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DIREITO DA

CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE

intercorrências do parto e do desenvolvimento 16, do ECA).


Noções do neonato (criança recém-nascida) (art. 10, IV Como se vê, são direitos de cidadania, que
Gerais do ECA); só são aprendidos com o seu exercício. É
Trata-se de matéria relativamente nova • a alojamento conjunto, possibilitando ao ne- inadmissível privar a criança ou o adolescen-
no ordenamento jurídico brasileiro. Alguns onato a permanência junto da mãe (art. 10, V te desses direitos, sob pena de comprometer
autores querem a sua autonomia; outros, no do ECA). toda a formação da pessoa humana.
entanto, entendem que ela está inserida no Já o art. 11 e seus §§ asseguram atendimento Link Acadêmico 1
ramo dos Direitos Humanos, conceituando-a integral à saúde da criança e do adolescente 2.3. Direito à convivência familiar e comu-
como Direitos Humanos da Criança e do através do Sistema Único de Saúde, garantido o nitária (arts. 19 a 52 do ECA): toda criança
Adolescente, corrente com a qual comungo, acesso uni­versal e igualitário às ações e serviços ou ado­lescente tem o direito de ser criada e
uma vez que o direito “é para toda a crian- para pro­moção, proteção e recuperação da saú- educada no seio da sua família e, excepcio-
ça ou adolescente e para cada um dele, de, inclu­sive com fornecimento gratuito àqueles nalmente, em família substituta (art. 19 do
individualmente”. que ne­cessitarem de medicamentos, próteses e ECA). Significa dizer que nenhuma criança
outros re­cursos relativos ao tratamento, habilitação ou adolescente deva ser criada fora de uma
Direitos ou reabilitação. família, seja ela natural ou substituta. O im-
Fundamentais Segundo entendimento fixado pelo STJ, o Minis- portante é que eles sejam criados e educados
tério Público é parte legítima para promover a no seio de uma família. Parece redundância,
1. Introdução: São os chamados direitos defesa dos direitos individuais indisponíveis, mas não é. Rompe com um velho modelo no
humanos. É o conjunto de direitos básicos mesmo quando a ação busque a tutela de pessoa qual o di­reito era dos pais de ter um filho e
e essenciais ao nascimento e desenvolvi- individualmente considerada. sobre ele exer­cer, de forma absoluta, o poder
mento saudável da pessoa, especialmente Outro aspecto importante é quanto ao direito da familiar. Agora, não. É diferente. Trata-se de
da criança e do adolescente, os quais estão criança ou do adolescente de ser acompanhado, um modelo novo, no qual o direito não é
assegurados na Constituição Federal (art. em tempo integral, pelo pai, mãe ou responsável dos pais, mas, sim, do filho de ter um pai e
227) e no art. 4º da Lei 8.069/90 - ECA . Tais na hipótese de internação hospitalar (art. 12 do uma mãe e por estes ser assistido, mesmo
dispositivos rezam que é dever da família, ECA). Esse direito deve ser buscado, a todo que eles vivam separa­dos. Deve-se olhar
da comunidade, da sociedade e do poder custo, tendo em vista a existência de estudos esse direito por um outro ân­gulo. É mudança
público assegurar, com absoluta prioridade, científicos que mostram que a presença dos pais de paradigma mesmo.
a efetivação desses direitos. Dentre eles, que reduz o tempo de internação. Significa dizer que é De acordo com esse princípio, deve a crian-
são subjetivos e indisponíveis, é oportuno bom para a criança, para a família e para o poder ça ou o adolescente ser criado no seio da
destacar alguns, com suas particularida- público, que gasta menos. família natural (art. 25 do ECA). Porém,
des. Por último, devem os profissionais da área de nem sempre isso é possível, uma vez que
saúde, especialmente os médicos e os diretores há famílias que, por diver­sas razões (maus-
2. Modalidades de Direitos Fundamen- de estabelecimentos hospitalares, comunicar tratos, violência sexual, aban­dono material
tais. ao Conselho Tutelar os casos de suspeita ou e intelectual etc.), não cumprem com os
2.1. Direito à vida e à saúde (arts. 7º a 14 confirmação de maus-tratos contra criança ou preceitos do art. 22 do ECA. É oportuno
do ECA): o art. 7º prevê que “a criança e o adolescente (art. 13 do ECA), sob pena de restar en­fatizar que a falta ou carência de recursos
adolescente têm direito à proteção à vida e con­figurada a infração administrativa prevista no ma­teriais não constitui motivo suficiente para
à saúde, mediante a efetivação de políticas art. 245 do ECA. a perda ou a suspensão do poder familiar (art.
sociais públicas que permitam o nascimento 2.2. Direito à liberdade, ao respeito e à digni- 23 do ECA). Nesse caso deve a família ser
e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em dade (arts. 15 a 18 do ECA): dispõe o art. 15 incluída em pro­gramas oficiais de auxílio
condições dignas de existência”. Significa que “a criança e o adolescente têm direito à liber- (parágrafo único do art. 23 do ECA).
que, desde a gestação (pré e perinatal), esse dade, ao respeito e à dignidade como pessoas Existem três modalidades de colocação em
direito deve ser protegido e promovido, inclu- humanas em processo de desenvolvimento e família substituta: guarda (arts. 33 a 35 do
sive pelo Sistema Único de Saúde (SUS). como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais ECA), tutela (arts. 36 a 38 do ECA) e adoção
É oportuno ressaltar o direito: garantidos na Constituição e nas leis”. Este artigo (arts. 39 a 52 do ECA), independentemente
• do recém-nascido de ser identificado me- representou um divisor de águas entre as velhas da situação jurídica da criança ou adoles-
diante o registro de sua impressão plantar e práticas, do antigo Código de Menores, e os no- cente (art. 28 do ECA).
digital e da impressão digital da mãe (art. 10, vos paradigmas. Proibiu-se, com isso, que juízes 2.3.1. Guarda: trata-se de medida de prote-
II do ECA), evi­tando-se, com isso, p. ex., a expedissem portarias disciplinando o direito de ir ção (art. 101, VIII) precária, provisória, que
troca de bebês nas maternidades e postos e vir do público infanto-juvenil. tem lugar quando alguém mantém sob a
de saúde; Permitiu-se, assim, que crianças e adolescentes sua responsa­bilidade criança ou adoles-
• do recém-nascido a exames visando ao pudessem exercer os direitos de: ir e vir, inclusive cente, sob o mes­mo teto, prestando-lhe
diagnós­tico e terapêutica de anormalidade de estar em logradouros públicos e espaços co- assistência material, moral, educacional
no seu metabolismo (teste do pezinho), bem munitários; opinião e expressão; crença e culto e espiritual (arts. 3º e 33, §§ do ECA), ante
como prestar orientação aos pais (art. 10, religioso; brincar, praticar esportes e divertir-se; a ausência dos pais.
III do ECA); participar da vida familiar e comunitária, sem dis- Características: não é necessária a des-
• ao fornecimento de declaração de nas- criminação; participar da vida política, na forma tituição do poder familiar dos pais; não
cimento (Declaração de Nascido Vivo – da lei, e buscar refúgio, auxílio e orientação (art. gera vínculo de filiação; não gera efeitos
DNV), onde constem necessariamente as

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sucessórios; é revogável, a qualquer tempo; 1.731 do CC); e, por último, c) Dativa: o juiz, a) pessoais: a.1) atribui a condição de
gera efeitos de direito previdenciário (§ 3º do na ausência de tutor nomeado ou de paren­tes filho, para todos os fins de direito (art. 41,
art. 33 – entendimento pacífico do STJ); próximos, pode deferir a tutela a pessoa idônea ECA); a.2) rompe o vínculo de filiação com
extingue-se quando o guardado completa 18 (art. 1.734 CC). os pais biológicos e os parentes destes (art.
anos de idade; o guardião pode se opor aos Especialização da hipoteca legal. Esta poderá 41, ECA), exceto quando um dos cônjuges
pais ou a terceiros (art. 33 do ECA). ser dispensada sempre que o tutelado não pos- adota o filho do outro (§ 1º, art. 41, ECA);
Espécies. a) Estatutária: é a prevista no suir bens ou rendimentos ou ainda, se existirem a.3) alteração do nome, incluindo-se o do
art. 33 do ECA. Trata-se de colocação em bens, estes estiverem devidamente registrados adotante, e da possibi­lidade de mudança
família substi­tuta. b) Natural: é aquela na no cartório de imóveis (art. 37 do ECA). do prenome; b) patrimo­niais: b.1) todos
qual, qualquer que seja a decisão judicial, Protutor. O novo Código Civil criou o instituto do os direitos e deveres de filho previstos em
a criança ou o adolescente permanece na protutor, pessoa nomeada (faculdade) pelo juiz lei, inclusive previdenciários e sucessórios
família natural (art. 25 do ECA). Le­va-se para fiscalizar o exercício da tutela pelo tutor (art. (art. 41, ECA);
em consideração que a guarda é um dos 1.742, do CC). Para o adotante:
atributos do poder familiar. Caracteriza-se Link Acadêmico 2 a) pessoais: a.1) atribui a condição de
pela disputa entre os pais biológicos, nos 2.3.3. Adoção: é a terceira modalidade de inser­ pai, para todos os fins de direito, devendo
pro­cessos de separação. c) Institucional: é ção em família substituta. É a mais completa. exercer o poder familiar em sua plenitude, o
a que está prevista no parágrafo único do art. Conceito: é ato jurídico bilateral que constitui que implica o dever de assistência material,
92 do ECA, onde o dirigente de entidade de vínculos de filiação e paternidade entre pessoas. moral, educacional e espiritual (art. 42 do
abrigo é equi­parado ao guardião para todos É ficção legal. ECA); a.2) nos casos pre­vistos em lei, pode
os fins de di­reito. d) Familiar: trata-se da Requisitos legais e específicos: perder o poder familiar; b) pro­fissional e
guarda (§ 2º, art. 33) na qual qualquer pessoa Para o adotante: a) maiores de 18 anos de previdenciário: licença-maternidade (Lei
comum do povo, previamente cadastrada na ida­de, independentemente do estado civil (art. 10.421/02 e art. 392-A CLT); c) patrimo-
vara da infância e da juventude, recebe uma 42 do ECA c/c art. 1.618 do CC). Significa dizer nial: dever de assistência material, moral,
criança ou adolescen­te, provisoriamente, que solteiros, casados, divorciados, viúvos ou educacional e espiritual (arts. 3º e 22, ECA),
em seu seio, até que a autori­dade judiciária pessoas que vivam em união estável podem ado­ inclusive sucessó­rio e alimentício (sucessão
determine o seu retorno à família natural ou tar. Alguns Tribunais de Justiça, como o do RS, recíproca - § 2º, art. 41, ECA).
o encaminhamento a uma família subs­tituta. admitem a adoção por pessoas do mesmo se­xo Para a família natural do adotado: a)
Evita-se, com isso, que a criança seja en­ (homossexuais); b) diferença de dezesseis anos perda do poder familiar, desligando-a, por
caminhada para um abrigo. Lugar de criança entre o adotante e o adotando; c) con­sen­ti­mento. completo, do filho, de forma irrevogável. Não
ou adolescente é na família, jamais em A vontade é fundamental, como uma facul­dade tem sequer direito de visita. A única ressalva
abrigos. e) Do­méstica: trata-se da guarda jurídica; d) não podem adotar os ascen­dentes e são os impe­dimentos matrimoniais (art. 41
prevista no art. 248 do ECA. Ela é atípica. os irmãos do adotando (§ 1º, art. 42, ECA); e) “caput”, ECA); b) a morte ou a perda do poder
Ocorre quando o adolescente é trazido de por ambos os cônjuges ou concubinos poderá familiar dos pais adotivos não restabelece
outra comarca para pres­tação de serviços ser deferida, desde que um deles tenha com- o poder familiar dos pais naturais (art. 49,
domésticos, mesmo que autori­zado pelos pletado dezoito anos de idade, comprovada a ECA). No entanto, há a possibili­dade de os
pais ou responsável. O adolescente deve ter estabilidade familiar (§ 2º, art. 42, ECA c/c p.ú. pais biológicos virem a adotar o próprio filho,
mais de 16 anos de idade. f) A guarda po­de do art. 1.618 do CC); f) possibilidade de um dos pois a lei não veda que a pessoa seja adotada
ser deferida, liminarmente ou incidentalmente cônjuges ou concubinos adotar o filho do outro (§ mais de uma vez; c) não há dever nem direito
(guarda provisória), nos pedidos de tutela e 1º, art. 41, ECA); g) possibilidade de os divorcia­ en­tre o filho adotado e a família natural.
ado­ção, exceto no de adoção por estrangei- dos e os judicialmente separados adotarem con­ Outros aspectos importantes da adoção:
ros (§ 1º, art. 33). g) Inexiste na legislação a juntamente, desde que acordem sobre a guarda o mandado judicial de lavratura do novo
“guarda previ­denciária”. Esta era requerida e o regime de visitas, e ainda quando o estágio registro de nascimento do adotando também
com o único obje­tivo de deixar pensão pre- de convivência tenha se iniciado na constância determinará que se cancele o registro ante-
videnciária para algum parente, ou pessoa da sociedade conjugal (§ 4º, art. 42, ECA); h) possi­ rior. Este será cancelado, e não averbado
próxima, tornando-a “ad aeternum”. bilidade de um dos cônjuges ou concubinos de ou anulado como entendem alguns (art. 47
2.3.2. Tutela: é a segunda modalidade de ado­tar, sozinho, com a anuência do outro (art. do ECA).
coloca­ção de criança ou adolescente em 165, I, ECA); i) pos­sibilidade de ser deferida a A autoridade judiciária manterá, em cada
família subs­tituta. Dispõe o art. 36 do ECA adoção ao adotante que, após inequívoca mani­ comarca ou foro regional, um registro de
que esta será de­fe­rida, nos termos da lei festação de vontade, vier a falecer no curso do crianças e adolescentes em condições de
civil, a pessoa de até 21 anos de idade procedimento (adoção “post mortem”), antes de serem adotados e outro de pessoas interes-
incompletos. O art. 36 faz men­ção à idade prolatada a sentença (§ 5º, art. 42, ECA). Os sadas na adoção (art. 50 do ECA).
de 21 anos. Operou-se, porém, com o novo efeitos retroagem à data do óbito; j) o tutor ou o 2.3.4. Do procedimento de colocação em
Código Civil, sua revogação parcial para 18 cu­rador só pode adotar o pupilo ou o curatelado fa­mí­lia substituta – requisitos da petição
anos incompletos (art. 5º CC). depois que prestar conta de sua administração ini­cial. Alguns aspectos: os arts. 165 a 170
Conceito: é a responsabilidade atribuída, e saldar o seu alcance (art. 44, ECA). do ECA indica os requisitos para a concessão
por lei, a terceiro, para representar ou assistir Para o adotando: de pedidos de colocação em família substitu-
criança ou adolescente cujos pais faleceram, a) deve contar com, no máximo, dezoito anos de ta (guar­da, tutela e adoção). São eles:
foram declarados ausentes ou tiveram o po- idade à data do pedido, salvo se já estiver sob I. qualificação completa do requerente e de
der familiar suspenso ou destituído, devendo a guarda ou tutela do adotante (art. 40, ECA); seu eventual cônjuge, ou companheiro, com
ainda administrar seus bens. b) consentimento dos pais ou do representante expressa anuência deste; II. indicação de
Características: implica, necessariamente, a legal (art. 45, ECA), salvo se estes forem des- eventual parentesco do requerente e de seu
destituição ou suspensão do poder familiar e conhecidos ou tiverem sido destituídos do poder cônjuge, ou companheiro, com a criança ou
o dever de guarda; é revogável; não tem efei- familiar (§ 1º); c) quando contar com mais de adolescente, especificando se tem ou não
tos sucessórios; tem efeitos previdenciários doze anos de idade, também deve consentir (§ parente vivo; III. qualifica­ção completa da
e extingue-se quando o tutelado completa 2º, art. 45, ECA). criança ou adolescente e de seus pais, se
dezoito anos de idade. Requisito formal: a adoção é sempre judicial, conhecidos; IV. indicação do cartó­rio onde
Espécies: a) Testamentária: dispõe o art. inclusive de adultos (art. 1.623, CC). É vedada a foi inscrito o nascimento, anexando, se
1.729 do Código Civil que os pais podem adoção por escritura pública ou por procuração possível, uma cópia da respectiva certidão;
nomear, por testamento ou qualquer outro (p.ú., art. 39, ECA). O vínculo da adoção constitui- V. de­­claração sobre a existência de bens,
documento idôneo, tutor para o filho que se por sentença judicial (art. 47, ECA), de forma direitos ou rendimentos relativos à criança
tenha menos de 18 anos de idade; b) Legí- irrevogável (art. 48, ECA). ou ao adolescente.
tima: na ausência de tutor nomea­do a tutela Efeitos jurídicos da adoção: É oportuno tecer algumas considerações
poderá ser deferida a parentes próxi­mos (art. Para o adotando: quanto aos requisitos da petição.

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A anuência prevista no inciso I pode ser Nos pedidos de guarda, tutela ou adoção, deve e os elevados níveis de repetência (art. 56
dispen­sada se o casal estiver separado, o juiz observar o melhor para a criança, indepen- do ECA).
situação que deve ficar devidamente compro- dentemente do que dispõe o § 2º, primeira parte, 2.5. Do Direito à profissionalização e à
vada na fase de instrução processual. Além art. 28, ECA. proteção no trabalho (arts. 60 a 69, ECA):
disso, não é recomen­dável que apenas um 2.3.5. Da adoção internacional (arts. 51 e 52, o traba­lho do adolescente está regulado
dos cônjuges adote. ECA). A colocação em família substituta es- pelo ECA e pelos arts. 402 a 441 da CLT. A
O requisito contido no inciso II é para se trangeira constitui medida excepcional (grifei), legislação exclui qualquer possibilidade de
cumprir o que dispõe o § 2º do art. 28 do somente admissível na modalidade de adoção trabalho para criança, pessoas com menos
ECA, uma vez que “na apreciação do pedido (art. 31, ECA). Por ser medida excepcional, a de doze anos de idade incom­pletos.
levar-se-á em conta o grau de parentesco e prefe­rência é para o brasileiro. A criança ou o O art. 60 do ECA foi revogado pelo inciso
a relação de afinidade ou de afetividade, a adoles­cente só poderá ser adotado por estran- XXXIII do art. 7º da CF, passando a ter a
fim de minorar as consequências decorrentes geiro residente e domiciliado fora do Brasil depois seguinte redação: “proibição de trabalho
da medida”. No entanto, independentemente de esgotados todos os meios de mantê-la em noturno, perigoso ou insalubre a menores de
do grau de parentesco, levar-se-á em conta, família brasileira. Se o estrangeiro é residente dezoito e de qualquer trabalho a menores de
sempre, o melhor para a criança ou o ado- no Brasil, com visto de permanência, a adoção dezesseis anos, salvo na condição de apren-
lescente. Deve, inclusive, ser previamente será nacional. diz, a partir de quatorze anos”. O trabalho,
ouvido e a sua opinião devidamente consi- A adoção internacional poderá ser condicionada portanto, só é permitido para pessoas a partir
derada (§ 1º, art. 28, ECA). a estudo prévio e análise de uma comissão dos dezesseis anos de idade, salvo na condi-
Quanto ao inciso III, é importante a qualifica- estadual judiciária de adoção, que fornecerá ção de aprendiz, devendo ser observadas as
ção da criança ou do adolescente e de seus laudo de habilitação para instruir futuro processo seguintes condições: não pode ser noturno,
pais, se conhecidos, a fim de se verificar o judicial de adoção, nos juízos da infância e da realizado entre as 22 horas de um dia e as 5
requisito específico do consentimento e, se juventude (art. 52). horas do dia seguinte; não pode ser perigoso,
for o caso, esgotar todos os meios de citação Não será concedida a guarda provisória (§ 1º, insalubre ou penoso, realizado em locais
pessoal. art. 33) do adotando nem permitida a sua saída prejudiciais à sua formação e ao seu desen-
Nenhuma medida de proteção deve trami- do território brasileiro, antes do trânsito em jul- volvimento físico, psíquico, moral e social e
tar sem estar instruída com a certidão de gado da sentença (§ 4º, art. 51). ainda em horários e locais que não permitam
nascimento da criança ou do adolescente A Convenção Relativa à Proteção das Crianças a frequência à escola (art. 67 do ECA).
(art. 102, ECA). Se não for possível juntar e à Cooperação em Matéria de Adoção Inter­ Ao adolescente aprendiz ou trabalhador são
cópia, como prevê o inciso IV, deve o nacional, de 29 de maio de 1993, ratificada pe­lo assegurados todos os direitos trabalhistas e
juiz requisitá-la do cartório de registro governo brasileiro em maio de 1995, insti­tuiu a previdenciários (art. 227, § 3º, II, CF).
de pessoas naturais. Caso não exista autoridade central, que deve dar cum­primento às Conceito: considera-se trabalho de apren-
registro de nascimento, este será feito à obrigações impostas por ela, e le­gitimou a atua- dizado aquele desenvolvido na busca da
vista dos elementos disponíveis, mediante ção de entidades especializadas, estrangeiras, “formação técnico-profissional ministrada
requisição da autoridade judiciária (§ 1º, governamentais ou não, na assis­tência ao inte- segundo as diretrizes e bases da legislação
art. 102, ECA). ressado em adoção, tornando-as inclusive partes de educação em vigor” (art. 62 do ECA),
A declaração de bens serve mais para os legítimas na postulação de pedidos judiciais. devendo obedecer aos seguintes prin­cípios:
casos de tutela e guarda (inciso V). Link Acadêmico 3 garantia de acesso e frequência obri­gatórios
Os pedidos devem ser feitos por advogado. 2.4. Do direito à educação, à cultura, ao es- ao ensino regular; atividade compatível com
No entanto, se os pais forem falecidos, porte e ao lazer (arts. 53 a 59, ECA). A criança o desenvolvimento do adolescente e horário
tiverem sido destituídos do poder familiar ou e o adolescente têm direito à educação, que especial para o exercício das atividades (art.
houverem aderido expressamente ao pedido, proporcione o pleno desenvolvimento de sua 63 do ECA).
este poderá ser formulado diretamente na pessoa, preparo para o exercício da cidadania A legislação proporciona ao adolescente o
secretaria da vara da infância e da juventude, e qualificação para o trabalho (art. 53). Alguns acesso à profissionalização e à proteção no
em petição assinada pelos próprios requeren- princípios devem ser observados, dentre outros: trabalho, sem afastar, no entanto, o respeito
tes (art. 166, ECA). a) acesso à escola pública e gra­tui­ta próxima a à condição peculiar de pessoa em desenvol-
Nos pedidos de colocação em família substi- sua residência (art. 53, V do ECA); b) ensino vimento. Ademais, a capacitação profissional
tuta, a autoridade judiciária deve determinar fun­damental, obrigatório e gra­tuito, inclusive para deve ser adequada ao mercado de trabalho
a realização de estudo psicossocial (art. os que a ele não tiveram acesso na idade própria (art. 69 do ECA).
167, ECA), inclusive para subsidiar a con- (art. 54, I do ECA); c) aten­di­men­to em creche e O momento é de proteção e promoção des-
cessão de guarda provisória ou estágio de pré-escola às crianças de zero a seis anos de ses direitos, o que implica, necessariamente,
convivência. idade (art. 54, IV); d) oferta de ensino noturno a desmistificação de duas culturas. A pri-
Competência: a competência para julgar a regular, adequado às condições do adolescente meira: é melhor a criança estar trabalhando
adoção de criança ou adolescente é da vara trabalhador (art. 54, VI do ECA); e) aten­dimento do que roubando; a segunda: educação
da infância e da juventude, independente- no ensino fundamental, através de pro­gramas pelo trabalho (não é necessário estudar, só
mente de sua situação jurídica (direitos suplementares de material didático-escolar, trabalhar).
violados ou ameaçados de violação – art. trans­porte, alimentação e assistência à saúde
148, III, ECA). Já a adoção de pessoa adulta, (art. 54, VII do ECA); Do Direito
prevista no Código Civil, deve ser julgada pe- O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Sócio-Educativo
las varas de família ou outra vara, de acordo Poder Público ou sua oferta irregular importa
com a lei de organização judiciária de cada responsabilidade da autoridade competente (§ 2º, 1. Evolução histórica: é oportuno, nesse
estado da federação. art. 54 do ECA). E ainda: os pais ou responsá­vel momento, fazer uma breve retrospectiva do
Porém, a guarda e a tutela dependem da têm a obrigação de matricular seus filhos ou pu- direito sócio-educativo no Brasil em face de
situa­ção jurídica da criança ou do adoles- pilos na rede regular de ensino (art. 55 do ECA), um novo entendimento que, com o advento
cente. Se este estiver com os seus direitos sob pena de incorrerem nas penas do art. 246 do ECA, implementou o Direito Penal juvenil.
violados ou ameaçados de violação (cre- do Código Penal. Antes das doutrinas tutelares, prevalecia na
dores de direitos), nas condições do art. 98 Por último, os dirigentes de estabelecimentos de América Latina os códigos penais retribu-
do ECA, a competência será da Justiça da ensino fundamental comunicarão ao Conselho cionistas, do século XIX, o que se estendeu
Infância e da Juventude (art. 148, p.ú., “a”, Tu­telar ou, na ausência deste órgão, à autorida­de até 1919.
ECA). No entan­to, se a criança ou o ado- judiciária (art. 262, ECA) notícias de: maus-tratos 1.1. O Código Criminal do Império previa
lescente estiver com todos os seus direitos envolvendo seus alunos, sob pena de co­meter no § 1º do art. 10 que “não se julgarão os
respeitados, será da vara de família ou outra a infração administrativa prevista no art. 245 criminosos menores de 14 anos, excetuando-
prevista na lei de organi­zação judiciária. do ECA; reiteração de faltas injustificadas e de se os casos em que demonstrasse discerni-
evasão escolar, esgotados os recursos esco­lares mento”. Admi­tia-se a internação em casas de

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correção, por período determinado pelo juiz, ma situação jurídica, o adolescente privado dos bos os regimes, elas podem ser cumuladas
com desliga­mento obrigató­rio aos 17 anos direitos básicos e o autor de infração penal. com as medidas de proteção previstas nos
de idade. As penas dos infratores com idade A doutrina da situação irregular se pautava pela incisos II a VI do art. 101 (art. 112, VII do
entre 14 e 21 anos seriam atenuadas. Em imposição do medo e da solução dos problemas ECA), e ainda apli­cadas isolada ou cumula-
casos graves, porém, a pena po­deria ser de sociais pela internação. Pregava que a criança ou tivamente, bem como substituídas a qualquer
trabalhos forçados, executados com calceta o adolescente abandonado era um bandido em tempo (art. 113 c/c art. 99 do ECA).
nos pés e correntes de ferro. potencial e, como forma de prevenção, deveria a) Advertência (art. 115 do ECA): consiste
Com a passagem para o regime republicano, ser aplicada a melhor política pública da época, em admoestação verbal, em audiência
a criança e o adolescente deixam de ser que eram os orfanatos e as internações. O art. 41 designada para esse fim, que será reduzida
preocupação somente da família e da Igreja previa, inclusive, a possibilidade de encaminha- a termo e assi­nada. O parágrafo único do
e passam a ser também do Estado. mento ao sistema comum, caso o adolescente art. 114 do ECA prevê a possibilidade de se
1.2. O Código Penal Republicano de 1890 demonstrasse periculosidade. Foi a fase do aplicar advertência só com a prova da ma-
previa, em seus dispositivos, que menores subjetivismo e da discricionarieadade. terialidade e indícios suficientes da autoria.
de 9 anos de idade eram completamente 1.5. Por fim, veio o ECA, que é objeto deste Porém, o entendimento predominante é que
irresponsáveis por seus atos. Na faixa dos estudo. deve existir a prova tanto da materialidade
9 aos 14 anos a responsabilização era con- quanto da autoria, até por se tratar de san-
dicionada à demonstração do discernimento 2. Do ato infracional (arts. 103 a 105 do ção. É medida altamente pedagógica.
(grifei), o que se aferia com o fato de o menor ECA) b) Obrigação de reparar o dano (art. 116
ter ou não providenciado a ocultação dos 2.1. Conceito: é a conduta descrita como crime do ECA): em se tratando de ato infracional
vestígios do crime. O art. 30 previa o recolhi- ou contravenção penal (art. 103 do ECA). com re­flexos patrimoniais, a autoridade
mento de infratores em estabelecimentos O adolescente é penalmente inimputável (art. judiciária poderá determinar, se for o caso,
disciplinares. Na faixa etária dos 14 aos 17 228, CF). Está, porém, sujeito às medidas pre- que o adolescente resti­tua a coisa, promova
anos, o discernimento era sempre presumi- vistas no ECA (art. 104 c/c art. 112). Já a criança o ressarcimento do dano, ou, por outra forma,
do, o que resultava na diminuição de dois infratora é penalmente inimputável (art. 228, CF) compense o prejuízo da víti­ma. Havendo
terços das penas cominadas aos adultos. e irresponsável diante do ECA, recebendo ape- manifesta impossibilidade, a medida poderá
Dos 17 aos 21 anos, havia a imposição das nas medidas de proteção (art. 105 c/c art. 101). ser substituída por outra adequada.
mesmas penas impostas aos adultos, mas Deve ser levada em consideração a idade da c) Prestação de serviços à comunida-
com atenuantes. Foi um período que tinha criança e do adolescente à data do fato (pará- de – PSC (art. 117 do ECA): consiste na
como parâmetro o discernimento e, por con- grafo único do art. 104 do ECA). realização de tarefas gratuitas de interesse
seguinte, a periculosidade. 2.2. Dos direitos individuais (arts. 106 a 109 do geral, em enti­dades assistenciais, hospitais,
1.3. A fase tutelar nasceu na Argentina, ECA): nenhum adolescente será privado de sua escolas e outros estabelecimentos congêne-
em 1921, com o advento da Lei 10.903 (Lei liberdade senão em flagrante de ato infracional res, bem como em pro­gramas comunitários
Agote), e, no Brasil, em 1923, consolidada, ou por ordem escrita e fundamentada da autor- ou governamentais.
posterior­mente, com o primeiro Código de dade judiciária competente (art. 106 do ECA); o Carga horária: 8 horas semanais, inclusive
Menores, em 1927 (Decreto 17.943), ela- adolescente tem direito à identificação dos res­ aos sábados, domingos e feriados, de modo
borado pelo juiz de menores José Cândido ponsáveis por sua apreensão, devendo ser infor­ que se compatibilize com os estudos e com
Albuquerque de Mello Mattos (juiz no Rio de mado acerca de seus direitos (art. 106. parágrafo a jornada normal de trabalho do sócio-
Janeiro). A partir dessa no­va legislação, o único ECA); a apreensão de qual­quer adolescen­ educando;
tratamento dispensado à crian­ça e ao ado- te e o local onde se encontre recolhido serão Tempo máximo: 6 meses;
lescente saiu do campo do Direito Penal incontinenti comunicados à autori­dade judiciária Proposta pedagógica: as tarefas serão
e passou a fazer parte de uma legislação competente e à família do apreen­dido ou à pes- atribuídas de acordo com as aptidões do
específica. A imputabilidade foi fixada abaixo soa por ele indicada; examinar-se-á, desde logo e adolescente, podendo este se recusar a
dos 14 anos de idade. O art. 24, § 2º, previa sob pena de responsabilidade, a possibilidade de cumpri-las, caso não seja observado esse
que “se o menor for abandonado, pervertido, liberação imediata (art. 107 do ECA); é possível a critério, em face do que dispõe o § 2º do
ou em peri­go de o ser”, a autoridade com- internação provisória, por prazo não superior a art. 112 do ECA, que não admite o trabalho
petente poderia colocá-lo em asilo, casa de quarenta e cinco dias, devendo a decisão que a forçado.
educação, escola de preservação, ou o con- decretar fundamentar-se em indícios suficientes Não se admite a prestação de serviços a
fiaria a pessoa idônea, pelo tempo que fosse de autoria e materialidade, demonstrada a sua empresas privadas.
necessário à sua educação, desde que não necessidade (art. 108 do ECA). d) Liberdade assistida – LA (arts. 118 e 119
ultrapassasse a idade de 21 anos. Na faixa Link Acadêmico 4 do ECA): consiste no acompanhamento, au-
etária dos 14 aos 18 anos, a responsabili­ xílio e orientação ao adolescente em conflito
dade penal era apurada sob rito especial. Se 3. Das medidas sócio-educativas (arts. 112 a com a lei, devendo a autoridade judiciária de-
fosse considerado de alta periculo­sidade, 128 do ECA). signar pessoa (orientador judiciário) idônea
poderia ser recolhido em estabelecimen­tos 3.1. Natureza jurídica: “É o modo legal de e qualificada para acom­panhá-lo.
destinados a adultos, até completar os 21 res­ponsabilização do adolescente autor de ato Deve o orientador, dentre outros encargos:
anos de idade. infra­cional, com o significado de evidenciar promover socialmente o adolescente e
Menores abandonados e infratores recebiam a inadequa­ção de uma determinada conduta sua família, fornecendo-lhes orientação e
o mesmo tratamento. penal e destina­do a prevenir a prática de novas inserindo-os, se necessário, em programa
1.4. Em 8 de fevereiro de 1979, foi editado o infrações e propi­ciar a adequada inserção social oficial ou comunitário de auxílio e assis-
segundo código de menores (Lei Federal e familiar, através da adesão voluntária ao fazer tência social; supervisionar a frequência e
6.697), sob a égide da doutrina da situação incidir vivências pe­dagógicas correspondentes às o aproveitamento escolar do adolescente,
irre­gular. Para se ter uma idéia da nova necessidades do infrator” (Afonso A. Konzen). É promovendo, inclusive, sua matrícula; pro-
doutrina, basta ler os seus dois primeiros a responsabili­za­ção sócio-educativa do adoles- mover a inserção do adolescente no mercado
artigos, in verbis: cente infrator. de trabalho e, ainda, apresentar relatório
Art. 1º: “Este Código dispõe sobre a assistên- 3.2. São medidas sócio-educativas (art. 112 do do caso.
cia, proteção e vigilância a menores: ECA): advertência, obrigação de reparar o da­no, Duração da medida: o prazo mínimo é de
I – até dezoito anos de idade, que se encontre prestação de serviços à comunidade, liber­dade seis meses. A lei não fixou o tempo máximo,
em situação irregular e, II – entre dezoito e assistida, semiliberdade e internação. sendo este interpretado como o tempo
vinte e um anos, nos casos expressos em Em meio aberto (restrições de direitos): pres- suficiente à inserção familiar e social do
lei”. tação de serviços à comunidade – PSC, liberdade adolescente ou até que ele complete 21 anos
O art. 2º tenta conceituar o que seja menor assistida – LA. Em meio fechado (privação de de idade (art. 118 do ECA).
em situação irregular, e nele inclui, na mes- liberdade): semiliberdade e internação. Em am- Durante a execução da medida, esta pode
ser, a qualquer tempo, prorrogada, revogada

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ou substituída por outra, ouvido o orientador, dignidade; permanecer internado na localidade maior, prevalecerá a atribuição da repartição
o Ministério Público e o defensor (art. 118, § ou naquela mais próxima ao domicílio de seus especializada, que, após as providências ne-
2º do ECA). pais ou responsável; receber visitas, ao menos cessárias e conforme o caso, encaminhará o
e) Semiliberdade (art. 120 do ECA): é me- semanalmente; corresponder-se com os seus adulto à repartição policial própria (parágrafo
dida de privação de liberdade, em entidade fa­miliares e amigos; ter acesso aos objetos único art. 172 do ECA).
especiali­zada, uma vez que o adolescente necessá­rios à higiene e asseio pessoal; habitar Em caso de flagrante de ato infracional
sujeito a ela enfrenta restrição no direito de alojamento em condições adequadas de higiene cometido mediante violência ou grave ame-
ir e vir. São obriga­tórias a escolarização e a e salubrida­de; receber escolarização e profissio- aça à pessoa, a autoridade policial, deverá:
profissionalização. Eles podem trabalhar e nalização; realizar atividades culturais, esportivas a) lavrar auto de apreensão, ouvidos as
estudar durante o dia e recolher-se à noite e e de lazer; ter acesso aos meios de comunicação testemunhas e o adolescente; b) apreender
nos finais de semana. Não comporta prazo social; re­ceber assistência religiosa, segundo a o produto e os instrumentos da infração; c)
determinado. Aplicam-se, no que couber, as sua crença, e desde que assim o deseje; manter a requisitar os exames ou perícias necessários
diretrizes para a internação (§ 2º, 120 ECA), posse de seus objetos pessoais e dispor de local à comprovação da materialidade e autoria da
o que implica a apresentação do relatório de seguro para guardá-los, recebendo comprovante infração; d) comunicar a autoridade judiciária
acom­panhamento no prazo máximo de seis daque­les que porventura depositados em poder competente e a família do apreendido ou a
meses e in­ternação por um período que não da entidade; receber, quando de sua desinterna- pessoa por ele indicada de sua apreensão; e)
exceda a três anos, ou ainda, até o jovem ção, os documentos pessoais indispensáveis à ser informado dos seus direitos. Nas demais
completar 21 anos de idade (§ 2º, 3º e 5º do vida em sociedade. hipóteses de flagrante, a lavratura do auto po-
art. 121 ECA). Em nenhuma hipótese haverá incomunicabilida- derá ser substituída por boletim de ocorrência
A medida pode ser aplicada como meio de de, podendo a autoridade judiciária suspender, circunstanciado (art. 173 do ECA).
transição para o meio aberto (progressão) ou temporariamente, a visita de parentes e amigos, 5.2.1. Liberação e privação de liberda-
como regime inicial (art. 120 “caput” ECA). em de­cisão fundamentada (§§ 1º e 2º do art. 124 de: com­parecendo qualquer dos pais ou
Porém, ela não vem dando a resposta que do ECA). responsá­vel, o adolescente será prontamen-
se esperava, sendo, hoje, objeto de vários Link Acadêmico 5 te liberado pela autoridade policial, sob termo
estudos. Depende, essencialmente, da co- de compromisso e responsabilidade de sua
responsabilidade do sócio-educando, uma 4. Da Remissão (arts. 126 a 128): trata-se de apresentação ao repre­sentante do Ministério
vez que ele tem a liberdade de se ausentar uma espécie de perdão prevista no ECA. Pode Público, no mesmo dia ou, sendo impossível,
para trabalhar, estudar e retornar, sozinho, ser promovida pelo órgão do Ministério Público, no primeiro dia útil imediato, exceto quando,
à entidade de atendimento. Entretanto, nem como forma de exclusão do processo (art. 126 do pela gravidade do ato infracional e sua
sempre isso acontece. ECA), podendo incluir, eventualmente, qual­quer repercussão social, deva o adolescente per­
f) Internação (arts. 121 a 125 do ECA): im- das medidas prevista no estatuto, exceto as de manecer sob internação para garantia de sua
plica a privação da liberdade do adolescente, privação de liberdade (art. 127 do ECA). A re- se­gurança pessoal ou manutenção da ordem
em en­tidade de atendimento especializada, missão não implica necessariamente o reconhe­ pública (art. 174 do ECA).
com pro­posta pedagógica obrigatória e com cimento ou comprovação da responsabilidade, 5.2.2. Encaminhamento ao Ministério
possibilidade de atividades externas, salvo nem prevalece para efeito de antecedentes. Públi­co: não sendo o caso de liberação,
ordem judicial em contrário. Iniciado o procedimento, a remissão será conce- a autoridade policial encaminhará, desde
Condições de aplicabilidade (art. 122 e §§ dida pela autoridade judiciária (parágrafo único logo, o adolescente ao representante do
do ECA): só pode ser aplicada quando se do art. 126 e § 1º do art. 186 do ECA), como forma Ministério Público, juntamente com cópia do
tratar de ato infracional cometido mediante de extinção ou suspensão do processo. auto de apreensão ou boletim de ocorrência.
grave ameaça ou violência contra a pessoa; A medida aplicada por força remissão pode ser Sendo impossível a apresentação ime­diata,
por reiteração no cometimento de outras revista, a qualquer tempo, mediante pedido a autoridade policial encaminhará o adoles­
infrações graves ou pelo descumprimento expresso do adolescente ou de seu representan­ cente à entidade de atendimento, que fará a
reiterado e injustificável da medida anterior- te legal, ou do Ministério Público (art. 128 do apre­sentação ao representante do Ministério
mente imposta (regressão – 122, III, e § 1º ECA). Público no prazo de vinte e quatro horas (art.
do ECA e súmula 265 do STJ). 175 “caput” e § 1º do ECA).
Princípios: são três os princípios que nor- 5. Da apuração do ato infracional cometido 5.2.3. Delegacia Especializada: nas lo-
teiam a aplicação e execução da internação: por adolescente e da aplicação de medidas calidades onde não houver entidade de
brevidade, excepcionalidade e respeito sócio-educativas (arts. 171 a 190 do ECA). atendimento, a apre­sentação far-se-á pela
à condição peculiar de pessoa em de- 5.1. Das garantias processuais (arts. 110 e 111 autoridade policial. À falta de repartição poli-
senvolvimento (art. 121 “caput” ECA). O do ECA): são elas: nenhum adolescente será cial especializada, o adolescente aguardará a
primeiro orienta quanto ao tempo de interna- privado de sua liberdade sem o devido processo apresentação em dependência sepa­rada da
ção. Deve ser de, no mínimo, seis meses (§ legal; pleno e formal conhecimento da atribuição destinada a maiores, não podendo, em qual-
2º, art. 121), e, no máximo, três anos (§ 3º, de ato infracional, mediante citação ou meio equi- quer hipótese, exceder o prazo referido no
art. 121). Não comporta prazo deter­minado. valente; igualdade na relação processual, poden- pará­grafo anterior (art. 175 § 2º do ECA).
Quanto ao segundo, a previsão legal é que do confrontar-se com vítimas e testemunhas Sendo o adolescente liberado, a autoridade
“em nenhuma hipótese será aplicada a inter­ e produzir todas as provas necessárias a sua policial encaminhará imediatamente ao re-
nação, havendo outra medida adequada” (§ defesa; defesa técnica por advogado; assistência presentante do Ministério Público cópia do
2º, art. 122 do ECA). Por último, a terceira diz judiciária gratuita e integral aos necessitados, na auto de apreensão ou boletim de ocorrência
respeito à condição peculiar de pessoa em forma da lei; direito de ser ouvido pessoalmente (art. 176 do ECA).
desenvolvi­mento. Por essa razão ele deve pela autoridade competente e direito de solicitar Se, afastada a hipótese de flagrante, houver
ficar internado em estabelecimento adequa- a presença de seus pais ou responsável em indícios de participação de adolescente na
do, exclusivo para ado­lescentes, obedecida qualquer fase do procedimento. prática de ato infracional, a autoridade policial
a rigorosa separação por critérios de idade, 5.2. Fase policial (arts. 171 a 178 do ECA): o encaminhará ao representante do Ministério
compleição física e gravida­de do ato (arts. adolescente apreendido por força de ordem judi­ Público relatório das investigações e demais
123 e 125 do ECA). cial será, desde logo, encaminhado à autoridade documentos (art. 177 do ECA).
Direitos do adolescente privado de judiciária, enquanto que aquele apreendido em 5.3. Do procedimento na fase do Ministério
liberdade (art. 124 do ECA): são eles: flagrante de ato infracional será, incontinenti, Público (arts. 179 a 182).
ser entrevistado, pessoalmente, pelo repre- encaminhado à autoridade policial competente 5.3.1. Audiência de apresentação:
sentante do Ministério Público; peticionar (arts. 171 e 172 do ECA). apresenta­do o adolescente, o represen-
diretamente a qualquer autori­dade; avistar-se Havendo repartição policial especializada para tante do Ministério Público, no mesmo dia
reservadamente com seu defen­sor; ser infor- atendimento de adolescente e em se tratando e à vista do auto de apreen­são, boletim de
mado de sua situação processual, sempre de ato infracional praticado em co-autoria com ocorrência ou relatório policial, devidamente
que solicitado; ser tratado com respeito e

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autuados pelo cartório judicial e com informa- responsável serão cientificados do teor da repre- 5.4.9. Da improcedência da representação:
ção sobre os antecedentes do adolescen­te, sentação, e notificados a comparecer à audiên- a autoridade judiciária não aplicará qualquer
procederá imediata e informalmente à sua cia, acompanhados de advogado. Se os pais ou me­dida, desde que reconheça na sentença:
oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável não forem localizados, a autoridade a) estar provada a inexistência do fato; b)
responsá­vel, vítima e testemunhas (art. 179 judiciária dará curador especial ao adolescente não haver pro­va da existência do fato; c) não
“caput” ECA). (art. 184 “caput” e §§ 1º e 2º do ECA). constituir o fato ato infracional; d) não existir
Não sendo o caso de apresentação, o repre- 5.4.5. Suspensão do processo: não sendo prova de ter o adoles­cente concorrido para
sentante do Ministério Público notificará os localizado o adolescente, a autoridade judiciária o ato infracional. Nessa hi­pótese, estando o
pais ou responsável para apresentação do expedirá mandado de busca e apreensão, deter­ adolescente internado, será imediatamente
adolescente, podendo requisitar o concurso minando o sobrestamento do feito, até a efetiva colocado em liberdade (art. 189 do ECA).
das polícias civil e militar (art. 179, parágrafo apresentação (art. 184, § 3º do ECA). No entanto, 5.4.10. Da intimação da sentença: a inti-
único do ECA). se o adolescente, devidamente notificado, não mação da sentença que aplicar medida de
5.3.2. Providências: adotadas as provi- comparecer, injustificadamente, à audiência de internação ou regime de semiliberdade será
dências a que alude o artigo anterior, o apre­sentação, a autoridade judiciária designará feita: a) ao adoles­cente e ao defensor; b)
representante do Ministério Público poderá: nova data, determinando a sua condução coerci­ quando não for encontrado o adolescente, a
a) promover o arquiva­mento dos autos; b) tiva (art. 187 do ECA). seus pais ou responsável, sem prejuízo do
conceder a remissão; c) re­presentar à au- Estando o adolescente internado, será requi- defensor. Sendo outra a medida apli­cada, a
toridade judiciária para aplicação de medida sitada a sua apresentação, sem prejuízo da intimação far-se-á unicamente na pessoa do
sócio-educativa (art. 180 do ECA). notificação dos pais ou responsável (art. 184, defensor. Recaindo a intimação na pessoa
5.3.3. Homologação Judicial – arquiva- § 4ºdo ECA). Comparecendo o adolescente, do adolescente, deverá este manifestar se
mento ou remissão: promovido o arquiva- seus pais ou res­ponsável, a autoridade judici- deseja ou não recorrer da sentença (art.
mento dos autos ou concedida a remissão ária procederá à oitiva dos mesmos, podendo 190 do ECA).
pelo representante do Ministério Público, solicitar opinião de profissional qualificado (art. Link Acadêmico 6
mediante termo fundamen­tado, que conterá 186 “caput” do ECA).
o resumo dos fatos, os autos serão conclusos 5.4.4. Remissão judicial: se a autoridade judi­
à autoridade judiciária para ho­mo­lo­gação. ciária entender adequada a remissão, ouvirá o
Homologado o arquivamento ou a re­missão, representante do Ministério Público, proferindo
a autoridade judiciária determinará, conforme decisão. A remissão, como forma de extinção ou
o caso, o cumprimento da medida (art.181 suspensão do processo, poderá ser aplicada em
“caput” e §1º do ECA). qualquer fase do procedimento, antes de prola­
5.3.4. Não-homologação: discordando, a tada a sentença (arts. 186, § 1º e 187 do ECA).
auto­ridade judiciária fará remessa dos autos 5.4.5. Defensor nomeado: sendo o fato grave,
ao Procu­rador Geral de Justiça, mediante passível de aplicação de medida de internação
despacho funda­mentado, e este oferecerá ou colocação em regime de semiliberdade, a au-
representação, designa­rá outro membro do toridade judiciária, verificando que o adolescen­te
Ministério Público para apre­sentá-la ou ratifi- não possui advogado constituído, nomeará de­ A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos estudos
das disciplinas dos cursos de graduação, devendo ser
cará o arquivamento ou a re­missão, caso em fensor, designando, desde logo, audiência em complementada com o material disponível nos Links e
que a autoridade judiciária ficará vinculada con­tinuaçã o, podendo determinar a realização com a leitura de livros didáticos.
(art. 181 § 2º do ECA). de diligências e estudo do caso (art. 186, § 2º
5.3.5. Representação: se, por qualquer do ECA). Direito da Criança e do Adolescente – 2ª edição - 2009
razão, o representante do Ministério Público 5.4.6. Defesa prévia: o advogado constituído Coordenador:
não pro­mo­ver o arquivamento ou não con- ou o defensor nomeado, no prazo de três dias Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor universitário
ceder a remis­são, oferecerá representação à con­tado da audiência de apresentação, oferecerá e de cursos preparatórios há mais de 10 anos, Especialista
autoridade judiciá­ria, propondo a instauração defesa prévia e rol de testemunhas (art. 186, § em Direito Empresarial; Mestre em Educação e Semi-
ótica Jurídica; Membro da Associação Brasileira para o
de procedimento para aplicação da medida 3º do ECA). Progresso da Ciência; Palestrante; Advogado e Autor de
sócio-educativa que se mostrar mais adequa- 5.4.7. Audiência de continuação (instrução e obras jurídicas.
da (art. 182, “caput” e Súmula 108 do STJ). julgamento): na audiência em continuação, ouvi­
5.3.6. Requisitos da representação: a das as testemunhas arroladas na represen­tação Autor:
José Dantas de Paiva, Juiz de Direito, Especialista em
repre­sentação será oferecida por petição, e na defesa prévia, cumpridas as diligências e Direito e Cidadania, Professor de Direito da Criança e do
que conterá o breve resumo dos fatos e a juntado o relatório da equipe interprofissional, Adolescente.
classificação do ato infracional e, quando será dada a palavra ao representante do Minis-
necessário, o rol de teste­munhas, podendo tério Pú­blico e ao defensor, sucessivamente, A coleção Guia Acadêmico é uma publicação da Memes
Tecnologia Educacional Ltda. São Paulo-SP.
ser reduzida oralmente, em sessão diária pelo tempo de vinte minutos para cada um, Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.br
instalada pela autoridade judiciária. A repre- prorrogável por mais dez, a critério da autoridade
sentação independe de prova pré-consti­tuída judiciária, que em seguida proferirá decisão (art. Todos os direitos reservados. É terminantemente proibida a
da autoria e materialidade (art. 182, §§ 1º e 186, § 4º do ECA). reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer
meio ou processo, sem a expressa autorização do autor
2º do ECA). 5.4.8. Procedência da representação. Dos cri­ e da editora. A violação dos direitos autorais caracteriza
5.4. Do procedimento na fase judicial (arts. térios de aplicação de medidas sócio-educa­ crime, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
183 a 190 do ECA). tivas: a) critério da necessidade pedagógi­ca.
5.4.1. Adolescente internado. O prazo A autoridade judiciária deve levar em conta,
máximo e improrrogável para a conclusão obrigatoriamente, as necessidades pedagógicas,
do procedimen­to, estando o adolescente preferindo aquelas que fortaleçam os vínculos
internado provisoria­mente, será de quarenta familiares e comunitários (art. 100 do ECA); b) cri­
e cinco dias (art. 183 do ECA). tério da capacidade de cumprimento (§ 1º, art.
5.4.2. Recebimento da representação e 112 do ECA); c) critério da proporcionali­dade
audiên­c ia de apresentação. Oferecida (Regras de Beijing – item 5.1): a aplicação da
a repre­sentação, a autoridade judiciária medida será sempre proporcional às circuns­
designará audiência de apresentação do tâncias do infrator e da infração. Foi essa regra
adolescente, deci­dindo, desde logo, sobre que introduziu nas medidas sócio-educativas o
a decretação ou manu­tenção da internação, caráter retributivo. Assim, para o ato infracional
observado o disposto no art. 108 e seu pa- grave, medidas graves; para os atos infracionais
rágrafo único. O adolescente e seus pais ou leves, medidas brandas.

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