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CURSO ON LINE DIREITO CONSTITUCIONAL EM EXERCÍCIOS TRIBUNAIS PROFESSOR: VÍTOR CRUZ

Aula 1:

Olá pessoal, animados para iniciarmos o curso?

Bom, na aula de hoje veremos:

Constituição: conceito e classificação; aplicabilidade das normas constitucionais; interpretação; poder constituinte; Dos princípios fundamentais.

Lembro que interpretação é matéria que cairá somente para os alunos da área jurídica, ok?!

Vamos lá:

Constituição: Conceito

Aqui eu irei colocar a parte teórica sobre o conceito de Constituição, depois iremos fazer questões para fixar.

Chama-se de constitucionalismo a evolução das relações entre governantes e governados que faz surgir a constituição, ainda que para alguns sem a forma característica de uma.

A doutrina não é pacífica ao afirmar nomenclaturas, fases e marcos do constitucionalismo. O fato é que o constitucionalismo ocorre de modos diferentes e em tempos diferentes nos vários países do mundo.

Veja que o tempo verbal indicado é "ocorre" e não "ocorreu". O constitucionalismo não foi um evento, ele é um evento. Tivemos uma evolução passada, temos uma no presente e teremos outra no futuro, pois a sociedade é dinâmica, os anseios se modificam e a forma e conceito da "constituição" deve acompanhar essas mudanças.

Para falar em constitucionalismo deve-se definir também o que seria uma constituição. A constituição possui após a Revolução Francesa o conceito de ser: o documento escrito que serve para organizar o Estado e limitar o poder dos governantes face ao povo. Porém, antes da Revolução Francesa, já havia constitucionalismo segundo alguns autores.

Desculpe-me "viajar" um pouco, mas é interessante o que diz o prof. André Ramos Tavares sobre o constitucionalismo: Numa primeira acepção, emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende, em especial, limitar o poder arbitrário. Numa segunda acepção, é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. Tem-se utilizado, numa terceira concepção possível, para

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indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas sociedades. Numa vertente mais restrita, o constitucionalismo é reduzido à evolução histórico-constitucional de um determinado Estado.

Baseado ainda nas definições do professor Tavares , teríamos, resumidamente diversos constitucionalismos, a saber:

Constitucionalismo Antigo - Manifestado primeiramente na civilização hebraica (que era teocrática) onde o poder era limitado pela "Lei do Senhor" e posteriormente na civilização grega onde havia um inclusive uma escolha de cidadãos para os cargos públicos;

Constitucionalismo da Idade Média - Marcado pela Magna Carta de 1215 onde o rei João "sem terra" teve de assinar uma carta de limitações de seu poder para que não fosse deposto pelos barões;

Constitucionalismo Moderno - Marcado pela Revolução Francesa e pela Independência dos Estados Unidos, onde o povo realmente passava a legitimar a Constituição e exigir um rol de garantias perante o Estado.

Para a grande maioria da Doutrina, porém, a "constituição" só pode ser chamada efetivamente de "Constituição" no constitucionalismo moderno, ou seja, a partir da Revolução Francesa em 1789 que deu origem a Constituição de 1791 em tal país e da Constituição americana de 1787. Surge, então, o chamado conceito ocidental de Constituição ou conceito ideal. Neste conceito, elencamos as seguintes características:

Forma escrita;

Deve organizar o Estado politicamente e prever a separação de funções do Poder Político (tripartição dos Poderes).

Deve garantir as liberdades individuais, limitando o poder do Estado;

Deve prever a participação do povo nas decisões políticas.

Antes dessa "formalização" do conceito de constituição, diversos documentos e movimentos podem ser apontados como antecedentes deste constitucionalismo moderno. Assim, são geralmente apontados como precedentes históricos do constitucionalismo moderno (irei conceituar apenas para fins de esclarecimento e enraizamento da matéria, não se preocupem em decorar os conceitos, não cairá):

Pensamento iluminista - Pregava o liberalismo político e econômico. Foi a base das revoluções do séc. XVIII e XIX.

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Teoria do Pacto Social de Rousseau - Segundo Rousseau, o Estado é um contrato social entre seus integrantes, logo o povo não pode estar submisso, sem participar nas decisões políticas.

Pactos - Acordos entre o monarca e os barões (ou burgueses). Ex. Magna Carta de 1215, onde o rei só governaria se aceitasse as condições impostas pela nobreza (barões). Outro importante foi o Petition of Rights (1628) onde passou ser necessária o consentimento de todos para que se fossem cobradas dádivas ou benevolências. Importante também é citar o Bill of Rights de 1689 (declaração de direitos) feita pelo parlamento inglês e aceita por Guilherme de Orange, que reconheceu, na Inglaterra, diversos direitos e liberdades como a propriedade privada e as eleições livres para o parlamento.

Forais - Permitiam o auto-governo dos burgos.

Cartas de Franquia - Assegurava a liberdade às corporações e colocava limites ao poder dos senhores feudais para exigir tributos.

Contratos de colonização - Regras consensuais fixadas pelos novos colonos da América do Norte, para que pudessem regulamentar o Poder e se governarem.

Atualmente, fala-se muito do neoconstitucionalismo, ou constitucionalismo contemporâneo que é uma fase em que o Brasil começa a adentrar a partir da Constituição de 1988, principalmente, mas que já seria vivenciada por países da Europa Ocidental (como Alemanha e Espanha) desde os anos 50, 60, no pós 2ª Guerra Mundial.

O neoconstitucionalismo está marcado pela idéia de justiça social, equidade, e emprego de valores e princípios norteadores de moralidade, rompendo-se a idéia de positivismo ao extremo. Trata-se então de um "pós-positivismo". Para os defensores do neoconstitucionalismo o direito deve ter como foco a Constituição e esta, na verdade, seria um "bloco constitucional" onde os aspectos principiológicos e os valores se tornam tão importantes quanto as regras insculpidas no texto constitucional.

O neoconstitucionalismo não é apenas uma nova roupagem para algo antigo, mas sim um novo repensar do direito onde a Constituição deixa de ser uma "carta de intenções" e realmente se torna um "norma jurídica" devendo, assim, ser concretizada. Dessa forma, deixa-se de lado o foco nas leis, para se colocar o foco na Constituição. Busca-se concretizar o ordenamento jurídico de acordo com o pensamento do legislador constituinte. A Constituição, então, tem uma força normativa, impositiva sobre o ordenamento jurídico, e não pode, assim, ser ignorada pela sociedade.

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Junto com o constitucionalismo temos a evolução do conceito de Estado. Com a Revolução Francesa e pela Independência dos Estados Unidos temos o início do Estado Liberal, já que se asseguraram as liberdades individuais, que vieram a ser chamadas de "direitos de primeira geração". Segundo os conceitos do liberalismo, o homem é naturalmente livre, então, buscou-se limitar o poder de atuação dos Estados para dotar de maior força a autonomia privada e deixar o Estado apenas como força de harmonização e consecução dos direitos.

Na Constituição mexicana de 1917 e na de Weimar (Alemanha) em 1919, que nascem logo após a 1ª Guerra Mundial, temos um estilo de Constituição que prega não mais os direitos individuais em sentido estrito, mas uma visão mais ampla, do indivíduo em sociedade. Não podemos associá-la, do ponto de vista histórico, ao conceito de “constituição liberal” expresso pela Revolução Francesa. Ela vai além do “Estado liberal”. A Constituição Mexicana de 1917 passa a trazer em seu texto mais do que simples liberdades (direitos de 1ª geração - liberdades individuais - direitos políticos e civis). Ela traz os direitos econômicos, culturais e sociais (direitos de segunda geração - relacionados à igualdade), surgindo então o conceito de “Estado Social”. Desta forma, possui como característica a mudança da concepçào de constituição sintética para uma constituição analítica, mais extensa, capaz de melhor conter os abusos da discricionariedade. Aumenta assim a intervenção do Estado na ordem econômica e social, dizendo-se que a democracia liberal-econômica passa a ser substituída pela democracia social.

Esse estado social é superado com o fim da 2ª Guerra Mundial, temos então o surgimento do Estado Democrático marcado pelas iniciativas relacionadas à solidariedade e aos direitos coletivos.

Assim temos basicamente:

Fase

Marco

 

Marco

no

Características

Mundial

Brasil

Estado Liberal

Revolução Francesa Independência dos EUA

 

Incipiente

na

- Direitos de 1ª Geração - Direitos Civis e Políticos

Liberdade

e

CF/1824

e

fortalecido

na

CF/1891

Estado Social

Pós

Guerra

CF/1934

Igualdade

-

Mundial

-

Direitos de 2ª Geração - Direitos sociais, econômicos e

Constituição

Mexicana

(1917)

e

Weimar

culturais. Exigem uma ação positiva

(1919).

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do Estado.

 

Estado

Pós

Guerra

CF/1988

Solidariedade

 

Democrático

Mundial.

(fraternidade)

e

 

Democracia

-

Direitos

de

Geração - Direito

à

democracia

direta,

direitos

coletivos

e

difusos.

1. (FCC/Audtor – TCE-MG/2005) Do ponto de vista histórico, o

denominado conceito de Constituição liberal foi expresso pela Carta

Magna, de 1215.

Comentários:

Sobre a Carta Magna de 1215, vimos que foi uma das primeiras formas de limitação do poder Estatal na Inglaterra, daí ser um evento importante de um constitucionalismo incipiente na idade média. Porém não podemos dizer que ela seria uma Constituição liberal, pois ela não pregava um liberalismo Estatal face aos cidadãos, já que o poder do rei estava limitado principalmente face aos barões e não ao povo.

O conceito de Constituição Liberal (fase marcada pelo"Estado

Liberal") iniciou-se com a Constituição Francesa e a Constituição

Americana no final do séc. XVIII. Destaque para a declaração dos direitos do homem, em 1789, base da Revolução Francesa.

Gabarito: Errado.

2. (FCC/Audtor – TCE-MG/2005) O conceito de Constituição

liberal foi expresso na Constituição mexicana revolucionária, de 1917

e na Constituição de Weimar em 1919.

Comentários:

Como vimos, a Constituição mexicana de 1917 e a de Weimar (Alemanha) em 1919 nascem logo após a 1ª Guerra Mundial, tratam-

se de um estilo de Constituição que prega não mais os direitos

individuais em sentido estrito, mas uma visão mais ampla, do indivíduo em sociedade. Não podemos associá-la, do ponto de vista histórico, ao conceito de “constituição liberal” expresso pela Revolução Francesa. Ela vai além do “Estado liberal”. A Constituição Mexicana de 1917 passa a trazer em seu texto mais do que simples

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liberdades (direitos de 1ª geração - liberdades individuais - direitos políticos e civis). Ela traz os direitos econômicos, culturais e sociais (direitos de segunda geração - relacionados à igualdade), surgindo então o conceito de “Estado Social”. Desta forma, possui como característica a mudança da concepçào de constituição sintética para uma constituição analítica, capaz de melhor conter os abusos da discricionariedade. Aumenta assim a intervenção do Estado na ordem econômica e social, dizendo-se que a democracia liberal-econômica passa a ser substituída pela democracia social.

Gabarito: Errado.

3. (ESAF/AFRFB/2009) O conceito ideal de constituição, o qual

surgiu no movimento constitucional do século XIX, considera como um de seus elementos materiais caracterizadores que a constituição

não deve ser escrita.

Comentários:

Após a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos, surge, então, a constituição moderna que se materializa no chamado conceito ocidental de Constituição ou conceito ideal. Neste conceito, elencamos as seguintes características:

Forma escrita;

Deve organizar o Estado politicamente e prever a separação de funções do Poder Político (tripartição dos Poderes).

Deve garantir as liberdades individuais, limitando o poder do Estado;

Deve prever a participação do povo nas decisões políticas.

Desta forma, ela deve sim ser escrita.

Gabarito: Errado.

4. (CESPE/Advogado - Petrobrás/2007) O conceito de

constituição moderna corresponde à idéia de uma ordenação sistemática e racional da comunidade política por meio de um documento escrito no qual se declaram as liberdades e os direitos e se fixam os limites do poder político. Esse conceito de constituição é também conhecido como conceito oriental de constituição.

Comentários:

Acabamos de ver que, segundo a doutrina, o constitucionalismo moderno legitimou o aparecimento da chamada constituição moderna que é justamente definida como sendo a organização da comunidade

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política em um documento escrito no qual se asseguram as liberdades e os direitos e se fixam os limites do poder.

Porém, esse é o chamado conceito ocidental de constituição ou conceito ideal de constituição.

Gabarito: Errado.

5. (ESAF/ATA-MF/2009) A limitação do poder estatal foi um

dos grandes desideratos do liberalismo, o qual exalta a garantia dos

direitos do homem como razão de ser do Estado.

Comentários:

Vimos que o pensamento liberal remonta o fim do século XVIII, quando tivemos a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Segundo os conceitos do liberalismo, o homem é naturalmente livre, então, buscou-se limitar o poder de atuação dos Estados para dotar de maior força a autonomia privada e deixar o Estado apenas como força de harmonização e consecução dos direitos.

Gabarito: Correto.

6. (ESAF/AFC-CGU/2004) A idéia de uma Constituição escrita,

consagrada após o sucesso da Revolução Francesa, tem entre seus

antecedentes históricos os pactos, os forais, as cartas de franquia e

os contratos de colonização.

Comentários:

As Constituições escritas só foram reconhecidas como “Constituições”

a partir da Revolução Francesa em 1789 que deu origem a

Constituição de 1791 em tal país e da Constituição americana de 1787. Antes disso, diversos documentos e movimentos podem ser apontados como "precursores" deste constitucionalismo moderno. Já falamos sobre eles na parte teórica.

Gabarito: Correto.

7. (CESPE/Promotor-MPE-RN/2009) A origem do

constitucionalismo remonta à antiguidade clássica, especificamente

ao povo hebreu, do qual partiram as primeiras manifestações desse

movimento constitucional em busca de uma organização política fundada na limitação do poder absoluto.

Comentários:

Este tema não é pacífico já que muitos doutrinadores advertem que não existe um constitucionalismo e sim vários constitucionalismos. A

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resposta escolhida pela banca, porém, foi a de aceitar a tese de que a antiga civilização hebraica já mostrava um constitucionalismo primitivo regulando as relações entre o povo. Era o chamado "constitucionalismo antigo" que existiu na civilização hebraica e, posteriormente, também pode ser verificado na civilização grega.

Gabarito: Correto.

8. (CESPE/Promotor-MPE-RN/2009) O neoconstitucionalismo

é caracterizado por um conjunto de transformações no Estado e no

direito constitucional, entre as quais se destaca a prevalência do positivismo jurídico, com a clara separação entre direito e valores

substantivos, como ética, moral e justiça.

Comentários:

O neoconstitucionalismo, ou constitucionalismo contemporâneo, se

constitui justamente em uma doutrina que tenta transcender ao positivismo, chega-se então ao conceito de pós-positivismo. Para os

defensores do neoconstitucionalismo o direito deve ter como foco a Constituição e esta, na verdade, seria um "bloco constitucional" onde

os aspectos principiológicos e os valores se tornam tão importantes

quanto as regras insculpidas no texto constitucional. Desta forma,

erra o enunciado ao mencionar as expressões "prevalência do positivismo" e "separação entre direito e valores substantivos".

Gabarito: Errado.

O neoconstitucionalismo

caracteriza-se pela mudança de paradigma, de Estado Legislativo de Direito para Estado Constitucional de Direito, em que a Constituição passa a ocupar o centro de todo o sistema jurídico.

Comentários:

O neoconstitucionalismo não é apenas uma nova roupagem para algo

antigo, mas sim um novo repensar do direito onde a Constituição deixa de ser uma "carta de intenções" e realmente se torna um "norma jurídica" devendo, assim, ser concretizada. Dessa forma, deixa-se de lado o foco nas leis, para se colocar o foco na Constituição, buscando concretizar o ordenamento jurídico de acordo com o pensamento do legislador constituinte.

Gabarito: Correto.

9. (CESPE/Promotor-MPE-RN/2009)

10. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) A Constituição contém normas fundamentais da ordenação estatal que servem para regular os

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princípios básicos relativos ao território, à população, ao governo, à finalidade do Estado e suas relações recíprocas.

Comentários:

Vimos que no conceito moderno de Constituição, para que uma constituição seja considerada como tal, ela deve prever obrigatoriamente: a forma de organização política do Estado (que são os princípios fundamentais) e a limitação do poder estatal face ao povo.

Gabarito: Correto.

Concepções (sentidos) das Constituições:

Esse tema, continua dentro de "Constituição: Conceito". Como se trata de um assunto pouco arraigado na cabeça dos concurseiros, vou fazer o seguinte: vou mais uma vez expor a teoria sobre o tema seguido de questões diretas. Ok?

Essa parte deve ser estudada para os candidatos da área jurídica, os candidatos de outras áreas devem passar o olho, mas sem tanta preocupação com os detalhes.

Vamos lá.

Ao longo dos anos, muitos juristas, filósofos, entre outros, tentaram definir o que seria uma Constituição, e de que forma esta se relacionaria com a sociedade.

Assim, desenvolveram-se diversos sentidos, ou concepções, do que seria ou do que deveria ser uma Constituição. Basicamente temos 3 principais doutrinas:

Sentido sociológico Ferdinand Lassale;

Sentido político Carl Schimitt;

Sentido Jurídico Hans Kelsen.

Sentido Sociológico:

Lassale defendia em seu livro “O que é uma Constituição? (A essência da Constituição)” (1864) que na verdade, a constituição seria um “fato social”, seria um evento determinado pelas forças dominantes da sociedade.

Assim, de nada vale uma constituição escrita se as forças dominantes impedem a sua real aplicação. De nada vale uma norma, ainda que

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chamada de Constituição, que não tivesse qualquer poder, se tornando o que chamava de uma mera “folha de papel”.

Deste modo, defendia ele que o Estado possuía 2 constituições: A “folha de papel” e a “Constituição Real”, esta era a soma dos fatores reais de poder.

Assim, como a existência da Constituição independe de qualquer documento escrito, mas sim, decorre dos eventos determinantes da sociedade, Lassale dizia que todos os países possuem, possuíram sempre, em todos os momentos da sua história uma constituição real e efetiva.

Sentido Político:

Carl Schimitt, em sua obra "O Conceito Político" (1932) era defensor da teoria “decisionista” dizia que a Constituição é fruto de uma “decisão política fundamental” que, grosso modo, significa a decisão base, concreta, que organiza o Estado. Assim, só é constitucional aquilo que organiza o Estado e limita o Poder, o resto são meras "leis constitucionais".

Assim, Schimitt pregava que a Constituição formal, escrita, não era o importante, pois, deve-se atentar ao conteúdo da norma e não à sua forma(conceito material de constituição).

Atualmente este conceito de Carl Schimitt não foi totalmente abandonado, embasando a divisão doutrinária entre normas “materialmente constitucionais” (Ou seja, que possuem conteúdo próprio a uma Constituição) das normas apenas “formalmente constitucionais” (Ou seja, que possuem forma de Constituição, porém possuem um conteúdo que não é o conteúdo fundamental que uma Constituição deveria prever).

Sentido Jurídico:

Este é o conceito cujo maior defensor foi Hans Kelsen, um dos mais importantes juristas do constitucionalismo moderno e que foi uma grande Influência na Constituição da Áustria de 1920. Kelsen era defensor do positivismo (o que importa é a norma escrita). Segundo seus ensinamentos, a Constituição é "norma pura", "puro dever ser". Isso significa que a Constituição (norma jurídica) tem origem nela própria, ela é criada baseando-se no que "deve ser" e no mundo do "ser". Assim, o surgimento da Constituição não se apóia em qualquer pensamento filosófico, político ou sociológico. Tem-se um norma maior, uma norma pura, fundamental.

Kelsen era contemporâneo e grande rival de Schimitt. Para Hans Kelsen, o que importa para ser Constituição é ter a forma de uma

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Constituição (conceito formal de constituição). Um texto que se coloque acima das demais normas, que só possa modificar-se por um processo rígido, complexo, e que deverá ser observado por todas as demais dentro de um ordenamento jurídico.

O

2

desdobramentos:

1. Sentido lógico-jurídico: É a Constituição hipotética que foi imaginada na hora de escrever seu texto.

sentido

jurídico

proposto

por

Kelsen

traz

com

ele

2. Sentido

jurídico-positivo:

É

a

norma

suprema

em

si,

positiva, que efetivamente se formou e que servirá de base para as demais do ordenamento.

Assim, diz-se que a norma em sentido lógico-jurídico é o fundamento

de validade que legitima a feitura da norma jurídico-positiva.

Outro defensor do sentido jurídico da Constituição foi o jurista alemão Konrad Hesse, discípulo de Kelsen. Hesse foi o conhecido pela obra "

A Força Normativa da Constituição" (1959), onde resgatou o

pensamento de Ferdinand Lassale, e o flexibilizou - disse que o pensamento de Lassale até fazia sentido, porém, havia pecado em ignorar a força que a Constituição possuía de modificar a sociedade. Desta forma, a norma constitucional e a sociedade seriam reciprocamente influenciadas.

Demais juristas e observações:

J. J. Gomes Canotilho - Sentido dirigente da Constituição:

Canotilho dizia que a Constituição deve ser um plano que irá direcionar a atuação do Estado, notadamente através das normas programáticas inseridas no seu texto. A CF/88 brasileira é exemplo de uma Constituição dirigentes, principalmente devido as diversas normas programáticas dos direitos sociais. Assim, a CF/88, além de limitar o poder do Estado, traz normas que direcionam a sua atividade.

Peter Häberle - A sociedade aberta dos interpretes da Constituição: Häberle dizia que as Constituições eram muito fechadas, pois eram interpretadas apenas pelos “intérpretes oficiais” – Os Juízes. Defendia, então, que todos os agentes que participam da realidade da Constituição deveriam participar também da interpretação constitucional.

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Quadro Esquemático:

Autor

Ferdinand

 

Carl Schimitt

 

Hans Kelsen

 

Lassale

     

Sentido

ou

Sentido

Sentido político

 

Sentido Jurídico

 

concepção

Sociológico

     

de

 

Constituição

Dica:

SchimiTT

-

Dica:

LaSSaLe -

PolíTico

 

SocioLógico

   

O que dizia:

Obra:

A

Essência

Obra: O conceito político - 1932

Influência

 

na

da Constituição - O

Constituição da Áustria - 1920

que

é

uma

A constituição é

uma

decisão

Constituição?

1864.

-

Contemporâneo e

 

política fundamental - "decisionimo".

grande rival

de

Constituição é um fato social.

Schimitt - defendia

o

"positivismo".

 

Não adianta tentar colocar uma norma escrita, pois a constituição escrita = mera folha de papel a Constituição é formada pelas "Forças Dominantes da Sociedade" = soma dos fatores reais de poder.

Por decisão política fundamental entende-se

a

conceito formal de constituição - tudo que está na

decisão

base,

constituição é capaz de se impor sobre o

concreta

que

organiza o Estado.

resto

 

do

Assim,

é

ordenamento

constitucional

jurídico.

 

aquilo

que

A

constituição tem 2

organiza

 

o

sentidos:

 

Estado e limita o

Poder,

o

resto

Lógico-jurídico:

 

são

meras

"leis

norma hipotética

 

constitucionais".

 

(imaterial, pensada

Asism para Lassale tinhamos 2 constituições = a constituição real e a folha de papel.

 

-

como deveria ser)

que serve base para

o sentido Jurídico- Positivo:

Constituição efetiva, escrita,

 

capaz

de

se impor

sobre

o

resto

do

ordenamento.

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11. (ESAF/PGFN/2007) Carl Schmitt, principal protagonista da

corrente doutrinária conhecida como decisionista, advertia que não há Estado sem Constituição, isso porque toda sociedade politicamente organizada contém uma estrutura mínima, por rudimentar que seja; por isso, o legado da Modernidade não é a Constituição real e efetiva, mas as Constituições escritas.

Comentários:

Realmente, Carl Schmitt era defensor da corrente decisionista, porém, a Constituição escrita não é importante para ele, pois, estava preocupado apenas com o conteúdo das normas - conceito material de constituição.

Gabarito: Errado.

12. (ESAF/PGFN/2007) Para Ferdinand Lassalle, a constituição

é dimensionada como decisão global e fundamental proveniente da

unidade política, a qual, por isso mesmo, pode constantemente interferir no texto formal, pelo que se torna inconcebível, nesta perspectiva materializante, a idéia de rigidez de todas as regras.

Comentários:

Decisão fundamental é a corrente decisionista de Schimitt, não de Lassale. Lassale defendia a constituição como “FATO SOCIAL”, seria um evento determinado pelas forças dominantes da sociedade.

Gabarito: Errado.

13. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) Para Hans

Kelsen, a norma fundamental, fato imaterial instaurador do processo de criação das normas positivas, seria a constituição em seu sentido lógico-jurídico.

Comentários:

A norma em sentido lógico-jurídico é o fundamento de validade que

legitima a feitura da norma jurídico-positiva.

Gabarito: Correto.

14. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) A concepção de

constituição, defendida por Konrad Hesse, não tem pontos em comum com a concepção de constituição defendida por Ferdinand Lassale, uma vez que, para Konrad Hesse, os fatores históricos, políticos e sociais presentes na sociedade não concorrem para a força normativa da constituição.

Comentários:

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Konrad Hesse, na verdade, flexibilizava Lassale, não o negava.

Gabarito: Errado.

15. (CESPE/Analista-STF/2008) Considere a seguinte definição,

elaborada por Kelsen e reproduzida, com adaptações, de José Afonso

da Silva ( Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Atlas,

). A constituição é considerada norma pura. A palavra

constituição tem dois sentidos: lógico-jurídico e jurídico-positivo. De

acordo com o primeiro, constituição significa norma fundamental hipotética, cuja função é servir de fundamento lógico transcendental da validade da constituição jurídico-positiva, que equivale à norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras normas, lei nacional no seu mais alto grau. É correto afirmar que essa definição denota um conceito de constituição no seu sentido jurídico.

p. 41

Comentários:

Perfeito. Tudo o que vimos acima sobre o sentido jurídico defendido por Hans Kelsen.

Gabarito: Correto.

16. (FCC/Defensor Público-SP/2006) Todos os países possuem, possuíram sempre, em todos os momentos da sua história uma constituição real e efetiva. Esse era o pensamento de Carl Schmitt. Sentido político.

Comentários:

A doutrina que defendia isso era o sentido sociológico de Lassale, já que para ele, não importava qualquer documento escrito para que um país possuísse Constituição. A Constituição real e efetiva seria marcada pelo somatório dos fatores reais de poder, ou seja, as forças dominantes, as quais sempre existem e existiram em qualquer sociedade.

Gabarito: Errado.

17. (FCC/Defensor Público-SP/2006) Constituição significa,

essencialmente, decisão política fundamental, ou seja, concreta decisão de conjunto sobre o modo e a forma de existência política. Esse era o pensamento de Ferdinand Lassale. Sentido político.

Comentários:

Essa é a concepção política de Schimitt não de Lassale, que era a sociológica.

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Gabarito: Errado.

18. (FCC/Defensor Público-SP/2006) Constituição é a norma

fundamental hipotética e lei nacional no seu mais alto grau na forma

de documento solene e que somente pode ser alterada observando- se certas prescrições especiais. Esse era o pensamento de Jean Jacques Rousseau. Sentido lógico-jurídico.

Comentários:

Está correto dizer "sentido lógico-jurídico", mas quem disse isso foi Hans Kelsen. Rousseau era quem previa que o Estado derivaria de um "contrato social", nada tem haver com sentido jurídico de Constituição.

Gabarito: Errado.

19. (FCC/Defensor Público-SP/2006) A verdadeira Constituição

de um país somente tem por base os fatores reais do poder que

naquele país vigem e as constituições escritas não têm valor nem são duráveis a não ser que exprimam fielmente os fatores do poder que imperam na realidade. Esse era o pensamento de Ferdinand Lassale.

Sentido

Comentários:

É o que Lassale dizia. Se a Constituição não exprimisse o pensamento das forças dominantes, ela seria uma mera “Folha de Papel”.

Gabarito: Correto.

sociológico.

20. (FCC/Defensor Público-SP/2006) Todas as constituições

pretendem, implícita ou explicitamente, conformar globalmente o político. Há uma intenção atuante e conformadora do direito constitucional que vincula o legislador. Esse era o pensamento de Jorge Miranda. Sentido dirigente.

Comentários:

Jorge Miranda é um professor português cujas obras de direito constitucional são de grande relevância. Porém o sentido dirigente é defendido por Canotilho, segundo este autor a Constituição deve ser um plano que irá direcionar a atuação do Estado, notadamente através das normas programáticas inseridas no seu texto.

Gabarito: Errado.

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Classificação das Constituições:

Essa é uma das partes mais importantes da aula. Todos os alunos devem estudar muiiiito bem esta parte, ok?!

A Constituição pode ser classificada de diversas maneiras. Essas

classificações servem para que se possa analisar diversas características da Constituição, como sua estrutura, extensão, formação e até mesmo a forma como ela se relaciona com a realidade da sociedade.

Vamos então analisar cada quesito:

Quanto à origem:

Significa a forma pela qual a constituição se originou. Quanto a origem, a Constituição pode ser:

Promulgada (popular, ou democrática) – É aquela legitimada pelo povo. É elaborada por uma assembléia constituinte formada por representates eleitos pelo voto popular. (ex. Brasil de 1891, 1934, 1946 e 1988)

Outorgada (imposta) - É aquela imposta unilateralmente pelos governantes sem manifestação popular. Muitos autores chamam de “Carta” e não de “Constituição”. (ex. Brasil de 1824, 1937, 1967 e a EC 1/69, que pode ser considerada como uma Constituição autônoma)

Cesarista - É uma carta outorgada, porém, é submetida a uma votação popular para que seja ratificada.

Dica - No Brasil tivemos 8 Constituições - 4 promulgadas e 4 Outorgadas. Foram outorgadas as Constituições de 1824, 1937, 1967 e 1969 (dica: A primeira é um número par, as demais são ímpares). Por outro lado, foram promulgadas as de 1891, 1934, 1946 e 1988 (dica: A primeira é um número ímpar, as demais são pares).

Quanto à forma:

Escrita (ou instrumental) – É formalizada em um texto escrito. (ex. Brasil de 1988)

A forma escrita é uma das caracterísitcas do conceito ideal de

Constituição do constitucionalismo moderno e, para o Prof. Canotilho,

a constituição escrita tem função de racionalizar, estabilizar, dar

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segurança jurídica, além de ser instrumento de calculabilidade e publicidade.

Não-escrita – Também chamada de Constumeira (Consuetudinária), não se manifesta em estrutura solene. A matéria constitucional está assentada e reconhecida pela sociedade em seus usos, costumes e etc. (ex. Inglaterra)

Para Alexandre de Moraes, para ser escrita a constituição deve estar codificada em um texto único. Se a constituição for baseada em leis esparsas não pode ser considerada uma Constituição escrita.

Para o Prof. André Ramos Tavares, se a constituição estiver sistematizada em um documento único será chamada de codificada, já se estiver em textos esparsos, será chamada de legal. O Prof. Pinto Ferreira utiliza a mesma lógica de André Ramos Tavares, mas chama a primeira (texto único) de reduzida, enquanto a segunda denomina de variada.

É importante não confundir a nomenclatura "legal" da classificação do Prof. Tavares com outra proposta por Alexandre de Moraes. Para este autor, constituição legal seria aquela que tem o poder de se impor, tem força normativa tal qual as leis.

Assim, se utilizarmos o exemplo da CF/88, ela não seria legal, mas sim codificada sob a ótica do Prof. Tavares, porém, seria um constituição legal se analisada sob este aspecto proposto por Alexandre de Moraes.

Quanto à extensão:

Sintéticas – São concisas, ou seja, aquelas que restringem-se a tratar das matérias essenciais a uma Constituição - organização do Estado e direitos fundamentais. (Ex. EUA)

Analíticas – São as extensas, prolixas, que tratam de várias matérias que não são as fundamentais. Elas são a tendência das Constituições atuais, já que se percebeu que o papel do Estado não pode se limitar a garantir as liberdades do povo, mas deve agir ativamente para assegurar os direitos. (Ex. Brasil 1988)

Quanto ao conteúdo:

Material – Quando tomamos como constitucional apenas as normas essenciais a uma Constituição.

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A Constituição brasileira de 1824 era material, pois possuia em seu art. 178 o seguinte texto: "É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos poderes políticos, e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos". Ou seja, ela limitou o que seria ou não Constitucional usando como critério o conteúdo, matéria tratada e não a forma.

Formal – independente do conteúdo, se está em um texto rígido supremo, será constitucional. (Ex. Brasil de 1988)

Quanto à elaboração:

Dogmática – É aquela elaborada por um órgão Constituinte consolidando o pensamento que uma sociedade possui naquele determinado momento, por isso é necessariamente escrita, pois precisa esclarecer estas situações que ainda não estão “maduras”, solidificadas no pensamento da sociedade. Diz-se que a Constituição dogmática sistematiza as idéias da teoria política e do direito dominante.

Histórica – Diferentemente da dogmática, a histórica não é elaborada em um momento específico, ela surge ao longo do tempo. Desta forma, ela não precisa ser escrita pois possui seus fundamentos já solidificados.

Quanto à alterabilidade:

Rígida – Quando se sobrepõe a todas as demais normas. Assim, somente um processo legislativo especial e complexo poderá alterar seu texto. É o que ocorre na CF/1988, que prevê um processo muito mais rígido para se elaborar uma Emenda Constitucional do que para elaborar uma simples lei ordinária.

Flexível – Quando está no mesmo patamar das demais lei, não necessitando nenhum processo especial para alterá-la.

Semi-rígidas ou semi-flexível- Possuem uma parte rígida e outra flexível. a Constituição Brasileira de 1824 era semi-rígida pois trazia em seu art. 178 que: "É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos poderes políticos, e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos. Tudo o que não é Constitucional pode ser alterado sem as formalidades referidas, pelas legislaturas ordinárias”.

Imutáveis – Não podem ser alteradas.

Super-rígidas – É como o Prof. Alexandre de Moraes classifica a CF/88. Isso ocorre pois na Constituição de 1988 temos as chamadas "cláusulas pétreas", normas que não podem ser abolidas por emendas constitucionais.

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Quanto à finalidade:

Garantia (ou negativa) – É aquela que se limita a trazer elementos limitativos do poder do Estado.

Dirigente – Possui normas programáticas traçando um plano para o governo.

Balanço - Utilizada para ser aplicada em um determinado estágio político de um país.

Quanto à relação com a realidade (classificação ontológica):

Classificação desenvolvida por Karl Loewenstein. Classificam-se as Constituições de acordo com o modo que os agente políticos aplicam a norma.

Constituição normativa – É a Constituição que é efetivamente

aplicada, normatiza o exercício do poder e obriga realmente a todos. Constituição nominal, nominalista ou nominativa – É ignorada

na prática.

Constituição semântica – É aquela que serve apenas para justificar a dominação daqueles que exercem o poder político. Ela sequer tenta regular o poder.

Essa classificação de Loewenstein possui nomenclatura semelhante a uma outra classificação trazida pelo Prof. Alexandre de Moraes. Segundo o Prof.:

Constituições nominalistas - Seriam aquelas que em seu texto já possuem direcionamentos para resolver os casos concretos. Basta uma aplicação pura e simples das normas através de uma interpretação gramatical-literal.

Constituições semânticas - Seriam aquelas constituições onde, para se resolverem os problemas concretos, precisaria de uma análise de seu conteúdo sociológico, ideológico e metodológico, o que propicia uma maior aplicabilidade "político-normativa-social" de seu texto.

Segundo a classificação de Loewenstein, o Brasil teria uma Constituição normativa. Segundo a classificação trazida pelo Prof. Alexandre de Moraes, ela seria nominalista.

Outras Classificações:

O Professor Alexandre de Moraes, ainda traz a classificação das

Constituições denominadas Pactuadas ou Dualistas que se referem a um compromisso firmado entre o rei e o Poder Legislativo, pelo qual

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se sujeita a monarquia ficaria sujeitada aos esquemas constitucionais. Assim a Constituição se sujeitaria a dois princípios:

monárquico e democrático.

Classificação da Constituição Brasileira de 1988:

Promulgada, escrita, analítica, rígida (ou super-rígida), formal, dogmática, dirigente, normativa (Loewenstein), nominalista (Alexandre de Moraes), codificada (André Ramos Tavares), reduzida (Pinto Ferreira), legal (Alexandre de Moraes).

Quadro-resumo sobre a classificação das Constituições:

Critério

de

     

classificaçã

Tipos

Conceito

 

No Brasil (CF/88)

o

 
 

Outorgada

Imposta

pelo

CF/88 = Promulgada

governante.

 

No Brasil tivemos 8 Constituições - 4 promulgadas e 4 Outorgadas. Foram

 

Legitimada

pelo

povo

Promulgad

através

de

uma

a

Assembléia

 

Constituinte.

outorgadas

as

Origem

 

Imposta

pelo

Constituições de 1824, 1937, 1967 e 1969 (dica: A primeira é um número par, as demais são ímpares). Por outro lado, foram promulgadas as de 1891, 1934, 1946 e 1988 (dica: A primeira é um número ímpar, as demais são pares).

governante,

 

mas

Cesarista

posteriormente levada

à

aprovação

popular

(não

deixa

de

ser

outorgada).

 
   

Documento Escrito (se

 

Escrita

único = codificada/se vários = legal).

Forma

 

Consuetudinária

 

Escrita e Codificada.

Não-

(costumeira). O que

Escrita

importa é o conteúdo e não como ele é tratado.

Extensão

Sintética

Dispõe

apenas

sobre

Analítica

matérias essenciais

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(organização do Estado

 

e limitação do poder).

 

É extensa tratando de

Analítica

vários assuntos, ainda

que

não

sejam

essenciais.

Conteúdo

Formal

Independe do conteúdo tratado. Se estiver no corpo da Constituição será um assunto constitucional, já que o importante é tão somente a forma.

Formal

 

O

importante é apenas

o

conteúdo.

Não

precisa

estar

Material

formalizado

em

uma

constituição para ser

um

assunto

constitucional.

 
   

Necessariamente

   

escrita.

Reflete

a

Dogmática

realidade

presente

na

Elaboração

sociedade

em

um

Dogmática

 

determinado momento.

 

Histórica

Consolidada

ao

longo

 

do

tempo.

   

Pode ser alterada por

 

leis de status ordinário.

Flexível

Prescinde

de

procedimento especial para ser alterada.

 

Somente

pode

ser

Rígida

(ou

super-

Alterabilida

de

estabilidad

ou

Rígida

 

um

procedimento especial,

alterada

por

rígida

cláusulas pétreas).

que

possui

mais

dificultoso do que

Em

1824

era

semi-

e.

 

de elaboração das leis ordinárias.

o

rígida.

Semi-

 

rígida

ou

Possui uma parte rígida

semi-

e

outra flexível.

 

flexível

 

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Imutável

Não

podem

ser

 

alteradas

 
 

Nominalist

É ignorada.

   

Ontológica

a

ou conexão

Normativa

Efetivamente aplicada.

Normativa

com

a

   

realidade

Semântica

Criada apenas para

justificar o poder de um governante.

   

Possui

normas

 

Dirigente

programáticas traçando

um

plano

para

o

 

governo.

 
 

Constituição negativa,

sintética.

Não

traça

Finalidade

Garantia

planos, apenas limita o

Dirigente

poder

e

organiza o

Estado.

 

Utilizada

para

ser

Balanço

aplicada

em

um

determinado

estágio

 

político de um país.

 

21. (CESPE/MMA/2009) Uma Constituição do tipo cesarista se caracteriza, quanto à origem, pela ausência da participação popular na sua formação.

Comentários:

A constituição cesarista é apontada com um "meio termo" entre as constituições outorgadas (impostas) e as promulgadas. Ela é caracterizada por ser uma constituição que é outorgada pelo governante, mas que, posteriormente, a submete ao crivo popular.

Gabarito: Errado.

22. (CESPE/MMA/2009) A CF vigente, quanto à sua alterabilidade, é do tipo semiflexível, dada a possibilidade de serem apresentadas emendas ao seu texto; contudo, com quorum diferenciado em relação à alteração das leis em geral.

Comentários:

CF seja uma constituição rígida. A

constituição semiflexível é aquela que possui uma parte em que

Esse fato

faz

com que

a

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sequer precisa-se de um procedimento especial para ser alterada, bastam simples leis ordinárias.

Gabarito: Errado.

23. (CESPE/MMA/2009) A CF de 1988, quanto à origem, é

promulgada, quanto à extensão, é analítica e quanto ao modo de elaboração, é dogmática.

Comentários:

Vimos que a constituição pode ser quanto a origem: promulgada ou outorgada, será outorgada quando for imposta, o que não é o nosso caso. A CF brasileira é promulgada. Quanto a extensão pode ser analítica ou sintética, esta é aquela que trata somente de assuntos essenciais a uma constituição, não é o nosso caso, temos uma constituição extensa, analítica, até mesmo prolixa.

Gabarito: Correto.

24. (CESPE/TCE-AC/2009) Segundo a classificação da doutrina,

a CF é um exemplo de constituição rígida.

Comentários:

É uma constituição que só pode ser modificada por um processo especial, mais dificultoso que o de elaboração de leis ordinárias, daí possuir a chamada "rigidez".

Gabarito: Correto.

25. (CESPE/Promotor-MPE-RN/2009) A Carta outorgada em 10

de novembro de 1937 é exemplo de texto constitucional colocado a serviço do detentor do poder,para seu uso pessoal. É a máscara do poder. É uma Constituição que perde normatividade, salvo nas passagens em que confere atribuições ao titular do poder. Numerosos preceitos da Carta de 1937 permaneceram no domínio do puro nominalismo, sem qualquer aplicação e efetividade no mundo das normas jurídicas - Raul Machado Horta. Direito constitucional. 2.a ed. Belo Horizonte: Del Rey, 1999, p. 54-5 (com adaptações). Considerando a classificação ontológica das constituições,a Constituição de 1937, conforme a descrição anterior pode ser classificada como constituição outorgada.

Comentários:

Vimos que Karl Loewenstein, desenvolveu o chamado conceito ontológico de constituição. Para ele, as Constituições se classificariam em: normativas, nominalistas ou semânticas.

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Desta forma, está Errada a questão, já que o conceito referido seria o de Constituição "semântica". Veja que ela era uma constituição outorgada, mas não se pediu na questão a classificação quanto à origem e sim a classificação ontológica.

Gabarito: Errado.

26. (CESPE/Procurador-BACEN/2009) De acordo com a

doutrina, constituição semântica é aquela cuja interpretação depende do exame de seu conteúdo significativo, sob o ponto de vista sociológico, ideológico e metodológico, de forma a viabilizar maior

aplicabilidade político-normativo-social de seu texto.

Comentários:

A questão é maldosa já que o termo "constituição semântica" pode

ser enxergado de dois diferentes prismas:

1º - Segundo a classificação ontológica de Karl Loewenstein, constituição semântica seria aquela que não se preocupa em limitar o poder dos governantes, pelo contrário, trata-se de uma verdadeira carta elaborada somente para legitimar os seus autoritarismos.

2º - O segundo enfoque, que foi o cobrado pela questão, seria colocar a constituição semântica como aquela cuja interpretação "depende da valoração de seu conteúdo significativo, sociológico, visando uma maior aplicabilidade político-normativa-social do seu texto". Tal modo, iria contrariamente ao conceito de constituição nominalista, esta, por sua vez seria a constituição que já traria normas para direcionar o aplicador ao se deparar com o caso concreto, assim, a bastaria a aplicação pura e simples das normas constitucionais, através de uma interpretação gramatical-literal para que o problema fosse resolvido.

Gabarito: Correto.

27. (CESPE/Procurador-TCE-ES/2009) Quanto ao modo de

elaboração, a constituição dogmática decorre do lento processo de absorção de ideias, da contínua síntese da história e das tradições de determinado povo.

Comentários:

A constituição dogmática é marcada justamente por expor em um

papel aquela idéia presente em um determinado momento da sociedade. Deve ser necessariamente escrita, pois, diferentemente das constituições histórica, seus dogmas ainda não estão solidamente

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arraigados na sociedade, pois não foram formados lentamente através de uma evolução histórica.

Gabarito: Errado.

28. (CESPE/Juiz Federal Substituto - TRF 1ª/2009) Na

acepção formal, terá natureza constitucional a norma que tenha sido introduzida na lei maior por meio de procedimento mais dificultoso do que o estabelecido para as normas infraconstitucionais, desde que seu conteúdo se refira a regras estruturais do Estado e seus fundamentos.

Comentários:

Quando o enunciado fala a palavra "conteúdo" já está fora do conceito de constituição formal, pois nesta classificação é totalmente irrelevante a matéria tratada pela norma, importando tão somente a formalidade das normas.

Gabarito: Errado.

- Considerando o conteúdo ideológico das constituições, a vigente Constituição brasileira é classificada como liberal ou negativa.

Comentários:

Constituição negativa, ou liberal, ou ainda constituição garantia, é aquela que se limita tão somente a garantir as liberdades do povo face ao Estado. Trata-se das primeiras constituições formais do séc. XVIII. Com o passar dos anos, percebeu-se que não poderia a constituição se limitar a ser negativa, devendo então agir positivamente, para que o povo pudesse ter acesso a outros direitos, como os direitos sociais, econômicos, culturais e os direitos da coletividade. Desta forma, a Constituição atual é uma constituição dirigente.

Gabarito: Errado.

29.

(CESPE/Juiz

Federal

Substituto

TRF

1ª/2009)

Constituição rígida é aquela que não pode ser alterada.

Comentários:

Esta seria uma constituição imutável. A constituição rígida pode ser alterada, só que de uma maneira mais complexa.

Gabarito: Errado.

30.

(CESPE/Juiz

Federal

Substituto

TRF

5ª/2009)

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31. (CESPE/PGE-AL/2008) "Art. 242 § 2.º – O Colégio Pedro II,

localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal". A normas contida no dispositivo transcrito pode ser caracterizada como materialmente constitucionais, porquanto traduz a forma como o direito social à educação será implementado no Brasil.

Comentários:

Errado. Este é um exemplo clássico de norma meramente formal, sem nenhum conteúdo que seria indispensável a uma Constituição, já que nem é responsável por organizar o poder, nem limitar a atuação do Estado. É simplesmente um retrato da prolixidade da Constituição brasileira de 1988

Gabarito: Errado.

32. (CESPE/PGE-AL/2008) "Art. 242 § 2.º – O Colégio Pedro II,

localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal". O dispositivo constitucional em destaque demonstra que a CF pode ser classificada, quanto à extensão, como prolixa. Diante disso, é correto concluir que, no Brasil, há uma maior estabilidade do arcabouço constitucional que em países como os Estados Unidos da América.

Comentários:

Realmente o dispositivo caracteriza a Constituição como prolixa, porém, neste tipo de Constituição ocorre uma menor estabilidade, já que a norma está constantemente sendo alterada. Em constituições sintéticas como a dos EUA, existem poucas coisas para se modificar, desta forma, ela consegue se manter inalterada por muito mais tempo.

Gabarito: Errado.

33. (CESPE/Juiz Substituto – TJ-PI/2007) No âmbito brasileiro,

a Constituição Imperial de 1824 pode ser classificada como flexível, com base no que prescrevia seu art. 178: "É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos poderes políticos, e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos. Tudo o que não é Constitucional pode ser alterado sem as formalidades referidas, pelas legislaturas ordinárias."

Comentários:

Realmente a Constituição Brasileira de 1824 possuia em seu art. 178, o texto: "É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos poderes políticos, e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos. Tudo o que não é Constitucional pode ser

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alterado sem as formalidades referidas, pelas legislaturas ordinárias”. Porém este fato, faz com que a Constituição se torne “semi-rígida”, ou seja, possui uma parte flexível e outra parte rígida, e não como flexível.

Gabarito: Errado.

34. (FCC/Analista - TRE-MG/2005) Tendo em vista a classificação das constituições, pode-se dizer que a Constituição da República Federativa do Brasil vigente é considerada escrita e legal, assim como super-rígida, popular, histórica, sintética e semântica.

Comentários:

O erro da questão é dizer que a Constituição vigente é histórica, sintética e semântica. Já que ela é dogmática, analítica e nominalista, respectivamente.

Importante salientar que é uma peculiaridade da FCC considerar como correta a classificação da CF/88 como legal. A banca que se baseia na doutrina do autor Alexandre de Moraes. Para este autor, a CF seria legal, pois "vale como lei", diferentemente da doutrina de André Ramos Tavares, onde a Constituição legal seria aquela formada por textos esparsos (para Tavares, a CF/88 é codificada e não legal).

Outra peculiaridade é a adoção pela banca da classificação "nominalista". Esta classificação também é trazida pelo autor Alexandre de Moraes e difere daquela classificação ontológica de Karl Loewenstein. Na Classificação ontológica a CF/88 seria normativa e não nominalista, já que ela normatiza a sociedade e, ao menos, tenta não ser ignorada por ela. Na classificação de Alexandre de Moraes, ela seria nominalista pois já traz em seu texto regras para resolução de problemas concretos.

Gabarito: Errado.

35. (FCC/Analista-MPE-SE/2009) A Constituição brasileira de 1824 previa, em seus artigos 174 e 178: "Art. 174. Se passados quatro anos, depois de jurada a Constituição do Brasil, se conhecer, que algum dos seus artigos merece reforma, se fará a proposição por escrito, a qual deve ter origem na Câmara dos Deputados, e ser apoiada pela terça parte deles." "Art. 178. É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos Poderes Políticos e aos Direitos Políticos e individuais dos Cidadãos. Tudo o que não é Constitucional pode ser alterado sem as formalidades referidas, pelas Legislaturas ordinárias." Depreende-se dos dispositivos acima transcritos que a Constituição brasileira do Império era do tipo

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semirrígida, quanto à alterabilidade de suas normas, diferentemente da Constituição vigente, que, sob esse aspecto, é rígida.

Comentários:

Quando a CF de 1824 dispôs: "É só Constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos Poderes Políticos e aos Direitos Políticos e individuais dos Cidadãos. Tudo o que não é Constitucional pode ser alterado sem as formalidades referidas, pelas Legislaturas ordinárias". Ela estava dizendo que uma parte da constituição seria rígida (parte constitucional) e outra parte da constituição seria flexível (parte não-constitucional), e desta forma, formou-se a chamada constituição semi-rígida ou semiflexível. Atualmente, a CF/88 é do tipo rígida, já que todas as suas normas, para serem alteradas, precisam de um procedimento especial.

Gabarito: Correto.

36.

do produto sempre escrito e flexível, sistematizado por um órgão governamental, a partir de idéias da teoria política e do direito dominante.

Comentários:

Não há qualquer correlação entre os termos. A Constituição sintética é aquela que trata apenas de assuntos estritamente relacionados com o conteúdo essencial a uma constituição. O texto refere-se ao que podemos classificar como uma Constituição dogmática.

Gabarito: Errado.

(FCC/TCE-MG/2007) As constituições sintéticas se formam

37. (FCC/TCE-MG/2007) As constituições dogmáticas são frutos da lenta e contínua síntese das tradições e usos de um determinado povo, podendo apresentar-se de forma escrita ou não-escrita. Comentários:

Esse é o conceito de Constiuição histórica.

Gabarito: Errado.

38. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) São classificadas como dogmáticas, escritas e outorgadas as constituições que se originam de um órgão constituinte composto por representantes do povo eleitos para o fim de as elaborar e estabelecer, das quais são exemplos as Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988.

Comentários:

Lembram da Dica do Vampiro ?

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No Brasil tivemos 8 Constituições - 4 promulgadas e 4 Outorgadas. Foram outorgadas as Constituições de 1824, 1937, 1967 e 1969

(dica: A primeira é um número par, as demais são ímpares). Por outro lado, foram promulgadas as de 1891, 1934, 1946 e 1988 (dica:

A primeira é um número ímpar, as demais são pares).

Desta forma, basta gravar 2 constituições:

1824

- Constituição do Império - (império=outorga).

1891

- 1ª Constituição republicana - (república=promulgação)

Todas

as

impares que se

seguem à do império são também

outorgadas.

Todas

promulgadas

Assim, a resposta está incorreta, já que as Constituições do enunciado são promulgadas.

as

pares

que

se

seguem

à

da

república

são

também

39. (ESAF/AFRFB/2009) A constituição escrita, também denominada de constituição instrumental, aponta efeito racionalizador, estabilizante, de segurança jurídica e de calculabilidade e publicidade.

Comentários:

As constituições escritas podem realmente ser chamadas de instrumentais. E nas palavras do mestre Canotilho, apresentam efeito racionalizador, estabilizante, de segurança jurídica e de

calculabilidade e publicidade. Já que é o fato de estar escrita, facilita

a sua permanência e a publicidade de seu conteúdo.

Gabarito: Correto.

40. (ESAF/AFRFB/2009) A constituição sintética, que é constituição negativa, caracteriza-se por ser construtora apenas de liberdade-negativa ou liberdade-impedimento, oposta à autoridade.

Comentários:

A Constituição sintética se limita a organizar o poder e resguardar as liberdades. Daí ser uma constituição negativa, pois não age positivamente como instrumento direcionador do Estado.

Gabarito: Correto.

Estrutura e elementos da Constituição:

A CF/88 possui 2 partes:

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1- Parte Permanente: Formada pelo Preâmbulo + Parte Dogmática (250 artigos) dividida em 9 títulos:

Título I: Princípios Fundamentais

Título II: Dos Direitos e Garantias Fundamentais

Título III: Da Organização do Estado

Título IV: Da Organização dos Poderes

Título V: Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas

Título V: Da Tributação e do Orçamento

Título VII: Da Ordem Econômica e Financeira

Título VIII: Da Ordem Social

Título IX: Das Disposições Constitucionais Gerais;

2- Parte Transitória: ADCT (até a EC 64/10 possui 97 artigos)

A Constituição pode segundo José Affonso da Silva ser dividida em

elementos. Baseado nas suas definições temos os seguintes

elementos na Constituição:

1- Orgânicos: Normas que regulam a estrutura do Estado e do Poder. Organizam a estruturação do Estado. Ex. Título III – Da Organização do Estado; Título IV – Da organização do poderes e do Sistema de Governo; Forças Armadas; Segurança pública; Tributação, Orçamento;

2- Limitativos: Limitam a atuação do poder do Estado, como os direitos e gatantias fundamentais (exceto os direitos sociais = eles são sócio-ideológicos);

3- Sócio-ideológicos: Tratam do compromisso entre o Estado individualista, que protege a autonomia das vontades, com o Estado Social, onde as pessoas fazem parte de uma coletividade a ser respeitada como um todo. Ex. Direitos Sociais, Título VII – Da ordem econômica e financeira; Título VIII – Da Ordem Social;

4-De Estabilização Constitucional: São os elementos que tratam

da solução de conflitos constitucionais, defesa do Estado, Constituição

e instituições democrátitcas como o Controle de Constitucionalidade,

os procedimentos de reforma, o estado de sítio, estado de defesa e a intervenção federal;

5- Formais de aplicabilidade: Regras de aplicação da Constituição, como o ADCT e normas como o art. 5º §1º - “As normas definidoras dos Direitos e Garantias Fundamentais têm aplicação imediata”.

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41. (FCC/TCE-MG/2007) As normas constitucionais relativas aos

direitos e garantias individuais, inseridas no título relativo aos direitos

e

garantias fundamentais, contêm elementos da Constituição ditos:

a)

sócio-ideológicos, por revelar o compromisso da Constituição entre

o

Estado individualista e o Estado social.

b)

orgânicos, por regularem a estrutura do Estado e do poder.

c)

limitativos, por limitarem a atuação do Estado, dando ênfase à sua

configuração como Estado de Direito.

d) de estabilização constitucional, na medida em que asseguram a defesa da Constituição e das instituições democráticas.

e) formais de aplicabilidade, diante da aplicação imediata das normas

definidoras de direitos dessa espécie.

Comentários:

Pela teoria que expusemos acima. Depreende-se claramente que a resposta correta a ser assinalada seria a letra C. Já os direitos e garantias fundamentais têm o objetivo justamente de limitar o poder do Estado face ao povo.

Gabarito: Letra C.

42. (CESPE/Polícia Civil–TO/2008) Os elementos orgânicos que

compõem a Constituição dizem respeito às normas que regulam a estrutura do Estado e do poder, fixando o sistema de competência dos órgãos, instituições e autoridades públicas.

Comentários:

Perfeita definição.

Gabarito: Correto.

43. (CESPE/Juiz Federal Substituto - TRF 1ª/2009) Segundo a

doutrina, os elementos orgânicos da constituição são aqueles que limitam a ação dos poderes estatais, estabelecem as balizas do estado de direito e consubstanciam o rol dos direitos fundamentais.

Comentários:

Esses são os limitativos e não os orgânicos.

Gabarito: Errado.

44. (FGV/SEFAZ-RJ/2008.2)

Constituição a estruturação do Estado e os direitos fundamentais.

Comentários:

São

elementos

orgânicos

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da

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Errado. estruturação do Estado é, mas dieitos. fundamentais são limitativos.

Gabarito: Errado.

45.

(FGV/SEFAZ-RJ/2008.2)

São

elementos

orgânicos

da

Constituição a divisão dos poderes e o sistema de governo.

Comentários:

 

Perfeito. Oganizam o Estado.

Gabarito: Correto.

46.

(FGV/SEFAZ-RJ/2008.2)

São

elementos

limitativos

da

Constituição a tributação, orçamento e direitos sociais.

Comentários:

Tributação é orgânico e direitos sociais são elementeos sócio- ideológicos.

Gabarito: Errado.

47.

(FGV/SEFAZ-RJ/2008.2)

São

elementos

formais

de

aplicabilidade da Constituição as forças armadas e a nacionalidade.

Comentários:

 

Forças Armadas é orgânico e nacionalidade é sócio-ideológico.

 

Gabarito: Errado.

 

48.

(FGV/SEFAZ-RJ/2008.2)

São

elementos

limitativos

da

Constituição a segurança pública e a intervenção.

 

Comentários:

 

Segurança

pública

é

orgânico

e

Intervenção

é

elemento

de

estabilização constitucional.

Gabarito: Errado.

Normas Constitucionais:

Primeiramente, lembramos que pelo fato de o Brasil adotar a conceito de Constituição formal, todas as normas estão em um mesmo patamar jurídico, não havendo supremacia entre normas

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constitucionais, sejam elas da parte dogmática, ADCT, originárias ou derivadas.

Todas as normas constitucionais (exceto o preâmbulo, segundo a jurisprudência do STF) possuem eficácia jurídica, pois mesmo que não consigam alcançar seu destinatário, conseguem, ao menos, impor a sua observância às demais de hierarquia inferior, sendo capaz de as tornarem inconstitucionais caso a contrariem, dizendo-se assim que possuem caráter vinculante imediato.

Normas Materiais X Normas Formais:

Materiais

estrutura, roupagem.

Normas materiais são aquelas que tratam de assuntos, conteúdos, essenciais a uma Constituição moderna: organização do Estado e limitação dos seus poderes face ao povo (não é pacífico a exatidão do que é e o que não é materialmente constitucional).

Normas fomais são todas aquelas que foram alçadas a um status constitucional, independentemente do conteúdo tratado.

No Brasil, todas as normas da Constituição são formais, independente

de seu conteúdo.

Importante é destacar que a classificação entre normas materialmente constitucionais e normas formalmente constitucionais não são excludentes. Assim, uma norma pode ser ao mesmo tempo materialmente e formalmente constitucional. Na Constituição Brasileira, por exemplo, é presente este fato. Assim temos:

vem

de

matéria,

conteúdo.

Formais

vem

de

forma,

Normas formalmente e materialmente constitucionais - São as normas da Constituição que, além de formais, tratam de assuntos essenciais a uma Constituição.

Normas apenas formalmente constitucionais - São as normas da Constituição que não tratam de assuntos essenciais a uma Constituição, porém, não deixam de ser formais já que possuem a roupagem de Constituição, apenas não são materiais.

Eficácia e aplicabilidade das normas:

Doutrina clássica x Normas Programáticas:

A doutrina clássica dividia as normas em auto-aplicáveis (auto-

executáveis) e não auto-aplicáveis (não auto-executáveis), estas,

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diferentemente das primeiras exigiam a complementação do legislador para produzirem efeitos.

Essa classificação não é aceita no Brasil, pois o entendimento é que todas as normas são auto-aplicáveis.

Porém algumas bancas, notadamente a ESAF, costumam cobrar o conceito de auto-aplicáveis e não auto-aplicáveis em associação às normas programáticas. As normas programáticas são aquelas que definem planos de ação para o Estado, como combater a pobreza, a marginalização e os direitos sociais do art. 6º. As normas programáticas possuem o que se chama de eficácia diferida, ou seja, sua aplicação se dará ao longo do tempo, a medida em que forem sendo concretizadas. Assim, são normas "não auto-aplicáveis". Lembrando que, geralmente, as normas programáticas dependem muito mais do que uma simples regulamentação legislativa para serem concretizadas, elas dependem também de uma ação administrativa para tal.

Eficácia e aplicabilidade segundo a José Affonso da Silva:

Essa é a doutrina majoritária, a mais cobrada em concursos. Divide em 3 tipos as normas:

Eficácia Plena – Não necessitam nenhuma ação do legislador para que possa alcançar o destinatário, por isso são de aplicação direta e imediata.

Ex.: Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. (art.5º, II)

Eficácia Contida - É aquela norma que, embora não precise de qualquer regulamentação para ser alcançada por seus receptores, poderá ver o seu alcance limitado pela superveniência de uma lei infraconstitucional. Enquanto não editada essa lei, a norma permanece no mundo jurídico com sua eficácia de forma plena. Assim ela também possui sua aplicação imediata e direta, porém pode ser restringida pelo legislador infraconstitucional.

Ex.: É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendida às qualificações profissionais que a lei estabelecer (CF, art. 5º, XIII. Ou seja, As pessoas podem exercer de forma plena qualquer trabalho, ofício ou profissão, salvo se vier uma norma estabelecendo certos requisitos para conter essa plena liberdade.

Observação: Em regra, as normas de eficácia contida são passíveis de restrição por leis infraconstitucionais, porém, também se manifestam como normas de eficácia contida as normas onde a

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própria constituição estabelece casos de relativização. Exemplo disto é o direito de reunião que pode ser restringido no caso de Estado de Sítio ou Defesa. Ou ainda, o direito de propriedade, que é relativizado pela norma da desapropriação e pela necessidade do cumprimento da função social.

A doutrina ainda considera que certos preceitos ético-jurídicos como a moral, os bons costumes e etc. também podem ser usados para conter as normas.

Eficácia Limitada - É a norma que, caso não haja regulamentação por meio de lei, não é capaz de gerar nenhum efeito concreto, assim dizemos que tem aplicação indireta ou mediata, pois há a necessidade da existência de uma lei para “mediar” a sua aplicação. Como vimos, é errado dizer que não possui força jurídica, pois manifesta a intenção dos legisladores e é capaz de tornar normas posteriores inconstitucionais. Assim, sua aplicação é mediata, mas sua eficácia jurídica (ou seja, seu caráter vinculante) é imediata. Ex.:

O estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor (art. 5º, XXXII). Se a lei não estabelecesse o Código de Defesa do Consumidor, não se poderia aplicar essa norma por si só.

Observação: José Affonso da Silva divide as normas de eficácia limitada em dois grupos:

a) Normas de princípio programático - Que como vimos, são as

que direcionam a atuação do Estado instituindo programas de

governo.

b) Normas de princípio institutivo - São as normas que trazem

apenas um direcionamento geral, e ordenam o legislador a organizar

ou instituir órgãos, instituições ou regulamentos, observando os direcionamentos trazidos.

Eficácia e aplicabilidade segundo a Maria Helena Diniz:

A classificação das normas, segundo esta autora, muda pouco comparado a José Affonso da Silva. Maria Helena Diniz aborda mais um tipo em sua classificação, e segundo ela teriamos a seguinte classificação:

Eficácia absoluta ou supereficazes: seriam as clásulas pétras, ou seja, as normas que não podem ser abolidas por emendas constitucionais;

Eficácia plena = Eficácia plena de J.A. Silva

Eficácia relativa restringível = Eficácia contida de J.A. Silva

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Eficácia relativa complementável = Eficácia limitada de J.A. Silva

Normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais:

Art. 5º § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

Isso não quer dizer que sejam todas de eficácia plena, como já foi cobrado em concurso. É apenas um apelo para que se busque efetivamente aplicá-las e assim não sejam frustrados os anseios da sociedade.

Lembramos ainda que tanto as plenas como também as contidas possuem aplicação imediata.

49. (FCC/Técnico- TRT 15ª/2009) Os chamados "remédios constitucionais" previstos no art. 5º, da C.F., constituem-se como normas de eficácia limitada, pois exigem normatividade processual que lhes desenvolva a aplicabilidade.

Comentários:

Em que pese doutrina em contrário, segundo a jurisprudência do STF, os remédios constitucionais possuem aplicabilidade imediata, podendo ser invocados independentemente de estarem regulamentados ou não por diploma infraconstitucional.

Gabarito: Errado.

da

Constituição brasileira de 1988, que nela existem algumas normas

que

Comentários:

Todas as normas da CF/88 são formalmente constitucionais. A doutrina, porém, divide estas normas em dois grupos:

Normas formalmente e materialmente constitucionais - São as normas da Constituição que, além de formais, tratam de assuntos essenciais a uma Constituição.

Normas apenas formalmente constitucionais - São as normas da Constituição que não tratam de assuntos essenciais a uma Constituição, porém, não deixam de ser formais, apenas não são materiais.

Gabarito: Correto.

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50. (FCC/EPP-SP/2009) É

correto

afirmar,

em

face

são

apenas

formalmente

constitucionais.

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51. (FCC/Técnico Superior - PGE-RJ/2009) A norma do artigo

218, caput, da Constituição, segundo a qual "o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas", deve ser classificada como de eficácia plena e aplicabilidade imediata.

Comentários:

É uma norma programática, de eficácia limitada.

Gabarito: Errado.

52. (FCC/Promotor-MPE-CE/2009) As normas constitucionais de

aplicabilidade imediata e de eficácia contida são plenamente eficazes até a superveniência de lei regulamentar.

Comentários:

Elas são aplicáveis de forma imediata, porém, diferentemente do que ocorre com as normas de eficácia plena, poderá uma norma infraconstitucional posterior restringir os seus efeitos, contendo o seu alcance.

Gabarito: Correto.

53. (CESPE/Advogado - IBRAM-DF/2009) O preâmbulo, por

estar na parte introdutória do texto constitucional e, portanto, possuir relevância jurídica, pode ser paradigma comparativo para a

declaração de inconstitucionalidade de determinada norma infraconstitucional.

Comentários:

O STF já decidiu pela ausência de força jurídica do preâmbulo da Constituição. Assim, ele não pode ser usado para tornar normas infraconstitucionais inconstitucionais. Embora despido de força jurídica, o preâmbulo pode servir de base para fins de interpretação constitucional.

Gabarito: Errado.

54. (CESPE/TRE-MA/2009) O preceito constitucional que

assegura a liberdade de exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais estabelecidas em lei, constitui norma de eficácia limitada.

Comentários:

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Trata-se de norma de eficácia contida, já que tão logo a Constituição entrou em vigor já foi assegurada tal liberdade, podendo, no entanto, uma norma infraconstitucional superveniente, conter o alcance desta garantia.

Gabarito: Errado.

55. (CESPE/DPE-ES/2009) Normas constitucionais supereficazes

ou com eficácia absoluta são aquelas que contêm todos os elementos imprescindíveis para a produção imediata dos efeitos previstos; elas não requerem normatização subconstitucional subsequente, embora sejam suscetíveis a emendas.

Comentários:

Esta classificação é oriunda da prof. Maria Helena Diniz, que assim define as normas que estão gravadas como "cláusulas pétreas", não podendo assim serem abolidas por emendas constitucionais. A questão é doutrinária, porém, a jurisprudência admite emenda às cláusulas pétreas, desde que seja para fortalecê-las e não para aboli- las.

Gabarito: Errado.

56. (CESPE/Procurador-TCE-ES/2009) As normas

constitucionais que alteram a competência de tribunais possuem, de acordo com o entendimento do STF, eficácia imediata, devendo ser

aplicado, de pronto, o dispositivo que promova a alteração.

Comentários:

É pacífico no STF o entendimento no sentido de que as normas constitucionais que alteram competência de Tribunais possuem eficácia imediata, devendo ser aplicado, de pronto, o dispositivo que promova esta alteração. Assim, quando a EC 45/04, por exemplo, retirou do STF a competência para conceder o exequatur às cartas rogatórias, e a transferiu ao STJ, este dispositivo deveria ser aplicado tão logo entrasse em vigor a referida emenda. Assumiria assim o STJ a competência para o feito, inclusive sobre aquelas que já estariam sendo julgadas no STF que ficariam prejudicadas por incompetência superveniente, se tornando insubsistentes os votos já proferidos.

Gabarito: Correto.

57. (CESPE/Procurador-TCE-ES/2009) Consoante entendimento

do STF, a norma constitucional segundo a qual não há prisão civil por

dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e

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inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel, não é de eficácia restringível.

Comentários:

Nas palavras do Supremo, "a norma que se extrai do inciso LXVII do artigo 5º da Constituição Federal é de eficácia restringível. Pelo que as duas exceções nela contidas podem ser aportadas por lei, quebrantando, assim, a força protetora da proibição, como regra geral, da prisão civil por dívida". Desta forma, temos a regra: Não cabe prisão civil por dívida. Essa proibição pode ser relativizada por lei: caso de inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. Se a lei prever a prisão nestes casos, estará restringindo a proibição da norma.

Em Dezembro de 2009, o STF julgou que não ser cabível a prisão do depositário infiel, pois reconheceu o pacto de San Jose da Costa Rica

(assinado pelo Brasil) com status supralegal, e neste pacto proibia-se

a prisão por dívida. Desta forma, tornaram-se inaplicáveis as leis que permitiam a prisão do depositário infiel. Por terem se tornado inaplicáveis, elas não possuem mais força para conter a norma constitucional neste ponto.

Gabarito: Errado.

58. (CESPE/Procurador-TCE-ES/2009) As normas constitucionais de eficácia limitada têm por fundamento o fato de que sua abrangência pode ser reduzida por norma infraconstitucional, restringindo sua eficácia e aplicabilidade.

Comentários:

Essa é a definição de eficácia contida. As normas de eficácia limitada sequer conseguem ser aplicáveis caso não exista lei para mediar os seus efeitos.

Gabarito: Errado.

59. (CESPE/TRT-17ª/2009) A disposição constitucional que prevê o direito dos empregados à participação nos lucros ou resultados da empresa constitui norma de eficácia limitada.

Comentários:

A Constituição assegura em seu art. 7º, XI, a participação nos lucros,

ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Se não tivermos uma lei disciplinando como serão estas participações, elas não poderão ser aplicáveis. Assim, está correto dizer que trata-se de norma de eficácia limitada.

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Gabarito: Correto.

Utilize o texto abaixo para as próximas 3 questões:

"A CF traz no seu artigo 5.º, entre outros, os seguintes incisos:

XIII

profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

ofício ou

livre o exercício

de qualquer

trabalho,

é

XXX — é garantido o direito de herança;

LXXVI — são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na

forma da lei:

a)

o registro civil de nascimento;

b)

a certidão de óbito".

60.

(CESPE/TJAA-STF/2008) A norma prevista no inciso XIII é

de eficácia contida, pois o direito ao exercício de trabalho, ofício ou profissão é pleno até que a lei estabeleça restrições a tal direito.

Comentários:

Perfeita definição do conceito. Enquanto não tivermos lei que faça a contenção da norma, é pleno o exercício das profissões.

Gabarito: Correto.

Gabarito: Errado.

61. (CESPE/TJAA-STF/2008) O inciso XXX, que prevê o direito

de herança, é uma norma de eficácia limitada.

Comentários:

Trata-se de uma garantia constitucional inscrita como norma de eficácia plena, pois ainda que não tenha lei regulamentadora, é garantido que os descendentes recebam por herança aquilo que foi deixado pelos antecedentes.

Gabarito: Errado.

62. (CESPE/TJAA-STF/2008) O inciso LXXVI e suas alíneas

configuram normas programáticas, pois dizem respeito a um programa de governo relativo à implementação da gratuidade de certidões necessárias ao exercício de cidadania.

Comentários:

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As normas programáticas são aquelas que direcionam o Estado a agir em um determinado sentido, como buscar a dignidade da pessoa humana, garantir o direito à saúde e etc.

Gabarito: Errado.

63. (CESPE/Advogado-BRB/2010) No tocante à aplicabilidade, de acordo com a tradicional classificação das normas constitucionais, são de eficácia limitada aquelas em que o legislador constituinte regula suficientemente os interesses concernentes a determinada matéria, mas deixa margem à atuação restritiva por parte da competência discricionária do poder público, nos termos em que a lei estabelecer ou na forma dos conceitos gerais nela previstos.

Comentários:

Essa é a definição de eficácia contida. As normas de eficácia limitada sequer conseguem ser aplicáveis caso não exista lei para mediar os seus efeitos. Já as contidas possuem aplicabilidade imediata, porém podem futuramente serem restringidas pelo legislador.

Gabarito: Errado.

Interpretação Constitucional:

Tema que deve ser estudado somente para os alunos das áreas jurídicas.

Primeiro, temos que saber que, em regra, é o Poder Judiciário que interpreta a Constituição. Não apenas o STF, mas, qualquer juiz pode interpretar a Constituição. Não se pode falar, porém, que essa atividade é exclusiva do Judiciário já que existem exceções como, por exemplo, a chamada interpretação autêntica que vermos à frete que é proferida pelo Poder Legislativo, editando as chamada "leis interpretativas".

Entre as normas da Constituição nós temos a presença das regras e dos princípios. As regras são mais concretas, aquelas normas que definem um procedimento, condutas. As regras, ou são totalmente cumpridas, ou não são cumpridas, elas não admitem o cumprimento parcial. Por outro lado, os princípios são mais abstratos, não são definidores de condutas, são os chamados "mandados de otimização", ou seja, eles devem ser utilizados para se alcançar o grau ótimo de concretização da norma. Devido a esta abstrativização dos princípios, eles admitem um cumprimento parcial.

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Quando duas regras entram em conflito, o aplicador deve cumprir uma ou outra, nunca as duas, pois uma regra exclui a outra. Quando dois princípios entram em conflito dizemos que houve uma "colisão" de princípios (nunca uma contradição) e, desta forma, ambos poderão ser cumpridos, embora em graus diferentes de cumprimento. Estuda-se então o caso concreto, usa-se o princípio da harmonização, ou concordância prática (que veremos à frente) e descobre-se qual o princípio irá pervalecer sobre o outro, sem um exclua totalmente o outro.

Para se interpretar a Constituição, fazemos uso de 2 instrumentos, os princípios de interpretação e os métodos de interpretação.

Os princípios são aqueles direcionamentos iniciais, pontos de partida. São pressupostos, que devem ser observados para posteriormente usar os métodos. Os princípios devem ser observados em conjunto. Os métodos, por sua vez, são a forma como se irá promover a interpretação. Os métodos também podem ser empregados conjuntamente.

As questões de prova cobram basicamente a literalidade dos conceitos, que são com muita propriedade expostos pelo professor Canotilho. Baseados neste autor, e em outras doutrinas, podemos coligir os princípios e os métodos da forma que faremos agora.

São princípios da interpretação constitucional:

a) Princípio da unidade da Constituição: Este princípio é como se fosse a base da qual deriva a maioria dos demais. Segundo ele, as normas constitucionais formam um corpo único, indivisível para fins de interpretação. Uma norma só faz sentido se entendida dentro de todo o contexto do sistema constitucional. Assim, ao interpretar a Constituição, o hermeneuta deve buscar dissipar quaisquer contradições ou antinomias aparentes, já que formando este corpo único, não há o que se falar em normas contraditórias, devendo-se analisá-las em conjunto e buscar o verdadeiro fim pensado. Assim, podemos coligir as consequências deste princípio do seguinte modo:

Não podemos vislumbrar em uma Constituição formal a hierarquia entre as normas (seja parte dogmática ou ADCT, sejam normas originárias e emendas, tudo é uma coisa só);

Não

existem

normas

constitucionais

originárias

inconstitucionais;

 

Não existem contradições entre os dispositivos constitucionais. Pode haver apenas uma "aparência" de contradição.

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b) Princípio da concordância prática ou da harmonização: Sem

que se negue o princípio da unidade da Constituição, ao se usar o princípio da harmonização, deverá o intérprete ponderar os valores dos princípios e normas de modo a otimizar o resultado da interpretação. Assim, um princípio pode limitar ou condicionar outro, não o nega totalmente, mas, ocorre uma verdadeira “harmonização” entre eles, para que se decida qual irá prevalecer no caso concreto.

c) Princípio da correição funcional (ou conformidade funcional): Embora o intérprete tenha certa liberdade ao buscar o sentido das normas, ele de forma alguma, segundo este princípio, poderá chegar a um resultado que perturbe a repartição de competências que a Constituição estabeleceu em sua estrutura.

d) Princípio da eficácia integradora: Orientado por este princípio,

o intérprete deverá, ao se deparar com problemas jurídico- constitucionais, ponderar as normas e estabelecer a interpretação mais favorável a uma integração política, social ou que reforce a unidade política.

e) Princípio da força normativa da Constituição: Segundo este

princípio, não se pode ignorar a eficácia das normas constitucionais, se elas estão positivadas existe um motivo para tal, assim o intérprete deverá adotar interpretação que garanta maior eficácia e permanência destas normas, para que ela não vire uma “letra morta”.

f) Princípio da máxima efetividade: Este princípio é considerado por muitos um subprincípio do anterior. Ele orienta o intérprete a fazer uma interpretação, notadamente dos direitos fundamentais, de forma a conferir uma maior eficácia a estas normas, torná-las mais densas e fortalecidas.

g) Princípio da interpretação conforme a Constituição e da presunção de constitucionalidade das leis: É um princípio usado tanto para interpretação constitucional quanto no controle de constitucionalidade. Por este princípio, o intérprete deve presumir que a lei é constitucional e quando restar dúvida em relação ao significado da norma, escolherá aquele que a tornará constitucional, declarando-se inconstitucional que se tome interpretação diversa.

Assim, este princípio traz as seguintes decorrências:

Não se declara inconstitucional uma norma a qual possa ser atribuída uma interpretação constitucional (princípio da conservação das normas);

A constituição sempre deve prevalecer - Sempre se interpretam as leis conforme a Constituição, nunca se interpreta a Constituição conforme as leis (Princípio da prevalência da Constituição).

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Somente é aplicável a normas que admitirem interpretações diversas, não pode ser aplicável a normas que contenham sentido unívoco, já que o intérprete deve analisar a finalidade do legislador, não podendo dar à lei uma interpretação que subverta o seu sentido (Princípio da vedação da interpretação conforme a Constituição mas contra legem).

h) Princípio proporcionalidade e da razoabilidade: É um dos princípios que mais ganham espaço atualmente, já que preza pela justiça, bom senso, aplicação razoável e proporcional das normas. É importante frisar que este princípio não foi positivado expressamente na CF, mas encontra-se implícito no art. 5º LIV que dispõe sobre o “devido processo legal”.

São métodos de interpretação da Constituição:

a) Método Jurídico (ou método hermenêutico clássico):

Proposto por Ernest Forsthoff. Por este método temos a premissa "Constituição é uma lei. Se a Constituição é uma lei, usa-se os métodos clássicos de interpretação de leis propostos por Savigny para interpretar as normas constitucionais. Destacamos:

Interpretação autêntica – Ocorre quando o próprio órgão que editou a norma edita uma outra norma, com o fim de esclarecer pontos duvidosos e que, sendo meramente interpretativa, poderá ter eficácia retroativa já que não cria nem extingue direitos; Interpretação teleológica – Interpreta-se a norma tentando buscar a finalidade para qual foi criada;

Interpretação gramatical ou literal – Usa-se o a literalidade da lei;

Interpretação histórica – Busca-se os precedentes históricos para tentar alcançar a interpretação a ser dada à norma; Interpretação sistemática – Tenta-se harmonizar as normas dando uma unidade ao ordenamento jurídico;

A maior crítica a este método é que Savigny ao estabelecer a sua teoria, estava pensando no Direito Privado. A Constituição é dotada de uma complexidade de normas que torna o tal método insuficiente.

b) Método tópico-problemático: Tendo um problema concreto nas

mãos, os intérpretes debatem abertamente tentando adequar a norma a este problema, daí diz-se que há uma “primazia do problema

sobre

c) Método hermenêutico-concretizador: É o contrario do anterior.

Aqui parte-se da pré-compreensão da norma abstrata e tenta-se

44

a

norma”.

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imaginar a situação concreta. Agora temos a “primazia da norma sobre o problema”.

d) Método científico-espiritual: Analisa-se os valores sociais, integrando o texto constitucional com a realidade a qual a sociedade está vivendo.

e) Método normativo-estruturante: Analisa-se a norma tentado analisar a sua função como estruturadora do Estado.

64. (FCC/TCE-MG/2007) O princípio da unidade da constituição

busca a interpretação de maneira a evitar contradições entre as normas constitucionais.

Comentários:

Vimos que por este princípio a constituição se manifesta em um corpo único. Sendo um corpo único, não existe possibilidade de contradição de normas. Assim, segundo este princípio, a Constituição deve ser interpretada buscando a dissipação das aparentes antinomias e contradições. Importante é dizer que pelo princípio da unidade da Constituição, não há qualquer hierarquia entre normas presentes no corpo da Lei Maior, já que ela se manifesta como única.

Gabarito: Correto.

65. (FCC/TCE-MG/2007) O princípio do efeito integrador busca

dar primazia aos critérios favorecedores da integração política e

social.

Comentários:

Segundo a doutrina, o efeito integrador pressupõe a busca pelo sentido que fortaleça a unidade política e a integração social do país.

Gabarito: Correto.

66. (FCC/TCE-MG/2007) O princípio da concordância prática ou a

harmonização tem como finalidade a coordenação e combinação dos bens jurídicos em conflito.

Comentários:

Por este princípio, mesmo que, num caso concreto, se verifique a colisão entre princípios constitucionais, um princípio não invalida o outro, já que podem e devem ser aplicados na medida do possível e com diferentes graus de efetivação. Assim, interpreta-se de forma a evitar o sacrifício total de uns em relação a outros, eles são harmonizados.

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Gabarito: Correto.

67. (FCC/TCE-MG/2007)

constituição busca a adoção de interpretação que garanta maior

eficácia e permanência das normas constitucionais.

Comentários:

O princípio da força normativa da constituição foi defendido por

Konrad Hesse. Segundo este princípio, a constituição tem a sua força

impositiva e deve ser aplicada efetivamente e não ser ignorada pelos aplicadores.

Gabarito: Correto.

O

princípio

da

força

normativa

da

68. (FCC/TCE-MG/2007) No entendimento de doutrinadores, o

princípio da adoção da contradição dos princípios significa que os

preceitos exigem uma interpretação explícita, excluindo-se a implícita.

Comentários:

A doutrina não faz qualquer menção a um princípio chamada

"contradição dos princípios" até por que, princípios não podem entrar em contradição. Quando se fala de princípios, não se fala em exclusão ou contradição, já que eles podem ser ponderados no caso concreto e assim ser concretizados em graus diferentes. Isto faz com que os chamem de "mandados de otimização". Quando estamos diante de regras constitucionais, ou seja, normas que estabelecem uma conduta específica sem margem para abstrações, pode acontecer de uma excluir a outra, pois não existe cumprimento

parcial de regras, ou são cumpridas integralmente ou não são cumpridas.

Gabarito: Errado.

69. (ESAF/AFRF/2003) Somente o Supremo Tribunal Federal -

STF está juridicamente autorizado para interpretar a Constituição.

Comentários

Qualquer juiz pode interpretar a constitução e até mesmo outros órgãos, como a interpretação autêntica feita pelo Legislativo.

Gabarito: Errado.

70. (FCC/AFRE-PB/2006) O método de interpretação das normas

constitucionais segundo o qual se procura identificar a finalidade da

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norma, levando-se em consideração o seu fundamento racional, é o método teleológico.

Comentários:

Entre os métodos de interpretação das normas constitucionais, temos

o método jurídico ou hermenêutico clássico. Segundo este método,

deve-se usar as formas propostas por Savigny para interpretar leis. Entre estas formas, temos a interpretação teleológica que busca a finalidade para qual a norma foi criada.

Gabarito: Correto.

71. (FCC/PGE-PE/2004) Em ocorrendo colisão de direitos fundamentais consagrados por normas constitucionais de eficácia plena, não sujeitos, portanto, a restrições legais, o intérprete constitucional poderá adotar, para solução de caso concreto, o princípio da interpretação conforme a Constituição.

Comentários:

O correto seria o princípio da concordância prática, harmonização ou

ponderação de interesses (esses nomes são sinônimos).

Gabarito: Errado.

72. (FCC/Auditor - TCE-SP/2008) Por força da Emenda Constitucional no 52, de 8 de março de 2006, foi dada nova redação ao § 1o do artigo 17 da Constituição da República, estabelecendo-se inexistir obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas dos partidos políticos em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal. Referido dispositivo foi objeto de impugnação por meio de ação direta de inconstitucionalidade, ao final julgada procedente, pelo Supremo Tribunal Federal, para o fim de declarar que a alteração promovida pela referida emenda constitucional somente fosse aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência (ADI 3685-DF, Rel. Min. Ellen Gracie, publ. DJU de 10 ago. 2006). Na hipótese relatada, o Supremo Tribunal Federal procedeu à interpretação, conforme a Constituição, sem redução de texto normativo.

Comentários:

A interpretação conforme a Constituição, ou simplesmente "interpretação conforme" é uma maneira de salvar uma lei aparentemente inconstitucional. Ou seja, fixa-se um interpretação à norma para que o sentido esteja de acordo com o texto constitucional, e impede-se também que a norma seja aplicada de uma forma inconstitucional. Foi isso que aconteceu no caso em tela, fixou-se a interpretação de que se devia esperar um ano para ser aplicável, para que a lei se adequasse ao art. 16 da Constituição.

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Gabarito: Correto.

73. (ESAF/TCU/2006) Quando o intérprete, na resolução dos

problemas jurídico-constitucionais, dá primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade política, pode-se afirmar que, no trabalho hermenêutico, ele fez uso do princípio da conformidade funcional.

Comentários:

Este seria o princípio da “eficácia integradora”. O princípio da conformidade funcional ocorre limitando a atividade do intérprete, impedindo-o de chegar a um resultado que perturbe a repartição de competências que a Constituição estabeleceu em sua estrutura.

Gabarito: Errado.

74. (ESAF/AFTE-RN/2005) O método de interpretação

constitucional, denominado hermenêutico-concretizador, pressupõe a

pré-compreensão do conteúdo da norma a concretizar e a compreensão do problema concreto a resolver.

Comentários:

Perfeita

anteriormente.

Gabarito: correto.

vimos

literalidade

da

doutrina

de

Canotilho,

tal

como

75. (ESAF/AFC-CGU/2006) No método de interpretação

constitucional tópico-problemático, há prevalência da norma sobre o

problema concreto a ser resolvido.

Comentários:

No método tópico-problemático, tendo um problema concreto nas mãos, os intérpretes debatem abertamente tentando adequar a norma a este problema, daí diz-se que há uma “primazia do problema sobre a norma”.

Gabarito: Errado.

76. (ESAF/AFC-CGU/2006) O método de interpretação

hermenêutico-concretizador prescinde de uma pré-compreensão da

norma a ser interpretada.

Comentários:

Aqui parte-se da pré-compreensão da norma abstrata e tenta-se imaginar a situação concreta. Agora temos a “primazia da norma

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sobre o problema”. Desta forma, ele pressupõe uma pré- compreensão da norma abstrata a se concretizar, logo, é errado dizer que prescinde (= dispensa).

Gabarito: Errado.

77. (ESAF/AFC-CGU/2006) O princípio de interpretação conforme a constituição comporta o princípio da prevalência da constituição, o princípio da conservação de normas e o princípio da exclusão da interpretação conforme a constituição mas contra legem.

Comentários:

A interpretação da norma legal em face à Constituição é o princípio pelo qual tenta-se adequar o alcance da norma legal em relação aos limites constitucionais. Assim, pressupõe a supremacia da Constituição em relação à lei, além de comportar o princípio da conservação das normas, já que evita-se a sua declaração de inconstitucionalidade, promovendo apenas uma interpretação de acordo com o texto da constitucional.

O princípio da "vedação da interpretação conforme a Constituição, mas contra legem" é o princípio impede que se alterem a interpretação das lei de modo que subverta o sentido literal delas. Ou seja, pode interpretar, mas não pode "forçar a barra".

Gabarito: Correto.

78. (ESAF/AFRFB/2009) A técnica denominada interpretação

conforme não é utilizável quando a norma impugnada admite sentido

unívoco.

Comentários:

Só se aplica interpretação conforme quando podemos ter uma duplicidade de interpretações. Já que se aplica o princípio da "vedação da interpretação conforme a Constituição, mas contra legem" que impede que se alterem a interpretação das lei que não dão margem a duplas interpretações.

Gabarito: Correto.

79. (ESAF/PFN/2006) A interpretação conforme a Constituição

consiste em procurar extrair o significado de uma norma da Lei Maior a partir do que dispõem as leis ordinárias que preexistiam a ela.

Comentários:

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É justamente ao contrário, da-se à lei o sentido conforme dispõe a

Constituição. Nunca se interpeta a Constituição conforme as leis, a interpretação é sempre das leis conforme a Constituição.

Gabarito: Errado.

80. (CESPE/ANATEL/2009) Mutações constitucionais são alterações no texto da CF decorrentes de novos cenários na ordem econômica, social e cultural do país.

Comentários:

A mutação é um processo informal de mudança do teor constitucional

que é oriundo de novas interpretações que os aplicadores da norma

passam a dar para o seu texto, sem, no entanto, modificá-lo.

Gabarito: Errado.

81. (CESPE/ANATEL/2009) O princípio da máxima efetividade

visa interpretar a CF no sentido de atribuir à norma constitucional a

maior efetividade possível, ou seja, deve-se atribuir a uma norma constitucional o sentido que lhe dê maior eficácia.

Comentários:

O princípio da máxima efetividade deriva do princípio da força

normativa da Constituição, considerado por alguns até mesmo como um sub-princípio. Este princípio orienta o intérprete a tornar a norma constitucional mais densa, alcançando ao máximo sua efetiva aplicação.

Gabarito: Correto.

82. (CESPE/ANATEL/2009) O princípio da unidade da

Constituição considera essa Carta em sua totalidade, buscando harmonizá-la para uma visão de normas não isoladas, mas como preceitos integrados em um sistema unitário de regras e princípios.

Comentários:

Por tal princípio, não há contradições no texto constitucional, já que ele forma um corpo único, assim, o que ocorre são apenas "aparentes" contradições, que devem ser dissipadas pelo intérprete

ao analisar o texto em conjunto.

Gabarito: Correto.

83.

(CESPE/TRT-17ª/2009) A corrente que nega a possibilidade

de

o juiz, na interpretação constitucional, criar o direito e, valendo-se

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de valores substantivos, ir além do que o texto lhe permitir é chamada pela doutrina de não-interpretativista.

Comentários:

Embora o nome possa induzir ao contrário, na corrente interpretativista é onde o juiz possui menor autonomia para exercer a atividade interpretativa, ele não pode transcender os limites do texto legal. Já na corrente não-interpretativista, é onde o juiz possui uma maior autonomia para ir além texto e empregar valores pessoais, substantivos, na atividade interpretativa.

Gabarito: Errado.

84. (CESPE/TRT-17ª/2009) O princípio do efeito integrador estabelece que, havendo lacuna na CF, o juiz deve recorrer a outras normas do ordenamento jurídico para integrar o vácuo normativo.

Comentários:

Isso que está descrito no enunciado é o uso da técnica da integração e não interpretação. Usar o princípio de interpretação do efeito integrador é interpretar a norma de modo que favoreça a integração política e social e reforce a unidade política.

Gabarito: Errado.

85. (CESPE/TRE-MA/2009) A interpretação conforme com redução de texto tem aplicação quando o STF exclui da norma questionada interpretação incompatível com a CF, reduzindo seu alcance valorativo.

Comentários:

Realmente a interpretação conforme, ou interpretação conforme à Constituição, é a técnica onde o STF declara como inconstitucional apenas uma forma de interpretar a norma, interpretação esta que estava indo contra o disposto na CF. Porém, da forma que se expôs no enunciado, trata-se de uma interpretação conforme "sem" redução de texto.

Gabarito: Errado.

86. (CESPE/Procurador-BACEN/2009) Pelo método de interpretação hermenêutico-concretizador, a análise da norma constitucional não se fixa na sua literalidade, mas decorre da realidade social e dos valores insertos no texto constitucional, de modo que a constituição deve ser interpretada considerando-se seu

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dinamismo e constante renovação, no compasso das modificações da vida da sociedade.

Comentários:

A questão tenta induzir o candidato ao erro, colocando um excesso de

informações que nada tem haver com o referido princípio. As informações estão associadas ao chamado método científico- espiritual. Usar o método hermenêutico-concretizador significa partir de uma pré-compreensão da norma em abstrato, e depois desta pré- compreensão buscar concretizá-la para se alcançar o caso concreto da realidade.

Gabarito: Errado.

87. (CESPE/Juiz Federal Substituto – TRF 5ª/2009) De acordo

com o princípio da força normativa da constituição, defendida por Konrad Hesse, as normas jurídicas e a realidade devem ser consideradas em seu condicionamento recíproco. A norma constitucional não tem existência autônoma em face da realidade. Para ser aplicável, a CF deve ser conexa à realidade jurídica, social e política, não sendo apenas determinada pela realidade social, mas determinante em relação a ela.

Comentários:

Diz-se que Konrad Hesse reviu as teorias de Lassale e apontou uma flexibilização a elas. Segundo Hesse a Constituição não poderia ser ignorada, ela tem a sua força normativa e embora fosse condicionada pela sociedade, também se deveria se impor sobre ela.

Gabarito: Correto.

88. (CESPE/Advogado - Petrobrás/2007) Entre as correntes de

interpretação constitucional, pode-se apontar uma bipolaridade que se concentra entre as correntes interpretativistas e não interpretativistas das constituições. As correntes interpretativistas se confundem com o literalismo e permitem ao juiz que este invoque e aplique valores e princípios substantivos, como a liberdade e a justiça contra atos da responsabilidade do Poder Legislativo em desconformidade com a constituição.

Comentários:

A questão então possui dois erros: as correntes interpretativistas não

se confundem com o literalismo e o outro é pelo fato de que os interpretativista repudiam o uso de vlores e princípios substantivos.

Gabarito: Errado.

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89. (CESPE/Advogado - Petrobrás/2007) Segundo o método

jurídico de Forsthoff, a interpretação da constituição não se distingue da interpretação de uma lei e, por isso, para se interpretar o sentido da lei constitucional, devem-se utilizar as regras tradicionais da interpretação.

Comentários:

O Método Jurídico ou Método Hermenêutico Clássico era defendido por Ernest Forsthoff, daí o nome "método jurídico de Forsthoff". Segundo o autor, há uma identidade entre Constituição e lei. Assim, segundo o referido método, deve-se interpretar a Constituição usando-se dos mesmo métodos clássicos propostos por Savigny para interpretar as leis. A crítica maior a este método é o fato de que a Constituição é uma norma especial de direito público enquanto os métodos de Savigny foram desenvolvidos para o direito privado, portanto, insuficientes para atender à realidade do ordenamento constitucional.

Gabarito: Correto.

90. (FCC/AJAJ - TRE-AM/2010) Com relação aos princípios

interpretativos das normas constitucionais, aquele segundo o qual a

interpretação deve ser realizada de maneira a evitar contradições entre suas normas é denominado de:

a) conformidade funcional.

b) máxima efetividade.

c) unidade da constituição.

d) harmonização.

e) força normativa da constituição.

Comentários:

Letra A - Errado. Este seria o princípio segundo o qual o intérprete não poderá chegar a um resultado que perturbe a repartição de competências que a Constituição estabeleceu em sua estrutura.

Letra B - Errado. Este seria o princípio que orienta o intérprete a fazer uma interpretação de forma a conferir uma maior eficácia às normas constitucionais, torná-las mais densas e fortalecidas.

una, não pode haver

Letra C - Correto. Se a constituição

contradições em seu texto, devendo as normas serem interpretadas em conjunto.

Letra D - Errado. Este seria o princípio que orienta o intérprete a ponderar, diante de um caso concreto, dois ou mais princípios constitucionais, para decidir qual irá prevalecer para aquele caso.

é

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Letra E - Errado. Este seria o princípio que orienta o intérprete a adotar uma interpretação que garanta maior eficácia e permanência das normas constitucionais, para evitar que se tornem uma “letra morta”.

Gabarito: Letra C.

Poder Constituinte: