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Resumos de Literatura

Índice

CAPÍTULO

PÁGINA

1 – TROVADORISMO

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2 – HUMANISMO

3

3 – CLASSICISMO

3

4 – LITERATURA INFORMATIVA E JESUÍTICA NO BRASIL

4

5 – BARROCO

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6 – ARCADISMO

6

7 – ROMANTISMO EM PORTUGAL

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8 – ROMANTISMO NO BRASIL: POESIA

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9 – ROMANTISMO NO BRASIL: PROSA

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10 – REALISMO EM PORTUGAL

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11 – REALISMO NO BRASIL

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12 – PARNASIANISMO

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13 – SIMBOLISMO

13

14 – MODERNISMO EM PORTUGAL

14

15 – PRÉ-MODERNISMO NO BRASIL

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16 – SEMANA DE 22: O MARCO DO MODERNISMO

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17 – PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO

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18 – SEGUNDA FASE DO MODERNISMO: PROSA

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19 – SEGUNDA FASE DO MODERNISMO: POESIA

21

20 – PÓS-MODERNISMO: PROSA

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21 – PÓS MODERNISMO: POESIA

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Bibliografia:

Português: Literatura, Gramática e Produção de texto De: Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano

Editora: Moderna – 2004

Curso Completo de Português De: Antônio de Siqueira e Silva e Rafael Bertolin

Coleção Horizontes – 2001(?)

Adaptações de: Rodolfo Gonçalves dos Santos

Adequado à Reforma Ortográfica de 2009.

1 – TROVADORISMO

Quando Portugal constituiu-se um país independente, o contexto histórico era o seguinte:

Havia o Teocentrismo (intensa crença em Deus), cuja religiosidade fez-se fundamental para a expulsão dos mouros da Península Ibérica; havia também o feudalismo, com o seu conhecido sistema de vassalagem, que era uma espécie de contrato entre o senhor feudal e o vassalo. Nesse contexto surgiu o Trovadorismo, cuja poesia (chamada trovadoresca),

principalmente nas cantigas de amor, mostrava o trovador colocando-se na condição de vassalo diante da dama.

O primeiro documento literário português é uma cantiga de amor que data de

1189. É a “Cantiga da Ribeirinha”.

Os poetas geralmente utilizavam instrumentos como a lira e a harpa para acompanhar os poemas.

A poesia trovadoresca tem sua importância, pois documenta a história da nossa

língua e, até hoje, inspira poetas incipientes.

Tipos de cantigas:

A) Cantiga Lírico-amorosa, subdivida em Cantiga de Amor e Cantiga de Amigo.

B) Cantiga Satírica, que era de escárnio ou de maldizer.

Cantiga de Amor Basicamente, é um homem que fala de seu amor por uma mulher nobre e casada (geralmente). E o homem sofre por causa de um amor improvável, embora cultive esse amor em segredo. O homem não revela o nome da dama e a coloca num plano elevadíssimo.

Cantiga de Amigo Nesse tipo, a mulher é o personagem central e fala de seus sentimentos por seu amigo (que, na verdade, é uma espécie de namorado) que está afastado a serviço do rei. A mulher desabafa com a mãe, amigas, árvores, rios, etc caráter narrativo-descritivo.

É de

Cantiga Satírica Ora era de escárnio, ora de maldizer. O objetivo era ridicularizar os costumes e as pessoas da época. Às vezes, ocorre linguagem chula.

O Trovadorismo tem sua importância por ser documento histórico de nossa

língua, dos costumes da época e por inspirar as escolas posteriores.

Principais poetas: Paio Soares de Taveirós, João Soares de Paiva, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João Borro, Aire Nunes e Nuno Fernandes Torneal.

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2 – Humanismo

Remete ao contexto do Renascimento (século XIV e XV), na transição da Idade Média para a Moderna.

Enquanto o Renascimento se iniciava na Itália e se difundia nos demais países europeus, Portugal estava em plena Revolução de Avis (1383-1385), com a aclamação portuguesa. Isso representava uma ruptura com o sistema feudal e o Teocentrismo e iniciava o antropocentrismo (ser humano no centro), embora o antropocentrismo não negasse nem questionasse a existência de um Deus.

O Humanismo se interessava no resgate das antigas culturas grega e latina e

recebera esse nome porque o estudo do ser humano era a questão central.

Fernão Lopes: Em 1418, foi nomeado arquivista oficial da Torre do Tombo e

passou a escrever a historiografia de Portugal. Embora tivesse que concentrar-se nos

reis, Fernão acabou por escrever sobre o sentimento do povo, seus costumes, etc constituiu uma base para historiografia moderna. Fernão é considerado o melhor prosador medieval português. Escreveu “Crônicas de D. Pedro”, “Crônica de D. Fernando” e “Crônica de D. João I”.

Isso

Gil Vicente: Considerado o criador do teatro popular em Portugal. Através dos “Altos” (peças teatrais repletas de religiosidade), Gil criticou e denunciou os erros de todas as camadas sociais, sem exceções, embora fosse subvencionado pelo rei. Essas peças satíricas eram chamadas de farsas. Sua produção contém 44 obras e sua coleção de personagens é vasta: o padre corrupto, a beata, os aristocratas decadentes, entre outros. Seus personagens, geralmente, não têm nome, são designados pela profissão. Obras: Monólogo do Vaqueiro, Auto da Índia, Quem tem farelos?, Trilogia das Barcas (Auto da barca do inferno, Auto da barca do purgatório e Auto da barca da glória), Auto da Lusitânia (essa tem o Todo Mundo, Ninguém, Berzebu e Dinato), etc

A criação dos tipos móveis de imprensa, por Gutemberg, em 1450, facilitou a

divulgação das obras poéticas.

Principais escritores: Gil Vicente, Fernão Lopes, Gomes Eanes de Azurara, Rui de Pina e João Ruiz de Castelo Branco.

3 – Classicismo

Também remete ao contexto do Renascimento (século XIV e XV), mas agora é o Pós-Renascimento.

O homem passou a ser a “medida de todas as coisas”, o “centro do Universo”.

Os artistas passaram a ter uma nova visão da natureza, valorizando-a também. Os renascentistas passaram a utilizar a razão em tudo – o que gerou o grande desenvolvimento nas áreas das ciências – inclusive na Religião. Martinho Lutero liderou a Reforma Protestante e, a Igreja Católica reagiu com a sua Reforma ou Contrarreforma.

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O Classicismo literário imitou os modelos grecorromanos, mas não os copiou.

Digamos que eles deram prosseguimento.

O Soneto, criado no século XIII, tornou-se a forma poética mais usada até o

século XX. Os “Autos” são abandonados. Os classicistas buscavam o equilíbrio entre a razão e os sentimentos, buscando assim a representação universal da realidade.

William Shakespeare é considerado o maior autor do Renascimento. Foi dramaturgo e poeta, nascido em 1564 e falecido em 1616. As obras “Romeu e Julieta”, “Hamlet”, “Macbeth”, “Rei Lear”, etc. são dele.

O Classicismo em Portugal:

Quando Sá de Miranda, em 1527, voltou de sua viagem à Itália, trouxe consigo as ideias de renovação literária da época. Era o chamado estilo novo.

Luís Vaz de Camões Nascido em 1525, perdeu o olho direito enquanto esteve em guerra a serviço de Portugal. Sua poesia lírica compõe-se de sonetos e redondilhas. Em 1572, publicou “Os Lusíadas”, que é um poema que celebrava os recentes feitos marítimos e guerreiros de Portugal. Essa obra continha elementos mitológicos e, com o passar do enredo, diminuía o entusiasmo do eu-lírico por conta da ganância que era perceptível entre os portugueses que navegavam. Esse poema é composto por dez cantos; cada canto é formado por estrofes rimadas (abababcc) em oito versos. Todos os versos são decassílabos, isto é, possuem dez sílabas poéticas. “Os Lusíadas” foi aprovado pela Inquisição do Santo Ofício que, na época, perseguia obras que considerava heréticas. Giordano Bruno foi morto pela Inquisição por ter ideias contrárias às da Igreja Católica. Camões faleceu em 1580, sendo essa data considerada o marco final do Classicismo.

Principais poetas: Sá de Miranda, Luís Vaz de Camões e, se puder considerar, William Shakespeare (Renascentista inglês).

4 - Literatura Informativa e Jesuítica no Brasil

Remete ao contexto histórico das Grandes Navegações e do Descobrimento do

Brasil.

A literatura informativa ou Quinhentismo foi o nome dado às cartas e aos

depoimentos de navegantes, aventureiros e missionários. Esses documentos mostravam, através de relatos, um pouco da natureza e da cultura indígena. É um

material de grande interesse histórico.

A Carta de Caminha foi um importante documento que demonstrava, além do

que os portugueses pensavam dos nativos (pessoas inocentes, sem pudores), a ganância

dos portugueses, o desejo de encontrar ouro e outros metais preciosos na nova terra.

José de Anchieta (1534-1597) Um jesuíta que veio para o Brasil com dezenove anos e ficou por aqui até morrer. Teve destaque na fundação do Colégio de

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São Paulo. Foi, além de um homem de ação, escritor religioso. Produziu altos, cartas, sermões, gramática tupi, poesias líricas e épicas.

Principais escritores: Pero Vaz de Caminha, José de Anchieta, Hans Staden, Pero Magalhães Gândavo, Gabriel Soares de Souza, Pero Lopes de Souza, Jean de Léry, entre outros.

5 – Barroco

Remete ao contexto histórico das Reformas Religiosas, mais especificamente, a Contrarreforma ou Reforma Católica. A Inquisição ameaçava a vida das pessoas e, também a literatura e outros tipos de manifestações artísticas.

O Barroco surgiu em Roma, no século XVII e se estendeu até meados do

século XVIII. Ter surgido em Roma indica a força do catolicismo, que pode ser vista também nas características do Barroco: a misticidade, a religiosidade, a antítese entre a vida e a morte, a angústia da passagem do tempo. O homem do barroco fica

entre a renúncia e o gozo dos prazeres da vida. Na arte barroca, Cristo é associado a um sofredor, não como vitorioso. Representa-se mais a dimensão humana, o sofrimento e a dor física do que seus feitos. Essa era uma das ideias que a Igreja Católica queria passar às pessoas: o sofrimento é a salvação da alma, já que Cristo morreu para salvar os pecadores. Não se sabe ao certo de onde veio o nome barroco. Sabe-se, porém, que os artistas da época não se autodenominavam assim. A definição “barroco” surgiu tardiamente e tinha conotação pejorativa inicialmente. Depois, contudo, perdeu a negatividade e firmou-se como a denominação desse período.

A linguagem do Barroco abusa do jogo de palavras com antíteses, hipérboles e

paradoxos. Utiliza palavras raras, usa o latim carpe dien, por exemplo -, metáforas.

Por tudo isso, recebeu o nome de cultismo ou gongorismo (por causa do brilhante poeta espanhol Luís de Gôngora). Quando o rebuscamento dá-se na expressão do raciocínio, recebe o nome de conceptismo (conceito).

O Barroco em Portugal vai de 1580 (morte de Camões, desaparecimento de

D. Sebastião e União Ibérica) até 1756 (fundação da Arcádia Lusitana, que iniciaria o Arcadismo). Até 1640, ano em que Portugal se libertou da Espanha, a influência espanhola foi marcante na cultura portuguesa. Até 1668, Portugal ainda se recuperava de várias lutas para se reafirmar.

O

principal autor do Barroco em Portugal foi o padre Antônio Vieira.

O

Barroco no Brasil É exagero falar em movimento literário no Brasil nos

séculos XVII e XVIII, pois o público leitor começou a se formar apenas no século XIX. Contudo, tivemos alguns escritores fortemente influenciados por estrangeiros (sobretudo portugueses e espanhóis). Desses, merecem destaque Gregório de Matos, por suas poesias e o padre Antônio Vieira, por seus sermões. A obra “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, é considerada o marco inicial do Barroco no Brasil.

Gregório de Matos nascido em 1636, é o maior nome do Barroco no Brasil. Suas obras foram publicadas postumamente em diferentes coletâneas. Há dúvidas sobre alguns textos que lhe são atribuídos.

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Tem poesias amorosas e religiosas influenciadas por espanhóis, mas sua produção satírica, escrita em linguagem debochada vem sendo valorizada. Por suas críticas à sociedade baiana, recebeu o apelido de “Boca do Inferno”. Faleceu em

1696.

Padre Antônio Vieira nascido em 1608, suas obras mais destacadas são os sermões. Deixou ainda uma grande quantidade de cartas, que são documentos importantes para a história. De sua obra, destacam-se: “Sermão da Sexagésima”, “Sermão de Santo Antônio aos peixes”, “Sermão do mandato”, “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”, “História do Futuro” e “Esperanças de Portugal”. Essas duas últimas, de cunho sebastianista, foram publicadas postumamente.

Principais autores: Padre Antônio Vieira (POR e BRA), Greogório de Matos (BRA), padre Manuel Bernardes (POR), D. Francisco Manuel de Melo (POR), Francisco Rodrigues Lobo (POR), sóror (freira) Mariana Alcoforado (POR), Antônio José da Silva (POR), Bento Teixeira (BRA) e Manel Botelho de Oliveira (BRA).

6 – Arcadismo

O contexto histórico do Arcadismo é o Iluminismo. Era uma nova etapa na

cultura europeia que fazia com que as obras fossem pautadas pela razão, em detrimento da religiosidade. Em 1751, na França, a publicação da Enciclopédia (Dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios) é o marco simbólico dessa nova etapa. No Brasil, o contexto histórico mostrava que a vida econômica colonial mudara dos canaviais nordestinos e fora para as minas do sudeste. Por isso, a vida cultural também se desenvolveu lá.

O Arcadismo surgiu no século XVIII e recriou as paisagens do campo, com

pastores e pastoras levando vidas leves, agradáveis e cantando os prazeres da vida que, por ser curta e incerta, deveria ser vivida. É uma espécie de sonho poético. Eis as

características do Arcadismo:

- Os árcades rejeitaram a linguagem rebuscada do Barroco e buscaram inspiração na cultura grecorromana e em Camões (daí vem a outra definição do Arcadismo: Neoclassicismo).

- O pastor começa a aproveitar a vida, sem inquietações religiosas (carpe diem); o poeta idealiza um lugar com uma paisagem agradável (locus amenos); procura ter uma vida sem exageros (aurea mediocritas); fuga da cidade, da agitação da Corte, em favor do campo (fugere urbem); as mulheres, geralmente, recebem o nome de “Marília”; os homens, por sua vez, recebem o nome poético “Dirceu”.

O nome Arcadismo deriva de uma cidade grega (Arcádia) onde, segundo poetas

antigos, as pessoas viviam felizes, gozando os prazeres da vida.

Manuel Maria du Bocage Nascido em 1765, é um dos maiores sonetistas líricos de Portugal. Começou com o Arcadismo, mas logo abandonou essa poesia artificial e dedicou-se a falar de seu mundo interior, seu mundo amoroso. Faleceu em

1805.

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O Arcadismo no Brasil:

Como já foi salientado, a obra do Arcadismo brasileiro foi desenvolvida em Minas Gerais (sudeste). A publicação da obra “Obras”, do ‘criativo’ Cláudio Manuel da Costa, em 1768, é o marco inicial.

Tomás Antônio Gonzaga Nasceu em 1744, escreveu o livro “Marília de Dirceu”, que é dividido em duas partes: a primeira fala da vida simples do campo, contando os prazeres da vida; já a segunda, mostra poesias da época em que esteve preso por conta do seu real envolvimento com a Conjuração Mineira. É atribuído a ele a autoria de “Cartas chilenas”, que é uma crítica que ridicularizava Luís da Cunha Meneses, governador da Capitania de Minas. Essa obra foi anônima. Faleceu em 1810.

Cláudio Manuel da Costa Nasceu em 1729, publicou “Obras” (marco inicial do Arcadismo no Brasil) em 1768. Sua formação é barroca, mas conta o “pátrio Rio” (sua terra natal), mesmo que não seja essa a paisagem idealizada pelos árcades europeus. Faleceu em 1789.

Basílio da Gama Nasceu em 1741. É dele o poema épico “O Uraguai” (sic), que mostra a guerra dos portugueses e espanhóis contra os Sete Povos das Missões do Uruguai. Faleceu em 1795.

Frei José de Santa Rita Durão Nasceu em 1722. É autor do poema Caramuru”, obra épica do nosso Arcadismo. O assunto do poema são as aventuras de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. O frei faleceu em 1784.

Principais escritores: Bocage (POR) e os brasileiros: Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Basílio da Gama, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto e Frei José de Santa Rita Durão.

7 – Romantismo em Portugal

Remete ao contexto histórico das Revoluções Industrial e Francesa. O rompimento com o Antigo Regime e suas práticas mercantilistas (pacto colonial) aliado ao advento das liberdades econômica e política na Europa fizeram surgir uma nova expressão literária, denominada Romantismo. Como diria o poeta francês Victor Hugo (1802-1885): “A um povo novo, uma nova arte”. Uma das consequências do avanço das Revoluções e liberdades na Europa foram os movimentos de independência das Américas espanhola e portuguesa. Para se ter uma ideia da força do rompimento com o Antigo Regime (absolutista), basta lembrar que, de todos os países da América Latina, somente dois implantaram a monarquia após a independência:

México (1821-1822) e Brasil (1822-1889).

As primeiras manifestações do Romantismo surgiram na Escócia, no século XVII, e também na Inglaterra. Os escritores passaram a falar da natureza e do amor num tom pessoal e melancólico. Falavam também da formação de suas nações, seus heróis e as tradições populares, numa espécie de reação à cultura aristocrática.

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Uma coisa que diferencia o Romantismo das escolas anteriores é a difusão literária e a profissionalização do escritor. Muitos escritores passaram a escrever periodicamente para os jornais, publicando suas novelas ou folhetins. O aumento da alfabetização contribuiu bastante para essa difusão, pois a leitura deixou de ser feita apenas por aristocratas, popularizando-se.

O Romantismo português começa, simbolicamente, em 1825, com a publicação de “Camões”, de Almeida Garrett.

Almeida Garrett (1799-1854) dizia que não era clássico nem romântico. Contudo, embora não escrevesse com os padrões Classicistas e tampouco aceitasse ser romântico, Almeida – poeta, prosador e dramaturgo – teve um papel importante ao introduzir os preceitos do Romantismo em Portugal. Mesmo assim, ele não demonstrava tanta emoção, típica entre os românticos. Suas obras são “Camões”, “Dona Branca” e “Folhas caídas”, poemas; “Viagens na minha terra”, romance e “Frei Luís de Sousa”, peça de teatro.

Alexandre Herculano (1810-1877) tem um tom reflexivo em sua produção literária que o afasta dos tipicamente românticos, já que estes expressam plenamente os sentimentos. Produziu ensaios e textos jornalísticos. De suas obras, destacam-se “O bobo”, “Monasticon”, que se desdobra em “Eurico, o presbítero” e “O monge de Cister”, além de lendas, narrativas e uma coleção incompleta de documentos medievais.

Camilo Castelo Branco (1825-1890) considerado o criador da novela passional (paixões). De sua obra, destacam-se “Amor de Perdição”, “Carlota Ângela”, “Amor de Salvação” – passionais; “Coração, cabeça, estômago”, “A queda de um anjo” – satíricas; “Eusébio Macário”, “A corja”, “A brasileirinha de Prazins” – influência realista.

Principais autores: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Antônio Feliciano de Castilho, João de Deus e Soares Passos.

8 – Romantismo no Brasil: poesia

Façamos um breve resumo do contexto histórico no final do século XVIII e começo do XIX: depois do sucesso da Revolução Francesa, Napoleão decretou, em 1806, o Bloqueio Continental para tentar acabar, economicamente, com a Inglaterra.

A Rússia e alguns países do leste europeu aderiram ao Bloqueio, assim como a Espanha. Portugal, amigo de longa data da Inglaterra, não aderiu e foi invadido pelas tropas napoleônicas. Mostrando toda a sua “coragem”, Portugal pôs quinze mil pessoas em vários navios, inclusive a Corte inteira, e veio para o Brasil em 1808. O que isso tem a ver com o Romantismo? Tudo, pois ao vir para o Brasil, D. João VI, rei de Portugal, tomou algumas medidas que elevaram a vida cultural no Brasil, tais como a reforma no ensino, o funciomento de tipografias, instalação de

bibliotecas públicas, etc

nascimento da vida literária no Brasil.

Por isso, o Romantismo pode ser considerado como o

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Com as pessoas mais esclarecidas, em catorze anos da vinda dos portugueses, o Brasil logo conseguiu sua independência.

O marco inicial do nosso Romantismo é o ano de 1836, no qual Gonçalves de Magalhães publicou “Suspiros poéticos e saudades”. No mesmo ano, Gonçalves de Magalhães, Araújo Porto-Alegre, Torres Homem e Pereira da Silva lançaram a revista “Niterói”, também romântica. São várias as características do Romantismo, dentre as quais destaco: o nacionalismo, o indianismo – pois, após a independência, o Brasil precisava “eleger” alguém para ser o herói da nação para concorrer com a Europa, já que eles, por essa época, voltaram aos tempos medievais para recontar a história de seus heróis; como o Brasil não tinha heróis, cultuou o índio – o regionalismo, a realidade social e política (abolicionismo, poder agrário, sentimento liberal, etc.), estilo mais próximo, ao escrever, da fala brasileira.

No Romantismo, o índio é uma figura idealizada, pois reflete os modelos de herói consagrados pelos europeus: nobreza, valorosidade, fidelidade e cavalheirismo. A esta simbolização do índio, chama-se Indianismo. Temos, a seguir, as três gerações de poetas do Romantismo, com suas características e seus principais expoentes.

1ª Geração introduziu o Romantismo – Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães;

2ª Geração é o Ultra-Romantismo, que mergulhou fundo no mundo interior – Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire;

3ª Geração temas sociais – Fagundes Varela, Castro Alves e Sousândrade.

Gonçalves Dias (1823-1864) grande lírico e indianista (foi o único que expôs melhor o tema do índio) brasileiro. Como poeta lírico-amoroso, cantou o amor, a saudade, a tristeza, a melancolia, mas nada muito exagerado. Além disso, tinha perícia com os temas da solidão e do exílio. Obras principais: “Canção do exílio”, “Primeiros Cantos”, “Segundos Cantos”, “Os timbiras”, sendo esta última, incompleta.

Álvares de Azevedo (1831-1852) é o nome mais importante do Ultra- Romantismo brasileiro. Os poemas falam do tédio, da morte, da mulher (ora pura, ora sensual) inatingível. Mas, ao lado do poeta melancólico e sofredor, há o lado irônico e zombeteiro. Além dos poemas, publicou: “Lira dos vinte anos”, “Macário” e “Noite na taverna”. Sofreu influência de Byron (1788-1824), marcado pela melancolia, pessimismo e tristeza (mal do século).

Casimiro de Abreu (1839-1860) tornou-se popular por seu lirismo ingênuo e adolescente. Publicou: “As primaveras”.

Castro Alves (1847-1871) é um poeta não-egocêntrico e sensível aos problemas sociais. A sua poesia abolicionista expressa bem isso, pois ele clamava pela liberdade. Esse estilo recebeu o nome de condoreirismo (deriva de condor). Publicou:

“O navio negreiro” (poema) e os livros “Espumas flutuantes”, “Os escravos”, “A

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cachoeira de Paulo Afonso”. Para o teatro, o drama “Gonzaga” ou “A revolução de Minas”, além do livro “Vozes d’África”.

Fagundes Varela (1841-1875) destacou-se por suas descrições da nossa natureza e por seu engajamento de cunho político e social. Publicou: “Vozes da América”, “Cantos religiosos”, “Noturnas”, entre outras.

Principais escritores: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Castro Alves, Fagundes Varela, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Sousândrade.

9 - Romantismo no Brasil: prosa

O contexto histórico é o mesmo do capítulo anterior. A prosa começa de fato no Romantismo, com os folhetins. Se fizesse sucesso, a obra virava um livro. Assim nasceram os principais romances do século XIX. De acordo com a temática desenvolvida, os romances eram classificados em:

romance urbano, romance sertanejo ou regionalista, romance histórico e romance indianista. Não acho necessário explicar sobre o que cada um fala, pois os nomes são bem sugestivos.

Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) Em 1852, publicou em folhetins “Memórias de um Sargento de Milícias” (que mais tarde virou um livro), sob o

pseudônimo Um brasileiro”. Conhecia bem o Rio de Janeiro, local da história. Passou

a ocupar um lugar especial na história do Romantismo brasileiro.

Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) As pessoas da época eram retratadas em seus personagens. Dominou rapidamente a técnica de prender a atenção das pessoas com o enredo. Além disso, sua linguagem simples aproximava-o ainda mais de seu público. Publicou “A Moreninha” e “O Moço Loiro”.

Bernardo Guimarães (1825-1884) Publicou “A escrava Isaura” quando esquentavam os debates abolicionistas. Mesmo assim, essa obra não chega a enfrentar

o problema da escravidão. Era um caso de amor o enredo.

Alfredo d’Escragnolle Taunay (1843-1899) Grande romancista sertanejo. Publicou, em 1872, “Inocência”, que é considerado o melhor romance sertanejo do Romantismo. Além disso, deixou contos, peças de teatro, memórias e outros romances, como “A Retirada da Laguna”.

José de Alencar (1829-1877) Defendeu o estilo brasileiro e revelou um talento de observador da alma humana que seria, mais tarde, aperfeiçoado por Machado de Assis. A esses estudos ele deu o nome de “perfis femininos” (pois ele estudava mais mulheres). Foi importante cronista e fez peças de teatros, mas detacou- se como o mais importante prosador do nosso Romantismo. Escreveu em todas as tendências. Publicou, entre outros, “Senhora”, “Lucíola”, “O sertanejo”, “O guarani” e “Iracema”.

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A influência da Corte portuguesa fez com que o teatro se desenvolvesse.

Companhias de teatro de Portugal vinham para cá e difundiam o interesse pelo teatro.

O ator e empresário João Caetano (1808-1863) fundou a Companhia

Dramática Nacional. Em 1836, Gonçalves de Magalhães entregou-lhe a peça Antônio José” ou “O poeta e a Inquisição” – a primeira obra teatral de assunto e autor brasileiro.

Martins Pena (1815-1848) Peças predominantemente populares que retratavam de forma viva e pitoresca o Rio de Janeiro.

Além dele, publicaram peças Joaquim Manuel de Macedo, Gonçalves Dias e José de Alencar.

Principais autores: Manuel Antônio de Almeida, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Taunay, José de Alencar e Martins Pena.

10 – Realismo em Portugal

O contexto histórico remete ao século XIX, mais especificamente à segunda

metade. Nessa época, a burguesia (capitalista e industrial) “reinava” na Europa. As ideias liberais, o desenvolvimento das ciências naturais (Darwin – 1809-1882) se intensificaram e, em consequência disso, o misticismo e a religião sofreram ataques.

Concomitantemente, as ideias socialistas de Marx e Engels já estavam sendo difundidas por conta da condição de vida ruim que levavam os operários das fábricas.

Por esse tempo, surgiu o Realismo em Portugal, que já havia começado na França, em 1857. O marco inicial do Realismo em Portugal foi a “Questão Coimbra”, em 1865, na qual jovens intelectuais da cidade de Coimbra, liderados por

Antero de Quental, responderam às críticas do romancista Feliciano de Castilho, que era contra o Realismo. No que tange à arte (literatura), o marco inicial foi o romance de Eça de Queirós, “O crime do padre Amaro”, em 1875.

O Realismo, como já diz o nome, mostra o real, a realidade, isto é, denuncia as

condições de vida precárias, a exploração do operário, a hipocrisia burguesa, etc proposta dos realistas é representar objetiva e fielmente a vida social.

A

O Naturalismo foi uma tendência realista que achava que o ser humano não

passava de um ser biológico sujeito às leis da natureza, ou seja, o comportamento humano depende do meio social em que se vive e, por isso, as ações humanas podem ser facilmente previstas.

Eça de Queirós (1845-1900) é o mais importante prosador realista, combatia as falhas nas instituições, satirizava os costumes sutil e graciosamente, num estilo fluente e de vigor narrativo. Publicou “O primo Basílio”, “Os Maias”, “A relíquia”, “A capital”, etc

Antero de Quental (1842-1891) foi um verdadeiro líder intelectual da geração realista. Optou pela poesia filosófica, metafísica, indagadora das causas dos fenômenos da consciência e da existência. Foi um sonetista brilhante, ao lado de

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Camões e Bocage. Publicou “Odes Modernas”, “Versos dos vinte anos”, “Sonetos Completos” e “Raios de extinta luz”.

Obs.: O que inicia realmente o Realismo em Portugal é a “Questão Coimbra” (1865) – isso é o que separa Romantismo e Realismo em Portugal; mas a primeira obra só foi lançada (em Portugal) em 1875.

Principais autores: Eça de Queirós, Antero de Quental, Fialho de Almeida, Gomes Leal, Cesário Verde e Guerra Junqueiro.

11 – Realismo no Brasil

A história do Brasil nos mostra que, a partir da década de 1880, diferentemente da Europa – que vivia a industrialização –, vivíamos um processo de enfraquecimentos: o da monarquia e o da escravidão.

O Realismo no Brasil, assim como o europeu, preocupou-se com o lado social do país. O marco inicial é a publicação de dois romances, ambos em 1881: “O mulato” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, respectivamente, de Aluísio Azevedo e Machado de Assis. As características do Realismo no Brasil são as mesmas das de Portugal, pois o padrão é o mesmo.

Aluísio Azevedo (1857-1913) deixou uma extensa e irregular obra. Foi romancista, contista e cronista. Seus temas abordavam o preconceito racial, a

fraqueza dos homens ante a sensualidade, a marginalização social, etc

mulato”, “Casa de pensão”, “O cortiço” – a mais importante obra naturalista

brasileira –, entre outras.

Publicou “O

Raul Pompeia (1863-1895) formado em Direito, embora não tenha exercido a profissão, escreveu “O Ateneu”, que é uma crônica de saudades que retrata a dolorosa existência de um menino, que vivia num internato (Ateneu). Além dessas obras, publicou também “Uma tragédia no Amazonas”, “Microscópios”, etc

França Júnior (1838-1890) e Artur Azevedo (1855-1908) dois grandes autores de peças de teatro cômicas. França retratou bem certos tipos humanos e Artur (irmão de Aluísio) batalhou incessantemente pelo desenvolvimento do nosso teatro. França publicou “As doutoras” e “Caiu o Ministério” e Artur publicou “A capital federal” e “O dote”.

Machado de Assis (1839-1908) autodidata, publicou seu primeiro poema aos 16 anos. Foi poeta, teatrólogo, cronista e crítico literário, mas eclodiu mesmo com sua prosa – inicialmente romântica (“Ressurreição”, “A mão e a luva”, “Helena”, “Iaiá Garcia”) – realista, na qual revelou o seu brilhante talento de analisar os sentimentos humanos e da sociedade. Nessa fase Realista, desenvolveu o negativismo no decorrer do enredo, deixou fluir sua crítica aos valores românticos, utilizou uma linguagem sóbria, clássica e irônica, em que, às vezes, dialoga com os leitores. Publicou – na fase Realista – “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó”, “Memorial de Aires”, “Relíquias da casa velha”, etc

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De quebra, como se já não bastasse, ajudou a fundar a ABL (Academia Brasileira de Letras), em 1897. E ainda foi o primeiro presidente dela.

12 - Parnasianismo

O contexto histórico é o mesmo do Realismo porque ambos realizaram-se no

mesmo tempo – final do século XIX. Enquanto na prosa vigorava o Realismo, na poesia o Parnasianismo vigorou. Este último rejeitou a linguagem coloquial do Romantismo e se enveredou por vielas

complicadíssimas do nosso idioma: trabalhava pacientemente a linguagem, usando palavras raras (aquelas que precisamos de dicionário para entender), rimas ricas e observação rigorosa das regras de composição poética. Uma crítica feita ao Parnasianismo é que muitos parnasianos acabaram transformando a poesia numa exibição vocabular e rímica, em detrimento do conteúdo.

O nome Parnasianismo vem de Parnaso, que era o nome de uma montanha

sagrada para os poetas.

O Parnasianismo teve muitos adeptos no Brasil. Em Portugal, esse movimento

literário praticamente não existiu. O marco inicial do Parnasianismo brasileiro foi o

lançamento do livro de poesias Fanfarras”, de Teófilo Dias, em 1882.

Olavo Bilac (1865-1918) sua poesia apresenta várias temáticas, mas na linha parnasiana escreveu sobre a Antiguidade grega e romana, falou de fatos da história brasileira. Entretanto – fugindo da linha parnasiana –, escreveu poesias amorosas e sensuais. Escreveu ainda poemas melancólicos e meditativos nos quais se veem a preocupação com a morte e o sentido da vida. Publicou “Via Láctea”, “Sarças de fogo”, “Tarde”, além do Hino à Bandeira.

Além de Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correa destacam-se na poesia parnasiana e, além disso, foram dois dos fundadores da ABL, em 1897.

Principais escritores: Olavo Bilac, Teófilo Dias, Alberto de Oliveira, Raimundo Correa e Vicente de Carvalho.

13 - Simbolismo

O contexto histórico ainda remete à fertil época do final do século XIX, mais

especificamente, a última década desse século.

O Simbolismo surgiu na França, em 1857, com a publicação da obra “As flores

do mal”, de Charles Baudelaire. Pode-se considerar o Simbolismo como um movimento reacionário contra o materialismo e o positivismo da geração realista. Tal postura reflete uma atmosfera de desilusão e frustração que envolveu alguns intelectuais, que foram influenciados por correntes contrárias ao pensamento científico- mecanicista e de tendência irracionalista.

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O Simbolismo tem como característica a preocupação com a forma, com a busca de palavras com valor conotativo (subjetivo, de mais de uma interpretação), a comparação da poesia com a música, a evocação de sentimentos e emoções, alusões a elementos religiosos, místicos e espirituais. Os temas preferidos eram os subjetivos, que tratavam da Morte, do Destino, de Deus, da solidão, do vago, etc

Em Portugal, o Simbolismo começou com a publicação de “Oaristos”, de Eugênio de Castro, em 1890. O movimento simbolista português explorou o mundo interior do “eu” lírico, por isso gerou várias tendências – desde o saudosismo até temas como a morte.

Camilo Pessanha (1867-1926) grande nome do Simbolismo português. Seu tema preferido era a fugacidade da vida, que passa rápido. Publicou apenas um livro:

“Clepsidra” (relógio de água).

No Brasil, o Simbolismo começou em 1893, com a publicação de “Missal” (poemas em prosa) e “Broqueia” (versos), ambos de Cruz e Sousa. Muitos se perguntam o porquê de o Simbolismo não ter suplantado o Parnasianismo. Há duas fortes explicações:

- O Parnasianismo – embora tivesse uma linguagem artificial e ornamentada –

era o estilo das camadas dirigentes, da burocracia. Eles gostavam da linguagem parnasiana, pois, naquela época, falar bem era “falar difícil”.

- Os escritores parnasianos (boa parte pertencia à ABL) não permitiam que os

simbolistas publicassem seus versos nas revistas e jornais da época, devido à oposição a

seus poemas subjetivos.

João Cruz e Sousa (1861-1898) negro, sentiu na pele o preconceito racial e acabou por expor seus dramas e angústias em sua poesia. Herdou do Parnasianismo o cuidado com a linguagem, mas destacou-se por sua musicalidade. Publicou “Missal”, “Broqueia”, “Faróis”, “Últimos Sonetos” e “Evocações”.

Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) só falou sobre a morte. Reflexivo e melancólico, criou uma atmosfera indefinida, vaga, plena de sugestões. A desesperança torna-se maior a cada verso; a instabilidade de existência, o espiritualismo, o misticismo e a religião também estão presentes. Publicou “Pastoral aos crentes do amor e da morte”, “Dona Mística”, etc

Augusto dos Anjos (1884-1914) poeta originalíssimo, ocupa um lugar à parte em nossa literatura. Essa originalidade vem do uso de termos tirados das ciências biológicas e manejados para falar de seus temas – morte, nada, decomposição da matéria. Explorou a sonoridade das palavras muito estranhas em textos poéticos. Publicou o livro “Eu”.

Principais poetas: os portugueses Eugênio de Castro, Antônio Nobre e Camilo Pessanha; o francês Charles Baudelaire; e os brasileiros Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens, Augusto dos Anjos, Emiliano Perneta e Raul de Leoni.

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14 – Modernismo em Portugal

O contexto histórico remete-nos ao início do século XX. Os primeiros vinte anos desse século, além da 1ª Grande Guerra (1914-1918), tiveram um grande desenvolvimento científico e tecnológico. Com o mundo em transformação, a literatura, claro, também mudou. A irreverência, a polêmica, o escândalo e a experimentação são marcas do Modernismo. Desse modo, apareceram o Futurismo (de Marinetti, Itália), o Cubismo (de Picasso, Espanha), o Dadaísmo (Suíça), o Expressionismo (alemão) e o Surrealismo (francês).

Em Portugal, o Modernismo tem como marco inicial a publicação da revista literária “Orpheu”, em 1915. Dessa revista, entre outros, são fundadores Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada-Negreiros. A revista teve apenas dois números e sofreu ataques fortes dos conservadores, que os chamaram de “loucos futuristas”. Contudo, as ideias estavam lançadas. Em 1927, a revista “Presença” surgiu, dando continuidade às obras modernistas, as quais valorizava muito. Dessa revista, faziam parte, entre outros, José Régio e Miguel Torga.

Fernando Pessoa (1888-1935) embora escrevesse bastante, esse brilhante escritor português, só teve um livro publicado em vida: “Mensagem”. As demais obras vieram postumamente a público. Para continuar a falar sobre Pessoa, deve-se salientar que:

Pseudônimo = nome falso;

Heterônimo = personalidade inventada por outrem, com estilo próprio;

Ortônimo = nome verdadeiro.

Entendido isso, Fernando Pessoa teve três heterônimos importantes:

Alberto Caeiro Era o poeta que buscava o campo, a ingenuidade. Preocupava-se com o que os sentidos pudiam perceber. Seu vocabulário é simples de entender.

Ricardo Reis Poeta pagão, foi estudioso do latim e do grego. Daí a sua preocupação com o gozo dos prazeres da vida, sem aflição ou angústia. Sua linguagem é sofisticada, rebuscada e difícil.

Álvaro de Campos Poeta futurista, maquinizado, que canta as máquinas, as fábricas, as técnicas, etc., perdido nas contradições do seu mundo interior.

Fernando Pessoa ortônimo até os 17 anos escreveu em inglês. Em português, enveredou-se pelos temas saudosos, nostálgicos, melancólicos e nacionalistas. Mas o lirismo dito é contido e há certa inquietação existêncial.

Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) Seu tema predileto é a angústia existencial, que o fez entrar numa crise dentro de si, além de uma crise financeira e moral. Ele tinha a sensação de ser um estranho no mundo. Suicidou-se em 1916. Publicou “Dispersão”, “A confissão de Lúcio” e “Indícios de ouro”.

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José Saramago (1922-2010) romancista, teatrólogo, poeta e político. Ganhou o Nobel da Literatura em 1998 (primeira vez para a língua portuguesa). Ele mergulhou profundamente na cultura e na civilização, explorando seus muitos aspectos. Ateu, foi perseguido por católicos indignados com sua última obra – “Caim”, em 2009. Publicou “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, “In nomine Dei”, “O ano da morte de Ricardo Reis”, entre outros.

Na década de 1940 – durante a ditadura Salarazista (1928-1974) –, surgiu o Neorrealismo, que propôs um maior engajamento com os problemas sociais e políticos nos tempos da 2ª Grande Guerra (1939-1945). Os principais representantes desse movimento são os importantes prosadores: Fernando Namora, Alves Redol, Vergílio Ferreira e Ferreira Castro. Depois da metade do século XX, Portugal continuou rico em sua literatura e se renovando. Ao lado dos autores consagrados, temos José Cardoso Pires, José Saramago, Lobo Antunes, entre outros.

Principais autores no Modernismo: Fernando Pessoa (e heterônimos), José de Almada-Negreiros, Mário de Sá-Carneiro e José Saramago.

15 – Pré-Modernismo no Brasil

Remete-nos ao contexto histórico das duas primeiras décadas do século XX. A recém formada República não fazia nada para mudar a estrutura da sociedade brasileira – que privilegiava somente as elites. A política do “café-com-leite” dominava a esfera política no Brasil. Assim, surgiram várias revoltas no Brasil, tais como a Revolta da Vacina (1904), a Guerra de Canudos (1893-1897) e a Revolta da Chibata (1910). Por esse período, a literatura andava meio parada, com a poesia parnasiana repisando temas artificiais; a prosa utilizava recursos do Realismo e do Romantismo. Contudo, alguns escritores procuraram expor uma visão crítica dos problemas brasileiros: eram os pré-modernistas. Essa é mesmo a principal característica do Pré-Modernismo: a retratação da realidade, mostrando os desequilíbrios sociais.

Euclides da Cunha (1866-1909) foi enviado pelo jornal “O Estado de São Paulo” (jornal para o qual trabalhava) para Canudos (BA) para escrever sobre as operações do Exército contra o Antônio Conselheiro. Euclides publicou, em 1902, o livro “Os sertões” – marco inicial do Pré-Modernismo – com base no que havia escrito para o jornal e com suas pesquisas. “Os sertões” é dividido em três partes: A terra – na qual a região é descrita; O homem – na qual os sertanejos, os jagunços e Antônio Conselheiro são descritos; A luta – a guerra de fato. Publicou: “Os sertões”, “Peru versus Bolívia”, “Contrastes e confrontos”, “À margem da história”.

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Graça Aranha (1868-1931) dotado de uma visão pessimista do homem brasileiro, em sua principal obra – “Canaã” –, abordou os problemas dos imigrantes europeus, especialmente os alemães.

Lima Barreto (1881-1922) sua obra trata de temas que criticam contudentemente a sociedade carioca no início do século XX. Lima denunciou o preconceito racial, a corrupção das elites e falou com carinho do povo sofrido. Ele tinha uma tendência humorística e seus enredos são simples, contudo as sensações que seus personagens passam são profundas e nos levam a tirar conclusões (satíricas, revoltadas ou pessimistas). Publicou “O triste fim de Policarpo Quaresma”, que é a história de um patriota exaltado que se decepciona com os governantes, que só se importavam com os interesses pessoais. Publicou também “Numa e Ninfa”, “Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá”, “O homem que sabia javanês”, entre outros.

Monteiro Lobato (1882-1948) não publicou somente o “Sítio”. Lobato foi um homem que fazia reflexões sobre os problemas do país (saúde, educação, etc.). Focalizava-se mais nos problemas do campo, que simbolizou criando o homem do campo: Jeca Tatu. Seu estilo de escrever era clássico, por isso não pôde assumir um compromisso com o movimento reformador. Ele até mesmo chegou a criticar os primeiros modernistas, vendo-os com desconfiança, com medo de que fossem apenas imitações de ideias estrangeiras. Além de histórias infantis (como “O saci”, “Caçadas de Pedrinho”, etc.), publicou: “Cidades mortas”, “Urupês”, “Ideias de Jeca Tatu”, “Negrinha”, “O presidente negro”, etc

Principais autores: Euclides da Cunha, José Graça Aranha, Afonso de Lima Barreto e José Monteiro Lobato.

16 – Semana de 22: o marco do Modernismo

O contexto histórico remete a uma época conturbada no Brasil. A República Velha, como diz o nome, já estava ultrapassada, com a sua política do café-com- leite. E justamente no ano de 1922, aconteceu uma crise no cenário político e militar, que ficou conhecida como a Revolta dos 18 do Forte, no Rio de Janeiro. Foi uma revolta contra a política oligárquica que contribuiu para aumentar a insatisfação até que Vargas chegasse ao poder em 1930. Nas primeiras décadas do século XX, alguns escritores, influenciados pelas ideias da vanguarda europeia, desejavam renovar a nossa literatura. Na época, não existia o nome “Modernismo”: eles eram chamados de “futuristas”, embora não concordassem inteiramente com as ideias de Marinetti. O nome servia para diferenciá-los dos romancistas, realistas e parnasianos. Ser futurista era ser renovador, mas para as elites, era ser extravagante. Em 1917, a jovem Anita Malfatti expôs seus novos quadros em São Paulo, em dezembro e em janeiro de 1918. Os quadros revelavam as novas tendências artísticas que Anita obtivera em suas viagens de estudo à Europa e aos Estados Unidos. Monteiro Lobato, que era crítico de arte do jornal “O Estado de São Paulo”, criticou duramente num artigo chamado “Paranoia ou mistificação?”.

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Lobato comparou os desenhos de Anita aos desenhos feitos por loucos no manicômio. Em 1920, Vítor Brecheret venceu um concurso internacional de escultores, em Paris. Essa vitória foi muito comemorada pelos modernistas, pois era a prova de que um modernista – Vítor – vencera no “mundo civilizado” (Paris). Ainda assim, Lobato continuou a criticar fortemente o Modernismo, mas o que ele não sabia era que essas críticas acabariam aproximando mais os modernistas. As principais características do Modernismo são: rompimento com o passado – romântico, parnasiano e realista; abandono das sugestões europeias, o que indica uma independência mental do Brasil; novas técnicas para a representação da vida; nova expressão verbal para a criação literária. A ideia de criar um marco que representasse o início do Modernismo foi lançada por Di Cavalcanti (pintor), às vésperas do centenário da Independência do Brasil. A ideia dele era fazer uma simples exposição de arte moderna numa livraria em São Paulo. Contudo, a adesão da alta sociedade atraiu a imprensa e, dessa forma, a realização do evento foi para o Teatro Municipal de São Paulo. Aconteceu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. Artes plásticas foram expostas no saguão do teatro. Palestra, textos modernistas, composições musicais de Villa-Lobos, Conferência sobre pintura e escultura de Ronald de Carvalho, peças musicais, tudo isso no dia 13. No dia 15, interrupções, vaias, assobios e gritaria da plateia irromperam durante a palestra “Arte Moderna”, de Menotti del Picchia, que enfatizava a liberdade e renovação; a plateia também foi deselegante enquanto Ronald de Carvalho declamava o poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira, que não pôde ir ao evento. O poema ridicularizava o Parnasianismo. No dia 17, Villa-Lobos encerrou o espetáculo, sem grande alvoroço. Apesar de tudo, a Semana de Arte Moderna de 1922 conseguiu divulgar a nova geração de artistas brasileiros que queriam atualizar a nossa cultura. Contudo, devo lembrar que o Modernismo já havia começado antes da Semana de 22 e que ele prosseguiu depois dela em diversas direções, sendo o movimento mais fecundo da nossa história.

Participantes da Semana de 22: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Graça Aranha (foi ele quem deu a palestra no dia 13), Ronald de Carvalho, Guiomar Novais, Heitor Villa-Lobos, Paulo Prado, Vicente Rego Monteiro, Vítor Brecheret, Anita Malfatti, Di Cavalcanti (que teve a ideia), entre outros.

17 – Primeira fase do Modernismo

O contexto histórico é o mesmo, pois a primeira fase do Modernismo (1922- 1930) basicamente é o que acontece depois da Semana de 22. Nesse período, considerado o mais radical do Modernismo, surgiram várias revistas de arte (como a Klaxon), que duraram pouco tempo. Os escritores criaram vários grupos ou movimentos nos quais propunham diferentes formas à nova literatura.

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Movimento Pau-Brasil lançado por Oswald de Andrade, buscava uma poesia ingênua, de redescobeta do mundo e do Brasil. Combatia a linguagem vazia e exaltava o progresso.

Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta recusou as ideias europeias e, como o nome sugestiona, foi muito nacionalista. Foi um movimento de reação ao Movimento Pau-Brasil. Liderado por Cassiano Ricardo, Plínio Salgado, Menotti del Picchia, entre outros. Por ter escolhido a anta como símbolo, o movimento converteu-se em Grupo da Anta, que era de direita e resultou no Integralismo de Plínio Salgado, na década de 1930.

Movimento Antropofágico lançado por Oswald de Andrade, Antônio de Alcântara Machado, Tarsila do Amaral, etc., foi um desdobramento do primitivo Pau-Brasil e uma reação ao Verde-Amarelo. Lançou-se com a publicação da “Revista de Antropofagia”.

As características da primeira fase do Modernismo são: rompimento total com o passado, ideais anárquicos, nacionalismo exagerado e primitivismo (volta às origens). Obs.: O rompimento com o passado é na maneira de escrever.

Mário de Andrade (1893-1945) escreveu sobre literatura, folclore, artes

plásticas, música, etc

complexo da realidade, do caráter, do folclore brasileiros e para uma crítica social severa. Mário lutava para uma representação simples da língua brasileira: a que o povo fala. Publicou: “Macunaíma”, “Amar, verbo intransitivo”, “Contos novos”, “Há uma gota de sangue em todo poema”, “Lira paulistana”, “Belazarte”, etc

A maioria das obras dele converge para um estudo

Oswald de Andrade (1890-1954) dotado de um espírito irrequieto, foi uma figura dinâmica no Modernismo. Divulgou ideais vanguardistas, que obtivera na Europa, aqui no Brasil. Foi jornalista, poeta, romancista e autor de peças de teatro. Suas obras eram originais, com muito humor, ironia e uma linguagem coloquial. A prosa, Oswald fundiu com a poesia para criar um estilo original em “Memórias sentimentais de João Miramar” e “Serafim Ponte Grande”. A única coisa ruim para se falar de Oswald de Andrade é que é muito fácil confundi-lo com Mário (o anterior). Ambos têm o mesmo sobrenome e são da mesma escola: o Modernismo. Publicou: “Memórias sentimentais de João Miramar”, “Serafim Ponte Grande”, “Poesia Pau-Brasil”, “A morta”, “Trilogia do exílio”, etc

Manuel Bandeira (1886-1968) embora mostrasse características modernas antes de 1922, Manuel alcançou o ponto mais alto como modernista em 1930, com “Libertinagem”, no qual desenvolveu uma linguagem coloquial e irônica e com dramaticidade. Demonstrava ceticismo, solidão, nostalgia e um lirismo muito pessoal que fez sua poesia ser universal. Publicou: “Libertinagem”, “Estrela da tarde”, “Ritmo dissoluto”, etc

Antônio Alcântara de Machado (1901-1935) não participou da Semana de 1922, mas foi um dos escritores mais ativos e colaborou em várias revistas.

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Escreveu crônicas, contos e um romance inacabado (“Mana Maria”). Alcântara Machado foi o principal contista da primeira fase do Modernismo. Publicou:

“Brás, Bexiga e Barra Funda”, “Laranjas da China”, etc

transformações pelas quais passava a cidade de São Paulo e observou o imigrante italiano, cada dia mais presente no dia-a-dia.

Esteve atento às

Principais escritores: Mário e Oswald de Andrade, Antônio Alcântara de Machado, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado.

18 – Segunda fase do Modernismo: prosa

O contexto histórico da segunda fase do Modernismo (1930-1945) é a ditadura de Vargas, a Segunda Guerra Mundial, o nazismo, o fascismo. Nessa época, a literatura brasileira passava por uma fase de amadurecimento. Uma nova geração – caracterizada pela literatura construtiva, a consciência política, a reflexão – surgiu no campo da prosa, com três principais tendências, cujos nomes são auto-explicativos, e seus principais escritores:

Romance intimista e psicológico Lúcio Cardoso, Cornélio Pires e Ciro dos Anjos;

Romance de temática social e urbana Érico Veríssimo, Dionélio Machado, Marques Rebelo e Otávio de Faria;

Romance social nordestino Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Amando Fontes e Jorge Amado.

Raquel de Queiroz (1910-2003) foi tradutora, cronista, teatróloga e romancista. Lançou, aos 20 anos, o romance “O Quinze” (1930). Suas obras eram regionalistas (mais voltadas para o Nordeste, já que ela era cearense) e retratavam a seca, o flagelo (calamidade pública), a miséria, a fome, o cangaço e o coronelismo. Foi presa, em 1937 (início do Estado Novo), por suas ideias comunistas. Nessa época, Queiroz escreveu “Caminho de pedras”, um romance engajado politicamente. Rachel foi a primeira mulher admitida na ABL, em 1977. Publicou: “O Quinze”, “Caminho de pedras”, “As três Marias” e “Memorial de Maria Moura”.

Jorge Amado (1912-2001) grande representante do regionalismo baiano, retratava o modo de falar do povo e tinha, em suas obras, elementos de tradição e crenças da Bahia. Ao lado disso, Amado fez francas denúncias sociais e participou politicamente do PCB, sendo, por isso, perseguido e preso.

A partir da década de 1950, Amado inicia uma fase de crítica de costumes e sátiras, que obtiveram grande aceitação popular. Publicou:

“Dona Flor e seus dois maridos”, “Tieta do Agreste”, “Gabriela, cravo e canela”, “Terras do sem-fim”, “Capitães de areia”, “Os velhos marinheiros”, etc

Graciliano Ramos (1892-1953) considerado o mais importante prosador da segunda fase do Modernismo.

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Para variar, foi, também, preso por ser comunista, em 1936. Das memórias desse cárcere, escreveu “Memórias do cárcere”. Publicou romances tidos como de tensão crítica, nos quais o herói opõe-se e resiste ao meio natural

e social. Seus romances têm como temas a seca do Nordeste, o cangaço, a morte,

as injustiças sociais, a luta pela sobrevivência, o misticismo e os códigos

primitivos de honra. Publicou: “Vidas secas”, “Memórias do cárcere”, “Caetés”, “Angústia”, “São Bernardo”, “Infância”, etc

José Lins do Rego (1901-1957) autor regionalista por excelência, Rego apresentava, além do nome engraçado, um forte conteúdo memorialista,

revelando lembranças da infância e adolescência. Tratou da vida nos engenhos

e da decadência das velhas estruturas econômicas do Nordeste (com os

demandos dos autoritários senhores de engenho). Publicou: “Fogo morto”, “Menino de engenho”, “Pureza”, “Riacho doce”, “Eurídice”, etc

Érico Veríssimo (1905-1975) gaúcho, é o representante da Região Sul. Seus temas abordam os problemas sociais urbanos, a crise moral e espiritual da sociedade urbana moderna (de Porto Alegre). Na segunda fase de Érico, deixa-se de lado o presente e mergulha-se numa obra (“O tempo e o vento”) que reconstitui as origens e a formação social e política do Rio Grande do Sul. Essa obra é composta de três romances: “O continente” (1949), “O retrato” (1951) e “O arquipélago” (1961). Em sua última fase, Veríssimo volta-se para os assuntos políticos. Publicou: “Fantoches”, “Clarissa”, “Olhai os lírios do campo”, “O tempo e o vento” (trilogia), “O prisioneiro”, “Incidentes em Antares”, “Solo de clarineta”, etc

Principais escritores: Graciliano Ramos, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Dionélio Machado, Marques Rebelo, Amando Fontes, Otávio de Faria, Lúcio Cardoso, Cornélio Pires e Ciro dos Anjos.

19 – Segunda Fase do Modernismo: poesia

Segue o mesmo contexto histórico, pois o livro fez questão de separar, acertadamente, prosa e poesia. Uma fecunda geração de poetas desenvolveu a poesia modernista em várias temáticas na segunda fase (1930-1945), tais como a social, a religiosa, a espiritual e a amorosa.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) considerado um dos maiores

poetas do Modernismo e é, sem dúvida, o mais importante poeta da segunda fase do Modernismo. Foi também cronista, contista e tradutor.

A maioria de seus poemas apresenta versos livres, sem rima e métrica, fugindo

da métrica rígida tradicional. Drummond tinha uma visão crítica da sociedade, uma investigação da realidade humana que eram expressos com humor e ironia. Tinha certo

desencanto com a vida, revelando um pessimismo.

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Durante uma fase, Carlos sentiu a vontade de se integrar ao seu tempo, mas, pouco a pouco, perdeu essa vontade por conta da falta de solidariedade e justiça entre as pessoas. Tratou de falar sobre o seu passado (em Itabira-MG), sobre sua família, em especial do pai. Como prosador, Andrade revelou um grande senso de observação que lhe permitiu fazer crônicas de fatos simples. Crônicas essas, escritas por muito tempo para jornais e depois reunidas em livros. Publicou: “Sentimento do mundo”, “Alguma poesia”, “A rosa do povo”, “Poesia errante”, “Moça deitada na grama”, etc

Murilo Mendes (1901-1975) sua poesia possui características futuristas e surrealistas, além de ter certo misticismo e religiosidade já que ele se converteu ao catolicismo em 1934. Publicou: “As metamorfoses”, “A poesia em pânico”, “O visionário”, etc

Jorge de Lima (1895-1953) sua produção poética apresenta as fases regionalista (em que trata dos temas do Nordeste – folclore, mestiçagem, tropicalidade) e religiosa, depois Jorge se converteu ao catolicismo. Publicou:

“XVI alexandrinos”, “Poemas”, “O mundo do menino impossível”, “A mulher obscura”, “Calunga”, etc

Cecília Meireles (1901-1964) escreveu sobre literatura infantil, folclore, fez crítica literária e colaborou na imprensa. Lírica e intimista, Cecília valorizou o ritmo vocabular, contudo utilizou, por vezes, o verso livre. Havia melancolia e saudosismo em seus poemas, além de uma nota de tristeza e desencanto. Foi, sem dúvida, uma das mais belas e significativas expressões do lirismo moderno. Publicou: “Vida música”, “Viagem” “Canções”, etc

Vinicius de Moraes (1913-1980) largou paulatinamente a tendência religiosa que tinha e enveredou-se pela poesia intimista, pessoal, voltada para o amor físico. Vinicius usava uma linguagem coloquial, lírica e realista. É um dos poetas mais famosos do Brasil por conta de composições de músicas populares – músicas brilhantes, diga-se de passagem. Publicou: “O caminho para a distância”, “Para viver um grande amor”, “Poemas, sonetos e baladas”, “Ariana, a mulher”, etc

Principais escritores: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Dante Milano, Mário Quintana, Joaquim Cardoso, Frederico Schmidt, Henriqueta Lisboa, entre outros. Obs.: Alguns poetas, como Mário de Andrade e Manuel Bandeira, que eram da fase anterior, renovam-se e continuam a escrever.

20 – Pós-Modernismo: prosa

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O pós-Modernismo, que começa didaticamente em 1945 e segue até os dias e hoje, tem como contexto histórico o fim da ditadura de Vargas, como consequência do fim da Segunda Guerra Mundial, inicío da Guerra Fria, etc Na literatura, os autores brasileiros fogem dos excessos da geração de 22 e, na prosa, é possível vislumbrar uma produção intimista e introspectiva ou uma literatura regionalista. Na literatura intimista, os autores abordam penetrantemente os problemas individuais dados num determinado contexto social. Na literatura regionalista, os autores mostram a realidade do interior do país.

Guimarães Rosa (1908-1967) consagrou-se com a publicação do romance “Grande sertão: veredas” e da novela “Corpo de baile”. Renovou o regionalismo na literatura brasileira, pois saiu do estilo que vigorava desde o Romantismo, que só fala do Nordeste. Rosa falou sobre o sertão de Minas Gerais. Construiu uma linguagem do sertão, baseada na estrutura psicológica do sertanejo. Guimarães “redescobriu” o português, usando muitos neologismos, aliterações, arcaísmos, onomatopeias, etc Publicou: “Grande sertão: veredas”, “Sagarana”, “Tutameia”, além de “Manuelzão e Miguilim”, “No Urubuquaquá, no Pinhém” e “Noites do sertão” (essas três, reunidas em “Corpo de baile”. E, ainda, “Ave, palavra”.

Clarice Lispector (1925-1977) Clarice mergulhou nas profundezas da consciência humana, atingindo camadas de introspecção psicológica em suas personagens raras vezes tentadas na literatura brasileira. Em seus livros, o legal não é a história, que fica em segundo plano; mas sim a análise psicológica das personagens. É a chamada literatura introspectiva, que revela as dúvidas e inquietações humanas. Publicou crônicas, livros infantis, romances e contos. De sua obra, destacam-se: “Laços de família”, “Perto do coração selvagem”, “A hora da estrela”, “A via-crúcis do corpo”, “Um sopro de vida”, “Visão do esplendor” e “O lustre”.

Sobre crônica, pode-se dizer que é pegar um fato da realidade e tomá-lo como ponto de partida para caminhar para onde quiser (humor, reflexão, etc.). Os principais cronistas são Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Cecília Meireles, Rachel de Queiroz, Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), Luís Martins, Rubem Braga, Carlos Eduardo Novaes, Lourenço Diaféria e Luis Fernando Verissimo.

Principais escritores: João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Marco Palmério, Bernardo Élis, Adonias Filho, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, João Antônio, Osmar Lins, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Autran Dourado, Raduan Nassar, Luiz Vilela, Murilo Rubião e José J. Veiga.

21 – Pós-Modernismo: poesia

Mesmo contexto histórico (1945 em diante). Os poetas, assim como os prosadores, fugiram dos excessos da geração de 22. Os poetas da geração de 45 resolveram fazer uma poesia mais formal, com uma linguagem mais bem cuidada e uma expressão poética mais disciplinada.

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João Cabral de Melo Neto (1920-1999) sua poesia trilhou um caminho bem pessoal. Caracteriza-se pela objetividade, pois relata a realidade e o dia-a-dia. João tinha grande preocupação com a forma e a linguagem de seus poemas e com a escolha do vocabulário. Melo Neto escreveu sobre o Nordeste e seus retirantes, suas tradições, seu folclore, seus engenhos; Pernambuco, Recife, o rio Capibaribe, paisagens da Espanha (onde foi diplomata), poesia histórica, etc Em 1969, entrou para a ABL, por unanimidade. Em seu poema mais conhecido, o longo “Morte e vida severina”, falou sobre a saída do retirante nordestino do sertão a Recife, além das denúncias de problemas sociais – que fazem refletir sobre a vida humana. Publicou: “Morte e vida severina”, “Paisagens com figura”, “Uma faca só lâmina” (reunidas em “Duas águas”), “Sevilha andando”, “Quaderna”, “Psicologia da composição”, etc

O concretismo foi um polêmico movimento poético que substituiu os versos e, até mesmo, a sintaxe para elaborar uma “poesia visual”. Ex.:

vai e vem e vem e vai

e

Acima, vê-se uma “poesia” concretista de José Lino Grünewald.

A poesia social é uma expressão comunicativa. Parece um texto em prosa em formato de poesia. Trata do cotidiano numa linguagem simples e discursiva.

Principais escritores: João Cabral de Melo Neto, Bueno Rivera, Domingos Carvalho da Silva, José Paulo Moreira da Fonseca, Ledo Ivo, Geir Campos, Ferreira Gullar (grande escritor da “poesia social”), Tiago de Melo, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pigtanari, etc

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