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A Estrela H. G. Wells

A

Estrela

um conto de

H. G. Wells

traduzido por

Renato Pincelli

hypercubic books

2013

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A Estrela H. G. Wells

capa: “A Star Shell” (1916), óleo sobre tela (50.8 x 40,6cm) de Christopher Richard Wynne Nevinson.

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A Estrela H. G. Wells

A Estrela

H.G. Wells 1

O anúncio foi feito no primeiro dia do Ano-novo, e veio,

quase simultaneamente, de três observatórios: o movimento do planeta Netuno, o mais afastado de todos os planetas que giram em redor do Sol, havia se tornado bastante errático.

Ogilvy chamara a atenção para uma suspeita de redução em sua velocidade já em Dezembro. Tal notícia, porém, foi pouco para chamar a atenção de um mundo em que a maior parte dos habitantes estava inconsciente da existência do planeta Netuno. Também não houve grande excitação fora da comunidade astronômica quando, pouco depois, foi descoberta uma luz pálida e remota na região do planeta perturbado. Os cientistas, no entanto, consideraram a descoberta bastante notável, antes mesmo de saber que o novo corpo crescia rapidamente, cada vez maior e mais brilhante, que seu movimento era bastante diferente da progressão ordeira dos planetas e de que a deflexão de Netuno e seus satélites estava se tornando algo sem precedentes. Poucos daqueles que não têm educação científica são capazes de compreender o imenso isola- mento do sistema solar. O sol, com seu séquito de planetas, seus planetoides empoeirados e seus cometas impalpáveis, nada numa imensidão tamanha que quase derrota a imaginação. Além da órbita de Netu- no há espaço, vazio até onde a observação humana alcança, sem qualquer calor ou luz ou som, de uma vacuidade plena, ao longo de uma vintena de milhões vezes um milhão de milhas. Esta é a menor esti- mativa da distância a ser atravessada antes de se alcançar a estrela mais próxima. E, salvo por uns pou- cos cometas, mais evanescentes que a mais fina chama, matéria alguma cruzou esse golfo de espaço se- gundo o conhecimento humano. Até que, na alvorada do vigésimo século, apareceu um estranho anda- rilho. Era uma vasta massa de matéria, volumoso e pesado, correndo sem aviso através da escuridão misteriosa do céu em direção à radiância do sol. No segundo dia, já era claramente visível a qualquer instrumento decente, como uma partícula de diâmetro quase invisível, perto de Regulus, na constela- ção de Leão. Em pouco tempo, era possível vê-lo com um pequeno binóculo de teatro. No terceiro dia do novo ano, os leitores dos jornais de ambos os hemisférios foram informados pela primeira vez da real importância dessa aparição celeste incomum. “Colisão Planetária”, estampou um diário londrino em sua manchete, proclamando a opinião de Duchaine de que esse estranho e novo planeta poderia colidir com Netuno. Os principais escritores ocuparam-se desse assunto, de modo que, em 3 de janeiro, na maioria das capitais do mundo, havia uma expectativa, ainda que vaga, de algum iminente fenômeno no céu. E quando a noite sucedeu ao dia ao redor do globo, milhares de homens le- vantaram seus olhos para os céus e viram — as velhas estrelas, familiares como sempre foram.

1 Com tradução e anotações de Renato Pincelli. Para mais informações sobre o autor, o tradutor e o conto, veja as notas biográficas e literárias após o fim da obra.

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Até que era madrugada em Londres, e Pollux havia se posto e as estrelas começavam a se apagar. Era uma aurora de inverno, uma lenta acumulação de luz diurna, e a luz de velas e lampiões a gás bri- lhavam amarelecidas nas janelas, mostrando onde as pessoas estavam acordadas. Mas o policial bocejan- te viu a coisa; as multidões nos mercados ficaram boquiabertas; operários seguiam para seus trabalhos a tempo; os leiteiros, os entregadores de jornais, os dissipados que voltavam para casa pálidos e esgotados, os andarilhos sem-teto, as sentinelas em seus postos, e, no campo, os trabalhadores que andavam com dificuldade, os caçadores que entravam em casa, por todo o país na penumbra podia-se ver — e também no mar, pelos marujos à espera do dia — uma grande estrela branca, entrando subitamente nos céus oci- dentais!

Era mais brilhante que qualquer estrela em nossos céus; mais brilhante que a Estrela-d'Alva em seu máximo. Ainda brilhava, branca e larga, não como um mero ponto de luz bruxuleante, mas como um pequeno disco luminoso, uma hora após a chegada do dia. E onde a ciência ainda não chegara, os homens a observavam e a temiam, contando histórias de guerras e pestilências anunciadas por esses sinais de fogo no Céu. Vigorosos bôeres, ensonados hotentotes, negros da Costa do Ouro, franceses, espanhóis e portugueses ficaram de pé, aquecidos pelo nascer-do-sol, enquanto assistiam o nascimento dessa estranha estrela nova. E numa centena de observatórios houve uma explosão de excitamento, subindo quase ao tom do grito, enquanto dois corpos remotos aproximavam-se velozmente; e houve uma correria para lá e para cá, para pegar o aparelho fotográfico, o espectroscópio e este e aquele equipamento, para registrar aquela incrível vista inesperada, a destruição de um mundo. Pois era um mundo, um planeta-irmão de nossa Terra, ainda que bem maior que o nosso, que tão subitamente precipitava nas chamas da morte. Netuno era, havia sido, golpeado, justa e diretamente, pelo estranho planeta vindo do espaço exterior e o calor da concussão havia incontinente transformado dois sólidos globos em uma vasta massa de incan- descência. Ao redor do mundo naquele dia, duas horas antes da alvorada, desceu a pálida e grande estre- la branca, enquanto mergulhava no ocidente e era ofuscada pelo sol. Por todos os lados, os homens se maravilhavam com aquilo, mas de todos os que a viram, ninguém estaria mais maravilhado que aque- les marujos, habituais observadores das estrelas, que, estando em alto-mar não haviam ouvido nada do que estava por vir e viram-na surgir como uma lua pigmeia, escalando até o zênite e ficando lá em cima até afundar, com a noite, no oeste. E quando ela se elevou novamente sobre a Europa, multidões de observadores agrupavam-se nas colinas, nos telhados e nos espaços abertos, voltados para o leste, à espera do nascer da grande e nova es- trela. Ela subiu com um brilho branco diante de si, como o fulgor de um incêndio branco, e aqueles que a haviam visto entrar na existência na noite anterior gritaram ao vê-la. “Está maior!”, exclamavam. “Está mais brilhante!”. E mesmo a Lua meio cheia que caía no oeste estava além da comparação, em seu tamanho aparente, mas dificilmente ela tinha agora o mesmo brilho do pequeno círculo da estranha e nova estrela. “Está mais brilhante!”, bradavam as pessoas que se juntavam nas ruas. Mas nos observatórios obscuros, os observadores perderam o fôlego, olharam entre si e disseram “ESTÁ MAIS PRÓXIMA! MAIS PRÓXIMA!” E voz após voz repetiu aquelas palavras — “Está mais próxima!” — e o tiquetaquear dos telégra- fos transmitiram-nas, e as linhas telefônicas tremulavam com elas, e em milhares de cidades os datiló- grafos as compunham: “Está mais próxima!”. Homens que escreviam em seus escritórios, tomados por uma estranha realização, botaram suas canetas de lado; homens falando em milhares de lugares subita- mente toparam com a grotesca possibilidade daquelas palavras — “Está mais próxima.” Essas palavras

correram através de ruas que acordavam, eram bradadas nos caminhos gélidos de vilas quietas; homens

que as liam ficavam de pé sob a luz amarela de suas portas e informavam os pedestres que passavam:

“Está mais próxima.” Mulheres bonitas, enrubescidas e cobertas de brilhantes, ouviram as notícias ditas

como um gracejo em meio às danças e fingiam um interesse inteligente que não sentiam: “Mais próxi-

ma! Que coisa curiosa! Como podem pessoas tão, tão espertas serem capazes de descobrir tais coisas?”

Vagabundos solitários que vagavam pela noite invernal murmuravam essas palavras para con-

fortar a si mesmos, enquanto olhavam para cima: “Tem mesmo que estar mais perto, pois a noite é fria

como a caridade. Não parece haver muito calor disso se estiver perto. Está na mesma.”

“O que é uma nova estrela para mim?”, soluçou uma mulher aos prantos, ajoelhada ao lado de

seu falecido.

O rapaz que estuda, tendo acordado cedo para seus exames, se intrigava com a grande estrela

branca, brilhando intensamente através de suas janelas congeladas. “Centrífuga, centrípeta”, murmu-

rou, com o queixo apoiado num punho. “Deter um planeta em seu voo, roubá-lo de sua força centrífuga

e depois o quê? A centrípeta vence e cai em direção ao sol. E aí ” ...

Estaremos

...

NÓS em seu caminho??”

A luz do dia seguiu seu caminho como sempre e, acompanhada pela escuridão gélida, a estrela

estranha apareceu novamente. E agora era tão luminosa que a lua crescente, pendurada do horizonte,

parecia um pálido fantasma do que fora. Numa cidade sul-africana, um grande homem havia se casado

e as ruas estavam iluminadas para recebê-lo com sua esposa 2 . “Até os céus se iluminaram”, disse um ba-

julador. Sob o Trópico de Capricórnio, dois amantes negros se encontraram, desafiando as feras selva-

gens e os espíritos malignos, e se encolheram em meio aos vaga-lumes. “Aquela é a nossa estrela”, sus-

surraram, sentindo-se estranhamente confortados pelo doce brilho de sua luz.

O mestre em matemática sentou-se em sua sala particular e juntou seus papeis diante de si. Seus

cálculos estavam quase concluídos. Num pequeno frasco branco ainda restava um pouco da droga que o

mantivera acordado e ativo durante quatro longas noites. A cada dia, serenamente, pacientemente, ele

havia dado aulas aos seus alunos e então corria para seus cálculos importantíssimos. Sua expressão era

grave, mas estava um tanto agitada por sua atividade. Por algum tempo ele pareceu estar perdido em

pensamentos. Depois ele foi até a janela e a persiana subiu com um clique. A meio caminho do céu, aci-

ma dos telhados, chaminés e torres de igrejas da cidade, estava a estrela.

Ele enfrentou-a como alguém que olha um bravo inimigo nos olhos. “Você pode me matar”,

disse, após um silêncio. “Mas eu posso lhe manter — você e o universo inteiro — nos domínios desse pe-

queno cérebro. E eu não mudaria isso. Nem mesmo agora.”

Ele voltou seu olhar para aquele frasquinho. “Não haverá mais necessidade de sono.” No dia se-

guinte, pontualmente ao meio-dia, ele entrou em sua sala de palestra, pousou seu chapéu numa extre-

midade da mesa, como de costume, e cuidadosamente escolheu um grande pedaço de giz. Havia uma

piada entre seus alunos que dizia que ele não poderia começar a falar sem aquele pedaço de giz girando

entre seus dedos, e que certa vez ele havia sido lançado à impotência quando esconderam tal suprimen-

to. Ele voltou-se e levantou suas sobrancelhas cinzentas diante das fileiras e mais fileiras de jovens de fa-

ces frescas e falou, com seu tom costumeiro: “Circunstâncias surgiram — circunstâncias que estão além

de meu controle

...

”,

disse, e fez uma pausa. “

que

...

vão me impedir de completar o curso conforme plane-

jei. Parece-me, senhores, se eu puder pôr as coisas clara e brevemente, que

...

o Homem viveu em vão.”

2 Nota do Tradutor: Esta é uma sutil referência do autor a Cecil J. Rhodes (1853-1902), empresário e político britânico, que financiou minas diamantíferas, colonizou a Rodésia (atuais Zâmbia e Zimbábue) e foi primeiro-ministro da Colônia do Cabo entre 1890-96. Na época em que o conto foi escrito, Rhodes estava no auge de seu poder na África Austral.

Os estudantes trocaram olhares confusos entre si. Eles haviam ouvido bem? Ou ele é que estava

louco? Sobrancelhas erguidas e lábios contraídos multiplicavam-se, mas duas ou três caras se mantive-

ram impassíveis diante da calma expressão grisalha dele. “Seria interessante”, prosseguiu ele, “devotar

essa manhã a uma exposição, tão clara quanto posso torná-la para vocês, dos cálculos que me levaram

àquela conclusão. Suponhamos ” ...

Ele voltou-se para o quadro-negro, preparando um diagrama do mesmo modo de sempre. “O

que é que há com 'viveu em vão'?”, murmurou um estudante para outro. “Ouça!”, disse o outro, apon-

tando para o professor.

E então eles começaram a compreender.

Naquela noite a estrela apareceu mais tarde, pois seu próprio movimento para leste a havia car-

regado um tanto através de Leão, na direção de Virgem. Seu brilho era tão grande que o céu ficava com

um azul luminoso quando ela nasceu e todas os astros foram ofuscados à sua volta, com exceção dos

próximos ao zênite, como Júpiter, Capella, Aldebarã, Sírius e as estrelas da Ursa. Em muitas partes do

mundo aquela noite foi cercada por um pálido halo de luz no horizonte. Ela estava perceptivelmente

maior; no céu claro e refrativo dos trópicos parecia ter quase um quarto do tamanho da Lua. Estava

bastante luminosa e bonita. Ainda havia gelo no solo da Inglaterra, mas o mundo parecia tão iluminado

quanto se estivesse sob um luar de verão. Alguém poderia até ler impressos ordinárias sob aquela luz

clara e fria enquanto as cidades eram iluminadas por lâmpadas baças e amarelas.

E todo o mundo estava de vigília naquela noite. Por toda a cristandade se espalhava um mur-

múrio sombrio, aguçado como o zumbir de abelhas numa urze do campo. E esse murmurante tumulto

cresceu em clangor nas cidades. Era o repicar de sinos em torres e agulhas, convocando as pessoas a não

dormir mais, a não pecar mais, mas a se reunir em suas igrejas para orar. E sobre suas cabeças, cada vez

maior e mais brilhante, enquanto a Terra rolava em seu caminho, surgia a estrela ofuscante.

E as ruas e casas estavam iluminadas em todas as cidades, os portos brilhavam, e quaisquer es-

tradas que levassem a algum lugar alto estavam tomadas por luzes e multidões. E em todos os mares

próximos das áreas civilizadas, navios com motores pulsantes e naus com velas enfunadas, repletas de

homens e criaturas vivas, partiam para o oceano, rumo ao norte. Pois o alerta do mestre em matemática

já havia sido telegrafado para todo o mundo, traduzido em uma centena de línguas. O novo planeta e

Netuno, presos em um abraço incandescente, rodopiavam desabaladamente, indo cada vez mais depres-

sa na direção do sol. A cada segundo aquela massa flamejante voava por centenas de milhas, e a cada se-

gundo sua aterrorizante velocidade aumentava. Aliás, enquanto voava agora, deveria passar a cem mi-

lhões de milhas ao largo da Terra, quase sem afetá-la. Mais próximo da trajetória destinada, embora me-

nos perturbado, passava o poderoso Júpiter, dançando esplendidamente com suas luas ao redor do sol. A

cada instante a atração entre a estrela em chamas e o maior dos planetas tornava-se mais intensa. E qual

o resultado de tal atração? Inevitavelmente, Júpiter seria empurrado de sua órbita para uma trajetória

elíptica, e a estrela ardente, desequilibrada em meio à sua carreira solar, iria “descrever um caminho em

curva” e talvez colidir com, e certamente passar muito próximo da, nossa Terra. “Terremotos, erupções

vulcânicas, ciclones, maremotos, inundações, e um considerável aumento da temperatura, a níveis que

desconheço” — profetizara o matemático-mestre.

E lá em cima, carregando suas palavras, solitária e fria, e lívida, queimava a estrela do apocalipse

vindouro.

Naquela noite, muito a fitaram até que seus olhos doessem e parecia-lhes visível a aproximação.

Naquela noite, também, o clima mudou e o gelo que se agarrava a toda a Europa Central e à França e à

Inglaterra amoleceu como que num veranico.

Mas não deveis imaginar que, por ter eu relatado sobre pessoas rezando a noite toda ou pessoas

embarcando em navios ou fugindo rumo às zonas montanhosas, que o mundo inteiro estava em pânico

por causa da estrela. Na realidade, o hábito e a rotina ainda governavam o mundo e salvo pelas conver-

sas nos momentos de ócio e pelo esplendor da noite, nove em cada dez humanos ainda se mantinham

ocupados por suas preocupações comuns. Em todas as cidades, as lojas, salvo por uma ou outra, abriam e

fechavam nas horas de costume, os médicos e os coveiros faziam seus negócios, os operários enchiam as

fábricas, os soldados cavavam suas trincheiras, os eruditos estudavam, os amantes buscavam um ao ou-

tro, os ladrões batiam e corriam, os políticos planejavam seus esquemas. As prensas dos jornais rugiam

pela noite, e muitos párocos desta e daquela igreja não abriam seus santos recintos para o que considera-

vam um pânico enlouquecido. A imprensa insistia na lição do ano 1000 — quando o fim também foi

antecipado pela população. A estrela não era uma estrela — era mero gás —, um cometa, se quiserem, e

não havia possibilidade de chocar-se com a Terra. Não havia precedente para tanto. Em todo o mundo o

senso comum estava atordoado, insolente, zombeteiro e inclinado a perseguir aqueles obstinadamente

amedrontados. Naquela noite, às sete e quinze pela hora de Greenwich, a estrela estaria em sua maior

aproximação com Júpiter. O mundo, então, veria como o rumo que as coisas tomariam. Os alertas

sombrios do mestre em matemática eram tratados por muitos como uma elaborada autopromoção. O

senso comum, enfim, um pouco cansado pelas discussões, demonstrou sua inalterável convicção ao ir

para a cama. Igualmente, o barbarismo e a selvageria cansaram-se da novidade e voltaram-se para seus

negócios sombrios. Salvo pelo latido de um ou outro cão, o mundo animal permaneceu indiferente à

estrela.

E assim, quando os observadores nos países europeus finalmente viram o nascer da estrela. Com

uma hora de atraso, é verdade, mas não parecia maior do que na noite anterior. Muitos ainda estavam

acordados para rir do matemático-mestre — ou para tomar o perigo como se ele já tivesse passado.

Entretanto, os risos calaram-se. A estrela crescia — crescia com uma terrível constância, hora

após hora, um pouco maior a cada hora, um pouco mais próxima do zênite e cada vez mais brilhante,

até transformar a noite em um segundo dia. Tivesse vindo diretamente para a Terra, em vez de seguir a

trajetória curva, e não tivesse perdido velocidade para Júpiter, ela teria coberto a distância que a separava

de nós em um dia. Mas do jeito que foi, acabou levando cinco dias inteiros para cruzar com nosso plane-

ta. Na noite seguinte já tinha um terço do tamanho da lua antes de desaparecer da vista dos olhos ingle-

ses, e o descongelamento estava assegurado. Ela ascendeu sobre a América quase do tamanho da lua,

com um branco cegante de se ver, e QUENTE. E uma lufada de vento quente soprava agora com sua

elevação, ganhando força. E no Brasil e na Virgínia, até o Vale do São Lourenço, ela brilhava intermiten-

temente em meio a montanhosas nuvens de tempestade, que tremeluziam com relâmpagos violetas e

despejavam granizos sem precedentes. Em Manitoba houve um degelo e enchentes devastadoras. E so-

bre todas as montanhas da Terra, o gelo e a neve começaram a derreter naquela noite, e todos os rios que

saíam das terras altas fluíam caudalosos e túrbidos e logo serpeavam tomando as árvores e os corpos de

bestas e homens em seu caminho. Eles subiam de nível de maneira firme, determinados com seu brilho

fantasmagórico e enfim escorriam além de seus leitos, correndo atrás da população que fugia de seus va-

les.

E ao longo da costa da Argentina e de toda a América do Sul, as marés foram as mais altas que os

homens já haviam visto e em muitos casos as tempestades levaram as águas dezenas de milhas para o

interior, afogando cidades inteiras. E tamanho foi o crescimento do calor naquela noite que o nascer do

sol foi como o aparecimento de uma sombra. Os terremotos começaram e intensificaram-se por toda a

América, do Círculo Ártico ao Cabo Horn, até que todas as encostas estavam deslizando, fissuras se

abrindo e casas e muros esfarelavam-se pela destruição. Um lado inteiro do Cotopaxi 3 escorregou um

uma vasta convulsão e um tumulto de lava elevou-se tão alto e amplo e ágil e líquido que em um dia al-

cançou o mar.

Então a estrela, com a pálida lua em seu rastro, marchou ao longo do Pacífico, costurando tem-

pestades como a bainha de um robe e a crescente maré que laborava por trás delas, vorazmente espu-

mante, derramou-se sobre ilha após ilha, limpando-as de homens. Até que a onda finalmente chegou —

numa luz ofuscante e com o bafo de uma fornalha, veio rápida e terrivelmente —, uma parede de água,

de cinquenta pés de altura, rugindo de forma esfomeada, sobre as longas costas da Ásia, atravessando in-

terior adentro pelas planícies da China. Por pouco tempo a estrela, agora mais quente e maior e mais lar-

ga que o sol em sua força, mostrou seu brilho cruel àquele grande e populoso país. Em vilas e cidades

inteiras, com seus pagodes 4 e árvores, estradas e amplos campos cultivados, milhões de pessoas sem sono

observavam com impotente terror o céu incandescente. E então, grave e crescente, veio o murmúrio da

inundação. E foi assim com milhões de homens naquela noite — de um lado, uma fuga desorientada,

com os membros pesados pelo calor e respiração difícil; do outro, a inundação, feito uma muralha

branca e veloz. E depois, morte.

A China estava iluminada por um branco mortiço, mas sobre o Japão e Java e todas as ilhas do

Extremo Oriente a grande estrela era uma bola de fogo vermelho e sombrio, pois os vapores e fumaças e

cinzas dos vulcões elevavam-se para saudar sua passagem. Acima havia a lava, os gases quentes e as cin-

zas e abaixo, as enchentes turbilhonantes, e a Terra inteira balançava e retumbava com os choques sís-

micos. Logo as imemoriais neves do Tibete e do Himalaia estavam derretendo de escorrendo para baixo

em dez milhões de canais descendentes, que convergiam para as planícies de Burma e do Hindustão. As

complexas copas das selvas indianas estavam em chamas em milhares de pontos e sob as águas que sub-

mergiam os troncos e as raízes, coisas escuras ainda lutavam debilmente à luz das línguas de fogo cor-

de-sangue. Numa confusão ingovernável, uma multidão de homens e mulheres fugiram dos largos lei-

tos dos rios para aquele que é a última esperança dos homens — o mar aberto.

Cada vez maior crescia a estrela, mais quente e mais brilhante, e, agora, com uma terrível rapi-

dez. O oceano tropical perdera sua fosforescência e o vapor rodopiante elevava-se fantasmagoricamente

das ondas negras que vagavam incessantemente, salpicadas de navios em destroços.

E então houve uma maravilha. Para aqueles que esperavam pelo nascer do astro na Europa,

parecia que o mundo havia cessado sua rotação. Em milhares de espaços abertos, nas planícies e nas

terras altas, para onde haviam fugido das enchentes e das casas desmoronantes, e nas encostas

escorregadias das colinas, as pessoas esperaram em vão. Hora após hora seguiu-se com um terrível

suspense, e a estrela não compareceu. Novamente os homens voltavam seus olhos para as velhas conste-

lações de sempre, que haviam lhes parecido perdidas para sempre. Na Inglaterra o tempo estava quente

e límpido, embora o solo tremesse perpetuamente. Mas nos trópicos, Sírius e Capella e Aldebarã

mostravam-se sob um véu de vapores. Quando, enfim, com quase dez horas de atraso a estrela apareceu,

o sol apareceu logo em seguida — e no centro de seu coração branco havia um disco escuro.

Sobre a Ásia foi que a estrela começou a parecer ficar pra trás dos movimentos celestes. Subita-

mente, enquanto pairava sobre a Índia, sua luz foi coberta com um véu. Naquela noite, toda a planície

  • 3 Nota do Tradutor: Localizado na Cordilheira dos Andes, 75km ao sul de Quito, no Equador, o Cotopaxi é um dos mais elevados vulcões do mundo. Sua altitude total é de 5.897 m.

  • 4 Nota do Tradutor: antigo nome português (séc. XVI) pelo qual eram conhecidos os templos budistas. Formados por torres com

beirais múltiplos, de bases quadrangulares ou octogonais, os pagodes são comuns no Extremo Oriente e na Indochina. No Ocidente tornaram-se monumentos decorativos a partir do orientalismo do séc. XVIII. O nome não tem relação com o ritmo musical homônimo, derivado do samba.

indiana, da foz do Indo à foz do Ganges, era uma lagoa rasa de água brilhante sobre a qual elevavam-se

templos e palácios, montes e colinas, enegrecidos de tanta gente. Cada minarete continha uma massa

agrupada de pessoas, que caíam, tomadas pelo horror e pelo calor, uma a uma nas águas túrbidas. O país

inteiro parecia segurar a respiração e de repente apareceu uma sombra diante daquela fornalha de deses-

pero. E um vento frio soprou, reunindo nuvens e resfriando o ar. Os homens olhavam para cima, quase

cegos, na direção da estrela e viram que um disco negro rastejava sobre a luz. Era a lua, interpondo-se

entre a Terra e a estrela. E enquanto os homens invocavam a Deus diante daquilo, veio do leste o Sol,

com uma rapidez estranha e inexplicável. Então a estrela, o Sol e a lua apressaram-se juntos através dos

céus.

Foi então que, para os observadores europeus, estrela e sol nasceram próximos um do outro, ca-

minharam lado a lado por um tempo, foram ficando mais lentos até que finalmente repousaram: sol e

estrela fundiram-se num clarão no zênite do céu. A lua não mais eclipsava a estrela, mas perdeu-se de

vista na ofuscância do céu. E embora a maioria dos que ainda estavam vivos reagiram com aquela estu-

pidez opaca que a fome, a fadiga, o calor e o desespero engendram, ainda havia homens capazes de

perceber o significado desses sinais. A estrela e a Terra tinham estado em sua maior aproximação, deram

um impulso um ao outro e a estrela se foi. Já estava se afastando, cada vez mais velozmente, no último

estágio de sua longa jornada descendente em direção ao sol.

Então, as nuvens se amontoaram, borrando a visão do céu, e raios e trovões teceram uma trama

ao redor do mundo; por todo o planeta, houve um aguaceiro tamanho, do qual os homens não se recor-

davam de um maior; e onde os vulcões esbravejavam contra a abóbada de nuvens, desceram torrentes

de lama. Por toda a parte as águas abaixaram, deixando ruínas tomadas pelo barro. A terra escapara feito

uma praia pós-tempestade, coberta por tudo o que havia flutuado, como os corpos de seus filhos, ho-

mens e animais. Durante dias as águas fluíam terra afora, varrendo pelo caminho, árvores, solos e casas,

empilhando-os em grandes represas e escapando em enxurradas titânicas nas áreas rurais. Aqueles fo-

ram os dias de escuridão que se seguiram à estrela e seu calor. Durante todos esses dias e ainda por mui-

tas semanas ou meses, os terremotos continuavam.

Mas a estrela havia passado e os homens, reunindo lentamente sua coragem em meio à fome,

pode rastejar de volta às suas cidades arruinadas, celeiros soterrados e campos encharcados. Poucos fo-

ram os navios que escaparam das tempestades daquele tempo, e retornaram surpresos, balizando cuida-

dosamente em meio aos novos limites e bancos de areias de portos outrora familiares. E enquanto as

tempestades retraíam-se os homens perceberam que, por toda parte, os dias eram mais quentes do que

os de antanho e que o sol era maior e a lua encolhera para um terço de seu tamanho anterior, levando

agora oitenta dias de lua-nova a lua-nova.

Mas da nova irmandade que crescia entre os homens, da salvação de leis e livros e máquinas, da

estranha mudança que fora operada sobre a Islândia e Groenlândia e sobre as praias da Baía de Baffin,

que os marujos encontraram verdejantes e graciosas, mal acreditando em seus olhos, de tudo isso nossa

história não fala. Nem da movimentação da humanidade agora que a Terra era mais quente, para norte e

para sul, em direção aos polos do planeta. Vamos nos restringir apenas à chegada e à passagem da Estre-

la.

Os astrônomos marcianos — pois havia astrônomos em Marte, ainda que fossem seres muito di-

ferentes dos homens — ficaram, naturalmente, com profundo interesse sobre essas coisas. Eles viam-nas

de seu próprio ponto de vista. “Considerando a temperatura do projétil lançado sobre nosso sistema

solar, na direção do sol,” escreveu um deles, “é impressionante quão poucos danos teve a Terra, que o

perdeu por tão pouco. Todos os familiares contornos continentais e as massas oceânicas parecem intac-

tos. Aliás, a única diferença parece ser uma redução da calota esbranquiçada (supostamente de água em

estado sólido) sobre cada polo.” Isso apenas demonstra quão pequena pode parecer a mais vasta das catás-

trofes humanas a uma distância de alguns milhões de milhas.

-------fim-----------------------------------------/notas literárias\

Sobre o Autor: HERBERT GEORG WELLS é um nome que dispensa apresentações.

Nascido em Bromley, condado de Kent, em 21 de setembro de 1866, Wells era filho de uma família humilde e seu primeiro emprego foi como caixeiro de uma loja. Apesar disso, estudou por seus próprios meios e logo passou a lecionar numa escola primária. Continuou seus estudos e graduou-se em Ciências pela Universidade de Londes em 1888; deu aulas até 1893, quando passou a se dedicar ao jornalismo e à literatura. Seu primeiro livro, uma coletânea de contos com o quilométrico título de Select Conversations with an Uncle (Now Extinct) and Two Other Reminscences [Conversas Escolhidas com um Tio (ora falecido) e duas outras reminiscências], foi publicado em 1895 e logo acabaria ofuscado por seus “romances científicos” como The Time Machine [A Máquina do Tempo] (1895), The Invisible Man [O Homem Invisível] (1897) e The War of The Worlds [A Guerra dos Mundos] (1898). Estes títulos se tornaram clássicos do gênero — quem nunca ouviu falar de viagem no tempo, invisibilidade e invasões alie- nígenas? — e tiveram profunda influência sobre a literatura, o cinema e a cultura popular do século XX. Ao contrário do otimismo racionalizado e tecnológico, porém meio romântico de Jules Verne (1828-

1905) — outro pioneiro da ficção científica, que vivia do outro lado do Canal da Mancha —, os contos e ro- mances de H. G. Wells notabilizaram-se por apresentar o lado sombrio da ciência e pela sátira à sociedade bri- tânica do fin de siècle. Para Wells a narrativa de fundo científico, muitas vezes ambientada num futuro distante e indefinido, era apenas o pretexto para descrever o mundo em que vivia. Além das obras ficcionais, escreveu sobre temas históricos e sociológicos – mas mesmo nessas áreas mais eruditas não deixou de tratar do futuro e de sua opção política, o socialismo. Seu Outline of History [Esboço de História] (1920), foi uma grande obra de História Geral voltada para o público leigo e que vendeu mais de dois milhões de cópias em diversas línguas. A partir de então começou a se envolver em diversas polêmicas por suas opiniões políticas. Após apoi- ar a Primeira Guerra, sobre a qual muito escreveu, Wells foi defensor de um Estado Mundial chefiado pela Liga das Nações. A princípio foi apoiador de Iosif Stalin (1878-1953), mas mudou de ideia após visitar a União Soviética em 1934. Apesar de defender a eugenia, tinha dúvidas sobre as intenções dos demais euge- nistas e considerava que a humanidade ainda não estava pronta para controlar a própria evolução. Ao mes- mo tempo deu discreto apoio ao sionismo e ao movimento negro norte-americano. Não menos polêmica foi sua vida familiar. Herbert George casou-se com uma prima, Isabel Mary Wells (1865-?) em 1891. Três anos mais tarde, os dois se divorciaram, amigavelmente. Em seguida ele se casou com uma de suas alunas, Amy Catherine Robbins (1872-1927), a quem chamava de Jane. Com Jane, Wells teve dois filhos: George Philip (1901-1985) e Frank Richard (1903-1982). H. G. e Jane mantinham um relaciona- mento aberto. Por isso, Wells também teve uma filha com a feminista britânica Amber Reeves (1887-1981) e um filho — Anthony West (1914-1987) — com a jornalista e escritora (e também feminista) Rebecca West (1892-1983), além de diversas relações extra-conjugais. Nos anos 1930, já com a popularidade já desgastada por suas polêmicas, H.G. passou a sofrer de di-

abetes. Crítico ferrenho da Igreja Católica, declarava-se “renascente ou religioso moderno [

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nem ateu nem

budista nem muçulmano nem cristão” no livro God, the Invisible King [Deus, o Rei Invisível] (1917). Sua obra, tanto ficcional quanto historiográfica, já estava quase esquecida em 1938, quando Orson Welles (1915-1985) apresentou uma memorável e eletrizante adaptação radiofônica de Guerra dos Mundos. Dois anos mais tarde, durante uma entrevista com Welles, Wells se declarou surpreso pelo pânico gerado por sua obra. Ele agradeceu a Welles por catapultar as vendas do que considerava um de seus títulos “mais obscuros”. Cronista da I Guerra Mundial (1914-1918), Wells dedicou-se também a registrar a II Guerra Mundial (1939- 1945). Faleceu aos 79 anos, no dia 13 de agosto de 1946, em Londres. Foi cremado e teve suas cinzas jogadas ao mar.

Sobre este conto: Escrito por H. G. Wells em 1897, A Estrela pode ser considera-

do o marco inicial de um subgênero de ficção científica: as histórias sobre colisões de mundos. Publicado ape- nas em 1911 na coletânea The Door in the Wall and Other Stories [A Porta no Muro e outras es- tórias], este conto inspirou filmes-catástrofe como When worlds collide (1951) e, de forma indireta, Im- pacto Profundo (1997). Arthur C. Clarke (1917-2008) também foi impressionado por A Estrela, tendo es- crito um conto com o mesmo título. O Ano-novo citado no início do conto é, presumivelmente, . de janeiro de 1901, o primeiro dia do sé- culo XX. Também citado no primeiro parágrafo, Ogilvy é o astrônomo de Guerra dos Mundos, romance escrito por Wells no mesmo ano. O astro que invade o sistema solar e perturba gravemente a Terra parece ser uma estrela anã. No entanto, ela pode ser um pouco maior, já que consegue capturar gravitacionalmente Ne- tuno ao entrar no sistema solar. As constantes descrições de seu brilho intenso – a ponto de ofuscar o Sol para os terráqueos – também podem indicar uma estrela mais robusta, se bem que tal fato pode decorrer de sua maior proximidade com a Terra durante sua passagem. A referência errônea a “colisão planetária” relatada pela imprensa no conto parece ser puramente intencional e poderia ser um retrato da má comunicação entre a comunidade científica e os jornalistas – que infelizmente ainda persiste em muitos casos. Como ocorre por toda a obra de Wells, o foco não é a catástrofe em si, nem a ciência por trás dela, mas a forma como a sociedade de seu tempo se comporta e como ela reagiria. Não que os comportamentos e as reações descritas por Wells sejam exclusivas de seus contemporâneos: o pânico de uns, especialmente dos menos educados; a indiferença de outros, somada à certeza racional; o circo midiático criado pelas notícias catastró- ficas; os gracejos e as teorias conspiratórias parecem ser reações típicas de humanos de todas as épocas diante de catástrofes anunciadas, consumadas ou não. O único traço típico da belle-époque é a impotência diante de tudo. Impotência de uma civilização que — ficções científicas à parte — ainda não conhece o voo espacial e, portanto, não cria nenhum plano desesperado de desvio ou destruição do astro invasor ou de evacuação do pla- neta. Os astrônomos marcianos que aparecem no fim da história também parecem coisa de um tempo no qual a hipótese de Marte ser habitado era avançada por muitos cientistas respeitáveis, a começar por Percival Lowell. Porém, ao contrário do que ocorre em Guerra dos Mundos, os marcianos de A Estrela não pare- cem muito mais sofisticados (ou cruéis) do que os humanos da época. Mesmo porque esses marcianos apenas dão a moral da história: por maior que nos pareça uma catástrofe terrestre, ela sempre será pequenina do ponto de vista cósmico.

Sobre o tradutor: Ao menos para os leitores do blog Hypercubic

[ www. scienceblogs.com.br/hypercubic ], onde escreve e traduz artigos sobre ciência, tecnologia, história, pa- radoxos, enigmas e um monte de cultura inútil, Renato Pincelli é um nome familiar. Nascido em 1988, em Jaú, no interior de São Paulo, é um caipira autodidata e aprendeu a traduzir sozinho. Como Wells, tam- bém é um tanto pessimista sobre o futuro do mundo e considera catastrófico o enclausuramento da comuni- dade científica e seus desentendimentos com os jornalistas. Tal como o autor inglês começou a carreira pro- fissional na área de educação. Seu primeiro emprego foi como secretário em uma escola pública municipal, mas atualmente trabalha na biblioteca de uma das escolas onde estudou. Diferente do autor britânico, não é

um pegador e sequer teve uma namorada até agora. Aos 25 anos, está concluindo o curso de Jornalismo pela UNESP-Bauru (pretende estudar a divulgação científica para crianças), mas ainda não se decidiu se vai viver com ou dos seus livros. Embora tenha escrito, desde 2007, mais de mil postagens para seu blog — dentre as quais se destacam as da série Patentes Patéticas e as de Contos Traduzidos, como este — ainda não publicou nenhum volume. Será que alguma obra de sua autoria tornar-se-á um clássico?

Este e-book foi composto pelo próprio tradutor em Neuton Cursive, Neuton SC, Neuton, Pretzel, Fantastic Pete e 16th. Arabesques para Hypercubic Books em julho de 2013.

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Capa editada no GIMP 2.8 e texto digitado no LibreOffice Writer 4.0.

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A tradução foi baseada em “The Star” (1897), conto publicado originalmente em The Door in the Wall and Other Stories (1911), cujo texto em domínio público foi digitalizado e disponibilizado através do site Gutemberg.org [http://www.gutenberg.org/ebooks/456].

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Esta tradução pode ser livremente distribuída desde que não seja utilizada com fins lucrativos e com os devidos créditos para o tradutor-editor, Renato Pincelli.

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