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VIEIRA, Alberto (1996),

Canaviais e açúcar da Madeira,

COMO REFERENCIAR ESTE TEXTO:

VIEIRA, Alberto (1996), Canaviais e açúcar da Madeira, Funchal, CEHA-Biblioteca Digital, disponível
em: http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/bdigital/avieira/ hsugar-canaviais.pdf, data da visita: / /

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CANAVIAISE AÇÚCAR
DA MADEIRA
ALBERTO VIEIRA
1996
FUNCHAL-MADEIRA http://www.madeira-edu.pt/ceha/
EMAIL:CEHA@MADEIRA-EDU.PT

O açúcar é de todos os produtos que acompanharam a diáspora europeia aquele que moldou, com
maior relevo, a mundividência quotidiana das novas sociedades e economias atlânticas que, em
muitos casos, se afirmaram como resultado dele. Começou por ser uma aportaçäo árabe, mas foi no
mundo cristão que ele conquistou as grandes áreas.
A cana sacarina, pelas especificidades do seu cultivo, especialização e morosidade do processo de
transformação, implicou uma vivência particular, assente num particular complexo sócio-cultural da
vida e convivência humana. Gilberto Freire foi o primeiro a chamar a atenção dos estudiosos para
esta realidade, quando definiu as bases daquilo a que designou de Sociologia do Açúcar: a
publicação em 1933 de "Casa-Grande & Sanzala" foi o prelúdio de um novo domínio temático para
a Sociologia e a História do Açúcar.
Neste contexto a Madeira manteve uma posição relevante, por ter sido a primeira área do espaço
atlântico a receber a nova cultura. E, por isso mesmo, foi aqui que se definiram os primeiros
contornos desta realidade, que teve plena afirmação nas Antilhas e Brasil. Foi na Madeira que a
cana-de-açúcar iniciou a diáspora atlântica. Aqui tornaram-se evidentes os primeiros contornos da
estrutura social (a escravatura), técnica (engenho de água) e urbana(trilogia rural) que
materializaram a civilização do açúcar. Por tudo isto torna-se imprescindível uma análise da
situação madeirense, caso estejamos interessados em definir, exaustivamente, a civilização do
açúcar no mundo atlântico.

FALSAS VERDADES

Foi precisamente esta tendência envolvente que levou a Historiografia a definir o período da
afirmação da cultura e comercio como o Ciclo do Açúcar. Aqui não estávamos perante uma
aplicação da teoria dos ciclos económicos, mas pretendia-se valorizar esta tendência para a
afirmação total da cultura na vida económica e social. A omnipresença da cana sacarina, as
múltiplas implicações que gerou nos espaços em que foi cultivada levaram alguns investigadores a
estabelecer um novo modelo de análise: os ciclos de produção assentes na monocultura!
O grande erro da Historiografia foi ter encarado a economia açucareira da Madeira ou das Canárias
como um retrato em miniatura do que sucedeu mais tarde do outro lado do Atlântico. O confronto
das duas realidades, coisa que ainda ninguém se atreveu a fazer, comprova que a situação não
existe, parecendo-nos mera ficção algumas das incursões no tema. O facto de ambos os
arquipélagos terem sido meios de ligação da nova cultura económica do atlântico ocidental, não
quer dizer que houve uma transplantação total e igual dos produtos e ambiência sócio-económica
envolvente para os novos espaços. Na verdade as condições ambientais, os obreiros da
transformação eram outros como diversa foi a realidade que o produto gerou.
Tudo isto deverá resultar das ciladas do método de análise do processo histórico de forma
retrospectiva, onde, por vezes, o facto surge-nos como a imagem e consequência.
Tal como o provaram os estudos recentes sobre a situação da economia açucareira do Mediterrâneo
Atlântico, a conjuntura deste espaço é diversa da americana, seja ela insular ou continental. Também
não se poderá colocar ao mesmo nível o caso de São Tomé que, embora situado no sector oriental
do oceano, aproxima-se mais da realidade antilhana do que dos arquipélagos da Madeira e das
Canárias. O mosaico de culturas surge de forma transparente nos testemunhos de alguns visitantes
dos rincöes madeirense e canário.
De acordo com esta ideia, de que a civilização do açúcar teve apenas uma única forma de expressão
no Atlântico Ocidental e Oriental, partiu-se para afirmações aventureiras na análise da economia e
sociedade que lhe serviram de base. Ao açúcar associou a Historiografia, desde muito cedo, a
escravatura, fazendo jus à afirmação de Antonil, no século dezoito, de que "os escravos são as mãos
e os pés do senhor de engenho". Aqui também a relação não nos surge tão transparente como à
primeira vista pode parecer.
Sucede que a escravatura da Madeira, como já tivemos oportunidade de o afirmar noutros trabalhos,
não assumiu uma posição similar à de Cabo Verde, São Tomé, Brasil ou Antilhas, não obstante o
surto evidente de produção açucareira. Aqui, ao invés daquilo que aí tem lugar nesses espaços, o
escravo não dominou as relações sociais de produção: ele existiu, sob a condição de operário
especializado ou não, mas nunca numa posição dominante.
Por fim acresce que esta hipervalorização do açúcar na História da Madeira levou alguns
aventureiros e progenitores de teorias de vanguarda a estabelecer também uma forma peculiar de
urbanização do Funchal, de acordo com a presença do açúcar. Deste modo ao Funchal do século
XVI chamam-lhe, sem saberem e explicarem porquê, "cidade do açúcar", quando na realidade, a
expressão urbanística da cana-de-açúcar é manifestada pela ruralidade.

OS CANAVIAIS DA ILHA

A cana-de-açúcar originária da Ásia Oriental chegou ao mundo mediterrânico através da Pérsia, por
iniciativa dos muçulmanos, que a levaram ao Egipto e daí para a Síria, Sicília, Marrocos, Espanha e
Bizâncio. Por outro lado as cruzadas estabeleceram o contacto dela com a Europa Cristã. Cedo a
cultura se divulgou e o novo produto entrou nos hábitos alimentares da aristocracia europeia: é de
995 a primeira referência à entrada de açúcar no porto de Veneza.
Os italianos foram os primeiros a aperceber-se da importância da cultura e produto daí resultante,
sendo os motores da sua expansão na cristandade ocidental. De acordo com a tradição as iniciais
socas de cana que foram trazidas para a Madeira teriam vindo da Sicília, acompanhadas dos
operários especializados, não obstante estar testemunha a presença desta cultura no reino, em
Coimbra e no Algarve. Os mercadores italianos, nomeadamente genoveses, seguiram-lhe o rasto, e
quando a cultura se tornou importante na economia local e começaram a surgir dificuldades com o
comércio do açúcar oriental.
Na ilha começou a delinear-se um mercado substituto desse que, entretanto, caíra em poder dos
muçulmanas. A conjuntura mediterrânica, definida pelas dificuldades do comércio oriental e da
situação das regiões produtoras da costa mediterrânica, favoreceu o rápido incremento da cultura da
cana de açúcar na ilha da Madeira e demais espaço atlântico.
A primeira metade do século dezasseis é definida como o momento de apogeu da produção
açucareira insular e pelo avolumar das dificuldades que entravaram a promoção em algumas áreas
como a Madeira onde o cultivo era oneroso e os níveis de produtividade desciam em flecha. Nesta
época as ilhas de Gran Canária, La Palma, Tenerife e S. Tomé estavam melhor posicionadas para
produzir açúcar a preços mais competitivos. A situação ganhou forma na década de vinte do século
dezasseis e avançou à medida que os novos mercados produtores de açúcar atingiam o máximo de
produção.
A crise do comércio do açúcar madeirense, a partir da década de setenta do século XVI, madeirense
não se explica apenas pela concorrência do açúcar das Canárias, Brasil, Antilhas e S. Tomé mas,
acima de tudo, pela conjugação de vários factores de ordem interna: a carência de adubagem, a
desafeição do solo à cultura e as alterações climáticas. A concorrência do açúcar das restantes áreas
produtoras do Atlântico, bem como a peste (em 1526) e a falta de mão-de-obra contribuíram para o
agravar da situação de crise do açúcar madeirense.
A tradição historiográfica tem defendido erradamente a ideia de que os canaviais sucumbiram, na
primeira metade do século XVI, com a concorrência das produções de outras ilhas e,
nomeadamente, do Brasil. Mas, o açúcar não desapareceu dos nossos poios e quotidiano. Ele casou
com o madeirense e acompanhou-o na ilha e fora dela. A par disso há uma tradição da indústria
açucareira, assente na laboração do açúcar por meio das conservas ou casquinha, nas tecnologias,
que persistiu, quase até à actualidade. E hoje de novo a cultura parece querer regressar aos nossos
campos.
A conjuntura do século dezassete foi favorável ao retorno da cultura. Algumas terras de vinha ou
searas cederam lugar às socas de cana. Mas estas pouco ultrapassaram, num primeiro momento, a
valoração da área agrícola circum-vizinha do Funchal. A ocupação holandesa do nordeste brasileiro
fez com que a cultura fosse reabilitada como forma de responder à sua solicitação na Europa e pela
necessidade resultante das indústrias de conserva e casquinha.
Esta foi no entanto uma recuperação passageira uma vez que na década seguinte o reaparecimento
do açúcar brasileiro no porto do Funchal trouxe de volta a anterior situação. O açúcar madeirense
estava, mais uma vez, irremediavelmente perdido, mercê da concorrência do brasileiro. Ainda em
1658 procurou-se apoiar o seu cultivo ao reduzir-se os direitos sobre a produção para um oitavo,
mas a crise era inevitável.
A conjuntura económica de finais do século dezanove trouxe a cultura de regresso à Madeira, como
o intuito de reabilitar a economia que se encontrava profundamente debilitada com a crise do
comércio e produção do vinho. Todavia a situação, que se manteve até à actualidade, não atribuiu ao
produto a mesma pujança económica de outrora.
Esta ultima fase, que terminou em 1976, foi marcada por grandes inovações ao nível da força de
trabalho e da tecnologia. A abolição da escravatura implicou uma revolução tecnológica nas técnicas
de cultivo e laboração do açúcar. A máquina a vapor chegou ao engenho e com ela inúmeras
inovações que tornaram mais fácil e lucrativa a safra. Esta conquista de inovação tecnológica era
custosa e só foi conseguida à custa de medidas proteccionistas. Sucedeu assim em todo o lado. Entre
nós isto ficou conhecido como a questão Hinton.
A família Hinton segurada na influência das autoridades diplomáticas britânicas e da intervenção
pessoal junto da coroa e, depois, das hostes republicanas, conseguiu atingir os seus objectivos. Tudo
começou com as medidas fornecedoras da entrada de melaço estabelecidas pela lei de 1895,
associado ao decreto de 1903, um regulamento anexo a este decreto determinava a forma de
matrícula das fábricas.
Entretanto, caia a monarquia e sucedeu a República, que parecia querer fazer ouvidos moucos às
regalias conquistadas no anterior regime. Mas de novo as influências moveram-se a família Hinton
conseguiu pelo decreto de 11 de Março de 1911 assegurar o monopólio do fabrico do açúcar e
regalias na importação de açúcar das colónias.
Os anos seguintes foram de plena afirmação deste monopólio e de luta sem tréguas às fábricas de
aguardente. Note-se que o consumo excessivo da aguardente era o inimigo número um da saúde
pública, sendo a Madeira, por essa situação, definida como a ilha da aguardente.
Depois foi o que se viu até que em 1985 agonizou em definitivo o império do açúcar do Hinton,
construído com pés de barro, sustentado pelos favores políticos, vegetando à custa da exploração
dos lavradores de cana.
A CULTURA SEGUNDO GIULIO LANDI: UM TESTEMUNHO DE 1530

"Fabrica-se o açúcar desta maneira: apanham primeiramente-


te as canas e estendem-se por ordem nos sulcos. Depois,
cobertas de terra, vão-nas regando amiudadas vezes, de modo
que a terra sobre os sulcos não se torne seca mas se
mantenha sempre húmida. Daí que, pela força do sol, cada nó
produz a sua cana que cresce a pouco e pouco cerca de
quatro braças e sucedia assim porque o terreno aplicado
então ao cultivo, tinha mais força de produção (...). Assim
amadurecem ao fim de dois anos e, quando maduras, cortam-
-nas na Primavera, rente ao pé. Os pés, germinando de novo,
produzem outras canas para o ano seguinte, as quais não
crescem tão altas, mas com cerca de menos uma braça e, ao
fim de um ano, ficam maduras. Cortadas estas segundas,
arrancam totalmente as plantas para depois, no devido
tempo, reporem outras canas como se disse. Quando maduras,
chegam muitas vezes a ser danificadas pelos ratos. Por isso
os escravos empregam muita diligência em apanhar e matar
estes ratos (...). Os lugares onde com enorme actividade e
habilidade se fabrica o açúcar estão em grandes herdades, e
o processo é o seguinte: primeiramente, depois que as canas
cortadas foram levadas para os lugares acima referidos,
põem-nas debaixo de uma mó movida a água, a qual, trituram-
do e esmagando as canas, extrai-lhe todo o suco. Aqui há
cinco vasos postos por ordem, para cada um dos quais o suco
saído das canas passa um certo tempo em ebulição, depois,
passando para os outros casos, com fogo brando, dão-lhe com
habilidade a cozedura, de modo que chegue a espessura tal
que, posto depois em formas de barro, possa endurecer. A
espuma que se forma ao cozer o açúcar, deita-se em barri-
cas, excepto a que sai da primeira cozedura, porque esta se
deita fora; mas a outra, que se conserva, é muito semelhan-
te ao mel".

OS ENGENHOS FRUTO DA INVENÇÃO MADEIRENSE ?

Na moenda da cana utilizaram-se vários meios técnicos comuns ao mundo mediterrânico, mas a
disponibilidade de recursos hídricos conduziu a um maior aperfeiçoamento com a criação do
primeiro engenho de água, na Madeira, patenteado em 1452 por Diogo de Teive. Este processo
resultou apenas nas áreas onde era possível dispor da força motriz da água fez-se uso da força
animal ou humana. Os últimos eram conhecidos como trapiches ou almanjaras.
Näo conhecemos qualquer dado que permita esclarecer os aspectos técnicos deste engenho. Apenas
se sabe que em 1530 eram uma "mó movida a água", semelhante ao sistema usado no fabrico de
azeite.
Uma das questões que mais tem gerado polémica prende-se com a evolução da tecnologia do
fabrico do açúcar, concretamente a passagem do trapiche ao engenho de cilindros. O primitivo
Trapettum era usado já na Roma antiga para triturar azeitonas e sumagre, sendo, segundo Plínio,
inventado por Aristreu, Deus dos Pastores. Mas este tornou-se um meio pouco eficaz nas grandes
plantações, tendo-lhe sucedido o engenho de eixo e cilindros. É aqui que as opiniões divergem.
Existe uma versão que aponta esta evolução como uma descoberta mediterrânica. A Historiografia
castelhana encara isso como um invento de Gonzalo de Veloza, vizinho da ilha de La
Palma(considerado por muitos como madeirense), que teria apresentado o seu invento em 1515 na
ilha de S. Domingos. Outros há que apontam ser este resultado do invento do madeirense Diogo de
Teive, patenteado em 1452. Outros apontam para a sua origem chinesa. O engenho de três eixos
surge mais tarde no Brasil sendo considerado também uma invenção portuguesa, inegavelmente
ligada aos madeirenses aí radicados.
A palavra trapiche entrou depois no vocabulário do açúcar a designar todos os tipos de engenhos de
cilindros usados para moer cana. Nos arredores do Funchal existe uma localidade com este nome, o
que prova ter existido aí um engenho deste tipo.

AS CONSERVAS E DOÇARIA

Parte significativa do açúcar produzido na ilha, e mais tarde importado do Brasil, era usado no
fabrico de conservas e de doçaria. São vários os testamentos denunciadores da mestria dos
madeirenses no fabrico destes produtos. Em meados do século quinze Cadamosto refere a feitura de
"muitos doces brancos perfeitíssimos", enquanto em 1567 Pompeo Arditi dá conta da "conserva de
açúcar" que se fazia no Funchal "de óptima qualidade e muita abundância". E esta tradição
perpetuou-se na ilha para além do fulgor da produção açucareira local, pois segundo Hans Sloane
em 1687 o madeirense produzia "açúcar indispensável aos gastos caseiros e ao fabrico de doces,
indo ainda comprá-lo ao Brasil". Dois anos depois John Ovington refere a indústria da conserva de
citrinos que se exportava para França.
O exemplo da fama alcançada pela arte da confeitaria temo-la na embaixada enviada por Simão
Gonçalves da Câmara ao Papa. Segundo Gaspar Frutuoso compunha-se de "muitos mimos e brincos
da ilha de conservas, e o sacro palácio todo feito de assucar, e os cardeais todos feitos de alfenim,
dornados a partes, o que lhes dava muita graça, e feitos de estatura de hum homem".
Um dos factores de promoção desta indústria ao nível das conservas, foi a importância assumida
pelo Funchal como porto de escala de abastecimento para a navegação atlântica. Muitas
embarcações aportavam aí com o intuito de se fornecerem de conservas de citrinos para a sua dieta
de bordo. Mas, sem dúvida, o consumidor preferencial das conservas e doçaria madeirense era a
Casa Real portuguesa. D. Manuel foi o seu consumidor preferencial e aquele que divulgou as suas
qualidades na Europa. Assim ficaram como o seu principal presente, dentro e fora do reino, sendo o
seu exemplo seguido por Vasco da Gama, que também ofertou o xeque de Moçambique com
conservas da ilha.

AÇÚCAR E ARTE

Na Madeira o panorama artístico quatrocentista e quinhentista anda indissociavelmente ligado ao


açúcar. Com o dinheiro da venda do açúcar, agricultores e rendeiros, conseguem assegurar a sua
subsistência de cereais, erguer faustosos palácios na cidade e meio rural, vestir-se de ricas sedas e
brocados trazidos das melhores oficinas de Bruges, Londres ou Rochela.
Uma das formas de ostentação da grande aristocracia fundiária, com todos os interesses na produção
de açúcar, foi sem dúvida a pratica da compra de obras de arte para embelezar as capelas anexas às
suas amplas vivendas, nas igrejas ou apenas para uma simples doação à igreja paroquial.
A Flandres nesta época notabilizara-se, não apenas pelos panos, mas também pelas pinturas e
esculturas. As oficinas trabalhavam incessantemente para dar vazão à procura das suas obras, que
então se trocavam por açúcar, pastel, ou outro qualquer produto, à consoante as encomendas
proviessem da Madeira e Canárias ou à Açores.
Ao contrario do que se pretende afirmar a pratica de troca de açúcar por pintura e escultura
flamengas não foi só apanágio dos madeirenses. Também os nossos vizinhos de Canárias,
nomeadamente em La Palma, Gran Canária, Tenerife, ilhas onde o açúcar adquiriu grande pujança.
O mesmo se poderá dizer no Brasil, com especial destaque para S. Paulo e Paraíba.
Última alteração: 96/02/07