Вы находитесь на странице: 1из 30

EXTRATÉGIAS DE REDUÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA DA

EMPRESA X VISANDO ALTERNATIVAS MAIS EFICIENTES PARA A REDUÇÃO

DO CUSTO

RESUMO

Flávio Junior Morais 1

Me. Leonardo Neumann 2

Nos dias atuais, existe uma grande preocupação com meios eficientes de consumo de energia. A energia elétrica está presente em praticamente tudo o que se faz e, por isso, se questiona a forma que a sociedade interage e a consome. As empresas têm uma enorme parcela deste consumo, por consequência, um custo elevado. Desta maneira, pretende-se mostrar os ganhos financeiros que a empresa X obteve com a implantação de um sistema de grupo gerador e compressores, e com a modificação do sistema de iluminação, trazendo benefícios não só para ela, mas para todo o universo em que ela está envolvida. Por isso, é importante entender sobre eficiência energética, e os meios eficientes para redução de energia consumida para o processo de transformação, ou ainda quando há uma melhoria desse processo, com a mesma quantidade de energia. Nesse estudo de caso foram realizadas pesquisas quantitativas e descritivas avaliando as planilhas de consumo para evidenciar a redução de custo.

Palavras-chave: Consumo. Energia. Custo. Eficiência Energética.

ABSTRACT

Nowadays, there is great concern with efficient means of energy consumption. Electrical energy is present in virtually everything that is made and therefore questions the way that society interacts and consumes. Companies have a huge portion of this consumption, therefore a high cost. Thus, we shall show the financial gains that company X achieved with the implementation of a system generator and compressors, and modifying the lighting system, bringing benefits not only for her but for the entire universe in which it is involved. Therefore, it is important that energy efficiency and effective ways to reduce energy consumed in the process of transformation, or when there is an improvement of this process, with the same amount of energy. In this case study descriptive and quantitative research were conducted evaluating the use of spreadsheets to show the cost reduction.

Keywords: Consumption. Energy. Cost. Energy Efficiency.

1 Acadêmico do Curso de Gestão da Produção da Universidade Feevale. (flavio.ev@hotmail.com).

2 Professor da Universidade Feevale. MBA em Marketing pela ESPM e Mestre em Administração pela UNISINOS. Orientador do artigo. (lneumann@sinos.net).

1 INTRODUÇÃO

Com a crescente preocupação da competitividade das empresas, surgem problemas com os seus gastos elevados, onde se destaca a energia elétrica, que no Brasil, é uma das mais caras do mundo afirma Freitas (2011). Desta maneira, as indústrias buscam métodos mais eficientes para a sua utilização, evitando repassar esses custos para o consumidor de seus produtos. Um dos custos mais elevados para indústria é o com energia elétrica, onde esse é insumo essencial para seu processo de transformação, sendo importante usá-lo de forma eficiente. A energia elétrica está presente em praticamente tudo o que se faz, e pretende-se também, questionar a forma que a sociedade interage com ela e a consome. Por isso é importante entender sobre eficiência energética, que ocorre quando há uma redução na energia consumida para o processo de transformação de algo ou quando há um aumento ou melhoria desse processo, com a mesma quantidade de energia. A empresa X apresentava um enorme gasto com energia elétrica, o que fez buscar a implantação de novos sistemas. Com isso, o objetivo principal é apresentar os ganhos financeiros que ela obteve com a implantação desses, trazendo benefícios não só para ela, mas para a sociedade, trazendo a sua preocupação com o uso racional de energia e mostrando seus exemplos para a sociedade que está engajada ao seu redor. Dentre os objetivos específicos estão a avaliação dos ganhos da implantação de um novo sistema de grupo gerador e a comprovação da redução de consumo de energia dos compressores de ar comprimido e meios mais eficientes de iluminação. A importância desse estudo de caso está relacionada com a grande preocupação da humanidade com o consumo eficiente das fontes de energia, procurando meios mais econômicos e produtivos. Esse estudo pretende comprovar os ganhos com a substituição de um grupo gerador por outro com maior potência, evitando assim, o pagamento de multas com o consumo em horário de ponta, que corresponde ao intervalo de três horas entre 18h às 21h, e durante o horário de verão das 19h às 22h. A empresa optava por não ter nenhum volume de demanda contratado, e também, por não ligar certos equipamentos reduzindo seu consumo e seu volume de produção; mas quando houvesse maior necessidade eram ligados, fazendo que estivessem sujeitos a multas da concessionária de energia.

A implantação de algumas ações significativas - como a substituição de compressores de ar comprimido sistema pistão por outro de sistema parafuso, apresentou ganhos significativos de consumo e até aumentou seu desempenho significando uma enorme economia e melhorias comparadas aos sistemas convencionais. Seguindo a mesma linha de redução de consumo, esta a implantação de “lâmpadas mais eficientes”, as fluorescentes compactas, que na área industrial não chegam a representar um elevado consumo, mais mesmo assim, podem trazer economias comparadas com as alternativas tradicionais. Primeiramente buscaram-se alguns argumentos para salientar a importância com a questão da eficiência, mostrando valores e como deve se tratar os desperdícios. Após foi abordado sobre a energia e o cenário brasileiro. Também estão expressos os métodos de como foi realizado esse trabalho, onde o estudo de caso foi baseado nos valores mensuráveis de consumo da empresa. Como fontes para o estudo de caso foram utilizadas informações do banco de dados da empresa X, planilhas de Excel de produção e consumo de energia. Foi realizada pesquisa descritiva e quantitativa, juntamente com fontes de informações derivadas de livros, artigos e pesquisas na Internet.

2 EFICÊNCIA ENERGÉTICA

A crescente preocupação com o aquecimento global e com as mudanças climáticas faz com que se busquem projetos com melhor desempenho energético, pois o uso eficiente da energia elétrica não significa apenas uma redução de despesas, mas também, dos impactos ambientais. Segundo a reportagem de Santucci (2011, p. 21), “Um programa de Eficiência Energética (EE) é uma atividade contínua, idêntica a um programa de qualidade.” Com pensamento nessa continuidade, foi lançada no Brasil, em 15 de junho, a Norma ISO 50.001:2011- Gestão de Energia 3 . Esta norma está em conformidade com outras duas, ISO 9001 onde o foco é Gestão da Qualidade e ISO 14001 com o foco em Gestão Ambiental, segundo blog Rotas Estratégicas (2011).

3 Norma que tem como propósito habilitar organizações a estabelecerem sistemas e processos necessários para melhorar o desempenho energético, incluindo eficiência energética, uso e consumo de energia. Conforme norma ABNT NBR ISO 50001:2011

A maior parte da sociedade de consumo nos dias atuais não tem uma visão sistêmica relacionada ao consumo eficiente dos recursos energéticos existentes. Usando fontes de energia de forma inadequada e desperdiçando recursos, muitas vezes por não conhecer o conceito de energia e eficiência energética, gerando assim, gastos desnecessários e a degradação em escala do meio ambiente. Na literatura, afirma-se que a preocupação com o desperdício iniciou-se após a Segunda Guerra Mundial com a Toyota, onde Womack e Jones (1998, p.3) dizem que “o mais feroz crítico do desperdício que a história humana já conheceu”, se referindo a Taiichi Ohno, onde ele já estava atento a “muda 4 ” (desperdício). Nesse período surgiu o “pensamento enxuto”, que busca sempre fazer cada vez mais com cada vez menos, que é exatamente e indiscutivelmente o princípio da Eficiência. Trazendo essas informações para os dias atuais, existe um grande desperdício de energia elétrica, tanto em residências quanto organizações e instituições, que é um dos insumos fundamentais para qualquer processo moderno. Outro fator que não se dá atenção é que hoje o Brasil se apresenta como o quarto maior valor de energia elétrica do mundo. A tarifa de consumo industrial na média nacional é de R$ 329,00 por MWh, ficando atrás apenas de Itália, Turquia e República Tcheca (Figura 1), segundo estudo inédito da FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), conforme reportagem de Freitas (2011).

do Rio de Janeiro), conforme reportagem de Freitas (2011). Figura 1: Custo da Energia Elétrica dos

Figura 1: Custo da Energia Elétrica dos Principais Parceiros Comerciais. Fonte: Energia para indústria no Brasil é a 4ª mais cara do mundo, FREITAS (2011).

4 “muda” tem o significado de desperdício para os japoneses. O senhor Taiichi Ohno, chefe da Toyota foi um dos principais pensadores da “mentalidade enxuta”, foco na preocupação com atividades que aumentam custos e não agregam valor (desperdício).

Segundo Freitas (2011), este custo elevado faz com que o país perca em competitividade com os países do BRIC 5 que chegam a gastar, em média, um valor de 134% menor com energia. Isto faz com que seus custos sejam repassados ao consumidor final, que é quem mais perde devido aos preços mais altos afetando o desenvolvimento do país. Visualizando a Figura 1, percebe-se a quanto o Brasil tem que melhorar no quesito eficiência, necessitando permanentemente de gestores motivados para trabalhar eficientemente para obter lucros diminuindo essa forma de desperdício de energia.

2.1 ENERGIA E CLASSIFICAÇÃO

A energia não é utilizada corretamente muitas vezes por não estar visível aos olhos da sociedade, mas para chegar até sua utilização é necessário ouvir opiniões de alguns autores que a definem.

Energia é algo que todo mundo usa, conhece intuitivamente, mas até hoje ninguém conseguiu explicar exatamente o que é. Atribui-se ao físico- químico letoniano Wilhelm Ostwald, o mérito de ter dado a melhor idéia de energia que se conhece: Energia é aquilo de que se necessita para realizar qualquer tarefa ou trabalho (MONTANARI, 2003, p. 12).

Portanto, há uma enorme necessidade de conhecimento da sociedade na classificação das fontes de energia para assim entender como racionalizá-las. Segundo Russomano (1987), as fontes de energias são classificadas em primárias, providos da natureza na sua forma direta como, petróleo, carvão mineral, energia hidráulica, energia solar e outras; as fontes secundárias são aquelas provenientes de Centros de Transformação, por exemplo: óleo diesel, eletricidade, etc.

2.2 CENÁRIO BRASILEIRO

Neste estudo, os trabalhos foram direcionados somente para as fontes de energia secundária à energia elétrica. Sabe-se que o consumo de energia elétrica no

5 BRIC é uma sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China. Se destacaram no cenário mundial pelo rápido crescimento das suas economias e desenvolvimento.

Brasil está classificado por segmentos, que são representados pela Figura 2. Nela aparece a relação conforme dados verificados no site da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Os dados foram retirados da “Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica” na tabela da estatística do consumo do país entre 2010 e 2011.

CONSUMO ACUMULADO 2010 - 2011

16%

14%

26% 44%
26%
44%

ResidencialCONSUMO ACUMULADO 2010 - 2011 16% 14% 26% 44% Industrial Comerdial Outros

IndustrialCONSUMO ACUMULADO 2010 - 2011 16% 14% 26% 44% Residencial Comerdial Outros

ComerdialCONSUMO ACUMULADO 2010 - 2011 16% 14% 26% 44% Residencial Industrial Outros

OutrosCONSUMO ACUMULADO 2010 - 2011 16% 14% 26% 44% Residencial Industrial Comerdial

Figura 2: Consumo Acumulado de Energia Elétrica Brasil em julho de 2011. Fonte: Adaptado a partir da Empresa de Pesquisa Energética, 2011.

Como visualizado na Figura 2, o segmento industrial é o maior consumidor de energia elétrica, sendo responsável por aproximadamente 44% do consumo nacional, justificando assim, o motivo da realização desse estudo focalizado na redução de consumo na empresa X, por se tratar de uma indústria com um valor considerável de consumo, onde há uma enorme preocupação com a redução de seus custos. Essa idéia está de acordo com o que Mesquita e Franco (2004) afirmam quanto a preocupação da sociedade com o conceito de "Conservação de Energia" onde buscam ações voltadas para uma utilização mais racional dos recursos disponíveis, visando evitar desperdícios.

2.3 CONCESSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Conforme resolução nº 456, de 29/11/2000 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), são estabelecidos alguns níveis de tensão para as unidades consumidoras obedecendo a limites:

• Tensão secundária de distribuição: quando a carga instalada na unidade consumidora for igual ou inferior a 75 kW;

• Tensão primária de distribuição inferior a 69.000 V: quando a carga

instalada na unidade consumidora for superior a 75 kW e a demanda contratada ou estimada pelo interessado para o fornecimento for igual ou inferior a 2.500 kW;

• Tensão primária de distribuição igual ou superior a 69.000 V: quando a

demanda contratada ou estimada pelo interessado para o fornecimento for superior a 2.500 kW; (MANUAL DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NA INDÚSTRIA, 2005, p. 2)

Segundo o Manual de Eficiência Energética na Indústria (2005), existem

outras condições, previstas na legislação, para as concessionárias permitindo a elas

adotar outros limites de tensão de fornecimento.

.

2.3.1 Grupos de Tarifação

Na pesquisa realizada observaram-se dois grupos para a classificação dos

consumidores de energia elétrica quanto à tarifação:

• Grupo A – Consumidor de alta tensão: é o consumidor que tem um

transformador próprio ou de uso coletivo e recebe energia em tensão maior

ou igual a 2.3 kV. As tensões mais comuns são 13.8 kV ou 24,5 kV.

• Grupo B – Consumidor de baixa tensão: é o consumidor ligado na rede da concessionária com tensão menor que 2,3 kV. As tensões mais comuns são 220V/127V ou 380V/127V. (MESQUITA; FRANCO, 2004, p. 32).

Esses dois grupos ainda são divididos em subgrupos que estão expressos no Quadro 1:

GRUPO A

TENSÃO SUPERIOR 2.300V OU INFERIOR EM CARÁTER OPCIONAL

SUBGRUPO

A1

IGUAL OU SUPERIOR A 230.000V

 

A2

88.000V A 138.000V

A3

69.000V

A3a

30.000 A 44.000V

A4

2.300V A 25.000V

A5

INFERIOR 2.300V SISTEMA SUBTERRÂNEO E FATURAMENTO EM CARÁTER OPCIONAL

GRUPO B

TENSÃO INFERIOR 2.300V OU SUPERIOR CARACTERIZADO PELA ESTRUTURA TARIFÁRIA

SUBGRUPO

B1

RESIDENCIAL

 

B1

RESIDENCIAL BAIXA RENDA

B2

RURAL

B2

COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL

B2

SERVIÇO PUBLICO DE IRRIGAÇÃO

B3

DEMAIS CLASSES

B4

ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Quadro1: Subgrupos de Tarifação

Fonte: Manual de Eficiência Energética na Indústria.

2.3.2 Alternativas Tarifárias

Para o consumo da energia elétrica existem as tarifas aplicáveis de consumo que variam de acordo com a opção escolhida pela empresa e firmada com a concessionária responsável pelo fornecimento. O sistema Tarifário Convencional independe do consumo e da demanda das horas de utilização do dia e dos períodos do ano. Já o Sistema Horo-Sazonal as tarifas são diferenciadas e seguem algumas especificações conforme Manual de Eficiência Energética na Indústria (2005).

a) Tarifa Azul:

Modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de tarifas diferenciadas de demanda de potência de acordo com as horas de utilização do dia.

b) Tarifa Verde:

Modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de uma única tarifa de demanda de potência. (MANUAL DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NA INDÚSTRIA, 2005, p. 5).

Após saber que existem duas classes de tarifas e que para ser fornecida energia elétrica devem estar de comum acordo empresa e concessionária, mostra- se abaixo o Quadro 2 exemplificando o resumo desse sistema.

se abaixo o Quadro 2 exemplificando o resumo desse sistema. Quadro 2 : Resumo do Sistema

Quadro 2 : Resumo do Sistema Tarifário Fonte: Eficiência Energética e Uso Racional de Energia - Estudo de Caso. (MESQUITA; FRANCO, 2004, p. 36).

Percebe-se que não é de simples entendimento devido às variadas classificações e enquadramentos envolvendo a relação tipo tarifário entre consumo, demanda e limites de tolerância, sendo extremamente importante, pois esses critérios podem resultar em valores inesperados na fatura mensal de energia elétrica.

2.4 CONCEITO EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Sabe-se que é inevitável impedir as perdas com energia, mas é possível minimizar a sua utilização sem deixar inoperantes os sistemas que ela alimenta, entrando no conceito de eficiência energética pode-se dizer que é um método de conservação eficiente e racional de energia.

Este conceito está associado ao crescimento econômico, à produtividade, à proteção do meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, que visa garantir o atendimento das necessidades atuais das sociedades sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas necessidades.

Com ações de „Eficiência Energética‟ consegue-se otimizar a utilização de energia associada a uma atividade, contribuindo assim para a redução dos gastos com este insumo. Estas ações, além de trazerem benefícios diretos para o usuário, trazem também grandes benefícios para as sociedades, pois promovem um alívio para os sistemas de suprimento de energia, contribuindo assim para reduzir os riscos de um racionamento de energia (MESQUITA; FRANCO, 2004, p. 9).

Com a preocupação em atender as necessidades das gerações futuras e com ações que tragam benefícios para a sociedade e para o usuário desse insumo energético que é a energia elétrica, alguns princípios são essenciais para um bom programa de eficiência energética. Para Mesquita e Franco (2004), divulgar manuais de utilização eficiente de energia, incentivos para desligar equipamentos que não estão em utilização, elaborar propostas de substituição de lâmpadas por modelos mais eficientes e outras ações são à base da eficiência energética.

2.5 AUTOGERAÇÃO DE ENERGIA

Este modelo diz respeito a duas frentes de entendimento, a primeira é com o risco de falta de energia elétrica, evitando desperdícios com parada de produção

não afetando a produtividade. Por outro lado, está a redução dos custos de energia elétrica no horário de ponta, onde permite reduzir o valor de demanda contratada pelo consumidor em horário de pico (Peak-Shaving 6 ), onde o valor é mais elevado, afirmam Mesquita e Franco (2004).

Tradicionalmente reduz-se a demanda neste horário simplesmente

transferindo parte da carga para fora da ponta por meio de desligamento de equipamentos e máquinas, alteração de processos de trabalho, mudança de

horários de entrada e saída de turnos de trabalho, etc FRANCO, 2004, p. 37).

(MESQUITA;

A autogeração de energia mais conhecida atualmente é o emprego de grupos geradores abastecidos por diesel, que tem valores consideráveis na sua implantação, mas podem trazer benefícios mensuráveis e auto-suficientes sendo necessária a avaliação do seu payback 7 para viabilizar a opção de sua instalação.

3 METODOLOGIA

Para buscar a solução do problema anteriormente mencionado, sobre de que forma a implantação de novos sistemas e equipamentos podem contribuir para a diminuição do consumo de energia elétrica na empresa X. Se buscou dados reais de consumo em planilhas de Excel dos anos de 2009 até 2011, para realizar comparações de consumo de energia elétrica antes e após essas implantações, avaliando a eficiência do sistema implantado. Para isso, iniciou-se um trabalho de pesquisa, que segundo Freitas e Prodanov (2009), são a forma mais simples de procurar respostas para questões; em suma, é a busca de conhecimento por método científico ou não. A pesquisa baseou-se em um estudo de caso.

Estudo de caso 8 : consiste em coletar e analisar informações sobre um determinado indivíduo, uma família, um grupo ou uma comunidade, a fim de estudar aspectos variados de sua vida, de acordo com o assunto da pesquisa. É um tipo de pesquisa qualitativa, entendido como uma categoria de investigação que tem como objetivo o estudo de uma unidade de forma aprofundada, podendo tratar-se de um sujeito, de um grupo de pessoas, de

6 Técnica de modulação automática de demanda, essa reduz a energia consumida da rede nos momentos de maior custo e máximo consumo.

7 Significa o tempo entre a aplicação inicial até o retorno desse investimento. 8 O grifo é do autor.

uma comunidade etc. São necessários alguns requisitos básicos para sua realização, entre os quais: severidade, objetivação, originalidade e coerência (FREITAS;PRODANOV, 2009, p. 66).

Foram coletadas informações sobre o consumo de energia elétrica consumo em ponta e fora de ponta e sobre o óleo diesel consumido exclusivamente pelo equipamento gerador, para verificar sua viabilidade e fazer uma relação com a produtividade realizada no período, procurando quantificar os resultados obtidos com método de pesquisa quantitativa.

Pesquisa quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão etc.)

No desenvolvimento da pesquisa de natureza quantitativa, devemos formular hipóteses e classificar a relação entre variáveis para garantir a precisão dos resultados, evitando contradições no processo de análise e interpretação (FREITAS; PRODANOV, 2009, p. 80).

O trabalho constitui-se também, de argumentos de pesquisa descritiva, como identificação, descrição e análise dos indicadores de energia e de produção, que segundo Yin (2005), permite ao investigador, a descrição de fenômenos dentro de seu contexto real, fazendo uma pesquisa para relacionar os fatos anteriores com os mais atuais da relação de consumo de energia. A pesquisa bibliográfica também foi empregada que, segundo Prodanov e Freitas (2009, p.140), “tem como característica ser concebida através de materiais já publicados.” Materiais compostos por livros, revistas, publicações em periódicos e artigos científicos, jornais, boletins, trabalhos acadêmicos, internet, com o intuito de deixar o pesquisador em contato com material já publicado referente o assunto pesquisado. Para esse estudo de caso, se utilizou conceitos de livros como o autor Russomano e Montanari. Também foi realizada a pesquisa à internet para procurar artigos e sites pertinentes ao assunto do estudo. Os instrumentos de pesquisa mais importantes de estudo foram os documentais fornecidos pela empresa X, onde a plataforma de estudo está registrado em planilhas com posse dos setores de manutenção e PCP, onde se podem encontrar os valores reais que expressam dados mensuráveis no período em questão analisado, gerando assim o banco de dados necessários para a avaliação do investigador, fazendo que ele tire as conclusões dos fenômenos estudados.

4 ESTUDO DE CASO DA EMPRESA X

Nesse estudo de caso inicialmente irá se falar sobre a Empresa X desde a sua fundação passando pelo seu mercado de atuação, por sua estruturação e principalmente pela sua matriz energética dando início a avaliação do consumo e evidenciando a área de trabalho desse artigo.

4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

A empresa X foi fundada na cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul em cinco de maio do ano de 1948 com a finalidade exclusiva para fabricação de tintas e colas. Após um incêndio em 1979 a empresa transfere sua matriz para a cidade vizinha, onde está sediada no Município de Campo Bom, desde o ano do acidente. Atualmente a empresa X trabalha no segmento de produtos químicos para diversos mercados, sempre procurando meios de inovação para obter melhores resultados. No ano de 1984, a empresa interrompe a produção de sapatos de passeio na unidade de Novo Hamburgo e passa a produzir cabedais para as indústrias de calçados de segurança. Em 1989 surgem as Unidades Estratégicas de Negócio (UEN) 9 , são divididas em adesivos e laminados. Em 1997 seguindo a tendência de expansão do mercado de atuação tem início o processo de internacionalização da empresa. As primeiras atividades foram no país vizinho, a Argentina, e hoje a empresa X possui sete plantas próprias na América Latina. Conforme a Figura 3, pode-se observar a evolução da internacionalização da empresa X com as aquisições realizadas pelo grupo.

9 (UEN) unidade de negócio é um conceito adotado por algumas empresas que visa melhorar o gerenciamento, algumas observações podem ser vistas como, por exemplo, empresa com vários setores e departamentos que são também conhecidas como centro de custos.

Figura 3: Evolução da Empresa X com a internacionalização Fonte: Dados de pesquisa Como fica

Figura 3: Evolução da Empresa X com a internacionalização Fonte: Dados de pesquisa

Como fica expressa na Figura 3, depois do ano 2000, a empresa obteve ótimos ganhos com a internacionalização, onde o crescimento da empresa X tornou- se mais representativo, com o processo de aquisições de empresas dentro do âmbito internacional. A empresa X adquiriu algumas empresas concorrentes nas cidades de São Paulo e abertura de novas unidades no estado da Bahia, estas com o propósito de atender aos clientes que migraram da região sul para estas regiões, atraídos pelas vantagens fiscais desses outros estados. Com o seu processo de crescimento e de diversificação, a empresa X passou a fazer aquisições e a implantar fábricas dos mais diversificados segmentos, trabalhando desde adesivos sintéticos para calçados até plástico de engenharia de última geração para mercado automobilístico. Na Figura 4 fica expressa a distribuição dos mercados de trabalho que a empresa X atua.

Figura 4: Distribuição por Mercado de Atuação. Fonte: Dados de Pesquisa Como se podem visualizar

Figura 4: Distribuição por Mercado de Atuação. Fonte: Dados de Pesquisa

Como se podem visualizar na Figura 4, os três maiores mercados de atuação da empresa X são: calçado 29,2%, automotivo com 25,6% e papel e embalagens com 17,3%, onde a soma deles é responsável por mais de 72% de participação de todo o grupo, dados apurados junto a empresa no ano de 2010. O mercado de atuação da empresa X é muito diversificado, logo a gama de produtos fabricados também é muito extensa. Alguns de seus produtos são para mercados específicos como:

- segmento de adesivos: mercado calçadista, moveleiro, papel e embalagem, automotivo, têxteis, mercado de construção civil e mercados de uso doméstico;

- segmento de laminados: mercado calçadista, moveleiro e automotivo;

- segmento EPIs 10 : mercado calçadista. A estrutura organizacional da empresa X onde o estudo está focado obedece ao organograma (Figura 5).

10 EPI: Equipamento de Proteção Individual são equipamentos e/ou acessórios utilizados individualmente como, por exemplo, óculos, luvas, sapatos, etc.

Figura 5: Estrutura Organizacional da Empresa X. Fonte: Dados de Pesquisa O organograma da empresa

Figura 5: Estrutura Organizacional da Empresa X. Fonte: Dados de Pesquisa

O organograma da empresa X se caracteriza por uma estrutura formal denominada departamentalização mista, que é o tipo mais frequente, pois a empresa opta pela estrutura que mais se adapta com a sua realidade organizacional. Atualmente a empresa X conta com aproximadamente 3000 colaboradores que estão presentes no Brasil e em cinco países da América Latina, divididos nas quinze plantas produtivas, sendo nove no Brasil e as outras seis no restante da América. A matriz energética de todas as unidades de negócios está baseada entre três insumos principais: energia elétrica, GLP e óleo diesel. Essas são as fontes energéticas essenciais para o processo produtivo, sendo que a energia elétrica o insumo que possui o maior custo comparado com os custos dos demais insumos. Esse custo corresponde a aproximadamente 57% do valor total. A média mensal dos insumos energéticos consumidos pela empresa X está expressa na Figura 6.

Custos Matriz Energética %

57%

11%

Custos Matriz Energética % 57% 11% 32% Diesel GLP Energia Elétrica

32%

DieselCustos Matriz Energética % 57% 11% 32% GLP Energia Elétrica

GLPCustos Matriz Energética % 57% 11% 32% Diesel Energia Elétrica

Energia ElétricaCustos Matriz Energética % 57% 11% 32% Diesel GLP

Figura 6: Custos com Insumos Energéticos, Média Mensal. Fonte: Planilhas de Controle do Setor de Manutenção e PCP

A matriz energética é recurso essencial para o processo de transformação, que é uma atividade fundamental para que a empresa X realize suas tarefas produtivas, necessárias para atingir e superar suas metas e satisfaça as necessidades dos seus clientes.

Qualquer operação produz bens ou serviços, ou um misto dos dois, e faz isso por um processo de transformação. Por transformação nos referimos ao uso de recursos para mudar o estado ou condição de algo para produzir outputs. Em resumo, a produção envolve um conjunto de recursos de input usado para transformar algo ou para ser transformado em outputs de bens e serviços (SLACK et.al., 1996, p.36).

Mas para esse processo ser lucrativo, os recursos energéticos para a transformação dos produtos, tem que ser empregados da forma mais eficientemente possível para evitar desperdícios, entre outras palavras, o seu custo operacional deve ser baixo o suficiente para gerar lucro. A empresa X possui uma forma de geração própria de energia no horário de ponta através de gerador (Anexo 1) alimentado por óleo diesel, com o foco de evitar o pagamento de multas com o consumo neste horário, que corresponde ao intervalo de três horas entre 18h e 21h em horário normal e das 19h às 22h durante o horário de verão. A Figura 7 abaixo mostra a situação de consumo do ano de 2009 para duas unidades na mesma planta, após ter sido tomada a decisão de desligar certos equipamentos no horário de ponta.

300000 30000 250000 25000 200000 20000 Kwh fora ponta 150000 15000 Kwh ponta 100000 10000
300000
30000
250000
25000
200000
20000
Kwh fora ponta
150000
15000
Kwh ponta
100000
10000
50000
5000
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez

Figura 7: Consumo em kWh Energia Elétrica 2009. Fonte: Planilhas de Controle do Setor de Manutenção.

Como fica visível acima na Figura 8, após o mês de abril de 2009 a empresa obteve uma ótima redução de consumo, após ligar seu gerador que supriu aproximadamente 50% da demanda em horário de ponta. Mas além de redução de consumo, conseqüentemente reduziu o volume de produção, o que levou a empresa X buscar estudos para a substituição do grupo gerador, pois o atual não conseguia suprir a grande demanda de energia para todo consumo da empresa. Na ocasião optou-se por adquirir um gerador automático (Anexo 1) com possibilidade de suprir uma unidade de negócio, deixando a outra unidade com consumo em horário de ponta. Esse equipamento novo gerou ganhos em escala no horário de ponta e com o aumento da produção em (Kg), devido aos equipamentos trabalharem por mais três horas diárias e principalmente por não pagar multa à concessionária de consumo elevado neste horário, pois o gerador teve capacidade suficiente para atender a demanda da unidade. Respectivamente gerou ganho em (R$) com a diminuição de consumo em horário de ponta que era pago a distribuidora de energia, sem falar que o consumo de diesel do gerador novo é menor que o antigo. A Figura 8 mostra a evolução do sistema tratando do consumo em Kwh.

25000

20000

15000

10000

5000

24814 23234 21768 15800 14242 12318 11661 7122 Jan Fev Mar Abr
24814
23234
21768
15800
14242
12318
11661
7122
Jan
Fev
Mar
Abr

Kw h ponta 200925000 20000 15000 10000 5000 24814 23234 21768 15800 14242 12318 11661 7122 Jan Fev Mar

Kw h ponta 201025000 20000 15000 10000 5000 24814 23234 21768 15800 14242 12318 11661 7122 Jan Fev Mar

Figura 8: Comparação da Evolução do Sistema entre 2009 e 2010 Fonte: Planilhas de Controle do Setor de Manutenção

A representação na Figura 9 acima mostra muito bem o benefício que a empresa X obteve, pois mostra a redução de aproximadamente 50% do consumo em horário de ponta nos quatros primeiros meses do ano de 2010 comparado com o mesmo período de 2009. O ótimo resultado é comprovado com a Figura 9, onde ela mostra a relação média do aumento da produção com o custo de energia no decorrer desses dois anos.

Evolução do Sistema (%) 30 24 25 20 15 R$ 10 Produção 5 0 R$
Evolução do Sistema (%)
30
24
25
20
15
R$
10
Produção
5
0
R$
Produção
-5
-7
-10

Figura 9: Comparação da Evolução do Sistema entre 2009 e 2010 Fonte: Planilhas de Controle do Setor de Manutenção e PCP

Acompanhando a Figura 9 que mostra a eficiência desse sistema, pois a produção média de 2010 foi cerca de 24% maior que o ano anterior com uma redução de aproximadamente 7% dos custos com energia elétrica neste mesmo intervalo. Essa produção maior com a redução de custo fez com que a empresa X

aumentasse sua margem de lucro. Analisando a Tabela 1 pode-se visualizar melhor esse ganho.

Tabela1: Comparativo de Consumo entre 2009 e 2010

Ano de 2009

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

total

Consumo kWh em (%) ponta

9,7

9,7

9,5

10,1

7,5

4,2

6,0

6,3

4,3

5,0

5,0

5,7

6,8

Consumo kWh em (%) fora de ponta

90,3

90,3

90,5

89,9

92,5

95,8

93,1

93,7

95,7

95,0

95,0

94,3

93,1

Valor R$ em (%) ponta

31,1

35,2

35,0

18,7

30,5

17,7

23,4

24,5

18,2

20,3

20,8

24,4

24,8

Valor R$ em (%) fora de ponta

68,9

64,8

65,0

81,3

69,5

82,3

76,6

75,5

81,8

79,7

79,2

75,6

75,2

Ano de 2010

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

total

Consumo kWh em (%) ponta

4,3

4,5

4,5

6,7

5,5

6,2

7,0

5,8

5,7

5,7

4,7

2,3

5,3

Consumo kWh em (%) fora de ponta

95,7

95,5

95,5

93,3

94,5

93,8

95,9

94,2

94,3

94,3

95,3

97,7

95,0

Valor R$ em (%) ponta

17,3

20,2

20,5

26,1

23,8

27,6

29,1

26,8

25,4

26,0

22,5

12,6

23,7

Valor R$ em (%) fora de ponta

82,7

79,8

79,5

73,9

76,2

72,4

70,9

73,2

74,6

74,0

77,5

87,4

76,3

Consumo kWh em (%) com a redução em ponta

         

5,4

5,3

4,9

3,4

2,1

-2,0

-1,1

0,4

-1,4

-0,7

0,2

3,4

1,5

Ganhos em (%) do valor com a redução em ponta

         

13,8

15,0

14,5

-7,3

6,7

-9,9

-5,7

-2,3

-7,2

-5,7

-1,7

11,8

1,1

Fonte: Planilhas de Controle do Setor de Manutenção

A Tabela 1 mostra a redução de consumo que foi obtido entre 2009 e 2010, os ganhos obtidos pelo gerador, principalmente nos cinco primeiros meses de 2010 juntamente com agosto, novembro e dezembro deste mesmo ano, comparado com o ano anterior. Isso significa que nesses meses os valores da conta de energia elétrica não foram muito elevados, pois os valores do horário de ponta por kW chegam a ser oito vezes maiores que em horário normal. No total anual o ganho médio com a redução do consumo foi cerca de 1,5%. Esse ganho só não foi maior devido à necessidade de produção em alguns meses. Outra observação que deve ser ressaltada em relação à Tabela 1 é que os ganhos exponenciais com a redução do custo mensal obtido nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio e dezembro de 2010 representam altos valores de redução em R$. Pode-se visualizar mais informações dessas diferenças relativas a tabela 1 nos Anexo 2 11 e Anexo 3 12 . O consumo em ponta continua alto gerando custos elevados e desnecessários, o que amplia muito a área para trabalho, analisando

11 Anexo 2: Conta de Energia Elética do ano de 2009.

12 Anexo 3: Conta de Energia Elética do ano de 2010.

detalhadamente o período de comparação entre maio de 2010 até abril de 2011, gerou-se a Figura 10 que expressam os valores em R$.

Consumo em R$

30.000,00 25.000,00 20.000,00 15.000,00 R$ 10.000,00 5.000,00 0,00 Mai Jun Jul Ago Set Out Nov
30.000,00
25.000,00
20.000,00
15.000,00
R$
10.000,00
5.000,00
0,00
Mai Jun
Jul
Ago Set
Out
Nov Dez Jan
Fev Mar Abr

Figura 10: Consumo em R$ no Horário de Ponta no ano de 2011 Fonte: Planilhas de Controle do Setor de Manutenção.

A Figura 10 expressa a grande área de trabalho para obter redução de custo, onde todo esse gasto pode ser eliminado com a instalação de um grupo gerador que suporte a demanda necessária da unidade que não está inclusa no equipamento novo que está em trabalho. Sendo assim, evitaria o desperdício de dinheiro com o uso racional da energia, proporcionando ganhos com a redução da conta de energia elétrica, principalmente onde ela se torna mais cara. O único gasto evidente é o consumo de combustível para o acionamento do equipamento o que é mais econômico e eficiente do que pagar o consumo em horário de ponta. A empresa X também obteve bons ganhos no sistema de ar comprimido, pois optou em substituir o seu compressor de ar, onde para atender a demanda, eram necessários três compressores pistão. Um compressor parafuso com potência maior foi o bastante para suprir o antigo sistema. Podem-se ver os compressores na Figura 11.

Figura 11: Compressor Pistão e Compressor Parafuso Fonte: Dados de Pesquisa. Como se pode ver

Figura 11: Compressor Pistão e Compressor Parafuso Fonte: Dados de Pesquisa.

Como se pode ver na Figura 11, na esquerda tem o modelo tradicional de compressor de ar a pistão pouco eficiente e a direita tem-se o compressor parafuso eficientemente correto. Na Tabela 2 pode-se ver a comparação da substituição dos compressores do sistema antigo pelo novo.

Tabela 2: Comparativo de Consumo de Compressores Documento 1283/10

Compressor

Período

Consumo

Economia

Economia

(Potência)

(24h x

Mês

Mensal

Anual

26dias)

(kWh)

(kWh)

(kWh)

Pistão 22,5 Kw

624

14.040

h/mês

Parafuso 15 Kw

624

9.360

4.680

56.160

h/mês

 

Fonte: Empresa Clason, Documento 1283/10, adaptado.

Com isso, a Tabela 1 mostra que a redução de consumo de energia de 22,5 Kw (soma da potência dos três compressores pistão) para 15 Kw do compressor parafuso. Essa redução trouxe um ganho mensal médio de 4.680 kWh, chegando próximo dos 56160 kWh por ano. Fazendo uma comparação em moeda, onde o kWh fica em torno de R$ 0,25; isso acaba gerando uma economia média anual de R$14.000,00. Além de falar do ganho financeiro e da redução de consumo, outras melhorias que não são mensuráveis foram obtidas, como redução do ruído no ambiente, sistema automatizado com regime de trabalho 80% da capacidade, fazendo uma constante de redução de energia elétrica, baixa manutenção e intervalo maior de manutenções programadas. Outra iniciativa tomada pela empresa X é a substituição das lâmpadas de menor eficiência por lâmpadas fluorescentes compactas em alguns setores na área

industrial, o que permite a liberação de carga e proporciona uma economia para a empresa sem perder eficiência luminosa para os setores. Abaixo na Figura 12 pode- se visualizar a diferença das lâmpadas.

na Figura 12 pode- se visualizar a diferença das lâmpadas. Figura 12: Lâmpada Compacta e Lâmpada

Figura 12: Lâmpada Compacta e Lâmpada Tubular Fonte: Dados de Pesquisa.

Como estão expressas na Figura 12, as lâmpadas fluorescentes compactas são menores que as lâmpadas fluorescentes tubulares, mas proporcionam luminosidade equivalente e até superior as tubulares. A Tabela 3 mostra o exemplo de uma aplicação da substituição em um setor específico.

Tabela 3: Comparativo

Luminárias

Potência

Consumo

Consumo

Ganho

Ganho

qtde

W

kwh

Mensal (24h x 26dias) (kWh)

Mensal

Anual

 

(kWh)

(kWh)

45

220

9,9

6.177,6

40

59

2,36

1.472,64

4.704,96

56.459,52

Fonte: Dados de Pesquisa

Na Tabela 3, percebe-se que, com uma quantidade menor de lâmpadas, 40 lâmpadas de 59 w, substituindo as tradicionais fluorescentes tubulares de 2x110w, têm-se a mesma iluminação do setor e com uma enorme economia, chegando próximo de 5.000 kWh mês, representando aproximadamente 56.500 kWh economizados por ano. Esses ganhos apresentados com essas mudanças representaram uma economia não só de consumo apresentado, mas respectivamente um considerável montante financeiro para empresa. Na tabela 4, pode-se ver o resumo dos ganhos:

Tabela 3: Resumo de ganhos

 

2009

2010

Redução

Custo

Redução com

Redução

Redução

Ganhos de

 

kWh

gerador no

compressor

lâmpadas

2010

médio

horário ponta

Kwh

2.573.344,00

2.763.616,00

R$ 0,25

fora

ponta

Kwh

188.385,00

154.166,00

34219

R$ 1,25

ponta

34.219,00

56.160,00

56.459,52

146.838,52

Kwh

2.763.772,00

2.910.533,00

R$ 0,76

total

Custo

875.991,64

874.655,88

1335,76

R$

R$

R$

R$

R$ 26.106,72

42.846,18

43.074,70

112.027,60

R$

217.243,26

207.354,12

9889,14

ponta

R$

658.748,38

667.301,76

fora

de

ponta

Fonte: Dados de Pesquisa

Na tabela 4 mostra que no ano de 2010 teve-se um consumo maior de kWh total mais uma redução do kWh no horário de ponta, somando com as outras aplicações, troca de compressor e substituição de lâmpadas para a redução de consumo gerou um ganho aproximado de consumo de 146.838 kWh no ano. Fica anunciado que a maneira mais rápida e fácil de redução do consumo de energia elétrica é por meios eficientes de utilização de seus recursos energéticos, por isso deve-se sempre buscar métodos com a base do “conceito de eficiência energética”, pois além de trazer vantagens financeiras para a empresa trará vantagens para a sociedade, evitando apagões e racionamento de energia.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho foram apresentadas algumas das principais alternativas tomadas pela empresa X para a redução do seu custo de energia elétrica. Essas ações trouxeram ótimos ganhos na comparação feita entre o ano das suas implantações comparadas com o ano anterior. Esse estudo mostra os resultados atingidos com ações de simples implantações, como a substituição da iluminação de um setor específico de uma das plantas produtivas, onde apesar da participação da iluminação representar pequeno consumo na conta de energia elétrica o ganho foi aparente com a redução de consumo em kWh. Outras ações foram mais complexas, pois foi exigido estudo de viabilidade (payback). Essas ações foram investimentos em compressor parafuso, com a finalidade de redução do consumo em kWh e a outra foi o investimento em

um grupo gerador para diminuir a demanda em horário de ponta, onde o kW é mais caro.

Todas as alternativas aplicadas fizeram com que os objetivos de redução de custo fossem alcançados pela empresa X, reduzindo o consumo de kWh e principalmente a redução do consumo no horário de ponta, onde os valores são aproximadamente oito vezes mais altos que no horário normal. O trabalho teve limitações de abordagem, devido ao fato do assunto abordado sobre eficiência energética ser muito abrangente, foi difícil direcionar para o contexto atual da empresa, mas para entender melhor, o estudo foi baseado no mesmo critério principal que Taiichi Ohno diretor da Toyota teve, era a questão de fazer mais com menos, referindo-se ao desperdício. Percebeu-se que apesar da grande redução de consumo em horário de ponta ainda tem uma quantidade considerável mensal desse, deixando aberta a oportunidade de diminuir ainda mais esse consumo, pois a outra unidade da empresa gera demanda nesse período que não apresenta gerador para suprir aquelas três horas diárias com valor elevado. Outras oportunidades para trabalhos futuros são a continuação dos estudos dos equipamentos em trabalho hoje por equipamentos novos e eficientes. Uma área pode ser o estudo da substituição dos motores elétricos tradicionais (standard) por motores elétricos de alto rendimento que apresentam ganhos energéticos significativos que apresentam etiquetagem e selo de eficiência energética conforme Lei de Eficiência Energética vigente no país. Percebe-se que o desperdício está não só nas empresas, mas em todo o Brasil nas diversas formas de uso e consumo dos insumos. Sabe-se que há escassez de recursos, principalmente naturais e financeiros, não sendo mais tolerável a falta de atenção para com a redução desse desperdício eminente. Fica anunciado que, a maneira mais rápida e fácil de redução do consumo de energia elétrica é por meios eficientes de utilização dos recursos energéticos, por isso deve-se sempre buscar métodos com a base do “conceito de eficiência energética”, pois além de trazer vantagens financeiras para a empresa trará vantagens para o meio-ambiente e para sociedade de nosso país.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO

BRASILEIRA

DE

NORMAS

TÉCNICAS-

ABNT

NBR

ISO

50001:2011,

Google

Acadêmico.

Disponível

em:

em: 20 setembro 2011.

EMPRESA

de

Pesquisa

Energética.

Resenha

Mensal.

Disponível

em:

<

>

Acessado

em:

30

agosto 2011.

FREITAS, Tatiana. Energia para indústria no Brasil é a 4ª mais cara do mundo. Folha.com. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/957188-energia-

Acessado

em:

29

de

agosto de 2011.

 

MANUAL

de

Eficiência

Energética

na

Indústria.

COPEL.

Disponível

em

_eficiencia_energ.pdf> Acessado em: 20 setembro 2011.

MANUAL do Participante Energia Brasil. Eficiência Energética nas Micro, Pequenas e Médias Empresa, Governo Federal/SEBRAE.

MESQUITA, André Luiz Martins; FRANCO Fernando Melo. Universidade Federal

de Goiás, Escola de Engenharia Elétrica, Eficiência Energética E Uso Racional De Energia Estudo De Caso. Goiânia, Fevereiro de 2004. Disponível em: <

&aq=f&aqi=&aql=&oq= >. Acessado em: 30 agosto 2011.

MONTANARI, Valdir. Energia nossa de cada dia. 2° Ed. São Paulo: Moderna,

2003.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do trabalho cientifico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. Novo Hamburgo: Feevale, 2009. 288p.

ROTAS

iso-50001-para-gestao-energetica/> Acessado em: 20 setembro 2011. RUSSOMANO, Victor Henrique. Introdução à Administração de energia na Indústria. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1987. 262p.

em:

ESTRATÉGICAS

/

Setor

Energia.

Disponível

SANTUCCI, Jô. Eficiência Energética: como acender essa luz? Conselho em Revista, CREA-RS. Ano VI - N° 84. Agosto, 2011.

SLACK, Nigel. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1996.

WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. A Mentalidade Enxuta nas Empresas:

Elimine o Desperdício e Crie Riqueza. Tradução de Ana Beatriz Rodrigues; Priscila Martins Celeste. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

YIN, Robert K. Estudo de Caso. Planejamento e Métodos. 3°Ed. Porto Alegre:

Bookman, 2005.

Anexo 1

Anexo 1 Gerador antigo Gerador novo automático

Gerador antigo

Anexo 1 Gerador antigo Gerador novo automático

Gerador novo automático

Anexo 2

Anexo 2

Anexo 3

Anexo 3

DISCIPLINA: ESTÁGIO III

FICHA DE AVALIAÇÃO DO ARTIGO GESTÃO DA PRODUÇÃO

FICHA DE AVALIAÇÃO DO ARTIGO – GESTÃO DA PRODUÇÃO Aluno : Semestre da banca (ano-semestre): 2011/2

Aluno:

Aluno :

Semestre da banca (ano-semestre): 2011/2

PRODUÇÃO Aluno : Semestre da banca (ano-semestre): 2011/2 Avalie os pontos fortes e fracos, atribuindo a

Avalie os pontos fortes e fracos, atribuindo a nota de 0 a 10 para cada quesito, conforme abaixo:

Nota final (média dos pontos acima) atribuída ao artigo por este avaliador =

Quesito

Pontos fortes

Tema pertinente e relevante para a comunidade acadêmica e

profissional.

Justificativa, problema de pesquisa e objetivos claros e bem

definidos.

Referencial teórico que aborda o tema a partir de r eferências

atualizadas, com cobertura dos assuntos que serão tratados na

análise dos resultados. Referências teóricas comentadas e

criticadas pelo aluno. Bibliografia atualizada exposta ao final do

trabalho.

Metodologia clara e bem definida, coerente c om os objetivos

propostos.

Desenvolvimento do trabalho a partir das evidências

observadas, de acordo com a metodologia, com análises feitas

a partir do referencial teórico e complementadas com o

posicionamento do aluno. Analítico e não descritivo.

Conclusões baseadas nas evidências coletadas, resgatando os

objetivos do trabalho e fazendo considerações acerca das

contribuições do trabalho para a comunidade acadêmica e

profissional. Abordagem das limitações do estudo e indicações

de futuros direcionamentos de pesquisa.

Integração e encadeamento geral do trabalho.

Formatação do trabalho conforme Prodanov; Freitas (2009)

Português sem erros, com texto fluído e bem encadeado, sem

uso de linguagem coloquial ou opiniões não fundamentadas.

Obs.: As referências, indicações e/ou observações podem constar no decorrer do trabalho.

Pontos fracos/ Alterações necessárias para publicaç

Prof. Avaliador(a):

Data:

/

/

Visto: