Astrologia, Reminiscências e o Carma do Agora Prof: Carlos Hollanda Espaço Sirius – 27/03/2010
O conceito das “Permanências Planetárias” de Edgar Cayce
As permanências planetárias não necessariamente devem ser entendidas como uma vivência literal em uma sociedade hipotética nos planetas do sistema solar e em planos dimensionais diferentes do nosso plano físico. Um ponto de vista interessante é a consideração do contato com seres de luz ou guias ligados àquele indivíduo. Tais seres representam, analogamente, a freqüência vibratória dos planetas em questão e constituem uma memória, além de um ou mais hábitos adquiridos através desta convivência. Um outro ponto de vista é a possibilidade de que essas permanências planetárias sejam dimensões análogas ao posicionamento, no sistema solar, do planeta em voga. Assim, a sociedade, ambiente e grupo de entidades espirituais de tais dimensões são uma espécie de foco do arquétipo, propagando hábitos e formas de consciência característicos de cada planeta simbolizado.
Finalmente, as permanências podem ser atribuídas à Árvore da Vida, na Cabalá, onde a personalidade-alma passa pelos estágios representados pelos planetas-sephirot 1 , independentemente do quanto a pessoa esteja evoluída e independente do contato com o arquétipo representado pela sephirah. Por exemplo, uma permanência em Júpiter/Hesed 2 pode representar um ser que alcançou um ápice de conhecimentos que precisam ser partilhados e reordenados. Muitos religiosos e estudiosos de filosofia e metafísica têm marcadas características de permanências planetárias jupiterianas, mesmo que não o tenham em total evidência na análise tradicional do mapa. A outra face da moeda pode levar a delírios de poder, dogmatismo, fanatismo ou um enfrentamento estressante de condições e pessoas que possam expressar as mesmas características ainda não apreendidas do arquétipo.
Nessas permanências, toda entidade que esteja ligada às vibrações da sephirah, inclusive os anjos, arcanjos e coros angélicos correspondentes, atuam no sentido de formar a consciência individual tal como o faria uma sociedade hipotética, ligada ao arquétipo. Tais entidades podem ser classificadas de acordo com o estado evolutivo como elementais, forças anímicas da natureza, potestades, hierarquias de iniciados e de mestres cósmicos, manifestações genéricas da Força nos planos de existência da alma, conhecidos como 7 céus – relacionados com os 7 chacras – os chacras do corpo divino, podendo ser divididos da seguinte forma na Árvore da Vida 3 :
a) Chakra Muladhara – Primeiro Céu – Yesod/Lua (Fundamento);
b) Chakra Swadhisthana (Sacro) – Segundo Céu – Hod-Nezah (Mercúrio e Vênus);
c) Chakra Manipura (Umbigo – Plexo Solar) – Terceiro Céu - Tiphereth/Sol;
d) Chakra Anahata (Coração) – Quarto Céu – Gevurah-Hesed (Marte e Júpiter) 4 ;
e) Chakra Vishuddhi (Garganta) – Quinto Céu – Daat/Plutão 5 ;
f) Chakra Ajna (Terceiro Olho – Glândula Pineal) – Sexto Céu – Binah-Hochmah (Saturno e Urano);
g) Chakra Sahasrara (Coroa – Inconsciente) – Sétimo Céu – Kether/Netuno.
Concepção rosacruz das mansões da alma e as permanências planetárias
A permanência planetária, portanto, ocorre no intervalo entre existências físicas. A alma passa por períodos de aprendizado em planos correspondentes aos níveis descritos acima. Mesmo assim continua valendo o fato de que cada ser possui um grau de percepção e, de acordo com ela, irá experimentar uma qualidade relativa a cada
1 Sephirah – cada um dos princípios ou etapas da Árvore da Vida. Plural: sephirot.
2 Hesed ou Gedulah, a sephirah relacionada ao planeta Júpiter na Árvore da Vida, da tradição cabalística, tem como traduções Misericórdia, Amor e Piedade. É a esfera de consciência de expansão dos limites, sendo até mesmo permissiva, e de doação. Tem seu oposto equilibrador em Gevurah (Din), a sephirah relacionada a Marte. Traduzindo Gevurah/Din:
Justiça, Rigor, Discernimento, Restrição, Força.
3 Fonte: Rebekah Kenton, A Kabbalistic View About The Chakras – Kabbalah Society – Toledano Tradition.
4 No esquema da Árvore da Vida, a tríade Gevurah-Hesed-Tiphereth representa a tríade da Alma Neshamah, sendo o Sol Tiphereth o centro de consciência que une os aspectos opostos.
5 Daat é a sephirah invisível na Árvore. Plutão, Urano e Netuno não são associados às sephirot nas leituras clássicas, mas as últimas sephirot têm analogias com o simbolismo desses planetas.
patamar de consciência na Árvore. Os níveis descritos acima ainda são caracterizados como Hekhaloth – Palácios ou Mansões. Volto a citar H. Spencer Lewis, em Mansões da Alma, onde ele traça um paralelo entre os intervalos de existências, as características das personalidades-alma e os estágios a elas relacionados. Aqui transcrevo um parágrafo deveras interessante:
É nesse Reino Cósmico que encontramos esses Egos habitando as Mansões da Alma. Essas mansões são mencionadas em muitos pontos da Bíblia e, ao que podemos entender através dessas referências, e pelas impressões que nos são transmitidas pelos Egos que as habitam, parece que os Egos de todos os seres humanos têm a prerrogativa de ocupar doze divisões do Reino Cósmico, como doze câmaras de um grande templo, e que cada Ego que aguarda reencarnação goza do privilégio de permanecer numa dessas doze mansões, até o momento do renascimento na Terra. Essas doze
são mencionadas ou descritas no capítulo 19 do Livro de Mateus, do Versículo 27 ao Versículo 30, como
mansões
tronos e, em outros pontos da Bíblia Sagrada e das escrituras sagradas de muitos povos, essas mansões recebem vários nomes e várias representações alegóricas. O próprio Jesus as mencionou, afirmando que na casa de Seu Pai havia muitas mansões, e disse a Seus Discípulos que ia deixá-los para ascender ao Reino Celestial, a fim de para Ele preparar um lugar.
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A reencarnação segundo o Budismo
(Conjugando essa visão com o mapa de vidas passadas)
O budismo talvez forneça um dos conceitos mais lógicos a respeito da reencarnação ao afirmar (como no filme
“O Pequeno Buda”) que a personalidade-alma, pelo fato de fazer parte de um todo universal, espalha-se em diversos invólucros ao deixar o invólucro físico. A consciência do antigo ser despertaria parcialmente em outras personalidades, perfazendo o drama divino da criação e permitindo a continuidade do desenvolvimento
criativo da existência. Assim, no mapa cármico, esta filosofia seria reconhecida e explicada pelo fato de que um indivíduo é composto de tendências de personalidades-alma precedentes, mas que não necessariamente seriam ele mesmo como indivíduo de um tempo anterior. Neste caso seria um resgate (e uma responsabilidade cósmica) de energias que o Todo Divino teria encarregado aquele indivíduo (atual) de unificar, realizando, portanto, a Grande Obra da Criação nele mesmo, conhecendo os aspectos de seres do passado (parcelas divinas como ele), mas que talvez não tenham sido ele da forma como se apresenta agora. Talvez seja complicado todo esse jogo de palavras, mas é importante entendermos que a população mundial vem crescendo assustadoramente a cada ano, e que talvez não seja possível que todas essas almas atuais sejam as mesmas que
já encarnaram anteriormente.
Saturno: o Grande Vilão?
Saturno costuma ser considerado como o planeta do carma. Apesar disso, nosso trabalho de pesquisa e prática vê todo o mapa como um processo de causa e efeito, bem como estrutura essencial, recusando a idéia de que um fator isolado seja o único responsável pelas dificuldades vivenciadas. Há um sistema astrológico de interpretação do carma digno de nota: a colocação do Saturno do mapa de nascimento no Ascendente, isto é, a transformação do grau onde este planeta se encontra na cúspide de um Ascendente hipotético. O estudante pode e deve experimentar este conceito, pois um método astrológico só funciona na medida em que o usuário se afina com ele. Este método de Saturno no Ascendente funciona desde que se interpretem os novos posicionamentos derivados como sendo representantes não de fatores desta existência, mas reminiscências, pura e simplesmente. É claro que elas se refletirão na vida atual, daí o uso frequente desta técnica.
Não uso o método porque prefiro uma visão holística. Tenho mais facilidade de perceber as mesmas nuances através da observação do mapa natal convencional do que com qualquer outra técnica. Uso outros métodos como auxílio, mas os fundamentos são a mola mestra. Esta é uma opinião pessoal e em hipótese nenhuma condena o uso da técnica Saturno-Ascendente. Entretanto, penso que se há um mapa sobre o carma que considera Saturno a causa desse carma, então deve haver um mapa sobre o dharma que considera Júpiter a causa desse dharma. Sendo assim, deveria haver uma técnica com Júpiter no Ascendente? Não tenho essa resposta.
6 Os grifos são do autor deste estudo. H.S. Lewis, apesar de versado em diversas ciências ocultas, não era particularmente interessado em Astrologia como o é um astrólogo. Os grifos servem como chamada de atenção para o texto sobre o aspecto de biquintil (144 o ) que virá a seguir.
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O |
posicionamento de Saturno num mapa tradicional ou sob o ponto de vista das vidas passadas revela que ali |
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há |
uma cristalização gradativa de conteúdos que foram depositados ao longo do tempo. Tempo! Eis uma chave |
para Saturno. Por isso ele é tão importante na consideração dos ciclos. Na Astrologia Clássica é ele quem rege a Astrologia 7 , e não Urano. Isso é uma verdade que não pode ser negligenciada. Saturno é o senhor dos ciclos da vida, o demarcador do tempo, dos períodos necessários às gestações da alma. Enquanto a Lua representa a recepção das percepções, Saturno representa o depósito dessas percepções que servem como alicerce de tudo o que somos atualmente. Representa a contraparte de Júpiter no que tange aos sistemas de crença. Saturno é a constatação de tudo o que foi teorizado com os atributos jupiterianos. A confiança inata jupiteriana dá lugar à convicção saturnina a respeito de uma forma de realidade, tenha o ser humano consciência de que ele mesmo a criou ou não. É a constatação que reforça a noção daquilo que pensamos ser real. E se constatarmos o contrário, ou seja, que a realidade é totalmente subordinada àquilo que a Mente produz? E se soubermos que a Mente, apesar de ser representada pela totalidade do mapa, tem um foco no eixo Gêmeos-Sagitário e em seus regentes Mercúrio e Júpiter? E se constatarmos que a saúde, um dos aspectos da casa 6, que é regida por Mercúrio, é um produto de nossa mente? 8 Prova disso é a medicina psicossomática, o uso de placebos 9 e a própria homeopatia. A homeopatia combate semelhante com semelhante, provocando um sutil excesso do atributo que leva à doença e incentivando a natureza a realizar uma compensação que a neutraliza.
Se a realidade é subordinada à Mente, então não podemos também constatar que Saturno é um fator extremamente passivo, do mesmo modo que é a Lua? Sim. Saturno é passivo quando o entendemos diante de uma perspectiva espiritual. Ele engendra e dá forma à realidade que nele é inseminada. No esquema da Árvore da Vida, Saturno é Binah ou Entendimento-Compreensão, mas também é a Grande Mãe, Marah, o Grande Mar, a Mãe da Matéria, a Mãe das formas. Saturno é pura capacidade de dar formas tangíveis àquilo que lhe é apresentado. Então não pode ser considerado um vilão, ou o executor do castigo por erros cometidos no passado.
Costumo ver Saturno também como a necessidade de sermos capazes de fazer as coisas sem auxílio de nada à
nossa volta, e isso inclui as pessoas. Saturno é um processo de estruturação e, quando esta está completa para determinado fim, não há mais necessidade de haver um benfeitor, um instrutor (para aquele fim específico, é claro), ou um amparo qualquer. Ele tem que ser o próprio alicerce, quiçá suportando outras estruturas ainda em construção. Isso remete à lembrança de que temos sete planetas clássicos no simbolismo astrológico. Júpiter é
o sexto planeta, o benfeitor, aquele que tudo dá. É passível de ser associado ao sexto dia da Criação no
Gênesis. Saturno é o sétimo dia, o momento em que o Criador se retira e deixa a Criação erigir por si mesma
sua própria existência. Tudo o que era necessário nesse processo de crescimento e de constituição de atributos
já fora dado ao Homem. O fato de a humanidade assumir o sétimo atributo significa que já é capaz de dar
continuidade por si mesma à Existência, sem interferências e sem que isso possa causar danos ao redor. Atingir a consciência espiritualizada de Saturno é atingir a consciência do iniciado, daquele que ouve as estrelas no silêncio de seu ser interior. Saturno é a consciência da Porta de Entrada ao Mundo Superior. Chegar a este estado é transgredir toda e qualquer regra, é dominar os ciclos, é ser senhor de seu próprio carma, é criar o próprio destino.
Técnicas, conceitos e planetas retrógrados
O procedimento-padrão
7 Os clássicos atribuem a regência da Astrologia, enquanto técnica e linguagem, a Mercúrio. Contudo, atribuem a Saturno a clareza, a lucidez e a qualidade do julgamento. Isto porque Saturno era considerado o planeta mais afastado do Sol (os trans-saturnianos ainda não eram conhecidos) e, portanto, aquele cujo distanciamento permitiria uma visão mais imparcial dos assuntos humanos. Saturno é também o regente do signo oposto a Câncer, domicílio da Lua, o que criaria uma oposição de significados por analogia: Lua, o mundano, o inconsciente, o cambiante, o deixar-se levar pelas emoções do momento; Saturno, o elevado, o superconsciente, o estável, o desapegado. (Nota: Fernando Fernandes)
8 Sem esquecer que Peixes e a casa 12 têm Júpiter como regente tradicional, o que remete novamente à criação mental.
9 Placebos: substâncias que curam não pelo princípio ativo que contêm, mas pelo efeito psicológico no paciente.
O mapa astrológico interpretado pelo ponto de vista das existências passadas tem, é claro, certos pontos-chave
a considerar. No entanto, o modo pelo qual o interpreto – e é o que passo neste curso – leva em conta o fator sensibilidade e um certo tempo para deixar a mente se acostumar com a grafia que o alfabeto astrológico (dos signos, dos planetas, dos aspectos e da mandala) transmitem ao subconsciente. Desta forma, damos uma
chance para o Inconsciente (ou Eu Superior, se preferirem) derramar sobre a tela escura de nossa visão interior informações que em nosso habitual estado de alerta não receberíamos. Não se trata de mágica, nem tampouco
de mediunidade (verifiquem a vida de Edgar Cayce, que não recebia seus ensinamentos de espíritos
desencarnados, mas sim dos registros Akáshicos, de suas vidas anteriores). Trata-se de uma forma de deixar que nosso conhecimento interior atue auxiliando o conhecimento que nossa mente egótica (ou yesódica, se usarmos o termo cabalístico) absorveu, tanto na teoria quanto na prática. É uma maneira de usar alguns recursos da mente subconsciente.
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médium, em geral, tem algum tipo de carma com as entidades desencarnadas que se expressam através dele. |
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sensitivo e o iniciado não são necessariamente médiuns, mas acessam os registros akáshicos e o |
inconsciente, seu guia interior (self) para resolver as questões da vida. O termo médium é proveniente de “intermediário” ou “veículo”, ou seja, o fator situado entre o mundo físico e o extrafísico. Ele atua de maneira passiva, enquanto os dois outros são ativos. Entretanto, um não é melhor do que o outro, pois o médium presta um serviço instimável àqueles que ainda não entraram em contato com o próprio mundo interior. O sensitivo necessita de uma certa orientação e cultura, valorizando a lógica e o intelecto para compensar sua poderosa sensibilidade e intuição. O iniciado equilibra estes fatores e desenvolve um contato profundo com forças extrafísicas, podendo fluir livremente com elas, harmonizando-se com a natureza.
Para que se tenha uma visão clara do procedimento, é preciso uma metodologia antes de utilizar-se do método
de interiorização. Segue-se um modelo bastante parecido com o da interpretação básica tradicional do mapa
astrológico, apesar da mudança do enfoque. Lembrem-se de que isto é uma sugestão de método a seguir, não uma imposição. Cada astrólogo tem uma maneira própria de interpretar o mapa, mas isso só se consegue com a prática. Vamos, pois, à sugestão:
PASSO 1 – De fato, é importante que se tenha em mente as associações primárias do conhecimento da Astrologia, isto é, as triplicidades, as quadruplicidades, os ritmos e regências. Quanto mais simples for nosso raciocínio, mais abertos estaremos para uma interpretação profunda. Assim, quando formos avaliar um tema onde predominam, por exemplo, signos fixos, planetas em trígono de signos de Fogo e o regente da casa 12 em exaltação num signo de Terra, torna-se mais fácil perceber a disposição psicológica que o indivíduo vem trazendo de outra ou de outras existências.
Obviamente isto não é tudo na consideração do mapa do carma, mas confere uma base excelente para que se possa dar o segundo passo:
PASSO 2 – Praticar a visão das casas astrológicas não apenas como foi considerado nos módulos anteriores. É importante considerarmos as casas e signos vulgarmente conhecidos como “cármicos” – Virgem, Libra, Escorpião e Peixes. Não se trata de signos “infelizes”, trata-se de potências transformadoras, fatores que nos põem em contato com elementos de passados remotos, agora tangíveis na forma de relacionamentos (Libra/casa 7), de sensibilidade psíquica a memórias subconscientes (Peixes/casa 12) e de crises de transformação – crises morais, autocríticas, auto-análises, sublimação de processos emocionais dolorosos – em Virgem e Escorpião (casas 6 e 8, respectivamente).
A casa 4 guarda o simbolismo das memórias da infância e potencialidades para a velhice, da família e do
fundamento da alma/personalidade. Dela extraímos o contato com as pessoas que vão, inicialmente em nossas vidas, provocar as primeiras reações ao nosso processo de reequilíbrio, seja pelas diferenças, seja pela harmonia.
Finalmente, considerar os processos espirituais, psicológicos e fisiológicos genéricos atribuídos ao Sol, Lua e Ascendente (descrições gerais), incluindo seus contatos por aspectos a outros fatores do mapa. Estes três pontos fundamentais contêm dicas a respeito da motivação desta nova existência, sendo a característica do signo e da casa onde cada um dos três se encontra uma fonte de informações importantes (por que a pessoa nasceu com tais características?).
NOTA: Após a prática contínua dessas preliminares, o estudante conseguirá fazer tais associações rapidamente, o que auxilia o processo intuitivo e a seqüência de técnicas específicas para o mapa das vidas passadas demonstradas a seguir.
Técnicas específicas
Os pontos principais a serem considerados antes de começar a leitura do mapa com o enfoque em vidas passadas são os seguintes:
O último planeta com o qual a Lua, em seu ciclo mensal, entrou em conjunção antes do nascimento tem fortes indicações a respeito das vidas passadas. Vimos isso ao falarmos sobre a Persona Secundária. Aconselho experimentar uma técnica que utilizo com bons resultados: considerar com maior ênfase os 7 planetas tradicionais da Astrologia (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), sem deixar, contudo de dar valor aos planetas transpessoais (Urano, Netuno e Plutão). A explicação está no fato de que os 7 estão mais relacionados com personalidades mundanas, fatores que facilmente conseguimos perceber ao longo de uma interpretação, enquanto os outros três referem-se a memórias de pressões sociais, coletivas, fatores que envolvem toda uma raça ou um período muito extenso da história e que vieram a influenciar o comportamento. Apesar disso, por exemplo, se a Lua esteve conjunta a Plutão antes do nascimento do indivíduo, ele apresentará claramente uma característica intensa, profunda como os escorpianos apresentam, mas ainda assim prevalecerá um dos sete planetas clássicos que estiver logo em seguida. Para algumas pessoas, no entanto, notei que mesmo os trans-saturninos representam personalidades secundárias. Estes casos vão-se tornando mais comuns de acordo com a geração observada. Nos mapas dos indivíduos estudados cujas épocas de nascimento foram marcadas por grandes conjunções planetárias, especialmente aquelas envolvendo um ou mais planetas trans-saturninos, estes realmente têm preponderância quando a última conjunção da Lua ocorreu com um deles (mesmo que no mapa o trans-saturniano em questão não esteja em conjunção com nenhum outro planeta).
Usando a técnica acima de uma forma inversa, isto é, verificando qual o planeta com o qual a Lua fará conjunção logo após o nascimento, temos uma pista semelhante à relação nodal. O planeta seguinte simboliza aquilo que o ente há de se tornar em seu planejamento cármico.
Ainda sobre a primeira técnica: nos casos em que não houver grandes conjunções, se o penúltimo planeta com o qual a Lua fez contato for Vênus, mesmo com um trans-saturnino à frente, a personalidade mostrará os seguintes traços: gosto refinado, gentileza, um certo egoísmo, sentimento de posse, arte, e grande senso de atração e repulsa, além de muita necessidade de estar sempre envolvida em relacionamentos. Se o planeta deste caso estiver retrógrado, então esta personalidade (a de um dos 7 planetas) será ainda mais evidente do que no caso dos transpessoais.
Quanto ao regente da casa 12 – verificar posicionamento, aspectos que recebe, seu padrão cíclico, seu trânsito ou progressão do momento. Este procedimento leva em conta o fato de o regente da 12 representar uma persona secundária em ação. Seu movimento através do zodíaco dá indicações de como essa persona secundária está agindo, onde e sobre o quê. Se Marte, por exemplo, for o regente da 12 e estiver, por progressão 10 , fazendo uma conjunção com a Lua natal, em teoria a persona secundária estaria provocando uma série de rupturas no ambiente do lar e excitando emocionalmente o indivíduo. É muito provável que, em existências anteriores, houvesse uma necessidade de ser agressivo, seja lá por que motivo for. Essa persona, representada pelo regente da 12 em progressão, atinge tudo o que a Lua representa para o indivíduo, funcionando como um novo deparar-se com as condições lunares dessa provável existência anterior. O padrão das reações provocadas durante a progressão caracterizaria o modo como a persona secundária atuava – e tende a atuar – com elementos familiares, emocionais, femininos etc., ligados ao simbolismo da Lua natal.
10 Verifiquei que as progressões são mais facilmente caracterizáveis como elementos internos da persona secundária do que os trânsitos. Não descarto, entretanto, a expressão dessa persona pelos trânsitos, mas vejo as progressões como mais efetivas na interpretação. O uso das progressões e não de trânsitos parte da premissa de que as progressões são movimentos que se originam no interior da mente e os trânsitos são eventos externos, naturais e análogos a toda a existência na Terra. A progressão é o sentido evolutivo individual. Os trânsitos são a evolução coletiva.
Considerar os planetas retrógrados nos signos e nas casas, especialmente os planetas de movimento rápido (Mercúrio, Vênus, e Marte). Estes são muito evidentes na vida cotidiana e são perceptíveis com grande facilidade. Quando retrógrados, estes três representam um resgate do passado em nível pessoal. São, em geral, fatores da vida mundana (se bem que, dependendo do indivíduo, possam ser de cunho social ou espiritual) que precisam ser revistos e adequados à vida moderna. É como se estes planetas representassem uma certa inadaptação às exigências de uma dada sociedade, às quais reagem com as mesmas respostas emocionais de um passado não muito distante em sua consciência.
Os planetas lentos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) terão grande importância, é claro, mas correspondem a um grande número de pessoas daquela geração. Júpiter e Saturno, no entanto, têm uma atuação peculiar do ponto de vista das vidas passadas: o relacionamento entre Dharma (Júpiter) e Carma (Saturno). Obviamente não se pode atribuir todo o complexo Carma/Dharma somente a esses dois planetas, mas a todo o conjunto da interpretação. Todavia, esses arquétipos são vitais para a compreensão e o estabelecimento de uma noção dos deveres (Júpiter) espirituais e das necessidades de equilíbrio da alma (Saturno).
O espaço ocupado pelas casas é extremamente importante na consideração do mapa cármico, pois uma casa muito extensa mostra a necessidade de que aquela experiência seja vivenciada por mais tempo e com mais intensidade do que as outras, exceto se o astrólogo se utilizar do sistema de casas iguais. Nesse caso, essa medida perde o sentido.
Ainda relativo à extensão das casas: considerar os signos interceptados, que não estão “presentes” de maneira tão óbvia quanto os outros. A explicação está no fato de que as cúspides são as materializações das personas que compõem o indivíduo e, se nenhuma delas tocar determinado signo, este não estará sendo manifestado como uma persona, mas como uma experiência pura (intensa) e profunda nos ciclos lunares e planetários. Estes ciclos, ao ativar signos interceptados, irão permitir a identificação da existência de algo que aparentava ser inexistente. Um exemplo disso seria a reunião de características de várias épocas diferentes vistas pela disposição das casas de maneira inversa, isto é, de trás para frente. Enquanto a casa 12 tende a representar a última ou a mais evidente das vidas anteriores (embora nem sempre), à medida que se vêem uma a uma as casas precedentes, verifica-se uma experiência coletada nos registros akáshicos cuidadosamente colocada num setor da vida em que o indivíduo usará tal característica.
Os signos interceptados, portanto, estão inseridos dentro da experiência principal da casa, indicando que, naquele setor em especial, as experiências têm um caráter dúbio, e que as casas cujas cúspides repetem o mesmo signo representam um carma idêntico e talvez a mesma identidade do passado atuando em dois diferentes setores de vida. Conclui-se que tal identidade ou característica precise de mais intervenção da consciência, através das novas oportunidades, e que o signo interceptado, que não está “aparente”, será experimentado quase como uma novidade no decorrer dos ciclos.
O que vale para a conjugação da casa 12 com o Ascendente também vale para a casa e o signo que precedem o Sol. É a utilização das chamadas “casas solares”.
Considerar os nodos lunares, seu posicionamento por casa e signo, além dos aspectos que fazem com os planetas. Particularmente, um enfoque maior sobre as conjunções prova ser mais esclarecedor do que o uso de qualquer outro aspecto.
Considerar o ciclo dos nodos, de 18 – 19 anos, que simboliza a oportunidade de liquidar ou de, pelo menos, iniciar o processo de libertação dos aspectos negativos do carma (nó sul ou cauda do dragão). Essa passagem revela uma crise espiritual que pode ou não resultar em evolução ou involução. A evolução seria indicada pelo desenvolvimento dos significados atribuídos ao nó norte do indivíduo, enquanto o contrário, ao nó sul.
Plutão é um fator de grande importância para este tipo de análise. Por representar conteúdos que vêm à tona, é sempre um elemento que traz do inconsciente certas coisas “enterradas” em camadas muito profundas. Em geral são fatores que precisam de alívio, correção e tratamento.
Finalmente, considerar a condição dos planetas regentes de todas as casas. Isso demonstra o modo como lidamos com as diversas situações da vida através de nossas subpersonas. Se o planeta que rege determinada casa está retrógrado, este setor da vida é digno de especial atenção no que tange aos potenciais reminscentes (planetas retrógrados).
Técnica mapa tradicional x Ayanamsa
(Zodíaco tropical x zodíaco precessionado)
Basicamente a técnica consiste em sobrepor o mapa com o zodíaco precessionado (ayanamsa) sobre o zodíaco tropical.
Existem vários sistemas precessionados que são: Lahiri, Fagan-Allen, DeLuce, Raman, Usha-Shashi, Krishnamurti, Djwhal Khul e Dracônico. O sistema de que me utilizo é o de Lahiri, porque talvez seja o mais usado e o que tem mais a ver com o céu astronômico (o céu real).
Os interaspectos mais importantes a considerar são as conjunções, que marcam profundamente características provenientes de vidas anteriores nos pontos em que tocam. Os outros interaspectos precisam ser analisados à luz dos aspectos atuais, pois estes já demonstram os comportamentos e relacionamentos de vidas passadas tanto quanto os interaspectos. As conjunções, por seu turno, enfatizam comportamentos que diferem da interpretação tradicional. Por exemplo: um tipo solar taurino deveria ser voltado para a busca do conforto, uma certa indolência e resistência a mudanças. Todavia, muitas vezes a disposição do indivíduo é marcadamente dinâmica (ariana), espiritualista (Sol do mapa tropical em conjunção com o Júpiter do precessionado) inquieta e curiosa (Sol precessionado ativando a casa 3 do mapa tropical).
Um exemplo muito interessante e que deixo aqui também como incentivo à pesquisa, é o mapa do jovem “F”, nascido em 05/06/1981, às 21:55, no Rio de Janeiro.
Os pais relatam que ele vem manifestando o desejo de se tornar médico desde tenra idade. A afirmação se repete e se reforça à medida que vai amadurecendo. Em seu mapa vemos que não há uma evidência simbólica tão intensa que possa explicar essa veemente intenção percebida desde a infância. Há, contudo, o Meio do Céu em Escorpião, mas isto, por si só, não é dado suficiente para definir um interesse tão grande em medicina. Além disso, seus regentes, tanto o clássico, Marte, quanto o moderno, Plutão, não estão em pontos ligados à medicina. Plutão está em Libra e na nona casa, muito bem aspectado pelos trígonos enviados ao Sol e ao Ascendente e pelo sextil com Netuno. Marte está em Gêmeos e na casa 4. O regente do Sol, Mercúrio, está conjunto a Vênus e na casa 5. Faz quadratura com Júpiter e Saturno. Apenas Urano, que rege o Ascendente pelo modelo moderno de interpretação, está retrógrado em Escorpião na casa 10. Este faz trígono com a Lua, quincunce com Vênus, oposição a Marte e sextil com Júpiter. A situação de Urano neste mapa sugere um certo contato com a Medicina, mas não de forma tão incomum como no caso de uma pessoa que desde criança mantém a certeza na profissão que irá exercer. A retrogradação é um fator preponderante, mas mesmo assim a posição de Urano na casa 10 é relativa a profissões de vanguarda
A Lua se encontra em Leão, conjunta ao nodo norte e na casa 6. Esta casa é caracterizada como ligada à
medicina e saúde. Mesmo assim, sua cúspide canceriana e seu regente em Leão refletem um comportamento dramático e uma forte necessidade de centralização em seus afazeres. Dentro das profissões mais comuns com
este tipo de configuração estão as de pessoas que se dedicam ao público, atores teatrais, escritores, animadores
de festas e de programas de televisão.
Durante um bom tempo pesquisei o que poderia ter relação com uma vocação médica no mapa de “F”, mas não encontrei dados significativos. Ao ler, entretanto, sobre interpretações publicadas sobre o recém- descoberto planetóide Quíron, resolvi inseri-lo no mapa e analisá-lo sob a técnica do ayanamsa. Bingo! Lá estava o Sol precessionado sobre o planetóide. Isso pode ser associado ao aspecto de biquintil de Mercúrio, regente do Sol, com Urano retrógrado. Boa maneira de verificar a condição holográfica do mapa astrológico. Um fator confirma o outro assim que decodificamos o símbolo. De qualquer maneira, o que mais sugere o interesse pela medicina é o planetóide Quíron conjunto ao Sol precessionado. “F” também tem habilidades variadas, como um bom geminiano. Entre elas está sua aptidão para desenho artístico e música.
Quanto às estrelas fixas neste mapa
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O |
décimo-sétimo grau de Escorpião, segundo Nicholas Devore, é associado à música. A estrela mais próxima |
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ao |
MC , Zuben ElGenubi, o Prato Norte da Libra, é associada a boa fortuna e ambição elevada. Tem a natureza |
de Júpiter e Mercúrio. Sobre a Lua temos Castor, a alfa de Gêmeos. Esta estrela é associada a Mercúrio, segundo o modelo ptolomaico. Sobre o Sol, a mais próxima é Rigel, associada a Júpiter e Marte, segundo Devore, e Júpiter e Saturno, segundo Ptolomeu. Sobre Mercúrio, regente do Sol, temos a estrela Dirah, de
natureza de Mercúrio e Vênus. Sobre o Ascendente a mais próxima é Castra, de natureza de Saturno e Júpiter.
O vigésimo-sétimo grau de Escorpião, onde se encontra Urano, o regente moderno do Ascendente, é associado
a literatura e memória, segundo Devore. Para o regente clássico, Saturno, que está conjunto a Júpiter a zero grau e 34 minutos, temos outra estrela com natureza Mercúrio-Vênus: Zaniah. Júpiter está na décima-quinta mansão lunar, um grau crítico, que salienta as características jupiterianas.
Em suma, apesar de haver vários atributos mercuriais que possam sugerir medicina neste mapa, o estilo de combinações mercuriais sugere um interesse pela literatura, artes e comunicação popular e propaganda, maior do que medicina. De onde viria esta ânsia então? Até agora, nesta pesquisa, só encontrei os atributos que descrevi nos parágrafos anteriores.
O simbolismo de Quíron contém ume série de alusões à medicina e à saúde, alimentação natural, ervas e
terapias. Onde ele se encontra no mapa de alguém é o ponto onde se encontram feridas e dores que nos fazem tanto buscar meios para curá-las quanto transmitir esses meios àqueles que nos procuram. É o arquétipo do curador ferido em ação. É encontrado em posicionamentos significativos no mapa de muitos curadores e terapeutas. Curiosamente, no mapa de Carl Gustav Jung temos a Lua precessionada sobre Quíron. Para quem quiser pesquisar, aí vão seus dados: 26/07/1875, às 19:32, UT (00:00), Kesswil – 47N35, 009E20.
Retrogradação e o mapa de vidas passadas Planetas rápidos retrógrados
Vamos esclarecer alguns pontos importantes a respeito do movimento retrógrado, tendo em mente que seu posicionamento por signo e casa deverá ser entendido com base no que está apresentado nesta apostila. Não apresentaremos uma “receita de bolo”, dizendo como os retrógrados atuam em cada signo, mas daremos subsídios para que cada um possa gerar esta interpretação por si próprio, sendo específico de caso em caso. Ao final do curso daremos sugestões de livros sobre o assunto que fornecem tais fórmulas padronizadas, mas alertamos que essas funções atuam de modo muito específico de um indivíduo para outro, sendo, portanto, importante que se considerem os princípios simbólicos ao invés de padrões.
Conceito de retrogradação:
A face do transgressor ou elementos marginais
“Aquele que não faz uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os demais.” (Nilton Bonder)
Um indivíduo com várias retrogradações caracteriza aquele que subverte as tradições, dogmas e costumes. Por isso mesmo acaba por manter a chama da Tradição viva. Ele revê todos os aspectos impostos social e historicamente, rejeita, amortiza e transcende. A não transcendência significa sofrimento em potencial para estes indivíduos. Muitos transgressores considerados criminosos segundo nossos padrões sociais são plenamente identificados com as carcterísticas de seus planetas retrógrados. A patologia social destrutiva talvez se dê pela falta de meios de utilização desses potenciais. Cabe-nos investigar e, quiçá, descobrir esses meios alternativos.
O mais interessante a respeito de todo e qualquer planeta retrógrado é que sua movimentação pelas casas e
signos é inversa, dando-nos uma visão muito peculiar de todo o resto do sistema solar. Imaginem-se numa roda de pessoas que se movimenta no sentido anti-horário. De repente, vocês resolvem parar, observá-las e
mudar de direção, para o sentido horário. Que transgressão!!! Isso lembra o filme “O Expresso da Meia- Noite”, na cena em que o protagonista, para evitar a loucura, move-se na direção contrária à de seus companheiros de sanatório na Turquia. O ponto de vista que temos depois de alterar essa direção é totalmente diferente do que tínhamos, não é? Percebam a sensação de isolamento e de individualismo que isso produz. Pois bem, no caso dos planetas retrógrados, é mais ou menos a mesma coisa, se pudermos transportar essa analogia para um movimento aparente (não é um movimento real). Acontece que, se a pessoa consegue observar suas atitudes, pensamentos, emoções e relacionamentos com o ponto de vista de um planeta retrógrado, ela terá uma certa vantagem sobre sua condição anterior, quando desejava levar adiante todo um conjunto para a mesma direção, sem que algumas parcelas o desejassem. Por exemplo: Se Júpiter está retrógrado, não adianta querer ser favorecido através de tietismos (característicos de um Júpiter pouco desenvolvido), falsas imagens sociais ou especulações financeiras, riscos etc. É muito mais fácil para o
indivíduo (embora ele possa ter um certo desconforto no início, por diferenciar-se da maioria) concentrar-se no conhecimento genuíno dos assuntos que quer expandir, transcendendo a confiança inata, infantil (jupiteriana),
de que as coisas vão dar certo. Aqui, substitui-se a fé cega pela fé justificada na comprovação de suas intuições
pela prática do conhecimento. Júpiter adquire uma faceta saturnina.
A incidência de planetas retrógrados no mapa astrológico pode revelar um potencial transgressor, seja o
transgressor progressista, seja o desejoso de poder para si. Isso é bastante variável e ocorre de acordo com a reação que cada pessoa tem aos eventos por que passa em sua vida. Os modelos de conduta e os modelos de pensamento que assimila desde a infância também fazem parte da construção de uma “transgressão saudável” ou não. Tudo relativo à capacidade de manter-se íntegro ou individualizado ante as enormes pressões exercidas pela sociedade imediata. Muitos indivíduos identificados com suas retrogradações marginalizam-se. Isso pode ocorrer em vários níveis, seja o banditismo, seja aquele que age à sua maneira, independente de normas e conceitos. Há inúmeros casos de pessoas nascidas em favelas e cortiços que chegaram a uma condição não apenas mais confortável na vida, mas o fizeram pelo fato de desafiarem todos os valores impostos, todas as crenças negativas a respeito daquilo que desejavam. É muito comum vermos famílias impregnadas por um sistema de crenças negativo, derivado muitas vezes de falta de informação, que não conseguem perceber os talentos de alguns de seus membros. Algumas das pessoas que desafiam essa crença tornam-se bons cantores e intérpretes, a despeito de terem ouvido continuamente que eles eram cantores ruins.
A exemplo disso, eu e alguns amigos tivemos uma experiência interessante durante a adolescência. Éramos em número suficiente para integrar duas bandas de rock. Elaboramos nossas habilidades e me colocaram como vocalista. A outra banda também teve um vocalista e um baixista com vários planetas retrógrados. A diferença
entre nós é que eu preferi seguir Astrologia, pois tentava compreender o porquê das ações das pessoas e vivia curioso a respeito das origens da consciência humana. Não segui carreira musical, apesar de ter me apresentado em vários bares e shows colegiais. Era um desses considerados pela família e vizinhança um péssimo cantor, mas éramos bem recebidos nos shows e tínhamos um público cativo em bares. Chegava a receber pedidos para interpretar músicas com minha voz, pois os ouvintes me viam como um bom cantor. Se
eu tivesse acreditado que era ruim sem ter desafiado a crença, nunca teria realizado a experiência. Quanto aos
outros dois, eles também tiveram, especialmente o baixista, uma enorme dose de crenças negativas projetadas sobre seus talentos. O vocalista já se apresentou em Miami, N. York, e volta e meia está entre amigos exibindo sua voz limpa e afinadíssima. O baixista hoje é um profissional muito respeitado no meio artístico, já tendo acompanhado músicos muito famosos em shows pelo brasil e no exterior.
Resumindo: Aquilo que é comum, cotidiano e conhecido costuma não receber a mesma atenção dada ao que se
apresenta com um certo glamour. Em geral, projetamos nossa própria mediocridade naqueles que estão mais próximos de nós. Quando falo “nós”, falo de TODOS nós. Se não somos capazes, se nenhuma pessoa que conhecemos é capaz, então fulano, aquele “zé mané”, também não é capaz. Esta é uma tendência que gradativamente vamos eliminando à medida em que aprendemos a amar a nós mesmos e, conseqüentemente,
as projeções de nosso centro, exteriorizadas pelas pessoas de nosso contato. Obviamente há o elemento bem-
humorado em algumas destas atitudes. Muitas pessoas realmente estão brincando com seus amigos quando agem dessa forma, sem ter inveja de quem falam. Entretanto, vasculhando em profundidade a atitude, isso faz parte da pressão social que elas mesmas sofreram. Nem sempre estão despidos de razão, mas é importante a lembrança de que tende a ser imediata a associação entre quem nos é próximo e o que normalmente acreditamos que não seja possível.
Perceber tudo isso com rapidez é um pouco difícil. Requer conhecimentos astropsicológicos ou elementos que permitam um aprofundamento no Eu interior. Essa percepção não é, contudo, tão “perfumada” quanto
gostaríamos. É o fato de estarmos diante de catalizadores de nossos medos, de nossa falta de confiança e de nossa potencial mediocridade. As pessoas que nos surgem como críticos negativos são representações externas
do
que temos internamente, tanto quanto o são os relacionamentos e as circunstâncias que vivenciamos.
Função básica do planeta retrógrado: descondicionar
conteúdo do inconsciente são as memórias desta e de outras vidas, segundo o enfoque reencarnacionista. A
recordação, provocada pela sua liberação na mente consciente, possibilita o desligamento e/ou tratamento progressivo dessas memórias, sejam elas quais forem.
O
O movimento de retrogradação está ligado ao lado direito do cérebro (intuitivo, artístico), lidando em
profundidade com os instintos criativos.
Os planetas retrógrados simbolizam muito mais do que o passado ou uma tentativa de a ele retornar. Eles
representam acima de tudo o futuro, pois são potenciais do passado que estão sendo reativados, visando a uma realização concreta. Obviamente isso pode até levar mais de uma vida para ser concluído, dependendo de que planeta estamos falando. Como potencial para o futuro do indivíduo, à medida em que se fazem sentir na vida
de cada um, e para a espécie humana 11 , eles precisam trazer todas as esperanças e devaneios do passado para
que seja possível concretizá-los no “Aqui” e no “Agora”. Quando falamos de progressão secundária, no espaço
de uma vida, os planetas lentos muito raramente terminam sua retrogradação. Isso leva um tempo considerável
até mesmo para os planetas rápidos (Mercúrio, Vênus e Marte). De qualquer forma, são estes conteúdos reincidentes que não puderam ser manifestados em épocas anteriores que materializam (aceleram) os potenciais do futuro no presente. Assim, o “futuro” correspondente ao simbolismo de cada retrógrado tem características e potenciais trazidos de ideais do passado.
A título de experimentação dessa teoria vale a pena observarmos nosso comportamento durante uma
retrogradação de um planeta rápido. Assim que este volta a seu movimento direto, tudo o que foi gestado
durante a retrogradação começa a manifestar-se com mais clareza. Os pontos retrógrados correspondem às atitudes não conformistas nos setores (casas/signos) em que se encontram. Vê-se que o fator descondicionante
do movimento retrógrado tem semelhança com o simbolismo de Urano, que é inconformista, iconoclasta e
revolucionário. O direcionamento para o futuro vem por vias alternativas, pois, se voltarmos à cena aludida no início deste módulo, entenderemos que o retrógrado vai ao encontro do mesmo fim que os planetas diretos,
Os retrógrados, são, portanto, armazenadores de força
para o sistema do indivíduo, pois coletam os recursos do inconsciente ligados ao passado individual e coletivo e os disponibilizam para uso no presente/futuro.
mas vai no sentido inverso e, às vezes, mais depressa
Planetas rápidos
(Mercúrio, Vênus e Marte)
Os planetas rápidos ficam mais raramente retrógrados do que os pesados e permanecem por menos tempo em
marcha-à-ré. Mas, quando isso acontece, eles representam um papel de bloqueio extremamente poderoso no destino do indivíduo. É preciso então verificar, por progressão secundária (o movimento de um dia equivale ao
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de |
um ano), quanto tempo o planeta ficará retrógrado depois do nascimento. O ano em que os rápidos partem |
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de |
novo em sentido direto marca uma virada importante na vida do indivíduo, uma liberação de um bloqueio. |
Mercúrio
Mercúrio retrógrado tem algo que lembra Mercúrio na casa 12 ou em Peixes. É passível de ser considerado um “porta-voz do inconsciente”. Em progressões, Mercúrio, devido ao seu movimento rápido, pode vir a se tornar retrógrado. Mercúrio retrógrado tende à reflexão e à introspecção (ao inverso do Mercúrio direto, que é naturalmente extrovertido), pois precisa repensar, refletir, refazer, divulgar amplamente ou difundir sutilmente informações, práticas e tarefas não terminadas outrora.
11 No caso dos transpessoais.
Outra manifestação de Mercúrio retrógrado são os irmãos do passado que retornam, seja como irmãos propriamente ditos, seja como pessoas que se ligam ao indivíduo, fazendo-o sentir como se estes fossem irmãos (e já foram), partilhando sonhos, esperanças, angústias, brigando e discutindo muito, mas sempre ligados de um jeito ou de outro, sem perder o contato.
Um tipo de problema comum a esta forma de Mercúrio se apresentar é o fato de achar que não há necessidade de ser específico, ou ser conciso demais no que tenta comunicar. Ele faz uso de imagens telepáticas sem que se dê conta disso. Precisa aprender a objetividade na forma de relatar sentimentos, visões e sensações, porque nem todo mundo é capaz de perceber as nuances de sua maneira de passar informações. Precisa, acima de tudo, não cobrar demasiado de si mesmo, quando não é capaz de transmitir coisas que simplesmente só se pode conhecer pela prática, pela experiência própria. Não adianta tentar explicar Deus com palavras, porque a experiência divina só é perceptível para aqueles que a buscam (e cada um tem uma experiência sui generis).
Pensamento profundo, distante da futilidade de uma conversação coloquial, tende a não ser loquaz. Sob seu ar de frieza, há uma enorme sensibilidade tentando ser expressada.
Pessoas com Mercúrio retrógrado podem ter sido músicos do passado 12 buscando expressão na atualidade, uma vez que a música é uma forma de comunicação universal. Por outro lado, a matemática também vem a ser um idioma universal. Ela costuma ser utilizada pelos cientistas visionários que se expressam melhor dessa forma, elaborando conceitos como as teorias de Carl Sagan (que tinha Mercúrio retrógrado) e sua extraordinária capacidade imaginativa expressa em livros técnicos e em romances como “Contato”. Aliás, muitos escritores inspirados apresentam Mercúrio retrógrado ou em Peixes (ou ambos) em suas cartas.
Mercúrio (independentemente de signo, casa e aspecto) é racionalismo puro, é o intelecto frio e cortante que analisa, classifica e informa sem envolvimento. Quando retrógrado, fica recheado com uma certa capacidade intuitiva, com fortes vínculos emocionais que nublam um pouco o raciocínio imparcial. De tanto que está empenhado em descobrir o que está além da compreensão imediata, acaba não percebendo o óbvio. Entretanto é Mercúrio retrógrado que faz um poderoso vínculo com o inconsciente e com flashes de existências anteriores.
Vênus
Enquanto Vênus direto busca relacionamentos com naturalidade, quando retrógrado, a disposição geral é para o isolamento. Uma vez que o indivíduo sente uma necessidade imperiosa de buscar o parceiro ideal, as coisas podem se complicar. Ele pode até tentar explicar racionalmente que “não é nada disso” ou dar motivos para fracassos repetitivos em sua vida afetiva, mas, lá no fundo, ainda sente aquela inadequação aos laços compromissados. Isso não se limita aos relacionamentos afetivos. Toda e qualquer associação terá este impedimento, caso não se dê a devida atenção ao fato de que é preciso ter flexibilidade e não se tenha a consciência de que não se vive um relacionamento profundamente (nem se absorvem grandes lições dele) se tudo estiver do modo como escolhemos conscientemente. É esse o desafio de Vênus retrógrado: entender que nossos ideais de união perfeita podem estar mascarando uma grande dor reminiscente de eventos anteriores a essa vida, ao mesmo tempo que bloqueiam o fluxo e refluxo dos desígnios do inconsciente. Pode ser que o indivíduo também esteja guardando um trauma psicológico por herança (alguma perda afetiva) de algum ancestral não muito distante (bisavô, trisavô, tetravô, coisas do gênero). Em muitos casos, a capacidade de dar amor e de receber amor genuíno foi negligenciada ou mal vista pelo indivíduo. Talvez ele tenha sido demasiadamente influenciado pelos costumes de uma época e local distantes, evitando uniões que seriam fundamentais para seu desenvolvimento. Ele tem, portanto, uma série de relacionamentos cármicos a resolver com os pais de outrora (que podem ter tido um papel ativo em tal impedimento), com afetos verdadeiros rejeitados, isto é, pessoas pelas quais o indivíduo realmente se apaixonara, ou com pessoas que o influenciaram (assim como ele as influenciou) em decisões importantes sobre seu senso de atração e repulsa.
Marte
12 Especialmente se tiver contatos com Vênus, se estiver em Touro ou Peixes.
Se Marte direto é nossa capacidade de enfrentar desafios, de movimentar a realidade e de manter nossa integridade pessoal através da aplicação da agressividade no mundo, Marte retrógrado aplica-se muito mais no lado mental e espiritual (filosófico também). Há falta de contato com a realidade pura do sistema de necessidades, daí a dificuldade de coordenar pensamentos e ações. O posicionamento de Marte retrógrado em signos e casas mentais (de elemento Ar, ou em Virgem, casa 6, ou em conjunção com Mercúrio, Saturno e Urano) ativa-o extraordinariamente no que tange aos atributos intelectuais, sendo difícil alcançar um estado de relaxamento, ao mesmo tempo em que inibe psicologicamente a atividade física e a expressão dos estados emocionais mais intensos. Isso provoca uma verdadeira “síndrome de panela de pressão”, prestes a explodir por não dar vazão aos sentimentos. Ora, os sentimentos são a base para as ações de Marte. Sem eles tudo fica inerte, teórico demais.
É preciso incentivar a independência nestes indivíduos para que eles possam superar seu carma de agressividade e de energia mal aplicadas. Atualmente eles trazem complexos por terem sido líderes
extremamente rigorosos de outrora. Hoje procuram estratégias e meios de alcançar seus fins através da energia
e feitos alheios.
Quando Marte está em retrogradação, age de modo subversivo ou contrário àquilo que o ego tenta realizar ou contra o caminho de individuação sugerido pela posição ocupada pelo Sol no mapa. O segredo para uma atuação mais satisfatória no mundo é ceder para poder vencer. Quando o indivíduo finalmente percebe que não adianta lutar, manipular tudo e todos para que seus desejos sejam satisfeitos, ele se entrega à fé em alguma força maior do que ele para que seus problemas sejam resolvidos (e a tendência é que efetivamente o sejam).
Júpiter e Saturno retrógrados Planetas transpessoais retrógrados
São os planetas que com mais freqüência encontram-se em retrogradação. São meses em marcha-à-ré para estes planetas. Vejam:
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PLANETA |
TEMPO DE RETROGRADAÇÃO (APROX.) |
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Júpiter |
4 |
meses por ano |
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Saturno |
4 |
meses e meio |
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Urano |
5 |
meses |
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Netuno |
6 |
meses |
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Plutão |
6 |
meses e uma semana (geralmente no verão, para o hemisfério sul ) |
Assim, um enorme número de pessoas nasce com estas retrogradações, especialmente os nativos da primavera
e verão, além de alguns do início do outono (no hemisfério sul).
Júpiter
Júpiter retrógrado manifesta-se pela introspecção na busca da Verdade Interna, ao invés de extroversão e divulgação da verdade adquirida em consonância com aquilo a que a sociedade dá valor, mas apenas superficialmente. Os atributos de Júpiter retrógrado identificam o indivíduo que sente que precisa ser merecedor de respeito e honra (e até da publicidade inerente a este planeta), mas que tem de procurar a confirmação de seu sistema de crenças e filosofia de vida em si mesmo, na prática, no cotidiano. Para Júpiter isso pode ser meio doloroso, pois só deseja o sublime sem o mundano, mas ele precisa justificar-se para si mesmo, sem que a intervenção de dogmas, estatutos e princípios da mentalidade de sua época possam persuadi-lo ou poluir seu ponto de vista. As palavras nos traem por não expressarem tão profundamente as emoções e os conceitos como deveriam ser, pois pode parecer dramática ou fanática demais tal disposição. Na verdade, não é.
Raciocinemos: Júpiter (assim como Sagitário) procura sempre uma causa ou uma fonte única para a miscelânea de fatores que inundam o meio ambiente e que podem confundir a união da consciência inferior com a superior. Sobretudo no mundo moderno essa tendência é cada vez maior, e o distanciamento de nosso centro de consciência pode ser piorado pela poluição da mídia e das sensações cada vez mais fortes (fornecidas
por meios sintéticos) do mundo material. Indivíduos com Júpiter retrógrado não se sentem assim tão bem sob tanta pressão (lembrem-se de que os retrógrados precisam de um certo isolamento) e necessitam estabelecer seus próprios fundamentos sem se deixarem perturbar pelo turbilhão de variedades. É conhecida a sensação de que se está “perdendo algo”, quando se trata de Júpiter ou Sagitário. Para Júpiter retrógrado não é diferente, mas este prefere “expandir-se concentradamente” antes de apenas abrir um leque de opções.
A consciência de quem procura ativar seus planetas pesados retrógrados age mais ou menos dessa forma:
expandindo-se concentradamente (Júpiter), libertando-se através dos limites (Saturno), evoluindo através da tradição do passado (Urano) e manifestando a universalidade na unidade (Netuno).
Saturno
Saturno retrógrado indica continuação ou continuidade de processos cármicos já em andamento, cuja
resolução fora desencadeada em existências anteriores. De fato, muitos dos acontecimentos ligados ao Saturno
de uma pessoa que o tem retrógrado são praticamente uma repetição de eventos de outras encarnações. Claro,
muitos eventos se repetem para toda e qualquer pessoa (tendo ou não Saturno retrógrado) com a finalidade de libertar o indivíduo de algum fator que ainda o esteja aprisionando, como traumas antigos. No entanto, este tipo de Saturno representa uma necessidade reiterada de completar ou de dar continuidade a um processo de equilíbrio que foi interrompido deliberadamente. Muitas dificuldades podem ser enfrentadas até que seja feita uma reavaliação das possibilidades de retornar ao ponto onde se parou, porque o inconsciente está mandando a seguinte mensagem: “Você tem agora a oportunidade de concretizar tudo o que aprendeu a duras penas no passado. Não desperdice isto, não seja leviano”. É provável que a pessoa com Saturno retrógrado (principalmente se estiver no Meio do Céu) tenha um carma com enormes responsabilidades sociais e que as tenha rejeitado no passado. É aconselhável (se for este o caso) que não se desvie de seu carma, mesmo que isso não lhe seja aprazível, mesmo que leve a distanciamento da família e do sentimento de segurança ilusório de permanecer sob os auspícios do governo, de um empregador ou de pais abastados.
Urano
A retrogradação para Urano é um fator um tanto redundante. Vejam: Urano, apesar de ser o planeta da
fraternidade, pressiona o indivíduo a se libertar do condicionamento social, familiar e racial. Por causa disso, vem a ser um agente da individualização e também da individuação. Ele individualiza quando faz com que expressemos nossa peculiaridade, a despeito das pressões sociais. Ele individualiza quando nos leva a gerar eventos traumáticos que nos forçam a abandonar padrões pré-estabelecidos. Ele nos torna indivíduos quando percebemos as amarras às quais estamos presos por puro convencionalismo. Finalmente, nos tornamos indivíduos quando passamos a dar ouvidos à essência de nosso ser, ao Self, à voz interior que nos orienta e nos confere paz. A redundância está no fato de que a retrogradação também age desta forma, fazendo com que percamos os “trilhos da conformidade” que nos conduzem como gado para onde o vai-vem da história sempre tende a levar. Com a retrogradação de Urano, esse sentimento de alienação é muito mais contundente, levando
a casos extremos de radicalismo ou individualismo. O segredo aqui é o portador desta retrogradação buscar
honestidade total consigo mesmo, evitando diluir-se em preocupações com o grupo (geralmente preocupações hipócritas impostas por sociedades de outrora) e deixando de tentar reformar o mundo à sua própria imagem e semelhança. É uma condição comum entre aqueles que penetram a fundo nos questionamentos sobre a vida e em estudos iniciáticos.
Pode-se perguntar: isso não está ligado a Netuno e a Plutão? Sim, também. Mas Urano, sobretudo quando
retrógrado, por seu papel inspirador e individualizador, leva a grande introspecção, isolamento e uma enorme compreensão do lado emocional do ser humano. Em outras existências pode ter vivenciado um forte distanciamento de sua natureza emocional, sendo oportuno vivenciá-la agora. A intuição e percepção são ampliadas, especialmente se Urano estiver em um dos quatro ângulos do mapa ou se estiver bastante evidente (com muitos aspectos, em conjunção com o Sol ou a Lua ou com o dispositor destes). O motivo é que houve
tal desenvolvimento anteriormente devido ao contato com conceitos e filosofias iniciáticas. Em geral, muitos
modelos e padrões de pensamento e comportamento já foram transcendidos.
Netuno
Comumente interpretamos o posicionamento de Netuno como um ponto onde deve haver sacrifícios a serem feitos e às ilusões. Na verdade, Netuno é o fator que dissolve as ilusões, quando nos torna cientes de que as atividades de nosso ego e as circunstâncias de nosso mundo físico é que são ilusórias. A realidade material nada mais é que um espelho da realidade arquetípica representada por Netuno. Quando retrógrado, todavia, o ser compreende que nada pode ser mais sagrado do que o mundano, isto é, a aplicação profunda de sua consciência espiritualizada nos afazeres terrenos. Jesus de Nazaré já dizia que devemos viver neste mundo, mas não pertencer a ele. Esta é a premissa básica do indivíduo que vem trazendo Netuno retrógrado, pelo menos quando se torna um pouco mais consciente mediante seus impulsos em direção ao espírito.
Netuno também nos conduz ao humanitarismo, à compaixão, ao que está descrito na oração de São Francisco
de Assis: “Mestre, faze que eu procure mais consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido,
amar que ser amado”. Entretanto, seu movimento retrógrado (trazendo individualismo e pontos de vista altamente evolutivos) evita que caiamos num círculo vicioso de auto-anulação. Pensemos bem: o ego precisa ser domado e precisa funcionar como uma ferramenta para a manifestação dos princípios divinos inerentes à humanidade, mas se for anulado completamente, estaremos à mercê dos elementos. Para que o Criador nos faria com ego, então? Ele deve ter sua utilidade, não é? Pois é este mesmo o questionamento de Netuno retrógrado (além de ser um conflito interno que causa evolução), que irá expressar-se de acordo com o colorido da casa e signo onde estiver (num tema individual, especialmente nas casas). Estes indivíduos entendem que precisam consolar, mas querem ser consolados, querem compreender, mas querem ser compreendidos, querem amar, mas, se ninguém amá-los, de que vale a pena viver, ora bolas? O indivíduo com Netuno retrógrado entende que deve haver reciprocidade, que a vida é um processo participativo e não apenas contemplativo.
A tradicional interpretação de que Netuno dissolve as fronteiras, o ego, e leva à consciência psíquica e cósmica
é a mesma neste caso, porém acrescenta-se o fator inclusão, pois o netuniano veio trazendo do passado uma
série de tentativas de redenção, além de grande dedicação a causas que não foram bem sucedidas ou não foram aceitas (inquisição, preconceitos, as cruzadas, fanatismo etc). Portanto, o indivíduo busca ser incluído, mesmo
como ego, no processo de bênção universal. Há um fator negativo nisso tudo, quando a revolta trazida pelas memórias passadas de frustração dos ideais impede-o de ver todo o circuito da vida, levando-o a personificar o líder fanático de seitas religiosas, o general impiedoso, o político ganancioso e tipos afins.
O desafio de Netuno é amar sem pedir nada em troca, mas a consciência do retrógrado é ampliada pelo
conhecimento da lei do retorno, fazendo com que haja esse nível de inclusão.
Plutão
Plutão fica a metado do tempo de seu ciclo em retrogradação e, por isso mesmo, uma grande parte das pessoas do mundo provavelmente tenha-o retrógrado em seu mapa. Ele, mais do que qualquer outro, talvez seja o planeta que mais tem relação com conteúdos provenientes de vidas passadas. Diferentemente de Saturno, todavia, Plutão não exerce a força equilibradora do carma como um fator de focalização, isto é, não trabalha com a lei de causa e efeito na matéria, causando obstruções e muita concentração no ponto onde se encontra. Funciona como um agente do ressurgimento de pulsões e compulsões criados em encarnações ou gerações anteriores. Plutão é o conteúdo até hoje relacionado ao que seria mais profundo no inconsciente e ao que estaria vinculado a processos dificílimos de serem revertidos.
Há uma certa semelhança com a Lua, se considerarmos que ela, em seu ciclo progredido, recupera tais conteúdos do inconsciente através do contato com todo o zodíaco, com as casas e com os planetas em geral. Entretanto, Plutão tem um movimento extremamente lento em seu trânsito, ativando apenas algumas casas no decurso de toda uma vida (ninguém que eu saiba já viveu 250 anos). Tudo o que diz respeito ao simbolismo
dessas casas entra num estado de “erupção”, devolvendo à manifestação exterior, todos os “podres” ou todos
os poderes estocados há séculos geração após geração e vida após vida. Por causa disso, numa interpretação
individual, é melhor estudar sua manifestação nas casas do que nos signos, pois Plutão leva tanto tempo para passar de um signo a outro que focaliza seu potencial em toda uma geração. Devido a isso, ele também representa (assim como Urano e Netuno) o carma planetário manifestando-se na vida de cada ser humano.
Ainda com referência ao carma coletivo, vale observar que nascemos na geração cujos integrantes, na maioria, terão uma relação cármica muito forte conosco, o que suscita a lembrança de nossa missão ou dharma, para equilibrar o carma coletivo. Todos nós temos uma parcela de carma neste sistema de engrenagens gigantesco que é a vida, e Plutão representa a ligação entre o carma/dharma individual e a necessidade de contribuir para o bem estar do mundo. Muitas das catástrofes geológicas ou guerras que removem uma grande parcela da população têm relação com o posicionamento de Plutão no céu e seus contatos com elementos do mapa das pessoas vitimadas. Obviamente os outros transpessoais também têm sua parcela em todo esse sistema de eliminação e transformação da Terra. No entanto, Plutão é encarregado de “limpar” o carma coletivo. Lembrem-se de que é ele o planeta que está vinculado ao sistema excretor do organismo, inclusive do organismo terrestre, dando a chance de recuperação a essas almas, assim como às que permanecem em nosso plano para continuar sua missão autopurificadora. A princípio pode parecer extremamente cruel, mas, se entendermos que isso faz parte da necessidade cíclica da vida, talvez tal imagem de crueldade seja minimizada, uma vez que ela é um ato da Providência, e as pessoas vitimadas precisam partir para um novo ciclo de existência.
Os indivíduos que apresentam Plutão retrógrado tendem a gerar as modificações no mundo exterior a partir daquilo que conseguem transformar em si mesmos. É claro que todas as transformações humanas são provenientes do interior da psique, e Plutão, estando ou não retrógrado, por si só já terá este vínculo com existências passadas e com o carma coletivo. Acontece que sua retrogradação representa, com muito mais intensidade, a preocupação com a retificação interior e com o fato de que somos produto de uma única origem para tudo e para todos.
Individualmente falando, o posicionamento de Plutão por casa, esteja ele retrógrado ou não, identifica a espécie de coletividade ou a espécie de relacionamento que o indivíduo terá com esta coletividade. Se tratarmos somente de Plutão retrógrado, teremos setores onde há uma condensação de experiências cármicas (genético-espirituais) sintetizando todo o esquema do mapa astrológico. O indivíduo focalizará no eixo em que Plutão estiver (ex.: eixo Câncer/Capricórnio) as personas que compõem sua totalidade. Naquele exato ponto do mapa é que temos as grandes crises de renascimento de padrões anômalos de outras existências (ou de
outros relacionamentos com as antigas coletividades) que representam eventos, pessoas e intenções vivenciados sem intensidade. É como se a pessoa tentasse trazer (e realmente o faz) as situações correspondentes a esses eventos passados, adaptados à vida atual, de forma que possa aprofundar-se na experiência.
Plutão em progressão pode passar toda nossa vida (ou uma parcela considerável dela) em retrogradação. Além de oferecer um ponto de vista diferente dos demais na casa em que se encontra, representa a metade da população mundial que não se satisfaz ou não aceita o status quo. Sabemos que qualquer planeta retrógrado precisa estabelecer e receber uma função individual, alterando todas as expectativas que a “sociedade em movimento direto” tem. A retrogradação de Plutão indica onde a metade da população deve evoluir de uma forma mais acelerada. Ela é a antítese, a metade inversa (teshuvah). É o inconsciente sendo trazido à vida prática. Por causa disso, em casos individuais, a pessoa passa a ser um dos agentes da transformação da mentalidade coletiva (exceto se conseguir se acomodar e deixar a própria vida estática, o que acontece muitas vezes).
O Nodo Lunar Sul (Cauda do Dragão) nas casas e signos
Incluo neste capítulo apenas considerações sobre o Nodo Sul por um motivo bastante simples. É ele quem, em teoria, define o que é trazido, isto é, o que nos tem “alimentado” 13 desde um ciclo anterior ao nascimento. Representa uma síntese de nossa estrutura essencial predisposta. O Nodo Norte é representativo do que podemos potencialmente fazer a partir dessas predisposições, criando novas possibilidades e até desfazendo processos destrutivos ligados à criação mental de ciclos anteriores. É o vislumbre do possível resultado derivado das reações à estrutura do Nodo Sul. Mesmo este resultado pode ser alterado com novas imagens mentais e atitudes.
Casa 1 ou Áries
Ajustar relacionamentos e contatos humanos. Abandonar ações egocêntricas e dedicar a vida aos outros. Partilha. Aprendizado da cooperação. Desenvolver sensibilidade às necessidades alheias antes de si próprio.
Casa 2 ou Touro
Necessidade de autocontrole nos desejos de conforto próprio. É preciso abandonar atitudes e pensamentos mesquinhos e dedicar-se um pouco mais ao lado espiritual, ao que não seja relacionado aos cinco sentidos físicos. Aceitar mudanças.
Casa 3 ou Gêmeos
Desafio à mente prática e mundana no sentido de alcançar a serenidade e a mente superior. Perceber amplas perspectivas e possibilidades, abrindo-se aos canais intuitivos. Trocar a visão de vida multifacetada por um ponto de vista básico que regula a vida. Diminuir o número de atividades esporádicas e concentrar-se num conjunto de atividades interligadas de forma conseqüente.
Casa 4 ou Câncer
Alcançar uma certa imagem de dignidade perante a sociedade. Um desafio à maturidade. Buscar independência de outras pessoas, inclusive da família ou dos pais. Evitar exageros no interesse em problemas de ordem pessoal e trabalhar duro para galgar um lugar de respeitabilidade e poder.
Casa 5 ou Leão
Aprender a servir à humanidade ou a um grupo, pensando no todo antes de pensar em si. Aprender o desprendimento e a consciência de não ser o centro do universo. Usar talentos criativos para glorificar o pensamento humano, o mundo e a comunidade (inclusive os amigos) antes de glorificar a si próprio.
13 Uma alusão ao fato de os nodos serem da Lua, o que leva à idéia de alimentação, raiz, recepção e reflexo.
Casa 6 ou Virgem
Necessidade de ver a si mesmo como parte de um todo. Relaxar a tensão de ter de resolver tudo pelo esforço e pelo intelecto. Adquirir fé, compaixão e atitude de contemplação. Não querer ordenar o intangível. Usar a crítica como instrumento benevolente de auxílio e cura. Aprender a confiar na intuição.
Casa 7 ou Libra
Busca da identidade e da individualidade, evitando deixar-se levar ou absorver pelos associados e cônjuge. Adquirir independência, com capacidade de decisão para iniciar seus próprio projetos sem ceder demasiadamente às pressões de terceiros. Considerar mais suas próprias necessidades.
Casa 8 ou Escorpião
Desafio para conseguir um conjunto de valores pessoais. Os recursos agora serão provenientes do próprio esforço. Adquirir estabilidade, direcionando-se para um modo de vida mais pacífico e menos passional. Este posicionamento indica finais dramáticos em vidas passadas que mantiveram imagens traumáticas no subconsciente. A busca da tranqüilidade reverte as memórias dolorosas.
Casa 9 ou Sagitário
É preciso interagir com as pessoas num nível mais mundano, deixando de lado métodos e dogmas do passado,
posturas adquiridas por puro convencionalismo e fanatismo. Dar atenção a outros pontos de vista. Comunicar- se de acordo com a época e local, adaptando-se antes de fazer com que os outros se adaptem. Espargir a sabedoria conquistada no passado e que ainda faz parte do conjunto de memórias subconscientes.
Casa 10 ou Capricórnio
Expressa uma busca por intimidade e pelo conhecimento das necessidades emocionais individuais. Superar a tendência a distanciar-se do núcleo familiar ou grupal de origem apenas para realização pessoal. A vida interior pede atenção. Tolerar as falhas e adquirir humores mais evidentes e honestos para consigo mesmo.
Casa 11 ou Aquário
Sair do anonimato ou da mediocridade pode ser a questão aqui. Criar seu próprio destino e não ser envolvido
pela massa. Disciplina é fundamental, além de aceitação de regras pouco respeitadas no passado. Experienciar
a solidão para que seja possível moldar o caráter individual.
Casa 12 ou Peixes
Adquirir responsabilidade e comprometimento com o mundo material e suas vicissitudes. Sair do mundo de fantasia e desencolver uma vida produtiva sem se sentir a vítima das circunstâncias. Dedicar-se ao serviço/trabalho com o intuito de especialização técnica. Usar a compaixão e sabedoria de outras existências de forma prática para o bem da humanidade.
Os dramas da alma na Terapia de Vidas Passadas (Artigo publicado no jornal Universus de dezembro de 97)
Roger Woolger
Depois de quase uma década de experiências em "Terapia de Vidas Passadas" (TVP), através de estudos e e do trabalho em consultório, passei a considerar essa técnica como um dos instrumentos mais potentes e concentrados à disposição da psicoterapia. O princípio básico não é a ênfase na TVP, mas na transformação e no crescimento pessoal, explorando a possibilidade criativa de estarmos ligados a uma forma de consciência que vai além da percepção comum.
Todas as outras vidas que se revelam a nós, por mais breves e fragmentadas que sejam, são pedaços de um outro "eu". A personalidade não é singular, e sim múltipla, não no sentido psíquico de múltipla personalidade, mas no haver tantos níveis no "eu" quanto cascas numa cebola. Descascamos esses "eus" quando olhamos para nossas vidas passadas ou para os nossos sonhos. Jung acreditava que, na maior parte do tempo, todas as personalidades do sonho são o "eu", outra parte de mim, e todos esses "eus" estão presentes em nós. As vidas
passadas são mais fáceis de interpretar do que os sonhos, porque são histórias, mas muitas delas aparecem de alguma forma nos sonhos.
Embora provavelmente todos nós tenhamos passado por algumas vidas relativamente agradáveis, o que surge naturalmente num contexto terapêutico são as que acarretam algum tipo de problema que desemboca na vida atual. Nesse contexto, minha posição enquanto terapeuta consiste em começar com as histórias de vidas passadas mais traumáticas e que estejam mais próximas do umbral da consciência. A dor, seja ela física ou psíquica, é um indício de que o organismo está desequilibrado – sempre que possível é necessário ir diretamente à dor.
Neste trabalho substituí o nome de "Técnicas de Regressão" para "Dramas da Alma", o que penso fazer mais sentido, pois significa exatamente o que parece: existem dramas da alma que diariamente influenciam todo o nosso campo emocional, os papéis que desempenhamos e a forma como atuamos na vida. Apesar de a alma fixar principalmente esses dramas nos traumas de infância, ela já os tinha ensaiado no útero e tinha-os escrito há muito tempo desde quando passou a armazenar uma carga ancestral de melodramas que todos nós carregamos até hoje.
Os dramas da alma podem ser trágicos, patéticos, com uma boa dose de humor ou banais, mas reconhecidamente podem ser causa de ansiedade, depressão, raiva, ou até de um profundo senso de vazio ou alienação. Eis alguns exemplos de dramas:
1. Sentimentos de abandono e solidão: relacionados a recordações de vidas passadas nas quais sofremos
abandono na infância, separação durante uma crise ou guerra, orfandade, venda como escravo etc.
2. Fobias e medos irracionais: todo tipo de trauma numa vida passada – mortes traumáticas causadas pelo
fogo, pela água, por sufocamento, desastres etc.
3. Culpas e complexos de mártir: lembrança de matar diretamente entes queridos ou de sentir-se responsável
pela morte de outros etc.
4. Dificuldades matrimoniais derivam de vidas passadas em que o mesmo par se encontrava em condições
diferentes de poder, classe social ou sexo, papéis invertidos etc.
5. Indisposições físicas crônicas, repetição de mortes ou ferimentos traumáticos na cabeça, membros, costas
etc., em vidas passadas. A terapia em geral alivia a dor crônica dessas regiões.
Esses tópicos, apenas uma amostragem de muitos dramas que surgem na terapia, dão uma idéia da importância da TVP. As técnicas usadas não são de indução de hipnose, mas implicam certo grau de transe moderado, atingido facilmente na condução do cliente através do aprofundamento de seus sintomas físicos atuais, alguma lembrança significativa, alguma perturbação emocional que ele apresente espontaneamente, quando os sentimentos e palavras começam a se intensificar. Há o encorajamento para que siga a sua história, seja qual for, acreditando ou não em reencarnação. A tendência, no caso da TVP, é a produção de uma história realista, comovente, onde o cliente "vive" num corpo e personalidade diferentes, relatando a história de forma bem dramática.
A pergunta que surge naturalmente é: como saber se essas imagens são reais ou imaginação? Minha resposta é simples: não importa. O importante é serem reais para o cliente. A TVP não busca provas contundentes de vidas passadas como é exigido no trabalho dos parapsicólogos; a terapia visa basicamente ajudar o cliente a melhorar e não provar uma teoria ou propagar uma doutrina.
Roger Woolger é analista junguiano, Ph.D., terapeuta de vidas passadas, autor de As Várias Vidas da Alma e A Deusa Interior.
Relaxamento e reabilitação de reminiscências O uso do mapa como ferramenta de apoio
Observações importantes
Idealmente, exercícios de recuperação de reminiscências deveriam ser feitos sob acompanhamento terapêutico ou sob a supervisão de pessoa treinada. Nem sempre exercícios deste tipo conduzem aos resultados esperados:
às vezes, lembranças extremamente traumáticas ou dolorosas “pulam” para primeiro plano, levando o experimentador a reviver fortes sensações de angústia, pânico, medo ou sofrimento. Como tais lembranças são trazidas para um nível consciente, constituirão, a partir dali, parte do acervo de memória do indivíduo, de maneira tão forte ou tão intensa quanto qualquer lembrança de eventos da vida presente. Neste sentido, só é recomendável tentar os procedimentos a seguir se você tem certeza quanto à sua capacidade de lidar de uma forma saudável e madura com conteúdos perturbadores que porventura venham a ser resgatados. O melhor é que você procure um terapeuta sério, com boa formação e recomendado por outros pacientes. A decisão de utilizar recursos de terapia de vidas passadas nunca deve ser tomada exclusivamente pelo paciente, mas sempre em conjunto com o terapeuta. Na dúvida, não comece.
Procedimentos utilizados em terapia de vidas passadas
Existem diversas metodologias de condução de trabalhos de regressão de memória no âmbito da terapia de vidas passadas. Algumas utilizam hipnose, outras valem-se de uma indução muito leve, em estado de plena consciência. O que se segue é o relato da metodologia utilizada por alguns desses profissionais:
|
1- |
O terapeuta pede ao paciente que relacione alguns problemas que se repetem em sua vida e que faça uma pequena lista num caderno, escolhendo um dos problemas para focalizar sua atenção. O caderno ou bloco de anotações servirá para anotações posteriores e para variações do exercício. |
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2- |
O paciente é solicitado a focalizar sua atenção no problema e a expressar para si mesmo(a) a importância de descobrir a causa, seja ela proveniente do que for. Entender o problema pela raiz é meio caminho andado para sua resolução. O trabalho de indução só se inicia quando o paciente já é capaz de admitir que tem algumas dificuldades associadas a padrões de comportamento repetitivo e com as quais não consegue lidar num nível consciente. Esta fase preparatória pode acontecer em uma ou duas sessões ou levar meses, variando muito de paciente para paciente. |
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3- |
Solicita-se ao paciente que se sente ou deite-se confortavelmente, mas de uma forma que não induza o sono com muita facilidade. |
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4- |
Em alguns casos, se isso ajudar na indução, pode-se utilizar uma música suave (preferencialmente sem letra – new age, clássica ou outras, mas suave), ou o paciente pode acender um incenso de sua preferência. A música pode auxiliar a captação de memórias, especialmente se houver algum vínculo emocional com a melodia. O |
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incenso auxilia o relaxamento, além de simbolizar o elemento Fogo, o espírito, a presença divina. Isso foi visto na lição que trata da Árvore da Vida. |
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5- |
Sugere-se ao paciente que procure eliminar da mente as interferências, os falatórios cerebrais, ruídos mentais que evitam o estado alterado de consciência. Uma boa maneira é focalizar a atenção em algum som ou ato repetitivo, como o OM ou a atenção sobre a respiração por alguns minutos. |
6- Após esta pequena preparação, o paciente é levado a construir uma imagem mental de si mesmo(a) caminhando, descendo uma escadaria. É uma descida ao inconsciente. O paciente é induzido a enxergar tudo, apesar de haver pouca luz. Ele sabe que esta descida é uma caminhada no tempo. É um retorno a períodos anteriores de vida, que se tornam mais distantes no tempo a cada degrau. Vários lances de escada já se passaram nesta descida.
7- O paciente termina de descer e se depara com um corredor onde se encontram várias portas. Uma delas é mais atraente. O paciente se aproxima, abre e entra.
8- O que o paciente vê? Como se sente? A partir desse momento, o terapeuta poderá estender ou abreviar a
experiência regressiva, com base em sua percepção das condições do paciente para aprofundar-se no processo e “digerir” as próprias percepções.
9- Relatada a experiência regressiva, o paciente é instado a observar se lhe está sendo mostrado o motivo do
problema atual, ou se, pelo menos, há referências a suas causas remotas. 10- Finda a regressão (ou esgotada a capacidade de assimilação do paciente), o terapeuta induz o retorno ao momento presente, utilizando a mesma metáfora da escada, das portas etc. O processo termina com o paciente despertando lenta e suavemente.
Se você já fez terapia de vidas passadas
1- Verifique no mapa os fatores relativos ao seu problema da vida atual. Veja tabela anexada, com as
circunstâncias e índoles relacionadas a cada reminiscência problemática.
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2- |
Em seguida relacione os símbolos astrológicos, usando as técnicas que foram disponibilizadas no curso, com o que viu ou sentiu. |
|
3- |
Se desejar, remeta suas dúvidas e impressões ao instrutor. |
Quando observar a tabela de índoles, sempre lembrar que cada caso é um caso. O conteúdo da tabela é uma sugestão baseada numa coletânea de reminiscências relatadas e de fatores astrológicos que a elas correspondem. Existem outros modelos. O que está separado aqui é apenas um modo para o participante começar a verificar por si próprio(a). Se o participante desejar, poderá incluir mais padrões a serem classificados sob símbolos astrológicos. Apenas para exemplificar, você pode enviar algo da seguinte forma:
“Incluir analogias astrológicas para abortos sucessivos ou ferimentos sucessivos na mesma parte do corpo etc.”
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Tabela de Verificação Associativa |
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Padrão |
Planeta(s) |
Condições gerais |
|
repetitivo |
normalmente |
dos planetas |
|
associado(s) |
||
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Dificuldade de aprendizado convencional. |
Mercúrio |
Em Peixes, retrógrado, aspectado tensamente com Saturno, Netuno ou em quadratura com Urano. |
|
Dificuldade de aprendizado em geral. |
Mercúrio |
Aspectado tensamente com Saturno e com Netuno. |
|
Dificuldade em relacionamentos afetivos |
Vênus, Sol, Lua |
Em exílio, depressão, quadraturas com Saturno, Netuno, Urano. |
|
Dificuldade em relacionamentos familiares |
Lua, Saturno, Mercúrio |
Em exílio, quadratura com Marte, em aspectos tensos entre si. |
|
Finanças continuamente abaladas |
Vênus, Lua, Plutão |
Em aspectos tensos entre si. |
|
Indefinição profissional |
Netuno, Mercúrio, Lua |
Em ângulos, na casa 6 e tensamente aspectados, retrógrados |
|
Inadequação em geral ao mundo, à sociedade etc. |
Netuno, Saturno, Mercúrio, Urano, especialmente Netuno |
Em aspectos entre si, em ângulos, ou vários planetas regidos por Netuno. |
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Doenças congênitas |
Regente da casa 6, 12, 4 |
Variável. |
|
Doenças desenvolvidas ao longo da vida |
Variável |
Variável |
|
Abortos sucessivos |
Lua, Vênus, Plutão, Saturno, Regente da casa 5 |
Acompanhado de problemas no aparelho reprodutor. Aspectos entre si, interceptações, ênfase plutoniana. |
|
Ferimentos recorrentes na mesma parte do corpo |
Regente da parte afetada. Ex. mãos = Mercúrio |
|
|
Comportamentos compulsivos |
Plutão |
Angular, conjunto aos luminares, em aspecto tenso com Marte, Saturno e Lua, com maior potência, mas também afeta outros em poucos casos. |
|
Sentimento de rejeição social |
Netuno, Urano, Saturno. |
Angulares, conjuntos aos luminares e regentes dos mesmos e Ascendente. |
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