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ALONSO, Angela. Epílogo do Romantismo.Dados - Revista de Ciências Sociais, Rio de. Janeiro. Vol. 39, n.1, 1996

EPÍLOGO DO ROMANTISMO *

I - Uma Genealogia Americana

Angela Alonso i

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Desde a independência política, os homens de estado e de letras no Brasil tiveram de se haver com a questão da nacionalidade. A política, a historiografia e a literatura, imbricadas que eram, estiveram, ao longo de todo o século XIX, empenhadas na definição da brasilidade. O movimento geral oscilou entre a afirmação da especificidade brasileira e o desejo de produzir uma civilização de tipo europeu. A ambigüidade básica estava na tentativa de definir uma tradição brasileira que nos faltava - ao menos nos moldes europeus - e que teria, portanto, de ser senão inventada, ao menos recriada 1 . No Segundo Reinado, o romantismo foi o grande molde desta tentativa de responder o que era o país e qual deveria ser o seu futuro; o indianismo foi o conteúdo hegemônico de brasilidade que ele forjou, comparecendo na formulação dos símbolos nativistas do Império, e na formação da visão oficial do país, para constituir-se em matriz intelectual do período. Por esta via, o Brasil apresentava-se como o representante da civilização européia na América face a seus vizinhos bárbaros, construindo uma imagem de si mesmo na qual vinham conciliadas a herança européia e a tradição indígena. Conciliação exatamente era a palavra-chave que terminou por designar o período, momento em que se afastavam as perspectivas de ruptura e em que, depois da série de convulsões de toda ordem que assaltara o país na Regência, consolidava-se a unidade política e territorial do país em torno de um rei brasileiro. Esta tendência pacificadora efetivou-se na política com a "Transação" entre luzias e saquaremas, originando, depois, a aparente placidez do período de Conciliação, num arranjo que equilibrava os poderes regionais e alternava liberais e conservadores na chefia dos gabinetes ministeriais e, na prática, no comando do país. O país consolidado tinha de marcar sua especificidade como nação; necessitava criar uma imagem de si mesmo que não tivesse por substrato apenas o nativismo antiportuguês que tantas vezes comparecera na política como nas letras até então (Cf. CARVALHO, 1988 e 1994). A nacionalidade iria sendo moldada não apenas pelo indianismo modelado em Chateaubriand e Cooper, mas também pelo consumo do ecletismo de Victor Cousin, incorporado e divulgado por Monte Alverne e que permitia combinar concepções filosóficas rivais, precavendo assim eventuais dissensos. O próprio monarca estimulou - e não raro financiou - intelectuais que trabalhassem na construção desta auto-imagem nacional. Desde o início do Segundo Reinado, este incentivo do poder central à consolidação de uma elite intelectual se manifestava, fosse no subsídio direto à publicação de obras ou a viagens de estudo à Europa, fosse na alocação dos que iam se sobressaindo no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, organismo criado em 1838, com a finalidade de estudar e, em certo

* Este ensaio é uma versão refundida e reelaborada do primeiro capítulo de minha dissertação de mestrado (Cf. ALONSO, 1995b.). Agradeço as críticas e sugestões de José Murilo de Carvalho e de Pedro Puntoni, que tiveram a gentileza de ler a primeira versão. 1 - O que é exemplamente demonstrado por Antônio Cândido em A Formação da Literatura Brasileira

(1959).

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sentido, definir o Brasil. Esse grupo de poetas, pintores e escritores 2 , igualmente envolvidos na política e íntimos de D. Pedro II - muitos chegaram a conselheiros - também se alocava na Niterói - Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, em funcionamento desde 1836, centro intelectual que acabou por ganhar o porte de definidor do país. Chefiado por Gonçalves de Magalhães, conservava forte influxo do neoclassicismo, mas já comportava tintas românticas. O meio-tom prevalecente levou à formulação do indianismo como uma espécie de programa oficial das letras nacionais, cuja manifestação mais acabada foi o aparecimento, em 1856, de A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães, publicada com subsídio e entusiasmo do Imperador. De há muito descartado como fundamento da economia nacional, o índio era erigido como símbolo da brasilidade. Não se tratava exatamente, porém, dos povos indígenas nacionais existentes; por recurso ao estereótipo, entravam em cena os nossos nobres antepassados indígenas como se fossem gregos estilizados e transpostos para o mundo tropical no momento de contato com o colonizador. O próprio Magalhães o afirmava: "A poesia brasileira não é uma indígena civilizada; é uma grega vestida à

francesa e à portuguesa, e aclimatada no Brasil; (

1972, p. 31). No poema, o país era retratado tendo por modelo a formação das nações européias. Em certo sentido, os estudos que o Instituto Histórico e Geográfico desenvolvia eram uma tentativa de encontrar nas civilizações indígenas, consideradas já desaparecidas, um substitutivo para a idade média européia que não tivemos. 1856 era também o ano no qual José de Alencar estreava na cena pública; vinha discordar da versão literária da nacionalidade construída por Magalhães. Na célebre polêmica a respeito da Confederação dos Tamoios, Alencar justamente acusava Magalhães de miopia face ao país real. O pseudônimo sob o qual se acobertava, Ig., abreviatura de Iguassú, a heroína do poema, denotava não apenas sua ironia mas também a intenção de sedimentar a brasilidade tendo por ponto de partida a tradição indígena nacional. Numa espécie de crítica programática, identificava no poema a realização mais acabada do que a literatura nacional não deveria ser, por basear-se numa idealização do país que desandava em um indianismo sem correspondência com a realidade nacional. "De há muito tempo se tem manifestado uma certa tendência de reação contra essa poesia inçada de termos indígenas, essa escola que pensa que a nacionalidade da literatura está em algumas palavras: a reação é justa, eu também a partilho, porque entendo que essa escola faz grande mal ao desenvolvimento do nosso bom gosto literário e artístico." (ALENCAR,05/07/56 In CASTELLO, 1953) A "escola" responsável pelo mal não era senão o grupo da Niterói. Ao posicionar- se contra Magalhães, Alencar recebeu a ira de todo o grupo palaciano, a legião de intelectuais e poetas de que D. Pedro II se fazia rodear. O próprio Imperador, num arroubo único em todo o Segundo Reinado, saiu em defesa de seu protegido, juntamente

(MAGALHÃES In COUTINHO,

)."

2 - Nos fins da década de 1850, esta corte era composta por Gonçalves de Magalhães, poeta, e seu séquito, dentre os quais destacavam-se Araújo de Porto Alegre, pintor e político de renome, Francisco de Salles Torres Homem e Pereira da Silva. As considerações que apresento sobre o grupo da Niterói e sobre a polêmica da Confederação dos Tamoios estão baseadas quase que integralmente na análise realizada por Antônio Cândido. Cf. CÂNDIDO, 1959.

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com Porto Alegre e Monte Alverne 3 . A polêmica evidenciava, pois, o imbricamento entre

o grupo da Niterói e D. Pedro II. Ao menos era essa a acusação que fazia Ômega, um dos

apoiadores de Alencar na disputa, segundo o qual o grupo se basearia na autopromoção e no elogio mútuo, alojados no IHGB e protegidos pelo Imperador (ÔMEGA In CASTELLO, 1953). Pouco mais tarde, em 1861, Alencar debutava também na política partidária e boa parte de sua produção intelectual seria dedicada a questões do dia, o que sugere a existência de uma complementaridade entre seus projetos literário e político. Também Gonçalves de Magalhães e Porto Alegre eram políticos, daí ser possível concluir que essas disputas não tinham por finalidade apenas causar furor na roda culta, mas também exprimiam posições políticas. Pode-se mesmo dizer que, durante o Império, a vida intelectual orbitava essas discussões, constituindo um verdadeiro sistema de polêmicas. Era usualmente por meio delas que jovens obscuros como Alencar se lançavam à cena pública, de preferência atacando alguma figura de relevo - expediente tão ardilosamente utilizado por Alencar que se voltará contra ele em momento posterior,

como veremos a seguir. Em verdade, a polêmica era o veículo pelo qual o jovem Alencar anunciava seu desejo de produzir um novo padrão de literatura nacional. Recusava o modelo de tonalidades ainda neoclássicas de Magalhães, que procedia a aclimatação das musas européias para contar a epopéia nacional. Para Alencar, o indianismo na versão de Magalhães não expressava a autenticidade brasileira. Alencar comungava com Magalhães

e

com os demais contemporâneos o objetivo de definir as raízes da nacionalidade; porém

o

romantismo, que foi a matriz básica do período, encontrou muitas bifurcações. Assim é

que Von Martius a definiu, em viés racialista, como mistura das raças formadoras e Magalhães foi encontrá-la no território. Alencar, por seu turno, quis ver o Brasil como síntese das culturas aborígenes e européia, de modo a configurar-se numa civilização americana - na qual o tripé de Martius vinha manco da perna negra. Não se tratava de

negar o indígena como elemento preponderante na formação da nacionalidade. Muito

embora se opusesse a Magalhães, Alencar o fazia no interior do grande projeto indianista;

a discussão girava em torno de qual indianismo deveríamos ter. Defendia Alencar que a

verdadeira literatura brasileira deveria pautar-se pela origem, tradição e história dos povos indígenas formadores da própria nação, considerando o modo pelo qual tudo isso miscigenara-se à cultura européia, e não por um índio forjado em molde greco-romano.

Alencar apontava como razão principal do fracasso de Magalhães sua mélange de ficção e história que se expressaria em forma imprópria, a epopéia. A quebra que visava instituir se efetivaria nesses termos, isto é, uma mudança mais de forma literária que de perspectiva. Seu primeiro grande sucesso, O Guarani, de 1857, era justamente a efetivação de sua demanda contra Magalhães; ali Alencar procuraria demonstrar que a verdadeira história da nação tinha de encontrar forma no romance - gênero que, aliás, consolida entre nós. Dando forma nova ao indianismo já existente, o posicionamento de Alencar face a Magalhães representava uma mudança no modo de exprimir o Brasil; anunciava um novo programa para a literatura pátria. Porém, havia também continuidade:

3 - Participaram da polêmica , encobertos por pseudônimos, José de Alencar (Ig.), Manuel de Araújo Porto Alegre (O Amigo do Poeta), D.Pedro II (Outro Amigo do Poeta), Pinheiro Guimarães (Ômega) - esta identificação é duvidosa -, além de dois outros cuja identidade não foi descoberta: "O Boqui-aberto" e "O Inimigo dos Capoeiras". Cf. CASTELLO, 1953.

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foi justamente a avaliação dos erros de Magalhães que permitiu a criação de um novo molde literário que os suplantasse. A transição de um indianismo a outro não foi, portanto, uma ruptura abrupta; houve, na verdade, uma passagem para o primeiro plano do que estava antes na sombra. Se a ênfase universalista da primeira geração romântica não a privava de conteúdos locais, em Alencar, o privilégio dado à cor local não lhe roubaria a transcendência (CÂNDIDO, 1959). É por isso que a polêmica pode ser considerada como momento fundamental de formação para Alencar. A sua crítica acaba se configurando como uma espécie de receita do que será sua prosa daí por diante; parece ser através dela que Alencar encontra o próprio filão de sua literatura. Seu romantismo retomava a preocupação com a verossimilhança histórica como chave literária, alcançando um certo realismo na formulação dos tipos sociais que compunham o país, encontrando no nacionalismo literário o filtro pelo qual a realidade local seria tomada, em descrições de lugares, costumes e da própria história da nação; a finalidade, portanto, era pesquisar e redescobrir o Brasil. Havia aí um "senso de missão" (CÂNDIDO, 1959). Esta perspectiva levaria Alencar a perceber o país nas suas segmentações rural, urbana e primitiva; projeto que concretizaria em séries de romances, visando descrever a formação da identidade nacional e cujo primeiro evento é a publicação de O Guarani, apenas um ano após a polêmica, onde procurava pôr em prática seus princípios literários, transportando a epopéia indianista para o romance. Esta nova formulação da literatura pátria iria conferir-lhe, nos anos seguintes, notoriedade superior a de Magalhães. Talvez o sucesso literário tenha levado Alencar a dilatar suas pretensões. Em 1861 chega à câmara deputado pelo Ceará, tendo sido eleito pelo partido conservador. Teria atuação discreta em sua estréia. Poucos anos depois, no entanto, faria uma extensa crítica do funcionamento do sistema político em série de cartas públicas dirigidas inicialmente ao imperador. As Cartas de Erasmo, publicadas entre 1866, teriam no público político o mesmo impacto que O Guarani tivera no público literário (Cf. ASSIS, 1888) e seriam responsáveis pela aproximação de Alencar com D. Pedro, valendo-lhe mesmo a indicação para o ministério da justiça na gestão de Itaboraí, em 1868. Este período, no qual Alencar era coroado o maior romancista do Império, foi época de turbulência política, como bem o expressam as circunstâncias da queda do gabinete Zacarias (Cf. HOLANDA,1985). A Conciliação alcançara seu ocaso, o que significava o esgarçamento das alianças em torno de um único projeto civilizatório centrado e gerido por D. Pedro II. Nos últimos anos da década de 60, a elite política imperial 4 iria cindir-se, permitindo a entrada em cena de setores médios que ganhariam voz num cenário antes ocupado pelas oligarquias. A ascensão de uma elite militar e a formação de uma camada média urbana letrada iam, aos poucos, tomando a burocracia estatal, clamando por critérios de mérito que desenhassem novos espaços políticos de atuação, um discurso de feições modernas que logo se revelaria incompatível com as instituições monárquicas. Dotados de formação técnico- científica - militares, engenheiros, médicos -, eram em tudo antípodas dos literatos e dos bacharéis. A reação desta contra-elite (CARVALHO, 1991) far-se-ia, então, em nome da política representativa. De 1856 a 1876 seria também o período em que Alencar passaria da glória à sombra. Findo o longo período de formação, esteado na necessidade de fundar-se uma

4 - Para uma análise pormenorizada do processo de formação e de funcionamento da elite imperial, veja-se os trabalhos de CARVALHO, 1980 e 1988.

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tradição, a de uma nação tupi-portuguesa, gerada como uma espécie de mito de formação de um povo, o país passava, então, a ser concebido a partir de sua inserção no contexto mundial e, por conseqüência, por recurso aos padrões europeus então em voga de civilização e atraso. Se o bacharelismo liberal combinava com o discurso romântico, em grande medida conciliador das diferenças, o cientificismo emergente iria encontrar a forma de seu discurso na própria ciência. As questões antes tomadas como eminentemente políticas ou tematizadas em polêmicas literárias, seriam deslocadas para o terreno social para serem equacionadas a partir da sociologia nascente. A ciência emergia, portanto, como a grande fornecedora de respostas, lugar a partir do qual a “nova geração” iria se contrapor ao indianismo romântico e ao bacharelismo liberal. Neste momento, a euforia do país novo cedia à compreensão de que um fosso separava o Brasil da civilização. Esta "consciência amena do atraso" (CÂNDIDO,1989) levaria a intelectualidade brasileira a reconsiderar as possibilidades de progresso futuro, a partir de uma releitura de si própria. Foi quando Alencar, o festejado papa da literatura nacional, viu-se relegado ao ostracismo e uma mudança de perspectiva se impôs.

II - Últimos Suspiros Românticos

1 - Questões do Dia

Em 1865, Machado de Assis lastimava o estado geral da crítica literária no Brasil, a crítica, desamparada pelos esclarecidos, é exercida pelos incompetentes."(ASSIS,

"(

1865, p.11). Neste vácuo, situava um programa: o crítico deveria ser um legislador, cuja avaliação tinha de basear-se em critérios: procurar o "sentido íntimo" da obra e manter-se independente, tolerante e imparcial. Em parte premonitório, esclarecia que estava aí delineando um "ideal do crítico", que é o nome do próprio artigo, e que a crítica nacional existente estava longe de alcançar este padrão. Amostra da justeza desta constatação é a renhida briga que se estabeleceu com as Questões do Dia 5 e com a polêmica entre Nabuco e Alencar. Após breve namoro com o poder, de que as suas Cartas de Erasmo são documento, e o subsequente convite para o ministério da justiça é prova irrefutável, Alencar se incompatibilizara com D. Pedro. Ao chefe da nação não agradou o tom pouco cerimonioso, de rompantes muitas vezes mal educados - que caracterizou seu comportamento político, como seus discursos na câmara bem o atestam - com que Alencar conduzia o ministério da justiça na gestão de Itaboraí e foi talvez o confronto das duas teimosias, a imperial e a literária, que levou o Imperador a não acolher sua indicação para o Senado 6 . Alencar saiu do governo envolto em alarde e despeito e foi compor fileiras com os emperrados que obstavam no parlamento o programa de reformas -

)

5 - Por não ter tido acesso direto aos documentos desta polêmica, utilizei a Carta III de Franklin Távora publicada na edição crítica de Iracema (1979); para as demais tive por base a resenha - e também a linha de interpretação - apresentada por Antônio Cândido. Cf. CÂNDIDO, 1959.

6 - Alencar concorrera a uma vaga pelo Ceará com a viva discordância de D.Pedro que considerava impróprio ao ministro da justiça, a quem competia a lisura das eleições, envolver-se no pleito que presidia. Alencar insistiu na candidatura, abandonado sua pasta, e venceu em seu estado. O imperador, no entanto, preferiu indicar dois nomes obscuros.

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incluída aí a lei do ventre livre - que Rio Branco, sob os francos augúrios do Imperador, procurava estabelecer. A mágoa de Alencar o levou a fundar O 16 Julho - referência ao gabinete Itaboraí, jornal no qual iria atacar a situação conservadora que até então

compusera. O fato, evidentemente, não foi bem recebido pelo imperador que teria insuflado José Feliciano de Castilho 7 a lançar o periódico Questões do Dia com a finalidade de atacar o político José de Alencar. É por este veículo que, entre 1871 e 1872, Franklin Távora, sob o pseudônimo de Semprônio, recorreria também à polêmica para rechaçar a literatura alencariana em suas famosas Cartas a Cincinato, em 12 artigos - oito sobre O Guarani e quatro sobre Iracema (CÂNDIDO, 1959). As Cartas eram mais um combustível que faria ferver o rancor de Alencar. Seu desgaste político vinha, portanto, acompanhado da derrocada literária e só faria acentuar-se nos anos seguintes.

A posição de Távora na polêmica expressava o período final do romantismo;

trazia uma nova aspiração por observação e pela superação do estilo poético na ficção. Membro de um grupo em formação, a Escola de Recife 8 ; sua demanda era, pois, a da

geração emergente: a literatura deveria ter um caráter documental, de pesquisa efetiva do país. Alencar defendera, na polêmica com Magalhães, que a imaginação devia ser parte fundamental na composição literária; Távora dizia justamente o contrário: a literatura deveria evitar toda idealização e ter na ciência sua fonte privilegiada. No caso de Iracema, reclamava que Alencar deveria ter feito uso ou da narrativa dos próprios índios -

o que admitia inexeqüível - ou então ter por base trabalhos científicos sobre os usos e costumes indígenas: "José de Alencar dá poemas e romances de costumes, sem ter

estudado a natureza nem os povos, (

)." (

Essa obras, ele as dá do fundo de seu gabinete

(TÁVORA, 1871, p.164). Muito embora Távora ainda guarde reverberações

românticas, do que é expressão seu elogio a Gonçalves de Magalhães e a Gonçalves Dias, sua demanda é a da geração emergente, formada nos cânones da ciência, para a qual não bastava a verossimilhança do romance alencariano, desejava-se a verdade dos fatos, o que

a levaria cedo a uma avaliação científica da realidade nacional, na qual o indianismo

fatalmente naufragaria. Começava aqui o processo pelo qual a concepção alencariana de identidade nacional iria gradativamente submergir. Neste processo, porém, da literatura romântica ao cientificismo, como modos de definição do país, há transições. O romantismo que se vai esmaecendo é ainda visível em certos traços da geração científica, ainda que com outros

sinais. É exemplo a manutenção de certo fatalismo, que antes decorria do caráter das personagens e de sua situação social (como em Lucíola), reposto em matriz biológica como tirania do organismo e do meio (como aparecerá nos romances naturalistas).

).

Se o romantismo, ainda que mitigado, perdura, o indianismo declina francamente.

A investida que Alencar movera contra Gonçalves de Magalhães levou a uma disputa interna ao indianismo. Neste outro momento, o que está em questão não é qual a melhor versão indianista, mas o indianismo em si mesmo - assim como a fórmula romântica que

Alencar construíra da própria corte. O que entra em gestação é uma definição nova da nacionalidade que estoura o par indígena-europeu que compunha a "civilização americana" de Alencar. A reação ao indianismo alencariano vem, por um lado, da

7 - Segundo Sílvio Romero, Castilhos, naqule momento, dividia a supremacia do mundo literário da corte com Alencar.

8 - Sobre a participação de Franklin Távora na Escola de Recife veja-se o trabalho de PAIM, 1966.

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"geração científica", do que a polêmica com Távora é exemplar; mas encontraria também um outro tipo de adversário. Joaquim Nabuco, filho do Conselheiro Nabuco de Araújo, à época recém regresso da França e estreante na vida pública, faria oposição não apenas ao indianismo literário de Alencar, mas também à sua atuação na arena política. A polêmica que travaram em 1876 é documento deste momento de transição e conflito não apenas intelectual mas sobretudo político, no qual estavam nubladas as certezas; nela evidenciava-se o confronto entre diferentes concepções do que era o país como também de qual deveria ser seu futuro.

2 - Nabuco contra Alencar

" É possível que o meu juízo sobre o sr. J. de Alencar não seja o verdadeiro; todavia não vejo que se possa dar boas razões contra ele. Para mim, o escritor brasileiro é um escritor da decadência." (NABUCO In COUTINHO, 1965, p.217)

Em 1875, a pretexto de analisar as razões pelas quais a encenação de O Jesuíta 9 de Alencar não alcançara sucesso de público, Joaquim Nabuco vinha atacar as concepções alencarianas. A posição de Nabuco, como antes a de Távora, era, em certo sentido, simétrica à de Alencar contra Magalhães: ambos eram iniciantes e vinham buscar espaço batendo-se com um expoente do cenário intelectual. Nabuco, que pouco antes se lançara poeta - sob os aplausos de um amigo de seu irmão, Machado de Assis - iniciava uma avaliação da produção literária nacional, centrada, obviamente, em seu nome de maior expressão. De início, solidarizava-se com Alencar, o "Apóstolo de uma idéia generosa e civilizadora" que estaria sofrendo "a frieza de seus contemporâneos" (NABUCO in COUTINHO, 1965, p.16), e deixava à vista sua concordância com a idéia de que o teatro deveria ser "uma escola de costumes", o que já não ocorreria no Brasil - juízo no qual vinha embutida uma visão algo nostálgica dos tempos em que não era hábito "monetarizar-se tudo". No entanto, no elogio do autor como representante máximo da literatura nacional, afirmação de vala comum, Nabuco já entremeava um certo desconforto da geração nova em relação à tradição intelectual fundada. Se, por um lado, o público estava entregue à uma "ditadura do gosto", se o teatro se mercantilizara, era também verdade que o trabalho de Alencar estava datado e sofria o ranço de um modo de pensar que já não se coadunava com os tempos modernos. Muito embora apresentasse Alencar como dépassé, Nabuco não chegava propriamente a atacá-lo. Talvez, porém, o conjunto das críticas publicadas 10 , a ausência de público e seu desprestígio crescente, tenham levado Alencar a responder com virulência. O problema, apontava, não estava na obra, mas na crítica e no público. Nem se poderia falar de "público", o que havia era uma platéia indiferenciada e híbrida que preferia um espetáculo

9 - O Jesuíta teve apenas duas apresentações - em 18 e 19 de setembro de 1875. A temporada foi suspensa por ausência de público, o que, em parte, deve-se à avalanche de vaudevilles, operetas francesas e nacionais, que estavam em cartaz, mas também ao fato da peça trazer herói jesuita no momento em que ainda ressoava o impacto da questão dos bispos. 10 - Artigos de "crítica benévola ou desafeta" saídos em O Globo (o jornal no qual é publicada toda a polêmica), na Gazeta de Notícias, na Reforma e no Jornal do Comércio.

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estrangeiro a um drama nacional. Lógico e natural, portanto, que ela não se interessasse

pelo "verdadeiro drama nacional" - o de Alencar -, que seria patriótico: "(

da corte não se comovem com essas futilidades patrióticas; são positivos e sobretudo cosmopolitas, gostam do estrangeiro; do francês, do italiano, do espanhol, do árabe, de tudo, menos do que é nacional. Isso apenas serve para a eleição."(ALENCAR In COUTINHO, 1965, p.24).

Aqui o próprio Alencar identificava a distância entre o cosmopolitismo da corte e

o interior do país, arcaico, analfabeto, a léguas do modelo civilizatório emergente. A corte importaria sua "cultura" e teria de "nacional" apenas o critério pragmático que lhe asseguraria a existência (paradoxalmente inclusive a do próprio Alencar que foi deputado

e ministro): uma apropriação política e eleitoreira da nacionalidade. A crítica era, então, extrapolada do público ausente ao espetáculo para a camada social que o compunha, resultando assim numa depreciação da elite carioca - por extensão, da nacional -, que acusava de entreguista e impatriótica, manipuladora dos valores nacionais que deveria resguardar. O fato é que o público efetivamente mudara. A situação que consagrou Alencar como grande romancista do Segundo Reinado se desfizera. Seus leitores eram basicamente do sexo feminino, estranhos ao mundo da política; mas nem por isso deixava de ser tido e havido como grande pelos homens cultos. Porém, nos tempos novos, crescia

o desprezo para com a literatura "de moças" graças a qual Alencar foi mais satirizado que

enaltecido pelos seus colegas de púlpito na câmara. Aquilo que era antes o modo oficial de ver o país já não encontrava acolhida em um público crescentemente composto por funcionários públicos, cientistas e militares a quem as obras de Comte tocavam mais que as novelas de Cooper ou os suspiros das heroínas de Chateaubriand. A amargura de Alencar é talvez fruto desta nova conjuntura. No entanto, ao invés de ver aí uma mudança de critérios e mesmo de composição do público leitor, prefere enxergar um barbarismo: se ele Alencar expressava em forma literária a nacionalidade, aqueles que não lhe reconheciam o trabalho eram por certo míopes ou "primitivos": "A sociedade fina é uma seleção; mas uma seleção de Darwin, e muito próxima do tipo primitivo, está ainda muito símia."(ALENCAR In COUTINHO, 1965, p.24). Seu atraso devia-se à ausência de um público ilustrado o bastante para refletir sobre sua própria condição, daí porque o verdadeiro público alencariano não poderia estar na corte: "Desde muito reconheci que o meu público é mais brasileiro, e até mais estrangeiro do que carioca. Nas províncias, o sentimento nacional não está diluído no turbilhão: aprecia-se mais o que é nosso" (ALENCAR In COUTINHO, 1965, p.26). Era a esse sentimento nacional que se endereçava sua obra, sendo ele próprio um dos "primeiros operários da Seara civilizadora". A civilização estava, portanto, associada à formação de um pensamento ancorado no sentimento nacional genuíno, localizado no interior, longe do alcance dos estrangeirismos que tomavam a corte e que, se pareciam signos de progresso, nada mais eram, na verdade, que manifestações de barbárie. O progresso viria de mãos dadas com a civilização, cuja gênese estaria no sentimento de pertencimento, na adesão emocional à tradição, à história e aos costumes, e não em postulados racionais. Por outro lado, vinha do interior, lá de onde estariam as raízes intocadas da brasilidade - o índio e o sertanejo - para a corte tomada de europeísmo. O verdadeiro público seria, portanto, o verdadeiro povo, o elemento

) os brasileiros

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nacional, par excellence, que não precisaria de signos externos "para servirem a causa da

liberdade e da civilização". Esta era a causa de Alencar em relação à qual a corte estaria em "anacronismo de um século". Alencar distinguia, portanto, povo e elite, identificando a barbárie e o atraso com a segunda, enquanto o primeiro seria portador do sentimento genuíno de nacionalidade e representava o elemento propulsor do progresso Retomava,

portanto, em nova chave, a formulação básica das Cartas de Erasmo - “(

entendo o corpo da nação sem distinção de classes, excluídos unicamente os representantes e depositários do poder.”(ALENCAR, 1866, p.1133) - onde conclamara o

Imperador a governar a nação, uma vez que os partidos, espatifados em facções, seriam ineptos para fazê-lo; entretanto agora, egresso do poder, Alencar desenvolvia crítica mais radical, escancarando o que os seus companheiros de partido nem em sonhos admitiriam.

O grande orgulho do Segundo Reinado, a auto-imagem mesma do período, a de um

parlamentarismo inglês em terras tropicais, onde vicejava a democracia, era o fulcro do ataque de Alencar: esta fórmula política teria excluído o grosso da nação 11 . Esta

explicitação da oposição entre elite e povo como representantes respectivos da barbárie e da nacionalidade desdobrando-se em interior/corte talvez seja um insight original de Alencar que, rompido com o grupo do poder, passa a enxergar o sistema político sem filtros 12 . Não deixa, porém, de soar um tanto estranha esta avaliação ácida de Alencar para com a corte, se levarmos em conta suas afirmações de poucos anos antes. Em Benção Paterna - prefácio a Sonhos D'Ouro (1872) - apontava a existência de "recantos que guardam intacto, ou quase, o passado" que existiriam não somente no interior, mas também, em menor escala, na corte. De todo modo, dizia ainda ser da própria natureza da vida na corte uma "fisionomia indecisa, vaga, múltipla", na qual se processaria a "luta entre o espírito conterrâneo e a invasão estrangeira"; representaria, por isso, o período de adolescência da nação, que somente atingiria a virilidade quando tivesse constituído um "eu próprio, que resiste ao prurido da imitação". Relidas por este filtro, as considerações

de Alencar na polêmica iam no sentido de discernir a parte da nacionalidade, tanto no

por povo

)

interior quanto na corte, apta a fazer brotar a identidade própria que o país ainda não possuiria e cujo modelo não seria a imitação, mas a fusão de elementos europeus e aborígenes. Este não era, porém, o modelo de civilização que seu contendor tinha em mente. Invertendo o argumento, Nabuco iria identificar Alencar com o atraso e a si mesmo com o progresso. Para Nabuco, o descaso de Alencar para com o público fluminense seria revelador de um automenosprezo, pois seu diagnóstico incluía a si próprio, autor popular, dos mais lidos pela "sociedade símia". "É isso que confunde-me as idéias. Diminuindo o seu público, ele mutila-se a si; julgando-nos atrasados e incultos, ele tira a seu talento a

11 - Este argumento já estava formulado, com mais sofisticação, em seu A Reforma Eleitoral, texto de 1874, onde propõe um sistema eleitoral que permitisse a representação das minorias.

12 - Para Antônio Cândido a oposição entre civilização e barbárie, na América Latina, tem origens em Sarmiento e é depois retomada por Euclides da Cunha. "No pensamento latino-americano, a reflexão sobre a realidade social foi marcada, desde Sarmiento, pelo senso dos contrastes e mesmo dos contrários - apresentados como condições antagônicas em função das quais se ordena a história dos homens e das intituições." (CÂNDIDO, 1982:XLII). O Alencar desta última fase pode ser entendido como um intermediário: há ainda em seu pensamento a marca romântica da autenticidade indígena, mas já comparece a oposição interna à sociedade, principalmente entre povo e elite.

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consagração única que tem tido até hoje, o apreço de um certo número de seus compatriotas."(NABUCO In COUTINHO, 1965, p.45). Nabuco, como bem se vê, não atribuía aqui qualquer valor intrínseco à literatura alencariana; sua única sustentação seria a aprovação pública e mesmo esta Alencar teria perdido. Claro que há petulância na fala de Nabuco, como há despeito na de Alencar. O filho do Conselheiro Nabuco de Araújo voltava ao Brasil cheio de ares de modernidade e imerso em francesismo - o domínio da língua francesa é, aliás, uma das discussões mais apimentadas da polêmica -, desta ótica, via em Alencar uma cópia sem méritos da "verdadeira" literatura romântica, aquela capaz de transmitir nobres valores morais. Em Nabuco, portanto, permanecia um ar romântico, pautado por um conservadorismo moral que o levava a execrar a sem-cerimônia com que Alencar transformava uma prostituta em protagonista (Lucíola, 1862) ou levava a escravidão ao teatro (Mãe, 1860). Era este tom que ainda reverberaria mais tarde em O Abolicionismo, onde, na contracorrente, iria conjugar com maestria um tom humanitário e o argumento político. Ao contrário de Alencar que glosava na literatura o que emperrava na prática política, Nabuco alçaria a escravidão ao centro da cena política. As definições da nacionalidade em jogo eram naturalmente divergentes, o que não impedia contaminações. À esta altura da polêmica, Nabuco amplia sua crítica, passando do indianismo para o próprio romantismo alencariano. Nabuco, porém, não criticava o romantismo em si - como, em grande medida, o faria a geração científica - mas a versão indianista do movimento, que expressaria de modo impróprio a nacionalidade. Alencar bem percebia a divergência, ao acusar Nabuco de "folhetinista parisiense", tão corrompido pelo estrangeirismo quanto toda a corte carioca, e que por isso seria inapto para perceber as raízes genuínas da nacionalidade. Além do mais, embriagado com a reputação do nome de família, Nabuco seria, inclusive, incapaz de uma crítica séria. "Para o crítico parisiense pode ser cômico o espetáculo da depressão do sentimento nacional, e do gosto da arte dramática. Para outros é deplorável." (ALENCAR In COUTINHO, 1965, p.58). Ao que parece, para Alencar, o modo avassalador pelo qual o furor antiromântico vinha chegando ao Brasil, acabaria por levar a um nivelamento do país, no qual se perderiam suas especificidades. Neste sentido, descobria em Nabuco seu inimigo - inimigo da tradição e do "sentimento" nacional -, agente de destruição do projeto de nacionalidade que se esforçara, literária e politicamente, em construir. Nabuco não era tomado individualmente, mas visto por Alencar como mais um dos membros da "nova geração" que desde os fins da década de 1860 vinha se entusiasmando com um outro discurso, nem literário, nem romântico, que considerava mais apto a exprimir, de modo fidedigno, a conjuntura social, política e intelectual. Estava em processo de dissociação o que até então caminhara junto: a imbricação entre literatura e política que era o cerne da obra de Alencar perdia sentido para a geração nova que iria buscar na ciência o novo molde da nacionalidade e do próprio discurso político. Nabuco evidentemente não é exemplar deste procedimento, mas é deste modo que Alencar o lê. Considerando "pretenso" o nacionalismo de Alencar, Nabuco afirma que sua literatura deixaria na sombra os problemas fundamentais da formação da nação brasileira; seu romantismo o teria levado a uma idealização da vida nacional. O padrão alencariano de literatura e de brasilidade não responderia às questões prementes do momento. Escamoteava a escravidão, tratando-a de maneira poética sem refutá-la politicamente. A

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literatura não se prestaria mais, ao menos neste formato, à expressão da nacionalidade; não exprimiria as chagas, omitiria o país real. Nabuco questionava, pois, um proselitismo que não teria esteio na prática política. A resposta vinha em dois níveis: um literário (a literatura não se define por um tema, mas pelo método) e outro político. Dizia Alencar que nunca defendera a escravidão, ao contrário, teria se contraposto a ela, limitado apenas pela lei. "Continuei como político a propaganda feita no teatro, e ainda não é tempo de conhecer quem errou."(ALENCAR In COUTINHO, 1965, p. 59). O que é, evidentemente, retórico; deputado conservador se opusera pouco antes a qualquer medida imediata contra a escravidão. Alencar apresentava aqui sua obra como una: tanto na política quanto na literatura teria se esforçado em afirmar uma mesma concepção do Brasil, aliás bastante adequada ao momento em que o país procurava, a partir de suas especificidades, firmar-se como nação soberana. Nabuco, porém, via na contaminação dos projetos literário e político de Alencar a admissão de que a literatura nacional seria uma "confraria", que vicejava em torno do Imperador, comandada por Alencar - mesma acusação que Alencar antes endereçara a Magalhães. Somente assim se explicaria o sucesso de seus folhetins, cujas "historietas banais", se expressariam numa "linguagem meia indígena, meia científica", análoga precisamente àquela de Gonçalves de Magalhães, que Alencar tanto desmerecera. No entanto, também Nabuco, no fim das contas, vinha polemizar com Alencar por razões similares às que levaram o romancista a bater-se com Magalhães. A polêmica já era uma clássica porta de entrada para o cenário político e intelectual e não faltou a Nabuco esse senso de oportunidade - ou de oportunismo, como Alencar não se eximiria de insinuar. Ao defender-se da acusação, Alencar revidava: "Prefiro andar atrasado a ser anacrônico em companhia de tão ilustres escritores, e da opinião que os aplaude, a acompanhar o progresso do sr. Nabuco e outros." (ALENCAR In COUTINHO, 1965, p.94), e ainda aconselhava Nabuco a não fazer proselitismo antibrasileiro para "um americano de raiz e de fé". No entanto, esta concepção do Brasil como uma civilização americana tornava-se arcaica. O ímpeto da geração científica era adequar-se aos modos europeus de civilização e, por isso, comungar um cosmopolitismo, ao invés de abrigar-se no pitoresco como modo de representação da nacionalidade. Nabuco expressava uma parte dessa mudança ao afirmar que a decadência da literatura alencariana era, ela própria, signo de progresso. O público teria demorado vinte anos mas descoberto que Alencar não era o modelo de escritor nacional. O argumento de Nabuco em toda discussão sintetizava- se aqui; a literatura de Alencar passava a ser tratada não só como inadequada para exprimir os valores nacionais, mas como antagônica a eles, emperraria a vida civilizada no país, enaltecendo o indianismo e omitindo-se na escravidão. Neste sentido, Nabuco considerava-se mais patriótico que Alencar: "O Sr. J. de Alencar pode negar-me patriotismo, o patriotismo afirma-se por atos e não por palavras, nem o meu nem o seu passou por essa prova, não é menos certo porém que o seu teatro revolta-me. Não conheço, não há sociedade ao mesmo tempo mais desprezível e mais ridícula do que essa que ele chamou brasileira".(NABUCO In COUTINHO, 1965, p.106). Mesmo as definições de patriotismo variavam aqui. Para Nabuco, trabalhar pelo bem do país era livrá-lo do mal maior que lhe contaminava todos os órgãos, como o demonstraria poucos anos mais tarde não apenas na escrita como também na prática política, com a campanha abolicionista.

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Já Alencar, como a maioria dos conservadores do período, via a escravidão como mal necessário, que cabia deixar entregue à resolução do tempo. Alencar tinha mesmo defendido diretamente a manutenção do regime escravista. Já em 1867 escrevera as Novas Cartas de Erasmo para opôr-se ao projeto imperial de abolição lenta que se anunciara na fala do trono neste ano. Aí Alencar iria argumentar, como também o faria quando da discussão da lei do ventre livre, que a escravidão nem se instituíra nem se aboliria por medidas legislativas. Fato social que era, deveria desaparecer, gradualmente, com a chegada do trabalhador livre, sendo o resultado espontâneo de um movimento da opinião pública, uma “revolução social dos costumes” (ALENCAR,1871, p. 239), que não causasse danos políticos, econômicos e mesmo morais. Aos partidários da abolição, Alencar alertava para a ameaça de guerra civil - ironicamente, seria também este um dos argumentos de que Nabuco faria uso, mais tarde, em defesa da abolição 13 . Além disso, insistia em que se a escravidão era, agora, uma instituição prejudicial à nação, tinha tido, porém, papel fundamental em seu processo formativo, p."A escravidão é um fato de que todos nós brasileiros assumimos a responsabilidade, pois somos cúmplices nele como cidadãos do Império. Nenhum filho da terra, por mais adiantadas que sejam suas idéias, tem o direito de eximir-se a solidariedade nacional, atirando ao nome da pátria, como um estigma, os erros comuns."(ALENCAR In COUTINHO, 1965, p.119). Alencar tomava aqui a escravidão como responsabilidade e esteio da elite política e intelectual brasileira que, como tal, deveria ser tratada de modo ponderado e não por rompantes. A geração científica, assim como a plataforma liberal incorporada pelo moderado Rio Branco, não teria levado em conta a gravidade desta situação, ao endereçar uma espécie de revolta edípica aos construtores da nação. Nabuco de Araújo fez sua carreira política nos mesmos moldes que Alencar, e teria sido deste gênero de prática e da sua decorrência, a manutenção da escravidão, que Joaquim Nabuco tirou seu sustento. Agora a “nova geração” buscava diferenciar-se, mas, como dizia Machado de Assis, toda ela "mamou do leite romântico", além de ter sido nutrida pela economia escravocrata. Toda ela acreditava, no entanto, como Nabuco, que a obra de Alencar baseava-se num falseamento da realidade nacional, "é absolutamente sem valor como invenção e como idéia". Tratava-se agora de redefinir a nacionalidade em correspondência com o anseio de civilização. Os selvagens de que falava Alencar não existiriam, eram

idealizações, e nem seriam eles os elementos fundamentais da nacionalidade: "(

é

impossível querer-se fazer dos selvagens a raça de cuja civilização a nossa literatura deve ser o monumento." (NABUCO In COUTINHO, 1965, p.190-191). Nabuco renegava a identidade nacional definida por recurso ao indianismo para afirmar sua fé na cultura européia, como berço e destino do Brasil. "Nós somos brasileiros, não somos guaranis; a língua que falamos, é ainda portuguesa. Com o tempo, com a influência lenta, mas poderosa, do meio exterior, há de se tornar cada vez mais sensível a divergência que já começa a manifestar-se entre a nossa literatura e a de Portugal." (NABUCO In

COUTINHO, 1965, p.191). O Brasil de daí a um século, para Nabuco, seria produto da mistura de raças, onde entrava o negro como elemento de relevo ignorado pelo indianismo de Alencar; e estaria mais próximo da civilização européia, ao invés de expressar a americanidade. Por isso, a construção romântica da nacionalidade de Alencar

)

13 - Veja-se a respeito O Abolicionismo e o artigo de José Murilo de Carvalho, "Escravidão e Razão Nacional" (1988), no qual as duas posições são comparadas.

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deveria ser suplantada por um discurso orientado pela política e pela ciência que, longe

das idealizações, forneceria um diagnóstico do atraso brasileiro facilitador de seu trânsito rumo à civilização.

O final do embate é expressivo dessa nova concepção. No último artigo publicado

da polêmica, aparece como síntese de toda essa efervescência a sugestão maldosa de Nabuco da necessidade do parricídio original nas letras nacionais e, com elas, da

concepção de nacionalidade que Alencar encarnava. Nabuco afirmava como definitiva a decadência de Alencar como literato e como político. As Cartas de Erasmo, dizia, eram

"(

evidência o talento do autor e de fazer a corte ao monarca, essas cartas não podiam servir a nenhum partido."(NABUCO In COUTINHO, 1965, p.211); seriam o elogio do governo

pessoal que teria permanecido durante o namoro de Alencar com o Imperador para desfazer-se quando sua indicação para o Senado não foi sancionada. Nabuco explicitava, aqui, os métodos que regeram a vida política brasileira até pelo menos 1868, quando a

contra-elite imperial, os cientificistas e a nova geração liberal, de que Nabuco seria o ídolo, passaram a advogar o direito de também participar das grandes decisões e de fazê- lo por outras formas. A política não mais gerida pela vontade onipresente do Imperador e dos dois grandes partidos, mas calcada no diagnóstico dos problemas do país e exercida pelos que fossem preparados para transformá-lo.

A resposta que não houve 14 consistia em menos de uma página, na qual Alencar,

ácido e amargurado, afirmava que a política ele só poderia discutir com alguém de sua envergadura, o conselheiro Nabuco de Araújo e não com seu "filhote". Impossibilitado de bater-se contra o clamor quase uníssono que se levantava, Alencar não podia senão voltar-se saudoso aos tempos em que a definição de brasilidade e dos destinos do país eram decididos entre as paredes da câmara e da corte. Seu velho inimigo, o pai de Nabuco, era tomado como o adversário ideal, um inimigo cordato, porque respeitador das

regras anteriores. Agora todo esse universo estava em chamas e nem a política nem a literatura seriam mais as mesmas.

um verdadeiro elogio da loucura. Escritas sem plano, com o fim único de pôr em

)

Por tudo isso, a polêmica Alencar-Nabuco é o instantâneo de uma transição traumática e inconclusa. Confrontavam-se nela duas concepções do que deveria ser o nacional; cada um dos contendores forjava um diagnóstico do tempo e um projeto de civilização para o Brasil. Temos de um lado um político conservador, nacionalista arraigado, de outro, um liberal de berço e convicção, cidadão do mundo, sediados cada um em uma das grandes tradições que conformaram o país ao longo do Império, a dos mantenedores da ordem e a de seus reformadores. Nabuco tinha em mente o problema da cidadania, Alencar o da formação de uma identidade nacional. Era o que significava para cada um o progresso e a civilização. Essas concepções divergentes, por vezes antagônicas, se exprimiam, porém, em um corpo conceitual semelhante - os termos das polêmica são o progresso, a civilização, a barbárie e, principalmente, a identidade nacional. No entanto, variava o propósito. Para Alencar, o problema da nacionalidade era questão de formação de um povo, de uma tradição enfim, que amalgamasse as diferentes

14 - Alencar escreveu um artigo - "Sem Resposta" - que não foi publicado. Segundo Afrânio Coutinho, Alencar o redigiu com a finalidade de fazer editar a polêmica, porém teria morrido antes de realizar seu intento. Cf. COUTINHO, 1965.

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culturas que formaram o Brasil, conciliando e evoluindo gradualmente até atingir sua meta - uma civilização americana: O Brasil enquanto nação seria filho de Iracema. Isto é, sua preocupação era com a formação de uma pátria brasileira. Já Nabuco argumentava de outra perspectiva, assegurava que o Brasil herdara-se da Europa, deveria seguir seu movimento; advogava, portanto, um cosmopolitismo; o país era visto como produtor tardio de arcaísmos que necessariamente teriam que desaparecer, se o progresso e a civilização fossem a meta. Considerava, por isso, premente a formação de um estado democrático capaz de inserir-se no movimento mundial que tendia a um alargamento dos direitos políticos: a formação de cidadãos proletários e capitalistas e não senhores e escravos - tese que desenvolveria magistralmente em O Abolicionismo. Poderíamos dizer, em síntese, que, na polêmica, Nabuco está preocupado com a configuração do estado, enquanto Alencar quer definir a nação. O que era progresso para um, era atraso para o outro.

Nos termos do debate que se instaurava, Alencar estava a serviço de uma causa já

anacrônica. O seu problema era a independência, a constituição de uma brasilidade, isto é, preocupava-se em estabelecer a especificidade de uma nação em formação; daí sua fixação com as origens e a necessidade de inventar uma tradição para o Brasil, conferindo-lhe um passado nobre, ainda que de uma nobreza indígena - o que era, afinal, como Nabuco apontava, o intento de Magalhães. Alencar, mesmo que já escaldado e admitindo a representação das minorias, mantinha a idéia de que a centralização política, que fora fundamental na consolidação do estado brasileiro, seria ainda o meio de civilização do país. O seu modelo de civilização prescindia, por isso, da representação política de todos os setores sociais, seria o povo o sustentáculo da nacionalidade, cabendo ao monarca dar-lhe forma. Com isso, desqualificava a mediação da sociedade política, o que conferia um vezo autoritário ao seu pensamento. É justamente o que se evidenciava nas Cartas de Erasmo, escritas uma década antes da polêmica. Face à constatação de que no país não havia opinião pública consolidada e independente que pudesse mediar a relação entre o trono e o povo - bordão que não é só seu - ao contrário da tendência emergente, que Nabuco representa, de criar essa mediação, por mecanismos de representação, Alencar procurava um meio que a substituísse: "Situado na cúpula do sistema, neutro e inacessível, o monarca, poder

nacional, plaina sobre os outros, meros poderes políticos. (

Chamo-o poder nacional

para significar a quase comunidade em que se acha com a nação." (ALENCAR,1866, p.1087). Dirigindo-se ao Imperador, Alencar punha às claras a sua visão do país: a soberania viria do povo, mas ela deveria ser expressa pelo Imperador e não representada pela sociedade política. O ponto de vista da geração de Nabuco era completamente outro. Uma vez consolidada a soberania política, tratava-se de viabilizar a entrada do Brasil no universo das nações civilizadas. O que a pressão inglesa sobre o tráfico de escravos, esteio

econômico do Brasil, bem antes mostrara era que o país não poderia mais furtar-se a discutir o futuro próximo. Aí a questão central girava em torno das alternativas econômicas da nação, tanto do ponto de vista da mão-de-obra que, ainda que gradualmente, teria forçosamente de prescindir de escravos, quanto da sua inserção na geopolítica e na economia mundial, que não poderia mais fazer-se pelo tráfico (ALENCASTRO, 1979). Que sentido, teria, dado este contexto, manter uma imagem da

).

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brasilidade que não comportava a imigração nem dava lugar à integração social e econômica do negro não-escravo? Era esta questão que entrava em pauta. Isto é, o momento de dissolução do regime escravocrata, quando o negro emergia como problema social efetivo, era também o momento em que ele encontraria expressão intelectual bastante distinta das formulações de Alencar, emergindo como questão tanto teórica quanto política. Seria pois o negro e não mais o índio o objeto por excelência tanto da ciência - no que as teorias raciais seriam paradigmáticas - quanto da literatura, com o naturalismo, ambas refletindo sobre a viabilidade da extensão da cidadania. Na política este movimento redundou na campanha abolicionista e encontrou brilhante intérprete em Joaquim Nabuco justamente. Entrar para o "concerto das nações" significava vencer estes gargalos tanto da prática econômica e política quanto no nível das representações do país. Por isso, Nabuco parece ter uma visão mais ampla de seu tempo do que Alencar: tinha consciência do atraso, via o país por contraste em relação ao mundo civilizado. Face ao desafio futuro de transformar as relações entre senhores e

escravos em relações entre capitalistas e proletários, o problema não era mais o de definir uma identidade nacional a partir do específico, mas de adequar o país aos moldes da civilização. A contraparte necessária seria a de constituir um sistema democrático-liberal capaz de representar uma sociedade civil organizada e mediar a relação entre o povo e o imperador - como expressaria em O Abolicionismo. ***** A polêmica Alencar-Nabuco foi uma espécie de último fulgor do romantismo; nela digladiaram-se duas figuras político-culturais marcantes dos fins do século, uma decadente, outra em germinação. A briga, em síntese, explicitava, a partir da discussão literária, a diferença de percepção do novo contexto, tanto político-econômico quanto intelectual. Alencar relutava em aceitar e mesmo em entender as mudanças, Nabuco tinha urgência em efetivá-las e dirigir-lhes o curso. A fala de Nabuco expressava uma tendência emergente de tratar a questão da identidade nacional sob uma nova ótica, refugando o indianismo e apontando assim um contexto de crise política, econômica e intelectual que exigia, por sua própria natureza, uma nova matriz discursiva. Na opinião do público, ainda reverente ao velho papa, Alencar teria vencido. Anos mais tarde, talvez arrependido de tanto escárnio para com um vulto às portas da morte,

travei com José de Alencar uma polêmica, em que receio

Nabuco se penitenciava: "(

ter tratado com a presunção e a injustiça da mocidade o grande escritor (digo receio, porque não tornei a ler aqueles folhetins e não me recordo até onde foi a minha crítica, se ela ofendeu o que há profundo, nacional, em Alencar: o seu brasileirismo);" (NABUCO,1900, p.98-9). Os anos seguintes mostrariam, porém, que seria da nova geração científica a supremacia nas definições do país; não apenas solapando o romantismo de Alencar, mas contribuindo para o naufrágio do projeto de Nabuco. Foi precisamente a ofensa à concepção do "nacional" na literatura alencariana que

não só Nabuco e Távora perpetraram. O discurso científico que a contra-elite imperial embalava estabeleceu-se pela derrubada de um tipo de legitimação pautado na concepção de nacionalidade por recurso ao típico e à idealização das origens que fora o chão de Alencar. Por isso, de nada valeria esse mea culpa. Amargurado com a "indiferença pública, depois da aclamação pública" (ASSIS, 1888), Alencar morreu no ano seguinte à polêmica. Deixava em descrédito sua perspectiva literária, que Machado de Assis, ainda

)

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no calor da hora, saberia defender e incorporar, e praticamente enterrava consigo a tradição política saquarema que pouco depois daria também seus últimos suspiros. Estava no ar o prenúncio da República que nem Nabuco nem Alencar jamais desejaram; apesar de todas as oposições, ambos apostaram em mudanças internas ao esquadro institucional da monarquia. Era também a hora e a vez da “nova geração”, cuja perspectiva era adotar a ciência como meio de explicar o país e de colocá-lo no nível do século, isto é, na Marcha da Civilização. Mudavam, portanto, os termos da discussão sobre o país; um deslocamento do universo cultural do campo da literatura e da política para o da ciência nascente; que se exprimia na pouca relevância que o Estado iria assumir nas proposições da geração nova. Ao contrário da geração anterior e mesmo de Nabuco, estes críticos do Império vão investir em discurso e procedimento científicos, cabendo ao estado apenas a implementação dos remédios que a ciência receitasse para os males do país; chave bem diversa da propugnada por Nabuco que tinha em mente uma transformação política, sem recurso a panacéias. Nesse sentido, Nabuco foi propositor de uma alternativa de desenvolvimento abortada; não foi sua a visão do Brasil prevalecente nos anos seguintes. Ao contrário do que ocorrera com Alencar face à Gonçalves de Magalhães, sua arrogância juvenil não resultou em supremacia. Nabuco foi prisioneiro de seu próprio paradoxo; o que Alencar de certo modo intuía, e que era o cerne do argumento de Nabuco, é que a escravidão era fundamento da sociedade imperial. Eliminá-la significava, como os republicanos e cientificistas bem interpretaram, destruir todo o arcabouço institucional que dela se alimentava. A coerência de Nabuco o teria levado ao republicanismo, mas seu projeto de reforma supunha e apostava na Coroa como organismo moral capaz de gerir as reformas. Este seu reformismo que, como ele próprio esclarece, se pusera para além dos partidos, ao invés de amparar-se neles 15 , não poderia encontrar esteio nem nos alicerces do Império, nem nos grupos excluídos que fariam a República. Nesse sentido, Nabuco foi - muito mais que Tavares Bastos - um solitário. Espremido entre a velha e a nova geração assistiu a derrocada de seu último projeto: uma monarquia federativa. Nem Alencar, nem Nabuco: os anos finais do Império foram tomados justamente pelos "ismos". A “nova geração” - celebrada por Sílvio Romero e vista com desconfiança por Machado de Assis - vinha buscar seu espaço por recurso a outras formas tanto discursivas quanto de governo. A geração de Alencar era formada por bacharéis que se dedicavam muito mais à política e à literatura que à advocacia. Os cientistas emergentes, que surgiam em oposição aos bacharéis, concebiam seu diagnóstico do país e procuravam implementar seus projetos civilizatórios, intervindo no debate político e intelectual mais pela constituição de um discurso científico do que de uma ciência propriamente dita - era o que Machado de Assis já suspeitava. Só que, ao contrário de Nabuco, não vinham reformar o sistema, mas explodi-lo tanto política quanto intelectualmente; seu destino manifesto era a República. Não seria mais o amálgama de política e literatura que definiria o país; os científicos vinham viabilizar a civilização no Brasil subsumindo a política ao que Machado de Assis tão bem cunhou, em ironia certa a Sílvio Romero, de "enxame de idéias novas".

15 - Em Minha Formação, Nabuco adenda, já desiludido, que a sua passagem pela política fora quase que decorrência de sua fé moral: realizado seu intuito, a abolição, não havia nenhuma outra causa que lhe despertasse entusiasmo. ( Cf. NABUCO, 1900, caps. XXIII e XXVI).

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i - Angela Maria Alonso é mestre em sociologia pela USP. É pesquisadora do Cebrap e doutoranda em sociologia na FFLCH-USP.

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É autora de “O Positivismo de Luís Pereira Barreto e o Pensamento Brasileiro no Século XIX” - Coleção Documentos, Série Teoria Política, no. 09. IEA,USP, junho de 1995 e de "O Nacionalismo Romântico de José de Alencar" e "O Ocaso do Romantismo: A Polêmica Nabuco-Alencar".in LOPES da SILVA, Aracy & GRUPIONI, Luís Donisete Benzi (orgs.): A Temática Indígena na Escola: Novos Subsídios para Professores de 1o. e 2o. Graus. Brasília, Mec/Mari/Unesco, 1995.