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AULA 08

DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

= PARTE ESPECIAL =

DOS CONTRATOS EM GERAL

Meus Amigos e Alunos

nossa próxima aula, seguindo o cronograma,

será no dia 19 de janeiro, oportunidade em que falaremos sobre as espécies de contratos.

Na aula anterior estudamos as Obrigações de uma forma geral. E vimos que o Negócio Jurídico, entre outras modalidades, constitui Fonte de Obrigações.

Também vimos que o Negócio Jurídico pode ser unilateral ou bilateral. O negócio jurídico unilateral é o que depende, para a sua formação, de apenas uma vontade (ex: renúncia, testamento, etc.). Já o negócio jurídico bilateral é o que necessita, para a sua formação, de um encontro de vontades. As partes acordam que devem se conduzir de determinado modo, uma em face da outra, combinando seus interesses, constituindo, modificando ou extinguindo obrigações. Podemos concluir assim, que um contrato é negócio jurídico bilateral.

Só para lembrar

Conceito Contrato é o acordo de duas ou mais vontades que visa à aquisição, resguardo, transformação, modificação ou extinção de relações jurídicas de natureza patrimonial.

O termo “contrato” tanto pode ser usado para designar o negócio jurídico bilateral, como também a própria formalização do instrumento, seja ele por escritura pública ou particular.

Pelo conceito fornecido acima, percebemos que para que haja um contrato são necessários dois polos: o ativo e o passivo. No entanto discute-se na doutrina a existência do chamado autocontrato, que é o nome dado ao contrato em que a mesma pessoa age, simultaneamente, revestida nas duas qualidades jurídicas diferentes: ora por si, ora representando um terceiro. O

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exemplo clássico ocorre no cumprimento do mandato em causa própria, onde o mandatário é também o beneficiário. Exemplo: A confere mandato para B para vender seu apartamento, com autorização para que B venda o imóvel para ele mesmo = B. Neste caso, quando for feita a escritura, B intervirá, ora representando A (como mandatário), ora em seu próprio nome (comprando o imóvel). Notem, que mesmo nesta hipótese, B manifesta sua vontade sob dois ângulos diferentes (como vendedor, representando A e como comprador, em nome próprio). Observem que são duas vontades jurídicas diferentes. Esta prática é até comum em nosso dia-a-dia. Geralmente usada na compra de imóveis financiados por terceiros. Este tipo de contrato é conhecido como “contrato de gaveta”.

ELEMENTOS

Vimos que o contrato é um negócio jurídico bilateral, decorrente de uma ação humana voluntária e lícita, praticada com a intenção de obter um resultado jurídico. Tem ele como elementos essenciais: agentes capazes, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, consentimento válido e finalmente forma prescrita ou não defesa em lei. É interessante acrescentar que muitas pessoas pensam que um contrato somente existirá se for escrito. No entanto, sem que percebamos, durante um dia celebramos vários contratos. E a maioria deles é verbal. Quando tomamos um café na padaria, quando tomamos uma condução para trabalhar etc. Já analisamos cada um desses elementos essenciais na aula sobre fatos e atos jurídicos. Vamos então recordar o que já vimos, reforçando o aprendizado sobre o tema e complementando a matéria com os elementos específicos, relativos a um contrato.

São Elementos Essenciais de um Contrato:

Existência de duas ou mais pessoas (físicas e/ou jurídicas) já que o contrato é ato jurídico bilateral.

Capacidade plena das partes para contratar. Se as partes não forem capazes

o contrato poderá ser nulo (ex: absolutamente incapaz que não foi

representado) ou anulável (ex: relativamente incapaz que não foi assistido).

Consentimento vontades livres e isentas de vícios (recordando: erro,

dolo, coação, estado de perigo, lesão, fraude contra credores e simulação – lembrem-se que cada um destes vícios possui um efeito diferenciado – qualquer dúvida retornem a aula específica ou dêem apenas uma “refrescada”

na memória, lendo o “quadro sinótico” daquela aula). Não devemos esquecer

que em um contrato as vontades correspondem a interesses contrapostos. Exemplo: na compra e venda uma parte quer vender e a outra quer comprar.

Objeto do contrato é a prestação. Não devemos confundir objeto com a coisa sobre a qual incide a obrigação. O objeto é a atuação das partes no contrato. Exemplo: no contrato de compra e venda de um relógio, o objeto não é o relógio. Este é a coisa em que a prestação se especializa. O objeto de quem compra é pagar o preço e de quem vende deve entregar a coisa. Portanto é a ação humana. A análise do objeto possui algumas subdivisões:

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a) Objeto lícito o objeto não pode ser contrário à lei, à moral, aos princípios da ordem pública e aos bons costumes. Exemplo: não posso contratar uma pessoa para matar outra. Lembrando que, se o objeto for ilícito, o contrato será considerado nulo.

b) Possibilidade física ou jurídica do objeto temos a impossibilidade física quando contratamos um mudo para cantar. Ocorre a impossibilidade jurídica quando se encontrar algum obstáculo no próprio ordenamento jurídico. Exemplo: dispõe o art. 426, CC que não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva, proibindo-se, assim, o que chamamos de “pacta corvina” – ou o acordo do corvo. A inobservância deste preceito também gera nulidade absoluta do contrato.

c) O objeto deve ser certo, determinado ou, pelo menos, determinável (ou seja, deve conter os elementos necessários para que possa ser determinado – gênero, espécie, quantidade e características individuais). Por isso falamos na aula anterior em Obrigação de dar coisa certa (objeto determinado) ou incerta (o objeto ainda não está determinado, por isso chamamos de determinável; porém nunca indeterminado). Um contrato não pode ter um objeto indeterminado. Se o objeto for indeterminado, o contrato será considerado inválido.

d) O objeto deve ser também economicamente apreciável, isto é, deverá versar sobre o interesse capaz de se converter, direta ou indiretamente, em dinheiro. Assim, a venda de um simples grão de arroz não interessa ao Direito. Esse é um dos diferenciais do Negócio Jurídico de uma forma geral (que até pode ter como objeto algo sem valor) em relação ao Contrato propriamente dito. Este necessita ter como objeto algo que represente um valor. Assim, estão de fora também as relações jurídica de natureza exclusivamente moral.

Forma prescrita ou não defesa em lei. A regra é que a forma é livre. Na maioria dos contratos a forma é livre. Pode ser verbal, ou por meio de um simples gesto (ex: em leilões de arte, basta levantar um dedo para significar um lance), ou por um documento particular. No entanto em algumas circunstâncias exige-se maior formalidade e solenidade. Exemplo: escritura de compra e venda de imóvel superior a certa quantia. Este é o instrumento essencial para a validade do negócio jurídico (art. 109, CC). Quando a lei exigir que um contrato tenha uma determinada forma especial é desta forma que ele deve ser feito (não pode ser feito de outra maneira). Somente quando não se exigir uma forma especial é que ele pode ter forma livre, apenas não utilizando alguma outra forma que seja expressamente proibida pela lei. Devemos lembrar que qualquer vício referente à forma, torna o contrato nulo.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Os contratos também se submetem a alguns princípios fundamentais. Vamos agora analisar, de forma pormenorizada cada um desses princípios, realçando sua importância, especialmente dentro do atual quadro do Direito

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Civil, uma vez que a legislação pertinente trouxe um novo enfoque a este tema, introduzindo novos princípios e, por outro lado, diminuiu a importância de outros, conforme veremos adiante. Lembrem-se que o atual Código Civil teve como mentor o jurista e filósofo Miguel Reale, adepto da Teoria Tridimensional do Direito (fato-valor-norma), rompendo com o rigor do positivismo e individualismo anterior. A atual codificação é mais focada no social, na coletividade, incorporando nas relações contratuais os princípios sociais (releiam a aula zero em que explicamos e exemplificamos melhor este fenômeno). Vejamos:

Autonomia da Vontade (atualmente a doutrina prefere chamá-lo de autonomia privada) Na realidade engloba a liberdade de contratar, baseado na ideia de que as pessoas têm liberdade de realizar ou não um contrato e a liberdade contratual, em que os contratantes têm ampla liberdade para estipular o que lhes convier, ou seja, o conteúdo do contrato. Inicialmente eles têm a liberdade de contratar ou não e de escolher quem será o outro contratante. Também a espécie contratual e o conteúdo das estipulações pertencem livremente à determinação das partes. Pode-se contratar sobre o que quiser, mesmo que não previsto em lei (contrato inominado). Costuma-se falar também no princípio do consensualismo, segundo o qual o contrato se aperfeiçoa pelo acordo de vontades. Evidente que há limites para essa autonomia, conforme veremos adiante. Apenas adiantando um pouco o tema, citamos como exemplo o Código de Defesa do Consumidor (Lei n° 8.078/90) que

trouxe uma limitação à liberdade contratual, com o objetivo de proteger o consumidor hipossuficiente, que é a parte mais fraca do

contrato (por razões não só econômicas, mas também de ordem social, cultural, entre outras).

Observância (ou supremacia) das Normas de Ordem Pública a

liberdade de contratar encontra seus limites inicialmente na própria lei, ou seja, na ordem pública (que são as normas impositivas, de caráter cogente, obrigatório e que visam o interesse coletivo) e também na moral

e nos bons costumes. Daí a supremacia da ordem pública sobre os

contratos. Um exemplo disso é a proibição de contrato envolvendo herança de pessoa viva (pacta corvina – art. 426, CC).

Obrigatoriedade das Convenções sempre ouvimos esta frase: “o

contrato faz lei entre as partes”. Isto é, aquilo que estiver validamente estipulado no contrato deve ser fielmente cumprido pelos contratantes. No Direito usamos o seguinte brocardo: Pacta sunt servanda. Como regra ninguém pode alterar unilateralmente o conteúdo de um contrato. E não sendo o mesmo observado, haverá a pena de execução patrimonial contra a pessoa que não o cumpriu (salvo hipóteses excepcionais de força maior ou caso fortuito). Em regra o simples acordo de duas ou mais vontades já

é suficiente para gerar um contrato válido. Mas ao final desta aula

veremos uma série de exceções a esse princípio da obrigatoriedade. Atualmente, cada vez mais vem se atenuando a força desse princípio.

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Relatividade dos Efeitos do Contrato um contrato, como regra (veremos depois as exceções), não beneficia e nem pode prejudicar terceiros. Ele vincula exclusivamente as partes que nele intervierem. O contrato somente produz efeito entre as partes contratantes. Este também não é um princípio absoluto. Vejam o que diz a “estipulação em favor de terceiros”, que veremos no final desta aula, onde há o favorecimento (nunca prejuízo) de terceiros.

Boa-fé Objetiva trata-se de um novo princípio estabelecido pelo atual Código Civil e que tem sido objeto de muitas perguntas em concursos, exatamente por ser uma novidade. Trata-se de um padrão comportamental, uma regra de conduta a ser seguida. Segundo este princípio, as partes devem agir com lealdade, probidade e confiança recíprocas (art. 422, CC), com o dever de cuidado, cooperação, informando o conteúdo do negócio e agindo com equidade e razoabilidade (costuma-se também usar os termos transparência, veracidade, diligência e assistência). Impede-se o exercício abusivo de direito por parte de algum dos contratantes. É o óbvio. Mas não havia previsão legal sobre isto, dado o enfoque positivista do Código anterior. A ética passa a integrar a norma de direito. Devemos lembrar que a expressão “boa-fé” deriva do latim "bona fide", que significa boa confiança, ou seja, a convicção de alguém que acredita estar agindo de acordo com a lei. A observância deste princípio deve estar presente não só no momento da elaboração, como também na conclusão e execução do contrato (portanto presente nas fases pré, durante e pós-contratual), que além da função econômica de circulação de riquezas, serve, também, de mecanismo para se atingir a justiça social, solidariedade, dignidade da pessoa humana, etc., que são objetivos primordiais de nossa sociedade, estabelecidos na Constituição Federal. Um contrato deve ser útil e justo. A quebra deste dever gera a violação objetiva do contrato e consequentemente a responsabilização, independentemente de culpa (como vimos em aula passada, trata-se da responsabilidade objetiva por abuso de direito – art. 187, CC). Somente para complementar é interessante dizer que a boa-fé subjetiva deriva do reconhecimento da ignorância do agente a respeito de determinada circunstância, ou seja, uma pessoa que realiza um determinado ato sem ter ciência do vício que a inquina. Levam-se em conta os deveres de diligência que se espera de um “homem médio”. Exemplo: art. 1.201, CC “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”.

Função Social do Contrato art. 421, CC – este princípio refere-se a outra novidade inserida pelo atual Código Civil e que tem sido objeto de muitas perguntas em concursos. Explicando: a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Na verdade trata-se de um dispositivo genérico e que deve ser preenchido pelo Juiz dependendo de uma hipótese concreta que lhe é apresentada. O Juiz deve analisar caso a caso. Trata-se também de uma norma de ordem pública sendo uma regra vinculada, tendo prioridade sobre as demais regras

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acerca dos contratos. Leva-se em consideração a presença de outros subprincípios tais como:

a) Dignidade da Pessoa Humana – decorrente da aplicação de dispositivos constitucionais no Direito Civil, garantindo-se o direito de se viver sem intervenção ilegítima do Estado ou de outros particulares.

b) Na interpretação do contrato, deve-se atender mais à intenção do que ao sentido literal das disposições escritas.

c) Justiça Contratual (arts. 317 e 478, CC) – protegida por institutos como o da onerosidade excessiva, para dar maior equilíbrio às partes e ao contrato, estado de perigo, lesão, etc.

O princípio da função social do contrato possui respaldo na própria Constituição Federal, uma vez que nela constatamos a ideia de “socializar” o Direito. Atualmente os contratos possuem uma visão mais ligada ao interesse coletivo. Tal princípio tem como funções básicas: a) mitigar (abrandar) a força obrigatória do contrato; b) coibir cláusulas abusivas, gerando nulidade absoluta das mesmas (limita-se, assim, a liberdade de fixação do conteúdo contratual); c) possibilitar, sempre que possível, a conservação do contrato e o seu equilíbrio; d) possibilitar a revisão do contrato quando o mesmo contiver alguma onerosidade excessiva.

Foi importante a introdução de tal princípio em nosso Direito, como uma forma de se evitar o exagero no uso de contratos em que as cláusulas já se encontram pré-estabelecidas (ex: contrato de adesão), impedindo uma melhor discussão das partes. Notem, por último, que o princípio da função social do contrato não eliminou a autonomia contratual ou a sua obrigatoriedade, mas apenas atenuou ou reduziu o seu alcance quando presentes interesses individuais, principalmente quanto aos referentes à dignidade da pessoa humana.

Percebemos, portanto, que os princípios da autonomia da vontade (chamada agora de autonomia privada) e da obrigatoriedade, anteriormente quase que absolutos, perderam muito da importância que tinham; deixaram de ser o centro de todas as avenças. Apesar do Direito Civil fazer parte do Direito Privado, disciplinando a atividade dos particulares entre si, onde prevalecem os interesses de ordem particulares (que são as normas dispositivas – e não impositivas como no Direito Público), não podemos negar que também neste ramo do Direito “sentimos a presença do Estado”. Em outras palavras:

identificamos muitas normas de Direito Público no Direito Civil (que é matéria típica do Direito Privado). Podemos dizer que atualmente há uma constante intervenção do Estado nas relações de Direito Privado e até mesmo nos contratos. Justifica-se esta interferência, pois ao contrário do que sustentava a ideologia do liberalismo, a desigualdade entre os homens é um fato inegável e o Estado moderno deve agir para tentar buscar um reequilíbrio de forças entre as pessoas, dando proteção jurídica à parte mais frágil de uma relação, como os consumidores, inquilinos, empregados, devedores, etc. Isto é chamado pela

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doutrina de Dirigismo Contratual. Aliás, esta é uma expressão que vem caindo com certa frequência em concursos, em especial nas carreiras jurídicas. Relembre-se aqui a inesquecível frase usada por Rui Barbosa em sua imortal Oração aos Moços: A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam”.

Desta forma um contrato e seu conteúdo atualmente possuem um significado menos rígido, mas sem alterar sua função de segurança e sobrevivência, pois caso contrário estaria estabelecido um caos, onde qualquer um poderia fazer o que bem quisesse. Vejamos agora um “resuminho” do que foi visto até agora sobre os contratos.

CONTRATOS

1) Validade (já visto em aula anterior)

a)

Capacidade.

 

b)

Objeto

lícito

e

possível,

determinado

ou

determinável

e

economicamente apreciável.

c) Forma prescrita ou não defesa em lei.

d) Consentimento.

2) Eficácia (já visto em aula anterior)

a) Condição.

b) Termo.

c) Modo ou Encargo.

3) Princípios

a) Autonomia Privada.

b) Supremacia da Ordem Pública.

c) Obrigatoriedade.

d) Relatividade.

e) Boa-fé Objetiva, Justiça Contratual, Função Social do Contrato.

FORMAÇÃO DO CONTRATO

Como vimos, um contrato é fonte de obrigações. Ele nasce da conjunção entre duas ou mais vontades coincidentes. Sem este mútuo consenso, não haverá contrato. No entanto, antes de se estabelecer o acordo final, é possível que ocorram algumas negociações preliminares (que são as sondagens, as conversas prévias e debates, tendo em vista um contrato futuro), sem que haja uma vinculação jurídica entre os participantes, não se criando ainda obrigações. É a chamada fase das tratativas (ou puntuação). Apenas no momento em que as partes manifestam a sua concordância é que se formará o contrato, criando obrigações. Podemos dizer, assim, que os contratos possuem duas fases:

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a) Proposta ou Oferta

b) Aceitação

A declaração inicial é a proposta; a seguinte é a aceitação. O vínculo contratual nasce quando se integram a proposta e a aceitação, oportunidade em que as partes concordam com as condições, preço e entrega da coisa ou do serviço. Vejamos cada um desses itens.

1) PROPOSTA

Proposta (também chamada de oferta, policitação ou oblação) é a manifestação da vontade de contratar, por uma das partes, solicitando a concordância da outra. A expressão policitação (por ser a menos usual na prática) é a que tem maior incidência em concursos. Trata-se de declaração unilateral por parte do proponente. A proposta é um ato receptício. Assim falamos porque ela só produz efeitos ao ser recebida pela outra parte. Não perde o caráter de receptício se, ao invés de se dirigir a uma pessoa determinada, assumir o aspecto de “oferta ao público”, em que o aceitante não é identificado (ex: produtos na prateleira de um supermercado, “encartes” em jornais de grande circulação anunciando ofertas, etc.). A oferta ao público equivale à proposta, se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário.

Regra: Feita a proposta, esta vincula o proponente ou policitante (art. 427, CC); caso a proposta não seja mantida, obriga a perdas e danos.

Exceções. Uma proposta deixa de obrigar, se (art. 428, CC):

o contrário não resultar dos termos da proposta. Exemplos: cláusula expressa que lhe retire a força vinculativa; ou o próprio contrato possui uma cláusula de não-obrigatoriedade.

feita sem prazo determinado a uma pessoa presente, não sendo ela imediatamente aceita (é o que a doutrina chama de contrato de formação consecutiva). Feita uma proposta entre presentes, a mesma deve ser imediatamente aceita. Se não o for, a proposta já não vincula mais. Importante notar que a noção de presença e ausência, neste contexto, nada tem a ver com distância. Presentes são aqueles que podem se comunicar diretamente. Exemplos: telefone, fax, etc. Obs. - Há dúvida quanto aos contratos celebrados por “internet”, sendo que a posição majoritária ainda reconhece como sendo entre um contrato entre ausentes. Apenas lembrando que “e-mail” significa correio eletrônico (o “e” significa eletronic; mail = correio).

feita sem prazo a pessoa ausente (não foi possível a comunicação imediata

ou direta), deve-se aguardar um lapso de tempo suficiente para que a oferta

chegue ao destinatário e a resposta retorne ao conhecimento do proponente, calculando-se o tempo conforme o meio de comunicação (ex: cartas). A doutrina chama isso de contrato com declarações intervaladas.

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feita a pessoa ausente, com prazo determinado, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo estipulado.

antes da proposta ou juntamente com ela, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente.

2) ACEITAÇÃO

Como vimos, o contrato é negócio jurídico bilateral. A proposta é a manifestação de uma das vontades. Por outro lado, esta proposta precisa ser aceita. Aceitação, assim, é a manifestação da vontade (expressa ou tácita) do destinatário (também chamado de oblato, aceitante ou solicitado), consentindo, anuindo com a proposta, tornando o contrato definitivamente concluído. A expressão oblato (aceitante) já caiu diversas vezes em concursos. Não é muito conhecida na prática, mas cai muito nas provas. Fiquem atentos!

aceitação a parte pode apenas pretender

informações, para saber se interessa ou não realizar o contrato. Assim, as indagações, apontamentos, minutas, visitas, etc., não vinculam as partes.

Antes

de

manifestar

a

Regras

se o negócio for entre presentes, a proposta ou oferta pode estipular ou não prazo para a aceitação. Se não contiver prazo a aceitação deverá ser manifestada imediatamente. Se houver prazo deverá ser pronunciada até o termo concedido.

se o contrato for entre ausentes, a aceitação deve chegar a tempo, isto é, dentro do prazo marcado. Se a aceitação chegar após o prazo marcado, sem culpa do aceitante, deverá o proponente avisar o aceitante, sob pena de responder por perdas e danos. Se o ofertante (ou policitante) não estipulou qualquer prazo, a aceitação deverá ser manifestada dentro de tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente.

aceitação fora do prazo, ou com adições, restrições, modificações, corresponde a uma nova proposta. É o que se chama na prática de contraproposta (art. 431, CC).

a aceitação admite arrependimento se, antes da aceitação ou com ela, chegar ao proponente a retratação do aceitante.

MOMENTO DA CONCLUSÃO DO CONTRATO

Resumindo o que vimos acima, podemos afirmar que o contrato se reputa concluído:

Entre presentes – no momento da aceitação da proposta.

Entre ausentes (art. 434, CC) – os contratos por correspondência epistolar (exemplo de contrato firmado entre ausentes) tornam-se perfeitos, como regra, no momento em que a aceitação é expedida. Epístola quer dizer carta. Existem inúmeras teorias a respeito. Os livros de doutrina ficam explicando as diversas teorias em dezenas de páginas. Nós não precisamos

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de tudo isso. Devemos saber apenas: qual a teoria que o Brasil adotou. E isso que cai nos concursos!! O Brasil adotou a Teoria da Expedição da Aceitação, ou seja, o momento em que a aceitação é colocada no correio, real ou virtual (“e-mail”). Lembrem-se sempre disto: Teoria da Expedição da Aceitação. Lembrem-se, também, que o contrato não se considera concluído se a retratação chegar antes ou junto com a aceitação.

LOCAL DA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO

De acordo com o art. 435, CC o negócio jurídico reputa-se celebrado no lugar em que foi proposto. Esta é uma regra dispositiva (e não impositiva), isto é, as partes podem dispor de modo diverso; a regra é que o contrato foi celebrado no lugar onde foi proposto, no entanto admite-se convenção em contrário, estipulada expressamente no contrato. Trata-se de uma regra importante, pois para qualificar e reger as obrigações, aplica-se a lei do País em que se constituírem. Além disso, a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente (art. 9 o , §2 o da LICC).

CONTRATO PRELIMINAR (arts. 462/466, CC)

É aquele por meio do qual as partes se comprometem a celebrar mais tarde outro contrato, denominado principal ou definitivo. Às vezes não é conveniente às partes celebrar, desde logo, o contrato definitivo; assim podem firmar um contrato-promessa (que chamamos de pactum in contrahendo), sendo que as partes se comprometem a celebrar o contrato definitivo posteriormente (o exemplo clássico é o compromisso irretratável de compra e venda). Apesar disso ele deve ser registrado, presumindo-se irretratável. Se uma das partes desistir do negócio sem justa causa e não havendo cláusula que permita o arrependimento, a outra parte poderá exigir-lhe, coercitivamente, a celebração do contrato definitivo, sob pena de multa diária, fixada no contrato ou pelo Juiz. Esgotado o prazo estipulado, o Juiz, a pedido do interessado, poderá suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar. No entanto a parte lesada pelo inadimplemento pode simplesmente considerar o contrato desfeito e requerer perdas e danos. As partes se denominam promitentes (na compra e venda: promitente-comprador e promitente-vendedor). Quanto à forma, não há obrigatoriedade de ser observada a mesma que figurará no contrato definitivo. Exemplo: A promessa de compra e venda de um imóvel pode ter a forma de instrumento particular. Mas o contrato definitivo somente poderá ser feito através de um instrumento público.

ESPÉCIES DE CONTRATOS

Existem várias espécies de contratos. Podemos classificá-los de diversas maneiras. E isto por causa da diversidade de categorias que possuem. Nossa intenção nessa classificação é fazer uma comparação, verificando as semelhanças e as diferenças entre suas espécies, os ônus e as vantagens de cada contratante, bem como os efeitos jurídicos que produzem. Essa

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classificação é muito solicitada em concursos. Façamos inicialmente um pequeno gráfico do que será visto.

Classificação dos Contratos:

1) Unilaterais ou Bilaterais

2) Onerosos ou Gratuitos

3) Comutativos ou Aleatórios

4) Nominados ou Inominados

5) Paritários ou de Adesão (ou por Adesão)

6) Consensuais ou Solenes

7) Reais

8) Principais ou Acessórios

9) Pessoais ou Impessoais

Vejamos agora espécie por espécie, de forma pormenorizada.

1) Contratos Unilaterais ou Bilaterais

Tomem cuidado com esta classificação. Já vimos que o negócio jurídico pode ser classificado em unilateral (ex: testamento) ou bilateral (ex: contratos). Portanto podemos afirmar que o contrato é sempre um negócio jurídico bilateral, uma vez que necessita da participação de duas vontades para que fique perfeito. No entanto, o contrato também pode ser classificado em unilateral ou bilateral. E isso pode causar certa confusão. Vamos explicar novamente este assunto, para que não reste dúvida alguma sobre o tema.

O contrato será unilateral quando apenas um dos contratantes assume obrigações em face do outro. A obrigação principal está a cargo de apenas uma das partes. É o que ocorre na doação pura e simples. Inicialmente, por ser um contrato temos duas vontades: a do doador (que irá entregar o bem) e a do donatário (que irá receber o bem). Mas neste concurso de vontades nascem obrigações apenas para o doador. O donatário, por sua vez irá apenas auferir as vantagens. Outros exemplos: mútuo, comodato, etc. (veremos melhor todos estes contratos na próxima aula). Os contratos unilaterais, apesar de exigirem duas vontades, colocam só uma delas na posição de devedora. Não há uma contraprestação da outra parte.

O contrato será bilateral quando os contratantes são simultânea e reciprocamente credores e devedores uns dos outros, produzindo direitos e obrigações para ambos. O contrato bilateral também é conhecido como sinalagmático (a expressão deriva do grego, synallagma, que significa duas faces, bilateral, contrato). É uma expressão apreciada pelos examinadores, pois não é muito usada no dia a dia. A compra e venda é o exemplo clássico de contrato bilateral ou sinalagmático o vendedor deve entregar a coisa, mas por outro lado tem o direito ao preço; já o comprador deve pagar o preço, mas, por

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outro lado tem o direito de receber o objeto que comprou. Outros exemplos:

troca, locação, etc.

ATENÇÃO! CUIDADO! – Repetindo. Quero deixar bem claro o que falei

acima e que também já foi mencionado na aula sobre Fatos e Atos Jurídicos. Não devemos confundir “Negócio Jurídico” (que por sua vez é uma espécie de Ato Jurídico) com “Contrato”. Este é um erro muito comum, inclusive por pessoas que já são formadas em Direito. Muitas vezes pergunto em sala de aula: Gostaria que alguém me desse um exemplo de Negócio Jurídico

Unilateral

exemplo mais fornecido

está

é o que mais cai em concursos. Mas este exemplo

E o primeiro exemplo que me costumam fornecer é a Doação. É o

errado!! Quem assim respondeu confundiu negócio jurídico com

contrato. Doação é um contrato unilateral e não um ato jurídico unilateral. Explicando melhor: No ato jurídico unilateral há apenas uma manifestação de

vontade. Exemplo: a renúncia. A renúncia é ato jurídico unilateral: se eu

renuncio a um crédito, a outra parte não será consultada para que aceite ou não

e

pronto. Nada mais é necessário para que o ato (a renúncia) seja válido e produza os efeitos legais. Observem que há a manifestação de vontade de apenas uma pessoa. O mesmo ocorre com o testamento. Eu faço meu testamento. Ponto. Esse testamento já é válido (lógico que as suas cláusulas somente serão cumpridas quando eu morrer). Já a doação é exemplo de negócio jurídico bilateral. E por que isso? - Porque há duas (daí bilateral) manifestações de vontade. Primeiro a do doador. É necessário que uma pessoa queira doar o bem. Mas depois se consulta também o donatário, que é a pessoa que irá receber o bem doado. Se essa pessoa não aceitar, não houve a doação. O contrato não se aperfeiçoou. Havendo a aceitação da outra parte o negócio está perfeito. Portanto a doação é um negócio (ou ato) jurídico bilateral. Necessita de duas manifestações de vontade. No entanto os atos jurídicos bilaterais se dividem em: Unilaterais e Bilaterais. E é por isso que confunde um pouco. Resumindo: a doação é um negócio jurídico bilateral (contrato). No entanto é um contrato unilateral, pois apenas um dos contratantes (doador) assume obrigações em face do outro (donatário). Assim apresento o seguinte “esqueminha” para nunca mais esquecerem desta espécie de classificação.

a minha renúncia. Eu apenas renunciei a um direito de forma unilateral

A) Negócio Jurídico Unilateral – possui apenas uma manifestação de vontade (ex: renúncia, testamento, promessa de recompensa, etc.).

B) Negócio Jurídico Bilateral – possui duas manifestações de vontade (ex:

perdão – ele precisa ser aceito para valer; todos os contratos; o casamento, etc.). Já um contrato, por sua vez, se subdivide em:

Contrato Unilateral: duas manifestações de vontade, sendo que apenas uma se obriga (ex: doação pura e simples, comodato, mútuo gratuito, etc.).

Contrato

Bilateral:

duas

manifestações

de

vontade,

havendo

obrigações e vantagens recíprocas (ex: compra e venda, locação, etc.).

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2) Contratos Onerosos ou Gratuitos

Contratos onerosos são aqueles que trazem vantagens para ambos os contratantes, pois estes sofrem um sacrifício patrimonial, correspondente a um proveito desejado (ex: locação – locatário paga aluguel, mas tem o direito de usar o bem; já o locador recebe o dinheiro do aluguel, mas deve entregar a coisa para que seja usada por outrem). Em outras palavras: ambas as partes assumem ônus e obrigações recíprocas.

Contratos gratuitos (ou benéficos) são aqueles que oneram somente uma das partes, proporcionando à outra uma vantagem, sem qualquer contraprestação (ex: doação pura e simples, depósito, comodato, etc.). Lembrando que estes contratos devem ser interpretados de forma restrita.

Discussão Doutrinária O comodato é um contrato bilateral (pois gera obrigações também para o comodante, como a indenização em caso de danos causados ao comodatário) ou um contrato unilateral, pois só gera obrigações para o comodatário (as eventuais obrigações do comodante decorrem, não do comodato em si, mas sim de todo e qualquer contrato)??

Resposta: parte da doutrina costuma chamar esta espécie de contrato de bilateral imperfeito. Na realidade ele seria um contrato unilateral, mas que, por uma circunstância ocorrida no curso da execução do contrato, geraria uma obrigação para o contratante que não havia se comprometido. Assim, ele se subordina inicialmente ao regime dos contratos unilaterais porque não há uma contraprestação inicial (esta não nasce com o contrato). Ocorrendo um fato eventual, posterior à formação do contrato (dano ocorrido na coisa), surgiria a obrigação da outra parte em indenizar. Ocorre que para outra corrente não existe a classificação de “contrato bilateral imperfeito”. O contrato nasce e morre unilateral ou bilateral. O que pode variar é o contrato ser gratuito ou oneroso. O bilateral é sempre oneroso. Já o unilateral pode ser gratuito (doação simples) ou oneroso (doação com encargo, depósito remunerado, etc.). Assim, o fato de haver uma retribuição ou algum dever não transforma a natureza do contrato. Portanto o comodato seria um contrato unilateral. Em regra gratuito. Mas pode se transformar em oneroso. Outro exemplo: mútuo sujeito a juros. O mútuo é um empréstimo de coisa fungível (ex: um saco de arroz, um maço de cigarros, dinheiro, etc.). Se for empréstimo de dinheiro, além da obrigação de restituir a quantia emprestada (contrato unilateral), geralmente deve-se pagar juros (contrato oneroso). Portanto, segundo a doutrina, este caso seria um exemplo de contrato que é ao mesmo tempo unilateral e oneroso. Na próxima aula, falaremos sobre todas as modalidades de contratos. E iremos fazer uma classificação pormenorizada de todos eles, item por item.

3) Contratos Comutativos ou Aleatórios

O contrato é comutativo (também chamado de pré-estimado) quando as prestações de ambas as partes são conhecidas e guardam relação de equivalência. Exemplo: compra e venda (como regra). A coisa entregue por uma das partes e o preço pago pela outra geralmente são conhecidos no

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momento da realização do contrato e guardam certa relação de equivalência. Eu sei o quanto eu vou pagar pela coisa e sei exatamente qual o bem que me será entregue. E entre o que eu vou pagar e aquilo que irei receber há uma certa equivalência.

Já o contrato aleatório é aquele em que a prestação de uma das partes (ou de ambas) não é conhecida com exatidão no momento da celebração do contrato. Depende de uma álea (alea – do latim = sorte ou azar, incerteza, risco, perigo, etc.), que é um fator desconhecido. O contrato depende de um risco futuro e incerto, capaz de provocar uma variação e consequentemente um desequilíbrio entre as prestações, não se podendo antecipar exatamente o seu montante. O risco de perder ou ganhar pode sujeitar um ou ambos os contratantes.

Alguns contratos são aleatórios devido à sua natureza (ex: rifa, bilhete de loteria, o jogo e a aposta de uma forma geral, o seguro de vida, de um carro ou

uma casa, etc.), enquanto outros são acidentais, por terem por objeto coisa incerta ou de valor incerto (ex: contrato de garimpo, venda de colheita futura, ou dos peixes que vierem na rede do pescador, etc.). O exemplo clássico de contrato aleatório é o seguro de um veículo. Eu sei o quanto eu vou pagar pelo

será que eu vou usá-lo algum dia? Quando? Qual o valor da

indenização? Eu ainda não tenho estas respostas. Eu posso pagar durante anos

o seguro de um veículo e nunca precisar acioná-lo. Por outro lado, posso, no primeiro ano de vigência do contrato, ter um acidente com perda total. E o seguro irá me indenizar o valor total da perda. Portanto, uma das prestações não é conhecida de antemão. Depende de um fato futuro e incerto. E pode haver uma não-equivalência entre o valor que eu paguei e aquilo que eu receberei. É prudente mencionar as duas espécies de contratos aleatórios previstas no Código Civil. Embora tal subclassificação somente caia em concursos que exigem um nível mais profundo de conhecimento (Magistratura ou Ministério Público), é sempre bom falar sobre este tema.

A) Coisas Futuras

seguro! Mas

1) Emptio Spei um dos contratantes toma para si o risco relativo à existência da coisa, ajustando um preço, que será devido integralmente, mesmo que nada se produza, sem que haja culpa do alienante (ex: compro de um pescador, ajustando um preço determinado, tudo o que ele pescar hoje; mesmo que nada pesque terá direito ao preço integral). O vendedor tem direito ao preço, ainda que o objeto futuro não venha a existir.

2) Emptio Rei Speratae – se o risco versar sobre a quantidade maior ou menor da coisa esperada (ex: compro, por um preço determinado, a próxima colheita de laranjas; se nada colher estará desfeito o contrato).

Sobre a diferença entre as duas situações, costumo fornecer o seguinte exemplo: Digamos que eu seja um grande comprador de soja e que você seja um grande produtor deste produto. Eu desejo comprar a sua produção de soja.

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Posso fazer dois tipos de contrato aleatório. A) Eu compro toda a sua produção de soja e pago um milhão por ela. Neste caso você pode colher uma “superprodução” de soja e eu saí lucrando. Como você pode não ter colhido nada. Aí eu terei um grande prejuízo. Trata-se de um risco muito grande. B) Eu compro toda a sua produção de soja e pago R$ 100,00 a saca. Trata-se de um risco calculado.

B) Coisas Existentes

O contrato versa sobre coisa existente, sujeitas ao risco de se perderem, danificarem ou, ainda, sofrerem depreciação. Exemplo: determinada mercadoria

é vendida, mas a mesma será transportada de navio até o seu destino final. O

comprador então assume a álea (risco) de ela chegar ou não ao seu destino; se

o navio afundar a venda será válida e o vendedor terá direito ao preço.

4) Contratos Nominados ou Inominados

Típicos (ou nominados) são os contratos que têm previsão e denominação prevista na lei (Código Civil ou Leis especiais). Ex: compra e venda, locação, comodato, etc.

Atípicos (ou inominados) são os contratos criados pelas partes, dentro do princípio da liberdade contratual e que não correspondem a nenhum tipo contratual previsto na lei, não havendo regulamentação a respeito. Alguns doutrinadores os diferem dos inominados, pois estes não possuem um nome específico (nomen juris). Ex: cessão de clientela, factoring, etc. O art. 425, CC permite às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas no Código Civil.

5) Contratos Paritários ou por Adesão

Paritários são aqueles em que ambos os interessados são colocados em pé de igualdade e podem discutir as cláusulas contratuais, uma a uma, eliminando os pontos divergentes mediante transigência mútua.

por Adesão (ou de adesão) são aqueles em que a manifestação de vontade de uma das partes se reduz a mera anuência a uma proposta da outra. Uma das partes elabora o contrato e a outra parte apenas adere às cláusulas já estabelecidas, não sendo possível a discussão ou modificação dessas cláusulas. Os exemplos clássicos são os contratos bancários. Quando você abre uma conta em um Banco, o contrato já está pronto. Trata-se do contrato-tipo. Ou você assina da maneira como ele foi elaborado ou o contrato não sai. Será que alguém já ficou discutindo alguma cláusula de um contrato de abertura de conta com um gerente de Banco? Não!! Por isso é considerado como um contrato de adesão. Você somente assina “uma enorme papelada”. Outros exemplos: contrato de transporte, convênio médico, fornecimento de gás, água ou luz, seguro de vida ou de um veículo, sistema financeiro de habitação, etc. O contrato de adesão deve ser sempre escrito com letras grandes e legíveis. O contrato de (ou por) adesão também não pode ser impresso com redação confusa, utilizando terminologia vaga e ambígua, nem com cláusulas desvantajosas para um dos contratantes.

Portanto

são

proibidas

as

famosas

“letrinhas

miúdas”

nesta

espécie

de

contrato.

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A CLÁUSULA QUE IMPLICAR LIMITAÇÃO AO DIREITO DO CONSUMIDOR DEVERÁ SER REDIGIDA COM DESTAQUE (letras maiores), permitindo sua imediata e fácil compreensão. Na dúvida vigora a interpretação mais favorável ao aderente. Segundo o art. 424, CC são nulas as cláusulas que estipulam a renúncia antecipada do aderente a algum direito resultante da natureza do negócio (ex: “caso o objeto adquirido esteja com algum problema, o aderente abre mão de pedir a substituição do produto”). Partes envolvidas:

proponente e aderente (que adere às cláusulas apresentadas; é a parte mais fraca do contrato – não obrigatoriamente a “mais pobre”).

O art. 54 do Código de Defesa do Consumidor admite expressamente esta espécie de contrato, acrescentando que a eventual inserção de uma cláusula no formulário a pedido de uma das partes não desfigura a natureza de adesão do contrato (esta cláusula inserida no contrato já impresso é considerada como “uma apertada margem reservada à negociação”).

6) Contratos Consensuais ou Formais

Consensuais ou não solenes são os contratos que independem de

uma forma especial; em geral se perfazem pelo simples acordo das partes. Basta o consenso das partes envolvidas. Não se exige nenhuma outra forma para a sua celebração. Podem ser celebrados inclusive por meio de um acordo verbal. Exemplo: eu digo que quero vender meu relógio; uma pessoa diz que quer comprá-lo. Pactuamos o preço da venda. Pronto. Em tese o contrato já está celebrado. Assim ocorre com toda a compra e venda de bens móveis, a locação, o contrato de transporte, etc. Observação: como falei a locação é, como regra, um contrato não solene, por isso basta o consenso para a sua celebração. Ela pode ser pactuada de forma verbal. Não precisa de nenhuma outra solenidade ou formalidade. No entanto, na prática eu não aconselho celebrar um contrato de locação de forma verbal (nós geralmente fazemos

imaginem fazendo

verbalmente

por escrito e mesmo assim dá tanto problema

).

Como ele será provado? E o preço? E as cláusulas especiais?

Concluindo: muitos contratos podem ser celebrados verbalmente e sem formalidade alguma. Se cair em algum concurso pode assinalar que isso é

possível. Mas na prática eu não recomendo. É como eu sempre costumo dizer

em aula: poder, pode mal a ninguém

Solenes ou formais são os contratos em que a lei exige, para sua celebração, uma forma especial que lhes dará existência. A falta desta formalidade levará à nulidade do negócio. Exemplo: a compra e venda de bens imóveis exige, inicialmente, uma escritura pública. E para que o comprador seja considerado proprietário exige-se, também, o Registro Imobiliário. Isto é, aquela escritura deve ser registrada para haver a transmissão da propriedade. Portanto, Escritura e Registro, são formalidades essenciais do negócio e para a prova da propriedade de bens imóveis.

mas não convém

cautela e caldo de galinha não faz

7) Contratos Reais são os contratos que apenas se aperfeiçoam com a entrega da coisa, feita de um contratante para outro. O depósito, por

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exemplo. Este contrato somente será concretizado quando a coisa for realmente entregue, depositada. Outros exemplos: comodato, mútuo, penhor, etc. Antes da entrega da coisa, tem-se apenas uma promessa de contratar e não um contrato perfeito e acabado, propriamente dito. Veremos todos estes contratos na próxima aula.

8) Contratos Principais ou Acessórios

Principais são os contratos que existem por si, exercendo sua função

e finalidade independente de outro. Exemplo: contrato de compra e venda, de locação, etc.

Acessórios são aqueles contratos cuja existência supõe a do principal, pois visam assegurar sua execução. Exemplo: a fiança é contrato

acessório, estabelecida para garantir a locação, que é o principal; logo, a fiança não poderá existir sem a locação. Lembrem-se da regra de que o “acessório acompanha o principal”. Havendo nulidade no principal, esta atinge o acessório

e este será nulo também. Havendo nulidade do acessório, esta atinge somente o acessório, não contaminando o principal.

9) Contratos Pessoais ou Impessoais

Pessoais também chamados de personalíssimos ou intuitu personae

são aqueles em que a pessoa do contratante é considerada pelo outro como elemento determinante de sua conclusão. Exemplos: Desejo que o advogado “Y” me defenda no Tribunal do Júri. Quero que o cirurgião “X” me opere. Quero comprar um quadro do famoso pintor “Z”.

Impessoais são os que a pessoa do contratante é juridicamente indiferente para a conclusão do negócio. Contrato uma empresa para pintar minha casa. Tanto faz que o serviço seja realizado pelo pintor “A” ou “B”.

10) Contratos de Execução Imediata ou Execução Continuada

Execução imediata (ou instantânea) – são o que se esgotam em um

só momento, imediatamente após a sua celebração, mediante uma única

prestação (compra e venda à vista).

Diferida – Cumpridos em um só ato, porém em um momento futuro, distante da data de celebração.

Execução continuada (trato sucessivo) – são os que se prolongam no

tempo; sobrevivem com a persistência da obrigação, apesar de ocorrerem

soluções periódicas: prática ou abstenção de atos reiterados (compra e venda à prazo, locação, fornecimento de mercadorias). Na locação o pagamento de um aluguel não libera o contratante, senão da dívida relativa àquele período, de modo que o vínculo contratual perdura até o final do prazo convencionado para

o término do contrato.

11) Outras Modalidades de Contratos

A doutrina ainda aponta outras espécies de contratos (embora tenham pouca incidência em concursos, é conveniente mencioná-los):

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de Massa – são os apresentados em fórmulas prontas, geralmente impressos e adquiridos até mesmo em papelarias. Não são de adesão, pois as cláusulas podem ser alteradas. O que os distingue dos outros, é que neles já uma “máscara” pronta.

Necessários – quando existe uma obrigação em contratar.

Autorizados – dependem de uma licença especial dos poderes públicos.

Coletivos – celebrados entre categorias funcionais, como os contratos coletivos de trabalho.

EFEITOS DO CONTRATO

O contrato válido estabelece um vínculo jurídico entre as partes, sendo que, em princípio, é irretratável unilateralmente. Ou seja, depois de celebrado, como regra, uma das partes não pode simplesmente desistir do cumprimento do contrato. Isto é assim, porque, como vimos os contratos devem ser cumpridos da forma como foram estabelecidos inicialmente (trata-se da aplicação do princípio conhecido como pacta sunt servanda – já visto no início da aula). É uma frase muito comum no meio jurídico a afirmação de que um “contrato faz lei entre as partes”. Desta forma ele vincula todas as pessoas que o pactuaram.

Muito bem. Formado um contrato, assumidas as obrigações, passamos agora a sua execução ou o cumprimento do seu conteúdo. Porém, um contrato pode produzir diversos efeitos. Vejamos os seguintes:

Exceção de Contrato Não Cumprido

Direito de Retenção

Revisão dos Contratos

Regra dos Contratos Gratuitos

Arras ou Sinal

Vício Redibitório

Evicção

Vamos agora explicar de forma pormenorizada cada um destes efeitos. Todos eles têm certa incidência em concursos. Aliás, muitos destes termos já foram mencionados em aulas anteriores. Na ocasião eu dizia: veremos isso

melhor em uma aula adiante

pois esta aula chegou. Vamos a eles:

A) EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO (arts. 476/477, CC)

Esta expressão vem do latim – exceptio non adimpleti contractus. É muito comum cair em concursos. A expressão pode cair tanto em português como em latim. Inicialmente devemos recordar que o vocábulo exceção indica uma forma de defesa realizada por uma das partes para opor-se a um direito do adversário.

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Nos contratos bilaterais (ou sinalagmáticos) a regra é que nenhum dos contratantes poderá, antes de cumprir a sua obrigação, exigir a do outro (art. 476, CC). Isso porque há uma dependência recíproca das prestações que, por serem simultâneas, são exigíveis ao mesmo tempo. Num contrato as partes devem cumprir exatamente aquilo que combinaram (lembrem-se: pacta sunt servanda). Por isso, eu não posso alterar algo que combinamos, de forma unilateral. Cada um deve cumprir a sua parte no contrato. Eu não posso exigir o cumprimento da outra parte, se eu ainda não cumpri com a minha, pois foi assim que nós combinamos. Assim, se uma parte não cumpriu o contrato, a outra parte tem o direito de opor-lhe, em defesa, essa exceção.

Vou dar um exemplo para ficar bem clara a situação. Vamos supor que eu contratei um pintor para pintar toda minha casa, por dentro e por fora. Acertemos um determinado valor. E combinamos que o pagamento seria feito em duas etapas. Metade do valor seria entregue no início dos trabalhos. E o restante somente seria entregue após o término do serviço. Eu cumpri a minha parte. Paguei ao pintor o valor referente à metade do serviço e ele começou a pintar a casa. Após alguns dias o pintor exige o pagamento da parcela restante. Ele está descumprindo o combinado. Somente faria jus à parcela restante no final do serviço, mas está exigindo tudo agora. O que eu diria ao pintor? – Só vou lhe pagar o restante após a conclusão do serviço; cumpra a sua parte que depois eu cumpro com a minha, pois foi assim que nós combinamos. Ou então:

eu não sou obrigado a lhe dar o valor restante da obrigação enquanto você não cumprir com a sua parte. Na verdade, falando isso, tecnicamente eu estou alegando a “exceção de contrato não cumprido”. Lembrem-se que estamos no Direito Civil, onde a regra que vigora é a da vontade das partes. Como disse, eu não sou obrigado a pagar o valor antes do serviço completo. Mas se eu quiser eu posso pagar antecipadamente. Seria uma liberalidade da minha parte.

A mesma regra é aplicada no caso de cumprimento incompleto, defeituoso e inexato da prestação por um dos contraentes. Trata-se de uma variação da

regra anterior. Por exemplo: o pintor realmente executou a obra, mas não da forma que nós combinamos (deixou de pintar alguns cômodos ou pintou com a

deixou buracos na parede, etc.). A doutrina chama isso de

cor errada ou

exceptio non rite adimpleti contractus. Observem que a palavra “rite” lembra “rito”, procedimento, forma, etc. A outra pessoa pode até ter cumprido a obrigação. Mas não da forma como nós combinamos. Neste caso eu também posso me recusar a cumprir com a minha obrigação (pagar o restante do dinheiro) até que a prestação (a pintura da casa) se complete ou melhore, ou seja, realizada exatamente da forma como nós combinamos.

Excepcionalmente será permitido, a quem incumbe cumprir a prestação em primeiro lugar, recusar-se ao seu cumprimento, até que a outra parte satisfaça a prestação que lhe compete ou dê alguma garantia de que ela será cumprida. No entanto, isso somente é admissível quando, depois de concluído o contrato, sobrevier diminuição em seu patrimônio que comprometa ou torne duvidosa a prestação a que se obrigou. Usando o mesmo exemplo anterior:

digamos que durante a execução do serviço (a pintura da casa), haja uma diminuição do meu patrimônio e haja uma presunção de que eu não possa

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cumprir com a minha parte na obrigação (pagar o restante da prestação). O pintor, sabendo deste fato, poderia então pedir que eu pague primeiro (invertendo a ordem no cumprimento da obrigação) ou poderia exigir, pelo menos, que eu forneça uma garantia de que eu tenho dinheiro para pagar o combinado. Chamamos isso de “garantia de solvabilidade”. Desta forma, para

dar essa garantia, eu coloco a quantia devida em uma caderneta de poupança, dando mostras de que eu tenho o dinheiro e que o mesmo está disponível para

o saque, assim que o serviço for concluído. Procedendo desta forma eu provo

que tenho condições de honrar o meu compromisso.

Cláusula solve et repete a exceptio não poderá ser arguida se houver renúncia, impossibilidade da prestação ou se o contrato contiver a cláusula solve et repete, que torne a exigibilidade da prestação imune a qualquer pretensão contrária do devedor. Isto é, o contrato pode conter uma cláusula (na realidade fazer isso é muito perigoso, pois a parte fica sem garantia) de que o contratante renuncia, abre mão da exceptio. Isso quer dizer que a qualquer momento a outra parte (que seria o pintor no exemplo que estamos dando) pode exigir o pagamento integral, mesmo que ele ainda não tenha cumprido com a sua parte no contrato. Não se deve pactuar esta cláusula na prática (mas é possível, sem que isso seja considerado como abusivo).

Rescisão a parte lesada pelo inadimplemento (não cumprimento) da

obrigação pela outra parte pode pedir rescisão do contrato, acrescido de perdas

e danos.

B) DIREITO DE RETENÇÃO

Direito de Retenção é a permissão concedida pela norma ao credor de

conservar em seu poder coisa alheia, já que detém legitimamente, além do momento em que deveria restituir, até o pagamento do que lhe é devido. Eu sei que esse conceito ficou muito teórico. Por isso, para se entender melhor o que seja o direito de retenção, nada melhor que um bom exemplo. Digamos que uma pessoa foi possuidora de boa-fé de uma casa, durante quatro anos. Nesse tempo realizou benfeitorias necessárias. No entanto o verdadeiro proprietário moveu uma ação de reintegração de posse e acabou ganhando a ação. Muito bem. O possuidor, embora estivesse de boa-fé, perdeu a ação; deve sair do imóvel. No entanto, tem o direito de ser