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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA – RFB/2012 PROFESSORES: LUIZ MISSAGIA E RODRIGO LUZ

CONTEÚDO

AULA 02

5. Imposto de Exportação

4

5.2.

Incidência

4

5.3.

Fato Gerador

9

5.1.

Sujeitos Ativo e Passivo

11

5.4.

Base de Cálculo

11

5.5.

Alíquota

13

5.6.

Pagamento

14

6. Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação

23

6.2.

Incidência e Fato Gerador

23

6.3.

Base de Cálculo

30

6.1.

Sujeitos Ativo e Passivo

33

6.4.

Isenções do IPI

34

6.5.

Imunidades do IPI

35

6.6.

Suspensão do Pagamento do IPI

36

7. Contribuição para o PIS/PASEP Importação e COFINS

40

7.2.

Incidência e Fato Gerador

40

7.3.

Base de

41

7.1.

Sujeitos Ativo e Passivo

42

7.4.

Isenções

43

7.5.

Suspensão do Pagamento. e 7.6. Redução de Alíquotas (Programas

Específicos e seu Regramento)

43

8. Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre

Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação vinculado à Importação (ICMS)

48

8.1. Sujeitos Ativo e Passivo

49

8.2. Fato Gerador

51

8.3 Alíquotas

51

8.4. Isenções e Imunidades

51

8.5. Pagamento do Imposto e Controle pela Secretaria da Receita Federal

do Brasil

52

11.

56

11.1. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Combustíveis:

fato gerador, incidência e base de cálculo. (só para AFRFB)

56

10.

61

10.1 Incentivos fiscais às exportações. (só para AFRFB)

61

QUESTÕES ANALISADAS NESTA AULA

73

LEGISLAÇÃO ADUANEIRA – RFB/2012 PROFESSORES: LUIZ MISSAGIA E RODRIGO LUZ

Olá, pessoal.

A aula de hoje é sobre os tributos incidentes sobre o comércio exterior brasileiro e os incentivos fiscais às nossas exportações. Esses assuntos são pedidos nos tópicos 5 a 8 dos editais de 2012 para ATRFB e AFRFB e nos tópicos 10 e 11 do edital de Comércio Internacional (específico para AFRFB). Quem está estudando para ATRFB pode ignorar os tópicos 6.4, 6.6, 7.4, 7.5 e 7.6 e, claro, os tópicos 10 e 11.

Antes de começarmos com a aula nova, acho super válido trazer três questões postadas no fórum (para não ferir o sigilo fiscal, os alunos não foram identificados. rs). Em resumo:

1) “Professor, em outro material tive a informação de que a cláusula DDP seria proibida nas importações brasileiras em virtude da impossibilidade do exportador arcar com as providências para desembaraço e pagamento dos tributos na importação. Está correto?”

Minha resposta:

“O DDP não pode ser usado nas importações brasileiras. Eu escrevo isso no livro. Isso é estudado na aula de Comércio Internacional. Usei o exemplo hipotético e superficial do DDP apenas para mostrar que, mesmo no caso de cargas negociadas sob um termo de entrega no território do país importador, a carga é considerada entregue com o embarque. Esse conceito vale para o DAP, para o DAT e para o DDP, apesar de o uso deste ter sido vedado pela legislação brasileira. Eu só quis fazer uma análise conceitual sem entrar no mérito da legislação. Talvez tivesse sido melhor usar o exemplo do DAP ou do DAT ”

2) “Fiquei com dúvidas em relação às imunidades. O edital trata do tema como ‘imunidades’, no plural. Não seria o caso de aprofundarmos um pouquinho nas imunidades citadas pela doutrina? Parece que a Esaf está cobrando algo a mais que a simples literalidade.”

Minha resposta:

“O STF tem decidido que os entes listados no art. 150, VI, também fazem jus à imunidade do imposto de importação. Neste sentido, o João Marcelo (‘Direito Tributário’) escreve no livro que o STF decidiu que há imunidade no imposto de importação (ver Recurso Extraordinário

203.755).

Note, porém, pelo artigo 136, página 58, que a legislação aduaneira trata como isenção, não imunidade. Uma coisa, porém, é certa: só existe ‘controle da RFB’ (mencionado no edital) na importação de bens sujeitos à imunidade objetiva, como

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escrevi na aula. No caso da imunidade subjetiva, a RFB não detém nenhum sistema de controle. Sistema não há, mas a RFB fiscaliza os entes para ver se os bens importados com imunidade continuam na mão deles e não foram transferidos ‘a qualquer título’ como na historinha que contei na aula passada do cara que me achou com cara de trouxa (rs).”

3) “No final da

não há cobrança do imposto na

arrematação em leilão, mas

imposto é:

( )

III - quando se trate de produto apreendido ou abandonado, levado a

de cálculo do

aula

1 você afirma que

no

CTN: ‘Art. 20.

A base

leilão, o preço da arrematação.’ ”

Minha resposta:

“A Lei 5.172/1966 (hoje chamada de CTN) só obteve o status de lei

complementar com a CF/1967. Portanto, em 1966, quando surgiu o Decreto-Lei 37/1966 cuidando inteiramente do imposto de importação (II), a Lei 5.172/1966 (hoje CTN) foi derrogada tacitamente pelo DL nas disposições acerca do II, conforme dispõe a Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (antiga LICC). Tanto a Lei 5.172/1966 quanto o DL 37/1966 dispunham que a arrematação em leilão era fato gerador do imposto de importação. No entanto, em 1988, surgiu o Decreto-Lei 2.472, acabando com a incidência do imposto nas arrematações em leilão. O CTN ficou com a redação antiga, pois ele já havia sido tacitamente revogado pelo DL 37/1966 e o governo não se preocupou em atualizar sua redação quando surgiu o DL 2.472/1988. Somente o DL 37/1966 teve sua redação modificada. Leia o DL 2472/1988 e compare com a nova redação do DL 37/1966.

Posso te assegurar também: quando fazemos aqui na IRF/RJ leilões para as coisas que apreendemos, não mais cobramos imposto de importação. Aliás, quando eu entrei na RFB, em 1995, tal cobrança já não existia há sete anos. Cobra-se apenas o ICMS. Não se cobra nenhum tributo federal em leilão de bens, conforme dispõe o § 12 do artigo 29 do Decreto-Lei 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 41 da Lei 12.350/2010. Essa desoneração inclui o II, o IPI e as contribuições sociais.”

E, por fim, uma outra observação importante observada por outro atento aluno não identificado (rs):

4) “Professor, gostaria que o sr. ratificasse (ou não), apenas um pequeno detalhe, com relação ao ICMS, citado logo no início da aula (Regramento Constitucional).

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No material está escrito: ‘Tributo instituído pelos Estados e Distrito Federal (DF) e previsto na CF, art. 155, II. Obedece aos princípios da legalidade e da anterioridade (anual e nonagesimal)’. No trecho destacado, deveríamos reescrevê-lo assim: Obedece, EM

REGRA, aos princípios da legalidade e da anterioridade, pois existe uma exceção para a legalidade e outra para a anterioridade, ambas previstas

na CF.

Exceção legalidade: Estados e DF podem alterar as alíquotas do ICMS- monofásico de combustíveis previstos em lei complementar, através de convênio no âmbito do CONFAZ (CF, art. 155, parágrafo 4º, IV) Exceção anterioridade: as alíquotas do ICMS-monofásico de combustíveis poderão ser REDUZIDAS E RESTABELECIDAS, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b.”

Minha resposta:

“É, rapaz, eu deveria ter escrito ‘em regra’. As duas exceções são específicas do ICMS-monofásico-combustíveis. Mesmo assim são exceções do ICMS.

Isso

estadual. rs”

sobre um tributo

é

que dá um fiscal federal querer escrever

5. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO

O imposto de exportação é tratado no Regulamento Aduaneiro nos

artigos 212 a 236. E sua base legal é o Decreto-Lei 1.578/1977.

Já tínhamos visto na aula anterior que o imposto de exportação não

obedece aos princípios da legalidade (em relação a alíquotas) e da anterioridade anual e nonagesimal.

5.2. Incidência

Art. 212. O imposto de exportação incide sobre mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior.

Pela redação do artigo, veja que tanto as produzidas aqui no país quanto as nacionalizadas entram na história. Neste caso, a mercadoria foi produzida no exterior, mas passou a integrar o patrimônio brasileiro, pois importada a título definitivo. Caso a mercadoria saia, ela é passível de tributação com o imposto de exportação. “Mas, professor, eu sempre estudo que as exportações são objeto de imunidade?”

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“Meu caro, você estuda que há imunidade de IPI, ICMS, PIS/PASEP, COFINS e CIDE. Nas exportações, não existe imunidade de imposto de exportação, senão este tributo não seria cobrado nunca, pois ele foi criado justamente para incidir em exportações, não é?”

“É verdade

“Professor, se a mercadoria sai a título temporário, não há incidência de imposto de exportação, né?” “Falso. Incidência há, mas o imposto fica com a exigibilidade suspensa, como você vai estudar na matéria de Regimes Aduaneiros. A exportação temporária é um dos regimes aduaneiros especiais existentes no país. Não se cobra o imposto de exportação, pois, em tese, a mercadoria vai voltar para cá. Se não voltar, aí vamos cobrar.” Uma pequena observação: a Esaf se equivocou em 2012 com a incidência do imposto na exportação temporária, como veremos adiante.

“Deixa eu aproveitar a pergunta do meu colega: e a mercadoria que entrou a título temporário? Quando ela for devolvida para o exterior, há imposto de exportação?” “Caríssimo, caso uma mercadoria entre a título temporário, ela não é nacional nem nacionalizada. Sendo assim, não se aplica o artigo 212. Além disso, considere uma importação de bens para exposição. Eles podem entrar no regime aduaneiro de admissão temporária (a ser estudado na aula sobre Regimes Aduaneiros) e o seu retorno para o exterior será uma reexportação (como vimos no tópico 4.13 da aula passada). Como o nome do imposto não é ‘imposto de reexportação’ (rsrs), mas ‘imposto de exportação’, este não será cobrado.”

Agora chegou a minha vez de aproveitar a pergunta do meu futuro colega. Já tínhamos visto na aula passada que se considera nacionalizada a mercadoria estrangeira importada a título definitivo. É o que dispõe o Regulamento Aduaneiro. Art. 212. ( § 1 o Considera-se nacionalizada a mercadoria estrangeira importada a título definitivo.”

)

No entanto, a redação do parágrafo merece um complementozinho. Afinal, a nacionalização ocorre também para as importações a título temporário cuja permanência é transformada em definitiva depois que o bem já estiver aqui no Brasil. Chegamos a ver isso na aula passada no tópico 3.3. A redação atual do art. 212, § 1º não está errada, mas ela poderia ficar completa:

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(minha proposta) “§ 1 o Consideram-se nacionalizadas as mercadorias estrangeiras importadas a título definitivo, além das importadas a título temporário cuja permanência se transforme em definitiva.”

Se a lógica do governo é desonerar as exportações, por que ele cobra imposto? Ahá, boa pergunta. O fato é que a cobrança do imposto de exportação não objetiva aumento de arrecadação. Sua função é extrafiscal. Se formos olhar os produtos para os quais há cobrança de imposto, vamos entender isso. Porém, vamos logo deixar registrado que os produtos sujeitos ao imposto de exportação são listados pelo Poder Executivo. Para ser exato, é a Câmara de Comércio Exterior (Camex) quem fixa as alíquotas do imposto (art. 212, §2 o ). Na aula passada, vimos que é também a Camex quem define as alíquotas de imposto de importação.

Produtos sujeitos à incidência do imposto de exportação

Atualmente, a legislação brasileira dispõe sobre a cobrança de imposto de exportação em apenas três casos. Estão previstos na Portaria Secex 23/2011, no Anexo XVII. Curiosos com tempo sobrando, segui-me:

http://www.mdic.gov.br/arquivos/dwnl_1343064987.pdf

Não curiosos ou curiosos sem tempo, pulem o link.

Os três casos de cobrança de imposto de exportação são:

1) Cigarros contendo fumo (tabaco)

A exportação está sujeita ao pagamento de 150% de imposto de

exportação, quando destinada à América do Sul e América Central, inclusive

Caribe, ressalvadas as hipóteses de isenção previstas em lei.

2) Algumas peles e couros A exportação do produto está sujeita ao pagamento de 9% (nove por cento) de imposto de exportação.

3) Os produtos do Capítulo 93 da Nomenclatura Comum do

Mercosul (NCM): “Armas e munições; suas partes e acessórios”

As exportações estão sujeitas ao pagamento de 150% (cento e cinquenta

por cento) de imposto de exportação, quando destinadas a América do Sul,

inclusive Caribe. Há exceções:

“I – os produtos exportados para Argentina, Chile e Equador;

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II – as exportações desses produtos para consumidores

autorizados por certificados de usuário final e desde que destinados

a uso exclusivo das Forças Armadas e autoridades policiais das

localidades mencionadas;

III – as exportações de armas de fogo de uso permitido,

classificadas no código 9302.00.00 e na posição 9303 da NCM, e desde que possuam dispositivo intrínseco de segurança e de identificação, devendo ser gravado no corpo da arma o país de origem, nome ou marca do fabricante, calibre, número de série impresso na armação, no cano e na culatra quando móvel e ano de fabricação se não estiver incluído no sistema de numeração serial;

IV – as exportações de armas de pressão e suas respectivas munições classificadas nos códigos 9304.00.00 e 9306.29.00 da NCM; e

V – as exportações de munições e cartuchos de munição de uso

permitido, classificadas nos códigos 9306.21.00, 9306.29.00 e

9306.30.00 da NCM, e desde que estejam acondicionados em

embalagens com sistema de código de barras, gravado na caixa,

que possibilite a identificação do fabricante e do adquirente.”

Não precisa decorar e nem pergunte nada para mim no fórum se a arma

de chumbinho que você quer mandar para seu filho lá nos EUA será tributada,

ok?

de arma e minha identidade funcional dizer que eu tenho porte. Porte??? Não, obrigado.

A espingarda de chumbinho é classificada no código NCM 9304.00.00

(NCM e classificação fiscal só são estudadas na matéria de Comércio Internacional para AFRFB). Logo, está livre de imposto. Pode mandar à vontade

Tá bom, tá bom, vou responder logo, apesar de eu não entender nada

Guarde isso!

Somente são tributados com o imposto de exportação TRÊS tipos de bens:

1) Cigarros contendo tabaco (fumo) – 150% 2) Armas e munições, suas partes e acessórios – 150% 3) Algumas peles e couros – 9%

Por que essas três coisas (cigarros contendo tabaco, peles e couros e armas e munições) são tributadas?

Ora, talvez você saiba que o Paraguai era (e talvez ainda seja) o destino de grande parte das nossas armas e cigarros. O cara que atira fica fumando nos intervalos.

O fato é que nossas exportações realizadas legalmente para os bandidos

do Paraguai acabavam onde no final da história? Acabavam voltando para as

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mãos dos seus colegas de trabalho aqui no território nacional. Claro que esta volta não se dá pelos meios legais, mas pelas fronteiras porosas do nosso Brasilzão. “Ué, se é para ficar no Brasil, por que as pessoas exportam para depois voltar?” “Meu caro, você já ouviu falar que o governo dá trocentos benefícios para os exportadores de bens? Prá começo de conversa, tais bens sairão por uns 20% do seu preço interno, em virtude das imunidades nas exportações. Cerca de 80% do preço ao consumidor de arma e cigarro são o ICMS e o IPI, pela falta de essencialidade. O empresário vai vender muito, vai ganhar muito benefício e nem vai se importar com o que vai ser feito depois com os seus bens. Vende para o bandido paraguaio profissional, que fica feliz da vida e revende clandestinamente para os seus colegas brasileiros. Todo mundo feliz, com armas e cigarros baratíssimos, pois sem tributação nenhuma. Aliás, quase todo mundo feliz, tira só uns 99,99% da sociedade.”

Aí, o que pensou o governo para acabar com essa prática? “Vamos aumentar a segurança do Estado, aumentando a infraestrutura, o controle, a quantidade de policiais federais, militares do Exército e Auditores-Fiscais da Receita Federal. É isso!” Mas aí veio aquele chato do governo que fica controlando o orçamento e as despesas e disse: ”Ei, gente, isso aí vai aumentar muito as despesas do governo e, sabe como é, o(a) presidente(a) não gosta de aumento de gastos (nas entrelinhas: gosta quando gera votos). Então, não há outro jeito de fazer as importações de cigarros e armas diminuírem não?” Pensaram, pensaram e pensaram e chegaram com a brilhante conclusão:

“se a gente diminuir as exportações para lá, vão diminuir depois as importações para cá”. Bingo! Que maravilha! Que sacada! Esse pessoal é realmente muito inteligente. Então, criou-se o imposto de exportação sobre armas e cigarros com 150%! Note, porém, que o imposto só foi criado para as exportações para a América do Sul e Caribe, tirando Argentina, Chile e Equador. Teria sido mais honesto (e menos diplomático) se tivessem escrito: “as exportações para o Paraguai são tributadas em 150%.” Podia incluir a Bolívia também no artigo

Em relação às peles, o imposto é cobrado para que não haja desabastecimento no mercado interno. Estes bens são supervalorizados no mercado internacional. Se as exportações não fossem tributadas, as fábricas brasileiras de sapatos e as demais que precisam desses insumos ficariam a ver navios (zarpando carregados dos portos brasileiros).

que seja

dispensada a cobrança do imposto em função do destino da mercadoria, observadas normas editadas pelo Ministro de Estado da Fazenda”.

mais

uma coisinha: o

RA (art.

216,

§

2º)

permite

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É com base nesse direito que as exportações de cigarros, armas e munições são, em regra, tributadas, mas somente quando destinadas para a

América do Sul e Caribe. Isso se encaixa muito bem naquela ideia de que o problema não é somente o produto, mas principalmente o país importador

(Paraguai, Bolívia,

)

Como, desde 2001, é a Camex quem fixa as alíquotas do imposto de exportação, é ela quem acaba dispensando a cobrança em função do destino da mercadoria. O Ministro da Fazenda é citado no artigo 216, § 2º, mas ele não manda mais nada em relação à fixação de alíquotas. Por isso, sua citação é letra morta. Veja, por exemplo, a Resolução Camex 17/2001, em que a instituição excluiu da cobrança do imposto as exportações de armas para a Argentina, Chile e Equador.

www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/legislacao/rescamex/2001/rescam

ex017.pdf

Mas, veja, se na sua prova cair “a dispensa do imposto de exportação pode ocorrer em função do destino da mercadoria, observadas as normas editadas pelo Ministro da Fazenda”, você vai dizer o quê? Sim, isso é verdadeiro. Lembre-se: nunca brigue com a literalidade da norma!

5.3. Fato Gerador

Você, especialista em Direito Tributário, sabe há muito tempo que o fato gerador do imposto de exportação é a saída da mercadoria do território aduaneiro. É o que dispõe o artigo 213 do Regulamento Aduaneiro. No entanto, se formos olhar a base legal do artigo, o DL 1.578/1977, veremos que ele menciona a saída do território nacional. Logo, para fins de prova, valem as duas expressões, ok? Neste ponto da matéria, entra aquele mesmo problema que comentamos na aula passada. A saída da mercadoria do país só acontece realmente quando sai das águas territoriais ou do espaço aéreo, pois estes fazem parte do território brasileiro. Este momento é de muito difícil apuração. Então para ficar mais bem caracterizado o fato gerador, criou-se o elemento temporal do fato gerador:

“Para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX.”

O registro de exportação não é a declaração de exportação. Vamos fazer uma analogia. Nas importações, há a necessidade de se pedir anuência para a entrada de alguns bens no país. Se eu quero importar um animal vivo, eu preciso da autorização do Ministério da Agricultura,

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Pecuária e Abastecimento. Se é o caso de remédios, a anuência deve ser pedida ao Ministério da Saúde. Há dezesseis órgãos anuentes no comércio exterior brasileiro. Na importação, o documento eletrônico que permite a importação é a licença de importação (LI) deferida pelo órgão anuente. Depois de autorizada a importação, a mercadoria embarca para o Brasil. Aqui chegando, o importador registra a Declaração de Importação (DI), apresentando sua mercadoria para a conferência pela aduana, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal (cuidado ao ler isso em voz alta: já me perguntaram em aula por que a conferência da mercadoria era “peladona” rs). Analogamente, as exportações se sujeitam a dois documentos eletrônicos: o registro de exportação (RE) e a declaração de exportação (DE). Um é a autorização para exportar; outro é para a apresentação à RFB.

Só mais um detalhe: o DL 1.578/1977, que é a legislação específica do imposto de exportação, define assim o elemento temporal do fato gerador:

Art. 1 o (…) § 1º - Considera-se ocorrido o fato gerador no momento da expedição da Guia de Exportação ou documento equivalente.”

A Guia de Exportação era um documento emitido em papel, antes de 1993, quando do surgimento do Siscomex (veremos o sistema em aula futura). Atualmente, utilizamos o “documento equivalente”: o Registro de Exportação. Antigamente, usava-se o dia da emissão da Guia autorizadora. Hoje, o que vale é o dia do registro, ainda que ele só vá ser deferido dali a alguns dias.

 

Nas importações:

|-----------------------------------|

Guarde isso!

LI

DI FG do II

Nas exportações:

|-----------------------------------|

RE FG do IE

DE

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5.1. Sujeitos Ativo e Passivo

Não preciso nem dizer que o sujeito ativo é a União, né? Você já estudou isso em Direito Tributário. Em relação ao sujeito passivo, claro que também não há maiores mistérios. O contribuinte é o exportador e ponto final. Art. 217 - É contribuinte do imposto o exportador, assim considerada qualquer pessoa que promova a saída de mercadoria do território aduaneiro.

Vimos na aula anterior que as importações podem ser terceirizadas. Existem, na importação, as figuras das “operações por conta e ordem” e “operações por encomenda”. Tratamos disso no estudo dos responsáveis solidários. Já na exportação, não existe a figura do exportador por encomenda ou, de forma mais ampla, não existe a terceirização das exportações. Você, exportador, até pode contratar um despachante aduaneiro para te ajudar nas providências junto à Alfândega e aos órgãos anuentes. No entanto, o exportador será você mesmo. Claro que, se não quiser tratar dos trâmites governamentais, você pode vender seus bens no mercado interno para uma empresa que faça a exportação, mas aí você não será chamado de exportador.

5.4. Base de Cálculo

Dispõe o artigo 214 do Regulamento Aduaneiro:

“A base de cálculo do imposto é o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pela Câmara de Comércio Exterior (CAMEX).”

Veja a primeira diferença importante em relação ao imposto de importação (II): a base de cálculo do II é o valor aduaneiro, que é apurado de forma objetiva, ou seja, é o valor praticado para a mercadoria ou para uma idêntica ou similar. Quando você estudar valor aduaneiro com o Missagia na próxima aula, verá que o valor aduaneiro não tem nada de “valor normal”. Ele é o valor “efetivo” ou, como dizemos, é o valor “positivo”. Veremos que esta imposição do valor positivo surgiu para se afastarem as arbitrariedades com intuito protecionista, muito comuns no período anterior à II Guerra Mundial. Já a base de cálculo do imposto de exportação não precisa ser muito controlada. Afinal, quando alguém cobra muito imposto de exportação, os demais países não estão sendo prejudicados em nada. Observação: em regra, a criação de barreiras às exportações não prejudica os países importadores. Uma exceção digna de nota

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ocorre, por exemplo, quando um país concentra uma matéria- prima importantíssima para determinado setor industrial. Neste caso, a restrição às exportações prejudica as empresas do mundo inteiro, como tem acontecido com a China em relação às “terras raras”. Se você for um curioso com tempo sobrando, leia a reportagem em

http://www.inovacao.unicamp.br/noticia.php?id=1150.

Por conta da falta de danos provocados pelo governo do país exportador ao impor alíquotas do imposto de exportação, a OMC não impôs restrições à forma de apuração da base de cálculo. No Brasil, decidiram que não precisavam ser muito rigorosos na apuração da base de cálculo do imposto. Por isso, escreveram apenas “preço normal”. “Professor, preço normal é muito subjetivo, né?” Concordo. Por isso, escreveram que “o preço à vista do produto, FOB ou posto na fronteira, é indicativo do preço normal.” Isso não consta no Regulamento Aduaneiro, apenas na legislação específica. É o artigo 2º do Decreto-Lei 1.578/1977.

Guarde isso!

Base de cálculo do imposto de importação: valor aduaneiro.

Base de cálculo do imposto de exportação: valor normal. É indicativo do valor normal o preço à vista do produto, FOB ou colocado na fronteira.

“Ô, meu Deus, quando eu entendo uma coisa nova, já surgem outras definições que eu não entendo. Aprendo um, aí tenho que aprender outras dez. Ô, professor, que troço é esse de FOB?” “Calma, rapaz. Veja a coisa por outro lado. Ao estudar um ponto aqui, você já está estudando um ponto de Comércio Internacional ali. É bom quando as coisas estudadas precisam de outras que ainda serão estudadas. Isso já antecipa o estudo e, no final, as coisas fecham direitinho. Bem, vamos ao FOB (free on board). Ele é um dos onze INCOTERMS/2010, pedidos no edital de Comércio Internacional. Vimos o DDP na aula passada. Já o FOB indica o preço para se colocar a mercadoria a bordo (on board) do navio. No preço FOB então não estão incluídos, por exemplo, os valores do frete internacional e do seguro, mas apenas as despesas até a colocação a bordo do navio. Se o vendedor brasileiro emitiu uma Nota Fiscal no valor de R$ 10.000,00 para entregar os cigarros no estabelecimento do importador lá na Rússia, a RFB vai ter que confirmar os valores relativos às coisas que ocorrerem após o carregamento, pois, afinal, para a apuração da base de cálculo, só entram os valores até a colocação a bordo.

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Na legislação brasileira, ainda foram além: se o preço normal de determinado produto for de difícil apuração ou oscilar demais no mercado internacional, então a Camex pode criar regras específicas para aquele produto ou até definir preço mínimo. Eis a segunda diferença importante em relação ao imposto de importação: a Camex pode definir preços mínimos para a base de cálculo do imposto de exportação. Isso é impossível no caso do imposto de importação (II). Isto seria uma arbitrariedade inadmissível para a base de cálculo do imposto de importação, como você verá com o Missagia na próxima aula!

Olha que dispositivo interessante:

Art. 214 - ( ) § 2 o Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto, o preço de venda das mercadorias exportadas não poderá ser inferior ao seu custo de aquisição ou de produção, acrescido dos impostos e das contribuições incidentes e da margem de lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos, mais impostos e contribuições.

Quem lê esse artigo de forma corrida, acha que ele diz uma coisa, quando, na verdade, diz outra. Leia o artigo antes e me responda: podemos exportar mercadorias por um preço inferior ao seu custo de produção?

A resposta é

sim.

“What, professor?”

que ‘para fins de

determinação de base de cálculo do imposto’, o preço de venda não poderá ser inferior blábláblá” Logo, a Souza Cruz pode vender cigarros ao exterior pelo preço que quiser, pois não existe uma lei que mande vender por x. O que diz o parágrafo é que o imposto será cobrado em cima de um valor mínimo, não que a empresa tenha que vender pelo valor mínimo. Ela vende a caixa de cigarros por R$ 10,00, mas o governo cobra sobre R$ 30,00. Isso é perfeitamente possível. Guarde o percentual mínimo a ser considerado como margem de lucro: 15%.

“É isso

mesmo, meu caro. O que

diz

o

§

é

5.5. Alíquota

Vimos que, simplificadamente, o imposto de exportação é cobrado apenas na exportação de cigarros, armas e munições e peles e couros. As alíquotas praticadas são, respectivamente, de 150%, 150% e 9%. Por isso, é esquisito o artigo 215 do Regulamento Aduaneiro:

Art. 215. O imposto será calculado pela aplicação da alíquota de trinta por cento sobre a base de cálculo.

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Agora eu pergunto: quantos produtos são hoje tributados com 30% de imposto de exportação? Resposta: ZERO. Nenhum. Nadica.

Que coisa ridícula. Prá que dizer que a alíquota é de 30% se nenhum produto é assim tarifado? Há uma explicação. Foi para dizer na lei 9.716/1998 que a Camex pode aumentar a alíquota para até cinco vezes tal percentual. Note que o Regulamento Aduaneiro já fez a conta de 5 x 30%:

Art. 215 - (…) § 1 o Para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior, a Câmara de Comércio Exterior poderá reduzir ou aumentar a alíquota do imposto. 2 o Em caso de elevação, a alíquota do imposto não poderá ser superior a cento e cinquenta por cento.

Em suma, a alíquota do IE pode variar entre 0% e 150%.

5.6. Pagamento

O pagamento do imposto será realizado na forma e no prazo fixados pelo Ministro da Fazenda, que poderá determinar sua exigibilidade antes da efetiva saída do território aduaneiro da mercadoria a ser exportada. Para cumprir isso, o Ministro da Fazenda baixou a Portaria MF 674/1994, definindo que o pagamento do imposto de exportação tem que ser realizado em até 15 (quinze) dias contados da declaração.

embarque e a transposição da

fronteira só podem acontecer depois que o imposto tiver sido pago.

A mesma Portaria

MF define

que

o

Não confunda!

A Camex define

as alíquotas e

O Ministro da Fazenda define prazo de cobrança e, na letra morta da

disposições acerca da

base

de

cálculo do imposto de exportação.

legislação,

regras

acerca

da

(art. 214)

dispensa da cobrança em função do destino da mercadoria.

(art. 216)

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Guarde isso!

1) Para fins de cálculo do IE, o fato gerador é considerado ocorrido no RE. 2) Para fins de pagamento do IE, o prazo de 15 dias é contado da DE.

|------------|---------------------------|----------------|

RE FG do IE

DE

até 15 dias

Pagto

do IE

Embarque

(só depois

do pagto)

5.7. Disposições Finais

O Regulamento Aduaneiro divide as disposições sobre o imposto de exportação em sete capítulos (arts. 212 a 236). Os primeiros quatro já foram vistos acima. O quinto capítulo trata de isenções e não interessa para a prova.

O sexto capítulo trata dos incentivos fiscais à exportação, que veremos ao final

desta aula. O sétimo capítulo traz as chamadas “Disposições Finais”, importantes, pois trazem generalidades acerca do imposto. Este capítulo traz dois artigos:

Art. 235. Aplica-se, subsidiariamente, ao imposto de exportação, no que couber, a legislação relativa ao imposto de importação (Decreto-Lei 1.578/1977). Art. 236. Respeitadas as atribuições do Conselho Monetário Nacional, a Câmara de Comércio Exterior expedirá as normas necessárias à administração do imposto.

Pela redação do art. 235, vê-se que tudo aquilo em que a legislação silenciou em relação ao imposto de exportação (IE) pode ser aproveitado da

legislação do imposto de importação (II) (Decreto-Lei 37/1966). Por exemplo,

a legislação específica (Decreto-Lei 1.578/1977) não dispôs sobre restituição

do imposto de exportação no caso de pagamento a maior, por erro de aplicação de alíquota (pode procurar à vontade no Decreto-Lei. rs). Neste caso,

o direito de restituição do II, previsto no DL 37/1966, art. 28, I, estende-se para a restituição do imposto de exportação.

5.8. Taxa de Câmbio

Para fins de conversão da base de cálculo do imposto de exportação, o Banco Central define que “será utilizada a taxa de câmbio para a moeda

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indicada no Registro de Exportação relativa ao dia útil imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador do imposto.” Não está ferindo o CTN quando diz que a taxa de câmbio para conversão da base de cálculo em moeda estrangeira será tomada no dia anterior ao da ocorrência do fato gerador. Isto porque a taxa de câmbio de hoje foi calculada ontem.

QUESTÕES

01 – (AFTN/1991) A base de cálculo do Imposto de Exportação

a) é o valor aduaneiro, segundo as normas do artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT).

b) incidente sobre a mercadoria nacionalizada, quando reexportada, é o preço da exportação, compensado o imposto de importação recolhido quando de sua entrada, em processo regular, no território aduaneiro.

c) é o preço normal que a mercadoria, ou seu similar, alcançaria ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional.

d) será o preço à vista da mercadoria nacional ou nacionalizada, FOB ou colocada na fronteira.

e) é: 1) quando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria expressa na unidade de medida indicada pelo Conselho Monetário Nacional; 2) quando a alíquota for “ad valorem”, o valor aduaneiro definido no artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT).

Comentários Letra A: incorreta. O valor aduaneiro é a base de cálculo do imposto de importação. Letra B: incorreta. Em primeiro lugar, não existe reexportação de mercadoria nacionalizada. Em segundo lugar, não incide sobre reexportações de mercadorias estrangeiras. Em terceiro, não há compensação de imposto de importação com imposto de exportação. Se foi nacionalizada, pagou imposto de importação. Se vier a ser exportada, pagará imposto de exportação integralmente. Letra C: correta. É literal. Letra D: incorreta. A base de cálculo é o “preço normal”. O preço à vista, FOB ou colocada na fronteira, é indicativo do preço normal. É uma base para o preço normal, mas não necessariamente será considerado como preço normal. Letra E: incorreta. A base de cálculo do imposto de exportação é o “valor normal”. O que foi escrito na alternativa E é quase a base de cálculo do imposto de importação, só “furando” no que se refere ao Conselho Monetário

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Nacional. É a Camex quem fixa a alíquota. Logo, a unidade de medida será por ela estabelecida.

02 – (ACE/2012) A respeito do Imposto sobre Exportações, é correto afirmar que:

a) incide sobre mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior e

tem como fato gerador sua saída do território nacional.

b) incide sobre bens não essenciais exportados para consumo final e tem como

fato gerador o registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior.

c) incide sobre mercadoria nacional destinada ao exterior e tem como base de cálculo o valor aduaneiro do bem exportado.

d) sua alíquota está fixada em 30%, sem possibilidades de redução ou

majoração, e tem como base de cálculo o preço normal que a mercadoria alcançaria em uma venda em condições livre de concorrência no mercado internacional.

e) incide sobre toda mercadoria destinada ao exterior a partir do território

nacional e tem como fato gerador a emissão da Declaração de Exportação (DE).

Comentários Letra A: correta. É literal. Letra B: incorreta. Essa questão da essencialidade não existe. Além disso, o fato gerador não é o registro de exportação (RE), mas a saída. O RE é considerado o fato gerador apenas para fins de cálculo. Letra C: incorreta. A base de cálculo é o “preço normal”.

até

150%. A base de cálculo está correta. Letra E: incorreta. Não incide, por exemplo, sobre as estrangeiras destinadas ao exterior, ou seja, devolvidas. Além disso, o fato gerador é a saída e, para fins de cálculo, é o RE, não a DE.

Letra D: incorreta. A alíquota é

de 30%, podendo ir a

0%

ou

a

03 – (TTN/1997) O fato gerador do imposto de exportação é a

a) saída da mercadoria dos armazéns localizados na zona primária dos portos,

aeroportos ou pontos de fronteira alfandegados

b) saída

secundária, em regime de trânsito aduaneiro c) saída da mercadoria nacional ou nacionalizada do território aduaneiro

d) entrada da mercadoria nacional ou nacionalizada a bordo do veículo que

zona

da

mercadoria

dos

recintos

alfandegados

localizados

na

deverá transportá-la para o exterior

e) entrada

alfandegado para o fim específico de exportação

da

mercadoria

no

porto,

aeroporto

ou

ponto

de

fronteira

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Comentários Questão direta. Letra c.

04 – (AFTN/1998) Sobre o Imposto de Exportação, é correto afirmar-

se que

a) se considera ocorrido o fato gerador, para efeito de seu cálculo, na data do

registro

(SISCOMEX)

b) incide apenas sobre produtos nacionais exportados constantes de relação formulada pelo Conselho Monetário Nacional

c) tem como base de cálculo o preço à vista, expresso no valor CIF (Cost,

Insurance and Freight) da mercadoria

d) tem por objetivo arrecadar recursos para programas de fomento à competitividade das exportações

e) incide sobre todo produto nacional ou admitido em regime especial que sair

Exterior

da

exportação

no

Sistema

Integrado

de

Comércio

do território nacional

Comentários Letra A: correta. É o gabarito. Letra B: incorreta. Incide sobre nacionais e nacionalizados. Além disso, a lista é fixada pela Camex. Letra C: incorreta. O preço normal toma por base o valor FOB, sem a inclusão do seguro e do frete internacionais. Letra D: incorreta. O imposto de exportação tem caráter extrafiscal. Letra E: incorreta. Incide apenas sobre os nacionais e os nacionalizados. Por exemplo, uma mercadoria que entra no regime aduaneiro especial de admissão temporária (carro de Fórmula-1), ao retornar para o exterior, não sofrerá incidência. Afinal, não é mercadoria nacional nem nacionalizada.

05 – (TRF 2002-1) As normas legais e regulamentares que dispõem

sobre o Imposto de Exportação prescrevem que:

a) o Imposto de Exportação incide sobre mercadoria nacional ou nacionalizada

destinada ao exterior. b) a base de cálculo do Imposto de Exportação é o preço normal que a mercadoria, ou seu similar, alcançaria ao tempo de uma exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Conselho de Política Aduaneira do Ministério da Fazenda.

c) poderá o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior reduzir

ou elevar a alíquota para atender aos objetivos da política cambial e do

comércio exterior.

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d) considera-se ocorrido o fato gerador do Imposto de Exportação na data do

efetivo embarque, devidamente comprovada pela exibição do conhecimento de transporte.

e) Na administração do Imposto de Exportação aplicar-se-ão supletivamente

as normas que regulam a administração do Imposto sobre Produtos Industrializados.

Comentários Letra A: correta. É o gabarito. Letra B: incorreta. São observadas as normas expedidas pela Camex. Letra C: incorreta. É a Camex quem altera alíquotas. Letra D: incorreta. O FG é a saída do território, que só vai se dar quando sair do espaço aéreo ou das águas territoriais ou quando fizer a transposição da fronteira. Letra E: incorreta. Na administração do imposto de exportação, aplicam- se subsidiariamente as normas do imposto de importação, não do IPI.

06 – (TRF/2002-1) O pagamento do Imposto de Exportação será realizado na forma e momento fixados pelo

a) Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que poderá

determinar sua exigibilidade antes da efetiva saída do território aduaneiro da

mercadoria a ser exportada.

b) Ministro da Fazenda, que poderá determinar sua exigibilidade antes da

efetiva saída do território aduaneiro da mercadoria a ser exportada.

c) Secretário-Executivo da Câmara de Comércio Exterior-CAMEX, que poderá

determinar sua exigibilidade antes da efetiva saída do território aduaneiro da mercadoria a ser exportada.

d) Diretor do Departamento de Comércio Exterior, da Secretaria do Comércio

Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que poderá determinar sua exigibilidade antes da efetiva saída do território aduaneiro da mercadoria a ser exportada. e) Presidente do Banco Central do Brasil, que poderá determinar sua exigibilidade antes da efetiva saída do território aduaneiro da mercadoria a ser exportada.

Comentários Resposta direta. Letra b.

07 – (AFRF/2002-2) O preço normal determinado legalmente para apuração da base de cálculo do imposto de exportação corresponde

a) ao preço da mercadoria, ou seu similar fixado periodicamente pelo Conselho

Monetário Nacional em pauta de valor mínimo vigente ao tempo da

exportação.

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b) ao valor externo da mercadoria, identificado como o preço com que a

mesma ou similar é normalmente oferecida à venda no mercado atacadista do país, somado às despesas para sua colocação no ponto de saída (porto, aeroporto ou fronteira terrestre), deduzidos, quando for o caso, os impostos exigíveis para consumo interno e recuperáveis pela exportação.

c) ao preço que a mercadoria, ou seu similar, alcançaria ao tempo da

exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional.

d) ao valor de transação, ou seja, o preço efetivamente pago ou a ser pago

pelo comprador no exterior. e) ao preço nunca inferior a um preço de referência fixado pela Secretaria de Comércio Exterior para a mercadoria a ser exportada sendo o parâmetro utilizado para sua aceitação no SISCOMEX.

Comentários A base de cálculo é o “preço normal” que o produto alcança no mercado internacional, em uma venda em condições de livre concorrência. Já vimos que as regras acerca disso são criadas pela Camex, não pelo Conselho Monetário Nacional, presente no gabarito (letra c). Eu dei aula para este concurso de 2002. Na verdade, o primeiro concurso para o qual eu comecei a preparar candidatos foi o de 1998. Quando vi essa questão em 2002, eu montei recurso para tentar anulá-la, mas não tive sucesso. Antes de a Camex ter sido criada, o Decreto 4.543/2002, art. 214, dispunha realmente que cabia ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a expedição de normas complementares. Porém, com o surgimento da Camex, a Medida Provisória 2.158, de 2001, passou a competência para este órgão. No dia da prova, a Camex já tinha tomado o lugar do CMN, mas a Esaf escorregou nisso e não anulou a questão.

08 – (TRF/2003) Assinale a opção correta. a) O Imposto de Exportação incide sobre mercadorias nacionais ou nacionalizadas, relacionadas em lei complementar, tendo como fato gerador sua saída do território aduaneiro, que se considera ocorrida na data de registro da exportação no Siscomex; sua base de cálculo é o preço normal ou o preço apurado segundo critérios específicos fixados ou pauta de valor mínimo estabelecida pela CAMEX (Câmara de Comércio Exterior); a alíquota é de 30%, podendo ser elevada, pela CAMEX, para até 150%; o prazo de pagamento é fixado pelo Ministro da Fazenda. b) O Imposto de Exportação incide sobre mercadorias nacionais ou nacionalizadas, relacionadas pela CAMEX, tendo como fato gerador sua saída do território aduaneiro, que se considera ocorrida na data de registro da exportação no Siscomex; sua base de cálculo é o preço normal ou o preço apurado segundo critérios específicos fixados ou pauta de valor mínimo

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estabelecida pela CAMEX; a alíquota é de 30%, podendo ser elevada, pela CAMEX, para até 150%; o prazo de pagamento é fixado pela CAMEX.

c) O Imposto de Exportação incide sobre mercadorias nacionais ou

nacionalizadas, relacionadas pela CAMEX, tendo como fato gerador sua saída

do território aduaneiro, que se considera ocorrida na data de registro da exportação no Siscomex; sua base de cálculo é o preço normal ou o preço apurado segundo critérios específicos fixados ou pauta de valor mínimo estabelecida pela CAMEX; a alíquota é de 30%, podendo ser elevada, pelo Ministro da Fazenda, para até 150%; o prazo de pagamento é fixado pela CAMEX.

d) O Imposto de Exportação incide sobre mercadorias nacionais ou

nacionalizadas, relacionadas pela CAMEX, tendo como fato gerador sua saída

do território aduaneiro, que se considera ocorrida na data de registro da exportação no Siscomex; sua base de cálculo é o preço normal ou o preço apurado segundo critérios específicos fixados ou pauta de valor mínimo estabelecida pela CAMEX; a alíquota é de 30%, podendo ser elevada, pela CAMEX, para até 150%; o prazo de pagamento é fixado pelo Ministro da Fazenda.

e) O Imposto de Exportação incide sobre mercadorias nacionais ou

nacionalizadas, relacionadas em lei complementar, tendo como fato gerador sua saída do território aduaneiro, que se considera ocorrida na data de registro da exportação no Siscomex; sua base de cálculo é o preço normal ou o preço apurado segundo critérios específicos fixados ou pauta de valor mínimo estabelecida pela CAMEX; a alíquota é de 30%, podendo ser elevada, pela CAMEX, para até 150%; o prazo de pagamento é fixado pelo Ministro da Fazenda, ad referendum da CAMEX.

Comentários O gabarito é a letra D. Para verificar a incorreção das demais alternativas, é só fazer por contraste. Ora eles trocam a Camex pelo Ministro da Fazenda, ora eles fazem o contrário. Além disso, os produtos são listados pela Camex, não por lei complementar.

09 – (ACE/2012) O Imposto sobre a Exportação – IE, cuja competência pertence à União, incide na exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados. Sobre ele é incorreto afirmar que:

a) nacionais são os produtos produzidos no próprio país.

b) nacionalizados são os produtos que tenham ingressado regularmente para

incorporação à economia nacional, submetendo-se ao desembaraço aduaneiro,

vale dizer, com a respectiva tributação, sendo o caso.

c) incide também sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de

telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do país.

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d) a exportação temporária, quando amparada em regime especial de

suspensão de impostos, em que não se tenha a incorporação à economia de outro país, não se sujeita à sua incidência.

e) o fato gerador ocorre com a saída física do produto do país, pouco

importando, portanto, a data do registro da operação no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX.

Comentários Letra A: correta. Letra B: correta. Letra C: correta, pela CF/1988. Letra D: correta, segundo a Esaf. No entanto, está errada, pois incidência há, apenas não haverá a cobrança. Temos que tomar cuidado com esse posicionamento recentíssimo da Esaf. Não sei se para a próxima prova eles se corrigirão. É horrível quando a banca não assume o erro e a gente tem que ficar carregando o erro até sei lá quando. E se os componentes da banca mudarem? Ou se mudarem de ideia? Ou se perceberam a falha, mas não quiseram “dar o braço a torcer”? Letra E: incorreta, segundo a Esaf. A saída do país é o fato gerador. Claro que, para fins de cálculo, considera-se ocorrido o fato gerador no registro de exportação. Eu não vejo erro nessa letra E.

(ECT/2011) A negociação de acordos de preferência comercial é elemento importante no esforço de abertura de mercados para produtos brasileiros. Acerca da política comercial brasileira, julgue os itens subsequentes. 10 – O imposto de exportação é aplicado sobre exportações de determinados couros brasileiros. 11 – A Tarifa Externa Comum (TEC) aponta as alíquotas do imposto de importação aplicadas nas importações brasileiras.

Comentários

10 – Correta, como vimos nesta aula.

11 – Correta, como vimos na aula passada.

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6. Imposto sobre Produtos Industrializados na Importação

O IPI na importação é tratado no Regulamento Aduaneiro nos artigos

237 a 248. Sua base é a Lei 4.502/1964.

Já tínhamos visto na aula passada que o IPI não obedece ao princípio da

legalidade (em relação a alíquotas) nem ao princípio da anterioridade anual. Obedece, no entanto, ao princípio da anterioridade nonagesimal. Se aparecer na sua prova a menção “IPI vinculado”, não se assuste. É como a gente chama o IPI cobrado na importação: “IPI vinculado à importação”. Assim o diferenciamos do “IPI interno”. Por que diferenciar? Porque a aduana tem competência regimental para lançar e cobrar o IPI vinculado, mas não o tem em relação ao IPI interno. Este será lançado e cobrado pelas Delegacias da Receita Federal, que também cuidam do imposto de renda, IOF, ITR,

6.2. Incidência e Fato Gerador

Fato Gerador

Art. 238. O fato gerador do IPI, na importação, é o desembaraço aduaneiro 1 de produto de procedência estrangeira.

Veja só que coisa interessante: o pagamento do IPI ocorre no momento do registro da Declaração de Importação, mas seu fato gerador só vai ocorrer depois que a aduana proceder à conferência, ou seja, quando desembaraçar a mercadoria. Podemos dizer então que se aplica aqui o fato gerador presumido da CF/1988, art. 150, § 7º: cobramos o imposto já, pois se presume que o fato gerador irá acontecer lá na frente. No entanto, é assegurada a restituição caso o desembaraço não aconteça. Há mais uma consequência acerca da diferença de datas entre o recolhimento do imposto e seu fato gerador: se surgir uma isenção ou se a alíquota do IPI mudar neste ínterim, terá que ser recalculado o imposto, para fins de cobrança complementar ou de restituição. Veremos já já uma questão que trata disso e da base de cálculo do imposto.

1 Observação: o desembaraço aduaneiro é a última etapa do despacho aduaneiro de importação, pedido no tópico 9 dos editais da RFB e estudado em aula futura.

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Guarde isso!

Registro da DI

Desembaraço

|---------------------------------------|

Fato Gerador do II FG do PIS/PASEP-Imp. FG da COFINS-Imp. Pagto do II/PIS/PASEP/COFINS/IPI

FG do IPI FG do ICMS

Antes de passar para o próximo tópico, cabe uma importante observação: quando estudamos o imposto de importação, vimos que o fato gerador é a entrada de mercadoria estrangeira. E mercadoria estrangeira inclui as nacionais exportadas a título definitivo. (RA, art. 70, caput) No caso do IPI, está escrito que o fato gerador é a importação de um bem de “procedência estrangeira”. Neste caso, a origem do bem é irrelevante. Em regra, tributa-se o bem de procedência estrangeira, ou seja, que estiver vindo de fora, independentemente se o produto é estrangeiro ou não. Isso é importante para compararmos com o imposto de importação (II). Na aula relativa ao II, vimos que existem os casos de mercadoria “não estrangeira”, listados nos incisos do artigo 70. Já no caso do IPI, não teremos um conjunto de bens “não estrangeiros”, já que tal conceituação é irrelevante para fins de incidência do IPI, como veremos à frente.

Fato Gerador Presumido da Legislação do IPI

Na aula passada, vimos que o imposto de importação tem um fato gerador presumido: presume-se que a mercadoria extraviada entrou no país e assim se cobra o imposto de importação. O IPI também tem um fato gerador presumido previsto na legislação específica (não confunda com o fato gerador presumido da CF/1988, art. 150, § 7º)

“Considera-se ocorrido o desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como importada e cujo extravio ou avaria tenha sido apurado pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação.” (RA, art. 238, § 1º).

Repete-se a história vista na aula passada. A mercadoria consta na fatura emitida pelo exportador. Lá está escrito:

“10 computadores

US$ 10.000,00”

Chegando ao Brasil, as caixas foram descarregadas pelo avião lá na pista do Galeão. A Infraero pegou as caixas e as colocou em seu armazém. O importador enviou uma Declaração de Importação preenchida no Siscomex do computador do seu escritório. Depois, todo feliz, foi ao Galeão levar os

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documentos para a Aduana conferir a DI e a mercadoria. Quando o AFRFB abriu a caixa (na verdade, ele pede para o rapaz da Infraero meter o estilete na caixa. rs), viu que tinha sido tudo roubado. Ficou só o mouse pad. “Pára tudo!”, brada o AFRFB furioso (na verdade, o importador está mais furioso do que ele).

caro

importador, os tributos que você pagou lhe serão restituídos, mas nós vamos cobrar tudo do responsável pelo extravio.”

Certo que, se tiver havido avaria, o imposto será cobrado do responsável apenas na proporção do prejuízo. Existe fato gerador presumido no II, no IPI, no PIS/PASEP-Importação e também na COFINS-Importação, como veremos à frente.

“Vamos

ver

quem

foi

o

responsável

pelo

extravio.

Calma,

Não ocorrência do Fato Gerador

O fato gerador do IPI é o desembaraço da mercadoria. No entanto, o artigo 238, § 2º dispõe de alguns casos de não ocorrência do fato gerador ainda que tenha havido o desembaraço. § 2 o Não constitui fato gerador do imposto o desembaraço aduaneiro de produtos nacionais que retornem ao País:

I - nas hipóteses previstas nos incisos I a V do art. 70; e II - aos quais tenha sido aplicado o regime aduaneiro especial de exportação temporária, ainda que descumprido o regime.

Guarde isso!

“Não são estrangeiras” para fins de cobrança do imposto de importação (II) a mercadoria exportada: (incisos I a V do art. 70) I - enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado; II - devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou para substituição; III - por motivo de modificações na sistemática de importação por parte do país importador;

 

IV - por motivo de guerra ou de calamidade pública; ou

Tudo isso ai do lado é

V - por

outros

fatores

alheios

à

vontade

do

caso

de

“não

exportador.

 

ocorrência

do

fato

São casos de “não ocorrência do fato gerador” do imposto de importação as importações:

gerador” do IPI (art. 238, § 2º)

I - do pescado capturado fora das águas territoriais do

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País, por empresa localizada no seu território, desde que satisfeitas as exigências que regulam a atividade pesqueira; e II - de mercadoria à qual tenha sido aplicado o regime de exportação temporária, ainda que descumprido o regime.

e II - de mercadoria à qual tenha sido aplicado o regime de exportação temporária, ainda

Veja aí no quadro aquilo que comentei algumas páginas atrás. Não criaram um grupo de “não estrangeiras” para o IPI, pois a conceituação de ser ou não estrangeira é irrelevante para a cobrança do imposto. Em regra, ele incide sobre bens de procedência estrangeira, independentemente de sua origem. Criaram sim o conceito de não ocorrência do FG.

“Mas, professor, olhando o artigo 238, § 2º, eu vejo que o pescado não foi listado. Como é que o senhor colocou o pescado também como caso de não ocorrência do fato gerador do IPI?” “Meu caro, deixa eu te fazer algumas perguntas. A primeira: pescado é produto industrializado?” “Ih, professor, deixa prá lá ”

Incidência

Certamente você já estudou que o IPI incide nas saídas de produtos industrializados de estabelecimentos industriais (ou equiparados a industriais). Devemos então conhecer o conceito de produto industrializado, que consta no artigo 4º do Regulamento do IPI:

Art. 4º. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como:

I

a

que,

exercida

sobre

matérias-primas

ou

produtos

intermediários,

importe

na

obtenção

de

espécie

nova

(transformação);

II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer

forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento);

III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de

que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob

a mesma classificação fiscal (montagem);

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IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento).

Claro que você está estudando IPI na Legislação Tributária, mas uma “palhinha” não vai mal. O beneficiamento é a operação feita sobre o produto sem mudar sua classificação fiscal, apenas melhorando-o. A transformação difere do beneficiamento por modificar a classificação fiscal da mercadoria. A montagem é a reunião de produtos para formar um novo. Recondicionar é consertar.

Em relação ao acondicionamento, o Regulamento do IPI define dois tipos de embalagem: a de apresentação e a de transporte. Resumidamente, a embalagem de transporte é aquela colocada apenas para facilitar o transporte, como as caixas, sacolas, sacos plásticos, engradados e assemelhados. A embalagem de apresentação é aquela sem a qual a mercadoria não é vendida, como, por exemplo, a garrafa de refrigerante, a lata de cerveja e o frasco de xampu. Note que o inciso IV é claro em definir que a colocação de embalagem de apresentação é considerada uma operação de industrialização, a qual recebe o nome de acondicionamento. O inciso é claro também ao excluir do conceito de industrialização a colocação de embalagem de transporte. Se a colocação de embalagem de transporte fosse considerada uma industrialização, todos aqueles que fazem compras no supermercado seriam considerados indústrias ao empacotarem os produtos comprados. E, como tal, seriam contribuintes do IPI, devendo recolher este tributo. Teria que haver um AFRFB na porta de cada supermercado. Ôba, mais vagas!

industrializado

transformado, montado, consertado ou embalado para apresentação.

Portanto,

produto

é

aquele

que

foi

beneficiado,

Para igualar a carga tributária dos importados com os nacionais, o IPI incide também na importação de produtos industrializados. É o que dispõe o Regulamento Aduaneiro (RA), art. 237.

No entanto, da mesma forma como ocorre no imposto de importação, são listados vários casos de importações para os quais não haverá incidência do IPI. Ele não incide sobre os casos listados nos incisos I, II e V do artigo 71:

Art. 237. (

§ 1 o O imposto não incide sobre:

I - os produtos chegados ao País nas hipóteses previstas nos incisos I e II do art. 71, que tenham sido desembaraçados; e

)

LEGISLAÇÃO ADUANEIRA – RFB/2012 PROFESSORES: LUIZ MISSAGIA E RODRIGO LUZ

II - as embarcações referidas no inciso V do art. 71.

Veja que o art. 237 trata dos casos de não incidência do imposto de importação. É engraçado verificar que o artigo 71 possui sete incisos de não incidência do imposto de importação e o artigo 237, apenas três casos de não incidência do IPI. “Professor, então há casos em que não incide o imposto de importação, mas incide o IPI, né?” “Calma, meu caro. Para se afirmar isso, teríamos que analisar os incisos faltantes: o III, o IV, o VI e o VII.”

 

Art. 71.

O

imposto

[de

importação] não incide

sobre:

 

Vamos

nos

I

– mercadoria estrangeira que, corretamente

lembrar

do

descrita nos documentos de transporte, chegar ao país por erro inequívoco ou comprovado de expedição, e que for redestinada ou devolvida para o exterior;

artigo

71

do

Regulamento

Aduaneiro?

 
 

II

– mercadoria estrangeira idêntica, em igual

Ele foi visto na aula passada.

quantidade e valor, e que se destine à reposição de outra anteriormente importada que se tenha revelado, após o desembaraço aduaneiro, defeituosa

ou

imprestável para o fim a que se destinava, desde

que observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda;

III

– mercadoria estrangeira que tenha sido objeto

da

pena de perdimento, exceto na hipótese em que

não seja localizada, tenha sido consumida ou

revendida;

 

IV

– mercadoria estrangeira devolvida para o

exterior antes do registro da declaração de importação, observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda;

V

embarcações construídas no Brasil e

transferidas por matriz de empresa brasileira de navegação para subsidiária integral no exterior, que retornem ao registro brasileiro, como propriedade da mesma empresa nacional de origem;

(tacitamente revogado) VI – mercadoria estrangeira avariada ou que se revele imprestável para os fins a que se destinava, desde que seja destruída sob controle aduaneiro, antes do desembaraço aduaneiro, sem ônus para a Fazenda Nacional; e

VII

– mercadoria estrangeira em trânsito aduaneiro

de

passagem, acidentalmente destruída.

LEGISLAÇÃO ADUANEIRA – RFB/2012 PROFESSORES: LUIZ MISSAGIA E RODRIGO LUZ

Vamos analisar os incisos faltantes, começando pelos mais fáceis.

O inciso IV trata de mercadorias devolvidas antes do registro da DI.

Ora, se foi devolvida antes do registro, ela não foi desembaraçada. Então, não

incide o IPI.

O inciso VI trata de mercadoria destruída, sob controle da aduana,

antes do desembaraço. Como foi destruída antes do fato gerador, também não

há incidência do IPI.

O inciso VII trata de não incidência de imposto no caso de mercadoria

acidentalmente destruída no trânsito aduaneiro de passagem. Por falta de exclusão, incide o IPI em virtude do fato gerador presumido: “presumem-se desembaraçadas as mercadorias avariadas e as extraviadas.”

O inciso III trata das mercadorias sujeitas à pena de perdimento. Se foi objeto da pena de perdimento, em tese, não foi desembaraçada. Logo, não há incidência do IPI. Porém, na aula passada, vimos que, se a mercadoria não for localizada, tiver sido consumida ou revendida, cobra-se o imposto de importação. Cobra-se também o IPI, pois “presume-se desembaraçada

Lei

que

a mercadoria

extraviada”.

Saiba

extravio

é,

nos

termos

da

12.350/2010, “toda e qualquer falta de mercadoria”.

Guarde DUAS informações importantíssimas!

1) Apesar de não literais, TODOS os casos de não incidência do imposto de importação são também casos de não incidência

 

do

IPI, com uma única exceção:

o

inciso VII do artigo 71 do

Regulamento Aduaneiro. “VII - mercadoria estrangeira em trânsito aduaneiro de passagem, acidentalmente destruída.”

2) Se a mercadoria objeto da pena de perdimento não for encontrada para a apreensão,

haverá incidência do IPI, além

da

incidência

do

imposto

de

 

importação.

 

É

caso

de

não

incidência

do

 

imposto

de

importação,

pois

expressamente previsto no artigo 71. No entanto, não houve exclusão análoga para o IPI. Logo, incide o IPI.

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6.3. Base de Cálculo

A base de cálculo do IPI na importação é o valor que serviu ou serviria de base para o cálculo do imposto de importação, por ocasião do despacho aduaneiro de importação, acrescido do montante desse imposto e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis. (RA, art. 239)

Guarde isso!

BC do IPI =

BC do II + II + Encargos Cambiais

Que negócio é esse de “encargos cambiais”? Bem, isso existiu, mas já era. Tais encargos cambiais eram valores cobrados em virtude de normas cambiais. O artigo 14 da Lei 4.502/1964 (nunca é demais lembrar que esta é a base legal do IPI) dispõe:

Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável:

I - quanto aos produtos de procedência estrangeira, para o cálculo efetuado na ocasião do despacho; b) o valor que servir de base, ou que serviria se o produto tributado fôsse para o cálculo dos tributos aduaneiros, acrescido de valor dêste e dos ágios e sobretaxas cambiais pagos pelo importador;

Quando o Regulamento Aduaneiro usa hoje o termo “encargos cambiais”, ele simplifica demais e dá margem à interpretação errada. Afinal, quando alguém fala de encargos cambiais, é razoável imaginar que se esteja falando dos valores cobrados em virtude da celebração de contratos de câmbio. Alguém poderia pensar: “ah, isso aí são os valores que os bancos cobram para fazerem os contratos de câmbio.” Outro poderia dizer: “É mesmo. Deve até incluir o IOF também, pois é um valor cobrado na celebração dos contratos cambiais.” O primeiro responde: “É mesmo. Essa matéria é muito fácil.” Meus caros, apesar de a matéria ser muito gostosa, ela tem um monte de cascas de banana. “Encargos cambiais” são uma “tradução” para o Regulamento Aduaneiro, mas, na base legal, está escrito “ágios e sobretaxas cambiais”. Essas coisas já morreram. O mercado cambial já teve “ágios e sobretaxas”. Mas isso é do tempo “do onça”. Nossa, até essa expressão é velha. Eu tô ficando velho. Você notou os acentos em “fosse” e “deste” ali em cima no artigo? Viu como é coisa velha? Não esqueça: OS ENCARGOS CAMBIAIS JÁ MORRERAM! Só se esqueceram de os enterrar, ou melhor, de modificar a lei e retirá-los da fórmula da BC do IPI.

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“Professor, lá no imposto de importação a gente viu que as alíquotas podem ser ad valorem (percentuais) ou específicas. Aqui no IPI a alíquota então vai ser sempre ad valorem, já que a base de cálculo é um valor, né?” “Quase isso. Se você tivesse esperado um pouquinho (rs), eu teria dito que as alíquotas do IPI também podem ser específicas, como dispõe o § 1º do art. 239. No caso de importação de bebidas e cigarros, foram criadas alíquotas específicas.”

Guarde isso!

O IPI possui alíquotas ad valorem (é a regra) e específicas (sobre cigarros e bebidas). Quando a alíquota é ad valorem, a BC do IPI é aquela formulinha já vista. Quando a alíquota é específica, a BC do IPI é a quantidade de bebidas ou de cigarros importados.

Só há um detalhe que talvez tenha te passado despercebido. A BC do IPI é composta pela BC do II mais algumas coisas, né? Se a alíquota do II for específica (por exemplo, US$ 10,00/sapato), qual será a base de cálculo do II? A quantidade de sapatos. Digamos 120 pares de sapato. Vou pegar essa BC do II (120 pares de sapato) e jogar na BC do IPI? BC do IPI = 120 sapatos + II + Encargos cambiais??????????? Claro que não. Dentro daquela formulinha (BC do IPI = BC do II + II +

Encargos Cambiais), só cabe a BC do II se ela for o valor aduaneiro. Se ela for

a quantidade de mercadoria (por ser alíquota específica), então aquela fórmula

tinha que ser adaptada. Até hoje, isso aí não deu problema, pois, na prática, só existem alíquotas ad valorem de II. Não existem alíquotas específicas de imposto de importação. Mas essa é mais uma sugestão para a revisão do Regulamento Aduaneiro, né, Missagia? Pensar na fórmula da BC do IPI quando

a BC do II for a quantidade de mercadorias

Cálculo

Já sabemos que o IPI será recolhido da conta bancária do importador no dia do registro da DI. E o seu valor será calculado pela aplicação das alíquotas previstas na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) sobre a base de cálculo vista anteriormente. A TIPI (para os curiosos com tempo) está no Anexo do Decreto 7.660/2011. Lendo-a, vamos encontrar a coluna das alíquotas. Nesta encontramos a notação NT (“Não Tributado”), que indica que o produto não é considerado industrializado e, por isso, está fora do campo de incidência do IPI. Também encontramos alíquotas percentuais (é a regra) e específicas (nos códigos relativos a bebidas e produtos de tabacaria).

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Não se esqueça do caso das mercadorias não identificadas visto na aula passada (lembra o fujão da blitz?). Pois é, para tais bens, a alíquota do IPI será de 50%.

QUESTÃO

12 – (TRF/2002-2) Importador brasileiro adquiriu máquina estrangeira no dia 10/01, por US$ 100,000.00, data em que havia isenção objetiva do IPI. O Registro de Importação (RI) foi obtido em 01/02. A mercadoria foi embarcada em 04/02. A mercadoria entrou no território nacional, foi descarregada e atracada em 20/02. Em 22/02, a isenção do IPI foi revogada. A Declaração de Importação (DI) foi numerada pelo Siscomex em 26/02. Em 28/02, a alíquota do II foi reduzida para zero e restabelecida a isenção do IPI. A mercadoria foi desembaraçada em 01/03. A taxa cambial e as alíquotas vigentes no período eram as seguintes:

Dia

US$1.00 = R$

Alíquotas II/ IPI

10/01

R$1,80

15% / 8%

01/02

R$2,20

15% / 8%

04/02

R$2,00

15% / 5%

20/02

R$2,00

10% / 5%

26/02

R$2,50

10% / 5%

28/02

R$2,00

0% /

5%

01/03

R$2,50

0% /

5%

Com base nessas informações, assinale a opção que contenha o valor do IPI devido.

a) Zero (R$0,00)

b) R$25.000,00

c) R$13.750,00

d) R$38.750,00

e) R$11.000,00

Comentários

Essa questão tem uma pegadinha. Aliás, uma pegadona.

do imposto de

importação (II). Alíquota do II vigente neste dia: 10%. O desembaraço ocorreu em 01/03. Fato gerador do IPI. Alíquota do IPI vigente neste dia: 5%, mas havia isenção objetiva restabelecida desde 28/02. Logo, não haveria IPI a recolher. Como o imposto foi recolhido quando do registro da DI, deve ser feita a restituição.

O registro

da

DI ocorreu em

26/02. Fato

gerador

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A pergunta é uma super pegadinha. Perguntaram sobre o valor devido,

não sobre o valor recolhido ou a recolher. “É diferente, professor?” “Sim, os conceitos são diferentes. Pegue, por exemplo, sua Declaração de Imposto de Renda. Veja seu recibo de entrega (você entregou, né?). Bem, veja lá que existe a linha do ‘Imposto Devido’ e, logo abaixo, duas linhas:

‘Imposto a Restituir’ e ‘Saldo do Imposto a Pagar’. Imposto devido é o total calculado, venha a ser cobrado ou não.

Outro exemplo: o imposto devido de ICMS é o total calculado, mas o imposto a recolher será apenas a diferença em relação aos créditos que a empresa possui. Outro exemplo: o imposto devido do IPI é o total calculado, mas, se houver isenção, o imposto a recolher será zero.”

Acho que agora já deu para notar a pegadinha da questão. Se tivessem perguntado “qual é o imposto a recolher?”, a resposta seria ZERO. Aliás, a resposta deveria ir além disso. Deveria ser: “O imposto a recolher é ZERO. Como o IPI já foi recolhido no registro da DI, ele deve ser restituído.” No entanto, perguntaram sobre o “imposto devido”. Logo, tinha que calcular o montante do IPI, mesmo que, no final, o importador seja isentado deste valor. E como se calcula o valor do IPI devido? IPI devido = (BC do IPI) x alíquota

= (BC do II + II) x alíquota

A base de cálculo do II é convertida no dia da ocorrência do fato gerador

deste imposto: US$ 100.000,00 x 2,50 (taxa do dia 26/02) = R$ 250.000,00.

Qual é o valor do II devido? 10% de R$ 250.000,00 = R$ 25.000,00.

IPI devido = (250.000 + 25.000) x 5% (alíquota do IPI em 01/03)

= R$ 13.750,00 (Gabarito: letra C)

6.1. Sujeitos Ativo e Passivo

Já sabemos que o sujeito ativo do IPI é a União.

É contribuinte do IPI na importação o importador, em relação ao fato

gerador decorrente do desembaraço aduaneiro. Veja que o importador pode não ser uma empresa industrial. Mesmo assim ele é considerado contribuinte do imposto (Lei 4.502/1964, art. 35, I,

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b). Se, por exemplo, uma loja compra bens para revenda, ela não é indústria, mas mesmo assim será tributada com o IPI-Importação. E quando a loja promover a saída do bem de seu estabelecimento, ela será tributado de novo, mas, desta vez, na qualidade de equiparado a industrial (Lei 4.502/1964, art. 35, I, a c/c art. 4º, I). Guarde isso: no IPI-Importação, o importador é contribuinte expressamente nomeado. No IPI-interno, o importador também é contribuinte, mas agora na qualidade de equiparado a industrial.

6.4. Isenções do IPI

A legislação específica define que “as isenções do IPI, salvo expressa disposição de lei, referem-se ao produto e não ao contribuinte ou ao adquirente.” Portanto, em regra, as isenções do IPI são objetivas, não subjetivas.

de

Porém, é interessante notar

“isenção subjetiva” (alguns dos casos abaixo são de imunidade, segundo o STF):

que

o

RA,

art.

245,

I,

lista

vários casos

Art. 136. São concedidas isenções ou reduções do imposto de importação:

I - às importações realizadas:

a) pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal, pelos Territórios, pelos Municípios e pelas respectivas autarquias; b) pelos partidos políticos e pelas instituições de educação ou de assistência social; c) pelas missões diplomáticas e repartições consulares de caráter permanente e pelos respectivos integrantes; d) pelas representações de organismos internacionais de caráter permanente, inclusive os de âmbito regional, dos quais o Brasil seja membro, e pelos respectivos integrantes; e) pelas instituições científicas e tecnológicas e por cientistas e pesquisadores;”

Sobre as isenções do IPI, entra aquela mesma regrinha que vimos no imposto de importação: se o sujeito usar em uma finalidade diversa daquela para a qual pediu a isenção, ele será cobrado do imposto acrescido de juros e multas. Ele pediu isenção, por exemplo, para bens a serem consumidos em um congresso internacional, como a “Rio + 20” (neste caso, as isenções do II e do IPI estão previstas nos artigos 136, II, “o” e 245, I, do Regulamento Aduaneiro). Depois que importa o bem e ganha a isenção, o espertinho leva os bens para consumo no congresso familiar regado a churrasco. Safado! Vai pagar todos os tributos com multas e juros.

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Porém, se o espertinho queria usar os bens no seu churrasco, ele até poderia fazê-lo, mas só depois de um ano e com o pagamento de todos os tributos, sem multa. Após três anos, ele não paga nada, mas aí talvez a coisa já esteja podre para o uso. Art. 244. Se a isenção estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da penalidade cabível, como se a isenção não existisse. Par. único – Salvo comprovado intuito de fraude, o imposto será devido, sem multa de ofício, se recolhido espontaneamente, antes do fato modificador da destinação, se esta se der após um ano da ocorrência do fato gerador, não sendo exigível após o decurso de três anos.

Na aula 09, vamos tratar das importações pelos correios e das importações de bens por viajantes. Veremos que os regimes de tributação simplificada e especial estão isentos do pagamento do IPI.

6.5. Imunidades do IPI

Sobre imunidades do IPI, aproveitamos tudo que já foi escrito para a imunidade do imposto de importação (tópico 4.12 da aula passada). Lembremos inclusive que a jurisprudência do STF tem apontado para o fato de que as imunidades subjetivas previstas no artigo 150, VI, da CF/1988 se aplicam também aos impostos incidentes na importação. Em relação à imunidade objetiva, todos aqueles que transacionam com o papel destinado à impressão de jornais, livros e periódicos devem se registrar na Receita Federal. Semestralmente, os compradores, vendedores, distribuidores, fabricantes, gráficas, editoras e empresas jornalísticas devem entregar a “DIF-Papel Imune”. Assim a Receita Federal fica controlando se o papel importado com imunidade para a impressão de livros, jornais e periódicos não está sendo utilizado para a produção de cadernos, calendários e agendas. Esse controle é feito de forma intensiva e estamos sempre lavrando autos de infração contra esses sujeitos que ficam usando o papel de forma não adequada à imunidade. Uma vez pegamos o caso de um importador que repassou o papel imune para um supermercado para a produção de encartes de preço. É muito cara de pau, mas nem adianta me perguntar no fórum qual foi o supermercado espertalhão. Morro, mas não firo o sigilo fiscal. rs Ah, mas peraí. Existem outras imunidades previstas na CF/1988, além dos livros & cia. O Regulamento do IPI (Decreto 7.212/2010) lista os casos:

Art. 18. São imunes da incidência do imposto:

I - os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;

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II - os produtos industrializados destinados ao exterior; III - o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial; e IV - a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.

Vou aproveitar o artigo e os ensinamentos do super mestre Ricardo Alexandre (“Direito Tributário Esquematizado”) e sistematizar as imunidades objetivas:

1) No caso dos livros & cia, nenhum imposto é passível de cobrança (CF/1988, art. 150, VI, “d”). 2) No caso dos produtos destinados ao exterior, há imunidade de IPI e ICMS. Além disso, as contribuições sociais (PIS/PASEP e COFINS) e as interventivas (CIDE-Combustíveis, por exemplo) não incidem sobre a receita de exportações. (CF/1988, art. 149, § 2º, I) 3) O ouro definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial só se sujeita ao IOF e a uma eventual CPMF. Há imunidade em relação a todos os demais tributos. (CF/1988, art. 153, § 5º e ADCT, art. 74, § 2º) 4) No caso da energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do país, só pode haver cobrança de II, IE e ICMS. Há imunidade em relação aos demais impostos. (art. 155, § 3º)

6.6. Suspensão do Pagamento do IPI

Esse tópico é de matar! Ele está relacionado aos artigos 246 a 248 do Regulamento Aduaneiro. Nesses artigos, consta uma lista de produtos que entram no Brasil com suspensão, condicionada ao cumprimento de alguma coisa.

Veja o artigo 246:

Serão desembaraçados com suspensão do pagamento do imposto os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da Nomenclatura Comum do Mercosul, quando importados diretamente por estabelecimento industrial.

Ele trata de coisas a serem importadas por estabelecimentos industriais para a produção e/ou montagem de veículos autopropulsados, tais como tratores, máquinas agrícolas, niveladores, pás carregadoras, máquinas colheitadeiras, automóveis de passageiros, ambulâncias, entre muitos outros produtos autopropulsados. Eu desaconselho, mas quem quiser saber a lista

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completa de produtos a que se referem aqueles códigos ali, acesse a Tarifa Externa Comum aqui:

www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=3

361

Eu guardaria apenas a informação prevista nos parágrafos do artigo 246:

a suspensão é condicionada ao emprego dos bens importados na produção de partes e peças de produtos autopropulsados e na montagem destes.

O segundo e último caso de suspensão (ainda bem que essas coisas chatas são só duas) é o de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, “importados diretamente por pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras ou por estabelecimento industrial fabricante preponderantemente” dos produtos listados nos incisos do artigo 247. Nem pense em decorar esses produtos, ok? Guarde apenas o que está em negrito acima.

Art. 247. Serão desembaraçados com suspensão do pagamento do imposto, ainda, as matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras ou por estabelecimento industrial fabricante preponderantemente:

I - dos produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex-01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, e nas posições 21.01 a 2105.00, 2209.00.00 e 2501.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, inclusive daqueles a que corresponde a notação NT (não-tributados); II - dos bens referidos no art. 246 (produtos autopropulsados); III - das partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Nomenclatura Comum do Mercosul (aeronaves e aparelhos espaciais); e IV - dos bens de informática e automação que gozem do benefício referido no art. 816.

A regra do art. 244 (analisado duas ou três páginas atrás) vale também para a suspensão, ou seja, se usar em finalidade diversa, serão cobrados os tributos com juros e multas.

QUESTÕES

13 – (TTN/1997) O fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI vinculado à importação é a (o):

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a) saída da mercadoria da repartição aduaneira

b) entrega da mercadoria ao importador pelo depositário

c) registro da importação no SISCOMEX

d) entrada da mercadoria no estabelecimento do importador

e) desembaraço aduaneiro da mercadoria importada

Comentários Questão mole. Gabarito: e.

14 – (ACE/2002) O cálculo do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando vinculado à importação, toma por base:

a) o valor que serve de base para o cálculo do Imposto de Importação,

acrescido do montante deste tributo e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou deste exigíveis.

b) o valor da mercadoria, convertido em Reais, quando de sua saída do

estabelecimento industrial em que tenha sido processada.

c) o preço da mercadoria importada quando de sua saída do estabelecimento

industrial em que tenha sido processada acrescido dos custos de frete e seguro e dos encargos cambiais incorridos pelo importador.

d) o valor FOB (Free on Board) da mercadoria importada.

e) o valor que servir de base para o cálculo do Imposto de Importação somado

aos encargos cambiais incorridos pelo importador.

Comentários Questão mole. Gabarito: a.

15 – (TTN/1998) Com relação à mercadoria estrangeira devolvida ao exterior antes do registro da Declaração de Importação, nos termos e condições estabelecidos pelo Ministro da Fazenda,

a) incide apenas o IPI

b) ocorre o pagamento dos tributos e confirmada a devolução o importador

terá direito à restituição dos mesmos

c) ocorre a suspensão do pagamento dos tributos até a sua efetiva saída do

País

d) não incidem o II e o IPI

e) serão cobrados os tributos apenas na hipótese de não ser confirmada a

chegada da mercadoria ao destino

Comentários Questão mole. Gabarito: d.

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16 – (INÉDITA) Não há suspensão no pagamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção de:

a) tratores

b) produtos de informática

c) TV digital

d) aeronaves

e) bens agrícolas

Comentários TV digital não está na lista. Letra c.

(ECT/2011) A negociação de acordos de preferência comercial é elemento importante no esforço de abertura de mercados para produtos brasileiros. Acerca da política comercial brasileira, julgue os itens subsequentes. 17 – As exportações uruguaias para o Brasil gozam de isenção do IPI vinculado à importação.

Comentários

 

Item

falso.

Nas

importações

do

Mercosul,

apenas

o

imposto

de

importação é zerado. Os demais tributos são cobrados.

 

18

(INÉDITA)

Assinale

a

alternativa

incorreta

acerca

do

IPI-

Importação:

a) as isenções do IPI são, em regra, objetivas.

b) há imunidade de IPI na importação de energia elétrica

c) os encargos cambiais entram na base de cálculo

d) o controle da importação de livros se dá pela DIF-Papel Imune

e) o pagamento do IPI precede a ocorrência do fato gerador

Comentários

A DIF-Papel Imune controla apenas o papel imune, não os livros ou os

jornais importados com imunidade. Gabarito: letra D.

O resto está correto.

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7. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO.

Como escrevi na aula passada, o PIS/PASEP-Importação e a COFINS- Importação incidem sobre bens e sobre serviços importados. No entanto, em matéria de legislação aduaneira, veremos apenas as disposições acerca da importação de bens, pois é o que a aduana controla e fiscaliza.

7.2. Incidência e Fato Gerador

Os produtos importados sujeitam-se à cobrança do PIS/PASEP- Importação e da COFINS-Importação. Tais tributos foram criados pela Lei 10.865/2004, amparada pela Emenda Constitucional 42/2003.

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO

 

PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO

 

Conceito de mercadoria estrangeira:

Conceito

de mercadoria

-

mercadoria produzida no exterior OU

estrangeira: idêntico ao do lado.

mercadoria nacional ou nacionalizada exportada, com as exceções do artigo

-

(RA, art. 249, par. único)

 

70.

 

Fato gerador: entrada da mercadoria estrangeira no território nacional.

Fato

gerador:

idêntico

ao

do

lado.

 

(art. 251)

 

Elementos

temporais

do

fato

Elementos

temporais

do

fato

gerador:

 

gerador:

-

dia do registro da DI consumo

 

- idênticos aos do lado (RA, art. 252 c/c art. 373)

-

dia do lançamento

 

-

dia

do

vencimento

do

prazo

de

 

permanência

 

dia do registro DI admissão temporária para utilização econômica

-

Fato gerador presumido:

 

Fato gerador presumido:

 

-

consideram-se entrados no território

- idêntico ao do lado (art. 251, §

aduaneiro os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela autoridade aduaneira.

1º)

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Não incidência do imposto:

Não

incidência

das

- casos listados no artigo 71

contribuições:

Não ocorrência do fato gerador:

- englobam o conjunto dos casos ao lado, menos as embarcações. (RA, art. 250) - As embarcações são caso de alíquota 0%. (Lei 10.865, art. 8º, § 12, II) - Também não há incidência nas importações de bens realizadas por entidades beneficentes de assistência social (RA, art. 250)

- casos listados no artigo 74

7.3. Base de Cálculo.

A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da COFINS-Importação é o valor aduaneiro, assim entendido o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições (art. 253).

Guarde

PIS/PASEP-Importação devido = (valor aduaneiro + ICMS + PIS/PASEP-Importação devido) x

1,65%

isso!

COFINS-Importação devida = (valor aduaneiro + ICMS + Cofins-Importação devida) x 7,6%

As alíquotas estão previstas na Lei 10.865/2004.

Veja que as contribuições são calculadas “por dentro”. Elas fazem parte da própria base de cálculo. É a mesma sistemática de cálculo do ICMS, né?

Veja a IN

SRF 572/2005, que dispõe acerca da fórmula de cálculo (não tente entender,

ok? rs)

Essa questão de se calcular por dentro dá uma dor de cabeça

www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2005/in5722005.htm

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cálculo das

contribuições. E na base de cálculo do ICMS estão as contribuições e o IPI, como veremos adiante. É um emaranhado.

A fórmula

é

monstro, pois o ICMS

está

na

base

de

Só mais uma coisa: há uma questão de inconstitucionalidade envolvida na base de cálculo das contribuições. Afinal, a CF/1988, artigo 149, § 2º, III, dispõe que a base de cálculo de tais contribuições nas importações será o valor aduaneiro (matéria a ser estudada na próxima aula). Este inclui o valor da mercadoria, seguro, frete e descarga. De forma controversa, vemos acima que a legislação definiu uma base maior do que o valor aduaneiro. A BC das contribuições está incluindo o ICMS e as próprias contribuições, o que, em tese, fere a CF/1988. Esta discussão já está no STF, mas ainda não houve decisão (RE nº 559.937/RS).

7.1. Sujeitos Ativo e Passivo

O sujeito ativo é a União, em cumprimento ao art. 149, CF/1988. Vejamos uma tabelinha de correlação de sujeitos passivos:

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO

 

PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO

 

Contribuintes:

   

-

importador

-

destinatário

de

remessa

postal

Mesmos

contribuintes

(RA,

art.

internacional

 

254)

-

adquirente

de

mercadoria

entrepostada

 

Responsáveis:

 

Não

foram

nomeados

- transportador

“Responsáveis” na legislação específica das contribuições.

- depositário

Responsáveis Solidários:

 

Responsáveis Solidários:

 

- adquirente ou cessionário de bens importados com benefício fiscal

-

transportador

 

-

depositário

-

representante

no

país

do

-

representante

no

país

do

transportador estrangeiro

transportador estrangeiro

 
 

expedidor, OTM, subcontratados

-

adquirente nas importações por sua conta e ordem

-

expedidor, OTM, subcontratados

-

adquirente nas importações por sua conta e ordem

-

-

encomendante predeterminado

 

(RA, art. 255)

 

- beneficiário de regime suspensivo ligado a uma cadeia industrial

Ficaram de fora:

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- adquirente ou cessionário de bens importados com benefício fiscal - encomendante predeterminado - beneficiário

- adquirente ou cessionário de bens importados com benefício fiscal - encomendante predeterminado - beneficiário de regime suspensivo ligado a uma cadeia industrial

7.4. Isenções

Também se classificam em objetivas e subjetivas. E valem aquelas mesmas regras que vimos no imposto de importação. Se quiser transferir um bem importado com isenção subjetiva, tem que pagar o imposto previamente, salvo se for para outra pessoa que tenha a mesma qualidade do importador ou se for depois de cinco anos (há os casos especiais das embaixadas, consulados, etc. que já podem fazer a transferência sem pagamento após 3 anos apenas). Se quiser transferir um bem importado com isenção objetiva, pode, mas tem que ser mantida a mesma finalidade e com prévia decisão da autoridade aduaneira.

E, se usar numa finalidade diversa da que motivou a isenção/redução, os

tributos serão cobrados com juros e multas. Isso vale também para os bens importados com imunidade ou com suspensão, que vemos a seguir.

7.5. Suspensão do Pagamento. e 7.6. Redução de Alíquotas

(Programas Específicos e seu Regramento)

Art. 260 - As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do imposto sobre produtos industrializados vinculado à importação, referentes aos regimes aduaneiros especiais, aplicam-se também à contribuição para o PIS/PASEP-Importação e à COFINS-Importação.

Em aula futura, vocês vão estudar os regimes aduaneiros com o Missagia. E lá veremos que os regimes aduaneiros especiais são regimes suspensivos. Não há cobrança de tributos por algum motivo. Cada regime especial tem a sua justificativa.

O que diz o artigo 260 é que, nos regimes aduaneiros especiais, a

suspensão também alcança as contribuições. Fica tudo suspenso: imposto de

importação, IPI, PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação. Agora vem a parte chata: essa Esaf quer matar a gente! Pedir os programas específicos de redução de alíquotas e o seu regramento?????????

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Para guardar os nomes dos programas específicos já é uma dificuldade. Imagine guardar o regramento de cada um deles! Os programas específicos de suspensão e redução de alíquotas estão previstos nos arts. 261 a 292. Vou ser pragmático. Isso é um emaranhado de informações específicas que te tirariam tempo de estudo de outros assuntos mais importantes para a prova. Vejamos apenas o eixo de cada programa:

1) Zona Franca de Manaus (ZFM)

- as empresas da ZFM podem importar, com suspensão das

contribuições, bens para a elaboração de matérias-primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME). Também podem importar as próprias MP, PI e ME para industrialização na ZFM. Também podem importar bens para o ativo imobilizado. Tudo com suspensão.

2) Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação – REPES - as empresas podem importar, com suspensão das contribuições, para o seu ativo imobilizado bens para a produção de software e tecnologia da informação.

3) Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras – RECAP

- as empresas preponderantemente exportadoras (percentual de

exportação maior ou igual a 70% de sua receita total) podem importar bens de capital para seu ativo imobilizado, com suspensão das contribuições.

4) Importações de Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora

- além de comprarem bens de capital (RECAP), as empresas

preponderantemente exportadoras podem comprar MP, PI e ME, com

suspensão das contribuições.

5) Importação de Máquinas e Equipamentos para Fabricação de Papéis - podem ser importadas, com suspensão das contribuições, máquinas para a fabricação de papéis.

6) Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS

- podem ser importados com alíquota 0% máquinas para a

fabricação de semicondutores e displays, por empresas que realizem pesquisa e desenvolvimento.

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7) Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para TV Digital – PATVD

- podem ser importadas com alíquota 0% máquinas e equipamentos para a produção de TV Digital

8) Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra- Estrutura – REIDI - empresas com projetos aprovados para implantação de infraestrutura em portos, transportes, energia, saneamento e irrigação podem importar, com suspensão das contribuições, bens para o seu ativo imobilizado.

9) Importação

Defensivos

Agropecuários

- acetona importada para a produção de defensivos agropecuários podem entrar com suspensão das contribuições.

de

Acetona

Destinada

à

Elaboração

de

10)

Navegação de Cabotagem e de Apoio Portuário e Marítimo

-

a importação de óleo combustível poderá ser feita com suspensão

das contribuições, desde que destinado à navegação de cabotagem ou ao apoio portuário e marítimo.

QUESTÕES

19 – (ACE/2012) Considerando a incidência da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), é correto afirmar que:

a) tem como fato gerador o registro da Declaração de Importação e sua base

de cálculo é o valor de transação da mercadoria acrescido dos encargos

cambiais correspondentes.

b) tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro do bem importado e como

base de cálculo o valor aduaneiro acrescido do imposto de importação e dos

encargos cambiais pagos pelo importador ou dele exigíveis.

c) tem como fato gerador o ingresso do bem no território aduaneiro do país, e

a base de cálculo é o valor aduaneiro acrescido do ICMS e o valor das próprias contribuições.

d) tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro de produto de procedência

estrangeira, e sua base de cálculo é o valor aduaneiro acrescido do ICMS e dos

encargos cambiais.

LEGISLAÇÃO ADUANEIRA – RFB/2012 PROFESSORES: LUIZ MISSAGIA E RODRIGO LUZ

e) tem como fato gerador o registro da Declaração de Importação, e sua base de cálculo é o valor aduaneiro acrescido do imposto de importação e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador.

Comentários O fato gerador do PIS/PASEP-Importação e da COFINS-Importação é a entrada da mercadoria. Para fins de cálculo, considera-se ocorrido o fato gerador quando do registro da DI e nas demais situações previstas para o imposto de importação. A base de cálculo é:

valor aduaneiro + ICMS + o valor da própria contribuição.

O gabarito seria a letra C, como inclusive foi indicado no gabarito preliminar. No entanto, houve erro da Esaf ao fazer menção ao PIS/PASEP e à COFINS. Estes dois são tributos diferentes de PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação. Quando peguei o gabarito preliminar, elaborei o recurso para anulação da questão nos termos abaixo. Desta vez, deu certo:

“O elaborador da questão confundiu as contribuições PIS/PASEP-Importação e COFINS/Importação com PIS/PASEP e COFINS. São contribuições distintas. Enquanto as primeiras foram instituídas pela Medida Provisória 164/2004 (convertida na Lei 10.865/2004), as últimas são regulamentadas, respectivamente, pelas Leis 10.637/2002 e

10.833/2003.

A entrada da mercadoria no território aduaneiro somente é fato gerador para as contribuições PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação. Para o PIS/PASEP e COFINS (pedidos no enunciado), o fato gerador é o faturamento mensal conforme dispõem as duas leis citadas. Dispõe o artigo 1º da Lei 10.865/2004: ‘Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP- Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, com base nos arts.

Federal,

observado o disposto no seu art. 195, § 6o.

Não foi um mero aumento de hipóteses de incidência, mas a criação de um novo tributo. O PIS/PASEP existe desde 1970 (Leis Complementares 7 e 8) e a COFINS, desde 1991 (Lei Complementar 70). Reforça o entendimento de que são contribuições distintas a leitura do artigo 15 da Lei 10.865/2004: ‘As pessoas jurídicas

149, §

2o, inciso

II, e 195, inciso IV, da Constituição

LEGISLAÇÃO ADUANEIRA – RFB/2012 PROFESSORES: LUIZ MISSAGIA E RODRIGO LUZ

sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1 o desta Lei, nas seguintes hipóteses: ( )’ Também a Lei 11.727/2008 confirma a distinção entre as contribuições:

‘Art. 32. A Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 58-A a 58-U:

Art. 58-A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, a Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, a Cofins- Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi, aprovada pelo Decreto n o 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58-B a 58-U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. ( )’

Adicionalmente, pode-se constatar, pela jurisprudência do STJ, que o PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação são novos tributos, criados somente em 2004. Neste sentido:

‘1. É uníssona a jurisprudência desta Corte no sentido de que ‘a adesão ao SIMPLES não exclui, por si só, a incidência do PIS- Importação e COFINS-Importação, pois estes tributos foram criados posteriormente à instituição do benefício. Precedentes: REsp 1.060.145/PE, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJ de 04.09.2008; REsp 1.039.325/PR, 2ª T., Min. Herman Benjamim, DJe de 13/03/2009. 2. Recurso especial parcialmente provido.’ (REsp 1.040.640/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 11.5.2009). (AgRg no REsp 1219227 / PR) Ou:

‘1. A adesão ao SIMPLES não exclui, por si só, a incidência do PIS-Importação e COFINS-Importação, pois estes tributos foram criados posteriormente à instituição do benefício.’ (AgRg no REsp 1217931 / RS) Ou ainda:

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‘Não há isenção do PIS-Importação e da COFINS-Importação na hipótese de empresa optante pelo SIMPLES, porque a lei 9.317/1996 não poderia isentar contribuições que foram criadas por lei posterior, nos termos do artigo 177, II, do CTN, que preceitua que a isenção não é extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.’ (AgRg no REsp 1062919 / SC) Solicito, portanto, anulação da questão, tendo em vista que o fato gerador do PIS/PASEP e COFINS é o faturamento da pessoa jurídica, nos termos do que dispõem as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Não há resposta correta na questão.”

20 – (INÉDITA) Assinale a alternativa incorreta:

a) O cálculo das contribuições PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação é “por dentro”.

b) O ICMS integra a base de cálculo das contribuições PIS/PASEP- Importação e COFINS-Importação.

c) Dos programas específicos das contribuições, só há redução das contribuições em relação à TV digital e ao programa de semicondutores.

d) As empresas preponderantemente exportadoras (receita de exportação igual ou superior a 60% da receita total) podem importar insumos e bens de capital com suspensão das contribuições.

e) A permissão para a criação das contribuições incidentes nas importações se deu com a Emenda Constitucional 33/2001.

Comentários

de

percentual de 70%, não 60%. Gabarito: D.

O

conceito

preponderantemente

exportadora

está

ligado

ao

8. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS À CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SOBRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERESTADUAL E INTERMUNICIPAL E DE COMUNICAÇÃO VINCULADO À IMPORTAÇÃO (ICMS)

Obviamente, o ICMS, sendo um tributo estadual, não é tratado no Regulamento Aduaneiro. Suas regras vão ser encontradas na CF/1988, na Lei Kandir, nos atos baixados pelo CONFAZ e nas legislações estaduais.

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8.1. Sujeitos Ativo e Passivo

Não preciso dizer que o sujeito ativo do ICMS são o Distrito Federal e os Estados, mas é importante frisar que o ente que arrecada o tributo é aquele “onde estiver o estabelecimento onde ocorrer a entrada física” ou “do domicílio do adquirente, quando não estabelecido”. (Lei Kandir – Lei Complementar 87/1996, art. 11, I, “d” e “e”)

nas

arrematações em leilão de mercadorias estrangeiras apreendidas ou abandonadas. Neste caso, o sujeito ativo é “aquele onde for realizada a licitação”. (Lei Kandir, art. 11, I, “f”)

Cabe

ainda lembrar que

o ICMS

é

o

único tributo incidente

Em relação ao sujeito passivo nas importações, a Lei Kandir dispõe: são os importadores e os arrematantes dos produtos estrangeiros. (art. 4º, parág. único, inc. I). É importante ver que a CF/1988 indica a incidência do ICMS ainda que o importador seja uma pessoa física ou mesmo jurídica, não contribuinte habitual do imposto. Dispõe o art. 155, § 1º, IX, “a”, da CF:

O ICMS incidirá sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)

No entanto, o fato é controverso, tendo em vista a existência da Súmula do STF número 660, criada antes da EC 33/2001, mas republicada em 2006, posteriormente à emenda. Infere-se que a redação da emenda constitucional não “sensibilizou” o STF:

Súmula 660 - Não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja contribuinte do imposto.

Portanto, contra a literalidade da CF/1988, a posição atual do STF é pela não incidência do ICMS nas importações por não contribuintes.

Aproveitando as súmulas do STF, podemos pegar a de número 661:

Na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro.

Isso dá pano prá manga. E o Ricardo Alexandre socorre.

mais uma vez

me

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Panos prá manga!

Em primeiro lugar, vimos na aula passada que o ICMS é o único dos tributos pedidos nos editais da RFB que é referido na CF/1988 com o termo “mercadorias”: “O ICMS incide sobre a circulação de mercadorias blábláblá” Neste sentido, só caberia falar em cobrança de ICMS sobre “bens móveis que estão no mundo dos negócios com finalidade comercial” (RA -> neste tópico, RA não será “Regulamento Aduaneiro”, mas “Ricardo Alexandre”. rsrs) “Ressalvada a energia elétrica, equiparada a mercadoria pelas diversas

disposições constitucionais (

bens corpóreos.” (RA) Discussões trazidas pelo Ricardo Alexandre que podem gerar reflexos no comércio exterior:

1ª) software se sujeita ao ICMS? O STF decidiu que sobre o software produzido em larga escala (“software de prateleira”) incide o ICMS. Nos demais softwares, não incide o ICMS, mas o ISS.

2ª) E cópias cinematográficas? Bem, as de larga escala se sujeitam ao ICMS; as filmagens de eventos se sujeitam ao ISS. 3ª) E as importações sob o regime de leasing? De acordo com a redação dada pela EC 33/2001, as importações de bens, independentemente do título a que se deem, sujeitam-se ao ICMS. Logo, sobre as importações sob o regime de leasing incide o ICMS. Cabe, porém, diferenciar o contrato de leasing financeiro (que possui a opção de compra prevista como cláusula do contrato) do leasing operacional (que não possui a citada cláusula). No caso do leasing financeiro, que é o mais comum na prática comercial, o ICMS incide, pois “as partes claramente desejam a futura transferência da propriedade, até porque a instituição financeira arrendadora adquire o bem indicado pelo arrendatário, não tendo qualquer interesse de ser definitivamente proprietária de tal bem.” (RA) 4ª) E no caso do leasing operacional? O leasing operacional é uma modalidade de leasing que não possui a opção de compra como cláusula do contrato. Neste caso, não havendo opção de compra, não se pode considerar que haja circulação de mercadoria. Esta continua na propriedade do exportador, não admitindo posterior transferência da propriedade do bem. Como a circulação da mercadoria é pressuposto de incidência do ICMS, este não será cobrado. O leasing operacional é o leasing normalmente praticado nos arrendamentos de aeronaves. Daí dizer que no leasing de aeronaves não há incidência de ICMS. Na verdade, temos que tomar cuidado com essa afirmativa. Apesar de ser literal da ementa do Recurso Extraordinário 461.968/SP), nada impede que uma aeronave seja arrendada não na modalidade operacional, mas na modalidade de leasing financeiro (arrendamento financeiro). Se este for o caso, haverá sim a incidência do ICMS, apesar de ser uma importação de aeronave. Veja o trecho da ementa:

“Não há operação relativa à circulação de mercadoria sujeita à incidência do ICMS em operações de arrendamento mercantil contratado pela indústria aeronáutica de grande porte para

)

somente são consideradas mercadorias os

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viabilizar o uso, pelas companhias de navegação aérea, de aeronaves por ela construídas.”

8.2. Fato Gerador

Ocorre o FG no desembaraço aduaneiro e na aquisição em licitação pública de bens importados, apreendidos ou abandonados (Lei Kandir, art. 4º, parág. único, inc. IX e XI). Veja que, no imposto devido na importação, o fato gerador é idêntico ao do “IPI vinculado”.

8.3 Alíquotas

Cada ente define suas próprias alíquotas. Não há muito o que falar

aqui.

Não pediram no edital da RFB a base de cálculo do ICMS, mas a Lei Kandir define que é a soma das seguintes parcelas:

“a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação;

b) imposto de importação;

c) imposto sobre produtos industrializados;

d) imposto sobre operações de câmbio;

e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras.”

Entram na base de cálculo do ICMS o próprio imposto e as contribuições PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação.

8.4. Isenções e Imunidades

Tendo em vista o disposto no art. 155 da CF/1988, cabe à lei complementar a definição acerca de benefícios relativos ao ICMS. Atendendo a esta imposição constitucional, a Lei Complementar nº 24/1975, recepcionada pela CF/1988, define no art. 1º que “as isenções do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias serão concedidas ou revogadas nos termos de convênios celebrados e ratificados pelos Estados e pelo Distrito Federal ( Em 15 de abril de 1975, o colegiado, com representantes da União, dos Estados e do Distrito Federal, criado para cumprimento das disposições da lei complementar, recebeu o nome de Conselho de Política Fazendária. Atualmente, tem o nome de Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) e possui a competência de celebrar convênios para conceder ou

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revogar as isenções de ICMS, conforme dispõe o art. 3º do Convênio ICMS no 133, de 12 de dezembro de 1997. Claro que não dá neste curso para tratarmos das isenções do ICMS em espécie.

As mesmas coisas que vimos na imunidade de II e de IPI vale para o ICMS na importação. O STF tem considerado que a imunidade subjetiva engloba também os tributos incidentes na importação e, portanto, o ICMS. Além disso, existem algumas hipóteses de imunidade objetiva para o ICMS, já analisadas no tópico das “Imunidades do IPI”:

1) Livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão; 2) No caso dos produtos destinados ao exterior, há imunidade de IPI e ICMS; 3) O ouro definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial só se sujeita ao IOF e a uma eventual CPMF. Há imunidade em relação a todos os demais tributos, o que inclui o ICMS.

8.5. Pagamento do Imposto e Controle pela Secretaria da Receita Federal do Brasil

Normalmente, o ICMS é pago antes do desembaraço, mas depende da legislação da UF. Não dá para eu escrever nada além disso, pois eu precisaria checar como cada Estado trata isso. Há previsão para que o pagamento do ICMS seja feito por débito automático no registro da DI, juntamente com os tributos federais. Para isso, no entanto, é necessário que seja feito convênio entre a União e a UF, o que ainda carece de efetivação. Em relação ao controle realizado pela RFB, devemos ver o que dispõe a Instrução Normativa SRF 680/2006, que será o nosso objeto de estudo na matéria de “Despacho Aduaneiro”. A norma define que o AFRFB somente pode autorizar a entrega da mercadoria ao importador depois que este fizer a declaração no sistema acerca do pagamento ou da exoneração do ICMS:

Art. 52. O importador deverá apresentar, por meio de transação própria no Siscomex, declaração sobre o ICMS devido no desembaraço aduaneiro da mercadoria submetida a despacho de importação.

§ 1 o A declaração de que trata o caput deverá ser efetivada após o registro da DI e constitui condição para a autorização de entrega da mercadoria desembaraçada ao importador.

§ 2 o Na hipótese de exoneração do pagamento do ICMS, nos termos da legislação estadual aplicável, o importador deverá indicar essa condição na declaração.

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§ 3 o Entende-se por exoneração do pagamento do ICMS, referida

no § 2 o , qualquer hipótese de dispensa do recolhimento do imposto no momento do desembaraço da mercadoria, compreendendo os casos de exoneração, compensação, diferimento, sistema especial de pagamento, ou de qualquer outra situação estabelecida na respectiva legislação estadual.

§ 4 o Os dados da declaração de que trata este artigo serão fornecidos pela SRF à Secretaria de Estado da Unidade da Federação indicada na declaração, pelo importador, com base no respectivo convênio para intercâmbio de informações de interesse fiscal. Art. 53. Em virtude de convênio específico firmado entre a SRF e

a Secretaria de Estado da Unidade da Federação responsável pela

administração do ICMS, o pagamento desse imposto poderá ser feito mediante débito automático em conta bancária indicada pelo importador, em conformidade com a declaração a que se

refere o art. 52.

QUESTÕES

21 – (ACE/2012) Na entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, pode-se afirmar, exceto, que:

a) há operação relativa à circulação de mercadoria sujeita à incidência do ICMS

em operação de arrendamento mercantil contratado pela indústria aeronáutica de grande porte para viabilizar o uso, pelas companhias de navegação aérea, de aeronaves por ela construídas.

b) o fato gerador do ICMS não ocorre com a entrada no estabelecimento do

importador, mas, sim, quando do recebimento da mercadoria, ao ensejo do

respectivo desembaraço aduaneiro.

c) o ICMS é devido, ainda que o importador não seja contribuinte habitual do

imposto, qualquer que seja a finalidade do bem importado.

d)

o ICMS cabe ao Estado em que estiver localizado o porto de desembarque e

o

destinatário da mercadoria, não prevalecendo a forma sobre o conteúdo, no

que procedida a importação por terceiro consignatário situado em outro Estado

e

beneficiário de sistema tributário mais favorável.

e)

o sujeito ativo da relação jurídico-tributária do ICMS é o Estado onde estiver

situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário jurídico da mercadoria, pouco importando se o desembaraço aduaneiro ocorreu por meio de ente federativo diverso.

Comentários Letra A: errada. A não incidência é literal da ementa do julgamento do Recurso Extraordinário 461.968.

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Letra B: correta. O fato gerador do ICMS é o desembaraço aduaneiro. Letra C: correta, conforme a letra da CF/1988. Segundo a Súmula 660 do STF, estaria errada. Letra D: correta, pois literal do Recurso Extraordinário 268.586. A ideia do acórdão proferido foi reafirmar que o ICMS é devido, nas importações realizadas por terceiros, para o estado onde haverá a entrada do bem no estabelecimento. Não interessa o estado do importador, mas o do destinatário da carga. Não fosse assim, os importadores situados em estados que cobram menores alíquotas de ICMS fariam as importações para todas as empresas do Brasil.

Letra E: correta, como vimos.

22 – (INÉDITA) Assinale a alternativa correta:

a) O ICMS é devido para o estado em que houver o desembaraço aduaneiro.

b) As isenções do ICMS são decididas por lei específica.

c) As imunidades do ICMS incluem as relativas ao ouro ativo financeiro e à energia elétrica.

d) Na base de cálculo do PIS/PASEP-Importação, entra o valor aduaneiro, ainda que haja isenção do imposto de importação.

e) O ICMS entra na base de cálculo do IPI vinculado.

Comentários Letra A: errada. Onde houver a entrada no estabelecimento. Letra B: errada. Pelo CONFAZ. Letra C: errada, em relação à energia elétrica. Letra D: correta. Entra na base de cálculo da contribuição “o valor que serviu ou serviria para a cobrança do imposto de imposto de importação”. Letra E: errada. O contrário é verdadeiro.

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Tabela-Resumo

 

Fato Gerador

Contribuinte

II

1) Entrada no território 2) Mas p/fins de cálculo:

1) importador 2) adquir.merc. entrepostada 3) destinatário de remessa postal internacional

- registro da DI consumo

- dia do lançamento

- dia do vencimento

registro DI admissão tempor.p/ utilização econômica

-

 

IE

1) Saída do território 2) Mas p/cálculo: RE no Siscomex

Exportador

IPI

-

desembaraço

Importador

Contribui-

Idêntico ao do imposto de importação

Idêntico ao do imposto de importação

ções

ICMS

-

desembaraço

Importador

Outra Tabela-Resumo

 

Base de Cálculo / Alíquotas

 

Dia do pagamento

II

1) alíquota específica -> base

de

No registro da DI

cálculo: quantidade de mercadoria 2) alíquota ad valorem -> base de cálculo: valor aduaneiro Alíquotas na TEC, fixadas pela CAMEX

IE

“valor normal” / alíquota básica 30%, podendo variar de 0% a 150% Alíquotas fixadas pela CAMEX

Até 15 dias da DE, mas antes do embarque

IPI

BC = BC do II + II + Encargos Cambiais / Alíquota prevista na TIPI (em regra, ad valorem; para cigarros e bebida, alíquota específica)

No registro da DI

Alíquotas

fixadas

por Decreto

presidencial

Contribui-

BC = valor aduaneiro

+

ICMS +

No registro da DI

ções

contribuições

ICMS

BC do ICMS = BC do II + II + IPI + IOF + ICMS + contribuições

Seria no registro da DI se houvesse convênio firmado pela UF com a União. O prazo deve ser observado na legislação da UF.

Alíquotas fixadas pela UF

 

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11. IMPORTAÇÕES. 11.1. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Combustíveis: fato gerador, incidência e base de cálculo. (só para AFRFB)

A legislação específica da CIDE-Combustíveis está na Lei 10.336/2001. Claro que a lei cumpriu e tem que cumprir os requisitos impostos pelo § 4º do artigo 177 da CF/1988:

§ 4º A lei que instituir contribuição de intervenção no domínio

econômico relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool

combustível deverá atender aos seguintes requisitos:

I - a alíquota da contribuição poderá ser:

a) diferenciada por produto ou uso;

b) reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não

se lhe aplicando o disposto no art. 150, III, b;

II - os recursos arrecadados serão destinados:

a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás;

c)

de

transportes.

ao

financiamento

de

programas

de

infra-estrutura

Não precisa cumprir o princípio da anterioridade anual no que tange às alíquotas. Os artigos da lei foram trazidos para o Regulamento Aduaneiro, nos arts. 298 a 305.

Incidência

Art. 298. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível - CIDE-Combustíveis incide sobre a importação de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível.

Não há muito o que explicar em matéria de incidência. A CIDE é cobrada na importação de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível.

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Fato gerador

Art. 299 – A CIDE-Combustíveis tem como fato gerador as operações de importação de:

I - gasolinas e suas correntes; II - diesel e suas correntes;

III - querosene de aviação e outros querosenes;

IV - óleos combustíveis (fuel-oil);

V - gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e

de

nafta; e

VI

- álcool etílico combustível.

Consideram-se correntes os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo e os hidrocarbonetos líquidos derivados de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolinas ou de diesel, de conformidade com as normas estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. (parág. único do art. 299)

Base de Cálculo, Alíquota e Pagamento (arts. 302 a 304)

A base de cálculo da CIDE-Combustíveis é a unidade de medida estabelecida para os produtos de que trata o art. 299. É o que diz o artigo 4º da Lei 10.336/2001:

Art. 4 o A base de cálculo da Cide é a unidade de medida adotada nesta Lei para os produtos de que trata o art. 3 o , na importação e na comercialização no mercado interno.

Na verdade, a redação correta da lei seria: “a quantidade de mercadoria estabelecida na unidade de medida indicada na legislação.” Ora, a unidade de medida é, por exemplo, “metro cúbico”. Então, a base de cálculo deveria ser a quantidade de metros cúbicos, não “o metro cúbico”. Mas, paciência, é assim que está escrito: “a unidade de medida”.

alíquotas

específicas, conforme estabelecido em ato normativo específico. Atualmente, é o Decreto 7.764/2012 que dispõe sobre aquelas.

O pagamento da CIDE-Combustíveis será efetuado por débito automático no registro da declaração de importação.

A

CIDE-Combustíveis

será

calculada

pela

aplicação

de

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QUESTÕES

23 – (TRF/2003) Em relação à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre a Importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (CIDE), é incorreto afirmar que:

a) as operações de importação e de comercialização no mercado interno de

querosene de aviação constituem fatos geradores da Cide.

b) o formulador de combustível líquido, derivados de petróleo e derivados de

gás natural é contribuinte da Cide.

c) a base de cálculo da Cide, na comercialização no mercado interno, é o valor da operação de que decorrer a saída, do estabelecimento do contribuinte, de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível.

d) a Cide não incide sobre as receitas de exportação, para o exterior, de

petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível. e) é responsável solidário pela Cide o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.

Comentários Sobre a CIDE-Combustíveis, o edital de Comércio Internacional só pediu fato gerador, incidência e base de cálculo nas importações. Por isso, não temos condições de analisar plenamente as opções da questão. Aquilo que não conseguirmos resolver com o que o edital da RFB/2012 pede, poderemos encontrar na Lei 10.336/2001. Letra A: correta. Vimos que a importação é fato gerador da CIDE. A movimentação interna também o é. Letra B: correta, mas isso é matéria de CIDE no mercado interno, não a CIDE da importação. Não vimos tal matéria. Letra C: incorreta. Apesar de tratar de comercialização interna, mantive a questão justamente para olharmos o gabarito. As alíquotas da CIDE- Combustíveis são específicas, seja na importação, seja na comercialização interna. Letra D: correta. O edital não pede as imunidades da CIDE. Mas nós temos condições de resolver, pois, assim como as receitas de exportações são imunes das contribuições sociais (PIS/PASEP e COFINS), elas também são imunes para as contribuições interventivas (CF/1988, art. 149, § 2º, I), como veremos a seguir a título de “Incentivos Fiscais às Exportações”. Letra E: correta, mas o edital não pede que estudemos o sujeito passivo da CIDE-Combustíveis. Não vamos inventar mais matéria para estudar, né? Vamos seguir exatamente o que a Esaf mandou.

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24 – (ACE/1997) Além do Imposto de Importação, sobre o produto

importado incidem também

a) IOF - Imposto sobre Operações Financeiras e IPI - Imposto sobre Produtos

Industrializados

b) IOF e ICMS - Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte interestadual e intermunicipal e de Comunicação

c) IPI e ICMS

d) IOF e ISS - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza

e) ICMS e ISS

Comentários Além do imposto de importação, incidem nas importações o IPI, o ICMS, o PIS/PASEP-Importação, a COFINS-Importação, a CIDE-Combustíveis e o AFRMM (Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante – Lei

10.893/2004).

O AFRMM é o único tributo incidente na importação não pedido expressamente no edital. Ele é cobrado à alíquota de 25% sobre o frete por via marítima. É cobrado pela RFB, não mais pelo Ministério dos Transportes, desde a Medida Provisória 545/2011. Gabarito: letra c.

25 – (ACE/1997) Na importação, o AFRMM - Adicional ao Frete para

Renovação da Marinha Mercante – incide sobre o valor

a) ClF da carga desembarcada

b) FOB da mercadoria importada

c) das taxas de armazenagem e de capatazia

d) do frete internacional

e) do Imposto de Importação

Comentários Gabarito: letra d.

26 – (AFRFB/2002-2) Quanto ao imposto de exportação (IE), avalie o

acerto das afirmações abaixo e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. Em seguida, marque a opção correta:

( ) O imposto incide sobre mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior.

( ) Pelas regras vigentes, o imposto é excepcional, pois somente os produtos

relacionados estão a ele sujeitos.

( ) O preço, à vista, da mercadoria, FOB ou colocada na fronteira, é indicativo do preço normal, que é a base de cálculo do imposto.

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a) V, V, V

b) V, V, F

c) V, F, F

d) F, F, F

e) F, V, F

Comentários Tudo correto, como vimos na aula. Letra A.

27 - (AFRFB/2005) O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados abrange:

a) todos os produtos relacionados na TIPI

b) todos os produtos relacionados na TIPI, com alíquota, mesmo os com alíquota zero

c) todos os produtos, exceto aqueles a que corresponde a notação “zero”

d) todos os produtos com alíquota

e) todos os produtos, mesmo os com alíquota zero ou com a notação NT, ainda

que não relacionados na TIPI

Comentários Os produtos com a notação NT são “não tributados”. Tirando esses, o resto está no campo de incidência do IPI, inclusive os de alíquota 0%. Gabarito: B.

28 – (INÉDITA) Assinale a alternativa correta:

a) O ICMS entra na base de cálculo do PIS/PASEP-Importação.

b) A arrematação em leilão de mercadorias apreendidas é fato gerador do IPI e do ICMS.

c) O fato gerador do imposto de exportação é o registro de exportação no Siscomex.

d) O IPI entra na base de cálculo da COFINS-Importação.

e) O fato gerador do IPI vinculado à importação é o registro da DI.

Comentários Letra A: correta, como vimos. Letra B: errada, por causa do IPI. Letra C: errada. O fato gerador é a saída do país. Letra D: errada. A base de cálculo das contribuições é o valor aduaneiro + ICMS + as próprias contribuições. Letra E: errada. O fato gerador do IPI é o desembaraço.

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29 – (INÉDITA) Assinale a alternativa correta:

a) A

de

estabelecidas pelo Ministro da Fazenda.

base

de

cálculo

do

imposto

exportação

obedece

a

regras

b) Pode ser

aduaneiro.

fixada pauta de valor

mínimo para a apuração do valor

c) A margem mínima de lucro a ser praticada nas exportações brasileiras é de 15%, incidente sobre custos e tributos.

d) A alíquota do imposto de exportação varia entre 0% e 30%.

e) A alíquota do imposto de exportação pode ser diferenciada em função do destino da mercadoria.

Comentários Letra A: errada. É pela Camex. Letra B: errada. Para o valor aduaneiro, não pode haver pauta de valor mínimo. Letra C: errada. Para apuração da base de cálculo, utiliza-se o mínimo de 15%, mas não que isso seja um preço mínimo de venda a ser praticado. Letra D: errada. Varia entre 0% e 150%. Letra E: correta.

10. EXPORTAÇÕES. 10.1 Incentivos fiscais às exportações. (só para AFRFB)

São incentivos fiscais às exportações:

1) Imunidade do ICMS e Manutenção do Crédito

Incentivos fiscais previstos no art. 155, § 2º, X, CF:

“O ICMS não incidirá:

(

a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior,

nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

)”

O inciso X mostra dois incentivos às exportações vinculados ao ICMS: ao mesmo tempo em que há imunidade de ICMS sobre as saídas de