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Introdução

Pode-se chamar de comportamento reflexo o comportamento não


voluntário, no qual há um estímulo e uma resposta determinando a relação
entre organismo e ambiente. O objetivo da presente pesquisa é apontar os
principais conceitos acerca do comportamento reflexo, em geral, distinguindo-o
do conceito de comportamento operante de B. F. Skinner.

Desenvolvimento

O comportamento reflexo

Sabe-se que, no desenvolvimento das espécies, tanto em animais infra-


humanos, como nos próprios humanóides, o repertório comportamental
herdado durante tal percurso, veio se evoluindo como necessidade da
sobrevivência da espécie, ou seja, organismos que não herdaram alguns deles
tiveram menos possibilidades, tanto em sua reprodução como para sua
sobrevivência (CATANIA, 1999).
Todo ser humano necessita de um mínimo de habilidades, que garanta a
sua sobrevivência e a sua interação com o ambiente em que está inserido, ao
nascer. Estas habilidades estão presentes em espécies humanas e não-
humanas desde a vida intra-uterina e são chamadas de comportamento inato,
reflexo ou respondente. Por exemplo: quando um bebê recém nascido suga o
leite do seio de sua mãe ele está efetuando um comportamento inato. São
considerados como comportamentos inatos todo o repertório comportamental
biologicamente desenvolvido na espécie, ou seja, não precisou ser aprendido.
Imagine se precisássemos ensinar um bebê recém nascido a sugar o leite
materno (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).
A primeira idéia sobre comportamento reflexo foi sugerida por Descartes
quando afirmou que o comportamento podia ser iniciado por uma ação externa.
“A primeira grande prova de que ele havia imaginado
corretamente a possibilidade de um controle externo
surgiu dois séculos mais tarde com a descoberta de
que a cauda de uma salamandra, quando uma parte
fosse tocada ou perfurada, mover-se-ia mesmo que a
cauda já tivesse sido cortada do corpo. [...] Se o
movimento da cauda amputada podia ser controlado
por forças externas, seria este comportamento de
natureza diferente quando efetuado pela salamandra
intacta? Se não, que dizer das causas internas usadas
até então para explicá-lo? Como resposta sugeriu-se
seriamente que a ‘vontade’ deveria coexistir com o
corpo e que alguma parte dela ainda estaria investida
na parte amputada. Mas o fato de que se tinha
identificado um evento externo que poderia substituir,
como na arrojada hipótese de Descartes, a explicação
interior permaneceu.” (Skinner, 1953, p. 51).

O fator externo veio a ser denominado estímulo (S) e o comportamento


controlado pelo fator externo veio a ser denominado resposta (R). A interação
entre os dois veio a ser chamada de reflexo – “segundo a teoria de que os
distúrbios causados pelos estímulos passavam pelo sistema nervoso central e
eram ‘refletidos’ outras vez para os músculos” (SKINNER, 1953, p. 51). Logo
foi visto que os reflexos se relacionam com partes do cérebro e são
estimulações que inevitavelmente causam reações.
Ivan P. Pavlov, fisiologista russo, recebeu o Prêmio Nobel por
desenvolver o conceito do “reflexo condicionado” afirmando ser uma
“substituição de estímulos”. Pavlov, primeiramente, eliciou uma resposta de
salivação na boca de um cachorro usando como estímulo um alimento, logo
depois, ao apresentar o alimento novamente, ao mesmo tempo Pavlov,
disparava um som. Depois de algumas repetições Pavlov deixou de apresentar
o alimento, mas continuou disparando o som, assim, constatou que deixando
de apresentar o alimento, mas apresentando o som o cachorro continuava a
salivar. Reflexo condicionado é a relação entre estímulos que apresentam uma
resposta que, quando repetidamente pareados com “estímulos controláveis”
pode se chegar a resposta excluindo os primeiros estímulos e deixando
permanecer somente os estímulos controláveis (SKINNER, 1953).
J. B. Watson incluiu o método do reflexo condicionado na sua lista de
métodos objetivos rígidos de investigação. Watson foi responsável por ampliar
a aplicação do método do reflexo condicionado às pesquisas psicológicas
americanas (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
B. F. Skinner utiliza o conceito desenvolvido por Pavlov sobre os reflexos
inatos que ele denomina comportamento respondente. Desta maneira, Skinner
elabora um conceito que se difere do comportamento respondente,
denominado comportamento operante. Skinner, neste conceito, dedica-se ao
estudo das respostas e considerava que o que acontecia na relação entre
estímulo e resposta não era o tipo de dado que ele considerava objetivo
(SCHULTZ; SCHULTZ, 2009). A principal diferença entre os comportamentos
respondente e operante é que este último opera no ambiente do organismo,
sendo que ao operar (R) no ambiente as conseqüências (C) das respostas
podem ou não retroagir sobre o organismo e, assim, podendo ou não aumentar
a probabilidade do comportamento ocorrer novamente.

“Um comportamento simples, como estender o braço, produz a


conseqüência de pegar (alcançar) um saleiro (mudança no
ambiente: o saleiro passa de um lugar para o outro). Em vez de
estender o braço e pegar o saleiro, é possível emitir outro
comportamento que produzirá a mesma conseqüência: pedir a
alguém que lhe passe o saleiro. No primeiro exemplo, o
comportamento produziu diretamente a mudança de lugar do
saleiro. No segundo exemplo, o comportamento modificou
diretamente o comportamento de outra pessoa e produziu a
mudança de lugar do saleiro” (MOREIRA; MEDEIROS, 2007, p. 48).

Neste sentido, mesmo tratando de uma relação, que a primeiro


momento apresenta uma relação aparentemente simples, suas particularidades
são imprescindíveis para uma melhor compreensão do comportamento
humano.
Desta maneira, o presente trabalho apresentará alguns conceitos que
circundam tal fenômeno, como: Estímulo, resposta, intensidade, magnitude,
limiar e latência.

Estímulo e Resposta

O comportamento reflexo é uma relação entre ambiente e organismo,


onde o ambiente elicia (força) uma resposta do organismo. Portanto, é uma
relação unidirecional entre um estímulo (S) que causa uma resposta (R).
Quando falamos em comportamento inato, “(...) esses termos adquirem
significados diferentes: estímulo é uma parte ou mudança em uma parte do
ambiente; resposta é uma mudança no organismo” (MOREIRA; MEDEIROS,
2007, p. 18). Por exemplo, quando olhamos para uma luz intensa e a nossa
pupila se contrai, a luz é o estímulo e a contração na pupila é a resposta.

Intensidade e Magnitude

Quanto mais intensidade no estímulo maior será a magnitude da


resposta. Os termos “intensidade” e “magnitude” são conceitos utilizados na
Análise do Comportamento na qual significam “quanto de estímulo” e “quanto
de resposta” (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).

Latência

O tempo de intervalo entre um estímulo e uma resposta é um conceito


chamado de latência e esta relacionado com a intensidade do estímulo, ou
seja, quanto maior a intensidade do estímulo menor o tempo de latência ou
mais rápido eliciará a resposta (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).

Limiar

Há também o conceito de limiar que consiste na existência de um


mínimo de intensidade necessária para a eliciação da resposta. Se não houver
um mínimo de intensidade não haverá a eliciação de uma resposta (MOREIRA;
MEDEIROS, 2007). Por exemplo, quanto maior a intensidade da luz mais a
pupila se contrairá e em menos tempo. Se não houver um mínimo de
intensidade na luz suficiente para contrair a pupila não haverá a eliciação de
uma resposta.

Conclusão

Diante os conceitos apresentados, conclui-se que os comportamentos


reflexos referem-se principalmente à fisiologia interna do organismo e não
causam nenhum efeito sobre o ambiente, portanto, nota-se a diferença com o
comportamento operante que produz algum efeito no mundo ao redor. A
apresentação dos conceitos de comportamentos respondente e operante
evidencia que é fundamental entendermos estes conceitos para
compreendermos como aprendemos nossas habilidades e nossos
conhecimentos.