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ANTERO DE QUENTAL

Antero de Quental faz parte da 3ª geração de românticos, juntamente com Eça de Queirós, mas, já é, também, um realista, o que está patente num certo espírito revolucionário, no papel de revolucionário social que ele toma, como voz do povo.

AS DUAS LINHAS–FORÇA DA POESIA ANTERIANA

A interrogação horizontal Eu/Mundo: a preocupação com aquilo que o rodeia, com o

mundo, procurando conhecê-lo, interpretá-lo, compreendê-lo amor, da verdade, da fraternidade.

A interrogação vertical Eu/Deus: a preocupação com Deus, procurando conhecê-lo,

interpretá-lo, compreendê-lo

transcendente, não perdendo de vista o racionalismo.

a busca da justiça, do

de

forma

racional

a

busca

do

absoluto,

do

é

OS DOIS ANTEROS

O apolíneo ou luminoso: canta o amor e a razão, como fonte da harmonia e do

equilíbrio do indivíduo e da sociedade: a “aspiração racionalista”, “a mente iluminada do pensador e do apóstolo”.

O nocturno: canta a noite, o sonho, a morte, o pessimismo, a angústia existencial, o apagamento e a desilusão.

AS QUATRO LINHAS TEMÁTICAS DA EVOLUÇÃO POÉTICA ANTERIANA

1.

A expressão do amor: o amor espiritual (retrato idealizado da mulher)

O amor espiritual, à maneira de Petrarca, sem a sensualidade lírica de Garrett, à moda dos clássicos.

A mulher é um ser adorável, mas é uma “visão” – platonismo inspirado em Camões.

O idealismo platónico: o devaneio, a evasão romântica

Não tem as formas

lânguidas, divinas,/ Da antiga Vénus de cintura estreita.”; “Idílio”; “Abnegação”

Alguns textos significativos: “Ideal” – “Aquilo que eu adoro (

)/

2. As preocupações sociais, as ideias revolucionárias

Desejo profundo de construir um mundo novo: o homem procura novos caminhos em direcção aos ideais a atingir – a ânsia de liberdade.

“O mundo (este mundo) está velho e a poesia só está à vontade num mundo novo,

jovem, enérgico.” (Antero de Quental, in Carta a Carolina Michaëlis, de 7 de Agosto de

1885)

A importância da poesia e a função do poeta: divulgar e combater, pois a poesia é a voz

da revolução que visa a Justiça, o Amor e a Liberdade; poesia é renovação

A Razão clama pela fraternidade e pela solidariedade; o Amor é a fraternidade; a Justiça

exige igualdade. Ao tornar a Razão irmã do Amor e da Justiça, há uma preocupação em harmonizar conceitos que nem sempre são fáceis, pois o sentimentalismo, por vezes, entra em conflito com as reflexões da consciência. A Razão deve permitir ao Homem criar a harmonia e levá-lo à Liberdade, só conseguidas pela Amor e pela Justiça. Em nome da Razão, o Homem tem travado uma luta ao longo dos séculos. A Razão contribui para a harmonia do Universo, para manter “a virtude, desenvolver o heroísmo, encontrar a Liberdade e realizar o Homem”.

Nesta temática, predominam as alegorias e os substantivos com letra maiúscula (“Razão, Amor, Justiça” – são instituições)

Alguns textos significativos: “Hino à Razão” – “É por ti que a virtude prevalece ( Por ti

)/

(

)/

Buscam liberdade

”;

“A um Poeta”; “Evolução”

3.

O pessimismo e a evasão

A busca da evasão através do sonho; incapacidade de adaptação ao real; as conotações positivas associadas ao sonho: eleva o espírito, atenua o sofrimento

Expressão de um ideal religioso.

Alguns textos significativos: “Nox” – “Oh! antes tu adormecesses/ Por uma vez, e eterna,

inalterável (

inviolável,/ Noite sem termo, noite do Não-ser!”; “O Palácio da Ventura”; “Despondency”

4. A metafísica: Deus (o refúgio) e a Morte (a libertação)

A metafísica e a busca do transcendente são uma forma de superar o pessimismo.

“O meu pessimismo tem-se desvanecido com esta vida contemplativa no meio da boa

natureza. Reconheci que andar por toda a parte a proclamar, com voz lúgubre, que no

(Antero de Quental, in Carta a João de

Deus, de 20 de Julho de 1882)

O poeta busca, de forma racional, o ideal transcendente.

A dificuldade de conciliação entre “o artista, o fidalgo e o filósofo” com a “plebe operária” (nas palavras de Eça)

mundo é vão, era ainda uma última vaidade

E ele, o mundo, sem mais lutar nem ver,/ Dormisse no teu seio

)/

O abandono; o descanso merecido após tantas lutas; a resignação após o desencanto.

Alguns textos significativos: “Elogio à Morte – V” – “Dormirei no teu seio inalterável (

Morte libertadora e inviolável”; “Mors liberatix”; “Na mão de Deus”; “Salmo”; “A um

)/

Crucifixo”; “À Virgem Santíssima”; “Solemnia Verba”