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9.

modelagem de estratégias
tendo em vista nossos recursos cerebrais (nosso "hardware") serem os mesmos, se alguém pode
aprender a fazer algo, qualquer pessoa também pode. a chave para isto é descobrir e modelar os
passos essenciais da estratégia usada por uma pessoa e instalá-la em outra.
você pode modelar as estratégias de qualquer pessoa, fazendo as perguntas adequadas para extrair
os passos essenciais. É bom levar em conta que há pessoas que não têm uma idéia precisa do que
fazem (principalmente porque o fazem rápida e insconscientemente), até que você as faça prestar
atenção. por exemplo, um executivo ao qual perguntei sobre como tomava decisões, sua primeira
resposta foi "intuição e bom senso". continuei fazendo perguntas, para descobrir que ele tinha
etapas, por exemplo, de projeção de conseqüências e se colocar no lugar das pessoas. já uma
professora preparava aulas revendo o conteúdo no livro e montando o quadro que estaria
apresentando aos alunos. para saber se estava bom, ela se colocava na posição de um aluno.
sobre como controlar as reações variando a luminosidade das lembranças (citação na página 26),
bandler (1987) completa:
"eu aprendi a fazer isto com pessoas que já o faziam. uma mulher contou-me, certa
vez, que estava sempre alegre e que não deixava que nada a chateasse. perguntei-lhe
como conseguia e ela disse: 'quando penso em algo negativo, simplesmente diminuo
a luminosidade'".
há artigos e livros específicos de pnl sobre a modelagem de estratégias. mas lembre-se de que
você com certeza já imitou e modelou fisiologias e comportamentos desde quando era bebê, e já
tem estratégias desenvolvidas nesse sentido!
conforme o nível de segmentação em que observamos ou descrevemos uma determinada
estratégia, podemos abranger maior ou menor nível de detalhamento. uma macro-estratégia
compreende as etapas maiores e mais gerais, em um baixo nível de segmentação. uma micro-
estratégia descreve detalhadamente os passos, em um alto nível de segmentação. planejar em que
cidades se vai passar em uma viagem é uma etapa de uma macro-estratégia; decidir o que vai
fazer em cada uma também está no nível macro, embora em um nível maior de segmentação. já a
forma como a pessoa imagina as cidades caracteriza uma micro-estratégia. ela visualiza imagens
ou filmes em cores? as imagens são grandes ou nítidas? uma macro-estratégia pode incorporar
muitas micro-estratégias.
estamos normalmente mais familiarizados com macro-estratégias: para cozinhar pratos, para
estudar e outras. micro-estratégias têm também uma série de aplicações. por exemplo, na
literatura de pnl está registrado o caso de uma "doente mental" que tinha pilhas de relatórios no
hospital psiquiátrico. richard bandler (1987) descobriu que seu problema era que não sabia
distinguir o que tinha imaginado do que tinha efetivamente percebido. bandler ensinou-a a por
uma moldura preta em tudo que imaginava; ao lembrar-se de algo, se a imagem possuía a
moldura preta, tinha sido imaginada. com o tempo essa micro-estratégia se tornou inconsciente e
automática.
um critério para se saber o grau de detalhamento mais conveniente para descrever uma estratégia
é baseado na utilidade e na aplicação. algumas pessoas aplicam de imediato uma macro-
estratégia, enquanto que para outras é preciso segmentar mais.
robert b. dilts modelou as estratégias de einstein, aristóteles, disney, tesla e outros gênios da
humanidade, colocando-as à disposição de qualquer um na série de livros a estratégia da
genialidade. e usando-se técnicas de pnl, pode-se instalar uma estratégia rapidamente.
por exemplo, a macro-estratégia da genialidade de walt disney (dilts, 1998) consistia, no nível de
macro-estratégia, de três etapas: o sonhador, o realista e o crítico. o sonhador elaborava o
resultado final desejado; o realista era o encarregado de elaborar os planos para a construção, a
materialização do sonho; e o crítico garantia a qualidade de tudo (figura).

disney executava cada processo em separado dos outros, inclusive com salas distintas para cada
um. cada papel tinha toda a liberdade para trabalhar sem interferências dos demais. o sonhador,
após elaborar seu sonho, o passava ao realista, que por sua vez passava os planos para o crítico,
que após destacar alguns aspectos retornava as idéias ao sonhador para o aperfeiçoamento, e
assim por diante, até que todos estivessem satisfeitos. os papéis são complementares: o sonhador
sem o realista não consegue transformar idéias em algo concreto. o crítico e o sonhador, sem o
realista, podem ficar em conflito constante. o sonhador e o realista podem criar, mas sem chegar a
um alto grau de qualidade sem o crítico. cada função consiste em uma estratégia diferente, com
micro-estratégias distintas. isto envolvia, para disney, inclusive posições corporais e jeitos de
olhar diferentes.
a macro-estratégia de disney e suas micro-estratégias são tema de um volume desta série.