Вы находитесь на странице: 1из 32

PARASITOLOGIA

PARASITOLOGIA

MÉDICA

MÉDICA

66 EESSPPOORROOZZOOÁÁRRIIOOSS

Complemento multimídia dos livros “Parasitologia” e “Bases da Parasitologia Médica”. Para a terminologia, consultar “Dicionário de termos técnicos de Medicina e Saúde”, de

Luís Rey

Fundação Oswaldo Cruz Instituto Oswaldo Cruz Departamento de Medicina Tropical Rio de Janeiro

1

EESSPPOORROOZZOOÁÁRRIIOOSS PPAARRAASSIITTOOSS DDOO HHOOMMEEMM

Doenças do homem causadas por esporozoários:

coccidioses e toxoplasmose.

OOOOssss eeeessssppppoooorrrroooozzzzooooáááárrrriiiioooossss

eeeessssppppoooorrrroooozzzzooooáááárrrriiiioooossss Formam um grupo homogêneo de parasitos obrigatórios da

Formam um grupo homogêneo de parasitos obrigatórios da classe Sporozoea (= Sporozoa), com repro-

dução

alternativamente

sexuada

e

assexuada.

 

Em

geral,

invadem

células

do

organismo hospedeiro graças a uma estrutura especial que é denominada complexo apical (figura). Quando completo, ele compreende anéis (A) situados no pólo anterior do parasito, sob a membrana celular, envolvendo um tronco de cone ou conóide (Co) e ligados entre si por fibras do conóide (Fc). Algumas organelas alongadas – roptrias (R) e micronemas –, que produzem materiais para a aderência e a penetração do parasito, atravessam o conóide e terminam em uma depressão central no pólo anterior. Sob a membrana celular externa (Me), há outra, interna (Mi), fenestrada, e sustentada por certo número de microtúbulos do conóide (Mt) que contribuem para manter a forma alongada do parasito.

3

CCiicclloo ddooss eessppoorroozzooáárriiooss ((11))

FF GG HH II
FF
GG
HH
II

Desenho esquemático que resume o ciclo vital dos esporozoários: A, esquizogo- nia; B e C, gametogonia.

Estes parasitos fazem 2 ciclos reprodutivos que se alternam sempre:

O primeiro é assexuado ou esquizogônico (A), que começa com uma forma invasiva, ou esporozoíta (E). Este, dentro da célula hospedeira, transforma-se em um organismo arre- dondado (esquizonte, F) e sofre múltiplas divisões nucleares. Depois, libera outras formas invasivas, os mero- zoítas (G), que podem repetir a esquizogonia ou produzir por gametogonia os gametócitos masculi- nos (H) e femininos (I).

4

CCiicclloo ddooss eessppoorroozzooáárriiooss ((22))

II JJ KK
II
JJ
KK

Desenho esquemático que

o ciclo esporogônico

dos esporozoários: C, forma- ção do zigoto; D, esporocisto; E, esporozoíta.

mostra

O ciclo sexuado ou esporogônico, tem início pela fusão dos gametas (C) e formação do ovo ou zigoto (I).

Na ordem Eucocci- diida, o zigoto produz um um envoltório, e passa a constituir um oocisto imaturo (J) que, no meio exterior, passa a espo- rocisto (K); no interior deste formam-se esporo- zoítas com capacidade invasiva (D, E).

O

ciclo

biológico

se

fecha quando estes últi- mos (E) penetrarem no

organismo

hospedeiro.

de

um

novo

5

CCooccccííddiiooss ppaarraassiittooss ddoo hhoommeemm

Na ordem Eucoccidiida da classe Sporozoea, três famílias têm interesse médico:

Eimeriidae, abrangendo muitas espé- cies dos gêneros Eimeria e Isospora que parasitam animais domésticos, inclu- sive Isospora belli que infecta o homem. Cryptosporidiidae, com espécies do gênero Cryptosporidium que são em geral inócuos, mas tornam-se patogê- nicos em indivíduos imunodeprimidos (com AIDS, p. ex.).

3

espécies de significação médica:

Sarcocystis hominis, Sarcocystis suihominis e Toxoplasma gondii.

Sarcocystidae,

que

conta

com

e Toxoplasma gondii . Sarcocystidae, que conta com Isospora belli em diferentes fases de maturação: A,

Isospora

belli em diferentes fases de maturação: A, fase

inicial,

B, com 2

esporoblastos transfor- mados em esporocistos; C, oocisto maduro, onde

cada

esporoblasto;

Oocistos

de

com

um

esporocisto

formou4 esporozoítas.

6

IIssoossppoorrííaassee

A infecção por Isospora belli ou isosporíase (também denominada isosporose) ocorre pela ingestão de oocistos maduros eliminados com as fezes humanas. Em um novo hospedeiro, os esporozoítas, liberados por oocistos, invadem o epitélio da mucosa intestinal onde se multiplicam por esquizogonia. Depois de algum tempo, formam-se os gametas. Estes produzem oocistos que são eliminados com as fezes durante semanas.

permanece

assintomática.

anorexia e

cefaléia, com início 7 a 10 dias após a contaminação e durando outros 10 dias ou mais.

Na

maioria

das

vezes,

a

infecção

diarréia,

Nos

demais

casos

febre,

A

evolução é para a cura espontânea, mesmo sem

medicação.

Diagnóstico das coccidioses

O diagnóstico é feito pelo encontro de oocistos ou esporozoítos nas fezes, a partir da
O
diagnóstico é feito
pelo encontro de oocistos
ou esporozoítos nas fezes,
a partir da 3 a semana de
infecção.
Como a abundância de
parasitos
nas fezes pode
ser pequena, recomenda-se
repetir
os exames
negativos,
em
dias
diferentes.
Os imunodeprimidos
devem ser tratados com
sulfamidas, antibióticos ou
antimaláricos.

A

isosporíase

é

de

ocorrência rara, supondo-

se que possam existir hospedeiros não-humanos.

No

Rio

de

Janeiro

encontrou-se 10,5%

de

positivos

entre

os

imunodeficientes e no Haiti 15% entre aidéticos.

sobre a

transmissão, supondo-se

Pouco se sabe

ocorrer

pela

ingestão

de

águas

ou

alimentos

contaminados.

SSaarrccooccyyssttiiss ee ssaarrccoocciissttoossee (1)

Espécies

de

Sarcocystis

verte-

feros. Em alguns lugares, 100% dos bois e carneiros estão infectados. A doença recebe os nomes de sarcocistose, sarcospori- diose e sarcosporidíase. Duas espécies parasitam o homem:

são

brados,

encontradas

em

de peixes

a mamí-

Sarcocystis hominis (= Isospora hominis), cujo ciclo assexuado tem lugar no gado bovino, e efetua o ciclo sexuado na espécie humana (ou em alguns macacos).

S.

suihominis

cujo

ciclo

assexuado tem músculos do porco.

lugar

nos

Os herbívoros infectam-se ao ingerirem o pasto poluído com fezes humanas onde se encon- tram oocistos maduros (A e B); e os porcos ao ingerirem fezes com oocistos.

B A
B
A

A, Oocisto de Sarcocystis hominis. B, Um esporocisto isolado deste, tal como costuma aparecer no exame de fezesdos pacientes.

9

Sarcocystis e sarcocistose (2)

Liberados no intestino, os esporozoítas invadem os tecidos indo localizarem-se nos músculos estriados. Aí se formam cistos mi- croscópicos ou cistos tubu- lares que podem atingir centímetros de comprimen- to, repletos de cistozoítas. Quando maiores, os cis- tos aparecem como estrias esbranquiçadas nos múscu- los. Ao ingerir carne crua ou mal cozida, com os parasi- tos, o homem infecta-se ou reinfecta-se.

No epitélio intestinal huma- no, formam-se diretamente os gametas, que fazem local- mente o ciclo sexuado ou esporogônico.

Ao cabo de 15 dias começa a eliminação de esporocis- tos, que prossegue por longo tempo.

o ciclo

esquizogônico, as lesões da mucosa são mínimas.

Por

não haver

E por essa razão, em geral

não

correspondente

humana.

um

quadro

à

clínico

infecção

SSaarrccooccyyssttiiss ee ssaarrccoocciissttoossee ((33))

Diagnóstico e tratamento O diagnóstico é feito pelo encontro de oocistos (D) ou esporocistos (E)
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito pelo
encontro de oocistos (D) ou
esporocistos (E) nas fezes.
Não se conhece medicação
adequada para a parasitose.
Epidemiologia
A
sarcocistose é mais
freqüente em pessoas de alto
padrão, habituadas a comer
carne mal cozida, sendo as
reinfecções sempre possíveis.

Os

esporocistos

esgotos

resistem no meio

bem nos ambiente.

Eles asseguram ampla contaminação das pastagens onde os resíduos dos esgotos são por vezes empregados como adubo. As aves podem, também, disseminar mecanicamente os esporocistos.

infecção

humana

consumir carne bem cozida.

e

A

prevenção

da

consiste

em

Por

atingir

a

musculatura

esquelética

animais,

tante no gado e constitui um

problema

veterinária.

medicina

dos

e

cardíaca

é

a

doença

a

impor-

para

CCrryyppttoossppoorriiddiiuumm ee ccrriippttoossppoorriiddiioossee

Esporozoários deste gênero (classe Eucoccidiida) são encon- trados em grande número de vertebrados, sendo atualmente 22 as espécies consideradas válidas.

No intestino delgado, apresen-

ta-se como um esquizonte esfé- rico extracelular (com 5 a 7 µm), aderido ao epitélio ou contido em um vacúolo parasitóforo.

4

esporozoítas mede 4 a 5 µm (A) e é a forma infectante eliminada

O oocisto

maduro,

com

pelos

parasitados. Cryptosporidium é um dos prin- cipais responsáveis por diarréias infantis, em crianças de 2 a 5 anos, que freqüentam creches.

pacientes ou animais

de 2 a 5 anos, que freqüentam creches. pacientes ou animais Cryptosporidium parvum no intestino do

Cryptosporidium

parvum

no intestino do camundongo:

A, oocisto maduro com 4

esporozoítas; B, fim da esqui- zogonia (apud Grassé – Traité

de Zoologie).

12

Cryptosporidium e criptosporidiose

A contaminação é de ori-

gem fecal-oral, entre pessoas,

ou a partir de animais. Mas também por água ou alimen- tos contaminados com os oocistos.

Surtos da doença, no Brasil, têm aumentado entre crian- ças que freqüentam creches.

O período de incubação é

de 4 a 14 dias, com início ex- plosivo de enterocolite aguda.

Porém, o quadro clínico de diarréia e cólicas é autolimi- tado, curando-se o paciente ao fim de 1 ou 2 semanas.

gravidade é maior

quando há imunodeficiência de qualquer natureza, particu- larmente em casos de AIDS.

Sua

Nestes

casos

o

início é

insidioso e se agrava progres-

sivamente, com diarréia aquo- sa, cólicas, dor epigástrica, náuseas e vômitos, mal-estar e perda de peso. Há intolerância à lactose, e má absorção de gorduras.

O

envolvimento

das

vias

biliares pode agravar ainda

mais

aumentar as dificuldades de tratamento.

o

quadro

crônico e

Cryptosporidium e criptosporidiose

O exame físico constata desidratação e caquexia, persistindo a sintomatologia (se o paciente não for reidra- tado) até a morte, por outras causas. Entre os indivíduos HIV- positivos com diarréia, a pre- valência desta doença está em torno de 14%, nos países desenvolvidos, e de 24% nos países subdesenvolvidos.

O diagnóstico é feito com a pesquisa de oocistos nas fezes (pelos métodos de concentração e coloração), ou sorologicamente (pelas técnicas de ELISA ou IFI).

Vários

antibióticos

têm

sido ensaiados

para

dimi-

nuir a diarréia,

mas

até

o

presente

tratamento eficaz. Há necessidade de man- ter o paciente reidratado.

não

nenhum

CCrryyppttoossppoorriiddiiuumm ee ccrriippttoossppoorriiddiioossee

A criptosporidiose é uma zoonose de animais domés- ticos e do gado, encontrada em todos os continentes. Mas a transmissão entre

as

pessoas

parece

ser

muito importante.

 
 

A

prevalência

é

mais

elevada

entre

os

homos-

sexuais aidéticos. Os indivíduos com AIDS são grandes eliminadores de oocistos.

Também os bovinos são eliminadores de oocistos em grandes quantidades.

Os oocistos mostram-se bastante resistentes, no meio exterior.

são destruídos

Eles

apenas pelo formol a 10%, pela água sanitária do comércio, e pelo aqueci- mento a 65 o C, durante 30

minutos.

Leituras complementares REY, L. – Bases da Parasitologia. 2a edição. Rio de Janeiro, Editora Guanabara,
Leituras complementares
REY, L. – Bases da Parasitologia. 2a edição. Rio de
Janeiro, Editora Guanabara, 2002 [380 páginas].
REY, L. – Parasitologia. 3a edição. Rio de Janeiro,
Editora Guanabara, 2001 [856 páginas].
WORLD
HEALTH
ORGANIZATION – Basic
Laboratory Methods in Medical Parasitology.
Geneva, WHO, 1991.

TTTTooooxxxxooooppppllllaaaassssmmmmoooosssseeee

TTooxxooppllaassmmaa ggoonnddiiii ee ttooxxooppllaassmmoossee

Toxoplasma gondii

é

um

esporozoário que infecta grande número de vertebra- dos de sangue quente, inclusive o homem.

de vertebra- dos de sangue quente, inclusive o homem. Invade as células do hos- pedeiro, onde

Invade as células do hos- pedeiro, onde se multiplica. Nos adultos causa infec- ção crônica assintomática, que pode atingir 15 a 60% ou mais da população.

Mas

também

pode

gerar

um quadro agudo febril, com linfadenopatia. Nas crianças, produz uma infecção subaguda com encefalopatia e coriorretinite que nos casos congênitos é particularmente grave. Os imunodeprimidos com sorologia positiva desenvol- vem uma encefalite.

18

OO TTooxxooppllaassmmaa ggoonnddiiii

OO TTooxxooppllaassmmaa ggoonnddiiii Ci, citóstoma; Co, conóide; Fc, fibras do conóide; G, aparelho de Golgi; M,

Ci, citóstoma; Co, conóide; Fc, fibras do conóide; G, aparelho de Golgi; M, mitocôndria; Me, mem- brana externa; Mi, membrana interna; N, núcleo; R, roptrias, Re, retículo endoplásmico.

Parasito endocelular obrigatório, o T. gondii invade de preferência as células do sistema fagocítico mono- nuclear, os leucócitos e as células parenquimatosas. Endocitado, ele permanece no vacúolo parasitóforo sem ser digerido e aí se multiplica por um processo de brotamento interno ou endogenia (A a E).

vacúolo parasitóforo sem ser digerido e aí se multiplica por um processo de brotamento interno ou

19

O Toxoplasma gondii

O Toxoplasma gondii Toxoplasma no gondii de (flecha) interior um vacúolo do macró- fago; Co, conóide.

Toxoplasma

no

gondii

de

(flecha)

interior

um vacúolo do macró- fago; Co, conóide. (Foto de Regina Milder).

O ciclo dos parasitos faz-se com uma fase sexuada na mucosa intestinal dos hos- pedeiros definitivos (gatos, p. ex.) e outra assexuada nos hospedeiros intermediários.

dos

hospedeiros definitivos. Em um organismo não-imune, dentro do

Mas

também

em

outros

tecidos

vacúolo parasitóforo, a multiplicação é rápida

e forma pseudocistos cheios de parasitos - os

taquizoítas - que acabam por romper a célula

vão invadir outras células. Após o desenvolvi- mento da imunidade, a multiplicação torna- se muito lenta e os parasitos - bradizoítas - acumulam-se em cis- tos cada vez maiores, característicos da fa- se crônica da infec- ção.

e

20
20

Cisto com bradizoítas.

Infecção por Toxoplasma gondii

T. gondii só é cultivável em meios

celulares

mantido em camundongos. Tanto os esporocistos eliminados pelos gatos como os taquizoítas e bradizoítas encontrados nos tecidos são infectantes.

e,

no

laboratório,

é

Mas o poder infectante varia

com

exigindo por vezes “repiques cegos” para adaptá-los a determinado hospedeiro.

Os ciclos de transmissão incluem: A, gatos, onde ocorre

infecção,

as

fontes

de

a
a

fase

sexuada

dos

toxo-

plasmas; B, oocistos por eles eliminados com as fezes, que

poluem o solo; C, os roedores, o gado (D) e outros animais

E,

mal

que se infectam no pasto;

come

carne

gente que

cozida de animais infectados.

As crianças (F) infectam-se brincando na areia poluída por fezes de gatos.

A transmissão congênita (G)

ocorre em animais, tal como

21

na espécie humana.

Infecção por Toxoplasma gondii

Com linhagens virulentas de

T. gondii, os parasitos invadem principalmente os macrófagos e leucócitos, sendo logo encon- tráveis em todos os tecidos do organismo. Dezenas de taquizoítas acu-

mulam-se

célula, formando um pseudo- cisto que acaba por romper-se e disseminar os toxoplasmas para invasão de novas células.

O resultado pode ser fatal em poucos dias. Com linhagens não-virulentas,

inoculadas em animais, formam-

se

primeira

passa a decrescer, desapare- cendo após duas semanas.

no

interior

de

cada

pequenos

na

cujo

número

pseudocistos

semana

Mas,

no

cérebro

e

outros

órgãos,

multiplicam cercados por uma membrana cística.

Normalmente, os cistos não se rompem, nem produzem reação em torno.

as

hospedeiros desenvolve-se certo grau de imunidade nas reinocu- lações.

Desde a primeira infecção a sorologia fica positiva.

Mas nas fases crônicas da infecção só se encontram formas encistadas, nos tecidos, e as provas sorológicas tornam- se negativas ou extremamente baixas. A proteção do hospedeiro é

assegurada

imunidade celular.

alguns

parasitos

se

Em

todas

espécies

de

sobretudo

pela

Toxoplasmose congênita

Mulheres

com infecção

crônica não contaminam seus filhos no útero, nem abortam por isso.

Mas,

se

contraírem

a

infecção durante a gestação o risco é grande, mormente se sua imunidade não for suficiente para proteger o feto. Se adquirida no primeiro semestre de gravidez, costuma haver toxoplasmose aguda ou subaguda do feto, com lesões disseminadas, principalmente no sistema nervoso e retina. No último trimestre da gesta- ção, a transmissão é, em geral, assintomática ou o quadro clínico é relativamente brando.

A

forma

aguda

grave

causa

hepatoesplenomegalia,

exantema e, por vezes, linfade- nopatia, hepatite, pneumonite, adenite e derrames cavitários. Há

então

fetal.

icterícia,

abortamento

ou

morte

As

crianças

que

sobrevivem

apresentam grande retardo no desenvolvimento físico e mental. Nas formas subagudas e crôni- cas regridem as lesões viscerais e permanecem as neurológicas e oculares. Na síndrome típica há:

Retinocoroidite (em 90%) Calcificações cerebrais (70%) Perturbações neurológicas(60%) Hidrocefalia ou microcefalia (em 50% dos casos).

23

Toxoplasmose do adulto

O período de incubação varia

talvez de cerca de uma semana a

alguns meses.

casos de

infecção adquiridos na segunda infância ou na idade adulta é assintomática. Os demais podem ser agrupados assim:

A

maioria

dos

1. Formas subclínicas, sem febre ou outras queixas. 2. Com adenopatias e sem febre.

3. Formas patias.

febris

com

adeno-

A doença pode durar de uma

semana a vários meses, de forma irregular, com mal-estar, cefaléia, mialgias, e anorexia.

Uma retinocoroidite pode ser a única manifestação da doença.

Mas há também formas graves

fatais,

em

adultos,

com

ou

exantema generalizado e lesões viscerais.

A presença de cistos ou de pseudocistos em um organismo constitui sempre um grave risco, em casos de imunodepressão de qualquer natureza.

imunodeficien-

tes, pode instalar-se subitamente

uma encefalite aguda que mata em poucos dias. Mas há casos de evolução lenta.

se

consome muita carne mal cozida, a freqüência de sorologia positiva

pode ir a 70% (na Alemanha) ou 96% (na França), onde ¼ dos aidéticos desenvolvem encefalite toxoplásmica. A sintomatologia varia muito.

Em

pacientes

Nos

países

em

que

Diagnóstico da toxoplasmose

O quadro clínico não permite ou é insuficiente para se firmar um diagnóstico. Mas a suspeita cabe nos casos congênitos e nas retinocoroidites. A parasitemia é fugaz e só se observa na fase aguda.

Os toxoplasmas podem ser encontrados no sedimento do líquor ou em cortes de tecidos corados pelo Giemsa.

O

isolamento

dos

parasitos

pode

ser

feito

por

inoculação de material suspeito em camundongos jovens, devendo-se examinar o exsudato peritoneal dos animais 8 a 10 dias depois. Se o exame for negativo, inocular o exsudato em outro camundongo jovem.

Por vezes, várias “passagens cegas” são necessárias para adaptar o toxoplasma ao novo hospedeiro. Nas formas de toxoplasmose cogênitas há parasitos na placenta.

Diagnóstico da toxoplasmose

Dadas as limitações apresentadas pela pesquisa direta de toxoplasmas, os métodos sorológicos são os mais usados para o diagnóstico, ainda que os anticorpos contra toxoplasmas sejam freqüentes na população.

a mais utilizada para

anticorpos IgM, que têm seu pico em um mês. Se

negativa exclui aguda.

o diagnóstico de toxoplasmose

A

técnica de

ELISA

é

A imunofluorescência indireta é usada para IgG e, no caso de mulheres grávidas, para IgM.

Diagnóstico da toxoplasmose

Para mulheres grávidas, recomenda-se também o teste imunoenzimático indireto, que está entre os preferidos atualmente, dada a facilidade de seu uso, a precocidade e a longa duração das respostas positivas.

Outros métodos agora menos utilizados são os de hemaglutinação indireta, de fixação do complemento e o de Sabin-Feldman.

Exames neurológicos são necessários nas encefalites toxoplásmicas, inclusive ressonância magnética e tomografia computadorizada, para localizar as lesões e orientar o tratamento.

27

Tratamento da toxoplasmose

As únicas drogas que têm se mostrado úteis no trata- mento desta parasitose são as combinações de sulfona- midas com pirimetamina.

A quimioterapia tem cará- ter sobretudo supressivo, agindo sobre os taquizoítas mas sem influir sobre os bradizoítas. São portanto indicadas para os processos e lesões em atividade. Elas são:

sulfamerazi-

na ou sulfapirazina, por via

oral, durante 2 a 4 semanas. Cuidar dos efeitos tóxicos encurtando o tratamento se necessário.

Sulfadiazina,

Pirimetamina por via oral, associada às sulfas. Controlar o tratamento com exames de sangue periódicos.

Se houver intolerância às sulfas, utilizar clindamicina ou espiromicina em seu lugar. O tratamento materno pre- coce é aconselhado para prevenir a infecção fetal. Devem ser tratadas as crianças com processos ativos e os paciente imunodeprimidos ou recebendo tratamentos imunodepressores, com sorolo- gia positiva. Os casos de AIDS exigem tratamento permanente, optan- do-se pela clindamicina, se

surgirem alterações hematoló-

gicas.

28

EEppiiddeemmiioollooggiiaa ddaa ttooxxooppllaassmmoossee

A distribuição desta parasi- tose é universal.

Os índices sorológicos positi-

vos estão em geral

50%, mas no Brasil entre 50 e 80%, desconhecendo-se a pro-

porção

reações

cruzadas com Sarcocystis etc.

entre

25

e

devida

a

Mas

os

casos

confirmados

constituem restrita minoria, pre-

valente nas zonas rurais.

As

fontes

de

infecção

incluem o gado e os animais do- mésticos, ratos e aves, além de

um

animais silvestres. Esses animais, quando caça- dos ou comidos, só contaminam uns poucos predadores.

número

desconhecido

de

Entretanto, os gatos que eli- minam em cada evacuação 2 a 20 milhões de oocistos e man- têm-se longamente infectantes, multiplicam enormemente essas fontes de infecção, inclusive no peridomicílio. Chuvas, ventos e a fauna co- prófila disseminam os oocistos que permanecem viáveis no meio durante meses. Os gatos infectam-se ao ca- çarem roedores e outros peque- nos animais ou ao se lamberem depois de contato com o solo onde enterram suas fezes.

Não

toxoplasmose

nas

ilhas

do

Pacífico

onde

não

existem gatos.

29

Controle da toxoplasmose

Controle da toxoplasmose Ainda que as crianças possam infectar-se em tanques de areia poluídos por gatos,

Ainda que as crianças possam infectar-se em tanques de areia poluídos por gatos, ou pela intimidade com esses animais, a maioria das pessoas contrae a toxoplasmose ao consumir carne crua ou mal cozida de animais parasitados, ou produtos cárneos não-cozidos. Os elementos infectantes são os bradizoítas, que suportam temperaturas de geladeira e só morrem a -15ºC por mais de 3 dias ou mais de 2 dias a -20 ºC.

30

Controle da toxoplasmose

Portanto:

1. Só comer carne ou derivados bem cozidos.

2. Higiene das mãos ao manipular esses alimentos crus.

Habituar as crianças a essa prática higiênica.

3. Tratamento

recente.

das mulheres

grávidas com infecção

4. Impedir o acesso de gatos aos tanques de areia

(cobrindo-os ou telando o local). Evitar contato com gatos vadios e desconhecidos.

5. Impedir que os gatos domésticos cacem, fornecendo-

lhes alimentos enlatados ou fervidos. Esterilizar com água

fervendo os lugares onde defecam. Combater os ratos.

6. Não podendo tratá-los, eliminar os gatos de onde

vivam

gravidez.

crianças

pequenas

ou

mulheres

no

início

da

Leituras complementares

REY,

L.

Bases da Parasitologia. 2 a edição.

Rio

de

Janeiro, Editora Guanabara, 2002 [380 páginas].

REY, L. – Parasitologia. 3 a edição. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 2001 [856 páginas].

Laboratory

Methods in Medical Parasitology. Geneva, WHO, 1991.

WORLD

HEALTH

ORGANIZATION

Basic