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Aula 13: C alculo´

1. Limites not´aveis

de limites. Derivadas.

Estudamos agora trˆes limites importantes. 1 S˜ao eles

Teorema 1 (Limites not´aveis):

lim

sen x

= 1

lim

ln x 1 = 1

x

lim

exp x 1

= 1

x 0

x

x 1

x

x

Demonstrac¸ ao.˜ Comecemos com o logaritmo. Sabemos que

(1)

Dividindo por x 1 obtemos

x 1 ln x x 1

x

1 ln x 1 1 (se x > 1)

x

x

1

ln x x 1

1

x

(se x < 1)

Pelo teorema dos limites enquadrados obtemos

lim

x

1

ln x

x 1 = 1

Passemos `a exponencial. Substituindo x = e y na equa¸c˜ao (1) obtemos 1 e y y e y 1. Multiplicando a primeira desigualdade por e y obtemos tamb´em e y 1 y e y . Assim

y e y 1 y e y

Dividindo por y obtemos

1

e y 1

y

e y

(se y > 0)

e y e y 1 1 (se y < 0)

y

Pelo teorema dos limites enquadrados obtemos e y 1

lim

= 1

y

0

y

Finalmente temos o seno. Seja θ 0, π , e sejam A, B, C, D R 2 os pontos

2

A = (cos θ, sen θ ) ,

B = (1, 0) ,

C = (1, tan θ ) ,

D = (cos θ, 0)

representados na figura 1:

C A θ B D
C
A
θ
B
D

Figura 1. Demonstra¸c˜ao do teorema 1

1 Assumimos aqui que 0 ´e um ponto de acumula¸c˜ao do dom´ınio d o seno e da exponencial.

2

θ ´e igual ao comprimento do arco AB , que ´e menor que o comprimento do segmento

tangente BC = tan θ e maior que AB . Mas sen θ = AD AB logo

sen θ θ tan θ = sen cos θ θ

para θ 0, π .

2

Dividindo tudo por sen θ ,

1

θ

1

sen θ cos θ

o que ´e equivalente a

1 sen θ

θ

cos θ

Como as fun¸c˜oes sen θ e cos θ s˜ao pares, esta desigualdade ´e tamb´em v´alida para θ < 0. Pelo teorema dos limites enquadrados, como cos θ 1 obtemos

sen θ

θ

θ

lim

θ

0

= 1

2. Limites e composi¸c˜ao

Vamos supor que queremos calcular lim a f g ( x ) . Seja u = g ( x ). Se soubermos que

(1) lim a g ( x ) = b

x

x

ou seja, que u b quando x a , e

´e natural esperar que

(2) lim b f ( u ) = c

u

lim a f g ( x ) = lim b f ( u ) = c

x

u

De facto, se f for cont´ınua, (2) diz-nos que f ( b ) = c e

lim a f g ( x ) = f lim a g ( x ) = f ( b ) = c

x

x

Em geral no entanto, n˜ao ´e verdade que lim a f g ( x ) = c , como podemos ver no pr´oximo exemplo!

x

Exemplo 1. Seja g ( x ) = 1 a fun¸c˜ao constante igual a 1 e seja

f ( u ) = ®

2 u = 1

3 u = 1

Ent˜ao

lim 0 g ( x ) = 1 e

x

lim 1 f ( u ) = 2

u

Mas o limite lim 0 f ( g ( x )) n˜ao ´e dois! De

logo lim 0 f ( g ( x )) = 3.

x

x

facto f g ´e constante: f ( g ( x )) = f (1) = 3

O problema no exemplo anterior ´e que o facto de lim b f ( u ) = c n˜ao nos diz nada

u

sobre o que acontece para u = b . Se f ( b ) = c podemos ter problemas. Para evitar esta situa¸c˜ao supomos que g ( x ) = b para x = a :

Aula 13: C´alculo de limites. Derivadas.

3

Teorema 2: Seja a um ponto aderente ao dom´ınio de f ◦ g tal que
Teorema 2: Seja a um ponto aderente ao dom´ınio de f ◦ g tal que
(1) lim a g ( x ) = b ;
x
(2) lim b f ( u ) = c ;
u→
(3) g ( x ) = b para x = a .
Ent˜ao
lim a f g ( x ) = lim b f ( u ) = c
x
u→

Demonstrac¸ ao.˜ Definimos a fun¸c˜ao

f ( u ) = ®

f ( u ) u = b

c u = b

Ent˜ao f ´e cont´ınua em b e f ( u ) = f ( u ) para u = b logo

lim a f g ( x ) = lim f g ( x ) (pois g ( x ) = b para

x

x

a

=

f lim

x

a

 

˜

g ( x )

(pois f

´e cont´ınua)

= f ( b ) = c

x = a )

Exemplo 2. O limite

lim

x

2

ln( x 2 3) x 2 4

conduz a uma indetermina¸c˜ao 0 0 . Para o calcular vamos usar o limite not´avel do logaritmo. Fazendo a substitui¸c˜ao u = x 2 3 obtemos

ln( x 2 3) = ln u

x 2 4

u 1

( u = x 2 3)

Quando x 2, u = x 2 3 1 logo

ln( x 2 3)

x 2 4

e 4 x 1

lim

x

2

Exemplo 3. Para calcular lim

x

0

x

= lim

u1

ln u 1 = 1 u

, observamos que:

e 4 x 1 = 4 e 4 x 1 = 4 e u 1

x

4x

u

com u = 4x

Quando x 0, u 0 logo

lim

x

0

e 4 x 1

x

= lim 0 4 e u 1

u

u

= 4 .

4

Exemplo 4. Para calcular lim

x

0

sen( x 2 )

x

, observamos que

sen x 2 = x sen x 2

x

x

2

logo

lim

x

0

sen( x 2 )

x

= lim 0 x · lim

x

x

0

=

lim 0 x · lim

x

u0

sen x 2

x

sen u

2

u

( u = x 2 )

Observac¸ ao:˜ O teorema s´o se aplica se os limites de f e g existirem. Se estes limites n˜ao existerem, o limite de f g pode ou n˜ao existir.

= 0 · 1 = 0

Exemplo 5. Seja H a fun¸c˜ao de Heaviside e seja g ( x ) = x 2 . Ent˜ao H g ( x ) = H ( x 2 ) ´e constante igual a um portanto tem limite em x = 0 apesar do limite de H

n˜ao existir em g (0) = 0.

3. Interpreta¸c˜ao geom´etrica dos limites not´aveis

Vamos agora ver como interpretar geometricamente os limite s not´aveis do seno e do logaritmo. Come¸camos com o limite do seno:

Observemos a figura 2:

sen θ lim = 1 θ → 0 θ D θ A C
sen θ
lim
= 1
θ → 0
θ
D
θ
A
C

B

Figura 2. Compara¸c˜ao entre 2θ e 2 sen θ para θ = π/6

˜

sen θ ´e o comprimento AD do segmento entre A e D e θ ´e o comprimento BD do arco unindo B a D . Assim,

 

˜

2 sen θ = CD

e 2θ = CD

logo

sen θ

θ

= CD

˜

CD

Estamos assim a comparar os comprimentos do segmento e do arc o unindo os pontos C e D . Queremos agora tomar o limite quando θ tende para zero. Na pr´oxima

Aula 13: C´alculo de limites. Derivadas.

5

figura tomamos θ = π/48. Para ver melhor o que se est´a a passar ampliamos a imagem:

θ = π/48
θ = π/48
Amplia¸c˜ao × 8 D C
Amplia¸c˜ao × 8
D
C

Figura 3. Amplia¸c˜ao por um factor 8 para o ˆangulo θ = π/48.

Ao ampliar uma imagem por um factor k , todos os comprimentos s˜ao multiplicados

˜

por k . Assim, o quociente CD/ CD n˜ao muda pois o numerador e o denominador s˜ao ambos multiplicados por k , pelo que a f´ormula

sen θ = CD

˜

θ CD

permanece v´alida ap´os amplia¸c˜ao. Comparando o segment o e o arco entre C e D

´e geometricamente claro que o quociente converge para um qu ando θ tende para zero, que ´e precisamente o que nos diz o limite not´avel.

Vamos agora estudar o limite not´avel do logaritmo:

Observemos a figura 4:

ln x lim x → 1 x − 1 = 1 y = 1/x 1
ln x
lim
x → 1
x − 1 = 1
y = 1/x
1
1. 5

Figura 4. Compara¸c˜ao dos valores de ln( x 1) e de x 1 para x = 1.5

Para x > 1, ln x ´e a ´area da regi˜ao por baixo da hip´erbole y = 1/x e por cima do intervalo [ 1, x ] (zona sombreada), ao passo que x 1 ´e a ´area do rectˆangulo de altura um com base no intervalo [ 1, x ].

Queremos tomar o limite quando x tende para um. Para ver melhor o que se est´a

a passar vamos de novo ampliar a figura, mas desta vez apenas na direc¸c˜ao x .

6

6 Amplia¸c˜ao: × 10 Figura 5. Compara¸c˜ao entre ln( x − 1) e x − 1

Amplia¸c˜ao: × 10

6 Amplia¸c˜ao: × 10 Figura 5. Compara¸c˜ao entre ln( x − 1) e x − 1

Figura 5. Compara¸c˜ao entre ln( x 1) e x 1 para x = 1.05

Se esticarmos uma figura na direc¸c˜ao do eixo dos xx por um factor k , as ´areas

1 n˜ao ´e alterado pois o numerador

s˜ao multiplicadas por k . Assim o quociente

e o denominador s˜ao ambos multiplicados por k . E agora geometricamente claro

que o quociente das ´areas vai convergir para um quando x tende para um, que ´e precisamente o que nos diz o limite not´avel.

Estes dois exemplos ilustram dois princ´ıpios fundamentai s que est˜ao na base do c´alculo integral e do c´alculo diferencial. S˜ao eles:

ln x

x

´

Seja f uma fun¸c˜ao cont´ınua e positiva, definida numa vizinhan¸c a de a . Para x pr´oximo de a , a regi˜ao por baixo do gr´afico de f e por cima do intervalo [ a, x ] ´e aproximadamente um rectˆangulo de ´area f ( a )( x a );

`

A medida que vamos ampliando uma circunferˆencia, esta vai- se aproximando cada vez mais duma linha recta. De facto o mesmo acontece com o gr´afico de certas fun¸c˜oes, ditas diferenci´aveis. O estudo destas fun¸c oes ´e o nosso pr´oximo objectivo.

4. Taxa de varia¸c˜ao

A

no¸c˜ao de derivada de uma fun¸c˜ao ´e uma das mais fundamentais do C´alculo, e

´e

uma das principais raz˜oes para a introdu¸c˜ao da no¸c˜ao de limite. Tem m´ultiplas

aplica¸c˜oes noutras ´areas cient´ıficas e tecnol´ogicas, onde ´e rotinamente utilizada para a defini¸c˜ao de conceitos b´asicos, como os de velocidade e acelera¸c˜ao. Apesar da variedade de aplica¸c˜oes, todas elas nos conduzem ao c´alculo do mesmo tipo de limite. Este limite aparece naturalmente no estudo de rectas tangentes ao gr´afico duma fun¸c˜ao. Aparece tamb´em naturalmente sempre que con sideramos problemas envolvendo taxas de varia¸c˜ao.

A varia¸c˜ao duma fun¸c˜ao f : D R num intervalo [ a, b ] D ´e

f = f ( b ) f ( a )

Representando a varia¸c˜ao da vari´avel x por ∆x = b a temos a

Defini¸c˜ao 3: Chamamos taxa de varia¸c˜ao m´edia de f em [ a, b ] ao quociente

f = f ( b )

x

f ( a )

b a

Aula 13: C´alculo de limites. Derivadas.

7

Exemplo 6. Se v ( t ) representa a velocidade duma part´ıcula ent˜ao a velocidade m´edia entre t = a e t = b ´e dada por

v m = v t

= v ( b ) v ( a ) b a

Exemplo 7. Seja f ( x ) = mx + b . Ent˜ao a taxa de varia¸c˜ao de f ´e igual ao declive m , independentemente do intervalo considerado:

f = f ( b ) f ( a ) = mx 1 + b mx 2 b

x

b a

x 1 x 2

= m

Geometricamente, a taxa de varia¸c˜ao ´e o declive da recta q ue passa pelos pontos

a, f ( a ) e b, f ( b ) do

Algumas observa¸c˜oes:

gr´afico de f .

A taxa de varia¸c˜ao ´e positiva se f ( b ) > f ( a ) e negativa se f ( b ) < f ( a );

Se f ´e decrescente, a taxa de varia¸c˜ao ´e negativa, sendo o val or absoluto tanto maior quanto mais depressa a fun¸c˜ao decrescer.

Analogamente, a taxa de varia¸c˜ao ´e positiva para fun¸c˜oes crescentes, sendo o seu valor uma medida do crescimento de f ;

A defini¸c˜ao faz sentido tamb´em para b < a . De facto

f

x

f ( b ) f ( a ) = f ( a ) f ( b )

b a

a b

Queremos agora definir a chamada taxa de varia¸c˜ao instantˆanea de f em cada ponto a D . Duma forma pouco rigorosa, consideramos uma “varia¸c˜ao i nfinitamente pe- quena” da vari´avel x , que representamos por dx . Tomamos ent˜ao a correspondente varia¸c˜ao de f , df = f ( a + dx ) f ( a ) e formamos o “quociente” df /dx .

Usando limites podemos tornar estas ideias rigorosas. Definimos

´

dx df = lim

x 0

f ( a + ∆x ) f ( a ) ∆x

se o limite existir. E muitas vezes conveniente escrever este limite doutra forma,

usando a substitui¸c˜ao x = a + ∆x . Quando ∆x 0, x a e obtemos

dx df = lim

a

f ( x ) f ( a )

x a Portanto tomamos a taxa de varia¸c˜ao m´edia ∆f /x sobre intervalos [ a, x ] (ou [ x, a ] se x < a ) cada vez mais pequenos, e tomamos o limite quando x a .

x

´

E importante notar que df /dx n˜ao representa o quociente de duas quantidades df

e dx pois df e dx n˜ao foram definidos. 2

Exemplo 8. A velocidade instantˆanea duma part´ıcula num instante t = a ´e dada por

dv

dt

v ( t ) v ( a )

t a

= lim

t

a

8

Chegamos assim `a no¸c˜ao de derivada, que n˜ao ´e mais que a t axa de vari¸c˜ao ins- tantˆanea da fun¸c˜ao:

Defini¸c˜ao 4 (Derivada): Seja f : D R uma fun¸c˜ao e a D um ponto de

acumula¸c˜ao de D . Dizemos que f ´e diferenci´avel no ponto a D se existir em R o

limite

dx df = lim

x

0

f ( a + ∆x ) f ( a )

= lim

x a

f ( x ) f ( a )

x

.

x a

Chamamos a este limite a derivada de f em a .

H´a v´arias nota¸c˜oes frequentemente usadas para represe ntar a derivada duma fun¸c˜ao. As mais frequentes s˜ao

dx df ( a ) ,

df

dx

x = a

,

d

dx f ( a ) ,

f ( a )

Exemplo 9. Se f ( x ) = mx + b , a taxa de varia¸c˜ao m´edia de f ´e igual ao declive m , independente do intervalo considerado. Assim, em qualque r ponto a temos

dx df = lim

x

a

f

x

=

lim a m = m

x

Exemplo 10. Seja f ( x ) = x 2 . Ent˜ao a derivada de f no ponto a = 2 ´e o limite

x 2 2 2

f (2) = lim x 2 = lim 2 ( x + 2) = 4

x

2

x

Exemplo 11. Os limites not´aveis podem ser vistos como derivadas. A deri vada do seno em a = 0 ´e

lim

sen x sen 0

=

lim

sen x

= 1

x

0

x 0

x

0

x

A derivada da exponencial em a = 0 ´e

lim

x

0

0

e x x − − e 0 = lim

x

0

e x 1

x

= 1

A derivada do logaritmo em a = 1 ´e ln x ln 1

lim

x

1

x 1

= lim

x

1

ln x 1 = 1 x

Aula 14: Derivadas

9

Aula 14: Derivadas

5. Recta tangente

Consideremos agora o problema de determinar a recta tangent e ao gr´afico duma fun¸c˜ao f num ponto P = ( a, f ( a )). J´a abord´amos esta quest˜ao quando fal´amos de limites, no caso particular da par´abola y = x 2 . Retomemos essa discuss˜ao.

A equa¸c˜ao da recta tangente, se n˜ao for vertical, ´e certamente da forma

y f ( a ) = m ( x a ) ,

e portanto o problema reduz-se ao c´alculo do declive m da recta. A ideia, consiste em aproximar a recta tangente tomando pontos Q sobre o gr´afico de f pr´oximos de P , calculando o declive da recta que passa por P e por Q e tomando o limite quando Q tende para P (ver figura 6):

(1) Tomamos um ponto Q = ( x, f ( x )) sobre o gr´afico pr´oximo de P = ( a, f ( a ));

(2) Calculamos o declive da recta que passa pelos pontos P e Q , que ´e dado por

m x = f ( x ) f ( a ) x a

(Repare que m x ´e a taxa de varia¸c˜ao de f no intervalo [ a, x ].)

(3) Determinamos o limite do declive desta recta quando o ponto Q tende para

´

P , ou seja, quando x a . E este limite, quando existe, que ´e o declive da

recta tangente:

f ( x ) − f ( a ) m = lim x → a
f ( x ) − f ( a )
m = lim
x → a
x − a
Reconhecemos de imediato que m ´e a derivada f ′ ( a ) de f em x = a .
f
P
a
x 3
x 2
x 1

Figura 6. A recta tangente

Considera¸c˜oes geom´etricas conduziram-nos `a f´ormula m = f ( a ) para o declive da recta tangente ao gr´afico de f em ( a, f ( a )). A derivada ´e na verdade utilizada para definir a pr´opria no¸c˜ao de recta tangente. Por outras palavras,

10

Defini¸c˜ao 5 (Recta tangente): Seja f : D R R uma fun¸c˜ao diferenci´avel num ponto a D . A recta tangente ao gr´afico de f no ponto ( a, f ( a )) ´e a recta com equa¸c˜ao

y f ( a ) = f ( a ) · ( x a ) .

Exemplo 12. Seja f ( x ) = x 2 3. Para calcular a equa¸c˜ao da recta tangente a f em x = 2 calculamos a derivada

x 2 3 (2 2 3 x 2 x 2 2 2

x 2

f (2) = lim

x

2

lim

x

2

x

=

= lim 2 ( x + 2) = 4

Assim, a equa¸c˜ao da recta tangente ´e

y = f (2) + f (2)( x 2) = 1 + 4( x 2)

Escrito doutra forma, y = 4x 7.

6. Diferenciabilidade e derivadas laterais

Recorde que uma fun¸c˜ao ´e diferenci´avel num ponto a se a sua derivada existir nesse ponto.

Teorema 6: Se f : D R ´e diferenci´avel em a D ent˜ao f ´e cont´ınua em a .

Demonstrac¸ ao.˜ Basta observar que

lim a f ( x ) f ( a ) = lim a Å f ( x x ) − − f a ( a )

f ( a )

f ( x )

x a

x

x

= Å lim

x

a

= f ( a ) · 0 = 0

logo lim a f ( x ) = f ( a ) pelo que f ´e cont´ınua em a .

x

´

( x a ) ã

ã · lim a ( x a )

x

E importante notar que uma fun¸c˜ao pode ser cont´ınua num ponto sem ser dife-

renci´avel nesse ponto. Os pr´oximos trˆes exemplos ilustr am esse facto.

Exemplo 13. A fun¸c˜ao f ( x ) = x ´e cont´ınua mas n˜ao ´e diferenci´avel em x = 0 pois

3

lim

x

0

x 0

3

3

x 0

1

= lim x 2 = +

x

0

3

Aula 14: Derivadas

11

Exemplo 14. Seja

f ( x ) = ® x sen

0

x 1 x = 0

x = 0

1

f ´e o prolongamento por continuidade de x sen x a x = 0. Em particular f ´e cont´ınua em x = 0. Para x = 0,

f ( x ) f (0) = x sen

1 x

x 0

x

= sen

1 x

Portanto o limite

n˜ao existe.

lim

f ( x ) f (0)

0

x 0 Concluimos que f n˜ao ´e diferenci´avel em x = 0.

x

Exemplo 15. Seja

f ( x ) = | x | = ®

x , se x < 0,

se x 0,

x ,

O gr´afico de f est´a representado na figura 7. Para x = 0 temos

x

x

lim

0

lim

0 +

( x ) f (0) x 0 ( x ) f (0)

f

f

x 0

=

=

x

x

lim

0

lim

0 +

x 0

x

= 1 e

x 0

x

= 1 .

Logo, apesar de ser cont´ınua, a fun¸c˜ao m´odulo n˜ao ´e dif erenci´avel em x = 0.

2 1 -2 -1 1 2
2
1
-2
-1
1
2

Figura 7. Gr´afico da fun¸c˜ao m´odulo.

O exemplo 15 conduz-nos `a

Defini¸c˜ao 7 (Derivadas laterais): Chamamos derivada `a direita e derivada `a esquerda de f em x = a aos limites

x a +

f ( x ) f ( a )

x a

x a

f ( x ) f ( a )

x a

f d ( a ) = lim

e

f e ( a ) = lim

Exemplo 16. Como vimos no exemplo 15, as derivadas `a direita e `a esquerd a de

| x | em x = 0 s˜ao respectivamente 1 e 1.

Resumindo, quando ´e que uma fun¸c˜ao n˜ao ´e diferenci´ave l num ponto?

12

(1) O teorema 6 mostra que se f n˜ao ´e cont´ınua em a ent˜ao f tamb´em n˜ao ´e diferenci´avel em a .

(2) O exemplo 13 ilustra outra situa¸c˜ao: a fun¸c˜ao f ( x ) = x ´e cont´ınua em x = 0 mas tem derivada infinita na origem, indicando que o declive d a recta tangente ´e infinito, ou seja, a recta tangente ´e vertical em x = 0.

(3) O exemplo 15 ilustra outra situa¸c˜ao: se f for cont´ınua em a e as derivadas `a esquerda e `a direita existirem mas forem diferentes, ent ao˜ o limite lim f n˜ao existe logo f n˜ao ´e diferenci´avel em x = a . Podemos pensar no gr´afico de f como tendo duas semirectas tangentes, uma `a esquerda e outr a `a direita, formando um bico em x = a .

(4) Finalmente temos o caso em que as derivadas `a direita ou a` esquerda n˜ao existem em R. Estas derivadas s˜ao limites laterias, que s´o n˜ao existe m se a taxa de varia¸c˜ao f ( x ) f ( a ) oscilar muito numa vizinhan¸ca de a . O exemplo 14 ilustra essa situa¸c˜ao.

3

x

x

a

. O exemplo 14 ilustra essa situa¸c˜ao. 3 ∆ x x − a Figura 8. Fun¸c˜oes
. O exemplo 14 ilustra essa situa¸c˜ao. 3 ∆ x x − a Figura 8. Fun¸c˜oes
. O exemplo 14 ilustra essa situa¸c˜ao. 3 ∆ x x − a Figura 8. Fun¸c˜oes

Figura 8. Fun¸c˜oes n˜ao diferenci´aveis

7. A fun¸c˜ao derivada

O c´alculo da derivada de f produz uma nova fun¸c˜ao, a que chamamos a fun¸c˜ao derivada, ou simplesmente a derivada de f . O seu dom´ınio ´e o conjunto dos pontos em que f ´e diferenci´avel.

Exemplo 17. Se f ( x ) = mx + b , a derivada de f ´e m em qualquer ponto a . Assim

a derivada ´e a fun¸c˜ao constante f ( x ) = m .

Exemplo 18. Seja f ( x ) = x. Ent˜ao, para a > 0

Para a = 0

f ( a ) = lim

x

a

= lim

x

a

1

x a

( x a )( x + a )

( x a )( x + a )

1

= lim

a

x a x a

x

( x a )( x + a ) = lim x + a

x

a

=

2 a

lim

x

0

x 0

x 0

1

= lim x = +

x

0

Aula 14: Derivadas

13

portanto x n˜ao ´e diferenci´avel em x = 0. Assim, a derivada de f ´e a fun¸c˜ao

f : ]0, + [ R dada por f ( x ) =

1

2 x .

Exemplo 19. Para diferenciar a fun¸c˜ao exponencial, observamos que

e x = lim

h

0

e x + h e x

h

= lim

h

0

e x ( e h 1)

h

= e x lim

h

0

e h 1

h

= e x

A fun¸c˜ao exponencial tem assim a propriedade muito especi al de ser igual `a sua

pr´opria derivada.

A derivada de f ´e uma fun¸c˜ao f , que podemos tamb´em derivar. A esta derivada

chamamos a segunda derivada de f e escrevemos f = ( f ) .

Exemplo 20. A derivada de f ( x ) = mx + b ´e f ( x ) = m . A segunda derivada ´e a

derivada duma constante logo f ( x ) = 0.

Exemplo 21. Como vimos, a derivada de f ( x ) = e x ´e f ( x ) = e x . Assim, a

segunda derivada ´e de novo f ( x ) = e x .

Podemos continuar indefinidamente derivando uma fun¸c˜ao, desde que as derivadas existam, obtendo a terceira derivada, quarta derivada, e as sim sucessivamente, cha- madas de derivadas de ordem superior. Voltaremos a este assu nto posteriormente.

8. Regras de Deriva¸c˜ao

Teorema 8:

(1) ( mx + b ) = m

(2) ( x n ) = nx n 1

(3) ( x ) =

1

2 x

(4) (ln x ) = 1

x

(5) ( e x ) = e x

Demonstrac¸ ao.˜ J´a prov´amos (1), (3) e (5) nos exemplos da sec¸c˜ao 4. A deri vada

de x n no ponto a ´e dada por

lim

x n

a n

a

x a x = a ´e uma raiz do polin´omio x n a n pelo que, usando a regra de Rufini chegamos facilmente a

x

x n a n

= ( x a )( x n 1 + a · x n 2 + a 2 · x n 3 + · · · + a n 2 · x + a n 1 )

igualdade que se verifica tamb´em facilmente multiplicando os factores. Assim, x n

lim

a

n

x

a

x

a

= lim a x n 1 + a · x n 2 + a 2 · x n 3 + · · · + a n 2 · x + a n 1 = na n 1

x

14

Para provar (4) temos que calcular

lim

x

a

ln x ln a

x a

= lim

x

a

ln( x/a )

x a

Fazendo a substitui¸c˜ao u = x/a , quando x a , u 1 logo

lim

x

a

ln a x a

ln x

= lim

u1

1

ua a = a

ln u

lim

u1

1

u 1 = a

ln u

Exemplo 22. Tomando m = 0 em (1) vemos que a derivada duma constante ´e

zero.

Exemplo 23. A derivada de x n inclui como casos particulares

n

= 0 : A derivada de x 0 = 1 ´e zero. Como j´a referimos, a derivada de qualquer constante ´e zero.

n

= 1 :

A derivada de x 1 = x ´e um que ´e o declive da recta.

n

= 2 :

A derivada de x 2 ´e ( x 2 ) = 2x .

n

= 3 :

A derivada de x 3 ´e ( x 3 ) = 3x 2 .

9. Derivadas e opera¸c˜oes alg´ebricas

As seguintes regras de deriva¸c˜ao s˜ao de utiliza¸c˜ao con stante:

Teorema 9: Sejam f, g fun¸c˜oes diferenci´aveis num ponto a de acumula¸c˜ao de D f D g e seja c uma constante. Ent˜ao, as fun¸c˜oes

f ± g,

c f,

f g

e f /g (se g ( a ) = 0) s˜ao tamb´em diferenci´aveis em a com derivada dada por

(1) ( f ± g ) = f ± g

(2) ( cf ) = cf

(3) f · g = f · g + f · g (Regra de Leibniz)

1

(5) Å f

g

ã = f · g f · g

g

2

(4) Å g ã = g

g

2

Aula 14: Derivadas

15

Demonstrac¸ ao.˜ (1) fica como exerc´ıcio. Come¸camos por provar (3). ( f · g ) ( a ) ´e dado por:

( f · g ) ( a ) = lim

x

a

= lim

x

a

f ( x ) · g ( x ) f ( a ) · g ( a )

x a

f ( x ) · g ( x ) f ( a ) · g ( x ) + f ( a ) · g ( x ) f ( a ) · g ( a )

x a

=

=

lim a Å g ( x ) · f ( x ) f ( a ) + f ( a ) · g ( x ) g ( a ) x a

lim a g ( x ) · lim

ã

x

a

x a

x

x

f ( x ) f ( a )

x a

g ( x ) g ( a )

x a

+ f ( a ) · lim

x

a

= g ( a ) · f ( a ) + f ( a ) · g ( a )

onde na ultima´

como o facto de g ser tamb´em cont´ınua em a . (2) ´e um caso particular da regra de

Leibnitz quando g ´e uma constante. Provamos agora (4):

igualdade se usou o facto de f e g serem diferenci´aveis em a , bem

Å

1

g ã

( a ) = lim

x

a

1

g ( x )

1

g

( a )

x a

x a Å g ( x ) g ( a ) x a

1

· g ( a ) · g ( x ) ã

= lim

= lim

x

a

g ( x ) g ( a ) x a

= g ( a )

g ( a ) 2

lim

x

a

1

g ( x ) · g ( a )

Usando a regra de Leibnitz obtemos (5):

Å f

g

ã = Å f ·

1

g ã

= f · g + f · Å g 2 ã

1

g

=

f

f · g =

f · g f · g

g