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Centro Paula Sousa Etec São José

dos Campos

Herbert Wagner n° 15
2° automação industrial noturno
ECO
Prof: Daumi
1. Introdução

Antigamente dizia-se que o operário vendia ao capitalista o seu


trabalho em troca do salário; segundo o contexto atual, ele vende a
sua força de trabalho.(Carl Max)

A relação empregado e empregador surgiu no mundo a partir do momento em


que o homem deixou de ser nômade e puramente extrativista. Com o início da
industrialização ficou mais marcante esta relação patrão e empregado, que nos
primórdios chegavam às raias da barbárie com o domínio de uns sobre os
outros pelo poder e pela força, configurando em passado não distante ainda
presente em nossa memória à escravidão indígena e a negra.
Temos ainda, nas relações atuais, resquícios de passado próximo em nossa
sociedade do coronelismo e senhores feudais que, através do poder
econômico, praticaram ou praticam o ato de usufruir dos semelhantes.
Vemos de forma marcante, mas extremamente dissimulada, a ação
escravizante que o sistema financeiro impõe no mundo globalizado,
concentrando renda e gerando miséria, onde muitos têm nada enquanto
poucos têm tudo. O neoliberalismo atual especializou-se em remunerar o
capital pelo capital, portanto sem produção, onde o trabalho a cada dia mais e
mais fica sem remuneração. Vivemos o "paraíso dos banqueiros", onde altas
cifras circulantes pelo Brasil e pelo mundo são remuneradas sem produzir
absolutamente nada, concentrando renda sem, ao menos, produzir e gerando
bolsões cada vez mais alarmantes de miseráveis.

2. Discussão

Um dos mais influentes cientistas sociais da atualidade, Claus Offe, é


também autor de um ensaio famoso acerca do capitalismo contemporâneo – o
qual inclusive cunhou uma das expressões com que se costuma designá-lo
presentemente, ou seja, “capitalismo desorganizado” -, na qual postula a
superação do trabalho como fato social principal da sociedade moderna, cuja
dinâmica central,tanto para as tradições clássicas burguesas quanto para as
marxistas, a caracterizariam precisamente como uma “sociedade do trabalho”
(Offe: 1994, 167).

Todo setor produtivo hoje, principalmente em nosso País vive sobre a


escravidão dos "juros", remuneração do nada, em detrimento ao trabalho que
representa a geração de recursos a serem distribuídos para alcançar um
mundo mais humano, e digno dos chamados animais racionais.
Fica claro que a relação capital-trabalho-distribuição de renda é complicada
desde o início da humanidade, e hoje, ainda sem a brutalidade de uma
escravatura, poder ou força, fica longe do que poderíamos chamar de racional.

Com o correr dos tempos a sociedade organizou- se em associações,


sindicatos, etc, etc, e conseguiu muitos avanços nas relações trabalhistas o
que permitiu uma melhoria na qualidade das mesmas sem, contudo, solucionar
o drama da relação da produção, renda e distribuição entre os homens.
No Brasil, a organização dos trabalhadores chegou ao êxito de fazer o
Presidente "um trabalhador",que ao chegar ao poder descobre a força do
capital e o fascínio do poder, que o descaracteriza do trabalhador de chão de
fábrica do passado, deixando claro que a solução não passa por um homem, e
muito menos por um dos lados do embate. Por outro lado, uns exageros dos
direitos trabalhistas (CLT), muitos empregadores vêem-se, às vezes,
pressionados pela ação emotiva e paternalista da lei que acoberta maus
trabalhadores, benecificiando-os com direitos sem as devidas obrigações.
Diante dos fatos uma realidade mostra-se clara:

» A relação capital x trabalho e distribuição de renda ainda está distante do


ideal.
» A cada dia, o desemprego é crescente e continuará crescendo, já que
"emprego" é uma relação
em “extinção” diante do impasse de direitos seja do empregado ou do
empregador.

O que se apresenta neste mundo globalizado como mais lógico diante da


falência do "emprego"
é buscar mudar a relação de patrão x empregado para patrão x patrão.

Surge aí o modelo cooperativista de trabalho, já antigo e legalmente amparado


pela lei vigente que se mostra como alternativa ideal para solucionar o acesso
ao trabalho, principalmente entre os profissionais universitários do Brasil.
Provando que a premissa é certa e coerente vemos as Unimeds, que são
cooperativas de médicos, prestarem relevantes serviços e solução ao caótico
sistema de saúde no Brasil. Convicta do raciocínio a AEASP - Associação de
Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo, organizou-se e fundou em
São Paulo, a COOTA - Cooperativa de Trabalhos Agrários, que congrega
profissionais em ciências agrárias, com dois intuitos únicos de promover o
acesso a trabalho profissional e servir a sociedade.

Cuidados têm que se tomar, para que profissionais e sociedade, nesta


empreitada de mudança comportamental, não perca o objetivo do
cooperativismo na promoção do homem em prol da sociedade.
São inúmeros os fatos em nosso meio de falsos idealistas usando o
cooperativismo desvirtuado para praticar a exploração do homem pelo homem;
são os famosos "coopergato".
Mantida a relação patrão x patrão, com cooperativa caracterizada em seus
princípios, e cooperado
consciente de sua obrigação, teremos um acesso mais justo e humano ao
trabalho, que vemos como única alternativa para o cenário futuro globalizado.

As conseqüências da Terceira Revolução Industrial sobre o trabalho e o


emprego têm levado muitos analistas a prognosticarem o fim da sociedade do
trabalho e o advento de uma civilização do lazer e do tempo livre. No presente
ensaio, interessa-nos polemizar acerca da suposta extinção da centralidade do
trabalho na vida contemporânea, as postulações de alguns defensores dessa
tese,assim como seu confronto com as tendências da realidade. Dedicaremos
especial atenção às argumentações teóricas de André Gorz as quais, embora
sua obra clássica já tenha completado vinte anos de sua publicação original,
não apenas preservaram boa parte de sua atualidade – pois muitas de suas
formulações estão presentes no debate de agora, independentemente de
nossa concordância ou não com elas -, mas ainda pelo fato de suas posições
sobre o “trabalho heterônomo”, como condição supostamente inescapável do
trabalho na modernidade, assumirem particular relevância na discussão
contemporânea sobre a temática do trabalho.

3.1 Como Competir na Era do Capital Humano


Continuamente temos presenciado a uma verdadeira avalanche de
mudanças que diretamente têm impactado o curso normal não só das
economias mundiais, além é claro das próprias empresas. A relação
capital X trabalho também tem se alterado de forma muito significativa.

Na verdade, mudanças sempre existiram. Porém, hoje as mudanças são


constantes e a velocidade em que elas ocorrem é cada vez mais rápida. Como
bem observa Peter Drucker, a atual regra dos negócios é estarmos preparados
para competir com competência, mesmo porque o passado não mais vai se
repetir. O sucesso de ontem já não garante mais o sucesso de hoje e
conseqüentemente não sustentará o sucesso de amanhã.
Edward Lawler que é fundador e diretor do Centro para Organizações
Eficientes, um centro de investigação da Escola de Administração de Empresas
da Universidade da Califórnia do Sul, foi o palestrante responsável em abordar
o tema Recursos Humanos durante a Expo Management 1998, evento
realizado em Buenos Aires nos dias 9, 10, 11 de Setembro.
E. Lawler, com muita propriedade apontou as principais forças que vêm
regulando o cenário atual seja ele econômico ou empresarial. (Tabela 1).
O sistema econômico mundial está hoje fortemente inserido no domínio do
sistema privado sobre a propriedade governamental, do mercado livre sobre
um controle central, o capitalismo se sobrepondo ao socialismo, a democracia
ao comunismo, e, por último, os mercados abertos praticamente eliminando os
mercados fechados.
Vale lembrar que numa economia cada vez mais globalizada a arena é o
mundo, o que nos faz concluir que hoje os desafios são bem maiores. Os
muros caíram. O paternalismo está dando lugar à competência a ao
profissionalismo.
Por outro lado, grandes mudanças também têm ocorrido no cenário
empresarial.
As empresas necessitam rapidamente ajustar-se a estes novos tempos sob o
risco de não mais se manterem competitivas e não serem eliminadas pela
concorrência.
Em meio a toda esta turbulência o ser humano, principal fator capaz de tornar a
empresa permanentemente competitiva passa a ser o centro das atenções,
pois somente seres humanos competentes e devidamente qualificados poderão
produzir ou prestar serviços com qualidade.
Vivemos ainda o processo de transição de modelos administrativos em muitas
empresas. O dinossauro corporativo, burocrático pesado, extremamente
hierarquizado, com baixo valor agregado está dando lugar a um novo modelo
de administração; mais ágil, rápido, com poucos níveis hierárquicos, focado no
cliente com a revisão permanente dos processos e com melhorias contínuas.
Bem ou mal é verdade que muitas empresas já fizeram ou passaram por seus
processos de dowsizing, reengenharia, qualidade total etc. É verdade também
que a tecnologia hoje está muito mais disseminada por todos os cantos do
planeta a custos cada vez mais baixos.
É verdade também que hoje não seria exagero nenhum se firmar que o mundo
está menor por decorrência de uma intensa rede de telecomunicação.

TABELA 1 - Novos Paradigmas do Cenário Empresarial


DE: PARA:
Pouca Competitividade Competição Global
Estabilidade Mudanças
Previsibilidade Incertezas
Individualismo Parceria
Rigidez Hierárquica Flexibilidade
Poder Centralizado Empowerment
Relação Ganha X Perde Relação Ganha X Ganha
Crescimento da População Diminuição da População
Motivação do tipo "Dilbert" Competência e Profissionalismo
Segurança no Emprego Empregabilidade
Diploma Educação Continuada
Carreira como Responsabilidade do
Carreira Definida pela Empresa
Individuo
Cargos Espaço Organizacional

A própria Internet com cerca de 200 milhões de usuários pelo mundo afora
também está dando a sua contribuição neste processo. Os consumidores estão
cada vez mais exigentes. O comércio eletrônico tende a transformar as regras
do comércio convencional.
Estamos passando de uma força de trabalho braçal para uma força de trabalho
intelectual. A gestão do conhecimento na empresa é algo que deva ser tratado
com bastante atenção, pois ela será um fator estratégico não só contribuindo
para a sobrevivência das organizações mas, também pelo seu crescimento
sustentável.
Todos esses fatores devidamente combinados estão acontecendo tão
rapidamente que as pessoas do topo já quase não conseguem mais
acompanhar, definir e saber exatamente o que ocorre na linha de frente, daí o
empowerment seja pela própria redução/ eliminação dos níveis hierárquicos
seja pela necessidade de buscar uma agilidade que até então não era exigida
no passado.
Algumas conclusões são oportunas à luz deste novo cenário. A capacitação
das pessoas será um dos fatores críticos de sucesso para a sobrevivência das
empresas nestes novos tempos. A prontidão para agir é outro ponto
importante, ou seja, necessitamos de pessoas pró-ativas que possam ousar,
correndo riscos calculados é verdade, mas que tentem buscar novas soluções
para antigos problemas e que se sintam motivadas a fazerem isto.
O conhecimento está em alta nesta era do capital humano, porém
conhecimento só não basta. É preciso que este conhecimento possa ser
colocado em prática, pois são as ações provenientes do conhecimento que
gerarão as soluções de que necessitamos. Resultados são conseqüências do
nosso poder de criar soluções para os problemas ou desafios que nos são
apresentados.
Evidentemente que deve haver também por parte das empresas não só um
"habitat" propício, favorável e encorajador a estas práticas como uma política
de incentivos que possa recompensar todo este movimento mesmo porque
mão-de-obra barata já deixou de ser vantagem competitiva há algum tempo.
O que está ocorrendo no mundo dos negócios é a forte convicção que a
qualidade de vida terá importância cada vez maior para as empresas
interessadas em atrair e manter talentos.
Em se tratando da área de Recursos Humanos (R.H), a organização do futuro
deve alinhar suas estratégias de R.H. a quatro pontos chave para o aumento
das qualificações dos seus colaboradores.
O primeiro ponto está associado ao conhecimento do trabalho, do negócio e
de todo o sistema que envolve as operações. Um segundo ponto é a
informação sobre os processos, qualidade, retroalimentação do cliente,
eventos e resultados comerciais.
O terceiro ponto está relacionado ao poder para agir e tomar decisões sobre o
trabalho em todos os seus aspectos e, por último, o quarto ponto diz respeito
ao sistema de recompensas praticado pela empresa que deve estar ligado aos
resultados comerciais e ao crescimento em capacidade de contribuições, ou
seja, no próprio desempenho das pessoas.
"Algumas empresas perguntam a seus clientes o que eles desejam. As líderes
de mercado procuram saber o que seus clientes desejam antes mesmo deles".
Esta máxima colocada por Gary Hammel C. K. Prahalad enfoca bem o senso
de pró-atividade que hoje as empresas necessitam.
Para competir neste cenário às empresas de alto desempenho procuram
manter pessoas com alta taxa de empregabilidade.
Empregabilidade sendo entendida como a capacidade de desenvolver novas
competências para estar em condições de atender as contínuas exigências e
desafios impostos no mercado de trabalho.
No passado, um justo dia de trabalho era recompensado por um justo
pagamento diário. A relação era a seguinte: se você fosse leal, trabalhasse
duro e obedecesse as ordens, a empresa, em troca, lhe ofereceria um trabalho
seguro e aumento de salário que de certa forma gerava uma certa segurança
financeira. Hoje o novo contrato de trabalho está inserido dentro de uma nova
formatação. O que se busca é uma associação mutuamente proveitosa entre
empresa e colaboradores. A nova regra é a seguinte: se você desenvolve
continuamente suas habilidades, aplica-as de modo que possa ajudar a
companhia a ter sucesso, se você efetivamente agrega valor ao negócio, a
empresa apoiará o seu desenvolvimento, propiciará um local de trabalho
desafiante e lhe recompensará pela suas contribuições. Esta é a nova regra do
jogo.
Na verdade a palavra emprego está em extinção, bem como quase tudo o que
dela decorre. Hoje o que devemos buscar é um trabalho. Antigamente o
importante era você ter um emprego para toda vida. Hoje o que importa é
você ser empregável pela vida toda. Daí a importância de investirmos
constantemente na nossa carreira, com ou sem subsídios por parte da
empresa, não importa. O que importa mesmo é que hoje o novo conceito de
carreira diz que é mais importante você ser empregável do que ter um emprego
e portanto, parar de estudar e de se atualizar é parar no tempo.
O sucesso da empresa está diretamente ligado a seu pessoal, seu principal
ativo, responsável pelo aumento da qualidade de seus produtos e serviços,
responsável no mercado pela sua competitividade.
As organizações de alta performance, além de manterem pessoas com alta
taxa de empregabilidade, também visam construir e manter equipes sinérgicas
e competentes.
Dentre as características que definem uma equipe de alta performance
podemos citar: liderança, alinhamento de propósitos, comunicação afetiva, uma
visão comum do futuro, foco no cliente, talentos criativos, rapidez de respostas,
responsabilidades compartilhadas, senso de justiça, ética, etc.
Vale lembrar ainda que cada gerente da empresa também é um gerente de
recursos humanos na medida em que ele direta e continuamente interage com
sua equipe de trabalho. Sendo assim, cada gerente também é responsável
pela administração do capital humano. Cada gerente da empresa,
independente de sua área de atuação, deve liderar sua equipe, recrutar e
treinar o seu pessoal, deve comunicar e orientar o curso das ações, deve
avaliar o desempenho de cada funcionário, propor mobilizações etc.
Vivemos numa sociedade espantosamente dinâmica, instável, desafiadora e ao
mesmo tempo evolutiva. Este é o nosso tempo.
Correrá sérios riscos quem decidir ficar esperando para ver o que acontece.
Cada tempo de espera é um tempo perdido.
A adaptação a essa realidade, será cada vez mais uma questão de
sobrevivência. Hoje os sistemas de informação disponíveis nos oferecem uma
infinidade de informações, cabe a nós, saber filtrá-las extraindo o que há de
melhor e o que nos interessa para as nossas tomadas de decisão. Temos que
saber diferenciar o que é informação e o que é poluição.

4.1 Conclusão

Competir na era do capital humano exige muito trabalho, esforço e


determinação.
O ser humano com toda a sua potencialidade, é a figura principal na
formatação destes novos tempos e efetivamente pode fazer a diferença no
sentido de construir não só empresas mais ágeis e lucrativas, mas também e
principalmente um mundo justo e humano pois só assim terá valido à pena ter
vivido estes novos tempos em que o capital humano é personagem principal
desta nossa história.

"A cada momento de nossa existência temos que escolher entre um caminho e
o outro. Uma simples decisão pode afetar uma pessoa para o resto da vida." -
Paulo Coelho.
É chegada a hora de decidir e quebrarmos o paradigma. Não temos que
continuar a procurar “emprego”. Precisamos buscar acesso ao trabalho com
remuneração justa e digna.