Вы находитесь на странице: 1из 16
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013
www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013

www.canalmoz.co.mz | ano 5 | numero 911 | Maputo, Quinta-Feira 07 de Março de 2013

Director: Fernando Veloso | Propriedade da Canal i, lda

Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar , Porta 4, Maputo | Registo: 18/GABINFO-DEC/2009

e-mail: veloso.f2@gmail.com | graficocanalmoz@gmail.com | Telefones: 823672025 - 842120415 - 828405012

| Telefones: 823672025 - 842120415 - 828405012 Por alegada caça furtiva de rinocerontes 289 moçambicanos

Por alegada caça furtiva de rinocerontes

289 moçambicanos assassinados pela polícia sul-africana desde 2008

- Revela artigo do jornal sul-africano, Sunday Tribune, citando dados das autoridades governamentais

“São homicídios contra moçambicanos que ocorrem na África do Sul, noutro país, nós não temos como saber”, Pedro Cossa, inspector da Polícia e porta-voz do Comando-Geral da PRM

Maputo (Canalmoz) - Notícia pre- ocupante publicada pelo jornal sul- -africano, Sunday Tribune, na sua última edição do dia 03 de Março corrente. Com o título “caçadores fur-

tivos atravessam fronteira para matar rinocerontes (Poachers cross border to kill rhino) a notícia dá destaque à matança destes animais por alegados caçadores furtivos moçambicanos,

mas ao longo do artigo acaba tra- zendo dados alarmantes da matan- ça de centenas de moçambicanos. O artigo cita estatísticas das au- toridades locais que revelam que

Publicidade
Publicidade
2 ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013 Publicidade de 2008

2

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

Publicidade

de 2008 a esta parte, 289 mo- çambicanos foram assassinados no país vizinho pela Polícia local. “Apesar de não ser abertamente identificado pelo Departamento (de Assuntos Ambientais), o epicentro do problema (caça furtiva) está do outro lado da fronteira, em Moçambique – especialmente nas zonas moçam- bicanas incorporadas no sistema de

parques transfronteiriços. É aqui onde as comunidades pobres transforma- ram-se em gangs fortemente armados de caçadores ilegais de rinocerontes

e elefantes, servindo sindicatos li-

gados ao submundo asiático”, lê-se no artigo assinado por Simon Bloch. Depois de revelar que os ca- çadores furtivos vêm de Mo- çambique, o artigo traz os números e alguns nomes de moçam- bicanos, também caçados e assassi-

nados pelas autoridades sul-africanas. Segundo o jornal, em 2008 foram mortos na RSA 48 caçadores furti- vos de Moçambique. Em 2009 foram mortos 62. No ano seguinte (2010) foram mortos 48. 71 foram mortos 2011 e 52 em 2012. Desde o início do ano de 2013 até 11 de Feverei- ro, mais oito caçadores furtivos de Moçambique foram mortos a tiros. Estes dados totalizam 289 mo- çambicanos mortos em cinco anos

e dois meses. O artigo não conde-

na esta matança de moçambica- nos, antes diz que o problema está do lado de Moçambique onde as autoridades policiais não coope- ram na identificação dos caçadores furtivos nem na sua penalização. Esta versão da falta de coopera- ção, entre as duas Polícias no âm- bito de combate à caça furtiva, viria a ser confirmada por Pedro Cossa, porta-voz do Comando-Geral da

Polícia moçambicana, quando con- tactado pelo Canalmoz para co- mentar a notícia do Sunday Tribune.

Nomes de alguns moçambicanos assassinados

O jornal revela nomes de al-

guns moçambicanos mortos. “Cidadão moçambicano de nome Gerson Chaúque, membro da Guarda de Fronteira do País, foi baleado em um confronto com as forças sul-africanas em 2012. Outro Guarda Fronteira que virou caçador furtivo, de nome Bento Peque- nino, foi baleado no abdômen no dia 22 de Novembro de 2011, e está ac-

tualmente em prisão na África do Sul. Mais recentemente, em 11 de Fe- vereiro, a força sul-africana anti-caça entrou em confronto com oito caça- dores moçambicanos no “Kruger”, matando sete. O único que sobrevi- veu foi identificado como um membro das Forças Armadas moçambicanas. Outro caçador moçambicano mor- to, Silva Ngovene, usou uma arma Mauser 458 que a Guarda Frontei- ra tinha apreendido a partir de um grupo de caçadores no lado mo- çambicano da fronteira, mas de- pois devolvendo-a ao Comando da Polícia do Distrito de Massingir”. Estes detalhes constam do jornal citado. No artigo acusa-se ainda as

constam do jornal citado. No artigo acusa-se ainda as Organizada pela LDH Marcha em Maputo contra

Organizada pela LDH

Marcha em Maputo contra assassinato de Mido Macia

Maputo (Canalmoz) – A Liga Mo- çambicana dos Direitos Humanos (LDH) agendou uma marcha pa- cífica para o próximo sábado, em repúdio ao assassinato do jovem

taxista moçambicano, pela Polícia

da vizinha África do Sul. A Mar-

cha iniciará às 8h30 na estátua Eduardo Mondlane. Vai seguir a mesma avenida até a outra extre- midade, onde vai desaguar no Alto Comissariado da África do Sul. São convidados para a marcha “membros e activistas dos direi- tos humanos; instituições públi- cas e privadas; organizações da sociedade civil, sindicatos, Im- prensa e o público em geral”.

“A sua aderência não só signifi- cará uma atitude de repulsa àque- le acto macabro como será uma manifestação pública de solida- riedade para com a família enluta- da”, exorta a LDH em comunica- do distribuído ontem em Maputo. Entretanto, milhares de pessoas prestaram ontem (quarta-feira) a úl- tima homenagem a Mido Macie, no Estádio Municipal de Davevton. A maioria dos que estiveram presen- tes na homenagem são emigrantes moçambicanos que se encontram naquele país. No local a população não deixou entrar nenhum mem- bro dapolícia sul-africana, que se apresentasse fardado. (Redacção)

não deixou entrar nenhum mem - bro dapolícia sul-africana, que se apresentasse fardado. (Redacção) www.canalmoz.co.mz

www.canalmoz.co.mz

3

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

forças de defesa e de segurança de Moçambique de estarem envolvidas

www.iol.co.za/news/crime-courts/

tinha conhecimento sobre o assas- sinato das centenas de moçambi- canos em território do país vizinho. “Se foram mortos na África do Sul, nós não temos conhecimento”, disse. Questionámos se não havia coo- peração entre as Polícias dos dois países, Cossa respondeu categorica- mente que não: “Não. Nessa matéria não. São homicídios que ocorrem na África do Sul contra moçambicanos e nós não temos conhecimento”, disse. Entretanto, há menos de duas sema- nas o mesmo Pedro Cossa anunciou à Imprensa que corpos de dois cidadãos moçambicanos mortos na África do Sul pela Polícia local encontrados em caça furtiva haviam sido transladados paraMoçambique.(BorgesNhamirre)

 

poachers-cross-border-to-kill-rhi-

na caça furtiva, bem como se critica

no-1.1479716#.UTdPKjdTOSo

o

Governo moçambicano pela au-

sência da lei que classifique a caça de rinocerontes e elefantes como crime. “São preocupantes os indícios de conluio do Governo moçambica- no, e das ligações entre funcionários corruptos com o crime organizado transcontinental. Uma autoridade sul-africana anti-caça de rinoceron-

Não há cooperação entre as duas Polícias

Tão parceiros e “bons amigos que são”, os Estados sul-africano e mo- çambicano não conseguem cooperar no que diz respeito ao trabalho poli- cial para o combate à caça aos rino- cerontes. Esta ausência da coopera- ção foi levantada no artigo que temos estado a citar e confirmada pelo ins- pector da Polícia e porta-voz do Co- mando-Geral da PRM, Pedro Cossa. Abordado pelo Canalmoz sobre este assunto, Cossa disse que não

te

disse que apesar da introdução de

legislação criminalizando a matança de animais selvagens protegidos, a caça furtiva em Moçambique conti- nua a ser tratada “como uma ofensa”. O artigo original em versão in- glesa pode ser lido aqui: http://

 

GCCC investiga mais um rombo no Ministério da Educação

Maputo (Canalmoz) - Mais um caso de desvio de fundos do Estado no Ministério da Educação (MINED) está a ser investigado pelo Gabine- te Central de Combate à Corrup- ção (GCCC). Trata-se do segundo caso de desvio de fundos do Estado que é dectetado em menos de um mês naquela instituição do Estado. Desta vez, o valor desviado é de cin- co milhões de meticais, enquanto no primeiro, também em fase de investi-

tudo em casos ligados à corrupção.

mento estão a ser investigados pelo GCCC, primeiro para se saber o grau de envolvimento de cada um e segun- do para se apurar o real valor desvia- do, uma vez que se acredita que se tra- tava de uma acҫão contínua tal como referiu na ocasião Bernardo Duce.

Mas Bernardo Duce negou a revelar os nomes e os cargos ocupados pe- los elementos do referido grupo. Se- gundo Duce, não é ético revelar esse tipo de dados enquanto o processo encontra-se na fase de investigação. No entanto, o porta-voz do GCCC garantiu que este caso de desvio de cinco milhões não tem nada a ver com o rombo dos 144 milhões, daí que se pode con-

O

caso de desvio de cinco milhões,

segundo Bernardo Duce, faz parte de um universo de 46 processos criminais ligados à corrupção que foram subme-

tidos durante o mês de Fevereiro pas- sado ao GCCC para sua investigação. Durante as primeiras investi- gações feitas pelo GCCC, con- firmou-se mesmo ter havido o desvio de cinco milhões de me- ticais no Ministério da Educação.

gação, era de 144 milhões de meticais. O facto foi tornado público nesta quarta-feira em Maputo pelo porta-voz do (GCCC), Bernardo Duce, durante o habitual encontro com a Imprensa visando fazer o balanço mensal sobre

situação criminal no país, sobre-

a

O

montante que se destinava ao pa-

gamento de salários aos funcionários do MINED referente ao mês de No- vembro do ano passado foi desviado através da duplicação de folhas de sa- lários por um grupo de três funcioná- rios daquela instituição que neste mo-

Publicidade

Publicidade

 

www.canalmoz.co.mz

4

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

cluir que o MINED está a saque. Ainda neste universo de 46 pro- cessos criminais ligados à corrupção submetidos ao GCCC durante o mês de Fevereiro, o destaque vai tam- bém para a detenção em flagrante de

um director de uma escola primária completa a vender material escolar de distribuição gratuita no mercado paralelo. O outro destaque vai ain- da para a detenção de um director provincial de combate à droga tam-

bém por desvio de fundos do Estado. Refira-se que ainda do univer- so 46 processos criminais, 12 já foram tramitados para os tribu- nais para mais investigações e jul- gamento. (Raimundo Moiane)

para mais investigações e jul- gamento. (Raimundo Moiane) Rússia Soldado soviético encontrado no Afeganistão 33

Rússia

Soldado soviético encontrado no Afeganistão 33 anos depois de ferido em combate

Pretória (Canalmoz) - Um sol- dado do antigo exército soviético, que havia desaparecido na guerra do Afeganistão há 33 anos, foi en- contrado na Província de Herat, região oeste do país. Bakhretdin Khakimov, foi ferido em combate em 1980, poucos meses depois da intervenção militar levada a cabo pela antiga União Sovie- tica no Afeganistão. Bakhretdin Khakimov, que entretanto adop- tou o nome afegão de Sheikh Abdullah, foi salvo por aldeões.

Há cerca de 264 soldados sovi- éticos na situação de desapareci- dos durante a guerra do Afeganis- tão. Sodados oriundos da região asiática da ex-URSS, como é o caso de Bakhretdin Khakimo que é proveniente do Uzebequistão, também se entregaram à guerri- lha afegã por afinidades religiso- sas e étnicas. Outros houve que foram capturados em combate.

e étnicas. Outros houve que foram capturados em combate. Bakhretdin Khakimov, soldado soviético dado como

Bakhretdin Khakimov, soldado soviético dado como desaparecido durante a guerra do Afeganistão, encontrado vivo

Em Dezembro de 1979, a União Soviética invadiu o Afegnistão, co- locando Babrak Karmal no poder

em Kabul. A retirada das tropas soviéticas no Afeganistão deve-se a Mikhail Gorbachev. (Redacção)

Publicidade
Publicidade

www.canalmoz.co.mz

5

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

5 ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013 Acidentes de viação matam

Acidentes de viação matam 51 em duas semanas

de Inhassoro, na altura represen- te da província de Inhambane no campeonato nacional de futebol. Dados da Polícia indicam que nas duas últimas semanas, 51 pes- soas morreram nas estradas mo- çambicanas. 64 pessoas contraí- ram ferimentos graves, sendo que a maior parte delas estarão inca- pacitadas para o resto da vida, e 37 ficaram com ferimentos ligeiros. No mesmo período, foram re- gistados 269 casos criminais dos quais 125 foram esclarecidos, ou seja, os seus autores são co- nhecidos. Também foram fiscali- zadas 38.914 viaturas, das quais 8.591 foram autuados com multas. O chefe das operações no Co- mando Geral da Polícia, António Pelembe, mostrou-se preocupado com a situação e disse esta terça- -feira que durante a semana passa- da foram registados 36 acidentes de viação que resultaram em 23 óbi-

Maputo (Canalmoz) – A campa- nha conjunta lançada há anos pelos ministérios do Interior, Transportes e Comunicações e Obras Públicas e Habitação parece ter caído em “sa- co-roto”. Os números dos acidentes de viação nas estradas nacionais e dos óbitos não mostram nenhuma redução. Só nas duas últimas sema- nas, 51 pessoas morreram nas estra- das moçambicanas em consequên- cia de acidentes de viação e outras 64 contraíram ferimentos graves. Entretanto, em 2003, ano do lan- çamento sob o lema “ Não ao san- gue nas nossas estradas”, dados estatísticos do INAV mostram que entre 2002 e 2003, morreram 127 pessoas e 207 outras ficaram feri- das em nove acidentes de viação considerados graves registados nas estradas nacionais. Refira-se que foi neste ano que um fatídico aci- dente rodoviário reduziu à metade a equipa de futebol “Wane Pone”

tos, 36 feridos graves e 22 ligeiros. Segundo Pelembe, ainda na se- mana passada foram fiscalizadas 20.948 viaturas e impostas 4.824 multas por violação a diversas re- gras de estrada. 301 viaturas foram apreendidas. 94 automobilistas fo- ram surpreendidos a conduzir sob efeito de álcool. Uma campanha de sensibilização abrangeu 3.695 auto- mobilistas, 828 ciclistas, 3.146 ven- dedores ambulantes, 4.981 motoci- clistas e 10.407 alunos e professores. Uma das medidas práticas da campanha “Não sangue nas es- tradas” era a proibição de circu- lação no período nocturno de camiões pesados, passando a circular das 06 horas às 17h30. No quadro destas medidas, os camiões deveriam igualmente res- peitar escrupulosamente os limi- tes de velocidade de 30km/h den- tro das cidades e de 50 km/h fora das localidades. (Cláudia Saúte)

e de 50 km/h fora das localidades. (Cláudia Saúte) Próximo sábado BCI bate recorde de lucros

Próximo sábado

BCI bate recorde de lucros

Maputo (Canalmoz) – O BCI anunciou ter conseguido os melho- res exercícios financeiros de sempre ao longo da sua história, no ano de 2012. “Em Assembleia Geral rea- lizada no dia 28 de Fevereiro de

2013, o BCI viu aprovadas as Con- tas do Exercício de 2012 de que ressalta um crescimento de 37% nos Resultados Líquidos que atin- giram 1.239 Milhões de Meticais”, refere o banco em comunicado.

“Este foi o melhor resultado de sempre alcançado pelo BCI, num ano caracterizado por uma con- juntura económica particularmente exigente, traduzida, ao nível inter- nacional, por um cenário de crise

Publicidade
Publicidade

www.canalmoz.co.mz

6

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

e contracção de investimentos e,

localmente, pelo aumento signifi- cativo de competitividade no sector bancário moçambicano”, explica.

Alguns números do BCI em 2012

Clientes: 563.500 (um crescimen-

to de 38% face a 2011); Agências:

128 (crescimento de 7%); ATMs: 320 (crescimento de 9%); POS’s: 3.862

(crescimento de 57%); Colaborado- res: 1.906 (crescimento de 12%); Volume de negócios atingiu a cifra de 82.342 Milhões de Meticais, um crescimento de 22% face a 2011. Quota de Mercado em Depó- sitos – 28,18%; Quota de Merca- do no Crédito – 30,22%; Quota de Mercado de Activos – 27,25% O BCI diz ainnda que os indica- dores de solidez financeira tive- ram um comportamento digno de

realce, sendo de destacar a redu- ção do rácio de transformação de 80,38% para 64,1% e a melhoria da qualidade dos activos, consubs- tanciado pela redução do rácio de crédito em incumprimento que se fixou em 0,97% (1,13% em 2011). O Rácio de Solvabilidade man- teve níveis muito superiores ao quadro regulamentar estabelecido pelo Banco de Moçambique (8%), fixando-se em 12,43%. (Redacção)

de Moçambique (8%), fixando-se em 12,43%. (Redacção) Vodacom financia construção de escola secundária na

Vodacom financia construção de escola secundária na Beira

Maputo (Canalmoz) - AVodacom, no âmbito da sua comparticipação para projectos de Responsabilida- de Social e apoio a comunidades locais onde se insere, acaba de celebrar o lançamento simbóli- co daquela que será a primeira pedra do novo projecto escolar a ser edificado na cidade da Beira.

A nova escola secundária da Bei-

ra - Escola Secundária de Muchata-

zine - será construída pela empresa de construção OGA Construções SARL e deverá estar concluída num

prazo estimado de nove meses. “A construção deste novo es- tabelecimento de ensino, que hoje a Vodacom simbolicamen-

te celebra com o lançamento da

primeira pedra, pretende-se que

seja mais um incentivo para que

a Educação continue a ser uma

aposta, e acima de tudo, uma prio- ridade de todos os Municípios e Províncias do país”, refere Rui Fonseca, Presidente do Conselho de Administração da Vodacom. “É preciso que a Educação con- tinue a ocupar um lugar de desta-

que nos projectos de todos nós.

É nela que está a base para for-

marmos jovens e cidadãos dig- nos, inteligentes e capazes de enfrentar os desafios de uma so- ciedade cada vez mais exigente.

A Vodacom orgulha-se, por isso,

de estar uma vez mais na vanguar- da de projectos de alto relevo e que procuram contribuir para o desen- volvimento de um país que, a cada dia, caminha a passos largos para se tornar uma referência mundial. Atingir esta meta depende dos

Previsão do Tempo até Domingo

Capitais Provinciais

Quinta-Feira

Sexta-Feira

Sábado

Domingo

Maputo

Xai-Xai

Inhambane

Beira

max: 31º min: 24º
max: 31º min: 24º
max: 31º min: 24º
max: 31º min: 24º
max: 32º min: 26º
max: 32º min: 26º
max: 31º min: 24º
max: 31º min: 24º

max: 35º min: 26º

max: 35º min: 26º

max: 34º min: 25º

max: 34º min: 25º

max: 32º min: 27º

max: 32º min: 27º

max: 32º min: 25º

max: 32º min: 25º

max: 29º min: 23º

max: 29º min: 23º max: 27º min: 23º

max: 27º min: 23º

max: 29º min: 23º max: 27º min: 23º

max: 30º min: 24º

max: 30º min: 24º max: 26º min: 24º

max: 26º min: 24º

max: 30º min: 24º max: 26º min: 24º

max: 32º min: 25º

max: 32º min: 25º max: 29º min: 24º

max: 29º min: 24º

max: 32º min: 25º max: 29º min: 24º

max: 32º min: 25º

max: 32º min: 25º max: 29º min: 25º

max: 29º min: 25º

max: 32º min: 25º max: 29º min: 25º

Chimoio

max: 29º min: 21º
max: 29º min: 21º

max: 29º min: 22º

Chimoio max: 29º min: 21º max: 29º min: 22º

Quelimane

max: 32º min: 24º

Quelimane max: 32º min: 24º max: 33º min: 25º

max: 33º min: 25º

Quelimane max: 32º min: 24º max: 33º min: 25º

Tete

Nampula

max: 33º min: 25º
max: 33º min: 25º
max: 30º min: 22º
max: 30º min: 22º

max: 34º min: 25º

max: 34º min: 25º

max: 30º min: 21º

max: 30º min: 21º

Pemba

max: 29º min: 25º

Pemba max: 29º min: 25º max: 29º min: 25º

max: 29º min: 25º

Pemba max: 29º min: 25º max: 29º min: 25º
max: 30º min: 21º max: 26º min: 22º

max: 30º min: 21º

max: 30º min: 21º max: 26º min: 22º

max: 26º min: 22º

max: 30º min: 21º max: 26º min: 22º

max: 33º min: 25º

max: 33º min: 25º max: 30º min: 24º

max: 30º min: 24º

max: 33º min: 25º max: 30º min: 24º

max: 34º min: 25º

max: 34º min: 25º max: 32º min: 24º

max: 32º min: 24º

max: 34º min: 25º max: 32º min: 24º

max: 31º min: 21º

max: 31º min: 21º max: 30º min: 22º

max: 30º min: 22º

max: 31º min: 21º max: 30º min: 22º

max: 30º min: 25º

max: 30º min: 25º 30º min: 25º

max: 30º min: 25º max: 30º min: 25º

Lichinga

max: 25º min: 18º
max: 25º min: 18º

max: 25º min: 18º

max: 25º min: 18º

max: 25º min: 18º

max: 25º min: 18º

max: 24º min: 17º

max: 25º min: 18º max: 24º min: 17º

www.canalmoz.co.mz

7 ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013 nossos jovens, são

7

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

nossos jovens, são eles que vão levar o bom nome de Moçambi- que além-fronteiras e, por isso,

depende agora de nós, desbravar- mos esse caminho e proporcionar- -lhes as melhores condições para

que o estudo e o desenvolvimen-

to pessoal e profissional sejam

um sucesso”, conclui. (Redacção)

Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
Canal de Opinião por Noé Nhantumbo

Canal de Opinião

por Noé Nhantumbo

Alguns “tiros saem pela culatra” e quem paga é o País

A longa “Novela” da Linha de Sena já começou e os indianos devem estar rindo…

- Procuram-se os culpados mas estes escondem-se que nem o “diabo da cruz”…

Beira (Canalmoz) - Numa autêntica conspiração visando satisfazer inte- resses de determinadas corporações internacionais bem como alguns nacionais, expulsou-se um consór- cio indiano alegadamente porque não conseguia entregar as obras de reabilitação da Linha de Sena. O Banco Mundial em cumplicida- de com diversas entidades locais e internacionais consentiu que crédi- tos moçambicanos fossem utilizados para pagar despesas a empresas que não cumpriram com seus contratos. Uma obra de grande envergadura normalmente tem uma equipa fisca- lizando o seu andamento. Quando o antigo presidente do Banco Mun- dial visitou com pompa e circuns- tância as obras, acompanhado de toda a direcção dos CFM e o consór- cio construtor, nada foi revelado em desabono da qualidade das obras. Aos moçambicanos foi sempre dito que tudo estava andando “às mil maravilhas”. Afinal a fiscalização mentiu e não fez seu trabalho. Foi paga quando deveria ser penalizada. Com a paralisação dos com- boios que transportam o “esperan- çado ”carvão de Tete para o porto da Beira, muitos buracos e rombos revelam-se à luz do dia. Já não pos- sível esconder que alguma coisa grave está acontecendo no domí- nio ferro-portuário moçambicano. Nos portos revelam-se problemas

de preçários, tarifas, segurança, es- pecialização, lentidão, que afugen- tam importadores e exportadores do hinterland. Alguns aventam abando- nar portos moçambicanos e passa- rem a utilizar Durban ou Dar es Sa- laam ou mesmo portos da Namíbia.

arranjos concluídos, em benefício de agendas em que Moçambique de-

claradamente pouco está ganhando. Ser potência energética é o que Moçambique é mas “abu- tres” e especuladores nacionais

e

internacionais estão “afian-

O

cenário, embora não seja negro,

do os dentes” para o banquete que se estrutura a “olhos vistos”. Numa acção de todo planificada e estudada ao pormenor, o governo de Moçambique, através de nomea- ções estratégicas de quadros de sua plena confiança, entendeu que tinha acertado numa fórmula que garanti-

levanta preocupações justificadas. Os gabinetes de estudo do Minis- tério de Transportes e Comunica- ções não estão conseguindo tomar conta do recado em toda a linha. Alguns analistas dizem abertamen-

te

que se trata de falta de capaci-

dade técnica de quem está a frente

deste importante pelouro. Com as- suntos que se reflectem na econo- mia geral do país não se pode dar oportunidade a gestores ingénuos

ria benefícios para os intervenientes no negócio ou negociatas do carvão.

A

tendência de aumento da posi-

ção estatal nos recursos minerais em evidência na América Latina está es-

e

tecnicamente incompetentes. A

quecida e enterrada em Moçambi- que. Aqui segue-se à risca a receita do Banco Mundial e de seu irmão gé- meo Fundo Monetário Internacional.

necessidade de estudar profun- damente dossiers e precaver com

seriedade cenários, não está sen- do tratada com a devida atenção. Onde há muita fruta suculen-

É

difícil acreditar que um gover-

no

que se queixa continuamente

ta

aparecem moscas e todo o tipo

de falta de fundos, não capitalize sua posição nos consórcios que se formam para explorar recursos naturais localizados em seu país. A Rússia tem suas reservas finan- ceiras em alto nível porque o gover- no russo negoceia diligentemente seus recursos de gás natural e petró- leo. Abriram as portas para o capi- tal internacional, empresas como a BP estão lá estabelecidas mas a fa-

de pragas para se lambuzarem. Aquilo que se previa um boom na economia nacional, a exploração e exportação de carvão, está aos pou-

cos se revelando um fiasco, devido a incapacidade de infraestruturas para

o

seu escoamento. Parece que al-

guém “correu atrás da galinha com

sal na mão”. Contratos foram com pouca transparência negociados e

www.canalmoz.co.mz

8

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

tia que cabe ao estado russo é bem significativa. Em Moçambique fala- -se de percentagens baixíssimas de comparticipação nos investimentos pelo governo em nome de exigui-

ção, muito mais cara para o país, foi cumprir com o que o BM reco- mendou na altura. Restruturou-se os CFM e racionalizou-se mão-de-obra através de créditos de natureza complexa e duvidosa, concedidos pelo mesmo banco. Hoje um nú- mero considerável de trabalhadores encontra-se na situação de reforma- dos e desvinculados tudo em nome de uma reestruturação que atirou para o desemprego milhares de mo- çambicanos sem ganhos visíveis. Os peritos governamentais mo- çambicanos terão ido pelo cami- nho mais fácil e com isso toda uma experiência acumulada foi irremediavelmente perdida. Hoje procuram-se os culpados a todo o vapor mas estes escondem-se e fogem que “nem o diabo da cruz”. Hoje os “competentes” de on- tem escondem-se e nem querem que seus nomes venham à baila, comprovada que está, toda a ma- quinação lesiva aos interesses na- cionais que esteve na base de ava- liações e celebração de acordos. Reconhecer que há falta de know- -how não é vergonhoso. Persistir e ignorar isso é que é vergonhoso e em certo sentido um atitude muito pou- co adulta, digna e lógica por parte de quem se diz governo. Os acor- dos foram uma burla que até agora sem esclarecimento público. O tem- po rapidamente se encarregou de colocar a verdade no devido lugar. Enganaram-se os gestores con- siderados nalguns círculos na- cionais como os mais com- petentes. Rescindir com os indianos quanto custou afinal? Se somos nós que pagamos a dívida é justo que sejamos informados. Vejamos o caso da HCB, um con- sórcio internacional com sede no Canadá está a frente da operação daquela importante barragem hidro- eléctrica. Isso tem um custo mas ofe- rece garantia aos investidores e ao estado moçambicano de que não se irá colocar aquele empreendimento nas mãos de técnicos inexperientes. A não ser retalhar e dividir entre si parte do património dos CFM, os

gestores moçambicanos naquela empresa pública, não se tem dedi- cado com afinco e competência às tarefas que era tradicional e comum ver sendo executadas. Estações fer- roviárias abandonadas e cheias de capim, bairros habitacionais da em- presa degradados, complexos gim- nodesportivos em ruína, locomoti- vas, vagões e carruagens em estado obsoleto, centros de manutenção e oficinas em estado deplorável são um cenário comum, triste e desola- dor. Nunca um sector que já foi o orgulho de toda uma classe de tra- balhadores moçambicanos, se en- controu numa situação como esta. Convenhamos porque não está longe da verdade que as sucessi- vas elites dirigentes dos CFM, se tem comportado como parasitas, sanguessugas colocando suas mor- domias e conforto acima de tudo e todos. Estabeleceu-se um ambiente de “ladroagem” e saque dos recur- sos dos CFM de tal modo profundo e grave que os dirigentes lançaram mão a todo o tipo de esquemas para defraudar o património dos CFM. Uma atitude passiva, de especta- dora por parte do órgão de tutela, Ministério de Transportes e Comu- nicações, concorreu para cimentar uma forma de estar lesiva para os interesses públicos. Uma empresa pública nacional pertence aos con- tribuintes e não é propriedade pri- vada de seus gestores como parece ser denominador comum nos CFM. Quem chega a liderança da empresa pode por e dispor de recursos que são públicos sem que haja consequências. O descalabro que paralisou a Linha de Sena é um dos pro- dutos da grave falta de fisca- lização de obras encomenda- das e pagas pelo erário público. Ou reverte-se o quadro e tipo de gestão vigente nos CFM ou os pre- juízos continuarão a ser acumu- lados para a economia nacional. Onde se esperava que recursos adicionais fossem postos a disposi- ção do governo por via de receitas arrecadadas pela utilização da Li-

dade de recursos financeiros. Para que serve afinal o chamado endi- vidamento estratégico? Se Ango-

la

constrói cidades servindo-se do

petróleo como garantia, Moçam- bique não poderia, por exemplo, oferecer o gás do Pande e Tema-

ne como garantia para créditos no mercado financeiro internacional? Montar uma fábrica de antirre- trovirais em Moçambique não teria que depender da boa vontade do congresso e governo brasileiros. Nem seria necessário ceder tanto

às

exigências do Vale do Rio Doce

no negócio da linha férrea de Sena.

Se os indianos falharam na con- cepção de seu trabalho de reabi-

litação da Linha de Sena, os CFM entanto que parceiros no empre- endimento, tem a sua quota par-

te

e nisso é preciso incluir o seu

Conselho de Administração, des- de os tempos do Sr. Rui Fonseca. Quando as coisas começam

a

correr mal é comum verificar-

-se que todos procuram proteger- -se de possíveis consequências

isso assiste-se agora nos CFM. Quando foi tomada a decisão de atribuir a um consórcio indiano a reabilitação da Linha de Sena, os CFM com recursos próprios já se encontravam a trabalhar com esse mesmo objectivo. Havia e ainda se pode dizer que existe capacidade nacional para executar trabalho de reabilitação de linhas férreas. Ha- vendo necessidade poderiam ser contratados especialistas e consul- tores no mercado internacional. Na vizinha África do Sul existem em- presas de consultoria que podem responder com sucesso às solicita- ções de assistência técnica que se considerem necessária. Afinal, os projectos de infraestruturas no qua- dro da SADC justificam-se e toda a cooperação regional deve ser in- centivada mas isso não aconteceu com o dossier Linha de Sena. A op-

e

 

www.canalmoz.co.mz

9

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

nha de Sena pela VALE, Rio Tinto e outras empresas mineiras, expor- tando carvão pelo Porto da Beira, verifica-se que os prejuízos cres- cem com as intervenções que terão que ser feitas para repor a circula- ção dos comboios naquela linha. Onde se trabalha cometem- -se erros que importa não ignorar. Este momento deve servir para que os ministros dos pelouros res- ponsáveis, a administração dos CFM reflitam com objectividade so-

bre que caminhos trilhar para sair-se desta vergonhosa e lesiva situação. Há toda uma cultura de rapinagem e gatunice que deve ser abandona-

da e penalizada por quem de direi-

to. Não se pode permitir que uma empresa pública seja arruinada em

benefício de seus gestores de topo. Exigem-se comissões de inqué- rito sérias e sindicâncias ao de- sempenho de quem foi encarre- gue de gerir recursos públicos e não está o fazendo a contento. Há complicações e complexidade no tipo de tratamento a dar a diver- sos assuntos nos CFM. Muitos factos escamoteados e dossiers destruídos devem merecer a atenção do gover- no se houver a vontade de reverter a situação e rentabilizar a exploração ferro-portuária em Moçambique e isso acontecerá num quadro mais geral de engajamento construtivo que o governo deve desencadear. A tarefa é gigantesca e vai requer que haja disposição e vigor em romper todo um esquema de rela-

ções de proteccionismo que foram sendo estabelecidas ao longo dos tempos. Sem que o reino da impu- nidade seja “degolado” nos CFM continuaremos a ter mediocridade, corrupção e nepotismo governando. O Parlamento moçambicano não pode ficar a leste do que está acon- tecendo e ao abrigo de suas prerro- gativas, deveria nomear uma comis- são de inquérito especializada para averiguar todo o dossier CFM… Será que o executivo moçambi- cano permitirá que isso aconteça? Compete aos moçambicanos exi- girem através dos instrumentos legais que seus interesses sejam acautela- dos e que “novelas indigestas” como a da Linha de Sena sejam retiradas do cardápio… (Noé Nhantumbo)

de Sena sejam retiradas do cardápio… (Noé Nhantumbo) Bastonário da Ordem dos Advogados em grande entrevista

Bastonário da Ordem dos Advogados em grande entrevista

Gilberto Correia deplora estado actual do sistema judicial no país

Nesta entrevista exclusiva com o Canalmoz/Canal de Moçambique, o bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Dr. Gilberto Correia, deplora a situação da justiça em Moçambique, nomeadamente pelo envolvimento de muitos agentes do judiciário na corrupção, no tráfico de influências, em situações de conflito de interesse e de enriquecimento ilícito que facilitam a vida dos criminosos mais poderosos.

A credibilização da justiça não é uma corrida de velocidade, é uma corrida de fundo. Serão precisas mais reformas, mudanças de atitude, mais coragem, uma operação de “mãos limpas” para a expurgação de elementos perniciosos ao sistema, bem como de uma vontade política mais forte e coesa, para que o sistema de administração da justiça em Moçambique seja credível aos olhos do cidadão, seu principal destinatário.

Maputo (Canalmoz) - O basto-

nário da Ordem dos Advogados

de Moçambique (OAM) em Março

vai deixar o cargo. Há eleições na Ordem e ele não se irá candidatar, por opção própria. Por esta razão

o Canalmoz/Canal de Moçambi-

que julgou relevante entrevistar Gilberto Correia, na Beira, para o balanço do seu desempenho du-

rante quatro anos de mandato. Nesta entrevista o ainda bastoná- rio deplora a situação da justiça em Moçambique, nomeadamente pelo envolvimento de muitos agentes do judiciário na corrupção, no tráfi- co de influências, em situações de conflito de interesse e de enrique- cimento ilícito que facilitam a vida dos criminosos mais poderosos.

No seu estilo frontal, Gilber- to Correia não deixou de “colo- car o dedo na ferida”, voltou a referir que a justiça em Moçam- bique é normalmente forte com os fracos, e fraca com os fortes. Questionámo-lo sobre as impli- cações para o nosso país pelo fac- to do Estado de Moçambique ainda não ter ratificado o Tratado de Roma

www.canalmoz.co.mz

10

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

ca editorial transcrevemos a se- guir, na íntegra, a entrevista exclu - siva que o

ca editorial transcrevemos a se- guir, na íntegra, a entrevista exclu- siva que o bastonário da Ordem dos Advogados concedeu ao Ca- nalmoz/Canal de Moçambique.

Canal: Muitos conhecem-no ape- nas por bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique. Pode dizer-nos realmente quem é Gilber- to Correia?

 

Em 1990 tive de ir viver para Ma-

puto para frequentar o curso de Di- reito naquela que era a única uni- versidade do país: a Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Assim que terminei o curso de Direito, em 1995, regressei à Beira onde trabalhei simultaneamente como assessor jurídico do governador da província de Sofala e advogado em tempo parcial. Em 2004, deixei em definitivo o Gabinete do Governa- dor de Sofala e passei a dedicar- -me exclusivamente à advocacia e

Gilberto Correia: Chamo-me Gil-

berto Caldeira Correia, a maior par-

das pessoas que me conhecem

de infância chama-me por Betinho (diminutivo porque respondo desde pequeno). Nasci em 21 de Agosto de 1972 na cidade da Beira (faço

te

docência universitária. Em 2008, respondendo a um clamoroso ape- lo por mudanças nos rumos que a OAM tomava e que não agradava

à

 

à

maior parte dos membros, com

que cria o Tribunal Penal Interna- cional (TPI), tendo ele opinado que falta compreensão sobre o alcance do regime jurídico do tratado. Ale- gou, entretanto, que o facto não impede que os cidadãos do nosso país sejam submetidos à jurisdi- ção do TPI, incluindo os mais al- tos dignitários. Tal como foi o caso de Muammar Khadafi, da Líbia Na entrevista que nos concedeu, o Dr. Gilberto Correia também falou da “esperança” que tem sido vin- cada no discurso de alguns agentes do judiciário e que dá indícios de vontade de mudança, mas concluiu que “infelizmente” a prática apon- ta, ou seja, demonstra o contrário. Neste ponto, sustenta que há inte- resses profundamente instalados na máquina da administração da justi- ça que querem e batem-se para que a justiça funcione deficientemente. No que diz respeito ao lega- do da sua direcção na Ordem dos Advogados de Moçambique, ele refere: “Deixamos à sociedade ci- vil o suscitar de debate sobre te- mas relevantes”, tendo em conta conferências e seminários abran- gentes levados a efeito pela OAM. Sobre o ensino de Direito, Cor- reia diz que, em regra, está mui- to mal, e a repercussão será a degradação da qualidade dos for- mados, futuros profissionais do foro. Como vem sendo nossa práti-

41 anos este ano). Cresci e passei

primazia para a jovem advocacia, concorri à presidência da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) e fui eleito bastonário com 69,1 % dos votos expressos. Em termos resumidos, muito resumi- dos, é esta a minha trajectória.

Canal: Em Março de 2008, Gilber- to Correia foi eleito bastonário da Ordem dos Advogados de Moçam- bique (OAM), naquilo que foram as eleições mais renhidas e concorridas de todos os tempos naquela agre- miação. Como é que se sente neste momento de saída, já que a perspec- tiva e a meta eram arrumar a casa?

a

maior parte da minha infância

no Bairro das Palmeiras, na cidade da Beira. Como qualquer criança daquela altura, sofri o efeito das dificuldades e da escassez de bens essenciais derivado da guerra. Por exemplo, estudei sentado no chão desde a primeira à quarta classe na Escola Primária das Palmeiras. Brin- quei como a maior parte das crian- ças brincavam naquela altura; com bolas de trapos e de sacos plásticos atados por cordas de sisal, com car- rinhos de arame com rodas de lata, com fisgas e “abelhas quentes”, etc. Nós é que fazíamos os nossos brinquedos. Na altura, refiro-me à década de 80, estes eram os nossos “Ipads”, “playstations”, “smartpho- nes” e “PC’s”. Pode-se dizer que naquela altura era muita mecânica e nenhuma electrónica e tecnolo- gias de informação. Tínhamos muita criatividade para inventar brinque- dos e brincadeiras. Por influência de alguns amigos do bairro e colegas

da escola secundária iniciei a práti-

Gilberto Correia: Discordo que as eleições de 2008 da OAM tenham sido as mais renhidas de sempre. Uma eleição em que o candidato vencedor reúne 69.1% dos votos e o vencido 31.9% não pode ser consi- derada com propriedade como uma eleição renhida. Foi, sim, e apenas isso, a eleição com a maior partici- pação de advogados da ainda curta história na Ordem. Neste momento, volvidos 5 anos e já no fim de man- dato apossa-se de mim um senti- mento de realização por ter feito um trabalho que considero globalmente positivo em prol da minha Ordem, da minha classe e do meu país. Acima de tudo, o nosso traba- lho foi feito com honestidade,

ca

do basquetebol, modalidade que

pratiquei durante muitos anos (nos clubes Palmeiras da Beira, Ferroviá- rio da Beira, Costa do Sol e Despor- tivo da Beira). Pratiquei também ou- tras modalidade, embora por menos tempo e com menos dedicação do que para o basquetebol, como vela, futebol, vólei, andebol e natação.

 

www.canalmoz.co.mz

11

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

integridade, coerência, compro- metimento, disciplina e espírito de missão. Tive a sorte de ter uma equipa de trabalho excepcional que me ajudou bastante no desem- penho das funções para as quais fui eleito. Aliás, a equipa de direc- ção foi determinante para o efeito.

Canal: A sua eleição para o cargo foi visto como uma viragem? Depois destes anos, acredita que valeu a pena ter concorrido naquela eleição histórica, em que suplantou o seu o tio, José Caldeira (irmão da mãe)?

antecessores, de tal forma que jus- tifica o termo “viragem” que usou na pergunta e fundamenta o senti- mento de gratidão que me atravessa por ter tido oportunidade de fazer parte desta equipa jovem, dinâmi- ca, irreverente, ambiciosa e profis- sional que esteve à frente da OAM nos últimos 5 anos. Sinto-me pro- fundamente gratificado por ter feito parte deste momento de “viragem”.

Canal: Terá contado com a cola- boração ou experiência do seu tio, Dr. Caldeira?

ções. Em qualquer estado de direito democrático, a Ordem dos Advoga- dos é um contra-poder (e não anti-

-poder) e contribui para o check and balances que uma sociedade demo- crática precisa de ter para que não haja excessos e para a fiscalização de alguns actos do poder ligados ao sector da administração da justiça. Não fazia sentido para nós que tam- bém a Ordem dos Advogados cons- tituísse mais um órgão do poder do Estado. Dos órgãos da Administra- ção da Justiça, a Ordem dos Advoga- dos de Moçambique é a única que não provém do Estado. Os tribunais são criados pelo Estado, as procura- dorias derivam do Poder do Estado,

PIC, as cadeias, todos esses mais o IPAJ pertencem ao Estado. A Ordem

a

 

Gilberto Correia: Valeu a pena

Gilberto Correia: Sem dúvidas que o Dr. Caldeira nos ajudou bas- tante. Nós não excluímos ninguém, antes pelo contrário. Sempre defen- demos que a Ordem não é da direc- ção, ela pertence à comunidade de advogados, incluindo aqueles que não votaram ou votaram contra os órgãos sociais eleitos. Logo após a nossa eleição, pedimos ajuda ao Dr. Caldeira para vários assuntos e este nosso colega sempre nos prestou, de forma generosa e incondicional, o seu apoio. A ajuda do Dr. Caldei- ra nas várias tarefas da Ordem tem sido permanente. Só para dar um exemplo, sempre que há um Exame Nacional de Acesso o Dr. Caldeira tem-se disponibilizado para fazer parte do Júri que realiza as provas orais aos candidatos a advogados. Aliás, quem conhece a sua persona- lidade e grandeza de carácter certa- mente não se surpreenderá com essa disponibilidade e generosidade.

Canal: A edificação de um estado de direito e de uma Ordem, inde- pendente do poder político, cons- tituíram o seu “Cavalo de Tróia”. Como o poder político terá reagido às suas críticas, que foram várias?

ter concorrido para bastonário da OAM. Não porque concorri contra

meu tio, pois a relação de paren- tesco era apenas um pormenor ir-

o

é

uma organização profissional de

relevante, uma mera coincidência. Valeu a pena porque juntamente com os meus colegas, conseguimos promover a mudança e o ímpeto evolutivo a que nos propúnhamos, por julgarmos que era o melhor para a advocacia moçambicana congregada na sua Ordem. Mes- mo com o risco de ser considerado vaidoso – mas excesso de modés- tia também seria vaidade – tenho

advogados que pertence à socieda- de civil, mas que exerce funções de

interesse público. É uma parceira in- contornável dos demais órgãos, mas na dialéctica (tese-antítese-síntese) da actuação de todo o judiciário, nós seriamos a antítese. Daí que o nosso alinhamento como antítese

é

muito mais útil ao próprio poder,

à

democracia, ao estado de direito

e

ao país do que o inverso. Exacta-

a certeza que actualmente a OAM

mente porque nenhum órgão dos pilares da administração da justiça ocupava esse espaço (a própria Or- dem também não o ocupava antes). A comparação da nossa luta pela afirmação de uma instituição in- dependente e defensora do debate de ideias com a história do “Ca- valo de Tróia” não é feliz. Pois, a afirmação da nossa independência

institucional não foi feita à socapa ou às escondidas. Já no nosso pro- grama eleitoral dissemos ao que vínhamos e essa mudança de posi- cionamento foi avisada, sufragada, apoiada pelos membros da Ordem

é uma instituição mais conhecida,

mais respeitada, mais credível, mais interventiva, mais independente e muito mais activa fora da capital do país. É também uma institui- ção financeiramente saneada, sem dívidas, com uma capacidade de prestação de contas acima da mé- dia e totalmente diferente do que era em 2008, quando lá entrámos. Há uns dias atrás, um cidadão comum interpelou-me e perguntou- -me se a OAM foi criada em 2008.

Eu tive que explicar-lhe que a insti-

tuição foi criada em 1994 e entrou em funcionamento em 1996. Dizia- -me que nunca tinha ouvido falar da ordem antes de 2008. Portanto,

nossa abordagem e tratamento de

a

 

e

finalmente implementada. A reac-

Gilberto Correia: Sim, quisemos mudar a OAM no sentido de torná-la mais independente do poder políti- co e dos demais poderes, porque é isso que consta dos nossos estatutos e só assim poderíamos cumprir cor- rectamente com as nossas atribui-

ção dos órgãos do poder foi normal e sem qualquer conflito evidente. Orgulho-me de poder dizer alto e bom som que durante 5 anos nunca recebi directamente qualquer pres- são dos órgãos do poder para não dizer algo ou para agir de modo di-

assuntos do interesse da administra- ção da justiça, do estado de direito democrático e dos direitos humanos foi totalmente distinta dos nossos

 

www.canalmoz.co.mz

12

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

verso daquele que a nossa consciên- cia ditava. Sempre fomos respeita- dos como parceiros, sempre fomos ouvidos, independentemente de

existir concordância ou discordân- cia em relação às posições por nós assumidas. Tivemos sempre uma to- lerância democrática exemplar por

parte do poder. Certamente, fruto de uma compreensão do papel da Or- dem dos Advogados na afirmação do estado de direito democrático.

Justiça precisa de operação de “mãos limpas”

“Credibilização da justiça não é uma corrida de velocidade, é uma corrida de fundo”

Canal: Uma das suas divisas era credibilizar a justiça moçambica- na. Olhando como quem está na sombra, terá conseguido resulta- dos no que tange ao lema “Todos

os cidadãos possam obter maior qualidade das decisões produzidas pela máquina de administração da justiça. Pode apontar alguns resul- tados palpáveis desse empenho?

por outro lado, teme-se que este processo concentre-se mais so-

e

bre questões de natureza política do que sobre aspectos atinentes à boa administração da justiça.

   

É

preciso perceber que há in-

juntos por uma Justiça de Qualida- de, mais célere e mais Credível”?

Gilberto Correia: Não consegui- mos resultados palpáveis na credi- bilização do aparelho da adminis- tração da justiça. A credibilização da justiça não é uma corrida de ve- locidade, é uma corrida de fundo. Serão precisas mais reformas, mu- danças de atitude, mais coragem, uma operação de “mãos limpas” para a expurgação de elementos perniciosos ao sistema, bem como de uma vontade política mais forte e coesa, para que o sistema de ad- ministração da justiça em Moçam- bique seja credível aos olhos do cidadão, seu principal destinatário. Há ainda muito por fazer nesse domínio, até porque os resultados conseguidos na credibilização da máquina de administração da jus- tiça são, em meu entender, fracos e decepcionantes. A credibilidade do nosso sistema de administra- ção da justiça degrada-se dia após dia na percepção dos cidadãos deste país. Existem no discurso de alguns agentes do judiciário in- dícios de vontade de mudança, mas infelizmente a prática apon- ta, ou seja, demonstra o contrário.

Gilberto Correia: A celeridade e a qualidade da justiça foram os temas centrais do 1°Congresso para a Jus- tiça organizado pela OAM nos dia 13 e 14 de Setembro de 2012 em Maputo. Foram uma preocupação de fundo porque temos a percep- ção que temos uma justiça lenta e de pouca qualidade, cujos resulta- dos ficam muito aquém das expec-

teresses profundamente instala- dos na máquina da administração da justiça que querem e batem- -se para que a justiça funcione deficientemente. Pois tiram pro- veitos pessoais e ilícitos do mau funcionamento. A resistência à mudança e a luta contra as trans- formações será sempre enorme por

parte dos titulares destes interesses.

tativas e necessidades dos cidadãos. As reformas que foram produzidas nessa matéria ainda não trouxe- ram resultados palpáveis e seguros. Talvez porque a reforma da justiça continua a ser feita pontualmente, colocando alguns “remendos” aqui

A

mãe de todas as reformas no

sector da justiça – aquela que po- derá trazer os resultados que de- sejamos e que farão da justiça uma alavanca do desenvolvimen- to de Moçambique – será sem- pre feita com dor, suor e lágrimas.

e

acolá, sem uma visão holística do

sistema. O aparelho de administra-

Canal: O debate público em torno do sector da justiça foi igualmente outro mote durante o seu desem- penho. Terá com isso tirado a OAM da letargia que se lhe imputava? De uma forma geral, que resultados terá proporcionado à sociedade?

ção da justiça carece de uma inter- venção mais profunda, estruturada

global para que tenha a virtuali- dade de produzir resultados enco-

e

rajadores. A criação dos Tribunais Superiores de Recurso, a formação de mais magistrados e advogados,

o

alargamento das competências

Gilberto Correia: É verdade que a OAM, no cumprimento de uma das

dos tribunais distritais, a reforma do

Código do Processo Civil de 2005

suas principais atribuições, foi a ig- nição para vários debates sobre jus- tiça, estado de direito democrático, cidadania e direitos humanos. Du- rante os últimos 5 anos, várias inter- venções foram feitas no sentido de trazer temas de interesse geral, al- guns dos quais considerados politi- camente ousados como a ratificação do Tratado de Roma sobre o TPI ou

questão de eleições livres e transi- ção pacífica do poder no contexto

a

e

2009 são algumas reformas pon-

tuais que ainda estão longe de pro- duzir os resultados esperados, mas que trouxeram alguma esperança

Canal: Em alguma das suas in- tervenções enumerou a celerida- de processual e a qualidade das decisões judiciais, como grandes requisitos para que o país tenha uma justiça mais pronta, bem as- sim pressupostos básicos para que

de

mais celeridade e mais qualida-

de da justiça. Deposita-se alguma esperança no processo em curso de revisão da Constituição, esperando- -se que este sirva de factor impul- sionador de um novo ímpeto refor- mista no sector da justiça. Porém,

 

www.canalmoz.co.mz

13

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

da SADC que foi o lema da reunião anual da Associação dos Advogados de África Austral (SADC Lawyers As- sociation) ocorrida em Maputo em Agosto de 2011. Neste domínio, o legado que esta direcção da Ordem deixa à sociedade civil foi susci-

tar debate sobre temas relevantes,

fim, procuramos fazer da OAM uma instituição independente, cumpri-

dora das suas principais atribuições

compilar contribuições para a intro- dução de melhorias onde julgámos que podia ser feito melhor e chamar

responsabilidades sociais e dina- mizadora de discussões e debates

e

a

atenção das nossas autoridades

para os assuntos ligados ao sector que precisavam de intervenção. En-

de

ideias sobre temas relevantes no

contexto dessas mesmas atribuições.

Faculdades de Direito de qualidade mais do que duvidosa

Temos visto licenciados em Direito que não conseguem fazer um simples requerimento com 4 linhas sem cometerem vários erros ortográficos.

Canal: Que resultados têm cons- tatado da grande demanda que se regista na formação dos agentes do judiciário, da Polícia de Inves- tigação Criminal (PIC), do Minis- tério Público, juízes e advogados?

Há excepções de qualidade, mas

atitude, convicções e até mesmo ética e deontologia profissional?

a

regra é a falta de qualidade da

formação académica. Em muitas instituições do ensino superior o curso de Direito é mais um negó- cio do que um meio para formar profissionais com capacidades téc- nicas e morais para atenderem con- venientemente aos desafios que

presente e o futuro nos trazem. Défices de rigor na autorização dos cursos de Direito, lacunas na fiscalização das actividades e pro- blemas de regulação do ensino su- perior por parte do Ministério da Educação têm ajudado a agravar a situação. Temos visto licenciados em Direito que não conseguem fa- zer um simples requerimento com 4 linhas sem cometerem vários erros

o

ortográficos. Se as coisas persistirem como estão, iremos pagar essa factu-

Gilberto Correia: Gerir um or-

ganismo que congrega exclusiva- mente advogados é um desafio.

 

O

advogado é por natureza um

Gilberto Correia: A formação de mais operadores do judiciário traz sempre resultados positivos no acesso à justiça. Porém, nos antípo- das desse crescimento quantitativo surgem outros factores de erosão da credibilidade e qualidade da justiça administrada em maior quantida- de. Designadamente, a proliferação de faculdades de Direito de quali- dade mais do que duvidosa que conduz à degradação da qualidade dos formados, futuros profissionais do foro; a formação profissional no Centro de Formação Jurídica e Judiciária e o estágio profissional na Ordem que ainda ficam aquém do desejado e o aumento eviden- te da corrupção no judiciário, são factores que provocam a reversão de todo esse esforço quantitativo. Em síntese: aumentam factores re- lativos à quantidade do acesso à justiça, mas degradam-se aspectos relativos à qualidade e credibili- dade da administração da justiça.

profissional exigente, contestatá-

rio, tendencialmente independen- te e que não se importa de defen- der isoladamente a sua posição ainda que seja contra a maioria. Por isso, os advogados não acei- tam muito bem imposições basea-

das em relações de poder – e ain-

da

bem que é assim. Os advogados

para colaborarem precisam de ser convencidos e muito bem conven- cidos. Mas, como sou uma pessoa

que gosta de desafios, apostei na li- derança participativa e democrática como meio de conseguir levar os objectivos a que nos propúnhamos

ra muito alta durante muito tempo.

A aventura de Bolonha que adoptá-

a

bom termo. Felizmente, quase to-

mos, que se caracteriza por dar uma licenciatura em Direito em 3 anos, vem agravar ainda mais o cenário negro atrás descrito. Um aplauso para a Universidade Eduardo Mon- dlane, na pessoa do seu novo Rei-

tor, que decidiu regressar ao ciclo de 4 anos de formação em Direito, numa clara demarcação em relação

das

as decisões que esta direcção da

Ordem tomou teve uma forte base de apoio dos seus membros. Exac- tamente porque eram, aos olhos da

maioria, decisões participadas, rele- vantes, coerentes e transparentes. A liderança é uma característica fun- damental para quem queira ocupar

o

cargo de bastonário da OAM. Um

 

à

herança do sistema de Bolonha.

presidente da Ordem que não exer-

Canal: A qualidade de ensino moçambicano está dentro das suas expectativas no que tange a uma justiça célere e de qualidade?

 

ça

uma boa liderança, que aja ape-

Canal: À sua chegada na OAM o organismo tinha quatrocentos advogados e agora pouco mais do dobro. Como geriu um orga- nismo onde pontificam pessoas diferentes, do ponto de vista de

nas como um bom gestor ou geren-

te,

não terá grandes possibilidades

de

fazer um bom mandato. Dirigir

 

uma classe tão distinta e tão peculiar

Gilberto Correia: O ensino de Direito está, em regra, muito mal.

como a dos advogados é uma expe- riência única e irrepetível na vida

 

www.canalmoz.co.mz

14 ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013 de qualquer pessoa.
14
ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013
de qualquer pessoa. Estou orgulho-
so por ter vivido essa experiência.
Canal: O bastonário denunciou
a
corrupção nos tribunais, sus-
pendeu um ou outro advogado
cotado (por exemplo Zelma Vas-
concelos e Abdul Gani). Estes dois
casos estiveram no furacão da Im-
prensa, alguma favorável à deci-
são, outra bastante crítica à sua
posição. Como é que viveu esses
momentos? E que ilações tirou?
Gilberto Correia: É preciso clari-
ficar que o bastonário não decide
processos disciplinares. A discipli-
na dos advogados está entregue ao
Conselho Jurisdicional da OAM,
órgão em relação ao qual o basto-
nário, que é por inerência presiden-
te
do Conselho Nacional, não tem
qualquer influência. A Dra. Zelma
Vasconcelos teve duas suspensões;
uma de carácter disciplinar, apli-
cada pelo Conselho Jurisdicional
que impugnou junto do Tribunal
Administrativo, outra de carácter
administrativo, decidida pelo bas-
tonário, relacionada com a falta
de pagamento de quotas e respec-
tivas multas. No caso do Dr. Abdul
Gani desconheço qualquer pena de
suspensão que lhe tenha sido apli-
cada. Julgo mesmo que isso não
aconteceu. Mas, se eventualmen-
te tivesse acontecido, não seria o
bastonário a decidir, precisamente
porque este órgão não possui po-
deres disciplinares para o efeito.
“Caso MBS”
Publicidade
Poderíamos mesmo questionar se houve investigação, visto que nada de concreto se soube
a respeito. Houve total silêncio e secretismo sobre este assunto, até que de repente, e depois
de algum clamor social, soubemos que não havia indícios de tráfico de drogas…
Canal: Criticou o total silêncio das
autoridades sobre a investigação do
“Caso Bachir” – acusado pela admi-
nistração americana de ser “barão
e
secretismo sobre este assunto,
de
droga”. Terão os criminosos cap-
turado o poder político e entidades
que administram a justiça no país?
Gilberto Correia: Critiquei a fal-
ta de transparência e o silêncio da
parte da Procuradoria-Geral da Re-
pública durante a investigação das
graves acusações que impendiam
sobre este cidadão. A sociedade
não soube quem era o Procura-
dor responsável pela investigação,
nem quem eram os investigadores
e
por isso não foi possível escruti-
nar se a investigação estava mesmo
a
ser bem feita. Poderíamos mesmo
questionar se houve investigação,
visto que nada de concreto se sou-
be a respeito. Houve total silêncio
até que de repente, e depois de al-
gum clamor social, soubemos que
não havia indícios de tráfico de
drogas, mas tão-somente irregula-
ridades fiscais. Foi muito estranha
a falta de transparência, de infor-
mação e o secretismo que envolveu
tão melindroso quanto importante
assunto. Mais uma vez, a imagem
da nossa investigação criminal fi-
cou manchada. Não porque fosse
obrigatório corroborar a percepção
do Departamento do Estado norte-
-americano, mas porque era mo-
ralmente obrigatório conferir maior
transparência e informação ao tra-
tamento deste assunto delicado.
Justiça não basta que seja feita, tem
que parecer que foi feita. Creio que
em termos de fé pura no sistema de
investigação criminal, parece ser
inquestionável que o sistema norte-
-americano é muito mais credível e
com provas dadas do que o nosso
sistema de investigação criminal. A
gestão deste assunto de forma mais
transparente poderia ajudar a credi-
bilizar os resultados da investigação
que foram publicados e a afastar
qualquer suspeita de favorecimento
que eventualmente pudesse existir.
Não posso dizer que a nossa má-
quina da administração da justiça
tenha sido capturada pelos crimino-
sos. Seria exagerado e injusto dizer
isso. Mas já não tenho qualquer pu-
dor em dizer que há muitos agentes
do judiciário envolvidos na corrup-
ção, no tráfico de influências, em
situações de conflito de interesse
e de enriquecimento ilícito que fa-
cilitam a vida dos criminosos mais
poderosos. Estes não temem prestar
contas à justiça em Moçambique
pois sabem que só com muito azar
Anuncie no
Contacte-nos:
canal.i.canalmoz@gmail.com ou
Telefone: (+258) 823672025| (+258) 842120415| (+258) 828405012
www.canalmoz.co.mz

15

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

serão condenados. Em regra, só os mais fracos e pobres que têm medo da justiça, porque normalmente em Moçambique a justiça é forte com os fracos e fraca com os fortes.

que têm medo da justiça, porque normalmente em Moçambique a justiça é forte com os fracos

Canal: Na sua opinião, há que transformar mérito formal em ma- terial no que tange à Lei da Probi- dade Pública. Há relutância de vá- rias pessoas visadas em renunciar cargos à luz do espírito desta lei. Há força da parte dos agentes do Estado competentes para agirem na perspectiva do seu cumprimento?

Gilberto Correia: No que tange à aplicação da Lei da Probidade Pú- blica há que separar dois planos: o

plano ético do plano jurídico-legal. No plano ético, não há dúvidas que comportamentos que antes eram permitidos são agora proibidos pela lei por serem considerados “ímpro- bos” ou anti-éticos. Neste contexto, qualquer político que tenha eleva- das preocupações éticas não se es- cudaria na discussão sobre se a lei tem ou não aplicação retroactiva. Seria exigível que colocasse a ética acima dos aspectos jurídico-legais e agiria para se colocar fora do alcan- ce material da situação agora des- crita na lei como anti-ética. Já no plano jurídico, há divergências de interpretação do sentido da lei no que toca à aplicação retroactiva ou não de determinados preceitos. A lei tem mecanismos para resolver rapi- damente esse imbróglio. Nos ter- mos da lei da probidade, compete à Comissão Central de Ética Pública estabelecer o sentido interpretativo que deve ser seguido na aplicação da lei, assim como esclarecer as dúvidas que possam existir. O pro- blema surge quando se cria uma lei, mas não se erige o órgão de fiscali- zação e de garantia da boa aplica- ção dessa mesma lei. Esta Comissão tomou posse muito recentemente, já depois da lei estar em vigor e es- pera-se que com a brevidade possí- vel pronuncie-se por forma a sanar estas divergências interpretativas da lei da probidade, permitindo que

a mesma seja aplicada de forma uniforme e sem dúvidas. Todavia, e exactamente numa lei cuja função primacial é afirmar servidores pú- blicos mais éticos, é minha opinião que a ética deveria ser colocada em primeiro lugar pelos servidores públicos por ela abrangidos, liber- tando-se dos escudos jurídicos que os permitem manterem-se dentro daquelas situações materiais que são actualmente qualificadas pela lei como anti-éticas ou ímprobas.

monstra que o processo não foi, como deveria ter sido, transparente.

Canal: Qual é a razão a que leva Moçambique a não ratificar alguns convênios que o vinculam a certas regras ao nível do direito penal in- ternacional?

Gilberto Correia: Julgo que a ra- zão pela qual Moçambique não ra- tifica o Tratado de Roma que cria o

Tribunal Penal Internacional (TPI) é

 

o

receio derivado da falta de com-

Canal: O que esteve por detrás do “chumbo”, pelo Governo, do processo de candidatura do magis- trado moçambicano, Ângelo Ma- tusse, ao cargo de juiz do Tribunal Africano dos Direitos Humanos?

preensão do alcance do regime ju- rídico do Tratado de Roma e suas implicações no nosso país. Todavia, mesmo sem ratificar o tratado em causa, os cidadãos do nosso país podem ser submetidos à jurisdição do TPI. A Líbia não era signatária do tratado de Roma, mas por via da referência feita pelo Conselho de Segurança da ONU a Khadafi e seus filhos, estes foram abrangi- dos pela jurisdição do TPI. O Su- dão também não é signatário deste tratado, mas pela mesma via o seu presidente Omar Al-Bashir está a

ser processado pelo TPI. É ilusório pensar que não ratificando o trata- do (Moçambique subscreveu livre

Gilberto Correia: Há posições divergentes sobre a verdadeira ra- zão da não eleição do candidato moçambicano para Juiz do Tribu- nal Africano. A senhora ministra da Justiça diz que se deve ao facto do Governo ter retirado a candida- tura. Mas, outras correntes de opi- nião, entre as quais eu me incluo, defendem que se deveu à falta de cumprimento das regras de trans- parência na escolha do candidato. Não obstante tudo isto, o simples facto de subsistirem dúvidas sobre a verdadeira razão da exclusão de-

e

conscientemente o tratado mas

não o ratificou) se previna a sujei- ção dos cidadãos dos respectivos países à jurisdição do TPI. Por ou-

 

www.canalmoz.co.mz

1 6 ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013 Publicidade tro

16

ano 5 | número 911 | 07 de Março de 2013

Publicidade

tro lado, mesmo com o tratado em vigor na ordem interna, tal facto não implica automaticamente a in- tervenção do TPI. A jurisdição do TPI é complementar. Só é acciona- da se o Estado parte não quiser ou não puder julgar os seus próprios crimes e criminosos. Só aí, nos ter- mos regime do tratado, é activada a jurisdição complementar do TPI.

Ademais, há várias organizações congéneres em que é prática com

convicção de obrigatoriedade que

na sua pele e que não tem nenhu-

ma especial atracção pelo exercício de cargos públicos. A advocacia e

o

presidente não se recandidata a

a

academia bastam-me e realizam-

novo mandato, não obstante ser-lhe legalmente permitido. É o caso, por exemplo, da Ordem dos Advogados do Brasil ou da Associação de Ad-

-me. A minha intervenção social pode ser feita doutra formas que não passem por um cargo formal.

vogados de África Austral. Pessoal- mente, acho esta uma boa prática

Canal: Alguma pergunta que não lhe colocámos que terá algo mais a dizer/acrescentar?

 

e

defendo que durante o mandato

Canal: Em Moçambique não é muito comum deixar-se um cargo depois do primeiro mandato. De- pois de deixar a OAM, além da ad- vogacia, irá se ocupar de mais algu- ma função?

Gilberto Correia: Pessoalmente nunca me guiei por lugares comuns. Concorri a um mandato de 5 anos, abdiquei de vários projectos pesso- ais e profissionais para dedicar-me ao exercício do cargo de presiden- te da OAM. Terminado o mandato para o qual concorri, volto a con- centrar-me noutras prioridades pes- soais, profissionais e familiares. Cinco anos é muito tempo para um único mandato. A média mundial de mandatos para um presidente de Ordem é de 3 anos. Em Moçambi- que também, por força de alteração legislativa, o mandato do bastonário da OAM será doravante de 3 anos.

o

titular do cargo faz o melhor que

 

pode pela instituição. Terminado o mandato, deve-se disponibilizar-se para permitir a rotatividade, renova- ção e a injecção de novas energias, novas ambições e novas perspec- tivas no exercício do cargo. Nin- guém é insubstituível e a renovação das lideranças é fundamental para

o

Gilberto Correia: Gostaria de agradecer aos meus colegas da Or-

dem por me terem concedido o in- vulgar privilégio de exercer tão no- bre função de bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique. Proporcionaram-me uma oportu- nidade única de aprendizado e concederam-me a honra de servir

desenvolvimento das instituições. Depois de deixar a presidência da OAM vou dedicar-me mais à minha profissão, à docência universitária e vou fazer o Doutoramento em Di- reito. Porém, até Agosto de 2014, exercerei o cargo de vice-presiden- te da Associação dos Advogados de África Austral (SADC Lawyers Association) para o qual fui eleito. Para além disso, não tenho ne- nhum cargo em perspectiva. O po- der não é um fim em si mesmo, é um meio para realizar fins nobres. Sou uma pessoa que se sente muito bem

a

minha Ordem, a minha classe e

o

meu país nessa função. Vivi mo-

mentos inolvidáveis. Agradeço o inestimável apoio e orientação que recebi dos meus colegas de Direc- ção, dos funcionários Ordem, dos advogados em geral e de todos os que directa ou indirectamente con- tribuíram para o sucesso deste man- dato. Saio da presidência da Ordem com um sentimento de gratidão, de muita honra e de dever cum- prido. Sou feliz por isso. (Adelino Timóteo com imagens de arquivo)

Preçário de Assinaturas | Distribuição diária por e-mail | 20 edições mensais

Preçário de Assinaturas | Distribuição diária por e-mail | 20 edições mensais
Preçário de Assinaturas | Distribuição diária por e-mail | 20 edições mensais

Tipo de Assinante

(USD) Contratos Mensais (i)

(USD) Contratos Anuais (12 Meses) (ii)

(a)

Pessoa Singular

20

15 usd x 12 meses = 180 usd

(b)

Empresas e Associações de Direito Moçambicano

40

30

x 12 = 360

(c)

Órgãos e Instituições do Estado

50

40

x 12 = 480

(d)

Embaixadas e Consulados em Moçambique e Organismos Internacionais

60

50

x 12 = 600

(e)

Embaixadas e representações Oficiais de Moçambique no exterior

60

50

x 12 = 600

(f) ONG’s Nacionais

 

30

20

x 12 = 240

(g)

ONG’s Internacionais

50

40

x 12 = 480

Notas - Os valores expressos poderão ser pagos em Meticais ao cambio do dia do mercado secundário

- Nas facturas e recibos inerentes deve-se mencionar a letra que corresponde ao tipo de assinatura

- (i) Pronto pagamento ou débito directo em conta bancária

- (ii) Pronto pagamento ou débito directo em conta bancária

www.canalmoz.co.mz