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Direito Bancário – Resumo

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Secção I – Moeda e Banca


§ 1.º - Moeda
Meio através do qual são efectuadas as transacções monetárias. Instrumento geral de troca directa de
produtos (unidade - medida de valor).
Primeira fase, chamada de moeda natural, o padrão era de natureza não metálica e variável de sociedade
para sociedade, caracterizando-se por ser um bem escasso, necessário e desejado nas comunidades (gado,
cereais, sal, armas, etc.). Posteriormente passou-se a usar o metal precioso (ouro, prata, bronze e cobre) para
haver uma unidade de medida de valor que fosse potencialmente geradora do estabelecimento de paridades.
Por haver dificuldade a determinar o seu valor que, no início, assentava no seu peso, passou a ser gravada
uma marca ou selo que garantia o seu peso e respectivo valor. Assim nasce a moeda (nas ilhas gregas,
segundo muitos historiadores), propagando-se a todo mundo grego e depois pelas outras sociedades.
Foram os romanos que introduziram a cunhagem da moeda, primeiro manualmente, até finais da idade
média. No século XV aparecem as primeiras máquinas de cunhar moeda.
Embora na China, anteriormente, se houvesse detectado espécie monetária em papel, foi sobretudo no século
XVIII que esta aparece na Europa. Primeiro com o valor facial representativo do metal depositado nos
banqueiros que estava sujeito a ser convertido. Conversão essa que deixa de ser viável no século XX.
Funções da moeda
1. Meio de pagamento e instrumento de troca;
2. Unidade de cálculo, que expressa o preço dos bens e serviços com valor interno e externo;
3. Forma legal de pagamento, tendo em conta o curso legal e o poder liberatório pleno de que é investida;
4. Reserva de valor, a moeda pode ser utilizada como uma acumulação de poder aquisitivo, a usar no
futuro.
Portugal
Até meados do século XIII viveu-se o regime de economia natural (troca de produtos e serviços por produtos).
Com D. Afonso III surgiu a moeda de ouro e de prata (regime bimetalista). De D. João I a 1911 a moeda foi o
real substituído nesse ano pelo escudo. O primeiro papel-moeda surgiu em 1687.
§ 2.º - Banca
Surgem as empresas especializadas para o tratamento da moeda como consequência histórica do
desenvolvimento da moeda. Guardar, circular, intermediar e emitir eram então as tarefas dos banqueiros.
A actividade bancária tem mais de 4000 anos (uso de títulos de crédito detectado na Babilónia 2000 anos
antes de Cristo). Mais recentemente é nos séculos XVII e XVIII que, na Holanda e Inglaterra, surgem os
primeiros bancos.
Sendo esta actividade situada no universo do sistema financeiro, também já marcado pela dimensão jurídica
conferida pela função normativa do Estado, podemos afirmar que este sistema financeiro tem o sentido de
um conjunto ordenado e sistematizado que tende a agrupar e disciplinar todas as instituições financeiras –
bancos ou outras empresas que tratem do dinheiro.
O sistema financeiro reflecte-se em múltiplas relações jurídicas estabelecidas com a administração pública
onde se destacam dois núcleos:
1. Respeitante à autorização para se constituir, compete ao Banco de Portugal;
2. O controlo e supervisão do sistema financeiro, também da responsabilidade do banco central – Banco
de Portugal.

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Coexistem, com os chamados bancos universais, diversificada rede de instituições financeiras especializadas. A
actividade financeira/bancária tem vindo a alargar-se em três direcções:
1. Aumento do numero dos tipos de instituições que exercem;
2. As actividades que tais instituições levam a efeito;
3. Âmbito (geográfico) da sua actuação.
O núcleo mais representativo das operações do comércio bancário manteve-se sem grandes oscilações até à
década de 50 (séc. XX) onde emergiam quase em exclusivo intermediações financeiras, onde se incluíam
operações de:
1. Recepção de depósitos;
2. Concessão de crédito;
3. Financiamento do comércio internacional;
4. Prestação de garantias;
5. Câmbios;
6. Intermediação de valores mobiliários;
7. Prestação de serviços (pagamentos e cobranças por conta de terceiros, guarda de valores, etc.)
Só após a Grande Depressão de 1929 a opinião pública pressionou para que fossem adoptadas medidas
prudências para melhor proteger os interesses dos seus clientes, quer gestionando e controlando, quer
compartimentando as instituições financeiras face a uma certa especialização. Este último aspecto ganha nova
força a partir do fim da última Grande Guerra.
Como consequência das grandes transformações ocorridas nos últimos anos na actividade financeira, algumas
tendências são identificáveis, como:
1. Bancarização: Número cada vez maior de sujeitos que realizam negócios com os bancos e estes alargam
a sua acção a mais operações;
2. Reforço da internacionalização da actividade financeira: consequência da criação de um mercado
europeu de serviços financeiros e da globalização da economia;
3. Desintermediação: bancos cada vez menos presos a instrumentos tradicionais de captação de fundos
financeiros;
4. Desregulamentação: redução de intervenção do Estado;
5. Novas tipologias de operações: constantemente revistas, adaptadas e adequadas a novos mercados de
procura e oferta;
6. Reforço do papel das novas tecnologias;
7. Aumento da concorrência: constituição de conglomerados financeiros cada vez mais fortes, como é
visível pelos movimentos e fusões;
8. Privatização generalizada da maior parte dos bancos;
Banca portuguesa
A história bancária de Portugal em 4 períodos:
1. Anterior a 1891: de contornos algo difusos e uma sintomática descaracterização bancária;
2. 1891 a 1926: Agonia e fim da monarquia e a conturbada vida da chamada Primeira República;
3. 1926 a 1974: emerge como marco de referência a primeira verdadeira reforma de reestruturação e
organização do sistema bancário, porém, condicionado ao desenvolvimento económico-social e político;

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4. Pós 1974: segunda grande reforma do sistema financeiro, impulsionada pela integração económica e
financeira em marcha na Europa comunitária;
§ 3.º - Período anterior a 1891
A história bancária de Portugal remonta a 1821 com a criação do primeiro banco: Banco de Lisboa, dito “de
empréstimo, depósito e desconto”, vocacionado para a “amortização de papel”, com previsão de existência
por um período de 20 anos. Embora antes algumas manifestações típicas da actividade bancária fossem
assinaladas, sobretudo com o advento da Idade Média. É, então, com a força das ideias liberais que surge o
primeiro banco português, através de uma carta de lei de 31 de Dezembro de 1821.
A este banco foi cometido o monopólio exclusivo da emissão de notas até 1835. De resto aliava,
simultaneamente, a qualidade de banco comercial, (aceitando depósitos e concedendo créditos) constituindo-
se como agente intermediador na oferta e procura de dinheiro.
Em 13 de Agosto de 1935 é criado por decreto o Banco Comercial do Porto, ao qual foi igualmente concedido
o privilégio de emitir notas, quebrando-se o monopólio conferido ao Banco de Lisboa e entrando-se num ciclo
marcado pela pluralidade de bancos emissores, que perduraria durante mais de meio século.
Ao longo deste período foi atribuída a faculdade de emitir notas a nove bancos, situação que terminou em
1891 com a concessão da exclusividade ao Banco de Portugal.
Em 1844 por via da transformação da Companhia de Crédito Nacional (criada em 1841) é criada a Companhia
Confiança Nacional, com um alargado objectivo social que lhe permitia realizar operações financeiras além de
negócios de outra e variada natureza e a faculdade de constituir caixas económicas (instituições cuja
antiguidade remonta à idade média mas o seu registo oficial reporta à primeira metade do século XIX, tendo
como função a captação de poupanças e apoio creditício aos trabalhadores mais precários economicamente. A
história associa-as ao chamados “Montes de Piedade” que em Portugal deram lugar ao Montepio –
protagonistas da ideia de solidariedade e mutualismo).
Em 1946 mercê da situação de colapso financeiro que o país atravessava e do contínuo e substancial desvio de
fundos para o Estado, face aos constantes desequilíbrios das contas públicas, o Banco de Lisboa e a
Companhia Nacional estavam numa crise insustentável. Neste ano, em que a história registou uma autêntica
bancarrota para o país, a situação das duas instituições requeriam uma rápida intervenção. E, por decreto de
18 de Novembro de 1846, procedeu-se à fusão das duas companhias que originaram o Banco de Portugal,
absorvendo-lhes quer o passivo, quer o activo, passando a obter privilégios exclusivos na emissão de notas ou
obrigações pagáveis à vista ou ao portador até finais de 1876.
Digamos que esta exclusividade apenas se manteve até 1850, pois neste ano passou a partilhar estas funções
com outros bancos. No entanto volta a adquiri-las em exclusivo em 1891 mas só para o continente e ilhas, pois
para Angola era da competência do Banco de Angola e para antigas possessões portuguesas pelo Banco
Nacional Ultramarino (criado em 1865).
O numero de bancos multiplica-se de apenas 3 em 1858 para 51 em 1874, decrescendo posteriormente,
registando-se em 1910, aquando da implantação da republica, a existência de apenas 26 bancos.

Números de Instituições Bancárias


Com base nesta abordagem sintética da história da
evolução da actividade bancária no período de 51
44
decadência irreversível da monarquia, tempo 1858
36 1865
conturbado e complexo, podemos reter as seguintes
1874
ideias: 26
1875
1880
• De 1822 a 1875/1880 – criação e 12 1910
desenvolvimento do movimento bancário em 3
Portugal, período que se pode considerar de
1
expansão da banca, em que:

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- 1822 – Arranque;
- 1846 – Ano critico. Bancarrota, enormes dificuldades financeiras e politicas que a envolveu;
- 1870/75 – Auge da especulação do domínio da actividade e da expansão bancárias tendo-se chegado
aos 51 bancos em 1875;
- Unidade emissora impõe-se em 1822 (Banco de Lisboa), deixou de subsistir a partir de 1835, ano em
que começou a partilhar com o Banco Comercial do Porto, depois estendeu-se a outros bancos.
Chegaram a ser 9 (maioria situados a norte);
- 1891 – Após a elevação, em 1887, do Banco de Portugal a banco central e reforçada a sua posição
como autoridade reguladora dos mercados monetário e cambial e como banqueiro do Estado, voltou-se
à unidade emissora no Continente, da sua competência exclusiva;
• Após 1875/1880 – período de contracção e concentração da banca: reduz o número e cresce a
importância das principais instituições;
• Apenas no inicio da década de 90 se começou a inverter uma característica sintomática da época em
que o montante de capital realizado dos bancos – por vezes fictício, preenchido de títulos de crédito de
duvidosa valia que proliferavam em Portugal, base para muitas operações especulativas – excediam o
montante dos depósitos, o que, ao invés do que passou a ser regra, diminuía claramente as faculdades
de fazer crescer o seu papel na economia;
• Até 1891, além da circulação fiduciária, de notas surgiu outro tipo de circulação, regra geral de
expressão em quantidade superior de moedas de ouro, de prata e de bronze, incluído libras-ouro;
A crise de 1891 é o marco temporal a partir do qual se pode pensar finalizada esta etapa da história
portuguesa, com a especificidade e caracterização em traços gerais aflorados.
§ 4.º - Período de 1891 a 1926
A grave crise de 1891 politica, económica e social que abalou o país, representa um ponto de viragem no
sistema financeiro português.
Com efeito:
• O primeiro meio século de actividade bancária – sensivelmente até 1875/1880 – caracterizou-se pela
multiplicação em crescendo do número de bancos. O período seguinte (até à queda da I Republica)
marca uma tendência geral inversa, de acentuada regressão;
• Em 1891 o Banco de Portugal, já referido, volta a ter o exclusivo da emissão de notas, simultaneamente
viu reconhecida a sua qualidade de banco central e de autoridade reguladora dos mercados monetário e
cambial, continuando o Banco de Angola e o Banco Nacional Ultramarino com a emissão para os
territórios já atrás referidos;
Num contexto histórico influenciado por sucessivas crises de natureza politica, económica e monetária, surge
em 1894, pouco estruturado, o primeiro quadro regulador da actividade bancária (primeira Lei quadro da
banca), do qual emergem:
1. Banco de Portugal;
2. Caixa Geral de Depósitos;
3. Vários bancos comerciais e casa bancárias;
4. Algumas caixas económicas;
Implantada a Republica, em 1911 foram publicadas leis remodelando o sistema financeiro e reestruturando o
crédito agrícola. Neste período existiam 26 bancos comerciais, numero que, por consequência da instabilidade
politica e económica e do desencadear e termo da I Guerra Mundial, passou para 21 em 1926 quando a I
Republica cai.

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Em 1910, metade dos bancos comerciais eram regionais, percentagem que, em 1923, desceu para um terço.
O maior banco deste período é o Banco Lisboa & Açores, cuja antiguidade e solidez lhe permite sobreviver e
até consolidar a sua posição. Com o aproximar do fim da década de 20, bancos mais recentes, como Pinto &
Sotto Mayor e o Espírito Santo vão ganhando posições e relevo no sistema bancário português.
§ 5.º - O Sistema Financeiro no Estado Novo (1926/1974)
O nascimento do Estado Novo trouxe um aumento significativo do controlo e superintendência pelo
Ministério das Finanças ao mesmo tempo que reforçou o papel do Banco Central como autoridade de tutela
do sistema financeiro. A verificação destes indicadores não foi seguida de reorganização e reestruturação do
sistema financeiro, há muito reclamada.
Foi preciso esperar cerca de trinta anos para que se operasse a desejada reforma global do sistema financeiro.
Salvo a implementação de algumas medidas avulsas de pouco significado, o quadro legal do sistema financeiro
manteve-se pouco menos do que inalterável.
Chegou a ser aprovada em 1935 uma reforma do sistema financeiro, através da Lei n.º 1894, de 11 de Abril,
mas não chegou a entrar em vigor, por ausência de regulamentação adequada. Esta estabelecia que as
funções de credito ficavam reservadas, no continente e ilhas para:
• O Estado e seus institutos de crédito;
• Os bancos emissores;
• A Companhia Geral de Crédito Predial Português;
• As instituições comuns de crédito, compostas por:
- Estabelecimentos bancários autorizados;
- Caixas económicas;
- Cooperativas de crédito.
Este acabou como tantos outros, não passar de meros projectos.
Até ao inicio da década de 60, fruto de operações de constituição e fusão de bancos e da afirmação e reforço
de algumas instituições de crédito no mercado, gizou-se em larga medida a geografia bancária que acabaria
por subsistir até meados da década de 80 quando, alguns anos depois do 25 de Abril de 1974 e passada a fase
das nacionalizações, o sistema bancário regressou aos caminhos da liberalização e da privatização.
É assim que, neste período (década de 60):
• Consolidou e Ampliou os papeis do BNU (1865) e do Banco de Angola (1926) como bancos emissores e
comerciais junto das possessões coloniais;
• Foi constituído em 1926 o Banco Pinto & Sotto Maior a partir da Casa Bancário Pinto & Sotto Maior
(1914);
• Foi criado em 1937 o Banco Borges e Irmão. Também neste ano fundem-se o Banco Comercial de
Lisboa (1875) e o Banco Espírito Santo (1880), originando o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa,
hoje BES (Banco Espírito Santo);
• O Banco Português do Atlântico vinco da Casa Bancária Cupertino de Miranda & Companhia (1919)
cresceu e ganhou posição de relevo no mercado;
• O Banco Lisboa & Açores – um dos mais consistentes resistiu às vicissitudes e crises da I Republica –
continuou a deter significativa fatia do mercado bancário;

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• O Banco Totta & Aliança (1875) – originário numa casa bancária – reforçou a sua posição no mercado
englobado no grupo CUF. Mais tarde, 1970 fundiu-se com o Banco Lisboa & Açores (Banco Totta &
Açores), hoje (Banco Santander/Totta);
• Em 1959, na sequência do DL n.º 41403, de 27 de Novembro de 1959, foi constituído o Banco de
Fomento Nacional, como banco de investimento.
Na reforma de 1957 é lançada a primeira grande reforma do sistema bancário português através do citado
diploma que o reorganizou, reestruturou e modernizou à luz da experiência de 30 anos de estado corporativo
e dos respectivos fundamentos político-económicos.
Aquele diploma posterior e sucessivamente alterado várias vezes passou a constituir a matriz do sistema
financeiro.
As instituições de crédito compreendiam:
1. Institutos de crédito do Estado (CGD);
2. Bancos emissores em regime de exclusividade (BP, BA e BNU);
3. Bancos Comerciais;
4. Estabelecimentos especiais de crédito que agrupavam:
a) Bancos de Investimento;
b) Caixas Económicas;
c) Cooperativas de crédito;
d) Companhia Geral de Crédito Predial Português.
Neste quadro legal, o BP era ainda considerado uma instituição de crédito.
O regime deste primeiro ciclo reformador do sistema financeiro, foi depois completado com a publicação dos
seguintes diplomas:
• DL n.º 42641, de 12/11, de 1959, que complementando o quadro legal saído do DL n.º 41403 definiu o
regime de licenciamento e funcionamento dos bancos comerciais;
• DL n.º 46302, de 27/04, de 1965, que, aproveitando as potencialidades abertas pela referida Lei-base
criou as chamadas instituições para-bancárias;
§ 6.º - Período de 1974/1992
Após um período marcado por dificuldades face aos novos tempos de mudanças e rupturas provocadas pela
revolução de Abril de 1974, a banca comercial veio a ser objecto de nacionalização generalizada em 1975,
através do DL n.º 132-A/75, de 14 de Março.
Assim, no quadro das instituições bancárias privadas, apenas os Bancos Estrangeiros, as Caixas Económicas e
as Caixas De Crédito Agrícola Mútuo escaparam à onda nacionalizadora que assolou o país.
É, de resto, o que se tira do artigo 1º do citado DL, quando nele se dispõe que “são nacionalizadas todas as
instituições de crédito com sede no continente e ilhas adjacentes, com excepção:
a) Do Crédit Franco-Portugais e dos departamentos portugueses do Bank of London & South América e do
Banco do Brasil;
b) Das caixas económicas e das caixas de Crédito Agrícola Mútuo que serão objecto de legislação especial a
publicar dentro de 90 dias”.
O estatuto das instituições de crédito nacionalizadas surgiu na sequencia do DL n.º 729-A/75, de 22-12, que as
qualifica como pessoas colectivas de Direito Público dotadas de autonomia administrativa e financeira, com a

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natureza de empresas publicas – classificação que deve ser entendida mais em termos formais, uma vez que
os bancos nacionalizados actuavam como se fossem sujeitos de direito privado.
No mesmo dia, 22-12, foi publicado o DL n.º 729-F/75, que regulou a estrutura de gestão e fiscalização dos
bancos nacionalizados.
O quadro colectivista no qual se inseriu decisivamente a nacionalização da banca, veio a conhecer um
significativo reforço com a Lei n.º 46/77, de 8-07, lei da delimitação dos sectores publico e privado que veda a
empresas privadas e outras entidades da mesma natureza o exercício de actividade em certos sectores ditos
básicos da economia. Lei que teve plena consagração constitucional.
A actividade bancária privada para além dos bancos estrangeiros que continuavam a operar em Portugal,
apenas poderia ser exercida pelas caixas económicas, pelas caixas de crédito agrícola mútuo, pelas sociedades
de desenvolvimento regional e pelas instituições para-bancárias.
Esta lei foi posteriormente alterada pelo DL n.º 406/83, de 19-11, depois complementado pelo DL n.º 51/84,
de 11-02, permitindo a reabertura da actividade bancária à iniciativa privada, no âmbito da revisão
constitucional de 1989, culminada com a reprivatização dos bancos nacionalizados.
Segundo o professor Menezes Cordeiro “os portugueses sofreram mais com as nacionalizações no seu próprio
país do que os estrangeiros. Constata-se, hoje, que as nacionalizações tiveram o efeito perverso de destruir
sem alternativa credível os grupos económicos nacionais.
Quando se pôs o tema das privatizações havia o risco de os agrupamentos portugueses não puderem concorrer
perante os estrangeiros: estes poderiam, com maior facilidade, arrebatar as sociedades mais significativas”.
Estará aqui, uma das razões que levaram ao estabelecimento de limitações à participação de estrangeiros no K
Social de muitas empresas no âmbito de reprivatizações, fixando limites percentuais nas acções a alienar.
Primeiro a Lei n.º 84/88, de 20-07, e depois a Lei n.º 11/90, de 5-04, – Lei-quadro das privatizações, ainda
vigente – vieram a acolher disposições de carácter limitativo.
Estas restrições fizeram-se sentir nas operações de privatização dos bancos nacionalizados – mas não hoje, em
que a banca está aberta a estrangeiros.
Se quisermos estabelecer um quadro resumo do sistema financeiro existente em Portugal à altura em que foi
publicado o actual RGICSF (Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras) – DL n.º 298/92,
31-12, entrada em vigor em 1 de Janeiro de 1993 – temos o seguinte:
(Ver quadro na pagina seguinte)

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AUTORIDADE SISTEMA AUTORIDADES


DE FINANCEIRO DE
SUPERINTENDENCIA (Anterior a 01-01-1993) SUPERVISÃO

o Banco de
MINISTÉRIO Portugal
DAS - Emissor
FINANÇAS
- Orientador e
controlador do sistema
o CMVM –
Comissão do
Mercado dos
Valores
Mobiliários

INSTITUIÇÕES INSTITUIÇÕES INSTITUIÇÕES


DE CRÉDITO PARABANCÁRIAS AUXILIARES
DE CRÉDITO
______
o Institutos de crédito
do Estado (CGD)
o Bancos Comerciais

_______  Sociedades de Investimento o Bolsas


Instituições Especiais Sociedades de Locação o Correctores
de Crédito Financeira de fundos e
 Sociedades de Factoring de câmbios
(cessão financeira)
 Fundos de Investimento
mobiliários e imobiliários
 Sociedades Mediadoras de
 Banco de empréstimos imobiliários
Investimento  Sociedades Administradoras
 Caixas Económicas de Compras em Grupo
 Caixas de Crédito  Sociedades Gestoras de
Agrícola patrimónios
 Sociedades de  Sociedades financeiras para
Desenvolvimento aquisições a crédito
Regional
 Crédito Predial
Português
 Sociedade Financeira
Portuguesa

Actualmente os bancos de cada Estado Membro são delegações do Banco Central Europeu, além de serem
emissores da moeda única europeia. O Banco de Portugal é também regulador, tal como a CMVM. (Ver
quadro acima).

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O Decreto-Lei n.º 298/92, de 31 de Dezembro, que, com algumas alterações depois introduzidas, constitui
hoje a matriz legal do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSI) em vigor.
Este regime operou a transposição para a ordem jurídica interna de 3 Directivas Comunitárias:
• N.° 77 /780/CEE, de 12 de Dezembro de 1977, denominada Primeira Directiva de Coordenação Bancária;
• N.° 89/646/CEE, de 15 de Dezembro de 1989 (a chamada Segunda Directiva de Coordenação Bancária);
e
• N.º 92/30/CEE, de 6 de Abril de 1992, sobre a supervisão das instituições de crédito em base
consolidada.
Segundo o professor Menezes Cordeiro o Decreto-Lei n.º 298/92 constitui “um diploma de fôlego, com alguma
complexidade e que foi preparado com cuidado. Podemos considerá-lo como um pequeno código de Direito
bancário institucional”.
Previamente à publicação do RGICSF, a situação existente quanto ao sistema financeiro foi objecto de um
exaustivo levantamento, que foi incluído numa obra – O Livro Branco sobre o Sistema Financeiro.
A integração financeira assenta em cinco pilares:
1) A liberdade de estabelecimento das empresas financeiras;
2) A liberdade de prestação de serviços pelas mesmas empresas;
3) A harmonização e o reconhecimento mutuo das regulamentações nacionais;
4) A liberdade de circulação de capitais;
5) A união económica e monetária.
Consolidada a liberalização do mercado interno e tendo as instituições de crédito reagido muito positivamente
aos estímulos de um mais agressivo regime de concorrência, o ano de 1992 marca a entrada do processo de
liberalização externa na fase de maturidade.
Emerge como objectivo central do RGICSF a adequação do sistema financeiro português ao Direito
Comunitário e, subsequentemente, a ideia da criação de um espaço integrado de serviços financeiros
sustentado nos cinco pilares a que atrás aludimos.
Procurando sintetizar o sentido geral do RGICSF, constatamos que ele “procurou, essencialmente, quatro
objectivos:
1. Receber, na ordem interna, diversas regras comunitárias;
2. Simplificar o sistema de fontes;
3. Codificar as regras existentes;
4. Introduzir soluções mais aperfeiçoadas."
Objectivos que se revestem de óbvia importância, dele apenas fica de fora a Lei Orgânica do Banco de
Portugal e os regimes jurídicos específicos das várias tipologias de instituições financeiras.
Do seu corpo preambular retiramos que, tendo em conta a necessidade de assegurar uma adequada transição
de regime:
• Até 31 de Dezembro de 1993 processar-se-ia a adaptação do capital social das instituições de crédito
(n.º 1, art.º 3);
• Todas as situações envolvendo instituições de crédito:
- De detenção, directa ou indirecta, de participação no capital de uma sociedade cujo montante
ultrapassasse 15% dos fundos próprios da instituição participante;

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- De participações qualificadas em sociedades cujo montante global excedesse 60% dos fundos próprios da
instituição participante;
- De ultrapassagem do montante dos respectivos fundos próprios pelo valor líquido do activo mobilizado;
- Em que o valor total das acções ou outras partes de capital de quaisquer sociedades por uma instituição e
não abrangidas pelo ponto anterior, ultrapassasse 40% dos seus fundos próprios, teriam de ser regularizadas
no prazo máximo de 1 ano, a partir de 1 de Janeiro de 1993 (n.º 2, art.º 2º);
• Foi ampliado, de três para cinco anos, o prazo até ao decurso do qual as instituições de crédito
poderiam deter, directa ou indirectamente, numa sociedade, participação equivalente a mais de 25%
dos direitos de varo correspondentes ao capital da sociedade participada (n.º 3, art.º 3º);
• Procedeu-se à aplicação do regime de ilícitos de mera ordenação social previsto no RGICSF aos factos
praticados antes da entrada em vigor e já puníveis nos termos de legislação anterior – salvo quanto aos
processos pendentes em 1 de Janeiro de 1993, aos quais se continuou a aplicar a legislação substantiva
e processual anterior, num e outro caso sem prejuízo do tratamento conferido pela lei mais favorável.
O objecto do Decreto-lei n.º 298/92 é regular "o processo de estabelecimento e o exercício da actividade das
instituições de crédito e das sociedades financeiras" (Art.º 1º), ficando por ele abrangidas as instituições de
crédito sob a forma de empresa pública que não sejam incompatíveis com tal forma.
Categorias nucleares do RGICSF são as instituições de crédito e as sociedades financeiras, as empresas de
investimento e outras instituições financeiras, cujos conceitos importa, pois, apreender.
Um outro elemento que importa precisar – é a expressão "actividade", repetidamente Utilizada ao longo do
RGICSF, quer no singular, quer no plural.
A este propósito, alguns autores apontam a falta de rigor terminológico no uso de tal expressão e de outras
que podem ser consideradas seus sinónimos, cujo exemplo mais frisante é o termo "operações".
Duma ou doutra forma, a Doutrina converge no sentido de que, com tais expressões se pretende identificar
um conjunto de actos materiais e jurídicos praticados com carácter regular e habitual por uma empresa, entre
os quais existe um vínculo de coordenação ou de articulação funcional, tendente à prossecução de um mesmo
fim. O que equivale a dizer que fica assim afastada a tese de as conceber como actos isolados, considerados
"de per si", mesmo no que se refere às "operações", sugestivamente usadas no plural.

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Direito Bancário – Resumo
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Secção II – Instituições De Crédito


§ 7.° - Conceito
É no RGICSF que encontramos a definição legal de instituição de crédito que nunca logrou obter consagração
expressa no Direito português.
Dele se retira que “são instituições de crédito as empresas cuja actividade consiste em receber do público
depósitos ou outros fundos reembolsáveis, a fim de os aplicarem por conta própria mediante a concessão de
crédito” (Art.º 2º).
1. Conceito de público
Um dos elementos essenciais que integram a noção de instituição de crédito é o recebimento do público de
depósitos e outros fundos reembolsáveis.
Algumas características podemos apontar no conceito de "público", que potencialmente pode colocar fundos
numa instituição de crédito:
• O seu universo é constituído por pessoas singulares ou colectivas – estranhas às instituições de crédito,
seus terceiros, que são afinal os destinatários que têm carácter indeterminado.
Uma questão geralmente aflorada nesta matéria centra-se no enquadramento / não enquadramento no
conceito de “público”, de instituições financeiras e entidades administrativas públicas, tendo em conta a sua
natureza, actividades e fins.
2. Recepção de depósitos ou outros fundos reembolsáveis
Constitui actividade nuclear das instituições de crédito a recepção de depósitos ou outros fundos
reembolsáveis. O depósito é um importante contrato bancário de crédito, um dos principais instrumentos de
recolha de poupanças e outros fundos disponíveis utilizados pelas instituições de crédito, independentemente
da sua materialização monetária que não se circunscreve ao dinheiro.
Estamos perante um contrato envolvendo fundos que são sempre reembolsáveis. A instituição de crédito fica
investida na obrigação de os restituir, naturalmente que tão somente do mesmo género e natureza. Daí que
lhes chamemos coisas fungíveis (cf. Art.º 207º CC).
3. Aplicação por conta própria
Estamos perante um outro elemento do conceito de instituição de crédito, segundo o qual os fundos captados
se destinam à aplicação por conta própria.
4. Concessão de crédito
Na noção de concessão de crédito bancário encontramos negócios jurídicos de carácter creditício noutras
áreas do Direito, como, por exemplo, no Direito Civil.
Ao contrário de outros países, a nossa legislação não fornece uma noção legal de concessão de crédito. De
resto, já assim era no passado.
Concessão de crédito é qualquer operação pela qual uma instituição de crédito cede ou se compromete a
ceder a uma pessoa fundos reembolsáveis ou os aplica por conta ou no interesse dela, podendo comportar
ainda a prestação de garantias de obrigações por essa pessoa assumidas perante terceiros.
Sintetiza-se que:
• Não obstante a pouco feliz opção literal, o espírito da lei preservou a fidelidade do conceito
comunitário;
• É reconhecida a faculdade legal de as instituições de crédito poderem aplicar os fundos fora do contexto
da concessão de crédito stricto sensu;

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• Impõe-se uma interpretação extensiva da noção "concessão de crédito", ou talvez apenas "crédito", em
termos de comportar a ideia de aplicação;
• A esta luz, não existe contradição entre os conceitos comunitário e nacional de instituição de crédito.
§ 8.º - Espécies
Tendo como categoria mais importante e emblemática os bancos, as instituições de crédito podem assumir
um elenco de espécies, como tais enumeradas no RGICSF.
5. Bancos
Constituem a mais importante espécie dentro das instituições de crédito, de tal modo que, na terminologia
prática habitual, estas são muitas vezes imprópria e redutoramente vistas como meros sinónimos de institui-
ções bancárias.
O actual sistema financeiro, abandonando a velha distinção entre bancos comerciais e de investimento
acolhida na reforma de 1975 e que desde então vinha sendo consagrada, fez despertar o chamado "banco
universal", na linha da tendência predominante em muitos países e, em particular, na União Europeia.
Augusto de Athayde diz que o "banco universal", "no vasto âmbito da sua competência, realiza não só
operações tradicional e tipicamente bancárias e de "intermediação directa, mas, também, outras entradas
mais recentemente na prática bancária, que chamamos "de intermediação indirecta" (locação financeira,
participação na emissão e colocação de valores mobiliários, etc., etc.), e ainda as operações características de
todos os tipos de sociedades financeiras e empresas de investimento.
Algumas das suas características genéricas essenciais, são:
1. A sua constituição depende de licenciamento prévia do Banco de Portugal;
2. Estão obrigados a adoptar a forma de sociedade anónima (SA);
3. Deverão dispor de um capital social não inferior a um mínimo legalmente fixado (3,5 Milhões Contos);
4. O órgão de administração deve ser constituído por um mínimo de três membros com idoneidade e
experiência adequadas ao desempenho de tais funções;
5. Eventuais alterações dos estatutos pressupõem autorização prévia do Banco de Portugal;
6. Estão sujeitas a registo especial junto do Banco de Portugal.
O Crédito Predial Português, outrora um banco de investimento dentro das instituições especiais de crédito –
categoria que já não existe no quadro do RGICSF – é hoje considerado como um banco, não obstante o seu
pendor mais predial ou hipotecário.
6. Caixa Geral de Depósitos: Origem oficial remonta a 1876.
De entre as múltiplas alterações destacam-se as introduzidas em 1929, que abriram uma nova etapa no
caminho da sua expansão bancária e do alargamento da sua actividade e em 1969 reforçando e ampliando o
papel da Caixa – conferindo-lhe o exercício das funções de instituto de crédito do Estado – ao mesmo tempo
confirmaram um conjunto de privilégios: depósitos obrigatórios, isenção de impostos, cobrança coerciva dos
créditos através dos tribunais fiscais, titulação de actos e contratos através de documento particular, etc.…
Desde 1993, com as alterações do regime que lhe foram introduzidas (com o DL n.º 287/93, de 20-08, que
estabeleceu o regime vigente), a Caixa Geral de Depósitos:
• Deixou de ser uma pessoa colectiva de Direito Público para se transformar em sociedade anónima de
capital integralmente público, de carácter unipessoal uma vez que dele apenas é titular o Estado;
• Passou a estar sujeita ao Direito do Privado no que toca à sua actividade e às relações laborais;
• Perdeu ou foram-lhe substancialmente reduzidos alguns privilégios de que beneficiava;
• Separou-se da Caixa Geral de Aposentações e do Montepio dos Servidores do Estado.

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7. Caixas económicas (Montepios – Lei própria)


Surgem em Portugal na primeira metade do século XIX por iniciativa do Estado e associadas aos chamados
"montes de piedade", juntando os objectivos de captação e remuneração de poupanças próprias das caixas
económicas e de empréstimos sobre penhores característicos dos referidos "montes de piedade". A partir de
1891 ligaram-se às associações de socorros mútuos, assumindo uma feição de carácter mutualista.
Após diversas alterações verificadas sobretudo na última metade do século XIX e no século XX, o respectivo
regime é hoje regulado por lei própria, aplicando-se subsidiariamente o RGICSF.
De acordo com tal regime, as caixas económicas são consideradas instituições especiais de crédito que têm
por objecto o exercício da actividade bancária por forma restrita, recebendo depósitos que aplicam em
empréstimos e outras operações sobre títulos que lhes sejam permitidas e prestando os serviços bancários
compatíveis com a sua natureza.
8. Caixas de crédito agrícola mútuo (CRL)
Nasceram no século XIX sob impulso do mutualismo e do cooperativismo modelados em função das condições
peculiares do mundo rural tendo em vista o apoio à agricultura através da concessão de crédito e de outras
medidas de fomento.
Desde 1930 – ano em que foi extinta a entidade então tutelar, a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo –
foram controladas pela Caixa Geral de Depósitos até à definição do seu actual regime, no âmbito do qual a sua
coordenação regressou aquela Caixa Central.
Hoje, as caixas agrícolas são cooperativas de responsabilidade limitada, que têm por objecto a concessão de
crédito agrícola a favor dos seus associados, bem como a prática dos demais actos inerentes à actividade
bancária. Perderam a sua qualidade de pessoas colectivas de interesse público, o que as fez perder alguns
benefícios fiscais.
Não podem, como regra, efectuar operações com não associados – estes são no fundo os seus únicos clientes.
9. Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo (CRL)
É um organismo central, com natureza de cooperativa de responsabilidade limitada que, entre outras funções,
assegura a coordenação das caixas de crédito agrícola mútuo, suas associadas.
Além de poder conceder crédito a actividades produtivas dos sectores da agricultura, silvicultura, pecuária,
pesca e indústrias extractivas, pode ainda financiar as caixas agrícolas associadas. Está sujeita à mesma
legislação especial que se aplica às caixas e crédito agrícola mútuo.
10. Sociedades de investimento (Crédito ao Investimento)
Anteriormente qualificadas como "sociedades parabancárias", são definidas, de acordo com a legislação
especial a que estão sujeitas (DL n.º 260/94, de 22-10), como instituições de crédito que têm por objecto o
exercício da actividade bancária por forma restrita, limitada à realização de operações financeiras e na
prestação de serviços com ela conexos.
Podem praticar operações activas específicas: adquirir, alienar, onerar ou tomar quaisquer títulos ou
participações no capital das sociedades, conceder crédito a médio e longo prazo desde que não destinado a
consumo, prestar uma variada gama de serviços relacionados em especial com investimento, etc.
11. Sociedades de locação financeira (ou de leasing) – Não recebem depósitos
Oriunda dos EUA, a locação financeira – apenas em 1979 foi regulamentada em Portugal – é uma operação de
financiamento que se situa entre os contratos de compra e venda e de locação, tendo como um dos seus
elementos mais marcantes o facto de a propriedade do bem sobre que incide ficar na titularidade do credor
até à completa regularização do crédito.

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Esta operação pressupõe a aquisição de um bem por uma empresa da especialidade e subsequente locação do
mesmo a um terceiro – locatário, mediante o pagamento de uma renda que incorpora a amortização do custo
e outras rubricas remuneratórias.
As sociedades de leasing têm por objecto exclusivo o exercício da locação financeira, quer envolvendo bens
móveis, quer bens imóveis, podendo acessoriamente aliená-los, cedê-los à exploração e locá-los quando, por
resolução contratual ou não exercício do direito pelo locatário, regressem à sua posse.
Estas sociedades não podem receber depósitos, financiando-se no mercado de capitais e interbancário,
estando sujeitas a legislação específica (DL 72/95, de 15-04).
12. Sociedades de cessão financeira (ou de factoring)
De origens remotas, o factoring de feição financeira desenvolveu-se nos EUA. Entra na Europa na década de
cinquenta do século passado. Em Portugal, surge referenciado pela primeira vez na legislação em 1965. O seu
regime jurídico apenas se processou em 1986, alterado em 1995 para o actual modelo legal.
Trata-se de sociedades cujo objecto consiste na aquisição de créditos a curto prazo, derivados da venda de
produtos ou da prestação de serviços nos mercados interno ou externo.
Estão impedidas de receber depósitos, só podendo financiar-se através da emissão de obrigações e de papel
comercial e de financiamentos obtidos junto de outras instituições de crédito.
13. Sociedades financeiras para aquisições a crédito (SFAC)
Porque as aquisições a crédito são uma necessidade incontornável dos nossos dias, e porque a expansão
económica dos anos sessenta/setenta do século passado impôs, surge este tipo de sociedades, cuja
regulamentação se veio a mostrar necessária.
São instituições especializadas, que têm como objecto o financiamento da aquisição ou do fornecimento de
bens ou serviços determinados, nomeadamente através da concessão de crédito ao adquirente ou ao
fornecedor respectivos, ou através da prestação de garantias, podendo para o efeito descontar títulos de
crédito ou negociá-los sob qualquer forma, antecipar fundos sobre créditos de que sejam cessionários, etc.
Está-lhes vedada a captação de depósitos propriamente ditos, financiando-se com fundos próprios e nos
mercados de capitais e interbancário.
§ 9.° - Actividades
No art.º 4°, o RGICSF procede à enumeração do elenco de actividades que podem ser exercidas pelas
instituições de crédito. São desde logo detectáveis três planos de estruturação, ainda que o segundo deles se
acabe por diluir no primeiro:
• O primeiro está centrado na instituição "banco", enumerando-se as tipologias de operações que podem
realizar;
• O segundo parte do caso particular da Caixa Geral de Depósitos – uma instituição financeira à parte no
panorama do universo bancário português, que pode efectuar todas as operações permitidas aos
bancos, sem prejuízo de outras atribuições conferidas por legislação própria.
• O terceiro assenta nas demais instituições de crédito, as quais apenas podem realizar as operações
permitidas pelas normas legais e regulamentares que especificamente regem as respectivas actividades,
sejam investimento, "factoring', "leasing”, aquisições a crédito ou outras.
O conceito de banco adoptado pelo RGICSF – corresponde ao modelo da chamada "banca universal",
traduzido na faculdade de exercer todos os tipos de operações que se integrem na actividade financeira, por
contraponto à chamada banca especializada.
Daqui não se deduza que não possam existir limites à actividade exercida pela "banca universal". Tais limites
podem verificar-se, por força dos próprios estatutos ou, nas empresas públicas, do diploma que as criar, caso
em que a autorização para a sua constituição determinará o elenco de operações realizáveis a tal título.

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Também nada obsta que, por opção própria, um banco enverede pela especialização em determinadas
operações – investimento, crédito hipotecário, operações com o exterior, etc. – não obstante não ser essa a
tendência actual.
A gama de operações autorizadas às instituições de crédito surge definida no RGICSF com um carácter
sistemático e preciso.
14. Recepção de depósitos ou outros fundos reembolsáveis
A recepção de fundos reembolsáveis constitui, a par da concessão de crédito e quando estas actividades são
exercidas regular e profissionalmente, a essência do que chamamos intermediação financeira.
O conceito de recepção de fundos reembolsáveis, na esteira das linhas de força nesta matéria definidas no
Livro Branco sobre o Sistema Financeiro, implica o preenchimento cumulativo dos seguintes requisitos:
1. Uma entrega de fundos – normalmente numerário, que pode também envolver valores para cobrança –
feita a um banco;
2. Obrigação de, por solicitação do cliente, a todo o tempo ou pelo decurso do prazo estabelecido, o
banco restituir os fundos recebidos;
3. Faculdade atribuída ao banco de disposição por sua conta e risco desses fundos.
O conceito de depósito de fundos acima referido não aparece definido em qualquer texto da legislação
portuguesa, ao contrário do que acontece em muitas outras ordens jurídicas.
No Código Civil (Art.º 1185º e Seg.), surge uma figura denominada de depósito, é o chamado depósito regular,
substancialmente diferente do depósito de fundos a que aqui se alude; ou do depósito irregular, uma das
fontes de apoio da qualificação do depósito bancário como tal.
É que a natureza jurídica deste tipo de depósito – envolvendo disponibilidades monetárias – é particularmente
controvertida.
15. Operações de crédito, incluindo concessão de garantias e outros compromissos, locação financeira e
factoring
A locação financeira ou "leasing” e a cessão financeira ou "factoring” são actividades enquadráveis no âmbito
operacional dos bancos, depois de terem sido, no regime financeiro anterior, exercidas por instituições
qualificadas como parabancárias – designação entretanto abandonada no RGICSF, com a maior parte delas a
ser integradas nas denominadas sociedades financeiras.
16. Operações de pagamento
Engloba uma diversificada gama de operações de pagamento a que os bancos procedem, muitas vezes por
conta e ordem dos seus clientes. São operações genericamente desenquadradas da actividade de
intermediação financeira, mas que aos bancos é permitido efectuar. É uma prática corrente e muito antiga.
Geralmente consideradas como típicos contratos de prestação de serviços, longe da matricial actividade de
recepção de fundos ou de concessão de crédito, estas operações podem ser de âmbito nacional, como podem
envolver pagamentos internacionais, muitas vezes associados a operações cambiais.
Claro que, desde 1 de Janeiro de 2002, os pagamentos internacionais no âmbito da União Europeia deixaram
de estar associados a operações cambiais – que se mantêm sempre que envolvam países fora do espaço
comunitário.
17. Emissão e gestão de meios de pagamento, tais como cartões de crédito, cheques de viagem e cartas de
crédito
Trata-se de uma actividade que, no caso específico dos cartões de crédito, conheceu no último quartel do
século passado uma notável expansão, invadindo praticamente todas as esferas de vida das pessoas e das
empresas.

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E que proporciona em si mesmo substanciais receitas aos bancos, para além dos negócios creditícios e outros
que associadamente traz consigo.
Os cheques de viagem, representam um clássico meio de pagamento especialmente vocacionado para o
sector do turismo, processualmente muito simples e seguro, sendo de registar algum declínio no seu uso face
a tempos recentes.
As cartas de crédito são hoje menos utilizadas, tanto mais que o circunstancialismo histórico que as gerou
está hoje fortemente alterado. Mas continuam a ter alguma expressão, mormente por via dos chamados
créditos documentários.
18. Transacções, por conta própria ou da clientela, sobre instrumentos do mercado monetário e cambial,
instrumentos financeiros a prazo e opções e operações sobre divisas ou sobre taxas de juro e valores
mobiliários.
Este núcleo de actividades encerra uma característica comum: as transacções a que der lugar podem ser
efectuadas por conta do próprio banco ou da clientela.
Tipologias de operações realizáveis no seu âmbito, em função dos produtos a que forem associados são
nomeadamente:
• Transacções sobre instrumentos do mercado monetário e cambial;
• Operações sobre instrumentos financeiros a prazo e opções, operações que frequentemente envolvem
riscos elevados – e daí algumas exigências especiais que são nesta matéria impostas aos bancos;
• Operações sobre divisas, de uso ainda hoje intenso, seja qual for o fluxo de movimentos;
• Transacções sobre valores mobiliários, sendo aqui de referir com particular acuidade a intervenção dos
bancos em operações na Bolsa por conta de terceiros – ou seja, no designado mercado secundário de
valores mobiliários.
19. Participação em emissões e colocações de valores mobiliários e prestação de serviços correlativos
Actividades que os bancos tradicionalmente já exercem no mercado primário dos valores mobiliários, no
âmbito de serviços de intermediação financeira que legitimamente podiam e continuam a poder prestar.
A participação dos bancos em emissões e colocações de valores mobiliários processa-se no âmbito de
contratos de assistência técnica, económica e financeira, tendo em vista a preparação, o lançamento e a
execução da oferta, designadamente mediante a prestação e apresentação do pedido de registo da operação
e de fecho na CMVM.
Os bancos podem ter aqui diferentes níveis de intervenção à luz do Código dos Valores Mobiliários, actuando
nos planos da:
• Colocação de valores mobiliários, desenvolvendo os melhores esforços tendo em vista a distribuição
dos títulos objecto de oferta;
• Tomada firme dos títulos em oferta, procedendo à sua aquisição e obrigando-se a colocá-los por sua
conta e risco no mercado;
• Garantia da colocação de títulos, obrigando-se a adquirir para si ou para outrem, no todo ou em parte,
os valores mobiliários que não tenham sido subscritos ou adquiridos pelos destinatários da oferta;
• Celebração com outros intermediários financeiros de consórcios para assistência ou colocação de
títulos;
• Prestação de serviços auxiliares inerentes a estas operações.

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20. Actuação nos mercados internacionais


De há anos a esta parte existe um mercado interbancário nacional, cujos intervenientes se circunscrevem aos
bancos e à Caixa Geral de Depósitos, tendo como autoridade fiscalizadora o Banco de Portugal.
Os bancos procuram muitas vezes financiar-se junto deste mercado, sem esquecer outras fontes
financiadoras, internas e externas.
21. Consultoria, guarda, administração e gestão de carteiras de valores mobiliários
Operações associadas ao mercado bolsista, que também os bancos inscrevem no quadro das suas actividades
como intermediários financeiros.
Encontramos em primeiro lugar a prestação de serviços de consultoria aos seus clientes na perspectiva do
investimento no mercado de valores mobiliários, informando-os dos riscos envolvidos com as transacções em
vista.
Depois, o depósito de valores mobiliários efectuado a pedido dos clientes. Trata-se do já referido depósito
regular de coisa infungíveis previsto no Código Civil por força do qual os bancos se comprometem a receber e
a guardar os títulos e a restitui-los quando lhes forem exigidos.
Neste caso, a titularidade sobre os valores mobiliários, ao invés do que se passa nos depósitos de fundos não
se transmite para a instituição depositária, nem esta pode utilizá-los para fins diferentes dos que resultem do
contrato de depósito.
Finalmente detectamos operações de gestão e administração de carteiras individuais de valores mobiliários,
pertencentes a clientes. Entre as obrigações que destas actividades decorrem, salientamos nomeadamente as
de:
• Realizar todas as operações tendentes à valorização da carteira; e
• Exercer os direitos inerentes aos valores mobiliários que a integram.
22. Gestão e consultoria em gestão de outros patrimónios
Serviços que muitos bancos há muito põem à disposição dos seus clientes e que no fundo o RGICSF reitera
como integráveis no lote das suas actividades.
É o caso da gestão e administração de patrimónios imobiliários e de outros bens, que os bancos assumem
tendo como substracto jurídico o contrato de mandato.
23. Consultoria de empresas em matéria de estrutura do capital, de estratégia empresarial e de questões
conexas, bem como consultoria e serviços no domínio da fusão e compra de empresas
Estas actividades têm como pano de fundo o universo empresarial. Neste contexto, os bancos, tirando partido
de meios e recursos especializados que detêm, podem, por razões de vária ordem – perante clientes com os
quais interessa reforçar o relacionamento, por interesse face à perspectiva de outros negócios e operações,
por razões de concorrência e competitividade, para gerar proveitos, etc. prestar serviços a empresas,
sobretudo sociedades anónimas e agrupamentos empresariais, nomeadamente nas áreas da consultoria em
geral e, em particular:
• Da composição, repartição e estrutura do capital social;
• Das opções estratégicas; e
• Das movimentações de fusão, cisão, compra de empresas, etc.
24. Operações sobre pedras e metais preciosos
Sendo operações integráveis na actividade bancária, encontram-se mais amiúde em certas instituições que
apresentam alguma forma especializada nestes sectores. São operações que, embora oferecendo elevado
risco de mercado, vêm sendo crescentemente realizadas pelos bancos.

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25. Tomada de participações no capital de sociedades


Trata-se de aquisições de posições no capital social de outras sociedades, financeiras ou não, configurando-se
como operações que consideramos de natureza marcadamente financeira, a despeito do carácter acessório de
que efectivamente se revestem, que não podem deixar de ter em conta um conjunto de definições e
realidades previstas no RGICSF como, por exemplo, relações de domínio, sociedades em relação de grupo,
participações qualificadas, etc., em ligação com o que, nesta matéria, dispõe o Código das Sociedades
Comerciais.
Devem ser realizadas pelos bancos em termos de não colidir com as normas de conduta estabelecidas no
RGICSF, não suscitando conflitos de interesses nem violando regras sobre a defesa da concorrência.
26. Comercialização de contratos de seguro
A celebração de contratos de seguro é reservada por lei às companhias de seguros, postulado que consagra o
princípio da separação em termos institucionais entre a actividade seguradora e a restante actividade finan-
ceira.
Considera-se que não constitui quebra deste princípio a possibilidade dos bancos procederem à comer-
cialização de produtos financeiros típicos da actividade seguradora, como reconhecimento desta faculdade
que aqui aparece legitimada, sugerida pelo facto de a maior parte das seguradoras se integrarem em grupos
financeiros que têm bancos como pólos de liderança.
Registe-se, no entanto, que se trata de contratos celebrados em nome e por conta de companhias de seguros,
as quais assumem, assim, efectiva posição de parte, enquanto os bancos se limitam a ser meros mandatários
na sua celebração e comercialização.
27. Prestação de informações comerciais
Um serviço que, dentro dos condicionalismos e limitações de carácter legal e deontológico, os bancos há
muito prestam aos seus clientes. Os bancos são na prática forçados a dispor de serviços de informações
próprios, de relevante interesse para o exercício de uma actividade que não pode ser dissociada do risco.
Informação que os bancos, no respeito pelas regras de conduta a que estão adstritos – sigilo bancário –
podem prestar aos seus clientes.
Em todo o caso, uma prática que não surge desprovida de algum melindre, mormente no plano de uma
eventual responsabilização civil, sobretudo em certas situações que, sendo de mais duvidosa configuração, se
podem considerar de fronteira, mesmo quando entendidas mais no sentido de meras recomendações de
natureza comercial, prestadas de forma descomprometida e não fundadas em elementos confidenciais.
28. Aluguer de cofres e guarda de valores
Através do aluguer de cofres – prática integrável no âmbito da sua actividade – os bancos põem à disposição
dos seus clientes um espaço físico compartimentado, no qual são guardados, em condições de segurança e
sigilo, certos valores mobiliários (jóias, obras de arte, etc.), tirando partido das privilegiadas condições que
naquela matéria os bancos detêm.
Os clientes passam a dispor de um espaço especialmente seguro nos dois planos que mais lhes interessam:
confidencialidade da guarda dos valores e protecção contra acidentes indesejáveis (furto, roubo, etc.).
De notar que, por via de regra, pelo menos à luz da prática bancária portuguesa:
• Ao contrário do que acontece no depósito regular típico o banco não recebe os valores colocados no
cofre, como os não restitui em espécie: limita-se a por à disposição do cliente um espaço
compartimentado e fechado para guarda dos valores que o banco não confere, nem a eles tem acesso;
• Os clientes dispõem da chave do referido espaço, mas não têm em boa Verdade a respectiva posse
física, que continua a manter-se na esfera e à guarda do banco.

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No que se refere à guarda de valores – aqui com a configuração jurídica de depósitos regulares – eles têm em
vista a conservação em segurança de certos bens valiosos (ouro, prata, pedras preciosas, colecções de
moedas, etc.).
Estas operações podem assumir a forma de depósitos cerrados cujos bens são depositados em caixas cintadas,
caso em que aos bancos incumbe no essencial garantir a segurança física das caixas e a devolvê-las intactas.
29. Outras operações análogas e que a lei lhes não proíba
Reflecte a consagração de que esta enumeração de actividades é meramente indicativa, e não de carácter
absolutamente exaustivo, sendo portanto possíveis outras operações bancárias, desde que análogas às que
acabámos de descrever e permitidas por lei.
Se quisermos, assim, estabelecer um quadro de referência das actividades que acabámos de enumerar,
podemos conceber o seguinte, que não deve ser considerado exaustivo:

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Secção III Sociedades Financeiras


§ 10.º - Ideia
As sociedades financeiras sucedem às extintas "instituições parabancárias", cujo espaço preenchem não
integralmente. No mapa financeiro do anterior regime legal o lugar central era ocupado pelas instituições de
crédito e, logo após, pelas instituições parabancárias sendo que estas, embora com estreita ligação que com
aquelas mantinham, delas se demarcavam, basicamente, por não lhes ser legalmente possível receber fundos
reembolsáveis.
A sucessão não se processou nos mesmos termos de correspondência e âmbito, uma vez que algumas antigas
parabancárias aparecem agora integradas na categoria de instituições de crédito. São exemplo disso, as
sociedades de investimento, de locação financeira, de cessão financeira e de aquisições a crédito. Não
encontramos no RGICSF uma noção directa e afirmativa de sociedade financeira, que nele aparece assim
definida pela negativa.
Nos termos do conceito que emerge do RGICSF (Art.º 5º), são sociedades financeiras as empresas que não
sejam instituições de crédito e cuja actividade principal consista em exercer uma ou mais de parte das
actividades permitidas às instituições de crédito, que atrás enumeramos e comentámos.
Quais delas?
Antecipando pela negativa e tendo em conta o quadro de actividades das instituições de crédito, ficam fora do
âmbito operacional das sociedades financeiras as seguintes:

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• Recepção de depósitos ou outros fundos reembolsáveis – critério que as separa das instituições de
crédito;
• Locação financeira;
• Factoring;
• Consultoria das empresas em matéria de estrutura do capital, de estratégia empresarial e de questões
conexas, bem como consultoria e serviços no domínio da fusão e compra de empresas;
• Operações sobre pedras e metais preciosos;
• Tomada de participações no capital de sociedades;
• Comercialização de contratos de seguro;
• Prestação de informações comerciais;
• Aluguer de cofres e guarda de valores.
Constituem actividades potencialmente permitidas às sociedades financeiras a (s):
• Operações de crédito, incluindo concessão de garantias e outros compromissos;
• Operações de pagamento;
• Emissão e gestão de meios de pagamento: cartões de crédito, cheques de viagem e cartas de crédito;
• Transacções, por conta própria ou da clientela, sobre instrumentos do mercado monetário e cambial,
instrumentos financeiros a prazo e opções e operações sobre divisas ou sobre taxas de juro e valores
mobiliários;
• Participação em emissões e colocações de valores mobiliários e prestação de serviços correlativos;
• Actuação nos mercados interbancários;
• Consultoria, guarda, administração e gestão de carteiras de valores mobiliários;
• Gestão e consultoria em gestão de outros patrimónios.
Não se conclua, porém, que qualquer sociedade financeira pode exercer todas ou mesmo uma parte das
actividades que globalmente acabámos de enunciar. Com efeito "as sociedades financeiras só podem efectuar
as operações permitidas pelas normas legais e regulamentares que regem a respectiva actividade (Art.º 7º do
RGICSF)". Isto é, o núcleo de operações que legalmente lhes são permitidas é retirável dos diplomas legais que
regulamentam cada uma das respectivas modalidades. O que, em conclusão, equivale a dizer que, por exem-
plo, se estamos perante uma agência de câmbios, não pode esta, enquanto tal, realizar transacções sobre
valores mobiliários.
§ 11.º - Espécies
Também aqui o RGICSF opta por proceder a uma exposição não restrita das espécies de sociedades financeiras
nele admitidas. Faz-se notar que a categoria "sociedades financeiras” abrange duas instituições de âmbito
mais alargado – sociedades de desenvolvimento regional e sociedades de capital de risco – as demais mostram
um carácter mais esmiuçado em certa actividade.
30. Sociedades financeiras de corretagem (Conta Própria)
Sujeitas ao mesmo diploma legal – com normas comuns e próprias de cada instituição – as sociedades
financeiras de corretagem constituem hoje um tipo de sociedade financeira distinto das sociedades
corretoras. Sociedades cujo objecto compreende actividades de intermediação em valores mobiliários e de
administração de carteiras de clientes, não apenas por conta de terceiros, mas também por conta própria – é
este aspecto que no essencial as distingue das sociedades, correctoras.

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Estas sociedades estão sujeitas a um regime de dupla supervisão: do Banco de Portugal e da Comissão do
Mercado de Valores Mobiliários.
31. Sociedades correctoras
A história destas sociedades confunde-se com a das sociedades financeiras de corretagem, às quais andou
associada até ao RGICSF. Estão apenas autorizadas a receber ordens de investidores para a realização de
operações sobre valores mobiliários, podendo ainda manter contas de depósitos de valores mobiliários e gerir
carteiras de terceiros compostas por tais valores. Distinguem-se das sociedades financeiras de corretagem por
apenas lhes ser permitido actuar por conta de terceiros, aos quais não podem conceder crédito. São
enquadradas pelo mesmo regime legal das sociedades financeiras de corretagem.
32. Sociedades mediadoras dos mercados monetário ou de câmbios
Realizam operações de intermediação nos mercados monetário ou de câmbios – onde actuam – podendo
ainda prestar serviços conexos com a sua actividade central. Distinguem-se das actividades de intermediação
em valores mobiliários pelo objecto que visam, sendo-lhes permitido apenas actuar por conta de outrem.
Dispõem de legislação própria, detendo uma expressão reduzida no mercado financeiro português – apenas
têm apreciável importância e significado nos países em que os mercados monetários em geral e o de câmbios
em especial, pelo seu desenvolvimento e força, o justificam.
33. Agências de câmbios
Os cambistas são considerados protagonistas históricos na história da Banca, sobretudo a partir do momento
em que as trocas económicas não cessaram de se expandir. Assim aconteceu em Portugal, onde a profissão
tem tradição e granjeou respeito.
Têm em vista a realização de operações de compra e venda de moeda estrangeira – notas, moedas, cheques
de viagem, etc. – podendo ainda operar sobre ouro e prata em moeda ou noutra forma não trabalhada, de
acordo com a legislação aplicável.
Tem sido visível na segunda metade do século XX o declínio desta actividade que, com a adopção do Euro na
maioria dos países da União Europeia e a subsequente limitação da sua actividade às operações cambiais de
conversão daquela moeda com as outras moedas do mundo e às operações sobre ouro e prata, não deixará
certamente de se acentuar.
34. Sociedades gestoras de fundos de investimento (FIM)
Realidade financeira cuja importância não tem cessado de crescer, em particular na segunda metade do
século XX. Representa a necessidade de oferecer aos investidores aplicações aliciantes e seguras para as suas
poupanças, tendo em vista a prossecução dos seus objectivos. Daí a diversidade e grande variedade dos tipos
e natureza de fundos oferecidos aos clientes.
Estas sociedades têm como objecto específico administrar, gerir e representar um ou mais fundos de
investimento – sejam eles mobiliários ou imobiliários, fechados ou abertos, etc. – sendo que cada sociedade
gestora apenas poderá administrar fundos que sejam da mesma natureza. O regime legal encontra-se disperso
por vários diplomas.
35. Sociedades emitentes ou gestoras de cartões de crédito
Nasceram nos princípios do século XX nos EUA, como meio alternativo de proceder a pagamentos sem
movimentação material de moeda. A grande viragem dá-se, quando a faculdade de emissão do cartão se
transfere do estabelecimento ou comerciante para o banco ou outra instituição financeira originando o
aparecimento de grandes redes de pagamentos nacionais e internacionais e de empresas especializadas na
emissão e gestão de cartões.
Têm por objecto exclusivo a emissão ou gestão de cartões de crédito, estabelecendo o regime legal específico
que as disciplina, as condições gerais da sua utilização e a sua compatibilização imperativa com a legislação

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sobre cláusulas contratuais gerais e com as recomendações provenientes da União Europeia sobre esta
matéria.
36. Sociedades gestoras de patrimónios (Administração de fortunas)
Uma actividade que, sendo já antiga, tem hoje grande importância, por força do desenvolvimento económico
verificado na segunda metade do século passado e do correspondente aumento do nível de vida e de
poupanças de muitas partes da população mundial, gerando o aparecimento dos chamados "gestores de
fortunas", empresas especializadas na gestão de patrimónios de pessoas que conseguiram um acervo maior
ou menor de bens e que a elas acorrem. E daí o seu enquadramento no núcleo das instituições financeiras.
Têm, no fundo, por objecto exclusivo o exercício da actividade de gestão de carteiras de bens pertencentes a
terceiros, podendo ainda prestar serviços de consultoria sobre investimentos ou aplicações. A lei que regula a
sua actividade impõe a estas sociedades vários deveres específicos, todos eles centrados na segurança e
informação aos clientes.
37. Sociedades administradoras de compras em grupo
O sistema das compras em grupo assenta num acordo firmado entre um grupo de pessoas, tendo em vista a
entrega de prestações periódicas a uma empresa especializada para pagamento dum determinado bem a
adquirir, que depois vai ser licitado ou leiloado periodicamente entre os membros do grupo, acabando por
poder comprá-lo em antecipação e por um preço tendencialmente mais em conta.
Estas sociedades têm por objecto exclusivo exercer a actividade de compras em grupo, sendo-lhes vedado
conceder crédito e onerar ou participar nos grupos administrados.
38. Sociedades de desenvolvimento regional (FINCO)
Criadas para captar recursos e canalizá-los para o desenvolvimento das regiões mais desfavorecidas,
contribuindo para a eliminação das assimetrias regionais. Tais recursos poderiam resultar da emissão de
obrigações a médio e longo prazo, de depósitos a prazo inferior a um ano provenientes de emigrantes ou de
autarquias locais da área e de empréstimos a médio ou longo prazo obtidos junto de instituições nacionais ou
estrangeiras.
Hoje, após a reformulação do seu regime, têm por objecto a promoção do investimento produtivo na área de
intervenção da respectiva região, tendo em vista o apoio ao seu desenvolvimento económico e social.
Os estatutos destas sociedades deverão conter a definição da sua área numa certa região dentro da qual
exercerão as suas actividades. Os critérios dessa fixação e da cooperação com entidades análogas vizinhas
estão estabelecidas na lei que as regula.
Podem financiar-se através da emissão de obrigações, da emissão de títulos de dívida pública a curto prazo e
da obtenção de crédito dentro de certos limites.
39. Sociedades de capital de risco
As operações de risco ou de alto risco, na mira de ganhos substanciais, continuam a ocupar posição de relevo,
como importantes instrumentos ao serviço do desenvolvimento das sociedades modernas.
Em conformidade com o respectivo regime legal, estas sociedades têm por objecto apoiar e promover o
investimento em projectos ou empresas através da participação no respectivo capital social em actividades
consideradas de risco, podendo ainda acessoriamente prestar assistência em diversos aspectos na gestão das
sociedades em que participem.
Estão reguladas por legislação própria, sem prejuízo de subsidiariamente lhes ser aplicável o RGICSF. .
40. Sociedades de garantia mútua – 1998 – (PME e Micro empresas)
É um tipo de sociedade financeira recentemente criado, remonta a 1998, embora há muito se encontrar
difundido em países da União Europeia. Têm por objecto ajudar às pequenas, médias e micro empresas o
acesso aos recursos essenciais e adequados à prossecução das suas actividades, aplicando-se medidas

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tendentes a criar mecanismos adequados para que a grandeza da empresa não seja um factor de incómodo na
obtenção dos financiamentos de que careçam.
41. Finangeste – Empresa Financeira de Desenvolvimento, S.A.
Criada em 1978 com o objectivo principal de rentabilizar activos e passivos decorrentes da extinção do BIP –
Banco Internacional Português e do saneamento de outras instituições, nomeadamente do Banco Borges &
Irmão e do Banco Pinto de Magalhães, podendo, designadamente, para o efeito adquirir e cobrar créditos,
gerir participações noutras sociedades e valorizar patrimónios resultantes da cobrança judicial e extrajudicial
de créditos bancários.
Secção IV Empresas De Investimento
§ 12.° - Noção
Por força do RGICSF, os bancos e outras instituições de crédito, bem como certas sociedades financeiras –
estas identificáveis em função do seu objecto legal – passaram a poder operar nos mercados comunitários de
valores mobiliários e de produtos afins. Umas e outras prestavam – antes e depois do RGICSF – serviços de
investimento, mas não reuniam condições para obter uma autorização validada em termos de poderem actuar
naquele sector financeiro em todo o espaço comunitário.
Na sequência da transposição para a ordem jurídica interna da Directiva Comunitária n.º 93/23/CEE, do
Conselho, de 10 de Maio de 1993, operada através do Decreto-Lei n.º 232/96, de 5 de Dezembro, passaram a
dispor de passaporte comunitário em termos de valências análogos aos já fixados para as instituições de
crédito, sob condição de adoptarem a denominação de "empresa de investimento" e de se submeterem ao
respectivo regime. Deste modo, como consequência da publicação do citado Decreto-Lei, as empresas de
investimento passaram a ser regulamentadas pelo RGICSF, nele se dispondo que, como tais são consideradas
aquelas em cuja actividade habitual se inclua a prestação de serviços de investimento a terceiros e que
estejam sujeitas aos requisitos de fundos próprios previstos em Directiva Comunitária, com excepção das
instituições de crédito, bem como de entidades às quais não seja aplicável por força de Directiva Comunitária
saída sobre a matéria.
A prestação de serviços de investimento a terceiros comporta um conjunto de operações que se deverá
reportar ao seguinte elenco de instrumentos financeiros indicados em Directiva Comunitária:
• Valores mobiliários e unidades de participação em organismos de investimento colectivo;
• Instrumentos do mercado monetário;
• Futuros sobre instrumentos financeiros, incluindo instrumentos equivalentes que dêem origem a uma
liquidação em dinheiro;
• Contratos a prazo relativos a taxas de juros (FRAs);
• Swaps de taxas de juro, de divisas ou swaps relativos a um índice sobre acções (equity swaps);
• Opções destinadas à compra ou à venda de qualquer dos instrumentos financeiros atrás enumerados
ou, sendo equivalentes, dêem origem a uma liquidação em dinheiro, estando nomeadamente incluídas
nesta categoria as opções sobre divisas e sobre taxas de juro.
Nota: SWAP – Operação financeira: consiste na troca de um contrato ou de um produto financeiro por outro.
Como exemplo frequente podem-se citar os "swaps" de taxas de juro, através dos quais uma empresa acorda
com uma instituição bancária a troca de, por exemplo, um empréstimo de taxa de juro fixa por um de taxa de
juro variável ou vice-versa. Tipo de transacção cambial: consiste em compra e venda simultânea da mesma
quantidade e da mesma divisa (ex.: contracto no qual se estabelece que se compra agora e também que
mais tarde essa mesma quantidade de divisa irá ser vendida por quem agora está a comprá-la).
O núcleo de operações englobáveis na prestação de serviços de investimento, nos termos do RGICSF, integra,
assim, a:

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• Recepção, transmissão e execução por conta de investidores, bem como negociação por conta própria,
de ordens relativas a qualquer um de tais instrumentos financeiros;
• Gestão de carteiras de investimento, numa base discricionária e individualizada, no âmbito do mandato
conferido pelos investidores, sempre que essas carteiras incluam alguns dos instrumentos financeiros;
• Colocação, com ou sem tomada firme, de qualquer um dos instrumentos financeiros;
• Valores mobiliários (acções e produtos afins, obrigações e outros títulos análogos);
• Unidades de participação em organismos de investimento colectivo, como sejam instrumentos do
mercado monetário e outros investimentos e instrumentos financeiros análogos.
§ 13.º - Tipos
A maioria, senão a totalidade dos serviços de investimento podem ser prestados, acrescidamente às empresas
de investimento, pelas instituições de crédito e sociedades financeiras. Deste facto e da diversidade de
operações de investimento realizáveis resulta que vários são os tipos de entidades especializadas que actuam
nos diversos mercados.
As empresas de investimento – contrariamente ao que se passa com as instituições de crédito e sociedades
financeiras, obrigadas a adoptar em quaisquer circunstâncias a forma de sociedades comerciais, no primeiro
caso sempre anónimas, no segundo quase sempre – podem ser pessoas singulares ou colectivas, dando
expressão à prática tradicional nalguns Estados-membros.
Sublinhe-se que as empresas de investimento estão sujeitas a todas as normas aplicáveis às sociedades
financeiras.
Secção V – Princípio Da Exclusividade
Com a consagração do princípio da exclusividade, o RGICSF estabelece uma reserva de actuação para as
instituições de crédito e sociedades financeiras quanto a certas actividades.
Assim acontece com a recepção do público de depósitos ou outros fundos reembolsáveis, tendo em vista a sua
utilização por conta própria, cujo monopólio de exercício é exclusivamente conferido às instituições de crédito
– e não a todas.
Neste caso, sublinhem-se os elementos caracterizadores de tal actividade:
• Captação junto do público;
• De depósitos ou outros fundos reembolsáveis;
• Para utilização por conta própria;
• No âmbito da sua actividade profissional, designadamente em aplicações de crédito (não está expresso,
mas considera-se tacitamente admitido).
Acentua-se que a reunião de tais elementos deve ser de verificação cumulativa, condição que, a não ser
respeitada, levará ao não preenchimento da referida reserva de exclusividade.
Confirmando este ponto de vista, o RGICSF salvaguarda de tal qualificação os fundos reembolsáveis recebidos
do público por intermédio da emissão de obrigações – nos termos e limites do Código das Sociedades
Comerciais – bem como os que, em conformidade com a legislação especifica aplicável, sejam captados
mediante a emissão de papel comercial, ficando desse modo ambas as operações excluídas da reserva de
exclusividade das instituições de crédito.
Trata-se quer na emissão de obrigações, quer na de papel comercial e não obstante representarem situações
de recepção de fundos junto do público, de operações nas quais não encontramos o elemento essencial que é
a aplicação por conta própria. Em nenhum dos casos se nos depara a reunião cumulativa dos elementos
estruturais da exclusividade das instituições de crédito.

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De resto em ambas as situações estamos perante meios de financiamento a que as sociedades comerciais
podem recorrer, nos termos e para a prossecução dos fins previstos no Código das Sociedades Comerciais – e
não para aplicação por conta própria junto de terceiros.
Pelas mesmas razões, não são consideradas operações de concessão de crédito, obviando, deste modo, a que
possam ser integradas na reserva de actividade das instituições de crédito:
• Os suprimentos e outras formas de empréstimos e adiantamentos entre uma sociedade e os respectivos
sócios;
• A concessão de crédito por empresas aos seus trabalhadores, por razões de ordem social;
• As dilações ou antecipações de pagamentos acordadas entre as partes em contratos de aquisição de
bens ou serviços;
• As operações de tesouraria, quando legalmente permitidas, entre sociedades que se encontrem numa
relação de domínio ou de grupo;
• A emissão de senhas ou cartões para pagamento dos bens ou serviços fornecidos pela empresa
emitente.
A reserva legal centrada nas actividades atrás inscritas no âmbito de competência das sociedades financeiras
significa que apenas por estas e pelas instituições de crédito podem ser exercidas, comportando em sequência
a faculdade de operar nos seguintes domínios:
• Concessão de crédito, considerada "de per si" (operações activas), não associadas à recepção de fundos,
bem como prestação de garantias e operações afins;
• Operações de pagamento;
• Emissão e gestão de meios de pagamento, tais como cartões de débito, cheques de viagem e cartões de
crédito;
• Transacções, por conta própria ou da clientela, sobre instrumentos do mercado monetário e cambial;
• Participação em emissões e colocações de valores mobiliários, bem como consultoria, guarda,
administração e gestão de carteiras dos mesmos valores;
• Actuação nos mercados interbancários;
• Gestão de outros patrimónios.
O RGICSF estabelece uma regra de exclusividade destas actividades a benefício das instituições de crédito –
que, neste caso, acrescem a outras já antes assinaladas – e das sociedades financeiras. Mas impõe
cumulativamente um outro requisito: tais actividades têm de ser exercidas a título profissional, ou seja, com
carácter regular e habitual, afastando deste modo operações de análoga natureza praticadas a título isolado
ou ocasional.
Sendo tais actividades de natureza substancialmente diversa, um denominador comum as caracteriza e une: a
sua prática em regime de habitualidade e estabilidade (profissional). E, acrescente-se agora, a sua finalidade
lucrativa, o que evidencia, afinal, os dois traços comuns, de verificação cumulativa, que marcada e
decisivamente caracterizam o fim das sociedades comerciais: exercício a título profissional e com carácter
continuado de uma actividade e a prossecução do lucro como fim.
Todas as operações atrás enumeradas apenas podem ser exercidas pelas instituições de crédito e pelas
sociedades financeiras, constatação que não suscita dúvidas face ao que dispõe o RGICSF.
Três notas a registar:
• Cada sociedade financeira apenas poderá exercer profissionalmente as actividades que se enquadrem
no âmbito do seu objecto social;

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• Às sociedades financeiras é vedada a intermediação financeira, na justa medida em que não lhes é
permitida a captação de fundos junto do público;
• As actividades das instituições de crédito não se circunscrevem às que enumerámos: vão além de tal
núcleo operativo, comportando acrescidamente um vasto lote de actividades.
Quanto às empresas de investimento, o RGICSF não estabelece explicitamente qualquer reserva quanto às
actividades de investimento que lhes é lícito exercer.
É legítimo concluir que lhes é aplicável o regime que acabámos de caracterizar para as sociedades financeiras.
É, na verdade, o que é retirável da cláusula de remissão constante do RGICSF, quando nela se estabelece que
"as empresas de investimento estão sujeitas a todas as normas do presente diploma aplicáveis às sociedades
financeiras".

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