Вы находитесь на странице: 1из 11

RECEPTAÇÃO Art. 180

I – EMENTA DA AULA

1

– Receptação dolosa simples (caput): 1R a 4R + multa

2

– Causa de aumento de pena aplicável à receptação dolosa simples

3

– Receptação dolosa qualificada (§1º): 3R a 8R + multa

4

– Causa de diminuição de pena aplicável à receptação dolosa (§5º, 2ª parte)

5

– Receptação culposa (§3º): 1m a 1a e/ou multa

6

– Perdão judicial aplicável à receptação culposa

2.

OBJETOS DO DEITO

3.

TIPO OBJETIVO

QUESTÃO: É preciso que a receptação recaia sobre coisa móvel ou pode haver receptação de imóveis?

QUESTÃO: A pessoa que, observando que o ladrão, em sua fuga, atira fora a coisa subtraída, a toma para si, comete receptação?

QUESTÃO: A pessoa que, em virtude de sucessão causa mortis, adquire a propriedade de coisa que saber ser produto de crime comete receptação?

QUESTÃO: Comete receptação quem recebe coisa que sabe ser produto de crime como garantia de dívida?

QUESTÃO: Se o autor da conduta antecedente gozar de uma excludente de culpabilidade ou de uma escusa absolutória haverá receptação?

QUESTÃO: Se estiver extinta a punibilidade pelo crime antecedente será possível o processo por receptação?

QUESTÃO: A absolvição do autor do crime antecedente impede a condenação do receptador?

QUESTÃO: Se em um único contexto fático o autor adquire coisas provenientes de crimes diferentes?

QUESTÃO: Se o agente em um primeiro momento adquire a coisa que saber ser produto de crime e depois influi para que 3º de boa-fé a oculte haverá duas receptações ou crime único?

OBSERVAÇÃO: Diferença entra o crime de receptação e o de favorecimento real (“art. 349. Prestar ao criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime.”)

4. TIPO SUBJETIVO

OBSERVAÇÃO: Enquanto a receptação dolosa simples admite apenas o dolo direto a receptação dolosa qualificada aceita tanto dolo direito quanto eventual.

QUESTÃO: E se o agente atua com dolo eventual, não sendo possível, no entanto, enquadrá-lo na receptação qualificada?

QUESTÃO: E se o dolo é subsequente (a pessoa fica sabendo, depois que adquiriu a coisa, que a mesma é produto de crime?)

5. SUJEITO ATIVO

OBSERVAÇÃO: NÃO pode responder por receptação aquele que de alguma forma participou do crime antecedente.

QUESTÃO: O proprietário da coisa receptada pode ser autor da receptação?

QUESTÃO: Advogado que tem seus honorários pagos com dinheiro que saber ser produto de crime comete receptação?

QUESTÃO: É possível receptação da receptação?

6. SUJEITO PASSIVO

7. CONSUMAÇÃO

8. FORMAS QAULIFICADAS

9. CAUSA DE AUMENTO DE PENA

OBSERVAÇÃO: NÃO se aplica à receptação qualificada, ou seja, aquela no exercício de atividade comercial.

10. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA

11. RECEPTAÇÃO CULPOSA

II – LEGISLAÇÃO CORRELATA

1) Código Penal

Receptação

CAPÍTULO VII DA RECEPTAÇÃO

Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Receptação qualificada

§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,

remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no

exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:

Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.

§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.

§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.

§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.

§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as

circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art.

155.

§ 6º - Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União, Estado, Município, empresa

concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista, a pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro.

2) Código Penal Militar

Receptação

CAPÍTULO V

DA RECEPTAÇÃO

Art. 254. Adquirir, receber ou ocultar em proveito próprio ou alheio, coisa proveniente de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:

Pena - reclusão, até cinco anos.

Parágrafo único. São aplicáveis os §§ 1º e 2º do art. 240.

Receptação culposa

Art. 255. Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela manifesta desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso:

Pena - detenção, até um ano.

Parágrafo único. Se o agente é primário e o valor da coisa não é superior a um décimo do salário mínimo, o juiz pode deixar de aplicar a pena.

Punibilidade da receptação

Art. 256. A receptação é punível ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.

III – JURISPRUDÊNCIA

COISA IMÓVEL COMO OBJETIO DO CRIME

Habeas corpus". Receptação. Alegação de inépcia da denuncia. O "habeas corpus" e remédio idôneo para examinar tese estritamente jurídica (a de que determinada ação descrita na denuncia não constitui crime), ainda que controvertida. Em face da legislação penal brasileira, só as coisas móveis ou mobilizadas podem ser objeto de receptação. Interpretação do artigo 180 do Código Penal. Assim, não e crime, no direito pátrio, o adquirir imóvel que esteja registrado em nome de terceiro, que não o verdadeiro proprietário, em virtude de falsificação de procuração. Recurso ordinário a que se da provimento, para se ter a denuncia por inepta com relação ao recorrente. (STF, HC 57710 / SP - SÃO PAULO, 16/05/1980)

CHEQUE COMO OBJETO MATERIAL DO CRIME

STJ

Receptação – Talonário de cheques e cartões de crédito – Ausência de valor econômico – Atipicidade Trata-se de paciente preso em flagrante e denunciado como incurso nas penas do art. 180 do CP, por ter recebido e ocultado, em proveito próprio, um talonário de cheques e dois cartões magnéticos subtraídos de terceiros, os quais sabia serem produto de crime. A Turma deu provimento ao recurso para determinar o trancamento da ação penal, uma vez que o talonário de cheques e os cartões de crédito não podem ser objeto de receptação, pois não possuem, por si, valor econômico, que é indispensável para a caracterização de crime contra o patrimônio, o que não se confunde com a conduta de se usar o talonário para prática de crime. Precedentes citados: REsp 150.908–SP, DJ 19/10/1998, REsp 256.160-DF, DJ 15/4/2002, e RHC 12.738-SP, DJ 30/9/2002” (STJ – Resp 223.364/PR, Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa, julgado em 8/11/2005).

TALONÁRIO DE CHEQUES. CRIME NÃO CONFIGURADO. 1. O talonário de cheque não possui valor econômico intrínseco, logo não pode ser objeto do crime de receptação. Precedentes. 2. Recurso desprovido. (STJ - REsp 602113 / SP - Relatora Ministra LAURITA VAZ - Data do Julgamento: 06/09/2005).

TJ/TRF

Apreensão de folha de cheque em branco - sentença absolutória - insurgência Ministerial - o cheque em branco não possui valor econômico intrínseco para configurar o delito de receptação - recurso não provido. (TJSP - ACR 990080257935 SP - Órgão Julgador: 16ª Câmara de Direito Criminal - Relator: Leonel Costa - Data do Julgamento:

13/01/2009).

A FIM DE REALIZAR A TUTELA PATRIMONIAL DE FORMA AMPLA, É POSSÍVEL CONSIDERAR O TALÃO DE CHEQUES EM BRANCO COMO SENDO OBJETO MATERIAL DO CRIME DE RECEPTAÇÃO (CP 180 CAPUT), PORQUANTO PERTENCENTE AO PATRIMÔNIO DE UTILIDADE EXCLUSIVA DA VÍTIMA. NÃO HÁ CRIME TENTADO POIS O RÉU REALIZOU PLENAMENTE A CONDUTA DESCRITA NO TIPO PENAL DA RECEPTAÇÃO PRÓPRIA (CP 180 CAPUT, PRIMEIRA PARTE), CRIME MATERIAL QUE SE CONSUMA NO MOMENTO DA AQUISIÇÃO DO OBJETO QUE SABIA SER PRODUTO DE CRIME. NEGOU-SE PROVIMENTO AO APELO. (TJDF - ACR 20020110895452 DF - Órgão Julgador: 2ª Turma Criminal - Relator GETULIO PINHEIRO - Data do Julgamento: 15/12/2005).

FURTO DE TALONÁRIO DE CHEQUES. INIMPUTABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PROVA. LAUDO PERICIAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 1. AFIRMADO PELOS PERITOS QUE A PERTURBAÇÃO MENTAL DO RÉU NÃO ALTERA SUA CAPACIDADE DE ENTENDIMENTO E DE AUTODETERMINAÇÃO, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM INIMPUTABILIDADE. 2. TRATANDO-SE O FURTO DE SUBTRAÇÃO DE COISA ALHEIA MÓVEL, NECESSÁRIO SE FAZ QUE O BEM TENHA ALGUM VALOR ECONÔMICO. O TALONÁRIO DE CHEQUES, EM FACE DE SEU IRRISÓRIO VALOR INTRÍNSECO, NÃO PODE SER OBJETO MATERIAL DO CRIME DE RECEPTAÇÃO. IRRELEVANTE O ARGUMENTO QUANTO À POTENCIALIDADE DE DANO A TERCEIROS, REPRESENTADA POR SUA POSTERIOR UTILIZAÇÃO, POIS OCORRIDA ESSA HIPÓTESE A INFRAÇÃO PENAL SERÁ DE OUTRA NATUREZA. (TJDF, APELAÇÃO CRIMINAL 20030710123448APR DF, 23/6/2004)

CRIME DE AÇÃO MÚLTIPLA

TJ/TRF

RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. DESCLASSIFICAÇÃO. PROVAS. 1. A RECEPTAÇÃO, CRIME DE AÇÃO MÚLTIPLA, CARACTERIZA-SE COM VARIADAS AÇÕES, NÃO SE LIMITANDO AO NÚCLEO "ADQUIRIR" OU "VENDER". RECEBER E TRANSPORTAR, EM PROVEITO PRÓPRIO OU ALHEIO, NO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COMERCIAL OU INDUSTRIAL, COISA QUE DEVE SABER PRODUTO DE CRIME, É FORMA QUALIFICADA DE RECEPTAÇÃO (CP, ART. 180, §§ 1º E 2º). (TJDF - Registro do Acórdão Número: 182537 - Relator JAIR SOARES - Publicação no DJU: 26/11/2003).

RECEPTAÇÃO PRÓPRIA E IMPRÓPRIA:

TJ/TRF

O conjunto probatório sólido e eficaz, com a exata delineação da autoria e da materialidade delitivas, torna acertada

a condenação do agente pelo injusto de receptação própria. Por outro lado, faz-se impositiva a absolvição quanto à

forma imprópria, diante de fundada dúvida quanto à efetiva boa-fé do terceiro supostamente influenciado a praticar

Jorge

Wagih Massad - Data do Julgamento:

a conduta típica prevista na parte final do artigo 180 do Código Penal. ( TJPR - Acórdão:

4633 - Relator:

14/6/2007).

RECEPTAÇÃO DOLOSA:

TJ/TRF

Receptação dolosa - Dolo direto - Caracterização - Exame das circunstâncias que envolvem a infração. Para a demonstração do dolo direto, caracterizador da receptação dolosa, devem ser examinadas as circunstâncias que envolvem a infração e a própria conduta do agente. (TJSP - Apelação Criminal com Revisão: ACR 990080600885 SP - Órgão Julgador: 14ª Câmara de Direito Criminal - Relator Wilson Barreira – Data do Julgamento: 29/01/2009).

Receptação - Art. 180 caput do CP - Materialidade e autoria demonstradas - Réu flagrado na posse de veículo

roubado e com placas trocadas - Caracterização. Receptação culposa - Inocorrência - Acusado que não provou ter

agido com negligência, imprudência ou imperícia - Presunção se sua responsabilidade não elidida. Recurso

provido. (TJSP - ACR 990080850202 SP - Órgão Julgador: 6ª Câmara de Direito Criminal - Relator Machado de

Andrade – Data do Julgamento: 18/12/2008).

Receptação dolosa - Conduta do agente como negociante de bicicletas a lhe dar plena possibilidade de ciência sobre a origem espúria - Impossibilidade de subsunção de receptação pelo tráfico a que foi condenado o réu - Condenação decretada - Manutenção - Recurso não provido. (TJSP - ACR 1185367380000000 SP - Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Criminal D - Relator: César Augusto Fernandes – Data do Julgamento: 15/08/2008).

Receptação. Não havendo circunstâncias apreciáveis que permitam inferir o dolo do agente, não há que se falar em receptação dolosa. O dolo, mesmo na receptação, não é presumido. Deve ser extraído, quando for o caso, das circunstâncias apresentadas. (TJSP - APR 9340583000 SP - Órgão Julgador: 13ª Câmara de Direito Criminal B - Relator José Rodrigues Arimatéa – Data do Julgamento: 22/02/2008).

NA RECEPTAÇÃO, A APREENSÃO DA COISA SUBTRAÍDA EM PODER DO AGENTE GERA A PRESUNÇÃO DE SUA RESPONSABILIDADE, INVERTENDO-SE O ÔNUS DA PROVA. 2 - NÃO HÁ QUE SE FALAR EM

DESCLASSIFICACAO DO CRIME DE RECEPTAÇÃO QUALIFICADA PARA A SIMPLES QUANDO COMPROVADO ESTAR PRESENTE O ELEMENTO SUBJETIVO, DOLO DO AGENTE, NA MODALIDADE EVENTUAL. (TJGO - Número do Acórdão: 31417-2/213 - Data do Julgamento: 31/7/2007).

A receptação pressupõe o dolo, evidenciado pela expressão "que sabe ser produto de crime", ou a culpa. Não

restando demonstrado dolo, nem a desproporção entre o valor e o preço do bem adquirido, tampouco havendo situação peculiar de quem o oferece, fazendo presumir-se obtido por meio criminoso, descaracterizado está o delito de receptação. Havendo o princípio (cláusula geral) da presunção de boa-fé, o ônus da prova da acusação fica ao encargo do Ministério Público, que dela não se desincumbiu na espécie. (TRF4 - ACR 1421 RS 2001.71.03.001421-6 - Órgão Julgador: OITAVA TURMA - Relator LUIZ FERNANDO WOWK PENTEADO – Data

do Julgamento: 23/05/2007).

RECEPTAÇÃO DOLOSA. ELEMENTOS NORMATIVOS DO TIPO. CARACTERIZAÇÃO. PARA QUE OCORRA A RECEPTAÇÃO DOLOSA, EXIGE-SE DO RÉU O CONHECIMENTO DA ORIGEM ILÍCITA DA RES. (TJDF - ACR 20030310018374 DF - Órgão Julgador: 1ª Turma Criminal - Relator(a): EDSON ALFREDO SMANIOTTO – Data do Julgamento: 24/11/2005).

Não há o crime na figura mediação culposa – “A mediação culposa para que terceiro adquira ou receba a coisa não constitui receptação”. (TACRIMSP – JUTACRIM 70/87).

RECEPTAÇÃO CULPOSA

TJ/TRF

APELAÇÃO - PENAL - RECEPTAÇÃO CULPOSA. (

de pessoa que não comprove a legítima propriedade do bem e sem documentação idônea à sua transferência, demonstrando, in casu, a grave negligência com que se houve o recorrente na efetivação de suposta compra daquele veículo em uma "feira de automóveis". Irrelevante, nessas condições, que o negócio tenha ou não (posto que sequer demonstrado esse fato) sido realizado pelo suposto preço de mercado do bem. (TJSP - Apelação: APL 24358 SP - Relator Carlos Vieira Von Adamek – Data do Julgamento: 26/01/2009).

não se podendo admitir a aquisição de veículo automotor

)

Receptação culposa. Réu acusado de receptação dolosa que termina condenado por crime culposo sem aditamento da denúncia. Nulidade evidente que, entretanto, não pode ser decretada porque não requerida pela Defesa e porque prejudicaria o reu Solução absolutona que se impõe Apelo provido para ser o acusado absolvido com base no artigo 386, VI, do Código de Processo Penal . (TJSP - Apelação Criminal com Revisão: ACR 1208307300000000 SP - Órgão Julgador: 2ª Câmara de Direito Criminal - Relator Ivan Marques – Data do Julgamento: 18/08/2008).

RECEPTAÇÃO - APELO OBJETIVANDO DESCLASSIFICAÇÃO DO CRIME DOLOSO PARA CULPOSO - POSSIBILIDADE - A DOLOSIDADE DA CONDUTA DO APELANTE MOSTRA-SE QUESTIONÁVEL DIANTE DO NÃO CONHECIMENTO DA ORIGEM ILÍCITA DOS OBJETOS APREENDIDOS EM SEU PODER - PARA QUE SE

CARACTERIZE A MODALIDADE DELITUOSA DO ART.180, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL, É INDISPENSÁVEL

O DOLO DIRETO, NÃO BASTANDO QUE O AGENTE TENHA RAZÕES PARA DESCONFIAR DA ORIGEM

CRIMINOSA DA COISA, HIPÓTESE EM QUE SE CONFIGURARÁ APENAS A RECEPTAÇÃO CULPOSA - PRETENSÃO DO PERDÃO JUDICIAL - INAPLICABILIDADE - SENTENÇA REFORMADA - DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDENAÇÃO PARA RECEPTAÇÃO CULPOSA. (TJPR - Acórdão: 4263 - Relator

ANTONIO LOYOLA VIEIRA - Data do Julgamento: 24/5/2007).

RECEPTAÇÃO QUALIFICADA

Dolo Eventual

O art. 180, § 1º, do CP não ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (“§ 1º - Adquirir, receber,

transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.”). Com fundamento nessa orientação, a Turma

indeferiu habeas corpus no qual condenados por receptação qualificada (CP, art. 180, § 1º) — por efetuarem desmanche de veículos roubados —, alegando violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, argüiam a inconstitucionalidade do mencionado dispositivo, na medida em que prevista pena mais severa para o agente que “deve saber” da origem ilícita do produto, em relação àquele que “sabe” de tal origem, conforme disposto no caput desse mesmo artigo (“Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.”). De início, aduziu-se que a conduta descrita no § 1º do art. 180 do CP é mais gravosa do que aquela do caput, porquanto voltada para a prática delituosa pelo comerciante ou industrial, que, em virtude da própria atividade profissional, possui maior facilidade para agir como receptador de mercadoria ilícita. Em seguida, asseverou-se que, apesar da falta de técnica na redação do aludido preceito, a modalidade qualificada do § 1º abrangeria tanto o dolo direto quanto o eventual, ou seja, abarcaria a conduta de quem “sabe” e de quem “deve saber” ser a coisa produto de crime. Assim, se o tipo pune a forma mais leve de dolo (eventual), a conclusão lógica seria de que, com maior razão, também o faria em relação à forma mais grave (dolo direto), mesmo que não o tenha dito expressamente, pois o menor se insere no maior.( STF - HC 97344/SP – Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA - Relatora Min. Ellen Gracie – Data do Julgamento: 12/05/2009)

STJ

CRIMINAL. RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA PENA PREVISTA PARA RECEPTAÇÃO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. FIXAÇÃO DA PENA-BASE ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. I. O Código Penal prevê modalidades diferentes de conduta para o delito de receptação, estatuindo uma forma qualificada, delineada em um crime próprio - que tem como sujeito ativo um comerciante ou industrial - e mais grave, com punição mais severa. II. Se o Legislador previu no § 1º do art. 180 do CP um tipo autônomo, descrevendo condutas não referidas no caput do dispositivo, para o qual fixou sanção mais gravosa, tornam-se inafastáveis os seus preceitos e vedadas quaisquer formas de troca de apenamento, sob pena de violação à independência dos poderes. III. Não se admite a redução da pena-base abaixo do mínimo legal, em razão da incidência de atenuante relativa à menoridade. Precedentes. IV.Incidência da Súmula 231/STJ. V. Recurso provido, nos termos do voto do Relator. (STJ, REsp 753760 / RS, DJ 06.03.2006)

A atividade comercial irregular ou clandestina também integra o tipo do parágrafo 1º do artigo 180 do Código Penal.

(STJ - HC 34292 SP 2004/0035679-4 - Órgão Julgador: SEXTA TURMA - Relator Min. HAMILTON CARVALHIDO – Data do Julgamento: 22/11/2004).

TJ/TRF

APELAÇÃO CRIMINAL - RECEPTAÇÃO - PRETENDIDA A DESCLASSIFICAÇÃO DE RECEPTAÇÃO DOLOSA

PARA RECEPTAÇÃO CULPOSA - IMPOSSIBILIDADE - CONDUTA SE SUBSUME PERFEITAMNETE À REGRA DO ARTIGO 180, §§ 1º E 2º, DO CP - PRETENDIDA A RESTITUIÇÃO DOS BENS APREENDIDOS - IMPOSSIBILIDADE - COMPROVADO NOS AUTOS QUE OS BENS SÃO PROVENIENTES DO CRIME - RECURSO NÃO PROVIDO. (TJMS -ACR 24684 MS 2008.024684-4 - Órgão Julgador: 1ª Turma Criminal - Relator Des. João Batista da Costa Marques – Data do Julgamento: 07/10/2008).

A figura típica do crime de receptação qualificada, prevista no artigo 180, § 1º, do Código Penal, exige-se tão

somente o dolo eventual, que consiste na produção de um resultado danoso, assumindo o risco de produzi-lo (artigo 18, I, segunda parte, do Código Penal), não sendo necessário o dolo direto, ante o disposto no artigo 180, § 1º, do Código Penal. Assim, os argumentos expendidos pela defesa não podem prosperar, não havendo conceder

a suspensão condicional da pena pleiteada pelo condenado, pois a sua personalidade e seus antecedentes não comportam tal medida. (TJMS- ACR 16835 MS 2005.016835-2 - Relator Des. João Batista da Costa Marques – Data do Julgamento: 21/03/2006).

A CHAMADA DE CO-RÉU, QUE CONFESSA A PRÁTICA DE CRIME DE FURTO, CONFORTADA PELAS

DEMAIS PROVAS COLHIDAS DURANTE A PERSECUÇÃO PENAL, EM MEIO A PRISÃO EM FLAGRANTE DOS ENVOLVIDOS, INDUZ QUE A COMPRA DE OBJETO COM DESÁGIO SE AMOLDA À FIGURA DA RECEPTAÇÃO QUALIFICADA.2. A EXPRESSÃO "DEVE SABER" CONTIDA NO TIPO PENAL DO ART. 180, § 1º, DO CÓDIGO PENAL, ABARCA O DOLO EVENTUAL, MORMENTE SE O ADQUIRENTE, EQUIPARADO À CONDIÇÃO DE COMERCIANTE (§ 2º, ART. 180, CP), COM ATUAÇÃO EM RAMO ESPECÍFICO, OLVIDA OS CUIDADOS OBJETIVOS NO PERTINENTE À ORIGEM DA COISA NEGOCIADA.3. INVIÁVEL DESCLASSIFICAÇÃO DO DELITO DE RECEPTAÇÃO QUALIFICADA PARA EXTORSÃO INDIRETA, SE A CONDUTA DO AGENTE EM NADA SE AMOLDA À TIPIFICAÇÃO LEGAL. 4. RECURSO DESPROVIDO. (TJDF - ACR 20040310099735 DF - Órgão Julgador: 2ª Turma Criminal - Relator SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS – Data do Julgamento: 03/08/2006).

“O preço baixo, mas não vil e irrisório, só por si, não demonstra a culpa, assim como a simples circunstância de ter sido o bem adquirido de um desconhecido, máxime quando a coisa, por sua natureza, não é de molde a gerar suspeita”. (TACRIMSP – AC – Rel. Santi Ribeiro – JUTACRIM 90/242).

“Réu que adquire produto de furto desconhecendo sua origem ilícita e pagando preço real pelo mesmo não incide na prática do delito de receptação culposa”. (TJSC – AC – Rel. Nauro Collaço – RT 668/307).

“Para a concessão do perdão judicial, previsto para o crime de receptação culposa, não se exige que a coisa tenha valor reduzido, bastando a primariedade do agente e a existência de circunstâncias que indiquem pouca gravidade do fato”.(TACRIMSP – AC – Rel. Wálter Guilherme – RJD 27/63).

A origem não criminosa do bem afasta a figura culposa – “Havendo autorização da vítima para a venda do

objeto adquirido pelo acusado, não há como sustentar-se a origem criminosa da transação, elemento objetivo da tipificação do delito previsto no art. 180, § 1 o , do CP”. (TACRIMSP – RT 574/378).

O mero preço baixo não serve para configurar o delito – “O preço baixo da aquisição, mas não vil nem

irrisório, não demonstra a má fé, a culpa constitutiva da receptação nessa modalidade” ((TJSP – RJTJSP

96/469).

PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO:

STJ

Pelo princípio da consunção, o crime perpetrado como instrumento para viabilizar a concretização de outro mais grave é por este absorvido. A venda ilegal de substância entorpecente mediante aquisição de produto de crime reclama a aplicação do princípio da absorção da receptação pelo tráfico. (STJ - HC 79301 MS 2007/0060789-7 - Órgão Julgador: QUINTA TURMA - Relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA – Data do Julgamento:

19/11/2007).

CONCURSO MATERIAL ENTRE FURTO E RECEPTAÇÃO:

TJ/TRF

Há concurso material e não continuidade delitiva entre o furto e a receptação dolosa porque, apesar de serem da mesma natureza (crimes contra o patrimônio), são crimes de espécies diferentes. (TJPR - Número do Acórdão:

161 - Data do Julgamento: 22/2/2007 - Relator Rogério Coelho).

COMPETÊNCIA:

STF

Quando a autoria do furto ou do roubo de que proveio o objeto do crime de receptação for ignorada ou não comprovada, a competência para julgar este delito será do juízo da comarca em que ele tiver sido consumado. Com base nesse entendimento, a Turma indeferiu habeas corpus em que se pretendia ver reconhecida a incompetência absoluta do juízo da comarca de Campo Grande-MS - local em que se consumara a receptação imputada ao paciente -, sob o argumento de que o veículo objeto desse crime havia sido furtado no Rio de Janeiro. Precedente citado: CJ 2.925 (DJ de 3.12.64). ( STF - HC 74.007-MS – Órgão Julgador: Segunda Turma - Relator Min. Carlos Velloso – Data do Julgamento: 18/02/1997).

IV – QUESTÕES

MP – TOCANTINS - 2004

12) Julgue os itens a seguir. I No roubo impróprio, a violência contra a pessoa é empregada logo após a subtração, a fim de assegurar a impunidade do crime. II Furto privilegiado é aquele praticado pelo cônjuge, ascendente ou descendente, desde que a coisa furtada seja de pequeno valor.

III

No estelionato, diferentemente do furto mediante fraude, visa-se fazer que a vítima

incida em erro e entregue espontaneamente o objeto ao agente.

IV Filho que pratica delito de extorsão contra o pai incorre em escusa absolutória.

V A conduta que envolva produto de contravenção não implicará o reconhecimento

posterior, de receptação.

Estão certos apenas os itens

A I, III e V.

B I, III e IV.

C I, IV e V.

D II, III e IV.

E II, III e V

GABARITO A.