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FACULDADE LOURENÇO FILHO BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS Mayara Pontes Melo A GESTÃO FINANCEIRA EM MICRO

FACULDADE LOURENÇO FILHO BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Mayara Pontes Melo

A GESTÃO FINANCEIRA EM MICRO E PEQUENAS EMPRESAS: UM

ESTUDO APLICADO À INDÚSTRIA DE TEMPEROS TINA, NO

MUNICÍPIO DE CRATEÚS - CE

FORTALEZA - CEARÁ

2010

Mayara Pontes Melo

A GESTÃO FINANCEIRA EM MICRO E PEQUENAS EMPRESAS: UM ESTUDO APLICADO À INDÚSTRIA DE TEMPEROS TINA, NO MUNICÍPIO DE CRATEÚS - CE

Monografia apresentada à Faculdade Lourenço Filho, como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis, sob a orientação do Prof. Ms. Paulo Henrique Pierre Pessoa.

Fortaleza-Ceará

2010

Mayara Pontes Melo

A GESTÃO FINANCEIRA EM MICRO E PEQUENAS EMPRESAS: UM ESTUDO APLICADO À INDÚSTRIA DE TEMPEROS TINA, NO MUNICÍPIO DE CRATEÚS - CE

Monografia apresentada à Faculdade Lourenço Filho - FLF como requisito parcial para obtenção do título de Graduação em Ciências Contábeis.

Monografia aprovada em:

/ /

Prof. Ms. Paulo Henrique Pierre Pessoa Orientador

1º Examinador: Prof. Ms. Cristiano Melo Reinaldo

2º Examinador: Prof.ª Ms. Christiane Sousa Ramos

Prof. (a) Ms. Wagner Dantas Coordenador do Curso

3

Dedico este trabalho aos meus pais Fausto e Nilta, ao meu esposo Olavo e à minha filha Letícia que são a minha fonte permanente de apoio, amor e inspiração.

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pela liberdade de pensar, de desejar, de querer e optar. De não ser nada, mas de poder ter me tornado quem realmente sou. Ao meu orientador Paulo Henrique, pelas orientações, conhecimentos e apoio para a elaboração deste trabalho. Aos meus irmãos Osvaldo, Neudalha, Neto, Mara e Helano; aos meu sogro João Machado e à minha sogra Fátima pelo apoio, às amigas Érika, Jucimara, Daniele, Natália e Solânia pelo companheirismo presente nesta luta. Aos meus professores que sempre demonstraram sabedoria e ensinamentos para a vida. Aos meus colegas do curso de Contabilidade pela força e nossas amizades. Em especial ao meu irmão de coração João Filho (in memorian) que onde estiver torce por esta

conquista.

.

“De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre

A certeza de

Portanto devemos:

da queda um passo de

começando

que seremos interrompidos antes de terminar

Fazer da interrupção um caminho novo

dança

um encontro "

A certeza de que precisamos continuar

do sonho, uma ponte

do medo, uma escada

da procura,

Fernando Pessoa

6

RESUMO

O presente trabalho foi desenvolvido a partir da concepção de que a gestão financeira é de

fundamental importância para as micro e pequenas empresas. Consiste em um estudo de caso descritivo, tem como objetivo analisar o modelo de gestão financeira da empresa Temperos Tina, no Município de Crateús/CE, de modo a identificar se as práticas de administração financeira desenvolvidas pela empresa são apropriadas. O estudo inicia-se com uma fundamentação teórica sobre a contextualização das micro e pequenas empresas no Brasil, destacando a definição das micro e pequenas empresas, sua importância na economia brasileira, os fatores condicionantes do

sucesso dessas empresas. Em seguida é feita uma abordagem teórica da gestão financeira nas micro e pequenas empresas, com ênfase na Tesouraria e Controladoria. Na tesouraria enfoca o gerenciamento financeiro que inclui capital de giro, gestão de estoques, gestão de caixa e bancos, gestão de contas a receber e a pagar, gestão de fluxo de caixa e o gerenciamento de resultados. Na controladoria, enfatiza auditoria interna, custos, análise e formação de preços e o lucro. Além disso, faz também uma abordagem sobre o sistema SEBRAE, destacando o seu fundamento constitucional, infraconstitucional e a sua atuação em âmbito estadual e nacional. Com base nessa fundamentação teórica, foi possível proceder à análise documental e a elaboração do instrumento

de pesquisa para a coleta dos dados junto ao gestor da indústria Temperos Tina, no Município de

Crateús/CE. Os resultados da pesquisa demonstram que no modelo de gestão financeira da indústria Temperos Tina há necessidade de integrar todo o seu sistema de informática, modificar

algumas práticas financeiras utilizadas e adotar a gestão do fluxo de caixa como uma ferramenta gerencial no processo de tomada de decisões.

Palavras-chave: Indústria, Gestão financeira, Fluxo de caixa.

7

ABSTRACT

This work was developed from the conception that financial management is essential for the micro and small enterprises. It consists in a descriptive case study, which aims to analyze the financial management model used by Temperos Tina, in Crateús- CE, in order to identify if the financial management methods developed by the company are appropriate. A theoretical foundation about the contextualization of micro and small enterprise in Brazil is shown at first, focusing the definition of this kind of companies, its role in Brazilian economy and the conditioning factors related to the success of these enterprises. Then, a theoretical approach on financial management in such companies is done, with focus on treasury and controllership. Treasury focuses financial management which includes working capital, inventory, cash and bank management, payable and receivable accounts balance, cash flow and outcomes management. The controllership emphasizes internal audit, costs, analysis and formation of prices and profits. Besides, it approaches the SEBRAE system, featuring its constitutional and under constitutional foundation and its actuation on State and National spheres. Based on this theoretical foundation, it was possible to proceed with the documental analysis and the elaboration of a research tool for data collection along the Temperos Tina main manager, in Crateús-CE. The results of this research show that the model of financial management used by the reported company needs to integrate the entire technology information system and modify some financial methods used, also adopt the cash flow as a management tool in the making decisions process.

Key words: Industry Financial Management, Cash Flow,

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LISTA DE SIGLAS

AC - Ativo Circulante AP – Ativo Permanente ARLP – Ativo Realizável a Longo Prazo AUDIBRA – Instituto dos Auditores Internos do Brasil BB – Banco do Brasil

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social

CCL

– Capital Circulante Líquido

CEF

– Caixa Econômica Federal

CPV

– Custo dos Produtos Vendidos

DIESSE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos EPP – Empresa de Pequeno Porte

FENACON – Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS – Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social ME - Microempresa MPE’s - Micro e Pequenas Empresas PELP- Passivo Exigível a Longo Prazo RAIS – Relação Anual de Informações Sociais SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas SIMPLES- Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Micros Empresas de Pequeno Porte

SPC – Serviço de Proteção ao Crédito

TI – Tecnologia da Informação

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LISTA DE TABELAS E QUADROS

TABELA 1: Taxa de Mortalidade das MPE’s por regiões no Brasil

22

QUADRO 1: Critério e Classificação MPE’s de Acordo com o SEBRAE

17

QUADRO 2: Fatores Chave de Sucesso nas MPE’s

23

QUADRO 3: Estrutura Básica de uma DRE

37

QUADRO 4: Estrutura do Mapa Estratégico do SEBRAE

46

QUADRO 5: Estrutura Organizacional

52

QUADRO 6: Conceitos Econômicos e Financeiros

56

10

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

12

1.CONTEXTUALIZAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL

16

1.1 Definição de Micro e Pequenas Empresas

17

1.2 Importância das Micro e Pequenas Empresas na Economia Brasileira

19

1.3 Fatores Condicionantes ao Crescimento das Micro e Pequenas Empresas

21

2.

GESTÃO FINANCEIRA NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

25

2.1

Tesouraria

27

2.1.1 Gerenciamento Financeiro

29

2.1.2 Gerenciamento de Resultados

35

2.2

Controladoria

37

2.2.1 Auditoria Interna

38

2.2.2 Custos

39

2.2.3 Análise e Formação de Preços

40

2.2.4 Lucro

41

3.

SEBRAE

42

3.1 Fundamento Constitucional

42

3.2 Fundamento Infraconstitucional

43

3.3 Atuação do Sistema SEBRAE

44

3.4 Atuação do SEBRAE Nacional

47

3.5 Atuação do SEBRAE nos Estados

47

4.

METODOLOGIA

49

4.1 Natureza da Pesquisa

49

4.2 Instrumentos de Investigação

51

4.3 Perfil do Entrevistado

51

4.4 Caracterização da Empresa

51

11

5. ANÁLISE DA GESTÃO FINANCEIRA NA INDÚSTRIA DE TEMPEROS TINA

54

5.1 Capital de Giro

54

5.2 Gestão de Caixa e Bancos

54

5.3 Gestão de Estoques

56

5.4 Gestão de Contas a Receber

57

5.5 Gestão de Contas a Pagar

59

5.6 Gestão de Fluxo de Caixa

60

CONSIDERAÇÕES FINAIS

61

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

63

67

ANEXOS Questionário da Pesquisa

68

12

INTRODUÇÃO

Desde a Revolução Industrial, o uso de novas tecnologias de produtos e processos foi alterando-se, o que se refletiu no modo de produzir, como também o próprio modo de gerenciar a atividade econômica. Nessa perspectiva, a palavra de ordem para quem inicia ou pretende se manter em um negócio passou a ser a busca de vantagens competitivas. Não é mais suficiente se estabelecer no mercado para garantir a sobrevivência empresarial, é preciso identificar as oportunidades e ameaças, os pontos fortes e fracos da organização.

Considerando essas mudanças de perspectiva por parte dos empreendedores e administradores, assim como de perfil dos negócios, as transformações que se verificam no mercado de trabalho são reflexos das alterações que ocorrem na própria estrutura econômica mundial.

A ação empreendedora é fundamental para um desenvolvimento de um país, uma vez que é por meio dela que as riquezas são geradas. Os indivíduos que abrem um negócio são considerados empreendedores por oportunidade, necessidade ou por opção.

Dessa forma, as micro e pequenas empresas que desejam crescer, de forma estruturada e com boa saúde financeira, devem estar constantemente atentas à gestão das finanças. Torna-se necessário que o gestor estabeleça políticas e utilize práticas de gestão financeira que permitam à empresa conduzir seus negócios e aproveitar oportunidades.

Esse cenário evidencia que a organização e administração financeira são sempre componentes indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer empreendimento, pois através das práticas da administração financeira nas micro e pequenas empresas é possível ampliar o lucro, manter os fluxos das entradas e saídas de caixa sob controle e conhecer antecipadamente as épocas em que faltarão ou sobrarão numerário.

Além disso, uma administração financeira adequada permite obter novos recursos para planos de expansão, com base em estudos de viabilidade econômica e financeira.

Quando tratamos das micro e pequenas empresas, o suporte na área contábil-administrativa e financeira pode ser o fator responsável pelo sucesso ou falência desse empreendimento. Outros fatores como a complexidade nas legislações brasileiras, na burocracia existente e a própria falta de organização financeira da empresa, são aspectos que contribuem também, para o insucesso da empresa.

13

Assim, numa perspectiva breve e realista parece existirem dois mundos completamente diferentes, de um lado as grandes corporações envolvidas numa evolução constante buscando inovações, desenvolvendo novas teorias administrativas, derrubando paradigmas e instituindo outros. De outro lado, as MPE’s limitadas a conceitos ultrapassados, com visão míope do atual modelo econômico e pouco utilizando recursos de Tecnologia da Informação (TI).

Num contexto de alta competitividade de produtos e de um mercado consumidor exigente, uma empresa bem organizada e conhecedora de seus limites financeiros, estará mais preparada para se adaptar às mudanças internas e externas e assim poderá responder com mais rapidez ao mercado consumidor.

A Administração Financeira é de grande valia para as empresas de pequeno e médio porte,

tendo em vista que para que tenham um desempenho satisfatório é fundamental o uso de práticas financeiras apropriadas.

Diante do exposto, analisar o modelo de gestão financeira da empresa em estudo pode oferecer uma visão sobre o seu gerenciamento financeiro e o grau de sintonia entre as práticas financeiras adotadas e as exigências impostas pelo atual mercado globalizado. Esta pesquisa aborda o modelo de gestão financeira adotado por uma determinada empresa analisando suas práticas sob a visão de um referencial teórico.

Esse estudo se justifica pelo fato de que vivemos numa era de transformações rápidas. A globalização da economia, a crescente concorrência, a rápida obsolência tecnológica, as mudanças econômicas, políticas e culturais são fatos que influenciam diretamente o mundo dos negócios.

O planejamento e o controle dos recursos financeiros das empresas no atual momento

econômico tornaram-se uma das maiores preocupações das empresas, principalmente das micro e pequenas empresas que de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2005), representam em conjunto 99,2% das empresas formais no Brasil.

O sucesso empresarial demanda cada vez mais do uso de práticas financeiras apropriadas.

Dispor de informações precisas e atualizadas é fundamental para uma empresa sobreviver cada vez mais num mercado competitivo e estabelecer uma correta tomada de decisões por parte dos gestores de micro e pequenas empresas.

A contribuição teórica para este estudo consiste no fato de que os trabalhos que trata da

gestão financeira nas micro e pequenas empresas são escassos. A gestão financeira tem se tornado uma ferramenta eficaz para minimizar os efeitos das incertezas relativas a qualquer ramo de negócio e assim promover a longevidade organizacional. A contribuição teórica está, portanto, em

14

identificar e analisar os conceitos e práticas financeiras, a um campo de estudo específico, a Indústria Temperos Tina, situada no Município de Crateús – CE.

A contribuição prática da realização desta pesquisa é percebida na medida em que se

necessita identificar, de maneira competitiva, elementos objetivos que ajudem a Indústria

Temperos Tina a se estabelecer no mercado.

Portanto, a importância da pesquisa está em demonstrar que a gestão financeira favorece a eficiência e a eficácia dentro de todos os setores, funcionando como um fator controlador de receitas, despesas e de obtenção de recursos, para que as MPE’s se mantenham ativas no mercado, podendo assim garantir a competitividade.

Partindo do exposto, o trabalho tem como objetivo geral analisar as práticas utilizadas para a gestão financeira de uma indústria sob o método de estudo de caso.

Com base no objetivo geral, elaboram-se os seguintes objetivos específicos deste trabalho:

a) Identificar e analisar as práticas financeiras adotadas pela Indústria de Temperos Tina no Município de Crateús-CE;

b) Compreender o funcionamento dos departamentos da indústria, a sua interação e impacto de suas atividades quanto ao planejamento do fluxo de caixa.

c) Verificar se as recomendações estabelecidas pelo SEBRAE estão de acordo com as práticas financeiras adotadas pela empresa em estudo.

As Hipóteses estabelecidas para este trabalho são de que:

a) A empresa em estudo não faz uso de um planejamento financeiro, não havendo qualquer relativa previsão dos eventos financeiros.

b) A utilização do sistema de Fluxo de Caixa orçado não é adotado, portanto a empresa se restringe a efetuar registros de movimento de caixa.

c) As práticas financeiras estão sendo suficientes para um gerenciamento financeiro e que apenas requer um aprimoramento.

Esse trabalho trata-se de um estudo de caso realizado em uma Indústria em estudo com vista à caracterização do modelo de gestão financeira adotado. A metodologia da pesquisa efetivada no presente estudo caracteriza-se por ser: qualitativa, descritiva, estudo de caso, questionário e bibliográfica.

15

Para atingir os objetivos específicos realizaram-se instrumentos característicos de uma pesquisa qualitativa com o gestor da empresa, no qual “tem o objetivo de alcançar uma compreensão qualitativa das razões e motivações subjacentes em um determinado problema de pesquisa” (ROSALEN; SANTOS, 2004, p.9). A pesquisa bibliográfica caracterizou-se por ser feita coleta de informações através de análises em livros, internet e artigos e revistas. Realizou-se também um estudo de caso descritivo, em que foi feita análise documental, observação sistemática e fazendo-se o uso de coletas de dados através de questionário.

Os aspectos metodológicos deste trabalho serão abordados com mais profundidade em seção específica deste trabalho.

O presente trabalho foi estruturado em cinco capítulos. Onde o primeiro capítulo inicia-se

com o conceito de micro e pequena empresa, bem como sua importância na economia brasileira e apresenta uma discussão sobre os fatores condicionantes do sucesso das micro e pequenas empresas.

O segundo capítulo faz uma abordagem sobre a gestão financeira nas micro e pequenas

empresas, com ênfase nos processos de administração financeira: a tesouraria e a controladoria. Em seguida, faz incursão teórica sobre a tesouraria, caracterizando as ferramentas do gerenciamento financeiro (capital de giro, gestão de caixa e bancos, gestão de estoques, gestão de contas a receber, gestão de contas a pagar e gestão do fluxo de caixa e gerenciamento de resultados). Enfoca, também, os elementos caracterizadores da controladoria.

O terceiro capítulo faz um estudo sobre a atuação do SEBRAE (Serviço Brasileiro de

Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Brasil. O quarto capítulo aborda a metodologia utilizada neste estudo enfocando a natureza da pesquisa, os instrumentos de investigação, o perfil do entrevistado e em seguida descrevendo a

estrutura organizacional da empresa.

Por último são apresentadas a descrição, a análise dos dados e a conclusão do estudo realizado.

16

1

CONTEXTUALIZAÇÃO

BRASIL

DAS

MICRO

E

PEQUENAS

EMPRESAS

NO

As micro e pequenas empresas, empreendimentos com flexibilidade, capacidade de adaptação rápida a alterações do cenário econômico e se constituindo em agentes de mudança, assumem importância ascendente no processo de desenvolvimento, estas por sua vez, tornam-se a cada momento, de acordo com o SEBRAE (2003), mais representativas em todo mundo, tomando conta dos mercados globalizados e respondendo pela maior parte dos empregos oferecidos em todo mundo.

De acordo com Pinto (2002) as micro e pequenas empresas estão cada vez mais conquistando espaço, extraindo fatias de mercado que antes pertenciam às grandes organizações. Esse fato é devido a vários motivos, tais como: micro e pequenas empresas possuem mais agilidade, objetivos menos complexos, obedecem ao princípio “cliente individual”, comunicação interna mais ampla e burocracia em menor escala.

Devido ao alto grau de dinamismo presente no atual cenário econômico, as alterações no ambiente podem atingir as empresas de forma diferenciada de acordo com o seu porte, além de gerarem um aumento da competitividade. “As MPE’s estão mais vulneráveis e menos estruturadas para reagirem a esses impactos, diferenciam-se das grandes empresas em vários aspectos, não podendo ser tratadas da mesma forma” (WALSH e WHITE, 1981, p. 12; RESNIK, 1990, p. 76). As dificuldades que afetam as MPE’s podem ser enquadradas nas categorias mais diversas como gestão, ambiente, governo, empreendedorismo, recursos humanos, tecnologia da informação (TI) e produção (IBGE, 2003; TAVARES, 2000; MARTENS E FREITAS, 2002 e SEBRAE, 2003).

Segundo Neto e Júnior (2006) o mercado brasileiro é caracterizado pela presença de empresários empreendedores, que buscam obter êxito em suas investidas num ambiente permeado de complexidade. Apesar de acreditarem ser uma tarefa fácil, apenas pequena parte dos empreendedores brasileiros logram êxito em suas investidas como gestores. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), através de suas pesquisas sobre as taxas de mortalidade dessas empresas, revela que a falta de experiência e a carência de orientação técnica especializada enquadram-se como algumas das dificuldades enfrentadas pelas MPE’s.

Percebe-se, então, que apesar de existir fatores condicionantes à sobrevivência dessas empresas, estas tem contribuído bastante para alavancar a economia do país.

17

De acordo com o SEBRAE (2005) no Brasil, surgem cerca de 460 mil novas empresas por ano. A grande maioria é de micro e pequenas empresas. As áreas de serviços e comércio são as com maior concentração deste tipo de empresa. Cerca de 80% das MPE’s trabalham nesses setores.

Quanto ao crescimento e desenvolvimentos das MPE’s, segundo Indriunas (2008) desde os anos 90, grandes empresas instaladas no Brasil, acompanhando uma tendência mundial, incentivaram o processo de terceirização de áreas que não são consideradas essenciais para o seu negócio. Assim, começaram a surgir empresas de segurança patrimonial, de limpeza geral. Além disso, outras empresas menores, tentando fugir dos encargos trabalhistas altíssimos do país, optaram por dispensar seus funcionários e contratar micro e pequenas empresas. O Estatuto da micro e pequena empresa do Brasil, de 1999, já começou a facilitar essa política empresarial.

1.1 Definição de Micro e Pequenas Empresas

Segundo Montaño (1999), a microempresa é fruto de uma política de desburocratização, iniciada em 1979, para agilizar o funcionamento dos pequenos organismos empresariais. Mas seu reconhecimento foi somente em 1984 com a promulgação da Lei nº 7.256, conhecida como a Lei do Estatuto da Microempresa. Com ela os pequenos comerciantes passarem a ter benefícios como a simplificação do registro de empresas, a diminuição das exigências previdenciárias e trabalhistas em relação aos seus empregados, isenção de tributos além do apoio creditício.

Há algumas limitações básicas para que uma empresa seja considerada micro ou pequena empresa (MPE’s) no Brasil e, assim, usufruir de algumas vantagens desse status como, por exemplo, a inclusão no Super Simples. Atualmente, há pelo menos três definições utilizadas para classificar uma pequena ou micro empresa.

A definição, mais comum e mais utilizada, é a prevista na Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas (LC 123 de 2006). De acordo com essa lei, as microempresas são as que possuem um faturamento anual de, no máximo, R$ 240 mil por ano. As pequenas são definidas como empresas que devem faturar entre R$ 240.000,01 e R$ 2,4 milhões anualmente.

Outra definição vem do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2002). A entidade utiliza como parâmetro, para conceituar microempresa e empresa de pequeno porte, o número de funcionários, conforme o quadro a seguir

18

QUADRO 1: Critério e Classificação MPE’s de Acordo com o SEBRAE

Atividade/Porte

Microempresa

Empresa de Pequeno Porte

Indústria

1 a 19 empregados

20

a 99 empregados

Comércio

1 a 9 empregados

10

a 49 empregados

Serviço

1 a 9 empregados

10

a 49 empregados

Fonte: SEBRAE (2002)

O critério de classificação das MPE’s por número de pessoas ocupadas não leva em consideração as diferenças entre atividades com processos produtivos distintos, uso intensivo de tecnologia da informação (TI) e/ou forte presença de mão-de-obra qualificada, podendo ocorrer em algumas atividades a realização de um alto volume de negócios com utilização de mão-de-obra pouco numerosa, como é o caso do comércio atacadista, das atividades de informática e dos serviços técnico-profissionais prestados às empresas.

Já Órgãos Federais como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem outro parâmetro para a concessão de créditos. Nessa instituição de fomento, uma microempresa deve ter receita bruta anual de até R$ 1,2 milhão; as pequenas empresas, superior a R$ 1,2 milhão e inferior a R$ 10,5 milhões.

Além da definição legal das Micro e Pequenas Empresas (MPE), é importante ter em mente qual o perfil desse micro ou pequeno empresário, que é cada vez mais importante na estrutura capitalista atual. Genericamente, seu nome é o empreendedor.

As micro empresas e empresas de pequeno porte possuem dois regimes de tratamento jurídico diferenciado e simplificado: o da Lei nº 9.841 de 05/10/1999 (Estatuto a Micro e Pequena Empresa), aplicado aos campos administrativo, trabalhista, previdenciário, creditício e de desenvolvimento empresarial; e o da Lei nº 9.317 de 05/12/1996 (SIMPLES), aplicado no campo tributário. O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) está em vigor desde 1º de janeiro de 1997, estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art.179 da Constituição Federal de 1988. Constitui-se em uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta.

Micro Empresa (ME), para efeito do SIMPLES, é a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais).

19

Empresa de Pequeno Porte (EPP), para efeito do SIMPLES, é a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões quatrocentos mil reais).

Segundo a Fenacon (2010) a Câmara dos Deputados está analisando um projeto que prevê alterações no Simples Nacional. A proposta estabelece a inclusão de todas as atividades no Simples Nacional, mudanças no valor limite de faturamento para empresas cadastradas no programa, além da proibição de cobrança do ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) nas fronteiras.

1.2 Importância das Micro e Pequenas Empresas na Economia Brasileira

As Micro Empresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) são, hoje, em todo o mundo e, muito fortemente, no Brasil, segmentos importantes de inclusão econômica e social. O setor tem destacada participação no acesso às oportunidades de emprego e desenvolvimento econômico do país. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2005), os novos negócios estão fortemente concentrados nas micro e pequenas empresas (MPE’s), que em conjunto, equivalem a 99,2% das empresas formais e geram 60% dos empregos. Por gerar grande parte dos postos de trabalho e das oportunidades de geração de renda, as micro e pequenas empresas tornam-se o principal sustentáculo da livre iniciativa e da democracia no Brasil.

As MPE’s, empreendimentos com flexibilidade, capacidade de adaptação rápida a alterações do cenário econômico adéquam-se facilmente às mudanças econômicas, políticas e às peculiaridades regionais. Com essa fácil adaptabilidade contribuem com os avanços tecnológicos no país e com o desenvolvimento sustentável da comunidade a qual está inserida, incentivando o estímulo ao empreendedorismo. E ainda são as mais importantes fontes geradoras de tributos, alternativa de emprego formal e informal para uma grande parcela da força de trabalho excedente, que em geral possuem pouca qualificação que não encontram emprego nas empresas de maior porte (IBGE, 2003).

As micro e pequenas empresas responderam por mais da metade dos empregos formais criados no país entre 2000 e 2009 (SEBRAE, 2010). Foram mais de 9 milhões de vagas abertas no período, sendo que 4,86 milhões (54%) ficaram concentradas nas pequenas empresas, conforme

20

estudo do SEBRAE (2010), constante na terceira edição do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa cujos números apresentados referem ao período de 2008 e 2009.

Segundo a pesquisa, além de empregar metade da mão-de-obra do país, as micro e pequenas empresas estão cada vez mais fora das capitais. Quase sete em cada dez (69,7%) das microempresas do país estão no interior, enquanto esse número é de 61,3% no caso das pequenas. Incluindo as médias e grandes empresas, 69,1% dos estabelecimentos fogem das grandes cidades.

Ainda segundo SEBRAE (2010) as regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte dessas companhias (68% e 81,3%, respectivamente) no interior. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE diz que, esse dado reflete na maior concentração de cidades de médio e grande porte nestas regiões.

Na região Norte, por exemplo, onde os mercados se concentram nas capitais, existe um equilíbrio maior entre a localização dos estabelecimentos.

No que se refere ao emprego, o interior concentra 63,2% do emprego, quando considerado

o conjunto dos estabelecimentos. Isoladas apenas as micro e pequenas empresas, a participação das cidades interioranas no mercado de trabalho sobe para 64,9%.

Para as microempresas a ampliação foi de 3,8% ao ano, na comparação entre 2000 e 2009, enquanto nas pequenas empresas, o crescimento anual de acordo com o SEBRAE (2010), foi de 6,2%. No geral (considerando médias e grandes), o número de empresas aumentou a taxas de 4% ao ano.

Desde 2003, as micro e pequenas empresas passaram dos 5 milhões de estabelecimentos formais.

Do ponto de vista setorial, as micro e pequenas empresas do setor de comércio e de serviços representaram 87,5% do universo de estabelecimentos formais brasileiros. Nos serviços, essa participação foi de 29,8% para 32,2%, segundo SEBRAE (2010). A participação da indústria

e da construção ficou relativamente estável no período.

Ainda de acordo com o SEBRAE (2010), quando se considera a quantidade de empregos formais, verifica-se que no setor comércio, as micro e pequenas empresas responderam por 73,7% do emprego setorial em 2008. Na construção, estas empresas participam com aproximadamente 48,7% do emprego, seguindo-se dos serviços, com 42,9%, e a indústria com 42,5%.

21

Segundo o DIEESE (2009), a pesquisa leva em conta as estatísticas da Rais de 2008, publicadas no Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2009. Os cálculos tem como referência a base de dados produzida a partir dos critérios estabelecidos pelo SEBRAE.

De acordo com Lucena (2004, p. 37), “é importante ressaltar que as MPE’s que surgem hoje no Brasil são as maiores geradoras de empregos, é comum observar pessoas que deixam seus empregos para abrirem seu próprio negócio e caminham muito bem com suas empresas.”

As pequenas empresas prestam contribuições singulares a nossa economia. Fornecem uma parte desproporcional de novos empregos necessários para uma força de trabalho em crescimento (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997).

1.3 Fatores Condicionantes ao Crescimento das Micro e Pequenas Empresas

Apesar da crescente relevância das micro e pequenas empresas na economia brasileira, bem como seu papel social na redução das desigualdades entre indivíduos e regiões, elas, para sobreviverem ainda estão condicionadas a diversos fatores. Para Correia (2004), os principais fatores condicionantes ao crescimento do setor são:

● Difícil acesso ao crédito, por exemplo, alta taxa de juros e elevado custo de transação bancária, falta de garantias apropriadas e grau de endividamento;

● Ausência de fornecedores locais de insumos e componentes;

● Dificuldade de acesso a tecnologias, algumas delas importadas;

● Baixo nível de inovações e de qualidade dos produtos;

● Acesso a mercados, por falta de divulgação ou pelo alto custo da logística de distribuição;

● Baixo nível de informação e conhecimento;

● Baixo poder de barganha, devido ao pequeno poder de compra e reduzida parcela de mercado;

● Pouca iniciativa de ação coletiva, para aumentar as economias externas de escala (alianças e parcerias, associativismo);

● Deficiência nos sistemas de controle e planejamento financeiro;

22

● Baixo nível de qualificação dos recursos humanos;

● Pouco acesso a serviços de apoio a padronização e conformidade dos produtos;

● Limitada inserção internacional.

Fruto direto de tais dificuldades, é a elevada taxa de mortalidade que chega a 61% do total de micro e pequenas empresas logo no primeiro ano de atividade, de acordo com o estudo do SEBRAE (2003).

Segundo esse estudo, fatores como o empreendedorismo, desconhecimento de técnicas de administração e falta de recursos financeiros são alguns dos motivos que levam as MPE’s a apresentarem as maiores taxas de mortalidade no Brasil. A tabela seguinte mostra a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas por região e no Brasil.

TABELA 1: Taxa de Mortalidade das MPE’s por regiões no Brasil (2000-2002) %

Regiões

Ano de Constituição

Sudeste

Sul

Nordeste

Norte

Centro Oeste

Brasil

2002

48,9

52,9

46,7

47,5

49,4

49,4

2001

56,7

60,1

53,4

51,6

54,6

56,4

2000

61,1

58,9

62,7

53,4

53,9

59,9

Fonte: SEBRAE (2003)

Ainda segundo SEBRAE (2003) a pesquisa relata que as causas da alta mortalidade das empresas no Brasil estão fortemente relacionadas, em primeiro lugar, a falhas gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas econômicas conjunturais e tributação. As falhas gerenciais, por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta os dados importantes para o sucesso do empreendimento, como a existência de concorrência nas proximidades do ponto escolhido e a presença potencial de consumidores.

23

A pesquisa indicou também que os empresários denotam grande importância à falta de crédito para as operações de suas empresas já que são exigidas, na maior parte dos casos, garantias reais por parte dos bancos e das agências de fomento.

Essa pesquisa também destaca os fatores de sucesso apontados pelos empresários, divididos em três grupos. O primeiro grupo, das habilidades gerenciais, contém duas categorias, relacionadas ao conhecimento de mercado e da estratégia de vendas. Outro grupo é da capacidade empreendedora, que contém elementos como criatividade, aproveitamento das oportunidades, perseverança e liderança. Por último, a logística operacional contém critérios como a escolha de um bom administrador, uso de capital próprio, reinvestimento dos lucros na empresa e acesso a novas tecnologias.

Para Neto e Júnior (2006) os fatores condicionantes para o sucesso das MPE’s podem ser agrupados segundo determinadas dimensões tais como empreendedorismo, ambiente, recursos financeiros e organização. Os fatores expostos pelo autor podem ser descritos na tabela a seguir:

QUADRO 2: Fatores Chave de Sucesso nas MPE’s

Dimensão

Fatores Chave de Sucesso

Empreendedorismo

Parentes empreendedores

Experiência

Capacidade de aprendizagem

Controle da Situação

Tarefas bem definidas

Gestão eficaz do tempo

Ambiente

Estudo de mercado

Atividade

Estabilidade dos funcionários

Gestão eficaz da informação

Desenvolvimento de pesquisas em parceria

Penetração agressiva no mercado

Recursos Financeiros

Assunção de risco moderado

Obtenção de capital suficiente

Organização

Especialização dos funcionários

Delegação e participação na tomada de decisão

Fonte: Neto e Júnior (2006)

Resnik (1990, p. 76) afirma que “as pequenas empresas não são apenas pequenas grandes empresas”, onde essa diferenciação pode ser explicada devido ao fato de as MPE’s possuírem recursos limitados e serem vulneráveis a qualquer mudança dentro a empresa ou no ambiente do negócio.

É preciso lembrar que o mercado tende naturalmente impor restrições ao bom desempenho das empresas de menor porte. Assim, é essencial a existência de uma ampla e ativa política pública

24

de incentivo a essas unidades produtivas, que se destacam por serem imprescindíveis ao desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Tendo em vista a natural posição desfavorável das micro e pequenas firmas, a Constituição Federal estabelece, no seu artigo170, inciso IX, entre os princípios da ordem econômica, o “tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País”. Além disso, no seu artigo 179 determina que:

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-la pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei” (BRASIL, Constituição Federal, p.163)

Atualmente, o governo tem empreendido ações no sentido de minimizar os efeitos da burocracia, da carga tributária, além de disponibilizar recursos subsidiados e linha de financiamentos através de instituições financeiras como: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), para esses empreendedores.

Com relação à área tributária, a instituição do SIMPLES - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte é um ótimo exemplo de avanço em termos de incentivo às micro e pequenas empresas.

Em conclusão, segundo Drucker (1984, p.5), o sucesso pode não ser permanente. “Pois as empresas são criações humanas desprovidas de permanência real, devendo estas sobreviver além do período de vida do fundador, prestando a contribuição que deve à economia e à sociedade”. Este também relata que “perpetuar a empresa é tarefa básica que cabe ao espírito empreendedor - e a capacidade de consegui-lo pode muito bem constituir o teste mais definitivo para sua administração”.

25

2 GESTÃO FINANCEIRA NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Um dos grandes desafios para qualquer empresa, independente do tamanho, segmento, grupo econômico ou espaço geográfico de atuação, corresponde à obtenção de lucratividade na medida adequada à manutenção de suas atividades operacionais, geração de recursos suficientes para pagamento dos seus compromissos e suporte às estratégias de crescimento.

Independente do porte de cada organização, é necessário que as empresas desenvolvam controles financeiros adequados às suas necessidades, aos quais devem fornecer aos seus gestores informações mínimas necessárias para a mensuração dos resultados e avaliação das metas financeiras estabelecidas pela administração da entidade

A administração financeira constitui em uma ferramenta eficaz para aumentar a riqueza patrimonial de uma empresa, isto é, o sucesso nos negócios de qualquer empresa, seja ela instituição privada, pública, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos, depende de um bom planejamento financeiro. Todo tipo de movimentação de recursos dentro de uma organização deve ser de fundamental conhecimento do setor financeiro, pois é necessário verificar a viabilidade das movimentações de recursos para que a empresa não esteja deixando de ter maior lucro ou até mesmo prejuízo.

De acordo com Cheng e Mendes (1989) a gestão financeira pode ser definida como a gestão dos fluxos monetários derivados da atividade operacional, em termos de suas respectivas ocorrências no tempo. Ela objetiva encontrar o equilíbrio entre a rentabilidade (maximização dos retornos dos proprietários da empresa) e a liquidez (que se refere à capacidade de a empresa honrar seus compromissos nos prazos contratados). Isto é, está implícita na gestão financeira a busca do equilíbrio entre gerar lucros e manter caixa.

De acordo com Pinto (2002) geralmente sua função é direcionada a um alto executivo da empresa, denominado geralmente diretor financeiro ou vice-presidente de finanças. O vice- presidente de finanças coordena as atividades do tesoureiro e do controlador. A controladoria preocupa-se com a contabilidade financeira, com os pagamentos de impostos e com os sistemas de informação gerencial. A tesouraria responsabiliza-se pela gestão do caixa e da área de crédito da empresa, por seu planejamento financeiro, e pelos gastos de investimento. Nas Micro e Pequenas Empresas o administrador financeiro e o empreendedor costumam ser geralmente a mesma pessoa.

26

A base da empresa, seja de grande porte ou mesmo uma micro ou pequena empresa, está na

gestão financeira, pois a partir dela o gestor da empresa está habilitado a tomar decisões financeiras básicas acertadas, tais como: Investimentos, Financiamentos e Gestão de Resultados.

Lemes (1999), ao tratar sobre gestão financeira, elenca vários questionamentos que devem ser respondidos ao tomar suas decisões de investimentos, tais como:

Onde estão aplicados os recursos financeiros?

Quanto em ativos circulantes? Quantos em ativos permanentes? Em quais?

Qual a melhor composição dos ativos?

Qual o risco do investimento? Qual o retorno?

Quais as novas alternativas de investimentos existentes? Como decidir em quais investir?

Como maximizar a utilização dos investimentos existentes?

O que deveria ser descartado, reduzido ou eliminado, por não acrescentar valor?

Percebe-se, então, que nos investimentos a preocupação primordial diz respeito à avaliação e escolha de alternativas de aplicação de recursos nas atividades normais da empresa.

É, portanto, um conjunto de decisões visando dar à empresa a estrutura ideal em termos de

ativos – fixos e correntes – para que os objetivos da empresa como um todo sejam atingidos. Nessa

área, o enfoque básico é a obtenção do maior resultado (retorno) possível, dado o risco que os proprietários da empresa estão dispostos a correr.

Em

relação

respondidas:

aos

financiamentos,

o

mesmo

Qual a estrutura de capital?

De onde vem os recursos?

Qual a participação de capital próprio?

Qual a participação de capital de terceiros?

Qual o perfil de endividamento?

Qual o custo de capital? Como reduzi-lo?

autor

sugere

algumas

questões

a

serem

Quais as fontes de financiamento utilizadas e seus respectivos custos? Quais deveriam ser substituídas ou eliminadas?

27

Qual o risco financeiro?

Qual o sincronismo entre a velocidade de vencimento e a velocidade em gerar meios de pagamento?

Ainda segundo Lemes (1999) outra decisão financeira relevante é a gestão de resultados, também denominada política de dividendos, que envolve a necessidade de o administrador financeiro ter uma visão geral do negócio, pois a moderna gestão financeira pressupõe uma completa compreensão do funcionamento de cada um dos departamentos da empresa (finanças, marketing e vendas, produção) e sua interação e impacto sobre as decisões financeiras.

Nesse aspecto, é sugerido também resposta ponderadas para os seguintes questionamentos

Quais os resultados obtidos? Como mantê-los ou melhorá-los?

Qual o crescimento das vendas? E dos custos? E das despesas?

Qual a participação percentual dos custos e das despesas em relação às receitas?

Qual a margem líquida de vendas?

Quais os custos e quais despesas podem ser reduzidos?

Receitas obtidas estão compatíveis com os investimentos?

Os lucros tem atingido as metas estabelecidas? Como são comparados com os das melhores empresas do ramo?

Em termos funcionais, a administração financeira pode ser dividida em dois processos: o de tesouraria, que se ocupa da administração do caixa, do crédito e cobrança, dos estoques, da captação de recursos, do relacionamento com bancos e das contas a pagar; e o de controladoria que geralmente se realiza com as funções de contabilidade, custos, formação de preços, orçamentos e acompanhamento dos resultados.

2.1 Tesouraria

De acordo com Pinto (2002), a tesouraria é o órgão administrativo responsável pelo controle financeiro onde este controla todos os eventos ocorridos de movimentação financeira e a ocorrer na empresa, as contas de movimentação, aplicação e caixa; enfim, qualquer transação de entrada e saída financeira que possua um controle de saldo.

28

A administração do caixa compreende uma tarefa de suma importância para a empresa,

pois abrange as atividades de planejamento e controle das disponibilidades financeiras, que é a parcela do ativo circulante representada pelo depósitos nas contas correntes bancárias e aplicações financeiras e liquidez imediata.

A gestão de caixa é de suma importância para uma micro ou pequena empresa, pois sua

verdadeira força está no seu Fluxo de Caixa. Embora as vendas sejam fator determinante do sucesso empresarial, elas precisam ser transformadas em caixa e gerar caixa. Nesse sentido, é importante a existência de uma administração de crédito e cobrança eficaz.

Ainda segundo Pinto (2002) o administrador financeiro precisa fazer nítida distinção entre geração e caixa e de lucro da empresa, no que se aplica a diferenciação entre os conceitos Econômicos (Resultados) e o Financeiro (Fluxo de Caixa).

A previsão de caixa preparada pelo administrador financeiro somente terá sucesso com o

esforço conjunto dos vários departamentos da empresa. As previsões de vendas, as condições das vendas, incluindo prazos de recebimentos, são geralmente de responsabilidade do pessoal de vendas. Os gastos de produção são definidos com o auxílio do pessoal de produção e contabilidade de custos.

Para Pinto (2002) todos os demais departamentos envolvidos no processo da administração deverão proceder de forma evitar custos e despesas excessivas e procurar a maior receita para as suas atividades. Uma constante comunicação entre os diversos setores e o setor financeiro é fundamental para o sucesso do gerenciamento das disponibilidades.

De acordo com Kuster e Nogcz (2009, p. 7) com a entrada das diversas informações diárias e dos documentos internos provenientes do setor financeiro, inicia-se a fase de controle de dados relativos a:

1º) Movimentação Financeira

● Registro das entradas e saídas, de tal forma que se permita comparar as provisões com o

realizado;

● Conhecimento de todas as movimentações financeiras:

- Quais são as receitas e despesas?

- Em que datas irão ocorrer?

- Qual o meio de movimentação?

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- Se são constantes, diárias, semanais ou mensais.

2º) Controle do Pessoal

● Estrutura de Recursos Humanos existente, com determinação de suas peculiaridades relativas:

- Profissionais efetivos;

- Profissionais temporários;

- Trainees (estagiários).

● Despesas agregadas relativas a encargos trabalhistas, contribuições.

3º) Controle de máquinas, veículos e equipamentos

● Consumo de combustível e ou energia;

● Serviços executados;

● Manutenção preventiva;

● Manutenção corretiva;

● Peças e elementos controlados.

4º Controle de Estoques

● Entradas e saídas de insumos e matérias-primas;

● Níveis de estoque, datas de compra;

● Estrutura de armazenagem.

Com intuito de uma melhor compreensão, o item tesouraria está dividido em dois enfoques:

gerenciamento financeiro e gerenciamento de resultados.

2.1.1 Gerenciamento Financeiro

Normalmente a função de administrador financeiro na micro e pequena empresa, segundo Matias e Lopes Júnior (2002) é exercida pelo proprietário, e que por estar com excesso de atribuições, acaba por não desempenhar esta função com o cuidado necessário, além de não dispor de tempo e nem pessoal qualificado disponível.

30

Segundo Ramos (2010) o gerente financeiro deve ter uma visão holística da empresa para que possa enxergar todos os setores, a interatividade entre os mesmos, e criar controles internos eficientes, eficazes e efetivos para se antecipar aos futuros problemas.

Antonick (2004, p. 4) trata o desenvolvimento sustentável de uma MPE da seguinte forma:

A sustentabilidade econômica e financeira é elemento essencial para o sucesso da organização. O desenvolvimento sustentável de uma pequena e média empresa requer a definição de uma política realista, focada nas condições do mercado, em que as taxas de juros e os preços dos serviços cubram no mínimo os custos operacionais e financeiros, a inflação, os riscos inerentes ao negócio (inadimplência, roubos e perdas), depreciação e geração de excedente financeiro para investimento no aumento e expansão do próprio negócio.

Um gerenciamento financeiro adequado permite obter novos recursos para planos de expansão, é fundamental que o gestor adote controles financeiros básicos, tais como: controle de caixa e bancos, estoques, contas a receber e a pagar e fluxo de caixa, visando o equilíbrio financeiro da empresa.

Capital de Giro

O capital de giro é sustentáculo de todo negócio financeiro. Daí a importância de ser administrado em empresas de pequeno, médio e grande porte. Para Pinto (2002) o capital de giro é representado no balanço patrimonial pelo ativo circulante ou ativo corrente, onde a grande parte do tempo do administrador financeiro é destinada à solução de problemas como: financiamento de estoques, gerenciamento da inadimplência de clientes e administração das insuficiências de caixa. Os recursos de renovação rápida tais como estoques de matéria-prima e produtos que formam seu capital circulante, também são considerados como capital de giro.

os ativos correntes constituem o capital de empresa que circula até transformar-se em

dinheiro dentro de um ciclo de operações. Em vista dessa formulação, o curo prazo como duração desse ciclo de operações realmente varia conforme a natureza das operações ( Ele é, na verdade, o tempo exigido para que uma aplicação de dinheiro em insumos variáveis gire inteiramente, desde a compra de matéria-prima e pagamento de funcionários até o recebimento correspondente à venda de produto ou serviço proporcionado ao cliente, a partir do emprego de tais recursos. (SANVICENTE, 1997, p. 121)

) (

Gitman (1997, p. 522) conceitua que “capital de giro ou capital circulante líquido (CCL) é uma medida de liquidez calculada subtraindo-se o Passivo Circulante (PC) do Ativo Circulante (AC)”. Ilustrado pela fórmula: CCL = AC – PC.

Optando por esse cálculo, o foco fica centrado na liquidez corrente, podendo-se afirmar que quanto melhor a liquidez, melhor será o capital de giro da empresa. No entanto, há também outra forma de calcular o capital de giro com base nas fontes e aplicações, ou seja, nas contas não circulantes do balanço patrimonial.

31

Assim, o cálculo do capital de giro é determinado pela diferença entre as fontes (própria e de longo prazo) e as aplicações (permanentes e de longo prazo), ilustrado na fórmula CCL = (PL + PELP) – (ARLP + AP). Onde PL é caracterizado pelo Patrimônio Líquido, PELP por Passivo Exigível a Longo Prazo, ARLP por Ativo Realizável a Longo Prazo e finalmente AP é composto pelo Ativo Permanente. Tal método permite avaliar separadamente as fontes e aplicações do capital de giro, de modo que, para a empresa melhorar seu capital de giro, deverá diminuir suas aplicações (AP ou ARLP) ou aumentar suas fontes de longo prazo (PL ou PELP). Ambas as situações vão influenciar positivamente no capital de giro.

As duas formas de cálculo de Gitman (1997) denotam o mesmo valor de capital de giro, no entanto, a segunda (fontes e aplicações) permite uma interpretação mais detalhada e profunda. Considerando as fontes, o enfoque estará mais voltado para a decisão acerca de capitalizar com recursos próprios ou buscar recursos de longo prazo para investimento. Ao passo que se avaliando pelas aplicações, verificar-se-á a necessidade de reduzir o grau de imobilização.

Controle de Caixa e Bancos

É corrente entre os administradores que o controle das disponibilidades (caixa e bancos)

seja a área crítica da administração do capital de giro de uma empresa. Isso porque reúne toda a

movimentação financeira que ocorre diariamente, decorrente de compras e vendas, apurando-se o saldo final que poderá ser depositado em conta corrente no banco (caso a empresa a possua) ou deixado no caixa da empresa.

O correto dimensionamento dos recursos disponíveis pode ter impacto significativo na

questão da solvência da empresa. Afirma Gitman (1997, p. 598), que “o administrador precisa examinar detidamente o padrão de recebimentos e pagamentos diários da empresa, para estar certo de que há caixa suficiente para pagar as contas no vencimento”. Este controle tem como finalidade de manter o registro de todos os recebimentos e pagamentos da empresa que ocorram diariamente.

O preenchimento adequado do controle do caixa permite verificar o comportamento das

entradas da empresa, refletindo, com o passar dos anos, eventuais sazonalidade. Evento que, quando previsto, auxilia sobremaneira na administração dos recursos, uma vez que prevendo o período crítico de entradas, é possível programar adequadamente as saídas. Por sua vez, as contas

correntes devem ser controladas individualmente, ou seja, usar um controle para cada uma delas.

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Gestão de Estoques

Segundo Gitman (1997, p. 713), “os estoques são ativos circulantes necessários que possibilitam o funcionamento dos processos de produção e vendas com um mínimo de distúrbio e, como as duplicatas a receber, representam um investimento significativo por parte da maioria das empresas”.

Estes constituem aplicações da empresa, ou seja, podem representar uma parcela relevante aos ativos totais da mesma.

O controle dos estoques é de suma importância para as empresas, tanto em função do valor expressivo dos produtos mantidos em estoque quanto em relação ao ciclo operacional da empresa.

As contas a receber, assim como os níveis de estoque, dependem em grande parte do nível de vendas. Assim, enquanto as contas a receber surgem após as vendas, os estoques precisam ser comprados antes da realização das vendas.

Assaf Neto e Silva (2002, p. 143), destacam a importância do controle de estoques da seguinte forma:

Investimento em estoque é um dos fatores mais importantes para a adequada gestão financeira de uma empresa. Esta relevância pode ser conseqüência tanto da participação desse ativo no total de investimentos quanto da importância de gerir o ciclo operacional ou ambos os motivos.

Assim, denota-se que, apesar das MPE’s geralmente não terem o controle permanente dos estoques, é preciso mantê-lo sempre atualizado para fins de gerenciamento e tomada de decisão.

Para a administração do capital de giro das micro e pequenas empresas, especialmente as que trabalham com recursos limitados, o controle de estoque é de importância ímpar para um adequado desempenho financeiro e econômico, pois representa uma parcela substancial de seus ativos. Além disso, o seu controle pode proporcionar maior rapidez e qualidade no atendimento ao cliente.

Os estoques podem ser classificados de acordo com a sua natureza e finalidade. Braga (1991) traz uma classificação onde eles podem ser: Matérias-primas, materiais de embalagem, materiais de consumo, produtos em elaboração e acabados.

Matérias-primas são um dos itens que compõe o estoque de empresas industriais. É a partir delas que a empresa vai fabricar seu produto final. Os estoques já são os ativos circulantes menos líquidos, e os estoques de matérias-primas, destes são os que vão demorar mais tempo para serem convertidos em caixa.

33

Dimensionar a necessidade de materiais de embalagem é indispensável e, principalmente, os custos relacionados a elas, pois esses materiais são itens constituintes do produto final. Uma má administração desses itens pode fazer com que quantidades desnecessárias de embalagem sejam estocadas. É preciso ter um conhecimento da qualidade de produtos a serem fabricados no período, para então calcular a necessidade desse tipo de estoque.

Materiais de consumo são os itens que estão no processo de fabricação, mas que não são os itens principais. Seu custo pode ser relativamente pequeno, mas não deve ser desconsiderado.

Quando se fala em produtos em elaboração, estão incluídas as matérias-primas e os materiais de consumo. Nessa fase, a empresa tem gastos não só com os materiais empregados na produção, mas também com mão-de-obra e energia, por exemplo. Quanto mais tempo esses produtos passarem em elaboração, maior será o tempo para que a empresa venda e receba por eles.

Em empresas comerciais, os estoques são apenas de produtos acabados, pois o processo de fabricação já foi cumprido pela indústria. Na indústria, essa é a última fase de seus estoques. É nessa fase que as embalagens são acrescidas aos produtos que passaram pelo processo de fabricação, formando assim o estoque final. Este agora destinado à venda.

Controle de Contas a Receber

O controle de contas a receber consiste no registro e controle de todos os valores que terceiros devem à empresa, assim como procedimentos de cobrança, recebimento e quitação de títulos.

Iudicibus, Martins e Gelbcke (2003, p.95) afirmam:

As contas a receber representam, normalmente, um dos mais importantes ativos das empresas em geral. São valores a receber decorrentes de vendas a prazo de mercadorias e

serviços a clientes, ou oriundos de outras transações [

principal da empresa, mas são normais e inerentes às suas atividades.

que não representam o objeto

]

Devido ao volume e importância do acompanhamento, justifica-se a separação dos valores a receber relativos ao objeto principal da empresa, que são os clientes, das demais contas que são de outros créditos. A concessão de crédito é uma tradição nas relações comerciais das empresas, representando uma parcela significativa de seus ativos.

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Controle de Contas a Pagar

O controle de contas a pagar permite que o empresário fique informado acerca dos vencimentos de compromissos, quais pagamentos priorizar em caso de dificuldade financeira e o montante dos valores a pagar. Assim, esse controle visa a facilitar o acompanhamento de forma ordenada do valor total e/ou parcial dos compromissos assumidos, possibilitando uma visualização da situação financeira da empresa auxiliando assim ao controle do Capital de Giro.

De acordo com Iudicibus, Martins e Gelbcke (2003), as contas a pagar são valores decorrentes das obrigações contraídas pela empresa para o funcionamento do seu negócio. As obrigações da empresa são apresentadas no passivo exigível, que se subdivide em Passivo Circulante e Não Circulante. É comum a empresa utilizar-se dos fundos de seus fornecedores para satisfazer suas necessidades de dinheiro a curto prazo, exatamente por meio da compra a prazo, e quanto maior o prazo, melhor. Tal aspecto deve ser considerado a partir dos juros a serem cobrados ou dos descontos perdidos.

Assim, dada a importância da administração dos pagamentos, pode-se observar quanto ela contribui para a estabilidade financeira da empresa, principalmente das MPE’s que no geral trabalham com orçamentos apertados. A cada compromisso assumido perante terceiros deve ser gerado um documento que deve ser arquivado em ordem de vencimento e devidamente registrado na ficha de controle de contas a pagar.

Gestão de Fluxo de Caixa

Segundo Gitman (1997) e Matarazzo (2003) o fluxo de caixa é onde se obtém as entradas e saídas de caixa. Através dele a empresa será capaz de verificar a capacidade de pagamento por determinado período, se há possibilidades de pagamento por determinado período, se há possibilidades de investimentos, em qual data será melhor para se programar determinada compra, enfim é o orientador da empresa para sua tomada de decisão.

Conforme Santos (2001) o fluxo de caixa é um instrumento de planejamento financeiro que tem como objetivo fornecer estimativas da situação de caixa da empresa em determinado período de tempo à frente.

Para Zdanowicz (2004) o fluxo de caixa é denominado a seguinte forma:

Denomina-se fluxo de caixa de uma empresa ao conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período determinado. O fluxo de caixa consiste na representação dinâmica da situação financeira de uma empresa, considerando todas as fontes de recursos e todas as aplicações em itens do ativo (Zdanowicz, 2004, p. 37).

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Na opinião de Zdanowicz (2004), o administrador financeiro poderá através do fluxo de caixa visualizar em que momentos poderão ocorrer as possíveis dificuldades financeira ou até mesmo, folgas financeiras.

A expressão fluxo de caixa apresenta duas formas de entendimento: “(a) o fluxo de caixa

passado, isto é, aquele que já foi realizado; e (b) o fluxo de caixa previsto, ou seja, previsão de caixa que abrange um período futuro.” (Silva, 1998, p.261).

Situações de dificuldades financeiras acontecem em todas as empresas, seja no início de suas atividades, ou no decorrer de seu desempenho. Gitman (1997) fala que o fluxo de caixa permite visualizar com antecedência as necessidades financeiras.

2.1.2 Gerenciamento de Resultados

Segundo Longo (2001) os controles financeiros e controles do gerenciamento de resultados devem ser desenvolvidos simultaneamente. Não se deve administrar a empresa apenas pelo caixa, assim como também apenas com informações de uma apuração de resultados.

A obtenção de lucro na atividade empresarial retrata que a empresa em condições de

continuidade e crescimento do negócio. É preciso, apenas, assegurar-se se não há incorreções nos resultados apurados, informações parciais, em duplicidade e lucros fictícios.

Longo (2001) também evidencia que relatório de Demonstração de Resultado do Exercício – DRE permite que a empresa conheça a sua situação econômica, antes de transformar-se em caixa, portanto, o resultado econômico (lucro ou prejuízo) antecipa a situação de sobra ou falta de caixa.

É sabido que se o gestor não tem conhecimento do resultado econômico, lucro ou prejuízo,

oriundo das atividades desenvolvidas pela empresa, todas as decisões podem estar comprometidas.

Modelo de Apuração e Gerenciamento de Resultados

Segundo Longo (2001) a estrutura de contas segue a padronização contábil, partindo da receita bruta do período, em geral mensal, e posteriormente são feitas deduções e abatimentos relativos aos gastos (custos e despesas). Para a apuração de resultados deve-se seguir o regime de competência. A seguir estão mais bem detalhados os componentes do relatório:

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a) Receitas: decorrente das atividades de um período, vendas (de produtos ou mercadorias),

prestação de serviço, o período de apuração é normalmente mensal;

b) Custos variáveis: são alocados nesta etapa os custos com comportamento variável em relação ao aumento ou diminuição de receitas;

c) Margem de contribuição: no relatório obtém-se a primeira margem de contribuição, que

se refere ao confronto da receita total e os custos variáveis. Por uma preocupação estritamente técnica, as despesas variáveis de vendas são separadas das demais despesas de vendas, pois estas tem comportamento diferenciado das demais. Nesta segunda etapa, portanto, é que se obtém a margem de contribuição fina (segunda margem de contribuição), que deverá absorver todos os demais gastos fixos e margem planejada do lucro;

d) Despesas fixas: são as de vendas, administração e resultados financeiros, que possuem

um comportamento fixo em relação a oscilações da receita;

e) Resultado operacional: refere-se ao lucro/prejuízo obtido com o desenvolvimento das

atividades-afins da empresa; e

f) Outras contas: para a obtenção de um resultado completo da empresa, se existirem,

devem ser consideradas as atividades não operacionais e impostos sobre o lucro.

Longo (2001) observa-se que esta estrutura foi proposta para uma empresa mercantil, porém pode agregar as contas de custos fixos e ser adaptada para indústrias e empresas de serviços.

Segue um quadro com os principais elementos de uma DRE com uma visão geral.

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QUADRO 3: Estrutura Básica de uma Demonstração de Resultado do Exercício

Vendas (Receita) (-) Custos para produzir ou adquirir um produto ou serviço (custos variáveis)

= Lucro Bruto (margem de contribuição)

(-)

Despesas

operacionais:

despesas

de

marketing,

vendas,

administraçã

despesas gerais

= Lucro operacional (renda antes de juros e impostos) (-) Despesas de juros

= Lucros antes de impostos (-) Impostos

= Lucros após Impostos

Fonte: LONGENECKER, MOORE, PETTY (1997, p. 109)

A apuração gerencial de resultados e suas projeções possibilitam a obtenção de informações a respeito das receitas, dos custos, das despesas e resultados, de uma forma analítica e sem estimativas.

2.2 Controladoria

Segundo Johnsson e Francisco Filho (2009), a controladoria enquanto ramo do conhecimento, apoiada em informações contábeis e numa visão multidisciplinar, é responsável pela modelagem, construção e manutenção de sistemas de informações e modelos de gestão das organizações, que supram adequadamente as necessidades informativas dos gestores e os conduzam durante o processo de gestão.

De acordo com Meirelles Júnior (2004), a controladoria tem por objetivo a elaboração de relatórios gerenciais bastante detalhados, procurando fornecer aos empresários uma visão clara, real e objetiva do desempenho econômico-financeiro de suas empresas, além de realizar a gestão dos aspectos econômicos da empresa.

Para Lemes Júnior (1999, p.239), “controladoria é o processo de planejamento econômico- financeiro que visa assegurar o alcance dos objetivos estabelecidos pelos proprietários da empresa”.

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A área de Controladoria abrange as funções de contabilidade, orçamento, custos, formação

de preços e acompanhamento dos resultados. A contabilidade é a função mais importante da controladoria e se constitui num elemento-chave para a gestão financeira das MPE’s, através de técnicas de análise de demonstrativos contábeis, contabilidade de custos e administração financeira, o departamento de controladoria converte os números da contabilidade para um formato acessível, que favoreça a utilização dos relatórios gerenciais como instrumento para a tomada de decisões.

Os autores Santos (2001) e Lemes Júnior (1999) consideram várias funções principais de controladoria na PME, entre elas estão: auditoria interna, custos, preços e administração do lucro.

2.2.1 Auditoria Interna

Para Santos (2007) a Auditoria Interna é uma atividade de avaliação independente e de assessoramento da administração, voltada para o exame e avaliação da adequação, eficiência e eficácia dos sistemas de controle, bem como da qualidade do desempenho das áreas, em relação às atribuições e aos planos, às metas, aos objetivos e às políticas definidos para as mesmas.

Segundo a AUDIBRA (Instituto dos Auditores Internos do Brasil) a Auditoria Interna tem por missão básica, assessorar a Administração, no desempenho de suas funções e responsabilidades, através do exame da:

● adequação e eficácia dos controles;

● integridade e confiabilidade das informações e registros;

● integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância de políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos e sua efetiva utilização;

● eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos; dos

procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e a comprovação de sua existência, assim como a exatidão dos ativos e passivos;

● compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos;

39

● assessorar e aconselhar a direção, em todos os níveis, fazendo recomendações sobre diretrizes, planos, sistemas, procedimentos, operações, transações etc., visando, entre outros resultados:

- simplificar procedimentos e, portanto, otimizar os custos;

- melhorar a execução e a eficiência das áreas;

- corrigir problemas organizacionais, funcionais ou operacionais;

- otimizar a aplicação da legislação fiscal e seus custos;

- melhorar a qualidade e velocidade de informações para tomada de decisões gerenciais.

2.2.2 Custos

Santos (2001, p. 163) destaca a contabilidade de custos como sendo,

Um método de apuração de custos com base na técnica contábil. Representa uma extensão da contabilidade tradicional, também chamada contabilidade financeira e, por isso, requer a realização de lançamentos contábeis, a observação dos princípios contábeis e da legislação específica.

A apuração, análise e controle de custos geram informações necessárias à tomada de

decisão, como precificação, definição da carteira de produtos e serviços, além da avaliação

econômica de novos projetos de investimentos.

Segundo Cestare e Peleias (2005) as MPE’s não possuem um sistema de custo nos moldes tradicionais, é possível apurar seus custos por meio de sistemas de custeio especiais. A apuração extra contábil de custos pode produzir as informações de custo para apoio à tomada de decisão na empresa quando ela não dispõe da contabilidade de custos tradicional.

A apuração de custos numa empresa pode ser efetuada com objetivos contábeis e fiscais

para apoiar a tomada de decisão. Sendo os principais métodos: custeio por absorção integral (para fins contábeis e fiscais), custeio direto e custeio ABC.

40

2.2.3 Análise e Formação de Preços

A determinação do preço do produto é uma questão muito relevante para a empresa. Os resultados financeiros da empresa dependem do preço de venda adequado e ou estipulado por ela.

De acordo com Hoji (2003, p.320):

Qualquer que seja a abordagem de fixação do preço de venda, dentro das estratégias e políticas estabelecidas, as empresas analisam diversos aspectos para maximizar o lucro, tais como análise da elasticidade do preço, aspectos mercadológicos, market share, função social o produto.

Por mais impositivo que seja o preço de mercado, a empresa não deve vender um produto que gera retorno negativo no longo prazo, a não ser que tenha objetivos estratégicos ou outras vantagens e interesses. (HOJI, 2003).

Muito produto lançado no mercado após vários testes mercadológicos, acrescenta o autor, não atendem as expectativas, em razão da não consideração de variáveis que são impossíveis de ser previstas, dentre elas: mudança cultural ou hábito dos clientes, entrada de forte concorrentes no mercado e mudanças bruscas das condições econômicas.

As formas mais comuns de formação de preço, segundo o autor são:

a) Formação de preço com base no custo: é um método tradicional de formação de preço,

em que as empresas calculam o valor de venda mediante a seguinte equação. Preço de venda = custos + despesas + lucros. Uma vez calculado o custo do processo produtivo, adicionam-se os

impostos, as despesas e o lucro desejado.

b) Formação de preço pelo método do Mark-up: Mark-up, para Hoji (2003), é uma taxa

predeterminada que se adiciona sobre a base, com o objetivo de determinar o preço de venda. Quando se aplica o mark-up em indústrias, acrescenta o autor, os cálculos são feitos com base no custo de produção.

c) Formação do preço com base no mercado: existem produtos com qualidade semelhantes,

e a competitividade do mercado se dá pelo preço. Então o enfoque da equação do preço de venda segue-se diferente ao enfoque do preço com base no custo, pois parte da equação de que: lucro = preço de venda – custos – despesas, considerando-se que o valor de venda é fornecido pelo mercado.

Ainda segundo Hoji (2003) a empresa deve sempre estar atenta ao seu custo total e despesas, pois como fala o autor, a empresa não deve vender um produto que gera retorno negativo

41

no longo prazo, mas como vantagem competitiva a empresa deve ser grande conhecedora do mercado.

Hoji (2003, p.321), afirma também que:

O conhecimento do mercado permite a empresa à ajustar-se com mais rapidez às novas condições do mercado e praticar preços que mais lhe convenha. A formação do preço de venda poderá partir de qualquer base, sendo ela o custo ou o mercado, desde que não ocasione retornos negativos à empresa.

2.2.4 Lucro

Segundo Pinto (2002) o planejamento do lucro consiste na elaboração de previsões de resultados com o objetivo de gerar informações ou estabelecer metas. O objetivo da análise do lucro é avaliar o resultado, comparando-o com padrões ou metas estabelecidas, enquanto o controle do lucro destina-se a corrigi-lo quando for insatisfatório. Sendo assim, o lucro de uma empresa é administrado com base nas funções de planejamento, análise e controle.

O autor afirma que o processo de administração do lucro não se restringe ao resultado global da empresa, podendo abranger a rentabilidade de produtos, serviços, atividades e unidades organizacionais.

Com o planejamento do resultado, dá-se o início à administração do lucro para algum período de tempo à frente, geralmente o ano civil. Uma vez, não se apresentando em níveis aceitáveis, é exigido medidas de maior controle. (PINTO, 2002)

Enfim, a análise do lucro tem um campo maior de utilização porque sua aplicação não está restrita à própria empresa, pois credores, parceiros comerciais e investidores também necessitam analisar o resultado da empresa.

42

3 SEBRAE

Segundo Gazone et. al. (2010) o termo SEBRAE tem como significado Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e foi originado após o Decreto 99750/90, que permitiu desvincular da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (CEBRAE).

Ainda segundo o autor, com a sua forma definitiva trazida pelo tal decreto, aparece em 1990 com o objetivo de entidade privada, com intenso interesse público não possuindo fins lucrativos e com a intenção de abertura e extensão dos pequenos negócios gerando emprego e renda pela via do empreendedorismo.

O SEBRAE atua em todo território nacional, estando presente em seus 26 estados e

também no Distrito Federal, cada entidade se adéqua às condições regionais encontradas, para que

a dissipação de sua meta (incentivo e capacitação de microempresários) seja possível em meio a diferentes âmbitos sociais.

3.1 Fundamento Constitucional

Para a criação do SEBRAE (advindo do Decreto 99750/90 e consolidado com a lei 8029/90) há necessidade de embasamento legal para que se tenha validade.

Assim, com o artigo 24 da Constituição Federal de 1988, encontra-se o disposto “Compete

à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre, I- direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico”

Gazone et. al., (2010) caracteriza que, Direito Econômico é o ramo do Direito que se compõe das normas jurídicas que regulam a produção e a circulação de produtos e serviços, com vista ao desenvolvimento econômico do país jurisdicionado, especialmente no que diz respeito ao controle do mercado interno, a luta e a disputa lá estabelecida entre as empresas, bem como nos acertos e arranjos feitos para explorarem o mercado. São normas, portanto, que regulam os monopólios e oligopólios, fusões e incorporações, tentando impedir a concorrência desleal, a manipulação de preços e mercado pelas corporações, através da maior transparência e regulação do assunto.

43

Ainda segundo ele, Nosso estado como espelho do neoliberalismo adotado, visa manter a estabilidade das bases econômicas do país, dessa forma há a prática da privatização de empresas Públicas, como foi o caso do CEBRAE que passou ao âmbito privado e adotou a nomenclatura de SEBRAE.

Sob

o

aspecto

constitucional

ainda

outros

artigos

que

dispõem

sobre

a

ordem

econômica.

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna,conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis

brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá,

na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este

determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias,previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei.

3.2 Fundamento Infraconstitucional

Segundo Gazone et. al., (2010) além da previsão constitucional, outras legislações trazem especificações quanto às Microempresas. Por exemplo, o artigo 970 do Código Civil que estabelece que “A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes”

O pequeno empresário recebe auxílio para que sua empresa se desenvolva de forma firme e consiga futuramente estabilidade para ampliar-se e conceder maior empregabilidade e giro de recursos e capitais.

O mesmo autor afirma que, não apenas o Código Civil, mas também a Lei 8.029 de 12 de abril de1990 é responsável por especificar a atuação da entidade SEBRAE criada a partir do Decreto 99750/90.

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LEI N° 8.029, de 12 de abril de 1990

Dispõe sobre a extinção e dissolução de entidades da Administração Pública Federal e dá outras providências

O Presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreto e sanciono a

seguinte Lei:

Art. 8° - É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal,

o Centro Brasileiro de Apoio a Pequena e Media Empresa - CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo.

§1° - Os Programas de Apoio às Empresas de Pequeno Porte que forem custeados com recursos da União passam a ser coordenados e supervisionados pela Secretaria Nacional

de Economia, Fazenda e Planejamento.

§2° - Os Programas a que se refere o parágrafo anterior serão executados, nos termos da legislação em vigor, pelo sistema CEBRAE/CEAGs, através da celebração de convênios e contratos, até que se conclua o processo de autonomização do CEBRAE.

§3° - As contribuições relativas às entidades de que trata o art. 1° do Decreto-lei no 2.318,

de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até três décimos por cento, com

vistas à financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas.

§4° - O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE.

Gazone afirma também que:

“O adicional do qual o §4º do art. 8º da Lei 8029/90 se refere é o fundo extraído da folha de pagamento de grandes empresas (INSS) e destinado ao SEBRAE como forma de financiar a entidade, já que esta auxilia o meio público através de palestras e capacitações e não encontra em sua fundação meio de sustentabilidade próprio (entidade sem fins lucrativos).” Gazone et. al. (2010, p.4)

3.3 Atuação do Sistema SEBRAE

Segundo Nogueira e Santos (2010) os pequenos negócios são o público alvo de atuação do SEBRAE. A instituição tem como missão promover a competitividade e fomentar o desenvolvimento sustentável das empresas de pequeno porte, mesmo não tendo como foco a obtenção de lucros financeiros, mas por ansiar por resultados mais efetivos de sua atuação, também busca a melhoria contínua na gestão de seus recursos financeiros.

Para realizar sua missão, o SEBRAE busca criar um ambiente favorável às micro e pequenas empresas, formais e informais, através de estratégias que visam minimizar cinco grandes limitadores da competitividade e sustentabilidade das MPE’s, que são: carga tributária, burocracia, acesso ao crédito, tecnologia e conhecimento. (NOGUEIRA e SANTOS, 2010).

45

São ações do SEBRAE: a ampliação do acesso das micro e pequenas empresas, formais e informais, a crédito e demais serviços financeiros e, redução dos custos destes serviços financeiros. Segundo Nogueira e Santos (2010) a atuação do SEBRAE parte do princípio de que os problemas de acesso a serviços financeiros enfrentados pelos pequenos negócios só podem se as soluções estiverem interligadas ao sistema financeiro. Portanto o papel da instituição é contribuir para uma infra-estrutura financeira adequada ao atendimento das MPE’s.

O direcionamento estratégico do SEBRAE tem como objetivo orientar o planejamento e as ações das unidades estaduais do SEBRAE e do SEBRAE Nacional, estabelecendo de maneira sistematizada um caminho para inserção das MPE’s no mercado, mediante a um conjunto de políticas e estratégias formuladas com base no diagnóstico das peculiaridades regionais e dos objetivos projetados.

Em virtude das importantes mudanças que aconteceram no cenário econômico e social no Brasil no período entre 2000 e 2009 (de acordo com dados do IBGE, 2010), o SEBRAE teve que rever suas estratégias e estabelecer novas prioridades institucionais, aprimorando o processo de gestão da estratégia do sistema, estabelecendo uma conexão mais direta entre objetivos estratégicos, os indicadores, as metas institucionais e os programas estruturantes, consolidando definitivamente o modelo de gestão orientado para os resultados do sistema SEBRAE. (SEBRAE,

2009)

 

As premissas para elaboração do Sistema Estratégico do SEBRAE foram as seguintes:

Partir da missão institucional do Sistema de “Promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das MPE e fomentar o empreendedorismo”.

Utilizar um processo participativo e inclusivo de formulação da estratégia para captura de idéias e pontos de vista de dirigentes e profissionais do SEBRAE de todo o País e das partes interessadas do Sistema, tais como representantes dos empreendedores, dos pequenos negócios, do governo, das universidades e de outras entidades e parceiros.

Contar com um método que traduza a estratégia do Sistema SEBRAE de forma consistente e que possibilite um monitoramento efetivo dessa estratégia por meio de objetivos, indicadores, metas e programas estruturantes.

Propor uma metodologia de alinhamento entre o Direcionamento Estratégico das unidades do SEBRAE e os objetivos estratégicos, os indicadores, as metas e os programas estruturantes do Sistema SEBRAE.

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Sistematizar um método para o Direcionamento Estratégico que possa ser replicado e se torne um processo contínuo no âmbito do Sistema SEBRAE.

No quadro a seguir podemos verificar a estrutura do mapa estratégico do SEBRAE.

QUADRO 4: Estrutura do Mapa Estratégico do SEBRAE

a estrutura do mapa estratégico do SEBRAE. QUADRO 4: Estrutura do Mapa Estratégico do SEBRAE FONTE:

FONTE: SEBRAE (2009)

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3.4 Atuação do SEBRAE Nacional

O SEBRAE Nacional é composto pelas seguintes atribuições (SEBRAE, 2010):

Apoiar projetos inovadores e geradores de metodologias e conhecimento nos setores do comércio, indústria, serviço e do agronegócio;

Desenvolver, testar e disseminar metodologias para atendimento das necessidades e características específicas do setor de comércio, indústria, serviços e do agronegócio;

Prestar informações necessárias aos SEBRAE/UF;

Orientar e apoiar as estratégias dos SEBRAE/UF na implementação das estratégias de atuação;

Fazer parcerias de âmbitos nacionais e internacionais de modo a auxiliar as atividades do SEBRAE/UF; e

Coletar, enviar, disseminar e relacionar informações de âmbitos nacional e internacional a respeito dos setores do comércio, indústria, serviços e do agronegócio.

3.5 Atuação do SEBRAE nos Estados

São atribuições dos SEBRAE/UF (SEBRAE, 2010):

Buscar informações sobre quais são os segmentos do setor de comércio, indústria e serviços que necessitam de apoio em seus estados e que estão minimamente organizados para que se possa dar início a projetos de parceria;

Definir segmentos que poderão ser apoiados com base em informações e critérios que subsidiem a tomada de decisão;

Reunir os principais interessados de um determinado segmento a fim de entender as necessidades, características e, se possível, traçar estratégias futuras de atuação;

Formular uma estratégia de atuação para cada segmento que se decida apoiar;

Formular e coordenar projetos de apoio aos setores de comércio, indústria e serviços;

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Buscar apoio de associações empresariais, do governo local, de universidades e institutos de pesquisa; e

Estabelecer um canal de comunicação direto entre os SEBRAE/UF e o SEBRAE/NA para que, com base em experiências bem sucedidas, os estados possam propor ferramentas/metodologias que tenham apresentado bons resultados junto aos determinados segmentos.

Portanto, o SEBRAE atua como uma instituição privada sem fins lucrativos e conta com a ajuda do governo federal para que a economia do país cresça com suporte das micro e pequenas empresas para geração de uma melhor distribuição de rena e empregos.

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4 METODOLOGIA

A pesquisa foi trabalhada dentro do enfoque qualitativo adotando o método estudo de caso tendo como suporte um questionário para adquirir informações com a finalidade de conhecer a natureza das práticas financeiras adotadas pela Indústria de Tempero Tina.

4.1 Natureza da Pesquisa

Segundo Gil (2000, p.41) “é sabido que toda e qualquer classificação se faz mediante algum critério”. E, portanto admitem-se diferentes critérios para se classificar uma pesquisa, sendo que as classificações mais comuns levam em consideração os objetivos, os procedimentos e abordagem do problema.

A metodologia utilizada para a realização deste estudo toma como base a sistemática apresentada por Beuren et. al. (2009) que a qualifica em três categorias: - quanto aos objetivos – concentrou-se no tipo descritiva; - quanto à abordagem do problema – fez-se a análise dos dados a partir de pesquisa predominantemente qualitativa, - quanto aos procedimentos – utilizou-se o método estudo de caso e pesquisa bibliográfica.

Para atender os objetivos estabelecidos no presente estudo, optou-se pela pesquisa descritiva que, de acordo com Rudio (2010, p.55) como um estudo que procura “conhecer e interpretar a realidade sem nela interferir para modificá-la”.

Sobre essa modalidade de pesquisa, Vergara (1997, p.45) afirma que ela “expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno”, podendo, também, “estabelecer correlações entre variáveis e definir sua natureza. Não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação”.

Para a realização da pesquisa descritiva, primeiramente deverá ser observada a movimentação financeira da empresa visualizando a sua forma de gerenciamento através de controles financeiros básicos tais como: controle de caixa e bancos, estoques, contas a pagar e a receber etc.; e posteriormente o procedimento de coleta dos dados financeiros e econômicos, para, somente então, realizar a análise dos mesmos.

Quanto à abordagem do problema utilizou-se da pesquisa qualitativa, que segundo Richardson et. al. (1999, p.90) “é o que se desenvolve numa situação natural; é rico em dados

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descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada”.

Os procedimentos referem-se à maneira pela qual se obtém os dados, isto é, o delineamento adotado para sua coleta que será e a pesquisa bibliográfica o estudo de caso. Segundo Cervo e Bervian (1983) a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte e uma pesquisa descritiva experimental. Em ambos os casos, busca conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado existentes sobre determinado assunto, tema ou problema.

Segundo Lakatos e Marconi (2005, p. 185), “a pesquisa bibliográfica abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao estudo e com finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo que já foi dito sobre determinado assunto”. Neste estudo, foi realizada pesquisa sobre as micro e pequenas empresas abordando a sua contextualização, o processo de gestão financeira e as suas recomendações estabelecidas pelo SEBRAE.

Quanto ao estudo e caso Beuren et. al. relata que este “é caracterizado principalmente pelo estudo concentrado em um único caso, onde os pesquisadores desejam aprofundar seus conhecimentos em determinado caso específico”, e como preceituam Lakatos e Marconi (2006,

qualquer caso que se estude em profundidade pode ser considerado representativo

de muitos outros ou até de todos os casos semelhantes [

investigação na qual examina e analisa um fenômeno em seu estado natural se escolheu este

método para ser aplicado numa microempresa.

Por representar uma estratégia de

p.108), que “[

]

]”.

O estudo faz a utilização também do questionário no qual de acordo com Martins (2006, p.36) caracteriza-se “por ser um conjunto ordenado e persistente de perguntas a respeito das variáveis e/ou situações em que se deseja medir ou descrever”. Bello (2004) relata que numa pesquisa, por ser um instrumento de coleta de dados, sua confecção deverá ser feita pelo pesquisador e seu preenchimento é realizado pelo informante.

De acordo com Beuren et. al. (2009), são várias as ferramentas de coletas de dados disponíveis: observação, questionários, entrevistas, checklist, análise documental e outras. Neste estudo, as ferramentas utilizadas foram questionário, análise documental e a observação sistemática.

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4.2 Instrumentos de Investigação

O presente estudo utiliza, portanto, uma pesquisa caracterizada como descritiva, onde os

dados foram colhidos através de livros, artigos científicos e análise documental. Foi realizada

também uma observação sistemática na empresa em estudo, onde utilizou-se também de um questionário direcionado ao gestor da empresa.

4.3 Perfil do entrevistado

O entrevistado, através de questionário, foi a proprietária da indústria Temperos Tina,

Altina Marques Soares. Ela e o gerente, Sr.Antonio Osvaldo Pontes Melo, administram as e tomam as decisões relativas ao funcionamento da empresa. A mesma relatou que não tinha experiência nesse tipo de atividade econômica antes de constituir a referida empresa.

O conhecimento da proprietária sobre a atividade econômica foi adquirido basicamente

através de informações do Sr. Antonio (gerente). Este foi o mentor da idéia, após acompanhar uma pesquisa de mercado, em implantar uma indústria desse gênero no Município de Crateús.

Quanto à escolaridade, a titular da empresa tem pós-graduação e o gerente possui nível superior incompleto. De acordo com a pesquisa realizada pelo SEBRAE (2003), o grau de escolaridade não foi considerado um item relevante quanto ao sucesso e o insucesso das micro empresas pesquisadas, pois o percentual constatado naquela pesquisa, foi relativamente igual entre os dois grupos de empresas: as em atividade e as extintas.

4.4 Caracterização da Empresa

A. Marques Soares Alimentos – ME, cujo nome de fantasia é Temperos Tina, situada na Rua Dr. Júlio Lima, 2191, Fátima II, Município de Crateús, inscrita no CNPJ 01.704.361/0001-81 e CGF 06.986.643-0. As suas atividades tiveram início em março de 1997, em um prédio de 101 metros quadrados situado na Rua Abdias Veras, 839, São Vicente, no mesmo município, e produzia somente três produtos: colorau, milho canjicado e fubá contando apenas com apenas três colaboradores. Após cinco anos, a empresa necessitou ampliar seu parque e mudou-se para um

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prédio de 650 metros quadrados, passando a produzir mais outros 23 itens diferentes, no segmento de massas e temperos.

A empresa é familiar e possui uma administração centralizada em uma única gerência,

administrada pelo Sr. Antonio Osvaldo Pontes Melo.

Atualmente, a microempresa funciona com 14 colaboradores em horário integral e outros 6 em horário parcial.

A indústria Temperos Tina já é bastante conhecida no mercado por apresentar diferenciais

como, entregas imediatas, atendimentos personalizados, além de priorizar o relacionamento com

clientes e fornecedores. Essa postura adotada, como o respeito ao cliente, faz com que o atendimento atinja a meta de qualidade esperada pelo titular e o gerente.

4.5 Estrutura Organizacional da Microempresa

A estrutura organizacional da Indústria Temperos Tina está dividida em 03 setores:

Administrativo, de Estoques e de Produção.

QUADRO 5: Estrutura Organizacional

SETORES

ADMINISTRAÇÃO

PRODUÇÃO

SETORES ADMINISTRAÇÃO PRODUÇÃO ESTOQUE PRODUÇÃO PRODUÇÃO II
SETORES ADMINISTRAÇÃO PRODUÇÃO ESTOQUE PRODUÇÃO PRODUÇÃO II
SETORES ADMINISTRAÇÃO PRODUÇÃO ESTOQUE PRODUÇÃO PRODUÇÃO II

ESTOQUE

SETORES ADMINISTRAÇÃO PRODUÇÃO ESTOQUE PRODUÇÃO PRODUÇÃO II

PRODUÇÃO

PRODUÇÃO II

FONTE: Elaboração da Autora

O setor Administrativo é responsável pela administração geral, ou seja, Finanças, Pessoal,

Compras, Vendas e Emissão de Notas Fiscais. Neste setor, o gerenciamento fica a cargo de Altina Marques Soares, a proprietária da empresa, onde esta que efetua os pagamentos de pessoal, pagamentos a fornecedores e tributos, e à emissão de notas fiscais eletrônicas. Esta realiza, também, o monitoramento das vendas e dos relatórios entregues pelos vendedores.

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A área de produção, o responsável é o gerente, o Sr. Antonio onde este detém as seguintes

atribuições:

Acompanhar todo processo de produção;

Monitorar e revisar as máquinas para evitar imprevistos no setor.

Participar de todas as compras necessárias para a fabricação dos produtos a serem industrializados.

O setor de produção trabalha em sintonia com o departamento de estoque, porque assim o responsável pelo setor de produção aponta a necessidade de reposição de matérias primas.

O Departamento de Produção está dividido em 02 setores: produção I e produção II. O

setor de Produção I desempenha as seguintes funções:

Produção e degerminação do milho para a fabricação do milho canjicado e fubá;

Moagem de todos os produtos como: Colorau, pimenta moída e o fubá de milho;

Torragem de todo o milho destinado à fabricação da farinha de pipoca;

Processamento final de pesagem em máquinas empacotadoras;

Embalagem final em fardos de 10 Kg.

o Departamento de Produção II desempenha as funções de:

Preparação e liquidificação de todos os temperos e molhos em líquidos;

Envasamento, rotulagem e acondicionamentos em caixas para a expedição.

Quanto ao setor de Estoques, este é controlado de forma sistemática o estoque de matérias- primas e o de produtos acabados. Neste setor, o responsável é o Sr. José Otacílio, que elabora planilhas e envia para que o setor de produção faça imediatamente as compras e providencie a reposição do estoque.

54

5 ANÁLISE DA GESTÃO FINANCEIRA NA INDÚSTRIA DE TEMPEROS TINA

A partir dos dados obtidos na pesquisa e de observação in loco dos procedimentos de compra, estocagem, produção e venda das mercadorias, foi possível analisar as práticas financeiras adotadas na gestão financeira da empresa estudada, conforme descritas a seguir:

5.1 Capital de Giro

Conforme já mencionado na fundamentação teórica dessa pesquisa, para analisar o capital de giro de uma empresa é necessário conhecer os dados relativos à gestão de controle de caixa e bancos, gestão de contas a receber, gestão de contas a pagar, gestão de estoques e fluxo de caixa. No entanto, constatou-se que a indústria Temperos Tina não adota essa prática financeira, ou seja, não realiza a análise do capital de giro pela falta de controle de algumas dessas atividades operacionais, sobretudo, o fluxo de caixa, onde a empresa em estudo somente efetua registros de movimentos de caixa, feito em planilhas do Excel em uma frequencia diária.

5.2 Gestão de Caixa e Bancos

Na visão de Assaf Neto e Silva (2002), para se manterem em operação, as empresas devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condução básica apresentar o respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos vencimentos. A essa disponibilidade de recursos denomina-se caixa.

De acordo com Frezatti (1997),

O caixa nada mais é do que dinheiro em espécie na empresa ou nos bancos, oriundos das atividades operacionais ou extra-operacionais da empresa, disponível para saldar compromissos com seus fornecedores, amortização bancária, pagamento de impostos, salários, etc., garantindo a continuidade operacional da organização.

Observou-se que o caixa da indústria Temperos Tina subdivide-se em duas contas interdependentes: o dinheiro em espécie na empresa e os saldos bancários mantidos no Banco do Brasil e UNICRED.

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Quando indagado sobre a cobertura de seus gastos, o gestor informou que a empresa sofre sempre com a escassez de recursos financeiros, por conta disso e, muitas vezes, no intento de honrar com os compromissos, antecipa o recebimento das vendas a prazo, através de descontos bancários com taxas variando de 1,77% a 2,25% ao mês, ou mesmo a particulares com taxa de 3% sobre o montante o que pode ser considerado uma prática onerosa.

Em relação ao montante da saída de caixa, o proprietário respondeu que tem conhecimento do valor da retirada, mas conforme informado acima habitualmente não há saldo em caixa nos momentos dos vencimentos. Assim, acredita-se que a empresa precisa reverter essa situação para que mantenha uma reserva constante líquida de capital para cumprir suas obrigações.

Visando esclarecer o motivo dessa situação vivenciada pela empresa, o gerente alegou que não está sendo possível um equilíbrio em suas contas devido estar constantemente investindo em equipamentos, veículos e lançamento de novos produtos. Segundo o mesmo, esses investimentos são responsáveis pela necessidade de se trabalhar com recursos financeiros bancários dentro de um padrão de endividamento tolerável a seus resultados.

Pode se dizer que é fundamental o empenho do gerente ou mesmo do proprietário, no sentindo de conhecer as ferramentas necessárias para uma gestão financeira eficiente, pois o argumento apresentado anteriormente demonstra que este não está tendo domínio sobre a distinção entre a geração de caixa e de lucro da empresa, porque através do caixa se realiza todas as operações de cunho operacional, investimentos, imobilizações e amortizações, mas para isso é necessário que esteja ciente do resultado econômico (lucro ou prejuízo).

Fundamentada no conceito de Lemes (1999), a diferença entre o conceito Econômico (Resultado) e o Financeiro (Fluxo de Caixa) é demonstrado a seguir no quadro 6:

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QUADRO 6: Conceitos Econômicos e Financeiros

RESULTADOS TESOURARIA Receitas Entradas Despesas Saídas Resultado Econômico Resultado Financeiro ● Lucro ●
RESULTADOS
TESOURARIA
Receitas
Entradas
Despesas
Saídas
Resultado Econômico
Resultado Financeiro
● Lucro
● Superávit
● Prejuízo
● Déficit
FLUXO DE CAIXA

FONTE: Elaboração da Autora

Para Pinto (2002) a gestão de caixa é imprescindível, pois a verdadeira força de uma MPE é seu fluxo de caixa.

Mesmo sabendo que as vendas sejam fator determinante no sucesso empresarial, elas precisam ser transformadas em caixa, precisam gerar caixa.

5.3 Gestão de Estoques

Procurou-se aferir se na indústria em estudo há controle de estoques, como é feito esse controle, se o inventário dos estoques é periódico ou permanente, se a empresa dispõe de algum modelo de gerenciamento de estoques. Buscou-se identificar, ainda, se o gestor da empresa exerce um controle rígido sobre os níveis de estoque.

Constatou-se na pesquisa realizada que há controle de estoques, e este é feito através de um programa de gerenciamento de estoques de matérias primas e encontra-se integrado ao sistema de gestão. É um programa que requer um acompanhamento sistemático, tendo em vista que existem produtos sazonalizados.

A empresa utiliza planilhas de produção, através de um programa do Excel. Este consiste num demonstrativo detalhado de produção e contábil de cada setor como, por exemplo, setor de ervas, massas e o setor de temperos. A partir da análise dos dados constantes nesse demonstrativo

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é possível perceber o desempenho de cada setor na indústria, para que assim o gestor possa tomar decisões certas no lugar certo.

Com o objetivo de planejar suas vendas, a empresa utiliza um controle de estoques e materiais destinados para uma produção num prazo de 30 dias ou até mesmo superior. Em função da dificuldade de fornecedores no Nordeste, mais especificamente no Estado do Ceará, a empresa adquire alguns itens, matéria-prima e parte das embalagens, junto aos fornecedores do Sul do país.

Os produtos acabados são entregues imediatamente aos seus clientes, ou seja, não há produção excedente.

Hoji (2003, p.123) recomenda:

devem ter a consciência de que o capital de giro investido em

estoques tem custo financeiro que afetará o resultado econômico e financeiro. Desse modo, compete aos gestores das empresas buscarem o equilíbrio quanto às quantidades e periodicidades para aquisição e manutenção dos estoques, que atendam às necessidades dos consumidores no momento certo, a quantidade e preços que não acarretem custos financeiros além de suas possibilidades financeiras.

Os administradores [

]

É inegável que gerir um estoque com eficácia resulta em resultados positivos à empresa.

Portanto observou-se que a empresa em estudo utiliza planilhas do Excel, onde estas fornecem subsídios para que o gestor possa realizar de modo satisfatório o controle os seus estoques.

5.4 Gestão de Contas a Receber

Procurou-se avaliar os aspectos principais no controle das Contas a Receber, compreendendo métodos de procedimentos de seleção de clientes. Indagou-se também quais seus principais clientes e sobre a sua forma de recebimento.

Para se ter base do faturamento da empresa bem como do percentual de inadimplência, adotou-se como parâmetro o mês de julho de 2010.

A Indústria Tempero Tina é detentora de uma carteira de 432 clientes ativos, oriundos de 24 Municípios do Estado do Ceará. Atua, esporadicamente, no Estado do Piauí e Rio de Janeiro, abrangendo apenas as suas capitais. Os principais clientes concentram-se na cidade de Crateús, onde a empresa está instalada, os quais representam no mês de julho/2010, 42% do faturamento total.

58

O Hiper Nacional e o grupo Supermercado Cosmos ocupam o status de maiores clientes do setor varejista, sendo este último o maior cliente, já que agrega outro dois supermercados familiares.

No setor Atacadista os maiores clientes são: Mercansales, Colbachol, Comercial Brandão, Comercial Balé e Plastibalas.

O cadastro de seus clientes é feito no programa de estoques já mencionado anteriormente,

no qual são solicitados todos os dados do possível comprador e o seu perfil, ou seja, se é enquadrado como atacadista, varejista ou camelô, sendo este último classificado como um potencial comprador dessa empresa.

Em termos de faturamento, a empresa no mês de julho/2010 atingiu um total de R$ 106.666,50, onde o produto que teve mais demanda foi o colorau. Após as vendas, a distribuição é realizada em veículos da própria empresa. Em algumas situações o próprio cliente retira os produtos na empresa.

As vendas, em sua maioria, são realizadas a vista com desconto de 3%. Já as vendas a prazo, se realizadas com cheques ou efetuadas para atacadistas e varejistas de grande porte terão o prazo de 21 dias. Para as demais operações, o prazo é de 15 dias.

A inadimplência é mínima, com índice abaixo de 1,5% (baseado na receita de julho/2010),

graças ao plano de vendas instituído na empresa. Este compõe-se de 4 vendedores, sendo 2 responsáveis pelas vendas no balcão e os demais terceirizados onde estes respondem integralmente pelas vendas e recebimentos, ou seja, a empresa é isenta de qualquer inadimplência. Em relação às vendas realizadas no balcão, os dirigentes fazem uma cobrança efetiva e um acompanhamento de seus recebimentos.

Esta política de venda adotada, na empresa, evidencia um controle eficiente nos recebimentos, o que é excelente, porque assim a empresa terá mais recursos para giro, além de favorecer a formulação da projeção do fluxo de caixa.

No que diz respeito à concessão de créditos, não há uma seleção criteriosa, tendo em vista que a maior parte das vendas são a negociar, tornando-se impossível efetuar consultas a fontes de informação de créditos como SERASA, SPC e informações de limites de compra e histórico de pagamentos em outras empresas. Assim, a empresa deve observar que, hoje, essa decisão de conceder ou não créditos de modo subjetivo está dando certo, mas no futuro?

59

A decisão em conceder ou não o crédito deve passar por uma criteriosa análise levando-se em consideração fatores que podem apontar se o pretendente ao crédito terá ou não condições de honrar seus compromissos.

As boas técnicas de gestão de crédito, Lemes Júnior (1999) e Gitman (1997) seriam:

a) Análise do caráter do pretendente ao crédito – verificação de suas intenções costumeiras

em cumprir ou não suas obrigações;

b) análise da capacidade de pagamento – verificação da capacidade em pagar seus compromissos;

c) análise das condições do pretendente – verificação de fatores externos que possam afetar

a capacidade de pagamento, por exemplo, tempo de trabalho em uma empresa;

d) análise do capital – aplicável a pessoas jurídicas relativo à sua situação financeira geral;

e) análise de colaterais – relativo a garantias que podem ser utilizadas para quitação da

dívida;

f) conglomerado – aplicável a pessoas jurídicas que possuem diversas empresas vinculadas

de alguma forma como, por exemplo, sócios em comum.

Considera-se que o processo ideal de concessão de crédito estará completo quando o concedente analisar os seis C’s descritos.

Fundamentalmente, nesse estudo de caso, a gestão de carteira de clientes reflete o estilo de gestão da empresa como um todo, ou seja, gestão baseada no relacionamento pessoal proprietário e cliente.

5.5 Gestão de Contas a Pagar

Esta seção tem como propósito verificar se há um acompanhamento sistemático das obrigações contraídas pela empresa para funcionamento do negócio. É também relatado o valor das obrigações contraídas junto aos fornecedores do mês de julho/2010 (parâmetro).

Pelo questionário aplicado, constatou-se que a empresa efetua as compras de matéria- prima, principalmente o milho, nos maiores produtores do Município de Crateús e as demais através de fornecedores de outros Estados, com prazo máximo de 30 dias.

60

Vale ressaltar que o prazo concedido aos clientes (15, 21 dias) é menor que os recebido pelos fornecedores, o que é um fator positivo. Assim, a gestão de Contas a Pagar é realizada basicamente através do registro no programa de todos os compromissos assumidos perante terceiros.

5.6 Gestão de Fluxo de Caixa

Segundo Pinto (2002) a competição é a palavra de ordem do mercado, por isso as organizações necessitam de respostas rápidas e eficazes. A visualização antecipada das necessidades ou sobras de caixa torna o Fluxo de Caixa uma das mais importantes ferramentas para o gestor financeiro da empresa. Através dessa ferramenta de controle e planejamento, é possível visualizar como as decisões do gestor irão refletir nos resultados da empresa e seu impacto no caixa.

Assim, perguntou-se ao titular da empresa se tinha conhecimento do Fluxo de Caixa, a resposta foi negativa e quanto ao gerente este abordou que teve a oportunidade de ler sobre essa ferramenta financeira, mas foi de maneira superficial.

Quando inquirido sobre a existência de planejamento financeiro na empresa, foi relatado que, embora conheça a diferença de custos e despesas, não faz o planejamento futuro de suas receitas, dos custos e das despesas.

Conforme o resultado da pesquisa, o entrevistado faz apenas um acompanhamento diário no movimento de caixa e segundo os mesmos (titular e gerente da empresa), não se sentem aptos a planejar o seu fluxo econômico.

Percebe-se, portanto, que na Indústria de Temperos Tina não há análise do que ocorreu de negativo no desempenho da situação financeira. Esta não possui meios para proceder a uma relativa previsão, ou projeção das ocorrências de eventos essencialmente financeiros em sua empresa.

61

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho se desenvolveu com o objetivo geral de analisar o modelo de gestão financeira da Indústria de Temperos Tina no Município de Crateús/CE, de modo a identificar se as práticas financeiras utilizadas são apropriadas.

Para atingi-lo, realizou-se um estudo de caso descritivo em que foi feita análise documental, observação sistemática e um questionário, cujas conclusões foram analisadas à luz da revisão bibliográfica sobre a gestão financeira nas micro e pequenas empresas.

O primeiro objetivo específico foi identificar e analisar as práticas financeiras pela indústria em estudo. Tal intento foi atingido no capítulo 5 que apresentou todas as práticas financeiras aplicadas no modelo de gestão financeira da empresa e fez uma análise minuciosa de cada uma.

Compreender o funcionamento de cada um dos departamentos da indústria e sua interação e impacto sobre as decisões financeiras foi o segundo objetivo específico. Este foi contemplado na seção 4.5 ao descrever a estrutura organizacional, operacionalidade e a contribuição econômica proporcionada por cada departamento.

Com o terceiro objetivo específico procurou-se verificar as recomendações estabelecidas pelo SEBRAE. Este objetivo foi descrito no capítulo 3 onde foi abordada a importância o SEBRAE para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Brasil.

Partindo da situação descrita e posteriormente analisada da empresa, percebeu-se que o objetivo geral da pesquisa descrito em analisar as práticas utilizadas para a gestão financeira de uma indústria foi alcançado, graças à análise detalhada do modelo de gestão da Indústria de Temperos Tina, onde se conclui que a mesma não possui uma política de gestão financeira de curto prazo definida.

Deve-se observar também que apesar de não adotar métodos modernos de administração de estoques, a empresa em estudo dispõe de um controle de estoque que pode ser considerado satisfatório para a realidade atual da empresa.

62

Em relação às vendas, a maioria são feitas à vista e, quando realizadas a prazo, a concessão do crédito está dentro da capacidade da empresa. Apresenta também um reduzido índice de inadimplência, pois há uma cobrança efetiva nas contas a receber.

No que se refere aos valores devidos aos fornecedores, a empresa mantém um acompanhamento criterioso sobre os mesmos, através de anotações periódicas em planilhas do Excel.

A empresa também não utiliza o sistema fluxo de caixa, o planejamento de suas entradas e

saídas de caixa é feita com base em anotações diárias no movimento de caixa, onde este é feito em planilhas do Excel. Percebe-se, portanto que o ideal seria que a empresa utilizasse o sistema fluxo de caixa para que assim tenha uma visão presente e futura, do que está acontecendo e poderá

acontecer, em termos financeiros.

A alternativa de financiamento de capital de giro utilizada pela empresa (desconto de

cheques em instituições financeiras e terceiros) demonstra que há a necessidade de um planejamento nesse aspecto, o que impõe a necessidade de utilizar o sistema de fluxo de caixa.

O gerenciamento de resultados é controlado pela proprietária e seu gerente através de

planilhas feitas no Excel, pois a apuração do resultado econômico através de Demonstrações

Contábeis ainda não é uma exigência legal para as micro e pequenas empresas, e portanto a empresa não adota este meio de controle dos resultados.

No atual momento, as práticas financeiras utilizadas estão sendo suficientes para um gerenciamento financeiro relativamente confiável. No entanto, precisa apenas aprimoramento das mesmas. Uma sugestão de melhoria seria a implantação de um sistema integrado que minimizasse o trabalho de lançamento das vários dados em planilhas diferentes para mantê-las atualizadas, havendo assim um ganho na utilização de tempo e confiança nas informações obtidas através destes dados.

A pesquisa demonstra que apesar da Indústria Temperos Tina ser uma empresa de pequeno

porte, ela possui avaliações, controles e planejamento como uma empresa de grande porte. Porém deverá aperfeiçoar as suas práticas financeiras para que possa ter um controle confiável em suas operações.

63

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ANEXOS

68

QUESTIONÁRIO DE PESQUISA

A. CARACTERIZAÇÃO DA MICROEMPRESA

A.1 - EMPRESA:

A.2 - NOME DE FANTASIA:

A.3 - ENDEREÇO:

A.4 - INICIO DAS ATIVIDADES A.5 - CNAE PRINCIPAL:

A.6 – Qual o número de funcionários? Tempo integral:

Tempo parcial

/ /

B. PERFIL DO ENTEVISTADO

B.1- Nível de escolaridade do titular da empresa

médio

graduação

pós-graduação

B.2- Nível de escolaridade do gerente da empresa

médio

graduação

pós-graduação

C. GESTÃO DE CONTROLE DE CAIXA E BANCOS

C.1- Para cobrir os gastos, é necessário antecipar o recebimento das vendas a prazo, através de descontos bancários ou mesmo com particulares? Caso a resposta seja afirmativa, qual a taxa de desconto?

descontos bancários particulares

% taxa ao mês

C. 2 - A empresa conhece o montante de sua saída de caixa?

sim

não

D. GESTÃO DE CONTROLE DE ESTOQUE

D.1 - A empresa utiliza algum modelo de gerenciamento de estoque?

69

sim

não

D.2-. Há controle de estoque de matéria-prima e de produtos?

sim

não

D.3- O inventário dos estoques é periódico ou permanente? Se for periódico, em qual período do corrente ano foi utilizado?

periódico

permanente

D.5 - Como é feito o controle de estoques?

Fichas manuscritas

Informatizadas

E. GESTÃO DE CONTAS A RECEBER E.1 - Em termos de faturamento, qual o principal produto que a empresa produz e comercializa?

E.2- Qual o tipo de pagamento exigido para suas vendas?

vendas a vista

cheque cartão de crédito outros

E.3 - Para a concessão de crédito, é feito uma análise do possível cliente?

sim

não

E.4 - Durante o cadastro, quais são as fontes de informação de crédito?

SERASA

SPC

outros

E.5 - Qual a quantidade de cheques devolvidos, no mês de julho de 2010, em relação às vendas totais?

E.6 - Qual o total de vendas a prazo e a vista no mês de julho de 2010?

A vista DO ENTREVISTADO

A prazo

= Total 4.2. PERFIL

E.7 - Qual o prazo máximo concedido aos clientes? meses

70

E.8 - Em quantos dias as vendas são parceladas? Qual o valor mínimo da parcela? em quantos dias? valor mínimo da parcela? E.9 - Como é feito o controle de recebimentos?

Fichas manuscritas

Informatizadas

F. GESTÃO DE CONTAS A PAGAR F.1 - Qual o prazo médio concedido pelos fornecedores?

F.2 - Qual o total de compras a prazo e a vista no mês de julho de 2010? a vista

a prazo.

G. GERENCIAMENTO DE RESULTADOS

G.1 - A empresa utiliza demonstrativos financeiros como Demonstração do Resultado do Exercício ou Balanço Patrimonial?

DRE

Balanço Patrimonial

G.2 - A empresa possui planejamento de receitas, custos e despesas?

sim

não

G.3 - Para aumentar a concessão de créditos a seus clientes, isto é considerado no fluxo de caixa?

sim

não

G.4 - O responsável pela Administração Financeira conhece o fluxo de caixa?

sim

não

G.5 - Existe planejamento financeiro na empresa?

sim

não

G.6 - Antes de tomar uma decisão financeira o Administrador Financeiro consulta algum tipo de controle particular, elaborado por ele?

sim

não

71

G.7 - É realizada análise sobre o passado financeiro da empresa para detectar possíveis falhas?

sim

não

G.8 - O Administrador Financeiro dessa microempresa possui meios para detectar com antecedência, uma possível escassez ou excesso de recursos financeiros?