Вы находитесь на странице: 1из 20

PROCESSO TC N.

O 01999/07

Objeto: Prestação de Contas Anuais


Relator: Auditor Renato Sérgio Santiago Melo
Responsável: Geoval de Oliveira Silva
Advogado: Dr. Carlos Roberto Batista Lacerda

EMENTA: PODER EXECUTIVO MUNICIPAL - ADMINISTRAÇÃO


DIRETA - PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS - PREFEITO - AGENTE
POLÍTICO - CONTAS DE GOVERNO - APRECIAÇÃO DA MATÉRIA
PARA FINS DE EMISSÃO DE PARECER PRÉVIO - ATRIBUIÇÃO
DEFINIDA NO ART. 71, INCISO I, C/C O ART. 31, § 1°, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NO ART. 13, § 1°, DA CONSTITUIÇÃO DO
ESTADO DA PARAÍBA, E NO ART. 10, INCISO IV, DA LEI
COMPLEMENTAR ESTADUAL N.o 18/93 - Envio extemporâneo das
comprovações das publicações dos Relatórios Resumidos de Execução
Orçamentária do primeiro ao quinto bimestres, bem como do
Relatório de Gestão Fiscal do primeiro semestre do período -
Ausência de publicação da Lei de Diretrizes Orçamentárias -
Incorreção na elaboração dos balanços orçamentário, financeiro e
patrimonial - Demonstração incorreta da dívida municipal - Carência
de realização de alguns procedimentos de licitação - Contratações de
profissionais para serviços típicos da administração pública sem a
realização de concurso público - Apresentação intempestiva de
procedimentos licitatórios solicitados durante inspeção in loco -
Comprometimento do caráter competitivo em licitação realizada -
Retenção e recolhimento de contribuições previdenciárias dos
segurados do INSS aquém do montante devido - Carência de
retenção e recolhimento das obrigações previdenciárias incidentes
sobre os subsídios dos agentes políticos - Ausência de 1\
empenhamento, pagamento e contabilização de parte das obrigações '\ !)
patronais devidas à Autarquia Previdenciária Federal - Repasse de ~ .L
recursos a Consórcio Intermunicipal de Saúde em valores superiores
ao estabelecido em lei municipal - Incorreta contabilização de .1\
\Y l
despesas - Pagamento de salários inferiores ao mínimo .\
nacionalmente estabelecido - Destinação de recursos para cobrir
necessidades de pessoas físicas sem a prévia previsão em lei
específica - Transgressão a dispositivos de natureza constitucional,
infraconstitucional e regulamentar - Eivas que comprometem o /;\
equilíbrio das contas, ex vi do disposto no Parecer Normativo ! I) !

n.° 52/2004. Emissão de parecer contrário. Encaminhamento ---/ /


consideração da ego Câmara de Vereadores da Comuna. L/:> •.

O TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, no uso da atribuição que lhe confere ,

r~
art. 71, inciso I, c/c o art. 31, § 1°, da Constituição Federal, o art. 13, § 1°, da Constituiç o /;SJ~ ,_.

.?P~ ~ \ - '0'<

,yP'
PROCESSO TC N.O 01999/07

do Estado, e o art. 1°, inciso IV, da Lei Complementar Estadual n.o 18/93, apreciou os autos
da PRESTAÇÃO DE CONTAS DE GOVERNO DO EX-PREFEITO MUNICIPAL DE DAMIÃO/PB,
SR. GEOVAL DE OLIVEIRA SIL VA, relativas ao exercício financeiro de 2006, e decidiu, em
sessão plenária hoje realizada, por unanimidade, na conformidade da proposta de decisão do
relator, em EMmR PARECER CONTRÁRIO à aprovação das contas, encaminhando-o à
consideração da ego Câmara de Vereadores do Município para julgamento político da referida
autoridade.

Presente ao julgamento o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas


Publique-se, registre-se e intime-se.
TCE - Plenário Ministro João Agripino

João Pessoa, 18 de fever .

mbe 0\ i1veiraJ0rto
\-..,~.~.-/J ~
Á.~{)~Oll:Ü"}
Auditor Renato ergio santiag-o~elo
Relator

presente:'~ SL-------.::: J~ O
Representante do Ministério Público Especial
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 01999/07

Tratam os presentes autos da análise das Contas de Governo e de Gestão do Município de


Damião/PB, relativas ao exercício financeiro de 2006, de responsabilidade do ex-Prefeito e
ex-Ordenador de Despesas, Sr. Geoval de Oliveira Silva, apresentada a este ego Tribunal em
28 de março de 2007, mediante ofício datado de 20 de março do mesmo ano, fI. 02.

Os peritos da Divisão de Auditoria da Gestão Municipal VI - DIAGM VI, com base nos
documentos insertos nos autos e em inspeção in loco realizada no período de 11 a 14 de
fevereiro de 2008, emitiram o relatório inicial de fls. 1.006/1.023, constatando,
sumariamente, que: a) as contas foram apresentadas no prazo legal; b) o orçamento foi
°
aprovado através da Lei Municipal n. 68/2005, estimando a receita em R$ 5.459.190,00,
fixando a despesa em igual valor e autorizando a abertura de créditos adicionais
suplementares até o limite de 50% do total orçado; c) a Lei Municipal n.o 75/2006 autorizou
a abertura de créditos adicionais especiais, no montante de R$ 95.404,00; d) durante o
exercício, foram abertos créditos adicionais suplementares e especiais, nos valores de
R$ 1.929.744,00 e R$ 95.404,00, respectivamente; e) a receita orçamentária efetivamente
arrecadada no período ascendeu à soma de R$ 5.384.777,59; f) a despesa orçamentária
realizada atingiu a quantia de R$ 5.373.708,55; g) a receita extra-orçamentária, acumulada
no exercício financeiro, alcançou a importância de R$ 432.170,76; h) a despesa
extra-orçamentária, executada durante o ano, compreendeu um total de R$ 397.955,82;
i) o somatório da Receita de Impostos e Transferências - RIT atingiu o patamar de
R$ 3.753.974,42; j) a Receita Corrente Líquida - RCL alcançou o montante de
R$ 5.212.152,59; e k) a cota-parte recebida do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF somou R$ 1.139.706,94.

Em seguida, os técnicos da DIAGM VI destacaram que os dispêndios municipais


evidenciaram, sinteticamente, os seguintes aspectos: a) as despesas empenhadas com obras
e serviços de engenharia totalizaram R$ 38.505,82, sendo pagos no exercício R$ 38.350,82,
dos quais R$ 18.650,82 foram provenientes de recursos federais e R$ 19.700,00, oriundos
de recursos próprios; e b) os subsídios do Prefeito e do vice foram fixados, respectivamente,
em R$ 4.500,00 e R$ 2.250,00 mensais, pela Lei Municipal n.o 57, de 20 de setembro de
2004.

Quanto aos gastos condicionados, verificaram os analistas desta Corte que: a) a despesa
com recursos do FUNDEF na remuneração dos profissionais do magistério alcançou a quantia
de R$ 769.173,70, representando 67,49% da cota-parte recebida no exercício; b) a aplicação
em manutenção e desenvolvimento do ensino atingiu o valor de R$ 1.057.345,12 ou 28,17%
da RIT; c) o Município despendeu com saúde a importância de R$ 457.471,39 ou 12,19% da
RIT; e d) as despesas com pessoal da municipalidade, já incluídas as do Poder Legislativo,
alcançaram o montante de R$ 2.736.713,10 ou 52,51% da RCL.

No tocante aos aspectos relacionados à gestão fiscal, assinalaram os inspetores da unidade


técnica que: a) os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária - REOs concernen \
aos seis bimestres do exercício foram enviados ao Tribunal dentro do prazo e /:;;'::

ffi ÇJ;&dÇYí
TRIBUNALDECONTASDO ESTADO

PROCESSOTC N.o 01999/07

b) os Relatórios de Gestão Fiscal- RGFsreferentes aos dois semestres do período analisado


também foram encaminhadostempestivamente a esta Corte.

Ao final, os especialistas do Tribunal apresentaram, de forma resumida, as máculas


constatadas, quais sejam: a) ausênciade comprovaçãodas publicações dos REOs,referentes
ao 10, 20, 30, 40 e 50 bimestres, bem como do RGF, relativo ao 10 semestre do período;
b) irregularidades na Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO; c) abertura de créditos
adicionais sem fonte de recursos, no valor de R$ 59.529,00; d) balanços orçamentário,
financeiro e patrimonial incorretamente elaborados; e) dívida municipal incorretamente
demonstrada; f) despesas não licitadas, no montante de R$ 370.682,97; g) aplicação de
apenas 12,19% da receita de impostos e transferências em ações e serviços públicos de
saúde; h) carência de retenção e recolhimento ao INSS de contribuições previdenciárias dos
servidores, na quantia de R$ 49.584,73; i) falta de retenção de contribuições incidentes
sobre os subsídios dos agentes políticos para a Previdência Social; j) ausência de
contabilização de despesas com obrigações patronais, na importância de R$ 147.122,29;
k) repasse para o Consórcio Intermunicipal de Saúde sem previsão legal; I) contabilização
indevida de despesas; m) pagamento de salários inferiores ao mínimo a prestadores de
serviço de caráter continuado; e n) destinação de recursos para cobrir necessidades de
pessoasfísicas sem amparo em lei.

Devidamente citados, fls. 1.024/1.029, o Contador do Município durante o exercício


financeiro de 2006, Dr. Antônio de Pádua de Oliveira, bem como o então Prefeito da
Comuna, Sr. Geoval de Oliveira Silva, apresentaram contestações e documentos,
respectivamente, fls. 1.031/1.033 e 1.035/1.766. O primeiro, ao se manifestar acerca das
falhas contábeis apontadas, argumentou, em síntese, que: a) houve um erro na elaboração
do Decreto n.o 29, datado de 28/07/2006, que abriu um crédito adicional especial, na
quantia de R$ 95.404,00, ao indicar como fonte de recursos o excesso de arrecadação, ao
invés de superávit financeiro do exercício anterior; b) os balanços exprimem, da forma mais
autêntica, os valores consolidados das operações realizadas em 2006, sem registro de
valores fictícios e com resultados finais correspondentes às equações aplicáveis; c) o art. 37
da Lei Nacional n.o 4.320/64 autoriza a utilização da rubrica DESPESASDE EXERCÍCIOS
ANTERIORESpara compromissos reconhecidosno encerramento do exercício; d) as supostas
incorreções apontadas na demonstração da dívida municipal estão diretamente ligadas à
apropriação de dispêndios de 2005 em 2006 e à não apropriação de despesas de 2006
dentro do exercício; e e) o registro das obrigações patronais e do recolhimento das
retenções dos servidores em favor do INSStem por base os valores retidos na cota do FPM,
a título de INSS - EMPRESA,bem como eventuais pagamentos por meio de Guias da
PrevidênciaSocial- GPS.

O Alcaide, por sua vez, alegou, resumidamente, que: a) os REOse RGFsforam divulgados
através dos murais de diversos órgãos públicos do Município, consoante declarações
anexadas; b) todas as etapas para elaboração da LDO foram fielmente cumpridas, conforme
comprovação juntada; c) durante a execução do orçamento, boa parte dos créditos
adicionais abertos em 2006 não foram efetivamente utilizados, havendo uma sobra d
dotação no valor de R$ 180.885,45; d) é aceitável o registro de despesas de exercíci s
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 01999/07

anteriores quando ocorrem omissões na época própria, restando o comprometimento em


efetuar futuras contabilizações com mais fidelidade ao exercício; e) na execução do
orçamento, é inevitável a assunção de dívidas, que, no caso, é bastante modesta,
representando apenas 3,59% da receita orçamentária arrecadada; f) foram acostados aos
autos cópias dos processos Iicitatórios realizados, Tomada de Preços n.o 01/2006 e Convites
n.o 19/2005 e 08, 09, 10, 14, 15 e 18/2006; g) o TCE/PB, por diversas vezes, emitiu parecer
favorável quando evidenciada a contratação de serviços contábeis ou de assessoria e
consultoria na área jurídica através de inexigibilidade de licitação; h) a PRIME NET
INFORMÁTICA é a única empresa na região que oferece serviço de acesso à Internet; i) as
despesas sem licitação ficam reduzidas à quantia irrisória de R$ 17.669,85, representando
apenas 0,33% da despesa orçamentária total; j) no cálculo da aplicação em saúde deixaram
de ser computados gastos com VENCIMENTOS E VANTAGENS FIXAS dos servidores lotados
na Secretaria de Saúde, no valor de R$ 137.192,80, quitados pela tesouraria com recursos
originados da conta do Fundo Municipal de Saúde n.o 8.184-1; k) a falta de retenção das
contribuições previdenciárias diz respeito apenas às remunerações pagas em contratos
firmados com pessoas físicas e, caso haja débito, este será objeto de análise por parte dos
auditores da entidade previdenciária; I) a partir da declaração de inconstitucionalidade do
art. 12, inciso I, alínea "h", da Lei Nacional n.O 8.212/91, os detentores de mandato eletivo
não mais fazem parte do rol dos segurados do INSS, conforme Resolução do Senado Federal
n.o 26/2005; m) os técnicos do Tribunal não consideraram os encargos patronais, relativos a
dezembro de 2006, empenhados e pagos em janeiro de 2007, na soma de R$ 27.251,59;
n) o Pleno desta Corte tem admitido uma análise comparativa entre o total das obrigações
previdenciárias devidas e o montante dos recursos destinados à entidade previdenciária no
próprio exercício, incluindo parcelamento de dívidas anteriores e outros envios financeiros;
o) os dispêndios com o Consórcio Intermunicipal de Saúde estão devidamente comprovados
por meio de notas de empenho, recibos e cópias de cheques, e o valor do repasse mensal
autorizado pela Lei Municipal n.o 03/2001 está defasado, o que motivou seu reajuste; p) os
valores abaixo do salário mínimo pagos a prestadores de serviços específicos, de caráter não
continuado, levam em conta a complexidade da tarefa designada e estão restritos a casos
isolados de profissionais que foram contratados para atender a uma necessidade
emergencial; e q) todas as doações a pessoas carentes são precedidas de rigorosa seleção,
estando a autorização legal contida não só na LDO e na LOA, mas também na Lei Municipal
°
n. 097/2008, recém-aprovada mas com efeitos retroativos a 2006.

Encaminhados os autos à unidade de instrução, esta, examinando a referida peça processual


de defesa, emitiu o relatório complementar de fls. 1.771/1.787, onde considerou elidida a
eiva concernente à aplicação em ações e serviços públicos de saúde, que aumentou de
12,19% para 15,56% da receita de impostos e transferências. Em seguida, os peritos da
DIAGM VI reputaram parcialmente sanadas as máculas relativas à (s): a) inconformidades na
LDO, permanecendo apenas aquela referente à não comprovação de sua publicação;
b) abertura de créditos adicionais sem fonte de recursos, cujo valor diminuiu de
R$ 59.529,00 para R$ 56.750,00; e c) ausência de contabilização de despesas com
obrigações patronais, que passaram de R$ 147.122,29 para R$ 97.780,71. Por fim, os
técnicos deste Pretório de Contas mantiveram in totum o seu posicionamento exordt
relativamente às demais irregularidades.
PROCESSO TC N.O 01999/07

o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, ao se pronunciar sobre a matéria,


fls. 1.789/1.799, pugnou pelo (a): a) atendimento parcial aos requisitos de gestão fiscal
responsável, previstos na Lei Complementar Nacional n.o 101/2000; b) emissão de parecer
contrário à aprovação das contas em análise, em face das irregularidades constatadas;
c) aplicação de multa ao gestor por transgressão a normas constitucionais e legais, nos
termos do art. 56, inciso lI, da Lei Orgânica desta Corte; d) recomendação ao Prefeito
Municipal de Damião/PB, no sentido de guardar estrita observância aos termos da
Constituição Federal, da Lei de Responsabilidade Fiscal e ao que determina esta Egrégia
Corte de Contas em suas decisões; e e) envio de cópia da presente deliberação à
Procuradoria Geral de Justiça, para as providências cabíveis.

Solicitação de pauta, conforme fls. 1.800/1.801 dos autos.

É o relatório.

Após análise minuciosa do conjunto probatório encartado aos autos, constata-se que as
contas apresentadas pelo Sr. Geoval de Oliveira Silva, relativas ao exercício financeiro de
2006, revelam diversas e graves irregularidades remanescentes. Entrementes, em que pese
o posicionamento dos analistas desta Corte de Contas, impende comentar, ab inttio, que o
item relacionado à abertura de créditos adicionais suplementares tendo como fonte de
recursos a anulação de dotações orçamentárias destinadas ao pagamento de pessoal não
pode prosperar.

Com efeito, verifica-se que o dispositivo constitucional (art. 166, § 3°, inciso lI, alínea "ali),
utilizado como base para a fundamentação da eiva apontada na inicial, na realidade, é
endereçado ao Poder Legislativo quando da apreciação do projeto de lei relativo ao
orçamento anual remetido pelo Chefe do Poder Executivo. Portanto, entendo que ao gestor
não são proibidas as alterações necessárias durante a execução orçamentária, desde que os
créditos adicionais estejam devidamente autorizados em lei.

Em 2006, os decretos de abertura de créditos suplementares somaram R$ 1.929.744,00,


estando, portanto, dentro do limite autorizado na Lei Orçamentária Anual - LOA,
R$ 2.729.595,00, f\. 1.007. Ressalte-se, ainda, que não ficou demonstrado nos autos que a
anulação das dotações de pessoal efetuada no período deu causa à ausência de
empenhamento de despesas da mesma natureza no exercício de sua competência.

No tocante aos Relatórios Resumidos da Execução Orçamentária - REOs, do 10 ao 50


bimestres, e ao Relatório de Gestão Fiscal - RGF, do 10 semestre do exercício, embora os
inspetores da unidade técnica não tenham acolhido as declarações apresentadas na defesa,
fls. 1.062/1.067, as quais atestaram a afixação daqueles instrumentos em diversos prédios
públicos do Município, entende-se que tal documentação é capaz de elidir, em parte, a eiv
inicialmente apontada.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 01999/07

Contudo, permanece a falha atinente ao encaminhamento intempestivo da comprovação de


publicação e/ou divulgação dos supracitados relatórios ao Tribunal, consoante determinações
contidas nos arts. 17, § 10, e 18, § 1°, da Resolução Normativa RN - TC - 07/04, cuja
desobediência implica em multa automática e pessoal ao responsável, conforme dispõe o
art. 32, capute § 1°, da resolução, in verbis:

Art. 17 - (omissis)

§ 10 - Cópia do REO, acompanhada da respectiva comprovação de


publicação, deverá ser encaminhada ao Tribunal pelo Secretário das
Finanças, no caso do Estado, e pelos Prefeitos, em relação aos Municípios,
até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao de referência.

...
( )

Art. 18 - (omissis)

§ 1 ° -Cópia do RGF, acompanhada da respectiva comprovação de


publicação, deverá ser encaminhada ao Tribunal pelo Secretário das
Finanças, no caso do Poder Executivo do Estado, pelos Prefeitos, em relação
ao Poder Executivo dos Municípios e pelos titulares do Poder Legislativo do
Estado e dos Municípios, do Poder Judiciário, do Ministério Público e do
Tribunal de Contas do Estado, até o quinto dia útil do segundo mês
subseqüente ao de referência.

...
( )

Art. 32 - O atraso na entrega dos documentos, informações e dados


obrigatórios relativos ao PPA, LDO, LOA, BME, RGF e PCA, implicará, para o
responsável, em multa automática e pessoal no valor de R$ 500,00
(quinhentos reais) acrescido de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por dia de atraso,
este contado a partir do segundo dia após o vencimento do prazo previsto,
não podendo o valor total da multa ultrapassar o limite de R$ 1.600,00.

§ 1° - Em se tratando do MBA, do CMD e do REO, a multa automática


prevista no "caput" deste artigo será de R$ 100,00 (cem reais), sem prejuízo
do acréscimo do valor de R$ 20,00 por dia de atraso, este contado na forma
do "caput" deste artigo, não podendo o valor total da multa ultrapassar o
limite de R$ 1.600,00. (destaques inexistentes no texto de origem)

Em relação à Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO (Lei Municipal n. ° 63/2005),


fls. 103/109, agora conforme entendimento dos especialistas do Tribunal, persiste a eiva
respeitante à carência de sua publicação em veículo de imprensa oficial da Urbe ou no Diári9
Oficial do Estado - DOE, consoante determinação contida no art. 5°, § 1°, da reférida· .....•..

\
/.~ y~.
0\'
.. ' ...,ji\\sff
~
PROCESSOTC N.o 01999/07

Resolução Normativa RN - TC - 07/04, na sua redação original aplicável ao período ora


analisado, verbatim:

Art. 5° - (omissis)

§ 10 - Cópia autêntica da LDO e seus anexos, conforme disposto no inciso


lI, § 20, art. 35 do ADCT/CFcombinado com os artigos 165, § 20 da CF, 166
da CE,e 40 da LRF,com a devida comprovação de sua publicação no veículo
de imprensa oficial do município, quando houver, ou no Diário Oficial do
Estado, deve ser enviada ao Tribunal, até o quinto dia útil do mês de julho
de cada exercício, acompanhada da correspondente mensagem de
encaminhamento ao Poder Legislativo, e da comprovação da realização de
audiência pública prevista no artigo 48 da LRF.(nossos grifos)

No que respeita aos registros contábeis, a unidade de instrução assinalou algumas


incorreções, a saber: a) empenhamento em 2006 de despesas com pessoal e seus encargos,
bem como com material de consumo, todas relativas ao ano de 2005, no total de
R$ 236.247,85; b) ausência de empenhamento no exercício sub examine de gastos com
pessoal e seus encargos, na soma de R$ 385.181,02, contabilizados somente em 2007; e
c) contabilização de valores como DESPESASDE EXERCÍCIOS ANTERIORES, no montante de
R$ 263.924,11, referentes a dispêndios ocorridos nos últimos meses de 2005, que não se
enquadravam na definição do art. 37 da Lei Nacional n.o 4.320/64.

Tais discrepâncias, além de prejudicarem a análise dos peritos deste Sinédrio de Contas,
comprometem sobremaneira a confiabilidade dos registros contábeis do Município, pois
resultam na imperfeição dos demonstrativos que compõem a prestação de contas, que
deixaram de refletir a realidade orçamentária, financeira e patrimonial da Comuna. Ou seja,
o profissional de contabilidade não registrou as informações contábeis na forma prevista,
não somente nos artigos 83 a 106, da Lei Nacional n.O 4.320/64, mas, especialmente, no
art. 50, inciso lI, da Lei de Responsabilidade Fiscal - Lei Complementar Nacional n.o 101, de
04 de maio de 2000 -, que estabelece o regime de competência para a despesa pública,
verbo ad verbum:

Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a


escrituraçãodas contas públicasobservará as seguintes:

I -(omissis)

II - a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o


regime de competência,apurando-se, em caráter complementar, o resultado
dos fluxos financeiros pelo regime de caixa. (grifamos)
PROCESSOTC N.o 01999/07

Além disso, os balanços e o demonstrativo da dívida foram elaborados sem observar todos
os princípios fundamentais da contabilidade previstos nos artigos 20 e 30 da Resolução do
Conselho Federal de Contabilidade n.o 750, de 29 de dezembro de 1993, devidamente
publicada no Diário Oficial da União - DOU, datado de 31 de dezembro do mesmo ano,
ipsis litteris:

Art. 20 - Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a


essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade,
consoante o entendimento predominante nos universos científico e
profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido
mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.

Art. 3° - São PrincípiosFundamentaisde Contabilidade:

I) o da ENTIDADE;
lI) o da CONTINUIDADE;
IlI) o da OPORTUNIDADE;
IV) o do REGISTROPELOVALORORIGINAL;
V) o da ATUAUZAÇÃOMONETÁRIA;
VI) o da COMPETÊNCIA e
VII) o da PRUDÊNCIA.

No tocante ao tema licitação, os técnicos do Tribunal mantiveram como despesas não


licitadas a importância inicialmente apontada de R$ 370.682,97, fls. 1.778/1.779. Todavia,
não obstante o posicionamento dos analistas desta Corte de Contas, os gastos em tela
revelam alguns aspectos relevantes a serem comentados a seguir.

Destaque-se, primeiramente, os dispêndios com assessoria contábil e jurídica, pagos aos


DRS. ANTÔNIO DE PÁDUA DE OLIVEIRA, ANTÔNIO SOUZA DA SILVA e JOSÉ DUTRA DA
ROSA FILHO, bem como ao escritório PORTO, ADVOGADOS E CONSULTORES, no total de
R$ 64.100,00, assinalados como despesa não licitada pelos inspetores da unidade técnica,
fI. 1.009. Impende comentar que, não obstante as últimas decisões deste Pretório acerca da
admissibilidade da utilização de procedimento de inexigibilidade de licitação para a
contratação dos referidos serviços, guardo reservas em relação a esse entendimento por
considerar que tais despesas não se coadunam com aquela hipótese, tendo em vista não se
tratar de atividades extraordinárias que necessitam de profissionais altamente habilitados na
respectiva área, sendo, portanto, atividades rotineiras da Comuna.

In casu, o Alcaide deveria ter realizado concurso público para a contratação dos referidos
profissionais. Neste sentido, cabe destacar que a ausência do certame público para seleção
de servidores afronta os princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade
administrativa e da necessidade de concurso público, devidamente estabelecidos no capre- '
no inciso lI, do art. 37, da Constituição Federal, verbis: " ~

>f--t-~' r();o<i V
.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 01999/07

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade. publicidade e eficiência
e, também, ao seguinte:

I -(omissis)

11 - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação


prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com
a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração; (grifos ausentes no original)

Abordando o tema em disceptação, o insigne Procurador do Ministério Público de Contas,


Dr. Marcílio Toscano Franca Filho, nos autos do Processo TC n.o 02791/03, epilogou de
forma bastante clara uma das facetas dessa espécie de procedimento adotado por grande
parte dos gestores municipais, senão vejamos:

Não bastassem tais argumentos, o expediente reiterado de certos


advogados e contadores perceberem verdadeiros "salários" mensais da
Administração Pública, travestidos em "contratos por notória especialização",
em razão de serviços jurídicos e contábeis genéricos, constitui burla ao
imperativo constitucional do concurso público. Muito fácil ser profissional
"liberal" às custas do erário público. Não descabe lembrar que o concurso
público constitui meritório instrumento de índole democrática que visa
apurar aptidões na seleção de candidatos a cargos públicos, garantindo
impessoalidade e competência. JOÃO MONTEIRO lembrara, em outras
palavras, que só menosprezam os concursos aqueles que lhes não sentiram
as glórias ou não lhes absorveram as dificuldades. (grifos nossos)

Comungando com o supracitado entendimento, reportamo-nos, desta feita, à jurisprudência


do respeitável Supremo Tribunal Federal - STF, verbum pro verbo:

AÇÃO POPULAR - PROCEDÊNCIA - PRESSUPOSTOS. Na maioria das vezes,


a lesividade ao erário público decorre da própria ilegalidade do ato
praticado. Assim o é quando dá-se a contratação, por município, de serviços
que poderiam ser prestados por servidores, sem a feitura de licitação e sem
que o ato tenha sido precedido da necessária justificativa. (STF - 2a
Turma - RE nO 160.381jSP, ReI. Ministro Marco Aurélio, Diário da Justiça, 12
ago. 1994, p. 20.052)

Em referência às demais despesas consideradas como não licitadas pelos técnicos do y- .


Tribunal, R$ 306.582,97, cabem algun ajustes. O Convite n.o 19/2005, realiza / &~
), <~' ~ ,
i~t; "J

,. .
TRIBUNALDECONTASDO ESTADO

PROCESSO TC N.O 01999/07

contratação de serviços de consultoria e assessoria técnica contábil, administrativa e


financeira em administração pública, cuja vencedora foi a empresa RWR CONSULTORIAE
ASSESSORIALTDA., fls. 1.210/1.293, não pode ser aproveitado para respaldar despesas
realizadas no exercício financeiro de 2006, na quantia de R$ 16.800,00, pois inexiste
comprovação de que estas se enquadram nas exceções previstas no art. 57 da Lei
Nacionaln.o 8.666/93, in verbis:

Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à
vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos:

I - aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas


estabelecidas no Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se
houver interesse da Administração e desde que isso tenha sido previsto no
ato convocatório;

11 - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que


poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com
vistas à obtenção de preços e condições mais vantajosas para a
administração, limitada a sessenta meses;

III - (Vetado).

IV - ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática,


podendo a duração estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito)
meses após o início da vigência do contrato.

De forma diversa, a Tomada de Preços n.O 01/2006, bem como os Convites n.o 08, 09, lO,
14, 15 e 18/2006, todos acostados aos autos pelo defendente, devem ser considerados e,
assim, as despesas correspondentes devem ser subtraídas do montante não licitado, até o
limite do valor homologado. Entrementes, é imperioso deixar registrada a apresentação
extemporânea da maioria dos referidos procedimentos, haja vista que, durante a inspeção
realizada na Urbe, eles não foram disponibilizados à equipe de peritos deste Sinédrio de
Contas, conforme relatado nos itens "5.1.2" e "5.1.3", da peça técnica inicial,
fls. 1.009/1.010, ratificado na análise da defesa, fls. 1.778/1.779. Tal fato demonstra
desrespeito às determinações contidas no art. 42 da Lei Orgânica do TCE/PB - Lei
Complementar Estadual n.o 18, de 13 de julho de 1993 -, sujeitando a autoridade
responsável, sem prejuízo da demais penalidades previstas em lei, ao pagamento da multa
prevista no art. 56, inciso VI, daquela norma, verbatim:

Art. 42. Nenhum processo, documento ou informação poderá ser sonegado


ao Tribunal em suas inspecões ou auditorias, sob qualquer pretexto.

...
( )
PROCESSO TC N.O 01999/07
Art. 56. O Tribunal poderá também aplicar multa de até Cr$ 50.000.000,00
(cinqüenta milhões de cruzeiros) aos responsáveispor:

I- (omissis)

...
( )

VI - sonegação de processo, documento ou informação, em inspeções ou


auditorias realizadaspelo Tribunal; (grifamos)

Especificamente no que concerne ao Convite n.O 08/2006, com vistas à locação de software
de sistema de contabilidade e folha de pagamento, apesar de aceito, ficam mantidas as
observações feitas na análise dos técnicos da Corte, fls. 1.010/1.011, que constataram,
dentre outras falhas, que as empresas participantes IMPORT INFORMÁTICA LTDA. e ELMAR
PROCESSAMENTODE DADOS LTDA. funcionam no mesmo local e seus sócios residem no
mesmo endereço. Portanto, restou comprometido o caráter competitivo necessário a todo
procedimento Iicitatório, consoante preconiza o art. 30, caput, e § 10, inciso I, do Estatuto
das Licitações e Contratos Administrativos, verbo ad verbum:

Art. 30 A licitação destina-se a garantir a observância do pnnopio


constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a
Administração e será processadae julgada em estrita conformidade com os
princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da
igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao
instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são
correlatos.

§ 10 É vedado aos agentes públicos:

I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou


condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter
competitivo e estabeleçam preferências ou distinções em razão da
naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou de qualquer outra
circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do
contrato;

Feitas essas colocações, tem-se que as despesas não licitadas perfazem, em verdade, um
total de R$ 95.762,34, referentes à contratação de serviços de consultoria, R$ 16.800,00; às
aquisições de combustíveis, R$ 52.650,12, material de expediente, R$ 8.929,95, e material
esportivo, R$ 8.739,90; e, por fim, ao acesso à Internet, R$ 8.642,37.

Com efeito, é importante assinalar que a licitação é meio formalmente vinculado que
proporciona à Administração Pública melhores vantagens nos contratos e oferece a
administrados a oportunidade de participar d negócios públicos. Quando não~za
PROCESSO TC N.O 01999/07

representa séria ameaça aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade,


moralidade, publicidade e eficiência, bem como da própria probidade administrativa.

Nesse diapasão, traz-se à baila pronunciamento da ilustre representante do


Parquet especializado, Dra. Sheyla Barreto Braga de Queiroz, nos autos do Processo TC
n. o 04981/00, ipsis litteris.

A licitação é, antes de tudo, um escudo da moralidade e da ética


administrativa, pois, como certame promovido pelas entidades
governamentais a fim de escolher a proposta mais vantajosa às
conveniências públicas, procura proteger o Tesouro, evitando
favorecimentos condenáveis, combatendo o jogo de interesses escusos,
impedindo o enriquecimento ilícito custeado com o dinheiro do erário,
repelindo a promiscuidade administrativa e racionalizando os gastos e
investimentos dos recursos do Poder Público.

Em seguida, merece ênfase que a não realização dos mencionados procedimentos Iicitatórios
exigíveis vai, desde a origem, de encontro ao preconizado na Constituição de República
Federativa do Brasil, especialmente o disciplinado no art. 37, inciso XXI, verbis.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderesda


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios da legalidade, impessoalidade,moralidade, publicidade e eficiência
e, também, ao seguinte:

1-( ...)

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação. as obras. serviços.


compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação
pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigação de pagamento, mantidas as condições
efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as
exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações. (grifo ausente no original)

Saliente-se que as hipóteses infraconstitucionais de dispensa e inexigibilidade de licitação


estão claramente disciplinadas na Lei Nacional n.o 8.666/93. Neste contexto, é preciso
destacar que a não realização do certame, exceto nos restritos casos prenunciados na dita
norma, é algo que, de tão grave, consiste em crime previsto no art. 89, da própria Lei de
Licitações e Contratos Administrativos, senão vejamos:
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 01999/07

Art. 89 - Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei,


ou deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa ou à
inexigibilidade:

Pena- detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo Único. Na mesma pena incorre aquele que, tendo


comprovadamente concorrido para a consumação da ilegalidade,
beneficiou-se da dispensa ou inexigibilidade ilegal, para celebrar contrato
com o Poder Público.

Ademais, consoante previsto no art. 10, inciso VIII, da lei que dispõe sobre as sanções
aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato,
cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional - Lei
Nacional n.o 8.429, de 2 de junho de 1992 -, a dispensa indevida do procedimento de
licitação consiste em ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário,
verbum pro verbo:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao


erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens
ou haveres das entidades referidas no art. 10 desta lei, e notadamente:

1-(...)

VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo


indevidamente; (destaque inexistente no texto de origem)

Comungando com o supracitado entendimento, reportamo-nos, desta feita, à manifestação


do eminente Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, Dr. Marcílio
Toscano Franca Filho, nos autos do Processo TC n.O 04588/97, in verbis.

Cumpre recordar que a licitação é procedimento vinculado, formalmente


ligado à lei (Lei 8.666/93), não comportando discricionariedades em sua
realizaçãoou dispensa.A não realizacãode procedimento Iicitatório, fora das
hipóteses legalmente previstas, constitui grave infracão à norma legal,
podendo dar ensejo até mesmo à conduta tipificada como crime. (grifamos)

Em seguida, os analistas deste Pretório de Contas evidenciaram a ausencia de


empenhamento, pagamento e contabilização das contribuições previdenciárias patronais
devidas pelo Poder Executivo de Damião/PB ao Instituto Nacional do Seguro Social - I~tS;
r:
«;;»cl~
na quantia de R$ 97.780,71. Neste ponto, impende salientar, por oportuno, que a al~\:~

zit
PROCESSO TC N.O 01999/07

de 21% (vinte e um por cento) incide sobre o total da folha de pagamento, inclusive sobre
os subsídios dos agentes políticos, Prefeito e vice-Prefeito, que, uma vez não vinculados a
regime próprio de previdência social, são segurados obrigatórios do INSS, consoante dispõe
o art. 12, inciso I, alínea "j", da Lei Nacional n.o 8.212/91 - Lei de Custeio da Previdência
Social -, verbatim:

Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes


pessoas físicas:

I - como empregado:

a) (...)

j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que


não vinculado a regime próprio de previdência social; (grifos nossos)

Por conseguinte, a citada eiva, além de provocar inúmeros reflexos negativos nas contas,
representa séria ameaça ao equilíbrio financeiro e atuarial que deve perdurar nos sistemas
previdenciários, com vistas a resguardar o direito dos segurados em receber seus benefícios
no futuro, tudo em ardente desrespeito ao disposto no art. 195, inciso I, alínea "a", da Carta
Magna, c/c o art. 22, incisos I e lI, alínea "a", da Lei Nacional n.o 8.212/91,
respectivamente, verbo ad verbum:

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e
das seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da


lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou


creditados. a QualQuer título. à pessoa física Que lhe preste serviços. mesmo
sem vínculo empregatício;

Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social,


além do disposto no art. 23, é de:

I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou


creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o
trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos
habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer p lo 1-.....
,
tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos ter / t:•. ~

\.~\Y
r\,,~
-~
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N,o 01999/07

lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou


sentença normativa.

II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da


Lei n.O 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do
grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas,
no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos:

a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o


risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; (nossos grifos)

No que tange à contribuição previdenciária dos segurados, os inspetores da unidade técnica


verificaram que o Poder Executivo reteve no exercício sub studio apenas R$ 113.029,25, o
que representa 5,32% do total da folha de pagamento do período, R$ 2.125.672,97, sem
considerar aquela referente ao 13° salário, solicitada, mas não fornecida a esta Corte. Aqui,
é imperioso colocar que não houve, em 2006, qualquer retenção previdenciária sobre os
subsídios pagos ao Prefeito e ao vice-Prefeito da Urbe na época, fi. 1.019.

Logo, a retenção abaixo do percentual mínimo de incidência, que era da ordem de 7,65%,
sugere a carência de retenção e recolhimento à autarquia previdenciária federal de parte das
contribuições a cargo dos empregados. Ressalte-se, porém, que a apuração do valor
efetivamente devido pelos agentes políticos, servidores e contratados a serviço do Poder
Executivo de DamiãojPB, em 2006, deverá ser realizada pela Receita Federal do Brasil,
entidade responsável pela fiscalização e cobrança das contribuições previdenciárias devidas
ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.

Em todo caso, é importante frisar que as situações ora descritas, que dizem respeito às
contribuições previdenciárias, devidas por empregado e empregador, e não recolhidas à
Previdência Social, podem ser enquadradas como atos de improbidade administrativa que
atentam contra os princípios da administração pública, conforme estabelece o art. 11,
inciso I, da já mencionada lei que trata das sanções aplicáveis aos agentes públicos - Lei
Nacional n.o 8.429, de 02 de junho de 1992 -, ipsis litteris.

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da Administração Pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres da honestidade, imparcialidade, legalidade e a lealdade às
instituições, e notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso


daquele previsto, na regra de competência; (destaques ausentes no original)

Acerca dos repasses ao Consórcio Intermunicipal


estabelecido na legislação municipal, Observa-~
de Saúde em valores
o
:/o~,,\~
superiores
Municipal n. 03, datada de
PROCESSOTC N.o 01999/07

janeiro de 2001, fls. 932/933, autorizou a Comuna a participar do aludido consórcio, bem
como consentiu a destinação mensal de R$ 600,00 ou R$ 7.200,00 ao ano para sua
manutenção. Porém, consoante destacado na instrução do feito, fI. 1.020, o então Prefeito
Municipal transferiu, no exercício, a importância de R$ 15.660,00, fls. 930/931, superior em
R$ 8.460,00 ao limite previsto na lei específica municipal.

Não obstante, merece destaque o fato de que a Lei Orçamentária Anual - LOA, com as
atualizações ocorridas durante o exercício financeiro de 2006, previa dotação específica para
CONTRIBUIÇÃO AO CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE SAÚDE, no montante de
R$ 15.800,00, e a execução orçamentária alcançou, por sua vez, o somatório R$ 15.660,00.

Assim, fica patente a necessidade de apresentação de projeto de lei ao Poder Legislativo


local pela atual gestora do Município de Damião/PB, Sra. Maria Eleonora Soares, com o
intuito de atualizar o valor do repasse mensal da Comuna para o mencionado consórcio,
tendo em vista que a quantia fixada na Lei Municipal n.o 03/2001 não é bastante para as
demandas atuais, ainda que haja dotação suficiente fixada na LOA.

Relativamente ao pagamento de pessoal com valores abaixo do salário mínimo, fI. 1.022, é
preciso assinalar, de início, que o recebimento de estipêndios nunca inferiores ao mínimo
nacionalmente unificado constitui direito fundamental de qualquer trabalhador, inclusive do
servidor público de todas as esferas governamentais, consoante estabelece o art. 7°,
inciso IV, c/c o art. 39, § 3°, ambos da Carta Constitucional, verbis.

Art. 70 - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social:

I- (omissis)

IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de


atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e
previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

Art. 39. ( ...)

§ 3° Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no


art. 70, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX,
podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a
natureza do cargo o exigir. (grifo inexistente no texto de origem)

Nesse sentido, transcreve-se a Súmula n.? 27, do colendo Tribunal de Justiça do Estado da
Paraíba - TJ/PB, que veda, de forma peremptória, o pagamento de salários abaixo
mínimo nacionalmente unificado, senão vejamos:
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 01999/07

Súmula 27 do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba: É obrigação


constitucional do Poder Públicoremunerar seus servidores, ativos e inativos,
com piso nunca inferior ao salário mínimo nacional unificado, instituído por
Lei Federal.

Outrossim, cabe destacar que até mesmo para aqueles que possuem remuneração variável,
fixada por comissão, peça, tarefa ou outras modalidades, a obrigatoriedade de se pagar o
mínimo legal vigora, conforme preceitua o art. lO, da Lei Nacional nO 8.716, de 11 de
outubro de 1993, que dispõe sobre a garantia do salário mínimo e dá outras providências,
verbum pro verbo:

Art. 10 - Aos trabalhadores que perceberem remuneração variável, fixada


por comissão,peça, tarefa ou outras modalidades, será garantido um salário
mensal nunca inferior ao salário mínimo.

Finalmente, quanto às doações assistenciais a pessoas físicas, no montante de R$ 97.823,90,


realizadas pelo então Prefeito Municipal de Damião/PB, Sr. Geoval de Oliveira Silva,
verifica-se que tais dispêndios carecem do devido respaldo legal, haja vista não terem sido
autorizadas por lei específica, consoante determina o art. 26, caput, da reverenciada Lei de
Responsabilidade Fiscal- LRF, in verbis.

Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir


necessidadesde pessoasfísicas ou déficits de pessoasjurídicas deverá ser
autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de
diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos
adicionais. (grifamos)

Diante deste contexto, merece destaque o fato de que 05 (cinco) das máculas
remanescentes nos presentes autos constituem motivo de emissão, pelo Tribunal, de parecer
contrário à aprovação das contas do ex-Prefeito Municipal de Damião/PB, conforme disposto
nos itens "2", "2.2", "2.5" e "2.10", do Parecer Normativo PN - TC - 52/2004, verbatim:

2. Constituirá motivo de emissão, pelo Tribunal, de PARECERCONTRÁRIOà


aprovação de contas de Prefeitos Municipais, independentemente de
imputação de débito ou multa, se couber, a ocorrência de uma ou mais das
irregularidadesa seguir enumeradas:

2.1. (omissis)

...
( )
PROCESSOTC N.o 01999/07

2.2. não pagamento efetivo do salário mínimo nacionalmente unificado;

...
( )

2.5. não retenção e/ou não recolhimento das contribuições previdenciárias


aos órgãos competentes (INSS ou órgão do regime próprio de previdência,
conforme o caso), devidas por empregado e empregador, incidentes sobre
remunerações pagas pelo Município;

...
( )

2.10. não realização de procedimentos Iicitatórios quando legalmente


exigidos;

Diante as diversas transgressões a disposições normativas do direito objetivo pátrio,


decorrentes da conduta implementada pelo ex-Chefe do Poder Executivo da Comuna de
Damião, Sr. Geoval de Oliveira Silva, resta configurada a necessidade imperiosa de
imposição da multa máxima de R$ 2.805,10 - valor atualizado pela Portaria n.o 039/06 do
TCE/PB -, prevista no art. 56, incisos 11e VI, da Lei Orgânica do TCE/PB - Lei Complementar
Estadual n.o 18, de 13 de julho de 1993, verbo ad verbum:

Art. 56 - O Tribunal pode também aplicar multa de até Cr$ 50.000.000,00


(cinqüenta milhões de cruzeiros) aos responsáveis por:

I- (omissis)

II - infração grave a norma legal ou regulamentar de natureza contábil,


financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;

...
( )

VI - sonegação de processo, documento ou informação, em inspeções ou


auditorias realizadas pelo Tribunal;

Ex positis, proponho que o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba:

1) Com base no art. 71, inciso I, c/c o art. 31, § 1°, da Constituição Federal, no art. 13, § 10,
da Constituição do Estado da Paraíba" e no art. 1°, inciso IV, da Lei Complementar Estadual
n. ° 18/93, EMITA PARECER CONTRARIO à aprovação das contas de governo do ex-Prefeito
Municipal de Damião/PB, Sr. Geoval de Oliveira Silva, relativas ao exercício financeiro de
2006, encaminhando-o à consideração da ego Câmara de Vereadores do Município para
julgamento político da referida autoridade.
PROCESSO TC N.o 01999/07

2) Com fundamento no art. 71, inciso lI, da Constituição do Estado da Paraíba, bem como
no art. 1°, inciso I, da Lei Complementar Estadual n.o 18/93, JULGUE IRREGULARES as
contas de gestão do ex-Ordenador de Despesas da Comuna no exercício financeiro de 2006,
Sr. Geoval de Oliveira Silva.

3) APLIQUE MULTA ao ex-Chefe do Poder Executivo de Damião/PB, Sr. Geoval de Oliveira


Silva, no valor de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e dez centavos), com base
no que dispõe o art. 56, incisos II e VI, da Lei Complementar Estadual
n.O 18/93 - LOTCE/PB.

4) FIXE o prazo de 60 (sessenta) dias para o recolhimento voluntário da penalidade ao


Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 3°,
alínea "a", da Lei Estadual n.O 7.201, de 20 de dezembro de 2002, cabendo à Procuradoria
Geral do Estado da Paraíba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele
período, velar pelo integral cumprimento da decisão, sob pena de intervenção do Ministério
Público Estadual, na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 4°, da Constituição
do Estado da Paraíba, e na Súmula n.o 40, do ego Tribunal de Justiça do Estado da
Paraíba - TJ/PB.

5) FAÇA recomendações no sentido de que a atual Prefeita da Urbe, Sra. Maria Eleonora
Soares, apresente projeto de lei ao Poder Legislativo Municipal, com o intuito de atualizar o
valor do repasse mensal da Comuna para o Consórcio Intermunicipal de Saúde, tendo em
vista que a quantia fixada na Lei Municipal n.° 03/2001 não é suficiente para as
necessidades atuais, bem como observe, sempre, os preceitos constitucionais, legais e
regulamentares pertinentes durante a sua gestão.

6) Com fulcro no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, caput, da Constituição Federal,
COMUNIQUE à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campina Grande/PB, acerca da
ausência de retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos agentes
políticos do Poder Executivo de Damião/PB, da insuficiência das retenções previdenciárias
realizadas sobre a folha de pagamento do Poder Executivo, bem como da carência de
pagamento de parte das obrigações patronais devidas sobre as remunerações pagas, todas
devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS durante o exercício financeiro de
2006.

7) Também com base no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, cabeça, da Lei Maior, REMETA
cópias das peças técnicas, fls. 1.006/1.023 e 1.771/1.787, do parecer do Ministério Público
Especial, fls. 1.789/1.799, e desta decisão à augusta Procuradoria Geral de Justiça do Estado
da Paraíba, bem como à egrégia Procuradoria da República na Paraíba para as providências
cabíveis.

É
-.r;;p
<:
-'...\.
a propo ao-(" ):~
'~
'.""".'Sc ()J .
,,<.t:'V