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Direito Fiscal 2006/07

CAPÍTULO I – O DIREITO FISCAL, TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO


O imposto é uma transferência de recursos do sector privado para o Estado. O objectivo é uma
afectação óptima dos recursos.
Se acharmos que o Estado deve garantir um conjunto de obrigações, temos que estabelecer
um preço a pagar por elas. Esse preço são os impostos e determina se as políticas sociais do
Estado são mais ou menos intervenientes, se o Estado é mais ou menos providente.
O trabalho é mais localizável do que o capital e por isso a pressão fiscal sobre ele é maior.
O caminho será cada vez mais impostos sobre o consumo (IVA. imposto indirecto).
CAPÍTULO II - O IMPOSTO
1. CONCEITO DE IMPOSTO
O imposto é uma prestação, a estrutura jurídica do imposto é obrigacional.
Objecto imediato: obrigação de pagar; objecto mediato: prestação em si.
Os elementos da estrutura do conceito jurídico do imposto também incluem sujeito, objecto,
vínculo e garantia.
O imposto tem natureza patrimonial ou pecuniária, não tem carácter de sanção.
É devido a entes públicos para a realização dos seus fins e que são os beneficiários: Estado,
regiões autónomas, autarquias.
São ainda cobrados em Portugal mas entregues à Comunidade Europeia impostos aduaneiros
(cobrados sobre as importações).
Há também institutos públicos sem base territorial que cobram impostos (ex: Federação
Portuguesa de Futebol). É diferente dos grandes cobradores: entidades patronais,
comerciantes, CTT,...
Do ponto de vista estritamente jurídico, o imposto deverá definir-se como prestação
definitiva e unilateral, estabelecida pela lei a favor duma pessoa colectiva de direito público,
para a realização de fins públicos, e a qual não constitui sanção de um acto ilícito. De acordo
com este autor, é possível detectar na definição, três elementos caracterizadores distintos: o
elemento objectivo, o elemento subjectivo e o elemento teleológico. Dentro do elemento
objectivo, podem-se encontrar diversos sub-elementos que convém distinguir e analisar
individualizadamente. Objectivamente o imposto será:
• Prestação – relação jurídica obrigacional onde há um sujeito activo e um sujeito
passivo;
• Dação em pagamento – sujeito passivo entrega certo bem em pagamento dum
imposto
• Definitiva – não há lugar a qualquer reembolso do contribuinte relativamente à
prestação paga a título de imposto; as importâncias que o sujeito passivo transfere
para o sujeito activo não lhes serão restituídas, a não ser que tenha sido
indevidamente tributado ou que, por lapso, lhe haja sido exigido imposto superior ao
efectivamente devido; esta ideia de definitividade não contradiz o chamado
"reembolso" do IRS (calculado com base numa taxa);
Unilateral - permite distinguir imposto de taxa; a prestação decorrente do imposto diz-se
unilateral porque a ela não corresponde qualquer contraprestação por parte do sujeito activo;

1 António Manuel de Albuquerque Pereira – 2400030 – Direito


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por oposição, a taxa, que tem todas as características do imposto, dele difere na medida em
que é bilateral;
Situações em que podem surgir taxas:
a) Taxas burocráticas;
b) Domínio público: é o conjunto dos bens públicos que não podem ser objecto de
transacções;
c) Licenças: Aplicam-se às actividades legais mas não livres; ou seja, exige-se o
preenchimento de certos requisitos conducentes à obtenção de uma licença para certo
efeito.
• Estabelecida por lei - o nascimento da obrigação do imposto e a revelação do seu
conteúdo resulta exclusivamente da lei; a vontade das partes é irrelevante; embora
possa depender da vontade dos particulares o praticar ou não o acto tributável, o
conteúdo dessa obrigação situa-se fora do campo da autonomia privada é sempre
definido pela lei; o carácter legal da obrigação fiscal torna-a irrenunciável,
imodificável, pontualmente cumprida e indisponível.
• Não constituir sanção dum acto ilícito – distingue-se das coimas e das multas, as
quais, consistindo igualmente numa prestação definitiva de direito público, visam
punir certas violações da lei cuja gravidade deve ser sancionada pela exigência de
determinadas importâncias aos seus autores. O imposto não sanciona.
• Para a realização de fins públicos - há impostos que são criados com finalidades
diferentes: impostos fiscais: aqueles que têm uma finalidade imediata (a obtenção de
receitas que permitam a cobertura de despesas públicas); impostos extra fiscais:
apenas mediatamente vão obter receitas para financiar despesas públicas; impostos
proibitivos: pretendem incentivar determinados comportamentos. O sujeito activo é a
Administração Central ou os Municípios; o ente público pode ter base territorial ou
base institucional.
2. DISTINÇÃO DE FIGURAS AFINS
2.1 - Fronteira entre imposto e taxa – esta distinção tem uma aplicação prática (ao contrário
do que sucede com a distinção entre taxa e preços);
Os impostos carecem de aprovação parlamentar;
Principais questões:
As autarquias prestam um elevado número de bens divisíveis aos seus cidadãos, o que as leva
a criar taxas sistematicamente (exemplo: as taxas dos anúncios e dos reclames luminosos); isto
gera uma licença (passível do pagamento de uma taxa); a questão agrava-se quando as
mesmas Câmaras, depois, vêm cobrar uma taxa do anúncio (os tribunais tributários
consideram-na como um imposto, logo inconstitucional);
Primeira ideia: ao pagamento de uma taxa contrapõe-se sempre a prestação de um serviço ou
acesso a esse serviço; sem haver a possibilidade de existência desse serviço, então estaremos
na presença de um imposto; por outro lado, há também a ideia tradicional da
proporcionalidade entre o serviço e a taxa cobrada (pelo menos não deve haver
desproporcionalidade entre o serviço e a taxa cobrada); na medida do possível, a taxa deve
corresponder ao custo do serviço.

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A taxa tem uma contrapartida directa (bilateral). Quem mais cria taxas são os entes públicos
menores, nomeadamente as autarquias (não podem criar impostos). São também os maiores
criadores e prestadores de serviços (nomeadamente na área imobiliária).
Na taxa há uma contrapartida específica; no imposto não há. Taxas são no fundo preços que
se pagam para serviços genuinamente públicos.
A contrapartida não tem que ser algo que se procurou mas a pessoa deu causa ao serviço.
Ex: alguém que é julgado por bater num polícia sofrerá a sanção aplicável nomeadamente o
pagamento de uma taxa; ter um BI; licença de construção de uma casa.
O montante da taxa não tem que ser correspondente ao custo do serviço ou à sua utilidade. A
taxa pode ter como objectivo restringir o consumo do serviço em questão – taxa moderadora.
Mas deve haver uma regra. Princípio da proporcionalidade (constitucional). Os tribunais
cobram a taxa consoante o valor da acção proposta mesmo quando o serviço prestado é
exactamente igual.
O problema é que se pretende manusear as taxas como verdadeiros impostos.
Há que distinguir entre taxas e preços públicos (ou tarifas). As empresas municipais não têm
poderes para criar taxas mas sim tarifas. Preços, regulados pelo mercado, que são receitas de
direito privado.
Ex: Quanto à RTP, quando se achou que era igual às televisões privadas a nível de publicidade
foi terminada a cobrança da taxa de televisão.
Há 3 áreas que não temos dúvidas que são taxas:
1. Utilização privada do domínio público;
2. Licenças e autorizações (permissivas do exercício de um direito)
3. Serviços (comissão de Bis, passaportes,...)
Ex: parar o carro na rua e pagar o parquímetro. É uma taxa. Utilização privada do domínio
público.
Parar o carro num parque da Câmara. É uma tarifa. Já estamos no domínio público. Sobre estes
incide IVA.
Contribuições especiais
Aparecem em 2 situações e só pontualmente.
Em situações em que existem obras públicas que beneficiam particularmente uma região, os
proprietários de prédios rústicos pagam uma contribuição especial. Este mecanismo serve para
evitar a especulação imobiliária e para equilibrar os mecanismos de mercado (oferta/ procura)
pois por vezes os proprietários não têm possibilidades de pagar o imposto e colocam os
prédios à venda. Esta figura é híbrida pois não há uma contrapartida específica mas há um
benefício indirecto.
Trata-se de um imposto até porque a capacidade contributiva aumenta.
Imposto de camionagem
Os camiões (indústria) estragam as estradas e por isso pagavam um imposto especial que era
afecto à recuperação das estradas.
Embora a prioridade dos impostos seja a criação de receitas para o Estado, a sua distribuição
obedece a um critério que não o das receitas. A origem dos impostos é legal e correctiva.

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Nota: As obrigações têm origem na lei ou na autonomia privada. No caso dos impostos têm
origem na lei pois não há vontade na formação da obrigação. Podem ter finalidades extra-
fiscais (prevenção de vícios com tabaco, álcool,...).
As finalidades extra-fiscais dos impostos acentuam hoje pela negativa, através dos benefícios
fiscais.
A política económica é feita essencialmente através dos impostos – tudo o resto é muito
limitado pela CE.
Nota: Só para grandes projectos de investimento (superiores a 1 milhão de contos) há
possibilidade de um efeito fiscal.
Temos que distinguir a criação dos impostos do mecanismo que vai possibilitar a sua aplicação.
Na lei fiscal há 4 pontos fundamentais:
1 - Normas de incidência
Pessoal, subjectiva. Sujeito passivo da obrigação do imposto é aquele que tem de entregar o
pagamento na tesouraria; contribuinte é aquele que a lei pretende que o imposto atinja.
Real, objectiva. Manifestação de riqueza que se quer tributar, varia de imposto para imposto
(consumo, património,...). Temos que saber quais são as componentes das manifestações de
riqueza.
Nota: quem está sujeito a imposto é o sujeito passivo.
2 - Taxas (como percentagem). Praticamente todos os impostos se calculam com base em
taxas (o petróleo era calculado com base na quantidade).
3 - Benefícios fiscais. Nem todos estão nos códigos; podem ser de vários tipos;
Caracterizam-se por constituírem uma excepção à regra (por razões não fiscais). Distinguem-se
de normas de definição pela negativa de não incidência.
4 - Normas de definição pela negativa de não incidência.
2.2. O imposto e a Segurança Social - a Segurança Social representa o principal custo
tributário da prestação do trabalho e é paga pela entidade patronal em partes não iguais; esta
contribuição está autonomizada por razões históricas: começou por ser uma iniciativa dos
próprios trabalhadores (meados do século XIX), tendo em vista a prevenção dos riscos por
doença (os mineiros ingleses); posteriormente, o Estado chamou a si a prestação, recorrendo a
um triplo financiamento: entidade patronal, Estado e trabalhador: era a lógica do seguro; este
sistema manteve-se entre nós praticamente até finais dos anos sessenta; com Marcelo
Caetano e, principalmente, com o 25 de Abril, consagrou-se o direito à segurança Social
(direito constitucional); assiste-se à decadência do sistema, ainda que subsistam alguns
daquela modalidade (a Ordem do Advogados);
Contudo, actualmente a regra é a do regime geral; consequência: passagem de um sistema de
capitalização (lógica dos seguros) para um sistema de distribuição (em que as quotas actuais
destinam-se a pagar aos reformados actuais); contudo, o número de activos não acompanha o
número de reformados. A Segurança Social foi, lentamente, integrando-se no regime normal
das contribuições para o Estado, aproximando-se do regime dos impostos. Tal circunstância
esbate e atenua a distinção entre imposto e contribuição para a segurança social; por este
motivo, certos países fizeram a integração da segurança social nos impostos; deste modo,
podemos hoje afirmar que, não obstante a diferença de regime jurídico, a segurança social é
um imposto (para certos autores, trata-se de uma contribuição para-fiscal). A este propósito
releva a pertinente questão levantada em torno da Ordem dos Advogados, para a qual os seus

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associados canalizam duas contribuições: a quota é uma contribuição tipo segurança social na
lógica do seguro; relativamente à quota propriamente dita, questiona-se: ou a Ordem dos
Advogados é uma pessoa pública, e nesse caso, a quota é um imposto.
Processo de vida do imposto
O lançamento define a incidência e a taxa a aplicar ao sujeito passivo. Para proceder à
liquidação é necessário calcular a colecta: colecta = matéria colectável * taxa.
Esta tarefa é feita maioritariamente pelos contribuintes. Só no caso da contribuição Autárquica
há uma administração activa e um contribuinte passivo.
A liquidação é importante porque é um acto definitivo e executório (mesmo quando operado
pelo próprio). A pessoa só pode reagir depois desse acto, só aqui acontece o efeito externo
(salvo as excepções previstas na lei).
Primeiro define-se o se e quanto do imposto: determinar o que dá origem ao imposto, sujeitos
activos e passivos, montante e eventuais benefícios ficais (não há imposto ou há menos
imposto. Depois há a aplicação, efectivação, administração ou gestão.
Traduz-se nas operações de:
- Lançamento (identificam-se os contribuintes (lançamento subjectivo) e determina-se a
matéria colectável ou tributável e a taxa (lançamento objectivo).
- Liquidação (determina-se a colecta aplicando a taxa à matéria colectável; a colecta virá a
coincidir com o imposto a pagar a menos que haja lugar a deduções à colecta, caso em que a
liquidação também abarca esta operação.
- Cobrança dos impostos (pagamento).
Exemplo de liquidação lato sensu do IRS:
1 - Apuramento do rendimento bruto por categoria
2 - Dedução relativamente a cada categoria das despesas realizadas para a obtenção do
respectivo rendimento, tornando esta uma categoria líquida
3 - Englobamento dos diversos rendimentos líquidos apurados, obtendo o rendimento líquido
total
4 - O abatimento por despesas com pensões a que o sujeito passivo esteja obrigado por
sentença judicial ou por acordo extra-judicialmente homologado, determinando-se o
rendimento colectável
5 - Aplicação do quociente conjugal no caso de contribuintes casados
6 - Determinação da taxa aplicável
7 - Aplicação desta ao rendimento colectável, apurando a colecta
8 - Deduções à colecta, entre as quais justamente se contam as despesas de carácter pessoal
das famílias adstritas à realização dos direitos sociais à saúde, à educação, à habitação e à
segurança social, deduções que nos dão o imposto a pagar.
3. CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS
A distinção mais vulgar faz-se em função da capacidade contributiva e distingue:
- Impostos Sobre o Rendimento / Património (incidem sobretudo sobre o trabalho,
nomeadamente por conta de outrem) e cada vez menos sobre o capital que se move com uma

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rapidez alucinante. Logo podemos questionar se é este o sistema mais justo e ou se será mais
justa a tributação sobre o consumo.
- Impostos sobre Consumo - sobre manifestações de aquisição de bens (ex: IMT). Não se sente
tanto o seu pagamento; são injustos na medida em que não olham a quem paga. A nível
internacional há uma grande recuperação dos impostos indirectos.
3.1. Impostos directos e impostos indirectos – Trata-se de uma distinção intuitiva e sem
grande rigor científico. Nos impostos directos tributa-se um rendimento ou um património;
nos impostos indirectos tributa-se a capacidade de se fazer despesa (ou consumo);
Nos primeiros, existe a figura da retenção na fonte (que constitui uma espécie de anestesia
fiscal) e não são repercutíveis (uma excepção: a consulta ao médico com recibo ou sem recibo
vai condicionar o custo da mesma);
Nos segundos, existe também uma espécie de anestesia fiscal, na medida em que o imposto
está integrado no valor do bem, sendo repercutíveis (ou seja, quem vende ou presta um
serviço tendencialmente integra o imposto no montante; quem o vai suportar é o consumidor
final).
Dentro dos impostos directos, temos os que incidem sobre o rendimento (exemplos: o IRS e o
IRC) e os que incidem sobre o património (exemplo: a Contribuição Autárquica). No âmbito dos
impostos indirectos, relevam os que incidem sobre a despesa ou o consumo, como por
exemplo, o IVA e o IA.
É uma distinção mais económica.
Os impostos directos não são custos para as empresas. No cálculo do lucro não entra o IRC, é
tributado após o apuro do lucro, é no fundo mais um sócio e não um custo.
Os impostos indirectos são custos das empresas. Quando a empresa compra gasóleo paga o
imposto.
O imposto directo é suportado pelo contribuinte (caso dos impostos sobre o trabalho).
O imposto indirecto pode ser suportado por outrem (exemplo: uma loja compra por 100 + IVA
e, se quiser ganhar 50%, vai vender a 150 + IVA, visto não ser um critério jurídico; exemplo: um
médico que tem preços com e sem IVA (estabelece quanto quer ganhar limpo.
3.2. Impostos de obrigação única e impostos continuados – o trabalho convencionalmente é
uma realidade que permanece ao longo dos tempos (tributação periódica, normalmente anual,
permite uma actividade contributiva repetitiva; actualmente, o princípio da auto-declaração
vem aliviar aquela actividade administrativa). São impostos continuados os sobre o trabalho,
lucros das empresas, arrendamentos; por outro lado, outros impostos são irrepetíveis
(exemplo: o imposto sucessório); também os impostos sobre as despesas, embora repetitivos,
são autónomos (exemplo: uma casa pode ser vendida seis vezes, o que dará lugar ao
pagamento de seis IMT): são impostos de obrigação única ou autónoma.
Os impostos continuados são periódicos.
A importância desta distinção hoje desapareceu (menos no pagamento da IMT).
Importância prática: existem impostos que incidem sobre factos geradores continuados (por
exemplo, os rendimentos do trabalho incidem sobre o período de um ano mas o facto
prolonga-se por diversos anos (a base é anual (imposto periódico).
Obrigação única (acontece sobre um facto isolado e único (comprar uma refeição pago IVA
nunca mais volto a pagar, é irrepetível) - são basicamente os impostos indirectos. São factos de
geração instantânea.

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3.3. Impostos locais, regionais e nacionais - sempre que o sujeito activo são os Municípios
(caso do IMT (Imposto sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis), IMI (Imposto Municipal
sobre Imóveis (antiga contribuição autárquica) e IA (Imposto Automóvel), temos impostos
locais (o carácter local, com a recente revisão constitucional tende a conferir distinções entre
os municípios); os impostos lançados nas Regiões Autónomas são os impostos regionais; os
impostos cobrados no conjunto do território nacional, cujas receitas se destinam ao poder
central, são os impostos nacionais.
Há impostos estaduais (governo, Estado; previstos no OE (Orçamento do Estado).
Há impostos não estaduais (regionais, municipais e de entes públicos menores.
Nota: O Prof. Casalta Nabais acredita não existirem impostos não estaduais pois tudo reverterá
a favor do Estado.
3.4. Impostos reais e impostos pessoais – Reais (olham ao valor da manifestação da
capacidade contributiva. Ex: IMI (2 apartamentos com o mesmo valor patrimonial pagam
exactamente o mesmo, independentemente de quem é o proprietário (não atende às
circunstâncias concretas de quem paga o imposto.
Não existem impostos pessoais puros, mas apenas mais ou menos puros (ver características).
Mesmo o IRS está longe de ser um imposto pessoal puro (apareceu em 1989 e cada vez é
menos pessoal).
Os primeiros apenas atentam ao elemento objectivo (está em causa o valor tributável em
detrimento de qualquer elemento subjectivo), ou seja, tributa-se uma manifestação concreta;
os segundos olham à situação concreta (elemento subjectivo) do indivíduo, que vai pagar o
imposto; nos impostos indirectos não se atende ao carácter pessoal (qualquer pessoa paga o
mesmo imposto sobre um pastel); tendencialmente, o carácter pessoal dos impostos
(associado à ideia de justiça fiscal) tem vindo a dar lugar ao carácter real dos impostos; o
imposto pessoal apresenta quatro características, também denominadas de elementos de
pessoalização:
a) Tem em consideração a totalidade do rendimento do contribuinte (ou seja, o
rendimento de todas as fontes que devem dar origem a uma única dívida de imposto;
esta totalidade significa uma base mundial, isto é, a globalidade dos rendimentos
auferidos independentemente do local); Tem que incidir sobre a totalidade do
rendimento (vindo de variadas fontes de rendimentos). Todo o rendimento,
independentemente do lugar onde é obtido; deve ter um âmbito mundial. Temos
actualmente o IRS dos residentes e o dos não residentes (e não dos portugueses e
estrangeiros). Quando dizemos todo o tipo de rendimentos serão todos aqueles que a
lei entende como tributáveis.
b) Tem em consideração a situação do agregado familiar (ou seja, o que se ganha e o que
se gasta; isto é, as despesas socialmente relevantes são abatidas à matéria colectável:
dimensão positiva e dimensão negativa); Ter em conta a estrutura do agregado
familiar, certas despesas socialmente relevantes do agregado familiar. No IRS isto é
mais ou menos cumprido. O estado civil e os filhos são relevantes. Saúde, educação e
casa própria também são relevantes.
c) Tem de haver um mínimo de existência (ou seja, o imposto não vai retirar aos
contribuintes aquele mínimo que a lei entende como vital à sua sobrevivência; um
imposto que se pretende pessoal tem necessariamente de saber "medir" a capacidade
contributiva dos contribuintes; assim aqueles cujo rendimento mal chega para
assegurar a sua sobrevivência estão isentos de imposto); Existe uma isenção para o

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mínimo de existência: o imposto não tributará o mínimo definido por lei, como o
indispensável para a pessoa viver (não confundir com qualquer tipo de subsídio). A lei
não cumpre com este requisito, só garante esta isenção a quem tem rendimentos
predominantemente provenientes do trabalho por conta de outrem. Porquê? Isto é o
mesmo que dizer que estes “fogem” menos e os empresários “fogem” mais.
d) Os impostos tem taxas progressivas - trata-se de um dogma da justiça fiscal; serve
para combater alguma injustiça decorrente das taxas proporcionais; visam aumentar
consoante o nível dos rendimentos; a CRP, no seu artigo 104°, nº1, consagra
expressamente o imposto único e progressivo.
3.5. Impostos em função da natureza das suas taxas proporcionais – tem uma taxa constante
e fixa que permanece invariável perante a variação da matéria colectável; progressivos –
aumentam a taxa à medida que aumenta a matéria colectável; a progressividade tem, contudo
um limite (sob pena de se atingir os 100%, que deixava de ser um imposto para ser um
confisco); por isso, a partir de certa altura a taxa fixa-se, tornando-se proporcional; regressivos
-diminui a taxa à medida que aumenta a matéria colectável; degressivo – taxa proporcional
(fixa e constante); contudo, para certo tipo de contribuintes reconhece-se que a tributação
escolhida é elevada; estabelece-se então um rendimento tido como razoável (não mínimo) ao
qual se aplica a taxa fixa, tornando o imposto proporcional para quem aufere aquele tipo de
rendimento ou superior; quem estiver abaixo desse nível vê a taxa diminuir; combina-se assim
uma taxa progressiva com uma taxa proporcional, sendo esta última a regra e a progressiva a
excepção (justamente o contrário do que sucede com o sistema progressivo, em que a
progressividade é a regra e a proporcionalidade a excepção).
NOTA (actualizada a 2002):
O IRS é um imposto progressivo. Atender ao artigo 68º, nº1, que estabelece as taxas vigentes.
Na progressividade por classes, enquadra-se o rendimento na classe respectiva aplicando-se a
taxa que lhe corresponde (exemplo; 4100,12 x 12%). Na progressividade por escalões, a
matéria colectável é distribuída pelos diferentes escalões (4100,12 x 12%) + (6201,42-4100,12)
x 14% + (7 000-6201,42) x 24%.
Na prática, o legislador, por razões de simplificação, ao lado das taxas normais, colocou as
chamadas taxas médias, possibilitando desse modo um cálculo mais facilitado: é o que se
deduz do artigo 68°, nº2. O rendimento é repartido em duas partes: na primeira, aplica-se a
taxa média correspondente ao limite máximo que ainda couber dentro do rendimento
(voltando ao exemplo anterior do rendimento de 7000, temos que o limite máximo é o de
6201.42; logo, temos 6201.42 x 12.6777%); na segunda, aplica-se ao excedente a taxa normal
que lhe corresponde (7000-6201.42 x 24%). A soma destas duas operações dá-nos o imposto
apagar.
3.6. Impostos principais e impostos acessórios -os impostos principais tem todos os
elementos para existirem como imposto, ao passo que aos impostos acessórios faltam-lhes
elementos que lhes permitam funcionar autonomamente; em regra, faltam-lhes normas
próprias da sua matéria colectável (por isso, se calculam a partir do imposto principal).
Dois tipos de impostos
Acessórios:
1) Adicionamento – a matéria colectável do imposto acessório é o valor da matéria colectável
do imposto principal;

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2) Adicional – a matéria colectável, do imposto acessório é a colecta do imposto principal.


Recorde-se que matéria colectável, é aquilo a que se aplica a taxa de imposto e colecta é o que
resulta da aplicação da taxa à matéria colectável.
Vejamos o seguinte exemplo: a empresa X tem de lucro 10 000 € (matéria colectável); a taxa
aplicável de IRC é de 36%; logo, o montante de imposto a pagar é de 3 600 € (colecta).
Se existir um imposto acessório do IRC (que é o imposto principal), temos que se esse imposto
for um adicionamento, a sua matéria colectável será a matéria colectável do imposto principal
(que é o IRC), logo será de 10 000; se for um adicional, a sua matéria colectável será a colecta,
ou seja, 3 600.
Para certos autores, somente o adicional é um imposto acessório, dado que apenas nele se
verifica uma coincidência entre as pessoas que pagam o imposto principal e as que pagam o
imposto acessório (no adicionamento tal pode não acontecer). No caso de haver deduções à
colecta, o imposto a pagar pode ser negativo; em sentido técnico não se vai pagar IRC; neste
cenário, não se paga, igualmente, adicional (a colecta é nula); contudo, pode haver lugar a
pagamento de adicionamento, na medida em que existe matéria colectável; o adicionamento
é assim muito mais abrangente; por isso também se diz que apenas é um verdadeiro imposto
acessório.
Impostos principais (IRS, IRC,...
Impostos acessórios (ex: derrama.
Adicionamentos Vs Adicional
Hoje não há adicionamentos.
A derrama é um adicional, não tem lançamento próprio.
A derrama incide sobre a colecta do imposto principal que é o IRC.
Colecta = matéria colectável (lucro) * taxa.
Ex: 10000 (lucro fiscal) * 30% = 3000.
Se lançamos um imposto sobre a colecta de 10% temos que pagar => 3000 * 10% = 300 (a
colecta passa agora a matéria colectável).
Porque não subir a taxa do imposto principal? Por razões históricas, sobretudo, pois aparecem
em épocas históricas especiais (alturas de aperto), reforça a ideia de suplemento.
São os próprios municípios que decidem se há ou não derrama (receita municipal) e de quanto
são as taxas (leva á colecta da taxa máxima de 10%).
É um imposto que se baseia noutro, não tem lançamento mas apenas liquidação pois
aproveita as contas feitas para efeitos de IRC.
A derrama -o imposto acessório que vigora, neste momento, entre nós é a derrama (é um
adicional que se aplica sobre o IRC). Trata-se de um imposto local, por isso, não estadual. Na
derrama, o sujeito são os Municípios. Não apenas as receitas revertem para os Municípios,
mas também a estes cabe o poder de gestão e de administração do imposto; são as autarquias
que decidem o destino a dar à derrama; consequência constitucional do princípio da
autonomia municipal. A AR ao criar aderrama conferiu às autarquias este duplo poder: (1) se
vão ou não criar o imposto; (2) em caso afirmativo, poderem fixar o seu montante que tem
todavia de ser inferior a 10%. Este duplo poder levanta algumas dúvidas sobre a
constitucionalidade da derrama, em face da reserva relativa da AR em matéria fiscal. Ou seja,
está em causa o princípio segundo o qual, os impostos são matéria exclusiva da AR, ou, em

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presença de uma lei de autorização por esta emanada, do Governo. Em rigor, o problema
reconduz-se ao facto de serem as autarquias que vão fixar, embora dentro de certas balizas, o
montante (leia-se taxa) do imposto. Igual problema se levanta à volta Contribuição Autárquica.
É uma violação literal do princípio da legalidade, na sua vertente formal.
A doutrina divide-se em torno desta controvérsia:
1) Por um lado, temos aqueles que defendem a inconstitucionalidade da derrama (Professor
Brás Teixeira); 2) por outro lado, os que defendem a sua constitucionalidade (Dr. Rui Morais).
Estas eram as posições antes da recente Revisão da CRP. Para o Dr. Rui Morais, a questão não
pode ser analisada unicamente à luz da vertente formal do princípio da legalidade. Devemos
considerar também a dimensão material ou substancial daquele princípio. Posto o problema
nestes termos, releva saber qual o fundamento do princípio da legalidade.
Genuinamente os impostos eram matéria dos Parlamentos; actualmente, o Governo dispõe
também de legitimidade democrática, embora indirecta, sendo que está, seguramente, mais
bem apetrechado para o fazer. Questiona-se: porque razão existe ainda a reserva relativa da
AR neste domínio mesmo após a Revisão de l997? A resposta só pode ser uma: é que a AR tem
uma muito maior representatividade; dá a ideia de que são as próprias pessoas que pagam os
impostos que também sobre eles legislam (princípio de autotributaçao). Então a questão é a
de saber se há ou não autotributação. Sendo a derrama um imposto municipal, então, quem
mais do que as Autarquias locais terá legitimidade para fixar esse imposto. Esta lógica do Dr.
Rui Morais, para quem as Assembleias Municipais são quem melhor corporiza, no caso da
derrama, a ideia de autotributação e de representatividade. Deste ponto de vista, não haverá
qualquer violação ao princípio da legalidade. O Tribunal Constitucional acolheu esta tese,
tendo solicitado ao Dr. Rui Morais um parecer sobre o assunto. Com a revisão de 97, o novo
artigo 238º, nº4, a CRP passou a prever a possibilidade das Assembleias Municipais serem
dotadas de poderes tributários nos casos previstos na lei (casos da Contribuição Autárquica e
da derrama). Assim, a partir de agora, em princípio, a questão passou a ser indiscutível; ou
seja, a derrama é constitucional.
NOTAS (actualizada a 2002):
1. Todos os impostos tem uma incidência pessoal e uma incidência real; pessoais, porque
assinalam sempre quem paga; real, porque as manifestações de capacidade contributiva
definem a base de tributação (rendimento património, despesa).
2. Em sede de IRS, os referidos elementos de pessoalização aparecem no: a) artigo 13º e 15º:
define quem está sujeito ao IRS (os residentes e os não residentes que em Portugal obtenham
rendimentos); para os não residentes, o IRS é um imposto pessoal; para os não residentes, a
tributação será efectuada em termos de tributação real (não releva o número de filhos e
outros factores subjectivos; apenas releva a sua capacidade contributiva -artigo 15°; b) artigo
56°: abatimentos: elenco dos encargos que se podem abater à matéria colectável; c) artigo
70º: isenção do mínimo de existência; consagração algo polémica (violação do princípio da
igualdade? inconstitucionalidade?); esta isenção está associada àqueles que trabalham por
conta de outrem (trabalho dependente); estão de fora os que vivem de rendas baixas e os
trabalhadores independentes; contudo, o artigo 78º, nº1, vem corrigir esta situação (deduções
à colecta)
d) Artigo 71°: é o caso das taxas liberatórias (art. 71º) e das taxas especiais (artigo 72º);
também aqui pode colocar a questão da inconstitucionalidade por eventual violação do
princípio da progressividade das taxas.
CAPÍTULO III - FONTES DO DIREITO FISCAL

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O imposto é uma violência excepcional do Estado. A economia estadual é improdutiva e


deveria apenas assegurar o mínimo dos mínimos de estrutura colectiva para o financiamento
de determinado tipo de serviços – segurança. Há instrumentos constitucionais que controlam
esta agressão.
Antes da revolução francesa tínhamos um Rei absoluto. Depois surge a ideia de parlamento: o
Rei tinha o poder executivo e o parlamento o legislativo. Fronteira muito bem delimitada. O
poder de criar impostos só pode ser dos cidadãos, o parlamento cria os impostos (hoje não é
tão importante).
Também achamos que as matérias mais importantes devem ser deixadas ao parlamento. Ideia
de publicidade (debate público).
Em matéria de impostos é sempre necessário grande nível de consenso.
A reforma fiscal é levada a cabo em épocas de maioria absoluta.
Não há, seguramente, matéria jurídica na qual a influência constitucional seja tão visível e
marcante como aquela que acontece no âmbito do Direito Fiscal. Desde logo, a própria CRP de
1976, é um exemplo do momento que se vivia então (imposto como um instrumento da “luta
de classes”). A Reforma Fiscal nela prevista apenas veio a ter expressão na segunda metade
dos anos oitenta (IVA, IRS, IRC, CA). A CRP ainda tem muitos conceitos dos anos sessenta; veja-
se os artigos 103° e 104°, que constituem normas programáticas conformadoras da legislação
ordinária: a descrição dos impostos das pessoas físicas (específicos e progressivos; uma
exigência de imposto único quase impossível); a tributação do agregado familiar; a tributação
dos rendimentos reais das empresas; a tributação do consumo (já influenciada, contudo, pelas
Directivas Comunitárias); a tributação do património; o imposto sobre doações e sucessões
(questão problemática, na medida em que a sua acção praticamente se esgota na tributação
dos bens imóveis).
Em suma, a CRP é uma das Constituições que, ao nível mundial, mais versa sobre a questão
fiscal.
Artº 104º CRP:
Nº1. “Único e progressivo”. Não é nenhum dos 2. Logo, em pura verdade, o IRS seria
inconstitucional. Mas o IRS é o que pode ser. O que está mal é a CRP.
Quando diz “ em conta... do agregado familiar” levanta-se a questão de saber se a Constituição
permite a tributação separada.
Nº2. Rendimento real (lucro apurado pela contabilidade). Primeiro tributa-se pela
contabilidade e se esta for provada falsa passa-se à presunção de rendimentos. Podemos
suscitar a questão do regime simplificado ser inconstitucional.
Nº3. Não diz nada; não temos verdadeiros impostos sobre o património. O que temos é CA e
IA.
Há impostos sobre a transmissão de património imobiliário (SISA e Imposto Sucessório).
O imposto sucessório é um instrumento de “luta de classes”. Visa combater a riqueza herdada;
não funciona porque abrange só os imóveis pelo seu valor patrimonial (muito desactualizado).
Nº4. Impostos sobre o consumo. Sofreu maior nº de alterações. Porque estabelecem-se
princípios orientadores numa matéria muito pouco desenvolvida.
O IVA é quase todo (fora a fixação das taxas) matéria de direito comunitário (ex: isenções).

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Artº 103º. Princípios constitucionais clássicos da tributação (séc. XIX. de índole liberal). É uma
questão histórica.
Mesmo em países cujo objectivo era acabar com a propriedade privada estes princípios são
consagrados. Estes princípios são liberais no sentido de que o Estado é inimigo do cidadão
(logo este deve acautelar-se da agressão do Estado).
Vejamos, agora, os princípios clássicos do Direito Fiscal com forte pendor constitucional:
1 - Princípio da legalidade -a primeira questão que se pode levantar em tomo desta matéria é a
seguinte: quem pode, quem tem competência criar impostos? Que forma devem revestir a leis
que criam impostos? Estão em causa dois preceitos constitucionais; o artigo 103°, nº2, que
alude aos elementos essenciais dos impostos (incidência, taxa, benefícios fiscais e garantias
dos contribuintes) e o artigo 165º, nº1, alínea i), que respeita à reserva relativa da AR neste
domínio). Tradicionalmente, criaram-se resistências aos monarcas criadores de impostos
(exemplo: Robin dos Bosques e a Magna Carta); do ponto de vista do liberalismo pagar
impostos representava contribuir para o Estado gastador, Estado que, à luz daquela corrente,
não se deve imiscuir na vida dos particulares; é impensável que a sociedade civil produza
riqueza e vá entregar ao Estado uma parte desses resultados (recorde-se, a propósito, que a
Revolução Americana começou, justamente, por uma revolta contra um imposto lançado
sobre a produção de chá). A consagração do movimento constitucional e dos regimes
parlamentares veio por em causa o lançamento dos impostos por parte do monarca. A partir
do século XIX coabitam os poderes legislativo (as assembleias, parlamentares, ainda que
eleitas por voto censitário) e executivo (o Rei). A qual destes poderes deve incumbir aquela
tarefa? Modernamente, tem-se como assente que o lançamento de impostos deve partir de
decisões parlamentares; duas razões nesse sentido:
a) Tão importante como o voto é o controlo que a opinião pública exerce sobre os governos;
uma discussão pública no Parlamento sobre os impostos é um momento de enorme
importância que prende as atenções das populações, justamente em consequência da
exposição pública a que as Assembleias estão sujeitas;
b) O lançamento de impostos deve proceder de uma decisão altamente consensual; a base de
sustentação parlamentar é superior à do governo, o que, nessa medida, contribui para a
consensualidade sobre o lançamento de impostos.
Atentemos agora, aos motivos que abonam no sentido de os governos poderem, eles próprios
lançarem impostos. É ao governo que compete fixar as despesas; logo, lógico será que
também lhe compita a criação das receitas, ou seja, que decida também em matéria de
impostos. Os governos não devem, portanto, ficar afastados da discussão.
Deverá prevalecer uma solução de conciliação entre a Assembleia e Governo no que diz
respeito ao lançamento de impostos. Dito de outro modo, a prática constitucional deve-se
impor-se à imposição constitucional; em suma, um método de compromisso. Esta conciliação
opera-se à luz dos dispositivos constitucionais (designadamente, à custa das autorizações
legislativas) e da prática constitucional. A Assembleia da República pode lançar impostos de
per si. Contudo, em regra, a AR aprova os projectos apresentados pelo Governo. Por outro
lado, a prática constitucional, no domínio fiscal, reflecte-se numa exigência da AR: o Governo
apresenta um esboço do que pretende fazer (apresentação de um mínimo já estruturado),
ficando tal apresentação a dever-se a uma exigência da AR (veja-se, a propósito, que o próprio
Código do IRS, publicado num Decreto-Lei do Governo, tem a sua fonte numa Lei de
Autorização da AR). Em suma o Governo tem iniciativa de elaborar o esboço e a AR introduz as
alterações que entender pertinentes; o projecto regressa ao Governo para se completar a
parte técnica. Esta é a dimensão formal do princípio da legalidade. Mas ao lado dela, existe

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uma outra dimensão substancial ou material: ou seja, os contribuintes querem saber o que vão
pagar e quanto vão pagar? Isto é, quais as implicações fiscais em que determinada situação é
tributável, e em caso afirmativo, de quanto. Está em causa uma ideia de previsibilidade
(antecipação) do montante a pagar a título de imposto por simples leitura da lei. É a relevante
questão do planeamento fiscal. Tal circunstância implica que as leis fiscais se revistam de um
conteúdo especial (mais do que as próprias leis penais). Em direito fiscal, a lei,
inequivocamente, tem de saber se paga e quanto paga; entre lei e contribuição não pode
haver intermediação; trata-se de uma aplicação mecânica da lei; por isso, a lei fiscal não pode
ter conceitos indeterminados e cláusulas gerais. A lei define os princípios e os resultados a
obter, competindo à Administração, em função de cada caso concreto, aplicá-la. É a
consagração do princípio da tipicidade em direito fiscal. O legislador tem de legislar de forma
típica; ou seja, tem de formular tipos legais de imposto; trata-se de descrever exaustivamente
as normas fiscais; para os contribuintes, aquelas normas tem de expressar com rigor e sem
possibilidade de interpretações subjectivas. O legislador fiscal, sempre que necessário, muda a
lei para evitar, justamente, a discricionariedade da Administração Fiscal (o que seria uma
tentação, caso no direito fiscal existissem cláusulas gerais e conceitos indeterminados). Ou se
paga imposto ou não se paga; só paga imposto quem estiver no âmbito da lei. Esta noção é,
todavia, um “sonho”. Com efeito, a complexidade da vida actual (exemplo: a multiplicidade de
produtos financeiros) não permite ao legislador avançar com mecanismos atempados. Estas
dificuldades acrescidas do legislador vão ter como consequência o aparecimento de conceitos
indeterminados (exemplo: art. 6°, nº 1, alínea o): são rendimentos de capitais, os juros... e
todos os negócios que...) ou de cláusulas de segurança tendentes a evitar a evasão fiscal. Este
preceito parece assim violar o princípio da tipicidade. Aparentemente, a sua evocação deveria
resolver o problema levantado pelo enquadramento de novos tipos de rendimentos. Contudo,
ele nunca foi evocado, sob pena da sua imediata inconstitucionalidade (por violação do
princípio da tipicidade).
O contribuinte facilmente evocaria o seu direito de resistência e, consequentemente não
pagaria o imposto. Outro aspecto fundamental é o que resulta da discricionariedade na
aplicação dos bens imóveis. Conclusão: nem sempre se vai poder aplicar integralmente o
princípio da legalidade. Questiona-se então, qual o verdadeiro âmbito do princípio da
legalidade? Ou seja, que matérias ele abrange efectivamente?
A resposta a esta questão é dada pelo artigo 103º, nº2 da CRP, que define os elementos
essenciais do imposto: a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos
contribuintes. Isto é, no que diz respeito a estes elementos vigora o princípio da legalidade
(significa que no domínio daquelas quatro matérias, apenas se pode legislar através de lei); nos
restantes domínios, segue-se o regime normal, na medida em que já não há necessidade de
tipificar outras matérias.
O que é a criação do Imposto? É criar e modificar. Mexer nos elementos essenciais dos
impostos, definir as características de obrigação. art. 103º, nº2. Incidência, taxas, benefícios
fiscais e garantias dos contribuintes. A maioria da legislação fiscal não concerne a estes 4
elementos (procedimentos, normas de execução) logo à partida não é necessária a
autorização.
Art.103,nº2 CRP. Estão aqui incluídas as “garantias dos contribuintes”. A lógica é que quantas
mais melhor.
“Normas de incidência”. Quantificação da matéria colectável, ou seja, aqui a incidência é um
conceito amplo.

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Benefícios fiscais. Estranho é que só a AR os possa aprovar mas entende-se nesta perspectiva:
se eu tiver muitos benefícios fiscais, os outros têm que pagar mais logo há uma espécie de
equiparação a criação de impostos.
Dimensão material do princípio da legalidade/ princípio da tipicidade:
Quanto ao conteúdo das normas: tem que haver discricionariedade na actividade
administrativa fiscal: apontam-se os fins e a administração escolherá os meios mais
adequados. O que dissemos até aqui refere-se apenas aos elementos essenciais, no restante
para haver optimização terá de haver discricionariedade.
Cada um de nós, lendo a lei deveria saber se paga imposto e que imposto pagará.
O ideal do princípio da tipicidade é que a lei não deixe nenhuma margem de autonomia à
intervenção da administração (no que respeita ao núcleo essencial).
Evitando cláusulas gerais e conceitos indeterminados a lei é de quase aplicação automática. Há
uma “desenficação das normas fiscais”, em analogia ao direito penal.
A questão da previsibilidade é muito importante por ser muito difícil de prever que
comportamentos levarão ao pagamento de um imposto.
A ideia da tipicidade está em crise, a vida complicou-se muito e as estratégias também na
tentativa de descobrirem lacunas na lei, o processo inverteu-se e é o legislador que vem tapar
o buraco de quem por lá já conseguiu fugir.
Isto leva a cada vez mais cláusulas gerais ou então a conceitos tão complexos que ninguém os
compreende em matéria fiscal.
Quanto ao conteúdo:
1º Evitar discricionariedade
2º Evitar também o exagero da tipicidade. Ex: art. 5º IRS. Definição de rendimentos de capital;
claramente uma cláusula residual para combater a evasão fiscal.
2-Princípio da igualdade – o benefício fiscal em si mesmo é inconstitucional porque cria
desigualdades fiscais; em direito fiscal, o princípio da igualdade não significa uma igualdade
matemática. O artigo 13° da CRP vai harmonizar os princípios constitucionais em choque: o
princípio do sistema fiscal retributivo "versus" o princípio do desenvolvimento económico que
favorece os ricos ao não tributar o investimento.
O direito fiscal subordina-se à lógica do art.13° da CRP, não obstante este preceito não estar
direccionado para a vertente fiscal. Em matéria de impostos, o princípio da igualdade é
conformado pelo critério da capacidade contributiva. A consagração de um mínimo de
existência é um exemplo paradigmático do princípio da igualdade conforme critério da
capacidade contributiva. Veja-se o caso da discriminação qualitativa dos rendimentos do
trabalho, no âmbito da qual se defende um tratamento fiscal mais favorável para estes
rendimentos, em face dos rendimentos de capital. Esta discriminação não violará o princípio
da igualdade? Atentemos no exemplo seguinte: A e B tem ambos um rendimento de 1 000 c,
com a diferença dos rendimentos de A procederem do trabalho e os de B terem origem em
capitais. Mas B vai ser mais tributado. Aparentemente temos uma violação do princípio da
igualdade; contudo, a capacidade contributiva de cada um daqueles contribuintes é diferente.
Desde logo, há que referir a protecção ao trabalho, constitucionalmente prevista. Aqueles dois
rendimentos não têm o mesmo significado: os rendimentos do trabalho exigem mais esforço e
tendencialmente vão desaparecer (velhice, reforma) ao passo que os rendimentos de capitais,
além de não exigirem qualquer esforço físico ou psicológico do seu titular, são
tendencialmente perpétuos. Por outro lado, o trabalhador vai ter de aforrar (ou seja, vai ter de

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subscrever rendimentos de capital) para se proteger no futuro; ao retirar esses montantes


para canalizar para poupanças, esse trabalhador está a diminuir a sua capacidade contributiva.
Esta é a justificação para aquela discriminação qualitativa dos rendimentos do trabalho. Dois
modelos para aplicar tal discriminação: a) tributar os rendimentos do trabalho por taxas mais
baixas; b) efectuar deduções específicas aos rendimentos do trabalho. O nosso Código do IRS
tomou partido por esta segunda alternativa (artigo 25º). Isto significa que ao rendimento bruto
se devem deduzir as deduções específicas a fim de se obter o rendimento líquido. Deduções
específicas são, assim, os custos ocorridos com a obtenção do rendimento. Na categoria A
(trabalho dependente), o trabalhador, em princípio, não faz despesas com a obtenção do seu
rendimento, pelo que, não deveria poder efectuar aquelas deduções. Todavia, o legislador não
distinguiu esses casos dos demais, ficcionando um custo para obtenção desse rendimento para
os trabalhadores dependentes (artigo 25º, nº1). Aqui está outra discriminação qualitativa dos
rendimentos do trabalho. A lógica subjacente àquela ficção, tanto mais que os montantes
ficcionados a título de dedução são sempre fixos, é a de beneficiar os rendimentos mais
baixos.
É verdade que os rendimentos do trabalho são aqueles que mais facilmente são tributados;
são aqueles com que o Fisco conta sempre. Por outro lado ainda, não podemos esquecer que
os rendimentos de capitais são tributados por taxas liberatórias (que são taxas proporcionais
que variam entre os 25% os 35%). Balanço geral: a discriminação qualitativa não funciona
porque os rendimentos do trabalho não são tratados mais favoravelmente do que os
rendimentos de capital; esta discriminação apenas existe quando comparada com o trabalho
independente.
Hoje discute-se a questão dos benefícios fiscais da Igreja Católica resultantes de um Tratado
Internacional (a Concordata Portugal/Santa Sé); é que o legislador nacional, só por si, não pode
mexer no assunto (recorde-se, a propósito, que a introdução do divórcio em Portugal teve de
ser previamente negociada pelo Ministro da Justiça da época Salgado Zenha); a solução de
equiparar a Igreja Católica às demais religiões não tem aplicação prática; torna-se impossível
distinguir entre igrejas e seitas.
O princípio da igualdade é um conceito formal e abstracto. Dificilmente se encontra igualdade
no sistema fiscal.
Mas terá a CRP algum princípio de igualdade fiscal? Remete para o legislador. A CRP não se
mete na área fiscal (excepto 103º).
Tratar a desigualdade em situações fiscais é cada vez mais uma necessidade devido à
interferência comunitária. Isto porque só há acesso directo às tributações directas (sem
interferência comunitária).
O PIF é uma das emanações do princípio da igualdade geral previsto no art. 13º. Proíbe uma
desigualdade com base em critérios sociais, religiosos, políticos.
Hoje põe-se o problema da igualdade fiscal em razão da religião (a Igreja Católica seria
favorecida). Estão em curso negociações para alterar a concordata.
3-Princípio da autorização anual de cobrança -este princípio resulta directamente das Leis do
Orçamento; são uma condição de eficácia da lei fiscal; todos os anos a AR tem de autorizar a
cobrança dos impostos, mesmo que a lei esteja em vigor. É uma questão prática e não teórica
(o imposto sobre a indústria agrícola, que vigorou entre nós durante vinte e seis anos -1963 /
1989 -apenas foi autorizada a sua cobrança, ao longo daquele período, em quatro vezes).
Subjaz a este princípio a seguinte ideia: a AR, anualmente, deve olhar para os impostos e
verificar se a sua manutenção se justifica. Na prática as coisas não se passam desta maneira:

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esta obrigação da AR esgota-se num simples artigo da Lei do Orçamento que refere essa
autorização da AR.
Além destes princípios de pendor constitucional, o direito fiscal tem outras fontes:
1. As normas internacionais -a relevante questão da influência do direito comunitário no
direito fiscal português reflecte-se em três zonas distintas: a) os impostos aduaneiros: cada
país, antes de aderir à UE, tinha os seus próprios impostos aduaneiros; após a adesão, vigora a
Pauta Aduaneira Comum, na qual se consagram as taxas de direitos comuns a todos os Estados
membros de forma a consolidar o mercado único e a fronteira externa do território
comunitário; as receitas procedentes da cobrança dos direitos aduaneiros são receitas da
Comunidade Europeia; temos, por isso, uma aplicação directa do direito comunitário; b) os
impostos indirectos – designadamente o IVA e os IEC’s, no âmbito dos quais a UE tem um
papel conformador e corrector; os impostos indirectos são susceptíveis de falsear a
concorrência (cada Estado membro pratica ainda a sua taxa); ainda não foi possível
estabelecer a harmonização das taxas à escala comunitária c) impostos directos – a questão já
não tem a mesma relevância, naquilo que toca à influência do direito comunitário; ninguém
vai construir uma fábrica em Tuy só porque a tributação em num país é de 28% e em Portugal
de 30%. Outros factores vão condicionar a escolha. É que os impostos indirectos integram o
próprio preço dos bens, e nessa medida a conformação apenas tem lugar quando estão em
causa fusões de empresas de diferentes Estados membros, ou nas complexas relações entre
sedes e filiais estabelecidas em diferentes Estados membros, ou nas complexas relações entre
sedes e filiais estabelecidas em diferentes Estados membros. No que diz respeito às pessoas
singulares não se pode falar em qualquer tipo de conformação comunitária.
Temos 2 níveis de DC em matéria de impostos.
Há impostos verdadeiramente comunitários – normas comunitárias, revertem para a
comunidade,... Ex: impostos alfandegários, impostos sobre remunerações, impostos dos
funcionários comunitários.
A comunidade emana normas sobre outros impostos nomeadamente no que toca a impostos
indirectos – IVA (através de directivas). Ao nível dos impostos directos a intervenção é
reduzida.
A comunidade tem tentado um via diferente; em vez de uma directiva usam os códigos de
conduta (compromissos políticos).
2. Tratados internacionais - dois problemas se colocam em torno desta fonte de direito fiscal.
A) questão da dupla tributação internacional -veja-se o seguinte exemplo: uma empresa
portuguesa que faz uma estrada em Moçambique é tributada naquele país e é tributada em
Portugal; nestes casos, os países em causa (Portugal e Moçambique) devem entender-se em
matéria de tributação, a fim de evitarem que os negócios se percam ou sejam prejudicados por
uma elevada e dupla tributação. É por isso que surgem os tratados internacionais relativos a
questões fiscais. No exemplo dado, Portugal e Moçambique, por tratado internacional,
estabelecem os meios de tributação relativos à construção daquela ponte. Este é o motivo que
leva a justificar o elevadíssimo número de tratados internacionais a versarem sobre assuntos
fiscais; b) a questões da evasão fiscal -é uma questão muito delicada e de difícil solução; cada
país, em princípio, funciona como uma hipótese potencial de evasão fiscal, relativamente a
outros países. Para complicar a questão, acresce que os Estados são verdadeiros paraísos
fiscais (na Europa: o Mónaco, o Liechtenstein, Gibraltar, as Ilhas do Canal.) Não havendo
colaboração dos Estados, a evasão fiscal aumenta exponencialmente. A solução é também a
do recurso aos tratados internacionais. Mas uma dificuldade subsiste; certos países que são

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paraísos fiscais, não estão interessados em subscrever estes tratados. Os paraísos fiscais
prejudicam o investimento dos países vizinhos.
Convenções internacionais de dupla tributação (concorrência entre Estado residência e Estado
fonte. Há que repartir o imposto entre 2 estados.
A solução passa quase sempre por acordos internacionais, levados a cabo pela OCDE e pelas
NU (excepto para com os EUA) (Portugal segue este modelo.
A OCDE produz comentários aos modelos que fez, produto de um consenso mundial.
O país com o qual é mais difícil celebrar convenções são os EUA. O modelo dos EUA, respeita
aos residentes estrangeiros mas relativamente aos seus cidadãos é diferente
(independentemente da sua residência). Fazem o que quiserem.
Sempre que há um problema fiscal de âmbito internacional, com uma PC residente noutro
país, a 1ª atitude é saber se existe ou não convenção, se houver é sempre ela a aplicada. O
texto das convenções é muito complicado.
Como aplicar a convenção?
Ex: um professor residente em NY que vem a Portugal fazer uma palestra, o imposto a reter
(pago pela entidade contratante (que é cobradora) é o que consta para o efeito na convenção.
Os pagamentos de rendimentos a não residentes fazem-se com o imposto retido na fonte, ou
seja pago em Portugal (resulta da convenção.
Sempre que uma sociedade com sócios estrangeiros paga dividendos, há que aplicar as
convenções em vigor (reter o imposto aí previsto.
Existem normas no código do IRS que são contra normas das convenções e são estas últimas
que prevalecem.
Não há tratados bilaterais, apenas convenções (arrumadas por tipo de rendimentos).
Todos os países pretendem tributar os seus residentes relativamente aos rendimentos que
tenham em todo o mundo (1º requisito de pessoalização) e os não residentes sobre os
rendimentos obtidos dentro do país (gera dupla tributação.
Nesta matéria todos os países concordam na eliminação da dupla tributação porque senão não
há negócios. Por isso tem que haver entendimento ou um dos Estados abdica da receita ou há
partilha.
Actualmente, mesmo quando há convenção, o Estado do residente muitas vezes abdica da sua
receita (descontando no imposto português o que foi pago no estrangeiro).
É necessário não criar obstáculos ao investimento no exterior.
Há poucos anos, quando não havia convenções, havia dupla tributação.
3. Os decretos-lei - em matéria de direito fiscal, os decretos-lei derivam directamente da
aplicação do princípio da legalidade.
Os decretos-leis têm que ser autorizados para matérias essenciais (elementos essenciais dos
impostos). Fora daqui existem muitos.
4. Os regulamentos – decorrem do princípio da tipicidade; não é possível a existência de
regulamentos autónomos. A questão mais relevante que se pode colocar a este respeito é a de
saber se podem haver regulamentos autárquicos a versar sobre impostos.

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As Assembleias Municipais podem fixar taxas dentro dos limites da lei? A questão perdeu
muito do seu sentido com a última revisão constitucional. Quanto aos regulamentos internos,
ou seja, aos regulamentos através dos quais os superiores hierárquicos estabelecem algumas
regras aos seus subordinados, importa referir que embora não vinculem os contribuintes, não
deixam, contudo, de ser do seu interesse. Ao fixarem-se certos comportamentos e certos
procedimentos do conhecimento dos contribuintes. Estes poderão evitar dissabores no futuro.
E que sem prejuízo do seu direito de reclamação e da possível razão que venham a ter no
futuro, o conhecimento prévio desses procedimentos evitará que o imposto seja pago e
somente anos depois se venha a concluir que o contribuinte não o deveria ter pago, ou a taxa
que se lhe aplicou era mais elevada. Trata-se de uma prevenção de hipotéticos litígios.
Actualmente há uma certa divulgação dessas circulares internas.
1º Existência de regulamentos autónomos em matéria fiscal, fora dos elementos essenciais,
parece não haver problema.
Nós temos um caso de regulamento autónomo que incide nos elementos essenciais (já julgado
pelo tribunal constitucional como válido): a questão da derrama (define se existe ou não e qual
a taxa a aplicar.
Isto pode parecer contrário ao princípio da legalidade (argumento a favor: também os
membros da assembleias municipais são eleitos democraticamente daí que foram também os
contribuintes que os elegem e mantém-se a ideia de auto-tributação (é uma questão
regulamentar, dentro dos limites da lei.
2º Regulamentos internos: assegurar a eficiência do serviço mas indirectamente projectar os
seus efeitos nos contribuintes: ofícios, círculos, despachos, orientações,...
Esclarecem quais as interpretações da lei que o sistema adoptou daí que hoje este tipo de
regulamentos aproveite cada vez mais aos contribuintes por questões de segurança.
Se seguir a circular óptimo, se não só se for discutir para tribunal. Muitas vezes o Supremo
Tribunal Administrativo faz mudar as circulares em curso, que são muitas vezes mais valiosas e
seguidas que a própria lei.
Contratos:
-Ideia tradicional
-No domínio do direito público
1) Teoricamente não existem contratos em DF (tudo resultaria da lei).
2) Começa a existir a contratualização em sede de obrigações fiscais (grandes projectos de
investimento (mínimo definidos por lei). Existe uma verdadeira negociação de benefícios e
contrapartidas fiscais. Ora isto não é definido pela AR, em bom rigor, mas todavia há a
aprovação de uma lei quadro, sobre esta matéria e os contratos são publicados. A questão dos
casinos também é “sui generis”, combina-se a matéria colectável.
3) No domínio das relações internacionais é tudo tão complicado que é preferível combinar
com o contribuinte qual a base da tributação do que tentar apurar o lucro real.
E Portugal terá de acompanhar o grupo dos países mais desenvolvidos.
CAPÍTULO IV -INTERPRETAÇÂO E INTEGRAÇÂO DAS NORMAS FISCAIS
Interpretação de normas fiscais -importa saber se em direito fiscal existem regras diferentes
no domínio da interpretação. Duas doutrinas coexistem: a) da interpretação favorável à
Administração Fiscal e b) a da interpretação favorável aos contribuintes. Não deve haver
prevalência de qualquer uma delas relativamente à outra.

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Todavia, a interpretação económica tem vindo a ganhar algum peso; isto é, para se atingir um
certo resultado económico recorre-se a certos contratos tipos que não observam o modelo
legal.
Esta tese será de rejeitar, ainda que por trás dela esteja um pensamento razoável: não se deve
privilegiar a fuga ao imposto por recurso a outro tipo de negócio jurídico. O que releva é que o
legislador ao definir ou tipificar os negócios passíveis de imposto não consegue abranger todas
as possibilidades; assim, surgem conceitos económicos vagos (cláusulas residuais); a própria lei
faz apelo a um resultado económico em detrimento da tipificação dos negócios.
Integração de normas fiscais -o direito fiscal é por definição um direito lacunar; a variedade de
proliferação de produtos financeiros provoca uma permanente desactualização da lei fiscal. O
princípio da tipicidade exclui o recurso a analogias; parte-se do pressuposto que não existem
lacunas no direito fiscal (ou está previsto na lei e é tributado ou não existe); o direito fiscal,
como ramo do direito público não deve admitir lacunas. Este contexto do direito fiscal impede-
o de utilizar as soluções preconizadas pelo artigo 10º CC; a saber: a) o recurso à analogia, no
âmbito da qual o intérprete busca no sistema jurídico um caso análogo e encontrando-o deve-
o aplicar ao caso concreto e b) a criação de normas ad-hoc, ou seja, na impossibilidade de
encontrar caso análogo, o intérprete dever resolver o seu problema, criando uma norma
concreta para o caso em questão, nos moldes em que a criaria em termos a abstractos e
dentro da lógica do sistema jurídico vigente. Em sede de direito fiscal, prevalece o princípio da
tipicidade e da exclusividade da AR. Assim, torna-se impossível a adopção de uma das soluções
do artigo 10° do Código Civil. Desta forma, as lacunas em direito fiscal apenas se resolvem por
acto legislativo da AR ou por decreto – lei do Governo. Por isso, seria impensável, por exemplo,
conceder benefícios fiscais por analogia. Contudo, para certos autores, seria possível estender
os benefícios fiscais, por analogia, repousando esta doutrina no princípio da igualdade. Esta
teoria é rebatida pelo seguinte argumento: na previsão orçamental, ao calcularem-se as
despesas já se contabilizaram os benefícios fiscais e consequentemente, as respectivas taxas;
alterando este quadro, as receitas revelar-se-iam insuficientes o que naturalmente teria de ser
compensado por um a agravamento da carga tributária. Em conclusão, alguns iriam ser
sobretributados para que outros pudessem usufruir de benefícios fiscais. Onde o recurso à
analogia parece ser defensável (o Dr. Rui Morais assim o entende) é no domínio das garantias
dos contribuintes; estão em causa os mecanismos de defesa dos contribuintes.
Não se pode recorrer à analogia quanto às normas de incidência se for para alargá-la (isto
resulta do princípio da tipicidade da lei (só se pode tributar o que a lei diz). Se não há lei que o
faça tributar determinada situação não há lugar a tributação/ problema resolvido) (isto para o
núcleo essencial do imposto.
O benefício fiscal não contempla determinada situação mas, por analogia, estendemos o
benefício à situação. No entanto não devemos esquecer que o benefício de uns implica o
maior pagamento/ sacrifício de outros. (Isto é o entendimento clássico.
Hoje é posto em causa.
O que se faz hoje é procurar buracos na lei para fugir ao fisco, à lei fiscal.
Um dos instrumentos de evasão fiscal seria a analogia.
CAPÍTULO V -APLICACÃO DAS NORMAS FISCAIS
Aplicação da lei fiscal no tempo -a grande questão que se coloca a este propósito é a de saber
se deve prevalecer o momento em que se dá o facto gerador do imposto ou o momento em
que determina o montante a pagar (exemplo: A morre mas o cálculo do imposto sucessório
apenas tem lugar 20 anos depois, período de tempo esse em que a lei mudou diversas vezes;

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Direito Fiscal 2006/07

teoricamente a dívida só nasce no segundo momento; contudo, a doutrina dominante entende


que a lei aplicável deve ser a que vigorava à data em que se deu o facto gerador do imposto).
Esta questão é de enorme importância em direito fiscal dadas as mutações permanentes
(anuais) de que são objecto as normas fiscais, acrescidas da circunstância de o IRS e o IRC
terem um facto gerador que dura um ano inteiro. A situação agrava-se ainda mais, na medida
em que são cada vez mais frequentes as autorizações legislativas condicionadas à execução do
OGE: por vezes, sucede que as situações legais vão-se alterar por forca de autorizações
legislativas que apenas vão ter execução no ano seguinte (exemplo: em 1996 são publicados os
Decretos-lei autorizados que se reportam a autorizações legislativas de 1995). Tal facto gera
uma espécie de retroactividade das leis fiscais. Para certos autores (Dr. Saldanha Sanches), o
Governo tem o poder de usar as autorizações legislativas e não apenas a possibilidade.
Para obviar àquela situação, a lei considera o facto gerador reportado a 31/12 -retroactividade
de 1º grau, embora os rendimentos tenham sido auferidos ao longo de todo o ano (assim, por
exemplo, se um contribuinte casar em Junho, a sua declaração é feita no pressuposto de ele
estar casado durante todo o ano); desta forma, não se pode falar em retroactividade, pelo
menos em termos formais. Por outro lado, o legislador pode mandar aplicar uma lei a factos já
passados; é o que sucede, designadamente, naqueles casos em que a lei, sendo de 1997,
apenas vai gerar receitas em 1999. Ao implementar este tipo de retroactividade de 2º grau,
permite-se que a cobrança seja antecipada, evitando-se esperar por 1999. Ao lançar um
imposto extraordinário com efeitos retroactivos, a Administração Fiscal dispõe de uma
razoável margem de segurança, no sentido de percepcionar as receitas previstas num curto
espaço de tempo. Em matéria de IRS e IRC, o legislador tenta-se a recorrer a este expediente,
sempre que tem necessidade de obter receitas rapidamente. Desde 1976 que se discute a
constituição destas leis. O Tribunal Constitucional diz que depende dos casos, embora
tendencialmente decida em favor da retroactividade com base em motivos económicos (ver
Acórdão nº11/83). De um modo geral, as nações civilizadas não determinam nada em
definitivo, remetendo para os Tribunais a análise casuística das situações (a retroactividade é
uma medida de carácter excepcional e é desse ponto de vista que tem de ser encarada); em
Portugal, preferiu-se optar pela constitucionalidade da retroactividade (artigo 103°, nº3),
motivo pelo qual a questão perdeu algum do seu interesse.
O imposto sucessório nasce em 1996 (adquire bens que apresenta em 2001 (liquida o imposto
em 2002 (pagamento de imposto.
Qual a lei que aplicamos? Só em 2001 é que se sabe se há imposto e quanto. Poderia todavia
haver injustiças pois a própria administração espera por um agravamento da taxa para liquidar
o imposto, ou então, subornos dos contribuintes no sentido de esperar por uma taxa mais
baixa para liquidar.
Também podia acontecer que quem herdasse o mesmo valor à mesma data pagasse diferentes
impostos, consoante a data de liquidação do imposto.
Logo chegamos à conclusão que a opção mais razoável é a aplicação da lei vigente aquando do
facto gerador (1996. Chegamos à conclusão que andamos sempre a aplicar leis revogadas!
Quanto ao IRS, em 1996 há um facto gerador anual e periódico de 1-1 a 31-12 (Abril de 1997
há a declaração do contribuinte (Agosto de 1997 há a liquidação (em Setembro de 1997 há o
pagamento.
O que é um lei fiscal retroactiva?
Uma lei retroactiva dentro do mesmo ano é retroactiva por exemplo de Jan a Nov mas não de
Novembro a Dezembro, tudo dentro do mesmo ano (retroactividade de 2º grau.

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Direito Fiscal 2006/07

O casamento em Outubro de 1996, quanto ao IRS do ano em que casou, é casado ou não na
declaração.
Ter um filho, tem ou não eficácia retroactiva em termos da declaração.
No OE, as autorizações legislativas concedidas em Dezembro do ano da aprovação e as leis
autorizadas vão ser feitas em Março do ano seguinte, mas retroagir a Janeiro desse ano.
1997(não havia na CRP nenhuma lei que proibisse a retroactividade fiscal. O tribunal decidia
caso a caso. A retroactividade de 2º grau era frequente.
Com a revisão constitucional aparece o art. 103º, nº3 que proíbe a retroactividade dos
impostos?
Qual delas? A de 1º grau ou a de 2º ou ambas?
O tribunal constitucional foi chamado a pronunciar-se sobre a retroactividade dos impostos. (É
uma violação da confiança e da segurança, há que pensar os interesses em conflito, mas como
havia falta de dinheiro, a retroactividade passou.
A retroactividade em 1º grau em princípio seria proibida.
A retroactividade de 2º grau (princípios diversos matérias funcionais) nunca se levanta
problemas.
Em 1997 com a revisão constitucional e o art. 103º, nº3 surge novamente a questão. Foi este
artigo sensato? “Não, quanto menos a CRP disser melhor”.
Há um intervalo temporal de cerca de 2 anos em sede de IRS entre o seu aumento de taxa no
OGE e a sua cobrança. Nos impostos periódicos entre a alteração da lei fiscal e a receita dessa
mesma alteração há um tempo. A solução para acelerar a receita será conferir retroactividade
à lei fiscal.
Quanto aos impostos periódicos temos que lançar sempre mão de leis retroactivas em
momentos de crise. Foi exactamente isto que o art. 103º, nº3 veio vedar.
Esta situação é má mas quanto ao professor pode ser de entre as más a menos má pois em
momentos de grande crise é melhor do que recorrer a empréstimos ou vender património do
Estado ao desbarato.
Aplicação da lei fiscal no espaço
É um direito público logo, em Portugal, só se aplica o direito fiscal português a situações
previstas quer dentro quer fora do território português.
O princípio da territorialidade estrito também está em crise (os estados não cobrariam
impostos de estados estrangeiros) (atitude de não colaboração posta em causa pela própria
CE.
Mais uma vez uma teoria clássica em crise.
Como princípio geral, vigora o princípio da territorialidade, ou seja, em cada país somente se
aplicam as leis fiscais internas e cada administração fiscal apenas executa as leis fiscais
nacionais. Contudo, este estado de coisas está hoje desfasado da realidade. Nada impede que,
actualmente, um tribunal Português julgue em face de leis de outros países (exemplo: se na
Alemanha se celebrar um contrato entre duas empresas portuguesas, os conflitos
eventualmente surgidos são dirimidos em Portugal, mas segundo as leis alemãs -questão no
âmbito do Direito Internacional Privado). Em sede de direito fiscal, a administração pública
apenas executava as leis nacionais e nunca as leis estrangeiras. Este era o contexto decorrente
do princípio da territorialidade. Modernamente, a mundialização da economia traz novos

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problemas. O princípio da territorialidade esgota-se nos factos praticados em Portugal. O


importante não é dizer que cada país aplica a sua lei, mas sim quais os factos que devem ser
tributados em determinado pais; há, portanto, que definir elementos de conexão entre os
diversos estados.
É o clássico problema da rivalidade entre os estados da fonte e os estados da residência.
Vejamos o seguinte exemplo: uma empresa portuguesa vai construir casas para Angola; o
capital e o know-how são portugueses. Se nada se acordar previamente iremos assistir a uma
situação de dupla tributação internacional da empresa portuguesa, na medida em que se vai
sujeitar à tributação do país da fonte (Angola) e do país de residência (Portugal). Seria uma
situação incomportável. Que solução se deve adoptar nestes casos? Os estados devem acordar
previamente os termos daquela tributação no sentido de a repartir. Em regra, o país da fonte é
mais subdesenvolvido, o que gera que seja esse estado (onde se localiza a unidade fabril) a
fazer a tributação do lucro empresarial registado pela empresa, reservando-se ao estado de
residência a tributação dos rendimentos de capitais (juros, dividendos, royalties,...). O
problema de mais difícil solução ocorre nos casos de não tributação dos rendimentos, em que
a empresa operadora está estabelecida num país que é um paraíso fiscal; neste caso, quer
Angola, quer Portugal pretendem tributar, respectivamente, os lucros empresariais e os
rendimentos de capitais; no exemplo atrás, teríamos que Angola seria forçada a pagar aquela
obra no tal paraíso fiscal.
Assim, se percebe que a questão da dupla tributação internacional resolve-se, na medida em
que os Estados estão interessados; mas já o caso da não tributação de rendimentos é de difícil
resolução porque os Estados são paraísos fiscais estão interessados em colaborar. Contudo,
importa referir que a dupla tributação internacional não se resolver a partir de Convenções
Internacionais (do tipo da FIFA ou da YATA) dados os diferentes interesses em jogo por parte
dos estados da residência. A solução encontrada é a que parte de modelos internacionais
posteriormente objecto de tratados bilaterais. Temos um elo proposto pela ONU para os
países mais subdesenvolvidos e outro proposto pela OCDE para os mais desenvolvidos.
Portugal adoptou, o segundo modelo, ou seja, seguiu o modelo dos países de residência.
Contudo, todos os modelos são decalcados da proposta da OCDE, o que os torna praticamente
iguais. Periodicamente são revistos por especialistas de renome internacional, o que também
contribui para uma certa pacificação da questão, tornando os modelos adoptados de fácil
aceitação pela generalidade da comunidade internacional.
Estes modelos são, no fundo, "minutas" com um articulado e alguns comentários, nos quais se
reconhecem 4 características: 1) uniformização de conceitos – define-se o que é um residente,
o que é um dividendo, um royaltie, etc. 2) estabelece-se quem tributa o quê: o lucro é
normalmente tributado no país da fonte e os rendimentos de capitais no país da residência;
3) Partilha absoluta ou não: é que se partilha da tributação não for absoluta, a dupla tributação
subsistirá (exemplo: um banco alemão que gere lucros em Portugal e emprestar dinheiro a
empresas portuguesas é tributado duplamente); nestes casos, surge uma terceira parte do
modelo (além do articulado e dos comentários), na qual se limitam os poderes de tributação
do estado da fonte; no exemplo apresentado, Portugal não tributaria ao nível habitual de 40%,
mas, por exemplo, convencionar-se-ia que essa tributação seria apenas 15%; 4) cooperação
administrativa: entre as respectivas administrações fiscais estabelecem-se procedimentos de
troca de informação com vista a eliminar a não tributação de rendimentos.
A importância prática destas Convenções é enorme dado que elas prevalecem sobre o direito
interno dos Estados que as subscrevem, no domínio das operações financeiras internacionais
(a questão é relevante no nosso país, na medida em que Portugal é eminentemente um país
de destino de investimento estrangeiro – nestes casos não se aplicam o IRS e o IRC).

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CAPÍTULO VI -A RELAÇÃO JURÍDICO-FISCAL


É a relação que se estabelece por força da lei. É uma relação complexa; não se limita a indicar
quais são os sujeitos activo e passivo, mas também indica as diversas obrigações acessórias
destinadas a preparar a obrigação principal e que giram em volta desta (exemplos: a obrigação
de apresentação das declarações em certos prazos; a obrigação de inscrição nas Finanças
quando se dá início a uma actividade, etc.); em alguns casos, essas obrigações acessórias
custam mais do que a obrigação principal (veja-se o caso da empresa que não gera lucros, mas
que ainda assim tem de dar cumprimento a essas obrigações acessórias).
Por outro lado, algumas dessas obrigações acessórias têm punições mais severas do que a
obrigação principal (exemplo: se não se paga é executada a penhora, mas o incumprimento de
um prazo pode acarretar uma coima elevada; motivo: é através do cumprimento desta
obrigação acessória que a Administração Fiscal determina o facto gerador do imposto e a sua
base tributável). É também a partir de obrigações acessórias que a Administração Fiscal
controla o imposto de terceiros (exemplo: as entidades patronais declaram o que pagam a
terceiros por via da retenção na fonte). Por todas estas razões se diz que a relação jurídico-
fiscal é complexa. A sua estrutura é composta pelos sujeitos, pelo objecto, pelo facto jurídico e
pelas garantias. Os sujeitos activos são o Estado e os entes públicos. Os sujeitos passivos são as
pessoas singulares ou colectivas a que a lei fiscal impõe o dever de efectuar a prestação do
imposto ou outros deveres acessórios. No âmbito dos sujeitos passivos há que distinguir duas
realidades diferentes:
1) O contribuinte: aquele que preenche os pressupostos de facto de uma norma fiscal, e,
consequentemente, paga o imposto (exemplo: o titular de um rendimento, um trabalhador,
um comprador,...)
2) O devedor de imposto: em certos casos não há coincidência entre o sujeito passivo e o
contribuinte; isto é, a obrigação fiscal é prestada por um terceiro (exemplo: o menor, o
interdito e o caso mais flagrante do trabalhador por conta de outrem); o devedor do imposto
será, deste modo, a pessoa que, por força da lei, está obrigada ao pagamento do imposto.
Em princípio quem tem capacidade jurídica em geral tem, também capacidade jurídico-fiscal;
mas há situações excepcionais: certas entidades têm capacidade fiscal mas não possuem
capacidade jurídica geral (exemplo; um clandestino). A questão mais relevante em torno desta
dicotomia é a que se levanta a propósito das chamadas sociedades irregulares. É que uma
sociedade comercial apenas adquire personalidade jurídica (e também capacidade) quando
efectua o último registo a que está sujeita. Pergunta-se: até lá não deve essa sociedade pagar
impostos? É claro que sim, podendo o fisco recorrer a uma de duas hipóteses: 1) ou tributa a
sociedade em qualquer situação que ela se encontre ou tributa cada um dos seus sócios nas
respectivas quotas-partes. Esta última hipótese seria favorável, na medida em que tributar 1
000 de uma só vez ou tributar 250 de cada vez representam resultados diferentes. Contudo,
desde há alguns anos que a questão está resolvida: as sociedades irregulares são tributadas
como se estivessem totalmente regularizadas (de outro modo, seria um “prémio” à não
realização das sociedades).
Obrigação principal: obrigação de alguém pagar um imposto em montante definido por lei.
Remeter aqui para o direito das obrigações quanto à estrutura da obrigação do imposto: facto
jurídico, sujeito, garantia.
As circunstâncias complementares ou acessórias são muitas vezes mais importantes.
Exemplos:
-declaração de rendimentos (é uma substituição de administração fiscal pelas empresas);

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-ter contabilidade organizada segundo o POC (mesmo que não tenha lucro);
-podem incidir sobre 3ºs que não os sujeitos passivos do imposto (facturas de outras
empresas, na nossa contabilidade surgem numa inspecção).
-os notários notificam a administração fiscal das escrituras sujeitas a mais-valias.
É este hoje o grande peso da obrigação do imposto pois o pagamento até só ocorrerá se
houver lucro.
A lei considera mais grave o não cumprimento de obrigações acessórias do que propriamente
o não pagamento do imposto, as sanções são muito mais pesadas: juros, coimas, prisão
efectiva até.
A questão da evasão fiscal acontece por causa das obrigações acessórias.
A questão do pagamento é mais simples: ou pago ou não pago.
Em quantidade e ónus as obrigações acessórias são bem maiores.
Só nos vamos ocupar dos sujeitos: activo (vamos falar aquando das classes dos impostos) e
passivo.
Sujeitos passivos (quem tem obrigações resultantes da lei fiscal seja essa obrigação principal
ou acessória. Normalmente usamos contribuinte, devedor do imposto e sujeito passivo com o
mesmo sentido mas nem sempre é assim.
Devedor de imposto (aquele que segundo a lei deverá entregar ao Estado o montante do
imposto. Sujeito passivo e contribuinte continuam a coincidir.
Contribuinte (o que contribui; aquele que a lei quer que sofra o desfalque patrimonial do
Imposto poderá não coincidir com o devedor do imposto.
Quem é o sujeito passivo/ devedor do IVA? Quem é que é suposto suportar o IVA? O
consumidor. Mas quem tem obrigações legais de entregar o IVA será por exemplo o titular do
restaurante. E o consumidor é o contribuinte? Poderá não ser até mesmo porque pode não
haver repercussão do IVA.
Exemplo: Um trabalhador que combina com o patrão ganhar 400 cts limpos mais o pagamento
do que ele pagaria de impostos.
400 cts + 160 cts de impostos = 560 cts (se ganhasse isto o imposto já não eram os 160; o
trabalhador deixa de ser o contribuinte.
É normal que apareçam sociedades comerciais irregulares (em vias de regularização) que ainda
não são tratadas como regulares. O que é economicamente igual deve ser tratado de igual
forma.
Exemplo: 2 oficinas de automóveis sendo que uma está registada, outra é uma sociedade de
facto, deverá a que cumpriu a lei ter mais obrigações fiscais do que a outra irregular (é todavia
também reconhecida, a estas os direitos de impugnação.
Substituição fiscal - mecanismo próprio do direito fiscal dá cobertura à retenção na fonte.
Como já se viu, nem sempre há coincidência entre o devedor de imposto e o contribuinte. A
lei, em certos casos, incumbe um terceiro de pagar os impostos de certos contribuintes. O
exemplo paradigmático é o que resulta da relação laboral: a entidade patronal está obrigada
por lei a reter mensalmente o montante de imposto imputável aos seus empregados. Neste
caso, o contribuinte é o trabalhador e a entidade patronal é o devedor do imposto. Dito de
outro modo, a entidade patronal vai funcionar como o substituto e os trabalhadores são os
substituídos. O substituto passa a ser o devedor de imposto. A lei, neste caso concreto, impõe-

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no desde o início da relação jurídico-fiscal. É a dimensão jurídica da substituição fiscal. Por


outro lado, associa-lhe o mecanismo da retenção na fonte -é a dimensão económica da
substituição fiscal.
O mecanismo da retenção na fonte proporciona significativas vantagens: desde logo, o efeito
da anestesia fiscal (os contribuintes nem chegam a ver o dinheiro que é retido pelas entidades
empregadoras); por outro lado, diminui-se o grau de evasão fiscal (entidade patronal está a
pagar com o dinheiro dos seus empregados, sendo que, teoricamente, é uma entidade mais
sólida, oferecendo, por isso, maiores garantias); por fim, a importante economia de processos
(as entidades empregadoras, de uma só vez, fazem centenas de retenções na fonte -não se
imagina o que seria cada trabalhador, mensalmente, a pagar o seu imposto).
O substituto fiscal é sempre o primeiro responsável pelas prestações retidas e,
consequentemente, pela sua entrega nos cofres do Estado. A reforma fiscal dos anos oitenta
trouxe à substituição fiscal uma importância acrescida, que se traduz na antecipação das
receitas ocasionadas pela retenção na fonte. Sendo obrigações fiscais do ramo de direito
público, e por isso, indisponíveis, então a substituição fiscal tem de ser tipificada na lei; três
situações a reter 1) os rendimentos da categoria A e H – artigo 99º: temos retenção na fonte
sempre que haja pagamentos; as retenções operadas neste grupo dependem sempre dos
rendimentos (ver tabelas do Código do IRS); as tabelas variam consoante o estado civil, o
número de dependentes, as deduções específicas e a progressividade da taxa; a influência
directa destas variáveis faz com que, tendencialmente, haja uma aproximação entre os
montantes retidos e o montante que se vai pagar; 2) os rendimentos das categorias B, E, F e
comissões – art. 101°: estão em causa os rendimentos de capitais, prediais e comissões; neste
grupo, somente há lugar à substituição fiscal significa que nos casos em que tal garantia não
possa ser dada, ou se tome excessiva essa exigência (a retenção na fonte não pode ocasionar
um custo desproporcionado para o contribuinte), não teremos retenção na fonte; é o caso dos
electricistas que chamamos a casa ou das pensões de alimentos (da categoria H); neste grupo,
a retenção opera-se sempre a partir de uma taxa fixa e proporcional; neste grupo, e ao
contrário do anterior, já não se verifica aquela tendência igualitária entre o montante retido e
o montante a pagar (exemplo: um advogado que tenha 1 000 de rendimento bruto, mas tenha
800 de despesas relevantes, apenas tem um rendimento líquido de 200; contudo, o imposto
vai incidir sobre os 1 000, vindo posteriormente, se for o caso, a ser reembolsado); este regime
sofre, contudo, algumas derrogações especiais.
Nos trabalhadores por conta de outrem temos o total bruto e o líquido. A entidade patronal
fica com a obrigação de entregar ao Estado determinado montante que retém na fonte (IRS e
SS) (a isto chamamos substituição fiscal. Há uma distinção clara entre sujeito passivo
(obrigação fiscal) e contribuinte (o que sofre o desfalque).
O mesmo acontece na retenção (20%) que é feita nos juros dos depósitos bancários.
Totoloto, totobola e rifas (os prémios associados são líquidos.
Rendas são líquidas se o inquilino for uma sociedade.
A lei faz aqui incidir o pagamento de impostos sobre um sujeito passivo que não é o
contribuinte.
O pagamento, a liquidação do imposto determina alguns conhecimentos, contabilidades
organizadas, logo o Estado vai preferir receber destes. Ex: retenção na fonte nos
arrendamentos.

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O dever de liquidar e cobrar o imposto é do substituto especializado (grandes empresas


especializadas, nomeadamente bancos. São entidades financeiramente mais sólidas que
oferecem mais garantias de pagamento.
Esta figura é relativamente segura: o substituto não tem interesse em fugir ao imposto, pois se
não o entregasse ao Estado entregaria ao substituído.
Temos aqui o efeito de “anestesia”: as pessoas sentem pouco a retenção, pensam no “líquido”
e de certa forma não têm consciência do que deixam de ganhar em prol do Estado.
O substituído nunca é aborrecido pelas finanças se a dedução na fonte tiver sido feita; de
outra forma haveria dupla tributação.
A lei configura com grande violência o não cumprimento da retenção na fonte. Se o patrão
ficar como depositário da retenção na fonte e o não pagar configura-se um crime de abuso de
confiança fiscal. Parece que se prefere a entrega do imposto do que a do salário do
trabalhador.
Responsabilidade fiscal ou fiança legal – a lei determina que certas pessoas sejam garantes da
obrigação fiscal de terceiros; duas situações relevam:
1) Os funcionários da administração fiscal, sempre que sejam coniventes com a facilitação da
não cobrança de impostos;
2) Os gerentes das sociedades, sempre que as respectivas sociedades não cumpram as suas
obrigações fiscais. O objectivo desta figura da responsabilização é o de pressionar aqueles que
têm funções de direcção a conferirem prioridade ao pagamento de impostos. Importa
distinguir entre responsável fiscal e substituto fiscal: é que o substituto fiscal é devedor de
imposto a título originário, enquanto o responsável é devedor em segunda linha; todavia, em
ambos os casos, temos uma não coincidência entre contribuinte e devedor de imposto.
A responsabilidade tributária ou fiscal (representa quase que 80% dos produtos fiscais) é
diferente da substituição (na responsabilidade tributária o responsável tributário não é sujeito
passivo a título originário desde o princípio. Não há coincidência entre o contribuinte e o
devedor do imposto.
Se o originário devedor (sociedade) não pagar o imposto e não tiver por onde o pagar, a lei faz
com que outras pessoas respondam com os seus próprios bens, pelo pagamento desse mesmo
imposto (gerentes e membros do concelho fiscal). Há 2 hipóteses:
1) Ou se apresenta à falência.
2) Ou responde pelas dívidas fiscais da sociedade.
“Teoria da vontade” do gerente ou dos administrados (ele quis a empresa, ele responderá por
ela.
Isto tende a desaparecer nas grandes empresas em que tal posição não passa de um emprego.
Podem mesmo adquirir responsabilidade sobre dívidas que vêm do passado.
Muitas vezes só lhe restará escolher entre obedecer às ordens do patrão e não pagar
impostos, sendo que nesse caso se habilitam às consequências vindas da responsabilidade
tributária.
Todos os gerentes, no tempo de vida da empresa, podem vir a ser responsabilizados pelo não
pagamento de impostos retidos a trabalhadores. São responsáveis os que exercem funções na
data em que ocorreu o facto gerador até à regularização do pagamento.

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Direito Fiscal 2006/07

Exemplo: uma fiscalização à empresa em 2002. Falta o imposto de 1999. São responsáveis
todos os gerentes desde então, havendo uma presunção de culpa do gerente que exerce
funções à data de notificação do pagamento do imposto relativo ao tal ano de 1999. À
gerência actual resta pagar ou apresentar-se à falência. O gerente de 1999, e os que o
seguiram, se os houve, têm uma posição mais confortável, só serão acusados se a actual
administração provar a sua culpa, delapidação dos bens da empresa,... para que seja culpado.
(art. 24º LGT
Isto contribui para a preguiça da Administração fiscal que se não receber de um há-de receber
de outro.
1º Sociedade: e se não tiver bens?
2º Corpo gerente: desde o que foi gerente no facto gerador até o do momento.
Havendo vários gerentes a responsabilidade entre eles é solidária podem ir sobre qualquer um
deles.
Art. 48º LGT, nº3: se o gerente (devedor subsidiário) não for citado nos 5 anos seguintes à
liquidação do imposto está safo.
Mudança dos personagens na relação jurídico-fiscal - na obrigação fiscal há uma transmissão
da condição de sujeito dessa mesma relação; pode ocorrer:
1) Uma mudança no sujeito passivo: é o fenómeno da sucessão fiscal – quem morre deixa aos
herdeiros os bens e as dívidas, e dentro destas, as dívidas fiscais; em muitos casos, o imposto
ainda nem sequer está pago; a sucessão fiscal abrange o imposto e as eventuais multas de
incumprimento;
2) A sub-rogação fiscal: traduz-se na substituição do sujeito activo; isto é, alguém vai tomar o
lugar do estado na cobrança de um Imposto (exemplo: dois irmãos herdam uma casa dos seus
pais; um deles paga a sua parte de imposto sucessório e outro não efectua esse pagamento; se
a metade inerente ao irmão não pagador for a hasta pública, tal facto não será do agrado do
irmão cumpridor; este pode então, substituir o irmão, pagando a parte do imposto devida e
ficando credor desse montante de imposto devido pelo irmão; a sub-rogação tem uma
vantagem acrescida de ficar na posição do Estado credor o que significa: 1) receber juros mais
altos;
2) Privilégio no recebimento, excepto nos casos de falência ou insolvência;
3) Processo de execução fiscal mais rápido e mais eficaz. A sub-rogação obedece a duas
condições:
a) Não é automática; a pessoa que ela pretende recorrer, tem de a solicitar
fundamentadamente;
b) A dívida tem de estar já em fase de execução.
A cedência no campo fiscal não pode acontecer por vontade dos particulares
Ex: por um contrato de cedência da posição contratual ou cedência de créditos – Factoring
(âmbito das obrigações civis.
Nas obrigações direito público isto já não acontece assim. Nem a título de credor nem de
devedor.
Ex: um vende um pinhal por X mas se tiver que pagar imposto de mais-valias, terá de pagar
mais Y, correspondente ao imposto (isto é legal mas não é disto que queremos falar, isto é
uma mera condição do contracto.

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Sub-rogação fiscal (pelo lado do sujeito activo o Estado cede a sua posição de credor a alguém.
Exemplo: um prédio fica em sucessão a 2 meios “co-herdeiros”.
Um tem problemas fiscais o que levaria a que a sua parte fosse vendida em hasta pública pelo
fisco, num processo de execução. A solução do outro isento é pagar ele o imposto para que tal
situação não se verifique.
A lei fiscal permite que a pessoa não só pague mas que o crédito do Estado lhe seja cedido; o
que traz vantagem: -a dívida fiscal tem mais juros, a acção pode seguir nos tribunais fiscais,
tem alguns casos de direito de preferência. Logo há interesse na sub-rogação.
Condições para haver sub-rogação: a prestação estar em vigor; justificar um interesse legítimo.
Ex: um processo de falência do credor fiscal é tratado como os outros.
Quando alguém morre e tem dívidas ao fisco, os herdeiros herdam bens e dívidas (também as
dívidas fiscais (não falamos aqui do imposto sucessório).
As pessoas normalmente não têm grande cuidado com isto.
Teoricamente só se responde até aos bens da herança mas existe o ónus de provar que bens
herdam (a menos que aceitem a título de inventário).
Não cumprimento da obrigação fiscal - distinguir, basicamente dois conceitos importantes:
1) Juro compensatórios -declarações fiscais entregues tardiamente, isto é, para além dos
prazos legalmente fixados; neste caso, a liquidação do imposto (ou seja, o seu apuramento), é
efectuada pela Administração Fiscal, com um atraso imputável ao contribuinte; este intervalo
de tempo dá direito ao Estado em cobrar juros compensatórios;
2) Juros moratórios -tem lugar quando há atraso no pagamento do imposto; se a nota
demonstrativa de liquidação for acrescida de juros compensatórios (em consequência directa
de um atraso na liquidação), então cálculo dos juros moratórios faz-se a partir do imposto
acrescido desses juros compensatórios.
Prescrição da obrigação fiscal -distinguir dois conceitos;
1) Caducidade do direito à liquidação -o contribuinte só sabe o montante que tem apagar
quando a Administração Fiscal determina a liquidação do imposto; ao proceder a inspecções, a
Administração Fiscal pode concluir que há lugar a correcções à liquidação, que se podem
traduzir numa nova colecta; então, nestes casos, e em princípio de segurança jurídica, existe
um prazo de cinco anos, dentro do qual se pode a apurar uma nova colecta; findo esse prazo,
aquele direito caduca;
2) Prescrição da obrigação – admita-se agora que o contribuinte é notificado para pagar o
imposto e não o paga, não sendo objecto de qualquer processo de execução fiscal durante o
prazo de 10 anos; findo este prazo o direito da Administração Fiscal caduca.
Extinção da obrigação fiscal (dá-se quase sempre com o cumprimento da obrigação (que pode
ser ou não o pagamento).
O pagamento começa por ser voluntário e depois se o recebimento for coercivo através de
uma execução.
Outras formas de extinção:
-dação em cumprimento
-prescrição e caducidade

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Há um prazo durante o qual a Administração Fiscal deve proceder à liquidação do imposto (ou
deves ou não deves).
Há um prazo a partir do qual caduca. São 4 anos para impostos periódicos.
Ex: depois de Dez 2002 caduca o prazo para mexer nos impostos de 1997.
Há circunstâncias que fazem interromper o prazo de caducidade do direito à liquidação. Ex: a
pendência de uma acção de fiscalização.
O tribunal não se substitui à administração fiscal, não refaz a liquidação fiscal (o que faz com
que possam mediar 15 anos em ambas as liquidações).
Liquidar (é ser interpelado pela Administração Fiscal para pagar; a partir daqui começa a
contar-se o prazo para a prescrição (para o domicílio que consta do cartão de contribuinte).
Prescrição: mais ou menos 8 anos (interrompe os prazos.
Existem ainda figuras como a compensação ou o direito à retenção.
As questões ligadas a tributos são analisadas nos tribunais tributários (matéria especializada,
mas juízes não especializados).
Dividem-se em 3 níveis:
1-1ª Instância (a nível distrital (câmara)
2-2ª Instância (só em Lisboa (relação)
3 - S. T. Administrativo (1º contencioso administrativo, 2º contencioso tributário (4 secções,
neste caso é a 2ª secção.
Apreciam apenas, em princípio, a legalidade dos actos praticados – controlo da legalidade.
As execuções fiscais são promovidas pela própria repartição de finanças, só se suscitarem
questões no processo como embargos, reclamações,... É que o processo de execução fiscal é
enviado ao juiz. Tem a tutela do processo mas ele não está na sessão. Questões de direito.
Nem sempre as acções de conotação fiscal vão parar a estes tribunais.
Se estiver em causa a decisão de um membro do governo (recusando um benefício fiscal) vai
parar ao tribunal administrativo.
Certas peças processuais são entregues na repartição de finanças umas dirigidas já aos
tribunais.
Há matéria que escapa aos tribunais tributários por imposição constitucional. Não há tribunais
especiais para o julgamento de determinados crimes.
Passou-se de um modelo de administração activa para um modelo em que é o contribuinte
que “apura” a sua situação tributária.
Esta mudança não foi correctamente acompanhada pela máquina fiscal.
Há outras administrações fiscais que não a DGI:
-DG Alfândegas
-Em sentido amplo SS que cobra impostos
-Autarquias (taxas)
O recurso é para os tribunais tributários.

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Situamo-nos só na DG Impostos (coexistem 2 modelos).


1-Modelo tradicional, assente na repartição de finanças, quase que com conhecimento
efectivo de todas as situações concretas. A liquidação, cobrança e fiscalização cabia às
repartições.
Fisicamente ao lado, tínhamos a tesouraria onde os impostos eram pagos “à boca do cofre”.
2-A verdadeira mudança começa com os computadores (reforma de 89). Mantém-se todavia
no terreno esta estrutura operacional. Sobreposto assiste-se a um aumento das funções de
direcção de Finanças e dos órgãos da administração central.
Para segurança dos contribuintes formalmente quem aplica e pratica os actos tributários
continua a ser o chefe da repartição de finanças.
Crescem as funções dos serviços centrais, decorrentes do novo modelo (é agora o contribuinte
que declara e pontualmente haverá lugar a uma fiscalização).
O sistema também foi obrigado a mudar e a crescer devido à inserção na CE e da
internacionalização da economia, só que este crescimento fica muito perto do nível 0.
O problema dos impostos não é um problema de lei mas sim de máquina da fiscalização, de
corrupção crescente, de apodrecimento da máquina fiscal.
Agência Geral Tributária: injecta sangue novo através de um instituto público, de cariz privado,
com regras não viciadas. A ideia foi boa mas no fundo subiram os funcionários da
administração central a esses lugares e ficou tudo na mesma. Hoje já não existe.
CAPÍTULO VIII – IRS – IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DAS PESSOAS SINGULARES
O sistema fiscal relativo aos impostos sobre o rendimento data de 1989 (Reforma Fiscal). O
artigo 103º da CRP define o sistema determinando uma profunda remodelação desse sistema.
Essa reforma iniciou-se com a introdução do IVA em 1986, e mais tarde, com o IRS, o IRC e a
CA. Apenas com as maiorias parlamentares dos governos daquela época se tornou possível
proceder a essa Reforma Fiscal. Em finais da década de oitenta, alteraram-se os regimes
jurídicos das infracções fiscais (aduaneiras e não aduaneiras) e em 1992/1993 aprovou-se o
novo Código do Procedimento tributário, ou seja, consagrou-se um novo modelo de direito
fiscal processual.
Contudo, a lei fiscal está em permanente alteração; veja-se que todos os anos é o que sucede
com os OGE. Todavia, importa acentuar que, em sede de tributação das pessoas físicas, o que
mudou foi a filosofia do imposto, a concepção global de tributação.
Antes, o sistema era de tributação cedular: cada tipo de rendimento era objecto de tributação
autónoma, ou seja de impostos separados; esta era a base do sistema. No domínio da
tributação cedular não se torna possível proceder à pessoalização.
Ora o que se pretendeu implementar com a reforma fiscal de 1989 foi, justamente, introduzir
uma filosofia pessoalizadora do imposto: todos os rendimentos são aglomerados e dão origem
a uma única dívida de imposto. Único não significa que todos os rendimentos sejam agregados
da mesma forma (o rendimento agrícola não é igual ao rendimento da acções tributadas na
bolsa).
Dentro do imposto único há uma fase que o apuramento tem que ser feito separadamente: é a
fase analítica (um por um: rendimentos do trabalho -rendimentos de capitais - rendimentos
prediais; é feito em estrita obediência pelas diferentes regras que subjazem a cada um

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daqueles tipos de rendimentos. Ulteriormente, na chamada fase sintética, juntam-se aqueles


rendimentos obtidos ao longo do período, conferindo-lhes um tratamento unitário. Esta é a
filosofia de imposto único que é apenas único para certos sectores da população (exemplo: os
que apenas auferem rendimentos do trabalho). O sistema permite, deste modo, uma maior
pessoalização graças àquelas duas fases. A pessoalização do imposto era a ideia base da
Reforma Fiscal.
Nota: nos exames não nos devemos preocupar com as soluções concretas: taxas,
abatimentos,...História e Futurologia
Surge como produto da reforma fiscal que entrou em vigor em 01-01-1989. Dá cumprimento à
imposição constitucional de imposto único e progressivo. Antes cada tipo de rendimento tinha
um imposto próprio.
A ideia dominante na Europa era já de imposto único das pessoas físicas -objecto de
pessoalização, ajuste da carga tributária à pessoa do contribuinte.
É com este objectivo que surge o IRS (forma de realização da justiça fiscal, o que é um objecto
meramente teórico).
A ideia de unicidade (todos os rendimentos tratados em conjunto) não significa que a
declaração dos mesmos seja feita da mesma forma. Até mesmo pela natureza específica dos
rendimentos (salários, juros, rendas).
Temos no IRS 2 fases.
1-Fase analítica: tratamento separado para apurar o valor dos diversos tipos de rendimentos e
então teoricamente sanar-se-iam os rendimentos todos para apurar o imposto a que o
contribuinte estaria sujeito.
2-Fase sintética: nem todo o tipo de rendimentos caberá nesta última fase. Existem várias
situações que não concretizam o ideal de uma tributação unitária.
Década de 90-2000: países modelo no imposto único (verdadeiramente) -Áustria. Tem feito
marcha atrás, tendo em conta agora o imposto duplo: rendimentos de capital + rendimentos
de trabalho (mais agravado).
O capital é quase o único bem que actua a nível mundial, ao nível de concorrência perfeita.
Justiça fiscal vs praticabilidade do sistema.
Quem vai ser tributado -hão-de ser as pessoas consideradas individualmente ou consideradas
no conjunto familiar? Havendo filhos, cada um deve ser tributado por si, ou no contexto da
família? Esta é uma questão social básica. O problema principal tem a ver com a realidade
sociológica; hoje os casais têm uma distribuição quer de rendimentos, quer de despesas; as
"sobras" ficam com cada um. Criou-se, assim, uma certa tendência económica entre marido e
mulher; os cônjuges a ser “sócios” em partes iguais.
A dívida fiscal é sempre uma dívida de que os cônjuges são solidariamente responsáveis,
independentemente do regime de bens que possa existir. Esta situação tem evidentes
desvantagens (exemplo: as pessoas que estão separadas de facto dificilmente se vão entender
no preenchimento da declaração fiscal, designadamente nos casos em que está em curso um
processo litigioso de divórcio). A lei tende a atenuar esta situação ao permitir que, em certas
circunstâncias, marido e mulher entreguem declarações separadas.
Família para efeitos fiscais – antes só havia família se houver casamento; e as uniões de facto?
Nestas últimas não há uma prova formal (ao contrário do que sucede com o casamento)
daquela união. Quando, em 1996, se tentou registar as uniões de facto, a questão perdeu
muito do seu interesse por, justamente, se traduzir em benefícios fiscais incontornáveis: é que

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um par de namorados unidos de facto apresentando uma única declaração fiscal pagaria
menos imposto do que se declarassem individualmente.
O conceito de família, em termos fiscais abrange duas constituições possíveis:
a) Para efeitos de determinação do rendimento global -marido, mulher e filhos, incluídos os
adoptados (os "meus", os "teus” e os "nossos");
b) Famílias monoparentais em ou o pai ou a mãe têm filhos a cargo; ver o exemplo daqueles
filhos de pais divorciados que integram a declaração fiscal do pai ou da mãe, consoante
estejam a cargo um de outro), ou seja o pai ou a mãe tem filhos a cargo.
Filho para efeitos fiscais -questão importante: até quando um filho integra o agregado familiar
para efeitos fiscais? A lei fiscal adopta o critério do momento em que o filho é já possuidor de
meios de subsistência; em princípio, prevalece o critério da maioridade, com duas importantes
excepções:
1) Um menor que exerça uma actividade profissional, vencendo mais do que o salário mínimo
nacional é tributado autonomamente (ou seja, neste caso os pais não tem capacidade nem
competência para administrar esses ganhos do seu filho menor;
2) Os filhos com mais de 18 anos e menos de 25 anos, que se mantenham a estudar ou serviço
militar, não dispondo de qualquer rendimento; entende a lei que é a partir dos 25 anos que se
entra no mercado de trabalho; por outro lado, pretende-se dar algum apoio económico às
famílias, possibilitando-lhes a dedução das despesas de ensino. Ninguém pode,
simultaneamente, pertencer a mais do que um agregado familiar (atente-se no exemplo da
mãe solteira que, conjuntamente como o seu filho, constitui um agregado familiar, ainda que
não tenha rendimentos -situação pouco correcta, na medida em que os avós é que vão ser
penalizados). Nas famílias ditas "normais" tributa-se o conjunto do agregado familiar.
Efeito da cumulação dos rendimentos: consequência da tributação conjunta; ver o seguinte
exemplo: António -4 000 c/ano x 20% = 800 c; Maria -4 000 c/ano x 20% = 800 c; casam-se: 8
000 c/ano x 40% = 3 200 c; consequência: o casamento "custou" 1 600 c de imposto, dada a
progressividade das taxas. Está em causa a justeza da situação. Trata-se de um problema mais
ou menos recente na sociedade portuguesa (remonta aos anos setenta). Subjacente à ideia de
casamento tradicionalmente está associado o conceito de economia: uma casa, um carro, uma
cama, etc. Por outro lado, sendo a família uma instituição objecto de grande protecção ao
nível constitucional, não faria grande sentido aquela tributação excessiva. Vejamos os
mecanismos correctores: Até 1989, tínhamos o chamado quociente conjugal (splitting):
marido: 7000 c/ano x 10% = 2 800 c; mulher: 1 000 c/ano x 5% = 50 c; total de imposto 2 850 c;
casam: 8 000 / 2 = 4000 c x 20% = 1 600 c; o spliting vai corrigir substancialmente a tributação
após o casamento; o splitting tributa o casal como se os rendimentos fossem divididos por
dois; tem grande vantagem quando há uma enorme disparidade entre os membros do casal (é
o caso do exemplo acima), não sendo tão vantajoso quando os rendimentos são nivelados.
Conclusão: o quociente conjugal funciona bem quando os rendimentos são nivelados, criando
enormes desproporções quando tal não acontece; este regime “convida” a que um dos
elementos do casal fique em casa; imagine-se, agora, se pudesse ser aplicado também às
uniões de facto (arranjava-se uma namorada, estabelecia-se uma suposta união de facto e o
imposto diminuía substancialmente – eis mais uma razão que abona no sentido de não se
incluir as uniões de facto no conceito de família para efeitos fiscais).
Existiu a figura do quociente conjugal mitigado; esta figura foi extinta por se revelar nociva
para os mais pobres; um casal rico, onde a mulher não trabalha, facilmente o marido transfere
rendimentos para a mulher, e por via disso, tinha acesso ao quociente conjugal mitigado.

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Normas de incidência pessoal. Quem é o devedor do imposto? Pessoas singulares.


Põe-se a questão de saber se existindo agregado familiar o imposto deve incidir sobre o
conjunto do mesmo ou se cada membro deve ser tributado individualmente.
Havendo agregado familiar o imposto incide sobre o rendimento global do mesmo, em
declaração conjunta de ambos os cônjuges.
A família é uma unidade jurídica para efeitos fiscais como é uma sociedade. Unidade
económica (maior que sujeitos passivos). Os sujeitos passivos são o marido e a mulher.
Tributação conjunta:
-prós:
-questão sociológica: resulta a capacidade contributiva das pessoas, mais do agregado familiar
em que estão inseridas do que dos seus próprios rendimentos. É uma natureza indissolúvel.
-nível prático: é mais prática, reduz a metade o nº de declarações apresentadas.
-contras: hoje em dia a família com unidade económica, já não é o modelo actual. Há uma
maior individualidade entre o marido e a mulher – fenómeno social.
A ideia de que se deve tributar a família porque tem maior capacidade contributiva que as
pessoas isoladamente é errada e está posta de parte. Aliás a lei diz que o agregado familiar não
pode ser mais tributado do que os sujeitos isoladamente.
Perspectiva mais jurídica. Unidade do sistema jurídico.
As soluções fiscais não devem ser contraditórias com outros ramos do direito. O que
infelizmente não acontece. Não só derrogam outras, inclusivamente eram feridas de
inconstitucionalidade.
3 Regimes de bens:
-comunhão geral de bens
-comunhão de bens adquiridos
-separação de bens
Há bens próprios e bens comuns (adquiridos durante o casamento). Os rendimentos mesmo
que provenientes de bens próprios (ex: rendimentos) são um bem comum.
O imposto, incidindo sobre o rendimento do agregado familiar até se adequa a um regime de
bens adquiridos (em que os bens são comuns). O mesmo não acontece para o regime de
separação de bens em que só há bens próprios. Como uma tributação conjunta? É quanto
muito ridículo que a lei permita uma administração autónoma de bens próprios e depois peça
uma declaração conjunta. Inclusive no regime de separação de bens, não há solidariedade em
dívidas próprias, o que temos aqui é o direito fiscal a fazer tábua rasa do Código Civil. A lei
permite declarações separadas para casais separados de facto. O ser tributado separadamente
pode sair muito mais caro.
Os cônjuges respondem solidariamente pelas dívidas do imposto.
No caso das uniões de facto basta existir uma residência comum (domicílio fiscal) para que
surja a hipótese de tributação conjunta.
Este nosso sistema, na Europa, começa a ser uma originalidade: têm adoptado a tributação
individual vários países europeus.
CRP art. 104º, nº1-O Prof Teixeira Ribeiro considerava a tributação separada inconstitucional.

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Tributação conjunta. Cumulação dos rendimentos e o efeito da progressividade das taxas.


Com declarações separadas:
A – rend tributável de 1000 * 10% de taxa média = 100
B – rend tributável de 4000 * 25% de taxa média = 1000
Com declaração conjunta:
A + B – 5000 * 30% de taxa média = 1500. O casamento custa mais 400 cts. Seria uma injustiça
fiscal.
Quociente familiar (spliting)
A taxa que cada um pagaria se auferisse metade dos rendimentos totais era 20%
5000/2 = 2500 * 20% = 500 * 2 = 1000. Poupam 100 em relação à situação de solteiros.
Isto tem vantagens e desvantagens:
Exemplo:
A-1000*10% = 100
B-1000*10% = 100
A+B – ((1000+1000)/2)*10% = 100 * 2 = 200
Exemplo:
A –0
B – 10000*40% = 4000
A+B – 10000/2 = 5000*30% = 1500 * 2 = 3000
Poupam 1000 cts por ter casado.
Este sistema é quase neutro quando os rendimentos do casal são muito semelhantes. No caso
de grande desequilíbrio entre rendimentos este sistema é muito vantajoso.
A ideia de um “spliting mitigado” no caso de grandes disparidades só atingiria as famílias em
situação de desemprego de um dos sujeitos passivos.
O que é a família para efeitos fiscais?
- Biparental: pai + mãe + filhos dependentes
-monoparentais: pai ou mãe + dependentes
Dependentes: filhos, adoptados, enteados
Não se pode pertencer a 2 agregados familiares. Se constituem o seu próprio agregado familiar
saem do primeiro. Para efeitos fiscais mantêm-se no agregado familiar até aos 25 anos desde
que ainda a estudar (apoio fiscal ao estudo).
Os deficientes são uma excepção.
Coordenação da lei fiscal com a lei geral
Para o direito os menores são incapazes mas a lei do trabalho permite o início da vida de
trabalho aos 16 anos. A maior parte das vezes continuam a pertencer ao mesmo agregado mas
declarando os seus próprios rendimentos.
Art. 13º IRS - Situação dos residentes e não residentes.

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Residente. O rendimento tem um único âmbito universal não residentes. Só são tributados
pelos rendimentos obtidos em Portugal.
Noção: residência tem de corresponder a uma realidade física (sinais visíveis dessa residência).
presença em Portugal durante a maior parte do ano provando-se essa presença com a
existência de uma casa em Portugal, como casa de morada de família . O que temos que saber
é basicamente isto.
A noção de residente não é interna, refere-se a ambos (residentes e não residentes).
Hoje em dia surgiu o problema dos residentes nas regiões autónomas: os interesses de fraude
é cada vez maior, por lá as taxas são menores. Para prever isso apareceu o art. 17º IRS que
define o que são residentes nas regiões autónomas.
O âmbito da tributação são todos os rendimentos; tributação universal.
Temos de dizer quais são os rendimentos dos residentes cuja fonte está em Portugal – art. 18º
IRS.
O conceito de fonte (do art. 18º IRS dos não residentes) pode resultar de 3 critérios /
hipóteses:
1-Está situado em Portugal o bem que originou os rendimentos (ex: 1 imóvel situado em
Portugal).
2-Aqueles rendimentos que decorrem de uma actividade exercida em Portugal (ex: o caso do
trabalho).
3-Entidade pagadora – se for residente em Portugal.
É a partir destes 3 conceitos que chegamos à noção de Fonte.
Estando em causa situações de não residentes (situações internacionais) temos de saber 1º se
há alguma convenção. Por exemplo, o art. 18º IRS só valerá no caso de haver uma convenção.
Incidência real - quais são os rendimentos tributados? Distinguir entre os contribuintes
residentes dos não residentes; para os primeiros, o IRS é de base mundial (tributa
pessoalmente todos os rendimentos obtidos, quer em Portugal, quer noutros países); para os
segundos, opta-se pela tributação real (apenas os rendimentos obtidos em Portugal é que são
tributados) – conceito de residência (artigos 16° e 17° do Código do IRS). Temos um critério
físico para os rendimentos obtidos em Portugal, isto é gerados no interior do território
nacional um critério financeiro, quando tal não acontece (tributação da sede).
É necessário quantificar os rendimentos tributáveis.
1ª Fase: agrupar em classes, classificados segundo diferentes categorias. Rendimentos bruto
da categoria – dedução específica = rendimentos tributáveis líquidos de cada categoria.
CATEGORIA A -RENDIMENTOS DO TRABALHO DEPENDENTE
Diz respeito aos rendimentos do trabalho por conta de outrem, pressupõe a existência de um
contrato de trabalho -ideia de subordinação jurídica: a entidade empregadora "compra" a
disponibilidade do seu trabalhador; estão patentes os poderes de disciplinar e de direcção
(principal característica do contrato de trabalho); nem sempre é fácil aferir da existência desta
subordinação jurídica (exemplo: o médico que dá consultas diárias, sempre no mesmo horário,
numa fábrica); outro problema: a complexa questão dos "recibos verdes", situação que
abunda em Portugal em face da pouca flexibilização no domínio da contratação; consequência:
inúmeros contratos de prestação de serviços quer empresas (situação perfeitamente correcta
e legal), quer de pessoas individuais (situação incorrecta, na medida em que, normalmente,

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configuram relações laborais clássicas em que se verificam os requisitos do contrato de


trabalho, o que, aliás, leva os tribunais a considerar estas relações laborais no âmbito do
contrato de trabalho); estes falsos trabalhadores independentes têm vantagens fiscais
apreciáveis (pagam menos segurança social e podem abater certas despesas de telefone, luz,
gasolina, etc.); rigorosamente este tipo de prestações deveria ter enquadramento na categoria
B.
Além deste caso paradigmático do contrato de trabalho, em que subsiste a ideia de
subordinação jurídica, outros casos há de equiparação e integração nesta categoria: os
titulares de cargos políticos, designadamente o Presidente da República, o Primeiro-ministro e
os Juízes. A preocupação da lei é ser o mais abrangente possível: todas as remunerações
procedentes do trabalho devem ser tributadas, quer digam respeito a vencimentos, a prémios
desde que se verifique um requisito essencial: tenham carácter de regularidade; a grande
dificuldade, nesta matéria, é a que resulta das remunerações em espécie (não traduzidas em
dinheiro), cuja tributação se afigura complexa; são disso exemplo, o cartão de crédito, o
automóvel, os congressos nas Bahamas, etc.; em rigor devem distinguir-se duas situações: a)
os fornecimentos da empresa de coisas necessárias ao desempenho da sua actividade
profissional e b) os fornecimentos da empresa de coisas para gozo pessoal. Apenas as
segundas seriam objecto de tributação; o problema é que certas coisas são susceptíveis de ter
enquadramento em qualquer uma daquelas hipóteses (o automóvel ou o telemóvel, por
exemplo): nestes casos, a lei, perante a sua impotência, opta por penalizar as empresas,
impedindo-as de integrar essas despesas nos abatimentos à matéria colectável dos seus
impostos. Neste domínio impõe-se uma referência a um caso paradigmático: as gorjetas dos
funcionários dos casinos, que a lei integra nos rendimentos tributáveis.
Outra questão relevante é a das indemnizações. A este propósito impõe-se distinguir as
indemnizações por despedimento e as indemnizações por acidentes de trabalho. Em relação às
primeiras, que visam substituir salários que o trabalhador vai deixar de auferir, e, nessa
medida, são rendimentos do trabalho, a lei abre uma importante excepção, ao isentá-las de
imposto; justificação: para além de dificultar ainda mais o despedimento, a ser tributada
aquela indemnização, o seu titular seria, nesse ano, objecto de uma tributação elevadíssima,
quase ao ponto de se poder dizer que quem estava a ser indemnizado era o Estado. Outras
excepções: os subsídios de alimentação, ajudas de custo, subsídios de falhas, etc. A lei
presume sempre que tudo aquilo que o trabalhador carece para exercer a sua actividade
laboral é proporcionado pela respectiva entidade empregadora; todavia, em certos casos de
trabalhadores mais qualificados (os advogados, por exemplo), são objecto de injustiças, na
medida em que não podem abater as despesas ocorridas com livros estritamente necessários
ao desenvolvimento da sua profissão.
Categoria A – rendimentos do trabalho dependente – art. 2º IRS
O trabalho dependente é aquele que resulta do contrato de trabalho ou algo equiparado (há
uma entidade externa – entidade patronal) que não existe no trabalho independente.
A noção de rendimentos do trabalho dependente em direito fiscal é mais ampla, entram aqui
situações em que há equivalência económica (ex: o presidente da república é a titular de um
órgão de soberania -juridicamente não é um trabalhador dependente mas economicamente o
seu salário é processado como se fosse).
Nas sociedades isto também acontece com os gerentes que são os titulares do poder
executivo na sociedade, enfim os titulares do órgão em geral são equiparados a trabalho
dependente.
Há também os falsos trabalhadores independentes, por conveniência das firmas.

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O universo do trabalhador dependente é assim em termos fiscais mais amplo.


A preocupação da lei é alargar o conceito de remuneração para efeitos fiscais (para tentar
prevenir ao nível da lei as fraudes, evasão,...). É tudo aquilo que a pessoa receba em razão do
seu trabalho, da entidade patronal, de 3ºs.
Remunerações de 3ºs. Ex: gorjetas nos casinos, funcionários dos casinos.
O normal nas empresas é negociar o pacote salarial, constituído por uma remuneração ($) mas
depois envolve também outros benefícios em espécie (carro, disponibilidade da casa, cartão
de crédito, telemóvel, viagens,...).
Mais recentemente o escândalo das “stock options” – Murteira Nabo diz que o quadro da
empresa adquire o direito contratual de ao fim de um certo tempo comprar acções da
empresa a um preço que já está fixado . O sucesso da empresa é consequência do empenho
dos seus trabalhadores (todos ganham).
Art.2º, nºs 2 e 3. Visam expressamente enquadrar estas situações como sendo tributadas (não
ter viaturas no livro).
O que não são rendimentos do trabalho aparecem normalmente na al. c) do nº3 do art. 2º IRS.
Ajudas de custo. Desde que correspondam a deslocações efectivas e não sejam excessivas, não
são rendimentos.
Indemnizações (especialmente na questão dos despedimentos). Em princípio são rendimentos
do trabalho. São sucedâneos / substitutos de salários, de remunerações que não receberam
por causa do despedimento.
Já se o trabalhador tiver um acidente de trabalho, a indemnização nada terá a ver com a
relação de trabalho, é sim uma compensação pela perda física, pela dor – assim não são
tributados pois não se consideram rendimentos do trabalho.
Nos despedimentos a Lisnave descobriu que se desse 10000 por cada trabalhador despedido
como indemnização arrecadaria 40% do IRS – isto era muito.
É injusto o estado acabar por “causar” grande parte da industria.
Isto deu origem a uma série de abusos -uma pessoa que vai ser despedida, a última coisa em
que pensa é pagar impostos.
Assim surgiram uma série de normas anti-abuso, nº 4 e 7 do art. 2º.
Quais as deduções que a lei permite: em regra a lei não permite custos na categoria A (tudo é
fornecido pelo patrão).
Dizem respeito à preservação do capital humano (deduções para SS) (prevenção da doença).
Art. 25º IRS – deduções específicas.
Há uma parte ínfima para despesas de formação profissional (nº4, b).
CATEGORIA B -RENDIMENTOS EMPRESARIAIS E PROFFISSIONAIS
As origens desta categoria remontam à tradicional distinção entre profissionais liberais e
empresariais: mais tarde, consolidou-se um preconceito: os doutores, os engenheiros, os
médicos, não gostavam de ser empresários; hoje, assiste-se ao fenómeno inverso: todos
querem ser empresários dada a forte tributação da categoria A. Distinção entre a categoria B e
a categoria C: num primeiro momento, a lei pretendeu impor um critério substancial -na
categoria B estão incluídos os rendimentos obtidos a partir duma componente cultural e
científica; enorme confusão; mais tarde, num segundo momento, o legislador elaborou

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listagens de actividades profissionais (anexas ao Código do IRS): quem não possuísse um


desses títulos era enquadrado na categoria C; discordância do Dr. Rui Morais, na medida em
que tal critério apenas fazia apelo a títulos académicos (tendência elitista) e não à efectiva
actividade desenvolvida (exemplo: tanto cabiam na categoria B os advogados que trabalhavam
sozinhos como aqueles que estavam em sociedade). Hoje estão todos na categoria B – art. 3º e
ss.
Antigamente B era trabalho independente, C empresários em nome individual e D empresários
agrícolas.
Em 2001 a reforma fiscal unificou estas 3 categorias, numa só B. mas todavia foi meramente
formal, passamos a ter 2 subcategorias.
Art. 3º, 1, a) -C e D; b) – B; c) – direitos de autor e propriedade industrial.
Art. 3º, nº4. Actividades a incluir na alínea a) – caracterizador do tipo de actividade.
O legislador no art. 151º diz-nos quais as actividades que cabem na alínea b)do nº1 do art. 3º.
A partir daqui a alínea b) seria residual o que não coubesse na alínea a) iria para a b) no
entanto este 151º vem definir “exactamente” esse resíduo.
Existem diferenças de regime entre a alínea a) e b) do nº1 do art. 3º.
Ex: retenção na fonte (advogados que prestam serviços a empresas com contabilidade
organizada, fazem retenção na fonte).
1ª Ideia: unificação das categorias e seus limites.
2ª Ideia: aprovação da determinação do rendimento na categoria B, às regras do IRC.
A escolha da forma jurídica para tutelar a minha empresa (sociedade em nome individual) não
deve importar muito em sede de direito fiscal.
O IRS remete para o IRC – art. 38º IRS.
Ex: sociedades de advogados, de exploração agrícolas, de médicos são o mais vulgar.
Os outros (em nome individual) são já a excepção.
Logo para determinar o rendimento da categoria B, teríamos de estudar IRC.
Regime simplificado
Não é viável exigir aos pequenos contribuintes grandes obrigações acessórias (contabilidade
organizada) o custo seria excessivo.
Não compensa a exigência visto a receita ser muito pequena o ideal é a presunção do
rendimentos e consequentemente do imposto.
Tentam-se recentemente introduzir o regime simplificado mas da seguinte forma:
1-é facultativo
2-na realidade quem fica no regime simplificado tem na mesma que ter contabilidade
organizada por causa do IVA e com a contabilidade há sempre forma de apresentar prejuízo.
Como funcionava em termos gerais:
Ver os requisitos do art. 28º -volume de vendas: 30000000$00
Como seriam tributados:
-aplicam-se uns coeficientes ao volume de vendas

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---mercadorias: 0.5%
---outros proveitos financeiros; 0.65%
Este regime conjuga-se com taxas mais baixas.
O legislador cada vez mais se defende de via indirecta, alargando a situações em que poderá
afastar as declarações de rendimentos dos contratos e presumir o rendimento colectável.
Método indirecto. art. 39º LGT
Hoje, ou se usa a estimativa (presunção para cobrar impostos ou só pagam impostos os
trabalhadores dependentes ou os independentes que trabalham com empresas que exigem
sempre factura).
Ver arts. 28º, 31º, 32º e 39º.
CATEGORIA E -RENDIMENTOS DE CAPITAIS
Há uma grande dificuldade em tipificar o que são rendimentos de capitais. Desde logo o
exemplo do contrato de mútuo que aparece misturado com diversas aplicações financeiras:
por um lado, temos mútuos através de obrigações (títulos de dívida pública); por outro lado,
temos mútuos camuflados (uma compra a prestações). As aplicações de risco, ou seja as
vulgares acções ou as participações sociais nas empresas, constituem, igualmente,
rendimentos de capitais.
O artigo 5° do Código do IRS procura elencar todos os produtos financeiros susceptíveis de
tributação. Um outro ponto a considerar naquele preceito, é o texto do seu nº1 alínea p):
"quaisquer outros rendimentos derivados da simples aplicação de capitais”;
constitucionalidade duvidosa por alegada violação do princípio da tipicidade; esta
preocupação do legislador em tentar abranger todo o tipo de rendimentos de capitais, vendo-
se obrigado, para o efeito, a consagrar aquela alínea p) de âmbito residual, demonstra bem da
sua dificuldade na enumeração de todos os produtos financeiros tributáveis.
Um segundo aspecto a reter neste domínio dos rendimentos de capitais decorre do facto de o
capital não ter pátria. Actualmente, podemos dizer que o capital gira à volta do mundo à
velocidade da luz. Esta circunstância promove uma grande concorrência ao nível internacional,
no sentido de atrair esses capitais, afim de os melhor rentabilizar; aos investidores interessa
sempre saber qual o rendimento líquido das suas aplicações (ou seja, após imposto); em face
de tão grande concorrência, os países, tendencialmente, vão baixando os seus níveis de
tributação; consequência óbvia: os capitais são sempre menos tributados do que a
generalidade dos outros rendimentos. Por outro lado, as transacções de capitais representam
milhões de operações, o que torna impensável admitir que são objecto de declaração para
efeitos fiscais. Para combater esta dificuldade, a tendência moderna é a de privilegiar a
retenção na fonte, o que, por sua vez, estimula a criação de bancos, de empresas seguradoras
e de outras instituições de crédito, cujo objectivo primacial é o de promover meios de
rentabilização desses capitais.
Outra importante característica que subjaz a este tipo de rendimentos é o seu anonimato. São
disso exemplo, as acções ao portador que representam, desse modo, uma dificuldade
acrescida ao seu controlo. Por outro lado, temos o segredo bancário, cuja forte tradição em
Portugal (tal como o anonimato), ajuda, também, a complexizar a tributação. A estas duas
características, acresce ainda uma terceira tendência, de carácter menos legal, que é a
tendência para se por os rendimentos de capitais em nome de outras pessoas, o que,
inegavelmente, vai obstaculizar a tributação individual.
Por todas estas razões, o legislador optou pela implementação de taxas liberatórias com vista à
tributação deste tipo de rendimentos (ver artigo 71° do Código do IRS). Estas taxas são fixas e

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normalmente traduzem valores relativamente baixos. Por outro lado, representam a negação
da unicidade do imposto e a negação do conceito de pessoalização do imposto, princípios
subjacentes à ideia de imposto único.
A lei também permite que este tipo de rendimentos seja englobado na declaração anual de
rendimentos; todavia, esta possibilidade apenas poderá interessar se a taxa incidente for
inferior à taxa liberatória (hipótese pouco provável, que, em princípio apenas interessará aos
reformados); havendo englobamento, os pagamentos por conta ocorridos pela aplicação das
taxas liberatórias serão, obviamente, deduzidos.
Há dificuldade de tributar este tipo de rendimento (capitais).
A variedade de produtos financeiros no mercado dificulta também a tributação.
Ver art. 5º, nº1 – cláusula geral de 2001.
2 Modos de aplicar capital:
-a crédito – depósitos
-a risco – acções
Hoje em dia este tipo de operações é feita com recurso a intervenientes, intermediários
financeiros (Banco, companhias de seguros,...).
Não se pode tributar fortemente o capital, senão ele “foge”.
Os rendimentos de capitais estão sujeitos à taxa liberatória, taxas fixas que normalmente
liberam (retêm na fonte) e fica o caso arrumado, quanto às obrigações acessórias.
As taxas liberatórias são nesta medida uma necessidade. Art. 71º. Enumera quais os
rendimentos sujeitos a taxas liberatórias (juros, prémios, jogos, lucros distribuídos aos sócios).
Destoem a lógica do imposto único:
1º Deixa de ser único;
2º Deixa de ser progressivo (estas taxas são fixas e muito moderadas).
As taxas de retenção na fonte são ou não liberatórias consoante a opção do contribuinte.
Acaba por funcionar como um pagamento por conta.
Na prática ninguém faz isto: dá trabalho e dá acesso ao fisco às contas bancárias.
Ver arts. 5º, 6º, 7º e 71º IRS
Rendimentos tributáveis neste caso são os rendimentos brutos não há lugar a quaisquer
deduções específicas ou custos.
CATEGORIA F -RENDIMENTOS PREDIAIS
Implica a existência de rendas e de prédios dados por arrendamento, prédio em sentido
jurídico é uma fracção de solo limitada por confrontações, com ou sem construções. O
conceito de arrendamento em Direito Fiscal também difere do sentido clássico consagrado
pelo RAU; para o Direito Fiscal, os prédios mesmos não arrendados, mas que gerem
rendimentos, são, para o efeito, considerados como prédios arrendados; exemplo típico desta
dicotomia de pontos de vista é o que sucede com a cessão de um estabelecimento comercial;
o que releva para o Fisco é a cedência da clientela. Do mesmo modo, a figura da sublocação
superior à renda, que pode gerar um arrendamento sem prédio, ou melhor, sem titularidade
do prédio. As rendas brutas (isto é, aquilo que se recebe) podem traduzir-se em dinheiro ou
não (exemplo: o porteiro de um prédio de habitação que recebe uma casa para viver).

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A lei admite deduções específicas: ou seja, o arrendamento tem custos (despesas de


conservação e de manutenção); as despesas de manutenção têm a ver, basicamente, com as
despesas correntes ocasionadas pelo próprio funcionamento do prédio (seguros, limpeza,
elevadores); as despesas de conservação não têm um carácter tão periódico (obras, pintura de
exteriores); nos prédios mais antigos é difícil distinguir entre benfeitorias e despesas de
conservação; as benfeitorias são, para o efeito fiscal, também consideradas despesas, na
medida em que se destinam a valorizar os prédios e não, propriamente, a evitar a sua
desvalorização; actualmente, a lei exige que os senhorios possuam uma contabilidade
devidamente organizada que prove documentalmente aquelas despesas (artigo 41° do Código
do IRS);
Contribuição Autárquica -questão central: deve a simples propriedade de um prédio ser
tributada ainda que esse prédio não esteja afectado a uso ou arrendado? De acordo com um
antigo princípio, quem é proprietário tem, necessariamente, capacidade contributiva e é este
princípio que faz com que, praticamente, não haja resistência dos contribuintes ao pagamento
de impostos sobre o património. Por outro lado, este tipo de imposto é difícil de sonegar (os
prédios estão à vista).
Até à Reforma Fiscal de 1989, se o prédio estivesse arrendado, o imposto incidia sobre a
renda; se o prédio não estivesse arrendado, o imposto incidia sobre uma renda presumida
(aquela que normalmente se obteria se o prédio fosse dado ao arrendamento).
Após a entrada em vigor da Reforma Fiscal, consagrou-se o princípio de só se tributarem os
rendimentos reais, abandonando-se as tributações sobre rendimentos fictícios.
Por outro lado, o legislador sentiu necessidade de criar receitas em favor das Autarquias locais,
por forma a que não dependam em exclusivo das transferências do poder Central; tem toda a
lógica que a tributação sobre os prédios constitua receita das Autarquias Locais, na medida em
que são elas que zelam pelas infra-estruturas locais. O imposto é assim uma espécie de
compensação por aquelas despesas. Assim nasceu a Contribuição Autárquica; duas
características: é um imposto local, b) não é um imposto sobre o rendimento, mas sim um
imposto sobre o património (ou seja, independentemente do seu estado, o imóvel é sempre
tributado). Uma nova questão se levanta em face deste enquadramento: se o prédio não
estiver arrendado apenas há lugar ao pagamento de CA; mas se o prédio estiver arrendado
temos duas tributações: uma sobre o património e outra sobre o rendimento (IRS -categoria
F); tratam-se, todavia, de realidades jurídicas diferentes, pelo que não se pode falar em dupla
tributação. O ideal era que se tributasse em IRS, se estivesse arrendado e em CA se não
estivesse. Mas esta solução, aparentemente lógica, não teria uma aplicação prática facilitada
(imagine-se o caso de férias no Algarve).
Para evitar cenários, adoptou-se o princípio de tributar sempre em CA: se os prédios estiverem
arrendados, crescerá IRS ou IRC, consoante os casos. Nas declarações de rendimentos, e a fim
de evitar dupla tributação económica (e não jurídica, como já se referiu), o titular do prédio vai
abater à matéria colectável o montante pago a título de CA, funcionando esta última, como
um meio de financiamento; a CA é deduzida em proporção (exemplo: um casa de férias no
Algarve, apenas dará lugar à dedução de 2/12, se ela apenas estiver arrendada dois meses por
ano).
Algo num prédio tem que ser cedido com base num preço.
Rendas / arrendamento
Prédio: realidade física que constitui uma realidade jurídica.

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O conceito fiscal de arrendamento é muito mais lato do que o do CC (alguma utilidade do


prédio cedida, nem que não seja arrendamento) mais também isto são rendimentos prediais.
Nº2 do art. 8º IRS
O montante recebido pelo senhorio será o rendimento bruto ao qual serão possíveis algumas
deduções (manutenção e conservação do prédio na proporção).
Como se articula a contribuição autárquica com esta tributação da alínea F? É um imposto
sobre o património.
Não há dupla tributação entre a autarquia e o IRS sobre os rendimentos.
O senhorio paga a autarquia em função do valor do prédio e o IRS sobre as rendas.
A solução tradicional era a seguinte: havendo arrendamento a autárquica era dedutível ao
imposto pelas rendas. Actualmente a autárquica é um custo e é deduzido ao montante das
rendas.
Art. 41º IRS e art. 8º
CATEGORIA G – INCREMENTOS PATRIMONIAIS
É mais do que mais-valias, tem uma vocação residual, o que não cabe nas outras vem de certa
forma aqui parar.
Art. 9º, nº1, b), c) e d). Diferente de mais-valias
d) Acréscimos patrimoniais (casas e carros de valor superior a x)
c) Indemnização de não concorrência: abro um restaurante noutro lado porque me pagaram
bem pelo antigo. Circunstâncias de ocorrência vulgar, é raro que elas venham parar a esta
categoria G pois podem caber noutras categorias.
b) Indemnização para deixar de trabalhar: acidentes de viação
Ex: o vizinho de cima inunda-me o escritório. Recebo uma indemnização pelo tempo e pela
redução de clientes. Isto é, uma indemnização pelo lucro cessante. Categoria B 9º, nº2.
Prémios de jogos em lotarias (taxas liberatórias). Hoje é sempre anunciado o prémio líquido.
Remissão para 87º, 88º e 89º LGT
Mais-valias
Só existem fora de uma actividade empresarial uma vez que dentro delas a busca de mais valia
é a actividade principal, é o produto do negócio, o lucro.
1) É um rendimento que provém directamente de uma actividade, acontece por factos
externos (ex: obras públicas, expansão do urbanismo) à actividade de que os provoca.
2) É justo tributar as mais-valias, são rendimentos obtidos sem esforço são muito significativos
e concentra-se nas classes mais ricas.
Mas hoje em dia as mais-valias significativas acontecem em rendimentos provenientes de
capital.
As mais-valias mobiliárias são quase sempre rendimentos de capitais logo também aqui
subsistem as dificuldades de tributação.
3) Porque se referem à valorização bens tem que se conhecer o património das pessoas.
Apenas meia dúzia de casos é que são tributados (os mais fáceis de detectar são mais
frequentes).

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A regra é que só se tributam as mais-valias realizadas. As mais-valias começaram a formar-se


com a construção das pontes mas só irá ser tributado quando vender o bem para que tenha
dinheiro para pagar o imposto.
Art. 10º - Tributação de mais-valias, nº1, d). Inclui a cedência da posição contratual.
b) O que consta do EB Fiscais é que se a detentora as tiver mais do que um ano estão isentos
de mais-valias.
c) Quando é o autor do livro, marca, ... temos rendimentos de categoria B.
Se o vendedor fizer disso uma actividade também não é mais-valia.
CATEGORIA H – PENSÕES
Abrange as pensões de reforma e de invalidez, os PPR' s, os contratos com seguradoras, as
pensões de alimentos; o modelo determinante é o da pensão por reforma; não existem razões
substanciais que justifiquem a autonomização desta categoria de rendimentos (afinal são
rendimentos equiparáveis aos rendimentos do trabalho); dois motivos terão levado o
legislador a atribuir identidade às pensões:
a) A pessoa que aufere agora de pensão, recebe-a porque já pagou impostos anteriormente, e
nessa medida tem direito a essa reforma;
b) Uma preocupação de índole social, que se prende com o facto dos reformados ganharem
agora menos comparativamente com o que ganhavam quando exerciam uma actividade
laboral, o que constitui uma aspecto negativo, dada que será justamente nesta altura da vida
que surgem mais necessidades; assim se percebe que praticamente 90% dos reformados estão
isentos de tributação (os demais são apenas tributados no excedente do limite estabelecido).
Abatimentos - vêm previstos no artigo 56° e ss do Código do IRS; surgem na fase sintética, ou
seja, surgem no momento em que o tratamento dos rendimentos dos contribuintes são
objecto de pessoalização; os abatimentos (tal como as deduções específicas que dizem
respeito às diferentes categorias, e por isso, sem qualquer atenção de pessoalização) que se
deduzem ao valor a pagar; dizem respeito a custos pessoais determinados subjectivamente e
que, no fundo, é como se se tratasse de uma comparticipação do Estado; principais tipos de
abatimentos;
1) Despesas de saúde: são ilimitadas e integram todos os membros do agregado familiar;
dificuldade em definir o conceito despesa de saúde; as medicinas alternativas serão despesas
de saúde? Despesas de saúde são, afinal, as receitas passadas pelo médico, bem como, as
despesas com medicamentos clássicos;
2) Outras despesas socialmente relevantes: a habitação (juros de empréstimos), seguros de
vida, pensões de divórcio, despesas com lares (alargamento do agregado familiar a certos
ascendentes);
3) Despesas de carácter social: despesas de quotização sindical (onde está o carácter
pessoal?);
4) benefícios fiscais: não tem a ver com as despesas concreto, com as pessoas, mas visam o
estímulo de determinados comportamentos, esses sim, considerados relevantes; são
abatimentos para os ricos: despesas com equipamentos tendentes à obtenção de energias
renováveis (proteger o ambiente), e as rendas de carácter temporário (tentou-se resolver,
ainda que temporariamente, o problema da habitação ); tecnicamente é errado qualificar
estes abatimentos como benefícios fiscais (PPR, poupança-habitação); todos os abatimentos,
com a excepção referida das despesas com saúde, tem limites; toda a gente reclama
abatimentos com a educação (caso paradigmático das propinas com o ensino público); todavia

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nada há de mais injusto do que os abatimentos: a capacidade de acesso aos abatimentos


depende, em larga medida, da capacidade do agregado familiar; mesmo nas despesas de
saúde, a generalidade dos portugueses não beneficia dos abatimentos (utilizam os hospitais
públicos); por isso, é tendencialmente correcto afirmar-se que só os ricos (porque podem
escolher o tipo de assistência médica que desejam) é que podem beneficiar com eles.
LIQUIDAÇÃO DO IMPOSTO - consiste em multiplicar o rendimento pela taxa cujo resultado é a
colecta ou a dívida de imposto. Ainda não é este o montante que se paga.
Faltam, ainda, imputar os créditos do artigo 78º (deduções à colecta); as deduções à colecta
configuram duas situações;
a) Os elementos de pessoalização -consoante o agregado familiar são atribuídos créditos
automáticos de imposto, por cada membro da família;
b) Outras deduções à colecta - visam evitar duplas tributações no interior do sistema;
Exemplos:
1) O caso da CA: deduz-se o valor da CA na declaração de rendimentos;
2) O caso da dupla tributação internacional: segue-se a metodologia estabelecida nas
convenções internacionais;
3) O caso da dupla tributação em IRS e IRC: traduz-se no crédito de imposto duplamente
cobrado (primeiro em IRC e depois em IRS)
4) Outras deduções de montantes já pagos.
PAGAMENTO DO IMPOSTO - a questão central que se coloca a propósito do pagamento do
imposto é fazer coincidir, tanto quanto possível, o momento do facto gerador com o momento
em que o Estado cobra efectivamente aquele imposto. Por outro lado, o Estado precisa de
"receber" rapidamente as receitas procedentes dos impostos; duas técnicas:
a) A retenção na fonte: modalidade do agrado da Administração Fiscal que não é exequível em
todas as situações (exemplos: actividades comerciais e certas prestações de serviços) dado ser
exigida uma contabilidade devidamente organizada;
b) Pagamentos por conta (art. 102º): visam evitar desigualdades entre as categorias A, por um
lado e B, C e D, por outro; consistem em três entregas de imposto durante o ano, de modo a
perfazerem um total de 85% do imposto pago no último ano, que funciona assim como critério
de base para aquele cálculo (exemplo: em 1998, os pagamentos por conta são efectuados com
base nos resultado de 1996, que são os últimos que estão disponíveis); estes cálculos
funcionam bem se os montantes a pagar forem sensivelmente os mesmos ou se o imposto de
1998 for superior ao de 1996; os problemas colocam-se nos casos opostos: admita-se que o
imposto de 1998 vai ser, previsivelmente, muito inferior ao de 1996 (que foi um ano
excepcional); nestes casos, é possível interromper os pagamentos por conta, mediante
previsões com uma margem de tolerância de 20%. Se se exceder esta margem, tem de pagar
juros compensatórios.
Na categoria B acumulam-se pagamentos por conta e retenções na fonte; exemplo: o
advogado que tem clientes que são pessoas colectivas e clientes que são pessoas singulares:
neste caso, quando se fazem os pagamentos por conta há que deduzir as retenções na fonte
(artigo 100°).
PAGAMENTO FINAL - o artigo 97°refere-se expressamente aos prazos de entrega das
declarações. O contribuinte faz um auto lançamento, isto é, indica todos os abatimentos na

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sua declaração; mais tarde vem a "nota demonstrativa de liquidação” que serve para refazer
os cálculos e para se conferir se os elementos foram correctamente tratados.
Assim, apura-se o montante de imposto apagar. Havendo lugar a pagamento, é fixado um
prazo de 30 dias, ao qual se segue um prazo suplementar com juros de mora. Em último caso
poderá ter lugar um processo executivo. Os juros compensatórios resultam do atraso na
entrega das declarações (atrasou-se a liquidação); os juros moratórios resultam do atraso no
pagamento (atrasou-se a cobrança do imposto); os primeiros vêm consagrados na nota
demonstrativa da liquidação; havendo também atraso no pagamento, os respectivos juros
moratórios vão incidir sobre o montante de imposto acrescidos dos juros compensatórios.
Importa, por fim, distinguir entre actos receptícios e actos não receptícios. A Contribuição
Autárquica é um aviso de pagamento; isto é, mesmo que o contribuinte não receba aquele
aviso, é suposto que conhece a lei, e nesse sentido deve, ainda assim, proceder ao respectivo
pagamento nos prazos legalmente estabelecidos. No IRS, a nota deve ser sempre enviada e
recebida (recepção em sentido jurídico), pois trata-se de um acto receptício.

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