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CURSO DE

TREINAMENTO
DO OUVIDO
ABSOLUTO

TRADUZIDO DO ORIGINAL: “PERFECT PITCH EAR TRAINING SUPER


COURSE” DE “DAVID LUCAS BURGE”

TRADUTOR: ISAQUE CIPRIANO


Introdução

David Lucas Burge nos trás um curso onde ele descreve um dos mais polêmicos
assuntos da música, o Ouvido Absoluto.
Alguns dizem que esta habilidade precisa nascer com a pessoa, e que somente alguns
indivíduos a possuem. Mas ele nos mostra através de diversas lições que é possível
desenvolver esta habilidade.
Todas as lições foram traduzidas do original, mantendo sempre as explicações e os
exercícios. Apenas algumas partes onde o autor torna-se repetitivo para enfatizar alguns
assuntos foram cortados para que o curso torne-se bem dinâmico.
O Curso foi desenvolvido há mais ou menos 20 anos e tem sido usado no mundo inteiro.
Esta versão do curso utiliza-se como fonte de tradução a chamada “versão final”, que foi
regravada há pouco tempo pelo autor.
Ele serve para qualquer músico que deseja desenvolver seu ouvido, seja instrumentista,
cantor, etc.
Aproveitem o curso! Divirtam-se estudando! Esta é uma das recomendações do autor,
que repasso nesta introdução.
E que sejam momentos únicos de aprendizado para cada um que estudar este curso.

Isaque Cipriano
Lição 01

Quantos de vocês já escutaram que você tem que nascer com essa habilidade de
Ouvido Absoluto? Somente alguns raros e selecionados indivíduos tem esta unusual habilidade
e eles nasceram com isso. E o resto de nós nunca poderemos ter isso.
A razão disso é que as pessoas não entendem o que realmente é o ouvido absoluto. Se
você não entende o que uma coisa é, como você pode desenvolvê-la? E esta é a razão pela
qual as pessoas não conseguem desenvolver o ouvido absoluto. Sim, você pode desenvolver
isso. Você não pode desenvolver se não souber o que ele é. Neste curso, veremos exatamente
o que é o ouvido absoluto. Desvendar todos os mistérios. E quando você ver o que é isso, você
dirá: “Ei, isso é simples!”. Ouvido Perfeito é completamente simples. Muitas pessoas que vão
aos seminário dizem: “Isso é tão fácil!”.
Paul Hindemith , o qual seu livro “Elementary Training for Musicians” é considerado a
“Bíblia” da teoria musical em algumas Universidades, diz em seu livro, com as suas
experiências, que o Ouvido absoluto pode ser desenvolvido. E os professores que o usam são
os mesmos que dizem que o ouvido absoluto não pode ser desenvolvido. Descobri que ele
está certo. Ele nunca mostrou como desenvolver o ouvido absoluto, mas ele estava certo.
E não é uma coisa exata e impraticável, mas uma habilidade vital na música. Por uma
única razão: Música é a arte de ouvir.
E isso tem a ver com as habilidades do ouvido de escutar e interpretar tons. E o ouvido
perfeito é a maior habilidade de ouvir e interpretar os tons, então não é só importante, mas
absolutamente essencial e importante, porque a música é justamente isso, escutar os tons. É
claro que podemos ser músicos sem a habilidade de ouvido perfeito, existem vários músicos
conceituados que nunca pararam para desenvolver um ouvido absoluto (perfeito).
Mas quando gastamos um tempo desenvolvendo isso, vemos que isso nos coloca num
nível de percepção de um mestre em música. Fica faltando algo sem essa habilidade de ouvido
perfeito.
Se eu tocar vários sons diferentes, quantos de vocês poderão dizer qual deles é um
FÁ#?
Bem, quando não sabemos estamos perdendo parte importante da música. Como pode
um músico escutar várias notas e não saber qual é um FÁ #?
Existe algo preso em seu ouvido. Por isso, nas escolas e universidades de música
existem os laboratórios de treinamento de ouvido. Pois parece ser muito difícil desenvolver o
ouvido.
Mas desenvolver o ouvido é uma coisa muito simples.
Então do que se trata essa habilidade de ouvido absoluto?
Nada mais é do que Ouvir as Cores. Somente isso. Ouvido Absoluto é Ouvir as Cores.
Isso é da mesma forma que os olhos podem ver as cores e distinguir entre um vermelho, azul,
verde, etc, da mesma forma que os olhos podem diferenciar essas cores, os ouvidos são
capazes de ouvir as cores dos sons musicais. Todos os sons não são nada mais que Cores
espectrais do som. Não há diferença entre as cores da visão espectral e da audição espectral,
somente muda o tipo de sensor. Então, o ouvido perfeito é a capacidade de escutar essas
cores dos sons e as reconhecer. Você é capaz de escutar os tons e os reconhecer.
É claro, que o ouvido absoluto é mais do que a habilidade de reconhecer os tons, mas
uma série de habilidades. Se você acordar pela manhã e quiser cantar um LÁ, você vai
conseguir sem nenhuma referência. Esse é o mais alto grau do ouvido absoluto.
Mas também temos que pensar que cada nota tem uma certa extensão. Algumas vezes
você escutará uma determinada nota, por exemplo um LÁ e você dirá “Está um pouco
sustenizada ou um pouco bemolizada, mas é um LÁ.” Temos que levar em conta a extensão
de cada nota. Nem todos os pianos tem a mesma altura, alguns tem notas mais altas, outros
mais baixas. Mas se você conseguir distinguir uma nota, mesmo sabendo que ela está um
pouco alta ou baixa, essa é uma das habilidades do ouvido absoluto, a habilidade de
reconhecer um tom sustenizado ou bemolizado.
Qualquer um pode julgar a sustenização ou bemolização de uma nota se tiver algo para
comparar, um diapasão, por exemplo, mas você será capaz de escutar um tom sem referência
prévia e julgar se está ou não afinado.
Essa é uma habilidade, mas basicamente é Ouvir as Cores. Se conseguimos escutar a
coloração de uma nota e distingui-la, então isso é o ouvido absoluto. E isso é simples, é algo
que você já tem em seus ouvidos, não é algo novo a adicionar, mas algo que você já tem e vai
desenvolver.
Mas por que iríamos querer esta habilidade? Bem, se queremos tocar “de ouvido”, ou
improvisar, isso é vital. Tocar “de ouvido” significa que temos uma música que conhecemos e
queremos tocá-la, então nós a escutamos nos ouvidos da nossa mente e a executamos. O
ouvido é capaz de destravar o curso que o compositor usou. Destravar significa escutar tons e
acordes e reconhecê-los. Então, você pode destravar os acordes e executar perfeitamente em
seu instrumento. Agora se você quiser improvisar um pouco e mudar alguns acordes da
música, adicionar melodias, etc, você vai depender do ouvido absoluto.
Quando você tem o ouvido absoluto, no seu senso você tem “olhos” interno para estes
tons. Você sabe como cada um se parece.
Uma pessoa sem o ouvido absoluto não sabe como soa um Fá# até tocá-lo. Se você
tiver o ouvido absoluto, antes mesmo de tocar qualquer nota, você saberá como ela soará. Isso
é uma vantagem que ganhamos ao ter o ouvido absoluto.
Você pode escutar as músicas na sua mente e escrevê-las no papel. Por isso muitas
escolas e universidades fazem classes de treinamento de ouvido, pois eles sabem que se você
apurar seu ouvido, automaticamente você melhorará tudo o que você fizer com a música, pois
a música é a arte de escutar. Mas escolas treinam o ouvido relativo, não o absoluto. As duas
coisas são bem diferentes, o ideal é que tenhamos os dois desenvolvidos. O Ouvido absoluto
tem suas habilidades e o ouvido relativo tem suas habilidades diferentes.
No livro a Psicologia da Música, John Booth Davis pergunta a músicos qual é a mais
importante habilidade que um músico tem que ter para ser bem sucedido. E todos disseram
que um bom senso de afinação. Muitas coisas são importantes, mas esta é a mais importante,
pois música são tons individuais e o ouvido absoluto é uma habilidade muito desejada por este
motivo.
Um músico pode tocar porque ele ouve, seja quem for e que tipo de música tocar. Um
compositor só pode compor se seus ouvidos souberem exatamente como soarão as notas que
ele está escrevendo.
Até mesmo um ouvinte, só pode apreciar uma música se tiver um certo grau de
percepção.
Esta parte de escutar é o mais alto degrau que precisamos na música. Isso porque
música é escutar, escutar, escutar.
Além de tudo que já falamos do ouvido absoluto, ele também apura o vocal da pessoa.
Se você é um cantor, chegará a um estágio onde saberá a afinação perfeita das notas sem
nenhuma referência, um instrumentista poderá afinar seu instrumento sem precisar de algo
como referência.
Não só isso, mas se você for um vocalista e quiser sair de um MI para um LÁb, sem o
ouvido perfeito, você vai se confundir, mas se você tem o ouvido perfeito, você sabe como
cada nota soa e não terá problemas quanto a isso. Então a técnica vocal, a afinação vocal é
melhorada com o ouvido absoluto.
Bem, o ouvido perfeito não significa que você vai sentar-se num piano e afiná-lo por
completo. A afinação de piano é uma arte que exige muito estudo.
Ouvido perfeito significa que você pode escutar as cores. Se você tem um diapasão, ele
soará um Lá certíssimo. Com o ouvido perfeito não significa que você cantará um lá
exatamente com todas as vibrações por segundos, isso é mentira. Ouvido perfeito é uma
percepção humana. Quando se canta um Lá, não significa que será um lá apurado, mas sim
que ele estará dentro da extensão do Lá, sim, existe uma extensão para cada nota. Na parte
visual, existe uma extensão de vermelho, cada vermelho que vemos tem uma sombra
diferente, existem várias variações, mas quando você olha algo vermelho, você reconhece que
é vermelho. É o mesmo com a música, muitas “sombras” de Lá, mas você reconhece como um
Lá. Se ficar muito bemol, teremos um Láb, mas você perceberá que é um Láb, e o Láb também
tem sua extensão. Acima dela é o Lá.
Um diapasão é algo duro, imutável, enquanto o ouvido humano é algo sensível, flexível,
não é um computador. Isso é um mito, de que se você tem um ouvido perfeito, você tem um
computador nos seus ouvidos, não, é mentira, pois o ouvido perfeito é uma percepção humana
das cores, mas sim uma percepção apurada das cores das notas.
E isso constrói uma memória musical. Você já teve a experiência de tocar uma música e
seus dedos irem sozinhos para as notas certas, e você não sabe como, mas eles estão indo
sozinhos e estão certos ? Muitos já devem ter passado por isso. Você toca algo várias vezes e
isso fica gravado no seu cérebro. Esse é um aspecto da memória musical.
E uma pessoa com o ouvido perfeito escuta todos os acordes e percebe que eles têm
cores diferentes. Se é um acorde menor, não pode ser um acorde sustenido menor. Eles soam
diferente. A mesma estrutura, os dois são acordes menores, mas soam diferente.
Sem um ouvido perfeito, os dois soam iguais, um é mais alto que o outro, mas soam
iguais. Com o ouvido perfeito, você distinguirá cada um dos acordes.
Quando você consegue escutar as cores das notas, você escuta os acordes de uma
outra forma e os diferencia.
É por isso que quem tem um ouvido perfeito desenvolve uma memória musical melhor.
Ele não se perde numa apresentação, mas mesmo que isso aconteça, ele é capaz de retornar
à peça mais facilmente, pois domina os tons da música.
Tudo isso trará mais confiança nas apresentações, nos sentiremos em casa enquanto
tocamos. E, quando chegamos a este estágio, o ouvido ouve, e nós temos um melhor controle
da arte de escutar que produz esta confiança. Isso é um aspecto importante do ouvido perfeito.
Mas eu penso que a parte mais importante de se ter um ouvido perfeito é a apreciação
musical, porque o ouvido perfeito são as cores da música.
Se você ver um filme numa tv preto e branco e ver o mesmo filme numa tv colorida, você
tem os mesmos personagens, o mesmo enredo, tudo é igual, mas se você ver na tv colorida,
não há como descrever como o filme se torna mais rico. Isso é tudo percepção. Existe um tipo
de percepção na tv colorida que não temos na tv preto e branco. E se você nunca viu um tv
colorida, fica muito difícil dizer como ela é. Acontece o mesmo com o ouvido perfeito, pois
ouvido perfeito é escutar as cores.
Sem o ouvido perfeito, se você for a um concerto, você certamente escutará e apreciará
a música, mas com o ouvido perfeito, nós escutamos que cores são, tem um Sol maior ali, veja,
tem um Mi bemol ali, eu escuto um ré bem alto, você escuta as cores, isso é uma experiência
rica na música. E é muito difícil de explicar se você nunca tiver tido uma experiência dessas.
Nestas aulas, eu posso falar por dias sobre o ouvido perfeito, mas o que vai te
convencer é quando você escutar por você mesmo.
E isso é interessante, por que sempre as pessoas dizem: ‘eu não acredito, eu não
acredito’, e vão aos seminários, e escutam por si mesmo, e saem dizendo: ‘eu acredito, pois eu
mesmo escutei’. É isso que vai te convencer, quando você escutar por você mesmo.
Mas eu acho que esta parte de apreciação é a mais importante porque o ouvido perfeito
vai te dar uma rica percepção das cores.
E também, se você desenvolver um ouvido perfeito, isso te ajudará em muitas coisas.
Se você quiser aprender uma língua estrangeira, isso vai te ajudar, ficará mais fácil de
reconhecer as vozes no telefone, independente do que você fará, um ouvido que desenvolveu
o ouvido perfeito está aberto, e mais sensível a perceber as coisas.
Quando você escutar uma música, ou pássaros cantando, som de cachoeira, coisas
caindo, o ouvido é mais sensível e mais apreciativo.
Se você é músico e estuda ou estudou outra língua, tenho certeza que você sabe do que
estou falando, que músicos aprendem outras línguas mais facilmente. Nós temos mestres e
música e em biologia na universidade, e ambos os grupos estudam francês, digamos, por
quatro anos, além de falarem sua língua nativa. Qual desses grupos você acha que terá uma
melhor pronúncia de francês? Bem, serão os músicos com muita vantagem. Você até pode
encontrar exceções, mas normalmente os músicos terão uma fala mais apurada de outra
língua. Por quê? Porque estão acostumados a escutar e discriminar as distinções dos sons.
Isso é um ponto muito importante.
Então, o ouvido perfeito é sim, escutar as cores, é algo que abre a percepção dos
ouvidos em todas as áreas da música, mas também abre o ouvido em todas as áreas em geral,
independente do que iremos fazer.
E não é algo que está distante de nós, é algo que qualquer ouvido comum só precisa
conhecer como funciona e como é possível o desenvolver.
Lição 02

O ouvido perfeito é escutar as cores. Mas qual a diferença entre escutar as cores e ver
as cores? Onde elas são diferentes e onde são iguais?
Bem, na verdade, são bastante similares, a diferença está no sentido. No campo visual,
digamos que eu olhe para a cor vermelha, e depois olhe para a cor azul, qual a diferença entre
as duas cores? Bem, as ondas visuais do vermelho vibram lentamente, enquanto as do azul
vibram bem mais rápido. E por alguma razão, os olhos percebem que as ondas rápidas é o
azul e as ondas lentas é o vermelho.
O mesmo acontece com os espectros musicais. Num piano, as notas não são mais do
que um espectro de sons musicais. Os olhos vêem ondas visuais, os ouvidos escutam ondas
sonoras. Os olhos vêem as ondas visuais e percebemos que é um verde, um azul, um
vermelho. Da mesma forma acontece com os ouvidos. Se meus ouvidos escutam as ondas
sonoras de uma nota, por exemplo, Fá#, eu vou perceber que soa como um Fá#, então será
um fá#. Se eu escutar uma freqüência diferente e soar como um Dó#, ele soará como um Dó#,
terá a cor de um Dó #. E é isso que é o escutar as cores.
Algo interessante: o ouvido tem uma enorme extensão de percepção bem maior do que
a dos olhos, pois o ouvido pode escutar diferentes oitavas de uma onda sonora. Por exemplo,
um Fá. Todos os Fás tem a mesma cor de som, mas diferentes tensões. Os fás brilhantes são
mais agudos e os fás escuros são os graves. Enquanto no campo visual só podemos enxergar
uma oitava, falando da freqüência das ondas. Se você ver um violeta, que está clareando, você
perceberá que ele está ficando mais vermelho, enquanto se escurecer, vai se tornado bem
escuro. Se enxergássemos outra oitava, teríamos que ver a mesma coisa. Num piano, os 12
sons cromáticos se repetem a cada oitava; mesmo sendo a mesma coisa, soam em oitavas
diferentes. Por isso o ouvido é mais sensível. Algo que o ouvido não pode ver.
E não é estranho que o ouvido tenha essa percepção das cores assim como os olhos, e
essa percepção das cores é o que realmente é o ouvido absoluto.
Desde adolescente, tenho percebido que os músicos não compreendem o que o ouvido
absoluto é, porque quando falamos em escutar as cores, a palavra “cores” pode ser confusa.
Então vamos deixar algumas coisas claras. Nós usamos a palavra cores em várias áreas da
música, por exemplo, falamos da cor do tom, que nada mais é do que o timbre de um
instrumento. Mas o que isso significa? A Cor do Tom é o que nos permite reconhecer um
instrumento em particular. Se escutamos um piano, sabemos que é um piano. Se escutamos
um violão, ou um violino, ou uma flauta, sabemos que são instrumentos diferentes e
conseguimos reconhecê-los.
Mas como isso está relacionado com ouvir as cores das notas? A cor do tom é o que faz
com que reconheçamos o instrumento (timbre), a cor da nota é o que nos faz reconhecer as
notas. O timbre muda de acordo com o instrumento, mas a cor do som não vai mudar. Por
exemplo, se eu tocar um LÁ e um Dó, mesmo que mude o instrumento, se você tiver um ouvido
absoluto, você reconhecerá o Lá e o Dó.
Se eu tocar várias notas, as cores dos sons mudarão. A cor do som muda de acordo
com a nota que se toca, a cor do tom (timbre) muda de acordo com o instrumento.

Quando se fala que o ouvido perfeito é escutar as cores, muitas pessoas acham que é
algo como associar um Sol ao Verde, ou vermelho ao Fá#, ou amarelo ao Lá, ou qualquer
coisa desse gênero.
Então, vou enfatizar que o ouvido absoluto não significa que pegaremos uma cor visual
e a relacionaremos com uma nota. Essas cores de notas são Cores Sonoras que nós
escutamos. Quando escutamos um Sol, ele tem um certo som, uma certa cor que nos diz que é
um Sol. O Mib tem um som diferente, uma cor diferente. Isso são cores de sons.
Eu lembro que uma pessoa foi a um seminário e a primeira coisa que me perguntou era
onde estava minha tabela de cores. Porque não havia nada dizendo que o lá era amarelo, que
o Sib era azul, e se tornou um quebra-cabeças porque o ouvido perfeito é escutar as cores. E
me perguntou onde estava a tabela de cores. Eu disse que não existia, pois são Cores do Som.
Então, enfatizo que não iremos associar com cores visuais.
Algumas vezes vocalistas pensam que o ouvido perfeito tem a ver com o sentir o quão
alto ou baixo uma nota é na sua voz. Muitos vocalistas, quando cantam um dó, podem sentir o
quão alto ou baixo é esse dó, dentro de sua extensão e assim saberá que é um dó, ou um sol,
que tem um sentimento diferente. Se você conhece os limites da sua voz, algumas vezes você
pode estimar determinadas notas. Isso é a afinação pela tensão vocal. Isso não tem nada a ver
com o ouvido absoluto. Ouvido absoluto está no escutar, no ouvido, escutar as cores, afinação
pela tensão vocal está no sentir a afinação nas suas cordas vocais, e não chegará a ser um
ouvido absoluto.
Conheci uma senhora que ia aos seminários que dizia saber sempre qual era o Fá,
porque a extensão máxima de sua voz era um Fá. Mas de tanto treinar, ela conseguiu alcançar
um Fá#, e ficou achando que todo Fá # era um Fá. Este é um exemplo que a afinação pela
tensão vocal não tem nada a ver com percepção, então não é ouvido absoluto.
Outra coisa que as pessoas confundem com o ouvido absoluto, é o ouvido relativo. O
Ouvido relativo é o irmão mais novo do ouvido absoluto e as pessoas sempre acham que de
alguma forma eles estão relacionados. Pensam que se você tiver um excelente ouvido relativo
você terá um ouvido absoluto, ou algo parecido. Canso de escutar pessoas falando “Eu não
tenho um ouvido absoluto, mas eu tenho um excelente ouvido relativo”. A verdade é que o
ouvido absoluto e o ouvido relativo são habilidades completamente diferentes e ambas
necessárias. Ouvido relativo é o escutar a relação entre as notas, como que elas estão
conectadas para formar a estrutura musical. Por exemplo, se tivermos 2 sons, eles formam
uma relação, que se você tiver um ouvido relativo, perceberá, por exemplo, uma quinta justa.
Se eu disser a você que o tom mais alto é um Sol, com o ouvido relativo você saberá que o tom
mais baixo é um Dó.
Ou se eu disser: “aqui está um dó” e tocá-lo, e pedir “cante-me um Mi”, você usará a
relação para cantar uma terça maior. Isso tudo é relacionar uma nota com a outra.
Isso é muito diferente do ouvido absoluto. Com o ouvido absoluto, você escuta uma nota
e sabe classificá-lo, você não tem que relacioná-lo a nada. Um é o escutar das cores, o outro é
o relacionar das notas.
Existem vários níveis de “escutar”. Escutar é complexo. Num nível mais superficial nós
temos as relações entre os sons, num nível mais profundo temos as cores dos sons.
O treino do ouvido relativo é focado no relacionar os sons. O treino do ouvido absoluto já
é focado nos detalhes de cada som.
O ouvido relativo é treinado usando as relações entre as notas, atento ao conjunto em si
das notas, aos intervalos. O ouvido absoluto é algo mais complexo, pois temos que estar
atendo àquilo que nunca havíamos escutado antes. As cores dos sons são muito delicadas,
são abstratas.
Se escutarmos o som de uma nota, bem de perto, todos os dias, iremos escutar sua
delicada cor. Com o ouvido relativo é diferente, nós escutamos claramente os sons, e temos
que focar nossas atenções nos intervalos. Então, são dois tipos de treinamento diferente.
O ouvido absoluto não cria o ouvido relativo e o ouvido relativo não cria o ouvido
absoluto. Cada um destes treinos ajuda ao outro, mas são coisas completamente diferentes.
O ouvido relativo dá a estrutura do acorde. Por exemplo, um acorde com a nona
dominante. Mas que tipo de acorde com nona dominante? Isso é o que o ouvido absoluto nos
diz, o ouvido perfeito nos dá as cores das notas do acorde, e assim poderemos classificá-lo.
Se voltarmos ao que falávamos das tvs, o ouvido relativo seria o foco nas figuras de um
filme, na clareza da imagem. Se não tivermos o ouvido relativo, a imagem ficará um pouco
embaçada. O ouvido absoluto são as cores do filme. Ele nos dá os padrões das cores dos
sons.
O ouvido relativo é a troca das notas, a mudança dos intervalos. O ouvido perfeito, ou
ouvido absoluto (termo técnico) significa a não-mudança. Os intervalos mudam mas as cores
dos sons não mudam. Um Lá, por exemplo, sempre soará como um Lá, nunca mudará. Então,
quando você estiver tocando ou cantando, sempre que você passar por um Lá, ele sempre
soará igual. Eles são absolutos, não mudam. Por outro lado a relação entre os sons muda de
acordo com a mudança dos sons.
Então esses são os dois níveis de percepção do ouvido, o nível superficial, que é o
ouvido relativo, os intervalos, e o nível mais profundo, que é as cores dos sons,o ouvido
absoluto.
Se você tem o ouvido absoluto não significa que você tem o ouvido relativo e se você
tem o ouvido relativo não significa que você tem o ouvido absoluto. Mas se você não tem um
ou outro você está perdendo uma grande parte da estrutura da música.
Os dois são então necessários. O ouvido será quatro vezes mais potente se tiver os dois
juntos do que se tiver somente um deles.
Agora já temos uma idéia do que é e do que não é o ouvido absoluto. Então vamos ver
os diferentes níveis do ouvido absoluto, pois o ouvido absoluto não é só uma coisa, existem
vários degraus de habilidades.
O primeiro nível é a sensibilidade básica dos sons, o sentir as cores. Seria o mesmo de
quando se faz a transposição de uma música, por exemplo, em Sol, para o tom de Mib. O
sentimento da música muda. Isso porque cada tom tem seu próprio padrão de som, sua própria
cor de som. Um Acorde de Fá tem uma cor diferente do Fá#, pois as notas são diferentes. Se
você pode perceber esta diferença entre os tons esse é o básico do ouvido absoluto. Isso é o
mesmo que uma criança aprendendo a diferenciar as cores. Ela pode olhar para uma cor
vermelha e dizer: ‘laranja’, porque ainda não tem certeza absoluta em sua mente para dizer
quais são as cores.
O segundo nível é a capacidade de discriminar as cores. Se eu tocar um Lá, você vai
reconhecê-lo, se eu tocar um acorde de Sol Maior, você irá conhecê-lo na hora, este é o
verdadeiro ouvido absoluto. Você pode discriminar entre as 12 cores cromáticas dos sons. A
palavra cromática significa colorida.
Mas como cada uma dessas cores soam? Essa deve ser sua questão. Eu vou dizer o
segredo por trás do desenvolvimento do ouvido absoluto e isso é ridiculamente simples. O fato
é que o ouvido absoluto é uma habilidade natural do ouvido. Então isso precisa ser algo
natural, simples. Não é complicado, é parte de nossa percepção. E é isso.
Se eu tiver 2 sons, o que você pode dizer deles?A primeira coisa é que um é mais alto e
outro é mais baixo. Isso é o que todos escutam, isso é o ouvido relativo, saber qual é o mais
alto e qual é o mais baixo.
Bem, vejamos o som mais alto sendo um Fá# e o mais baixo sendo um Míb. O Fá# tem
um sentimento um tanto nasal, enquanto o Mib tem um som mais macio e adocicado.
Fá# - vibrante, nasal; Mib – macio, adocicado.
Essas são as cores desses sons. E se você escutar cuidadosamente, você vai escutar
isso.
O Fá# tem um som vibrante algo tipo wewewe, e o Mib tem um som macio algo tipo
wawawa.
Pegue seu instrumento e escute isso. Você verá que realmente soam assim.
É uma diferente qualidade de som.
A princípio você provavelmente só escute estes sons em seu próprio instrumento. E não
pense que você vai escutar em outros instrumentos, mas sim no seu instrumento.
Cada um dos 12 tons da escala cromática tem sua própria cor de som. À medida que os
sons vão crescendo, nós vemos que cada um tem sua própria qualidade, sua própria cor.
O Fá# é vibrante, wewewe, o Mib é macio, wawawa. O Láb ele também é macio, mas é
um outro tipo de maciez diferente do Mib.
Essas são as cores absolutas dos sons, e isso é o que se propõe o ouvido absoluto.
Não é dizer o quão alto ou baixo uma nota é. Pessoas pensam que com o ouvido
absoluto você vai escutar um som e vai dizer o quão alto ele está. O Lá, por exemplo, é difícil
de se descrever.
É como descrever as cores. O vermelho é uma cor vibrante, o azul já é uma cor mais
tranqüila. Mas e o verde? Como descrevemos o verde? É um pouco crescente, não sei, é bem
difícil descrever um verde. E o amarelo é diferente.
É o mesmo com os sons.

O que eu quero que você faça é: vá para seu instrumento agora e escute. Escute você
mesmo que estas cores de sons existem. Veja as cores dos sons acima citados (Fá# e Mib).
Depois disso, continue com as aulas.
Lição 03

Você foi capaz de distinguir a diferença entre os dois sons? O Fá# tem um som vibrante,
o Mib tem um som macio. Muitos de vocês escutaram isso claramente que ficaram surpresos
porque nunca gastaram tempo para escutar notas individuais. Nos seminários, 99% das
pessoas saem escutando perfeitamente os sons.
Se você pensou que era algo concreto, você deve agora saber que é uma percepção
muito delicada. Não é concreto.
E se você escutou uma mínima diferença, então você escutou corretamente. Nós não
tentamos escutar e tornar concreto, isso nunca será concreto. Mesmo depois de desenvolvido
o ouvido absoluto, isso não é concreto.
Isso permite que nós distingamos os sons pelas variações que existem nos tons. Mas
eles se tornam muito claro.
Eles se tornam tão claros que podemos identificar qualquer nota da escala.
Nós conhecemos as cores dos sons. Mas nós não tentamos escutar essas coisas, nós
deixamos o ouvido escutar. Mesmo que você não tenha escutado as diferenças, digamos que
você foi ao seu instrumento e você não conseguiu perceber a diferença, não precisa ficar
inquieto, porque o ouvido tem o hábito de escutar horizontalmente. O ouvido absoluto é o
escutar verticalmente. Nós temos que pegar um tom e escutar profundamente dentro dele.
Por exemplo, o Mib, não escutamos horizontalmente, comparando com o Fá#. Não, não.
Nós escutamos dentro do som e pensamos: ‘ele soa com uma qualidade macia, diferente do
Fá#, que é mais vibrante’. Você pode ter ficado triste se você escutou a relação entre os dois
sons, isso é bom. O que estou dizendo é que o ouvido está condicionado a escutar só as
relações entre os sons. Agora o que temos que fazer é sair deste hábito e entrar no hábito de
escutar dentro dos tons. Quando pegarmos o hábito permanente de escutarmos dentro dos
tons então teremos as duas percepções, a percepção das cores, o ouvido absoluto, e o ouvir
horizontalmente.
Para escutarmos as cores não tentamos fazer com que seja claro, nós simplesmente
escutamos e notamos a diferença de qualidade, então saberemos que escutamos
corretamente.
Se escutarmos profundamente, o Fá# soa claro, vibrante, se parece muito com a cor
visual vermelho. Lembre-se que não estamos associando às cores, estou dizendo que lembra
a cor vermelha, e não estou dizendo que você tem que pensar no fá# como vermelho. O fá# é
vibrante, nítido, mais que os outros tons, assim como a cor visual vermelho, que é mais
destacada que os outros tons. Por isso é que usamos o vermelho para chamar a atenção, pois
ela se destaca. Isso porque o vermelho prende a atenção dos olhos, da mesma forma, o fá#
prende a atenção dos ouvidos. Por isso começamos com o Fá#.
Por outro lado, o Mib, tem uma qualidade macia de som.
E se colocarmos isso uma oitava acima, algo que faremos mais tarde, continuaremos a
escutar a mesma qualidade de som. O fá# continua com seu som vibrante, enquanto o Mib
continua com sua qualidade macia. E assim se faz por todas as oitavas.
A diferença é que cada oitava que se sobe, o som fica mais claro, mas continua com a
mesma qualidade de som, o Fá# é o som vibrante e o Mib é o som macio. Mas não temos que
pensar nisso agora, porque escutar nas oitavas agudas é mais difícil. Temos que treinar na
oitava central.
Se tocarmos uma escala sem o ouvido absoluto, seria como se escutássemos em
escala de cinza, as notas sobem e descem, mas não sentimos a diferença. Não podemos
apreciar as cores, só podemos apreciar os tons subindo e descendo. Mas não tem diferença
real entre esses tons, porque todos são sombras de cinza. Mas quando gastamos um tempo
escutando, como temos feito, então ficaremos surpresos, escutaremos as cores.
Depois que você começar a escutar esses sons, você vai perceber que eles soam iguais
para todo mundo, o fá# vai ser o som nasal, vibrante, o mib vai ser o som macio. Cada um dos
12 tons terá sua própria cor.
Podemos chamar de cores, ou sabores, ou podemos chamá-los sentidos, se você
preferir. Cada um pode chamar como preferir, mas cores é uma discriminação apurada porque
mais rápida a freqüência, mais alta a afinação. E onde quer que a freqüência esteja, ela terá
sua própria cor. Isso é exatamente igual ao campo visual das cores.
Vamos analisar isso um pouco mais.
O fá# é vibrante, o mib é macio, mas vamos escutar o Láb. Quando pulamos do fá# para
o láb, nós perdemos algo. Existe certa aspereza no fá# que se perde quando pulamos para o
lab, ele é macio e abafado, ele lembra um pouco o Mib. Mas se escutarmos atentamente, o Mib
e o Láb têm diferentes qualidades de maciez. São diferentes notas e então tem diferentes
cores.

O que eu quero é que você vá para o seu instrumento e escute essas cores, você ficará
surpreso de perceber que isso realmente existe.

Bem, o fá# e o láb se distinguem pelas suas cores. E se colocarmos em acordes? Quais
as diferenças que notaremos? O acorde de Fá# tem um som brilhante, um som um tanto
confiante, bravo. O acorde de láb é bem mais refinado, polido.
Nos seminários, quando peço para descreverem o som, todos dizem as mesmas coisas
com suas palavras. Isso é para você ver que não é algo que nós iremos apelidar, mas algo que
existe dentro do mecanismo do ouvido absoluto. É que nós nunca havíamos usado isso antes,
nunca havíamos escutado por este lado anteriormente.

Tente agora tocar o acorde de fá e o de mib, e perceba a diferença. Lembre-se que não
é uma diferença clara, mas uma diferença de sensibilidade.

Quando você toca o acorde de Fa# e pula para o Mib, alguma coisa muda. No seu
ouvido algo muda, e não tem a ver com o fato do fá# ser mais agudo que o mib, não estamos
falando das relações entre os dois sons, estamos falando de uma intransitável qualidade de
nos atuais tons. O acorde de fá# tem um som cheio, vibrante porque o fá# é o som
fundamental do acorde. O som fundamental do acorde é o som mais forte do acorde, então se
o som fundamental é vibrante, ele recheia o restante do acorde com este som vibrante. O
acorde de mib tem o mib como fundamental, então ele recheia, tempera, o acorde inteiro com
seu som macio.
Compositores usam determinados tons para suas músicas. Se tentarmos trocar, a
música ficará com um diferente sentimento. A estrutura é a mesma, mas cada acorde tem sua
própria cor, sua própria característica.
Esta é a beleza da percepção do ouvido absoluto. Escutar as mesmas estruturas, mas
perceber que todas as cores são trocadas. Mas mais uma vez não tentamos escutar
claramente. Não quero que você ache que o treinamento do ouvido absoluto é algo que você
vai forçar seus ouvidos a escutar. Não é esse tipo de treinamento. Não podemos forçar o
ouvido porque se tentarmos forçar, o ouvido não vai escutar. O ouvido só vai escutar se ele
estiver numa situação confortável e relaxada. Aí sim, ele vai escutar.
Não fique decepcionado se você acha que escutou, depois não escutou de novo. Se
você conseguiu escutar, essa é a experiência certa. Isso é algo que vai crescer graduadamente
em seus ouvidos.
Então se algumas vezes você escutar e outras vezes não, sabia que a hora que você vai
escutar é quando você não tentar escutar. E quando você escutar um pouquinho, você vai
ficar excitado e vai dizer: “Bem, eu consigo escutar agora”. E você escuta de novo e isso
evapora. É assim que essa experiência de cores é, é uma percepção apurada.
Bom, vamos falar do som vibrante do Fá#. Ele não pode ser o timbre do piano. Muitas
pessoas nos seminários dizem que conseguem escutar sim, mas é o timbre do piano. Mas não
é isso. Temos que escutar a Cor absoluta do Fá#. Agora e em qualquer momento, do passado
ao futuro, qualquer pessoa que escutar o som do Fá# tem que escutar o som vibrante.Não é
parte do piano, pois podemos escutar em todos os instrumentos. E não depende do piano ou
de algum tipo de piano. Se fosse assim, ao ir para outro lugar, eu dependeria que o piano
tivesse o som vibrante no fá#. Independente do tipo de piano, ou de instrumento, o jeito que o
fá# vai soar sempre vai ser vibrante.
Nos seminários eu poderia pedir para as pessoas darem adjetivos para os 12 tons, mas
não faço isso e vou dizer por quê. Eu quero que você escute estes sons por você mesmo. Não
é algo que posso descrever para você e você poderá ir e escutar.
Se eu tivesse dito: “Ok, ouvido absoluto é escutar as cores, vá e escute as cores”, você
nunca conseguiria. Mas eu estou dando as dicas, eu disse: “Veja esse fá#, ele tem um som
vibrante”, e disse que o mib soa suave, wawawa. Eu dei algumas dicas e então você sabe por
onde começar a escutar. Então seus ouvidos sabem como escutar numa direção vertical. E
estando neste caminho, basta escutar. Você não pode escutar errado. Pessoas se preocupam
dizendo: “E se eu escutar errado?”. Você não pode escutar errado. Como as cores são assim
elas são. Você não tem que pensar nisso a nível de palavras, vibrante, suave, ou o que seja.
Elas ficarão claras quando você escutar por você mesmo.
Então quando fazemos isso, nossa discriminação das cores cresce, e este é o primeiro
nível do ouvido absoluto. É quando você percebe algumas diferenças, você ainda não está
certo disso, mas percebe as diferenças. Pode ser quando muda a tonalidade da música. Isso é
a conscientização das cores. E enquanto praticamos nossos exercícios de escutar as cores a
técnica de escutar as cores cresce e se torna estável a conscientização das cores e se torna
discriminação das cores. Seja qual nota eu tocar você pode dizer qual é no seu próprio
instrumento.
Bem, quando você pode ouvir claramente, e quando eu digo claramente eu digo
reconhecer as cores, não tornar concreto, nunca será concreto, quando puder reconhecer
claramente no seu próprio instrumento os 12 tons então sua percepção será refinada. Então
você terá um refinado reconhecimento das cores e esse será o terceiro nível do ouvido perfeito.
Percepção refinada. Neste nível você poderá reconhecer as notas que são tocadas. E se você
escutar uma nota, poderá dizer se está meio sustenida ou bemol. Não estou falando de
comparar com outra nota, e sim de escutar a nota e dizer se aquela nota está um pouco
sustenizada ou bemolizada dentro de sua extensão.
É assim que funciona. É da mesma foram que funciona nosso campo visual de cores. Se
olharmos várias cores veremos que elas estão conectadas. Não é simplesmente dizer: “esse é
vermelho, esse é laranja, esse é azul, esse é violeta”. Não. As cores estão interligadas de
alguma forma. Então se você ver vermelho e laranja, qual é a cor que está no meio das duas ?
Bem, é um vermelho-alaranjado. É isso porque seus olhos viram isso. Não é uma cor que você
possa dizer que é vermelha ou laranja, tem um pouco das duas então você diz que é vermelho-
alaranjado. Acontece da mesma forma com a percepção das cores das notas.
Digamos que eu tenho um Mi e um Fá. Se o Mi estiver um pouco sustenido, ele soará
parecido com um fá, se parecerá um pouco com um fá. Da mesma forma que no campo visual
se o vermelho estiver um pouco sustenido, parecerá um pouco com laranja.
Muitos acham que tendo um ouvido absoluto você terá um afinador na sua cabeça que
dirá o quanto alto ou baixo vai estar uma nota, mas não é isso, é apenas percepção das cores.
Se um mi estiver um pouco sustenizado, você será capaz de dizer que está um pouco
sustenizado, ou se ele estiver um pouco bemol, você será capaz de dizer que ele está um
pouco bemolizado. Se estiver muito alto o mi, quase um fá, você achará que é um fá, se estiver
muito baixo, quase um mib, você pode achar que é um mib. Existe uma extensão. Não é algo
que seja totalmente fixo. Você conhece as extensões. Isso que é uma refinada percepção das
cores, quando o ouvido é capaz de escutar as notas em seu próprio instrumento e dizer se a
afinação está um pouco alta ou baixa. Neste ponto, você será capaz de escutar isso no seu
próprio instrumento.
Muitas pessoas chegam aos seminários achando que não tem um ouvido absoluto e
dizem: “sim, se você tocar no piano eu sei exatamente que nota que é mas se você tocar no
violino, eu fico completamente perdido”. Um maestro em Los Angeles disse que qualquer tom
num oboé ele podia reconhecer claramente, mas nos outros instrumentos não. Ele tocava
oboé. Isso é ouvido absoluto, porque isso é discriminação das cores. Nós podemos distinguir
as notas no nosso instrumento, isso é ouvido absoluto, mas é um nível de ouvido absoluto.
Nós podemos refinar o ouvido para reconhecer as cores em qualquer instrumento. Isso é
chamado de Discriminação Universal das Cores, quando o ouvido pode reconhecer claramente
essas cores em qualquer tipo de instrumento. Não importa de onde o som é, somos capazes
de reconhecer, seja um piano, violão, sinos, copos com água que usamos para fazer som,
cantos de pássaros, vozes, qualquer coisa.
Então por que este fenômeno existe? Por que a princípio podemos escutar as cores só
no nosso instrumento? O que nos impede de escutarmos as cores em instrumentos que não
costumamos tocar? Bem, o timbre é a resposta. Timbre é uma consideração muito importante
quando falamos de discriminação das cores. Porque timbre é a cor da tonalidade e o ouvido
absoluto é a cor dos sons. Timbre é o que nos permite dizer qual instrumento está tocando. A
Cor dos sons nos permite saber que notas foram tocadas.
As cores dos sons necessitam de uma percepção profunda, dentro das notas. O timbre
está na superfície das notas. O timbre é óbvio, é fácil de escutar. Qualquer um pode dizer a
diferença entre um piano e um violão.
Quando um pianista está estudando, ele escuta dentro da nota, bem profundamente,
agora quando chega alguém com um sintetizador, o ouvido percebe o timbre diferente, o
superficial. Se o som do sintetizador for meio nasal, ele pode escutar o mib e achar que é um
fá#. Mas isso é apenas uma ilusão. O timbre não muda as cores das notas.
O ouvido precisa saber distinguir entre a cor do instrumento e a cor das notas. Isso é a
Discriminação Universal das Cores.
Podemos ir além disso. Podemos dizer se uma nota está um pouco sustenida ou bemol
em qualquer instrumento. Isso é chamado de Percepção Espectral das Cores.
Muitos acham que com o ouvido absoluto podemos dizer o quanto alto ou baixo está
uma nota. Isso não é verdade. É só mesmo uma percepção humana. Podemos escutar uma
nota e dizer que está alta ou baixa. O quanto? Não sei. Só está fora da afinação. Tudo é
percepção humana, não nos tornamos computadores.
Mas a Discriminação Espectral não é o nível mais alto do ouvido absoluto.
O mais alto nível é a Recordação Oral. Esse é o ponto que você pensa num tom. É
quando pela manhã, assim que você acorda, pensa num tom e canta ele afinado da sua
própria memória.
Muitos acham que isso é um método de memorização, mas não é. Muitas vezes as
pessoas repetem durante um tempo a nota dó, tentando decorar. Depois de um tempo, vão
cantar e cantam um Si. Então não memorizaram.
Não é assim que se desenvolve um ouvido absoluto. Ouvido absoluto não é
memorização das notas, mas discriminação das cores. Você nunca lembrará de um dó se você
não souber a diferença de cores entre um dó e um si. Por outro lado, se você tiver somente
comparando, é fácil esse dó se tornar um si ou um dó#.
Somente com a percepção das cores é que teremos uma lembrança apurada dos sons.
Então a Recordação Oral é a mais clara percepção das cores das notas. É tão claro que
podemos escutar na nossa própria mente.
E é muito interessante, digamos que você queira cantar um láb, você não pensa o quão
alto ou baixo é esse som, você pensa na cor deste som. Quando você tiver todos os sons na
sua cabeça você naturalmente conseguirá distinguir o som que é o lab e o cantar. Quando
você pensa na cor do láb automaticamente você tem o láb. Cada tom tem uma cor.
Isso é um método de escutar as cores, nada de escutar quão alto ou baixo uma nota é.
Esse é o mais alto nível do ouvido absoluto.
Quero enfatizar que desde o momento que você está treinando o ouvido absoluto todos
esses níveis estão sendo desenvolvidos ao mesmo tempo.
Algumas vezes pessoas tem a Recordação Oral mas não tem a Discriminação Universal
das Cores.
Todos os níveis trabalham assim, separados, e todos são necessários. Todos precisam
ser desenvolvidos.
Agora faça três coisas:
1 – escute um pouco mais. Vá até seu instrumento e escute as variações de sons que
estamos falando até agora. Escute as variações de cores dos sons, profundamente.
2 – leia o manual, que vai rever tudo o que foi falado e adicionar novos pontos.
3 – volte ao seu instrumento e escute novamente os tons. Lembre-se de escutar
gentilmente e facilmente os tons, nada forçado. E não tente escutar as cores claramente, seja
simples e natural, como uma criança.
Depois disso vá para a lição 4.
Lição 04

Perguntas e Respostas

P – Eu tentei escutar as cores, mas quanto mais eu tento menos eu escuto.


R – Ok, isso é uma experiência muito comum. A princípio, você escuta as cores e depois elas
somem. A única forma de se escutar claramente é quando o ouvido escuta relaxado, sem se
preocupar. Você não pode forçar o ouvido a escutar. Tentar escutar é um tipo de atividade. E
qualquer tipo de atividade te impedirá de escutar profundamente os sons. Você não pode
forçar. Então escute relaxadamente. Se as cores vierem e voltarem, está tudo bem, pois este é
o caminho que você vai percorrer. Algumas vezes você escuta e outras não. Não temos que
tentar escutar. Deixe que o seu ouvido escute a nota e saiba classifica-la. Deixe a nota vir até
você. Você não vai até a nota. Você escuta a nota e ela produz um tipo de sentimento. Então
você escutará as cores. Somente deixe que as notas venham e produzam este sentimento, que
será diferente de qualquer outra nota. Nós nunca tentamos fazer com que ela seja mais. Isso é
um ponto importante. Quando começamos a escutar as cores, nós começamos a sentir que o
Fá# é vibrante e o Mib é suave. Com o tempo, o Fá# não vai ficar mais vibrante. Não, não. Do
jeito que você escuta agora, você escutará sempre. O que acontece é que seu ouvido
consegue fazer uma única distinção de cada nota. Isso é o ouvido absoluto. Você é capaz de
ter um refinado nível de audição. É uma distinção fixa: Fá# vibrante, Mib suave. As notas vão e
voltam mas sempre tem esta característica.

P – Eu não pude conseguir nenhum rótulo para diferenciar as notas. Você pode descrever as
cores dos sons um pouco mais?
R – Cores dos sons são simplesmente estas variações nos tons. É muito difícil descrever. Não
devemos nos preocupar com o que elas são. Nós temos dicas: vibrante, suave, brilhante, o que
seja. Não se preocupe em descrevê-las. Somente escute e pratique os exercícios. E
gradualmente elas vão se tornando claras para você.

P – O Solb tem a mesma cor do Fá# ?


R – Sim, porque ambos são iguais. Mesmo em instrumentos como o violino, que tem uma
mínima diferença, eles tem a mesma cor porque são muito próximos.

P – Todos com o ouvido absoluto escutam as cores da mesma forma?


R – Nos seminários, sempre que as pessoas descrevem as cores, é uma repetição. São
sempre as mesmas. Sempre usam os mesmos rótulos para descrever os tons, então posso
dizer que sim, escutam da mesma forma.

P – O que faço se tentar escutar e de forma nenhuma conseguir?


R – Então não se preocupe. Continue fazendo os exercícios, pratique bastante. O ouvido está
condicionado a escutar Horizontalmente. Pratique para conseguir escutar verticalmente. Não
temos que nos preocupar. Simplesmente vamos praticar e gradualmente o ouvido vai
conseguir escutar estas delicadas cores das notas.

P – Diferentes tons têm diferentes cores de sons?


R – Sim. Ré maior tem um som diferente de Sol Maior. Eles têm um diferente sabor, então
você tem que escutar os padrões das cores e você conseguirá escutar o rádio e dizer: “ah, isso
foi um Sib maior”. Os sentimentos são diferentes sim.

P – E se você tiver que fazer uma modulação na música? Uma pessoa com o ouvido absoluto
pode ficar confusa em relação ao que ele escuta e ao que está escrito na partitura?
R – Não. Isso é um dos mitos do ouvido absoluto. Muitos dizem que não querem ter o ouvido
absoluto porque se sentirão confusos em relação ao que está escrito e o que está escutando.
Não é assim. Ouvido absoluto são as cores. Como você pode se enrolar com as cores ?
Comprar um tv colorida e reclamar que não gostou das sombras que determinado carro tem.
Bem, mesmo você não gostando, uma tv colorida é melhor que qualquer tv preto e branco. O
que acontece muito é que quando as pessoas tentam desenvolver o ouvido absoluto e não
conseguem, ficam frustradas e começam a dizer que não precisam dele. Isso não é real,
porque uma pessoa com o ouvido absoluto pode transportar o tom de uma música muito mais
fácil que uma pessoa sem o ouvido absoluto.

P – E sobre as pessoas que são desafinada ?


R – Ok, aqui está outro mito. Muitas pessoas são tidas como desafinadas porque não
conseguem alcançar os tons corretos. Na verdade, se você não consegue acertar uma nota
você deve ter um problema vocal, você necessita de um professor de voz para te treinar.

P – A idade interfere no desenvolvimento do ouvido absoluto?


R – É um fator, mas não um fator essencial. Tenho pessoas nos seminários bem idosas que
conseguem desenvolver o ouvido absoluto. Eu digo que uma criança pode pegar essas cores
mais fácil que um adulto, porque seu ouvido não está condicionado. Mas nem sempre vai ser
mais rápido. Eu penso que a adolescência é uma idade boa para se desenvolver o ouvido
absoluto. Mas em qualquer idade, você pode desenvolver.

P – Quanto tempo se leva pra se desenvolver o ouvido absoluto?


R – 2, 3, 6, 10, 12, meses, tudo depende do caminho que você está usando para estudar as
lições.

P – Você pode perder o ouvido absoluto?


R – Não. Quando você ganha esta discriminação de cores, ela se torna permanente. Você não
pode esquecer como as cores soam.

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Seção de técnica

Ouvido absoluto não é uma habilidade intelectual, mas uma percepção como de uma
criança.
Vamos voltar à infância agora.
O que eu quero que você faça é conseguir um conjunto com 12 lápis de cor, hidrocor,
ou algo parecido. Pegue também uma folha em branco.
Então, sente relaxadamente por algum tempo, e tenha seu instrumento ao lado e o
material acima.
Seja uma criança por um momento.
Escute os 12 sons cromáticos do seu instrumento, bem lentamente, bem
profundamente. Deixe sua mente escutar livremente. Vá de um Dó ao outro.
Depois de escutar, veja se você consegue encontrar uma cor que você acha que se
identifica com um tom em particular. Depois de conseguir isso, desenhe qualquer tipo de tabela
que você quiser, com uma cor ilustrando cada som cromático. Você pode fazer notas coloridas
ou um arco-íris. Seja livre e seja original.
Uma coisa: Este exercício é para todos fazerem, até mesmo aqueles que acham que
podem pulá-lo.
E por um pequeno momento seja uma criança de novo.
Esse é um dos primeiros exercícios de técnica do ouvido absoluto. Não perca ele.

Depois disso, siga para a próxima lição.


Lição 05

Pergunta e resposta

P - Já que as cores das notas não é uma associação a cores visuais, por que você começou
com esse tipo de associação?
R - Isso foi só para formar uma analogia entre o campo visual e o campo auditivo. O ponto é:
você leva seu ouvido a escutar algo muito abstrato, e não concreto. Não faz diferença qual foi a
cor que você associou a cada som, ou se cada um fizer diferente. Nós não estamos
associando as cores. Isso foi só para introduzir o conceito.

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Seção de técnica

Enquanto você escuta os tons, você notou que seu ouvido vai se abrindo? Quando você
pára e escuta profundamente um som, relaxadamente, o que você notou? A maioria deve ter
percebido que quanto mais se escuta um som mais se percebe essa simples particularidade
dele. E é assim que você decide que um tom tem uma cor particular, você escolheu uma cor, e
para escolher esta cor, você encontrou um tipo de sentimento naquele tom, algum tipo de
diferença com aquela cor, então você pôde escolher.
Você vai descobrir que desenvolver o ouvido absoluto é simples assim, escutar
despreocupadamente cada som, é escutar os sons de uma forma que nunca havíamos
escutado antes.
Escutamos de forma a descobrir um diferente aspecto de cada som, que deixamos
passar no nosso dia a dia musical.
Você notará que dando continuidade aos exercícios, seu ouvido não poderá te dar uma
ajuda, mas ele abrirá mais e mais. Isso é somente porque estamos colocando uma simples
atenção naquilo que escutamos.
Se você quis pular o exercício anterior com as cores, faça-o agora, pois ele é um
exercício introdutor para seu ouvido pensar e sentir em termos de cores. Lembre-se que o
ouvido absoluto é uma delicadíssima percepção.
Isso nos trás à fase 1 do curso. Desde aqui até a Master Class 12 fazem parte da Fase 1
da Técnica Prática de Escutar as Cores para o Ouvido Absoluto.
Essa é uma fase perpétua, pois iremos acordar seu ouvido, iremos massagear seu
ouvido, você escutará mais perfeitamente. Isso é absolutamente crítico para que possamos
abrir seu ouvido para escutar as cores. Pois iremos trabalhar seu ouvido, e ele vai ficar mais
vivo, mais sensitivo. Nós iremos o acordar. Essa é a coisa principal da fase 1. Depois, na fase
2 é quando a experiência do ouvido perfeito se torna cristalizada, é quando você realmente
ganha o ouvido absoluto.
Veja, tem um longo caminho que você deve percorrer para que os sons venham até
você. O ouvido absoluto não virá para você uma nota de cada vez, não é escutar um Dó, e
depois escutar um dó#, e depois um ré, etc. Não é assim. O que acontece é que o ouvido vai
acordando gradualmente.
Na fase 2, então, você será capaz de identificar os sons, todos os tons se tornarão
claros para você.
É claro que poderemos identificar alguns tons mais facilmente que outros, mas
basicamente, todas as cores se tornam claras ao mesmo tempo.
E depois de desenvolver o ouvido absoluto, iremos aperfeiçoá-lo na fase 3.
Mas cada coisa ao seu tempo. Vamos ver coisas iniciais que necessitamos. Você pode
até fazer anotações, mas isso é tão simples que acho que não será necessário.
Este curso é escutado por pessoas do mundo inteiro, que tocam diferentes instrumentos,
que tem diferentes estilos de música e diferentes graus de musicalidade. Mas todos têm algo
em comum: todos têm ouvidos. E nós não queremos apenas ter um ouvido, mas ter um grande
ouvido, porque a base da música é escutar.
Mas este método funcionará bem para todos. Eu digo isso porque sei o que estou
ensinando e tenho experiências positivas sobre o assunto. Esta é a versão final do curso, que
sofreu várias alterações para o aluno aprender melhor. Basta seguir o programa passo a
passo. Existem até 2 Universidades que adotaram este programa também.
Até hoje ainda existem pessoas que acham que para se ter o ouvido absoluto, você tem
que ter um determinado gene nos seus cromossomos. Pode até ser, mas para isso, você
deveria ter desenvolvido o ouvido absoluto quando criança por conta própria. A experiência tem
me mostrado muitas pessoas que não tinham o ouvido absoluto e que o desenvolveram. Então
não importa como são seus genes, você pode ganhar o ouvido absoluto. Mas só quando você
sabe como escutar, pois senão você não irá conseguir.
O importante é saber como seguir o programa passo a passo.
Recolhi várias histórias de várias pessoas e percebi que, quando uma não consegue
adquirir o ouvido absoluto é porque não seguiu as instruções dadas ou não quis gastar tempo
escutando do jeito certo.
No início, eu estudei muito como seria este programa. Eu pensei em fazer um programa
diferente para piano, outro para violão, outro para iniciantes, outro para músicos avançados,
etc,etc, mas quanto mais pensei em fazer isso, mais decidi em fazer tudo em um grande grupo.
Percebi nos conservatórios que as Master Class de audição são feitas com todos os músicos
sentados juntos, escutando, e depois, cada um vai para o seu instrumento.
Então decidi fazer um programa único. Algumas vezes vou dizer algo para pianistas,
mas quem toca violão deverá estar atento também, ou direi para violonistas, mas os flautistas
precisam saber também como funciona. Em resumo, esteja atento a tudo falado.
Escute cada uma das Master Class e pratique cada uma das coisas e, depois que você
conseguir cumprir o que foi pedido, então passe para a seguinte.
Agora, para começarmos nossa prática de escutar as cores vamos precisar de um
instrumento para praticar. Qual instrumento você vai usar? Bem, os resultados serão mais
rápidos se você usar o instrumento que você toca melhor, o instrumento que seu ouvido está
mais familiarizado. Você pode fazer este treinamento com qualquer instrumento, mas se você
não usar o instrumento que seu ouvido está acostumado, vai demorar mais para se familiarizar
com o novo tipo de som. Eu penso que um bom instrumento para se utilizar é um sintetizador,
porque você pode ajustar seu som do jeito que você quiser, para o instrumento que você está
familiarizado. Um vocalista pode utilizar o piano como instrumento, ou o sintetizador com o
som de piano, porque o piano é um instrumento universal, e você se acostumará rapidamente
com o som dele. Se você tiver um teclado também será mais fácil, porque você poderá
executar os acordes propostos, algo que não pode ser feito numa flauta, mas se seu
instrumento é uma flauta, basta tocar uma nota de cada vez. Não há problemas.
Observe que o treino do ouvido é uma arte, e você pode adaptar as instruções de forma
a facilitar seu aprendizado. É por isso que eu digo que é para você escutar todas as instruções
em todas as aulas e fazer todos os exercícios. Treinar o ouvido é um treinamento pessoal, e eu
quero que você fique bem treinado com estas Lições.
Bem, quando você escolher o seu instrumento, você não vai trocar o som. Use o mesmo
instrumento até chegarmos à fase 3 do curso. Para o ouvido relativo, não faz diferença o
instrumento, mas para o ouvido perfeito faz.
Para aqueles que tocam instrumentos melódicos, pode se utilizar também o piano, basta
gastar um tempo para sincronizar seu ouvido ao som do piano.
Você percebe como este treino não é uma ciência exata? É também uma arte, flexível,
que você pode adaptar de acordo com sua necessidade, para facilitar você.
Eu quero que você entenda como funciona o ouvido absoluto, e então você perceberá
tudo o que precisa desenvolver em seu ouvido. Por isso que quero que escutem todas as
instruções para todos os instrumentos, e as entenda.
Muitos dos exercícios que faremos serão exercícios para escutar, outros serão para
cantar. Isso significa que muitas vezes você terá um som e terá que nomeá-lo, outras vezes,
terá o nome do som e terá que cantá-lo. O que enfatizo é que quando estiver fazendo
exercícios para escutar as notas, somente ouça, não cante o tom. Nós não queremos começar
a julgar as notas com nossa voz, não queremos relacionar com a Afinação pela Tensão Vocal.
Nós queremos aprender os sons pelo ouvido.
Então, aqui estão as regras: quando for para escutar, escute, e quando for para cantar,
cante. Fácil?
Agora teremos exercícios para todos os músicos, sem exceção. Nós teremos exercícios
em 3 categorias, que são: Teclado Solo, Violão Solo e grupos. Os exercícios de solo você
poderá fazer sozinho em seu instrumento. Teremos então o grupo de solos de teclado e o de
violão. Os exercícios de grupo significa que você se juntará com alguém para praticá-los. O seu
parceiro não precisa necessariamente tocar o mesmo instrumento que você. Prática em grupo
é muito bom, porque você tem um tipo de suporte. E também é divertido trabalhar com outro,
porque vocês podem se desafiar. Então se você puder arrumar alguém pra praticar, será muito
bom, mas se não conseguir, não se desespere, você pode executar os exercícios de solo, que
são completos. O fato é que eu mesmo fiz isso, quando eu tinha 14 anos, eu não tinha uma
pessoa para praticar. Bem, eu tinha meus irmãos, e os colocava para tocar sons para mim,
mas eles não podiam me ajudar nem estavam comigo todos os dias. Então tive que me sentar
sozinho e descobrir como fazer meu ouvido funcionar por conta própria. Eu passarei para
vocês os mesmos exercícios de solo que eu fiz para treinar o ouvido. Mas lembre-se, que
mesmo que você faça as práticas de solo, eu quero que você estude as práticas de grupo, pois
são diferentes e é importante você conhecê-las. Pois pode acontecer de uma hora você
encontrar alguém para treinar junto.
Para os que tocam instrumentos melódicos, seria muito bom se juntar com alguém, e se
não conseguir, praticar muito as técnicas de meditação do treinamento de ouvido. É uma
técnica simples, mas não a subestime. Na verdade, todas as técnicas são simples, mas
eficientes. O fato é que elas funcionam por serem simples.
Eu descobri que pessoas que tocam diferentes instrumentos tem diferentes tipos de
ouvido. Os que tocam violino, viola, cello, tem um ouvido mais apurados, pois precisam escutar
cuidadosamente cada um dos sons. Eles criam os sons por sua conta, não tem nada marcado.
Uma enorme sensibilidade é necessária para se tornar um bom instrumentista.
Os que tocam estes instrumentos estão acostumados a focalizar o ouvido em uma nota
por vez, os que tocam piano já escutam muitas notas ao mesmo tempo. Normalmente quem
toa um instrumento melódico adquire mais rápido o ouvido absoluto, pois entende o exercício e
logo o pratica no instrumento e consegue definir as cores das notas. Mas o importante para
estes instrumentistas é entender como o ouvido absoluto fica caracterizado no seu ouvido.
Às vezes basta falar sobre o ouvido absoluto e mostrar como ele é que estes
instrumentistas conseguem desenvolvê-los. Por isso é importante que estes pratiquem as
Técnicas de Meditação Notas, que será descrita na fase 1 e melhor detalhada na Lição 13. Não
esqueça que é essencial que se estude todas as técnicas ensinadas neste curso.
Eu quero que você escute, no máximo, 1 master class por dia, não quero que faça mais
que isso. E vá com calma, demore o tempo que você precisar para passar de uma para a
outra.
Não pense que você conseguirá fazer tudo em 1 ou 2 dias, você pode demorar a
conseguir realizar alguns dos exercícios. Por isso, não se apresse. Pode acontecer de você
precisar usar uma ou duas semanas para cumprir aquilo que for pedido, então não se preocupe
em demorar.
No início vai parecer simples demais, mas depois vai começar a ficar mais complicado.
Por isso que temos que ir passo a passo. As pessoas que tentam fazer tudo muito
rápido, não conseguem desenvolver o ouvido absoluto.
Mas é divertido, é como um quebra-cabeça que seu ouvido tem que montar. E você
ficará admirado de como seu ouvido vai se desenvolver dentro disso.
E não praticamos muito tempo por dia. Uma sessão pequena, mas diária fará com que
seu ouvido se desenvolva rapidamente.
Para as partes de solo, recomendo escutar 10 ou 15 minutos por dia e só. E para a
prática de grupo, cada um treinará o outro 10 ou 15 minutos e trocarão de lugar.
Então treine todas as coisas, faça o que foi proposto para se fazer e depois de conseguir
realizar bem, passe para a próxima etapa.
Se chegar a um ponto que não sabe como passar, não se desespere, foi preparado um
a parte especial para isso, chamado de “Pontos Importantes”, que tem as partes mais comuns
onde as pessoas ficam paradas. Mas só escute se você estiver mesmo estagnado, deixe para
depois se estiver indo bem.

Bem, agora vou dar o exercício de hoje.

Muitos vão dizer “oras, mas só isso que tenho que fazer?”, outros vão achar que podem
passar direto, mas todos precisam praticar isso. Passe por isso e depois siga para a lição 6.

- Para o grupo de teclado solo, simplesmente pegue seu instrumento e toque qualquer
duas notas brancas separadas por uma nota branca, como MI e Sol, Fá e Lá, etc. Toque as
duas notas juntas e as escute cuidadosamente. Tente escutar individualmente, para identificar
os dois tons. Normalmente se escuta a nota superior, então temos que escutar
cuidadosamente para escutar a nota mais grave. Deixe seu ouvido entrar nos sons de maneira
a escutar o som mais grave tão claramente quanto o som agudo. Agora, para provar que
estamos realmente escutando os dois tons, nós os cantamos. Cante os dois tons do grave para
o agudo. Quando conseguimos cantar os tons, isso prova que estamos escutando os dois tons.
Faça isso usando vários tons separados por uma nota branca, vamos usar só as notas brancas
agora. Se você não conseguir escutar o som mais grave, toque-o separado e depois junte com
o mais agudo. E então seja capaz de cantar os sons, sem se preocupar em falar os nomes
deles, somente cante os sons. Não estamos nomeando os sons. Então escute e cante do mais
grave para o mais agudo.

- Para o grupo de Violão Solo, se eu tocar uma corda num violão, você sabe que corda
estará soando? Você trabalha com cordas o tempo inteiro, você sabe reconhecê-las se as
escutar (cordas soltas )? Bem, o que eu quero que você faça é: aprenda as cordas do violão
pelo ouvido, somente as cordas soltas. Aqui está como você vai praticar. Toque uma corda
aleatoriamente e tente identificar que corda é esta, pelo ouvido. Pode parecer muito simples
para alguns, mas para desenvolver o ouvido perfeito a primeira coisa que quero dos violonistas
é que aprendam a identificar as cordas pelo ouvido. Essas 6 cordas são básicas, você tem que
reconhecê-las. Não se preocupe em dizer a cor de cada tom. Não se preocupe em relacionar
cada corda, simplesmente aprenda cada corda. É tudo que quero que você faça como
exercício: aprenda as cordas.
Agora se você está passando por um treinamento de ouvido relativo, você saberá tocar
uma terça maior nos instrumentos. No violão, você toca, por exemplo, uma corda solta, e anda
quatro casas para conseguir a terça maior deste som. Então quando tivermos dois sons
separados por 4 casas, temos uma terça maior. Se forem separados por 3 casas, temos uma
terça menor.
Toque duas cordas de forma a conseguir escutar terças maiores e terças menores (para
isso você deverá ter um prévio conhecimento das notas no violão) e identifique as notas.
Cante-as da mais grave para a mais aguda. Tenha em seus ouvidos a diferença entre uma
terça maiôs e uma terça menor.
Você sabe reconhecer uma terça maior e uma terça menor pelo que ele soa? Se você
está levando a sério este treinamento de ouvido é importante que você saiba reconhecer os
intervalos, isso é conseguido pelo treinamento do ouvido relativo e fará seu ouvido ficar mais
forte.
- Para os instrumentistas Solo, o que você tem que fazer é bem mais fácil. O que eu
quero que você faça é escutar cuidadosamente o Dó e o Ré e os cante, como uma meditação.
Então é isso, escute o Dó em seu instrumento, deixe o som entrar em seu ouvido, escute
gentilmente, então escute a afinação em sua mente, imagine o som. Então cante o tom e
escute o som de novo. Repita isso com o Ré. Só iremos usar o Dó e o Ré por enquanto,
nenhum outro tom, e use-os no seu próprio instrumento.
Não estamos preocupados com o Dó e o Ré de concerto. Caso você toque clarinete em
Bb, por exemplo, seu Dó soará como Sib, não tem problema. Use Dó e Ré no seu instrumento,
independentes de como eles soarão.

Os que não tocam nenhum instrumento podem fazer os exercícios de teclado.


Todos os músicos podem praticar mais de um exercício descrito nesta sessão.
Para os que querem praticar a parte em grupo, iremos iniciá-la na próxima sessão.

E mais uma coisa que quero lembrar a você sobre este Curso de Treinamento do
Ouvido Absoluto: se divirta, aproveite o seu treinamento. Não seja uma dessas pessoas que
leva tudo muito a sério e muito profissionalmente.
Ouvido absoluto não é profissionalismo, mas uma natural percepção humana.
Eu acho que você vai gostar deste treino, que irá desafiar seus ouvidos a se abrir por
completo.
Então lembre-se de apreciar o que você está fazendo. Examine todas essas atividades
musicais, porque a música é a linguagem do coração.
Temos que lembrar de não fazermos isso mentalmente estagnados, mas sim como se
fôssemos uma criança desenhando notas num papel. Temos que fazer os exercícios sem
pressa. Esse é o caminho para progredir. E esta costuma ser a razão pela qual adultos não
ganham o ouvido absoluto, pois você tem que ter um sentimento como de uma criança, para
que seu ouvido realmente se abra.
Lição 06

Perguntas e Respostas

P – E se meu piano não estiver completamente afinado?


R – Bem, nós não estamos nos importando se o piano ou qualquer que seja seu
instrumento esteja completamente afinado, claro que o melhor é ter um instrumento com total
afinação pelo diapasão. Alguns acham que se estiverem com um instrumento que está um
pouco bemol ou sustenido, que aprenderão as notas um pouco bemol ou sustenidas. Mas não
é assim. Lembre-se que existe uma extensão de cada nota. Desde que esteja dentro da
extensão você reconhecerá a nota. Seu ouvido abre de forma que ele tem uma média de qual
som está sendo escutado. É claro que se você estiver com a nota muito bemol, por exemplo
um lá, seu ouvido achará que é um Láb, mas se estiver só um pouquinho, seu ouvido
reconhecerá normalmente. Não nos tornamos fanáticos por afinação. Basta que as notas
estejam dentro da extensão. Lembre-se que você aprendeu o que é verde, mas existe uma
extensão de verde, e você pode separar o verde do amarelo e do azul. Você sabe o que é um
verde, e da mesma forma você saberá cada nota.

P – Eu tenho que usar um só piano ou qualquer um piano serve?


R – Qualquer piano serve. Você tem que usar o seu instrumento familiar, então qualquer
piano se você for um pianista, qualquer violão, se este for seu instrumento, etc. O que importa
é o timbre do instrumento.

P – Em quanto tempo veremos resultados?


R – Instantaneamente. Assim que iniciamos os exercícios, veremos resultados.
Podemos não ver um resultado magnífico, gigantesco, mas teremos resultados na hora. Não
queremos tudo de uma só vez, é algo gradual. Algumas vezes você vai sentir uma certa alegria
na música, isso é bom, pois é uma experiência de escutar profundamente a música e senti-la.
Mas é claro que leva tempo para treinarmos completamente o ouvido.

Seção de técnica

Agora iremos mais fundo nos exercícios técnicos. Agora faremos com que o ouvido
esteja ligado em um tom para destravá-lo. Então seremos capazes de escutar cada tom
descritivamente. Veja que a maioria das pessoas não escutam todos os sons, escutam
simplesmente o misto daqueles sons. Isso é escutar superficialmente. Agora estamos
trabalhando numa habilidade para destravar estes tons. Então iremos escutar cada parte da
música que estamos ouvindo.
Primeiro estávamos escutando terças maiores e menores e cantando da nota grave para
aguda. Agora faremos algo parecido, mas com segundas maiores e menores.

Então, para os pianistas, você vai tocar duas notas brancas sucessivas, ao mesmo
tempo, como Dó e Ré, Ré e Mi, etc. Lembre-se que estamos usando somente as notas
brancas. E você vai cantar da nota mais grave para a mais aguda.

Para os que tocam violão, uma segunda maior significa você tocar uma nota e depois a
nota que está duas casas depois da primeira. Uma segunda menor você toca a nota e uma
casa depois daquela. Mas vocês terão que ver como tocarão essas notas em duas cordas
diferentes, pois queremos que os sons sejam executados juntos.
Quando tocamos duas ou mais notas juntas, estamos fazendo uma harmonia. Quando
tocamos uma nota de cada vez, estamos fazendo uma melodia. Neste treino tocaremos as
notas juntas, harmonia. Depois cantaremos elas da mais grave para a mais aguda.
Este é um ótimo treinamento para o ouvido, pois diferente das terças, as segundas tem
um som dissonante.
Quanto mais você escutar, mais você vai perceber que eles vão clareando e você
conseguirá escutá-los perfeitamente. Então você conseguirá cantá-los do mais grave para o
mais agudo. Quando conseguir seu ouvido terá se aberto um pouco mais.
Cada um dos exercícios nos leva a dar um passo a mais para que o ouvido se abra por
completo.

Então, para os pianistas, façam isso usando as teclas brancas somente. Para os
violonistas, usem todos os tons.

Fazendo isso, façam uma Série de Verificação. Vou explicar como você vai fazer isso.
Você usará essa série de Verificação em quase todos exercícios de técnica do curso. Um série
de verificação é você fazer o exercício proposto vinte vezes sem nenhum erro. Caso erre,
deverá recomeçar a contagem. Neste exercício, você vai tocar 20 seqüências e cantá-las sem
errar nenhuma. Você vai tocar as duas primeiras notas juntas, cantá-las da grave para aguda e
conferir cada uma separadamente se estão corretas. Então você vai marcar um certo para
você. Então você tocará as duas notas seguintes e assim sucessivamente até alcançar vinte
exemplos em seqüência certos. Se você cometer um erro, terá que começar do início de novo.
Quando você conseguir esta seqüência correta, você conseguiu Uma Série de Verificação.
Então, quando você conseguir, você estará aprovado neste teste. Você pode marcar estas
séries como quiser, num papel, fazendo uma marca certa a cada acerto, ou como você preferir.
Uma maneira divertida para se fazer isso é pegar dois potes e uma saquinha de balas,
confetes, etc. No primeiro pote, você coloca 20 desses doces, e vai colocando um a um no
outro pote de acordo com seus acertos. Quando todos estiverem no segundo pote, você
passou uma série de verificação. Mas lembre-se, se errar, todos os doces voltam para o
primeiro pote.
Bom, então toque essas segundas maiores e menores e cante-as da mais grave para a
mais aguda. Depois verifique se estão corretas.

Próximo exercício.
Eu quero que os tecladistas destravem qualquer dois tons usando uma mão somente.
Isso significa que você olhará para o teclado e tocará quaisquer dois tons, pretos ou brancos, e
os cantará do grave para o agudo. Depois checará se estão corretos. Estamos usando
somente uma das mãos, então as notas não estarão muito espaçadas. Bem, faça isso com as
notas que você quiser, usando uma das mãos, faça uma Seção de Verificação e passe para o
próximo exercício: Iremos agora tocar tons distantes, usando as duas mãos. Então nós
cantaremos do grave para o agudo, não precisando ser necessariamente na mesma oitava em
que tocamos, mas sim a mesma nota (ex. um lá1 pode ser cantado como lá3, desde que seja
lá a nota). Escolheremos as notas, que passem de uma oitava, tocaremos, cantaremos da
grave para a aguda e faremos uma série de verificação. Você verá que tocar notas distantes
traz uma experiência diferente de se tocar notas juntas. Este é um ótimo treino.

Para os violonistas, podem fazer o mesmo treinamento, usando quaisquer dois tons
juntos e depois quaisquer dois tons separados. Use seu julgamento para saber o que é perto e
o que é separado. Pense em perto como dentro de uma oitava e longe acima disso. Depois
faça uma série de verificação também.

Depois disso, nossa próxima tarefa é tocar três tons próximos ao mesmo tempo, para os
tecladistas, três tons com uma das mãos, então tocamos as três notas, as escutamos
profundamente, deixamos com que elas entrem nos nossos ouvidos e então as cantamos da
mais grave para a mais aguda. Então checamos se estamos certos tocando uma nota de cada
vez e fazemos uma Série de verificação.
Quando conseguir fazer com três notas próximas, faça com três notas distantes, o que
significa que você tocará duas notas com uma das mãos e uma nota com a outra mão. Cante
do mais grave para o mais agudo e faça uma série de verificação.

Violonistas façam os mesmos exercícios, três notas próximas e depois três notas
separadas, considerando notas próximas dentro de uma oitava e notas separadas mais que
uma oitava.

Bem, para esta seção estamos com bastante treinamento. Lembre-se de ir lentamente
com cada treinamento. Não tente correr com os exercícios. Se você achar fácil, escute cada
exemplo com bastante interesse, para abrir bem seus ouvidos. Lembre-se que é escutando
que abrimos nossos ouvidos. Então mesmo que você consiga cantar as notas facilmente,
temos que ter um tempo para escutar as notas. Escute com interesse. Esse é um dos
princípios para o desenvolvimento do ouvido absoluto. Temos sempre que ter o tempo para
escutar e cantar cada tom.
Não force seu ouvido de maneira nenhuma. Se você está tocando um acorde com três
notas e só conseguir escutar o do meio, continue tocando-o escute relaxadamente as notas,
que seu ouvido se abrirá e você conseguirá escutar as notas. Deixe o som vir até você. Se
você está escutando um acorde e não está conseguindo identificar um tom, toque-o
separadamente e depois o acorde novamente, até que você consiga escutá-lo junto.
A fórmula mágica para treinar seu ouvido é: fique escutando, fique escutando e fique
escutando. E escute relaxadamente.

Agora para a seção de Meditação Técnica. Isso é algo que todos que não tocam
instrumento ou tocam instrumentos melódicos podem fazer.
Anteriormente nós escutamos nosso Dó e nosso Ré. Nós o escutamos e os gravamos
em nossa mente. Depois nós cantamos esses tons e conferimos se estavam certos. Foi
simples, não? Então faremos um treinamento tão simples quanto este.
Será mais ou menos a mesma coisa de cima, mas primeiro nós pensamos num tom para
depois cantarmos ele.
Para começarmos pegaremos o Dó. Então eu pensarei no dó, em minha mente, então
depois o cantarei e então checarei se está correto. Se estiver errado, verifique qual a nota que
você cantou e toque-a. Depois volte a tocar a inicial, no caso o dó, e escute a diferença entre
as duas notas. Sempre corrigiremos nossos erros desta forma. Nós nunca seguimos em frente.
Gastaremos nosso tempo para escutar a nota errada e a nota certa, nomeando-as
corretamente.
Então este será o caminho. Nós pensamos na nota, a cantamos e checamos se está
correta. Estando, seguiremos para a próxima nota.
Na primeira vez que você cantar o dó, provavelmente você erre. Isso é normal, pois sua
discriminação das cores não está completa ainda. Então você vai corrigir a nota, cantá-la e
seguir em frente. Ao cantar o Ré, será mais fácil, pois você escutou o dó. Mas não tem
problema, pois você estará usando o ouvido relativo para ter o ré.
Então você cantará o ré e o corrigirá se necessário. Depois você voltará para o dó de
novo. Você não terá problemas, pois você o cantou segundos atrás, e você ainda o lembra.
Então vá indo e voltando entre o Dó e o Ré, como uma meditação, calmamente,
tranquilamente e relaxadamente. Não passaremos por uma verificação. Simplesmente cante
até que você se sinta confortável com o Dó e o Ré.
Esta é uma poderosa técnica, que você entenderá depois.
Agora não se importe com o cantar da sua nota. Cante gentilmente, claramente,
relaxadamente. Não estamos preocupados se vai estar perfeitamente afinada. Algumas vezes
pessoas pensam que se você tem o ouvido absoluto você é um grande cantor. Isso é um mito.
A verdade é que o ouvido perfeito está no ouvido, não nas cordas vocais. Se você tiver o
ouvido absoluto e for um cantor, isso é ótimo, pois você poderá cantar bem afinado, mas se
você não for um cantor, não tiver um controle total da sua voz, então pode variar um pouco a
nota. Isso se dá por controle vocal. Então você tendo o ouvido absoluto você não se tornará um
grande cantor. Eu mesmo não sou um grande cantor. Às vezes pessoas saem dos seminários
vendo que eu não canto muito bem, e acabo fazendo a nota vibrar um pouco errada. Isso tem a
ver com controle vocal, não com o ouvido. Simplesmente cante a nota, gentilmente, dentro da
extensão dela.
Com isso concluímos os exercícios para os solistas. Você pode gastar 15 minutos por
dia neste exercício até se sentir confortável e passar para a próxima lição.

Não terminamos esta seção ainda. Agora para os grupos. Para todos que tem um
parceiro para treinar, eu vou dar agora os exercícios para vocês. Lembre-se que vocês podem
também fazer os exercícios de solo que foram propostos.
Nosso treinamento para as duplas desta seção é: identificação melódica e harmônica
com Dó e Ré. Iremos usar somente estas duas notas. Esse Dó e esse Ré será dentro do seu
instrumento. Se seu instrumento soa como Sib e Dó#, ou como Fá e Sol, não tem problema.
Continuaremos a usar o Dó e o Ré no nosso próprio instrumento. Não estamos
necessariamente usando o Dó de Concerto.
Para todos os instrumentistas, iremos usar o Dó e o Ré, exceto para os violonistas, que
usaremos as notas que são as principais do violão. Para o piano o principal acorde é o Dó
Maior. Mas e para o violão? A maioria deve ter pensado em Mi Maior, já que a primeira e a
última corda são Mi. Mas não é o que usarei. Bem, o que direi é minha opinião, não é nada
comprovado cientificamente. Isso é no meu ouvido. O acorde principal do violão é o Lá Maior.
É difícil dizer por que, mas parece que o acorde fundamental do violão é este. Então, para os
que tocam violão, comecem usando Lá e Si, ao invés de Dó e Ré. Então, para os violonistas,
toda vez que estiver escrito Dó ou Ré, entendam para vocês como Lá e Si.
A primeira coisa que vocês farão juntos será: um toca uma das notas, dó ou ré, e o outro
tem que nomeá-la. Faça isso usando diferente oitavas e alternando-as. Então passe por uma
seção de verificação e você concluiu esse exercício.
A próxima coisa será tocar duas notas juntas e as identificar, da mais grave para a mais
aguda. Podemos tocar as notas juntas ou distantes. Um tocará e o outro nomeará da mais
grave para a mais aguda. Faça uma seção de verificação. Lembre-se que estamos usando Dó
e Ré somente, ou Lá e si, se estivermos com o violão.
Para os que tocam instrumentos melódicos, não podem fazer várias notas ao mesmo
tempo. Então identifiquem as notas melodicamente, uma depois da outra. Para isso,
identifiquem na ordem em que elas forem tocadas. Se a primeira for a aguda, nomeie-a
primeiro e depois a mais grave.
Uma regra para todos: se estivermos identificando notas melódicas, as identificaremos
na ordem em que são tocadas. Se forem acordes, nomearemos da mais grave para a mais
aguda.
Então cada pessoa fará uma seção de 15 minutos, passará por uma seção de
verificação e trocarão de lugar. Se não conseguir concluir a verificação, tudo bem, faça-a de
novo no dia seguinte.

Para todos, agora, não se preocupem com treinos que você não consegue fazer. Faça
os que você consegue na sua situação pessoal. Aos poucos, faça os treinos mais difíceis e
você conseguirá realizá-los. Mas nunca deixe de fazer um treino porque acha muito fácil.
Aproveite os fáceis para treinar seu ouvido. Os que não conseguirem, tentem novamente no
dia seguinte e aos poucos você conseguirá.

Faça isso, passe por todas as verificações e então nos veremos na próxima lição.
Lição 07

Se quisermos abrir nossos ouvidos temos que começar com algo fácil e dificultar
gradualmente. Um dos segredos do ouvido absoluto é trabalhar os tons um de cada vez.

Perguntas e Respostas

P – O ouvido absoluto me permitirá tocar mais fácil de ouvido do que alguém que não
tem o ouvido absoluto?
R – Bem, isso depende da sua habilidade. O ouvido perfeito é uma peça fundamental
para se tocar de ouvido, improvisar. Temos que lembrar que o treinamento do ouvido é uma
das fundações da música, mas não significa que você automaticamente tocará bem de ouvido.
Seria comparar a uma pessoa que quebra a mão e diz para o médico: “Doutor, quando eu ficar
bom, poderei tocar piano?” e ele responde: “Claro!”. Bem, o fato é que só porque você tem
mãos não significa que você possa toar piano. Significa que você tem o básico. Mas é
necessário treinar. Tem que desenvolver as mãos. O mesmo acontece com o ouvido. Não só
por ter o ouvido absoluto é que você tocará bem de ouvido. Tem que treinar. O ouvido absoluto
é uma habilidade básica para isso. Pode acontecer de pessoas que não tenham o ouvido
absoluto improvisarem melhor dos que os que têm, pois treinam para isso. A verdade é que
você será capaz de tocar melhor com o ouvido absoluto do que você tocaria sem ele. A
extensão da sua habilidade depende de qual área da música você está fundamentado.

P – Não tenho como praticar os exercícios todos os dias. Existe algum problema quanto
a isso?
R – O ideal é praticar todo dia. Uma das maiores causas de demora de desenvolvimento
do ouvido absoluto é porque as pessoas não praticam todo dia. Se quiser ter o
desenvolvimento total, pratique todo dia, pois o ouvido começará a ter o hábito de escutar
verticalmente os tons. Lembre-se que temos o hábito de escutar horizontalmente,
estabelecendo relações. Se não praticarmos todos os dias, perderemos o hábito e voltaremos
a escutar horizontalmente. Quando voltarmos a treinar, teremos dificuldades de escutar as
cores. Por isso o ideal é treinar todos os dias, pois você ganhará o hábito permanente de
escutar profundamente as cores. Você não vai perder esta habilidade. Se praticarmos cinco
dias por semana, iremos aprender, mas não teremos o mesmo desenvolvimento que teríamos
se praticarmos os sete dias da semana.

Seção de técnica

Você reparou que seu ouvido está se tornando mais vivo? Ao escutar um acorde e
destravar as notas, escutando separadamente os sons dentro do acorde, você não acha que
as músicas se tornam mais “fashion”, bem mais interessantes? Seu ouvido não ficou mais
alerta?
Quando as pessoas escutam a música normalmente escutam a melodia. Mas quantas
são capazes de escutar a harmonia? Quando conseguimos escutar tudo, então temos música.

Bem, até agora quem tocava piano/teclado e violão estavam juntos. Chegou a hora de
dividirmos estes dois grupos. Ao ler o que o outro grupo está fazendo, você pode achar que um
grupo está adiantado em relação a outro, mas não é verdade. Todos os exercícios são
praticamente os mesmos, adaptados a cada instrumento. E são simplesmente exercícios que
deixem seu ouvido relaxado e escute.

Os tecladistas/pianistas farão o seguinte: toque qualquer tecla branca sem olhar e


nomeie-a. Faça isso pelo ouvido.
Pode ser que você pense que consegue fazer isso usando o ouvido relativo, mas não
tem problema. Neste ponto você ainda não tem a discriminação total das cores, então não tem
problema relacionar uma nota com a escala de dó que você conhece. Precisamos começar por
algum lugar. Se você está nomeando a nota pela relação dela na escala de dó, tudo bem, mas
faça o seguinte: escute a nota, repita, familiarize-se com ela, tenha interesse nela, escute-a
profundamente, então a nomeie. Faça isso. Se errar, gaste um tempo escutando a nota que
você errou e escutando a que você achou que era. Depois siga adiante. Lembre-se que
estamos usando só as teclas brancas. Faça uma série de verificação, então siga adiante.

Para os violonistas, quero que vocês toquem duas cordas soltas ao mesmo tempo e
destrave-as no ouvido. Cante-as. Escute-as. Depois, sem olhar, toque duas cordas, e nomeie-
as pelo ouvido. Se puder, peça alguém para tocar para você identificar. Não se preocupe se os
seus dedos estão dizendo qual corda que você está tocando, pois isso pode acontecer. A
vibração das cordas nos dedos pode identificar para você as cordas. Não há problemas nisso.
Mas procure escutar a nota, sinta a nota, deixe-a entrar em seus ouvidos, então nomeie-a.

Para os instrumentistas solo ou os que não tocam instrumento, façam o seguinte:


continuem com os exercícios de meditação, usando Dó, Ré e Mi (ou Lá, Si, Dó#, no caso de
violão). Trabalhe com esses tons e sinta-se a vontade com eles. Toque-os, escute-os.
Uma coisa nova para se fazer: pense em um dó, então cante-o. Faça isso antes de tocar
qualquer nota. Precisa ser a primeira coisa que você fará quando for estudar. Eu quero que
você cante esta nota antes de ter qualquer referência sonora. Confira se você acertou ou
não. Se não acertou, escute a nota correta e a que você achou que era. É claro que não
espero que você acerte logo, pois você ainda não tem o nível mais alto do ouvido absoluto,
mas quando conseguimos lembrar das notas e cantá-las, então estamos desenvolvendo nosso
ouvido. Treine, insista e você conseguirá. Se errar num dia, tente no dia seguinte. Não precisa
fazer uma série de verificação. Apenas sinta-se à vontade com as três notas.

Para os grupos, façam o seguinte: verificações melódicas e harmônicas, agora com dó,
ré e mi (ou lá, si, dó#, no caso do violão).
A primeira coisa a se fazer é: um tocará qualquer uma dessas três notas, alternando
oitavas, e o outro terá que identificar pelo ouvido. Faça uma série de verificação. Este é nosso
exercício para notas sozinhas.
Depois, passaremos para as melodias. Um tocará duas notas, utilizando-se de oitavas
juntas ou separadas, e o outro terá que identificar as notas na ordem que foram tocadas. Faça
uma série de verificação e siga adiante.
Então passaremos para a harmonia. Um tocará duas notas juntas, utilizando-se de notas
dentro de uma oitava ou de oitava diferentes, e o outro terá que identificar da mais grave para a
mais aguda. Faça também uma série de verificação. Então troquem de lugar.
Lembre-se que estamos usando somente dó, ré e mi.
Caso seu parceiro erre, gaste um tempo tocando as notas que foram faladas erradas e
as notas certas que foram tocadas. Dê total ajuda ao seu parceiro. Não siga adiante antes de
corrigir os erros dele.
Quando erramos as notas e as comparamos com as corretas, estamos então, realmente
treinando nossos ouvidos. Imagine que eu toque um dó e um ré para você identificar, mas você
diz que é um ré e um mi. Então você deverá escutar o dó e o ré e depois escutar as notas que
você pensou que eram, ré e mi. É por isso que temos que dar total auxílio ao nosso parceiro.
Se errarmos a nota e seguirmos adiante, então não estamos escutando as notas, com isso o
ouvido não ganhará nenhum benefício.
Este é um dos segredos no desenvolvimento do Ouvido Absoluto, cada vez que
cometemos um erro, paramos, escutamos e comparamos as notas.
Isso fará com que seu ouvido abra mais e mais.
E se seu parceiro não conseguir pegar os tons, então toque novamente. Se estiver
tocando notas melódicas, você só tem que repetir, mais devagar. E se você está tocando notas
harmônicas, você pode segurar o som por mais tempo, então seu parceiro entrará mais e mais
nas notas. Se seu parceiro não conseguir pegar a nota mais grave, quando se toca notas
juntas, então toque só a nota mais grave, então ele poderá escutá-la. Daremos ao nosso
parceiro toda a ajuda que ele necessitar.
Não temos que chegar “próximos” de completar uma tarefa, temos que completá-la
realmente. Se no início você quiser, trabalhe com seu parceiro sem marcar a série de
verificação, então, quando estiver pronto, faça a série de verificação.
Então, trabalhe com seu parceiro 15 ou 20 minutos, pode ser que você passe por uma
verificação, pode ser que não, não se importe de gastar o tempo necessário para completar o
exercício, pode ser que seja no outro dia, então depois disso, troque de lugar com ele.
Agora se você achar que estes exercícios são fáceis para você, ótimo. Escute da
mesma forma as notas, faça cada um deles da mesma forma. Quanto mais você escutar estes
exercícios iniciais, mais seu ouvido se abrirá mais tarde.
Um último exercício para os grupos: ao iniciar o treinamento de vocês, um cantará a
nota dó (ou o lá, para os violões). O outro irá concordar ou não que aquele dó (ou lá) está
correto. Caso discorde, deverá cantar o dó (ou lá) que julga correto. Depois verifiquem se estão
certos ou errados. Se houver erro, gaste um tempo escutando a nota correta e a nota que
achou que era. Isso deverá ser feito antes de qualquer outro exercício.
Depois de se fazer alguns dos exercícios, volte aos exercícios de cantar. Um dirá o
nome de uma das notas e o outro deverá cantar. Não se esqueça que estamos trabalhando
com dó, ré e mi (ou lá, si, dó#). Cante consciente, não cante automaticamente. Pense no som
da nota e depois cante. Leve o tempo necessário. Não estamos treinando velocidade.
Então troque de lugar com seu parceiro e faça todos os exercícios. Não é necessário
fazer uma verificação neste exercício para cantar as notas. Simplesmente faça isso até se
sentir confortável com seu dó, ré e mi.

Depois que estiverem à vontade com estes exercícios, com estas notas, nos veremos na
próxima lição.
Lição 08

Perguntas e Respostas

P – Existem alguns ruídos em algumas notas do meu instrumento e esses ruídos me indicam
que nota estou tocando. O que fazer neste caso?
R – Não se preocupe. Chegaremos a um ponto que você irá identificar qualquer som em
qualquer instrumento. O Ponto é: escute a cor do som. Não o identifique por qualquer outro
meio. A pessoa que te testar deve fazer uma verificação (20 acertos seguidos sem erros). Se
você conseguir acertar todos, é sinal que você está seguro do que está fazendo. Mas quem
tem que marcar isso é a pessoa que está testando, não a que está escutando, pois esta tem
que somente escutar, nada mais. A pessoa que está testando tem que ficar atenta também
para não deixar passar respostas erradas. Se você tocou um Lá e a pessoa disse que era um
Mi, então diga que errou, não diga que está correto.

Seção de Técnica

Ok, vocês estão indo muito bem.

Agora, para os tecladistas/pianista. Na seção anterior, destravamos os sons das terças


maiores e menores, os cantamos da nota grave para a aguda. Agora continuaremos a usar
estas terças. Lembre-se que estamos usando somente as teclas brancas do teclado. Temos
uma nota, pulamos uma e tocamos a próxima. Chamaremos este novo exercício de
Identificação Melódica de Terças. Iremos identificar as mesmas terças pelo ouvido. Antes nós
os destravamos, nós cantamos os intervalos. Agora iremos identificá-los. Sem olhar para o
teclado, toque um intervalo de terça (duas notas brancas separadas por uma nota branca)
melodicamente (uma depois da outra), ascendente (da mais grave para a mais aguda) e diga o
nome das notas, na ordem em que foram tocadas. Faça uma série de verificação deste
exercício. Agora façamos o contrário. Toque os intervalos descendentes (da nota aguda para a
nota grave) e identifique as notas na ordem tocada. Faça uma série de verificação. Depois,
passamos para verificações harmônicas de terças (duas notas brancas separadas por uma
nota branca). Toque as duas notas juntas (lembre-se: sem olhar) e nomeie-as da mais grave
para a mais aguda. Faça uma série de verificação.
Lembre-se que não estamos cantando as notas. Antes nós cantamos. Agora estamos
apenas reconhecendo cada uma delas pelo ouvido e nomeando-as. Então, não cante as notas.
Não queremos julgar as notas pelas nossas cordas vocais. Queremos julgá-las pelo ouvido.
Caso tenha dificuldades com o reconhecimento harmônico inicialmente, toque as notas e
repita-as continuamente, uma após a outra (melodicamente), várias vezes. Isso irá facilitar
você. Depois, que estiver mais tranqüilo com as terças, toque-as novamente só harmônicas.
Lembre-se: vá devagar, não escute tão rápido. Não estamos fazendo um
reconhecimento veloz de tons. Deixe seu ouvido entrar na música, mesmo que pareça fácil
para você o exercício. Este é o exercício para tecladistas/pianistas. Identificação de terças
ascendentes, terças descendentes e terças harmônicas.
Lembre-se de sempre cantar o dó antes de iniciar seu treino e conferir se está correto.

Para os que tocam violão, o que eu quero é que subam o seu violão para Fá. Toquem
todas as cordas na primeira casa. Agora eu quero que você se localize e identifique quais as
notas que estão tocando em cada corda. Por exemplo, a corda de Mi está tocando um Fá.
Agora repita o mesmo exercício anterior, toque aleatoriamente uma corda e a identifique, mas
dizendo a nota que você está tocando. Por exemplo, a corda de mi está tocando um fá, então
se você a tocar, você a chamará de fá. Reconheça estas novas notas nas cordas pelo ouvido.
Sinta-se à vontade com essa nova afinação do violão. Toque uma corda de cada vez, depois
toque de duas a duas, como você fez anteriormente. E você pode pegar alguém para te ajudar,
para testar você, para que você tenha certeza que realmente reconhece as cordas. Não
precisa passar por nenhuma verificação em particular. Simplesmente toque até que você fique
à vontade com a identificação das notas.
Depois, façam a mesma coisa na afinação de Lá (todas as cordas na quinta casa).
Então agora sua corda de Mi está tocando um lá. Repita os exercícios anteriores. Toque as
cordas soltas, reconhecendo as novas notas, e depois toque de duas a duas cordas.
Lembre-se sempre de cantar um lá todas as vezes, antes de começar sua seção de
treinamento. Desde já quero que você consiga recordar o lá e cantá-lo. Não quero que você
saiba este lá para relacionar todas as outras notas com ela. Isso não é o ouvido absoluto. Por
enquanto, você está relacionando todas as notas com o lá, mas essa relação será quebrada
mais tarde. Os exercícios que estamos fazendo está quebrando essa relação gradualmente
então saberemos cada nota independente. O fato é que quando o lá estiver no seu ouvido,
você será capaz de aprender o dó, e o ré, e todas as outras notas. Se você for capaz de
aprender um tom, você será capaz de aprender todos os outros. Então, por enquanto, tenha
este lá no seu ouvido.
Pratique isso, sinta-se confortável e passe para a próxima lição.

O treino de meditação é para todos agora. Continuaremos agora com dó, ré, mi é fá (ou
lá, si, dó# e ré, para os que tocam violão).
Desta vez passaremos por uma verificação. Quero que faça o seguinte: primeiro escolha
uma das quatro notas. Pense como esta nota soa. Então cante-a. Pode ser que você erre no
início. Não se preocupe, pois você ainda não tem a distinção completa das notas. A segunda
nota que você tocar será mais fácil. Se errar, escute a nota correta e a que você errou e siga
adiante. Escolha outra nota, pense nela, como ela soa e cante-a. Se quiser, escreva os nomes
das notas separadamente em cartões, embaralhe-os e retire um para ser a nota que você vai
escolher. Você precisa passar por uma série de verificação (acertar 20 em seqüência sem
nenhum erro) para passar adiante.
Lembre-se que não tem problema em se usar o ouvido relativo neste momento.
Simplesmente cante a nota consciente. Mesmo que você saiba a nota pelo ouvido relativo,
esteja com o som, cante-o prestando atenção nele. Então o treino do ouvido está acontecendo.
Este é o exercício de meditação desta seção.

Para os grupos, usaremos os mesmos tons: dó, ré, mi, fá (ou lá, si, dó# e ré) e
continuaremos com nosso reconhecimento melódico de uma e duas notas e reconhecimento
harmônico de duas notas, da forma que fizemos com o exercício anterior, simplesmente
adicionando este fá ao exercício. Lembre-se de fazer uma série de verificação para cada
exercício.

Com isso completamos os exercícios de hoje.

Alguns podem achar este exercício muito fácil e pode pensar em pular algum dele, mas
não faça isso. Complete todos os exercícios antes de passar adiante. Algo está acontecendo
com seu ouvido e estes exercícios preparatórios são essenciais. Por enquanto, estamos
usando muito do ouvido relativo, e eu estou aprovando isso. Mas muita coisa estará mudando
dentro de você enquanto nós continuamos com o treinamento.

Se você quer se aventurar em águas profundas, não precisa ser um expert em natação,
mas precisa saber nadar relativamente bem. Tem que ter tido um certo treinamento, ter
completado alguns quesitos para estar hábil a se aventurar desta forma.
Da mesma forma acontece com o ouvido absoluto, você precisa passar por alguns
passos para poder escutar dentro das notas.
Para um ouvido musical completo, temos que ter o ouvido absoluto e o ouvido relativo
trabalhando juntos, em perfeita harmonia. Então o ouvido é quatro vezes mais forte do que se
tivéssemos apenas uma habilidade.
Se você quiser identificar o nome das notas pelo ouvido, desenvolva ouvido absoluto. Se
quiser identificar a estrutura do acorde (maior, menor, quinta aumentada, etc), desenvolva o
ouvido relativo.
Para desenvolver ambos, descobrimos que música é a arte de escutar. Não
conseguiremos nenhum som musical se não gastarmos um tempo escutando. Temos que
escutar aquilo que queremos aprender e o ouvido automaticamente assimilará os sons.
É interessante desenvolver o ouvido relativo ao mesmo tempo em que desenvolvemos o
absoluto. Assim o ouvido terá uma completa identificação dos sons.
Lição 09

Quando você está treinando os acordes, você toca mais de uma nota ao mesmo tempo.
Digamos que a pessoa que está te treinando toque Dó e Mi (da mais grave para a mais aguda)
e você diga: “Mi e Dó”. Está errado? Não, mas fora de ordem. Então, a pessoa que está
testando não deverá dizer que está errado. Deverá dizer o seguinte: “Notas corretas, ordem
errada”. Isso é uma coisa importante a se dizer, porque se você não diz que as notas estão
certas, a pessoa que está sendo testadas ficará pensando que notas serão aquelas. A pessoa
acertou as notas, errou a ordem, então diga isso: “notas corretas, ordem errada”, para que a
pessoa possa ajustar as notas e fique tudo bem. Lembre-se que quando estivermos
identificando melodias, falaremos as notas na ordem tocada. Se forem harmonias, serão
sempre da nota grave para a aguda.
Não é uma coisa grave errar a ordem das notas. Claro que você irá corrigir. Mas se você
acertar as notas é sinal que você está escutando a cor de cada nota e está conseguindo
distingui-las. Então, seu ouvido absoluto está crescendo.

Perguntas e Respostas

P – Qual é o melhor momento para se estudar?


R – O melhor momento para se treinar é quando você está tranqüilo, relaxado. Se você puder
fazer o treinamento pela manhã, na hora que você acordar, será muito bom, pois você está
descansado e com a cabeça fria. Escute tranquilamente a nota, se quiser pode fechar os olhos
para se concentrar melhor e esquecer o que está em volta de você, mas escute alerta. Então,
faça quando você estiver de forma relaxada e concentrada.

Seção de Técnica

Muito bem, você chegou à lição 09. Você está fazendo um ótimo progresso.

Então, primeiramente darei os exercícios para o grupo de tecladistas/pianistas. Hoje


estudaremos sextas com as notas brancas. Isso significa que tocaremos uma nota branca,
pularemos quatro notas, e tocaremos a seguinte. Como exemplo, tocar a nota dó e a nota lá, ré
e si, ou sol e mi, etc. No nosso exemplo, tocaremos o dó, pularemos o ré, o mi, o fá e o sol, e
tocaremos o lá. Isso é uma sexta. Não estamos nos importando com a diferença entre sextas
maiores e menores. Por agora, estamos somente usando sextas com as teclas brancas,
independente de serem maiores ou menores, isso não é importante agora.
Iremos tocar o teclado, sem olhar, os intervalos de sexta, e então identificaremos os
sons. Começaremos com sextas melódicas ascendentes (da nota grave para aguda),
passaremos por sextas melódicas descendentes (da nota aguda para a grave) e depois
passaremos para sextas harmônicas (tocadas ao mesmo tempo), da mesma forma que
fizemos anteriores.
Agora se acidentalmente você acidentalmente tocar o intervalo errado, tudo bem, você o
reconhecerá automaticamente. Então identifique-o assim mesmo e toque o intervalo correto.
Se você tocar o intervalo errado você saberá, pelo ouvido. Você conhecerá o intervalo pelo
som. Você pegará o som das notas. E se seu ouvido não perceber que o intervalo está errado,
você perceberá quando olhar para o teclado, pois você tem que ter duas notas brancas
separadas por quatro notas brancas. Então vá em frente, devagar, percebendo os intervalos.
Se não conseguir reconhecer as harmonias, lembre-se de tocar da mesma forma que fizemos
anteriormente, repetindo continuamente as duas notas e depois, toque normalmente. Você tem
que passar uma seção de verificação para cada um destes exercícios.
Lembre-se de corrigir e comparar os seus erros. E vá devagar, não estamos com pressa
de seguir adiante. Passe pelas verificações quando você estiver se sentindo confortável com
os sons. Não faça as verificações “chutando” quais são as notas. Faça tendo certeza delas.
Estes sãos os exercícios para os tecladistas e pianistas.

Agora para todos, poderemos voltar às nossas práticas de meditação, simplesmente


adicionando a nota sol à nossa coleção de sons, ou mi, no caso dos violonistas. Iremos
continuar do jeito que estamos fazendo, repetindo os exercícios anteriores, adicionando esta
nova nota.

Agora para o grupo de violões. Nós havíamos subido nossa afinação para fá, então
nossa corda de mi passou a soar fá, e todas as cordas passaram a soar outras notas (todas
foram tocadas na primeira casa). Então, como você chamou estas cordas? Como você as
nomeou? Bem, se a corda de mi subiu para fá, então nós temos Fá, Sib, Mib, Láb, Dó e Fá.
Ops, alguns de vocês as chamaram com nomes com sustenidos: Fá, Lá#, Ré#, Sol#, Dó e Fá?
Se fez, tudo bem, não está errado, mas você precisa saber que os nomes corretos são os
nomes com bemol. Isso é uma das coisas que usamos com o ouvido relativo, e eu não vou
entrar em detalhes agora, pois não é o objetivo. Mas você precisa saber que quando você sobe
as cordas uma casa, a corda de mi se torna fá, a de lá se torna sib, a de ré se torna mib, a de
sol se torna láb, a de si se torna dó e a de mi se torna fá. Esta é a nomenclatura musical
correta. Se você não conhece sua nomenclatura musical, eu irei corrigi-lo, pois isso está ligado
com seu treinamento do ouvido. É igual ao seguinte: se você quer saber se eu disse uma
palavra corretamente, então você tem que saber como que ela é falada. Da mesma forma com
música, se você souber a nomenclatura certa que está sendo usada, isso te ajudará a
desenvolver sua técnica.
Bom, nós também subimos para Lá, então as cordas passaram a soar: Lá, Ré, Sol, Dó,
Mi e Lá. Você percebeu que as cordas ficaram com o som de outras cordas soltas? Você foi
capaz de identificar as cordas mais facilmente? Ou isso confundiu você? Na verdade, mesmo
sendo a mesma nota de uma corda solta e outra presa na quinta casa, existe uma pequena
diferença entre elas. Você notou isso? As notas são as mesmas, as cores são as mesmas,
mas ela mudará um pouco no seu timbre. Esses exercícios são para massagear os seus
ouvidos. Esteja atento às notas e você escutará esta pequena diferença.
Então vamos para os exercícios. Eu vou passar algo bem simples para você fazer. Faça
o seguinte: toque o acorde de Lá Maior (A). Eu estou usando as notas Lá, Mi, Lá, Dó# e Mi.
Existem várias formas de se tocar o acorde de Lá Maior, você pode tocar da forma que você
quiser. Nós tocaremos o acorde de Lá Maior e então nós tocaremos qualquer uma nota (sem
olhar) e a identificaremos pelo ouvido, nomearemos a nota. Esta nota não precisa estar
necessariamente dentro do acorde. Utilize a nota que você quiser. Escolha uma nota
aleatoriamente. Então tocaremos de novo o acorde, tocaremos uma nota e a identificaremos.
Bem, no início pode parecer complicado, pois você não tem nenhuma base, mas você
conseguirá fazer. Faça isso e perceba que todas as notas estão, de alguma forma,
relacionadas com o acorde de lá maior. Mas não vou me prender muito em detalhes quanto a
isso. Eu quero que você experimente isso. Toque o acorde, toque uma nota qualquer e a
identifique. Esteja atento a esta relação com o acorde de lá maior. Tenha o seu tempo para
isso. Não se apresse, gaste o tempo que for necessário para conseguir identificar as notas. E,
se ocorrer algum erro, então gaste um tempo escutando a nota certa e a que você achou que
era. Digamos que eu toque o acorde de Lá Maior, então eu toco a nota Ré. Eu digo: “é um
dó#”. Não é, é um ré, então eu vou tocar meu ré, reconhecendo como ré, e vou tocar meu dó#
para perceber a diferença entre os dois. Escuto novamente os dois sons, e os relaciono com o
lá maior. Toco o Lá Maior, e toco a nota ré, depois toco o Lá Maior e toco o Dó#. Você passará
a conhecer todas as notas as relacionando com o acorde de Lá Maior. Este é o seu exercício.
Você pode dizer para mim: “Isso não é ouvido absoluto, isso é ouvido relativo, pois estou
relacionando todas as notas ao acorde de Lá Maior!”. Está correto. Mas como eu disse, nós
estamos crescendo a percepção, o “sentimento” do acorde de Lá Maior. Este sentimento do
acorde de Lá Maior irá penetrar cada vez mais profundamente em seus ouvidos. Ele se tornará
parte de você. Simplesmente siga em frente. Esta é uma fase perpétua. Lembre-se que
estamos massageando seus ouvidos com diferentes exercícios, de diferentes ângulos e de
diferentes formas. E, como eu disse antes, algo está acontecendo dentro dos seus ouvidos.
Você pensa estar fazendo este exercício usando o ouvido relativo, e você está, mas eu te digo
com toda certeza que as cores das notas estão se tornando cauterizadas em seus ouvidos, e,
com o progresso dos exercícios para escutar as cores das notas, você poderá ver mais e mais
a lógica por trás destes exercícios.
Bom, então este é o seu exercício. O Acorde de Lá Maior (A) e uma nota aleatória.
Então perceba como você pode identificar as notas. Continue voltando ao Lá Maior e tocando
uma nota.
Para passar neste exercício, você deverá fazer duas séries de verificação em seqüência.
Não só uma, mas duas séries de verificação, então estarei certo que você conseguirá aprender
isso.
Isso completa nossa série de exercícios sozinhos.

Agora vamos para os exercícios de grupos.


Enquanto usávamos Dó, Ré e Mi, as notas usavam o dó como base. Você notou que
quando adicionamos o fá, de certa forma as notas parecem ser atraídas por ele? Quando
tocamos o fá, temos nele uma resolução (para os violões, o ré). Então, enquanto tínhamos só o
dó, ré e mi, o dó era a base. Quando adicionamos o fá, alguma coisa mudou. Agora o fá tem o
sentimento de nota base, nota que complementa. Você havia notado isso? Eu sei que você
passou por uma série de verificação, mas isso é algo que estou te deixando atento> Antes o
Dó era a nota base, depois, trocou para o fá. Mas agora, nesta seção, vamos adicionar o Sol à
nossa coleção de notas. Quando fazemos isso, perceba que a nota base passa a ser o dó
novamente. O dó é a nota que vai dar a resolução da música.
De qualquer forma, não vamos nos preocupar com que nota vai resolver quem. Mas
estes exercícios são para testar seus ouvidos em diferentes caminhos para você aumentar sua
percepção. Estes exercícios estão fazendo crescer o seu poder interior do ouvido absoluto.
Você vê mais e mais como esses exercícios tornam seus ouvidos mais sensíveis e mais
perceptivos. Você não sente que aos poucos seus ouvidos estão se abrindo? Estes treinos são
para acordar as partes que estavam “dormentes” em seus ouvidos. Você não está sentindo
uma certa clareza nos seus ouvidos enquanto você escuta? Com isso, você escutará melhor
todas as coisas que estão à sua volta. Sua percepção aumenta não só para música, mas para
tudo no seu dia-a-dia.
Bom, então para os grupos, continuaremos com os mesmos exercícios, simplesmente
adicionando agora também a nota Sol, para os violões, a nota Mi. Faça os exercícios como os
anteriores e então, após passar as verificações, siga para a próxima lição.
Lição 10

Muito bem, estamos iniciando a lição 10. Fico feliz quando um músico consegue
completar uma lição, pois todo exercício exige tempo.
Bom, vamos começar com os exercícios desta lição.

Para os tecladistas, iremos continuar com os treinos que fizemos com os intervalos de
sextas e de terças. Mas desta vez você fará os exercícios usando intervalos de segunda, de
quinta, de quarta e de sétima. Para cada um faça uma série de verificação. Uma segunda
significa que você tocará duas notas juntas. Uma quinta significa que você tocará uma nota,
pulará três e tocará a próxima nota. Uma quarta significa que você tocará uma nota, pulará
duas e tocará a seguinte. Uma sétima significa que você tocará uma nota, pulará cinco e tocará
a seguinte. Lembre-se que estamos usando só as teclas brancas.
Não estamos nos preocupando com a diferença de quintas diminutas e justas. Não se
importe com isso. Toque, usando as teclas brancas. Repita os exercícios anteriores com estes
intervalos.
Nos intervalos de quinta, acharemos diferente o intervalo si-fá. Ele continua sendo um
intervalo de quinta, mas um tipo diferente de intervalo de quinta (quinta diminuta), mas não se
preocupe com isso. Simplesmente faça os exercícios usando as teclas brancas.

Para os violões, faremos o seguinte: repitam os mesmos exercícios que fizemos com o
Lá Maior (A), mas agora com SI Maior (B). Lembre-se: toque o acorde e depois toque uma nota
aleatória e nomeie-a. Passe por duas séries de verificação.
Bem, os violões estão usando duas séries de verificação porque estamos usando todos
os tons cromáticos da escala. É como se os violões estivessem usando as teclas brancas e
pretas do teclado. Os pianistas passam por uma só porque usam só as teclas brancas do
teclado. Façam desta forma mesmo.
Lembre-se que cada grupo está na fase correta, todos movendo juntos, ao mesmo
tempo. Não existe um grupo que está mais avançado e outro atrasado. Cada um está
desenvolvendo-se dentro do seu instrumento da forma que deve ser.
Então, gaste seu tempo com este treino. Não se apresse. Use o tempo que você
precisar.
Um dos segredos do ouvido absoluto é escutar várias vezes, de diferentes formas, de
diferentes ângulos.
Até este ponto você ainda está usando o ouvido relativo, mas procure escutar as notas
com cuidado. Use o tempo necessário para “ler” a nota. Tenha interesse por ela. Quando for
fazer os exercícios, não se preocupe com mais nada. É só você e o exercício. Identifique-se
com o som. Não faça as verificações e os exercícios “cego”, tentando adivinhar as notas.
Escute as notas. Então, naturalmente, o ouvido se abrirá. Você não está ficando feliz por isso
Este é o preparo essencial para o ouvido absoluto. Preocupe-se em fazer os exercícios como
foram propostos.

Para nosso treinamento de meditação, estaremos adicionando a nota Lá à nossa


coleção (os violões, adicionem o Fá#).
Repita os mesmos exercícios propostos anteriormente e faça uma série de verificação
para cada um.

Para os grupos, adicionaremos a mesma nota à nossa coleção. Assim, repitam os


mesmos exercícios propostos anteriormente, com a adição desta nota.
Uma coisa nova para os grupos fazerem: reconhecimentos melódicos e harmônios de
notas triplas. Toque três notas melodicamente (primeiro, ascendentes, depois, descendentes,
depois, misturadas) e o seu parceiro precisa identificar as notas tocadas, falando na ordem
executada. Depois, toque três notas em harmonia (ao mesmo tempo), em qualquer ordem,
usando as notas citadas, variando oitavas, e ele deve identificar da mais grave para a mais
aguda. Se você toca um instrumento melódico, pule esta parte de harmonia e faça a parte de
melodias.
Então você fará isso. Tocará três notas, em melodia e depois em harmonia, para o outro
analisar. Podem ser notas juntas ou distantes. Gaste um tempo escutando as notas. Não tente
adivinhar notas. Eu chamo isso de Análise Auditiva dos Acordes, quando você tem que entrar
nas notas, precisa escutá-las e destravá-las no ouvido. Então, quando conseguimos escutar
cada som, podemos identificá-los. Quando o ouvido é devidamente preparado, da forma que
estamos fazendo, este exercício de Análise Auditiva do Acorde é uma poderosa técnica para
estabilizar o ouvido absoluto.
Mas você não pode indicar esta técnica para seus amigos, o ouvido precisa ser
previamente preparado, como você está fazendo.
Então, para os grupos, faça os exercícios usando uma nota, depois duas, e depois três.
Depois disso, façam todas as seções de verificação necessárias, uma para cada exercício.

Perguntas e Respostas

P – Você nasceu com o Ouvido Absoluto?


R – Bem, a primeira vez que ouvi falar do ouvido absoluto eu ainda era criança. Havia uma
menina que estudava comigo que descobri que podia dizer o nome de qualquer nota que
escutasse, sem nenhuma referência. Perguntei-a se poderia testá-la. Ela permitiu. Toquei
algumas notas e ela me nomeou todas na hora, sem errar nenhuma. Então pedi que ela
cantasse algumas notas, e ela cantou corretamente. Perguntei-a como ela podia reconhecer
cada nota que se tocava. Ela me respondeu: “Eu não sei”. Perguntei, então, como poderia
cantar as notas sem errar. Novamente ela me respondeu: “Eu não sei”. A verdade é que se
você tem essa habilidade desde crianças, você não pensará em cores de sons, como estamos
fazendo. Você simplesmente escuta um ré, por exemplo, e sabe que é um ré. Se eu pedir para
você cantar um Lá, você simplesmente saberá como ele soa. Mas você não pensa em termos
de cores. De qualquer forma, não consegui entender como ela fazia aquilo. Tentei fazer com
que pessoas tocassem notas para mim e eu julgaria sua altura, mas como faria isso? Na
verdade eu sempre arriscava a nota que era. Eu não sabia o que me faria julgar a altura de um
lá, por exemplo. Então eu desisti de tentar. E isso é um ponto interessante, pois quando você
pára de se esforçar para escutar, é quando as cores das notas se tornam claras para você.
Não é algo intelectual, que você possa decorar. Então, quando parei de tentar usar o intelecto,
minha percepção apareceu e eu descobri que todas as notas têm diferentes cores. Então,
percebi que sempre tive isso nos meus ouvidos. Lembrei-me de quando era bem novo e estava
iniciando no piano. Quando toquei minha primeira peça em G (Sol Maior), e toquei um Fá#,
percebi que ele estava desafinado. Então levei-o para ser afinado. Eu sabia que o dó soava
diferente do ré, que é diferente do mi, mas nunca tinha parado para pensar sobre isso. Quando
o piano voltou afinado, esperava que as notas soassem iguais, e nunca havia entendido por
que depois de afinado cada nota soava diferente das outras (não em questão de altura, mas de
cores). Então, quando descobri que não é uma habilidade intelectual, percebi que é algo quer
todas as pessoas têm. Chamei um amigo e disse: “Vamos lá, você não acha que o fá# soa
bem nasal, enquanto o mib soa bem macio?”. Ele disse: “Realmente, você tem razão”. Em
duas semanas ele podia nomear qualquer nota. Ele conseguiu desenvolver seu ouvido
absoluto Eu digo que todos músicos têm esta habilidade. Mas se você não pensar em escutar
desta maneira, não conseguirá identificar as notas. Então, todos têm esta habilidade.

Façam os exercícios, sem forçar os ouvidos, e pratique corretamente cada coisa que foi
indicada. Assim, você desenvolverá corretamente o seu ouvido absoluto, gradualmente, dia-a-
dia.
Lição 11

Perguntas e Respostas

P – Meu parceiro e eu conseguimos uma boa forma de estudar. Após cada nota, tocamos uma
série de acordes, assim nós esquecemos onde estávamos. Depois, seguimos com o
treinamento. Assim, não usamos o Ouvido Relativo.

R – Sim, e você também está fazendo seu treinamento ficar lento. Isso não está certo. Fazendo
isso, você está tentando bloquear o Ouvido Relativo, e isso significa desfazer as relações da
música. Não tem problema você usar o Ouvido Relativo junto com o Absoluto. Quando
fazemos este tipo de coisa, não estamos ajudando o Ouvido Absoluto, na verdade, não
estamos ajudando nada. Você tem que escutar estas cores no contexto das relações, pois na
verdade, tudo é uma coisa só. Não significa que o Ouvido Absoluto se realiza nas relações,
mas que as cores são ouvidas dentro destas relações. O Ouvido Absoluto não tem nada a ver
com relações, mas crescerá utilizando-se também delas.
Outro erro comum é o seguinte: um toca a nota lá. O outro diz: “Mib”. O primeiro
simplesmente diz: “errou” e passa para a seguinte sem dizer qual é a nota certa e escutar as
duas notas. Este é um erro grave. Se errar, você tem que escutar as notas. Pois só assim você
realmente está treinando seu ouvido. Lembre-se de sempre corrigir seus erros.

P – O que acontece se meu parceiro estiver mais adiantado que eu?

R – Não tem problema. Pode acontecer de você testar seu parceiro e ele passar por todas as
verificações e, na sua vez, você ter que repetir algumas lições. Não tem problema, continue
com exercícios, cada um no seu nível. Não queremos que vocês estejam iguais, queremos que
treinem juntos. Enquanto você estiver testando seu parceiro, esteja atento e escute as notas
também, assim você está treinando seu ouvido, aprendendo enquanto testa o outro.

P – Tenho que tocar as notas fortes ou fracas? E quanto à duração?

R – Bem, na verdade o ideal é tocar numa pressão média, meio-forte. Em questão de duração,
comece tocando uma nota longa e deixando o som sumir. Toque o tempo necessário para você
ou seu parceiro identificar.
Um novo exercício para os grupos é o reconhecimento veloz das notas. Toque notas
numa determinada velocidade, sons curtos, e peça que seu parceiro vá identificando. Neste
exercício, não pare para corrigir notas. Este exercício é para ver, numa determinada
velocidade, quantas notas você acerta e quantas você erra. Se não souber a nota, diga “não
sei”, ou “pula”. Este é um exercício interessante para se fazer.
Então, você pode tocar de diferentes formas: longas ou curtas, dependendo do seu
treinamento.

P – Muitas vezes posso dizer o nome de umas notas que teve a tonalidade mudada como se
fosse a tonalidade original. Você não acha que uma música que passou por uma mudança de
tom soa igual ao original?

R – Bem, se uma música está em Sol Maior, ela soará como Sol Maior. Se ela foi passada para
Lá Maior, ela soará como Lá Maior. Quando mudamos o tom, ela parece soar com a mesma
qualidade. E isso acontece porque a música continua com as mesmas características da peça
original, isso não muda com a mudança de tom, mas as cores mudam. Quando você tem uma
peça em Sol Maior e a modula para Lá Maior, você terá a mesma estrutura, as mesmas
características dela em Sol Maior, mas com as cores do Lá Maior. Quando você só consegue
reconhecer no tom que você está acostumado, significa que você está escutando a estrutura,
não as cores. As características das peças reconhecemos pelo Ouvido Relativo, são as
relações das notas. Mas seu som, suas cores, mudam com o tom.
Quando mudamos o tom, todas as notas mudam de cor, mantendo a mesma
características. Mas esta sutil diferença só é observada com o Ouvido Absoluto.

Seção de Técnica

Tecladistas e Pianistas, vou dar para vocês uma série de tarefas para serem realizadas.
A primeira é: com as duas mãos, toque duas notas brancas ao mesmo tempo (em
harmonia). Essas notas podem estar juntas ou separadas. Toque as duas notas e as
identifique da grave para a aguda. Usem só as teclas brancas. Cada mão tocará uma nota.
Depois, toque as duas notas separadas (melodia) ascendentes e descendentes. Notas
perto ou distantes.
Esteja atento para tocar sem olhar para o teclado, mas para deixar os dedos nas teclas,
para você poder conferir se estava certo.
Então, toque três notas em harmonia com uma das mãos, somente (isso significa que as
notas estarão próximas) e as identifique.
Se não conseguir da primeira vez, tente novamente. Use o tempo necessário.
Depois, toque três notas melódicas com uma das mãos, na ordem que você quiser
(ascendente, descendente ou misturado).
Após isso, usando as duas mãos, toque três notas em harmonia e depois em melodia.
Estes são os exercícios para esta lição Lembre-se de passar uma série de verificação
para cada exercício.

Para os violonistas, faremos algo diferente do anterior. Usaremos a corda de lá solta ao


invés do acorde de lá. Toque a corda de lá e qualquer outra nota e a identifique. Depois, toque
novamente a corda de lá e outra nota, e a identifique. Da forma que fizemos antes, mas agora
só a corda de lá solta.
Continuaremos também com os exercícios com acordes. Usaremos agora os seguintes
acordes: C# (Dó# Maior) e D# (Ré# Maior). Faça como o anterior, toque o acorde, toque uma
nota e a identifique. Toque o acorde, outra nota e a identifique.
Então, trabalhe com esses acordes e com a corda de Lá solta. Lembre-se de passar
duas séries de verificação para cada um exercício.

Para a seção de meditação, adicionaremos a nota Si à nossa coleção.


Para os que estão deixando de fazer estes exercícios, recomendo que gaste um tempo
fazendo-o, pois eles são muito importantes, e teremos uma lição dedicada só a eles.
Gaste um tempo com eles. Agora já temos a escala de Dó completa (dó, ré, mi, fá, sol,
lá, si, dó). Violões, claro, adicionem o Sol# à sua coleção.
Continuem com os exercícios da seção anterior, agora adicionando esta nova nota e
passando uma seção de verificação para cada exercício.

Para os grupos, adicionem a mesma nota à sua coleção (Si, ou Sol# para os violões).
Continuem com os mesmos exercícios que voes estão fazendo com uma, duas e três notas,
em melodias e em harmonias, adicionando a nova nota.
Eu quero que vocês passem por duas seções de verificação para os exercícios de
harmonia. Você está com a escala formada e o ouvido mais treinado, então quero que você
passe por duas seções de verificação.
Para os exercícios melódicos, basta passar uma seção de verificação.

Algumas vezes, um dos dois estará mais adiantado que outro. Não tem problema,
continuem com os exercícios. Teste seu parceiro com os exercícios deles e ele te testará com
os seus. Não nos preocupamos em desenvolver juntos, cada um tem o seu tempo para
desenvolver o ouvido absoluto.

Outro ponto importante é praticar no seu instrumento após a seção de treinamento do


ouvido. O ideal é acabar a seção e logo tocar seu instrumento por um período. Sei que muitos
não podem fazer isso, mas se puderem, façam.

Não tente ficar escutando todas as notas nas músicas que você está tocando. Este é um
erro comum. Às vezes pessoas tentam escutar, por exemplo, a nota sol em todas as músicas
que escutam. Isso não é treinamento. Isso é tentar, e significa uma tarefa intelectual. Nós
estamos aprendendo, não comparando o ouvido com as notas. Não fique frustrado se não
conseguir. Não estamos preocupados com isso. Estamos preocupados em preparar seu
ouvido, e é isso que estamos fazendo.

Veja que o Ouvido Relativo coloca as cores dentro de um contexto. Observe que, com a
escala completa, a nota base, onde a música é resolvida, é o Dó. Esta nota se tornou a base
para as outras. As relações das notas nos trazem este sentimento e as cores estão no contexto
desta relação.
Não queremos só o Ouvido Absoluto. Seria a TV colorida, mas com a imagem
desfocada. Precisamos do Ouvido Relativo para a emoção da música.
Se treinarmos também o Ouvido Relativo, teremos um bom progresso com o Ouvido
Absoluto. Ele serve para “destravar” muitas coisas no ouvido. Mas serve só para as relações,
não nos preocupamos em escutar além disso, ir no profundo da nota. É para isso que
precisamos do Ouvido Absoluto.
Como exemplo, se eu tocar D9 (ré com nona), o Ouvido Relativo dirá que é um acorde
de nona. O ouvido absoluto dirá que é um acorde de ré com nona,e nos dirá as notas que o
formam.
Sempre que tivermos acordes, o ouvido relativo estará presente, pois num acorde, uma
nota está relacionada com a outra.
Tendo só o Ouvido Absoluto, você pode se confundir um pouco com os acordes. Por
isso é importante treinar os dois.

Quando descobri o segredo do ouvido absoluto, ainda era garoto. Fui, uma vez, para a
aula de piano, mas cheguei cedo. Outro aluno estava ainda estudando. Eu sentei e estava
concentrado nas notas que ele estava tocando. A Professora mandou que ele parasse, pois eu
estava “escutando”. Ela mandou que ele me testasse. Ele tocou várias notas e eu fui
respondendo. Acertei todas. Então, ela mandou que ele tocasse um acorde. Ele tocou Ré
maior, mas eu disse que era um Sol Maior. Então a professora ressaltou que era importante
que eu desenvolvesse também o ouvido relativo, para que não houvesse essas confusões. Fui
para uma escola de música treinar o ouvido depois disso.

Bem, isso foi só para enfatizar que é importante você também desenvolver o ouvido
relativo.
Lição 12

Vocês notaram que quando escutam a nota mi ela soa como a terça maior de dó,
mesmo que você não tenha tocado o dó? (violões, dó# em relação ao lá). Você teve uma
experiência deste tipo? Isso é uma típica ilusão oral que chamamos de afinação absoluta
relativa.
Isso significa que quando você toca um mi, você sabe que é um mi, mas você acha que
sabe por causa do dó. Mas você não escutou o dó. Todo o mi que você escuta te traz um
sentimento como se você escutasse o dó. Isso pode acontecer com qualquer tom. Você pode
escutar o sol e deduzir como a quinta de dó. Qualquer tom pode ser sentido como se tivesse
um tipo de resolução em outra nota. Quando isso acontece, você está relacionando notas. Mas
você não escutou o dó. Acredito que muitos já tiveram esta experiência de afinação absoluta
relativa.
Isso significa que seu ouvido está passando por uma transição nos treinamentos. O
sentimento das relações das notas e as cores escutadas do ouvido absoluto estão se
misturando.
Você está identificando a nota e a relacionando com o dó de alguma forma. O Ouvido
Relativo está se misturando com o Ouvido Absoluto. Você está com o Ouvido Absoluto
Relativo.
Mais tarde isso vai sumir, pois na fase dois iremos deixar de lado as relações.
Simplesmente escutaremos um Mi e saberemos que é um mi. Ele não vai estar relacionado
com outra nota.
No início, começamos escutando a diferença entre duas notas: o fá#, que tem um som
nasal, e o mib, que tem um som macio. Você escutou a diferença, mas se eu tocasse para
você, no início do dia, uma das duas notas, você não saberia diferenciar. Você pode escutar as
cores, mas não era capaz de identificar as notas. Claro, pois você não tinha o ouvido absoluto.
Por causa disso, você teve que usar o ouvido relativo até este ponto para passar nos
exercícios. No início, usávamos 100% do ouvido relativo. Depois, 90% do relativo e 10% do
absoluto, depois 50% de cada, depois 40% do relativo e 60% do absoluto. E assim vamos
desenvolvendo o ouvido.
Quando você consegue identificar um sol, escutando e relacionando com o dó (como
disse acima), você está usando 50% de cada um. Se você não teve ainda esta experiência,
terá em breve, é só continuar com o treinamento.
Então, o ouvido relativo é útil para o desenvolvimento do ouvido absoluto. Ele deixa
nossos ouvidos numa situação relaxada, então podemos escutar as cores.
O ouvido tem que se fundamentar em alguma coisa para escutar os tons. Então, se
você não consegue escutar as cores, use as relações.
Você acha que está fazendo isso só com o ouvido relativo, mas algo diferente está
acontecendo no seu ouvido. As cores estão aparecendo gradualmente. Sua percepção das
relações se torna próxima à percepção das cores.
Temos então algo interessante: o ouvido relativo é muito útil para desenvolver o ouvido
absoluto, mas nunca se tornará o ouvido absoluto, pois eles são completamente diferentes.
Sentimento de relações nunca se tornará um sentimento de cores. São dois níveis de
percepção diferentes.

Muitas pessoas ficam estagnadas em alguns exercícios. Por isso recomendo


desenvolver o ouvido relativo, pois isso ajudará muito. É difícil dizer o quanto o ouvido relativo
está neste treinamento, pois nós escutamos as cores, e se as relações estiverem lá, tudo bem.
Digamos que estamos escutando o si. Eu sei que é um si por causa da sua relação com
o dó. Mas escute este si, esteja atento a ele, familiarize-se com esta nota. Se interesse por ela,
então você saberá que é um si. Isso é o Ouvido Absoluto.
Então, escute as cores das notas, mesmo que você não saiba muito bem como soam.
Bem, agora os exercícios para os tecladistas e pianistas. Agora estudaremos as notas
pretas. Elas dão um som interessante, a escala pentatônica. Esta escala, com cinco notas, é
muito utilizada em música oriental. As notas que usaremos são as cinco que ainda não usamos
(dó#, mib, fá#, láb e sib).
Eu chamarei as notas assim: dó#, mib, fá#, láb e sib porque acho que dó# e fá# soam
mais qualitativos e mib, láb e sib soam mais macio. Mas você pode chamar como quiser.
Você irá trabalhar com estas notas como fez com as brancas: notas sozinhas, duplas e
triplas. Gaste um tempo com estas notas, familiarize-se com elas. Depois que conseguir
cumprir o exercício, siga adiante, pois iremos compor exercícios que usam teclas brancas e
pretas.

Para os que tocam violão o exercício é fácil.


Trocaremos da corda de lá para a de ré. Então, toque a corda de ré solta, escute-a,
depois toque qualquer tom e identifique-o. Faça da mesma forma que você fez com a corda de
lá.
Depois, complete os treinos com os acordes maiores: Fá# (F#), Sol# (G#) e Lá# (A#).
Faça da mesma forma que você fez com os outros acordes.

Estes exercícios são maravilhosos. Com eles iremos concluir a fase 1 do nosso curso.
No início, todo desenvolvimento era invisível, mas agora você está conseguindo ver progresso.
Quando você passar pelas lições da fase 2, você verá uma elegante simplicidade no
progresso dos exercícios, mas tenho certeza que você verá os efeitos de cada um deles.
Agora seu ouvido está preparado para a fase 2. A última coisa que você tem que fazer é
completar esta lição. Basta completar estes exercícios e você estará habilitado para seguir
para a fase 2, onde iremos cristalizar o ouvido absoluto.
Faça todos os exercícios, passe todas as verificações necessárias e nos veremos na
fase 2.

Veja, existem vários níveis de escutar. Por exemplo, se eu tocar um acorde num piano
qualquer um pode dizer que é um piano tocando. Se prestar mais atenção no acorde,
poderemos perceber, por exemplo, 3 notas tocando. Se estivermos mais atentos,
perceberemos que é um acorde maior, por exemplo. Isso é o ouvido relativo. Então, se
escutarmos profundamente as notas do acordes, digamos que temos ré, fá# e lá. Então você
tem o acorde de Ré Maior. Isso é o ouvido absoluto.
Então existem vários níveis de escutar, e quanto mais você escuta mais satisfeito você
ficará e mais e mais você poderá fazer na música. O ouvido absoluto é o charme da percepção
musical. O Ouvido relativo te faz entender a música. Ambos são necessários e, com os dois, o
ouvido é quatro vezes mais potente. Então o ouvido relativo torna a música interessante,
mostrando-nos como ela flui. O ouvido absoluto te traz as cores de cada nota.
O ouvido relativo é mais fácil de aprender, pois são menos coisas a serem cauterizadas.
Mas também é uma arte, pois você tem que fazer vários reconhecimentos velozes dos
intervalos.
Por isso recomendo sempre que você estude os dois.
Lição 13

Nesta lição você será guiado por um treinamento de meditação para os ouvidos. Para
esta lição, tenha seu instrumento do seu lado.

Prática de solos requer grande nível de esperteza.


Este treino nada mais é que tocar uma nota, identificá-la, e, se estiver errada, corrigi-la.
Mas se você for fazer este treino sem seu parceiro, precisa entender como funciona o
sistema.
Desde o início eu sempre incluí algo nos meus cursos que chamo de Princípio da
Facilidade. Quando você treina o ouvido, você não força para que ele escute, simplesmente o
guia gentilmente. Se tentar forçar, você tenta escutar algo abstrato e você cria uma dor de
cabeça. Não corremos também. Não queremos ser daqueles que são sempre os primeiros a
fazer as tarefas, por serem mais intelectuais. Lembre-se que o Ouvido Absoluto não é algo
intelectual. Não se preocupe também se você cometer erros, pois isso irá acontecer. É por isso
que estamos treinando. No início, só conseguiremos escutar melhor à músicas. Mas seu
ouvido estará mais focado nestas músicas. Depois que as cores se tornam claras, já podemos
identificar as notas. Então, não se preocupe em ter resultados imediatos, pois não terá. Os
resultados estão lá, acontecendo dentro do tempo certo.
Também lembre que estamos desenvolvendo a percepção dos sons, e isso é algo
diferente de qualquer exercício de técnica que já possamos ter tido. Esse processo é
extremamente delicado. Temos que trabalhar os ouvidos para que escutem o valor real de
cada nota.
É como aprender as cores. Existem diversas cores que temos que saber identificar. Com
a música é mais fácil, pois são doze cores que se repetem.
No início, essas cores não serão muito claras, mas depois você conseguirá aprendê-las.

Bem, para estes exercícios, os tempos marcados entre parênteses (s = segundos) são
os tempos médios que quero que você fique realizando cada tarefa. Este tempo pode ser maior
ou menor, dependendo de como seja seu progresso e de quem esteja te orientando.

Faça o seguinte:
- Toque um dó. Escute-o durante um tempo (15 s).
- Feche seus olhos e continue escutando-o (15 s).
- Agora toque uma vez e pense na nota. Escute o som em seu interior (use o tempo
necessário)
- Escute-o dentro da sua mente.
- Toque-o de novo.
- Imagine-o dentro da sua mente.
- Escute-o novamente.

Agora começaremos a escutar os reais valores das notas. Normalmente os músicos vão
muito depressa, não dando o tempo necessário para escutar as notas, escutam
horizontalmente. Nós queremos gastar tempo escutando verticalmente. Quando falamos de
cores, estamos falando de uma simples qualidade, e isso eu quero enfatizar, é algo que você
sente.

- Então escute a nota e pense nela dentro de sua mente. Seja íntimo dela, escute-a
gentilmente, na sua mente. E você conseguirá senti-la. Esta é uma das técnicas avançadas do
ouvido absoluto.

- Agora pegue o Ré e faça a mesma coisa: toque e escute o som, pense-o dentro da sua
mente.
- Toque-o de novo, sinta a nota.
Assim começaremos a notar que as notas transmitem sentimentos diferentes. Mas para
notarmos esta sutil diferença, temos que ter as notas dentro de nós. Se os sons estiverem nos
instrumentos, nas músicas, não conseguiremos reconhecê-los. Mas se colocarmos estes sons
dentro de nossa mente e sentirmos cada um, gradualmente este som vai ficar mais e mais
individual. Ele vai começar a ganhar sua personalidade.

Então é isso que quero que faça:


-Pegue seu instrumento e toque o dó. Não precisa ser o dó de concerto, mas sim o dó de seu
instrumento.
-Escute este dó.
-Escute cuidadosamente e facilmente.
-Deixe a nota vir até você. Você não vai até a nota. Ela vem até você.
-Escute mais este som.
-Toque mais uma vez.
-Agora imagine este tom, sinta este tom. Como ele se aprece? Você sabe que é um dó, então
sinta que este é o dó.
-Agora toque a nota novamente.

Ok, estamos escutando cuidadosamente um tom, isso é simples, mas o que estamos
fazendo é permitir que nossas mentes acostumem-se com determinada afinação, quer é o dó.
Isso é algo importantíssimo, pois quando escutamos música, são milhares de notas que vão
sendo executadas e não temos como focar a atenção em um só tom. Então, por isso a
importância deste treino, pois estamos deixando que o ouvido absorva este som.

Agora faremos o mesmo com o ré.

-Toque o ré. Escute-o.


-Toque de novo.
-Agora imagine o ré, como ele soa.
-Toque de novo, escute-o mais uma vez.
-Imagine o ré de novo. Sinta qual o sentimento que ele transmite.
-Saiba que este é o ré. Pense dentro da sua mente, não é algo externo.
-Agora toque de novo o ré.
-Agora você lembra como o dó soa? Eu sei que você pode descer um tom, isso é simples, não
tem problema. Desça um tom e sinta o dó sem tocá-lo.
-Escute o dó na sua mente.
-Agora toque o dó. Você acertou?

Muitos podem tem acertado pelo ouvido relativo, tudo bem. Mas quando nós pegarmos
um som, iremos imaginá-lo e senti-lo de novo. Isso é importante.

-Deixe a mente pegar o som, pense no dó novamente.


-Toque para ver se acertou.

É assim que o ouvido começa a ficar cauterizado. Os mecanismos internos do seu


ouvido, os mecanismos do ouvido absoluto, começam a se cauterizar. Isso tudo é no interior.
Não é algo que existe no mundo exterior, pois a única diferença entre os sons é que um vibra
mais lento e outro mais rápido. É igual a luz, uma onda luminosa vibra rapidamente e outra
vibra lentamente. É assim que reconhecemos as cores. O mesmo acontece com os ouvidos.
Então, praticando este simples exercício, estamos permitindo que nosso ouvido interno inicie a
absorção do valor dessas cores, para assim sermos capazes de discriminar as notas.
Algo “rege” este curso. Se você sentar, e lutar com a nota, pensando: “Deixe-me ouvir
esta nota, eu vou escutar sua cor e estabelecer o ouvido absoluto rápido”, você estará
obcecado e não conseguirá. É por isso que temos que estar relaxados. Se assim não for, não
conseguiremos escutar as cores.

Vamos lá.
Os pianistas e tecladistas façam este exercício com as teclas brancas. Primeiro, dó,
depois o ré, depois o mi, o fá, o sol, o lá e o si. Pegue a essência de cada nota. Escute
calmamente cada nota.
Quando já estiver acostumado com as notas, faça o seguinte: comece a pensar nas
notas. Imagine-as no seu interior e depois toque-as. Exemplo, pense como soa o dó, depois o
sol, o mi, o fá, então cante a nota e confira se você acertou.
Também não fique querendo ser uma máquina e estar a afinação correta, com todas as
vibrações por segundo. Lembre-se que cada nota tem sua extensão.
Se você tiver uma excelente discriminação das cortes, você poderá até corrigir isso, mas
não é nossa intenção.

-Então, imagine a nota e cante-a. Toque e veja se acertou. Prossiga com outras notas.
-Vá para cima e para baixo com as notas, todas as vezes, sentindo-as
-Quando conseguir fazer com as teclas brancas, faça isso com as teclas pretas também.
-Faça também o seguinte: uma nota aguda e uma grave, outra aguda, outra grave. Siga nesta
seqüência. Use todas as teclas do teclado.

-Para quem toca violão, não temos teclas brancas e pretas, então trabalhe com as notas
cromáticas em cada corda. Não precisamos ir até o fim do braço, apenas tocar algumas notas.
Faça da mesma forma, sentindo, escutando na mente, cantando e conferindo.

Viu como é simples?


O melhor horário para se praticar estes exercícios é na parte da manhã, logo após
acordar, pois estamos com a mente limpa e isso ajuda a melhorar o desempenho dos treinos.

Vamos seguir.

-Toque o dó (20s).
-Toque de novo. Ouça-o gentilmente. Deixe o som vir até você.
-Feche os olhos e continue escutando-o.
-Agora imagine este tom. Sinta-o.
-Toque-o de novo.
-Ok, agora imagine o dó# sem tocar.Simplesmente imagine como ele soa.
-Conseguiu? Agora cante-o.
-Toque e veja se você acertou.
-Vamos trabalhar com ele. Toque-o de novo.
-Toque mais uma vez o dó#.
-Imagine-o. Sinta que este é o dó#.

Você sentiu como ele tem um tipo de diferença em relação ao dó? Não tente defini-lo.
Não tente dizer como ele soa. Apenas perceba que existe uma diferença entre eles. Existe uma
sutil diferença entre os dois nos, imagine isso, saiba iss.

-Continue escutando o dó#.


-Imagine-o.
-Toque-o.
-Volte para o dó. Imagine-o sem tocar.
-Cante-o.
-Toque-o.
-Escute um pouco mais o dó.
-Sinta-o, saiba que é um dó.
-Toque de novo.
-Agora só imagine o dó.

Enquanto você estiver fazendo isso, muitas vezes sua mente vai te enganar e o dó#
estar aparecendo o tempo inteiro e nada do dó. As outras notas “pipocam” na sua mente,
menos o dó que você quer. Já teve a experiência de querer lembrar de algo e não conseguir?
Deixamos de nos preocupar e a coisa aparece na nossa mente. É a mesma coisa. Não temos
que tentar lembrar, senão não conseguiremos. Deixe a nota vir naturalmente.
Agora, se mesmo relaxados não conseguirmos, pode usar o ouvido relativo para descer
uma nota.
E, se nem assim conseguir, toque a nota e escute-a um pouco mais.
Então vamos continuar.

-Imagine o dó.
-Toque-o.
-Agora vamos para o ré.
-Pense como o ré soa. Imagine-o.
-Agora toque o ré.
-Continue escutando o ré.
-Agora sem tocar pense no ré.
-Cante-o.
-Sinta-o.
-Agora volte para o dó.

Neste exercício, estamos comparando as notas com o dó, para que a mente escute a
diferença de cores entre elas.
Continuaremos os exercícios com as notas cromáticas: Dó e dó#, dó e ré, dó e mib, dó e
mi, dó e fá, dó e fá#, dó e sol, dó e láb, dó e lá, dó e sib, dó e si, dó e dó agudo. Mesmo estes
últimos tendo a mesma cor, quero que você escute-os também, para que o ouvido perceba
isso. E terminamos no dó grave que começamos. Basicamente, tocamos o dó, a nota seguinte
da escala e voltamos ao dó, depois seguimos para a próxima nota e voltamos para o dó, até
chegar no outro dó.

Com isso terminamos os exercícios.

No início, o ouvido estava meio adormecido, mas agora ele se encontra acordado, os
sons se tornam claros, como se estivéssemos dentro das notas.
Depois de praticarmos o treino do ouvido, temos que ir praticar nosso instrumento por
um período, com as lições ou músicas regulares. Isso fará que estabilizemos aquilo que foi
aprendido.
Se você fizer tudo da forma explicada, relaxadamente, escutando com calma, você verá
resultados.
Outra coisa: quando você for treinar pela manhã, antes de tocar a nota que você vai
estudar naquele dia, cante-a e tente ver se acertou. Se for o dó, cante o dó. Depois, no dia
seguinte, se você for estudar o dó#, comece cantando-o.
Assim estamos treinando a recordação oral das notas.

-Você pode também fazer exercícios com notas inversas: dó si, só sib, dó lá, dó láb, dó sol, dó
fá#, dó fá, dó mi, dó mib, dó ré, dó dó#, dó dó.
-Outra coisa que você também deve fazer é arpejos de acordes. Faça assim: o acorde de dó
maior é composto das notas dó, mi, sol. Toque-os, imagine-os. Sinta que é um acorde maior.
Imagine cada nota separada. Agora cante-as e veja se estão corretas. Siga com os acordes da
escala cromática (C#, D, Eb, E, F, F#, G, G#, A, Bb, B).
-Faça o mesmo exercício com acordes menores e acordes com sétima também.
-Faça também com acordes de quarta.

Tudo isso é para fazer com que seu ouvido escute cada nota.
Mesmo usando relações para conhecer as notas, estamos percebendo cada nota
individual. Cada uma produz uma sensação diferente no ouvido.
E quanto mais treinados estivermos, verifique menos se você acertou, pois você terá
certeza que está certo. Se tiver dúvida, verifique. Se não, siga em frente.
Quando conseguir escutar a nota no seu ouvido, então você pegou isso.

Estes são alguns exercícios que você pode fazer para que seu ouvido escute mais
profundamente as notas, assim, escute-as devagar, com calma, leve o tempo necessário.
E os resultados que você terá é que as cores estarão mais e mais claras no seu ouvido.
Então, quando você escutar um dó saberá que é um dó, pois a nota está na sua mente.
E mesmo que escute em outro instrumento, você saberá que é um dó, que soa como um
dó. Isso é o ouvido absoluto.
Lição 14

Quando o gelo é atingido por vários golpes, ele se transforma em água. Este é uma
interessante comparação com o treino do ouvido absoluto. O gelo está ali, alojado, duro, 0º C.
Então, ele absorve diversos golpes. E,quando isso acontece, ele começa a derreter. Em
minutos, ele se transforma em água. Mas algo interessante é que ele mantém a mesma
temperatura. Então, a principal diferença entre o gelo e a água é que o gelo precisou receber
alguns golpes para se transformar em água novamente.
Acontece o mesmo com nossos ouvidos. Se eles estão fechados, congelados, sem
serem capazes de identificar as notas e os intervalos, então temos que quebrar o bloqueio,
acertá-lo. E como fazemos isso? Treinando o ouvido. Escutando. Simplesmente escutamos,
escutamos e escutamos. E mesmo que não aparente mudanças, estamos fazendo igual ao
gelo, acertando-o para que ele se transforme. No início, os golpes não farão diferença, mas
depois um golpe crítico será o suficiente para quebrá-lo. Aos poucos, as cores das notas
começam a se tornar claras para você. Então você consegue identificar as notas e você
ganhou o Ouvido Absoluto.
Vou dar outro exemplo interessante.
Você sabe como funciona um laser? É algo um pouco complexo, mas basicamente é
uma luz que move em uma só direção. É diferente da luz comum que se espalha pelo
ambiente.
O laser brilha numa direção, poderosamente. Algo interessante foi descoberto sobre ele.
Se você tem as condições certas e tiver 1% (um por cento) da luz se movendo na direção
desejada, automaticamente os outros 99% pulam para aquela direção.
E é o mesmo com nossos ouvidos. Você não aprende as notas uma de cada vez,
isoladas. Nós estudamos as notas em uma seqüência mas não significa que fomos gravando
cada uma delas separadamente.
Você tem as condições certas, o ouvido direcionado, então você poderá identificar um
determinado tom, por exemplo, o dó. Quando você consegue identificar um tom você
perceberá que pode identificar todos os tons. Isso acontece ao mesmo tempo. E esse é o
ponto que quero chegar. Uma fase leva a um determinado ponto e quando trocamos de fase
significa que avançamos para um novo ponto.
No início, tivemos que escutar, escutar e escutar. Escutamos de diversas formas e de
repente, isso foi se cristalizando nos seus ouvidos. E assim estamos adquirindo o ouvido
absoluto. Vou repetir algo que já disse e é fundamental para o resto do curso. Quando estamos
escutando, estamos escutando as cores. Se o ouvido relativo estiver ali, ok, mas sempre
escutamos as cores.
Bem, eu não descrevi claramente as cores das notas e nem as farei. Não tente nomear
cada cor. Não mais chamaremos o Fá# de um som nasal e o Mib de um som macio. Isso foi só
no início. É verdade que eles soam assim, mas não fique preso a isso. Temos que avançar.
Quando eu digo: “escute as cores” isso significa: “esteja com o som”. Deixe o som te
dizer quem ele é. Deixe-o se adaptar ao seu ouvido, torne-se familiar a ele. Seja amigo do som.
Você pode ficar confuso, como assim “ser amigo” do som? É fácil. Simplesmente relaxe
e escute-o calmamente. Escute cada nota, sem se preocupar com as outras. Escutamos, por
exemplo, um mi e sabemos ser um mi pela sua relação com o dó. Mas procure escutar que tipo
de sentimento o Mi traz.
Bem, mas se você não entendeu nada do que eu disse, então esqueça disso. Continue
os exercícios, passo a passo, e você terá esta experiência.
E lembre-se: divirta-se e aproveite seu treinamento.

Agora passaremos para os exercícios dos tecladistas.


Pegue o acorde de dó maior (C), tem as notas dó, mi e sol. Toque o acorde. Agora toque
qualquer tecla preta e identifique-a. Repita este processo. Então, acorde de dó maior e uma
tecla preta para ser identificada. Simples? Faça uma série de verificação para este exercícios.
Outra coisa que eu quero que você faça: toque melodicamente quatro notas brancas e
depois uma nota preta (chamo de notas brancas as que são com teclas brancas e de notas
pretas as que são com teclas pretas). Por exemplo: dó, sol, ré, si, fá# (a 5ª note é preta).
Se errar, corrija sempre seu erro.
Para este exercício, a série de verificação será de 10. Passe 3 séries de verificação de
10 e siga adiante.
Não se preocupe se na hora de tocar as teclas pretas você repetir varias vezes a mesma
nota. Isso pode acontecer.
Use o tempo necessário para este exercício. Não espero que você complete em um dia
este treinamento.
Mais uma coisa para tecladistas. Toque quatro teclas brancas em harmonia (juntas).
Escute-as, destrave-as no ouvido e cante as notas, da mais grave para a mais aguda. Não
corra com este exercício. Ele é um excelente desafio para você. Toque notas próximas e notas
distantes. Quando conseguir destravar e cantar as notas, identifique-as e verifique se você
acertou. Passe uma série de verificação para a parte de cantar as notas e outra série de
verificação para a parte de identificar as notas.
Estes são seus exercícios para a primeira lição desta segunda fase.

Ok, agora para os que tocam violão ou guitarra. Teremos três exercícios nesta lição.
O primeiro: toque o acorde de Lá Maior (A), toque um tom qualquer e identifique-o.
Depois toque de novo o lá maior, dois sons diferentes e identifique-os. Então, esta é a fórmula:
Lá Maior, um tom, Lá Maior, um tom, outro tom. Faça duas séries de verificação.
O segundo: agora siga a seguinte fórmula: corda de Lá solta, um tom, lá solta, um tom,
lá solta, um tom, ré solta, um tom, ré solta, um tom, ré solta, um tom. Então você tocará três
vezes Lá solta e um tom e depois três vezes Ré solta e um tom, sempre identificando a nota
que você tocou.
O terceiro: Agora teremos algo interessante para fazer. Aqui está a fórmula: Corda de Lá
solta, qualquer tom, lá solta, um tom, lá solta, um tom, outro tom, corda de ré, um tom, corda de
ré, um tom, corda de ré, um tom, outro tom. Repita essa seqüência. Então, três vezes: Lá solta
e um tom, três vezes um tom e cora de ré e termina com dois tons diferentes.
Dada a dificuldade destes exercícios, não precisa passar por nenhuma série de
verificação. Mas quero que você trabalhe até que você sinta que dominou este exercício. Gaste
um bom tempo com estes exercícios.
Trabalhe com estes exercícios e você verá que a idéia de ter uma nota como base irá
começar a desaparecer. Assim, você identificará cada tom individualmente, e é isso que
faremos nesta segunda fase do curso, onde iremos cristalizar o ouvido absoluto.

Para todos agora, a nossa seção de meditação.


Nós continuaremos com a escala de dó maior (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó) e
adicionaremos a nota Láb (para violões, fá natural). Continue com os exercícios que estávamos
fazendo anteriormente, adicionando esta nota à nossa coleção.
Para violonistas, eu disse Fá natural porque estamos usando a escala de Lá Maior (lá,
si, dó#, ré, mi, fá#, sol#, lá), que tem um Fá#. Agora eu quero que você adicione também o fá.
E fica mais claro para você se eu disser Fá natural que simplesmente fá.

E para os grupos, nós continuaremos usando a escala de dó maior (lá maior para
violões), adicionando a nota láb (fá natural para violões). Trabalhe com notas sozinhas, duplas
e triplas, melodicamente e harmonicamente. Você sabe como fazer.
Cuidado, pois você tem um parceiro e agora nós adicionamos uma nota fora da escala.
Isso pode enganar o ouvido. Por isso escute bem profundamente as notas e dê suporte ao seu
parceiro para que ele escute também a nota.
Aos poucos, enquanto adicionamos estas notas que não pertencem à escala de Dó
Maior, você verá que a relação de notas com o dó como base vai começar a desaparecer.
Algo interessante agora é que podemos fazer um acorde com 7ª diminuto (si, ré, fá, láb,
ou violão, sol#, si, ré, fá). Não falaremos de acordes e sua formação neste curso, pois isso é
parte do curso de ouvido relativo. Mas estas notas estão igualmente espaçadas.
Faremos exercícios interessantes com estas notas mais tarde. Por enquanto,
simplesmente adicione o láb à lista e faça como anteriormente ( duas e três notas em
harmonia, faça duas séries de verificação, para as outras, faça apenas uma série de
verificação).
Lembre-se de escutar as cores. Não tente sentir quão alto ou baixo uma nota está. Você
pode no início imaginar cores para as notas, tudo bem. Mas deixe seu ouvido escutar as cores,
e deixe as relações das notas sempre ao seu lado, para se você precisar delas.

Pergunta e Resposta

P – Eu tenho tentado praticar mais tempo, para terminar mais rápido uma lição. Posso fazer
isso?

R – Ok, para os que praticam um certo tempo e querem aumentar este tempo, não tem
problema. Só não ultrapasse os limites do seu ouvido, pois não queremos cansá-lo. O ouvido
se cauteriza gradualmente. Mas se você quiser, pode fazer duas lições em um dia, uma pela
manhã e uma pela tardinha, desde que você consiga fazer os exercícios propostos. O ponto
chave é que você não pode fazer duas lições em um dia e nenhuma no outro. Você tem que
adquirir um hábito de estar sempre praticando.
É como fazer uma planta crescer. Precisa ser aos poucos, dia a dia, e, em determinado
momento, ela florescerá. É o mesmo com o ouvido. Se quiser aumentar seu treino, saiba
quando parar. O ouvido desenvolve-se dia a dia, devagar, mesmo que você faça duas lições
em um dia. Você não pode forçá-lo para crescer. Este programa não é algo que você pega,
mistura e tem o resultado, é uma arte, e requer certas habilidades que são adquiridas aos
poucos. E os exercícios trarão a você estas habilidades necessárias.
Lição 15

Perguntas e Respostas

P – Algumas drogas (substâncias químicas, remédios, etc), pode ajudar a desenvolver a


percepção, e assim facilitar o desenvolvimento do ouvido absoluto?

R – Algumas pessoas usaram substâncias e disseram que na hora podiam escutar as cores,
mas passado um tempo, elas sumiam com o efeito das substâncias. O ouvido absoluto é um
nível de percepção dos ouvidos, então se o canal de percepção estiver livre, você aprenderá
melhor.
Um exemplo sobre isso. Os senhores Esquerdo e Direito são homens iguais que moram
em casas iguais. Um dia, eles percebem que precisam de mais iluminação para suas casa. O
Sr. Esquerdo diz: “Vou aumentar a voltagem da casa, pois assim as lâmpadas iluminarão mais
e terei mais luz”. Quando ele liga as lâmpadas, ele consegue mais iluminação, mas logo depois
as lâmpadas queimam, deixando-o sem nenhuma iluminação. As mesmas foram forçadas, e
estouraram. O Sr. Direito tem o mesmo problema. Então, ele revê toda sua rede elétrica, troca
as lâmpadas por outras mais claras e adiciona algumas outras lâmpadas no ambiente. Assim
ele solucionou seu problema.
O que eu quero dizer? Usar estas substâncias vai mexer com sua percepção, vai alterar
seus sentidos e você não vai raciocinar pelo lado certo das coisas, isso trará algo temporário
para sua mente, como aconteceu com o Sr. Esquerdo. Quando os efeitos passarem, você não
vai escutar mais nada.
Isso é algo que preciso enfatizar no curso. Para conseguirmos a discriminação das
cores, o canal de percepção não pode estar bloqueado. Com estas substâncias, estamos
tentando apurar a percepção, mas na verdade estamos danificando o ouvido. O ouvido precisa
perceber gradualmente cada nota. No início, observávamos sons, e agora estamos escutando
mais profundamente as notas. No início, o ouvido escutava superficialmente, mas com o tempo
ele foi aprendendo esta abstrata percepção. Antes não sabíamos o que eram as cores, mas
gradualmente você foi se familiarizando com elas. Eu disse que qualquer um pode aprender o
ouvido absoluto, mas isso significa qualquer um com a saúde boa. Eu disse que todo músico
pode aprender, mas ele precisa estar com a percepção saudável.
O problema destas substâncias é que não é algo natural do corpo, e este precisa estar
em seu estado natural, mais relaxado possível, para conseguir aprender. As substâncias
forçam o corpo e o ouvido. Não queremos nada forçado. Com isso, pessoas danificam esta
área de percepção.
Então se você já fez uso destas substâncias, deixe seu corpo corrigir a parte danificada,
parando com o uso. Seu corpo corrigirá, mas pode ser que você não seja capaz de ter este
nível de percepção tão profundo da música. Veja que a música é a mais delicada das artes,
pois nós incorporamos os aspectos físicos dos instrumentos, depois interpretamos o que
vamos tocar, dando toda a emoção que queremos. Música é algo preciso, as seqüências de
notas, a extensão do instrumento, e tudo isso depende da criatividade do músico. Como
músicos temos que entender que todo treinamento está interligado. Não pense que é só treinar
o ouvido absoluto e está tudo bem, ou praticar seu instrumento sem treinar mais nada. Tudo
está relacionado.
Bem, então quando eu estiver falando do ouvido absoluto e da criatividade, eu vou estar
me referindo à capacidade de diferenciar as cores pelo ouvido. Se esta capacidade é clara e
não está alterada, então a pessoa tem as ferramentas necessárias para desenvolver o ouvido
absoluto. Agora se a pessoa leva uma vida destrutiva, então sua capacidade de percepção foi
destruída. Essas pessoas tem que se encorajar e treinar bastante para conseguir algo. Como
já disse, o treino exige uma série de coisas. A pessoa precisa estar relaxada e alerta, pois se
não for assim, o ouvido não vai querer escutar.
Temos que ter o exercício certo, meditações, relaxamentos, tudo que pudermos para
que o ouvido aumente sua capacidade de escutar. Nós temos que cauterizar o ouvido. Temos
que refinar o ouvido. Mas usar substâncias químicas para isso, irá envenenar a percepção.
Isso irá prejudicá-lo. Muitos usam drogas com a ilusão de conseguir coisas que não têm, mas
lembro que esta percepção das cores você já tem em seus ouvidos. A sensação que estas
substâncias trazem de “algo diferente” para aquele momento, te trarão frustrações quando o
efeito passar, e pode ser que você não consiga mais escutar as cores das notas. Não existe
nenhuma substância química que eu conheça que te trará uma percepção permanente das
notas.
Um músico melhor não é aquele que usa substâncias, mas sim aquele que
relaxadamente treina o ouvido, que se esforça para conseguir resultados. Treino é o segredo,
não drogas.
Tudo o que você faz está relacionado com a música. Você é sua música. Onde você
estiver, sua música estará com você.

P – Então, se uma pessoa fez muito uso destas substâncias, não será capaz de desenvolver o
ouvido absoluto?

R – O que você fez no passado, não importa mais. O que importa é o que você está fazendo
agora. O que fez já está feito, mas seja o que for, podemos desfazer. O que você fizer a partir
de agora é o que determinará como seu ouvido estará no futuro.
Lição 16

Ok, vamos lá.

Para os tecladistas, agora teremos algumas coisas a serem feitas.


Vamos completar nossos acordes maiores começados por teclas brancas. Você fará
assim: tocará o acorde de Dó (C) e uma nota preta, e a identifique. Depois, Ré (D) e um tom,
Mi (E) e um tom, Fá (F) e um tom, Sol (G) e um tom, Lá (A) e um tom, SI (B) e um tom. Para
cada acorde, faça uma série de verificação. Então, você tocará cada um desses acordes e uma
nota preta. Esse é um exercício grande para você fazer.
Quando você completar estes exercícios com os acordes com teclas brancas, faça o
exercício ao contrário. Toque os acordes começados com teclas pretas (C#, Eb, F#, Ab, Bb) e
toque uma tecla branca para identificar. Passe uma série de verificação para cada acorde.
Este é seu exercício para esta lição.

Para os que tocam violão, comecem tocando o acorde de Ré Maior (D) e duas notas
qualquer, e as identifique. Depois, faça com os outros acordes maiores, começando com G,
depois E, depois C, por último todos os outros acordes maiores, na ordem que você quiser (C#,
Eb, F, F#, AB, Bb e B). Para cada acorde, faça o exercício acima e uma série de verificação.
Outra coisa que quero que você faça:
Primeiro, toque a corda de Sol solta e qualquer tom, e o identifique. Depois, faça o
mesmo com a corda de Si e o mesmo com a corda de Mi. Para cada corda, faça uma série de
verificação.
Estes são os exercícios para esta lição.

Para nossa seção de meditação, continuem com a escala de dó maior, com a nota láb
adicionada, mas desta vez quero que você, antes de começar seu treino, pense em duas
notas, depois cante-as e confira se você acertou.
Quero que você faça este treino agora, então. Pense em duas notas, cante-as e confira
se você acertou.
Continue também com os exercícios anteriores.

Agora para os grupos, tenho uma tarefa especial para vocês. Lembram que falei do
acorde de 7ª diminuta (Si, Ré, Fá, Láb ou Sol#, Si, Ré, Fá, para os violões)?
Observe que estas notas estão igualmente separadas por intervalos de 3ª menor.
Quando você consegue identificar notas separadas por terças menores, você também
consegue identificar também as segundas menores, que na realidade são notas separadas por
meio tom, que são todas as notas. Entendeu o ponto? Esses sons estão igualmente
separados, e isso se repete nas outras oitavas. É como se dividíssemos a oitava em 4 partes.
Se você consegue identificar 4 partes, você consegue identificar 8, e consegue identificar 12,
que é a escala cromática completa.
Então este exercício é decisivo na formação do ouvido absoluto, mas pode enganar,
pois você não terá mais a sensação de ter a nota dó como base.
O que faremos é o seguinte: vamos trabalhar com estas quatro notas. Esquecer das
outras, simplesmente trabalhar com Si, Ré, Fá, Láb ou Sol#, Si, Ré, Fá, para os violões. Um
tocará uma das notas e outro terá que identificar. Toque notas sozinhas, duas e três notas em
melodia, duas e três notas em harmonia. Use notas próximas e separadas. Você sabe como
fazer. Para cada um exercício, faça uma série de verificação.
Quando conseguir, quero que você faça um reconhecimento veloz das notas. Um irá
tocar notas rapidamente e outro deverá identificá-las. Se não souber, fale para pular. O que eu
quero é que você faça um reconhecimento rápido, sem gastar tempo pensando na nota.
Este é um exercício interessante de se fazer e pode ser utilizado com vários exercícios
já feitos.
Gaste um tempo do seu treino com este reconhecimento veloz das notas. Não é tudo
que faremos veloz, você tem que ter seu tempo para escutar as notas, mas quero que você
gaste um tempo fazendo este exercício.
Outra coisa, não pratique exageradamente, senão você vai ficar tonto. Lembre-se que
estamos usando a escala de dó maior, acrescentada da nota láb (ou violões, escala de lá
maior, acrescida de fá natural). Faça pequenas seções diárias, serão proveitosas para você.
E não tente sair por aí tentando identificar todas as notas que você escutar. Algumas
vezes você escutará, outras não. Não fique frustrado se não conseguir escutar as notas.
Quando estava na escola de música, tinha um amigo que se tornou um fanático pelo
ouvido absoluto. Era a única coisa que ele falava comigo. Todas as vezes que ele me
encontrava ele cantava notas para eu identificar e dizia: “vou cantar um sol”, e ficava cantando
até acertar a nota. O ponto é: não queremos sobrecarregar o ouvido, como meu amigo fazia,
pequenas seções diárias de 15 a 30 minutos terão mais efeito que se você treinar o dia todo.
Quando terminar seu treino, pratique as lições regulares de seu instrumento.
Quando eu era novo, adorava identificar notas para os outros, a todo momento alguém
pedia para identificar notas. Eu amava aquilo, pois era o centro das atenções. Mas, um dia,
cansei disso tudo. Hoje, quando me pedem para identificar uma nota, eu normalmente faço
uma piada: “Teria que ter ouvidos de cães para saber” ou “Compre meu curso, treine seu
ouvido e você descobrirá por si próprio”.
Então, não se preocupe em identificar todos os sons que você escutar, pois você ficará
tonto e frustrado. Continue com os exercícios e lembre-se desta regrinha: escute tudo,
identifique o que conseguir, e fique feliz por ter conseguido fazer isso. O que você consegue
escutar não importa, simplesmente continue treinando.
Estou dizendo isso porque agora você chegou ao ponto. Você pode nomear notas e
pode ser alvo de atenções.
Aproveite isso, mas tenha sempre uma certa elegância naquilo que está fazendo.
Lição 17

Quando fazemos o reconhecimento veloz das notas, não permitimos que o ouvido tenha
tempo para se confundir com as notas. Isso é algo semelhante ao feito no curso de Ouvido
Relativo. No início, permitimos todo o tempo para o ouvido absoluto. Você escutava o som e
tinha tempo para decidir que som foi este tocado. Tocava novamente e novamente, até ter a
certeza de que realmente era aquele som. Agora que você está familiarizado com as cores,
você escutará, por exemplo, um Mib e saberá que nota é, automaticamente. Antes você
analisava a nota, via que tinha um som macio, pensava na nota e então decidia que nota era.
Agora você escuta e sabe que é um mib.
Com o reconhecimento veloz, você não tem tempo para isso. Você escuta a nota e tem
que identificá-la. Ou você sabe ou não. Isso é algo bom para se fazer, pois o ouvido tem que
julgar rapidamente as notas. É importante fazer este exercício para melhorar sua habilidade.

Ok, agora para os tecladistas e pianistas, tocaremos o acorde de Dó Maior (C) e duas
notas pretas harmonicamente (juntas) e as identificaremos da mais grave para a mais aguda.
Passe uma série de verificação de 20 rounds. Esta é sua tarefa.
Tocando duas notas pretas juntas dentro da escala de dó, vai novamente fazer você
perder a sensação de nota base. Não estamos tentando bloquear esta relação, não queremos
deixá-la de lado, se a sensação de base no dó estiver lá, tudo bem, mas se não estiver,
trabalharemos assim mesmo.
Então trabalhe com seu acorde de dó maior e duas teclas pretas juntas.
Agora, o segundo exercício. Volte para exercícios melódicos com teclas brancas e
pretas. Toque em seqüência, 3 notas brancas e 1 preta. Por exemplo: lá, fá, si, dó#. Lembre-se
que desta vez você está tocando notas melódicas. Passe três séries de verificação de 10
rounds.
O exercício final será tocar quatro notas pretas em harmonia (juntas), destravar pelo
ouvido, cantar da mais grave para a mais aguda, identificar cada uma e conferir se acertou.
Faça uma série de verificação de 20.
Estes são seus exercícios.

Violonistas, vou dar sua fórmula agora:


Corda de lá, qualquer um tom, corda de lá, outro tom, corda de lá, terceiro tom, um tom,
corda de sol, um tom, corda de sol, um tom, corda de sol, um tom, outro tom.
É o mesmo exercício anterior, mudando a fórmula. Você toca uma corda solta, uma nota
qualquer e a identifica, e assim segue a fórmula dada. Antes, era só corda solta e um tom.
Este é seu exercício para esta lição. Faça uma série de verificação antes de seguir.

Para a seção de meditação, adicionaremos a nota Fá# à nossa coleção (para violões,
adicionem o dó natural). Façam os mesmos exercícios anteriores: notas sozinhas, duplas e
triplas, melodias e harmonias, e passe todas as séries de verificação necessárias.
Você continua cantando seu dó (ou lá) antes de começar cada seção de treinamento?
Se você já está bem acostumado, então escolha outro tom para cantar antes das seções. Se o
dó ainda não está concreto nos seus ouvidos, então continue cantando-o.

Para os grupos, iremos adicionar o mesmo Fá# (ou dó natural) à nossa coleção e
continuar com os exercícios dados anteriormente.

Com isso, concluímos esta lição.


Lição 18

Se a pessoa que está identificando notas estiver com dúvidas, pode dizer “acima” ou
“abaixo”, e a pessoa que está tocando tocará um semitom acima ou abaixo, respectivamente.
Isso fará com que a pessoa que está escutando perceba as notas em volta da nota tocada e
decida qual a nota certa.
Sempre que você estiver com dúvida, não se preocupe em pedir para se tocar uma nota
acima ou abaixo. Com isso, você poderá julgar melhor a nota. Se precisar, peça para tocar
mais do que um semitom acima ou abaixo.
Escute as notas em volta, isso faz parte do desenvolvimento do ouvido absoluto.

Ok, para os tecladistas, iremos agora completar todos os acordes maiores seguidos de
tons sozinhos.
Primeiro, quero que use os acordes que têm como base uma tecla branca: C, D, E, F, G,
A, B. Você tocará um destes acordes e depois duas teclas pretas, e as identificará. Depois,
toque os acordes com base em teclas pretas: C#, Eb, F#, Ab, Bb. Toque um destes acordes,
seguido de duas teclas brancas, e as identifique. Passe uma série de verificação para cada
acorde.
Agora faremos algo diferente com exercícios com teclas brancas e pretas: duas teclas
brancas em harmonia, duas brancas e harmonia, duas brancas em harmonia, uma tecla preta
sozinha. Toque as notas e as identifique todas. Passe três séries de verificação de 10 rounds.
Um último exercício: duas brancas juntas, duas brancas juntas, duas brancas juntas,
duas pretas juntas (harmonia). Lembre-se que sempre que temos notas em harmonia, as
identificamos da mais grave para a mais aguda. Passe três séries de verificação de 10 rounds.
Isso conclui seus exercícios para esta lição.
Lembre-se de não ter pressa. Use o tempo necessário para concluir cada uma das
tarefas, ainda mais porque você tem muitas tarefas para fazer.

Para os violões,vou dar sua fórmula agora:


Lá solta, qualquer tom, lá solta, outro tom, lá solta, terceiro tom, qualquer tom, ré solta,
outro tom, ré solta, terceiro tom, ré solta, qualquer tom, outro tom, sol solta, outro tom, sol solta,
mais um tom, sol solta, um tom, um tom. Então repete. Quando concluir, você tem um round.
Passe uma série de verificação de 10 rounds.
Agora sua nota base está deslocada entre três lugares diferentes.

Para a seção de meditação e para os grupos, adicionaremos a nota Mib (violões,


adicionem o Ré#, que soa igual ao mib, mas com outro nome, pela relação do ouvido relativo
nos acordes de 7ª diminuta, algo que não trataremos neste curso; são sons enarmônicos, com
diferentes nomes, mas soam iguais). Continuem com os exercícios anteriores, fazendo todas
as verificações com notas sozinhas, duplas e triplas, melódicas e harmônicas, como
anteriormente.

Você pode notar que alguns sons se misturarão, isso vai acontecer mesmo. Por
exemplo, Mib e Láb.
Isso me lembra uma história.
Quando fui para a escola de música estudar ouvido relativo, na primeira vez que entrei,
o professor começou a cantar notas para repetirmos. Eu disse: “A primeira nota foi um lá”. O
professor olhou-me decepcionado: “ah, não, mais um com o ouvido absoluto”, e passou a não
gostar de mim. Tinha um aluno na mesma classe que também possuía o ouvido absoluto. O
professor não gostava dele também.
Entre todos os exercícios que fizemos, nunca esqueci um. Era algo simples: o professor
colocou a turma em círculo e tocava notas no piano para que cada um identificasse.
Lentamente, cada um aluno escutava as notas, pensava, escutava de novo, e muitas vezes
errava a nota tocada. Quando chegava a vez do meu amigo e a minha, respondíamos
automaticamente. Era engraçado, todos ficavam um bom tempo e nós simplesmente falávamos
a nota certa.
Algo interessante aconteceu. Chegou a minha vez. O professor tocou uma nota e eu
disse: “Mib”. Meu amigo olhou espantado para mim, o professor também. Ele não podia
acreditar, eu havia cometido um erro. Eu disse: “deixe-me escutar de novo”, e então respondi:
“desculpe-me, é um láb”. O que acontece é que as duas notas soam parecidas e eu havia
descoberto o ouvido absoluto há pouco tempo. Eu confundi as duas notas.
Qualquer um pode cometer um erro, então trabalhe um pouco mais nas notas que você
tiver dúvidas. Eu escutei mais atentamente e vi qual era a nota. Escutei a diferença entre o Mib
e o Láb. Então, sempre que você confundir duas notas, trabalhe com elas um pouco mais.
Neste ponto do curso, você tem que ver o que seu ouvido está necessitando.
Progressivamente você se tornará o treinador de seu ouvido. Veja quais são as áreas que seu
ouvido ainda se confunde e faça um polimento nela.
Lição 19

Pergunta e Resposta

P – Muitas vezes, praticando, acho o som familiar, mas não consigo nomeá-lo.

R – Isso pode acontecer. Muitos de vocês podem ter passado por esta experiência, quando
alguém está tocando para você, você pensar: “conheço este som, mas não lembro seu nome”.
O que acontece é que aos poucos nos familiarizamos com os sons. Nós os escutamos e os
conhecemos, mas muitas vezes não podemos colocá-los nos seus devidos lugares. A
discriminação das cores está crescendo, mas ainda não está completa. Ela não é tão clara ao
ponto de nomearmos corretamente todas as notas. Mas você não está longe disso. Basta
continuar com os exercícios e você chegará lá.

Seção de Técnica

Para os tecladistas, o primeiro exercício é: vocês tocarão duas vezes notas brancas
duplas em harmonia e uma nota preta sozinha, identificando as duplas da grave para a aguda
e a preta sozinha. Passe três séries de verificação de 10 rounds. Agora, toque duas vezes
notas brancas duplas em harmonia e uma vez notas pretas duplas, em harmonia. Este
exercício é interessante de se fazer, pois todas as partes são notas duplas. Passe três séries
de verificação de 10 rounds. Estas são suas tarefas.

Para os violonistas, continuaremos com o exercício anterior, mas seguindo a seguinte


fórmula:
Lá solta, um tom, lá solta, um tom, um tom, ré solta, um tom, ré solta, um tom, um tom,
sol solta, um tom, sol solta, um tom, um tom. E volta ao início. Passe uma série de verificação.
Este é seu exercício para esta lição.

Para nossa seção de meditação, desta vez eu quero que você continuem com os
mesmos exercícios anteriores.

Movendo para os grupos, temos um novo acorde com 7ª diminuta: fá#, lá, dó, mib. Eu
quero que você trabalhe com este acorde e com o anterior (si, ré, fá, láb), separados, da forma
que fizemos anteriormente. Só use estas notas do acorde de 7ª diminuta. Trabalhe com notas
simples, duplas e triplas, melódicas e harmônicas, passando uma série de verificação para
cada um destes exercícios. Lembre-se que faremos primeiro com um acorde e depois com o
outro.
Violões, o novo acorde é ré, fá#, lá e dó, e o antigo é sol#, si, ré e fá.
Outro exercício que quero que você faça com cada acorde separado: pense em uma das
notas do acorde e cante-a. Confira se você acertou. Depois, escolha outra nota e cante e faça
a mesma coisa. Eu quero que você cante dez notas deste acorde, é obvio que você repetirá
notas, mas você pode usar oitavas diferentes para isso. Faça isso com cada um dos acordes
separadamente.

Este padrão de notas parece te deixar tonto, mas na verdade ele está quebrando a
barreira do ouvido relativo. Até agora, estamos escutando notas e usando o ouvido relativo.
Seu ouvido se acostumou a isso. Mesmo o treinamento sendo do ouvido absoluto, muitas
vezes usamos o ouvido relativo. Com estes exercícios usando acorde de 7ª diminuta, você
notará que não temos uma nota base. Isso será ainda mais claro se tocarmos um acorde e
depois o outro. Parece que ficamos tontos, perdidos.
Mas agora é a hora de sairmos do casulo, de identificarmos as notas sem as relações,
sem uma nota base. Assim, poderemos voar livres. Este sentimento de nota base é como um
casulo, e nos acostumamos a ele. Mas borboletas não têm casas, então siga para este
exercício e voe livremente. Trabalhe com os exercícios e você se sentirá em casa, sem ter uma
casa.
É assim que sabemos que o ouvido absoluto está ficando mais concreto em nossos
ouvidos, quando qualquer som soa de seu jeito, sem que nos preocupemos como é o dó, ou
como soa o dó.
Agora se você estiver com muitas dificuldades, você pode voltar para seu treino com a
escala de dó (ou de lá) sem adicionar outros tons. Não tenha medo de voltar exercícios se for
necessário. Muitas pessoas fazem isso. Não é vergonha fazer isso, pois como você pode ver,
qualquer um pode ficar tonto com estes acordes de 7ª diminuta. Não se preocupe em retornar
para exercícios que tenham uma nota base. Depois você volta para estes com a 7ª diminuta.
Passe estes exercícios, cada acorde separadamente, com melodias e harmonias, notas
simples, duplas e triplas, passando uma série de verificação para cada. Trabalhe também
cantando suas dez notas para cada acorde.
Estes são seus exercícios para esta lição.
Lição 20

Para tecladistas, agora iremos fazer um exercício diferente. Teremos duas vezes notas
brancas sozinhas seguidas de uma nota preta sozinha. Este é seu primeiro exercício. Agora
você fará o seguinte: duas notas brancas sozinhas seguidas de duas notas pretas sozinhas.
Exemplo: dá, fá, láb, dó#. Cada uma deve ser tocada e identificada antes de se tocar a
próxima. Para cada exercício, faça três séries de verificação de 10 rounds.
Outro exercício: duas vezes notas brancas duplas em harmonia e uma vez notas pretas
duplas em harmonia. Quarto exercício: duas vezes notas brancas duplas em harmonia e duas
vezes notas pretas duplas em harmonia. Exemplo: dó e mi, lá e ré, fá# e sib, mib e dó# (cada
duas notas tocadas ao mesmo tempo). Passe três séries de verificação de 10 rounds para
cada exercício. Estes são os exercícios para esta lição.

Para os violões, mudaremos um pouco seus exercícios.


Primeiro: toque a corda de lá solta e qualquer duas notas melodicamente (toca a corda,
uma nota, a identifica, outra nota e a identifica). Segundo exercício: toque a corda de lá solta e
duas notas em harmonia (identificando-as da mais grave para a mais aguda). Para cada
exercício, faça duas séries de verificação de 20 rounds. Estes são seus exercícios para esta
lição.

Para a nossa seção de meditação, seguiremos os mesmos exercícios, com foco maior
em notas triplas. Você sabe como proceder.

Para os grupos, agora pegaremos nossos acordes de 7ª diminuta, como fizemos antes,
e tocaremos juntos os dois acordes. Isso significa que teremos oito notas tocadas ao mesmo
tempo. Então, pegue estas oito notas e trabalhe com elas. Deixe de lado as outras notas.
Lembro novamente que se você tiver com dificuldades, pode voltar aos exercícios anteriores.
Trabalhe repetindo os mesmos exercícios anteriores, mas agora usando estas oito notas.
Trabalhe com notas simples, duplas e triplas, melodicamente e harmonicamente. Passe as
séries de verificação necessárias.

Nós estamos muito próximos da discriminação das cores. Alguns já devem ter sentido o
ouvido muito mais forte. Isso significa que você consegue distinguir a sensação que uma nota
transmite da que outra transmite. Você sabe o som porque você o sente.
Desde o início, tenho falado de cores e de escutá-las, mas sempre disse também que as
cores são sentimentos (sensações) que as notas transmitem. Agora, se você quiser pensar
dentro destes termos, não é só escutar as cores, mas sentir as cores. Vamos pensar assim
agora.
Você sentirá que as relações se tornam mais fortes também. Isso é bom. Lembre-se que
nunca deixamos de lado as relações. Elas não são substituídas pelo sentimento de cada nota,
pois o dó sempre terá sua relação com o sol, por exemplo. Então nunca tentamos eliminar
estas relações. Nunca tentamos bloqueá-las. Nós simplesmente adicionaremos o sentimento
das cores, esta habilidade de sentir a nota, uma sensação que a diferencia de todas as outras.
Nossos ouvidos estão trocando de fase a cada dia, como o gelo e a água. Estamos
ganhando cada vez mais o ouvido absoluto. O sentimento das relações não são eliminada,
repito, o que acontece é que o sentimento de nota base é preenchido com um sentimento de
independência das notas. Quando voe escuta um sol, por exemplo, você sabe que é um sol,
pois ele traz um sentimento que te diz que é um sol, independente de ter uma base ou não. Ele
simplesmente soa como um sol.

Então continue com os exercícios. Continue avançando.


Lição 21

É muito importante escutar acordes e destravá-los no ouvido, identificando cada nota,


pois cada acorde tem sua própria característica.
O que acontece é que, como no início, íamos aprendendo as notas e cada cor, então
essas cores são colocadas juntas, no acorde. Assim, o acorde acaba tendo a sua própria cor.
Eu costumo chamar de padrão de cores porque cada som individual tem uma cor, e quando
estão juntas, criam realmente um padrão de cores. É mais fácil reconhecer os acordes que as
notas individuais.
Mas o ponto é que quando estivermos desenvolvido o ouvido absoluto, a discriminação
das cores, então reconheceremos facilmente os padrões de cores. Você verá que identificará
estes padrões e então reconhecerá as notas.
Quando você estiver praticando análises de acordes com seu parceiro, sempre alterne
acordes menores e maiores. Neste meio, alterne também vários acordes dissonantes, sem
deixar de tocar os acordes regulares também.
Quando você conseguir identificar automaticamente cada acorde então você terá um
ouvido poderoso e será capaz de improvisar e tocar de ouvido mais facilmente.
Você não terá que se preocupar com que nota é a mais grave, ou como o acorde está
estruturado. Você simplesmente sentirá estas notas e as saberá.

Você está fazendo incríveis progressos. Vou ser breve nesta seção de exercícios.

Para os tecladistas, você tem um exercício fácil. Toque uma tecla branca, seguida de
uma tecla preta e identifique cada uma. Faça uma série de verificação. Repita também os
exercícios anteriores, passando as séries de verificação necessárias para cada um.

Para os violões, tenho fórmulas novas para vocês:


A primeira: lá solta, um tom, um tom, ré solta, um tom, um tom. Passe três séries de
verificação de 10 rounds.
A segunda: lá solta, um tom, um tom, um tom. Passe também três séries de verificação
de 10 rounds.
A terceira: lá solta e três notas em harmonia (juntas). Passe três séries de verificação
para este exercício também.

Para nossa seção de meditação e para os grupos, eu quero que vocês adicionem a nota
Dó# à nossa coleção (violões, adicionem ré natural) e continuem com os exercícios com notas
simples, duplas e triplas, melódicas e harmônicas.
Agora só resta um tom para ser adicionado à nossa coleção.

Faça estes exercícios, passe todas as séries de verificação necessárias, e siga adiante.
Lição 22

Você está indo bem, estamos na lição 22. Continue assim.

Para os tecladistas, teremos novos exercícios agora.


Primeiro, quero que vocês toquem juntas (em harmonia) duas notas brancas e uma
preta. Por exemplo: Mi, Lá, Dó#.
Toque na ordem que você quiser. Use todas as teclas, em harmonia.
Lembre-se sempre de identificar as notas da mais grave para a mais aguda.
Passe uma série de verificação de 20 rounds para este exercício.
Agora eu quero que você faça ao contrário: duas teclas pretas juntas com uma tecla
branca. Exemplo: Lá, Mib, Sib. Usem na ordem que quiser, desde que sejam notas destes
tipos. Pode ser uma preta, uma branca e outra preta, ou como preferir. Lembre-se também que
as notas são tocadas juntas, em harmonia. Passe também uma série de verificação.

Para os violões, vou dar uma nova fórmula para vocês:


Lá solta, um tom, um tom, ré solta, um tom, um tom, sol solta, um tom, um tom.
Lembre-se que estamos tocando as notas separadas. Identifique cada uma das notas
antes de tocar a outra.
Passe três séries de verificação de 10 rounds para este exercício.

Para nossa parte de meditação e para os grupos, adicionaremos nossa última nota para
a coleção: Sib (lá# para os violões).
Pratique os exercícios com notas sozinhas, duplas e triplas, melódicas e harmônicas.
Agora quero que voes pratiquem também o exercício com nosso novo acorde de 7ª
diminuta: Dó#, Mi, Sol, Sib (Lá#, Dó#, Mi, Sol, para violões).
Temos três acordes com 7ª diminuta. Quero que façam os exercícios com cada acorde
separado. Faça como anteriormente, todos os exercícios com cada acorde.
Passe todas as séries de verificação necessárias, leve o tempo que você precisar e siga
para a última lição desta fase dois do curso.
Lição 23

Você conseguiu chegar à última lição da fase 2 do curso. Parabéns. Agora você já está
se tornando um expert em treinamento de ouvido.
O Ouvido Absoluto não é algo tão simples. Como disse desde o início, é uma arte. Nós
estudamos as lições até agora e você conhece todos os segredos do ouvido absoluto. Você
experimentou por sua conta, você pôde sentir o ouvido se abrir e escutar as cores.
Algo muito importante eu digo agora à você: depende de você praticar cada vez mais
todo este treino que você fez.

Tecladistas, trabalhem com seus exercícios, pela forma que você julgar necessária.
Toque um, duas, três notas, toque acordes. Faça tudo aquilo que você achar que precisa fazer
para melhorar seu ouvido. Você sabe como está seu ouvido. Se você ainda confunde algumas
notas, trabalhe com elas. Simplesmente trabalhe com qualquer exercício dentro do que você
necessitar agora. Você é seu próprio treinador do ouvido.

O mesmo para os que tocam violão. Você sabe o que fazer. Você sabe como trabalhar
as cordas de lá, ré e sol, faça o mesmo com as outras cordas. Use todas as cordas do violão,
use todas as notas dele.
Sua percepção das cores cresceu bastante. Seus ouvidos estão bem preparados.
Torne a repetição de cordas soltas cada vez menor, tocando mais tons para serem
identificados.
Quando voltamos às cordas soltas, temos uma nota base, então adicione cada vez mais
tons antes de voltar a elas.
Não estou dando nenhum exercício agora, use seu julgamento profissional. Volte cada
vez menos às cordas soltas, toque cada vez mais tons. Assim você está testando o ouvido
absoluto.
Trabalhe com eles da forma que julgar melhor, trabalhe com notas até que você sinta
que pegou todas elas, que você as conhece bem e as identifica.
Este é o passo final para a discriminação total das cores.

Os grupos podem fazer rounds variados com todas as notas. Você pode voltar aos
padrões de 7ª diminuta. Se precisar, teste um ao outro, veja quais são as fraquezas de seu
parceiro e trabalhe isso.
Trabalhem também com escalas, começando com a de dó maior, e passando por todas
as outras escalas. Faça os exercícios que foram propostos, trabalhando estas escalas.

Para todos, agora, eu digo que você já ganhou a discriminação das cores.
Como tarefa, eu quero que vocês refaçam todos seus exercícios para que tenham
certeza que nada ficou para trás.
Veja se realmente você pode identificar todos os tons.
Alguns de vocês vão identificar fraquezas nesta revisão de exercícios. Não sigam antes
de trabalhar cada uma delas e acertar todas as coisas.
Quando você puder identificar todas as notas, e ter certeza que seu ouvido se abriu, e
você tem a discriminação das cores, você automaticamente está hábil a partir para a última
lição de nosso curso, que é a fase 3.

Você não precisa estar cem por cento certo de tudo, lembre-se que não somos
máquinas, e podemos cometer erros, então não se preocupe se por um acaso você errar uma
nota, só tenha certeza que sua discriminação das cores está em dia e você não tem dúvidas
quanto às notas.

Então,quando você sentir que a discriminação das cores se concretizou e se estabilizou


em seus ouvidos, siga para a última lição do nosso curso.
Lição 24

Perguntas e respostas

P – Eu acho confuso discriminar os tons em outros instrumentos. Eu sempre confundo algumas


notas, por exemplo, o fá com o fá #. Mas posso identificar todos corretamente em meu
instrumento.

R – Como a discriminação das cores ainda não está concreta, com certeza você vai se
confundir quando mudar o timbre. Você vai bem em seu instrumento, então vem um timbre
novo e você se confunde. Isso cria uma ilusão oral. É o mesmo com o campo visual. Se você
colocar um azul ao lado de um vermelho e o mesmo azul ao lado do amarelo, você achará que
são dois tons diferentes de azul. Aqui acontece da mesma forma. As cores das notas são
sempre as mesmas, mas quando as colocamos dentro de determinado timbre, isso causa uma
certa ilusão e parece que as cores são diferentes. Isso é uma experiência comum.
Simplesmente pratique os exercícios, treine seu ouvido e não confundirá mais o timbre com as
cores das notas. Você conseguirá ter uma real discriminação do timbre e uma real
discriminação das cores. Assim, seu ouvido estará completamente aberto.

P – Se eu usar um sintetizador ou um teclado, com vários sons diferentes, não fica mais fácil
desenvolver a discriminação universal das cores?

R – Teoricamente sim, mas na prática isso não funciona, pois você acaba aprendendo os sons
tocados pelo instrumento, não o timbre, então quando pegar um instrumento real, isso vai
confundi-lo mais. O timbre cobrirá as cores. Quero que você aprenda a distinguir as cores dos
timbres, e isso é só praticando mesmo. E também, estes sons não têm um timbre, eles
simulam um timbre. Isso cria uma ilusão no ouvido, que parece um novo instrumento. Mas
assim você não escutará as cores, mas variações de sons que te trará ilusões ao ouvido. O
melhor mesmo é escutar o som no instrumento real, pois com estes sons, você escutará as
notas muito superficialmente.

P – E se meu instrumento não tiver o número de oitavas que tem um piano, devo aprender
todas as notas do piano?

R – Isso depende do que você se propõe. Se você toca violão, é importante saber identificar
todas as notas do violão, se toca teclado, é importante saber identificar qualquer nota nele,
mas existem notas muito graves e muito agudas que confundem demais. Se você puder,
aprenda todas elas. Se você não é pianista, não tem necessidade de ficar aprendendo todas
estas notas. O importante é você ter a percepção das cores. As oitavas são algo extras que
você pode ganhar. O mais importante é você conseguir ganhar a discriminação das cores em
seu instrumento e com esta percepção, você poder reconhecer notas em qualquer instrumento.

P – Eu ganhei a discriminação das cores e estou trabalhando na discriminação universal das


cores, mas me confundo algumas vezes, pois sei que uma nota está desafinada, mas não
consigo dizer se está sustenizada ou bemolizada.

R – Bem vindo ao mundo real da música. Você logo vai perceber que existe uma extensão
para cada nota. Muitas vezes, escutando rádio, não sei te dizer se um acorde é um Fá Maior
ou um Fá# Maior, pois eles às vezes estão exatamente no meio destas duas notas. Se você
tiver esta dúvida, não se preocupe, tente afinar o instrumento com o auxílio de um diapasão ou
mesmo do seu instrumento, e continue a treinar. E também você verá que os instrumentos
variam um pouco de afinação. Não quero traçar uma linha e fazer com que a afinação seja algo
exato, algo extremamente preciso. Lembre-se que existe um campo de extensão para cada
nota. Mas, quanto mais você escutar as notas no novo instrumento, mais você será capaz de
identificá-las. Para você poder julgar se uma nota está sustenida ou bemolizada você tem que
desenvolver também a discriminação espectral das cores, pois mesmo com a discriminação
universal das cores, você não conseguirá julgar as alturas dos sons.
Lembre-se que todos os níveis do ouvido absoluto crescem juntos, então se no meio de
seu treinamento você tiver “flashes” de outros níveis do ouvido absoluto, não se preocupe, pois
isso pode acontecer.

P – O que posso fazer para treinar a recordação oral das notas?

R – Ok, este é o mais alto nível do ouvido absoluto, onde você consegue cantar qualquer nota
sem nenhuma referência. Uma idéia para você: quando já tiver a discriminação das cores,
escreva em 12 cartões diferentes os nomes dos sons cromáticos. Então, retire um desses
cartões e cante a nota que você tirou. Depois, confira se você acertou. Se errar, toque e cante
a nota certa e a que você achou que era, nomeando-a corretamente e escutando-a em sua
mente. É assim que você vai começar a lembrar das notas. A recordação oral é,
primeiramente, lembrar em sua mente como a nota soa e depois cantá-la. Você deve fazer isso
sem forçar a mente, faça gentilmente. Quanto mais você tentar escutar isso, mais difícil se
tornará. Deixe a nota fluir naturalmente. Se você pode escutar uma nota e identificá-la, você é
capaz de escutá-la em sua mente e cantá-la.

Seção de técnica

E agora, o que fazer neste ponto? Você tem a discriminação das cores, você pode
identificar notas no seu instrumento. O que falta fazer?
Bem, podemos polir o seu ouvido. Existe muito que pode ser feito.
Mas você irá se guiar agora.
Você conseguiu entender e escutar as cores. Você sabe o que significa quando digo que
as cores são sensações. Você sente cada nota que escuta.
Então, como pode polir seu ouvido?
Você decidirá o que vai fazer. Você pode aumentar as oitavas, indo aos extremos graves
e agudos do teclado, pode fazer acordes com 4, 5 ou mais notas, depende de você. No manual
existem algumas dicas para você, no último capítulo: Provocações auditivas para super-
ouvidos. São dicas interessantes e divertidas para você.
Quanto mais você escutar, mais você vai perceber que seu ouvido vai se abrindo, e você
será capaz de escutar várias notas cromáticas executadas ao mesmo tempo e identificá-las.
Teste isso. Toque várias notas cromáticas em harmonia e destrave-as no ouvido, identifique da
mais grave para a mais aguda. Não pense que você conseguirá isso rápido, pois é algo
trabalhoso. Você terá que parar e escutar com calma. Por exemplo, você pode tocar todas as
notas de uma escala, exceto uma. Escute a escala e cante e nomeie a nota que falta.
Este é um excelente desafio para o ouvido.
Você perceberá que não há limites para treinar seu ouvido. Cada vez mais você pode
refiná-lo.
É importante também fazer um treino diário, pois mantém seu ouvido sempre acordado e
crescendo continuamente.
Faça cada vez mais exercícios intensos, que desafiem seus ouvidos.
Outra coisa, você pode ter ilusões em uma música. Se ela for executada extremamente
rápida, como você poderá escutar todas as notas e as identificar? Não esperamos que seu
ouvido seja capaz disso, pois isso é algo acima do ouvido absoluto, é um talento musical igual
ao de Mozart. No campo visual também é assim, se eu mostrar para você diversas cores em
seqüência, você as conhece, mas não dará tempo de você nomear cada uma delas.
Você tem o ouvido absoluto, você pode sentir cada nota, pode nomear cada uma delas.
Outra coisa, você não precisa sair nomeando todas as notas para poder apreciar a
música. Quando você vê alguma coisa colorida, você aprecia sem ficar dizendo: “vermelho,
azul, amarelo, roxo, laranja, etc”. Mas se for necessário, você sabe dizer cada cor.
Neste ponto estou encorajando você a aproveitar seu ouvido, apreciar as músicas com
ele. Você não precisa treinar para chegar ao ponto de Mozart, na verdade você já concluiu seu
treinamento, você já tem o ouvido absoluto. É interessante você continuar a treinar para, como
já disse, manter seu ouvido acordado e apurá-lo cada vez mais.
Mas se você quiser, tem muito a ser treinado. Por exemplo, a discriminação espectral
das cores. Você pode treinar tentando afinar as cordas de um violão, e depois conferindo com
um diapasão se acertou. Mesmo que você não toque violão, isso é algo interessante de se
fazer. Isso vai te ajudar a desenvolver esta discriminação apurada das cores. Se você não toca
violão, o novo timbre ainda te ajudará a desenvolver a discriminação universal das cores.
Você também pode cantar notas. Escute você mesmo cantando e julgue se está um
pouco alta (sustenida) ou baixa (bemolizada) a nota que você cantou.
Existem diversas coisas que você pode fazer para ganhar uma discriminação refinada
das cores, ou discriminação espectral.
Para os que têm um sintetizador, ou teclado, podem tentar mudar o som dele para usar
um timbre diferente (mesmo que simulado, como já falamos).
Não fique frustrado se não conseguir nomear corretamente as notas no novo
instrumento logo de início, pois você conseguirá, depois de conseguir separar o timbre das
cores das notas.
O segredo para a discriminação universal das cores é o mesmo do curso inteiro:
continue escutando, e seu ouvido vai conseguir escutar as notas, da mesma forma que foi com
seu instrumento familiar.

Agora, o estágio final é a recordação oral. É o mais alto nível do ouvido absoluto.
Eu quero que voe trabalhe com isso agora.
Neste ponto, você conhece um som quando escuta, mas não pode lembrar dele por sua
conta. Por quê? Porque escutar as notas e nomeá-las envolve uma parte da mente, agora
lembrar desta nota sem ter escutado-a, envolve muito mais de sua mente que a percepção da
nota tocada.
Vamos trabalhar na recordação oral das notas, e a chave para isso é o treinamento de
meditação. Então, trabalhe com esses exercícios, procurando recordar uma nota antes de tocá-
la e conferindo se está correta.
Outra coisa está escrito também no manual, que é ler uma linha melódica de uma
partitura na sua mente. Isso também é treinamento de meditação. Então faça este exercício.
Vá bem devagar, recordando cada nota. Simplesmente continue praticando e a
recordação oral virá naturalmente para você.
Da mesma forma que o escutar de cores é algo abstrato, mais ainda na sua mente é
abstrato o lembrar de cada nota. Mas você conseguirá fazer isso. Simplesmente sinta dentro
de você. Sinta as notas. E a nota virá até você. Independente de qual nota que seja, ela vai vir
até você.
E isso, amigo, é tudo que posso dizer para você sobre esse virtuoso ouvido absoluto.
De fato, como já disse, você já ganhou esta habilidade, parabéns, eu ficou muito
satisfeito em saber que você conseguiu.
Mas eu quero te dar um último exercício:
Trabalhe seu ouvido por todo este caminho que nós falamos e mantenha seu foco agora
na recordação oral das notas. Aprenda a cantar as notas pela memória. Trabalhe também na
sua discriminação universal das cores. Aprenda a escutar as notas em outros instrumentos.
Isso é um processo, que levará seu próprio tempo.
Para a recordação oral, de tempo em tempo, durante o dia, quando voe puder, cante
uma nota, e cheque se você acertou. Faça isso várias vezes ao dia. Trabalhe com um tom de
cada vez. E quando você conseguir cantar este tom 20 vezes no dia sem errar, esta vai ser sua
série de verificação.
Vinte vezes no dia, um tom somente. Se precisar, use vários dias o mesmo tom, até
conseguir. Quando conseguir uma série com um tom, você tem uma parte pronta. Quero que
você faça isso até conseguir completar todos os 12 sons da escala cromática.
Fazendo isso, eu vou considerar que você se graduou com méritos neste curso de
ouvido absoluto.
Este é o seu exercício final. Trabalhe com sua recordação oral e você está formado no
Curso de Treinamento de Ouvido Absoluto.

E lembre-se: treinamento do ouvido, como a música, nunca termina. Como poderia isso
terminar? Sempre haverá mais coisas para escutar, mais habilidades para treinar o ouvido.
Lembre-se também de outra coisa: esteja feliz com tudo o que você pode escutar, e
aquilo que você não pode escutar, nós continuaremos treinando e o ouvido se abrirá mais e
mais.

Boa sorte com toda a sua música! E seja o que for que você fizer, não esteja tão sério,
por isso sempre digo para tocar seu instrumento, divirta-se e aproveite o treinamento. Tenha
diversão com a sua música. E aproveite cada momento!
Pontos Importantes

Se você ficou parado nos seus exercícios, preso em alguma coisa, você terá agora
algumas dicas para seguir em frente.

1 – Algumas Vezes treino, dia após dia, e não vejo nenhum progresso.

Ok. Não podemos ter como base que todo dia teremos algo novo. Temos que perceber
que o ouvido cresce gradualmente. Pode acontecer de passar alguns dias sem nenhum
progresso e, de um dia para o outro, você passar para um novo nível de percepção. Mesmo
que não pareça, cada dia que você estuda, seus ouvidos estão sendo preparados para
alcançar o próximo nível.
Não esteja impaciente, nem tente correr, pois assim você vai forçar seus ouvidos. Isso
trará um regresso ao seu treinamento. Vá devagar, leve o tempo necessário. Se você e seus
ouvidos estiverem cansados dos exercícios, seja criativo. Faça exercícios diferentes, para que
seu ouvido esteja sempre acordado. Tente fazer com que cada exercício praticado seja
repetido, mas de forma diferente, e assim você não vai cansar. Para os que praticam direto,
não tem problema parar um ou dois dias para descansar. Só tenha cuidado para que isso não
se torne uma rotina. Use sua criatividade. Todo treinamento de reconhecimento de notas que
você fizer vai ser creditado no seu treinamento.

2 – Não consigo progredir porque o ouvido relativo está sempre presente, não consigo
bloqueá-lo.

Este é um ponto um tanto comum. Quando tentamos deixar de lado o ouvido relativo,
estamos tentando deixar de lado as relações das notas e tentamos nos centrar em escutar
somente as cores das notas. Esse não é o procedimento correto. Se eu tocar um Mib e depois
um Sol, fica fácil de identificar por causa do ouvido relativo, pois é uma terça maior. Mesmo
sem o ouvido relativo não seria tão difícil saber qual era a nota. Se tentarmos bloquear esta
relação e tentarmos centrar as atenções nas cores, teremos uma certa dificuldade. Com isso,
você cria uma sensação de temor, de dificuldades para o desenvolvimento do ouvido absoluto.
A cor da nota Dó sempre terá uma relação com a cor da nota Mi, por exemplo. Sempre haverá
relações entre as notas na música. É assim que a música flui. Não estamos tentando
desenvolver o ouvido absoluto ignorando o ouvido relativo. Estamos fazendo com que o ouvido
absoluto trabalhe junto com o ouvido relativo.
Os exercícios têm um programa para gradualmente você aproveite destes recursos. Na
verdade, com o ouvido absoluto é mais fácil de você reconhecer notas, principalmente de
acordes, onde é mais fácil identificar as cores que as relações.
Quando você tenta bloquear o ouvido relativo, você está fazendo com que seu ouvido se
contraste em duas tarefas: não escutar as relações e escutar as cores. São duas coisas
distintas, que você não conseguirá fazer. Isso vai te trazer uma imensa dor de cabeça, um
cansaço e até mesmo um stress.
O caminho que temos que percorrer é o seguinte: temos que escutar as cores das notas.
Se o ouvido relativo estiver lá também, não tem problema. Se você só conhece as notas pelas
relações, tudo bem, mas gaste um tempo escutando as cores das notas, assim o ouvido
absoluto irá se cauterizar e você terá um novo nível de sensibilidade. Nos primeiros dias, você
usará cem por cento do ouvido relativo, mas aos poucos, você usará mais o absoluto que o
relativo.
Nunca pense que iremos travar o ouvido relativo para aprender o absoluto. Não. Na
verdade,quando você entende estas relações e consegue escutar as cores, assim o ouvido
relativo e absoluto estão trabalhando juntos, e é isso que queremos.
Independente das relações, sempre escute as cores. Não é um erro escutar as relações,
mas é errado tentar bloqueá-las para aprender o ouvido absoluto, pois a música é composta
pelos dois.
3 – Eu acho que aprender algumas notas é mais fácil que outras.

Sim, sim. Dependendo da sua experiência musical, de que tipo de música você toca, do
que você escuta, você terá mais facilidade com algumas notas. Então, esteja mais atento às
notas que sentir dificuldades.
A atenção que daremos a estas notas será maior do que a que estamos dando às notas
que estão fáceis.
Mas fique tranqüilo, os exercícios irão preparar seus ouvidos para que você aprenda
todas as notas.

4 – Eu consigo escutar as cores, consigo identificar as notas, mas não tenho certeza se isso é
o ouvido absoluto.

Ok, esta é uma reação comum. Você é capaz de escutar as cores, mas se pergunta: “É
isso?”.
O que temos que saber é que ainda não temos o total conhecimento das cores das
notas nos nossos ouvidos. Não se esqueça disso.
Mas esta sensação se dá porque normalmente achamos que é algo “mágico” o Ouvido
Absoluto, e quando começamos a treinar, sentimos que é algo tão simples, tão natural, tão
normal, que pensamos não ser isso. O ouvido absoluto é algo simples, é uma habilidade
humana. Se conseguirmos escutar uma pequena diferença entre os 12 sons cromáticos da
escala, estamos na fase de desenvolvimento do ouvido absoluto. Se conseguirmos identificar
estas notas, então temos o ouvido absoluto.
Outro ponto importante de se destacar é que muitos acham que não tem o ouvido
absoluto porque cometem erros ao identificar algumas notas. Quando chamamos o ouvido
absoluto de ouvido perfeito não significa que nós sejamos perfeitos. Significa que nós temos
uma perfeita percepção das cores. Você pode ter a discriminação visual das cores perfeitas,
mas um dia, por algum motivo, olhar um vermelho e, por alguma razão achar que é um laranja.
Mais tarde, quando você ver direito, irá ver que é um vermelho. Não significa que seus olhos
estejam ruins. O mesmo acontece com o ouvido absoluto.
Enquanto estiver treinando, diga consciente o nome das notas. Não fique pensando que
não deve ser tal nota, ou que está um pouco fora da afinação. Seja firme, e corrija qualquer
possível erro.

5 – Você pode descrever melhor a Análise Auditiva dos Acordes?

Isso acontece quando você tem dois ou mais sons, e você tem que escutar dentro de
cada um para destravá-los no seu ouvido. Esta é uma ótima ferramenta de treino, pois você
escuta os sons como um só e tem que decompô-lo, saber quais são as notas que formam
aquele acorde. E, depois de escutar cada som corretamente, você tem ainda que escutar a cor
de cada nota.
Quando temos duas ou mais notas juntas, podemos ter uma coisa chamada Ilusão
auditiva, onde você escuta uma nota e ela pode parecer soar como outra. Mas com esta
técnica, você passará por cima disso. A Análise Auditiva tem o poder de concretizar nos
ouvidos as notas de cada acorde. Quando não conseguimos destravar os acordes de uma vez,
começamos a tocar as notas em seqüências várias vezes, assim, você conseguirá escutá-las
no acorde.
Então, temos que prestar atenção no acorde, destravar as notas no ouvido e então
escutar as cores. Assim, estamos concretizando o ouvido absoluto.
6 – Já que o treino de ouvido é a fundação da música, penso se não posso para um pouco de
treinar músicas e me focar no ouvido.

O treinamento do ouvido só é prático num contesto prático. Nós temos que estar
praticando com músicas e usar estas práticas como fundação do treinamento do ouvido.
O certo é que se você pratica os exercícios, e então você vai para seu instrumento, tocar
suas músicas, então esta é a experiência certa, onde você vai concretizar seu treinamento.
Então, estaremos percebendo que naquelas músicas que estamos treinando estão as
cores da nota. Estaremos escutando: “Ei, ali está um Sib, tem um lá aqui,...”.
E assim, o treinamento do ouvido acaba se tornando útil no dia a dia. Este é o caminho
para se tornar um músico melhor.

Bem, as questões acima vieram do curso original. Agora, nesta versão final do curso,
vou adicionar alguns outros pontos que irão te ajudar.

Algo muito importante para se ter como base é que temos que estudar o ouvido relativo.
É importante ter um certo grau do ouvido relativo como base para penetrarmos nos estudos do
Ouvido absoluto.
Qualquer dificuldade que você tiver, o ouvido relativo te ajudará a eliminar.
Esta é a primeira coisa que recomendo para quem tiver alguma dificuldade.

Uma outra coisa que recomendo: tenha um companheiro. Treine junto com outra
pessoa, faça as práticas para grupos. Os exercícios solo são diferentes dos exercícios de
grupo. Se tiver dificuldade com os exercícios individuais, faça os exercícios de grupo, pois
assim será mais fácil para você crescer gradualmente.
Então, se você tiver dificuldades de uma forma, tente uma outra forma de treinamento.

Mais uma coisa, trabalhe com seus exercícios. Vá devagar, seja paciente, esteja
relaxado. Vá tranquilamente.

Outro ponto importante é que muitas pessoas têm expectativas erradas do ouvido
absoluto. Muitos acham que após algumas seções, terão um, computador no ouvido. Não é
assim. Muitos acham que vão sair identificando todos os sons que escutarem. Não, não, não
estamos ganhando um computador nos ouvidos, mas isso é simplesmente uma percepção
humana. O ouvido vai crescendo gradualmente, e agora estamos treinado-o para escutar as
cores. Se tivermos esta expectativa, que sairemos identificando qualquer som, a toda
velocidade, poderemos estar desapontados. Então, relaxe e aproveite o desenvolvimento do
ouvido, passo a passo.

Caso você esteja preso em um exercício, volte um pouco, faça outro que te deixe mais à
vontade, e depois, retorne para o que você estava tendo dificuldades.

Não tente dar nomes pra as cores. Pessoas acham que devemos nomear as cores, que
tenho que dar um nome para cada uma. Não, não. Isso é impossível para mim. Eu não posso
dizer para as pessoas como cada som soa. Isso não estaria fazendo com que você
desenvolvesse seus ouvidos. É da mesma forma que você não pode dizer para uma pessoa: “a
cor laranja é assim, a cor vermelha é assim”. Você precisa abrir seus ouvidos gradualmente
para poder escutar estas cores.
Mas você pode me perguntar: “E pessoas que não podem escutar as cores? Assim
como existem pessoas que não enxergam as cores”. Bem, digo a você que realmente algumas
pessoas não podem ver cores e algumas pessoas podem não ser capazes de desenvolver o
ouvido absoluto, mas afirmo com certeza que todo músico pode desenvolver o ouvido absoluto.
O músico é alguém que está com a música, praticando. Todos têm um certo nível de
habilidade. Então, estes eu digo que poderão escutar estas cores. Você pode fazer isso. Se
você notar uma pequena diferença entre os sons, então você está desenvolvendo o ouvido
absoluto. Não é nada que seja impossível para você, mas depende de você ir passo a passo.
Eu conheço muitas pessoas que são extremamente inteligentes, e que tentam dar
nomes às cores. Estes têm uma imensa dificuldade de desenvolver o ouvido absoluto, pois,
como disse antes, não é uma habilidade intelectual, é uma percepção como a de uma criança,
é um sentimento de cores.

Então, não se preocupe em nomear os sons, e não se preocupe com o ouvido relativo,
ele não irá interferir no treinamento.
Uma das coisas que recomendo neste curso é que você tenha o ouvido relativo, pois
assim, ele te auxiliará no desenvolvimento do ouvido absoluto. Se você tentar bloqueá-lo, terá
uma série de dificuldades com o ouvido.
Por isso estou encorajando você a ter também o ouvido relativo.
Quando você permite o ouvido relativo trabalhar junto com o absoluto, então não há
problemas, não há dificuldades para se treinar.

Faça isso, e você conseguirá ir cada vez mais profundamente em seu treinamento.
CURSO DE
TREINAMENTO
DO OUVIDO
ABSOLUTO

O Ouvido Absoluto e a criança –


uma mensagem para pais e
professores

TRADUZIDO DO ORIGINAL: “PERFECT PITCH EAR TRAINING SUPER


COURSE – PERFECT PITCH FOR CHILDREN” DE “DAVID LUCAS BURGE”

TRADUTOR: ISAQUE CIPRIANO


O Ouvido Absoluto e a criança – Uma mensagem para pais e professores

Introdução

Este material é um bônus adicionado ao curso original de treinamento de ouvido


absoluto. Seu objetivo é mostrar aos pais e professores a importância da criança desenvolver o
ouvido absoluto o quanto antes, e dar dicas de como orientá-la nesta caminhada.
O material original é dividido em três partes: duas em seqüência com todas as
explicações e uma parte com perguntas e respostas. Resolvi juntas as três partes em uma só
para que estas fiquem numa seqüência lógica e mais fácil de ser entendida. A série de
perguntas e respostas adicionei ao final das explicações.

O ouvido absoluto e a criança

Tudo na música está relacionado à forma em que você escuta. Podemos fazer diversos
treinos, desenvolver habilidades, e mais uma série de coisas para nos tornarmos melhores
músicos, mas tudo isso está intimamente ligado à sua percepção musical.
E é por isso que é importante a criança ter o senso do ouvido absoluto o quanto antes, e
depende dos pais e dos professores treiná-la para isso.
O ouvido absoluto pareceu, durante anos, ser algo mágico, pois as pessoas não
entendiam o que ele realmente é. E se você não sabe como uma coisa funciona, não tem a
chance de desenvolvê-la. Mas este curso explicou o ouvido absoluto, e agora você o conhece.
Para se ter um senso completo das notas, é necessário que você tenha o ouvido relativo
e o ouvido absoluto, que escute as relações das notas, num nível mais superficial de
percepção, e escute as cores das notas, num nível de percepção mais profundo. O verdadeiro
ouvido de um artista musical tem ambas as habilidades trabalhando juntas.
O que iremos fazer aqui não é estabelecer regras, mas sim guiar você para que leve as
crianças a escutar mais profundamente. Vou mostrar como podemos ajudar uma criança a
desenvolver sua percepção logo cedo e ganhar o ouvido absoluto o quanto antes, e tê-lo para
o resto da vida. E mesmo que você não tenha o ouvido absoluto, você pode guiar a criança
assim mesmo, simplesmente trabalhando com a criança alguns minutos por dia, adicionando
alguns minutos ao treinamento normal de seu instrumento, mas minutos para treinar o ouvido.
Assim, a criança aprenderá a tocar e a escutar profundamente as notas ao mesmo tempo.
Um dos mistérios do ouvido absoluto é que ele é algo muito simples, uma percepção
natural do ser humano, e está relacionado com a forma como você escuta as notas.
O mais interessante que é algo simples e essencial, mas que não é usado nas grades
curriculares dos cursos de música. Música é a arte de escutar e eles excluem do treinamento a
habilidade de escutar. Você encontra em aulas de percepção musical coisas rudimentares,
como diferenciar um tom de um semitom.
A hora certa de ensinar uma criança a escutar é o quanto antes. Imagine a riqueza que
uma criança tem ao poder logo cedo escutar corretamente.
Algo importante a se considerar quanto ao ouvido da criança é que ele é um tanto
quanto inocente. Ele não escuta em termos de relações, como adultos (lembre-se que os
adultos foram condicionados para isso). O ouvido não-condicionado de uma criança não vai
escutar em termos de relações nem de cores. E é por isso que muitas crianças podem
desenvolver o ouvido absoluto sem praticar nenhum exercício. O fato de ter um ouvido ainda
inocente pode fazer com que ele adquira esse senso delicado de percepção naturalmente. Isso
é ainda mais real se a criança for extremamente alerta e brilhante. Mas não significa que uma
criança que não aprenda assim não seja brilhante.
Quando o ouvido perde essa inocência, ele passa a escutar horizontalmente, e é por
isso que adultos precisam praticar diversos treinos para conseguir desenvolver o ouvido
absoluto. O ouvido perdeu essa inocência, e fica estagnado num nível superficial de
percepção. Por isso é importante começar o quanto antes.
Uma criança, levada a escutar corretamente, aprenderá espontaneamente este nível de
percepção. Elas não pensam intelectualmente, por isso, elas simplesmente escutam e sabe
que soam como aquela nota. Se você perguntar como sabem, elas não vão saber dizer,
simplesmente sabem que é assim. É como aprender as cores visuais. Você sabe o que é um
vermelho simplesmente porque é vermelho, você não pensa no vermelho como uma cor
vibrante e no azul como uma cor brilhante. É isso que chamamos de inocência da percepção, e
é o que leva a desenvolvermos o ouvido absoluto.
Qualquer criança que estuda música pode aprender a nomear notas pelo ouvido, basta
ser orientado pelos pais ou professor a escutar os sons. Por exemplo, os professores de piano
mostram à criança como encontrar um dó, olhando para o piano, não escutando seu som, que
é o jeito que deveriam fazer.
Bem, o ponto importante é ter um tempo para tocar notas para a criança identificar. Não
use muito tempo, pois cansará o ouvido da criança. 3 a 5 minutos por dia é o ideal para
começar. Faça isso usando o instrumento que a criança pratica. Esta adição à prática regular
do instrumento fará toda a diferença na formação da criança.

Como começar? Bem, é simples. Inicie com três tons: dó, ré e mi. Toque-os para a
criança. Faça com que ela escute o tom, perceba a diferença entre eles. Você pode até falar de
cores de notas, para acostumar com a idéia, mas não precisa se aprofundar nisso. Depois de
tocar as notas por um tempo para a criança escutar, toque aleatoriamente os tons e peça para
a criança ir nomeando.
Com isso, a criança estará fazendo duas coisas: nomeando notas pelo ouvido e
estabelecendo relações entre as notas. Este simples exercício é eficiente para o treinamento
do ouvido absoluto e relativo.
Pratique isso alguns dias com a criança e, quando ver que ela já pegou as três notas,
aprendeu e sabe nomear sem dificuldades, vá adicionando as notas da escala diatônica aos
poucos, uma a uma. Comece adicionando o fá. Pratique com as 4 notas.
Uma coisa importante: sempre que a criança cometer um erro, corrija-o. Se você tocar
um fá e a criança disser: “Mi”, toque o mi e diga: “o mi soa assim, que nota é esta então?” e
toque novamente a nota fá e dê uma nova chance para a criança de acertar.
Assim, continue, adicionando uma a uma as notas diatônicas que faltam: sol, lá, si, e
termine com o dó agudo.
Com isso, a criança aprenderá a reconhecer as notas tendo uma como base, mas
sabendo que cada uma soa diferente.
O que estamos fazendo é estabelecer o ouvido relativo, pois se o ouvido não estiver
confortável para escutar na superfície, não pode se aventurar a escutar profundamente.
Adicione as notas até formar a escala de dó completa: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.
Se a criança estiver perdida, peça a ela que cante a nota base (dó) e tente ver se acerta
que nota é aquela.
É bom que a criança cante notas para ter uma base, mas não queremos que cante as
notas para identificá-las, pois não queremos criar uma percepção por tensão vocal, mas sim
estabelecer o ouvido absoluto e relativo.
Como exercício separado, você pode pedir para a criança cantar notas para você e você
verificar se estão certas ou erradas.
Neste ponto, a criança já sabe identificar notas, mas pensa assim: esta é a 5ª nota,
então é a nota sol. Esta é a 4ª, é diferente da 5ª, então é a nota fá.
Então, quando chegar neste ponto, comece a tocar duas notas ao mesmo tempo. Dê o
tempo para a criança destravar as notas no ouvido e identificar cada uma, da grave para a
aguda.
Agora ela tem que ir ao som de cada nota, mas também tem que penetrar no som do
acorde.
Quando a criança conseguir fazer isso, adicione as notas restantes na seguinte ordem:
fá#, sib, mib, dó# e láb.
Com isso, cada vez mais fica difícil usar as relações para identificar as notas, e o ouvido
vai desenvolver mais claramente o ouvido absoluto, estabelecendo as cores das notas no
ouvido.
Mesmo que não estamos usando nomes para cada som, podemos falar para a criança
que o fá# soa nasal, o mib soa macio, pois isso é válido para a criança. Mas não quero que
fiquem presos a nomes, pois não fizemos isso no curso, leve a criança a sentir as notas.
Quando ela passar a reconhecer as notas de uma oitava, você pode estender para 2, ou
3 oitavas. Aumente o campo de percepção da criança.
Veja, quando uma criança consegue nomear as notas de uma oitava, ela já ganhou a
discriminação das cores, mas ainda não a estabeleceu por completo.
O teste para saber se a criança realmente aprendeu a perceber as cores é com a
primeira nota. Se você tocar a primeira nota e ela acertar é porque está escutando as cores
das notas, pois não escutou nenhuma outra nota para relacionar com esta.
Então, no início, o ouvido estava perdido. Nós pegamos e trabalhamos com tons simples
para estabelecer o ouvido relativo. Então, quando desenvolvida esta habilidade, e o ouvido
está condicionado a isso, a ter uma nota base, nós adicionamos as outras notas que não fazem
parte disso tudo, que vai levar com que ela escute as cores para identificar as notas.
Então, quando ela puder nomear as notas, nós começamos a tocar duas notas de uma
só vez, para estabelecer o ouvido absoluto.
E, quando a criança pude reconhecer dois ou três tons tocados ao mesmo tempo, então
podemos dizer que o ouvido absoluto está estabilizado.

Perguntas e Respostas

P – As mesmas considerações que temos para os adultos devemos ter para as crianças?

R – Sim, as mesmas considerações. Em particular não devemos cansar o ouvido da criança.


Ouvido de crianças podem escutar por curtos períodos de tempo. Somente alguns minutos por
dia, quando você ver que a atenção dela já não está tão ligada, pare por aí. Isso deve
acontecer rapidamente, pois eles só podem se concentrar alguns minutos por dia. E temos que
ir par aos exercícios, eles devem fazer os exercícios. É importante que eles pensem ao nível
de cores.

P – Quando a criança está aprendendo os 12 tons cromáticos no seu instrumento, ela poderá
usar outros instrumentos?

R – Bem, o ideal é que a criança aprenda os tons no seu próprio instrumento. Se a criança toca
flauta, esta não pode fazer acordes, mas é preferível que a criança seja voltada para aprender
os tons no seu instrumento até que a discriminação das cores esteja concreta em seus
ouvidos, aí sim, podem mover para outros instrumentos.

P – Quando estamos tocando acordes para eles identificarem, devemos tocar somente acordes
simples ou devemos tocar alguns mais complexos também?

R – Isso depende do andamento de seu treinamento. Somente você, o pai ou professor é que
pode determinar o que deve tocar ou não para a criança identificar. É claro que o certo é
começar com acordes simples e, quando você perceber que a criança pode identificá-los sem
problemas, então mova para acordes mais complicados. É interessante tocar acordes que
tenham uma ou duas notas cromáticas.
P – Quanto tempo leva para uma criança desenvolver o Ouvido Absoluto?

R – Cada criança terá seu tempo para aprender, é difícil determinar, mas logo que virmos
progresso, ficaremos satisfeitos com o resultado. Algumas crianças têm mais talento, então
desenvolverão mais fácil, outras, demorarão mais um pouco.

P – Motivação pode ser um fator importante?

R – Sim, claro. É como as lições normais de instrumentos, a criança só aprenderá quando


estiver envolvida com isso. Música é uma delicada arte, e muitas vezes o desafio de aprender
é o que motivará a criança a se dedicar àquilo.

P – Eu fico pensando se lições para crianças muito novas são importantes ou se o ideal é
deixá-las crescer um pouco.

R – Quanto mais nova a criança puder começar a aprender, melhor para ela, é claro que
crianças muito novas precisam começar com algo bem simples. Lembre-se que esta habilidade
é excelente, e traz muitos benefícios a quem a possui. Se a criança desenvolve esta habilidade
de escutar melhor, vai se desenvolver facilmente em seu instrumento. Eu acho essencial que
se integre a mente e o coração, o intelecto e os sentimentos na música, por isso é importante
todo este treino para a criança.

P – O que você acha do ensino da música em escolas hoje em dia?

R – Acho isso muito bom, mas este ensino não é completo. É algo generalizado. Veja, a
música é uma arte refinada. E uma das coisas que falta é desenvolver cada indivíduo. Pois oq
eu você é por dentro refletirá em sua música. Você não tem como escapar disso. Um espelho
só pode refletir o que está diante dele. Um músico só pode refletir ele mesmo em sua música.
Por isso, tudo que pudermos fazer para desenvolvermos a nós mesmos, refletirá em nossa
música. Algo que é necessário de se saber é que o ouvido absoluto é simplesmente uma parte
deste imenso cenário musical. Eu espero que num futuro próximo, a música seja estudada em
um diferente contexto, sendo aplicada ao individual de cada um, estudando um
desenvolvimento pessoal.

P – O que você nos deu foi somente um senso de como treinar as crianças, não uma linha de
exercícios e regras.

R – Exatamente. Não é possível para nós construir uma série de exercícios para as crianças.
Você precisa trabalhar com ela, se adaptando à realidade dela. Use as informações e as idéias
que foram discorridas. Veja, um pai que pode sentar com o filho e ir treinando as notas,
estando atento aos erros e acertos, isso faz com que este seja um treinamento personalizado.
Automaticamente, o professor real é você, o pai. E você precisa trabalhar com a criança, dia a
dia, com todas estas bases para o ouvido absoluto.

E lembre-se: quando o ouvido da criança está aberto, está aberto para toda a sua vida.
CURSO DE
TREINAMENTO
DO OUVIDO
ABSOLUTO

Manual

TRADUZIDO DO ORIGINAL: “PERFECT PITCH EAR TRAINING SUPER


COURSE – HANDBOOK” DE “DAVID LUCAS BURGE”

TRADUTOR: ISAQUE CIPRIANO


Manual do Curso de Treinamento de Ouvido Absoluto

Como usar este livro

Parabéns pela sua decisão de refinar seus ouvidos e bem-vindo ao treinamento do


ouvido absoluto.
Você tem em mãos uma série de alto nível que vai te dar resultados nunca vistos.
Você vai aprender por um revolucionário método diretamente da fonte, David Lucas
Burge, explicando em detalhes a arte do desenvolvimento do ouvido absoluto.
O Curso completo consiste de lições e este livreto que é um material complementar.
Ouvido absoluto é fácil de entender e divertido de se praticar, mas é algo sutil, difícil de
expressar em um livro. Muitos músicos escutam o áudio várias vezes para poderem
compreender o que é explicado.
As técnicas de treinamento do ouvido que você escutará foram provadas como efetivas
por milhares de músicos no mundo. Esse programa também é usado em escolas e
Universidades e por professores particulares de música.
Pronto para começar? Leia até a parte indicada e siga as instruções.

Introdução

Prezado Músico
Quando reformulei o curso, adicionei novos detalhes ao material. Durante 20 anos
pessoas usam este material no mundo e tem diversas histórias de sucesso.
Você vai ler várias referências à seminários. Atualmente não viajo mais para seminários,
pois estou super-atarefado com muitos outros projetos na minha vida. Mas aqui você tem tudo
o que você precisa.
O Curso é estruturado em 24 lições:
Fase introdutória: lições 1-4
Fase 1: (fase preparatória) lições 5-12
Fase 2: (Discriminação das cores dos sons) lições 13-23
Fase 3: (Nível avançado) lição 24
Você também encontrará uma lição suplementar, chamado “Pontos Importantes”. Leia a
qualquer momento, quando você estiver com alguma dúvida ou dificuldade.
Esse curso também inclui lições adicionais chamadas “Ouvido Absoluto para Crianças”.
Essa seção é para adultos lerem depois de terem lido pelo menos até a lição 12 e estiverem
familiarizados com o escutar as cores.
Para começar, estude a lição 1. No fim de cada lição, você receberá instruções. Siga-as.
Estude no máximo uma lição por dia, mesmo que você tenha completado aquilo que foi
pedido. Eu sei que você está louco para escutar tudo de um a vez, mas guarde algumas
surpresas para mais tarde. Tenha paciência. Siga cada lição passo-a-passo e você terá
grandes resultados.

Próximo passo: Ler a lição 1.

Ouvido perfeito - a habilidade musical que permite ao seu portador: 1 – Identificar tons,
acordes e tonalidades pelo ouvido; 2 – relembrar ou cantar tons da sua própria memória na
afinação certa; 3 – julgar a afinação das notas sem referência externa; 4 – experimentar um
senso de cores dos sons parecido com s cores visuais. Também chamado: Ouvido Absoluto,
Escutar As Cores. (definição do dicionário pessoal de David Lucas Burge).
1

Como Descobri o segredo do ouvido absoluto

Tudo começou com uma rivalidade de adolescente.


Eu estudava piano 5 horas por dia, Linda estudava muito menos e brilhava como a
estrela da nossa escola. Era frustrante.
O que ela tem que eu não tenho ? Sempre me perguntava.
A melhor amiga de Linda, Sheryl, veio até mim e ateou mais fogo na história: “Você
nunca será como a Linda, ela tem um ouvido absoluto”.
Perguntei o que era um ouvido perfeito.
Ela me disse sobre a habilidade de Linda e nomear qualquer tom e acorde pelo ouvido,
como ela podia cantar qualquer tom da sua memória, como podia tocar músicas logo após
ouvi-las.
Meu coração afundou. Seu ouvido fantástico era a chave para seu sucesso. Como eu
poderia competir com ela ?
Isso me aborreceu. Será que ela tinha mesmo um ouvido absoluto? A perguntei e ela
disse que sim. Mas isso era muito bom para se acreditar. Perguntei se poderia testá-la e ela
disse que sim.

Agora ela engoliria suas palavras...

Meu plano era simples. Quando ela menos suspeitasse, eu pediria que ela nomeasse
notas para mim, pelo ouvido.
Eu a coloquei de pé, de forma que não pudesse ver as teclas do piano. Tive certeza que
nossos colegas de classe não a ajudassem. Deixei tudo perfeito de forma que pudesse provar
que seu ouvido absoluto era apenas uma piada.
Com uma apreciação silenciosa eu escolhi um Fá# e toquei.
“Fá#”, ela disse.
Eu fiquei atônito. Logo toquei outro tom.
“Dó”, ela disse, sem parar para pensar.
Eu toquei diversas notas, aqui e ali, mas ela sabia quais eram as notas todo o tempo.
Ela era incrível.
“Cante um Mib”. Ela cantou. Conferi no teclado e estava correto.
Eu estava fervendo. Pedi para que ela cantasse diversos tons e fiz questão de aumenta
a dificuldade. Ela cantou cada nota perfeitamente.
Eu estava perplexo.
“Como isso funciona?” perguntei. “Eu não sei”, ela respondeu, e foi tudo o que consegui
dela.
O deslumbramento do ouvido perfeito caiu sobre mim como toneladas de tijolos. Agora
eu sabia que o ouvido perfeito realmente existe.

Não podia imaginar...

“Como ela faz isso?” Continuei a me perguntar. Por outro lado, por que não são todos
que podem reconhecer e cantar tons pelo ouvido ?
Fiquei frustrado. Pessoas se autonomeam músicos e não sabem diferenciar um dó de
um dó# ou um lá maior de um fá maior. Isso é tão estranho quanto um pintor de retratos não
saber nomear as cores de tinta de sua palheta.
Humilhado e embaraçado, fui para casa com este problema. Para um garoto de 14 anos,
isso era difícil de entender.
Saiba que eu tentei. Com uma conversa, convenci meus 3 irmãos a tocarem tons no
piano para mim, para eu nomeá-los com o ouvido. Mas se tornou um jogo de adivinhações. Eu
não podia vencer.
Dia a dia eu tentei aprender aqueles tons. Eu batia numa nota durante muito tempo, mas
horas mais tarde eu a esquecia. Por mais que eu tentasse, não podia reconhecer os tons pelo
ouvido. Depois de um tempo, eles soavam todos iguais, como eu poderia distingui-los ?
Eu faria qualquer coisa para ter um ouvido igual o da Linda. Mas descobri que estava
acima do que eu poderia fazer. Então, depois de semanas, eu desisti.

Então aconteceu...

Era um milagre... Uma virada da fé... como achar o perdido Santo Graal...
Quando eu parei de esforçar meu ouvido, eu comecei a escutar Naturalmente. Então o
simples segredo do ouvido absoluto simplesmente apareceu.
Curiosamente eu notei fracas “cores” com os sons. Não cores visuais, mas cores da
afinação, cores do som. Eles sempre estiveram ali. Mas havia sido a primeira vez que eu deixei
que eles aparecessem – e escutei – para descobrir esta diferença sutil.
Então, na minha própria incredulidade, eu também podia nomear sons pelo ouvido. Era
simples, eu podia escutar como um fá# soava enquanto o sib tinha um som totalmente
diferente. Algo como “escutar” vermelho e azul.
A conquista me deixou perplexo: Isso é o ouvido perfeito. Era assim que Bach,
Beethoven, mentalmente podiam ter uma visão de suas peças, e saber tons, acordes, e tudo
mais, tudo pelo ouvido.
Isso era muito infantil – Eu senti que qualquer um poderia destrancar seu ouvido
absoluto com o simples segredo de “escutar as cores”.
Cheio de excitamento, eu contei para minha amiga Ann, uma flautista.
Ela riu de mim, dizendo que tínhamos que nascer com o ouvido absoluto e não havia
como desenvolvê-lo.
Eu disse que ela não entendia o ouvido perfeito. Eu mostrei a ela como escutar.
Timidamente, ela confessou que podia escutar as cores das notas. Com isso, Ann também
ganhou um ouvido absoluto.
Nos tornamos celebridades instantaneamente. Todos amavam dizer tons para que
cantássemos. Eles tocavam acordes para que disséssemos quais eram. Eles nos
questionavam sobre a tonalidade de uma música. Todos estavam fascinados com nossos
poderes “sobrenaturais”, menos eu e Ann, que achávamos isso tudo normal.
Então, nunca havia sonhado que eu causaria um barulho no mundo acadêmico. Na
universidade, eu falava para os professores sobre minha descoberta, e eles riam dizendo que
era necessário nascer com o ouvido absoluto. Então eu os mostrava o segredo e eles
escutavam por si próprios. Vocês não imaginam como mudaram de opinião.
Meu “ouvido perfeito” me permitiu pular 2 cursos de música. Tudo era mais fácil para
mim.
Eu aprendi que definitivamente música é a arte de escutar.
Ah, você deve estar pensando o que aconteceu com Linda.
Eu estava completando a escola, com quase 18 anos. Nos três anos e meio com o
ouvido absoluto, minha professora de piano insistiu em dizer que eu havia feito progresso de
10 anos. E tinha. Mas não estava satisfeito. Eu tinha que vencer Linda. E esta era minha
chance final.
A Universidade de Delawares fez um festival de música completo, com juizes e prêmios.
Para meu pavor, eles me colocaram como o Grand Finale do evento inteiro.
Chegou o dia. Linda fez sua usual apresentação, com grande estilo.
Na minha vez, eu sentei ao piano e toquei com todo meu coração. Os aplausos foram
intensos.
Mais tarde, colocado no quadro de boletins, as notas.
Descobri que recebi um A+ nas categorias avançadas de execução. Linda recebeu um
A.
Essa doce vitória soou como música aos meus ouvidos...
2
Ouvido Absoluto: O fenômeno

Apreciado por séculos como a perfeição máxima do ouvido virtuoso, Ouvido Absoluto dá
ao seu possuidor um mestrado da linguagem musical.
Nos tempos clássicos, Bach, Beethoven, Mozart, Handel – e a maioria dos grandes da
música – tinham um ouvido perfeito.
Quando Mozart tinha 7 anos de idade, um amigo emprestou a ele um violino com um
som admirável. O pequeno Mozart disse que o violino tinha a afinação um quarto de tom bemol
que seu violino, sem uma comparação direta. O pai dele insistiu para que se comparassem os
dois violinos. É claro, o ouvido dele era impecável.
Do clássico ao pop ao rock ao jazz muitos dos superstars têm um ouvido absoluto: Frank
Sinatra, Leonard Bernstein, Barbra Streisand, Julie Andrews, André Previn, Stevie Wonder, Nat
King Cole, Miles Davis, Ella Fitzgerald, Glenn Gould, Yngwie Malmsteen, Eric Johnson, Tommy
Mars, Bela Bartók, Jascha Heifetz, Paul Shaffter, Yo-yo Ma, Yanni,etc.
Na população em geral, o ouvido absoluto é algo raro. No meio musical, o número sobe
bastante.
Por exemplo, na escola de Música Julliard você encontra 10% dos alunos com essa
habilidade. Numa orquestra sinfônica você encontrará de 20 a 40%. Dos artistas mais
populares, você encontra em média 50%. Dos Artistas TOP, você chega a encontrar 87%.
Profissionais consideram um bom senso de afinação como o mais importante valor
elementar da musicalização, acima até de outras habilidades essenciais, como um bom ritmo,
técnica, memória, criatividade, etc. Mesmo com vários anos de formação, os músicos que
alcançam sucesso são aqueles que tem a habilidade de ouvir.
Cantores acham algo muito valioso no ouvido absoluto, pois adquirem a capacidade de
localizar afinações obscuras, cantar no tom e produzir as notas afinadas com pouco ar. É muito
interessante quando você escuta pela primeira vez um vocalista cantando um “Dó” agudo e o
reconhece, ou quando você pode dizer se a afinação está meio alta ou baixa.
Olhando partituras musicais, outros verão bolinhas pretas. Mas com o ouvido perfeito,
você pode mentalmente escutar cada som. Essa habilidade mental de escutar a música pelas
cores melhora a memória musical.
Ouvido absoluto é mais que nomear notas individuais pelo ouvido. Você pode escutar e
saber o tom da música e seguir os acordes pelo ouvido, em todas as camadas da harmonia e
melodia.
Diversas habilidades são confundidas com o ouvido absoluto, mas essas habilidades na
verdade se expandem com um profundo conhecimento da afinação.
Por exemplo, com o ouvido absoluto não significa que você vai poder tocar de ouvido,
mas se você quer tocar de ouvido, o ouvido absoluto é extremamente necessário.
O ouvido absoluto também adiciona uma apreciação estética da música. O psicólogo
acústico A. Bachem descobriu que “particular características de certos tons, exemplo,
brilhantismo do lá maior, maciez do ré bemol maior, só pode ser apreciado com um ouvido
absoluto”.
Para o ouvido de cores, o completo espectro das afinações é uma maravilhosa exibição
de cores distintas da afinação que dança com a estrutura musical, combinados para formar
vários acordes e tonalidades. Essa riqueza de som extende-se acima da esfera musical até a
vida do dia-a-dia. Por exemplo, quando seu ouvido ficar mais alerta, você perceberá que irá
reconhecer vozes no telefone mais facilmente ou aprender outra língua com uma certa
facilidade.
Música é a arte de escutar, então quando você desenvolve seu ouvido, você toca tudo
na música. Todas as possíveis passagens de habilidades musicais e talentos é ultimamente
ligado ao seu ouvido.
3
O Mistério do Ouvido Absoluto

Muitos pensam que você nasce ou não com o ouvido absoluto. Muitos consideram como
um presente dado à personalidades pródigas. Muitas vezes músicos pensam que o ouvido
absoluto está acima de suas capacidades.
Não é assim. Essa habilidade super-refinada de escutar não é um presente místico.
Praticamente todos os músicos tem uma natural mas normalmente subnutrida capacidade de
distinguir os sons em seus ouvidos.
Ouvido Absoluto é escutar as cores. Da mesma forma que você vê as cores e as
reconhecer – vermelho, verde, azul, amarelo – seu ouvido tem a capacidade de reconhecer as
cores das notas – Dó#, Mi, Fá, Solb – Seus olhos vêem cores da luz, seus ouvidos escutam
cores dos sons.
As 12 cores cromáticas podem também serem comparadas a 12 temperos na cozinha.
Cada um tem seu próprio cheiro que o distingue do outro. Quando você cheira o alecrim, você
sabe que é alecrim sem qualquer comparação.
Os sons são bem abstratos, mas quando você pegar isso, você descobrirá que é algo
bem normal.

O que bloqueia nosso senso de afinação?

Sem o ouvido absoluto, os ouvidos comuns trilham em sobras do mundo da música


pintado só em escala de cinza. Um mundo onde os sons sobem e descem, mas parecem todos
iguais.
Mas por que isso? O que nos previne de escutar as cores da música?
A principal razão porque as pessoas, incluindo músicos, não desenvolveram um ouvido
perfeito é simplesmente uma carência de um escutar apropriado – uma carência de uma
orientação auricular na vida.
Psicologistas dizem que nós somos 80-90% orientados pela visão. Cedo na vida nós
aprendemos as cores visuais – vermelho, azul, verde, amarelo – mas quão freqüente uma
criança é orientada a conhecer as cores musicais do Fá#, Dó, Ré, etc.?
Nossa visão é o senso dominante, usado absolutamente para quase tudo, exceto
escutar música. A coisa mais difícil que nossos ouvidos têm que fazer é aprender os sons das
palavras faladas, um dos nossos primeiros esforços. Imagine se nós tivéssemos gasto tempo
em escolas de música escutando os sons e treinando os ouvidos, como nossos ouvidos teriam
sido desenvolvidos.
Um ouvido comum pode escutar qualquer tipo de música e a apreciar, mas escuta de
um nível de percepção diferente, como se o ouvido fosse tomado por uma dureza e preguiça,
porque ele nunca escutou tão próximo.
Não acontece isso com pessoas que escutam as cores dos sons. É como se o ouvido
nunca houvesse parado para escutá-los.
E não é porque as pessoas são desafinadas. A verdadeira desafinação é algo raro.
Pessoas que aparentam ser desafinadas têm na verdade uma deficiência na formação musical.
Nenhum músico é desafinado, não importa o quanto ele toque ou cante.
Para muitas pessoas escutar é mais um senso enganoso que ver. E porque o ouvido
absoluto é mais sutil que nosso senso de escuta, não é surpresa que o ouvido absoluto
demora-se mais para ser desenvolvido.
A maioria dos ouvidos – e isso inclui você – tem a capacidade de escutar as cores das
notas. De fato, muitos músicos já escutam as cores das notas numa extensão, sem mesmo
estarem conscientes disso.
A síndrome das notas amargas

Muitos músicos dizem que não querem um ouvido perfeito porque esta percepção os
farão muito sensíveis. Muitos dizem que “sofrem” com o ouvido perfeito por terem um ouvido
tão bom, que se confundirão se transportarem a música (esses problemas costumam ocorrer
com quem tem o ouvido relativo).
Essas objeções mostram certa frustração ou falta de entendimento por parte daquele
que desejaram e não conseguiram adquirir os segredos desta habilidade.
Outros insistem em dizer que o ouvido absoluto não pode ser desenvolvido. Mas eu vou
mostrar que pode sim, e meus alunos são prova disso.
O compositor e teorista Paul Hindemith escreveu esta experiência: “o tempo mais uma
vez mostrou que o ouvido absoluto pode ser adquirido e desenvolvido” (Elementary Training
For Musicians pp206).

A astuta aventura do Ouvido Absoluto

O Ouvido Absoluto é uma arte sutil. Se não fosse, todos teriam a desenvolvido muito
tempo atrás.
O ouvido absoluto não pode ser adquirido somente conhecendo uma série de exercício
de qualquer sorte. Como você descobrirá nas Lições, tem alguma elegância nisso.
Muitos que não entendem o sentido de Escutar as Cores forçam o ouvido. Alguns tocam
notas repetitivamente na esperança de memorizá-las. Outros tentam dizem o quão alto ou
baixo estão determinadas notas. Eu sei porque eu mesmo fiz isso. Descobri que um som não
ficará gravado na sua mente pra sempre, até você perceber uma certa qualidade diferenciada
entre os sons. Essa qualidade é a cor.
As cores dos sons estão todos no ouvido, não existem no mundo objetivo. Pegue a cor
azul Não existe diferença real entre o azul e o vermelho, exceto que as luzes do vermelho
vibram mais lentamente. A cor azul que a gente vê está nos nossos olhos.
Igual a isso, não existe qualidade sonora diferente entre um Fá e um Sol. Mas se as
escutarmos mais profundamente, veremos uma diferença de cor. Esta distinção está toda em
nossos ouvidos, parte de nossa natural capacidade de escutar.
Ouvido absoluto não é um objeto, uma jóia que pode ser confiscada à força. É mais um
enigma esperando pela resposta certa que te faz dizer: “ahhhh”.
Já aconteceu com você ? De você ficar horas pensando na solução de um problema e,
depois de parar de pensar, de repente, a resposta simplesmente aparecer na sua mente, e
você pensar “Mas é tão simples!”. Neste momento que descobrimos que a verdade está na
simplicidade de uma criança.
Ouvido absoluto é isso. É um enigma. Mas você não pode resolver com sua mente, sua
inteligência, sua lógica. Na verdade o enigma é do ouvido.
Estamos começando bem. Sabemos que o ouvido absoluto é escutar as cores. Mas
essa não é a solução final. Não é a experiência final de percepção. É somente um sinalizador
dizendo que direção tomar.
Técnicas apropriadas são importantes. Mas nenhuma técnica funcionará sem a devida
aplicação. Existe uma fineza nesta técnica: como focar e preparar o ouvido, e ao mesmo tempo
relaxar e expandir a consciência do ouvido.
O treinamento é simples e delicado. Enquanto você continua com as lições você irá
repercutir mais e mais na arte. Um escutar astuto é a chave para o sucesso.
Lembre-se: Cada som tem uma cor. Para alcançar esta dimensão da sua percepção
você precisará de: entendimento próprio, práticas passo-a-passo, escutar atentamente e –
talvez o mais importante – a não-assumida inocência de uma criança.
4
Cor da Nota e Com do Tom

A Cor do Tom, ou Timbre é o que dá a cada instrumento seu som especial. Um piano
tem um timbre de piano, um violão tem o timbre de violão. Timbre nos diz qual instrumento se
está escutando.
Cada família de instrumentos tem seu próprio timbre. É fácil diferenciar um violino de um
saxofone. Todo violino tem um som de corda, enquanto todo sax tem um som metálico.
Mas o que causa isso?
O timbre é causado pelo único padrão de harmônicos que acontece quando um tom é
tocado. Harmônicos são tons fracos produzidos quando uma nota é soada.
Um piano, por exemplo, quando uma corda soa, ela vibra pra trás e pra frente. Mas você
notou que cada corda também vibra em meios, terços, quartos, ad infinitum?
Essas delicadas vibrações causam fracos harmônicos. Então, quando você toca um Dó
você não está somente tocando um Dó. Incontáveis harmônicos estão também soando, e você
pode escutar alguns se escutar bem de perto.
Tente experimentar em qualquer instrumento usando Dó como ponto inicial, toque Sol
que é 11 tons mais alto na escala. Escute este Sol e guarde a afinação no seu ouvido.
Agora toque o Dó, mas escute o Sol no lugar do Dó. Deixe seu ouvido relaxar no som, e
você ficará surpreso de escutar claramente o Sol – enquanto toca o Dó. Esse sol é um
harmônico do Dó, e lembre-se ele será bem fraco.
Tente isso no piano: abaixa a tecla e segure do Dó central, mas não deixe que ela soe.
Então, firmemente – mas rapidamente – toque o Dó abaixo. Você notará que o Dó central
soará. Explicação: o primeiro harmônico do dó baixo é o dó central. Esse harmônico faz com
que a corda do dó central vibre.
Tente o mesmo usando o Dó # central e o Dó baixo. Nada acontecerá, porque o Dó#
central não é um harmônico do Dó baixo.
Essa é a presença, ausência e força relativa dos harmônicos – e quando eles ocorrem –
que cria a cor do tom (timbre) do instrumento. Um som rico é devido a uma abundância de
harmônicos. A voz humana é rica em harmônicos. Um diapasão de forca não tem harmônicos.
As figuras abaixo mostram uma onda sonora sem harmônicos e outra com harmônicos.

Sem harmônicos

Com harmônicos

Atualmente o termo cor de tons é um pouco impreciso. Para mim qualidades do tipo “de
cordas”, “metálico”, “cheio” etc não são realmente cores – eles parecem mais texturas. Cores
são mais corretamente ligadas aos sons em si. Cada som tem sua própria cor. Sons são
diferentes cores que podem usar diferentes texturas.
Pense nisso: uma mulher pode usar um vestido vermelho, mas ele pode ser de vários
tecidos - seda, cotton, etc – cada um com uma textura específica. Mesmo assim a cor do
vestido continua sendo vermelha. Da mesma forma um Fá# tem sua cor que pode ser
costurado na textura de um violão ou um oboé. Mas independente do instrumento, continua
sendo um Fá#. Faz sentido ?
Somente lembre: Cores nos dizem a nota, timbres nos dizem o instrumento.
Pelo fato que os músicos têm algo de poesia em si, adotamos a palavra cor para o
nosso vocabulário musical. Em adicional à “cor do tom” as cores podem também referir a
textura harmônica, disposição melódica, dinâmicas, registros, ornamentos e dispositivo de
interpretação.
Todos esses usos para cores são liberais, redefinição de uma palavra que define algo
físico.
Alguns nos acusam de termos dado outra definição à palavra cor. Mas na verdade nosso
termo Cor dos sons é exatamente isso: a única cor sonora de uma especifica freqüência de
afinação. Mas também, parece que a Teoria Musica do Ouvido Absoluto tem sido a maior
investidora da palavra cor.

5
Escutar as Cores e Associação das Cores

Desde o início da história musical, os homens tem associado cores visuais à notas,
tonalidades, tempo, escalas, registros, timbres, texturas harmônicas, composições, e até
trabalhos inteiros de alguns compositores.
No 14º século D.C., Aristóteles fez uma equivalência das relações entre cores visuais e
música em seu De Sensu. No século 17 Sir Isaac Newton matematicamente correlatou as
cores prismáticas entre o vermelho e o violeta com os tons da escala Dó, Ré, Mib, Fá, Sol, Lá e
Sib – uma escala de dó em modo dórico.
Beethoven, Listz, Schubert, Scriabin, Rimsky-Korsakov, Macdowell, e outros
compositors expressaram direta associação entre os tons musicais e/ou tons com cores
visuais.
No livro Color Psychology and Color Therapy, Faber Birren anotou:
“Entre outros compositors, Listz é creditado com muitas frases: ‘Mais rosa aqui’, ‘Está
muito preto’, ‘Eu quero isso tudo azul-celeste’. Beethoven chamou o Si menor como o ‘tom
preto’. Schubert associou o Mi menor ‘como uma donzela vestida de branco com um arco
rosa-vermelho no seu peito’. Para Rimsky-Korsakov, o nascer do sol era um Dó Maior e o Fá
sustenido era um morango vermelho.”
Esse sentimento de associação das cores aos tons musicais é chamado sinestesia –
uma energia entre os sensos de escutar e ver. Sinestesia pode também envolver um cheirar,
um provar, ou um sentimento de tato quando escutamos música.
Associação de Cores é muito subjetiva. Nenhum desses compositores associaram cores
visuais à música precisamente da mesma forma que outro. Scriabin chamou o Lá Maior de o
tom amarelo, enquanto Rimsky-Korsakov sentiu isso cor de rosa.
Os termos musicais sustenido e bemol parecem conotados como claro e escuro na
nossa cabeça. Por exemplo, um Fá# é mais associado a uma cor brilhante enquanto um Solb -
a mesma afinação – é associado a uma cor escura.
Os músicos e artista parecem ter um irresistível e místico senso de unidade entre o
escutar e o ver. Até a linguagem dos dois está repleta de expressões relacionadas: cor, tons,
cromatismo, sombra, brilho, intensidade, volume, etc.
Uma das mais novas referências a uma coordenação formal entre as artes visuais e
musicais foi por Louis Bertrand Castel no seu La Musique em Couleurs (1720). Arthur Bliss
escreveu uma sinfonia com cada movimento chamado depois de uma cor. E o compositor
russo Alexandre Scriabin escreveu uma colorida e clara fantasia para acompanhar Prometeus,
the Poem of fire (1910) – o prelúdio para shows de luzes e concertos de rock.
Para a classe de artes da escola, eu escrevi um termo no papel que comparou cores
visuais com cores dos sons. Incrivelmente, eu não tive nenhuma referência. Eu escrevi o que
eu senti. Meu professor gostou tanto da comparação que me deu um A+ e fez uma cópia para
suas recordações permanentes.
O ponto é, seja qual for nosso fascínio entre as cores e a música, Escutar as cores e
associação das cores são coisas diferentes. Escutar as Cores não termina em associar as
cores para reconhecer os tons. Você não tem que pensar em Fá# como vermelho – a menos
que você queira. Mas nós vamos aprender a escutar as cores absolutas de cada som – cores
que se escutam, não se vêem.
6
Ouvido perfeito e Canto

Para cantar numa afinação perfeita – e manter-se no tom sem nenhum


acompanhamento – precisamos de 3 coisas: 1 – Ouvido absoluto; 2 - Controle; 3- Atenção.
Pessoas acham que por se ter um ouvido absoluto se canta bem. Hah, essa é boa!
Não posso dizer quantas vezes aconteceu comigo de pessoas me apresentarem e
quando o ouvido absoluto era mencionado, a pessoa dizer: “Eu adoraria ver você cantar”.
Você tinha que ver as faces deles quando eu me desculpava e não cantava,
Ouvido absoluto é no ouvido – não nas cordas vocais. Parece irônico, mas por você ter
um ouvido absoluto não significa que você automaticamente se tornará um ótimo cantor (para
isso um instrutor de canto é essencial).
Você pode ter o melhor ouvido do mundo e uma péssima voz.
Lembro que minha professora de piano começava as páginas cantando triunfalmente,
sempre começando no tom certo, mas rapidamente atravessava vários tons. Ela queria
enfatizar as partes fortes e ia quatro tons sustenidos. Mas ela tinha um ouvido absoluto
impecável.
Mas o que faz uma pessoa com um ouvido absoluto cantar notas erradas?
Lembre-se que para cantar precisamos de ouvido absoluto, atenção e controle. Isso
significa:
Com ouvido absoluto você pode pensar em uma nota e cantá-la sem referência e
afinada. Mas você tem que ter um controle vocal se não as notas sairão fora da afinação. Um
bom controle costuma aparecer naturalmente em algumas pessoas e com muito treino em
outras.
Ouvido absoluto não significa que você vai acertando as notas enquanto canta. Se não
tiver atenção, você pode cair ou subir a afinação das notas.
Ouvido absoluto não é uma afinação computadorizada que sempre te leva à afinação
correta. É mais uma habilidade artística. Você pode estar no tom, mas tem que prestar
atenção.
Agora o ouvido absoluto é a melhor coisa que pode acontecer com um vocalista, pois ele
cria todas as notas de ruídos. As cordas vocais não têm teclas com os sons definidos, igual a
um piano.

Mais um ponto sobre cantores:


Muitos desenvolvem um pseudo-ouvido absoluto que é a tensão vocal. Conhecendo sua
capacidade vocal, você julga um anota por sua tensão vocal. Muitas pessoas podem se
desenvolver com isso, mas precisam levar em conta climas, variações de ambientes, etc.
A tensão vocal não é o ouvido absoluto, já que este é o escutar das cores das notas.

7
Ouvido Perfeito e Ouvido Relativo

Em algum ponto da caminhada, todo músico quer ter um ouvido melhor. De organistas
de igreja a pianistas de jazz aos rockeiros guitarristas autodidatas, todos tentam pegar músicas
de ouvido e querem atalhos. Mas cuidado: não existem reais atalhos para o crescimento
musical, só caminhos complicados.
Muitos músicos completam 2 a 4 anos de treinamento de ouvido na escola. Por quê?
Porque as escolas sabem que o sucesso na música depende do ouvido. Eu entendo que
metade da parte de teoria musical deveria ser para desenvolver o ouvido. Sendo que dessa
parte, 50% do tempo para o ouvido absoluto e 50% para o ouvido relativo.
O ouvido relativo traduz a música que você escuta em uma clara imagem musical. Sem
o Ouvido Relativo seria como uma tv com a imagem embaraçada – um monte de acordes
desconhecidos que você não entende. Com o ouvido relativo todos esses tons aparecem em
foco, então você pega todos os detalhes do que está acontecendo. O ouvido perfeito, então,
vem e traz vida à música, colocando cores na nossa imagem da tv.
Entenda: Ouvido relativo sem o absoluto, traz a você uma imagem clara, mas em preto e
branco. Ouvido absoluto sem o relativo você tem uma tv colorida com a imagem desfocada:
você pode nomear as notas (cores) pelo ouvido, mas não sabe exatamente o que está
acontecendo.
Por isso é que os ouvidos absoluto e relativo trabalham melhor juntos. Com ambos, você
tem uma super-tv colorida com imagem perfeita – a figura musical completa, o ouvido final para
o sucesso.

O que é o Ouvido relativo?

O ouvido relativo é a habilidade de se comunicar na linguagem musical. Quando você


domina uma linguagem, você pode se expressar melhor.
Música é uma linguagem universal. Praticamente todos podem apreciar a música, mas
nem todos podem falar a linguagem da música fluentemente. Não são todos que podem cantar,
tocar ou compor.
O ouvido relativo é um ouvido refinado para a música. Você pode chamar de Escutar as
relações – a habilidade do ouvido de “ler” a linguagem musical. Aqui não digo ler uma partitura,
mas digo a habilidade de entender tons e acordes pelo ouvido.

Como o ouvido relativo funciona?

Quando 2 tons são tocados, qualquer um deles, uma relação ocorre entre eles. Você
escuta isso como um específico padrão de sons ou intervalos:

3ª 5ª 7ª
Maior justa maior

Existem basicamente 21 intervalos na música, cada um com seu nome e som. Então por
que se preocupar em aprender os sons dos intervalos musicais? Intervalos são blocos brutos
de toda melodia. Intervalos são também blocos de acordes. De fato, Intervalos são blocos em
toda a música.
Aprender os intervalos pelo ouvido é o primeiro passo para o ouvido relativo. O mais
difícil intervalo da música para se cantar é o de 4ª aumentado, o chamado “demônio na
música”. Também chamado de quinta diminuta, nós podemos aprender facilmente este
intervalo com o ouvido relativo.
Quando se estuda o ouvido relativo, se aprende a construir todos possíveis tipos de
acorde e como reconhecê-los pelo ouvido com um senso de como se dá o progresso dos
acordes e relacionar um com o outro. Ouvido relativo é um processo de criar um catálogo de
tons ou uma livraria de sons.
Pessoas confundem o ouvido relativo com o absoluto. Muitos dizem “Eu tenho um
ouvido relativo, mas não chega a ser absoluto”.
A verdade é que um “absoluto” ouvido relativo nunca se tornará um ouvido absoluto, e
um fraco ouvido absoluto nunca se tornará um ouvido relativo. Um complementa o outro.
Como exemplo, pegue o acorde abaixo. Com o ouvido relativo você sabe que é um
acorde com 7ª maior.
Acorde com 7ª maior

Mas que acorde é esse? É onde o ouvido absoluto entra. Com o ouvido absoluto você
sabe que é um acorde de ré com 7ª maior.
Lembre-se que só o ouvido absoluto pode dizer que é um acorde de ré e só o ouvido
relativo que diz que é de 7ª maior. Entendeu como eles trabalham juntos?
Ouvido perfeito (absoluto) diz os sons exatos. Ouvido relativo diz a qualidade dos sons
escutados (maior, menor etc).
Atualmente, é o seu ouvido relativo que “destrava” os acordes, então claramente você
pode escutar todos os tons no acorde, ou acompanhar uma harmonia numa música.
É difícil dizer onde o ouvido absoluto pára de trabalhar e entra o relativo, na verdade os
dois trabalham juntos.
Por isso é que digo novamente: um ouvido com as duas habilidades é quatro vezes mais
potente do que um ouvido com uma só.
Quando se treina o ouvido nas duas habilidades, você percebe que cada uma abre seu
ouvido de uma forma diferente.

8
Níveis de Ouvido absoluto

Enquanto você desenvolve seu ouvido absoluto, seu ouvido passará por vários estágios
que indicam seu progresso. Vejamos cada um:

Nível 1: Conscientização das cores


O primeiro estágio é quando você está atento às cores das notas. Quando você sabe
como escutar e do jeito que discutimos nas Lições, você pode experimentar isso na hora.
Conscientização das cores não é uma experiência clara de cores dos sons, mas um
primeiro gostinho.

Nível 2: Discriminação das cores


O nível básico do ouvido absoluto. É quando você consegue identificar com o ouvido os
tons do seu instrumento.

Nível 3: Refinada Discriminação das Cores


É quando seu ouvido consegue se acostumar com os sons ao ponto de dizer se a
afinação está meio bemol ou meio sustenida.

Nível 4: Discriminação Universal das Cores


É quando o timbre já não esconde as cores das notas, e você consegue identificar os
sons em qualquer instrumento.

Nível 5: Discriminação espectral


É quando você consegue julgar se um som está meio sustenido ou bemol em qualquer
instrumento ou som que você escutar. É na verdade a Discriminação Refinada das Cores em
qualquer instrumento.

Nível 6: Recordação Oral


É o mais alto nível do ouvido absoluto. Com este nível, você, sem escutar um som, sabe
como ele soa. Isso dá uma afinação perfeita.
Esses níveis não são completamente isolados um do outro. Na verdade enquanto você
desenvolve um, vai desenvolvendo o outro.

Mas quanto tempo leva?


Desenvolvimento do ouvido absoluto leva diferente tempo, de acordo de como está o
seu ouvido. Hesito em arriscar um tempo. Isso varia de pessoa em pessoa. Mas se você
insiste, posso dizer que levará entre 6 meses e um ano, desde que você faça todos os
exercícios do curso.
O tempo que você gastar com o treino do seu ouvido trará ricos dividendos todos os dias
da sua vida.

9
Afinação de Concerto e Sintonização

A afinação de concerto (diapasão) é considerado o Lá acima do Dó central equivalente a


440 vibrações por segundo.
A afinação padrão era bem incerta nos séculos 16 e 17, com um Lá vacilante entre 373
Hz a 567 Hz. Nos dias de Bach, um Lá era afinado como 415, que poderia soar como um Láb
para nossos ouvidos contemporâneos.
O diapasão foi inventado em 1711 pelo Inglês John Shore. Handel teve um dos
diapasões originais, afinado como Lá-422.5. Mozart afinava seus pianos em Lá-422.12.
Se os compositores estivessem vivos hoje, seus ouvidos absolutos continuariam válidos,
eles só teriam que ajustar-se ao nosso padrão de afinação.
Alguns podem pensar como o uso dos instrumentos temperados está relatado com o
ouvido absoluto. A afinação temperada é a maneira contemporânea de fixar uma afinação com
distâncias matematicamente iguais.
Mas, em resumo, não é necessário ser um fanático por afinação. Só deixe seu
instrumento numa boa afinação. Seu ouvido não ficará embaraçado em adquirir discriminação
das cores com uma pequena diferença de afinação. Depois que você conhece o vermelho,
todas as variações de vermelho serão distinguidas pelo seu ouvido.

10
Música: A linguagem do coração

Todos os músicos sabem da influência dos sons. Suas ondas podem criar de uma
simples nota a uma imensa sinfonia. Certos sons se mostraram bons para fazer plantas
crescerem, enquanto outros inibem a vida. Platão discutiu a influência dos modos gregos no
psicológico humano. Novas musicalizações cristãs reconhecem esta influência e extraem
somente os modos que levam a edificação. A música tradicional hebraica “era um segredo
exotérico das classes de sacerdotes” designado para “ harmonizar a alma humana às várias
emoções expressadas nas Escrituras e pós-Bíblicas poesias do Judaísmo”. Místicos do Leste
proclamam que o Universo inteiro é a manifestação de uma vibração básica que emana do
silêncio eterno.
O som, quando organizado, tem um efeito profundo na alma humana. Qualquer emoção
ou sentimento pode ser transformado em som e transmitido ao coração de outro. Seja qual for
a música, seja qual for a paixão que capturou, isso são repetições renderizadas no coração
receptivo do ouvinte, igual a compreensivas vibrações pulando de uma corda para outra.
O verdadeiro mestre da música vai acima do degrau da academia. Ele é um mestre de
um som coerente. Ele sabe como compor uma frase musical de forma a ter uma máxima
sinergia entre seu impulso e o coração do ouvinte. Ele pode reenergizar uma frase durante sua
apresentação para garantir uma responsiva penetração ao núcleo de outro ser humano.
A grandeza e a força de um músico estão ultimamente contidas no seu profundo desejo
interior, e ao ponto que ele pode expressar isso. No livro “Greatness in Music” Alfred Einstein
escreveu que “grandeza significa a construção de um mundo interior, que está intimamente
ligado com o mundo físico dos humanos”.
Música é a fala do coração. Cada batida da música é a batida real de seu coração.
Quando um músico aprecia um ouvido bem afinado, sua música ressoa com mais energia e
poder que pode atingir o coração de multidões.

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Níveis de Percepção Musical

• Nível 1: Simples Audição


Codinome: Audição Perceptiva
Experiência: Tons puros
Base de percepção: O som da música
Critério: Simples apreciação
Nível de Não-musicalidade

• Nível 2: Apreciação Musica


Codinome: Audição Conceitual
Experiência: Crescimento do Senso de Música
Base de percepção: O sentimento da música
Critério: O efeito do despertamento da música
Nível de Estudante musical

• Nível 3: Ouvido Relativo


Codinome: Audição relacionada (escutar horizontalmente)
Experiência: Entender e falar a linguagem da música fluentemente
Base de percepção: Estrutura musical
Critério: Como os tons e acordes se acertam juntos inteligentemente para criar o efeito
que chamamos de música
Nível de Músico

• Nível 4: Ouvido Absoluto


Codinome: Audição das cores ( escutar verticalmente)
Experiência: A essência da música - sons
Base de percepção: Cores dos sons
Critério: Masterização de afinação perfeita pelo ouvido
Nível de Artista

• Nível 5: Mestre de Ouvido Virtuoso


Codinome: Audição Ressonante
Experiência: A fonte da Inspiração
Base de percepção: O nível mais profundo do coração
Critério: Como trazer específicos sentimentos ao ouvinte
Nível de Mestre em Música
Esse capítulo é para ser usado com a Lição 24/ Fase 3 e para todos Graduados no curso
de ouvido absoluto.

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Provocações Auditivas para Super-ouvidos

Parabéns! Você desenvolveu seu ouvido absoluto!


Durante a escola, eu andava em volta de meu amigo pianista Richard, o que eu disse
que teve lições com Mrs. Vinograd e que tinha um ouvido absoluto. Nós nos divertíamos com
vários testes para testarmos nossos ouvidos. Aqui estão alguns deles. Não pense que são
“impossíveis”, pois não são. Tente, é divertido tentar levar a melhor em cima do outro enquanto
se ajuda a afiar o ouvido absoluto.

- Escute profundamente a todos os sons que você escuta. Tenha amigos com vários
instrumentos tocando para você identificar tons de diferentes instrumentos. Escute o tom de
cada música tocada no rádio, nos concertos, e nas gravações. Escute especialmente a todos
os sons que você escuta – busina de carro, sino de igreja, campainhas, assobios, sirenes,
copos com água, etc, - e note os sons. Algumas vezes você terá de escutar bem de perto.
Minha amiga Ann (do capítulo 1, que desenvolveu o ouvido absoluto comigo), tinha uma gata
que miava claramente em Sib. Nestes dias claros, você com seu novo ouvido absoluto, sentirá
algo diferente em seus ouvidos. Isso é normal. Esteja escutando – e tenha um diapasão para
conferir por si mesmo. Enquanto você lapida seus ouvidos ganhará mais confiança nos seus
julgamentos. Mais tarde não precisará mais conferir.

- Afine seu violão ou outro instrumento de cordas pelo ouvido sozinho. Depois confira com o
diapasão.

- Escolha uma oitava diatônica. Deixe uma nota fora e toque as outras em ordem. Mande seu
companheiro nomear a nota que falta.

- Toque 5 a 10 sons em qualquer padrão de acorde. Nomeie as notas de baixo para cima.

- Toque 7 a 10 notas numa escala cromática. Deixe faltar uma nota. Nomear a nota que falta
mais a mais aguda e a mais grave.

- Pegue alguém que toque o mesmo instrumento que você. Um toca uma escala, o outro tem
que identificar pelo ouvido a escala e tocá-la também.

- Escute uma música moderna. Escolha um som. Mentalmente escute toda a escala cromática
a partir dela.

- Usando qualquer partitura, escolha qualquer linha, e escute calmamente a cada nota em sua
mente.

Boa diversão!