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Arranjos P rodutivos L ocais na Economia da Cultura.

Introdução:

Cultura, um conceito abrangente expressão simbólica, direito de cidadania e vetor de desenvolvimento.

A cultura é constitutiva da ação humana: seu fundamento simbólico está sempre presente em qualquer prática social.

Entretanto, no decorrer da história, processos colonialistas, imperialistas e expansionistas geraram concentrações de poder econômico e político produzindo variadas dinâmicas de subordinação e exclusão cultural.

No entanto, atualmente, surgem iniciativas voltadas para a proteção, valorização e afirmação da diversidade cultural da humanidade. Tal perspectiva pressupõe maior responsabilidade do Estado na valorização do patrimônio material e imaterial de cada nação.

Por essa ótica, a fruição e a produção de diferentes linguagens artísticas consolidadas e de múltiplas identidades e expressões culturais, que nunca foram objeto de ação pública, afirmamse como direitos de cidadania.

Neste contexto, o atual governo brasileiro propõe um plano com estratégias e diretrizes para a execução de políticas públicas dedicadas à cultura, o PNC Plano Nacional de Cultura.

Plano Nacional de Cultura PNC

Tomando como ponto de partida um abrangente diagnóstico sobre as condições em que ocorrem as manifestações e experiências culturais, o PNC propõe orientações para a atuação do Estado na próxima década. Sua elaboração está impregnada de responsabilidade cívica, participação social e é consagrada ao bemestar e desenvolvimento comunitário.

Entre suas linhas norteadoras está a ampliação da participação da cultura no desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Compreendendo que economia e desenvolvimento são aspectos da cultura de um povo, a cultura é parte do processo propulsor da criatividade, gerador de inovação econômica e tecnológica.

Neste sentido, o Plano Nacional de Cultura pretende apoiar de forma qualitativa o crescimento econômico brasileiro. Para isso, deverá fomentar a sustentabilidade de fluxos de produção adequados às singularidades constitutivas das distintas linguagens artísticas e múltiplas expressões culturais. Inserida em um contexto de valorização da diversidade, a cultura também deve ser vista e aproveitada como fonte de oportunidades de geração de ocupações produtivas e de

renda

Desta maneira há um entendimento no PNC de que a diversidade cultural pode produzir distintos modelos de geração de riqueza, dependendo da formação profissional; da regulamentação do mercado de trabalho para as categorias envolvidas com a produção cultural; e o estímulo aos investimentos e ao empreendedorismo nas atividades econômicas de base cultural, viabilizando a inserção de produtos, práticas e bens artísticos e culturais nas dinâmicas econômicas contemporâneas, com vistas à geração de trabalho, renda e oportunidades de inclusão social.

Economia da Cultura

A Economia da Cultura, ao lado da Economia do Conhecimento (ou da Informação), integra o que se convencionou

chamar de Economia Nova, dado que seu modo de produção e de circulação de bens e serviços é altamente impactado pelas novas tecnologias, é baseado em criação e não se amolda aos paradigmas da economia industrial clássica. O

modelo da Economia da Cultura tende a ter a inovação e a adaptação às mudanças como aspectos a considerar em primeiro plano. Nesses setores a capacidade criativa tem mais peso que o porte do capital.

A produção, a circulação e o consumo de bens e serviços culturais começaram a ser percebidos como um segmento de

peso na economia das nações no pós guerra. Mas foi apenas na década de 1970 que se aprofundou o interesse pelo

setor e a Economia da Cultura passou a mobilizar pesquisadores em algumas universidades. Na década de 1990, ganha espaço nos órgãos internacionais de cooperação, começando a ser entendida como um vetor de desenvolvimento. Progressivamente órgãos como BID, PNUD, OEA, Unesco passam a incluir questões relacionadas à Economia da Cultura em seu escopo de ação.

O Banco Mundial estima que a Economia da Cultura responda por 7% do PIB mundial (2003). Nos EUA a cultura é

responsável por 7,7% do PIB, por 4% da força de trabalho e os produtos culturais são o principal item de exportação do

país (2001). Na Inglaterra, corresponde a 8,2% do PIB (2004), emprega 6,4% da força de trabalho e cresce 8% ao ano

desde 1997.

Economia da Cultura no Brasil

No Brasil atuam 320 mil empresas voltadas à produção cultural, que geram 1,6 milhão de empregos formais. Ou seja, as empresas da cultura representam 5,7% do total de empresas no país e são responsáveis por 4% dos postos de trabalho.

Nos anos 70, por exemplo, o Brasil cresceu a patamares de 10% ao ano, mas concentrou renda, ampliou as desigualdades sociais e conservou distâncias culturais. A década de 90, por sua vez, foi marcada pela ampliação desses problemas em conseqüência da hegemonia de idéias que privilegiaram o mercado como meio regulador das dinâmicas de expressão simbólica.

Hoje, no entanto, a cultura, como lugar de inovação e expressão da criatividade brasileira, se apresenta como parte constitutiva do novo cenário de desenvolvimento econômico socialmente justo e sustentável.

Nesse contexto, reconhecese hoje a existência de uma economia da cultura que, melhor regulada e incentivada, pode ser vista como um vetor de desenvolvimento essencial para a inclusão social através da geração de ocupação e renda.

Entretanto, torna se imperativa a regulação das “economias da cultura”, de modo a evitar os monopólios comerciais, a exclusão e os impactos destrutivos da exploração predatória do meio ambiente e dos valores simbólicos a ele relacionados.

Não cabe aos governos ou às empresas conduzir a produção da cultura, seja ela erudita ou popular, impondolhe hierarquias e sistemas de valores. Para evitar que isso ocorra, o Estado deve permanentemente reconhecer e apoiar práticas, conhecimentos e tecnologias sociais, desenvolvidas em todo o País, promovendo o direito à emancipação, à autodeterminação e à liberdade de indivíduos e grupos.

Tecnologias Sociais

Vamos entender tecnologias sociais como um conjunto de produtos, técnicas ou metodologias que se caracterizam pela simplicidade, baixo custo e fácil aplicação que potencializam a utilização de insumos locais e mão de obra disponível, protegem o meio ambiente e tem grande capacidade de resolução de problemas sociais.

As tecnologias sociais se propõem a articular a produção e a transmissão do conhecimento para solucionar problemas reais da sociedade. A abordagem de cada iniciativa deve, necessariamente, valorizar os conhecimentos e potencialidades locais; adotar metodologias participativas; compreender a realidade a partir da interação entre os conhecimentos técnicos, ecológicos, sociais, econômicos, culturais e políticos; primar por parcerias inter e multiinstitucionais; articular pesquisa e extensão, além de promover a gestão solidária dos empreendimentos.

Sustentabilidade/Empreendimentos Solidários

Sustentabilidade

Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da humanidade.

Propõe se a ser um meio de configurar a civilização e atividades humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades, expressar o seu maior potencial no presente; ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais.

Para um empreendimento humano ser sustentável, tem de ter em vista 4 requisitos básicos: ecologicamente correto; economicamente viável; socialmente justo; e culturalmente aceito

Empreendimentos Solidários

Empreendimentos solidários são as diversas formas concretas de manifestação da Economia Solidária: cooperativas, associações populares e grupos informais (de produção, de serviços, de consumo, de comercialização e de crédito solidário, nos âmbitos rural urbano); empresas recuperadas de autogestão (antigas empresas capitalistas falidas recuperadas pelos/as trabalhadores/as); agricultores familiares; fundos solidários e rotativos de crédito (organizados sob diversas formas jurídicas e também informalmente); clubes e grupos de trocas solidárias (com ou sem o uso de moeda social, ou moeda comunitária); ecovilas; redes e articulações de comercialização e de cadeias produtivas solidárias; lojas de comércio justo; agências de turismo solidário; entre outras. Os empreendimentos solidários caracterizamse por acentuarem a noção de projeto, de desenvolvimento local e de pluralidade das formas de atividade econômica, visando

à utilidade pública.

O território como referencial de formulação e implementação de políticas.

A grande extensão geográfica do país e as disparidades socioeconômicas e regionais representam um desafio para as

políticas públicas, ainda executadas segundo critérios predominantemente setoriais. Essa abordagem, além de reduzir a efetividade das políticas, dificulta a percepção dos recursos estratégicos inscritos no território.

Assumir o espaço como um referencial de formulação e implementação de políticas representa, portanto, uma estratégia imprescindível para valorizar a diversidade brasileira e transformar o aproveitamento de seu potencial socioeconômico em um dos pilares do projeto de desenvolvimento do país.

APLs – Arranjos Produtivos Locais

Uma das vertentes da estratégia de atuação do Governo Federal para o desenvolvimento do país consiste na realização de ações integradas de políticas públicas para Arranjos Produtivos Locais (APLs).

Arranjos Produtivos Locais APL são conjuntos de atores econômicos políticos e sociais, localizados em um mesmo território, desenvolvendo atividades econômicas correlatas e que apresentam vínculos de produção, interação, cooperação e aprendi zagem

Um APL se caracteriza por um número significativo de empreendimentos e de indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante, e que compartilhem formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governança, e pode incluir pequenas, médias e grandes iniciativas.

APLs geralmente incluem iniciativas – produtoras de bens e serviços finais, fornecedoras de equipamentos e outros insumos, prestadoras de serviços, comercializadoras, clientes, etc., cooperativas, associações e representações e demais organizações voltadas à formação e treinamento de recursos humanos, informação, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, promoção e financiamento.

É possível reconhecer a existência de um arranjo produtivo local a partir de um conjunto de variáveis, presentes em graus diferentes de intensidade. Pelo Termo de Referência para Política de Apoio ao Desenvolvimento dos Arranjos Produtivos Locais elaborado pelo GTP APL, um APL deve ter a seguinte caracterização:

Ter um número significativo de empreendimentos no território e de indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante;

Compartilhar formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governança. Pode incluir pequenas e médias

empresas

O apoio a Arranjos Produtivos Locais é fruto de uma nova percepção de políticas públicas de desenvolvimento, em que o

local passa a ser visto como um eixo orientador de promoção econômica e social. Seu objetivo é orientar e coordenar os

esforços governamentais na indução do desenvolvimento local, buscandose, em consonância com as diretrizes estratégicas do governo, a geração de emprego e renda e o estímulo às exportações.

Intersetorialidade.

No processo de redemocratização dos anos 80 o debate sobre descentralização das políticas sociais, reorientação da gestão, participação social, integração e convergência de ações ganha maior destaque na agenda das políticas públicas no Brasil e na América Latina, revigorando a discussão sobre intersetorialidade (JUNQUEIRA, 1997).

De modo geral, intersetorialidade, pressupõe troca de experiências e informações no desenvolvimento de ações sinérgicas, para a construção de uma rede de interação e cooperação social, entre os diferentes atores envolvidos num mesmo processo coletivo. E, ainda, como uma proposta de organização que busca complementaridade entre os serviços, influindo no planejamento, na execução e na avaliação dos resultados alcançados (JUNQUEIRA, 1997).

A intersetorialidade em última instância significa superação da fragmentação das políticas a partir de processos de integração de saberes e experiências.

Os APLs de Cultura

A idéia do Arranjo Produtivo Local de Cultura se apresenta como uma proposta intersetorial envolvendo, inicialmente,

ações e programas do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ministério da Cultura.

O relacionamento entre os referidos ministérios está pautado por uma portaria interministerial firmada durante o ano de

2008.

Na referida portaria vários eixos temáticos foram apresentados, e entre eles, o eixo cultura, tecnologia e alternativas sociais de geração de renda.

Neste contexto, o MCT através da Secretaria de Inclusão Social (SECIS) e o MinC através da Secretaria da Cidadania Cultural (SCC), aproximaram dois de seus programas, Ciência Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social (MCT/SECIS)e o Programa Cultura Viva (MinC/SCC).

Para ser mais especifico, dentro destes programas foram articuladas duas ações, Apoio a Pesquisa e a Inovação em Arranjos Produtivos Locais (MCT/SECIS) e Apoio a Iniciativas de Economia Solidária Relacionadas à Cultura ( MinC/SCC).

Desta maneira a tecnologia dos APLs será aplicada na cadeia produtiva da cultura, consolidando e capacitando os agentes de cultura, valorizando e ampliando o potencial de geração de riquezas implícito na produção cultural; sempre no sentido de fortalecer a diversidade, o desenvolvimento local e os valores éticos relacionados às práticas solidárias de geração de renda.