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CONTRATOS

contrário estiver especificado nos termos da própria proposta


PRINCÍPIOS 6. Autonomia da vontade: é a faculdade que têm as pessoas de ou resulte da natureza do negócio ou das circunstâncias do
firmar livremente os seus contratos. Existe a liberdade de contratar e caso, conforme os arts. 427 e 428 do Código Civil. Como se
1. Introdução: contrato é um acordo de vontades comuns e con- de não contratar. Esse princípio é um tanto relativo, porque, se não nota a proposta é, portanto, um negócio jurídico receptício, que
cordantes, assentado na lei, realizado com o objetivo de adquirir, existe norma genérica que imponha a uma pessoa a celebração de deve precisar todos os elementos do negócio proposto. O pro-
resguardar, transferir, conservar, modificar ou extinguir direitos. contratos, a não ser em circunstâncias de extrema excepcionalidade, ponente (ou policitante) não deverá revogar sua proposta por
O contrato cria força vinculante e oferece ao credor o direito de a vida em sociedade exige freqüentemente a realização de contratos, um certo prazo de tempo, a partir do momento em que a fizer,
ação, para procurar, em juízo, a prestação em espécie ou o seu que vão desde atos singelos (tomar um café) até atos de bem maior sob pena de ressarcir perdas e danos. Essa obrigação subsiste
equivalente. complexidade. Além disso, a liberdade de contratar implica a escolha da mesmo em havendo incapacidade superveniente ou morte do
pessoa a quem contratar, bem como do tipo de negócio a efetuar. Mas policitante antes da aceitação, a não ser que diversa tenha sido
2. Função social do contrato: A função social do contrato serve o poder de ação individual também não é absoluto, porque, às vezes, sua intenção ao realizar a proposta. Os arts. 427 e 428, I a IV,
para limitar a autonomia da vontade, quando essa autonomia es- não é possível escolher livremente o outro contratante, como no caso estabelecem alguns casos, todavia, em que a proposta deixará
tiver em confronto com o interesse social e este deva prevalecer dos contratos por adesão ou quando um serviço público é prestado sob de ser obrigatória.
(art. 421 do Código Civil). Essa limitação poderá atingir a própria a forma de monopólio (por exemplo: para ter-se energia elétrica em O Código Civil disciplinou em seu art. 429 a oferta ao público,
liberdade de não contratar, como ocorre nas hipóteses de contra- residência, existe apenas a possibilidade de contratar com uma única estabelecendo que é obrigatória quando contiver os requisitos
to obrigatório. Enuncia a regra do art. 420 que o contrato não deve empresa). A liberdade de contratar também reflete o poder de as partes essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das cir-
atentar contra o conceito da justiça comutativa, prevalecendo os fixarem o conteúdo de cada uma das cláusulas do contrato, de acordo cunstâncias ou dos usos. Feita a proposta, que constitui em si
princípios condizentes com a ordem pública. Há, portanto, uma com a vontade delas. Porém a lei, normatizando certos contratos, im- mesma um negócio jurídico, o policitante estará vinculado a ela.
conexão direta entre a função social que toda propriedade deve põe aos contratantes a estrutura legal do espécime contratual. Mas isso Reconhece, pois, a lei alguns casos em que a proposta deixa
cumprir, princípio existente na Constituição Federal e esse enun- não impede que as partes também firmem contratos atípicos, conforme de ser obrigatória: a) se a falta de obrigatoriedade resulta de
ciado da lei civil, a permitir a rescisão do contrato lesivo, anular estatui o art. 425 do Código Civil. seus próprios termos; b) ou da natureza do negócio; c) ou das
a avença celebrada em estado de perigo, combater o enriqueci- circunstâncias do caso (Código Civil, art. 427).
mento sem causa etc. O legislador atentou, aqui, para a acepção 7. Requisitos de validade dos contratos O próximo momento da formação do contrato é a aceitação.
mais moderna da função do contrato, que não é a de exclusiva- O primeiro requisito é a capacidade das partes, que devem emitir Somente quando o oblato torna-se aceitante e conjuga a sua
mente atender os interesses das partes contratantes, como se ele uma vontade válida. Mas não se requer apenas capacidade genérica, vontade com a do proponente, a oferta se transforma em
tivesse existência autônoma, fora do mundo que o cerca. Hoje o cujas restrições constam dos arts. 3º e 4º do Código Civil. É preciso contrato. Aceitação é, portanto, a manifestação de vontade
contrato é visto como parte de uma realidade maior e como um que as partes tenham aptidão específica para contratar, ou seja, que expressa ou tácita por parte do destinatário em relação a uma
dos fatores de alteração da realidade social. Essa constatação não tenham restrições para contratar. Somente assim a parte poderá proposta específica, feita dentro do prazo e aderindo a todos os
tem, como conseqüência possibilitar que terceiros, que não são consentir. Quando ao objeto contratual, os requisitos do contrato são a termos da oferta, o que torna o contrato definitivamente con-
propriamente partes do contrato, possam nele influir, em razão de sua possibilidade física ou jurídica, sua licitude, sua determinação e sua cluído desde que chegue, em tempo hábil, ao conhecimento
serem direta ou indiretamente por ele atingidos. economicidade. Ele é impossível quando é insuscetível de realização, do proponente. Não há, salvo nos contratos formais, requisito
tanto material quanto juridicamente. Algo pode ser materialmente reali- especial para a aceitação. A aceitação tácita ocorre quando,
3. Princípio da obrigatoriedade: o ordenamento jurídico estatui zável, mas juridicamente impossível (por exemplo, comprar dois quilos não chegando a tempo a recusa, o negócio for daqueles em
que o acordo estipulado regularmente tem força obrigatória para de cocaína para consumo pessoal). O objeto deverá ser também deter- que não seja costume a aceitação expressa ou o proponente
os que o celebram. A autonomia da vontade legitima a manifes- minado ou, ao menos, determinável, para que a obrigação do devedor a tiver dispensado (art. 432 do CC). Para que se dê o contrato,
tação das partes, as quais podem livremente estabelecer suas tenha sobre o que incidir. Igualmente, a prestação deve ser aferível a aceitação tem de ser oportuna, sob pena de já não encontrar
vontades e, uma vez estabelecidas, o contrato torna-se de obser- economicamente. Quanto à forma, em regra, os contratos são firmados proposta firme: quando feita fora do prazo, ou contendo modi-
vância obrigatória. Os limites da autonomia da vontade, entretan- pelo simples acordo de vontades, independentemente de qualquer ma- ficações, ou restrições aos termos da proposta, não gera con-
to, encontram-se no respeito à ordem pública. O negócio jurídico neira que essas revistam. Podem ser verbais, por escrito, expressos ou trato, mas importa nova proposta (Código Civil, art. 431) que
constitui verdadeira lei entre as partes e seu conteúdo não poderá mesmo tácitos. Excepcionalmente, porém, a lei exige para a eficácia de o primitivo proponente, à sua vez, tem o direito de aceitar ou
ser alterado – nem mesmo judicialmente. Somente poderá ser al- alguns contratos a observância de certa forma. de não aceitar.
terado pelas mesmas vontades que constituíram a obrigação, ou Dando o aceitante a resposta em tempo oportuno, o contrato
seja, por ambas as vontades, ou no caso de ocorrência de caso 8. Ineficácia: contrato ineficaz é aquele que deixa de produzir efeitos. A estará perfeito. Se a proposta negocial for entre presentes,
fortuito, ou força maior. Todavia admite-se, excepcionalmente, ineficácia pode ser, além de formal ou material, originária ou posterior poder-se-á estipular ou não um prazo para a aceitação. Se não
que o contrato tenha este princípio tornado mais fraco, diante do à formação do contrato. houver prazo, a aceitação deverá ser manifestada imediata-
advento de circunstâncias que tornem excessivamente oneroso o LINK ACADÊMICO 1 mente e, se houver prazo, é preciso que se dê dentro desse
cumprimento da obrigação contratual. limite. Se o contrato for entre ausentes, existindo prazo, este
deverá ser observado; mas é possível que a resposta chegue
4. Princípio consensualista: os contratos, não apenas obriga- FORMAÇÃO DO CONTRATO tarde ao proponente, por circunstância imprevista e estranha
toriamente, devem ser cumpridos, mas, como o contrato é uma à vontade de seu emitente. Neste caso, o proponente tem o
expressão do acordo de vontade das partes, têm igual força co- dever de comunicar o fato, imediatamente, ao aceitante, sob
gente. O contrato nasce do consenso dos interessados, já que a Trata-se da fixação exata do momento em que se dá o acordo das pena de responder por perdas e danos (Código Civil, art. 430).
vontade das partes é a entidade geradora. Somente por exceção vontades. A declaração poderá ser expressa, por qualquer meio, ou No entanto, se o ofertante não estipulou qualquer prazo, a acei-
conservaram-se algumas hipóteses de contratos reais e formais, tácita, quando a lei não exigir expressa, conforme o art. 432 do Código. tação deverá ser manifestada em tempo suficiente para chegar
para cuja celebração exige-se a tradição da coisa e a observância A proposta e a aceitação são requisitos essenciais da formação do con- a resposta ao conhecimento do proponente.
de certas formalidades. trato e, acerca dessas, existirá a discussão sobre a força obrigatória do Admite, ainda, a lei a retratação do aceitante, desde que che-
contrato, sobre o exato momento em que as vontades são firmadas e, gue antes desta ou simultaneamente com ela ao conhecimento
5. Princípio da boa-fé objetiva: dispõe o Código Civil, em seu também, sobre o local em que se considerará formado o contrato. do proponente (Código Civil, artigo 433). É lugar de celebra-
art. 422 que os contratantes são obrigados a guardar, assim, na A primeira fase de formação contratual consiste nas negociações preli- ção do contrato aquele em que o impulso inicial teve origem,
conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios da minares, que são conversas prévias, diálogos em que surgem os inte- reputando-se celebrado no lugar em que for proposto (Código
probidade e boa-fé. Esse princípio é incidente sobre todas as re- resses de cada uma das partes, tendo em vista o contrato futuro, mas Civil, art. 435). Se houver contratantes residentes em países
lações jurídicas na sociedade, consubstanciando cláusula geral não há vinculação das pessoas. Embora lhe falte obrigatoriedade, pode diversos, a Lei de Introdução ao Código Civil estabelece que a
de observância obrigatória, que contém um conceito jurídico inde- surgir responsabilidade civil para os que participam das negociações obrigação resultante do contrato reputa-se concluída no lugar
terminado, concretizando-se segundo as peculiaridades do caso preliminares. O fundamento do dever de reparação é o ilícito genérico. em que residir o proponente (art. 9º, § 2º).
concreto. A boa-fé objetiva não respeita o estado mental subjetivo Outro momento da formação do contrato é a proposta, que já traz força LINK ACADÊMICO 2
do agente, mas sim ao seu comportamento em determinada rela- vinculante (Código Civil, art. 427), não para as partes, uma vez que,
ção jurídica de cooperação. O seu conteúdo é um padrão de con- ainda neste momento, não há um contrato, mas, para aquele que a faz,
duta, variando de acordo com o tipo de relação existente entre os denomina-se policitante. Trata-se de uma manifestação de vontade, RELATIVIDADE DOS
contratantes. Assim, os contratantes deverão agir com lealdade e dirigida por uma pessoa à outra, esperando que esta última a aceite.
confiança recíprocas, fornecendo auxílio uns aos outros, tratando- A proposta deve ser séria e precisa, contendo as linhas estruturais do CONTRATOS
se com honestidade na prestação de informações e intenções, negócio em vista, para que o contrato possa considerar-se perfeito, da 1. Contratos em favor de terceiro: ocorre quando uma pessoa
tanto na formação quanto na execução do contrato. O dever ju- manifestação singela e até simbólica daquele a quem é dirigida. A pro- (estipulante) convenciona com outra (promitente) uma obrigação,
rídico de abstenção de prejudicar, notório na boa-fé subjetiva, é posta é uma declaração unilateral de vontade, por parte do proponente em que a prestação será cumprida em favor de outra pessoa (be-
transformado na boa-fé objetiva em dever de cooperar. e apresentará força vinculante por parte do policitante, a não ser que o neficiário). No momento da formação contratual, a manifestação

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de vontade estabelece-se entre o estipulante e o promitente. O tina ou lhe prejudicando sensivelmente o valor, conforme o art. 441 de ter alguma falta de uma das partes em relação ao cumprimen-
consentimento do beneficiário não é necessário à constituição do Código Civil. to de sua obrigação. Assim, a outra parte, lesada pelo inadim-
do contrato, e, por conseguinte, à criação de vantagens em seu Recebida a coisa que contenha vício ou defeito oculto, pode o com- plemento, pode requerer a resolução do contrato com perdas e
proveito. Mas não se pode, todavia, negar ao terceiro a faculdade prador rejeitá-la, redibindo o contrato. Não é obrigado a manter o danos (Código Civil, art. 475). O art. 474 do Código, aliás, dispõe
de recusar a estipulação em seu favor, expressa ou tacitamente. negócio e conservar a coisa que não se preste à sua finalidade ou que a condição resolutiva tácita depende de interpelação judicial,
Para a formação da estipulação em favor de terceiro exigem-se esteja depreciada. E, dessa forma, ambas as partes voltam ao “statu com fixação de prazo para que a parte faltosa efetue a prestação
os requisitos necessários à validade dos contratos em geral - sub- quo ante”. O comprador devolverá o bem ou o colocará à disposição que lhe compete, sob pena de resolver-se o contrato e, somente
jetivos, objetivos e formais. Cumpre observar, porém, que, se o do vendedor. E este terá de restituir o preço, mais as despesas do após esse prazo, é que poderá ser pleiteada a resolução. Pro-
terceiro é momentaneamente indeterminado, mas passível de contrato. nunciado o rompimento do vínculo contratual, estendem-se os
identificação (determinável), o ato é válido. Pode acontecer que a coisa, embora portadora do vício oculto, ain- efeitos do ato desfeito, com sujeição do inadimplente ao princípio
1.1. Efeitos do contrato em favor de terceiro: se o promitente da tenha utilidade para o adquirente, mas não seja de seu interesse da reparação, que,na forma da regra comum, deve compreender
fica obrigado a prestar algo a um terceiro, mesmo assim conti- nem de sua conveniência. Sendo assim, o adquirente pode recusá-la, o dano emergente e o lucro cessante. Isso ocorre quando houver
nua obrigado em relação ao estipulante, que conserva o direito devolvendo-a ao alienante por via da ação redibitória. Em tal caso, cláusula resolutiva tácita no contrato. Havendo cláusula expressa
de exigir o cumprimento do contrato (Código Civil, art. 436). faculta-lhe a lei outra ação, a estimatória ou de abatimento de preço e deixando o contratante de cumprir a obrigação na forma e no
Pode, ainda, o estipulante substituir o terceiro designado no (actio aestimatoria ou quanti minoris), pela qual o adquirente, conser- tempo ajustado, resolve-se o contrato automaticamente, sem
contrato, independentemente de consentimento do promitente, vando a coisa defeituosa, reclama seja o seu preço reduzido naquilo necessidade de interpelação do faltoso (Código Civil, arts. 474
que deverá cumprir a determinação recebida. Basta, para isso, em que o defeito oculto a depreciou, para que não o pague por inteiro e 128).
a declaração unilateral de vontade por ato inter vivos ou causa ou, se já o tiver feito, para que obtenha restituição parcial do despen- 3. “Exceptio non adimpleti contractus”: é a defesa oponível
mortis (Código Civil, art. 438). Na fase de execução contratual, dido (art. 442). Esse direito do adquirente está sujeito a um prazo de pelo contratante demandado contra o co-contratante inadimplen-
o terceiro assume as vezes do credor e, por isso, poderá exigir decadência, que varia conforme se trate de coisa imóvel (um ano, art. te, alegando que o demandado se recusa à sua prestação, por
a obrigação. Embora não seja parte na formação do contrato, 445 do Código Civil) ou de coisa móvel (30 dias, art. 445). Trata-se não ter aquele que reclama dado cumprimento à parte que lhe
pode intervir nele com a sua anuência e, então, é sujeito às con- mesmo de decadência, porque o direito é condicionado ao exercício cabe (Código Civil, art. 476). O Código, em seu art. 477, outorgou
dições normais do contrato (Código Civil, art. 436), enquanto o dentro de prazo legal e, por essa razão, não pode ser interrompido. O ao contratante que tiver de fazer a sua prestação em primeiro
estipulante o mantiver sem inovações. Formado o contrato entre Código determinou expressamente no art. 446 que os prazos para a lugar o direito de recusá-la se, depois de concluído o contrato, so-
estipulante e promitente para beneficiar o terceiro, fica o primei- invocação de vício redibitório não correm na constância de cláusula brevier ao outro contratante alteração nas condições econômicas,
ro com o poder de substituí-lo. Cabe-lhe, também, a faculdade de garantia. O início da contagem do prazo para o exercício da redibi- capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação a que se
de exonerar o promitente, salvo se o terceiro ficar com o poder ção dá-se a partir do fim da garantia, não importando o momento em obrigou. É claro que a medida é excepcional, pois que, ajustadas
de exigir a prestação (Código Civil, art. 437), valendo a aceita- que o vício se apresentou. Esse prazo é, portanto, um reforço e chega prestações combinadas, não justifica a recusa pelo fato de não
ção do terceiro para consolidar o direito, tornando-o irrevogável mesmo a ser mais do que a responsabilidade pelo vício oculto, porque haver ainda prestado o outro. Desde que saiba ou tenha razões
e definitivo. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o abrange a segurança de bom funcionamento. plausíveis de presumir (protesto de título, pedido de moratória ou
cumprimento da obrigação (art. 436 do CC). LINK ACADÊMICO 4 de concordata etc.), que a diminuição patrimonial do outro faça
duvidar da contraprestação esperada, cessará o pagamento
2. Promessa de fato de terceiro: é um negócio jurídico que tem ou reterá a execução, até que se lhe dê a solução devida ou a
por objeto a prestação de um fato a ser cumprido por outra pessoa, EVICÇÃO garantia suficiente de que será efetivada no momento oportuno.
não participante desse negócio. Não nasce nenhuma obrigação Não há predeterminação de garantia, podendo ser de qualquer
para o terceiro enquanto ele não der o seu consentimento. Pode- 1. Evicção: é a perda da coisa, por força da sentença judicial, que atri- natureza, real ou fidejussória. Mas é necessário que se trate de
se prometer a prestação de fato do terceiro, mas obviamente não bui essa mesma coisa a uma outra pessoa, por ela ter direito anterior garantia bastante. Uma vez prestada essa, a exceção caduca e a
se pode obrigá-lo a executar a prestação prometida.  No primeiro ao contrato estabelecido. Não se trata, como nos vícios redibitórios, de prestação suspensa deverá ser cumprida.
momento (formação), o devedor primário ajusta uma obrigação defeito da coisa, mas sim de defeito no próprio direito. 4. Resolução por onerosidade excessiva: se houver ocorri-
com o credor, de quem se torna devedor. O objeto da sua obri- do modificação profunda nas condições objetivas da execução
gação é conseguir que o terceiro consinta em tornar-se devedor 2. Evicção parcial: em sendo a evicção parcial, mas considerável, contratual, em relação às existentes no momento da celebração,
de certa prestação. É devedor de uma prestação própria, a qual abre-se ao adquirente uma alternativa: resolução do contrato ou res- imprevisíveis naquele momento e geradoras de onerosidade ex-
consiste em obter o consentimento do terceiro. Sua inexecução tituição parcial do preço. Na primeira hipótese, tudo se passa como se cessiva para um dos contratantes, proporcionando ao outro um
sujeita-o a perdas e danos (Código Civil, art. 439). O parágrafo fosse evicção total, com a diferença apenas de que o adquirente lhe lucro desarrazoado, cabe ao prejudicado insurgir-se e recusar a
único desse artigo contém uma exceção à regra do dever de in- devolve a parte remanescente do bem. Na segunda, optando pela con- prestação. É mister a ocorrência de um acontecimento extraordi-
denizar, por parte do promitente, em caso de recusa por parte do servação da coisa e abatimento do preço, o adquirente tem direito a que nário, que tenha modificado o ambiente objetivo, de forma que
terceiro de executar a obrigação. Quando o promitente se obrigar o alienante lhe restitua parte do preço, correspondente ao desfalque o cumprimento do contrato implique, em si mesmo, o enrique-
a fato de terceiro que seja seu cônjuge, consubstanciado em ato sofrido (Código Civil, artigo 455). Manda a lei (Código Civil, parágrafo cimento de um e empobrecimento do outro. Para que se possa
que, para a sua validade e eficácia, dependa da autorização do único do art. 450) que a importância do desfalque seja calculada na invocar a resolução por onerosidade excessiva é necessário que
cônjuge, não será obrigado a indenizar o credor, caso tal indeni- proporção do valor dela ao tempo em que se evenceu. ocorram requisitos de apuração certa, explicitados no art. 478 do
zação, em razão do regime de bens existentes entre os cônjuges LINK ACADÊMICO 5 Código Civil: a) vigência de um contrato de execução diferida ou
venha a afetar o patrimônio do cônjuge que não consentiu em se continuada; b) alteração radical das condições econômicas obje-
obrigar. O Código dispõe, ainda, em seu art. 440, que na hipótese tivas no momento da execução, em confronto com o ambiente
de o terceiro anuir em prestar em favor do credor, ou seja, assumir EXTINÇÃO DOS CONTRATOS objetivo no da celebração; c) onerosidade excessiva para um dos
a obrigação prometida, o promitente, por já ter cumprido a sua contratantes e benefício exagerado para o outro; d) imprevisibili-
obrigação, fica exonerado e não responde perante o credor caso 1. Resilição contratual: é dissolução do vínculo contratual, mediante dade daquela modificação. Nunca haverá lugar para a aplicação
haja inadimplemento do terceiro que veio a se obrigar. atuação das mesmas vontades que o criou, por ato lícito das partes. da teoria da imprevisão naqueles casos em que a onerosidade
Pode ser bilateral ou unilateral. Resilição bilateral ou distrato, como o excessiva provém de acontecimento normal e não do imprevisto,
3. Contrato com pessoa a declarar: o Código Civil brasileiro cui- art. 472 do Código denomina essa figura jurídica, é a declaração de como ainda nos contratos aleatórios, em que o ganho e a perda
da dessa tipologia contratual nos seus arts. 467 a 471. Nesse con- vontade das partes contratantes, no sentido oposto ao que havia gera- não podem estar sujeitos a um valor predeterminado.
trato, as partes contratantes estão definidas e identificadas. O que do o vínculo. Deve ser realizada pela mesma forma exigida por lei para LINK ACADÊMICO 6
resta é a pessoa designada a ocupar o lugar de sujeito da relação contratar. Resilição unilateral é a extinção promovida pela denúncia de
jurídica assim criada (Código Civil, art. 467). Um dos contratantes uma das partes. A lei determina a atração da forma (Código Civil, artigo
reserva-se a faculdade de indicar a pessoa que adquirirá, em mo- 472), estabelecendo que se faça pela mesma forma exigida pela lei COMPRA E VENDA
mento futuro, os direitos e assumirá as obrigações respectivas. A para contratar. A forma do distrato não deve necessariamente obedecer
indicação da pessoa deve ser feita no prazo estipulado ou , em à que foi adotada no contrato, mas, sim, a que a lei exige. Dessa forma, 1. Introdução: o contrato de compra e venda é definido pelo ar-
sua falta, no de cinco dias, para o efeito de declarar se aceita se um contrato de compra e venda que tem por objeto um bem móvel tigo 481 do Código Civil. Trata-se de um contrato em que uma
a estipulação (art. 468). Em face de pronunciamento positivo, o foi celebrado por instrumento público, ele poderá se extinguir por distra- pessoa (denominada vendedor) se obriga a transferir à outra
terceiro indicado, toma o lugar da parte contratante. O parágrafo to celebrado por instrumento particular. (comprador) o domínio de uma coisa corpórea ou incorpórea,
único do art. 468 institui que a aceitação se dará obrigatoriamente A resilição unilateral constitui-se exceção. Um dos efeitos do princípio da mediante o pagamento de certo preço em dinheiro, existindo
com a mesma forma prevista para a celebração inicial do contrato. obrigatoriedade do contrato é, precisamente, a alienação da liberdade igualmente a possibilidade de o pagamento dar-se a partir de um
Uma vez manifestada, considera-se que, ao adquirir os direitos dos contratantes: nenhum deles, pode romper o vínculo, em princípio, valor fiduciário correspondente. A compra e venda não opera, se-
e assumir as obrigações, a pessoa esteve presente como par- sem a anuência do outro. Por tal motivo é que o art. 473 do Código, gundo o nosso Código, a transmissão do domínio (art. 1.268, CC).
te contratante desde a data do contrato, conforme estabelece o somente em casos excepcionais, admite que um contrato cesse pela Existem obrigações recíprocas para cada uma das partes: para o
art. 469 do Código Civil. Se o nomeado aceita na forma e nas manifestação de vontade de apenas uma das partes. O comodato, o vendedor, a obrigação é transferir o domínio da coisa. Já para o
condições estabelecidas nos arts. 468 e 469, adquire os direitos mandato, o depósito, pela sua própria natureza, admitem a resilição comprador, a principal obrigação consiste na entrega do preço. O
e assume as obrigações. Substitui, na titularidade das relações unilateral. Os contratos de execução continuada, quando ajustados contrato de compra e venda confere às partes nele envolvidas um
jurídicas, o contratante que o indicou. Se não aceita, nem por isso por prazo indeterminado, comportam a cessação mediante um instituto direito pessoal gerador da transferência do domínio. Os efeitos
o contrato perde sua eficácia. Continua válido, subsistindo ape- denominado denúncia, que é a vontade de rescindir o contrato sem produzidos restringem-se, assim, à esfera meramente obrigacio-
nas entre os contraentes originários (art. 470, I), se não houver motivo, expressada por um dos contratantes. Assim ocorre no forne- nal, sem que ocorra a transferência de poderes de proprietário.
indicação de pessoa teoricamente nomeada ou se o nomeado se cimento continuado de mercadorias ou em alguns tipos de locação. O Portanto é necessária a ocorrência de um procedimento comple-
recusar ao cumprimento do contrato. O mesmo ocorrerá se, no parágrafo único do art. 473 do Código determina que, de acordo com mentar capaz de possibilitar ao comprador um modo de adquirir
prazo estipulado ou legal, não for feita a indicação, assim como a natureza do contrato, se uma das partes houver feito investimentos a propriedade, qual seja, a tradição (entrega). Portanto pode-se
se a pessoa nomeada era insolvente, independentemente de o consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá dizer que o contrato, por si só, é inábil para gerar a translação da
outro contratante conhecer ou não a insolvência no momento da efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto propriedade, embora seja sua uma causa determinante. É preciso
indicação (art. 470, II, e 471). dos investimentos. Caberá ao juiz determinar, com a ajuda da perícia realizar atos cujo efeito translatício a lei reconhece: a tradição da
LINK ACADÊMICO 3 técnica se necessário, o prazo em que fica suspenso o direito de a parte coisa, se se tratar de móvel ou a inscrição do título aquisitivo no
resilir unilateralmente o contrato, sem qualquer motivação específica. registro, se for imóvel o seu objeto (arts. 1.245 e 1.246, CC). Além
VÍCIOS REDIBITÓRIOS O critério legal é o de proporcionar à parte, prejudicada pela resilição dessa observação, que é básica, nota-se que o contrato de com-
unilateral, a obtenção do objetivo previsto no contrato, de acordo com a pra e venda pode ter, por objeto, bens de toda natureza: corpó-
Vício redibitório é o defeito oculto contido na coisa objeto de sua natureza e dos investimentos realizados. reos, compreendendo imóveis, móveis, semoventes, como ainda
contrato comutativo, tornando-a imprópria ao uso a que se des- 2. Resolução contratual: é a dissolução do contrato em conseqüência os incorpóreos. Importante ressaltar que a tradição, como instituto

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capaz de consagrar o objetivo principal do contrato de compra e somente com a tradição ou registro do bem, este último no caso de 1.3.1. Promessa de compra e venda: pode ser bilateral ou uni-
venda, destina sua aplicação somente se à coisa for móvel. As- bens imóveis. lateral. Gera uma obrigação de fazer, que se executa mediante a
sim sendo, diante de um contrato dessa espécie em que seu ob- 1.2. Elementos constitutivos: outorga do contrato definitivo. A prestação a que as partes estão
jeto seja um bem imóvel, cabe a menção de que a transferência a) consentimento: é preciso capacidade genérica para praticar os obrigadas é o fato da realização da compra e venda. Pode assu-
da sua propriedade somente se dará com o competente registro atos da vida civil. Os absoluta ou relativamente incapazes só poderão mir tanto a forma pública como a particular, conforme expressa-
do bem junto ao Cartório de Registro de Imóveis. contratar devidamente representados ou assistidos pelos representan- mente admite o art. 462 do Código. Uma das partes contratantes
A lei considera esse contrato obrigatório e perfeito, desde que as tes legais, sob pena de nulidade ou anulabilidade do negócio; a pessoa poderá propor a execução coativa ao contrato de promessa de
partes acordem no objeto e no preço (Código Civil, art. 482). Se também precisará de legitimação para contratar, por isso há restrições compra e venda, permitida por lei, independentemente da forma
ocorrer uma condição, esta se fará presente na elaboração do quanto às pessoas casadas, que necessitam da anuência do cônjuge utilizada pelas partes no contrato preliminar (art. 464 do Código).
vínculo, suspendendo os efeitos do consentimento manifestado para a compra e venda de imóveis (exceto no regime de separação A promessa unilateral. No nosso direito, a promessa unilateral
ou resolvendo o contrato, conforme seja suspensiva ou resolu- total de bens), b) preço: constitui importante elemento desse tipo de de comprar é lícita e possível, mas pouco usada. A promessa de
tiva. contrato, sendo que o mesmo deve ser estabelecido em dinheiro, sob vender, por ter suscitado numerosos problemas, é mais rica de
É preciso que o objeto exista, ao menos em princípio, pois a ine- pena de estabelecer-se um contrato de troca e não de compra e venda. soluções, não estando os princípios que compõem a sua teoria
xistência do objeto implica, em tese, prejuízo à formação do con- A fixação do preço, porém, pode ocorrer por parte de terceiro, além perfeitamente discutidos É o caso da opção. A opção pratica-se
trato, já que este, forçosamente, precisa ter sobre o que incidir. da fixação baseada no próprio mercado ou bolsa, de acordo com os na vida mercantil, quando um comerciante ou fornecedor se com-
Venda de coisa inexistente é nula. Isso não significa, entretanto, artigos 485 e 486, do Código Civil. Contudo, tal fixação pode não se dar promete a vender mercadoria a uma pessoa determinada, me-
que somente possa haver contrato que verse sobre coisa já co- por puro arbítrio de uma das partes, não se alcançando nesse caso, o diante preço assentado em base fixada e dentro de certo prazo.
nhecida e caracterizada no momento da celebração. O contrato equilíbrio almejado no contrato de compra e venda. Não querendo ou O que constitui a tônica desse negócio jurídico é a criação, para
poderá incidir sobre coisa futura, o qual fica definido como con- não podendo os contratantes determinar o preço, é lícito convencionar o promitente, de uma obrigação (de comprar ou de vender), en-
dicional, que se resolve caso a coisa não tenha existência, mas sua fixação por um terceiro (Código Civil, art. 485) que não é propria- quanto a outra parte fica com a liberdade de contratar. O Código
que se reputa perfeito, desde a data da celebração, com o imple- mente um avaliador da coisa, porém um árbitro escolhido pelos interes- inseriu no parágrafo único do seu art. 513 um prazo máximo de
mento da condição. Ou, então, fica identificado como contrato sados, os quais não têm o direito de repudiar a sua deliberação, mas decadência dentro do qual pode vigorar o direito de preferência,
aleatório, válido como negócio jurídico e, devido ao preço, ainda têm o dever de acatar sua estimativa. Também será válida a venda, se que é de 180 (cento e oitenta) dias, se a coisa for móvel, e 2
que nada venha a existir (Código Civil, art. 458), pois, nesse caso, deixado o preço à taxa do mercado ou da Bolsa, de um certo dia e lugar (dois) anos, se imóvel, contados da data do contrato de compra
é objeto da venda a expectativa e não, por si só, a coisa ou sua (Código Civil, art. 486). Se a cotação variar no mesmo dia escolhido, e venda. Diante dessa nova regra legal, que tem a natureza de
transferência. O art. 483 do Código admite expressamente que tomar-se-á por base na média nessa data, caso as partes não tenham norma cogente, o comprador está livre para revender o bem, sem
a compra e a venda possa ter por objeto coisa atual ou futura, convencionado de forma diversa, por aplicação analógica do parágrafo observar o direito de preferência do vendedor, uma vez transcor-
dispondo que, nesse último caso, o contrato fica sem efeito, se único do art. 488 do Código. São acessórios do preço as despesas que ridos esses prazos, conforme a natureza do objeto.
o objeto não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de se têm de fazer para a realização e execução do contrato. Em princípio, A promessa bilateral de compra e venda pode ser irretratável
concluir contrato aleatório. deixa-se ao sabor da vontade dos interessados. Na sua falta, compe- ou sujeita a arrependimento. Quando irretratável e constar de
Gerando uma obrigação de dar, o contrato de compra e venda tem ao comprador as despesas de escritura e registro e, ao vendedor, registro público, gera direito real. Há implicações de natureza
terá de incidir sobre uma coisa caracterizada por seus elementos as da tradição (Código Civil, art. 490). A ausência de estipulação do fiscal, acompanhando a promessa irretratável, como foi o caso
identificadores. O seu objeto necessariamente deverá ser deter- preço nem sempre leva à inexistência do contrato de compra e venda de recolhimento do imposto sobre o lucro imobiliário. Fica sempre
minado. Isso não quer dizer que deverá ser rigorosa a determina- por falta de um dos seus elementos essenciais. O art. 488 do Código ressalvada aos contratantes a faculdade de se arrependerem,
ção e no momento exato do ajuste: se a coisa for determinável, admite a interpretação do contrato de compra e venda sem preço ou mediante as condições estipuladas, como seja a perda do sinal,
isto é, suscetível de individualização no momento da execução, o de qualquer critério para a sua fixação, como se as partes se tivessem o pagamento da remuneração pela utilização da coisa ou a perda
contrato tem condições de existência.   sujeitado ao preço corrente nas vendas habituais do vendedor; das prestações pagas a título de indenização pelo uso etc. Sen-
Nessa qualidade da coisa interfere a venda sob amostra, pro- c) a coisa: é o principal elemento desse tipo de contrato, também cha- do irretratável e constando de registro público, dá nascimento ao
tótipo ou modelo, que é aquela em que o vendedor exibe ao mada de res, sendo caracterizado como objeto individuado da compra direito real e submete o promitente vendedor à execução coativa
comprador uma pequena porção da coisa, ou seu protótipo, ou e venda, a qual pode recair sobre todas as coisas que não estejam fora (Código Civil, arts. 463 e 464), obrigando o juiz a outorgar a es-
modelo, assegurando-lhe que o objeto a ser entregue deva ter do comércio, além de serem dotadas da possibilidade de apropriação e critura definitiva, sob pena de valer a sentença como suprimento
as suas qualidades (Código Civil, art. 484). É uma espécie de de serem legalmente alienáveis, conforme acima já aludido. do ato não realizado.
determinação, por via de confronto com a amostra, protótipo ou 1.3. Conseqüências jurídicas: existe o dever atribuído ao vendedor Mediante promessa de compra e venda, em que não se pactuou
modelo exibido. Conferindo-o e verificando-o, o comprador, no de efetuar a entrega da coisa, acrescida de todos os seus acessórios. arrependimento, celebrada por instrumento público ou particular
momento da entrega, tem a faculdade de rejeitá-la, se não guar- Tal entrega, no entanto, implica não somente a tradição da coisa ven- e registrada no Cartório de Registro de Imóveis, o promitente
dar exata correspondência com a amostra. O parágrafo único do dida, como também o domínio do bem, inclusive com a competente comprador adquire direito real à aquisição do imóvel, confome
art. 484 faz ainda prevalecer a amostra, o protótipo ou o modelo conservação do mesmo até a data de sua efetiva entrega. Importante dispõe o art. 1.417 do CC. Ademais, o promitente comprador,
sobre a descrição que tiver sido feita sobre o objeto, no contrato, ressalva deve ser feita no tocante a esta entrega, acompanhada do titular de direito real, poderá exigir do promitente vendedor ou de
caso exista diferença entre eles, optando claramente por proteger respectivo pagamento do preço ajustado. Nesse sentido, caso o pa- terceiros, a quem os direitos deste forem concedidos, a outorga
o comprador, na certeza de que a visualização da amostra, do gamento seja estipulado a prazo e, antes dele, ocorrer a insolvência da escritura definitiva de compra e venda, conforme o que se
protótipo ou do modelo, é elemento fundamental na formação da do adquirente da mercadoria, o vendedor pode não efetuar a entre dispuser no instrumento preliminar. E, se houver recusa, poderá
vontade na fase da celebração do contrato. do bem, até que seu preço seja devidamente quitado. Cabe ainda ao requerer ao Judiciário a adjudicação do imóvel (art. 1.418, CC).
Ademais, para que haja compra e venda, a coisa há de ser dis- vendedor, por conta de eventuais transtornos sofridos, exigir que o ad- 1.4. Cláusulas especiais no contrato de compra e venda
ponível ou estar no comércio. Em caso contrário, não haverá quirente preste caução do bem, como forma de garantia do contrato 1.4.1. Retrovenda: é a cláusula em que o vendedor se reserva o
compra e venda, porque a sua inalienabilidade impossibilita a anteriormente firmado. direito de reaver, em certo prazo, o imóvel anteriormente alienado,
transmissão ao comprador. A indisponibilidade pode ser natural, A legislação impõe ao vendedor o dever de garantia em relação ao restituindo ao comprador o preço recebido, acrescido das despe-
quando a coisa é insuscetível de apropriação; legal, quando a produto (coisa, bem), fornecido ao adquirente, principalmente diante da sas por ele realizadas durante o período de resgate ocorrendo,
coisa está fora do comércio por imposição da lei; e voluntária, existência de certos vícios tais como os redibitórios e os aparentes. É para tanto, uma necessidade de expressa previsão por escrito.
quando resulta de uma declaração de vontade por ato entre vi- do vendedor a responsabilidade oriunda dos riscos e despesas, uma Se “B”, em função de dificuldades financeiras, não querendo
vos (doação) ou “causa mortis” (testamento). Sempre que a coisa vez que, até o momento em que se efetiva a tradição (no caso de bens perder seu imóvel, vende o mesmo para “C” estabelecendo, por
for inalienável, o contrato de compra e venda não pode tê-la por móveis), ou a transcrição (bens imóveis), o bem ainda permanece em escrito em contrato, que irá comprar o imóvel novamente trans-
objeto, sob pena de ineficácia. E não basta que a coisa seja dis- seu poder. Sendo assim, ocorrendo a deterioração, ao comprador é corrido certo período de tempo, restituindo o preço inicialmente
ponível. É preciso que ela possa ser transferida ao comprador. possibilitada a resolução do contrato, aceitação da coisa no estado em pago, acrescido das despesas feitas pelo comprador do mesmo.
Se a coisa já pertencer ao comprador, não poderá ser vendida que a mesma se encontrar, com o respectivo abatimento no preço (cul- Seu objeto é tão-somente a venda imobiliária. O vendedor tem a
a ele; e, se pertencer não ao vendedor, mas a terceiro, a venda pa do alienante) e poderá, ainda, pleitear, em juízo, uma indenização faculdade de retrato por prazo de decadência limitado a três anos
também não se concretiza. por perdas e danos; (Código Civil, art. 505), improrrogáveis, a bem da segurança da
1.1. Características: Existe, ainda, a possibilidade de o devedor (alienante) tomar para si os propriedade, que seria afetada, caso pudesse estipular por prazo
a) Bilateralidade: esta é caracterizada por conta da criação de frutos ou os melhoramentos obtidos com os acessórios da coisa vendi- prolongado e, mais ainda, se por tempo indeterminado. Dentro
obrigações para os contratantes, os quais, em caráter posterior, da antes da tradição do respectivo bem. Quando a venda recair sobre do prazo, pode a coisa ser resgatada, cabendo a ação respectiva
serão credores e devedores; b) Onerosidade: nesse caso, a uma universalidade de bens, o vendedor será responsável por defeito ao próprio vendedor e aos seus herdeiros, legatários ou condô-
onerosidade implica a característica de ambos os contratantes oculto referente ao conjunto de coisas, não ocorrendo a possibilidade minos (Código Civil, art. 507). Se duas ou mais pessoas tiverem
auferirem vantagens de cunho patrimonial. Vale ressaltar que de se responsabilizar de forma individual; o direito de recobrar a mesma coisa, e só uma o exercer, poderá
deve haver um equilíbrio envolvendo tais vantagens; c) Comuta- Por parte do comprador, a este cabe o direito de recusar a coisa ven- o comprador intimar as outras para que manifestem o seu acordo
tividade: esta advém da existência de um objetivo certo e seguro dida mediante amostra, por não ter sido a mesma entregue nas condi- e, se não o houver, não fica o adquirente obrigado a admitir o
na realização do contrato, como se percebe na grande maioria ções prometidas no contrato. Nos contratos que envolvam a aquisição retrato parcial: ou o interessado entra com a importância global e
dos contratos no Direito Civil; d) Aleatoriedade: nessa caracte- de terras, ressalta-se o direito do adquirente de exigir uma complemen- resgata a integralidade do imóvel, ou caducará o direito de todos
rística, o objeto do contrato encontra-se vinculado à ocorrência de tação da área, objeto do contrato, nos casos em que se constatar uma (Código Civil, art. 508). A ação pode ser intentada contra o com-
um evento futuro e incerto, em que não se pode antecipar o seu falta de correspondência entre a área encontrada pelo possível com- prador ou seus herdeiros, bem como contra o terceiro adquirente,
montante. Exemplo: alienação de coisa futura em que um dos prador e as dimensões realmente apresentadas. Ocorrendo tal fato, a ainda que este ignore a cláusula de retrovenda (Código Civil, art.
contratantes toma para si o risco, caso nada venha a ser produzi- atitude a ser praticada pelo comprador, consistirá em pleitear a rescisão 507), porque esta integra a própria alienação, imprimindo-lhe o
do, embora permaneça o dever do pagamento. Vide artigos 458 do negócio ou o abatimento do preço; caráter condicional. O comprador recebe de volta o preço que
e 459, do Código Civil; e) Consensualidade ou Solenidade: Importante conseqüência jurídica pode ser mencionada no que cor- pagou, acrescido das despesas feitas. Tem direito, ainda, a ser
em casos como os contratos consensuais em que, através do responde à exoneração do adquirente de imóvel, que exibir certidão reembolsado das quantias que tiver empregado no imóvel com
mútuo consentimento de ambos os contratantes, temos o aper- negativa de débito fiscal, vinculado ao bem adquirido. Nesse aspecto, autorização escrita do vendedor, bem como, mesmo sem auto-
feiçoamento do contrato. Por sua vez, a solenidade descreve a apresentado tal documento, o imóvel estará desobrigado para sua rização, as que tiver desembolsado para a realização de benfei-
necessidade de o contrato de compra e venda possuir uma forma conseqüente comercialização. Por fim, temos como nulidade de pleno torias necessárias (Código Civil, art. 505). O vendedor somente
específica por força de lei, para gerar seus efeitos. Tal solenidade direito quando, nos contratos de compra e venda de bens móveis ou readquire o domínio e a posse do objeto da retrovenda com o
é constatada na aquisição de imóveis em que a escritura pública imóveis, são fixadas cláusulas que vinculem o pagamento de presta- pagamento do valor integral devido ao comprador (Código Civil,
mostra-se necessária. Vide arts. 108 e 215 do Código Civil; f) ções, acarretando uma relação de consumo. Sendo assim, ao se es- art. 506).
Translatividade do domínio: nesse caso, o contrato de com- tabelecer cláusulas que impliquem a perda total das prestações pagas 1.4.2. Venda a contento: é aquela que se realiza sob a condi-
pra e venda passa a assumir um importante papel, como sendo em benefício do credor, caracterizada estará a nulidade anteriormente ção de só se tornar perfeita e obrigatória, após declaração do
um título hábil para a aquisição do domínio, o qual se aperfeiçoa mencionada. comprador, de que a coisa lhe é agradável, de que ela o con-

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tenta. O negócio apenas se consuma a critério do comprador, sa móvel não fungível, que se individua por caracteres discriminativos nesta, como é o caso do ascendente que não necessita do acor-
independentemente da qualidade da coisa. Qualquer que seja próprios (art. 523 do Código). O Código somente o admite tendo como do dos demais para doar a um descendente, ao contrário do que
o seu objeto, o contrato de compra e venda comporta esta cláu- objeto bens de caracterização perfeita, que possam ser extremados de ocorre na compra e venda e na permuta, presumindo-se adianta-
sula, que abrange muito especialmente a compra de gêneros outros congêneres. O conceito, portanto, é o de individualização da coi- mento de legítima doação levada a efeito de pai a filho ou entre
que se costumam experimentar antes de aceitos (Código Civil, sa. Se esta puder ser feita por qualquer modo, pode a coisa ser objeto cônjuges (Código Civil, artigo 544). O marido e a mulher podem
art. 509). Em nenhuma hipótese pode ser presumida, devendo de venda com reserva de domínio. Na dúvida sobre a individuação do doar com outorga recíproca, nos mesmos casos e condições de
ser expressa. O Código de 2002 inseriu em seu art. 510 uma bem que eventualmente esteja na posse de terceiro, o Código determi- outras alienações de bens. A doação, todavia, do cônjuge adúl-
regra prevendo que a venda sujeita a prova presume-se feita sob na que o juiz decida em favor do terceiro adquirente de boa-fé. tero ao seu cúmplice é proibida e conseqüentemente anulável
condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asse- 1.4.5. Venda sobre documento: trata-se de uma cláusula que subs- (Código Civil, art. 550). As doações de um cônjuge ao outro não
guradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina. titui a tradição da coisa pela entrega de um título que a represente, são proibidas. Não serão, contudo, lícitas quando contrariarem a
Enquanto não ocorrer a manifestação concordante do adquiren- conforme disciplina dos arts. 529 a 532 do CC. Ajustado o contrato índole do regime, como ocorre no da comunhão universal, em
te, mesmo diante da presença da tradição, o domínio permanece de venda sobre documentos, também chamada venda contra docu- que não tem sentido em razão da comunidade de interesses. É
com o alienante, o qual fica responsável também pelas perdas mentos (porque o pagamento se faz contra a apresentação dos docu- possível a doação por mandatário, desde que o doador nomeie,
que, porventura, tenham ocorrido em relação ao objeto. Não ten- mentos), considera-se cumprida a obrigação de entregar o vendedor a no instrumento, o donatário ou dê ao procurador a liberdade de
do sido adquirido o domínio pelo comprador, antes da ocorrência coisa vendida (tradição), uma vez colocada a documentação nas mãos escolha de um entre os que designar. O menor não pode doar. O
da condição, é caracterizado como um mero comodatário, sendo do comprador ou confiada sua entrega a pessoa física ou jurídica. tutor e o curador não podem doar bens do tutelado ou curatelado
que suas obrigações no contrato equiparam-se às de um como- Substituída a tradição real pela tradição ficta, vigora a presunção de nem dar a autorização, porque a lei lzhes confia a administração
datário, nos termos do artigo 511, do Código Civil. Não havendo que o vendedor se desincumbiu de seu dever contratual, competindo dos bens, porém lhes nega a sua disposição (Código Civil, art.
prazo estipulado para a declaração do comprador, o vendedor ao comprador efetuar o pagamento (Código Civil, art. 529). Estando em 1.749, II, e 1.781).
terá o direito de intimá-lo, judicial ou extrajudicialmente, para que ordem os documentos exigidos pelo contrato ou pelos usos, considera- b) capacidade passiva: existe para todos aqueles que podem
o faça em prazo improrrogável (art. 512, CC). se que a coisa vendida corresponde à descrição do contrato e conser- praticar os atos da vida civil e, por exceção, justificada pelo caráter
1.4.3. Preempção ou preferência: é o negócio em que o com- va as qualidades nele asseguradas. Portanto não lhe cabe recusar o benéfico do ato: o nascituro (art. 542), embora não possa exprimir
prador de uma coisa se obriga para com o vendedor a preferi-lo, pagamento, a pretexto da qualidade ou do defeito da coisa vendida, a validamente a vontade; pessoa indeterminada e não identificada,
em igualdade de condições, caso venha a vendê-la. A citada não ser que já tenha sido comprovado o defeito (parágrafo único do como é o caso de filhos a ainda serem tidos por determinado ca-
definição advém do artigo 513 do novo Código Civil, que cuida art. 529). A venda sobre documentos opera alteração nos princípios sal (art. 546). Às pessoas jurídicas de direito privado é lícito aceitar
da matéria de forma completa. O direito de preferência somente que disciplinam a tradição da coisa vendida. Por essa razão, o paga- doações. As de direito público, federais, estaduais ou municipais
se emergirá quando o comprador tiver a intenção de revender mento deve ser efetuado contra a entrega dos documentos. O art. 530 poderão aceitá-las na forma e em obediência ao critério determi-
a coisa comprada. Caso o comprador decidir pela conservação preferiu dizer na data e no lugar da entrega. Sem esta, o comprador nado pelas disposições especiais.
da coisa por período indefinido, ninguém poderá convencê-lo do pode reter o pagamento. Portanto sua efetivação dar-se-á no lugar e c) consentimento: a manifestação convergente das vontades
contrário. Decidindo o devedor promover a alienação da coisa, no momento em que o comprador os receber. É lícita a convenção de do doador e do donatário. O acordo é expresso quando o dona-
este deverá informar o credor sobre a intenção de venda, comu- lugar diverso. Tem o comprador o arbítrio de recusar o pagamento se a tário declara, por qualquer veículo de manifestação volitiva, que
nicando ao mesmo as condições encontradas para que o credor documentação não estiver em ordem. Procedendo, entretanto, de má- aceita os bens ou vantagens ofertados pelo doador. Mas poderá
venha a manifestar e exercer o seu propósito envolvendo a pre- fé o vendedor, que já tem prévia ciência de danos sofridos pela coisa ser tácito, quando se pode inferir de uma conduta adotada pelo
empção ou preferência. Por conta do artigo 515 do CC, o credor vendida, não pode descarregar no comprador os riscos da coisa, a pre- donatário. Será presumido quando fixar o doador ao donatário um
deve estar disposto a pagar o preço ajustado. Não o fazendo, texto de havê-la segurado (art. 531). Pode ocorrer e tornou-se habitual prazo (art. 539), para que declare se aceita ou não a liberalidade:
este perderá o direito de preferência estabelecido com a inserção na vida mercantil que a documentação seja entregue por intermédio de presumir-se-á o consentimento e conseqüentemente a perfeição
da cláusula em comento. Temos ainda a fixação, por conta da lei instituição financeira. Nesse caso, a operação de venda é geminada ao do contrato, se, dentro nele, não for recusada a doação, uma vez
(artigo 516), de prazo decadencial para exercício do direito de contrato de crédito documentado. Na sua execução, credenciado pelo que seja esta pura e simples; e ao revés, o silêncio fará presumir
preferência. Vale lembrar que este prazo é de 03 dias para coisas comprador, o banco assume o encargo de efetuar a entrega da docu- a recusa se for aquela gravada de encargo. Já ficto é o consenti-
móveis e de 30 dias, para imóveis, contados a partir do momento mentação ao comprador, obrigando-se a pagar ao vendedor o preço, mento para a doação ao incapaz. O Código (art. 543) dispensa a
em que o devedor comunica o respectivo credor. A preferência ao lhe serem confiados os documentos (art. 532). É uma operação de aceitação do absolutamente incapaz nas doações puras.
reunirá alguns requisitos que juridicamente a caracterizam: a) é financiamento, concertada com o comprador. Entregues os documen- d) objeto: não há restrições objetivas à doação. Todo bem co-
personalíssima, no sentido de que somente pode exercê-la o pró- tos ao banco, a este cabe verificar a sua exatidão. Estando corretos, mercializável pode ser doado: imóveis, móveis corpóreos, móveis
prio vendedor, que não o transmite nem por ato inter vivos nem paga-se pelo débito do comprador. O vendedor sai do circuito, cabendo incorpóreos, universalidades, direitos patrimoniais não acessó-
causa mortis (Código Civil, art. 520); b) somente tem lugar na ao banco receber o preço diretamente do comprador. Não tem o banco rios. Todavia é proibida a doação universal, isto é, aquela que
compra e venda, descabendo ajustá-la a qualquer outra espécie o dever de verificar a coisa vendida nem responde perante o compra- compreende a totalidade dos bens do doador (art. 548), a não ser
de contrato, mesmo que próximo da venda, como é a permuta; dor senão pela regularidade do documento (art. 532). que este reserve renda suficiente para subsistência. É igualmente
c) o direito de prelação somente pode ser exercido na hipótese LINK ACADÊMICO 7 proibida a doação inoficiosa (art. 549), ou seja, a de bens que
de pretender o comprador vender a própria coisa ou dá-la em excedam a parte que o doador, no momento da liberdade, possa
pagamento, sendo ilícita a sua avença para qualquer outro tipo dispor em testamento.
de venda; d) pode ser pactuada para a venda de qualquer bem, OUTROS CONTRATOS 2.2. Classificação:
corpóreo ou incorpóreo, móvel ou imóvel. O Código inseriu no EM ESPÉCIE 1) Doação pura é aquela que envolve a mutação do bem no pro-
parágrafo único do seu art. 513 um prazo máximo de decadência pósito de favorecer o donatário, sem que nada lhe seja exigido e
dentro do qual pode vigorar o direito de preferência, que é de 180 1. Troca ou permuta: é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar sem subordinar-se a qualquer condição ou motivação;
dias, se a coisa for móvel e 2 anos, se imóvel, contados da data uma coisa por outra que não seja dinheiro. Esse contrato tem diversas 2) Doação modal é a que contém imposição de um dever ao do-
do contrato de compra e venda. características comuns em relação aos contratos como um todo: bilate- natário, o qual tem de cumpri-lo nas mãos do próprio doador, na
O exercício da preferência, uma vez pretendida a revenda pelo ralidade, onerosidade, comutatividade, translatividade de propriedade de certa pessoa ou de alguém indeterminado. O encargo adere
comprador no prazo menor que os estabelecidos no parágrafo (título aquisitivo), capaz de gerar, para cada um dos contratados, a obri- substancialmente ao contrato. Se é nulo, contamina a própria
único do art. 513, está subordinado a um prazo de decadência, gação de transferir para o outro o domínio da coisa objeto de sua pres- doação, salvo se, do conjunto de circunstâncias, esta puder
que pode ser fixado pelo comprador na notificação encaminhada tação, de forma comercial, sendo que, em caráter excepcional, ocorra a conhecer-se destacada ou independente daquele.
ao vendedor (art. 516). É evidente que o comprador deve con- necessidade de forma solene. É anulável a troca de valores desiguais 3) Doação remuneratória é aquela que se efetua com o propósito
ceder ao vendedor um prazo razoável para que possa pensar entre ascendentes e descendentes, sem o consentimento expresso de recompensar serviços recebidos, pelos quais o donatário não
em exercer ou não o seu direito de preferência. Em caso de dos demais descendentes e do cônjuge do alienante, salvo se casado se tornara credor de uma prestação exigível juridicamente. Na
abuso, deve o juiz intervir e considerar nula a notificação. Caso no regime da separação absoluta de bens. Cada um dos contratantes doação remuneratória existe uma liberalidade, em recompensa
o comprador não fixe prazo, a lei o estipula: se for móvel, três pagará por metade das despesas com o instrumento da troca.. E cada de um favor ou serviço, recebido pelo doador.
dias e, se imóvel, 60 dias, contados da data da notificação do um deles concorrerá com a metade das despesas, necessárias ao ins- 4) Doação condicional ocorre quando a doação se subordina a
vendedor com os termos da oferta recebida (Código Civil, art. trumento da troca, compreendendo-se no vocábulo despesas todos os uma condição, suspensiva ou resolutiva, em decorrência de um
516). O comprador responderá por perdas e danos se alienar a gastos, inclusive de natureza fiscal (Código Civil, art. 533, I). fato, mesmo que dependente da vontade do donatário, como um
coisa sem ter dado ao vendedor ciência do preço e das vanta- casamento, uma viagem, o êxito em uma competição esportiva
gens que oferecem pela coisa. O adquirente, se houver agido 2. Doação: é o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere ou intelectual etc.
de má-fé, responderá solidariamente. Prevê o Código Civil igual- do seu patrimônio bem ou vantagem para o de outra, que os aceita. São 5) Doação a termo é aquela em que a doação se dá com um
mente a retrocessão, que consiste no dever imposto ao poder suas principais características a unilateralidade, envolvendo a presta- termo final ou inicial.
desapropriante oferecer ao desapropriado o imóvel, pelo mesmo ção de uma só das partes, o que não ocorre nos contratos bilaterais; 6) Doação de pais a filhos e de um cônjuge a outro ocorre quando
preço por que o foi, caso não lhe dê o destino previsto no decreto gratuidade, inspirado no propósito de fazer uma liberalidade; consen- se adianta, mesmo que em parte, direitos da sucessão legítima.
expropriatório (art. 519). sualidade, aperfeiçoando-se pela conjunção das vontades do doador 7) Doação conjuntiva é aquela feita em comum a mais de uma
Quando o direito de preferência for estipulado a favor de dois ou e do donatário; solenidade, já que a lei impõe ao contrato de doação a pessoa, sendo distribuída igualmente entre os diversos donatá-
mais indivíduos em comum, só pode ser exercido em relação forma escrita, a não ser que se trate de bens móveis, de pequeno valor, rios, salvo se o contrário ficou estabelecido em contrato.
à coisa no seu todo. Se alguma das pessoas a quem ele diga quando a simples tradição mostra-se suficiente. A aceitação constitui 2.3. Efeitos da doação: a doação não transfere, por si só, o
respeito poder ou não exercer esse direito, poderão as demais fator para o aperfeiçoamento do contrato de doação, caracterizado pela domínio; faz-se necessária a tradição real para os móveis ou ins-
utilizá-lo mesmo assim. manifestação de concordância da vontade do donatário. Essa acei- crição para os imóveis. A doação gera efeitos obrigatórios e não
1.4.4. Reserva de domínio: ocorre quando se estipula, através tação pode ser expressa ou tácita, existindo casos em que a mesma reais. Ela é em regra marcada, também, pela irrevogabilidade.
de contrato de compra e venda, em regra de coisa móvel infun- ainda é considerada como presumida. Essa aceitação presumida pode Feita a doação em comum a mais de uma pessoa, presume-se
gível, que o vendedor reserva para si a sua propriedade, até o ser abordada nos casos abrangendo o incapaz ou sua formação pe- ter o doador distribuído entre elas e em partes iguais a coisa
momento em que se realiza o pagamento integral do preço, de los pais nos casos do nascituro. Não são consideradas doação certas doada, salvo se, no contrário, resultar do contrato (Código Civil,
acordo com o disposto no artigo 521 do CC. A venda, com pacto atribuições gratuitas que se costumam fazer por ocasião de serviços art. 551). Se forem os donatários marido e mulher, a lei institui
de reserva de domínio, está sujeita à forma escrita e terá de ser prestados (gorjetas, gratificações) ou no cumprimento de deveres ou uma substituição recíproca, estatuindo que, com a morte de um
feita a sua inscrição no registro de títulos e documentos do domi- desempenho de costumes sociais (esmolas, donativos por ocasião de deles, não se passa o bem a seus herdeiros, mas subsiste, na to-
cílio do comprador, para ter eficácia contra terceiros (Código Civil, datas festivas ou cerimônias religiosas), não sujeitas às normas disci- talidade, a doação para o cônjuge supérstite, como um direito de
art. 522). Só assim é oponível à cláusula contra todos e permitido plinares da doação. acrescer (Código Civil, parágrafo único do art. 551). Se a doação
ao vendedor perseguir a própria coisa, de cuja posse despojará 2.1. Requisitos: for feita em forma de prestação periódica ao beneficiado (Código
o terceiro adquirente, para nela reintegrar-se. O pacto de reserva a) capacidade ativa: a mesma requerida para os contratos em geral. Civil, art. 545), constituirá em obrigação que se extingue com a
de domínio pode ser estipulado adjeto à compra e venda de coi- Algumas restrições estabelecidas para outras espécies não vigoram morte do beneficiário ou com a morte do donatário. Os herdeiros

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do doador não são obrigados a mantê-la, salvo se o contrário se 557 e 558). Os casos especificados na norma são os seguintes: ser apenas de mão-de-obra.
dispuser. Na falta de tal estipulação, considera-se nova doação da I) Atentado contra a vida do doador, seu cônjuge, ascendente, des-
parte dos sucessores, se estes deliberarem manter a liberalidade. cendente, ainda que adotivo, ou irmão, ou cometimento de crime de 6. Empréstimo: sob a denominação genérica de empréstimo,
O doador pode reservar para si o usufruto vitalício ou temporário homicídio doloso contra eles. Somente a tentativa ou a consumação existem as figuras contratuais do comodato e do mútuo, que ex-
da coisa doada. Se for universal a doação, não prevalecerá sem de homicídio doloso o caracteriza, porque a ausência da intenção no primem a mesma idéia de utilização de coisa alheia acompanha-
a reserva de renda. O usufruto poderá atingir a totalidade da coisa delito culposo exclui aquela deplorável insensibilidade moral que a lei da do dever de restituição, porém se diferenciam pela natureza,
doada ou somente uma parte dela. O doador pode estipular que civil quer punir. Também não se compreende a falta de cuidados e de pela celebração e pelos seus efeitos.
os bens doados voltem ao seu patrimônio, se o donatário morrer assistência. Por outro lado, a absolvição do acusado no juízo criminal, 6.1. Comodato: é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis
antes dele (Código Civil, art. 547). Essa cláusula de reversão não por qualquer das escusativas de criminalidade, apagando o delito, ilide (Código Civil, art. 579), ou seja, o contrato pelo qual uma pessoa
pode ser presumida e não pode ser determinada em benefício de a ação revocatória, que não poderá mais vingar. entrega à outra, gratuitamente, coisa não fungível, para que a uti-
outra pessoa. O doador não é sujeito a juros moratórios e não res- O art. 561 do Código atribui aos herdeiros do doador a legitimidade para lize e depois restitua. Trata-se de um contrato unilateral, porque
ponde pela evicção ou pelo vício redibitório, salvo se tiver expres- a ação de revogação, excluindo tal legitimidade, no entanto, se o doador gera obrigações somente para o comodatário; gratuito, porque
samente assumido os riscos ou, em caso de evicção, a doação tiver perdoado o donatário antes de falecer. Esse perdão tem que ser somente o comodatário aufere proveitos ou vantagens. Caso
tiver sido efetivada para casamento com certa e determinada pes- inequívoco. Não necessita, porém, ser reduzido a escrito. A sua prova seja estipulada retribuição ou contraprestação, desfigura-se esse
soa, (Código Civil, art. 552). Exceção a esse último comentário, é pode ser efetivada por qualquer meio admitido em lei, na medida em contrato, passando a ser aluguel, caso se estipule em dinheiro
disposição contratual em sentido diverso. Não deixa de constituir que não há exigência de forma especial. ou alguma outra forma de contrato atípico; real, porque se forma
liberalidade a doação remuneratória ou a modal naquilo em que II) Ofensa física contra o doador, seu cônjuge, ascendente, descenden- pela tradição da coisa; pode não ser essencialmente celebrado
o valor da coisa doada exceder o valor dos serviços remunerados te, ainda que adotivo, ou irmão. Mesmo que não tenha havido atentado em caráter de pessoalidade, embora habitualmente traduza um
ou o encargo imposto e, como tal, tem de ser tratada. contra a vida, só a agressão física é suficiente para autorizar a revoga- favorecimento pessoal. O comodato não exige forma solene da
2.4. Invalidade da doação: é nula a doação por incapacidade ção. Não exige a lei civil seja o agressor condenado, criminalmente. declaração de vontade. No comodato apenas o comodatário se
absoluta do doador, por ilicitude ou impossibilidade absoluta de Basta fundamentar a existência de ofensa física devidamente compro- beneficia. Se o comodato for, porém, conveniente (como no caso
objeto, por desobediência à forma prescrita (instrumento público, vada, a crueldade corporal apurada. de facilitar a conservação da própria coisa), terá condições de
para os imóveis de valor superior ao equivalente a 30 salários mí- III) A injúria e a calúnia contra o doador, seu cônjuge, ascendente, des- existência e validade, uma vez que preceda autorização especial
nimos; instrumento público ou particular, para os móveis; tradição cendente, ainda que adotivo, ou irmão, nos termos em que estes delitos do dono ou, se for este incapaz, do juiz (Código Civil, art. 580).
imediata, para as doações verbais de pequeno porte). Também são definidos na lei penal, constituem, à sua vez, fatos autorizadores da No tocante aos requisitos subjetivos deste contrato, observa-se
é nula a doação universal sem a reserva de usufruto ou renda revogação, por trazerem atentado contra a integridade moral do doador que os administradores de bens alheios, especialmente de inca-
suficiente para a subsistência do doador. Não poderá o doador (calúnia, art. 138, e injúria, art. 140, ambos do Código Penal). pazes (tutores e curadores), não podem dá-los em comodato.
sublimar a garantia patrimonial devida aos seus credores. A lei IV) Finalmente, a lei considera ingratidão a recusa de alimentos ao do- Não é preciso que o comodante seja proprietário. Basta que,
impõe que o doador resguarde as legítimas de seus herdeiros ador, pressupondo que os reveses da vida lhe tenham imposto esta por direito, o mesmo uso que pretende emprestar lhe pertença.
necessários (descendentes, ascendentes, cônjuge). Como por necessidade. Mas, para que se configure tal hipótese de ingratidão, é Poderá ser comodada qualquer coisa não fungível, móvel ou imó-
ato de última vontade não é possível dispor senão de metade da mister que concorram três requisitos. O primeiro é poder ministrá-los ao vel. Coisa fungível não pode ser objeto de comodato, e sim de
herança (Código Civil, art. 1.789), a doação não poderá ultrapas- donatário, sem sacrifício da própria subsistência e de seus familiares; o mútuo, porque a sua caracterização pelo gênero e pela qualidade
sar a meação disponível. A doação feita pelo cônjuge adúltero ao segundo é ser devedor deles o donatário, por faltarem os parentes mais é incompatível com a restituição em espécie. Excepcionalmente,
cúmplice é anulável. A legitimidade para anular o ato é do cônjuge próximos do doador; o terceiro é a recusa do donatário, o que pressu- admite-se que, por contrato, as partes ajustem a infungibilidade
prejudicado ou seus herdeiros necessários, até dois anos depois põe solicitação, pois não seria razoável a imposição da penalidade, na de coisas naturalmente fungíveis. O comodatário recebe a coisa
de dissolvida a sociedade conjugal (Código Civil, art. 550). insciência, por parte do obrigado, de estar o doador em necessidade. tal qual se acha, sem que exista para o comodante a obrigação
2.5. Revogação da doação: como todo negócio jurídico, a doa- Proferida a sentença revogadora, produz efeitos “ex nunc”, isto é, a de pô-la em estado de servir, nem de repará-la.
ção é nula por falta dos pressupostos legais essenciais e é anulá- partir da data da citação do réu. Até então, é um possuidor de boa-fé e É um contrato temporário, em regra. O comodante tem a facul-
vel por defeito de vontade ou por defeito social. Como todo negó- um proprietário legítimo. Tem, portanto, direito aos frutos até aquele mo- dade de reclamar a coisa a qualquer tempo, se for de duração
cio jurídico, a doação resolve-se por uma causa superveniente e mento percebidos, respondendo pelos posteriores ou seu equivalente. indeterminada. Ajustado o contrato a prazo certo, deve este ser
determinante de sua cessação. Como conseqüência da sentença, deverá restituir em espécie a coisa respeitado, salvo se o comodante, demonstrando, em juízo, a sua
 A lei se refere às causas específicas, que são a ingratidão do doada e, se não for possível, indenizar, não pelo valor do tempo da necessidade urgente e imprevista, vier a ser autorizado a anteci-
donatário e o descumprimento de encargo. Em qualquer desses doação, nem do momento da sentença, porém por um termo médio. Na par sua recuperação (Código Civil, art. 581). 
casos, não quer a estabilidade econômica manter em estado de hipótese de o bem objeto da doação tiver sido alienado a terceiro antes
pendência indefinida a possibilidade de desfazimento do ato e, da citação, não pode o doador reivindicar o bem, cabendo-lhe apenas 6.2. Mútuo: é o contrato pelo qual uma das partes transfere uma
por isso, fixa um prazo de decadência ânuo, a contar de quan- indenização por perdas e danos do donatário (Código Civil, art. 563). O coisa fungível a outra, obrigando-se a restituir coisa do mesmo
do chegue ao conhecimento do doador o fato que a autorizar e objetivo aqui é proteger o terceiro de boa-fé. gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade. É, portan-
de ter sido o donatário o seu autor (art. 559). Os dois requisitos Não são suscetíveis também de revogação por ingratidão aquelas doa- to, diferente do comodato, que realiza apenas a cessão de uso: o
para o início da contagem do prazo são cumulativos. Se o doador ções que não são liberalidade pura. Excluem-se, portanto, (Código Civil, mútuo exige a transferência da propriedade mesma, por não se
tem ciência do fato, mas desconhece a autoria, o prazo somente art. 564): as remuneratórias, porque pressupõem a recompensa de um conciliar a conservação da coisa com a faculdade de consumi-la,
começa a fluir a partir do momento do conhecimento também da serviço recebido pelo doador; as modais, porque a imposição de encar- sem a qual perderia este empréstimo a sua utilidade econômica.
autoria do fato pelo donatário. go ao donatário sujeita-o a uma obrigação cujo descumprimento traz a É um contrato
 Não permite a qualquer, mesmo que tenha interesse imediato, revogação como conseqüência e, se o cumpre, quita-se com o doador. a) real: a tradição do objeto é o primeiro ato de sua execução e a
promover a revogação, senão ao próprio doador, que só ele tem Não são suscetíveis, também, de revogação por ingratidão as doações condição jurídica da restituição;
a legitimação respectiva. A ação somente pode ser iniciada contra realizadas em cumprimento de obrigação natural. b) unilateral: somente o mutuário contrai obrigações, uma vez
o donatário, em pessoa. Se, porém, qualquer das partes falecer Mas, em nenhum caso, é lícito renunciar, por antecipação, à faculdade que o mutuante somente deve entregar a coisa, ato que, nos con-
após a propositura da ação (Código Civil, art. 560), esta poderá de revogar a doação por ingratidão do donatário, porque se trata de tratos ditos reais, integra a sua constituição;
continuar com os herdeiros do doador contra o donatário, ou com direito instituído com caráter de ordem pública. O doador tem a liber- c) gratuito: na ausência de estipulação presume-se a gratuidade.
o primeiro contra os herdeiros do segundo, ou com os sucessores dade de não usar dele. Mas não tem a de abrir mão de fazê-lo, por A retribuição não é incompatível com a unilateralidade, porque,
de um contra os do outro. É, portanto, personalíssima, em nosso antecipação (Código Civil, art. 556). ajustados os juros, quem por eles responde é a mesma parte a
direito, a faculdade de pedir a revogação, ao contrário de outros quem incumbem as demais obrigações;
sistemas. 3. Locação de Coisas: é o contrato pelo qual uma pessoa se obriga d) temporário, por ser da sua essência a restituição da coisa;
Em seguimento, desdobrando-os nos dois itens seguintes, vere- a ceder temporariamente o uso e o gozo de uma coisa não fungível, e) translatício do domínio, porque opera para o mutuário a trans-
mos em que consiste o descumprimento do encargo e a ingra- mediante remuneração. As partes são chamadas locador, ou senhorio, ferência da propriedade da coisa emprestada.
tidão. ou arrendador; e locatário, ou inquilino, ou arrendatário. Trata-se de um
a) revogação por descumprimento do encargo: pode o doador contrato pessoal, bilateral, oneroso, consensual e de execução sucessi- 7. Depósito: é o contrato pelo qual uma pessoa (depositário)
estipular encargo ao donatário para com ele próprio, para com ter- va. O Código Civil regulou somente a locação de coisas que não sejam recebe um objeto móvel para guardar, até que o depositante o
ceiro ou no interesse geral. E o donatário, pelo fato de só aceitar imóveis regulados pela Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91) ou pelo Esta- reclame (Código Civil, art. 627). Trata-se de um contrato:
a liberalidade, obriga-se ao seu cumprimento. A obrigação resul- tuto da Terra (Lei nº 4.504/64) que não foram por ele revogados. a) real: o depósito somente se perfaz com a tradição efetiva da
tante do encargo imposto e aceito é juridicamente exigível pelo coisa;
próprio doador, bem como pelo terceiro beneficiário ou pelo órgão 4. Prestação de serviços: é o contrato em que uma das partes se b) gratuito: ainda assim, as partes podem estipular que o depo-
do Ministério Público no caso de ser de interesse geral. obriga para com a outra a fornecer-lhe a prestação de sua atividade, sitário seja gratificado. A presunção de gratuidade deixa de existir,
Não se contentando a lei com esta sanção, credencia ainda o mediante remuneração. Do contrato de prestação de serviços, antes se o depósito resultar de atividade negocial ou se o depositário o
doador com a faculdade personalíssima de promover, por ação conceituador de toda forma de prestação de atividade remunerada, praticar por profissão (Código Civil, artigo 628);
própria, a revogação da liberalidade, com fundamento no inadim- adveio o contrato de trabalho, que pressupõe a não-eventualidade, a c) temporário: o depositário tem de devolver a coisa no momento
plemento do beneficiário. Para tanto, é mister que seja o dona- onerosidade, e a subordinação. O direito do trabalho, porém, não aboliu em que lhe for pedida.
tário constituído em mora, mediante interpelação. Sua situação a prestação civil de serviços. Ao revés, subsistem ambas as espécies  
equivale à de um contratante em inadimplemento culposo, que contratuais, com vida autônoma. Para a prestação de serviços, regula- 8. Mandato: é o contrato pelo qual uma pessoa (mandatário) re-
gera uma condição resolutiva tácita, equiparável ao que acontece da no Código Civil, foram destinadas as hipóteses residuais, que não cebe poderes de outra (mandante) para, em seu nome, praticar
com os demais contratos. A doação modal, sem perder a nature- caracterizem o contrato de trabalho e que não estejam reguladas por atos jurídicos ou administrar interesses (Código Civil, art. 653). O
za própria de liberalidade, aproxima-se dos contratos bilateriais leis especiais, tais como as que regem a atividade dos funcionários pú- Código Civil dedicou um capítulo especial à representação, na
(Código Civil, art. 555). blicos (Código Civil, art. 593). sua Parte Geral, arts. 115 a 120, pondo fim ao equívoco de aliar-
b) ingratidão do donatário. Pode o doador revogar a doação por se a idéia de representação à de mandato o que não é correto, já
ingratidão do donatário, tomada a expressão não no seu sentido 5. Empreitada: é o acordo no qual uma das partes (empreiteiro) se obri- que este é apenas uma das formas daquela. Não nos deteremos
vulgar, mas em acepção técnica, compreensiva de fatos que tra- ga, sem subordinação jurídica (senão configurará contrato de emprego, no conceito e nas espécies de representação. Limitamo-nos a
duzam atentado do favorecido contra a integridade física ou moral regido pelo direito do trabalho), a realizar certo trabalho para a outra aqui assinalar que o mandato, como representação convencio-
do doador. Ao contrário do direito alemão, em que a ingratidão (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante nal, permite que o mandatário emita a sua declaração de vonta-
consiste em falta grave genericamente considerada e praticada remuneração global ou proporcional ao trabalho executado. de, dele representante, adquirindo direito e assumindo obrigações
pelo donatário contra o doador ou seus parentes mais próximos, A lei especifica duas espécies de empreitada: a de mão-de-obra, na que percutem na esfera jurídica do representado.
no nosso, a lei enumera taxativamente as hipóteses - numerus qual o empreiteiro apenas participa com o seu trabalho e aquela em Quanto à natureza jurídica do ato para o qual o mandatário é in-
clausus. Tem, pois, esta revogação caráter de pena, e somente que fornece também os materiais necessários à sua execução (Código vestido de poderes, apenas negócios jurídicos, patrimoniais ou
cabe nos expressos termos da definição legal (Código Civil, arts. Civil, art. 610). No silêncio do contrato, a presunção é a de a empreitada não, podem ser praticados. Essa era a orientação incontestável,

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antes de 2002; mas, pelo disposto no art. 653 do Código Civil bra- É um contrato: a) unilateral, porque gera obrigações somente para o lhe era devido, fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe
sileiro, que não alude a negócio jurídico, nosso direito admite que fiador; b) gratuito, porque cria vantagens para uma só das partes, ne- àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a con-
também outros posam nele estar compreendidos, e não somente nhum benefício auferindo o fiador; c) intuitu personae, porque ajustado dição. Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a
os negócios jurídicos. em função da confiança de que desfruta o fiador; d) acessório, como prova de tê-lo feito por erro. Aos frutos, acessões, benfeitorias e
O mandato é todo contrato de garantia, porque pressupõe sempre a existência de deteriorações sobrevindas à coisa, dada em pagamento indevido,
a) consensual - que se perfaz pelo só acordo de vontades e pode obrigação principal, seja esta de natureza convencional, seja de natu- aplica-se o disposto no Código sobre o possuidor de boa-fé ou de
ser verbal ou escrito, por instrumento público ou particular; reza legal. má-fé, conforme o caso. Se aquele que, indevidamente, recebeu
b) gratuito por natureza, embora não o seja essencialmente No Não se deve confundir fiança e aval. Ambos são tipos de garantia pes- um imóvel o tiver alienado em boa-fé, por título oneroso, responde
direito brasileiro, considera-se o mandato gratuito, quando não soal, mas, enquanto a fiança é uma garantia fidejussória ampla e hábil a somente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-fé, além do
se estipula remuneração, salvo nos casos de ter, como objeto, aceder a qualquer espécie de obrigação, convencional, legal ou judicial, valor do imóvel, responde por perdas e danos. Se o imóvel foi
algo que o mandatário tem como ofício ou profissão lucrativa o aval é restrito aos débitos submetidos aos princípios cambiários. Em alienado por título gratuito ou se, alienado por título oneroso, o
(advogado, despachante, corretor), em que vigora a presunção razão da velocidade dos títulos desta espécie, não está o aval sujeito às terceiro adquirente agiu de má-fé, cabe ao que pagou por erro o
contrária de onerosidade. Nessas hipóteses, faltando acordo restrições de que padece a fiança, no tocante à outorga do outro côn- direito de reivindicação.
sobre a quantia devida e não sendo esta fixada por lei, o valor juge. Nos seus efeitos também difere, gerando o aval responsabilidade Ficará isento de restituir pagamento indevido aquele que, rece-
será determinado pelos usos do lugar ou, na falta destes, caberá sempre solidária, ao contrário da fiança, que pode sê-lo, ou não. bendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou
arbitramento pelo juiz, o qual levará em consideração a natureza LINK ACADÊMICO 8 prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que assegu-
do serviço, a sua complexidade e duração, o proveito obtido etc. ravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regres-
(Código Civil, art. 658);    siva contra o verdadeiro devedor e seu fiador. Se o pagamento
c) “intuitu personae”, celebrando-se especialmente em conside- DECLARAÇÕES indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer
ração ao mandatário. Traduz, mais do que qualquer outra figura   UNILATERAIS DE VONTADE ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que rece-
jurídica, uma expressão fiduciária, já que o seu pressuposto fun- beu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu,
damental é a confiança que o gera; 1. Promessa de recompensa: ocorre quando alguém, por anúncio pú- na medida do lucro obtido. Não se pode repetir o que se pagou
d) bilateral, com obrigações tanto para o mandatário (Código Ci- blico, oferece recompensa a quem desempenhe certa prestação, e está para solver dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente
vil, art. 667) quanto para o mandante (art. 675), cabendo, com obrigado a pagá-la, quer o candidato haja procedido com o propósito de inexigível. Não terá direito à repetição aquele que deu alguma
precisão, distinguir o oneroso, que é sempre bilateral, do gratuito, disputá-la ou não. A publicidade tanto pode ser a difusão pela imprensa coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei. O que se
que é normalmente unilateral, uma vez que os deveres de res- quanto resultar de proclamas ou pregões de viva voz ou radiodifundi- deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência,
sarcimento de danos e reembolso de despesas são eventuais e dos, televisionados, por mídia eletrônica etc. O agente vincula-se em a critério do juiz.
subseqüentes à formação do contrato; razão da vontade declarada, bastando, portanto, que seja ela externada LINK ACADÊMICO 9
e) preparatório, em razão de não esgotar a intenção das partes, por qualquer veículo. É declaração endereçada a qualquer anônimo,
habilitando o mandatário para a prática de atos subseqüentes que determinando-se o sujeito ativo da relação obrigacional no momento
nele não estão compreendidos; em que se verifica o preenchimento dos requisitos de exigibilidade da
f) revogável, salvo as hipóteses previstas expressamente no Có- prestação.
digo (arts. 683 a 686, parágrafo único). A promessa é obrigatória a partir do momento em que se torne pública;
poderá, todavia, ser objeto de declaração contrária de vontade, desde
9. Contrato de transporte: é aquele pelo qual alguém mediante que o promitente ressalve, em qualquer tempo, o direito de revogá-la.
retribuição se obriga a receber pessoas ou coisas (animadas ou Caso o faça, no entanto, a lei garante ao candidato de boa-fé o direito
inanimadas) e levá-las até o lugar do destino, com segurança, ao ressarcimento das despesas em que tiver incorrido (Código Civil,
presteza e conforto (Código Civil, art. 730). parágrafo único do art. 856). Fixado prazo, presume-se ter o anunciante
renunciado ao direito de retirá-la, até o seu escoamento.
10. Seguro: é o contrato por via do qual uma das partes (segu-
rador) se obriga para com a outra (segurado), mediante o recebi- A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos estu-
2. Gestão de negócios: uma pessoa realiza atos no interesse de outra,
mento de um prêmio, a garantir interesse legítimo desta, relativo a dos das disciplinas dos cursos de graduação, devendo ser
como se fosse seu representante, embora não investido dos poderes
pessoa ou a coisa, contra riscos futuros predeterminados (Código complementada com o material disponível nos Links e com a
respectivos, arrogando-se, assim, a qualidade de gestor de negócios
Civil, art. 757). Compete privativamente à União legislar sobre leitura de livros didáticos.
alheios. Assim, a gestão de negócios é a administração oficiosa de
seguros (Constituição de 1988, art. 22, nº VII). Não obstante a interesses alheios.
variedade de espécies, predomina, em nosso direito positivo, o Há uma ingerência na esfera jurídica alheia, que deixa de ser ilícita, Civil - Contratos – 2ª edição - 2009
conceito unitário do seguro, segundo o qual há um só contrato porque inspirada no propósito de bem servir e de ser útil ao dono e
que se multiplica em vários ramos ou subespécies, construídos porque realizada segundo a vontade presumível deste (Código Civil, Coordenador:
sempre em torno da idéia de dano (patrimonial ou moral), cujo art. 861). Se a iniciar o gestor contra vontade presumível do dono do Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor universitário e de
ressarcimento ou compensação o segurado vai buscar, mediante negócio, responderá pelo fortuito, a não ser se prove que o dano adviria cursos preparatórios há mais de 10 anos, Especialista em Di-
o pagamento de prestações, ao contrário do conceito dualista que ainda que se tivesse abstido e, se o proveito for inferior aos prejuízos, reito Educacional; Mestre em Educação e Semiótica Jurídica;
separa os de natureza ressarcitória (seguros de danos) daquele poderá o dono exigir que o gestor restitua as coisas ao estado anterior Membro da Associação Brasileira para o Progresso da Ciên-
em que está presente apenas o elemento aleatório (seguro de ou o indenize da diferença (Código Civil, art. 863). Mas, se tiver havido cia; Palestrante; Advogado e Autor de obras jurídicas.
vida), sem a intenção indenizatória ou visando a uma capitaliza- intervenção contra a vontade manifesta do dono, já não há gestão, ao Autor:
ção. contrário do que enganosamente menciona o art. 862 do Código Civil, Rodrigo Martiniano Tardeli, Bacharel em Direito pela Univer-
O instrumento escrito é elemento de prova, suscetível de supri- porém ato ilícito, com aplicação dos preceitos a estes atinentes. sidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - UNESP;
mento por outros meios. O elemento comprobatório da celebra- Para que uma atuação possa conceituar-se como gestão de negócios, Pós-graduado em Direito Civil e Direito Processual Civil pela
ção do contrato, quando não há a emissão de apólice ou bilhete é necessária a verificação de certos pressupostos de fato: a) tratar-se Universidade de Franca - UNIFRAN; Mestrando em História
de seguro, previsto no art. 758 do Código é o pagamento do de negócio alheio, porque, se for próprio, é pura administração; b) pro- do Direito pelo Departamento de Direito Civil da Faculdade de
prêmio. O Código admite a recondução tácita do contrato pelo ceder o gestor ao interesse do proprietário ou segundo a sua vontade, Direito da Universidade de São Paulo - USP; Professor dos
mesmo prazo, apenas por uma vez. Caso as partes queiram seja real ou presumida; c) trazer a intenção de agir proveitosamente Cursos de Graduação em Direito da Universidade Nove de
prorrogá-lo por mais tempo terão que manifestar expressamente para o dono; d) agir oficiosamente, pois que, se tiver havido uma de- Julho - UNINOVE e da Fundação Armando Álvares Penteado
a sua vontade neste sentido (art. 774). O objetivo da lei é impedir legação, é mandato; e) limitar-se a ação do gestor a atos de natureza - FAAP; Consultor Jurídico em São Paulo.
que o segurado tenha o seu contrato indefinidamente prorrogado, patrimonial (negócios), uma vez que os de natureza diferente exigem
sem que manifeste expressamente essa vontade. sempre a outorga de poderes. A coleção Guia Acadêmico é uma publicação da Memes Tec-
nologia Educacional Ltda. São Paulo-SP.
11. Jogo e Aposta: jogo é o contrato em que duas ou mais 3. Enriquecimento sem causa: dá-se quando alguém tira proveito Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.br
pessoas prometem, entre si, pagar certa soma àquele que lograr injustificado por fato de outrem, surgindo, portanto, o direito de obter Todos os direitos reservados. É terminantemente proibida a
um resultado favorável de um acontecimento incerto; aposta é o do beneficiário indevido aquilo que verdadeiramente compete à pessoa reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer
contrato em que duas ou mais pessoas prometem, entre si, pa- que foi lesada. O sistema jurídico não admite, assim, que alguém obte- meio ou processo, sem a expressa autorização do autor e
gar certa soma àquele cuja opinião prevalecer em razão de um nha um proveito econômico às custas de outrem, sem que esse provei- da editora. A violação dos direitos autorais caracteriza crime,
acontecimento incerto Ambos são contratos aleatórios; ambos to decorra de uma causa juridicamente reconhecida. A causa para todo sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
colocam nas mãos do acaso a decisão de sua vitória recípro- e qualquer enriquecimento não só deve existir originariamente, como
ca. Mas, enquanto no jogo há propósito de distração ou ganho também deve subsistir, já que o desaparecimento superveniente da
e participação dos contendores, na aposta há o sentido de uma causa do enriquecimento de uma pessoa, às custas de outra, também
afirmação a par de uma atitude de mera expectativa. repugna ao sistema (Código Civil, art. 885). O art. 884 do Código Civil
obriga aquele que, sem justa causa, enriquecer-se à custa de outrem,
12. Fiança: é o negócio jurídico com o objetivo de oferecer ao a restituir o indevidamente auferido. Note-se que não incluiu o Códi-
credor uma segurança de pagamento, além daquela genérica go como elemento de configuração do enriquecimento sem causa; a
situada no patrimônio do devedor. Pode efetivar-se mediante necessidade de a outra parte empobrecer com o enriquecimento do
a separação de um bem determinado, móvel ou imóvel, com o beneficiado. Para que o enriquecimento se causa se configure, é preci-
encargo de responder o bem gravado ou o seu rendimento pela so que o proveito obtido por sua atividade ou por sua causa tenha sido
solução da obrigação (penhor, hipoteca, anticrese), casos em que ilegitimamente apropriado pelo beneficiado, sem que o lesado possa www.memesjuridico.com.br
fica estabelecido um ônus sobre a própria coisa, constituindo es- por qualquer outro meio obter o benefício dela decorrente. Não cabe-
pécie de garantia real, por isso mesmo pertinentes aos direitos rá restituição por enriquecimento sem causa se a lei conferir à pessoa
reais. Como garantia pessoal, ora resulta do acordo livremente lesada outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido (Código Civil,
ajustado (fiança convencional), ora emana do comando da lei art. 886).
(fiança legal), ora provém de imposição do juiz (fiança judicial).
A estas últimas não nos referiremos, mas à primeira, que defi- 4. Pagamento indevido: é uma espécie de enriquecimento ilícito, por
niremos como o contrato por via do qual uma pessoa garante decorrer de uma prestação feita por alguém com o intuito de obter ex-
satisfazer o credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso tinção de uma obrigação erroneamente pressuposta, gerando, a quem
este não a cumpra (Código Civil, art. 818). recebeu, o dever legal de restituir. Todo aquele que recebeu o que não