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CURSO ONLINE ATUALIDADES PARA A POLÍCIA FEDERAL PROFESSORA VIRGÍNIA GUIMARÃES

Olá, amigos, tudo bem?

Meu nome é Virgínia Guimarães e minha relação com os concursos

públicos se iniciou quando me dei conta de que minha única opção para alcançar

o ensino superior seria adentrar numa Universidade Federal – onde me graduei

em História no ano de 2005. Após a graduação, busquei o mestrado e, mais

uma vez, tinha que ser na Federal onde adentrei em 2006 e me tornei mestre

em História do Brasil. Sou autora do livro, Ex-combatentes do Brasil – entre

a História e a Memória, mas, infelizmente, isso ainda não é cobrado nos

concursos públicos. rsrsrs

Enfim, atualmente, leciono várias disciplinas da área de humanas em

uma faculdade na cidade de Olinda/PE e, desde 2010, dou aulas de

Conhecimentos Gerais, Atualidades e Geografia aqui no site do Ponto dos

Concursos.

Bem, é sempre um grande prazer estar com vocês nesse caminho, às

vezes tão árduo e cheio de sacrifícios, que é o da aprovação!

Para a alegria de todos tivemos no último dia 11 de Junho a

publicação do mais um edital do concurso da Polícia Federal – agora para os

cargos de escrivão, perito e delegado. A banca continuou sendo a mesma:

CESPE/Unb e a previsão é que as provas da primeira etapa aconteçam no dia

19 de Agosto de 2012.

Pois então, pessoal, isso abre caminho para a dedicação de todos e o

foco nos estudos, tendo em vista a aprovação neste importante concurso

público, não é mesmo?

Fazendo uma comparação entre o último edital publicado, de 2009, e

o edital que rege o concurso deste ano de 2012 verificamos a permanência de

todos os itens cobrados para a disciplina de Atualidades e, pra nossa sorte, até

a banca permaneceu a mesma.

Nesse sentido, o curso que já estava no ar continua super atual e não

tem necessidade dos que já fizeram esse curso regular fazer outra vez, ok? Esse

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curso de agora abordará toda a cobrança do edital, mas teremos aulas um

pouco mais curtas pra otimizar o aprendizado sem que nada de importante fique

de fora.

Bem, o conteúdo programático foi revisado e preparei este curso de

forma a abranger os assuntos mais importantes dentro do curto prazo de

preparação que teremos agora! Sempre dentro dos tópicos que compreendem

todas as exigências do edital.

O nosso curso não faz nenhuma distinção entre os cargos de Perito e

o cargo de Escrivão, pois as exigências no que tange Atualidades são

EXATAMENTE iguais, inclusive ao outro que tivemos de agente!!! O bom disso

é que temos as provas desse ano pra nos basearmos e vermos quais as

tendências que o CESPE tem seguido. Vejamos o que edital veio cobrando:

;)

Tópicos relevantes e atuais de diversas áreas, tais como segurança, transportes, política, economia, sociedade, educação, saúde, cultura, tecnologia, energia, relações internacionais, desenvolvimento sustentável e ecologia, suas inter-relações e suas vinculações históricas.

Como vocês podem verificar, o edital foi , mais uma vez, bastante

amplo quando fala em “Atualidades”, não é mesmo? Isso porque,

praticamente, qualquer coisa pode ser cobrada nessa disciplina! Mas, é aí que

entra a importância deste curso, pois vocês terão inúmeras disciplinas para

estudar, mais especificamente, são 11 diferentes disciplinas, fora a de

Atualidades. Portanto, precisam estudar as matérias da forma mais objetiva

possível, certo? Bem, apesar da amplitude dos tópicos que o edital propõe,

alguns assuntos são muito mais prováveis de serem cobrados do que outros e é,

exatamente, em cima desses que nosso curso trabalhará!

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Assim, amigos, minha proposta é ajudá-los para que estudem, da

forma mais objetiva possível, todos os tópicos exigidos no edital sobre a

disciplina de Atualidades. Assim, vocês não perderão tempo procurando

informações aqui e acolá, pois terão tudo aglomerado num só curso.

Pois bem, acho importante ressaltar que, ao contrário do que muitos

pensam, Atualidades é uma matéria que exige muito estudo! Digo isso porque

muitos concurseiros pensam, por exemplo, que a simples leitura de jornais pode

valer para resolverem as questões, mas o que tenho visto, cada vez mais, é

exatamente o contrário. Acompanhar os últimos acontecimentos até faz alguma

diferença para compreensão da questão, todavia, o que determina que

tenhamos firmeza na opção a ser marcada é o conhecimento sólido do assunto

– e isso, jornais e noticiários não nos fornecem, pois os abordam de forma

muito superficial.

E porque estou tendo esse papo com você logo na primeira aula?

Primeiro, para evitar que vocês pensem que nosso curso será um compilado das

principais manchetes: Não será! Nossos assuntos são estudados mesmo!!! Por

isso chamamos esse curso de teoria+exercícios. Minha função aqui não é treinar

ninguém pra ganhar o “Show do milhão” (rsrsrs) e sim prepará-los para

responder as perguntas mais inteligentes possíveis e, diga-se de passagem, o

CESPE não fica atrás no quesito dificuldade, né?

Lançarei mão aqui de todas as questões mais recentes dos concursos

que ocorreram em diversas regiões do Brasil, principalmente as de 2010 / 2011

e 2012, todavia, ao observar as questões que vem caindo nos concursos atuais,

percebemos que pode ser muito enriquecedor utilizarmos também algumas

questões mais antigas! Isso porque o conteúdo que elas trazem é, geralmente,

muito bom e tem sido sistematicamente cobrado, ainda mais pensando na

amplitude do conteúdo programático cobrado no edital.

Assim, amigos, o que percebo em contato com essas tantas provas

que tenho trabalhado é que, principalmente para alguns assuntos, a data das

questões simplesmente não faz diferença, pois o conteúdo é quase “atemporal”.

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Enfim, a estratégia para obter o melhor desempenho possível será,

além de apresentar toda a teoria, resolver questões de concursos anteriores e

outras inéditas. Pensando nisso, eu vasculhei as últimas provas elaboradas pelo

CESPE e encontrei algumas questões de Atualidades que são muito

interessantes. Todavia, pra que nenhum tópico fique de fora, questões apenas

desta banca não são suficientes para a abordagem completa do assunto e,

portanto, utilizarei questões de outras grandes bancas examinadoras que

também trazem assuntos fortes para a prova, combinado?

Outro ponto importante de sabermos é que nas provas elaboradas

pelo CESPE a disciplina de Atualidades costuma ser cobrada em um nível bem

alto e a expectativa é que assim continue para a prova que vocês farão.

O que isso quer dizer? Quer dizer que a banca procura utilizar

noticiários recentes para tratar de temas bem amplos (como globalização, crise

econômica, desenvolvimento sustentável, etc.). Portanto, além de ler jornais e

revistas é necessário um aprofundamento maior nos temas relacionados à

economia, política, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, sociedade,

segurança, etc.

Somente assim, conseguiremos cumprir nosso objetivo de prepará-los

para responder qualquer questão de todos os tópicos presentes no edital. Além

disso, ter tudo compilado num único curso permitir que vocês tenham tempo

hábil para estudar todas as outras matérias que serão cobradas na provas.

Assim, ao final de 9 aulas todos vocês estarão em plenas condições de

acertar todas as questões da prova de Atualidades do concurso da Polícia

Federal - independente do cargos.

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Assim, amigos, eu dividi nosso curso em 9 aulas, sendo esta aula

0+8, o que originou o seguinte cronograma:

Aula 00 – Panorama do desenvolvimento mundial

Aula 01 – As organizações internacionais e blocos regionais inseridos

na economia mundial do século XX (25/06)

Aula 02 – Aspectos da política mundial e nacional (02/07)

Aula 03 – A inserção do Brasil no cenário internacional (09/07)

Aula 04 – Conflitos geopolíticos e conflitos étnicos (16/07)

Aula 05 – Aspectos demográficos e ambientais no Brasil e no mundo

(23/07)

Aula 06 – Energia, ciência e tecnologia (30/07)

Aula 07 – Aspectos sócio-culturais brasileiros (06/08)

Aula 08 – Aspectos da segurança pública no Brasil e no mundo

(13/08)

Como já disse, trabalharei todo o assunto e, ao mesmo tempo,

buscarei mostrar como ele já foi cobrado em provas anteriores através de

muitas questões de concursos! Aliás, resolver questões pode ser um grande

diferencial em sua preparação, pois já vamos nos adaptando a forma como o

conhecimento costuma ser cobrado.

Todos preparados? Então chega de conversa e vamos logo para a

nossa aula!

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AULA 00 - PANORAMA DO DESENVOLVIMENTO MUNDIAL

Bem, falar de um panorama geral é algo muito amplo, e, com toda

certeza, não é meu objetivo abordar todas as situações do mundo numa única

aula, ok? De qualquer modo, para compreendermos os tópicos mais relevantes

do Brasil e do mundo no século XXI, é preciso começarmos com uma ideia geral

de como funcionam as políticas e as economias mundiais,ok?

Temos que pensar, amigos, que todas, absolutamente todas, as

situações políticas, econômicas, sociais e ambientais pelas quais passamos na

atualidade tiveram origem em algum momento e foram desencadeadas por

algum fator pregresso.

Por isso, esta aula, tendo o caráter introdutório para as aulas

posteriores, é muito importante para o seu aprendizado. A partir dela, será

possível compreender as transformações que vemos hoje à nossa volta, ou seja,

para entender a dinâmica do processo é imprescindível que conheçamos o

próprio processo, as suas origens e aí então poderemos entender suas

consequências.

Um exemplo disso que estou dizendo são as conhecidas revoltas em

alguns países da África do Norte, como o Egito, a Líbia e, mais recente, a Síria.

É praticamente impossível compreendermos a situação política atual daquela

região se não tivermos clareza das disputas em que esses países estão

inseridos? Do mesmo modo, como entenderemos a atual estrutura institucional

da ONU e suas assimetrias de poder se não soubermos o contexto político-

econômico em que ela surgiu? Ou ainda, como entendermos a atual crise

econômica que a Europa como um todo enfrenta, sem regressar a tempos

anteriores?

Bem, deixaremos estes assuntos (Líbia, Síria, ONU, crise europeia,

etc.) para aulas futuras, mas, esses exemplos são importantes para que vocês

percebam o quão conectados estão TODOS os acontecimentos!

Portanto, pessoal, prestem atenção, ok?

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1 – SISTEMAS POLÍTICOS E ECONÔMICOS MUNDIAIS

Há basicamente dois sistemas econômicos no mundo atual: o

Capitalismo e o Socialismo. Mas qual a importância, ou qual a finalidade

desses sistemas econômicos existirem? Bem, são esses sistemas econômicos

que oferecem certa unidade aos diferentes países do mundo – que passam a

buscar mais ou menos a mesma coisa no setor econômico e político. Apesar

disso, não é essa tentativa de uniformização que faz com que esses sistemas

sejam tão importantes de serem estudados. Como se diz por aí: o buraco é mais

embaixo!

Quando me refiro a esses sistemas políticos e econômicos, estou, na

verdade, me referindo à divisão que houve no mundo durante a Guerra Fria

entre países capitalistas e socialistas. Estudar isso pode até parecer meio sem

graça, uma vez que já sabemos quem mata e quem morre no final, não é

mesmo? Entretanto, é importante termos uma compreensão mais aprofundada

do funcionamento de cada um desses sistemas, o que os caracteriza e,

principalmente, o que os opõem.

Para compreendermos tanto um quanto o outro, é necessário analisar

um mesmo episódio histórico: a Revolução Industrial, ocorrida na Grã-

Bretanha do século XVIII. “Credo, professora, temos que ir tão longe assim?”

Sim, temos! Mas não se preocupem porque a viagem é curta, prometo!

Pois bem, foi a partir desse acontecimento que a sociedade passou a

ser dividida em duas classes basilares à sustentação do capitalismo: burguesia e

proletariado. A existência e as discrepâncias entre essas classes sociais

tornaram-se o alvo principal das críticas dos intelectuais, que formularam, a

partir daí, um regime opositor ao capitalismo: o socialismo. (Viram!, foi rápido,

não é?! rs)

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1.1 – Capitalismo

Sem a existência desse sistema, jamais estaríamos no estágio em que

nos encontramos: com uma economia tão integrada e com “tentáculos” nos

mais diversos lugares do mundo. Dentre os dois sistemas existentes, podemos

afirmar, com toda certeza, que o capitalismo foi o grande personagem dentro da

Nova Ordem Mundial. Isso porque obteve um relevante crescimento de sua

importância no mundo após a Segunda Guerra Mundial e um solavanco maior

ainda após a queda do muro de Berlim, resultando na globalização.

A grande pergunta que fica depois de ter lido tudo isso é de onde vem

então essa essência da globalização chamada capitalismo. Calma, pessoal, não

vou transformar isso aqui em uma aula de História! Porém, é importante

lembrarmos que, antes de chegar no estágio em que estamos, houve outros que

solidificaram e contribuíram para que o sistema capitalista assumisse a

configuração atual. Bem, ao longo de seu processo histórico, o capitalismo

apresentou três períodos principais, conhecidos como capitalismo comercial,

industrial e financeiro.

De todos eles, o mais importante de compreendermos para

resolvermos as questões na prova é o Capitalismo financeiro, que se baseia,

principalmente, em um tipo de economia em que o grande comércio e a grande

indústria são controlados pelos bancos comerciais e outras instituições

financeiras. Porém, para compreendermos bem como chegamos a esse estágio,

é preciso voltarmos ao panorama político e econômico mundial do século XX.

Passados os estágios do capitalismo comercial e industrial,

chegamos ao século XX, na fase do capitalismo monopolista-financeiro.

Nessa etapa, os grandes propulsores do desenvolvimento econômico passaram

a ser o sistema bancário, as grandes corporações financeiras e o mercado

globalizado. Foi nesta fase que o capitalismo travou suas batalhas mais difíceis

com o socialismo e é exatamente neste século que manteremos nossa atenção

para compreender como se formaram as áreas de influência capitalista e

socialista.

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Alguns de vocês podem estar pensando que isso não tem muito a ver

com atualidades, já que é algo do século passado, certo? Errado!!

No final do ano passado, se iniciou um movimento nos EUA, que nem

o mais ferrenho comunista do século passado poderia imaginar que surgiria:

“Occupy Wall Street”. Ganhando proporções e repercussões mundiais, ele foi

uma verdadeira revolta contra o sistema capitalista dentro dos Estados Unidos,

berço do capitalismo Protestos contra a ganância corporativa do sistema

capitalista.

Da desorganização inicial e da sabotagem da mídia tradicional, o

movimento ganhou força a cada dia e foi conquistando o apoio de artistas e

intelectuais de pensamento progressista, como o cineastas e atrizes famosas. O

curioso é que o movimento – que hoje se espalha por cidades importantes,

como Chicago e Boston – não é partidário ou especificamente contra um

determinado governo. A luta dos manifestantes, a maioria jovens, é contra o

sistema que socorre bancos, enquanto faz vistas grossas para o crescimento da

pobreza, o que levou o povão às ruas americanas pedirem que “não alimentem

os bancos” e “taxem os ricos”.

Occupy Wall Street começou com meia dúzia de gatos pingados, na

verdade gatas pingadas, porque o movimento partiu de mulheres preocupadas

com o destino dos filhos, que acabariam a universidade e não teriam onde se

empregar. Todabia, ele transformou-se em uma extraordinária manifestação

contra o sistema capitalista - mesmo que a maioria dos participantes não tenha

muita consciência do que isso significa.

Mas afinal, o que é o capitalismo?

A definição mais comum de capitalismo é a de que ele é um sistema

econômico que se baseia na propriedade privada dos meios de produção.

Contudo, o capitalismo possui outra e mais complexa definição, que confunde a

grande maioria das pessoas.

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PARA A POLÍCIA FEDERAL PROFESSORA VIRGÍNIA GUIMARÃES “Capitalismo é a organização econômica que resulta do

“Capitalismo é a organização econômica que resulta do

sistema político de direitos individuais à vida, à propriedade e

à liberdade.”

Por exemplo, imagine que eu perguntasse a vocês qual país do mundo

é capitalista hoje em dia. A grande maioria responderia que quase todos, não é

mesmo? E por quê? Porque a tendência mundial é que haja respeito aos direitos

individuais, à vida e à propriedade – ainda que nem sempre isso ocorra na

intensidade que deveria. É claro que alguns países se aproximam muito mais do

ideal de capitalismo do que outros que ainda possuem tantas dificuldades em

respeitar os direitos individuais (como os países mais pobres do mundo).

E porque falamos, a todo o momento, de expansão capitalista,

classificando os próprios sistemas políticos de capitalistas?

Chamamos o sistema político de Capitalismo por ser ele intrínseco aos

efeitos econômicos conhecidos por este nome, ou seja, classificamos como

capitalistas países onde há existência de bancos, empresários, indústrias,

dinheiro, trabalho assalariado e juros.

Nesse sentido, os Estados Unidos da América (EUA) é a grande

potência defensora da organização capitalista, sendo, inclusive, um dos países

que mais se aproximam de seu ideal. Na medida em que a hegemonia norte-

americana vai disseminando pelo mundo, seu “American Way of Life”, todos

passam a ter contato com as pretensões capitalistas e, ao se alinhar às suas

ideias, os países passam a ser classificados assim também.

De qualquer modo, a consolidação do capitalismo revelou, no fim do

século XX, a crescente interdependência entre os países e uma relativa

padronização das condições de existência das sociedades humanas.

“Como assim, professora? Você quer me convencer de que todos no

mundo vivem igualmente?”

Com toda certeza não! A diversidade fica, a cada dia, mais clara

diante dos nossos olhos e a qualidade de vida de um habitante do norte da

África não passa nem perto da de um morador dos EUA.

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Entretanto, quando falamos de padronização, é preciso lembrar que

ela se refere muito mais às modalidades de produção, distribuição e consumo de

bens do que efetivamente à qualidade de vida das pessoas. Assim, não seria

exagero dizer que a maior parte dos países do mundo conhece, produz e

consome Cola-Cola e MacDonalds, concordam comigo?

Em razão dessa padronização e interdependência, é comum ouvirmos

dizer que o mundo se tornou o paraíso para as multinacionais. Essas empresas

estão sempre buscando compor novas organizações, cadeias de auxílio e

alianças – com parceiros de diferentes países, que atuem em setores afins,

complementares ou diversos aos seus. Tudo isso tem o objetivo principal de

monopolizar ou cartelizar os mercados e é em função disso, alianças e fusões,

que megaempresas foram formadas. Como exemplo, temos o caso das 6

maiores empresas de pneus do mundo, que atualmente controlam 80% de todo

o mercado mundial.

Se por um lado a mundialização do capital trouxe uma crescente

integração de mercados e capitais, ela também mostrou um problema mundial

básico ainda hoje não resolvido: a fome.

Depois da Primeira Guerra Mundial, o capitalismo sofreu várias

mudanças e uma das mais significativas diz respeito ao seu principal

representante. Se antes a Inglaterra e a França despontavam como defensores

do sistema, com a guerra, os EUA alcançaram uma posição de destaque no

cenário capitalista, sobretudo devido ao comércio de armas com os países

envolvidos no conflito. Mas, por que isso ocorreu? Porque foi durante e nos anos

imediatamente posteriores à Primeira Guerra que o comércio estadunidense

teve seu ápice de vendas.

Durante o desenrolar da Primeira Guerra Mundial, as indústrias norte-

americanas produziam e exportavam em grandes quantidades, principalmente

para os países que não tinham como produzir o que necessitavam devido à

turbulência militar pela qual estavam passando. Dessa forma, os EUA

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assumiram o papel de grande abastecedor mundial, o que levou sua produção

industrial ao auge.

É no século XX que este sistema atinge outra fase chamada de

Capitalismo monopolista! Essa fase é marcada por algumas características

como:

forte concentração dos capitais, criando os monopólios;! Essa fase é marcada por algumas características como: fusão do capital bancário com o capital

fusão do capital bancário com o capital industrial;forte concentração dos capitais, criando os monopólios; exportação de capitais, que supera a exportação de

exportação de capitais, que supera a exportação de mercadorias;fusão do capital bancário com o capital industrial; surgimento de monopólios internacionais que partilham o

surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundode capitais, que supera a exportação de mercadorias; entre si. Pois é, pessoal, as características dessa

entre si.

Pois é, pessoal, as características dessa fase do capitalismo são

importantíssimas para que compreendamos como o sistema deixou de ser

competitivo para ser monopolista.

Se observarmos à nossa volta, perceberemos, ainda hoje, essas

características em nossa realidade, já que a maior parte dos lucros e do capital

do mundo cruza o sistema financeiro, não é mesmo? Pois bem, praticamente

todas as empresas inseridas em uma economia de mercado vendem seus

produtos a diferentes países, mantendo o que foi classificado como monopólio

internacional de algumas empresas. Quem arrisca questionar que a Coca-Cola

monopoliza o mercado?

Tudo bem, nós sabemos que existem vários outros refrigerantes

“cola” por aí! Entretanto, de Xangai à Montevidéu, sempre se encontrará a tal

da Coca-Cola. E por quê? Porque ela monopoliza, juntamente com outras

poucas empresas, o comércio mundial, mantendo ativo um comércio de grandes

proporções.

Outro ponto é o que a informatização dos sistemas foi capaz de fazer,

já que a movimentação e transferência de valores passaram a ser feitas quase

em tempo real. Isso gerou uma fusão entre o capital bancário e o industrial,

uma vez que todas as operações financeiras passam pelo sistema bancário! É

claro, pessoal, que as indústrias e o comércio têm lucros estrondosos, porém os

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sistemas bancário e financeiro são os que mais lucram e acumulam capitais

dentro deste contexto econômico atual.

Mas por que estou falando tudo isso agora? Porque foi a partir desse

novo estágio capitalista, que tinha como lideranças representativas os EUA e a

Inglaterra, que novas teorias foram desenvolvidas e disseminadas pelo mundo.

Foi na metade do século XX, pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial,

que aconteceu a Conferência de Bretton Woods. Idealizada pelos Estados

Unidos, ela estabeleceu pela primeira vez na história uma ordem monetária

totalmente negociada entre Estados para governar as relações monetárias entre

eles.

Bretton Woods foi o nome dado a uma conferência realizada em

1944 entre 45 países, que se reuniram com o objetivo de conduzir a política

econômica mundial. Ora, mas como se daria essa condução? Como o sistema

Bretton Woods foi o primeiro modelo de uma ordem econômica totalmente

negociada para reger as relações entre Estados, era necessário criar instituições

que regulassem seus objetivos.

Ainda que muitos de vocês nunca tenham ouvido falar de Bretton

Woods, tenho certeza de que já se cansaram de ouvir a respeito de suas

instituições: FMI e BIRD. Essas duas instituições foram criadas justamente para

definir e regular os procedimentos da política econômica internacional. Haverá

uma aula em que trataremos detalhadamente de cada uma delas, mas pra

ninguém ficar “boiando” vamos a uma passada rápida, ok?

O BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e

Desenvolvimento) tinha como tarefa inicial financiar a reconstrução dos países

europeus destruídos durante a Segunda Guerra Mundial, mas atualmente, sua

incumbência fundamental é o incentivo ao desenvolvimento de projetos de

infraestrutura em países em desenvolvimento. Essa tarefa é desempenhada por

meio de financiamento e empréstimos aos países em desenvolvimento que

apresentem rendas médias e possuam bons antecedentes de crédito.

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Já o FMI (Fundo Monetário Internacional) almejava zelar pela

estabilidade e garantir o bom funcionamento do sistema financeiro mundial por

meio do monitoramento das taxas de câmbio e da balança de pagamentos, o

que é feito com amparo técnico e financeiro. Mas o que seria exatamente esse

monitoramento?

Bem, o FMI fiscaliza a taxa de câmbio dos países na intenção de

evitar que eles a desvalorizem intencionalmente. Isso mesmo: desvalorizem,

eu não escrevi errado!!!

Os Estados intervêm em suas economias desvalorizando suas próprias

moedas a fim de importar menos e exportar mais, contribuindo para geração de

um superávit na balança comercial, entenderam? Porém, isso é uma medida

protecionista chamada de “desvalorização competitiva”, que o FMI busca

impedir para que os países não prejudiquem um suposto livre funcionamento do

mercado.

Foi a partir dessa conferência, também, que o Capitalismo foi

reconhecido como o melhor sistema econômico a ser utilizado na

contemporaneidade e teve difundidos os seus conceitos pelo mundo, adquirindo

significativas zonas de influência política.

Para estabelecer uma efetiva influência sobre os países da Europa que

foram arrasados pela guerra, os EUA lançaram o Plano Marshall, a fim de

reconstruir o que a guerra havia destruído. Assim, a partir de 1947, a nova

potência do pós-guerra passou a injetar bilhões de dólares no velho continente,

impulsionando a sua reconstrução.

Pois é, amigos, com diz a música, “tudo muda no mundo o tempo

todo”. Se antes da Primeira Guerra Mundial, o nosso “tempo” era influenciado

pelo grupo de cinco potências formadas por Reino Unido, França, Alemanha,

Império Austro-Húngaro e Rússia, a partir da Segunda, não são mais eles que

determinam os rumos de outras nações. Deste modo, o quadro de forças

internacionais, no qual a Europa reinava soberana, foi dissolvido, dando origem

a um “novo reinado”: o dos Estados Unidos da América.

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E foi assim que tudo fluiu para que se consolidasse o sistema

capitalista que temos hoje, caracterizado pelo crescente avanço da

Globalização e do poder das classes empresárias dominantes, ou seja, das

multinacionais.

Bem, amigos, agora seria o momento de falarmos das áreas que

foram influenciadas pelo capitalismo. Porém, como o domínio desse sistema foi

bastante extenso, é mais fácil enumerarmos os socialistas do que os

capitalistas.

Porém, antes de elencar os países sob a influência comunista,

precisamos saber o que é esse regime? Onde surgiu? O que ele defende e por

quê? Nesse sentido, uma vez que já entendemos a lógica dominante no

capitalismo, certamente será mais fácil compreendermos a doutrina socialista,

que foi constituída para combatê-lo, não é mesmo?

Entretanto, antes de entrarmos nisso, vamos ver algumas questões

de concursos anteriores que trabalharam com esses eixos de poder mundial.

1) (CESPE / ABIN / 2008 – Questão adaptada) A geografia política das

relações internacionais foi nitidamente alterada, no século XXI, por uma

série de mudanças nos eixos do poder mundial. Com relação a essas

mudanças podemos afirmar que:

I) Houve um declínio relativo dos Estados hegemônicos do Atlântico Norte e a

transferência do eixo de poder para países do Pacífico e do Índico.

II) Os países do Atlântico Norte são o grupo formado por Japão, China, Índia e

os Tigres Asiáticos.

III) Com o fim da multipolaridade vivenciada pelo mundo durante o período da

Guerra Fria, houve a possibilidade do surgimento de novos atores com

relevância no cenário internacional.

IV) Apesar de ter auferido grande desenvolvimento, países como a China e o

Japão não conseguem interferir significativamente no mercado mundial.

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V) A economia voltada para o aumento das importações foi o modelo adotado

pelo Brasil e outros países da América Latina, que pretendiam ganhar mais

mercado em todo o mundo.

Marque a alternativa correta:

a) se somente os itens I e II estiverem corretos.

b) se somente os itens III e IV estiverem corretos.

c) se somente os itens II, III e IV estiverem corretos.

d) se somente o itens I, II e IV estiverem corretos.

e) se somente o item I estiver correto.

COMENTÁRIOS

A assertiva I está correta. Houve mesmo um declínio relativo desses

países, já que outros passaram a ter visibilidade no cenário internacional.

Assim, há uma nova tendência das relações internacionais, que é a relativa

transferência de poder dos Estados hegemônicos do Atlântico Norte para os

países do Pacífico e do Índico.

A assertiva II está errada. Os países do Atlântico Norte são o grupo

formado por EUA e os países europeus, os quais constituíam, durante o período

de Guerra Fria, o bloco capitalista. Já os países do Pacífico e Índico que vêm

ganhando espaço no cenário econômico internacional são Japão, China, Índia e

os Tigres Asiáticos.

A assertiva III está errada. Foi com o fim da bipolaridade vivenciada

pelo mundo durante o período da Guerra Fria, que instaurou-se uma ordem

multipolar, possibilitando o surgimento de novos atores com relevância no

cenário internacional. Assim, surgiram os blocos regionais, havendo uma

fragmentação de poder no campo econômico.

Ainda nesse contexto, surgiram também os chamados Tigres

Asiáticos, países que implementam um modelo de industrialização voltado para

exportações. Quem são? Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan.

A assertiva IV está errada. Nos últimos anos, pudemos notar uma

grande ascensão da China e da Índia, países dotados de população numerosa e

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com elevado potencial exportador. A China, por exemplo, já deixou para trás o

Japão e hoje ocupa o lugar de segunda maior potência mundial, atrás somente

dos EUA. Além disso, estes dois países integram o grupo conhecido como BRICS

e, além de seu poder econômico, também podem ser considerados potências

militares. O Japão, por sua vez, é também uma das maiores economias do

mundo, sendo um grande líder mundial no desenvolvimento de tecnologia e

pesquisas científicas.

A assertiva V está errada. Tanto no Brasil, quanto em outros países

latino-americanos, a substituição de importações foi o grande “lema” dos

governos, que se empenharam em propiciar o desenvolvimento de uma

industrialização que pudesse favorecer essa meta.

Gabarito: E

2) (FGV / Professor de Geografia – Campinas / 2008) A expansão

financeira global ocorrida nos últimos anos levou à atual crise do

sistema capitalista iniciada nos Estados Unidos e na Europa. Entre as

ideias levantadas para enfrentá-la, encontram-se as do economista

inglês John Maynard Keynes (1883/1946), que tiveram forte influência

para a saída da crise iniciada em 1929.

Assinale a afirmativa que resume uma das ideias básicas do

pensamento keynesiano, aplicável tanto na crise de 29 quanto na crise

atual.

a) O Estado deve intervir nos momentos de crise para salvar a economia de

mercado.

b) O mercado é o único elemento que tem os recursos para enfrentar as crises

cíclicas.

c) O Estado deve punir os grupos financeiros que não honraram seus

compromissos.

d) O mercado é livre e nesse caso as crises são resolvidas pela lógica da oferta

e da procura.

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e) O Estado deve utilizar as verbas que seriam gastas com o bem-estar social

para auxiliar os bancos falidos.

COMENTÁRIOS

A letra A está correta. O pensamento ou doutrina keynesiana é uma

teoria econômica que ganhou destaque no início da década de 1930, quando o

capitalismo, regido por princípios liberais, viveu uma de suas mais graves crises.

As ideias keynesianas surgiram apontando, justamente, a importância da

intervenção do Estado na economia.

A letra B está errada. Keynes afirmava que o Estado deveria buscar

formas para se conter o desequilíbrio da economia, portanto, era ele quem

possuía recursos para enfrentar as crises cíclicas.

A letra C está errada. Segundo esta doutrina, dentre outras medidas,

era visto como de fundamental importância que o governo concedesse linhas de

crédito a baixo custo para o setor privado. Dessa forma, a economia se

reaqueceria de modo geral.

A letra D está errada. O pensamento proposto por Keynes

transformou radicalmente o papel do Estado frente à economia, e deixou em

total descrédito as velhas crenças liberais do “laissez faire”, ou seja, não

acredita na capacidade do mercado se autorregular.

A letra E esta errada. Em nenhum momento, a doutrina keynesiana

defende a ideia de utilização de verbas que seriam gastas com o bem-estar

social para auxiliar os bancos falidos.

Gabarito: A

3) (CESPE / Diplomata – IRBr / 2004) Há algo que não se pode dizer do

século XX: que foi um tempo de brumas, silêncios e mistérios. Tudo nele foi a

céu aberto, agressivamente iluminado, escancarado e estridente. E, no entanto,

ele ainda é um enigma – um claro en igma, parafraseando Drummond -, e dele

não podemos fazer o necrológio completo. E porque findou como uma curva

inesperada da história, em um astucioso desencontro do que achávamos ser o

futuro,

turvou

nossa

 

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memória e nosso olhar. E tornou-se pedra e esfinge, com um brilho

que ainda cega e desafia.

O século XX foi, sem dúvida, um século das utopias. O seu andamento coincidiu

com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno -

sujeito e trabalho -, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites

do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. E

talvez por isso exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o

mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que

mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo,

decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas

durante milênios.

O século XX sancionou o Estado-nação como a forma, por excelência, de

organização das sociedades em peregrinação para o futuro e em busca de

transparência. Os Estados nacionais ergueram-se como personagens

privilegiadas de uma história humana cada vez mais cosmopolita, para lembrar

Kant, modificando de forma radical a paisagem do mundo. Com eles, o direito

assumiu progressivamente a condição de um idioma universal, reagindo sobre o

passado e destruindo velhas estruturas hierárquicas fundadas em privilégios e

na tradição.

Mas o século XX não é apenas um tempo de esperanças. É também o século do

medo e das tragédias injustificáveis. A dura realidade dos interesses provoca

dois grandes conflitos mundiais, um tenso período de guerra fria e uma

interminável série de guerras localizadas. Um século de violência dos que

oprimem e dos que se revoltam.

Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio).

Apud: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (Org.). Pensar o século XX. São Paulo:

Unesp, 2003, p. 15-9 (com adaptações).

Considerando o texto acima, julgue os itens seguintes, relativos

ao cenário histórico do mundo contemporâneo.

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A guerra fria assinalou a fase de confronto entre as duas

superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial, tendo seu

clímax após o anúncio da Doutrina Truman, pela qual os Estados Unidos

da América (EUA) se dispunham a apoiar os países que resistissem ao

comunismo.

COMENTÁRIOS

Afirmativa correta. Como vimos ao longo da aula, a ação norte-

americana para a reestruturação dos países afetados pela guerra teve grande

importância nos eixos de influência do capitalismo. Por outro lado, a URSS

estava à frente do bloco socialista e também lutava para aumentar suas áreas

se influência.

Como foi afirmado na questão, a Doutrina Truman foi o clímax da

divisão bipolar do mundo, e buscava conter a expansão socialista,

principalmente, junto aos “elos fracos” do capitalismo.

Gabarito: Certo

X

1.2 – Socialismo

O sistema socialista pode ser entendido como:

“Um conjunto de teorias socioeconômicas, ideologias e

políticas, que postulam a abolição das desigualdades entre as

classes sociais.”

Apesar de ter surgido na França, em contraposição a uma realidade

específica, o socialismo desenvolveu-se para além do seu lugar de origem e foi

se moldando de acordo com as necessidades do local onde era veiculado.

Portanto, muitas configurações desse sistema foram cunhadas para dar vazão a

toda angústia das classes menos favorecidas e, por isso, essas teorias

começaram a ganhar influência, sobretudo, entre estas.

Muito embora existam diferentes linhas socialistas, a base de todas

elas abarcava, como principais símbolos, a defesa da limitação do direito à

propriedade privada e o controle dos principais recursos econômicos

privada e o controle dos principais recursos econômicos Prof a Virgínia Guimarães 20

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pelos poderes públicos – para, a partir daí, promover a igualdade social,

política e jurídica.

A maior parte dos defensores do socialismo acredita que o seu

opositor capitalismo incita a concentração de riquezas e poder nas mãos de uma

minoria. Segundo eles, toda essa opulência só se mantém às custas da

exploração do trabalho alheio, criando assim uma sociedade injusta e desigual.

Portanto, os críticos do capitalismo sempre ressaltam que esse sistema não

oferece oportunidades iguais para todos, dificultando com que todos maximizem

suas potencialidades.

Ora, é claro que essas ideias de igualdade foram muito bem aceitas,

principalmente naquelas regiões onde a industrialização era menos desenvolvida

e a pobreza era crescente, como no caso da Rússia. Foi nesse país que, após

uma forte crise política e econômica, apareceu a primeira concretização das

teorias socialistas. Nesse sentido, foi no governo de Lênin que a sociedade

soviética viveu a primeira experiência socialista do mundo, materializando

conceitos como a Reforma Agrária e a estatização de bancos e fábricas

como principais métodos para se acabar com as desigualdades sociais

existentes.

Até agora eu só tenho utilizado o termo socialismo, não é mesmo?

Muitos de vocês devem ter dúvidas a respeito da diferença entre socialismo e

comunismo, e isso é muito normal, já que muita gente se confunde exatamente

neste aspecto! Até porque esses dois conceitos são utilizados, com muita

frequência, como sendo uma coisa só. Todavia, eles não o são!

As ideias socialistas surgiram na França em contraposição à nova

realidade que a Europa vivia com a Revolução Industrial. Já as ideias

comunistas passaram a existir somente após a Revolução Russa. Assim, embora

ambas as teorias caminhem para o mesmo objetivo – luta contra a desigualdade

social – existem certas diferenças conceituais entre as duas palavras.

O socialismo parte do pressuposto de que os problemas sociais só

existem porque existem desigualdades entre os indivíduos. Como assim? Os

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meios de produção são o que diferenciam um individuo do outro e, portanto, a

socialização dos meios de produção resolveria o problema. Por isso, o sistema

socialista visa à extinção da propriedade privada.

Para tanto, o governo se encarregaria de cuidar do cidadão desde seu

nascimento e, posteriormente, esse indivíduo seria obrigado a seguir regras

rígidas e a trabalhar para todos, sempre sob a coordenação do Estado. Deste

modo, a existência do Estado para coordenar a socialização dos meios de

produção e defender os interesses da coletividade ainda é necessária.

Do mesmo modo, no comunismo também não existem classes sociais

e propriedade privada, mas também não existe a figura do Estado

regulador e protetor do bem comum, e essa é a grande diferença! Como

costumam dizer, é como se o Comunismo fosse uma evolução do socialismo, em

que não há mais a obrigação de existência de um Estado para tomar as decisões

políticas, que seriam assumidas pelo povo. Nenhum país do mundo atingiu essa

etapa, pois nenhuma sociedade moderna nunca foi regida sem um Estado.

A primeira experiência socialista vivida no mundo só foi possível após

a Revolução Russa, ou seja, ela se materializou no momento em que se

formulavam conceitos comunistas, fazendo com que o senso comum tratasse os

dois conceitos como sendo a mesma coisa!

Essa certa “confusão” é algo muito comum entre as pessoas, pois

como já disse, o senso comum, geralmente, costuma tratar uma coisa pela

outra. Todavia, apesar de serem regimes políticos/econômicos muito próximos e

com alegorias muito semelhantes, o socialismo deve ser pensando como uma

espécie de “estágio” anterior imprescindível para que se chegasse ao

comunismo.

Costumo fazer uma analogia sempre com noivado (socialismo) e

casamento (comunismo). Durante o noivado, tem sempre os pais "de olho" na

filha e interferindo nos seus passos, no que ela pode ou não pode fazer. Em

contrapartida, depois de casada, a filha toma suas próprias decisões sem

precisar que o pai a guie a sua vida, não é mesmo? Assim, o pai durante o

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noivado seria o Estado durante o Socialismo – que ainda existe forte e com a

função de regulamentar todas as demandas sociais desse regime. Uma vez

que a sociedade já esteja "enquadrada" no ritmo do Estado, ele perde a sua

função existencial e aí passaríamos ao próximo estágio que seria o Comunismo.

Todavia, o mundo nunca viveu uma experiência comunista – que ficou

sempre apenas na teoria e na retórica de muitas pessoas que lutavam pela sua

instalação.

o

comunismo?”

“Mas professora e Cuba? Rússia? Também

não

viveram

Não!!

Pessoal, a formação da União Soviétivca ocorreu em 1922, portanto,

após o socialismo já ter sido implantado na Rússia. Especialmente nesse país,

o sistema político/financeiro foi modificado através de um movimento

revolucionário que resultou na detenção do poder político por defensores do

Socialismo.

Assim, a URSS foi formada a partir da junção da antiga Rússia com

várias pequenas nações, o que conferiu um pioneirismo a esse país, que se

tornou o principal e mais forte representante do socialismo no mundo.

Apesar dessas pequenas nações terem aceitado se vincular à Rússia, a grande

maioria dos países que compuseram o bloco socialista somente tiveram o novo

sistema efetivado ao final da Segunda Guerra Mundial.

Foi após a Guerra que a URSS se fortaleceu ainda mais e polarizou,

no cenário mundial, uma ferrenha disputa com os EUA, que também buscava

ampliar sua influência no mundo co o sistema capitalista.

Deste modo, enquanto a Europa Ocidental se beneficiava do Plano

Marshall – principalmente Reino Unido, França, Alemanha Ocidental, Bélgica e

Holanda – o socialismo se alastrava pelo Leste europeu. Com exceção da

Iugoslávia, que se insurgiu em 1948, todas as democracias populares dessa

região foram forçadas a admitir a interferência de Stalin, que não hesitou em

usar a força repressora para ter o controle político e econômico desses países.

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Assim, foi por meio de coação e investimentos que a URSS dominou a

região oriental da Europa e deu força política aos partidos stalinistas na Albânia,

Bulgária, Romênia, Hungria, Tchecoslováquia e Polônia. Além desses, temos

como símbolos socialistas a China, Cuba, Laos, Coreia do Norte e Vietnã. Bem

pessoal, mas estou falando esses nomes todos só pra explicação ficar completa,

mas não precisam se preocupar em decorar nada disso, pois certamente isso

não ser cobrado na prova, tá ok?

Vocês se lembram que em novembro de 2009, o mundo comemorou o

aniversário de 20 anos da queda do muro de Berlim?

Pois é, pessoal, em 1989, quando o Muro de Berlim veio abaixo, era

claro e notório o descontentamento popular dentro dos países onde reinava o

modelo socialista. Esse sentimento tinha como origem principal as inúmeras

propagandas que o bloco capitalista fazia de si mesmo como um sistema quase

perfeito, com liberdade e boas condições de vida para todos. E por que estou

falando desse tal muro agora? Porque a sua queda é o grande símbolo do início

das mudanças no espaço socialista.

Se, outrora, o muro “escondia” as belezas e monstruosidades do

mundo capitalista, após sua queda os habitantes do outro lado puderam

conhecer de perto as inúmeras mudanças pelas quais o mundo havia passado

nas duas últimas décadas em que o muro os isolava.

Assim, em 9 de novembro de 1989, o mundo abandonou a

bipolarização que viveu durante a Guerra Fria entre comunismo e capitalismo e

adentrou numa nova fase, em que o sistema capitalista era o grande vitorioso.

Porém, pessoal, uma vez em contato com os “mistérios” do mundo

capitalista, muitas pessoas que acreditavam ser possível usufruir apenas do lado

bom desse sistema ou o enxergavam como um modelo de sistema equilibrado,

começaram, em pouco tempo, a sentir os problemas do desemprego, do

desequilíbrio social e da frustração profissional.

Assim, com o declínio do stalinismo na ex-URSS, houve uma

deterioração das condições de vida da grande maioria da população. Do dia para

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a noite, a economia socialista, que antes era conduzida e protegida de forma

quase paternalista pelo Estado, foi colocada diante das turbulências do mercado.

Essa exposição teve como principal consequência uma forte instabilidade nas

áreas da educação, saúde, habitação e principalmente, emprego. Além disso,

todas as transformações que ocorreram no Leste Europeu fizeram com que o

mapa político desse continente fosse modificado em decorrência do nascimento

de um grande número de novos Estados nacionais

Assim, a desintegração da URSS e o fim da política de bipolaridade

trouxeram profundas mudanças econômicas para aqueles países que haviam

optado por uma economia planificada. Com a reunificação da Alemanha, novos

paradigmas foram firmados e a mundialização da economia capitalista levou

também ao Leste Europeu integração pela interdependência e uma relativa

uniformização das condições de existência das sociedades humanas. Como

assim? Empresas multinacionais foram para o centro da produção material

daqueles países, houve uma mudança na estrutura de produção, distribuição e

consumo dos bens e serviços, etc.

Mas, afinal, o que levou à derrocada do comunismo?

Nos anos 80, a URSS vivia uma situação econômica muito

complicada, em que a população e os movimentos sociais e trabalhistas

estavam à beira de um verdadeiro colapso. Os níveis de produção caiam a cada

ano e o desemprego aumentava cada vez mais – apesar do governo não

divulgar. Assim, a qualidade de vida tornava-se cada vez pior para a maior

parte da população. Tanto a falta de alimentos e produtos básicos

quanto a precariedade da prestação de serviços (luz, água, telefone) atingiram

a URSS, evidenciando que algo precisava ser mudado pelo governo antes que os

movimentos sociais ganhassem ainda mais força. Foi por isso que as mudanças

ocorreram!

Vocês já ouviram falar da glasnost e da perestroika?

A glasnost (transparência) e a perestroika (restauração da economia)

foram reformas lançadas pelo presidente da URSS Mikhail Gorbatchev em 1985.

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Dentre as principais medidas levadas a cabo, se destacam a redução dos gastos

com defesa, o fim do monopólio do Partido Comunista e maior liberdade de

expressão à população. Tais reformas levaram ao desfacelamento da URSS,

sendo que as repúblicas que a constituíam, juntamente com a Federação Russa,

formaram a CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

“Mas, professora, então quer dizer que o socialismo não mais existe

hoje em dia?”

Ótima pergunta, amigo! Atualmente, existem algumas controvérsias

em como considerar os casos do socialismo de Cuba, China, Coreia do Norte e

Vietnã, por exemplo. É preciso uma análise cuidadosa de cada um deles, por

terem características peculiares, como a indústria do turismo em Cuba ou a

existência de salário e lucro na China.

Mas, afinal, por que precisamos saber que houve essa polarização do

mundo em dois sistemas e que essa disputa se acirrou ainda mais depois da

Segunda Guerra Mundial?

Bem, para compreendermos os conflitos geopolíticos atuais será

fundamental que tudo o que lemos até aqui esteja bem claro para, a partir

disso, compreendermos melhor o cerne das disputas que ainda hoje fazem parte

da nossa realidade.

4) (CESPE / ABIN / 2008 – Questão adaptada) A ONU, criada em um

momento bastante distinto do de hoje, vem sofrendo forte pressão por

reforma institucional para agregar mais legitimidade política ao sistema

multilateral de segurança coletiva. Com base nessa afirmação podemos

afirmar que:

I) A ONU foi criada em 1945, num momento em que havia uma sutil diferença

na ordem internacional se comparado ao que é hoje em dia. Assim, fica difícil

entender o porquê da necessidade de mudanças no sistema que a rege.

II) O Conselho de Segurança da ONU é órgão responsável pela manutenção da

paz e segurança internacionais e possui 15 membros, sendo 5 membros

permanentes e 10 membros temporários.

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III) Para que a ONU tome uma decisão importante, como o envolvimento em

um conflito internacional, é necessário que pelo menos metade dos seus

membros estejam de acordo.

IV) São membros permanentes da Organização das Nações Unidas EUA, China,

Rússia, França e Reino Unido.

V) A atual estrutura institucional das Nações Unidas reflete, exatamente, seus

ideais de simetria de poder entre os países, deixando visível o direito e a

igualdade de opiniões.

Marque a opção correta

a) se somente a afirmativa I estiver correta.

b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

d) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

COMENTÁRIOS

A assertiva I está errada. Quando a ONU foi criada em 1945, a ordem

internacional era completamente diferente do que é hoje em dia, já que

estávamos acabando de sair de um período turbulento como a Segunda Guerra

Mundial. Assim, toda sua estrutura institucional reflete um cenário ultrapassado

e, portanto, dá margem e explica os pedidos de mudanças em todo o seu

sistema de funcionamento.

A assertiva II está correta. Sobre esse órgão, é importante sabermos

que ele possui 15 membros, sendo 5 membros permanentes e 10 membros

temporários, conforme afirma a questão.

A assertiva III está errada. Para que uma decisão importante seja

tomada por esse órgão é preciso que haja quórum de 9 votos, incluindo,

necessariamente, votos afirmativos de todos os membros permanentes do

Conselho de Segurança, que possuem o chamado “poder de veto”. Assim, se

14 membros do Conselho de Segurança da ONU votarem a favor de uma

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questão, mas um membro permanente votar negativamente, a decisão não será

adotada.

A assertiva IV está certa. São membros permanentes do Conselho de

Segurança da ONU apenas EUA, China, Rússia, França e Reino Unido.

A assertiva V está errada. Como podemos ver, o que a estrutura

institucional das Nações Unidas reflete, na verdade, é uma forte assimetria de

poder entre os países, deixando visível uma desigualdade de fato. É justamente

por isso que se reclama por uma reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Objetiva-se estruturar, dessa forma, um sistema multilateral que evidencie a

nova ordem internacional.

Nesse sentido, há países que pleiteiam um assento permanente no

Conselho de Segurança da ONU, particularmente Alemanha, Japão, Brasil e

Índia. Vejam só que interessante: Japão e Alemanha são duas das maiores

economias do mundo, mas por terem perdido a Segunda Guerra Mundial,

ficaram de fora da estrutura do Conselho de Segurança!

Todavia, apesar dessas intenções, há algumas resistências regionais:

o

Paquistão se opõe à entrada da Índia; a Itália se opõe à Alemanha; Argentina

e

México se opõem ao Brasil; e China e Coreia do Sul se opõem ao Japão.

Gabarito: D

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2 – DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO NO SÉCULO XX

Bem, pessoal, não é possível entender o século XX sem falar no

antagonismo de realidades que parece ter ficado ainda mais explícito no mundo

globalizado! Se antes da globalização, grande parte da população dos países

ricos não tinha muita ideia de como era a realidade num país subdesenvolvido,

hoje isso não é verdade. Eu já falei em vários momentos de países

desenvolvidos, países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Mas, afinal, o

que determina que classifiquemos cada país em um patamar diferente? Pierre

Salama possui uma definição sobre este assunto, que vale a pena lermos

cuidadosamente, na qual ele afirma:

“O subdesenvolvimento não pode ser explicado por si mesmo. Qualquer

tentativa de estudo do subdesenvolvimento sob um prisma automático,

separado da evolução da economia mundial, das necessidades dos seus

centros dominantes, está destinada a fracasso porque afasta o

problema essencial: o da gênese do subdesenvolvimento.”

Em outras palavras, o conceito de subdesenvolvido só existe se

pensarmos no seu opositor. O mesmo acontece quando pensamos o que é a

escuridão! A ideia de escuridão só existe em razão de conhecermos o que é a

claridade, não é mesmo? Da mesma forma, o conceito de subdesenvolvimento

só existe diante do conceito de desenvolvimento! Mas será que estamos certos

de que sabemos identificar o que é um e o que é outro? Vamos ver! Observem

as figuras que seguem:

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PARA A POLÍCIA FEDERAL PROFESSORA VIRGÍNIA GUIMARÃES Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO Prof a Virgínia
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Figura 1 - EXCLUSÃO X INCLUSÃO

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PARA A POLÍCIA FEDERAL PROFESSORA VIRGÍNIA GUIMARÃES Figura 2 – PRECARIEDADE X DESENVOLVIMENTO Exclusão,
PARA A POLÍCIA FEDERAL PROFESSORA VIRGÍNIA GUIMARÃES Figura 2 – PRECARIEDADE X DESENVOLVIMENTO Exclusão,

Figura 2 – PRECARIEDADE X DESENVOLVIMENTO

Exclusão, precariedade e pobreza aparecem sempre em oposição às

oportunidades, à fartura e ao desenvolvimento, não é mesmo? Bem, o fato é

que quando observamos certas situações que são muito mais comuns num tipo

do que no outro, imediatamente, associamos a realidade vista com a de um país

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desenvolvido e um subdesenvolvido. Mas, afinal, como classificamos esses

países? O que determina, formalmente, que eles sejam enquadrados como um

ou outro tipo?

Geralmente, são considerados países em desenvolvimento aqueles

que outrora foram colônia ou dependentes de outros. Com um desenvolvimento

econômico débil, se comparado ao de países capitalistas altamente

industrializados, eles ainda estão engatinhando para, quem sabe no futuro,

andarem lado a lado com as grandes potências mundiais.

Apesar desse contínuo esforço para se desenvolverem, a destruição e

desestabilização gerada pela constante exploração do sistema colonial nesses

países ainda apresenta profundas marcas econômicas e sociais. São vários os

fatores que caracterizam um país como subdesenvolvido, mas duas palavras

sempre estarão presentes: deficiência e dependência.

Deficiência de redes de transportes, meios de comunicação,

tecnologia, conhecimento científico, de empregos e indústrias são marcas de

países subdesenvolvidos. Do mesmo modo, também são indicativos de

subdesenvolvimento a dependência econômica, política e cultural em relação às

nações desenvolvidas, o crescimento populacional elevado, a baixa expectativa

de vida e a elevada taxa de natalidade e mortalidade infantil.

Na contramão dessa lógica, os países mais ricos do mundo – os

desenvolvidos – apresentam uma estrutura industrial completa, produzindo

todos os tipos de bens. Esses países são marcados tanto pela existência de

grandes indústrias, quanto pela eficiência e desenvolvimento da agropecuária,

dos conhecimentos científicos e tecnológicos, dos meios de transporte e

comunicação etc. Pois é, amigos, ao contrário dos países subdesenvolvidos,

estes outros têm sucesso com seu sistema político-econômico capitalista.

A tendência de mostrar essa nova realidade social mundial como uma

divisão simplista entre pobres e ricos pode servir como uma nova camuflagem

para esconder as contradições que estão na base da sociedade capitalista, uma

vez que capitalismo e exclusão são conceitos diferentes, mas que definem uma

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realidade interligada. O primeiro conceito assinala as características atuais do

processo de desenvolvimento do mundo; o segundo, sua consequência mais

aparente e imediata.

Um mundo cada vez mais unificado economicamente não significa

necessariamente um mundo mais igualitário ou empenhado na resolução de

problemas básicos. Assim, pessoal, temos como uma importante característica

do estágio atual do capitalismo o fato de sua expansão estar diretamente ligada

ao crescimento de empresas privadas internacionais – verdadeiras detentoras

do poder econômico, político e militar atualmente. Outra "novidade" é que a

modernização tecnológica acarretou inúmeros impactos sobre os sistemas

produtivos, os serviços e os meios de comunicação, tornando-os mais eficientes

e dinâmicos, como a internet. Mas, não se preocupem, pois, na nossa aula

sobre tecnologia falaremos muito mais sobre este assunto, certo?

Mas o fato é que, quando falamos de novidade, temos a tendência

de pensar em alguma coisa boa, não é? Ledo engano! No nosso caso, a

“novidade” vem acompanhada de coisas boas, mas também apresenta vários

efeitos negativos. Isso porque tamanha integração de economias acaba

atrelando uma à outra de tal forma que o abalo de uma pode significar o caos

em outra, ocasionando as grandes crises mundiais. Mas isso já é assunto para

nossa próxima aula quando aprofundaremos muito mais em vários dos temas do

edital!

Um forte abraço a todos! Espero vocês semana que vem, em nossa

próxima aula!!!

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LISTA DE EXERCICIOS

1) (CESPE / ABIN / 2008 – Questão adaptada) A geografia política das

relações internacionais foi nitidamente alterada, no século XXI, por uma

série de mudanças nos eixos do poder mundial. Com relação a essas

mudanças podemos afirmar que:

I) Houve um declínio relativo dos Estados hegemônicos do Atlântico Norte e a

transferência do eixo de poder para países do Pacífico e do Índico.

II) Os países do Atlântico Norte são o grupo formado por Japão, China, Índia e

os Tigres Asiáticos.

III) Com o fim da multipolaridade vivenciada pelo mundo durante o período da

Guerra Fria, houve a possibilidade do surgimento de novos atores com

relevância no cenário internacional.

IV) Apesar de ter auferido grande desenvolvimento, países como a China e o

Japão não conseguem interferir significativamente no mercado mundial.

V) A economia voltada para o aumento das importações foi o modelo adotado

pelo Brasil e outros países da América Latina, que pretendiam ganhar mais

mercado em todo o mundo.

Marque a alternativa:

a) se somente os itens I e II estiverem corretos.

b) se somente os itens III e IV estiverem corretos.

c) se somente os itens II, III e IV estiverem corretos.

d) se somente os itens I, II e IV estiverem corretos.

e) se somente o item I estiver correto.

2) (FGV / Professor de Geografia – Campinas / 2008) A expansão

financeira global ocorrida nos últimos anos levou à atual crise do

sistema capitalista iniciada nos Estados Unidos e na Europa. Entre as

ideias levantadas para enfrentá-la, encontram-se as do economista

inglês John Maynard Keynes (1883/1946), que tiveram forte influência

para a saída da crise iniciada em 1929.

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Assinale a afirmativa que resume uma das ideias básicas do

pensamento keynesiano, aplicável tanto na crise de 29 quanto na crise

atual.

a) O Estado deve intervir nos momentos de crise para salvar a economia de

mercado.

b) O mercado é o único elemento que tem os recursos para enfrentar as crises

cíclicas.

c) O Estado deve punir os grupos financeiros que não honraram seus

compromissos.

d) O mercado é livre e nesse caso as crises são resolvidas pela lógica da oferta

e da procura.

e) O Estado deve utilizar as verbas que seriam gastas com o bem-estar social

para auxiliar os bancos falidos.

3) (CESPE / Diplomata – IRBr / 2004) Há algo que não se pode dizer do

século XX: que foi um tempo de brumas, silêncios e mistérios. Tudo nele foi a

céu aberto, agressivamente iluminado, escancarado e estridente. E, no entanto,

ele ainda é um enigma – um claro en igma, parafraseando Drummond -, e dele

não podemos fazer o necrológio completo. E porque findou como uma curva

inesperada da história, em um astucioso desencontro do que achávamos ser o

futuro,

memória e nosso olhar. E tornou-se pedra e esfinge, com um brilho

que ainda cega e desafia.

O século XX foi, sem dúvida, um século das utopias. O seu andamento coincidiu

com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno -

sujeito e trabalho -, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites

do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. E

talvez por isso exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o

mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que

mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo,

nossa

turvou

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decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas

durante milênios.

O século XX sancionou o Estado-nação como a forma, por excelência, de

organização das sociedades em peregrinação para o futuro e em busca de

transparência. Os Estados nacionais ergueram-se como personagens

privilegiadas de uma história humana cada vez mais cosmopolita, para lembrar

Kant, modificando de forma radical a paisagem do mundo. Com eles, o direito

assumiu progressivamente a condição de um idioma universal, reagindo sobre o

passado e destruindo velhas estruturas hierárquicas fundadas em privilégios e

na tradição.

Mas o século XX não é apenas um tempo de esperanças. É também o século do

medo e das tragédias injustificáveis. A dura realidade dos interesses provoca

dois grandes conflitos mundiais, um tenso período de guerra fria e uma

interminável série de guerras localizadas. Um século de violência dos que

oprimem e dos que se revoltam.

Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio).

Apud: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (Org.). Pensar o século XX. São Paulo:

Unesp, 2003, p. 15-9 (com adaptações).

Considerando o texto acima, julgue os itens seguintes, relativos

ao cenário histórico do mundo contemporâneo.

A guerra fria assinalou a fase de confronto entre as duas

superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial, tendo seu

clímax após o anúncio da Doutrina Truman, pela qual os Estados Unidos

da América (EUA) se dispunham a apoiar os países que resistissem ao

comunismo.

4) (CESPE / ABIN / 2008 – Questão adaptada) A ONU, criada em um

momento bastante distinto do de hoje, vem sofrendo forte pressão por

reforma institucional para agregar mais legitimidade política ao sistema

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multilateral de segurança coletiva. Com base nessa afirmação podemos

afirmar que:

I) A ONU foi criada em 1945, num momento em que havia uma sutil diferença

na ordem internacional se comparado ao que é hoje em dia. Assim, fica difícil

entender o porquê da necessidade de mudanças no sistema que a rege.

II) O Conselho de Segurança da ONU é órgão responsável pela manutenção da

paz e segurança internacionais e possui 15 membros, sendo 5 membros

permanentes e 10 membros temporários.

III) Para que a ONU tome uma decisão importante, como o envolvimento em

um conflito internacional, é necessário que pelo menos metade dos seus

membros estejam de acordo.

IV) São membros permanentes da Organização das Nações Unidas EUA, China,

Rússia, França e Reino Unido .

V) A atual estrutura institucional das Nações Unidas reflete, exatamente, seus

ideais de simetria de poder entre os países, deixando visível o direito e a

igualdade de opiniões.

Marque a opção:

a) se somente a afirmativa I estiver correta.

b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

d) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

GABARITO

1

E

2

A

3

CERTO

4

D

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BIBLIOGRAFIA

em

18/03/2010

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Atlas, 2009.

MAGNOLI, Demétrio. Geografia para ensino Médio. São Paulo: Atual, 2008.

ROSS, Jurandir Sanches (org). Geografia do Brasil. - 6ª- edição - São Paulo:

Editora da Universidade de São Paulo, 2009.

SANTOS, Milton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Editora da Universidade

de São Paulo, 2008.

Artigos

disponíveis

em

<

http://www.sep.org.br/artigo

>

Acessado

O Espaço dividido: os dois circuitos da Economia urbana

dos países subdesenvolvidos. São Paulo: Editora da Universidade de São

Paulo, 2008.

SILVEIRA, Maria Laura (org.). Continente em Chamas. Globalização e

território na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

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