18 da Lei Federal n.
6.515, de 1977 - Hipótese, ademais e, em que há
concordância do marido - Questão que diz respeito apenas a
ambos os cônjuges, não incumbindo ao Ministério Público
rebelar-se ou recorrer, ainda quando houver discordância do
marido - Interesse público inocorrente - Recurso não provido.
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO - Apelação Cível n.
118.967-1. São Paulo, 16 de março de 1990. - Relator: Des.
CEZAR PELUSO)

Ademais, é incabível a possibilidade da continuação do uso do nome de


casada, com o uso do art. 25 da Lei nº 6.515/77, pois a volta do nome de
solteira não acarreta nenhum evidente prejuízo para a sua identificação,
como alaga a Autora em sua peça vestibular, pois na atividade que exerce,
vendedora, não é conhecida pelo seu sobrenome, mas sim por suas
características físicas, e ainda, representando uma empresa, que tem seu
próprio nome, não importando qual o nome de sua família, uma vez que a
identificação padrão da requerente limita-se ao seu primeiro nome, seguido
do nome da Empresa fornecedora dos produtos por ela comercializados.

2.2. DOS BENS


A requerente pretende partilhar os bens na proporção de 50%
(cinqüenta por cento) para cada cônjuge, requerendo a casa onde já reside
e deixando a casa da cidade de Curitiba para o requerido.
Tal pedido estaria perfeitamente embasado se, dentro deste contexto,
os imóveis estivessem integrando toda a partilha.

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No entanto, o pai do Requerido, senhor Ernesto Vidal Santos,
estabeleceu residência na Capital, e lá veio a falecer. Como único filho,
aberta a sucessão, o requerido recebeu a casa como herança.
No entanto, antes de falecer, o senhor Ernesto, preocupado com o
desenrolar da vida de seu filho, não lhe interessando que ficasse com o
patrimônio desprotegido, deixou um Testamento, sendo este um negócio
formal e solene.
A validade do testamento está condicionada a formas e tipos prescritos
minuciosamente na lei, que foram devidamente atendidas.
A vontade do testador só pode valer se exteriorizada por uma das
formas previstas na lei, requisito este satisfeito no caso que nos vem à
baila. E não basta seguir a forma admitida, é necessário, ainda, cumprir
rigorosamente as formalidades ou solenidades prescritas para cada forma,
sob pena de nulidade. Formalidades estas respeitadas.
As formalidades que a lei prescreve para o testamento demonstram o
interesse em garantir a veracidade deste negócio jurídico, gravando,
genericamente, os bens que comporão os quinhões de cada filho, com a
incomunicabilidade vitalícia, que tem o condão de manter na "família de
sangue" como bem particular do filho e incomunicável (ainda que seja
casado na comunhão universal) ao outro aquilo que resultou de toda
uma vida de trabalho daqueles pais.
Com base nisso, a partilha dos bens deve envolver tão e somente a
casa em Guaratuba-PR, resguardando o imóvel de Curitiba, devido à sua
cláusula de incomunicabilidade.
A cópia do registro, com a cláusula em questão, segue anexa. (doc. 9)

2.3. DOS ALIMENTOS


Primeiramente, a alegação da requerente de que o requerido percebe
a quantia de R$3.600,00 mensais é completamente absurda e infundada. O
requerido recebeu uma quantia de R$3.600,00 uma única vez, a título de
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atrasados e revisionais de aposentadoria, concedido pela Justiça Federal
em ação de IRSM. O que ele percebe mensalmente é a aposentadoria por
invalidez, no valor de R$510,00, desde que sofreu acidente de moto, e
perdeu a mobilidade da perna esquerda. Portanto, as alegações quanto ao
rendimento do requerido são completamente contestáveis.
Não se pode discutir a competência deste Juízo para julgar todos os
pedidos formulados pela Requerente, mesmo que tal item aqui defendido
tenha sido defendido pelo Código de Processo Civil, promulgado depois da
Lei de Alimentos, que estabelece um procedimento cautelar específico e
nominado para o caso, dispondo o seu artigo 852, inciso I, que é lícito pedir
alimentos provisionais: I - nas ações de desquite (atualmente
separação) e de anulação de casamento, desde que estejam
separados os cônjuges.
Este pedido, evidentemente, deve ser formulado em separado, e não
nos autos da ação principal.
Aliás, sábia foi à providência legislativa, pois objetivou evitar tumulto
processual, como assinala YUSSEF SAID CAHALI, lembrando acórdão da
Egrégia Primeira Câmara Civil deste Tribunal:

"... o desquite (pode ler-se divórcio) e alimentos são ações


próprias, distintas, independentes uma da outra, inexistindo assim
conexão entre as duas ações, fundada em acessoriedade (Divórcio
e Separação, t. I/567-568, Editora Revista dos Tribunais, 6ª ed.)"

Neste sentido também já se posicionou a Egrégia Quarta Câmara


Civil, no Agravo de Instrumento n. 157.677-1, em que foi Relator o
eminente Desembargador do NEY ALMADA:

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"... na hipótese, a disputa conjugal se processa em feito
subordinado ao rito ordinário, de modo que os alimentos
provisórios devem ser decididos em cautelar incidente. Em tal
sentido, a opinião de YUSSEF SAID CAHALI, em seu livro Dos
Alimentos, pág 326. O Código de Processo Civil, artigo 852, prevê
tal procedimento cautelar na hipótese da ação de separação
contenciosa. Ora, não é lícito considerar tal postura legislativa sem
sentido prático... "(RJTJESP, ed. LEX, vol. 135/263).

No mesmo posicionamento, se colocam vários Tribunais de Justiça de


nosso País:

SEPARAÇÃO E ALIMENTOS. Sendo ajuizadas ações de


separação judicial e de alimentos em juízos diversos, o competente
para julgá-las é o da ação de separação, já que, sendo conexa com
a de alimentos, obviamente que a abrange e, por esta razão, se
contém naquela (JM 63/45)

CONFLITO DE COMPETÊNCIA - MEDIDA CAUTELAR


INCIDENTAL - REVISÃO DE ALIMENTOS - AÇÃO DE SEPARAÇÃO
JUDICIAL DOS GENITORES - A Lei de Divórcio admite a
discussão e rediscussão sobre os direitos e interesses dos filhos
na demanda judicial separatista dos genitores, daí evidente a
competência do Juiz que está a cuidar da separação do casal,
para redefinir os alimentos devidos aos filhos, máxime quando
a Cautelar Incidental de Revisão de Alimentos está endereçada
ao mesmo juízo. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO
FEDERAL -Número do Acórdão: 101200 - Número do Processo:
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CCP199797 -Relator do Processo: EDUARDO DE MORAES
OLIVEIRA - Data de Julgamento: 26/11/1997)

ALIMENTOS - Provisórios - Separação judicial - Cumulação


dos pedidos - Inadmissibilidade - Necessidade de pedido
cautelar específico em autos apartados. Separação judicial e
alimentos são ações próprias, distintas, independentes uma da
outra, inexistindo assim conexão entre as duas ações, fundadas
em acessoriedade. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO -
Agravo de Instrumento n. 221.368-1 - Terceira Câmara Civil -
Julgamento: 27.9.94 - Relator: Gonzaga Franceschini - Votação
unânime - Publicado na JTJ, ed. LEX, vol. 164/220 Vide Texto
110 ).

Tão é correta tal linha de entendimento, que até mesmo o SUPERIOR


TRIBUNAL DE JUSTIÇA, corte máxima sobre assuntos infraconstitucionais,
assim já se decidiu sobre a amplitude da Ação de Divorcio:

DIVORCIO. DIVORCIO DIRETO LITIGIOSO. ALIMENTOS. A


sentença que decreta o divórcio direto litigioso deve dispor,
salvo situação excepcional, sobre a pensão alimentícia, guarda
e visita dos filhos, a fim de evitar a perpetuidade das
demandas. Recurso conhecido em parte e provido. (SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA - RECURSO ESPECIAL - Número do
Processo: 132304 - UF do Processo: SP - Data de Decisão:
10/11/1997 - Nome do Órgão Julgador: QUARTA TURMA)

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Com isso, o que a parte demandada tenta demonstrar ao Ilustre
Julgador, sendo este Juízo claramente competente para a fixação do valor
da pensão alimentícia da filha do casal e demais questões, é que a decisão
a ser proferida, se digne, acompanhando o princípio da economia e rapidez
processual, deve seguir a proporção de 10% dos proventos do cônjuge em
favor da filha do casal, no entanto, não há que se falar em pensão
alimentícia para a esposa, uma vez que goza de plena saúde na
realização de suas atividades como vendedora, como atesta o exame
periódico que todos os vendedores fazem a cada semestre, em que versa,
no atestado, ipsis literis, o seguinte: “A paciente goza de perfeita saúde,
estando apta para a realização de atividades laborais.”.

Ora, se a requerente goza de saúde plena para trabalhar, não


podemos admitir, sob nenhuma hipótese, que o requerido tenha que arcar
com esta empreitada, afinal, não lhe recai responsabilidade, uma vez que
na constância do casamento, ele foi o maior incentivador de sua esposa,
colaborando inclusive financeiramente para que ela fosse para eventos e
treinamentos de vendas, até mesmo em outras cidades.

Quanto à menor, com idade de 16 anos, já é estagiária de uma


empresa de tele-marketing, percebendo mensalmente o auxílio de
R$385,00 (trezentos e oitenta e cinco reais), sendo o percentual de 10%
ideais para complemento de sua renda, ressalvando que não arca com
despesas de moradia, estudos e nem mesmo alimentação, uma vez que
quem patrocina são seus pais.

O dever de prestar alimentos fundamenta-se na solidariedade


familiar, sendo uma obrigação personalíssima devida pelo alimentante em
razão de parentesco que o liga ao alimentando de acordo com o art. 396 e
seguintes do Código Civil Pátrio.

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Sendo assim, a competente MARIA HELENA DINIZ (in: Código Civil
Anotado, 4º Ed. aumentada e atualizada, Ed Saraiva, 1998, p. 357)
caracteriza desta forma objetivo da obrigação aqui aludida:

"III - Finalidade. O instituto jurídico dos alimentos visa


garantir a um parente aquilo que lhe é necessário à sua
manutenção, assegurando-lhe meio de subsistência, se ele, em
virtude da idade avançada, doença, falta de trabalho ou qualquer
incapacidade, estiver impossibilitado de produzir recursos materiais
com o próprio esforço".

Complementando tal conceito, os alimentos devem ser fixados


obedecendo ao binômio: necessidade do alimentado e capacidade
econômica do alimentante, ou seja, na proporção das necessidades do
reclamante e no recurso da pessoa obrigada, conforme dispõe o art. 400 do
Código Civil, in verbis:

"Art. 400. Os alimentos devem ser fixados na proporção das


necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada."

Comentando tal dispositivo taxativo, novamente, a mesma


doutrinadora MARIA HELENA DINIZ (in: Código Civil Anotado, 4º Ed.
aumentada e atualizada, Ed Saraiva, 1998, p. 361) dá a seguinte
afirmação:

I - Proporcionalidade na fixação dos alimentos. Imprescindível


será que haja proporcionalidade na fixação dos alimentos entre as
necessidades do alimentado e os recursos econômico-financeiros
dos alimentantes, sendo que a equação desses dois fatores deverá
ser feita, em cada caso concreto, levando-se em conta que a pensão
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alimentícia será concedida sempre ad necessitatem (JB, 165:279;
RT, 530:105, 528:227, 367:140, 348:561, 320:569, 269:343 e
535:105; Ciência Jurídica 44:154)."

Obedecendo a determinação e inteligência do legislador, assim vem


se posicionando nossa jurisprudência pátria, ponto seguro para a formação
de uma convicção justa e correta:

"CIVIL. ALIMENTOS. CRITÉRIOS PARA A FIXAÇÃO. A


fixação de alimentos deve guardar obediência ao exame
detalhado do binômio possibilidade-necessidade. Os filhos
devem desfrutar de um conforto equivalente as possibilidades
dos pais, mas os alimentos não devem servir como renda
indireta daquele que detém a guarda. (...)" (grifo nosso)
(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL - Apelação
Cível 4264396 de 23/06/1997)

No mesmo sentido, a homenageada Des. NANCY ANDRIGHI,


portadora de notório e indiscutível saber jurídico, e provavelmente, grande
mãe e avó, assim se posiciona sobre o tema:

"CIVIL. ALIMENTOS. OFERTA. Deve-se analisar o binômio


capacidade-necessidade, a que se refere o art. 400 do Código
Civil, onde a proporcionalidade e equilíbrio na fixação de
alimentos entre quem dá e quem recebe, é característica
imprescindível." (TRIBUNAL DE JUSTIçA DO DISTRITO FEDERAL
- Apelação Cível 4306596 - Dara da Publicação 03/19/1997)

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Levando esse entendimento ao caso em tela, indiscutível é a
obrigação do Requerido em prestar alimentos a sua prole. Do mesmo
modo, tal obrigação, também, deve ser atribuída à Autora, de acordo com
o art. 20 da Lei 6.515/77, vejamos:

"Art. 20. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges,


separados judicialmente, contribuirão na proporção de seus
recursos."

Sendo assim, é descabida a pretensão da parte Autora, que requer


uma pensão no valor de 20% dos rendimentos do requerido, elevando
assim a 50% o valor da pensão, não levando em consideração todos os
critérios aqui aduzidos.
Importante salientar, ainda, que a situação econômica em que se
encontra a Autora é bem mais cômoda e confortável do que a do
Requerido, pois a mesma é saudável, empregada como vendedora em uma
empresa de cosméticos de renome internacional, percebendo rendimentos
muito acima as do Demandado, não sendo justo então, aumentar os
encargos do mesmo, que já são indiscutivelmente pesados.
Vale salientar ainda que a requerente já demonstrou publicamente
estar envolvida com o seu supervisor de vendas, e que inclusive, segundo
testemunhas ouvidas, pretendem comprar um imóvel em sociedade.
Acreditamos que não há dúvidas sobre o caráter abusivo do pedido de
pensão para a esposa.

2.4. DO DIREITO

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O pedido de separação judicial não encontra amparo legal no art. 5° ,
caput, da Lei n° 6.515/77, uma vez que este estabelece a norma de que a
separação judicial pode ser pedida por um só dos cônjuges quando imputar
ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação
dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum; o que
não é nem de perto comprovado. O requerido não apresentou conduta
desonrosa em nenhuma circunstância, conforme comprovam as
testemunhas arroladas.
Se há que se falar de grave violação dos deveres do casamento, a
culpabilidade é exclusiva da requerente, que há muito tem falhado com
suas obrigações familiares, deixando de dar atenção necessária à sua filha,
caracterizando abandono emocional.
Fato este comprovado pelos bilhetes deixados na porta da geladeira,
por parte da mãe, que saía cedo para o trabalho, e almoçava com suas
amigas, indo direto para a academia e depois para o salão de beleza com
certa freqüência, conforme extratos em anexo, e deixando sua filha sob o
cuidado exclusivo do genitor.
Em relação à saúde mental do contestante, não foi comprovado em
nenhuma circunstância a alegação proposta, senão um laudo médico
lavrado por um doutor em medicina que tem profunda intimidade com a
requerente, tornando-o imparcial e dispensável ao processo. Uma vez que
não comprovado o alegado, não encontra base para propositura da ação no
art. 1572 § 2º do Código Civil Brasileiro.
Em relação ao pedido de separação cominado com ação de alimentos,
não se pode discutir a competência deste Juízo para julgar todos os pedidos
formulados pela Requerente, mesmo que tal item aqui defendido tenha sido
defendido pelo Código de Processo Civil, promulgado depois da Lei de
Alimentos, que estabelece um procedimento cautelar específico e nominado
para o caso, dispondo o seu artigo 852, inciso I, que é lícito pedir alimentos

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provisionais: I - nas ações de desquite (atualmente separação) e de
anulação de casamento, desde que estejam separados os cônjuges.
Este pedido, evidentemente, deve ser formulado em separado, e não
nos autos da ação principal.
Quanto à separação de corpos, a não pode persistir, pois é medida
drástica. A família, como bem jurídico de proteção especial, não pode ser
simplesmente dissolvido com base em alegações profícuas e inverídicas.
Além disso, o contestante não ensejou qualquer motivo que respalde a
separação, conforme ilustra as provas aqui apresentadas, mostrando que
em momento algum o contestante falhou com suas obrigações. A
separação não é a melhor solução, claramente.

3. DOS PEDIDOS.

POR TODO O EXPOSTO, REQUER:

I- Seja indeferida a liminar pleiteada quanto à guarda da filha Luana


Santos, bem assim a liminar quanto aos alimentos provisionais à autora e à
filha;

II - De igual seja indeferida a liminar quanto à separação de corpos;

III- Seja julgada improcedente a inicial, condenando-se a autora ao


pagamento das custas processuais e honorárias advocatícios.

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IV- Requer-se, também, a oitiva informal da menor Luana Santos, filha
do casal, acerca da preferência em permanecer sob guarda.

V – Requer a intervenção no Ilustre Representante do Ministério


Público no feito.

Nestes termos,
Pedem Deferimento.

João Guilherme de Albuquerque Santos


OAB/PR 4789

Maíra Battistella
OAB/PR 9876

Valmor Trentin
OAB/PR 4678

Guaratuba, 19 de outubro de 2010.

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