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FEDERAÇÃO ESPÍRITA PERNAMBUCANA

CONSELHO FEDERATIVO ESTADUAL

Organizado por:
Otavio Pereira de Oliveira
2001

Avenida João de Barros, 1629 - Espinheiro – Recife


Telefones (81) 3241.2157/3426.1093/3427.6904 - Fax (81) 3426.3615
http://www.federacaoespirita-pe.com.br - e-mail: fepe@elogica.com.br
Ser fraterno é ajudar aos que não têm esperanças.
É unir-se aos necessitados do corpo e do espírito.
É dar a mão àqueles que despencam no abismo.
É inspirar confiança e transmitir o amor.
É demonstrar amizade sem nada pedir.
É dar-se ao próximo sem reservas, sem cobranças.
É ter o pensamento em Deus e fazer do irmão um objetivo de vida.
É sentir no coração a alegria de ser e de fazer alguém feliz.
É transformar a dor alheia na sua própria dor e reagir.
É alcançar o céu e tocar cada uma das estrelas.
É percorrer os caminhos que levam à Paz.
É, principalmente, saber AMAR.
Suely Campelo
INTRODUÇÃO
“Na oficina de trabalho ou no templo de tua fé, não
esperarás que o chefe, o diretor, o colega, o
companheiro ou subordinado pronunciem
reclamações para resolver os problemas, cuja
presença reconheces, e sim desenvolverás esforço
máximo para que a harmonia e a segurança
permaneçam resguardadas na equipe, evitando
qualquer ruptura nos mecanismos da ação”
Emmanuel (Encontro Marcado, psicografia de F.C. Xavier)

Ao longo dos tempos, a humanidade evolui em todas as direções. O homem tem


se dedicado ao trabalho, muitas vezes de forma insana, na busca de satisfações
materiais, não raro, de modo egoístico.

No rastro desta busca, tem espalhado o desamor, o ódio, a intolerância e na


maioria das vezes afastando-se dos seus compromissos reencarnatórios. No afã do
poder, da glória tem, como um rolo compressor, esmagado seus irmãos.

Outros, têm amargado a miséria, a demência, as doenças, a intolerância. A


sociedade humana não consegue atender suas necessidades básicas.

Nós, que fomos chamados ao trabalho na seara espírita, compreendemos o


porquê destas desigualdades. Sabemos dos compromissos que cada ser humano
contraiu na espiritualidade. Sabemos dos resgates coletivos. Sabemos que faz parte
da Justiça Divina, conhecemos a Lei de Causa e Efeito.

Mas, com certeza absoluta, compreendemos que DEUS, o exemplo máximo da


perfeição, não interfere, por um princípio de justiça, diretamente no alívio das
aflições humanas. Mas permite, através da espiritualidade, que dentro de nossas
limitações, ofereçamos nossos serviços para aliviarmos as aflições de nossos irmãos
quando em infortúnio.

E dentre os serviços prestados pela Casa Espírita, encontramos um na sua porta


de entrada, o ATENDIMENTO FRATERNO.

E é sobre o ATENDIMENTO FRATERNO que desenvolveremos nosso livro.


CONCEITO DE ATENDIMENTO FRATERNO
“Clareando o pensamento exposto, digamos que
DEUS, no aprimoramento de nós outros, conquanto
não nos constranja o livre-arbítrio à cooperação; e
vale notar que, através das operações que
nomeamos por nossos deveres imediatos, é possível
saber a que tarefas seremos conduzidos”
Emmanuel (Encontro Marcado psicografado por F. C. Xavier)

É o atendimento que busca através do diálogo franco e fraterno oferecer a


pessoa que procura a Casa Espírita a oportunidade de expor livremente, em caráter
privativo, suas dificuldades; dar-lhe após isso, as orientações e estímulos de que
esteja precisando, podendo até, se for o caso, oferecer-lhe noções doutrinárias, para
a compreensão dos seus problemas e encaminhá-la às atividades da Casa Espírita
mais adequadas às suas necessidades.

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FINALIDADES DO ATENDIMENTO FRATERNO
“Beneficiamo-nos em leis que não promulgamos,
adquirimos, cultura em livros que não escrevemos,
viajamos em veículos que não construímos, comemos
o pão que não amassamos”. André Luiz (Sol nas Almas,
psicografado por Waldo Vieira).

1. Encorajar os atendidos para enfrentarem seus problemas com fé, paciência,


esperança e equilíbrio;
2. Estimular a vivência dos sentimentos de fraternidade e solidariedade humana;
3. Incluir, nos desesperançados, ânimo para vencer os abatimentos provenientes
dos revezes da vida;
4. Propiciar consolação e conforto espiritual aos aflitos com vista ao alívio de suas
dores;
5. Apresentar a terapia da reforma íntima como recurso essencial ao auxílio do
atendido
6. Fazer uma triagem para encaminhamento aos serviços de orientação e
assistência mantidos pela Casa.

8
A CASA ESPÍRITA E A SOCIEDADE
“Muito simplesmente, o espírita aferirá as próprias
resoluções consigo mesmo, indagando da
consciência que atitude assume ante a Doutrina que
abraça, porquanto há apalpável diferença entre usar o
Espiritismo em favor de si, e permitir que o
Espiritismo use nossa individualidade e os recursos
que dispomos em favor dos outros”
André Luiz (Sol nas Almas psicografado por Waldo Vieira)

A sociedade vem ao longo dos milênios evoluindo dentro de um processo


tecnológico, entretanto os sentimentos como: a vaidade, o orgulho, o egoísmo, a
competição tornam-se ervas daninhas que aos poucos vão extirpando dos corações
o amor ao próximo. As diferenças sociais a cada momento são mais nítidas e cruéis.
Mas no umbral do novo século que apresenta o homem começa a sentir o peso que
lhe é o afastar-se dos ensinamentos evangélicos, o espelho de sua alma mostra-lhe
a cada instante a finitude da atual encarnação. Diante desta constatação, percebe
como são efêmeras as suas conquistas materiais e quão de pouca valia terão para o
seu crescimento espiritual. As crises de depressão, angústia aparentemente
infundadas, as síndromes de pânico tem levado o homem a busca de soluções mais
rápidas, tem aumentado, em conseqüência o número de cultos e religiões que
oferecem ”salvações rápidas” a troco de compensações financeiras. Cada esquina
os quiromancistas, os tarólogos, as runas e outras tantas práticas advinhatórias têm
ganhado espaço e importância.

Enquanto esses processos “alternativos” desenvolvem, a Casa Espírita, longe


dos modernismos, baseada e estruturada no exercício do Evangelho, tem mantido
suas portas abertas, como o prolongamento dos braços do Cristo, aguardando a
volta das ovelhas desgarradas.

É objetivo fundamental da Doutrina Espírita ajudar às pessoas que a procura,


principalmente, na Casa Espírita, para orientação ou alívio dos seus sofrimentos. Na
maioria das vezes, essas criaturas vieram de outras experiências sem resultados
satisfatórios e buscam o Espiritismo como o último dos recursos para a solução de
seus problemas e aflições.

Cabe a Instituição Espírita, através do Atendimento Fraterno, seu ”portal de


entrada”, dispor de trabalhadores treinados que apresentem um perfil adequado
para o trabalho, bem como, se estruturar para o desempenho, a contento, desta
atividade espiritual de capital importância.

O trabalho requer muita seriedade, disciplina e amor, chama-se a atenção dos


Centros Espíritas que se propuserem à prestação do Atendimento Fraterno, para a
responsabilidade que estarão assumindo, diante dos homens e diante da
Espiritualidade, a fim de não cometerem erros que venham comprometer a Doutrina
Espírita e prejudicar a criatura de Deus, necessitada.

9
PERFIL DO ATENDENTE FRATERNO
“Se te encontras, quanto nós, entre aqueles que tanto
recebem da Nova revelação, perguntemos a nós
mesmos o que damos em serviço e apoio,
cooperação e amor, porque sendo o Espiritismo
crédito e prestígio de Cristo entregues às nossas
consciências endividadas, é natural que a conta e o
rendimento que se relacionem com ele seja
responsabilidade em nossas mãos.”
Emmanuel (Opinião Espírita psicografado por F. C. Xavier)

Uma das condições fundamentais para que o trabalhador espírita seja um


Atendente Fraterno está no esforço que vem fazendo com vistas a sua reforma
íntima. É imprescindível que tenha condições morais, embasamento doutrinário,
maturidade e discernimento para lidar com situações, as mais diversas e muitas
vezes inusitadas, que preencha os seguintes requisitos:

1. Boa moral (condição essencial);


2. Ter amor ao próximo;
3. Ser empático;
4. Ter ou estar cursando o ESDE ou ESTEM (conhecimento amplo da Doutrina
Espírita), No caso de trabalhador autodidata, antigo na Casa, fazer a
reciclagem necessária para o desenvolvimento da atividade;
5. Ser humilde cônscio dos seus deveres e de suas limitações;
6. Ser indulgente;
7. Manter o hábito de orar e estudar os ensinamentos doutrinários espiritas;
8. Assistir pelo menos uma reunião Pública por semana;
9. Ser tolerante sem ser conivente;
10. Gostar do contato com as pessoas e ter facilidade de diálogo;
11. Ser responsável com os seus compromissos;
12. Ter discernimento e perspicácia, necessários ao desempenho da tarefa;
13. Saber escutar;
14. Ser comedido e discreto; ter equilíbrio emocional, paciência, segurança e
ponderação;
15. Estar integrado às atividades da Casa e conhecer os seus vários serviços.

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RECEPÇÃO AO ATENDIDO

“Abraça, pois, no trabalho como no serviço, a rota de


cada dia, e, obterás através dos outros, o caminho, o
apoio, o auxílio e o incentivo para a tua segurança,
tranqüilidade, alegria e libertação”.
Emmanuel (Encontro Marcado, psicografado por F. C.Xavier)

O atendido ao chegar à porta da Casa Espírita será encaminhado à sala de


recepção do Atendimento Fraterno onde um recepcionista habilitado orientará o
visitante naquilo que ele procura, o Atendimento Fraterno, para tanto preencherá
uma ficha individual (modelo anexo), e o encaminhará para o atendimento, que será
procedido por ordem de chegada.

Convém lembrar que grande parte das pessoas que procuram os serviços da
Instituição Espírita pela primeira vez, o fazem em busca de ajuda para si mesmo ou
para outros, Poucas são aquelas que vem por curiosidade, ou para conhecer a
Doutrina, mas em todos os casos o Atendimento Fraterno é o encaminhamento
ideal.

Dessa forma, é importante a impressão que o visitante tem sobre o atendimento


que ele recebe, vez que pessoas sérias só voltarão às instituições que transmitem
idoneidade e credibilidade.

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FICHA PADRÃO PARA ATENDIMENTO FRATERNO

ATENDIMENTO FRATERNO
FICHA DE ATENDIMENTO SÉRIE A Nº 0000 data: ___ / ___ /___

1. IDENTIFICAÇÃO:
NOME:_______________________________________________________________________________ IDADE ______anos
SEXO: ( ) masculino ( ) feminino
ENDEREÇO:___________________________________________________________________________________________
BAIRRO: _____________________________ CIDADE:_________________ CEP:_______ -_____ TELEFONE:___________

2. MOTIVO PARA O ATENDIMENTO:


_____________________________________________________________________________________________________

3. ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL ( ) CONSULTA ESPIRITUAL Dia ___/___/___ de ___:___ às ___:___ h

3.1 Reuniões Doutrinárias: ____ aos sábados às 15:00 h (até quatro)


3.2 Reuniões Públicas (sempre)
3.3 Passes de Cabine : ____ passes (até seis)
3.4 Passe de Câmara : ____ passes (até quatro)
3.5 Passe de Câmara para Atendimento Infantil: ____ passes
3.6 Água Fluidificada durante ____ dias ____ vezes ao dia (até quarenta e cinco dias e três vezes ao dia)
3.7 Outras recomendações:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
NOME DO ATENDENTE:_____________________________________________________________________________

............................................................................................................................................................................................................

FICHA DO ATENDIDO Data :___/___/___ Ficha nº 0000

1. IDENTIFICAÇÃO:
NOME:_______________________________________________________________________________ IDADE ______anos
SEXO: ( ) masculino ( ) feminino
ENDEREÇO:___________________________________________________________________________________________
BAIRRO: __________________________ CIDADE:__________________ CEP:________ - ______ TELEFONE:___________

2. ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL :
2.1 Reuniões Doutrinárias: ____ aos sábados às 15:00 h
2.2 Reuniões Públicas (sempre)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
2.4 Passes de Cabine: ____ passes
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

1 2 3 4 5 6
2.4 Passes de Câmara : ____ passes

2.5 Passe de Câmara para Atendimento Infantil: ____ passes


2.6 Água Fluidificada durante ____ dias ____ vezes ao dia
1 2 3 4 5 6
2.7 Desobsessão:
2.8 Outras recomendações:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

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NORMAS GERAIS PARA O ATENDIMENTO FRATERNO
“Servir, na essência, é amparar o outro no lugar e na
situação de necessidade em que o outro esteja sem
cogitar nem mesmo da opinião desfavorável que o
outro expresse, de vez que nem todo enfermo aceita
sem reclamar o remédio que se lhe aplica, não
obstante o remédio lhe efetive a cura”
André Luiz (Sol nas Almas, Psicografado por Waldo Vieira).

1- Seguir as diretrizes da Casa/ Centro Espírita ;


2- O atendente deve chegar pelo menos 15 minutos antes do início do
atendimento e preparar-se com a leitura de uma página e da prece;
3- O local do atendimento deve ser reservado;
4- Atender separadamente cada pessoa;
5- Nenhuma orientação deve expressar opinião pessoal e sim da Doutrina;
6- Manter sigilo sobre as informações recebidas durante o atendimento ;
7- Recomendar a leitura de obras espíritas,;
8- É desaconselhavel a manifestação mediúnica na presença dos atendidos ;
9- No caso de manifestação mediúnica por parte do atendido, o atendente, com
carinho e firmeza, orientará a entidade e o médium, enfatizando a necessidade
de disciplina ;
10- Em hipótese alguma se deve interferir na orientação ou receituários
médicos, não interrompendo medicações e prescrições médicas, sob pretexto ou
aconselhamento “espiritual”;
11- Encaminhar o atendido para outros setores da Casa Espírita, se for o
caso ;
12- Levar em consideração que nem todos os problemas são de ordem
obsessiva ou mediúnica e que muitos são de personalidade;
13- Os atendentes deverão se reunir, periodicamente, para discutir os
casos tratados, além de estudar formas e meios para um desempenho mais
eficiente no trabalho

13
COMPORTAMENTO DO ATENDENTE EM SERVIÇO
“O compromisso de trabalho inclui o dever de
associar-se a criatura ao esforço de equipe na obra a
realizar”.
André Luiz (Sinal Verde, psicografado por F. C. Xavier).

1- Conscientização do trabalho a ser realizado;


2- Ter amor ao próximo;
3- Preparar-se através do estudo;
4- Conhecer suas limitações;
5- Ser empático;
6- Não julgar o outro, respeitá-lo;
7- Não se chocar com o que for relatado
8- Evitar opiniões e relatos pessoais, orientando sob a luz da Doutrina Espírita,
exclusivamente;
9- Abstrair-se de seus problemas pessoais e ver no outro o problema maior;
10- Não julgar nenhum problema menor ou sem importância, dando a todos a
mesma atenção e cortesia, compreensão e fraternidade.
11- Ter a humildade para reconhecer as próprias limitações e saber que não lhe
compete e nem poderia solucionar todos os problemas do outro e, sim, clarificá-
lo com as diretrizes espíritas;
12- Não se envolver, em nível de intimidade, com nenhum atendido ;
13- Lembrar que, normalmente, a pessoa que ali está já recorreu a todas as formas
de atendimentos e de terapias e, na maioria dos casos, aguarda soluções
mágicas no Espiritismo;
14- Estimular o atendido no próprio processo de autocura ou auto-ajuda, de
reeducação e de amar a si mesmo;
15- Não prometer cura ;
16- Não prognosticar e nem fazer revelações;
17- Não indicar ou encaminhar pessoas para reuniões mediúnicas;
18- Não criticar nenhuma posição religiosa ;
19- Colocar-se, tranqüilamente, ao inteiro dispor do atendido, passando a ouvi-lo
com bondade e interesse, procurando infundir-lhe confiança e encorajamento.
Esta atitude o auxiliará a desvencilhar-se do estado de tensão ou expectativa,
deixando-o mais a vontade para seu desabafo;
20- Conduzir o diálogo com objetividade e com a brevidade adequada a cada caso,
sem no entanto prolongá-lo demasiadamente em respeito as demais pessoas
que estão aguardando a vez;
21- Manter-se em oração e vigilância, para possibilitar uma boa sintonia com os
bons espíritos que o assiste na tarefa; não se deixar envolver pelos problemas
dos entrevistados ou por espíritos em desequilíbrio que acaso os acompanhem;
22- Desenvolver o diálogo numa linguagem acessível, num clima de naturalidade e
fraternidade, sem demonstração de pretensa superioridade, sem a presunção de
tudo resolver e fugindo de conversação chulas, discussões estéreis, contendas
políticas, religiosas ou doutrinárias;
23- Conservar-se neutro nas orientações sobre problemas sentimentais, pela
delicadeza do assunto, no entanto, recomendar o paciente a confiar em DEUS, a
ouvir seu coração, a primar pela paz, harmonia e concórdia, a manter a
disciplina mental e a buscar inspiração na prece;
24- Esclarecer ainda que em todos os empreendimentos de beneficência e socorro
terão sempre em vista os fatores de merecimento e do esforço pessoal,

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porquanto não havendo privilégios que distingam as criaturas ; a justiça
funciona, acima de tudo, atenuada pela misericórdia do amor;
25- Incentivar o atendido a reforma íntima, esclarecendo-lhe que quando vibramos
em faixa superior, somos protegidos das agressões selvagens oriundas dos
petardos venosos do ódio, pois a sombra não afugenta a luz, nem o crime se
apresenta com cidadania legal da honradez;
26- Esclarecer que a freqüência regular às reuniões públicas espíritas e a leitura de
obras doutrinárias são formas de manutenção do benefício recebido do mundo
espiritual.
27- Procurar durante o atendimento não exceder 30 minutos, por pessoa atendida,
exceto casos excepcionais;
28- Falar com simplicidade, moderação no timbre de voz e, quando indagar,
procurar não transformar o atendimento em um interrogatório;
29- Atender as pessoas, sem preferência e sem excepcionalidades, sempre no local
para isso determinado, na Casa Espírita;
30- Ouvir as pessoas com a máxima atenção (maior expressão de altruísmo quanto
ao amor e atenção ao próximo), lembrando que interromper, constitui violação
do principal objeto da comunicação humana (“ouvir pessoas é fascinante. Ouvir
atentamente, olhando nos olhos, esperando o momento certo para falar com
calma e ponderação, sem querer se impor ao interlocutor, já ajudaria muito.
Pense nisso.”) (Jornal Gazeta do Povo – PR 22.03.00);
31- Prestar a atenção nas informações contidas na Ficha de Atendimento e
promover o seu preenchimento correto;
32- Encerrar o trabalho com uma prece de agradecimento e se desligar dos
problemas trazidos pelos atendidos.

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ATENDIMENTO FRATERNO : Tratamento Espiritual
“Compadece-te de quantos te procurem, mergulhados
em dúvidas ou desespero”
Emmanuel (Rumo certo psicografia de F.C. Xavier)

Conceitua-se o Tratamento Espiritual como toda ação que envolva, direta ou


indiretamente, a intervenção do plano espiritual superior na recuperação da saúde
espiritual, mental ou física do ser encarnado. Apartir deste conceito podemos
distinguir dois tipos de tratamentos a Assistência Espiritual e a Consulta Espiritual.

A Assistência Espiritual é o ponto fundamental do Atendimento Fraterno, ou seja,


consiste no processo de entrevista que proporciona a oportunidade de um diálogo
franco e fraterno, onde o atendido, num clima de confiança e compreensão, pode
expor suas dificuldades e receber orientações reconfortadoras à luz da Doutrina
Espírita. Aos atendidos o atendente fraterno pode prescrever a seguinte terapêutica:
• Passes de cabine até seis, uma vez por semana;
• Passes de câmara até quatro, uma vez por semana;
• Passes de câmara para atendimento infantil até no máximo quatro,
porém seguidos de uma avaliação pela evangelizadora e dos familiares (se
necessário repetir). Para os que padecem de males congênitos os passes
poderão ser por tempo indeterminado;
• Água fluidificada de quinze até quarenta e cinco dias (até três vezes ao dia);
• Assistir reuniões doutrinárias até quatro, uma vez por semana, aos
sábados às quinze horas.
• Recomendar a leitura de obras espíritas, principalmente, as da
Codificação e outras de cunho doutrinário tradicionalmente aceitas;
• Assistir reuniões públicas, pelo menos uma vez por semana, por tempo
indeterminado.
Para que este tratamento possa ser prescrito é necessário seja adotado o
seguinte procedimento:
• Preencher o restante da ficha que acompanha o atendido, tanto a parte
superior como a inferior, cujo campo 1 – identificação, será preenchido pela
recepção do AF,. Após o preenchimento destacar a ficha inferior e entregá-la ao
atendido e a parte superior entregar na recepção para arquivo. No caso de indicação
para passes de câmara, encaminhar a ficha para o controle na assistência.
• Em caso de encaminhamento para Consulta Espiritual, marcar com um ”x” os
parênteses que antecedem a expressão “consulta espiritual”, escrever no espaço
próprio a data da próxima Quarta-feira, e o horário da visita espiritual domiciliar
(17:30/18:30) que ocorrerá naquele dia. Neste caso reter a ficha do atendido e
remetê-la para recepção da sala da assistência, que adotará as providências
necessárias. As respostas das consultas serão dadas nas sextas-feiras.

A Consulta Espiritual é o encaminhamento, conseqüência natural do


Atendimento Fraterno, quando o atendente se vê diante de situações onde o
atendido precisa de um tratamento mais profundo e recomendado pela
espiritualidade, geralmente nos casos de:
• Fascinação;
• Subjugação;
• Incorporações espontâneas;
• Incorporações em via pública;
• Doenças mentais graves;
• Doenças orgânicas graves;
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• Longos episódios de insônia;
• Agressividade sem controle;
• Possibilidade de suicídio;
• Dependência química;
• Alcoolismo;
• Outras patologias espirituais, mentais e físicas, graves.

O atendido deve ser informado do que significa cada passo do tratamento,


como: para que servem os passes; a água fluidificada; as reuniões doutrinárias; as
reuniões públicas e principalmente a necessidade da leitura das obras dignificantes
da literatura espírita e reforma íntima pessoal.

17
ATENDIMENTO FRATERNO INFANTIL

“Nada enternece mais do que abraçar um pequenino


nas alegrias do Lar”
Emmanuel (Opinião Espírita psicografado por Francisco C. Xavier).

É o atendimento fraterno que visa atender uma faixa de seres encarnados até
doze anos de idade, que apresentem dificuldades sérias de toda ordem, de um
modo geral, ligadas a processos cármicos, entre eles:
- Físicos, congênitos ou adquiridos:
- Todas as doenças físicas:
- Paralisias;
- Deficiências auditivas, visuais e físicas.
- Câncer;
- Diabetes etc...

- Mentais – PNEE (Portadores de Necessidades Educativas Especiais)


- Congênitos ou adquiridos
- Autismo;
- Paralisia cerebral Sindrome de Down;
- Esquizofrenia;
- Deficiências mentais variadas;
- Com processos obsessivos ou não.

- Emocionais e/ou espirituais.


- Adquiridas hoje, lembranças do passado.
- Conflitos;
- Traumas;
- Medos;

- Terror noturno;
- Complexos;
- Enurese;
- Agressividade;
- Hiperatividade;
- Rejeição familiar;
- Idéias de suicídio;
- Viciações e defeitos graves;
- Processos obsessivos;

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OBJETIVOS
“A mente infantil dar-nos-á de volta, no futuro, tudo
aquilo que lhe dermos agora”.
André Luiz (Sinal Verde, psicografado por F. C. Xavier).

• Atender especificamente às crianças com problemas espirituais, emocionais e


físicos,
• Apoiar espiritual, moral, emocional e fisicamente aos pais cujos filhos sejam
portadores de necessidades educativas especiais e não tenham condições de
freqüentar com regularidade os Centros Espíritas;
• Tratar com acompanhamento e orientações às famílias de crianças que
apresentem processos obsessivos.

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A EQUIPE
“Que a vossa falange se arme, pois, de resolução e
de coragem! Mãos a obra ! a charrua está pronta; a
terra espera; é preciso trabalhar”.
Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XX item 4.

Trabalho de atender fraternalmente de um modo geral exige do atendente um


crédito muito grande de responsabilidade, de fé, de perseverança e, principalmente,
de amor ao próximo. É um constante exercitar da paciência, da brandura e da
intuição. Porém, a demanda do público infantil que acorrerá ao serviço acima
descrito, com todas as suas peculiaridades, exigirá muito mais, não só dos
atendentes como também daqueles que comporão a equipe socorrista, para tanto
são condições sine qua non, abaixo descritas:

• Médiuns passistas com fluidos específicos para este tipo de tratamento;


• Pessoas com vivência doutrinária e mediúnica;
• Ter maturidade física e emocional;
• Ser pontual e assíduo;
• Ser perseverante;
• Não estar sob tratamento espiritual;
• Não estar sob influenciação obsessiva;
• Estar no recinto, no mínimo, quinze minutos antes do início dos trabalhos;
• Harmonizar-se e sintonizar-se com o mundo espiritual;
• Preparar-se constantemente de acordo com os princípios doutrinários do
Evangelho;
• Manter o comportamento longe das viciações (fumo, bebidas, leituras e
filmes não edificantes).

A equipe será constituída por nove pessoas, a saber:


• Três médiuns passistas;
• Três médiuns doadores de fluidos;
• Dois trabalhadores acompanhando as crianças e seus pais na sala de espera;
• Um coordenador das atividades.

20
ROTINAS
“Depois de um problema, aguardar outros”.
André Luiz (Sinal Verde, psicografado por F.C. Xavier).

Para a execução do serviço se adotará as seguintes rotinas :


1. Entrevista no Atendimento Fraterno;
2. A recepção fará preenchimento da ficha própria registrando o
problema;
3. O atendente prescreve o tratamento assistencial e encaminha para
equipe, que estará de plantão aos domingos;
4. O coordenador da equipe receberá o paciente e determinará a conduta
terapêutica a ser adotada;
5. Acompanhar os atendimentos prescritos;
6. Determinar a duração de cada sessão de passes;
7. Orientar os pais quanto a criança freqüentar as aulas de evangelização
do DIJ;
8. Orientar a família para a realização do Evangelho no Lar;
9. Lembrar que o tratamento espiritual não substitui o tratamento médico-
psicológico;
10. Manter o ambiente harmonizado.

“Jamais perca a esperança ou a paciência no trato natural com


nossos irmãos enfermos... para que se positive a assistência
espiritual desejável”.
André Luiz (Opinião Espirita, psicografia de Waldo Vieira).

21
O ESCUTAR DO ATENDENTE
“O sentimento mais próprio para vos fazer progredir,
domando vosso egoísmo e vosso orgulho, o que
dispõe vossa alma à humanidade, à beneficência e
ao amor ao próximo, é a piedade.”
Michel( Bordéus, 1862, Evangelho Segundo o Espiritismo).

O ouvir é apenas um ato perceptivo, a ação de um estímulo sobre um dos


órgãos do sentido, o ouvido. Basta não ser surdo para que o fenômeno ocorra. É
uma ação comum a todos os seres humanos e à grande maioria dos animais.
Depois da visão é o ato perceptivo mais comum e essencial no processo de
comunicação.
Quando se fala no “saber ouvir”, coloca-se um verbo sobre o outro, ou seja, uma
ação atrelada à outra, é uma especialidade do ouvir. É uma qualidade possível na
criatura humana.

A Psicologia e principalmente a Psicanálise, brindam a ciência com uma palavra


mais precisa para nomear o ato de “saber ouvir” o próximo, o escutar. Freud ao
traçar as regras básicas que norteiam a técnica psicanalítica, formulou o conceito de
“escuta flutuante”, que seria em síntese, criar condições para que haja uma
comunicação de Inconsciente para Inconsciente, onde o terapeuta, simbolicamente
fica “cego” para “ver melhor” (escutar sem selecionar o material recebido sem
exercer julgamentos).

Este ensinamento freudiano sendo parafraseado atende perfeitamente ao “saber


ouvir”, ou seja, o escutar do atendente fraterno.

Na medida que o atendente se isenta de suas experiências pessoais;


disponibiliza o amor ao próximo, tenderá a manter uma comunicação de perispírito
para perispírito e assim compreendendo a necessidade de quem procura o
Atendimento Fraterno da Casa Espírita.

A escuta transcende qualquer conceito fisiológico, não se restringe a fria


comunicação entre dois seres. Ela procura entender o outro, não só através das
palavras ditas, mas também na expressão do sentimento que muitas vezes se aloja
nas entrelinhas no primeiro momento da fala, que geralmente se assemelha a um
monólogo.

O escutar é o que possibilita o surgimento da intuição, é uma expressão de amor


ao próximo.

Quem procura o Atendimento Fraterno de um modo geral enrouqueceu de tanto


suplicar por ajuda. Sua voz misturou-se no torvelinho das explicações inúteis; dos
conselhos dos falsos profetas; nas terapêuticas farmacológicas (que só atende a
matéria); nas esperanças infundidas por milagreiros; entre outras.

O escutar é encurtar o caminho entre o ouvido e o coração, nas palavras de


André Luiz, em Opinião Espírita “São muitos os cambaleiam desorientados, à
míngua de tolerância. Convém, no entanto, frisar que palavras não lhe escasseiam.
Falta-lhe o silêncio de um coração amigo, com bastante amor para ungir-lhe a alma,
no bálsamo da compreensão, e por este motivo, desfalecem na luta, a feição do
motor que se desajusta sem óleo”.

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O atendente ao escutar deve (dever é o verbo correto, pois é uma obrigação
daquele que se relaciona com o próximo necessitado) exercer a humildade e a
caridade, esquecer seus problemas, ainda que pareçam maiores; sufocar suas dores
e desalentos; não julgar as pessoas que lhe narram suas desditas; não se mostrar
superior; não levantar falsas expectativas.

Aquele que escuta no Atendimento Fraterno é instrumento a serviço da


espiritualidade amiga, portanto ao usar a palavra que ela não seja vazia e vã, mas
que represente um auxílio e que seja consolidara. Enfim que o atendido possa
compreender a situação diante do Cristo e que soluções estão sempre dentro dele, a
reforma íntima, associada a fé, a vontade e a perseverança.

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EMPATIA
“Não basta que dos lábios gotejem leite e mel, pois se
o coração nada tem com isso, há hipocrisia. Aquele
cuja afabilidade e doçura não são fingidas, não se
contradiz jamais; é o mesmo diante do mundo e na
intimidade; ele sabe, aliás, que se pode enganar os
homens pelas aparências, não se pode enganar a
Deus”
Lázaro (Evangelho, cap. IX, item 6)

Como o atendente fraterno pode conseguir resultados positivos em sua atividade


de auxílio ao necessitado que procura a casa Espírita?

Esta resposta implica em uma série de variáveis; formação ético-moral;


conhecimento da Doutrina Espírita; bom relacionamento interpessoal;
autoconhecimento; capacidade de dialogo consigo mesmo; auto-estima; consciência
de si; empatia; entre outras.

Dentre as variáveis enumeradas, a que mais deve identificar o atendente é a


capacidade empática, que de um modo geral retrata a possibilidade de se
estabelecer influência e interação da personalidade. Rollo May diz que empatia
significa um estado de identificação mais profundo das personalidades, em que a
pessoa se sente tão dentro da outra que chega perder temporariamente a sua
identidade. É nesse profundo e tanto misterioso processo de empatia que ocorrem a
compreensão, a influência e outras relações significativas entre as pessoas ““.

Como se pode perceber pelo que descreve o autor citado, toda ajuda que
busque aliviar o sofrimento do próximo tem que passar pelo mecanismo da empatia.
A compreensão da dificuldade do outro passa pelo sentir como. E só poderá ser
estabelecida apartir do momento da escuta. No momento da fala do atendido e da
escuta do atendido, deve haver uma fusão psíquica, um momento misterioso,
aparentemente mágico. Há uma identificação perispiritual. E como se o atendente
pudesse ler a inserção do problema do outro na sua raiz, na sua origem. ”A empatia
ocorre no momento em que um ser humano fala com o outro. É impossível
compreender outro indivíduo se não for possível, ao mesmo tempo, identificar-se
com ele... Se buscarmos a origem dessa capacidade de agir e sentir como se
fossemos outra pessoa, iremos encontrá-la na existência de um sentimento social
inato. Na realidade ela é um sentimento cósmico e um reflexo do encadeamento de
todo o cosmo que vive em nós. É uma característica inevitável de ser um humana”
(Adler in A Arte do Aconselhamento Psicológico de Rollo May, 1976, p. 68). É uma
característica inevitável de um ser humano.

Convém salientar que a estrutura de personalidade do atendido não muda com


os conselhos do atendente. Os conselhos e indicações funcionam como elementos
motivadores para a reforma íntima que esta respaldada na boa ou má utilização do
livre-arbítrio. Somado aos conselhos as indicações terapêutica-espirituais servem
para minorar o sofrimento do atendido.

Só a utilização ampla da empatia será capaz de mostrar os melhores caminhos


na amplidão dos Evangelhos,
A empatia fornece o elemento básico capaz de promover mudança, a influência.

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AUTO-ESTIMA
“Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e
se vos abrirá; porque todo aquele que pede recebe,
quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à
porta. Também qual o homem dentre vós que dará
uma pedra ao filho que lhe pede uma pão? Ou se lhe
pede um peixe, lhe dará uma serpente? Se, pois,
sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos
vossos filhos, com quanto mais razão vosso Pai, que
está nos céus, dará os verdadeiros bens àqueles que
lhos pedem.”
Mateus (Evangelho, cap.VII, itens de 7/ 11)

Ao se falar sobre auto-estima, que conceitualmente é ”o sentimento da


importância ou valor de alguém por si mesmo”, qual o objetivo que se visa? Poderia
se dizer que seria despertar em cada um dos leitores interessados, a revisão de si
mesmo e suas relações inter e intrapsíquicas, o que facilita a relação durante o
Atendimento Fraterno.

As pessoas não se compreendem através ou apenas por conceitos. São um


pouco mais complexas, as variáveis que se lhes apresentam, são muitas,
principalmente diante dos papéis que se vêem a desempenhar no dia a dia.
Portanto, se caminhará um pouco além das tramas conceituais. As palavras ditas ou
escritas servirão apenas como forma de comunicação, nunca como definições ou
fórmulas prontas. Olhem-se como pessoas se relacionando. É a capacidade de
relacionamento consigo e com os outros que os indivíduos são distinguidos de todas
as criaturas conhecidas e os tornam pessoas.

O poder, a capacidade que o homem detém de dobrar-se sobre si mesmo e de


fazer uma leitura interna e de estar cônscio e livre, de afetivamente encontrar-se
com seu semelhante, mostra que ele não apenas pensa, ele se caracteriza pela
reflexão - “capacidade de estabelecer uma relação íntima e insubstituível consigo
mesmo”. Pascal afirma: “o universo é maior que o homem e o esmaga com sua
grandeza, mas o homem é maior que o universo, pois o universo não sabe o que
está esmagando, mas o homem é esmagado e sabe o que o está esmagando”. Ele
intui que é um ser que existe sob o determinismo espiritual e que o livre-arbítrio o
faz livre a cada reencarnação, para sua destinação futura.

Não basta saber, mas saber que sabe, não basta sofrer, mas saber que sofre;
não basta viver e morrer, mas saber que se vive e se morre. É isto que faz do
homem mais que um objeto, e, quando se reflete sobre si mesmo é para se
conhecer naquilo que o faz um eu. Embora saber tantas coisas daquilo que o
envolve, desconhece muito daquilo que é. As pessoas se detém geralmente naquilo
que elas representam e esquecem aquilo que foram em reencarnações anteriores.

Sendo impossível separar os sentimentos, desejos, medos, incentivos, o homem


se coloca, automaticamente, em contato constante e de maneira espontânea e
assistemática com eles, se instituí como senhor de si mesmo e não um ser autômato
dirigido por forças externas. Entretanto, ao longo de sua existência terrestre,
descobre nos primeiros reveses sua fraqueza e um relacionamento com forças
desconhecidas, que em princípio denomina de destino, quando mais esclarecido
descobre sua relação com a espiritualidade, ai então se consuma a crença em Deus
e na amorosidade de Jesus.

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O que faz do homem uma pessoa, um ser existencial capaz de julgar a vida dele
sob um ponto de vista positivo/negativo e dar-lhe um rumo adequado, é a
consciência de si. Cabe então o argumento de Allport quando diz : “a personalidade
é organização dinâmica dos sistemas psicofísicos que, num indivíduo lhe determina
a adaptação original ao seu meio”. A grande questão é guardar-se de si mesmo,
reconquistar-se e refazer-se. Porém, nunca esquecendo que este processo funciona
a partir da reforma íntima.

A consciência de si impede que o homem coloque sua pessoa no lugar onde não
está. Portanto, a individualidade não é suficiente para determinar a pessoa, mas
acrescenta-lhe uma certa dignidade. O homem procura saber o que representa para
outrém, vai descobrir que ele é uma realidade determinada, mas diferente do que
julgava ser, uma vez que na sua tripla constituição: matéria, espírito e perispírito, vê-
se colocado diante de uma perspectiva espiritualmente estruturada. Não é uma
realidade própria, mas uma constante fusão, fluídica e maleável. Os desligados de si
são protagonistas passivos da sua própria existência, sujeitos a influências
espirituais negativas, ou melhor, obsessivas.

Tem-se que a consciência é uma subjetividade a manifestar-se em experiência


em um único sujeito. É, sem dúvida, importante a imagem do corpo, reflexo do
espírito, que muitas vezes se observa como atributo social. Mas uma outra condição
da consciência de si é a nomeação desta imagem. O nome personifica, qualifica e
encerra o mistério de cada um. A consciência de si não é uma consulta a um arquivo
morto, é a identificação de processos e de forças, dentre as quais a auto-estima.

A auto-estima é integração de valores, sentimentos e a importância de si que


mantém as relações com o físico, a produção de julgamentos éticos, estéticos
morais que comportam objetivos preestabelecidos e leva a pessoa à identificação
com os resultados. É neste espaço que ocorre o sentimento de inferioridade,
iminentemente social, que é capaz de desencadear mecanismos de defesa contra si
e os outros. Um deste mecanismos é o recalque e este recalque significa que não se
quer olhar para si como pessoa, por ignorância, por preguiça ou por influenciação
obsessiva.

A relação satisfatória consigo mesmo é para quem tem coragem de ver suas
exigências pessoais atendidas e se não, compreender e reformulá-la diante da
inexorabilidade dos compromissos reencarnatórios. Mas este ver não implica e
aceitação tácita, todo processo humano é dinâmico, o homem deve procurar sua
melhoria. Muitas de suas potencialidades nunca chegam a realizar-se. Mas esta não
realização é que nos dá a capacidade de buscar, evoluir, enfim de procurar a utópica
completude.

Quando indivíduo propõe a si um mergulho interno para o seu conhecimento,


admite que não é portador de conhecimentos prévios. Significa que vai iluminando
as suas trevas primárias, com o fogo vital na relação com o ambiente, ou seja, um
conhecimento prático teorizado a posteriori, pois só assim se realiza diante dos
conhecimentos cristalizados sob o véu do nascimento. Esta experiência do
conhecimento é que mostra a liberdade relativa em que se vive utilizando o livre-
arbítrio. O absoluto inexiste para o ser enquanto ser encarnado.

Na relação consigo mesmo, naturalmente, conduzido a uma conversa interna é


um diálogo, nunca um monólogo. Esta conversa interna de perguntas e respostas

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significa se conhecer naquilo lhe faz ser um indivíduo personalizado. De ser autor,
diretor e intérprete do espetáculo que é a sua existência, Quando se evita este
diálogo situa-se atrás do medo, do tabu de penetrar em seus segredos. Esta
evitação torna a pessoa ignorante. Procura-se então soluções mágicas. Logo se
pode concluir que se é na medida em que se comunica consigo e com os outros. E
por via de conseqüência, tem-se uma imagem que pode se despersonalizar.

A vontade, capacidade de dirigir as energias psicofísicas para uma única meta,


leva a criatura a arquitetar o seu destino, arbitrando o que é que o revela como
pessoa. Pois quem não escolhe e quem não determina o que é bem e bom para si,
delega o direito aos outros de escolha.

O desejo, que ordenado pela vontade, mas que tem outra origem, usa a
afetividade como forma de se satisfazer, cabe aqui a afirmação de Jung: ”não se
pode amar a outrém quem primeiro não amar a si; o primeiro mendigo a quem
devemos acolher somos nós mesmos”, o que é compatível com o maior dos
mandamentos da lei. Não se duvida que a auto-afirmação, impulso poderoso que
leva às realizações pessoais, é meta prioritária. Quando não se quer mais, não se
decide, não se escolhe, reduz-se a mero fantoche.

Os sentimentos, forma de expressar na relação com as coisas, pessoas e


consigo mesmo, são a percepção de como se vê, melhor ainda, na reação ao
ambiente. Portanto, uma vez que se é mais do que pensar, se é o sentir. Antes de
pensar há o sentir. E o responsável por esse sentir que afeta, atinge, toca
intimamente, é irrecusavelmente, o si mesmo. Alguém a quem se liga aos outros e
liga-se a si mesmo. Se é na medida que se sente. Se o sentimento é a expressão da
afetividade, se pode concluir que não basta refletir para existir, tem que se sentir,
pois a energia básica é a afetividade. E essa afetividade é fruto da semente do amor
pleno, lançada em cada ser humano, por Jesus, corroborada por seus Evangelhos.

Dir-se-ia que a relação afetiva implica num sistema de perguntas e respostas


que quando não respondidas geram ansiedade. Ela é mais intensa quando advém
da falta de coragem de perguntar, com medo que não hajam respostas para ela. O
que também é válido a para a agressividade. Em ambos os casos terão reflexos nos
relacionamentos interpessoais. Só é sensato em agir consigo mesmo, quem sente
seu próprio valor. Ora, então quem não se mobilizar afetivamente com sua própria
existência é o mesmo que se ter rejeitado. É necessário que se libere das
repressões afetivas, para sentir-se ligados pelo sentimento do amor amplo e
irrestrito, inclusive pelos inimigos. Mas se esta liberação da repressão levar à
desvalorização ou a um desligamento de si, fatalmente surge a alienação, ou seja,
um processo obsessivo, tem-se que evitá-la.

Há de se tomar cuidado para não se isolar, o isolamento pode também, causar a


despersonalização. Uma vez que a pessoa não é só intra-relação, ela é também
objeto de inter-relação intensa.

A criança se desenvolve mediante o processo de interseção com outras, aonde


vai se conhecer. Mas o conhecimento que tem de outrém não vale mais do que tem
dela mesma. É neste processo de interseção e interdependência que se existe como
animal, como pessoa e principalmente como ser dotado de um espírito, que é a
própria inteligência vinculada à matéria através do perispírito. Entretanto esta
relação é mantida através de um processo de comunicação que permite que eu seja

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em relação a mim e ao outro e que o outro também seja. Contudo, quando faltam
quaisquer vínculos humanos e espirituais, perece em cada um a potencialidade de
personalização.

Como podemos verificar no estudo de Maslow sobre a hierarquia das


necessidades, em qualquer momento da vida, a criatura continua a necessitar de
uma valorização pessoal, de um inter-relacionamento satisfatório. Uma certa dose
de insegurança é imprescindível para o gozo mínimo de saúde psíquica. Portanto, à
medida que se cresce não diminui em si necessidade de amor. Por conseguinte,
pode se dizer com reservas, que os problemas psíquicos se resumem numa
necessidade de valorização. Amar adultamente é descobrir o valor e valorizar, é
aceitar esta valorização e se esforçar por mantê-la em si e no próximo.

Considerando a saúde psíquica ou equilíbrio como meta a ser conquistada, ver-


se-á que nunca o é definitivamente, se está sempre na busca diuturna de mantê-la
ou reconquistá-la, E nesta reconquista, ou se descobre uma essência pessoal
inatingível, ou condena a si ao fracasso. Nesta linha de raciocínio descobre-se que
uma paixão não revela uma afetividade superior, e sim uma exacerbação afetiva
causada pela imaturidade, frustração ou apego excessivo à matéria.

Ser livre é ser responsável por si mesmo, mas nunca esquecendo que só se
pode sê-lo na medida em que pode responsabilizar-se pelo outro, pois para que ele
seja, se precisa ser, Quanto mais se é autenticamente um eu mesmo, uma pessoa,
tanto mais existe, não para um ego estéril, mas uma fecunda inter-relação com o seu
semelhante.

A reflexão não é um monólogo, é um diálogo que o corre no íntimo de cada um.


Ela não passa de um exercício de bom senso, da descoberta, do desenvolvimento,
da proclamação, enfim de aceitar-se como se é, para que se possa mudar.

As relações humanas existem e se desenvolvem através de mecanismos que


chamados de comunicação. Se ela não existisse a sociedade não funcionaria. O
instrumento privilegiado da comunicação é a linguagem, e é ela que permite as inter-
relações. Esta comunicação é tão importante que Deus permite que se desenvolva
entre os dois mundos. E é com a ferramenta da comunicação que o Atendimento
Fraterno pode prestar sua ajuda aos encarnados e desencarnados devolvendo-lhes
a auto-estima.

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REFORMA ÍNTIMA
“E interrogado pelos fariseus sobre quando havia de
vir o Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino
de Deus não vem com aparência exterior”. Nem dirão:
Ei-lo aqui! Ou ei-lo ali! Porque eis que o Reino de
Deus esta entre vós. Lucas (Evangelho, cap. XVII, v. 20 e
21).

No nível de consciência em que vive a maioria das pessoas, viagens, passeios,


distrações, excursões, ajudam a relaxar e aliviar o stress do dia a dia.
A incursão, a viagem interior, a introspecção, no entanto, é o desejo latente em
cada uma das criaturas que almeja se melhorar espiritualmente. Não se trata de uma
simples viagem de observação. É uma viagem transcendental, onde cada um irá
percorrer a sua estrada. São estradas longas, estreitas, sinuosas, tendo em seus
percursos inúmeros abismos, charcos, desertos; depressões e elevações em sua
topografia, e em seus leitos, pedregulhos, lama e espinhos; porque assim as
criaturas as construíram.

Essa viagem por ser transcendental se divide em várias fases, curtas,


denominadas existências e caberá ao viajante por seu livre arbítrio, fé, vontade,
força de vontade e perseverança seguir mais rápido e com mais segurança, ou
demorar-se e estacionar nos trechos mais difíceis. Não importa quando se chegará
na reta final, nem o tempo para o percurso, o que importa é caminhar sem cessar e
saber que chegará.

Definir o caminho a seguir, nessa existência, é o objetivo que se quer. O veículo


é formado pelo pensamento, vontade, força de vontade, perseverança e ação. A
reflexão será a sinalização, o balizamento da estrada e a avaliação do caminho
percorrido. A viagem transcendental consciente tem início a partir do momento que a
criatura se identifica consigo mesma, procura autoconhecer-se, se auto-avalia e
deseja mudar, mudar para melhor, diminuir seus sofrimentos.

Tanto o atendente fraterno deve no exercício do seu trabalho levar o atendido à


reflexão, dentro de um roteiro vivo exemplificado na listagem decalogada a baixo,
como também fazer a sua própria reflexão.

1ª REFLEXÃO – DEUS EM NÓS.

Sendo Deus a inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as


coisas, quem é o homem se não uma criatura, um espírito que se maculou ao longo
das existências, que agora busca a volta ao regaço do Pai, através da experiência
da reencarnação expiatória.

“Onde está escrita a Lei de Deus?”.


- Na nossa consciência.
Visto que o homem traz em sua consciência a Lei de Deus, que necessidade
havia de lhe ser revelada?
- Ele a esquecerá e desprezará. Quis então Deus que lhe fosse lembrada.”“.
(O Livro dos Espíritos, questão 621 – Allan Kardec).

“Deus está em nós com suas leis, segundo o nosso nível de consciência”. (Divaldo
P. Franco – Provas Científicas da Reencarnação – 23/11/00).

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2ª REFLEXÃO – O GRANDE MANDAMENTO.

A Lei do Amor deve pautar todos os pensamentos, palavras e obras do ser


humano, pois está centrada nos dois princípios maiores da Lei: “Amareis ao Senhor
vosso Deus de todo o vosso coração, de toda vossa alma, de todo o vosso espírito”
e “Amareis o vosso próximo como a vós mesmos” (Mateus cap XII, v. 34 a 40).

CARIDADE... CARIDADE...CARIDADE. - AMOR...AMOR...AMOR.

“Dá o que possas, em auxílio aos outros, no entanto, envolve de simpatia e


compreensão tudo aquilo que dês”. Cada pessoa com a qual entre em contacto é
uma página do livro que estás escrevendo com a própria vida. Colabora quanto
possível, no bem dos semelhantes, sem exigir remunerações.”(Paciência – Emmanuel-Chico
Xavier)”.

“O amor é tão maravilhoso, que basta o desejo de abriga-lo no íntimo e ei-lo que
se encontra embrionário, passando a germinar e desenvolver-se”. O amor é o
verdadeiro milagre da vida. Frágil, é portador de força incomum. Assemelha-se a
essa persistência e poder do débil vegetal que medra em solo coberto de cimento e
asfalto, enfrentando todos os impedimentos, e ali ergue sua pequenina e delicada
folha verde de esperança “. (O Despertar do Espírito – Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)”.

“Amar é dever de todas as criaturas, e ninguém se pode eximir de fazê-lo. Esse


amor deve ser incondicional, chegando à totalidade como experiência de auto-
iluminação e de autolibertação”. Enquanto o ser humano se encontra nas faixas
predominantes do ego, ata-se aos caprichos escravizadores que são decorrentes
dessa atitude primária, No entanto, à medida que ama, dilui as amarras dolorosas e
experimenta a alegria da liberdade em verdadeiro hino de louvor. Altera-se-lhe
então, a paisagem da emoção, e todo ele se transformam em um feixe de ternura,
de ação dignificante, de paz irradiante “. (Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda – Joanna de
Ângelis – Divaldo P. Franco).

3ª REFLEXÃO – CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA.

Nenhuma transgressão da Lei deixará de ser cobrada. Não se passará impune.


Se o livre-arbítrio permitiu à criatura errar, a Justiça Divina se fará presente para que
ela repare o seu erro, na mesma ou em outra encarnação.

“Em que pese à diversidade de gêneros e graus de sofrimento dos espíritos


imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios”:
1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2º - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o
próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis (...)
3º - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade,
pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.

A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: - tal é a lei da Justiça
Divina “. (O Céu e o Inferno cap VII item 33 – Allan Kardec).

“O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não


basta por si só; são necessárias: a expiação e a reparação”. Arrependimento,
expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para
apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os

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travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a
reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o
perdão seria uma graça, não uma anulação “. (O céu e o Inferno cap VII item 16 – Allan Kardec).

“Cada um leva para a outra vida e traz, ao nascer, a semente do passado”.


Somos hoje o resultado das experiências vividas no passado, como seremos
amanhã, o produto de nossas ações hoje “. (O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Leon Denis)”.

4ª REFLEXÃO – AUTO-ESTIMA.
Assunto tratado especificamente no capítulo Auto-Estima deste trabalho, na página 23.

5ª REFLEXÃO – O AUTOCONHECIMENTO.

O olhar para dentro de si reconhecer cada espaço, cada ponto obscuro, cada
mazela, cada erro, enfim, conhecer os limites que são determinados pela sua
humanidade. Pois só esse olhar revelador é capaz de conduzir o homem à sua
regeneração através de sua submissão a Deus.

“Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida
e resistir a atração do mal?”.
- Um sábio da antiguidade vo-lo disse: “Conhece-te a ti mesmo”.
Conhecemos toda sabedoria dessa máxima, porém a dificuldade está
precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?
- Fazei o que eu fazia, quando vivia na Terra: ao fim do dia, interrogava a
minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se
não faltava algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi
assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.
Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e
inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvesse feito, rogando a Deus e ao
seu anjo da guarda que o esclarecesse, grande força adquiriria para se aperfeiçoar,
porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntai, interrogai-
vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal
circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis,
sobre se obraste alguma ação que não ousaríeis confessar. (...). O conhecimento de
si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual (...). Perscrute,
conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério
de melhorar-se a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim
arranca as ervas daninhas (...).”(O Livro dos Espíritos questão 919 – Allan Kardec, respondida por Stº
Agostinho)”.

“A pessoa que ainda não se encontrou, não é capaz de se encontrar com


ninguém.” (Divaldo P. Franco – Os Ideais Espíritas e o Despertar do Terceiro Milênio – 31/12/1998).

“Enquanto nosso inconsciente não nos revelar, nós continuaremos pessoas


desconhecidas de nós mesmos (Divaldo P. Franco – Workshop Auto-Descobrimento 09/04/1995)”.

“Fiz a viagem exterior agora quero fazer a viagem interior. Estou na busca
interior de mim mesmo”. (Edgard Michael – Astronauta da Apolo XIV que pisou a Lua em fev/1971 – Programa
Fantástico, Rede Globo, 31/12/00).

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6ª REFLEXÃO – COMBATER AS MÁS TENDÊNCIAS.

Ter vontade, força de vontade e perseverança para por em ação o seu ideal de
reformar-se, combatendo as más inclinações como: egoísmo, orgulho, vaidade,
inveja, ciúme, ódio, vícios, luxúria, maldade, calúnia, raiva, opróbrio, agressividade,
crueldade, mentira, intolerância, pessimismo, intransigência, amargura, mágoa,
traição, ressentimento, vingança, indiferença, queixa, mau-humor, lamúria, desprezo
etc., substituindo-as pelo amor, caridade, solidariedade, alegria, humildade,
fraternidade, perdão, bom ânimo, tolerância, indulgência, empatia, auxílio, bondade,
altruísmo, compaixão etc.

“Todas as criaturas têm o dever de trabalhar pelo próprio progresso intelecto-


moral, esforçando-se por vencer as más inclinações”. O azedume resulta, também,
da inveja mal disfarçada quanto do ciúme incontido. Atiça as labaredas destruidoras
da desavença, enquanto se compraz na observância da ruína e do desconforto do
próximo. Muitas formas de cânceres têm sua gênese no comportamento moral
insano, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças.

O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade
estúrdia. Exteriorização do egoísmo doentio, aplica-se à inglória tarefa de perseguir
os que discordam de sua atitude infeliz, espalhando a inquietação com que se arma
de forças para prosseguir na insânia que agasalha. Aquele que hoje magoas será a
porta onde buscarás apoio amanhã. Todo agressor torna-se antipático e asfixia-se
na psicosfera mórbida que produz.

O Evangelho é lição de otimismo sem limite e o Espiritismo que o atualiza para o


homem contemporâneo convida à transformação moral contínua, sem termo, em
prol da edificação interior do adepto que se lhe candidata ao ministério.”(Receitas de Paz –
Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)”.

“Identificamos nos outros o que nos é familiar e geralmente são os


defeitos”.(Divaldo P. Franco – Workshop Autodescobrimento – 09/04/1995)

“Estamos aguardando que os outros solucionem nossos problemas, dê-nos


resposta chaves”. Se não plantarmos aqui a semente da felicidade não a poderemos
colher depois, porque o amanhã será o resultado das nossas atitudes atuais.”(Divaldo P.
Franco – Floresça Onde For Plantado – 21/07/1998)”.

“(...) porquanto cada mente vê nos outros aquilo que traz de si mesmo.” (Nos
Domínios da Mediunidade cap 14 – André Luiz-Chico Xavier).

“Entre julgar e discernir, há sempre grande distância. O ato de julgar para a


especificação de conseqüências definitivas pertence à autoridade divina, porém, o
direito da análise está instituído para todos os espíritos, de modo que, discernindo o
bem e o mal, o erro e a verdade, possam as criaturas traçar as diretrizes do seu
melhor caminho para Deus”. (O Consolador questão 63 – Emmanuel – Chico Xavier).

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos


esforços que emprega para domar suas inclinações más (O Evangelho Segundo O Espiritismo cap
XVII item 4 – Allan Kardec)”.

“O homem é assim, constantemente, o árbitro da sua própria sorte, podendo


abreviar seu suplício ou prolonga-lo indefinidamente. Sua felicidade, ou sua

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infelicidade, depende da sua vontade de fazer o bem”. (O Evangelho Segundo O Espiritismo – cap
XXVII item 21 – Allan Kardec).

“O bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não
fazer o bem quando podemos é, portanto, o resultado de uma imperfeição. Se toda
imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que
fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre”. (O Céu e O Inferno cap VII item 6 –
Allan Kardec).

“(...) o verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada espírito tem
sua posição definida pelo próprio esforço”. (...) Esses direitos são os da conquista da
sabedoria e do amor, através da vida, pelo cumprimento do sagrado dever do
trabalho e do esforço individual. Eis por que cada criatura terá o seu mapa de
méritos nas sendas evolutivas, constituindo essa situação, nas lutas planetárias,
uma grandiosa escala progressiva em matéria de raciocínios e sentimentos, em que
se elevará naturalmente todo aquele que mobilizar as possibilidades concedidas à
sua existência para o trabalho edificante de iluminação de si mesmo, nas sagradas
expressões do esforço individual “. (O Consolador questão 56 – Emmanuel-Chico Xavier)”.

“Cada indivíduo é portador da herança dos próprios atos, que passa a constituir-
lhe o patrimônio da evolução permanente. Erra-se, recomeça a experiência; quando
acerta e se desincumbe a contento do compromisso, incorpora-o ao patrimônio já
conquistado”. Ninguém ascende a uma cumeada sem passar pelas baixadas e
conquista-las conforme se apresentem às possibilidades de ascensão.”(O Despertar do
Espírito – Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)”.

7ª REFLEXÃO – O LAR E A EDUCAÇÃO.

O lar é a primeira das primeiras estradas derivadas vicinais que se deve


transitar, assim como são as vicinais carroçáveis que permitem o transporte da
produção das propriedades rurais às estradas principais para seu escoamento aos
centros de consumo. É no lar que se participa das principais experiências que
permitirão aplicar lá fora (no mundo), nas estradas principais, o que se aprendeu.
Aí, estão os afetos e os desafetos onde o discernimento e a intuição indicarão como
agir com cada um dos componentes da família, tendo por fundamento o amor. Cada
filho, cônjuge, pais, parentes que vivem sobre o mesmo teto necessitam de
tratamento educacional diferenciado, pois, são seres diferentes. Tendo, pois, por
fulcro as leis dos homens e as de Deus e principalmente pelo exemplo moral,
procurar-se-á atender as peculiaridades atinentes ao nível de entendimento dos
próximos mais próximos, os do lar. Não se pode esquecer que a Providência Divina
colocou no caminho de cada um essas criaturas, responsabilizando o mais elevado
moralmente para que elas fossem educadas, orientadas, instruídas e amadas para
que o progresso da humanidade tenha continuidade. “Desestimulado no lar, e
sensibilizado por outros afetos, renova a paisagem familiar e tenta salvar a
construção moral doméstica abalada”. (Vigilância – Joanna de Ângelis -Divaldo P. Franco).

“Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não combateram suas más
tendências no principio! Por fraqueza ou indiferença, deixaram desenvolver neles os
germes do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade que secam o coração; depois,
mais tarde, recolhendo o que semearam, se espantam e se afligem pela sua falta de
respeito e ingratidão”. (O Evangelho Segundo O Espiritismo – cap V item 4 – Allan Kardec).

33
“Educar, no conceito de Sócrates e Platão, é arrancar de dentro as experiências
que estão dormindo no indivíduo e que vieram com ele do eito ao mundo das idéias”.
O homem vem do mundo das idéias e traz inscrito nele toda sabedoria que deve ser
desenvolvida “.” Educar é criar hábitos saudáveis, hábitos que traduzem respeitos
das leis e liberdades que tem como limites a porteira do nosso próximo “. Nossa vida
deve ser um espelho aonde vão se refletir outras vidas. Educar o espírito, orientar a
forma, direcionar o instinto, coibir o abuso, disciplinar as tendências negativas as
más inclinações e trabalhar concomitantemente o desenvolvimento integral do ser”.
(Divaldo P. Franco – A Educação Integral, Evolução para a Plenitude do Ser abr/1996).

“Educar é fazer desabrochar o que no homem já existe que é a Semente Divina”.


A maior técnica de educação é o exemplo, porque nos ajuda a desabrochar o que
está dentro de nós. A verdade liberta da ignorância, onde o indivíduo passa a ver
conforme ele tem capacidade de enxergar “.(Sathia Sai Baba – Filósofo Hindu da atualidade – Divaldo P.
Franco 02/02/1998)”.

“Alargando os horizontes do pensamento, a educação plasma o caráter em


níveis superiores, contribuindo eficazmente para uma saudável convivência com o
grupo social, sem atritos perturbadores nem injunções desgastantes”.
À educação compete elevado mister de erguer o ser humano às cumeadas do
progresso, apresentando-lhes os horizontes infinitos que aguardam ser conquistados
e lhe estão ao alcance.”(Dias Gloriosos – Joanna de Angelis – Divaldo P. Franco)”.

“Qual a melhor escola de preparação das almas reencarnadas, na Terra?”.


- A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases de
sentimento e de caráter Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo,
podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a
universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem.”(O
Consolador questão 110 – Emmanuel-Chico Xavier)”.

8ª REFLEXÃO – PENSAMENTO EM SINTONIA.

Manter o pensamento sintonizado com fontes transmissoras e receptoras dos


bons sentimentos, dos sentimentos cristãos, do bem estar, do trabalho que edifica,
da vivência com criaturas que ama, enfim pensamentos positivos de alegria e
progresso. Substituir os pensamentos negativos por positivos, jamais deixando
ressonâncias (pensamentos que vêm, que vão e que voltam), pois, terminam por se
sedimentarem na mente se corporificando em seguida e se transformando em ações
nefastas.

“Somos o que pensamos. Tudo o que somos vem dos nossos pensamentos.
Com os nossos pensamentos fazemos o mundo.(Sidarta Gautama” O Buda “563 – 483 aC)”.

Os sentimentos devem e podem ser trabalhados pelo pensamento, mediante


fórmulas simples de esforço pessoal, que administrem as tendências perversas,
cínicas, vulgares e ciumentas, responsáveis pela permanência dos conflitos
perturbadores que tanto afligem os indivíduos. Reflexão em torno das paisagens
vivas e coloridas da Natureza, convivência com os animais e as criaturas, atividades
de apoio e ensementação de vegetais, tudo quanto contribua para tornar o mundo
melhor e mais belo, aureolado de vibrações de paz e de prece, transformam os
impulsos cruéis em sentimentos de amor e compreensão do milagre, que é a vida
em suas múltiplas manifestações.”(O Despertar do Espírito – Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)”.

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“Formas-Pensamentos – Pelos princípios mentais que influenciam em todas as
direções, encontramos a telementação e a reflexão comandando todos os
fenômenos de associação, desde o acasalamento de insetos até a comunhão dos
espíritos superiores (...)”. Telementar: define André Luiz. Emitindo uma idéia
passamos a refletir as que lhe assemelham, idéia essa que logo se corporifica, com
intensidade correspondente a nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos,
assim, espontaneamente em comunicação com todos os que esposam o modo de
sentir. É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com
todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o espírito no
mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma, que
nos libertam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal da nossa
escolha.”(Mecanismos da Mediunidade – André Luiz – Chico Xavier e Waldo Vieira)”.

“Procederam acertadamente aqueles que compararam nosso mundo mental a


um espelho. Refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos
outros as imagens que criamos”. Os reflexos mentais, segundo sua natureza,
favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para frente, porque cada
criatura humana vive no céu ou no inferno que edificam para si mesma, nas
reentrâncias do coração e da consciência (...).”(Nos Domínios da Mediunidade cap I André Luiz-Chico
Xavier)”.

“Sabemos todos que o pensamento é onda de vida criadora, emitindo forças e


atraindo-as, segundo a natureza que lhe é própria”.
Fácil entender, à vista disso, que nos movemos todos num oceano de energia
mental. Cada um de nós é um centro de princípios atuantes ou de irradiações que
liberamos, consciente ou inconscientemente. (...) Cultivemos a caridade do
pensamento “. (Paciência – Emmanuel-Chico Xavier)”.

“Onde há pensamento, há correntes mentais e onde há correntes mentais existe


associação. E toda associação é interdependência e influenciação recíproca. Daí
concluímos quanto à necessidade da vida nobre, a fim de atrairmos pensamentos
que nos enobreçam. Trabalho digno, bondade, compreensão fraterna, serviço aos
semelhantes, respeito à natureza e oração constituem os meios mais puros de
assimilar os princípios superiores da vida, porque damos e recebemos, em espírito,
no plano das idéias, segundo leis universais que não conseguimos iludir”. (Nos Domínios
da Mediunidade cap 15 – André Luiz-Chico Xavier).

“Sintonizando com Jesus, sentir-te-ás fortemente atraído por ele, e, mediante


uma firme resolução, conquistarás, como os seus primitivos seguidores, a felicidade
que ainda não fruíste”. (Receita de Paz – Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco).

9ª REFLEXÃO – ORAR E VIGIAR

Pedir a Deus, com fervor, força e coragem para se manter conscientemente na


viagem, eliminando os obstáculos do caminho, ultrapassando abismos,
atravessando os pântanos e desertos, ferindo-se e curando as feridas causadas
pelas quedas e pelos espinhos. Caminhar sem jamais pensar em parar, destruindo
as pontes e os pontilhões da imperfeição que ficaram para trás para nunca pensar
em retornar a iniqüidade.
Criar o hábito de orar sempre e vigiar os pensamentos para que não venham a
plasmarem ações funestas.

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“Provocado pela perversidade, que campeia a solta, age em silêncio, mediante
oração que te resguarda na tranqüilidade”. (Vigilância – Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco).

“Qual o modo mais fácil de levar a efeito a vigilância pessoal, para evitar a queda
em tentações?”.
- A maneira mais simples é a de cada um estabelecer um tribunal de autocrítica,
em consciência própria, procedendo para com outrem, na mesma conduta de retidão
que deseja da ação alheia para consigo próprio “. (O Consolador questão 217 – Emmanuel-Chico
Xavier)”.

“Pela prece, o homem chama para si o concurso dos bons espíritos, que vêm
sustenta-lo nas suas boas resoluções, e inspirar-lhe bons pensamentos; adquire,
assim, a força moral necessária para vencer as dificuldades e reentrar no caminho
reto se dele se afastou, assim como afastar de si os males que atrai por sua própria
falta.(...)”. (O Evangelho Segundo O Espiritismo – cap XXVII item 11 – Allan Kardec).

“(...) Em todas as circunstâncias, guarde o cristão a prece e a vigilância: prece


ativa que é o trabalho do bem, e vigilância, que é a prudência necessária, de modo a
não trair novos compromissos.(...)”. (O Consolador questão 123 – Emmanuel-Chico Xavier).

“Orar é conversar com Deus e meditar é fazer silêncio para ouvir Deus – Sidarta
Gautama” O Buda “(563 – 463aC)” (Divaldo P. Franco – Workshop Autodescobrimento – 09/04/1995).

10ª REFLEXÃO – ACOMPANHAMENTO DO CAMINHO PERCORRIDO

A marcha é lenta e compassada, a transformação dar-se-á, com equilíbrio, ao


longo do tempo, à medida que estiverem sendo cumpridas as Leis de Deus inscritas
na consciência profunda de cada um.
Uma vez que se deu a partida e não se pretende estacionar, a modificação
ocorrerá e de acordo com a sua auto-avaliação a criatura compreenderá que não é a
mesma de ontem.

“O homem revela sabedoria e prudência, no momento do exame, quando está


convidado à demonstração das conquistas realizadas”. (Vigilância – Joanna de Ângelis – Divaldo P.
Franco).

“Para que nossa mente prossiga na direção do Alto, é indispensável se equilibre,


valendo-se das conquistas passadas, para orientar os serviços presentes, e
amparando-se, ao mesmo tempo, na esperança que flui, cristalina e bela, da fonte
superior do idealismo elevado (...)”. (No Mundo Maior cap 4 – André Luiz – Chico Xavier).

A meditação é de fundamental importância para se projetar, a curto e médio


prazo, o caminho a percorrer em função da análise das experiências vivenciadas em
passado recente.

36
FÉ, VONTADE E PERSEVERANÇA

“Não permitas que os problemas externos, inclusive os


do próprio corpo, te inabilitem para o serviço”. Emmanuel
(Fonte Viva, psicografado por F. Candido Xavier).

A fé é a mãe da esperança; a “esperança é como o luar que se constitui dos


bálsamos da crença; a fé é a divina claridade da certeza”, consoante esclarece o
Espírito Emmanuel.

O bem para ser encontrado deve ser buscado com ardor e persistência.

Tudo que é possível se pode plasmar mediante atitude positiva de confiança.

A fé é uma força intrínseca que palpita em todos os seres, estimulando-os à


vivência da resignação, da paciência e a`certeza de que se está construindo a paz, a
felicidade e a saúde plena, dentro do seu mundo interior, com auxílio , assíduo e
eficaz , do Pai Celestial, que ama a todos, incondicionalmente.

Paulo de Tarso, assevera que Jesus é o ajudador universal e, por conseguinte,


não se deve temer o que possam fazer os homens; Jesus ensina que o
fundamento da crença consiste em não turbar o coração mediante a convicção da
confiança consciente na atuação da Bondade Divina que ampara a todos,
possibilitando o ressurgimento de claridades matinais na vida de cada um. Portanto,
quando se busca o bem, acentua-se a confiança na caridade, daí poder refletir a
Grandeza Divina por intermédio de positiva segurança íntima, não mais nos detendo
no mal.

Qual a melhor parte das coisas, nos sucessos das pessoas? Procure-se em tudo
a melhor parte; se detenha no bem e a felicidade que nasce da fé racional, atuante e
generosa, liberta dos grilhões de todo mal, porquanto, enfim, aprende-se como fazer
para acertar, cumprindo com o dever da melhor forma possível , de maneira a
guardar a paz de consciência e a felicidade no coração; ademais, Jesus sabe que os
aprendizes, nem sempre poderão acertar inteiramente, que os erros são próprios da
escala evolutiva e que todo momento é instante de ouvi-lo dizer: “vinde a mim...”

O Espiritismo revela Jesus, abraçando o serviço espontâneo à Humanidade,


como sendo a tradução da própria fé.

Portanto, a fé assinala que a mais alta demonstração de amor a Jesus que seja
possível realizar é amar a alguém que tudo terá feito na vida para não merece-lo.

Agora, pela fé se abraça o caminho do bem, prosseguir com Deus, certos de


que a afabilidade, a mansuetude, a paz e a felicidade se ampliam no íntimo de cada
um, qualificando o seu mundo interior, porquanto na edificação do Reino Divino,
Jesus espera , acima de tudo, a bondade sincera e fiel do coração.

Amem, perdoem e sirvam aos irmãos imperfeitos, encarnados e desencarnados,


que estão em jornada evolutiva neste momento, pois são instrumentos próprios a por
em prova a fé e a constância na prática do bem.

37
Ademais, Deus concedeu, individualmente, a proteção de um Espírito Guardião
que se assemelha a um pai em relação aos filhos, a cada um que quiser na senda
do bem, auxiliando com seus conselhos, consolando nas aflições, erguendo o
ânimo nas provas acerbas da vida.
A fé se adquire e ninguém há que esteja impedido de possuí-la; que se busque
compreender as verdades espirituais e se a busca for com ardor não se deixará de
acha-las , porquanto a fé necessita de uma base que é a inteligência perfeita daquilo
em que se deve crer. E, para crer é preciso, acima de tudo, compreender. Por isso
que a fé raciocinada , por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade
deixa . A criatura crê, porque tem convicção , e alguém só tem certeza porque
compreendeu. Daí, asseverar Allan Kardec: “Fé inabalável só a que pode encarar a
razão, em todos as épocas da Humanidade”.

A fé para ser útil tem de ser dinâmica; a fé ativa é mãe de todas as virtudes que
conduzem a Deus; é contagiosa, empolgante e se constitui no fundamento da
regeneração, porquanto, com a fé, não há maus pendores que se não chegue a
vencer.

Felizes são todos os que sabem aproveitar as pedras do caminho, isto é, que
procuram superar todos as situações difíceis e todos os problemas da luta humana
crendo em Deus, confiando em Jesus, acreditando no próprio potencial , porque a fé
e a perseverança no bem são dois grandes alicerces do Reino de Deus, que
progressivamente, deve ser implantado dentro de cada um.

Destarte, a fé, na essência, é aquele embrião de mostarda do ensinamento de


Jesus que , em pleno crescimento, através da elevação pelo trabalho incessante, se
converte no Reino Divino, onde a alma do adepto passa a viver, expressando dever
de raciocinar com responsabilidade de viver.

VONTADE

“A vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da


ação mental”, conforme define Espírito Emmanuel.

Deus concedeu a vontade por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e


multimilinária viagem da criatura pelas províncias obscuras do instinto.

A vontade é tão importante que se constitui no leme de todos os tipos de força


incorporados ao nosso conhecimento.

É à vontade o impacto determinante.

A energia mental é produzida pelo cérebro, de acordo com a capacidade de


reflexão própria da criatura; todavia, na vontade tem-se o controle que a dirige nesse
ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino.
Daí, porque, só a vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do
Espírito.

O espírito imortal estando encarnado ou não age sobre os fluidos através dessa
força considerável que é à vontade.

38
A vontade é um dos atributos de relevo da criatura que concorre para
caracterizar a sua personalidade: fraca, tíbia ou forte. É pois, a vontade uma das
maiores potencialidades que existe no ser humano. A vontade é a manifestação da
criatura como individualidade, no uso do seu livre-arbítrio.

Todos têm a vontade por alavanca de luz e expressam a qualidade e a


quantidade de luz que interiorizam em si mesmos, toda vez que se é chamado a
exame, principalmente nas horas de crise.

Deve-se utilizar a sua vontade com prudência, com reflexão, sempre na direção
bem, associada ao apoio Divino, para que se decida , por si com liberdade de
consciência e responsabilidade, quanto à direção do próprio destino, buscando
harmonizar a vontade individual à vontade Divina, a fim de que se possa promover
evolução intelecto-moral. Por exemplo, a prece que se faz por outrem é um ato
dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar, em auxílio daquele por quem
oramos, de que necessitam seu corpo e sua alma.

Vontade é o livre-arbítrio. Sem o livre-arbítrio, o homem não teria nem culpa por
praticar o mal, nem mérito em praticar o bem. Portanto, pode sempre o homem,
pelos seus esforços, pelo emprego de sua vontade, superar as suas más
inclinações. Quando o homem crê que não pode vencer suas paixões, é que seu
Espírito se compraz nelas, em conseqüência da sua inferioridade. Todavia, pode
alguém por si mesmo afastar os maus Espíritos e libertar-se da dominação deles,
desde que com vontade firme o queira, conseguirá subtrair-se a um jugo. A vontade
vai ficando cada vez mais eficiente e eficaz á proporção que a criatura
progressivamente busca a sua evolução intelecto-moral. Não há pois, arrastamento
irresistível, uma vez se tenha a vontade de resistir. Lembrando-se de que querer é
poder.

Meimei, descreve abaixo, a vontade de Deus, em todas as situações: “no


sofrimento, é a paciência. Na perturbação, é a serenidade. Diante da maldade, é o
bem que auxilia sempre. Perante as sombras, é a luz. No trabalho, é o devotamento
ao dever. Na amargura, é a esperança. No erro, é a corrigenda. Na queda, é o
reerguimento. Na luta, o valor moral. Na tentação, é a resistência. Junto a discórdia,
é a harmonia. À frente do ódio, é o amor. No ruído da maledicência, é o silêncio. Na
ofensa, é o perdão completo. Na vida comum, é a bondade em favor de todos”.

Fazer uma reflexão profunda acerca do texto de Meimei e procurar harmonizar


a sua vontade a vontade Divina, objetivando a construção da felicidade e da paz tão
almejadas por todas as pessoas.

PERSEVERANÇA

Jesus assevera que “aquele que persevera até o fim será salvo”. Perseverar no
bem. Ser caridosos, indulgentes e benevolentes no relacionamento diário, eis o
ideal. Imite-se Jesus, o paradigma de moralidade, fé, e perseverança. Cristão-
espírita, dócil à voz do Mestre, caminhado nas pegadas dos apóstolos, perseverar
até o fim, entre os bons Espíritos, consoante o grau de sabedoria e de virtude que se
venha atingir na atual reencarnação. O Espírito Emmanuel ensina que “os que
trabalham na construção da felicidade de todos são aqueles que encontram o
próprio destino e cedo reconhecem que o homem nasce para ser útil e procuram
esquecer-se”.

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Os homens afirmam ser o mundo uma represa de lágrimas, perseverando e
espargindo a luz, a fé racional e a caridade, para que a humanidade compreenda a
terra, como sendo também uma casa de Deus bafejada de sol. E jungidos ao arado
do serviço, na certeza de que estão edificando para a atualidade e para o futuro.

A fé sob o impacto da perseguição injustificada ou ódio gratuito, deve agigantar-


se no íntimo de cada um, portanto, deve-se perseverar trabalhando mais, com mais
acentuado valor.

Compadecer dos intolerantes, dos ofensores, dos caluniadores, endereçando-


lhes o benefício da oração, porque se aprende a separa-los da intolerância da
ofensa, da calúnia como se aparta um enfermo do processo infeccioso que lhe
corrompe as energias. A intolerância, a ofensa, a calúnia são fruto da ignorância ,
da ausência de luz espiritual; daí, na se condenar viajantes que se arrojam no
pântano, quando caminham sob trevas, portanto, é importante perseverar no bem
acima de todas a circunstâncias.

Ainda mesmo de alma relegada à solidão persistir-se-á no bem, recordando


Jesus que esteve sozinho, ensinando a cada um que vencer o mal tão somente
quando, em cada tarefa que se abraça , ter-se a precisão de perseverar no bem até
o fim.

O sofrimento é o caminho de ascensão para o Divino Lar que fulge além...

Seguir o Mestre com destemor, porquanto na ventura real do coração nasce nas
fontes do Infinito Bem.

Buscar os bens do céu, semeando o amor, inspirando-se em Jesus.

A perseverança fortifica as resoluções, aperfeiçoa as obras, dá segurança na fé


e faz dignos da atenção do Mestre que concederá aos reiterados esforços o que se
quisera dar, enquanto não se estava ainda seguro de si mesmo. Portanto, nada se
deve fazer, nem empreender, sem primeiramente implorar ao Senhor, do fundo do
coração a Sua assistência. O que se pede com fé e perseverança sempre será
concedido, mas nem sempre em condições que os sentidos grosseiros possam no
mesmo momento apreciar. É pois, imprescindível à perseverança na fé no bem a
todos.

“Ao escolherem os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam


que a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos as ataques.” Citação alusiva a Allan
Kardec em Obras Póstumas, na página 308, Imitação do Evangelho.

A perseverança é o fruto da fé e do despersonalismo. É, em fim, a perseverança


a base da vitória real.

40
A IMPORTÂNCIA DO EVANGELHO NO LAR
“E eles disseram crê no Senhor Jesus Cristo e serás
salvo, tu e tua casa.
E lhe pregaram a palavra do Senhor e a todos os que
estavam em sua casa”. (Atos, cap XVI v. 31 e 32).

Difundir o Evangelho no Lar é dever de todos os espíritas. É no lar que se inicia


a educação e, a educação moral religiosa com Jesus deve ser o primeiro passo da
evolução consciente de cada um.

Na casa que se pratica o Evangelho no Lar, há mais harmonia, mais


compreensão, mais amor e edificação dos pensamentos. É para lá, que nos dias de
reunião, convergem espíritos protetores que muitas vezes utilizam aquele local como
foco, iluminativo socorrista, para onde são levados desencarnados ainda ligados à
matéria e que necessitam ouvir as orientações espirituais que se fazem mister,
retirando-os no final da reunião.

Convém se atentar para as citações abaixo:

“As noções religiosas, com a exemplificação dos mais elevados deveres da vida,
constituem a base de toda a educação, no sagrado instituto da família“. (O Consolador
questão 108 – Emmanuel-Chico Xavier).

“Como renovar os processos de educação para a melhoria do mundo?”.


As escolas instrutivas do planeta poderão renovar sempre os seus métodos
pedagógicos, com esses ou aqueles processos novos, de conformidade com a
psicologia infantil, mas a escola educativa do lar só possui uma fonte de renovação
que é o Evangelho, e um só modelo de mestre, que é a personalidade excelsa do
Cristo”. (O Consolador questão 112 Emmanuel-Chico Xavier).

“O Culto do Evangelho em Casa – pelo menos uma vez por semana – ser-vos-á
uma fonte de alegria e bênçãos. Renovemos o contato com os ensinamentos de
Jesus, tanto quanto nos seja possível, e não somente o lar que nos acolhe se
transformará em celeiro de compreensão e solidariedade, mas também a própria
vida se nos fará luminoso caminho de ascensão à felicidade real”. (Mais Luz – Mensagem de
Batuíra - Chico Xavier).

“No lar onde exista uma só pessoa que creia sinceramente em Jesus e se lhe
adapte aos ensinamentos redentores, pavimentando o caminho pelos padrões do
Mestre, aí permanecerá a suprema claridade para a elevação”. Não importa que os
progenitores sejam descrentes, que os irmãos se demorem endurecidos, nem
interessam a ironia, a discussão áspera ou a observação ingrata. O cristão, onde
estiver, encontra-se no domicílio de suas convicções regenerativas, para servir a
Jesus, aperfeiçoando e iluminando-se a si mesmo”. (Vinha de Luz – Tu e Tua Casa Emmanuel-Chico
Xavier).

“Pelo menos, semanalmente, é aconselhável se reúna com os familiares ou com


alguns parentes, capazes de entender a importância da iniciativa, em torno dos
estudos da Doutrina Espírita, à luz do Evangelho do Cristo e sob a cobertura moral
da oração”. Além dos companheiros desencarnados que estacionam no lar ou nas
adjacências dele, há outros irmãos já desenfaixados da veste física, principalmente
os que remanescem das tarefas de enfermagem espiritual no grupo, que recolhem
amparo e ensinamento, consolação e alívio da conversação espírita e da prece em

41
casa. O culto do Evangelho no abrigo doméstico equivale a lâmpada acesa para
todos os imperativos do apoio e do esclarecimento espiritual”. (Desobsessão – André Luiz-Chico
Xavier e Waldo Vieira).

42
EDIFIQUE A PAZ NO LAR
CAMPANHA PAZ NO LAR

PRINCIPAIS FINALIDADES DE “O EVANGELHO NO LAR”

1- Estudar o Evangelho à luz da Doutrina Espírita, a qual possibilita


compreendê-lo “em espírito e verdade”, facilitando assim pautar nossas vidas
segundo a vontade do Mestre.
2- Criar em todos os lares, o hábito salutar de reuniões evangélicas,
para que as mesmas despertem e acentuem o sentimento de fraternidade que deve
existir em cada criatura.
3- Pelo momento de Paz e de Compreensão que eles oferecem, unir
mais as criaturas, proporcionando-lhes uma vivência mais tranqüila.
4- Tornar o Evangelho melhor compreendido, sentido e exemplificado.
5- Higienizar o lar pelos nossos pensamentos e sentimentos elevados,
permitindo assim, mais fácil influência dos Mensageiros do Bem.
6- Ampliar o conhecimento literal e espiritual do Evangelho para
oferecê-lo, com maior segurança às outras criaturas.
7- Facilitar no lar e fora dele, o amparo necessário para enfrentar as
dificuldades materiais e espirituais, mantendo, operantes os princípios da oração e
da vigilância.
8- Elevar o padrão vibratório dos componentes do lar, a fim de que
ajudem, com mais eficiência, o Plano Espiritual na obtenção de um mundo melhor.

ROTEIRO PARA A REALIZAÇÃO DE “EVANGELHO NO LAR”

1- Escolher um dia e uma hora da semana que seja possível a presença


de todos os elementos da família, ou maior parte deles. Observar
rigorosamente, esse dia e essa hora da reunião, para facilitar a assistência
espiritual.
2- Iniciar e terminar a reunião com prece, simples e espontânea, em
que, mais que as palavras, tenham valor os sentidos, não devendo, portanto,
ser decorada.
3- Fazer a leitura metódica e seqüente, de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo” de Allan Kardec.
4- Fazer comentários breves sobre o trecho lido, buscando sempre a
essência dos ensinamentos de Jesus, para a sua aplicação na vida diária. A
reunião poderá ser dirigida pelo chefe da casa, ou pela pessoa que tiver
maiores conhecimentos doutrinários, a qual deverá incentivar a participação de
todos os presentes, colocando as lições ao alcance dos de menor
compreensão.
5- Fazer vibrações pelo lar onde o Evangelho está sendo estudado,
para os presente e pessoas do seu relacionamento.
6- Relembrar sempre que é dever de todos os que procuram viver o
Evangelho, concorrer, sem esmorecimento:
a) para a Paz na Terra;
b) para a implantação e a vivência do Evangelho em todos os lares;
c) para o entendimento fraternal entre todas as religiões;
d) para a cura ou melhoria de todos os enfermos, do corpo ou da alma,
minorando seus sofrimentos e vicissitudes;
e) para o incentivo dos trabalhadores do Bem e da Verdade.

43
OBSERVAÇÕES

1- Recomenda-se depois do estudo de “O Evangelho Segundo o


Espiritismo”, a leitura de livros de comentários evangélicos de autores idôneos.
2- Fazer vibrações especiais, em casos concretos que preocupem os
presentes e a sociedade.
3- Acautelar-se para não transformar a reunião no lar em trabalho
mediúnico; a mediunidade e assistência espiritual devem ser atendidas em
Sociedade Espírita idônea.
4- Evitar comentários em desdouro a religiões ou pessoas, e não
manter conversação menos edificante.
5- Não suspender a prática de “O Evangelho no Lar” em virtude de
visitas, passeios adiáveis ou acontecimentos fútil.
6- Orientação para caso de haver crianças na reunião: As crianças só
devem participar de “O Evangelho no Lar”, quando tiverem idade ou
mentalidade suficientes para acompanhar os trabalhos, sem inquietação ou
fadiga. Elas podem e devem colaborar ativamente, segundo sua capacidade,
quer nas preces, quer nos comentários.
7- A duração da reunião deverá ser de trinta minutos aproximadamente.
(Trecho retirado de folheto elaborado pela FEESP)

44
O SABER E O USO DO SABER ESPÍRITA
“Espíritas amai-vos, eis o primeiro ensinamento;
instrui-vos, eis o segundo”.
“Em verdade, vos digo: aqueles que carregam seus
fardos e que assistem seus irmãos são meus
amados: instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa
o erro das revoltas, e que vos ensina o objetivo
sublime da prova humana (...)”. Espírito de Verdade
(Evangelho Segundo O Espiritismo – Allan Kardec – cap VI itens 5
e 6).

As religiões têm seus iniciados que, para sua prática e divulgação entre os
leigos, passam pelo esoterismo durante anos até estarem prontos para divulgar o
exoterismo (conhecimento para os religiosos leigos) em suas igrejas.

O Espiritismo, até o momento, na maioria de suas Casas, é constituído de


autodidatas que, com conhecimento, às vezes superficial, das Obras Básicas partem
para o exercício e divulgação da Doutrina.

A partir do primeiro quartel da década de 1990, a Federação Espírita Brasileira,


iniciou os cursos do ESDE – Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita e, em 1998 o
ESTEM – Estudo e Educação da Mediunidade.

Vale salientar, que na maioria das Federativas e em muitos Centros Espíritas as


diretorias organizam cursos fundamentados nas Obras Básicas e nas subsidiárias,
de André Luiz e Emmanuel, sem no entanto, obedecer a uma programação de
ensino e sistemas didáticos, muito embora promovam seminários e encontros
espíritas.

“O método utilizado pelo ESDE substitui, com muitas vantagens, o


autodidatismo e os estudos desordenados, nos Centros Espíritas ou no recesso do
lar”. (Juvanir Borges -Presidente da FEB – Revista Reformador nº 2054 maio/00).

O saber e o uso do saber espírita para o indivíduo que almeja ser obreiro é de
fundamental importância para si e para o Movimento Espírita.

A responsabilidade ao atendimento as criaturas necessitadas que adentram a


Casa Espírita e a divulgação da Doutrina, perante Deus é muito grande, cabendo
aos Centros Espíritas selecionar os seus recursos Humanos, pois não basta apenas
boa vontade dos trabalhadores para o exercício do Espiritismo. Não é uma , nem um
achismo, opinião pessoal de cada um sobre a Doutrina. Algumas instituições, por
falta de conhecimento das obras de Kardec, partem para receituários, trabalhos com
cristais, cromoterapia, numerologia, adivinhações e outras novidades que estão
surgindo todos os dias e que não pertencem ao arsenal de recursos oferecidos pela
espiritualidade. “Não importa o que se sabe e sim o que se faz com o que se sabe”
palavras escritas por Montaigne em seus ensaios, no século XVI. O saber espírita
deve ser calcado em longos estudos doutrinários, que ampliem o conhecimento do
homem-espírita, para que ele saiba realmente, antes de fazer, só ai é importante
seguir o conselho de Montaigne.

Se “a missão da Doutrina Espírita é consolar e instruir em Jesus, para que todos


mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida” (O Consolador
questão 60 – Emmanuel-Chico Xavier) é importante que o consolo e o efeito

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multiplicador da instrução sejam o instrumento que cada trabalhador disponha para,
com seu uso ajudar o processo evolutivo dos irmãos em sofrimento, principalmente
aqueles que labutam no Atendimento Fraterno.

Cabe perguntar então “A alma poder-se-á elevar para Deus tão-somente com o
progresso moral, sem os valores intelectivos? E refletir na resposta apresentada que
Emmanuel em o Consolador –” O sentimento e a sabedoria são duas asas com que
a alma se elevará a perfeição infinita (...)”.

O saber evangélico, conforme nos informa Emmanuel, ainda em O Consolador,


“(...) é preciso convir que os espíritos encarnados carecem de maior percentagem
de iluminação evangélica que os invisíveis, mesmo porque, sem ela, que auxílio
poderão prestar ao irmão ignorante e infeliz? A lição do Senhor não nos fala do
absurdo de um cego conduzir outros cegos?”. Por essa razão é que, toda reunião de
estudos sinceros, dentro da Doutrina, é um elemento precioso para estabelecer o
roteiro espiritual, a quantos desejam o bom caminho. (O Consolador Emmanuel-Chico Xavier).

“O espiritista para evoluir na Doutrina necessita estudar e meditar por si mesmo,


ou será suficiente freqüentar as organizações doutrinárias, esperando a palavra dos
guias?”.
- É indispensável a cada um o esforço próprio no estudo, meditação, cultivo e
aplicação da Doutrina, em toda a intimidade de sua vida. Um guia espiritual pode ser
um bom amigo, mas nunca poderá desempenhar o vosso dever próprio, nem vos
arrancar das provas e das experiências imprescindíveis a vossa iluminação. Daí
surge a necessidade de vos preparardes individualmente, na Doutrina, para viverdes
tais experiências com dignidade espiritual no momento oportuno”. (O Consolador questão 364
– Emmanuel-Chico Xavier).

“Já disse que duas asas conduzirão o espírito humano a Deus. Uma se chama
Amor, a outra, Sabedoria (...). Através do amor valorizamo-nos para a vida. Através
da sabedoria somos pela vida valorizados.(...). Conhecer é patrocinar a libertação de
nós mesmos, colocando-nos a caminho de novos horizontes na vida”. (Pensamento e Vida
– Emmanuel-Chico Xavier).

“Que se deve fazer para o desenvolvimento da intuição?”.


- O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação sadia,
é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os seus aspectos”. (O Consolador
questão 122 Emmanuel-Chico Xavier).

“(...) A intuição foi por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio, facilitando a
comunhão das criaturas, mesmo à distância, para transfundi-las no trabalho sutil da
telementação, nesse ou naquele domínio do sentimento e da idéia”. (Evolução em Dois
Mundos cap 17 – André Luiz e Waldo Vieira).

“(...) Basta, no entanto, nos afeiçoemos aos exercícios de meditação, ao estudo


edificante e ao hábito de discernir para compreendermos onde se nos situa a faixa
de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a
assimilar”(Nos Domínios da Mediunidade cap 5 – André Luiz-Chico Xavier).

A mediunidade de intuição é atualmente a mais desenvolvida nas Casas


Espíritas, porém, como se depreende da questão 364 do Consolador, um espírito
mais evoluído, não poderá repassar conhecimentos aos quais o obreiro não tenha

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pelo menos noções, obviamente, ele procurará trabalhadores mais instruídos para
divulgar suas mensagens.
O Atendente Fraterno assim como o Divulgador Espírita não podem prescindir
das duas asas. Com o Conhecimento da Doutrina e o Amor, poderá o atendente
discernir, no momento oportuno, que informações sobre o pensamento espírita e
quais os ensinamentos, contidos no Evangelho Segundo o Espiritismo, deverá
passar para aliviar a dor do atendido. Fazer com que ele possa, num segundo
momento, assimilar os ensinamentos e despertar o desejo de encontrar, por sua
própria iniciativa, o rumo a tomar para a construção da ajuda que necessita.

O saber e o uso do saber espírita permitirá ao obreiro o seu vôo com segurança
ao equilíbrio de si próprio, bem como a mudança do seu nível de consciência em
que antes estava, tornando-se mais empático e mais fraterno, amando o seu
semelhante.

“Senhor! Dai-nos a serenidade para aceitar tudo quanto devemos aceitar, para
aceitar tudo aquilo que é difícil de ser aceito, mas, dai-nos a sabedoria para
distinguir uma coisa de outra”. (Evocação após a 2ª guerra mundial – autor anônimo – Divaldo P. Franco –
Seminário Curar Curar-se 17/08/1998).

Conhecimento, amor e discernimento constituem o esforço que cada trabalhador


espírita deve empreender em benefício de sua evolução e da evolução do seu
semelhante perante a nova era que ora se inicia.

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ALGUNS CASOS DE ATENDIMENTOS ESTUDADOS NO
V ENCONTRO ESTADUAL SOBRE ATENDIMENTO FRATERNO

1º caso. Um atendido busca ajuda para libertar-se do vício das drogas ou


especificamente do alcoolismo, ou o que vem em busca de ajuda para um
dos seus familiares.

Caso como este exige do atendente um bom conhecimento do assunto, além, é


claro, de um alto grau de compreensão, sentimento de solidariedade e sensibilidade
para compreender que aquele que ali se encontra está buscando compreensão e
socorro e não censuras e reprimendas.
Daí ser recomendável que todo trabalhador do Atendimento Fraterno busque
informações de âmbito espírita ou não, acerca do uso indiscriminado das drogas,
dos tóxicos e do álcool, das medidas aconselhadas para seu combate e dos locais
destinados ao socorro médico e psicológico a tais pacientes. Naturalmente, se faz
indispensável os esclarecimentos espíritas acerca do assunto e sua terapêutica.
Neste sentido a Doutrina Espírito dispõe de conceituadas obras como por exemplo
as transmitidas pelos espíritos André Luiz (Sexo e Destino), Bezerra de Menezes
(Nas Fronteiras da Loucura) e Luiz Sérgio (Driblando a Dor),para citar alguns.
Outro cuidado que se deve ter é o de não apresentar, durante a conversação,
nenhum conceito ou orientação de combate ao uso de drogas, tóxico ou álcool que
conflitem com as informações e recomendações espíritas a respeito, que inclusive
deve merecer do atendente uma maior ênfase de abordagem.
No caso do viciado ser o atendido, este deve ser tratado com muita
compreensão, atenção e respeito. Nenhum tipo de cesura deve ser emitido, já que
ele sabe do seu equívoco, por isso ali se encontra buscando forças e ajuda para sair
do abismo em que se encontra. Deverá no entanto, ser aconselhado a buscar o
tratamento espiritual realizado na Instituição, a leitura de certas obras espíritas ,
como as já mencionadas acima, ao hábito da prece, e a participação em algum
grupo da Casa que seja adequado a sua faixa etária.
Também deve ser estimulado a preservar na boa resolução tomada de querer
libertar-se do vício e buscar ajuda junto a especialistas médicos e familiares ou
amigos sensíveis a seu problema.
É também aconselhável que algumas informações acerca de instituições
especializadas no tratamento de viciados, comprovadamente idôneas sejam dadas.
Em hipótese alguma o paciente deve ser incentivado a enfrentar esta situação
sozinho ou a dispensar ou desconsiderar o tratamento convencional de
desintoxicação, assumindo somente o tratamento espiritual ou o apoio dado pela
Casa. Ações socorristas neste campo, exigem a participação da medicina
especializada, dos familiares e dos amigos sinceramente comprometidos com o bem
estar do seu ente querido. Caso o Centro se disponha a entrar em contato com
familiares do atendido, isto só deve ser feito com o conhecimento do mesmo ou se
houver plena certeza de que sua família não irá dificultar a ajuda que está sendo
empreendida, objetivando evitar uma possível quebra de confiança com
conseqüências danosas para a continuidade dos propósitos do atendido de libertar-
se do vício:
No caso em que o atendido é um familiar do viciado, este deve ser orientado a:
a. Encarar seu ente querido como um enfermo da alma e do corpo, carente
de socorro, assistência e amparo;
b. Não assumir medidas drásticas, violentas ou agressivas que tenham como
propósito à repressão do vício do seu ente querido;

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c. Colaborar com a cura do seu familiar valendo-se da terapia do amor, do
afeto, da solidariedade, do carinho e da conversa fraterna, pois esta é a maior
ajuda que ele irá precisar no decurso do seu tratamento;
d. Não ficar censurando-o por ter chegado a aquele estágio, pela dor e
vergonha que trouxe a família, etc, pois ele sabe tudo isso e sofre, neste
momento ele precisa de compreensão e ajuda;
e. Buscar ajuda junto a instituições médicas ou não, comprovadamente
idôneas, especializadas em atender pacientes viciados em alcoólicos, tóxicos
ou drogas;
f. Recorrer a prece e ao tratamento espiritual orientado pelas entidades
benfeitoras que assiste a Casa;
g. Procurar com muito amor e paciência, convencer seu ente querido aceitar a
ajuda especializada, quer dos encarnados, quer dos espíritos;
h. Ter paciência, fé, perseverança e confiança em Deus.

2º caso. O atendido busca ajuda para superar dramas familiares (crises conjugais,
conflitos entre pais e filhos).

Quando o caso envolver as relações conjugais o atendente deve ter a prudência


de jamais emitir opiniões que venham a incentivar atitudes prejudiciais à própria
pessoa, a instituição familiar ou aos valores éticos, morais e doutrinários espírita-
cristão. Delicadamente, deve declinar das solicitações de aconselhamento acerca de
decisões que envolvam separações conjugais ou outras que digam respeito
unicamente à criatura, exceção daquelas que acarretarem gestos de violência ou
que atentem a vida, para que, no futuro, não haja cobranças indevidas.
Em situações como esta o atendido deve ser orientado a:
a. Recorrer a prece como fonte de ajuda e inspiração para enfrentar os
momentos difíceis do relacionamento:
b. Ter paciência, fé e confiança em Deus e na certeza que Ele nos assiste
sempre:
c. Meditar profunda e cuidadosamente sobre seu drama, suas causas, a
importância da manutenção da unidade familiar, os ensinamentos e
recomendações do Cristo e as conseqüências da continuidade ou não da sua
situação conjugal. Antes desta reflexão, sugerimos que o atendido seja
orientado a recorrer a prece e a leitura dos capítulos XIV e XXII de “O
Evangelho Segundo o Espiritismo”.
d. Estimular a ler algumas obras que abordem a problemática, como por
exemplo: “Família e Espiritismo”, Edições U.S.E e “Psicologia do Casal e da
Família”, de Alfredo Ruiz.
e. Buscar tratamento espiritual, pois a situação pode ter suas raízes num
processo obsessivo.

Nos casos referentes às dificuldades de relacionamento entre pais e filhos o


atendido deve ser orientado a:
a. Evitar atritos e recorrer sempre ao diálogo, quando este for possível:
b. Refletir sobre a oportunidade que Deus está lhe concedendo de construir uma
convivência fraterna com os integrantes de sua família:
c. Procurar identificar no outro qualidades que até então não tinha percebido:
d. Procurar conviver com o outro num clima de serenidade e compreensão,
evitando pressões e cobranças pautadas em gestos ou expressões verbais
autoritárias, desrespeitosas ou agressivas:

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e. Orar a Deus pedindo ajuda para vencer as dificuldades. À noite, quando seu
familiar estiver dormindo, é importante que o atendido, ore em sua intenção e
converse mentalmente com ele, expressando seu desejo de reconciliação,
garantindo-lhe que a causa do problema de relacionamento entre os dois que
tenha surgido em outras vidas. É coisa passada e superada e que agora ele
deseja respeita-lo e ama-lo como irmãos em Deus que são.

Ao término do diálogo, o atendido deve ser orientado a ler a obra “Família e


Espiritismo”, Edições U.S.E. e o capítulo XIV de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”.

3º caso. O atendido busca informações acerca do aborto e diz já tê-lo praticado


ou está decidido a praticá-lo.

As situações apresentadas exigem formas diferenciadas de atendimento. Se o


assistido for alguém que nunca praticou o aborto que quer unicamente conhecer a
opinião espírita acerca do assunto, o atendente deve, em breves palavras resumir a
posição do Espiritismo a respeito, enfatizando a natureza criminosa do gesto e suas
conseqüências espirituais futuras, sugerindo que o mesmo busque o
aprofundamento do que foi conversado em algumas obras espíritas como, por
exemplo: “Família e Espiritismo”, Edições U.S.E. “Deixe-me Viver” Luiz Sérgio e
“Ação e Reação”, André Luiz.
Se o (a) assistido(a) for alguém aflito que nunca praticou o aborto, mas que
deseja praticá-lo para livrar-se de uma gravidez indesejada, ele(a) deve ser
encorajado a buscar na prece e na assistência divina a força necessária para
enfrentar e superar a situação, preservando contudo a vida em formação.
Deve ser sensibilizado(a) a ver a maternidade como uma benção que Deus
concede a criatura humana ao faze-la de co-participante do processo de crescimento
espiritual de um seu semelhante: que aquele filho pode ser a luz de sua vida, quer
no presente, abrindo possibilidades em sua vida, quer no futuro, amparando-o(a) na
velhice.
Esclarecimentos também devem ser dados, à luz dos ensinamentos espíritas,
acerca da prática equivocada do aborto, de sua natureza criminosa, dos riscos de
enfermidades a que estará sujeita a mulher, das conseqüências espirituais dolorosas
oriundas de tal prática, da vulnerabilidade a que expõe a criatura às investidas
obsessivas, das seqüelas perispirituais ocasionadas pelo aborto com conseqüências
dolorosas no campo da esterilidade nesta ou noutra reencarnação, da transgressão
da lei do Amor, o que acarretará graves compromissos ante a Lei de Deus, o que
exigirá futuramente amargos resgates expiatórios. Uma coisa tem que ficar bem
clara: a Doutrina Espírita é frontalmente contra o aborto, mesmo no caso de estupro,
exceção dos casos em que a vida da mãe corra real perigo. Todo o esforço o
atendente deve envidar para demover o (a) assistido(a) do seu intento. Para isso
ele(a) deve ser levado(a) a avaliar a gravidade do aborto e a medir as suas
conseqüências, mesmo sendo gravidez indesejada proveniente de um estupro.
É recomendável também que se aconselhe à criatura aflita a assistir as reuniões
públicas evangélico-doutrinárias da Casa, a buscar ajuda na consulta espiritual, a ler
pelo menos uma das obras: “Deixe-me Viver”, Luiz Sérgio, “Família e Espiritismo”,
Edições U.S.E. ou “Ação e Reação”, André Luiz e no caso de necessitar de
esclarecimentos mais especializados orienta-lo (a) a procurar a Associação Jamais
Abortar (AJA).
Se o (a) assistido (a) for alguém que já praticou o aborto e que agora, com
remorso, vem buscar ajuda e esclarecimentos espíritas, este deve ser tratado com

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muita atenção e benevolência. Primeiramente deixa-lo desabafar para logo em
seguida enaltecer seu gesto de arrependimento e incentiva-lo. nele perseverar.
Falemos do amor infinito de Deus pelos seus filhos, do seu perdão e da força
imensa do amor anulando multidões de pecados. Mostremos que para isso o Amor
tem que se transformar em gestos, atitudes e ações concretas em prol dos nossos
semelhantes, como, por exemplo, jamais provocar novos abortamentos, acolher e
doar amor e carinho aos órfãos ou crianças abandonadas nas ruas e orfanatos, levar
amor e ternura para as crianças internadas no Hospital do Câncer ou leprosários.
Orientações também devem ser dadas no sentido do (a) atendido (a) assistir as
reuniões públicas evangélico-doutrinárias e a fazer um tratamento espiritual.
Quando das colocações que venham a ser feitas acerca da impropriedade do
aborto devem ser evitados termos e informações que venham a aumentar a aflição
do atendido. Por questões de caridade e prudência evitemos falar das
conseqüências espirituais do aborto e sua seqüelas em vidas futuras. Deixemos
para mais adiante, quando ele estiver mais fortificado, que estes esclarecimentos
naturalmente chegue a sua consciência.

4° caso. O atendido apresenta-se com idéias suicidas.

Pela delicadeza da situação ela exegirá do atendente muita habilidade, preparo


e respeitável grau de amor ao próximo, condições essenciais para que suas palavras
se revistam das vibrações e da força persuasiva capaz de tocar o coração e a razão
do irmão aflito.
Inicialmente o atendido deve ser estimulado a naturalmente desabafar o seu
problema, para que no momento devido ele seja esclarecido que:
a. O suicídio não liberta dos sofrimentos, pois que ao contrário do que alguns
imaginam, eles não só o estende como também o intensifica na realidade da
vida e na futura reencarnação. Que a vida corporal é uma dádiva divina e que
nós não temos o direito de destruí-la, sob pena de futuramente termos que
vivenciar dolorosos resgates.
b. Deus é Pai misecordioso e que nunca nos desampara. Que tenha paciência
que a ajuda chegará.
c. Nenhum problema é insolúvel e que sua solução pode já estar a caminho.
O atendente deve procurar incutir-lhe esperança, fé e confiança em dias
melhores. Encaminhá-lo, se possível pessoalmente, a consulta espiritual, procurar
acompanhar seu tratamento e orienta-lo a ler os capítulos V, XIX, XXV e XXVII do
Evangelho Segundo o Espiritismo.

5º caso. O atendido apresenta-se aflito, por acreditar estar ficando louco, em


função de estar sendo envolvido por fenômenos que parecem ser de
natureza mediúnica.

Neste caso recomenda-se que o atendente:


a. Ouça com atenção os fatos apresentados procurando saber se estes
fenômenos vêm ocorrendo recentemente ou se já há algum tempo, se o
mesmo está em tratamento neurológico ou psiquiátrico em função destas
coisas, se há pessoas na família que também passam ou passaram pela
mesma situação, sob que circunstâncias estes fenômenos ocorrem, etc. Este e
outros pontos devem ser esclarecidos a fim de se ter uma idéia sobre a
evidência ou não de uma possível situação de natureza mediúnica. É
importante que o paciente seja convidado a analisar os fatos, sob todos os

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ângulos, inclusive o médico, para que ficando constatado uma forte evidência
mediúnica, ele seja encaminhado ao setor mediúnico da Casa, para que suas
condições mediúnicas sejam analisadas devidamente, inclusive pelos
benfeitores espirituais, com vista a seu controle e aprimoramento a partir
inicialmente de sua integração ao ESTEM.
b. Evite tirar conclusões precipitadas e procure passar para o atendido uma idéia
do que seja mediunidade, sua finalidade, sua coerência natural em todas as
épocas da humanidade e sua prática na Casa Espírita orientada pela
codificação Kardequiana. Isto o ajudará a acalmar-se e a afastar da sua mente
a idéia de estar ficando louco.
c. Procure ver com o atendido a possibilidade de uma conversa fraterna também
com aquele(s) familiar (es) da sua escolha.
d. Oriente o atendido a comparecer pelo menos, uma vez por semana, a uma
reunião pública evangélico-doutrinária, a esforçar-se cada vez mais por sua
reforma íntima, a vivenciar o hábito diário da prece e a evitar o consumo de
alcoólicos, drogas ou tóxicos, dizendo o porque destas recomendações.
e. Aconselhar o atendido a não praticar a mediunidade em sua residência ou em
qualquer lugar que não seja um Centro Espírita orientado pela Doutrina
Espírita.
f. Desaconselhar qualquer tipo de brincadeira usando os fenômenos mediúnicos,
como por exemplo: a do copo.

6º caso. O atendido encontra-se desesperado por ter tomado conhecimento de


alguma enfermidade grave de que é portador ou de algum ente querido e
vem buscar ajuda e socorro na Casa Espírita.

Em caso desta natureza recomenda-se ao atendente:


a. Incentivar o paciente a assumir uma postura mental positiva e o mais que
possível equilibrada. Convidá-lo a buscar forças para tal no hábito diário da
prece e na fortificação de sua fé em Deus, em Jesus e na intervenção dos
espíritos benfeitores como agentes de bondade e da misericórdia divina.
Explicar que o pensamento gravitando em ondas mentais positivas em muito
contribuirá para a sua saúde, pois a doença é vibração fora da harmonia e
surge ou intensifica–se com o pensamento em desalinho.
b. Informar sobre o tipo de assistência que a Casa Espírita pode oferecer em
situações desta ordem, inclusive sobre o tratamento espiritual, ressalvando, no
entanto que, nenhuma promessa de cura pode ser feita, pois em
empreendimentos dessa ordem ter-se-ão sempre em vista os fatores do
merecimento, os imperativos da Lei de Causa e Efeito, a misericórdia divina e o
esforço pessoal do paciente.
c. Não interferir em decisões médicas nem sugerir interrupções de tratamentos
médicos convencionais ou mesmo troca de facultativo achando que o
tratamento espiritual dispensa tais cuidados, pois isto não é verdade.
d. Encaminha-lo para o tratamento espiritual.
e. Encoraja-lo a confiar na bondade divina e ler os capítulos V, VI, XIX, XXVI e
XXVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

7º caso. O atendido é alguém que procura o Atendimento Fraterno para


contestar o Espiritismo.

Nestes casos o atendente deve procurar avaliar as reais intenções do atendido.


Se sua intenção for perturbar o andamento dos trabalhos, o mesmo não deve ser

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encorajado a prolongar sua conversação principalmente porque há outras pessoas
aguardando ser atendida. Educadamente a entrevista deve ser encerrada e o irmão
convidado a estudar Obras Básicas espíritas e outras subsidiárias do seu interesse.
Em hipótese alguma o atendente deve atender aos apelos polêmicos resguardando-
se desta forma de ser vítima de possível descontrole emocional.
Se o atendente for alguém que ali se encontra movido pelo desejo sincero de
buscar a verdade, a conversação deve ter prosseguimento dentro de um limite de
tempo que não venha a prejudicar as finalidades do serviço e os que estão
aguardando sua vez. O mesmo deve ser orientado a estudar as Obras Básicas e a
integrar-se ao grupo de estudo da Casa que realiza o Estudo Sistematizado da
Doutrina Espírita ou similar.
Orientamos os atendentes a ler a obra: “O que é o Espiritismo”, Allan Kardec no
capítulo “Pequena Conferência Espírita”.

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