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MLD Apresenta: Contos “Anjo Ferido” de Gilson Hachiro Publicado em 04/12/2012 no MLD Quadrinhos ©.
MLD Apresenta: Contos “Anjo Ferido” de Gilson Hachiro Publicado em 04/12/2012 no MLD Quadrinhos ©.
MLD Apresenta:
Contos
“Anjo Ferido”
de
Gilson Hachiro
Publicado em 04/12/2012 no MLD Quadrinhos ©.
Todos os direitos reservados ao autor.

Porque se parecia com brisa solitária de manhã de Outono, lembro-me dela sempre que tenho a impressão do inverno se aproximando - porque se parecia com um lírio do campo. Lembro-me dela sempre que me aproximo de Santa Fé do Sul - porque se parecia com um anjo, lembro-me dela sempre que vejo loiros cabelos atravessados pelos raios do sol. Éramos pequenos. Quem nos visse diria:

pelos raios do sol. Éramos pequenos. Quem nos visse diria: - Crianças. – nada mais. Como

-

Crianças. nada mais.

Como a conheci? Não sei. Surgiu um dia brincando na rua da frente, cabelos encaracolados, bochechas vermelhas e correndo de um lado para o outro, sem se preocupar com os carros que iam e vinham pela avenida.

Estava sempre só e eu nunca soube onde morava; nas nossas brincadeiras de todo dia, soube só que tinha vindo de muito longe; de onde tinha bastante terra, árvores

e cavalos.

De criança "apartamentada" que eu era, ficava encantado com aquela história de subir e descer morros cheios de árvores, de beber água de rio, tomar banho de chuva e espalhar milho pela terra.

Um dia, sumiu. E eu fiquei com aquela sensação de ter perdido algo bom, de ter conheciso sonhos de adulto enquanto criança. Havia me apaixonado pela pequena de olhos límpidos e esforcei-me para tirá-la de meus pensamentos, principalmente quando cruzava a mesma avenida na volta do colégio.

Lembro-me de só ter começado a chorar umas duas semanas depois que ela sumiu; acreditava que iria voltar. Curei-me definitivamente somente depois que conheci

a

Lilian no colégio e tive a impressão dos mesmos bons momentos que tinha conhecido.

Muitas e muitas Lílians se passaram desde então, e eu já ostentava meu fabuloso diploma de engenheiro mecânico, especializado em maquinário agrícola, tirado aos trancos e barrancos.

E lá ia eu novamente pela solitária e aborrecida estrada, rumo a Bandeirantes, fazenda Santa Fé do Sul, maquinando como iria consertar o maldito pivô central que encrencara em plena estiagem, para varias.

Parei para jantar num nojento boteco de beira de estrada e estava no meio de um horrível bife que teimava em não ser cortado ao meio, quando reparei na confusão no fundo do salão.

no meio de um horrível bife que teimava em não ser cortado ao meio, quando reparei

"Dois brutamontes se pegando por causa de uma pombinha" - pensei.

Mas não sei porque cargas d'água, ela veio correndo em minha direção pedindo ajuda.

- Moço, faça de conta que me conhece, pelo amor de Deus!

Justo eu, meu Deus, que não dou nem na cintura do menor deles. - ia dizendo quando ouvi.

-

-

nem na cintura do menor deles. - ia dizendo quando ouvi. - - Cindy, você quer

Cindy, você quer ficar com esse cara?

Estremeci! Afinal, não era um nome comum. Fiz primeiro e pensei depois, sem dúvida ; pois quando percebi, estava levantando e dizendo

-

Ela quer ficar comigo sim senhor. Algum problema?

Dei graças a Deus por não ter havido nenhum. Eles se afastaram ante a anuência de Cindy e fiquei parado em sua frente, feito um bobalhão.

Ela tomou a iniciativa de nos sentarmos e só depois é que senti meus joelhos tremerem. Pelo menos estava inteiro e isto, a essa altura do campeonato, já era grande coisa.

Depois de engolir em seco, perguntei-lhe se queria jantar e, enquanto a observava, tentava encontrar nela algo que me fizesse relembrar a menininha de uns 16 anos antes. Cabelos sedosos, um belo corpo, mas será que por trás de tanto rimel consigo ver ainda aqueles mesmos olhos claros que davam a impressão de estarem sempre sorrindo?Estava envolto em meus próprios pensamentos, quando ela se levantou devagarinho, dizendo com voz rouca:

- Trinta reais

Trinta? Que trinta? - será que depois de adulto dei pra ficar bobo? Trinta, ora! E por quê não?

-

O quartinho ao lado do boteco era tão nojento quanto ele próprio, mas a cama era boa - e por que não? Afinal eu estava sozinho e amanhã de manhãzinha já teria chegado a Santa Fé. Lembrei vagamente de tempos atrás, mas isso, aquela hora, não importava - afinal, foi ela quem quis.

Lembrei que ela corria muito e quando eu a olhava, pensava que prometia uma linda mulher - não me enganara! Lembrei que não tinha sido tão pouco tempo assim aqueles que passáramos juntos.

uma linda mulher - não me enganara! Lembrei que não tinha sido tão pouco tempo assim

Lembrei que prometêramos ficar juntos até nos casarmos - mas ela foi embora. - O que será que aconteceu? Por quê tinha ido embora sem ao menos se despedir?

Lembrei da flor que havia tirado do vaso de minha mãe para, às escondidas, levar e enfeitar seu cabelo; lembrei da alegria que li em seus olhos. - Quem a machucou? Quem a transformou ? Porquê se transformou ? Quem a feriu tanto assim?

limpo? Porque sorri agora assim para mim, com esse jeito tão
limpo? Porque sorri agora assim para mim, com esse jeito tão

tão

Lembrei que foi com ela que descobri e aprendi que nos tornamos responsáveis porquem cuidamos, conhecemos, queremos bem ou convivemos. - Gosto de me sentir um homem bom, gosto de pensar bem de mim.

Lembrei que foi a primeira mulher que beijei e pensei:

O que será que a trouxe para este fim de mundo? Porque será que faz essas coisas? Os olhos são os mesmos, mas o que houve com eles? Onde foi parar aquele

sorriso tão

mecanico, tão forçado? Será que se lembrou de mim?

Será que ainda se lembra que sonhamos ir morar no lugar de onde vinha? Cheio de árvores e água cristalina correndo por uma cicatriz na terra? Que mesmo na cidade grande sonhávamos estar num paraíso? Que iamos criar muitas galinhas, gansos e patos mais uma porção de outros animais? Que iamos ter muitos e muitos cavalos e vacas?

Onde e quando se perdeu uma menina com jeito de brisa de Outono quando corria sozinha e jeito de flor do campo quando ficava sozinha, quietinha, sentada no jardim enquanto me esperava chegar da escola? Quando todos te perderam? Quando todos te feriram ? Teu olhar hoje tem sombras, teu jeito hoje tem marcas

- Droga de vida. - o cigarro já estava no fim e a vi levantando.

- Obrigada, heim! Tchauzinho, querido! - Disse se esgueirando pela porta, levando meus trinta Reais.

Senti novamente aquela sensação esquisita de ter sido atravessado por um punhal de gelo, de estar perdendo alguma coisa.

Retomei a estrada rumo a Bandeirantes, pensando com meus botões se devia ou não ter perguntado algo dela, porque tinha sumido, o que fizera desde então, coisas

com meus botões se devia ou não ter perguntado algo dela, porque tinha sumido, o que

desse tipo, próprio de quem se interessa pelas pessoas, de quem se preocupa com as pessoas. Afinal, a noitada tinha sido proveitosa

- Ah! Dane-se! Droga de pivô que sempre encrenca no Verão!

Divulgue :]
Divulgue :]

Fonte de Texto usadas:

Times New Roman

Janda Manatee por Kimberly Geswein (gesweinfamily@gmail.com)

Baixado originalmente em: http://mldquadrinhos.wordpress.com

Manatee por Kimberly Geswein ( gesweinfamily@gmail.com ) Baixado originalmente em: http://mldquadrinhos.wordpress.com