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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 701.872 - DF (2004/0161226-7)

RELATOR : MINISTRO FERNANDO GONÇALVES RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS

RECORRIDO

:

A M DA C

ADVOGADO

:

JURANDIR GROSSMANN ANASTÁCIO

RECORRIDO

:

V M C

ADVOGADO

:

NÃO CONSTA ADVOGADO

EMENTA RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS. ACORDO HOMOLOGADO. DESCUMPRIMENTO. EXECUÇÃO. CABIMENTO.

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- No campo das visitas, o guardião do menor é devedor de uma obrigação de

fazer, ou seja, tem o dever de facilitar a convivência do filho com o visitante nos dias

previamente estipulados, devendo se abster de criar obstáculos para o cumprimento do que fora determinado em sentença ou fixado no acordo.

- A transação, devidamente homologada em juízo, equipara-se ao julgamento

do mérito da lide e tem valor de sentença, dando lugar, em caso de descumprimento, à execução da obrigação de fazer, podendo o juiz inclusive fixar multa a ser paga pelo guardião renitente.

- Recurso especial conhecido e provido a fim de determinar o retorno dos

autos ao juízo de primeiro grau para regular prosseguimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. Os Ministros Aldir Passarinho Junior, Jorge Scartezzini, Barros Monteiro e Cesar Asfor Rocha votaram com o Ministro Relator. Brasília, 12 de dezembro de 2005 (data de julgamento).

MINISTRO FERNANDO GONÇALVES, Relator

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 701.872 - DF (2004/0161226-7)

RELATÓRIO

EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GONÇALVES:

Por ALCIONE MANOEL DA COSTA foi proposta ação de execução

contra VÂNIA MARIA CAETANO, visando o cumprimento de acordo

homologado em juízo quanto ao direito de visita à filha do casal (fls. 09/10).

Sustenta o recorrente que a recorrida não vem cumprindo o acordo,

o recorrente que a recorrida não vem cumprindo o acordo, criando diversos obstáculos para a visita

criando diversos obstáculos para a visita da filha. Afirma ter solicitado

providências junto ao juízo de primeiro grau, objetivando o seu cumprimento,

inclusive através de força policial e arbitramento de multa pecuniária.

O MM. juízo de primeiro grau indeferiu a petição inicial,

baseando-se no art. 583 do Código de Processo Civil, ao considerar que não há

título hábil à embasar uma execução, tendo em vista que não há condenação,

mas mero reconhecimento do direito de visita do genitor à sua filha e que o

procedimento adequado ao caso seria uma ação visando a modificação da

guarda da menor.

Inconformados, Alcione Manoel da Costa e o Ministério Público

do Distrito Federal e Territórios manejam apelação, não provida pela Segunda

Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, a teor

da seguinte ementa:

"CIVIL E PROCESSO CIVIL. FAMÍLIA. REGULAMENTAÇÃO

DE VISITAS.

ACORDO. HOMOLOGAÇÃO. DESCUMPRIMENTO VOLUNTÁRIO. EXECUÇÃO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO.

1. Não se concebe apresentem as leis e os atos judiciais próprios

conteúdo inócuo.

2. Descumprindo

a genitora o acordo de vontades homologado

judicialmente,

surge para o genitor o direito à efetividade dos

termos do ajuste, antes de ventilar-se a possibilidade de inversão do direito de guarda da filha menor.

3. Todavia, carece de interesse processual o apelante para a ação

executiva,

haja

vista

sua

inadequação

e

desnecessidade,

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recomendando-se a adoção de procedimento próprio, junto ao Juízo Familiar." (fls. 73)

Contra essa decisão vem recurso especial arrimado no art. 105,

inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, aduzindo o i. representante do

Parquet negativa de vigência ao artigo 584, inciso III, do CPC.

Sustenta em síntese, que o título ensejador da execução, ou seja, o

acordo homologado para a visita do recorrente à sua filha, justificaria a

obrigação de fazer da recorrida (permitir a visita do pai), viabilizando assim o

Não houve contra-razões. Admissão na origem (fls. 92/93). É o relatório.
Não houve contra-razões.
Admissão na origem (fls. 92/93).
É o relatório.

pedido executório.

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RECURSO ESPECIAL Nº 701.872 - DF (2004/0161226-7)

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GONÇALVES (RELATOR):

A razão básica adotada pelo Tribunal de origem para negar

provimento à pretensão traduzida na apelação, tirada da sentença que houve por

bem indeferir a petição inicial, reside no entendimento de ser dispensável o

procedimento executivo baseado em acordo homologado em ação ordinária de

baseado em acordo homologado em ação ordinária de regulamentação de visitas. Está no acórdão (fls.

regulamentação de visitas. Está no acórdão (fls. 75/76):

"É de se convir que, nem o legislador, nem o juiz, laboram inutilmente. De modo que o resultado de seu serviço jamais terá conteúdo inócuo. Assim, é razoável que uma sentença homologatória de acordo judicial, embora sem cunho condenatório, esteja imbuída de imperatividade, para que não equivalha a um risco na água. Tal ato judicante, resultando da permissividade do legislador, deve alcançar o fim colimado. No presente caso, as partes concertaram vontades, visando a preservação do interesse da criança mencionada adredemente. Neste diapasão, devem os pais contribuir, de maneira saudável, para a formação emocional e intelectual da infante. Privar-se o genitor do direito de acompanhar o desenvolvimento de uma determinada criança, salvo exceções, constitui desumanidade. ( ) Todavia, respeitado o entendimento externado pela d. Procuradoria de Justiça, considero, para efetividade das decisões judiciais, no presente caso, dispensável o procedimento executivo, tornando o exeqüente carecedor de ação por falta de interesse processual, ante sua inadequação e desnecessidade, tendo-se em mira o resguardo do direito do genitor."

Contra esse entendimento, insurge-se o Ministério Público do

Distrito Federal e Territórios ao fundamento de maltrato ao art. 584, III, do

Código de Processo Civil, que assim reza:

"Art. 584. São títulos executivos judiciais:

I. (

II. (

)

)

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III. a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que verse matéria não posta em juízo;

IV.

(

)

V. (

VI.

A irresignação data venia merece acolhida.

(

)

)"

Com efeito, cabe salientar que, no campo das visitas, o guardião do

menor é devedor de uma obrigação de fazer, ou seja, tem o dever de facilitar a

convivência do filho com o visitante nos dias previamente estipulados, devendo

É
É

se abster de criar obstáculos para o cumprimento do que fora determinado em

sentença ou fixado no acordo.

de se dizer que a transação, devidamente homologada em juízo,

equipara-se ao julgamento do mérito da lide e tem valor de sentença, dando

lugar, em caso de descumprimento, à execução da obrigação de fazer, podendo

o juiz inclusive fixar multa a ser paga pelo guardião renitente, consoante os

termos do § 2º do art. 213 da Lei 8.069/90 - Estatuto da Criança e do

Adolescente.

Acerca do tema, dispõe J. FRANKLIN ALVES FELIPE (Adoção,

guarda, investigação de paternidade e concubinato. 10ª edição, Rio de Janeiro:

Ed. Forense, 2000, p. 40) o seguinte:

"É comum que os cônjuges não cumpram o acordo firmado em Juízo, quanto à guarda e visitação . Por exemplo, ao receber o filho menor, para visita, o cônjuge se recusa a devolvê-lo ao genitor que detém a guarda. A questão é solucionável mediante mero incidente de execução de sentença, nos autos do processo já existente, sem que o cônjuge tenha que postular especificamente qualquer ação. É indispensável, contudo, que a guarda tenha sido atribuída judicialmente a um dos cônjuges; só assim há que se falar em execução de sentença. Se a recusa ocorre, sem que tenha havido deliberação judicial sobre a guarda, indispensável será a propositura de ação própria." (grifei)

Deste excerto, conclui-se que, em havendo ação onde resta

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atribuída a um dos cônjuges a guarda do menor, a questão da recusa ao cumprimento do acordo é solucionável mediante simples procedimento executório, tornando desnecessária a propositura de nova ação de conhecimento, tendo em vista que o que se busca, no caso, é a celeridade e a economia processual. Com essas considerações, tenho por maltratado o dispositivo constante do § 2º, do art. 584 do Código de Processo Civil, dado que a sentença homologatória de conciliação ou de transação representa um título executivo judicial com o caráter de ato processual e a força da executoriedade. Ante o exposto, conheço do recurso e lhe dou provimento a fim de determinar o retorno dos autos ao juízo de primeiro grau para regular prosseguimento, como for de direito.

grau para regular prosseguimento, como for de direito. Documento: 599388 - Inteiro Teor do Acórdão -

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO QUARTA TURMA

Número Registro: 2004/0161226-7

Número Origem: 20010111248645

PAUTA: 22/11/2005

REsp 701872 / DF

JULGADO: 12/12/2005

Relator Exmo. Sr. Ministro FERNANDO GONÇALVES

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro JORGE SCARTEZZINI

AUTUAÇÃO : : : : : CERTIDÃO
AUTUAÇÃO
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CERTIDÃO

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. DURVAL TADEU GUIMARÃES

Secretária Bela. CLAUDIA AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE BECK

RECORRENTE

MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS A M DA C JURANDIR GROSSMANN ANASTÁCIO V M C NÃO CONSTA ADVOGADO

RECORRIDO

ADVOGADO

RECORRIDO

ADVOGADO

ASSUNTO: Civil - Família - Menor - Guarda

Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Turma, por unanimidade, conheceu do recurso e deu-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Aldir Passarinho Junior, Jorge Scartezzini, Barros Monteiro e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 12 de dezembro de 2005

CLAUDIA AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE BECK Secretária